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Pobre velha música!

Na primeira estrofe, o sujeito poético realça a temática da infância que não é mais do que
um paraíso perdido. Isto faz com que ele apresente sentimentos de angústia e nostalgia
(quando ouve a música, lembra-se do passado em que também a ouvia, e chora com saudades
desse tempo). No primeiro verso desta estrofe, encontramos uma dupla-adjetivação em
posição pré-nominal, o que imprime a subjetividade do sujeito poético (“Pobre velha música!”
– a infância já está longe e o hábito de ouvir música também).

A segunda estrofe é iniciada com a recordação de tempos passados, onde ouvia a música
com outros sentimentos. Contudo, existe uma dúvida constante pois como a sua infância
parece não ter sido alegre, o sujeito lírico não sabe se a ouviu, pelo menos, no presente evoca
uma música de outrora.

Na terceira estrofe, o poeta revela o desejo de regressar ao passado talvez devido ao facto
de o presente lhe ser hóstil, como em quase todos os seus poemas.

São utilizadas exclamações e interrogações emotivas, pontuação reveladora de um estado


de ansiedade. E este estado de frustração é ainda acentuado pela dúvida marcada pelo
oximoro que traduz novamente a dúvida acerca da felicidade “E eu era feliz? Não sei:”. O
último verso “Fui-o outrora agora.” simboliza a fusão entre o passado e o presente. Numa
espécie de fuga ao presente, o “eu” poético reclama esse passado de felicidade, apenas
entrevista na memória do presente “Fui-o outrora agora.”.