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Microgeração de energia solar fotovoltaica em uma planta

Luiz Claudio Ferraro 1 e Juliana Miyoshi 2

1 Engenheiro Eletricista, luizcferraro@gmail.com, 2 Mestre em Engenharia Elétrica, Professora do UNISAL, juliana.miyoshi@sj.unisal.br

Resumo – Atualmente a geração de energia elétrica por meio do método fotovoltaico tem sido cada vez mais bem

vista em todos os meios e setores, por ser uma energia renovável e disponível em todo o mundo. Este artigo tem como objetivo desenvolver um projeto de microgeração

de energia solar fotovoltaica em uma planta e executar

a montagem de um protótipo para análise do

comportamento do sistema em diversas condições, comprovando sua eficácia. Foi considerado um sistema conectado à rede com o objetivo de suprir o consumo anual. Para isso a energia gerada em excesso é exportada para a concessionária, acumulando créditos

utilizados nos períodos de baixa geração. Esse sistema

é constituído por módulos fotovoltaicos, micro

inversores e quadro elétrico. Foram considerados dados de meteorologia, localização geográfica, edificações e área livre na estrutura, estudando as necessidades técnicas para a aplicação do sistema e

seus benefícios para o proprietário.

Palavras-chave: Fotovoltaico, energia solar, energia renovável, microgeração.

Abstract – Currently the generation of electric energy through the photovoltaic method has been increasingly well seen in all media and sectors, being a renewable energy and available worldwide. This article aims to develop a photovoltaic solar energy microgeneration project in a plant and execute the assembly of a prototype to analyze the behavior of the system under varios conditions, proving its effectiveness. It was considered a system connected to the network in order to supply the annual consumption. For this, the energy generated in excess is exported to the concessionaire,

accumulating credits used in periods of low generation. This system consists of photovoltaic modules, micro- inverters and electric panel. Data on meteorology, geographic location, buildings and free area in the structure were considered, studying the technical needs

for the application of the system and its benefits to the

owner.

Keywords: Photovoltaic, solar energy, renewable energy, microgeneration.

I.

INTRODUÇÃO

No campo da engenharia, o tema energia elétrica proveniente de fontes renováveis tem sido destaque nos dias atuais. A demanda de energia elétrica para consumo residencial e desenvolvimento dos países tem sido cada

vez maior, fazendo com que a sociedade deixe de olhar apenas para os métodos tradicionais de geração, e passe a considerar gerações mais limpas, utilizando cada vez mais as energias renováveis. Energias renováveis são fontes de energia que apresentam reposição na natureza bem mais rápidas que

sua utilização energética, tais como: hidrelétrica, eólica, solar, entre outras [1].

A fonte de geração de energia elétrica mais utilizada

no Brasil é a hidrelétrica. Seu princípio de funcionamento consiste em represar a água em um reservatório, acumulando energia potencial. Esta escoa por um duto, convertendo a energia potencial em cinética, e gira uma turbina que está acoplada a um gerador, transformando a energia cinética em energia elétrica. Um dos maiores problemas das hidrelétricas é

que elas dependem de grandes obras e de um longo período de implantação, além de causar uma grande perda ambiental com a inundação de vastas áreas [2].

A energia eólica, também conhecida como energia do

vento, é utilizada há muito tempo pelo homem para acionar mecanismos e para transporte. Hoje é muito utilizada para geração de eletricidade onde turbinas

eólicas acopladas a geradores são impulsionadas pelos ventos. Esta energia é de fonte inesgotável e de suma importância em locais com ventos constantes.

A Terra recebe anualmente uma quantidade de energia

solar suficiente para suprir milhares de vezes as necessidades mundiais [3]. Uma das utilizações da energia solar é como fonte de calor para aquecimento. Nestes sistemas o calor é captado por coletores solares que são instalados em telhados. Nestes coletores, a água circula através de tubos onde se aquece e então, é armazenada em um reservatório. Economiza-se recursos como gás e energia elétrica, e a água é aquecida de forma limpa, simples e eficiente para o uso. A energia em forma de calor também pode ser utilizada para geração de energia

elétrica. Nas usinas solares térmicas o calor é captado e concentrado para aquecer um fluído, este é transportado até a central de geração onde é utilizado para produzir vapor e acionar uma turbina acoplada a um gerador. Além disso, a energia solar pode ser utilizada para gerar energia pelo método fotovoltaico. Neste método, a luz solar é convertida diretamente em energia elétrica, ou seja, a luz solar gera corrente elétrica, que é processada por controladores e conversores. Esta corrente pode ser armazenada em baterias ou utilizada instantaneamente.

A implantação de geração de energia solar fotovoltaica

vem crescendo muito nos últimos anos. O Gráfico 1

mostra o número de conexões de micro e minigeração no Brasil, sendo que 99% dessas conexões são de geração solar fotovoltaica (Nota Técnica n° 0056/2017- SRD/ANEEL) [4]. Com isso, o custo de implantação está se tornando mais acessível, o que a torna um bom investimento tanto para pessoa física quanto para empresas.

Gráfico 1– Conexões de micro e minigeração no Brasil

Gráfico 1– Conexões de micro e minigeração no Brasil Fonte: Adaptado de [4] Sendo assim, o

Fonte: Adaptado de [4]

Sendo assim, o objetivo deste artigo é o desenvolvimento de um projeto de microgeração de energia solar fotovoltaica para uma residência com consumo médio anual de 3,1MWh. Foi realizada a montagem de um protótipo para análise do comportamento do sistema em diversas condições e comprovação da sua eficácia. Para tanto foram utilizados dados de meteorologia, localização geográfica, vegetação, edificações ao redor e área livre na estrutura, estudando assim, quais as necessidades técnicas para a aplicação da energia solar fotovoltaica nesta planta e quais os seus benefícios para o proprietário.

II. REFERENCIAL TEÓRICO

A. Tipos de sistema fotovoltaico

É possível identificar três tipos principais de sistemas fotovoltaicos. São eles: autônomos, híbridos e conectados à rede. Os sistemas autônomos ou off-grid, são sistemas de geração de energia elétrica em locais que não apresentam fornecimento da mesma ou em aplicações especiais que tornam seu uso viável, como zonas rurais, iluminação pública, sistemas de telecomunicação, sinalização de estradas e bombeamento de água. Sistemas híbridos são sistemas que unem mais de uma tecnologia para geração de energia elétrica, como por exemplo um sistema com a junção de geração solar e eólica. Sistemas conectados à rede ou grid-tie são sistemas de geração que funcionam em paralelo a rede existente. Tem como objetivo gerar energia para consumo local, não necessitando de armazenamento pois seu excedente

é injetado diretamente na rede. O foco deste artigo é voltado para os sistemas conectados à rede.

