Você está na página 1de 55

André Milton Páoliliò e* Miriap .

j^ej^

.^ É;inêgável a importância dos transportes, nas viagens


nç turismo, A çontmua evolução do; segmento verti
;pos|i8iljtando viajar parâ/lugares câdalvéz misiff
í «distantes é em rheriof espaço de; tempo,, ò quê
estimula o turismo é contribuí,d|fdsivàjm^|e para
; ''ò'sjçu desenvolvimento.

^ésta obfalcbncísa e abrángéh\é, o leítb/^iM)nrtà'rã


um instigaste,estudo dos transportes sob,a ótica do
l- turismo/JJm texto tíaro e objetivo; que destaca-as
f\ vantagens efdesvantafgenjsfde içá,da modalidade de
V:; transporte, seus cu^òvIÓTrfiàs de integraçãò e
.^i/intêidep^dên
" ^;é âirtdà:urrtâ feveládorá-anàlise da realidade brasileira.

S(mjj>les ^ efí
informações atualizadas qliá Íèyátá,‘ó lêitpr-àó^halL
de entrada" do, amplo, diversificado etordplexo
mundo dós transportes turísticos. ■„,

379.85
P211t
2006
TRANSPO RTES

A n d ré M ilto n Paolillo
M iria n R ejow ski

3a Edição Revista e A tualizada

Wm EDITORA
A ^ ÍS to b jE C A
C u rso d e T u rism o
_________ UFOP
♦ Coleção ABC do TUrismo

Passeios e trechos ferroviários..................... 49


Sistema funicular da Santos-Jundiaí.......... 55
Trem M arum bi............................................... 56
Trem Pantaneiro............................................ 57
Trem de P ra ta ................................................ 58
Análise da realidade.............................................. 60 INTRODUÇÃO
4 Modal rodoviário no Brasil .................................. 65
Considerações gerais............................................ 65
Oferta de equipamentos, produtos e serviços.... 69
Principais transportadoras regulares........... 69 ,4k
Transportadoras e operadoras turísticas..... 73 ✓
clara a relação entre turismo e transportes. Qualquer
Locadoras de veículo.....................................
Estradas turísticas.........................................
Análise da realidade.............................................
78
80
83
E viajante, seja ele turista ou não, utiliza um ou mais
meios de transporte no decorrer da sua viagem.
Sendo um dos componentes essenciais das viagens e do
5 Modal aéreo no turismo brasileiro...................... 85 turismo, o transporte é responsável pelo deslocamento de
Considerações gerais............................................. 85 viajantes dos núcleos emissores para os receptores e vice-
Oferta de equipamentos, produtos e serviços.... 88 versa, bem como pelo deslocamento dentro destes últimos.
Aviação nacional e regional......................... 88 Representam, assim, a acessibilidade, ou seja, tomam os
Táxis aéreo s................................................... 93 destinos turísticos e suas respectivas atrações acessíveis ao
Empresas charter ............................................ 96 viajante. Ao mesmo tempo, exercem um papel facilitador,
Programas oficiais e de milhagem............... 98 sendo condição fundamental para o desenvolvimento de
Análise da realidade.............................................. 101 qualquer destino turístico.
A origem do transporte é somente uma suposição. Pare­
Considerações f in a is ...................................................... 103 ce ter surgido a partir da necessidade humana de facilitar
B ibliografia ..................................................................... 107 seu trabalho físico, sobretudo no transporte de cargas, pro­
gredindo para a locomoção de seres humanos com o passar
Sobre os au to res ............................................................. 111 do tempo.
A evolução do turismo deu-se paralelamente à dos trans­
portes, possibilitando viagens para lugares cada vez mais
distantes e em menos tempo. Fica claro, assim, que as con-
8 ♦ Coleção ABC do Turismo

quistas na quantidade e na qualidade dos transportes esti­ Tabela 1 Relação entre história dos transportes e históna
mularam o turismo, aquecendo a demanda e contribuindo
Período Marcos da história Marcos da história \
também para o seu desenvolvimento (Tabela 1).
dos transportes do turismo \
Também se desenvolveram novas modalidades de trans­
portes, como é o caso dos vôos charter (vôos fretados) para Meados do Desenvolvimento Origem do turismo
atender às necessidades do mercado turístico. século XIX do transporte organizado
ao mício do ferroviário Surgimento das agências
Este pequeno livro pretende despertar o interesse do de viagem
século XX
leitor pelo estudo e pela análise dos transportes sob a ótica Turismo marítimo
do turismo, a partir de um texto simples que destaca os transcontinental
seus fundamentos e provoca a discussão da realidade bra­
Antes e depois da Desenvolvimento Desenvolvimento dos
sileira, discorrendo inicialmente sobre seus elementos, prin­ Primeira do transporte cruzeiros marítimos
cípios de interação, custos, características dos modais, e Guerra Mundial marítimo Turismo de Luxo
oferta e demanda. Em seguida, cada um dos modais de
Após a Segunda Desenvolvimento Desenvolvimento do
transporte é enfocado em um capítulo específico, a partir Guerra Mundial do transporte aéreo turismo internacional
de considerações gerais, oferta de serviços e equipamen­ até 1973 Contribuição ao desenvolvi­
tos, e análise da realidade brasileira. mento do turismo massivo
Sem concorrer com livros mais específicos sobre um de­ Desenvolvimento Desenvolvimento do turismo
term inado modal ou outros também de caráter geral, regis­ do transporte massivo organizado
tra um conjunto de informações que levará o leitor ao “hall rodoviário Desenvolvimento do
de entrada” do grande, diverso e complexo mundo dos trans­ turismo doméstico
portes turísticos. Um esforço a mais para sistematizar e re­ A partir Recuperação e Consolidação do
gistrar informações sobre fatos relevantes dos transportes de 1973 modernização dos turismo massivo rodoviário,
no turismo, particularmente no contexto brasileiro. transportes/ ferroviário e aéreo
Intermodalidade Retomada do desenvol­
dos meios de vimento dos cruzeiros
transporte/ marítimos
Informatização e Desenvolvimento do
desenvolvimento turismo aéreo de longa
tecnológico dos distância
meios de transporte Integração e uso de vários
meios de transporte nas
viagens turísticas
& * •+ ,
x

1. SISTEMA
TRANSPORTE TURÍSTICO

CONCEITUAÇÃO E TIPOLOGIA
ob a ótica da teoria dos sistemas, o transporte se insere
S configurando um subsistema ou um sistema em si pró­
prio. Nesse sentido, no decorrer deste texto, entende-se que
I
o sistema de transporte turístico é a estrutura composta por
j serviços e equipamentos de um ou mais meios de transportes,
necessários ao deslocamento dos turistas e viajantes em geral
entre núcleos emissores e receptores e dentro dos mesmos.
(Paolillo, 2001c: 12)

Esses serviços e equipamentos estão agrupados, essen­


cialmente, em quatro modais: rodoviário, ferroviário, aé­
reo e hidroviário, como apresentado na Tabela 2. Dois desses
modais são terrestres: o ferroviário e o rodoviário, sendo
discutível a inserção dos teleféricos dentro do espectro do
transporte ferroviário, pois operam acima da superfície ter­
restre como bondes suspensos.
Normalmente o sistema de transporte é dividido em três
elementos físicos: a via, o terminal e o veículo (ou unidade
12 ♦ Coleção ABC do Tkrismo

vy
de transporte). Deve-se ainda acrescentar a estes um quar­ em termos de mobilidade, como o automóvel, o òtúW fU
to elemento: a força m otriz. embarcações e as aeronaves, ao passo que outros não, co m o
o trem, que é restrito pela própria configuração de sua via.
Tabela 2 Tipologia dos transportes A propulsão ou força m otriz começou com a tração animal
(carruagens, diligências) e a força do vento (embarcações a
Modal Equipamento vela), passando, mais tarde, para o emprego de outras fontes
Marítimo Navios e outras embarcações (balsas, hidrofoils ..<) de energia como a da máquina a vapor e, posteriormente, a
Fluvial dos motores de combustão interna até os propulsores a jato. E
Lacustre a propulsão que define a velocidade do veículo, influenciada
Ferroviário Itens, automotrizes e outras composições ainda pelas características específicas <5avia e do veículo.
(bondes, teleféricos...) Todos esses componentes integram-se e encontram-se infi­
Rodoviário Ônibus, automóveis e outros veículos mamente relacionados, estabelecendo uma dependência ope­
(motocicleta, bicicleta...) racional entre eles. Assim, como qualquer outro sistema, para
poder ser eficiente, é preciso combinar todas as características
Aéreo Aviões e outras aeronaves (helicópteros, balões...)
de acordo com a necessidade do turista. Por exemplo, o uso
de um carro com tração 4x4 em terrenos irregulares é muito
A via pode ser artificial, como as rodovias e as ferrovias, mais conveniente do que o uso de um automóvel de passeio.
ou natural, como o curso das águas e do ar. O seu custo é
influenciado pela inffa-estrutura empregada, ou seja, pelo PRIN CÍPIO S DE INTERAÇÃO E CUSTOS
tipo de construção, pela mão-de-obra especializada, pelos
materiais técnicos, pelo sistema de sinalização de tráfego, etc. PRINCÍPIOS DE INTERAÇÃO
O terminal é literalmente o princípio e o fim de uma
viagem. Pode ser também o local de baldeação, conexão ou Considerando o transporte como elemento de ligação en­
transbordo de um a outro meio de transporte ou veículo. tre duas áreas, inteirando a oferta à demanda e vice-versa,
Todo terminal possui uma inffa-estrutura mínima (salão Ulman (apud Boniface e Cooper, 1987) dta três fatores princi­
de estar, sanitários, lanchonetes, restaurantes, posto de in­ pais de interação espacial e, portanto, de desenvolvimento do
formações, lojas diversas, etc.). Sua estrutura de atendi­ transporte: a complementaridade, a concorrência entre des­
mento e sofisticação estará diretamente relacionada ao tipo tinos e a habilidade de transferência ou atrito de distância.
de transporte e de passageiros atendidos. A complementaridade, sob o ponto de vista turístico, é a
. A unidade de transporte ou veículo vai exigir uma via interação entre o núcleo emissor e o receptor sendo que,
específica para sua operação. Alguns veículos são versáteis no primeiro, há o desejo de viajar, e no segundo, a possibi-
w

14 ♦ Coleção ABC do TUrismo Transportes ♦ 15

lidade de satisfazer esse desejo. Essa complementaridade Embora sua tipologia varie conforme o critério considera­
entre a oferta e a dem anda exige um sistema de transporte. do, em geral são divididos em social ou privado.
Um exemplo é o fluxo de turistas oriundos da Região Su­ Os custos sociais referem-se aos custos que são pagos
deste que se destinam aos resorts nos Estados da Região direta ou indiretamente pela sociedade, como poluição, ruí­
Nordeste brasileira, principalmente no verão. dos, manutenção, etc., e variam conforme o meio de trans­
A concorrência entre destinos realiza-se onde os tipos de porte utilizado. A esse respeito, os dados apresentados na
oferta competem entre si em face da distância, do grau de Tabela 3 mostram que tais custos na Europa são mais acen­
atrativos, dos custos, etc. Gomo exemplo, Marbella e Ilhas tuados no transporte rodoviário, obviamente relacionado ao
Canárias concorrem entre si. Neste caso, a primeira, por aumento do tráfego de automóveis, ônibus e caminhões.
ser mais perto para um turista alemão, pode atuar como
Tabela 3 Custos sociais em relação às modalidades de transporte
um a oportunidade interveniente, tom ando possível a inte­
ração entre Berlim e Marbella. Custos sociais Aéreo Ferroviário Hidroviário Rodoviário Total
Já o terceiro fator - habilidade de transferência ou atrito (%) (%) (%) (%) (%)
de distância - refere-se aos custos em termos de tempo e Poluição do Ar 2 4 3 91 100
dinheiro, para vencer a distância entre dois lugares. Nesse Poluição 26 10 0 64 100
sentido, Boniface e Cooper (1987: 30) salientam que Sonora
Utilização 1 7 1 91 100
se os custos de tem po e dinheiro para alcançar uma da Terra
destinação forem altos, então mesmo a complementaridade
perfeita e a falta de oportunidades intervenientes não cria­ Construção e 2 37 5 56 100
Manutenção
rão movimento para atingir o lugar.
Acidentes 1 1 0 98 100
Deve-se, no entanto, lembrar que há turistas com alto Fonte: “Groupe Transport 2000 Plus” (Commission Europeenne) apud Cunha
poder aquisitivo e com grande disponibilidade de tempo, (2001: 329).
para os quais esse fator não é inibidor, mas até estimulador
das suas viagens. Já os custos privados são os custos pagos direta ou indi­
retamente por quem usa ou opera o sistema d%transportes.
Com relação a estes últimos, necessita-se fazer uma distin­
CUSTOS ção entre custos fixos e variáveis:
Com relação aos custos dos transportes, estes são fun­
damentais, pois influenciam a escolha dos meios pelo con­ Custos Fixos - Não variam em proporção ao volume
de tráfego numa rotanoowwarji'^QtiiitugO'^ifl: tenw^de
sumidor e determ inam o volume de tráfego de uma rota.
I C urso de Turism o
UFOP
16 ♦ Coleção ABC do Hirísmo Transportes ♦ 17

controle de aeroporto, que funciona independente- Da composição desses custos e da determinação do pon­
mente do número de aeronaves. to de equilíbrio definem-se os preços das tarifas, que se re­
• Custos Variáveis - Dependem do tipo e da qualidade do lacionam também à sazonalidade, tempo, distância, tipo
serviço oferecido, da distância a ser percorrida e do volu­ de equipamento e serviço, salários da tripulação, etc.
me de tráfego. É o caso dos custos com pessoal, instala­
ções e equipamentos, que podem aumentar com a
elevação do volume de tráfego. Por exemplo, na alta tem­
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DOS MODAIS
porada o volume de tráfego pode crescer sensivelmente, Como já visto, os meios de transporte variam em fun­
gerando a operação de vôos charter, e aumentando, ção da via em que trafegam, do terminal, da capacidade de
conseqúentemente, o número de tripulação em serviço. carga e/ou de passageiros, e da própria tecnologia e siste­
ma de propulsão. Para cada tipo de viagem detennina-se
Pode-se ter ainda uma terceira categoria de custos, os o(s) meio(s) de transporte adequado(s) a ser(em)
semifixos, considerados fixos e/ou variáveis. utilizado (s), em face da sua disponibilidade e das suas ca-
Cada modalidade de transporte possui diferentes com­ racterísticas de realce para o turismo.
posições percentuais de custos fixos e variáveis. As ferrovi­ Além disso, podem ser de natureza pública ou privada, de
as, por exemplo, têm de implantar e manter a via, o mesmo serviço regular ou discricionál (fretamento) e de uso coletivo
ocorrendo com o transporte rodoviário, apesar de, por ve­ ou particular.
zes, receberem subsídios para sua implantação e manuten­
ção (principalmente no segundo caso). VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS MODAIS
Para o operador de transporte, há ainda um interesse
particular: o princípio de custo marginal, como citado por Considerando as principais características de cada modal
Boniface e Cooper (1987). De forma simples, é o custo adi­ de interesse ao turismo, analisam-se as suas vantagens e
cional incorrido ao se carregar um passageiro extra. Para desvantagens nas viagens turísticas. No entanto, dependen­
tanto, o operador determina a quantidade de passageiros do do contexto abordado, haverá influência de certas va­
(load factor) que cobre os custos fixos de uma viagem e os riáveis que podem originar outros pontos fortes e fracos
custos variáveis de cada passageiro transportado. A partir dos mesmos.
disso, define o ponto de equilíbrio (break even point), ou seja, No transporte hidroviário, e espedficamente no marítimo,
o número de passageiros que cobre os custos fixos e, portan­ a principal vantagem é a via sem barreiras, complementada
to, não gera prejuízo nem lucro. Assim, cada passageiro pelo alto grau de conforto, entretenimento, alojamento,
extra, acima desse ponto, incorrerá em um custo marginal, alimentação, etc. Como desvantagens tem-se a sua veloci­
resultando em lucro; a situação oposta resulta em perda. dade, pois é um transporte mais vagaroso quando compa-
18 ♦ Coleção ABC do Turismo
Transportes ♦ 19

rado ao transporte aéreo, e na localização de seus terminais, • Hovercrafts: embarcação pequena que combina téc­
nem sempre próximos aos centros emissores. Daí o desenvolvi­ nicas aerodinâmicas e de propulsão. Tem por base
mento de cruzeiros marítimos em regiões com vários desti­ um colchão de ar acionado por hélices que elevam a
nos turísticos próximos, como o Caribe e o Mediterrâneo. nave na linha da superfície da água e outras hélices
Além dos cruzeiros marítimos, tem-se os cruzeiros e pas­ que a impulsionam. Com isso, alcança velocidades
seios fluviais e lacustres, normalmente com menor grau de de navegação que superam os 110 km/h (59 nós/h)
conforto e entretenimento, e as pequenas travessias porferry (Pérez I Puig, 1995).^,
boats e embarcações mais modernas, incluindo o sistema
roll-on roll-off utilizado por navios que facilitam o embar­ No transporte aéreo as vantagens são a de uma via sem
que e o desembarque de veículos motorizados. E, ainda, as barreiras e a velocidade superior a dos outros modais. Tor-
modernas embarcações como os hidrofoils e hovercrafts, que na-se, assim, adequado para deslocamentos acima de 500
são uma tentativa de combinar as vantagens da navegação quilómetros, viagens sobre terrenos acidentados ou também
aérea e da hidroviária no transporte de superfície. Explici­ pequenas viagens nas quais se justifique. Suas desvantagens
tando melhor esses termos, tem-se os seguintes conceitos:• estão na necessidade de grandes áreas terminais que podem
estar distantes das destinações a que servem, e em ser um
meio de transporte caro quando comparado a outros,
• Ferry boats: embarcação utilizada para travessias ma­
i No transporte rodoviário tem-se as vantagens do auto­
rítimas e fluviais de média e curta distância. Trans­
móvel de uso particular, que permite grande flexibilidade
porta passageiros, veículos e cargas.
de itinerário e permanência no destino - é o deslocamento
• Roll-on roll-off: significa entrada e saída de veículos,
porta a porta. Já os ônibus de turismo, cuja flexibilidade
sem a utilização de guindastes e estivadores, pois o
também existe, embora menor que a do automóvel, pos­
navio possui uma porta que se abre como uma ponte
suem janelas com vidros panorâmicos selados, ar-condicio-
para o embarque e o desembarque de veículos. Esse
nado, sala de estar (para jogos e lazer), comissaria completa
sistema foi introduzido em ferry boats europeus para (minicopa), som, microfone, televisão, sanitário, tudo para
o transporte de veículos e vagões ferroviários, sendo tomar a viagem mais confortável.
atualmente utilizado no Brasil somente para cargas. Essa flexibilidade do transporte rodoviário possibilita
• Hidrofoils: embarcação que combina técnicas aerodi­ ' sua integração a outros modais de transporte, fazendo com
nâmicas e de propulsão. Impulsionada por motores que a viagem ffequentemente comece ou termine com o
a hélices, cujo impulso permite navegar sobre uma rodoviário, também utilizado nos deslocamentos dentro dos
quilha dupla e lançar-se acima da água. É muito rá­ núcleos receptores. Tal combinação com o fato de os veícu­
pida, mas tem uma capacidade reduzida (Pérez I los rodoviários poderem transportar somente um reduzido
Puig, 1995). número de passageiros e ter relativa morosidade, fazem-no
20 ♦ Coleção ABC do Turismo Transportes ♦ 21

