Você está na página 1de 5

USO DE ÁLCOOL E

DROGAS NA
ADOLESCÊNCIA
Atualmente sabe-se que a relação entre o uso de álcool e outras drogas, sexualidade
e aids é bastante estreita, seja pelo compartilhamento de agulhas e seringas entre
usuários de drogas injetáveis, uma das formas da transmissão do HIV, seja pelo sexo
desprotegido, que pode levar à gestação não-planejada e à infecção por doenças
sexualmente transmissíveis (DST), incluindo o HIV, o vírus da aids.

Dessa forma, a abordagem preventiva e de orientação com relação ao álcool e outras


drogas, bem como o encaminhamento e o tratamento de problemas de saúde
relacionados a esses hábitos, são fundamentais. Tal perspectiva, inclusive, é
salientada pela Política Nacional de Drogas de 2005, no capítulo Redução de Danos
Sociais e à Saúde – Orientação Geral, que enfatiza: a promoção de estratégias de
ações e redução de danos, voltadas para a Saúde Pública e Direitos Humanos, deve
ser realizada de forma articulada inter e intrassetorial, visando à redução dos riscos,
das consequências adversas e dos danos associados ao uso de álcool e outras
drogas para as pessoas, a família e a sociedade.

O consumo de álcool e drogas entre adolescentes tem sido alvo de várias pesquisas nos
últimos anos. Desde a Segunda Guerra Mundial, observa-se um significativo aumento
nos transtornos relacionados com álcool e outras drogas na adolescência, principalmente
no público feminino. O início do consumo de substâncias psicoativas ocorre cada vez
mais cedo, aumentando o risco de dependência.
O uso de drogas vem desde a Antiguidade e até hoje é
Álcool e outras drogas são
bastante comum entre nós. Em algum momento,
substâncias que causam diferentes povos ou grupos passaram a ingerir drogas
mudanças na percepção e na em rituais, festas ou no convívio social. Por exemplo, o
forma de agir de uma pessoa. hábito de ingerir bebidas alcoólicas tem mais de 8 mil
Essas variações dependem do anos! O problema é quando esse hábito vira vício e a
pessoa passa a se orientar somente pelo uso da
tipo de substância consumida,
substância, colocando-se em situações de risco. Sabemos
da quantidade utilizada, das
que quando bebemos exageradamente nossos sentidos e
características pessoais de reflexos ficam comprometidos. Porém, muitos insistem
quem as ingere e até mesmo em dirigir alcoolizados(as), o que pode ocasionar
das expectativas que se têm acidentes e é proibido pela Lei 11.705/2008 que prevê

sobre os seus efeitos. uma pena de detenção de seis meses a três anos.
O que faz uma pessoa usar
álcool e outras drogas? Essa parece uma
pergunta simples de responder, mas é justamente o contrário. Para começo de
conversa, é bom saber que, historicamente, a humanidade sempre procurou por
substâncias que produzissem algum tipo de alteração em seu humor, em suas
percepções, em suas sensações. E existem substâncias que produzem essas
alterações e são aceitas pela sociedade, outras não.

Em segundo lugar, não é possível determinar um único porquê. Os motivos que levam
algumas pessoas a utilizar drogas variam muito. Cada pessoa tem necessidades,
impulsos ou objetivos que as fazem agir de uma forma ou de outra e a fazer escolhas
diferentes.

Principais razões para o uso de drogas segundo


os adolescentes
*curiosidade;

*para esquecer problemas, frustrações ou insatisfações;

*para fugir do tédio;

*para escapar da timidez e da insegurança;

*por acreditar que certas drogas aumentam a criatividade, a sensibilidade e a


potência sexual;

*busca do prazer;

*enfrentar a morte, correr riscos;

*necessidade de experimentar emoções novas e diferentes.

Então, se quisermos entender e evitar ouso abusivo de álcool e outras drogas


precisamos saber que não é possível generalizar os motivos que levam uma pessoa a
usar drogas. Cada usuário(a) tem os seus próprios motivos. Mas, mesmo que a gente
saiba quais são esses motivos, ainda é preciso analisar outros fatores: — a droga em
si, seus efeitos, prazeres e riscos; a pessoa, com sua história de vida, suas
experiências, condições de vida, seus relacionamentos e aprendizados; o lugar em
que a pessoa vive, com suas regras, seus costumes, se ela tem ou não contato com
essas substâncias e o que acha disso.

Normalmente, quando pensamos em drogas, associamos ao uso de cocaína,


maconha, crack etc, isto é, ao uso de substâncias proibidas. Mas algumas substâncias
fazem parte do nosso cotidiano, não são ilegais, e também podem nos prejudicar se
ingeridas em grande quantidade ou usadas inadequadamente. É o caso do tabaco,
álcool e alguns medicamentos que são consumidos cada vez mais entre os jovens, e
cada vez mais cedo.

Qual o papel da família?


