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INSTITUTO POLITÉCNICO DE SETÚBAL

ESCOLA SUPERIOR DE CIÊNCIAS EMPRESARIAIS

CADERNO DE EXERCÍCIOS

DA UNIDADE CURRICULAR DE

INTRODUÇÃO AO DIREITO

ANO LETIVO 2019/2020

1
INTRODUÇÃO

O presente caderno de exercícios foi preparado pelos docentes para apoio


às aulas práticas da unidade curricular de Introdução ao Direito, da Escola
Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal.

Com este conjunto de exercícios pretende-se que os alunos desenvolvam


e aprofundem alguns conceitos versados nas aulas teóricas, manuseando e
interpretando a principal legislação utilizada (CRP e CC), a consulta de sítios da
internet com relevo no funcionamento do Estado e suas instituições,
desenvolvendo o raciocínio lógico-dedutivo e competências ao nível da
interpretação da lei.

Os exercícios consistem na colocação de questões de índole teórica e na


proposta de resolução de casos, alguns dos quais preparados com inspiração em
jurisprudência dos Tribunais portugueses.

Esclarece-se que muitos dos exercícios são apresentados com informação


incompleta ou pouco estruturada para permitir o levantamento de hipóteses e
sub-hipóteses, pretendendo-se essencialmente a identificação do problema
jurídico, a análise das possibilidades de resolução e a realização de escolhas para
apresentação de uma solução do problema de forma escrita, estruturada e com
utilização dos principais conceitos de Direito.

Bom estudo!

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PONTOS 1 E 2 DO PROGRAMA

TEMA: O que é o Direito; o Direito e as outras ordens normativas; aceções do


termo Direito.

OBJETIVOS: compreender e discutir os temas dos pontos 1 e 2 do programa.

RECOMENDAÇÕES: para responder às questões, recomenda-se a consulta do


manual adotado (até à pág. 80).

Assinale apenas uma das opções (que representa a sua escolha).

a) O Direito é um fenómeno:
1. Individual;
2. Social;
3. Transcendental;
4. Metafísico.

b) O Direito é:
1. Uma ciência;
2. Uma religião;
3. Uma organização política;
4. Uma teoria filosófica.

c) Direito em sentido subjetivo significa:


1. Ciência social;
2. Religião;
3. Poder ou vantagem;
4. Descrição de sujeitos.

d) Direito em sentido objetivo:


1. Ciência social;
2. Religião;
3. Poder ou vantagem;

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4. Descrição de sujeitos.

e) O princípio da laicização do Estado:


1. Significa que não existe qualquer relação entre o Direito e as religiões;
2. Significa que o Estado é laico;
3. Significa que o Estado tem sempre uma religião oficial que defende;
4. Significa que os titulares dos órgãos políticos não podem ter religião.

f) As relações de coincidência entre o Direito e as outras ordens


normativas são:
1. Situações em que as normas são comuns ou iguais ao Direito e às outras
ordens normativas;
2. Situações em que é indiferente para uma ordem normativa o cumprimento
ou o não cumprimento das regras de outra ordem normativa;
3. Situações em que o Direito permite ou proíbe quando as outras ordens
normativas fazem precisamente o contrário;
4. Situações mistas.

g) As relações de indiferença entre o Direito e as outras ordens normativas


são:
1. Situações em que as normas são comuns ou iguais ao Direito e às outras
ordens normativas;
2. Situações em que é indiferente para uma ordem normativa o cumprimento
ou o não cumprimento das regras de outra ordem normativa;
3. Situações em que o Direito permite ou proíbe quando as outras ordens
normativas fazem precisamente o contrário;
4. Situações mistas.

h) As relações de conflito entre o Direito e as outras ordens normativas :


1. Situações em que as normas são comuns ou iguais ao Direito e às outras
ordens normativas;
2. Situações em que é indiferente para uma ordem normativa o cumprimento
ou o não cumprimento das regras de outra ordem normativa;
3. Situações em que o Direito permite ou proíbe quando as outras ordens
normativas fazem precisamente o contrário;
4. Situações mistas.

