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Deusas

Deusas Negras

“Aquilo que não fazemos aflorar à consciência aparece em nossas vidas como destino”.
“Livre arbítrio consiste em fazer alegremente aquilo que somos obrigados a fazer”.
“Todo homem tem uma sombra e, quanto menos ela se incorporar à sua vida consciente
mais escura e densa ela será. De todo modo, ela forma uma trava inconsciente que frustra
nossas melhores intenções”. “Por sombra quero dizer o lado “negativo “ da
personalidade, a soma de todas as qualidades desagradáveis que preferimos ocultar (...)
Uma pessoa não se torna iluminada ao imaginar formas luminosas, mas sim ao tornar
consciente a escuridão. “Esse último procedimento, no entanto, é desagradável, e,
portanto, impopular”. “Prefiro ser íntegro a ser bom”.
CARL GUSTAV JUNG

O que importa é entender porque é imprescindível trabalhar com as Deusas negras, Lillith entre
elas, Hécate talvez como seu arquétipo mais representativo.
As Deusas negras, que se conectam com as luas escuras sempre têm muitos atributos: são
senhoras da morte e da ressurreição, trazedoras da foice que ceifa nossas vidas. Também são as
senhoras da magia, uma vez que os portais da magia somente são abertos quando passamos a
conhecê-las. São senhoras dos oráculos e são tecelãs, no sentido de que transformam a vida.
Aliás, o caldeirão é um atributo seu, o receptáculo da transformação.
Quando lidamos com as deusas escuras estamos tratando de uma coisa chamadas SOMBRA, ou
seja, tudo o que sua personalidade consciente (que chamamos de ego) rejeitou para formar o EU
que se apresenta ao mundo. Mas a personalidade de cada um de nós é formada não só pelo que
vem à luz, o ego, mas em grande parte pela sombra. Como em um iceberg, o ego é a pontinha fora
da linha da água.
Porque é importante sabermos disso?
Porque só tendo consciência do que é nossa sombra poderemos conhecer a nós mesmos por
inteiro.
Sua sombra traz dentro dela tudo o que você rejeitou. Se você é leal, sua sombra é desleal, se
você é honesto, sua sombra mente, se você é ordeiro sua sombra ama a desordem... Mas a
sombra tem uma riqueza potencial enorme, porque guarda qualidades que você também não tem.
Por exemplo, se você é tímido, sua sombra é arrojada, se você é medroso, sua sombra é valente,
se você é rígido sua sombra é flexível e adaptável...
Por ai creio que já dá para vocês imaginarem como o trabalho com a sombra pode ser importante e
rico. Ela pode fornecer a você qualidades que você não tem e que podem te ajudar muito na vida.
Mas há um preço a pagar. Qual seria ele?
Já entendemos que a sombra tem riquezas a nos trazer. E como se chega a elas? Qual é o preço a
pagar?
Sabemos que a sombra é algo tão profundamente rejeitado por nós, quando não nos trabalhamos
psicologicamente, que essas riquezas da sombra não estão facilmente disponíveis... Estão
profundamente enterradas no inconsciente. E como fazê-las vir à luz?Só há um jeito: encarar sua
sombra de frente.
Quando as pessoas começam a ver isso, muitas se assustam e nunca mais voltarão a um trabalho
mágico, muito menos a wicca. Um trabalho de autotransformação é um trabalho seriíssimo.
Especialmente para aqueles que crêem que são “bons”, “guerreiros da luz”, “certinhos”.
Falo isso porque quanto mais uma pessoa vive essas personagens boazinhas, anjinhas, que
espalham luz e bondade onde passam, maior é o abismo que separa a sombra do ego.
Se você é daquelas pessoas que nunca se permite uma irritação, que nunca xinga, que
nunca grita e que jamais perde a paciência, se você é uma pessoa sempre legalzinha, agüentando
qualquer coisa que te façam de boca calada ou oferece a outra face, se você é ou aparenta ser
sempre zen e que nada te perturba... Bem, você é um sério candidato a ser vítima do que se
chama em psicologia uma revolta da sombra.
Explico: vocês já viram aquele número de malabarismo nos circos em que a pessoa se
equilibra em uma tabua solta sobre um cilindro? Quanto maior for a tabua, mais difícil é o equilíbrio.
Quanto mais as pernas ficam próximas, mais fácil é... Pois é, imagine que cada perna é ego e
sombra e entendam o exemplo... Uma pessoa que dá vazão a sua sombra, que morde quando é
cutucada, que xinga, briga, chuta em revolta, que não dá a outra face, que não finge que não está
zangada e odeia... Essa pessoa é muito mais equilibrada do que as que fingem que nada as afeta
ou que sempre passam por cima de tudo, ou pior, que se compadecem de quem as agride...
hehehe
Uma explosão da sombra pode se dar de mil maneiras, desde uma maneira bombástica
como o cara bom pai de familia e bom marido e trabalhador que um dia pega uma arma, entra
numa lanchonete e fuzila todo mundo, até a pessoas que não agüenta mais e um dia manda o
casamento para o espaço, os filhos pra marte e vai morar com os índios no Xingu...
Conhecer e acatar nossa sombra - nossa porção que odeia, grita, rosna e ameaça os inimigos - é
parte essencial de uma psique saudável e do trabalho mágico, porque é só aceitando nossa
