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COMPRESSORES VOLUMÉTRICOS

ALTERNATIVOS E ROTATIVOS

PROF. REINALDO DE FALCO

PQU
ÍNDICE
PÁGINAS

1. INTRODUÇÃO 3

2. COMPRESSORES, VENTILADORES, BOMBAS DE VÁCUO - FAIXAS DE


ATUAÇÃO 4

3. COMPRESSORES - Classificação 4

4. TIPOS DE COMPRESSÃO 7

5. COMPRESSORES ALTERNATIVOS 8

5.1 - Características construtivas 8


5.1.1 - Sistema de lubrificação 9
5.1.2 - Selagem da Haste do Pistão 11

5.2 - Disposições dos cilindros 12

5.3 - Ciclo do compressor alternativo 14


5.3.1 - Diagrama Ideal de Compressão 15
5.3.2 - Diagrama da Compressão com Espaço Morto no Cilindro 22
5.4 - Válvulas 26
5.5 - Influência de variações das condições de serviço sobre performance 36
5.6 - Compressão em estágios 47
5.7 - Capacidade do compressor 56
5.8 - Controle da capacidade 61
5.9 - Estimativa da potência de compressão 71
5.10 - Compressores não lubrificado 81

5.11 - Compressão de gases corrosivos ou tóxicos 88

5.12 - Vibrações em um compressor alternativo 89

5.13 - Instrumentação de Proteção 90

5.14 - Bombas de vácuo alternativas 91

5.15 - Especificação 96

5.16 - Manutenção 107

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Autor: Reinaldo de Falco
6. COMPRESSORES VOLUMÉTRICOS ROTATIVOS 111

6.1 - Compressor Rotativo de Palhetas 111

6.2 - Compressor de lóbulos 120

6.3 - Compressor de parafusos 122

6.4 - Compressor de anel líquido 123

6.5 - Controle de Capacidade 124

PROPRIEDADES TERMODINÂMICAS DE GASES 127

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Autor: Reinaldo de Falco
1. INTRODUÇÃO

"O transporte de fluidos compressíveis, tornado possível por máquinas como compressores, ejetores,
ventiladores, sopradores (blowers) e bombas de vácuo, é parte fundamental dos processos da indústria
química. Um fluido compressível pode ser evacuado de um sistema ou injetado nele para, por
exemplo, auxiliar na obtenção de uma condição de pressão, volume e temperatura necessária para que
haja uma determinada reação, ou para que uma operação unitária como absorção, condensação,
destilação ou evaporação aconteça numa taxa ótima, ou para efetuar uma mudança de fase de um
fluido. Em filtração, transporte ou mistura de materiais, um fluido compressível pode ser usado para,
respectivamente, permitir a retenção de partículas sólidas carregadas pela corrente de fluido em uma
superfície filtrante, transportar pequenos sólidos em uma corrente de fluido ou agitar sólidos ou
líquidos. A compressão é usada também para permitir a armazenagem de grandes massas de gases em
vasos, por liquefação ou, pelo menos, por redução de volume do gás.

O maior número de máquinas de compressão de gases na indústria química é usado para ar. Este é
empregado para operação dos instrumentos pneumáticos, atuação de servo-sistemas, e para utilidades
em geral em qualquer unidade de processos químicos. Um sistema de ar a 100 psig é comumente
empregado para utilidades, para operar talhas, maquinaria de embalagem e outros equipamentos
mecânicos. Compressores para ar a 250 psig são empregados na partida de grandes motores diesel ou a
gás.

Ar para oxidação é a aplicação química mais largamente empregada. Qualquer pressão de ar requerida
pode ser fornecida por alguma das máquinas de compressão, desde ventiladores descarregando a umas
poucas polegadas de água de pressão, até compressores de vários estágios para pressões de 3000 psi.
Unidades industriais de grande porte e produção contínua usam ar para oxidação na obtenção de
produtos finais ou intermediários, tais como gás de síntese, formaldeído, metanol e ácido nítrico.

Além disso, é vital para o processo de cracking catalítico a regeneração do catalisador impregnado de
carbono, realizada pela oxidação do carbono por ar suprido por um blower". (*)

Devido ao fato das máquinas de compressão terem em geral custo elevado, chegando a extremos da
ordem de centenas de milhares de dólares e muitas vezes tornando anti-econômico ao usuário possuir
máquinas de reserva, e tendo em mente ainda que a paralisação de uma unidade de processo pela falha
de um compressor pode representar prejuízo por lucros cessantes de milhares de dólares diários, é
fundamental para o engenheiro que tenha participação no projeto, operação ou manutenção de uma
unidade, um conhecimento se não em detalhe ao menos básico das características dessas máquinas.

(*) Des Jardins, P.R., em "Chemical Engineering", Junho de 1956.

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2. COMPRESSORES, VENTILADORES, BOMBAS DE VÁCUO
CONDIÇÕES DE SERVIÇO

MÁQUINA p sucção p descarga D p = p desc. - p sucção


∆ p

> ou
Compressor < p ambiente > p amb > 35 psi / 2,4 bar

<
Ventilador < p ambiente > p amb < 1 a 2 psi / 0,15 bar
ou >

Soprador ou
Blower (Ar) = p amb > p amb 2 a 35 psi / 0,15 a 2,4 bar

Bomba de
vácuo < p ambiente ≥ p amb ≤ 15 psi / 1 bar

Embora essas máquinas tenham basicamente a mesma função - aumentar a pressão de um gás - o
fato de trabalharem em pressões diferentes faz com que apresentem características construtivas
diversas (por exemplo quanto ao sistema de selagem da máquina, resistência mecânica das partes) e
mesmo, às vezes, obedeçam a concepções de projeto totalmente diferentes.

3. COMPRESSORES - Tipos comuns

A compressão de um gás é efetuada praticamente segundo um de dois procedimentos básicos, os


quais determinam duas classes de compressores:

I) Volumétricos

Nesses compressores, o aumento da pressão de uma certa massa de gás é conseguido pela redução
do volume que esta ocupava.
A esta classe pertencem os seguintes compressores, divididos em dois grupos segundo o movimento
fundamental das partes que efetuam a redução do volume:

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a) Alternativos

Compressores de êmbolo (de pistão).

b) Rotativos

Compressores de lóbulos, compressores de palhetas, compressores de parafusos, compressores de


anel líquido.

II) Dinâmicos

Neles, o fluxo de gás recebe inicialmente um trabalho mecânico, adquirindo energia cinética, e em
seguida essa energia cinética é transformada em energia de pressão pela passagem do gás em canais
cuja área transversal aumenta progressivamente no sentido do fluxo (fazendo com que o gás vá
perdendo velocidade e aumentando a pressão).

De acordo com o modo pelo qual o fluxo de gás adquire energia cinética, esses compressores são
agrupados em:

a) Turbo-compressores

Trabalho sobre o gás é efetuado por rotor provido de palhetas.


A trajetória do fluxo em relação ao rotor da máquina estabelece ainda dois grupos desses
compressores, com sensíveis diferenças de projeto e performance.

a.1) Centrífugos - trajetória radial

a.2) Axiais - trajetória axial

b) Ejetores (fig. 3.1)

Nestes, a fonte de gás é conectada à entrada de um difusor, onde se consegue uma pressão bastante
baixa através de um fluxo auxiliar em alta velocidade. A diferença de pressões entre a fonte e esse
ponto faz com que o gás desloque, adquira velocidade e portanto energia cinética, posteriormente
convertida em energia de pressão no difusor. São usados geralmente como bombas de vácuo.

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FIG. 3.1. EJETOR

LIMITES GERAIS DOS DIVERSOS TIPOS DE COMPRESSORES

max. pressão max. relação max. rel. max. vazão


TIPO descarga compressão compressão medida da
(psig) por estágio por máquina sucção
(barg) (CFM)
(m3 / h)

Alternativos 35000-50000 10 - 35000-50000


Volum
(2400-3400) (6000-8500)

Rotativos (7 – 17) 4 8 (85.000)


100-250 50.000

Centrífugos (200-410/680) 3-4, 5 8-10 200.000


Turbo 3000-6000/10000 (340.000)

Axiais 80-130 1,2-1,5 5-6,5 2.000.000


(5,5 – 8,8) (3400.000)

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Autor: Reinaldo de Falco
1 – RECIPROCATING COMPRESSORS
2 – SCREW COMPRESSORS
3 – ROTARY COMPRESSORS AND VACUUM PUMPS
4 – ROOTS COMPRESSORS AND BLOW ERS

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Autor: Reinaldo de Falco
1 – CENTRIFUGAL COMPRESSORS
2 – CENTRIFUGAL BARREL-TYPE COMPRESSORS
3 – AXIAL-FLOW COMPRESSORS
4 – AXIAL-CENTRIFUGAL COMPRESSORS

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4. TIPOS DE COMPRESSÕES NORMALMENTE EFETUADAS NOS
COMPRESSORES

TRANSF.1 → 2c - ADIABÁTICA IRREVERSÍVEL (POLITRÓPICA)


1 → 2b - ADIABÁTICA REVERSÍVEL (ISOENTRÓPICA)
1 → 2a - COMPRESSÃO C/ RESFRIAMENTO (POLITRÓPICA)
1 → 2 - ISOTÉRMICA

FIG. 4.1 - TIPOS DE COMPRESSÃO

As transformações irreversíveis estão marcadas tracejadas porque na verdade não existem estados de
equílíbrio intermediários numa transformação irreversível.

Uma compressão adiabática irreversível é a que se verifica normalmente nos turbo-compressores, estes
geralmente não são resfriados, a além disso operam com altas vazões (causando altas velocidades do
gás), fazendo com que o calor cedido por cada unidade de massa de gás ao ambiente seja bastante
reduzido. Além disso, como as pressões de descarga para esses compressores não são muito altas, as
temperaturas atingidas pelo gás não são muito elevadas, concorrendo para uma troca de calor reduzida.
Mudanças de direção, atritos e choques do gás em altas velocidades são responsáveis pela
irreversibilidade do processo. Para o estudo termodinâmico da compressão, aproxima-se esse processo
irreversível a um reversível, o processo politrópico.

Os compressores alternativos efetuam compressões com resfriamento do gás, devido ao relativamente


longo tempo de permanência de uma unidade de massa do gás trocando calor com o ambiente, e às
altas pressões de descarga (com consequentes altas temperaturas) contra as quais atuam esses
compressores. A compressão efetuada se aproxima mais da isotérmica ou adiabática quanto melhores
ou piores, respectivamente, forem as condições de resfriamento do cilindro (resfriado ou não, por água
ou por ar). Para fins de estudo, essa compressão também é aproximada a uma politrópica.

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Quanto mais próxima a transformação estiver de uma adiabática, ou seja, quanto menor a cessão de
calor do gás para o ambiente, maior será a temperatura de descarga de gás, com as seguintes
implicações:

- menores tensões admissíveis dos materiais, portanto as espessuras das peças deverão ser
maiores para os mesmos esforços.

- a viscosidade do lubrificante diminui com a temperatura, podendo causar problemas, em casos


mais extremos o lubrificante pode se decompor ou, se a temperatura atingir valores
excessivos, sobre combustão, com problemas de segurança.

Portanto, compressões com intensa troca de calor (mais próximas à isotérmica) são mais interessantes,
sob o aspecto temperatura de descarga.

5. COMPRESSORES ALTERNATIVOS

5.1. Características construtivas

No compressor de duplo efeito, existem duas câmaras de compressão trabalhando em paralelo, cada
uma delas limitada por uma face do pistão.

FIG. 5.1.a - COMPRESSORES ALTERNATIVOS

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FIG. 5.1.b - COMPRESSORES ALTERNATIVOS

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FIG. 5.1.c - COMPRESSORES ALTERNATIVOS

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FIG. 5.1.d - COMPRESSORES ALTERNATIVOS

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FIG. 5.1.e - COMPRESSORES ALTERNATIVOS

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FIG. 5.1.f - COMPRESSORES ALTERNATIVOS

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Para que possa haver a vedação da câmara do lado do girabrequim, é necessário que o pistão seja
movimentado pela haste guiada, articulada na biela.

As características dessa construção são:

- torque mais regular - a cada volta do girabrequim, são efetuadas dois ciclos de
compressão.

- grandes capacidades - observar apenas que um cilindro de duplo efeito não tem o dobro
da capacidade de um de simples efeito de mesmo tamanho devido ao volume ocupado pela
haste (a diferença é sensível na maioria dos casos).

- esforços laterais do pistão (anéis) contra o cilindro são muito reduzidos.

- contato lubrificante-gás pode ser mais eficientemente evitado.

- construção mais complexa.

Em geral, compressores para serviços de maior responsabilidade (processos, centrais de ar


comprimido) são de duplo efeito.

5.1.1. Sistema de Lubrificação

Nos modernos compressores industriais de duplo efeito, a lubrificação dos mancais, girabrequim,
cruzeta e anéis de selagem, pode ser feita por sistema de salpicos, ou através de um sistema a óleo sob
pressão (lubrificação forçada).

Os cilindros são normalmente lubrificados com um lubrificador mecânico, com uma ou mais injeções
em cada cilindro. Esse lubrificador mecânico pode ser acionado por um pequeno motor elétrico, ou
pelo próprio girabrequim através de um jogo de engrenagens. Sendo que no último caso é necessária
uma bomba de pré-lubrificação para a partida da unidade.

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1 - Bomba 4 - Filtro 7 - Filtro-tela 10 – Bomba manual
2 - Termômetro 5 - Lubrificador 8 - Pressostato
3 - Resfriador 6 - Visores de fluxo 9 - Manômetro

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O material normalmente utilizado é o bronze, havendo injeção de óleo lubrificante para dissipar o
calor gerado e funcionar ainda como auxiliar de vedação devido ao filme de óleo formado.

Quando o compressor é do tipo não lubrificado, se utilizam anéis de vedação de teflon ou carvão.

5.1.2. Selagem da Haste do Pistão

A maioria dos modernos compressores utilizam anéis metálicos para vedação da haste do pistão.

Os anéis são presos através de um parafuso passante como mostra a figura abaixo:

Os anéis são construídos em segmentos e apertados contra a haste do pistão por molas circulares:

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5.2. Disposição dos Cilindros

Os compressores quanto à disposição dos cilindros podem ser:

a) Horizontais - características:

- facilidade de acesso, principalmente às válvulas

- ocupam muito espaço e exigem maiores fundações

- esforços laterais sobre os anéis do pistão.

b) Verticais

- acesso mais difícil

- menores fundações e espaço ocupado

- lubrificação mais fácil

- em compressores muito grandes, o peso do pistão poderia causar cargas adicionais sensíveis
nas peças acionadoras; nesses casos são usados horizontais.

B E C F

FIG. 5.2.1.1 - VÁRIOS TIPOS DE COMPRESSORES ALTERNATIVOS

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FIG. 5.2.1.2

FIG. 5.2.1.3 – Horizontal, straigght-line, single-stage, water-cooled, heavy-duty, crosshead-


type compressor. Also available with two and three stages to 2500 psiG. 20 to 150 HP.

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FIG. 5.2.1.4 – Vertical, straight-line, single-stage, water cooled, heavy-duty
compressor. 20 to 125 HP.

FIG. 5.2.1.5 – Horizontal, straight-line, single-stage, water-cooled, steam driven compressor.


Also available with two and three stages to 2500 psiG. 40 to 150 HP.

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FIG. 5.2.1.6 – One type of angle compressor. Two-stage, heavy-duty, water-cooled, built-in
finned tube intercooler. 75 to 1250 HP.

FIG. 5.2.1.7 – Three-cylinder, three-stage angle arrangement for 500 psiG service.

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FIG. 5.2.1.8 – Horizontal-opposed, two-stage, 100 psiG air compressor.
500 to 1250 HP. Also available in “L” arrangement.

FIG. 5.2.1.9 – Typical horizontal duplex arrangement for engine-type


synchronous motor drive. 400 to 1000 HP.

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FIG. 5.2.1.10 – Four-corner integral steam-driven compressos with compound
steam cylinders at the left. 150 ro 1500 HP.

FIG. 5.2.1.11 – Smaller size horizontal-opposed designs


in the 500 to 2000 HP range operate at 1000 rpm.

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FIG. 5.2.1.12 – A “V”-angle arrangement of na integral gás-engine driven compressor.
Also built as an “L” design with engine cylinders vertical. 120 to 5500 HP.

FIG. 5.2.1.13 – A typical 2000 HP integral gás engine and four-stage compressor.

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FIG. 5.2.1.14 – Plan of a four-cylinder, horizontal-opposed, heavy-duty compressor, usually
synchronous motor drive, but may be gear-driven from a steam turbine. Built with one to ten
crank throws and cylinders. 200 to more than 12,000 HP.

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As disposições mais comuns dos cilindros dos compressores são mostradas na fig. 5.2.1.1:

a) Cilindros em linha - cilindros paralelos em um mesmo lado girabrequim.

Na figura: G

2 cilindros em linha - duplex

Características:

- Compressão simultânea nos dois cilindros provoca torque resistente irregular. Redutores não
devem ser usados pois haveriam choques entre os dentes das engrenagens.

b) Cilindros horizontais opostos - os mais usados

Na figura: I e J

- duplex opostos

Características:

- Torque irregular

- Forças de inércia compensadas.

c) Cilindros em tandem - pouco usado atualmente

Na figura: E

cilindros em tandem

Características:

- Torque irregular

- Forças de inércia não se compensam

d) Cilindros em ângulo - bielas articuladas na mesma manivela.