i) A característica que distingue o Direito das outras ordens normativas é:

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1. A sistematização das normas;
2. A existência de normas;
3. O carácter universal do Direito;
4. A coercibilidade.

j) O Direito Natural pode ser definido como:


1. Um conjunto de regras universal, imutável e cognoscível, querendo
significar que é comum a todos os seres humanos, em todos os tempos e
lugares, é imutável em consequência da própria imutabilidade da
natureza humana, e pode ser conhecido naturalmente por todos os
homens;
2. Um conjunto de regras universal, mutável e cognoscível, querendo
significar que é comum a todos os seres humanos, em todos os tempos e
lugares, e pode ser conhecido naturalmente por todos os homens;
3. Um conjunto de regras locais, imutável e cognoscível, querendo significar
que é comum a todos os seres humanos, em todos os tempos, é imutável
em consequência da própria imutabilidade da natureza humana, e pode
ser conhecido naturalmente por todos os homens de uma localidade;
4. Um conjunto de regras escritas e imutável em consequência da própria
imutabilidade da natureza humana, e que não pode ser conhecido
naturalmente por todos os homens.

k) O Direito positivo é:

1. O conjunto de regras jurídicas criadas pelos órgãos ou forças sociais que no


espaço geopolítico em que se aplica têm competência para as formular;
2. O conjunto de regras jurídicas que nos obrigam a praticar determinadas
ações;
3. O conjunto de regras jurídicas não escritas;
4. O conjunto de regras não jurídicas criadas pela sociedade para garantir
elevados padrões morais.

Para debate em aula: O que é a Justiça?

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PONTO 3 DO PROGRAMA

TEMA: O Estado, os órgãos de soberania e o processo legislativo.

OBJETIVOS: compreender o papel de cada órgão de soberania no processo


legislativo, o princípio da separação e interdependência dos poderes do Estado e
o conceito de Estado de Direito Democrático.

RECOMENDAÇÕES: para responder às questões, recomenda-se a consulta dos


seguintes sítios da internet:

http://www.presidencia.pt/
http://www.portugal.gov.pt/pt/GC18/Pages/Inicio.aspx
http://www.parlamento.pt/Paginas/default.aspx
http://www.tribunalconstitucional.pt

1. Como estão distribuídos os poderes de Estado em Portugal?


2. O que significa o princípio da separação de poderes do Estado e quais as
consequências da sua violação?
3. O que significa a promulgação, quem tem competência para promulgar
uma lei e quais as consequências da falta de promulgação?
4. Explique o papel do Tribunal Constitucional no sistema jurídico
português.

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PONTO 4 DO PROGRAMA

TEMA: Princípios constitucionais, regime jurídico dos direitos fundamentais e


inconstitucionalidades.

OBJETIVOS: Conhecer e compreender os principais princípios constitucionais e


conhecer o regime jurídico dos direitos fundamentais.

CASO I

Diga, relativamente a cada uma das situações descritas, qual/quais o(s)


princípio(s) jurídico-constitucionais violados, explicando em que consiste cada
um deles:

1. A Assembleia da República fez uma revisão constitucional eliminando o


direito de voto da CRP;
2. A Assembleia da República alterou o Código Penal no sentido de passar a
ser permitida a pena de tortura para obter confissão dos suspeitos de
prática do crime de furto;
3. O Governo alterou as regras referentes ao acesso ao sistema nacional de
saúde passando a constar que apenas os utentes de raça branca teriam
acesso aos serviços.

CASO 2

Em setembro de 2014, o Governo remeteu para o Presidente da República


um decreto-lei que estipulava o seguinte:
“Tendo em conta a necessidade de aumento de produtividade dos trabalhadores
portugueses, fica suspenso o direito à greve até ao ano de 2020”.

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Explicando o processo legislativo, diga por que razão o decreto-lei foi
enviado para o Presidente da República e como deveria este atuar perante o
conteúdo do diploma em causa

CASO 3

Imagine que o Governo, sem que existisse uma prévia autorização


legislativa, alterou o artigo 131º do Código Penal português no sentido de passar
a ter a seguinte redação:

“Artigo 131º

(Homicídio)

Quem matar outra pessoa é punido com pena de morte por enforcamento.”

