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TÉCNICO DE CAD/CAM

MANUAL DE FORMAÇÃO
VIVER EM PORTUGUÊS
UFCD 6651 – PORTUGAL E A EUROPA
VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

Índice

Introdução…………………………………………………………………………………………2
Resultados da aprendizagem…………………………………..……………………………..3

1.Organização do Estado Democrático……………………………………………………..4


1.1.O Estado de Direito – a Constituição…………………………………………………………….4
1.1.1.A génese da nossa Constituição……………………………………………………..4
1.1.2.A prevalência da Lei Fundamental face a outras normas ou leis…………6
1 . 1 . 3 . P r i n c í p i o s , d i r e i t o s e
garantias………………………………………………………..7
1.1.4.Organização política……………………………………………………………….15
2.Os Órgãos de Soberania – sua composição, competências e interligação…….17
2.1.Presidência da República, Assembleia da República, Governo e Tribunais…7
3.A Administração Pública……………………………………………………………………25
3.1.Algumas competências a nível central, regional e local…………………………25
4.Integração de Portugal na União Europeia……………………………………………30
4.1.Principais motivações do pedido de adesão e implicações decorrentes da
integração…………………………………………………………………………………………………………….30
5.A Europa, o cidadão e o trabalho…………………………………………………………35
5.1.Estados-Membros: sucessivos alargamentos……………………………………………….35
5.2.Mercado Único Europeu…………………………………………………………………………….47
5.3.Adesão à moeda única………………………………………………………………………………47
5.4.Os principais Tratados da União Europeia……………………………………………………48
5.5.As instituições europeias……………………………………………………………………………52
5.6.O cidadão/profissional europeu………………………………………………………………….56
6.A Europa e o Mundo………………………………………………………………………….62
6.1. As principais organizações internacionais: organizações intergovernamentais
(ONU, OTAN, entre outras) e organizações não-governamentais………………………..62
6.2. Nível de intervenção na resolução de problemas
m u n d i a i s … … … … … … … … … … … 6 7

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Portugal e a Europa

Propostas de atividade………………………………………………………………………69
Bibliografia…………………………………………………………………………………..….71

Introdução

“Portugal e a Europa” é um módulo destinado a integrar o formando no seu tempo pleno,


em termos de se posicionar geográfica, política e culturalmente.

É importante que os formandos comecem por saber situar-se geograficamente, para


passarem depois a conhecer as várias fases da postura relacional portuguesa, desde o
“orgulhosamente sós”, na ponta mais ocidental da Europa, até à integração actual, no
continente europeu, com todo o significado desta mudança.

Como marco temporal, para a distinção entre estas duas épocas, poderá apontar-se o
antes e o depois do 25 de Abril de 1974.

Com este módulo, pensamos que o formando virá a desenvolver competências de respeito
por si e pelos outros e de afirmação da sua identidade nacional, de cidadão europeu e do
mundo.

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Portugal e a Europa

Resultados da Aprendizagem

 Reconhecer a Constituição como Lei Fundamental do Estado de Direito português.


 Demonstrar o conhecimento da hierarquia e das competências dos órgãos de
soberania.
 Explicitar a interdependência entre governantes e governados no contexto das
sociedades democráticas.
 Lidar de forma cooperante com os outros, assumindo as regras do jogo
democrático.
 Indicar os objetivos da adesão de Portugal à União Europeia.
 Justificar a criação da União Europeia.
 Referir as diferentes etapas da construção europeia.
 Distinguir os diferentes Tratados.
 Caracterizar as principais instituições da União Europeia.
 Reconhecer a importância de organizações internacionais na resolução de
problemas globais.
 Identificar diferentes tipos de organizações internacionais e explicitar as funções das
principais.

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Portugal e a Europa

1.Organização do Estado Democrático

1.1.O Estado de Direito – a Constituição

1.1.1.A génese da nossa Constituição

Portugal é uma república desde 5 de outubro de 1910, antes dessa data, desde a fundação
do reino de Portugal, em 1143, vigorou a monarquia (tipo de governo em que apenas uma
pessoa – o monarca - detém o poder soberano, geralmente, de forma vitalícia ou, até,
abdicação).

Assim, o período compreendido entre 1910 e 1926 ficou conhecido como a primeira
república, de 1926 a 1974 por estado novo e a partir de 1974 por estado democrático.

A Democracia é um regime de governo onde o poder de tomar decisões políticas


importantes reside no povo, que pode exercer esse poder, direta ou indiretamente, por
meio de representantes eleitos. Em democracia são os cidadãos que escolhem os seus
governantes.

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Portugal e a Europa

A democracia repousa sobre a liberdade, a igualdade, o princípio da escolha da maioria e o


estado de direito. A democracia direta refere-se ao sistema onde os cidadãos decidem
diretamente cada assunto por votação, enquanto que na democracia representativa ou
indireta, os cidadãos elegem representantes, em intervalos regulares, que então votam os
assuntos em seu favor.

Muitas democracias representativas modernas incorporam alguns elementos da democracia


direta, normalmente na modalidade de referendo. A Democracia opõe-se à ditadura e ao
totalitarismo onde o poder reside num grupo autoeleito.

Portugal viveu durante cerca de quarenta e oito anos um período de ditadura,


caracterizado pela concentração de poderes, restrição das liberdades de opinião e de
imprensa.

Portugal enfrentava uma guerra nos territórios das então colónias de Angola, Moçambique
e Guiné, iniciada em 1961, e vivia isolado no contexto internacional onde era reivindicada a
autodeterminação e a independência dos, à data considerados, territórios africanos de
Portugal (Angola, Moçambique, Guiné, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde). Este período é
conhecido por Estado Novo.

Foi na madrugada de 25 de Abril de 1974 que o Movimento da Forças Armada (MFA)


“derrubou” a ditadura e deu início a uma marcha, algo conturbada, para restituir aos
portugueses os direitos e liberdades fundamentais e implantar a democracia no País.

Um ano depois foram organizadas eleições livres para a escolha dos deputados à
Assembleia Constituinte. Por se tratar do primeiro ato de liberdade e de responsabilidade
cívica, a maioria da população com idade para exercer o direito de voto deslocou-se em
massa às urnas. Foi esta Assembleia que elaborou a Constituição de 1976 onde ficaram
plasmados os grandes objetivos da revolução.

De acordo com o artigo 2.º da Constituição

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“ A República Portuguesa é um Estado democrático, baseado […] no respeito e na garantia


dos direitos e liberdades fundamentais e no pluralismo de expressão e organização
democrática.”

A Constituição garantiu, ainda, os direitos cívicos, económicos e sociais dos cidadãos. É a


mesma Constituição, com algumas alterações ocorridas posteriormente, em 1982, em
1989, em 1992 e em 1997, que continua hoje em vigor.

Desde 1975 foram realizadas várias eleições, que contribuíram para a institucionalização do
regime democrático. Constituição da República Portuguesa (CRP)

A Constituição da República Portuguesa (CRP) é o normativo supremo do ordenamento


jurídico de estado. É ela que define a formação, a composição, a competência e o
funcionamento dos órgãos de soberania e prevê os direitos e garantias fundamentais.

A Constituição da República elaborada em 1976, à semelhança das modernas constituições


políticas e demais legislação de numerosos estados, inspira-se, no campo dos direitos e
liberdades fundamentais, na Declaração Universal dos Direitos do Homem (n.º 2 do artigo
16.º da CRP).´

A Constituição da República Portuguesa (CRP) consagra um conjunto de direitos, liberdades


e garantias para todos os cidadãos. De igual modo, diferentes leis e regulamentos
nacionais corporizam e densificam as normas constitucionais aplicáveis nesta matéria.

1.1.2.A prevalência da Lei Fundamental face a outras normas ou leis

Na medida em que os preceitos constitucionais são a referência de todo o sistema político


de um Estado, as leis ordinárias são-lhes subordinadas e não podem contradizê-los nem
alterá-los.

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A conformidade das leis ordinárias à Constituição é salvaguardada por órgãos competentes


(no caso português, na atualidade, pelo Tribunal Constitucional) e a revisão do diploma
fundamental tem que obedecer a determinadas formalidades, definidas na própria
Constituição.

1.1.3. Princípios, direitos e garantias

Direitos, liberdades e garantias pessoais

Direito à vida
 A vida humana é inviolável.
 Em caso algum haverá pena de morte.

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Direito à integridade pessoal


 A integridade moral e física das pessoas é inviolável.
 Ninguém pode ser submetido a tortura, nem a tratos ou penas cruéis, degradantes
ou desumanos.

Outros direitos pessoais


 A todos são reconhecidos os direitos à identidade pessoal, ao desenvolvimento da
personalidade, à capacidade civil, à cidadania, ao bom nome e reputação, à
imagem, à palavra, à reserva da intimidade da vida privada e familiar e à proteção
legal contra quaisquer formas de discriminação.

Direito à liberdade e à segurança


 Todos têm direito à liberdade e à segurança.
 Ninguém pode ser total ou parcialmente privado da liberdade, a não ser em
consequência de sentença judicial condenatória pela prática de acto punido por lei
com pena de prisão ou de aplicação judicial de medida de segurança.

Inviolabilidade do domicílio e da correspondência


 O domicílio e o sigilo da correspondência e dos outros meios de comunicação
privada são invioláveis.
 A entrada no domicílio dos cidadãos contra a sua vontade só pode ser ordenada
pela autoridade judicial competente, nos casos e segundo as formas previstos na
lei.

Família, casamento e filiação


 Todos têm o direito de constituir família e de contrair casamento em condições de
plena igualdade.

Liberdade de expressão e informação


 Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela
palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar,
de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

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 O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou
forma de censura.

Liberdade de imprensa e meios de comunicação social


 É garantida a liberdade de imprensa.

Liberdade de consciência, de religião e de culto


 A liberdade de consciência, de religião e de culto é inviolável.
 Ninguém pode ser perseguido, privado de direitos ou isento de obrigações ou
deveres cívicos por causa das suas convicções ou prática religiosa.
 É garantido o direito à objeção de consciência, nos termos da lei.

Liberdade de criação cultural


 É livre a criação intelectual, artística e científica.
 Esta liberdade compreende o direito à invenção, produção e divulgação da obra
científica, literária ou artística, incluindo a proteção legal dos direitos de autor.

Liberdade de aprender e ensinar


 É garantida a liberdade de aprender e ensinar.
 O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer diretrizes
filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas.

Direito de deslocação e de emigração


 A todos os cidadãos é garantido o direito de se deslocarem e fixarem livremente em
qualquer parte do território nacional.
 A todos é garantido o direito de emigrar ou de sair do território nacional e o direito
de regressar.

Direito de reunião e de manifestação


 Os cidadãos têm o direito de se reunir, pacificamente e sem armas, mesmo em
lugares abertos ao público, sem necessidade de qualquer autorização.
 A todos os cidadãos é reconhecido o direito de manifestação.

