Você está na página 1de 7

EDUCAÇÃO ESPECIAL

NOTA PRÉVIA

INTRODUÇÃO

A Educação Especial, através dos Docentes de Educação Especial (DEE), intervém


na realidade escolar, realizando ações diversificadas e interagindo deliberadamente
como protagonistas variados tendo em vista a educação das crianças e jovens com
Necessidades Educativas Especiais de Carater Permanente (NEE-CP) de acordo com
a política inclusiva que orienta os normativos legais do Estado Português, a formação
académica e as práticas pedagógicas dos docentes.

OBJETIVOS DA INTERVENÇÃO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL

A intervenção da Educação Especial assenta essencialmente em duas grandes linhas


de ação. A primeira consubstancia a resposta à necessidade de reflexão, avaliação e
planificação de atividades e caracteriza-se por um funcionamento virado para as
necessidades das escolas. A ação da Educação Especial orienta-se para a
colaboração com os órgãos de gestão e de coordenação pedagógica da Escola e com
os conselhos de docentes e de turma na detenção e avaliação de necessidades
educativas especificas e na organização e incremento dos apoios especializados
adequados.

A segunda linha de ação centra-se no trabalho direto com os alunos, através da


função primordial de avaliação (diagnóstica e formativa) e de participação na avaliação
sumativa e da prestação de aulas individualizadas. A Educação Especial contribui para
a diversificação de estratégias e métodos educativos de forma a promover o
desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos com NEE-CP, reforçando e
desenvolvendo competências específicas ou áreas curriculares específicas.

PROCESSO DE AVALIAÇÃO DOS ALUNOS COM NEE-CP

PROCESSO DE REFERENCIAÇÃO

A referenciação de alunos pode ser feita por qualquer pessoa, à Direção do


Agrupamento, devendo explicitar as dificuldades do aluno, que motivam a
referenciação, devendo a mesma ser acompanhada de todos os documentos e
informações que se considerem pertinentes. À Educação Especial compete
desenvolver as ações previstas na legislação, no sentido de avaliar os alunos
referenciados, confirmando ou não a necessidade de uma avaliação especializada.
Esta opinião é expressa num parecer, no qual constam as razões que determinam a
avaliação ou não. Este parecer é elaborado em colaboração com a psicóloga do
Agrupamento.

Quando a decisão é de avaliar o aluno, o DEE deve recolher o máximo de informação


possível de modo a agilizar o período temporal desta avaliação.
AVALIAÇÃO DIAGNÓTICA

O máximo de rigor profissional é posto na categorização das necessidades educativas


dos alunos referenciados. Os critérios de avaliação subjacentes a esta fase do
processo respondem pela necessidade de que nenhum aluno com deficiência seja
alvo de exclusão na aprendizagem. De igual modo, nenhum aluno referenciado e
avaliado irá beneficiar de medidas especiais de compensação de que não tenha
efetiva necessidade, por tal não ser justo nem benéfico para o normal funcionamento
das suas aprendizagens. A ação dos DEE é clarificada nesta fase através da
avaliação ao nível da atividade e participação, com a aplicação de instrumentos de
avaliação e com a colaboração dos docentes titulares de turma/ diretores de turma.
Posteriormente é elaborado o Relatório Técnico Pedagógico. Este documento traduz a
avaliação do aluno referenciado de acordo com a Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), A Equipa Pluridisciplinar que elabora
este relatório é constituída pela saúde, serviço de psicologia, docentes de educação
especial e técnicas de serviço social.

No Relatório Técnico Pedagógico é tipificada a área de desenvolvimento em que as


NEE se manifestam, sensorial (audição visão), mental (intelectual, linguagem,
emocional), voz e fala, neuromúsculo esqueléticas e saúde física e propor as medidas
a implementar (apoio pedagógico personalizado, adequações curriculares individuais,
adequações no processo de matrícula, adequações no processo de avaliação,
currículo específico individual e tecnologias de apoio) e também se deve ou não
proceder à integração em turma de número reduzido de aluno, pela necessidade de
apoio individualizado e sistematizado.

AVALIAÇÃO FORMATIVA

Com aprovação pelo Conselho Pedagógico e homologação pelo Diretor do


Agrupamento, do PEI do aluno, com a anuência expressa do encarregado de
educação, conclui-se uma parte do processo e fica determinada a situação dos alunos
com NEE, dando-se início à fase de implementação das medidas aprovadas. Quando
a educação especial intervém na prestação do apoio pedagógico personalizado e na
definição de outras medidas educativas adequadas à consecução do tipo de currículo
que for definido ao aluno, dá-se início à avaliação formativa e os DEE passam a
desenvolver ações de intervenção pedagógica direta com os alunos que experienciam
dificuldades especiais permanentes de acesso ao currículo ou ainda com os que, com
deficiências mais graves, devem realizar currículos com substanciais diferenças
relativamente ao currículo normal.

