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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS


DEPARTAMENTO DE FÍSICA
Física Experimental I – 5263

Momento de Inércia do Disco

Acadêmicos: RA:
Emanuel Minuce Mazzo 112368
Natália Costa Campaner 112362

Turma: 02 Professora: Hatsumi Mukai

Maringá, 16 de julho de 2019.


1. Resumo

Este relatório apresenta um estudo acerca da Inércia Rotacional e do Torque, presentes em um


conjunto de discos que rotacionam devido a força peso desempenhada por uma massa
suspensa. As análises e discussões aqui expostas foram dadas por meio de métodos
experimentais e observação dos resultados práticos. Para a execução da atividade, foram tidos
dois tipos de movimentos simultâneos: translação do corpo cilíndrico, unidimensional, com
direção vertical e sentido para baixo e rotação dos discos acoplados, bidimensional, com sentido
anti-horário. O sistema utilizado constava de discos de materiais homogêneos, cujo intuito era
evitar que uma alteração da temperatura ambiente ocasionasse em uma mudança da densidade
e da massa de tais discos. Ainda, considerou-se que o conjunto não sofreu interferência de forças
externas, com exceção da força peso do cilindro, e desprezou-se as forças dissipativas. Com o
intuito de manter um padrão e tornar as discussões válidas, adotou-se que os raios dos discos e
as massas - tanto destes quanto do corpo suspenso - eram fixos e constantes. Além disso, no
início do experimento, os discos e cilindro suspenso se encontravam em repouso. Por meio de
equações obtidas de fontes teóricas e análises experimentais, calculou-se o momento de inércia
teórico, (1,707 ± 0,009) 10-2 Kg.m², e experimental, (1,6 ± 0,5) 10-2 Kg.m², para os discos
acoplados e, posteriormente, foi estabelecida uma comparação entre estes. Para isso,
posicionou-se um corpo de massa (86,35 ± 0,05) 10-3 Kg, suspenso por um fio inextensível
enrolado em torno do disco menor, a uma altura de (1,60 ± 0,05) m. Para realizar a aferição
destes, utilizou-se uma balança digital da Bel Engineering, de precisão 0,1 g, e uma trena da
Lufkin, de precisão 0,05 cm, respectivamente. Após ser abandonado, o corpo sofreu ação de
uma força resultante ao somatório da força peso e da tração, fazendo com que o fio
desenrolasse, provocando, assim, a rotação de ambos os discos, sendo o tempo necessário para
que este corpo tocar o solo, após ser abandonado, medido por meio de um cronômetro da
Unilab, de precisão de 0,1 s. A repetição desse experimento permitiu definir-se como tempo
médio, o valor (7,2 ± 0,1) s. A energia armazenada, presente no corpo suspenso, responsável
por girar os discos, de diâmetros (22,30 ± 0,05) 10-2 m e (6,940 ± 0,005) 10-2 m, com massas de
(2738,4 ± 0,1) 10-3 Kg e (86,35 ± 0,05) 10-3 Kg, respectivamente, e por fazer o corpo descer, não
foi conservada, integralmente, devido a erros sistemáticos.
2. Introdução

Um dos principais assuntos da Cinemática, é o movimento circular. Embora este tenha


semelhanças com o movimento linear, os aspectos que os diferenciam são os que o tornam mais
interessante. Suas particularidades parecem desafiar as leis físicas, quando analisadas de
maneira superficial, mas, ao entendê-las, vemos que são essas características que, inicialmente,
pareciam infundadas, as responsáveis por tamanha beleza. Portanto, nada mais justo que
dedicar um trabalho, simples, mas estimado, estudando este formidável ramo da Mecânica
Clássica que, diariamente, nos agracia com suas propriedades.

Torque e Inércia rotacional, também conhecida por Momento de Inércia, são duas grandezas
físicas, pertinentes ao tema em questão, que constantemente se relacionam. A primeira diz
respeito ao trabalho desempenhado por um corpo que rotaciona em torno de um eixo fixo. A
outra, a dificuldade para rotacionar um corpo. A princípio, parecem ser meras adaptações do
movimento unidimensional. Todavia, suas vastas aplicações facilitam imensamente a nossa vida.
De forma quase mágica, somos capazes de mover uma porta cuja a massa facilmente ultrapassa
20 kg, com pouco esforço. Ou ainda, cortar vergalhões de ferro usando apenas um alicate. Não
é à toa que, há mais de 2000 anos, tais propriedades já eram alvos de indagação.

“Dê-me uma alavanca e eu moverei o mundo”. A celebre frase, atribuída a um dos maiores
matemáticos de todos os tempos, Arquimedes de Siracusa, embora absurda, e ao mesmo tempo
poética, é, também, lógica, de modo que se relaciona diretamente a um de seus trabalhos: A Lei
da Alavanca. Esta lei, predecessora a que define Torque, afirma que a razão das forças que
atuam sobre uma alavanca é a igual ao quociente de suas respectivas distâncias do ponto de
rotação.

F1 / F2 = d1 / d2

A História nos mostra que, apesar de vivermos em épocas diferentes, a natureza sempre foi alvo
de nossa admiração e, dessa forma, a ciência se repete; é posta à prova, para, assim, progredir.
Dito isso, estabelece-se o interesse maior nesse trabalho: a compreensão.

3. Objetivos

I. Objetivo Geral:
Investigar o movimento de translação e rotação em um sistema discos-massa.

II. Objetivos Específicos:


• Determinação do momento de inércia de um disco de material homogêneo de
forma experimental;
• Explorar os conceitos de conservação de energia mecânica;
• Estudar o conceito de torque.
4. Fundamentação Teórica

As informações presentes nessa seção fazem-se necessárias para a compreensão do


experimento, fornecendo os conhecimentos teóricos que se utilizaram na análise experimental.

4.1 – Definições

Será definido as grandezas estudadas de forma a apresentá-las, permitindo um imediato


entendimento sobre o assunto em questão.

