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Spurgeon e o Salmo 139 | blog.

Palavras em Chamas
Spurgeon e o Salmo 139 | blog. Palavras em Chamas

Notas do autor
Não lembro mais o motivo de ter chegado a este estudo, sei que
quando li o comentário de Spurgeon sobre um dos versos 19 fui
tomado por uma grande vontade de pesquisar versões bíblicas e
diferenças de textos o que me fez crescer mais na fé cristã após o
curto tempo de desespero em saber como as versões mais novas
mudaram o conteúdo de alguns textos importantes.
Este estudo tem a intenção de mostrar um pouco de como o ser
humano e visto por Deus, além de trazer um comentário de
Spurgeon importante para nossa compreensão e a defnição de
uma polêmica que ao meu ver não fnalizará hoje.

Este é um dos textos mais infuentes na minha vida e quem


chegou até ele começou a enxergar melhor as verdades bíblias,
espero que você seja o próximo a entender estas verdades!
Ao terminar, compartilhe esse e-book, outras pessoas precisam
tomar nota de todas as verdades contidas nele!

Sumário da postagem:
1 – Introdução
2 – Exposição de Salmo 139
2.1 - Louvor a Deus pela sua infnita soberania (v.1-6)
2.2 – A infnita soberania de Deus (v.7-18)
A - Demonstrações da onipresença de Deus (v.7-12)
B - Demonstrações da onisciência de Deus (v.13-18)
2.3 – Uma profecia contra os ímpios – Jesus em Salmo 139
(v.19-22)
2.4 – Oração fnal (v.23,24)
3 – Spurgeon e o Salmo 139
4 – O mistério do verso 19
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Spurgeon e o Salmo 139

A muito tempo no canal Palavras em Chamas do Youtube


apresentei o material de Spurgeon a respeito da exposição de
todo o livro de Salmo, algumas pessoas vieram me procurar
pedinho que eu postasse alguma coisa do que ele ensina sobre
algum texto em Salmo e eu fquei devendo isso por um bom
tempo, até agora.

Foi então que passeando pelos Salmo lembrei do 139, muito


importante para todos que estudam as doutrinas da graça e para
nós que adotamos nossa confssão de fé com base nas mesmas,
hoje quero apresentar um pouco do que um dos maiores
pregadores do século ensinava a respeito desse texto que é fonte
de imenso conhecimento divino. Antes de passar para as
palavras de Spurgeon eu quero lhe apresentar a estrutura e um
breve resumo de cada parte presente neste belíssimo Salmo.
O salmista é Davi e neste texto ele adora a Deus pela sua
grandeza de conhecimento, bem como sua infnita soberania.
Dividi o texto como é apresentado na versão N.A.A. (Nova
Almeida Atualizada) para compreender melhor o que Davi nos
propõe enquanto escreve esse belíssimo cântico. Eis as divisões e
uma breve exposição do seu conteúdo:

1 – Louvor a Deus pela sua infnita soberania


“Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me sento e
quando me levanto; de longe conheces os meus pensamentos.
Observas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus
caminhos. A palavra ainda nem chegou à minha língua, e tu,
Senhor, já a conheces toda. Tu me cercas por todos os lados e
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pões a tua mão sobre mim. Tal conhecimento é maravilhoso


demais para mim: é tão elevado, que não posso atingir”.

Davi inicia seu cântico com uma breve e rica introdução. Aqui ele
adora a Deus pela sua sabedoria e onisciência. Declarações
iniciais que logo se juntam à declaração de onipresença de Deus
terminando com um elogio ao Deus verdadeiro: “ Tal
conhecimento é maravilhoso demais para mim: é tão elevado,
que não posso atingir”.
Para o salmista Deus conhece todos os nossos pensamentos e
ações antes mesmo de realizá-los, o motivo ou a explicação para
isso por enquanto está oculto, Davi apenas adora a Deus por tais
feitos e nos ensina desde já que nosso Deus não conhece aquilo
que estamos fazendo, ele vê ou viu tais coisas antes mesmo de
fazermos, tal conhecimento por si só já são grandes demais, mas
Davi continua nos ensinando sobre o assunto enquanto escreve
sua canção.

