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Notas sobre alienação e fetichismo

Humberto
Bodra

O homem se faz homem, portanto um ser cultural , ao colocar a natureza a seu


serviço através da ação transformadora de suas mãos e de sua mente isto é, do
seutrabalho Para isto os homens se organizam sob formas definidas de sociedade,
como aquelas que caracterizam o chamado comunismo primitivo, ou os vários tipos de
sociedades de classes como o escravismo, o feudalismo, o capitalismo.
O trabalho é portanto a marca distintiva do homem no mundo: homo faber , um
ser demiúrgico. Ser capaz de criar desde vasos de barro a foguetes espaciais; desde o
alfabeto até poemas e sinfonias. Trabalho que, se de um lado exige esforço, de outro
proporciona realização, satisfação, prazer. Então a obra realizada pode ser
sentidacomo um filho por seu criador.
A grande dificuldade experimentada pelos povos primitivos estava no pouco
conhecimento que os homens tinham da natureza e dos meios necessários para
transforma-la. Por isso o trabalho nem sempre proporcionava satisfação. No entanto,
ao adquirir maior conhecimento, melhor tecnologia, desponta uma contradição ainda
maior : alguns homens passam a explorar o tra-balho de outros. Em vez de condição
de liberdade, o trabalho passa a ser condição de escravidão. Em vez de trabalhadores
asso-ciados, solidários, a sociedade se fende entre exploradores e explorados. Por
fim, na sociedade capitalista, a fragmentação do tra-balho acaba por lhe subtrair
qualquer atrativo. O trabalhador perdeu todo controle do processo produtivo. Seu
trabalho é alienado.
Alienação vem etimologicamente de alienus, de onde se deriva em português o
adjetivo alheio , isto é, aquilo que é do outro
Em vários momentos históricos a palavra alienação recebeu significados
diversos em diferentes ciências e linguajares. Modernamente, este termo se
consagrou no contexto do pensamento de Hegel e no de Marx.
No primeiro caso, ganhou uma conotação valorativamente positiva: trata-se de
um ato pelo qual o homem se projeta naquilo que faz. Seu espírito se objetiva em
outro ser: seu interior se exterioriza neste outro que o homem constrói, seja um
simples objeto, uma obra de arte, a ciência ou a História.
No pensamento de Marx a palavra alienação foi usada com um sentido
negativo: passou a designar todo processo em que alguma atividade humana escapa
daquele que a realiza e é subjugada por outro. A ação de alguns homens é controlada,
apro-veitada, incorporada por outros, segundo os interesses destes, sejam eles
homens individuais, grupos sociais ou mesmo ‘coisas”.

A alienação do trabalho

Vamos analisar sucintamente o conceito de alienação no sentido que lhe deu Marx. De
ínicio constatamos que a alienação pode-se dar em vários campos da atividade humana: na
economia, na política, no campo ideológico e cultural.
Tratando-se da sociedade capitalista, a alienação nuclear e fundante das demais é
aalienação econômica , ou, mais precisamente, a alienação do trabalho.
Para melhor entender este conceito (e só para isso), vejamos o exemplo de um trabalho
não alienado no seio de uma relação pré-capitalista, como é o caso do trabalho de um artesão,
quer dizer, de alguém que trabalha por sua própria conta, não sendo portanto nem empregado
nem empregador.
Chama nossa atenção o fato de que o artesão mantem sob o seu controle todo o
processo de trabalho ao qual se dedica. Controla a fase preliminar do trabalho, quando ele
mesmo projeta antes na sua mente o objeto que vai criar, sua finalidade, o modo como será
feito, em que quantidade etc.
Os vários momentos do processo produtivo também estão sob o seu domínio. O artesão
escolhe como vai realizar o seu trabalho: em que ritmo, dentro de qual jornada, com quais
máquinas ou ferramentas, trabalhando com qual postura corporal.
Por fim, realizado o trabalho, o objeto criado está sob o total domínio de seu criador. Ele
o utilizará, ou dará de presente, ou o venderá, Também poderá se recusar a vendê-lo, se não
concordar com a finalidade que lhe pretenda dar um possível comprador.No caso
da venda(supondo-se o mercado em equilíbrio), ele receberá em troca a totalidade do valor da
mercadoria produzida.
Como vemos, o trabalhador artesão, ao colocar a natureza ao seu serviço, mantém-se a
cavaleiro durante todo o processo produtivo, desde o início até o fim de seu trabalho. Este fato
só é possivel porque ele mesmo é o dono dos meios de produção (prédio, máquinas,
ferramentas, matérias-primas, energia), além de controlar também o processo de distribuição.
Por todas essas características de não alienação do trabalho artesanal, estão dadas as
condições para que ele seja experimentado como uma ação criativa e, portanto, realizadora,
capaz de proporcionar satisfação, prazer, a quem o realiza.