Aprecie a constitucionalidade da alteração ao Código Penal.

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PONTO 5 DO PROGRAMA

TEMA: Fontes de Direito.

OBJETIVO: que os alunos demonstrem conhecer as fontes de Direito, a


importância sistemática de cada uma das fontes, as normas legais relacionadas
com o tema e alguns princípios estruturantes do sistema jurídico.

ADVERTÊNCIA: as respostas devem ser completas, fundamentadas com


matérias teórica e doutrinária e, sempre que possível, fundamentadas com a base
legal pertinente.

Um juiz do Tribunal de Setúbal fez uma sentença em que condenava o


Adérito a pagar uma indemnização a Brazelina com base nas suas convicções
morais e, também, em doutrina que ele próprio tinha produzido quando
escreveu a sua tese de doutoramento sem que, no entanto, a sua posição tivesse
qualquer fundamento legal.

Questões:

a) O que são as fontes de Direito?


b) Tendo em conta as diversas fontes de Direito que conhece e a relação entre
elas, diga se o juiz pode julgar nos termos em que o fez;
c) O juiz podia abster-se de julgar invocando que não existia legislação sobre
a matéria em causa?
d) Em caso de inexistência de legislação sobre a matéria, como deveria o juiz
proceder?
e) Um juiz é obrigado a conhecer as normas jurídicas que resultam do
costume?

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PONTO 5 DO PROGRAMA

TEMA: Hierarquia das fontes de Direito; início e cessação da vigência da lei.


OBJETIVO: Os alunos devem compreender a entrada em vigor e a cessação de
vigência das leis, a sucessão de leis no tempo, o processo legislativo e a
competência dos diversos órgãos de soberania.

ADVERTÊNCIAS:

a) Os alunos devem fazer o download da lei n.º 37/2007, de 14 de agosto em


www.dre.pt, ler o diploma e responder fundamentadamente, às seguintes
questões.
b) Respostas completas, justificadas e com invocação de base legal sempre
que possível.

Questões:

1. Tendo em conta o conteúdo da lei supra indicada, diga em que data entra
em vigor;
2. Se a Lei indicada não contivesse o artigo 31º, qual seria a sua resposta à
questão anterior?
3. O que entende por vacatio legis e para que serve?
4. Quais as formas de cessação de vigência das lei que conhece?

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PONTO 6 DO PROGRAMA

TEMA: A norma jurídica.

OBJETIVOS: saber identificar, compreender a estrutura, caracterizar e classificar


as normas jurídicas; compreender as diferenças entre os vários tipos de normas
para a sua aplicação e interpretação.

1ª Questão: Como classifica as seguintes normas:

a) Artigos 874º, 940º, 1142º e 1157º?


b) Artigo 875º e 1143º CC?
c) Artigo 878º e 885º CC?

2ª Questão Explique a diferença (e dê exemplos) entre normas gerais, excecionais


e especiais e qual a relevância da distinção para efeitos de integração de lacunas?

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PONTOS 6 E 7 DO PROGRAMA

TEMA: A relação jurídica e as invalidades dos negócios jurídicos.

OBJETIVOS: Compreender a estrutura e identificar os elementos de uma relação


jurídica, identificar as invalidades dos negócios jurídicos e suas consequências.

ADVERTÊNCIA: Na análise e apreciação da validade dos contratos, os alunos


devem referir sempre se existe contrato, que tipo de contrato está em causa, dizer
se é válido ou inválido, explicar porquê, a base legal, se é nulo ou anulável, quem
e em que termos pode reagir contra o tipo de contrato em causa.

