Você está na página 1de 6

Política Externa Ambiental nos Governos de Dilma e Temer

Alexsandro, Alinne, Halíria e Petrus

1.Introdução
Este projeto tem como objetivo analisar os contrastes, convergências, avanços e retrocessos
na política externa ambiental brasileira nos governos Dilma Rousseff e Michel Temer datados
no início do ano 2011 ao início do ano de 2019. Dando ênfase, sobretudo, à abordagem nas
políticas domésticas adotadas por estes sem deixar de considerar a participação do Brasil
em fóruns multilaterais de cooperação e seus posteriores efeitos tanto na esfera nacional
como internacional. Em se tratando de dois mandatos de governos bem distintos há que se
dar importância ao momento no qual se desenrola tais regimes a fim de que tais distinções
se façam tão precisas quanto possível.

2. Justifica
A presente pesquisa se justifica, no atual cenário nacional e internacional, pela comparação
entre dois governos que, apesar de nortear suas políticas em pautas distintas, não
representaram na prática avanços tão significativos que os pudessem distinguir um do outro
levando portanto o país a status de grande player na área. Há que se destacar como
adendo os embates recentemente protagonizados pelo Brasil como acusado de afrouxar
seus compromissos e posicionamentos firmados em nome da expansão de sua indústria
agropecuária. Ou seja: não foram criados , e consolidados, mecanismos na época que de
fato compravassem o desenvolvimento do Brasil na grande agenda da política ambiental
externa e efetivamente nos legasse instrumentos que ,efetiva e energicamente, pudessem
pôr freios a escalada de desmatamentos que se avulta sobre a Amazônia por exemplo. No
entanto seria no mínimo irracional desconsiderar o fato de que muito das atuais pressões
sofridas pelo Brasil deve-se ao fato do latente interesse que certos países possuem pelos
recursos contidos no estado brasileiro supra citado assim como fora tempos atrás, anterior à
República. E não apenas isso mas também os recentes avanços do acordo Mercosul-União
Européia que tem despertado em certos estados europeus crescente preocupação quanto à
competição com os produtos brasileiros. Também sendo de suma importância para a
compreensão dessa atual situação, pondo em palta o que poderia ter influenciado o
estremecimento do compromisso brasileiro para com tais agendas e sua estagnação em
avanços.
3. Problema de pesquisa
O estudo tratará de analisar quais foram as políticas adotadas nas duas referidas gestões,
seus pontos de congruência e assimetria (caso hajam), avanços e retrocessos, bem como o
peso de tais políticas para hoje. Portanto, visando analisar as expectativas passadas e as
perspectivas que nos levaram para a atual situação a pergunta central do nosso problema
deve ser : Quais as diferenças substanciais existentes entre as políticas externas ambientais
dos governos Dilma Rousseff e Michel Temer e suas implicações para os dias de hoje?
O tema de política externa ambiental é de fundamental importância para o estudo das
Relações Internacionais uma vez que se encontra ( para além da obviedade do próprio nome),
inserido nas agendas de fóruns multilaterais de cooperação internacional. Quanto à
delimitação desse assunto nos limites temporais dos mandatos de dois chefes de estado com
orientações políticas distintas se justifica no âmbito das relações internacionais pelo fato de
vivenciar o Brasil nesses dois períodos momentos claramente distintos.

Não apenas internamente quanto a mudança brusca, e posteriormente por impeachment, de


uma presidente eleita democraticamente e a substituição por seu vice mas também pelo
cenário externo que se afigurava na época.

Cenário esse que claramente influenciava as políticas adotadas em solo brasileiro. No


parecer de certos autores o que se constata nos dois governos não foi uma diferença real em
políticas e posicionamentos ambientais mas sim a velha retórica de, ainda que sentido mais
estrito quanto a amazônia, soberania e segurança estratégica (Carlos Bezerra, 2013),
mostrando assim qual foi a reposta da política brasileira para provável continuação de seus
avanços antes dos ditos governos aqui apresentados . Em suma não há grandes avanços.
Antes constatou-se a frouxidão em menor ou maior grau desses governos dando concessões
à certas áreas protegidas.

4. Fundamentação teórica
O trabalho apresentado constitui-se de pesquisa comparada da PEB, de dois regimes
distintos, na esfera do meio ambiente com foco em especial na Amazônia. Portanto, é
importante ressaltar que trata-se de uma pesquisa que está contida nas esferas das relações
internacionais. E os temas a serem abordados, respectivamente, nesta pesquisa serão: A
abordagem da PEB ambiental em cada um dos líderes, a questão da soberania como real
problema por trás das iniciativas envolvendo a floresta amazônica e a efetividade das políticas
implantadas.
4.1.a. Abordagem da PED em cada um dos líderes
Sob o regime de Dilma Rousseff destaca Aguiar Patriota:Para além de uma revisão do processo
iniciado há vinte anos no Rio de Janeiro, com a Conferência das Nações Unidas sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento, a Rio+20 serviu como ponto de partida para o fortalecimento
dos mecanismos de governança nos campos do desenvolvimento sustentável e do meio
ambiente (Aguiar Patriota, 2011-2012, P. 13-14).

