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UEL - MUSICA, 2019-05 HISTORIA III PROF: FABIO FURLANETTE

ALUNA: GABRIELLA C. GIOVANETTI

ENSAIO

Jaques Rancière, Os nomes da Historia – Uma batalha secular

Darcy Ribeiro, O povo brasileiro (capítulos 1 ao 5)

Relação com a minha pratica musical

Percorrendo por estas leituras interessantes e instigantes, posso presumir que


nada seja mais tão agradável que aceitar que a historia é uma narrativa cientifica, mas
não somente. A historia, para ser uma boa historia – ou seja, adentrar no imaginário das
pessoas e deslocá-las em algum sentido –, ao passo que é escrita ou contada, deve
conter um tanto de poética e um pouco de dados científicos, enlaçados gentilmente no
texto. Amalgamados, a ciência, a narrativa e a política, transportam o leitor ou ouvinte
para o tempo ocorrido, que quando trazido de volta, observa a sua realidade com
alterações significativas de percepções acerca de si e do mundo – e se não fica “indo e
voltando” enquanto penetra na historia.

Acerca da minha leitura sobre o texto de Rancière, só posso afirmar com muita
clareza que reconfigurou todo um pensar sobre o que é a historia e como compreendê-
la. A partir das suas indagações e ao final do texto explicitando que existem três
exigências articuladas para escrever e compreender uma historia, os “contratos”
(narrativo, cientifico e político), são pilares fundamentais, mesmo com a contradição
entre o narrativo e o cientifico. Aí é que entra o político e a habilidade poética do autor
que vai articular em palavras essa historia. No caso de Rancière, é observável que ele
estava lidando muito bem com esses três contratos em seu texto (mais o nível poético),
e também, é o caso de Darcy Ribeiro.

Em o Povo Brasileiro, Darcy tenta trazer, ou até formar, certa identidade nacional
ao povo brasileiro, contando a historia desde o Brasil colonial até o contemporâneo.
Sobre a questão inter-racial (indígena, europeu, negro), inter étnica, os choques de
cultura gerados e as tantas mortes e violências de um povo que foi sendo miscigenado
ao que é hoje, sucumbido a uma urbanização caótica e a ordem social com a
predominância e prepotência das classes dominantes sob as classes oprimidas, com um
racismo velado e ao mesmo tempo, descarado, desprezando e reprimindo a massa
negra. Considero muito interessante o que ele diz sobre o negro urbano que “veio a ser
o que há de mais vigoroso e belo na cultura popular brasileira. (...) o componente mais
criativo da cultura brasileira e aquele que, junto com os índios, mais singulariza o nosso
povo.” Contrastando a repressão racial, o negro encontra em variadas manifestações
culturais, oportunidade de expressar seu valor. Como é o caso da música popular.
A minha pratica musical é influenciada por tudo isso e por muitas outras
inúmeras coisas. Acredito que meu fazer musical seja muito amparado por um sentido
mais simbólico relacionado à cultura popular, do que por um sentido mais pratico e
“vivenciado” dela, relacionado às manifestações culturais. Por conta do local onde eu
nasci e vivo até hoje, não tenho muito contado com essa “cultura popular brasileira” –
mesmo também considerando que eu tenha, pois eu procuro às vezes me inserir –, por
conta da urbanização, localização e classe social da qual estou inserida. Eu busco
dialogar com espaços variados em aspectos culturais e diferentes da minha “bolha”, mas
ainda assim, acredito que não faça parte de alguma manifestação cultural propriamente
dita. Espero eu estar equivocada em meus questionamentos, por conta do excesso de
contradições dos mesmos, pois acredito que ainda tenho muito que pensar e refletir
sobre.