B. Normas da Aneel

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), autarquia em regime especial vinculada ao Ministério de Minas e Energia, foi criada para regular o setor elétrico brasileiro, por meio da Lei nº 9.427/1996 e do Decreto nº 2.335/1997 (ANEEL, A ANEEL). Suas principais atribuições são regular e fiscalizar a geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica. Para os sistemas de micro e minigeração foram criadas as resoluções normativas n°482, de 17 de abril de 2012 e n° 687, de 24 de novembro de 2015 [5,6]. De acordo com essas resoluções, para fontes renováveis de energia elétrica define-se como microgeração distribuída a central geradora de energia elétrica com potência instalada menor ou igual a 75kW e minigeração distribuída á com potência instalada superior a 75kW e menor ou igual a 5MW. Sistemas de microgeração de energia são geralmente instalados nos telhados de residências, pequenas empresas, prédios, entre outros. Estes sistemas são modulares, desta forma, dependendo do projeto, pode- se acrescentar mais conjuntos de módulos ou inversores em um eventual aumento de demanda. Sendo assim, a ANEEL classifica este projeto como microgeração distribuída. No Brasil, as distribuidoras locais possuem suas próprias normas, baseadas nas da ANEEL. A região de Campinas – SP está sob a concessão da CPFL Energia, que adota a GED 15303, definindo os requisitos técnicos mínimos necessários para o ligamento de sistemas de geração de eletricidade de consumidores conectados às redes de média e baixa tensão. Na Tabela 1, retirada da GED 15303, é possível observar um resumo das funcionalidades mínimas de proteção requeridas na conexão das centrais microgeradoras.

Tabela 1 – Funcionalidades de proteção mínima

PROTEÇÃO

Potência Instalada < 75kW

Sub e Sobretensão Sub e Sobrefrequência Desequilíbrio de corrente Desbalanço de tensão Sobrecorrente direcional Sobrecorrente c/ restrição de tensão Sincronismo Anti-ilhamento

Obrigatório

Obrigatório

-

-

-

-

Obrigatório

Obrigatório

Fonte: Adaptado de [7]

C. Sistema de Compensação de Energia Elétrica

É um sistema implementado pelas resoluções normativas n°482 e n° 687 [5,6], que estabelece que a energia ativa produzida com microgeração distribuída pela unidade consumidora será cedida à distribuidora local, como empréstimo gratuito, para que depois seja

transformada em crédito a ser consumido em um prazo de 60 meses.

É importante ressaltar que a energia ativa produzida

pela unidade consumidora, só é injetada no sistema de

distribuição quando a potência ativa gerada for maior que a potência ativa consumida.

D. Módulo fotovoltaico

O módulo fotovoltaico, também chamado de painel

solar ou placa PV, é um conjunto de células fotovoltaicas geralmente associadas em série e montadas em uma estrutura mecânica resistente a intempéries conforme Figura 1.

Figura 1 – Exemplo de um módulo fotovoltaico

Figura 1. Figura 1 – Exemplo de um módulo fotovoltaico Fonte: Adaptado de [6] Existem três

Fonte: Adaptado de [6]

Existem três tecnologias predominantes para a construção do módulo fotovoltaico: silício

monocristalino, silício policristalino e filmes finos.

O funcionamento das células fotovoltaicas baseia-se

na conversão direta da energia solar em energia elétrica,

por meio de um dispositivo semicondutor, como o silício. O dispositivo semicondutor quando ligado a elementos químicos como o Boro e o Fosforo, forma o que se chama de junção PN. Nessa junção é possível observar que os elétrons em excesso da camada N preenchem as lacunas da camada P, formando uma barreira de potencial, mantendo-os em equilíbrio. A camada superior de material N de uma célula fotovoltaica é tão fina que a luz pode penetrar nesse material e descarregar sua energia sobre os elétrons, fazendo com que eles tenham energia suficiente para vencer a barreira de potencial e movimentar-se da camada N para a camada P, gerando assim, uma corrente através da junção. A explicação anterior define o Efeito Fotovoltaico, como representado na Figura 2.

Figura 2 – Junção PN recebendo a energia da luz

2. Figura 2 – Junção PN recebendo a energia da luz Fonte: Adaptada de [3] E.

Fonte: Adaptada de [3]

E. Inversor Grid Tie

O inversor CC-CA é o componente do sistema responsável pela conversão da corrente contínua, gerada nos módulos, em corrente alternada. Conectado à rede, atua como uma fonte de corrente no sistema, não tendo

a capacidade de fornecer tensão. Desta forma, o inversor apenas funciona quando ligado em paralelo a uma rede elétrica. Na ocorrência de alguma falha no fornecimento de energia, o inversor desarma sua ligação com a rede evitando assim algum dano a equipamentos ligados neste sistema, e garantindo a segurança de pessoas em caso de manutenção. Em sua construção possui um sistema de controle apurado para garantir que a corrente nos terminais de

saída tenha um formato senoidal e seja sincronizada com

a rede. Todos os inversores homologados apresentam

uma tecnologia chamada MPPT (Maximum Power Point Tracking), ou seja, Rastreamento do Ponto de Máxima Potência. Isto significa que são capazes de se adaptar as mudanças de temperatura e irradiação solar, maximizando a produção de energia. O Gráfico 2 representa as curvas de corrente, tensão e potência de um módulo fotovoltaico.

Gráfico 2 – Corrente, tensão e potência de um módulo fotovoltaico

– Corrente, tensão e potência de um módulo fotovoltaico Fonte: Adaptado de [9] Para a utilização

Fonte: Adaptado de [9]

Para a utilização em sistemas fotovoltaicos conectados à rede existem dois tipos principais de inversor, o inversor grid tie e o micro inversor grid tie. A principal diferença entre eles é que o inversor é dimensionado para um conjunto de painéis, sendo que em geral emprega-se apenas um para cada instalação, como ilustrado na Figura 3. O micro inversor, por sua vez, tem o objetivo de atender no máximo dois painéis e, por este motivo, é necessário mais de uma unidade para um projeto de microgeração, como representado na Figura 4. Apesar das diferenças de aplicação no sistema, ambos têm como princípio de funcionamento realizar a conversão de corrente continua em corrente alternada.