Este conhecimento não é exclusivo dos Salmo 139, no capítulo 44


nós vemos uma declaração parecida do autor:
“Se tivéssemos esquecido o nome do nosso Deus ou se tivéssemos
estendido as mãos a um deus estranho, será que Deus não teria
descoberto isso, ele, que conhece os segredos dos corações?”
(v.20,21).
Davi não está criando um poema apenas, ele está afrmando nas
duas declarações que Deus de fato sonda ou seja, conhece
profundamente os desejos mais profundos da nossa mente. Isso
signifca que não precisamos externá-los para que Deus os
conheça, mostra que ele os conhece antes mesmo de nós.

2 – A infnita soberania de Deus


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Depois de uma breve introdução cheia de adoração a Deus o


salmista começa a expor como Deus trabalha, aqui vemos alguns
dos segredos que Deus resolveu nos revelar através das palavras
de Davi.

A - Demonstrações da onipresença de Deus


“É impossível escapar do teu Espírito; não há como fugir da tua
presença. Se subo aos céus, lá estás; se desço ao mundo dos
mortos, lá estás também. Se eu tomar as asas do amanhecer, se
habitar do outro lado do oceano, mesmo ali tua mão me guiará, e
tua força me sustentará. Eu poderia pedir à escuridão que me
escondesse, e à luz ao meu redor que se tornasse noite, mas nem
mesmo na escuridão posso me esconder de ti. Para ti, a noite é
tão clara como o dia; escuridão e luz são a mesma coisa”. (v. 7-12)

Davi amplia nossa percepção da onipresença divina. se sabemos


que ele conhece a nossa mente agora ele nos mostra que Deus
está em todos os lugares, não apenas isto, Deus nos guia em
todos os lugares de modo que ainda que quiséssemos fugir da sua
presença não conseguiríamos. Para muitos isso soa como uma
ameaça, não para o salmista, ele está adorando a Deus por sua
presença preencher toda a extremidade da sua criação, o Deus
que sonda o nosso coração nos guia em qualquer lugar que
estivermos, percebe o tamanho dessa esperança ensinada por
Davi? Quando ele afrma que “mesmo ali tua mão me guiará, e
tua força me sustentará” enfatiza que Deus cuida de nós, não
importa o local ou situação em que nos encontramos. Isso
mostra algo mais, se Deus nos observa e nos guia é provável que
ele mesmo esteja nos direcionando neste momento para algum
lugar, já parou pra pensar nos últimos acontecimentos da sua
vida? Quais deles revelam a vontade de Deus?
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“Mesmo quando eu andar pelo escuro vale da morte, não terei


medo, pois tu estás ao meu lado. Tua vara e teu cajado me
protegem” (Salmo 23.4)

B - Demonstrações da onisciência de Deus


“Tu formaste o meu interior e me teceste no ventre de minha
mãe. Eu te agradeço por me teres feito de modo tão
extraordinário; tuas obras são maravilhosas, e disso eu sei muito
bem. Tu me observavas quando eu estava sendo formado em
segredo, enquanto eu era tecido na escuridão. Tu me viste
quando eu ainda estava no ventre; cada dia de minha vida estava
registrado em teu livro, cada momento foi estabelecido quando
ainda nenhum deles existia. Como são preciosos os teus
pensamentos a meu respeito, ó Deus; é impossível enumerá-los!
Não sou capaz de contá-los; são mais numerosos que os grãos de
areia. E, quando acordo, tu ainda estás comigo” (v. 13-18)