condição humana que seremos capazes de conhecer quem realmente somos.
Uma bruxa sabe que aceitar as manifestações da sombra é o caminho do poder pessoal e do
equilíbrio e que não há atalhos que o evitem.
Emoções como ira, raiva, ódio, cobiça, gula, luxúria, preguiça, são HUMANAS. Nenhum de nós
escapa delas, e o resto é só fingimento.
Coloquei de propósito palavras que lembram, os 07 pecados capitais dos cristãos. O que nos faz
ter tanta dificuldade com o trabalho com a sombra é justamente o arquétipo cristão: ser sempre
bom, só fazer o bem, nunca agredir ninguém, nunca se irar... A doutrina cristã é a escravidão da
doutrina da CULPA. E as sombras que se alimentam desse sentimento chamado CULPA são
sempre monstruosas...
CULPA essa coisa que tantos de nós cultivam de forma tão cuidadosa! Quantas vezes nos
sentimos culpados por mil coisas, ficamos inventando maneiras de “expiar essa culpa”, “pagar
nossos pecados...”. Quantas vezes carregamos as culpas do mundo, de nossos pais, nossos
políticos, por exemplo? Cacete! Como ao invés de alguém ficar revoltado com o corrupto do Pitta,
por exemplo, alguém ainda diz “ah, mas a culpa é nossa de termos votado nele! Ele não tem
culpa!”. Porra! Chega de bobeiras... A culpa só é útil se nos ensina alguma coisa, por exemplo, a
não votar mais no Pitta heheheheh. Afora isso, o que se ganha com ela?
Vejamos outros sentimentos negativos em comparação. Por exemplo, a dor da perda. Quando
você se depara com uma perda, morre uma pessoa querida, um relacionamento, um projeto, você
fica triste e deprimido. Você fica de luto. O luto tem uma função: deixar você lamentar o que perdeu
e ao mesmo tempo te mostrar que aquilo acabou. Por um ponto final para que aquilo não te
atormente o resto da vida. Por isso, por exemplo, as pessoas que tem parentes que desaparecem
e estão obviamente mortos, mas nunca se encontrou o corpo, ficam anos a fio presas à perda,
porque não conseguiram viver o luto a que tinham direito. Pois é, então depressão e tristeza em
relação à perda são emoções difíceis de serem vividas, mas são positivas, elas tem uma função na
psique, elas preparam uma nova fase da vida. E a culpa? A culpa não traz riqueza alguma. Só se
interessa pela culpa quem quer manipular outra pessoa. A culpa é o grande coringa que permite
todos os tipos de manipulação psicológica e relações doentias, de medo e submissão, de amor
dependente. “Você não pode fazer isso se me ama...”, “ai, filhinha se você for viajar com seu
namorado eu vou ter um ataque cardíaco e a culpa é sua...”. “Ah, você não pode viver sua vida
porque seus pais te amam e precisam de você”. “Se eu sou uma pessoa espiritualizada jamais vou
me alterar, senão vou trazer conseqüências terríveis para mim e os que me cercam...”, “ah, se eu
tivesse feito isso, ah se eu não tivesse feito aquilo...” Culpa é escravidão. Ninguém é senhor de si
enquanto vive com culpas.
Não existe trabalho mágico real se estamos presos à culpa e não enfrentamos a sombra. E foi
sobre esse sentimento inútil em termos de ganho da psique que se ergueu à sociedade ocidental
sob a égide do cristianismo. E o que tem tudo isso a ver com a Deusa Negra? É justamente o
arquétipo da Deusa Negra que vem nos trazer a abençoada libertação dos padrões de pensamento
e comportamento baseados na culpa dos cristãos.
Sehkmet dos egípcios, a Deusa com cabeça de Leão é um bom exemplo para falarmos desse
tema. Ela personifica o poder do sol, mas o poder destruidor do sol. No Egito o Sol tanto trazia a
vida para as colheitas quanto trazia a seca mortal e a peste que vinha do deserto. Diz a sua
história que seu pai o Deus Sol estava descontente com os homens e resolveu castigá-los. Soltou
sua filha em fúria e ela foi matando pessoas. A certo ponto da matança, Geb resolveu interromper
o castigo, que já achava suficiente. Mas o ódio de Sehkmet não era facilmente controlável, ela
continuou matando sem parar, embriagada pelo sangue. O jeito com que foi parada é que o Deus
espalhou vários jarros de cerveja pintada de vermelho pelos templos do país. Ela se embriagou,
dormiu e sua ira assim diminuiu. Outra Deusa que nos traz esse conteúdo de revolta é Pele, a
Deusa havaiana dos vulcões. Ela amava um Deus e o desposou. Mas sua irmã, a Deusa do mar o
tirou dela, traindo-a. Pele em fúria fez suas lavas brigarem muito tempo com o mar e do seu ódio
foi criado o Havaí (que realmente é só lava vulcânica). Por que citar essas Deusas? Para
exemplificar como se trabalha com deusas negras. Por exemplo: medite com Elas: o que me
revolta? O que me enfurece? Quem me traiu? Quem me abandonou? O que é capaz de me fazer
destruir alguma coisa ou alguém? O que aplaca minha raiva? Como meu ódio pode ser criador?
São as riquezas dessas respostas que a Deusa Negra tem para nos trazer. É claro que o tema é
muito mais amplo. Só quero dar uma pincelada sobre ele. O e-mail seguinte falará de Hécate e
Lillith.
A Deusa negra nos traz muitas qualidades da sombra. Falemos agora da famosa Lillith,
conhecida como a Lua Negra.