O apoio pedagógico direto que o DEE prestam aos alunos com NEE-CP, incide no
desenvolvimento de competências específicas e genericamente sobre estruturas do
desenvolvimento e da aprendizagem, articulando-as de forma equilibrada na sua
intervenção, numa perspetiva de promoção do desenvolvimento proximal do aluno e
para obter deste uma adesão mais significativa às aprendizagens curriculares que lhe
foram definidas. Não sendo a Educação Especial uma disciplina (apesar de ter um
carater disciplinar nos CEI- currículos específicos individuais), a intervenção direta da
educação especial facilita a aquisição e a consolidação das capacidades de
desempenho cognitivas, comunicativas, linguísticas e motoras, indispensáveis à
consecução mais geral do seu sucesso pessoal, escolar, social e emocional e bem –
estar físico.

A avaliação formativa dos alunos com NEE pela Educação Especial consiste,
nomeadamente, na formulação de juízos qualitativos sobre o desenvolvimento
(cognitivo, linguístico e emocional) e as aprendizagens académicas básicas relevantes
e necessárias para o acesso ao currículo (comunicar, pensar, ler, escrever, calcular),
que constituem o cerne da intervenção direta do DEE, de acordo com os pontos 1,
alínea d) e 3 do artigo 17 e ponto 2 e4 do artigo 18, do decreto lei nº3 /2008.

A avaliação formativa realizada pela Educação Especial envolve:

a) Uma componente específica, relacionada com o trabalho direto com os alunos


portadores de NEE desenvolvido individualmente ou em pequenos grupos
(CEI);
b) Desenvolvimento de competências específicas (alínea d) do artigo 17º)
c) Uma componente de articulação de juízos com os outros intervenientes no
processo educativo, nomeadamente o diretor de turma/professor titular de
turma/educador do grupo, através da participação em conselhos de
turma/conselhos de docentes e ainda em reuniões com os encarregados de
educação e outros técnicos envolvidos no processo educativo.
d) Uma componente de formalização de juízos inscritos em quadro próprio da
Educação especial nos relatórios de avaliação final de ano (relatório
circunstanciado ), previstos no ponto 3 do artigo 13 do decreto lei nº 3/2008.

Para além do carater eminentemente formativo, estas quatro componentes


produzem efeitos designadamente nas seguintes áreas:

- Determinação e reavaliação das condições especiais de avaliação adequadas.

- Determinação e reavaliação do tipo de adaptações curriculares de que o aluno


deve beneficiar.

- Propostas de encaminhamento para avaliação e acompanhamento terapêutico


/psicológico.

- Propostas fundamentadas de turmas reduzidas.

Estas medidas são mantidas ou alteradas, agravando ou não a sua restrição, de


acordo com seguinte critério essencial

a avaliação do aluno com NEE deve orientar-se sempre no sentido de proporcionar


as melhores possibilidades de acesso académico e pessoal de que os agentes
educativos envolvidos acreditam que o aluno é capaz de atingir e que melhor serve
a inclusão em ambientes educativos regulares na perspetiva de conclusão da
escolaridade obrigatória num tempo adequado às suas capacidades com o
currículo que melhor serve a sua aprendizagem. (este critério aplica-se tanto à
avaliação formativa como sumativa)
AVALIAÇÃO SUMATIVA

A avaliação sumativa dos alunos com NEE é feita em conselho de turma/conselho de


docentes para atribuição das classificações qualitativas (alunos CEI) e quantitativas e
decidir da sua transição ou retenção, processo que conta necessariamente com a
participação dos DEE. Nos conselhos do 3º período são ainda aprovados os relatórios
circunstanciados, elaborados por todos os intervenientes.

No aspeto particular da avaliação sumativa externa, os critérios de avaliação dos


alunos com NEE -CP deixam de depender exclusivamente do tipo de adaptação
curricular implementada. A partir do momento em que a condição especial de
avaliação nas provas finais de ciclo, denominada provas finais ao nível de escola,
deixou de ser um direito a que os alunos com adequações curriculares acediam
diretamente, passando a estar sujeita à elaboração de uma proposta fundamentada
em conselho de turma/conselho de docentes deferida ou não pelo diretor do
Agrupamento de escolas, o estabelecimento de critérios de avaliação do currículo que
o aluno deve realizar, torna-se uma tarefa mais exigente e delicada. Tais critérios
devem ser amplamente discutidos pela comunidade escolar, sendo que envolvem,
entre outras, decisões relativas ao futuro académico do aluno e à possibilidade de
realização de cursos profissionalizantes.