Figura 3 – Exemplo de aplicação utilizando inversor grid tie

3 – Exemplo de aplicação utilizando inversor grid tie Fonte: Adaptado de [10] FERRARO, L.C.; MIYOSHI,

Fonte: Adaptado de [10]

Figura 4 – Exemplo de aplicação utilizando micro inversor grid tie

Exemplo de aplicação utilizando micro inversor grid tie Fonte: Adaptado de [10] F. Estruturas de Fixação

Fonte: Adaptado de [10]

F. Estruturas de Fixação

Para a fixação dos painéis fotovoltaicos no telhado são utilizados suportes galvanizados, específicos para cada tipo de telha. Nestes suportes, são fixados perfis galvanizados e grampos, para sustentação e travamento

dos painéis. Estas estruturas, ilustradas na Figura 5, são importantes por manterem os painéis fixos e evitar que

se movam com a ação do tempo.

Figura 5 – Estruturas de fixação: suporte, perfil e grampo

5 – Estruturas de fixação: suporte, perfil e grampo Fonte: Adaptado de [9] G. Medidor de

Fonte: Adaptado de [9]

G. Medidor de energia

perfil e grampo Fonte: Adaptado de [9] G. Medidor de energia O medidor de energia é

O medidor de energia é um dispositivo capaz de medir

a energia ativa que flui sobre ele. É instalado na entrada

de todas as instalações elétricas, com o objetivo de medir

a energia consumida no local, em kWh, seguindo o

padrão de cobrança da distribuidora. No mercado, é possível encontrar medidores de energia nos modelos digital e analógico. Para a instalação de um sistema de microgeração conectado à rede é necessário que o medidor de energia

seja bidirecional, ou seja, este medidor é capaz de medir

a quantidade de energia que foi consumida da rede

elétrica, e a quantidade que foi fornecida pelo sistema.

O custo da troca do sistema de medição em unidades

consumidoras com microgeração distribuída fica a cargo

da CPFL [5].

H. Quadro Geral de Baixa Tensão

O quadro geral de baixa tensão (QGBT) é responsável

pela conexão do inversor com a rede elétrica. Os dispositivos utilizados para montagem do quadro e seu dimensionamento são semelhantes aos utilizados em

instalações de baixa tensão. Neste quadro também é feita

a conexão do aterramento entre o circuito fotovoltaico e

a rede elétrica.

I. Software PVsyst

É uma ferramenta de desenvolvimento e simulação de projetos de sistemas fotovoltaicos. Utiliza dados de localização geográfica, meteorologia, ângulo azimute,

irradiação solar e componentes do sistema para simular

a geração de energia ao longo do ano.

III. MATERIAIS E MÉTODOS

Para o desenvolvimento deste sistema de microgeração de energia solar fotovoltaica foi montado um protótipo com equipamentos disponíveis no mercado homologados pelo INMETRO. Foram utilizados os módulos fotovoltaicos da empresa Globo Brasil no protótipo e no projeto, pois sua localização é em Valinhos, facilitando o acesso aos seus produtos e baixo custo de frete.

A. Recursos do protótipo

O módulo fotovoltaico utilizado foi de silício policristalino de 60 células, da marca Globo Brasil, modelo GBR265p, tamanho 1640 x 990 x 40mm, potência 265Wp e eficiência energética de 16,40%, como representado na Figura 6. A escolha deste módulo deve-se ao fato de que, de acordo com o fabricante, entre os módulos de 60 células este é o que apresenta melhor eficiência. Outro fator que limitou a escolha foi a diferença de valor e a dificuldade de transporte para os testes do módulo fotovoltaico de 72 células.

Figura 6 – Painel Solar Modelo GBR265p

de 72 células. Figura 6 – Painel Solar Modelo GBR265p Fonte: Acervo do autor Optou-se pelo

Fonte: Acervo do autor

Optou-se pelo uso de micro inversor, devido ao fato do protótipo ser composto de um modulo fotovoltaico. Foi escolhido o micro inversor da marca Hoymiles, modelo MI-250, potência máxima de 310W, com eficiência de 96%, tensão nominal 220Vac e MPPT range 27~48V, representado na Figura 7. Este modelo foi selecionado

por sua compatibilidade com este painel solar e por ser

o de menor custo na data da compra, 11 de setembro de

2017.

Figura 7 – Micro Inversor Hoymiles MI-250

Figura 7 – Micro Inversor Hoymiles MI-250 Fonte: Acervo do autor Para melhor acompanhamento da geração

Fonte: Acervo do autor

Para melhor acompanhamento da geração e coleta de dados, foi instalado um medidor de tensão, corrente, potência instantânea e energia ativa. A tensão de operação desse medidor é de 90~250V e a corrente é de

0~100A.

Também foi utilizada uma caixa de distribuição em PVC de sobrepor, um disjuntor Steck bipolar de 10A, padrão DIN e um par de DPS, de 15kA/275V, padrão DIN.

B. Método do Protótipo

A construção do protótipo foi iniciada através da criação do esquema elétrico, que está representado na Figura 8. O esquema elétrico do quadro de distribuição foi feito pensando na segurança do sistema e implementação do medidor.

Figura 8 – Esquema elétrico do protótipo

do medidor. Figura 8 – Esquema elétrico do protótipo Fonte: Acervo do autor Com o esquema

Fonte: Acervo do autor

Com o esquema elétrico em mãos, foram adquiridos os componentes e iniciada a montagem do QGBT, representado na Figura 9, composto pela caixa de distribuição, disjuntor, medidor, dois DPS, dois prensa cabo de 1/2”, plugue macho 2P+T 10A e cabo flexível PP 3x1,5mm.

Figura 9 – Quadro geral de distribuição montado

3x1,5mm. Figura 9 – Quadro geral de distribuição montado Fonte: Acervo do autor A partir disso,

Fonte: Acervo do autor

A partir disso, foi realizada a conexão do painel solar ao micro inversor, este conectado ao QGBT, sendo todo

o sistema conectado a uma tomada 220V, ilustrado na Figura 10.

Figura 10 – Ilustração do protótipo montado

Figura 10. Figura 10 – Ilustração do protótipo montado Fonte: Acervo do autor Depois da montagem

Fonte: Acervo do autor

Depois da montagem do protótipo, realizou-se a verificação do seu funcionamento, através de testes

simples. O modulo fotovoltaico foi posicionado no chão, voltado para o norte, com inclinação de 18°, como demonstrado na Figura 11, simulando aproximadamente

o posicionamento da instalação no telhado.

Figura 11 – Protótipo montado ligado na energia e exposto ao sol.