Na figura: C

em V ou em Y - geralmente ângulos de 45o com a vertical.

Características:

- Torque mais regular.

- Forças de inércia podem ser compensadas por contra-peso.


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B - em L

F - semi-radial

e) Disposições especiais

H - duplex em tandem

I - duplex acionado por cilindros a vapor

J - duplex opostos acionados por motor elétrico

K - moto-compressor

- em um bloco único, o cilindro de compressão é acionado diretamente pelo girabrequim de


motor de combustão interna em V.

L - conjunto balanceado de cilindros opostos.


Cilindros opostos, dois a dois, em dois planos defasados de 90o.

Características:

- Torque regular.

- Forças de inércia compensadas.

5.3. Ciclo do Compressor Alternativo

A expressão ciclo se refere ao fato de que, a cada rotação do girabrequim, ocorre a mesma sucessão de
transformação com o gás que preenche o cilindro, ela não significa obviamente que o gás completa um
ciclo termodinâmico.

O ciclo do compressor alternativo será estudado num diagrama pressão x volume do cilindro pois,
como veremos, esse diagrama facilitará bastante o cálculo do trabalho de compressão.

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5.3.1. Diagrama Ideal da Compressão

Observe que a cada volume do gás (volume do cilindro) corresponde uma posição do pistão.

Os processos que ocorrem a cada rotação do girabrequim e que vamos supor reversíveis são:

4 → 1 - Ao se deslocar o pistão, a válvula de sucção abre, permitindo a entrada do volume Vd de gás


no cilindro, na pressão p1 , a mesma do reservatório de sucção.

1 → 2 - Com as válvulas de sucção e descarga fechadas, o pistão comprime o gás segundo uma
transformação politrópica (como já vimos). Ao atingir o gás a pressão p2, abre-se a válvula de
descarga, permitindo a saída do gás para o reservatório de descarga.

2 → 3 - O pistão desloca todo o gás que estava contido no cilindro para o reservatório de descarga a
uma pressão constante P2, igual à do reservatório.

3 → 4 - Contendo o cilindro uma massa infinitésima de gás no ponto 3, ao se deslocar ligeiramente o


pistão, haverá uma rápida expansão desse gás. Ao atingir o gás a pressão P1, igual à do reservatório de
sucção, abre-se a válvula de sucção, o cilindro recebe nova massa de gás no curso 4 → 1 e os
processos se repetem.

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São definidas algumas grandezas características:

p2
- relação de compressão - rc =
p1

πd 2
- volume deslocado do cilindro - vd = .
4

d = diâmetro do pistão

l = curso do pistão

- volume aspirado - Vasp - é o volume de gás nas condições de sucção que é retirado do reservatório de
sucção pelo cilindro a cada rotação do girabrequim.

No caso da compressão ideal, Vasp = Vd

TRABALHO DA COMPRESSÃO IDEAL

Será calculado supondo que o gás obedeça à lei dos gases perfeitos.

FIG. 5.3.2. TRABALHO DA COMPRESSÃO IDEAL

Inicialmente, notemos que as equações que relacionam as propriedades de estado para a transformação
reversível de uma da massa de gás são:

- isotérmica - pV - cte

- politrópica - pVn = cte

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n - coeficiente politrópico - é função do gás e da intensidade de troca de calor com o meio
durante a transformação.

- isoentrópica - pVk = cte


cp
k - razão dos calores específicos k = do gás.
cv
cp - calor específico do gás a pressão constante (valor tomado a uma temperatura média
entre as de início e fim da transformação).

cv - calor específico do gás a volume constante à temperatura média.

Observar que no caso 1 < n < k.

O trabalho W realizado pelo pistão contra o gás do cilindro em cada ciclo será:

2 3 4 1
W = pdV + pdV + pdV + pdV = pdV
1 2 3 4 1234

O valor dessa integral é igual à área achurada no diagrama da fig. 5.3.2. e é fácil ver ainda que:

W = pdV = Vdp
1234 1234

3 4 1
Como Vdp = Vdp = Vdp = 0
2 3 4

2
W = Vdp
1

Supondo a transformação 1 → 2 isotérmica, para os estados pelos quais passa nessa transformação
temos:

pV = cte = p1 V1

2 2
p2 p2
W = Vdp = cte dp = cte . n = P1V1 n
1 1p
p1 p1

Como P1V1 = mRT1, (equação de estado de gás perfeito).

processo
p2
isotérmico → Wt = mRT1 n
p1
m - massa de gás no cilindro
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R
R - constante do gás =
M

R = constante universal dos gases

M = peso molecular do gás

Usando o mesmo procedimento, para os outros tipos de compressão resultará:

politrópico

n −1
n p2 n
W p = mRT1 −1
n −1 p1

isoentrópico

k −1
k p2 k
Ws = mRT1 −1
k −1 p1

A observação das áreas no diagrama mostra facilmente (e se demonstra matematicamente, lembrando


que 1 < n < k).

Wisot < Wpolit < Wisoent

Portanto, a compressão isotérmica apresenta as seguintes vantagens:

- menor trabalho requerido - acionador menor consumo de potência mais baixo.

- menor temperatura de descarga - já comentada no capítulo 4.

Por outro lado, uma compressão isotérmica requer uma maior troca de calor, e portanto o sistema de
resfriamento do cilindro deverá ser mais cuidado.

O calor Q a ser retirado em cada ciclo é calculado pela 1a. lei da Termodinâmica aplicada a um
sistema.

Q = W - m (u2 - u1)

u = energia interna específica do gás


m = massa do gás aspirada em cada ciclo

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Tds - pdv = du
Tds + vdp = dh

FIG. 5.3.3. CALOR CEDIDO NA COMPRESSÃO

Pode também ser calculado pela área sob a linha de transformação no diagama

T - S (ver fig. 5.3.3.), pois para um sistema,

dq revers. = Tds

ou
2
Qrevers. = m Tds
1
q - calor trocado por unidade de massa

s - entropia específica

IMPORTANTE:

Observe que para uma compressão adiabática, a potência necessária pode ser calculada simplesmente
aplicando a 1a. lei da Termonâmica a um volume de controle que envolve o cilindro (fig. 5.3.4.).

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FIGURA 5.3.4 - CÁLCULO DA POTÊNCIA CONHECENDO ESTADOS FINAL E
INICIAL

N = m (h2 - h1)

N - potência empregada na compressão

m - vazão em massa de gás

h - entalpia específica

5.3.2. Diagrama da Compressão com Espaço Morto no Cilindro

Na realidade, ao atingir o pistão a posição extrema junto ao cabeçote, há um volume finito de gás no
cilindro, à pressão de descarga, que não será descarregado (fig. 5.3. 5.).

A existência desse volume é inevitável e se deve a:

- válvulas

- folga necessária entre cabeçote e pistão na posição extrema.

A massa de gás existente neste espaço não é descarregada e portanto esse volume é denominado
espaço morto ou espaço nocivo.

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FIG. 5.3.5. - DIAGRAMA COM ESPAÇO MORTO

RENDIMENTO VOLUMÉTRICO TEÓRICO

Quando o pistão inicia o seu retorno, o gás contido no espaço morto se expande, fazendo com que a
pressão diminua gradualmente segundo um processo politrópico, função das condições de
resfriamento do cilindro.

Com isso, a pressão no cilindro só atingirá P1 quando o pistão tiver percorrido um trecho do seu curso,
e então o volume aspirado do reservatório de sucção a partir daí, Vasp, será obviamente menor que o
volume deslocado Vd.

Denomina-se rendimento volumétrico teórico:

Vasp V1 − V4
ηvt = =
Vd Vd
Como p1v4 n = p2v3n ou, sendo V3 = Vo

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1/ n
p2 1/ n
V4 = Vo = Vo rc
p1
Sendo também V1 = Vo + Vd

1/ n
Vo + Vd − Vo rc
η vt =
Vd

η Vt = 1−
Vo 1/ n
Vd
(
rc − 1 )

Portanto:
Vo
- aumentando a relação , ou
Vd

- aumentando a relação de compressão rc, ou

- diminuindo n (mais próxima da isotérmica), diminui o rendimento volumétrico teórico.

Se a relação de compressão (fig. 5.3.6.) for muito grande pode acontecer inclusive que hvt = 0, ou
seja, o cilindro não aspira gás, pois em todo o curso do pistão o gás do espaço morto se expande,
somente atingindo a pressão p1 no final do curso. Para um dado cilindro a relação de compressão
que causa ηvt = 0 é chamada relação de compressão limite.

FIG. 5.3.6. - RELAÇÃO DE COMPRESSÃO LIMITE


TRABALHO DE COMPRESSÃO COM ESPAÇO MORTO

Suporemos politrópicas a compressão do gás e a expansão do gás contido no espaço morto.

O trabalho corresponde à área achurada do diagrama da fig. 5.3.5.


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2 4
W = Vdp = Vdp + Vdp
1234 1 3

n −1 n −1
n p2 n n p2 n
w = p1V1 − 1 − p1V4 −1
n −1 p1 n −1 p1

n −1
n p2 n
ou W = p1 (V1 − V4 ) −1
n −1 p1

n n −1
W = p1Vasp rc n − 1
n −1

Portanto, o trabalho total consumido por dois cilindros trabalhando nas mesmas condições (P1, rc e n) e
aspirando o mesmo volume de gás, é igual, independendo dos seus espaços nocivos.

Vo
Observe, contudo que se um deles tiver relação maior o seu rendimento volumétrico será
Vd
menor, e para que ela forneça a mesma vazão do outro cilindro, deverá ter:

- Vd maior - pois Vasp = Vd x ηvt, ou

- rotação mais alta

5.4. Válvulas do Compressor Alternativo

As qualidades necessárias das válvulas são:

- estanqueidade, quando fechadas


- causar pequena perda de carga quando abertas, para isso devem ter seção de passagem suficiente e
menor número possível de mudanças de seção e de direção do fluxo de gás.

- pequena inércia das partes móveis, para que a sua abertura ou fechamento se faça rapidamente.
- resistência das peças a choques, pressões, temperaturas elevadas e à corrosão.

- não aumentar muito e espaço morto.

- facilidade de manutenção.

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As válvulas podem ser:

Automática

A sua abertura ou fechamento se faz pela diferença entre a pressão do reservatório de gás com o qual
ela comunica o cilindro, e a pressão interna do gás no cilindro. São muito mais usadas que as outras.

Comandadas:

Abertura comandada por um eixo de cames engrenado ao girabrequim. A abertura e o fehamento


dessas válvulas se fazem portanto, sempre para uma mesma posição do pistão, independendo de quais
sejam as pressões no cilindro ou no reservatório.

VÁLVULAS AUTOMÁTICAS

Os tipos mais comuns são:

- de lâminas elásticas planas

FIG. 5.4.1
- de lâminas elásticas curvas

FIG. 5.4.2.a
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FIG. 5.4.2.b – Typical cushioned channel valve before assembly and
sections showing operation

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- de disco plano

FIG. 5.4.3

- poppet

FIG. 5.4.4
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vantagem

Grande área de passagem dos gases, permitindo grandes vazões, sem ocupar muita área de parede do
cilindro.

desvantagem

Espaço nocivo grande.

Aplicadas para grandes vazões e baixas relações de compressão (onde o espaço nocivo grande não
causa grande diminuição do rendimento volumétrico).

FIG. 5.4.5

- double deck
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INFLUÊNCIA DAS VÁLVULAS AUTOMÁTICAS NO DIAGRAMA DE COMPRESSÃO

Referir-se à fig. 5.4.6. Vamos considerar a válvula de descarga.

Para que a válvula abra, a pressão do gás no cilindro deve ser maior que a do reservatório de decarga
um ∆p suficiente para:

- compensar o excesso de área do obturador do lado do reservatório

- vencer a força da mola

- vencer inércia do obturador

FIG. 5.4.6. INFLUÊNCIA DAS VÁLVULAS AUTOMÁTICAS NO DIAGRAMA DE


COMPRESSÃO

Quando a válvula começa a abrir, a diferença ∆p (causada pela perda de carga na válvula) ainda
aumenta porque:

- a velocidade é elevada

- a velocidade do pistão é elevada

- como a abertura da válvula não é completa, a seção de passagem é pequena, a velocidade do


gás alta, e portanto a perda de carga na válvula é alta.

A perda de carga vai aumentando até se atingir ∆p decresce, pois a velocidade do pistão já é baixa e a
abertura da válvula é total.

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Quando ∆p atinge um valor que seja equilibrado pela força da mola, a válvula inicia o fechamento.

Na válvula de sucção o fenômeno é análogo.

Uma consequência desse fato pode ser observada no diagrama. onde estão marcadas e com achuras
verticais as áreas que representam acréscimos no trabalho requerido em relação ao teórico.

Outra consequência será a diminuição do rendimento volumétrico, a ser estudada no ítem 5.9.

VÁLVULAS COMANDAS

As válvulas automáticas introduzem perdas de carga elevadas em virtude da limitação do


levantamento.

As válvulas comandas permitem levantamentos maiores, com menores perdas de carga.

Os inconvenientes das válvulas comandas são:

- construção complexa, custo bem maior, causa principal da sua rara utilização.

- acréscimo de trabalho necessário para relações de compressão diferentes da de projeto devido


ao fato das válvulas abrirem e fecharem em pontos determinados do curso do pistão,
independentes da pressão de sucção ou descarga.

( ver fig. 5.4.7. a) e b) ).

FIG. 5.4.7. INFLUÊNCIA DAS VÁLVULAS COMANDADAS


NO DIAGRAMA DE COMPRESSÃO

O diagrama mostra facilmente que existe acréscimo de trabalho em relação ao teoricamente


necessário, acréscimo este correspondente às áreas achuradas. Esse aumento no trabalho de
compressão é em geral pequeno.
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DISPOSIÇÃO DAS VÁLVULAS

Deve-se objetivar:

- pequeno Vo

- não prejudicar o resfriamento

A colocação no cabeçote proporciona Vo mínimo, mas dificulta o resfriamento do cabeçote, onde o


justamente se atingem as temperaturas mais elevadas.

Geralmente a válvula é colocada:

- compressores de simples efeito - no cabeçote.

- compressores de duplo efeito - no cilindro junto aos cabeçotes.

ÁREAS DAS VÁLVULAS

É estabelecida tendo em vista limitar a um máximo a velocidade de passagem do gás, para que a perda
de carga introduzida não seja excessiva.

FIG. 5.4.8. ESQUEMA DE VÁLVULA

Para a válvula esquemática da fig. 5.4.8., a velocidade instantânea de passagem do gás pela
válvula na seção de mínima área pode ser assim calculada:

Ap
Vv = V p. e sendo Av = n. p.e
Av

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Vv - velocidade instantânea de passagem do gás.
_
Vp - velocidade instantânea do pistão

Ap - área do pistão

n - número de válvulas

Av - área mínima de passagem do gás na válvula

p - soma dos perímetros das passagens em uma válvula

e - levantamento do obturador

Para o cálculo da perda de carga média durante os processos de sucção ou descarga, recomenda-se
usar contudo.

Ap
Vvm = 1,5 Vpm .
Av

V pm = 2. .r

_
Vvm - velocidade média de passagem do gás
_
Vpm - velocidade média do pistão

- curso do pistão

r - número de rotações na unidade de tempo

O fator 1.5 leva em conta o fato de que os processos de sucção ou descarga se fazem em apenas uma
parte do curso em que a velocidade média do pistão é bem maior que a sua velocidade média
considerando-se todo o curso.

SCHEEL indica que a relação a normalmente usada entre a área do pistão total de passagem do gás nas
válvulas, em válvulas de disco.

8 ≤ a ≤ 12

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Uma relação a < 5 geralmente indica uma válvula de grande levantamento tipo poppet.
Ainda segundo SCHEEL, os levantamentos comuns para válvulas automáticas são:

CONDIÇÕES DE LEVANTAMENTO
TIPO DE VÁLVULA SERVIÇO (in)

pc < 100 psig 0.100

DISCO pc < 1000 psig 0.080


pd > 2000 psig 0.050
peso mol. do gás < 10 0.030 (diminui manutenção)
pd > 2000 psig
Poppet de nylon pc ≅ 1000 psig 0.250

Um valor máximo em geral recomendado para a velociade do gás na válvula é 7500 fpm. Valores mais
específicos, para diversos fluidos, podem ser vistos em COMPRESSORES, por REMI B. SILVA,
tabela 5.4., ed. 1972.

Os valores indicados podem ser empregados (com alguma tolerância) em verificações de projeto de
válvulas.

MATERIAIS DAS VÁLVULAS

São escolhidos levando em conta as pressões de serviço, temperatura de descarga, a agressividade do


gás e as condições de lubrificação.

Em compressores de pistão lubrificado, o gás carrega partículas de óleo, formando uma película
lubrificante na válvula. Em compressors não lubificados as condições de serviço da válvula são
portanto mais precárias.

Os materiais em geral usados são:

aço inox. 18-8


Obturador materiais termoplásticos (PIC)
COMP. LUBRIFICADOS inox. 14% Cr

Sede e encosto - aço Fo Fo. Bronze

Molas - aço Cr - Si - Mo

Obturador – materiais termoplásticos (PIC)


COMP. NÃO LUBRIFICADOS Aço inox

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5.5. Influência de Variações das Condições de Serviço sobre a Potência Requerida e a
Temperatura de Descarga

PROPRIEDADES DO FLUIDO

- Tipo de fluido

Sabe-se que o trabalho necessário à compreensão em cada ciclo.