Quem é Lilith? Lillith é uma Deusa venerada na Mesopotâmia, onde havia culturas religiosas
fortemente baseadas em uma prática que se convencionou chamar “prostituição sagrada”.
Coloco o termo entre aspas porque sempre que vemos a palavra prostituição soa em nossas
mentes o alarma do conteúdo negativo que a sociedade patriarcal deu ao termo.
E o que eram essas culturas? No grande templo de Innana havia o culto a Ela como grande
Mãe, depois Deusa do amor. As sacerdotisas praticavam sexo ritual com homens escolhidos
para que a nação tivesse as bênçãos do Grande Rito: fertilidade, vida, prosperidade, boas
colheitas... O coração da nação era esse templo. Centenas de homens eram para lá
convidados todos os dias. Hoje muitos que escrevem sobre o tema, imbuídos de uma
concepção machista, tentam minimizar a importância das sacerdotisas que exerciam esse
papel. A verdade é que eram muito consideradas e tinham influencia política e econômica
imensa, influído diretamente na escolha dos governantes.
A porção donzela de Innana era a Deusa Lillith, e eram chamadas de Lilliths as sacerdotisas
mais jovens que saiam às ruas para buscar os homens escolhidos para as práticas rituais
sexuais naquele dia. Lillith era “a mão da Deusa” que ia buscar os homens e trazê-los aos
templos. Por isso ela também é chamada de a Donzela Negra. Imaginem o choque cultural que
houve quando os judeus chegaram a essa nação. Para os judeus, sexo era um mal necessário
para a procriação. A mulher, uma coisa imunda e impura quando menstruava - ai que nojo!
hehehhee -, alias, menos que um objeto. Podia ser apedrejada até a morte só por ter ousado
falar mais alto, já que o marido era seu dono e senhor... Imaginem o que sentiram os
patriarcais judeus em uma sociedade (eles chegaram a Babilônia como escravos) onde as
mulheres eram respeitadíssimas e as sumas sacerdotisas transavam com muitos homens e
eram respeitadas por isso!!!!
Não é difícil perceber porque Lillith acabou sendo para os judeus uma “demônia” ou a “mãe de
todos os demônios...” heheheheh! È a famosa sombra... O que se teme - no caso a liberdade
sexual da mulher, o que nos ameaça - uma mulher independente do homem - é obviamente
ameaçador e deve ser “demonizado”, ou seja, deve ser execrado, desprezado, amaldiçoado,
rotulado como o “mal”...
Quando hoje uma cabalista, por exemplo, (doutrina essencialmente judaica) diz a uma aluna
minha que “jamais invocaria um demônio como Lillith”, o que ela expressa é esse profundo
preconceito e imbecilidade judaica que os cristãos tomaram emprestado.

Lillith é uma Deusa Negra que nos traz a incomparável riqueza de discutir nossa sombra em
relação à sexualidade. Todo mundo sabe como a maior parte das pessoas tem medo e
dificuldade até de falar sobre sexo... Quanto mais de questionar seus medos, preferências e
praticas... Assim se compreende facilmente as fantasias e o medo de Lillith.
Bem, imaginem como a vivência do arquétipo de Lillith pode beneficiar nossa sociedade.
Todos, homens e mulheres, por ela, podem discutir suas vidas sexuais, seus relacionamentos,
suas amarras, seus medos, seus dilemas. Ela traz a redenção da culpa sexual, que nos torna
presa fácil dos preconceitos, das vidas sempre insatisfeitas, do controle de muitos...
Ela pode libertar o homem e a mulher da opressão sexual, ela pode nos ajudar a viver em um
mundo de mais equilíbrio, onde um não tema o poder do outro. Tudo isso é o trabalho da
Deusa Negra em nós. Como preciso sair agora não falarei já sobre Hécate, mas hoje mesmo
tornarei a escrever sobre ela. Continuando o assunto, explico melhor o que é sombra e por que
trabalhar com ela.

CONHECENDO A SOMBRA
“Aquilo que não fazemos aflorar à consciência aparece em nossas vidas como destino”.
“Livre arbítrio consiste em fazer alegremente aquilo que somos obrigados a fazer”.
“Todo homem tem uma sombra e, quanto menos ela se incorporar à sua vida consciente mais
escura e densa ela será. De todo modo, ela forma uma trava inconsciente que frustra nossas
melhores intenções”.
“Por sombra quero dizer o lado “negativo “ da personalidade, a soma de todas as qualidades
desagradáveis que preferimos ocultar (...) Uma pessoa não se torna iluminada ao imaginar
formas luminosas, mas sim ao tornar consciente a escuridão.
Esse último procedimento, no entanto, é desagradável, e, portanto, impopular”.
“Prefiro ser íntegro a ser bom”.
CARL GUSTAV JUNG

O trabalho na wicca com a Deusa Negra é um trabalho que não pode ser evitado. Conforme já
expusemos, trabalhar com a Deusa Negra é a única forma de entrarmos realmente no caminho
mágico. Mas por que fazemos esta afirmação?

