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MÚSICA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Fátima Aparecida Nogueira1


fatinhamusic@yahoo.com.br

RESUMO
O tema deste estudo sugere alguns questionamentos relacionados à prática do professor de
Arte que atua em EJA e ao modo como são tratados os conteúdos musicais nos Centros
Estaduais de Educação Básica para Jovens e Adultos, os CEEBJA’s. Para abordar estas
questões realizou-se um criterioso plano de estudo prevendo tanto pesquisas bibliográficas
como de campo, utilizando estratégias de observação, entrevista e intervenção no contexto
escolar, além de uma parceria com educadores e pesquisadores cuja experiência e opiniões
concederam maior legitimidade às análises e reflexões sobre o objeto de estudo proposto.
Ao verificar como são tratados os conteúdos musicais nos CEEBJA’s, percebeu-se também
a necessidade de apontar algumas possibilidades e desafios no trabalho com a Música,
organizando assim, de maneira objetiva e sistemática, o Caderno Pedagógico “Universo
Sonoro na EJA”. Ao descrever cada etapa deste estudo, percebeu-se que há muito trabalho
para ser feito, tanto no que se refere à implantação de políticas educacionais como em
pesquisas e produções didático-pedagógicas para EJA. Tais ações poderão beneficiar,
efetivamente, a prática do professor de arte que atua na EJA pautando-a em pilares sólidos,
sustentados por diferentes experiências e nuances da expressão artística.

Introdução
O tema escolhido para estudo, Música na Educação de Jovens e Adultos, suscita
alguns questionamentos relacionados ao modo como são tratados os conteúdos musicais
nos Centros Estaduais de Educação Básica para Jovens e Adultos, os CEEBJA’s. Além
disso, a pesquisa também avança no sentido de apontar estratégias metodológicas para que
os professores de arte possam trabalhar, na EJA, conteúdos musicais de forma
contextualizada e significativa.

1
Especialista em Metodologias Inovadoras Aplicadas à Educação, na Área Específica de Psicopedagogia, Licenciada em
Educação Artística com habilitação em Música pela Faculdade de Artes do Paraná. Professora na rede pública de ensino Municipal e
Estadual.

Esse artigo foi desenvolvido durante o curso de formação continuada do Programa de Desenvolvimento Educacional do
Paraná – PDE, sob a orientação do professor Ms WelingtonTavares dos Santos – UNESPAR/EMBAP.
Para orientar todo o processo de pesquisa, os estudos tiveram como foco a prática
pedagógica do professor de arte na Educação de jovens e Adultos. Do mesmo modo, nos
debruçamos sobre questões igualmente instigantes e, porque não dizer, reveladoras dessa
prática de ensino, quais sejam: durante as aulas de Arte, os conteúdos musicais são
desenvolvidos pelos professores de Arte? Se os alunos têm aulas de Música, de que
maneira esse trabalho é efetivado no contexto da sala de aula? Os conteúdos são
explorados de acordo com as Diretrizes Curriculares da Educação de Jovens e Adultos?
Para tratar da problemática apresentada e das questões a ela relacionadas,
realizamos um criterioso plano de estudo prevendo tanto pesquisas bibliográficas como de
campo, utilizando estratégias de observação, entrevista e intervenção no contexto escolar.
Também foi estabelecida uma parceria com educadores e pesquisadores cuja experiência e
opiniões concederam maior legitimidade às análises e reflexões sobre o objeto de estudo
proposto. Importa dizer que todos os temas e procedimentos adotados durante o processo
de implementação foram discutidos, virtualmente, pelo grupo de trabalho em rede – GTR,
um grupo de professores de arte, distribuídos em diferentes regiões do Estado. O GTR,
teve como suporte um ambiente virtual de aprendizagem para discutir as estratégias
metodológicas e viabilidade da proposta de implementação na escola.
Todo o processo de pesquisa durou cerca de dois anos, sendo que no primeiro ano
mantivemos o foco no estudo bibliográfico sobre o tema proposto; definição dos objetivos,
métodos e estratégias de ação; elaboração do questionário de pesquisa, testagem, aplicação
e tabulação dos dados; elaboração de material didático e organização do GTR.
Ainda no primeiro ano realizamos a investigação da realidade escolar na qual
buscou-se explorar desde o espaço físico, as especificidades dos educandos, a formação
acadêmica e a experiência profissional dos professores até o material didático utilizado.
Outra questão, igualmente importante, investigada foi a metodologia utilizada para
abordagem dos conteúdos musicais elencados nas Diretrizes Curriculares da Educação de
Jovens e Adultos.
No segundo ano de pesquisa, fase de implementação, estabelecemos um plano de
ação para vivenciar, em contexto, práticas de educação musical com alunos da EJA,
utilizando um material didático especialmente elaborado para essa fase. Isto fez com que as
reflexões teóricas e encaminhamentos metodológicos fossem coerentes e pautados na
práxis da sala de aula.
Esse artigo pretende realizar uma reflexão sobre o ensino da música no contexto da
Educação de Jovens e Adultos – EJA, considerando as especificidades, exigências e
demandas dessa modalidade, a realidade dos professores da disciplina de Arte nos Centros
Estaduais de Educação Básica para Jovens e Adultos - CEEBJA’s, e suas práticas
pedagógicas;
Das experiências vivenciadas ao longo de dois anos de trabalho, estudo e pesquisa
muitas questões não poderão ser aprofundadas e outras, sequer abordadas, devido às
limitações impostas pelo próprio meio de divulgação que é o formato artigo. As páginas a
seguir tratarão, primeiramente, de algumas reflexões sobre a pertinência desse estudo para
a educação básica com foco na modalidade da educação de jovens e adultos. Na sequência
apresentaremos a metodologia da pesquisa, as experiências com as ações de
implementação, bem como apresentação e análise dos dados obtidos com a aplicação do
questionário investigativo.
Como dizia o poeta “o que passou, passou, mas o que passou luzindo, resplandecerá
para sempre”. (Goethe) Na expectativa de contribuir, mesmo que minimamente, no
processo de melhoria da educação básica apresentaremos, na última parte desse texto,
algumas considerações que ao invés de finais, serão circunstanciais, visto que novas
reflexões e novos contextos poderão surgir a partir da socialização desse estudo.