W = pdV
1234

Para uma compressão isoentrópica, temos:

pVk = cte. = p1V1k

Estando P1 e V1 (que é fixo para o cilindro) determinados, verifica-se que W não varia com o peso
específico do fluido, sendo apenas função da razão dos calores específicos K.

Na verdade as perdas de pressão nas válvulas do compressor durante os processos de sucção e


descarga são proporcionais ao peso molecular do fluido, e portanto este tem uma influência razoável
sobre o trabalho de compressão para determinadas condições.

Da mesma forma, sendo para a temperatura de descarga T2 em uma compressão isoentrópica

k −1
k −1
T2 V T ρ k
= 1 ou 2 = 2
T1 V2 T1 ρ1

e estando T1 determinada, T2 é função do coeficiente k, que varia de fluido para o fluido.

Quando gases diferentes são submetidos as mesmas condições de compressão, as temperaturas de


descarga poderão variar bastante. A observação desse fato é muito importante quando se faz o teste de
um compressor com fluido diferente daquele de servico, pois poderão ser atingidas temperaturas
excessivas.

Observe que o peso molecular M do fluido tem influência sobre a massa de gás fornecida pelo
cilindro, pois, pela lei dos gases perfeitos.

m
1 1 =
PV R T1
M
m - massa de gás que preenche o cilindro no final da sucção
M - peso molecular do gás
___

R - constante universal dos gases perfeitos


Para as mesmas condições de sucção, quanto maior o peso molecular do gás, maior a massa de gás
fornecida em cada ciclo.
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- Fator de compressibilidade

Até agora, todo o nosso estudo considerou o gás obedecendo à lei dos gases perfeitos.

Na realidade, somente em condições particulares (pressões bastante baixas) esse comportamento é


observado).

Para adaptar a lei dos gases perfeitos ao comportamento real dos gases usa-se um fator de correção,
denominado fator de compressibilidade Z, sendo

Z = Z (Pr , Tr)

p
e Pr =
pc

T
Tr =
Tc

Pr - pressão reduzida do gás em um determinado estado

Tr - temperatura reduzida do gás

Pc - pressão crítica do gás

Tc - temperatura crítica

e de tal forma que a lei que exprime o comportamento real de um gás, com suficiente precisão seja

pv = Z R T

Fato fundamental é que a função Z = Z (pr , Tr) coincide com boa aproximação para a maiores dos
gases (lei dos estados correspondentes ) e portanto o diagrama que representa essa função pode ser
usado para gases dos quais não se conheçam as propriedades em toos os estados. Por essa razão, o
diagrama é denominado carta generalizada de compressibilidade (fig. 5.5..1).

Torna-se necessário então fazer correções no trabalho requerido de compressão que fora calculado
através da lei dos gases perfeitos.

Por facilidade, costuma-se usar a seguintes correção.

n n −1 Z + Z2
W p = p1Vasp rc n − 1 1
n −1 2 Z1

Este cálculo parece fornecer suficiente aproximação, embora correções mais precisas possam ser
estabelecidas.
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FIG. 5.5.1. - CARTA GENERALIZADA DE COMPRESSIBILIDADE

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A influência do fator de compressibilidade Z sobre o trabalho requerido pode ser vista na fig. 5.5.2.

É fácil notar também, observando a figura, que uma selação Z2/Z1 < 1 causa um decréscimo do
rendimento volumétrico, fazendo com que seja menor a vazão em volume do que aquela prevista
usando a lei dos gases perfeitos. Existem correções propostas para o rendimento volumétrico que
levam em conta a influência do fator de compressibilidade (ver ítem 5.9).

A massa específica na entrada será inversamente proporcional ao fator Z1, pois

p1
= Z1 RT1
1

p1
1 =
Z1 RT1

A vazão em massa m fornecida pelo compressor será então duplamente afetada pelo fator de
compressibilidade do gás, pois

m = 1 Qv1

FIG. 5.5.2. - INFLUÊNCIA DO FATOR DE COMPRESSIBILIDADE SOBRE O


DIAGRAMA DE COMPRESSÃO

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- Umidade

Em compressores de alta pressão que usam intercoolers para reduzir a temperatura do gás, a presença
de vapor condensável no gás causa problemas, pois ele condensa nos intercoolers e deve ser removido
para não causar danos ao compressor.

No processo de compressão, a pressão parcial do vapor aumenta na mesma proporção que a pressão
total. Como a pressão de saturação é função apenas da temperatura, o vapor condensaria se não
houvesse o aumento de temperatura da mistura causado pela compressão. Nos intercoolers, contudo, a
temperatura da mistura é reduzida a pressão constante, muitas vezes até um ponto abaixo da
temperatura de saturação do vapor, causando condensação.

Observe que o cálculo comum da potência empregada na compressão de misturas com componentes
condensáveis está limitada e misturas com o vapor superaquecido em pelo menos 20o F. Se a mudança
for muito grane, calor pode ser cedido pelo gás para a vaporização do condensado, reduzindo assim o
aumento de temperatura.

- Compressão de misturas de gases

As propriedades termodinâmicas de uma mistura de gases podem ser determinadas se a composição da


mistura, em peso ou volume, é conhecida, além das propriedades dos componentes.

A lei de DALTON, "a pressão total de uma mistura de gases é a soma das pressões parciais que os
gases componentes isolados exerceriam ocupando o mesmo volume", aliada à lei dos gases perfeitos,
permite algumas relações.

T
pV = m R T p= mR
V

T
p1 V = m1 R1T p1 = m1 R1
V

T
pn V = mn Rn T pn = mn Rn
V

sendo

p = p1 + p2 + .......... + pn

M R = m1 R1 + ........... + mn Rn

m1 m
R= R1 + ...... + Rn
m m
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Como:

mn
qn = qn - fração em peso de um componente na mistura
m

resulta

R = q1 R1 + .........................+ qn Rn

Os calores específicos da mistura também podem ser calculados como

cp = q1 cp1 + .......... + qn cpn

cv = q1 cv1 + ........... + qn CVn

A composição de uma mistura pode ser dada por análise volumétrica, exprimindo o volume que cada
gás constituinte ocuparia, como uma fração (ou porcentagem) do volume total, se todos os
componentes estivessem à mesma pressão e temperatura. Para calcular as propriedades da mistura em
função das propriedades dos vários componentes, as frações volumétricas (ou molares) devem ser
convertidos em frações em peso.

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Lembrando que

n1 m
X1 = e n=
n M

x - fração molar

n - número de moles

temos

m1
M m M
X1 = 1 = 1
m m M1
M

M
X 1 = q1
M1

Quando se faz a compressão de uma mistura de gases não ideais, é necessário calcular o fator de
compressibilidade Z da mistura para determinadas condições de pressão e temperatura. O
procedimento geralmente adotado consiste em empregar propriedades pseudo-críticas para a mistura,
definidas da seguinte maneira.

pc = x1 pc1 + .......... + xn pcn

Tc = x1 Tc1 + ......... + xn Tcn

p T
Z=Z ,
pc Tc

(carta generalizada de compressibilidade)

INFLUÊNCIA DAS CONDIÇÕES DE SERVIÇO

- Pressão de sucção

A fig. 5.5.3. mostra que uma diminuição na pressão de sucção causa um menor volume aspirado, e
portanto uma menor vazão fornecida pelo compressor.

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FIG. 5.5.3. - INFLUÊNCIA DA VARIAÇÃO DA PRESSÃO DE SUCÇÃO

Álém disso, sendo a pressão de sucção mais baixa, a densidade do gás na entrada é menor, o que
concorre, além do fato atrás citado, para a diminuição da vazão em massa fornecida pelo compressor.

Da análise matemática da expressão do trabalho requerido de compressão pode ser facilmente


estudada a influência da variação da pressão de sucção sobre o trabalho. Os resultados dessa análise
estão mostrados na fig. 5.5.5- para um caso particular. Observe que a potência consumida é função da
relação nocivo/volume deslocado, relação de compressão e coeficiente da isoentrópica.

Por outro lado, o trabalho requerido por unidade de massa aumenta sempre com a diminuição da
pressão, e a temperatura de descarga aumenta devido a maior relação de compressão.

- Temperatura de sucção

Quanto maior a temperatura de sucção, menor a massa de gás que preenche o cilindro, maior o
trabalho por unidade de massa requerido e maior a temperatura de descarga.

- Pressão de descarga

Um aumento de P2 causa os mesmos efeitos que uma diminuição de p1 (fig. 5.5.4).

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FIG. 5.5.4 - INFLUÊNCIA DA VARIAÇÃO DA PRESSÃO DE DESCARGA

A vazão em volume sofrerá um decréscimo e a temperatura aumentará.

A fig. 5.5.5. - b mostra a influência da variação da pressão de descarga sobre a potência necessária à
compressão. Observe que mesmas variações da pressão de sucção e descarga afetam de maneira
diferente a potência, o que é fácil verificar pela análise da expressão desta.

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FIG. 5.5.5. INFLUÊNCIA DE VARIAÇÕES DAS PRESSÕES DE SUCÇÃO E DESCARGA
SOBRE BHP

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- Influência da altitude no funcionamento de compressores fornecendo ar para máquinas
pneumática.

Para que as condições de utilização das máquinas pneumáticas sejam as mesmas, é necessário que a
pressão efetiva (p - po) do ar comprimido, figura 5.5.6., seja constante. Em locais de maior altitude, a
pressão atmosférica será menor, e a condição de pressão efetiva constante obriga o compressor a
trabalhar com relação de compressão maior, como é demonstrado a seguir.

FIG. 5.5.6 - MÁQUINA PNEUMÁTICA

Altitude menor

∆p = p - po

p p + ∆p
rc = = o
po po

∆p
rc = 1 +
po

Multiplicando e dividendo por P'o

po po ' p'o ∆p
rc =
po p'o

Altitude maior

∆p = p' - p'o

p' p ' o + ∆p
r'c = =
po p' o
∆p
r'c = 1 +
po'

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Multiplicando e dividindo por po

po po ' + po ∆p
r' c =
po ' po

Como p'o < po, resulta r'c > rc

O aumento da relação de compressão causa rendimento volumétrico menor, portanto a vazão em


volume fornecida será menor.

A influência da menor pressão de sucção no trabalho requerido já foi analisada neste capítulo. Com as
pressões normalmente usadas para ar comprimido ( ≥ 100 psig) observa-se uma diminuição da
potência necessária à compressão.

Dois fatos devem ainda ser notados:

- Em maiores altitudes, motores de combustão interna admitem menores massas de ar pois a


densidade do ar é menor, e portanto sua potência é diminuida. Mtores elétricos também tem a
potência disponível reduzida devido às piores condições de resfriamento pelo ventilador, causadas
pela menor densidade do ar.

- As máquinas pneumáticas, em maiores altitudes, requerem maiores vazões em volume medidas à


pressão atmosférica.

Portanto, um compressor, funcionando à mesma rotação, pode alimentar um maior número de


máquinas pneumáticas ao nível do mar que em maiores altitudes.

5.6. Compressão em Estágios

FIG. 5.6.1. - COMPRESSÃO EM ESTÁGIOS

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Na compressão em estágios, o gás passa sucessivamente por cilindros que lhe conferem aumentos
parciais de pressão até atingir a pressão de descarga referquerida.

O objetivo básico da compressão em estágios é aproximar a transformação de uma isotérmica para que
se tenham as vantagens que esta proporciona (fig. 5.6.1).

Observe que essa aproximação da isotérmica é obtida fazendo-se um resfriamento do gás entre dois
estágios sucessivos até a temperatura de sucção (ou próximo dela).

Sem esse resfriamento intermediário do gás, a evolução do gás numa compressão em estágios seria
absolutamente igual aquela numa compressão em um único estágio e não haveria a aproximação da
isotérmica.

O resfriamento do gás é feito em trocadores de calor, denominados intercoolers, em geral do tipo casco
e tubos, onde o fluido resfriador é água. Durante o resfriamento, portanto, o gás segue um processo
praticamente a pressão constante, a menos da perda de carga do trocador (observar a fig. 5.6.1.).

FINALIDADE DA COMPRESSÃO EM ESTÁGIOS

- Aproximação da transformação isotérmica, com redução do trabalho requerido e da temperatura de


descarga do gás (ver ítem 5.3.1.).

- Redução da carga sobre os pistões - a explicação desse fato está adiante, no ítem que estuda a
influência das variações das pressões de sucção e descarga nas relações de compressão dos
estágios.

- Aumento do rendimento volumétrico - como a compressão em estágios a relação de compressão


em cada estágio é menor, o rendimento volumétrico resulta maior que na compressão em 1 estágio
(fig. 5.6.2).

FIG.5.6.2. - AUMENTO DO RENDIMENTO VOLUMÉTRICO PELA


COMPRESSÃO EM ESTÁGIOS
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Extração do condensado em compressores de misturas de gases com vapores condensáveis (gás
natural, ar).

pp - pressão parcial do componente condensável na mistura


To - temperatura de orvalho do componente a dada pressão
Ta - temperatura da água no intercooler

FIG. 5.6.3. - EXTRAÇÃO DO CONDENSADO EM COMPRESSÃO EM ESTÁGIOS

A medida que aumenta a pressão da mistura, maior é a pressão parcial do componente condensável na
mistura, e portanto maior a temperatura de orvalho da mistura (fig. 5.6.3.).

Depois de sofrer uma componente condensável pode atingir o estado de vapor saturado (ponto x no
diagrama) ou um estado próximo, de vapor levemente superaquecido.

No estado de vapor saturado, qualquer perda de calor a pressão constante ocasiona a condensação de
parte do vapor.

Em uma compressão em apenas 1 estágio, essa condensação poderia ocorrer no cilindro, prejudicando
as condições de compressão, de lubrificação do cilindro, causando corrosão, etc.

Na compressão em estágios, se aquele componente sai de um estágio quase como vapor saturado, e se
a sua pressão parcial na mistura é tal que a temperatura de orvalho é maior que a temperatura da água
de resfriamento no intercooler, esse vapor pode ser condensado, e separado no intercooler, evitando-se
a sua condensação no próximo cilindro.

A maioria das misturas gasosas que sofrem processos de compressão na prática estão saturadas ou
próximas à condição de saturação.

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CONDIÇÕES PARA O EMPREGO DA COMPRESSÃO EM ESTÁGIOS

A compressão em estágios é usada em geral para

rc > 4

(para ar, quando a pressão de descarga p2 > ~ 60 psig)

Também é usada quando a temperatura de descarga para a compressão em 1 estágio resultar


excessiva (para ar Tmax ≤ 200o C).

Para:

- pequenas capacidades

- serviços intermitentes

não se usam compressores em estágios, mesmo para rc > 4, por razões de custo, pois um
compressor em estágios é bem mais caro com 1 estágio para o mesmo serviço, e a economia em
potência na operação não compensaria o maior investimento inicial.

DETERMINAÇÃO DO NÚMERO DE ESTÁGIOS ERELAÇÃO DE COMPRESSÃO PARA


CADA ESTÁGIO

SCHEEL dá as seguintes indicações para o número de estágios de um compressor alternativo.

NÚMERO DE ESTÁGIOS

rc ≤ 6 1

6 < rc ≤ 20 2

20 < rc ≤ 60 3

60 < rc ≤ 180 4

180 < rc ≤ 540 5

Pode ser mostrado teoricamente (REMI, pag. 41) que, supondo a temperatura na entrada de cada
estágio igual à temperatura de sucção do compressor, para que o trabalho requerido na compressão
seja mínimo, deve-se ter:

r' c = j rc

r'c - relação de compressão em cada estágio

j - número de estágio

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Se a relação de compressão for a mesma em todos os estágios, é fácil verificar que:

- o trabalho requerido será o mesmo em cada estágio

- a temperatura de descarga em cada estágio será a mesma.

Nessa dedução não se levam em conta as diminuições de pressão do gás nos intercooler. Para
considerar esse efeito, WINTTERLIN recomenda prever

r' c ≅ 1,1 j rc

O uso dessa relação na prática é generalizado, embora a condição de mesma temperatura na entrada de
cada estágio não seja satisfeita, pois é comum.

T' ≅ T1 + 20o F

T' - temperatura na entrada de um estágio qualquer

Isso acontece porque a água de resfriamento do intercooler também é usada para resfriamento dos
cilindros e sua temperatura não pode ser muito baixa, pois possibilitaria condensação de vapor do
cilindro ou choque térmico nas peças.

Observe que a relação de compressão em que cada estágio vai atuar é assegurada simplesmente
calculando o volume deslocado por cada cilindro de maneira que ele aspire exatamente a massa que
lhe for fornecida pelo estágio anterior à pressão que se deseja estabelecer como intermediária entre
esses dois estágios, (no caso de não haver entrada ou retirada de fluido entre estágios, o que aliás será
suposto no estudo apresentado a seguir).

Assim, por exemplo, em um compressor de dois estágios.

- estágio I deve comprimir uma vazão em volume X da pressão p1 à pressão p'

- estágio II deve, então ser capaz de aspirar a vazão em volume

p1 T ' Z'
X' = X
p' T1 Z1

à pressão p' e comprimí-la à pressão p2, isso que realmente a pressão intermediária seja p'.