CASO 1

Pedro, sabendo que o seu amigo Joaquim se encontrava em dificuldades


financeiras, devidos aos maus investimentos que realizara nos últimos tempos,
não hesitou em emprestar-lhe a quantia de € 60.000,00 (sessenta mil euros), no
dia em que este lhe telefonou a informar que iria “perder a sua casa”. Para o
efeito, Joaquim facultou-lhe o IBAN da conta e Pedro fez a transferência bancária
do montante em questão.
Questões:
1. Pedro e Joaquim celebraram algum contrato? Em caso afirmativo, que tipo
de contrato foi celebrado?
2. O negócio em questão é válido ou inválido? Porquê e que tipo de norma
foi violada?

CASO 2

Em Setembro do ano passado, aquando da celebração do seu 20.º aniversário,


António tomou conhecimento que os seus pais, Bruno e Carla, tinham vendido
ao seu irmão, Sandro, a única moradia de que eram proprietários, sita em Troia.

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Tomou, ainda, conhecimento que a escritura de compra e venda era datada de
Agosto de 2010.

Tal venda ocorreu sem que Bruno e Carla lhe tivessem dado qualquer
explicação para o sucedido e, ao serem questionados sobre o assunto, limitaram-
se a responder: “A casa é nossa, fazemos com ela o que quisermos!”.

As suspeitas de António confirmaram-se! Sandro era o filho preferido do


casal.

Questões:
1. Entre Bruno, Carla e Sandro foi celebrado algum contrato? Em caso
afirmativo que tipo de contrato e qual a sua validade jurídica?
2. O que poderá António fazer para evitar esta injustiça?
3. Imagine que António nada faz, quais as consequências dessa conduta na
validade jurídica do negócio em análise?

CASO 3

Benvinda, desde muito nova, sempre teve uma adoração pela Lua,
colecionado tudo o que podia sobre este satélite natural da Terra. Sabendo que
Benvinda possuía esta paixão, Luís conseguiu convencê-la que havia adquirido
uma parte significativa da Lua.

Informou Benvinda que pretendia rentabilizar o negócio que havia


concretizado e, como tal, estaria a vender cada m2 pelo preço de 500,00 €
(quinhentos euros), sendo que dispunha de 700 m2 para venda. Benvinda
adquiriu dois m2 pelo preço de 1.000,00 € (mil euros) que pagou de imediato.

Questões:
1. Entre Benvinda e Luís foi celebrado algum contrato? Em caso afirmativo
que tipo de contrato?
2. Considera que este negócio possui alguma validade jurídica? Porquê?

CASO 4

Patrícia fez 17 anos a semana passada e já trabalha, em part-time, desde os


16 anos de idade. Desde a mencionada altura, conseguiu amealhar dinheiro
suficiente para comprar uma mota. No dia de ontem, dirigiu-se ao stand “Sobre

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Rodas” e adquiriu um ciclomotor de 50cc pelo preço de 2.000,00 € (dois mil
euros). Adquiriu, ainda, uma carteira com um símbolo alusivo à marca da mota,
para guardar o documento único e o seguro do veículo.

Decidiu também que, como prova do grande amor que nutria pelo recente
namorado Francisco, lhe iria dar o seu colar com dois corações entrelaçados.
Colar que estava na família há largas gerações, lhe havia sido dado aquando do
óbito da sua bisavó e que numa avaliação realizada recentemente rondava os
50.000,00 € (cinquenta mil euros).

Ao verem Patrícia chegar com as suas novas aquisições, os pais pretendem


entregar a mota e carteira no stand e reaver o dinheiro. Num olhar mais atento,
viram-na sem o colar e ao saberem que teria sido dado a Francisco, pretendem
obrigá-lo a devolver o bem.

Questões:
1. Explique os conceitos de personalidade jurídica e de capacidade jurídica
de exercício, distinguindo-os.
2. Considera que os pais de Patrícia terão sucesso nas suas pretensões? Qual
o prazo de que dispõem os progenitores para reagir?
3. Imagine que Patrícia tem 25 anos, sofre de uma grave anomalia psíquica e
celebrou os negócios supra mencionados. Qual seria a sua resposta à
questão 2?

CASO 5

Atenta a subida abrupta dos honorários cobrados pelos notários, Catarina


e Daniela decidiram que não iriam celebrar qualquer escritura de compra da
moradia que Catarina possuía em Palmela. Daniela sempre gostou da
mencionada moradia e tinha chegado a oportunidade ideal para concretizar o
seu sonho.