Presente em todos os lugares e o conhecimento pleno do


homem, mas isso tudo não seria onisciência se Deus descobrisse
algo sobre nós. Se o homem um dia surpreender Deus em
alguma coisa fca provado que Ele não sabe todas as coisas. Davi
agora expande o que começou no início da canção quando
afrmou “antes mesmo de eu falar, Senhor, sabes o que vou dizer”
com informações que vão além da onisciência divina, agora ele
mostra que Deus não apenas conhece o coração do homem como
também defniu todos os seus passos e isso faz com que o
salmista tenha paz, porquê? Porque mesmo com tamanho
conhecimento sobre Davi, Deus o ama. Isso mostra o quanto
Deus tem apreço pelos seus flhos, ele já nos conhecia quando
nos elegeu, portanto nada que fazemos é surpresa para Deus.
Aliás, é errado afrmar que ele apenas nos conhecia, Deus
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escreveu todos os dias e acontecimentos da nossa vida, percebe


como podemos ter esperança em Deus? Ele não te escolheu antes
de conhecer os seus defeitos e pecados, ele já sabia muito bem
quem era você, desde o pensamento até a estrutura de todo o seu
corpo. Com um Deus assim podemos ter certeza de que nunca
seremos abandonados.
Davi parece fazer aqui uma releitura e aplicação prática dos
textos contidos no livro de Jó nos capítulos 10 e 11, esse pequeno
texto sintetiza bem o que é ensinado lá, veja alguns versos
mostrando isso:
“As tuas mãos me plasmaram e me fzeram, porém, agora, queres
destruir-me. Lembra-te de que me formaste como em barro. E,
agora, queres reduzir-me a pó?” (Jó 10.8-9)
“Se eu pecar, tu me observas; e da minha iniquidade não me
perdoarás” (Jó 10.14)
“Mas quem dera que Deus falasse e abrisse os seus lábios contra
você, e lhe revelasse os segredos, pois a verdadeira sabedoria é
multiforme! Saiba, portanto, que Deus permite que seja
esquecida parte da sua iniquidade” (Jó 11.5,6)

Davi termina essa seção mais uma vez adorando a Deus pela sua
sabedoria e profundidade de pensamentos (me pergunto se essa
sabedoria não seria o próprio Jesus, mas isso ainda em of) e
declara que o ser humano jamais conseguirá compreender todos
os seus pensamentos.

Temos os mesmos motivos de adoração, Deus nos chamou


quando ainda éramos pecadores e nos conhece desde a
eternidade, com todo conhecimento que tem do nosso passado,
presente e futuro ele não nos abandona e nos escolheu para uma
nova vida em Cristo Jesus. Lembre-se sempre: “Mas em todas
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estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos
amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem
os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o
presente, nem o porvir, Nem a altura, nem a profundidade, nem
alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que
está em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Romanos 8:37-39)

3 – Uma profecia contra os ímpios – Jesus em Salmo


139
"Ó Deus, tu matarás decerto o ímpio; apartai-vos portanto de
mim, homens de sangue. Pois falam malvadamente contra ti; e
os teus inimigos tomam o teu nome em vão. Não odeio eu, ó
Senhor, aqueles que te odeiam, e não me afijo por causa dos que
se levantam contra ti? Odeio-os com ódio perfeito; tenho-os por
inimigos.” (v. 19-22)

Embora nas versões mais novas da bíblia sagrada haja uma


mudança no verso 19 e mude o foco do restante do texto nesta
seção Davi não fala mais dele, eis um grande mistério. Enquanto
estava escrevendo seus salmos Davi (não apenas ele, mas os
outros também), usado pelo Espírito Santo, deixou muitas pistas
sobre vários acontecimentos da vida terrena de Jesus e sobre a
nossa salvação, um belo exemplo se encontra no Salmo 22 onde
lemos:
“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se
acham longe de minha salvação as palavras do meu gemido?” (v.
1) e no versos 16-18: “Cães me cercam; um bando de malfeitores
me rodeia; traspassaram-me as mãos e os pés. Posso contar todos
os meus ossos; os meus inimigos estão olhando para mim e me
encarando. Repartem entre si as minhas roupas e sobre a minha
túnica lançam sortes” (referencia a morte de Jesus na cruz).
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Nos versos 19-22 do Salmo 139, Davi revela a condenação eterna