– Protótipo montado ligado na energia e exposto ao sol. Fonte: Acervo do autor No Teste

Fonte: Acervo do autor

No Teste de verificação 1, foi realizado a aplicação de materiais como folhas ou papelão em diferentes posições para analisar o efeito da sombra na geração de energia. No Teste de verificação 2, realizou-se o desligamento repentino do sistema para verificação da proteção Anti-ilhamento do inversor. Após os testes preliminares, o modulo fotovoltaico foi desconectado do sistema para a realização de algumas medições feitas diretamente no mesmo. Assim, no Teste de verificação 3, foi colocado um multímetro nos terminais de saída com o módulo ainda exposto ao sol, na mesma posição relatada anteriormente, como representado na Figura 12.

Figura 12 – Teste de verificação 3

na Figura 12. Figura 12 – Teste de verificação 3 Fonte: Acervo do autor FERRARO, L.C.;

Fonte: Acervo do autor

O teste seguinte, Teste de Potência, teve como objetivo

coletar os dados de geração de energia ao longo do dia

em duas localidades diferentes.

A primeira parte do teste foi realizada na cidade de

Paulínia - SP, no endereço Rua dos Imigrantes, 886 – Parque da Figueira. Realizado no dia 19 de setembro de 2017, a previsão do tempo as 09h00 era de 25°C e dia ensolarado como mostra a Figura 13.

Figura 13 – Previsão do tempo para Paulínia – SP no dia 19 de setembro de 2017.

tempo para Paulínia – SP no dia 19 de setembro de 2017. Fonte: Adaptado de [11]

Fonte: Adaptado de [11]

O modulo fotovoltaico foi posicionado em local sem

incidência de sombra, com a face voltada para o norte e inclinação em relação ao solo de 22°, reproduzindo a inclinação do telhado na planta de Valinhos – SP, representado na Figura 14. O QGBT foi posicionado na

sombra em conjunto a um relógio, como demonstrado na Figura 15.

Figura 14 –Modulo fotovoltaico e micro inversor posicionados em Paulínia – SP

e micro inversor posicionados em Paulínia – SP Fonte: Acervo do autor Figura 15 – QGBT

Fonte: Acervo do autor

Figura 15 – QGBT e relógio com medidor de temperatura digital durante os testes

com medidor de temperatura digital durante os testes Fonte: Acervo do autor O teste foi realizado

Fonte: Acervo do autor

O teste foi realizado no período das 09h00 às 15h30 (GMT-3), por ser o horário disponibilizado pelo estabelecimento, onde foram anotados os valores apresentados no medidor a cada trinta minutos. A segunda etapa do Teste de Potência, foi realizada na cidade Valinhos – SP, no endereço Rua Barão do Rio Branco, 133 – Vila Independência. No dia 25 de setembro de 2017, a previsão do tempo as 09h00 era de 21°C e dia ensolarado como mostra a Figura 16.

Figura 16 – Previsão do tempo para Valinhos – SP no dia 25 de setembro de 2017

do tempo para Valinhos – SP no dia 25 de setembro de 2017 Fonte: Adaptado de

Fonte: Adaptado de [11]

O teste foi realizado no período das 05h30 às 18h30 (GMT-3), onde foram anotados os valores apresentados no medidor a cada trinta minutos. Neste caso, foi feita a instalação do módulo fotovoltaico no telhado de forma definitiva, como representado na Figura 17. Desta forma, todos os testes citados a seguir utilizaram este posicionamento. Primeiramente, foram instaladas as estruturas de fixação no telhado da residência. Em seguida, foi realizada a fixação do micro inversor e do modulo fotovoltaico nessas estruturas, finalizando com o posicionamento do QGBT na sombra, em conjunto a um relógio, demonstrado na Figura 18.

Figura 17 – Fixação do modulo fotovoltaico na estrutura

Figura 17 – Fixação do modulo fotovoltaico na estrutura Fonte: Acervo do autor Figura 18 –

Fonte: Acervo do autor

Figura 18 – QGBT posicionado no local definitivo

do autor Figura 18 – QGBT posicionado no local definitivo Fonte: Acervo do autor FERRARO, L.C.;

Fonte: Acervo do autor

Com o protótipo fixado, foi feita a terceira etapa do teste. No dia 25 de outubro de 2017, a previsão do tempo as 09h00 era de 24°C e dia ensolarado como mostra a Figura 19.

Figura 19 – Previsão do tempo para Valinhos – SP no dia 25 de outubro de 2017

do tempo para Valinhos – SP no dia 25 de outubro de 2017 Fonte: Adaptado de

Fonte: Adaptado de [11].

O período analisado foi das 06h00 ás 19h30, que nesta

data encontrava-se no horário de verão (GMT-2). Para a análise dos dados das três etapas em conjunto, todos os horários foram considerados em GMT-3. O Teste de Energia teve como objetivo registrar a geração diária do protótipo instalado, para assim reunir dados mais detalhados para avaliação e analise do projeto de microgeração utilizando energia solar fotovoltaica nessa planta. O teste foi executado no período de 25 de setembro de 2017 à 25 de outubro de

2017.

C. Recursos e Métodos do Projeto

Primeiramente, foi realizado um levantamento do perfil de consumo de energia anual da residência (Ca), para realizar uma triagem inicial do projeto, garantindo se o mesmo se encaixa na categoria de micro ou de minigeração de energia, e assim traçar a melhor abordagem para o cliente e para o projeto em si. O levantamento foi feito através da análise da conta de energia da CPFL, que mostra o histórico do consumo mensal dos últimos 12 meses. A somatória deste histórico nos leva ao consumo anual. Ainda na análise da conta de energia da CPFL, foi possível observar a classificação da casa entre monofásico, bifásico ou trifásico, o que é um ponto importante na escolha do micro inversor, pois sua tensão de saída e número de fases deve ser compatível com a classificação. A ANEEL define um valor de consumo mínimo diferente para cada uma dessas classificações, o que será levado em conta nos cálculos do projeto. Existe mais de uma maneira para fazer o cálculo do projeto de sistemas fotovoltaicos, isso varia conforme as informações disponíveis para o projetista. Um dos métodos que pode ser utilizado é o método da insolação, que afirma que a energia produzida pelo módulo fotovoltaico pode ser calculada através da Equação 1

[3].

= × ×

(1)

onde:

é a geração diária de uma placa PV (kWh) é Global Horizontal Irradiance (kWh/m²/dia) é a área da superfície da placa PV (m²) é a eficiência do painel solar (%)

Esta equação foi utilizada como a base do raciocínio para os cálculos, dando origem às equações utilizadas no projeto. No site Swera (Solar and Wind Energy Resource Assessment), que reúne informações, de forma gratuita, de energia solar e eólica, obtidas por organizações internacionais como o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), foram coletados os dados de Global Horizontal Irradiance (GHI) mensais e anual para o endereço da planta escolhida para o projeto. Esses dados, junto aos valores de eficiência da placa PV e eficiência do micro inversor foram utilizados para calcular a área mínima necessária no telhado para a instalação do projeto, comprovando a possibilidade da construção do mesmo para essa planta, através da Equação 2.

