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UERJ

Técnico em Enfermagem

FUNDAMENTOS DE ENFERMAGEM: Semiologia e Semiotécnica: atuação do técnico de enfermagem


nos diversos procedimentos de assistência ao paciente/cliente .............................................................. 1
Processo de comunicação e relação profissional-paciente ............................................................... 22
Assistência de enfermagem ao paciente visando atender as necessidades de: conforto, segurança e
bem-estar, higiene e segurança ambiental ............................................................................................ 27
Assistência do técnico de enfermagem ao paciente visando atender as necessidades terapêuticas 38
Registro de enfermagem ................................................................................................................... 38
Prevenção e controle de infecções ................................................................................................... 42
Administração de Medicamentos ...................................................................................................... 63
Normas de biossegurança em enfermagem ...................................................................................... 76
Processo do trabalho em enfermagem ............................................................................................. 99
ÉTICA E LEGISLAÇÃO EM ENFERMAGEM: A Ética aplicada à Enfermagem; Código de Ética
profissional em Enfermagem; Lei do Exercício Profissional em Enfermagem ...................................... 100
O Direito e o cuidado à saúde nas diferentes fases de vida da mulher, da criança, do adolescente,
adulto e idoso ...................................................................................................................................... 146
Direito à saúde no ambiente de trabalho ......................................................................................... 152
ENFERMAGEM NA SAÚDE DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE: ABORDAGEM AMBULATORIAL
E HOSPITALAR: Assistência à Saúde da Criança e Adolescente nas diferentes fases da vida. Prevenção
de agravos fisiológicos e sociais. Situações de violências. Acompanhamento do Processo de Crescimento
e Desenvolvimento. Cuidados de enfermagem à Saúde da Criança (recém nascido, lactente, pré-escolar
e escolar) e Adolescente. Intervenções de Enfermagem à clientela nas unidades de internação e
ambulatorial ......................................................................................................................................... 154
ENFERMAGEM NA SAÚDE DA MULHER NAS DIFERENTES FASES DA VIDA: ABORDAGEM
AMBULATORIAL E HOSPITALAR: Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher. Saúde
sexual e saúde reprodutiva. Pré-natal, parto e puerpério. Aleitamento Materno. Controle dos cânceres do
colo do útero e da mama. Atuação do técnico de enfermagem na assistência à gestante/puérpera sadia
e portadora de patologias diversas e na assistência imediata ao recém-nato ...................................... 233
ENFERMAGEM NO CENTRO CIRÚRGICO E NA RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA: ABORDAGEM
AMBULATORIAL E HOSPITALAR: Atuação do técnico de enfermagem no período perioperatório.
Circulação de sala cirúrgica. Fundamentos da instrumentação cirúrgica. Cuidados de enfermagem ao
paciente na fase de recuperação anestésica. Prevenção da infecção do sítio cirúrgico. Cirurgia
Segura....... .......................................................................................................................................... 314
ENFERMAGEM NA UNIDADE DE CENTRAL DE MATERIAL E ESTERILIZAÇÃO: Processamento de
produtos para a saúde. Atuação do técnico de enfermagem na unidade de Centro de Material e
Esterilização ........................................................................................................................................ 346

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ENFERMAGEM MÉDICO-CIRÚRGICA: ABORDAGEM AMBULATORIAL E HOSPITALAR: Atuação
do técnico de enfermagem na assistência aos pacientes com alterações dos sistemas digestivo,
cardiovascular, respiratório, renal, geniturinário, endócrino, ortopédico, hematológico e doenças
transmissíveis ...................................................................................................................................... 365
Atuação do técnico de enfermagem à pessoa em situação cirúrgica nos períodos pré e pós-operatórios,
bem como nas complicações cirúrgica. Atuação do técnico de enfermagem na assistência ao paciente
em situação de alta complexidade: terapias intensiva e semi-intensiva ............................................... 410
Reanimação cardio-pulmonar. Manejo de drogas vasoativas ......................................................... 434
Assistência do técnico de enfermagem em oncologia ..................................................................... 446
ENFERMAGEM EM SAÚDE COLETIVA: Vigilância Epidemiológica: determinantes no processo
saúde-doença; perfil epidemiológico brasileiro; indicadores de saúde.................................................. 453
Doenças imunopreveníveis. Programa Nacional de Imunização ..................................................... 473
Participação do técnico de enfermagem nos programas especiais de saúde pública; controle de
doenças transmissíveis, doenças não transmissíveis e doenças sexualmente transmissíveis ............ 524
ENFERMAGEM SAÚDE MENTAL. Atuação do técnico de enfermagem diante de pacientes que
demandam cuidado em saúde mental ................................................................................................. 557
ENFERMAGEM NAS SITUAÇÕES DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA. Atuação do técnico de
enfermagem em situações de: choques, parada cardio-respiratória, edema agudo de pulmão, crise
convulsiva, hemorragias e crise hipertensiva ....................................................................................... 574

Candidatos ao Concurso Público,


O Instituto Maximize Educação disponibiliza o e-mail professores@maxieduca.com.br para dúvidas
relacionadas ao conteúdo desta apostila como forma de auxiliá-los nos estudos para um bom
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Bons estudos!

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FUNDAMENTOS DE ENFERMAGEM: Semiologia e Semiotécnica: atuação do
técnico de enfermagem nos diversos procedimentos de assistência ao
paciente/cliente

Caro(a) candidato(a), antes de iniciar nosso estudo, queremos nos colocar à sua disposição, durante
todo o prazo do concurso para auxiliá-lo em suas dúvidas e receber suas sugestões. Muito zelo e técnica
foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação ou dúvida
conceitual. Em qualquer situação, solicitamos a comunicação ao nosso serviço de atendimento ao cliente
para que possamos esclarecê-lo. Entre em contato conosco pelo e-mail: professores@maxieduca.com.br

A semiologia é definida por Posso et al. como a investigação e o estudo dos sinais e sintomas
apresentados pelo paciente sob o ponto de vista da enfermagem. Brunner e Suddarth consideram que
inspeção, palpação, percussão e ausculta são instrumentos básicos para o exame físico,
complementados por equipamentos especiais para melhor definição de detalhes. Entretanto, a
observação sistematizada na realização do exame físico tem sido pouco exercida na prática assistencial
do enfermeiro e no ensino de graduação em enfermagem.
Uma assistência de enfermagem qualificada, requer uma avaliação detalhada do paciente por meio do
exame físico que detectará suas necessidades, para posterior intervenção de com o intuito de
restabelecer sua saúde e proporcionar seu retorno a sua vida privada.

SEMIOTÉCNICA EM ENFERMAGEM

Entende-se por semiotécnica o estudo e metodização das ações que sucedem ao exame físico
(POSSO). Trata-se de um campo de estudo onde estão inseridas as mais diversas técnicas realizadas
pelo enfermeiro, técnico de enfermagem e auxiliar de enfermagem.
Envolve o conhecimento dos fundamentos da prática de Enfermagem, com o domínio de conceitos e
habilidades. É essencial à prática de Enfermagem. As habilidades são necessárias para o cuidado de
uma grande variedade de pacientes, em bom estado de saúde e daqueles com doenças brandas e
crônicas; buscando satisfazer as necessidades básicas do indivíduo.
Os pacientes se dirigem aos hospitais porque precisam de acompanhamento e tratamento clínico
especializados. A hospitalização desafia o censo de privacidade do paciente, bem como o controle de
sua vida. O paciente se torna vulnerável e dependente total ou parcial dos cuidados da equipe de saúde
Será preciso que o paciente abra mão, pelo menos em certo grau, de parte de sua rotina. Dependendo
da complexidade exibida pelo problema de saúde, o paciente e sua família podem também receber
treinamento, aconselhamento, coordenação de serviços e ajuda para lidar com as mudanças causadas
na vida diária face às mudanças no estado de saúde.

Exame Físico

Caracteriza-se por ser a parte da avaliação clínica em que o enfermeiro levanta dados pertinentes ao
estado físico do paciente permitindo a identificação de problemas de enfermagem. Reúne informações
que podem direcionar o enfermeiro sobre o que investigar no exame físico e complementa os dados do
diagnóstico de enfermagem.

Normas Gerais para Execução do Exame Físico


- Solicitar a colaboração do paciente;
- A iluminação deve ser adequada (homogênea e sem sombras);
- Respeitar a privacidade do paciente;
- Explicar sobre os procedimentos realizados;
- Realizar o exame no sentido céfalo-caudal (podálico);
- As mãos do examinador devem estar aquecidas e as unhas, curtas;
- O paciente deve estar relaxado e confortável;
- Em órgãos pares (ouvidos, olhos, rins, outros) deve-se iniciar o exame pelo lado não-afetado;
- Monitorar a expressão facial do paciente em relação a manifestações de desconforto ou dor;
- Evitar interrupções e/ou interferências;
- Evitar comentários e expressões acerca dos problemas encontrados;
Instrumentos e Aparelhos Usados para a Execução do Exame Físico;
Alguns instrumentos e aparelhos auxiliam o enfermeiro na avaliação física do paciente;

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- Estetoscópio;
- Esfigmomanômetro;
- Fita métrica;
- Termômetro;
- Balança antropométrica;
- Espátula;
- Agulhas;
- Bolas de algodão secas e em álcool;
- Garrote;
- Lanterna;
- Martelo de reflexos;

Métodos Propedêuticos de Avaliação Física


A avaliação física é obtida através da utilização dos métodos propedêuticos: inspeção, palpação,
percussão e ausculta.

Inspeção
É o ato de observar e inspecionar. É um método em que se utiliza o sentido da visão na avaliação do
aspecto, cor, forma, tamanho e movimento das diversas áreas corporais. A inspeção pode ser estática,
quando é realizada como o paciente em repouso, ou dinâmica, na qual o examinador observa os
movimentos corporais do paciente e as alterações decorrentes dos mesmos. No primeiro contato com o
paciente faz-se uma inspeção geral em que o enfermeiro observa o estado aparente de saúde, nível de
consciência, estado nutricional e de hidratação, estatura, postura, atividade motora, cor da pele, higiene
pessoal, humor e tipo de fala. A inspeção específica é realizada no exame dos diversos aparelhos.

Palpação
É a utilização do sentido do tato com o objetivo de explorar a superfície corporal - palpação superficial
- e os órgãos internos - palpação profunda. A palpação confirma dados da inspeção e permite a obtenção
de novos indícios como alteração da textura, tamanho, forma, consistência, sensibilidade (tátil, térmica e
dolorosa), elasticidade, temperatura, posição e característica de cada órgão, resistência muscular,
presença de massas e outros. Existem várias técnicas de palpação e sua escolha depende do local a ser
examinado e do que se pretende investigar.
- Mão espalmada (usa-se toda a palma de uma ou de ambas as mãos).
- Mão em garra.
- Mão espalmada, usando-se apenas as polpas digitais e a parte ventral dos dedos. Uma das mãos
superpondo-se à outra.
- Em pinça, formada pelo polegar e indicador.
- Com o dorso das mãos.
- Digitopressão (comprime-se uma área com a polpa do polegar ou indicador).
- Fricção com algodão.
- Palpação bimanual (uma das mãos aproximada a estrutura a ser examinada e a outra realiza a
palpação).

Percussão
É o golpeamento leve de uma área a ser pesquisada, utilizando-se a parte ulnar dos dedos: percussão
dígito-digital percussão com a borda cubital da mão ou com instrumento próprio, originando sons
vibratórios. No golpeamento leve da estrutura e na interpretação do som gerado utilizam-se os sentidos
do tato e da audição. A percussão é utilizada principalmente para se delimitar é órgãos, detectar coleções
de líquido ou ar e perceber formações fibrosas teciduais.
O som gerado da percussão tem características próprias quanto a intensidade, timbre e tonalidade,
refletindo a densidade da superfície subjacente. Quanto mais densa a área percutida, maior, menos
discernível e mais breve será o som. O som é influenciado pela espessura da parede e pela natureza das
estruturas subjacentes. O som maciço é obtido quando se percutem regiões sólidas, desprovidas de ar,
como baço, fígado, rins e músculos; o som submaciço decorre da percussão de regiões relativamente
densas, com quantidade restrita de ar, como a região de transição entre o parênquima pulmonar e um
órgão sólido; timpânico é o som produzido pela percussão de cavidades fechadas que contêm ar, como
o estômago.
A percussão pode ser realizada levemente golpeando-se diretamente a estrutura percussão direta,
utilizando-se o dedo médio ou a borda cubital da mão. A percussão indireta ou dígito-digital é realizada

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pressionando-se o dedo médio de uma das mãos sobre a área a ser percutida enquanto, com o dedo
médio da outra mão, golpeia-se a falange distal com movimentos rápidos e repetidos, que devem ser
iniciados da articulação do punho. Somente o dedo médio deve comprimir a parede, evitando o
abafamento do som pelos outros dedos.

Ausculta
Consiste na aplicação do sentido da audição para ouvir sons ou ruídos produzidos pelos órgãos. Esses
sons são decorrentes da vibração das estruturas entre sua origem e a superfície corporal. A vibração
sonora pode ser captada diretamente pelo ouvido do examinador - ausculta direta - ou com auxílio do
estetoscópio - ausculta indireta. A ausculta é geralmente usada para avaliar ruídos respiratórios normais
e patológicos, bulhas cardíacas normais e suas alterações, fluxo sangüíneo passando pelos vasos e
ruídos do trato gastrintestinal.
Os tipos de som variam de acordo com o órgão auscultado e são caracterizados quanto a duração,
intensidade, altura, ritmo e timbre.

Exame físico da cabeça


A cabeça posiciona-se na linha média do corpo - ereta.
Problemas de desvio são comuns nos torcicolos, nos problemas de audição, estrabismos.
Movimentos anormais mais frequentes são os tiques, os tremores etc.
O exame completo da cabeça compreende a avaliação do: crânio, face, olhos, nariz, seios paranasais,
boca, orelhas.

1) Crânio
Na avaliação do crânio utiliza-se as técnicas de inspeção e palpação. Verifica-se:
Tamanho e forma
Normal - varia conforme a raça e idade.
Método de mensuração do perímetro cefálico (PC):
- Aplicar a fita métrica em volta do crânio passando sobre as sobrancelhas.
- Ler a cifra situada no ponto de encontro das duas partes da fita métrica depois de certificar-se da sua
posição correta.
PC = 65 a 74,9cm - cabeça ovoide, comum nos negros.
PC = 75 a 79,9cm - cabeça arredondada, comum nos brancos
PC = 80 a 90cm - cabeça achatada
Alterações: macrocefalia - crânio anormalmente grande
Microcefalia - crânio anormalmente pequeno
As alterações de forma podem surgir devido a: aplicações de instrumentos no crânio ao nascimento
da criança, doenças orgânicas, sífilis e anemias hemofílicas congênitas.

2) Cabelos
O exame do cabelo inclui o que cobre a cabeça, o das sobrancelhas e os cílios. Normalmente, a cor,
a textura e a distribuição - sua presença ou sua ausência em locais incomuns para o gênero e para a
idade - são registradas. O cabelo também é examinado devido à presença de resíduos incomuns, como
sangue, no caso de traumas na cabeça, lêndeas (ovos de infestação de piolhos) ou escamações
decorrentes de lesões no couro cabeludo. À medida que evolui o exame, também são observadas as
características dos pelos do corpo.

3) Couro cabeludo
Normal - O couro cabeludo é liso, sem descamações ou lesões, pediculose, sujidade, seborreia ou
caspa. Para avaliá-lo utiliza-se a técnica de corrida: separa-se o cabelo em locais aleatoriamente
escolhidos, investigando-se a pele, e palpando o crânio na busca de contornos incomuns.
Avaliam-se: presença de saliências (tumores, tumefações, hematomas), depressões, afundamentos,
pontos dolorosos, integridade da pele, a consistência da tábua óssea, suturas e fontanelas.
Alterações: Inflamações (foliculites, abscessos)
Pediculose: lêndeas e piolhos
Sujidade, seborreia.

4) Face
Na avaliação da face são utilizadas as técnicas de inspeção e palpação. Verifica-se:

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- Simetria - na avaliação da simetria compara-se um lado com o outro. A perda da simetria pode ser
observada nas paralisias faciais, na presença de tumorações (abscesso dentário, edema alérgico,
anomalia congênita, tumores, aumento das glândulas salivares etc.).
- Pele - deve ser examinada buscando alterações de cor, lesões (acnes, cloasma gravídico, manchas
etc.), edema, excesso de umidade, secura ou oleosidade.
- Expressão fisionômica ou mímica facial - esta denuncia o estado de humor do indivíduo (tristeza,
desânimo, esperança, desespero, ódio, alegria etc.).
- Fácies - são traços específicos que certas doenças expressam na face.
- Movimentos - Pode ser: involuntários (tremores, tiques nervosos, espasmos) e voluntários: onde
avalia-se a função motora do 7º. par do nervo craniano, com os seguintes movimentos:
- enrugar a testa
- fechar os olhos cerradamente
-mostrar os dentes
- assobiar
- encher as bochechas de ar
Também é avaliado a função do 5º. Par de nervo craniano com o movimento:
- projetar o queixo para frente e movimentá-lo para os lados.

5) Olhos
Na avaliação dos olhos utiliza-se as técnicas de inspeção e palpação. Avalia-se: estruturas externas,
estruturas do olho propriamente dita, movimentos oculares, fundo do olho e acuidade visual.
Questionar pruridos, ardência, irritação (esfrega o olho), lacrimejamento, secreção, embaçamento,
diplopia. Indicar qual o olho atingido. Usa óculos, lentes, olho falso, cego.

Estruturas externas
- Pálpebras - o tecido palpebral é frouxo, com pouca resistência e sem lesões. As pálpebras fecham-
se totalmente e abrem-se simetricamente. Alterações: edema, xantelasma, equimoses, blefarite
(ulcerativa - queda dos cílios / não ulcerativa - crostas), hordéolos (infecção estafilocócica das glândulas
palpebrais), o não fechamento das pálpebras (exoftalmia, ptose, mongolismo).
- Cílios - os cílios devem ser implantados e distribuídos uniformemente.
- Sobrancelhas - são bastante variáveis de indivíduo para indivíduo.
Alteração - a principal alteração está relacionada com sua queda na hanseníase, sífilis, cicatrizes,
desnutrição acentuada.

Estrutura dos Olhos Propriamente Dita


- Conjuntiva - a conjuntiva palpebral é a membrana vermelha lisa e úmida que recobre a parte interna
das pálpebras. É normalmente rósea, deve ser umedecida continuamente pelo lacrimejamento fisiológico.
Para avaliá-la:
- peça o cliente para olhar para cima.
- pressione com o polegar a pálpebra inferior para baixo e observar a conjuntiva pedindo ao cliente
para olhar para fora e para dentro respectivamente.
- peça ao cliente para olhar para baixo.
- pince com o polegar e o indicador a pálpebra superior e inverta-a com um cotonete, observe a
conjuntiva. Alterações: palidez (anemias), conjuntivite.
- Esclerótica - é a camada subjacente que deve ser esbranquiçada e clara ou amarelada nas pessoas
de raça negra ou idosos.
Alterações: icterícia, pterígio.
- Córnea - camada lisa e transparente que recobre a íris. Normalmente não tem vasos. Para avaliá-la
utiliza-se de uma lanterna de bolso iluminando de forma tangencial o olho.
Alterações: arco senil (halo esbranquiçado ao redor da córnea), processos ulcerosos,
opacidade, corpos estranhos.
- Irís - é a camada pigmentada localizada atrás da córnea.
- Pupila - orifício circular situado centralmente à íris.
As pupilas normais são redondas ou levemente ovóide e do mesmo tamanho (de 2 a 4 mm). A
igualdade do diâmetro da pupila denomina-se isocoria e a desigualdade anisocoria. Quando o diâmetro
está aumentado fala-se em midríase e o diâmetro diminuído é a miose.

Exame da reação pupilar


- diminua a luz na área de exames

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- oriente o paciente para olhar diretamente em frente
- traga um feixe de luz (da lanterna), partindo da frente na direção do olho.
- observe a pupila do olho estimulado, bem como do olho não-estimulado.
- repita o exame, estimulando diretamente o outro olho.
Avalia os reflexos:
- fotomotor direto
- contração da pupila na qual se fez o estímulo.
- fotomotor consensual
- contração da pupila oposta.
- acomodação
- as pupilas se contraem simultaneamente ao olharem para um objeto que está próximo e dilatam-se
ao olharem para um objeto mais distante.
- Convergência: teste que avalia o III, IV e VI pares de nervos cranianos Testes avaliam os 3º., 4º., e
6º pares de nervos cranianos.
- Globos oculares
- Posição - ocupa a cavidade orbitária e sua posição anterior é tangente à linha dos cílios.
Alterações: exoftalmia, enoftalmia.
- Movimentos - o globo ocular move-se graças à ação dos músculos retos e oblíquos. O exame dos
movimentos oculares testam os 3º., 4º. e 6º. pares de nervos cranianos. Para avaliá-los peça ao cliente
que, sem movimentar a cabeça para os lados, realize os seguintes movimentos:
- olhar para a esquerda
- olhar para cima e para baixo à esquerda
- olhar para direita
- olhar para cima e para baixo à direita.
Alteração: a mais frequente é o nistagmo.

- Fundo do Olho - Fundoscopia


Examina-se a retina através do oftalmoscópio.
Para utilizá-lo é necessário que:
- coloque o cliente num quarto escuro
- sua cabeça deve estar na mesma altura do examinador
- o cliente deve fixar o olhar em um ponto de aproximadamente 6m de distância.
- examine um olho de cada vez, levantando com o dedo polegar a pálpebra do olho que será
examinado, enquanto a palma da mão repousa sobre a região frontal. O oftalmoscópio é colocado no
olho do examinador de modo que o olho a ser examinado seja do mesmo lado a do examinado.
- dirija o foco de luz para a pupila do cliente.
Normalmente será visto um reflexo de cor firme e nítida vermelho-alaranjada.
Alterações: na arteriosclerose - vasos: há um aumento do brilho fazendo com que elas se pareçam
com "fios de cobre" e "fios de prata" quanto mais avançado o grau de arteriosclerose, retina: aparecem
manchas brancas. Na hipertensão: focos de hemorragia. No diabético observa-se pontinhos vermelhos.

- Acuidade Visual
A visão central, ou a capacidade para ver perto e à distância, é chamada de acuidade visual. Este teste
avalia o 2º. par de nervo craniano. Utiliza-se a Carta de Snellen para avaliar a capacidade de discriminar
objetos à distância e o cartaz de Jaeger para avaliar os objetos próximos, cada linha desse cartaz tem
letras ou símbolos impressos em ordem decrescente de tamanho. No Hospital podemos nos afastar à 6
m e pedir para o paciente falar quantos dedos está enxergando ou pedir para que leia algo à 35 cm dele.
Procedimento:
- a carta de Snellen é colocada a uma distância de 20 pés ou seja 6 m do cliente, sentado na sua
frente;
- pedir ao cliente que cubra um olho;
- o examinador vai mostrando as filas de letras da carta ao cliente e este dirá o que está vendo;
- repetir o exame com o outro olho.
Obs.: Se o cliente usa óculos ou lentes, este exame deve ser realizado com uso destes.
A acuidade visual é expressa em uma fração, cujo:
- Numerador é uma constante e corresponde à distância de onde a carta é colocada.
- Denominador é uma distância variável que assinala a distância máxima, para cada fila de letras da
carta, o qual uma pessoa com acuidade visual normal ainda a diferencia claramente.

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É considerada acuidade visual normal, cuja pessoa consegue ler até a fila n. 8 da carta de Snellen,
isto é, esta pessoa tem uma visão 20/20.
Alteração: qualquer leitura até uma fila antes da n. 8 é considerada anormal, portanto deve ser
encaminhada a um oftalmologista.
No caso do Cartaz de Jaeger este é colocado à uma distância de 35 cm do cliente.

6) Nariz
O nariz tem a mucosa úmida, rosada e vermelha, sem desvio de septo, lesões ou pólipos. Na avaliação
utiliza-se as técnicas de inspeção e palpação. Examinar a pele que recobre externamente o nariz. Palpar
com o polegar e o indicador para perceber modificações da pirâmide nasal.
Funções do nariz: via aérea, olfato, umidificador do ar, aquecimento do ar inspirado, filtragem.
A mucosa nasal produz muco que aumenta a umidade relativa do ar para quase 100 %. Isso evita o
ressecamento do epitélio e possível infecção. Os pelos nasais impedem a penetração de partículas.
Também é utilizado o espéculo nasal e o foco de luz para examinar o nariz; da seguinte maneira:
- o cliente deve estar com a cabeça levemente reclinada e apoiada na altura dos olhos do examinador
(posição de farejador).
- coloque o espéculo no nariz do cliente e vai abrindo-o até o máximo e observando o assoalho, septo
e cornetos, pele, forma do nariz.
- pesquisar ausência ou distorção do olfato. O ar deve movimentar-se silencioso.
- repita o exame na outra narina.
Alterações: observar a presença de corpos estranhos secreções, lesões, desvio de septo,
edema, sujidade e obstrução.
Sintomas relacionados ao nariz: obstrução, secreção e hemorragia.

7) Seios paranasais
São examinados pela palpação da seguinte maneira:
- apoie a cabeça com uma das mãos
- com a outra mão palpe os seios maxilares exercendo pressão moderada com as polpas dos dedos
indicador e médio, sobre o osso zigomático ao lado do nariz.
- coloque os mesmos dedos abaixo das sobrancelhas acima do globo ocular, para palpar os seios
frontais.
- com as polpas dos dedos mínimos palpe ao lado das fossas lacrimais para examinar os seios
etmoidais.
Alterações: dor à digito pressão e secreções expelidas pela comunicação das cavidades ósseas com
as fossas nasais.
Estas secreções podem ser:
- serosas (fluidas, brancas) comuns na rinite alérgica e infecções iniciais do aparelho respiratório.
- muco purulentas (viscosas, amareladas) comuns nas sinusites agudas e infecções respiratórias
prolongadas.

8) Orelhas/pavilhões auditivos
Exame da orelha externa: inicia-se com a inspeção.
- Pavilhão auricular: as orelhas são posicionadas quase verticalmente, alinhadas com os olhos,
formatos similares e proporcionais ao tamanho da face. Observar a movimentação da pele atrás e na
frente das orelhas, além da cartilagem, para que se determine a existência ou não de sensibilidade. Palpar
para detectar pontos de dor, inflamações e tumefações.
Alterações: anomalias congênitas (de forma e de implantação) e adquiridas (cor, lesões etc.).
- Orelha externa: para avaliá-la utiliza-se o otoscópio.
O exame realiza-se da seguinte maneira:
- selecione um espéculo auricular de calibre apropriado ao cliente e adapte-se ao otoscópio.
- tracione suavemente o pavilhão auricular para cima e para trás, estando a cabeça do cliente
levemente inclinada para o lado oposto.
- sustente o otoscópio com a outra mão e introduza suavemente e progressivamente no orifício do
canal auditivo externo.
- vá observando a medida que introduz o aparelho.
No canal auditivo externo encontra-se: cerume (geralmente de cor amarelo à marrom), pele íntegra,
pelos, sensibilidade normal à tração e pressão pré-auricular. Membrana timpânica (cor branca - nacarada)
onde pode ser observado o cabo do martelo.

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Alterações: acúmulo de cerume, processos inflamatórios (dos à tração e pressão pré-auricular), corpos
estranhos, secreções, lesões, edema, retrações, perfurações e cicatrizes.

Exame da Orelha Média e Interna


Serão avaliadas as funções de condução ou transmissão (atinge o ouvido externo e médio) e
percepção ou neurossensorial (atinge o ouvido interno) das ondas sonoras, isto é, a acuidade auditiva.
Utiliza-se: relógio, voz falada e sussurrada e provas de Weber e Rinne.
A acuidade auditiva superficial ou capacidade para ouvir e discriminar sons, pode ser avaliada fazendo-
se o teste da voz ou o teste do tique-taque do relógio.
Teste da voz falada:
- o cliente deve estar sentado, olhando para frente
- o examinador fica ao lado ou atrás do cliente e fala próximo ao seu ouvido
- depois afasta-se 50cm e fala
- repetir com o outro ouvido
Obs.: Pedir ao cliente para tampar o ouvido que não está sendo avaliado.
Teste da voz sussurrada:
- cliente sentado e olhando para frente
- o examinador sussurra próximo ao ouvido do cliente
- afasta-se 40 cm do cliente e sussurra
- repetir com o outro ouvido
Obs.: Pedir ao cliente para tampar o ouvido que não está sendo avaliado.
Teste do tique-taque do relógio:
- cliente sentado, olhando para frente
- o examinador coloca o relógio próximo ao ouvido do cliente
- o examinador afasta 90 cm o relógio do ouvido do cliente
- repetir com o outro ouvido.
Obs.: Pedir ao cliente para tampar o ouvido que não está sendo avaliado.
O resultado é expresso em fração, cujo denominador é a distância que o som é ouvido por uma pessoa
normal e o numerador é a distância que o som é ouvido pelo cliente.
Valores normais: relógio 90cm/90cm; voz falada: 50 cm/50cm
Voz sussurrada: 40cm/40cm.
Alteração: quando o som não é ouvido a uma distância inferior ou igual a considerada normal.
Para realização das provas de Weber e Rinne, necessita-se do uso do Diapasão de 512 ou 1024Hz.

Prova de Weber
- vibrar o diapasão
- colocá-lo no ápice do osso frontal verticalmente
- pedir ao cliente que assinale se as vibrações são "ouvidas" igualmente em ambas as orelhas ou se
há lateralização, isto é, o som é ouvido de forma mais clara no ouvido com perda auditiva por condução.
Caso haja lateralização pode ser:
- por alteração de condução do ouvido na qual ocorreu a lateralização. Causa: obstrução do canal
auditivo externo.
- por alteração de percepção do ouvido contrário aquele no qual ocorreu a lateralização. Causa: lesão
do nervo auditivo.

Prova de Rinne
- coloque a diapasão vibrando sobre a apófise mastóide
- peça ao cliente que informe quando deixar de "ouvir" a vibração e move-se ao diapasão a 2cm do
orifício do canal auditivo externo. Pede para avisar quando deixar de escutar.
- repetir do outro lado.
Na prova de Weber o normal é que não haja lateralização. Na prova de Rinne o normal é que a
condução aérea seja maior que a condução óssea. Se houver distúrbio de condução o cliente não escuta
pela via aérea. Se for de percepção estarão diminuídas ou abolidas ambas as vias.
Devemos investigar: dificuldade de audição, vertigem, otalgia, otorreia, prurido, tonturas, zumbidos.

Perda da Audição: pode ser unilateral ou bilateral. Pode desenvolver-se devagar ou subitamente. A
história ocupacional é de grande importância.
Tipos de surdez: de condução ou transmissão (quando atinge ouvido externo e médio) e de percepção
ou neurossensorial (quando atinge ouvido interno).

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Vertigem: sensação de girar ou virar, enquanto em repouso. Pesquisar duração, início, evolução, tipo
de medicação que faz uso.
Otalgia: infecções em pontos distantes (faringite, amigdalite, cárie dentária e sinusite) ou afecções no
ouvido externo ou médio.
Otorréia: indica infecção aguda ou crônica.
Secreção sanguinolenta
- carcinoma ou trauma Secreção aquosa, clara
- extravasamento de líquor Serosa, mucopurulenta ou purulenta
- afecções no ouvido externo, otite média, furúnculos
Prurido: pode ser em casos de eczema no canal auditivo, diabetes, hepatite.
Zumbido: percepção de ruídos, sem que haja estímulo externo (atribui-se à irritação de células
sensoriais)
Causas:
-Óticas: tampão de cerume, corpo estranho, otite externa, inflamações, obstrução tubária,
medicamentos.
-Não óticas: hipertensão arterial, climatério, hipertireoidismo.

9) Boca
A boca é um conjunto de estruturas banhadas pela saliva (produção diária=680 à 1500 ml),flora
microbiana própria, importante na mastigação e fonação. A saliva é composta de várias substâncias,
dentre elas enzimas responsáveis pela digestão. Suas funções são: lubrificação, proteção física, limpeza
mecânica dos dentes e mucosa bucal, ação antibacteriana.
A boca é limitada anteriormente pelos lábios, inferiormente pelo assoalho da boca, onde repousa a
língua. As bochechas representam os limites laterais, o teto é formado pelos palatos duro e mole. Os
pilares anteriores e a úvula formam o limite posterior. Para examina-la devemos usar luvas de
procedimento e se necessário, abridor de boca. Devemos pesquisar dor e halitose. As técnicas usadas
para avaliar a boca são inspeção e palpação.
Lábios - são formados pela transição pele-mucosa umedecidos pela saliva.
Devem variar de rosado a acastanhado.
Analisa-se cor, características morfológicas.
Alterações: cianose ou palidez, queilose (rachadura das comissuras labiais (na presença de pus,
denominado queilite, associado a avitaminose), sangramentos, edema alérgico, lábio leporino, herpes,
ressecamento.
Cavidade bucal - para avaliá-la é necessário retirar próteses, usar abaixador de língua e fonte de luz.
Utiliza-se a inspeção e quando necessário da palpação.
Examina-se:
- Dentes - fase transitória com 20 dentes e completa-se com aproximadamente dois anos e meio. Com
20 anos completa-se a fase permanente com 32 dentes.
Avalia-se o número, estado dos dentes, implantação, cor, higiene.

Alterações: ausência, condições de higiene, cáries e uso de prótese dentária.


- Bochechas e gengivas - as bochechas tem coloração de um vermelho mais vivo. A gengiva é formada
por tecido fibroso denso recoberto de mucosa pálida, devendo ser avaliada a cor, consistência, forma,
desenvolvimento e presença de lesões.
Alterações: edema e coloração vermelho-escura (associada a acúmulo de tártaro ou avitaminose C),
palidez, icterícia, cianose (aumento de hemoglobina), estomatites (inflamação da mucosa que evolui com
eritema, ulceração, exsudação e cicatrização), gengivite, atrofia ou hipertrofia gengival.
- Língua - situa-se medialmente, musculatura lisa recoberta de mucosa úmida avermelhada possuindo
papilas em seu dorso. As filiformes estão concentradas nas laterais, os fungiformes no ápice e as valadas
(de 7 a 12) no "V" lingual. Para avaliá-la, observe-a em três posições: repouso, para fora e tocando o
palato duro. Verificando em todas estas posições: localização, tamanho, cor, umidade, movimento e
lesões da língua.

Alterações: língua saburrosa (camada esbranquiçada que surge na ausência de mastigação por 24
horas), língua seca e acastanhada (aparece na desidratação associada a acidose metabólica, vômitos,
febre, medicamentos), glossite(vermelho vivo com sensibilidade a alimentos quentes),lisa(atrofia das
papilas gustativas ocasionada por anemia ou desnutrição proteica), escrotal (sulcos irregulares que
lembram a pele escrotal, ocasionada pela deficiência de vitaminas do complexo B), macroglossia
(aumento global da língua: hipotireoidismo).

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- Palato duro e mole - são róseos a vermelhos com linhas simétricas. Inspecionar e palpar à procura
de lesões, tumefações e ulcerações. É comum o Tórus Palatino (crescimento ósseo benigno na linha
média do palato duro).
- Pilares ou arcos anteriores e posteriores - é o local onde se aloja as tonsilas.
- Tonsilas - muitas vezes não são visíveis. Avalia-se a integridade e aspecto das mesmas.
Alterações: angina purulenta, faringite, halitose.
- Úvula - é rósea, está localizada na linha média e com forma de cone.
Glândulas salivares - são as parótidas (em frente ao ouvido), as submandibulares (no arco da
mandíbula) e as sublinguais (no assoalho da boca).
Sintomas das doenças na cavidade oral: dor, ulceração, sangramento, massa, halitose.

10) Exame físico do pescoço


O pescoço é o apoio à cabeça em um alinhamento intermediário. Os pontos de referência do pescoço
são os principais músculos da região cervical - esternocleidomastóideo e trapézio. Estes dividem o
pescoço em: região anterior, lateral e posterior.
O exame do pescoço deve avaliar: pele e musculatura, cadeias ganglionares (linfonodos), traqueia,
tireoide, mobilidade, vasos sanguíneos (jugulares e carótidas).
O pescoço tem uma forma cilíndrica, regular (sem abaulamentos e depressões) e grande mobilidade
(ativa e passiva), livre e indolor. Utiliza-se em seu exame a inspeção e a palpação.
Pele - além de seguir o roteiro normal, deve verificar a presença de sinais flogísticos e fístulas nas
áreas dos linfonodos e glândulas salivares.
Forma e volume - apresentam variações conforme o biótipo. As alterações são decorrentes de
aumento da tireoide, linfonodos, parótidas e tumores.
Mobilidade - tem amplitude de 180º, executa movimentos de flexão, extensão, rotação e lateralidade.
Observa-se a existência de contratura, resistência e dor. A alteração mais comum é o torcicolo (dor e
dificuldade na movimentação) e a rigidez de nuca (meningite).
Traqueia - teve mostrar-se no centro do pescoço, na linha média.
Cadeias ganglionares - nos adultos geralmente não são palpáveis, exceto em indivíduos extremamente
magros (palpam-se pequenas massas móveis). Os linfonodos são avaliados quanto: localização,
consistência, mobilidade, alterações da pele (presença de sinais flogísticos e fistulização), sensibilidade,
tamanho ou volume.
Tireoide - normalmente não é palpável, exceto em indivíduos muito magros. Tem volume, consistência,
temperatura, mobilidade normal e é indolor. Para realizar o exame da tireoide o cliente deve estar sentado
de modo que seu pescoço fique na altura dos cotovelos do examinador, quando estiver de pé. O exame
é realizado de 2 maneiras:
De frente - o cliente inclina a cabeça para a direita, enquanto os polegares do examinador palpam a
glândula do lado direito. O exame é repetido do outro lado.
Por trás - desta maneira irá confirmar o que foi verificado na posição anterior. A cabeça do cliente deve
ser inclinada ligeiramente para o lado. As mãos e os dedos do examinador rodeiam o pescoço do cliente,
ficando os polegares fixos na nuca. O lobo direito é palpado pela mão esquerda, enquanto a mão direita
afasta o esternocleidomastóideo. O lobo esquerdo é o contrário.
É avaliado o volume, consistência, mobilidade, superfície (lisa, nodular, irregular), temperatura da pele
e sensibilidade.

11) Exame físico do tórax


O tórax é a cavidade cercada pelas costelas e pela coluna vertebral. Trata-se da região em que estão
localizados os pulmões e o coração. O exame físico do tórax tem como objetivo o estudo: mamas,
pulmões, coração e coluna vertebral.
Pontos de referência anatômica
- Ângulo de Luís (localiza-se na junção do manúbrio com o corpo do esterno, identifica o 2º. Espaço
intercostal e corresponde à bifurcação da traqueia e ao arco da aorta).
- Costelas e espaços intercostais
- Clavículas
- Apêndice xifoide
- Ângulo de Charpy (utilizado para avaliação do biótipo). Nos normolíneos 70 a 80º, nos longilíneos -
menos que 90º e nos brevelíneos - maior que 80º.
- Ângulo da escápula (delimitação inferior da região escapular).
- Espinha da escápula.
- Apófise espinhosa (corresponde à 7ª vértebra cervical).

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- Rebordos costais

Linhas torácicas
Médio esternal
Para-esternal direita
Para-esternal esquerda
Hemiclavicular direita
Hemiclavicular esquerda
Axilar média
Axilar anterior
Axilar posterior
Médio espinhal
Para-espinhal direita
Para-espinhal esquerda
Escapular direita
Escapular esquerda

Regiões torácicas
Esternal
Supra-esternal
Supraclavicular direita e esquerda
Clavicular direita e esquerda
Infra clavicular direita e esquerda
Mamária
Infra mamária
Axilar
Infra-axilar
Espinhal
Supra espinhal
Infra espinhal
Interescapular
Escapular direita
Escapular esquerda
Infra escapular direita
Infra escapular esquerda.
As linhas e as regiões torácicas são importantes, pois estas servem de descrição topográfica dos
achados do exame da parede torácica.

Inspeção do Tórax
INSPEÇÃO ESTÁTICA - realiza-se uma observação comparativa do hemitórax seguindo uma ordem:
anterior, lateral e posterior. O cliente deve estar sentado ou em pé.

Observa-se os seguintes pontos:


Forma - os dois hemitórax são simétricos, sendo o direito um pouco mais desenvolvido. Há 3 formas
limites do tórax normal conforme o biótipo. O tórax tem o diâmetro anteroposterior (DAP) menor que o
diâmetro transverso (DT). O DT deve ter até o dobro do DAP variar conforme a idade.
Tipos patológicos de tórax - pode haver variações na aparência do tórax em consequência de
anomalias musculoesqueléticas, doenças cardíacas ou respiratórias ou trauma.
- Enfisematoso, barril, globoso ou em tonel - O diâmetro anteroposterior é aproximadamente igual ao
diâmetro transverso.
Ex.: enfisema pulmonar.
- Em quilha, cariniforme ou peito de pombo - o esterno é proeminente e desviado anteriormente. Defeito
congênito ou adquirido (raquitismo).
- Sapateiro ou peito escavado - Há uma depressão na porção inferior do esterno. Pode ser congênito
ou devido ao raquitismo.
- Chato - O diâmetro ântero-posterior é bem menor que o diâmetro transverso. A parede anterior perde
a convexidade, o ângulo de Luís fica mais avantajado. Defeito congênito ou doença caquetizante.
- Em sino - aumento exagerado da parte inferior. Comum nas ascites ou hepatoesplenomegalias.

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- Cifoescoliótico ou escoliótico - Defeito congênito ou adquirido por tuberculose, raquitismo,
traumatismo, poliomielite, etc. Normal não há abaulamentos e retrações na região torácica. Sua presença
é sugestiva de patologias.
- Cifótico - curvatura da coluna dorsal.

Problemas de enfermagem:
- Abaulamentos unilaterais - derrame pleural, escoliose acentuada, pneumotórax, má formação,
trauma, etc.
- Abaulamentos localizados - hipertrofia cardíaca, tumores, má formação, trauma, etc.
- Abaulamentos expiratórios - verifica-se na fossa supra clavicular.
- Sinal de ancoragem - o cliente para respirar utiliza dos músculos acessórios (esternocleidomastóideo
e escaleno). O cliente fica sentado com os membros superiores ao lado do tórax, apoiados no leito.
- Posição de assobio - o tempo expiratório é forçado, o cliente prolonga a expiração ao mesmo tempo
que aperta os lábios, deixando apenas uma fenda central.
- Retração inspiratória ou tiragem - diminui a expansibilidade torácica, há acúmulo de secreção nos
pulmões.
- Depressões do hemitórax - quando há lesões fibróticas do pulmão o cliente respira há depressão no
hemitórax.

12) Exame dos pulmões


- INSPEÇÃO DINÂMICA - na inspeção dinâmica verifica-se:
- Frequência respiratória: o seu valor varia conforme a idade, nível de atividades físicas e estado
emocional. O normal no adulto é de 16 a 20 incursões por minuto - eupneia.
Problemas de enfermagem: taquipneia (aumento da frequência respiratória), bradipnéia (diminuição
da frequência respiratória) apneia (ausência da frequência respiratória), dispneia, ortopnéia.
- Tipo respiratório - Verifica-se a movimentação do tórax e abdome. Normal: há 3 tipos respiratórios:
respiração torácica (comum nas mulheres), respiração abdominal e respiração tóraco-abdominal (comum
em homens).

Problemas de enfermagem: a troca do tipo de respiração é importante em paciente com nível de


consciência deprimido respiração tipo torácica em homens com abdome agudo e respiração abdominal
em mulheres com pleurites.
- Ritmo - para analisá-lo deve-se desviar por no mínimo 2 minutos a seqüência, a forma e a amplitude
das incursões respiratórias. A inspiração dura aproximadamente a metade da expiração.

Problemas de enfermagem:
Cheyne Stokes
Kussmaul
Biot
Palpação - investiga-se:
- Expansibilidade torácica - a expansibilidade torácica é igual em regiões simétricas, pode variar com
o sexo (sendo mais nítida nas bases no homem e nos ápices nas mulheres).
- Manobra de Ruaut - para avaliar os ápices pulmonares, coloca-se as mãos nas fossas supra
claviculares e os dedos polegares unindo formando um ângulo. O normal é observar a elevação das mãos
na inspiração profunda.
Problema de enfermagem: assimetria unilateral com aumento e/ou diminuição dos movimentos
respiratórios. Ex.: derrame pleural, pneumonia, dor pleural, obstrução brônquica. Assimeria bilateral. Ex.:
enfisema pulmonar.
Percussão - A percussão da parede torácica é transmitida ao tecido subjacente, refletida de volta e
percebida pelo tato e pela audição do examinador. Utiliza-se a percussão dígito-digital, onde o cliente é
colocado sentado ou deitado, percute-se a face posterior, anterior e laterais do tórax. Os locais da parede
posterior do tórax para percussão são acima, entre e abaixo das escápulas, nos espaços intercostais. Os
ossos não são percutidos. O examinador deve iniciar no topo e descer, indo de um lado a outro, para
comparação. O som normal é o claro pulmonar.
Problemas de enfermagem: som timpânico, hipersonoridade, submaciez e maciez.
Ausculta - Faz-se ausculta do tórax, estando o cliente sentado com o tórax descoberto. Solicite ao
cliente que respire mais profundamente com os lábios entreabertos, sem fazer ruídos. O trânsito de ar
pelo trato respiratório na inspiração é capaz de produzir três tipos de sons normais da respiração:

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- Bronquial, traqueal, brônquico ou tubular - audível sobre a traqueia, é um ruído intenso (como se
assoprasse dentro de um tubo). A fase inspiratória dura a metade da fase expiratória.
- Bronquiovesicular - é uma combinação de som traqueal e murmúrio vesicular. Audível na área de
projeção da traqueia e brônquios maiores, nas regiões infra claviculares, interescapular (regiões apicais
dos pulmões, especialmente à direita). Igual intensidade em ambas as fases do ciclo respiratório.
- Vesicular ou murmúrio vesicular - é produzido pela turbulência do ar ao entrar nos bronquíolos e
alvéolos. É um som de tom baixo, mais intenso e de duração maior na inspiração do que na expiração
(quase não se ouve). Audível em todos os campos pulmonares.
Problemas de Enfermagem: encontramos os ruídos adventícios que são verificados em processos
patológicos que comprometem a árvore brônquica.
Podem ser classificados em:

Estertores Secos
- Roncos - são secreções espessas nos grandes brônquios. São sons não tão altos, contínuos,
escutados nas vias aéreas maiores.
- Sibilos - são secreções espessas nos brônquios secundários e bronquíolos, mais intenso na
expiração. Ex.: bronquite, crises asmáticas, broncoespasmo.

Estertores Úmidos
- Crepitantes - são ruídos finos, homogêneos, mesma altura, timbre e intensidade. Auscultado na fase
inspiratória, modifica-se com a tosse. Ex.: pneumonia, edema agudo (fase inicial).
- Subcrepitantes ou bolhosos - são ruídos mais grossos e de tonalidade mais grave, diferente quanto
a tonalidade e timbre.
Auscultado no final da inspiração e início da expiração, não se modifica pela tosse.
Ex.: bronquites, pneumonia, broncopneumonias.
- Atritos pleurais - são sons do tipo fricção ou grosseiros, causados por duas superfícies pleurais
ressecadas que se movimentam uma sobre a outra.
Sintomas de doença pulmonar: tosse, produção de expectoração, hemoptíse, sibilos, cianose, dor
torácica.

13) Exame do coração


É necessário conhecer a projeção do coração e os grandes vasos da base na parede torácica.
- Borda direita - Veia cava superior e o átrio direito (borda esternal direita).
- Borda esquerda - Artéria aorta artéria pulmonar e ventrículo esquerdo (borda esternal esquerda).
Realiza-se a inspeção e palpação simultaneamente. O cliente deve estar em decúbito dorsal elevado
a 30º e o examinador do lado direito ou esquerdo.
Investigam-se:
- Pele: presença de cianose-central e periférica
- Unhas: presença de pequenas linhas marrom-avermelhadas no leito
- Olhos: Hipertelorismo (grande afastamento dos olhos) cardiopatia
- Boca: palato muito arqueado e com petequeias - cardiopatia congênita
- Tórax muito escavado
- Membros: edema, cianose
- Abaulamentos (aneurisma da aorta, cardiomegalia, derrame pericárdico, alterações da caixa
torácica), depressões ou achatamentos precordiais (olhando de maneira tangencial e frontal).
- Análise do ictus cordis ou choque da ponta ou ponto de impulso máximo (PIM) ou ponto apical. Varia
de acordo com o biótipo, localiza-se no cruzamento da linha média clavicular esquerda com o 4º. ou 5º
espaço intercostal. Consiste em um impulso normal, periódico e circunscrito, sentido como uma pulsação
suave de 1 a 2 cm de diâmetro. Este pode alterar sua localização em estado patológicos e fisiológicos.
Os fisiológicos são:
- normolíneos
- 4º espaço intercostal esquerdo, 6 a 10 cm da linha médio esternal.
- brevelíneos
- 4º espaço intercostal esquerdo, a mais de 8 cm da linha médio esternal.
- longilíneos
- 5º espaço intercostal esquerdo, a menos de 8 cm da linha médio esternal.
Nas patologias pode estar desviado (hipertrofia ou dilatação do ventrículo esquerdo) ou ausentes. Em
deformidades da caixa torácica, derrames pleurais ou pericárdicos, obesidade, mamas aumentadas e
tumores. - Pulsações epigástricas - podem ser vistas ou palpadas, correspondendo à transmissão na

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parede abdominal das pulsações aórticas. Problemas: quando estas pulsações forem intensas, por
hipertrofia ventricular direita. - Pulsações supra esternal ou na fúrcula esternal - podem aparecer e
dependem das pulsações na croça da aorta. Problema: quando estas aparecem intensas por hipertensão
arterial, aneurisma aórtico, insuficiência aórtica, hipertireoidismo. Ausculta Pode ser realizada com o
cliente em várias posições: deitada, em decúbito lateral, sentado ou em pé. É necessário silêncio absoluto.
Os focos de ausculta são:- Mitral (FM) - localiza-se na sede do ictus cordis, 5º espaço intercostal e, na
linha hemiclavicular. Na cardiomegalia desloca-se para a linha axilar anterior.
- Aórtico (FAo) - localiza-se no 2º espaço intercostal D na linha paraesternal.
- Aórtico acessório (FAA) - localiza-se no 3º espaço intercostal E na linha paraesternal (ponto ERB).
- Pulmonar (FP) - localiza-se no 2º espaço intercostal E na linha paraesternal.
- Tricúspide (FT) - localiza-se na base do apêndice xifoide, ligeiramente para a E.
A ausculta cardíaca começa no foco apical e vai ao longo da borda esternal esquerda até o foco aórtico
e pulmonar. Após, coloca-se o cliente em decúbito lateral esquerdo e ausculta o foco mitral à procura de
sopro ou ritmo tríplice. Devemos observar: - Ritmo: Classificando-o em regular ou irregular. - Frequência
- número de batimentos cardíacos em 1 minuto.
OBS.: É importante a contagem simultânea do pulso apical (ictus cordis) e do pulso radial, pois em
determinadas patologias poderá haver variação de um pulso para o outro.

- Bulhas cardíacas
1ª. Bulha (B1) - Corresponde ao fechamento das valvas mitral e tricúspide. Melhor ouvida no ictus
cordis (ápice cardíaco)® TUM.
2ª. Bulha (B2) - Corresponde ao fechamento das valvas aórtica e pulmonar, timbre mais agudo,
duração menor que a 1ª. Bulha (melhor ouvida nos focos aórtico e pulmonar - base do coração) ®TÁ. A
abertura das valvas só pode ser ouvida se estas estiverem lesadas.
- Arritmias cardíacas - é quando há alteração no ritmo, frequência ou ambos.

14) Exame físico da coluna vertebral


A coluna vertebral para o exame físico divide-se em: cervical, torácica, e lombossacra. O cliente deve
estar em pé com os pés um pouco separados, membros superiores ao lado do corpo.
Devemos pesquisar dor, massas, depressões através da inspeção e palpação.
Observam-se:
- Face anterior
- Face lateral - onde são observadas as curvaturas normais: lordose cervical, cifose dorsal e lordose
lombar.
- Face posterior - é observada através de uma linha imaginária que passa nos ombros, pontas
escapulares, cristas ilíacas, pregas glútea e poplíteas, que deve estar no mesmo nível. Depois imagina-
se uma linha vertical, ligando as apófises espinhosas seguindo a linha Inter glútea.

Problemas: lordose (condição em que a curva lombar natural da espinha se mostra exagerada), cifose
(é um aumento na curvatura da área torácica) e escoliose (curvatura lateral pronunciada da espinha).
Avaliar: movimentos da coluna (flexão lateral, extensão, flexão, rotação) e as posturas - estática,
sentada, deitada e dinâmica.

15) Exame físico das mamas


Utiliza-se a inspeção e palpação.
Faz-se a inspeção estática e dinâmica. A cliente deve estar sentada ou em pé, com os braços ao longo
do corpo. Inspeciona:
- tamanho e simetria
- contorno
- textura
- características da pele
Palpação
A cliente deve estar em decúbito dorsal com os braços levantados e as mãos na nuca com o travesseiro
sobre os ombros. Palpa-se utilizando as polpas dos dedos anular, indicados e médio em movimentos
circulares, comprimindo delicadamente o tecido mamário contra a parede torácica. Deve-se encaminhar
de modo sistemático, investigando a elasticidade e consistência dos tecidos, resposta a estímulos, táteis,
sensibilidade dolorosa, presença de massas. Faz-se em seguida a expressão do mamilo verificando a
saída de secreção ou não.

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Mamas - o tamanho varia entre as mulheres, são relativamente simétricas. Tem forma arredondada,
textura macia, superfície lisa sem depressões ou abaulamentos. A consistência e a elasticidade vão
desde o tecido firme e elástico ao flácido e macio. Problemas: sinais inflamatórios, retração da pele,
assimetria mamária, nódulos, edema, lesões e ulcerações, hipersensibilidade e dor.
Mamilos e aréolas - são simétricos, arredondados ou ovalados e superfície contínua. São evertidos
(protuso), não apresentam secreções e possuem capacidade erétil. Problemas: assimetria, retração da
aréola ou do mamilo (plano), inversão mamilar(invertido), drenagem de secreção, edema, ulcerações,
fissuras, hipersensibilidade, ausência de ereção aos estímulos.
Axilas - Palpa-se a axila após cada exame das mamas. Os gânglios axilares não são palpáveis. Os
linfonodos supra e infra claviculares devem ser palpados.
Problemas: erupções da pele, pigmentação incomum, nódulos sensíveis e sem mobilidade, sinais
flogísticos.
Para registrar os achados devemos dividir a mama em 4 quadrantes e como um relógio.

16) Exame físico do abdome


A maioria dos órgãos gastrintestinais e acessórios para a digestão situam-se no abdome. Para o
exame abdominal devemos reconhecer.
a) Pontos de referência anatômica
- rebordo costal
- crista ilíaca
- prega inguinal
- cicatriz umbilical
b) Exame físico
A realização do exame abdominal deve ter a seguinte ordem: inspeção, ausculta, percussão e
palpação.

Abdômen
A cavidade abdominal é dividida em 4 quadrantes. Duas linhas imaginárias cruzam a cicatriz umbilical
para dividirem o abdômen em quadrantes: superior direito, superior esquerdo, inferior direito, inferior
esquerdo. Pode ser dividido também em 9 regiões: epigástrica, umbilical, suprapúbica, hipocôndrios
direito e esquerdo, flancos direito e esquerdo, inguinais direito e esquerdo.

Forma e Volume
Variam de acordo com a idade, sexo, estado de nutrição.

Tipos de Abdômen
Abdômen globoso: apresenta-se globalmente aumentado com predomínio nítido do diâmetro
anteroposterior sobre o transversal.
- Gravidez avançada, ascite, obesidade, obstrução intestinal, tumores policísticos do ovário.
Abdômen em ventre de batráquio: observa-se predomínio do diâmetro transversal sobre o
anteroposterior.
- Ascite em fase de regressão - é consequência da pressão exercida pelo líquido sobre as paredes
laterais do abdômen.
Abdômen pendular: estando o paciente de pé, as vísceras pressionam a parte inferior da parede
abdominal produzindo uma protusão.
- flacidez do abdômen no período puerperal.
Abdômen em avental: encontrado em pessoas obesas, sendo conseqüência do acúmulo de tecido
gorduroso na parede abdominal, cai como um avental sobre as coxas do paciente.
Abdômen escavado: percebe-se nitidamente que a parede abdominal está retraída.
-Pessoas muito emagrecidas.

Cicatriz Umbilical
Normal - forma plana ou levemente retraída. Tem valor prático o encontro da protusão da cicatriz
umbilical que indica a existência de uma hérnia ou o acúmulo de líquido.
ABAULAMENTO OU RETRACÕES
Quando ocorre, torna o abdômen assimétrico e irregular, indicando alguma anormalidade e para
identificar é necessário a palpação para saber a localização, forma tamanho, mobilidade.
- as causas mais comuns: hepatomegalia, retenção urinária, tumores de ovário e útero, tumores
pancreáticos, fecaloma, útero grávido.

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Movimentos
Respiratórios: nos indivíduos do sexo masculino, observam-se movimentos respiratórios no andar
superior do abdômen, caracterizando a respiração tóraco-abdominal.
Pulsações: podem ser observadas e palpadas no abdômen de pessoas magras e quase sempre
refletem as pulsações da aorta abdominal.
Peristálticos (ondas peristálticas): deve-se fazer a diferenciação entre peritaltismo normal e ondas
peristálticas anormais, correlacionando-se o achado com o quadro clínico do paciente.
O aparecimento de movimentos peristálticos visíveis indica obstrução em algum segmento do tubo
digestivo. Deve-se analisar: localização, direção das ondas peristálticas.

Pontos Dolorosos
Há áreas na parede abdominal cuja compressão, ao despertar sensação dolorosa, pode indicar
comprometimento do órgão ali projetado.
Ponto gástrico: compreendem o ponto xifoidiano (abaixo do apêndice xifoide) e ponto epigástrico
(corresponde ao meio da linha xifoumbilical) - o 1º é observado na cólica biliar e nas afecções do
estômago e duodeno e o 2º nos processos inflamatórios do estômago e duodeno.
Ponto biliar ou ponto cístico: situa-se no ângulo formado pela reborda costal direita e borda externa do
músculo reto abdominal. Ao comprimir o local pede-se ao paciente que inspire profundamente. Nisto o
diafragma abaixará o fígado, fazendo com que a vesícula biliar alcance a extremidade do dedo que está
comprimindo a área. (nos casos de colecistite tal manobra desperta dor inesperada - sinal de Murphy).
Ponto apendicular ou ponto de Mc Burney: situa-se geralmente na extremidade dos dois terços da
linha que une a espinha ilíaca ântero-superior direita ao umbigo. Quando suspeita de apendicite aguda,
este ponto deve ser comprimido com os 4 últimos dedos, fazendo-se uma pressão progressiva, contínua,
procurando-se averiguar se isto provoca dor, depois, descomprime-se a região, com o que se determina
um estiramento rápido do peritônio, se estiver inflamado, despertará dor aguda e intensa (dor que ocorre
com a descompressão - sinal Blumberg - peritonite localizada).
Pontos ureterais: situam-se na borda lateral dos músculos reto-abdominais em 2 alturas: na
intersecção com uma linha horizontal que passa pelo umbigo e no cruzamento da linha que passa pela
espinha ilíaca anteroposterior. A palpação destes pontos deve ser feita com as mãos superpostas
comprimindo-se a parede com as polpas digitais dos dedos indicador, médio anular e mínimo (cólica
renal).

Resistência da Parede Abdominal


Normal: é a de músculo descontraído. Ao se deparar com uma musculatura contraída, saber diferenciar
uma contração voluntária de uma involuntária.
Na voluntária: solicite ao paciente para respirar profundamente, flexionar as pernas, desviar sua
atenção para outros assuntos.
Involuntário - denominada "defesa da parede abdominal". A contratura muscular involuntária obedece
a um reflexo visceromotor, cujo estímulo nasce no peritônio inflamado (peritonite). A defesa da parede
abdominal pode ser localizada ou generalizada (abdômen em tábua).
Continuidade da parede abdominal:
Hérnias - protusão da parede abdominal por onde penetram uma ou mais estruturas infra abdominais
(alças intestinais). A inspeção nota-se tumefação na região da hérnia.

Sinais e Sintomas mais comuns no Abdome

Disfagia - dificuldade na deglutição. Pode ser disfagia orofaríngea e disfagia esofagiana.


Orofaríngea: o alimento permanece no todo ou em parte na cavidade bucal após a tentativa de
deglutição.
Esofagiana: tem a sensação de parada do bolo alimentar no esôfago, embora não possa localizar
precisamente o nível da obstrução.
A disfagia pode ocorrer para sólidos (obstrução mecânica) ou para líquidos e sólidos (alteração da
motilidade).
Odinofagia - é a dor que surge com a ingestão de alimentos. Localiza-se atrás do esterno, mais alta,
mais baixa, sendo relatada como urente, em punhalada, construtiva ou espasmódica.

Pirose - azia, queimação ou queimor. Sintoma considerado patognomônico do refluxo


gastresofagiano.

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De localização retroesternal, percebida no apêndice xifoide, podendo propagar-se para a região
epigástrica, para ambos os lados do tórax ou, mais comumente em direção ascendente, até o nível do
esterno.
Ocorre, quase sempre, após as refeições, podendo ser desencadeadas por frituras, bebida alcoólica,
café, frutas cítricas, chocolate, alimentos fermentados ou pelo decúbito. Acompanha-se, às vezes, de
regurgitação de pequenas quantidades de líquido azedo ou amargo.

Dor Esofagiana - (não depende do ato de ingerir) - ocorre sensação de opressão retroesternal
irradiando para o pescoço, ombros e MMSS. O caráter da dor depende da doença básica. Podendo ser:
urente (esofagite); em cólica, constritiva ou dilacerante (Ca de estômago); dor de grande intensidade
acompanhada de outros sintomas (ruptura do esôfago, perfuração).

Regurgitação - entende-se como volta do alimento ou secreções contidas no esôfago ou estômago à


cavidade bucal. As causas podem ser: mecânica ou motora.
Mecânica - estenoses, neoplasias, obstruções.
Motoras - espasmo, acalasia.
A regurgitação ocorre quase sempre após as refeições. Pode ser ATIVA quando surge durante ou
imediatamente após as refeições, decorrente da incoordenação motora do esôfago; PASSIVA quando se
manifesta tardiamente, com o paciente deitado, quase sempre à noite (representa grande risco, pela
possibilidade de aspiração para a árvore respiratória.

Eructacao (arroto) - ocorre como consequência da ingestão de maior quantidade de ar durante as


refeições ou em situações de ansiedade.

Soluço - é causado por contrações espasmódicas do diafragma. Pode ser devido: doenças do SNC,
irritação do nervo frênico ou do diafragma, doenças que comprometem o mediatismo, pleura e órgãos
intra-abdominais.

Sialose - sialorréia ou ptialismo - caracteriza-se pela produção excessiva de secreção salivar.

Vômitos - devem ser observados e analisados a quantidade, frequência e características do material


analisado. Assim, o conteúdo que se apresentar coagulado e acidificado sugere que permaneceu no
estômago. Conteúdo quase totalmente inalterado sugere que não alcançaram o estômago ou
permaneceram pouco tempo no local.

Hematêmese - vômito com sangue.


Caracteriza-se a hemorragia digestiva alta, quando o sangue expelido apresentar-se vermelho vivo,
sugere que o sangue não sofreu ação do suco gástrico. Comum no sangramento de varizes esofagianas,
ingestão de sangue na epistaxe, pós-operatório de amigdalectomia, Ca de esôfago, úlceras, etc.
- o aspecto borra de café ocorre quando o sangue sofreu ação do suco gástrico e sugere um
sangramento lento do esôfago, cárdia, estômago ou duodeno.
- aspecto e odor fecalóide - podem indicar obstrução intestinal.
- vômito bilioso ou amarelo-esverdeado - cólica biliar.

Alterações do hábito intestinal

Constipação: ou obstipação.
Quando as fezes ficam retidas por mais de 48 horas. Para caracterizar a constipação é importante
saber a consistência das fezes, que podem ser um pouco mais duras, ressecadas ou em cíbalos (fezes
em pequenas bolas, como as dos caprinos).
A adequada progressão das fezes no intestino depende de muitos fatores, destacando-se a
composição do bolo fecal, em especial da quantidade de fibras na alimentação. Tem importante papel no
ritmo intestinal as condições psicológicas do paciente.

Fatores Fisiopatológicos que Participam da Gênese da Constipação


Mecânico - lesões que ocluem a luz ou impedem a contração das paredes do intestino;
Neurogênico - comprometimento das estruturas nervosas;
Metabólico - hormonais - hipotireoidismo, ureia;
Psicogênico - alterações emocionais;

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Medicamentosa - antiácidos, anticolinérgicos, opiáceos;
Alimentação inadequada - dieta pobre em fibras;
Relacionados com a inibição reiterada do reflexo da evacuação - "não atender ao chamado do
intestino".

Fezes
Mecônio: são as primeiras fezes do RN, formadas por resíduos das secreções do tubo digestivo fetal
e líquido amniótico. O mecônio é uma pasta espessa, pegajosa, de cor verde-escura, quase negra.
Quando iniciada a alimentação, tornam-se mais liquefeitas, de cor preto-esverdeada com traços
amarelados - fezes lácteas.
Quando alimentado com leite materno, são de cor amarelo-gema, pastosas, com brilho, algumas vezes
são mais claras podendo apresentar-se esverdeadas.
No início poderá haver 6 ou mais evacuações diárias, passando depois para uma em 24 ou 48 horas.
O cheiro é suigêneris e a reação é ácida.
Na alimentação artificial as fezes são claras consistentes, menos ácidas e as alimentações menos
frequentes, cheiro desagradável.
À medida que o leite for substituído por outros alimentos, as fezes adquirem as características das
fezes do adulto.
Normal: a cor castanha normal é produzida pela presença de pigmentos biliares (alimentos podem
alterar a cor). O ritmo do peristaltismo é outro fator que determina se as fezes apresentam teor liquido ou
se são bem formadas. Apresentam um cheiro forte e penetrante, conhecido por todos (suigeneris), alguns
elementos podem alterar o odor das fezes. A frequência das evacuações varia de pessoa para pessoa, o
profissional precisa conhecer o ritmo normal de evacuações do paciente, considera-se normal desde 3
evacuações/dia até uma evacuação a cada 2 dias. Fica difícil avaliar a quantidade de material fecal
eliminada, o único meio é a observação e o paciente informar sobre o aumento ou diminuição do volume
das fezes.
A forma normal depende do diâmetro do reto, a maneira de avaliar é o próprio paciente e precisa estar
alerta para o aparecimento de fezes afiladas.

Alterações das Fezes


- Fezes diarreicas esverdeadas indicam intensa fermentação, de modo que a bilirrubina, oxida-se em
biliverdina.
- Fezes esbranquiçadas (esteatorréia), volumosas, brilhantes, lustrosas e fétidas ocorrem em função
da quantidade de gordura em combinação com sais de cálcio. Estas fezes são próprias da síndrome de
mal absorção (lipídeos, carboidratos, proteínas).
- Fezes claras semelhantes a massa de vidraceiro são próprias da icterícia obstrutiva. Esta cor se deve
à ausência nas fezes de bilirrubina e sua consequente transformação em estercobilina, que é a substância
que da cor as fezes.
- Fezes negras sugerem ingestão de ferro ou hemorragia.
- Fezes com sangue vivo sugerem hemorragia da porção inferior do trato gastrointestinal provenientes
do cólon e reto (hemorroidas, enterorragia).

Diarreia
É o sintoma mais comum nas doenças do intestino delgado, é definida como o aumento do teor das
fezes e do número de evacuações. Pode ser por: uso de laxativos, defeitos da digestão e absorção de
nutrientes, por endotoxinas bacterianas, medicamentos, por comprometimento da mucosa devido a
alterações inflamatórias, neoplásicas ou isquêmicas e alterações da motilidade do intestino.

Distenção Abdominal
Caracteriza-se por aumento do volume do ventre (ascite, meterorismo, fecaloma, neoplasias).

Flatulência
Acumulação anormal de gases no intestino, evidenciada pelo maior número de flatos e pela quantidade
de gases emitidos de forma ruidosa pelo intestino.

Tenesmo
Tipo especial de sensação dolorosa perineal, cuja característica principal é a dor ser acompanhada de
desejo imperioso de defecar. O paciente sente dor intensa, espasmódica e tem a impressão de que a
defecação será abundante, mas elimina apenas pequena quantidade de fezes e muco.

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Prurido Anal
Manifestação clínica que aparece em diferentes condições e pode tornar-se muito incômodo. Suas
causas principais: má higiene, enterobíase, doenças anorretais cutâneas, hemorroidas.

Meteorismo
Distensão abdominal por gases produzidos no intestino.

Dor Epigastrica
Percebida na linha mediana, poucos centímetros abaixo do apêndice xifoide; dor contínua e intensa
na parte alta do abdômen.

Inspeção
O abdome é plano, apresentando ligeira depressão na parte superior e uma ligeira proeminência na
inferior. Sua rede venosa superficial não é visível. A pulsação mediana supra umbilical da aorta abdominal
é somente observada em indivíduos magros. Investiga-se:
- Forma e volume - variam de acordo com a idade, o sexo e o estado de nutrição do cliente. Problemas
de enfermagem: abdome globoso (abscesso, abdome agudo), abdome em batráquio (ascite), abdome
em avental (obeso), retraído ou escavado (Desidratação de 3º. Grau, caquexia), abdome pendular
(visceroptose).
- Abaulamento localizado - distensão dos segmentos do tubo digestório, visceromegalias acentuadas,
tumores, hérnias, etc.
- Pele - cicatrizes, lesões.
- Pelos
- Cicatriz umbilical - É mediana, simétrica, com depressão circular ou linear e entre a distância
xifopubiana. Problemas de enfermagem: protrusão, deslocamento para cima, baixo ou lateralmente,
tumorações (inflamatórias, neoplásicas), coloração azulada ou amarelada periumbilical, hérnias (manobra
da tosse).

Ausculta
Precede a palpação e a percussão pois estas podem alterar os sons intestinais. Ausculta-se sempre
nos 04 quadrantes, um mínimo de 15 segundos em cada um. O som auscultado é denominado de ruídos
peristálticos ou hidroaéreos (RHA). O normal é escutar 05 ruídos por minuto ou no mínimo um a cada
dois minutos. Temos o peristaltismo normal, aumentado, diminuído ou ausente. Problema de
enfermagem: borborigmo, íleo paralítico.

Palpação
Antes de realizá-la deve-se prestar atenção aos seguintes pontos:
- Observar se há dor
- Fazer inicialmente palpação superficial
- Aproveitar a fase inspiratória para aprofundar mais a palpação
- Distrair a atenção do cliente, para relaxá-lo
- Observar suas reações
- Verificar sensibilidade, mobilidade, consistência dos órgãos.
- Sempre observar uma ordem a palpar. O peritônio é indolor podendo ocorrer contrações involuntárias
devido as mãos frias, cócegas.
A) Palpação superficial - Verifica-se:
- Parede abdominal
- observa-se: espessura, turgor. Pode estar aumentada (edema, adiposidade), diminuída (desnutrição,
desidratação), flácida (aumentos repetidos do abdome).
- Tensão da parede
- Soluções de continuidade da parede: hérnias, abaulamentos da parede.
- Sensibilidade.
B) Palpação profunda - Em seguida a palpação superficial, aumentando gradativamente a pressão
exercida pela mão que palpa. É empregada para palpar as vísceras, massas ou tumores. Se encontrar
tumores verificar a localização, volume, forma (malignos são irregulares e os benignos são mais
regulares), consistência (malignos são mais duros), sensibilidade (malignos são geralmente indolores),
mobilidade (malignos são geralmente fixos).
Sinal de irritabilidade peritoneal: Sinal de Blumberg ou de descompressão dolorosa.

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e) Exame dos órgãos
- Estômago
- é de difícil palpação, é indolor e se houver hipersensibilidade pode ser por afecção gástrica.
- Ceco e apêndice - o apêndice é de difícil palpação e é indolor. Localiza-se no ponto de McBurney.
Problema de enfermagem: apendicite. Sinais e sintomas de apendicite:
- Sinal de Rovsina - é a mobilização de gases para o ceco, se houver dor rovsing +
- Blumberg + no ponto de McBurney
- Sinal de Psoas
- Diferença da temperatura axilar e retal igual a 1ºC
- Fígado - não é palpável, técnicas para palpá-lo: simples e bimanual, em garra (método de Mathieu).
- Baço - no adulto não é palpável, técnica para palpá-lo: em decúbito dorsal, posição de Shuster.
- Rins - são indolores, duros, de consistência firme, superfície lisa e regular. O rim direito é mais baixo
que o esquerdo, por isto é, mais fácil ser palpado. Sinal de Giordano.
- Bexiga - não é visível e nem palpável.
- Reto - examina-se a região anal e perianal. O ânus é fechado em diafragma por pregas cutâneas
radiadas e suaves. Para examiná-la faz-se o toque retal. O cliente se posiciona (posição litotômica),
examina-se com a polpa digital a pele perianal a procura de lesões, hemorróidas, fissuras. Com o toque
retal observa-se o esfíncter anal, sensibilidade, secreções, fecaloma, etc.
Percussão
O som predominante é o timpanismo, próprio das vísceras ocas. Os som variará conforme o tamanho
das vísceras, a quantidade de sólidos, líquidos e gases.

17) Exame físico da genitália feminina


Genitália feminina: compreendem a vulva, formados pelos grandes lábios, pequenos lábios, clitóris,
meato da uretra, glândulas Skene, introito vaginal, hímen, glândulas e ducto de Bartholin, períneo, vagina,
útero e os anexos (tuba uterina, ligamentos e ovários).
No exame físico é realizado inspeção e palpação. A cliente deve ser colocada em posição ginecológica.
O examinador senta-se em frente aos genitais da cliente.
Inspeção: observa a morfologia, a presença ou não de lesões e a distribuição de pelos. A inspeção do
orifício vaginal é realizada tracionando os grandes e pequenos lábios para baixo e para trás e separando
no sentido lateral. Observam-se, então, a coloração, a forma, a amplitude, a presença de hiperemia dos
orifícios glandulares.
Problemas: cistocele, retocele, corrimento vaginal e prolapso uterino.
Exame dos órgãos externos:
Pelos pubianos - Normal: Possui o formato de triângulo invertido. A quantidade varia de mulher para
mulher. A pele é discretamente mais pigmentada que em outras partes do corpo. A mucosa é rosada e
tem aparência úmida. Problemas de enfermagem: Lêndeas e piolhos nas bases dos pelos; hirsutismo;
quantidade de pelo diminuída; lesões (associadas a pruridos, DST); Placas esbranquiçadas com
espessamento do tecido cutâneo mucoso (lesões pré-cancerosas); edemas; varicosidades; prurido
(faltam de higiene, diabetes, alergias); eritemas (inflamações ou reações alérgicas).
Pequenos e Grandes Lábios - Observa-se: simetria, aspecto e alterações da pele, desenvolvimento
compatível com a idade, consistência de tecidos. Normal: Os grandes lábios são simétricos, textura
homogênea e consistência macia. Na infância são planos e na idade adulta são cheios e curvos. Na
menopausa tornam-se mais finos. Os pequenos lábios são simétricos, mas podem ser assimétricos. Em
virgens são juntos e após relações sexuais e partos vaginais ficam abertos, caindo para os lados.
Problemas de enfermagem: Assimetrias; leucoplasias; atrofias (antes da menopausa), exsudações;
edemas; lesões; parasitas e nódulos.
Clitóris - Normal: formado por tecido erétil. A porção visível não excede a 01 cm. Sua coloração é
rosada. Problemas de enfermagem: inflamações (apresenta coloração vermelho-cereja viva); lesões
(DST ou neoplastias).
Uretra - Normal: Localizada posteriormente ao clitóris. Tem a mesma coloração rosada das
membranas que o cercam. Não há drenagem de secreções. Problemas de enfermagem: eritemas;
drenagem de secreções; hiperemia; dor à palpação.
Glândulas de Bartholin - Normal: Localizam-se perto da extremidade posterior do orifício vaginal. Não
são palpáveis. Problemas de enfermagem: edema; drenagem de secreções e dor (inflamações).
Orificio vaginal - Normal: Localiza-se imediatamente após o meato uretral. Ele pode ser uma abertura
fina vertical ou grande com bordas irregulares, dependendo do início da vida sexual. Problemas de
enfermagem: cistocele, retocete, corrimento vaginal, prolapso uterino (1º, 2º, 3º grau).

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Períneo - Normal: É um músculo que se localiza entre o intróito vaginal e os anus. Problemas de
enfermagem: Roturas, fistulas.
Exame dos órgãos internos: é necessário o espéculo vaginal, que afastará as paredes da vagina,
permitindo a visualização do colo do útero, e do conteúdo vaginal. Pode-se colher material do colo do
útero e também da vagina quando há secreções ou rotineiramente para prevenção do câncer uterino
(Papanicolau). A palpação é realizada enluvada e a bexiga vazia. A primeira estrutura a ser palpada é o
períneo. Depois penetrando mais a mão palpa-se o colo do útero, investigando sua consistência e
formato. Para palpar os outros órgãos deve-se usar a palpação bimanual, isto é, a outra mão é pousada
sobre o abdome para auxiliar a mão que está na vagina.

