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FILOSOFIA CONTEMPORANEA II

Michel Foucault - Sociedade Disciplinar


O pensador Michel Foucault se dedicou a estudar como foi se desenvolvendo os mecanismos
de controle social ao longo do tempo.
Em Vigiar e Punir, Foucault trata da “Sociedade Disciplinar”: sistema de controle social através
da conjugação de várias técnicas de classificação, de seleção, de vigilância, de controle, que
se ramificam pelas sociedades a partir de uma cadeia hierárquica vindo do poder central e se
multiplicando numa rede de poderes interligados.
Microfísica do Poder: O poder está em constante movimento, é formado por uma malha de
instituições e relações; e não se restringe apenas ao governo, mas pelo contrário está
distribuído pela sociedade.
A verdade para Foucault é produzida a partir das relações de poder e sofre mudanças no
decorrer da história. Por isso que poder e saber estão correlacionados, porque não há poder
sem saber e não há saber sem poder, ou seja, o saber acaba sendo imposto pelo poder e o
poder é fruto do saber.
Foucault realizou uma crítica filosófica que recorreu sobretudo à pesquisa histórica, para
questionar as maneiras pelas quais certas verdades e seus efeitos práticos vieram a se formar
e se estabelecer no presente.
Questionava assim os sistemas de exclusão criados pelo Ocidente desde fins do século XVIII,
como por exemplo:
o saber médico e psiquiátrico – a patologização e a medicalização como formas modernas de
dominação sobre seres economica e socialmente inconvenientes, os loucos;
a prisão e outras instituições de confinamento (tais como a escola, a fábrica, o quartel) não
como um avanço nos sentimentos morais e humanitários, mas como mudança de estratégia do
poder, que visa o disciplinamento e a docilização dos corpos;
No século 19, a punição passa a integrar um sistema de controle social mais amplo, que
Foucault chama de disciplina: uma série de mecanismos que visam separar o indivíduo dos
outros e de si mesmo e, assim, qualificá-lo como são ou louco, normal ou anormal, sadio ou
doente, bom cidadão ou delinquente.
Há o deslocamento do problema da infração à norma ao problema da anormalidade da conduta
do indivíduo. Passam a existir menos punição e mais vigilância.
Para Foucault, a “disciplina” também se manifesta nas escolas, indústrias e Forças Armadas
modernas, justamente como uma maneira de exercer o poder para produzir sujeitos capazes
de funcionar como engrenagens da nova sociedade pós-absolutismo. Até o tempo de que as
pessoas dispõem será controlado de formas muito mais estritas do que se via antes.
O Estado tenta transmitir a imagem de que esse poder exercido sobre os indivíduos é
benevolentete, algo que supostamente pretende apenas “corrigir” e “reformar” a pessoa, nunca
apenas puni-la.
O Panóptico: organiza espaços que permitem ver, sem ser vistos, portanto, uma garantia de
ordem. Assim, a vigilância torna-se permanente e mais importante do que vigiar o prisioneiro o
tempo inteiro, era que o mesmo se soubesse vigiado. Logo, não era finalidade do Panóptico
fazer com que as pessoas fossem punidas, mas que nem tivessem a oportunidade para
cometer o mal, pois sentiriam-se mergulhadas, imersas num campo de visibilidade.
Em suma, o Panóptico desfaz a necessidade de combater a violência física com outra violência
física, combatendo-a antes, com mecanismos de ordem psicológica. Ele seria a manifestação
mais pura do controle exercido pela sociedade disciplinar, regulamentando as ações,
determinando padrões de gosto e modelos de conduta que devem ser seguidos pela massa
social.
Os organizadores desse dispositivo acreditariam que pela instauração desse grande sistema
de observação das ações individuais os grandes problemas sociais seriam banidos
definitivamente do âmbito "civilizado".