Música na EJA
A Arte, em suas diferentes formas de expressão, sobretudo, na área musical, tem
demonstrado sua eficácia na função educativa. Ela expressa pensamentos, ansiedades,
ideologias, emoções, loucuras e desejos de uma cultura, utilizando-se da totalidade do ser
para extravasar toda necessidade humana de intervenção e interação com a realidade.
Nesse sentido, vale ressaltar que a realidade atual, cada vez mais, clama por uma escola
diferente.
Uma escola que ultrapasse as barreiras do seu papel essencialmente informador e
que tenha em vista o desenvolvimento de capacidades que permitam ao cidadão entender,
intervir e transformar. A Lei 11.769, sancionada em 18 de agosto de 2008, determina que a
música seja conteúdo obrigatório na Educação Básica. Ela não precisa ser uma disciplina
exclusiva, logo, pode ser trabalha pelo professor na disciplina Arte.
Apesar dos inúmeros questionamentos e preocupações, inclusive nas esferas de
organização do processo educativo, a questão essencial é que os conteúdos musicais não
precisam ser agrupados em uma disciplina exclusiva. Isto significa que a abordagem desses
conteúdos pode ser feita pelo professor de Arte.
Esta Lei ainda não atende plenamente às expectativas dos educadores musicais, mas
de maneira muito significativa, a Música volta a ocupar um lugar de destaque no cenário
educacional. Apesar das dificuldades encontradas na normatização desta Lei, entre elas a
escassez de profissionais com formação em Música no mercado de trabalho, de fato ela
representa, sem dúvida alguma, um avanço na relação Música e Educação.
Algumas experiências vêm demonstrando quão poderosa é a Música enquanto
forma de expressão, no encaminhamento de projetos que priorizam a formação do cidadão.
Um exemplo disso são os projetos sociais desenvolvidos pelas Escolas de Samba do Rio de
Janeiro e pelos Blocos Carnavalescos da Bahia, que através da música, resgatam valores
sociais, morais e culturais, hábitos e atitudes, que favorecem a formação do homem pleno.
Por outro lado, é importante observar, entretanto, que ter um profissional formado
em Música em cada escola é um grande ideal a ser alcançado e por isso, alguns educadores
defendem que o trabalho com a arte seja realizado de forma multidisciplinar, porém, não
raramente as atividades são realizadas de forma isolada, configurando o que se
convencionou chamar de polivalência, ou seja, um único professor contemplaria em suas
aulas de arte as áreas de teatro, música, artes visuais e dança.
Segundo Ostrower (1991 p. 17), a Arte consegue dar à teoria, com suas
conceituações secas, o dinamismo da própria vida. Entendemos, portanto, que o processo
de ensino e aprendizagem em Arte exige por parte do professor um olhar mais atento para
as diferentes modalidades de ensino, sobretudo no ensino da música, haja vista que ela abre
caminhos e suaviza a jornada permitindo que se aflorem as verdades de cada ser.
Por modalidades de ensino entendemos o Ensino Regular, a Educação de Jovens e
Adultos e o Ensino Profissionalizante. Este projeto se propõe a tratar da temática em foco
considerando a Educação de Jovens e Adultos, mas não desconsidera que as reflexões aqui
propostas possam auxiliar os professores que atuam na disciplina de Arte em qualquer
outra Modalidade.
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos,
elaboradas no ano 2000, pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) determina que o
ingresso do aluno na EJA se dê, respectivamente, aos 15 e 18 anos, para o Ensino
Fundamental e Médio. Como resultado de reflexões dos professores, pedagogos, equipes e
técnicos pedagógicos dos Núcleos de Educação e da Secretaria Estadual de Educação,
entre os anos de 2003 e 2005, elaboraram-se as Diretrizes Curriculares para Educação de
Jovens e Adultos no Paraná. De acordo com este documento, o aluno de Educação de
Jovens e Adultos (EJA) tem um perfil singular.