Se o estágio II for subdimensionado, a pressão intermediária será p'', maior que p' de tal modo que o
estágio II seja capaz de aspirar a vazão

p1 T " Z "
X "= X à pressão p”.
p" T1 Z1

Seguindo o mesmo raciocínio é fácil concluir que um estágio II superdimensionado causará pressão
intermediária menor que p'.
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A relação entre os volumes deslocados dos cilindros deverá então (desprezando pequenas diferenças
nos rendimentos volumétricos devido a espaço nocivo, fugas, etc) ser:

Vd II T ' p1 Z'
=
Vd I T1 p' Z1

Vd III T " p' Z"


=
Vd II T ' p" Z'

Supondo mesmas temperaturas de sucção e relações de compresão pra os diversos estágios e


supondo ainda que o gás obedeça à lei dos gases perfeitos.

Vd II Vd III 1 1
= = ..... = = j
Vd I Vd II r'c r'c

Se todos os pistões tiverem o mesmo curso (o que é normal).

AII AIII 1
= = j
AI AII rc

A - área do pistão

Essa relação explica, para compressores de simples efeito, o fato de compressão em estágios diminuir
a carga sobre cada pistão, pois em cada estágio a pressão aumenta, mas a área do pistão diminui, e a
carga de mantém dentro de limites.

Valendo as hipóteses feitas para a obtenção de relação anterior teremos cargas máximas iguais nos
pistões, pois:

p' p" p"'


r' c = j rc = = =
p1 p' p"

e então F = p' AI = p" AII = p''' AIII

F - carga máxima sobre o pistão

Em compressores de duplo efeito, a compreensão em estágios diminui a carga sobre os pistões da


mesma maneira, mas as cargas máximas nos pistões são bastantes diferentes devido aos maiores
diferenciais de pressão nos últimos estágios que nos primeiros.

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INFLUÊNCIA DAS VARIAÇÕES DAS PRESSÕES DE SUCÇÃOE DESCARGA NAS
RELAÇÕES DE COMPRESSÃO DOS ESTÁGIOS

Se faz abstração da influência do espaço morto e das fugas, quando a pressão na descarga do
compressor varia (por ex. compressor descarregando em um vaso), a pressão de descarga de todos os
estágios permanece constante, mantendo a mesma relação de compressão, exceto, obviamente, o
último estágio, que tem sua relação de compressão variando no mesmo sentido da pressão de descarga
do compressor.

Na realidade, devido aos espaços mortos e as diversas imperfeições, as pressões intermediárias variam,
embora bastante pouco, no mesmo sentido que a pressão de descarga do compressor.

Se, por exemplo, a pressão de descarga diminui de p2 a p2a (fig. 5.6.4.), o último estágio funciona
com uma relação de compressão menor. Por outro lado, o rendimento volumétrica desse estágio
aumenta, e portanto o volume aspirado por esse cilindro se torna maior (de V'aspa) causando a
diminuição de pressão intermediária p' a p'a.

FIG. 5.6.4.- VARIAÇÃO DA PRESSÃO INTERMEDIÁRIA COM A PRESSÃO DE


DESCARGA EM UM COMPRESSOR DE DOIS ESTÁGIOS

O penúltimo estágio tem, portanto, sua relação de compressão diminuída, o seu volume aspirado
aumenta e assim por diante.

Portanto, a variação da pressão de descarga é sentida quase que inteiramente no último estágio, sendo
que os outros estágios apenas tem a relação de compressão ligeiramente alterada no mesmo sentido da
variação.

Se a influência dos espaços mortos é sensível, a vazão fornecida diminui quando a pressão de descarga
aumenta, porque o rendimento volumétrico do primeiro estágio (a vazão só depende do primeiro
estágio) diminui.
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A potência absorvida, nesse caso, sendo também influenciada pela vazão aspirada, pode mesmo
permanecer constante ou decrescer a partir de um valor bastante alto da pressão de descarga, quando o
rendimento volumétrico do primeiro estágio for muito baixo.

O efeito da variação da pressão de sucção pode ser estudada analogamente, notando apenas que
mesmo pequenas variações da pressão de sucção afetam sensivelmente o rendimento volumétrico do
primeiro estágio, e portanto, a vazão aspirada.

5.7. Capacidade do Compressor

Significa a vazão em massa que ele deverá fornecer nas condições de compressão especificadas:

- gás determinado

- condições de sucção - pressão e temperatura

- pressão de descarga (ou relação de compressão)

- temperatura máxima permitida na descarga

Essas condições devem ser fornecidas ao fabricante para que ele possa dimensionar o compressor.

Na prática, costuma-se a referir à capacidade de um compressor de várias formas, todas elas


traduzindo explicita ou implicitamente uma vazão em massa.

ESPECIFICAÇÃO DA CAPACIDADE DO COMPRESSOR

a) Vazão em massa

Para que ela defina o tamanho do compressor, é necessário especificar:

- p1 , T1 - com a descarga em massa requerido e as condições de sucção, está determinada a vazão em


volume necessária, e tendo escolhido uma rotação, tem-se o Vasp necessário dos cilindros do
primeiro estágio.

- p2 ou rc - esses valores permitem estimar qual será o rendimento volumétrico do cilindro.

Tendo Vasp e nv, pode-se determinar o Vd dos cilindros.

Unidades usuais: 1b/h , kg/h

b) Vazão padrão

É a vazão em volume do gás em condições padrões de pressão e temperatura, que equivale à vazão em
massa que o compressor deverá fornecer.
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Para que defina o tamanho do compressor, também é necessário fixar.

- p1 , T1 - as quais, relacionadas com as condições padrões, determinam o Vasp necessário dos


cilindros do primeiro estágio.

- p2 ou rc - permitem estimar o rendimento volumétrico

Com Vasp e nv, determina-se Vd.

Unidades usuais:

- SCFM (Standard cubic feet per minute) - para esta unidade as condições padrões são:

68o F - 36% umidade relativa

ASME p/ ar
14,7 psia - 0,075 lb/ft3 massa específica

indústria 60o F
americana
em geral 14,7 psia

- Nm 3/h (metros cúbicos normais por hora) - as condições padrões são

0oC 20ºC
Europeu Petrobras
1 kg/cm2 abs 1 kg/cm2 abs

c) Vazão livre (free air) / volume real aspirado

É a vazão em volume do gás nas condições de sucção (volume aspirado) que representa uma vazão em
massa igual à que o compressor deverá fornecer. Esse valor em si já define qual deve ser o volume
deslocado (ou seja, o tamanho) do compressor, a menos da influência da relação de compressão no
rendimento volumétrico, e portanto rc deverá ser indicada ao fabricante.

Unidade usual:

- ACFM (actual CFM) ou (ICFM (inlet CFM)

As especificações são mais comumentes feitas em ACFM ou SCFM.


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Note que na especificação do compressor, tendo em vista que se deseja uma determinada vazão em
massa nas condições de compressão, o SCFM a ser especificado não depende das condições de
sucção, enquanto o ACFM é função delas.

Para um compressor em funcionamento, por outro lado, uma variação das condições de sucção não
acarretará mudança no ACFM fornecido, uma vez que o volume aspirado pelo compressor permanece
o mesmo (a menos de variações provocadas pela alteração do rendimento volumétrico), enquanto a
vazão em massa e o SCFM fornecidos serão alterados, devido à variação do peso específico na sucção.

Na especificação do compressor se deseja garantir que ele forneça uma determinada vazão em massa
mínima. Portanto, se é conhecido a priori que as condições de serviço sofrerão variação, a capacidade
do compressor deverá ser especificada considerando a pressão de sucção, mais baixa, a temperatura de
sucção mais alta e a relação de compressão mais alta possíveis de acontecerem em serviço. Nestas
condições, o compressor fornecerá uma vazão em volume equivalente à vazão em massa necessária, e
se a temperatura em serviço for mais baixa que a especificada, ou a pressão mais alta (nos dois casos,
aumentando o peso específico do gás na sucção) ou a relação de compressão mais baixa (aumentando
o rendimento volumétrico), o compressor fornecerá vazões em massa maiores que aquela mínima
necessária.

CAPACIDADE DE UM COMPRESSOR DE REFRIGERAÇÃO

FIG. 5.7.1 - CICLO TEÓRICO DE REFRIGERAÇÃO POR COMPRESSÃO

A capacidade de um compressor de refrigeração (vazão em massa de um determinado fluido


frigorífico que ele deverá fornecer) é geralmente especificada pela taxa de calor Q1 que essa vazão em
massa é capaz de receber do meio quando esse fluido atua num ciclo de refrigeração semelhante ao
ciclo 1 - 2 - 3 - 4 (fig. 5.7.1.), com temperaturas padrões T1 e T2.

Lembre que a fixação de T1 e T2 implica na fixação de p1 e p2, para um determinado fluido.

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É fácil ver que a especificação de Q1, com T1 e T2 fixas, implica na fixação da vazão em massa do
compressor:

estado 3 - líquido saturado a T2

transformação 3 ® 4 é isoentálpica h4 = h3

estado 1 - vapor satuado a T1

e portanto temos fixadas h1 e h4

Aplicando a primeira lei da Termodinâmica ao evaporador.

Q1 = m(h1 − h4 )

m - vazão em massa do fluido no ciclo

portanto, fixando Q1 , m está determinada.

Nos ciclos de refrigeração por compressão práticos (fig. 5.7.1), linha tracejada sempre se efetua, antes
da admissão ao copressor, um certo superaquecimento do vapor, para garantir a inexistência de líquido
naquele equipamento, e também um sub-resfriamento do líquido a ser expandido na válvula.

Unidades usuais (para Q1):

- TR ou ton (tonelada de refrigeração)

1 TR = 288.000 Btu/dia

(taxa de calor que deve ser retirada de água a 32oF para a obtenção de 1 tonelada inglesa de gelo a 32oF
por dia).

A capacidade de um compressor de refrigeração, em TR, é definida para a unidade de refrigeração em


um ciclo com

T1 = 5oF

T2 = 86oF

∆ TL = 9oF

∆ TV = 9oF

- Frig/h (frigoria por hora)

1 frig/h = 1kcal/h

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É definida para um ciclo com T1 = - 10o C
T2 = 25o C

- kcal/h

Em qualquer caso deverão ser especificadas as temperaturas do fluido no evaporador (T1) e no


condensador (T2) e os graus de superaquecimento (∆TV) e sub-resfriamento (∆TL), além da capacidade
da unidade, para que esteja determinada a vazão em massa de fluido que o compressor deve aspirar.

5.8. Controle de Capacidade do Compressor

As características de performance de um compressor alternativo para uma determinada rotação (fig.


5.8.1.), são de vazão praticamente constante para uma grande faixa de pressões.

Quando um compressor alternativo atuem um sistema como, por exemplo, uma central de ar
comprimido, que requer pressão de descarga constante para qualquer vazão de consumo, o compressor
em si não conseguirá atender às necessidades características do sistema (fig. 5.8.1.)

Torna-se necessário dotar o compressor de um sistema auxiliar que lhe possibilita variar a vazão para,
a cada instante, se poder manter uma variável qualquer (pressão de descarga, vazão em massa
fornecida ao sistema) no valor desejado, ou mais realisticamente, dentro da faixa desejada.

FIG. 5.8.1. - PERFORMANCE DE COMPRESSOR ALTERNATIVO E CARACTERÍSTICA


DO SISTEMA

As características requeridas pelo sistema vão definir:


- tipo do compressor - em geral, alternativo ou centrífugo.
- tipo do sistema de controle

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- acionador - rpm constante ou variável
Observando a expressão da vazão de um compressor alternativo.

πD 2
Qv = . .r.z.x.η v
4

D - diâmetro dos pistões do primeiro estágio

- curso dos pistões do primeiro estágio

r - rotação do compressor

z - número de efeitos dos cilindros do primeiro estágio

x - número de cilindros do primeiro estágio

ηv - rendimento volumétrico do primeiro estágio

Verifica-se que a variação de qualquer das grandezas que participam da expressão, a menos de D e,
constante para um dado compressor, ocasiona alteração da vazão fornecida pelo compressor.

TIPOS DE CONTROLE

a) Variação de rotação do compressor

A vazão em volume é proporcional à rotação do compressor. Para uma variação na rotação.

- as eficiências de compressão e mecânica e o rendimento volumétrico permanecem praticamente os


mesmos.

- acfm e scfm são proporcionais à rotação

- potência necessária no eixo é proporcional à rotação

- a potência necessária no eixo por unidade de massa de gás permanece a mesma

Esse último fato evidência que a variação de rotação é um meio bastante eficiente de controle de
capacidade do compressor.

Em geral, a capacidade pode ser reduzida dessa maneira até 50 as 75% da nominal, sendo que abaixo
de 50% o compressor deve ser provido com um sistema especial de lubrificação.
Os acionadores mais comuns que permitem variação de rotação são:

- turbinas, a vapor ou a gás - de 80 a 110% da rpm nominal, para um controle eficiente.

- motor de combustão interna - de 50 a 110%

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- motor de indução de rotor bobinado - até 60%.
Seu uso é contudo limitado, porque a potência total entregue ao motor é basicamente constante em
toda a faixa de rotações; quando a rotação é menor, parte da potência consumida simplesmente deixa
de ser entregue ao motor para ser consumida pelo reostado.

- motor de indução com rotor em gaiola com acoplamento hidráulico (fluid drive) - contudo
o acoplamento tem baixa eficiência para rotações diferentes da nominal.

- motor de indução com variador de freqüência.

b) Estrangulamento na sucção

Neste caso o gás ma sucção é estrangulado por uma válvula manual ou comandada. A pressão na
entrada do compressor varia com o maior ou menor estrangulamento, e sua influência sobre a
performance do compressor já foi analisada no ítem 5.5.

Embora o controle por estrangulamento da sucção possa ser feito até vazão nula, ele é bastante
limitado, até 5%, pois causaria temperatura de descarga excessiva (o digarama T x s da fig. 5.8.2.
mostra que o estrangulamento da sucção causa aumento da temperatura de descarga), além de aumento
da potência necessária para rc < 3.

É fácil verificar que esse controle não é muito eficiente , pois existem perdas de energia disponível do
fluido no estrangulamento, causando um aumento do trabalho necessário por unidade de massa do gás.

Em compressores com acionadores de rotação constante frequentemente é empregada uma válvula de


controle comanda automaticamente para manter constante a pressão no vaso de descarga (fig. 5.8.3.).

FIG. 5.8.2. - AUMENTO DA TEMPERATURA DE DESCARGA DEVIDO AO


ESTRANGULAMENTO DA SUCÇÃO

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FIG. 5.8.3. CONTROLE AUTOMÁTICO DA PRESSÃO DE DESCARGA PELO
ESTRANGULAMENTO DA SUCÇÃO

c) Recirculação e descarga para atmosfera

Quando é requerida uma vazão menor que a fornecida pelo compressor, uma parte desta pode ser
recirculada da descarga para a sucção através de um bypass provido de uma válvula de controle (fig.
5.8.4).

Estando o gás na desgarca em temperatura mais alta que na sucção, é necessário que haja um
resfriamento do gás recirculado, caso contrário as temperaturas de sucção e descarga aumentariam
progressivamente.

Se houver um resfriador na descarga, a tomada de gás deve ser feita após o permutador, se houver um
na sucção, a entrada do gás reciclado deverá ser feita antes do permutador. Se não existirem esses
permutadores, pode ser usado ainda um resfriador no próprio circuito de bypass (fig. 5.8.4).

FIG. 5.8.4. CONTROLE DA VAZÃO POR RECIRCULAÇÃO


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Um outro esquema para resfriamento consiste na injeção de líquido no circuito de bypass, controlada
automaticamente pelo sinal correspondente na sucção (fig. 5.8.5.). Esse sistema é usado, por exemplo,
em compressores de amônia.

Para relações de compressão muito baixas, para pequenas vazões de recirculação ou durante pequenos
períodos não é necessário o resfriamento.

FIG. 5.8.5. - RESFRIAMENTO DO GÁS RECIRCULADO POR INJEÇÃO DE LÍQUIDO

Quando a válvula de bypass é operada por instrumentos, os cilindros do compressor deverão ser super-
dimensionados, porque mesmo com 100% de vazão sendo enviada para consumo, a válvula deverá
estar levemente aberta para permitir controle nessa vazão.

A recirculação é um método de controle pouco econômico, pois a potência consumida é constante,


independente do fato da vazão realmente entregue para consumo ser menor.

Em compressores de vários estágios, para evitar um consumo de potência mais alto, faz-se
recirculação no primeiro estágio, em geral.

Para ar ou gases não perigosos e baratos, é feita simplesmente a descarga para a atmosfera.

d) Variação do espaço morto

O fato de uma maior relação entre o volume deslocado causar uma diminuição do rendimento
volumétrico do cilindro, e portanto, da vazão por ele fornecida, já foi analisado no ítem 5.3.2.

A variação do espaço morto de um cilindro pode ser conseguida de duas maneiras.:

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- variação contínua (fig. 5.8.6.)

I – VARIAÇÃO DESCONTÍNUA II – VARIAÇÃO CONTÍNUA

FIG. 5.8.6 - ESPAÇO MORTO VARIÁVEL

- variação descontínua (fig. 5.8.6)

Existem um ou mais volumes em conexão com o cilindro, mas normalmente bloqueadas por plugs. O
levantamento de cada plug causa um novo valor para o espaço morto.