particularm ente adequado para pequenas e médias dis­ • Todos os sistemas apresentam características típicas
tâncias. Suas desvantagens são o congestionamento em de picos e “vales” de demanda no mês, na semana,
períodos de pico, na alta estação, e a baixa capacidade de no dia e na hora.
passageiros perante outros modais. • A maioria dos sistemas envolve grande investimento
Ao contrário da rodovia, o leito ferroviário não é com­ em inffa-estrutura, veículos, rotas e sistemas de con­
partilhado por várias composições ao mesmo tempo, mas trole, requerendo marketing eficiente, tanto para jus­
carros extras podem ser adicionados ou retirados de acor­ tificar quanto para obter o retomo do investimento.
do com a demanda. Isto é particularmente importante em • A maioria dos sistemas envolve o movimento de car-
áreas turísticas nas quais carros especiais podem ser pro­ ga, que pode ou não ter prioridade em relação ao
gramados. movimento de passageiros.
No transporte ferroviário as vantagens são a alta capaci­ • A maioria dos sistemas é particularmente envolvida
dade de transporte de passageiros, estações na área central com viagens de lazer.
das cidades, e a possibilidade de se contar com facilidades
especiais sobre o material rodante, como vagões-restauran­ Todos os sistemas interferem no ambiente físico, espe­
tes, vagões-refeições, vagão-dormitório, vagões panorâmi­ cialmente no das comunidades receptoras. O sistema viá­
cos para rotas cênicas, etc. As suas desvantagens estão no rio e de transportes tem grande importância para o
alto custo de instalação e de manutenção da via, e, conse- desenvolvimento socioeconômico de uma região, princi-
qúentemente, na pouca flexibilidade do itinerário. Adequa­ palmente quando visam a promover a expansão e o desenvol­
do para viagens de 200 a 500 quilómetros. vimento do turismo. Nesse sentido, o estudo dos transportes
no planejamento turístico pode ser enfocado sob duas óticas:
ASPECTOS SOBRE A OFERTA E A DEMANDA • O aquecimento da demanda, pressionando a melho­
ria ou expansão dos sistemas de transportes para de­
Sob a ótica da oferta, Middleton (1988) salienta que: terminada destinação ou região;
• A melhoria ou expansão dos sistemas de transportes
• Todos os sistemas de transporte de passageiros en­ para captação ou aumento de fluxos turísticos para
volvem movimentos de veículos mais ou menos con­ determ inada destinação ou região (Rejowski e
trolados e regulados ao longo das redes que fazem a Paolillo, 1999).
ligação entre a origem e o destino.
• A operação de todos esses sistemas envolve contínua Deve-se, ainda, considerar a sustentabilidade dos desti­
preocupação com a utilização da capacidade dispo­ nos turísticos, principalmente a longo prazo, uma vez que
nível, seja de veículos, seja de rotas e terminais. o transporte “funciona”, na verdade, como fator limitativo
22 ♦ Coleção ABC do TUrismo Transportes ♦ 23

ou facilitativo das viagens turísticas. Nesse sentido, o trans­ flexível ou rápido é o adequado e esperado por esse públi­
porte influencia o desenvolvimento de destinações turísti­ co. Assim, a procura de transportes para fins turísticos é de
cas e provoca impactos, principalmente em se tratando do natureza heterogénea, variando de acordo com o tipo de
turismo de massas. turista que será atendido e o objetivo de suas viagens.
Exemplificando, os consumidores que utilizam os pro­
A intensificação do tráfego nas rodovias, ferrovias e aeropor­ gramas de férias destinados a mercados de massa e merca­
tos (provoca) ruídos, poluição do ar, efluentes, danos na ve­ dos populares, embora tendo poucos conhecimentos sobre
getação, desgaste do solo péla construção de terminais, questões relacionadas a transporte, presumem que os ope­
rodovias eferrovias, dentre outros... (Rnschmann, 1997:61)
radores escolherão os itinerários mais económicos e os meios
Passando para o contexto do planejamento das viagens, disponíveis; e esperam que o componente transporte do
são raros os trabalhos sobre o transporte como fator de atra­ custo total da viagem seja o mais económico possível. So­
ção ou como o principal atrativo das viagens turísticas. No mente em casos especiais, por exemplo, viajar no Concor­
primeiro caso, por exemplo, uma estrada cênica, um veícu­ de, serão aceitos custos mais elevados. Também esperam
lo especial para uso turístico e com atendimento personali­ que os embarques, desembarques e tempo de vôo tenham
zado pode aum entar a qualidade e a competitividade do seus horários cumpridos e sejam tranquilos.
produto turístico no mercado. No segundo caso, um navio
de cruzeiro marítimo ou uma composição ferroviária turís­
tica podem tom ar-se os atrativos primários da viagem, fa­
zendo com que a rota e o roteiro gravitem ao seu redor
como atrativos secundários.
Outro tópico a ser abordado refere-se aos padrões de
procura dos transportes nas viagens turísticas. Para Femán-
dez Fuster (1974), as variáveis a serem consideradas na
eleição do meio de transporte referem-se a tempo, preço,
confiabilidade e segurança. Pode-se agregar a essas a facili­
dade, o conforto e a rapidez para determinados tipos de tu­
ristas, como os turistas de negócios, além da preferência do
consumidor.
No entanto, ao se tratar de viagens alternativas, como
as de aventura, tais parâmetros podem ser contestados, pois
nem sempre o transporte mais fácil, confortável, seguro. XOTECA
C urso de Turismo
UFOP
2. MODAL HIDRO VIÁRIO NO
TURISM O BRASILEIRO

CONSIDERAÇÕES GERAIS
urante muitos anos, o transporte marítimo foi privile­
D giado no transporte intercontinental, praticamente até
meados da década de 1960. Atualmente é um dos meios
menos utilizados para o transporte de passageiros de turis­
mo, devido, principalmente, ao desenvolvimento de outros
meios de transporte, como o aéreo (Cunha, 2001: 353).
No entanto, os antigos barcos de passageiros, os vapores
e os transatlânticos foram substituídos pelos grandes navios
de cruzeiros, definindo um dos segmentos de maior cresci­
mento na perspectiva de um produto turístico, e não sim­
plesmente como meio de deslocamento para um destino
turístico. Os cruzeiros marítimos são atualmente considera­
dos um dos segmentos mais rentáveis do turismo. Em 1990
eram 4 milhões de passageiros; em 2000, cerca de 6,9 mi­
lhões de pessoas viajaram em navios ao redor do mundo.
O conceito de cruzeiro passou de hotel flutuante para
resort flutuante e, mais recentemente, fala-se até de condo­
mínio flutuante. Para se ter uma idéia do que este último
26 ♦ Coleção ABC do Turismo Transportes ♦ 27

termo significa no segmento, em 2001 foi lançado como um Basicamente os cruzeiros marítimos necessitam de água
empreendimento imobiliário o navio “World of ResidenSea”, e destinos turísticos atrativos. Daí as áreas “cruzeiráveis”1
primeiro condomínio flutuante do mundo. Com 40 mil tone­ serem determinadas por aspectos como os seguintes:
ladas e custo de construção estimado em 262 milhões de
dólares, oferece 110 luxuosos apartamentos de 131 a 301 • Condições de navegabilidade;
metros quadrados, ao preço de 2 a 6,8 milhões de dólares. • Condições climáticas;
Além dos apartam entos de propriedade particular, que tam­ • Proximidade do mercado consumidor;
bém poderão ser alugados, oferece 88 cabines para turistas [ • Atrativos naturais e/ou artificiais;
e navega o ano inteiro. O roteiro possibilita a seus passa­ • Vários destinos turísticos próximos;
geiros assistirem a grandes eventos, como o Festival de • Boa estrutura e organização do receptivo nos destinos;
Cannes (F rança), o G rande Prém io de Fórmula 1 em • Condições legais e tributárias dos países;
Mónaco, o Carnaval do Rio de Janeiro, a final do America’s • Outros.
Cup na Nova Zelândia, etc. (Casa em alto-mar, 2001: 60).
O termo cruzeiro pode ser entendido como um pacote turís­ Na Tabela 4 apresentam-se as áreas “cruzeiráveis” no
tico que inclui transporte, alojamento, alimentação, recrea­ mundo. As Bahamas são citadas em dois períodos porque
ção, entretenim ento e outros serviços oferecidos a um preço algumas companhias posicionam os seus navios o ano todo
único e conjunto. Seu principal atrativo é a vida a bordo, é nessa região e outras no período de abril a outubro. Quan­
o próprio navio, cujos preços variam em função de diferen­ do um navio termina a sua temporada em uma área, segue
tes tipos de cabines. Assim, o roteiro gravita secundaria- para posicionar-se em outra. Esse movimento gera os cha­
mente ao redor do navio, diferentemente do cruzeiro fluvial, mados cruzeiros de posicionamento comercializados no mer­
no qual o roteiro normalmente é o atrativo principal. cado de viagens. Por exemplo, os navios da Costa Cruzeiros,
Há cruzeiros para os mais diferentes segmentos de pú­ ao terminarem a temporada no Brasil, oferecem um cruzei­
blico: casais com ou sem filhos, singles, gourmets, debu­ ro na rota Brasil/Itália, após o que serão reposicionados na
tantes, esotéricos, estudantes, participantes de eventos, além área do Mediterrâneo.1*
de outros. Alguns cruzeiros são ainda temáticos, isto é, des­
tacam o aspecto musical, fitness, ecológico, científico, his­
tórico, etc.
A partir de meados dos anos de 1990 notou-se também
maior preocupação com a infra-estrutura e a programação 1. Amaral (2001) considera como áreas “cruzeiráveis” no mun­
para as crianças e os adolescentes, além do crescimento do as seguintes: Caribe Americano, Caribe Mexicano, Canal do Pana­
das viagens de incentivo e de ffetamentos para eventos, má, Mediterrâneo, Norte Europeu, Costa Brasileira, Prata, Polinésia,
principalmente empresariais. África e Oriente, Cruzeiros de Volta ao Mundo e outros.
28 ♦ Coleção ABC do TUrismo Transportes ♦ 29

Tabela 4 Áreas “cruzeiráveis” do mundo por período do ano2 discoteca, teatro, piscinas, etc. Não estão incluídos:
cozinhas, quartos da tripulação, sala de comando,
Período do ano Área “cruzeirável” sala de máquina, etc. Uma GRT é igual a 2,83 m3.
Ano todo Bahamas, Caribe, México, Costa Oeste • índice de Espaço (space ratio) - é o espaço, por passa­
dos Estados Unidos, Havaí e Polinésia geiro, obtido pelo seguinte cálculo:
Outubro a Abril Oriente, América do Sul índice de Espaço = GRT (t) + capacidade total de pas­
sageiros (n*)
Junho a Agosto Báltico, Fjordes, Alaska
Abril a Outubro Rio Reno, Rio Danúbio, Ilhas Gregas, Pelos padrões da indústria de navegação, quando esse
Mediterrâneo, Adântico Norte, Canadá, índice flutua entre 27 e 33 toneladas por passageiro consi­
Bahamas dera-se o navio confortável e espaçoso (Strube, 1998:10).
Janeiro a Abril/Maio Volta ao mundo2
• Bandeira de conveniência - registro do navio em um
Janeiro a Outubro Cruzeiros de posicionamento país considerado mundialmente como “paraíso fis­
Fonte: Brito (1996); Paolillo (2001). cal”, onde a tributação é insignificante. A tripulação
do navio - que pode ser de qualquer país - neste caso
No âmbito dos cruzeiros há vários termos utilizados, obedece à legislação trabalhista desses países, nos
alguns dos quais devem ser assim conceituados:23 quais são praticados menores salários. Exemplos:
Bahamas, Libéria, Panamá, etc.
• Capacidade do navio - é o número máximo de passa­ • Navegação de cabotagem: navegação próxima à cos­
geiros que um navio pode comportar. Tal número não ta; termo usualmente relacionado à navegação entre
inclui a tripulação. portos de um mesmo país.
• Tonelagem Bruta Registrada (GRT - Gross Registred
Tonnage) - “soa” como medida de peso, mas na reali­ OFERTA DE EQUIPAMENTOS, PRODUTOS
dade corresponde ao espaço acessível aos passagei­
ros: cabines, salas de refeições, salões públicos. E SERVIÇOS

CRUZEIROS MARÍTIMOS
2. A expressão volta ao mundo refere-se a viagens onde há tra­
O Brasil começou a participar efetivamente do merca­
vessia de pelo menos dois oceanos.
do de cruzeiros marítimos a partir de 1995, quando a Emen­
3. Outros termos específicos usados no transporte hidroviário
da Constitucional nfl 7 liberou a navegação de cabotagem
podem ser vistos em Di Roná (2002) e Torre (2002).
30 ♦ Coleção ABC do 3lirismo
transportes ♦ 31

de passageiros pelo litoral. A partir de então, companhias Tabela 5 Navios estrangeiros de cruzeiros pela costa brasileira e
armadoras estrangeiras mostraram maior interesse na rea­ argentina - Temporada 2000-2001
lização de cruzeiros de verão pela costa brasileira.
Navio GRT (t) Capacidade “Space Cruzeiros Empresa
Na temporada de 2000/2001, no período de verão (de­ (n* de Ratio” Realizados Armadora
zembro a março), seis navios de 10 a 70 mil toneladas singra­ passageiro) (rfi)
ram o Atlântico pela costa brasileira e argentina, transportando
Splendor 60.130 2.Ò62 , 38 15 Royal
cerca de 55 mil turistas4. A Tabela 5 apresenta dados dos cru­ of the Seas Caribbean
zeiros daquela temporada, percebendo-se que os dois navios
Costa. 30.000 E 1.066, 28 10 Costa
da Costa Crodere5 - que juntos somam um total de 21.935
Allegra Crodere
passageiros transportados em 2001/2002 - não ultrapassa­
vam a capacidade de 30.930 passageiros do único navio da Costa ' 25.000 ^ 1 ^ 2 5 , 24 jjj 11. j Costa
Marina Crodere
Royal Caribbean que operou cruzeiros nessa temporada. Este
último é um dos “gigantes” da Royal, com 140 mil tonela­ Rapsody 17.495 962 ! 23 1| Mediterranean
das, 1.300 tripulantes e capacidade de 2.100 passageiros. Shipping
Cruises
Além dos navios relacionados, outros fizeram escalas
em portos brasileiros, principalmente no Rio de Janeiro, Funchal 9.471 424 22 8 Fritdskryss
como o Renaissance, em roteiro de volta ao mundo. Tais Princess 17.040 600 23 8 Fritdskryss
cruzeiros não foram incluídos na Tabela 5. Danae
Santos, Rio de Janeiro, Recife e Fortaleza são, atualmen­ Total '<'• - - - 65 -
te, os principais portos utilizados no Brasil, sendo que a maio­
Foníe:Paolillo (2001: 33).
ria dos turistas origina-se de São Paulo. Tais turistas realizam
o embarque e o desembarque no porto de Santos, no Terminal Paulo e o terminal marítimo de Santos. Assim também ocor­
de Passageiros Concais. A integração e a interdependência re a intermodalidade entre o transporte aéreo e o maríti­
dos modais hidroviário e rodoviário materializam-se nessa mo, com alguns cruzeiros incluindo o trecho aéreo para
operação, com o deslocamento dos passageiros entre São embarques no Rio de Janeiro e em Salvador (Tabela 7).
Na temporada seguinte (2001-2002), houve um incremen­
4. Considerou-se a capacidade (número de passageiros) multi­ to dos cruzeiros na costa brasileira em parte estimulado pelo
plicada pelo número de cruzeiros realizados na temporada. atentado terrorista nos Estados Unidos em 2001. Foram sete
5. Essa empresa faz parte do grupo Carnival Corporation, que navios, sendo cinco da temporada anterior (Splendor of the
detém a maior parcela do mercado de cruzeiros marítimos, seguida Seas, Costa Allegra, Rapsody, Funchal e Princess Danae) e dois
da Royal Caribbean Cruise (Cunha: 2001: 354). outros da Costa Crodere fCosta Troniralfn.£uu la DnuiciiniTh),
aumentando assim a ofertáde B § 3 ^ f^ ra T Q h p o ra d a|
1 d e T u rlstn o i
32 ♦ C o le çã o ABC d o H irism o Transportes ♦ 33

N a te m p o ra d a 2 0 0 5 /2 0 0 6 , no período de verão, nove Tabela 7 Intermodalidade operacional na temporada de cruzeiros


navios d e 20 a 75 m il to n e la d a s singrarão o Atlântico com marítimos no Brasil - 2000-2001
p revisão d e tra n s p o rta r 20 0 m il passageiros (Tabela 6).
Navios Portos Tipo de
Tabela 6 Navios estrangeiros de cruzeiros pela costa brasileira e Intermodalidade
argentina - Temporada 2005-2006 Splendor of de Seas Santos Ônibus & Navio
Navio GRT (t) Capacidade “Space Cruzeiros Empresa Costa Marina
(na de Ratio” Realizados Armadora Costa Allegra
passageiro) (n*) Princess Danae

Costa 75.000 2.250 33 12 Costa Rhapsody Rio de Janeiro Avião & Navio
Victoria Crociere
Junho a Agosto Fortaleza
Msc 5 8.600 2.065 28 15 Mediterranean
Armonia Shipping Funchal
Cruises Princess Danae