18) Exame físico da genitália masculina


Genitália masculina: compreende o pênis, bolsa escrotal, testículos, epidídimos, o cordão espermático,
a próstata e as vesículas seminais. A uretra é uma estrutura comum aos aparelhos urinário e genital.
Devem-se avaliar as regiões inguinais, linfonodos, região perineal e pélvica. É utilizada a inspeção,
palpação e transluminação. O cliente pode estar de pé ou decúbito dorsal horizontal.
- Pênis:
a) Prepúcio: ao ser tracionado permite a exposição completa da glande. Problemas: fimose,
parafimose, lesões e ulcerações.
b) Glande: há um sulco que secreta uma secreção gordurosa (esmegma). Problemas: acúmulo de
esmegma (balanite), lesões devido as DST ou carcinomas, área de endurecimento fibroso.
c) Meato uretral: localizado na ponta da glande. Problemas: estenose, hipospádia e epispádia.
d) Uretra: não é dolorida a palpação, não existe drenagem de secreção no momento da expressão da
uretra. Problemas: palpação dolorosa (uretrite), drenagem de secreções (infecções), áreas endurecidas,
estenose de uretra.
- Escroto: observa-se a simetria da pele, úlceras, presença dos testículos e massas escrotais.
Problemas: escoriações da pele, lesões, dor, massas, nódulos, assimetria, neoplasias, edemas,
varicocele, hidrocele, hérnias, criptorquidias.
- Períneo: é simétrico e sem lesões. Problemas: lesões e DST.
- Próstata: é examinada pelo toque retal. É palpada sobre a superfície ventral da parede retal. Quando
há queixa de fenômenos urinários irritativos: disúria, polaciúria, estrangúria, associados à diminuição da
força do jato urinário, isto é, denominado de prostatismo (decorrente de uma hiperplasia e próstata).

19) Exame físico dos membros


O cliente a ser examinado deve encontrar-se de pé, decúbito dorsal horizontal, ou sentado. Utiliza-se
a inspeção, palpação e movimentação simultaneamente, observando:
- Ossos: devem ser simétricos e alinhados.
Problemas:
Deformação com angulação para dentro: genu valgo, coxa valgo e hálux valgo.
Deformidade com angulação para fora: geno varo, coxa vara, perna vara, pé varo e hálux varo.
Deformações localizadas e associadas a sinal flogístico: abscesso, tumor e fraturas.
Defeitos ósseos.
- Músculos: variam conforme o tipo físico e atividade de cada cliente. Mede-se a circunferência bilateral
para avaliar o grau de massa muscular. Problemas: alteração da massa muscular (distrofia, atrofia ou
hipertrofia), agenesia, abscesso, nódulos, tumores.
-Tônus muscular: hipertonia (rigidez) e hipotonia (flacidez).
-Motilidade: Involuntária: tremores, tiques e miastemia
-Plegias (ausência de movimentos): hemi, mono, para e tetra.
-Paresias (perda da força, sem perder o movimento): hemi, mono, para e tetra.
-Força muscular: é maior do lado dominante, está diretamente ligada ao sexo, idade e condicionamento
físico. Avalia-se em movimento contra resistência.
Problemas: algia (contraturas e distensões) e fraqueza muscular.
- Articulações: avalia-se em relação à amplitude dos movimentos ativos e passivos e condições dos
tecidos circundantes.
Limitação do movimento: artrite reumatoide, osteoporose, inflamações dos tecidos periarticulares,
contusão e entorse.
Serão classificadas como: móveis, semimóveis e imóveis.
Inflamação: sinovite, bursite e febre reumática.
Deformidade: contratura, luxação, artrite reumatóide, fratura e artropatia degenerativa.
Alterações de movimentação: paralisia, mioclonia (espasmos musculares regulares) e tetania.

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Nódulos; Artralgia; Crepitações e estalidos
- Rede venosa: para realizar o exame é necessário garrotear o membro, avaliando a presença de
varizes e edema.
- Número de dedos das mãos e pés: sindactilia e polidactilia.
- Pele
- Marcha
- Pulsos.

Bibliografia
POTTER, Patrícia A.; PERRY, Anne G. Grande Tratado de Enfermagem Prática: Clínica e Prática Hospitalar. 3.ed. São Paulo: Santos, 1998, 999 p.
TIMBY, Bárbara K. Conceitos e Habilidades Fundamentais no Atendimento de Enfermagem. 6.ed. Porto Alegre:Artmed, 2001.
GEORGE, Júlia B.(cols.) Teorias de Enfermagem: Fundamentos da Prática Profissional. 4.ed., Porto Alegre: Artmed, 2000.
HORTA, Wanda de Aguiar. Processo de Enfermagem. Ribeirão Preto: Pedagógica, 1979.
MEZZOMO, Augusto Antônio. Serviço de prontuário do paciente: organização e técnica. 4. ed., São Paulo: Cedas, 1991.

Questões

01. (SES/PE - Analista em Saúde - Enfermeiro Assistencial - UPENET/IAUPE) Na Consulta de


Enfermagem, o Enfermeiro realiza o exame clínico. Sobre o exame do abdome, leia as afirmativas abaixo:
I. O abdome pode ser dividido em nove regiões. Na região do epigastro, encontram-se a cárdia, o
estômago, o piloro parte do fígado, o cólon transverso e o pâncreas.
II. O enfermeiro, ao inspecionar um abdome, pode encontrar um abdome plano, arredondado,
protuberante, ou até, escavado. Na suspeita de presença de ascite, está indicada a mensuração da
circunferência abdominal.
III. A presença de ruídos aéreos deve ser descrita quanto à frequência e intensidade. Os ruídos
hidroaéreos hipoativos estão presentes em distúrbios eletrolíticos, íleo paralítico e isquemia de cólon.
IV. A percussão do abdome auxilia na determinação do tamanho e da localização de vísceras sólida e
na avaliação da presença e distribuição de gases líquidos e massas.

Estão CORRETAS
(A) I, II e IV, apenas.
(B) I, II, III e IV.
(C) II, III e IV, apenas.
(D) III e IV, apenas.
(E) I e III, apenas.

02. (FUMUSA - Enfermeiro – CAIPIMES) Os procedimentos que constituem as bases do exame


clínico são: a entrevista, a inspeção, a palpação, a percussão e a ausculta. Considerando a percussão
dígito-digital, analise as afirmativas abaixo, dê valores verdadeiro (V) ou falso (F) e assinale a alternativa
que apresenta a sequência correta de cima para baixo.
( ) Os sons encontrados são maciço, submaciço, timpânico e claro pulmonar.
( ) O som timpânico é encontrado em regiões desprovidas de ar (músculo, fígado, coração). Esse som
transmite sensação de dureza e resistência.
( ) O som maciço é obtido em regiões que contenham ar, recobertas por membrana flexível, como o
estômago.
( ) Trata-se do golpeamento com um dedo a borda ungueal ou a superfície dorsal da segunda falange
do dedo médio ou indicador da outra mão, que se encontra espalmada e apoiada na região a ser
examinada.

(A) V – V – V – V.
(B) F – V – V – F.
(C) V – F – F – V.
(D) F – V – V – V.

Gabarito

01.B / 02.C

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Processo de comunicação e relação profissional-paciente

RELACIONAMENTO INTERPESSOAL TERAPÊUTICO ENFERMEIRO – PACIENTE1

1. Introdução

Em 1947, Helena Willis Render, foi a primeira autora a introduzir a idéia de que o relacionamento entre
o (a) enfermeiro (a) e o paciente, é de um potencial terapêutico significativo. Em 1952, a enfermeira,
médica e educadora, Hildegard E. Peplau, escreveu um livro que revolucionou o ensino e a prática da
enfermagem psiquiátrica nos Estados Unidos, tendo como enfoque o potencial terapêutico do
relacionamento de pessoa para pessoa. Desde então, a enfermagem psiquiátrica vem ampliando sua
visão utilizando os conceitos originalmente propostos por Render e Peplau. (TAYLOR, 1992)
Para Stuart & Laraia (2002), “ o relacionamento terapêutico entre enfermeira e paciente é uma
experiência de aprendizado mútuo e uma experiência emocional corretiva para o paciente. Nessa relação,
a enfermeira utiliza a si próprio e as técnicas clinicas especificadas na trabalho com o paciente para gerar
introvisão e alteração comportamental do paciente”.
Também para Stuart & Laraia os objetivos de um relacionamento terapêutico são direcionados no
sentido do crescimento do cliente e incluem o seguinte.

Auto – realização, auto – aceitação, e auto – respeito aumentados.


Senso claro de identidade pessoal e da integração pessoal melhorada.
Capacidade de formar relacionamentos íntimos, interdependentes e interpessoais com capacidade de
dar e receber amor.
Melhoria da função e capacidade aumentada de satisfazer as necessidades e alcançar objetivos
pessoais realistas.

Segundo Taylor (1992), “ a enfermeira possui uma ferramenta singular que pode ter mais influência
sobre o cliente do que qualquer medicamento ou terapia: ele (a) mesmo. ” Para tanto, faz-se necessário
uma auto-análise que constitui um aspecto essencial para ser capaz de fornecer os cuidados de
enfermagem terapêuticos, como:

Autoconsciência
Esclarecimento dos valores
Exploração dos sentimentos
Capacidade de servir como exemplo
Senso de ética e responsabilidade

1.1 Fases do Relacionamento de acordo com Stuart & Laraia (2002)

Há quatro fases sequenciais do relacionamento entre o (a) enfermeiro (a) e o cliente:

1. Fase de Pré- interação: explorar seus próprios sentimentos, fantasias e medos, analisando seus
pontos fortes e suas limitações profissionais. Obter dados sobre o paciente, quando possível. Planejar o
primeiro encontro com o paciente.
2. Fase introdutória ou de orientação: determinar o motivo pelo qual o cliente procurou ajuda,
estabelecer confiança, aceitação e comunicação franca, explorar os pensamentos, os sentimentos e as
ações do cliente identificando os problemas, definir objetivos com o cliente, bem como, estabelecer
acordo mútuo para incluir nomes, funções, responsabilidades, expectativas, finalidade, local de encontro,
condições para o término e confidencialidade.
3. Fase de trabalho: investigar os estressores relevantes, promover o desenvolvimento da introvisão
do paciente e o uso de mecanismos de adequação construtivos, discutir e superar os comportamentos
de resistência.

1
Disponível em: http://www.psiquiatriageral.com.br/enfermagem/relacionamento_interpessoal_terapeutico_enfermeiro_paciente.htm.

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4. Fase de encerramento: estabelecer a realidade da separação, rever o progresso da terapia e o
alcance dos objetivos, explorar mutuamente os sentimentos de rejeição, perda, tristeza e raiva ajudá-lo
transferir para suas interações com os outros o que aprendeu no relacionamento, enfermeiro (a) – cliente.

A última fase necessita de um cuidado especial para ser realizada, uma vez que, o término do
relacionamento pode ser uma experiência traumática tanto para o (a) enfermeiro (a) quanto para o cliente,
porque compartilham muitas coisas pessoais e importantes. Alguns clientes podem ficar deprimidos, e
inconscientemente, acreditar que foram pessoalmente responsáveis pela perda do (a) enfermeiro (a),
outros podem reagir de maneira agressiva ou até mesmo negar ter conhecimento sobre o término da
relação. Assim, o profissional também experimentará um senso de perda, vista que, investiu muito tempo,
energia, pensamentos e emoções no cliente. Caso não reconheça este sentimento de perda, ele pode
demonstrar uma preocupação indevida com o bem-estar futuro do cliente, encorajando-o a permanecer
por mais algumas sessões, ou estimulando sua dependência. Enfatizando que, tem um efeito muito
negativo os clientes não receberem uma oportunidade para expressar seus sentimentos em uma situação
assim ou não obterem auxilio para lidar com os mesmos, com grande possibilidade de reativar antigos
sintomas já manifestados.

2. Comunicação Facilitadora

Para Stuart & Laraia (2002) a teoria da comunicação é relevante para a prática de enfermagem
psiquiátrica por três motivos principais. Primeiro, a comunicação estabelece um relacionamento
terapêutico, porque implica na condução de informações e a troca de pensamentos e sentimentos.
Segundo, a comunicação é um meio pelo qual as pessoas influenciam o comportamento das outras,
tornando assim possível um bom resultado da intervenção de enfermagem direcionada a promover a
alteração comportamental adaptativa. Terceiro, a comunicação é o próprio relacionamento.

2.1 Níveis de Comunicação

Comunicação verbal: ocorre através das palavras, escritas ou faladas, e é essencial entre o (a)
enfermeiro (a) e o cliente.

Comunicação não verbal: ocupa todos os cinco sentidos e engloba tudo que não envolve a palavra
escrita ou falada. As cinco categorias são:
1. Indícios vocais são ruídos e sons para linguísticos ou extra fala.
2. Indícios de ação são todos os movimentos do corpo, incluindo a expressão facial e postura.
3. Indícios de objeto são o uso, intencional ou não, de objetos por uma pessoa, como roupas ou outros
pertences.
4. Espaço é a distância física entre duas pessoas
5. Toque é o contato físico entre duas pessoas, sendo a comunicação não verbal mais pessoal.

2.2 O processo da comunicação

A comunicação humana é um processo dinâmico que é influenciado pelas condições psicológicas e


fisiológicas dos participantes. São identificados cinco componentes funcionais:
1. Emissor: o gerador da mensagem.
2. Mensagem: a informação transmitida do emissor para o receptor.
3. Receptor: aquele que recebe a mensagem, cujo comportamento é influenciado por ela.
4. Retorno: a resposta do receptor para o emissor.
5. Contexto: o local onde a comunicação ocorre.

Para se obter uma comunicação eficaz é necessário que ela seja voltada para a preservação do auto
respeito do (a) enfermeiro (a) e do cliente e que a comunicação da aceitação e compreensão precede a
quaisquer sugestões de informações. O quadro abaixo identifica várias técnicas de comunicação
terapêutica com definições, exemplos, valor terapêutico e ameaças não terapêuticas.

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
Quadro 1.1 Técnicas de comunicação terapêutica

Ameaça não
Técnica Definição Exemplo Valor terapêutico
terapêutica
Processo ativo de
Comunicam de
receber as
Manter o contato modo não verbal, o
informações e
visual e a interesse e
Ouvir examinar a sua Falha em ouvir
comunicação não aceitação do
própria reação às
verbal receptiva. enfermeiro ao
mensagens
paciente.
recebidas
Estimular o Indica a aceitação
Rejeição das
Amplas paciente a escolher “O que você está pelo profissional e o
respostas, domínio
aberturas o tema da pensando?” valor da iniciativa do
do profissional.
discussão paciente
Repetir para o Indica que o
“Você disse que sua
paciente o profissional está Falta de atenção e
mãe te abandonou
Reafirmação pensamento escutando interpretação pelo
quando você tinha 5
principal que ele atentamente o profissional.
anos de idade. ”
expressou paciente.
Tentar pôr em “Não estou certa do Ajuda a esclarecer Falha em sondar,
Esclarecimento palavras as ideias que você quer dizer, os sentimentos, compreensão
vagas do paciente. poderia repetir?” ideias e percepções. presumida.
Confirma que o
“Você está tenso e Sentimentos e
Orientar ideias, profissional
ansioso, e isso tem respostas impróprias
sentimentos, compreende o que o
relação com a à experiência cultural
Reflexão dúvidas e paciente está
conversa que você e ao nível de
satisfação de volta dizendo, e indica
teve com sua mãe instrução do
para o paciente empatia interesse e
ontem?” paciente.
respeito por ele.
Questões ou
afirmações que
“Acho que deveríamos Permite o paciente
ajudem o paciente
Focalização falar mais sobre você discutir os assuntos Mudar de tema.
a ir além do
e seu pai. ” centrais.
assunto de
interesse.
“Percebi que em todos
Permite melhor
os seus
Ressaltar os temas exploração e Fornecer
relacionamentos você
Identificar os ou problemas que compreensão dos aconselhamento,
foi ferido por um
temas surgem problemas reafirmar,
homem. Você acha
repetidamente importantes do desaprovar.
que isso é um tema
paciente.
fundamental.
Dar tempo ao
paciente para
Falta de Sentar com o paciente Questionar o
pensar e ter
comunicação e comunicar de modo paciente, falha em
Silêncio discernimento,
verbal por motivo não verbal, o interesse quebrar o silêncio
enquanto transmite
terapêutico. e o envolvimento. não terapêutico.
apoio, compreensão
e aceitação.
Libera energia por “Isso dá um novo Pode promover o
Subestimar o
meio de um significado geral à discernimento
paciente, tentar evitar
Humor comentário cômico palavra ‘nervoso’, tornando
intimidade não
sobre a disse com ar de conscientes os
terapêutica;
imperfeição. brincadeira”. temas reprimidos.
Fonte: STUART, G.W & Laraia, M.T Enfermagem psiquiátrica 4 ed. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso editores 2002.

3. Dimensões do relacionamento

Stuart & Laraia (2002), defendem que o profissional enfermeiro deve adquirir determinadas habilidades
e qualidades para iniciar e continuar um relacionamento terapêutico, dos quais fazem parte em especial
a comunicação verbal e não verbal comentados anteriormente. Em geral, dividem-se da seguinte maneira:

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
Dimensões responsivas: implicam autenticidade, respeito, compreensão empática e senso da
realidade. Elas são essenciais na fase de orientação do relacionamento para estabelecer confiança e
uma comunicação franca. E continuam a ser úteis em todas as fases do tratamento e término, além de
permitir que o cliente atinja a introvisão.

Dimensões orientadas pela ação: incluem a confrontação, a proximidade, a auto revelação do (a)
enfermeiro (a), catarse emocional e teatralização. Favorecem o progresso do relacionamento terapêutico
identificando os obstáculos ao crescimento do cliente e ressaltando a necessidade não só da
compreensão interna, como também da ação externa e alteração do comportamento.

Quadro 1.2 Dimensões responsáveis e de ação para o relacionamento terapêutico entre


enfermeiro e paciente

Dimensão Característica
Dimensões
responsivas
Autenticidade Implica que o profissional é uma pessoa aberta coerente, autentica e acessível.
Sugere que o paciente seja tratado como uma pessoa digna que é valorizada e
Respeito
aceita sem restrição.
Vê o mundo do paciente a partir da estrutura de referência interna do mesmo,
Compreensão
com sensibilidade para os atuais sentimentos e com a capacidade verbal de
empática
comunicar essa compreensão em linguagem acessível ao paciente.
Implica o uso de terminologia específica, em vez de abstrações, na discussão
Senso de realidade
dos sentimentos, experiências e comportamentos do paciente.
Dimensões de
ação
Expressão pelo (a) enfermeiro (a) das discrepâncias percebidas no
Confronto
comportamento do paciente para expandir sua autoconsciência.
Quando a atual interação entre o profissional e o paciente é usado para
Imediatismo
aprender sobre a conduta do paciente em outros relacionamentos interpessoais.
Quando o profissional dá informações sobre si mesmo e sobre suas ideias,
Auto revelação do
valores, sentimentos e atitudes para facilitar a cooperação, o aprendizado, a
(a) enfermeiro (a)
catarse ou o apoio do paciente.
O paciente é estimulado a falar sobre os aspectos mais preocupantes da vida,
Catarse emocional
para efeito terapêutico.
Atuar em uma determinada situação para aumentar a auto compreensão do
paciente nas relações humanas e aprofundar sua capacidade de observar uma
Teatralização
situação de um outro ponto de vista, permite que ele experimente um novo
comportamento em um ambiente seguro.
Fonte: STUART, G.W & Laraia, M.T Enfermagem psiquiátricas 4 ed.. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso editores 2002.

3.1 Impasses terapêuticos

Os impasses terapêuticos, ou bloqueios na progressão do relacionamento entre o (a) enfermeiro (a) e


o paciente, são de três tipos principais:
Resistência.
Transferência.
Contratransferência.

São originados de uma série de motivos, porém criam, sem exceção, barreiras no relacionamento
terapêutico. Porém, o profissional deve lidar com eles o mais breve possível, visto que, eles provocam
sentimentos intensos no (a) enfermeiro (a) e no paciente, como ansiedade e apreensão até frustração,
amor ou raiva intensa (STUART & LARAIA, 2002).

3.2 Resistência

É uma tentativa do paciente de não perceber os aspectos que geram ansiedade nele próprio, tornando-
se uma relutância natural ou uma defesa. Com frequência essa resistência resulta da má vontade do
paciente de mudar quando se reconhece a necessidade de mudança, e geralmente, este comportamento

. 25
1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
é demonstrado durante a fase de trabalho do relacionamento, porque ele comporta a maior parte de
resolução de problemas. Vejamos algumas formas de resistência:

Supressão e repressão de informações pertinentes


Intensificação dos sintomas
Auto depreciação e visão negativa quanto ao futuro
Busca forçada em relação à saúde, na qual o paciente experimenta uma recuperação súbita, mas de
curta duração
Inibições intelectuais, que podem evidenciar-se quando o paciente diz que não tem nada em mente ou
que é incapaz de pensar sobre seus problemas; falta ou chega atrasado às consultas; ou mostra-se
desatento, silencio ou sonolento
Comportamento de teatralização ou irracional
Conversa superficial
Compreensão intelectual, na qual o paciente verbaliza auto compreensão com o uso correto da
terminologia, embora continue com comportamento inadaptado, ou uso da defesa da intelectualização
quando não existe introvisão
Desprezo pela normalidade, que fica evidente quando o paciente desenvolveu o discernimento mas
se recusa a assumir a responsabilidade pela mudança com base em que a normalidade não é tão atraente
Reações de transferência

3.3 Transferência

É uma resposta inconsciente em que o paciente experimenta sentimentos e atitudes pelo enfermeiro
que estavam originalmente associados a figuras significativas em sua vida. O termo refere-se a um
conjunto de reações que tentam reduzir ou aliviar a ansiedade. Essas reações de transferência só são
perigosas para o processo terapêutico quando permanecem ignoradas, sendo os principais tipos, as
reações hostis e as reações dependentes.

3.4 Contratransferência

É um impasse terapêutico criado pelo profissional, frequentemente em resposta a uma resistência do


paciente. Refere-se a uma resposta emocional especifica dada pelo (a) enfermeiro (a) ao paciente, as
quais não são justificadas pelos fatos reais, mas sim, um conflito prévio experimentado com tópicos como
autoridade, afirmação sexual e independência. Em geral, essas reações são de três tipos: reações de
amor ou preocupação intensos, reações de hostilidade ou aversão intensa, reações de ansiedade intensa.

Dificuldade de criar empatia com o paciente em determinados aspectos do problema.


Sentir-se deprimida durante ou depois da sessão.
Falta de empenho na implementação do acordo, como chegar atrasada ou acelerar a prorrogação
Sonolência durante as sessões
Sentir raiva ou impaciência com a falta de vontade de mudar do paciente
Estimular a dependência, o elogio ou o afeto do paciente
Discutir com o paciente ou tender a “empurrar” o paciente antes que este esteja pronto
Tentar ajudar o paciente em questões não relacionadas com os objetivos de enfermagem identificados
Envolvimento pessoal ou social com o paciente
Devaneios ou preocupações com o paciente
Fantasias sexuais ou agressivas em relação ao paciente
Ansiedade recorrente, intranquilidade ou culpa relacionadas com o paciente
Tendência a focalizar apenas um aspecto da informação apresentada pelo paciente ou visualiza-la
apenas de uma maneira.
Necessidade de defender as intervenções de enfermagem com o paciente perante os outros

3.5 Transgressão de limites

Ocorrem quando o profissional sai dos limites do relacionamento terapêutico e estabelece um


relacionamento social, comercial ou pessoal com um paciente. Segue alguns exemplos:

O paciente sai com a enfermeira para almoçar ou jantar.


O relacionamento profissional transforma-se em relacionamento social

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A enfermeira vai a uma festa a convite do paciente
A enfermeira regularmente faz revelações de cunho pessoal ao paciente
O paciente apresenta a enfermeira aos membros da família, como a um filho ou filha, com a finalidade
de um relacionamento social.
A enfermeira aceita presentes vindos do trabalho do paciente
A enfermeira concorda em encontrar o paciente para tratamento fora do ambiente usual, sem
justificativa terapêutica
A enfermeira frequenta as obrigações sociais do paciente
O paciente dá à enfermeira um presente caro
A enfermeira rotineiramente abraça ou tem contato físico com o paciente
A enfermeira mantém algum tipo de relação comercial com o paciente

4. Superação dos impasses terapêuticos

Para superar os impasses terapêuticos, o enfermeiro deve-se estar preparado à exposição de


sentimentos e emoções intensos dentro do relacionamento entre enfermeiro (a) e cliente. De início, o
profissional deve reconhecer os impasses e comportamentos que indicam sua existência, então refletir e
esclarecer o sentimento, enfocando de maneira mais objetiva possível o que está acontecendo.
Por fim, os objetivos do relacionamento e as áreas de necessidade e de problemas do cliente são
revistas. Isso, provavelmente ajudará no desenvolver de um pacto terapêutico compatível com o processo
do relacionamento entre ambos.

Referências Bibliográficas
TAYLOR, Cecelia Monat. Fundamentos de Enfermagem Psiquiátrica. 13ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.
STUART, G.W & LARAIA, M.T Enfermagem psiquiátricas 4 ed. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso editores 2002.

Assistência de enfermagem ao paciente visando atender as necessidades de:


conforto, segurança e bem-estar, higiene e segurança ambiental

SEGURANÇA DO PACIENTE

Dez Passos para Segurança do Paciente

Passo 1 Identificação do Paciente


A identificação do paciente é prática indispensável para garantir a segurança do paciente em qualquer
ambiente de cuidado à saúde, incluindo, por exemplo, unidades de pronto atendimento, coleta de exames
laboratoriais, atendimento domiciliar e em ambulatórios. Erros de identificação podem acarretar sérias
consequências para a segurança do paciente. Falhas na identificação do paciente podem resultar em
erros de medicação, erros durante a transfusão de hemocomponentes, em testes diagnósticos,
procedimentos realizados em pacientes errados e/ou em locais errados, entrega de bebês às famílias
erradas, entre outros. Para assegurar que o paciente seja corretamente identificado, todos os
profissionais devem participar ativamente do processo de identificação, da admissão, da transferência ou
recebimento de pacientes de outra unidade ou instituição, antes do início dos cuidados, de qualquer
tratamento ou procedimento, da administração de medicamentos e soluções. A identificação deve ser
feita por meio de pulseira de identificação, prontuário, etiquetas, solicitações de exames, com a
participação ativa do paciente e familiares, durante a confirmação da sua identidade.

Medidas sugeridas
- Enfatize a responsabilidade dos profissionais de saúde na identificação correta de pacientes antes
da realização de exames, procedimentos cirúrgicos, administração de medicamentos /
hemocomponentes e realização de cuidados.
- Incentive o uso de pelo menos dois identificadores (ex.: nome e data de nascimento) para confirmar
a identidade de um paciente na admissão, transferência para outro hospital e antes da prestação de
cuidados. Em pediatria, é também indicada a utilização do nome da mãe da criança.
- Padronize a identificação do paciente na instituição de saúde, como os dados a serem preenchidos,
o membro de posicionamento da pulseira ou de colocação da etiqueta de identificação, uso de cores para
identificação de riscos, placas do leito.

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- Desenvolva protocolos para identificação de pacientes com identidade desconhecida, comatosos,
confusos ou sob efeito de ação medicamentosa.
- Desenvolva formas para distinguir pacientes com o mesmo nome.
- Encoraje o paciente e a família a participar de todas as fases do processo de identificação e esclareça
sua importância.
- Realize a identificação dos frascos de amostra de exames na presença do paciente, com
identificações que permaneçam nos frascos durante todas as fases de análise (pré-analítica, analítica e
pós-analítica).
- Confirme a identificação do paciente na pulseira, na prescrição médica e no rótulo do
medicamento/hemocomponente, antes de sua administração.
- Verifique rotineiramente a integridade das informações nos locais e identificação do paciente (ex.:
pulseiras, placas do leito).
- Desenvolva estratégias de capacitação para identificar o paciente e a checagem da identificação, de
forma contínua, para todos os profissionais de saúde.

Pontos de atenção
- Nunca utilize idade, sexo, diagnóstico, número do leito ou do quarto para identificar o paciente.
- Verifique continuamente a integridade da pele do membro no qual a pulseira está posicionada.
- No caso de não aceitação de qualquer tipo de identificação aparente (ex.: pulseira ou etiqueta), por
parte do paciente ou dos familiares, utilize outras formas para confirmar os dados antes da prestação dos
cuidados, como uso de etiquetas com a identificação do paciente posicionadas no lado interno das roupas.

Passo 2 Cuidado Limpo e Cuidado Seguro Higienização das mãos


Higienizar as mãos é remover a sujidade, suor, oleosidade, pelos e células descamativas da microbiota
da pele, com a finalidade de prevenir e reduzir as infecções relacionadas a assistência à saúde.
Quando proceder à higienização das mãos: 1. Antes e após o contato com o paciente. 2. Antes e após
a realização de procedimentos assépticos. 3. Após contato com material biológico. 4. Após contato com
o mobiliário e equipamentos próximos ao paciente.

Medidas sugeridas

I. Higienização das mãos com água e sabão


- Molhe as mãos com água.
- Aplique sabão.
- Esfregue as palmas das mãos.
- Esfregue a palma da mão sobre o dorso da mão oposta com os dedos entrelaçados.
- Esfregue as palmas das mãos com os dedos entrelaçados. Esfregue o dorso dos dedos virados para
a palma da mão oposta.
- Envolva o polegar esquerdo com a palma e os dedos da mão direita, realize movimentos circulares
e vice-versa.
- Esfregue as polpas digitais e unhas contra a palma da mão oposta, com movimentos circulares.
- Friccione os punhos com movimentos circulares.
- Enxágue com água.
- Seque as mãos com papel-toalha descartável e use o papel para fechar a torneira.
- Higienização das mãos com fórmula à base de álcool
- Posicione a mão em forma de concha e coloque o produto, em seguida espalhe-o por toda a superfície
das mãos.
- Esfregue as palmas das mãos.
- Esfregue a palma da mão sobre o dorso da mão oposta com os dedos entrelaçados.
- Esfregue as palmas das mãos com os dedos entrelaçados. 5. Esfregue o dorso dos dedos virados
para a palma da mão oposta.
- Envolva o polegar esquerdo com a palma e os dedos da mão direita, realize movimentos circulares
e vice-versa.
- Esfregue as polpas digitais e unhas contra a palma da mão oposta, com movimentos circulares.
- Friccione os punhos com movimentos circulares.
- Espere que o produto seque naturalmente. Não utilize papel-toalha.

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Pontos de atenção
- Lave as mãos com água e sabão quando visivelmente sujas, contaminadas com sangue ou outros
fluidos corporais.
- Use preferencialmente produtos para higienização das mãos à base de álcool para antissepsia
rotineira, se as mãos não estiverem visivelmente sujas.
- Lave as mãos com água e sabão, com antisséptico ou as higienize com uma formulação alcoólica
antes e após a realização de procedimentos.
- Nunca use simultaneamente produtos à base de álcool com sabão antisséptico. 5. O uso de luvas
não substitui a necessidade de higienização das mãos. 6. Na ausência de pia com água e sabão, utilize
solução à base de álcool.
- Encoraje os pacientes e suas famílias a solicitar que os profissionais higienizem as mãos.
- Estimule os familiares e visitantes a higienizar suas mãos, antes e após o contato com o paciente.

Passo 3 Cateteres e Sondas Conexões Corretas


A administração de fármacos e soluções por cateteres, sondas e seringas é prática de enfermagem
comum que pode ser desenvolvida em ambientes de atendimento à saúde. A infusão de soluções em
vias erradas, como soluções que deveriam ser administradas em sondas enterais serem realizadas em
cateteres intravenosos, devido a possibilidade de conexão errada, é um evento frequente, porém pouco
documentado, que pode causar graves consequências e até a morte do paciente. A capacitação, a
orientação e o acompanhamento contínuo sobre os riscos à segurança do paciente frente às conexões
erradas devem ser destinados a todos os profissionais de saúde.

Medidas sugeridas
- Oriente os pacientes e familiares a não manusear os dispositivos, não devendo realizar conexões ou
desconexões, e que sempre solicitem a presença do profissional de enfermagem.
- Identifique cateteres arteriais, venosos, peridurais e intratecais com cores diferentes para garantir o
manuseio seguro.
- Evite a utilização de injetores laterais nos sistemas arteriais, venosos, peridurais e intratecais.
- Realize a higienização das mãos antes de manipular os sistemas de infusão.
- Realize a desinfecção das conexões de cateteres com solução antisséptica alcoólica e gaze, por três
vezes com movimentos circulares, antes de desconectar os sistemas.
- Verifique todos os dispositivos, desde a inserção até a conexão, antes de realizar as reconexões,
desconexões ou administração de medicamentos e soluções.
- Posicione os sistemas de infusão (equipos, buretas, extensões) em diferentes sentidos, como os de
infusão intravenosa posicionados para a porção superior do leito, no sentido da cabeça do paciente, e
sistemas de infusão de dietas enterais em direção à porção inferior, no sentido dos pés.
- Realize a passagem de plantão entre turnos e entre unidades de internação com dupla checagem
das conexões dos dispositivos.
- Padronize o uso de seringas específicas e sistemas de infusão com conexão Luer Lock para
administração de medicamentos por via oral ou por sondas enterais.
- Utilize somente equipos de cor azul para infusão de dietas enterais.
- Identifique a bomba de infusão na qual a dieta está sendo administrada.
- Lembre-se de que toda a instituição deve fornecer capacitação para uso de novos dispositivos.
- Priorize a escolha de cateteres, sondas e seringas desenvolvidos com dispositivos que previnam
conexões incorretas e contribuam para a segurança do paciente.
- Incentive o paciente e seus familiares a participar da confirmação dos medicamentos e soluções que
serão administrados, a fim de assegurar a infusão correta durante os cuidados domiciliares e nas
instituições de saúde.

Passo 4 Cirurgia Segura


Este passo apresenta medidas para tornar o procedimento cirúrgico mais seguro e ajudar a equipe de
saúde a reduzir a possibilidade de ocorrência de danos ao paciente, promovendo a realização do
procedimento certo, no local e paciente corretos. A utilização de uma ou de várias listas de verificação
(check-list) traz inúmeras vantagens. Os serviços devem elaborar suas listas específicas, dependendo da
complexidade dos procedimentos que são realizados.

Medidas sugeridas
- Estimule a comunicação eficaz e adequada entre os membros da equipe, eliminando quaisquer
dúvidas a respeito de quais procedimentos serão realizados e os materiais que deverão ser utilizados.

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- Identifique corretamente o paciente e o oriente para participar da marcação do local da intervenção
cirúrgica.
- Verifique se o prontuário pertence ao paciente, se os procedimentos cirúrgicos e anestésicos foram
planejados e se estão anotados no prontuário, e se os exames laboratoriais e de imagem são de fato do
paciente.
- Confirme se os materiais imprescindíveis para realizar o procedimento encontram-se na sala e se o
carrinho de emergência está completo.
- Desenvolva listas de verificação específicas e as utilize nas diferentes etapas do processo. Por
exemplo: lista de montagem de sala cirúrgica, lista de conferência dos documentos em prontuário, lista
de verificação do carrinho de anestesia.
- Estimule a cultura de segurança do paciente, implantando a lista de verificação recomendada pela
Organização Mundial de Saúde (OMS) que define três fases distintas: checar imediatamente antes (sign
in - realizado antes da indução anestésica); checar antes (time out - realizado antes da incisão na pele) e
checar depois (sign out - realizado antes de o paciente sair da sala de cirurgia):
a) Checar imediatamente antes (Sign in - antes da indução anestésica): • Confirmação do paciente:
identificação do paciente, do local da cirurgia, do procedimento a ser realizado e preenchimento do
consentimento informado. • Marcação do local da intervenção cirúrgica pelo profissional que irá realizar o
procedimento e/ou pelo paciente. • Realização dos procedimentos de segurança para anestesia, pelo
anestesista, como a conferência do equipamento de anestesia. • Monitoramento de oximetria.
- Verificação de alergias.
- Verificação das dificuldades de ventilação ou risco de aspiração.
- Avaliação de possíveis perdas sanguíneas ou risco de aspiração.
b) Checar antes (Time out - antes da incisão na pele): - Confirmação de todos os membros que
compõem a equipe, apresentando-se pelo nome e função. - Confirmação do paciente, local da cirurgia e
tipo de procedimento.
- Verificação pelo cirurgião dos pontos críticos da cirurgia, duração do procedimento e perdas
sanguíneas. • Verificação pelo anestesista dos pontos críticos da anestesia.
- Verificação pela enfermagem dos pontos críticos da assistência, como indicadores de esterilização e
equipamentos necessários para a cirurgia. - Realização de antibioticoterapia profilática.
Verificação da necessidade de equipamentos radiográficos.
c) Checar depois (Sign out - antes do paciente sair da sala de cirurgia): • Confirmação do procedimento
realizado.
- Conferência dos instrumentais, compressas e agulhas.
- Conferência, identificação e armazenamento correto de material para biópsia.
- Anotação e encaminhamento de problemas com algum equipamento.
- Cuidados necessários na recuperação anestésica.
- Solicite uma pausa nas atividades dos profissionais para a realização de cada etapa da lista de
verificação, que deverá ser feita em voz alta.
- Registre no prontuário que o procedimento de verificação foi realizado, bem como os nomes dos
profissionais que participaram.
Pontos de atenção
- A marcação cirúrgica deve ser clara e sem ambiguidade, devendo ser visível mesmo após o paciente
preparado e coberto.
- O local é marcado em todos os casos que envolvam lateralidade (direito/ esquerdo), múltiplas
estruturas (dedos das mãos/pés, lesões) ou múltiplos níveis (coluna vertebral).
- Se houver recusa do paciente em demarcar determinada região, ou o paciente não estiver orientado,
a instituição deverá adotar mecanismos que assegurem o local correto, a intervenção correta e o paciente
correto.

Passo 5 Sangue e Hemocomponentes Administração Segura


A administração intravenosa de sangue total ou hemocomponentes pode ser definida como a
transferência de sangue e hemocomponentes de um indivíduo (doador) para outro (receptor). Está
indicada para pacientes que sofreram perda sanguínea significante ou alterações hematológicas
decorrentes de doenças ou procedimentos (ex.: choque, traumatismo, hemorragia, doenças sanguíneas,
intervenções cirúrgicas, entre outros). A infusão só poderá ocorrer após a confirmação da identidade do
paciente e sua compatibilidade com o produto (glóbulos vermelhos, plaquetas, fatores de coagulação,
plasma fresco congelado, glóbulos brancos). A administração deve limitar-se, sempre que possível, ao
componente sanguíneo que o indivíduo necessita, pois a administração do produto específico é mais

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segura e evita reações em decorrência da infusão de componentes desnecessários. Erros na
administração de sangue total e hemocomponentes comprometem a segurança do paciente.

Medidas sugeridas
- Confirme a identificação do paciente na pulseira, na prescrição médica e no rótulo do
hemocomponente, antes da sua administração. Esta verificação deverá ocorrer DUAS vezes antes de
iniciar a infusão.
- Administre sangue total ou hemocomponentes provenientes de bancos de sangue qualificados, que
realizam testes de identificação de doenças transmitidas pelo sangue (HIV, hepatite, sífilis) e mantêm
controle de qualidade dos seus produtos quanto a coleta, análise, preparo, armazenamento e transporte.
- Mantenha o sangue e alguns componentes por no máximo 30 minutos em temperatura ambiente
antes de iniciar a infusão, ou de acordo com o protocolo institucional.
- Aqueça os componentes apenas em equipamentos apropriados e em temperatura controlada. Nunca
utilize aquecimento em banho-maria ou micro-ondas.
- Avalie os sinais vitais do paciente imediatamente antes do procedimento.
- Avalie a permeabilidade do cateter intravenoso e a ausência de complicações, como infiltração ou
flebite, antes da instalação do produto.
- Realize a infusão em via exclusiva.
- Permaneça junto ao paciente nos primeiros 15 minutos após a instalação para identificar possíveis
sinais de reações adversas (aumento da temperatura corpórea, exantema ou rash cutâneo, prurido,
edema, vertigem, cefaleia, tremores, calafrios e dor). Após este período avalie o paciente a cada 30 ou
45 minutos.
- Interrompa imediatamente a administração na vigência de um ou mais sinais de reação adversa e
mantenha a permeabilidade do cateter intravenoso com solução salina. Proteja a extremidade do equipo
para evitar contaminação e encaminhe a bolsa contendo o sangue total ou hemocomponente ao banco
de sangue para análise. Verifique a pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória e
temperatura do paciente.
- Comunique imediatamente o ocorrido ao médico responsável pelo atendimento do paciente.
- Mantenha a infusão por no máximo quatro horas, devido ao risco de contaminação e ou alterações
do produto, seguindo o protocolo da instituição.
- Realize a infusão de solução salina, após a administração do produto, com o objetivo de manter a
permeabilidade do cateter.
- Despreze a bolsa de sangue após a infusão em sacos ou recipientes que evitem vazamentos e
resistam às ações de punctura e ruptura, conforme RDC - Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº
306, ANVISA, que dispõe sobre o regulamento técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de
saúde.

Pontos de atenção
- Quanto à utilização de bomba de infusão, certifique-se do respaldo técnico e científico do fabricante
para esta indicação, atentando à ocorrência de hemólise.
- Certifique-se de que o paciente declarou consentimento para a infusão de sangue e
hemocomponentes.

Passo 6 Paciente Envolvido com sua Segurança


O paciente pode e deve contribuir para a qualidade dos cuidados à sua saúde, fornecendo informações
importantes a respeito de si mesmo e interagindo com os profissionais da saúde. Ele deve ser estimulado
a participar da assistência prestada e encorajado a fazer questionamentos, uma vez que é ele quem tem
o conhecimento de seu histórico de saúde, da progressão de sua doença e dos sintomas e experiências
com os tratamentos aos quais já foi submetido. Além disso, desenvolver um ambiente que proporcione
cuidados centrados no paciente, tornando-o, bem como seus familiares, agentes ativos na busca de sua
segurança, promove interesse, motivação e satisfação com o cuidado prestado, aspectos que possibilitam
ter um bom resultado nas condições de saúde.

Medidas sugeridas
- Estimule o paciente ou algum responsável (família, responsável legal, advogado) a participar das
decisões do cuidado.
- Identifique características específicas quanto à maturidade, condições clínicas e legais que
possibilitam assumir suas responsabilidades, como pacientes pediátricos, psiquiátricos, anestesiados, em
tratamento intensivo ou emergencial.

. 31
1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
- Analise as fragilidades do paciente e a fase do tratamento ou doença, como a fadiga, estresse, dor e
desconforto, associadas à ansiedade e ao medo, uma vez que estes aspectos podem influenciar as
respostas do paciente.
- Propicie o fortalecimento do vínculo do paciente e família com a equipe, pois estes fornecem
informações sobre os sintomas, a história e o tratamento.
- Compartilhe decisões sobre o tratamento e procedimento, por meio de informações referentes aos
potenciais benefícios, riscos e prejuízos sobre cada opção que for apresentada.
- Avalie as dificuldades de comunicação, barreiras de linguagem, falta de entendimento das
orientações, fatores sociais e de personalidade que prejudicam a tomada de decisão adequada. Deve-se
proceder à resolução desses aspectos por meio de processos institucionais e envolvimento da família.
- Utilize meios adequados e linguagem compreensível para disponibilizar as informações aos
diferentes grupos de pessoas.
- Utilize recursos que se adaptem aos pacientes que tenham barreiras visuais, auditivas e de fala.
- Respeite o tempo de cada paciente para compreender as informações fornecidas.
- Crie estratégias para verificar se o paciente compreendeu as informações, repetindo-as, caso os
objetivos não tenham sido alcançados.
- Permita que o paciente consulte as informações registradas no prontuário a respeito dos seus
cuidados e tratamento, mantendo os documentos devidamente preenchidos, claros e sem rasuras.
- Entenda que o paciente tem o direito de saber se os profissionais que irão cuidar dele são
competentes para prestar uma assistência segura.
- Leve em consideração perguntas, queixas e observações do paciente, pois ele é a última barreira
para impedir que eventos adversos ocorram.
- Eduque o paciente para a cidadania, estimulando-o a conhecer seus direitos e responsabilidades.
- Disponibilize tempo para responder aos questionamentos do paciente e família, ouvir suas
observações e promover a educação para a saúde.

Passo 7 Comunicação Efetiva


A comunicação é um processo recíproco, uma força dinâmica capaz de interferir nas relações, facilitar
e promover o desenvolvimento e o amadurecimento das pessoas e influenciar comportamentos. Existem
diversas formas de comunicação, como verbal, não verbal, escrita, telefônica, eletrônica, entre outras,
sendo fundamental que ocorra de forma adequada permitindo o entendimento entre as pessoas. O
paciente recebe cuidados de diversos profissionais e em diferentes locais, o que torna imprescindível a
comunicação eficaz entre os envolvidos no processo.

Medidas sugeridas

I – Passagem de plantão
- Transmita informações sobre o paciente em ambiente tranquilo, livre de interrupções e com tempo
disponível para esclarecer as dúvidas do outro profissional.
- Comunique as condições do paciente, os medicamentos que utiliza, os resultados de exames, a
previsão do tratamento, as recomendações sobre os cuidados e as alterações significativas em sua
evolução.
- Informe sobre os procedimentos realizados e, no caso de crianças, qual familiar acompanhou sua
realização.
- Registre as informações em instrumento padronizado na instituição para que a comunicação seja
efetiva e segura.

I – Registro em prontuário
- Verifique se os formulários onde estão sendo realizados os registros são do paciente.
- Coloque data e horário antes de iniciar o registro da informação. 3. Registre as informações em local
adequado, com letra legível e sem rasuras.
- Faça uso apenas de abreviaturas e siglas padronizadas, observando as que não devem ser utilizadas.
- Realize o registro de modo completo e objetivo, desprovido de impressões pessoais.
- Siga o roteiro de registro da informação estabelecido pela instituição.
- Coloque a identificação do profissional ao final de cada registro realizado.

Pontos de atenção
- Recomenda-se a padronização dos instrumentos para o registro das informações e dos métodos de
comunicação entre os profissionais.

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
- A gravidade do paciente e a complexidade dos cuidados favorecem a ocorrência de erros de omissão
ou de distorção da comunicação entre os profissionais, comprometendo, assim, a segurança do paciente.
- O paciente tem o direito de conhecer os registros realizados em seu prontuário clínico.
- As informações referentes às condições clínicas do paciente são restritas a ele próprio, aos
profissionais envolvidos e aos que são autorizados pelo paciente ou legalmente estabelecidos.
- As instituições definem a forma de identificação dos profissionais, que normalmente incluem o nome
completo, assinatura, categoria, registro profissional e carimbo.
- As prescrições verbais ou telefônicas só poderão ocorrer em situações de emergência, cujo
procedimento deve estar claramente definido pela instituição. Medidas de segurança devem ser
implementadas, como repetir em voz alta, de modo completo, a informação dada pelo emissor, com
documentação em formulário, prazo para a validação da prescrição e conferência com outro profissional.

Passo 8 Prevenção de Queda


A queda pode ser definida como a situação na qual o paciente, não intencionalmente, vai ao chão ou
a algum plano mais baixo em relação à sua posição inicial. A avaliação periódica dos riscos que cada
paciente apresenta para ocorrência de queda orienta os profissionais a desenvolver estratégias para sua
prevenção.
Fatores de risco para ocorrência de queda: 1. Idade menor que 5 anos ou maior que 65 anos. 2.
Agitação/confusão. 3. Déficit sensitivo. 4. Distúrbios neurológicos. 5. Uso de sedativos. 6. Visão reduzida
(glaucoma, catarata). 7. Dificuldades de marcha. 8. Hiperatividade. 9. Mobiliário (berço, cama, escadas,
tapetes). 10. Riscos ambientais (iluminação inadequada, pisos escorregadios, superfícies irregulares). 11.
Calçado e vestuário não apropriado. 12. Bengalas ou andadores não apropriados.

Medidas sugeridas
- Identifique os pacientes de risco com a utilização de pulseiras de alerta. 2. Oriente os profissionais e
familiares a manter as grades da cama elevadas.
- Oriente o paciente e acompanhante a solicitar ao profissional auxílio para a saída do leito ou poltrona.
- Oriente o acompanhante a não dormir com criança no colo.
- Oriente o acompanhante a avisar a equipe toda vez que for se ausentar do quarto.
- Disponibilize equipamentos de auxílio à marcha, quando necessário.
- Crie ambiente físico que minimize o risco de ocorrência de quedas, como barras de segurança nos
banheiros, corrimões nas escadas, utilização de fitas antiderrapantes, placas de informação.
- Adeque os horários dos medicamentos que possam causar sonolência.
- Oriente a utilização de calçados com sola antiderrapante e adequados ao formato dos pés.
- Realize periodicamente manutenção das camas, berços e grades. 1. Monitore e documente as
intervenções preventivas realizadas.

Pontos de atenção
- O uso de contenção mecânica, em caso de agitação ou confusão do paciente, deve ser
criteriosamente analisado, uma vez que requer a autorização de familiares, definição de protocolos
institucionais e utilização de equipamentos apropriados.
- Oriente o profissional de saúde a comunicar e registrar casos de queda, implementando medidas
necessárias para diminuir danos relacionados à sua ocorrência.

Passo 9 Prevenção de Úlcera por Pressão


Úlcera por pressão é uma lesão na pele e ou nos tecidos ou estruturas subjacentes, geralmente
localizada sobre uma proeminência óssea, resultante de pressão isolada, ou combinada com fricção e/ou
cisalhamento. A avaliação periódica dos riscos que cada paciente apresenta para a ocorrência de úlceras
por pressão orienta os profissionais a desenvolver estratégias para sua prevenção.
Fatores de risco para úlcera por pressão: 1. Grau de mobilidade alterado. 2. Incontinência urinária e/ou
fecal. 3. Alterações da sensibilidade cutânea. 4. Alterações do estado de consciência. 5. Presença de
doença vascular. 6. Estado nutricional alterado.

Medidas sugeridas
- Avalie o risco do paciente para desenvolvimento de úlceras por pressão na admissão em qualquer
serviço de saúde, realize reavaliações periódicas e utilize escalas específicas.
- Proteja a pele do paciente do excesso de umidade, ressecamento, fricção e cisalhamento.
- Mantenha os lençóis secos, sem vincos e sem restos alimentares

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
- Utilize dispositivos de elevação (elevador, trapézio), rolamentos ou lençóis ao realizar a transferência
do paciente da cama para a maca, da cama para a poltrona, entre outras.
- Hidrate a pele do paciente com cremes à base de ácidos graxos essenciais. 6. Realize mudança de
decúbito conforme protocolos institucionais.
- Incentive a mobilização precoce passiva e/ou ativa, respeitando as condições clínicas do paciente.
- Utilize superfícies de suporte e alívio da carga mecânica para minimizar os efeitos do excesso de
pressão causado pela imobilidade, como o uso de almofadas, travesseiros ou coxins apropriados.
- Providencie colchão de poliuretano (colchão caixa de ovo) para o paciente acamado.

Pontos de atenção
- Não é recomendada a utilização de luvas com água em substituição aos dispositivos de prevenção.
- Havendo o aparecimento de úlceras por pressão, deve-se tratá-las conforme protocolos institucionais,
monitorando e documentando sua evolução.
- Utilize escalas para avaliação de úlceras por pressão, como a Escala de Braden e a Escala de Norton.

Passo 10 Segurança na Utilização da Tecnologia


A segurança na utilização da tecnologia compreende o benefício e o impacto no uso de um ou mais
recursos, em prol do restabelecimento da saúde do paciente. Visa identificar soluções que têm como
propósito promover melhorias específicas em áreas de maior risco na assistência à saúde, para que a
tecnologia seja utilizada de maneira apropriada. A seguir estão descritas algumas medidas para
promoção de segurança na utilização de alguns equipamentos utilizados na área da saúde.

Medidas sugeridas
- Consulte o manual do fabricante de qualquer equipamento.
- Avalie se o equipamento apresenta condições adequadas para o uso.
- Simule o funcionamento normal do aparelho, desconecte o plugue da tomada e verifique se o alarme
de bateria começa a soar.
- Efetue a limpeza programada do equipamento e/ou sempre que necessário.
-. Verifique o adequado funcionamento do equipamento.
- Verifique em que condições encontra-se o equipamento, se foi realizada a manutenção e a
programação para manutenção preventiva e calibração do equipamento.
- Peça orientações ao serviço de engenharia ou manutenção da instituição sobre o uso adequado de
equipamentos quando houver qualquer dúvida.
- Leia o manual simplificado do equipamento desenvolvido pela instituição, que deve estar visível e
legível no aparelho. Siga a sequência correta para o manuseio.
- Informe as condições de uso, disparo do alarme e anormalidades ao paciente e/ou familiar.
- Explique ao paciente como acionar o profissional em caso de urgências.
- Posicione o equipamento em local seguro para prevenir quedas e acidentes.
- Faça as anotações na ficha de atendimento ou no prontuário do paciente descrevendo a orientação
fornecida, as condições do equipamento e o uso no paciente.
- Monitore o paciente com frequência, analisando as condições do equipamento em uso.
- Analise se o equipamento tem condições técnicas para o atendimento das necessidades clínicas do
paciente, participando do processo de adequação da tecnologia aplicada ao cuidado de enfermagem.

Pontos de atenção
- Conheça as diferentes alternativas tecnológicas, auxiliando na escolha do equipamento mais
adequado.
- Verifique e aplique as legislações pertinentes.
- Conheça e siga os protocolos específicos no uso e manuseio de cada equipamento.
- Conheça as condições de substituição, empréstimo, obsolescência e ou alocação do recurso
tecnológico.
- Certifique-se de que possui habilidade e conhecimento técnico para o manuseio do equipamento com
segurança.
- Em caso de falta do recurso tecnológico necessário, o enfermeiro deve verificar se há alternativas.
- Se o paciente referir alergia a algum produto / conexão / tubo do equipamento, registre na ficha de
atendimento ou no prontuário e realize a substituição.
- Na recusa do paciente em utilizar o equipamento, explique os benefícios e indicações para o
tratamento de saúde e identifique os motivos para a rejeição. Se necessário o enfermeiro deve avaliar as
condições do paciente, sua opinião e a possibilidade de substituição do equipamento.

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http://www.ebah.com.br/

Questões

01. Com relação à segurança do paciente e de acordo com a Classificação Internacional de Segurança
do Paciente da Organização Mundial da Saúde, assinale a alternativa que apresenta a definição de risco.
(A) Redução, a um mínimo aceitável, do risco de dano desnecessário associado ao cuidado de saúde.
(B) Evento ou circunstância que poderia ter resultado, ou resultou, em dano desnecessário ao paciente.
(C) Incidente com potencial dano ou lesão.
(D) Probabilidade de um incidente ocorrer.
(E) Incidente que resulta em dano ao paciente.

Gabarito

01.D

Comentários

01. Resposta: D
Risco é a probabilidade de um incidente ocorrer.

MEDIDAS DE HIGIENE E DE SEGURANÇA NOS SERVIÇOS DE ENFERMAGEM

Boas práticas em higiene hospitalar e técnicas corretas de limpeza fazem parte dos princípios de
qualquer instituição de saúde para se evitar contaminações e a disseminação de infecções, já que um
hospital concentra inúmeros microrganismos, bactérias e vírus nocivos à saúde dos pacientes e também
dos trabalhadores.
Qualificar a equipe profissional que atua nas áreas aonde a higienização faz-se necessária em período
integral é um dos pilares para um atendimento de qualidade, proporcionando segurança, conforto e bem-
estar ao paciente e aos colaboradores da instituição.
A enfermagem é parte integrante deste processo e em muitas instituições ela é a responsável pelo
setor de Higienização, estando à frente na tomada de decisões.
Através da higienização, proporciona-se aos clientes internos e externos um ambiente limpo e
esteticamente organizado, livre de mau odor, visando conforto, segurança e bem estar.
A utilização de boas práticas durante a execução dos processos de limpeza, além de eliminar a
sujidade visível e reduzir a carga contaminante das superfícies, evita a disseminação de microrganismos
através da adoção de medidas de controle, preserva a saúde ocupacional e o meio ambiente.

Há três tipos de limpezas: concorrente, terminal e de manutenção.

A limpeza concorrente é aquela realizada enquanto o paciente encontra-se no apartamento, nas


dependências da instituição de saúde. O funcionário retira o lixo e os resíduos depositando-os em sacos
plásticos, recolhe a roupa suja para encaminhar à lavanderia e recolhe outros materiais, como jornais e
revistas, por exemplo.

A limpeza terminal é realizada após a saída do paciente, seja por alta, óbito ou transferência. Este
ato compreende a limpeza de superfícies, sejam elas verticais ou horizontais, e a desinfecção do
mobiliário.
E temos a limpeza de manutenção, que têm como objetivo, manter o padrão da limpeza das
dependências, nos intervalos entre as limpezas concorrentes ou terminais. Neste caso, deve-se estar
atento à reposição de materiais de higiene, recolhimento de resíduos, manutenção das superfícies limpas
e secas etc.

Como são classificadas as áreas de serviços de saúde?


As áreas são classificadas de acordo com o risco potencial de transmissão de infecções:

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
- Áreas críticas: são aquelas onde existe um risco aumentado de infecções, onde se realizam muitos
procedimentos de risco. Ex: OS, UTI, CC, CO, locais onde se encontram pacientes imunocomprometidos
etc.

- Áreas semicríticas: ocupadas por pacientes com moléstias infecciosas de baixa transmissibilidade
e doenças não infecciosas, ambulatórios, quartos ou enfermarias de pacientes etc.

- Áreas não críticas: áreas não ocupadas por pacientes e onde não se realizam procedimentos de
risco. Ex. áreas administrativas.

Como a enfermagem pode contribuir no processo de Higienização do ambiente?


Fazendo o que lhe compete, como, por exemplo:
- Após a saída do paciente (alta, óbito ou transferência) recolher materiais provenientes da assistência:
bombas de infusão, equipos, soros, perfurocortantes, comadres, roupas etc.;
E uma observação: a equipe de higienização só deve iniciar a limpeza terminal após a retirada destes
materiais, ou seja, quanto mais a enfermagem demorar, maior tempo para liberação do quarto;
- Recolher os perfurocortantes de locais inadequados (piso, bancadas, leitos etc.);
- Fechar coletores de perfuro cortantes;
- Realizando a limpeza do leito enquanto o paciente está internado. Lembrando que não compete ao
funcionário da higiene higienizar o leito ocupado, pois representa risco à segurança do paciente;
- Realizar a limpeza de materiais e equipamentos relacionados à assistência: equipamentos de RX,
bombas de infusão, equipamentos utilizados para monitoramento dos pacientes etc.

Os protocolos desenvolvidos em busca da padronização das ações de higiene devem ser validados
pelo SCIH (Serviço de Controle de Infecção Hospitalar).

Algumas dicas para a equipe de higienização e liderança:


- NUNCA recolher PC (perfurocortante) de locais inadequados
- NUNCA fechar coletores de PC
- Segurar coletores de PC pelas alças
- Não utilizar pano de chão para limpeza do piso (o ato de torcer o pano pode levar ao acidente)
- NUNCA encostar o saco de resíduos no corpo
- Segurar o saco de resíduos pelas bordas etc.

Lavando as mãos
No dia-a-dia de nosso trabalho executamos grande variedade de procedimentos, muitos deles
repetidas vezes. Em geral, a importância que lhes é conferida associa-se ao grau de complexidade, à
tecnologia envolvida, à capacidade de provocar danos ou complicações ao paciente e à frequência de
realização. A pouca adesão dos profissionais da área de saúde à prática de lavagem das mãos reflete
em parte essa situação, pois é procedimento simples, comum na esfera social como hábito de higiene, o
que certamente não lhe confere o valor e o status de alta tecnologia. E muitas são as justificativas usadas
pela equipe para não fazê-lo, como, dentre outras: falta de pias e degermantes adequados, sobrecarga
de serviço, situações de emergência. Em contrapartida, os especialistas são unânimes em afirmar que
este é um dos procedimentos mais significativos para a prevenção e o controle da infecção hospitalar,
sendo-lhe atribuída a possibilidade de redução acentuada da carga microbiana quando as mãos são
lavadas com água e sabão e com degermantes como povidine ou clorexidina, destaca-se também o uso
do álcool gel.

Luvas esterilizadas e de procedimento


Outra barreira utilizada para o controle da disseminação de microrganismos no ambiente hospitalar
são as luvas, esterilizadas ou não, indicadas para proteger o paciente e o profissional de contaminação.
As luvas esterilizadas, denominadas luvas cirúrgicas, são indicadas para a realização de
procedimentos invasivos ou manipulação de material estéril, impedindo a deposição de microrganismos
no local. Exemplos: cirurgias, suturas, curativos, cateterismo vesical, dentre outros.
As luvas de procedimento são limpas, porém não esterilizadas, e seu uso é indicado para proteger
o profissional durante a manipulação de material, quando do contato com superfícies contaminadas ou
durante a execução de procedimentos com risco de exposição a sangue, fluidos corpóreos e secreções.
Não há nenhum cuidado especial para calçá-las, porém devem ser removidas da mesma maneira que a
luva estéril, para evitar que o profissional se contamine.

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Precauções-padrão
As precauções-padrão devem ser utilizadas no atendimento de todos os pacientes sempre que houver
risco de contato com sangue, líquidos corpóreos, secreções e excreções, peles não-íntegras e mucosas.

São ações das precauções-padrão:


- Lavar as mãos: antes e após o contato com o paciente; após descalçar as luvas, pois nelas podem
haver pequenos furos ou ocorrer contaminação durante a remoção; após contato com sangue, secreções
e excreções, equipamentos e artigos contaminados; entre a realização de procedimentos com o mesmo
paciente, como curativo, aspiração traqueal, coleta de sangue, etc.; entre a manipulação de um paciente
e outro; entre a realização do mesmo procedimento em pacientes diferentes, como esvaziamento de urina
do sistema de drenagem fechado;
- Utilizar luvas estéreis antes da execução de procedimento asséptico e luvas de procedimento sempre
que existir a possibilidade de contato com sangue, líquidos corpóreos, secreções e excreções, mucosa,
pele não-íntegra e artigos, equipamentos e superfícies contaminados; retirar as luvas imediatamente após
o uso e antes de tocar em outro paciente ou qualquer material ou superfície, como caneta, telefone,
papeleta, maçaneta de porta, etc.;
- Usar avental limpo não-estéril ou impermeável (quando necessário) nos casos de risco de contato
com respingos de líquidos corporais e/ou sangue; retirá-lo após o término do procedimento;
- Utilizar máscara, protetor de olhos e protetor de face sempre que realizar procedimentos sujeitos a
risco de respingos de líquidos corporais e/ou sangue como, por exemplo, aspiração de secreção traqueal;

- Manter os cuidados adequados com os artigos e equipamentos de uso em pacientes, no tocante à


limpeza, desinfecção ou esterilização;
- Prevenir acidentes com materiais perfurocortantes: ter cuidado com o uso, manipulação, limpeza e
descarte de agulhas, bisturis e similares; não remover as agulhas contaminadas das seringas; não realizar
o reencape das agulhas; usar recipiente apropriado para o descarte de materiais perfurocortantes;
- Realizar o controle ambiental: fazer a limpeza e descontaminação de superfícies ambientais e
mobiliário, quando contaminados com sangue e/ou líquidos corporais;
- Cuidar das roupas usadas: utilizar luvas de procedimento ao manusear as roupas sujas de sangue,
líquidos corporais, secreções e excreções, evitando o contato direto com pele e mucosas, bem como com
a própria roupa;
- Utilizar quarto privativo nos casos em que haja risco de contaminação ambiental.

Precauções de contato
As precauções de contato são indicadas para pacientes colonizados ou infectados por microrganismos
veiculados por contato direto ou indireto (ex: objetos), que tenham grande importância epidemiológica -
como infecção por agentes multirresistentes.
Além das medidas de precaução-padrão, as precauções de contato envolvem as medidas de uso de
quarto privativo ou comum para pacientes que apresentem a mesma doença ou microrganismo; o uso de
avental na possibilidade de risco de contato das roupas do profissional com área ou material infectante
quando da realização de higiene do paciente com diarreia, incontinência fecal/urinária e ferida com
secreção não-contida pelo curativo; manutenção do paciente no quarto/enfermaria, evitando sua saída;
uso exclusivo de artigos e equipamentos pelo paciente; limpeza e desinfecção ou esterilização dos
mesmos após a alta do paciente. Os familiares devem ser orientados quanto aos cuidados a serem
tomados para evitar risco de contaminação.

Precauções respiratórias
As precauções respiratórias para aerossóis exigem as medidas de utilização das precauções-padrão;
quarto privativo, sendo obrigatórios: manter a porta fechada; utilizar máscara apropriada (tipo N95) ao
prestar cuidados a pacientes com suspeita ou doença confirmada de transmissão por aerossóis; manter
o paciente no quarto, evitando sua saída - caso haja necessidade de transportá-lo, colocar máscara
comum tipo cirúrgica.
As precauções respiratórias para gotículas necessitam de medidas de utilização das precauções-
padrão; quarto privativo ou comum para pacientes com a mesma doença; uso de máscara comum, tipo
cirúrgica, por todas as pessoas que entrem no quarto no período de transmissão da doença - sendo
necessário desprezá-la à saída do quarto; manter o paciente no quarto, evitando sua saída - caso haja
necessidade de transportá-lo, colocar máscara comum tipo cirúrgica no mesmo.

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
Precauções empíricas
As precauções empíricas são indicadas para os casos de pacientes sem diagnóstico definitivo, porém
com indícios de infecção por agentes que necessitem de precauções. Devem permanecer até que haja
confirmação ou esclarecimento do diagnóstico. Nestes casos inserem-se:

- Precauções de contato: diarreias agudas de etiologia infecciosa, erupção vesicular, abcessos ou


feridas com exsudato que extravase a cobertura;
- Precauções para aerossóis: erupção vesicular, tosse com febre e infiltração de lobo pulmonar em
qualquer local em paciente HIV positivo;
- Precauções para gotícula: meningite, exantema petequial e febre.
http://bvsms.saude.gov.br

Assistência do técnico de enfermagem ao paciente visando atender as


necessidades terapêuticas

Caro leitor esse assunto foi abordado no tópico Processo de comunicação e relação profissional-
paciente.

Registro de enfermagem

ANOTAÇÕES DE ENFERMAGEM2

As Anotações de Enfermagem, fornecem dados que irão subsidiar o enfermeiro e a equipe de


enfermagem nos estabelecimentos de saúde para planejamento e prescrição de cuidados. Também,
suporte para análise reflexiva dos cuidados ministrados, respectivas respostas do paciente e resultados
esperados da Evolução de Enfermagem.
Portanto, a Anotação de Enfermagem é fundamental para o desenvolvimento da Sistematização de
Enfermagem (SAE), pois é fonte de informações essenciais para assegurar a continuidade da assistência.
Contribui, ainda, para a identificação das alterações do estado e das condições do paciente, favorecendo
a detecção de novos problemas, a avaliação dos cuidados prescritos e, por fim, possibilitando a
comparação das respostas do paciente aos cuidados prestados (CIANCIARULLHO et al, 2001).

Algumas regras são importantes para elaboração das Anotações de Enfermagem, dentre as
quais:
- Devem ser legíveis, completas, claras, concisas, objetivas, pontuais e cronológica;
- Devem ser precedidas da data e hora, conter assinatura e identificação do profissional ao final de
cada registro;
- Não conter rasuras, entrelinhas, linhas em branco ou espaços;
- Não escrever de lápis, sempre caneta azul, vermelha e/ou preta (varia com cada norma de cada
instituição)
- Conter observações efetuadas, cuidados prestados, seja, eles os já padronizados, de rotina e
específico;
- Devem, ainda, constar das respostas do paciente frente ao cuidados prescritos pelo enfermeiro,
intercorrências, sinais e sintomas observados;
- Devem priorizar a descrição de características, como tamanho mensurado (cm, mm, etc.), quantidade
(ml, l, etc.), coloração e forma;
- Não conter termos que deem conotação de valor (bem, mal, muito, pouco, etc.);
- Conter apenas abreviaturas previstas na literatura;
- Devem ser referente aos dados simples, que não requeiram maior aprofundamento científico. Não é
correto, por exemplo, o técnico ou auxiliar de enfermagem anotar dados referentes ao exame físico do

2
CIANCIARULLO, T.I. et al (Orgs). Sistema de assistência de enfermagem: evolução e tendências. São Paulo: Ícone, 2001.
EBISUI, C.T.N. Procedimentos de Enfermagem. Reedição revisada e ampliada. São Paulo: Copidart, 2002.

. 38
1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
paciente, como abdome distendido, timpânico, etc.; visto que, para a obtenção destes dados, é necessário
ter realizado o exame físico prévio, que constitui ação privativa do enfermeiro.

As Anotações de Enfermagem são registros de:


- Todos os cuidados prestados – incluem as prescrições de enfermagem e médicas cumpridas, além
dos cuidados de rotina, medida de segurança adotadas, encaminhadas ou transferência de setor, entre
outros;
- Sinais e sintomas – incluem os identificados através da simples observação e os referidos pelo
paciente. Importante destacar que os sinais vitais mensurados devem ser registrados pontualmente, ou
seja, os valores exatos aferidos, e não normotenso, normocárdico, etc.;
- Intercorrências – incluem o fatos ocorridos com o paciente e medidas adotadas.

Devem ser registradas em formulário/documentos, com cabeçalho devidamente preenchido com os


dados do paciente, de acordo com os critérios estabelecidos na instituição.

RESOLUÇÃO COFEN Nº 545/20173

Anotação de Enfermagem e mudança nas siglas das categorias profissionais.

O Conselho Federal de Enfermagem – Cofen, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela Lei
nº 5.905, de 12 de julho de 1973, e pelo Regimento Interno da Autarquia, aprovado pela Resolução Cofen
nº 421, de 15 de fevereiro de 2012, e

CONSIDERANDO o art. 8º, inciso IV, da Lei n° 5.905, de 12 de julho de 1973 que dispõe sobre a
competência do Cofen em baixar provimentos e expedir instruções, para uniformidade de procedimento
e bom funcionamento dos Conselhos Regionais;
CONSIDERANDO o disposto no art. 22, X e XI, do Regimento Interno do Cofen, aprovado pela
Resolução Cofen nº 421/2012, que autoriza o Conselho Federal de Enfermagem a baixar Resoluções,
Decisões e demais instrumentos legais no âmbito da Autarquia;
CONSIDERANDO o prescrito no artigo 23, inciso XIV, do Regimento Interno do Cofen, que dispõe
sobre a competência do Plenário do Cofen em deliberar sobre pareceres e instruções para uniformidade
de procedimentos, e regular funcionamento dos Conselhos Regionais de Enfermagem;
CONSIDERANDO a Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, e o Decreto nº 94.406, de 08 de junho de
1987, que regulamentam o exercício da Enfermagem;
CONSIDERANDO a Resolução Cofen n.º 311/2007, que aprovou a reformulação do Código de Ética
dos Profissionais de Enfermagem;
CONSIDERANDO o disposto na Resolução Cofen nº. 358/2009 que dispõe sobre a Sistematização da
Assistência de Enfermagem – SAE, nas Instituições de Saúde Brasileiras;
CONSIDERANDO a Resolução Cofen nº. 429/2012, que dispõe sobre o registro das ações
profissionais no prontuário do paciente, e em outros documentos próprios da enfermagem, independente
do meio de suporte – tradicional ou eletrônico;
CONSIDERANDO a deliberação do Plenário do Cofen, durante a realização de sua 486ª ROP, bem
como todos os documentos acostados ao Processo Administrativo Cofen no 0348/2016;

RESOLVE:

Art. 1º Ficam adotadas as normas contidas nesta Resolução para a anotação e o uso do número de
inscrição, ou autorização, nos Conselhos Regionais, pelos integrantes das várias categorias
compreendidas nos serviços de Enfermagem.

Art. 2º A anotação do número de inscrição dos profissionais de Enfermagem é feita com a sigla do
Coren, acompanhada da sigla da Unidade da Federação onde está sediado o Conselho Regional, seguida
do número de inscrição, separados todos os elementos por hífen.
§ 1º Os dados contidos no artigo segundo deverão constar do carimbo do profissional, pessoal e
intransferível;
§ 2º Em ambos os casos descritos no parágrafo anterior, o profissional deverá apor sua assinatura
sobre os dados descritos ou rubrica.

3
http://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-05452017_52030.html - Acesso em 04/09/2018 às 15h45min.

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
Art. 3º As categorias profissionais de enfermagem deverão ser indicadas pelas seguintes siglas:
a) ENF, para Enfermeiro;
b) OBST, para Obstetriz.
c) TE, para Técnico de Enfermagem;
d) AE, para Auxiliar de Enfermagem, e
e) PAR , para Parteira.

Art. 4º A anotação do número de autorização é feita com a sigla AUT seguida da sigla da Unidade da
Federação onde está sediado o Conselho Regional e do número da autorização, separadas as siglas por
barra e o número por hífen.
Parágrafo único A categoria referida neste artigo é o Atendente de Enfermagem, que é indicado pela
sigla AT.

Art. 5º É obrigatório o uso do carimbo, pelo profissional de Enfermagem nos seguintes casos:
I – em recibos relativos a percepção de honorários, vencimentos e salários decorrentes do exercício
profissional;
II – em requerimentos ou quaisquer petições dirigidas às autoridades da Autarquia e às autoridades
em geral, em função do exercício de atividades profissionais; e,
III – em todo documento firmado, quando do exercício profissional, em cumprimento ao Código de
Ética dos Profissionais de Enfermagem.

Art. 6º A inobservância do disposto na presente Resolução submeterá o infrator às normas contidas


no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem.

Art. 7º Os Conselhos Regionais observarão a presente norma e divulgarão os termos desta Resolução,
zelando por sua estrita observância bem como promovendo as medidas necessárias à punição dos
infratores, nos termos da legislação em vigor.

Art. 8º A presente Resolução entra em vigor na data de sua assinatura e publicação no Diário Oficial
da União, revogada a Resolução Cofen nº 191/1996 e demais disposições em contrário.

Brasília-DF, 9 de maio de 2017

MANOEL CARLOS N. DA SILVA

Questões

01. (IF-PA - Auxiliar de Enfermagem – FUNRIO/2016) As anotações de enfermagem são registros


importantes para a continuidade e avaliação da assistência prestada aos usuários da unidade de saúde.
A correta anotação de enfermagem deve obedecer aos seguintes princípios, EXCETO:
(A) fazer sempre as anotações somente ao final da jornada de trabalho para evitar rasuras.
(B) ler a anotação anterior antes de realizar o novo registro.
(C) utilizar terminologia adequada, evitando abreviaturas não previstas na literatura.
(D) priorizar a descrição de características como tamanho, quantidade, coloração e formato.
(E) registrar todas as medidas de segurança utilizadas par proteger o paciente.

02. (Pref. Fortaleza-CE - Técnico em Enfermagem – 2016) A importância do registro no prontuário


reside no fato de que a equipe de enfermagem é a única que permanece continuamente ao lado do
paciente, podendo informar, com detalhes, todas as ocorrências clínicas. Sobre a anotação de
enfermagem, marque o item correto.
(A) Caso o tratamento prescrito não seja realizado, não é necessário fazer anotação.
(B) Os dados podem ser registrados a caneta ou lápis, preferencialmente sem rasuras.
(C) O registro deve ser realizado após a prestação do cuidado, verificando intercorrências e
identificando a hora exata do evento.
(D) Ao final do registro, deve-se assinar a anotação e colocar o número de inscrição do Conselho
Regional de Enfermagem, quando for norma da instituição de saúde.

03.(TJ-PE - Técnico em Enfermagem – FCC) Ao proceder o registro de informações escritas na


anotação de enfermagem recomenda-se

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(A) realizar o registro imediatamente após a ocorrência dos fatos e da execução do procedimento.
(B) utilizar termos como “bom”, “regular”, “normal”, pois tornam a leitura mais objetiva.
(C) manter espaço em branco entre um registro e outro.
(D) usar corretivos e borrachas para correção de erros de documentação, ocultando o registro inicial.
(E) descrever o fato, emitir opiniões e juízo de valor, baseando-se em princípios pessoais e éticos da
profissão.

04. (TER-AL - CESPE) As anotações de enfermagem são registros realizados pelos membros da
equipe de enfermagem sobre as ocorrências e sobre todos os cuidados prestados aos pacientes,
devendo, obrigatoriamente, ser acompanhadas da assinatura e do número do registro no COREN da
pessoa que as realizou.
( )Certo ( )Errado

05. (UFRN) Em relação aos registros e às anotações de enfermagem no prontuário do paciente, é


importante que:
(A) as anotações se limitem aos aspectos relativos à doença ou ao agravo do paciente, pois as demais
anotações são desnecessárias.
(B) as informações sejam breves e resumidas, devendo-se usar abreviaturas e códigos, pois o
importante são os dados estatísticos.
(C) as informações sejam registradas de forma clara, objetiva e completa, com grafia legível, a devida
assinatura e o número do registro do profissional no Conselho.
(D) as anotações de enfermagem e checagem não contenham a assinatura nem o número do registro
do profissional no Conselho, pois não se trata de um documento oficial.