4.1.1 – Inércia Rotacional

Momento de Inércia é uma grandeza física, pertinente ao movimento circular, que


relaciona a massa de uma partícula com a sua distância entre eixo de rotação, sendo
definido pela equação:

𝐼 = 𝑚 × 𝑟2 (4.1)

Ao se analisar a equação que o define, constata-se ser possível um corpo assumir


diferentes valores alternando, apenas, o raio de rotação. Além disso, outra afirmação se
faz plausível: dois corpos de diferentes massas poderem se equilibrar, bastando que
estes tenham o mesmo valor de Inércia Rotacional.

Figura 1 : Imagem ilustrativa representando o equilíbrio de duas esferas de massas diferentes


sobre uma barra não-fixa de massa desprezível apoiada em um suporte.

4.1.2 – Torque

Torque é o trabalho realizado por uma força pra rotacionar um corpo, definido por:

τ = F × r × sen θ (4.2)

Como todo Trabalho, o Torque também possui conservação de energia, sendo assim, a
energia potencial aplicada será convertida em torque, fazendo-o girar.
4.1.3 - Força Resultante

A força responsável pela realização do trabalho no experimento é dada pela resultante


do somatório de todas as forças que atuam na mesma direção do deslocamento.

𝛴𝐹 = 𝐹1 + 𝐹2 + 𝐹3 + . . . + 𝐹𝑛 (4.3)

4.2 - Aplicações Experimentais

Para utilizarmos as equações anteriormente apresentadas, algumas alterações devem


ser feitas, de modo a adequá-las ao experimento.

4.2.1 - Momento de Inércia Teórico

A Equação 4.1 é válida apenas para uma partícula que gira ao redor de um centro, cuja
a distância é invariável. Ao observarmos o experimento, fica claro que a massa do disco
não está concentrada em um ponto material, mas distribuída uniformemente por todo
ele. Sendo assim, precisa-se somar o seu valor de todas as partículas que constituem
esse corpo e, em seguida, realizar a integração do Momento, para então, obter o seu
valor para o cilindro em questão. Temos que:

𝐼𝑡 = ∑𝑖=1 𝑚𝑖 𝑟𝑖2 (4.4)

𝑅
𝐼𝑡 = ∫0 𝑟 2 𝑑𝑚 (4.5)

Como 𝑚 = 𝜌 × 𝑉, onde ρ é a densidade e V o volume, podemos substituir dm na


equação acima por 𝜌 × 𝑑𝑉.

𝐼𝑡 = ∫ 𝑟 2 × 𝜌 𝑑𝑉
0

O volume pode ser reescrito na forma A × h , onde A é a área do disco e h sua altura.

Portanto, dV = dA × h
𝑅

𝐼𝑡 = ∫ 𝑟 2 × 𝜌 × ℎ 𝑑𝐴
0

Quando substituímos A por 𝜋 × 𝑟2 , obtemos 𝑑𝐴 = 𝜋 × 2 × 𝑟 𝑑𝑟


𝑅

𝐼𝑡 = ∫ 𝑟 2 × 𝜌 × ℎ × 2 × 𝜋 × 𝑟 𝑑𝑟
0
Resolvendo essa integração:

𝑟4 × 𝜌 × ℎ × 𝜋 × 2
𝐼𝑡 =
4
Por fim, reescrevendo ρ como m / r2 × π × h e fazendo as devidas simplificações:

𝑟4 × 𝑚 × ℎ × 𝜋 × 2
𝐼𝑡 =
4 × 𝑟2 × 𝜋 × ℎ
2
𝐼𝑡 = 𝑚 ×2 𝑟 (4.6)

Sendo essa equação do Momento de Inércia para um corpo rígido contínuo.

Como no experimento, foi-se utilizado dois discos unidos de raio diferentes, temos que
a Inercial Rotacional conjunto é dada pela soma das inércias de cada disco:

𝐼𝑡 = 𝑚 ×2 𝑟² + 𝑀 ×2 𝑅² (4.7)

4.2.2 - Força Resultante

Ao se analisar o sistema experimental, tomando as condições iniciais válidas, conclui-se


que há apenas duas forças agindo: peso e tração. Sendo assim: 𝛴𝐹 = 𝑃 + (−𝑇).

Da Segunda Lei de Newton, pode-se afirmar que uma força é o produto da massa por
sua aceleração. Assim posto, temos que a força resultante é oriunda de uma massa
acelerada, que no experimento, é a massa suspensa, permitindo-se representá-la por:

𝛴𝐹 = 𝑃 + (−𝑇) = 𝑚 𝑠 × 𝑎 (4.8)

4.2.3 - Momento de Inércia Experimental

Com o intuito de determinar a equação do momento de inércia experimental, é possível


fazer uso de dois métodos: partindo dos conceitos de torque e 2ª Lei de Newton ou via
conservação de energia mecânica. Será visto a seguir ambos:

4.2.3.1 – Via 2ª Lei de Newton e Torque

𝑚 × 𝑎 × 𝑟 2 × 𝑠𝑒𝑛 𝜃
Podemos representar o Torque por 𝜏 = 𝑟
. Dessa forma, fica claro que o
torque depende do Momento de Inércia:

𝐼 ×𝑎 × sen 𝜃
𝜏= 𝑟
(4.9)

Por outro lado, temos que a força responsável pelo movimento é a tensão, sendo assim:
𝜏 = 𝑇 × 𝑟 × 𝑠𝑒𝑛 𝜃 (4.10)

Ao comparamos as duas equações obtidas e isolarmos na expressão a força T,


encontramos:
𝐼×𝑎
𝑇 = 𝑟 2 × 𝑠𝑒𝑛 𝜃
(4.11)

Da equação 4.9:

𝑇 = 𝑃 – (𝑚𝑠 × 𝑎)

𝑇 = (𝑚𝑠 × 𝑔) – (𝑚𝑠 × 𝑎)
𝑇 = 𝑚𝑠 × (𝑔 – 𝑎) (4.12)