O que as pesquisas revelam?
O V Levantamento Nacional sobre o Kumpfer e Alvarado (2003;58:457-65)
Consumo de Drogas Psicotrópicas5, que relatam que famílias com fortes laços
entrevistou estudantes do ensino afetivos e pais com papéis efetivos são
fundamental e médio, mostrou que 80,8% cruciais para a prevenção de
dos estudantes entre 16 e 18 anos já comportamentos antissociais na
consumiram álcool ao longo da vida. A adolescência. Esses comportamentos
precocidade da experimentação surge com podem se manifestar de várias
a prevalência de 41,2% para as crianças maneiras: roubos, uso de drogas,
entre 10 e 12 anos relatando esse prostituição, entre outros. Entre as
consumo, demonstrando que as estratégias causas conhecidas do comportamento
de prevenção devem começar aos 10 anos. antissocial, está a dinâmica familiar
O II Levantamento Domiciliar sobre o em que a criança está inserida. Estes
Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil estudiosos consideram que as famílias
(2005) encontrou aumento na gravidade de adolescentes dependentes de
do uso/abuso/dependência de substâncias,
álcool são mais disfuncionais que as
com 52,8% dos meninos e 50,8% das
famílias de adolescentes não
meninas entre 12 e 17 anos, relatando
consumo de álcool na vida, com dependentes dessa droga.
prevalência de dependência igual a 7%. Kumpfer KL, Alvarado R. Family-strengthening
approaches for the prevention of youth problem
(Pulcherio G, et al. / Rev Psiq Clín. behaviors. Am Psychol. 2003;58:457-65. Duncan SC,
Duncan TE, Strycker LA, Chaumeton NK. Relations
2011;38(5):209-10) between youth antisocial and prosocial activities. J
Behav Med. 2002;25:425-38.
Mas porque a incidência do uso de drogas tem
crescido entre o público jovem feminino?
Estudos revelam que meninas dependentes de drogas com frequência
relatam sofrer maus-tratos na família. As meninas também relatam que o
fato de presenciarem muitas situações de brigas e violência em casa
influencia o uso de drogas. A fim de evitarem situações aversivas em
família, elas passam a integrar grupos de pares desviantes, isto é, na
tentativa de fugir de situações aversivas, encontram fontes de reforço em
outros locais como grupo de pares desviantes ou por meio do uso de
drogas. (Choquet M, Hassler C, Morin D, Falissard B, Chau N. Perceived
parenting styles and tobacco, alcohol, and cannabis use among French
adolescents: gender and family structure differentials. Alcohol. 2008;43:73-
80.)

A linguagem das drogas.


Experimentador: pessoa que experimenta a droga, levada geralmente por curiosidade. Aquele que prova a
droga uma ou algumas vezes e em seguida perde o interesse em repetir a experiência.

Usuário ocasional: utiliza uma ou várias drogas quando disponíveis ou em ambiente favorável, sem rupturas
(distúrbios) afetiva, social ou profissional.

Usuário habitual: faz uso freqüente, porém sem que haja ruptura afetiva, social ou profissional, nem perda de
controle.

Usuário dependente: usa a droga de forma freqüente e exagerada, com rupturas dos vínculos afetivos e sociais.
Não consegue parar quando quer.

Dependência: quando a pessoa não consegue largar a droga, porque o organismo acostumou-se com a
substância eO ocasional
sua ausência provoca sintomas físicos (quadro conhecido como síndrome da abstinência), e/ou
e o habitual ainda pode ser resgatado pela família através de conversa, aproximação, prazer em outras
porque a pessoa
coisas, jáacostumou-se a de
o depende só através viver sob médico
tratamento os efeitos da droga,
e tratamento sentindo um grande impulso de usá-la com
multidisciplinar
freqüência ("fissura").

Escalada: é quando a pessoa passa do uso de drogas consideradas "leves" para as mais "pesadas", ou quando,
com uma mesma droga, passa do consumo ocasional para consumo intenso.

Tolerância: quando o organismo se acostuma com a droga e passa a exigir doses maiores para conseguir os
mesmos efeitos.

Poliusuário: pessoa que utiliza combinação de várias drogas simultaneamente, ou dentro de um curto período
de tempo, ainda que tenha predileção por determinada droga

Overdose: dose excessiva de uma droga, com graves implicações físicas e psíquicas, podendo levar à morte
por parada respiratória e/ou cardíaca

CEBRID - Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas


QUAL A CONSEQUÊNCIA DAS DROGAS NA VIDA
DO ADOLESCENTE?
São comuns relatos dos próprios jovens e de dados do Ministério da Saúde
acerca de agravos físicos e psicológicos que o consumo de álcool traz às
adolescentes, destacando-se o comportamento promíscuo, o sexo sem
proteção, doenças sexualmente transmissíveis (DST), abortos e traumas.
Além disto, estudos da neurociência comprovam que a pessoa que usa
droga ou álcool tem uma diminuição considerável do senso critico porque a
substância atinge o lóbulo frontal que é responsável pelo planejamento das
ações e senso crítico da pessoa.

PSE - Programa Saúde na Escola engloba o SPE – Saúde e Promoção na


Escola. É uma Ação interministerial (Ministérios da Saúde e da Educação)
em parceria com UNESCO, UNICEF e UNFPA. Há uma articulação entre
as 3 esferas de governo (federal, estadual e municipal), organizações da
sociedade civil, universidades, outros parceiros locais, agregando diferentes
iniciativas regionais e contribui para o fortalecimento da resposta nacional
em relação à saúde dos escolares.

O SPE tem como um dos principais objetivos Estimular o debate e a


reflexão sobre questões relativas a uso de drogas e álcool, sexualidade,
saúde sexual e saúde reprodutiva, direitos humanos, diversidade sexual,
relações de gênero e cidadania.

Recomendações para a família


Estudos do PSE – Programa Saúde na Escola apontam que a família ainda é um lugar
privilegiado para a promoção da educação. Mesmo que o jovem passe a conviver mais em
outros ambientes, como escola, clubes e shoppings, é no seio da família que os valores
morais e os padrões de conduta são adquiridos. Entretanto, quando esses valores morais
não são adquiridos adequadamente durante a infância, outros ambientes poderão ter
influência de risco na adolescência.

Bianca Acampora – Drd. em Ciências da Educação, Mestre em Cognição e Linguagem,


Arteterapeuta, Psicopedagoga, Professora da Univ. Estácio de Sá, Pedagoga e Coord.
do PSE – SPE da Sec. De Educação de São João da Barra/RJ.

Você também pode gostar