Para o efeito, consideraram que seria mais agradável agendarem um


almoço num conhecido restaurante de Setúbal. No referido almoço participaram
cinco amigos de cada uma delas, os quais testemunharam a transação. O negócio
concretizou-se quando saboreavam a sobremesa, altura em que Catarina
entregou a Daniela todos os conjuntos de chaves que possuía do imóvel e esta o
cheque com o montante de 150.000,00 € (cento e cinquenta mil euros) aposto,
conforme combinado.

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Questões:
1. Catarina e Daniela celebraram algum contrato?
2. Identifique se foi violada alguma norma pelo facto de não terem realizado
escritura pública e diga quais as consequências da sua violação.
3. Imagine que Catarina e Daniela celebram a escritura pública de compra
do imóvel, liquidam os impostos correspondentes e registam a aquisição
na Conservatória do Registo Predial de Palmela. Todavia, apenas o fazem
com o intuito de prejudicar os credores de Catarina, que se encontra numa
situação de insolvência iminente e não pretende “perder” a casa que
comprou com tanto carinho. Acordaram, ainda, que Catarina continuaria
a residir no imóvel e, volvidos dez anos, a Daniela doaria o bem a Catarina.
Considera que o negócio celebrado é válido? O que poderão os credores
de Catarina fazer?

CASO 6

Bacca, jogador de futebol da 1.ª liga inglesa, liberto do stress dos jogos do
campeonato decidiu ir a uma discoteca onde bebeu e se divertiu até altas horas
da madrugada. Visivelmente alcoolizado vendeu a um desconhecido negociante
de automóveis, o seu Porche Carrera pela módica quantia de 5.000,00 € (cinco mil
euros).

No local, foi apresentado o impresso de transmissão de veículos, recebido o


dinheiro e entregues as chaves. Na manhã seguinte, já sóbrio, Bacca caiu em si e
pretende desfazer aquele negócio ruinoso e reaver o seu Porche.

Questão: Aprecie a validade do negócio celebrado e se Bacca terá sucesso na sua


pretensão.

CASO 7

Fernanda convenceu a sua amiga Maria a comprar-lhe uma pintura a óleo


que estava exposta na sala de estar, dizendo que se tratava de um original de
Claude Monet, avaliado em 100.000,00 € (cem mil euros), que fora oferecido à sua
tetravó em 1925, por ser uma dedicada empregada do famoso pintor. Como eram
amigas de longa data, Fernanda convenceu-a que lhe vendia a pintura pelo preço
de 50.000,00 € (cinquenta mil euros), tendo Maria aceite de imediato.

Volvidos alguns anos, e atenta a crise instalada no país, Maria decidiu


vender a pintura. Ao deslocar-se a uma galeria conceituada, foi informada que o
quadro não valia mais de 20,00 € (vinte euros), por se tratar de uma réplica.
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Questões:
1. Considera que o negócio celebrado entre Maria e Fernanda é válido ou
inválido? Conseguirá Maria recuperar os 50.000,00 € entregues à “amiga”?
2. Imagine que ambas tinham perfeito conhecimento que o quadro se tratava
de uma réplica e que Maria apenas comprou o quadro para evitar que
Fernanda contasse o seu “segredo”. Maria traía o seu marido António há
largos anos e Fernanda ameaçava-a constantemente que iria contar toda a
verdade. Receosa que a ameaça se concretizasse, e que o casamento de 20
anos terminasse por culpa sua, Maria anuiu na compra e evitou uma
desgraça. Que validade possui o negócio celebrado entre as “amigas”?