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Liberdade de associação
 Os cidadãos têm o direito de, livremente e sem dependência de qualquer
autorização, constituir associações, desde que estas não se destinem a promover a
violência e os respetivos fins não sejam contrários à lei penal.

Liberdade de escolha de profissão e acesso à função pública


 Todos têm o direito de escolher livremente a profissão ou o género de trabalho,
salvas as restrições legais impostas pelo interesse coletivo ou inerentes à sua
própria capacidade.
 Todos os cidadãos têm o direito de acesso à função pública, em condições de
igualdade e liberdade, em regra por via de concurso.

Direitos, liberdades e garantias de participação política

Participação na vida pública


 Todos os cidadãos têm o direito de tomar parte na vida política e na direção dos
assuntos públicos do país, diretamente ou por intermédio de representantes
livremente eleitos.
 Todos os cidadãos têm o direito de ser esclarecidos objetivamente sobre atos do
Estado e demais entidades públicas e de ser informados pelo Governo e outras
autoridades acerca da gestão dos assuntos públicos.

Direito de sufrágio
 Têm direito de sufrágio todos os cidadãos maiores de dezoito anos, ressalvadas as
incapacidades previstas na lei geral.
 O exercício do direito de sufrágio é pessoal e constitui um dever cívico.

Direito de acesso a cargos públicos


 Todos os cidadãos têm o direito de acesso, em condições de igualdade e liberdade,
aos cargos públicos.

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Associações e partidos políticos


 A liberdade de associação compreende o direito de constituir ou participar em
associações e partidos políticos e de através deles concorrer democraticamente para
a formação da vontade popular e a organização do poder político.

Direito de petição e direito de ação popular


 Todos os cidadãos têm o direito de apresentar, individual ou coletivamente, aos
órgãos de soberania, aos órgãos de governo próprio das regiões autónomas ou a
quaisquer autoridades petições, representações, reclamações ou queixas para
defesa dos seus direitos, da Constituição, das leis ou do interesse geral e, bem
assim, o direito de serem informados, em prazo razoável, sobre o resultado da
respetiva apreciação.

Direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores

Segurança no emprego
 É garantida aos trabalhadores a segurança no emprego, sendo proibidos os
despedimentos sem justa causa ou por motivos políticos ou ideológicos.

Comissões de trabalhadores
 É direito dos trabalhadores criarem comissões de trabalhadores para defesa dos
seus interesses e intervenção democrática na vida da empresa.

Liberdade sindical
 É reconhecida aos trabalhadores a liberdade sindical, condição e garantia da
construção da sua unidade para defesa dos seus direitos e interesses.

Direitos das associações sindicais e contratação coletiva)


 Compete às associações sindicais defender e promover a defesa dos direitos e
interesses dos trabalhadores que representem.

Direito à greve e proibição do lock-out

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 É garantido o direito à greve.


 É proibido o lock-out.

Direitos e deveres económicos, sociais e culturais

Direitos e deveres económicos

Direito ao trabalho
 Todos têm direito ao trabalho.

Direitos dos trabalhadores


 Todos os trabalhadores, sem distinção de idade, sexo, raça, cidadania, território de
origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, têm direito:
o a) À retribuição do trabalho, segundo a quantidade, natureza e qualidade,
observando-se o princípio de que para trabalho igual salário igual, de forma
a garantir uma existência condigna;
o b) A organização do trabalho em condições socialmente dignificantes, de
forma a facultar a realização pessoal e a permitir a conciliação da actividade
profissional com a vida familiar;
o c) A prestação do trabalho em condições de higiene, segurança e saúde;
o d) Ao repouso e aos lazeres, a um limite máximo da jornada de trabalho, ao
descanso semanal e a férias periódicas pagas;
o e) À assistência material, quando involuntariamente se encontrem em
situação de desemprego;
o f) A assistência e justa reparação, quando vítimas de acidente de trabalho
ou de doença profissional.

Direitos dos consumidores


 Os consumidores têm direito à qualidade dos bens e serviços consumidos, à
formação e à informação, à proteção da saúde, da segurança e dos seus interesses
económicos, bem como à reparação de danos.

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Iniciativa privada, cooperativa e autogestionária


 A iniciativa económica privada exerce-se livremente nos quadros definidos pela
Artigo 62.º

Direito de propriedade privada


 A todos é garantido o direito à propriedade privada e à sua transmissão em vida ou
por morte, nos termos da Constituição.

Direitos e deveres sociais

Segurança social e solidariedade


 Todos têm direito à segurança social.

Saúde
 Todos têm direito à proteção da saúde e o dever de a defender e promover.

Habitação e urbanismo
 Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão
adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal
e a privacidade familiar.

Ambiente e qualidade de vida


 Todos têm direito a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente
equilibrado e o dever de o defender.

Família
 A família, como elemento fundamental da sociedade, tem direito à proteção da
sociedade e do Estado e à efetivação de todas as condições que permitam a
realização pessoal dos seus membros.

Paternidade e maternidade

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 Os pais e as mães têm direito à proteção da sociedade e do Estado na realização da


sua insubstituível ação em relação aos filhos, nomeadamente quanto à sua
educação, com garantia de realização profissional e de participação na vida cívica
do país.
 A maternidade e a paternidade constituem valores sociais eminentes.

Infância
 As crianças têm direito à proteção da sociedade e do Estado, com vista ao seu
desenvolvimento integral, especialmente contra todas as formas de abandono, de
discriminação e de opressão e contra o exercício abusivo da autoridade na família e
nas demais instituições.

Juventude
 Os jovens gozam de proteção especial para efetivação dos seus direitos
económicos, sociais e culturais, nomeadamente:
o a) No ensino, na formação profissional e na cultura;
o b) No acesso ao primeiro emprego, no trabalho e na segurança social;
o c) No acesso à habitação;
o d) Na educação física e no desporto;
o e) No aproveitamento dos tempos livres.

Cidadãos portadores de deficiência


 Os cidadãos portadores de deficiência física ou mental gozam plenamente dos
direitos e estão sujeitos aos deveres consignados na Constituição, com ressalva do
exercício ou do cumprimento daqueles para os quais se encontrem incapacitados.

Terceira idade
 As pessoas idosas têm direito à segurança económica e a condições de habitação e
convívio familiar e comunitário que respeitem a sua autonomia pessoal e evitem e
superem o isolamento ou a marginalização social.

Direitos e deveres culturais

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Educação, cultura e ciência


 Todos têm direito à educação e à cultura.

Ensino
 Todos têm direito ao ensino com garantia do direito à igualdade de oportunidades
de acesso e êxito escolar.

Fruição e criação cultural


 Todos têm direito à fruição e criação cultural, bem como o dever de preservar,
defender e valorizar o património cultural.

Cultura física e desporto


 Todos têm direito à cultura física e ao desporto.

1.1.4. Organização política

Princípios gerais

Titularidade e exercício do poder


 O poder político pertence ao povo e é exercido nos termos da Constituição.

Participação política dos cidadãos


 A participação direta e ativa de homens e mulheres na vida política constitui
condição e instrumento fundamental de consolidação do sistema democrático,
devendo a lei promover a igualdade no exercício dos direitos cívicos e políticos e a
não discriminação em função do sexo no acesso a cargos políticos.

Órgãos de soberania
 São órgãos de soberania o Presidente da República, a Assembleia da República, o
Governo e os Tribunais.

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 A formação, a composição, a competência e o funcionamento dos órgãos de


soberania são os definidos na Constituição.

Separação e interdependência
 Os órgãos de soberania devem observar a separação e a interdependência
estabelecidas na Constituição.
 Nenhum órgão de soberania, de região autónoma ou de poder local pode delegar os
seus poderes noutros órgãos, a não ser nos casos e nos termos expressamente
previstos na Constituição e na lei.

Atos normativos
 São atos legislativos as leis, os decretos-leis e os decretos legislativos regionais.

Princípios gerais de direito eleitoral


 O sufrágio direto, secreto e periódico constitui a regra geral de designação dos
titulares dos órgãos eletivos da soberania, das regiões autónomas e do poder local.
 O recenseamento eleitoral é oficioso, obrigatório, permanente e único para todas as
eleições por sufrágio direto e universal.

Partidos políticos e direito de oposição


 Os partidos políticos participam nos órgãos baseados no sufrágio universal e direto,
de acordo com a sua representatividade eleitoral.
 É reconhecido às minorias o direito de oposição democrática, nos termos da
Constituição e da lei.

Referendo
 Os cidadãos eleitores recenseados no território nacional podem ser chamados a
pronunciar-se diretamente, a título vinculativo, através de referendo, por decisão do
Presidente da República, mediante proposta da Assembleia da República ou do
Governo, em matérias das respetivas competências, nos casos e nos termos
previstos na Constituição e na lei.

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Órgãos colegiais
 As reuniões das assembleias que funcionem como órgãos de soberania, das regiões
autónomas ou do poder local são públicas, exceto nos casos previstos na lei.
 As deliberações dos órgãos colegiais são tomadas com a presença da maioria do
número legal dos seus membros.

Estatuto dos titulares de cargos políticos


 Os titulares de cargos políticos respondem política, civil e criminalmente pelas ações
e omissões que pratiquem no exercício das suas funções.
 A lei dispõe sobre os deveres, responsabilidades e incompatibilidades dos titulares
de cargos políticos, as consequências do respetivo incumprimento, bem como sobre
os respetivos direitos, regalias e imunidades.
 A lei determina os crimes de responsabilidade dos titulares de cargos políticos, bem
como as sanções aplicáveis e os respetivos efeitos, que podem incluir a destituição
do cargo ou a perda do mandato.

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2.Os Órgãos de Soberania – sua composição, competências e


interligação

2.1. Presidência da República, Assembleia da República, Governo e


Tribunais

A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania


popular, no pluralismo de expressão e na organização política e democrática, no respeito e
na garantia de efetivação dos direitos e liberdades fundamentais.

Órgãos de soberania
 São órgãos de soberania o Presidente da República, a Assembleia da República, o
Governo e os Tribunais.
 A função, a composição, a competência e o funcionamento dos órgãos de soberania
são os definidos na Constituição.

Os órgãos de soberania que exercem o poder político (o Presidente, a Assembleia e o


Governo) de acordo com a Constituição Portuguesa, constituem um sistema de equilíbrio
de poderes. Os tribunais funcionam como ramo independente em relação às instâncias do
poder político supremo.

Este sistema de governo deve reunir as seguintes condições:


 Separação e equilíbrio de poderes;
 Limitação e controlo mútuo dos órgãos de poder;
 Estabilidade do sistema político;
 Eficácia do governo;
 Capacidade de superação de impasse político.

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O princípio da separação e da interdependência de poderes, entre o poder legislativo, o


poder executivo e o Presidente da República constituem uma das características do sistema
do governo português (Artigo 111.º da CRP).

Presidente da República

O Presidente da República ocupa, nos termos da Constituição, um dos três vértices do


sistema de órgãos de soberania que exercem o poder político.

