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Índice

1. Introdução ..................................................................................................................... 2

2. Objectivo ...................................................................................................................... 3

2.1 Objectivo geral ........................................................................................................ 3

2.2 Objectivos especifico .............................................................................................. 3

3. Prescrição medicamentosa ............................................................................................ 4

3.1 Normas gerais ......................................................................................................... 4

3.2 Prescrição medicamentosa em odontopediatria ...................................................... 4

4. Medicamentos de interesse em odontopediatria ........................................................... 5

4.1 Ansioliticos ............................................................................................................. 5

4.1.1 Diazepam .......................................................................................................... 6

4.1.2 Midazolam........................................................................................................ 6

4.2 Analgésicos ............................................................................................................. 7

4.2.1 Parecetamol ...................................................................................................... 7

4.2.2 Ibuprofeno ........................................................................................................ 7

4.2.3 Dipirona............................................................................................................ 7

4.3 Antibiocoterapia em odontopediatria...................................................................... 8

4.3.1 Penicilinas ........................................................................................................ 9

4.3.2 Cefalosporina ................................................................................................. 12

4.3.3 Macrolideos .................................................................................................... 13

4.4 Antivirais .............................................................................................................. 15

4.5 Antifúngicos.......................................................................................................... 16

5. Fórmulas empregadas no cálculo de doses medicamentosas infantis ........................ 17

6.Conclusão .................................................................................................................... 18

7. Referência Bibliográfica ............................................................................................. 19

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1. Introdução
A odontopediatria é a especialidade odontológica que cuida da saúde bucal das crianças.
Sabe-se que o grande medo apresentado pelos pacientes adultos na cadeira do dentista
tem origem nas experiências negativas de tratamentos odontológicos ocorridos na
infância. Por esse motivo, o papel do odontopediatra é de grande relevância na
odontologia. Os odontopediatras são responsáveis pelo atendimento das crianças desde
bebês até adolescência.

Na prescrição para crianças, há necessidade de uma maior quantidade de detalhes nas


orientações, principalmente quanto à adequação de doses, aumentando assim a
possibilidade de receitas confusas e incompletas. Um erro na prescrição pode ser
comprometedor à adesão e ao sucesso do tratamento. Em um paciente pediátrico, os riscos
de toxicidade medicamentosa aumentam ainda mais devido ao baixo peso e menor idade.
É de grande importância uma receita escrita de forma legível e que a mesma seja bem
compreendida pelo responsável. (CASTILHO; PAIXÃO; PERINI, 1999).
Ao indicar um medicamento para um paciente pediátrico, o cirurgião-dentista deve
selecionar o fármaco com menor risco de toxicidade, considerar seus efeitos adversos,
benefícios, disponibilidade e custo acessível.
O profissional que medica uma criança deve conhecer as formas farmacêuticas de
administração do princípio ativo que escolheu para o tratamento. Para que a dosagem seja
correta, há que se realizar os cálculos da dose de cada medicamento para cada paciente.
Este trabalho contém o essencial para o conhecimento sobre como elaborar uma correta
prescrição medicamentosa em odontopiatria.

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2. Objectivo
2.1 Objectivo geral
 Conhecer principais medicamentos na clínica odontológica infantil e analisar,
dentre os tratamentos propostos, os medicamentos mais indicados no atendimento
a esses pacientes.
2.2 Objectivos especifico
 Avaliar como deve ser escrita uma prescrição medicamentosa, suas normas e
recomendações.
 Apresentar formas farmacêuticas mais recomendadas para uso em
odontopediatria.
 Mencionar indicações e contra-indicacoes, efeitos indesejáveis dos medicamentos
mais utilizados na clínica odontopediátrica.
 Apresentar protocolo medicamentoso (a dosagem medicamentosa, freqüência de
administração e tempo de tratamento).
 Apresentar as fórmulas empregadas no cálculo de doses de medicamentos em
odontopediatria.
 Explicar os cuidadados a ter em terapeutica na odontopediatria.
 Mencionar os aspectos que se deve ter em conta na terapeutica odontopediatrica.