A variação descontínua é facilmente adaptada para controle automático. Até agora, a variação contínua
do espaço morto controlada automaticamente tem sido muito pouco explorada comercialmente.

Em compressores de estágios, para evitar alterações nas pressões intermediárias, todos os estágios
devem possuir volumes disponíveis para variação do espaço morto, de maneira que a mesma variação
de vazão ocorra para todos os estágios, mantendo as relações de compressão previstas para os estágios.

O controle de capacidade pelo espaço nocivo é muito eficiente, pois mantém aproximadamente o
mesmo trabalho consumido por unidade de massa do gás.

Por outro lado, compressores de processo em geral necessitam apenas de pequenas variações na vazão
fornecida, e portanto o número e o volume dos espaços mortos necessários em um cilindro são
mínimos.

O controle através da variação do espaço morto tende, contudo, a se tornar impraticável para rc
< 1,8 porque nesse caso os espaços mortos deverão ser muito grandes para se conseguirem suficientes
reduções de vazão (baixos rendimentos volumétricos).

e) Alívio nas válvulas de sucção

Um cilindro, ou uma das câmaras de um cilindro de duplo efeito, pode ter a vazão fornecida reduzida a
zero mantendo abertas as válvulas de sucção. Isso permite ao gás no cilindro retornar à sucção. Isso
permite ao gás no cilindro retornar à sucção durante o ciclo de compressão, com um mínimo consumo
de potência por esse cilindro (ver fig. 5.8.7).

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FIG. 5.8.7. - DIAGRAMA p x V P/ CILINDRO COM ALÍVIO NAS VÁLVULAS DE
SUCÇÃO

Um cilindro de duplo efeito pode ter a vazão reduzida a 50% ou anulada, aliviando respectivamente as
válvulas de sucção de uma câmara ou de ambas.

O alívio é feito mecanicamente por um garfo comandado manual ou automaticamente.

Este tipo de controle é desvantajoso em dois pontos:

- não é gradual

- desbalanceia o compressor, pois no cilindro onde foram aliviadas as válvulas de sucção, a pressão o
gás permanece em valores muito baixo, causando forças no girabrequim que não equilibram as dos
outros cilindros.

Também para esse sistema, em compressores de vários estágios, todos os estágios deverão ter suas
capacidades reduzidas proporcionalmente.

f) Sistemas combinados

Um sistema de controle de vazão bastante empregado em cilindros de duplo efeito combina a variação
do espaço morto com o alívio das válvulas d esucção. Esse controle é capaz de fornecer 0, 25, 50, 75 e
100% de vazão nominal, e está descrito na fig. 5.8.8.

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FIG. 5.8.8. - CONTROLE DE CAPACIDADE EM 5 PASSOS POR SISTEMA COMBINADO
ESPAÇO MORTO E ALÍVIO DAS VÁLVULAS DE SUCÇÃO

g) Parada e partida do acionador

Usado para compressores de ar, acionados por motor elétrico, ou motor de combustão interna.

Para motores elétricos, esse sistema é empregado para potências até 100 HP, principalmente até 10 HP
(pois para motores maiores os cuidados na partida tornam-se cada vez mais problemáticos), ou para
sistemas que provoquem um pequeno número de paradas.

Nesse tipo de controle, um sinal proveniente de um controlador da pressão do reservatório de descarga


atua uma chave que faz partir o compressor quando a pressão cai a um nível tal como 90 psig e desliga
o acionador quando a pressão atinge 105 psig (para ar comprimido em pressão de 100 psig).

Problemas de partida

O compressor alternativo exige alto torque de partida. O torque do motor deve ser suficiente para
vencer o torque resistente devido à compressão do gás e ainda possibilitar a aceleração do conjunto até
a rotação nominal.

Os motores elétricos apresentam alta corrente de partida (até nove vezes a corrente nominal), e
portanto um tempo de partida muito longo pode causar danos ao motor.

Para evitar prejuízos ao motor elétrico durante a partida do compressor, são tomadas as seguintes
medidas:

a) Diminuição da corrente de partida, através de:

- chave de redução de tensão - não se pode diminuir muito a tensão, pois o torque de partida é
proporcional ao quadrado da tensão.

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- motor especial com baixa corrente de partida.

- motor de maior tensão nominal.

Exemplo:

I nom. I part.
HP Tensão (V) (A) (A)

250 2300 68 350


125 440 160 915

b) Diminuição do torque resistente, possibilitando menor tempo de partida (até atingir a rotação de
regime), da orgem de 10 seg. Existem vários modos:

- recirculação de gás da descarga para a sucção-nesse caso a tubulação de bypass deve ser bastante
ampla, para uma velocidade de 100 ft/s. Algumas vezes o bypass é construído no próprio cilindro.

- alívio das válvulas de sucção

- abrir a descarga para a atmosfera, no caso de ar ou gases de pouco valor

- fechamento da válvula de bloqueio da sucção

Em compressores portáteis acionados por motor de combustão interna é usada uma embreagem entre o
motor e o compressor para poupar a bateria.

5.9. Estimativa da Potência Necessária de Compressão

DIAGRAMA INDICADO DE COMPRESSÃO

Consiste num diagrama p x V do gás no cilindro, registrado por um instrumento que é adaptado ao
cilindro em funcionamento. Com isso, os valores indicados nesse diagrama são os reais, apresentando
desvios em relação aos previstos teoricamente.

Sua utilidade consiste em:

- Apontar defeitos de válvulas, fugas, etc para compressores de gás de grande potência.

- Possibiltar verificar e promover a equalização das condições de trabalhos dos cilindros.

- Possibilitar o cálculo do trabalho real necessário à compreensão.

Como já foi visto no capítulo 5.4., o diagrama indicado apresenta algumas variações em relação ao
teórico, devido ao funcionamento das válvulas automáticas.
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Além disso, outras variações são produzidas por efeitos de fugas que se processam através das
válvulas e dos anéis do pistão.

Quando o pistão está comprimido (fig. 5.9.1), ocorrem fugas para dentro do pistão pelas válvulas de
descarga tendendo aumentar o trabalho requerido, e fugas para fora do pistão pelas válvulas de sucção
e, em geral, pelos anéis do pistão, tendendo a diminuir o trabalho requerido.

Na expansão do gás do espaço nocivo, ocorrem os mesmos fatos, com efeitos requeridos inversos
àqueles da compressão.

O diagrama indicado ainda é afetado como já foi visto, pelas condições de resfriamento do cilindro,
que influenciam o coeficiente politrópico n, e pela diferença de comportamento que o gá apresenta em
relação aos gases perfeitos, representada pelo fator de compressibilidade Z.

FIG. 5.9.1. - EFEITOS DE FUGAS NO DIAGRAMA INDICADO

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TRABALHO E POTÊNCIA INDICADOS

O trabalho indicado em um ciclo W, para um cilindro, é o trabalho realmente empregado na


compressão do gás pelo cilindro, em uma rotação completa do girabrequim. Corresponde, portanto, à
área do diagrama indicado registrado para o cilindro nas condições de serviço.

A potência indicada N de um compressor é a potência realmente empregada na compressão do gás


pelo compressor, e portanto

g
N =r w
1

N - potência indicada

r - número de rotações da unidade de tempo


g
w - soma dos trabalhos indicados por ciclo para todos os g cilindros do compressor
1

Observar que se os cilindros forem de duplo efeito, deverão ser somados os trabalhos das duas
câmaras.

Embora já tenham sido analisados os efeitos da perda de carga nas válvulas e fugas no trabalho
requerido na compressão do gás, esses fatos (e outros) tem ainda influência na vazão fornecida pelo
compressor.

RENDIMENTO VOLUMÉTRICO REAL DO COMPRESSOR

A vazão em massa fornecida por um cilindro é menor do que aquela prevista teoricamente pelas
seguintes razões:

- a temperatura da água de resfriamento em geral é mantida mais alta que a temperatura de sucção
de gás. Quando o gás é admitido ao cilindro, recebe calor das paredes do cilindro aumentando sua
temperatura e portanto o volume específico. Dessa maneira, uma menor massa de gás preencherá o
cilindro.

- As fugas do gás para fora ao cilindro pela válvula de sucção e pelos anéis do pistão durante a
expansão do gás no espaço nocivo tem efeito positivo sobre a vazão (ver fig. 5.9.1.). Na compressão
do gás, essas fugas tem efeito negativo.

As fugas para centro do cilindro pela válvula de descarga durante a expansão pela válvula de descarga
durante a expansão diminuem a vazão fornecida. Na compreensão essas fugas não tem qualquer
influência sobre a vazão.

- Devido à abertura da válvula de sucção, o volume aspirado pelo cilindro é menor, e além disso, como
a pressão do gás no cilindro durante o processo de sucção é menor que a pressão de sucção nominal,

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o volume específico do gás será maior, fazendo com que uma menor massa de gás preencha o
cilindro.

Na prática, essa diminuição da vazão em massa em relação à teórica é levada em conta por uma
correção no rendimento volumétrico teórico, resultando o chamado rendimento volumétrico real ηv.

BOTELER propõe a seguinte fórmula para o rendimento volumétrico real:

Vo Z1 1 / n
ηv = 0,97 − rc − 1 − L
Vd Z 2

O fator 0,97 (em lugar de 1,0) leva em conta a diminuição da vazão em massa devido ao aquecimento
do gás durante à admissão e à perda de carga nas válvulas.

Z - fator de compressibilidade

L - diminuição do rendimento volumétrico devido às fugas

0,02 ≤ L ≤ 0,05 p/ compressores lubrificados

0,04 ≤ L ≤ 0,10 p/ compressores não lubrificados

Em compressores lubrificados, as fugas pelos anéis do pistão são menores, devido ao efeito de
vedação do óleo.

Além disso, observar que gases de menor peso molecular apresentam maiores fugas que gases mais
densos.

O conhecimento de ηv para um dado cilindro, em dadas condições de compressão, e com o


compressor funcionamento em certa rotação, permite prever qual será a vazão realmente fornecida por
esse cilindro.

EFICIÊNCIA DE COMPRESSÃO

Quando se faz a seleção de um compressor para determinado serviço, é necessário estabelecer a priori
a potência real necessária à compressão do gás, para que se possa especificar o acionador.

Define-se como eficiência politrópica p de um cilindro para uma determinada compressão a relação
entre a potência por unidade de vazão em massa necessária à compressão politrópica por unidade de
vazão em massa realmente empregada na compressão.

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Np

m
ηp = p
N

m

.
mp - vazão em massa prevista para a compressão politrópica
.
m - vazão em massa real

Np - potência politrópica

N - potência real

Lembrando que

n n −1 Z + Z2
N p = r.Wp = rp1Vasp rc n − 1 1
n −1 2 Z1

• r.Vasp r.Vasp . p1
mp = =
V Z1RT1

rc - relação de compressão do cilindro

r - número de rotações na unidade de tempo

v - volume específico

temos:

n −1
Np n Z1 + Z 2

= RT1 rc n
−1
mp n −1 2

IMPORTANTE

Lembrar que a potência necessária à compressão deve ser calculada como a soma das potências para
os diversos cilindros. Somente dessa maneira poder-se à levar em conta variações da vazão em massa
nos diversos estágios, efeitos do resfriamento nos intercooler, etc.

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São definidas ainda eficiências de compressão isotérmica (t) e isoentrópica (s).

Nt Ns
ηt = mt ηs = ms
N N
mw m

A eficiência politrópica é, contudo, a medida mais aproximada da eficiência térmica (relação entre
aumento da energia disponível do fluido e trabalho dispendido na compressão) do processo de
compressão, pois leva em conta o aumento real de temperatura do fluido.

Observe que para compressões com resfriamento abundante, próximas à isotérmica, pode-se ter ηs >
1, o que não faz sentido no consenso comum do termo eficiência.

Para o cálculo da potência necessária para a compressão, porém, qualquer das eficiências definidas
pode ser empregada, levando a um valor consistente para a potência. Como o uso da eficiência
politrópica presume o conhecimento do coeficiente politrópico n e este, em geral, só pode ser
determinado em teste, é mais cômodo o emprego das eficiências isoentrópica e isotérmica.

Em compressores comuns, SCHEEL indica um valor médio da eficiência isoentrópica

ηs ≅ 83,5%

Esse é um valor médio geralmente usado pelos fabricantes, execto para rc < 2,2, quando então os
valores de h s são mais baixos.

Um certo cuidado é necessário no emprego dos valores das eficiências de compressão, pois outros
autores se referem a elas como o quociente da potência teórica necessária por unidade de vazão em
massa de gás pela potência necessária no eixo do compressor por unidade de vazão em massa.

POTÊNCIA EFETIVA NECESSÁRIA (NO EIXO DO COMPRESSOR)

- EFICIÊNCIA MECÂNICA

A potência efetiva de compressão Ne para determinadas condições é aquela que realmente deve ser
entregue ao compressor. É obviamente maior que a potência indicada do compressor para aquelas
condições, pois existem atritos entre as partes móveis do compressor responsáveis por perdas de
potência, e portanto, da potência entregue ao compressor (potência efetiva de compressão) apenas uma
parte é aproveitada na compressão do gás (potência indicada).

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Define-se como eficiência mecânica do compressor ηm a relação

g
N
ηm = 1
Ne

g - número de cilindros do compressor

Conhecendo-se então valores aproximados para a eficiência de compressão ( ηp, ηs, ηt) e a mecânica
hm, é fácil prever qual será a potência efetiva de compressão Ne:

g
N •
1 g
mN p
Ne = 1
=
ηm ηm 1

m pη p

ou

n −1
• n Z1 + Z 2
m RT 1 rc n
−1
1 g n −1 2
Ne =
ηm 1

Para a eficiência mecânica SCHEEL indica:

g
Ne −
ηm = 1
(Ne)0,5
Ne

Esse cálculo presume perdas por atrito

g
N at = (Ne )0,5
1

contudo geralmente calcula-se

g
N at = (N )0,5
1

que fornece suficiente aproximação

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Se não existem perdas na transmissão de potência do motor para o compressor, a potência necessária
do acionador Nm medida em dinamômetro (brake horsepower - BHP), ou seja, apotência que o motor
deve poder entregar no eixo, é igual à potência efetiva de compressão Ne.

Havendo perdas na transmissão, a potência necessária Nm será obtida pelo quociente da potência
efetiva pela eficiência da transmissão ηtr.

Ne
Nm =
ηtr

Ainda segundo SCHEEL.

- para redutores de engrenagens de simples redução ou redução por correias em V - ηtr = 97%

- para reduções por correias planas com polias esticadoras - ηtr = 95%

- idem, sem polias esticadoras - ηtr = 92%

- redutores de engrenagens de dupla redução - ηtr = 96%

CÁLCULO DA POTÊNCIA NECESSÁRIA À COMPRESSÃO USANDO DIAGRAMAS DE


PROPRIEDADES TERMODINÂMICAS DO FLUIDO

Como já foi visto no ítem 5.3., a potência necessária à compressão em um cilindro, para um cilindro
isoentrópico, pode ser calculada por:

Ns = m s (h2s - h1)

m s - vazão em massa de gás no processo isoentrópico
h - entalpia específica (por unidade de massa) do gás

Sendo as condições de sucção do gás p1 T1 conhecidas, a entalpia h1 pode ser facilmente determinada,
pelo uso de um diagrama T x s ou p x h, ou de uma tabela das propriedades do fluido.

Para um processo isoentrópico.


s2 = s1
s

s - entropia específica do gás


Como a pressão necessária da descarga p2 é conhecida
p2
DIAGRAMA h2
s
s2
s

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FIG. 5.9.2. - CÁLCULO DA POTÊNCIA DE COMPRESSÃO PELO
DIAGRAMA p x h

Portanto, fica conhecida a potência necessária à compressão por unidade de massa supondo o processo
isoentrópico.

Ns
= h2 s − h1
ms

Como já sabemos que a potência N necessária à compressão no processo real

Ns
m
N= ms
ηs

temos

m(h2 s − h1 )
N=
ηs

Conhecendo, portanto, a eficiência isoentrópica do cilindro, é fácil determinar a potência real


necessária à compressão.

Se o processo real for adiabático (embora não isoentrópico) é fácil ainda determinar qual será a
temperatura de descarga T2.

N = m (h2 - h1)

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Sendo a potência N já conhecida, h2 pode ser determinada, e

p2
DIAGRAMA T2
h2

Todo o procedimento seguido está mostrado na fig. 5.9.2.

Se o processo real for com troca de calor, temos.


N = m (h2 - h1) + Qt

Qt - taxa de calor cedida pelo fluido durante a compressão

e para determinar a temperatura de descarga pelo diagrama, será necessário conhecer a taxa de calor
trocado.

Tendo a potência N total (soma das potências necessárias à compressão em todos os cilindros), o
cálculo da potência necessária no eixo do compressor segue o caminho já apresentado anteriormente.

5.10. Compressores não Lubrificados

"São usados para trabalhar em sistemas em que não pode haver contato do óleo com o gás".

Na verdade, somente o cilindro e a vedação da haste não são lubrificados, os mancais do girabrequim e
as articulações das bielas são lubrificados pelos sistemas usuais.

Empregam-se comumente compressores alternativos não lubrificados nas seguintes aplicações

- compressão de O2 - pois poderia haver combustão do lubrificante pelo O2 em alta pressão e


temperatura

- Compreensão de gases que reagem com os lubrificantes - exemplo, Cl2

- Sistemas de refrigeração - no evaporador a temperatura é baixa e poderia haver a deposição


do óleo que fosse arrastado pelo gás prejudicando a transferência de calor.

