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AUXÍLIO-RECLUSÃO – O que é e como funciona

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Índice
 O que é
 Quem tem direito
 Requisitos
 Duração do benefício
 Data de início do benefício
 Valor do Auxílio-Reclusão

O que é o auxílio-reclusão?
O auxílio-reclusão é o benefício devido aos dependentes do
segurado da Previdência Social que vier a ser preso.

Até a edição da medida provisória nº 871/2019, tanto os


dependentes de presos em regime fechado como em regime
semi-aberto possuíam direito ao benefício. Com a entrada em
vigor da MP, o artigo 80 da Lei 8.213/91 passou a prever
expressamente que somente os dependentes do recolhido à
prisão em regime fechado terão direito.

Quem tem direito?


Os dependentes do segurado, em ordem de classes
excludentes, quais sejam:

1. o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não


emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos
ou inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental ou
deficiência grave;
2. os pais;

3. o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21


(vinte e um) anos ou inválido ou que tenha deficiência intelectual
ou mental ou deficiência grave.

Os segurados da primeira classe possuem presunção de


dependência econômica, já os demais devem comprová-la.

Requisitos
O segurado deve possuir qualidade de segurado na data da
prisão, estar recluso em regime fechado ou semiaberto ou
cautelarmente, não estar em gozo de nenhum benefício
previdenciário e possuir o último salário de contribuição abaixo
do valor previsto na Portaria Ministerial editada anualmente
para atualizar o valor-limite:

PERÍODO LIMITE (SB) PORTARIA

A partir de 01/01/2018 1.319,18 PORTARIA N°15, DE 16/01/

A partir de 01/01/2017 1.292, 43 PORTARIA N°8, DE 13/01/2

A partir de 01/01/2016 1.212,64 PORTARIA N°1, DE 08/01/2

A partir de 01/01/2015 1.089,72 PORTARIA N° 13, DE 09/01/

A partir de 01/01/2014 1.025,81 PORTARIA N° 19, DE 10/01/

A partir de 01/01/2013 971,78 PORTARIA N° 15, DE 10/01/


A partir de 01/01/2012 915,05 PORTARIA Nº 02, DE 06/01/
PERÍODO LIMITE (SB) PORTARIA

A partir de 01/01/2011 862,60 PORTARIA Nº 407, DE 14/07

A partir de 01/01/2010 810,18 PORTARIA Nº 333, DE 29/06

A partir de 01/02/2009 752,12 PORTARIA Nº 48, DE 12/02/

A partir de 01/03/2008 710,08 PORTARIA N° 77, DE 11/03/

A partir de 01/04/2007 676,27 PORTARIA N° 142, DE 11/04

A partir de 01/08/2006 654,67 PORTARIA N° 342, DE 17/08

A partir de 01/05/2005 623,44 PORTARIA N° 822, DE 11/05

A partir de 01/05/2004 586,19 PORTARIA N° 479, DE 07/05

A partir de 01/06/2003 560,81 PORTARIA N° 727, DE 30/05

A partir de 01/06/2002 468,47 PORTARIA N° 525, DE 29/05

A partir de 01/06/2001 429,00 PORTARIA N° 1.987, DE 04/

A partir de 01/06/2000 398,48 PORTARIA N° 6.211, DE 25/

A partir de 01/05/1999 376,60 PORTARIA N° 5.188, DE 06/

A partir de 16/12/1998 360,00 PORTARIA N° 4.883, DE 16/

Salienta-se que se no momento do fato gerador (reclusão) o


segurado estiver desempregado, a renda a ser considerado é
zero (Tema 896/STJ).

Outrossim, a jurisprudência já consolidou que o critério


econômico é passível de flexibilização ante as características do
caso concreto.

A partir da Medida Provisória nº 871/2019 instituiu-se carência


de 24 meses para o benefício, e determinou-se que a aferição
da renda mensal bruta para enquadramento do segurado
ocorrerá pela média dos salários de contribuição apurados no
período de doze meses anteriores ao mês do recolhimento à
prisão.

Duração do benefício
Caso o segurado seja posto em liberdade, fuja da prisão ou
passe a cumprir pena em regime aberto, o benefício é cessado.

Além disto, aplicam-se as regras da cessação da cota-parte da


pensão por morte do cônjuge e companheiro no auxílio-
reclusão, devendo-se verificar as hipóteses do art. 77, § 2º da
Lei 8.213/91.

Para o(a) filho(a) o benefício cessará ao completar 21 anos,


salvo se inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental
ou deficiência grave.

Para os demais beneficiários o benefício cessará com seu óbito,


se o segurado não for posto em liberdade.

Data de início do benefício


O benefício será devido a partir da reclusão caso requerido em
até 90 dias. Do contrário, será devido a partir do requerimento.