Compreender o perfil do educando da Educação de Jovens e Adultos (EJA)


requer conhecer a sua história, cultura e costumes, entendendo-o como um
sujeito com diferentes experiências de vida e que em algum momento afastou-se
da escola devido a fatores sociais, econômicos, políticos e/ou culturais.
(Diretrizes Curriculares de Educação de Jovens e Adultos, 2006,p. 29)

Conforme citado nas Diretrizes da EJA, em um mesmo ambiente pedagógico, têm-


se adolescentes, jovens e adultos. Essa diversidade cria vários conflitos entre pessoas ou
grupos, que são administrados pelo professor no interior da sala de aula.
Outra questão relevante na EJA é o fato de ser constituída, em grande parte, por
alunos trabalhadores e que estão fora da escola há muito tempo. Percebe-se, porém que,
seja por reprovações consecutivas ou por dificuldades de ingresso e permanência no
mundo do trabalho, nota-se o retorno deste aluno à escola.
Considerando que o ensino regular não responde as necessidades daquele estudante
como distorções idade/série, necessidade de horário e metodologia adequada, o estudante
na escola, se insere na modalidade EJA. A Proposta Pedagógica para Educação de Jovens e
Adultos no Estado do Paraná tem uma organização que procura atender essa demanda de
maneira bem específica.
Na disciplina de Artes, a carga horária do ensino fundamental é de 64 horas e no
ensino médio é de 32 horas que podem ser cumpridas na forma de atendimento individual
ou coletivo.

a) Forma de atendimento individual: Esta forma de atendimento é indicada aos


alunos que trabalham em turno, em viagens ou não tem disponibilidade em
frequentar as aulas todos os dias e horários. Para cada momento do curso, o
professor está preparado com as atividades e avaliações e assim tratar os conteúdos
da disciplina.

b) Forma de atendimento coletivo: Esta forma de atendimento prevê data de início e


término para um grupo de alunos. Durante as aulas do coletivo, os conteúdos,
atividades e avaliações serão trabalhados com o grupo.
A Educação de Jovens e Adultos com todas as suas especificidades, carece de um
olhar atento do professor de Artes, para o conteúdo musical e sua abordagem. A carga
horária muito restrita e a pressa do aluno em concluir o curso, pode criar no professor e no
aluno, a falsa impressão de que este estudo seja dispensável. A prática, no entanto, mostra
que todo e qualquer tentativa de se trabalhar com conteúdos musicais envolve e desperta
no aluno diferentes reações positivas.
Com base nessas questões desenvolvemos e implementamos um projeto de
intervenção pedagógica cujo propósito foi trabalhar com os conteúdos estruturantes da
música na EJA, buscando diferentes estratégias didático-metodológicas. A seleção dos
conteúdos e das práticas no trabalho com a Arte, de acordo com as Diretrizes Curriculares
para EJA, tem como um de seus critérios o de valorizar os saberes do aluno, ampliando
essa perspectiva. De acordo com Penna (2008):

Para que o aluno possa sair do gueto musical em que vive, é preciso construir
pontes sobre o fosso que o cerca, levando-o o mais longe possível. Essas pontes
precisam estar apoiadas sobre a vivência cotidiana – que deve ser considerada
não apenas sob o aspecto musical -, ou lhe faltarão os meios para alcançá-las e
caminhar sobre elas. (PENNA,2008, p. 44).