=

× 365 × ηp × ηi

(2)

onde:

é a área mínima necessária no telhado (m²) é o consumo de energia anual da residência (kWh) ηi é a eficiência do inversor (%)

Depois, com a definição de setores no telhado baseados em seu formato arquitetônico, conforme ilustrado na Figura 20, realizou-se uma pesquisa de disponibilidade de área, analisando quais setores comportam a quantidade necessária de módulos fotovoltaicos.

Figura 20 – Setores do telhado e Azimute de cada lado

Figura 20 – Setores do telhado e Azimute de cada lado Fonte: Acervo do autor O

Fonte: Acervo do autor

O ângulo Azimute foi encontrado através da utilização de uma bússola digital, que foi posicionada na mesma direção do telhado da casa, como é possível observar na Figura 21.

Figura 21 – Bússola utilizada para medir o Azimute

Figura 21 – Bússola utilizada para medir o Azimute Fonte: Acervo do autor Para calcular o

Fonte: Acervo do autor

Para calcular o ângulo de inclinação do telhado, foram feitas as medidas de duas arestas, com o auxílio de uma trena, conforme ilustrado na Figura 22.

Figura 22 – Ângulo do telhado

ilustrado na Figura 22. Figura 22 – Ângulo do telhado Fonte: Acervo do autor Com a

Fonte: Acervo do autor

Com a localização geográfica, ângulo Azimute e inclinação do telhado inseridos no Software PVsyst, foi determinado o melhor setor de posicionamento dos módulos fotovoltaicos. Possibilitando também a análise da eficiência em relação ao posicionamento ideal, ou Eficiência por Azimute e inclinação. Foram aplicadas as dimensões da casa e prédios vizinhos no Software SketchUp, tendo como objetivo encontrar o local ideal no setor selecionado através da simulação de sombreamento ao longo do ano, demonstrado na Figura 23.

Figura 23 – Imagem aérea da simulação de sombreamento no Software SketchUp

aérea da simulação de sombreamento no Software SketchUp Fonte: Acervo do autor Para essa simulação também

Fonte: Acervo do autor

Para essa simulação também foi considerada a vegetação ao redor da casa, como ilustrado na Figura 24.

Figura 24 – Simulação de sombreamento no Software SketchUp, destaque para vegetação

sombreamento no Software SketchUp, destaque para vegetação Fonte: Acervo do autor Inicialmente, o foco estava voltado

Fonte: Acervo do autor

Inicialmente, o foco estava voltado para encontrar o valor de geração diária de uma placa em cada mês neste local. Para isso foi utilizada a Equação 3:

= × × × ×

(3)

onde é a eficiência por Azimute e inclinação (%)

Quando feito este cálculo, foi observado uma diferença entre a geração diária real, encontrada através do protótipo, e a calculada. Essa diferença acontece devido à dificuldade em calcular as perdas do sistema. Assim, a diferença foi quantificada para calcular a geração diária com maior precisão, chegando ao fator de correção. Foram então realizados os cálculos a seguir para todos os painéis da Globo Brasil a fim de definir o melhor custo para o projeto. A Equação 4 busca encontrar a geração diária corrigida.

=

× × × × ×

(4)

onde:

é a geração diária corrigida (kWh)

é o fator de correção (%)

O valor encontrado de geração diária corrigida foi

multiplicado pela quantidade de dias de cada mês para obter a geração anual de cada módulo. Tento em vista que agora obteve-se o valor de geração anual de cada módulo e o valor de consumo anual da residência, é possível chegar a quantidade de módulos necessárias, através da Equação (5):

=

(5)

onde:

é a quantidade de módulos é a geração anual de cada módulo (kWh)

A quantidade de módulos pode resultar em números

decimais, neste caso, é feito um arredondamento para o próximo número inteiro, caso contrário a geração anual pode ser comprometida.

Com isto, foi possível calcular a potência do sistema, conforme a Equação (6).

= ×

(6)

onde:

é a potência do sistema (W) é a potência do modulo fotovoltaico (W)

Depois, para determinar a corrente máxima é utilizado

o valor da tensão de saída do inversor, conforme a Equação (7). Deste modo é possível dimensionar os cabos e disjuntor necessários para o projeto.

=

(7)

onde:

é a corrente máxima (A) V é a tensão de saída do inversor (V)

Após isto, foi feita uma simulação da geração anual do sistema e de valores de projeto. A geração anual do sistema foi baseada na Equação (8), já a análise de valores do projeto foi feita com o valor dos principais componentes do sistema.

= ×

(8)

onde:

Gs é a geração anual do sistema (kWh)

Com esses cálculos em mãos foi decidido qual modelo

de modulo fotovoltaico oferece o melhor custo benefício

para o cliente.

O item seguinte a ser escolhido é o inversor grid-tie.

Neste projeto optou-se pelo uso do micro inversor por

apresentar vantagens como: o efeito do sombreamento

não afeta o sistema inteiro; em caso de queima ou defeito em um micro inversor, não se perde a geração total; a proximidade do modulo torna desnecessário a montagem do circuito em corrente contínua e altas tensões, favorecendo a segurança do sistema; e a facilidade de expansão, sem precisar interferir no sistema já instalado. Tendo todos os componentes definidos, foi possível montar o esquema elétrico do projeto. Depois foi calculado o valor economizado por ano através de uma projeção do consumo versus geração mensal. Desta forma, foi possível calcular em quanto tempo o valor economizado se iguala ao valor investido na implementação do sistema, resultando no tempo de payback.

O último passo do projeto foi analisar o período de

garantia dos principais itens do sistema, seu tempo de

vida útil, e assim, estimar o tempo necessário para a verificação do funcionamento.

IV. RESULTADOS E DISCUSSÕES

A construção do projeto de microgeração de energia

solar fotovoltaica foi baseada na união dos resultados recolhidos com o protótipo e das informações adquiridas através da pesquisa feita para este artigo. Conforme citado anteriormente, primeiro foram realizados testes para a comprovação do funcionamento do sistema. No Teste de verificação 1, notou-se que qualquer sombra sobre o módulo fotovoltaico, independentemente da quantidade de células afetadas, causa grande perturbação na geração de energia elétrica. No entanto, mesmo com sombra, o sistema ainda apresenta geração. No Teste de verificação 2 foi observado que assim que

a referência da rede é retirada, o micro inversor sessa a geração imediatamente. E que ao receber referência da rede, o micro inversor demora 40 segundos para começar a injetar corrente na rede, tendo seu aumento de forma gradativa.