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3. Prescrição medicamentosa
A prescrição medicamentosa é um documento legal pelo qual se responsabilizam quem
prescreve (cirurgião-dentista, médico) e quem dispensa a medicação (farmacêutico),
estando sujeito a legislações de controle e vigilância sanitários (CASTILHO; PAIXÃO;
PERINI, 1999).
3.1 Normas gerais
Com base nessas regulamentações e de acordo com Wannmacher e Ferreira (2007) e
Andrade (2006), a seguir encontramos algumas normas para a escrita adequada de uma
receita e posterior dispensação:
a) A prescrição deve ser escrita a tinta, em letra de forma ou por extenso, clara e legível,
sem rasuras. Datilografia e impressão são aceitáveis, diminuindo problemas de
compreensão. É estritamente obrigatório que a data e a assinatura do profissional sejam
de próprio punho.

b) Não se devem utilizar abreviaturas para designar formas farmacêuticas, vias de


administração, quantidade ou intervalos entre as doses.

c) Evitar deixar espaços em branco entre a orientação e a assinatura, o que poderia


permitir alteração da receita original.

d) É recomendado que as receitas comuns sejam feitas em duas vias, solicitando que o
paciente faça uma rubrica após sua leitura na cópia, que deve ser anexada ao seu
prontuário clínico.

e) Quando o cirurgião-dentista prescrever um medicamento original (de referência) e não


desejar que o mesmo seja substituído por um medicamento genérico, deverá escrever ao
final da prescrição: “Não autorizo a substituição por genéricos”, caso contrário isto poderá
ser feito por ocasião da dispensação do medicamento nas farmácias.

3.2 Prescrição medicamentosa em odontopediatria


Crianças diferem dos adultos nos aspectos psicossociais, comportamentais e fisiológicos,
e as mudanças no desenvolvimento afetam a resposta aos fármacos, por isso, Carmo,
Amadei, Pereira, Silveira, Rosa e Rocha (2009) afirmam que a prescrição de
medicamentos para os pacientes pediátricos deve ser mais minuciosa e criteriosa.
Nas crianças, os órgãos e tecidos estão em desenvolvimento, portanto, são mais
suscetíveis aos efeitos adversos dos medicamentos.

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Para crianças, há necessidade de ajuste de doses. Wannmacher e Ferreira (2007); Andrade
(2006) e Carmo, Amadei, Pereira, Silveira, Rosa e Rocha (2009) citam que a posologia
sempre deve ser calculada tomando como base o peso ou a superfície corporal da criança,
pois não existem doses pediátricas padronizadas.
A via de administração é uma escolha que depende das condições de saúde do paciente,
do objetivo do tratamento e da velocidade com que se planeja atingir o tecido-alvo. Na
odontologia a mais utilizada é a via oral, devendo considerar outras vias somente se a
droga for inativada no trato gastrintestinal ou quando sua absorção for prejudicada, como
no caso de vômitos ou doenças hepáticas (GREGORI; CAMPOS, 2004).

4. Medicamentos de interesse em odontopediatria


Os analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) estão entre os
medicamentos mais utilizados por adultos e crianças, com ou sem prescrição por um
profissional da saúde.
Na clínica odontológica, os mais amplamente utilizados são os analgésicos, os AINEs e
os antibióticos, antifungicos e ansioliticos, além dos anestésicos locais.
4.1 Ansioliticos

O uso de ansiolíticos ou sedativos tem provado ser benéfico nos casos de procedimentos
cirúrgicos ou operatórios longos, em pacientes temerosos ou apreensivos e, até certo
ponto, em crianças hiperativas ou rebeldes. Quando indicados, eles devem ser usados
mais como complemento do que como substitutos das abordagens ou técnicas tradicionais
para o controle do comportamento. (GUEDES-PINTO, 2009)
A sedação mínima em crianças pode ser obtida por meio de benzodiazepínicos, que são
fármacos sedativos, ansiolíticos e hipnóticos, depressores do SNC sem causar depressão
respiratória e cardíaca. Os ansiolíticos do grupo dos benzodiazepínicos são os mais
usados, principalmente na clínica infantil e constituem os fármacos de primeira escolha
por serem eficaz, grande margem de segurança, poucas reações adversas, baixo custo e
fácil administração. Podem serem administrado por via oral, ou pela inalação da mistura
de óxido nitroso e oxigênio, pela via respiratória, intramuscular ou endovenosa.
Atualmente, apenas dois benzodiazepínicos são recomendados para uso em
odontopediatria, o diazepam e o midazolam, ambos com vantagens sobre outros agentes
sedativos como a prometazina, a hidroxizina e o hidrato de cloral.