Gabarito

01.A / 02.C / 03.A / 04.Certo / 05.C

Comentários

01.Resposta: A
De maneira geral, toda anotação de enfermagem deve ser precedida de data e hora e após cada
registro.
Escrever de forma clara é obedecer uma sequência dos fatos, tanto lógica, quanto cronológica, para
que seja possível o entendimento dos fatos pelo cliente/ paciente. Ainda nesse contexto inclui o que já foi
citado anteriormente, sobre a escrita legível, e deve ser livre de correções com “branquinho”,
“esparadrapo”, riscos ou afins. Em caso de erro, deve-se utilizar a palavra “digo” e continuar.
Para que não haja esquecimento da cronologia ou do momento dos cuidados e situações ocorridas
com o paciente, os registros devem ser realizados logo após sua constatação ou realização.

02.Resposta: C
Devem ser precedidas da data e hora, conter assinatura e identificação do profissional ao final de
cada registro.

03.Resposta: A
Devem ser legíveis, completas, claras, concisas, objetivas, pontuais e cronológica;

04.Respota: Certo
Conter observações efetuadas, cuidados prestados, seja, eles os já padronizados, de rotina e
específico.
Devem ser precedidas da data e hora, conter assinatura e identificação do profissional ao final de
cada registro.

05.Respota: C
Devem ser legíveis, completas, claras, concisas, objetivas, pontuais e cronológica.

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Prevenção e controle de infecções

INFECÇÃO HOSPITALAR

Qualquer tipo de infecção adquirida após a entrada do paciente em um hospital ou após a sua alta
quando essa infecção estiver diretamente relacionada com a internação ou procedimento hospitalar,
como, por exemplo, uma cirurgia.
O diagnóstico de infecção hospitalar envolve o uso de alguns critérios técnicos, previamente
estabelecidos:
-Observação direta do paciente ou análise de seu prontuário.
-Resultados de exames de laboratório.
-Quando não houver evidência clínica ou laboratorial de infecção no momento da internação no
hospital, convenciona-se infecção hospitalar toda manifestação clínica de infecção que se apresentar
após 72 horas da admissão no hospital.
-Também são convencionadas infecções hospitalares aquelas manifestadas antes de 72 horas da
internação, quando associadas a procedimentos médicos realizados durante esse período.
-Os pacientes transferidos de outro hospital são considerados portadores de infecção hospitalar do
seu hospital de origem.
-As infecções de recém-nascidos são hospitalares, com exceção das transmitidas pela placenta ou
das associadas a bolsa rota superior a 24 horas.

Qualquer pessoa que é obrigada a internar-se em ambiente hospitalar para tratamento médico está
sujeita a contrair uma infecção hospitalar, que está diretamente relacionada ao tempo de internação e
procedimento a ser realizado.
Em procedimentos cirúrgicos sempre existem mais riscos de contrair infecção do que em uma
internação sem procedimentos já que Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) ou Centros Cirúrgicos
são locais onde há muito mais chances de contrair infecção.

Sintomatologia
Os sintomas são relacionados ao local do procedimento ou envolvem algum sistema, como respiratório
ou urinário. Pacientes graves podem ter comprometimento de todo o organismo.

Tratamento
Após o diagnóstico de infecção hospitalar, o tratamento é feito sempre com antibióticos injetáveis e
por período de 14 a 30 dias.

Prevenção
A prevenção de infecções hospitalares por todo o mundo depende muito mais da instituição
hospitalar e de seus trabalhadores do que dos pacientes, já que ninguém se interna com intenção de
contrair doenças dentro do hospital.
Os cuidados para não ocorrer elevado número de infecções e sua prevenção e controle envolvem:
- medidas de qualificação da assistência hospitalar;
- de vigilância sanitária e outras, tomadas no âmbito do município e estado.

Assepsia é o processo pelo qual são afastados os micro-organismos patogênicos de um local


ou objeto. Em um hospital, a assepsia é essencial para evitar as infecções. São exemplos de assepsia:
- O ato de lavar as mãos (impede a transferência de micro-organismos presentes na mão do agente
de saúde para o paciente).
- A esterilização dos materiais.
- Não tossir, espirrar, e nem mesmo falar sobre material esterilizado.
- Uso de papel toalha para as mãos.
- Não sentar nas camas dos pacientes.
- Não colocar materiais no chão (comadre, bacia).
- Remoção das bactérias da pele (banho, limpeza).

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Fica claro, portanto, que as medidas para a prevenção das infecções hospitalares são de
responsabilidade do hospital e de seus funcionários. A padronização das técnicas de assepsia é o
meio mais eficaz de evitar as infecções hospitalares.
Os hospitais devem contar com uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) para:
- fazer o diagnóstico de casos de infecção hospitalar;
- padronizar as técnicas de assepsia;
- promover o treinamento de funcionários;
- ajudar no planejamento do espaço físico do hospital;
- controlar a utilização de antibióticos no trato das infecções (para impedir o uso abusivo), entre outras
atribuições.

Fonte de infecção relacionada ao ambiente

O ar, a água e as superfícies inanimadas verticais e horizontais fazem parte do meio ambiente de uma
instituição de saúde. Particularmente no hospital, o ambiente pode tornar-se foco de infecção hospitalar,
embora estudos tenham demonstrado não ser esse o principal meio de transmissão.
Os cuidados com o ambiente estão centrados principalmente nas ações de limpeza realizadas pelo
Serviço de Higiene Hospitalar. Há uma estreita relação deste com o Serviço de Prevenção e Controle
de Infecção Hospitalar, cabendo-lhe as seguintes incumbências:
- padronizar produtos a serem utilizados na limpeza;
- normatizar ou indicar o uso de germicidas para as áreas críticas ou para as demais, quando
necessário;
- participar de treinamentos e dar orientação técnica à equipe de limpeza;
- participar da elaboração ou atualização de manuais a respeito do assunto.

Fonte de infecção relacionada à equipe de saúde

A equipe de saúde tem importante papel na cadeia de transmissão da infecção hospitalar ou domiciliar.
As práticas adotadas para sua prevenção visam controlar a propagação de microrganismos que habitam
o ambiente hospitalar e diminuir os riscos do paciente vir a adquirir uma infecção. Por outro lado, tanto as
medidas gerais como as específicas de prevenção e controle de infecção implantadas na instituição
também direcionam-se para proteger o próprio trabalhador que ali desempenha sua função, quer seja
prestando assistência direta ao paciente, como no caso do auxiliar de enfermagem ou do enfermeiro,
quer seja indiretamente, como o funcionário da higiene hospitalar, da lavanderia ou da nutrição e dietética.
Toda a equipe de saúde tem responsabilidade com relação à prevenção da infecção hospitalar,
devendo fazer correto uso das técnicas assépticas, dos equipamentos de proteção individual (EPI)
e ou coletivo (EPC), quando necessário. Por sua vez, o empregador tem a responsabilidade de
disponibilizar os recursos necessários à efetivação desses cuidados. A prevenção e o controle da infecção
fundamentam-se nos princípios de assepsia, mediante a utilização de medidas para impedir a penetração
de microrganismos (contaminação) em local onde não estejam presentes.
As técnicas de assepsia devem ser utilizadas por todos os profissionais de saúde em todos os
procedimentos, e são agrupadas sob a denominação de assepsia médica e cirúrgica. A assepsia
médica, refere-se às medidas adotadas para reduzir o número de microrganismos e evitar sua
disseminação; e a assepsia cirúrgica, para impedir a contaminação de uma área ou objeto estéril. As
medidas que visam reduzir e prevenir o crescimento de microrganismos em tecidos vivos são
denominadas antissepsia.
A adesão da equipe às medidas gerais de prevenção e controle de infecção ainda dependem da
conscientização e mudança de hábitos dos profissionais. Entretanto, sua adoção implica a realização de
atos simples e de fácil execução, tais como:
- lavar sempre as mãos antes de realizar qualquer procedimento - um dos mais importantes
meios para prevenir a infecção cruzada;
- manter os cabelos longos presos durante o trabalho, pois quando soltos acumulam sujidades, poeira
e microrganismos, favorecendo a contaminação do paciente e do próprio profissional;
- manter as unhas curtas e aparadas, pois as longas facilitam o acúmulo de sujidades e
microrganismos;
- evitar o uso de joias e bijuterias, como anéis, pulseiras e demais adornos, que podem constituir-se
em possíveis fontes de infecção pela facilidade de albergarem microrganismos em seus sulcos e
reentrâncias, bem como na pele subjacente;

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- não encostar ou sentar-se em superfícies com potencial de contaminação, como macas e camas de
pacientes, pois isto favorece a disseminação de microrganismos.

Infecção

É a resposta inflamatória provocada pela invasão ou presença de micro-organismos em tecidos


orgânicos.

Infecção Comunitária

É a infecção constatada ou em incubação no ato da admissão hospitalar do paciente, desde que não
relacionada com internação anterior.
São também comunitárias:
- a infecção que está associada à complicação ou extensão da infecção já presente na admissão
hospitalar, a menos que haja troca de micro-organismos com sinais ou sintomas fortemente sugestivos
da aquisição de nova infecção;
- a infecção em recém-nascido, cuja aquisição por via transplacentária é reconhecida ou foi
comprovada e que se tornou evidente logo após o nascimento (exemplo: herpes simples, toxoplasmose,
rubéola, citomegalovirose, sífilis, Aids);
- as infecções de recém-nascidos associadas com bolsa rota superior a 24 horas (vinte e quatro horas).

Princípios:
- evidência clínica, derivada da observação direta do paciente ou da análise de seu prontuário;
- resultados de exames de laboratório, ressaltando-se os exames microbiológicos, a pesquisa de
antígenos, anticorpos e métodos de visualização realizados;
- evidências de estudos com métodos de imagem;
- endoscopia;
- biópsia e outros.

Critérios gerais
- quando na mesma topografia em que foi diagnosticada infecção comunitária, for isolado um germe
diferente, seguido do agravamento das condições clínicas do paciente, o caso deverá ser considerado
infecção hospitalar;
- quando se desconhecer o período de incubação do microrganismo e não houver evidência clínica e
ou dado laboratorial de infecção no momento da internação, convenciona-se como infecção hospitalar
toda manifestação clínica de infecção que se apresentar a partir de 72 (setenta e duas) horas após a
admissão;
- são também convencionadas infecções hospitalares aquelas manifestadas antes de 72 (setenta e
duas) horas da internação, quando associadas a procedimentos diagnósticos e ou terapêuticos,
realizados durante esse período;
- as infecções do recém-nascido são hospitalares, com exceção das transmitidas de forma
transplacentária e aquelas associadas à bolsa rota durante esse período;
- pacientes provenientes de outro hospital que se internam com infecção, são considerados portadores
de infecção hospitalar do hospital de origem. Nestes casos, a Coordenação Estadual/Distrital/Municipal e
ou hospital de origem deverão ser informados para computar o episódio como infecção hospitalar naquele
hospital.

CLASSIFICAÇÃO DAS CIRURGIAS POR POTENCIAL DE CONTAMINAÇÃO DA INCISÃO


CIRÚRGICA.
- as infecções pós-cirúrgicas devem ser analisadas conforme o potencial de contaminação da ferida
cirúrgica, entendido como o número de microrganismos presentes no tecido a ser operado;
- a classificação das cirurgias deverá ser feita no final do ato cirúrgico, pelo cirurgião, de acordo com
as seguintes indicações:

Cirurgias Limpas

São aquelas realizadas em tecidos estéreis ou passíveis de descontaminação, na ausência de


processo infeccioso e inflamatório local ou falhas técnicas grosseiras, cirurgias eletivas com cicatrização

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de primeira intenção e sem drenagem aberta. Cirurgias em que não ocorrem penetrações nos tratos
digestório ou urinário.
- artroplastia de quadril;
- cirurgias cardíacas;
- herniorrafia;
- neurocirurgia;
- cirurgias ortopédicas eletivas;
- anastomose porto-cava;
- anastomose esplenectomia;
- mastectomia;
- enxertos cutâneos;
- vagotomia supra-seletiva sem drenagem;
- cirurgias vasculares;
- cirurgias torácicas;
- cirurgias sobre o trato respiratório intratorácico ou baixo.
- cirurgias de peritônio: baço, fígado, pâncreas, músculos, ossos, articulações, ovários, trompas, pele,
tecido celular subcutâneo, próstata sem acesso uretral, bexiga sem acesso uretral, ureter, bacinetes.
O índice ideal máximo de infecção esperado neste tipo de cirurgia é de até 2%, porém, segundo o
Colégio Americano de Cirurgiões, pode atingir até 5%.

Cirurgias Potencialmente Contaminadas

São aquelas realizadas em tecidos colonizados por flora microbiana pouco numerosa ou em tecidos
de difícil descontaminação, na ausência de processo infeccioso e inflamatório e com falhas técnicas
discretas no transoperatório. Cirurgias com drenagem aberta enquadram-se nessa categoria. Ocorre
penetração nos tratos digestivo, respiratório ou urinário sem contaminação significativa.
- histerectomia abdominal;
- cirurgia eletiva de intestino delgado;
- cirurgia de vias biliares;
- cirurgia esofágica, gástrica, duodenal e de íleo;
- feridas traumáticas limpas;
- cirurgias de ouvido externo;
- cirurgia de uretra;
- cirurgia de útero cujo acesso não seja o vaginal;
- quebra menor da técnica asséptica;
- drenagem mecânica.
O índice ideal máximo de infecção esperado neste tipo de cirurgia é de até 10%.

Cirurgias Contaminadas

São aquelas realizadas em tecidos colonizados por flora bacteriana abundante, cuja descontaminação
seja difícil ou impossível, bem como aquelas em que tenham ocorrido falhas técnicas grosseiras e na
ausência de supuração local.
- apendicectomia sem supuração;
- cirurgia de cólon, reto e ânus;
- cirurgia de vulva e vagina;
- cirurgia de vias biliares em presença de bile contaminada;
- cirurgia intranasal;
- cirurgia oral e dental;
- cirurgia de orofaringe;
- fraturas expostas;
- fraturas traumáticas recentes;
- cirurgias com quebra da técnica asséptica (por exemplo: massagem cardíaca a céu aberto).
Estes procedimentos apresentam um índice de infecção esperando elevado, entretanto não superior
a 15-20%.

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Cirurgias infectadas

São todas as intervenções cirúrgicas realizadas em qualquer tecido ou órgão, em presença de


processo infeccioso (supuração local) e ou tecido necrótico.
- cirurgia de reto e ânus com pus;
- cirurgia abdominal em presença de conteúdo de cólon e pus;
- nefrectomia com infecção;
- feridas traumáticas abertas tardias (depois de 10 horas);
- parto normal ou cesariana com bolsa rota há mais de 6 horas.
O índice de infecção esperando para estes procedimentos varia de 28 a 40%

Tipos De Infecções
Infecções Preveníveis

São aquelas passíveis de serem controladas e reduzidas a níveis aceitáveis. Ex: pacientes em uso de
cateteres vesicais, venosos etc.

Infecções Não-Preveníveis

São aquelas que dependem basicamente do hospedeiro (paciente) e sua imunidade e não tanto dos
fatores externos. Ex: infecção em RN prematuros, pacientes terminais, idosos, imunodeprimidos etc.

Infecção Cruzada

É a infecção transmitida de paciente para paciente, geralmente por intermédio de profissionais


de saúde e que também é considerada infecção hospitalar.

Colonização – é o aumento de um ou mais tipo de microrganismo sem causar uma reação patogênica.

Isolamento

Define-se como isolamento o conjunto de medidas adotadas para fazer uma barreira que impeça
a disseminação de agentes infecciosos de um paciente para outro, para os visitantes e ou para o
meio ambiente.
Está indicado nas doenças transmissíveis, em situações definidas e, apenas durante o período de
transmissibilidade das doenças. Portanto, esta recomendação sobre isolamento deve se completar com
o período de incubação e de transmissão das doenças.
Chama-se de isolamento, toda vez que for necessário quarto individual; nas precauções, o quarto será
individual apenas quando possível.

Normas gerais de isolamento

Para todo paciente que necessite de qualquer tipo de isolamento, deve-se:


- orientar todos os familiares antes da admissão do paciente na área de isolamento quanto ao provável
tempo de internamento nessa área, cuidados e medidas de biossegurança;
- proibir visitas aos pacientes isolados, principalmente de crianças;
- os prontuários e papeletas não deverão ser levados para dentro da área de isolamento. As anotações
poderão ser em papel à parte e logo repassadas para o prontuário;
- a mobília do local de isolamento deverá ser mínima e os utensílios alimentares, descartáveis;
- o material para curativos deverá ser unitário e calculado de acordo com o número de curativos a
serem realizados;
- a roupa de cama e a do paciente deverão ser delicadamente trocadas e encaminhadas à lavanderia
em sacos duplos;
- objetos de uso pessoal deverão ser desinfetados.

Doenças que requerem isolamento total

São as doenças altamente contagiosas e com grande virulência, que podem ser transmitidas
pelo ar e pelo contato direto e ou indireto. Tais doenças requerem quarto privativo, ficando o

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paciente/doente sozinho ou junto com outras pessoas com a mesma doença. A porta do quarto deverá
estar sempre fechada.
É obrigatório para se entrar no quarto de paciente em Isolamento Total o uso de:
- precaução Universal ou Padrão (avental, máscara, luvas - ao manipular o paciente/doente -, óculos);
- a lavagem das mãos antes e após manuseio do paciente e ou procedimentos;
- os aventais deverão ser individuais. E, antes de deixar o quarto, o profissional de saúde deve
dispensá-los em local apropriado. Deve-se calcular a quantidade de aventais para cada período de 24
horas de acordo com o número de funcionários que irão utilizá-los;
- máscaras e luvas deverão ser de uso pessoal, utilizadas uma única vez, devendo ser colocadas em
área limpa e dispensadas em área contaminada. Nunca se deve deixar a máscara pendurada no pescoço,
e, ao utilizá-la deve cobrir a boca e o nariz.

IMPORTANTE:
A limpeza e desinfecção da área deverão ser feitas diariamente, e após alta ou óbito, conforme
normatização da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH).
Deverão ser normatizadas tanto as técnicas quanto os materiais de limpeza, os equipamentos de
proteção individual e as soluções a serem usadas (detergente neutro, desinfetantes).
Todo pessoal que trabalhe no setor quer administrativo, quer técnico, deverá ser sistematicamente
treinado e ou avaliado clinicamente e imunologicamente.

Doenças a Serem Isoladas

Isolamento Respiratório:
- Caxumba;
- Coqueluche;
- Estreptococo beta-hemolítico (amigdalite, escarlatina);
- Herpes zoster (contato com imunodeprimido);
- Meningite por Haemophilus;
- Meningite meningocócica;
- Pneumonia estafilocócica;
- Rubéola;
- Sarampo;
- TB (escarro positivo);

Isolamento Protetor:
- Agranulocitose;
- Dermatite bolhosa, vesicular ou eczematosa extensa;
- Imunodeprimido grave;
- Queimadura extensa.

Medidas para a prevenção e o controle de infecções4

Controle de Infecção em Serviços de Saúde

O Programa de Controle de Infecção em Serviços de Saúde é sinônimo de controle de qualidade. Por


isso, essa atividade está sendo desenvolvida pela Anvisa com muito engajamento, em parceria com
Vigilâncias Sanitárias estaduais, municipais, hospitais públicos e privados, instituições de ensino e
profissionais de saúde. A meta maior é divulgar ações que possam prevenir as infecções adquiridas nas
unidades de saúde - hospitais, clínicas e ambulatórios.

Programa Nacional de Controle de Infecção Hospitalar

As atividades do Programa Nacional de Controle de Infecção Hospitalar (PCIH) foram


delineadas pela Lei nº 9431, de 6 de janeiro de 1997, que dispõe sobre a obrigatoriedade dos
hospitais manterem um Programa de Infecções Hospitalares e criarem uma Comissão de Controle
de Infecções Hospitalares (CCIH) para execução deste controle.

4
http://www.anvisa.gov.br

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
LEI Nº 9.431, DE 6 DE JANEIRO DE 19975

Dispõe sobre a obrigatoriedade da manutenção de programa de controle de infecções hospitalares


pelos hospitais do País.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu


sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Os hospitais do País são obrigados a manter Programa de Controle de Infecções Hospitalares
- PCIH.
§ 1° Considera-se programa de controle de infecções hospitalares, para os efeitos desta Lei, o
conjunto de ações desenvolvidas deliberada e sistematicamente com vistas à redução máxima possível
da incidência e da gravidade das infecções hospitalares.
§ 2° Para os mesmos efeitos, entende-se por infecção hospitalar, também denominada institucional
ou nosocomial, qualquer infecção adquirida após a internação de um paciente em hospital e que se
manifeste durante a internação ou mesmo após a alta, quando puder ser relacionada com a
hospitalização.

Art. 2° Objetivando a adequada execução de seu programa de controle de infecções hospitalares, os


hospitais deverão constituir:
I - Comissão de Controle de Infecções Hospitalares;
II - (VETADO)

Art. 3° (VETADO)

Art. 4° (VETADO)

Art. 5° (VETADO)

Art. 6° (VETADO)

Art. 7° (VETADO)

Art. 8° (VETADO)

Art. 9° Aos que infringirem as disposições desta Lei aplicam-se as penalidades previstas na Lei n°
6.437, de 20 de agosto de 1977.

Art. 10. (VETADO)

Art. 11. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 12. Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 6 de janeiro de 1997; 176º da Independência e 109º da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

As diretrizes e normas que viabilizaram o planejamento do programa foram definidas pela


Portaria GM nº 2.616, de 12 de maio de 1998. De acordo com esta Portaria, as Comissões de
Controle de Infecções Hospitalares devem ser compostas por membros consultores e executores,
sendo esses últimos representantes do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) e
responsáveis pela operacionalização das ações programadas do controle de infecção hospitalar.

5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9431.htm - Acesso em 04/09/2018 às 15h45min.

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Portaria nº 2.616, de 12 de maio de 19986

O Ministro de Estado da Saúde, Interino, no uso das suas atribuições que lhe confere o art. 87, inciso
II da Constituição, e

Considerando as infecções hospitalares constituem risco significativo à saúde dos usuários dos
hospitais, e sua prevenção e controle envolvem medidas de qualificação da assistência hospitalar, de
vigilância sanitária e outras, tomadas no âmbito do Estado, do Município e de cada hospital, atinentes ao
seu funcionamento;
Considerando que o Capítulo I art. 5º e inciso III da Lei nº 8.080 de 19 de setembro de 1990, estabelece
como objetivo e atribuição do Sistema Único de Saúde (SUS), “a assistência às pessoas por intermédio
de ações de promoção, proteção e recuperação da Saúde com a realização integrada das ações
assistenciais e das atividades preventivas”,
Considerando que no exercício da atividade fiscalizadora os órgãos estaduais de saúde deverão
observar, entre outros requisitos e condições, a adoção, pela instituição prestadora de serviços, de meios
de proteção capazes de evitar efeitos nocivos à saúde dos agentes, clientes, pacientes e dos
circunstantes (Decreto nº 77.052, de 19 de janeiro de 1976, art. 2º, inciso IV);
Considerando os avanços técnico-científicos, os resultados do Estudo Brasileiro da Magnitude das
Infecções hospitalares. Avaliação da Qualidade das Ações de Controle de Infecção Hospitalar, o
reconhecimento mundial destas ações como as que implementam a melhoria da qualidade da assistência
à Saúde, reduzem esforços, problemas, complicações e recursos;
Considerando a necessidade de informações e instrução oficialmente constituída para respaldar a
formação técnico-profissional, resolve:

Art. 1º Expedir, na forma dos anexos I, II, III, IV, e V, diretrizes e normas para a prevenção e o controle
das infecções hospitalares.

Art. 2º As ações mínimas necessárias, a serem desenvolvidas, deliberada e sistematicamente, com


vistas à redução máxima possível da incidência e da gravidade das infecções dos hospitais, compõem o
Programa de Controle de infecções Hospitalares.

Art. 3º A secretaria de Política de Saúde, do Ministério da Saúde, prestará cooperação técnica às


Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, a fim de orientá-las sobre o exato cumprimento e
interpretação das normas aprovadas por esta Portaria.

Art. 4º As Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde poderão adequar as normas conforme prevê
a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.

Art. 5º A inobservância ou o descumprimento das normas aprovadas por esta Portaria sujeitará o
infrator ao processo e às penalidades previstas na Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977, ou outra que a
substitua, com encaminhamento dos casos ou ocorrências ao Ministério Público e órgãos de defesa do
consumidor para aplicação da legislação pertinente (Lei nº 8.078/90 ou outra que a substitua).

Art. 6º Este regulamento deve ser adotado em todo território nacional, pelas pessoas jurídicas e físicas,
de direito público e privado envolvidas nas atividades hospitalares de assistência à saúde.

Art. 7º Esta Portaria entrará em vigor na data de sua publicação.

Art. 8º Fica revogada a Portaria nº 930, de 27 de agosto de 1992.

6
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/1998/prt2616_12_05_1998.html - Acesso em 04/09/2018 às 15h46min.

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Programa de Controle de Infecção Hospitalar

ANEXO I
ORGANIZAÇÃO

1. O Programa de Controle de Infecção Hospitalares (PCIH) é um conjunto de ações desenvolvidas


deliberada e sistematicamente, com vistas à redução máxima possível da incidência e da gravidade das
infecções hospitalares.

2. Para a adequada execução do PCIH, os hospitais deverão constituir Comissão de Controle de


Infecção Hospitalar (CCIH), órgão de assessoria à autoridade máxima da instituição e de execução das
ações de controle de infecção hospitalar.
2.1 A CCIH deverá ser composta por profissionais da área de saúde, de nível superior, formalmente
designados.
2.2 Os membros da CCIH serão de dois tipos: consultores e executores.
2.2.1 O presidente ou coordenador da CCIH será qualquer um dos membros da mesma, indicado pela
direção do hospital.
2.3 Os membros consultores serão representantes, dos seguintes serviços:
2.3.1 serviço médico;
2.3.2 serviço de enfermagem;
2.3.3 serviço de farmácia;
2.3.4 laboratório de microbiologia;
2.3.5 administração.
2.4 Os hospitais com número de leitos igual ou inferior a 70 (setenta) atendem os números 2.3.1 e
2.3.2.
2.5 Os membros executores da CCIH representam o Serviço de Controle de Infecção hospitalar e,
portanto, são encarregados da execução programada de controle de infecção hospitalar;
2.5.1. Os membros executores serão, no mínimo, 2 (dois) técnicos de nível superior da área de saúde
para cada 200 (duzentos) leitos ou fração deste número com carga horária diária, mínima, de 6 (seis)
horas para o enfermeiro e 4 (quatro) horas para os demais profissionais.
2.5.1.1. - Um dos membros executores deve ser, preferencialmente, um enfermeiro.
2.5.1.2. - A carga horária diária, dos membros executores, deverá ser calculada na base da
proporcionalidade de leitos indicado no número 2.5.1.
2.5.1.3. - Nos hospitais com leitos destinados a pacientes críticos, a CCIH deverá ser acrescida de
outros profissionais de nível superior da área de saúde. Os membros executores terão acrescidas 2 (duas)
horas semanais de trabalho para cada 10 (dez) leitos ou fração.
2.5.1.3.1. Para fins desta Portaria, consideram-se pacientes críticos:
2.5.1.3.1.1. pacientes de terapia intensiva (adulto, pediátrico e neonatal);
2.5.1.3.1.2. pacientes de berçário de alto risco;
2.5.1.3.1.3. pacientes queimados;
2.5.1.3.1.4. pacientes submetidos a transplantes de órgãos;
2.5.1.3.1.5. pacientes hemato-oncológicos;
2.5.1.3.1.6. pacientes com Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.
2.5.1.4 - Admite-se, no caso do número 2.5.1.3., o aumento do número de profissionais executores na
CCIH, ou a relativa adequação de carga horária de trabalho da equipe original expressa no número 2.5.1;
2.5.1.5 - Em hospitais com regime exclusivo de internação tipo paciente-dia, deve-se atender aos
números 2.1, 2.2 e 2.3, e com relação ao número 2.5.1., a carga de trabalho dos profissionais será de 2
(duas) horas diárias para o enfermeiro e 1 (uma) hora para os demais profissionais, independente do
número de leitos da instituição.
2.5.1.6 - Os hospitais poderão consorciar-se no sentido da utilização recíproca de recursos técnicos,
materiais e humanos, com vistas à implantação e manutenção do Programa de Controle da infecção
Hospitalar.
2.5.1.7 - Os hospitais consorciados deverão constituir CCIH própria, conforme os números 2 e 2.1,
com relação aos membros consultores, e prover todos os recursos necessários à sua atuação.
2.5.1.8 - O consórcio deve ser formalizado entre os hospitais componentes. Os membros executores,
no consórcio, devem atender aos números 2.5.1, 2.5.1.1, 2.5.1.2, 2.5.1.3 e 2.5.1.4.

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COMPETÊNCIAS

3. A CCIH do hospital deverá:


3.1 elaborar, implementar, manter e avaliar programa de controle de infecção hospitalar, adequado às
características e necessidades da instituição, contemplando no mínimo, ações relativas a:
3.1.1 implantação de um Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares, de acordo
com o Anexo III;
3.1.2 adequação, implementação e supervisão das normas e rotinas técnico-operacionais, visando a
prevenção e controle das infecções hospitalares;
3.1.3 capacitação do quadro de funcionários e profissionais da instituição, no que diz respeito à
prevenção e controle das infecções hospitalares;
3.1.4 uso racional de antimicrobianos, germicidas e materiais médico-hospitalares;
3.2 avaliar, periódica e sistematicamente, as informações providas pelo Sistema de Vigilância
Epidemiológica das infecções hospitalares e aprovar as medidas de controle propostas pelos membros
executores de CCIH;
3.3 realizar investigação epidemiológica de casos e surtos, sempre que indicado, e implantar medidas
imediatas de controle;
3.4 elaborar e divulgar, regularmente, relatórios e comunicar, periodicamente, à autoridade máxima de
instituição e às chefias de todos os setores do hospital, a situação do controle das infecções hospitalares,
promovendo seu amplo debate na comunidade hospitalar;
3.5 elaborar, implantar e supervisionar a aplicação de normas e rotinas técnico-operacionais, visando
limitar a disseminação de agentes presentes nas infecções em curso no hospital, por meio de medidas
de precaução e de isolamento;
3.6 adequar, implementar e supervisionar a aplicação de normas e rotinas técnico-operacionais,
visando à prevenção e ao tratamento das infecções hospitalares;
3.7 definir, em cooperação com a Comissão de Farmácia e Terapêutica, política de utilização de
antimicrobianos, germicidas e materiais médico-hospitalares para a instituição;
3.8 cooperar com o setor de treinamento ou responsabilizar-se pelo treinamento, com vistas a obter
capacitação adequada do quadro de funcionários e profissionais, no que diz respeito ao controle das
infecções hospitalares;
3.9 elaborar regimento interno para a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar;
3.10 cooperar com a ação do órgão de gestão do SUS, bem como fornecer, prontamente, as
informações epidemiológicas solicitadas pelas autoridades competentes;
3.11 notificar, na ausência de um núcleo de epidemiologia, ao organismo de gestão do SUS, os casos
diagnosticados ou suspeitos de outras doenças sob vigilância epidemiológica (notificação compulsória),
atendidos em qualquer dos serviços ou unidades do hospital, e atuar cooperativamente com os serviços
de saúde coletiva;
3.12 notificar ao Serviço de Vigilância Epidemiológica e Sanitária do organismo de gestão do SUS, os
casos e surtos diagnosticados ou suspeitos de infecção associadas à utilização de insumos e/ou produtos
industrializados.

4. Caberá à autoridade máxima da instituição:


4.1 constituir formalmente a CCIH;
4.2 nomear os componentes da CCIH por meio de ato próprio;
4.3 propiciar a infraestrutura necessária à correta operacionalização da CCIH;
4.4 aprovar e fazer respeitar o regimento interno da CCIH;
4.5 garantir a participação do Presidente da CCIH nos órgãos colegiados deliberativos e formuladores
de política da instituição, como, por exemplo, os conselhos técnicos, independente da natureza da
entidade mantenedora da instituição de saúde;
4.6 garantir o cumprimento das recomendações formuladas pela Coordenação Municipal,
Estadual/Distrital de Controle de Infecção Hospitalar;
4.7 Informar o órgão oficial municipal ou estadual quanto à composição da CCIH e às alterações que
venham a ocorrer;
4.8 fomentar a educação e o treinamento de todo o pessoal hospitalar.

5. À Coordenação de Controle de Infecção Hospitalar do Ministério da Saúde, compete:


5.1 definir diretrizes de ações de controle de infecção hospitalar;
5.2 apoiar a descentralização das ações de prevenção e controle de infecção hospitalar;
5.3 coordenar as ações nacionais de prevenção e controle de infecção hospitalar;

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5.4 estabelecer normas gerais para a prevenção e controle das infecções hospitalares;
5.5 estabelecer critérios, parâmetros e métodos para o controle de infecção hospitalar;
5.6 promover a articulação com órgãos formadores, com vistas à difusão do conteúdo de conhecimento
do controle de infecção hospitalar;
5.7 cooperar com a capacitação dos profissionais de saúde para o controle de infecção hospitalar;
5.8 identificar serviços municipais, estaduais e hospitalares para o estabelecimento de padrões
técnicos de referência nacional;
5.9 prestar cooperação técnica, política e financeira aos Estados e aos Municípios, para
aperfeiçoamento da sua atuação em prevenção e controle de infecção hospitalar;
5.10 acompanhar e avaliar as ações implementadas, respeitadas as competências estaduais/distrital
e municipais de atuação, na prevenção e controle das infecções hospitalares;
5.11 estabelecer sistema nacional de informações sobre infecção hospitalar na área de vigilância
epidemiológica;
5.12 estabelecer sistema de avaliação e divulgação nacional dos indicadores da magnitude e
gravidade das infecções hospitalares e da qualidade das ações de seu controle;
5.13 planejar ações estratégicas em cooperação técnica com os Estados, Distrito Federal e os
Municípios;
5.14 acompanhar, avaliar e divulgar os indicadores epidemiológicos de infecção hospitalar.

6. Às Coordenações Estaduais e Distrital de Controle de Infecção Hospitalar, compete:


6.1 definir diretrizes de ação estadual/distrital, baseadas na política nacional de controle de infecção
hospitalar;
6.2 estabelecer normas, em caráter suplementar, para a prevenção e controle de infecção hospitalar;
6.3 descentralizar as ações de prevenção e controle de infecção hospitalar dos Municípios;
6.4 prestar apoio técnico, financeiro e político aos municípios, executando, supletivamente, ações e
serviços de saúde, caso necessário;
6.5 coordenar, acompanhar, controlar e avaliar as ações de prevenção e controle de infecção
hospitalar do Estado e Distrito Federal;
6.6 acompanhar, avaliar e divulgar os indicadores epidemiológicos de infecção hospitalar;
6.7 informar, sistematicamente, à Coordenação de Controle de Infecção Hospitalar, do Ministério da
Saúde, a partir da rede distrital, municipal e hospitalar, os indicadores de infecção hospitalar
estabelecidos.

7. Às Coordenações Municipais de Controle de Infecção Hospitalar, compete:


7.1 coordenar as ações de prevenção e controle de infecção hospitalar na rede hospitalar do Município;
7.2 participar do planejamento, da programação e da organização da rede regionalizada e
hierarquizada do SUS, em articulação com a Coordenação Estadual de controle de infecção hospitalar;
7.3 colaborar e acompanhar os hospitais na execução das ações de controle de infecção hospitalar;
7.4 prestar apoio técnico às CCIH dos hospitais;
7.5 informar, sistematicamente, à Coordenação Estadual de controle de infecção hospitalar do seu
Estado, a partir da rede hospitalar, os indicadores de infecção hospitalar estabelecidos.

Programa de Controle de Infecção Hospitalar

ANEXO II
CONCEITOS E CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DAS INFECÇÕES HOSPITALARES

1. Conceitos básicos.
1.1. Infecção comunitária (IC):
1.1.1 é aquela constatada ou em incubação no ato de admissão do paciente, desde que não
relacionada com internação anterior no mesmo hospital.
1.1.2 São também comunitárias:
1.1.2.1 a infecção que está associada com complicação ou extensão da infecção já presente na
admissão, a menos que haja troca de microrganismos com sinais ou sintomas fortemente sugestivos da
aquisição de nova infecção;
1.1.2.2 a infecção em recém-nascido, cuja aquisição por via transplacentária é conhecida ou foi
comprovada e que tornou-se evidente logo após o nascimento (exemplo: herpes simples, toxoplasmose,
rubéola, citomegalovirose, sífilis e AIDS);
1.1.2.3 As infecções de recém-nascidos associadas com bolsa superior e 24 (vinte e quatro) horas.

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1.2. Infecção hospitalar (IH):
1.2.1 é aquela adquirida após a admissão do paciente e que se manifeste durante a internação ou
após a alta, quando puder ser relacionada com a internação ou procedimentos hospitalares.

2. Critérios para diagnóstico de infecção hospitalar, previamente estabelecidos e descritos.


2.1 Princípios:
2.1.1 o diagnóstico das infecções hospitalares deverá valorizar informações oriundas de:
2.1.1.1 evidência clínica, derivada da observação direta do paciente ou da análise de seu prontuário;
2.1.1.2 resultados de exames de laboratório, ressaltando-se os exames microbiológicos, a pesquisa
de antígenos, anticorpos e métodos de visualização realizados.
2.1.1.3 evidências de estudos com métodos de imagem;
2.1.1.4 endoscopia;
2.1.1.5 biópsia e outros.
2.2 Critérios gerais:
2.2.1 quando, na mesma topografia em que foi diagnosticada infecção comunitária, foi isolado um
germe diferente, seguido do agravamento das condições clínicas do paciente, o caso deverá ser
considerado como infecção hospitalar;
2.2.2 quando se desconhecer o período de incubação do microrganismo e não houver evidência clínica
e/ou dado laboratorial de infecção no momento da internação, convenciona-se infecção hospitalar toda
manifestação clínica de infecção que se apresentar a partir de 72 (setenta e duas) horas após a admissão;
2.2.3 são também convencionadas infecções hospitalares aquelas manifestadas antes de 72 (setenta
e duas) horas da internação, quando associadas a procedimentos diagnósticos e/ou terapêuticos,
realizados durante este período;
2.2.4 as infecções recém-nascido são hospitalares, com exceção das transmitidas de forma
transplacentária e aquelas associadas a bolsa rota superior a 24 (vinte e quatro) horas;
2.2.5 os pacientes provenientes de outro hospital que se internam com infecção, são considerados
portadores de infecção hospitalar do hospital de origem infecção hospitalar. Nestes casos, a Coordenação
Estadual/Distrital/Municipal e/ou o hospital de origem deverão ser informados para computar o episódio
como infecção hospitalar naquele hospital.

3. Classificação das cirurgias por potencial de contaminação da incisão cirúrgica


3.1 as infecções pós-cirúrgicas devem ser analisadas conforme o potencial de contaminação da ferida
cirúrgica, entendido como o número de microrganismos presentes no tecido a ser operado;
3.2 a classificação das cirurgias deverá ser feita no final do ato cirúrgico, pelo cirurgião, de acordo com
as seguintes indicações;
3.2.1 Cirurgias Limpas - são aquelas realizadas em tecidos estéreis ou passíveis de descontaminação,
na ausência de processo infeccioso e inflamatório local ou falhas técnicas grosseiras, cirurgias eletivas
com cicatrização de primeira intenção e sem drenagem aberta. Cirurgias em que não ocorrem penetração
nos tratos digestivos, respiratório ou urinário;
3.2.2 Cirurgias Potencialmente Contaminadas - são aquelas realizadas em tecidos colonizados por
flora microbiana pouco numerosa ou em tecidos de difícil descontaminação, na ausência de processo
infeccioso e inflamatório e com falhas técnicas discretas no trans-operatório. Cirurgias com drenagem
aberta enquadram-se nesta categoria. Ocorre penetração nos tratos digestivos, respiratório ou urinário
sem contaminação significativa.
3.2.3 Cirurgias Contaminadas - são aquelas realizadas em tecidos recentemente traumatizados e
abertos, colonizados por flora bacteriana abundante, cuja descontaminação seja difícil ou impossível, bem
como todas aquelas em que tenham ocorrido falhas técnicas grosseiras, na ausência de supuração local.
Na presença de inflamação aguda na incisão e cicatrização de segunda intenção, ou grande
contaminação a partir do tubo digestivo. Obstrução biliar ou urinária também se incluem nesta categoria.
3.2.4 Cirurgias Infectadas - são todas as intervenções cirúrgicas realizadas em qualquer tecido ou
órgão, em presença de processo infeccioso (supuração local) e/ou tecido necrótico.

ANEXO III
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E INDICADORES EPIDEMIOLÓGICOS DAS INFECÇÕES
HOSPITALARES

1. Vigilância Epidemiológica das infecções hospitalares é a observação ativa, sistemática e contínua


de sua ocorrência e de sua distribuição entre pacientes, hospitalizados ou não, e dos eventos e condições
que afetam o risco de sua ocorrência, com vistas à execução oportuna das ações de prevenção e controle.

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2. A CCIH deverá escolher o método de Vigilância Epidemiológica mais adequado às características
do hospital, à estrutura de pessoal e à natureza do risco da assistência, com base em critérios de
magnitude, gravidade, redutibilidade das taxas ou custo;
2.1 São indicados os métodos prospectivos, retrospectivos e transversais, visando determinar taxas
de incidência ou prevalência.

3. São recomendados os métodos de busca ativos de coleta de dados para Vigilância Epidemiológica
das infecções hospitalares.

4. Todas as alterações de comportamento epidemiológico deverão ser objeto de investigação


epidemiológica específica.

5. Os indicadores mais importantes a serem obtidos e analisados periodicamente no hospital e,


especialmente, nos serviços de Berçário de Alto Risco, UTI (adulto/pediátrica/neonatal) Queimados, são;
5.1. Taxa de Infecção Hospitalar, calculada tomando como numerador o número de episódios de
infecção hospitalar no período considerado e como denominados o total de saídas (altas, óbitos e
transferências) ou entradas no mesmo período;
5.2. Taxa de Pacientes com Infecção Hospitalar, calculada tomando como numerador o número de
doentes que apresentam infecção hospitalar no período considerado, e como denominador o total de
saídas (altas, óbitos e transferências) ou entradas no período;
5.3. Distribuição Percentual das Infecções Hospitalares por localização topográfica no paciente,
calculada tendo como numerador o número de episódios de infecção hospitalar em cada topografia, no
período considerado e como denominador o número total de episódios de infecção hospitalar ocorridos
no período;
5.4. Taxa de Infecções Hospitalares por Procedimento, calculada tendo como numerador o número de
pacientes submetidos a um procedimento de risco que desenvolveram infecção hospitalar e como
denominador o total de pacientes submetidos a este tipo de procedimento.
Exemplos:
Taxa de infecção do sitio cirúrgico, de acordo com o potencial de contaminação.
Taxa de infecção urinária após cateterismo vesical.
Taxa de pneumonia após uso de respirador.
5.5 Recomenda-se que os indicadores epidemiológicos dos números 5.1 e 5.2 sejam calculados
utilizando-se no denominador o total de pacientes/dia, no período.
5.5.1. O número de pacientes/dia é obtido somando-se os dias totais de permanência de todos os
pacientes no período considerado.
5.6 Recomenda-se que o indicador do inúmero 5.4 pode ser calculado utilizando-se como denominador
o número total de procedimentos dia.
5.6.1. O número de pacientes/dia é obtido somando-se o total de dias de permanência do procedimento
realizado no período considerado.
5.7. Outros procedimentos de risco poderão ser avaliados, sempre que a ocorrência respectiva o
indicar, da mesma forma que é de utilidade o levantamento das taxas de infecção do sitio cirúrgico, por
cirurgião e por especialidade.
5.8. Frequência das Infecções Hospitalares por Microrganismos ou por etiologia, calculada tendo como
numerador o número de episódios de infecção hospitalar por microrganismo e como denominador o
número de episódios de infecções hospitalares que ocorreram no período considerado.
5.9. Coeficiente de Sensibilidade aos Antimicrobianos, calculado tendo como numerador o número de
cepas bacterianas de um determinado microrganismo sensível e determinado antimicrobiano e como
denominador o número total de cepas testadas do mesmo agente com antibiograma realizado a partir das
espécimes encontradas.
5.10. Indicadores de uso de antimicrobianos.
5.10.1 Percentual de pacientes que usaram antimicrobianos (uso profilático ou terapêutico) no período
considerado. Pode ser especificado por clínica de internação. É calculado tendo como numerador o total
de pacientes em uso de antimicrobiano e como denominador o número total de pacientes no período.
5.10.2 Frequência com que cada antimicrobiano é empregado em relação aos demais, É calculada
tendo como numerador o total de tratamentos iniciados com determinado antimicrobiano no período, e
como denominador o total de tratamentos com antimicrobianos iniciados no mesmo período.
5.11 Taxa de letalidade associada a infecção hospitalar, é calculada tendo como numerador o número
de óbitos ocorridos de pacientes com infecção hospitalar no período considerado, e como denominador
o número de pacientes que desenvolveram infecção hospitalar no período.

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5.12 Consideram-se obrigatórias as informações relativas aos indicadores epidemiológicos 5.1, 5.2,
5.3 e 5.11, no mínimo com relação aos serviços de Berçário de alto risco, UTI (adulto/ pediátrica/neonatal)
e queimados.

6. Relatórios e Notificações
6.1 A CCIH deverá elaborar periodicamente um relatório com os indicadores epidemiológicos
interpretados e analisados. Esse relatório deverá ser divulgado a todos os serviços e à direção,
promovendo-se seu debate na comunidade hospitalar.
6.2 O relatório deverá conter informações sobre o nível endêmico das infecções hospitalares sob
vigilância e as alterações de comportamento epidemiológico detectadas, bem como as medidas de
controle adotadas e os resultados obtidos.
6.3 É desejável que cada cirurgião receba, anualmente, relatório com as taxas de infecção em cirurgias
limpas referentes às suas atividades, e a taxa média de infecção de cirurgias limpas entre pacientes de
outros cirurgiões de mesma especialidade ou equivalente.
6.4 O relatório de vigilância epidemiológica e os relatórios de investigações epidemiológicas deverão
ser enviados às Coordenações Estaduais/ Distrital/Municipais e à Coordenação de Controle de Infecção
Hospitalar do Ministério da Saúde, conforme as normas específicas das referidas Coordenações.

Programa de Controle de Infecção Hospitalar

ANEXO IV
LAVAGEM DAS MÃOS

1. Lavagem das mãos é a fricção manual vigorosa de toda a superfície das mãos e punhos, utilizando-
se sabão/detergente, seguida de enxágue abundante em água corrente.

2. A lavagem das mãos é, isoladamente, a ação mais importante para a prevenção e controle das
infecções hospitalares.

3. O uso de luvas não dispensa a lavagem das mãos antes e após contatos que envolvam mucosas,
sangue ou outros fluidos corpóreos, secreções ou excreções.

4. A lavagem das mãos deve ser realizada tantas vezes quanto necessária, durante a assistência a
um único paciente, sempre que envolver contato com diversos sítios corporais, entre cada uma das
atividades.
4.1 A lavagem e antissepsia cirúrgica das mãos é realizada sempre antes dos procedimentos
cirúrgicos.

5. A decisão para a lavagem das mãos com uso de antisséptico deve considerar o tipo de contato, o
grau de contaminação, as condições do paciente e o procedimento a ser realizado.
5.1 A lavagem das mãos com antisséptico é recomendada em;
- realização de procedimentos invasivos;
- prestação de cuidados a pacientes críticos;
- contato direto com feridas e/ou dispositivos, tais como cateteres e drenos.

6. Devem ser empregadas medidas e recursos com o objetivo de incorporar a prática da lavagem das
mãos em todos os níveis de assistência hospitalar.
6.1 A distribuição e a localização de unidades ou pias para lavagem das mãos, de forma a atender à
necessidade nas diversas áreas hospitalares, além da presença dos produtos, é fundamental para a
obrigatoriedade da prática.

Programa de Controle de Infecção Hospitalar

ANEXO V
RECOMENDAÇÕES GERAIS.

1 A utilização dos antissépticos, desinfetantes e esterilizantes seguirá as determinações da Portaria nº


15, de 23 de agosto de 1988, da Secretaria de Vigilância Sanitária (SVS)/ do Ministério da Saúde e o

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Processamento de Artigos e Superfícies em Estabelecimentos de Saúde/MS, 2ª edição, 1994, ou outras
que as complementem ou substituam.
1.1 Não são recomendadas, para a finalidade de antissepsia, as formulações contendo mercuriais
orgânicos, acetona, quaternário de amônio, líquido de Dakin, éter e clorofórmio.

2. As normas de limpeza, desinfecção e esterilização são aquelas definidas pela publicação do


Ministério da Saúde, Processamento de Artigos e Superfícies em Estabelecimentos de Saúde, 2ª edição,
1994 - princípios ativos liberados conforme os definidos pela Portaria nº 15, SVS, de 23 de agosto de
1988, ou outras que a complementem ou substituam.

3. As normas de procedimentos na área de Microbiologia são aquelas definidas pela publicação do


Ministério da Saúde - Manual de Procedimentos Básicos em Microbiologia Clínica para o Controle de
Infecção Hospitalar, 1ª edição, 1991, ou outras que as complementem ou substituam.

4. As normas para lavanderia são aquelas definidas pela publicação do Ministério da Saúde - Manual
de Lavanderia Hospitalar, 1ª edição, 1986, ou outras que as complementem ou substituam.

5. A Farmácia Hospitalar seguirá as orientações contidas na publicação do Ministério da Saúde - Guia


Básico para a Farmácia Hospitalar, 1ª edição, 1994, ou outras que as complementem ou substituam. (Of.
nº 31/98)

2. Repercussões da Portaria MS 2.616 / 98 para o controle de infecções

A Portaria 2.616/98 representou a adequação da antiga regulamentação ministerial às novas


determinações da Lei Federal 9.431 de 06 de janeiro de 1997. A partir de um projeto de lei que
aperfeiçoava a Portaria MS 930/ 92, esta lei, aprovada pelo Congresso, foi vetada em vários de seus
artigos, causando um profundo impacto negativo, principalmente diante dos profissionais, que de alguma
forma atuavam no controle efetivo das infecções hospitalares. Apesar da controvérsia instalada, a referida
lei teve como aspecto positivo a destacar ter tornado obrigatória a existência de uma Comissão de
Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) e de um Programa de Controle de Infecções Hospitalares (PCIH),
definido como um conjunto de ações desenvolvidas deliberada e sistematicamente, tendo como objetivo
a redução máxima possível da incidência e gravidade das infecções nosocomiais.
Como as portarias anteriores, a 2.616/98 é composta por cinco anexos com as diretrizes e normas
para a prevenção e o controle das infecções hospitalares. O anexo I trata da organização e competências
do programa e da comissão de controle de infecção. No anexo II temos conceito e critérios diagnósticos
das infecções hospitalares; no anexo III temos orientações sobre a vigilância epidemiológica das
infecções hospitalares e seus indicadores; nos anexos IV e V observamos recomendações sobre a
lavagem das mãos e outros temas como uso de germicidas, microbiologia, lavanderia e farmácia, dando
ênfase à observância de publicações anteriores do Ministério da Saúde.
O anexo I mantém as definições da CCIH e PCIH da Lei Federal. Há uma melhor especificação da
composição da CCIH, que deverá ter seus membros formalmente designados pela direção do hospital,
incluindo seu presidente, que fará obrigatoriamente parte do conselho diretivo da instituição. Os membros
são divididos em consultores e executores, sendo estes últimos encarregados da execução do PCIH,
representando o ex- Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH). Uma importante novidade é que
a sua composição deve ser informada ao órgão oficial municipal ou estadual.
Na composição deste serviço observamos uma importante alteração, ao recomendar preferentemente
um enfermeiro e que o segundo profissional de nível superior não seja necessariamente um médico. À
carga horária recomendada anteriormente (6 horas diárias para o enfermeiro e 4 horas diárias para o
outro profissional, para cada 200 leitos) foram acrescidas duas horas adicionais de trabalho diário para
cada 10 leitos destinados aos pacientes críticos (terapia intensiva, berçário de alto risco, queimados,
transplante de órgãos, pacientes hemato-oncológicos ou com AIDS). Isto parte do princípio que a
vigilância e as medidas de controle nestas unidades requerem atenção diferenciada. Entretanto, esta
composição deve acompanhar a política de recursos humanos do hospital como um todo, particularmente
nas instituições com deficiências de pessoal em outras áreas essenciais do atendimento.
A competência da CCIH na Portaria 2616/98 é uma somatória do que foi atribuído à CCIH e ao SCIH
na recomendação anterior, acrescidas de novas e importantes determinações, de acordo com as
características e necessidades da instituição. Dentre estas se destacam: o uso racional de
antimicrobianos, germicidas e materiais médico-hospitalares. Além disso, em conjunto com a Comissão
de Farmácia e Terapêutica, deve definir uma política de utilização de antimicrobianos e na ausência de

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
um núcleo de epidemiologia deve informar às autoridades sanitárias, os casos diagnosticados ou
suspeitos de doenças de notificação compulsória, relatar as informações epidemiológicas solicitadas e os
casos suspeitos de estarem relacionados à utilização de insumos ou produtos industrializados. Estas
novas recomendações objetivam tornar mais atuante as ações de controle de infecção, integrando-as na
estrutura administrativa da instituição, substituindo seu papel eminentemente consultivo para participar
com maior profundidade dos processos decisórios. Além disso, aprimora a integração do controle de
infecção com as autoridades sanitárias.
Outro aspecto importante introduzido por esta nova portaria é a atribuição de competências específicas
ao Estado, seja a nível federal, estadual ou municipal. Para a Coordenação de Controle de Infecção
Hospitalar do Ministério da Saúde ficou a definição das diretrizes e sua coordenação geral, apoiando a
descentralização das ações, estabelecendo as normas, critérios, parâmetros e métodos para o controle
de infecções. É deste nível a responsabilidade para promover a articulação com órgãos formadores, para
a difusão do conhecimento do controle de infecções, cooperando com a capacitação dos profissionais de
saúde, identificando serviços de referência. Destacamos que muitas destas atividades, mesmo sem estar
formalmente estabelecidas, já foram desenvolvidas pelo Ministério da Saúde, mas depois foram
inexplicavelmente abandonadas.
Além disto, o Ministério da Saúde, através da Secretaria de Política de Saúde e da Coordenação de
Controle de Infecção Hospitalar, deve cooperar técnica, política e financeiramente com as ações
desenvolvidas pelos Estados e Municípios, acompanhando e avaliando-as, procurando estabelecer um
sistema nacional sobre infecção hospitalar, divulgando indicadores da sua magnitude, gravidade e
qualidade das ações de controle. Assim os dados seriam coletados regionalmente e encaminhados ao
Ministério da Saúde para uma consolidação de caráter nacional. Logo, compete às coordenações
Estaduais e Municipais definir as normas locais, descentralizando efetivamente as ações, prestando apoio
técnico, financeiro e político aos municípios, acompanhando, avaliando e divulgando os indicadores
epidemiológicos de infecção hospitalar, além de informá-los periodicamente ao Ministério da Saúde. Para
os municípios cabe adicionalmente acompanhar os hospitais nas ações de controle de infecção,
prestando apoio técnico à sua execução.
De acordo com o que foi noticiado pela imprensa leiga, existe uma tendência a se tornar as infecções
hospitalares uma doença de notificação compulsória. Apesar da importância inquestionável de termos
dados nacionais a respeito deste problema de saúde pública, esta medida deve ser repensada, tendo em
vista o questionável valor prático de sua implantação nestes moldes e principalmente das possíveis
repercussões no atendimento à saúde, particularmente para os que são assistidos pela iniciativa privada,
onde muitas vezes as patologias de notificação compulsória não são cobertas pela preestabelecida
abrangência contratual de assistência. Assim tememos as sérias consequências para cada um destes
pacientes, que ficariam a mercê de seus próprios recursos, de eventuais demandas jurídicas contra os
hospitais ou seus convênios, ou estariam sobrecarregando o sistema público de atendimento, como já
acontece com a maioria das doenças que atualmente são de notificação compulsória. A nosso ver, seria
preferível que as instituições fossem efetivamente obrigadas a notificar periodicamente seus indicadores
epidemiológicos de infecção hospitalar e estes dados seriam consolidados em um sistema de vigilância
epidemiológica, como aliás está recomendado atualmente.
Os critérios diagnósticos de infecção hospitalar, discutidos no anexo II, sofreram uma importante
alteração no que refere à classificação das infecções em recém-nascidos. Assim, passaram a ser
consideradas comunitárias, além das transmitidas de forma transplacentária, aquelas associadas à bolsa
rota por período superior a 24 horas. Outro ponto enfatizado é a necessidade de se informar os casos de
IH adquiridas em outro hospital à Coordenação Estadual/Distrital/Municipal ou à instituição de origem.
Este mesmo anexo apresenta uma classificação das cirurgias por potencial de contaminação, que, de
acordo com sua recomendação, deverá ser feita pelo cirurgião, ao final do ato operatório. Basicamente,
o princípio que norteia estes critérios, coincide com o exposto no decorrer deste livro, ou seja, o
intraoperatório determina a classificação e não mais aquelas “famosas” listas de procedimentos, que o
classificavam arbitrária e previamente. Assim, as cirurgias limpas são as realizadas sem intercorrências
em tecidos estéreis. As operações potencialmente contaminadas ocorrem em tecidos colonizados com
flora pouco numerosa e em tecidos estéreis, mas com falhas técnicas discretas ou drenagem. Os
procedimentos contaminados são executados nos casos de tecidos recentemente traumatizados ou
abertos, falhas técnicas grosseiras, inflamação aguda, cicatrização em segundo intenção, ou em locais
com flora bacteriana abundante. Finalmente, as cirurgias infectadas são aquelas realizadas em presença
de supuração ou necrose.
No anexo III, o conceito de vigilância epidemiológica das infecções hospitalares determina a
observação ativa, sistemática e contínua da sua distribuição e dos eventos e condições que afetam sua
ocorrência. Inclui também a possibilidade de avaliar pacientes não hospitalizados, nos métodos de

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
vigilância pós alta e principalmente que as atividades devem ser realizadas “com vistas à execução
oportuna das ações de prevenção e controle”, ou seja, a consolidação e interpretação dos dados deve
ser ágil, indicando rapidamente as prioridades das ações de controle, possibilitando resultados práticos
desta atividade. Permanece a recomendação pelos métodos ativos de vigilância, que deverão ser
adequados às características do hospital. Foi introduzida também a possibilidade de realizar o método
apenas em determinados setores do hospital, de acordo com as opções desenvolvidas pelos
componentes da metodologia NNIS.
É obrigatório pelo menos o cálculo da taxa de infecção hospitalar; taxa de pacientes com infecção
hospitalar; distribuição percentual dos episódios de IH; e a taxa de letalidade associada a infecção
hospitalar. Os dois primeiros podem ser obtidos em relação ao total de diárias (pacientes-dia) e não
apenas em relação às saídas, calculando-se assim a taxa de densidade, que melhor reflete a exposição
dos doentes a estes episódios. É recomendado que a frequência das infecções por microrganismos seja
calculada a partir do número de episódios de infecção hospitalar e não pelo total de agentes isolados,
caso em que obtemos a sua distribuição. É sugerido que o dimensionamento do consumo de antibióticos
seja feito através do cálculo do percentual de pacientes que utilizaram estas drogas e pela frequência
relativa do emprego de cada princípio ativo. Ressaltamos que o cálculo da Dose Diária Definida,
recomendada pelo Manual de Farmácia Hospitalar editado pelo próprio Ministério da Saúde, é um melhor
indicador da utilização destas drogas.
O anexo IV é dedicado especificamente à lavagem das mãos, identificada como a mais importante
ação para o controle das infecções hospitalares, devendo ser realizada após contatos que envolvam
mucosas, secreções, excretas e sangue ou outros fluídos corpóreos. Mesmo na assistência a um único
paciente ela deve ser realizada sempre que envolver a manipulação de outro sítio corporal.
Adicionalmente é recomendada a lavagem com antissépticos na realização de procedimentos invasivos,
prestação de cuidados a doentes críticos e no contato direto com feridas ou dispositivos invasivos como
cateteres e drenos. Por sua vez, o anexo V traz recomendações gerais sobre o uso de germicidas
(mantendo a proibição do emprego de vários antissépticos tradicionais), normas para limpeza,
desinfecção e esterilização, além de orientações para os procedimentos na área de microbiologia,
lavanderia e farmácia, sempre recomendando o seguimento das orientações definidas em portarias e
normas previamente elaboradas pelo Ministério da Saúde.

De acordo com as ações do Programa, foram estabelecidas as seguintes prioridades:


Realização de um inquérito nacional sobre a situação das infecções hospitalares. Este item refere-se
a uma das metas do Contrato de Gestão, cuja ação está especificada como "Elaboração de diagnóstico
sobre infecção hospitalar no Brasil".
Elaboração de um mapeamento sobre o cumprimento das exigências da Portaria GM nº 2616/98, no
que diz respeito à implantação do PCIH no âmbito estadual, municipal e nos serviços de saúde. Dados
levantados em novembro/dezembro de 1999 demonstram que dos 6387 hospitais consultados, apenas
40% apresentaram a constituição formal de PCIH.
Realização de visitas às autoridades de saúde dos estados para levantamento de dados, visando a
complementação do estudo citado no item anterior e a obtenção de subsídios necessários à implantação
definitiva do programa em todo território nacional.
Atualização do material técnico-científico, contando com a participação de profissionais especializados
nas diversas áreas pertinentes ao controle de infecção hospitalar. A importância do desenvolvimento
dessas tarefas é reforçada por trabalhos reconhecidos internacionalmente. Como exemplo, podemos citar
estudos internacionais afirmando que um programa de controle de infecção hospitalar bem conduzido
reduz em 30% a taxa de infecção do serviço. Além disso, um PCIH em pleno funcionamento garante a
orientação de ações básicas de assistência á saúde e previne o uso indiscriminado de antimicrobianos e
germicidas hospitalares, evitando a resistência e contribuindo para uma sensível diminuição dos custos
hospitalares globais.
Embora o controle do fenômeno da resistência microbiana tenha aspectos que envolvem ações
intersetoriais que não se restringem ao âmbito do sistema de saúde, as medidas de prevenção aqui
elencadas são dirigidas à prevenção e contenção de microrganismos multirresistentes no âmbito dos
Serviços de Saúde.
Microrganismos multirresistentes são microrganismos resistentes a diferentes classes de
antimicrobianos testados em exames microbiológicos. Alguns pesquisadores também definem
microrganismos pan-resistentes, como aqueles com resistência comprovada in vitro a todos os
antimicrobianos testados em exame microbiológico. São considerados, pela comunidade científica
internacional, patógenos multirresistentes causadores de infecções/colonizações relacionadas à
assistência em saúde: Enterococcus spp. resistente aos glicopeptídeos, Staphylococcus spp. resistente

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ou com sensibilidade intermediária à vancomicina, Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter baumannii,
e Enterobactérias resistentes a carbapenêmicos (ertapenem, meropenem ou imipenem). Tem ocorrido
um aumento dos casos de enterobactérias resistentes aos carbapenêmicos em vários centros brasileiros.
Estas bactérias produzem uma enzima (carbapenemase) que inativa todos os antibióticos beta-
lactâmicos, incluindo os carbapenêmicos.
A Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) é uma enzima que foi identificada inicialmente em
Klebsiella pneumoniae pela primeira vez em 2001, nos Estados Unidos, mas pode ser produzida por
outras enterobactérias. Assim sendo, as medidas de controle de microrganismos multirresistentes aqui
preconizadas aplicam-se, não somente às bactérias portadoras do gene KPC, mas aos demais
microrganismos multirresistentes.

Medidas de prevenção e controle de infecções relacionadas à assistência à saúde por


microrganismos multirresistentes7

Administração dos Serviços de Saúde:

- Prover meios técnicos, financeiros, administrativos, laboratoriais e recursos humanos para a


apropriada identificação, prevenção e interrupção da transmissão de microrganismos multirresistentes.
- Não devem ser adotadas quaisquer medidas que induzam à discriminação do indivíduo com infecção
ou colonização por microrganismos multirresistentes.

Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH):

- Manter o sistema de vigilância epidemiológica das infecções relacionadas à assistência à saúde


(IRAS) que permita o monitoramento adequado de patógenos multirresistentes, em parceria com o
laboratório de microbiologia.
- Fortalecer a política institucional de uso racional de antimicrobianos.
- Enfatizar a importância da higienização das mãos para todos os profissionais de saúde, visitantes e
acompanhantes (Segurança do paciente em serviços de saúde: Higienização das Mãos).
- Reforçar a aplicação de precauções de contato em adição às precauções-padrão para profissionais
de saúde, visitantes e acompanhantes.
- Avaliar a necessidade de implementar medidas de coorte em relação a profissionais de saúde e
pacientes.
- Avaliar a necessidade de implantar coleta de culturas de vigilância, de acordo com o perfil
epidemiológico da instituição.
- Enfatizar as medidas gerais de prevenção de IRAS no manuseio de dispositivos invasivos
(Manual de Orientações para Prevenção de Infecção Primária de Corrente Sanguínea e Trato
Respiratório).
- Enfatizar as medidas gerais de higiene do ambiente (Segurança do paciente em serviços de saúde:
Limpeza e Desinfecção de Superfícies).
- Aplicar, durante o transporte interinstitucional e interinstitucional, as medidas de precauções de
contato, em adição às precauções-padrão para os profissionais que entram em contato direto com o
paciente, incluindo o reforço nas medidas de higiene do ambiente.
- Comunicar, no caso de transferência interinstitucional e interinstitucional, se o paciente é infectado
ou colonizado por microrganismos multirresistentes.
- Não se recomenda a interrupção da assistência em serviços de saúde como medida de controle de
microrganismos multirresistentes. Medidas sanitárias que conduzam a interrupção da assistência em
serviços de saúde devem ser avaliadas criteriosamente, em conjunto com as autoridades locais e entre
os níveis de gestão do sistema de saúde.

Secretarias de Saúde Municipais, Estaduais e Distrito Federal:

- Reforçar, de acordo com as determinações da Portaria 2.616 de 12 de maio de 1998, a atuação das
coordenações de controle de IRAS, de modo a oferecer apoio técnico aos serviços de saúde com o
objetivo de prevenir e controlar as IRAS, bem como a seleção e a disseminação de microrganismos
multirresistentes.

7
http://portal.anvisa.gov.br

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Recomendações Gerais

- Ao realizar o teste de sensibilidade a antimicrobianos (TSA) de enterobactérias isoladas de pacientes


hospitalizados, o laboratório de microbiologia deverá compulsoriamente testar imipenem e meropenem.
A resistência ou sensibilidade intermediária ao ertapenem não deverão mais ser utilizadas para a triagem
de Klebsiella pneumoniae produtoras de carbapenemases. No Brasil, um elevado número de amostras
de K. pneumoniae produtoras de cefotaximases apresentam simultaneamente, perda de porinas, e
consequentemente, são falsamente detectadas como produtoras de carbapenemases.
- Os resultados dos testes de sensibilidade aos carbapenêmicos devem ser liberados de acordo com
os critérios interpretativos descritos acima, sem alteração das categorias.
- Ao liberar os resultados de amostras não sensíveis a imipenem ou a meropenem, incluir no laudo a
seguinte nota: Enterobactéria possivelmente produtora de carbapenemase (KPC, IMP dentre outras). Os
laboratórios que não possuem capacidade instalada para comprovação molecular do mecanismo de
resistência ou tipagem de microrganismos deverão encaminhar as amostras suspeitas da produção de
carbapenemase prontamente aos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACEN). Enviar cultura pura,
crescida em ágar nutriente ou TSA, em microtubo de tampa rosqueada ou equivalente. Os usuários de
sistemas de automação deverão verificar a possibilidade de adequação do sistema aos critérios
interpretativos definidos deste documento. Na impossibilidade de adequação, o laboratório deverá
realizar, de modo suplementar, o TSA aos carbapenêmicos por disco difusão ou método dilucional não
automatizado (microdiluição em caldo, diluição em ágar ou gradiente em ágar).
- O laboratório de microbiologia deverá notificar o serviço de controle de infecção hospitalar (SCIH)
prontamente sobre a detecção de amostras suspeitas de serem produtoras de carbapenemases.
- Considerando as dificuldades no tratamento das infecções por enterobactérias não sensíveis aos
carbapenêmicos, recomenda-se a determinação da concentração inibitória mínima (CIM) para tigeciclina,
polimixina B ou colistina por método dilucional não automatizado. A continuidade do tratamento com
polimixina B ou colistina deve ser subsidiada pela confirmação da sensibilidade por determinação da CIM.
- Não há critérios interpretativos para o método de Kirby-Bauer, segundo o EUCAST, para discos de
ceftazidima com potência de 30 µg. Portanto, o seu uso clínico deve ser subsidiado pela avaliação da
sensibilidade por determinação da CIM.

Questões

01.(Pref. Patos-PB - Enfermeiro – CPCON/2017) Uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar


deverá ser composta por
(A) qualquer profissional que trabalhe na instituição, desde que seja CLT.
(B) profissionais de diversas áreas não necessitando de formação superior.
(C) profissionais de diferentes formações podendo também ser técnicos administrativos que conheçam
os problemas hospitalares.
(D) apenas pessoal da enfermagem.
(E) profissionais da área de saúde, de nível superior, formalmente designados.

02.(SESAU-RO - Farmacêutico – FUNRIO/2017) São competências da Comissão de Controle de


Infecção Hospitalar (CCIH) do hospital, segundo o Anexo I da Portaria MS 2.616/98, EXCETO:
(A) avaliar, periódica e sistematicamente, as informações providas pelo Sistema de Vigilância
Epidemiológica das infecções hospitalares e aprovar as medidas de controle propostas pelos membros
executores de CCIH.
(B) realizar investigação epidemiológica de casos e surtos, sempre que indicado, e implantar medidas
imediatas de controle.
(C) definir, em cooperação com a Comissão de Farmácia e Terapêutica e de Farmacoeconomia, a lista
de antimicrobianos, germicidas e materiais médico-hospitalares com custo menor visando economizar
recursos das unidade de saúde.
(D) elaborar regimento interno para a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar.
(E) notificar ao Serviço de Vigilância Epidemiológica e Sanitária do organismo de gestão do SUS, os
casos e surtos diagnosticados ou suspeitos de infecção associadas à utilização de insumos e/ou produtos
industrializados.

03.(EBSERH – Enfermeiro – IBFC/2016) Para a adequada execução do Programa de Controle de


Infecções Hospitalares (PCIH), os hospitais deverão constituir Comissão de Controle de Infecção
Hospitalar (CCIH), órgão de assessoria à autoridade máxima da instituição e de execução das ações de

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controle de infecção hospitalar. Considerando a composição dos membros da CCIH, analise as
afirmativas abaixo, dê valores Verdadeiro (V) ou Falso (F) e assinale a alternativa que apresenta a
sequência correta de cima para baixo.

( ) A CCIH deverá ser composta por profissionais da área de saúde, de nível superior, formalmente
designados. Os membros da CCIH serão de dois tipos: consultores e executores.
( ) O presidente ou coordenador da CCIH será sempre um médico, indicado pela direção do hospital.
( ) Um dos membros executores deve ser, obrigatoriamente, um enfermeiro.
( ) Os membros executores serão, no mínimo, 2 (dois) técnicos de nível superior da área de saúde
para cada 200 (duzentos) leitos ou fração deste número com carga horária diária, mínima, de 6 (seis)
horas para o enfermeiro e 4 (quatro) horas para os demais profissionais.

(A) V,V,V,F;
(B) V,F,F,V;
(C) F,V,V,V;
(D) V,F,V,V;
(E) V,F,F,F.

04. (TRT - 9ª REGIÃO (PR) - Técnico Judiciário – Enfermagem – FCC) Na prevenção e controle de
infecção hospitalar, o técnico de enfermagem utiliza
(A) luvas de procedimento quando existir o risco de contato com sangue, durante o banho no leito.
(B) máscara na assistência de enfermagem ao paciente portador de erisipela.
(C) óculos ao assistir o paciente com tuberculose.
(D) máscara e luvas durante o transporte de todos os pacientes ao centro cirúrgico.
(E) avental de manga longa quando na presença de suor.

05. (EBSERH - Farmacêutico – IBFC) De acordo com a Portaria GM/MS nº. 2616, de 12 de maio de 1998, que
expede, na forma dos anexos I, II, III, IV e V, diretrizes e normas para a prevenção e o controle das infecções
hospitalares, os membros da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) serão de dois tipos: consultores
e executores. A respeito desses membros, considere as afirmativas abaixo:
I. O serviço de farmácia somente poderá ser membro da CCIH como membro executor.
II. Um dos membros executores deverá ser preferencialmente um enfermeiro.
III. O laboratório de microbiologia poderá ser membro da CCIH como membro consultor.

Sobre as afirmativas acima, assinale a alternativa correta:


(A) Somente a afirmativa I é incorreta.
(B) Somente a afirmativa II é incorreta.
(C) Somente a afirmativa III é incorreta.
(D) Todas as afirmativas são incorretas.

06. (DEPEN – Enfermagem – CESPE) Julgue os itens seguintes, acerca do controle da infecção
hospitalar.
A infecção hospitalar é aquela adquirida após a admissão do paciente no hospital, manifestando-se
apenas durante a internação.
( ) Certo
( ) Errado

07. (CAISM PHILIPPE PINEL - Técnico de Enfermagem – CETRO) Quanto à realização correta do
procedimento da técnica de lavagem de mãos em ambiente hospitalar, é correto afirmar que é
(A) o método mais utilizado para o controle de infecção, apesar de não ser o mais eficaz.
(B) pouco relevante se o ambiente hospitalar for constantemente desinfetado.
(C) relevante em ambientes hospitalares com alto risco de infecção, mas pouco necessário em
atendimento ambulatorial.
(D) o método mais simples e mais indicado para o controle de infecções.

08. (DEPEN – Enfermagem – CESPE) Julgue os itens seguintes, acerca do controle da infecção
hospitalar.

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
A infecção comunitária é aquela constatada ou encubada no ato da admissão, desde que não esteja
relacionada com internação anterior no mesmo hospital.
( ) Certo
( ) Errado
Gabarito
01.E / 02.C / 03.B / 04.A / 05.A / 06.Errado / 07.D / 08.Certa

Comentários

01.Resposta: E
2.1 A CCIH deverá ser composta por profissionais da área de saúde, de nível
superior, formalmente designados.

02.Resposta: C
3.7. Definir, em cooperação com a Comissão de Farmácia e Terapêutica, política de utilização de
antimicrobianos, germicidas e materiais médico-hospitalares para a instituição;

03.Resposta: B
De acordo com a Portaria MS 2.616 / 98, que regulamenta as ações de controle de infecção hospitalar
no país.
(V) A CCIH deverá ser composta por profissionais da área de saúde, de nível superior, formalmente
designados. Os membros da CCIH serão de 2 tipos: consultores e executores.
(F) O presidente ou coordenador da CCIH será qualquer um dos membros da mesma, indicado pela
direção do hospital.
(F) Um dos membros executores deve ser, preferencialmente, um enfermeiro.
(V) Os membros executores serão, no mínimo, 2 (dois) técnicos de nível superior da área de saúde
para cada 200 (duzentos) leitos ou fração deste número com carga horária diária, mínima de 6 (seis)
horas para o enfermeiro e 4 (quatro) horas para os demais profissionais.

04.Resposta: A
Deve-se usar luvas de procedimentos para qualquer tipo de procedimento para segurança do
profissional e do paciente.

05.Resposta: A
PORTARIA Nº 2616, DE 12 DE MAIO DE 1998
Anexo I
2. Para a adequada execução do PCIH os hospitais deverão constituir Comissão de Controle de
Infecção Hospitalar (CCIH), órgão de assessoria à autoridade máxima da instituição e de execução das
ações de controle de infecção hospitalar.
2.1 A CCIH deverá ser composta por profissionais da área de saúde, de nível superior, formalmente
designados.
2.2 Os membros da CCIH serão de dois tipos: consultores e executores.
2.2.1 0 presidente ou coordenador da CCIH será qualquer um dos membros da mesma, indicado pela
direção do hospital.
2.3 Os membros consultores serão representantes, dos seguintes serviços:
2.3.1 - serviço médico;
2.3 2 - serviço de enfermagem;
2.3.3 - serviço de farmácia;
2.3.4 - laboratório de microbiologia;
2.3.5 - administração.
2.5.1.1 - Um dos membros executores deve ser, preferencialmente, um enfermeiro.

06. Resposta: Errado


1.2.1 é aquela adquirida após a admissão do paciente e que se manifeste durante a internação ou
após a alta, quando puder ser relacionada com a internação ou procedimentos hospitalares.

07. Resposta: D
Lavagem das mãos é essencial para medida de segurança para o profissional, quanto para o
paciente. Deve ser realizada no início e término de cada procedimento.

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08. Resposta: Certa
1.1.1 é aquela constatada ou em incubação no ato de admissão do paciente, desde que não
relacionada com internação anterior no mesmo hospital.