Comparando as Equações 4.11 e 4.12, obtêm-se:


(𝐼 × 𝑎 )
𝑚𝑠 × (𝑔 – 𝑎) =
𝑟2 × 𝑠𝑒𝑛 𝜃
Logo:
(𝑔 – 𝑎)
𝐼𝑒 = 𝑟 2 × 𝑠𝑒𝑛 𝜃 × 𝑚𝑠 ×
𝑎
𝑔
𝐼𝑒 = 𝑟 2 × 𝑠𝑒𝑛 𝜃 × 𝑚𝑠 × (𝑎 − 1) (4.13)

Sabe-se o que o movimento da massa suspensa é uniformemente variável, definido pela


𝑎𝑡 2
equação geral do espaço: ℎ = ℎ0 + 𝑣0 𝑡 + 2
. Como o espaço inicial, ℎ0, é nulo,
assim como a velocidade inicial, 𝑣0 , temos que:

𝑎 = 2ℎ / 𝑡 2 (4.14)

Dessa forma, substituímos o valor da aceleração na equação 3.8:

𝑔
𝐼𝑒 = 𝑟 2 × 𝑠𝑒𝑛 𝜃 × 𝑚𝑠 × ( − 1)
2ℎ
𝑡2
𝑔𝑡 2
𝐼𝑒 = 𝑟 2 × 𝑠𝑒𝑛 𝜃 × 𝑚𝑠 × ( − 1) (4.15)
2ℎ

4.2.3.2 – Via conservação de energia mecânica

Sabe-se por conceitos da dinâmica que quando a energia mecânica (Em) é conservada,
a sua variação é nula. Também, temos por base que a energia mecânica corresponde,
neste caso, a soma da energia cinética (Ec) – esta dada pela soma da energia cinética
rotacional com a energia cinética presente na massa suspensa (ms) - com a energia
potencial (Ep). Estas são dadas, respectivamente, pelas seguintes equações:

𝐼𝜔² 𝑚𝑠 ×𝑣²
𝐸𝑐 = + (4.16)
2 2

𝐸𝑝 = 𝑚𝑠 × 𝑔 × ℎ (4.17)
Desta maneira, podemos escrever que:

∆𝐸𝑚 = 0
𝐸𝑚𝑖 = 𝐸𝑚𝑓 (4.18)

Sendo:

• Emi a energia mecânica inicial;


• Emf a enérgica mecânica final.

Expandindo a equação 4.18, obtemos o resultado abaixo:

𝐸𝑐𝑖 + 𝐸𝑝𝑖 = 𝐸𝑐𝑓 + 𝐸𝑝𝑓 (4.19)

Sendo:

• Eci a energia cinética rotacional inicial;


• Ecf a energia cinética rotacional final;
• Epi a energia potencial inicial;
• Epf a energia potencial final.

No entanto, uma vez que no início do experimento a velocidade angular e a velocidade


do corpo suspenso são nulas – os discos acoplados e o cilindro partem do repouso - a Eci
é igual a zero. Além disso, a energia potencial no fim do movimento é zero, já que a
altura do corpo, neste momento, corresponde, também, a zero. Assim, realizando estas
substituições e aplicando as equações 4.16 e 4.17 na fórmula 4.19, obtemos que:

𝑚𝑠 ×𝑣² 𝐼𝜔²
𝑚𝑠 × 𝑔 × ℎ = + (4.20)
2 2

Isolando o momento de inércia experimental, chega-se em:

2×𝑚𝑠 ×𝑔×ℎ 𝑚𝑠 ×𝑣²


𝐼= − (4.21)
𝜔² 𝜔²
Contudo, temos que a velocidade angular é dada pela seguinte equação, sendo v a
velocidade escalar e r o raio do disco:
𝑣
𝜔= (4.22)
𝑟
Ademais, partindo de equações da cinemática para um movimento com aceleração
constante e diferente de zero, como é descrito a seguir:
𝑎×𝑡²
𝑆 = 𝑆0 + 𝑣0 × 𝑡 + 2
(4.23)

Pode-se obter o valor da aceleração. Utilizando tal fórmula para o movimento descrito
no eixo y e adotando que a posição inicial (S0) e velocidade inicial (v0) correspondem
ambas a zero, temos que:

𝑎 × 𝑡²
ℎ=
2
𝑎 = 2 × ℎ × 𝑡 −2
Sendo h a altura percorrida pelo corpo.

Ao se derivar tal valor de aceleração, obtemos o seguinte valor de velocidade escalar:


2ℎ
𝑣= (4.24)
𝑡

Deste modo, podemos substituir a equação 4.24 na 4.22:


2ℎ
𝜔 = 𝑡×𝑟 (4.25)

Com isto, aplica-se esta equação em 4.21. Efetuando certas manipulações, chegamos
no valor do momento de inércia experimental pretendido:
𝑔𝑡 2
𝐼 = 𝑟 2 × 𝑠𝑒𝑛 𝜃 × 𝑚𝑠 × ( 2ℎ − 1) (4.26)

Observando os resultados obtidos pelos dois métodos, nota-se que estes são idênticos.
Portanto, ambos podem ser utilizados para cumprir o objetivo.