Bem diferente é a situação de um trabalhador assalariado, um operário, por


exemplo. Ele não possui qualquer poder de decisão no momento inicial de planejar
qual a mercadoria que será fabricada (por exemplo, alimentação ou armas?) Em que
quantidades? Com que meios e tecnicas ? Estas e outras questões são decididas
pelooutro , o dono dos meios de produção ou seu representante. Do mesmo modo, é
também este outro quem determina as várias circunstâncias sob as quais vai se
realizar o trabalho: intensidade, duração, instrumentos, postura fisica, vigilância dos
chefes etc. Produzida a mercadoria, seu produtor nenhum domínio tem sobre ela. O
destino do produto, bem como todo o movimento de sua circulação, lhe são estranhos.
Além disso, do valor novo criado por suas mãos, receberá apenas uma parcela: a
parte necessária para a reprodução de sua força de trabalho. O sobreproduto por ele
criado (a mais-valia) permanecerá nas mãos do outro .
Assim é esse alienus que domina todo o processo de produção e circulação das
mercadorias. Por isso, temos aí um trabalho alienado.
É fácil entender que tal tipo de trabalho subordinado e fragmentado não
proporcione satisfação, mas, pelo contrário, seja sentido como um fardo, um castigo. A
vida só começa depois que termina este trabalho.
(Ao compararmos o trabalho de um artesão como trabalho de um assalariado,
buscamos apenas um melhor entendimento da alienação que permeia este último.
Não se está sugerindo a volta ao trabalho artesanal. A superação da alienação do
trabalho na sociedade capitalista só pode ser pensada no âmbito da socialização e
complexificação do trabalho que tal tipo de sociedade introduziu e desenvolveu.)

Outras formas de alienação

O trabalho, mediando a relação do homem com a natureza, em função da


reprodução de sua vida, é o primeiro ato histórico do homem. Ao executa- lo, os seres
humanos estabelecem determinadas formas de organização social e política, bem
como formas de conhecimento, mediadas por diferentes visões.
Ora, o trabalho alienado só pode ser alicerce de outras atividades humanas
também alienadas. E ocaso da alienação política . Se a produção e distribuição das
riquezas é feita em beneficio de uns e em prejuízo de outros, é claro que estes terão
de garantir a continuação desta desigualdade por meio de leis, governos, exércitos
etc. O que pressupõe a exclusão real (ainda que nem sempre formal) dos não
privilegiados nas instâncias do poder, isto é, nas decisões sobre a organização e os
rumos do todo
social.
A não participação nas decisões, por proibição ou por omissão, caracteriza uma
situação em que o outro decide sobre questões que afetam a todos e a cada um.
Assim, o chamado “apolítico” é aquele que pratica o ato político de assinar uma folha
em branco para que depois outros a preencham com seus próprios planos e
resoluções.

A continuidade da situação subordinada pode ser garantida também quando


alguns se submetem às idéias de outros, isto é, à sua visão de mundo, os seus
valores, a sua moral. As idéias que correspondem aos interesses de outros são
assimiladas e repetidas como se fossem próprias. Temos então a alienação ideológica,
que frequentemente vem acompanhada de uma mais específica alienação
cultural quando as várias manifestações da ciência, da arte, dos costumes etc, se
impõem ao conjunto da sociedade, não por seu valor intrínseco, mas pelo caráter
privilegiado que lhe dá esta sua origem nos “outros’.
Urna forma específica deste último tipo de alienação é a alienação religiosa .
Pode-se dizer que isto acontece quando os privilegiados dominam os demais,
utilizando para isto, em seu proveito, as relações dos homens com o sagrado. Um
exemplo disso acontece quando o sagrado passa a ter a função utilitária de consolar
os sofrimentos do presente com a promessa do paraíso futuro. E o famoso “ópio
dopovo”. Abre-se mão da felicidade nesta vida em função de assegura-la na outra vida,
enquanto os outros a desfrutam com mais tranquilidade. Em nossa concepção, nem
toda relação com o sagrado tem este caráter alienante, mas apenas quando se
assemelha ao do quadro acima.
Em todos os tipos de alienação aqui mencionados poderíamos também
distinguir as várias relações de submissão que acontecem entre as nações. Os países
do terceiro mundo, por exemplo, estão quase sempre em estado de alienação
econômica, política, ideológica e cultural em relação aos outros, os países do primeiro
mundo. Estas alienações se configuram, entre outras, no estado de dependência
econômica e política, na imposição de seus valores, de sua língua, de sua música, de
suas roupas ...E também de sua religião. Aqui vale a lembrança da forma violenta com
que os colonizadores portugueses e espanhóis “cristianizaram” os indígenas que aqui
viviam.