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4.1.1 Diazepam

O diazepam pode ser útil em crianças em idade escolar (não cooperativas, com média de
idade de 3 anos e 8 meses ), sendo empregado em dosagens que variam ~ 0,3 mg/kg, por
via oral, parecem ser suficientes para a maioria dos pacientes pediátricos, sendo os efeitos
observados após 45-60 min de sua administração.
A desvantagem do uso do diazepam em crianças diz respeito a sua maior duração de
ação ansiolítica e sedativa (~ 6-8 h) e ao longo período de eliminação.
4.1.2 Midazolam
Atualmente, o midazolam é o benzodiazepínico mais utilizado como medicação pré-
anestésica em anestesia geral pediátrica, também ganhando seu espaço como ansiolítico
na clínica odontopediátrica.
Quando empregado por via oral, o midazolam é rapidamente absorvido, atingindo sua
concentração máxima após 30 min, com duração do efeito de ~ 2-4 h. As dosagens
recomendadas para a sedação pré-operatória de crianças variam de 0,25-0,5 mg/kg. Tipo
de procedimentos realizados: restaurações e exodontias.
contra - indicações
❖ Problemas bronco-pulmonares obstrutivos ou insuficiência respiratória, porque podem
diminuir a corrente de ar nos pulmões.
❖ Os benzodiazepínicos pode ter interação com medicamentos também depressores do
SNC (analgésicos opióides e anti-histamínicos). Os possíveis efeitos colaterais são:
incoordenação, confusão, apatia, sonolência, fraqueza e tontura.
Mecanismos de ação
❖ Esses fármacos atuam seletivamente nos receptores GABA, que são mediadores da
transmissão sináptica inibitória no SNC
❖ Ao se ligarem a esses receptores, facilitam a ação do ácido aminobutírico, promovendo
a abertura dos canais de cloreto (Cl- ); dessa forma, ocorre o aumento do influxo de Cl- e
a redução da propagação de impulsos excitatórios, permitindo o controle das reações
somáticas e psíquicas do paciente.

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4.2 Analgésicos
As dores de origem odontogênicas são primariamente inflamatórias. As respostas aos
tecidos injuriados resultam nos clássicos sinais da inflamação: dor, edema, aumento da
temperatura local, vermelhidão e perda de função.
O controle da dor de intensidade leve a moderada, em crianças, se faz com dipirona,
paracetamol ou ibuprofeno.
A redução ou controle da dor se manifesta por inibição directa dos mediadores
bioquímicos da dor no local da lesão. Todos os analgésicos e anti-inflamatórios de acção
periférica são, em graus diferentes, inibidores do sistema enzimático das ciclo-oxigenases
(COX1 e COX2). Essa inibição resulta na redução da prostaglandina e, em consequência,
haverá atenuação da resposta dos receptores da dor e da inflamação.
4.2.1 Parecetamol
O paracetamol é o analgésico mais administrado na dor aguda de origem odontológica.
É, geralmente, utilizado como analgésico e antipirético, mas sem mostrar-se eficaz nas
acções anti-inflamatórias. A dose terapêutica de paracetamol em crianças situa-se na faixa
de 10-15 mg/kg/dose, com intervalos de 6 h entre as doses. Geralmente se emprega a
solução oral “gotas”, na razão de 1 gota/kg de peso corporal, até a quantidade máxima de
35 gotas. Não exceder a cinco administrações, em dose fraccionadas, em um período de
24 h, pois doses excessivas de paracetamol podem provocar dano hepático.
Uma dose de 15 g ou mais pode determinar necrose hepática progressiva e letal, se não
tratada a tempo.
4.2.2 Ibuprofeno
A solução oral de ibuprofeno empregada para o controle da dor apresenta-se na
concentração de 50 mg/mL, com cada mL contendo 50 mg de ibuprofeno (cada gota
corresponde a 5 mg). A regra prática para crianças é de 1 gota/kg de peso, em intervalos
de 6-8 h. Crianças > 30 kg não devem exceder à dose máxima de 40 gotas (200 mg).
Ibuprofeno, exercem suas ações analgésicas por inibição da síntese das prostaglandinas.
Apresentam ação anti-inflamatória e analgésica com superioridade à do paracetamol e
são mais efetivos no controle de dores agudas após cirurgias dentárias ou traumas em
crianças.
4.2.3 Dipirona
A dipirona é empregada na dose de 15 mg/kg, com intervalos de 4 h entre cada
administração, não excedendo a quatro doses diárias. Geralmente se emprega a solução
oral “gotas”, na razão de ½ gota para cada kg de peso corporal, até a quantidade máxima

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de 20 gotas. Como a solução de dipirona tem sabor amargo, ela pode ser diluída numa
pequena quantidade de suco de frutas.