Administração de Medicamentos

ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS8,9,10

O medicamento é uma substância empregada no diagnóstico, tratamento, cura, alívio ou prevenção


das alterações da saúde.
O enfermeiro deve avaliar o efeito que os medicamentos têm na restauração ou manutenção da saúde,
e fornecer a educação contínua para o cliente, família ou pessoal de cuidado de saúde domiciliar sobre a
finalidade e os efeitos colaterais dos medicamentos.
A administração de medicamentos é um processo que envolve uma sequência de ações a serem
desenvolvidas pelo profissional de enfermagem, a fim de obter os melhores resultados junto ao paciente,
sem desperdício de recursos. Durante a fase de preparo o profissional de enfermagem deve ter muita
atenção para evitar erros, assegurando ao máximo que o paciente receba a medicação corretamente.

Formas de Apresentação do Medicamento


Cápsula: forma de dosagem sólida para uso oral; medicamento na forma de pó, líquido ou óleo, e
envolto por concha gelatinosa; a cápsula é colorida, a fim de auxiliar na identificação do produto.
Comprimido: forma de dosagem em pó comprimido em discos ou cilindros endurecidos; além do
medicamento primário, contém ligantes (adesivos, para possibilitar que o pó permaneça junto),
desintegrantes (para promover a dissolução do comprimido), lubrificantes (para facilitar a fabricação) e
expansores (para o tamanho conveniente do comprimido).
Comprimido com proteção entérica: comprimido para uso oral revestido com materiais que não se
dissolvem no estômago; os revestimentos dissolvem-se no intestino, onde o medicamento é absorvido.
Disco intraocular: pequeno disco oval flexível que contém duas camadas externas macias e uma
camada média que contém o medicamento; quando umedecido pelo líquido ocular, libera o medicamento
por até uma semana.
Drágea: forma de dosagem sólida para uso oral; formato semelhante à cápsula e revestido, para
facilitar a deglutição.
Elixir: líquido claro que contém água e/ou álcool; destinado a uso oral; geralmente possui adoçante
adicionado.
Extrato: forma de medicamento concentrada, feita pela separação da porção ativa do medicamento
de seus outros componentes (por exemplo, o extrato líquido é o medicamento feito em solução de fonte
vegetal).
Glicerite: solução de medicamento, combinado à glicerina para uso externo, que contém pelo menos
50% de glicerina.
Linimento: preparação que comumente contém álcool, óleo ou emoliente saponáceo, aplicada à pele.
Loção: medicamento em suspensão líquida aplicado externamente, para proteger a pele.
Pasta: preparação semissólida, mais espessa e mais rígida que a pomada; é absorvida através da
pele com maior lentidão que a pomada.
Pastilha: forma de dosagem arredondada e achatada que contém medicamento, flavorizante, açúcar
e mucilagem; dissolve-se na boca, para liberar o medicamento.
Pílula: forma de dosagem sólida que contém um ou mais medicamentos, modelada em forma de
glóbulo, ovoides ou alongada; as pílulas verdadeiras raramente são utilizadas, porque foram substituídas
pelos comprimidos.
Placa ou disco transdérmico: medicamento contido dentro de placa ou disco com membrana
semipermeável, a qual permite que os medicamentos sejam absorvidos através da pele de forma lenta
durante um intervalo de tempo prolongado.
Pomada (unguento): preparação semissólida, aplicada externamente, que contém, em geral, um ou
mais medicamentos.

8
EBISUI, C.T.N. Procedimentos de Enfermagem. Reedição revisada e ampliada. São Paulo: Copidart, 2002.
9
https://www.slideshare.net/Andreadcss/9-certos-na-administrao-de-medicamentos
10
http://ba.corens.portalcofen.gov.br/parecer-coren-ba-0212013_8112.html

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Solução: preparação líquida que pode ser utilizada por via oral, parenteral ou externa; também pode
ser instilada em órgão ou cavidade corporal (por exemplo, irrigações vesicais); contém água com um ou
mais compostos dissolvidos; deve ser estéril para uso parenteral.
Supositório: forma de dosagem sólida misturada com gelatina e moldada na forma de projétil para a
inserção em cavidade corporal (reto ou vagina); dissolve-se, quando alcança a temperatura corporal,
liberando o medicamento para a absorção.
Suspensão: partículas de medicamento finamente divididas dispersas em meio líquido; quando a
suspensão permanece parada, as partículas depositam-se no fundo do frasco; comumente, um
medicamento oral e não é administrada por via intravenosa.
Tintura: solução de medicamento em álcool ou água-álcool.
Xarope: medicamento dissolvido em solução concentrada de açúcar; pode conter flavorizantes, para
tornar o sabor do medicamento mais agradável.

Tipos de Ação de Medicamento


Os medicamentos variam consideravelmente no modo pelo qual atuam em seus tipos de ação. Os
fatores diferentes das características do medicamento também influenciam as ações dele.
Um cliente pode não responder da mesma maneira a cada dose sucessiva de um medicamento.
Da mesma forma, idêntica dosagem do medicamento pode provocar respostas muito diferentes
em clientes diversos.
Depois que um enfermeiro administra um medicamento, ele sofre absorção, distribuição,
metabolismo e excreção. Exceto quando administrados por via intravenosa, os medicamentos
levam tempo para penetrar na corrente sanguínea. A quantidade e a distribuição de um medicamento
em diferentes compartimentos corporais alteram-se constantemente.
Quando é prescrito um medicamento, o objetivo consiste em obter um nível sanguíneo constante
dentro de uma faixa terapêutica segura. As doses repetidas são necessárias para alcançar uma
concentração terapêutica constante de um medicamento, porque uma parcela do medicamento sempre
está sendo excretada.
A concentração sérica máxima (a concentração de pico) do medicamento geralmente ocorre
exatamente antes que o final do medicamento seja absorvido. Depois de atingir o máximo, a concentração
sérica do medicamento cai progressivamente. Com as infusões intravenosas, a concentração máxima
ocorre rapidamente, mas o nível sérico também começa a cair imediatamente.
Todos os medicamentos possuem meia-vida sérica, o tempo que demoram para que os processos de
excreção diminuam a concentração sérica do medicamento pela metade. Para manter um platô
terapêutico, o cliente deve receber doses fixas regulares. Por exemplo, demonstrou-se que os
medicamentos para a dor são mais efetivos, quando fornecidos durante todo o dia, em vez de serem
administrados quando o cliente se queixa de maneira intermitente de dor. Desta maneira, um nível quase
constante do medicamento analgésico é mantido. Depois de uma dose inicial de medicamento, o cliente
recebe cada dose sucessiva, quando a dose anterior alcança sua meia-vida.
O cliente e o enfermeiro devem seguir a programação regular de dosagem bem como aderir às doses
e intervalos de doses prescritos. Os esquemas de sondagem são estabelecidos pela instituição em que
o enfermeiro está empregado. Quando informa os clientes a respeito dos esquemas de dosagem, o
enfermeiro deve utilizar linguagem familiar ao cliente. Por exemplo, ao orientar um cliente sobre um
medicamento que tem duas doses ao dia, o enfermeiro deve instruí-lo a tomar um medicamento pela
manhã e novamente à noite. O conhecimento dos intervalos de tempo da ação do medicamento também
ajuda o enfermeiro a prever o efeito de um medicamento. Com este conhecimento, ele pode instruir o
cliente sobre quando esperar uma resposta.

Efeitos Medicamentosos
É essencial que o enfermeiro compreenda todos os efeitos que os medicamentos podem ter, quando
são tomados ou administrados aos clientes:
Efeitos Terapêuticos: é a resposta fisiológica esperada ou previsível gerada por um medicamento.
Cada medicamento possui um efeito terapêutico desejado para o qual é prescrito. Por exemplo, a
nitroglicerina é utilizada para reduzir a carga de trabalho cardíaca e aumentar o aporte miocárdico de
oxigênio. Um único medicamento pode ter muitos efeitos terapêuticos. Por exemplo, a aspirina é
analgésica, antitérmica e anti-inflamatória, reduzindo a agregação plaquetária (agrupamento). É
importante que o enfermeiro conheça para qual efeito terapêutico um medicamento é prescrito, o que lhe
permite informar corretamente o cliente sobre o efeito pretendido do medicamento.
Efeitos Colaterais: são os efeitos secundários e não-pretendidos que um medicamento causa de
maneira previsível. Tais efeitos podem ser inócuos ou lesivos. Quando suficientemente graves para negar

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os efeitos benéficos da ação terapêutica de um medicamento, o médico pode interromper o medicamento.
Com frequência, os clientes, param de tomar medicamentos por causa dos efeitos colaterais.
Efeitos Adversos: são geralmente considerados respostas graves ao medicamento. Por exemplo, um
cliente pode ficar comatoso, quando um medicamento é ingerido. Se ocorrem as respostas adversas ao
medicamento, o médico pode interromper o medicamento. Alguns efeitos adversos são efeitos
inesperados que não foram descobertos durante a experimentação do medicamento. Quando acontece
esta situação, os profissionais de saúde são obrigados a reportar o efeito adverso ao FDA.

Efeitos Tóxicos: podem-se desenvolver depois da ingesta prolongada de um medicamento ou quando


um medicamento se acumula no sangue por causa do metabolismo ou excreção comprometidos. As
quantidades excessivas de um medicamento dentro do corpo podem ter efeitos letais, dependendo da
ação do medicamento. Por exemplo, os níveis tóxicos de morfina podem provocar depressão respiratória
grave e morte. Os antídotos estão disponíveis para tratar tipos específicos de intoxicação medicamentosa.
Por exemplo, o Narcan é utilizado para reverter os efeitos da intoxicação por opióides.
Reações Idiossincrásicas: os medicamentos podem provocar efeitos imprevisíveis, como uma
reação idiossincrásica, na qual um cliente reage em excesso ou de forma deficiente a um medicamento
ou apresenta reação diferente do normal. Por exemplo, uma criança que recebe um anti-histamínico pode
ficar extremamente agitada ou excitada, em vez de sonolenta. É impossível avaliar os clientes para as
respostas idiossincrásicas.
Reações Alérgicas: constituem outra resposta imprevisível a um medicamento; elas constituem 5%
a 10% das reações medicamentosas. Um cliente pode tornar-se imunologicamente sensibilizado à dose
inicial de um medicamento. Com a administração repetida, o cliente desenvolve uma resposta alérgica ao
medicamento, a seus conservantes químicos ou a um metabólito. O medicamento, ou substância química,
atua como um antígeno, deflagrando a liberação de anticorpos. A alergia medicamentosa de um cliente
pode ser branda ou grave. Os sintomas alérgicos variam, dependendo do indivíduo e do medicamento.
Entre as diferentes classes de medicamentos, os antibióticos provocam uma alta incidência de reações
alérgicas. As reações brandas podem ser:
- Urticárias – erupções cutâneas elevadas, com formato irregular, com tamanhos e formas variados;
as erupções apresentam margens avermelhadas e centros pálidos.
- Exantema – vesículas pequenas e elevadas, geralmente avermelhadas; frequentemente, distribuídas
sobre todo o corpo.
- Prurido – coceira na pele; acompanha a maioria dos exantemas.
- Rinite – inflamação das mucosas que revestem o nariz; provoca edema e secreção aquosa clara.

As reações anafiláticas ou graves caracterizam-se pela constrição súbita dos músculos


bronquiolares, edema da faringe e laringe, bem como sibilância e falta de ar graves. Os anti-histamínicos,
epinefrina e broncodilatadores podem ser usados para tratar as reações anafiláticas.
O cliente também pode tornar-se gravemente hipotenso, necessitando de medidas de reanimação de
emergência. Um cliente com história conhecida de alergia a medicamento deve evitar a reexposição e
usar um bracelete ou medalha de identificação, o que alerta os enfermeiros e os médicos para a alergia,
caso o cliente esteja inconsciente, quando receber o cuidado médico.

Interações Medicamentosas
Quando um medicamento modifica a ação de outro medicamento, ocorre uma interação
medicamentosa. As interações medicamentosas são comuns em indivíduos que tomam vários
medicamentos. Um medicamento pode potencializar ou diminuir a ação de outros medicamentos, e alterar
a maneira pela qual outro medicamento é absorvido, metabolizado ou eliminado do corpo. Quando dois
medicamentos possuem efeito sinérgico, ou agem de maneira sinérgica, o efeito dos dois
medicamentos combinados é maior que o dos medicamentos, se fornecidos em separado. Por
exemplo, o álcool é um depressor do sistema nervoso central que possui um efeito sinérgico com
anti-histamínicos, antidepressivos, barbitúricos e analgésicos narcóticos. Uma interação
medicamentosa nem sempre é indesejável. Com frequência, um médico combina medicamentos, para
criar uma interação que tenha efeito benéfico sobre a condição do cliente. Por exemplo, um cliente com
hipertensão (pressão arterial alta) que não pode ser controlada com medicamento, recebe tipicamente
vários medicamentos, como diuréticos e vasodilatadores, que atuam em conjunto para controlar a pressão
arterial.

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Os “9 certos” para uma Administração Medicamentosa Segura
1. Paciente Certo: Certifica-se de que a medicação corresponde com o prontuário do paciente, e ao
administrar, certifica-se se realmente é o paciente. Ex. “Como é o nome do Sr (a)” Nunca podemos dizer:
“Seu Fulano olha seu remédio...” Sempre devemos perguntar o nome completo mesmo que
conhecemos o paciente. Erros podem acontecer.
2. Medicamento Certo: Certifica-se se o medicamento que foi dispensado da farmácia realmente
corresponde com a prescrição médica.
3. Dose Certa: Observar atentamente na prescrição médica a dose correta da medicação, e a forma
que veio apresentada da farmácia. Ex. Prescrição Médica: Benzetacil 800.000UI IM; E a apresentação da
medicação da Farmácia é Benzetacil 1.200.000UI IM.
4. Via Certa: Toda atenção é pouca. Observar e ler atentamente qual a via a ser administrada. Ex.:
(Via Oral-VO, Sublingual-SL, Intramuscular-IM, Endovenosa/Intravenosa-EV/IV).
5. Hora Certa: Atentar-se quanto ao horário correto para administração da medicação, evitando
atrasos e antecipações.
6. Tempo Certo: Na aplicação da medicação, respeitar o tempo previsto na prescrição, por exemplo,
se for em 30 minutos, ou em quatro horas, controlar adequadamente o gotejamento ou programar
corretamente as bombas de infusão contínua ou bombas de seringa, controlando, dessa forma, a infusão
conforme prescrição.
7. Validade Certa: Antes de preparar a medicação sempre conferir a data de validade, NUNCA aplicar
medicação vencida. Estabelecer uma rotina de verificação e controle de validade nos setores, em
parceria com a farmácia.
8. Abordagem Certa: Antes de administrar o medicamento deve-se esclarecer ao paciente qualquer
dúvida existente referente ao mesmo e deve-se levar em consideração o direito de recusa do
medicamento, pelo cliente. O primeiro passo sempre é dizer ao paciente qual medicação será
administrada, qual é a via, principal ação do medicamento e como será feita a administração,
sobretudo, medicações que hajam colaboração e ação do cliente como as sublinguais a explicação deve
ser dada.
9. Registro Certo: Após aplicar a medicação registrar no prontuário checando com rubrica e ainda
anotando queixas, suspensão ou não aceitação de medicação.

Só para lembrar:

https://www.slideshare.net/Andreadcss/9-certos-na-administrao-de-medicamentos

Recomendações Gerais
- Todo medicamento a ser administrado no cliente deve ser prescrito pelo médico ou odontólogo;
- A prescrição deve ser escrita, assinada e carimbada. Somente em caso de emergência, a
Enfermagem pode atender prescrição verbal, que deve ser transcrita pelo médico logo que possível;
- Toda prescrição de medicamento deve conter: data, nome do cliente, registro, enfermaria, leito, idade,
nome do medicamento, dosagem, via de administração, frequência, assinatura e carimbo do médico;
- A prescrição do cliente ou cartão de medicamento deve ser mantido à vista do executante;
- Lavar as mãos antes de preparar e administrar o medicamento e, logo após o procedimento;
- Fazer a desinfecção concorrente da bandeja antes do preparo e depois da administração do
medicamento;
- Manter o local de preparo de medicação sempre em ordem e limpo, utilizando álcool a 70% para
desinfetar a bancada;
- Preparar o medicamento em ambiente com boa iluminação;
- Concentrar a atenção no trabalho, evitando atividades paralelas, distrações e interrupções, que
podem aumentar a chance de cometer erros;

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- Ler e conferir o rótulo da medicação três vezes – quando pegar o medicamento, antes de colocar o
medicamento no recipiente próprio para administração, e ao colocar o recipiente na prateleira ou
desprezar o invólucro;
- Nunca administrar medicamento sem rótulo;
- Fazer desinfecção das ampolas e/ou dos frascos antes de quebrar e/ou aspirar a medicação;
- Preparar somente quando tiver certeza do medicamento prescrito, dosagem e via de administração;
- Proteger a seringa ou frasco com medicamento para evitar contaminação, podendo ser usado o
próprio invólucro se não contaminado;
- Observar o aspecto e as características da medicação antes de prepará-la; e antes de administrá-la
(sinais de decomposição, turvação, deterioração, precipitação, etc.);
- Devolver no final do plantão os medicamentos não utilizados e em hipótese alguma acumular
“sobras”;
- Manter a bandeja sempre a vista durante a administração, nunca deixando-a sozinha junto ao
paciente;
- Antes de administrar o medicamento, conferir cuidadosamente a identidade do paciente;
- Permanecer junto ao paciente até que tome o medicamento;
- A administração do medicamento deve ser feita pelo profissional que o preparou;
- Não se deve nunca esquecer de registrar o medicamento que o paciente tenha recebido (checar a
medicação);
- Anotar qualquer anormalidade após a administração do medicamento (vômito, diarreia, erupções,
urticária, etc.);
- Após a administração do medicamento, checar a prescrição imediatamente, evitando administração
dobrada;
- Em caso de recusa do medicamento, o profissional de enfermagem deve relatar imediatamente o fato
ao(a) enfermeiro(a) e/ou médico e anotá-la no prontuário. Convencionalmente em nosso meio, quando o
medicamento não foi administrado por algum motivo, o horário correspondente é circundado, “bolado” à
caneta e a justificativa anotada no prontuário do paciente;
- Utilizar luvas de procedimentos para medicações via sonda gástrica ou nasogástrica, via retal e
parenteral;
- Utilizar técnica asséptica ao manusear material esterilizado;
- Nunca reencapar agulhas ou concitá-las da seringa para desprezar;
- As luvas de procedimentos e o algodão devem ser desprezados na lixeira com saco branco leitoso,
para lixo infectante, dentro da enfermaria do paciente, conforme Programa de Gerenciamento de
Resíduos da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH);
- Em caso de dúvida, nunca administrar o medicamento até que ela seja esclarecida.

Vias de Administração de Medicamentos


Vias oral, sublingual, gástrica e retal – administração de medicamento por via digestiva.
Os medicamentos via oral são fornecidos pela boca e deglutidos com líquidos, apresentam um
início de ação mais lento e um efeito mais prolongado que os medicamentos parenterais. Em geral, os
clientes preferem a via oral.
Via parenteral – administração de um agente terapêutico por outra via que não seja a do trato
alimentar (aparelho digestório).
Via vaginal – introdução e absorção de medicamentos no canal vaginal. O medicamento pode ser
introduzido sob a forma de: supositório, comprimido, óvulo, lavagem, irrigação, creme ou gel.
Via tópica ou cutânea – aplicação de medicamentos na pele. Sua ação pode ser local ou geral.
Exemplos: pomada, antisséptico, etc.
Via nasal – consiste em levar à mucosa nasal um medicamento líquido.
Via Respiratória: as passagens mais profundas do trato respiratório proporcionam grande área de
superfície para a absorção do medicamento. Os medicamentos podem ser administrados através das
vias nasais, via oral ou tubos colocados dentro da boca do cliente até a traqueia. Os medicamentos
administrados pela via de inalação são prontamente absorvidos e atuam rapidamente por causa da rica
rede vascular alveolocapilar presente no tecido pulmonar. Os medicamentos inalados podem ter
efeitos locais ou sistêmicos.
Via ocular – aplicação de colírio ou pomada na conjuntiva ocular (saco conjuntival inferior).
Há, também, o fornecimento intraocular de medicamento que envolve a inserção de medicamento
semelhante a uma lente de contato dentro do olho do cliente. O disco do medicamento ocular possui duas
camadas mais externas que contêm o medicamento. O disco é inserido dentro do olho do cliente de forma

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muito parecida com uma lente de contato, podendo permanecer no olho dele por até uma semana. A
pilocarpina, um medicamento usado para tratar o glaucoma, é o disco de medicamento mais comum.
Via Auricular – introdução de medicamento no canal auditivo. Colocar o paciente em posição que
você consiga administrar, manter a cabeça do paciente ereta e pingar a solução puxando o pavilhão
auditivo para baixo e para frente.
Instilações na garganta – a garganta pode ser pulverizada ou embrocada pela aplicação de um
antisséptico ou anestésico.

Procedimentos de Administração

Via Oral
Material:
- 01 bandeja;
- 01 copinho;
- medicamento prescrito.
Procedimento:
- Conferir a prescrição médica e medicação a ser administrada;
- Identificar os copinhos com o nome do paciente, nome da medicação, horário e número do leito;
- Lavar as mãos;
- Diluir o medicamento se necessário;
- Conferir novamente a medicação e prescrição médica verificando data, paciente, hora, via de
administração e dose;
- Levar a bandeja de medicação junto ao leito do paciente;
- Perguntar o nome do paciente sem sugestionar;
- Oferecer o medicamento;
- Observar se o paciente ingeriu a medicação;
- Lavar as mãos;
- Checar na prescrição médica;
Cuidados importantes:
- Agitar o frasco de medicamento líquido antes de entorná-lo pelo lado oposto ao do rótulo, evitando
assim, que o líquido escorra sobre ele, tornando difícil a leitura;
- Os frascos multidoses deverão ser diluídos quando abertos;
- Frascos multidoses que ficam “estocados” no posto, verificar sempre a data de validade e condições
de armazenamento antes de administrá-lo ao paciente. Se necessário trocar o frasco na farmácia;
- Segurar o recipiente graduado (copinho) e vidro ao nível dos olhos para despejar o líquido até a altura
correspondente à dose, facilitando desse modo a colocação precisa do medicamento;
- Colocar comprimidos, drágeas ou cápsulas no recipiente sem tocá-las diretamente com a mão;
- Se houver dificuldade na identificação do medicamento, não administrá-lo. Devolva-o à farmácia e
solicite outro medicamento com identificação legível;
- Se um paciente recebe vários medicamentos simultaneamente, a prática mais segura é a de usar
recipientes separados, possibilitando a identificação segura dos medicamentos que efetivamente o
paciente recebeu. Em casos de aceitação parcial ou perdas acidentais de uma parte deles, será possível
registrar adequadamente o ocorrido e/ou repor a medicação perdida;
- Observar se o paciente não está com indicação de jejum, controle hídrico, além de fatores que
influenciam a administração, como sonda nasogástrica, condições relativas à deglutição, náuseas,
vômitos, entre outros;
- No caso de administração de medicação sublingual, observar a colocação do medicamento sob a
língua do paciente e orientá-lo para que deixe ali, sem mastigá-lo ou engoli-lo, até ser totalmente
dissolvido, não se devem oferecer líquidos com a medicação sublingual;
- No uso de medicação via Sonda Nasoenteral-SNE ou Sonda Nasogástrica-SNG: lavar (10 a 20ml
de água pela seringa sob pressão) logo após a administração da medicação, a fim de evitar obstrução da
mesma.

Importante: na ausência do copo graduado ou seringa utilizar as medidas abaixo como


referência de administração medicamentosa líquida.
Colher de café = 2,5ml
Colher de chá = 5ml
Colher de sobremesa = 10ml
Colher de sopa = 15ml

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Via retal
As formulações destinadas para uso retal podem ser sólidas ou líquidas.
Formulações sólidas: denominada supositório – possuem formato e consistência que facilita sua
aplicação, não devendo ser partido. Dissolve-se em contato com a temperatura corporal e é indicado
principalmente para a estimulação da peristalse para facilitar a defecação. Quando efetivo, os resultados
manifestam-se dentro de 15 a 30 minutos, mas podem tardar até uma hora.
Formulação líquida: pode ser em grande quantidade, denominada lavagem intestinal (de 1000 a
2000ml) ou em pequena quantidade, chamada de clister (150 a 500ml). Geralmente são usadas na
lavagem intestinal para a remoção das fezes em caso de “fecaloma” (fezes endurecidas), preparo para
procedimentos cirúrgicos ou exames (ex.: colonoscopia);
Material:
- 01 Frasco de Clister ou Fleet Enema (conforme prescrição médica);
- Papel higiênico;
- 01 comadre;
- 01 par de luvas de procedimento;
- 01 sonda retal.
Procedimento:
- Explicar ao paciente o procedimento;
- Preparar o material;
- Mornar quando for solução glicerinada ou soro fisiológico;
- Lavar as mãos, calçar luvas de procedimentos;
- Colocar biombo, para não expor o paciente;
- Colocar o paciente em posição de Sims, (decúbito lateral esquerdo e perna direita fletida);
- Afastar a prega interglútea e instilar o líquido;
- Introduzir a sonda retal lubrificada (ex: xilocaína gel ou óleo mineral) no ânus do paciente;
- Colocar o paciente na comadre, deixando o papel higiênico à mão, nos casos de pacientes
dependentes ou encaminhá-lo ao banheiro;
- Fazer a higiene íntima;
- Retirar o material usado;
- Limpar e organizar o material;
- Retirar as luvas de procedimentos;
- Lavar as mãos;
- Fazer anotação de enfermagem no prontuário;
Observação: No caso de irrigação gota a gota acrescentar um equipo ao material, procedendo a
mesma forma de instalação, deixando o sistema instalado até o final da solução.

Via Parenteral
Preparo da Medicação:
- Observar o prazo de validade, o aspecto da solução, bem como a integridade do frasco;
- Certificar que todo o medicamento está contido no corpo da ampola, pois o estreitamento do gargalo
faz com que uma parte do medicamento muitas vezes, fique na sua parte superior;
- O mesmo cuidado deve ser observado com o pó liofilizado no frasco da ampola;
- Lavar as mãos com água e sabão;
- Observar a integridade dos invólucros que protegem a seringa e a agulha;
- Monte a seringa com a agulha respeitando a técnica asséptica;
- Desinfetar toda a ampola com algodão embebido em álcool a 70% destacando o gargalo, no caso do
frasco ampola, levantar a tampa metálica e desinfetar a borracha;
- Proteger o gargalo da ampola com algodão na hora de quebrá-lo;
- Aspirar ao diluente (no caso de frasco ampola) introduzi-lo dentro do frasco e deixe que a força da
pressão interna do frasco, desloque o ar para o interior da seringa;
- Homogeneizar o diluente com o pó liofilizado sem sacudir;
- Introduzir o ar da seringa para o interior do frasco. Este procedimento visa aumentar a pressão dentro
do frasco, facilitando a retirada do medicamento, visto que os líquidos movem-se de uma área de maior
pressão para a de menor pressão;
- Manter o frasco invertido para baixo, enquanto aspira ao medicamento;
- Proteger a agulha com o protetor e o êmbolo da seringa com o próprio invólucro;
- Identificar o material com fita adesiva com o nome do paciente, número do leito, medicamento,
horário, dose e via de administração;

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Via Intradérmica
É a introdução do medicamento na derme. É raramente usada para tratamento, porém incide na
disseminação de vacinas. Volumes máximos administrados – 0,1 a 1,0ml.
Locais de aplicação: Face interna ou ventral do antebraço; Região escapular (parte superior das
costas); Parte inferior do deltoide direito (exclusivamente para a vacina BCG).
Material:
- 01 bandeja;
- 01 seringa de 3ml ou 5ml;
- 01 agulha para injeção 03X07;
- 01 bola de algodão;
- 05ml de álcool;
- Luvas de procedimentos;
- Medicamento prescrito.
Procedimento:
- Lavar as mãos;
- Preparar a medicação fazendo a desinfecção da ampola e após a aspiração do medicamento, trocar
a agulha;
- Orientar o paciente quanto ao procedimento;
- Calçar luvas de procedimentos;
- Posicionar a agulha em ângulo de 15º em relação à superfície da pele;
- Introduzir a agulha com o bisel para cima para formar uma pápula;
- Checar na prescrição médica;
Observação: Não fazer a antissepsia da região, o que causaria o desenvolvimento de reações falso-
positivas em testes de hipersensibilidade e a redução da atividade das vacinas administradas.

Via Subcutânea
É a introdução do medicamento na região subcutânea. Utilizada para drogas que não necessitem de
absorção imediata e sim quando se deseja uma absorção continua. Podem ocorrer lesões inflamatórias
locais, sendo de grande importância o rodízio da aplicação como um método profilático. Volume máximo
administrável – 2 ml.
Locais de aplicação: Parte superior externa dos braços; Face lateral externa e frontal das coxas;
Regiões glúteas, direita e esquerda; Região abdominal – hipocôndrios direito e esquerdo, exceto a região
periumbilical; Regiões supraescapular e infraescapular; Faces externas, anterior e posterior dos braços;
Região intermediária lateral das costas (próxima ao quadril direito e esquerdo).
Material:
- 01 bandeja;
- 01 seringa de 1ml;
- 01 agulha 13X25;
- Luvas de procedimentos;
- 02 Bolas de algodão;
- 05ml do álcool a 70%;
- Medicamento prescrito.
Procedimento:
- Lavar as mãos;
- Preparar a medicação fazendo a desinfecção da ampola e, após a aspiração do medicamento, trocar
a agulha;
- Orientar o paciente quanto ao procedimento;
- Calçar luvas de procedimentos;
- Fazer antissepsia da pele de cima para baixo;
- Posicionar a agulha em ângulo de 90º em relação à superfície da pele;
- Introduzir a agulha com bisel para baixo;
- Não friccionar o local após a aplicação;
- Retirar luvas e lavar mãos;
- Checar na prescrição medica.

Via Intramuscular
É aplicada no tecido muscular através da pele, tendo a desvantagem de ser dolorosa pela introdução
da agulha e absorção do medicamento. O desconforto da aplicação desse medicamento pode ser
minimizado com os seguintes cuidados:

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- Manter a técnica asséptica durante todo o procedimento;
- Ao escolher o local de aplicação, observe a condição do músculo;
- Assegure a privacidade do paciente, sem expô-lo desnecessariamente;
- Não hesitar em aplicar a injeção;
- Injetar lentamente as soluções;
- Fazer uma pressão no local administrado com a extremidade dos dedos, para auxiliar na absorção
da droga;
- Checar na prescrição médica.

Volume máximo administrável – 5 ml.


Algumas bibliografias informam volume máximo de 4ml outras 5ml.

Locais para aplicação: Regiões deltoideanas; Região dorsoglútea; Região ventroglútea; Região
anterolateral da coxa (músculo vastolateral).
Recomendações importantes:
- Não administrar medicamentos por via intramuscular na região dorsoglútea em crianças de 0 a 2
anos, adultos excessivamente magros ou com mais de 60 anos;
- Priorizar a região vastolateral da coxa em crianças menores de 1 ano;
- Não administrar diclofenaco de sódio e penicilina benzatina na região deltoide, em qualquer idade.
Nessas medicações só usar agulhas 30x8;
- Rodiziar o local de aplicação.
Material:
- 01 bandeja;
- 01 seringa de 3ml ou 5ml;
- 01 agulha 30X06, 30X07 ou 30X08;
- 02 bolas de algodão;
- 05ml do álcool a 70%;
- Luvas de procedimentos;
- Medicamento prescrito.
Procedimento:
- Lavar as mãos;
- Escolher a seringa de acordo com o volume a ser injetado;
- Preparar a medicação fazendo a desinfecção da ampola e, após a aspiração do medicamento, trocar
a agulha;
- Orientar o paciente quanto ao procedimento;
- Calçar luvas de procedimentos;
- Fazer antissepsia da pele de cima para baixo;
- Posicionar a agulha em ângulo de 90º em relação à superfície da pele;
- Introduzir a agulha com bisel para baixo;
- Aspirar antes de injetar o medicamento, verificando se algum vaso foi atingido;
- Injetar lentamente o líquido;
- Fazer uma leve compressão no local após a administração;
- Retirar luvas e lavar as mãos;
- Checar na prescrição médica;

Via Endovenosa
A via endovenosa é usada quando se deseja uma ação rápida do medicamento ou porque outras vias
não são propícias. Sua administração deve ser feita com muito cuidado, considerando-se que a
medicação entra direto na corrente sanguínea, podendo ocasionar sérias complicações ao paciente, caso
as recomendações preconizadas não sejam observadas. As soluções administradas por essa via
devem ser cristalinas, não oleosas e sem flocos em suspensão.
Alguns acidentes podem acorrer na administração de medicamentos endovenosos:
- Esclerose da veia: aplicação sucessiva no mesmo local;
- Abscessos: administração de medicamentos fora da veia, antissepsia inadequada no local da
punção e material contaminado;
- Hematoma: extravasamento de sangue da veia no espaço intersticial por transfixação da veia;
- Flebite: longa permanência de dispositivos endovenosos ou drogas irritantes;
- Êmbolos: deslocamento de resíduos de medicamentos mal diluídos ou coágulos de sangue podem
agir como êmbolos;

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
- Infiltração: passagem do líquido para o tecido subcutâneo. Ocorre por deslocamento da agulha ou
pela sua penetração na parede do vaso.
- Choque: quando se aplica determinado medicamento, pode ocorrer o estado de choque,
vasodilatação geral, palidez, vertigem, agitação, cianose, ansiedade, tremores. Pode se tratar do choque
pirogênico que ocorre quando existe pirogênio no medicamento, ou seja, substância produzida por
bactéria, produzindo reações como febre e alergias; choque anafilático devido à hipersensibilidade do
paciente ao medicamento.

Volume máximo administrável – não há limite, exceto nos casos em que a patologia
contraindique volumes elevados.

Locais de aplicação:
- Região cefálica (crianças);
- Região temporossuperficial e regiões epicranianas;
-Região dos membros superiores: braço (cefálica e basílica), antebraço (intermediária cefálica,
intermediária basílica, mediana e radial);
- Ulnar;
- Mão: rede do dorso da mã;.
- Região dos membros inferiores: perna (face posterior do joelho), safena magna e tibial anterior; pé
(rede do dorso do pé). Nesta região somente em casos extremos.
Observação: Observar orientações adicionais na Rotina de Prevenção de Infecção de Corrente
Sanguínea da CCIH.
Material:
- Mesmo da injeção intramuscular;
- Acrescentando em caso de grande volume de medicação:
- 01 bandeja;
- 01 Equipo;
- 01 cateter intravenoso (abocath ou jelco);
- 01 pacote de gaze;
- 30 cm de esparadrapo ou micropore;
- Medicamento;
- Luvas de Procedimentos.
Procedimento:
- Lavar as mãos;
- Preparar a medicação fazendo a desinfecção da ampola e, após a aspiração do medicamento, trocar
a agulha;
- Posicionar o paciente deitado ou sentado;
- Orientar o paciente quanto ao procedimento;
- Calçar luvas de procedimentos;
- Inspecionar as condições da veia e selecionar a mais apropriada;
- Garrotear o braço aproximadamente 10 cm acima da veia escolhida. Para facilitar a visualização da
veia na mão e braço, convém o paciente cerrar o punho durante a inspeção e a punção venosa;
- Fazer antissepsia da pele de cima para baixo;
- Fixar a veia e fazer a punção;
- Inserir o cateter ou agulha em um ângulo de 15º a 30º graus mantendo a pele esticada com o bisel
voltado para cima, facilitando a introdução;
- Retirar o garrote;
- Administrar lentamente o medicamento, evitando assim reações adversas, já que muitos
medicamentos podem produzir efeitos indesejáveis de imediato. Nesses casos, interrompa a aplicação e
comunique o fato o(a) enfermeiro(a) ou médico;
- Retirar o cateter ou agulha e comprimir o local;
- Retirar luvas e lavar as mãos;
- Checar na prescrição médica.
Recomendações importantes:
- Seguir Rotina de Controle de Infecção para acesso vascular para a manutenção da punção;
- Evitar punção venosa de membros inferiores em pacientes adultos;
- O local escolhido deve ser seguro, de fácil acesso, confortável ao paciente;
- O seguimento escolhido deve ser mais longo que a agulha;

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- Evitar “tapinha” sobre o local a ser puncionado, pois permitem o rompimento da veia no momento da
punção;
- Não puncionar membros com fístula arteriovenosa para hemodiálise, paresia, paralisia ou membro
do mesmo lado em que foi feita uma mastectomia.

Venóclise
Administração endovenosa de regular quantidade de líquido através de gotejamento controlado, para
ser infundido num período de tempo pré-determinado. É indicada principalmente para repor perdas de
líquidos do organismo e administrar medicamentos. As soluções mais utilizadas são a glicosada 5%,
fisiológica 0,9% e ringer simples.
Recomendações importantes:
- Atentar para a identificação, registrando no rótulo: o nome do paciente, a solução a ser injetada, os
medicamentos e seus complementos do soro, caso houver, tempo em que a solução deverá ser infundida,
número de gotas por minuto, início e término, data e assinatura;
- Estabelecer a punção venosa em local longe de articulações e de fácil acesso, para facilitar
manutenção da via e oferecer conforto ao paciente;
- Não puncionar veias esclerosadas (são veias com paredes espessas e endurecidas), devido a
deficiência circulatória;
- Realizar a punção com técnica asséptica, mantendo todo o conjunto de punção limpo, inclusive sua
fixação, prevenindo infecção;
- Manter as conexões do sistema bem adaptadas evitando extravasamento de solução, contaminação,
refluxo sanguíneo e entrada de ar;
- Manter a observação constante no local, a fim de detectar precocemente a infiltração nos tecidos
adjacentes;
- Retirar o dispositivo da punção e providenciar outra via de acesso venoso, na presença de sinais de
flebite (edema e hiperemia local). Comunicar o caso o(a) enfermeiro(a);
- Garantir a infusão do volume e dosagem dentro do tempo estabelecido. Para isto, deve-se controlar
constantemente o gotejamento, que não deve ser alterado em casos de atraso, para evitar a sobrecarga
cardíaca;
- Orientar aos pacientes que deambulam manterem o frasco elevado para promover gotejamento
contínuo, evitando refluxo, coagulação sanguínea e obstrução do cateter;
- Orientar o paciente não abrir ou fechar o gotejamento;
- Registrar no local da punção data, hora e assinatura do profissional responsável;
- Administração de medicações de horário pela “borrachinha” do equipo: fazer desinfecção do local
antes da introdução da agulha;
- Não injetar medicamentos perfurando o frasco de soro ou deixar agulhar tipo “suspiro” para evitar
contaminação do sistema;
- Evitar excesso de polifix ou tree-wall.

Outras Vias Parenterais:


- Epidural;
- Intratecal;
- Intraóssea;
- Intraperitoneal;
- Intrapleural;
- Intra-arterial.

Cálculos para gotejamento. Ex.: SG 5%, 500ml em 8horas.

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Questões

01. (SES/PR - Assistente de Farmácia - IBFC/2016) Não é considerada como via parenteral de
administração de medicamentos a via:
(A) Retal
(B) Subcutânea
(C) Intravenosa
(D) Intramuscular

02. (IF/PA - Auxiliar de Enfermagem - FUNRIO/2016) A administração de medicamentos pode ser


feita por várias vias. Indique a alternativa de uma via enteral.
(A) Otológica
(B) Intradérmica
(C) Tópica
(D) Oral
(E) Oftálmica

03. (CLIN - Auxiliar de Enfermagem do Trabalho - COSEAC) Considerando-se a administração de


medicamentos por via parenteral, é correto afirmar que:
(A) os medicamentos parenterais têm forma de creme e óvulos, que são introduzidos com o auxílio de
um aplicador de uso individual.
(B) para a administração de medicamentos por esta via deve-se usar o conta-gotas, e o paciente deve
manter a cabeça inclinada para trás.
(C) as formulações destinadas para uso nesta via podem ser sólidas ou líquidas e são indicadas
principalmente para a estimulação da peristalse.
(D) utilizam-se comumente nesta via as formas de administração subcutânea, intradérmica,
intramuscular e endovenosa.

04. (IF Sertão/PE - Técnico em Enfermagem) A paciente A.J, internada em enfermaria, foi prescrito
para ser administrado 500 ml de soro fisiológico, via endovenosa, em 8 horas. Quantas gotas por minuto
será administrada nessa prescrição?
(A) 7 gotas por minuto
(B) 21 gotas por minuto
(C) 42 gotas por minuto
(D) 15 gotas por minuto
(E) 64 gotas por minuto

05. (IF Sertão/PE - Técnico em Enfermagem) Sobre as vias de administração de medicamentos,


assinale a alternativa incorreta:
(A) As vias de administração parenterais diferem em relação ao tipo de tecido em que o medicamento
será administrado.
(B) A via intradérmica constitui uma alternativa parenteral para a administração de medicamentos que
precisam de uma lenta absorção.
(C) Na utilização da via subcutânea, a medicação é introduzida na hipoderme, proporcionando uma
absorção gradual e sistêmica.
(D) Na utilização da via intramuscular, o medicamento é introduzido no tecido muscular, sendo
apropriado para a administração o volume máximo até 0,5 mL.
(E) A via endovenosa permite a administração de grandes volumes de líquidos e, também, de soluções
que, por serem irritantes ou por sofrerem a ação dos sucos digestivos, são contraindicadas pelas demais
vias parenterais e pela via oral, respectivamente.

06. (IF Sertão/PE - Técnico em Enfermagem) Chega ao posto de enfermagem uma prescrição
médica em que está solicitado a administração de 350 mg de ampicilina. Na unidade tem frascos com 1,0
grama que deve ser diluído em 10ml de água destilada. Após diluição, quanto deve ser aspirado?
(A) 3,5 ml
(B) 3,0 ml
(C) 2,5 ml
(D) 2,0 ml
(E) 1,5 ml

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07. (EBSERH - Técnico em Enfermagem - IBFC/2016) Considerando o Protocolo de segurança na
prescrição, uso e administração de medicamentos do Ministério da Saúde, analise as afirmativas abaixo
e assinale a alternativa correta:
I. As prescrições verbais devem ser restritas às situações de urgência/emergência, devendo ser
imediatamente escritas no formulário da prescrição, após a administração do medicamento.
II. Realizar a antissepsia do local da aplicação para administração de medicamentos por via parenteral.
III. Não deverão ser administrados medicamentos em casos de prescrições vagas como: “fazer se
necessário”.

(A) I, II e III estão corretas


(B) I, II e III estão incorretas
(C) Apenas I e II estão corretas
(D) Apenas II e III estão corretas
(E) Apenas III está correta
Gabarito

01.A / 02.D / 03.D / 04.B / 05.D / 06.A / 07.A

Comentários

01. Resposta: A
Parenteral NÃO passa pelo trato gastrointestinal.

02. Resposta: D
Enteral vem do grego enteron (intestino): são as vias: oral, sublingual e retal.
03. Alternativa: D
Os medicamentos em via Parenterais são aqueles que o fármaco não passa pelo trato gastrointestinal.

04. Resposta: B
1 h -------------------------- 60 minutos
8 h ------------------------ x minutos x= 480 minutos.
T (minutos)
Gota= Volume total x 20 / T (minutos)
Gota= 500 x 20 / 480
Gota= 10000 / 480
Gota= 20,88 aproximadamente 21 gotas por minuto

05. Resposta: D
O volume máximo administrado na via intramuscular varia dependendo do músculo, mas pode
chegar até 5mL.

06. Resposta: B
1,0 g – 10 ml água destilada
350 mg de ampicilina = 0,35 g – X
1,0 x= 0,35 . 10
X = 3,5 /1,0
X= 3,5 ml

07. Resposta: A
PROTOCOLO DE SEGURANÇA NA PRESCRIÇÃO, USO E ADMINISTRAÇÃO DE
MEDICAMENTOS* Protocolo coordenado pelo Ministério da Saúde e ANVISA em parceria com FIOCRUZ
e FHEMIG
5.1.4 Utilização de expressões vagas Expressões vagas como “usar como de costume”, “usar como
habitual”, “a critério médico”,“se necessário” (sem indicação de dose máxima, posologia e condição de
uso), “uso contínuo” e “não parar” devem ser abolidas das prescrições. Quando for preciso utilizar a
expressão “se necessário”, deve-se obrigatoriamente definir: Dose; posologia; dose máxima diária deve
estar claramente descrita; e condição que determina o uso ou interrupção do uso do medicamento.
Exemplo: paracetamol comprimido de 500mg uso oral. Administrar 500mg de 6 em 6h, se temperatura
igual ou acima de 37,5ºc. Dose máxima diária 2 gramas (quatro comprimidos de 500mg).

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Normas de biossegurança em enfermagem

BIOSSEGURANÇA, IRAS e CCIH

Conforme conceitua o Ministério da Saúde, Biossegurança compreende um conjunto de ações


destinadas a prevenir, controlar, mitigar ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam
interferir ou comprometer a qualidade de vida, a saúde humana e o meio ambiente. Desta forma, a
biossegurança se caracteriza como estratégica e essencial para a pesquisa e o desenvolvimento
sustentável, sendo de fundamental importância para avaliar e prevenir os possíveis efeitos adversos de
novas tecnologias à saúde.
As ações de biossegurança em saúde são primordiais para a promoção e manutenção do bem-estar
e proteção à vida. A evolução cada vez mais rápida do conhecimento científico e tecnológico propicia
condições favoráveis, possibilitando ações que colocam o Brasil em patamares preconizados pela
Organização Mundial de Saúde (OMS) em relação à biossegurança em saúde. No Brasil, a biossegurança
começou a ser institucionalizada a partir da década de 80, quando o Brasil passou a fazer parte do
Programa de Treinamento Internacional em Biossegurança, ministrado pela OMS, que teve como objetivo
estabelecer pontos focais na América Latina para o desenvolvimento do tema (BRASIL)11.

Medidas de Biossegurança12

A palavra Biossegurança significa, genericamente, segurança nas atividades que evoluem de


organismos vivos. E entende-se, ainda, que o termo Biossegurança se aplica ao conjunto de ações
voltadas para a prevenção, minimização ou eliminação de riscos inerentes às atividades de pesquisa,
produção, ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços - riscos que podem comprometer
a saúde do Homem, dos animais, do meio ambiente ou a qualidade dos trabalhos desenvolvidos.
Ao profissional de enfermagem cabe a consciência de sua responsabilidade quanto à prática da
biossegurança em todos os seus procedimentos de trabalho e, também, junto aos seus pacientes, para
que, protegendo-se, possa garantir suas boas condições de saúde e, assim, estar apto para o cuidado
com o próximo. Medidas de proteção e segurança (individual, coletiva, para si e para o paciente) são
recomendadas aos profissionais de saúde, em especial ao enfermeiro ao exercer a prática do cuidado
em estabelecimentos de saúde.
Os profissionais que atuam na área da saúde, historicamente, não eram considerados como
trabalhadores da categoria de grandes riscos para acidentes de trabalho, mas nos dias atuais os riscos
biológicos rodeiam a classe.
Na década de 80, com o surgimento da AIDS, as questões de biossegurança começaram a ser
estabelecidas, sendo promovida a proteção profissional.
Os serviços de saúde possuem muitas áreas de insalubridade, com graduação variável, que dependem
de sua hierarquização e complexidade (ex. hospital terciário ou posto de saúde), do tipo de atendimento
prestado (ex. atendimento exclusivo a moléstias infectocontagiosas) e do local de trabalho do profissional
(ex. laboratório, endoscopia, lavanderia, etc.). Os riscos de agravo à saúde (ex. radiação, calor, frio,
substâncias químicas, estresse, agentes infecciosos, ergonômicos, etc.) podem ser variados e
cumulativos. Por suas características, encontram-se nos serviços de saúde exemplos de todos os tipos
de risco, agravados por problemas administrativos e financeiros (ex. falta de manutenção de
equipamentos) e alguns decorrentes de falhas na adaptação de estruturas antigas a aparelhos de última
geração.
Todos os profissionais que atuam - direta ou indiretamente - na prestação de serviços em hospitais ou
em qualquer outra atividade ligada à saúde estão sujeitos a desenvolver doenças relacionadas ao
trabalho. A exposição a riscos de contaminação ocupacional depende do ambiente de trabalho de cada
um.
Constatou-se que com 70% das contaminações pelo vírus HIV em todo o mundo por ocasião de
acidente de trabalho, 43% envolvem a categoria da área de enfermagem.

11
Texto extraído de BRASIL. Ministério da Saúde. Biossegurança em saúde: prioridades e estratégias de ação. Brasília: Ministério da Saúde, 2010. 242 p. (Série B.
Textos Básicos de Saúde)
12
Conteúdo adaptado de SÃO PAULO. Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo. Programa Estadual de DST/AIDS. Biossegurança: atualidades em DST/Aids.
2. ed. rev. e amp. São Paulo, 2003. e de ZORZE, Cleide Maria Ferreira da Silva; KARAGULIAN, Patrícia Partamian. Biossegurança em enfermagem. In: MURTA,
Genilda Ferreira (org.). Saberes e Práticas: guia para ensino e aprendizado de enfermagem. 3. ed. rev. e amp. São Caetano do Sul, SP: Difusão, 2007.

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Várias são as doenças que os profissionais de saúde poderão adquirir ao longo de suas carreiras;
algumas poderão ser combatidas com vacinas; outras, com cuidados nos equipamentos de segurança.

Medidas de Biossegurança em Serviços de Saúde

Na área da saúde, o tema “Biossegurança” suscita reflexões por parte dos profissionais, uma vez que
estão mais suscetíveis a contrair doenças advindas de acidentes de trabalho, através de procedimentos
que envolvem riscos biológicos, químicos, físicos e ergonômicos (BOLICK, 2000; MASTROENI, 2004).
Os profissionais que prestam assistência direta à saúde ou manipulam material biológico no seu
cotidiano devem ter conhecimento suficiente acerca de biossegurança para uma prática eficaz e segura
(CARVALHO, 1999; COSTA & COSTA, 2003).
O profissional de limpeza e desinfecção de superfícies em serviços de saúde está exposto a riscos, e
o objetivo das medidas de biossegurança é identificar riscos à saúde e ao meio ambiente decorrentes da
exposição à matéria orgânica e aos agentes biológicos e do manuseio de produtos químicos e materiais
perigosos.
A utilização de precauções básicas auxilia os profissionais nas condutas técnicas adequadas à
prestação dos serviços, por meio do uso correto de EPI, de acordo com a NR n° 6, da Portaria nº 3.214,
de 08 de junho de 1978 (BRASIL). Essas medidas devem gerar melhorias na qualidade da assistência e
diminuição de custos e infecções.
Ao Serviço de Limpeza e Desinfecção de Superfícies em Serviços de Saúde competem os
procedimentos para a remoção de sujidades, detritos indesejáveis e micro-organismos presentes em
qualquer superfície, visando manter o ambiente dentro dos padrões estabelecidos pelos serviços de
saúde.
As medidas de biossegurança em serviços de saúde evitam os riscos inerentes ao uso de produtos
químicos e materiais biológicos. Têm a finalidade de minimizar os riscos envolvidos no uso desses
materiais pelos profissionais da instituição. Incluem procedimentos para aquisição, armazenamento,
transporte e manuseio desses produtos.
As medidas de biossegurança podem ser isoladas ou estarem inseridas em um plano de prevenção e
controle de riscos biológicos, químicos e materiais perigosos.
Os acidentes de trabalho são aqueles que ocorrem pelo exercício do trabalho a serviço da empresa
ou pelo exercício do trabalho dos segurados, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que
cause a morte, a perda ou a redução permanente ou temporária da capacidade para o trabalho (BRASIL)
e podem ser provocados por agentes biológicos, ergonômicos ou mecânicos.
Podem ser evitados por meio da instituição de medidas preventivas que visem à segurança do
funcionário durante suas atividades rotineiras, como:
- Não substituir as escadas por cadeiras, usando-as apenas em superfícies planas.
- Não manusear equipamentos elétricos com as mãos molhadas.
- Não misturar produtos de limpeza e desinfecção de superfícies.
- Utilizar cintos de segurança para a limpeza de janelas e vidros.
- Proteger as tomadas elétricas de paredes molhadas.
- Não correr nas dependências dos serviços de saúde.
- Manter postura adequada para evitar problemas de coluna.
- Não levar ou levantar objetos muito pesados sem ajuda.
- Obedecer aos horários de intervalos a fim de prevenir o estresse.
- Notificar os acidentes após a ocorrência.
- Utilizar EPI e EPC sempre que necessário.
- Receber as vacinas recomendadas.

Os profissionais, quando acidentados, devem comunicar seus acidentes em formulário próprio,


denominado Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), no prazo de 24 horas, e encaminhá-lo
aos setores competentes.

Glossário

- Desinfecção: remoção de agentes infecciosos, na forma vegetativa, de uma superfície inerte,


mediante a aplicação de agentes químicos ou físicos.
- Desinfetante: são agentes químicos capazes de destruir micro-organismos na forma vegetativa em
artigos ou superfícies, sendo divididos segundo seu nível de atividade em: alto nível, médio nível ou nível
intermediário e baixo nível.

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- Detergente: todo produto que possui como finalidade a limpeza e que contém na sua formulação
tensoativos que reduzem a tensão superficial da água, facilitando sua penetração, dispersando e
emulsificando a sujidade.
- Limpeza: consiste na remoção das sujidades mediante aplicação de energias química, mecânica ou
térmica em um determinado período de tempo. Pode ser:
- Química – ação de produtos saneantes com a finalidade de limpar por meio da propriedade de
dissolução, dispersão e suspensão da sujeira.
- Mecânica – ação física aplicada sobre a superfície para remover a sujeira resistente à ação do produto
químico (esfregar, friccionar, escovar).
- Térmica – ação do calor que reduz a viscosidade da graxa e da gordura, facilitando a remoção pela
ação química.
- Medicina do Trabalho: especialidade médica que se ocupa da promoção, preservação e
monitoramento da saúde do trabalhador. Executa ações preventivas e emergenciais.
- Produtos Saneantes: substâncias ou preparações destinadas à higienização, desinfecção ou
desinfestação domiciliar, em ambientes coletivos e/ou públicos, em lugares de uso comum e no
tratamento de água.
- Serviço de Limpeza e Desinfecção de Superfícies em Serviços de Saúde: executa ações de
limpeza/desinfecção preventivas e emergenciais no ambiente dos serviços de saúde.
- Serviços de Saúde: estabelecimento destinado ao desenvolvimento de ações de atenção à saúde
da população em regime de internação ou não, incluindo a atenção realizada em consultórios e domicílios.
- Risco Biológico: risco determinado pela exposição a agentes biológicos por inalação, contato ou
manuseio (direto ou indireto) de sangue e fluidos corpóreos.

Bibliografia
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Segurança do paciente em serviços de saúde: limpeza e desinfecção de superfícies. Brasília: Anvisa,
2010.

Controle da População Microbiana13

Entendendo a estruturação da cadeia de transmissão (onde e como vivem, como se transmite) dos
principais agentes infecciosos, pode-se intervir rompendo o elo e evitando a contaminação do ambiente.
Dessa forma, eliminando as doenças infecciosas, procura-se aumentar o tempo de vida da espécie
humana.
Sabe-se que os seres humanos apresentam necessidades de maior amplitude além das biológicas,
ou seja, as de ordem social, política e econômica: moradias adequadas, boa higiene, educação, bom
relacionamento social com a comunidade em que vivem e trabalham, bons serviços de assistência à
saúde (profissionais e centros de saúde), escolas gratuitas e salários decentes, por exemplo. A carência
destas necessidades implica condições diretamente relacionadas à disseminação de doenças,
especialmente as parasitárias.
Considerando tais fatos, o profissional de saúde é capaz de atuar na saúde individual de forma, muitas
vezes, simples, através de orientações e tratamentos, e assim prevenir e curar as doenças parasitárias.
Entretanto, quando se trata de saúde coletiva, com a participação do meio ambiente e de outros fatores
de ordem socioeconômica, faz-se necessária a adoção de medidas mais complexas. Nesse caso, as
decisões de natureza política exercem importante papel, de maneira direta, na relação parasito-
hospedeiro-meio ambiente, intervindo e rompendo a cadeia de transmissão.

Saneamento Básico

Fala-se muito em saneamento básico. Conhecemos seu significado? É importante para a população?
Sanear quer dizer limpar. Assim, pode-se definir saneamento como o conjunto de medidas que visam
tornar as condições ambientais apropriadas à vida.
O saneamento básico consiste em abastecimento e purificação da água, coleta de lixo, construção de
redes de esgoto, controle da poluição, limpeza dos lugares públicos pelos órgãos do governo. Enfim,
significa conservar os meios naturais e eliminar o que representa risco à saúde da população.
A água contaminada é um deles, podendo transmitir muitas doenças parasitárias como diarreias,
cólera, esquistossomose (barriga d’água) e outras verminoses. Durante as chuvas, as águas de
13
Conteúdo adaptado de BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação na
Saúde. Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: fundamentos
de enfermagem. 2. ed. rev., 1. reimpr. Brasília: Ministério da Saúde; Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003.

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abastecimento podem vir a se contaminar pela drenagem dos campos contaminados em decorrência de
enxurradas. Por sua vez, as piscinas e lagos recreativos também podem apresentar considerável
contaminação, oferecendo riscos às pessoas.
Considerando tais fatos, a água deve ser sempre adequadamente tratada e, para ser ingerida, fervida
ou filtrada.
Esterilização e Desinfecção

São procedimentos de remoção dos agentes infecciosos.

Esterilização
É a destruição de todas as formas de vida microbiana (matando os esporos) existentes em
determinado objeto (em sua superfície ou interior). Pode ser realizada através de métodos físicos ou
químicos (vapor seco e vapor saturado sob pressão e agentes químicos).

Desinfecção
É o processo que remove ou mata a maioria dos micro-organismos patogênicos (não necessariamente
matando os esporos) existente em uma superfície inerte. Pode ser feita por vapor úmido, por processos
físicos (pasteurização e água em ebulição ou fervura) ou por processos químicos por meio da imersão
em soluções germicidas (álcool etílico a 70%, cloro e compostos clorados, fenólicos, formaldeído, etc.).

Assepsia
É um conjunto de medidas que visam reduzir o número de micro-organismos e evitar sua disseminação
ou contaminação de uma área ou objeto estéril. Pode ser classificada em:
- assepsia médica: auxilia a diminuir o número de micro-organismos, impedindo sua passagem de
pessoa para pessoa (técnica asséptica);
- assepsia cirúrgica: torna e mantém os objetos e áreas livres de todos os micro-organismos (técnica
estéril).

Antissepsia
São medidas que visam diminuir e prevenir o crescimento de micro-organismos, mediante aplicação
de um agente germicida.

Referência
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Projeto de
Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: instrumentalizando a ação
profissional 1. 2. ed. rev., 1. reimpr. Brasília: Ministério da Saúde; Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003.

Ambiente Hospitalar

Processamento de Artigos Hospitalares

Descontaminação é o processo que visa destruir micro-organismos patogênicos, utilizado em artigos


contaminados ou em superfície ambiental, tornando-os, consequentemente, seguros ao manuseio.
Pode ser realizada por processo químico, no qual os artigos são imersos em solução desinfetante
antes de se proceder a limpeza; por processo mecânico, utilizando-se máquina termodesinfectadora ou
similar; ou por processo físico, indicando-se a imersão do artigo em água fervente durante 30 minutos -
método não indicado por Padoveze, pois, segundo ele, há impregnação de matéria orgânica quando
aplicado a artigos sujos.
A limpeza é o ato de remover a sujidade por meio de fricção e uso de água e sabão ou soluções
detergentes. Há várias fórmulas de detergentes disponíveis no mercado, variando do neutro a específicos
para lavadoras. Ainda nesta classificação, podemos apontar os enzimáticos, utilizados para limpeza de
artigos por imersão, bastante recomendados, atualmente, por sua eficácia na limpeza - são capazes de
remover a matéria orgânica da superfície do material em tempo inferior a 15 minutos (em média, 3
minutos), não danificam os artigos e são atóxicos e biodegradáveis.
Limpar é procedimento que deve sempre preceder a desinfecção e a esterilização; quanto mais limpo
estiver o material, menor a chance de falhas no processo. A matéria orgânica, intimamente aderida ao
material, como no caso de crostas de sangue e secreções, atua como escudo de proteção para os micro-
organismos, impedindo que o agente desinfetante/esterilizante entre em contato com a superfície do
artigo, tornando o procedimento ineficaz.

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Para a realização da descontaminação e limpeza dos materiais, recomenda-se adotar as
seguintes medidas:
- os procedimentos só devem ser feitos por profissionais devidamente capacitados e em local
apropriado (expurgo);
- sempre utilizar sapatos fechados, para prevenir a contaminação por respingos;
- quando do manuseio de artigos sujos, estar devidamente paramentado com equipamentos de
proteção: avental impermeável, luvas de borracha antiderrapantes e de cano longo, óculos de proteção e
máscara ou protetor facial;
- utilizar escovas de cerdas macias, evitando a aplicação de materiais abrasivos, como palhas de aço
e sapólio;
- as pinças devem estar abertas quando de sua imersão na solução;
- desconectar os componentes acoplados, para uma efetiva limpeza;
- enxaguar os materiais em água corrente potável;
- secar os materiais com tecido absorvente limpo, atentando para o resultado da limpeza,
principalmente nas ranhuras das pinças;
- armazenar o material ou encaminhá-lo para desinfecção ou esterilização.

Desinfecção é o processo de destruição de micro-organismos em estado vegetativo (com exceção


das formas esporuladas, resistentes ao processo) utilizando-se agentes físicos ou químicos. O termo
desinfecção é aplicado tanto no caso de artigos quanto de superfícies ambientais.

A desinfecção pode ser de:


- alto nível: quando há eliminação de todos os micro-organismos e de alguns esporos bacterianos;
- nível intermediário ou médio: quando há eliminação de micobactérias (bacilo da tuberculose),
bactérias na forma vegetativa, muitos vírus e fungos, porém não de esporos;
- baixo nível: quando há eliminação de bactérias e alguns fungos e vírus, porém sem destruição de
micobactérias nem de esporos.

Os processos físicos de desinfecção são a pasteurização e a água em ebulição ou fervura.


A pasteurização é uma desinfecção realizada em lavadoras automáticas, com exposição do artigo em
água a temperaturas de aproximadamente 60 a 90 graus centígrados por 10 a 30 minutos, conforme a
instrução do fabricante. É indicada para a desinfecção de circuitos de respiradores.
A água em ebulição ou fervura é utilizada para desinfecção de alto nível em artigos termorresistentes.
Consiste em imergir totalmente o material em água fervente, com tempo de exposição de 30 minutos;
após, o material é retirado com o auxílio de pinça desinfetada e luvas de amianto de cano longo. Em
seguida, deve ser seco e guardado em recipiente limpo ou desinfetado. Ressalve-se que esse
procedimento é indicado apenas nas situações em que não se disponha de outros métodos físicos ou
químicos.
A desinfecção de artigos hospitalares por processo químico é feita por meio de imersão em soluções
germicidas. Para garantir a eficácia da ação, faz-se necessário: que o artigo esteja bem limpo, pois a
presença de matéria orgânica reduz ou inativa a ação do desinfetante; que esteja seco, para não alterar
a concentração do desinfetante; que esteja totalmente imerso na solução, sem a presença de bolhas de
ar; que o tempo de exposição recomendado seja respeitado; que durante o processo o recipiente seja
mantido tampado e o produto esteja dentro do prazo de validade.

Esterilização é o processo utilizado para destruir todas as formas de vida microbiana, por meio do uso
de agentes físicos (vapor saturado sobre pressão - autoclave e vapor seco estufa) e químicos (óxido de
etileno, plasma de peróxido de hidrogênio, formaldeído, Glutaraldeído e ácido peracético).
A esterilização pelo vapor saturado sob pressão é realizada em autoclave, que conjuga calor, umidade,
tempo e pressão para destruir os micro-organismos. Nela podem ser esterilizados artigos de superfície
como instrumentais, baldes e bacias e artigos de espessura como campos cirúrgicos, aventais e
compressas, e artigos críticos e semicríticos termorresistentes e líquidos.
Na estufa, o calor é produzido por resistências elétricas e propaga-se lentamente, de maneira que o
processo é moroso e exige altas temperaturas - vários autores indicam a esterilização por esse método
apenas quando haja impossibilidade de submeter o material à autoclavação, como no caso de pós e
óleos.
O material a ser processado em estufa deve ser acondicionado em caixas metálicas e recipientes de
vidro refratário. Frise-se que a relação tempo-temperatura para a esterilização de materiais por esse
método é bastante controvertida e as opiniões muito divergentes entre os diversos autores.

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Fonte de Infecção Relacionada ao Ambiente

O ar, a água e as superfícies inanimadas verticais e horizontais fazem parte do meio ambiente de uma
instituição de saúde. Particularmente, no hospital o ambiente pode se tornar foco de infecção hospitalar,
embora estudos tenham demonstrado não ser esse o principal meio de transmissão.
Os cuidados com o ambiente estão centrados, principalmente, nas ações de limpeza realizadas pelo
Serviço de Higiene Hospitalar. Há uma estreita relação deste com o Serviço de Prevenção e Controle de
Infecção Hospitalar, cabendo-lhe as seguintes incumbências: padronizar produtos a serem utilizados na
limpeza; normatizar ou indicar o uso de germicidas para as áreas críticas ou para as demais, quando
necessário; participar de treinamentos e dar orientação técnica à equipe de limpeza; participar da
elaboração ou atualização de manuais a respeito do assunto.

Métodos e Frequência da Limpeza, Desinfecção e Descontaminação

De maneira geral, a limpeza é suficiente para reduzir os micro-organismos existentes nas superfícies
hospitalares, reservando-se os processos de desinfecção e descontaminação para as áreas em que há
deposição de matéria orgânica.
Para a descontaminação, indica-se a aplicação de desinfetante sobre a matéria orgânica; em
seguida, aguardar o tempo de ação, remover o conteúdo descontaminado com papel absorvente ou
tecidos e realizar a limpeza com água e solução detergente.
Na desinfecção, remover a matéria orgânica com papel absorvente ou tecidos, aplicar o desinfetante
sobre a área atingida, aguardar o tempo de ação, remover o desinfetante com papel absorvente ou pano
e realizar a limpeza com água e solução detergente.
O desinfetante habitualmente utilizado para a descontaminação e desinfecção de superfícies é o cloro
orgânico (clorocide) ou inorgânico (hipoclorito de sódio a 1%), com tempo de exposição de 10 minutos.
A limpeza das áreas hospitalares é um procedimento que visa remover a sujidade e detritos
orgânicos de superfícies inanimadas, que constituem ótimo habitat para a sobrevivência de micro-
organismos no âmbito hospitalar. O agente químico utilizado na limpeza é o detergente, composto de
substância tensoativa que facilita a remoção da sujeira.
A limpeza pode ser do tipo concorrente e terminal. O primeiro tipo é feito diariamente e consiste na
limpeza do piso, remoção de poeira do mobiliário, limpeza completa do sanitário, reposição de material
de higiene e recolhimento do lixo, repetido conforme a necessidade; o segundo é realizado
periodicamente, de acordo com a área de risco do hospital, e consiste na limpeza de paredes, pisos,
tetos, janelas, portas e sanitários.

Fonte de Infecção Relacionada à Equipe de Saúde

A equipe de saúde tem importante papel na cadeia de transmissão da infecção hospitalar ou domiciliar.
As práticas adotadas para sua prevenção visam controlar a propagação de micro-organismos que
habitam o ambiente hospitalar e diminuir os riscos do paciente vir a adquirir uma infecção. Por outro lado,
tanto as medidas gerais como as específicas de prevenção e controle de infecção implantadas na
instituição também se direcionam para proteger o próprio trabalhador que ali desempenha sua função,
quer seja prestando assistência direta ao paciente - como no caso do auxiliar de enfermagem ou do
enfermeiro - quer seja indiretamente, como o funcionário da higiene hospitalar, da lavanderia ou da
nutrição e dietética.
Toda a equipe de saúde tem responsabilidade com relação à prevenção da infecção hospitalar,
devendo fazer correto uso das técnicas assépticas, dos equipamentos de proteção individual (EPI)
e ou coletivo (EPC), quando necessário. Por sua vez, o empregador tem a responsabilidade de
disponibilizar os recursos necessários à efetivação desses cuidados.
A prevenção e o controle da infecção se fundamentam nos princípios de assepsia, mediante a
utilização de medidas para impedir a penetração de microrganismos (contaminação) em local onde não
estejam presentes.
As técnicas de assepsia devem ser utilizadas por todos os profissionais de saúde em todos os
procedimentos, e são agrupadas sob a denominação de assepsia médica e cirúrgica. A primeira
refere-se às medidas adotadas para reduzir o número de microrganismos e evitar sua disseminação; a
segunda, para impedir a contaminação de uma área ou objeto estéril. As medidas que visam reduzir e
prevenir o crescimento de micro-organismos em tecidos vivos são denominadas antissepsia.

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A adesão da equipe às medidas gerais de prevenção e controle de infecção ainda depende da
conscientização e mudança de hábitos dos profissionais. Entretanto, sua adoção implica a realização de
atos simples e de fácil execução, tais como:
- lavar sempre as mãos antes de realizar qualquer procedimento - um dos mais importantes meios
para prevenir a infecção cruzada;
- manter os cabelos longos presos durante o trabalho, pois quando soltos acumulam sujidades, poeira
e micro-organismos, favorecendo a contaminação do paciente e do próprio profissional;
- manter as unhas curtas e aparadas, pois as longas facilitam o acúmulo de sujidades e micro-
organismos;
- evitar o uso de joias e bijuterias, como anéis, pulseiras e demais adornos, que podem se constituir
em possíveis fontes de infecção pela facilidade de albergarem micro-organismos em seus sulcos e
reentrâncias, bem como na pele subjacente;
- não encostar ou sentar-se em superfícies com potencial de contaminação, como macas e camas de
pacientes, pois isto favorece a disseminação de micro-organismos.

Luvas Esterilizadas e de Procedimento

Outra barreira utilizada para o controle da disseminação de micro-organismos no ambiente hospitalar


são as luvas, esterilizadas ou não, indicadas para proteger de contaminação o paciente e o profissional.
As luvas esterilizadas (estéreis), denominadas luvas cirúrgicas, são indicadas para a realização de
procedimentos invasivos ou manipulação de material estéril, impedindo a deposição de microrganismos
no local. Exemplos: cirurgias, suturas, curativos, cateterismo vesical, dentre outros.
As luvas de procedimento são limpas, porém não esterilizadas, e seu uso é indicado para proteger
o profissional durante a manipulação de material, quando do contato com superfícies contaminadas ou
durante a execução de procedimentos com risco de exposição a sangue, fluidos corpóreos e secreções.
Não há nenhum cuidado especial para calçá-las, porém devem ser removidas da mesma maneira que a
luva estéril, para evitar que o profissional se contamine.

Precauções-Padrão e Isolamento

As normas relativas às precauções e ao isolamento se constituem na adoção de medidas que


possibilitam a prevenção da transmissão de micro-organismos e que têm por objetivo principal proteger
o paciente e o profissional de saúde.
As mais utilizadas nos serviços de saúde, institucionalizados ou domiciliares, fundamentam-se no –
Guideline - do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) de Atlanta e no HICPAC (Hospital
Infection Control Practices Advisory Committee), nos EUA, publicado em 1996.
Os micro-organismos podem ser transmitidos por contato com gotículas, aerossóis e exposição a
sangue e outros líquidos corpóreos, como veremos a seguir:
- por contato – ocorre, principalmente, através das mãos dos profissionais ou por contato com artigos
e equipamentos contaminados. Exemplos: herpes simples, diarreia infecciosa;
- por gotículas - ocorre através de gotículas produzidas pela fala, tosse, espirro e aspiração
orotraqueal. As gotículas podem atingir até 1 metro de distância e rapidamente se depositam no chão,
não permanecendo suspensas no ar. Exemplos: coqueluche, difteria, rubéola, meningite bacteriana;
- por aerossóis - pequenas partículas contendo micro-organismos eliminados durante a respiração,
tosse ou espirro se ressecam, podendo permanecer durante horas suspensas no ar. As partículas
ressecadas são capazes de atingir distâncias maiores que 1 metro. Algumas doenças, como a
tuberculose e o sarampo, são transmitidas dessa forma;
- por exposição a sangue e outros líquidos corpóreos - a transmissão ocorre quando estes estão
contaminados e entram em contato com mucosa ou pele não-íntegra. Por exemplo, o vírus da
imunodeficiência humana (HIV), os vírus da hepatite B e C.
Esse sistema de precauções e isolamento indica dois níveis de precauções, a saber:
- precauções-padrão, indicadas a todos os pacientes;
- precauções baseadas no modo de transmissão dos agentes infecciosos: precauções de contato e
precauções respiratórias para gotículas e aerossóis.

Precauções-Padrão

As precauções-padrão devem ser utilizadas no atendimento de todos os pacientes sempre que houver
risco de contato com sangue, líquidos corpóreos, secreções e excreções, peles não-íntegras e mucosas.

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São ações das precauções-padrão:
- lavar as mãos antes e após o contato com o paciente; após descalçar as luvas, pois nelas podem
haver pequenos furos ou ocorrer contaminação durante a remoção; após contato com sangue, secreções
e excreções, equipamentos e artigos contaminados; entre a realização de procedimentos com o mesmo
paciente, como curativo, aspiração traqueal, coleta de sangue, etc.; entre a manipulação de um paciente
e outro; entre a realização do mesmo procedimento em pacientes diferentes, como esvaziamento de urina
do sistema de drenagem fechado;
- utilizar luvas estéreis antes da execução de procedimento asséptico e luvas de procedimento sempre
que existir a possibilidade de contato com sangue, líquidos corpóreos, secreções e excreções, mucosa,
pele não-íntegra e artigos, equipamentos e superfícies contaminados; retirar as luvas imediatamente após
o uso e antes de tocar em outro paciente ou qualquer material ou superfície, como caneta, telefone,
papeleta, maçaneta de porta, etc.;
- usar avental limpo não-estéril ou impermeável (quando necessário) nos casos de risco de contato
com respingos de líquidos corporais e/ou sangue; retirá-lo após o término do procedimento;
- utilizar máscara, protetor de olhos e protetor de face sempre que realizar procedimentos sujeitos a
risco de respingos de líquidos corporais e ou sangue - como, por exemplo, aspiração de secreção
traqueal;
- manter os cuidados adequados com os artigos e equipamentos de uso em pacientes, no tocante à
limpeza, desinfecção ou esterilização;
- prevenir acidentes com materiais perfurocortantes: ter cuidado com o uso, manipulação, limpeza
e descarte de agulhas, bisturis e similares; não remover as agulhas contaminadas das seringas; não
realizar o reencape das agulhas; usar recipiente apropriado para o descarte de materiais perfurocortantes;
- realizar o controle ambiental: fazer a limpeza e descontaminação de superfícies ambientais e
mobiliário, quando contaminados com sangue e/ou líquidos corporais;
- cuidar das roupas usadas: utilizar luvas de procedimento ao manusear as roupas sujas de sangue,
líquidos corporais, secreções e excreções, evitando o contato direto com pele e mucosas, bem como com
a própria roupa;
- utilizar quarto privativo nos casos em que haja risco de contaminação ambiental.

Precauções de Contato

As precauções de contato são indicadas para pacientes colonizados ou infectados por microrganismos
veiculados por contato direto ou indireto (ex: objetos) que tenham grande importância epidemiológica -
como infecção por agentes multirresistentes.
Além das medidas de precaução-padrão, as precauções de contato envolvem as medidas de:
- uso de quarto privativo ou comum para pacientes que apresentem a mesma doença ou micro-
organismo;
- o uso de avental na possibilidade de risco de contato das roupas do profissional com área ou material
infectante quando da realização de higiene do paciente com diarreia, incontinência fecal/urinária e ferida
com secreção não-contida pelo curativo;
- manutenção do paciente no quarto/enfermaria, evitando sua saída;
- uso exclusivo de artigos e equipamentos pelo paciente; limpeza e desinfecção ou esterilização dos
mesmos após a alta do paciente.
Os familiares devem ser orientados quanto aos cuidados a serem tomados para evitarem risco de
contaminação.

Precauções Respiratórias

As precauções respiratórias para aerossóis exigem as medidas de utilização das precauções-padrão;


quarto privativo, sendo obrigatórios: manter a porta fechada; obrigatório o uso de máscaras (N95 ou PFF2)
com capacidade de filtrar partículas menores do que 3 µm - a máscara deve ser colocada antes de entrar
no quarto e retirada somente após a saída do mesmo - ao prestar cuidados a pacientes com suspeita ou
doença confirmada de transmissão por aerossóis; manter o paciente no quarto, evitando sua saída - caso
haja necessidade de transportá-lo, colocar nele máscara comum tipo cirúrgica.
As precauções respiratórias para gotículas necessitam de medidas de utilização das precauções
padrão; quarto privativo ou comum para pacientes com a mesma doença; uso de máscara comum tipo
cirúrgica por todas as pessoas que entrem no quarto no período de transmissão da doença - sendo
necessário desprezá-la à saída do quarto; manter o paciente no quarto, evitando sua saída - caso haja
necessidade de transportá-lo, colocar no paciente máscara comum tipo cirúrgica

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Precauções Empíricas

As precauções empíricas são indicadas para os casos de pacientes sem diagnóstico definitivo, porém
com indícios de infecção por agentes que necessitem de precauções. Tais precauções devem ser
adotadas até que haja confirmação ou esclarecimento do diagnóstico. Nestes casos inserem-se:
- precauções de contato: diarreias agudas de etiologia infecciosa, erupção vesicular, abcessos ou
feridas com exsudato que extravase a cobertura;
- precauções para aerossóis: erupção vesicular, tosse com febre e infiltração de lobo pulmonar em
qualquer local em paciente HIV positivo;
- precauções para gotícula: meningite, exantema petequial e febre.