O Presidente da República representa a República Portuguesa, garante a independência


nacional e a unidade do Estado e regula o funcionamento das instituições democráticas. É,
por inerência, Comandante Supremo das Forças Armadas. (art.º 120.º da CRP).

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Portugal e a Europa

O Presidente da República é eleito por sufrágio universal, direto e secreto, dos cidadãos
portugueses eleitores recenseados no território nacional, bem como dos cidadãos
portugueses residentes no estrangeiro, que mantenham laços de efetiva ligação à
comunidade nacional, nos termos da lei. A idade mínima para exercer o direito de voto é de
18 anos.

Nos termos do artigo 1.º, na redação dada pela Lei Orgânica n.º 2/2006, de 17 de abril que
procedeu à quarta alteração à Lei n.º 37/81, de 3 de Outubro (lei da nacionalidade), são
portugueses de origem:
a) Os filhos de mãe portuguesa ou de pai português nascidos no território
português;
b) Os filhos de mãe portuguesa ou de pai português nascidos no estrangeiro se o
progenitor português aí se encontrar ao serviço do Estado Português;
c) Os filhos de mãe portuguesa ou de pai português nascidos no estrangeiro se
tiverem o seu nascimento inscrito no registo civil português ou se declararem que
querem ser portugueses;
d) Os indivíduos nascidos no território português, filhos de estrangeiros, se pelo
menos um dos progenitores também aqui tiver nascido e aqui tiver residência,
independentemente de título, ao tempo do nascimento;
e) Os indivíduos nascidos no território português, filhos de estrangeiros que não se
encontrem ao serviço do respetivo estado, se declararem que querem ser
portugueses e desde que, no momento do nascimento, um dos progenitores aqui
resida legalmente há pelo menos cinco anos;
f) Os indivíduos nascidos em território português e que não possuam outra
nacionalidade.

Assembleia da República

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

A Assembleia da República é a assembleia representativa de todos os cidadãos


portugueses. É na Assembleia da República que são feitas as leis e são debatidos os
grandes projetos nacionais.

O Primeiro-Ministro e os restantes membros do Governo prestam contas a esta Assembleia.


A Assembleia tem o mínimo de 180 e o máximo de 230 deputados, nos termos eleitorais.

As candidaturas para deputado são apresentadas, nos termos da lei, pelos partidos
políticos, isoladamente ou em coligação. As listas podem integrar cidadãos não inscritos
nos respectivos partidos políticos. Os deputados representam todo o país e não os círculos
por que são eleitos. Os deputados eleitos por cada partido ou coligação de partidos podem
constituir-se em grupo parlamentar.

Governo

O Governo é o órgão encarregue de conduzir a política geral do país e é, ao mesmo tempo,


o órgão superior da administração pública.

O Governo é constituído pelo Primeiro-ministro, pelos Ministros e pelos Secretários e


Subsecretários de Estado e pode incluir um ou mais Vice-Primeiro-ministro. Os membros do
Governo reúnem-se em Conselho de Ministros.

O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos


representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais. Os
restantes membros do governo são nomeados pelo Presidente da República, sob proposta
do Primeiro-ministro.

O programa do governo é o instrumento onde constam as principais orientações políticas e


medidas a adotar, ou a propor, nos diversos domínios da atividade governamental.

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Portugal e a Europa

Tribunais

Os tribunais são órgãos de soberania com competência para administrar a justiça em nome
do povo. É nos tribunais que os cidadãos, cujos direitos são violados, podem exigir a
efetivação desses mesmos direitos. Os tribunais são independentes e apenas estão sujeitos
à lei.

As decisões dos tribunais devem ser fundamentadas na forma prevista na lei. As decisões
do tribunal são obrigatórias para todas as entidades públicas e privadas.

Existem as seguintes categorias de tribunais:


 Tribunal Constitucional
 Supremo Tribunal de Justiça
 Tribunais Judiciais de Primeira e Segunda Instância
 Supremo Tribunal Administrativo
 Tribunais Administrativos e Fiscais.

Símbolos da República
A Bandeira Nacional, símbolo da soberania da República, da independência, da unidade e
da integridade de Portugal, é a adotada pela República, instaurada pela Revolução de 5 de
outubro de 1910.

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Portugal e a Europa

Significado das cores da Bandeira:


 O vermelho significa a alegria e o sangue derramado pelos portugueses;
 O verde representa a esperança;
 A esfera armilar representa os descobrimentos portugueses;
 A faixa com os sete castelos representa a independência nacional;
 O escudo com as quinas é uma homenagem à bravura e feitos dos portugueses que
lutaram pela independência.

O Hino Nacional é A Portuguesa.


Heróis do mar, nobre Povo
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória
Às armas, às armas!

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

Sobre a terra, sobre o mar,


Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

(Composição: Alfredo Keil/ Henrique Lopes de Mendonça).

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3.A Administração Pública

3.1. Algumas competências a nível central, regional e local

Administração Pública
O Decreto-Lei n.º 135/99, de 22 de abril, estabelece que os Serviços e Organismos da
Administração Pública estão ao serviço do cidadão e devem orientar a sua ação de acordo
com os princípios da qualidade, da proteção, da confiança, da comunicação eficaz e
transparente, da simplicidade, da responsabilidade e da gestão participativa (art.º 2).

Estes princípios são também os que regem as relações entre a Administração e os cidadãos
imigrantes, já que nada na lei ou na Constituição justifica a existência de qualquer
desigualdade de tratamento (Vide art.º 15 da Constituição da República Portuguesa).

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Portugal e a Europa

A Administração Pública, nos termos do Código de Procedimento Administrativo, deve, nas


suas relações com os particulares, respeitar sempre diversos princípios, dos quais se
destacam:
 Princípio da legalidade (deve obedecer à Lei e ao Direito);
 Princípio da igualdade (é-lhe vedado favorecer ou desfavorecer alguém, por todas
as razões previstas no artigo 13.º n.º 2 da CRP);
 Princípio da imparcialidade (ser isento, não se deixar influenciar por razões
subjetivas ou pessoais);
 Princípio da decisão (dever de decidir sobre quaisquer assuntos que lhe sejam
apresentados).

Regiões Autónomas
Os Açores e a Madeira gozam de autonomia regional, exercida através de um regime
político-administrativo próprio, que se fundamenta nas suas características geográficas,
económicas, sociais e culturais.

A autonomia regional materializa-se nas eleições de assembleias locais, pelos residentes


das respetivas regiões, bem como na formação de um governo regional.

Órgãos das Regiões Autónomas


 Assembleia Regional - Presidente da Assembleia Regional
 Governo Regional - Presidente do Governo Regional

A soberania da República é especialmente representada, em cada uma das regiões


autónomas, por um Ministro da República.

Poder local
 Para além do poder central e das regiões autónomas, a Constituição de 1976
institucionalizou em Portugal o poder local. O País está dividido em Distritos, estes
em Municípios, que por sua vez, se dividem em Freguesias.

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

Autarquias locais
 A organização democrática do Estado compreende a existência de autarquias locais.
 As autarquias locais são pessoas coletivas territoriais dotadas de órgãos
representativos, que visam a prossecução de interesses próprios das populações
respetivas.

Categorias de autarquias locais e divisão administrativa


 No continente as autarquias locais são as freguesias, os municípios e as regiões
administrativas.
 As regiões autónomas dos Açores e da Madeira compreendem freguesias e
municípios.
 Nas grandes áreas urbanas e nas ilhas, a lei poderá estabelecer, de acordo com as
suas condições específicas, outras formas de organização territorial autárquica.
 A divisão administrativa do território será estabelecida por lei.

O Município é a autarquia local que visa a prossecução de interesses próprios da população


residente na circunscrição concelhia, mediante órgãos representativos por ela eleitos. As
Freguesias são autarquias locais que, dentro do território municipal, visam a prossecução
de interesses próprios da população residente em cada circunscrição paroquial.

Municípios
 Assembleia Municipal
 Câmara Municipal

Assembleia Municipal
A assembleia municipal é o órgão deliberativo do município. É formada pelos presidentes
das Juntas de Freguesia e por membros eleitos por sufrágio universal, direto e secreto.
Competências da Assembleia Municipal
 Acompanhar e fiscalizar a atividade da Câmara;
 Aprovar o plano de atividades, orçamento e suas revisões, propostos pela Câmara
 Municipal, bem como o relatório, balanço e a conta de gerência;
 Aprovar o Plano Diretor Municipal.

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

Câmara Municipal
A Câmara Municipal é constituída por um presidente e por vereadores. É o órgão executivo
colegial do município, eleito pelos cidadãos eleitores recenseados na sua área.

Algumas áreas da intervenção da Câmara Municipal:


 Acão Social – disponibiliza apoio técnico e financeiro nas áreas da infância, idosos,
pessoas com deficiência, sem abrigo, minorias e desenvolvimento comunitário;
 Educação – disponibiliza apoio a projetos da Escola de todos os níveis do ensino, do
pré-escolar ao secundário;
 Acão Social Escolar - cantinas e atividades de tempos livres, transportes escolares,
colónias de férias, suplemento alimentar;
 Habitação Social;
 Reabilitação Urbana;
 Cultura;
 Desporto.

Os municípios dispõem ainda de serviços no âmbito do atendimento municipal que têm por
função genérica atender e encaminhar os munícipes, bem como receber e encaminhar
todos os assuntos que o munícipe pretenda apresentar à Câmara.

Freguesias
 Assembleia de Freguesia
 Junta de Freguesia

Assembleia de Freguesia
A Assembleia de Freguesia é eleita por sufrágio universal, direto e secreto dos cidadãos
recenseados na área da freguesia, segundo o sistema de representação proporcional.

Constituição da Junta de Freguesia


A Junta de Freguesia é o órgão colegial da freguesia. É constituída por um presidente e por
vogais, sendo que dois exercerão as funções de secretário e de tesoureiro.

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

Competências da Junta de Freguesia


 As Juntas de Freguesia têm competências próprias e competências delegadas pela
Câmara Municipal.
 Compete à Junta de Freguesia, nomeadamente:
 Deliberar as formas de apoio a entidades e organismos legalmente existentes, com
vista à prossecução de obras ou eventos de interesse para a freguesia, bem como à
informação e defesa dos direitos dos cidadãos;
 Lavrar termos de identidade e justificação administrativa;
 Passar atestados nos termos da lei;
 Celebrar protocolos de colaboração com instituições públicas, particulares e

cooperativas que desenvolvam a sua atividade na área da freguesia.

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

4.Integração de Portugal na União Europeia

4.1. Principais motivações do pedido de adesão e implicações decorrentes


da integração

Antecedentes
Portugal embora não tenha participado na IIª. Guerra Mundial (1939-1945), não deixou de
estar envolvido nos movimentos que lhe sucederam no sentido de se criarem na Europa
organizações de cooperação entre os vários Estados.