4.3 Antibiocoterapia em odontopediatria


A decisão de utilizar o antibiótico no manejo de infecções ontogénicas está baseada em
diversos factores. Primeiro, é necessário diagnosticar a causa da infecção e determinar o
tratamento odontológico apropriado. Portanto, a antibioticoterapia é coadjuvante com a
intervenção clínica e não deveria ser utilizada como terapia definitiva e isolada.
Para uma criança saudável e sem sinais de disseminação do processo infeccioso, a terapia
antibiótica pode não ser necessária quando se conseguiu a remoção do agente agressor. É
importante enfatizar que a função do antibiótico é auxiliar os mecanismos de defesa do
organismo.
Entretanto, existem algumas situações especiais em que o seu uso está indicado: quando
os mecanismos de defesa do hospedeiro estiverem comprometidos ou, então, quando a
infecção for grave causando sinais de disseminação sistémica e, conforme o patógeno
esperado, para tipos específicos de infecção.
Situações clínicas indicada a antibioticoterapia em odontopediatria

Manejo de ferimentos bucais

Ferimentos da cavidade bucal (p. ex., ferimentos nos tecidos moles, fractura coronária,
deslocamentos dentais) estão associados ao risco aumentado de contaminação bacteriana,
visto que 1 mℓ de saliva contém 109 bactérias.
Se o trauma na cavidade bucal estiver contaminado por bactérias extrínsecas, a
antibioticoterapia deve ser considerada. A medicação deve ser administrada o quanto
antes para que se obtenham melhores resultados. A efectividade clínica do medicamento
necessita ser monitorada. A duração mínima da antibioticoterapia nesses casos deve ser
de 7 dias. Deve-se enfatizar aos pais a importância de obedecer ao período completo de
tratamento, pois a interrupção prematura pode permitir que as bactérias sobreviventes
comecem novamente a infecção e sejam resistentes ao antibiótico administrado.

Edema facial agudo de etiologia odontológica

Quando uma criança apresenta edema facial secundário à infecção odontológica,


deve receber atenção imediata. Se, após exame clínico, for constatada a necessidade de
tratamento endodôntico, a cobertura antibiótica deve ser realizada por 7 dias para conter

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a disseminação da infecção. Se houver necessidade de exodontia, deve-se evitar realizá-
la na fase aguda. Deve-se avaliar minuciosamente o estado de saúde da criança, e,
dependendo da gravidade do quadro infeccioso, a avaliação médica pode estar indicada.

Trauma dental.

A utilização de antibióticos sistémicos tem sido recomendada como terapia


adjuvante após avaliar a gravidade do trauma em questão quanto à possibilidade de
desenvolvimento de um quadro infeccioso e às condições sistémicas da criança.

Doença periodontal.

Em doenças periodontais associadas a doenças sistémicas como neutropenias,


síndrome de Papillon-Lefèvre ou deficiência na adesão leucocitária, o sistema imune está
incapaz de controlar o avanço de patologias periodontais. Nesse caso, deve-se avaliar a
possibilidade de antibioticoterapia complementar ao tratamento periodontal.
Antibióticos mais utilizados em Odontopediatria

Muitos agentes antimicrobianos actualmente disponíveis no mercado provaram


ser eficazes no tratamento das infecções da cavidade bucal em crianças. Destacam-se as
penicilinas (amoxicilinas e amoxicilina + ácido clavulânico), os macrolídeos
(azitromicina e claritromicinas) e as lincosaminas (clindamicinas).
Sempre que possível é prudente colectar uma amostra do foco infeccioso e realizar
o antibiograma. Baseado no resultado do antibiograma, o antibiótico deveria ser
escolhido.

4.3.1 Penicilinas
As penicilinas são os antibióticos de primeira escolha no manejo de infecções
odontogênicas, pois os microrganismos anaeróbios e aeróbios gram-positivos são
susceptíveis a elas. Esses microrganismos são encontrados nos abscessos dentoalveolares,
periodontais e na polpa necrótica. Apesar de descobertos novos antibióticos, nenhum
deles substituiu as penicilinas para o tratamento de infecções bucodentais, pois elas ainda
abrangem a maioria dessas bactérias. De acordo com Korolkovas e França (2007)
devemos ter algumas precauções com o uso de antibióticos:

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a) Pacientes intolerantes a uma penicilina são intolerantes também a todas as outras e
também às cefalosporinas;

b) Pacientes intolerantes às cefalosporinas, também podem ser intolerantes às penicilinas;

c) Pode ocorrer superinfecção por fungos ou outras cepas bacterianas em pacientes que
estão em tratamento prolongado com penicilinas.