JÜRGEN HABERMAS (1929 - ): razão comunicativa


O filósofo e sociólogo alemão é conhecido por sua “ética da discussão”, na qual o diálogo em si
é mais importante do que o convencimento do interlocutor.
Ligado a Escola de Frankfurt: influenciado pelo marxismo, que se dedicava a reflexões e
críticas sobre a razão, a ciência e o avanço do capitalismo.
RAZÃO INSTRUMENTAL: uma racionalidade operacional, pragmática e que visa à dominação
da natureza para fins lucrativos e coloca a ciência e a técnica a serviço do capital.
Em vez de emancipar, essa razão provoca o desaparecimento do sujeito autônomo, engolido
pela uniformidade imposta pela indústria cultural.
RAZÃO COMUNICATIVA: a razão não pode ser reduzida à sua perversidade utilitária, uma vez
que ela possui uma função comunicativa.
Se existe uma racionalidade instrumental mediada pela economia e pelo poder, existe todo um
agir comunicativo, que busca o entendimento e o assentimento entre sujeitos, tendo em vista
uma ação comum, baseado na forma sem violência do discurso argumentativo.
Habermas visa a fundar uma “ética da discussão”: em vez de um sujeito buscar fazer valer uma
lei universal, é preciso buscar uma discussão na qual as questões morais sejam objeto de
debates, dando lugar a acordos.
Uma norma ética, para ele, só é válida quando for objeto de uma livre discussão. Só o agir
comunicativo, que tende ao entendimento entre os atores, pode ser a base ética de uma
sociedade.
A ação comunicativa ocorre “sempre que as ações dos agentes envolvidos são coordenadas,
não através de cálculos egocêntricos de sucesso, mas através de atos de alcançar o
entendimento.
Na ação comunicativa, os participantes não estão orientados primeiramente para o sucesso
individual, eles buscam seus objetivos individuais respeitando a condição de que podem
harmonizar seus planos de ação sobre as bases de uma definição comum de situação.

HANNAH ARENDT (1906 - 1975): Banalidade do mal


Filósofa alemã de origem judia que escreveu sobre os regimes totalitários, em especial o
nazismo.
Eichmann em Jerusalém: o grande exterminador dos judeus não era um demônio e um poço
de maldade (como o criam os ativistas judeus), mas alguém terrível e horrivelmente normal.
Um típico burocrata que se limitara a cumprir ordens, com zelo, sem capacidade de separar o
bem do mal, ou de ter mesmo contrição.
A banalidade do mal : como resultado da massificação da sociedade, se criou uma multidão
incapaz de fazer julgamentos morais, razão porque aceitam e cumprem ordens sem
questionar.
Eichmann, um dos responsáveis pela solução final, não é olhado como um monstro, mas
apenas como um funcionário zeloso que foi incapaz de resistir às ordens que recebeu.
Assim, o mal não provém da malevolência ou do desejo de fazer o mal. As razões pelas quais
as pessoas agem de certa maneira é que elas sucumbem a falhas de pensamento e
julgamento.
Sistemas políticos opressivos são capazes de tirar vantagem da nossa tendência para tais
falhas, possibilitando que pareçam normais certos atos que possivelmente consideraríamos
"impensáveis".
A ideia de que o mal é banal não priva os atos maléficos de seu horror. A recusa em ver as
pessoas que cometem atos terríveis como "monstros" traz esses atos para mais perto da nossa
vida cotidiana, desafiando-nos a considerar o mal como algo de que todos somos capazes.
O Mal Radical: o aniquilamento da ideia de sujeito e de indivíduo. Essa prática ficou nítida
quando, das pessoas que estavam inseridas nos campos, eram retirados seus nomes, suas
famílias, suas identidades; elas eram conhecidas por números ou símbolos, como a estrela de
Davi, que caracterizava os judeus.
Não eram mais sujeitos construídos, mas coisas jogadas e chutadas para qualquer lado, como
se não tivessem identidade. Para a filósofa, essa ação é pior do que qualquer ideia de mal ou
de pecado que tenha sido construída na história.

Sigmund Freud (1856-1939) - O Mal-Estar da Civilização


Na teoria psicanalítica freudiana, a sexualidade é a pedra fundamental na manutenção e
reprodução da civilização.
A civilização só pode existir porque os impulsos sexuais são canalizados para o trabalho,
gerando todos os bens materiais e intelectuais da civilização.
“A civilização está obedecendo às leis da necessidade econômica, visto que uma grande
quantidade de energia psíquica que ela utiliza para seus próprios fins tem de ser retirada da
sexualidade” (FREUD, 1969, p. 125).
Em consequência disso, Freud atribuiu as doenças psíquicas de sua época a grande repressão
que a civilização exerce sobre os impulsos sexuais. Essa insatisfação foi exigida num grau
muito superior que o necessário.
O processo civilizatório é marcado pela renúncia e pelo sentimento de insatisfação que os
homens experimentam vivendo em sociedade. O resultado disso é o mal-estar na civilização.
Este mal-estar é produzido pelo conflito irreconciliável entre as exigências pulsionais e as
restrições da civilização.
O mal-estar na civilização é a condição existencial do homem moderno, é o destino que todos
temos de compartilhar. O simples fato de o indivíduo viver no mundo contemporâneo já é o
requisito para se viver ansioso.
A sociedade industrial, a competitividade, o consumo desenfreado, o desemprego, a violência,
a dinâmica das transformações sociais e dos valores, a adaptação do indivíduo às exigências
da vida são os principais fatores que produzem o mal-estar na civilização.
A civilização se constrói sobre uma renúncia ao instinto” e impõe “grandes sacrifícios” à
sexualidade e agressividade do homem. O anseio de liberdade é dirigido contra formas e
exigências particulares da civilização. Trata-se de uma troca entre as possibilidades de
gratificação por um quinhão de segurança.
A civilização troca sentidos com os termos beleza, limpeza ou ordem e consiste na compulsão
à repetição de um regulamento estabelecido sem hesitação ou indecisão. Estão em jogo, aí, o
princípio do prazer e o princípio da realidade.
O mal-estar vem precisamente da limitação da liberdade de seguir as pulsões da libido em
troca de mais segurança ante a ameaça inerente à fragilidade do corpo, a agressividade do
mundo e dos vizinhos.