daqueles que negaram, rejeitaram e não quiseram ouvir a
mensagem de arrependimento do evangelho de Cristo. São os
não eleitos que estão sendo julgados e condenados no verso 19.
Sobre as mudanças de versões e o problema que causaram à
teologia moderna irei tratar mais a frente. As declarações de Davi
nesta seção estão em pleno acordo com outros textos como
citarei abaixo:

“Então, entrei em teu santuário, ó Deus, e por fm entendi o


destino deles. Tu os puseste num caminho escorregadio e os
fzeste cair do precipício para a destruição. São destruídos de
repente, completamente tomados de pavor” (Salmo 73.17-19)
“Eu, porém, responderei: “Nunca os conheci. Afastem-se de
mim, vocês que desobedecem à lei!” (Mateus 7.28)
“Em seguida, o Rei se voltará para os que estiverem à sua
esquerda e dirá: ‘Fora daqui, malditos, para o fogo eterno
preparado para o diabo e seus anjos; - E estes irão para o castigo
eterno, mas os justos irão para a vida eterna” (Mateus 25.41,46)
“Não há condenação alguma para quem crê nele. Mas quem não
crê nele já está condenado por não crer no Filho único de Deus.
E a condenação se baseia nisto: a luz de Deus veio ao mundo,
mas as pessoas amaram mais a escuridão que a luz, porque seus
atos eram maus. Quem pratica o mal odeia a luz e não se
aproxima dela, pois teme que seus pecados sejam expostos. Mas
quem pratica a verdade se aproxima da luz, para que outros
vejam que ele faz a vontade de Deus” (João 3.18-21)

Aqui nós temos uma revelação que joga por terra a ideia de que
Deus odeia o pecado e ama o pecador, Davi deixa claro que
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aqueles que amam o pecado são odiados por Deus e revela de


forma sincera o que irá acontecer com todo aquele que não se
arrepender dos seus pecados. Deus ama o justo, o ímpio
certamente será destruído.

Nos versos seguintes Davi descreve quem são esses odiados por
Deus, para que muitas pessoas não pensem que Deus é injusto
em sua justiça é importante lembrar que estas pessoas odeiam de
todas as formas a Deus. Não se trata apenas de não aceitar ou
ouvir as suas palavras, cada resposta negativa ao evangelho, seja
ela qual for, mostra desprezo pelo dono do evangelho. É como
rasgar o convite na frente do noivo. Quando se nega o presente
da vida eterna se opõe a Deus de forma que Deus é 100% justo em
os abandonar. Estas pessoas são de forma geral: assassinos em
toda a extensão da palavra; blasfemos, ou seja, não apenas
negam como difamam ou vão contra o próprio Deus e isso fca
nítido não apenas nas decisões, mas na forma como vivem e
pensam, seus pensamentos blasfemam contra o Deus verdadeiro;
odiadores de Deus, pessoas que se opõem de forma violenta a
Deus, ao seus flhos e a sua mensagem; hipócritas que apesar de
negar o nome de Deus e a sua vontade usam Ele sempre que
sentem necessidade, dessa forma as coisas de Deus são rejeitadas
até que se precise de algo da sua parte, quando passam por
necessidade até buscam a Deus, mas isso só mostra o quanto são
hipócritas.

Contra tais pessoas o salmista de forma profética declara que


Jesus os odeia e despreza com a mesma intensidade que o Pai os
odeia e declara ser inimigo de tais pessoas, assim como Deus o é.
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4 – Oração fnal
“Sonda-me, é Deus, e conhece o meu coração; prova-me e
conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho
mau e guia-me pelo caminho eterno” (v.23,24)

Davi termina o Salmo 139 com um pedido especial.