A manutenção das suas colónias de Portugal em África, Ásia e Oceânia rapidamente se


tornaram num obstáculo a esta cooperação, acabando por isolar progressivamente o país
no contexto internacional.

A partir dos anos 60 a situação tornou-se insustentável. A manutenção das colónias, com
tudo o que elas implicaram, representou um obstáculo brutal ao desenvolvimento numa
fase de expansão económica do mundo ocidental.

A Opção Europeia (1974-1985)


O derrube da ditadura, a 25 de Abril de 1974, marcou uma profunda mudança em todo o
país, um dos mais pobres em toda a Europa. A longa guerra colonial (1961-1974),
absorveu a maior parte dos recursos económicos e humanos do país condicionando de
forma brutal o seu desenvolvimento.

Foi por isso que o fim do "Império Colonial" (1974/75) só por si implicou uma verdadeira
revolução:

Economia.

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

Estava dependente das colónias, o seu fim implicava uma completa reorganização da
economia. Muitas das grandes empresas do país encerraram, sectores económicos inteiros
entraram em rutura. O desemprego não tardou a subir.

População.
O fim das colónias implicou o regresso de cerca de um milhão de pessoas. As guerras civis
que depois se desencadearam em Angola, Moçambique, Timor e Guiné-Bissau trouxeram
para Portugal até aos anos 90, centenas de milhares de refugiados. A população tornou-se
mais heterogénea, contribuindo para agravar os problemas sociais já existentes.

Estado.
O aparelho de Estado, com uma vasta organização para dirigir o Império Colonial, entrou
em colapso. Não tardou em ser assaltado vários grupos profissionais que se apropriaram
das suas estruturas para manterem privilégios ou criarem outros. A cultura parasitária,
típica do Estado colonial, persistiu embora sob novas formas.

Finanças Públicas.
A inflação neste período chegou a atingir valores superiores a 29%. O escudo foi
desvalorizado várias vezes. As finanças públicas estiveram à beira da bancarrota. Por duas
vezes Portugal foi obrigado a negociar um acordo com o FMI (1977 e 1983).

A conflitualidade social neste período foi sempre muito intensa. É neste quadro que surge a
opção Europeia e em particular o pedido de adesão à CEE (1977). Tinha em vista atingir
três objetivos:
a) Evitar o isolamento do país;
b) Obter apoios externos para consolidar o regime democrático;
c) Conseguir ajudas económicas para relançar a economia e fazer as reformas
necessárias no país.

Embora a situação do país fosse pouco favorável, em dez anos de democracia registaram-
se enormes progressos em todos os indicadores sociais e nas infraestruturas. O balanço era
francamente positivo.

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

3. Adesão à CEE (1986-1992)


No dia 1 de janeiro de 1986 Portugal entrava na CEE. A entrada representou uma efetiva
abertura económica e um aumento na confiança interna da população. O Estado pouco ou
quase nada se reformou, as clientelas do costume continuaram a engordar.

Apesar de tudo avançou-se bastante em termos da concretização de muitos direitos sociais


(habitação, saúde, educação, etc.). As infraestruturas começaram a renovar-se a bom um
ritmo. O crescimento económico atingiu valores surpreendentes, impulsionada pelas obras
públicas e o aumento de consumo interno.

Graças a uma política económica conduzida por iberistas, as empresas espanholas tiveram
uma entrada facilitada em sectores estratégicos de Portugal, o que contribuiu para o
colapso das exportações nacionais.

4. União Europeia
A CEE, em 1992, dá origem à União Europeia. No horizonte está agora a criação de uma
moeda única, uma política externa comum, e a longo prazo a união política (federação de
estados). Portugal acompanha todo o processo.

Portugal adere ao Euro que, em 2002, substituiu a moeda nacional - o escudo. Este facto
que só por si implicava no curto prazo uma revolução na economia portuguesa.

O país:
a) Passava a ter uma moeda forte, mas deixava de a poder desvalorizar para tornar
competitivos os seus produtos;
b) O simples fabrico de artigos de baixo valor acrescentado, como os têxteis ou o
calçado, deixou de ser competitivo;
c) O crédito tornou-se mais barato, provocando desde logo o aumentando do
consumo interno, fazendo subir o endividamento das famílias; As poupanças das
famílias desceram a pique.
d ) As importações começaram a crescer mais do que as exportações.

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

Os resultados não se fizeram esperar. Entre 1986 e 1998, o PIB português crescia a uma
média de 5% ao ano, depois baixou para zero. O desemprego, em 1998, estava nos 5%
subiu para 8% em 2005.

A divida pública era 55% do PIB subiu para 64%. O rendimento "per capita", em 1998, era
71% da média europeia desceu para 66% em 2005. Apenas a inflação estabilizou entre
1998 e 2005 (2,2 e 2,3, respetivamente).

5. Deceção
O alargamento da União Europeia (UE), fez disparar em Portugal a concorrência interna,
agravada com o impacto da globalização. A moeda forte, adotada em 2002, implicava e
implica uma revolução completa na economia portuguesa, mas tal não aconteceu.

As consequências deste processo, a partir de 2002, tornaram-se catastróficas: estagnação


económica, encerramento de muitas empresas, aumento do desemprego, etc. O
desempenho económico de Portugal tornou-se dececionante, e a crise não tardou a
instalar-se.

Algo semelhante ocorreu em outros países europeus, como a Grécia, Espanha, Itália e a
Irlanda. O crédito fácil fez disparar os níveis de endividamento dos estados, famílias e
empresas. As estruturas produtivas foram abandonadas, em favor de uma economia de
serviços e de especulação imobiliária.

A crise que se se instalou na economia mundial após 2009, teve efeitos devastadores
nestes países, que se traduziu no aumento brutal dos seus custos de financiamento
externo. Os juros subiram, obrigando os estados a cortarem nas despesas, nomeadamente
nos apoios sociais.

A UE, e em especial os países da zona Euro, dividiram-se. Os que haviam sido menos
afetados pela crise financeira, acusaram os restantes de ser perdulários, pouco
empreendedores e de se terem habituado a viver à custa de dinheiro barato, pensando que
se podiam endividar indefinidamente.

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

Devido a uma incrível sucessão de políticos incompetentes, sustentados em aparelhos


partidários que se alimentam da corrupção que grassa no Estado, autarquias e empresas
públicas, os resultados globais não tem sido os melhores para o país. Portugal não pára de
divergir no seu desenvolvimento da média europeia.

6. Alternativas
Os portugueses depois de 2011 tiveram a clara consciência que cometeram um claro erro
estratégico em relação à União Europeia.

A excessiva focalização das suas relações económicas e políticas na UE, reforçaram o


carácter periférico do país periférico em relação ao centro da Europa, e tornaram-no refém
de grandes potências como a Alemanha.

A crise económica internacional, em que foram mergulhados, foi habilmente aproveitado


pelos alemães para imporem a Portugal regras benéficas para as suas empresas, como já
haviam imposto à Grécia.

A única alternativa viável é a da diversificação das relações económicas e políticas fora do


espaço da União Europeia, tirando partido da globalização e de laços históricos com outras
regiões do mundo.

A insatisfação em relação à UE, comum à maioria dos outros estados membros, está ligada
aos problemas económicos que Portugal atravessa, mas também em relação à falta de
democraticidade no funcionamento da UE e a enorme incerteza quanto ao seu futuro.

Apesar disto é um facto que a União Europeia (UE), tal como a CEE trouxe para Portugal
enormes benefícios, permitindo melhorar as condições de vida da maior parte da
população.

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Portugal e a Europa

5.A Europa, o cidadão e o trabalho


5.1.Estados-Membros: sucessivos alargamentos

A União Europeia é uma parceria económica e política de características únicas entre 27


países europeus que, em conjunto, abrangem uma grande parte do continente europeu.

Desde a sua criação, a UE tornou-se um grande mercado único com uma moeda comum, o
euro. Aquilo que começara como uma união puramente económica, converteu-se numa
organização ativa em inúmeras áreas, que vão desde a ajuda ao desenvolvimento até ao
ambiente.

A UE baseia-se nos princípios do Estado de Direito. Isto significa que todas as medidas
tomadas pela UE assentam em tratados, que foram voluntária e democraticamente
aprovados por todos os países membros. Neles estão consagrados os objetivos da UE em
numerosos domínios de intervenção.

Um dos seus objetivos centrais é promover os direitos humanos tanto na UE como no resto
do mundo. A UE assenta nos valores da dignidade humana, liberdade, democracia,
igualdade, Estado de Direito e respeito pelos direitos humanos

A União Europeia está aberta a todos os países europeus que respeitem os critérios
democráticos, políticos e económicos necessários.

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Portugal e a Europa

Sucessivos alargamentos fizeram crescer a União Europeia de seis para 27 membros.


Desde 2010, nove outros países estão a negociar a adesão (a Croácia e a Turquia, entre
outros) ou encontram‑se em fases diferentes de preparação. Prevê‑se que a Croácia se
torne o 28.º membro da União Europeia.

Cada tratado de adesão de um novo membro requer a aprovação unânime de todos os


Estados‑Membros. Além disso, antes de cada nova adesão, a União Europeia tem de
avaliar a sua própria capacidade de absorção do ou dos novos membros e garantir que as
suas instituições continuem a funcionar corretamente.

Os alargamentos da União Europeia têm ajudado a reforçar e estabilizar a democracia e a


segurança da Europa e aumentado o seu potencial de comércio e crescimento económico.

1.
Em 9 de Maio de 1950, a Declaração Schuman propôs a criação de uma Comunidade
Europeia do Carvão e do Aço, que veio a tornar‑se realidade com o Tratado de Paris de 18
de abril de 1951, instituindo um mercado comum do carvão e do aço entre os seis Estados
fundadores (Bélgica, República Federal da Alemanha, França, Itália, Luxemburgo
e Países Baixos).

Poucos anos decorridos sobre o fim da Segunda Guerra Mundial, o seu objetivo primordial
era assegurar a paz entre as nações europeias vencedoras e vencidas, associando‑as num
sistema institucional comum regido pelos princípios da igualdade e da cooperação.

2.
Os Seis decidiram depois, em 25 de março de 1957, com os Tratados de Roma, criar uma
Comunidade da Energia Atómica Europeia (Euratom) e uma Comunidade Económica
Europeia (CEE).

Esta última envolveria a construção de um mercado comum mais alargado e que


abrangesse toda uma série de bens e serviços. Os direitos aduaneiros entre os seis países

37
VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

foram abolidos em 1 de Julho de 1968 e, ao longo da mesma década, foram definidas


políticas comuns, nomeadamente nos domínios do comércio e da agricultura.

3.
O sucesso obtido pelos Seis levou a Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido a decidirem
aderir. Este primeiro alargamento, de seis para nove membros, teve lugar em 1973 e foi
acompanhado pela introdução de novas políticas sociais e ambientais, bem como pela
criação do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) em 1975.

4.
Em junho de 1979, foi dado um importante passo em frente, com as primeiras eleições
para o Parlamento Europeu por sufrágio universal direto. Estas eleições realizam‑se de
cinco em cinco anos.