É importante destacar que o trabalho do professor de arte não se limita na


valorização dos saberes dos alunos. É preciso ir além, explorar também outras formas,
outras culturas, outros saberes.
Com isso, o aluno compara, analisa, aprende e produz novos conhecimentos.
Salienta-se, também que musicalizar, segundo Penna (2008), é um processo educacional
orientado que propicia o exercício da percepção, expressão, numa visão ampla de cultura,
possibilitando o desenvolvimento de estruturas que facilitam a apreensão de linguagem
musical.
“Esse é o objeto final da musicalização, na qual a música é o material para um
processo educativo e formativo mais amplo, dirigido para o pleno desenvolvimento do
indivíduo, como sujeito social.” (PENNA, 2000, p. 47) Portanto, trabalhar Música,
democratizando o acesso às diferentes formas e experiências de musicalização, é uma
necessidade urgente na EJA e traduz as ansiedades de profissionais comprometidos com
esta modalidade de ensino em todos os seus aspectos: dificuldade de aprendizagem, falta
de tempo, improvisação, formação continuada que se contrapõe à maturidade, interesse e
dedicação.
Metodologia da pesquisa
No intuito de conhecer e aprofundar as questões problematizadas nesse estudo,
elegemos como instrumento para coleta de dados um questionário. A construção de um
questionário, segundo Aaker et al. (2001), é considerada uma “arte imperfeita”, pois não
existem procedimentos exatos que garantam que seus objetivos de medição sejam
alcançados com boa qualidade. Segundo o autor, fatores como bom senso e experiência do
pesquisador podem evitar vários tipos de erros em questionários, como por exemplo, as
questões ambíguas, potencialmente prejudiciais, dada sua influência na amplitude de erros.
Considerando tal questão e os objetivos que se pretendia alcançar, um questionário com
perguntas abertas e fechadas seria o ideal. As questões iniciais investigavam sobre a
realidade escolar, tratando desde o espaço físico, as especificidades dos educandos, a
formação acadêmica e a experiência profissional dos professores de Arte até o material
didático utilizado.
O questionário foi estruturado em quatro eixos, infraestrutura, formação do
professor de arte, trabalho com conteúdos musicais na EJA e, por fim, a percepção dos
professores sobre materiais didáticos disponíveis para EJA. Cada eixo reuniu um conjunto
de perguntas específicas.
A Secretaria da Educação do Estado do Paraná distribuiu as 2100 escolas em 32
Núcleos Regionais de Educação. A pesquisa foi desenvolvida no Núcleo Regional da Área
Metropolitana Sul, formado pelos municípios de Agudos do Sul, Araucária, Balsa Nova,
Campo do Tenente, Campo Largo, Contenda, Fazenda Rio Grande, Lapa, Mandirituba,
Piên, Quitandinha, Rio Negro, São José dos Pinhais e Tijucas do Sul, todos próximos da
capital Curitiba. O N.R.E da Área Metropolitana Sul é responsável pelas escolas de
educação básica da rede pública e particular destes quatorze municípios. Deste universo o
questionário foi encaminhado 14 unidades escolares que ofertam EJA, CEEBJA’s ou não.
Responderam os questionários nove CEEBJAS e 5 unidades escolares estaduais. O
questionário foi aplicado no período de Maio a Dezembro de 2012 e enviado às escolas
e/ou professores de arte das escola por e-mail ou visitas in loco.
Os dados da pesquisa foram tabulados e disposto em forma de gráficos para
facilitar a visualização. Note-se que em cada questão houve um considerável índice
percentual de não respondentes, isso se justifica ao fato de que algumas escolas não
ofertavam a disciplina de arte em seu cronograma no período da pesquisa, por isso não
contavam com um professor de Arte suprido em seu quadro ou simplesmente não
retornaram aos insistentes contatos. É importante salientar que a responsável pela EJA no
Núcleo Regional da Área Metropolitana Sul, encaminhou uma orientação às unidades
escolares para que participassem desta pesquisa, apoiando esta iniciativa.

Dados da pesquisa
Eixo I – Infraestrutura
A escola de EJA funciona em prédio escolar?

Figura 1 Local de funcionamento da EJA

O prédio é:

Figura 2 Tipo de contrato do Prédio


As aulas de artes acontecem em:

Figura 3 Espaços utilizados para as aulas

No tocante à infraestrutura observa-se que, somente 28% dos respondentes


afirmaram possuírem prédio próprio (fig. 2), a grande maioria, cerca de 39% estão em
espaços locados ou em dualidade administrativa em muitos municípios. O questionário
revela que, no contexto investigado, a Educação de Jovens e Adultos funciona em prédios
improvisados ou adaptados, em construções que não foram destinadas ao atendimento de
escolarização de adultos exigindo inclusive, a adaptação ao espaço e ao mobiliário da
escola.
Faz-se necessário citar também, que muitas escolas de EJA funcionam em prédios
escolares destinados à primeira fase do Ensino Fundamental. Nestas escolas são atendidas,
no período diurno, crianças que cursam do 1º ao 5º ano. Por isso, algumas dificuldades
frequentes se relacionam ao mobiliário escolar. São cadeiras e carteiras pequenas demais
para acomodar adolescentes, jovens e adultos, às vezes com dificuldade para acomodar-se
dignamente durante as aulas.
Nos municípios do Paraná, a EJA funciona, também, em colégios estaduais,
principalmente no período noturno. Nestes locais, a estrutura do colégio de ensino regular,
também abre a possibilidade de atendimento aos alunos de EJA.
Por ser um público diferenciado, com características únicas, os alunos de EJA se
constituem em cidadãos que não puderam concluir seus estudos quando criança ou
adolescente e retornam à escola, acumulando nesta fase outras responsabilidades como o
ingresso ou permanência no mundo trabalho, o sustento próprio e da família.
Eixo II - Formação do Professor de arte na EJA
Além das considerações sobre a estrutura física e diversidade etária, também se fez
necessária uma criteriosa análise da formação, da prática pedagógica e das condições de
trabalho do professor de Arte que atua na EJA. Ressalta-se que o professor que atua na
modalidade EJA, na maioria das vezes, também atua no ensino regular.
É importante salientar o problema da demanda, ou seja, frequentemente a procura
de alunos para a modalidade EJA é inferior ao mínimo necessário para abrir uma turma na
escola (10 alunos no atendimento individual e 20 alunos no atendimento coletivo).
Portanto, em decorrência disso, a qualquer época do ano letivo, o professor poder ser
colocado à disposição do Núcleo Regional de Educação, para que seja relocado à uma
outra unidade escolar, de EJA ou não.
De um modo geral os professores na EJA cumprem uma rotina semelhante aos que
atuam no ensino regular, no entanto, os alunos possuem mais de 16 anos e integram turmas
multisseriadas. Outra questão importante é o fator tempo, pois o professor na EJA deve
cumprir a proposta curricular, conforme já afirmado anteriormente, em um período menor
que no regular, o que implica em significativas mudanças na didática de ensino, sobretudo
no campo da Arte.
Nesse sentido investigamos a prática do professor de arte no contexto da EJA a fim
de auferir elementos que nos ajudem a entender como o ensino e aprendizagem de música
está e/ou pode ser inserido nessa realidade.
Formação acadêmica