Reconhecendo anteriormente e adorando a Deus pela sua
onipresença e onisciência, o salmista agora clama para que Deus
procure nele características que o fazem caminhar para longe de
Deus e o dê uma nova direção caso haja.
Eis o que Davi pede em sua oração fnal:

A – Sonda-me: Davi clama para que Deus sonde o seu coração,


em outras palavras ele pede para que Deus examine os seus
maiores desejos. Algumas vontades e paixões do homem podem
fazer com que ele mude seu curso, até mesmo desviando de
Deus, Davi entrega todos esses desejos, os mais profundos, nas
mãos de Deus e pede “examine-os”.

B – Prova-me: A Seguir ele clama para que Deus o teste a fm de


descobrir algum objetivo ruim em sua mente. Se o Senhor nos
provar, quais caminhos ele encontraria dentro de nós? Quando
Deus nos prova fca evidente para nós quais são as nossas
motivações, por quais motivos fazemos o que fazemos. Muitos
fazem a obra de Deus por puro orgulho e não por amor a Deus.
Quando Deus prova o coração de Davi não descobre nada que já
não sabia, quem descobre somos nós.

C – Guia-me: A oração do salmista termina clamando a Deus


para que direcione seus passos. Uma atitude que exige muito
mais humildade pois muitos de nós não estamos dispostos a
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esquecer um plano ou abandonar uma ideia que vá contra a


vontade de Deus, Davi aqui se entrega completamente e ainda
pede para que Deus o guie pelo caminho eterno, isso mostra a
vontade de Deus acima da nossa própria vontade e nos leva a
aceitar o que Deus tem para nós ao invés de fcarmos numa luta
constante entre o que nós queremos e o que Deus vai de fato
fazer de nós. Que Deus nos guie pelo seu caminho.

Neste Salmo conhecemos alguns dos atributos de Deus e temos


completa confança em nos alegramos neles, pois como Davi
mesmo ensina Deus os usa para o nosso bem também. É sempre
bom lembrar que tudo que Deus faz é para o bem daqueles que
são seus, daqueles que o amam e foram chamados por ele para
viverem para Ele, isso nos dá não apenas a certeza de que tudo
vai fcar bem, temos plena confança de que todas as coisas
cooperam para o bem daqueles, de nós, que amamos a Deus,
amém.

Spurgeon e o Salmo 139

Spurgeon escreveu muito sobre este Salmo e sua compreensão


como sempre, nos impressiona. Passarei aqui apenas alguns
detalhes que tomei como de muita importância e farei um breve
comentário sobre o texto do pastor. Eu passaria direto para o
verso ao qual deixarei Spurgeon comentar, porém, há na
introdução do Salmo alguns detalhes importantes que
precisamos tomar nota, leiamos Spurgeon a respeito do Salmo
139:

“Salmo 139 – Introdução


Este é um dos mais notáveis dos hinos sagrados. Ele canta a
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onisciência e a onipresença de Deus, deduzindo delas a derrota


das forças da iniquidade, uma vez que aquele que vê e ouve as
abomináveis obras e palavras dos rebeldes certamente lidará
com eles, de acordo com a sua justiça. O brilho deste Salmo é
como uma safra, ou o ‘terrível cristal’ de Ezequiel; ele se infama
com tais faíscas de luz que convertem a noite em dia. Como um
farol, este santo cântico lança uma luz clara até as partes mais
extremas do mar, e nos adverte contra o ateísmo prático que,
ignorando a presença de Deus, destrói a alma”. (Spurgeon – Ed.
CPAD)

Duas coisas chamam atenção na introdução feita por Spurgeon.