4.2.4 - Tempo Teórico

Utilizando a equação 4.15 é possível definir uma formula capaz de calcular o tempo real
em que as condições iniciais são respeitadas. Para isso, o tempo será isolado em um dos
membros desta equação, obtendo-se:

2ℎ × 𝐼 2ℎ
𝑡 =√ + (4.27)
𝑚𝑠 × 𝑟 2 × 𝑔 𝑔

4.2.5 – Raio

Tendo em vista que para a prática experimental utiliza-se discos – cujo formato é circular
– é possível determinar a medida do raio (r) através do valor do diâmetro como é
demonstrado a seguir:
𝑑
𝑟= (4.28)
2
4.3- Teoria de Erros

As medidas obtidas experimentalmente não são exatas, uma vez que podem ocorrer
erros atuando no sistema e a fato de os instrumentos utilizados para mensurar as
grandezas físicas terem as suas imprecisões intrínsecas. Assim, será apresentado normas
que faram com que as medidas sejam representadas na seguinte forma:

𝑋 = (𝑋̅ ± 𝜎) (4.29)
4.3.1 - Média das grandezas

Para se obter o valor médio da grandeza desejada, faz-se necessário realizar a média
aritmética. Logo:
1
𝑋̅ = × ∑𝑛𝑖=1 𝑋𝑖 (4.30)
𝑛

4.3.2 - Desvio Padrão

O Desvio Padrão pode ser classificado de duas formas, dependendo da origem da


medida: direta, quando se utiliza um equipamento para se obter seu valor, ou indireta,
quanto a grandeza é resultado de uma equação.

4.3.2.1 - Desvio Padrão de uma Medida Direta

Calcula-se por meio da seguinte equação:

∑𝑛
𝑖=1(𝑥𝑖 −𝑥̅ )
2
𝜎̅ = √ (4.31)
𝑛−1

4.3.2.2 - Desvio Padrão de uma Medida Indireta

Nesse caso, aplica-se logaritmo neperiano em ambos os membros da equação:


𝑎 × 𝑏
𝑋 =
𝑐
𝑙𝑛 𝑋 = (𝑙𝑛 𝑎 + 𝑙𝑛 𝑏 – 𝑙𝑛 𝑐) (4.32)
𝜎𝑌
Sabendo que 𝑙𝑛 𝑌 = 𝑌
, podemos escrever a equação exemplo na seguinte forma:

𝜎𝑋 𝜎𝑎 𝜎𝑏 𝜎𝑐
=( + – )
𝑋 𝑎 𝑏 𝑐

Como o erro é sempre propagado e nunca retraído, substitui-se os sinais de subtração


da equação pelos de adição:

𝜎𝑋 𝜎𝑎 𝜎𝑏 𝜎𝑐
=( + + ) (4.33)
𝑋 𝑎 𝑏 𝑐

É importante lembrar que o desvio de uma constante qualquer é zero, logo, a razão de
seu desvio por si mesma não precisa ser expressa na equação.
Outra relação entre os desvios padrão, que será necessária em cálculo, diz respeito a
soma:

(𝜎𝑋)2 = (𝜎𝑎)2 + (𝜎𝑏)2 + (𝜎𝑐)2 (4.34)

4.3.3 - Regras de arredondamento

Os resultados obtidos das equações não são exatos, pois as medidas utilizadas são
provenientes de aproximações feitas com base nos equipamentos utilizados. Dessa
forma, arredondamentos devem ser feitos de modo a terem maior coerência.

Os arredondamentos serão feitos na seguinte maneira:

1. O Desvio de uma medida será aproximado para o primeiro algarismo diferente


de 0 que este possuir; caso este seja inferior a 5, seu valor será mantido, caso
contrário, será acrescido em uma unidade;
2. Os valores das medidas serão aproximados de acordo com o número de casas
decimais que o desvio possuir, seguindo a mesma regra de valores usadas.

4.3.4 - Desvio Percentual

Para representar o desvio dos resultados obtidos experimentalmente com os esperados


pela teoria, utiliza-se o desvio percentual, definido por:
𝑽𝒂𝒍𝒐𝒓𝒕𝒆ó𝒓𝒊𝒄𝒐−𝑽𝒂𝒍𝒐𝒓𝒆𝒙𝒑𝒆𝒓𝒊𝒎𝒆𝒏𝒕𝒂𝒍
𝑫% = | 𝑽𝒂𝒍𝒐𝒓𝒕𝒆ó𝒓𝒊𝒄𝒐
| × 𝟏𝟎𝟎 % (4.35)

4.3.5 - Aplicação da Teoria de Erros para as Equações

A teoria anteriormente apresentada será utilizada para se definir equações que visam
calcular os desvios de Momento de Inércia e Tempo Teórico.

4.3.5.1 - Desvio do Momento de Inércia Teórico

A partir das equações 4.7 e 4.34, podemos definir o desvio padrão para o Momento de
Inércia Teórico como:

(𝜎𝐼𝑡 )2 = ( 𝜎𝐼𝑀 )2 + (𝜎𝐼𝑚 )2 (4.36)

Onde:
𝜎𝑀 𝜎𝑅
𝜎𝐼𝑀 = 𝐼𝑀 × ( 𝑀 + ) (4.37)
𝑅
𝜎𝑚 𝜎𝑟
𝜎𝐼𝑚 = 𝐼𝑚 × ( 𝑚 + ) (4.38)
𝑟

4.3.52- Desvio do Momento de Inércia Experimental

Por meio da equação 4.15, pode-se determinar o desvio do momento de inércia


experimental. Para isto, separamos a equação em duas partes, como é descrito abaixo:

𝑚𝑠 ×𝑟²×𝑡²×𝑔
𝐴= (4.39)
2×ℎ

𝐵 = 𝑚𝑠 × 𝑟² (4.40)

Sendo, desta forma, o momento de inércia experimental (Ie) dado por:

𝐼𝑒 = 𝐴 − 𝐵 (4.41)

Utilizando a Teoria dos Erros e a equação 4.34, depreende-se a relação sequente:

(𝜎𝐼𝑒 )² = (𝜎𝐴)² + (𝜎𝐵)² (4.42)

Sendo, também pela teoria dos erros:


𝜎𝑚𝑠 2𝜎𝑟 2𝜎𝑡 𝜎ℎ
𝜎𝐴 = 𝐴 × ( + + + ) (4.43)
𝑚𝑠 𝑟 𝑡 ℎ

𝜎𝑚𝑠 2𝜎𝑟
𝜎𝐵 = 𝐵 × ( + ) (4.44)
𝑚𝑠 𝑟

4.3.3.3 – Desvio do Tempo Teórico

Fazendo-se uso da Equação 4.27, é possível estabelecer uma equação para o cálculo do
desvio do Tempo Teórico.