ZYGMUNT BAUMAN (1925 – 2017): Modernidade Líquida


O Mal-Estar da Pós-Modernidade: Em contraste com Freud, Bauman sustentava que a pós-
modernidade se caracteriza, pela desregulamentação.
A pós-modernidade pretende fundir a ordem limpa com o reclamo de prazer, privilegiando a
liberdade individual como o maior predicado na contínua autocriação de um universo humano.
Os homens trocaram parte de sua segurança por mais felicidade, e os mal-estares da pós-
modernidade provêm de uma liberdade na procura do prazer que tolera uma segurança
individual pequena.
A modernidade líquida seria "um mundo repleto de sinais confusos, propenso a mudar com
rapidez e de forma imprevisível”.
A modernidade “sólida” : o homem seria capaz de criar um novo futuro para a sociedade, que
cresceria em paralelo a uma vida enraizada em instituições fortes e presentes, como o Estado
e a família. A confiança no homem e em sua capacidade de moldar o próprio futuro seria o
principal traço desse período.
A modernidade “líquida”: a palavra liquidez remete à fluidez, ausência de forma definida,
velocidade, mobilidade e inconsistência. Esses seriam, para ele, justamente, os traços
essenciais das relações sociais na atualidade.
A antiga confiança “sólida” num futuro perfeitamente arquitetado pela razão foi substituída pela
incerteza. O futuro tornou-se nebuloso e indefinido.
As “distopias” ganham força – sabe-se apontar problemas e dificuldades no mundo, mas
poucos sabem oferecer alternativas consistentes a esses problemas e dificuldades.
Criticamos o mundo, nunca estamos satisfeitos, mas raramente sabemos o que fazer com
nossas críticas.
O sistema capitalista aparece para esses homens pós-modernos como a única realidade
possível, posto que eles duvidam que o ser humano possa criar uma realidade diferente.
Incertos quanto ao futuro das sociedades, os homens pós-modernos têm fixado suas
esperanças e expectativas no presente, no instante e no indivíduo;
por todos os lados, os anúncios publicitários e as revistas conclamam as pessoas a “aproveitar
o agora”, “pensar em si mesmas”.
O ser humano pós-moderno substitui os projetos para o futuro pelo prazer instantâneo, a
produção pela especulação, o conteúdo pela performance, a experiência pela flexibilidade e os
sonhos pelas ambições.
A sociedade líquida, pouco apegada aos seus antecedentes, é obcecada pela novidade:
a nova notícia, a nova promoção, o novo carro, a nova rede social.
Os laços que uniam os homens ao passado são cortados, e vive-se numa espécie de “eterno
presente”.
Os trabalhadores do século XXI vivem numa constante liquidez, numa permanente incerteza e
medo de ser “descartados”, posto que a mobilidade e a flexibilidade das empresas são
tamanha que, a qualquer momento, cortes inesperados e mudanças de planos podem
acontecer.
A solidez das convicções, assim, foi substituída pela liquidez do instante.
Nos laços amorosos, observa-se a mesma tendência:
relacionamentos fluidos, inconstantes e momentâneos caracterizam nossa época, que
consagrou o conceito de “ficar”, expressão da liquidez do amor.
Na modernidade líquida, os vínculos humanos têm a chance de serem rompidos a qualquer
momento, causando uma disposição ao isolamento social, onde um grande número de
pessoas escolhe vivenciar uma rotina solitária. Isso também enfraquece a solidariedade e
estimula a insensibilidade em relação ao sofrimento do outro.
Na sociedade liquida as relações se tornam mais flexíveis, gerando níveis de insegurança
maiores. Ao mesmo tempo em que buscam o afeto, as pessoas têm medo de desenvolver
relacionamentos mais profundos que as imobilizem em um mundo em permanente movimento.
Bauman reflete sobre as relações humanas e acredita que os laços de uma sociedade agora
se dão em rede, não mais em comunidade.
Dessa forma, os relacionamentos passam a ser chamados de conexões, que podem ser feitas,
desfeitas e refeitas - os indivíduos estão sempre aptos a se conectarem e desconectarem
conforme vontade, o que faz com que tenhamos dificuldade de manter laços a longo prazo.
As redes sociais significam uma nova forma de estabelecer contatos e formar vínculos. Mas,
elas não proporcionam um diálogo real, pois é muito fácil se fechar em círculos de pessoas
pensam igual a você e evitar controvérsias.
A rede é mantida viva por duas atividades: conectar e desconectar. O contato no meio virtual
pode ser desfeito ao primeiro sinal de descontentamento, o que denota uma das características
da sociedade líquida.
"O atrativo da “amizade Facebook‘ é que é fácil conectar, mas a grande atração é a facilidade
de desconectar”.