Mecanismo de acção
Os medicamentos desse grupo atuam na última fase de síntese da parede celular
das bactérias inibindo a formação da sua parede celular, causando a sua lise e,
consequentemente, sua morte (por isso, são bactericidas). Como a parede celular é uma
estrutura característica das bactérias, as penicilinas apresentam toxicidade praticamente
nula para os seres humanos. Entretanto, as penicilinas são os antibióticos com maior
probabilidade de causar reacção alérgica.
Ampicilina
Ampicilina deve ser administrada de preferência uma hora antes ou duas horas depois das
refeições. Crianças com mais de 20 kg, ampicilina 250 a 500mg, a cada seis horas.
Crianças com menos de 20 kg, ampicilina 50-100 mg/kg/dia em tomadas igualmente
divididas a cada seis horas (KOROLKOVAS; FRANÇA, 2007).
Pereira (2001) recomenda a dosagem de ampicilina 50-100 mg/kg/dia, a cada seis horas
durante sete a dez dias. Ampicilinas tem espectro de ação maior que as penicilinas V e G,
atingindo mais Gram (-), sendo efetiva também sobre as Gram (+). A autora lembra que
a ampicilina pode causar diarréia.

Formas farmacêuticas:
a) Pó para suspensão oral: 50 mg/ml, 250 mg/5 ml.

b) Cápsula: 250 ou 500 mg.

c) Solução injetável: frasco-ampola 500 mg e 1 g.

Amoxicilina

A amoxicilina é um antibiótico de largo espectro efectivo contra bactérias gram-


positivas, gram-negativas e a maioria das bactérias anaeróbias bucais. Em face de sua
melhor absorção oral e menor ligação às proteínas plasmáticas, a amoxicilina atinge
concentrações efectivamente maiores e mais prolongadas. A amoxicilina é o fármaco de

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primeira escolha para o tratamento de infecções bucais. O seu largo espectro (e acção
contra gram-negativos aeróbios) aumenta a probabilidade de causar superinfecção, além
de ocorrerem reacções alérgicas, como erupções cutâneas.
As doses de amoxicilina recomendadas e administradas a intervalos de oito horas são as
seguintes: crianças com mais de 20 kg de peso, amoxicilina 750 mg a 1,5 g diariamente.
Crianças com menos de 20 kg, amoxicilina 20-40 mg/kg diariamente (KOROLKOVAS;
FRANÇA, 2007).
Pereira (2001) recomenda para amoxicilina a dosagem de 30-50 mg/kg/dia, a cada oito
horas durante sete a dez dias. Tem o mesmo espectro de ação das ampicilinas e é melhor
absorvida via oral causando menos diarréia.
Segundo a bula do medicamento Amoxil®, a posologia para crianças até 10 anos de idade
é de 125 mg três vezes ao dia por sete dias, aumentando para 250 mg em casos de
infecções mais graves (CBM, 2005).
Forma de apresentacao
a) Pó para suspensão oral: 125mg, 200 mg/5 ml, 250 mg, 400 mg/5 ml e 500 mg/5 ml.

b) Cápsulas: 500 mg.

Amoxicilina/ ácido clavulanico

Em pacientes que não mostram melhora do quadro clínico em 48 h de terapia com


as penicilinas, pode estar ocorrendo resistência bacteriana. O ideal, nesses casos, é de que
deveriam ser realizados testes de cultura e susceptibilidade da infecção. Quando esse
procedimento não é possível ser realizado por vários motivos, o uso de medicamentos
que apresentem inibidores da betalactamase, como a amoxicilina associada ao clavulato
de potássio pode ser indicado. O ácido clavulânico não tem poder antibacteriano por si
só, mas inibe a enzima betalactamase, portanto faz com que a amoxicilina se torne
efectiva contra alguns microrganismos, antes resistentes.
Marcucci (2005) cita que desde 1981 a amoxicilina é também apresentada associada ao
ácido clavulânico (125 mg de clavulanato e 500 mg de amoxicilina).
Korolkovas e França (2007) indicam para crianças maiores de 12 anos um
comprimido de 625 mg; para crianças de 06 a 12 anos, 5 ml da suspensão e para crianças
de nove meses a cinco anos, 2,5 ml da associação na forma de suspensão, três vezes ao
dia durante cinco a dez dias.
Formas farmacêuticas:

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a) Pó para suspensão oral: amoxicilina 40 mg + ácido clavulânico 5,7 mg/ml.

b) Comprimidos: amoxicilina 500 mg + ácido clavulânico 125 mg.

c) Cápsulas: amoxicilina 500 mg + ácido clavulânico 125 mg.