Costa 5 4 .0 0 0 1.782 30 9 Costa


Romantica Crociere
. Nem sempre os terminais de passageiros são bem plane­
Island 5 3 .0 4 9 1.697 31 11 Island
Cruises
jados e funcionam adequadam ente. No porto de Santos, no
Star
term inal marítimo do Concais, observa-se falta de infra-es-
Mistral 4 7 .2 7 6 1.600 23 16 Iberostar
trutura operacional que dificulta a deslocamento do turista
Msc 3 5.143 1.750 23 11 Mediterranean quando de seu embarque, desem barque ou mesmo trânsito.
Melody Shipping O antigo term inal de passageiros, no Armazém 18, no
Cruises
qual a Casa do Café Brasileiro estava anexa, foi deslocado,
Island 4 0 .1 3 2 1.750 23 13 Island em 1998, para a Armazém 26, denom inado Concais. O des­
Scape Cruises locamento do term inal gerou um problem a operacional, pois
Blue 3 0 .2 7 7 830 36 12 Pullmantur no canal do cais do porto, no berço, junto a esse Armazém,
Dream Cruises existe a Pedra de Teffé, um a form ação rochosa que impede
Pacific 2 0 .0 0 0 640 33 * Pullmantur a atracação de navios de grande calado, obrigando-os a
Cruises atracarem longe desse term inal de passageiros. Assim as
75
operações de em barque e desem barque geram deslocamen­
Total - - - -
tos adicionais por ônibus entre o term inal de passageiros e
* Permanece o ano todo no Brasil, em Fortaleza, alternando roteiros para o berço do cais onde o navio deve atracar. Essa situação
Manuas pelo rio Amazonas e para a ilha de Fernando de Noronha.
34 ♦ Coleção ABC do TUrismo
Transportes ♦ 35

onera a operação portuária, gerando ainda desconfortos e Outras embarcações realizam passeios turísticos e safáris
até falta de segurança. ecológicos pela Amazônia, além dos direcionados aos adep­
tos da pesca (esportiva ou não).
CRUZEIROS E PASSEIOS FLUVIAIS A Iberostar, grupo espanho, realiza dois cruzeiros fluvi­
ais partindo do porto de Manaus a bordo do Grand Amazon.
Com relação ao turismo fluvial, em especial nas Bacias São duas rotas: um cruzeiro pelos rios Amazonas e Solimões
Amazônica, Franciscana e Paraguai-Paraná-Tietê, há uma es­ e outro de quatro dias pelo rio Negro. O navio foi construí­
cassez de dados publicados sobre as operações e condições do em Manaus, possui acomodações para 150 passageiros
atuais, um a vez que são de menor expressão que as operações e funciona com o sistema tudo incluso.
marítim as e, por vezes, de caráter esporádico e irregular. A Tabela 8 apresenta dados das principais linhas regu­
No entanto, algum as considerações podem ser pontua­ lares de navegação fluvial da Bacia Amazônica, que podem
das, como as apresentadas a seguir: ser utilizadas por turistas com interesse em vivendar o co­
tidiano da vida na região.
B acia A m a z ô n ic a
A Enasa - Empresa de Navegação da Amazônia S/A, em­ Tabela 8 Principais linhas regulares da Bacia Amazônica
presa do governo federal que foi estadualizada pelo Pará, rea­
Linhas Companhias Áreas de Navegação Tempo de
liza transporte regular de passageiros entre Belém e Manaus
Armadoras (Rios) Viagem
em dois catamarãs (Amazonas e Para). Essas viagens são de
caráter turístico, procuradas preferencialmente por turistas De Belém.; PA a:
estrangeiros. Nos últimos dois anos, esse roteiro vem desper­ Ilha de Marajó, Arapari Pará 3h30
tando o interesse de grandes operadoras do turismo nacional. PA - Porto de Navegação e
Há ainda outras em presas que realizam serviços de Câmara outras
transporte regular misto (carga e passageiro) pelos princi­
Macapá, AP Empr. Nav. Bom Pará, Furo Tajapuru, 20h00
pais rios da Amazônia, dirigidos à população ribeirinha, Jesus e outras ! Estreito de Breves
parando em todos os portos das rotas. Alguns desses navios e Amazonas
possuem poucas cabines (algumas com ar-condicionado e
Manaus, AM Alves & Pará, Furo Tajapuru, 4 dias
certo conforto), que são utilizadas por turistas, em sua
(via Santarém, Rodrigues, Estreito de Breves, 5 dias
maioria, estrangeiros. Neles há, ainda, uma área maior (sa­ Óbidos, Oriri- Marques Pinto Amazonas e Negro
lão) onde ficam as redes utilizadas pela população local e miná. Juriti, e outras
por turistas que querem te r m aior contato com o cotidiano Parintins e
dos ribeirinhos e a cultural local. Itaquatiara)
36 ♦ C oleção ABC d o Turism o Transportes ♦ 37

Tabela 8 Principais linhas regulares da Bacia Amazônica (cont.) Tabela 8 Principais linhas regulares da Bacia Amazônica (cont.)

Linhas Companhias Areas de Navegação Tempo de Linhas Companhias Áreas de Navegação Tempo de
Armadoras (Rios) Viagem Armadoras (Rios) Viagem

De Belém, PA a: De Manaus, AM a
Mocajuba, PA Arapari Pará e Tocantins 4h00 São Gabriel da Particular Negro 4 dias
(via Cametá) Navegação Cachoeira, AM
Monte Dourado, Alves & Pará, Furo Tajapuru, 36h00 Tabatinga, AM J. A. Negro, Amazonas e 6 dias
AP (via Breves, Rodrigues Estreito de Breves, (Div. com Co­ Navegação Solimões
Gurupá Vitória Amazonas e Jarí lômbia e Peru)
do Jarí e Laranja Vila Bitencourt, Particular Negro, Amazonas, 8 dias
do Jarí) AM (Div. com a Solimões e Juruá
Portei, PA Empr. Nav. Pará, Estreito de 12h00 Colômbia)
(via Breves, Bom Jesus Breves
Curralinho e B acia F ra n c is c a n a
Melgaço)
Até a década do 1970, destacava-se o transporte regu­
Santarém, PA Alves & Pará, Furo Tajapuru, 60h00
(via Gurupá, Rodrigues e Estreito de Breves,
lar (carga e passageiros) pelos rios São Francisco, Carinana
Almeirim, outras Amazonas e Tapajós e das Velhas. A particularidade m arcante que ainda identi­
Prainha e fica essa região são as famosas carrancas, imagens de seres
Monte Alegre) antropo ou zoomórficos colocadas na proa dos barcos para
espantar maus espíritos.
De Manaus, AM a:
Em 1930 foi im portada dos Estados Unidos um a em­
Boa Vista, RR Particular Negro e Branco 5 dias barcação típica fluvial do rio Mississipi-Missouri (“gaiola”),
Cruzeiro do Particular Negro, Amazonas, 7 dias cuja força m otriz centrava-se em um a roda d’ água na popa.
Sul, AC Solimões e Juruá Tal embarcação, batizada no Brasil com o nome de “Benja­
min Guimarães”, visava a atender o transporte regular dos
Porto Velho, RO Particular Negro, Amazonas 5 dias
ribeirinhos. Com a expansão das rodovias marginais ao lei­
e Madeira
to do São Francisco, os serviços regulares foram gradativa­
Rio Branco, AC Particular Negro, Amazonas 6 dias m ente transform ando-se em turísticos.
e Purus A “gaiola” começou a transportar passageiros e turistas de
Pirapora (MG) até Fetrolina e Juazeiro (PE/BA). Esse roteiro era
38 ♦ Coleção ABC do Tkrismo Transportes ♦ 39

muito procurado por universitários e também por alguns turistas Em termos de exploração turística tem-se, a partir do
nacionais. As viagens eram realizadas por uma operadora tu­ início da década de 1970, o tradicional passeio pelo rio
rística de Belo Horizonte (Unitur), tendo o seu apogeu nos Tietê, incluindo a barragem de Barra Bonita, realizado pela
primeiros anos da década de 1980. Com a construção da bar­ Empresa de Navegação Fluvial do Médio Tietê Ltda. e Nav-
ragem de Sobradinho, e a postergação de sua eclusa, o serviço Tour. Esta última iniciou a operação de cruzeiros fluviais
de navegação fluvial de transporte regular de passageiros foi na forma de forfaits à oferta (pacotes) e à demanda, de
extinto, prejudicando principalmente as operações turísticas, Barra Bonita até Ibitinga (SP).
que passaram a ser esporádicas e irregulares no trecho entre Em termos de exploração turística no rio Paraguai, as
as cidades de Pirapora e São Francisco (Madureira, 1987: 8). fazendas lindeiras em suas cabeceiras (norte do Pantanal
Outras operações estão surgindo com a construção de Mato-grossense), junto com operadoras de ecoturismo, ex­
barragens, como a de Xingó, que valorizou o cânion do rio ploram viagens ecológicas voltadas para safáris fotográficos
São Francisco nas divisas dos Estados de Sergipe (Canindé (observação de fauna e flora) e para a pesca (esportiva ou
de São Francisco) e Alagoas (Piranhas). Esses passeios são não). Tais viagens turísticas envolvem uma operação aéreo-
feitos com embarcações do tipo catamarãs. fluvial, uma vez que o transporte até o aeroporto de Cuiabá
é realizado por linhas aéreas regulares, deste para as fazen­
Bacia P a ra g u a i-P a ra n á -T ie tê ; das por táxis aéreos, e nestas há os passeios por barcos.
Em 1971, com a construção da usina hidrelétrica de Bar­ No Pantanal Sul, a base turística fluvial sediava-se em
ra Bonita (SP), e sua eclusa pela Cesp - Companhia Energética Corumbá (MS), que recebia embarcações com turistas es­
de São Paulo, o rio Tietê passou a ter uma nova dimensão no trangeiros (a maioria europeus) oriundas de Assunção
cenário nacional para os transportes fluviais, em função da (Paraguai), em cruzeiros fluviais voltados para a observa­
sua proximidade com outras modalidades de transporte e da ção cênica do Pantanal Brasileiro, a montante do rio
sua integração às mesmas. Com as outras eclusas nos rios Paraguai. Nesta área também há passeios fluviais para apre­
Tietê e Paraná até a construção do canal de Pereira Barreto, ciação da natureza, onde a grande atração é a captura do
estabeleceram-se condições de navegabilidade e transporte, jacaré, além do turismo de pesca.
prindpalmente de carga, da foz do rio Piracicaba (no rio
Tietê, em Pederneiras, SP), até os portos do rio Paraná - a ANÁLISE DA REALIDADE
chamada Hidrovia Tietê-Paraná6.
O Brasil tem acompanhado o crescimento do turismo
6. Nos estudos e projetos desenvolvidos pela CESPsobre a hidrovia marítimo, pois a cada ano, nas temporadas de verão, cres­
Tietê-Paraná, abordam-se o potencial e as possibilidades de exploração ce o número de cruzeiros e, consequentemente, aumenta a
turística da região de influência da mesma. (CESÇ 1986; Feres, 1988). oferta de lugares com novos, modernos e maiores navios.
40 ♦ Coleção ABC âo Tkrismo Tmnsp&rtes ♦ 41

No entanto, existem problemas que podem influir de forma viais, com base em estudos de viabilidade e planejamento
negativa nessa expansão: estratégico.
A ampliação do período da temporada brasileira de ve­
• Deficiência de infra-estrutura portuária e poucos por­ rão pode vir a tomar-se realidade, com navios operando o
tos com terminal de passageiros - estes ainda são anti­ ano inteiro, desde que o governo brasileiro não coloque
quados e não correspondem à realidade mundial de regulamentos e normas que restrinjam as operações de com­
terminais marítimos, em termos de conforto, segu­ panhias estrangeiras, e a qualidade do receptivo melhore
rança e rapidez no atendimento. em termos de estrutura e profissionalização de recursos
• Altas taxas portuárias - tais taxas elevam o custo dos humanos. A costa brasileira pode vir a ser uma área extre­
preços dos cruzeiros marítimos e podem, inclusive, mamente atrativa no segmento de turismo marítimo. Quan­
desestimular o interesse das companhias armadoras to ao turismo fluvial, o segmento que vem se destacando é
pelas operações na costa brasileira. o turismo de pesca, além dos passeios e dos cruzeiros fluvi­
• Baixa qualidade do turismo receptivo - isso é observa­ ais regionalizados na Amazônia e no Pantanal. Nestes, po­
do no próprio cais do porto ou no desembarque de rém, ainda há falta de infra-estrutura, recursos humanos,
passageiros, acrescido pelo fato de que as operado­ apoio político e desenvolvimento de uma exploração res­
ras locais não operam, normalmente, um receptivo ponsável e profissional.
de boa qualidade, transparecendo desorganização e
perda de tempo em relação aos passeios locais (city-
tours e sightseeings). Além disso, essas empresas pou­
co inovam em relação aos mesmos. Ainda se oberva
a falta de treinamento e de aprimoramento dos guias
locais, somada à exploração inadequada dos próprios
atrativos turísticos e ao atendimento deficiente aos
turistas nos mesmos.

Na América do Sul, os grandes beneficiáriQS atuais das


temporadas de cruzeiros marítimos são Brasil e Argentina.
Porém, faltam programas estratégicos aliando novos desti­
nos a outros portos brasileiros, além dos tradicionais, ação
que em muito contribuiria para aumentar a demanda. En­
tretanto, as companhias armadoras brasileiras poderiam
entrar nesse segmento, com destaque para os cruzeiros flu-
3. MODAL FERROVIÁRIO
NO TURISM O BRASILEIRO

CONSIDERAÇÕES GERAIS
o transporte ferroviário, o elemento central é a ferro­
N via, um meio de transporte de pessoas e mercadorias,
consistindo de trilhos, material rodante que neles transita,
equipamentos auxiliares, terrenos, edifícios e outras insta­
lações necessárias ao funcionamento de todo o conjunto.
Outros elementos que constituem a ferrovia, cuja termi­
nologia é passível de esclarecimento, são os seguintes:•

• carril: conjunto de dois trilhos de aço paralelos que


assentam sobre dormentes de madeira, de concreto
ou de ferro, que estão assentados sobre terreno de
cascalho ou terraplenado que é o lastro;
■È bitola: distância entre as bordas internas da superfí­
cie superior dos: trilhos;
• tronco: linha principal de uma ferrovia que pode ser
composta por linhas duplas ou simples, singelas;
• ramais: linhas secundárias que alimentam o tronco;
44 ♦ Coleção ABC do Tkrismo
Transportes 4 43

• autom otriz ou litorina: vagão de passageiros com mo­ Tabela 9 Trens mais famosos do mundo
tor diesel ou elétrico;
• passes ferroviários: bilhetes de transporte ferroviário Nome País Rota
comercializados junto aos turistas, de vários tipos, Shinkansen - Hikari Japão Tóquio a Osaka
tendo sua validade definida em função do número (Trem Bala)
de dias. Podem ser individuais ou para grupos. Exem­
plos: Europass e Eurailpass (Europa), North America TGV - Sudeste França Paris a Lyon
Rail Pass (América do Norte) e Japan Rail Pass (Japão). Orient Express1 França Paris a Istambul
(via Alemanha)
Quando se trata de turismo ferroviário, deve-se citar
Lufthansa Airport Alemanha Diisseldorf a Bonn
alguns dos trens famosos do mundo (Tabela 9), seja pela
Express
velocidade - o TGV e o Trem Bala (Shinkansen Hikari), seja
pelo romantismo e saudosismo de épocas passadas - o Orient Califórnia Zephyr - Estados Unidos Boston a San
Express, o Transiberiano e o Transmongoliano, seja pela pai­ Amtrak Francisco
sagem e abrangência de destinos - os trens da Amtrak, o Transmongoliano Rússia, Mongólia e Moscou a Pequim
Trem A zul, o Trem das Nuvens, seja pela integração com China (via Ulambator)
outros modais - Lufthansa Airport Express, ou seja, ainda,
pela tecnologia - o TGV Euro-Star. Trem Azul África do Sul Johannesburgo à
Em 2001, a Rede Ferroviária Brasileira apresentava um Cidade do Cabo
total de 34.875 quilómetros de extensão, a maioria dos quais TGV - Euro-Star França/Inglaterra Paris a Londres via
sob a responsabilidade operacional de empresas particula­ Eurotunpl
res que obtiveram concessão de linhas, priorizando o trans­
Trem das Nuvens 1Argentina Salta a San Antonio
porte de carga (Tabela 10). As estradas turísticas, nesse rol, de los Cobres
são a Estrada de Ferro Campos do Jordão e a Estrada de
Ferro Corcovado, além de outros trechos, como Curitiba- Fonte: Paolillo, 1990.
Paranaguá e Tiradentes-São João del Rey, inseridos em li­
nhas administradas por várias concessionárias.1
1. O atual Venice - Simplon Orient Express faz duas rotas: Lon­
dres a Veneza via Innsbruck (1.714 Km - 32h) e Viena a Budapeste
partindo de Innsbruck. Há também o Tlrans-Orient-Express, de Bang-
coc a Cingapura, e o American Orient Express, com oito itinerários
diferentes (Roná, 2002: 93-5).
Tabela 10 Bitolas ferroviárias brasileiras - 2005 o

Empresa Empresa Antenor EXT. (km) % Vinculação Area de


Operação
E.F. Amapá Parte do material rolante 194 0,52 Jari Celulose

Coleção ABC do TUrismo


-
da Penn-Central - New York S/A
E. E Jari - 68 0,19 Jari Celulose PA
S/A
E.E Rio do Norte - 35 0,10 Miner. R. do PA
Norte S/A
E. E Carajás - 892 2,41 CVRD2 MA e PA
Ferrovia Norte Sul — 248' 0,67 Valec - Enge­ MAe TO
nharia Constr.
e Ferrovia S/A
E.F. Madeira-Mamoré - 20 0,05 - RO
Companhia Ferroviária Rede Ferroviária Federal 4.238 11,44 CSN3, Taquari MA, PI, CE,
do Nordeste S/A - SRs 1,7 (pacial), Participações PB, PE, AL e
11 e 12 SE (parcial)
E.F. Vitória-Minas Vitória e Minas Railway 782 2,11 CVRD ESeMG
Ferrovia Centro RFFSA - SR1 e SRs 7 7.757 20,93 Consórcio SE, BA, ES,
Atlântica S/A (parcial) 2 e Ferroban CVRD, CSN, MG, GO, DF,
Interférrea, etc RJ e SP

2. Companhia Vale do Rio Doce


3. Companhia Siderúrgica Nacional

1
Tabela 10 Bitolas ferroviárias brasileiras - 2005 (cont.)
Empresa Empresa Anterior EXT. (km) % Vinculação Area de
Operação
MRS Logística S/A RFFSA - SRs 3 e 4 1.674 4,52 Consórcio CSN, MG, RJ e SP
MRB, Usiminas
e Ultrafértil
Brasil Ferrovias S/A Ferroban, Portofer, 5.037 13,59 Ferropasa SR MS e MT
Ferronorte e Novoeste
E. F. Corcovado Light and Power Co. Rio 4 0,01 Particular RJ
E. F. Campos do Jordão Parte do material rodante 47 0,13 Secret, de TUrismo SP
da E. F. Guarujá do Est. São Paulo
E. F. Perus - Pirapora — 16 0,04 Particular SP
C u r s o d e T u r is m o

Ferrovia Tereza RFFSA - Dotub 164 0,44 Intermon, Gemon, SC


BIBLIOTECA

Cristina Interfinance e
Sta. Lúcia Agro
Industrial
i «rop

Ferropar - Fer. Paraná Ferroeste - E. F. 248 0,67 Ferropar - PR


S/A Paraná-Oeste S/A Pound e Gemon
ALL Delara - América RFFSA - SRs 5 e 6, Fer. Sul- 15.628 42,18 Varbra, Judori, SR PR,
Latina Logística do Adântica e Fepasa (parte Ralph Partners, SC, RS e
’ Brasil S/A Sorocabana), MESO - Fer. Railtex, Brasil Argentina
Mesopotâmico e BAP - Fer. Private, etc
Buenos Aires ao Pacífico
1 Total - 37.052 100 - - ^4
48 ♦ Coleção ABC do Tkrtsmo
Transportes ♦ 49