Já no Teste de verificação 3 mediu-se 30,5Vdc nos

terminais de saída do painel, confirmando o funcionamento do módulo fotovoltaico. Após isto, foram iniciados os testes específicos. O Teste de Potência mostrou que a geração de energia fotovoltaica sofre variação constante durante o dia, pois sua potência instantânea está diretamente ligada ao posicionamento do sol e condições climáticas.

Nos momentos em que houve nuvens encobrindo o sol, foi possível observar irregularidades em ambas as localizações, um exemplo claro pode ser visto no Gráfico 3, na curva de Valinhos 25/09 ás 08h30. Outro ponto observado na curva de Valinhos 25/09, foi que ás 15h30 a sombra do prédio vizinho começou a cobrir o módulo, o que não ocorre na curva de Valinhos 25/10 devido a mudança no posicionamento do sol.

Gráfico 3 – Geração de energia ao longo do dia 220,0 240,0 200,0 180,0 140,0
Gráfico 3 – Geração de energia ao longo do dia
220,0 240,0 200,0 180,0
140,0 160,0 120,0 100,0 80,0
60,0 40,0 20,0 0,0
Valinhos 25/10 (W)
Valinhos 25/09 (W)
Paulínia 19/09 (W)
05:00
06:00
07:00
08:00
09:00
10:00
11:00
12:00
13:00
14:00
15:00
16:00
17:00
18:00

Fonte: Acervo do autor

Durante o teste foi observado que a curva de potência instantânea tem o formato de uma parábola. Este formato é sempre o mesmo, apesar do seu deslocamento nos horários e variação da largura da curva ao longo do ano. Durante o teste, em Valinhos 25/09 foi possível observar que o período das 08h00 ás 15h30 representou

94% da geração neste dia e em Valinhos 25/10 este período representou 89% da geração.
94% da geração neste dia e em Valinhos 25/10 este
período representou 89% da geração.
Um ponto em comum encontrado entre todas as etapas
foi que a diferença do valor de potência máxima não
superou 5%. Os valores encontrados foram 213W em
Paulínia 19/09, 216,6W em Valinhos 25/09 e 223,3W
em Valinhos 25/10. Mesmo com a distância de 26Km
entre as localidades e a diferença de dias entre os testes,
foi comprovada a eficácia e funcionamento do sistema
apesar de pequenas variações.
No Teste de Energia observou-se que a melhor
condição de geração é em dias de céu aberto e vento
constante, onde foram registrados picos de geração de
1,8kWh/dia. Em dias nublados a geração sofreu perda
significativa de aproximadamente 52%, já nos dias
chuvosos a perda foi de aproximadamente 75%. O
Gráfico 4 representa a geração diária no período de 25
de setembro a 25 de outubro de 2017.
Com os dados recolhidos foi calculada a média de
geração diária dos meses de setembro e outubro, como
demonstrado na Tabela 2.
Com os dados recolhidos do protótipo analisados,
iniciou-se o desenvolvimento do projeto.
Como dito anteriormente, o primeiro passo foi definir
a geração necessária anual. Para isto foram coletados os
dados de consumo de energia elétrica da residência dos
últimos doze meses, representados na Tabela 4.
Tabela 4 – Histórico de consumo de energia da residência
Mês / Ano
Consumo (kWh)
out-16
249
nov-16
239
dez-16
245
jan-17
231
fev-17
240
mar-17
242
abr-17
230
mai-17
279
jun-17
288
jul-17
330
ago-17
264
set-17
276
Fonte: Acervo do autor
Tabela 2 – Média de geração diária
Mês
Gmedido (kWh)
Setembro
1,206
Outubro
1,209
Fonte: Acervo do autor
Outro dado relevante é que a conta de energia de outubro
teve a medição realizada no dia 09 de outubro. Até
então, o protótipo havia totalizado 15 dias instalado e
um total de 16,2kWh gerado. Este e outros fatores de
consumo resultaram no valor de conta de energia mais
baixo no período estudado. A Tabela 3 representa a
comparação entre outubro de 2016 e outubro de 2017.
Totalizando um consumo anual de 3113kWh, o que se
encaixa nos padrões de microgeração solar fotovoltaica.
Conforme a conta da CPFL sua classificação é como B1
Residencial – Bifásico 220/127V, o que define o
consumo mínimo obrigatório de 50kWh/mês. Foi
escolhido então para o projeto o micro inversor de 220V.
No site Swera foram obtidos os seguintes dados de
GHI, demonstrados na Tabela 5.
Tabela 5 – Swera GHI INPE
Mês / Ano
GHI INPE (kWh/m²/dia)
out-16
6,87
nov-16
6,23
dez-16
5,32
jan-17
5,21
fev-17
4,46
mar-17
3,19
Tabela 3 – Consumo em outubro
abr-17
4,19
Mês / Ano
Consumo (kWh)
mai-17
4,66
Outubro - 16
Outubro - 17
249
jun-17
5,56
217
jul-17
6,74
Fonte: Acervo do autor
ago-17
6,57
set-17
5,91
Fonte: Acervo do autor
Gráfico 4 – Geração diária
2000
1500
1000
500
0
Ensolarado (Wh)
Nublado (Wh)
Chuvoso (Wh)
25/09/2017
26/09/2017
27/09/2017
28/09/2017
29/09/2017
30/09/2017
01/10/2017
02/10/2017
03/10/2017
04/10/2017
05/10/2017
06/10/2017
07/10/2017
08/10/2017
09/10/2017
10/10/2017
11/10/2017
12/10/2017
13/10/2017
14/10/2017
15/10/2017
16/10/2017
17/10/2017
18/10/2017
19/10/2017
20/10/2017
21/10/2017
22/10/2017
23/10/2017
24/10/2017
25/10/2017

Fonte: Acervo do autor

Com o valor de GHI anual, foi calculado que a área mínima necessária no telhado é de 10,20m². Assim, foi possível excluir os setores A2, A3, A5, A6 e A7 por não possuírem espaço suficiente. Pelo PVsyst foi possível analisar que a inclinação do telhado de 22° está na faixa ideal para esta localidade, e o ângulo Azimute deveria ser o mais próximo de 0° Norte possível, como observado na Figura 25.