O caminho da Wicca é, como diversos outros caminhos mágicos, um caminho de Poder


Pessoal. Que não se interprete “poder pessoal “ como a intenção de submeter algo ou alguém
a você e seus desejos, ou o desejo de controlar situações ou pessoas. A expressão deve ser
entendida como um caminho em que cada pessoa conhece e assume seus reais dons,
libertando-se dos comportamentos inconscientes, das máscaras inúteis e dos
condicionamentos familiares e sociais. Assumir seu poder pessoal significa conhecer-se
profundamente e poder agir de acordo com sua verdade interior, sua real vontade, exercendo
sem embaraço todos os seus dons. Esse é o objetivo último de um caminho mágico sério –
como a Wicca: o autoconhecimento e a autotransformação.
Conseguir essa tomada do poder pessoal, assenhorar-se dos seus dons implica uma série de
mudanças profundas de comportamento em relação à média das pessoas. Alguém que trilha
um caminho de poder pessoal como a Wicca não pode mais se dar ao luxo de viver de acordo
com condicionamentos adquiridos, de acordo com as expectativas de outras pessoas, levado
por seus medos, suas frustrações e emoções momentâneas, nem com covardia. Alguém que
anda em um caminho de poder pessoal não pode ser alguém que não ousa se olhar no
espelho. Para exercer o poder pessoal o wiccaniano tem que aprender a enfrentar sua
imagem, buscar o que é verdadeiro, eliminar o falso e aceitar os defeitos da mesma maneira
que as virtudes.
O trabalho que nos permite chegar a esse estado é o trabalho com a sombra, em nossos
termos, o trabalho de conhecimento da Deusa Negra.
Como a sombra aparece nas nossas vidas? Mesmo sem saber, segundo Molly Tuby, psicóloga
inglesa, encontramos nossa sombra no dia a dia da seguinte forma:
- Nos nossos sentimentos exagerados em relação aos outros (“eu simplesmente não
acredito que ele ousou fazer isso!”, “Não entendo como ela pode usar uma roupa dessas”)
- No feedback negativo que recebemos daqueles que nos servem de espelhos (“Já é a
terceira vez que você chega tarde sem me avisar!”).
- Nas interações em que continuamente exercemos o mesmo efeito perturbador em pessoas
diferentes (“Eu e o Mauro achamos que você não está sendo honesto com a gente.”).
- Nos nossos atos impulsivos e não intencionais (“puxa, desculpe! Eu não quis dizer isso!”).
- Nas situações em que somos humilhados ( “Estou tão envergonhado com o jeito que ele
me trata!).
- Na nossa raiva exagerada em relação aos erros alheios ( “Ela simplesmente não consegue
fazer seu trabalho em tempo!”. “Cara, ele perdeu totalmente o controle do peso!”).
Nos momentos em que sentimentos intensos de vergonha ou raiva nos dominam, ou quando
descobrimos que temos um comportamento inaceitável, é a sombra que está irrompendo de um
modo inesperado. Geralmente retrocedemos de forma inédita, porque encontrar a sombra é uma
experiência assustadora e que abala nossa auto-imagem. Geralmente mudamos imediatamente
para um comportamento de negação, deixando de prestar atenção a comuníssimas fantasias
homicidas ou suicidas, ou a embaraçosos sentimentos de inveja que nos ensinariam a cerca de
nossa própria escuridão.
O reflexo de negação de nossa mente é bem descrito na poesia do psiquiatra R. D. Laing:
“O alcance do que pensamos e fazemos é limitado pelo que deixamos de notar E por deixarmos de
notar que deixamos de notar, Pouco podemos fazer para mudar, Até que notemos Como o deixar
de notar forma nossos pensamentos e ações.”

Em muitos caminhos mágicos a sombra é enfrentada em um período chamado “ a noite negra da


alma”, um período de crises profundas, em que o magista é levado a descrer de tudo o que achava
básico logo antes...
Na wicca, a sombra é conhecida como uma parcela da Deusa, a Deusa Negra.
E qual a vantagem de trabalhar a sombra, fazer o trabalho que em psicologia se chama “a
integração da sombra?”. Respondem C. Zweig e Jeremiah Abraham:
- Chegar a uma auto-aceitação genuína, baseada no conhecimento de quem realmente
somos;
- Desativar as emoções negativas que irrompem inesperadamente na nossa vida cotidiana,
eliminando conflitos desnecessários;
- Sentirmos-nos livres da culpa e da vergonha associadas aos nossos sentimentos e atos
negativos;
- Reconhecer as projeções que influenciam nossas opiniões sobre os outros;
- Curar nossos relacionamentos através de um auto-exame mais honesto e de uma
comunicação mais direta;
- Usar nossa imaginação criativa para aceitar nosso eu reprimido.
- Tudo isso se dá se estabelecermos com a sombra não uma relação de medo e repulsa,
mas uma de acolhimento e aceitação. Foi um xamã com que trabalhei em técnicas de cura
que, ao me ver querer extrair à força determinada forma de energia da aura de uma
pessoa, se aproximou de mim, segurou minhas mãos e disse: ”A única coisa que toda
doença quer é ser amada...”. E ao vibrar amor sobre o local onde eu iria extrair a energia à
força, obteve com um gesto leve o mesmo resultado... A “doença”, ao se sentir amada,
permitiu a cura... Muito agradeço a ele, que nesse simples gesto me ensinou muito sobre
meus dons de cura, seu uso e a cura de mim mesma e meus aspectos sombrios... A
sombra quer, como tudo, ser amada. E se for acolhida poderá ser valiosa aliada em nossos
processos de crescimento e criação e abrirá portas jamais sonhadas no universo mágico.
- Acolher a sombra é evitar uma explosão, é como fornecer à panela de pressão uma
válvula de segurança. Uma panela de pressão fervendo sem válvula pode ser uma bomba
mortífera, com a válvula é um utensílio útil.
-
Que ninguém passe a acreditar, porém, que o trabalho com a Deusa Negra é
simplesmente um trabalho psicológico. O trabalho mágico passa pelo trabalho psicológico,
mas com ele não se confunde. Aliás, muitas vezes, se o wiccaniano estiver se sentindo
desequilibrado ou achar que não conseguirá prosseguir no trabalho coma sombra, talvez
seja importante recorrer ao apoio de um psicólogo ou analista. Muitas vezes o trabalho
mágico é apoiado por esse tipo de trabalho psicológico, e, de outro lado, o enriquece e
acelera mil vezes.
Abordarei a Deusa Negra e seus rituais, e falarei de Hécate. A importância de conhecer a Deusa
Negra reside no fato de que não existe real conhecimento da Deusa se não se conhecem suas
múltiplas facetas, da mesma forma que não nos conhecemos de verdade se não conhecermos
nossa sombra.