Se considerarmos 𝑡 = √𝐴 :
𝜎𝐴
𝜎𝑡 = 𝑡 × (4.45)
2𝐴
2ℎ × 𝐼 2ℎ
Onde 𝐴 =
𝑚𝑠× 𝑟2 × 𝑔
+ 𝑔
.
Substituindo I pela equação 4.15, temos que:
2ℎ 𝑚 ×𝑟² 𝑀 × 𝑅² 2ℎ
𝐴= ( 2 + 2 )+ 𝑔
𝑚𝑠 × 𝑟2 × 𝑔
ℎ ×𝑚 ℎ × 𝑀 × 𝑅² 2ℎ
𝐴 = 𝑚 ×𝑔
𝑠
+ 𝑚𝑠 ×𝑟²×𝑔
+ 𝑔
Se substituirmos cada parcela dessa equação por uma incógnita, teremos:

𝐴=𝑎+𝑏+𝑐
Dessa forma, teremos que:

𝜎𝐴 = √(𝜎𝑎)2 + (𝜎𝑏)2 + (𝜎𝑐)2 (4.46)

Aplicando a Teoria de Erros, obtém-se:

𝜎ℎ 𝜎𝑚 𝜎𝑚𝑠 𝜎𝑔
𝜎𝑎 = 𝑎 ( + + + )
ℎ 𝑚 𝑚𝑠 𝑔
ℎ ×𝑚 𝜎ℎ 𝜎𝑚 𝜎𝑚𝑠
𝜎𝑎 = ( )( ℎ + + ) (4.47)
𝑚𝑠 × 𝑔 𝑚 𝑚𝑠

𝜎ℎ 𝜎𝑀 2𝜎𝑅 𝜎𝑚𝑠 2𝜎𝑟 𝜎𝑔


𝜎𝑏 = 𝑏 ( + + + + + )
ℎ 𝑀 𝑅 𝑚𝑠 𝑟 𝑔
ℎ × 𝑀 × 𝑅² 𝜎ℎ 𝜎𝑀 2𝜎𝑅 𝜎𝑚𝑠 2𝜎𝑟
𝜎𝑏 = ( )( ℎ + + + + ) (4.48)
𝑚𝑠 ×𝑟²×𝑔 𝑀 𝑅 𝑚𝑠 𝑟

𝜎2 𝜎ℎ 𝜎𝑔
𝜎𝑐 = 𝑐 ( + + )
2 ℎ 𝑔
2ℎ 𝜎ℎ
𝜎𝑐 = ( ) ( ) (4.49)
𝑔 ℎ

4.3.3.4- Desvio do Raio

Para se obter o desvio do raio, utiliza-se a equação 4.28. Aplicando conceitos da Teoria
dos Erros, chega-se em:
𝜎𝑑
𝜎𝑟 = (4.50)
2

Com base no que foi exposto nesta seção, foi desenvolvida a base teórica necessária para a
execução do experimento e a análise dos resultados obtidos. Em sequência, será demonstrado
o desenvolvimento experimental, com detalhes da execução da prática em si.
5. Desenvolvimento Experimental

Nesta seção do relatório, é apresentada toda a execução da prática, desde dos materiais
utilizados até a execução do experimento em si. Há presente, também, os dados experimentais
e suas devidas interpretações.

5.1 Materiais Utilizados


• 2 Discos de diâmetros distintos;
• Cilindro metálico maciço;
• Fio inextensível;
• Cronômetro da Unilab, com precisão de 0,1 s;
• Trena da Lufkin, com precisão de 0,1 cm;
• Régua da Waley, com precisão de 0,1 cm;
• Fita adesiva;
• Paquímetro da Mitutoyo, com precisão de 0,05 mm;
• Balança digital da marca Bel Engineering, com precisão de 0,05 g.

5.2 Montagem Experimental

A montagem experimental está descrita nas Figuras 1 e 2 sequentes. Primeiramente, os dois


discos acoplados por um único eixo estão fixos na parede a uma certa altura do solo (H) –
representada na Figura 2. O disco com menor diâmetro é dado nas figuras por 1, enquanto que
o disco com maior diâmetro está representado por 2. O corpo cilíndrico suspenso (3) de massa
ms está ligado ao disco 1 pelo fio inextensível (4) de comprimento L. Ao se unir o fio, foi
assegurado de que o corpo cilíndrico percorresse uma altura h até chegar ao solo, como mostra
a Figura 2.

Figura 2 - Foto do experimento Momento de Inércia, sendo 1 o disco com menor diâmetro, 2 o disco com maior
diâmetro, 3 o corpo suspenso e 4 o fio inextensível. Fonte: Alunos Engenharia Química - UEM.
Figura 3 - Foto do experimento do Momento de Inércia, sendo 1 o disco com menor diâmetro, 2 o disco com maior
diâmetro, 3 o corpo suspenso, 4 o fio inextensível, h a altura percorrida pelo cilindro e H a altura que os discos estão
do solo. Fonte: Alunos Engenharia Química – UEM.

5.3 Descrição do Experimento

Para a realização do experimento, foi fundamental, a princípio, aferir a massa do corpo cilíndrico
a ser suspenso por meio da balança digital. Em seguida, consultou-se a tabela próxima ao
sistema de discos presente na parede, como mostra a Figura 3 sequente:

Figura 4 - Tabela colada na parede próxima ao sistema de discos. Fonte: Alunos Engenharia Química-UEM.
Obteve-se, assim, as massas dos discos. Os valores dos diâmetros constados na Figura 3 foram
desconsiderados por não terem a garantia de exatidão. Então, com o auxílio do paquímetro foi
determinado o diâmetro do disco menor e com a trena, o diâmetro do disco maior. Todos esses
dados foram anotados na Tabela 1 com os respectivos desvios.