Karl Popper (1902-1994): Teoria da Falseabilidade da Ciência


Popper argumentou que a teoria científica será sempre conjectural e provisória. Não é possível
confirmar a veracidade de uma teoria pela simples constatação de que os resultados de uma
previsão efetuada com base naquela teoria se verificaram. Essa teoria deverá gozar apenas do
estatuto de uma teoria não (ou ainda não) contrariada pelos fatos.
O que a experiência e as observações do mundo real podem e devem tentar fazer é encontrar
provas da falsidade daquela teoria. Este processo de confronto da teoria com as observações
poderá provar a falsidade da teoria em análise. Nesse caso há que eliminar essa teoria que se
provou falsa e procurar uma outra teoria para explicar o fenômeno em análise.
Este aspecto é fulcral para a definição da ciência. Científico é apenas aquilo que se sujeita a
este confronto com os fatos. Ou seja: só é científica aquela teoria que possa ser falseável
(refutável).
Uma afirmação que não possa ser confrontada com a sua veracidade pelo confronto com a
realidade não é científica. Será talvez uma especulação metafísica.
Para Popper a verdade é inalcançável, todavia devemos nos aproximar dela por tentativas. O
estado atual da ciência é sempre provisório. Ao encontrarmos uma teoria ainda não refutada
pelos fatos e pelas observações, devemos nos perguntar, será que é mesmo assim? Ou será
que posso demonstrar que ela é falsa? Einstein é o melhor exemplo de um cientista que
rompeu com as teorias da física estabelecidas.
A ideia de falsificabilidade de Popper ainda é usada para distinguir entre alegações científicas e
não científicas. Popper permanece, talvez, como o mais importante filósofo da ciência do
século XX.

Thomas Kuhn (1922-1996)


O físico e historiador da ciência norte-americano Thomas Kuhn é mais conhecido pela obra A
estrutura das revoluções científicas, publicada em 1962. A obra é tanto uma investigação sobre
momentos decisivos na história científica quanto uma tentativa de explicar uma teoria sobre
como as revoluções ocorrem na ciência.
A ciência, na visão de Kuhn, alterna períodos de "normalidade" e de "crise". A ciência normal é
o processo rotineiro no qual cientistas trabalhando dentro de um sistema teórico, ou
"paradigma", acumulam resultados que não questionam as escolas teóricas desse sistema. As
vezes, obviamente, resultados anômalos ou não familiares aparecem, mas estes são
geralmente considerados como erros dos cientistas - prova, de acordo com Kuhn, que a ciência
normal não visa às novidades. Ao longo do tempo, contudo, resultados anômalos podem se
acumular até que um ponto de crise seja atingido. Após a crise, se uma nova teoria é
formulada, há uma mudança no paradigma e um novo sistema teórico substitui o antigo. No
fim, esse sistema é admitido como certo, e a ciência normal prossegue até outras anomalias
surgirem.

Exercícios

1. Uma norma só deve pretender validez quando todos os que possam ser concernidos por ela
cheguem (ou possam chegar), enquanto participantes de um discurso prático, a um acordo
quanto à validade dessa norma.
HABERMAS, J. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989.
Segundo Habermas, a validez de uma norma deve ser estabelecida pelo(a)
a) liberdade humana, que consagra a vontade.
b) razão comunicativa, que requer um consenso.
c) conhecimento filosófico, que expressa a verdade.
d) técnica científica, que aumenta o poder do homem.
e) poder político, que se concentra no sistema partidário.