O divino feminino conhecido apenas parcialmente é aquele que persistiu nas igrejas católicas, com
o culto a Maria. Maria é a Deusa, mas uma Deusa “aleijada”, ou seja, que perdeu muitos de seus
atributos originários. Maria é Virgem, Mãe, Consoladora, Protetora, mas não é Anciã, nem Senhora
da Magia, nem Prostituta Sagrada, nem Guerreira, nem Vingadora, nem a Ceifeira, todos estes
últimos atributos das Deusas Negras.
É perfeitamente natural que as pessoas que começam a conhecer a wicca se adaptem rapidinhos
a uma Deusa Mãe, protetora, gentil e distribuidora de fartura e vida. Do mesmo modo, é natural
que admirem e aceitem rapidamente a Donzela sedutora e portadora da alegria e das flores.
Mas quando as pessoas têm que aceitar que a Deusa não é cor-de rosa, nem é a Barbie, que ela
tem várias faces muito difíceis de conhecer e enfrentar, tudo muda de figura.
Aqui mesmo na lista muitos deve lembrar-se de um jovem que iniciou seu caminho na wicca, leu
muito, aprendeu e começou a praticar. Um dia se sentiu pronto a trabalhar com a Deusa negra e
quando fez seu ritual e contatou a Senhora da Morte pela primeira vez foi assaltado por sua
formação cristã, da qual ainda era escravo. Mandou então um e-mail à lista dizendo: “A Deusa é
má! Vocês cultuam o mal, uma portadora da morte”.
Hehehehehehe
Bem, essa reação, apesar de ser uma das mais exageradas que já vi, é normal. Imaginem-se
frente a frente com aquela clássica figura da Morte vestida com um manto de capuz negro e uma
enorme foice na mão... Agora imaginem que Ela se aproxima de um ente querido seu, ou de vocês
mesmos... Vocês conseguem, antes de conhecê-la bem, olharem para Ela e a venerarem como a
Deusa? Ah, mas Ela é tão a Deusa quanto a Mãe que te pega no colo, ou a linda Donzela da
Primavera... E agora?

Agora a resposta é compreender o papel na Ceifeira na ordem das coisas, como a Senhora da
Morte é também a Senhora dos Renascimentos. Todos nós vivemos a morte todos os dias.
Imaginem quantas células do seu corpo morrem a cada dia... Imaginem quantos seres morrem
perto de você (de microorganismos aos vegetais e animais que você usa para se alimentar) a cada
semana... A VIDA SE ALIMENTA DA MORTE. As mulheres vivem uma importante morte todos os
meses: a menstruação, aquele sangue que é sagrado porque era uma vida humana em potencial,
sendo o sangramento uma pequena morte.
Sem a Ceifeira a vida em nosso planeta seria impossível... Ela, a Senhora dos Ciclos, a Senhora
dos Corvos, Senhora dos Ossos, Mãe do Pó, a Velha que se veste de mortalhas...
Ela vem nos convidar a olhar nossas vidas e ver o que precisa ser cortado. O que é que não nos
serve mais e precisamos deixar ir. Ela nos estende o espelho negro para que possamos conhecer
quem realmente somos, mesmo aquelas porções de que nos envergonhamos, aquelas que têm
sentimentos que nos fazem sentir culpados, as que não confessamos nem a nós mesmos...
Encontrá-la pode ser a um só tempo triste e angustiante, para alguns insuportáveis e
desesperador... Para estes, porém, daí em diante o caminho mágico estará irremediavelmente
vedado. Só a Deusa Negra é Senhora da Magia, só Ela é capaz de abrir os portais.

Por que? Porque só ela é nossa Libertadora, só ela nos arranca as cascas do auto-engano, da
auto-ilusão, dos delírios de auto-importância, quando nos mostra nossos erros, nossa miséria,
nossa pequenez humana. Mas é justamente ao nos mostrar as falhas de nossa humanidade que a
Senhora Negra nos redime, porque afinal, para a Deusa, toda a sua criação é perfeita, inclusive
nós. E por reconhecer nossa imperfeição, que nos faz humanos, Ela nos oferece todo o seu Poder
e retomamos nosso Poder Pessoal. E repassando um ritual que recebi...