Valor do benefício
O valor do benefício é o equivalente a 100% do valor que o
segurado receberia a título de aposentadoria por invalidez.
PRECEDENTES
Afinal de contas, o que é um precedente? Em termos gerais, é
a decisão tomada sob um contexto fático, cuja razão de decidir
(ratio decidendi) será utilizada para decidir casos futuros. Na
sistemática do novo Código de Processo Civil, os precedentes
judiciais ganharam eficácia vinculante, estabelecendo um rol de
decisões (artigo 927) que, em princípio, deverão ser seguidas
obrigatoriamente por todos os juízes:
Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão:

I – as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de


constitucionalidade;

II – os enunciados de súmula vinculante;

III – os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de


demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial
repetitivos;

IV – os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria


constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional;

V – a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados.

Importante salientar que no âmbito dos Juizados Especiais


Federais, as Súmulas e enunciados exarados pela Turma
Nacional de Uniformização e pelas Turmas Regionais de
Uniformização possuem caráter vinculante apenas para as
causas que tramitam neste microssistema, em que pese
possam ter eficácia persuasiva.

De outra banda, temos a jurisprudência, que se consubstancia


em um conjunto de decisões e interpretações dadas pelos
tribunais sobre uma determinada matéria. O precedente insere-
se dentro deste conceito. Todavia, a jurisprudência em sentido
lato não possui eficácia vinculante, apenas persuasiva.
Muito embora o rol de decisões do artigo 927 do CPC tenha
caráter vinculante, estas decisões não encerram a discussão
sobre a matéria, quando houver possibilidade de se demonstrar
a distinção do caso concreto com a decisão vinculante ou ainda
a superação do entendimento.

Assim, é imprescindível para o Advogado Previdenciarista


conhecer os precedentes obrigatórios e a jurisprudência
relacionada a todas as matérias do Direito Previdenciário, na
medida em que constituem argumentos de elevado valor para
convencimento, ou até vinculação, do julgador da causa.

PRECEDENTES VINCULANTES
Tema 896/STJ – Para a concessao ̃ de auxi ́lio-reclusao
̃ (art. 80
da Lei 8.213/1991), o critério de aferiçaõ de renda do segurado
que nao ̃ exerce atividade laboral remunerada no momento do
recolhimento à prisao ̃ é a ausência de renda, e nao ̃ o último
salário de contribuiçao
̃ .

JURISPRUDÊNCIA
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. DIREITO
PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIO-RECLUSÃO. POSSIBILIDADE DE
FLEXIBILIZAÇÃO DO CRITÉRIO ECONÔMICO ABSOLUTO
PREVISTO NA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PREVALÊNCIA
DA FINALIDADE DE PROTEÇÃO SOCIAL DA PREVIDÊNCIA
SOCIAL. AGRAVO REGIMENTAL DO INSS DESPROVIDO.

1. A afetação de tema pelo Superior Tribunal de Justiça como


representativo da controvérsia, nos termos do art. 543-C do
CPC, não impõe o sobrestamento dos recursos especiais que
tratem de matéria afetada, aplicando-se somente aos tribunais
de segunda instância.

2. O benefício de auxílio-reclusão destina-se diretamente aos


dependentes de segurado que contribuía para a Previdência
Social no momento de sua reclusão, equiparável à pensão por
morte; visa a prover o sustento dos dependentes, protegendo-
os nesse estado de necessidade.

3. À semelhança do entendimento firmado por esta Corte, no


julgamento do Recurso Especial 1.112.557/MG, Representativo
da Controvérsia, onde se reconheceu a possibilidade de
flexibilização do critério econômico definido legalmente para a
concessão do Benefício Assistencial de Prestação Continuada,
previsto na LOAS, é possível a concessão do auxílio-reclusão
quando o caso concreto revela a necessidade de proteção
social, permitindo ao Julgador a flexiblização do critério
econômico para deferimento do benefício, ainda que o salário
de contribuição do segurado supere o valor legalmente fixado
como critério de baixa renda.

4. No caso dos autos, o limite de renda fixado pela Portaria


Interministerial, vigente no momento de reclusão da segurada,
para definir o Segurado de baixa-renda era de R$ 623,44, ao
passo que, de acordo com os registros do CNIS, a renda
mensal da segurada era de R$ 650,00, superior aquele limite 5.
Nestas condições, é possível a flexibilização da análise do
requisito de renda do instituidor do benefício, devendo ser
mantida a procedência do pedido, reconhecida nas instâncias
ordinárias.

5. Agravo Regimental do INSS desprovido.


(AgRg no REsp 1523797/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES
MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/10/2015, DJe
13/10/2015)