- Fabricação de válvulas, medicamentos, alimentos – não pode haver a contaminação do gás pelo óleo.

- Ar comprimido para limpeza de moldes de fundição – óleo iria com o ar para o molde e vaporizaria
durante o vazamento, causando bolhas na peça.

- Ar comprimido para instrumentos – o óleo poderia bloquear os tubos, que tem pequeno diâmetro, ou
os instrumentos.

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- Compressão de butadieno, hélio, CO, e na síntese de amônia – inexistência de lubrificantes
adequados para temperaturas muito baixas.

INCONVENIENTES DOS COMPRESSORES NÃO LUBRIFICADOS

- menor vida - pois os anéis e o cilindro se atritam diretamente, desgastando-se mais

- maior potência necessária - devido ao maior atrito.

- menores rotações – para evitar desgastes excessivos, causando maiores dimensões para mesmas
capacidades. Para menores rotações, os motores elétricos deverão possuir maior número de polos, e
serão portanto mais caros.

- maiores fugas - nos compressores lubrificados, o óleo auxilia a vedação entre pistão e cilindro.

- manutenção mais freqüente – nos compressores lubrificados, o óleo forma película que protege
contra corrosão.

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TIPOS DE COMPRESSORES NÃO LUBRIFICADOS - CARACTERÍSTICAS

"Compressores de membrana ou diafragma (fig. 5.10.1)"

FIG. 5.10.1. - COMPRESSORES DE MEMBRANA

Ao subir, o pistão comprime o óleo, e este empurra a membrana, causando a compressão do gás. No
retorno do pistão, o óleo é descomprimido, a membrana volta, permitindo a entrada de gás.

São compressores de baixa rotação, 120 a 500 rpm, em um estágio fornecem vazões de 1 a 100 m3/h
em baixas pressões, até 15 kg/cm2, em dois ou três estágios, fornecem de 3 a 65 m3/h, em altas
pressões, de 85 até 1000 kg/cm2.

- Compressores com anéis de carvão ou teflon

Nesses compressores, os anéis do pistão e a vedação da haste são fabricados em material que forneça
baixo atrito, em geral carvão bastante denso ou teflon.

Nos anéis do pistão, o teflon tem apresentado melhores resultados que o carvão. No engaxetamento da
haste, contudo, pelo fato do teflon ter condutibilidade térmica muito baixa, todo o calor gerado pelo
atrito é dissipado através da haste, fazendo com que esta se aqueça em demasiado.

Os melhores resultados se conseguem geralmente, portanto, usado anéis de pistão de teflon e


engaxetamento de carvão.

Contudo, para orientar a seleção em aplicações especiais, se apresentam algumas comparações entre
propriedades de dois materiais.

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TEFLON

Boas propriedades

- plástico

- fabricação fácil

- excelentes propriedades anticorrosivas

- resistência química ao O2

- baixo coeficiente de atrito

- não contamina o gás

Deficiências

- suporta apenas T < 500oF

- baixa condutibilidade térmica

- muito flexível

CARVÃO

Boas propriedades

- rigidez

- baixo coeficiente atrito

- resistência a temperaturas altas

Deficiências

- fragilidade

- seu ó é abrasivo

- condensação no cilindro forma pasta com o pó, impedindo bom funcionamento

- não se deforma, e portanto pequenas deformações do cilindro causam folgas


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Para esse tipo de anéis, são muito preferidos cilindros verticais, que evitam desgaste excessivo dos
anéis, causado por cargas laterais provenientes do peso do pistão.

Compressores grandes de processo são geralmente, contudo, horizontais, para evitar acréscimo de
forças na haste, biela, eixo e mancais devido ao peso do pistão. Nesse caso, é usada uma segunda haste
ligada ao pistão do lado do cabeçote (tail rod)a qual deslisa num suporte ligado ao cabeçote,
sustentando assim uma parte do peso do pistão.

Tanto o cilindro como a caixa de selagem da haste devem ser providas de camisas para a circulação de
água de resfriamento.

Para impedir que algum óleo proveniente do caráter chegue ao cilindro pela haste, uma peça
distanciadora (distance piece) de comprimento suficiente é inserida entre a carcaça e o cilindro, de
modo que durante o curso do pistão nenhuma parte da haste que entre na carcaça, onde existe a
lubrificação pelo óleo do cárter, entre também no engaxatamento. Além disso, um defletor na haste do
pistão impede que o óleo escorra pela haste e atinja o engaxatamento.

As hastes dos pistões e camisas dos cilindros devem ter acabamento espelhado, para possibilitar
mínimo atrito.

- Compressores de labirinto (SULZER)

Nesses compressores, a vedação entre pistão e cilindro é efetuada por um perfil tipo labirinto reto
formado por ranhures realizadas no pistão e no cilindro (fig. 5.10.2).

A selagem é quase tão boa como a de um pistão com anéis e lubrificação, apresentando fugas da
ordem de 5%.

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FIG. 5.10.2. - COMPRESSORES DE LABIRINTO
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Para assegurar a folga radial necessária entre pistão e cilindro existe, além da guia normal da haste,
uma segunda guia na peça distanciadora provida de anéis raspadores de óleo, a qual atua diretamente
na haste.

A vedação da haste é feita por anéis de carvão também com perfil labirinto, e com uma pequena
possibilidade de deslocamento radial para centrarem com a haste.

Esses compressores apresentam cilindros em linha, dispositivos verticalmente para facilitar o


alinhamento.

A ausência de atrito entre pistão e cilindro torna possíveis maiores rotações que as do tipo de anéis de
carvão ou teflon. Por exemplo:

INGERSOLL - RAND
X.L.E.
(anéis de carvão ou teflon para os não lubrificados)

CURSO RPM
(in) LUBRIF. NÃO LUBRIF.

7 750 600

8 1/2 600 514

10 514 450

SULZER
(labirinto)

MODELO RPM

K 90 1150

K 140 725

Maiores rotações possíveis significam menor tamanho para mesma capacidade, e também menores
fugas pelos labirintos.

Em início de serviço esses compressores necessitam alto torque de partida, e portanto alta corrente,
porque os pistões "agarram"um pouco nos cilindros. Após uma série de funcionamentos durante
pequenos intervalos de tempo, todavia, a corrente de partida atingirá valores normais.
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Os compressores de labirintos surgiram em 1935, e tem sido aplicados com sucesso em serviços
difíceis como compressão de oxigênio em quatro estágios a 2400 psi e compressão de cloro em dois
estágios a 170 psi.

5.11. Compressão de Gases Corrosivos ou Tóxicos

Causa a necessidade de escolha adequada de materiais para o cilindro e acessórios que estão em
contato com o gás, em função de resistência à corrosão, resistência ao desgaste, facilidade de
fabricação e resistência mecânica.

Os materiais para os cilindros são geralmente selecionados por resistência, dependendo do diâmetro e
da pressão de projeto do cilindro. São usualmente empregados ferro fundido, aço carbono, aço carbono
fundido e aço carbono forjado. Quando usadas, camisas para os cilindros são geralmente de ferro
fundido de baixa liga.

Os pistões são geralmente de ferro fundido, com anéis de ferro fundido, bronze ou teflon. O material
dos anéis é escolhido mais do ponto de vista de compatiblidade com o material do cilindro do que
resistência à corrosão propriamente.

Os anéis tri-partidos do sistema de selagem da haste podem ser de ferro fundido, bronze, teflon, nylon,
tendo em vista novamente a compatibilidade com o material da haste.

Aço inoxidável 410 satisfaz como material da haste para a maioria das aplicações. Em alguns casos de
corrosão severa, uma liga de alto níquel é mais adequada.

Válvulas de aço inoxidável 110 combinam boas propriedades mecânicas com resistência à corrosão.
Os assentos e batentes das válvulas são geralmente de ferro fundido ligado, aço carbono ou aço
inoxidável 410.

Para evitar a corrosão nos cilindros, é fundamental impedir a entrada de condensado ou a sua formação
no próprio cilindro.

O líquido lava a película de lubrificante, destruindo-a e promovendo desgaste rápido do cilindro, anéis
do pistão e válvulas. Além disso, o líquido pode acelerar a corrosão.

A melhor prevenção contra a entrada de líquido é prover a linha de sucção com um purgador ou um
tambor de separação de condensado próximo ao cilindro.

Se o gás que entra no cilindro está próximo da condição de saturação pode ocorrer condensação no
cilindro se a temperatura da água de resfriamento está abaixo do ponto de orvalho do gás. Uma boa
prática para esses gases consiste em manter a temperatura da água 10 a 15o F acima da temperatura de
saturação do gás na sucção. Em alguns casos de compressão de hidrocarbonetos, as pressões e
temperaturas de operação permitem a circulação natural do fluido de resfriamento. Geralmente se usa
um sistema fechado, no qual o fluido resfriador (água, etileno glicol ou óleo) circula entre as camisas e
um pequeno tanque. As camisas e os tubos são dispostos de maneira a permitir a circulação natural.
Esse arranjo tem a vantagem de equalizar as tensões provenientes da dilatação do cilindro a manter
alta a temperatura do fluido de resfriamento, evitando a condensação do gás que entra no cilindro.
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Em casos extremos, o gás é aquecido antes de entrar no cilindro. Isso é feito raramente porque o
aquecimento aumenta o volume específico do gás, diminuindo a vazão em massa fornecida pelo
cilindro.

Quando possível, as entradas e saídas de gás devem ser dispostas de maneira a facilitar a saída de
líquido. Em cilindros horizontais trabalhando com gases úmidos, por exemplo, a sucção estará
preferivelmente na parte superior do cilindro e a descarga na parte inferior.

Uma outra consideração importante no controle da corrosão é a selagem da haste do pistão. Como a
haste entra e sai da atmosfera corrosiva no cilindro, existe possibilidade de contaminação do óleo do
carter ou então da haste levar umidade do ambiente para dentro do cilindro.

A contaminação do óleo do carter é evitada pelo uso de uma peça distanciadora de comprimento
suficiente.

Na compressão de gases corrosivos, inflamáveis ou tóxicos, ou quando se quer evitar o contato da


haste com a atmosfera, é prevista em geral uma peça distanciadora de dois compartimentos. O
compartimento do lado do cilindro é selado, dotado de dreno com válvula de bloqueio e um vent para
permitir pressurização ou purga com gás inerte. O compartimento do lado da carcaça pode ser aberto
ou fechado, também sendo nesse caso pressurizado ou purgado com gás inerte. Entre os dois
compartimentos, existe selagem por anéis partidos, com ou sem lubrificação, conforme o caso.

5.12. Vibrações em um Compressor

O girabrequim de um compressor alternativo está sujeito a vibrações torcionais, resultantes dos


esforços resistentes devidos à pressão do gás e às forças de inércia provenientes da aceleração e
desaceleração das peças em movimento.

A freqüência natural do conjunto rotativo pode ser controlada pelo projeto adequado do acoplamento
entre o compressor e o acionador, pelo uso de contrapesos no girabrequim, para compensar as massas
com movimento alternativo, e por um compromisso entre a massa do rotor do acionador e a massa do
conjunto rotativo do compressor.

Esses fatores deverão ser correlacionados para manter as freqüências naturais de vibração distantes do
intervalo de operação.

Além do problema de vibração torcional, é necessário investigar a variação do torque resistente


quando são usados como acionadores motores elétricos e turbinas a vapor com redução por
engrenagens.

Se o acionador é um motor de corrente alternada, um volante com momento de inércia suficiente deve
ser acoplado ao eixo para manter a pulsação da corrente (devido à variação de torque) dentro dos
limites toleráveis estabelecidos pelo fabricante do motor. Em caso contrário, ocorrerá
superaquecimento do motor e a operação terá baixa eficiência. No caso de motores síncronos, a
pulsação pode ser tão grande a ponto de tirar o motor de sincronismo, interrompendo a operação. Em
compressores acionados por turbinas a vapor com redução por engrenagens poderão ocorrer quebras
de dentes causados pelos choques provenientes de excessiva variação do torque.
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5.13. Instrumentação de Proteção

Alguns instrumentos para proteção automática de compressor deverão ser previstos, evitando que o
operador seja obrigado a verificar a todo instante se o compressor opera em condições normais, e
possibilitando maior segurança de trabalho.

Em geral, os instrumentos são escalonados para enviar um sinal a um alarme se o valor da grandeza
medida se afasta do normal, possibilitando assim ao operador verificar e corrigir a falha, e
interrompendo o funcionamento da máquina se a grandeza chega a um valor crítico que poderá afetar a
segurança de trabalho ou prejudicar a máquina.

Algumas variáveis geralmente controladas por dispositivos de proteção são:

ELEMENTO VARIÁVEL ALARME PARADA


temperatura
Gás intercooler acima normal alta
descarga T acima normal alta
p acima normal alta
Condensado no poço nível
do intercooler acima normal alto
reserva- nível acima normal alto
tório
Óleo do sistema de nível baixo muito baixo
lubrificação
T acima normal -
p - baixa
máquina vibração excessiva -

O nível de condensado no intercooler deve ser mantido abaixo de certo valor, pois em caso contrário o
líquido será arrastado para o próximo estágio do compressor. Se a quantidade de condensado no
cilindro for razoável, sendo o líquido incompreensível, o compressor poderá sofrer sérios danos.

O acionador também deverá ter proteção.

A instrumentação contudo deve ser a estritamente necessária, caso contrário o compressor poderá
sofrer frequentes interrupcões, causando prejuízos ao sistema em que ele atua sem necessidade real.

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5.14. Bombas de Vácuo Alternativas

MEDIDAS DE VÁCUO

A indicação do vácuo pode ser feita de três maneiras:

a) presão absoluta p, sendo 0 < p ≤ po

po - pressão atmosférica

b) depressão d = (po - p), sendo po > d ≥ 0

d = po se o vávuo é absoluto

d = 0 quando não há vácuo nenhum

po − p
c) grau de vácuo gv = × 100( % )
po
0 ≤ gv < 100%

(nenhum vácuo) (vácuo absoluto)

Exemplificando:

se p = 0,05 kg/cm2 abs

e po = 1.0 kg/cm2 abs

- pressão absoluta p = 0,05 kg/cm2 abs

- depressão d = 1,0 - 0,05 = 0,95 kg/cm2

1,0 − 0 ,05
- grau de vácuo gv = × 100 = 95%
1, 0

CARACTERÍSTICAS DE SERVIÇO DAS BOMBAS DE VÁCUO

Possuem o mesmo princípio de funcionamento que os compressores alternativos. Se o reservatório de


sucção for fechado, uma bomba de vácuo deve ser capaz de manter nele uma pressão absoluta
bastante reduzida, descarregando à pressão atmosférica ou em pressão um pouco maior.

Embora uma bomba de vácuo alternativa pudesse ser considerada basicamente um compressor de
baixa pressão, ela possui certas características de projeto e performance não usuais, em consequência
das suas peculiares condições de serviço. Essas condições são:
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- pequenas pressões, o que permite construção menos robusta, em comparação com os compressores,
os pistões são grandes em relação às hastes.

- a relação de compressão por cilindro pode ser mais levada que no caso dos compressores, pois
devido à pequena densidade do gás, a vazão em massa de gás e o calor cedido são pequenos.

- pressões de sucção de 0,5 a 5 in Hg abs., e pressões de descarga 30 in Hg ans. (~1 kg/cm2) e


maiores, são comuns em serviços para bombas de vácuo. Assim, as bombas de vácuo devem
comprimir vazões razoáveis contra relações de compressão 6 a 60. Como o rendimento volumétrico
é menor quanto maior for a relação de compressão, torna-se necessário compensar esse efeito
mantendo o espaço nocivo do cilindro bastante pequeno. Para isso, o projetista prevê poucas válvulas
e menores áreas das válvulas que no caso de compressores. A maior velocidade do gás através das
válvulas resultante desse fato não tem grande importância, pois as perdas por atrito decorrentes são
pequenas, devido à baixa densidade do gás.

ARTIFÍCIOS PARA AUMENTAR O RENDIMENTO VOLUMÉTRICO

Bombas de vácuo de simples estágio são usadas em geral para pressões absolutas de sucção de 1,5 in
Hg e maiores. Para menores pressões absolutas, são empregadas em dois estágios, pois a eficiência
volumétrica da bombas em apenas um estágio seria muito baixa.

Esses dius estágios podem ser realizados de uma maneira bastante interessante. Um cilindro de dupla
ação é provido de um cabeçote especial, de tal maneira que a câmara do lado do cabeçote funciona
como 1o estágio, e a do lado do girabrequim como o 2o estágio. Tendo as duas câmaras o mesmo
volume deslocado, o primeiro estágio irá funcionar com baixa relação de compressão, permitindo,
portanto, que o compressor opere com alto rendimento volumétrico. Embora o volume deslocado do
cilindro de dupla ação destinado a operar em dois estágios seja apenas metade de um cilindro igual
operando em apenas um estágio, sob alto vácuo a capacidade resultante da máquina de dois estágios é
maior do que a da bomba de vácuo de um estágio, devido ao bem maior rendimento volumétrico.

Em máquinas de dois estágios, não são necessárias intercoolers, mesmo para vácuo muito intenso,
devido ao relativamente baixo aumento de temperatura do gás.

Outro artifício para aumento do rendimento volumétrico em bombas de vácuo é a compensação do


espaço nocivo em cilindros de dupla ação, máquinas de simples estágio.