Feitiço de Lua Negra


Adaptado do folclore brasileiro pela Igreja do Crescente das Fadas

Este é um pequeno feitiço que deve ser realizado no período da minguante, três dias antes que
entre a lua nova. Nesta data específica (dia da Lua Negra), faça um pequeno corte em seu
dedo anular esquerdo (um furo com uma agulha basta). Com o sangue, trace uma lua
minguante em um pano branco. Coloque-o a seus pés. Se possível, vista-se de céu.
Concentre-se e ligue-se a Terra. Olhe para o céu na direção da lua, faça um desejo e repita
três vezes o seguinte encanto:

Diana, és a lua nova,


E serás lua crescente,
Quando a Mãe chegar bem cheia
Mande-a trazer meu presente.

Dobre o pano em três, e leve-o sempre com você até o primeiro dia da lua cheia. Alguns
conselhos: não peça nada que possa arrepender-se depois; evite pedido relacionado à paixão;
seja razoável. Afinal, você está trabalhando com a Deusa Negra, aquela cuja maior lição é “o
que é recebido facilmente, facilmente é perdido”.

Deusa Kali:
"A mãe Negra"; Deusa Escura; a Terrível; Deusa da Morte; Grande Deusa; a Anciã; Mãe do Carma.
Patrona das bruxas. Dupla personalidade exibindo traços tanto de delicadeza e amor, como de
vingança e morte terrível. Governa todas as formas de morte, mas também rege todas as formas
de vida. É sempre uma trindade manifestada em 3 formas: três divisões do ano, três fases da Lua,
três seções do Cosmo, três estágios da vida, três tipos de sacerdotisas em seu templo. Controla o
clima através das tranças de seu cabelo. Sua roda cármica devora o próprio tempo.
É retratada como tendo a pele negra e uma cara medonha suja de sangue, quatro braços e seios
desnudos. Usa colar de crânios e se veste com cobras. Sua fronte ostenta um terceiro olho; suas
quatro mãos seguram armas e cabeças. Proíbe a violência contra qualquer mulher. Regeneração,
vingança, medo, magia negra, atividade sexual, tempo, reencarnação, intuição, sonhos, defensora
dos desamparados, como mulheres e crianças.

Kali, Guardiã dos livros da reencarnação:


Kali Ma é uma Deusa de dupla personalidade, exibindo traços de amor e delicadeza, e de vingança
e morte terrível.
Como Kalika, ou Anciã, ela governa todas as espécies de morte, mas também todas as formas de
vida. Os Hindus reverenciavam o trevo como emblema da divindade tríplice de Kali. Eles diziam
que se não podemos amar a face negra de Kali, não podemos esperar por nossa evolução.
Kali comanda as gunas, ou linhas da Criação, e incorpora o passado, o presente e o futuro. As
gunas são simbolizadas por linhas vermelhas, brancas, e pretas.
Tem também um ritual interessante:
Abra seu círculo como de costume. Esse ritual pede que vidas passadas que influenciam a atual
sejam apontadas. Você estará
1. Também, CONTEMPLANDO A MORTE FÍSICA, A QUAL JÁ EXPERIMENTOU DIVERSAS
VEZES, PARA QUE POSSA COMPREENDER QUE ELA NÃO É UM FIM ABSOLUTO.
Você precisará de um caldeirão, um pano preto, uma vela preta ou azul escura.
Ponha o caldeirão no centro. Cubra-o com o pano preto. A vela deve estar próxima do caldeirão.
De pé e em silêncio, contemple o caldeirão coberto. Veja-o como um símbolo do fim da vida física,
mas também como receptáculo de um Mistério Sagrado - o início de outra vida.
Remova lentamente o pano de sobre o caldeirão e diga:
"Kali Ma é a dançarina da morte.
Seu ventre é o caldeirão do renascimento.
Sob seus pés dançantes todos os humanos perecem.
Ela drena o sangue vital como vinho.
Nenhum humano escapa de sua Dança da Morte na Vida".
Ponha a vela preta dentro do caldeirão e acenda-a.
"Mas Kali Ma é também a Grande Mãe!!!!.
De seu caldeirão surge também a nova vida na roda do carma.
Sua Dança da Morte na Vida nos leva de volta a seu obscuro e confortável abraço.
Para que repousemos e estabeleçamos novos objetivos para outra vida.
Ao fim de nosso descanso, Kali dança sua Dança da Vida na Morte
E renascemos novamente.
Para realmente amar a Deusa, devemos amar seu aspecto Obscuro assim como o Claro.
Para obter perfeita compreensão espiritual, devemos honrar todas as suas faces."
Contemple a beleza e os mistérios da Deusa Escura, e a necessidade de sua existência Grande
Kali Ma, para seu crescimento espiritual. Una então suas mãos e curve-se diante do caldeirão.
"Grande Kali Ma,mostre-me minhas vidas passadas
Para que eu possa com elas aprender.
Busco sua ajuda e orientação para que não torne a repetir
Velhos vícios e erros do passado.
Mostre-me o que for necessário, Kali Ma".
Agora é o momento para meditar sobre vidas passadas. Não tente controlar para onde ir ou o que
ver. Deixe fluir.
Quando terminar a meditação, diga:
"Seu caldeirão do renascimento ferve com o seu poder.
Sua dança da morte é uma dança regenerativa.
Mãe Negra, eu a honro em todos os seus aspectos.
De você vem o renascimento da mente, do coração e do corpo".
Desfaça o círculo, como de costume...
-Observação: Este ritual é melhor, feito em uma Lua Minguante ou Nova.