Referência
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Projeto de
Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: fundamentos de
enfermagem. 2. ed. rev., 1. reimpr. Brasília: Ministério da Saúde; Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003.

Controle dos Riscos

Os meios de controle dos riscos a que estão expostas as pessoas no interior de um


estabelecimento de saúde são: uso de equipamento de Proteção Coletiva – EPC (sinalização,
exaustores, câmara de fluxo laminar, chuveiro de emergência, extintores de incêndio, cabine para
radioisótopos, lava olho, entre outros); equipamentos de Proteção Individual (luvas, máscaras, óculos ou
protetor facial, avental, touca); imunização; e procedimentos que devem estar descritos em documentos
como o Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional do estabelecimento - PCMSO. Ex.: programa
periódico de vacinas.
Métodos para redução e prevenção de acidentes: desenvolver no ambiente de trabalho a cultura
da biossegurança; avaliar a biossegurança no contexto global da instituição - como ocorre com os
processos da qualidade; aplicar de forma planejada as ferramentas da qualidade para a avaliação e
correção do sistema de biossegurança. Assim, existem os denominados níveis de biossegurança.
- nível de biossegurança 1 (NB-1): é adequado ao trabalho que envolva agentes bem caracterizados,
conhecidos por não provocarem doença em seres humanos e que possuam o mínimo risco ao pessoal
do hospital e ao meio ambiente.
- nível de biossegurança 2 (NB-2): semelhante ao NB-1, é adequado ao trabalho que envolva
agentes de risco moderado para as pessoas e para o meio ambiente.
- nível de biossegurança 3 (NB-3): é aplicável para hospitais clínicos de diagnóstico, ensino e
pesquisa ou produção, nos quais o trabalho com agentes exóticos possa causar doenças sérias - ou
potencialmente fatais, como resultado de exposição por inalação.
- nível de biossegurança 4 (NB-4): é indicado para os trabalhos que envolvem agentes exóticos e
perigosos, que exponham o indivíduo a um alto risco de contaminação de infecções que podem ser fatais,
além de apresentarem um potencial elevado de transmissão por aerossóis.

Higiene e Segurança do Trabalho

A higiene no trabalho é a ciência cujos objetivos são reconhecer, avaliar e controlar os riscos
provenientes do trabalho. Esses riscos são fatores decorrentes do ambiente ou dos processos produtivos
utilizados, que podem provocar acidentes, afetar a saúde, o conforto ou a eficiência do trabalhador. Tais
riscos se classificam como processos produtivos, sendo eles operacionais ou ambientais.
Os riscos produtivos de operação se referem às condições do ambiente relativas ao processo
operacional, como máquinas desprotegidas, pisos escorregadios, etc.; riscos produtivos de ambiente se
referem aos provenientes de ação agressiva dos produtos e do ambiente, como presença de gases, ruído,
calor, etc.; já os riscos ambientais são agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes
de trabalho, capazes de causar danos à saúde do trabalhador em função de sua natureza, concentração
ou intensidade e tempo de exposição.
Os agentes físicos são as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores,
tais como ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas (calor e frio), radiações ionizantes
(alfa, beta, gama e raios-X), radiações não ionizantes (infravermelho, ultravioleta, radiações laser e micro-
ondas), bem como os infrassons e ultrassons.

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Os agentes químicos são as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo
por via respiratória, cutânea ou digestiva, nas formas aerodispersoides sólidos e líquidos, que são poeiras,
fumos, névoas e neblina, ou através de gases e vapores.
Na determinação dos riscos, sempre devemos considerar o tempo de exposição, concentração
ou intensidade dos agentes, características dos agentes e estudo do ambiente de trabalho através
de levantamentos qualitativos, quantitativos, tempo real de exposição e susceptibilidades
individuais.
É preciso mudar os hábitos e a qualidade de trabalho para que a higiene neste se torne satisfatória.
Nessas mudanças se faz necessário resgatar o valor humano.

Referência Bibliográfica
Segurança e medicina do trabalho - Editora Atlas S/A- 61ª edição – 2007

Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (IRAS) / Comissão de Infecções Hospitalares

Entende-se que infecções relacionada à assistência à saúde (IRAS) e infecção hospitalar têm o mesmo
significado. Pode-se considerar a infecção hospitalar a adquirida no ambiente hospitalar e a IRAS
adquirida em estabelecimento de atenção à saúde.

Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (IRAS): é aquela adquirida após a admissão do


paciente, que se manifesta durante a internação ou após a alta e que pode ser relacionada com a
internação ou procedimentos hospitalares.
As IRAS são transmitidas através de microrganismos (bactérias, vírus, fungos, etc.) que penetram no
organismo, através de uma porta de entrada, que podem ser via: respiratória, pele, via digestiva, via
urogenital (FERNANDES, 2000).
- Considera-se IRAS quando não há evidência de infecção presente ou incubada no momento da
admissão;
- Quando na mesma topografia de Infecção Comunitária for isolado um outro germe, seguindo-se
agravamento das condições clínicas do paciente;
- Infecção que se apresenta mais de 72 horas após a admissão, quando se desconhece o período de
incubação e não houve evidência clínica e/ou se desconhece no momento da admissão;
- São também convencionadas IRAS as que apresentam antes de 72 horas na internação quando
associadas a procedimentos diagnósticos e/ou terapêuticos do período.
- Toda infecção em recém - nascido, exceto as transmissões por via transplacentária e aquelas
associadas à bolsa rota por mais de 24 horas;
- Infecção adquirida no hospital e que se torna evidente após a alta hospitalar.

São considerados os seguintes fatores de risco para IRAS:


- Internação superior a 7 dias;
- Tempo de internação no pré-operatório;
- Estado nutricional do paciente (albumina ou transferrina sérica, IMC);
- Presença de infecção em qualquer sítio no momento da cirurgia;
- Cirurgia de médio e grande porte;
- Cateter venoso central;
- Cateter urinário;
- Traqueostomia;
- Cânula de intubação endotraqueal;
- Leucemia, linfoma, AIDS;
- Paciente com doenças agudas ou crônicas descompensadas (diabetes);
- Todos os pacientes em UTI, berçário de alto risco, idosos;
- Fatores relacionados ao procedimento cirúrgico (operações limpas, potencialmente contaminadas,
contaminadas, infectadas), quebra de técnicas, tempo de operação, operações de urgência.

Infecção Hospitalar14
O Ministério da Saúde, já em 1983, reconhecia o problema da infecção hospitalar em nosso país e
baixava uma portaria, padronizando definições para uso nacional. Nesta Portaria, de nº 196, de 24 de

14
Conteúdo extraído de SEEGMÜLLER, Edimara Fait; PENTEADO FILHO, Sérgio Ricardo; SOUZA, Virgínia Helena Soares de. A Infecção, O Isolamento e o Coorte.
In: MOZACHI, Nelson. O hospital: manual do ambiente hospitalar. 2.ed. Curitiba: Os Autores, 2005.

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junho, sobre infecção hospitalar, constam no seu anexo III os critérios para identificação e diagnóstico da
infecção hospitalar.

Infecção
É a resposta inflamatória provocada pela invasão ou presença de microrganismos em tecidos
orgânicos.

Infecção Comunitária
É a infecção constatada ou em incubação no ato da admissão hospitalar do paciente, desde que não
relacionada com internação anterior.

São também comunitárias:


- a infecção que está associada à complicação ou extensão da infecção já presente na admissão
hospitalar, a menos que haja troca de microrganismos com sinais ou sintomas fortemente sugestivos da
aquisição de nova infecção;
- a infecção em recém-nascido, cuja aquisição por via transplacentária é reconhecida ou foi
comprovada e que se tornou evidente logo após o nascimento (exemplo: herpes simples, toxoplasmose,
rubéola, citomegalovirose, sífilis, Aids);
- as infecções de recém-nascidos associadas com bolsa rota superior a 24 horas (vinte e quatro horas).

Infecção Hospitalar
É qualquer infecção adquirida após a internação do paciente e que se manifesta durante a internação,
ou mesmo após a alta, ou quando puder ser relacionada com a internação ou procedimento hospitalar.
Considerada, também, como infecção nosocomial e infecção institucional.
O diagnóstico de Infecção Hospitalar deverá se basear em critérios previamente estabelecidos e
descritos:

Princípios:
- evidência clínica, derivada da observação direta do paciente ou da análise de seu prontuário;
- resultados de exames de laboratório, ressaltando-se os exames microbiológicos, a pesquisa de
antígenos, anticorpos e métodos de visualização realizados;
- evidências de estudos com métodos de imagem;
- endoscopia;
- biópsia e outros.

Critérios Gerais
- quando na mesma topografia em que foi diagnosticada infecção comunitária, for isolado um germe
diferente, seguido do agravamento das condições clínicas do paciente, o caso deverá ser considerado
infecção hospitalar;
- quando se desconhecer o período de incubação do microrganismo e não houver evidência clínica e
ou dado laboratorial de infecção no momento da internação, convenciona-se como infecção hospitalar
toda manifestação clínica de infecção que se apresentar a partir de 72 (setenta e duas) horas após a
admissão;
- são também convencionadas infecções hospitalares aquelas manifestadas antes de 72 (setenta e
duas) horas da internação, quando associadas a procedimentos diagnósticos e ou terapêuticos,
realizados durante esse período;
- as infecções do recém-nascido são hospitalares, com exceção das transmitidas de forma
transplacentária e aquelas associadas à bolsa rota durante esse período;
- pacientes provenientes de outro hospital que se internam com infecção, são considerados portadores
de infecção hospitalar do hospital de origem. Nestes casos, a Coordenação Estadual/Distrital/Municipal e
ou hospital de origem deverão ser informados para computar o episódio como infecção hospitalar naquele
hospital.

Aspectos Históricos das Infecções Hospitalares15

As infecções hospitalares constituem um grave problema de saúde pública no país. O início das
preocupações com a infecção hospitalar no Brasil acompanhou o processo de industrialização acelerado

15
Texto adaptado da ANVISA – Ministério da Saúde, 2000.

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que se iniciou no governo de Juscelino Kubischek e também a ocorrência de surtos por estafilococo
resistentes a penicilina, pelos relatos vindos de países com medicina tecnologicamente avançada. Estes
trabalhos enfatizavam uma preocupação predominante com medidas ambientais, como o lixo e
contaminação aérea, ou voltados para os procedimentos invasivos, como as técnicas assépticas, mas já
encontrávamos referências ao isolamento de microrganismos resistentes, selecionados em decorrência
ao emprego indiscriminado de antimicrobianos.
A partir de 1968 e principalmente durante os anos 70, juntamente com a implantação de um modelo
altamente tecnológico de atendimento (chegamos até ao transplante cardíaco), surgiram as primeiras
comissões de controle de infecção hospitalar do país.
- 1963 - Hospital Ernesto Dornelles (RS) - 1ª CCIH.
- 1976 - Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) obriga hospitais a constituírem CCIH.
- 1976 - Decreto do MS n° 77.052 de 19/01/1976, em seu Artigo 2°, Item IV ‹ determinou que nenhuma
instituição hospitalar pode funcionar no plano administrativo se não dispuser de meios de proteção
capazes de evitar efeitos nocivos à saúde dos agentes, pacientes e circunstantes. A fiscalização é
responsabilidade dos órgãos estaduais - que devem avaliar as condições de exercício das profissões e
ocupações técnicas e auxiliares diretamente relacionadas com a saúde.
- 1983 - Portaria nº 196 - Ministério da Saúde – determinando a obrigatoriedade da existência de CCIH
- busca passiva.
- 1985 - Notícia da morte do presidente Tancredo Neves supostamente relacionada com deficiências
no controle das IHs.
- 1988 - Portaria nº 232 - Ministério da Saúde - Programa Nacional de Controle de IH.

A década de oitenta foi a mais importante até o momento para o desenvolvimento do controle de
infecção hospitalar no Brasil. Começou a ocorrer uma conscientização dos profissionais de saúde à
respeito do tema e foram criadas várias comissões de controle nos hospitais. O Ministério da Saúde criou
em 31/01/83 um grupo de trabalho integrado por seus representantes, ao lado de membros do Ministério
da Educação e da Previdência Social, que elaborou um documento normativo, gerando a Portaria MS
196/83, de 24/06/83 que recomendava aos hospitais brasileiros a criação de Comissão de Controle de
Infecção Hospitalar (CCIH) e dava orientações práticas sob a forma de anexos. Este mesmo grupo
elaborou um manual e realizou em 1984 na Capital Federal, com financiamento da OPAS, um curso
internacional que serviu de base para a elaboração do “Curso de Introdução ao Controle das Infecções
Hospitalares”.
O drama do presidente eleito Tancredo Neves comoveu a nação, os projetos que estavam em
andamento ganharam um novo impulso e o Ministério da Saúde pode desencadear uma atividade que
iria mudar definitivamente os rumos do controle de infecção no Brasil. Ele optou por desenvolver uma
política de capacitação de recursos humanos em controle de infecção ao invés de adotar postura
fiscalizadora. Assim, em 1985 realizou um levantamento das instituições brasileiras que já tivessem CCIH
em funcionamento e elaborou cursos macro regionais para capacitar multiplicadores. Foram credenciados
41 centros de treinamentos, que já nos seus quatro primeiros anos deram a mais de 8.000 profissionais
de saúde as ferramentas básicas para atuação nesta área do conhecimento. Ganhando força no
Ministério, o programa de controle de infeções acabou contribuindo em várias normas técnicas como:
reaproveitamento de materiais descartáveis e esterilização por óxido de etileno. Organizou um curso de
especialização em farmácia hospitalar, editou o “Manual de procedimentos básicos em microbiologia
clínica” e várias publicações com levantamentos bibliográficos nacionais sobre infecção hospitalar;
comunicados sobre a interdição cautelar dos desinfetantes e esterilizantes; legislação brasileira sobre
infecção hospitalar; uma biografia de Semmelweis; além de manual e cartaz sobre lavagem das mãos.
Avaliando suas atividades, este programa facilitou a implantação de muitas CCIH, normalizando suas
ações; divulgou o controle de infecção entre as autoridades sanitárias, profissionais de saúde e
administradores hospitalares; contribuiu para o surgimento de lideranças nacionais sobre o tema, que em
um trabalho voluntário, cooperativo e conjunto, difundiu normas que aprimoraram o nível de assistência
fornecida à população; facilitou a troca de experiência entre os profissionais de saúde, inclusive apoiando
a realização de eventos específicos; destacou a importância para a política sanitária do envolvimento dos
hospitais. Vários projetos estavam em andamento, quando nos anos 90 se viu um progressivo
esvaziamento do programa. Sua coordenadora em 1993 acreditava que cerca de 10% dos hospitais
brasileiros tinham CCIH, número bem maior do que os 2,3% estimados em 1980 pelo Colégio Brasileiro
dos Cirurgiões, mas evidentemente, bem aquém das expectativas.
A Organização Mundial de Saúde promoveu, no período de 1983 a 1985, um estudo da prevalência
de infecção hospitalar em 14 países. Mesmo reconhecendo que a amostra não foi necessariamente
representativa, foi ressaltada a importância das infecções hospitalares (IH), cuja prevalência foi de 8,7%,

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oscilando de 3% a 21%. No Brasil em 1994, o Ministério da Saúde avaliou a magnitude das infecções
hospitalares e a qualidade das ações de controle em 99 hospitais terciários localizados nas capitais
brasileiras vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A taxa de pacientes com IH foi 13,0% e a taxa
de infecção 15,5%. Os maiores índices foram obtidos nas unidades de terapia intensiva e queimados.
Das demais clínicas o destaque foi para neonatolgia e clínica cirúrgica.
A Lei Federal 9.431 de 06/01/97 instituiu a obrigatoriedade da existência da Comissão de Controle de
Infecção Hospitalar (CCIH) e de um Programa de Controle de Infecções Hospitalares (PCIH), definido
como um conjunto de ações desenvolvidas deliberada e sistematicamente, tendo como objetivo a redução
máxima possível da incidência e gravidade das infecções nosocomiais. Em 13/05/98, o Ministério da
Saúde editou a Portaria 2.616/98, com diretrizes e normas para a execução destas ações, adequando-as
à nova legislação.

Estruturação da CCIH

Embora grande parte das infecções hospitalares seja de origem endógena e portanto de difícil
prevenção, é considerável o número de infecções hospitalares que podem ser evitadas. O controle das
infecções hospitalares passa, portanto, por um conjunto de ações que ao serem implementadas
repercutem diretamente na melhoria da qualidade dos serviços prestados pelos hospitais. Esse conjunto
de ações constitui o Programa de Controle de Infecções Hospitalares (PCIH) deve ser implantado em
nível hospitalar, municipal/distrital, servindo como base de uma pirâmide, em cujo topo está o Programa
Nacional de Controle de Infecções Hospitalares. Daí, se conclui que o PCIH a nível central só será
realmente efetivo quando contar com uma base forte e bem estruturada.
A composição da CCIH deve respeitar as características do hospital. Porém, deve ser constituída de
no mínimo um representante dos seguintes setores: corpo clínico, enfermagem e administração.

É recomendável que a CCIH tenha a seguinte constituição:


1. Um representante do corpo clínico;
2. Um Representante da Diretoria Administrativa;
3. Um Representante da Farmácia;
4. Um Representante do Laboratório de Microbiologia;
5. Um Representante da Diretoria de Enfermagem;
6. Membros do Núcleo de Controle de Infecção Hospitalar.

O presidente é indicado pelo diretor clínico, dentre os membros da Comissão, e nomeado em ato
oficial.
As ações e serviços voltados para a prevenção e o controle de infecções hospitalares devem
ser organizados de maneira a obedecer os princípios, diretrizes e normas de organização, direção
e gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) definidos através da lei 8080 de 19 de setembro de
1990. Assim cada nível de organização político administrativa do país está encarregado de desenvolver
suas ações de Controle de Infecção Hospitalar com abrangência sobre sua população.
Em termos de legislação, o PCIH é um dos programas mais favorecidos entre os existentes no
Ministério da Saúde, contando desde 1983 com três portarias e desde 1997 com uma lei. No entanto, se
ressente antes de tudo do cumprimento efetivo de toda essa legislação. Um PCIH, em qualquer dos seus
níveis, necessita de decisão e vontade política do dirigente da área da saúde.
A Portaria 196 de 24 de junho de 1983 constituiu em sua época um grande avanço: já orientava como
organizar uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), sua instalação e atribuições. Foi
responsável pela orientação de bons programas e pela formação de muitos profissionais de saúde,
uniformizando as várias tentativas isoladas anteriores, no País. Descrevia já as cirurgias quanto ao seu
potencial de contaminação e listava alguns exemplos de procedimentos cirúrgicos segundo essa
classificação. Este item foi ainda contemplado na Portaria MS 930 de agosto de 1992. Essa portaria
apresentava como alguns notáveis programas em relação ao anterior, entre eles: maior liberdade de
escolha na vigilância epidemiológica nas infecções hospitalares sugerindo como opção preferencial a
busca ativa de casos; a hierarquização das atribuições e competências nos diversos níveis
administrativos a nível hospitalar e dos órgãos de administração pública; a criação do Serviço de
Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) como órgão executor do programa de controle de infecção
hospitalar, com funções distintas da CCIH; a responsabilidade da CCIH na padronização do uso dos
antimicrobianos no hospital.
Em 6 de janeiro de 1997, foi publicada a LEI 9.431, com sete vetos em doze artigos. Embora estabeleça
claramente a obrigatoriedade para todos os hospitais constituírem suas Comissões de Controle de

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Infecção Hospitalar, sofreu com os vetos do Sr. Presidente da República um grande golpe, pois o primeiro
deles corresponde ao artigo que se refere ao Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH).
Em 12 de maio de 1998, foi publicada a Portaria 2616 que mantinha o programa elaborado por uma
CCIH com membros consultores e executores, estes últimos representando o extinto SCIH. Essa portaria
aprimora as competências dos diversos níveis (Federal, Estadual/Distrital, Municipal e do hospital), e
mantém a possibilidade de criação de consórcio entre os hospitais, favorecendo a utilização recíproca de
recursos técnicos, materiais e humanos, com vistas à implantação e manutenção do PCIH.
Ressalta-se ainda, na Portaria 2616, o anexo que se refere à lavagem das mãos com descrição simples
e objetiva deste ato tão representativo e tão eficaz na prevenção e controle da infecção hospitalar.
Também ficou definida como infecção comunitária, as infecções de recém-nascidos associadas com
bolsa rota superior a 24 (vinte e quatro horas). Foram acrescentadas à lista de indicadores
epidemiológicos de informação obrigatória e a taxa de letalidade. O número de membros da CCIH foi
estabelecido, assim como a sua carga horária nos hospitais com leitos para pacientes críticos.
A CCIH é antes de tudo um órgão de assessoria da autoridade máxima da Instituição com o papel de
programar e executar ações que visem controlar as infecções hospitalares. São membros consultores
representantes dos serviços: médico, de enfermagem, de farmácia, de administração, do laboratório de
microbiologia, podendo este núcleo ser ampliado e estendido a outros profissionais de saúde, conforme
legislação de cada Estado. Ao SCIH, que é composto pelos membros executores, cabe o cumprimento
do que é determinado pela legislação vigente e atuação direta junto à comunidade hospitalar, visando pôr
em prática as ações programadas de controle de infecção hospitalar.
O SCIH é representado, no mínimo, por dois profissionais de nível superior da área de saúde,
obedecendo uma relação de 2 profissionais para cada 200 (duzentos) leitos hospitalares ou fração.
Preferencialmente um dos dois profissionais deve ser enfermeiro com carga horária diária de 6 (seis)
horas e os demais profissionais, de 4 (quatro) horas dedicadas ao controle de infecção. Para instituições
tipo hospital-dia, a carga horária diária para o enfermeiro é de 2 (duas) horas e de l (uma) hora, para os
demais profissionais.

Ao implantar um PCIH, o diretor do estabelecimento de saúde seguirá os seguintes passos:


- Nomear os membros do PCIH através de Portaria
- Apresentar os nomeados ao Corpo Clínico do Hospital.
- Propiciar infraestrutura física, material e humana necessária para operacionalização do PCIH
- Comunicar a composição da CCIH as autoridades competentes.
Cabe à CCIH do hospital entre outras competências:
- Elaborar o regimento interno da CCIH.
- Implantar um sistema de vigilância epidemiológica das infecções hospitalares.
- Capacitar os funcionários e profissionais de saúde em controle de infecção hospitalar.
- Elaborar e implementar normas e rotinas técnico-operacionais, visando prevenir e tratar as infecções
hospitalares.
- Atuar em cooperação com as demais Comissões do hospital, em especial com a Comissão de
Farmácia e Terapêutica.
- Elaborar ata das reuniões ordinárias e extraordinárias.
- Elaborar e divulgar, regularmente, relatórios e comunicar, periodicamente, à autoridade máxima da
instituição, às chefias e a todos os setores do hospital, a situação do controle das infecções, promovendo
o seu amplo debate na comunidade hospitalar.

Programa do Controle de Infecção Hospitalar

O Programa de Controle de Infecção Hospitalar (PCIH) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária -


ANVS/MS tem como competências a definição das diretrizes de CIH a nível federal, apoiando as ações
descentralizadas em controle de infecção hospitalar, além de coordenar as ações nacionais
estabelecendo normas gerais para o controle das infecções hospitalares.
Um PCIH, a qualquer nível de decisão, é antes de tudo um programa de controle de qualidade com
fins educativos. Visa uma mudança de comportamento da equipe de saúde, devendo portanto se abster
de medidas punitivas ou autoritárias. O PCIH deve obedecer à legislação vigente.
Trata-se de um conjunto de ações desenvolvidas, deliberadas e sistematizadas, Com vistas à redução
máxima possível da incidência e da gravidade das Infecções hospitalares.

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Cabe à CCIH a elaboração do PCIH, que deve incluir, no mínimo, as seguintes atividades:
- Vigilância epidemiológica (VE). O modelo a ser adotado depende das características do hospital e
da disponibilidade de recursos. A vigilância epidemiológica permite um diagnóstico situacional mais
preciso para o planejamento das ações. A VE possibilita a identificação de casos e de surtos de IH, e a
implementação de medidas imediatas de controle. Por meio da VE devem ser elaborados relatórios,
periodicamente, para posterior divulgação aos profissionais.
- Normas para uso racional de antimicrobianos, germicidas e materiais médicos hospitalares. A
utilização inadequada dos antimicrobianos aumenta a pressão seletiva, o que colabora para o
aparecimento de microrganismos multirresistentes, dentre eles: Gram-negativos resistentes às
cefalosporinas de 3° geração (ceftriaxona, ceftazidima, cefoperazona e cefotaxima) e à amicacina;
Enterococos resistentes à ampicilina, à gentamicina ou à vancomicina; S. epidermidis e S. aureus
resistentes à oxacilina e à vancomicina. Além disto, a transmissão cruzada dentro da instituição hospitalar
aumenta a disseminação dessas bactérias, principalmente através dos profissionais da área da saúde.
- Processos para prevenção de transmissão de microrganismos. O objetivo básico da
padronização de medidas de precaução e isolamento é a prevenção da transmissão de microrganismos
de um paciente, portador são ou doente, para outro - tanto de forma direta como indireta. Esta prevenção
abrange tanto os pacientes quanto os profissionais de saúde, pelo risco ocupacional em acidentes com
materiais contaminados.
- Normas e rotinas técnicas operacionais. Os procedimentos, cada vez mais especializados,
requerem padronizações escritas para que toda a equipe tenha conhecimento sobre o método mais
adequado para sua execução. A comunicação tem sido um problema nas instituições hospitalares,
tornando necessário implementar padronizações escritas, até mesmo para respaldo legal da instituição.
- Padronizações das medidas de prevenção e controle de infecção hospitalar. As medidas de
prevenção e controle de infecção hospitalar têm sido utilizadas com o objetivo de diminuir o risco de
infecção no ambiente hospitalar e devem estar padronizadas de acordo com as características da
instituição. Elas têm como objetivo a prevenção de infecção de corrente sanguínea, infecção pulmonar,
infecção de sítio cirúrgico, infecção urinária e precauções e isolamentos.
- Treinamento dos profissionais da saúde em relação à prevenção e ao controle da IH. A atuação
dos profissionais que prestam assistência direta ao paciente é fundamental para a prevenção de infecção.
Para tanto, é necessário que tenham conhecimento adequado dos métodos. O conhecimento das
medidas de controle - somente pelo profissional do controle de IH – não é suficiente para a prevenção. É
por meio do treinamento, da divulgação dos manuais, das rotinas e padronizações que o conhecimento
será propagado para todos os profissionais de saúde. O treinamento é peça fundamental para prevenção
de infecção.

Classificação das Cirurgias por Potencial de Contaminação da Incisão Cirúrgica

- as infecções pós-cirúrgicas devem ser analisadas conforme o potencial de contaminação da


ferida cirúrgica, entendido como o número de microrganismos presentes no tecido a ser operado;
- a classificação das cirurgias deverá ser feita no final do ato cirúrgico, pelo cirurgião, de acordo
com as seguintes indicações:

Classificação das Cirurgias por Potencial de Contaminação da Incisão Cirúrgica

Cirurgias Limpas
São aquelas realizadas em tecidos estéreis ou passíveis de descontaminação, na ausência de
processo infeccioso e inflamatório local ou falhas técnicas grosseiras, cirurgias eletivas com cicatrização
de primeira intenção e sem drenagem aberta. Cirurgias em que não ocorrem penetrações nos tratos
digestório ou urinário.
- artroplastia de quadril;
- cirurgias cardíacas;
- herniorrafia;
- neurocirurgia;
- cirurgias ortopédicas eletivas;
- anastomose porto-cava;
- anastomose esplenectomia;
- mastectomia;
- enxertos cutâneos;
- vagotomia supra-seletiva sem drenagem;

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- cirurgias vasculares;
- cirurgias torácicas;
- cirurgias sobre o trato respiratório intratorácico ou baixo.
- cirurgias de peritônio: baço, fígado, pâncreas, músculos, ossos, articulações, ovários, trompas, pele,
tecido celular subcutâneo, próstata sem acesso uretral, bexiga sem acesso uretral, ureter, bacinetes.
O índice ideal máximo de infecção esperado neste tipo de cirurgia é de até 2%, porém, segundo o
Colégio Americano de Cirurgiões, pode atingir até 5%.

Cirurgias Potencialmente Contaminadas


São aquelas realizadas em tecidos colonizados por flora microbiana pouco numerosa ou em tecidos
de difícil descontaminação, na ausência de processo infeccioso e inflamatório e com falhas técnicas
discretas no transoperatório. Cirurgias com drenagem aberta enquadram-se nessa categoria. Ocorre
penetração nos tratos digestivo, respiratório ou urinário sem contaminação significativa.
- histerectomia abdominal;
- cirurgia eletiva de intestino delgado;
- cirurgia de vias biliares;
- cirurgia esofágica, gástrica, duodenal e de íleo;
- feridas traumáticas limpas;
- cirurgias de ouvido externo;
- cirurgia de uretra;
- cirurgia de útero cujo acesso não seja o vaginal;
- quebra menor da técnica asséptica;
- drenagem mecânica.
O índice ideal máximo de infecção esperado neste tipo de cirurgia é de até 10%.

Cirurgias Contaminadas
São aquelas realizadas em tecidos colonizados por flora bacteriana abundante, cuja descontaminação
seja difícil ou impossível, bem como aquelas em que tenham ocorrido falhas técnicas grosseiras e na
ausência de supuração local.
- apendicectomia sem supuração;
- cirurgia de cólon, reto e ânus;
- cirurgia de vulva e vagina;
- cirurgia de vias biliares em presença de bile contaminada;
- cirurgia intranasal;
- cirurgia oral e dental;
- cirurgia de orofaringe;
- fraturas expostas;
- fraturas traumáticas recentes;
- cirurgias com quebra da técnica asséptica (por exemplo: massagem cardíaca a céu aberto).
Estes procedimentos apresentam um índice de infecção esperando elevado, entretanto não superior
a 15-20%.

Cirurgias Infectadas
São todas as intervenções cirúrgicas realizadas em qualquer tecido ou órgão, em presença de
processo infeccioso (supuração local) e ou tecido necrótico.
- cirurgia de reto e ânus com pus;
- cirurgia abdominal em presença de conteúdo de cólon e pus;
- nefrectomia com infecção;
- feridas traumáticas abertas tardias (depois de 10 horas);
- parto normal ou cesariana com bolsa rota há mais de 6 horas.
O índice de infecção esperando para estes procedimentos varia de 28 a 40%

Tipos de Infecções

Infecções Preveníveis
São aquelas passíveis de serem controladas e reduzidas a níveis aceitáveis. Ex: pacientes em uso de
cateteres vesicais, venosos etc.

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Infecções Não-Preveníveis
São aquelas que dependem basicamente do hospedeiro (paciente) e sua imunidade e não tanto dos
fatores externos. Ex: infecção em RN prematuros, pacientes terminais, idosos, imunodeprimidos etc.

Infecção Cruzada
É a infecção transmitida de paciente para paciente, geralmente por intermédio de profissionais de
saúde e que também é considerada infecção hospitalar.

Colonização – é o aumento de um ou mais tipo de microrganismo sem causar uma reação patogênica.

Isolamento
Define-se como isolamento o conjunto de medidas adotadas para fazer uma barreira que impeça a
disseminação de agentes infecciosos de um paciente para outro, para os visitantes e ou para o meio
ambiente.
Está indicado nas doenças transmissíveis, em situações definidas e, apenas durante o período de
transmissibilidade das doenças. Portanto, esta recomendação sobre isolamento deve se completar com
o período de incubação e de transmissão das doenças.
Chama-se de isolamento, toda vez que for necessário quarto individual; nas precauções, o quarto será
individual apenas quando possível.

Normas Gerais de Isolamento


Para todo paciente que necessite de qualquer tipo de isolamento, deve-se:
- orientar todos os familiares antes da admissão do paciente na área de isolamento quanto ao provável
tempo de internamento nessa área, cuidados e medidas de biossegurança;
- proibir visitas aos pacientes isolados, principalmente de crianças;
- os prontuários e papeletas não deverão ser levados para dentro da área de isolamento. As anotações
poderão ser em papel à parte e logo repassadas para o prontuário;
- a mobília do local de isolamento deverá ser mínima e os utensílios alimentares, descartáveis;
- o material para curativos deverá ser unitário e calculado de acordo com o número de curativos a
serem realizados;
- a roupa de cama e a do paciente deverão ser delicadamente trocadas e encaminhadas à lavanderia
em sacos duplos;
- objetos de uso pessoal deverão ser desinfetados.

Doenças que Requerem Isolamento Total


São as doenças altamente contagiosas e com grande virulência, que podem ser transmitidas pelo ar
e pelo contato direto e ou indireto. Tais doenças requerem quarto privativo, ficando o paciente/doente
sozinho ou junto com outras pessoas com a mesma doença. A porta do quarto deverá estar sempre
fechada.
É obrigatório para se entrar no quarto de paciente em Isolamento Total o uso de:
- precaução Universal ou Padrão (avental, máscara, luvas - ao manipular o paciente/doente -, óculos);
- a lavagem das mãos antes e após manuseio do paciente e ou procedimentos;
- os aventais deverão ser individuais. E, antes de deixar o quarto, o profissional de saúde deve
dispensá-los em local apropriado. Deve-se calcular a quantidade de aventais para cada período de 24
horas de acordo com o número de funcionários que irão utilizá-los;
- máscaras e luvas deverão ser de uso pessoal, utilizadas uma única vez, devendo ser colocadas em
área limpa e dispensadas em área contaminada. Nunca se deve deixar a máscara pendurada no pescoço,
e, ao utilizá-la deve cobrir a boca e o nariz.

Importante

A limpeza e desinfecção da área deverão ser feitas diariamente, e após alta ou óbito, conforme
normatização da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH).
Deverão ser normatizadas tanto as técnicas quanto os materiais de limpeza, os equipamentos de
proteção individual e as soluções a serem usadas (detergente neutro, desinfetantes).
Todo pessoal que trabalhe no setor quer administrativo, quer técnico, deverá ser sistematicamente
treinado e ou avaliado clinicamente e imunologicamente.

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Doenças a Serem Isoladas

Isolamento Respiratório:
- Caxumba;
- Coqueluche;
- Estreptococo beta-hemolítico (amigdalite, escarlatina);
- Herpes zoster (contato com imunodeprimido);
- Meningite por Haemophilus;
- Meningite meningocócica;
- Pneumonia estafilocócica;
- Rubéola;
- Sarampo;
- TB (escarro positivo);

Isolamento Protetor:
- Agranulocitose;
- Dermatite bolhosa, vesicular ou eczematosa extensa;
- Imunodeprimido grave;
- Queimadura extensa.

Medidas de Prevenção e Controle de Infecção em Ambientes de Saúde

O risco de transmissão de infecção para o trabalhador de área de saúde (TAS) depende da


hierarquização e complexidade da atividade que desenvolve (hospital terciário ou unidade primária de
saúde), do tipo de atendimento prestado às pessoas (imunodeprimido) e função que desempenha
(hospital, endoscopia, patologia, odontologia, terapia intensiva, lavanderia, patologia clínica, enfermagem,
limpeza, entre outros). Enquanto existirem condições no ambiente de trabalho capazes de provocar danos
à saúde ou à integridade física do trabalhador, considera-se, então, que há riscos ocupacionais. Os riscos
são variáveis e dependem também de problemas administrativos, financeiros, treinamento, educação
continuada, normas e rotinas, existência de EPI, EPC e outros.
Os procedimentos operacionais padronizados para uso pelos profissionais de saúde em hospitais é
um reconhecimento de que os critérios de biossegurança, em geral, são aplicados. O potencial infeccioso
desconhecido das amostras do paciente é o risco mais significativo encontrado.
Isto significa que mesmo um procedimento mais simples como a retirada de rolhas de recipientes à
vácuo, não deverá ser efetuado em uma área aberta por pessoas destreinadas, que carecem de
compreensão de aerossóis infecciosos e de desinfecção apropriada após o extravasamento.
A biossegurança para evitar e prevenir a infecção dos trabalhadores da área de saúde implica em
seu treinamento efetivo, utilização dos equipamentos de proteção, cuidados preventivos individuais,
seguir as normas e procedimentos vigentes, com a finalidade de estabelecer uma organização para
garantir a segurança em todas as áreas do mesmo.
A análise das medidas de biossegurança pressupõe uma apreciação quanto aos princípios
fundamentais para o manuseio de materiais e equipamentos dentro do ambiente hospitalar, incluindo
diversos aspectos que podem minimizar o risco dos profissionais de saúde acidentarem-se ao exercerem
suas atividades laborais. Para isso, é primordial que tenham máxima atenção durante o desempenho de
seu exercício profissional como, por exemplo, não usando os próprios dedos como anteparo, bem como
não realizando o reencapamento ou retirada de seringas com as próprias mãos.
Mesmo com o uso de material estéril, este precisa ser descartado em recipientes próprios com
resistência elevada à perfuração e com fechamento adequado, pois esta é uma das principais
formas de prevenir a infecção dos profissionais, além da propagação da doença dentro do
ambiente hospitalar, o descarte é uma etapa fundamental enquanto medida preventiva. Outra
medida elementar é que esses recipientes somente podem ter 2/3 de sua capacidade total utilizada,
a fim de evitar possíveis vazamentos e a consequente contaminação do ar ou das pessoas que
manipularem esses invólucros.
Mas, quando o acidente não puder ser evitado, o profissional de saúde deve adotar medidas que
objetivem a redução do risco de infecção, procedimentos simples, como a lavagem exaustiva da área
externa com água e sabão, bem como o uso de soluções antissépticas degermantes, a realização de
exames que detectem possíveis problemas ou doenças que possam ser desenvolvidas, a ingestão da
medicação adequada a cada caso, a vacinação se for esta a recomendação ou tomar a atitude necessária
a cada caso.

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Em caso de exposição de mucosas, é preciso que o local seja lavado com água ou com solução
fisiológica. No entanto, precisa ser evitada a exposição da área afetada a outros possíveis danos, pois
assim o risco do ataque de outras possíveis infecções hospitalares é reduzido, praticamente eliminado.
Nesse sentido, há necessidade do profissional de saúde comunicar a ocorrência do acidente de
trabalho, registrando o ocorrido no setor responsável, estabelecendo medidas precoces para o tratamento
da lesão, além de buscar retirar suas dúvidas quanto aos procedimentos a serem adotados.
Entretanto, ainda são poucas as estruturas de atendimento e notificação para os casos de acidentes
com profissionais de saúde nos hospitais e hospitais brasileiros, dificultando a análise sobre a verdadeira
incidência de acidentes de trabalho envolvendo esses profissionais no ambiente hospitalar, reduzindo o
monitoramento de suas tendências atuais e evolutivas. Outro problema que também merece destaque
refere-se ao fato de que o sistema de vigilância e acompanhamento não registra casos de acidentes de
trabalho ocorridos no setor informal, mesmo representando uma parcela significativa desses
acontecimentos.
O trabalhador deve receber informações antecipadas da natureza do trabalho que irá desempenhar,
tais como: riscos, responsabilidades, normas básicas de higiene rigorosa e rotinas estabelecidas pela
instituição.
A exposição ocupacional inclui o contato das membranas mucosas (olho, boca, entre outros), pele não
íntegra, bem como por acidentes percutâneos, ao sangue, fluidos orgânicos (secreção e excreção),
potencialmente transmissores do Human immunodeficiency vírus (HIV), Hepatitis B Vírus (HBV) e
Hepatitis C Vírus (HCV), que eventualmente possa ocorrer no ambiente de trabalho. Estes fatores são os
mais relevantes em caso de infecções, pois são aqueles que podem causar danos mais severos à saúde
desses profissionais.
A infecção ocupacional pode ser compreendida como aquela adquirida pelo trabalhador de saúde no
ambiente a partir de uma exposição ocupacional. Todavia, independente disso, toda e qualquer infecção
hospitalar deve ser evitada, seja junto aos pacientes ou aos funcionários do hospital.
Os profissionais de saúde são aqueles que mais estão submetidos aos riscos ocupacionais, seja por
meio de ferimentos, erupções e outras dermatoses. Também é o segmento da área de saúde em que
mais inexistem programas de imunização e estudos sobre as possibilidades de exposição a riscos
potenciais.
Os profissionais da área de saúde estão submetidos a numerosos riscos, principalmente no que se
refere aos agentes biológicos, essencialmente quando não ocorre o cumprimento da utilização de
medidas protetivas individuais e/ou coletivas. Além disso, deparam-se com barreiras institucionais,
pressões econômicas e técnicas para que as medidas de biossegurança mínimas sejam efetivamente
implantadas.
A unidade de saúde deve manter um banco de dados contendo informações sobre todas as atividades
desenvolvidas na prevenção e controle de doenças ocupacionais transmitidas através do sangue, fluidos
orgânicos e outras doenças infectocontagiosas, como tuberculose, rubéola e tétano.
Desse modo, uma das principais medidas de prevenção contra as infecções é a realização do
acompanhamento sorológico. Deve ser solicitada a sorologia para HIV e hepatite B e C, imediatamente
após o acidente, o que funciona como prévia.
ELISA ANTI-HIV: Profissionais de saúde vacinados previamente contra hepatite B devem solicitar o
anti-HBS, se o resultado der positivo, não é necessário o acompanhamento sorológico.
Trabalhador vacinado com anti-HBs negativo, e para os não vacinados, solicitar HBsAg e anti-HBC.
Repetir, neste caso, as sorologias após 6 meses da exposição ao cliente Fonte HBsAg positivo ou cliente-
Fonte desconhecido.
Quando o trabalhador tiver utilizado gamaglobulina hiperimune imediatamente após o acidente, a
realização da sorologia anti-HBsAg só deve ser realizado 12 semanas após o acidente.
Os principais critérios para a prevenção ou realização de exames ou vacinação em casos de contato
com pessoas contaminadas com HIV, HBV e HCV, deve-se considerar o risco de aquisição ocupacional
quando houver contato comprovado com material infectante, sorologia negativa do trabalhador, realizada
até 15 dias após o acidente, bem como a ocorrência de soro conversão durante o acompanhamento e a
ausência de outros determinantes de risco para o contágio com o agente.
Com relação aos riscos pós-exposição de material biológico com HIV, é imprescindível que o
profissional tenha consciência do tamanho da profundidade da lesão, se existe sangue visível no
dispositivo do acidente e se este dispositivo foi previamente colocado em leito intravascular (agulhas).
Assim, ciente Fonte com alto título de HIV nos casos acima (>vol.sg.>título de HIV), o risco excede 0,3%;
é preciso verificar se existiu a exposição do material em exposição da mucosa, média de 0,1%, se a pele
também teve algum tipo de contato com o material, verificar se a média foi igual ou superior a 0,1%, pois

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assim o risco será aumentado também se houver um contato prolongado, áreas extensas, perdas de
integridade da pele e alto título viral inoculante.
Sobre o risco de pós-exposição ao material biológico pelo contato com HVB, caso entre 6 a 40% dos
casos, apresenta-se como agente efetivo de transmissão de doenças em TAS, originadas após o contato
com material biológico.
Com relação ao risco de pós-exposição ao material biológico HVC, existe risco de 3 a 10% dos casos
por possuir cerca de 10 vezes mais possibilidades de complicação que o HBV. Cerca de 30 a 70% dos
infectados por esse vírus podem evoluir para a cronicidade 18.

Os principais cuidados locais, em casos de exposição ao HIV, HVB e HCV:


- As cavidades locais com a área exposta devem ser imediatas;
- Lavar a área exaustivamente com água e sabão, em caso de exposição percutânea, e colocar solução
antisséptica (álcool a 70%, PVP-1 ou clorohexidina);
- Lavar exaustivamente com água ou solução fisiológica, após exposição em mucosas;
- No caso de ingestão, provocar o vômito;
- Realizar curativo se necessário;
- Comunicar à chefia imediata.
Nesse caso, é imprescindível a necessidade de evitar acidentes com materiais perfurocortantes com
o manuseio adequado dos equipamentos, máquinas e demais elementos utilizados, acondicionamento
adequado em recipientes próprios e, conforme já citado antes, não deixar ultrapassar 2/3 de sua
capacidade de utilização, bem como determinar normas e procedimentos a serem seguidos, não
esquecendo as Normas Reguladoras (NRs) existentes para cada caso.
Para chamar a atenção das pessoas que frequentam ou que trabalhem nos estabelecimentos de
saúde, é importante que haja uma sistemática de identificação dos riscos existentes em cada setor ou
unidade do estabelecimento.
Por isso, de acordo com as necessidades e a gravidade dos riscos existentes, é necessária a presença
de material informativo e de divulgação, como cartazes, folhetos, adesivos, entre outros, que transmitam
e que sejam tomados cuidados preventivos ante o risco presente. Assim, símbolos identificados de
substâncias, cores diferenciadas, etiquetas adequadas, textos alusivos, que indiquem os riscos e as
atitudes adequadas a tomar, devem fazer parte do ambiente do estabelecimento de saúde.

Classificação de Riscos dos Agentes Biológicos16

Os agentes biológicos que afetam o homem, os animais e as plantas são distribuídos em classes de
risco assim definidas:
- Classe de risco 1 (baixo risco individual e para a coletividade): inclui os agentes biológicos
conhecidos por não causarem doenças em pessoas ou animais adultos sadios. Exemplo: Lactobacillus
sp.
- Classe de risco 2 (moderado risco individual e limitado risco para a comunidade): inclui os
agentes biológicos que provocam infecções no homem ou nos animais, cujo potencial de propagação na
comunidade e de disseminação no meio ambiente é limitado, e para os quais existem medidas
terapêuticas e profiláticas eficazes. Exemplo: Schistosoma mansoni.
- Classe de risco 3 (alto risco individual e moderado risco para a comunidade): inclui os agentes
biológicos que possuem capacidade de transmissão por via respiratória e que causam patologias
humanas ou animais, potencialmente letais, para as quais existem usualmente medidas de tratamento
e/ou de prevenção. Representam risco se disseminados na comunidade e no meio ambiente, podendo
se propagar de pessoa a pessoa. Exemplo: Bacillus anthracis.
- Classe de risco 4 (alto risco individual e para a comunidade): inclui os agentes biológicos com
grande poder de transmissibilidade por via respiratória ou de transmissão desconhecida. Até o momento
não há nenhuma medida profilática ou terapêutica eficaz contra infecções ocasionadas por estes. Causam
doenças humanas e animais de alta gravidade, com alta capacidade de disseminação na comunidade e
no meio ambiente. Esta classe inclui principalmente os vírus. Exemplo: Vírus Ebola.
- Classe de risco especial (alto risco de causar doença animal grave e de disseminação no meio
ambiente): inclui agentes biológicos de doença animal não existentes no País e que, embora não sejam
obrigatoriamente patógenos de importância para o homem, podem gerar graves perdas econômicas e/ou
na produção de alimentos.

16
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Ciência e Tecnologia.
Classificação de risco dos agentes biológicos. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006.

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Questões

01. (UEL - Agente Universitário de Nível Médio - Técnico em Enfermagem – UEL/COPS) Sobre as
normas de biossegurança, considere as afirmativas a seguir.
I. As luvas de procedimento são consideradas resíduos comuns e não precisam de acondicionamento
especial.
II. Os sacos de lixo de cor branca, no ambiente hospitalar, acondicionam materiais recicláveis.
III. Os materiais perfurocortantes são considerados infectantes e devem ser descartados em recipiente
rígido e impermeável.
IV. Os artigos críticos requerem passar por esterilização antes de serem utilizados nos pacientes.

Assinale a alternativa correta.


(A) Somente as afirmativas I e II são corretas.
(B) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
(C) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
(D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
(E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

02. (UEL - Agente Universitário de Nível Médio - Técnico em Enfermagem – UEL/COPS) Sobre as
precauções com a transmissão por via aérea ou respiratória, considere as afirmativas a seguir.
I. A transmissão por aerossóis ocorre através de partículas suspensas no ar.
II. Os artigos e equipamentos utilizados no isolamento por aerossóis são de uso exclusivo do paciente.
III. O paciente em isolamento por gotículas usará máscara comum quando for transportado.
IV. Na transmissão por gotículas, é obrigatório o uso de máscara do tipo N95.
Assinale a alternativa correta.
(A) Somente as afirmativas I e II são corretas.
(B) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
(C) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
(D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
(E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

03. (Pref. Maravilha/SC - Enfermeiro - Saúde da Família - Pref. Maravilha/SC) As infecções


relacionadas à assistência à saúde (IRAS) são definidas colo aquelas que resultam de procedimento
diagnóstico e/ou tratamento realizado em pacientes ou as infecções adquiridas pelo profissional de saúde
durante a assistência ao paciente em qualquer serviço de saúde. O termo infecção hospitalar fica restrito
às infecções adquiridas no ambiente hospitalar, enquanto as infecções relacionadas à assistência à saúde
(IRAS) é mais abrangente, pois as infecções podem ocorrer em qualquer em qualquer
local/área/serviço/unidade onde ocorra a assistência/cuidado ao paciente, seja em hospitais, clínicas
(cirúrgicas, odontológicas, estéticas, etc.), ambulatórios ou domicílios. Para prevenir e controlar a infecção
é necessário que os seis elementos que compõem a cadeia estejam presentes e intactos: agente
infeccioso, fonte, porta de saída, modo de transmissão, porta de entrada e hospedeiro suscetível.
Portanto, para prevenir a transmissão de microrganismos, é necessário “quebrar” a cadeia em uma ou
mais das ligações, atuando nos seguintes elos: fonte, modo de transmissão e hospedeiro suscetível.
Medidas estas relacionadas com as atividades do Centro de Material e Esterilização (CME).

Marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.


( ) Realizar limpeza, desinfecção e esterilização de materiais, equipamentos e ambiente de acordo
com a classificação crítico, semicrítico ou não crítico.
( ) Realizar a higiene de mãos e usar medidas protetoras de barreiras.
( ) Uso de protetores individuais (EPI) máscara/óculos de proteção, avental, luvas de procedimentos
de acordo com o modo de transmissão.
( ) Uso de recipientes para coleta de perfuro cortantes somente quando se tem certeza que o material
está contaminado.

Assinale a sequência correta.


(A) V, F, V, F.
(B) F, V, F, V.
(C) V, V, V, F.
(D) V, V, F, F.

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04. (Pref. Carandaí/MG - Técnico em Enfermagem - REIS & REIS) Assinale a alternativa que aponta
o que não é competência do Comitê de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) de cada hospital:
(A) Supervisionar e controlar as faltas dos profissionais de enfermagem, para que não haja problema
na escala diária;
(B) Adequar, implementar e supervisionar normas e rotinas técnico operacionais, visando à prevenção
e controle das infecções hospitalares;
(C) Realizar investigação epidemiológica de casos e surtos, sempre que indicado, e implantar medidas
imediatas de controle;
(D) Implantar um sistema de Vigilância Epidemiológica das infecções hospitalares.

05. (Assembleia Legislativa/SP - Técnico Legislativo - Técnico de Enfermagem – FCC) As


infecções relacionadas a assistência à saúde (IRAS) são definidas como aquelas que resultam de
procedimento diagnóstico e/ou tratamento realizado em pacientes ou as infecções adquiridas pelo
profissional da saúde durante a assistência ao paciente em qualquer serviço de saúde. As medidas que
o profissional de enfermagem deve utilizar na prevenção das IRAS, dentre outras, são:
I. Realizar limpeza, desinfecção e esterilização de materiais, equipamentos e ambiente de acordo com
a classificação (não crítico, semicrítico ou crítico).
II. Realizar a higiene de mãos e usar equipamento de proteção coletiva (EPC) como os recipientes
para coleta de materiais perfurocortantes.
III. Usar as medidas protetoras de barreira, de forma obrigatória, utilizando protetores faciais (máscara
e óculos de proteção), avental e luvas estéreis no contato com sangue, secreções e fluidos corpóreos.

Está correto o que se afirma em:


(A) I, apenas.
(B) I e II, apenas.
(C) I e III, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) I, II e III.

06. (SES/PE - Analista em Saúde - Enfermeiro Uteísta - UPENET/IAUPE) A infecção do trato urinário
(ITU) é um dos tipos de infecção hospitalar relacionada a procedimentos invasivos das mais comuns,
podendo ser responsável por até 40% de todas as infeções nosocomiais. Em aproximadamente 6-7%, a
instalação da sonda pode causar bacterimia transitória e ainda ser uma importante causa de infecção
sanguínea hospitalar. Qual das medidas abaixo é recomendada para prevenção desse tipo de infecção?
(A) Aderir à sondagem intermitente, utilizando um espaço de tempo de 2 horas entre a realização do
procedimento.
(B) Utilizar sistema aberto ao meio ambiente e estéril para a realização do cateterismo urinário.
(C) Realizar a higienização das mãos imediatamente antes e após sondagem, ou manipulação de
quaisquer componentes do cateter urinário.
(D) Trocar periodicamente, a cada três dias, o cateter vesical, utilizando técnica asséptica.
(E) Realizar manipulações diárias do cateter ou antissepsia do meato, com soluções antissépticas ou
pomadas bactericidas.

07. (Pref. Lagarto/SE - Agente Técnico em Enfermagem – AOCP) É a condição de segurança


alcançada por um conjunto de ações destinadas a prevenir, controlar, reduzir ou eliminar riscos inerentes
às atividades que possam comprometer a saúde humana, animal e vegetal e o ambiente. Tal conceito
refere-se à
(A) Biossegurança.
(B) Barreiras de contenção.
(C) Classe de risco.
(D) Agentes Biológicos.
(E) Análise de Risco.

08. (Pref. Lagarto/SE - Agente Técnico em Enfermagem – AOCP) Os agentes biológicos humanos
e animais são divididos em cinco classes, de acordo com critérios de patogenicidade. O risco individual,
que para a comunidade é baixo, aplica-se a agentes biológicos bem caracterizados, têm probabilidade
nula ou baixa de provocar infecções no homem ou em animais sadios e de risco potencial mínimo para o
profissional do laboratório e para o ambiente, refere-se a qual classe de risco?

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(A) Classe de Risco 2.
(B) Classe de Risco 1.
(C) Classe de Risco 3.
(D) Classe de Risco 4.
(E) Classe de Risco 5.

9. (ILSL – Enfermeiro – IBFC) Em relação à prevenção e controle de infecção hospitalar, leia as frases
abaixo e a seguir assinale a alternativa que corresponde a resposta correta:
I- A lavagem das mãos é a fricção manual vigorosa de toda a superfície das mãos e punhos, utilizando-
se sabão/detergente, seguida de enxágue abundante em água corrente, sendo, isoladamente, a ação
mais importante para a prevenção e controle das infecções hospitalares.
II- A lavagem das mãos é realizada sempre antes dos procedimentos cirúrgicos, e está dispensada na
utilização de luva antes e após contatos que envolvam mucosas, sangue ou outros fluidos corpóreos,
secreções ou excreções.
III- Infecção hospitalar é aquela adquirida após a admissão do paciente e que se manifeste durante a
internação ou após a alta, quando puder ser relacionada com a internação ou procedimentos hospitalares.
IV- Considera-se infecção hospitalar aquela infecção em recém-nascido, cuja aquisição por via
transplacentária é conhecida ou foi comprovada e que tornou-se evidente logo após o nascimento
(exemplo: herpes simples, toxoplasmose, rubéola, citomegalovirose, sífilis e AIDS), devendo ser
controlada vigorosamente.

(A) todas as frases estão corretas.


(B) as frases I e III estão corretas.
(C) as frases I, II e III estão corretas.
(D) as frases III e IV estão corretas.

10. (UFS – Enfermeiro - UFS/COPESE) Sobre as competências da Comissão de Controle de Infecção


Hospitalar (CCIH), analise as afirmativas e assinale a opção INCORRETA.
(A) Avaliar periódica e sistematicamente as informações providas pelo sistema de vigilância
epidemiológica das infecções hospitalares e aprovar medidas de controle propostas pelos membros do
Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH).
(B) Implantar um sistema de vigilância epidemiológica das infecções hospitalares.
(C) Notificar ao Serviço de Vigilância Epidemiológica e Sanitária do organismo de gestão do SUS os
casos e surtos diagnosticados ou suspeitos de infecções associadas à utilização e/ou produtos
industrializados.
(D) Elaborar regimento interno para a CCIH.
(E) Informar ao órgão oficial municipal ou estadual a composição dos membros da CCIH e as
alterações que venham a ocorrer.

11. (UFS – Enfermeiro - UFS/COPESE) A higienização das mãos é a medida mais antiga, eficaz e
barata de prevenir a infecção relacionada à assistência à saúde. A respeito desse assunto, julgue os itens
subsequentes.
I. Ao realizar um procedimento com luvas, a higienização das mãos é uma medida desnecessária;
II. Caso as mãos não estiverem visivelmente sujas, a realização da higienização pode ser realizada
com produtos à base de álcool;
III. Os agentes antissépticos utilizados para higienização das mãos devem ter ação antimicrobiana
imediata e sem efeito residual ou persistente. Não devem necessariamente conter alergênicos ou
irritantes para pele;
IV. As mãos dos profissionais que atuam em serviços de saúde podem ser higienizadas, utilizando-se:
água e sabão, preparação alcoólica e antisséptico.

Estão CORRETOS somente os itens constantes na opção:


(A) I, II e IV.
(B) II, III e IV.
(C) II e IV.
(D) I e IV.
(E) I, II e III.

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Gabarito

01.C / 02.D / 03.C / 04.A / 05.B / 06.C / 07.A / 08.B / 09.B / 10.E / 11.C

Processo do trabalho em enfermagem

A análise do processo de trabalho em saúde, das características e condições de inserção da


enfermagem nesse processo, possibilita desenhar com mais clareza qual tem sido o objeto de intervenção
da enfermagem seja ele um indivíduo, uma família ou uma comunidade.
A enfermagem brasileira, especificamente, institucionalizou-se no bojo do processo de intensa divisão
do trabalho médico na sociedade moderna, principalmente para preencher os vazios desse processo,
assumindo hegemonicamente as funções administrativas, no contexto hospitalar, local privilegiado
enquanto forma de organização do trabalho para a materialização do modelo clínico, centrado na
prestação de serviços a indivíduos, com ênfase no cuidado curativo.
No contexto de transformação da sociedade, de reforma sanitária, de construção do campo científico
da saúde coletiva e de revisão das práticas de enfermagem, pode-se verificar um movimento na
enfermagem para rever as bases com as quais tem construído seus saberes.
A enfermagem, enquanto campo científico, tem se apropriado de teorias com base no materialismo
histórico e dialético para desenvolver e planejar intervenções e pesquisas que venham a transformar sua
prática, principalmente na área de saúde coletiva, ampliando seu objeto de análise para além do corpo
biológico.
Há um conjunto de estudos sobre o processo de trabalho do enfermeiro que mostra a predominância
de atividades gerenciais, sobretudo com ênfase no gerenciamento dos serviços. A posição de gerente da
assistência de enfermagem e da organização institucional atribuída ao profissional enfermeiro vem sendo
investigada, no Brasil, desde os anos 1980 e pesquisas recentes confirmam a ênfase no trabalho
gerencial do enfermeiro, em especial, com base na concepção de gerenciamento do cuidado.
Estes estudos permitem fundamentar o pressuposto de que o processo de trabalho do enfermeiro
compõe-se de duas dimensões complementares: assistencial e gerencial.
Na primeira, o enfermeiro toma como objeto de intervenção as necessidades de cuidado de
enfermagem e tem por finalidade o cuidado integral, no segundo, o enfermeiro toma como objeto a
organização do trabalho e os recursos humanos em enfermagem, com a finalidade de criar e
implementar condições adequadas de cuidado dos pacientes e de desempenho para os
trabalhadores.
Ao considerar que o cuidado é a marca e o núcleo do processo de trabalho de enfermagem, entende-
se que as atividades gerenciais do enfermeiro deveriam ter como finalidade a qualidade do cuidado de
enfermagem, de modo que a cisão entre a dimensão assistencial e gerencial compromete essa qualidade
e gera conflitos no trabalho do enfermeiro, seja do profissional com a sua própria prática, seja na sua
relação com a equipe de enfermagem e a equipe de saúde.
O processo de trabalho de enfermagem apresenta a característica da divisão técnica do trabalho que
envolve diferentes categorias – enfermeiro, auxiliar e técnico de enfermagem. É um processo que
fragmenta a assistência e o cuidado e indica a necessidade de recomposição dos trabalhos e de mudança
da concepção de processo saúde-doença na perspectiva do cuidado integral e da integralidade da saúde.
Considerando que o cuidado caracteriza o núcleo do trabalho de enfermagem e também as
concepções de cuidado integral e cuidado ampliado, entende-se que o cuidado de enfermagem é
abordado e executado de duas formas distintas: por um lado, o cuidado com foco nos procedimentos e
no raciocínio clínico, que é predominante nas práticas de enfermagem e, por outro, o que se denomina
cuidado ampliado, o qual agrega os procedimentos e a clínica à comunicação e interação com os clientes,
de forma contextualizada a cada momento e situação de cuidado.
Entende-se que a análise do processo de trabalho de enfermagem volta-se para as
necessidades de cuidado de enfermagem como seu objeto de intervenção central, executado,
sobretudo pelos auxiliares e técnicos de enfermagem e o gerenciamento do cuidado e da unidade
como o trabalho nuclear do enfermeiro. Também se considera que tanto os enfermeiros quanto os
auxiliares e técnicos de enfermagem usualmente, referem-se às atividades de gerenciamento como parte
burocrática, associando-as ao registro do trabalho executado.
O gerenciamento em enfermagem, especialmente no ambiente hospitalar, sofre forte influência da
administração clássica, em particular do modelo taylorista/fordista e burocrático, caracterizado por divisão

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do trabalho, hierarquia, autoridade legal, sistema de procedimentos e rotinas, impessoalidade nas
relações interpessoais e outros.
A gerência consiste em atividade meio cuja ação central baseia-se na articulação e integração que
possibilita a transformação do processo de trabalho, ao mesmo tempo que também pode se transformar
mediante as situações do cotidiano das organizações de saúde, e assim se compõe de quatro dimensões:
técnica, política, comunicativa e de desenvolvimento da cidadania.
Essa concepção de gerência favorece a interação com a assistência, contudo, historicamente, na
saúde e na enfermagem, os processos de cuidar e de administrar quase não se tocam correndo de forma
paralela nas instituições hospitalares, o que pode ser modificado com a promoção de uma aliança desses
dois eixos que permitirá constituir o cuidar gerenciando e o gerenciar cuidando, interpretado como uma
construção para a enfermagem brasileira e um novo paradigma.
Nesta mesma direção alguns estudos fazem referência à gerência participativa, que visa a qualificar a
assistência através da articulação dos processos de trabalho assistencial e gerencial, articulação esta
que se entende por gerenciamento do cuidado, que também é caracterizado pela ênfase na comunicação
e interação profissional de enfermagem e paciente e entre os profissionais.

ÉTICA E LEGISLAÇÃO EM ENFERMAGEM: A Ética aplicada à Enfermagem;


Código de Ética profissional em Enfermagem; Lei do Exercício Profissional em
Enfermagem

Ética

O profissional de enfermagem atua sob um conjunto de valores pessoais e profissionais quando se


relaciona com um paciente. Cada paciente possui um sistema pessoal de valores. O profissional de
enfermagem não deve permitir que os seus valores entrem em conflito com os do paciente. A objetividade
enriquece a habilidade do profissional em atuar de modo inteligente e disciplinado quando assiste
pacientes com problema de saúde. Ele deve se empenhar em desenvolver uma autoconsciência para
entender atitudes e sentimentos e para controlar o comportamento nas relações profissionais com os
pacientes.
No ambiente de assistência de saúde, os valores do profissional de enfermagem, do paciente e da
sociedade interagem. Inevitavelmente, conflitos de valores surgem, os quais podem causar dilemas
éticos. A ética determina a conduta apropriada e é tão importante quanto os direitos legais. O profissional
precisa constantemente lembrar-se da ética, quando lidar com pacientes e com outros profissionais de
saúde.
Uma vez que o profissional de enfermagem está ciente dos valores que motivam o comportamento
pessoal e profissional, é mais fácil ajudar os pacientes a identificar os valores que influenciam seus
próprios comportamentos e atitudes. A frequência e a intensidade com as quais a pessoa pratica
comportamento de promoção de saúde dependem do valor dado na redução da ameaça da doença e na
promoção da saúde. Os profissionais de enfermagem ajudam os pacientes a elucidarem seus valores
pessoais, ordenam prioridades de valore, minimizam conflitos, conseguem uma estabilidade entre valores
e comportamentos relacionados à prevenção de doenças e à promoção de saúde e recebem tratamento
ético. A competência de um profissional está na habilidade em ajudar os pacientes a compreenderem a
si próprios e ao impacto de alguns comportamentos no seu bem-estar.

Valores e Ética

A singularidade da profissão de enfermagem está na complexidade e diversidade de papéis e


responsabilidades assumidas por seus membros. O profissional de enfermagem atua como uma conexão
entre o paciente e outros profissionais de saúde, para assegurar que os direitos do paciente sejam
respeitados. Atualmente, o profissional está apto a se empenhar visando o objetivo de proporcionar um
atendimento completo e abrangente para uma gama maior de pacientes.
A assistência de saúde é realizada numa sociedade pluralística onde existem muitos sistemas de
crenças e fé. Com tanta diversidade moral e cultural, frequentemente é difícil definir valores comuns de
assistência de saúde. O profissional de enfermagem tem conhecimento de valores e ética e os usa para
proporcionar uma boa assistência para o paciente. Depende do próprio profissional a tentativa de resolver
dilemas éticos que surgem durante sua interação com o paciente. Se ele sabe claramente o que eles
valorizam e por que, estará apto a tomar, e ajudar os pacientes a tomarem, decisões éticas responsáveis.

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Uma pessoa que ingressa na profissão de enfermagem possui um conjunto de valores pessoais que
guiarão suas ações. Esses valores são o resultado de uma escolha ou hábitos pessoais. Um jovem adulto
que ingressa na carreira de enfermagem será incapaz, a princípio, de identificar todos os atributos de um
enfermeiro profissional. Mas, após socializar-se com a profissão, ele logo verificará a interação de valores
pessoais e profissionais.
Dois valores primários identificados por Hall (1973) são o valor próprio e equivalência. O valor próprio
é a crença de uma pessoa em se considerar valiosa para as pessoas importantes de sua vida. o valor
próprio está relacionado à confiança, à expressão de emoções e à capacidade de se relacionar com as
outras pessoas. O valor de equivalência é a crença de que outras pessoas têm valor equivalente a si
mesmo. Hall sugere que estes dois valores primários devem existir conjuntamente. Ter um sentimento
positivo pelos outros requer que uma pessoa primeiro avalie a si própria. Esses dois valores primários
são “forças orientadoras” na vida pessoal e profissional do enfermeiro.
Existem muitos outros valores, como a confiabilidade e a competência, que o enfermeiro adquire
durante a socialização. Se os valores pessoais são similares aos ideais para o trabalho, os profissionais
assumem seu papel com pouca dificuldade; se eles são incompatíveis, o profissional de enfermagem
provavelmente se sentirá frustrado e insatisfeito.

Definição de Valores e Ética

Um valor é uma convicção pessoal sobre a importância sobre uma dada ideia ou comportamento. Dar
valor a um certo comportamento ou ideia é achá-los preferíveis a outros. Os valores que um indivíduo
retém reflete necessidades pessoais, culturais, influências sociais e relacionamento com pessoas de
importância pessoal. Os valores variam ente as pessoas, desenvolvem-se e mudam com o tempo. Um
sistema de valores bem desenvolvido faz com que a tomada de decisões seja uma tarefa relativamente
sem conflitos.
A ética consiste nos princípios ou padrões que determinam a conduta apropriada. O termo origina-se
da palavra grega “ethos”, que significa costume. A ética refere-se ao que é certo e errado, o que é dever
ou obrigação. Sendo uma característica de todas as profissões, a ética protege os direitos dos homens.
Os valores influenciam como um indivíduo percebe os outros e como ele age. Quando os valores
entram em conflito, a ética frequentemente entra em cena e o resultado é o dilema. Não há situação
absolutamente certa ou errada, mas uma pessoa não deve comprometer os valores de outra quando
tentar resolver um dilema ético. Por exemplo, um enfermeiro de uma comunidade, solicitado por um
colega de trabalho para entrar em greve, precisa decidir-se entre a lealdade a seus colegas e aos
pacientes.
As pessoas apegam-se a valores em um contínuo de relativa importância. Valores relacionados
formam sistemas de valores, como aqueles relacionados à religião, saúde, liberdade e auto respeito. Um
sistema objetivo de valores permite a uma pessoa ser flexível ao tomar decisões e facilita uma ótima
interação com terceiros.
Valores éticos, morais e legais não estão necessariamente relacionados. Uma crença moral é uma
forte convicção de que alguma coisa é absolutamente certa ou errada em todas as situações. Desta
maneira, o que é uma questão moral para uns é dilema ético para outros (por exemplo, aborto). Um direito
legal é uma reivindicação justa ou algo que é devido de acordo com as garantias legais e está
frequentemente relacionado aos valores éticos (por exemplo, no caso da remoção de um sistema de
suporte de vida de um paciente em coma), mas não está necessariamente relacionado a todas as
situações (por exemplo, o direito ao tratamento de saúde é uma questão ética e não um direito legal).
Dois tipos específicos de valores são os terminais e instrumentais. Um valor terminal envolve finalidade
ou objetivos desejados, como a felicidade ou o sucesso na profissão. Um valor instrumental envolve
modelos desejáveis de conduta, como honestidade ou manutenção da saúde de outrem. Valores
instrumentais mudam com a experiência; valores terminais, os objetivos principais da pessoa, são
alcançados através de comportamentos motivados por valores instrumentais.
Valores e ética regem o modo de uma pessoa agir e dão sentido à vida. A prática da enfermagem
exige que o profissional de enfermagem atue dentro das regras legais e éticas e que, ao mesmo tempo,
se mantenha fiel a um sistema de valores pessoais. Surgem, é claro, conflito de valores e,
consequentemente, o profissional precisa estar preparado para lidar com estes dilemas éticos e resolver
os conflitos da melhor maneira possível, para assegurar a qualidade da assistência e uma solução
satisfatória do ponto de vista profissional.

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Determinação de Valores dos Profissionais de Enfermagem

O profissional de enfermagem que usa a determinação de valores apresenta um crescimento pessoal


e adquire satisfação profissional. Durante os encontros com pacientes, colegas e profissionais de saúde,
os seus valores são desafiados e testados. Como ele demonstra uma vontade de ser responsável por
atuar profissionalmente? Como suas atitudes em relação a um paciente influenciam o cuidado
providenciado? O enfermeiro tem dificuldade em assumir o papel de um profissional se seus valores
pessoais são mal concebidos ou pouco claros. A determinação de valores ajuda-o a explorar estes valores
e decidir se ele atua de acordo com suas convicções. Uma visão clara dos valores pessoais permite-lhe
dar maior atenção às necessidades dos pacientes. A determinação de valores também facilita a tomada
de decisão e resolução de problemas.
O processo de determinação de valores pode ser usado numa base continua entre os profissionais de
enfermagem e outros profissionais de saúde que enfrentam conflitos similares diariamente. Nas relações
de trabalho, os profissionais de enfermagem desenvolvem uma confiança nos colegas, em cujas reações
eles podem confiar. O profissional consciente de seus valores atua rápida e decididamente e pode ajudar
seus colegas a determinar seus valores ao lidar e cuidar de pacientes. Compartilhar valores sobre
pacientes, suas famílias, colegas de trabalho e companheiros ajudam os profissionais a reconhecer seus
próprios valores. Esta partilha ajuda-os a compreender o comportamento dos colegas. As linhas de
comunicação tornam-se mais abertas quando se deparam com um tema controverso. A qualidade das
relações de trabalho é enriquecida à medida que os profissionais de enfermagem adquirem
conhecimentos sobre si mesmos e seus colegas.

Determinação de Valores de Pacientes

A valorização também é um instrumento útil no auxílio aos pacientes e seus familiares para adaptarem-
se ao estresse da doença e outros problemas relacionados à saúde. O profissional de enfermagem ajuda
o paciente a discriminar as emoções para determinar seus significados e sentidos. A determinação de
valores é uma atividade para despertar a consciência, através da qual os pacientes adquirem consciência
das prioridades pessoais, identificam ambiguidades nos valores e resolvem os conflitos iniciais entre os
valores e o comportamento. O objetivo do profissional é comunicar-se com o paciente para ajudá-los a
estabelecer comportamento de proteção e promoção de saúde. O paciente torna-se mais propenso a
expressar problemas e sentimentos sinceros e, então, ele está apto a estabelecer um plano de assistência
individualizado. O enfermeiro que quer saber e aprende quais são os valores do paciente, está apto a
planejar um programa bem-sucedido de promoção de bem-estar.
Um sistema de estratégias pode ser usado para tornar a avaliação mais criteriosa, prática e significativa
para uma pessoa com valores não muito claros. Essas estratégias são, na verdade, exercícios para ajudar
um indivíduo na determinação de valores, utilizando as três etapas de valorização. Os profissionais de
enfermagem podem usá-las com os pacientes ou para determinar seus próprios valores.
Algumas vezes é difícil para um profissional de enfermagem determinar quando o paciente pode se
beneficiar com a determinação de valores. Nem todos os pacientes acreditam nos valores socialmente
preferidos, tais como o desejo de manter sua saúde, uma vontade de trabalhar pesado ou a importância
de ter uma carreira de sucesso. Em alguns casos, os comportamentos do paciente sugerem ao
profissional de enfermagem que seus valores não são claros. Esses comportamentos podem interferir
nos esforços do profissional de enfermagem para promoção de uma boa assistência. Quando os
comportamentos dos pacientes refletem uma necessidade de determinação de valores, o papel do
profissional de enfermagem será determinar se o paciente está infeliz, inseguro do seu sistema de valores,
ou se está vivenciando um conflito de valores que pode ser prejudicial à sua saúde. Nesses casos, a
determinação de valores pode ser útil.
Simplesmente encorajar o paciente expressar seus sentimentos pode fornecer informações
inadequadas, se o problema real for um conflito de valores. O profissional que está familiarizado com a
determinação de valores pode ajudá-lo a definir valores, esclarecer objetivos e procurar soluções.
Proporcionar meios de determinação de valores não é uma tentativa de psicanálise. O papel do
profissional de enfermagem é fornecer respostas para as perguntas ou afirmações do paciente, de modo
que estimule a introspecção. O estímulo verbal do profissional para a determinação é gerado por uma
consciência de que o processo de valorização irá motivar o paciente a examinar seus pensamentos e
ações. Esses estímulos podem ajudá-los a escolher um valor livremente, considerar alternativas, apreciar
a escolha, afirmá-la a outros e incorporar comportamentos que reflitam o valor escolhido.
Quando o profissional de enfermagem incita um estímulo para a determinação, ele deve ser: breve;
sem julgamento; seletivo; que estimule pensamentos, e espontâneo. Isto assegura que o paciente está

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sendo tratado como um indivíduo com necessidades reais e não permite que o profissional seja severo
ou moralizante.
A determinação de valores pode ocorrer em qualquer contexto. A valorização tem sempre mais
sucesso quando o profissional tem a oportunidade de um contato repetido com o paciente. É difícil para
ele ajudar significativamente o paciente a superar cada etapa do processo de valorização, se o tempo
dedicado a isto for curto.
No final, o paciente adquire a noção de como a valorização proporciona satisfação pessoal. A
determinação de valores promove a ponderação e tomada de decisões efetivas. O paciente torna-se
consciente de como os valores influenciam suas ações, um componente essencial na resolução de
problemas.
É necessário tempo para que o profissional possa desenvolver a determinação de valores, como um
instrumento para a assistência de paciente. Os profissionais de enfermagem não podem tentar ajudar sue
pacientes a examinarem seus valores, a não ser que eles mesmos tenham conhecimento de seus próprios
valores. A determinação de valores pode ser um meio valioso dos pacientes identificarem seus
sentimentos verdadeiros e convicções e ter um melhor conhecimento de seus objetivos na vida.