Fetichismo

A par do conceito de alienação temos o de fetichismo . Este é uma forma


particular de alienação, pela qual os homens são submetidos não a outros homens,
mas a “coisas”. O alienus agora não é um ser humano, mas uma “coisa”. Produz-se
então uma total inversão entre sujeito e objeto: aquilo que é de fato o resultado da
atividade humana como que adquire vida, consciência, atuação, ao mesmo tempo em
que seus produtores são coisificados , reduzidos a simples objetos da “atividade” das
coisas. Então é o homem que deve servir às coisas e não estas ao homem.
A personificação das coisas e a coisificação dos homens transformam toda a
vida social em um mundo mágico, permeado de feitiços .
O feitiço ou fetichismo da mercadoria é o núcleo originário de outras formas de
fetichismo que permeiam o funcionamento da sociedade capitalista. A mercadoria é
fetichizada quando seu valor se autonomiza do processo de trabalho que o criou e se
justifica apenas pelas leis do mercado. Estas, vistas como leis naturais, harmonizariam
espontaneamente o conjunto das relações econômicas: é a “Mão Invisível” que
dispensa qualquer planificação. “Uma relação social definïda, estabelecida entre
homens, assume a forma fantasmagórica de uma relação entre coisas.” (1)
A acumulação de mais-valia (trabalho vivo não pago) gera o capital. Este, como
condição de existência tem que se “autovalorizar” e por isso volta ao processo de
produção de mercadorias. Aí também “não é o trabalhador que usa os instrumentos de
produção. Ao contrário: os instrumentos de produção-convertidos em capital pela
relação social da propriedade privada - é que usam o trabalhador’’. (2)
Não é o atendimento das necessidades e desejos do homem que movimenta a
economia, mas sim as “necessidades” e “desejos” de acumulação de capital, como
uma “atividade das coisas sob cujo controle (os homens) se encontram. ao invés de as
controlarem”. (3) Não só o trabalhador assalariado é escravizado pelo capital, como
também os próprios capitalistas (embora com correntes de ouro).
Ao invés de criador, o capitalista “continua sendo, socialmente, criatura (das
relações capitalistas) por mais que, subjetivamente, se julgue acima delas”. (4) Assim,
um empresário não pode, por sua própria vontade, aumentar significativamente os
salários de seus trabalhadores, isso levaria a um rebaixamento de sua taxa de lucro,
inviabilizando a concorrência com os demais empresários do ramo, e inviabilizando
sua própria condição de empresário.
Dentre os vários fetiches do capital, destaca-se o que se apresenta sob a forma
de dinheiro. Historicamente, o dinheiro apareceu para facilitar as trocas, simbolizando,
em última instância, o trabalho acumulado em cada mercadoria. Depois, porém, o
dinheiro se “emancipou” de seu caráter simbólico, adquirindo vida própria.
A fetichização da mercadoria, do capital, do dinheiro transborda para a
fetichi\ação de toda economia. Assim, a inflação é um monstro que tem que ser
derrotado, o mercado reage , as ações disparam . Os produtos que a publicidade nos
apresenta na Tv, rádio, revistas, outdoors continuamente estão falando entre si e
conosco. Falam, provocam, seduzem, elogiam, repreendem ...
Quando a economia capitalista entra em colapso, causado pela aparentemente
absurda crise de superprodução, faz-se necessário queimar capital para que depois
um novo ciclo de acumulação de capital possa se desenvolver. Então, a lógica do
capital exige máquinas paradas e desemprego em massa; fome e destruição de
alimentos; guerras, epidemias de cólera e misérias de todo tipo. A economia capitalista
exterioriza nestes momentos sua perversidade intrínseca. “O processo de produção
domina o homem, e não o homem o processo de produção”.
(5) M
as os fetiches extrapolam o campo da economia e invadem outros campos. As leis
parecem ter uma vida própria, independente dos interesses e conflitos em cujo
contexto foram criadas. As autoridades (legítimas ou ilegítimas) devem ser respeitadas
independente do que representam, do projeto que têm etc. O Estado, gerado no
conflito de classes e para proveito dos privilegiados, aparece como uma “coisa” neutra.
As ideologias, fruto também elas do confronto entre interesses contraditórios,
pretendem se apresentar com as marcas da universalidade. A cultura da classe
dominante e/ou pais dominante não precisa justificar porque é superior às outras. É a
melhor, sem mais.
O Fetichismo perpassa também as religiões, quando seus ritos e objetos
sagrados perdem seu caráter simbólico para adquirir vida própria, portadores de
poderes mágicos. As “coisas”, que na relação fetichista assumem o papel de sujeitos e
objetivizam o homem, só podem realizar esta inversão se dotadas de poderes
sobrenaturais, se forem sacralizadas, divinizadas. Na América Latina, Teologia da
Libertação afirma que mercadoria, mercado, capital e dinheiro transformaram-se em
ídolos, mas esta teologização não se apresenta como tal, pois as relações capitalistas
dissimulam o conteúdo teológico de que estão impregnadas, ao mesmo tempo que
constroem constantemente as aparências ocultadoras do real, o que lhe dá de fato um
caráter, como dizia Marx, de “religião da vida cotidiana”.