Interessante ainda citar que 96% da malha ferroviária roviários e Rodoviários do Estado de São Paulo sendo
brasileira são de bitola estreita, portanto, fora do padrão que a operação ficou a cargo da ABPF - Associação Brasi­
internacional (Tabela 11). leira de Preservação Ferroviária. A exploração comercial
era feita por operadoras turísticas que, isoladamente ou em
Tabela 11 Bitolas ferroviárias brasileiras conjunto com outras empresas, obtiveram concessão de tre­
Bitola Cm) % Tipo
chos ferroviários ou de ferrovias de interesse turístico, como
os trechos Miguel Pereira a Conrado (RJ), Angra dos Reis a
1,60 Larga Iidice (RJ) e São João del Rey a Tiradentes (MG).
No entanto, a proposta mostrou-se insustentável no de­
1,44 X0,1 ;;; Padrão internacional
correr da década de 1990, período no qual foram poucas as
100 96,0 Estreita iniciativas de exploração dos trechos pelas operadoras turís­
ticas. Alguns poucos trechos do Projeto Preserve sobrevive­
0,76 0,1 Bitolinha
ram com o apoio da ABPF e/ou das operadoras turísticas.
Além desses, a Estrada de Faro Campos do Jordão, admi­
Fonte: Paolillo, 1990.
nistrada pelo Governo do Estado de São Paulo, e as Estradas
de Ferro Carajás e Vitória a Minas, administradas pela Com­
panhia Vale do Rio Doce - CVRD - têm importante papel no
OFERTA DE EQUIPAMENTOS, PRODUTOS transporte de passageiros na região onde operam.
E SERVIÇOS
A oferta de equipamentos, produtos e serviços ferroviá­ PASSEIQS E TRECHOS FERROVIÁRIOS
rios regulares e discricionais (fretados) dirigida ao trans­ i Os passeios e trechos ferroviários geralmente estão in­
porte de passageiros é insignificante se comparada à oferta clusos em pacotes turísticos nos quais o deslocamento prin­
dos outros modais. Em termos turísticos houve uma inicia­ cipal é realizado por meio de transporte rodoviário, aéreo
tiva da Abifer - Associação Brasileira das Indústrias de Equi­ ou rodoaéreo. A Tabela 12 apresenta uma relação dos prin­
pamentos Ferroviários - em meados da década de 1980, cipais passeios e trechos ferroviários no Brasil, alguns dos
com um programa que visava à recuperação e à utilização quais s|o destacados ã seguir.
turística de trechos ferroviários de atratividade histórica,
cultural e cênica em várias regiões do Brasil.
Essa iniciativa, denominada Projeto Preserve, contou com
o apoio da RFFSA - Rede Ferroviária Federal - e do Simefre
- Sindicato da Indústria de Materiais e Equipamentos Fer-
4

UI t
Tabela 12 Trechos ferroviários de interesse turístico no Brasil por Estado O

Estado Nome Extensão (km) Nome Equipamento Outras Características ♦


Conhecido
Amapá E.E4 Amapá 194 Trem do Locomotiva Atravessa a Selva

Coleção ABC do 1Urismo


Minério Diesel Amazônica
Rondônia E.F. Madeira - 20 Ferrovia do Maria-fumaça Margeia o Rio Madeira
Mamoré Diabo
Ceará C.F.5 Nordeste 103 — Automotriz Serra de Baturité
diesel
Pernambuco C.E Nordeste 137 Trem do Forró Diesel Trio de Forrozeiro em
elétrica c/ vagão
Sergipe Ferrovia Centro- 28 — Automotriz Cid. Histórica de
Atlântica diesel S. Cristóvão
Esp. Santo e E.F. Vitória - 700 Trem de Diesel Trecho margeia o
M. Gerais Minas passageiros elétrica Rio Doce
Minas Gerais E.F. Oeste 13 Bitolinha Maria-fumaça Museu ferroviário
Minas dinâmico
Ferrovia Centro- 10 Trem das Maria-fumaça Circuito das Águas de
Atlântica Aguas Minas Gerais
Brasil Ferrovias 34 Poços - Prata Automotriz Serra da Mantiqueira
S/A diesel
Ferrovia Centro- 17 Trem dos Maria-fumaça Cidades Históricas
Atlântica Inconfidentes
4. Estrada de Ferro
5. Companhia Ferroviária

Tabela 12 Trechos ferroviários de interesse turístico no Brasil por Estado (jcont.)


Estado Nome Extensão (km) Nome Equipamento Outras Características
Conhecido
Rio de E.F. Corcovado 3,8 Trem do Trem Unidade
Viagem ao Cristo
Janeiro Corcovado Elétrica Redentor
MRS Logística 28 Trem da Serra Maria-fumaça,
Viaduto Paulo de
ou Azul depois diesel
Frontim, único em
Curva no mundo
MRS Logística 516 Trem de Prata Noturno Três tipos de cabines,
Dormitório restaurante e bar
São Paulo MRS Logística 2,5 Funicular Locobreque a Paranapiacaba na
vapor Serra do Mar
Viação Férrea 24 Maria Fumaça Maria-fumaça Museu Ferroviário
Campinas- de Campinas Dinâmico
Jaguariúna
E.F. Vale do 33,4 Trem do Maria-fumaça Serra do Vale do Rio
Bom Jesus Quércia Grande
F. C. Atlântica 7 Trem da Serra Maria-fumaça Serra da Mantiqueira
Transportes

em Cruzeiro
A.L. Logística 20 Trem do Maria-fumaça Represa de Salto
Paranapanema Grande
Brasil 127 Trem turístico Elétrica Cenário da Serra do
Ferrovias S/A de Santos Mar ♦
A.L. Logística 310 Trem Diesel elétrica Vale dos Gigantes em
Bandeirante Apiaí ui
S2 ♦ Coleção ABC do TUrismo
Transportes ♦ S3

X<Ju • A Serra Gaúcha promove um retorno ao passado e a


chd cd

e vinho.
> 2 .<L> o convivência com os descendentes da colónia italiana
S-:w
JS 12a ■ao Sí3 ^1 gaúcha, pois, viajando no Trem do Vinho, entre Ben­
Sm
<QO 2 dl
13 o ft C O
II
cd$-• I a «
5 8-a
to Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa (RS), o pas­
T i TJ
ftTl uo >§M sageiro pode degustar vinhos, champanhe e queijos
RJ W «S «ja
° o
Trechos ferroviários de interesse turístico no Brasil por Estado (çont.)

Hft
C s a * •w 2 c4J &. M d ja; fc isl E
l e assistir à apresentação de manifestações típicas cul­
<U<L> *3 E 0s) ’Sôjo
ft ft (g 2MwOJ > kT
ft ft <u £> <UJ3 > RJ
ft F [y .« *rf
«3
rj turais e folclóricas da região.
• No Norte de Santa Catarina, nos trilhos da velha
<D O Maria Fumaça, a viagem começa na estação de Rio
ÕJ E
II
° o
*U O_ ày
o <u
Negrinho e passa por São Bento do Sul e Rio Natal,
ft <y< Jj |3 .aS 5 ,jy
onde os passageiros podem conhecer um pouco da
■<w Q <u'S < Q < *3 cultura polonesa que marcou a colonização da região.
• No Estado do Paraná, entre Curitiba e Paranaguá,
passando por Morretes, um passeio de rara beleza,
£ : à * JS KJ
,o -c £ KJ TI um encontro com a natureza em plena descida na
Ih

£
S
00
£1
? £ E'S
RJ g
2o £S
<L>CO Eu ~
< fi 3 a
Ê 3 #3 0 £í>
ftU
3
6 Serra do Mar com o trem Marumbi ou as litorinas
(automotrizes), nas linhas arrendadas pela América
Latina Logística S/A - ALL.
& • A natureza é contemplada em uma viagem pela Ser­
«§ ra da Mantiqueira com a automotriz elétrica da Es­
a
trada de Ferro Campos do Jordão (SP), a partir de
Pindamonhangaba até a estação de Capivari, passan­
do pelo Balneário Reino das Águas Claras, decorado
com figuras dos personagens de Monteiro Lobato em
Sw barro cozido em tamanho natural.
p • Por causa do sistema cremalheira6 da Estrada de Fer­
RJ <3
ft U ro Corcovado, em suas composições suíças o turista

, 6. Cremalheira refere-se a um sistema que inclui um terceiro


Tabela 12

trilho dentado assentado entre os outros dois. A locomotiva tem uma


ft c aCd roda dentada que adere â esse trilho, oferecendo segurança na subi­
ftRJ U da e na descida da serra.
54 ♦ Coleção ABC do Turismo
Transportes ♦ 53

alcança o monumento do Cristo Redentor, o principal Há quatro “cases” ferroviários sob a ótica do turismo
ponto de atração turística da cidade do Rio de Janei­ que devem ser destacados de forma particular: o sistema
ro, num percurso pela mata Atlântica, onde se pode ftmicular da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, o Trem
admirar as belezas do Parque Nacional da Tijuea. Marumbi, o Trem Pantaneiro e o Trem de Prata.
• Bitolinha ainda é importante no cenário colonial de
São João del Rey, onde se encontram abrigadas as
últimas locomotivas a vapor do mundo da E.E Oeste SISTEMA FUNICULAR DA SANTOS-JUNDIAÍ
de Minas. As “marias-fumaças” encontram-se em ple­ A construção da ferrovia do porto de Santos a Jundiaí
na atividade com passeios entre São João del Rey e pela São Paulo Railway passando por São Paulo no trecho
Tiradentes, na região do barroco mineiro, das cida­ da Serra do Mai; entre Paranapiacaba (antiga estação de Alto
des históricas de Minas Gerais. da Serra) e Raiz da Serra, exigiu a implantação de um acam­
• Durante o São João, havia o trem do forró, um verda­ pamento para os trabalhadores que se transformou, mais
deiro “arraiá móvel” que marcava a abertura oficial tarde, na vila de Paranapiacaba, uma model town company.
do São João de Caruaru (PE). Viajar no trem do forró Para vencer os 800 metros de desnível da serra desen­
era ter a oportunidade de conhecer muita gente, apre­ volveu-se um sistema funicular que constitui a obra-prima
ciar paisagens, além, é claro, de dançar forró. O arras- da engenharia ferroviária inglesa, inaugurado em 1867. Em
ta-pé era garantido por um trio de forrozeiros em cada terreno de geologia heterogénea e bastante acidentado, os
vagão: seis horas ao som do triângulo, da zabumba e ingleses construíram quatro planos inclinados e um siste­
da sanfona, de Recife a Caruaru, capital do forró. ma de tràção das composições por máquinas fixas a vapor e
cabos de aço. Com isso, foi possível vencer a serra com ape­
O corredor de exportação da Brasil Ferrovias S/A (ex- nas oito quilómetros de via e inclinação de 10%.7
Ferroban), na região do Parque Estadual da Serra do Mar, O trecho turístico da antiga Estrada de Ferro Santos-
em São Paulo, foi o marco inicial da moderna construção Jundiaí (atual MRS Logística) começou a ser explorado em
ferroviária brasileira, pois pela primeira vez utilizou-se o 1986. Nessa época, por ocasião do 29a aniversário da RFFSA,
concreto em substituição ao aço em suas obras-de-arte: são
trinta túneis e quarenta pontes, sendo duas com vãos de
900 a 1000 metros, isso a 400 metros de altura, entre as foi entregue totalmente restaurado o sistemafunicular, úni­
estações de Mãe Maria e Acaraú, defronte das vias Anchieta co existente ainda no mundo, para viagem turísticas entre
e Imigrantes, respectivamente. Nessa linha funcionou um
trem charter com fins turísticos na primeira metade da 7. O segundo sistema funicular foi inaugurado em 1901, co
década de 1990, entre São Paulo (Terminal Barra Fúnda) a adoção de cabo de aço contínuo, dobrando a capacidade operacio­
e Santos. nal da ferrovia.
56 ♦ Coleção ABC do Thrismo Transportes ♦ 57

os 5“ e 4®patamares da Serra do Mar. Para tanto, foram igual­ Foi inaugurada em 1885, apesar da descrença de enge­
mente restaurados quatro loco-breques, quatro carros de pas­ nheiros ingleses, italianos e franceses que trabalharam na
sageiros de madeira e a 5a casa de máquina-fixa da serra abertura do seu traçado. Os dois engenheiros brasileiros
nova, necessários à operação do sistema. (Ferrovia, 1986:8) que mais se destacaram foram João Teixeira Soares e Anto­
nio Pereira Rebouças Filho, o primeiro deles responsável
Em 1986, a ABPF - Associação Brasileira de Preserva­
pelas duas principais obras, Viaduto Presidente Carvalho e
ção Ferroviária, passou a operar o trecho, sendo muito visi­
a Ponte São João. Curioso é que João Teixeira Soares suid-
tado por turistas, nos dois túneis e no viaduto da Grota
dou-se um dia antes da inauguração, imaginando que na
Funda, a m aior obra-de-arte da serra. Mas sua utilização
primeira viagem ocorreria um grave addente na ferrovia.
turística durou pouco, pois a falta de manutenção no via­
duto paralisou o passeio. Trata-se, na verdade, de uma obra notável da engenha­
Atualmente o local encontra-se em estado de abandono e ria ferroviária brasileira, considerada um grande sucesso.
deterioração e há necessidade de recuperação da estrutura do Possui 13 túneis (anteriormente eram 14), 30 pontes e vá­
viaduto para que o trem volte a funcionar turisticamente. A rios viadutos de grandes vãos, com destaque para a Ponte
Prefeitura Municipal de Santo André está desenvolvendo um São João, com 55 metros de altura. O ponto mais elevado
projeto para sua recuperação, denominado “Plano de Desen­ está a 955 metros acima do nível do mar. É considerado
volvimento Sustentável da Vila de Paranapiacaba”, com obje­ 4 um dos prindpais passeios turísticos ferroviários atualmente
tivos de preservação, controle, melhoria das condições de em operação.
habitabilidade e plano de ecoturismo. Além disso, comprou,
no início de 2002, o acervo ferroviário de Paranapiacaba, o TREM PANTANEIRO
que poderá revitalizar turisticamente a ferrovia e a vila.
O Trem Pantaneiro (entre Bauru e Corumbá) fazia co­
nexão com a ferrovia boliviana Yacuiba-Santa Cruz (de
TREM M ARUM BI Quijaro a Santa Cruz de la Sierra). Esse trecho da antiga
No Estado do Paraná, no trecho da antiga Rede de Via­ Estrada de Ferro Noroeste-Oeste do Brasil foi completado
ção Paraná-Santa Catarina (atual América Latina Logística em 1952, sendo pioneiro na integração do Brasil com a
- ALL), na região do Parque Estadual do Marumbi, encon­ Bolívia, e tendo papel importante no comércio internacio­
tra-se a Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá, com uma ex­ nal de ambos os países até a década de 1970.
tensão de 110 quilómetros. A ALL concedeu a exploração Era conhecido como Trem da Morte, em face dos assas­
com ercial desse trecho a um a operadora turística de sinatos ligados ao tráfico de drogas e contrabando que nele
Curitiba, que opera o trecho com o trem Marumbi (antigo ocorriam. Na década de 1970, foi bastante procurado por
Gralha Azul) e uma litorina. jovens universitários que se dirigiam ao Peru via Bolívia,
58 ♦ Coleção ABC do TUrismo Transportes ♦ 59

num roteiro “aventureiro” muito em voga junto à comuni­ Sul, que, com sua tonalidade azulada, também ficou co­
dade universitária. nhecido como Trem Azul. Sua composição básica era for­
Esse trem é atrativo turisticamente tanto em relação à mada por quatro carros dormitório-cabine e um carro
ferrovia como obra de engenharia, quanto em relação à bagagem-buffet que acomodava instalações de um restau­
paisagem cênica durante a seca e a cheia no Pantanal. rante, com um terço do carro reservado para bagagens dos
No trecho do Pantanal, a ferrovia foi construída sobre viajantes. Era luxuoso e sofisticado, sendo frequentado pe­
um “tabuleiro” com pontes a cada 50 metros, como uma los barões do café. Sua chegada ao Rio de Janeiro, com
barreira natural ao imenso “mar” que se forma na região regularidade antecedia o embarque em navios rumo à Amé­
no período das cheias. Nesse período, o turista tem a sensa­ rica do Norte e à Europa. Este trem funcionou entre 1929 e
ção de estar num a embarcação, rodeado de água por todos 1950, portanto, durante 21 anos, sendo substituído pelos
os lados. Já no período da seca, tem-se uma visão de rara carros Budd fabricados em aço inoxidável, também de ori­
beleza cênica pela planície com sua fauna e flora típicas. gem norte-americana.
Como expressiva obra de engenharia, destacam-se, além A Central do Brasil inaugurou seus novos trens de luxo,
do seu próprio traçado, duas ^pontes de grande significado: o Santa Cruz (Rio-São Paulo) e o Vera Cruz (Rio-Belo
a travessia do rio Paraná entre São Paulo e Mato Grosso do Horizonte), em 29 de março de 1950, dia de seu 92fl ani­
Sul pela Ponte Francisco Sá (inaugurada em 1926, com versário. Das inovações em destaque, o sistema de ar-
1.024 metros e depois assoalhada como ponte rodoferro- condicionado representou uma melhoria nos serviços de
viária); e a travessia do rio Paraguai em pleno Pantanal passageiros da estrada, e assim a fase áurea desses serviços
pela ponte Presidente Eurico Gaspar Dutra (inaugurada em teve sua maior expressão naqueles anos. Suas caracterís-
1947, com 2.009 metros). ticas externas ao longo do tempo renderam-lhes alguns
Atualmente esse trecho é explorado comercialmente pela ápelidos como: Trem de Luxo da Central, Trem de Aço, Trem
Brasil Ferrovias S/A, até Campo Grande, que está realizan­ Prateado, Avião dos Covardes, Trem dos Mineiros, Paulista
do estudos de viabilidade técnico-econômica para reativação Noturno, Trem dos Burgueses, Trem dos Reis, etc. O Santa
do transporte de passageiros até Corumbá. Cruz encerrou sua operação em 16 de fevereiro de 1991,
após 42 anos de operação.
TREM DE PRATA Em 1994, a RFFSA concedeu esse trecho à exploração
de um consórcio formado pelo Hotel Portobello e pela Trans­
O "Drem de Prata foi o último trem noturno de passagei­ portadora Útil, cedendo as composições ferroviárias que
ros a trafegar na década de 1990. inicialmente eram operadas e mantidas pelos seus funcio­
O primeiro trem de passageiros de luxo noturno da E.F. nários. As empresas concessionárias reformaram totalmen­
Central do Brasil, depois RFFSA, de origem norte-america­ te os vagões, modemizando-os e introduzindo cabines com
na, a circular no trecho Rio-São Paulo foi o Cruzeiro do banheiro privativo e suites. . .. . , -
I BlfeU OlECA
Hé» T u r ism o
60 ♦ Coleção ABC Ao TUrismo Transportes ♦ 61