Amparo do Paciente

Os padrões éticos regem o comportamento de profissionais e instituições para com os pacientes. Em


contraste, as leis determinam o licenciamento de profissionais e prescrevem os limites da prática legal.
Geralmente é verdade que as práticas éticas são práticas legais. Entretanto, somente a lei é prontamente
executável.
Como Kohnke destacou, o conceito de amparo transpõe esta lacuna entra a ética e a lei. Em
enfermagem, amparo consiste em informar o paciente e, então, apoiar qualquer que seja a decisão
tomada. Informar apropriadamente um paciente adéqua-se às responsabilidades legais do profissional de
enfermagem e apoiá-lo adéqua-se às necessidades éticas de respeitar o direito de uma pessoa à
autodeterminação.
Amparo é um processo complexo que, primeiro, requer do profissional de enfermagem a aquisição da
compreensão de suas próprias atitudes, valores e crenças e, depois aprender a aproximar-se do paciente
com a mente aberta, reconhecendo valores e crenças diferentes. Amparo não é o mesmo que
determinação de valores; entretanto, para dar amparo, o profissional de enfermagem precisa determinar
quais são os valores.
As duas funções primárias de amparo são informar e apoiar. Para informar um paciente propriamente,
o profissional de enfermagem precisa ter informação exata ou saber onde conseguir. O profissional que
dá amparo precisa também desejar que o paciente receba a informação. Entretanto, um paciente precisa
concordar em receber a informação; ele tem o direito de não saber. Além disso, o profissional de
enfermagem que dá amparo fornece a informação de um modo que tenha significado para o paciente.
Finalmente, o profissional protetor reconhece que muitas pessoas, como membros de família, médicos,
administradores de assistência de saúde, não querem que o paciente obtenha informações. Esta situação
torna amparo muito difícil. O papel de protetor torna-se um ato de ponderação cuidadosa, entre contar ao
paciente o que ele precisa saber e não prejudicar a relação do paciente com a família ou o médico.
O profissional de enfermagem também dá apoio ao paciente sem assumir uma posição defensiva ou
de salvamento. A responsabilidade da tomada de decisões permanece com o paciente e não com o
protetor. O enfermeiro protetor não dá conselhos, faz julgamentos ou dá aprovação. O profissional de
enfermagem tem consequência dos riscos que são inevitáveis se o paciente tomar decisão errada sobre
o tratamento de saúde, mas é o paciente quem decide após receber a informação. Se a decisão for
errada, o profissional instrui o paciente como aceitá-la e como fazer uma escolha melhor no futuro.
O estudante de enfermagem principalmente frequentemente encontrará pacientes que pedirão ajuda
para tomar decisões simples, como, por exemplo, tomar banho. Essas questões podem ser importantes
para um paciente doente. Elas oferecem excelentes oportunidades a um enfermeiro para ajudar o
paciente a tomar decisões. Quando decisões mais importantes tiverem que ser tomadas, ele estará mais
apto a tomá-las. Ajudando o paciente a tomar decisões aparentemente de pouca importância, o
profissional de enfermagem ganha prática no papel de protetor.
Existe um ponto chave a lembrar de quando o profissional de enfermagem exerce este papel. Nem
todos os pacientes precisam de “amparo”. Existem pacientes que são capazes de tomar suas próprias
decisões, sem o auxílio do profissional. Entretanto, é sempre apropriado para ele compartilhar
informações pertinentes e importantes com o paciente.

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Normas Técnicas, Ética e Comportamento no Ambiente de Trabalho

A Ética é o ideal para conduta humana, pois a evolução de seus princípios deu-se juntamente com o
processo evolutivo da humanidade, e orienta o ser humano sobre o que é bom e correto e o que deveria
assumir, orientando sua vida em relação a seus semelhantes, visando o bem comum.
A Ética de nossa sociedade e a Ética empresarial são inseparáveis, algumas vezes indistinguíveis.
Nossas preocupações diárias com a eficiência, competitividade e lucratividade não podem prescindir de
um comportamento ético.
A Ética no trabalho orienta não apenas o teor das decisões (o que devo fazer) como também o
processo para a tomada de decisão (como devo fazer).
A adoção de princípios éticos e comportamentais reflete o tipo de organização da qual fazemos parte
e o tipo de pessoa que somos. Nosso respeito pelas diferenças individuais e a preocupação crescente
com a responsabilidade social, onde inserimos as questões de segurança, meio-ambiente e saúde no
cotidiano da nossa gestão empresarial, refletem as relações com seus empregados e para com a
sociedade.
Cada indivíduo tem o seu próprio padrão de valores. Por isso, torna-se imperativo que cada empregado
faça sua reflexão, de modo a compatibilizar seus valores individuais com os valores expressos nos
Princípios Éticos.

Ética no Trabalho

Para que seja ético no trabalho é preciso antes de tudo ser honesto em qualquer situação, nunca fazer
algo que não possa assumir em público, ser humilde, tolerante e flexível. Ser ético significa, muitas vezes,
abrir mão de algumas coisas e perder algo.
É preciso ouvir mais as ideias de seus colegas, pois muitas ideias aparentemente absurdas podem ser
a solução para um problema. Para descobrir isso, é preciso trabalhar em equipe, ouvir as pessoas e
avaliar a situação sem julgamentos precipitados ou baseados em suposições, e principalmente dar crédito
a quem realmente é merecedor. Muitas vezes recebemos elogios pelo trabalho realizado por outras
pessoas, sem sequer repassar os mesmos ou citar o nome dos colegas que contribuíram para tal, e isso
é ser antiético, pois está-se aceitando um elogio pelo trabalho de outra pessoa e, cedo ou tarde, o mesmo
será reconhecido e você ficará com fama de mau-caráter.
Outra coisa muito importante é a pontualidade, pois se você sempre se atrasar, será considerado
indigno de confiança e pode perder boas oportunidades de carreira. Infelizmente em muitas empresas
julga-se o caráter e a competência de um funcionário pelo cumprimento de horário e não pela sua
produtividade ou habilidades técnicas/gerenciais.
Tente também nunca criticar seus colegas de trabalho ou culpá-los pelas costas, e quando tiver de
corrigir ou repreender alguém, faça-o em particular, não o humilhe perante outros, respeite sua
privacidade e se for o caso ofereça apoio, pois ele poderá estar passando por dificuldades sem você
saber.
Existem outras ponderações que devemos fazer, tais como: maneiras de utilização de telefones, e-
mails, assim como comportamentos em reuniões/palestras e em situações de fofocas de corredor.
“Aja de acordo com seus princípios e assuma suas decisões, mesmo que isso implique ficar contra a
maioria”.

Utilização do Telefone

Ao se utilizar o telefone na empresa devemos tomar alguns cuidados, tais como:


- Dar toda a atenção à pessoa que ligou sem ficar distraído com outras atividades em paralelo;
- Evitar intimidades com a pessoa que está do outro lado da linha, pois isso poderá causar
constrangimentos com os colegas que estão ao seu redor;
- Ao falar ao telefone, você é julgado pela dicção, capacidade de articular pensamentos e por tratar os
outros com cortesia ou não. A voz deve ser alegre, clara, calorosa e em bom-tom, nem alta nem baixa
demais;
- Ao atender telefonemas alheios, anote o recado escrevendo o nome da pessoa que ligou, o número
do telefone, o assunto e a hora;
- Não faça ligações pessoais demoradas;
- Não entre em discussões por telefone;
- Retorne as ligações, mesmo que você não conheça quem deixou recado;

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- Se estiver ocupado, não tenha medo de interromper a conversa, diga que não pode falar e que ligará
em seguida e não esqueça de retornar a ligação;
- Todos estamos sujeitos a ter de atender a um telefonema com alguém ao lado. Quando for inevitável,
procure fazer com discrição, nada de gestos, caretas ou comentários tapando o bocal do telefone;
- Jamais deixe alguém esperando na linha, melhor dizer que está ocupado e que retornará a ligação
depois;
- Se a linha cair não se preocupe, pois a responsabilidade de ligar novamente é de quem telefonou.

Utilização de e-mail

A utilização do e-mail é algo extremamente polêmico e atualmente se discute muito sobre o direito das
empresas monitorarem os e-mails de seus funcionários, violando assim sua privacidade. Então, é
importante que se tenha alguns cuidados ao se utilizar o e-mail fornecido pela empresa:
- Nunca escreva algo que possa constrangê-lo depois, evite intimidades e escreva aquilo que você
falaria pessoalmente para a pessoa;
- Verifique sempre a gramática e a ortografia do texto antes de enviá-lo, pois não existe nada pior do
que um texto cheio de erros que, em muitos casos, pode ofender pessoas que prezam muito uma boa
grafia;
- Seja claro e objetivo, pois hoje em dia ninguém tem tempo para ler textos extensos demais ou ficar
pensando em palavras fora de contexto;
- Um e-mail, apesar de também ser um documento, não deve ser tão formal quanto uma carta;
- Jogue fora todos aqueles e-mails que não servem para nada, como malas diretas, correntes e
piadinhas infames e só responda àqueles que realmente mereçam sua atenção;
- Não mande correntes, piadas - obscenas ou não - e pegadinhas por e-mail para quem não conhece.

Comportamento em Reuniões

É neste momento que seu profissionalismo é posto à prova e onde sua postura profissional estará
sendo julgada, então tome alguns cuidados ao participar de reuniões de trabalho.
- Não chegue atrasado. Além de irritar quem chegou na hora, sua imagem ficará péssima, pois sua
pontualidade foi ineficaz;
- Nunca sente à cabeceira da mesa, pois esse lugar normalmente é reservado à pessoa que conduzirá
a reunião. Assim você dará a entender que conhece seu lugar, demonstrará apoio e deixará claro que
não ameaça a pessoa que está conduzindo a reunião;
- Leia e pesquise sobre o assunto que será colocado em pauta. Dessa maneira você estará preparado
e poderá participar da discussão, sem passar pelo constrangimento de dar um fora;
- Quando participar de uma reunião não entre mudo e saia calado, torne sua participação ativa;
- Exponha todas suas ideias independentemente de boas ou ruins, e quando achar que deve discordar,
discorde, mesmo que seja com quem está conduzindo a reunião. Dessa maneira você tornará a reunião
mais produtiva e não apenas um encontro de amigos;
- A pessoa que está conduzindo a reunião deve ser o primeiro e o último a falar. Ou seja, é ela que
abre e fecha a reunião;
- Se for encarregado de conduzir uma reunião, lembre-se de que um bom condutor é aquele que expõe
suas opiniões de modo que todos entendam, sabe ouvir e mediar conflitos;
- Ao fazer um comentário, apresentar uma ideia ou sugestão, seja claro e objetivo. Resuma ao máximo
o que tem a dizer para não tornar a reunião longa e cansativa demais;
- Olhe para os outros quando estiverem falando para mostrar interesse. Não baixe os olhos para a
mesa;
- Apresente suas ideias como recomendação e não como ordens. Senão você poderá comprometer a
autoridade diante dos demais participantes;
- É importante manter a postura durante uma reunião. Evite ficar gesticulando, rabiscando, mexendo
no celular e principalmente entrar em uma reunião com o celular ligado.

Fofocas de Corredor

Algo inevitável nas empresas são as fofocas de corredor, por isso evite ao máximo fazê-las.
- Afaste-se das fofocas e maledicências. Só o fato de prestar atenção nelas pode lhe dar a fama de
fofoqueiro, e aquele que lhe conta a última novidade pode levar também um comentário péssimo sobre
você e aumentar o conflito interpessoal;

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- Evite fazer profecias. As previsões podem não se realizar e as palavras se voltarão contra você;
- Não seja inconveniente, aparecendo em outros setores da empresa sem ligar antes só para fazer
uma fofoca rápida;
- Mantenha a voz baixa, especialmente quando precisar falar de assuntos de caráter confidencial;
- Quando se referir a um colega numa conversa, use o nome completo dele para evitar mal-entendidos;
- Evite falar de sua vida pessoal com quem você não conhece o caráter;
- Não comente com qualquer um os seus resultados positivos, prêmios e novos projetos que lhe foram
confiados;
- Caso trabalhe com alguém de quem não gosta, troque cumprimentos, mantenha distância e não
comente a antipatia que sente. Isso minimiza os atritos e evita que os outros reparem a incompatibilidade
e façam fofocas.

Exercícios do Cargo/Função

Jamais use seu cargo, função, atividade, posição ou influência com o fim de obter qualquer
favorecimento para si ou para outros. Busque o melhor resultado mantendo sempre uma atitude
transparente, de respeito e colaboração com os colegas de trabalho.
- Procure saber como seus superiores trabalham e como gostam que seus colaboradores exerçam
suas atividades, pois dessa maneira você poderá guiar suas atitudes e reações;
- Deixe claro quais são as suas funções, principalmente se elas incluírem obrigações pessoais e
particulares. Sobretudo, no caso de secretárias e assistentes que são encarregados de controlar as
contas do chefe, organizar agenda, comprar presentes para os familiares, etc.;
- Caso tenham afinidades ou amigos em comum, não há mal algum em fazer comentários pessoais,
mas seja discreto e tome cuidado para não parecer inconveniente nem puxa-saco;
- Reconheça os erros, mas não exagere no arrependimento nem na culpa. A fala correta é: “não foi
um erro intencional, isso não vai ocorrer de novo e vou remediar o acontecido”;
- Jamais diga a palavra problema para se referir a uma situação desfavorável. Dá a impressão de que
você não consegue controlar a situação.

Relacionamentos

Entre Colegas, Coordenadores e Gerentes

Saiba respeitar as diferenças individuais, aja de forma cortês, com disponibilidade e atenção a todas
as pessoas com quem se relaciona, independentemente de seu cargo na empresa.
- Reconheça os méritos relativos aos trabalhos desenvolvidos por colegas ou gerentes;
- Não prejudique a reputação de colegas ou gerentes por meio de julgamentos preconceituosos, falso
testemunho, informações não fundamentadas ou qualquer outro subterfúgio;
- Não busque obter troca de favores que aparentem ou possam dar origem a qualquer tipo de
compromisso ou obrigação pessoal;
- Estimule a manifestação de ideias, quando alinhadas com os objetivos das empresas, mesmo que
representem mudança significativa.

Emocionais entre Colegas de Trabalho

Este assunto foi, é e sempre será muito polêmico, pois dependendo da diferença de hierarquias entre
o casal, com certeza surgirão comentários maldosos. Portanto, ao se relacionar com um colega de
trabalho tome os seguintes cuidados:
- Você e um colega se apaixonaram: se a empresa não proíbe namoro entre funcionários e vocês são
desimpedidos, não vale a pena esconder. Os colegas desconfiam, descobrem e fofocam;
- Enquanto estiver na empresa evite os apelidos carinhosos e telefonemas melosos. Nada de “fofo”,
“lindinha”, “bebê” e “neném”;
- Não constranja os colegas nem cause falatório criando situações para ficar a sós com seu amado ou
sua amada.
- Cenas de ciúme e bate-boca são péssimas para sua imagem na empresa;
- Se brigar com ela (ele), deixe a cara fechada e a reconciliação para fora da empresa. Seu romance
não é novela, para ser acompanhado capítulo a capítulo;
- Não policie os horários da (o) sua (seu) parceira (o) e muito menos crie empecilhos para que ela (ele)
almoce com colegas ou superiores sob o argumento “você não liga mais para mim”;

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- Você e o chefe se apaixonaram: em muitas empresas, trata-se de amor proibido. Vocês podem tentar
escondê-lo por um tempo, mas correm sérios riscos;
- Do ponto de vista ético, o melhor a fazer é pedir, rapidamente, uma transferência de departamento,
já que o romance pode comprometer o trabalho. Se não for possível uma transferência, a saída mais
correta é um dos dois pedir demissão. Durante o período de impasse, ajam com absoluta discrição, pois
os fofoqueiros de plantão adoram comentar sobre situações como essa;
- Paixão por alguém casado: em casos assim, trata-se de nitroglicerina pura. Se o romance se tornar
público, amor, trabalho e família virarão uma grande confusão e isso é péssimo para a carreira;
- Evite comentar o assunto em voz alta e não transforme seu drama em tema de debate no fumódromo.

Intimidações

- Jamais tolere ameaças ou assédios de qualquer tipo;


- Não se submeta a situações de assédio moral (entendido como o ato de desqualificar repetidamente,
por meio de palavras, gestos ou atitudes, a autoestima, a segurança ou a imagem do empregado em
função do vínculo hierárquico) e denuncie o assediador;
- Respeite a hierarquia, porém informe imediatamente à gerência superior qualquer comportamento
irregular, desde que devidamente fundamentado;
- Comunique imediatamente aos seus superiores hierárquicos, para que as providências cabíveis,
qualquer aliciamento, ato ou omissão que julgue contrários ao interesse da empresa;
- Não ceda a pressões que visem a obtenção de vantagens indevidas.

Feedback

Feedback: conjunto de sinais perceptíveis que permitem conhecer o resultado da mensagem; é o


processo de se dizer a uma pessoa como você se sente em função do que ela fez ou disse. Para isso,
fazer perguntas e obter as respostas, a fim de verificar se a mensagem foi recebida ou não.
Como a comunicação eficaz é um processo de troca bidirecional, o uso de feedback é mais uma
maneira de se reduzir falhas de comunicação e distorções.

Habilidades de Feedback:
- Assegurar-se de que quer ajudar (e não se mostrar superior);
- No caso de feedback negativo, vá direto ao assunto; começar uma discussão com questões
periféricas e rodeios geralmente cria ansiedades ao invés de minimizá-las;
- Descreva a situação de modo claro, evitando juízos de valor;
- Concentre-se no problema (evite sobrecarregar o receptor com excesso de informações ou críticas);
- Esteja preparado para receber feedback, visto que o seu comportamento pode estar contribuindo
para o comportamento do receptor;
- Ao encerrar o feedback, faça um resumo e reflita sobre a sessão, para que tanto você como o receptor
estejam deixando a reunião com o mesmo entendimento sobre o que foi decidido.

A Ética é algo que não pode ser definido como certo ou errado. É a forma de como as pessoas
acreditam, é o bom senso, em suma, e como você observa o mundo ao seu redor.
Infelizmente a Ética, postura profissional, relacionamentos no ambiente de trabalho, transformou-se
em chavões onde ninguém sabe explicar o que é certo ou não, ou melhor, pode-se notar que a Ética já
não está sendo respeitada.
O coerente seria que as organizações desenvolvessem códigos de condutas, assim poderiam mostrar
o que é “correto” para aquele ambiente de trabalho. Uma vez tendo isso bem exemplificado e explicado,
não deixaria margem para questões sem o menor pingo de cuidado do uso de termos sem o menor
sentido, que em vez de ajudar acabam por prejudicar e muitas vezes ofender as pessoas.

Ética Profissional

Que responsabilidades estão envolvidas no papel de um profissional? Fromer relacionou as principais


características de um profissional:
- A profissão é exercida em tempo integral e é principal fonte de rendas.
- O profissional vê trabalho como um compromisso a uma solicitação. É mais que um emprego.
- Profissionais estão organizados com seus colegas por razões profissionais, isto é, por razões que
transcendem dinheiro e outros benefícios tangíveis.

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- O profissional possui conhecimento e habilidade úteis baseados numa educação de duração e
dificuldade incontestáveis.
- Os profissionais demonstram uma orientação de atendimento que vai além da motivação financeira.
- O profissional procede de acordo com seu próprio julgamento.

Como profissional, o enfermeiro tem um compromisso com pacientes e com a própria profissão, em
fornecer a melhor qualidade de assistência de saúde disponível. A formação educacional do profissional
de enfermagem fornece o conhecimento e habilidades necessárias para ajudá-lo a cumprir o
compromisso profissional. Experiências clínicas promovem a socialização na profissão, por que o
profissional aprende os padrões e normas usados por outros colegas no exercício da profissão e outras
disciplinas de assistência médica. O processo de tornar-se um profissional somente está completo
quando os valores da profissão são integrados aos valores do indivíduo.
A ética está ligada à verdade e este é o primeiro passo para aproximar-se do comportamento correto.
No campo do trabalho, a ética tem sido cada vez mais exigida, provavelmente porque a humanidade
evoluíra em tecnologia, mas não conseguiu se desenvolver na mesma proporção naquilo que se refere à
elevação de espírito. A atitude ética determinará como um profissional trata os outros profissionais no
ambiente de trabalho, os consumidores de seus serviços: clientes internos e externos entre outros
membros da comunidade em geral.
A ética é indispensável ao profissional, porque na ação humana “o fazer” e “o agir” estão interligados.
O fazer diz respeito à competência, à eficiência que todo profissional deve possuir para exercer bem a
sua profissão; o agir se refere à conduta do profissional, ao conjunto de atitudes que deve assumir no
desempenho de sua profissão.

Ética na Enfermagem17

Os dilemas éticos surgem a cada dia, exigindo dos profissionais de enfermagem o aprimoramento
constante de seus conhecimentos.
Face à dinamicidade cultural contemporânea, o profissional de enfermagem se depara com
questionamentos éticos e legais a respeito da sua atuação, exigindo competência ampla diante de tantas
inovações.
O cliente usuário dos serviços de saúde tem o direito de receber informações claras, objetivas e
compreensíveis sobre as medidas diagnósticas e terapêuticas propostas. Assim, sabe-se que é
incontestável o direito do cliente de acessar as informações e orientações a respeito da assistência de
enfermagem que lhe está sendo prestada, bem como o direito de acessar o seu prontuário, os exames
médicos solicitados e os resultados, além de discutir com os profissionais da área de saúde sobre as
possibilidades diagnósticas e terapêuticas pretendidas, consentindo ou não, de acordo com o livre arbítrio
- legalmente resguardado pela capacidade jurídica, ou através de seu representante legal.
O paciente dos dias de hoje, por ter consciência de seus direitos de consumidor, tem deixado de ser
tão passivo a tudo, o que requer mais atenção, respeito e habilidade por parte do enfermeiro. Alguns
pacientes querem participar de seus cuidados e compreenderem o que está ocorrendo no seu processo
de hospitalização. Nesse sentido, o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, em seu artigo
16, é muito claro ao assegurar ao cliente o direito de que lhe seja prestada uma assistência de
enfermagem livre de danos decorrentes de negligência, imperícia ou imprudência.
O Código Civil, em seu artigo 951, dispõe: “... no caso de indenização devida por aquele que, no
exercício de atividade profissional, por negligência, imprudência ou imperícia, causar a morte do
paciente, agravar-lhe o mal, causar-lhe lesão, ou inabilitá-lo para o trabalho”. Com isso, a
responsabilidade profissional é subjetiva, caso ocorra algum tipo de prejuízo ao cliente, exigindo-se a
comprovação de que o profissional agiu culposamente e deu ensejo ao risco ou ao dano alegado pelo
cliente ou responsável legal.
A responsabilidade é o dever jurídico de responder pelos próprios atos ou de outrem, sempre que
estes atos violarem os direitos de terceiros protegidos por Lei, garantindo o ressarcimento de danos
causados culposamente, seja por imperícia, negligência ou imprudência, por parte do profissional.
A negligência consiste na inação, inércia, passividade ou omissão, entendendo que é negligente
quem, podendo ou devendo agir de determinado modo, por indolência ou preguiça mental, não age ou
se comporta de modo diverso.
A imperícia se reveste da falta de conhecimento ou de preparo técnico ou habilidade para executar
determinada atribuição. Trata-se, portanto, de uma atitude comissiva (de cometer ou agir) por parte do
17
Texto extraído de FREITAS, Genival Fernandes de; OGUISSO, Taka. Ocorrências éticas na enfermagem. Rev Bras Enferm, Brasília (DF) n. 56, v. 6, p. 637-639,
nov-dez, 2003.

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profissional, expondo o cliente a riscos e com a possibilidade de acometimento danoso à integridade física
ou moral.
Em contrapartida, a imprudência decorre da ação açodada, precipitada e sem a devida precaução. É
imprudente quem expõe o cliente a riscos desnecessários ou que não se esforça para minimizá-los.
A equipe de enfermagem, ao cuidar de um cliente, não se obriga a curá-lo, contudo deve utilizar todos
os recursos humanos e técnicos possíveis e disponíveis para garantir uma assistência de enfermagem
segura e eficaz, isto é, isenta de riscos de ocorrências prejudiciais, tendo como desvelo a conduta inapta,
imprudente ou negligente do profissional de enfermagem.
O trabalho de Enfermagem18 tem se diversificado, indo desde o cuidado, seja do indivíduo, família e
grupo da comunidade, passando pelas ações educativas, pesquisas, administrativas, até a participação
no planejamento em saúde. O enfermeiro tem avançado no controle das suas atividades, previstas tanto
no Regulamento do Exercício Profissional (Lei n. 7498/86) como no Novo Código de Ética dos
Profissionais de Enfermagem (Resolução COFEN 564/17).
Surgem, junto com este avanço, os problemas éticos relativos ao desempenho da profissão de
Enfermagem, sendo necessário que esse profissional tome conhecimento de seus direitos e deveres
éticos e legais, ampliando, assim, a segurança em suas ações e a possibilidade de estar exercendo as
suas atividades dentro daquilo que lhe cabe, evitando possíveis complicações legais posteriores.
A ética profissional é uma parte da ciência moral e tem como função detectar os fatores que, numa
determinada sociedade, são capazes de alienar a atividade profissional; portanto, é tarefa da ética
profissional realizar uma reflexão crítica, e questionadora, que tenha por finalidade salvar e dar segurança
à sociedade no que diz respeito à atividade profissional.
A ética, no contexto da Enfermagem, abrange comportamentos e ações que envolvem
conhecimentos, valores, habilidades e atitudes no sentido de favorecer as potencialidades do ser
humano com a finalidade de manter ou melhorar a condição humana no processo de viver e
morrer. Assim, os cuidados de Enfermagem devem estar relacionados a ações livres de danos
decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência.

Modalidades de Culpa, conforme o art. 18, inciso II do Código Penal

- Imprudência: é a culpa de quem age (exemplo: passar no farol fechado). É a prática de um fato
perigoso, ou seja, é uma ação descuidada. Decorre de uma conduta comissiva.
- Negligência: é a culpa de quem se omite. É a falta de cuidado antes de começar a agir. Ocorre
sempre antes de começar a ação (exemplo: não verificar os freios do automóvel antes de colocá-lo em
movimento).
- Imperícia: é a falta de habilidade no exercício de uma profissão ou atividade.

A Ética na Pesquisa em Enfermagem

A enfermagem tem o dever de utilizar a pesquisa para buscar novos meios científicos e métodos
racionais para melhorar a prática assistencial da enfermagem.
Dois documentos básicos têm orientado o desenvolvimento das normas e códigos de ética na
investigação biomédica e em saúde:
- o Código de Nuremberg: teve sua origem na devastadora pesquisa realizada sem nenhum conceito
de participação ou consentimento voluntário, durante a Segunda Guerra Mundial;
- Declaração de Helsinque: desenvolveu uma compreensão crescente das diferenças entre a
investigação terapêutica e a não-terapêutica e ampliou a compreensão dos tipos de informação que
devem receber os sujeitos potenciais da investigação.
São universalmente importantes para todas as práticas de saúde, mas a maneira como eles são
aplicados podem, numa determinada situação, diferir de uma cultura para outra.
São os mesmos aplicáveis na Pesquisa em Enfermagem daqueles utilizados na prática de
Enfermagem. Na pesquisa como na prática o paciente tem direitos e o enfermeiro tem a responsabilidade
de proteger e defender esses direitos. Estes princípios sob o ângulo da pesquisa são: Beneficência, Não-
maleficência, Justiça e Autonomia.
A Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde, aprova diretrizes e
normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos. Neles estão inclusos a autonomia, a
não-maleficência, beneficência e justiça.

18
ROSENSTOCK, Karelline Izaltemberg Vasconcelos et al. Aspectos Éticos no Exercício da Enfermagem; Revisão Integrativa da Literaturas. Cogitare Enferm.,
v. 16, n. 4, p. 727-33, out/dez, 2011.

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A pesquisa envolvendo seres humanos requer o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
devidamente assinado.
É o processo pelo qual pesquisadores asseguram que, os sujeitos de pesquisas sejam informados
sobre os riscos potenciais, desconfortos e incômodos, assim como os benefícios de participarem num
estudo, informando-lhes sobre seu direito de não participar e tal informação é apresentada de maneira
livre e sem coerção;

O Consentimento Esclarecido é guiado por três princípios:


1. O ÉTICO;
2. O LEGAL OU JURÍDICO; constitui responsabilidade de cada pesquisador conhecer as normas
legais para obter o consentimento livre e esclarecido; caso não haja na região ou país, utilizar os princípios
éticos conforme a Resolução 196/96 do CNS do Ministério da Saúde.
3. CIENTÍFICO. Guia a obtenção do consentimento esclarecido. O pesquisador deve entender os
benefícios e riscos possíveis para o sujeito. O pesquisador deve ter conhecimento do contexto em que
os cuidados são prestados, para identificar possíveis zonas de coação, como por exemplo, oferta de
recompensas financeiras para participar no estudo.

A obtenção do consentimento deve obedecer duas fases distintas:


1º - Apresentação de um protocolo da pesquisa, ou seja, um documento contendo a descrição da
pesquisa, com os objetivos, metodologia, duração prevista da pesquisa, modelo do instrumento a ser
realizado, informações aos sujeitos, formulário ou termo de consentimento, recursos financeiros,
qualificação do pesquisador, aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa.
2º - Envolve o convite aos participantes para conhecer o estudo e se há interesse em participar. Se for
favorável a participar o sujeito deve assinar o formulário de consentimento em duas vias. Uma para o
sujeito e a outra para o pesquisador. O sujeito tem o direito de desistir de participar da pesquisa.

Os docentes possuem mais obrigações e possuem o dever desenvolver pesquisar.


Os Professores têm responsabilidade ética para ensinar, orientar e servir de modelo profissional para
os alunos. A orientação constitui a essência do ensino de pós-graduação, mas pode haver riscos de
conflitos.
Mesmo que os resultados da pesquisa não tenham alcançado os objetivos ou seus resultados sejam
inconclusivos, o pesquisador tem o dever moral de divulga-los.

CÓDIGOS DE ÉTICA

A profissão de enfermagem possui códigos de ética que asseguram ao profissional a atenção por altos
ideais de conduta. Um código de ética profissional é uma declaração coletiva das expectativas do grupo,
um padrão de comportamento. Um código de ética para os profissionais de enfermagem relaciona as
responsabilidades especiais assumidas por aqueles que cuidam de pessoas doentes. Eles lidam com
pessoas, que por causa de doença ou trauma, são frequentemente vulneráveis ou dependentes das
capacidades e conhecimentos profissionais. A profissão de enfermagem precisa formular e cumprir altos
ideais de conduta para assegurar ao público e a sociedade que os profissionais individualmente, não
tirarão partido de suas posições.
Um código é um conjunto de princípios que são geralmente aceitos por todos os membros de uma
profissão. Estes princípios indicam alguns dos fatores que os profissionais de enfermagem devem
considerar, quando da decisão da conduta apropriada. Códigos de ética também fornecem um alicerce
comum para o currículo de enfermagem profissional.
É muito difícil codificar todos os princípios nos quais uma pessoa deve se basear para resolver dilemas
num campo complexo como o da enfermagem. Os profissionais de enfermagem enfrentam dilemas éticos
que não são claramente regulamentados pelos códigos de ética.
Um código de ética precisa ser curto, no entanto detalhado o suficientemente para que sempre ofereça
uma orientação clara e obtenha aceitação geral. A Associação Americana de Profissionais de
Enfermagem (AAPE) e o Conselho Internacional de Profissionais de Enfermagem (CIPE) estabeleceram
códigos amplamente aceitos, que os profissionais de enfermagem devem tentar seguir. Embora esses
códigos se diferenciem em algum ponto de ênfase específica, eles refletem os mesmos princípios básicos.
Cada profissional de enfermagem assume a responsabilidade de realizar atividades de enfermagem
específicas na assistência de um paciente. Ser responsável também se refere à esfera das funções de
deveres associado ao papel dos enfermeiros. À medida que assumem mais funções, estas funções
tornam-se parte de sua responsabilidade. Sendo responsável, ele se torna seguro e digno de confiança

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
pelos colegas e paciente. Um profissional responsável é competente em conhecimento e habilidades. É
imperativo que ele também possua responsabilidade ética em relação ao paciente. Um profissional de
enfermagem cuida de um paciente que é, no mínimo, parcialmente dependente da escolha de ação feita
pelo enfermeiro e que depositou confiança nas capacidades deste profissional. A responsabilidade de um
enfermeiro requer uma disposição de atuação apropriada dentro das diretrizes de conduta da ética
profissional.
A profissão de enfermeiro é caracterizada pela responsabilidade; eles precisam estar aptos a
responder por suas ações (por exemplo, dar uma dosagem errada de um medicamento). Um profissional
de enfermagem responsável denuncia erros e inicia os cuidados para prevenir qualquer prejuízo futuro
ao paciente. Ter responsabilidade pede uma avaliação de efetividade do profissional de enfermagem em
assumir responsabilidades.
Um profissional de enfermagem tem responsabilidade para com ele, com o paciente, a profissão, a
instituição empregatícia e a sociedade. Ele assume a responsabilidade por si própria, por relatar às
autoridades apropriadas qualquer conduta que coloque os pacientes em risco. A prioridade mais alta do
profissional é a segurança e o bem-estar dos pacientes.
Ter responsabilidade para com o paciente significa que o profissional fornece informação precisa a ele
sobre o tratamento. Ele tem a responsabilidade de informar o paciente sobre procedimentos e fornecer
informações que o ajudem a tomar decisões.
Ele mantém responsabilidade para com a profissão e, consequentemente, para com a sociedade,
mantendo altos padrões de ética e encorajando outros profissionais a fazerem o mesmo. Ele relata
qualquer conduta de outro profissional da mesma área ou de um médico que coloque em risco o paciente.
O profissional de enfermagem que falha em apresentar esta conduta é considerada corresponsável.
O profissional de enfermagem tem responsabilidade em relação à instituição. Administradores de
enfermagem e médicos são geralmente as pessoas para as quais os profissionais de enfermagem devem
obediência. As instituições desenvolvem normas e procedimentos para fornecer diretrizes coerentes para
a realização de atividades de assistência de saúde. Normas e procedimentos previnem confusões e erros
quando é dada a assistência.
A preocupação ética primária de profissionais de enfermagem é ajudar cada paciente a receber
assistência de saúde de alta qualidade. Ele possui o potencial não apenas de ajudar os pacientes, mas
também de causar algum desconforto ou estresse. É frequentemente difícil descriminar as ações
benéficas das desnecessariamente estressantes. Um profissional de enfermagem pode ser mais
responsável por um paciente se os benefícios e as desvantagens das ações forem cuidadosamente
ponderadas. Sendo responsável, o profissional de enfermagem terá, como consequência maior
responsabilidade.
Os conflitos surgem em situações de ser responsável e ter responsabilidade. Frequentemente, entre
administradores de enfermagem e médicos, o profissional de enfermagem pode ficar indeciso sobre quem
tem responsabilidade por quem. Normas e procedimentos dão uniformidades aos padrões básicos de
assistência de enfermagem, deste modo mantém a qualidade de assistência em uma instituição. Se um
enfermeiro discorda das expectativas da instituição, é possível trabalhar dentro do sistema para mudá-
las, talvez aperfeiçoando ou modificando normas e procedimentos ultrapassados.
A sociedade como um todo tem objetivo de propiciar assistência de saúde para todos. Como membro
de um sistema de saúde, o profissional de enfermagem age dentro das regras desse sistema. Barreiras
burocráticas são sempre impostas por este sistema, o que pode criar conflitos envolvendo valores de
ética do profissional. Enfermeiros podem entrar em conflito, ao tentarem proteger os direitos dos
indivíduos vulneráveis e em condições inferiores. Entretanto, a menos que defendam os direitos de todos
os pacientes, não estarão agindo de acordo com as demandas da sociedade.

A responsabilidade profissional serve quatro propósitos básicos:


- Avaliar as novas normas da prática profissional e reavaliar as existentes.
- Manter os padrões de assistência de saúde.
- Facilitar a reflexão pessoal, o pensamento ético e o crescimento pessoal por parte dos profissionais.
- Fornecer bases para tomadas de decisão éticas.

O desempenho individual de um profissional de enfermagem pode ser medido? Uma tendência recente
na assistência de saúde é o estabelecimento de padrões de assistência. A Comissão Mista de
Credenciamento de Hospitais tem recomendado certos padrões para o exercício da assistência de
enfermagem. Estes padrões fornecem uma estrutura básica para avaliar se assistências de enfermagem
competentes são ministradas. O desempenho então pode ser medido objetivamente, bem como
criticamente. Tucker e associados produziram um exemplo de um conjunto de padrões a seguir para

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propiciar bem-estar físico geral a um paciente, tal como certificar-se de que o paciente está confortável e
na posição correta. Esses padrões não eliminam a necessidade de um plano individual de assistência.
Entretanto, profissionais de enfermagem que incorporam esses padrões em um plano de assistência
satisfazem sua responsabilidade éticas. A responsabilidade é assegurada porque a qualidade de
assistência pode ser medida.

Resolução COFEN n.º 564/2017

Aprova o Novo19 Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem

O Conselho Federal de Enfermagem – Cofen, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela Lei
nº 5.905, de 12 de julho de 1973, e pelo Regimento da Autarquia, aprovado pela Resolução Cofen nº 421,
de 15 de fevereiro de 2012, e
CONSIDERANDO que nos termos do inciso III do artigo 8º da Lei 5.905, de 12 de julho de 1973,
compete ao Cofen elaborar o Código de Deontologia de Enfermagem e alterá-lo, quando necessário,
ouvidos os Conselhos Regionais;
CONSIDERANDO que o Código de Deontologia de Enfermagem deve submeter-se aos dispositivos
constitucionais vigentes;
CONSIDERANDO a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela Assembleia Geral
das Nações Unidas (1948) e adotada pela Convenção de Genebra (1949), cujos postulados estão
contidos no Código de Ética do Conselho Internacional de Enfermeiras (1953, revisado em 2012);
CONSIDERANDO a Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos (2005);
CONSIDERANDO o Código de Deontologia de Enfermagem do Conselho Federal de Enfermagem
(1976), o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (1993, reformulado em 2000 e 2007), as
normas nacionais de pesquisa (Resolução do Conselho Nacional de Saúde – CNS nº 196/1996),
revisadas pela Resolução nº 466/2012, e as normas internacionais sobre pesquisa envolvendo seres
humanos;
CONSIDERANDO a proposta de Reformulação do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem,
consolidada na 1ª Conferência Nacional de Ética na Enfermagem – 1ª CONEENF, ocorrida no período
de 07 a 09 de junho de 2017, em Brasília – DF, realizada pelo Conselho Federal de Enfermagem e
Coordenada pela Comissão Nacional de Reformulação do Código de Ética dos Profissionais de
Enfermagem, instituída pela Portaria Cofen nº 1.351/2016;
CONSIDERANDO a Lei nº 11.340, de 07 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha) que cria mecanismos
para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8º do art. 226 da Constituição
Federal e a Lei nº 10.778, de 24 de novembro de 2003, que estabelece a notificação compulsória, no
território nacional, nos casos de violência contra a mulher que for atendida em serviços de saúde públicos
e privados;
CONSIDERANDO a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e
do Adolescente;
CONSIDERANDO a Lei nº. 10.741, de 01 de outubro de 2003, que dispõe sobre o Estatuto do Idoso;
CONSIDERANDO a Lei nº. 10.216, de 06 de abril de 2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos
das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental;
CONSIDERANDO a Lei 8.080, de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as condições para a
promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços
correspondentes;
CONSIDERANDO as sugestões apresentadas na Assembleia Extraordinária de Presidentes dos
Conselhos Regionais de Enfermagem, ocorrida na sede do Cofen, em Brasília, Distrito Federal, no dia 18
de julho de 2017, e
CONSIDERANDO a deliberação do Plenário do Conselho Federal de Enfermagem em sua 491ª
Reunião Ordinária,

RESOLVE:

Art. 1º Aprovar o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, conforme o anexo desta
Resolução, para observância e respeito dos profissionais de Enfermagem, que poderá ser consultado
através do sítio de internet do Cofen (www.cofen.gov.br).

19
http://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-5642017_59145.html - Acesso em 04/09/2018 às 15h48min.

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
Art. 2º Este Código aplica-se aos Enfermeiros, Técnicos de Enfermagem, Auxiliares de Enfermagem,
Obstetrizes e Parteiras, bem como aos atendentes de Enfermagem.

Art. 3º Os casos omissos serão resolvidos pelo Conselho Federal de Enfermagem.

Art. 4º Este Código poderá ser alterado pelo Conselho Federal de Enfermagem, por proposta de 2/3
dos Conselheiros Efetivos do Conselho Federal ou mediante proposta de 2/3 dos Conselhos Regionais.
Parágrafo Único. A alteração referida deve ser precedida de ampla discussão com a categoria,
coordenada pelos Conselhos Regionais, sob a coordenação geral do Conselho Federal de Enfermagem,
em formato de Conferência Nacional, precedida de Conferências Regionais.

Art. 5º A presente Resolução entrará em vigor 120 (cento e vinte) dias a partir da data de sua
publicação no Diário Oficial da União, revogando-se as disposições em contrário, em especial a
Resolução Cofen nº 311/2007, de 08 de fevereiro de 2007.

Brasília, 6 de novembro de 2017.

MANOEL CARLOS N. DA SILVA


COREN-RO Nº 63592
Presidente

MARIA R. F. B. SAMPAIO
COREN-PI Nº 19084
Primeira-Secretária

ANEXO DA RESOLUÇÃO COFEN Nº 0564/2017

PREÂMBULO
O Conselho Federal de Enfermagem, ao revisar o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem
– CEPE, norteou-se por princípios fundamentais, que representam imperativos para a conduta
profissional e consideram que a Enfermagem é uma ciência, arte e uma prática social, indispensável à
organização e ao funcionamento dos serviços de saúde; tem como responsabilidades a promoção e a
restauração da saúde, a prevenção de agravos e doenças e o alívio do sofrimento; proporciona cuidados
à pessoa, à família e à coletividade; organiza suas ações e intervenções de modo autônomo, ou em
colaboração com outros profissionais da área; tem direito a remuneração justa e a condições adequadas
de trabalho, que possibilitem um cuidado profissional seguro e livre de danos. Sobretudo, esses princípios
fundamentais reafirmam que o respeito aos direitos humanos é inerente ao exercício da profissão, o que
inclui os direitos da pessoa à vida, à saúde, à liberdade, à igualdade, à segurança pessoal, à livre escolha,
à dignidade e a ser tratada sem distinção de classe social, geração, etnia, cor, crença religiosa, cultura,
incapacidade, deficiência, doença, identidade de gênero, orientação sexual, nacionalidade, convicção
política, raça ou condição social.
Inspirado nesse conjunto de princípios é que o Conselho Federal de Enfermagem, no uso das
atribuições que lhe são conferidas pelo Art. 8º, inciso III, da Lei nº 5.905, de 12 de julho de 1973, aprova
e edita esta nova revisão do CEPE, exortando os profissionais de Enfermagem à sua fiel observância e
cumprimento.

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
A Enfermagem é comprometida com a produção e gestão do cuidado prestado nos diferentes
contextos socioambientais e culturais em resposta às necessidades da pessoa, família e coletividade.
O profissional de Enfermagem atua com autonomia e em consonância com os preceitos éticos e legais,
técnico-científico e teórico-filosófico; exerce suas atividades com competência para promoção do ser
humano na sua integralidade, de acordo com os Princípios da Ética e da Bioética, e participa como
integrante da equipe de Enfermagem e de saúde na defesa das Políticas Públicas, com ênfase nas
políticas de saúde que garantam a universalidade de acesso, integralidade da assistência, resolutividade,
preservação da autonomia das pessoas, participação da comunidade, hierarquização e descentralização
político-administrativa dos serviços de saúde.
O cuidado da Enfermagem se fundamenta no conhecimento próprio da profissão e nas ciências
humanas, sociais e aplicadas e é executado pelos profissionais na prática social e cotidiana de assistir,
gerenciar, ensinar, educar e pesquisar.

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CAPÍTULO I
DOS DIREITOS

Art. 1º Exercer a Enfermagem com liberdade, segurança técnica, científica e ambiental, autonomia, e
ser tratado sem discriminação de qualquer natureza, segundo os princípios e pressupostos legais, éticos
e dos direitos humanos.

Art. 2º Exercer atividades em locais de trabalho livre de riscos e danos e violências física e psicológica
à saúde do trabalhador, em respeito à dignidade humana e à proteção dos direitos dos profissionais de
enfermagem.

Art. 3º Apoiar e/ou participar de movimentos de defesa da dignidade profissional, do exercício da


cidadania e das reivindicações por melhores condições de assistência, trabalho e remuneração,
observados os parâmetros e limites da legislação vigente.

Art. 4º Participar da prática multiprofissional, interdisciplinar e transdisciplinar com responsabilidade,


autonomia e liberdade, observando os preceitos éticos e legais da profissão.

Art. 5º Associar-se, exercer cargos e participar de Organizações da Categoria e Órgãos de


Fiscalização do Exercício Profissional, atendidos os requisitos legais.

Art. 6º Aprimorar seus conhecimentos técnico-científicos, ético-políticos, socioeducativos, históricos e


culturais que dão sustentação à prática profissional.

Art. 7º Ter acesso às informações relacionadas à pessoa, família e coletividade, necessárias ao


exercício profissional.

Art. 8º Requerer ao Conselho Regional de Enfermagem, de forma fundamentada, medidas cabíveis


para obtenção de desagravo público em decorrência de ofensa sofrida no exercício profissional ou que
atinja a profissão.

Art. 9º Recorrer ao Conselho Regional de Enfermagem, de forma fundamentada, quando impedido de


cumprir o presente Código, a Legislação do Exercício Profissional e as Resoluções, Decisões e Pareceres
Normativos emanados pelo Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem.

Art. 10 Ter acesso, pelos meios de informação disponíveis, às diretrizes políticas, normativas e
protocolos institucionais, bem como participar de sua elaboração.

Art. 11 Formar e participar da Comissão de Ética de Enfermagem, bem como de comissões


interdisciplinares da instituição em que trabalha.

Art. 12 Abster-se de revelar informações confidenciais de que tenha conhecimento em razão de seu
exercício profissional.

Art. 13 Suspender as atividades, individuais ou coletivas, quando o local de trabalho não oferecer
condições seguras para o exercício profissional e/ou desrespeitar a legislação vigente, ressalvadas as
situações de urgência e emergência, devendo formalizar imediatamente sua decisão por escrito e/ou por
meio de correio eletrônico à instituição e ao Conselho Regional de Enfermagem.

Art. 14 Aplicar o processo de Enfermagem como instrumento metodológico para planejar, implementar,
avaliar e documentar o cuidado à pessoa, família e coletividade.

Art. 15 Exercer cargos de direção, gestão e coordenação, no âmbito da saúde ou de qualquer área
direta ou indiretamente relacionada ao exercício profissional da Enfermagem.

Art. 16 Conhecer as atividades de ensino, pesquisa e extensão que envolvam pessoas e/ou local de
trabalho sob sua responsabilidade profissional.

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Art. 17 Realizar e participar de atividades de ensino, pesquisa e extensão, respeitando a legislação
vigente.

Art. 18 Ter reconhecida sua autoria ou participação em pesquisa, extensão e produção técnico-
científica.

Art. 19 Utilizar-se de veículos de comunicação, mídias sociais e meios eletrônicos para conceder
entrevistas, ministrar cursos, palestras, conferências, sobre assuntos de sua competência e/ou divulgar
eventos com finalidade educativa e de interesse social.

Art. 20 Anunciar a prestação de serviços para os quais detenha habilidades e competências técnico-
científicas e legais.

Art. 21 Negar-se a ser filmado, fotografado e exposto em mídias sociais durante o desempenho de
suas atividades profissionais.

Art. 22 Recusar-se a executar atividades que não sejam de sua competência técnica, científica, ética
e legal ou que não ofereçam segurança ao profissional, à pessoa, à família e à coletividade.

Art. 23 Requerer junto ao gestor a quebra de vínculo da relação profissional/usuários quando houver
risco à sua integridade física e moral, comunicando ao Coren e assegurando a continuidade da
assistência de Enfermagem.

CAPÍTULO II
DOS DEVERES

Art. 24 Exercer a profissão com justiça, compromisso, equidade, resolutividade, dignidade,


competência, responsabilidade, honestidade e lealdade.

Art. 25 Fundamentar suas relações no direito, na prudência, no respeito, na solidariedade e na


diversidade de opinião e posição ideológica.

Art. 26 Conhecer, cumprir e fazer cumprir o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem e
demais normativos do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem.

Art. 27 Incentivar e apoiar a participação dos profissionais de Enfermagem no desempenho de


atividades em organizações da categoria.

Art. 28 Comunicar formalmente ao Conselho Regional de Enfermagem e aos órgãos competentes


fatos que infrinjam dispositivos éticos-legais e que possam prejudicar o exercício profissional e a
segurança à saúde da pessoa, família e coletividade.

Art. 29 Comunicar formalmente, ao Conselho Regional de Enfermagem, fatos que envolvam recusa
e/ou demissão de cargo, função ou emprego, motivado pela necessidade do profissional em cumprir o
presente Código e a legislação do exercício profissional.

Art. 30 Cumprir, no prazo estabelecido, determinações, notificações, citações, convocações e


intimações do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem.

Art. 31 Colaborar com o processo de fiscalização do exercício profissional e prestar informações


fidedignas, permitindo o acesso a documentos e a área física institucional.

Art. 32 Manter inscrição no Conselho Regional de Enfermagem, com jurisdição na área onde ocorrer
o exercício profissional.

Art. 33 Manter os dados cadastrais atualizados junto ao Conselho Regional de Enfermagem de sua
jurisdição.

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Art. 34 Manter regularizadas as obrigações financeiras junto ao Conselho Regional de Enfermagem
de sua jurisdição.

Art. 35 Apor nome completo e/ou nome social, ambos legíveis, número e categoria de inscrição no
Conselho Regional de Enfermagem, assinatura ou rubrica nos documentos, quando no exercício
profissional.
§ 1º É facultado o uso do carimbo, com nome completo, número e categoria de inscrição no Coren,
devendo constar a assinatura ou rubrica do profissional.
§ 2º Quando se tratar de prontuário eletrônico, a assinatura deverá ser certificada, conforme legislação
vigente.

Art. 36 Registrar no prontuário e em outros documentos as informações inerentes e indispensáveis ao


processo de cuidar de forma clara, objetiva, cronológica, legível, completa e sem rasuras.

Art. 37 Documentar formalmente as etapas do processo de Enfermagem, em consonância com sua


competência legal.

Art. 38 Prestar informações escritas e/ou verbais, completas e fidedignas, necessárias à continuidade
da assistência e segurança do paciente.

Art. 39 Esclarecer à pessoa, família e coletividade, a respeito dos direitos, riscos, benefícios e
intercorrências acerca da assistência de Enfermagem.

Art. 40 Orientar à pessoa e família sobre preparo, benefícios, riscos e consequências decorrentes de
exames e de outros procedimentos, respeitando o direito de recusa da pessoa ou de seu representante
legal.

Art. 41 Prestar assistência de Enfermagem sem discriminação de qualquer natureza.

Art. 42 Respeitar o direito do exercício da autonomia da pessoa ou de seu representante legal na


tomada de decisão, livre e esclarecida, sobre sua saúde, segurança, tratamento, conforto, bem-estar,
realizando ações necessárias, de acordo com os princípios éticos e legais.
Parágrafo único. Respeitar as diretivas antecipadas da pessoa no que concerne às decisões sobre
cuidados e tratamentos que deseja ou não receber no momento em que estiver incapacitado de
expressar, livre e autonomamente, suas vontades.

Art. 43 Respeitar o pudor, a privacidade e a intimidade da pessoa, em todo seu ciclo vital e nas
situações de morte e pós-morte.

Art. 44 Prestar assistência de Enfermagem em condições que ofereçam segurança, mesmo em caso
de suspensão das atividades profissionais decorrentes de movimentos reivindicatórios da categoria.
Parágrafo único. Será respeitado o direito de greve e, nos casos de movimentos reivindicatórios da
categoria, deverão ser prestados os cuidados mínimos que garantam uma assistência segura, conforme
a complexidade do paciente.

Art. 45 Prestar assistência de Enfermagem livre de danos decorrentes de imperícia, negligência ou


imprudência.

Art. 46 Recusar-se a executar prescrição de Enfermagem e Médica na qual não constem assinatura e
número de registro do profissional prescritor, exceto em situação de urgência e emergência.
§ 1º O profissional de Enfermagem deverá recusar-se a executar prescrição de Enfermagem e Médica
em caso de identificação de erro e/ou ilegibilidade da mesma, devendo esclarecer com o prescritor ou
outro profissional, registrando no prontuário.
§ 2º É vedado ao profissional de Enfermagem o cumprimento de prescrição à distância, exceto em
casos de urgência e emergência e regulação, conforme Resolução vigente.

Art. 47 Posicionar-se contra, e denunciar aos órgãos competentes, ações e procedimentos de


membros da equipe de saúde, quando houver risco de danos decorrentes de imperícia, negligência e
imprudência ao paciente, visando a proteção da pessoa, família e coletividade.

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Art. 48 Prestar assistência de Enfermagem promovendo a qualidade de vida à pessoa e família no
processo do nascer, viver, morrer e luto.
Parágrafo único. Nos casos de doenças graves incuráveis e terminais com risco iminente de morte,
em consonância com a equipe multiprofissional, oferecer todos os cuidados paliativos disponíveis para
assegurar o conforto físico, psíquico, social e espiritual, respeitada a vontade da pessoa ou de seu
representante legal.

Art. 49 Disponibilizar assistência de Enfermagem à coletividade em casos de emergência, epidemia,


catástrofe e desastre, sem pleitear vantagens pessoais, quando convocado.

Art. 50 Assegurar a prática profissional mediante consentimento prévio do paciente, representante ou


responsável legal, ou decisão judicial.
Parágrafo único. Ficam resguardados os casos em que não haja capacidade de decisão por parte da
pessoa, ou na ausência do representante ou responsável legal.

Art. 51 Responsabilizar-se por falta cometida em suas atividades profissionais, independentemente de


ter sido praticada individual ou em equipe, por imperícia, imprudência ou negligência, desde que tenha
participação e/ou conhecimento prévio do fato.
Parágrafo único. Quando a falta for praticada em equipe, a responsabilidade será atribuída na medida
do(s) ato(s) praticado(s) individualmente.

Art. 52 Manter sigilo sobre fato de que tenha conhecimento em razão da atividade profissional, exceto
nos casos previstos na legislação ou por determinação judicial, ou com o consentimento escrito da pessoa
envolvida ou de seu representante ou responsável legal.
§ 1º Permanece o dever mesmo quando o fato seja de conhecimento público e em caso de falecimento
da pessoa envolvida.
§ 2º O fato sigiloso deverá ser revelado em situações de ameaça à vida e à dignidade, na defesa
própria ou em atividade multiprofissional, quando necessário à prestação da assistência.
§ 3º O profissional de Enfermagem intimado como testemunha deverá comparecer perante a
autoridade e, se for o caso, declarar suas razões éticas para manutenção do sigilo profissional.
§ 4º É obrigatória a comunicação externa, para os órgãos de responsabilização criminal,
independentemente de autorização, de casos de violência contra: crianças e adolescentes; idosos; e
pessoas incapacitadas ou sem condições de firmar consentimento.
§ 5º A comunicação externa para os órgãos de responsabilização criminal em casos de violência
doméstica e familiar contra mulher adulta e capaz será devida, independentemente de autorização, em
caso de risco à comunidade ou à vítima, a juízo do profissional e com conhecimento prévio da vítima ou
do seu responsável.

Art. 53 Resguardar os preceitos éticos e legais da profissão quanto ao conteúdo e imagem veiculados
nos diferentes meios de comunicação e publicidade.

Art. 54 Estimular e apoiar a qualificação e o aperfeiçoamento técnico-científico, ético-político,


socioeducativo e cultural dos profissionais de Enfermagem sob sua supervisão e coordenação.

Art. 55 Aprimorar os conhecimentos técnico-científicos, ético-políticos, socioeducativos e culturais, em


benefício da pessoa, família e coletividade e do desenvolvimento da profissão.

Art. 56 Estimular, apoiar, colaborar e promover o desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa


e extensão, devidamente aprovados nas instâncias deliberativas.

Art. 57 Cumprir a legislação vigente para a pesquisa envolvendo seres humanos.

Art. 58 Respeitar os princípios éticos e os direitos autorais no processo de pesquisa, em todas as


etapas.

Art. 59 Somente aceitar encargos ou atribuições quando se julgar técnica, científica e legalmente apto
para o desempenho seguro para si e para outrem.

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Art. 60 Respeitar, no exercício da profissão, a legislação vigente relativa à preservação do meio
ambiente no gerenciamento de resíduos de serviços de saúde.

CAPÍTULO III
DAS PROIBIÇÕES

Art. 61 Executar e/ou determinar atos contrários ao Código de Ética e à legislação que disciplina o
exercício da Enfermagem.

Art. 62 Executar atividades que não sejam de sua competência técnica, científica, ética e legal ou que
não ofereçam segurança ao profissional, à pessoa, à família e à coletividade.

Art. 63 Colaborar ou acumpliciar-se com pessoas físicas ou jurídicas que desrespeitem a legislação e
princípios que disciplinam o exercício profissional de Enfermagem.

Art. 64 Provocar, cooperar, ser conivente ou omisso diante de qualquer forma ou tipo de violência
contra a pessoa, família e coletividade, quando no exercício da profissão.

Art. 65 Aceitar cargo, função ou emprego vago em decorrência de fatos que envolvam recusa ou
demissão motivada pela necessidade do profissional em cumprir o presente código e a legislação do
exercício profissional; bem como pleitear cargo, função ou emprego ocupado por colega, utilizando-se de
concorrência desleal.

Art. 66 Permitir que seu nome conste no quadro de pessoal de qualquer instituição ou estabelecimento
congênere, quando, nestas, não exercer funções de enfermagem estabelecidas na legislação.

Art. 67 Receber vantagens de instituição, empresa, pessoa, família e coletividade, além do que lhe é
devido, como forma de garantir assistência de Enfermagem diferenciada ou benefícios de qualquer
natureza para si ou para outrem.

Art. 68 Valer-se, quando no exercício da profissão, de mecanismos de coação, omissão ou suborno,


com pessoas físicas ou jurídicas, para conseguir qualquer tipo de vantagem.

Art. 69 Utilizar o poder que lhe confere a posição ou cargo, para impor ou induzir ordens, opiniões,
ideologias políticas ou qualquer tipo de conceito ou preconceito que atentem contra a dignidade da pessoa
humana, bem como dificultar o exercício profissional.

Art. 70 Utilizar dos conhecimentos de enfermagem para praticar atos tipificados como crime ou
contravenção penal, tanto em ambientes onde exerça a profissão, quanto naqueles em que não a exerça,
ou qualquer ato que infrinja os postulados éticos e legais.

Art. 71 Promover ou ser conivente com injúria, calúnia e difamação de pessoa e família, membros das
equipes de Enfermagem e de saúde, organizações da Enfermagem, trabalhadores de outras áreas e
instituições em que exerce sua atividade profissional.

Art. 72 Praticar ou ser conivente com crime, contravenção penal ou qualquer outro ato que infrinja
postulados éticos e legais, no exercício profissional.

Art. 73 Provocar aborto, ou cooperar em prática destinada a interromper a gestação, exceto nos casos
permitidos pela legislação vigente.
Parágrafo único. Nos casos permitidos pela legislação, o profissional deverá decidir de acordo com a
sua consciência sobre sua participação, desde que seja garantida a continuidade da assistência.

Art. 74 Promover ou participar de prática destinada a antecipar a morte da pessoa.

Art. 75 Praticar ato cirúrgico, exceto nas situações de emergência ou naquelas expressamente
autorizadas na legislação, desde que possua competência técnica-científica necessária.

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
Art. 76 Negar assistência de enfermagem em situações de urgência, emergência, epidemia, desastre
e catástrofe, desde que não ofereça risco a integridade física do profissional.

Art. 77 Executar procedimentos ou participar da assistência à saúde sem o consentimento formal da


pessoa ou de seu representante ou responsável legal, exceto em iminente risco de morte.

Art. 78 Administrar medicamentos sem conhecer indicação, ação da droga, via de administração e
potenciais riscos, respeitados os graus de formação do profissional.

Art. 79 Prescrever medicamentos que não estejam estabelecidos em programas de saúde pública e/ou
em rotina aprovada em instituição de saúde, exceto em situações de emergência.

Art. 80 Executar prescrições e procedimentos de qualquer natureza que comprometam a segurança


da pessoa.

Art. 81 Prestar serviços que, por sua natureza, competem a outro profissional, exceto em caso de
emergência, ou que estiverem expressamente autorizados na legislação vigente.

Art. 82 Colaborar, direta ou indiretamente, com outros profissionais de saúde ou áreas vinculadas, no
descumprimento da legislação referente aos transplantes de órgãos, tecidos, esterilização humana,
reprodução assistida ou manipulação genética.

Art. 83 Praticar, individual ou coletivamente, quando no exercício profissional, assédio moral, sexual
ou de qualquer natureza, contra pessoa, família, coletividade ou qualquer membro da equipe de saúde,
seja por meio de atos ou expressões que tenham por consequência atingir a dignidade ou criar condições
humilhantes e constrangedoras.

Art. 84 Anunciar formação profissional, qualificação e título que não possa comprovar.

Art. 85 Realizar ou facilitar ações que causem prejuízo ao patrimônio das organizações da categoria.

Art. 86 Produzir, inserir ou divulgar informação inverídica ou de conteúdo duvidoso sobre assunto de
sua área profissional.
Parágrafo único. Fazer referência a casos, situações ou fatos, e inserir imagens que possam
identificar pessoas ou instituições sem prévia autorização, em qualquer meio de comunicação.

Art. 87 Registrar informações incompletas, imprecisas ou inverídicas sobre a assistência de


Enfermagem prestada à pessoa, família ou coletividade.

Art. 88 Registrar e assinar as ações de Enfermagem que não executou, bem como permitir que suas
ações sejam assinadas por outro profissional.

Art. 89 Disponibilizar o acesso a informações e documentos a terceiros que não estão diretamente
envolvidos na prestação da assistência de saúde ao paciente, exceto quando autorizado pelo paciente,
representante legal ou responsável legal, por determinação judicial.

Art. 90 Negar, omitir informações ou emitir falsas declarações sobre o exercício profissional quando
solicitado pelo Conselho Regional de Enfermagem e/ou Comissão de Ética de Enfermagem.

Art. 91 Delegar atividades privativas do(a) Enfermeiro(a) a outro membro da equipe de Enfermagem,
exceto nos casos de emergência.
Parágrafo único. Fica proibido delegar atividades privativas a outros membros da equipe de saúde.

Art. 92 Delegar atribuições dos(as) profissionais de enfermagem, previstas na legislação, para


acompanhantes e/ou responsáveis pelo paciente.
Parágrafo único. O dispositivo no caput não se aplica nos casos da atenção domiciliar para o
autocuidado apoiado.

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Art. 93 Eximir-se da responsabilidade legal da assistência prestada aos pacientes sob seus cuidados
realizados por alunos e/ou estagiários sob sua supervisão e/ou orientação.

Art. 94 Apropriar-se de dinheiro, valor, bem móvel ou imóvel, público ou particular, que esteja sob sua
responsabilidade em razão do cargo ou do exercício profissional, bem como desviá-lo em proveito próprio
ou de outrem.

Art. 95 Realizar ou participar de atividades de ensino, pesquisa e extensão, em que os direitos


inalienáveis da pessoa, família e coletividade sejam desrespeitados ou ofereçam quaisquer tipos de riscos
ou danos previsíveis aos envolvidos.

Art. 96 Sobrepor o interesse da ciência ao interesse e segurança da pessoa, família e coletividade.

Art. 97 Falsificar ou manipular resultados de pesquisa, bem como usá-los para fins diferentes dos
objetivos previamente estabelecidos.

Art. 98 Publicar resultados de pesquisas que identifiquem o participante do estudo e/ou instituição
envolvida, sem a autorização prévia.

Art. 99 Divulgar ou publicar, em seu nome, produção técnico-científica ou instrumento de organização


formal do qual não tenha participado ou omitir nomes de coautores e colaboradores.

Art. 100 Utilizar dados, informações, ou opiniões ainda não publicadas, sem referência do autor ou
sem a sua autorização.

Art. 101 Apropriar-se ou utilizar produções técnico-científicas, das quais tenha ou não participado
como autor, sem concordância ou concessão dos demais partícipes.

Art. 102 Aproveitar-se de posição hierárquica para fazer constar seu nome como autor ou coautor em
obra técnico-científica.

CAPÍTULO IV
DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES

Art. 103 A caracterização das infrações éticas e disciplinares, bem como a aplicação das respectivas
penalidades regem-se por este Código, sem prejuízo das sanções previstas em outros dispositivos legais.

Art. 104 Considera-se infração ética e disciplinar a ação, omissão ou conivência que implique em
desobediência e/ou inobservância às disposições do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem,
bem como a inobservância das normas do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem.

Art. 105 O(a) Profissional de Enfermagem responde pela infração ética e/ou disciplinar, que cometer
ou contribuir para sua prática, e, quando cometida(s) por outrem, dela(s) obtiver benefício.

Art. 106 A gravidade da infração é caracterizada por meio da análise do(s) fato(s), do(s) ato(s)
praticado(s) ou ato(s) omissivo(s), e do(s) resultado(s).

Art. 107 A infração é apurada em processo instaurado e conduzido nos termos do Código de Processo
Ético-Disciplinar vigente, aprovado pelo Conselho Federal de Enfermagem.

Art. 108 As penalidades a serem impostas pelo Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem,
conforme o que determina o art. 18, da Lei n° 5.905, de 12 de julho de 1973, são as seguintes:
I – Advertência verbal;
II – Multa;
III – Censura;
IV – Suspensão do Exercício Profissional;
V – Cassação do direito ao Exercício Profissional.
§ 1º A advertência verbal consiste na admoestação ao infrator, de forma reservada, que será registrada
no prontuário do mesmo, na presença de duas testemunhas.

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§ 2º A multa consiste na obrigatoriedade de pagamento de 01 (um) a 10 (dez) vezes o valor da
anuidade da categoria profissional à qual pertence o infrator, em vigor no ato do pagamento.
§ 3º A censura consiste em repreensão que será divulgada nas publicações oficiais do Sistema
Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem e em jornais de grande circulação.
§ 4º A suspensão consiste na proibição do exercício profissional da Enfermagem por um período de
até 90 (noventa) dias e será divulgada nas publicações oficiais do Sistema Cofen/Conselhos Regionais
de Enfermagem, jornais de grande circulação e comunicada aos órgãos empregadores.
§ 5º A cassação consiste na perda do direito ao exercício da Enfermagem por um período de até 30
anos e será divulgada nas publicações do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem e em
jornais de grande circulação.
§ 6º As penalidades aplicadas deverão ser registradas no prontuário do infrator.
§ 7º Nas penalidades de suspensão e cassação, o profissional terá sua carteira retida no ato da
notificação, em todas as categorias em que for inscrito, sendo devolvida após o cumprimento da pena e,
no caso da cassação, após o processo de reabilitação.

Art. 109 As penalidades, referentes à advertência verbal, multa, censura e suspensão do exercício
profissional, são da responsabilidade do Conselho Regional de Enfermagem, serão registradas no
prontuário do profissional de Enfermagem; a pena de cassação do direito ao exercício profissional é de
competência do Conselho Federal de Enfermagem, conforme o disposto no art. 18, parágrafo primeiro,
da Lei n° 5.905/73.
Parágrafo único. Na situação em que o processo tiver origem no Conselho Federal de Enfermagem
e nos casos de cassação do exercício profissional, terá como instância superior a Assembleia de
Presidentes dos Conselhos de Enfermagem.

Art. 110 Para a graduação da penalidade e respectiva imposição consideram-se:


I – A gravidade da infração;
II – As circunstâncias agravantes e atenuantes da infração;
III – O dano causado e o resultado;
IV – Os antecedentes do infrator.

Art. 111 As infrações serão consideradas leves, moderadas, graves ou gravíssimas, segundo a
natureza do ato e a circunstância de cada caso.
§ 1º São consideradas infrações leves as que ofendam a integridade física, mental ou moral de
qualquer pessoa, sem causar debilidade ou aquelas que venham a difamar organizações da categoria ou
instituições ou ainda que causem danos patrimoniais ou financeiros.
§ 2º São consideradas infrações moderadas as que provoquem debilidade temporária de membro,
sentido ou função na pessoa ou ainda as que causem danos mentais, morais, patrimoniais ou financeiros.
§ 3º São consideradas infrações graves as que provoquem perigo de morte, debilidade permanente
de membro, sentido ou função, dano moral irremediável na pessoa ou ainda as que causem danos
mentais, morais, patrimoniais ou financeiros.
§ 4º São consideradas infrações gravíssimas as que provoquem a morte, debilidade permanente de
membro, sentido ou função, dano moral irremediável na pessoa.

Art. 112 São consideradas circunstâncias atenuantes:


I – Ter o infrator procurado, logo após a infração, por sua espontânea vontade e com eficiência, evitar
ou minorar as consequências do seu ato;
II – Ter bons antecedentes profissionais;
III – Realizar atos sob coação e/ou intimidação ou grave ameaça;
IV – Realizar atos sob emprego real de força física;
V – Ter confessado espontaneamente a autoria da infração;
VI – Ter colaborado espontaneamente com a elucidação dos fatos.

Art. 113 São consideradas circunstâncias agravantes:


I – Ser reincidente;
II – Causar danos irreparáveis;
III – Cometer infração dolosamente;
IV – Cometer a infração por motivo fútil ou torpe;
V – Facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou a vantagem de outra infração;
VI – Aproveitar-se da fragilidade da vítima;

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VII – Cometer a infração com abuso de autoridade ou violação do dever inerente ao cargo ou função
ou exercício profissional;
VIII – Ter maus antecedentes profissionais;
IX – Alterar ou falsificar prova, ou concorrer para a desconstrução de fato que se relacione com o
apurado na denúncia durante a condução do processo ético.

CAPÍTULO V
DA APLICAÇÃO DAS PENALIDADES

Art. 114 As penalidades previstas neste Código somente poderão ser aplicadas, cumulativamente,
quando houver infração a mais de um artigo.

Art. 115 A pena de Advertência verbal é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido
nos artigos:, 26, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 35, 36, 37, 38, 39, 40, 41, 42, 43, 46, 48, 47, 49, 50, 51, 52, 53,
54, 55, 56, 57,58, 59, 60, 61, 62, 65, 66, 67, 69, 76, 77, 78, 79, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 87, 88, 89, 90, 91,
92, 93, 94, 95, 98, 99, 100, 101 e 102.

Art. 116 A pena de Multa é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos artigos: 28,
29, 30, 31, 32, 35, 36, 38, 39, 41, 42, 43, 44, 45, 50, 51, 52, 57, 58, 59, 61, 62, 63, 64, 65, 66, 67, 68, 69,
70, 71, 72, 73, 74, 75, 76, 77, 78, 79, 80, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 87, 88, 89, 90, 91, 92, 93, 94, 95, 96, 97,
98, 99, 100, 101 e 102.

Art. 117 A pena de Censura é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos artigos:
31, 41, 42, 43, 44, 45, 50, 51, 52, 57, 58, 59, 61, 62, 63, 64, 65, 66, 67,68, 69, 70, 71, 73, 74, 75, 76, 77,
78, 79, 80, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 88, 90, 91, 92, 93, 94, 95, 97, 99, 100, 101 e 102.

Art. 118 A pena de Suspensão do Exercício Profissional é aplicável nos casos de infrações ao que
está estabelecido nos artigos: 32, 41, 42, 43, 44, 45, 50, 51, 52, 59, 61, 62, 63, 64, 68, 69, 70, 71, 72, 73,
74, 75, 76, 77, 78,79, 80, 81, 82, 83, 85, 87, 89, 90, 91, 92, 93, 94 e 95.

Art. 119 A pena de Cassação do Direito ao Exercício Profissional é aplicável nos casos de infrações
ao que está estabelecido nos artigos: 45, 64, 70, 72, 73, 74, 80, 82, 83, 94, 96 e 97.

Bioética20

Bioética (ética da vida) é parte da filosofia que se dedica a estudar a moral e as obrigações humanas.
Assim, surge uma nova reflexão para a ética tradicionalista, que vincula as relações humanas com a vida,
saúde e integridade física de todos os seres humanos, sensibilizando o desenvolvimento social. Seu
nome indica uma forma especial de ética em que se conjugam o aspecto biológico e as relações de
deveres profissionais.
Importante saber que a Bioética não trata somente da relação entre médico e paciente, mas também
se preocupa com especialidades vinculadas ao campo da Medicina, tais como a Biotecnologia, a
Engenharia Genética, experiências com seres humanos e animais em geral, saúde dos pacientes
mentais, questões sobre início e fim de vida – como a interrupção da gravidez frente a um diagnóstico de
um feto com múltiplas malformações congênitas, transplantes de órgãos, eutanásia, clonagem humana e
outros temas. Incorpora, também, diversos temas sociais como Saúde Pública, meio ambiente e relações
jurídicas, entre outros.
No século XX, o paciente avançou na conquista de um direito humano tido como fundamental, que é
sua autonomia para tomar decisões em situações relacionadas à própria saúde. Saiu de uma condição
passiva para assumir papel ativo no relacionamento com profissionais de Saúde.
No cenário de dilemas morais, a Bioética chama para si a responsabilidade de refletir sobre questões
e valores que surgem em decorrência do avanço da Biotecnologia sobre a vida humana.
O “fazer” da Enfermagem, por estar ligado diretamente a processos invasivos nos pacientes, desperta
nos profissionais questões como “Que atitude deve ser tomada?”, “Até onde o profissional de enfermagem
deve ir com o intuito de salvar vidas?” ou ainda, “Que fazer diante de pacientes que recusam determinados
tratamentos ou medicamentos?”.

20
Texto adaptado de KURAMOTO, Jaqueline Bergara. Ética e bioética em enfermagem. In: Saberes e práticas: guia para ensino e aprendizado de enfermagem.
MURTA, Genilda Ferreira (org.). 3. ed. rev. amp. São Caetano do Sul: Difusão, 2007. Vol. 2

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A Bioética possui como uma de suas características principais a de ser uma ciência na qual o
Homem é sujeito e não somente objeto.
Tom Beauchamp e James Chidress, em 1978, ambos vinculados ao Kennedy Institute of Ethics,
publicaram o seu livro Principles of Biomedical Ethics, que consagrou o uso dos princípios na abordagem
de dilemas e problemas bioéticos fundados em quatro princípios: autonomia, beneficência, justiça e
não maleficência.
Beneficência: trata-se do critério mais antigo da ética médica. Resume-se em fazer o bem ao paciente.
Não maleficência: resume-se em não prejudicar o paciente. “Auxilie ou não prejudique o paciente.”
(Hipócrates)
Autonomia: um dos norteadores da Bioética. Trata-se da capacidade de decisão do paciente. Decidir
em não aceitar determinado tratamento ou mesmo medicação. Também pode decidir o melhor horário
para o seu banho no leito. A autonomia dá ao ser humano a capacidade para agir de acordo com sua
vontade por meio de escolhas que estão ao seu alcance e diante de objetivos por ele estabelecidos.
Justiça: todo ser humano merece atenção e cuidado e deve ser tratado com igualdade e com
imparcialidade na distribuição dos riscos e benefícios perante toda atenção à saúde. Precisa-se de muita
cautela para que não haja injustiça social. Assim, torna-se importante o diálogo multidisciplinar, assim
como com toda a sociedade a fim de decidir sobre alocação de recursos em Saúde Pública.

LEI N 7.498/86, DE 25 DE JUNHO DE 1986

Dispõe sobre a regulamentação do exercício21 da Enfermagem e dá outras providências.

Art. 1.º – É livre o exercício da Enfermagem em todo o território nacional, observadas as disposições
desta Lei.

Art. 2.º – A Enfermagem e suas atividades Auxiliares somente podem ser exercidas por pessoas
legalmente habilitadas e inscritas no Conselho Regional de Enfermagem com jurisdição na área onde
ocorre o exercício.
Parágrafo único. A Enfermagem é exercida privativamente pelo Enfermeiro, pelo Técnico de
Enfermagem, pelo Auxiliar de Enfermagem e pela Parteira, respeitados os respectivos graus de
habilitação.

Art. 3.º – O planejamento e a programação das instituições e serviços de saúde incluem planejamento
e programação de Enfermagem.

Art. 4.º – A programação de Enfermagem inclui a prescrição da assistência de Enfermagem.

Art. 5.º – (vetado)


§ 1.º (vetado)
§ 2.º (vetado)

Art. 6.º – São enfermeiros:


I – o titular do diploma de enfermeiro conferido por instituição de ensino, nos termos da lei;
II – o titular do diploma ou certificado de obstetriz ou de enfermeira obstétrica, conferidos nos termos
da lei;
III – o titular do diploma ou certificado de Enfermeira e a titular do diploma ou certificado de Enfermeira
Obstétrica ou de Obstetriz, ou equivalente, conferido por escola estrangeira segundo as leis do país,
registrado em virtude de acordo de intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil como diploma de
Enfermeiro, de Enfermeira Obstétrica ou de Obstetriz;
IV – aqueles que, não abrangidos pelos incisos anteriores, obtiverem título de Enfermeiro conforme o
disposto na alínea “d” do Art. 3.º do Decreto nº 50.387, de 28 de março de 1961.

Art. 7.º – São técnicos de Enfermagem:


I – o titular do diploma ou do certificado de Técnico de Enfermagem, expedido de acordo com a
legislação e registrado pelo órgão competente;

21
http://www.cofen.gov.br/lei-n-749886-de-25-de-junho-de-1986_4161.html - Acesso em 04/09/2018 às 15h48min.

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II – o titular do diploma ou do certificado legalmente conferido por escola ou curso estrangeiro,
registrado em virtude de acordo de intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil como diploma de Técnico
de Enfermagem.