4.1.b. Abordagem da PED em cada um dos líderes


Gomes Saraiva (2014, p. 5) afirma ainda sobre o governo Dilma que “Em relação a questões
ambientais, a ideia da responsabilidade e da afirmação ao direito do país – e dos países
emergentes em termos gerais – ao desenvolvimento foi mantida mas, como em outras áreas, as
iniciativas foram reduzidas”. Quanto ao documento promulgado na Rio+20 destaca a autora
não ter tido o Brasil liderança no tema pois, segundo muitos acadêmicos, se constituía de texto
muito vago não redundando em capital diplomático. A conclusão pois é que apesar de, em
relação a este evento específico, sediar o Brasil evento tão importante e querer demonstrar
esforço na direção do alinhamento com essas iniciativas na prática não redundou em grandes
avanços pois se constata a criação de um código florestal mais permissivo junto com o
crescimento do desmatamento da amazônia.

4.1.c. Abordagem da PED em cada um dos líderes


Do ex presidente Michel Temer tem-se as seguintes declarações de seus discursos sobre a
amazônia: “ O Brasil é uma potência ambiental. Somos parte da solução para os problemas
ambientais de escala global. E no desafio do desenvolvimento sustentável a Noruega é nossa
parceira de primeira grandeza. Esteve na origem do Fundo Amazônia, administrado pelo Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e mantém-se como o maior
financiador da iniciativa. A Noruega já aportou ao Fundo Amazônia R$ 2,8 bilhões. Hoje são
89 projetos em áreas como combate ao desmatamento, regularização fundiária e gestão
territorial e ambiental de terras indígenas. São projetos geridos com transparência e com a
participação dos governos dos Estados amazônicos e da sociedade civil. Reafirmaremos às
mais altas autoridades norueguesas o significado que atribuímos a nossa atuação conjunta no
fundo” (Artigo do presidente da República, Michel Temer, “O Brasil na Rússia e na Noruega”,
publicado em O Estado de S. Paulo, 16/06/2017). Discurso que na prática, como se sabe,
ocorria sob muitos aspectos na direção contrária.
Quanto às diretrizes de PEB ambiental ressalta o então ministro de relações exteriores José
Serra em sua terceira diretriz:”O Brasil assumirá a especial responsabilidade que lhe cabe em
matéria ambiental, como detentor na Amazônia da maior floresta tropical do mundo, de uma
das principais reservas de água doce e de biodiversidade do planeta, assim como de matriz
energética limpa e renovável, a fim de desempenhar papel proativo e pioneiro nas negociações
sobre mudança do clima e desenvolvimento sustentável. Lembro que, se fizermos bem a lição
de casa, poderemos receber recursos caudalosos de entidades internacionais interessadas em
nos ajudar a preservar as florestas e as reservas de água e biodiversidade do planeta, uma vez
que o Brasil faz a diferença nessa matéria”. Apesar de tais manifestações constatou-se
aceleração no processo de desmatamento como noticiaram os principais veículos de imprensa.

4.2. A soberania e a segurança como fator de peso em questões ambientais envolvendo a


amazônia.
Desde os tempos de colônia a floresta amazônica tem ocupado uma posição de segurança e
soberania nacionais mais que em termos de biodiversidade (Carlos Bezerra, 2013). Isso implica
também em dizer mesmo quando da conferência de estocolmo em 1972 as questões de
soberania já se insinuavam sobre as agendas de PED.

4.3. Efetividade das políticas adotadas


Pode-se dizer que na conjuntura da primeira conferência, a de Estocolmo, os interesses
internacionais a cerca do meio ambiente antecederam aos interesses brasileiros com relação
à real preocupação com o meio ambiente.
Com a participação do Brasil nessa esfera veio a importância do comprometimento para com
o meio ambiente. As preocupações internas se tornam espelho de sua figura internacional
como agente comprometido às diretrizes e deveres com a agenda ambiental internacional
debatidas na ONU.
Embora que desde os primórdios a questão ambiental em nosso país, dando ênfase a região
da mata atlântica Amazônica, era voltada para a Soberania e estratégia de consolidação de
território ( além de disputas hegemônicas com os países com os quais dividia terreno na
América Latina)
O Brasil mostrava-se disposto no século XIX a se comprometer com tal iniciativa devido ao
contexto da época. Porém nos referidos mandatos aqui citados nota-se o descontentamento
com tais políticas ambientais, refletindo no âmbito externo.
Assim como abordado em A Política Externa Brasileira para o Meio Ambiente:
um estudo comparado da Rio-92 e da Rio+201 ( Luciana Costa Brandão e Cia, 2015):
"[...] A agenda ambiental perdeu espaço no governo Dilma Rousseff, durante o qual o Brasil
sediou a Rio+20, de modo que representantes do movimento ambientalista e antigos
membros do governo criticaram as decisões tomadas durante a administração de Rousseff"
Perdurando de mesma forma estes fatos para o governo de Temer.

5.Objetivos
5.1 Geral
A pesquisa tem como objetivo geral analisar, comparar e delimitar as implicações das políticas
externas ambientais do Brasil nos governos Dilma Rousseff e Michel Temer.

5.2 Específicos
São objetivos de específicos deste projeto de pesquisa:
. Verificar de que forma os referidos regimes se posicionaram frente às agendas ambientais
multilaterais no âmbito doméstico.
. Destacar quais as diferenças acentuadas dos dois governos quanto a agenda de política externa
ambiental
. Relacionar as igualdades e assimetrias entre o governo atual e os outros dois referidos regimes.

6.Metodologia
Nesta pesquisa apenas recurso bibliográfico será utilizado como fundamentação teórica.
O método utilizado será o qualitativo/comparativo. No entanto não implica em dizer que outros
recursos quantitativos como gráficos e tabelas não possam ser usados como recursos
adicionais. O método qualitativo/comparativo apresenta características que correspondem às
necessidades de nosso estudo. Pois procedendo a investigação de indivíduos, classes,
fenômenos ou fatos ressalta as diferenças ou semelhanças entre eles.