Desalienação e desfetichização

A alienação e o fetichismo não são destinos inelutáveis do homem. Este, que se


distingue por poder ser livre, pode por isso mesmo tomar as rédeas de sua vida em
suas próprias mãos.Assim, a alienação do trabalho, em vez de uma fatalidade é um
fato histórico. E como tudo que é histórico nasceu em alguma época e pode vir a
morrer. Não há nenhum fator genético embutido no ser humano que obrigue alguns
homens trabalhar para outros e sob suas ordens.
As possibilidades de que o trabalho se torne atraente e realizador estão dadas
hoje mais do que nunca, já que com o imenso avanço tecnológico a maioria das
tarefas desagradáveis poderia ser realizadas por máquinas robotizadas. O que
impede isto são apenas as relações sociais opressivas que predominam no mundo.
O homem é um ser social por essência. Ele só pode ser reconhecido como
sujeito por outro sujeito. Ao não reconhecer de fato o outro homem como sujeito
e simcomo objeto, ele impossibilita também para si mesmo a condição de sujeito.
Querdizer que o homem só é tal diante do outro, reconhecido também como homem.
Portanto, a alienação que atinge o dominado submete também o dominador. Pelo
contrário, a desalienação, que implica substituição da relação de dominação do
outropela relação de reconhecimento do outro liberta ambos para a plenitude de sua
condição humana.
O desvelamento de seu real caráter de objeto. nas coisas animificadas, é a
tarefa preliminarda desalienação: a desfetichização. “ É nisso que consiste, no fundo,
o materialismo de Marx, que é uma luta por devolver a economia ao seu plano próprio,
desfazendo a inversão fetichista que levou as coisas (mercadoria, dinheiro, Capital) a
agentes “hypostasiados” (personalizados), rebaixando as pessoas a coisas”. (6) Para
os que não crêem no fim da história , petrilicada nas relações capitalistas do presente,
as várias formas de desalienação se situam na soleira dos horizoites possíveis, como
patamar inicial da superação desta “pré-história da humanidade”, a caminho da
História plenamente humana.

(*) Humberto Bodra, membro da equipe do 13 de Maio-Nep. idealizador e criador do Programa


deFormaçâo de Monitores. Professor de Teologia da PUC-SP. Fundador do Partido dos
Trabalhadores e da Central Unica dos Trabalhadores.
Causas mortis desconhecida. Revolucionário, mestre e amigo.

Notas
(1) Cf. MARX, Karl, O Capital (livro primeiro, cap.1, itein 4, “O fetichismo da
mercadoria: seu segredo”), 3a edição, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1975, p.
81.
(2) CC GORENDER, Jacob, na Apresentação de “O Capital”, de Karl Marx, São Paulo.
Abril Cultura!, 1983, p. xxxvii.

(3) CC MARX. Karl, op. cit. (Civilização Brasileira), p23

(4) Ibidem (Prefácio da 1ª edição), p 6.

(5) Ibidem, p 90

(6) ASSMANN, Hugo & HINKELAMMERT Franz, A idolatria do mercado, São Paulo,
Vozes, 1989, p. 221.

ESTÁTUAS

Abaixo o mastodonte de granito!


Força, todos juntos,
que as cordas já uivam
asfixiando como um urso
o pedestal.

Pronto! O homem de pedra


estrondeia e se estatela
no meio da praça.
Empunhemos as marretas e os
martelos!
(Foices não! Ainda uma vez não:
enfeites e armadilhas.)

Vamos, espatifem o seu olhar sereno


espicacem o seu vulto solene
sua testa larga, suas orelhas.

Desmoronem e esfrangalhem todos os


dinossauros
e suas cabeças de esclerose.
Dilacerem todas as múmias
e seus catecismos simplórios.

Profanem os altares do socialismo


científico
e todos seus lugares sagrados
pois é a hora dos iconoclastas
e o crepúsculo dos deuses.

Nos pedestais vazios


se quiserem
soergam a altiva Liberdade
com seu facho novaiorquino
e seus raios democráticos.

Sim. Façam tudo isso


mas, ao final, sepultadas as
caricaturas
ao menos por curiosidade,
abram seus livros.

Desvencilhados de monumentos
e fetiches

desacorrentem seu pensamento


crítico derrubem
também as
comportas
com que cercam em pântano
o fluir de sua dialética,
e a louca paixão pela humanidade.

Então outra vez


companheiro Carlos e Frederico
companheira Rosa e companheiro
Ilitch
serão vocês
perigosos
outra vez.

Humberto Bodra (17/08/91)