2. Leia o texto a seguir.


Habermas distingue entre racionalidade instrumental e racionalidade comunicativa. A
racionalidade comunicativa ocorre quando os seres humanos recorrem à linguagem com o
intuito de alcançar o entendimento não coagido sobre algo, por exemplo, decidir sobre a
maneira correta de agir (ação moral). A racionalidade instrumental, por sua vez, ocorre quando
os seres humanos utilizam as coisas do mundo, ou até mesmo outras pessoas, como meio
para se alcançar um fim (raciocínio meio e fim).
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a teoria da ação comunicativa de Habermas, é
correto afirmar:
a) Contar uma mentira para outra pessoa buscando obter algo que desejamos e que sabemos
que não receberíamos se disséssemos a verdade é um exemplo de racionalidade
comunicativa.
b) Realizar um debate entre os alunos de turma da faculdade buscando decidir
democraticamente a melhor maneira de arrecadar fundos para o baile de formatura é um
exemplo de racionalidade instrumental.
c) Um adolescente que diz para seu pai que vai dormir na casa de um amigo, mas, na verdade,
vai para uma festa com amigos, é um exemplo de racionalidade comunicativa.
d) Alguém que decide economizar dinheiro durante vários anos a fim de fazer uma viagem para
os Estados Unidos da América é um exemplo de racionalidade instrumental.
e) Um grupo de amigos que se reúne para decidir democraticamente o que irão fazer com o
dinheiro que ganharam em um bolão da Mega Sena é um exemplo de racionalidade
instrumental.

3. Se compararmos o mundo moderno com o mundo do passado, veremos que a perda da


experiência humana acarretada por esta marcha de acontecimentos é extraordinariamente
marcante. Não foi apenas, e nem sequer basicamente, a contemplação que se
tornou experiência inteiramente destituída de significado. O próprio pensamento, ao tornar-se
mera "previsão de consequências", passou a ser função do cérebro, como resultado de que se
descobriu que os instrumentos eletrônicos exercem essa função muitíssimo melhor do que nós.
A ação logo passou a ser, e ainda é, concebida nos termos de fazer e fabricar, exceto que o
fazer, dada a sua mundanidade e inerente à vida, é agora visto como apenas outra forma de
labor, como função mais complicada, mas não mais misteriosa do processo vital.
ARENDT, Hannah. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007. p. 335.
Tendo como base o texto anterior, aponte a alternativa que contempla a crítica levantada pela
autora.
a) A experiência humana foi enriquecida com o desenvolvimento dos instrumentos eletrônicos.
b) A experiência humana, no mundo moderno, favorece a contemplação.
c) O mundo moderno levou ao empobrecimento da experiência humana, com a redução das
capacidades intelectuais do ser humano.
d) A capacidade de “previsão das consequências” foi um grande salto na qualidade da
experiência humana moderna.
e) Na modernidade, a experiência de vida do ser humano enriqueceu-se.

4. A obra de Hanna Arendt é fundamental para entender e refletir sobre os tempos atuais,
dilacerados por guerras localizadas e nacionalismos. Para ela, compreender significava
enfrentar sem preconceitos a realidade, e resistir a ela, sem procurar explicações em
antecedentes históricos.
Acerca do pensamento dessa importante pensadora do século XX, marque a alternativa
INCORRETA.
a) Arendt combateu com toda a alma os regimes totalitários e condenou-os, com destaque para
o nazismo alemão.
b) Estudando a personalidade medíocre de Adolf Eichmann, Arendt formulou o conceito da
"banalidade do mal".
c) Para Hanna Arendt, Eichmann estava sendo desonesto ao afirmar que apenas cumpria
ordens ao realizar o trabalho que lhe foi dado, no caso, exterminar os judeus.
d) Hannah Arendt acreditava que Eichmann não era um malvado ou um paranoico, mas um
homem comum, incapaz de pensar por si próprio, como a maior parte das pessoas.
e) A trivialização da violência corresponde, para Arendt, ao vazio de pensamento, onde a
banalidade do mal se instala.

5. Gilberto Cotrim ao tratar da pós-modernidade, comenta as ideias de Michel Foucault, nas


quais “[...] as sociedades modernas apresentam uma nova organização do poder que se
desenvolveu a partir do século XVIII. Nessa nova organização, o poder não se concentra
apenas no setor político e nas suas formas de repressão, pois está disseminado pelos vários
âmbitos da vida social [...] [e] o poder fragmentou-se em micropoderes e tornou-se muito mais
eficaz. Assim, em vez de se deter apenas no macropoder concentrado no Estado, [os]
micropoderes se espalham pelas mais diversas instituições da vida social. Isto é, os poderes
exercidos por uma rede imensa de pessoas, por exemplo: os pais, os porteiros, os enfermeiros,
os professores, as secretarias, os guardas, os fiscais etc.”
Fonte: COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia: história e grandes temas. São Paulo:
Saraiva, 2006. (adaptado)
Pelo exposto por Gilberto Cotrim sobre as ideias de Foucault, a principal função dos
micropoderes no corpo social é interiorizar e fazer cumprir
a) o ideal de igualdade entre os homens.
b) o total direito político de acordo com as etnias.
c) as normas estabelecidas pela disciplina social.
d) a repressão exercida pelos menos instruídos.
e) o ideal de liberdade individual.