A primeira é que ele liga perfeitamente o fato de Davi apresentar
os dois atributos de Deus à sua justiça. Ele está dizendo que o
ímpio será condenado justamente por Deus ser onipresente e
onisciente. Isso é importante para revelar a nós um grande
mistério nos versos 19 – 22 do Salmo que foi completamente
mudado nas novas traduções da bíblia. Antes víamos o Salmo
apenas como um louvor a Deus, agora vemos Davi apresentando
os motivos pelos quais os ímpios perecerão caso continuem nos
mesmos caminhos. Nossa atribuição aos textos de Salmos tem
sido constantemente voltado para a bondade de Deus e o seu
louvor, porém, muitos dos textos contém justiça e juízo divinos e
são estes os Salmos evitados pela igreja. Spurgeon não teme a
verdade e já na introdução o ímpio é colocado contra a parede.

A segunda coisa que me chama atenção aqui é o fato de Spurgeon


citar o termo “ateísmo prático” na introdução. É conhecido hoje
que negar os atributos de Deus, sejam alguns ou todos, é uma
característica do ateísmo. Sobre isso ensina Louis Berkhof em
sua Teologia sistemática:
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“… que haja verdadeiros ateus, a saber, os ateus práticos e os


teóricos. Os primeiros (práticos) são simplesmente pessoas não
religiosas, pessoas que na vida prática não contam com Deus,
mas vivem como se Deus não existisse.” (Louis Berkhof – Editora
Cultura Cristã) – Caso você tenha estudado o Salmo 139 numa
tradução mais atual essa informação pode não fazer sentido
agora, tratarei sobre isso no fnal do texto.
O ateísmo prático tem crescido muito nas igrejas desde então,
basta negar um dos atributos de Deus que você automaticamente
se encaixa de alguma forma ao pensamento ateísta. Um crente
que não crê na onisciência de Deus, por exemplo, irá negar que a
salvação não se perde e fazer com que crentes passem a vida toda
vigiando seus pecados para não serem condenados ao inferno,
essa atitude nega que Deus já conhecia o crente antes de o
chamar e faz com que Deus “descubra” coisas novas sobre a sua
própria criação.

Passarei agora para uma pequena seleção de comentários de


Charles Hadon Spurgeon acerca do verso mais complexo do
texto, leiamos um pouco do que ele escreveu sobre o verso 16.
Estes textos foram retirados da obra fornecida pela CPAD, porém
tive um pequeno trabalho de traduzir do site em inglês para
verifcar se haviam de alguma forma mudado o texto no processo
de tradução(não houve):

"Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro
todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram
formadas, quando nem ainda uma delas havia." Um arquiteto
desenha seus projetos e detalha suas especifcações; da mesma
maneira o grande Criador da nossa estrutura escreveu todos os
nossos membros no livro dos seus propósitos. O fato de que
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tenhamos os olhos, e ouvidos, e mãos e pés, tudo se deve ao sábio


e piedoso propósito do céu: assim foi ordenado no decreto
secreto pelo qual todas as coisas são como são. Os propósitos de
Deus dizem respeito aos nossos membros e às nossas faculdades.
A sua forma e tudo que a respeito deles foi indicado por Deus,
muito tempo antes que existissem. Deus nos viu quando não
podíamos ser vistos, e escreveu sobre nós quando não havia nada
a escrever sobre nós. Quando não existia nenhum dos nossos
membros, todos estes membros estavam diante dos olhos de
Deus, no livro da sua presciência e predestinação.”

Esta primeira aplicação do Salmo é muito parecida com o que


sempre soubemos a respeito dele. Spurgeon aqui amplia esse
conhecimento e ensina que não apenas nosso corpo como
também nosso intelecto, ou seja, quem você é com todas as suas
características físicas e mentais foram desenhadas por Deus, até
mesmo aquelas que precisam ser mudadas foram escritas, ou
planejadas por Deus. É importante lembrar que Deus não precisa
de um caderno para escrever sobre nós, isto é apenas uma forma
de linguagem que se refere a uma coisa defnida que não pode
ser mudada a não ser que o dono permita, um livro é assim,
depois de escrito ele não pode mais ser alterado, todas as
informações estão como que seladas dentro deste conhecimento
divino, ou dentro daquilo que Deus planejou para cada um de
nós.