5.
Em 1981, a Grécia aderiu às Comunidades, no que foi seguida, em 1986, por Espanha e
Portugal. Este alargamento das Comunidades à Europa do Sul tornou mais urgente a
execução de programas de auxílio regional.

6.
A recessão económica mundial do início da década de 80 trouxe consigo uma onda de
«europessimismo». No entanto, a esperança renasceu em 1985, quando a Comissão
Europeia, sob a presidência de Jacques Delors, publicou um livro branco que estabelecia
um calendário para concluir a realização do mercado interno europeu até 1 de janeiro de
1993. Este ambicioso objetivo ficou consagrado no Ato Único Europeu, que foi assinado em
fevereiro de 1986 e entrou em vigor em 1 de julho de 1987.

7.
A morfologia política da Europa foi profundamente alterada pela queda do muro de Berlim,
em 1989, que conduziu à reunificação da Alemanha, em outubro de 1990, e à
democratização dos países da Europa Central e Oriental, libertados da tutela soviética. A
própria União Soviética deixou de existir em dezembro de 1991.

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Portugal e a Europa

Entretanto, os Estados‑Membros da CEE negociavam um novo tratado, que veio a ser


adotado pelo Conselho Europeu (a reunião de chefes de Estado e de Governo), em
Maastricht, em dezembro de 1991.

Acrescentando a cooperação intergovernamental (em áreas como a política externa e a


segurança interna) ao sistema da Comunidade existente, o Tratado de Maastricht criou a
União Europeia. Este tratado entrou em vigor em 1 de novembro de 1993.

8.
Em 1995, três outros países — a Áustria, a Finlândia e a Suécia — aderiram à União
Europeia, que passou a contar com 15 membros. Na altura, a Europa já enfrentava os
desafios crescentes da globalização.

As novas tecnologias e a utilização cada vez maior da Internet contribuíam para a


modernização das economias, embora comportassem também tensões sociais e culturais.

Ao mesmo tempo, o desemprego e o custo crescente dos regimes de pensões exerciam


pressão sobre as economias nacionais, tornando a necessidade de reformas ainda mais
premente. Os eleitores exigiam cada vez mais aos seus governos que encontrassem
soluções concretas para estes problemas.

Por conseguinte, em março de 2000, os chefes de Estado e de Governo da EU adotaram a


«Estratégia de Lisboa». A estratégia visava ajudar a União Europeia a concorrer no
mercado mundial com outros grandes protagonistas, como os Estados Unidos e os novos
países industrializados.

O objetivo era incentivar a inovação e o investimento nas empresas e assegurar que os


sistemas educativos europeus respondiam às necessidades da sociedade da informação.

9.

39
VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

Em meados da década de 90, começaram os preparativos para o maior alargamento da


história da União Europeia. Foram recebidas as candidaturas de seis antigos países do
bloco soviético (Bulgária, República Checa, Hungria, Polónia, Roménia e
Eslováquia), dos três Estados bálticos que haviam feito parte da União Soviética
(Estónia, Letónia e Lituânia), de uma das repúblicas da antiga Jugoslávia (Eslovénia) e
de dois países mediterrânicos (Chipre e Malta).

A União congratulou‑se com essa oportunidade de ajudar a estabilizar o continente


europeu e de alargar os benefícios da integração europeia às jovens democracias.

40
VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

As negociações foram iniciadas em dezembro de 1997 e 10 dos países candidatos aderiram


à União Europeia em 1 de maio de 2004. Seguiram‑se a Bulgária e a Roménia, em 1 de
janeiro de 2007, aumentando para 27 o número de membros da União Europeia.

Estados-Membros da União Europeia

ALEMANHA

Sistema político: República Federal


Capital: Berlim
Superfície total: 356 854 km²
População: 82 milhões de habitantes
Moeda: euro
Língua oficial: alemão
ÁUSTRIA

Sistema político: República Federal


Capital: Viena
Superfície total: 83.870 km²
População: 8,3 milhões de habitantes
Moeda: euro
Língua oficial alemão

BÉLGICA

Sistema político: Monarquia


constitucional
Capital: Bruxelas
Superfície total: 30 528 km²
População: 10,7 milhões de habitantes
Moeda: euro
Línguas oficiais: Alemão, Francês,
Neerlandês

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Portugal e a Europa

BULGÁRIA

Sistema político: República


Capital: Sófia
Superfície: 111 000 km²
População: 7.7 milhões de
habitantes
Moeda: lev
Língua oficial: Búlgaro

CHIPRE
Sistema político: República
Capital: Nicósia
Superfície total: 9 250 km²
População: 0,8 milhões de habitantes
Moeda: euro
Língua oficial: Grego

DINAMARCA

Sistema político: Monarquia


constitucional
Capital: Copenhaga
Superfície total: 43 094 km²
População: 5,5 milhões de
habitantes
Moeda: coroa dinamarquesa
Língua oficial: Dinamarquês

ESLOVÁQUIA
Sistema político: República
Capital: Bratislava
Superfície total: 48 845 km²
População: 5,4 milhões de habitantes
Moeda: euro
Língua oficial: eslovaco

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

ESLOVÉNIA
Sistema político: República
Capital: Liubliana
Superfície total: 20 273 km²
População: 2 milhões de habitantes
Moeda: euro
Língua oficial: esloveno

ESPANHA
Sistema político: Monarquia
constitucional
Capital: Madrid
Superfície total: 504.782 km²
População: 45,8 milhões de
habitantes
Moeda: euro
Língua oficial: espanhol

ESTÓNIA
Sistema político: República
Capital: Tallin
Superfície total: 45 000 km²
População: 1,3 milhões de
habitantes
Moeda: euro
Língua oficial: estónio

FINLÂNDIA

Sistema político: República


Capital: Helsínquia
Superfície total: 338 000 km²
População: 5,3 milhões de habitantes
Moeda: euro
Línguas oficiais: Finlandês, sueco

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Portugal e a Europa

FRANÇA
Sistema político: República
Capital: Paris
Superfície total: 550 000 km²
População: 64,3 milhões de
habitantes
Moeda: euro
Língua oficial: francês

GRÉCIA
Sistema político: República
Capital: Atenas
Superfície total: 131 957 km²
População: 11,2 milhões de habitantes
Moeda: euro
Língua oficial: grego

HOLANDA
Sistema político: Monarquia
constitucional
Capital: Amesterdão
Superfície total: 41 526 km²
População: 16,4 milhões de
habitantes
Moeda: euro
Língua oficial: neerlandês

HUNGRIA
Sistema político: República
Capital: Budapeste
Superfície total: 93 000 km²
População: 10 milhões de
habitantes
Moeda: forint
Língua oficial: húngaro

44
VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

IRLANDA
Sistema político: República
Capital: Dublin
Superfície total: 70 000 km²
População: 4,5 milhões de habitantes
Moeda: euro
Línguas oficiais: inglês, irlandês

ITÁLIA
Sistema político: República
Capital: Roma
Superfície total: 301 263 km²
População: 60 milhões de habitantes
Moeda: euro
Língua oficial: italiano

LETÓNIA

Sistema político: República


Capital: Riga
Superfície total: 65 000 km²
População: 2,3 milhões de habitantes
Moeda: lats
Língua oficial: letão
LITUÂNIA

Sistema político: República


Capital: Vilnius
Superfície total: 65 000 km²
População: 3,3 milhões de habitantes
Moeda: litas
Língua oficial: lituano

45
VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

LUXEMBURGO

Sistema político: Monarquia constitucional


Capital: Luxemburgo
Superfície total: 2586 km²
População: 0,5 milhões de habitantes
Moeda: euro
Línguas oficiais: Francês, alemão

MALTA
Sistema político: República
Capital: La Valeta
Superfície total: 316 km²
População: 0,4 milhões de habitantes
Moeda: euro
Línguas oficiais: maltês, inglês

POLÓNIA
Sistema político: República
Capital: Varsóvia
Superfície total: 312 679 km²
População: 38,1 milhões de habitantes
Moeda: zloty
Língua oficial: polaco

PORTUGAL
Sistema político: República
Capital: Lisboa
Superfície total: 92 072 km²
População: 10,6 milhões de habitantes
Moeda: euro
Língua oficial: português

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

REINO UNIDO
Sistema político: Monarquia constitucional
Capital: Londres
Superfície total: 244 820 km²
População: 61,7 milhões de habitantes
Moeda: libra esterlina
Língua oficial: inglês

ROMÉNIA
Sistema político: República
Capital: Bucareste
Superfície total: 237 500 km²
População: 21,5 milhões de
habitantes
Moeda: leu
Língua oficial: romeno

REPÚBLICA
CHECA
Sistema político: República
Capital: Praga
Superfície total: 78 866 km²
População: 10,5 milhões de habitantes
Moeda: coroa checa
Língua oficial: Checo

SUÉCIA

Sistema político: Monarquia constitucional


Capital: Estocolmo
Superfície total: 449 964 km²
População: 9,2 milhões de habitantes
Moeda: coroa sueca
Língua oficial: sueco

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

5.2. Mercado Único Europeu

O mercado interno é uma das maiores realizações da União Europeia. Gradualmente, as


restrições ao comércio e à livre concorrência entre os Estados‑Membros foram sendo
eliminadas, contribuindo para a melhoria dos níveis de vida.

O mercado interno ainda não se tornou uma economia única: alguns sectores de atividade
(em especial, os serviços de interesse público) continuam a estar sujeitos às leis nacionais.
A livre prestação de serviços é positiva, porque estimula a atividade económica.

A crise financeira de 2008-2009 obrigou a União Europeia a reforçar a sua legislação


financeira.

Ao longo dos anos, a União Europeia tem introduzido uma série de políticas (de transporte,
concorrência, etc.) que ajudam a garantir que a abertura do mercado interno beneficia o
maior número possível de empresas e consumidores.

5.3. Adesão à moeda única

O euro é a moeda única da União Europeia, partilhada por 17 dos 27 Estados‑Membros.


Foi introduzida para transações não financeiras em 1999 e para todo o tipo de pagamentos
em 2002, quando as moedas e as notas entraram em circulação.

Cada novo Estado‑Membro deverá entrar na área do euro assim que preencha os critérios
necessários. Prevê‑se que praticamente todos os Estados‑Membros entrem na área do
euro a longo prazo.

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

O euro comporta várias vantagens para os consumidores europeus. Os viajantes são


poupados ao custo e ao incómodo de terem de cambiar moeda.

Os compradores podem comparar diretamente preços nos diferentes países. Os preços


mantêm‑se estáveis graças ao Banco Central Europeu, cuja função é assegurar esta
estabilidade. De resto, o euro tornou‑se uma das principais moedas de reserva, ao lado do
dólar.

Durante a crise financeira de 2008, os países da área do euro mantiveram‑se protegidos da


desvalorização concorrencial e dos ataques dos especuladores graças à moeda comum.