Consiste em por em comunicação, nos pontos mortos, as duas câmaras do cilindro, por meio de
canaletas praticadas na parede do cilindro (fig. 5.4.1.).

No momento em que a descarga termina em uma câmara, o gás restante no espaço nocivo é
descarregado na outra câmara.

A melhoria que se consegue no rendimento volumétrico com essa compensação é evidenciada no


diagrama p x V (fig. 5.14.2.).

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FIG. 5.14.1. - COMPENSAÇÃO DO ESPAÇO NOCIVO

FIG. 5.14.2. - DIAGRAMA p x V COMPENSAÇÃO DO ESPAÇO NOCIVO

A pressão p'é a pressão de equilíbrio nas duas câmaras do cilindro, quando as canaletas as colocam
em comunicação, nos pontos mortos do pistão.

O exame do diagrama mostra que com a compensação do espaço nocivo consegue-se melhorar o
rendimento volumétrico, porém em troca o trabalho necessário é maior.

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TEMPO PARA PRESSURIZAÇÃO OU DESPRESSURIZAÇÃO
DE UM RESERVATÓRIO DE GÁS

Consideremos um compressor ou uma bomba de vácuo em volume deslocada Qd que deve pressurizar
até a pressão p um reservatório de gás de volume V, inicialmente a pressão Po.

Vamos estimar o tempo t necessário para esse processo.

Suponhamos que haja suficiente troca de calor entre o gás no reservatório e o ambiente para que a
temperatura do gás permaneça constante.

Sejam dm a massa de gás aspirada do reservatório durante o intervalo de tempo dt, do instante t ao
instante t + dt.

Como:

pV = m R T

(p - dp) V = (m - dm) RT

tem-se

Vdp = dm R T

e sendo

RT
dV = v dm = dm
p

resulta

V dp
dV =
p

Por outro lado

dV = ϕ v . Qd . dt

m - massa de gás no reservatório no intante t

p - pressão no reservatório no instante t

v - volume específico do gás no reservatório no instante t

dV - volume de gás à pressão do reservatório retirado no tempo dt

ϕ v - rendimento volumétrico do compressor no instante t

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Autor: Reinaldo de Falco
Igualando as expressões para dV.

dp
V = ϕ v Qd dt
p

p
t V dp
t= dt = ϕv
o Qd Po p

Sendo a função ϕ v = ϕv (p) em geral facilmente conhecida para um compressor ou bomba de


vácuo alternativos, o tempo t pode ser estimado.

Se o compressor também tem a pressão de descarrega variando ao longo do tempo, torna-se necessário
estabelecer para cada instante as pressões p de sucção e p'de descraga, para se ter ϕ v = ϕ v (p)
e poder calcular o tempo de proceso pela mesma equação já estabelecida. Note que fazendo também a
hipótese de temperatura constante para o gás no reservatório de descarga, e tendo conhecido o seu
volume V' a pressão inicial po'
, é fácil estabelecer p'= p'(p).

De fato, aplicando ao reservatório de descarga o mesmo raciocínio já feito para o reservatório de


sucção.

dp'
dV '= V '
p'

dV'- volume de gás à pressão de descarga cedido ao reservatório de descarga no tempo dt.

Tendo também

p
dV '= dV
p'

resulta

p dp'
dV '= dV = V'
p' p'

dp'
dV = V '
p
Como

dp
dV = V
p

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tem-se

V dp = V'dp'

V
− p'
p' o= ( p − po )
V'

Para qualquer instante e portanto ϕ v = ϕv (p) pode ser facilmente estabelecido.

5.15. Especificação de Compressores

Normalmente a requisição ou especificação de um compressor é composta dos seguintes elementos:

a) Requisição de material

b) Folhas de dados dos equipamentos

c) Especificações ou normas de engenharia

d) Notas gerais para fornecimento de equipamentos mecânicos

a) Requisição de material

É a folha de capa ou rosto da especificação e compõe-se basicamente da relação de itens a serem


fornecidos (extend of supply), lista de normas, documentos anexos e termos de responsabilidade.

b) Folhas de dados dos equipamentos

Nas folhas de dados dos equipamentos são colocados os dados de processamento, de utilidade e
detalhes técnicos de cada equipamento a ser fornecido.

Além das informações fornecidas pelo comprador do equipamento, a folha de dados deve conter
espaços e/ou linhas para informações a serem fornecidas pelo proponente, esclarecendo detalhes
técnicos do equipamento selecionado.

Deverão existir tantas folhas de dados quantos forem os equipamentos incluídos na relação de
fornecimento.

Normalmente na compra de um compressor teremos:


- folha de dados do compressor
- folha de dados do acionador
- folha de dados do redutor (se houver)
101

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- folha de dados dos resfriadores
- folha de dados das bombas e acionadores auxiliares
(anexo encontramos folha de dados dos compressores alternativos extraída do API-618).

c) Especificações ou normas de engenharia

Todas as grandes companhias de petróleo, petroquímica e química, além das tradicionais companhias
de projeto, possuem suas normas ou "standards"para especificações de vários equipamentos, incluindo
os compressores, acionadores, redutores e equipamentos auxiliares.

Nessas normas são fixados detalhes de projeto, construção mecânica, teste que devem ser observados
pelo proponente na construção do equipamento.

Essas normas evidentemente variam de uma companhia para outra e de um tipo de indústria para
outro, mas existem no entanto, alguns "standards", como por exemplo os do "Americam Petroleum
Institute"(API), que são indicados diretamente para a indústria do petróleo e petroquímica, mas que
podem ser usados com algumas adaptações para algumas indústrias químicas, onde a confiabilidade e
segurança operacional sejam fatores de maior importância, que o custo inicial do equipamento.

O "standard"do API que especificam os requisitos básicos de projeto de máquinas rotativas para
serviço em refinarias de petróleo são:

API-617 - Centrífugal Compressors for Refinery Service


API-618 - Reciproating Compressors for Refinery Service
API-611 - Steam Turbine for General Refinery Service
API-612 - Steam Turbine for Special Purpose Refinery Service
API-613 - High-speed, Special Purpose Gear Units for Refnery Services
API-610 - Centrifugal Pumps for General Refinery Service
API-RP-540 - Eletrical Installations in Petroleum Refineries
API-614 - Lubrification, Shaft-Sealing, and Control Oil Systems for Special Purpose

É importante acrescentar que, apesar da grande utilidade e aceitação dos "standards do API em todo
mundo ocidental, alguns fabricantes e usuários europeus tem normas de fabricação que diferem e
apresentam exceções em relação ao API, principalmente na questão dos padrões de "fittings" de
tubulação e caldeiraria, sem que no entanto sejam considerados inaceitáveis.

d) Notas Gerais para fornecimento de equipamentos mecânicos:


É a norma que estabelece os requisitos gerais para fornecimento de equipamentos mecânicos e deve
conter entre outras as seguintes informações:
- Local e prazo para envio das propostas
- Idiomas aceitáveis
- Condições de garantia e assistência técnica
- Documentos e número de cópias a serem enviados com a proposta.
- Desenhos e manuais requeridos após a autorização de fornecimento, estabelecendo prazo para envio
e número de cópias.
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- Identificação do equipamento.
- Lista de excessões às especificações etc. (ver exemplo anexo)

DEFINIÇÃO DE TERMOS PARA ESPECIFICAÇÃO E SELEÇÃO DE COMPRESSORES,


ALTERNATIVOS, SEGUNDO O API-618

- Pressão máxima admissível.


É a máxima pressão contínua de operação, baseada na qual o fabricante projetou o compressor.
(quando comprimindo o gás especificado à pressão especificada).

- Temperatura máxima admissível.


É a máxima temperatura para qual o compressor foi projetado.(quando comprimindo o gás
especificado à pressão especificada).

- Pressão de descarga nominal (rated).


É a maior pressão necessária para atender as especificações do comprador para o serviço em
questão.

- Temperatura de descarga nominal (radet).


É a máxima temperatura esperada de acordo com as condições de serviço especificadas.

- Rotação máxima admissível


É a máxima rotação para a qual o compressor selecionado permite operação contínua.

- Rotação máxima contínua.


É sinônima da Rotação máxima admissível.

- Rotação nominal
É a maior rotação de operação necessária para atender as condições de serviço especificados.

- Condições de projeto
O uso do termo "projeto" deve ser reservado ao fabricante do compressor e evitado
pelo comprador do equipamento.

- Potência nominal (Rated horse power)


É a máxima potência garantida que o compressor consome para atender a todas as condições de
operação especificadas. Perdas do acionador deverão ser computadas à parte.

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NOTAS GERAIS DE REQUISIÇÃO PARA
EQUIPAMENTOS MECÂNICOS

Estas Notas Gerais são consideradas parte integrante das especificações do equipamento coberto pela
Requisição de Material.

1. UNIDADE
Será utilizado o sistema métrico para desenho e informações.

2. PROPOSTAS
O fabricante ou representante deverá apresentar a proposta de acordo com o quadro da página 2 destas
Notas Gerais.

3. EXCEÇÕES ÀS ESPECIFICAÇÕES

3.1. O fornecedor deverá informar com clareza, na proposta todas as especificações dos
equipamentos constantes na Requisição de Material.
3.2. Quando o fornecedor não apresentar em sua proposta a lista de exceções, o comprador
considerará que os equipamentos ofertados atendem integralmente as especificações.

4. DESENHOS

4.1. Cada desenho deverá ser identificado pelos seguintes elementos, adjacentes ao título:
- Nome do Cliente
- Nome da Unidade Industrial
- Número do ítem:
- Número do Pedido de Cotação do Material PCM
4.2. A aprovação dos desenhos pelo comprador não isenta o fornecedor de qualquer
responsabilidade pelo fornecimento correto do equipamento conforme especificado.
4.3. Todas as cópias não reproduzíveis deverão ser dobradas de acordo com o formato A4 da
ABNT.
4.4. Os reproduzíveis deverão ser enrolados e protegidos por cilindros de papelão antes de
serem enviados ao comprador.

5. MODIFICAÇÃO DE PROJETO
Toda modificação de projeto ou de fornecimento de acessórios que o fornecedor tiver que executar
após a autorização do fornecimento deverá ser enviada previamente ao comprador para aprovação.

6. IDENTIFICAÇÃO
Cada parte de um equipamento deverá possuir uma etiqueta metálica de identificação, em material
resistente ao tempo e a corrosão (Aço inoxidável ou Monell), firmemente fixada em local de fácil
viabilidade.
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Autor: Reinaldo de Falco
NOTAS GERAIS DE REQUISIÇÃO PARA EQUIPAMENTOS MECÂNICOS

NO. DE ENTREGA OBSERVAÇÕES


7. DOCUMENTAÇÃO REQUERIDA CÓPIAS

1. Lista de Execssões às especificações


2. Folhas de Dados do comprador preenchidas
3. Curvas características ou Tabelas de seleção
4. Catálogos e Descrição Geral
5. Desenhos dimensionais preliminares do conjunto 3 cópias com a
6. Desenhos de corte típico proposta
7. Lista de sobressalentes com preços individuais
8. Preços Unitários
9. Prazos de Entrega
10. Condições de fornecimento garantia e
assistência
técnica

11. Programa de fabricação e testes 3 cópias 4 semanas


12. Índice dos desenhos a serem fornecidos após o
pedido

13. Desenhos dimensionais do conjunto 3 cópias 2 semanas Os desenhos serão devolvidos


14. Desenhos dos sistemas auxiliares para após a pelo comprador até 30 dias
15. Desenhos de corte e lista de peças e materiais aprovação devolução paós o recebimento com sua
16. Desenhos de fundação e diagrama de cargas dos aprovação ou comentários.
17. Diagramas operacionais e de controle desenhos Após a aprovação de todos os
aprovados desenhos o fabricante deverá
enviar os reproduzíveis
certificados.
1 original 2 semanas
reproduzí- após a
vel certi- devolução
ficado dos
desenhos
aprovados

18. Certificado de Inspeção 3 cópias 2 semanas


19. Certificado de Testes com as Curvas Reais após o
obtidas término dos
20. Manual de Instrução de instalação, operação e 5 cópias testes de
manutenção fábrica

NOTAS:
1. O fabricante deverá fornecer os documentos e informações requeridos, tanto para o equipamento principal
como para seus acessórios. Incluindo os ítens a cargo de sub-fornecedores.
2. Todos os documenos serão escritos em portugues ou ingles.

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Autor: Reinaldo de Falco
5.16. Manutenção

Apresentamos a seguir, sugestão para manutenção de compressores alternativos, devendo-se ressaltar,


que estas recomendações não são absolutas, e é sempre recomendável consultar o manual do
fabricante da máquina, e seguir suas instruções. Deve-se ainda acrescentar que em áreas, onde a
atmosfera é muito poluída, é necessário aumentar-se a frequência das providências aqui apresentadas.

1. Desligue a alimentação elétrica antes de começar o serviço.

2. Cuidados diários.

a) verificar nível de óleo

b) drenar condensado do vaso de descarga e acumulador

c) verificar qualquer ruído ou vibração anormal

3. Cuidados semanais

a) limpar filtro de ar

b) limpar partes externas do compressor e acionador

c) testar manualmente válvula de segurança

4. Cuidados mensais

a) verificar se não há vazamento no sistema de compressão

b) inspecionar o óleo e trocá-lo se foi verificada qualquer contaminação

c) verificar a tensão das correias e seu desgaste

5. Cuidados a cada 3 meses

a) trocar o óleo

b) inspecionar as válvulas do compressor

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TABLE 2.6. CHECK LIST FOR COMPRESSOR INSPECTION AND OBSERVATION

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VALORES MÁXIMOS PERMISSÍVEIS
DE VELOCIDADE DE PASSAGEM DO GÁS NA VÁLVULA

PRESSÃO DE VELOCIDADE
GÁS COMPRESSÃO MÉDIA m/s
Kg*/cm2 abs

Ar (bomba de vácuo) 0,008 a 0,24 (*) 80 a 65

Hidrogênio 1 a 200 115 a 0

Gás de iluminação, Hidrocarbonetos 1 a 55 64 a 30

Ar, Oxigênio, Azoto 1 a 900 58 a 0

NH3 e N2 + 3H2 1 a 300 40 a 16

CO2 1 a 300 35 a 12

Freon 12 (válvula de descarga) 1 a 300 27 a 22

Freon 12 (válvula de sucção) 1 a 300 21 a 16

SO2, CH3Cl, C2H5Cl 1 a 300 25 a 9

(*) pressão absoluta de sucção

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6. COMPRESSORES VOLUMÉTRICOS ROTATIVOS

Os compressores alternativos, embora sejam muito empregados em uma grande faixa de pressões e
vazões, apresentam alguns inconvenientes:

- sistema biela-manivela introduz grandes forças de inércia, causando conjugado resistente irregular e
reações variáveis sobre as fundações, provocando vibrações.

- pequenas capacidades, devido às baixa rotações possíveis.

- emprego de motores de maior número de polos, ou de transmissões por engrenagens ou por correias,
ainda devido às baixas rotações, encarecendo as instalações.

- perdas grandes de potência por atrito.

- grande espaço útil ocupado.

- alta relação peso/potência.

Os compressores volumétricos rotativos apresentam vantagens sobre os alternativos com respeito aos
itens acima e podem rivalizar com estes para serviços de baixa pressão.

Além disso, o fato de alguns compressores rotativos apresentarem espaço morto nulo os torna muito
adequados para trabalharem com bombas de vácuo.

Antes de passar ao estudo dos compressores rotativos, vale notar que, pelo fato de tamém serem eles
volumétricos, as grandezas definidas no estudo dos alternativos, tais como rendimento volumétrico,
eficiência de compressão, etc, também são aplicadas para os compressores rotativos, e o estudo de
performance desses é em tudo semelhante ao dos alternativos.

6.1. Compressor Rotativo de Palhetas

É o rotativo de construção mais simples, usado como compressor ou como bomba de vácuo.

É fabricado em tamanhos para até 6000 cfm e pressões até 125 psig. Unidades booster podem atingir
até 400 psig. As rotações variam de 450 até 3600 rpm, dependendo do tamanho da unidade.

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FIG. 6.1.1. - COMPRESSOR ROTATIVO DE PALHETAS

Em geral, compressores de palhetas de simples estágio são adequados para pressões até 50 psig e
vácuo até 28 a 29 in Hg (para atmosfera com 30 in Hg). Compressores de dois estágios são projetados
para pressões até 125 psig e vácuo até 0,1 in Hg abs. Unidades de três estágios são usadas para
pressões até 250 psig e compressores booster podem atingir 400 psig.

DIAGRAMA DE COMPRESSÃO

Nesse compressor, o processo ocorre da seguinte maneira (fig. 6.1.1.).

O rotor, excêntrico em relação à carcaça, ao girar em torno do seu eixo, joga as palhetas contras as
paredes do cilindro, devido à força centrífuga.

O volume compreendido entre duas palhetas consecutivas varia desde aproximadamente zero, nas
proximidades do ponto A, até no máximo no ponto B. Em todo esse intervalo, esse volume está em
comunicação com a aspiração.

A partir do ponto B, o volume do gás decresce até atingir o mínimo em C, entrando em comunicação
com a descarga, e descarregando o gás.

A compressão do gás, portanto se efetua progressivamente por redução de volume.

Quanto maior a relação de compressão, mais o ponto C deverá estar afastado de B, pois maior redução
de volume do gás será necessária, até que este atinja a descarga.