“O grande Senhor conhece quem pertence a Cristo; os seus olhos


percebem os membros escolhidos que se tornarão um só com a
pessoa viva do Cristo místico – O Senhor conhece aqueles que
são seus; Ele tem um conhecimento especialmente familiar dos
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membros do corpo de Cristo; ele vê a sua substância, por mais


imperfeita que seja”

Eis a segunda aplicação para o verso 16 e ainda mais


surpreendente. Agora Spurgeon olha para os membros do corpo
como os membros da igreja de Cristo completa e se apoia em
textos do Novo Testamento para ensinar que Deus conhece cada
“membro” do seu corpo, aqui ele se refere aos eleitos de Deus,
aqueles que foram chamados para a salvação e pertencem desde
a eternidade a vida eterna. Talvez o texto que tenha usado seja o
de João 15.16: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi
a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto
permaneça; a fm de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao
Pai ele vo-lo conceda.” ou quem sabe estaria ele se referindo ao
texto em João 10.14: "Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas
ovelhas, e das minhas sou conhecido."

Independente de qual tenha sido sua inspiração no Novo


Testamento, Charles Hadon Spurgeon estava se referindo ao
corpo de eleitos e isso faz todo sentido quando estudamos a
palavra de Deus e nos dá uma infnita esperança naquele que nos
chamou das trevas para sua maravilhosa luz. A Deus daremos
glória e louvor para sempre, amém.

O mistério do verso 16 – extra

Durante a pesquisa a respeito dos comentários de Spurgeon


sobre o verso 16 me deparei com o texto citado no livro da
editora CPAD do verso 19 e com alguma curiosidade resolvi
pesquisar, uma vez que já havia lido e relido o texto usando a
versão Almeida Revista e Atualizada estranhei muito quando li
Spurgeon e o Salmo 139 | blog. Palavras em Chamas

uma versão completamente diferente. Para compreender como


foi esta mudança preciso apresentar a você quatro versões das
mais conhecidas traduções do mesmo texto, serão elas ARA,
NAA, NVI e NVT.

ARA: “Tomara, ó Deus, desses cabo do perverso; apartai-vos,


pois, de mim, homens de sangue.”
NAA: “Como eu gostaria, ó Deus, que acabasses com os
perversos;”
NVI: “Quem dera matasses os ímpios, ó Deus! Afastem-se de mim
os assassinos!”
NVT: “Ó Deus, quem dera destruísses os perversos; afastem-se de
mim, assassinos!”

Inúmeros debates são tratados em relação às 4 traduções citadas


acima, porém, todas elas são idênticas, variando um pouco as
palavras, mas no geral são a mesma coisa. Não apenas essas
traduções, comparei ainda com as: Jerusalém, Peregrino
(católicas), Judaica completa, A Mensagem e no desespero até
mesmo a versão usada pelos Testemunhas de Jeová e a Almeida
século 21. Nenhuma delas apresentou mudança relativa ao que
os textos e comentários de Spurgeon mostrou, foi então que
tentei pesquisar usando a versão em inglês da King James
Version e obtive o resultado abaixo:

“Surely thou wilt slay the wicked, O God: depart from me


therefore, ye bloody men”. Que rapidamente traduzi para:
“Certamente matará os ímpios, ó Deus: afasta-te de mim, pois,
homens sangrentos”. Ou seja, os mesmos resultados
apresentados pelo pastor Spurgeon na época em que escreveu
seu comentário.
Spurgeon e o Salmo 139 | blog. Palavras em Chamas

Apenas três versões traduzidas para o nosso idioma estão iguais,


que deduzidamente seria a mais próxima do original levando em
conta não apenas o verso 19 como também os 20,21 e 22; são elas,
as mais similares e compatíveis com o resultado apresentado
acima:
ARC 1995: “Ó Deus, Tu matarás, decerto, o ímpio! Apartai-vos,
portanto, de mim, homens de sangue”
ACF: “Ó Deus, tu matarás decerto o ímpio; apartai-vos portanto
de mim, homens de sangue”
King James Fiel: “Certamente, tu matarás o perverso, ó Deus;
apartai-vos portanto de mim, vós homens sanguinários”