Art. 8.º – São Auxiliares de Enfermagem:


I – o titular do certificado de Auxiliar de Enfermagem, conferido por instituição de ensino nos termos
da Lei e registrado no órgão competente;
II – o titular do diploma a que se refere a Lei nº 2.822, de 14 de junho de 1956;
III – o titular do diploma ou certificado a que se refere o inciso III do Art. 2.º da Lei nº 2.604, de 17 de
setembro de 1955, expedido até a publicação da Lei n.º 4.024, de 20 de dezembro de 1961;
IV – o titular de certificado de Enfermeiro Prático ou Prático de Enfermagem, expedido até 1964 pelo
Serviço Nacional de Fiscalização da Medicina e Farmácia, do Ministério da Saúde, ou por órgão
congênere da Secretaria de Saúde nas Unidades da Federação, nos termos do Decreto-lei n.º 23.774, de
22 de janeiro de 1934, do Decreto-lei n.º 8.778, de 22 de janeiro de 1946, e da Lei n.º 3.640, de 10 de
outubro de 1959;
V – o pessoal enquadrado como Auxiliar de Enfermagem, nos termos do Decreto-lei n.º 299, de 28 de
fevereiro de 1967;
VI – o titular do diploma ou certificado conferido por escola ou curso estrangeiro, segundo as leis do
país, registrado em virtude de acordo de intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil como certificado de
Auxiliar de Enfermagem.

Art. 9.º – São Parteiras:


I – a titular de certificado previsto no Art. 1.º do Decreto-lei n.º 8.778, de 22 de janeiro de 1946,
observado o disposto na Lei n.º 3.640, de 10 de outubro de 1959;
II – a titular do diploma ou certificado de Parteira, ou equivalente, conferido por escola ou curso
estrangeiro, segundo as leis do país, registrado em virtude de intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil,
até 2 (dois) anos após a publicação desta Lei, como certificado de Parteira.

Art. 10 – (vetado)

Art. 11. O Enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe:


I – privativamente:
a) direção do órgão de enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de saúde, pública e
privada, e chefia de serviço e de unidade de enfermagem;
b) organização e direção dos serviços de enfermagem e de suas atividades técnicas e auxiliares nas
empresas prestadoras desses serviços;
c) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços da assistência de
enfermagem;
d) (VETADO);
e) (VETADO);
f) (VETADO);
g) (VETADO);
h) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de enfermagem;
i) consulta de enfermagem;
j) prescrição da assistência de enfermagem;
l) cuidados diretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida;
m) cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos de base
científica e capacidade de tomar decisões imediatas;
II – como integrante da equipe de saúde:
a) participação no planejamento, execução e avaliação da programação de saúde;
b) participação na elaboração, execução e avaliação dos planos assistenciais de saúde;
c) prescrição de medicamentos estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina aprovada
pela instituição de saúde;
d) participação em projetos de construção ou reforma de unidades de internação;
e) prevenção e controle sistemático da infecção hospitalar e de doenças transmissíveis em geral;
f) prevenção e controle sistemático de danos que possam ser causados à clientela durante a
assistência de enfermagem;
g) assistência de enfermagem à gestante, parturiente e puérpera;
h) acompanhamento da evolução e do trabalho de parto;

. 124
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i) execução do parto sem distocia;
j) educação visando à melhoria de saúde da população.
Parágrafo único. Às profissionais referidas no inciso II do art. 6.º desta lei incumbe, ainda:
a) assistência à parturiente e ao parto normal;
b) identificação das distocias obstétricas e tomada de providências até a chegada do médico;
c) realização de episiotomia e episiorrafia e aplicação de anestesia local, quando necessária.

Art. 12 – O Técnico de Enfermagem exerce atividade de nível médio, envolvendo orientação e


acompanhamento do trabalho de Enfermagem em grau auxiliar, e participação no planejamento da
assistência de Enfermagem, cabendo-lhe especialmente:
§ 1.º - Participar da programação da assistência de Enfermagem;
§ 2.º - Executar ações assistenciais de Enfermagem, exceto as privativas do Enfermeiro, observado o
disposto no Parágrafo único do Art. 11 desta Lei;
§ 3.º - Participar da orientação e supervisão do trabalho de Enfermagem em grau auxiliar;
§ 4.º - Participar da equipe de saúde.

Art. 13 – O Auxiliar de Enfermagem exerce atividades de nível médio, de natureza repetitiva,


envolvendo serviços auxiliares de Enfermagem sob supervisão, bem como a participação em nível de
execução simples, em processos de tratamento, cabendo-lhe especialmente:
§ 1.º - Observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas;
§ 2.º - Executar ações de tratamento simples;
§ 3.º - Prestar cuidados de higiene e conforto ao paciente;
§ 4.º - Participar da equipe de saúde.

Art. 14 – (vetado)

Art. 15 – As atividades referidas nos artigos 12 e 13 desta Lei, quando exercidas em instituições de
saúde, públicas e privadas, e em programas de saúde, somente podem ser desempenhadas sob
orientação e supervisão de Enfermeiro.

Art. 16 – (vetado)

Art. 17 – (vetado)

Art. 18 – (vetado)
Parágrafo único. (vetado)

Art. 19 – (vetado)

Art. 20 – Os órgãos de pessoal da administração pública direta e indireta, federal, estadual, municipal,
do Distrito Federal e dos Territórios observarão, no provimento de cargos e funções e na contratação de
pessoal de Enfermagem, de todos os graus, os preceitos desta Lei.
Parágrafo único – Os órgãos a que se refere este artigo promoverão as medidas necessárias à
harmonização das situações já existentes com as disposições desta Lei, respeitados os direitos
adquiridos quanto a vencimentos e salários.

Art. 21 – (vetado)

Art. 22 – (vetado)

Art. 23 – O pessoal que se encontra executando tarefas de Enfermagem, em virtude de carência de


recursos humanos de nível médio nesta área, sem possuir formação específica regulada em lei, será
autorizado, pelo Conselho Federal de Enfermagem, a exercer atividades elementares de Enfermagem,
observado o disposto no Art. 15 desta Lei.
Parágrafo único – É assegurado aos atendentes de enfermagem, admitidos antes da vigência desta
Lei, o exercício das atividades elementares da enfermagem, observado o disposto em seu artigo 15.

Art. 24 – (vetado)
Parágrafo único – (vetado)

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Art. 25 – O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de 120 (cento e vinte) dias a contar da
data de sua publicação.

Art. 26 – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 27 – Revogam-se (vetado) as demais disposições em contrário.

Brasília, em 25 de junho de 1986, 165º da Independência e 98º da República

José Sarney
Almir Pazzianotto Pinto

Questões

01. (Pref. Maravilha/SC - Enfermeiro - Saúde da Família - Pref. Maravilha/SC) De acordo com a
Legislação do Exercício Profissional da Enfermagem - Decreto n.º 94.406/87 - e o Ministério da Saúde, o
pré-natal de baixo risco pode ser inteiramente acompanhado pelo enfermeiro (Brasil, 1987). A Lei n.º
7.498 de 25 de julho de 1986 dispõe sobre a regulamentação do exercício de Enfermagem, e no Art. 11
menciona que o Enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe:
I. Privativamente: realizar consulta de enfermagem e prescrição da assistência de Enfermagem.
II. Como integrante da equipe de saúde: prescrever medicamentos e solicitar exames de rotina e
complementares, desde que estabelecidos em Programas de Saúde Pública e aprovados pela instituição
de saúde.
III. Como integrante da equipe de saúde: assistência de enfermagem à gestante, parturiente e
puérpera.
IV. Como integrante da equipe de saúde: execução do parto sem distocia.

Assinale a afirmativa correta:


(A) A assertiva a do item II não está correta.
(B) A assertiva correta é apenas a I.
(C) As assertivas corretas são a I e III.
(D) Todas as assertivas estão corretas.

02. Relacione adequadamente as ocorrências éticas aos respectivos significados.


1. Negligência.
2. Imprudência.
3. Imperícia.
4. Omissão.

( ) Falta de cumprimento de um dever ou responsabilidade.


( ) Falta de cautela e preocupação; agir sem comedimento.
( ) Descuido, desleixo, desatenção e preguiça.
( ) Inabilidade; agir sem conhecimento técnico.

A sequência está correta em


(A) 4, 1, 3, 2.
(B) 1, 3, 2, 4.
(C) 4, 2, 1, 3.
(D) 3, 2, 4, 1.
(E) 2, 1, 3, 4.

03. (Pref. Apiacá/ES – Enfermeiro – IDECAN) De acordo com a Lei n.º 7.498/86 e suas atualizações,
a enfermagem atualmente é exercida privativamente pelos seguintes profissionais, devidamente
habilitados e inscritos no COREN, EXCETO:
(A) Parteira.
(B) Enfermeiro.
(C) Auxiliar de enfermagem.
(D) Técnico de enfermagem.
(E) Agente comunitário de saúde.

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
04. (TRE/PR - Técnico Judiciário - Especialidade Enfermagem – FCC) O auxiliar de enfermagem
de uma instituição de saúde executa as seguintes atividades:
I. efetua o controle de pacientes e de comunicantes em doenças transmissíveis.
II. prepara o paciente para consultas, exames e tratamento.
III. presta cuidados diretos de enfermagem a pacientes em estado grave.
IV. realiza parto normal, quando necessário, e cuida da puérpera e do recém-nascido.

De acordo com o Decreto n.º 94.406, de 8 de junho de 1987, cabe ao auxiliar de enfermagem as
atividades descritas em
(A) I, II, III e IV.
(B) I e II, apenas.
(C) II e III, apenas.
(D) II e IV, apenas.
(E) III e IV, apenas.

05. (Assembleia Legislativa/SP - Técnico Legislativo - Técnico de Enfermagem - FCC) O Técnico


de Enfermagem exerce as atividades auxiliares, de nível médio técnico, atribuídas à equipe de
enfermagem. Cabe ao mesmo assistir o enfermeiro
I. no planejamento, programação, orientação e supervisão das atividades de assistência de
Enfermagem.
II. na prevenção e controle sistemático de danos físicos que possam ser causados a pacientes durante
a assistência de saúde.
III. na prevenção e controle sistemático da infecção hospitalar.

Está correto o que se afirma em


(A) I, apenas.
(B) II, apenas.
(C) I e III, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) I, II e III.

06. (FUMUSA - Auxiliar de Enfermagem – CAIPIMES) Um auxiliar de enfermagem estava realizando


os cuidados de enfermagem dos pacientes sob sua responsabilidade em unidade cirúrgica. Quando
estava próximo de seu horário de saída do trabalho, deixou as atividades por fazer, foi ao vestiário para
se trocar e ficou aguardando o horário de ir embora. No plantão seguinte, o Enfermeiro responsável
constatou que o auxiliar de enfermagem havia deixado de realizar os sinais vitais dos pacientes, o que
acarretou danos aos mesmos. Considerando os aspectos éticos, o profissional de enfermagem:
(A) cometeu uma negligência.
(B) cometeu uma imprudência.
(C) cometeu uma imperícia.
(D) não cometeu infração ética, apenas houve esquecimento.

07. (IPSA - Auxiliar de Enfermagem – CAIPIMES) Considerando a Lei n.º 7.498, de 25 de junho de
1986, que dispõe sobre o Exercício Profissional de Enfermagem, cabe ao Auxiliar de Enfermagem:
(A) participar da programação da assistência de Enfermagem.
(B) prestar cuidados de higiene e conforto ao paciente.
(C) participar da orientação e supervisão do trabalho de Enfermagem em grau auxiliar.
(D) realizar consulta de enfermagem.

08. (UFPE - Auxiliar de Enfermagem – COVEST) A respeito da lei do exercício profissional, é


permitido ao auxiliar de enfermagem:
(A) realizar consulta de enfermagem.
(B) observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas.
(C) prestar cuidados diretos a pacientes graves com risco de vida.
(D) participar de projetos de construção e reforma de unidades de internação.
(E) realizar auditoria de enfermagem.

09. (HUAC/UFCG - Técnico de Enfermagem - COMPROV/UFCG) Um técnico de enfermagem que


em um serviço hospitalar delega funções e prescreve assistência de enfermagem está agindo com:

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
(A) Imprudência.
(B) Negligência.
(C) Imperícia.
(D) Insatisfação.
(E) Incondicionamento.

10. (HUAC/UFCG - Técnico de Enfermagem - COMPROV/UFCG) Prática de uma injeção


intramuscular profunda seccionando o nervo ciático; troca e administração de solução incompatível com
a via endovenosa; deixar de providenciar ou executar ações técnicas cabíveis em situações de
emergências com pacientes são, respectivamente, para profissionais da enfermagem exemplos de:
(A) Imprudência, Imperícia e Negligência.
(B) Imperícia, Imprudência e Negligência.
(C) Imperícia, Negligência e Imprudência.
(D) Negligência, Imperícia e Imprudência.
(D) Imprudência, Imprudência e Negligência.

11. (EBSERH/ HC-UFMG - Técnico em Enfermagem – AOCP) Nos termos da Lei nº 7.498/86 é/são
atividade(s) do Técnico em Enfermagem:
(A) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços da assistência de
enfermagem.
(B) cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos de base
científica e capacidade de tomar decisões imediatas.
(C) execução do parto sem distocia.
(D) participação na orientação e supervisão do trabalho de enfermagem em grau auxiliar.
(E) consulta de enfermagem.

12. (EBSERH/ HC-UFPE - Técnico em Enfermagem – IDECAN) De acordo com a Lei nº 7.498/86,
que dispõe sobre a regulamentação do exercício de enfermagem e dá outras providências, o técnico em
enfermagem exerce atividade de nível médio, envolvendo orientação e acompanhamento do trabalho de
enfermagem em grau auxiliar, além da participação no planejamento da assistência de enfermagem,
cabendo-lhe especialmente, EXCETO:
(A) Participar da equipe de saúde.
(B) Participar da programação da assistência de enfermagem.
(C) Executar ações assistenciais de enfermagem, exceto as privativas do enfermeiro.
(D) Participar da orientação e supervisão do trabalho de enfermagem em grau auxiliar.
(E) Planejar, organizar, coordenar, executar e avaliar os serviços da assistência de enfermagem.

13. (EBSERH - HC-UFTM - Técnico em Enfermagem – IADES) Lei nº 7.498/1986 dispõe sobre a
regulamentação do exercício da enfermagem e dá outras providências. No art. 7º, a lei regulamenta a
profissão de técnico de enfermagem.
Acerca desse tema, assinale a alternativa correta.
(A) É considerado técnico de enfermagem o titular do diploma ou do certificado legalmente conferido
por escola ou curso estrangeiro, registrado em virtude de acordo de intercâmbio cultural ou revalidado no
Brasil como diploma de técnico de enfermagem.
(B) É considerado técnico em enfermagem o titular do diploma ou do certificado de técnico de
enfermagem, expedido de acordo com a legislação e sem obrigatoriedade de registro pelo órgão
competente.
(C) A enfermagem é exercida privativamente pelo enfermeiro, pelo técnico de enfermagem e pelo
auxiliar de enfermagem, respeitados os respectivos graus de habilitação.
(D) A enfermagem e suas atividades auxiliares somente podem ser exercidas por pessoas legalmente
habilitadas e inscritas no Conselho Regional de Enfermagem, independente da jurisdição na área onde
ocorre o exercício.
(E) É atribuído ao técnico de enfermagem o planejamento, a organização, a coordenação, a execução
e a avaliação dos serviços da assistência de enfermagem.

14. (EBSERH - HC-UFTM - Técnico em Enfermagem – IADES) Os artigos 7º e 12º da Lei nº 7.498/86
mencionam que o técnico de enfermagem exerce atividade de nível médio, o que envolve orientação e
acompanhamento do trabalho de enfermagem em grau auxiliar, e participará no planejamento da
assistência de enfermagem, cabendo-lhe, especialmente,

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
(A) organizar e dirigir os serviços de enfermagem e suas atividades técnicas e auxiliares nas empresas
prestadoras desses serviços.
(B) realizar cuidados diretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida.
(C) executar todas as ações assistenciais de enfermagem durante sua jornada de trabalho.
(D) coordenar, privativamente, a programação da assistência de enfermagem.
(E) participar da orientação e supervisão do trabalho de enfermagem em grau auxiliar.

15. (EBSERH/HU-UFMS - Enfermeiro - Assistencial - AOCP) Assinale a alternativa que descreve


algumas das atividades do Enfermeiro contidas na Regulamentação da Lei do Exercício Profissional (Lei
7.498/86), em seu artigo oitavo.
(A) Participar da programação da assistência de enfermagem; participar da orientação e supervisão
do trabalho de enfermeiro em grau auxiliar; orientar os agentes comunitários de saúde.
(B) Observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas; executar ações de tratamento; prescrever
medicamentos de uso contínuo.
(C) Como integrante da equipe de saúde: participar no planejamento, execução e avaliação da
programação de saúde; assistência de enfermagem à gestante, parturiente e puérpera; execução de parto
sem distocia.
(D) Participar da programação da assistência de enfermagem; executar ações assistenciais de
enfermagem, exceto as privativas do enfermeiro, observado o disposto no parágrafo único do art.II, da
Lei do exercício Profissional.
(E) Observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas; executar ações de tratamento simples; prestar
cuidados de higiene e conforto ao paciente e participar da equipe de saúde, realizar exames de imagem.

16. (EBSERH/MEAC e HUWC-UFC - Enfermeiro - Assistencial - AOCP) Segundo a Lei n°


7.498/1986 ao enfermeiro incumbe, privativamente,
(A) organização e direção dos serviços de higiene e de suas atividades técnicas e auxiliares nas
empresas prestadoras desses serviços.
(B) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria bioquímica.
(C) prescrição da assistência médica.
(D) cuidados diretos de Enfermagem a pacientes graves com risco de vida com prescrição de
medicações.
(E) cuidados de Enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos científicos
adequados e capacidade de tomar decisões imediatas.

17. (EBSERH/MEAC e HUWC-UFC - Enfermeiro - Assistencial - AOCP) Segundo o Decreto nº


94.406/87 que regulamenta a Lei n.º 7.498/86, ao enfermeiro incumbe como integrante da equipe de
saúde, EXCETO
(A) participação na elaboração de medidas de prevenção e controle sistemático de danos que possam
ser causados aos pacientes durante a assistência médica.
(B) participação nos programas de higiene e segurança do trabalho e de prevenção de acidentes e de
doenças profissionais e do trabalho.
(C) participação na elaboração e na operacionalização do sistema de referência e contra referência do
paciente nos diferentes níveis de atenção à saúde.
(D) participação no desenvolvimento de tecnologia apropriada à assistência de saúde.
(E) participação em bancas examinadoras, em matérias específicas de Enfermagem, nos concursos
para provimento de cargo ou contratação de Enfermeiro ou pessoal Técnico e Auxiliar de Enfermagem.

Gabarito

01.D / 02.C / 03.E / 04.B / 05.E / 06.A / 07.B / 08.B / 09.C


10.B / 11.D / 12.E / 13.A / 14.E / 15.C / 16.E / 17. A

Comentários

01. Resposta: D.
Art. 11. O Enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe:
I – privativamente:
a) direção do órgão de enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de saúde, pública e
privada, e chefia de serviço e de unidade de enfermagem;

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b) organização e direção dos serviços de enfermagem e de suas atividades técnicas e auxiliares nas
empresas prestadoras desses serviços;
c) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços da assistência de
enfermagem;
d) (VETADO);
e) (VETADO);
f) (VETADO);
g) (VETADO);
h) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de enfermagem;
i) consulta de enfermagem;
j) prescrição da assistência de enfermagem;
l) cuidados diretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida;
m) cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos de base
científica e capacidade de tomar decisões imediatas;
II – como integrante da equipe de saúde:
a) participação no planejamento, execução e avaliação da programação de saúde;
b) participação na elaboração, execução e avaliação dos planos assistenciais de saúde;
c) prescrição de medicamentos estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina aprovada
pela instituição de saúde;
d) participação em projetos de construção ou reforma de unidades de internação;
e) prevenção e controle sistemático da infecção hospitalar e de doenças transmissíveis em geral;
f) prevenção e controle sistemático de danos que possam ser causados à clientela durante a
assistência de enfermagem;
g) assistência de enfermagem à gestante, parturiente e puérpera;
h) acompanhamento da evolução e do trabalho de parto;
i) execução do parto sem distocia;
j) educação visando à melhoria de saúde da população.
Parágrafo único. Às profissionais referidas no inciso II do art. 6.º desta lei incumbe, ainda:
a) assistência à parturiente e ao parto normal;
b) identificação das distocias obstétricas e tomada de providências até a chegada do médico;
c) realização de episiotomia e episiorrafia e aplicação de anestesia local, quando necessária.

02. Resposta: C.
A negligência consiste na inação, inércia, passividade ou omissão, entendendo que é negligente
quem, podendo ou devendo agir de determinado modo, por indolência ou preguiça mental, não age ou
se comporta de modo diverso.
A imperícia se reveste da falta de conhecimento ou de preparo técnico ou habilidade para executar
determinada atribuição. Trata-se, portanto, de uma atitude comissiva (de cometer ou agir) por parte do
profissional, expondo o cliente a riscos e com a possibilidade de acometimento danoso à integridade física
ou moral.
Em contrapartida, a imprudência decorre da ação açodada, precipitada e sem a devida precaução. É
imprudente quem expõe o cliente a riscos desnecessários ou que não se esforça para minimizá-los.

03. Resposta: E.
Art. 2.º – A Enfermagem e suas atividades Auxiliares somente podem ser exercidas por pessoas
legalmente habilitadas e inscritas no Conselho Regional de Enfermagem com jurisdição na área onde
ocorre o exercício.
Parágrafo único. A Enfermagem é exercida privativamente pelo Enfermeiro, pelo Técnico de
Enfermagem, pelo Auxiliar de Enfermagem e pela Parteira, respeitados os respectivos graus de
habilitação.

04. Resposta: B.
Art. 11 – O Auxiliar de Enfermagem executa as atividades auxiliares, de nível médio, atribuídas à
equipe de Enfermagem, cabendo-lhe:
I – preparar o paciente para consultas, exames e tratamentos;
II – observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas, ao nível de sua qualificação;
III – executar tratamentos especificamente prescritos, ou de rotina, além de outras atividades de
Enfermagem, tais como:
a) ministrar medicamentos por via oral e parenteral;

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
b) realizar controle hídrico;
c) fazer curativos;
d) aplicar oxigenoterapia, nebulização, enteroclisma, enema e calor ou frio;
e) executar tarefas referentes à conservação e aplicação de vacinas;
f) efetuar o controle de pacientes e de comunicantes em doenças transmissíveis;
g) realizar testes e proceder à sua leitura, para subsídio de diagnóstico;
h) colher material para exames laboratoriais;
i) prestar cuidados de Enfermagem pré e pós-operatórios;
j) circular em sala de cirurgia e, se necessário, instrumentar;
l) executar atividades de desinfecção e esterilização;
IV – prestar cuidados de higiene e conforto ao paciente e zelar por sua segurança, inclusive:
a) alimentá-lo ou auxiliá-lo a alimentar-se;
b) zelar pela limpeza e ordem do material, de equipamentos e de dependência de unidades de saúde;
V – integrar a equipe de saúde;
VI – participar de atividades de educação em saúde, inclusive:
a) orientar os pacientes na pós-consulta, quanto ao cumprimento das prescrições de Enfermagem e
médicas;
b) auxiliar o Enfermeiro e o Técnico de Enfermagem na execução dos programas de educação para a
saúde;
VII – executar os trabalhos de rotina vinculados à alta de pacientes;
VIII – participar dos procedimentos pós-morte.

05. Resposta: E.
Art. 10 – O Técnico de Enfermagem exerce as atividades auxiliares, de nível médio técnico, atribuídas
à equipe de Enfermagem, cabendo-lhe:
I – assistir ao Enfermeiro:
a) no planejamento, programação, orientação e supervisão das atividades de assistência de
Enfermagem;
b) na prestação de cuidados diretos de Enfermagem a pacientes em estado grave;
c) na prevenção e controle das doenças transmissíveis em geral em programas de vigilância
epidemiológica;
d) na prevenção e controle sistemático da infecção hospitalar;
e) na prevenção e controle sistemático de danos físicos que possam ser causados a pacientes durante
a assistência de saúde.

06. Resposta: A.
A negligência consiste na inação, inércia, passividade ou omissão, entendendo que é negligente
quem, podendo ou devendo agir de determinado modo, por indolência ou preguiça mental, não age ou
se comporta de modo diverso.

07. Resposta: B.
Art. 13 – O Auxiliar de Enfermagem exerce atividades de nível médio, de natureza repetitiva,
envolvendo serviços auxiliares de Enfermagem sob supervisão, bem como a participação em nível de
execução simples, em processos de tratamento, cabendo-lhe especialmente:
§ 1.º - Observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas;
§ 2.º - Executar ações de tratamento simples;
§ 3.º - Prestar cuidados de higiene e conforto ao paciente;
§ 4.º - Participar da equipe de saúde.

08. Resposta: B.
Art. 13 – O Auxiliar de Enfermagem exerce atividades de nível médio, de natureza repetitiva,
envolvendo serviços auxiliares de Enfermagem sob supervisão, bem como a participação em nível de
execução simples, em processos de tratamento, cabendo-lhe especialmente:
§ 1.º - Observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas;
§ 2.º - Executar ações de tratamento simples;
§ 3.º - Prestar cuidados de higiene e conforto ao paciente;
§ 4.º - Participar da equipe de saúde.

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
09. Resposta: C.
A imperícia se reveste da falta de conhecimento ou de preparo técnico ou habilidade para executar
determinada atribuição. Trata-se, portanto, de uma atitude comissiva (de cometer ou agir) por parte do
profissional, expondo o cliente a riscos e com a possibilidade de acometimento danoso à integridade física
ou moral.

10. Resposta: B.
Imperícia: É a falta de habilidade no exercício de uma profissão ou atividade. Prática de uma injeção
intramuscular profunda seccionando o nervo ciático;
Imprudência: É a culpa de quem age (exemplo: passar no farol fechado). É a prática de um fato
perigoso, ou seja, é uma ação descuidada. Decorre de uma conduta comissiva. Troca e administração de
solução incompatível com a via endovenosa;
Negligência: É a culpa de quem se omite. É a falta de cuidado antes de começar a agir. Ocorre sempre
antes da ação (exemplo: não verificar os freios do automóvel antes de colocá-lo em movimento). Deixar
de providenciar ou executar ações técnicas cabíveis em situações de emergências com pacientes

11. Resposta: D.
Art. 12 – O Técnico de Enfermagem exerce atividade de nível médio, envolvendo orientação e
acompanhamento do trabalho de Enfermagem em grau auxiliar, e participação no planejamento da
assistência de Enfermagem, cabendo-lhe especialmente:
§ 1.º - Participar da programação da assistência de Enfermagem;
§ 2.º - Executar ações assistenciais de Enfermagem, exceto as privativas do Enfermeiro, observado o
disposto no Parágrafo único do Art. 11 desta Lei;
§ 3.º - Participar da orientação e supervisão do trabalho de Enfermagem em grau auxiliar;
§ 4.º - Participar da equipe de saúde.

12. Resposta: E.
Art. 12 – O Técnico de Enfermagem exerce atividade de nível médio, envolvendo orientação e
acompanhamento do trabalho de Enfermagem em grau auxiliar, e participação no planejamento da
assistência de Enfermagem, cabendo-lhe especialmente:
§ 1.º - Participar da programação da assistência de Enfermagem;
§ 2.º - Executar ações assistenciais de Enfermagem, exceto as privativas do Enfermeiro, observado o
disposto no Parágrafo único do Art. 11 desta Lei;
§ 3.º - Participar da orientação e supervisão do trabalho de Enfermagem em grau auxiliar;
§ 4.º - Participar da equipe de saúde.
Planejar, organizar, coordenar, executar e avaliar os serviços da assistência de enfermagem –
Privativo do Enfermeiro.

13. Resposta: A.
Art. 7.º – São técnicos de Enfermagem:
I – o titular do diploma ou do certificado de Técnico de Enfermagem, expedido de acordo com a
legislação e registrado pelo órgão competente;
II – o titular do diploma ou do certificado legalmente conferido por escola ou curso estrangeiro,
registrado em virtude de acordo de intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil como diploma de Técnico
de Enfermagem.

14. Resposta: E.
Art. 12 – O Técnico de Enfermagem exerce atividade de nível médio, envolvendo orientação e
acompanhamento do trabalho de Enfermagem em grau auxiliar, e participação no planejamento da
assistência de Enfermagem, cabendo-lhe especialmente:
§ 1.º - Participar da programação da assistência de Enfermagem;
§ 2.º - Executar ações assistenciais de Enfermagem, exceto as privativas do Enfermeiro, observado o
disposto no Parágrafo único do Art. 11 desta Lei;
§ 3.º - Participar da orientação e supervisão do trabalho de Enfermagem em grau auxiliar;
§ 4.º - Participar da equipe de saúde.

15. Resposta: C.
Decreto nº 94.406/87 - Regulamenta a Lei n.º 7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe sobre o
exercício da Enfermagem, e dá outras providências.

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
Art. 8.º – Ao enfermeiro incumbe:
I – privativamente:
(...)
II – como integrante da equipe de saúde:
a) participação no planejamento, execução e avaliação da programação de saúde;
b) participação na elaboração, execução e avaliação dos planos assistenciais de saúde;
c) prescrição de medicamentos previamente estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina
aprovada pela instituição de saúde;
d) participação em projetos de construção ou reforma de unidades de internação;
e) prevenção e controle sistemático da infecção hospitalar, inclusive como membro das respectivas
comissões;
f) participação na elaboração de medidas de prevenção e controle sistemático de danos que possam
ser causados aos pacientes durante a assistência de Enfermagem;
g) participação na prevenção e controle das doenças transmissíveis em geral e nos programas de
vigilância epidemiológica;
h) prestação de assistência de enfermagem à gestante, parturiente, puérpera e ao recém-nascido;
i) participação nos programas e nas atividades de assistência integral à saúde individual e de grupos
específicos, particularmente daqueles prioritários e de alto risco;
j) acompanhamento da evolução e do trabalho de parto;
l) execução e assistência obstétrica em situação de emergência e execução do parto sem
distocia;
m) participação em programas e atividades de educação sanitária, visando à melhoria de saúde do
indivíduo, da família e da população em geral;
n) participação nos programas de treinamento e aprimoramento de pessoal de saúde, particularmente
nos programas de educação continuada;
o) participação nos programas de higiene e segurança do trabalho e de prevenção de acidentes e de
doenças profissionais e do trabalho;
p) participação na elaboração e na operacionalização do sistema de referência e contra referência do
paciente nos diferentes níveis de atenção à saúde;
q) participação no desenvolvimento de tecnologia apropriada à assistência de saúde;
r) participação em bancas examinadoras, em matérias específicas de Enfermagem, nos concursos
para provimento de cargo ou contratação de Enfermeiro ou pessoal Técnico e Auxiliar de Enfermagem.

16. Resposta: E.
Art. 11. O Enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe:
I – privativamente:
a) direção do órgão de enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de saúde, pública e
privada, e chefia de serviço e de unidade de enfermagem;
b) organização e direção dos serviços de enfermagem e de suas atividades técnicas e auxiliares nas
empresas prestadoras desses serviços;
c) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços da assistência de
enfermagem;
d) (VETADO);
e) (VETADO);
f) (VETADO);
g) (VETADO);
h) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de enfermagem;
i) consulta de enfermagem;
j) prescrição da assistência de enfermagem;
l) cuidados diretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida;
m) cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos de
base científica e capacidade de tomar decisões imediatas;

17. Resposta: A.
Conforme o Decreto nº 94.406/87 que regulamenta a Lei n.º 7.498/86:
Art. 8.º – Ao enfermeiro incumbe:
II – como integrante da equipe de saúde:
a) participação no planejamento, execução e avaliação da programação de saúde;
b) participação na elaboração, execução e avaliação dos planos assistenciais de saúde;

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1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
c) prescrição de medicamentos previamente estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina
aprovada pela instituição de saúde;
d) participação em projetos de construção ou reforma de unidades de internação;
e) prevenção e controle sistemático da infecção hospitalar, inclusive como membro das respectivas
comissões;
f) participação na elaboração de medidas de prevenção e controle sistemático de danos que
possam ser causados aos pacientes durante a assistência de Enfermagem;
g) participação na prevenção e controle das doenças transmissíveis em geral e nos programas de
vigilância epidemiológica;
h) prestação de assistência de enfermagem à gestante, parturiente, puérpera e ao recém-nascido;
i) participação nos programas e nas atividades de assistência integral à saúde individual e de grupos
específicos, particularmente daqueles prioritários e de alto risco;
j) acompanhamento da evolução e do trabalho de parto;
l) execução e assistência obstétrica em situação de emergência e execução do parto sem distocia;
m) participação em programas e atividades de educação sanitária, visando à melhoria de saúde do
indivíduo, da família e da população em geral;
n) participação nos programas de treinamento e aprimoramento de pessoal de saúde, particularmente
nos programas de educação continuada;
o) participação nos programas de higiene e segurança do trabalho e de prevenção de acidentes
e de doenças profissionais e do trabalho;
p) participação na elaboração e na operacionalização do sistema de referência e contra
referência do paciente nos diferentes níveis de atenção à saúde;
q) participação no desenvolvimento de tecnologia apropriada à assistência de saúde;
r) participação em bancas examinadoras, em matérias específicas de Enfermagem, nos
concursos para provimento de cargo ou contratação de Enfermeiro ou pessoal Técnico e Auxiliar
de Enfermagem.

Ética Profissional e Sigilo Profissional

A Ética profissional nada mais é do que proceder bem, correto, justo, agir direito, sem prejudicar os
outros, é estar tranquilo com a consciência pessoal. É também agir de acordo com os valores morais de
uma determinada sociedade.
A maioria das profissões possuem seu próprio Código de Ética. Todos os códigos de ética
profissionais, trazem em seu texto a maioria dos seguintes princípios: honestidade no trabalho, lealdade
na empresa, alto nível de rendimento, respeito à dignidade humana, segredo profissional, observação
das normas administrativas da empresa e muitos outros.
Agir corretamente hoje não é só uma questão de consciência. É um dos quesitos fundamentais para
quem quer ter uma carreira longa e respeitada. Em escolhas aparentemente simples, muitas carreiras
brilhantes podem ser jogadas fora. Atualmente, mais do que nunca, a atitude dos profissionais em relação
às questões éticas pode ser a diferença entre o seu sucesso e o seu fracasso.
Ter um comportamento ético profissional é uma característica fundamental, valorize a ética na sua vida
e no ambiente de trabalho.

Ser Ético:

Você se considera uma pessoa ética?

Ser ético nada mais é do que agir direito, proceder bem, sem prejudicar os outros. É ser altruísta, é
estar tranquilo com a consciência pessoal. É, também, agir de acordo com os valores morais de uma
determinada sociedade. Essas regras morais são resultado da própria cultura de uma comunidade. Elas
variam de acordo com o tempo e sua localização no mapa. A regra ética é uma questão de atitude, de
escolha.
Além de ser individual, qualquer decisão ética tem por trás um conjunto de valores fundamentais.
Muitas dessas virtudes nasceram no mundo antigo e continuam válidas até hoje. Eis algumas das
principais:

a). Ser honesto em qualquer situação: a honestidade é a primeira virtude da vida nos negócios,
afinal, a credibilidade é resultado de uma relação franca;
b). Ter coragem para assumir as decisões: mesmo que seja preciso ir contra a opinião da maioria;

. 134
1502621 E-book gerado especialmente para EDNA MIGUEL VIEIRA
c). Ser tolerante e flexível: muitas ideias aparentemente absurdas podem ser a solução para um
problema. Mas para descobrir isso é preciso ouvir as pessoas ou avaliar a situação sem julgá-las antes;
d). Ser íntegro: significa agir de acordo com os seus princípios, mesmo nos momentos mais críticos;
e). Ser humilde: só assim se consegue ouvir o que os outros têm a dizer e reconhecer que o sucesso
individual é resultado do trabalho da equipe.

A ética define padrões sobre o que julgamos ser certo ou errado, bom ou mau, justo ou injusto, legal
ou ilegal na conduta humana e na tomada de decisões em todas as etapas e relacionamentos da nossa
vida. O fato, porém, é que cada vez mais essa é uma qualidade fundamental para quem se preocupa em
ter uma carreira longa, respeitada e sólida.

Ética – Uma questão de sobrevivência

Na atualidade, falar sobre Ética é um grande desafio. O Brasil vive um momento onde os valores éticos,
de forma geral, têm sido discutidos pelos diversos meios de comunicação e pela comunidade. São
escândalos constantes, envolvendo personalidades públicas onde se tem colocado à prova os valores de
nossa sociedade.
Isto reflete diretamente nas empresas e nos consumidores de todo o mundo que estão mais atentos à
Ética do que nunca. Nos últimos anos, as empresas têm dado uma atenção especial à ética corporativa
promovendo debates com os funcionários e chegando, inclusive, a criar um instrumento que esclarece as
diretrizes e as normas da organização: o código de ética.
Enquanto a ética profissional está voltada para as profissões, os trabalhadores, as associações e as
entidades de classe do setor correspondente, a ética empresarial atinge as empresas e as organizações
em geral.
A empresa necessita desenvolver-se de tal forma que a ética, a conduta ética de seus integrantes,
bem como os valores e as convicções primárias da organização tornem-se parte de sua cultura. É
importante destacar que a ética empresarial não consiste somente no conhecimento de ética, mas na sua
prática. É fundamental praticá-la diariamente e não apenas em ocasiões especiais ou geradoras de
opinião.
O código de ética tornou-se um instrumento para a valorização dos princípios, da visão e da missão
da empresa. Serve para orientar as ações de seus colaboradores e explicitar a postura social da empresa
face aos diferentes públicos com os quais interage. É da máxima importância que seu conteúdo seja
refletido nas atitudes das pessoas e que encontre respaldo na alta administração da empresa, pois até
mesmo o último empregado contratado terá a responsabilidade de vivenciá-la.
A definição de diretrizes e padrões de integridade e transparência obriga e deve ser observada por
todos e em todos os níveis da organização. Seu contexto, por sua vez, estabelece as diretrizes e os
padrões de integridade e transparência aos quais todos devem aderir e que passarão a incorporar no
Contrato de Trabalho de cada colaborador. Desta forma, costuma trazer para ética empresarial a
harmonia, a ordem, a transparência e a tranquilidade, em razão dos referenciais que cria, deixando um
lastro decorrente do cumprimento de sua missão e de seus compromissos.
Assim como as empresas, as pessoas também passam por uma profunda crise de identidade ética.
Há muito tempo que a criatividade, característica de nosso povo, deu espaço ao "jeitinho" ou à famosa
"lei de Gerson", onde levar vantagem é fundamental. O mercado profissional, os meios de ensino e a
sociedade capitalista vêm formando nas pessoas um comportamento de competição acirrada e de busca
pelo sucesso profissional a qualquer preço. Com isto, muitos se esquecem ou desaprendem um dos
valores básicos da convivência em sociedade que é o respeito à individualidade do outro.
Algumas pessoas e empresas perceberam que competir com ética é a saída para o crescimento
pessoal, profissional e de mercado, bem como de nossa sociedade. Portanto, cada vez mais reaprender
as "boas maneiras" do comportamento profissional é fundamental.

Como ter atitudes éticas no ambiente de trabalho22

Hoje, os profissionais requisitados pelos recrutadores devem ter inúmeras qualidades para obter
sucesso na carreira profissional. Porém, apesar dos diversos conhecimentos que as pessoas possuem,
existe algo que é um pré-requisito para alcançar qualquer posição: a ética. Este termo deve ser conhecido
e praticado dentro e fora das empresas.

22
MARQUES, José Roberto. Como ter atitudes éticas no ambiente de trabalho. Disponível em: http://economia.terra.com.br/blog-carreiras/blog/2014/05/29/como-
ter-atitudes-eticas-no-ambiente-de-trabalho/

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Muitos estudiosos, como Platão, Aristóteles e Sócrates, aprofundaram suas pesquisas sobre este
assunto. Apesar das divergências das linhas teóricas e de como o comportamento é regido, existe um
significado para ética que é imutável: ela corresponde aos valores morais que guiam o comportamento
de um indivíduo.
Ser ético está relacionado a seguir os padrões da sociedade e as regras e políticas das organizações.
Para que você não fique confuso ao tomar uma decisão em sua carreira, veja algumas dicas para garantir
a ética profissional:
Humildade: Esteja pronto para ouvir sugestões, elogios e críticas. Você pode aprender muito com
seus colegas de trabalho. Portanto, seja flexível às opiniões.
Honestidade: Ninguém perde por ser honesto. Aliás, a honestidade traz dignidade. Esta é a hora de
mostrar seu caráter e ser um profissional ético.
Privacidade: Dentro das organizações, existem assuntos sigilosos e que devem ser tratados de forma
discreta. Seja algo de clientes ou colegas de trabalho, o seu dever é manter segredo e não expor
informações que são exclusividades da empresa.
Respeito: Seja com o chefe ou com o subordinado, você deve ser respeitoso com os colegas de
trabalho. Evite falar mal daqueles que te incomodam, isso não irá te acrescentar nada e poderá prejudicar
sua imagem dentro da empresa.
Portanto, siga essas dicas para que você continue com atitudes e comportamentos éticos diante da
empresa e da sociedade. A ética revela seu caráter, sendo assim, seja ético e isso poderá te proporcionar
inúmeras conquistas profissionais.

Organização do local de trabalho: Para trabalharmos bem, precisamos estar num ambiente
agradável - limpo, organizado, de fácil acesso.23
A primeira coisa que devemos ter em mente é que esta organização é importante. Afeta até mesmo o
nosso rendimento no serviço. Quando estamos num lugar organizado, trabalhamos mais animados. Se
precisamos procurar alguma coisa como uma ferramenta, achamos com muita mais facilidade.
Agora, se temos problema com a organização, existem algumas ferramentas que podem nos ajudar.
Uma desta ferramentas é uma metodologia para organização de qualquer ambiente:

Senso de utilização - verifica o que é realmente necessário no ambiente de trabalho (ferramentas,


materiais, papéis etc.). O que não está sendo usado é guardado ou descartado. Este processo diminui os
obstáculos à produtividade no trabalho;

Senso de ordenação - enfoca a necessidade de um espaço organizado (quadro de ferramentas,


arquivo de documentos etc.). Dispomos os materiais que precisamos no nosso serviço de maneira a
melhorar o fluxo do nosso trabalho e eliminando movimentos desnecessários;

Senso de limpeza - a limpeza é uma necessidade diária de qualquer ambiente. Geralmente, em


escritórios existe uma equipe que faz esta limpeza. Mesmo assim, podemos ajudar jogando o lixo fora,
por exemplo. Existe ambientes, como as oficinas por exemplo, onde os funcionários devem fazer esta
limpeza. No final do expediente pode-se tomar alguns minutos para executar esta organização;

Senso de saúde - este senso pode parecer um tanto metódico, mais é importante. Basicamente, ele
padroniza as práticas do trabalho, como manter os materiais juntos, canetas com canetas, livros com
livros e assim por diante. Favorece à saúde física, mental e ambiental;

Senso de autodisciplina - utilizado para fazer a manutenção e manter a ordem em nosso ambiente
de trabalho. É um tanto difícil, pois é necessário fazer com que os funcionários mantenham à ordem no
local de trabalho. Devem seguir regras como " usou, guarde", "sujou, limpe".

Algumas empresas fazem, periodicamente, inspeções nos departamentos para a verificação da


organização. Pode se nomear alguns funcionários para fazer estas inspeções de tempos em tempos. O
objetivo é fazer tal manutenção, ajudar na aplicação dos princípios por parte dos funcionários.

Comportamento Profissional: é o conjunto de atitudes esperadas do servidor no exercício da


função pública, consolidando a ética no cotidiano das atividades prestadas, mas indo além desta
ética, abrangendo atitudes profissionais como um todo que favorecem o ambiente organizacional
23
CZARNESKI, Edson Ricardo. A organização no ambiente de trabalho. Disponível em: http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/5s-a-organizacao-
no-ambiente-de-trabalho/38730/.

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do trabalho. Quando se fala num comportamento profissional conforme à ética busca-se que a atitude
em serviço por parte daquele que desempenha o interesse do Estado atenda aos ditames éticos.
“Hoje em dia, cada vez mais as empresas procuram “verdadeiros” profissionais para trabalharem nelas.
Com isso, é evidente que não há mais espaço no mercado de trabalho para profissionais medíocres,
desqualificados e despreparados para a função a ser exercida, mas sim para profissionais habilidosos,
com pré-disposição para o trabalho em equipe, com visão ampliada, conhecimento de mercado, iniciativa,
espírito empreendedor, persistente, otimista, responsável, criativo, disciplinado e outras habilidades e
qualificações.
É importante que você profissional, procure estar preparado para o mercado de trabalho, a qualquer
momento da sua vida, independentemente do fato de estar ou não empregado. A história do mercado de
trabalho atual tem mostrado que independentemente do cargo que você exerça, você deve estar sempre
preparado para mudanças que poderão surgir e mudarão todo o rumo da sua carreira. As empresas não
são eternas e nem os seus empregos. Não se engane, não existem mais quaisquer garantias de emprego
por parte das empresas, trazendo aos profissionais empregados um ônus constante para manter o seu
emprego. Se para aqueles que estão empregados manter a sua empregabilidade não é uma tarefa fácil,
para aqueles que estão ingressando no mercado de trabalho atual, as dificuldades serão ainda maiores.
Portanto, a seguir vou discorrer sobre algumas das características dos bons profissionais:

Preparado para mudanças


As empresas buscam por profissionais adaptáveis porque tudo no mundo moderno muda. As
tecnologias, as relações de emprego, o mercado, os valores e o modo encontrar soluções para os
problemas mudaram, enfim tudo mudou significativamente nos últimos anos e continuarão mudando.
Portanto temos de acompanhar o ritmo das coisas. Muitos profissionais pensam que podem fazer as
mesmas coisas e do mesmo modo durante toda a vida e depois reclamam porque não são bem sucedidos.

Competência
Competência é uma palavra de senso comum, utilizada para designar uma pessoa capaz de realizar
alguma coisa. O antônimo disso, ou seja, incompetência, implica não só na negação dessa capacidade
como também na depreciação do indivíduo diante do circuito do seu trabalho ou do convívio social.
Para ser contratado em uma empresa ou para a sua manutenção de emprego não basta ter diplomas
e mais diplomas se não existir competência. Por exemplo, um profissional que se formou em direito, até
mesmo na melhor universidade, mas que não sabe preparar uma peça processual não terá valor
competitivo quer como profissional empregado, quer como prestador de serviços.
Diplomas servirão para dar referencial ao profissional ou até mesmo para enfeitar a parede da sua
sala, mas a competência é o fator chave que atrelada à diplomação lhe dará subsídios profissionais para
ser bem sucedido. Por isso podemos afirmar categoricamente que a competência não é composta pelo
diploma por si só, apesar de que ele contribui para a composição da competência.

Espírito empreendedor
Os dias do funcionário que se comporta como funcionário pode estar com os dias contados. A visão
tradicionalista de empregador e empregado, chefe e subordinado estão caminhando para o desuso.
As empresas com visão moderna estão encarando seus funcionários como colaboradores ou parceiros
e implementando a visão empreendedora. Isso significa que os empresários perceberam que dar aos
funcionários a possibilidade de ganhar mais do que simplesmente o salário mensal fixo, tem sido um bom
negócio, pois faz com que o profissional dê maiores contribuições à organização, garantindo assim o
comprometimento da equipe na busca de resultados positivos.

Equilíbrio emocional
O que quero dizer com o equilíbrio emocional? Bem, dito de modo simples, é o preparo psicológico
para superar adequadamente as adversidades que surgirão na empresa e fora dela.
Vamos chamar o conjunto de problemas que todos nós possuímos de saco de problemas. As
empresas querem que deixemos o nosso saco de problemas em casa. Por outro lado, os nossos
familiares querem que deixemos nosso saco de problemas no trabalho. Diante disso, a pergunta que
surge é: onde colocar nosso saco de problemas? Realmente é uma boa pergunta. E é justamente por
isso que para tornar-se um profissional de sucesso é necessário que tenhamos equilíbrio emocional, pois
não importa quais problemas tenhamos de caráter pessoal, nossos colegas de trabalho, subordinados,
diretores e gerentes, enfim, as pessoas como um todo não tem culpa deles e não podemos descarregar
esses problemas neles.

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Quando falamos em equilíbrio, emocional, é importante avaliar também as situações adversas pelas
quais todos os profissionais passam. É justamente aí que surge o momento da verdade que o profissional
mostrará se tem o equilíbrio emocional.

Marketing Pessoal
O marketing pessoal pode ser definido como o conjunto de fatores e atitudes que transmitem uma
imagem da pessoa. Os fatores a que me refiro incluem vestimenta como um todo, os modos pessoais, o
modo de falar e a postura do profissional diante dos demais.
Referindo-se à vestimenta, cabe salientar que o profissional deve vestir-se adequadamente ao
ambiente em que está inserido. Se a sua empresa adota um padrão formal, obviamente a sua vestimenta
deve estar em conformidade com ela e o mesmo se refere a uma entrevista de emprego. Da mesma
forma, seria um contrassenso usar terno e gravata para trabalhar em uma linha de produção. Portanto, a
regra básica é vestir-se em conformidade com o ambiente de trabalho.

Comportamentos que o profissional deve evitar:

Falar demais;
Falar mal dos outros;
Viver mal-humorado;
Não possuir higiene pessoal;
Não respeitar os demais;
Ser egoísta;
Brincar demais;
Ser inflexível.

Atitudes em serviço: ações que o servidor toma quando no desempenho de suas funções,
acarretando benefícios quando cumpridoras da ética e prejuízos quando não. Na verdade, trata-se
de exteriorização do comportamento profissional.

Os pilares do comportamento profissional adequado são:


“Integridade – agir de maneira honesta e confiável.
Modos – nunca ser egoísta, rude ou indisciplinado.
Personalidade – expressar os próprios valores, atitudes e opiniões.
Aparência – apresentar-se sempre da melhor maneira possível.
Consideração – ver-se do ponto de vista da outra pessoa.
Tato – refletir antes de fala”24.

Abaixo, listam-se 10 atitudes em serviço que devem ser evitadas:

“1) Assuntos profissionais x pessoais - É muito comum que o colaborador realize atividades como
falar com a família, acessar redes sociais e pagar contas durante o expediente. Para não prejudicar as
obrigações na empresa, o indicado é resolver essas questões após a jornada de trabalho. Caso o assunto
só possa ser resolvido no horário comercial, é de bom senso reservar o horário de almoço.

2) Roupa – Pode até parecer fútil para alguns, mas muitos profissionais ainda pecam no vestuário. Há
situações, como o abuso de decotes e transparências, e o uso de jeans em dias não permitidos, que
podem criar problemas. Por esse motivo, é importante que o contratado adote o traje de acordo com a
cultura da empresa e tenha a preocupação de adequar suas roupas ao ambiente de trabalho.

3) Postura – Cuidado com palavrões, gírias e falar alto no trabalho. Comportamentos como esses
podem prejudicá-lo no ambiente corporativo. Por isso, é fundamental ser educado e manter a compostura
mesmo em situações críticas.

4) Críticas em público – O feedback negativo nunca deve ser em público, pois tal atitude pode
constranger o colaborador. Porém, caso o assunto for um elogio ou reconhecimento é indicado fazer
diante de outras pessoas como forma de incentivo. Os especialistas afirmam que acima de tudo é preciso
ter bom senso e respeito.

24
<http://imagempessoal.band.uol.com.br/seis-principais-habilidades-pessoais-para-aprimorar-seu-comportamento-profissional/>.

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5) Falta de Pontualidade – A atenção ao horário não é apenas na entrada ao trabalho, mas inclui ser
pontual nas reuniões e outros compromissos da empresa. Além disso, o profissional deve respeitar o
tempo estipulado para o almoço e cumprir suas tarefas no prazo.
6) Falar mal da empresa – Criticar a organização por causa do salário, benefícios e discordar das
novas políticas da organização no ambiente de trabalho, não pega bem. Para os especialistas, existem
os canais e os momentos certos para relatar a insatisfação. O indicado é expor as ideias ao mesmo tempo
em que propõe soluções.

7) Desrespeitar a hierarquia – Não acatar as regras da empresa é considerada insubordinação e


pode levar a demissão. Além disso, passar por cima da posição pré-estabelecidas na instituição não é
visto como pró-atividade. Em termos de postura, é essencial respeitar a hierarquia para evitar problemas
na vida profissional.

8) Impor pensamentos ideais – É comum o líder ditar regras como crenças religiosas e política, entre
outras determinações que ele acredite. Segundo especialistas, o chefe deve agir como responsável e não
como ditador. Antes de tudo, é fundamental respeitar as diferenças e buscar o melhor de cada um para
agregar valor à política da empresa.

9) Ausência de feedback – A falta de esclarecimento dos funcionários perante seus colegas e ao


público externo compromete a imagem da organização. Deixar de dar um retorno quanto a uma
solicitação, por exemplo, pode passar uma impressão negativa. As empresas são feitas de pessoas, que
podem achar ruim a falta de informações.

10) Atmosfera negativa – Conviver com colega que reclama de tudo e ainda é mal-humorado não é
nada agradável. Antes de expor um comentário, avalie se ele vai causar um desconforto no local de
trabalho. O aconselhável é agir para sempre manter um ambiente positivo”25.

Sigilo Profissional

Segredo ou Sigilo Profissional trata-se de manter em segredo toda a informação que seja valiosa para
a empresa e seus colaboradores, cuja responsabilidade recaia sobre o profissional responsável pelas
informações.26
No que diz respeito ao sigilo profissional trata de uma informação a ser protegida, impõe uma relação
entre privacidade e publicidade, cujo dever profissional se estabelece desde a se ater ao estritamente
necessário ao cumprimento de seu trabalho, a não informar sobre assuntos ou o que envolve o trabalho
e é de caráter sigiloso.
Não são todas as profissões que devem a obrigação do sigilo e isso já seria revelador da disposição
social que é atribuída a algumas profissões de terem o dever e o direito de mantê-lo.
Ora é consenso que o profissional conheça todos os elementos necessários para o bom cumprimento
de seu trabalho, desde as condições institucionais até as informações obtidas na sua relação com o
usuário.
O sigilo profissional não é absoluto, em muitos casos, esse elemento abre a possibilidade do
profissional avaliar, subjetivamente, se deve manter ou divulgar o fato sigiloso, devendo prevalecer o
disposto no Código de Ética Profissional da área de atuação em que o profissional trabalha. Atentando
para o conteúdo ético-político dos princípios que o regem.
A análise do sigilo profissional a partir da ética mostra que se está diante de algo complexo, que não
se limita a um preceito legal. Quer dizer, o seu entendimento remete as questões: Para quem? Com qual
necessidade? Para quê? E em que condições? Essas questões não podem ser pensadas abstratamente,
mas sim a partir das situações concretas nas quais estão inseridas, pois interrogam a multiplicidade de
demandas que lhe são colocadas na comunicação de uma informação.
O sigilo profissional — a guarda de informações obtidas em razão do exercício profissional, de tudo
aquilo que lhe foi confiado como sigilo, ou o que veio a ser conhecido devido seu estatuto profissional —
está previsto.
Em muitos dispositivos legais (a Constituição Federal brasileira, o Código Penal, o Código Civil, o
Código de Processo Penal, a Lei das Contravenções Penais e o Código de Processo Civil).

25
<http://revista.penseempregos.com.br/noticia/2013/04/saiba-10-comportamentos-inadequados-para-o-ambiente-de-trabalho-4110313.html>
26
PORTAL EDUCAÇÃO - Cursos Online: Mais de 1000 cursos online com certificado Disponível em:
http://www.portaleducacao.com.br/administracao/artigos/54264/etica-profissional-sigilo-das-informacoes#ixzz3eARxL4ME.

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Constitucionalmente, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo, senão em virtude da lei,
e que são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas. Esse entendimento
norteia os dispositivos legais que se referem ao sigilo profissional, em particular o sigilo médico.
A referência a esses dispositivos legais nos é útil nessa reflexão para chamar a atenção que o direito
à confidencialidade é tanto um direito da pessoa, como também uma responsabilidade profissional. Em
outros termos, a existência do sigilo profissional interessa a toda sociedade, pois é condição indispensável
para o trabalho do profissional, na medida em que essas ações encarnam um interesse da sociedade,
definido historicamente.27
Levando em consideração que o setor público possui um Código de Ético já configurado, o presente
tópico abordará dos conceitos e práticas da Ética dentro do âmbito do setor público. Vale ressaltar que
no setor privado cabe a cada empresa configurar seu próprio Código de Ética ou também chamado de
Código de Conduta Ética, que geralmente é elaborado em conjuntura com os colaboradores, de forma
que possa abranger o conhecimento e prática de todos. Muitas vezes as empresas privadas tomam o
Código de Ética contido em lei para desenvolverem o seu próprio.
Antes de adentrar nos princípios e fundamentos regidos pelas leis sobre a Ética é importante definir
sobre p Estado, sobre os cidadãos, e consequentemente dos valores éticos considerados por ambos.
O Estado é a forma social mais abrangente, a sociedade de fins gerais que permite o desenvolvimento,
em seu seio, das individualidades e das demais sociedades, chamadas de fins particulares. O Estado,
como pessoa, é uma ficção, é um arranjo formulado pelos homens para organizar a sociedade de
disciplinar o poder visando que todos possam se realizar em plenitude, atingindo suas finalidades
particulares.
O Estado tem um valor ético, de modo que sua atuação deve se guiar pela moral idônea. Mas não é
propriamente o Estado que é aético, porque ele é composto por homens. Assim, falta ética ou não aos
homens que o compõem. Ou seja, o bom comportamento profissional do funcionário público é uma
questão ligada à ética no serviço público, pois se os homens que compõem a estrutura do Estado tomam
uma atitude correta perante os ditames éticos há uma ampliação e uma consolidação do valor ético do
Estado.
Alguns cidadãos recebem poderes e funções específicas dentro da administração pública, passando
a desempenhar um papel de fundamental interesse para o Estado. Quando estiver nesta condição, mais
ainda, será exigido o respeito à ética. Afinal, o Estado é responsável pela manutenção da sociedade, que
espera dele uma conduta ilibada e transparente.
Quando uma pessoa é nomeada como servidor público, passa a ser uma extensão daquilo que o
Estado representa na sociedade, devendo, por isso, respeitar ao máximo todos os consagrados preceitos
éticos.

Questões

01. (CISLIPA – Assistente Administrativo – FAFIPA) A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a


consciência dos princípios morais são primados maiores que devem nortear o servidor público, seja no
exercício do cargo ou função, ou fora dele, já que refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal.
Seus atos, comportamentos e atitudes serão direcionados para a preservação da honra e da tradição dos
serviços públicos. Desta forma, a respeito da ética na Administração Pública, assinale a alternativa
CORRETA:
(A) A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e o mal, devendo ser
acrescida da ideia de que o fim é sempre o bem comum.
(B) Não é vedado ao servidor público ser, em função de seu espírito de solidariedade, conivente com
erro ou infração a este Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão.
(C) Apenas e exclusivamente nos órgãos da Administração Pública Federal Direita é que deverá ser
criada uma Comissão de Ética, encarregada de orientar e aconselhar sobre a ética profissional do
servidor, no tratamento com as pessoas e com o patrimônio público, competindo-lhe conhecer
concretamente de imputação ou de procedimento susceptível de censura.
(D) É vedado ao servidor público comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou
fato contrário ao interesse público, devendo primeiro o servidor público efetuar diligências, a fim de
arrecadar provas sobre o ato ou fato que sobre seu entendimento é contrário ao interesse público.

02. (TJ/DFT – Todos os cargos – CESPE) Julgue o item subsequente, relativo à ética no serviço
público.

27
SAMPAIO, S.S; RODRIGUES, F.W. Ética e Sigilo Profissional. Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 117, p. 84-93, jan./mar. 2014

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A qualidade dos serviços públicos depende fortemente da moralidade administrativa e do
profissionalismo de servidores públicos.
(....) Certo (....) Errado

03. (Colégio Pedro II – Auxiliar de Biblioteca – Acesso Público) Rodrigo tem em mente que o
elemento ético no exercício do cargo público é fundamental para o bom andamento do serviço. Seu atos,
comportamentos e atitudes deverão ser sempre direcionados para a preservação da honra e tradição dos
serviços públicos. Diante dos fatos assinale a alternativa errada:
(A) Não é vedado ao servidor público usar informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu
serviço, em benefício próprio.
(B) Rodrigo tem o dever de tratar cuidadosamente os usuários dos serviços públicos.
(C) É dever do servidor público o cumprimento de ordens superiores, desde que a ordem não seja
manifestamente ilegal.
(D) É vedado ao Rodrigo o uso do cargo para obter qualquer favorecimento, para si ou para outrem.
(E) A assiduidade e frequência do servidor público em seu ambiente de trabalho, além de ser um dever,
reflete positivamente em todo o sistema.

04. (MPOG – Atividade Técnica – FUNCAB) A ética pode ser definida como:
(A) um conjunto de valores genéticos que são passados de geração em geração.
(B) um princípio fundamental para que o ser humano possa viver em família.
(C) a parte da filosofia que estuda a moral, isto é, responsável pela investigação dos princípios que
motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano em sociedade.
(D) um comportamento profissional a ser observado apenas no ambiente de trabalho.
(E) a boa vontade no comportamento do servidor público em quaisquer situações e em qualquer tempo
de seu cotidiano.

05. (MPE/SC – Motorista – FEPESE) Assinale a alternativa correta em relação à ética no serviço
público.
(A) Em razão do interesse público indireto, os atos administrativos não precisam ser publicados.
(B) O conceito de moralidade da Administração Pública é restrito aos procedimentos internos
praticados pelos servidores.
(C) O servidor poderá omitir ou falsear a verdade, quando necessário aos interesses da Administração
Pública.
(D) O desempenho da função pública não demanda profissionalismo, uma vez que tal princípio é
inerente à iniciativa privada que busca lucros e resultados
(E) A moralidade administrativa se integra ao Direito como elemento indissociável dos atos praticados
pela administração pública, e, como consequência, atua como fator de legalidade.

06. (ANATEL – Analista Administrativo – CESPE) Com relação ao comportamento profissional do


servidor previsto no Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal,
julgue o item subsequente.
É vedado ao servidor público manter-se habitualmente embriagado, ainda que fora do serviço.
(....) Certo (....) Errado

07. (Prefeitura de Canavieira/PI – Auxiliar em Serviços Gerais – IMA) Conjunto de atitudes e valores
positivos aplicados no ambiente de trabalho, sendo de fundamental importância para o bom
funcionamento das atividades da empresa e das relações de trabalho entre os funcionários. São normas
que formam a consciência do profissional e representam imperativos de sua conduta. O conceito refere-
se à definição de:
(A) Comportamento no local de trabalho.
(B) Relações Humanas.
(C) Relações Interpessoais.
(D) Ética Profissional.

08. (FMSFI – Assistente Administrativo – FAUEL) A ética é indispensável ao profissional e é o


primeiro passo para aproximar-se do comportamento correto. Assinale a alternativa que contém atitudes
que NÃO devem ser cultivadas pelo funcionário em um ambiente de trabalho:
(A) ser capaz de cultivar valores como: justiça, tolerância, solidariedade e atitudes positivas.
(B) ser intolerante, manter-se isolado do grupo, não cumprimentar as pessoas que não conhece.

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(C) saber ouvir e conversar educadamente.
(D) respeitar e tratar bem a todos.

09. (Prefeitura de São José do Rio Preto/SP – Agente Administrativo – VUNESP) Qualquer das
formas de atendimento, presencial ou telefônico, requer conhecimento, atitudes e comportamento.
Inerentes às atitudes e comportamentos, estão implícitos três importantes aspectos:
(A) expressão corporal, determinação e indiferença.
(B) aparência, voz autoritária e apatia.
(C) voz, simpatia e roupas de atendimento ao público.
(D) aparência formal, voz melodiosa e expressão de seriedade profissional.
(E) aparência, expressão corporal e voz.

10. (Câmara Municipal de Sorocaba – Telefonista – VUNESP) A habilidade com o manuseio dos
equipamentos telefônicos especializados pode permitir que a telefonista ouça qualquer ligação sem
querer e sem que alguém perceba. Assim sendo, é imprescindível que ela tenha, como princípio, atitudes
essencialmente
(A) neutras.
(B) cordiais.
(C) dissimuladas.
(D) éticas.
(E) displicentes.

11. (CRESS/PB – Assistente Administrativo – CONSULPAM) Em relação à Ética Profissional,


marque o item INCORRETO:
(A) Ética profissional é o conjunto de normas éticas que formam a consciência do profissional e
representam imperativos de sua conduta.
(B) O indivíduo que tem ética profissional cumpre com todas as atividades de sua profissão, seguindo
apenas os princípios determinados pelo seu grupo de trabalho.
(C) Cada profissão tem o seu próprio código de ética, que pode variar ligeiramente, graças a diferentes
áreas de atuação.
(D) Há elementos da ética profissional que são universais e por isso aplicáveis a qualquer atividade
profissional, como a honestidade, responsabilidade, competência e etc.

12. (INSTITUTO AOCP – Assistente Administrativo – EBSERH) A ética profissional está relacionada
à questão
(A) familiar.
(B) conjugal.
(C) de trabalho.
(D) religiosa.
(E) ambiental.

13. (CISCOPAR – Auxiliar de Serviços Gerais – CISCOPAR) Fazem parte da ética no ambiente de
trabalho:
(A) Trabalhar individualmente e não se comunicar com os demais.
(B) Trabalhar em equipe e ter boa comunicação.
(C) Não ter comprometimento e humildade.
(D) Não respeitar os superiores e demais colaboradores.
(E) Não se responsabilizar e ter boa comunicação.

14. (Prefeitura de Cristiano Otoni/MG – Agente Administrativo – Inaz do Pará/2016) Dentre as


características para uma boa convivência no ambiente de trabalho, que promovem atitudes assertivas no
relacionamento interpessoal, favorecendo a interação entre os pares (colegas de trabalho), podemos
destacar:
(A) Produtividade, Ética, Resultado, Foco, Objetivos.
(B) Delegar, Suprir, Retroalimentar, Feed Back, Individualidade.
(C) Autoconhecimento, Empatia, Ética, Assetividade, Cordialidade.
(D) Superficialidade nas relações, Comunicação, Egocentrismo, Centralização, Metas
(E) Impontualidade, afetividade excessiva, credibilidade, reconhecimento, Empatia.

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Gabarito

01.A / 02.Certo / 03.A / 04.C / 05.E / 06.Certo / 07.D / 08.B / 09.E / 10.D / 11.B / 12.C / 13.B / 14.C

Comentários

01. Resposta: A.
A) MAZZA (2014) —
Conteúdo jurídico da moralidade administrativa
O Texto Constitucional de 1988, em pelo menos três oportunidades, impõe aos agentes públicos o
dever de observância da moralidade administrativa.
Primeiro no art. 5º, LXXIII, autorizando a propositura de ação popular contra ato lesivo à moralidade
administrativa: “qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo
ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio
ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má--fé, isento de custas
judiciais e do ônus da sucumbência”.
Além disso, o art. 37, caput, elenca a moralidade como princípio fundamental aplicável à Administração
Pública: “a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência”.
E ainda o art. 85, V, que define como crime de responsabilidade do Presidente da República os atos
que atentarem contra a “probidade na administração”.
Com isso, pode--se constatar que a moralidade administrativa constitui requisito de validade do ato
administrativo.
É importante ressaltar que, quando a Constituição de 1988 definiu a moralidade como padrão de
comportamento a ser observado pelos agentes públicos, não houve juridicização de todas as regras
morais vigentes na sociedade. Fosse assim, bastaria a legalidade. Cumprindo a lei automaticamente, a
moralidade seria atendida.
A moralidade administrativa difere da moral comum. O princípio jurídico da moralidade administrativa
não impõe o dever de atendimento à moral comum vigente na sociedade, mas exige respeito a padrões
éticos, de boa--fé, decoro, lealdade, honestidade e probidade incorporados pela prática diária ao conceito
de boa administração. Certas formas de ação e modos de tratar com a coisa pública, ainda que não
impostos diretamente pela lei, passam a fazer parte dos comportamentos socialmente esperados de um
bom administrador público, incorporando--se gradativamente ao conjunto de condutas que o Direito torna
exigíveis.

02. Resposta: Certo.


A presente questão é extremamente intuitiva, de modo que não apresenta maiores dúvidas, a meu
sentir. De fato, parece bastante difícil imaginar que um serviço público possa ser prestado com qualidade,
mas de forma imoral. São ideias que não têm como ser conciliadas. Ora, é evidente que todo e qualquer
serviço público que não observe a moralidade administrativa não terá como ser, ao mesmo tempo, um
serviço de qualidade. Haverá, em suma, espaço para desonestidades, condutas antiéticas, corrupção,
privilégios odiosos, perseguições indevidas, etc. Neste cenário desalentador, há condições de, ainda
assim, ser prestado um serviço público de qualidade? É óbvio que não.
O mesmo pode se dizer em relação ao requisito do profissionalismo, exigido dos servidores públicos,
o que, aliás, consta de forma expressa do Código de Ética do Servidor Público Civil do Poder Executivo
Federal, aprovado pelo Decreto 1.171/94, verbis:
" VI - A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, se integra na vida particular
de cada servidor público. Assim, os fatos e atos verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida privada
poderão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional." Inteiramente correta, portanto,
apresente assertiva.28

03. Resposta: A.
DECRETO Nº 1.171, DE 22 DE JUNHO DE 1994
Seção III
Das Vedações ao Servidor Público
XV - E vedado ao servidor público;

28
Autor: Rafael Pereira, Juiz Federal - TRF da 2ª Região.

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m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu serviço, em benefício
próprio, de parentes, de amigos ou de terceiros.

04. Resposta: C.
A ética é a parte da filosofia que estuda a moral, (filosofia moral ou de costumes), reflete sobre os
valores em sociedade na busca da moralidade e consciência para alcançar esses valores morais, porém
a ética inicialmente não estabelece regras.
A ética, portanto, é um termo grego “ETHIKÓS” que significa “modo de ser”, que em aspectos
filosóficos traduz-se o estudo dos juízos na conduta do ser, que é passível do bem e o mal, presente
neste único ser ou em grupo e/ ou sociedade. Está presente em todas as ordens vigentes no mundo, na
escola, na política, no esporte, nas empresas e é de vital importância nas profissões, principalmente nos
dias atuais.
Fonte: http://www.acervosaber.com.br/trabalhos/chs1/etica_2.php.

05. Resposta: E.
e) A moralidade administrativa se integra ao Direito como elemento indissociável dos atos praticados
pela administração pública, e, como consequência, atua como fator de legalidade.

06. Resposta: Certo.


DECRETO Nº 1.171, DE 22 DE JUNHO DE 1994
Seção III
Das Vedações ao Servidor Público
XV - E vedado ao servidor público;
n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente.

07. Resposta: D.
Ética profissional é o conjunto de normas éticas que formam a consciência do profissional e
representam imperativos de sua conduta.
Ética é uma palavra de origem grega (éthos), que significa “propriedade do caráter”.
Ser ético é agir dentro dos padrões convencionais, é proceder bem, é não prejudicar o próximo. Ser
ético é cumprir os valores estabelecidos pela sociedade em que se vive.
O indivíduo que tem ética profissional cumpre com todas as atividades de sua profissão, seguindo os
princípios determinados pela sociedade e pelo seu grupo de trabalho.
Cada profissão tem o seu próprio código de ética, que pode variar ligeiramente, graças a diferentes
áreas de atuação.
No entanto, há elementos da ética profissional que são universais e por isso aplicáveis a qualquer
atividade profissional, como a honestidade, responsabilidade, competência e etc.

08. Resposta: B.
Atitudes que devem ser cultivadas pelo funcionário em um ambiente de trabalho:
Humildade: Esteja pronto para ouvir sugestões, elogios e críticas. Você pode aprender muito com
seus colegas de trabalho. Portanto, seja flexível às opiniões.
Honestidade: Ninguém perde por ser honesto. Aliás, a honestidade traz dignidade. Esta é a hora de
mostrar seu caráter e ser um profissional ético.
Privacidade: Dentro das organizações, existem assuntos sigilosos e que devem ser tratados de forma
discreta. Seja algo de clientes ou colegas de trabalho, o seu dever é manter segredo e não expor
informações que são exclusividades da empresa.
Respeito: Seja com o chefe ou com o subordinado, você deve ser respeitoso com os colegas de
trabalho. Evite falar mal daqueles que te incomodam, isso não irá te acrescentar nada e poderá prejudicar
sua imagem dentro da empresa.

09. Resposta: E.
Inerentes às atitudes e comportamentos, estão implícitos os seguintes aspectos:
● Aparência
● Expressão corporal
● Voz
●. No atendimento direto, a aparência é o primeiro impacto visual e a primeira impressão do cliente
sobre o vendedor, sendo fundamental na revelação de uma atitude e comportamentos positivos. A

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aparência engloba a roupa que se veste, o calçado que se traz, o penteado do cabelo, os adornos que
se colocam, a higiene que se apresenta (unhas, pele, dentes, farda).
● A expressão corporal representa mais de metade do conjunto do momento de comunicação. É a
forma como o cliente percebe disponibilidade, paciência, segurança, energia e agilidade. A expressão
corporal engloba o modo como se inclina o corpo ou a face, a posição das mãos e dos pés, o sorriso na
face, o modo como se mexe e se anda podendo ou não mostrar vitalidade, etc.
● O som e o tom de voz, e a forma como se dizem as coisas são muito mais importantes do que as
palavras que se empregam, sendo um instrumento fundamental na transmissão de atitudes e
comportamentos positivos em qualquer das formas de atendimento (direto ou telefônico).
Fonte: Sociedade Comercial Vasconcelos Lopes LDA.
https://www.forma-te.com/mediateca/finish/31-restauracao-e-hotelaria/26408-atendimento-ao-publico.

10. Resposta: D.
Hoje, os profissionais requisitados pelos recrutadores devem ter inúmeras qualidades para obter
sucesso na carreira profissional. Porém, apesar dos diversos conhecimentos que as pessoas possuem,
existe algo que é um pré-requisito para alcançar qualquer posição: a ética.

11. Resposta: B.
Ética profissional é o conjunto de normas éticas que formam a consciência do profissional e
representam imperativos de sua conduta.
Ética é uma palavra de origem grega (éthos), que significa “propriedade do caráter”.
Ser ético é agir dentro dos padrões convencionais, é proceder bem, é não prejudicar o próximo. Ser
ético é cumprir os valores estabelecidos pela sociedade em que se vive.
O indivíduo que tem ética profissional cumpre com todas as atividades de sua profissão, seguindo os
princípios determinados pela sociedade e pelo seu grupo de trabalho.
Cada profissão tem o seu próprio código de ética, que pode variar ligeiramente, graças a diferentes
áreas de atuação.
No entanto, há elementos da ética profissional que são universais e por isso aplicáveis a qualquer
atividade profissional, como a honestidade, responsabilidade, competência e etc.29

12. Resposta: C.
A ética profissional é um conjunto de valores e normas de comportamento e de relacionamento
adotados no ambiente de trabalho, no exercício de qualquer atividade.

13. Resposta: B.
A ética profissional é um conjunto de atitudes e valores positivos aplicados no ambiente de trabalho. A
ética no ambiente de trabalho é de fundamental importância para o bom funcionamento das atividades da
empresa e das relações de trabalho entre os funcionários.
Vantagens da ética aplicada ao ambiente de trabalho:
- Maior nível de produção na empresa;
- Favorecimento para a criação de um ambiente de trabalho harmonioso, respeitoso e agradável;
- Aumento no índice de confiança entre os funcionários.
Exemplos de atitudes éticas num ambiente de trabalho:
- Educação e respeito entre os funcionários;
- Cooperação e atitudes que visam à ajuda aos colegas de trabalho;
- Divulgação de conhecimentos que possam melhorar o desempenho das atividades realizadas na
empresa;
- Respeito à hierarquia dentro da empresa;
- Busca de crescimento profissional sem prejudicar outros colegas de trabalho;
- Ações e comportamentos que visam criar um clima agradável e positivo dentro da empresa como,
por exemplo, manter o bom humor;
- Realização, em ambiente de trabalho, apenas de tarefas relacionadas ao trabalho;
- Respeito às regras e normas da empresa.

14. Resposta: C.
Entre os relacionamentos que temos na vida, os de trabalho são diferenciados por dois motivos: um é
que não escolhemos nossos colegas, chefes, clientes ou parceiros; o outro é que, independentemente do

29
http://www.significados.com.br/etica-profissional/.