6. “O pensamento de Foucault gira em torno dos temas do sujeito, verdade, saber e poder. É
um pensamento que leva à crítica de nossa sociedade, à reflexão sobre a condição humana.
[...] Não há verdades evidentes, todo saber foi produzido em algum lugar, com algum propósito.
Por isso mesmo pode ser criticado, transformado, e, até mesmo destruído. Foucault considera
que a filosofia pode mudar alguma coisa no espírito das pessoas. [...] Seu pensamento vem
sempre engajado em uma tarefa política ao evidenciar novos objetos de análise, com os quais
os filósofos nunca haviam se preocupado. Entre eles se destacam: o nascimento do hospital;
as mudanças no espaço arquitetural que servem para punir, vigiar, separar; o uso da estatística
para que governos controlem a população; a constituição de uma nova subjetividade pela
psicologia e pela psicanálise; como e por que a sexualidade passa a ser alvo de preocupação
médica e sanitária; como governar significa gerenciar a vida (biopoder) desde o nascimento até
a morte, e tornar todos os indivíduos mais produtivos, sadios, governáveis.”
(ARAÚJO, I. L. Foucault: um pensador da nossa época, para a nossa época. In: Antologia de
textos filosóficos. Curitiba: SEED-PR, 2009. p. 225.)
Segundo o texto, é correto afirmar:
a) A renovação filosófica ocorre no contexto de afirmação positivista das ciências e fundação
da subjetividade a partir da fenomenologia.
b) A relação entre saber e poder diz respeito a uma prática política, não só epistemológica.
c) A expressão “biopoder” significa a associação entre as potencialidades humanas e o divino.
d) O papel da filosofia é revelar verdades metafísicas, independentemente de serem
contestadas ao longo da História.

7. “O sucesso do poder disciplinar se deve sem dúvida ao uso de instrumentos simples: o olhar
hierárquico, a sanção normalizadora e sua combinação num procedimento que lhe é
específico, o exame.”
Fonte: Foucault, Vigiar e punir, p. 143.
A partir do texto acima e das bases filosóficas de Foucault, é incorreto afirmar
a) Vigiar, muito mais que aplicar um olhar constante sobre o indivíduo, significa dispô-lo numa
estrutura arquitetural e impessoal, na qual ele se sinta vigiado.
b) Punir não é o único objetivo da disciplina.
c) Punir primeiramente tem a finalidade de uma ortopedia moral, de normalização, não
somente de um comportamento, mas do conjunto da existência humana, seja obstaculizando a
virtualidade de um comportamento perigoso mediante o uso de pequenas correções, seja
incentivando condutas desejáveis a partir de recompensas e vantagens.
d) O exame atua numa ampla rede de instituições psiquiátricas, pedagógicas e médicas,
classificando as condutas em termos de normalidade e anormalidade.
e) Para Foucault, as ciências que tomaram o homem como objeto de saber, a partir do final do
século XVIII, não têm relação com a vigilância, a normalização e o exame disciplinares.

8. Analise a charge e leia o texto abaixo para responder à questão.

O avanço do uso de novas tecnologias de informação e comunicação altera as relações


sociais, os hábitos cotidianos e os costumes das pessoas, especialmente nas grandes cidades.
Um exemplo é a crescente utilização da Internet, das redes sem fio, dos celulares e
smartphones tanto em pesquisas escolares como nos espaços privados e públicos. Nos trens,
nos ônibus e nas ruas, o uso dessas tecnologias se multiplica e se transforma quase em uma
regra, relegando àqueles que não os usam como comportamentos “fora dos padrões”.
Adaptado de: OLIVEIRA, L. F.; COSTA, R. C. R. Sociologia para jovens do século XXI. Rio de
Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2013, p. 250-254.
Com base na charge, no texto e nos conhecimentos sobre os efeitos da expansão das novas
tecnologias de informação e comunicação nas relações sociais, assinale a alternativa correta.
a) Para Zigmunt Bauman, na modernidade líquida, a intensa interatividade e a multiplicação
das relações em rede criam vínculos sociais duradouros e quadros de referência e de
identificação permanentes.
b) Para Umberto Eco, os efeitos principais do avanço dos novos meios de comunicação, nos
locais mais isolados, são a padronização dos comportamentos, o desaparecimento das
diversidades culturais e das tradições comunitárias.
c) O uso de tecnologias móveis e pessoais de comunicação, como os smartphones, ao mesmo
tempo em que estimula relações sociais virtuais, seja através de voz, de SMS, de fotos ou
vídeos, dificulta a disseminação de conteúdos e de ideias divergentes.
d) Na contemporaneidade, o acesso universal e ilimitado às redes digitais rompe com o
controle das grandes empresas sobre a produção e a circulação de notícias e com a sua
atuação em rede nacional e internacional.
e) A utilização cada vez mais frequente de celulares confere maior mobilidade nas
comunicações, modifica as formas de controle dentro e fora dos grupos e torna públicas
conversas consideradas, no passado, restritas ao mundo privado.