A composição era formada por vagões-restaurantes, bar demanda atualmente reprimida de passageiros comuns
e dormitórios, funcionando como um hotel sobre trilhos, e (regulares) e turísticos8. Assim, também não há viabilidade
incluindo até serviços de segurança (vidros à prova de ba­ em sistemas de passes ferroviários para turistas estrangeiros.
las e seguranças “à paisana”)- Os vagões eram identifica­ A realidade é ainda mais alarmante, uma vez que a
dos com nomes de cidades turísticas dos Estados do Rio de RFFSA (extinta em julho de 2001) publicou em 2001 edital
Janeiro e de São Paulo (Angra dos Reis, Búzios, Campos do de licitação para vender, como sucata, o material rodante
Jordão, Guarujá, Ilha Bela, Itaquaquecetuba, Itatiaia, Macaé, ex-RFFSAe ex-Fepasa (vagões de passageiros, automotrizes,
Mauá, Paraty; Fetrópolis, Ubatuba). as Rail Diesel Cars - RDC, e outros equipamentos). As asso­
Essa operação deixou de ser viável por dois motivos ciações de preservação ferroviária brasileira, como a ABPF
principais: o barateamento das passagens da ponte aérea e e outras, estão tentando angariar fundos para arrematar o
a privatização de ferrovias com prioridade para o transpor­ material rodante que irá a leilão e será desmanchado.
te de carga, em especial do minério de ferro. O Trem de Tal material é fundamental para o desenvolvimento do
Prata iniciou sua operação em 8 de dezembro de 1994 e turismo ferroviário, sem o qual há o risco de se perder um
funcionou até 30 de novembro de 1998, portanto foram rico e importante acervo ferroviário em face da omissão dos
quatro anos de serviços prestados. Em meados de 2002 os órgãos públicos no trato das questões de “cultura turística”.
seus vagões encontravam-se depredados e sem condições Nestes dias de globalização e de competitividade, todas
de uso, encostados em desvios junto às oficinas do Horto as nações buscam contar com a multimodalidade nos trans­
Florestal e de Santos Dumont, em Minas Gerais. portes para construir cadeias logísticas que assegurem pre­
ços competitivos. O modal ferroviário, por seu potencial e
importância no transporte de carga, vem sendo renovado
ANÁLISE DA REALIDADE pela privatização, ganhando dinamismo e franquia no mer­
cado, buscando tomar-se opção competitiva em todas as
Em 2001, o setor ferroviário cresceu 37%, segundo a regiões do país.
Abifer - Associação Brasileira da Indústria Ferroviária e o Contudo, a operação dos trens de passageiros nos tre­
Simeffe - Sindicato de Materiais Ferroviários, ocasionado chos turísticos ferroviários é considerada uma “operação
pelo incremento do transporte metropolitano e do trans­ problema” para as ferrovias concessionárias, pois utilizam
porte de carga pela iniciativa privada. Apesar disso, a ofer­
ta turística ferroviária no Brasil dirigida ao transporte de
passageiros (não urbano) é mínima, e o que existe depende 8. A primeira fase de privatização das ferrovias brasileiras ini­
de outros modais para a sua operação. Em face das condi­ ciou-se em 1998 e contemplou os serviços de transporte de carga. A
ções atuais e da priorização do transporte de carga, não se segunda fase poderá contemplar os serviços de transporte regular de
contemplou o transporte de passageiros, desprezando uma passageiros.
62 ♦ Coleção ABC do TUrismo Transportes ♦ 63

a mesma via férrea dos trens de carga, e assim reduzem a uma gestão compartilhada eficiente entre a iniciativa pri­
capacidade de transporte de carga das ferrovias. A título de vada e o governo, de investimentos para a manutenção e
ilustração citam-se os seguintes casos: operação contínua, e de programas de promoção/divulga-
ção sustentando e fixando-os como verdadeiros atrativos
• A Estrada de Ferro Carajás, entre São Luís e Parao- no mercado turístico.
bepas, tem a operação do trem de passageiros restri­ Além disso, falta um trabalho junto à população local,
ta em função do transporte de minérios. inserindo-a adequadamente na exploração dos trechos e
• Na Estrada de Ferro Vitória a Minas, em sua linha serviços de apoio, e conscientizando-a sobre o respeito e a
tronco dupla, no Vale do Rio Doce, tem os trens de valorização do património turístico e das ferrovias.
minério parados, enquanto o trem de passageiros des­
loca-se; no cruzamento entre essas duas composições
ferroviárias, o deslocamento de ar provoca uma sus­
pensão do minério de ferro (uma poeira invisível),
que adere aos cabelos dos passageiros dos vagões sem
ar-condicionado. Ora, essa parada dos trens de mi­
nério acarreta prejuízo, “forçando” a ferrovia a redu­
zir, paulatinamente, o transporte de passageiros. Em
2001 apenas um trem de passageiros trafegava dia­
riamente.
• O Trem de Prata (antigo Santa Cruz), único trem no­
turno de passageiros a funcionar na década de 1990,
teve sua operação suprimida em face da necessidade
de rem odelação do leito ferroviário pela MRS
Logística e, também, por bloquear a linha quando
trafegava, prejudicando o transporte de carga.
• O Trem Marumbi (antigo Gralha Azul) prejudica, na
época da safra da soja, o escoamento desse produto
feito pelo porto de Paranaguá.

Quanto aos pequenos trechos ferroviários turísticos,


estes sofrem diversas pressões que contribuem para a irre­
gularidade e a descontinuidade de suas operações: falta de
4. MODAL RODOVIÁRIO
NO BRASIL

CONSIDERAÇÕES GERAIS
s viagens rodoviárias utilizam como transporte, nos
A deslocamentos, o carro de propriedade particular, o
ônibus (linhas regulares ou de fretamentos) e o automóvel
locado (serviço rent a car). Tendo em vista que o primeiro
configura uma enorme variedade de viagens e seus respec-
tivos deslocamentos de difícil mensuração1, destacam-se os
dois últimos na abordagem deste capítulo.
O serviço de Transporte Coletivo Rodoviário (TCR) clas­
sifica-se em regular e de fretamento. No serviço regular
encontram-se as seguintes categorias: urbano, suburbano,
convencional, leito e executivo. No serviço de fretamento,
existem o contínuo e o eventual (Paolillo, 1990).
Quanto à área de operação, as linhas de ônibus regula­
res são classificadas em: linhas municipais urbanas e rurais,
num único município, linhas intermunicipais, atendendo a1

1. Até o momento não se teve acesso a estudos e pesquisas


científicas que abordem tais deslocamentos no BrasiL
66 ♦ Coleção ABC do Turismo Transportes ♦ 67

dois oú mais municípios, linhas interestaduais, atendendo a principalmente às capitais estaduais. O seu número
dois ou mais estados, e linhas internacionais, ligando o Bra­ começa pelo número 0 (zero) acrescido pelo ângulo
sil a países da América Latina. formado entre a diretriz da rodovia e a cidade de
A malha rodoviária nacional em 1999 era de aproxima- Brasília (de 01 a 99). Exemplos: BR-010 (Brasília-
damente 157 mil quilómetros de rodovias pavimentadas e Belém) e BR-050 (Brasflia-São Paulo e Santos).
1,501 milhão de quilómetros de rodovias não pavimenta­ Rodovias Longitudinais - dispõem-se no sentido Nor­
das, totalizando 1,658 milhão de quilómetros, colocando o te-Sul (sentido dos meridianos, vertical). Seu núme­
Brasil em segundo lugar no mundo em extensão2. Porém, a ro começa pelo algarismo 1 acrescido por mais dois
distribuição geográfica das rodovias e estradas não é har­ algarismos referentes à sua proximidade com o lito­
mónica em todo o território nacional, pois vão escasseando ral. Exemplos: BR-101 (Rodovia Litorânea) e BR-116
a partir da região Centro-Oeste em direção à região Norte. (várias denominações como Rio-Bahia, Via Dutra4,
No contexto mundial, a Organização das Nações Uni­ Régis Bittencourt5, etc.).
das - ONU, por meio do seu Conselho Económico e Social, Rodovias Transversais - dispõem-se no sentido Leste-
desenvolve a criação de um plano rodoviário mundial divi­ Oeste (sentido das paralelas, horizontal). Seu núme­
dido em cinco grandes setores, cujo Sistema Panamericano3 ro começa pelo algarismo 2, acrescido por mais dois
é um deles, e no qual se insere o Brasil. algarismos referentes à sua distância em relação ao
No contexto brasileiro, as rodovias sob jurisdição fede­ extremo Norte do país. Exemplos: BR-230 (Rodovia
ral recebem a sigla BR, as estaduais, a sigla de seu respectivo Transamazônica) e BR-277 (Rodovia do Café, da Soja
Estado, e as municipais, a sigla de seu município precedida ou da Integração).
das letras PM (Prefeitura Municipal). As primeiras (fede­ Rodovias Diagonais - dispõem-se no sentido diagonal
rais), são classificadas e codificadas em cinco grandes cate­ (oblíquo) e são dispostas na direção Noroeste/Sudes-
gorias, segundo o Plano Nacional de Viação: te (codificadas com números pares) e Sudoeste/Nor-
deste (codificadas com números ímpares). Seu
• Rodovias Radiais - partem da capital federal (Brasília) número começa pelo algarismo 3, acrescido por mais
e irradiam-se desta para qualquer cidade, ligando-a dois algarismos referentes à sua distância de Brasília.
Exemplos: BR-364 (Rodovia Marechal Rondon) e
BR-381 (Rodovia Femão Dias).
2. Dados da Secretaria Estadual do Transportes de São Paulo, Rodovias de Ligação - dispõem-se em qualquer dire­
divulgados em palestra do então secretário Michael Paul Zeitlin
ção, estabelecendo ligação entre duas rodovias, ou
(2001). O primeiro país em extensão de malha rodoviária são os
Estados Unidos.
3. As rodovias que fazem parte desse sistema são codificadas 4. Trecho da BR-116 entre São Paulo e Rio de Janeiro.
com a sigla Pan. 5. Trecho da BR-116 entre São Paulo e Curitiba.
68 ♦ Coleção ABC do 'Saismo
Transportes ♦ 69

acesso a zonas de interesse estratégico. Seu número gem. Exemplo: SP-191/300 (sai do quilómetro 191 da
começa pelo algarismo 4, acrescido por mais dois al­ rodovia SP-300 em direção à Santa Maria da Serra).
garismos, tendo como referência inicial Brasília.
Exemplo: BR-407, que liga a BR-116 (em Vitória da
Conquista - BA) à BR-316 (em Picos - PI). OFERTA DE EQUIPAMENTOS, PRODUTOS
E SERVIÇOS
Além dessas categorias, há ainda rodovias codificadas
com algarismos iniciais 5 e 6 (acesso restrito sob jurisdição PRINCIPAIS TRANSPORTADORAS REGULARES
federal), como a BR-610, Rodovia Hélio Schimidt, área fe­
deral do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Em 2001 a frota rodoviária de ônibus regular era esti­
A codificação das rodovias estaduais segue a mesma mada em tomo de 168.039 unidades (Paolillo, 2001b). Ape­
sistemática do Plano Nacional de Viação com rodovias ra­ sar da diferença de terminologia de uma encarroçadora•6para
diais, longitudinais, transversais, diagonais e de ligação. outra, a maioria da frota era de ônibus urbanos (110.000
No entanto, a exceção é o Sistema Viário do Estádo de São unidades), seguida pela de ônibus rodoviários convencionais,
Paulo, que considera três categorias de rodovias: executivos e leito (53.039 unidades), e a minoria de ônibus
de turismo standard, luxo e superluxo (5.000 unidades).
• Rodovias Radiais - partem da capital em qualquer di­ Atentando para o ônibus rodoviário, há três categorias:
reção e são codificadas com números pares. This nú­
meros correspondem ao ângulo formado entre a •. Ônibus Convencional - número de assentos ao redor
diretriz da rodovia e o norte da capital, em sentido de 40 a 50, sanitário, sem ar-condicionado, poltro­
horário. Exemplos: SP-070 (Rodovia Ayrton Senna) nas reclináveis e de acabamento mais simples.
e SP-348 (Rodovia dos Bandeirantes). • Ônibus Executivo - número de assentos ao redor de 30
• Rodovias Transversais - circundam a capital a uma a 40, sanitário, ar-condicionado, poltronas reclináveis,
distância aproximada em quilómetros igual ao pró­ serviço self service de água e café, disponibilidade de
prio número da rodovia e são codificadas còm núme­ manta e travesseiro, acabamento mais refinado.
ros ímpares. Exemplos: SP-065 (Rodovia D. Pedro I) • Ônibus Leito - número de assentos reduzidos, ao re­
e SP-613 (de Teodoro Sampaio a Rosana, no Pontal dor de 25 a 35, sanitário, ar-condicionado, serviço
do Paranapanema). self service de água, café e “kit lanche”, poltronas
• Rodovias de Acesso - possibilitam o acesso de uma reclináveis tipo “cama” com anteparo para os pés, e
rodovia a cidades ou outros locais. São identificadas
pelo número do quilómetro em que se iniciam, separa­
do por barra e o código da rodovia que lhes dão ori- 6. Empresa que fabrica a carroçaria do ônibus
70 ♦ Coleção ABC do TUrismo Transportes ♦ 71

acabamento de luxo. Em algumas linhas da Itape- A Tabela 13 apresenta a relação das principais trans­
mirim há equipamentos para projeção de filmes, etc7. portadoras regulares de passageiros do Brasil, ordenados
pela área de abrangência de sua atuação e número de pas­
Já as categorias dos ônibus de turismo são as seguintes: sageiros transportados. Em primeiro lugar aparece a
Itapemirim, seguida da São Geraldo e da Gontijo - ambas
• Standard - Motorista uniformizado, tacógrafo ou com­ do mesmo grupo. Das dezenove empresas relacionadas, três
putador dè bordo, poltronas individuais reclináveis, sediam-se no Estado de São Paulo, sendo duas na Grande
descanso para os pés, sanitário a bordo, microfone e São Paulo e uma no interior.
assento para o guia de turismo, equipamento de som, O papel e a importância de duas delas podem ser assim
caixa de primeiros socorros equipada. destacados:
• Luxo - Além das características do modelo anterior,
deve possuir comissaria completa com lavatório, ge­ • Viação Cometa: criada em 1937, inicialmente cha­
ladeira, ar-condicionado, travesseiro. mou-se Auto Viação Jabaquara Ltda., atuando como
• Superluxo - Além das características dos modelos ante­ empresa de transporte coletivo urbano na cidade de
riores, possui poltronas-leito forradas com cóuro ou te­ São Paulo. Em 1948 teve sua razão social alterada
cido, além de mantas, toca-fitas, videocassete, aparelhos para Viação Cometa S/A, iniciando suas operações
de IX braço escamoteável (móvel) entre as poltronas, » intermunicipais e interestaduais. Em 1951 inaugu­
porta-copos, cafeteira e geladeira elétrica, forno de mi- rou a linha São Paulo-Rio de Janeiro, que se tomou
croondas, painel com relógio digital e indicador de a mais importante da empresa e introduziu, em 1953,
temperatura interna, calefação e esterilizador de ar8. o ônibus com ar-condicionado denominado “Moru­
bixaba”. Atualmente pertence ao grupo da Auto Via­
ção 1001, de Niterói, atuando nos Estados do Paraná,
7. Em 2002 apareceram os chamados “ônibus cama”, cujas São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
poltronas reclinam e ficam totalmente na horizontal.
• Viação Itapemirim: foi consolidada em 1953, inician­
8. Essa classificação baseia-se na seguinte legislação: Resolu­
do suas operações no sul do Espírito Santo. Exerceu
ção Normativa CNIhr 32, de 21/05/88 - Aprova o regulamento para
importante papel de integração nacional em face do
a classificação das atividades e serviços de transporte turístico de
movimento migratório entre o Nordeste e o Sudeste.
superfície; Deliberação Normativa Embratut 246; de 03/10/88 - Dis­
ciplina formalidades para a classificação de veículos e embarcações Posteriormente estendeu suas operações para o Sul
de turismo e a habilitação das empresas que explorem serviços de do Brasil, com a aquisição da Empresa de Ônibus
transporte turístico de superfície; Decreto 2.521 de 20/03/98, MT- Nossa Senhora da Penha, de Curitiba. Atua pratica-
DNER - estabelece as condições de prestação de serviços de trans­ mente em todo o território nacional, exceto nos Esta­
porte turístico de superfície, interestadual e internacional. dos de Mato Grosso do Sul, Acre, Amazonas, Roraima
72 ♦ Coleção ABC do Tkrismo
Transportes ♦ 73

Tabela 13 Principais transportadoras rodoviárias de passageiros


e Amapá. É considerada a segunda maior empresa
(2004).
rodoviária do mundo.9
Nome Frota d<i Cidade-Sede UF
ôníbus A título de curiosidade, podem-se citar algumas das li­
Viação Itapemirim S/A 1.266 Guarulhos SP nhas regulares de ônibus rodoviário mais longas da Améri­
Cia. São Geraldo de Viação Ltda 734 Belo Horizonte: MG ca do Sul e do Brasil, como mostrado na Tabela 14. A linha
Empresa Gontijo de Transportes Ltda 733 Belo Horizonte: MG mais longa, de Caracas a Buenos Aires, operada pela em­
Viação Anapolina Ltda 410 Anápolis GO presa peruana Expresso Ormeno S/A, praticamente circula
Empresa de ônibus Na. Sra. 264 Curitiba PR metade da América do Sul, sendo considerada a linha mais
da Penha S/A longa do mundo10.
Pluma Conforto e Hirismo S/A 252 Curitiba PR Tem-se ainda, no turismo rodoviário, iniciativas de inter-
Viação Cometa S/A 587 i São Paulo SP modalidade entre o ônibus e o avião em serviços, como:
Empresa de Transportes Andorinha S/A 232 Pres. Prudente SP
• Transportadoras rodoviárias do interior do Estado de
Viação Garcia Ltda 348 Londrina PR São Paulo, como a Caprioli, de Campinas, a Pássaro
Encatur - Empr. União Cascavel de 314 Cascavel PR Marron, de Aparecida e a Rápido Brasil, de Santos,
T. Hir. Ltda.
têm conexão com os serviços aéreos da B.R.A. - Bra­
Real Expresso Ltda 270 Brasília DF sil Rodo-Aéreo/Rotatur Charter.
Viação Águia Branca S/A 321 Cariadca ES • Transportadoras rodoviárias do grupo Áurea (Piradca-
Transbrasiliana - Ttansp. e Utrismo 264 Goiânia GO bana. União, Breda, Andorinha, etc.) executam conexão
Ltda
com serviços aéreos da Gol - Transportes Aéreos Ltda.
Auto Viação Catarinense Ltda. 302 Blumenau SC
Auto Viação 1001 Ltda 231 Niterói RJ
Nacional Expresso Ltda 162 Uberlândia MG
TRANSPORTADORAS E OPERADORAS TURÍSTICAS
Reunidas S/A - Transp. Coletivos 274 Caçador SC As transportadoras turísticas rodoviárias brasileiras ti­
Taguatur - Taguatinga Transp. e 219 :São Luiz • 1MA veram seu início na década de 1950, ligadas a operadoras
Utr. Ltda
turísticas como a Agaxtur, a Transatlântica e a Himalaia,
Viação Motta Ltda. 139 <Zampo Grande jMS
Fonte: Anuário do ôníbus (2005: 15).
9. A primeira é a norte-americada Gray Hound, que possui o
galgo como símbolo.
10. Conforme dados da Marcopolo (1998).
74 ♦ Coleção ABC do TUrismo Transportes ♦ 75