Figura 4 Qualificação do profissional que atua na EJA - graduação


Especialização

Figura 5 Qualificação do profissional que atua na EJA - especialização

Cursos de capacitação

Figura 6 Qualificação do profissional que atua na EJA – formação continuada

Note que, de acordo com os respondentes, 50% tem formação em artes visuais;
11% em artes cênicas e, com formação em música não foi identificado nenhum
profissional. Dos respondentes 34% afirmaram ter pós-graduação nível de especialização e
33% não. Um dado importante revela que, dos respondentes, cerca de 47% afirmaram
participar dos cursos de formação continuada promovidos pela SEED. Contudo, o número
expressivo de questionários sem respostas para as questões das figuras 4, 5 e 6 impede uma
análise mais consistente desses dados.
Com relação ao tempo de exercício do magistério na educação básica e, sobretudo
na modalidade de EJA obtiveram-se os seguintes dados:

Tempo de atuação como professor de Artes


Figura 7 Tempo de experiência docente no Estado

Tempo de atuação como professor na EJA

Figura 8 Tempo de experiência docente na Modalidade de EJA

Atua na organização individual ou coletiva

Figura 9 Campo de atuação na EJA


Dos respondentes, 37% possuem entre um e dez anos de experiência no magistério,
sendo que na EJA esse índice percentual chega a 43% o que indica a existência de
professores com vasta experiência nessa modalidade de ensino. Quanto aos que
responderam terem entre dez e vinte e cinco anos de experiência o índice percentual foi de
25% para os que atuam no magistério e 15% na EJA.

Eixo III – Conteúdos musicais


Trabalha com os conteúdos de música

Figura 10 Conteúdos de Música na EJA

Apesar de a grande maioria ter formação em Artes Visuais, cerca de 50% dos
respondentes (fig.4), quando questionados sobre o trabalho com conteúdos musicais, 56%
dos professores, um número considerável, declararam trabalhar com tais conteúdos.
Ressaltamos, porém, que a formação inicial do professor de Arte, conforme prevista
na Lei de Diretrizes e Bases nº 9394/96, deixou de ser genérica e polivalente para dar lugar
à habilitação específica em uma das quatro áreas do conhecimento artístico: teatro, música,
dança ou artes visuais.
Na prática, é natural que cada professor privilegie sua área de formação. Com isso,
a definição, aprofundamento ou exploração dos conteúdos de Arte dependerá da
habilitação específica do professor.
A seleção dos conteúdos e das práticas no trabalho com a Arte, de acordo com as
Diretrizes Curriculares para EJA, tem como um de seus critérios o de valorizar os saberes
do aluno, ampliando essa perspectiva.
Portanto, trabalhar Música, democratizando o acesso às diferentes formas e
experiências de musicalização, é uma necessidade urgente na EJA e traduz as ansiedades
de profissionais comprometidos com esta modalidade de ensino em todos os seus aspectos:
dificuldade de aprendizagem, falta de tempo, improvisação, formação continuada que se
contrapõe à maturidade, interesse e dedicação.
Para destacar, neste estudo, as maiores problemáticas vividas pelo professor de Arte
na EJA, foram elencadas, as mais citadas:

Quanto às dificuldades sobre o ensino de arte na EJA

Figura 11 Infra-estrutura e suporte pedagógico

No tocante às principais dificuldades apontadas 28% dos respondentes destacaram,


principalmente, a ausência de material didático. Somente 17% fizeram referência ao
espaço físico e 11% aos materiais pedagógicos. Por materiais pedagógicos entendemos
jogos, vídeos, software, desenvolvidos ou com encaminhamentos específicos para
Educação de Jovens e Adultos.
Fica evidente que as questões levantadas se constituem em metas para investimento
de recursos públicos e implementação de políticas educacionais preocupada efetivamente
com a melhoria das condições dos estabelecimentos onde funciona a EJA.
Convém ressaltar que somente 5% fizeram referência à organização da EJA, o que
nos causou certa surpresa visto que esse fator, sempre nos pareceu algo problemático, haja
vista que a carga horária muito restrita e a urgência do aluno em concluir o curso, pode
criar no professor e no aluno a falsa impressão de que este estudo é dispensável, e os
conteúdos de disciplinas como arte, educação física, história não sejam importantes. Por
outro lado, 39% não responderam a questão proposta o que infelizmente inviabiliza uma
análise mais precisa e consistente.
Eixo IV – Material didático
Os CEEBJA’s enfrentaram muitas dificuldades no que se refere ao material
didático. Aos professores que atuaram nestes centros, durante muito tempo foram
oferecidas apostilas com conteúdos básicos de diferentes disciplinas, que apresentavam
alguns problemas metodológicos, de definições e até exageradamente sintéticos,
comprometendo inclusive a formação de conceitos básicos.
Muitos professores, no entanto recorriam à livros escritos para o ensino regular e
realizavam com algumas adaptações e mesmo tendo a consciência de que isto está longe de
ser ideal, porém naquele contexto, era melhor do que não ter nada.
Porém, todas as Escolas do Paraná receberam a partir de 2008, receberam um livro
didático para os diferentes componentes curriculares: o Livro Didático Público – LDP. O
LDP- Arte apresenta conteúdos das diferentes áreas do Ensino da Arte, contudo, mesmo o
material estando direcionado ao ensino regular e somente para o Ensino Médio, os
CEEBJAS também receberam. No entanto, apesar do valor dessa iniciativa, percebe-se que
continua havendo uma lacuna no processo de ensino-aprendizagem, referente à utilização
do LDP- Arte na EJA, pois a carga horária para o ensino médio é reduzida, se comparada
ao ensino regular.
Então, durante muito tempo, o material didático para a EJA, foi adaptado,
improvisado ou sucateado.
Considerando essa situação, por determinação do então Secretário da Educação,
Maurício Requião, os CEEBJAS receberam a partir de 2010 um material específico pelo
Programa Nacional do Livro Didático - PNLD, do Fundo Nacional de Desenvolvimento da
Educação - FNDE; direcionado ao ensino fundamental, e no final de 2011, para o ensino
médio.
Com base nos depoimentos de professores, pedagogos e diretores das escolas de
EJA, com relação ao material didático, foi possível perceber que ao realizar o processo de
escolha do livro didático, seguindo as regras do PNLD, as escolas de EJA e os CEEBJA’s
do Núcleo Regional de Educação da Área Metropolitana Sul receberam o livro didático.
Ao ser indagado sobre existência o livro didático na escola, o livro apontado foi:
Autor: Grasiele Silva de Souza, Perla Frenda e Tatiane Cristina Gusmão
Título: Educação de Jovens e Adultos
Editora: IBEP
O livro citado passou pelo processo de escolha do PNLD, em 2010, e vem sendo
utilizado pela grande maioria dos CEEBJA’s e escolas de EJA do Núcleo Regional de
Educação da Área Metropolitana Sul que receberam o livro didático.

5 – Se tem livro didático, você utilizada o livro nas aulas de Arte?

Figura 12 Uso do livro didático de arte na EJA

6 - Se utiliza o livro, de que maneira?

Figura 13 Uso do livro didático de arte na EJA

Observe que a presença do livro didático na escola pode para alguns representar
maior segurança no processo de ensino e, para outros, ser somente um elemento a mais
para enriquecer as aulas. Metade dos respondentes afirmaram ter o livro didático para
trabalhar na EJA, 50%. Por outro lado, a forma de utilização desse material ficou muito
bem distribuída, sendo que 17% utiliza o livro na totalidade e outros 17% afirmaram não
utilizá-lo.
Além dos não respondentes houve aqueles, cerca de 33%, que afirmaram utilizar
apenas alguns capítulos do livro da EJA. Importa dizer que o questionário não inquiriu
sobre os conteúdos tratados nesse material, o que representa uma lacuna a ser preenchida
em pesquisas futuras.