Figura 25 – Simulação de inclinação 22° e Azimute 0° no Software PVsyst

de inclinação 22° e Azimute 0° no Software PVsyst Fonte: Acervo do autor É possível notar

Fonte: Acervo do autor

É possível notar que o setor A1 está mais próximo do Norte que o A4, contudo ambos foram simulados no PVsyst para comparação da perda por Azimute e inclinação. O setor A1 apresentou perda de 3,4% e o setor A4 perda de 15,3%, como observamos na Figura 26 e na Figura 27. Por este fator foi definido o setor A1 para a instalação do projeto.

Figura 26 – Simulação de inclinação 22° e Azimute 58° no Software PVsyst

de inclinação 22° e Azimute 58° no Software PVsyst Fonte: Acervo do autor Figura 27 –

Fonte: Acervo do autor

Figura 27 – Simulação de inclinação 22° e Azimute -122° no Software PVsyst

de inclinação 22° e Azimute -122° no Software PVsyst Fonte: Acervo do autor Como a sombra

Fonte: Acervo do autor

Como a sombra é um fator de grande influência na

geração fotovoltaica, o setor A1 foi dividido em parte D

e E, conforme na Figura 28, para o estudo do sombreamento.

Figura 28 – Setor A1 dividido

o estudo do sombreamento. Figura 28 – Setor A1 dividido Fonte: Acervo do autor No SketchUp

Fonte: Acervo do autor

No SketchUp foi realizada uma simulação de sombreamento em todos os meses do ano, em três horários diferentes, 08h00, 12h00 e 15h30, definidos com base nos dados recolhidos no protótipo. As 12h00 não foi encontrada sombra significativa em nenhuma região do setor A1. A Figura 29 mostra a simulação de sombreamento no mês de agosto ás 08h00, onde a sombra

de uma arvore cobre totalmente a região D.

Figura 29 – Simulação de sombreamento no Software SketchUp

29 – Simulação de sombreamento no Software SketchUp Fonte: Acervo do autor FERRARO, L.C.; MIYOSHI, J.

Fonte: Acervo do autor

Para a análise, foi adotado: 0 = Sem sombra, 5 = Sombra parcial, 10 = Sombra total, conforme a Tabela 6.

Tabela 6 – Resultados da simulação de sombreamento

Mês

D - 08h00

E - 08h00

D-15h30

E-15h30

jan

5

0

0

0

fev

5

0

0

0

mar

5

0

0

0

abr

5

0

0

0

mai

10

0

0

5

jun

10

0

0

0

jul

10

0

0

0

ago

10

0

0

0

set

10

0

0

5

out

5

0

0

0

nov

5

0

0

0

dez

5

0

0

0

Fonte: Acervo do autor

Com base nestes dados foi definida a região E para a instalação do sistema. Iniciou-se o dimensionamento do sistema calculando a geração diária de um módulo, resultando na Tabela 7.

Tabela 7 – Geração diária de um módulo ao longo dos meses

Mês

Gd (kWh)

Janeiro

1,70

Fevereiro

1,55

Março

1,32

Abril

1,29

Maio

1,11

Junho

0,79

Julho

1,04

Agosto

1,16

Setembro

1,38

Outubro

1,67

Novembro

1,63

Dezembro

1,47

Fonte: Acervo do autor

A Tabela 8 representa o cálculo da diferença entre a geração diária calculada e a real, chegando ao fator de correção.

Tabela 8 – Diferença entre a geração diária calculada e a real

Mês

Gd (kWh)

Gmedido (kWh)

Fc (%)

Setembro

1,38

1,206

87%

Outubro

1,67

1,209

72%

Fonte: Acervo do autor

Com isto, temos que o valor calculado tem uma média de 20% de diferença em relação ao valor real. Assim, foi possível calcular a geração diária corrigida e a geração anual para todos os módulos fotovoltaicos, como demonstrado na Tabela 9.

Tabela 9 – Geração anual para cada módulo

Painel PV

Ga (kWh)

GBR250p

366,81

GBR255p

374,19

GBR260p

382,54

GBR265p

390,88

GBR305p

444,93

GBR310p

453,43

Fonte: Acervo do autor

Na Tabela 10 está representado para cada modelo, a quantidade de módulos, a potência e a corrente máxima do sistema.

Tabela 10 – Quantidade x potência x corrente máxima

Mês

Quantidade

Potência (W)

Corrente (A)

GBR250p

9

2250

10,23

GBR255p

9

2295

10,43

GBR260p

9

2340

10,64

GBR265p

8

2120

9,64

GBR305p

7

2135

9,70

GBR310p

7

2170

9,86

Fonte: Acervo do autor

Assim, foi definida a utilização de disjuntor de 15A

bipolar e cabos de 2,5mm², possibilitando expansões futuras. Após isto, foi feita uma comparação de valores de projeto e geração anual para cada modelo de módulo fotovoltaico. Optou-se pela utilização de dois modelos de micro inversor, sendo ambos basicamente iguais, com a principal diferença de que o modelo MI-500 comporta dois módulos simultâneos e o modelo MI-250 comporta um módulo. Portanto, a análise de valores do projeto levou em consideração que utilizar um MI-500 tem menor custo do que dois MI-250. Toda análise de custos presentes neste artigo foi baseada nos valores disponíveis no mercado em outubro de 2017. Incluiu-se, o valor dos módulos disponíveis na empresa Globo Brasil, as estruturas de fixação, o disjuntor e os cabos, representados na Tabela 11.

Tabela 11 – Custo e geração do sistema para cada modelo

Modelo

Custo Total

Gs (kWh)

GBR250p

R$11.111,26

3301,25

GBR255p

R$11.225,56

3367,75

GBR260p

R$11.339,86

3442,82

GBR265p

R$10.059,02

3127,02

GBR305p

R$9.670,15

3114,48

GBR310p

R$9.759,05

3173,99

Fonte: Acervo do autor

Com estes cálculos, foi decidido utilizar o sistema com painéis modelo GBP310p, demonstrado na Tabela 12, por oferecer o melhor custo benefício para o cliente.

Tabela 12 – Componentes do sistema

Item

Quantidade

Valor

Total

GBR310p

7

R$787,45

R$5.512,15

MI-500

3

R$965,00

R$2.895,00

MI-250

1

R$594,00

R$594,00

Grampo

8

R$8,00

R$128,00

Barra 4,2m

4

R$72,00

R$288,00

Suporte Telha

14

R$20,00

R$280,00

Disjuntor 15ª

1

R$31,90

R$31,90

Cabo 2,5mm

60

R$0,50

R$30,00

Total

 

R$9.759,05

Fonte: Acervo do autor

Na Figura 30, é possível observar o esquema elétrico do projeto.