4.3.2 Cefalosporina
Para Pereira (2001) as cefalosporinas não constituem a primeira escolha de antibióticos
na Odontologia, sendo indicadas para infecções mais graves, grandes traumatismos
dentários ou infecções pós-operatórias. Possuem maior incidência de reações alérgicas,
embora similares às penicilinas. São bactericidas e com espectro de ação maior do que as
penicilinas, incluindo Gram (+) e Gram (-) produtoras de beta-lactamases. A autora
recomenda para as cefalosporinas de primeira geração a dosagem de 50-100 mg/kg/dia e
para as cefalosporinas de segunda geração a dosagem de 30-40 mg/kg/dia. As de segunda
geração possuem espectro de ação maior sobre as Gram (-) produtoras de betalactamases
em relação às de primeira geração.
a) Cefalosporinas de primeira geração:

Cefalexina: suspensão oral – 250 mg/5ml, dose: 50-100 mg/kg/dia a cada seis horas por
sete a dez dias.
Cefadroxil: suspensão oral - 250 mg/5ml, Cefamox® - suspensão oral 250 e 500 mg/5
ml, dose: 50 mg/kg/dia duas vezes ao dia, ou seja, a cada doze horas durante sete a dez
dias.
b) Cefalosporinas de segunda geração:
Cefuroxima: suspensão oral 125 e 250 mg/5 ml, dose: 30 mg/kg/dia a cada doze horas
durante sete a dez dias.
Cefprozil: suspensão oral 250 mg/5 ml, dose: 30 mg/kg/dia duas vezes ao dia, ou seja, a
cada doze horas durante sete a dez dias.
Cefaclor: suspensão oral 250 e 375 mg/5 ml, dose: 40 mg/kg/dia três vezes ao dia, ou
seja, a cada oito horas durante sete a dez dias.

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4.3.3 Macrolideos
Os macrolídeos (eritromicina, claritromicina e azitromicina) têm sua principal indicação
de uso para pacientes alérgicos às penicilinas. Eritromicina apresenta espectro
antimicrobiano similar ao das benzilpenicilinas (WANNMACHER; FERREIRA, 2007).
Eritromicina

Clinicamente, a eritromicina está indicada em infecções leves, apresentando-se


como uma alternativa para tratar as infecções da cavidade bucal em pacientes alérgicos à
penicilina. Atua inibindo a síntese proteica relacionada com bactérias gram-negativas. É
comummente administrada pela VO na forma de comprimidos revestidos por películas
insolúveis em ácido.
É um antibiótico seguro e, por isso, indicado para uso infantil. Distúrbios
gastrintestinais, por causa da propriedade irritante do antibiótico, são os problemas mais
comummente encontrados. As respostas alérgicas desse grupo, quando se manifestam,
são ocasionadas principalmente pela presença do estolato.
Marcucci (2005) cita que eritromicina para crianças, segue a posologia de 30 - 50
mg/kg/dia divididos em quatro tomadas diárias.
A eritromicina tem absorção oral variável, sendo melhor sob a forma de estolato, que
pode ser administrada junto com as refeições. Essa é a forma reconhecida para uso
pediátrico (CARMO; AMADEI; PEREIRA; SILVEIRA; ROSA; ROCHA, 2009).
Eritromicina é indicado para profilaxia de endocardite bacteriana (KOROLKOVAS;
FRANÇA, 2007).
Pereira (2001) recomenda dose de 30-50 mg/kg/dia a cada seis horas por sete a dez dias,
sendo que a dose máxima não deve ultrapassar 4 g/dia.
Formas farmacêuticas:
Suspensão oral – 125 e 250 mg/5 ml.

Claritromicina

A claritromicina é um antibiótico análogo à eritromicina. É de duas a quatro vezes


mais efetiva que o seu análogo contra Streptococcus, Staphylococcus e bactérias
anaeróbias. As principais vantagens de se usar a claritromicina contra infecções comuns
é a pequena ocorrência de efeitos colaterais gastrintestinais e a comodidade de
administração quando comparada à da eritromicina.

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Marcucci (2005) cita que a claritromicina e a administração simultânea com alimentos
prejudica a absorção, devendo ser administrada fora do horário das refeições. Para
crianças usa-se a suspensão na dosagem de 15-30 mg/kg/dia em duas tomadas diárias.
A claritromicina é bem absorvida por via oral, e pode ser administrada junto com as
refeições. Tem sido prescrita em duas tomadas diárias (CARMO; AMADEI; PEREIRA;
SILVEIRA; ROSA; ROCHA, 2009).
A claritromicina comprimidos revestidos não deve ser prescrita a crianças menores de 12
anos (KOROLKOVAS; FRANÇA, 2007; CBM, 2005).
Pereira (2001) apresenta como dosagem 15 mg/kg/dia na forma de suspensão, duas vezes
ao dia, ou seja, a cada doze horas, durante sete a dez dias.
Formas farmacêuticas:
a) Pó para suspensão oral: 125 e 250 mg/5 ml.

b) Comprimido: 250 e 500 mg.