Posteriormente, adotou-se um fio inextensível de comprimento (L) capaz de satisfazer tais


condições: uma de suas extremidades, ao ser enrolada no disco menor, deveria dar uma volta
no disco e a outra extremidade amarrada ao corpo suspenso, deveria tocar no solo. Tendo isto
em vista, enrolou-se o fio uniformemente e de modo que este não deslizasse no disco menor
até a altura h estipulada.

Após tais procedimentos, o cilindro em suspensão foi mantido na altura h determinada. Então,
mediu-se por meio da trena a distância do corpo até o chão, levando em conta que a atuação
da força peso é dada no centro de massa do objeto. O resultado aferido foi registrado, também,
na Tabela 1.

Sequencialmente, o objeto suspenso foi mantido parado, sem oscilar, e o disco foi liberado.
Desta forma, os discos acoplados começaram a rotacionar, enquanto o corpo começou a
transladar. O cronômetro foi, então, acionado assim que o cilindro iniciou o seu movimento e
travado no momento que este chegou ao chão. O tempo de percurso da altura h foi anotado na
Tabela 2.

Estes últimos passos foram repetidos mais outras 4 vezes, tendo que a distância percorrida pelo
corpo foi sempre igual. Os dados de tempo para cada caso foram registrados na Tabela 2.

5.4 Dados Obtidos Experimentalmente

Para a realização da prática, primeiramente, os valores constados na Tabela 1 foram aferidos,


tendo que, ao se efetuar tais medidas, as condições iniciais sequentes foram consideradas e
respeitadas. Os raios de ambos os discos foram mantidos fixos e constantes e, de modo
semelhante, as massas dos discos e do corpo suspenso foram tidas constantes e fixas. As forças
dissipativas dos movimentos de rotação e de translação foram desprezadas e o sistema não
sofreu interferência de forças externas, com exceção da força peso, atuante sobre o corpo
suspenso. A altura que o corpo suspenso percorreu foi fixa e este executou um movimento de
translação, unidimensional, com direção vertical e sentido para baixo. Em contrapartida, os
discos acoplados exerceram um movimento de rotação, bidimensional, com sentido anti-
horário. É importante mencionar que os dois tipos de movimentos foram tidos simultâneos.
Além disso, as velocidades iniciais do corpo suspenso e de ambos os discos, no tempo e na
posição iniciais - t0=0,00s e S0=0,00 m, respectivamente – foram iguais a zero. Por fim, utilizou-
se discos de material homogêneo, com o intuito de que com uma mudança da temperatura
ambiente, estes não sofressem alterações em suas densidades e, consequentemente, em suas
massas.

A partir da exposição destes pontos, pode-se apresentar os dados obtidos de forma


experimental na Tabela 1, sendo ms a massa do corpo suspenso, M a massa do disco maior e m
a massa do disco menor. Também, adotou-se h para a altura do percurso do corpo suspenso, d
para o diâmetro do disco menor e D para o diâmetro do disco menor. Os resultados
apresentados já constam com seus devidos desvios, sendo estes fornecidos pelos próprios
fabricantes dos instrumentos de medida utilizados.
Tabela 1 - Dados experimentais das massas, altura e diâmetros, com seus desvios.

ms (10-3 Kg) h (10-2 m) D (10-2 m)


86,35 ± 0,05 160,00 ± 0,05 22,30 ± 0,05
M (10-3 Kg) d (10-2 m)
2738,4 ± 0,1 6,940 ± 0,005
m (10-3 Kg)
82,8 ± 0,1

No decorrer do experimento, os valores do tempo para que o corpo percorresse a altura h foram
aferidos e constam na Tabela 2 a seguir. Tais dados apresentam os respectivos desvios, que
foram determinados com base na imprecisão fornecida pelo fabricante do cronômetro.
Tabela 2 - Dados experimentais dos tempos de percurso na vertical da massa ms.

t1 (s) t2 (s) t3 (s) t4 (s) t5 (s)


7,18 ± 0,01 7,00 ± 0,01 7,19 ± 0,01 7,19 ± 0,01 7,25 ± 0,01

Com o que foi mencionado nesta seção, pode-se aplicar tais resultados e desenvolver a
interpretação do experimento proposta em sequência. Serão utilizados os dados nas Tabelas 1
e 2, tendo como foco a análise dos movimentos de translação e rotação executados.

5.5 Interpretação dos Resultados

Nesta seção, apresenta-se a interpretação dos resultados mencionados previamente. Com o


intuito de estudar o movimento de translação e rotação no sistema antes descrito e, ainda,
determinar o momento de inércia do disco, explorando conceitos de torque e conservação de
energia mecânica, inicia-se calculando os valores dos raios do disco menor (r) e do disco maior
(R). Para isto, utiliza-se as medidas dos diâmetros contidos na Tabela 1 e, bem como, a equação
4.28. Os resultados obtidos constam na Tabela 3 e apresentam os respectivos desvios, estes
calculados por meio da equação 4.50.
Tabela 3 - Dados dos raios dos discos menor (r) e maior (R), com seus desvios.

r (10-2 m) R (10-2 m)
3,470 ± 0,003 11,15 ± 0,03

Após realizados estes cálculos, pode-se obter o valor do momento de inércia teórico para cada
disco do movimento, sendo, deste modo, IM para o momento de inércia do disco maior e Im para
o momento de inércia do disco menor. Aplicando os dados dos raios, presentes na Tabela 3, e
das massas, descritas na Tabela 1, na equação 4.6 em cada caso, chegamos nos valores
pretendidos que estão descritos na Tabela 4 a seguir. Os resultados sequentes acompanham
seus desvios, dados pelas equações 4.37 e 4.38.
Tabela 4 - Dados dos momentos de inércia teóricos para cada disco do sistema, com seus respectivos desvios.

Im (10-5 Kg.m²) IM (10-2 Kg.m²)


4,98 ± 0,02 1,702 ± 0,009

Tendo isto feito, pode-se utilizar tais dados e aplica-los na equação 4.7. Ao se realizar tal passo,
chega-se no momento de inércia teórico para todo o sistema (It). Este resultado prevê certo
desvio, sendo tal calculado pela equação 4.36. Assim, temos que: It = (1,707 ± 0,009) 10-2 Kg.m².