Esse compressor não possui válvulas. Há somente uma válvula de retenção da tubulação de descarga,
para impedir o retorno de gás quando o motor for desligado.

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Por essa razão, esses compressores são projetados para uma relação de compressão bem definida. Se
ele passar a trabalhar com relação de compressão diferente da de projeto, haverá uma compressão ou
expansão instantânea do gás quando este se comunicar com a descarga (fig . 6.1.2.) e portanto haverá
um acréscimo de trabalho em relação ao necessário numa pressão absolutamente progressiva.

FIG. 6.1.2. - ACRÉSCIMO DE TRABALHO PARA RELAÇÕES DE COMPRESSÃO


DIFERENTES DA DE PROJETO EM COMPRESSORES DE PALHETA

Esse acréscimo é contudo bastante pequeno para os valores usuais das relações de compressão, da
ordem 2 a 5% somente.

Para serviço em que a diferença de pressões for menor que 7 psi e a vazão for inferior a 350 cfm,
pode-se executar a disposição simétrica das passagens para sucção e descarga (fig. 6.1.3.).

Nesse caso, ao passar pelo ponto B, o volume de gás compreendido entre duas palhetas consecutivas
se comunica com a descarga, e a pressão aumenta instantâneamente até o valor de descarga.

FIG. 6.1.3. - COMPRESSOR DE PASSAGENS SIMÉTRICAS

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A compressão nesse caso é instantânea e o correspondente diagrama p x V é apresentado na fig.
6.1.4. É óbvio que o trabalho necessário à compressão nesse caso é maior que em uma compressão
progressiva.

Para essa construção, o sentido de rotação é indiferente a boca de aspiração pode tornar-se a de
descarga e vice-versa.

FIG. 6.1.4. - COMPRESSÃO INSTANTÂNEA EM COMPRESSOR DE PASSAGENS


SIMÉTRICAS

RENDIMENTO VOLUMÉTRICO

O compressor volumétrico rotativo apresenta perdas de carga na sucção e descarga bastante pequenas,
devido à inexistência de válvulas e ao fato das passagens serem amplas.

O espaço nocivo é praticamente nulo, e portanto o rendimento volumétrico é apenas influenciado pelas
fugas, principalmente, e pelo aquecimento do gás na sucção, devido a um ganho de calor proveniente
das paredes aquecidos pelo gás descarregado e também ao atrito das palhetas contra o cilindro.

As fugas ocorrem as extremidades das palhetas e o cilindro. Em qualquer compressor, as fugas


crescem com os seguintes fatores:

- diferença de pressões

- menor densidade do gás

- menores dimensões a precisão de usinagem é relativamente menor, e portanto ocorrem maiores fugas
porcentualmente.

- menor rotação
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Autor: Reinaldo de Falco
CARACTERÍSTICAS DE CONSTRUÇÃO

As vantagens dos compressores de palhetas sobre os alternativos são:

- conjugado mortor regular

- fluxo contínuo

- menor peso e volume

- ausência de vibrações

- fundações menores

- rotações de inércia pequenas

- rotação maior, permitindo acoplamento direto do motor

- partida sem carga, pois as palhetas só encostam no cilindro, ou seja, só há compressão, a partir de
uma certa rotação

Seus principais problemas são:

- assimetria do esforço sobre o rotor inevitável

- atrito entre palhetas e cilindro

- fugas

A diferença essencial na construção dos diversos modelos reside na maneira de reduzir o atrito entre
palhetas e cilindro.

Uma das medidas empregadas para reduzir o atrito consiste em limitar a velocidade periférica máxima
das palhetas m (fig. 6.1.5.).

d
µ = 2≅ D− r
2
D - diâmetro do cilindro
d - diâmetro do rotor
r - número de rotações do rotor na unidade de tempo
µ = 6 a 8 m/s

Quando não existem dispositivos para reduzir o atrito (p2 ≤ 7 psig)


µ = 12 a 16 m/s
quando eles existem
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FIG. 6.1.5. - ELEMENTOS GEOMÉTRICOS DO COMPRESSOR DE PALHETAS

Esses dispositivos empregados para reduzir o atrito são:

- Anéis WITTIG (FIG. 6.1.6.)

São anéis móveis, em número de dois por cilindro, colocados entre o cilindro e as palhetas, de modo a
fazer com que as palhetas deslizem sobre os anéis e não sobre o cilindro.

FIG. 6.1.6. - ANÉIS WITTIG

Com esses anéis, o atrito é da ordem de 6 a 10% daquele que haveria entre as palhetas e o cilindro.

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Portanto, esse dispositivo melhora o rendimento mecânico do compressor, e evita um desgaste
excessivo das palhetas e do cilindro, porém provoca maiores fugas, devido à maior folga existente
entre o cilindro e as palhetas, a qual pode ser controlada pela precisão de usinagem dos anéis.

- Palhetas com extremidades chanfrada (fig. 6.1.7).

O chanfro é feito na face anterior (em relação ao sentido de rotação), permitindo a formação de um
filme de óleo que, além de reduzir o atrito, melhora a estanqueidade.

FIG. 6.1.7. - PALHETAS COM EXTREMIDADE CHANFRADA

As fugas podem ser reduzidas usando-se um maior número de palhetas, o que causa menor diferença
de pressões entre câmaras sucessivas. São usados os seguintes números de palhetas:

até 7 psig - 6 a 8 palhetas

7 psig - 7 a 20 palhetas

Além disso, a geratriz de contato do cilindro com a palheta no ponto em que esta entra em contato com
a sucção (ponto A na fig. 6.1.1.) deve estar preferivelmente na parte inferior do cilindro, pois o óleo e
o peso da palheta contribuirão para a estanqueidade, além de reduzir o espaço nocivo.

Observe que as fugas, assim como reduzem o rendimento volumétrico do compressor, também
causam uma temperatura de descarga maior que a temperatura prevista num processo adiabático, pois
o gás quente que escapa de câmaras em estágio mais avançado de compressão cede calor ao gás das
câmaras anteriores.

São limitadas ainda na construção as relações:

- entre a excentricidade e do rotor com relação ao cilindro e o diâmetro D do cilindro, para


garantir a fixação das palhetas

2e
= 0 ,10 a 0 ,15
D
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- entre o comprimento L do cilindro e seu diâmetro D, para evitar flexão exagerada do rotor
devido à diferença de pressão

L
D
( ) (
= 1 2 o estágio a 2,5 1o estágio )

MATERIAIS

O cilindro e os cabeçotes são geralmente feitos de ferro fundido. O rotor e o eixo são usinados a partir
de barras de aço forjadas, rotores de ferro fundido tendem a quebrar nas cavidades das palhetas.

Estas são feitas, em geral, de resinas fenólicas.

RESFRIAMENTO

É utilizado para pressões de descarga superior a 7 psig. Pode ser feito por ar ou por água.

O rotor desses compressores não tem contato metálico com a carcaça de maneira a permitir uma
suficiente troca de calor.

Em compressores grandes, os rotores são providos de circulação interna de água, para evitar que o
calor se transmita através do exio e causa superaquecimento dos mancais.

Nos outros casos, o resfriamento é feito no cilindro e nos cabeçotes, ou através de canais para água, ou
de superfícies aletadas, no resfriamento por ar.

LUBRIFICAÇÃO

Existem dois métodos diferentes de lubrificação desses compressores.

O primeiro é aplicado na compressão de gases sem condensados, para vácuos e pressões moderados.
Um lubrificador mecânico introduz aproximadamente quatro gotas por minuto na corrente de gás, na
sucção.

O segundo consiste na introdução do óleo no cilindro à razão de 0,5 gpm/cfm de capacidade do


compressor. Essa grande quantidade de óleo absorve uma boa parte do calor desenvolvido na
compressão e além disso permite uma maior estanqueidade entre as palhetas e o cilindro. A
temperatura do óleo aumenta em 20oF para manter a temperatura do gás de descarga inferior a 180oF.
Nesse caso, é necessário um separador de óleo eficiente para o gás na descarga.

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PERFORMANCE DOS COMPRESSORES DE PALHETAS

FIG. 6.1.8. - PERFORMANCE DE COMPRESSOR DE PALHETAS

A figura 6.1.8., mostra curvas características desses compressores.

Segundo SCHEEL o rendimento volumétrico é de 0,98 para rc = 1,5 e 0,82 para rc = 5,0 apresentando
valores um pouco mais altos para trabalho em vácuo.

A eficiência politrópica de compressão progressiva com altas pressões de descarga, é


aproximadamente 0,72.

Para compressão instantânea, a eficiência politrópica tem os seguintes valores:

0,72 para rc = 1,7

0,70 para rc = 1,5

0,63 para rc = 1,3

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6.2. Compressor Rotativo de Lóbulos (ROOTS)

É disponível em capacidade até 50.000 cfm e pressões até 30 psig.

FIG. 6.2.1. - COMPRESSOR DE LÓBULOS

Compressores desse tipo de simples estágio, são adequados para pressões até 15 psig e vácuo até 22 in
Hg. Em dois estágios são projetados para pressões até 30 psig e vácuo até 25 in Hg ou mesmo maior.

OPERAÇÃO

Nesse compressor (fig. 6.2.1.) os lóbulos que deslocam o gás tem os movimentos sincronizados por
meio de um par de engrenagens cilíndricas externas à carcaça, estando cada engrenagem acoplada ao
eixo de um lóbulo. Com isso, e divido ao perfil especial dos lóbulos, as fugas de gás entre os lóbulos
são reduzidas, apesar de não haver contato entre os lóbulos.

Existem compressores com dois ou três lóbulos.

Para o compressor de dois lóbulos são realizados quatro ciclos de compressão (dois para cada lóbulo)
por rotação do eixo motor.

A compressão é instantânea e apresenta um diagrama p x V retangular, havendo portanto um


acréscimo de trabalho em relação à compressão progressiva tanto maior quanto mais alta for a pressão
de descarga.

Além disso, existem perdas de potência por unidade de massa devido a fugas que ocorrem entre os
lóbulos e entre estes e a carcaça, axialmente e radialmente.

Para serviços com maiores vácuos ou pressões, líquido por ser introduzido para melhorar a
estanqueidade.

A qualidade fundamental desses compressores é a robustez, pelo fato deles não possuirem órgãos
delicados, como válvulas, anéis, palhetas. Por essa razão, necessitam pouca manutenção.

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Autor: Reinaldo de Falco
Em algumas aplicações as folgas podem aumentar por desgaste das superfícies dos lóbulos. Estes
podem então ser recuperados por metalização ou revestimento.

PERFORMANCE

O rendimento volumétrico é tanto maior quanto:

- maior a rotação

- menor a pressão de descarga

Valores básicos para o rendimento volumétrico do compressor de lóbulos, para pressões de descarga
de 1 a 14 psig são, segundo LUDWIG:

Rotação Rendimento Volumétrico


(rpm) (%)
360 80 - 95
588 70 - 82
720 90 - 97

A máxima rotação para esses compressores está entre 500 e 1200 rpm, dependendo dos mancais e
do tamanho da máquina.

6.3. Compressor Rotativo de Parafusos (fig. 6.3.1.)

É semelhante em funcionamento ao compressor de lóbulos.

A capacidade desses compressores pode ser de até 12.000 cfm (até maior, em alguns casos), com a
pressão de descarga entre 3 - 20 psig para compressores em apenas um estágio. Unidades especiais
podem atingir 60 - 100 psig, e compressores em vários estágios ainda podem ir a maiores pressões.
Como bombas de vácuo, podem operar com capacidades de 500 a 10.000 cfm para vácuo de 5 a 25 in
Hg.

OPERAÇÃO

Embora operem como os compressores de lóbulos, nos de parafusos e compressão é realizado pela
máquina, e portanto progressiva.

As superfícies dos parafusos não se tocam devido a existênia de engrenagens externas.

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Autor: Reinaldo de Falco
PERFORMANCE

A eficiência total, incluindo a de compressão (isoentrópica) e a mecânica, está entre 70 a 75%, em


média. Ela é tanto maior quanto:

FIG. 6.3.1. - COMPRESSOR DE PARAFUSOS

- maior for a rotação

- maior for o compressor

As rotações mais comuns são de 1800 a 3600 rpm, limitadas pelas engrenagens. Modelos especiais
podem atingir até 12000 rpm.

6.4. Compressor de Anel Líquido

É usado para capacidades até 5000 cfm em rotações de 300 a 3000 rpm. Unidades de simples estágio
são empregadas para pressões até 35 psig e vácuo até 27 in Hg. Em dois estágios, esses compressores
podem atingir pressões de 75 psig e vácuo até 29 in HG.

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FIG. 6.4.1. - COMPRESSOR DE ANEL LÍQUIDO

OPERAÇÃO

Neste tipo (fig. 6.4.1.), a admissão e descarga do gás se efetuam através das aberturas existentes no
distribuidor central, fixo, dividido em 4 câmaras distintas, ligadas duas a duas às tubulações de
aspiração e descarga.

A compressão é obtida pelo impelidor provido de lâminas fixas que gira no espaço de forma elíptica
parcialmente cheio de líquido. A força centrífuga agindo sobre o líquido faz com que este adquira o
contorno da parede, formando um anel líquido.

A forma do espaço entre o líquido e o rotor é tal que, com colocação adequada das aberturas do
distribuidor (mais extensas na sucção que na descarga), consegue-se um volume entre duas lâminas
menor na descarga que na sucção.

A compressão é portanto, e são efetuados dois ciclos de compressão a cada giro do rotor.

Uma característica favorável dessa construção com dupla sucção e descarga é o equilíbrio das forças
radiais que agem no rotor, diminuindo a carga sobre os mancais.

O anel líquido formado funciona como selo, evitando fugas, e como meio de dirigir o gás para a
descarga, com um mínimo contato entre gás e superfícies metálicas.

Essa característica permite que, usando um líquido inerte ao gás sendo comprimido, se consiga o
trabalho com gases altamente corrosivos.

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Nesses compressores, o gás se satura com vapor do líquido de selagem mesmo arrastar gotículas
líquidas. Esse fato torna necessário:

- utilização de separador de líquido na descarga ou ainda secadores, se necessário


- make-up de líquido para manter a quantidade necessária na carcaça

PERFORMANCE

O aumento de temperatura na compressão de gases que contenham condensáveis é aproximadamente


de até 13oF.

Esse valor é consideravelmente mais baixo que aquele em uma compressão isoentrópica, é quase o de
uma compressão isoentrópica, é quase o de uma compressão isotérmica, e mostra claramente o efeito
de troca de calor entre o gás e o líquido. A quantidade de líquido a ser circulada deve ser calculada
para permitir a taxa necessária de troca de calor.

A eficiência mecânica desses compressores, devido à potência empregada na movimentação do


líquido, é bastante baixa, da ordem de 40 a 50%.

APLICAÇÕES

As mais comuns são:

- gás isento de óleo para processo

- gases tóxicos ou perigosos

- gases quentes e vapores

- alto vácuo - em série com ejetores para vácuos muito baixos

- fluxo sem pulsações

6.5. Controle de Capacidade

Na aplicação de qualquer compressor, é procedimento normal usar uma máquina com capacidade um
pouco maior que a requerida. Esse fato, aliado à variação da demanda do processo, exige uso de algum
método de controle de vazão na maioria dos compressores rotativos.

O compressor de palhetas pode ser controlado por um ou por uma combinação de métodos.

Por exemplo, um controle automático do tipo on-off emprega uma válvula de bloqueio na sucção e
uma válvula de alívio para a atmosfera na descarga.Uma válvula piloto, acionada por um sinal
pneumático, causa o bloqueio da sucção ao mesmo tempo que a descarga é aliviada para a atmosfera.
Em compressores de simples estágio o consumo de potência para o compressor sem carga é
129

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Autor: Reinaldo de Falco
aproximadamente 25% da potência para plena carga. Em unidades de dois estágios operando a 100
psig, o consumo sem carga é aproximadamente 15% daquele a plena carga.

O estrangulamento da sucção pode ser usado dentro de certos limites estabelecidos individualmente
por cada fabricante para reduzir a vazão em massa. Como já foi dito, a potência requerida será
reduzida pelo estrangulamento da sucção em unidades operando com relações de compressão acima de
3,0.

Um controle modulado da capacidade também pode ser feito por alívio para a atmosfera na descarga
(caso de ar, gases não tóxicos, etc) ou por by-pass do gás já parcial ou totalmente comprimido para a
sucção. NO caso de by-pass para a sucção, o gás deverá passar por um resfriador.

O projeto normal de um compressor de palhetas permite uma redução na rotação de aproximadamente


50%. Para todos os propósitos práticos, a vazão e a potência serão reduzidos proporcionalmente à
rotação.

A regulagem de um compressro de lóbulos não pode ser geralmente do tipo on-off, pois haveria a
necessidade de um reservatório muito grande em relação à instalação devido às altas vazões fornecidas
por esse tipo de compressor.

Uma regulagem econômica na variação de velocidade. Se for usado um motor de rotação constante, a
variação de velocidade pode ser obtida por um variador do tipo de correias com polias de diâmetro
ajustável. Acoplamentos hidráulicos não são interessantes porque não existe redução de velocidade
não deve, contudo, causar rotação menor que 40% da nominal, pois nesse caso haveriam fugas
excessivas.

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I - PROPRIEDADES TERMODINÂMICAS DE GASES

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