Aztromicina

É um derivado da eritromicina, similar à claritromicina, mas com a vantagem de


apresentar excelente penetração tecidual, sendo sua meia-vida sérica e tecidual longa (40
e 60 h, respectivamente), requerendo, portanto, apenas uma dose diária. Em alguns casos,
pode causar efeitos adversos, em geral gastrintestinais.
Quanto à azitromicina, esta deve ser ingerida longe das refeições. Sua administração junto
com alimentos pode diminuir em até 50% a sua disponibilidade. Tem sido prescrita em
dose única diária por três a cinco dias (CARMO; AMADEI; PEREIRA; SILVEIRA;
ROSA; ROCHA, 2009).
Pereira (2001) recomenda 10 mg/kg/dia, uma vez ao dia por três dias.
Formas farmacêuticas:
a) Pó para suspensão oral: 200 mg/5 ml, 600 mg/5 ml, 900 mg/5 ml.

b) Comprimido: 500 mg.

Metronidazol
Metronidazol é prescrito quando há indicação de antimicrobiano no tratamento de
infecções envolvendo microrganismos anaeróbios, como periodontites ou gengivites.
Possui sabor metálico. O metronidazol e a clindamicina são recomendados para o paciente
que não está respondendo ao tratamento com penicilina. A administração de metronidazol

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com alimentos retarda sua absorção, mas diminui a irritação gástrica (CARMO;
AMADEI; PEREIRA; SILVEIRA; ROSA; ROCHA, 2009).
A bula do medicamento Flagyl® traz a seguinte posologia para crianças maiores de 12
anos: 400 mg (um comprimido) três vezes ao dia, durante sete a dez dias. Para as menores
de 12 anos, administrar a dose de 7,5 mg/kg três vezes ao dia (22,5 mg/kg/dia) na forma
de suspensão, durante sete dias (CBM, 2005).
Wannmacher e Ferreira (2007) recomendam para crianças a posologia de metronidazol
de 30 mg/kg/dia a cada seis horas.
Formas farmacêuticas:
a) Comprimido: 250 e 400 mg.

b) Solução injetável: 500 mg.

c) Suspensão oral: 40 mg/ml.

4.4 Antivirais
Aciclovir
Aciclovir e penciclovir são aplicados topicamente para os casos de herpes labial,
entretanto, seu efeito é limitado, reduzindo a duração da infecção herpética apenas em um
dia (WANNMACHER; FERREIRA, 2007).
Rang, Dale, Ritter e Moore (2004) e Korolkovas e França (2007) relatam que este agente
é de alta especificidade contra o vírus do Herpes Simplex (HSV), o vírus Varicella zoster,
o vírus de Epstein-Barr e o citomegalovírus, sendo o primeiro bem mais suscetível ao
aciclovir. O aciclovir pode ser ministrado por via oral, intravenosa ou tópica e os efeitos
indesejáveis são mínimos. A absorção não é significativamente afetada por alimentos e a
absorção percutânea é baixa.
Segundo a bula do medicamento Zovirax® comprimidos, o medicamento é contra-
indicado para crianças menores de três meses de idade. Para as crianças maiores de dois
anos de idade, a dose indicada é a mesma que para os adultos. Em crianças menores de
dois anos de idade, administrar 200 mg quatro vezes ao dia por cinco dias, não deve-se
exceder 800 mg/dia. Já a forma farmacêutica para uso tópico não traz restrições de uso
em crianças, exceto para as que possuem hipersensibilidade conhecida ao aciclovir
(CBM, 2005).
Se a opção de administração for em comprimidos, Pereira (2001) recomenda até dois anos
de idade a dose de 100 mg, acima de dois anos, 200 mg/dose, na freqüência de cinco

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vezes ao dia, ou seja, a cada quatro horas, sendo desnecessária a dose noturna, durante
cinco dias. Deve-se dissolver o comprimido em líquido.

As gengivoestomatites agudas herpéticas primárias não devem ser tratadas com


antibioticoterapia, a não ser que haja fortes evidências que indiquem uma infecção
bacteriana secundária.
Forma de apresentação
a) Tópica: creme para uso tópico a 5% (50 mg).
b) Sistêmica: comprimidos de 200 e 400 mg.
c) Sistêmica: solução injetável em ampolas de 250 mg.