Tabela 14 Linhas internacionais e interestaduais mais longas de em São Paulo e, no Rio de Janeiro, com a Urbi et Orbi, que
empresas da América do Sul e do Brasil - 2001.
chegou a ser fam osa no m ercado de viagens. Mas foi a
Percurso Tipo Ext. Tempo Empresa Soletur que m arcou e inovou no turism o rodoviário no Bra­
(km) m sil e no Exterior.
Caracas (Venezuela) Internacional 5.725 110 Expresso A Soletur - Sol Agência de Viagens e Turismo Ltda.,
a Buenos Aires Ormeno - Peru criada no Rio de Janeiro em 1964, cobria com seus pacotes
(Argentina)
rodoviários o território nacional do Sul (Serra Gaúcha) ao
Cascavel (PR) a Por Internacional 5.460 103 Eucatur
la Mar, Isla Margarita Caribena Norte (até Belém, no Pará); e, na América do Sul, a Argen­
via Sta. Helena de tina, o Paraguai, o Uruguai e o Chile. Sua frota própria era
Uairém (Venezuela)11 com posta pelos mais modernos ônibus rodoviários da épo­
Pelotas (RS) a Interestadual 4.516 66 Penha ca, denom inados Solnave, de três eixos.
Fortaleza (CE)
Porém, como essas viagens duravam em tom o de 25 dias,
Rio de Janeiro (RJ) a Internacional 4.118 65 Pluma
Santiago (Chile) sendo que algumas ultrapassavam 30 dias, começou a apare­
Colatina (ES) a Porto Interestadual 3.800 cer um problema: o tempo disponível para as férias anuais foi
61 S. Geraldo/
Velho (RO) Itapemirim/ sendo reduzido e dividido em dois períodos de 15 dias cada
Águia Branca/ um, com a consequente redução da duração das viagens turís­
Eucatur ticas. Alia-se a isso a decadência do sistema rodoviário nacio­
São Paulo (Brasil) a Internacional 3.411 72 Eucatur nal e a oferta crescente de pacotes aéreos, fazendo com que a
Riberalta (Bolívia)
Soletur fosse reduzindo gradativamente suas operações ro­
São Paulo (Brasil) a Internacional 2.582 53 Penha
Córdoba (Argentina) doviárias e incursionasse no turismo aéreo nacional e inter­
São Paulo (Brasil) a Internacional 2.029 30 TTL nacional. Neste último, iniciou suas operações nos Estados
Montevidéo Unidos, em 1985, com o slogan “um ônibus brasileiro no
(Uruguai) Exterior”; em 1986, na Europa; e em 1992, na Austrália e na
São Paulo (Brasil) a Internacional 1.386 18 Pluma Nova Zelândia. Ao mesmo tempo foi vendendo sua frota de
Assunción (Paraguai)
ônibus e utilizando ffetamentos, no Brasil e no exterior. Em
F onte: P aolillo, 2001. outubro de 2001, em face do atentado de 11 de setembro
ocorrido em Nova York, a empresa requereu falência12.

12. Na ocasião, houve o cancelamento de grande número de


11. Trecho interrompido temporariamente na BR-319, entre Por­ operações já contratadas nos EUA em função da desistência de brasi­
to Velho e Manaus. Esse trecho é feito por navegação aérea e fluvial. leiros de viajarem para lá.
76 ♦ Coleção ABC do Hirismo Transportes ♦ 77

Outra agência de destaque no turismo rodoviário é a devem constituir uma agência de turismo com frota pró­
Agênda de Viagens CVC Hirismo Ltda., sediada em Santo pria, cadastrando nesse instituto a mesma. Os veículos des­
André (SP), criada em 1970. Inidalmente teve como públi­ sa categoria devem portar sua plaqueta de identificação em
co-alvo os fundonários das montadoras de veículos da re­ local visível ao usuário e ter pintura diferenciada, dentre
gião do ABC Paulista —Santo André, São Bernardo do Campo outros padrões referentes a cada categoria.
e São Caetano do Sul operando exclusivamente pacotes Na realidade, comumente as transportadoras turísticas
rodoviários económicos. Igualmente à Soletur, foi vendendo locam seus veículos durante os dias úteis da semana para
seus ônibus e terceirizando sua frota. Continua operando empresas não turísticas em fretamentos contínuos. Nos fi­
pacotes turísticos rodoviários, mas também se reposidonou nais de semana e feriados prolongados, disponibilizam tanto
no mercado e opera pacotes rodoaéreos e aéreos, nadonais os veículos convencionais quanto os turísticos para as opera­
e internacionais. doras, em desacordo à legislação turística. Com isso, os tu­
Importa dtar, ainda, a Caprioli TUrismo Ltda., criada ristas são prejudicados, pois cai a qualidade do equipamento
em 1975, com sede em Campinas (SP). Essa empresa ope­ e, conseqúentemente, do transporte na viagem turística.
ra pacotes turísticos com frota própria e loca ônibus turísti­ A Tabela 15 apresenta as maiores transportadoras de
cos para diversas agências de viagens. Faz parte do Grupo fretamento do Brasil, sendo que cerca de 50% estão sediadas
Caprioli, que congrega várias empresas entre transporta­ no Estado de São Paulo.
doras rodoviárias de transporte regular estadual, urbano e
turístico, e empresa de transporte aéreo regular regional
(Trip - Transporte Regional do Interior Paulista). Tabela 15 Maiores transportadoras rodoviárias de fretamento do
Além dessas operadoras, outras que se destacam no tu­ Brasil - 2001
rismo rodoviário nacional e que possuem frota própria são ; Nome Cidade-Sede UF
a Águia Branca (ES), Nacional (GO), Pomptur (SP), Santa
Transatur Advance, para a CVC São Paulo SP
Rita (SP), Única (RJ) e Guanabara (CE).
TUrismo Ltda
No Brasil, as transportadoras rodoviárias regulares po­
dem efetuar fretamentos, porém não em serviços turísticos. Urubupungá TUrismo Ltda Osaseo SP
Para atuarem no mercado turístico segundo regulamenta­ Viação Caprioli Ltda 1Campinas SP
ções13da Embratur - Instituto Brasileiro de Tbrismo de 1988, Fácil TUrismo - Única Auto ônibus Rio de Janeiro RJ
Jovem TUrismo - Real Expresso S/A Brasília DF
Águia Branca TUrismo Ltda Cariacica ES
13. Resolução Normativa 32, de 21/05/1988 e 246, de 03/10/1988, Gatti Transportadora TUrística Ltda j« ^ f e r i Ô T Ê i 3 Ã
e Nonna Complementar 221, de 02/12/1988.
78 ♦ Coleção ABC do Turismo Transportes ♦ 79

Tabela‘15 Maiores transportadoras rodoviárias de fretamento do de veículos, com uma frota estimada de 116 mil veículos,
Brasil - 2001 Çcont.) gerando 66 mil empregos. Essas empresas oferecem servi­
Nome Cidade-Sede UF ços de aluguel de veículos para deslocamentos em: viagens,
Turismo Três Amigos Ltda Rio de Janeiro RJ
passeios, negócios, etc.; com ou sem motorista, bilíngue,
poliglota ou não, masculino ou feminino. Os tipos de veícu­
Princetur Passagens e Turismo S/A . Ponta Grossa PR los podem ser assim classificados:
Pomptur - Pompéia TUrismo Ltda São Paulo SP
Osastur - Osasco Hirismo Ltda. Osasco 1 SP • Automóveis: pequenos, médios e grandes;
• Limusines: veículos espaçosos e luxuosos;
Expresso Guanabara Ltda/ Fortaleza/ CEe • Esportivos e “off-roads”: buggies e veículos com tra­
Normandy do Triângulo Rio de Janeiro RJ
ção nas quatro rodas;
Eucatur - Empr. União Cascavel Cascavel e Ji-Paraná PRe • Utilitários: pick-ups; cargo-vans, Fugoline, Ibiza, Bes­
TUrismo Ltda RO tas, Kombis, etc;
Útil 8- União Transportadora Interes­ Juiz de Fora MG • Trailers: de todos os tipos;
tadual de Luxo Ltda • Outros.
Bogotur Joinville SC,
* Algumas autolocadoras, para aumentar suas vendas,
Nacional Turismo Ltda Uberlândia MG
realizam convénios com as companhias aéreas, hoteleiras e
Fonte: Paolillo (2001b). marítimas, promovendo a combinação de seus serviços e
equipamentos e configurando novos produtos no mercado
dé viagens. A Tabela 16 apresenta alguns desses produtos a
título de registro, pois muitos deles já não existem mais.
LOCADORAS DE VEÍCULOS Além desses serviços, oferecidos pelas autolocadoras, o
turista possui à sua disposição, nas grandes cidades, os ser­
O turismo foi o grande disseminador dos serviços de
viços de táxi, de autolotação e de transporte coletivo urba­
locação de veículos, porém, a globalização trouxe a evolu­
no. Em algumas cidades há serviços de mototáxi, como em
ção na terceirização dos serviços automotivos nos setores
Bonito (MS).
industriais e de serviços, oferecendo às locadoras uma nova
“fatia” de mercado que está em constante expansão. Isso
também ocorre no Brasil.
Segundo a Associação Brasileira das Locadoras de Au­
tomóveis - ABLA, em 1999 havia cerca de 2.060 locadoras
80 ♦ Coleção ABC do Tkrismo Transportes ♦ 81

Tabela 16 A intermodalidade a partir do rodoviário o tráfego de automóveis. Em 1925 foi a primeira es­
trada a receber pavimento em concreto, sendo tom­
Nome do produtt Locadora Empresa Empresa Empresa bada em 1972 pelo Condephaat. Faz parte do Núcleo
Aérea Hoteleira Marítima
Cubatao do Parque Estadual da Serra do Mar (SP).
TTansauto Locarauto Transbrasil - - No trecho da serra do mesmo nome, entre São Ber­
Quarto & Rodas Avis & Maksoud, nardo do Campo e Cubatão, além do atrativo do seu tra­
Inter- Horsa, Tropical çado descortinando inúmeras paisagens, apresenta
locadora monumentos como o Rancho da Maioridade e o Padrão
Fly & Drive Álamo PanAm - - Lorena (ponto de cruzamento com a Calçada do Lorena).
AutoVàsp
Atualmente, neste trecho, é proibido o trânsito de veí­
Locarauto Vasp - -
culos, porém monitores acompanham grupos de ex­
Flórida Especial General - - Discovery cursionistas que, a pé, realizam a descida da serra.
Cruisers Estrada do Rio do Rastro. Chegando à região serrana
Diária de Bordo Unidas Vasp - - de Santa Catarina, subindo a Serra do rio do Rastro,
- Inter- Varig Volkswagem - essa estrada encontra-se inserida em um cenário pri­
locadora vilegiado. Encravada na rocha, em seus 12 quilóme­
tros de extensão e 1.400 metros de altitude, propicia
Fonte: Paolillo (2001a).
uma vista privilegiada do litoral.
A Rota Romântica, na Serra Gaúcha de São Leopoldo
ESTRADAS TURÍSTICAS a São Francisco de Paula, corta uma região de extre­
ma beleza, oferecendo aos visitantes paisagens in­
A oferta de estradas turísticas ou de interesse cênico no comparáveis, vilas e povoados com casario típico em
Brasil é muito pequena. No entanto, podem ser destacadas enxaimel, cuja população local ainda fala com os so­
as citadas a seguir. taques da Bavária, Boémia ou com os dialetos das
margens do Reno.
• Estrada da Graciosa, talvez q melhor exemplo de es­ Estrada Parque, no município de Itu, trecho da SP-
trada cênica no Brasil, atravessa a Serra do Mar fazen­ 312 que margeia o rio Tietê, um projeto desenvolvido
do a ligação entre Curitiba e Antonina, no Paraná. É pela Secretaria de Esportes e Turismo do município
muito procurada para passeios de bicicletas, caminha­ com o objetivo de recuperação e utilização turística.
das e trajeto de carros particulares e/ou microônibus. Roteiro da Inconfidência, caminho oficial da antiga es­
• Caminho do Mar, estrada adaptada ao traçado da Es­ trada entre o Rio de Janeiro e Ouro Preto (antiga Vila
trada da Maioridade, foi aberta em 1920 e permitia Rica), em Minas Gerais, o Caminho Velho para as Minas
82 ♦ Coleção ABC do Thrismo Transportes ♦ 83

dos Cataguás, o verdadeiro “Caminho do Ouro”. Hoje Iguape (SP); Tambaú e Aparecida (SP e sul de MG);
há trechos ainda com calçamento original, como o en­ São Roque a Águas de São Pedro (SP); Caminhos de
contrado perto de Tingiiá da Serra do Couto, que são Anchieta - Itanhaém a Peruíbe (SP), Anchieta a Vitó­
procurados para caminhadas e passeios de bicicleta. ria (ES); Macapá a Marzagão Velho (AP).
• Caminho novo da Trilha do Ouro, entre Paraty e Ouro
Preto, pela Serra dos Órgãos, permanecendo pouco
alterado até os dias de hoje, rota de desvio do paga­
ANÁLISE DA REALIDADE
mento em ouro do Quinto Real a Portugal. Nos Estados de São Paulo e Paraná os efeitos da
• A rodovia SP-139, que corta o Parque Estadual Carlos privatização já são visíveis: a rede rodoviária apresenta ín­
Botelho, na Serra das Macacas, subdivisão da Serra dices de conservação, sinalização e segurança elevados. Mas
de Paranapiacaba, encontra-se em processo de trans­ no restante do país a privatização caminha a passos lentos
formação em Estrada Parque num trecho entre São e a malha rodoviária continua deteriorada, com o agravan­
Miguel Arcanjo e Sete Barras. te da falta de segurança e de equipamentos de apoio.
• Estrada Parque do Pantanal Sul-Mato-Grossense, inau­ Nos dois últimos anos, a insegurança jurídica na reno­
gurada pela prefeitura de Corumbá em julho de 1998. vação de seus contratos de permissões, a defasagem acen­
São 120 quilómetros de terra batida das rodovias MS tuada em suas tarifas, as elevadas cargas tributárias, os
184 e 228 apresentando a beleza cênica da região. A constantes aumentos dos seus principais insumos e as pés­
estrada possui seis mirantes com painéis explicativos simas condições das estradas brasileiras são alguns dos itens
sobre a fauna, a flora, a localização das pousadas e que constituem preocupação por parte do empresariado.
um centro de orientação aos visitantes. A estrada Além disso, com os contratos de concessão para a iniciativa
pertence a uma área Especial de interesse turístico. privada, o DNER - Departamento Nacional de Estradas de
• Há ainda outros caminhos, cujo percurso é realizado Rodagem foi extinto, ficando em seu lugar a ANTT - Agên­
a pé, que estão sendo desenvolvidos nos chamados cia Nacional de Transportes Terrestres.
“Roteiros da Fé”14: do Vale do Ribeira a Bom Jesus de Segundo palestras proferidas no evento uTransporte
2001”, realizado em São Paulo, um estudo conduzido re­
14. “O Utrismo religioso não é propriamente uma excursão nem centemente pela Confederação Nacional dos Transportes
um passeio, mas uma viagem inspirada pela fé, que toma o nome de qualificou de deficiente para péssima 77% da malha rodo­
peregrinação. É preciso, pois, lembrar alguns traços característicos viária. Apesar disso, a área dos transportes terrestres no
do autêntico peregrino: “(...) parta, no sentido pleno desta palavra, Brasil está atendendo às novas exigências ambientais quanto
deixando para trás maus hábitos, comodismo, egoísmo (...) Os visi­ aos projetos de construção e conservação de rodovias.
tantes encantam-se com as histórias dos santos, as trilhas e os luga­ O setor de ffetamento vem igualmente se ressentindo
res sagrados (...)” (Embratur, s/d). da falta de infra-estrutura viária, que se reflete na redução
84 ♦ Coleção ABC do TUrismo

de seus negócios, em se tratando de serviços de transporte


turístico intermunicipal, interestadual ou internacional.
Nesse cenário, o conforto e a segurança da viagem estão
seriamente comprometidos e afastam o cliente do turismo
rodoviário, tão valorizado até o início da década de 1990. 4. MODAL AÉREO NO
Ainda assim, a atuação das empresas no turismo rodo­ TURISMO BRASILEIRO
viário no Brasil está segmentada em duas correntes:

• Empresas que operam nas grandes cidades e arredores


(com itinerários de até 200 km) por meio de citytour,
sightseeing, transfer, e que geralmente complementam
os modais, aéreo, ferroviário ou aquaviário, este últi­
mo na temporada de cruzeiros marítimos de verão; CONSIDERAÇÕES GERAIS
• Empresas que operam pacotes rodoviários próprios
tráfego aéreo internacional e doméstico de passagei­
ou atendem às necessidades de operadoras turísticas
em programas normalmente de curta e média dura­
ção; operam ainda pacotes de longa distância em
0 ros e os movimentos turísticos internacionais vêm apre­
sentando taxas de crescimento similares nas últimas décadas.
Esse tráfego constitui, na verdade, um setor estratégico no
menor quantidade, incluindo operações regionais ba­
crescimento das economias de muitos países (OMT, 1995).
sicamente no Mercosul.
O avanço tecnológico da aviação propiciou o desenvol­
vimento do turismo massivo e de longa distância. Ao lado
As empresas locadoras atuam, preferencialmente, na
do importante fluxo de viajantes de negócios que susten­
terceirização de frota, porém houve crescimento discreto
tam a operação regular de passageiros, tem-se o tráfego
no segmento do turismo, indicando um interesse das mes­
turístico que utiliza tanto os vôos regulares quanto os vôos
mas na sua exploração.
charter (fretados).
O setor rodoviário é responsável por cerca de 90% das
A aviação tem duas categorias básicas: a militar e a ci­
viagens nacionais, sendo a mais importante modalidade de
vil. Esta última divide-se, por sua vez, em vôos de compa­
transporte de passageiros no Brasil, segundo a Abrati - As­
nhias aéreas, de um lado, e todas as demais modalidades
sociação Brasileira das Transportadoras Rodoviárias Inte­
de vôo conhecidas, de outro. Neste item enfoca-se a avia­
restaduais. Apesar disso, faltam estudos e estatísticas no
ção comercial relacionada às companhias aéreas.
Brasil que quantifiquem e qualifiquem o fluxo turístico ro­
No transporte aéreo internacional, é importante citar o
doviário em ônibus regulares e fretados.
papel da lata - International Air Transport Association - a
86 ♦ Coleção ABC do Hirismo Transportes ♦ 87

partir da Segunda Guerra Mundial, desenvolvendo todo um aérea de um terceiro país, em rotas que os ligam
sistema de padronização (linguagem fonética internacio­ a esses;
nal, códigos de companhias aéreas e de aeroportos, etc.) e • Sétima Liberdade - direito de transportar passageiros,
de regulamentação de tarifas aéreas. correio e carga entre dois países por uma companhia
As operações de tráfego e de sobrevôo são regulamen­ aérea de um terceiro país em rotas não associadas
tadas por acordos entre países com base em direitos de re­ a estes;
ciprocidade calcados nas cinco liberdades do ar, consignados • Oitava Liberdade ou Direito de Cabotagem - direito de
na Convenção de Chicago, em 1944 (OMT, 1995): transportar passageiros dentro de um país por uma
companhia aérea de outro país, em uma rota com
• Primeira Liberdade - Direito de sobrevoar o território origem e destino no país de origem da companhia
de um determinado país sem pousar - liberdade de (Cintra, 2001: 348-350).
sobrevôo;
• Segunda Liberdade - Direito de efetuar paradas no
Ainda importa citar os sistemas computadorizados de
território de um determinado país, sem direito de trá­
reservas aéreas (CRS - Computer Reservation System), que
fego - pouso técnico;
surgiram a partir da década de 1970, ligados a grandes
• Terceira Liberdade - Direito de transportar para um
determinado país, passageiros, cargas e correio pro­ empresas aéreas, como o Sabre, na American Airlines; o
venientes do país de bandeira da companhia aérea; Amadeus na Lufthansa, Air France, Iberia e SAS; e o Galileo
• Quarta Liberdade - Direito de recolhei; no território na British Airways, KLM, Swissair e Covia.
de um determinado país, passageiros, carga e correio Esses sistemas, inicialmente criados para agilizar e fa­
destinado ao país de bandeira da companhia aérea; cilitar as reservas aéreas, foram depois disponibilizados às
• Quinta Liberdade - Direito de transportar, nos dois agências de viagens para comercialização das passagens
sentidos, passageiros, cargas e correio no território aéreas. Como estas necessitavam de outros produtos, fo­
de um país para o território de outro, por uma com­ ram incorporando informações referentes a meios de hos­
panhia de um terceiro país, numa rota que começa e pedagem, locação de veículos, passeios nos núcleos
term ina no país de origem dessa companhia aérea. receptores, ingressos de espetáculos, informações sobre
destinos turísticos, etc. Logo tomaram-se um importante
Após a Convenção de Chicago, surgiram mais três li­ fator de competitividade no mercado turístico e acabaram
berdades:• por se desvincular das companhias aéreas que lhes deram
origem, transformando-se em novas empresas de distribui­
• Sexta Liberdade - Direito de transportar passageiros, ção no mercado turístico. Hoje são chamados de GDS -
carga e correio entre dois países por uma companhia “Global Distribution System”.
88 ♦ Coleção ABC do Ilirismo
Transportes ♦ 89