Critérios de Avaliação Alunos com NEECP- alunos CEI

Domínios da Categorias do Domínio Instrumentos de


aprendizagens Avaliação
Assiduidade Registos e grelhas de
Pontualidade observação direta
Cumprimento de regras elaborados pela Educação
Comportamentos e Responsabilidade especial
atitudes Respeito pelo outro e pelo património Registo de autoavaliação
Adequação de atitudes em diferentes Dossier de trabalhos do
contextos aluno em Educação
Atenção e concentração especial.
Empenho Competências
Autonomia planificadas e
Iniciativa na execução das tarefas desenvolvidas
Capacidade de tomar decisões - Fichas de avaliação em
Competências de interação social e contexto.
de cidadania - Fichas de trabalho
- Experiencias
Conhecimentos Disciplinas em contexto turma sociocupacionais.
Áreas disciplinares específicas: OUTROS
Português funcional INSTRUMENTOS
Matemática funcional - Relatório de observação
Língua Estrangeira e avaliação especializada
Conhecimento do Meio em Educação especial.
Transição para a vida adulta - Programa Educativo
Desporto adaptado Individual
Motricidade -Registo de Avaliação CEI
Autonomia - Plano Individual de
Transição
Socialização - Relatório
Circunstanciado

Todas as categorias dos domínios assinalados são avaliadas de acordo com o


que está escrito no programa educativo individual na área – Programação_ para
os alunos com CEI.

Critérios de Avaliação Alunos com NEECP- Adequações Curriculares Individuais

Domínios da Categorias do Domínio Instrumentos de


aprendizagens Avaliação
Assiduidade Educação especial
Pontualidade Dossier de trabalhos do
Cumprimento de regras aluno em Educação
Comportamentos e Responsabilidade especial.
atitudes Respeito pelo outro e pelo património Competências
Adequação de atitudes em diferentes planificadas e
contextos desenvolvidas
Atenção e concentração - Fichas de avaliação em
Empenho contexto.
Autonomia - Fichas de trabalho
Iniciativa na execução das tarefas
Capacidade de tomar decisões
Competências de interação social e
de cidadania
OUTROS
INSTRUMENTOS
Conhecimentos Avaliação das disciplinas em contexto - Relatório de observação
turma. e avaliação especializada
em Educação especial.
Objetivos intermédios definidos na - Programa Educativo
programação de cada disciplina que Individual
assim a determine. - Relatório
Circunstanciado
Introdução de áreas específicas
(Braille, língua gestual )

Os alunos abrangidos pela medida educativa, adequações no processo de


avaliação, são avaliados de acordo com o que está estabelecido na turma, sendo
os objetivos intermédios avaliados de forma qualitativa.

Ponto 6:

A avaliação de alunos com necessidades educativas especiais de carater permanente,


abrangidos pelo decreto-lei 3 de 2008, é feita de acordo com as normas definidas para
todos os alunos, tendo contudo especificidades que devem ser consideradas de
acordo com as medidas educativas definidas no respetivo Programa Educativo
Individual, tendo em conta a tipificação das necessidades educativas de cada aluno.
Assim para os alunos abrangidos pelo artigo 18º (adequações curriculares individuais)
do decreto supracitado, devem ser elaboradas as referidas adequações para cada
disciplina, pelo docente titular de turma/ docente da disciplina, com a colaboração do
docente de educação especial, se necessário, tendo em conta a avaliação intercalar e
as recomendações descritas no relatório circunstanciado. As adequações curriculares
individuais são feitas em documento próprio, e são avaliadas trimestralmente, com a
seguinte nomenclatura:
-A (Adquirido), EA (Em Aquisição), NA (Não Adquirido), NT (Não Trabalhado). As
adequações curriculares devem ser reformuladas sempre que os docentes considerem
necessário
Os alunos abrangidos pelo artigo 20º (adequações no processo de avaliação),
à sua avaliação formal, acresce os termos definidos no programa educativo do aluno,
sendo estes definidos no início de cada ano letivo pelos docentes titulares de
turma/docentes da disciplina, com a colaboração dos docentes de educação especial,
em documento próprio.
Os alunos abrangidos pelo artigo 21º decreto-lei 3/2008 de 7 de janeiro Currículo
Especifico Individual (CEI), são avaliados de acordo com o currículo definido no seu
Programa Educativo Individual. Os critérios são definidos individualmente em cada
PEI. A avaliação dos alunos abrangidos por esta medida educativa, expressa-se numa
menção qualitativa, acompanhada de uma apreciação descritiva sobre a evolução do
aluno (artigo 8.º, ponto 10, do despacho normativo n.º 13/2014 de 15 de setembro). A
referir:
Educação Especial (Currículo Específico Individual- CEI)
Percentagem Menção
0%a 49% Insuficiente,
50%a 69% Suficiente
70% a 89% Bom
90% a 100% Muito Bom

Esta avaliação é preenchida trimestralmente pelos docentes de educação especial e


por todos os docentes que lecionam disciplinas frequentadas pelos alunos com a
medida educativa CEI, em documento próprio, (Registo de avaliação CEI).
Relativamente aos alunos abrangidos pela medida (CEI), no início do ano letivo é
elaborado uma programação para cada disciplina que faz parte do seu currículo. Esta
programação é avaliada trimestralmente com a nomenclatura de
A (Adquirido), EA (Em Aquisição), NA (Não Adquirido), NT (Não Trabalhado).
Nota: Os documentos Adequações Curriculares Individuais, Adequações no Processo
de Avaliação, Programação CEI, Fazem parte integrante do Programa Educativo
Individual (PEI). Estes documentos, assim como o Registo de Avaliação CEI, foram
aprovados pelo Conselho Pedagógico