4.5 Antifúngicos
Korolkovas e França (2007), afirmam que antifúngicos também são chamados de
antimicóticos, e são usados no tratamento de micoses.
Pereira (2001) indica antes da aplicação local de qualquer antifúngico limpar a cavidade
bucal com água bicarbonatada (100 ml de água + 5 g – uma colher de chá – de bicarbonato
de sódio).
Nistatina
Marcucci (2005) recomenda a nistatina como o antifúngico para o tratamento de
candidíase bucal em crianças. As concentrações de nistatina na saliva são mantidas
durante aproximadamente duas horas após o início da dissolução oral da mesma. As
preparações bucais precisam ser flavorizadas e adocicadas. Pode ser apresentada em
creme dermatológico, comprimidos, suspensão oral, gel, pomada e pastilha.
De acordo com Korolkovas e França (2007) e Marcucci (2005) deve-se aplicar às áreas
afetadas duas a três vezes diariamente e continuar o tratamento por 48 horas, no mínimo,
após a cura clínica, a fim de impedir uma recidiva. Por via oral, para adultos e crianças:
400.000 a 600.000 UI (na forma de suspensão), 4 a 6 ml quatro vezes por dia, mantendo
a dose na boca por algum tempo.
Formas farmacêuticas:
a) Suspensão oral: 100.000 UI/ml.

b) Drágeas: 500.000 UI/ml.

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5. Fórmulas empregadas no cálculo de doses medicamentosas infantis
Quando o responsável desconhece o peso da criança, Estrela (2001) e Andrade (2006)
propõe a seguinte equação para cálculo aproximado do peso da criança e assim calcular
corretamente a dose para crianças de um a dez anos de idade com biótipo normal:
Peso (kg) = idade x 2 + 9
Por exemplo, criança com sete anos:
Peso = (7 x 2) + 9 = 23 kg
Carmo, Amadei, Pereira, Silveira, Rosa e Rocha (2009) afirmam que, em geral,
informações relacionadas à posologia, contidas nas bulas fornecidas pelo fabricante são
confiáveis; contudo, essas informações não estão disponíveis em todos os medicamentos.
Dessa forma, a dose ideal para os pacientes pediátricos deve ser calculada
individualmente, em função do peso, da superfície corporal ou da idade da criança. Além
disso, no receituário é importante constar o peso do paciente, uma vez que a maioria dos
medicamentos é receitada em miligramas por quilo. Os autores citam que para se calcular
a superfície corporal para cada criança, pode-se utilizar a seguinte fórmula:
Superfície corporal = peso × 4 + 7
peso + 90

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6.Conclusão
Chegando ao dim do trabalho proposto com o terapeutica em odontopediatria, concluimos
que, crianças diferem dos adultos nos aspectos psicossociais, comportamentais e
fisiológicos, e as mudanças no desenvolvimento afetam a resposta aos fármacos, por isso
a prescrição de medicamentos para os pacientes pediátricos deve ser mais minuciosa e
criteriosa respeitando a posologia do medicameto em causa em odontopediatrica.
A posologia sempre deve ser calculada tomando como base o peso ou a superfície
corporal da criança, pois não existem doses pediátricas padronizadas.
A via de administração é uma escolha que depende das condições de saúde do paciente,
do objetivo do tratamento e da velocidade com que se planeja atingir o tecido-alvo. Na
odontologia a mais utilizada é a via oral, devendo considerar outras vias somente se a
droga for inativada no trato gastrintestinal ou quando sua absorção for prejudicada, como
no caso de vômitos ou doenças hepáticas.
A sedação mínima, por via oral, com midazolam, para crianças não cooperativas, por
ansiedade ou medo, é uma alternativa viável e um método eficiente, com baixa taxa de
complicações, reduzindo de forma significativa a necessidade de tratamento odontológico
com o emprego de anestesia geral.

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7. Referência Bibliográfica
1. MARCUCCI, G. Fundamentos de Odontologia – Estomatologia. II série, Rio de
Janeiro, Guanabara Koogan, 2005.
2. PEREIRA, M. B. B. Urgências e Emergências em Odontopediatria - Primeiros
anos de vida. Curitiba, Editora Maio, 2001.
3. GUEDES-PINTO, A. C.; BÖNECKER, M.; RODRIGUES, C. R. M. D.
Fundamentos de Odontologia: Odontopediatria. Livraria Santos Editora,
2009.
4. KOROLKOVAS, A. e FRANÇA, F. F. A. C. Dicionário Terapêutico
Guanabara. 14ª ed. Rio de Janeiro, Editora Guanabara Koogan, 2007.
5. ANDRADE, E. D. Terapêutica Medicamentosa em Odontologia. 2ª ed. São
Paulo, Artes Médicas – Divisão Odontológica, 2006.
6. SILVA, P. Farmacologia. 7ª ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2006.
7. SILVA, L. M.; GUIMARÃES, A. L. S.; GOMEZ, R. S. Herpes vírus tipo I.
Arquivos em Odontologia, v. 38, n. 3, p. 163-252. jul./set. 2002.

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