OFERTA DE EQUIPAMENTOS, PRODUTOS Em 2005, o cenário foi alterado para:


E SERVIÇOS
• Gol Transportes Aéreos S/A (São Paulo, SP);
AVIAÇÃO NACIONAL E REGIONAL • TAM - Linhas Aéreas S/A (São Paulo, SP);
• Varig S/A - Viação Aérea Rio Grandense (Porto Ale­
A aviação civil no Brasil é regulamentada pelo DAC - gre, RS);
Departamento de Aviação Civil - ligado ao Ministério dos • Total Linhas Aéreas S/A (Belo Horizonte, MG);
Transportes e sob responsabilidade de militares. Em mea­ • BRA - Brasil Rodo Aéreo (São Paulo, SP);
dos da década de 1990, o DAC flexibilizou a abertura das • Ocean Air - Cia. Aérea (Rio de Janeiro);
rotas e dos preços de tarifas aéreas num processo conheci­ • WebJet - (São Paulo).
do como “desregulamentação” do transporte aéreo brasi­
leiro, iniciado com a privatização da Vasp e o crescimento Aguardam permissão da Infraero para voar as companhias
de companhias menores como a TAM. AirMinas, Sete, Globex, Capital, JetSul e Samba (da CVC).
As medidas de maior impacto ocorreram após 1998 e A alta do dólai; os atentados terroristas de 11 de setem­
principalmente no final de 2000, quando surgiu o projeto bro nos Estados Unidos e o início da crise argentina não
para a criação da Anac - Agência Nacional de Aviação Civil. foram benéficos para as empresas aéreas brasileiras. No fi­
Esta agência, ainda não implantada, dentre as suas atribui­ nal de 2001, a Transbrasil parou de voar em função de dívi­
ções, desmilitarizaria o transporte aéreo brasileiro e inicia­ das trabalhistas e com fornecedores, tomando improvável
ria o processo de privatização dos aeroportos nacionais. o seu retomo ao cenário nacional. Outras companhias tive­
ram de adotar políticas mais realistas, como cortar rotas
No serviço aéreo nacional doméstico ou de cabotagem,
internacionais deficitárias e adequar tarifas e número de
atuavam sete grandes companhias aéreas em 2001:
funcionários.
Nesse cenário, surgiu, em janeiro de 2001, a Gol, que
• Gol Transportes Aéreos Ltda. (São Paulo, SP);
teve um desempenho surpreendente, introduzindo no mer­
• Nordeste Linhas Aéreas S/A (Salvador, BA);
cado o modelo low cost, low fare (estrutura enxuta com
• Rio-Sul Linhas Aéreas S/A (Rio de Janeiro, RJ);
gastos mais baixos e tarifas mais baratas). A Tabela 17 apre­
• TAM - Transportes Aéreos Meridionais S/A (São
senta a participação das empresas nacionais no mercado
Paulo, SP); doméstico em 2001 e 2002.
• Transbrasil Linhas Aéreas S/A (São Paulo, SP); A Varig e a TAM, na operação de linhas internacionais,
• Varig S/A Viação A érea Rio G randense (Porto estabelecem acordos e alianças com empresas estrangei­
Alegre, RS); ras, como o code-sharing, entre a TAM e a American Airlines,
• Vasp - Viação Aérea São Paulo S/A (São Paulo, SP). que possibilita a ambas compartilhar equipamentos, tripu-
90 ♦ Coleção ABC do TUrismo Transportes ♦ 91

Tabela 17 Participação das companhias aéreas nacionais no de operadoras turísticas que se aventuraram a lançar no
mercado doméstico - 2001 e 2002 mercado pacotes aéreos próprios individualmente ou em
pool com outras operadoras, tais como a CWB (Curitiba),
Empresa Janeiro 2001 (%) Janeiro 2002 (%)
Ati, Costa, Dimensão e Previsão, de São Paulo.
TAM 29,50 37,48 A partir da década de 1970, todo o território nacional
VARIG 29,13 27,27 foi liberado para a operação das empresas regionais, crian­
do o conceito das linhas nacionais regionais. As principais
VASP 14,83 14,14
companhias aéreas regionais em operação em 2005 são:
GOL 1,13 8,30
RIO SUL 8,38 7,59 •Abaeté Linhas Aéreas (Salvador, BA);
•Meta - Mesquita Transportes Aéreos (Boa Vista, RR);
NORDESTE 2,77 3,96
•Pantanal Linhas Aéreas S/A (Campo Grande, MS);
TRANSBRASIL 12,33 - •Rico - Linhas Aéreas Ltda. (Manaus, AM);
GRUPO VARIG (Varig, 40,28 38,82 •Taf - Transporte Aéreo Fortaleza (Fortaleza, CE);
Rio Sul e Nordeste) •Tavaj - Transportes Aéreos Vale do Juruá S/A (Rio
Branco, AC);
F onte: Oitidca (2002: C-6).
• Total - Linhas Aéreas S/A (Belo Horizonte, MG);
• Trip - Transporte Regional do Interior Paulista (Cam­
lação e/ou equipamentos em terra, dentre outros serviços; pinas, SP).
ou a participação da Varig no programa Star Alliance, que
congrega 14 companhias, possibilitando a integração entre A Tabela 18 apresenta as companhias aéreas brasileiras
a malha aérea, equipamentos, tripulação e milhagem entre que operam as linhas nacionais e regionais, e suas respecti-
elas e oferecendo, assim, maior oferta de horários e fre­ vas frotas de equipamentos fornecidos pelas seguintes in­
quência de vôos. dústrias: Boeing (americana). Airbus (européia), Embraer
As companhias aéreas nacionais estão trabalhando com (brasileira). Bombardier (canadense) e outras. Utilizam
as operadoras turísticas tanto na comercialização de passa­ diversos modelos de aeronaves e diferentes configurações
gens em vôos regulares como em vôos charter. A grande de assentos, alguns dos quais são apresentados nessa mes­
questão quanto à comercialização dos vôos charter é que o ma Tabela.
seu pagamento deve ser efetuado logo após a reserva, ou Verifica-se, por esses dados, que a Gol é a pioneira na
seja, antes da realização do vôo, obrigando as operadoras a utilização do Boeing 737-700, sendo a mais jovem compa­
bancarem essa operação que pode lograr ou não êxito. Tal nhia aérea nacional, fundada em 2001, criada nos moldes
situação ocasionou, junto com outros aspectos, a falência da Southwest Airlines (Texas, EUAJ* B IB L IO T E C A
Curso de Turismo
________UFOP_______
92 ♦ Coleção ABC do Turismo
Transportes ♦ 93

Tabela 18 Tipos de aeronaves utilizados pelas companhias aéreas Tabela 18 Tipos de aeronaves utilizados pelas companhias aéreas
brasileiras - 2005 brasileiras - 2001 (cont.)
Companhias Fábrica Modelo Configuração Companhias Fábrica Modelo Configuração
Classe/Capacidade padrão Classe/Capacidade padrão
BRA Boeing 737-300 Económica/108 lugares Varig Boeing 767-300-ER Primeira Classe/
Gol Boeing 737-700 Econômica/48 lugares 15 lugares
Executiva/18 lugares
Ocean Air Embraer Brasília Econômica/30 lugares Econômica/189 lugares
Ocean Air Fokker F-50 Econômica/50 lugares Varig Boeing 737-200 Econômica/109 e
Ocean Air Fokker F-100 Económica/108 lugares 118 lugares

Pantanal Aeroespatiale- ATR-42 Econômica/48 lugares Varig Boeing 737-300 Econômica/108 e


Alenia 132 lugares

TAM Airbus A-300-200 Primeira Classe/ Varig Boeing 737-800 Executiva/12 lugares
18 lugares Econômica/108 lugares
Executiva/36 lugares WebJet Boeing 737-300 Econômica/108 e
Econômica/171 lugares 132 lugares
TAM Airbus A-319-100 Executiva/8 lugares
Econômica/114 lugares
TAM Airbus A320-100 Executiva/10 lugares
Econômica/156 lugares TÁXIS AÉREOS

Tavaj Fokker F-27 Econômica/44 lugares O Brasil possui uma das maiores frotas de táxi aéreo do
Tavaj Embraer 120 Ban­ Econômica/30 lugares mundo, cuja expansão foi facilitada pela extinção das áreas
deirantes geográficas no início da década de 1990, as quais foram
Aeroespatiale- ATR-42 Econômica/48 lugares estabelecidas pelo Ministério da Aeronáutica em 1976 para
Total
Alenia a exploração comercial de empresas aéreas regionais.
Os aviões de pequeno porte são operados principalmente
Trip Aeroespatiale- ATR-42 Econômica/48 lugares
Alenia nas regiões Centro-Oeste (Pantanal) e Norte (Amazônia)
do território brasileiro, e sua utilização turística vem cres­
cendo acentuadamente nos últimos anos. Nos aeroportos
de Campo Grande, Goiânia, Cuiabá, Porto Velho, Manaus e
94 ♦ Coleção ABC do Hirismo Transportes ♦ 95

outros de menor porte, tem-se observado, com frequência, São Paulo, com 189 helipontos em 2001, já enfrentava
a conexão entre vôos regulares e táxis aéreos para atender horário de picp e lentidão nos céus, de manhã e à tarde,
a pequenos grupos de turistas, principalmente internacio­ assim como ocorre no trânsito em terra. Sua frota ocupava
nais, com destino a locais do Pantanal e da Amazônia. a segunda colocação no mundo em movimento de helicóp­
O crescimento do segmento de táxis aéreos no Brasil teros, perdendo apenas para Nova York.
deu-se, em parte, em face do recrudescimento da fiscaliza­ Além de facilitar o acesso a destinos não cobertos efiden-
ção da polícia federal sobre as operações de aeronaves clan­ temente por outros modais e a aeroportos ou pistas de pouso
destinas (garimpo, contrabando, etc.), ocasionando a sua pouco preparados para enfrentar apromissor contingente
migração para o turismo, atendendo tanto a executivos de turistas, o helicóptero também é uma boa opção para aque­
quanto a turistas de alto poder aquisitivo. Para tanto, houve les que desejam incluir vistas aéreas em seus passeios. Em
a melhora dos serviços e equipamentos e foi ampliada a oferta muitos atrativos turísticos brasileiros são ofereddos servi­
ços de vôos panorâmicos e tours aéreos diurnos e noturnos.
em regiões “inacessíveis” do Pantanal e da Amazônia.
A Infraero - Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aero­
A título de ilustração, podem-se citar as seguintes em­
portuária, criada em 1973, é responsável pela administra­
presas de táxi aéreo, que operavam a partir do Aeroporto
ção dos prindpais aeroportos brasileiros. Além dessa empresa,
de Congonhas (São Paulo), em 2001: ' participam dos terminais os seguintes órgãos e empresas:
• Air Wilson Táxi Aéreo; • Serviço de Proteção ao Vôo - Serac;
« Flamingo Táxi Aéreo Ltda.; • Departamento de Aviação Civil - DAC;
• Global Táxi Aéreo; • Receita Federal;
• Iga Táxi Aéreo Ltda.; • Pólída Civil;
• Japi Táxi Aéreo Ltda.; • Empresas de Aviação;
• Líder Táxi Aéreo S/A; • Outras empresas (lojas, restaurantes, lanchonetes, sa­
• Lara Táxi Aéreo; las VIR etc.)
^ TAM - Táxi Aéreo Marília S/A, dentre outras.
O transporte aéreo exige grandes investimentos em ter­
A chegada dos helicópteros tipo “fusca”, mais baratos e minais, que geralmente são distantes dos centros urbanos.
simples, realizando um serviço de deslocamento rápido, O Brasil, em face da sua dimensão territorial, possuía, em
seguro e confortável, explica boa parte do crescimento des­ 2002, administrados pela Infraero:
se tipo de aeronave no país. No início de 2002 contavam-se
cerca de 90 empresas de táxis aéreos nos Estados de São •■Lf oito aeroportos intemadonais de primeira categoria:
Paulo e Mato Grosso. Tancredo Neves (Belo Horizonte), Presidente Jusce-
96 ♦ Coleção ABC do Tkrismo Transportes ♦ 97

lino Kubitschek (Brasilia), Pinto Martins (Fortaleza), complementar ou suplementar. Como conceitos novos de
Brigadeiro Eduardo Gomes (Manaus), Luis Eduardo charter são continuadamente processados e seus regulamen­
Magalhães (Salvador), Antonio Carlos Jobim (Rio de tos liberados em vários países, a idéia global de uma opera­
Janeiro), Mário Covas (Guarulhos - São Paulo) e ção charter altera-se constantemente.
Afonso Pena (Curitiba); Apesar do conceito de charter no Brasil ser o mesmo
• quinze aeroportos de segunda categoria: Vai de Cans utilizado nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa,
(Belém), Boa Vista (Boa Vista), Viracopos (Campi­ algumas condições diferem. Em geral, os tipos de vôos
nas), Campo Grande (Campo Grande), Corumbá de fretamento aberto (open-charter) ao público são os
(Corumbá), Hercílio Luz (Florianópolis), Cataratas seguintes:
(Foz do Iguaçu), Macapá (Macapá), Augusto Severo
(Natal), Salgado Filho (Porto Alegre), Guararapes • Inclusive Tour Charter - ITC - passeio incluso no charter;
(Recife), Presidente Médici (Rio Branco), Santarém • Three-stop, Inclusive Tour Charter - ITC - com três
(Santarém), Marechal Cunha Machado (São Luís) e escalas incluídas no charter;
Congonhas (São Paulo). • One-stop, Inclusive Tour Charter - OTC - com uma
escala incluída no charter;
• Advance Booking Charter - ABC -, reserva charter
EMPRESAS CHARTER antecipada;
• Special Events Charter - SEC, para ocasiões especiais;
A norma das operações charter no Brasil baseia-se nas • Travel Group Charter - TGC, viagem em grupo.
seguintes regulamentações:
Em termos de vôos de fretamento fechado (closed-charter)
• Portaria 676/GC5, de 13/11/2001, dispõe sobre os ao público em geral, tem-se:
serviços com vôos charter e informa as condições para
abertura de empresa charter; • Charter por grupos de afinidade;
• Portaria 1.402, de 20/12/1993, dispõe sobre a autori­ • Affinity Group Split Charter, para grupos isolados;
zação de vôos charter internacionais de passageiros; • Own Use Charter, para uso próprio;
• Norma 1.501, de 20/12/1997, dispõe sobre a autori­ ' Student Charter, para estudantes.
zação de operação de vôos charter nacionais de
passageiros. A operação dos vôos charter, além de ser realizada por
companhias charter, também pode ser realizada por empre­
Dentro das empresas aéreas e de turismo como um todo, sas de transporte regular. A principal empresa charter que
o charter é reconhecido geralmente como um transporte atua no mercado nacional é a BRA - Brasil, Rodoviário e
98 I ♦ Coleção ABC do TUrtsmo Transportes ♦ 99

Aéreo, em pool com a Rotatur Charter do grupo Varig (São rismo, proporcionando descontos concedidos a gru­
Paulo, SP)1. pos, vigorou durante o período de 1978 a 1981;
• Brasil Turístico - reedição do VDT sob o slogan “Pro­
Já a realidade comercial e técnica do transporte freta­ grama Brasil Turístico, o país ao alcance de todos”, que
do por navegação aérea nacional apresenta as seguintes vigorou de 1982 a 1983;
características: • BIT - Brasil Turístico Individual - e BTG - Brasil Turís­
tico em Grupo - evolução do Brasil Turístico, propi­
• Vantagens: O preço das passagens amplia o mercado a ciando descontos a pessoas físicas e a grupos nunca
pessoas que não poderiam, de outro modo, viajar de inferiores a cinco pessoas, durante o período de 1984
avião; une aeroportos não incluídos em linhas regula­ a 1986; f
res; familiariza o cliente com o transporte aéreo; adqui­ • Passaporte Brasil - produto de marketing simboliza­
re a frota excedente das grandes companhias regulares, do num livreto verde, semelhante ao passaporte, com
operando assim com tarifas menores; seu êxito pode direito a descontos na passagem aérea. Os viajantes
evoluir para a implantação de novas linhas regulares. em grupo tinham direito, também, ão mesmo des­
• Desvantagens: Fazem concorrência aos vôos regula­ conto em hotéis. Todos os seus portadores tinham
res; as passagens não são endossáveis, isto é, o bilhe­ descontos especiais em restaurantes, casas de artesa­
te de um a empresa aérea não serve para viajar num nato, museus, teatros, shopping centers e locadoras
voo, na mesma rota, de outro horário ou de outra de veículos (Embratur, 1986). Mais tarde incluiu o
companhia aérea. “seguro saúde” e o “seguro sol” (Passaporte Brasil,
s.d.:4); e ampliou a área geográfica de sua abran-
PROGRAMAS OFICIAIS E DE MILHAGEM gência. Vigorou entre 1986 a 1987 com o slogan:
"Todas as vantagens do mundo para conhecer o Brasil”.
A Embratur criou os seguintes “programas” para fomento • Passaportezinho Brasil - criado em 1987, visava ao
do turismo doméstico envolvendo os transportes aéreos a incremento de viagens de crianças de 5 a 12 anos
partir do filial da década de 1970. pelo Brasil, com descontos e vantagens especiais.
Incentivava o desenvolvimento de roteiros turísticos
• VTD - Vôo de Turismo Doméstico - convénio entre as adequados aos currículos escolares para as crianças,
companhias de transporte aéreo e as agências de tu- cuja figura central da campanha era o boneco Alegria.