A fraqueza estrutural das economias de alguns Estados‑Membros torna, todavia, o euro


vulnerável a ataques especulativos. Para combater este risco, as instituições da União
Europeia e os 27 Estados‑Membros decidiram, em 9 de maio de 2010, constituir um
«mecanismo de estabilização financeira» no montante de 750 mil milhões de euros.

A questão prioritária para o futuro é garantir uma maior coordenação e solidariedade


económica entre os Estados‑Membros, que são responsáveis por assegurar uma boa
governação das suas finanças públicas e a redução dos seus défices orçamentais.

5.4. Os principais Tratados da União Europeia

Os tratados (o chamado «direito primário») estão na origem de um vasto corpo de «direito


derivado», que tem incidência direta na vida quotidiana dos cidadãos da UE. O direito
derivado consiste, principalmente, em regulamentos, diretivas e recomendações adotados
pelas instituições da União Europeia.

Esta legislação, tal como as políticas da União em geral, é o resultado de decisões tomadas
pelo Conselho (que representa os governos nacionais), pelo Parlamento Europeu (que

49
VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

representa os cidadãos) e pela Comissão Europeia (órgão independente dos governos dos
Estados‑Membros que representa o interesse coletivo dos europeus).

1951
TRATADO DE PARIS (CECA)
Tratado que institui a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CEC). Foi assinado, em
Paris, pela Bélgica, França, República Federal da Alemanha, Luxemburgo e Países Baixos.
Entrou em vigor por um período de 50 anos.

O Tratado entrou em vigor em 24 de julho de 1952, com uma vigência limitada a 50 anos.
O Tratado caducou em 23 de julho de 2002.

O objetivo deste Tratado era contribuir, graças ao mercado comum do carvão e do aço,
para a expansão económica, para o aumento do emprego e para a melhoria do nível de
vida.

Com vista à criação do mercado comum, o Tratado instaurou a livre circulação dos
produtos, sem direitos aduaneiros nem encargos. Proibiu igualmente as medidas ou
práticas discriminatórias, as subvenções, os auxílios e os encargos especiais impostos pelo
Estado, bem como as práticas restritivas.

1957
TRATADO DE ROMA
Tratado que institui a Comunidade Económica Europeia (CEE)

Em 25 de Março de 1957, foram assinados dois tratados – o Tratado que institui a CEE e o
Tratado que institui a Comunidade Europeia da Energia Atómica (CEEA ou EURATOM)

A CEE prevê o progresso dos seus Estados-Membros mediante uma ação comum que
reduza as desigualdades e assegure uma melhoria das condições de vida. Estabelece um
mercado nuclear e prevê a criação de empresas comuns neste domínio.

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Portugal e a Europa

1992
TRATADO DE MAASTRICHT
Ao entrar em vigor, a 1 de novembro de 1993, o Tratado da União Europeia, assinado a 7
de Fevereiro de 1992, em Maastricht, na Holanda, conferiu uma nova dimensão à
construção europeia.

De acordo com o Tratado, a União assenta em três pilares: as Comunidades Europeias


(primeiro pilar) e duas áreas de cooperação adicionais (segundo e terceiro pilares): Política
Externa e de Segurança Comum (PESC) e Justiça e Assuntos Internos (JAI).

Características:
 A criação da União Europeia
 Substituição da sigla CEE (Comunidade Económica Europeia) por CE (Comunidade
Europeia);
 Previsão da construção de uma união económica e monetária (UEM);
 Promoção de uma política externa de segurança comum (PESC);
 Criação de uma cooperação dos Estados-Membros no domínio da segurança interna
e da justiça;
 Coordenação das políticas de emprego;
 Livre circulação e segurança dos cidadãos;
 Criação de uma instituição de cidadania europeia;
 Desenvolvimento de diversas políticas comunitárias.

1997
TRATADO DE AMSTERDÃO
O Tratado de Amesterdão foi assinado na cidade holandesa de Amesterdão, a 17 de Junho
de 1997, e tem por base quatro grandes objetivos:

Fazer dos direitos dos cidadãos o ponto essencial da União Europeia e introduzir um novo
capítulo sobre o emprego;

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

Suprimir os últimos entraves à livre circulação e reforçar a segurança;


Permitir um reforço da importância da Europa no mundo;

Tornar mais eficaz a arquitetura institucional da União Europeia, tendo em vista os


próximos alargamentos.

Na altura do Tratado de Amesterdão, e por falta de resultados positivos, ficou agendada


uma Conferência Intergovernamental para 2000 com vista a adaptação do funcionamento
das instituições europeias à entrada de novos Estados-Membros.

2001
TRATADO DE NICE
O Tratado de Nice foi assinado a 26 de fevereiro de 2001, com cinco grandes objetivos:
 Reformar as instituições e os métodos de trabalho para viabilizar o alargamento;
 Reforçar a proteção dos direitos fundamentais;
 Criação de uma Política Europeia de Segurança e defesa (PESD);
 Cooperação judiciária em matéria penal;
 Futuro da UE.

2007
TRATADO DE LISBOA
O Tratado de Lisboa, assinado a 13 de dezembro de 2007, visa dotar a União Europeia de
um quadro jurídico que lhe permita funcionar num mundo globalizado.

Prevê também diversas disposições destinadas a aproximar a União e as suas instituições


dos cidadãos, conferindo mais poder ao Parlamento Europeu e um papel de maior relevo
aos parlamentos nacionais dos Estados-Membros.

Por ser hoje inegável a importância da União Europeia como actor global, foram
introduzidas reformas para tornar mais eficaz e coerente o relacionamento da Europa com
o mundo.

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Portugal e a Europa

5.5. As instituições europeias

Conselho Europeu

O Conselho Europeu é a principal instituição política da União Europeia. É composta pelos


chefes de Estado e de Governo — os presidentes e/ou primeiros‑ministros — de todos os
países membros da UE e pelo presidente da Comissão Europeia (ver mais adiante). Reúne‑
se, regra geral, quatro vezes por ano em Bruxelas.

Tem um presidente permanente, a quem cabe coordenar os trabalhos do Conselho


Europeu e assegurar a sua continuidade. O presidente permanente é eleito (por maioria
qualificada dos votos dos membros) por um mandato de dois anos e meio e pode ser
reeleito uma vez.

O Conselho Europeu estabelece os objectivos da União e define as formas de os alcançar.


Constitui o centro impulsionador das principais iniciativas políticas da EU e toma decisões
sobre questões difíceis em relação às quais o Conselho de ministros não tenha conseguido
chegar a um acordo.

O Conselho Europeu aborda ainda problemas da actualidade internacional através da


«Política Externa e de Segurança Comum», que constitui um mecanismo de coordenação
das políticas externas dos Estados‑Membros da União Europeia.

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Portugal e a Europa

Conselho da União Europeia

O Conselho (também conhecido por Conselho de ministros) é composto por ministros dos
governos nacionais da UE. Os Estados‑Membros exercem rotativamente a Presidência do
Conselho por um período de seis meses.

Nas reuniões do Conselho participa um ministro de cada Estado‑Membro. Os ministros


participantes variam em função da matéria inscrita na ordem de trabalhos: negócios
estrangeiros, agricultura, indústria, transportes, ambiente, etc.

A principal função do Conselho consiste em aprovar legislação da União Europeia. Esta


responsabilidade é normalmente partilhada com o Parlamento Europeu. O Parlamento
Europeu e o Conselho partilham igualmente idêntica responsabilidade na adoção do
orçamento da União Europeia. É também o Conselho que assina os acordos internacionais
negociados pela Comissão.

Segundo o Tratado de Lisboa, o Conselho delibera por maioria simples, por maioria
qualificada ou por unanimidade, consoante a matéria em questão.

Parlamento Europeu

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Portugal e a Europa

O Parlamento Europeu (PE) é o órgão eleito que representa os cidadãos da União. Controla
as atividades da UE e participa no processo legislativo, juntamente com o Conselho. Desde
1979, os seus membros são eleitos por sufrágio universal direto, de cinco em cinco anos.

Os principais debates parlamentares têm lugar nas sessões mensais (conhecidas por
«sessões plenárias»), onde estão presentes normalmente todos os membros do Parlamento
Europeu. Em geral, as sessões plenárias têm lugar em Estrasburgo e todas as sessões
extraordinárias são realizadas em Bruxelas.

O trabalho administrativo diário do Parlamento é realizado pelo Secretariado‑Geral, no


Luxemburgo e em Bruxelas. Cada grupo político possui ainda um secretariado próprio.

O Parlamento Europeu é o órgão de controlo democrático da União, em especial da


Comissão Europeia.

Tem igualmente o poder de demitir toda a Comissão, a qualquer momento, aprovando uma
moção de censura por maioria de dois terços dos seus membros.

O Parlamento controla ainda a gestão corrente das políticas comuns, formulando perguntas
orais e escritas à Comissão e ao Conselho.

Comissão Europeia

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Portugal e a Europa

A Comissão é uma instituição‑chave da União Europeia. É a única que pode elaborar novas
propostas de legislação, que depois transmite ao Conselho e ao Parlamento para discussão
e aprovação.

Os seus membros são nomeados por cinco anos de comum acordo pelos Estados‑
Membros, após aprovação do Parlamento Europeu (como acima descrito).

A Comissão é responsável perante o Parlamento e é obrigada a demitir‑se em bloco se for


objeto de uma moção de censura aprovada por esta instituição.

Há um membro da Comissão («comissário») por cada Estado‑Membro da União Europeia,


incluindo o presidente e o alto-representante da União para os Negócios Estrangeiros e a
Política de Segurança, que é um dos vice‑presidentes da Comissão.

Em 9 de Fevereiro de 2010, o Parlamento Europeu aprovou a nova Comissão. O antigo


primeiro-ministro de Portugal, José Manuel Barroso, foi designado para um segundo
mandato de cinco anos como presidente da Comissão.

A Comissão goza de um grau de independência considerável no exercício das suas


atribuições. A sua missão é defender o interesse comum, o que significa que não deve
sofrer pressões de qualquer governo nacional. Enquanto «guardiã dos tratados», deve
assegurar que os regulamentos e diretivas adotados pelo Conselho e pelo Parlamento estão
a ser aplicados nos Estados‑Membros. Se assim não for, a Comissão pode recorrer ao
Tribunal de Justiça para impor a aplicação do direito da União.

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Portugal e a Europa

Como órgão executivo da UE, a Comissão põe em prática as decisões tomadas pelo
Conselho, em domínios como a política agrícola comum, por exemplo. Dispõe de amplos
poderes na condução das políticas comuns da União Europeia como sejam a investigação e
a tecnologia, o auxílio externo e o desenvolvimento regional, cujos orçamentos lhe estão
confiados.

Os comissários são assistidos por uma administração dividida em 43 departamentos e


serviços, sedeados principalmente em Bruxelas e no Luxemburgo. Existem ainda várias
agências constituídas para executarem determinadas tarefas em nome da Comissão,
sedeadas, na sua maioria, noutras cidades europeias.