O contexto da implementação: CEEBJA Fazenda Rio Grande


O Município de Fazenda Rio Grande, desde 1997, oferta a modalidade de Educação
de Jovens e Adultos, na forma de ações pedagógicas descentralizadas vinculadas ao
CEEBJA Mandirituba. Percebeu-se que, com o passar dos anos, o número de turmas
passou a aumentar, principalmente nas localidades mais distantes.
Assim como houve um inchaço populacional neste Município, a procura para
conclusão do ensino fundamental e médio por jovens e adultos cresceu de maneira notável.
Devido ao crescimento rápido do município, observou-se a necessidade de maior
agilidade, autonomia e rapidez no encaminhamento da documentação além de um apoio
pedagógico mais próximo dos estudantes. Por isso, em março de 2003, o Município de
Fazenda Rio Grande solicitou a implantação de um CEEBJA e ao receber o parecer
favorável as Secretaria de Educação do Estado criou-se o Centro Estadual de Educação
Básica para Jovens e Adultos Fazenda Rio Grande, para oferta de Ensino Fundamental fase
I e II e Ensino Médio.
O CEEBJA Fazenda Rio Grande iniciou suas atividades em 21 de Janeiro de 2004
pela Resolução 205/04 com a oferta do curso semipresencial. Em 2006, a oferta do Ensino
Fundamental-Fase I, Fase II e Ensino Médio semipresencial foram cessados e o CEEBJA
passou a ofertar a modalidade Educação de Jovens e Adultos de forma presencial,
autorizada pela Resolução nº 3794/2006 de 24 de novembro de 2006.
Desde então, o CEEBJA Fazenda Rio Grande funciona em dualidade
administrativa, num prédio da Prefeitura Municipal de Fazenda Rio Grande, onde também
funciona a Escola Municipal Arnaldo Busato.
Apesar das dificuldades encontradas ao longo de tantos anos dedicados à
escolarização de trabalhadores, em 2013, o CEEBJA conta com 1250 alunos distribuídos
em turmas na Sede e em 12 turmas de APED’s.
As APED’s são Ações Pedagógicas Descentralizadas, ou seja, salas de aula que
funcionam fora da sede, porém vinculadas ao CEEBJA. Estas turmas têm aula em escolas
distantes das sedes, em regiões rurais, locais onde não há oferta de escolarização para
jovens e adultos e seu funcionamento é por tempo determinado e autorizado pelo Conselho
Estadual de Educação.

O processo de implementação: experiência


A Implementação do Projeto de Intervenção Pedagógica consiste em por em
prática, em aplicar a produção didática elaborada em sala de aula, com alunos. Nesta etapa
o objetivo maior é analisar a viabilidade da produção didática no contexto da escola.
Pretende pensar e organizar as práticas contidas no Caderno Pedagógico “Universo Sonoro
na EJA”, material didático produzido.
O projeto passa pela apresentação do material à direção, equipe pedagógica e
professores do CEEBJA Fazenda Rio Grande na Semana Pedagógica – 2013, além de
algumas atividades selecionadas da produção pedagógica e uma entrevista com um músico
paranaense.
As práticas selecionadas propõem um tratamento aos conteúdos musicais
direcionados à Educação de Jovens e Adultos. Os textos de fundamentação teórica, dicas
para o professor e encaminhamentos metodológicos traduzem a intenção de trabalhar de
forma relevante e significativa os conteúdos musicais.
Durante a Implementação, houve também o Grupo de Trabalho em Rede, GTR,
onde as práticas forma analisadas e discutidas por professores da Rede Estadual de
Educação do Paraná. O GTR garante que a experiência seja divulgada e pensada por um
número maior de profissionais que atuam em diferentes regiões do estado.
O período de acompanhamento aos professores do Grupo de Trabalho em Rede foi
extremamente rico, haja vista as contribuições prestadas pelos participantes nos fóruns de
debate.
Durante as discussões foram abordados aspectos relacionados à Lei 11.769,
sancionada em 18 de agosto de 2008, que determina que a música seja conteúdo
obrigatório na Educação Básica. Esta Lei, de acordo com as discussões, representa um
avanço significativo para o Ensino da Música, porém muito tem que se caminhar para a
efetivação de um trabalho com os conteúdos musicais, dos quais se destacam: a falta de
profissionais habilitados em Música, necessidade de espaços adequados à prática musical,
falta de materiais adequados à prática musical, falta de material didático direcionado ao
trabalho com conteúdos musicais, necessidade de capacitação ao professor para dar
condições deste trabalhar com os conteúdos musicais além da viabilidade das estratégias
apresentadas na produção didática.
Alguns depoimentos revelam o quanto o trabalho com os conteúdos musicais
podem ampliar a visão de mundo de cada um. Segundo os participantes “ao explorarmos
diferentes paisagens sonoras em sala de aula podemos também questionar o próprio mundo
que estamos construindo.” (GTR 2012)2
Quanto ao material didático, convém afirmar que constatamos a inexistência de um
material didático sobre música para EJA que, também estivesse em sintonia com a
Proposta Pedagógica e Diretrizes Curriculares da EJA, bem como as Diretrizes
Curriculares – Arte. Com base nisso decidimos elaborar um material didático sobre
música, tendo como público alvo professores e alunos.
Alimentado pela experiência de sala de aula acumulada durante o exercício da
função docente, foram elaborados alguns encaminhamentos aos conteúdos musicais de
maneira dinâmica, estrategicamente pensado para o aluno de EJA.
Os temas escolhidos propositalmente suscitam o debate, a participação e a busca de
diferentes fontes de contato com a música. Propõe também uma maior versatilidade ao
conceito de música, de som, de ruído e de paisagem sonoro. Procura-se, com base nos
estudos de Schafer (2001), ressignificar conceitos cristalizados ao longo da história.
Para tanto, as práticas descritas na produção didática propõe um olhar diferente ao
mundo sonoro: “Eis a nova orquestra: o universo sonoro. E os músicos: qualquer um e
qualquer coisa que soe!” (SCHAFER, 2001, p.20)
Do empenho em materializar estas expectativas, organizou-se assim o Caderno
Pedagógico “Universo Sonoro na EJA”, com orientações metodológicas, sugestões de
fontes virtuais ou literárias e atividades práticas.
Ao implementar o projeto de intervenção Música na EJA: possibilidades e desafios e do
Caderno Pedagógico Universo Sonoro na EJA, fez-se a apresentação aos professores do CEEBJA
Fazenda Rio Grande na Semana Pedagógica/2012. Durante a apresentação percebeu-se
nitidamente a receptividade e a curiosidade de toda a escola em ver os resultados práticos deste
trabalho.