Em seguida, por meio dos dados dos tempos experimentais contidos na Tabela 2 e da equação
4.30, obtemos o valor do tempo médio (tm). Seu desvio é calculado ao se utilizar a equação 4.31.
Desta maneira: tm = (7,2 ± 0,1) s.

Posteriormente, calculou-se o momento de inércia experimental (Ie). Para isto, utilizou-se os


valores da massa suspensa e da altura h apresentados na Tabela 1, bem como, os dados dos
raios contidos na Tabela 3, o valor do tempo médio determinado anteriormente e o valor da
gravidade (g) como sendo 9,80665 m/s², aplicando tais resultados na equação 4.15. O desvio
previsto pelo valor experimental é dado pela equação 4.42. Em suma, podemos escrever que:
Ie= (1,6 ± 0,5) 10-2 Kg.m².

Com o intuito de determinar qual seria o tempo previsto pela teoria que a massa suspensa leva
para percorrer a altura h, aplica-se o valor do momento de inércia teórico na equação do tempo
teórico, mais precisamente, a equação 4.27. Também, pode-se aferir o desvio por este
apresentado pela equação 4.45. Logo, obtemos que: tt= (7,34 ± 0,03) s.

Os valores calculados do tempo médio experimental (tm) e do tempo “teórico” (tt) podem ser
reescritos na Tabela 4 a seguir:
Tabela 5 – Valores do tempo médio experimental e do tempo “teórico”, representados com os respectivos desvios.

tm (s) tt (s)
7,2 ± 0,1 7,34 ± 0,03

Assim, podemos estabelecer uma comparação entre estes. Utilizando a equação 4.35, descobre-
se o desvio percentual apresentado entre os dados da Tabela 4, como é demonstrado:
𝟕, 𝟑𝟒 − 𝟕, 𝟐
𝑫% = | | × 𝟏𝟎𝟎%
𝟕, 𝟑𝟒
𝑫% = 𝟏, 𝟗𝟎𝟕 %

Analisando tal divergência obtida entre a expectativa teórica e o que foi obtido na prática, nota-
se uma diferença de 1,907 %. Apesar dos resultados terem sido bem próximos, há um certo
desvio, podendo este ser justificado por erros sistemáticos ocorridos durante a execução do
experimento. Um atraso no acionamento do cronômetro, por exemplo, ou, até mesmo, um erro
de paralaxe ao se realizar a leitura da trena quando se media a altura h podem ter causado a
discrepância entre os tempos apresentados.

Ainda, de modo análogo ao que foi discutido previamente, podemos reescrever os valores do
momento de inércia experimental e teórico já calculados na Tabela 5 sequente. É válido ressaltar
que tais dados já constam com os respectivos desvios determinados de forma adequada.
Tabela 6 - Valores dos momentos de inércia experimental e teórico, com os devidos desvios.

It (10-2 Kg.m²) Ie (10-2 Kg.m²)


1,707 ± 0,009 1,6 ± 0,5

Com isto, podemos determinar o desvio percentual apresentado entres ambos os valores, para
que se possa compará-los. Deste modo:
𝟎, 𝟎𝟏𝟕𝟎𝟕 − 𝟎, 𝟎𝟏𝟔
𝑫% = | | × 𝟏𝟎𝟎%
𝟎, 𝟎𝟏𝟕𝟎𝟕
𝑫% = 𝟔, 𝟐𝟕 %

De maneira similar ao paralelo desenvolvido entre os dados do tempo, os valores dos momentos
de inércia apresentaram certo desvio, mais exatamente 6,27%. Por meio deste resultado, infere-
se que o momento de inércia obtido de forma prática se distanciou um pouco do momento de
inércia descrito pela teoria. Novamente, a divergência pode ser justificada por erros
sistemáticos, como a questão do atraso no acionamento do cronômetro descrita anteriormente.

Mesmo com os desvios descritos, os valores teóricos e experimentais se tornaram bem próximos
e estão coerentes. Por se tratar de uma atividade experimental, erros e divergências já estão
previstos. Com o que foi desenvolvido no decorrer desta seção, pode-se analisar os resultados,
relacionando os com as condições iniciais e a parte experimental como um todo, que será
proposto em sequência.