9. Texto 1
O livro Cultura do narcisismo, escrito por Christopher Lasch em 1979, é um clássico. O texto de
Lasch mostra como o que era diagnosticado como patologia narcísica ou limítrofe nos anos 50
torna-se uma espécie de “normalidade compulsória” depois de duas décadas. Para que alguém
seja considerado “bem-sucedido”, é trivialmente esperado que manipule sua própria imagem
como se fosse um personagem, com a consequente perda do sentimento de autenticidade.
DUNKER, Christian. “A cultura da indiferença”. www.mentecerebro.com.br. Adaptado.

Texto 2
Zigmunt Bauman: Afastar-se da percepção de mundo consumista e do tipo de atitude
individualista contra o mundo e as pessoas não é uma questão a ponderar, mas uma obrigação
determinada pelos limites de sustentabilidade desse modelo da vida que pressupõe a
infinidade de crescimento econômico. Segundo esse modelo, a felicidade está
obrigatoriamente vinculada ao acesso a lojas e ao consumo exacerbado.
“Lojas são alívio a curto prazo, diz o sociólogo Zigmunt Bauman”.
www.mentecerebro.com.br. Adaptado.
Considerando os textos, é correto afirmar que:
a) para Bauman, as diretrizes liberais de crescimento econômico ilimitado prescindem de
reflexão ética.
b) ambos tratam do irracionalismo subjacente aos critérios de normalidade e de felicidade.
c) a “cultura do narcisismo” apresenta um estilo de vida incompatível com a mentalidade
consumista.
d) a patologia narcísica analisada por Lasch é um fenômeno restrito ao domínio psiquiátrico.
e) ambos abordam problemas historicamente superados pelas sociedades ocidentais
modernas.

10. A internet opera preferencialmente com a escrita, a escrita curta e imediata. A velocidade
de escrita e de leitura está relacionada à agitação mais ou menos alucinada da vida cotidiana,
estimulada pelas tecnologias comunicacionais. A sociedade midiatizada não é uma sociedade
feliz; ao contrário, é uma sociedade da compulsão, da cobrança invisível, dos apelos
permanentes de estar conectado, pois, caso contrário, a pessoa estará "morta".
Ciro Marcondes Filho. Entrevista. In: IHU On-line. 09 abr. 2011. Adaptado. Disponível em:
<http://bit.ly/RGR7Xg>. Acesso em 06 nov. 2012.
Alguns teóricos desenvolveram conceitos que nos ajudam a compreender o contexto
apresentado no texto acima. Um desses pensadores, Zygmunt Bauman, define esse tipo de
contexto como sendo uma:
a) Sociedade do espetáculo, devido à falta de profundidade da vida humana.
b) Sociedade infeliz, devido à transformação do homem em coisa.
c) Sociedade do consumo, uma vez que as pessoas passam a ser definidas pelo que
compram.
d) Modernidade líquida, devido às formas fluídas de existência humana.
e) Pós-modernidade, devido às transformações geradas pela internet.

11. Uma vez encontrado um primeiro paradigma com o qual conceber a Natureza, já não se
pode mais falar em pesquisa sem qualquer paradigma. Rejeitar um paradigma sem
simultaneamente substituí-lo por outro é rejeitar a própria ciência. O resultado final de uma
sequencia de tais seleções revolucionárias, separadas por períodos de pesquisa normal, é o
conjunto de instrumentos notavelmente ajustados que chamamos de conhecimento científico.
Estágios sucessivos desse processo de desenvolvimento são marcados por um aumento de
articulação e especialização do saber científico. Todo esse processo pode ter ocorrido, como
no caso da evolução biológica, sem o benefício de um objetivo preestabelecido, sem uma
verdade científica permanentemente fixada, da qual cada estágio do desenvolvimento científico
seria um exemplar mais aprimorado.
Thomas Kuhn. A Estrutura das Revoluções Científicas.
Tendo o texto acima como referência e considerando a filosofia da ciência de Thomas Kuhn,
marque a alternativa incorreta.
a) Para Kuhn, os paradigmas, em grande medida, governam algum estágio das ciências.
b) Em períodos de ciência normal, a ciência não pode dispensar os paradigmas.
c) Identifica-se, no segundo parágrafo, uma definição kuhniana de conhecimento científico.
d) Kuhn sugere um modelo evolucionista para descrever a dinâmica do saber científico; isso
não é incompatível com alguma noção de progresso nas ciências.
e) O modelo evolucionista adotado por Kuhn é contraditório, pois, se não há uma verdade
fixada, não pode haver ciência.