Tribunal de Justiça

O Tribunal de Justiça da União Europeia, sedeado no Luxemburgo, é composto por um juiz


por cada Estado‑Membro e assistido por oito advogados‑gerais, designados por comum
acordo entre os governos dos Estados‑Membros para um mandato renovável de seis anos.

A sua independência está assegurada. A missão do Tribunal de Justiça é garantir o


cumprimento do direito da UE e a interpretação e aplicação corretas dos tratados.

Banco Central Europeu

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Portugal e a Europa

O Banco Central Europeu (BCE), sedeado em Frankfurt, é responsável pela gestão do euro
e da política monetária da União Europeia. A sua principal responsabilidade consiste em
garantir a estabilidade dos preços na área do euro. O Banco Central conquistou o estatuto
de instituição da União Europeia ao abrigo do Tratado de Lisboa.

5.6.O cidadão/profissional europeu

A cidadania da União Europeia está consagrada no Tratado da União Europeia: «É cidadão


da União qualquer pessoa que tenha a nacionalidade de um Estado‑Membro. A cidadania
da União acresce à cidadania nacional e não a substitui» (artigo 20.º, n.º 1, do Tratado
sobre o Funcionamento da União Europeia).

Mas o que significa na prática ser um cidadão da União Europeia?

I. CIRCULAR, RESIDIR E TRABALHAR NA EUROPA


Se é um cidadão da União, tem o direito de circular, residir e trabalhar em qualquer ponto
da União Europeia.

Se concluiu uma formação universitária com a duração mínima de três anos, o grau
atribuído é reconhecido em qualquer país da União, pois os Estados‑Membros têm
confiança na qualidade dos sistemas nacionais de educação e de formação profissional.

Pode trabalhar em qualquer país da União Europeia nos sectores da saúde, da educação ou
de outros serviços públicos (à exceção da polícia, forças armadas, etc.). Na verdade, nada

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

mais natural que contratar um professor britânico para ensinar inglês em Roma ou
incentivar um jovem licenciado belga a concorrer para funcionário público em França.

Antes de viajar dentro da União Europeia, pode obter um cartão europeu de seguro de
doença, emitido pelas suas autoridades nacionais, que lhe facilita a cobertura das despesas
médicas se adoecer noutro país.

II. EXERCER OS SEUS DIREITOS DE CIDADÃO EUROPEU


Enquanto cidadão da União Europeia não é apenas um trabalhador ou um consumidor: tem
também direitos políticos específicos. Desde a entrada em vigor do Tratado de Maastricht
que, independentemente da sua nacionalidade, temo direito de eleger e de ser eleito nas
eleições autárquicas e nas eleições para o Parlamento Europeu no Estado‑Membro em que
reside.

Desde dezembro de 2009 (com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa), que também
goza do direito de pedir à Comissão que apresente uma proposta de legislação, desde que
a sua petição tenha sido assinada por um milhão de pessoas de um número representativo
de países da União Europeia.

III. DIREITOS FUNDAMENTAIS


A Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia foi redigida por uma Convenção
constituída por deputados dos parlamentos nacionais e do Parlamento Europeu,
representantes dos governos nacionais e um membro da Comissão Europeia.

Os primeiros artigos são consagrados à dignidade humana, ao direito à vida, ao direito à


integridade do ser humano e ao direito de liberdade de expressão e de consciência. O
capítulo relativo à solidariedade reúne, de forma inovadora, direitos sociais e económicos
como:
 O direito à greve;
 O direito à informação e à consulta dos trabalhadores na empresa;
 O direito a conciliar a vida familiar e a vida profissional;

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

 O direito de acesso às prestações de segurança social, aos serviços sociais e à


proteção da saúde em toda a União Europeia.

A Carta promove também a igualdade entre homens e mulheres e introduz direitos como a
proteção dos dados pessoais, a proibição das práticas eugénicas e da clonagem reprodutiva
de seres humanos, o direito à proteção do ambiente, os direitos das crianças e das pessoas
idosas e o direito a uma boa administração.

IV. A EUROPA DA CULTURA E DA EDUCAÇÃO


O sentimento de pertencer a uma mesma comunidade e de partilhar um destino comum
não pode ser criado artificialmente. Só poderá nascer de uma consciência cultural comum,
e é por isso que a Europa tem de se centrar não apenas na dimensão económica, mas
também na educação, na cidadania e na cultura.

A «Europa 2020» tem programas que promovem intercâmbios educativos, permitindo aos
jovens receber educação ou formação no estrangeiro, aprender novas línguas e ainda
participar em atividades conjuntas com escolas e colégios noutros países. São estes
programas:
 Comenius (ensino secundário),
 Erasmus (ensino superior),
 Leonardo da Vinci (formação profissional),
 Grundtvig (educação para adultos)
 Jean Monnet (ensino universitário e investigação no domínio da integração
europeia).

Os países europeus uniram esforços — através do «Processo de Bolonha» — para criar um


espaço europeu do ensino superior. Isto significa, por exemplo, que os cursos universitários
de todos os países participantes têm equivalência e os graus conferidos são reconhecidos
mutuamente (licenciatura, mestrado e doutoramento).

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

Uma das principais características da Europa é a diversidade de línguas e a preservação


dessa característica é um objetivo importante da União Europeia. O multilinguismo é,
efetivamente, essencial à forma de funcionamento da União Europeia.

A legislação da União é disponibilizada obrigatoriamente nas 23 línguas oficiais e todos os


deputados do PE têm o direito de se expressar na sua língua materna durante os debates
parlamentares.

V. O PROVEDOR DE JUSTIÇA E O DIREITO DE PETIÇÃO AO PARLAMENTO


O Parlamento Europeu nomeia o Provedor de Justiça pelo período da sua legislatura. A
função do Provedor de Justiça é examinar queixas contra as instituições e os órgãos da
União Europeia.

As queixas podem ser apresentadas por qualquer cidadão da UE ou por qualquer pessoa ou
organização residente ou sedeada num país da União. O Provedor procura encontrar uma
solução amigável entre as partes.

Qualquer residente num país da União tem o direito de apresentar petições ao Parlamento
Europeu, o que constitui outra forma importante de ligação entre as instituições da União
Europeia e os cidadãos.

VI. UM SENTIMENTO DE PERTENÇA


A ideia de uma «Europa dos cidadãos» é muito recente. Já existem alguns símbolos de
uma identidade europeia comum, como o passaporte europeu, em uso desde 1985, e a
carta de condução da União Europeia, emitida em todos os Estados‑Membros desde 1996.
Além disso, a União Europeia tem uma divisa, «Unida na diversidade», e o dia 9 de Maio é
o «Dia da Europa».

O hino da Europa (a «Ode à Alegria», da Nona Sinfonia de Beethoven) e a bandeira da


Europa (um círculo de doze estrelas douradas sobre fundo azul) foram explicitamente
mencionados no projeto de Constituição da União Europeia de 2004, mas foram retirados
do Tratado de Lisboa que a substituiu.

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

Não deixaram de ser símbolos da União, que podem ser utilizados pelos Estados‑Membros,
pelas autoridades locais e pelos cidadãos individuais se assim o desejarem.

No entanto, as pessoas não se sentem parte da União Europeia se não conhecerem as


ações da UE e os motivos subjacentes. As instituições da União Europeia e seus Estados‑
Membros têm de fazer muito mais para explicar os assuntos da União numa linguagem
clara e simples.

O sentido de pertença provém, acima de tudo, da sensação de se estar pessoalmente


envolvido na tomada de decisões da União Europeia. Todos os cidadãos adultos da União
têm o direito de participar nas eleições para o Parlamento Europeu, o que constitui um
alicerce da legitimidade democrática da UE.

Esta legitimidade tem aumentado à medida que são atribuídos mais poderes ao Parlamento
Europeu, que os parlamentos nacionais participam mais nos assuntos da União Europeia e
que os cidadãos europeus se envolvem cada vez mais em ONG, em movimentos políticos e
na criação de partidos políticos europeus.

Se desejar dar o seu contributo para a elaboração da agenda europeia e influenciar as


políticas da União, pode fazê-lo de várias maneiras. Por exemplo, pode participar em fóruns
de discussão em linha dedicados a assuntos da União Europeia e colocar os seus
comentários nos blogs de comissários ou deputados do PE.

É ainda possível contactar diretamente a Comissão e o Parlamento, quer por via eletrónica
quer através de uma das suas representações no seu país.

A União Europeia foi criada para servir os povos da Europa e o seu futuro terá de ser
construído com a participação ativa de pessoas das mais variadas proveniências. Os
fundadores da União Europeia estavam bem cientes disto. «Não coligamos Estados, unimos
pessoas», disse Jean Monnet em 1952.

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

A sensibilização da opinião pública para a União e o envolvimento dos cidadãos nas suas
atividades continuam a constituir um dos maiores desafios com que se defrontam
atualmente as instituições da União Europeia.

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Portugal e a Europa

6.A Europa e o Mundo

6.1. As principais organizações internacionais: organizações


intergovernamentais (ONU, OTAN, entre outras) e organizações não-
governamentais

Organizações intergovernamentais

Organização das Nações Unidas (ONU)

A Segunda Guerra Mundial relançou a ideia da criação de um organismo supranacional


capaz de arbitrar conflitos, de impedir a resolução de problemas de relacionamento entre
estados pelo recurso às armas, de garantir a igualdade entre os estados e de fazer
respeitar os direitos humanos.

Para a implementação dos seus objetivos, a ONU criou organismos especializados diversos,
dedicados a desenvolver esforços em áreas específicas.

É grande o prestígio de que estas ramificações da organização desfrutam, particularmente


em países do Terceiro Mundo que têm beneficiado de programas educacionais, de
promoção económica e social das suas populações ou de campanhas de erradicação de
doenças, de educação sanitária ou de combate a epidemias.

No âmbito das Nações Unidas, foram empreendidas ao longo de décadas acções com
resultados positivos na defesa da paz, como é o caso da interposição de forças militares
entre contendores, como sucedeu na dividida Ilha de Chipre ou em Angola.

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

Não quer isto dizer que a ONU tenha eliminado totalmente os conflitos, embora tenha
contribuído grandemente para os atenuar e encaminhar para uma solução negociada, no
sentido da paz.

Nos últimos anos, a organização tem-se visto confrontada com a necessidade de intervir
em numerosos conflitos regionais, nem sempre tendo sabido manter uma atitude
claramente neutral em relação às forças que se enfrentam em cada situação, o que levanta
reservas por parte dos que se consideram lesados.

A ONU é neste momento uma organização em crise de credibilidade, aparentemente com


muitas dificuldades para acompanhar a alteração profunda da política mundial após o fim
da guerra fria e o desmantelamento dos blocos político-militares, mas é sobretudo uma
organização em crise financeira, dado que os países membros protelam o pagamento das
quotizações a que são, sabendo-se que esta atitude de não cooperação é igualmente
resultante da perda de credibilidade que afeta a organização.