LILITH

O primeiro capitulo da Bíblia, conta a história de Adão e Eva ...mas segundo o Zohar (comentário
rabínico dos textos sagrados), Eva não é a primeira mulher de Adão. Quando Deus criou o Adão,
ele fê-lo macho e fêmea, depois o cortou ao meio, chamou a esta nova metade Lilith e deu-a em
casamento a Adão. Mas Lilith recusou, não queria ser oferecida a ele, tornar-se desigual, inferior, e
fugiu para ir ter com o Diabo. Deus tomou uma costela de Adão e criou Eva, mulher submissa,
dócil, inferior perante o homem.

De acordo com Hermínio, "Lilith foi feita por Deus, de barro, à noite, criada tão bonita e
interessante que logo arranjou problemas com Adão". Esse ponto teria sido retirado da Bíblia pela
Inquisição. O astrólogo assinala que ali começou a eterna divergência entre o masculino e o
feminino, pois Lilith não se conformou com a submissão ao homem.
O mito de Lilith pertence à grande tradição dos testemunhos orais que estão reunidos nos textos
da sabedoria rabínica definida na versão jeovística, que se coloca lado a lado, precedendo-a de
alguns séculos, da versão bíblica dos sacerdotes. Sabemos que tais versões do Gênesis - e
particularmente o mito do nascimento da mulher - são ricas de contradições e enigmas que se
anulam. Nós deduzimos que a lenda de Lilith, primeira companheira de Adão, foi perdida ou
removida durante a época de transposição da versão jeovística para aquela sacerdotal, que logo
após sofre as modificações dos pais da igreja.
No Talmude, ela é descrita como a primeira mulher de Adão. Ela brigou com Adão, reivindicando
igualdade em relação a seu marido, deixando-o "fervendo de cólera". Lilith queria liberdade de agir,
de escolher e decidir queria os mesmos direitos do homem, mas quando constatou que não
poderia obter status igual, se rebelou e, decidida a não se submeter a Adão e, a odia-lo como igual,
resolveu abandona-lo. Segundo as versões aramaica e hebraica do Alfabeto de Ben Sirá (século
06 ou 07). Todas as vezes em que eles faziam sexo, Lilith mostrava-se inconformada em ter de
ficar por baixo de Adão, suportando o peso de seu corpo. E indagava: "Por que devo deitar-me
embaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Por que ser dominada por ti? Contudo, eu
também fui feita de pó e por isso sou tua igual". Mas Adão se recusava a inverter as posições,
consciente de que existia uma "ordem" que não podia ser transgredida. Lilith deve submeter-se a
ele, pois esta é a condição do equilíbrio preestabelecido. Vendo que o companheiro não atendia
seus apelos, que não lhe daria a condição de igualdade, Lilith se revolta, pronuncia nervosamente
o nome de Deus, faz acusações a Adão e vai embora; é o momento em que o Sol se despede e a
noite começa a descer o seu manto de escuridão soturna, tal como na ocasião em que Jeová-Deus
fez vir ao mundo os demônios.
Adão sente a dor do abandono; entorpecido por um sono profundo, amedrontado pelas trevas da
noite, ele sente o fim de todas as coisas boas. Desperto, Adão procura por Lilith e não a encontra:
Procurei-a em meu leito, à noite, aquele que é o amor de minha alma; procurei e não a encontrei"
(Cântico dos Cânticos III, 1). Lilith partiu rumo ao mar vermelho (Diz-se que quando Adão insistiu
em ficar por cima durante as relações, Lilith usou seus conhecimentos mágicos para voar até o Mar
Vermelho). Lá onde habitam os demônios e espíritos malignos, segundo a tradição hebraica. É um
lugar maldito, o que prova que Lilith se afirmou como um demônio, e é o seu caráter demoníaco
que leva a mulher a contrariar o homem e o questionar em seu poder. Desde então, Lilith tornou-se
a noiva de Samael, o senhor das forças do mal do Outro Lado . Como conseqüência, deu à luz
toda uma descendência demoníaca, conhecida como "Liliotes ou Linilins", na prodigiosa proporção
de cem por dia. Alguns escritos contam que Adão queixou-se a Deus sobre a fuga de Lilith e, para
compensar a tristeza de Adão, Deus resolveu criar Eva, moldada exatamente como as Exigências
da sociedade patriarcal. A mulher feita a partir de um fragmento de Adão. É o modelo feminino
permitido ao ser humano pelo padrão ético judaico-cristão. A mulher submissa e voltada ao lar.
Assim, enquanto Lilith é força destrutiva (o Talmude diz que ela foi criada com imundície e lodo),
Eva é construtiva e Mãe de toda Humanidade (ela foi criada da carne e do sangue de Adão).

