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Questões Sarah 2º Bimestre

1 – Primeiramente, cabe esclarecer o que são bens públicos de uso especial: eles são somente
usados pela Administração em seus serviços, com a específica função de aumentar a esfera de
ação do indivíduo, ficando à ele facultado o uso e gozo destes bens públicos, sob certas
condições excepcionais (formalidades exigidas). Portanto, um cemitério faz parte desta
categoria, pois para que o indivíduo venha à “obte-lo”, faz-se necessário um ato formal, onde o
poder público autoriza o sepultamento.

O jus sepulchri encontra grande diversidade doutrinária, e sua natureza exata é de difícil
classificação. Contudo, o que mais se aproxima do jus sepulchri, dentre todos os institutos, é a
enfiteuse: esta é um direito real sobre coisa alheia, perpétuo, onde por ato entre vivos ou de
última vontade, o proprietário de um imóvel (no caso, geralmente o município) atribui a
outrem (no caso, José Gibão) o domínio útil, pagando o adquirente, chamado de enfiteuta, ao
senhorio direto uma pensão ou foro, anual, certo e invariável. Não se fala em compra e venda
de sepultura, portanto não se fala de propriedade, mas sim de assegurado direito de uso e
gozo.

Os jazigos (espaços destinados à inumação) podem ser perpétuos, traduzidos em contrato de


acordo enfitêutico; ou temporários, quando o poder público fornece sepultura com prazo
estabelecido: neste caso, estamos diante de um contrato administrativo de arrendamento,
regidos pelas disposições do direito público e, em caso de omissão, subsidiariamente pelas
normas civis.

Dito tudo isso, a família de João Gibão era no máximo possuidora do espaço sepulcral, com
direitos reais de uso e gozo. Portanto, resguardados estão por interditos possessórios, neste
caso, o de reintegração de posse;

No pólo passivo o a família do 3º desconhecido e denunciar a lide para o município. Cumular


perdas e danos, pois a família Gibão estava pagando para ter preferência ao jazigo, e mesmo
assim foram esbulhados.

4 – Cabe ação de reintegração de posse, porém, por se tratar de posse velha (há mais de ano e
dia), o procedimento é ordinário, dificilmente se conseguirá uma medida liminar em favor do
Sr. Saviano. Em vez disso, segundo o artigo 565 do CPC, o juiz deverá designar audiência de
mediação antes de apreciar o pedido de concessão de medida liminar. Não parece haver
necessidade de cumular algum pedido de indenização ou perdas e danos, tampouco danos
morais, restando-se resguardados para eventuais circunstâncias. Circunstância interessante
neste caso, é que o Sr. Saviano plantou árvores no local, e elas poderiam vir a servir de
instrumento comprobatório de que Saviano tinha a posse original direta do imóvel, requisito
imprescindível para a reintegração de posse.

Houveram alguns julgados mais antigos onde se pretendia afastar a circunstância de posse
velha devido à clandestinidade, mas, assim como se aplicaria neste caso, foi decidido que não
se caracteriza clandestinidade “tão-só pelo fato do possuidor não ter tomado ciência da
aquisição da posse, quando esta se deu de forma pública”, e as pretensões foram rejeitadas
(vide TRF-5 - AC: 44335 PE 0004508-23.1994..4.05.0000). Caso a posse seja considerada
clandestina, será cabível liminar na reintegração.
Expressa a dificuldade em se obter uma liminar em ação possessória, supondo que Saviano
tenha o imóvel devidamente registrado, ele também poderia optar por um pedido de tutela de
urgência em uma ação reivindicatória, segundo o artigo 300 do CPC. Com isto, poderia se
conceder liminarmente uma imissão na posse, com eventual caução, segundo os termos do
parágrafo 1º do referido artigo.

Vale a pena lembrar ainda, que, caso o Sr. Saviano seja reintegrado, cabe ao casal o direito de
retenção, segundo os artigos 1.214 e 1.219 do CC, até que sejam ressarcidos pelas plantações
de milho e soja que fizeram, deduzidas as despesas de produção e custeio.

Na hipótese de o casal procurar assistência judicial, por estarem há pouco tempo no imóvel,
restam afastadas quaisquer possibilidades de tentar ação petitória de usucapião; restaria
apenas o interdito proibitório contra o Sr. Saviano, para continuarem por mais algum tempo no
imóvel.

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