Mais tarde foi possível conseguir graças a colaboração do meu


irmão Túlio, do grupo Palavras em Chamas uma versão antiga da
bíblia sagrada em português. Edição Revista e Reformada de
1929, pela Trinitarian Bibli,e Society contendo o seguinte texto:
“O Deus, tu matarás de certo o impio apartae-vos pois de mim,
homens de sangue” (digitado conforme texto original)

Por algum motivo as novas versões estão com o sentido do texto


alterado e não são simples mudanças, elas vão muito além de
algumas palavras mudadas, vamos pensar mais sobre as
diferenças:

Versões novas: O salmista deseja que Deus destrua o ímpio. Aqui


o texto se torna muito pessoal, é como se Davi desejasse isso aos
inimigos dele, porém, essa versão não combina muito com o
restante do texto quando mostra que Davi não se afigiria com
aqueles que falam mal de Deus e ainda quando diz que ele teria
Spurgeon e o Salmo 139 | blog. Palavras em Chamas

ódio perfeito, uma vez que o mesmo declara em outro salmo ter
nascido em pecado.
Versões mais antigas: O texto toma um rumo profético, aqui
percebemos que vai além de uma pessoa falando, ele parece se
referir ao próprio Cristo afrmando a condenação daqueles que
vão contra a vontade de Deus e/ou agem como se Ele não
existisse. Sendo Jesus poderíamos aceitar o termo “ódio perfeito”
uma vez que ele veio ao mundo e foi elevado ao céu sem pecado
algum.

Portanto, fca claro que, pelo menos em um texto os novos


tradutores não apenas mudaram o texto, mas desviaram o
verdadeiro sentido de grande parte de um texto, não apenas um
trecho qualquer, mas um trecho importante para este Salmo.
Mudando este verso nós temos um desvio da mensagem de que o
ímpio será castigado quando Jesus voltar, e quem sabe quantos
textos assim com mensagens importantes estão sendo aos
poucos mudadas enquanto lemos as nossas bíblias? esses
problemas me lembram o perigo de uma teologia de salvação
universal que aos poucos apontam para uma nova e distorcida
teologia para os nossos dias.

Enfm, o que Spurgeon comenta sobre o Salmo 139119


Eis o resultado:
“Não pode haver dúvida nesta mente, pois tu viste as suas
transgressões, que, na realidade, foram feitas na tua presença; e
tu toleraste o sufciente as suas provocações, que foram tão
abertamente manifestas diante de ti. Os crimes cometidos diante
da face do Juiz provavelmente não fcarão impunes. Se os olhos
de Deus se angustiam com a presença do mal, é apenas natural
esperar que Ele remova o objeto da ofensa. Deus, que vê todo o
Spurgeon e o Salmo 139 | blog. Palavras em Chamas

mal, irá matar todo o mal. Com os soberanos terrenos, o mal


pode fcar impune, por falta de provas, ou a lei pode deixar de ser
executada por falta de vigor por parte do juiz; mas isto não pode
acontecer no caso de Deus, do Deus vivo… se há alguma coisa
que é certa, é que Ele livrará a criação dos seus adversários”.

Que tenhamos mais cuidado ao aprender a palavra de Deus, sem


negar tudo o que o próprio Deus quis revelar e aceitar a sua boa e
perfeita vontade como flhos que amam o Pai e tudo o que ele
mesmo quis fazer, amém.

Devair S. Eduardo

Versões bíblicas usadas na exposição do texto: NAA (Nova


Almeida Atualizada); NVT (Nova Versão Transformadora); ACF
(Almeida Corrigida Fiel).

Para mais estudos:


http://palavrasemchamas.blogspot.com