Jehová-Deus tenta salvar a situação, primeiro ordenando-lhe que retorne e, depois, enviou ao seu
encalço uma guarnição de três anjos, Sanvi, Sansavi e Samangelaf, para tentar convencê-la;
porém, uma vez mais e com grande fúria, ela se recusou a voltar. Lilith está irredutível e
transformada. Ela desafiou o homem, profanou o nome do Pai e foi ter com as criaturas das trevas.
Como poderia voltar ao seu esposo? Os anjos ainda ameaçaram: "Se desobedeces e não volta
será a morte para ti". Lilith, entretanto, em sua sapiência demoníaca, sabe que seu destino foi
estabelecido pelo próprio Jeová-Deus. Ela está identificada com o lado demoníaco e não é mais a
mulher de Adão. Acasalando-se com os diabos, Lilith traz ao mundo cem demônios por dia, os
Lilim, que são citados inclusive na versão sacerdotal da Bíblia. Jeová-Deus, por seu lado, inicia
uma incontrolável matança dessas criaturas, que, por vingança, são enfurecidas pela sua genitora.
Está declarada a guerra ao Pai. Os homens, as crianças, os inválidos e os recém-casados, são as
principais vítimas da vingança de Lilith. Ela cumpre a sua maligna sorte e não descansará assim
tão cedo.
Uma outra versão diz que foram os anjos que mataram os filhos que tivera com Adão. Tão rude
golpe transformou-a, e ela tentou matar os filhos de Adão com sua segunda esposa, Eva.
Lilith Alegou ter poderes vampíricos sobre bebês, mas como os anjos a queriam impedir, fizeram-
na prometer que, onde quer que visse seus nomes, ela não faria nenhum mal aos humanos. Então,
como não podia vencê-los, ela fez um trato com eles: concordou em ficar afastada de quaisquer
bebês protegidos por um amuleto que tivesse o nome dos três anjos. Não obstante, esse ódio
contra Adão e contra sua nova (e segunda) mulher, Eva, resultou, para Lilith, no desabafo da sua
fúria sobre os filhos deles e de todas as gerações subseqüentes.
A partir daí, Lilith assume plenamente sua natureza de demônio feminino, voltando-se contra todos
os homens, de acordo com o folclore assírio, babilônico e hebraico. E são inúmeras as descrições
que falam do pavor de suas investidas. Conta-se, por exemplo, que Lilith surpreendia os homens
durante o sono e os envolvia com toda sua fúria sexual, aprisionando-os em sua lasciva
demoníaca, causando-lhes orgasmos demolidores. Ela montava-lhes sobre o peito e, sufocando-os
(pois se vingava por ter sido obrigada a ficar "por baixo" na relação com Adão), conduzia a
penetração abrasante. Aqueles que resistiam e não morriam ficavam exangues e acabavam
adoecendo. Por isso Lilith também está identificada com o tradicional vampiro. Seu destino era
seduzir os homens, estrangular crianças e espalhar a morte.
Durante os primeiros séculos da era cristã, o mito de Lilith ficou bem estabelecido na comunidade
judaica. Lilith aparece no Zohar, o livro do Esplendor, uma obra cabalística do século 13 que
constitui o mais influente texto hassídico e no Talmude, o livro dos hebreus. No Zohar, Lilith era
descrita como súcubos, com emissões noturnas citadas como um sinal visível de sua presença. Os
espíritos malignos que empesteavam a humanidade eram, acreditava-se, o produto de tais uniões.
No Zohar Hadasch (seção Utro, pág. 20), está escrito que Samael - o tentador - junto com sua
mulher Lilith, tramou a sedução do primeiro casal humano. Não foi grande o trabalho que Lilith teve
para corromper a virtude de Adão, por ela maculada com seu beijo; o belo arcanjo Samael fez o
mesmo para desonrar Eva: E essa foi a causa da mortalidade humana. O Talmude menciona que
"Quando a serpente envolveu-se com Eva, atirou-lhe a mácula cuja infecção foi transmitida a todos
os seus descendentes... (Shabbath, fol. 146, recto)". Em outras partes, o demônio masculino leva o
nome de Leviatã, e o feminino chama-se Heva. Essa Heva, ou Eva, teria representado o papel da
esposa de Adão no éden durante muito tempo, antes que o Senhor retirasse do flanco de Adão a
verdadeira Eva (primitivamente chamada de Aixha, depois de Hecah ou Chavah). Das relações
entre Adão e a Heva-serpente, teriam nascido legiões de larvas, de súcubos e de espíritos
semiconscientes (elementares). Os rabinos fazem de Leviatã uma espécie de ser andrógino
infernal, cuja encarnação macho (Samael) é a "serpente insinuante" e a encarnação fêmea (Lilith),
é a "cobra tortuosa" . Segundo o Sepher Emmeck-Ameleh, esses dois seres serão aniquilados no
fim dos tempos: "Nos tempos que virão o Altíssimo (bendito seja!) decapitará o ímpio Samael, pois
está escrito (Is. XVII, 1): 'Nesse tempo Jeová com sua espada terrível visitará Leviatã, a serpente
insinuante que é Samael e Leviatã, a cobra tortuosa que é Lilith' (fol. 130, col. 1, cap.XI). Também
segundo os rabinos, Lilith não é a única esposa de Samael; dão o nome de três outras: Aggarath,
Nahemah e Mochlath. Mas das quatro demônias, só Lilith dividirá com o esposo a terrível punição,
por tê-lo ajudado a seduzir Adão e Eva. Aggarath e Mochlath tem apenas um papel apagado, ao
contrário do que acontece com as outras duas irmãs, Nahemah e Lilith.