Os programas de milhagem procuram a fidelização dos


1. A Via Brasil e a Passaredo, em 2002, e a Fly, em 2003, encer­ clientes das companhias aéreas. No Brasil, as companhias
raram suas atividades. áreas procuram acompanhar a tendência mundial desse
100 ♦ Coleção ABC do TUrismo Transportes ♦ 101

segmento, como o Smiles da Varig, o Fidelidade da IAM e o A partir de 1993, com a sua privatização levada a efeito
Bónus Viagem da Vasp. pelo Governo do Estado de São Paulo, criou-se o Bónus Via­
O Grupo Varig, até 1994, comercializou o Consórcio de gem Vasp - BV um programa de milhagem em que, a cada
Viagens Varig, um investimento de 6 a 36 meses para finan­ dez viagens, o cliente ganha uma grátis.
ciar parceladamente a viagem. Depois de contemplado, o
cliente recebia o crédito de passagens da malha aérea, po­
dendo utilizar até 30% do valor total para trechos off-line. ANÁLISE DA REALIDADE
Em 1994 foi instituído o programa de milhagem Smiles, Apesar dos progressos registrados, o transporte aéreo
com o tem a “Construindo a Viagem de seus Sonhos”. Atual­ no Brasil continua sendo um setor que exige enormes in­
mente, Varig, Rio Sul, Nordeste e Pluna participam desse vestimentos e proporciona baixa rentabilidade económica.
programa, que tem ainda parceria com as companhias in­ O fator que mais onera as empresas nacionais de transpor­
ternacionais da Star Alliance, da SAA - South Africa Airways te aéreo é ò custo Brasil, cujos principais componentes são
- e da Spanair. as estruturas tributárias e impostos cumulativos, impostos
No programa, sãó consideradas milhagens de vôos que em cascata, excesso de taxações, de burocracia e de inge­
variam em função do tipo de classe (Primeira Classe, Exe­ rência governamental.
cutiva e Económica), e pontos em compras e serviços cre­ Segundo Mauro Gandra, então presidente do SNEA,
denciados, convertidos em milhas, os quais são creditados enquanto outros países procuram criar um ambiente que
na conta Smiles. Os cartões do programa classificam-se em propicie vantagens competitivas às suas empresas, o Brasil,
quatro tipos (á2ul, prata, ouro e diamante), conforme o ao contrário, faz as empresas nacionais colecionarem des­
volume de milhas acumuladas durante o ano. vantagens competitivas. “Não tenho dúvida nenhuma de
O programa Fidelidade TAM foi criado em 1993.0 clien­ que, do ponto de vista da produção nacional, é absoluta­
te ganha pelo menos um ponto a cada trecho sobrevoado, e mente impossível ser competitivo com a estrutura tributá­
a cada dez pontos acumulados recebe um trecho-convite ria que aí está” (Custo Brasil, Informativo SNEA, 2000).
que poderá ser utilizado por um prazo de até dois anos. As Sob a ótica do turismo, nas viagens internacionais tem-
milhagens (pontos) também variam em função do tipo de se um abatimento dos custos do transporte aéreo e, conse­
classe (Primeira Classe, Executiva ou Económica) e os car­ quentemente, da viagem turística, quando se combina o
tões classificam-se em três tipos (Branco, Azul e Vermelho). transporte com outros serviços turísticos na forma de um
O programa pontua ainda vôos da American Airlines, da pacote de viagem (package tour). Neles, podem ser utiliza­
Air France e da Taca, com as quais mantém parcerias. das empresas que oferecem vôos charter em face das vanta­
Até a privatização, a Vasp possuía o plano “Brasil na gens não encontradas em vôos regulares convencionais.
Palma da Mão” e depois, o Cartão de Viagem Vasp, que pos­ As operações charter no mercado doméstico brasileiro
sibilitavam o financiamento de viagens turísticas nacionais. relacionam-se diretamente ao crescimento do turismo in-
102 ♦ Coleção ABC do Turismo

tem o e à maior abertura da regulamentação. No entanto,


grandes operadoras que trabalham diretamente com ffeta-
mento estão preferindo utilizar vôos regulares de carreira,
a fim de diminuir o risco operacional de seus pacotes. Já os
táxis aéreos atendem a uma clientela seletiva de turistas na­ CONSIDERAÇÕES FINAIS
cionais de alto poder aquisitivo ou de turistas estrangeiros.
Notou-se um grande crescimento do transporte aéreo,
com congestionamento nos aeroportos, muitos dos quais
operam no limite da sua capacidade, como o de Congonhas,
em São Paulo. Isso reflete o aumento do fluxo de viajantes,
sejam turistas ou executivos. E cada vez mais o sistema aé­ /
reo exige infra-estrutura e tecnologia mais sofisticados, que
inegável a importância dos transportes nas viagens e
requerem maiores investimentos.
Porém, fatos inusitados como o atentado terrorista de
setembro de 2001, agravaram a crise de muitas companhias
E no turismo. De um lado destaca-se como deslocamento
responsável pelo fator acessibilidade; de outro, exerce um
papel facilitador do desenvolvimento turístico. As várias
aéreas internacionais e nacionais. O atentado, aliás, foi o
modalidades de transporte apresentam vantagens e desvan­
grande catalizador da falência da operadora turística
tagens que podem ser exploradas nas viagens turísticas,
Soletur. No entanto, cresceu a atuação no setor turístico de
compondo produtos mais atrativos e competitivos.
operadoras criadas pelas próprias companhias aéreas, como
No transporte hidroviário, destacam-se os cruzeiros
a TAM Viagens e a BRA.
marítimos na costa brasileira, ao lado de poucas iniciativas
Porém, com a alta do dólar em meados de 2002, o trans­
concretas que melhorem a infra-estrutura portuária e o
porte aéreo brasileiro vem acumulando prejuízos em face do
receptivo dos destinos turísticos. Contudo, há um grande
custo do leasing das aeronaves. Para o enfrentamento dessa
potencial do turismo fluvial que ainda carece de profissio­
situação, algumas empresas estão readequando as suas ofer­
nalismo e de planejamento estratégico.
tas de equipamento e rotas de acordo com a demanda.
As possibilidades de exploração do transporte ferroviá­
Finalmente, a criação da Anac r- Agência Nacional de
rio regular para o turismo e os poucos trechos ferroviários
Aviação Civil, entidade que executaria a política governa­
turísticos em operação são mínimos. Nota-se ainda o des­
mental para o setor e fiscalizaria a atuação das empresas,
caso e o abandono de patrimónios ferroviários como o sis­
foi suspensa, e a regulamentação do transporte aéreo no
tema funicular da antiga Santos-Jundiaí e de outros tantos
Brasil continua na alçada do DAC - Departamento de Avia­
trechos de interesse turístico. Ferrovias como a Curitiba-
ção Civil.
Paranaguá e trechos operados com composições antigas,
104 ♦ Coleção ABC do Tkrismo Transportes ♦ IDS

figuram m uito mais como atrativos turísticos do que como público, nacional e estrangeiro, pelos serviços de bordo,
meios de transporte. pela alimentação, pela imagem e comunicação dos comis­
No transporte rodoviário também se identificam teste­ sários, etc. Uma empresa que se destacou no mercado na­
munhos, como alguns trechos da Calçada do Lorena e do cional foi a IAM, implantando serviço de bar e sala de
Caminho do Mar, que podem ser transformados em impor­ embarque, imediatamente copiado pelas outras empresas,
tantes atrativos turísticos. Falta uma ‘Visão turística” dos e explorando o folclore e a gastronomia brasileiros, dentro
órgãos responsáveis, além da conscientização da popula­ de suas estratégias mercadológicas. Já as empresas de bai­
ção e dos turistas sobre sua importância. Estradas turísti­ xo custo, como a Gol, e as empresas aéreas charter, como a
cas eom o a Estrada da Graciosa deveriam ser melhor Fly, poderão influir positivamente no turismo doméstico.
estudadas, além da efetiva implantação das denominadas Os transportes nas viagens e no turismo devem ser en­
“estradas-parque”. carados com maior seriedade por aqueles que estudam e
Com a melhoria das rodovias brasileiras a partir da trabalham nas diferentes áreas do turismo. Nesse sentido,
privatização da m alha rodoviária, vislumbra-se um incre­ compreender os transportes turísticos dentro do sistema de
m ento do turismo rodoviário. Além do desenvolvimento turismo, suas particularidades, formas de integração e re­
turístico no interior dos Estados, uma região que deverá lações de interdependência é imprescindível.
beneficiar-se com essa melhoria é o Sul do Brasil, a partir Recuperando o passado, registrando o presente e
da duplicação da BR-116, que fará parte da Rodovia do prospectando o futuro dos transportes no contexto turísti­
Mercosul, ligando Belo Horizonte a Buenos Aires (via São co nacional, poderão ser desenvolvidos estudos e pesquisas
Paulo, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre). em prol do desenvolvimento turístico do país. Alguns te­
No segmento de aluguel de carros, o discreto cresci­ mas pouco focados na literatura científica podem ser cita­
m ento do segmento turístico indica um incremento rela­ dos ainda como sugestão para estudos futuros:
cionado ao fluxo de turistas de negócios nas grandes cidades
e, em m enor expressão, ao fluxo de turistas de lazer em • Transportes Urbanos e o Atendimento dos lúristas;
outros destinos turísticos. Isto indica que o turista domésti­ • Transportes no Desenvolvimento de Destinos Rirísti-
co está criando um a “cultura de locação”. cos - Cases de sucesso e de fracasso;
No transporte aéreo é evidente o crescimento das via­ • Transportes no Planejamento Estratégico de DestinaçÕes;
gens domésticas e a retom ada das viagens internacionais, • Caracterização e evolução de outras modalidades de
ao lado do congestionamento dos aeroportos e da concor­ transporte turístico, como ciclismo, motociclismo,
rência das empresas internacionais. A diferença e as vanta­ balonismo e até viagens espaciais;
gens das com panhias brasileiras dá-se na qualidade de • Meio Ambiente, Gestão Ambiental dos Transportes
atendim ento. Enquanto as internacionais primam pelas Ttirísticos, etc.
questões técnicas, as brasileiras ainda são diferenciadas pelo
BIBLIOGRAFIA

ACERENZA, M. A. Administración del turismo - Conceptuali-


zación y Organización. México, Trilhas, 1986.
AMARAL, Ricardo. Cruzeiros marítimos. São Paulo, Manole,
2001 .
BENI, Mário Carlos. Análise estrutural do turismo. São Paulo,
Senac, 1998.
BONIFACE, Brian G.; COOPER Christopher R The geography
of travel and tourism. Oxford, Heinemann, (The elements
for transport), 1987,
BRITO, Telma Medeiros. Cruzeiros marítimos. São Paulo: ECA-
USI? Palestra - Anotações, 1996.
“CASA em alto-mar”. Veja. São Paulo, nov. 2001.
CESP - Companhia Energética de São Paulo. Plano para im­
plementação da Hidrovia Tietê. São Paulo, CESR 1986.
CINTRA, Jorge. “Rodovias”. In: VARGAS, Milton. Contribui­
ções para a história da engenharia no Brasil. São Paulo,
EPUSÇ 1994.
CS & A - Cloraldino Severo. Transporte de passageiros no Bra­
sil. Porto Alegre, Pallotti, 1991.
CUNHA, Iicínio. Introdução ao turismo. Lisboa, Verbo, 2001.
CUSTO BRASIL entrave à competitividade. Informativo SNEA,
v. 3, n. 23, 2000.
108 ♦ Coleção ABC do Tkrismo Transportes ♦ 109

DAILEY, Steven, Official cruise guide 1996. USA, Reed Travel “O DESAFIO do transporte rodoviário de passageiros”. Anu­
Group, 1996. ário do ônibus, São Paulo, 2001.
DERSA - Desenvolvimento Rodoviário S. A. Modelo institucio­ “O TURISMO através dos trilhos”. Ferrovia, v. 55, n. 134, p.
nal e de gestão da Hidrovia Tietê/Paraná. São Paulo, 1987. 19,1990.
EMBRATUR. Anuário estatístico. Brasília, Embratur, 2001. OITICICA, Daniel. “Gol chega a 8,3% do mercado e passa a Rio
FERNANDEZ FUSTER, Luis. Teoria y técnica del turismo. Sul”. Gazeta Mercantil, São Paulo, 26 fev. 2002, p. C-5.
Madrid, Alianza, 1974. OMT - Organização Mundial de Turismo. Políticas de aviación
“FERROVIA um marco no sistema de transportes”. Revista. y turismo. Madrid, OMT, 1995.
Órgão oficial da associação de engenheiros da E.F.S.J., pg. OS MAIORES do transporte. São Paulo, Tecni Bus. V 13, n.
16-27, 1987. 13, 2001.
FOSTER, Douglas. Viagens e turismo - Manual de gestão. Por­ PADILHA, Eliseu. “Multimodalidade: A opção ferroviária”.
tugal, CETOR 1992. Gazeta Mercantil, 1999, p. A3.
FRANÇA, Alzira Helena, Passaportezinho Brasil Guia Panrotas. PAGE, Stephen. Transporte e turismo. Porto Alegre, Bookman,
São Paulo, Panrotas, 1987. 2001 .
GOMARA, Antonio R.B. O transporte rodoviário interestadual PALHARES, Guilherme Lohmann. Transporte aéreo e turismo.
e internacional de passageiros. Abrati, p. 7, Brasília, 1999. São Paulo, Aleph, 2001.
KIN, Lúcia. Panorama de aviação comercial. São Paulo, RCA- PANROTAS. Guia de horários e tarifas aéreas nacionais e in­
USR 150 p.. Trabalho de Conclusão de Curso, 1999. ternacionais. São Paulo, Panrotas, 2002.
LIMA JR, Plínio de Oliveira. Regulamentos de Tráfego Aéreo. PAOLILLO, André M. - Princípios normativos do transporte tu­
São Paulo, ASA, 2001. rístico. São Paulo, 2001. Apostila.
MADUREIRA, Magno. “A última ‘gaiola’ do São Francisco”. O ________. Meios de transporte. São Paulo, UNIR 2001. Apostila.
Estado de S. Paulo, 17 jul. 1987, p. 8. ________ . Transporte. São Paulo, 1990. Apostila.
McINTOSH, Robert; GUPTA, Shashikant. Turismo planeación, ________ . Transportes e turismo. Conhecimentos fundamen­
administration y perspectives. México, Limusa, 1993,149 p. tais para o bacharel em turismo no Brasil. São Paulo, ECA-
MIDDLETON, Victor T.C. Marketing in travel and tourism. USR 2001, Dissertação de Mestrado.
London, Butterworth-Heinemann, 1993. PERES, Antonio Carlos. Sistema hidroviário Tietê/Paraná.
MOREIRA, Marcelo. “Trem é vital para revitalização”. Gazeta Brasília, FUNCER 1988.
Mercantil, São Paulo, 11 maio 2002, p. 4. PÉREZ I PUIG, Albert. El libro del mundo de los agentes de vi­
NÓBREGA, Arsênio Carlos. “Transporte marítimo no Brasil”. Gaze­ ajes. Transporte aéreo. Barcelona, Laerte, v. 2, 1995.
ta Mercantil, São Paulo, l fl nov. 1999, p. A2. (Nacional). “REFESA reestrutura Vila de Paranapiacaba para finalidades
NOGUEIRA, Joaquim Milton. Curso de Shipping. Fundação turísticas”. Ferrovia, São Paulo, v. 51, n. 110, p. 8-9,1986.
Estudos do Mar. V I, 1990. REFESA. E. F. Corcovado - roteiro de 90 anos. p. 13, 1972.
“NOVA ordem no céu”. Aero Magazine. São Paulo, Nova Cul­ REFESA. Paranapiacaba - de onde se vê o mar. p. 21,1972.
tural, 2002, p. 36-37. REFESA. Bitolinha ainda é importante, p. 12,1974.
110 ♦ Coleção ABC do JUrismo

REGULAMENTO. Transporte rodoviário interestadual e interna­


cional de passageiros. Brasília, Abrati,1998.
REJ0WSK3, Mirian. 71irismo e pesquisa científica. 3. ed.. Cam­
pinas, Papirus, 1999.
REJOWSKI, Mirian; PAOT.TT.TO, André. Agências de viagem e trans­ SOBRE OS AUTORES
portadoras turísticas. São Paulo, INPG, 1999. Apostila.
“RODOVIAS privatizadas”. Revista Simefre, Simefre, 1997.
RONÁ, Ronaldo di. Transportes no turismo. São Paulo, Manole,
2002 .
RUSCHMANN, Doris. Turismo e planejamento sustentável A
proteção do meio ambiente. Campinas, Papirus, 1997.
SANTOS, Júlio Lopes dos. Atravessando as Américas de ônibus.
São Paulo, Edicon, 1998. ANDRÉ MILTON PAOLILLO
SCHLUTER, Regina; WINTER, Gabriel. Elfenomeno turístico.
Reflexiones desde una perspectiva integradora. Buenos Aires, ascido na cidade de São Paulo e bacharel em Turismo
Docência, 1993.
STRUBE, Gerd. “Cruzeiros para todos os gostos”. In: Tur Agente.
Equador, Prensa Hirística, jan. 1988, p. 6-10.
N pela Organização Santamarense de Educação e Cul­
tura - Osec, hoje Unisa. Desenvolveu estudos de pós-gra-
duação em nível de mestrado, e atualmente é aluno especial
TORRE, Francisco de la. Sistemas de transporte turístico. Trad.
no doutorado em Ciências da Comunicação com ênfase em
Claudia Bueno Galván. São Paulo, Roca, 2002.
TRÁFEGO de Helicóptero. Folha de S. Paulo. São Paulo, 20 abr. TUrismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universi­
2001, p. C7. dade de São Paulo (ECA-USP).
TREM DO FORRÓ, Folheto, (s.d). Gerente da Andretour Turismo e Excursões Ltda. e guia
TURISMO ferroviário. “Os melhores passeios no balanço do de turismo Embratur.
trem”. Folha do Túrismo, 16 a 31 jul. 1998, p. 8. No período de 1978 a 1992 atuou como Analista de
Transportes na Empresa Metropolitana de Transportes Ur­
banos - EMTU, Empresa de Planejamento da Grande São
Paulo - Emplasa e Cia. do Metropolitano de São Paulo -
Metro.
Desde 1987 é professor de transportes, tendo atuado
em vários cursos de Turismo. Assessorou a abertura das Fa­
culdades de Ttirismo S. Lucas, de Porto Velho - RO, e da
Faculdade de Turismo de São Roque, SE