12. Só reconhecerei um sistema como empírico ou científico se ele for passível de


comprovação pela experiência. Essas considerações sugerem que deve ser tomado como
critério de demarcação não a verificabilidade, mas a falseabilidade de um sistema. Em outras
palavras, não exigirei que um sistema científico seja susceptível de ser dado como válido, de
uma vez por todas, em sentido positivo; exigirei, porém, que sua forma lógica seja tal que se
torne possível validá-lo através de recursos a provas empíricas, em sentido negativo: deve ser
possível refutar, pela experiência, um sistema científico empírico.
POPPER, K. A lógica da pesquisa científica. São Paulo: Cultrix, 1993. p. 42 (adaptado).
Considerando o texto apresentado, é correto afirmar
a) O critério da falseabilidade não permite a validação de um conhecimento científico.
b) Uma teoria mantém-se válida até que seja possível refutá-la.
c) Popper propõe o verificacionismo como etapa do desenvolvimento científico.
d) As teorias científicas, desde que comprovadas empiricamente, mantêm a condição de
verdade absoluta.

13. "Durante o inverno de 1919-1920, essas considerações me levaram a conclusões que


posso agora reformular da seguinte maneira: (1) É fácil obter confirmações ou verificações para
quase toda teoria - desde que as procuremos. (2) As confirmações só devem ser consideradas
se resultarem de predições arriscadas. (3) Toda teoria científica "boa" é uma proibição: ela
proíbe certas coisas de acontecer. Quanto mais uma teoria proíbe, melhor ela é. (4) A teoria
que não for refutada por qualquer acontecimento concebível não é científica. A irrefutabilidade
não é uma virtude, como frequentemente se pensa, mas um vício"
(POPPER, Karl. Conjecturas e Refutações. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1982, p. 66.
Adaptado).
No trecho acima, Popper critica o princípio de verificabilidade como critério de demarcação
entre ciência e não ciência, propondo um novo princípio. Segundo ele, o critério de
cientificidade de uma teoria é a refutabilidade, ou seja,
A) a refutação da teoria através de algo proibido por ela. Isso significa que uma teoria para ser
científica precisa ser refutada empiricamente.
B) a teoria não pode ser refutada por nenhuma das proibições que ela contém. Isso significa
que uma teoria científica estabelece verdades seguras.
C) a teoria proíbe todos os eventos. Isso significa que uma teoria científica boa é uma teoria
negativa centrada em proibições e não afirmações.
D) após a tentativa de refutação, a teoria se mostrou segura. Isso significa que uma teoria
científica é sair da conjectura para alcançar a verdade.
E) tentar refutar a teoria através de algo proibido por ela. Isso significa que uma teoria cientifica
é uma conjectura que se mantém, enquanto não for refutada.

14. “Segundo o filósofo da ciência Thomas Kuhn, paradigma é um conjunto sistemático de


métodos, formas de experimentações e teorias que constituem um modelo científico, tornando-
se condição reguladora da observação. […] A ciência normal, conforme Kuhn, funciona
submetida por paradigmas estabelecidos historicamente num campo contextual de problemas
e soluções concretas. […] Os paradigmas são estabelecidos nos momentos de revolução
científica […] Portanto, para Kuhn, a ciência se desenvolve por meio de rupturas, por saltos e
não de maneira gradual e progressiva”. (E. C. Santos)
Sobre a concepção de ciência de Kuhn, é incorreto afirmar que
a) o desenvolvimento científico não se dá de modo linear, cumulativo e progressivo.
b) o desenvolvimento científico possui momentos de revolução, de ruptura, nos quais há
mudança de paradigma.
c) a ciência normal é o período em que a pesquisa científica é dirigida por um paradigma.
d) um exemplo de mudança de paradigma (revolução) na Astronomia e a substituição do
sistema geocêntrico aristotélico-ptolomaico pelo sistema heliocêntrico copernicano-galilaico.
e) a ciência não está submetida às condições históricas.

Gabarito
1. b
2. d
3. c
4. c
5. c
6. b
7. e
8. e
9. b
10. d
11. e
12. b
13. e
14. e