2 Por razões éticas os nomes dos participantes foram preservados. Utilizaremos a designação genérica GTR 2012 para identificar as diferentes falas e depoimentos nesse texto.
As ações estabelecidas para implementação em sala de aula propuseram um
tratamento aos conteúdos musicais direcionados à EJA. Os resultados alcançados ficaram
evidentes no entusiasmo dos alunos que aguardavam os próximos encontros cada vez mais
animados.
A entrevista com o compositor paranaense Claudio Avanso foi um sucesso. Os
alunos elaboraram as perguntas, o compositor contou causos, fez abordagem histórica da
viola e da moda de viola e cantou várias modas. Os alunos cantaram a música “Remanso
do Tibagi”, incluída no Caderno Pedagógico “Universo Sonoro na EJA”, junto com o
compositor, o que fez o momento muito emocionante para todos.
Quanto ao tempo das ações, convém salientar que foram selecionadas algumas
atividades do caderno pedagógico e que foram planejadas de maneira adequada e
sistemática. Contudo, para contemplar a totalidade do caderno pedagógico, necessitaria de
um tempo imensamente maior.

Considerações Finais
As reflexões realizadas durante a organização do projeto de intervenção servem de
parâmetro para analisar os resultados alcançados. Foram escolhidos alguns caminhos a
serem percorridos. Destacam-se, nesse percurso, a necessidade de se refletir sobre a Lei
11.769, sancionada em 18 de agosto de 2008, que determina que a música seja conteúdo
obrigatório na Educação Básica e rever o conceito de professor polivalente, ou seja, um
único professor de arte dando aulas de teatro, música dança e artes visuais.
Nos diferentes momentos em que estas questões foram tomadas e retomadas,
perceberam-se alguns consensos. O atual contexto educacional necessita de um professor
de Arte que propicie ao aluno diferentes experiências com as formas de expressões
artísticas. E a escola é o local onde o aluno se relaciona com a Arte, sob orientação do
professor de Arte, que faz as interferências necessárias, possibilitando a experiência
estética e uma visão mais abrangente de mundo que o cerca.
O estudo buscou verificar como são tratados os conteúdos musicais nos Centros
Estaduais de Educação Básica para Jovens e Adultos, os CEEBJA’s, apontando também
algumas possibilidades e desafios no trabalho com a Música, organizando, de maneira
objetiva, o Caderno Pedagógico “Universo Sonoro na EJA”.
O questionário aplicado nas escolas, o Grupo de Trabalho em Rede e a
Implementação do projeto foram diferentes formas de analise da realidade. As respostas e
os depoimentos colhidos serviram para alimentar e realimentar as bases para que pesquisa
pudesse contribuir de maneira efetiva para a abordagem dos conteúdos musicais.
Os resultados alcançados só foram possíveis em virtude do Programa de
Desenvolvimento Educacional (PDE), que devido à sua configuração permite que o
professor, durante sua carreira, possa se dedicar a uma pesquisa e reflexão sobre a
realidade educacional vivida, amparado pelos instituições de ensino superior.
Acredita-se que em cada etapa deste estudo, houve o crescimento e a valorização do
papel do professor-pesquisador, um profissional preocupado com as mudanças constantes
da sociedade em que está inserido. O professor-pesquisador transforma os contextos, abala
estruturas obsoletas e transforma o dia-a-dia da escola.

Referências

AAKER, D. A.; KUMAR, V.; DAY, G. S. Pesquisa de marketing, São Paulo: Atlas,
2001.

OSTROWER, Fayga. Universos da Arte. São Paulo, Campus: 1991.

PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação do. Diretrizes Curriculares da Educação


de Jovens e Adultos. Superintendência de Estado da Educação. Curitiba, 2006.

PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação do. Diretrizes Curriculares de Arte para a


Educação Básica. Superintendência de Estado da Educação. Curitiba, 2008.

PENNA, Maura. Música(s) e seu ensino. Porto Alegre. Ed. Sulina: 2008.

PENNA, Maura. (Coord.) A situação do ensino de arte: mapeamento da realidade nas


escolas públicas da Grande João Pessoa. João Pessoa: D’ARTES/UFPB, 2000. Relatório
de pesquisa.

SCHAFER, R. Murray. A Afinação do Mundo: uma exploração pioneira pela história


passada e pelo atual estado do mais negligenciado aspecto do nosso ambiente: a paisagem
sonora. Tradução de Marisa Trench Fonterrada. Ed. UNESP: São Paulo, 2001.

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