CASO 8

Manuel é maior de idade, mas sempre teve problemas com o jogo e apostas
em casinos e, após a abertura do casino em Troia, desbaratou todas as suas
economias num mês. A família recorreu ao Tribunal para evitar que este
continuasse a esbanjar o resto dos seus bens. Assim, o tribunal impediu, por
sentença judicial, que Manuel continuasse a governar os seus bens, nomeando-
lhe um administrador de bens, de seu nome Pedro.
A sentença foi registada em 15/06/2015. Na semana passada, Manuel
vendeu um quadro valioso da sua coleção para fazer novas apostas, por um preço
muito inferior ao seu valor real. O administrador ao tomar conhecimento do
sucedido pretende desfazer esta venda.
Questões:
1. O Manuel padece de alguma incapacidade?
2. Qual o procedimento a adotar pelo administrador para “desfazer” este
negócio? Em termos jurídicos, como se designa este administrador?
3. A circunstância da venda ter ocorrido após o registo da sentença produz
algum efeito específico?

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PONTO 6 DO PROGRAMA

TEMA: Responsabilidade civil.

OBJETIVOS: compreender os tipos e pressupostos da responsabilidade civil e a


concretização da obrigação de indemnizar.

ADVERTÊNCIA: Nas questões sobre responsabilidade civil os alunos devem


explicar detalhadamente o preenchimento (ou não) de todos e cada um dos
pressupostos da responsabilidade, que tipo de danos são indemnizáveis, que tipo
de responsabilidade, etc.

CASO 1

Ana, cozinheira de profissão, trabalha de segunda a sexta-feira no


estabelecimento comercial de Bento, onde faz bolos de todos os tipos.

Certo dia, distraída, em vez de colocar óleo alimentar num bolo de iogurte,
colocou veneno para matar baratas, produto que é mortal para os seres humanos.

Os bolos foram mais tarde comercializados e vendidos à fatia a vários


clientes que consumiram bolo de iogurte no estabelecimento de Bento.

Como consequência da ingestão do bolo com veneno para baratas, vieram a


morrer 7 pessoas.

• Questão: faça a análise da responsabilidade de Ana e de Bento e diga se


existem danos indemnizáveis.

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CASO 2

Francisco, pastor, tem ao seu cuidado um rebanho constituído por 100


ovelhas. Existe uma epidemia de febre ovina e Francisco está expressamente
avisado pelo veterinário que as suas ovelhas não podem misturar-se com
quaisquer outros animais, para prevenir a disseminação da epidemia.

Uma vez que andava desavindo com o seu vizinho Paulo, não se importou
no dia em que viu a ovelha n.º 98 sair da vedação dos seus terrenos, onde
habitualmente pastava, para circular nos terrenos de Paulo onde pastavam as
ovelhas do vizinho.

A epidemia de febre ovina veio efetivamente a espalhar-se e, como


consequência, morreram 500 ovelhas do rebanho de Paulo, no valor de € 100 cada
uma.

• Questão: faça a análise da responsabilidade de civil de Francisco e diga se


existem danos indemnizáveis.

CASO 3

António tinha um problema vascular que necessitava de uma cirurgia para


extração de veias safenas na perna direita.

Para solucionar o seu problema de saúde, contratou o Dr. João Nabo com
quem acordou a data e hora da extração das veias safenas num hospital particular
de Lisboa.

Logo após a cirurgia, António percebeu que, que tinha os pensos e as


cicatrizes na perna esquerda.

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Com estes acontecimentos, António, não só não solucionou o seu
problema de saúde, como também:

• Gastou € 6500,00 em honorários médicos e despesas hospitalares;


• Precisa de fazer nova cirurgia para solucionar o seu problema de
saúde, com a qual prevê gastar mais € 6.500,00;
• Teve dores com a recuperação cirúrgica sem que houvesse
necessidade da mesma;
• Deixa de ter a possibilidade de utilizar as veias safenas saudáveis
que podem ser utilizadas em certas cirurgias de natureza cardíaca
(caso venha a ter problemas cardíacos mais tarde).

Questões:

1) Diga que tipo de responsabilidade civil está em causa e verifique se estão,


ou não, preenchidos os pressupostos da obrigação de indemnizar;
2) Existe, neste caso, alguma presunção que ajude o António a provar os
factos constitutivos do seu direito?
3) Identifique e classifique cada um dos danos sofridos pelo António e
calcule como seria composta uma eventual indemnização.

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