A 24 de Outubro, comemora-se o Dia das Nações Unidas.

Organização do Tratado do Atlântico Norte - NATO

A sigla NATO corresponde à expressão inglesa North Atlantic Treaty Organization.

A organização foi criada em 1949, no contexto da Guerra Fria, com o objetivo de constituir
uma frente oposta ao bloco comunista, que, aliás, poucos anos depois lhe haveria de
contrapor o Pacto de Varsóvia.

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

Desta forma, a NATO tinha, na sua origem, um significado e um objetivo paralelos, no


domínio político-militar, aos do Plano Marshall no domínio político-económico.

Os estados signatários do tratado de 1949 estabeleceram um compromisso de cooperação


estratégica em tempo de paz e contraíram uma obrigação de auxílio mútuo em caso de
ataque a qualquer dos países-membros.

Os estados que integram a NATO são a Alemanha (antes da reunificação alemã, a


República Federal da Alemanha), a Bélgica, o Canadá, a Dinamarca, a Espanha, os Estados
Unidos da América, a França, a Grécia, a Holanda, a Islândia, a Itália, o Luxemburgo, a
Noruega, Portugal, o Reino Unido e a Turquia.

Com o desmoronamento do Bloco de Leste no final dos anos 80, surgiu a necessidade de
redefinição do papel da NATO no contexto da nova ordem internacional, pois o motivo que
motivou o aparecimento da organização e o objetivo que a norteou durante quatro décadas
desapareceram subitamente.

A organização dedicou-se, pois, a esta nova tarefa, com o objetivo de se tornar o eixo da
política de segurança de toda a Europa (isto é, considerando também os países que antes
formavam o bloco adversário) e América do Norte.

Assim, começou a tratar-se do alargamento a leste (considerando, nomeadamente, a


adesão da Polónia, da Hungria e da República Checa) e, em 1997, criou-se o Conselho de
Parceria Euro-Atlântica, um órgão consultivo e de coordenação onde têm também assento
os países aliados da NATO, incluindo os países da Europa de Leste que desagrada à Rússia
ver afastar-se da sua esfera de influência.

Em Março de 1999, formalizou-se a adesão da Hungria, da Polónia e da República Checa,


três países do antigo Pacto de Varsóvia.

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE)

Organização internacional fundada em 1961 com o objetivo de promover o


desenvolvimento económico e o comércio internacional.

A convenção que estabeleceu a OCDE foi assinada, a 14 de dezembro de 1960, por dezoito
países europeus e pelo Canadá, tendo entrado em vigor a 30 de setembro de 1961.
A OCDE sucedeu à Organização Europeia de Cooperação Económica (OECE), estabelecida
em 1948 para coordenar a implantação do Plano Marshall na Europa.

Nos anos 80 faziam parte da OCDE os seguintes países: Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá,
Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América, Finlândia, França, Grécia, Irlanda,
Islândia, Itália, Japão, Luxemburgo, Holanda, Noruega, Nova Zelândia, Portugal, Reino
Unido, República Federal da Alemanha, Suécia, Suíça e Turquia.

A OCDE é uma organização que carece de poder decisório. É sobretudo uma assembleia
consultiva que realiza congressos, conferências, seminários e publicações várias. A
organização mantém-se em contacto com várias entidades oficiais e privadas, publicando
anualmente estatísticas sobre a agricultura, a investigação científica, o mercado de capitais,
os impostos, os recursos energéticos e outros assuntos.

Aos relatórios da OCDE é atribuída grande credibilidade, pelo que eles constituem um dos
instrumentos habitualmente utilizados para avaliar a evolução da economia mundial e de
cada estado.

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

ONG
As ONG, Organizações Não Governamentais, são associações benévolas que contribuem de
diversas formas para o desenvolvimento das áreas mais carenciadas.

Podemos apontar como exemplos a ACEP (Associação para a Cooperação entre Povos), a
AMI (Fundação Assistência Médica Internacional), a Amnistia Internacional, o Banco
Alimentar Contra a Fome, SOS Racismo, entre muitas outras.

Os fundos reunidos por estas organizações resultam de donativos particulares que provêm,
na sua maioria, da Suécia, Suíça, Noruega, Alemanha e do Estado em que estão
implantadas.

As Organizações Não Governamentais representam uma importante faceta da política


internacional desde meados do século XIX.

Em 1909, as ONG eram pouco mais de 200; em meados dos anos 90, e em grande medida
devido ao desenvolvimento da comunicação global, estavam registadas mais de 2000. Hoje
em dia, estas organizações beneficiam do facto de desempenharem um papel de relevo em
organizações multilaterais como a Organização das Nações Unidas, a Organização para a
Segurança e Cooperação Europeia (OSCE) ou a União Europeia.

Com notória voz ativa e um largo apoio, o papel das ONG é cada vez mais decisivo na
resolução de problemas internacionais mais ou menos dramáticos. A sua estrutura e forma
de atuação tornaram possível, por exemplo, contactos e trocas de informação em fronteiras
ou espaços de crise sem qualquer envolvimento dos governos.

Hoje em dia o seu papel é amplamente reconhecido; a tal ponto que há quem considere
que, dada a sua influência política, correm muitas vezes o risco de instrumentalização.

Outra crítica que habitualmente se lhes faz diz respeito às "agendas apertadas" que as
impede de tornar duradoura a sua atuação, e a falta de uma contabilidade eficaz que, para

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

além de afastar algumas suspeitas de fraudes, permita uma perfeita aplicação dos fundos
acumulados.

6.2. Nível de intervenção na resolução de problemas mundiais

A União Europeia defende os seus valores e interesses a nível internacional, sendo,


simultaneamente, o principal parceiro comercial e o principal fornecedor de ajuda aos
países em desenvolvimento no mundo.

Para garantir a liberdade, a segurança e a prosperidade no seu território, a Europa terá de


assumir plenamente o seu papel na cena mundial. Num mundo globalizado, a resposta a
desafios como o aprovisionamento energético, as alterações climáticas, o desenvolvimento
sustentável, a competitividade económica ou o terrorismo não pode ser dada
individualmente por cada país, exigindo a intervenção da União Europeia no seu conjunto.

Ao ligar diferentes aspetos da política externa da União Europeia, como a diplomacia, a


segurança, o comércio, o desenvolvimento, a ajuda humanitária e as negociações
internacionais, o Tratado de Lisboa dará à União Europeia uma voz clara nas relações com
os países parceiros e as organizações internacionais.

O impacto da intervenção da União Europeia também é reforçado com a criação de um


novo serviço europeu para a ação externa, aproveitando recursos das instituições da União
Europeia e dos Estados-Membros, que terá como missão apoiar o Alto Representante.

A União Europeia exerce maior influência na cena mundial quando fala a uma só voz em
questões internacionais, como negociações comerciais.

Com este objetivo em mente e para reforçar o perfil internacional da União Europeia, em
2009 o Conselho Europeu passou a ter um presidente permanente e foi nomeado o
primeiro alto-representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de
Segurança.

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

Na área da defesa, cada país da União Europeia, independentemente de ser membro da


NATO ou de ter um estatuto de neutralidade, mantém plena soberania. No entanto, os
Estados‑Membros estão a desenvolver uma cooperação militar em missões de manutenção
de paz.

A União Europeia é um dos principais atores do comércio internacional e, no seio da


Organização Mundial do Comércio, trabalha a favor da abertura dos mercados e de um
sistema de comércio baseados em regras.

Por razões históricas e geográficas, a União Europeia dedica uma atenção especial a África
(através de políticas de ajuda ao desenvolvimento, preferências comerciais, ajuda alimentar
e promoção do respeito pelos direitos humanos).

A cooperação da UE para o desenvolvimento visa dar a povos desfavorecidos do terceiro


mundo a possibilidade de controlarem o seu próprio desenvolvimento. O mesmo é dizer
atacar as causas da sua vulnerabilidade, nomeadamente a falta de acesso a alimentos e
água potável, ou à saúde, à educação, ao emprego e a um ambiente são.

Significa igualmente combater doenças e promover o acesso a medicamentos baratos para


lutar contra flagelos como a sida, bem como tomar medidas para reduzir o fardo da dívida,
que, para reembolsar credores dos países industrializados, obriga a desviar dos
investimentos públicos essenciais recursos já escassos.

A UE também utiliza a cooperação para o desenvolvimento como meio para promover os


direitos humanos e a igualdade entre homens e mulheres ou para prevenir conflitos.

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

Propostas de atividade

Pensamos que, num módulo desta natureza, os formandos encontrarão mais sentido se se
fizer apelo ao seu conhecimento da atualidade, ou seja se se caminhar do mais recente
para o mais longínquo.

O acompanhamento dos telejornais e/ou a leitura da imprensa escrita, pô-los-á facilmente


em contacto com a temática em estudo.

A partir daí serão introduzidas informações que os conduzem à comparação com o


passado.

Não importa, pois, uma grande sobrecarga teórica, mas mais uma reflexão sobre o que é
mais facilmente observável.

Atividade 1
Em trabalho de grupo, os formandos serão encaminhados para a elaboração de um cartaz,
com a identificação dos países que constituem o continente europeu, através da indicação
de:
 A(s) língua(s)
 A moeda
 A capital
 O regime político
 Uma figura/um acontecimento/um episódio

Para a realização da tarefa proposta os formandos deverão organizar-se de modo a:


1. Proceder à distribuição de tarefas (quem faz o quê)
2. Realizar uma pesquisa de informação (onde e como)
3. Apresentar os resultados da atividade realizada

71
VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

Posteriormente, o formador fará uma abordagem teórica do tema em estudo, apresentando


uma síntese de conteúdos.

Atividade 2
Propõe-se a realização de uma entrevista a:
 Ex-emigrantes (antes do 25 de Abril de 74)
 Trabalhadores de multinacionais
 Estrangeiros que vivessem em Portugal, à data de 74,
ou
A pesquisa em jornais de:
1.artigos referentes a esta temática,
2.de títulos desses mesmos jornais, na atualidade
ou
Visionamento de filmes

As tarefas preconizadas têm em vista a obtenção de opiniões acerca de:


Portugal de ontem e
Portugal de hoje

Preconiza-se a organização de um debate final, na turma, sobre o tema em estudo.

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a Europa

Bibliografia

AA VV., Constituição da República Portuguesa, Ed. Porto Editora, 2009

AA VV. Cidadania, Juventude e Europa: Mala pedagógica, Ed. Conselho da Europa e


Comissão Europeia, 2003

Fontaine, Pascal, A Europa em 12 Lições, Ed. Comissão Europeia, 2010

Franqueira, Anabela, Manual de Cidadania, Ed. IEFP, 2009

Webgrafia

Assembleia da República
http://www.parlamento.pt/

Governo de Portugal
http://www.portugal.gov.pt/

Portal da União Europeia


http://europa.eu/about-eu/

Presidência da República Portuguesa


http://www.presidencia.pt

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