6. Análise dos Resultados

Sequencialmente à obtenção dos dados experimentais, foi possível iniciar a interpretação dos
resultados e do experimento como um todo. Com isto, permite-se desenvolver a análise dos
resultados proposta nesta seção. As medidas experimentais da seção 5.4 – como a altura
percorrida pelo corpo cilíndrico, sendo esta mantida fixa, e as massas dos discos - foram
acompanhadas de seus respectivos desvios estabelecidos pelos fabricantes dos instrumentos de
aferição utilizados, sendo, portanto, os algarismos imprecisos intrínsecos e já previstos ao se
efetuar a prática. É necessário mencionar que para a realização do experimento adotou-se um
sistema com ausência de forças externas, com exceção da força peso, e desprezou-se as forças
dissipativas. Também, foi tido que o movimento de rotação dos discos e o movimento de
translação do corpo suspenso foram simultâneos, já que esses aparelhos estavam acoplados e
o cilindro ligado a estes pelo fio. A fim de precisar as informações contidas na Tabela 2,
considerou-se que o cilindro suspenso e os discos estavam, a princípio, em repouso, isto é, na
posição e no tempo iniciais a velocidade destes era igual a zero. Após a aferição do diâmetro dos
discos, tanto com o auxílio do paquímetro quanto com o da trena, calculou-se o raio de cada
disco por meio da equação já explicitada. O desvio que acompanha tal medida pôde, também,
ser determinado e este se mostrou coerente com o experimento e dentro dos padrões. É
imprescindível ressaltar que, para a apuração dos raios dos discos, teve-se que estes foram
mantidos fixos e constantes durante toda a experiência. Em seguida, calculou-se o momento de
inércia teórico igual a 0,01707 Kg.m², juntamente com o desvio, correspondendo este valor a
0,00009 Kg.m². Para cumprir com tal objetivo, utilizou-se os dados experimentais da Tabela 1,
bem como adotou-se que as massas, tanto dos discos quanto do corpo suspenso, foram tidas
constantes e fixas. Ainda, para que os cálculos anteriores fossem válidos para qualquer
temperatura, utilizou-se discos de material homogêneo, visto que por apresentarem esta
característica, suas densidades, consequentemente suas massas, permaneceriam inalteráveis
com uma mudança da temperatura ambiente. Além disso, obteve-se o tempo médio igual a 7,2
s, a partir dos tempos aferidos pelo cronômetro (Tabela 2), e seu devido desvio – que
corresponde a 0,1 s, valor coeso e obtido matematicamente, seguindo, também, a regra de
arredondamento. Com este resultado, permitiu-se calcular o momento de inércia experimental
– 0,016 Kg.m²- assim como o seu desvio – igual a 0,005 Kg.m². Desta forma, tendo sido logrados
os dois momentos de inércia, pôde-se desenvolver a comparação entre a expectativa teórica e
o que foi atingido na prática. Analisando os desvios do momento de inércia experimental e do
teórico, observa-se que o apresentado pelo teórico é bem menor que o dado pelo experimental,
mais precisamente uma divergência de cerca de 56 vezes. Com isto, infere-se que o momento
de inércia teórico é bem mais preciso que o experimental, o que era o esperado. Nota-se que
nesta situação os valores se diferenciaram, sendo a divergência entres tais igual a 6,27%. Como
o que foi explicitado já na seção anterior, o desvio percentual obtido revela certa margem de
erro considerável e significativa. No entanto, é possível justificá-la: por se tratar de uma
atividade experimental, desvios são, de certa forma, admitidos, uma vez que erros sistemáticos
e de flutuação podem acontecer. No caso, é provável que um atraso no acionamento do
cronômetro ou uma leitura um pouco incerta da trena ou do paquímetro no momento de
medição dos diâmetros e da altura h tenham causado a diferença. Posteriormente, obteve-se o
tempo teórico que o corpo suspenso leva para percorrer a altura exposta na Tabela 1, sendo
este igual a 7,34 s, e, analogamente ao que foi descrito logo anteriormente, comparou-se o
tempo teórico com o tempo médio calculado pelos dados da Tabela 2. Novamente, nota-se que
o desvio dado pelo valor experimental é maior que o teórico – mais exatamente uma diferença
de cerca de 3 vezes - o que leva a concluir que o tempo teórico é mais preciso. Percebe-se que
há certa discrepância entre os resultados e um desvio percentual de 1,907%. Depreende-se que
o desvio obtido neste caso foi menor que o desvio obtido entre os momentos de inércia, logo,
o tempo experimental mostrou-se mais próximo do tempo proposto pela teoria do que o
momento de inércia experimental com o teórico. De maneira similar, explica-se a diferença
apresentada pelos mesmos erros sistemáticos citados previamente, tendo em vista que tais
falhas de execução da prática ocorridas desencadeiam desvios para todos os cálculos efetuados,
impactando, assim, em toda a análise e discussão. Apesar dos dados experimentais não terem
sido iguais aos teóricos, pôde-se investigar os movimentos do sistema disco-massa e, a partir
dos conceitos de conservação de energia mecânica e do torque, obteve-se as equações
necessárias para os cálculos de momento de inércia, o que, evidentemente, possibilitou a
discussão aqui apresentada, incluído a comparação entre a teoria e a prática.
7. Conclusão

Tendo em vista os objetivos da prática e os aspectos discutidos por este relatório, pode-se inferir
que o intuito do experimento foi atingido. A partir dos conceitos de torque, relacionados a 2ª
Lei de Newton, bem como, por meio da noção de conservação de energia mecânica, pode-se
atingir os instrumentos necessários para o cálculo do momento de inércia teórico. Ademais, por
via experimental, determinou-se a inércia rotacional de um sistema de discos homogêneos e
desenvolveu-se um estudo do movimento de translação e rotação em um conjunto discos-
massa. A fim de se chegar em tais conclusões, as condições iniciais dos movimentos foram
respeitadas e imprescindíveis para as constatações descritas na Análise dos Resultados.

Verificou-se a relação existente entre o momento de inércia e o movimento desempenhado pelo


corpo suspenso, constatando que a energia potencial presente neste é responsável por
rotacionar os discos, produzindo torque, e por fazê-lo cair. Para isto, calculou-se o Momento de
Inércia de cada um dos discos de forma experimental e teórica, obtendo-se valores próximos,
cujos desvios foram atribuídos a erros sistemáticos e as forças dissipativas, que embora estes
não tenham tido suas dimensões aferidas por serem considerados desprezíveis, estavam
atuando sobre o sistema. Além disso, concluiu-se que o Torque depende do Momento de
Inércia, de modo que quanto maior a rotação de um corpo, massa ou tamanho, maior será o
Torque produzido. A elaboração de tal estudo permitiu, ainda, adotar a Teoria Estática dos Erros
de forma empírica, sendo considerados as incertezas dadas pelos fabricantes dos instrumentos
de medida utilizados.

8. Referências Bibliográficas

[1] H. Mukai e P. R. G. Fernandes, Apostila de Laboratório de Física/ DFI-UEM (2018);

[2] Young e Freedman, Física I, 12ª Edição, Editora Pearson Education do Brasil (2008);

[3] H. Moysés Nussenzveig, Curso de Física Básica 1 – Mecânica, 3ª Edição, Editora Edfard
Blüncher Ltda (1993);

[4] Assis, André Koch Torres, Arquimedes, o centro de gravidade e a lei da alavanca, 1ª Edição,
Editora Apeiron Montreal (2008).