. 145
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grau de afinidade que temos com as pessoas do ambiente corporativo, precisamos funcionar bem com
elas para realizar algo juntos.
Esses ingredientes da convivência no trabalho nos obrigam a lidar com diferenças de opinião, de visão,
de formação, de cultura, de comportamento. Fazer isso pode não ser fácil, mas é possível se basearmos
nossos relacionamentos interpessoais em cinco pilares: autoconhecimento, empatia, assertividade,
cordialidade e ética.
Autoconhecimento – Fundamental para administrar bem os relacionamentos, autoconhecimento
implica reconhecer nossos traços de comportamento, o impacto que causamos nos outros e que
comportamentos dos outros nos incomodam. Por exemplo: uma pessoa objetiva e dinâmica, que gosta
de agir com independência e rapidez para atingir seus objetivos, pode ter conflitos na interação com um
colega de perfil mais cauteloso e metódico, que segue regras à risca e tem um ritmo mais lento por se
preocupar com detalhes. Porém, se pelo menos um dos dois tiver autoconhecimento, pode utilizar
estratégias que minimizam o conflito com o outro.
Empatia – Trata-se de considerar os outros, suas opiniões, sentimentos e motivações. Sem isso, não
há como chegar a uma negociação ganha-ganha, fruto de um relacionamento equilibrado. A empatia
também nos torna capazes de enxergar além do próprio umbigo e ampliar nossa percepção da realidade
com os pontos de vista dos outros. Entre as várias coisas que se pode fazer para praticá-la, a mais básica
é saber ouvir.
Assertividade – Para ter relacionamentos saudáveis, não basta ouvir: é preciso também falar,
expressar nossas opiniões, vontades, dificuldades. É aí que entra a assertividade, a habilidade para nos
expressar de forma franca, direta, clara, serena e respeitosa.
Cordialidade – Tratar as pessoas com cordialidade é ser gentil, solícito e simpático, é demonstrar
consideração pelo o outro de várias formas. Pode ser com o “bom dia” com que saudamos o destinatário
de nossa mensagem de e-mail, com o ato de segurar a porta do elevador para alguém entrar ou apanhar
do chão um objeto que o colega deixou cair. Dizer “obrigado” olhando a pessoa nos olhos, oferecer-se
para prestar uma ajuda, cumprimentar aquele com quem cruzamos no corredor, mesmo saber seu
nome... A cordialidade desinteressada, que oferecemos por iniciativa própria, sem esperar nada em troca,
é um facilitador do bom relacionamento no ambiente de trabalho.
Ética – Ser ético é ter atitudes que não prejudiquem os outros, não quebrem acordos e não contrariem
o que se considera certo e justo. Podemos ter muito autoconhecimento, ser altamente empáticos,
assertivos e cordiais, mas, se não nos conduzirmos pela ética, não conseguiremos manter
relacionamentos equilibrados.
Fortalecer esses pilares traz melhorias não só para nossas interações no trabalho, mas também para
as de outras áreas da vida como a familiar, afetiva, social, de amizade. Vale a pena investir nisso – afinal,
os relacionamentos são a melhor escola para o nosso desenvolvimento pessoal.

O Direito e o cuidado à saúde nas diferentes fases de vida da mulher, da criança,


do adolescente, adulto e idoso

CARTILHA – DEVERES E DIREITO DO SUS30

A carta que você tem nas mãos baseia-se em seis princípios básicos de cidadania. Juntos, eles
asseguram ao cidadão o direito básico ao ingresso digno nos sistemas de saúde, sejam eles públicos ou
privados.
A carta é também uma importante ferramenta para que você conheça seus direitos e possa ajudar o
Brasil a ter um sistema de saúde com muito mais qualidade.

Princípios desta Carta


1. Todo cidadão tem direito ao acesso ordenado e organizado aos sistemas de saúde.
2. Todo cidadão tem direito a tratamento adequado e efetivo para seu problema.
3. Todo cidadão tem direito ao atendimento humanizado, acolhedor e livre de qualquer discriminação.
4. Todo cidadão tem direito a atendimento que respeite a sua pessoa, seus valores e seus direitos.
5. Todo cidadão também tem responsabilidades para que seu tratamento aconteça da forma
adequada.

30
http://conselho.saude.gov.br/biblioteca/livros/cartaaosusuarios02.pdf

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6. Todo cidadão tem direito ao comprometimento dos gestores da saúde para que os princípios
anteriores sejam cumpridos.

Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde

Considerando o art. 196 da Constituição Federal, que garante o acesso universal e igualitário a ações
e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde.
Considerando a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as condições para a
promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços
correspondentes.
Considerando a Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990, que dispõe sobre a participação da
comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais
de recursos financeiros na área da saúde.
Considerando a necessidade de promover mudanças de atitude em todas as práticas de atenção e
gestão que fortaleçam a autonomia e o direito do cidadão.
O Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Saúde e a Comissão Intergestora Tripartite apresentam
a Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde e convidam todos os gestores, profissionais de saúde,
organizações civis, instituições e pessoas interessadas para que promovam o respeito destes direitos e
assegurem seu reconhecimento efetivo e sua aplicação.

O Primeiro Princípio assegura ao cidadão o acesso ordenado e organizado aos sistemas de


saúde, visando a um atendimento mais justo e eficaz.
Todos os cidadãos têm direito ao acesso às ações e aos serviços de promoção, proteção e
recuperação da saúde promovidos pelo Sistema Único de Saúde:
I- O acesso se dará prioritariamente pelos Serviços de Saúde da Atenção Básica próximos ao local de
moradia.
II- Nas situações de urgência/emergência, o atendimento se dará de forma incondicional, em qualquer
unidade do sistema.
III- Em caso de risco de vida ou lesão grave, deverá ser assegurada a remoção do usuário em
condições seguras, que não implique maiores danos, para um estabelecimento de saúde com capacidade
para recebe-lo.
IV- O encaminhamento à Atenção Especializada e Hospitalar será estabelecido em função da
necessidade de saúde e indicação clínica, levando-se em conta critérios de vulnerabilidade e risco com
apoio de centrais de regulação ou outros mecanismos que facilitem o acesso a serviços de retaguarda.
V- Quando houver limitação circunstancial na capacidade de atendimento do serviço de saúde, fica
sob responsabilidade do gestor local a pronta resolução das condições para o acolhimento e devido
encaminhamento do usuário do SUS, devendo ser prestadas informações claras ao usuário sobre os
critérios de priorização do acesso na localidade por ora indisponível. A prioridade deve ser baseada em
critérios de vulnerabilidade clínica e social, sem qualquer tipo de discriminação ou privilégio.
VI- As informações sobre os serviços de saúde contendo critérios de acesso, endereços, telefones,
horários de funcionamento, nome e horário de trabalho dos profissionais das equipes assistenciais devem
estar disponíveis aos cidadãos nos locais onde a assistência é prestada e nos espaços de controle social.
VII- O acesso de que trata o caput inclui as ações de proteção e prevenção relativas a riscos e agravos
à saúde e ao meio ambiente, as devidas informações relativas às ações de vigilância sanitária e
epidemiológica e os determinantes da saúde individual e coletiva.
VIII- A garantia à acessibilidade implica o fim das barreiras arquitetônicas e de comunicabilidade,
oferecendo condições de atendimento adequadas, especialmente a pessoas que vivem com deficiências,
idosos e gestantes.

O Segundo Princípio assegura ao cidadão o tratamento adequado e efetivo para seu problema,
visando à melhoria da qualidade dos serviços prestados.
É direito dos cidadãos ter atendimento resolutivo com qualidade, em função da natureza do agravo,
com garantia de continuidade da atenção, sempre que necessário, tendo garantidos:
I- Atendimento com presteza, tecnologia apropriada e condições de trabalho adequadas para os
profissionais da saúde.
II- Informações sobre o seu estado de saúde, extensivas aos seus familiares e/ou acompanhantes, de
maneira clara, objetiva, respeitosa, compreensível e adaptada à condição cultural, respeitados os limites
éticos por parte da equipe de saúde sobre, entre outras:
a) hipóteses diagnósticas;

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b) diagnósticos confirmados;
c) exames solicitados;
d) objetivos dos procedimentos diagnósticos, cirúrgicos, preventivos ou terapêuticos;
e) riscos, benefícios e inconvenientes das medidas diagnósticas e terapêuticas propostas;
f) duração prevista do tratamento proposto;
g) no caso de procedimentos diagnósticos e terapêuticos invasivos ou cirúrgicos, a necessidade ou
não de anestesia e seu tipo e duração, partes do corpo afetadas pelos procedimentos, instrumental a ser
utilizado, efeitos colaterais, riscos ou consequências indesejáveis, duração prevista dos procedimentos e
tempo de recuperação;
h) finalidade dos materiais coletados para exames;
i) evolução provável do problema de saúde;
j) informações sobre o custo das intervenções das quais se beneficiou o usuário.
III- Registro em seu prontuário, entre outras, das seguintes informações, de modo legível e atualizado:
a) motivo do atendimento e/ou internação, dados de observação clínica, evolução clínica, prescrição
terapêutica, avaliações da equipe multiprofissional, procedimentos e cuidados de enfermagem e, quando
for o caso, procedimentos cirúrgicos e anestésicos, odontológicos, resultados de exames
complementares laboratoriais e radiológicos;
b) registro da quantidade de sangue recebida e dados que permitam identificar sua origem, sorologias
efetuadas e prazo de validade;
c) identificação do responsável pelas anotações.
IV- O acesso à anestesia em todas as situações em que for indicada, bem como a medicações e
procedimentos que possam aliviar a dor e o sofrimento.
V- O recebimento das receitas e prescrições terapêuticas, que devem conter:
a) o nome genérico das substâncias prescritas;
b) clara indicação da posologia e dosagem;
c) escrita impressa, datilografadas ou digitadas, ou em caligrafia legível;
d) textos sem códigos ou abreviaturas;
e) o nome legível do profissional e seu número de registro no órgão de controle e regulamentação da
profissão;
f) a assinatura do profissional e data.
VI- O acesso à continuidade da atenção com o apoio domiciliar, quando pertinente, treinamento em
autocuidado que maximize sua autonomia ou acompanhamento em centros de reabilitação psicossocial
ou em serviços de menor ou maior complexidade assistencial.
VII. Encaminhamentos para outras unidades de saúde, observando:
a) caligrafia legível ou datilografados/digitados ou por meio eletrônico;
b) resumo da história clínica, hipóteses diagnósticas, tratamento realizado, evolução e o motivo do
encaminhamento;
c) a não utilização de códigos ou abreviaturas;
d) nome legível do profissional e seu número de registro no órgão de controle e regulamentação da
profissão, assinado e datado;
e) identificação da unidade de referência e da unidade referenciada.

O Terceiro Princípio assegura ao cidadão o atendimento acolhedor e livre de discriminação,


visando à igualdade de tratamento e a uma relação mais pessoal e saudável.
É direito dos cidadãos atendimento acolhedor na rede de serviços de saúde de forma humanizada,
livre de qualquer discriminação, restrição ou negação em função de idade, raça, cor, etnia, orientação
sexual, identidade de gênero, características genéticas, condições econômicas ou sociais, estado de
saúde, ser portador de patologia ou pessoa vivendo com deficiência, garantindo-lhes:
I- A identificação pelo nome e sobrenome, devendo existir em todo documento de identificação do
usuário um campo para se registrar o nome pelo qual prefere ser chamado, independentemente do
registro civil, não podendo ser tratado por número, nome da doença, códigos, de modo genérico,
desrespeitoso ou preconceituoso.
II- Profissionais que se responsabilizem por sua atenção, identificados por meio de crachás visíveis,
legíveis ou por outras formas de identificação de fácil percepção.
III- Nas consultas, procedimentos diagnósticos, preventivos, cirúrgicos, terapêuticos e internações, o
respeito a:
a) integridade física;
b) privacidade e conforto;
c) individualidade;

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d) seus valores éticos, culturais e religiosos;
e) confidencialidade de toda e qualquer informação pessoal;
f) segurança do procedimento;
g) bem-estar psíquico e emocional.
IV- O direito ao acompanhamento por pessoa de sua livre escolha nas consultas, exames e
internações, no momento do pré-parto, parto e pós-parto e em todas as situações previstas em lei
(criança, adolescente, pessoas vivendo com deficiências ou idoso). Nas demais situações, ter direito a
acompanhante e/ou visita diária, não inferior a duas horas durante as internações, ressalvadas as
situações técnicas não indicadas.
V- Se criança ou adolescente, em casos de internação, continuidade das atividades escolares, bem
como desfrutar de alguma forma de recreação.
VI- A informação a respeito de diferentes possibilidades terapêuticas de acordo com sua condição
clínica, considerando as evidências científicas e a relação custo-benefício das alternativas de tratamento,
com direito à recusa, atestado na presença de testemunha.
VII- A opção pelo local de morte.
VIII- O recebimento, quando internado, de visita de médico de sua referência, que não pertença àquela
unidade hospitalar, sendo facultado a esse profissional o acesso ao prontuário.

O Quarto Princípio assegura ao cidadão o atendimento que respeite os valores e direitos do


paciente, visando a preservar sua cidadania durante o tratamento.
O respeito à cidadania no Sistema de Saúde deve ainda observar os seguintes direitos:
I- Escolher o tipo de plano de saúde que melhor lhe convier, de acordo com as exigências mínimas
constantes na legislação, e ter sido informado pela operadora da existência e disponibilidade do plano
referência.
II- O sigilo e a confidencialidade de todas as informações pessoais, mesmo após a morte, salvo quando
houver expressa autorização do usuário ou em caso de imposição legal, como situações de risco à saúde
pública.
III- Acesso a qualquer momento, do paciente ou terceiro por ele autorizado, a seu prontuário e aos
dados nele registrados, bem como ter garantido o encaminhamento de cópia a outra unidade de saúde,
em caso de transferência.
IV- Recebimento de laudo médico, quando solicitar.
V- Consentimento ou recusa de forma livre, voluntária e esclarecida, depois de adequada informação,
a quaisquer procedimentos diagnósticos, preventivos ou terapêuticos, salvo se isso acarretar risco à
saúde pública. O consentimento ou a recusa dados anteriormente poderão ser revogados a qualquer
instante, por decisão livre e esclarecida, sem que lhe sejam imputadas sanções morais, administrativas
ou legais.
VI- Não ser submetido a nenhum exame, sem conhecimento e consentimento, nos locais de trabalho
(pré-admissionais ou periódicos), nos estabelecimentos prisionais e de ensino, públicos ou privados.
VII- A indicação de um representante legal de sua livre escolha, a quem confiará a tomada de decisões
para a eventualidade de tornar-se incapaz de exercer sua autonomia.
VIII- Receber ou recusar assistência religiosa, psicológica e social.
IX- Ter liberdade de procurar segunda opinião ou parecer de outro profissional ou serviço sobre seu
estado de saúde ou sobre procedimentos recomendados, em qualquer fase do tratamento.
X- Ser prévia e expressamente informado quando o tratamento proposto for experimental ou fizer parte
de pesquisa, decidindo de forma livre e esclarecida, sobre sua participação.
XI- Saber o nome dos profissionais que trabalham nas unidades de saúde, bem como dos gerentes
e/ou diretores e gestor responsável pelo serviço.
XII- Ter acesso aos mecanismos de escuta para apresentar sugestões, reclamações e denúncias aos
gestores e às gerências das unidades prestadoras de serviços de saúde e às ouvidorias, sendo respeitada
a privacidade, o sigilo e a confidencialidade.
XIII- Participar dos processos de indicação e/ou eleição de seus representantes nas conferências, nos
conselhos nacional, estadual, do Distrito Federal, municipal e regional ou distrital de saúde e conselhos
gestores de serviços.

O Quinto Princípio assegura as responsabilidades que o cidadão também deve ter para que seu
tratamento aconteça de forma adequada.
Todo cidadão deve se comprometer a:

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I- Prestar informações apropriadas nos atendimentos, nas consultas e nas internações sobre queixas,
enfermidades e hospitalizações anteriores, história de uso de medicamentos e/ou drogas, reações
alérgicas e demais indicadores de sua situação de saúde.
II- Manifestar a compreensão sobre as informações e/ou orientações recebidas e, caso subsistam
dúvidas, solicitar esclarecimentos sobre elas.
III- Seguir o plano de tratamento recomendado pelo profissional e pela equipe de saúde responsável
pelo seu cuidado, se compreendido e aceito, participando ativamente do projeto terapêutico.
IV- Informar ao profissional de saúde e/ou à equipe responsável sobre qualquer mudança inesperada
de sua condição de saúde.
V-Assumir responsabilidades pela recusa a procedimentos ou tratamentos recomendados e pela
inobservância das orientações fornecidas pela equipe de saúde.
VI- Contribuir para o bem-estar de todos que circulam no ambiente de saúde, evitando principalmente
ruídos, uso de fumo, derivados do tabaco e bebidas alcoólicas, colaborando com a limpeza do ambiente.
VII- Adotar comportamento respeitoso e cordial com os demais usuários e trabalhadores da saúde.
VIII- Ter sempre disponíveis para apresentação seus documentos e resultados de exames que
permanecem em seu poder.
IX- Observar e cumprir o estatuto, o regimento geral ou outros regulamentos do espaço de saúde,
desde que estejam em consonância com esta carta.
X- Atentar para situações da sua vida cotidiana em que sua saúde esteja em risco e as possibilidades
de redução da vulnerabilidade ao adoecimento.
XI- Comunicar aos serviços de saúde ou à vigilância sanitária irregularidades relacionadas ao uso e à
oferta de produtos e serviços que afetem a saúde em ambientes públicos e privados.
XII- Participar de eventos de promoção de saúde e desenvolver hábitos e atitudes saudáveis que
melhorem a qualidade de vida.

O Sexto Princípio assegura o comprometimento dos gestores para que os princípios anteriores
sejam cumpridos.
Os gestores do SUS, das três esferas de governo, para observância desses princípios, se
comprometem a:
I- Promover o respeito e o cumprimento desses direitos e deveres com a adoção de medidas
progressivas para sua efetivação.
II- Adotar as providências necessárias para subsidiar a divulgação desta carta, inserindo em suas
ações as diretrizes relativas aos direitos e deveres dos usuários, ora formalizada.
III- Incentivar e implementar formas de participação dos trabalhadores e usuários nas instâncias e nos
órgãos de controle social do SUS.
IV- Promover atualizações necessárias nos regimentos e estatutos dos serviços de saúde, adequando-
os a esta carta.
V- Adotar formas para o cumprimento efetivo da legislação e normatizações do sistema de saúde.
I – RESPONSABILIDADE PELA SAÚDE DO CIDADÃO
Compete ao município “prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do estado, serviços
de atendimento à saúde da população” – Constituição da República Federativa do Brasil, art. 30, item VII.
II – RESPONSABILIDADES PELA GESTÃO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – LEI Nº 8.080, DE 19
DE SETEMBRO DE 1990
A. DOS GOVERNOS MUNICIPAIS E DO DISTRITO FEDERAL:
1 – Gerenciar e executar os serviços públicos de saúde.
2 – Celebrar contratos com entidades prestadoras de serviços privados de saúde, bem como avaliar
sua execução.
3 – Participar do planejamento, programação e organização do SUS em articulação com o gestor
estadual.
4 – Executar serviços de vigilância epidemiológica, sanitária, de alimentação e nutrição, de
saneamento básico e de saúde do trabalhador.
5 – Gerir laboratórios públicos de saúde e hemocentros.
6 – Celebrar contratos e convênios com entidades prestadoras de serviços privados de saúde, assim
como controlar e avaliar sua execução.
7 – Participar do financiamento e garantir o fornecimento de medicamentos básicos.
B. DOS GOVERNOS ESTADUAIS E DO DISTRITO FEDERAL:
1 – Acompanhar, controlar e avaliar as redes assistenciais do SUS.
2 – Prestar apoio técnico e financeiro aos municípios.
3 – Executar diretamente ações e serviços de saúde na rede própria.

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4 – Gerir sistemas públicos de alta complexidade de referência estadual e regional.
5 – Acompanhar, avaliar e divulgar os seus indicadores de morbidade e mortalidade.
6 – Participar do financiamento da assistência farmacêutica básica e adquirir e distribuir os
medicamentos de alto custo em parceria com o governo federal.
7 – Coordenar e, em caráter complementar, executar ações e serviços de vigilância epidemiológica,
vigilância sanitária, alimentação e nutrição e saúde do trabalhador.
8 – Implementar o Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados juntamente com a União
e municípios.
9 – Coordenar a rede estadual de laboratórios de saúde pública e hemocentros.
C. DO GOVERNO FEDERAL:
1 – Prestar cooperação técnica e financeira aos estados, municípios e Distrito Federal.
2 – Controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde.
3 – Formular, avaliar e apoiar políticas nacionais no campo da saúde.
4 – Definir e coordenar os sistemas de redes integradas de alta complexidade de rede de laboratórios
de saúde pública, de vigilância sanitária e epidemiológica.
5 – Estabelecer normas e executar a vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras em parceria
com estados e municípios.
6 – Participar do financiamento da assistência farmacêutica básica e adquirir e distribuir para os
estados os medicamentos de alto custo.
7 – Implementar o Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados juntamente com estados
e municípios.
8 – Participar na implementação das políticas de controle das agressões ao meio ambiente, de
saneamento básico e relativas às condições e aos ambientes de trabalho.
9 – Elaborar normas para regular as relações entre o SUS e os serviços privados contratados de
assistência à saúde.
10 – Auditar, acompanhar, controlar e avaliar as ações e os serviços de saúde, respeitadas as
competências estaduais e municipais.

Direito à saúde no ambiente de trabalho

SAÚDE DO TRABALHADOR31

A Saúde do Trabalhador foi uma resposta institucional aos movimentos sociais que, entre a metade
dos anos 70 e os anos 80, reivindicavam que as questões de saúde relacionadas ao trabalho fizessem
parte do direito universal à saúde, incluída no escopo da Saúde Pública.
Em 1984, foi criado na SES/SP e depois em vários UF, o Programa de Saúde do Trabalhador (PST),
um experiência pioneira com efetiva participação sindical em sua gestão.
A saúde dos trabalhadores é uma conquista dos trabalhadores brasileiros, institucionalizada na
Constituição Federal de 1988 como parte do direito universal à saúde e competência do Sistema Único
de Saúde – SUS. A temática requer uma contínua e abrangente discussão e um debate propositivo entre
os setores do governo e as instâncias dos segmentos sociais envolvidos.
O termo Saúde do Trabalhador refere-se a um campo do saber que visa compreender as relações
entre o trabalho e o processo saúde/doença.
Nesta acepção, considera a saúde e a doença como processos dinâmicos, estreitamente articulados
com os modos de desenvolvimento produtivo da humanidade em determinado momento histórico. Parte
do princípio de que a forma de inserção dos homens, mulheres e crianças nos espaços de trabalho
contribui decisivamente para formas específicas de adoecer e morrer. O fundamento de suas ações é a
articulação multiprofissional, interdisciplinar e intersetorial.
Para este campo temático, trabalhador é toda pessoa que exerça uma atividade de trabalho,
independentemente de estar inserido no mercado formal ou informal de trabalho, inclusive na forma de
trabalho familiar e/ou doméstico. Ressalte-se que o mercado informal no Brasil tem crescido
acentuadamente nos últimos anos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, cerca
de 2/3 da população economicamente ativa – PEA têm desenvolvido suas atividades de trabalho no
mercado informal. É importante ressaltar, ainda, que a execução de atividades de trabalho no espaço
31
Texto extraído de BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. Área Técnica de Saúde do Trabalhador
Saúde do trabalhador. Brasília: Ministério da Saúde, 2001.

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familiar tem acarretado a transferência de riscos/fatores de risco ocupacionais para o fundo dos quintais,
ou mesmo para dentro das casas, num processo conhecido como domiciliação do risco.
Num momento em que o processo de descentralização das ações de saúde consolida-se em todo o
país, um dos mais importantes desafios sobre os quais os municípios brasileiros têm se debruçado é o
da organização da rede de prestação de serviços de saúde, em consonância com os princípios do Sistema
Único de Saúde – SUS: descentralização dos serviços, universalidade, hierarquização, equidade,
integralidade da assistência, controle social, utilização da epidemiologia para o estabelecimento de
prioridades, entre outros.
A municipalização e a distritalização, como espaços descentralizados de construção do SUS, são
considerados territórios estratégicos para estruturação das ações de saúde do trabalhador.

Ações em Saúde do Trabalhador a serem desenvolvidas no nível local de saúde

As propostas de ações apresentadas a seguir deverão ser desenvolvidas pela rede básica municipal
de saúde, quer ela se organize em equipes de Saúde da Família, em Agentes Comunitários de Saúde
e/ou em centros/postos de saúde.
Não devem ser compreendidas como um check-list, devendo ser discutidas e adaptadas em função
da dinâmica de trabalho dos grupos de profissionais que atuam na atenção básica no nível municipal de
saúde.
Atribuições gerais

Para o território, a equipe de saúde deve identificar e registrar:


A população economicamente ativa, por sexo e faixa etária.
As atividades produtivas existentes na área, bem como os perigos e os riscos potenciais para a saúde
dos trabalhadores, da população e do meio ambiente.
- Os integrantes das famílias que são trabalhadores (ativos do mercado formal ou informal, no
domicílio, rural ou urbano e desempregados), por sexo e faixa etária.
- A existência de trabalho precoce (crianças e adolescentes menores de 16 anos, que realizam
qualquer atividade de trabalho, independentemente de remuneração, que frequentem ou não as escolas).
- A ocorrência de acidentes e/ou doenças relacionadas ao trabalho, que acometam trabalhadores
inseridos tanto no mercado formal como informal de trabalho. Mais adiante serão apresentados e
discutidos os agravos considerados neste momento como prioritários para a Saúde do Trabalhador.

Para o serviço de saúde:


- Organizar e analisar os dados obtidos em visitas domiciliares realizadas pelos agentes e membros
das equipes de Saúde da Família.
- Desenvolver programas de Educação em Saúde do Trabalhador.
- Incluir o item ocupação e ramo de atividade em toda ficha de atendimento individual de crianças
acima de 5 anos, adolescentes e adultos.
- Em caso de acidente ou doença relacionada com o trabalho, deverá ser adotada a seguinte conduta:
1. Condução clínica dos casos (diagnóstico, tratamento e alta) para aquelas situações de menor
complexidade, estabelecendo os mecanismos de referência e contra referência necessários.
2. Encaminhamento dos casos de maior complexidade para serviços especializados em Saúde do
Trabalhador, mantendo o acompanhamento dos mesmos até a sua resolução.
3. Notificação dos casos, mediante instrumentos do setor saúde: Sistema de Informações de
Mortalidade – SIM; Sistema de Informações Hospitalares do SUS - SIH; Sistema de Informações de
Agravos Notificáveis – SINAN e Sistema de Informação da Atenção Básica – SIAB.
4. Solicitar à empresa a emissão da CAT, em se tratando de trabalhador inserido no mercado formal
de trabalho. Ao médico que está assistindo o trabalhador caberá preencher o item 2 da CAT, referente a
diagnóstico, laudo e atendimento.
5. Investigação do local de trabalho, visando estabelecer relações entre situações de risco observadas
e o agravo que está sendo investigado.
6. Realizar orientações trabalhistas e previdenciárias, de acordo com cada caso.
7. Informar e discutir com o trabalhador as causas de seu adoecimento.
- Planejar e executar ações de vigilância nos locais de trabalho, considerando as informações colhidas
em visitas, os dados epidemiológicos e as demandas da sociedade civil organizada.
- Desenvolver, juntamente com a comunidade e instituições públicas (centros de referência em Saúde
do Trabalhador, Fundacentro, Ministério Público, laboratórios de toxicologia, universidades etc.), ações

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direcionadas para a solução dos problemas encontrados, para a resolução de casos clínicos e/ou para
as ações de vigilância.
- Considerar o trabalho infantil (menores de 16 anos) como situação de alerta epidemiológico / evento
– sentinela.

Atribuições específicas da equipe

ACS – Agente Comunitária(o) de Saúde


Notificar à equipe de saúde a existência de trabalhadores em situação de risco, trabalho precoce e
trabalhadores acidentados ou adoentados pelo trabalho.
Informar à família e ao trabalhador o dia e o local onde procurar assistência.
Planejar e participar das atividades educativas em Saúde do Trabalhador.

Auxiliar de Enfermagem
Acompanhar, por meio de visita domiciliar, os trabalhadores que sofreram acidentes graves e/ou os
portadores de doença relacionada ao trabalho que estejam ou não afastados do trabalho ou
desempregados.
Preencher e organizar arquivos das fichas de acompanhamento de Saúde do Trabalhador.
Participar do planejamento das atividades educativas em Saúde do Trabalhador.
Coletar material biológico para exames laboratoriais.

Enfermeira (o)
Programar e realizar ações de assistência básica e de vigilância à Saúde do Trabalhador.
Realizar investigações em ambientes de trabalho e junto ao trabalhador em seu domicilio.
Realizar entrevista com ênfase em Saúde do Trabalhador.
Notificar acidentes e doenças do trabalho, por meio de instrumentos de notificação utilizados pelo setor
saúde.
Planejar e participar de atividades educativas no campo da Saúde do Trabalhador.

Médico(a)
Prover assistência médica ao trabalhador com suspeita de agravo à saúde causado pelo trabalho,
encaminhando-o a especialistas ou para a rede assistencial de referência (distrito/município/ referência
regional ou estadual), quando necessário.
Realizar entrevista laboral e análise clínica (anamnese clínico-ocupacional) para estabelecer relação
entre o trabalho e o agravo que está sendo investigado.
Programar e realizar ações de assistência básica e de vigilância à Saúde do Trabalhador.
Realizar inquéritos epidemiológicos em ambientes de trabalho.
Realizar vigilância nos ambientes de trabalho com outros membros da equipe ou com a equipe
municipal e de órgãos que atuam no campo da Saúde do Trabalhador (DRT/MTE, INSS etc.).
Notificar acidentes e doenças do trabalho, mediante instrumentos de notificação utilizados pelo setor
saúde. Para os trabalhadores do setor formal, preencher a Ficha para Registro de Atividades,
Procedimentos e Notificações do SIAB.
Colaborar e participar de atividades educativas com trabalhadores, entidades sindicais e empresas.

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ENFERMAGEM NA SAÚDE DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE: ABORDAGEM
AMBULATORIAL E HOSPITALAR: Assistência à Saúde da Criança e Adolescente
nas diferentes fases da vida. Prevenção de agravos fisiológicos e sociais.
Situações de violências. Acompanhamento do Processo de Crescimento e
Desenvolvimento. Cuidados de enfermagem à Saúde da Criança (recém nascido,
lactente, pré-escolar e escolar) e Adolescente. Intervenções de Enfermagem à
clientela nas unidades de internação e ambulatorial.

SAÚDE DA CRIANÇA

Assistência de Enfermagem ao Recém-Nascido

A Neonatologia (do latim: neo - novo; nato - nascimento e logia - estudo), é o ramo da Pediatria
que se ocupa das crianças desde o nascimento até aos 28 dias de idade (quando as crianças
deixam de ser recém-nascidos passam a ser lactentes). Na atualidade são muito frequentes os
grandes prematuros com muito pouco peso, que ao ultrapassarem os 28 dias de vida, continuam sob o
cuidado do Neonatologista, porque ainda necessitam de estar internados nas Unidades Neonatais. Pierre
Budin, obstetra de origem francesa é considerado o pai da Neonatologia. Foi o primeiro a escrever um
livro (1892) sobre lactentes nascidos de parto prematuro e classificou as crianças em pequenas e grandes
para a idade gestacional.
Em 1914, o Dr. Julius Hess e o Dr. Evelyn Lundeen implantaram unidades de cuidados para recém-
nascidos prematuros no Michael Reese Hospital em Chicago. Em 1924 o pediatra Albert Peiper
interessou-se pela maturação neurológica dos prematuros. Por volta de 1940 foram unificados os critérios
para manejo dos recém-nascidos prematuros e foram inventadas as incubadoras para que se pudesse
controlar a temperatura dessas crianças. Nessa altura Budin estudou a influência da temperatura
ambiente na mortalidade dos prematuros, tendo sido o primeiro a usa garrafas de vidro com água quente
para termorregulação dos bebés durante o transporte neonatal.
Em 1953 a Dra. Virginia Apgar divulgou no meio científico a sua escala para avaliação do grau de
asfixia neonatal e de adaptação à vida extra uterina (Escala de Apgar). Em 1957 Ethel Dunham escreveu
o livro "O Prematuro". Em 1960 o Dr. Alexander Schaffer usou o termo Neonatologia pela primeira vez no
livro "Diaseases of the Newborn". Na década de 60 começaram a ser utilizados os monitores electrónicos,
as gasometrias arteriais tornaram-se possíveis e surgiram antibióticos apropriados para tratar as sépsis
neonatal.
Em 1967 o Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia reconheceu a necessidade do trabalho
conjunto dos Obstetras e Neonatologistas para diminuir a mortalidade perinatal. Iniciou-se assim, em
1973, o primeiro Serviço de Cuidados Perinatais nos EUA. Na década de 70 houve progressos
importantes na nutrição, alimentação por sondas e na alimentação parenteral. Tornou-se rotina o uso de
cateteres umbilicais. Uma das mudanças mais importantes na Neonatologia foi a atenção intensiva para
o recém-nascido prematuro e a vigilância dos problemas respiratórios, através do uso da ventilação
mecânica. Em 1887 Dwyer utilizou o primeiro ventilador rudimentar de pressão positiva e Egon Braun e
Alexander Graham Bell introduziram a pressão negativa em 1888. Em 1953 Donald e Lord introduziram
a uso do ventilador com ciclos.
Em 1971 Gregory, Kitterman e Phibbs introduziram a Pressão Positiva Continua nas vias aéreas
(CPAP). Pouco depois Bird com a colaboração de Kirby desenvolveram o primeiro ventilador neonatal de
pressão positiva, o "Baby Bird". Posteriormente, através de um melhor conhecimento da fisiologia
respiratória neonatal, foram melhorados os resultados da assistência respiratória mecânica aos recém-
nascidos. É de destacar ainda as contribuições de Downes, Anderson, Silverman, Gregory e Fujiwara
com o uso de surfactante exógeno.
A Neonatologia avançou muito nos últimos tempos, conseguindo menores índices de mortalidade e de
morbilidade graças a uma maior compreensão das particularidades dos recém-nascidos, melhores
equipamentos e medicamentos.

Assistência de Enfermagem nos Cuidados Imediatos e Mediatos ao RN

O período das primeiras 24 horas pós nascimento é considerado crítico principalmente no que se refere
à adaptação respiratória.

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Alguns RNs podem, nesse período, apresentar um quadro de sofrimento respiratório com evolução até
o óbito.
Os cuidados imediatos ao RN são aqueles dispensados logo após o nascimento, ainda na sala de
parto. Os principais objetivos são:
- auxiliar o bebê a fazer a transição da vida intrauterina para a vida extrauterina;
- assegurar a manutenção de sua temperatura corporal e promover o elo afetivo entre RN - mãe e seus
familiares.

Antes de se prestar os cuidados imediatos ao RN, é preciso providenciar e verificar o


funcionamento dos equipamentos e os materiais necessários a essa assistência, que são:
- berço aquecido e/ou incubadora;
- campos aquecidos ou toalha ou cobertores;
- material para aspiração: bulbo (pera), aspirador à vácuo, sondas de aspiração n° 6, 8 e 10, sonda
gástrica n° 8 e seringa de 20 ml;
- material para ventilação: ambú, máscaras faciais (tamanhos para RN a termo e prematuro - de
preferência acolchoadas) e fonte de oxigênio com fluxômetro;
- material para intubação: laringoscópio com lâmina reta n. 0 e 1, lâmpadas e pilhas para o
laringoscópio, cânulas traqueais n. 2.5, 3.0, 3.5, 4.0, tesoura, luvas estéreis;
- medicações: adrenalina, bicarbonato, glicose a 10%, água destilada, solução fisiológica a 0,9%;
- estetoscópio;
- esparadrapo;
- seringas (1ml, 3ml, 5ml, 10ml, 20 ml) e agulhas (13 x 4,5 ou 25 x7).

Um cuidado importante a ser tomado na sala de parto consiste em manter as vias aéreas superiores
(boca e nariz) pérvias, ou seja, desobstruídas. Assim, deve-se posicionar o RN em decúbito dorsal,
com o pescoço ligeiramente estendido para proceder à aspiração.
Deve-se tomar cuidado de não estender ou fletir demais o pescoço do bebê, uma vez que essas
posições podem diminuir a entrada de ar para os pulmões.
Quando houver grande quantidade de secreção na boca, deve-se lateralizar a cabeça, acumulando a
secreção na lateral desta, o que facilita a remoção. Assim, evita-se o acúmulo de secreção na faringe
posterior e consequente aspiração pelo RN.
Aspire delicadamente primeiro a boca e depois o nariz. Este cuidado garante que não haja
nenhuma secreção nas vias aéreas, caso o RN inspire durante a aspiração do nariz.
Enquanto aspira a boca, preste atenção na profundidade com que a sonda de aspiração é inserida e
na força de sucção.
A aspiração vigorosa e prolongada pode estimular a faringe posterior e produzir uma resposta do
sistema nervoso, resultando em alterações no ritmo cardíaco e parada respiratória no RN.
Após o nascimento, colocar o bebê sob fonte de calor radiante (berço aquecido e foco de luz),
previamente aquecido, oferecendo um ambiente térmico adequado e secar rapidamente sua cabeça e
seu corpo com uma toalha ou cobertor pré-aquecido. Caso o RN esteja bem, este será colocado sobre a
mãe e amamentado.
O resfriamento do bebê após o nascimento pode ser consideravelmente reduzido quando o ar
condicionado da sala de parto é desligado. Os cuidados de secagem do bebê e a substituição da toalha
molhada por outra seca vão fazer com que o bebê reduza a perda de calor por evaporação do líquido
amniótico que molha sua pele. Quando o cobertor é pré-aquecido o bebê não precisará aquecê-lo com o
calor de seu próprio corpo.
A avaliação do RN deve começar no momento do nascimento, utilizando a Escala de Apgar, no qual
são observados cinco sinais:
- frequência cardíaca;
- esforço respiratório;
- tônus muscular;
- irritabilidade reflexa;
- cor.

Cada sinal é avaliado de acordo com o grau em que está presente e recebe uma nota de 0 (zero), 1
(um) e 2 (dois).
Essa avaliação é feita no primeiro e no quinto minuto após o nascimento. Caso, no quinto
minuto, o índice persista abaixo de 7, é necessário reavaliar o bebê a cada 5 minutos até que ele
atinja o índice (nota) igual ou maior que 8.

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Escala de Apgar

Pontuação
0 1 2
Sinal
Frequência cardíaca Ausente Abaixo de 100bpm Acima de 100bpm
Esforço respiratório Ausente Lento, irregular Bom, choro
Alguma resposta das
Tônus muscular Flácido Movimento ativo
extremidades
Nenhuma
Irritabilidade reflexa Choro Choro vigoroso
resposta
Róseo, extremidades
Cor Azul, pálido Completamente rosado
cianóticas

Outra ação consiste nos cuidados com o cordão umbilical. Primeiramente, deve-se observar o coto
umbilical, atentando para a presença de duas artérias e uma veia, pois dependendo do número de vasos
presentes pode ser indicativo de anormalidades. Colher sangue do cordão e enviar para o laboratório,
cujo objetivo é avaliar as condições do RN, podendo ser usado para identificação da tipagem sanguínea,
de doenças transmissíveis (HIV, rubéola), análise bioquímica, dentre outros exames.
A coleta do sangue do cordão evita a realização de procedimentos invasivos e dolorosos no RN num
período em que ele está adaptando-se à vida extrauterina.
Em seguida, é realizada a ligadura do cordão e o bebê pode então ser colocado sobre a mãe ou no
berço aquecido.
Ainda na sala de parto, realiza-se o método de Credé ou credeização, que consiste na instilação de
duas gotas de nitrato de prata a 1% no canto interno de cada olho, prevenindo a oftalmia gonocócica.
No caso de meninas, em algumas unidades de saúde utiliza-se a aplicação de nitrato de prata no orifício
externo da vagina. Esse cuidado também objetiva a prevenção da transmissão da gonorreia da mãe para
a criança durante a passagem pelo canal de parto.
Cada bebê e sua mãe devem ser corretamente identificados antes de deixarem a sala de parto.
Para a identificação, utiliza-se pulseira própria, na qual devem constar o nome e sobrenome da mãe, a
data e a hora do nascimento, colocando-a no punho e no tornozelo do RN. A identificação do RN deve
ser conferida cada vez que ele for levado para a mãe ou transferido de berço por qualquer motivo.
Em casos de partos múltiplos, a ordem de nascimento deverá ser especificada nas pulseiras por meio
de números (1, 2, 3 ...) após o nome da mãe.
Outro ponto a ser lembrado consiste no registro no prontuário do RN de sua impressão plantar e a
impressão do polegar direito da mãe.
Os cuidados mediatos ao RN são aqueles realizados no berçário ou no alojamento conjunto. Têm
como objetivos ajudar o RN a adaptar-se à vida extrauterina, prevenir possíveis complicações que
possam advir e detectar precocemente qualquer anormalidade.
Quando houver, este terá prioridade no atendimento.
Ao chegar ao berçário, o RN deve ser colocado em um berço ou incubadora aquecida, procedendo-
se a sua admissão no setor, com registro da hora e de suas condições gerais. O RN pode também ser
encaminhado diretamente da sala de parto para o setor de alojamento conjunto. Nesses casos a admissão
e os demais cuidados serão providenciados lá.
No momento da admissão e nas primeiras horas de vida é necessário proceder a uma avaliação dos
sinais vitais, com especial atenção às condições respiratórias, coloração da pele, presença de secreções
em vias aéreas superiores e de sangue no coto umbilical.
Não existe uma sequência rígida na realização dos cuidados mediatos com o RN.
Depende das condições do bebê ou da rotina estabelecida na Instituição.
Durante esse período de observação, o auxiliar de enfermagem deve preparar o ambiente e o material
necessário para prestar os cuidados mediatos, que são:

- Aferição de Sinais Vitais


Não existe diferença na verificação dos sinais vitais em RN.
No entanto, precisamos atentar para alguns cuidados, pois alguns RNs podem ficar agitados ou
chorosos quando manipulados pelos profissionais de saúde e isso pode alterar os valores da frequência
cardíaca (pulso apical) e da respiração.
Assim, é recomendável iniciar a verificação dos sinais vitais a partir da frequência respiratória,
passando para a frequência cardíaca e por último à temperatura corporal.

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Os Parâmetros de Normalidade dos Sinais Vitais no RN são:

- Frequência respiratória - 25/60 incursões respiratórias por minuto;


- Frequência cardíaca - 120/180 batimentos por minuto;
- Temperatura - 36, 0 a 37,0ºC (axilar).

a) Verificação da Respiração (R)


A respiração deve ser avaliada durante um minuto completo.
Nos RN observam-se os movimentos abdominais e não os torácicos, já que neles a respiração é
realizada pelo diafragma.
Ao verificar a respiração, devemos atentar também para sua profundidade, bem como para a
identificação de eventuais sinais de cansaço, cianose, batimentos das asas do nariz.

b) Verificação da Frequência Cardíaca (FC)


Essa verificação em recém-nato é mais confiável quando realizada por meio do pulso apical, quando
colocamos o estetoscópio sobre o tórax, entre o esterno e o mamilo esquerdo do bebê.
A frequência do coração é contada durante um minuto, prestando-se atenção ao ritmo e à força de
pulsação.

c) Verificação da Temperatura (T)


A verificação de temperatura corporal pode ser medida no reto ou na axila. No entanto, quando há
necessidade de constantes aferições, a introdução frequente de um termômetro no reto pode causar
danos à mucosa retal, sendo recomendável a verificação de preferência na axila.

- Verificação das Medidas Antropométricas


Nessas medidas verifica-se o peso, o comprimento/estatura e os perímetros cefálico, torácico e
abdominal que são parâmetros importantes para a avaliação e acompanhamento dos bebês.

a) Verificação do Peso
A verificação regular do peso do RN é de fundamental importância para a avaliação das perdas ou
ganhos. Também é essencial para calcular o volume de alimentação, a quantidade de infusão venosa a
ser administrada ou ainda as dosagens de medicamentos.
Tal procedimento deve ser realizado no momento da admissão do RN, diariamente e sempre que
houver necessidade de nova avaliação. Servirá de base para o controle da curva ponderal.
O material necessário é colocado em carrinho com balança própria para RN (até 15 kg), papel toalha,
compressa de gaze, frasco com álcool a 70% e impresso próprio para registro.
Antes de verificar o peso do recém–nascido, certifique-se de que o ar refrigerado encontre-se desligado
ou que as janelas estejam fechadas, evitando a hipotermia do bebê. Limpe a cuba da balança com álcool,
realize a calibração da mesma e forre-a com papel toalha.
Ao colocar o RN na balança, fique atento a seus movimentos na cuba, mantendo a mão próxima, sem
tocá-lo. Verifique o peso num momento em que haja menor atividade física do RN. Retire-o da cuba da
balança e coloque-o novamente no berço.
O peso deve ser registrado em gramas, em impresso próprio, assim como o ganho ou perda em relação
ao peso anterior. Nos RNs com diagnóstico de infecção, quando não houver balança separada para esses
casos, deve ser verificado seu peso após todos os demais.

b) Verificação da Estatura
A estatura é verificada com régua antropométrica ou fita métrica e servirá de base para a avaliação do
crescimento.
Coloque o RN em decúbito dorsal em uma superfície plana, apoiando a parte fixa da régua na sua
cabeça e a parte móvel no calcanhar. Estenda as pernas do bebê, segurando em seus joelhos, mantendo
a régua bem posicionada ou a fita bem esticada e proceda à leitura.

c) Perímetro Cefálico (PC)


É a medida da circunferência da cabeça, sendo verificado com fita métrica. Servirá de base para a
avaliação do crescimento e desenvolvimento.
É realizada com o bebê em decúbito dorsal, passando-se a fita métrica a partir da maior saliência do
osso occipital e acima das sobrancelhas, realizando-se então a leitura.
A circunferência da cabeça aumenta rapidamente em função do crescimento do cérebro.

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A média da circunferência ao nascimento é de 33 a 37cm, aumentando até 46 ou 47cm no final do
primeiro ano de vida. O perímetro cefálico é igual ao do tórax ou maior 2 cm.

d) Perímetro Torácico (PT)


É a medida da circunferência do tórax, sendo verificado com fita métrica, variando em torno de 33
cm. O RN deve estar posicionado em decúbito dorsal, sem roupa. Passa-se a fita ao redor do tórax na
altura dos mamilos, realizando a leitura.

e) Perímetro Abdominal (PA)


É a medida da circunferência do abdômen, sendo verificada com fita métrica, variando em torno
de 35cm. O RN deve estar em decúbito dorsal e sem roupa. O perímetro abdominal é medido passando-
se a fita em torno do abdome, logo acima do umbigo. Realize a leitura.
É importante ressaltar que o registro das medidas antropométricas no prontuário da criança deve ser
realizado imediatamente após à verificação das mesmas. Caso não seja possível, registre após a
realização de todos os cuidados antes de encaminhar o RN para a mãe.

- Realizar Higiene Corporal do Recém-Nato


O ideal é que a banheira seja de uso exclusivo do RN. Em algumas instituições são utilizados forros
plásticos descartáveis quando se dispõe de uma única banheira para todos os bebês.
A primeira higiene visa a retirar o excesso de sangue ou outras sujidades, principalmente na
região da cabeça, não sendo necessário retirar todo o vernix caseoso, pois ele será absorvido pela pele
espontaneamente.
O banho de imersão (na banheira ou bacia) é aquele feito quando o RN se encontra em
condições clínicas estáveis. Por ser o tipo de banho que será feito em casa, após a alta, deve-se
encorajar a participação materna durante sua realização.
O material necessário é: algodão; cotonetes; sabonete neutro (glicerina sem perfume); gaze; lençol
macio ou toalha; fralda (de preferência descartável); luvas de procedimento; escovinha de nylon para
pentear os cabelos do RN; bacia ou banheira (inox, plástica ou acrílica) previamente limpa com sabão.
A água deverá estar com a temperatura adequada (nem fria demais, nem muito quente) evitando
assim resfriar ou queimar a criança. O RN deve ser colocado suavemente dentro da bacia de forma que
fique sentado e apoiado pelo profissional, que deverá segurá-lo com uma das mãos pela região cervical.
O ideal é iniciar a higiene da cabeça com o RN despido e envolvido em pano (ou toalha) seco. Após
lavar os cabelos, a face, orelhas, olhos, nariz e boca, finalizando esse momento com a higiene das mãos,
acomodar o RN na banheira em segurança.
Os canais auditivos podem ser protegidos com os dedos polegar e anelar da mão utilizada para
segurar o bebê pela região cervical.
Nos dias mais frios, a limpeza da face e da cabeça pode ser feita com o bebê vestido. Deve-se secar
bem a face e o couro cabeludo, o que previne a perda de calor pela região cefálica que é
proporcionalmente grande em relação ao resto do corpo.
Para evitar infecções urinárias e vaginais nos RNs do sexo feminino a limpeza da genitália deve
ser realizada com movimentos descendentes do clitóris ao ânus, afastando-se os grandes lábios e
limpando cada um dos lados. Nos do sexo masculino, essa limpeza é realizada com movimentos
descendentes do pênis ao ânus, afastando, sem forçar, o prepúcio. Esse cuidado também evita
assaduras.
Ao retirar o RN da água envolva-o na toalha, secando-o delicadamente sem friccionar, tendo o cuidado
de secar bem as dobras cutâneas, orelhas, entre os dedos das mãos e dos pés e o couro cabeludo.
Em seguida, realize o curativo do coto umbilical conforme cuidados específicos, coloque a fralda,
vista a roupa do RN e penteie seus cabelos, colocando-o no berço ou entregando-o à sua mãe.
O momento de realização do banho de imersão propicia a observação direta de todo o corpo do bebê.
Sendo assim, ao registrar o procedimento deve-se também apontar toda e qualquer anormalidade
observada.
Caso o bebê evacue dentro da bacia do banho ou a água fique muito turva devido ao excesso de
sujidades, o procedimento deverá ser interrompido a fim de que a água possa ser trocada. Enquanto isso,
o bebê deve ser mantido envolvido em uma toalha ou pano seco, para evitar a perda de calor.
As dobras cutâneas e os espaços entre os dedos quando permanecem úmidos podem tornar-se locais
propícios ao desenvolvimento de micoses.

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- Realizar Curativo do Coto Umbilical
O curativo do coto umbilical é feito diariamente após o banho ou sempre que estiver molhado
de urina ou sujo de fezes. Tem por objetivo promover a cicatrização, por meio da mumificação e evitar
a contaminação local.
É importante atentar a qualquer anormalidade, como presença de sangramento, secreção purulenta,
hiperemia, edema e odor fétido.
O material necessário é: frasco com álcool a 70%, cotonete e gaze. O curativo consiste na limpeza
da base do coto com o cotonete embebido em álcool, fazendo movimentos suaves e circulares.
É bom lembrar que o banho e o curativo do coto umbilical constituem cuidados básicos rotineiros que
permitem a participação dos pais.

- Administrar Vitamina K
Ao nascer, o bebê não tem ainda capacidade de coagulação sanguínea devido à imaturidade do
fígado, sendo necessária a administração da vitamina K, objetivando prevenir a doença hemorrágica no
período neonatal. Aplica-se na região vasto-lateral da coxa por via IM ou gotas por VO.

Classificação dos Recém-Nascidos (RNS)

Os RNs podem ser classificados de acordo com o peso, a idade gestacional (IG) ao nascer e com
a relação entre um e outro. A classificação dos RNs é de fundamental importância pois ao permitir a
antecipação de problemas relacionados ao peso e/ou à IG quando do nascimento, possibilita o
planejamento dos cuidados e tratamentos específicos, o que contribui para a qualidade da assistência.

Classificação de Acordo Com o Peso

A Organização Mundial de Saúde define como RN de baixo-peso todo bebê nascido com peso igual
ou inferior a 2.500 gramas. Como nessa classificação não se considera a IG, estão incluídos tanto os
bebês prematuros quanto os nascidos a termo.
Em nosso país, o número elevado de bebês nascidos com peso igual ou inferior a 2.500 gramas -
baixo peso ao nascimento - constitui-se em importante problema de saúde. Nesse grupo há um elevado
percentual de morbimortalidade neonatal, devido à não-disponibilidade de assistência adequada durante
o pré-natal, o parto e o puerpério e/ou pela baixa condição socioeconômica e cultural da família, o que
pode acarretar graves consequências sociais.

Classificação de Acordo Com a IG

Considera-se como IG ao nascer, o tempo provável de gestação até o nascimento, medido pelo
número de semanas entre o primeiro dia da última menstruação e a data do parto.
O tempo de uma gestação desde a data da última menstruação até seu término é de 40 semanas.
Sendo assim, considera-se:
a) RN pré-termo ou prematuro - toda criança nascida antes de 37 semanas de gestação;
- pré-termo limítrofe 36 – 37 ou quase 38 semanas
- pré-termo moderado 31 – 35 ou 36 semanas
- pré-termo extremo < 30 (24 – 30) semanas
b) RN a termo - toda criança nascida entre 37 e 42 semanas de gestação;
c) RN pós-termo - toda criança nascida após 42 semanas de gestação.

Quanto menor a IG ao nascer, maior o risco de complicações e a necessidade de cuidados neonatais


adequados.
Se o nascimento antes do tempo acarreta riscos para a saúde dos bebês, o nascimento pós-termo
também. Após o período de gestação considerado como fisiológico, pode ocorrer diminuição da oferta de
oxigênio e de nutrientes e os bebês nascidos após 42 semanas de gestação podem apresentar
complicações respiratórias e nutricionais importantes no período neonatal.

Classificação de Acordo Com a Relação Peso/IG

Essa classificação possibilita a avaliação do crescimento intrauterino, uma vez que de acordo com a
relação entre o peso e a IG os bebês são classificados como:

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a) adequados para a idade gestacional (AIG) – são os neonatos cujas linhas referentes a peso e a
IG se encontram entre as duas curvas do gráfico. Em nosso meio, 90 a 95% do total de nascimentos são
de bebês adequados para a IG;
b) pequenos para a idade gestacional (PIG) - são os neonatos cujas linhas referentes a peso e a IG
se encontram abaixo da primeira curva do gráfico. Esses bebês sofreram desnutrição intrauterina
importante, em geral como consequência de doenças ou desnutrição maternas.
c) grandes para a idade gestacional (GIG) - são os neonatos cujas linhas referentes ao peso e a IG
se encontram acima da segunda curva do gráfico. Frequentemente os bebês grandes para a IG são filhos
de mães diabéticas ou de mães Rh negativo sensibilizadas.

Características Anatomofisiológicas dos RNs

Os RNs possuem características anatômicas e funcionais próprias.


O conhecimento dessas características possibilita que a assistência aos neonatos seja planejada,
executada e avaliada de forma a garantir o atendimento de suas reais necessidades. Também permite a
orientação aos pais a fim de capacitá-los para o cuidado após a alta.
O peso dos bebês é influenciado por diversas condições associadas à gestação, tais como fumo, uso
de drogas, paridade e alimentação materna.
Os RNs apresentam durante os cinco primeiros dias de vida uma diminuição de 5 a 10% do seu peso
ao nascimento, chamada de perda ponderal fisiológica, decorrente da grande eliminação de líquidos e
reduzida ingesta. Entre o 8º (RN a termo) e o 15º dia (RNs prematuros) de vida pós-natal, os bebês devem
recuperar o peso de nascimento.
Estudos realizados para avaliação do peso e estatura dos RNs brasileiros, indicam as seguintes
médias no caso dos neonatos a termo: 3.500g/50cm para os bebês do sexo masculino e 3.280g/49,6cm
para os do sexo feminino. Tais estudos mostraram também que a média do perímetro cefálico dos RNs
a termo é de 34-35cm. Já o perímetro torácico deve ser sempre 2-3cm menor que o cefálico (Navantino,
1995).
Os sinais vitais refletem as condições de homeostase dos bebês, ou seja, o bom funcionamento dos
seus sistemas respiratório, cardiocirculatório e metabólico; se os valores encontrados estiverem dentro
dos parâmetros de normalidade, temos a indicação de que a criança se encontra em boas condições no
que se refere a esses sistemas.
Os RNs são extremamente termolábeis, ou seja, têm dificuldade de manter estável a temperatura
corporal, perdendo rapidamente calor para o ambiente externo quando exposto ao frio, molhado ou em
contato com superfícies frias. Além disso, a superfície corporal dos bebês é relativamente grande em
relação ao seu peso e eles têm uma capacidade limitada para produzir calor.
A atitude e a postura dos RNs, nos primeiros dias de vida, refletem a posição em que se encontravam
no útero materno. Por exemplo, os bebês que estavam em apresentação cefálica tendem a manter-se na
posição fetal tradicional - cabeça fletida sobre o tronco, mãos fechadas, braços flexionados, pernas
fletidas sobre as coxas e coxas, sobre o abdômen.
A avaliação da pele do RN fornece importantes informações acerca do seu grau de maturidade,
nutrição, hidratação e sobre a presença de condições patológicas.
A pele do RN a termo, AIG e que se encontra em bom estado de hidratação e nutrição, tem aspecto
sedoso, coloração rosada (nos RNs de raça branca) e/ou avermelhada (nos RNs de raça negra), turgor
normal e é recoberta por vernix caseoso.
Nos bebês prematuros, a pele é fina e gelatinosa e nos bebês nascidos pós-termo, grossa e
apergaminhada, com presença de descamação — principalmente nas palmas das mãos, plantas dos pés
— e sulcos profundos. Têm também turgor diminuído.
Das inúmeras características observadas na pele dos RNs destacamos as que se apresentam com
maior frequência e sua condição ou não de normalidade.
a) Eritema tóxico - consiste em pequenas lesões avermelhadas, semelhantes a picadas de insetos,
que aparecem em geral após o 2º dia de vida. São decorrentes de reação alérgica aos medicamentos
usados durante o trabalho de parto ou às roupas e produtos utilizados para a higienização dos bebês.
b) Millium - são glândulas sebáceas obstruídas que podem estar presentes na face, nariz, testa e
queixo sob a forma de pequenos pontos brancos.
c) Manchas mongólicas - manchas azuladas extensas, que aparecem nas regiões glútea e
lombossacra. De origem racial – aparecem em crianças negras, amarelas e índias - costumam
desaparecer com o decorrer dos anos.
d) Petéquias - pequenas manchas arroxeadas, decorrentes de fragilidade capilar e rompimento de
pequenos vasos. Podem aparecer como consequência do parto, pelo atrito da pele contra o canal do

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parto, ou de circulares de cordão — quando presentes na região do pescoço. Estão também associadas
a condições patológicas, como septicemia e doenças hemolíticas graves.
e) Cianose - quando localizada nas extremidades (mãos e pés) e/ou na região perioral e presente nas
primeiras horas de vida, é considerada como um achado normal, em função da circulação periférica, mais
lenta nesse período. Pode também ser causada por hipotermia, principalmente em bebês prematuros.
Quando generalizada é uma ocorrência grave, que está em geral associada a distúrbios respiratórios e/ou
cardíacos.
f) Icterícia - coloração amarelada da pele, que aparece e evolui no sentido craniocaudal, que pode ter
significado fisiológico ou patológico de acordo com o tempo de aparecimento e as condições associadas.
As icterícias ocorridas antes de 36 horas de vida são em geral patológicas e as surgidas após esse
período são chamadas de fisiológicas ou próprias do RN.
g) Edema - o de membros inferiores, principalmente, é encontrado com frequência em bebês
prematuros, devido as suas limitações renais e cardíacas decorrentes da imaturidade dos órgãos. O
edema generalizado (anasarca) ocorre associado à insuficiência cardíaca, insuficiência renal e distúrbios
metabólicos.
h) Miliária32: Observa-se a partir da segunda semana de vida, com pequenas vesículas superficiais.
Dermatose ocasionada por obstrução dos condutos sudoríparos, por imaturidade das glândulas
sudoríparas do neonato. Mais comum na época de calor ou após fototerapia. Ao melhorar, deixam
descamação residual. Existem 3 tipos: cristalina, rubra e profunda.
Trata-se de um termo usado para descrever obstruções dos ductos écrinos que resultam em ruptura
dos ductos e bloqueio da sudorese normal na pele. O nível de obstrução determina as manifestações
clínicas. Pode ser encontrada em até 15% dos neonatos, e ocorre mais comumente em climas mais
quentes, em berçários sem ar-condicionado, e em lactentes febrís.
A miliária cristalina (miliaria alba) é o tipo mais comum de miliária e manifesta-se por minúsculas
vesículas não inflamatórias vesículas sem eritema circunjacente. Essas lesões são assintomáticas,
superficiais e podem ter a aparência de gotas de orvalho sobre a pele. Os locais mais afetados são a
fronte e parte superior do tronco. A miliária cristalina representa a ruptura dos ductos écrinos na camada
córnea.
A miliária rubra (brotoeja) é causada pela obstrução intraepidérmica dos ductos sudoríparos com
escape de suor dentro do duto e resposta inflamatória secundária local. As lesões são pápulas, vesículas
ou pústulas eritematosas, não-foliculares medindo de um a três milímetros. Afeta principalmente a face,
o pescoço e o tronco. A miliária rubra ocorre mais tarde que a miliária cristalina, geralmente após a
segunda semana de vida. Às vezes pode evoluir para lesões pustulosas (miliária profunda), mais
predominantes no tronco e nas extremidades, e reflete a oclusão dos ductos écrinos na junção dermo-
epidérmica. A miliária profunda é rara em recém-nascidos.
O diagnóstico de miliária é feito pela observação clínica. A causa precisa é desconhecida. Alguns
defendem que o envolvimento da substância polissacarídea extracelular produzida por certas cepas de
Staphylococcus epidermidis na obstrução dos ductos sudoríparos e a oclusão dos poros por edema
epidérmico celular podem ser os eventos iniciais.
O uso de emolientes muito espessos pode resultar em um quadro de miliária profunda em lactentes,
especialmente naqueles com dermatite atópica.
Os cabelos do RN a termo são em geral abundantes e sedosos; já nos prematuros são muitas vezes
escassos, finos e algodoados.
A implantação baixa dos cabelos na testa e na nuca pode estar associada à presença de malformações
cromossomiais.
Alguns bebês podem também apresentar lanugem, mais frequentemente observada em bebês
prematuros.
As unhas geralmente ultrapassam as pontas dos dedos ou são incompletas e até ausentes nos
prematuros.
Ao nascimento os ossos da cabeça não estão ainda completamente soldados e são separados por
estruturas membranosas denominadas suturas. Assim, temos a sagital (situada entre os ossos
parietais), a coronariana (separa os ossos parietais do frontal) e a lambdóide (separa os parietais do
occipital).
Entre as suturas coronariana e sagital está localizada a grande fontanela ou fontanela bregmática, que
tem tamanho variável e só se fecha por volta do 18º mês de vida. Existe também outra fontanela, a
lambdóide ou pequena fontanela, situada entre as suturas lambdóide e sagital. É uma fontanela de
pequeno diâmetro, que em geral se apresenta fechada no primeiro ou segundo mês de vida.
32
ARAUJO, Tami de; SCHACHNER, Lawrence. Erupções vesicopustulosas benignas no neonato. An. Bras. Dermatol, Rio de Janeiro, v. 81, n. 4, p. 359-366,
Ago. 2006.

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A presença dessas estruturas permite a moldagem da cabeça do feto durante sua passagem no canal
do parto. Esta moldagem tem caráter transitório e é também fisiológica. Além dessas, outras alterações
podem aparecer na cabeça dos bebês como consequência de sua passagem pelo canal de parto. Dentre
elas temos:
a) Cefalematoma - derrame sanguíneo que ocorre em função do rompimento de vasos pela pressão
dos ossos cranianos contra a estrutura da bacia materna. Tem consistência cística (amolecida com a
sensação de presença de líquidos), volume variável e não atravessa as linhas das suturas, ficando restrito
ao osso atingi- do. Aparece com mais frequência na região dos parietais, são dolorosos à palpação e
podem levar semanas para ser reabsorvidos.
b) Bossa serossanguínea - consiste em um edema do couro cabeludo, com sinal de cacifo positivo
cujos limites são indefinidos, não respeitando as linhas das suturas ósseas. Desaparece nos primeiros
dias de vida.
Os olhos dos RN podem apresentar alterações sem maior significado, tais como hemorragias
conjuntivais e assimetrias pupilares.
As orelhas devem ser observadas quanto à sua implantação que deve ser na linha dos olhos.
Implantação baixa de orelhas é um achado sugestivo de malformações cromossomiais.
No nariz, a principal preocupação é quanto à presença de atresia de coanas, que acarreta insuficiência
respiratória grave. A passagem da sonda na sala de parto, sem dificuldade, afasta essa possibilidade.
A boca deve ser observada buscando-se avaliar a presença de dentes precoces, fissura labial e/ou
fenda palatina.
O pescoço dos RNs é em geral curto, grosso e tem boa mobilidade.
Diminuição da mobilidade e presença de massas indicam patologia, o que requer uma avaliação mais
detalhada.
O tórax, de forma cilíndrica, tem como características principais um apêndice xifóide muito
proeminente e a pequena espessura de sua parede.
Muitos RNs, de ambos os sexos, podem apresentar hipertrofia das glândulas mamárias, como
consequência da estimulação hormonal materna recebida pela placenta. Essa hipertrofia é bilateral.
Quando aparece em apenas uma das glândulas mamárias, em geral é consequência de uma infecção
por estafilococos.
O abdômen também apresenta forma cilíndrica e seu diâmetro é 2-3cm menor que o perímetro
cefálico. Em geral, é globoso e suas paredes finas possibilitam a observação fácil da presença de hérnias
umbilicais e inguinais, principalmente quando os bebês estão chorando e nos períodos após a
alimentação.
A observação do abdômen do bebê permite também a avaliação do seu padrão respiratório, uma vez
que a respiração do RN é do tipo abdominal.
A cada incursão respiratória pode-se ver a elevação e descida da parede abdominal, com breves
períodos em que há ausência de movimentos.
Esses períodos são chamados de pausas e constituem um achado normal, pois a respiração dos
neonatos tem um ritmo irregular. Essa irregularidade é observada principalmente nos prematuros.
A distensão abdominal é um achado anormal e quando observada deve ser prontamente
comunicada, pois está comumente associada a condições graves como septicemia e obstruções
intestinais.
O coto umbilical, aproximadamente até o 4º dia de vida, apresenta-se com as mesmas características
do nascimento - coloração branco-azulada e aspecto gelatinoso. Após esse período, inicia-se o processo
de mumificação, durante o qual o coto resseca e passa a apresentar uma coloração escurecida. A queda
do coto umbilical ocorre entre o 6° e o 15º dia de vida.
A genitália masculina pode apresentar alterações devido à passagem de hormônios maternos pela
placenta que ocasionam, com frequência, edema da bolsa escrotal, que assim pode manter-se até vários
meses após o nascimento, sem necessidade de qualquer tipo de tratamento.
A palpação da bolsa escrotal permite verificar a presença dos testículos, pois podem se encontrar nos
canais inguinais. A glande está sempre coberta pelo prepúcio, sendo então a fimose uma condição
normal. Deve-se observar a presença de um bom jato urinário no momento da micção.
A transferência de hormônios maternos durante a gestação também é responsável por várias
alterações na genitália feminina. A que mais chama a atenção é a genitália em couve-flor. Pela
estimulação hormonal o hímen e os pequenos lábios apresentam-se hipertrofiados ao nascimento não
sendo recobertos pelos grandes lábios. Esse aspecto está presente de forma acentuada nos prematuros.
É observada com frequência a presença de secreção vaginal, de aspecto mucoide e leitoso. Em
algumas crianças pode ocorrer também sangramento via vaginal, denominado de menarca neonatal ou
pseudomenstruação.

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Em relação ao ânus, a principal observação a ser feita diz respeito à permeabilidade do orifício. Essa
avaliação pode ser realizada pela visualização direta do orifício anal e pela eliminação de mecônio nas
primeiras horas após o nascimento. Outro ponto importante refere-se às eliminações vesicais e intestinais.
O RN elimina urina várias vezes ao dia. A primeira diurese deve ocorrer antes de completadas as
primeiras 24 horas de vida, apresentando, como características, grande volume e coloração amarelo-
clara.
As primeiras fezes eliminadas pelos RNs consistem no mecônio, formado intrauterinamente, que
apresenta consistência espessa e coloração verde-escura. Sua eliminação deve ocorrer até às primeiras
48 horas de vida. Quando a criança não elimina mecônio nesse período é preciso uma avaliação mais
rigorosa pois a ausência de eliminação de mecônio nos dois primeiros dias de vida pode estar associada
a condições anormais (presença de rolha meconial, obstrução do reto).
Com o início da alimentação, as fezes dos RNs vão assumindo as características do que se costuma
denominar fezes lácteas ou fezes do leite.
As fezes lácteas têm consistência pastosa e coloração que pode variar do verde, para o amarelo
esverdeado, até a coloração amarelada. Evacuam várias vezes ao dia, em geral após a alimentação.

Assistência de Enfermagem ao RN no Alojamento Conjunto

O alojamento conjunto é o sistema hospitalar no qual o RN permanece ao lado de sua mãe 24


horas por dia, desde o nascimento até a alta hospitalar.
A adoção desse sistema proporciona vantagens para todos os envolvidos. Para a mãe, favorece a
interação com o bebê por permitir-lhe que cuide de seu filho desde os primeiros momentos; facilita a
lactação (formação, secreção e excreção do leite), favorecendo o processo de amamentação; proporciona
um intercâmbio de informações entre as mães e a participação do pai no cuidado do filho; permite maior
relacionamento com a equipe de saúde, oferecendo assim satisfação, tranquilidade e segurança.
Para o RN, oferece satisfação de suas necessidades biológicas e emocionais, pois os cuidados são
realizados de forma mais imediata; possibilita que seja alimentado quando desejar e existe menor risco
de que adquira infecção hospitalar, uma vez que sua permanência no berçário o expõe a tal.
Inicialmente, todas as mães podem ir para o alojamento conjunto, com exceção daquelas cujas
condições de saúde não permitam cuidar de seus filhos.
A mãe deve participar ativamente dos cuidados de seu filho, porém cabe à equipe de enfermagem
estar atenta a algumas observações: coloração da pele, frequência e aspecto das eliminações, aspecto
do coto umbilical, capacidade de sucção, sinais vitais e qualquer alteração de seu estado geral. Além
disso, deve ajudar a mãe em suas necessidades básicas como: higiene corporal, cuidados com as
mamas, alimentação, sono e repouso.
No sistema de alojamento conjunto é importante estar aberto para ouvir a mãe sobre suas
preocupações, ansiedades ou medos, pois o fato de retornar para casa com um bebê pode deixá-la
insegura e preocupada.

Posição da Criança Para Dormir

A prática de colocar as crianças para dormir em decúbito dorsal no alojamento conjunto e o


fornecimento de informações simples e claras quanto ao posicionamento recomendado do bebê para
dormir devem fazer parte da rotina dos profissionais de saúde que atuam em alojamento conjunto.
Está bem documentada a associação entre síndrome da morte súbita do lactente e posição prona. Em
diversos países observou-se queda significativa da mortalidade por essa condição após campanhas
recomendando a posição supina para dormir, que é a única recomendada pelo Ministério da Saúde do
Brasil.
Apesar dessa recomendação, mesmo em hospitais-escola com programas de residência médica em
Pediatria, a posição para dormir mais utilizada no alojamento conjunto de maternidades brasileiras é a de
decúbito lateral, assim como também a mais recomendada, erroneamente, em orientação verbal, na alta
hospitalar.
Existe temor entre pais e profissionais de saúde quanto à possibilidade de aspiração dos bebês quando
colocados em decúbito dorsal. No entanto, estudos mostram que não houve aumento da frequência de
aspiração após a recomendação de colocar as crianças para dormir nessa posição.

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Referência
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Projeto de
Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: saúde da mulher, da
criança e do adolescente. 2. ed., 1. reimpr. Brasília: Ministério da Saúde; Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003.

Humanização da Assistência ao RN de Baixo Peso

Atendimento à Família em Unidades Neonatais

Nos últimos dez anos, a assistência neonatal vêm mudando seu perfil de atendimento, procurando
assistir não só os RNs que ali se encontram internados, como também sua família, em especial os pais.
Essas mudanças vem ocorrendo tanto no ambiente físico de atendimento ao RN, passando a ser cada
vez mais acolhedor possibilitando a participação da família, como na própria equipe de saúde que
atualmente identifica a mãe e família como parceiros na reabilitação e desenvolvimento do RN.
Mas antes de iniciarmos a discussão sobre o atendimento adequado à família, vamos tentar entender
a problemática da relação pais e filhos no período neonatal, incluindo a formação do apego.
Os laços afetivos entre pais e filhos iniciam-se antes do nascimento, a partir do planejamento de
ter o filho. É nesse momento que começam a pensar se seria melhor um menino ou menina, como será
após o nascimento, com quem o bebê se parecerá, como deve ser sua educação, onde morar, dentre
outros planos feitos para o filho que ainda nem foi concebido.
Com a gestação, os laços afetivos estreitam-se a partir das mudanças geradas por essa nova fase
que vai influenciar, positivamente ou não, o vínculo familiar.
A notícia da chegada de um filho, na maior parte das vezes, é acompanhada de euforia, esperança,
sonhos, ao mesmo tempo em que preocupações, medo e instabilidade emocional povoam o cenário
familiar.
Esses sentimentos opostos, se forem vivenciados de forma equilibrada, ou seja, sem excessos de
ambos os lados, poderão contribuir para o desenvolvimento emocional dos pais e, consequentemente,
para o fortalecimento dos laços afetivos entre eles e seu filho.
Antes do nascimento, o casal “grávido” procura formar uma identidade para seu bebê. É comum
imaginarem sua aparência, seu sexo, seu temperamento. Enfim, constroem uma imagem de bebê ideal,
principalmente quando a mãe começa a sentir os primeiros movimentos fetais.
A idealização da imagem do filho é necessária para que os pais possam criar mecanismos de interação
com ele. Ao nascimento, irão comprovar se a imagem real correspondeu à imagem idealizada.
Nesse momento, o contato precoce entre pais e filhos, ou seja, logo após o nascimento, irá favorecer
a formação do vínculo afetivo e apego entre eles.
Entretanto, alguns fatores podem dificultar, ou até mesmo impedir, a interação e o apego entre pais e
filhos. Dentre eles está a separação da tríade pai-mãe-filho logo após o parto, como ocorre nos
nascimentos de bebês doentes.
A internação neonatal é uma realidade cruel para os pais. De repente, o berço enfeitado é
substituído por uma incubadora; a caixinha de música pelo irritante som dos alarmes e campainhas dos
aparelhos; as visitas de amigos e parentes pelo rodízio de uma equipe de branco com pessoas
desconhecidas que parecem não perceber todo aquele sofrimento.
O choro do bebê não pode ser abafado pelo aconchego do colo materno; a fome não pode ser saciada
pelo seio e nem mesmo o simples ato de trocar uma fralda pode ser realizado sem permissão. O filho não
é mais deles, essa é a impressão que fica.
Os pais vivem uma crise, pois além de se depararem com um filho não-idealizado, ainda têm que se
adaptar e aceitar sua internação, que para eles é caracterizada principalmente pelo afastamento
obrigatório e pelo constante medo da perda.
O medo da morte do filho, associado ao sentimento de culpa e frustração por ter gerado um bebê
doente, é uma das principais causas do distanciamento dos pais do tratamento de seus filhos internados
nas unidades neonatais. Outros fatores contribuem para a “fuga” dos pais. Dentre eles a falta de
informação adequada e de apoio por parte da equipe que deveria guiá-los na difícil tarefa de aceitação,
adaptação e interação com o filho doente.
Para uma boa abordagem familiar é necessário que a enfermagem siga algumas condutas específicas,
considerando que os pais também são alvo de sua atenção. São elas:
- No primeiro contato com a família apresente-se a ela, identificando-se por nome e função
exercida, demonstrando segurança e simpatia. O desconhecimento de quem cuida de seu filho gera nos
pais muitas expectativas, dúvidas e receio. É importante para eles saber quem é responsável pelo quê e

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também a quem se dirigir quando precisarem de alguma coisa. Para isso é necessária uma equipe solícita
e receptiva que os deixem à vontade para qualquer esclarecimento;
- A falta de informações gera muita ansiedade nos pais, o que pode prejudicar sua interação não
só com o filho, como também com a equipe que o assiste, devendo-se oferecer informações adequadas
sobre as regras e rotinas hospitalares, o direito de visitas, os tipos de aparelhos e para que servem e
principalmente sobre a importância para o bebê da presença dos pais;
- Nem sempre os pais estão preparados para receber muitas informações ao mesmo tempo e/ou nem
sempre estão interessados em saber aquilo que achamos que eles gostariam ou deveriam conhecer. Por
isso, é bom que antes de oferecermos qualquer informação perguntemos primeiro o que eles gostariam
de saber. Evite dar todas as informações de uma só vez;
- Um ambiente menos estressante pode ajudar os pais a se adaptar à nova realidade que os cerca,
deixando-os mais à vontade para interagir com o filho e com a equipe que o assiste. Com esse objetivo,
crie um ambiente acolhedor sempre que possível, diminuindo o excesso de luz e som da unidade,
além de sempre propiciar conforto para os pais oferecendo uma cadeira para que possam sentar-se
próximo do filho, garantindo-lhes privacidade e evitando muitas restrições a sua entrada e/ou
permanência nas unidades neonatais;
- Procure sempre respeitar e preservar a individualidade de cada RN e sua família, tratando-os
pelos nomes, usando os objetos pessoais do bebê, respeitando a prática religiosa familiar e permitindo a
visita de avós e irmãos. Essas atitudes ajudam a favorecer a integração do novo ser à família, além de
devolver aos pais um pouco dos seus direitos de maternidade e paternidade;
- Incentive, apoie e supervisione os pais na prestação de alguns cuidados básicos tais como
alimentação, higiene, verificação de temperatura, troca de fralda, pesagem, colo, toque, método
“canguru”, dentre outros;
- Ser receptivo às queixas e sugestões, transmitir segurança e confiança, ser paciente e
compreensivo, garantir a continuidade da aten