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CLÍNICA MÉDICA DE ANIMAIS DE PRODUÇÃO I

Universidade Federal Rural Do Rio De Janeiro – Campus Seropédica


Medicina Veterinária - Jeferson Bruno Da Silva – Matrícula: 201406074-4

Claudicação

A claudicação não é uma doença, é um sintoma e uma manifestação de alguma lesão física
isolada ou complicada afetando uma ou mais partes do aparelho locomotor.
A claudicação é uma indicação de um distúrbio estrutural ou funcional em um ou mais membros
que é manifestado durante a progressão ou em posição de estação, é c omumente chamado de
manqueira.
É simplesmente um sinal clínico, a manifestação dos sinais de inflamação incluindo dor ou um
defeito mecânico, que resulta em anormalidade do passo caracterizada por manqueira.

Causas
Traumas mal conformação anatômica do animal, distúrbios metabólicos ou problemas
neurológicos. Em casos graves não há apoio dos pés ao solo. Esses fatores podem ainda acabar
lesionando os boletos dos equinos.
Os joelhos podem ser:
a. Transcurvo: se desvia para trás, aumenta a pressão
na articulação metacarpiana.
b. Varus: joelhos virados para dentro.
c. Varcus: joelhos virados para fora.

Curvilhão em foice: muda o ângulo da articulação para


baixo, gerando uma maior incidência de acidentes e lesões
de tarso e carpo.
Curvilhão reto: problemas na patela tem maior incidência.
Infecções
a. Linfagite ulcerativa: cursa com febre, edema grave e pequenas ulcerações nos membros.
b. Disturbios metabólicos: osteodistrofia fibrosa, cara inchada, os ossos da face ficam tumefeitos.
Esse é um distúrbio metabólico devido a desproporção de P e Ca++ e fosforo levando a
desmineralização óssea preferencialmente nos ossos da face, há perda da densidade óssea
(osteopenia), ocorre também em todo o corpo podendo gerar claudicação não muito evidente e
dores na coluna.
c. Problemas neurológicos

Distribuição
60% do peso do equino está nos membros anteriores e 40% nos membros posteriores. Então os
anteriores recebem o choque do contato com o solo e os posteriores são responsáveis pela propulsão.

Considerações
 Utilização do cavalo e seu potencial.
 Bioquímica: a análise da bioquímica sérica e enzimas em animais que apresentaram
Rabdomiólise recente.
 Sistema circulatório e respiratório.
 Problemas neurológicos e músculo esquelético.
 Questões ambientais e de manejo > como tempo de ferrageamento, casco quebradiço, cuidados
mínimos com o casco.

Anamnese
Medicação prévia (AINES...)
Tratamento prévio (repouso?)
Há quanto tempo apresenta a claudicação?
O quê causou a claudicação?
Melhora com o exercício?
Foi ferrado recentemente?

Exame
No exame visual devemos observar um animal como um todo de acordo com sua conformação
fisiológica. Repouso preferencialmente.
Em movimento devemos observar a movimentação de cabeça, observando e relacionando com a
passada. Analisar possíveis efusões articulares (aumento de tamanho).

Localização da Dor
Observar o cavalo caminhando, certas claudicações são facilmente reconhecidas quanto as suas
características.
1. Paralisia do nervo radial: o membro não fica apoiado no chão e é arrastado durante a locomoção
do animal.
2. Fixação da rótula (patela): a patela fica presa na tróclea média do fêmur e o animal não
consegue articular o membro.
Nestes casos deve haver intensificação de exercícios para tentar realocar a lugar ou em casos
extremos a desmotomia dos ligamentos locais.

Movimentação da cabeça
Membros anteriores: nestes a cabeça desce quando o membro sadio toca o solo e levanta quando o
membro afetado toca o solo. Sendo assim, quando o membro estiver dolorido o animal tende a elevar a
cabeça para evitar que seu peso recaia sobre o membro afetado.

Membros posteriores: nestes casos devemos realizar a observação dos glúteos, observando a simetria e
duração de sua elevação. Em casos de dor ocorre o aumento da elevação do glúteo e a duração da
elevação é curta eleva alto e abaixa rápido para trocar a perna de apoio.

Claudicações leves: sem movimentos anormais de cabeça e de pescoço.


Claudicações moderadas: cabeça e pescoço se elevam quando o membro afetado toca o solo e se
abaixam quando o membro sai do solo.

Linha de Base e Claudicação


Linha de base > observação do cavalo andando ou a trote puxado na mão em linha reta em terreno duro
antes de realizar a flexão ou outros testes de manipulação.
Pois os testes podem vir a aumentar a claudicação, o terreno é ideal se for duro e requer que seja uma
linha reta para a avaliação da claudicação.

 Mudança de terreno – alternar entre terrenos duros e macios avaliando a claudicação.


 Andar ou trotar no círculo.
 Se a claudicação não for evidente – montar o animal.

Graduação da Claudicação

AAEP
 Grau 1- Difícil reconhecimento;
 Grau 2- aparente sob circunstâncias como inclinações, círculos;
 Grau 3- Observada ao trote;
 Grau 4- Claudicação evidente;
 Grau 5- Inabilidade para se mover.

STASHAK
 Grau 1- reconhecida ao trote;
 Grau 2- mais evidente ao trote (alteração ao passo sem movimentação óbvia da cabeça);
 Grau 3- evidente tanto ao passo quanto ao trote;
 Grau 4- não suporta peso algum no membro afetado.

Exame Físico
Palpação e avaliação de possíveis crepitações;
Manipulação dos tendões e articulações;
Flexão das articulações, sempre iniciando do casco em direção a perna, sempre para cima.
Exame de pinça de casco.
Avaliação do pulso digital – sinal de inflamação do casco.

Analgesia diagnóstica: perineural e intraarticular.


Requer uma claudicação evidente para avaliar assim devemos realizar o bloqueio para ver se o animal
vai ou não melhorar.
Bloqueio gradual.
Pontos de bloqueio.

O diagnóstico pode ser feito por US, RM ou Raio X.

Tratamento
Depende da causa (mecânica, neurológica, etc)
Usa-se ducha fira, gelo e repouso.
Com AINES como fenilbudazonal e funesim meglumbre ou fármacos intrarticulares com ácido hialurônico
ou AIES.
Ainda células tronco e PRP (plasma rico em plaquetas) que fornecem interleucinas e fatores de
crescimento celular para a regeneração.
Em casos graves – cirurgia.

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