Figura 30 – Esquema elétrico do projeto

Figura 30 – Esquema elétrico do projeto Fonte: Acervo do autor O Gráfico 5 representa a

Fonte: Acervo do autor

O Gráfico 5 representa a relação entre geração e consumo ao longo do ano, onde é possível observar a importância do sistema de compensação de créditos, pois sem ele o sistema precisaria ser superdimensionado para compensar os meses onde o consumo excede a geração.

Gráfico 5 – Geração x consumo

400 350 300 250 200 150 100 50 0 Consumo (kWh) Geração (kWh) Janeiro Fevereiro
400
350
300
250
200
150
100
50
0
Consumo (kWh)
Geração (kWh)
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro

Fonte: Acervo do autor

Devido ao comportamento de geração e consumo ao longo do ano, o sistema leva cerca de doze meses para se equilibrar de modo que a conta de energia elétrica se mantenha no consumo mínimo, como é possível analisar no Gráfico 6.

Gráfico 6 – Crédito acumulado mensal nos anos 1 e 2 450 350 250 150
Gráfico 6 – Crédito acumulado mensal nos anos 1 e 2
450
350
250
150
50
-50
-150
Ano 1 (kWh)
Ano 2 (kWh)

Fonte: Acervo do autor

Na Tabela 13, é possível visualizar o tempo de payback do projeto considerando os valores de energia em outubro de 2017. Sendo a instalação do sistema em janeiro, a conta ficará sempre no valor mínimo de R$25,00 (este valor pode sofrer variações dependendo da localidade, bandeiras tarifárias e inflação), exceto no mês de julho do primeiro ano, onde a conta de energia será de 111,97kWh. Deste modo, o cliente tem seu retorno de investimento em aproximadamente 5,5 anos.

Tabela 13 – Tempo de payback do sistema

Mês

Gd (kWh)

Economizado

Ano 1

R$1.715,42

R$ 1.715,42

Ano 2

R$1.750,42

R$ 3.465,84

Ano 3

R$1.750,42

R$ 5.216,26

Ano 4

R$1.750,42

R$ 6.966,68

Ano 5

R$1.750,42

R$ 8.717,10

Ano 5 R$1.750,42 R$ 8.717,10

Ano 6

R$1.750,42

R$ 10.467,52

Fonte: Acervo do autor

O módulo fotovoltaico tem garantia pelo fabricante de

25 anos contra degradação maior que 20% da potência

nominal, porém estima-se vida útil de 30 a 40 anos. Já o

micro inversor possui garantia de 12 anos, podendo

chegar à vida útil de 25 anos. Sendo assim, recomenda- se uma verificação do funcionamento do sistema a cada

10 anos da instalação.

Com base nos testes do protótipo, foi observado que o sistema fotovoltaico é simples e funcional. Sendo assim, não é necessário suprir o consumo anual da planta no projeto inicial. É possível fazer um baixo investimento, que resultará na redução da conta de energia, e ao longo

do tempo realizar a ampliação do sistema. Diante dos resultados obtidos, foi constatado que um projeto de geração de energia solar fotovoltaica não é universal, ele depende de fatores específicos de cada planta, como localização, arquitetura, clima da região, histórico de consumo e sombreamento.

O projeto deve ser elaborado detalhadamente, levando

também em consideração as possíveis perdas do sistema,

o tempo necessário para estabilização e o melhor horário

de geração, pois quanto melhor a otimização do projeto, menor será o custo do mesmo e o tempo de retorno do

investimento.

V.

CONCLUSÕES

Conclui-se que, como a demanda de energia elétrica

do país é um fator que tende a aumentar constantemente,

a adesão a micro e minigeração distribuída, pode evitar a necessidade de construção de novas usinas, o que traz benefícios ao meio ambiente, além de reduzir as perdas de transmissão, por apresentar a geração próxima da carga.

A energia solar está à disposição de todos e ainda é

pouco explorada. Com a tecnologia atual e aumento do interesse da população, a relação geração de energia versus custo, viabiliza a exploração deste recurso. Isto

pode ser observado através da análise de payback em relação ao tempo de vida útil estimado em 25 anos. Em caso de instalação inicial de um sistema semelhante ao do protótipo apresentado, o tempo de payback é de 7,5 anos. Já no caso do sistema projetado, o retorno é em 5,5 anos, demonstrando que, quanto maior o sistema, mais rápido é o payback. Com base neste artigo, foi possível destacar a importância do estudo de posicionamento dos módulos fotovoltaicos no telhado. Para isso a análise do sombreamento e do ângulo Azimute foram os principais fatores a serem considerados. Sendo assim, a vida útil do sistema, o retorno financeiro em pouco tempo, a contribuição ao meio ambiente e principalmente, a diminuição de um gasto fixo, são os benefícios de geração de energia solar fotovoltaica, tanto para pessoa física quanto para empresas.

REFERÊNCIAS

[1] REIS, L. B.; SILVEIRA, S. Energia Elétrica para o Desenvolvimento Sustentável. 2. ed., São Paulo:

Universidade de São Paulo, 2001. [2] TOLMASQUIM, M. T. Geração de Energia Elétrica o Brasil. Rio de Janeiro: Interciência, 2005. [3] VILLALVA, M. G. Energia Solar Fotovoltaica:

Conceitose Aplicações. 2. ed., São Paulo: Érica,

2015.

[4] AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA.

Disponível em:

<http://www.aneel.gov.br/a-aneel>. Acesso em: 12

de out. de 2017. [5] AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA. RESOLUÇÃO NORMATIVA Nº 482, de 17 de abril de 2012.

A ANEEL.

[6] AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA. RESOLUÇÃO NORMATIVA Nº 687, de 24 de nov. de 2015. [7] COMPANHIA PAULISTA DE FORÇA E LUZ. GED 15303, 2016. [8] SOL CENTRAL ENERGIAS ALTERNATIVA.

Produtos, Curitibanos, SC. Disponível em:

<http://www.solcentral.com.br/wp-

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Acesso em 03 de abril de 2017.

[9]

GLOBO

BRASIL.

Produtos,

Valinhos,

SP.

Disponível em: <http://www.paineisglobobrasil.com.br>. Acesso em: 11 de out. de 2017.

[10] PORAL SOLAR. Micro Inversor Solar Grid Tie. Disponível em:

<https://www.portalsolar.com.br/micro-inversor-

solar-grid-tie.html>. Acesso em: 06 de out. de 2017. [11] The Weather channel. Dissponível em:

https://weather.com/. Acesso em 25 de out. de 2017.