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Resumo

A pesquisa apresenta os conceitos relacionados a roteirização, que trata


principalmente de otimizar a rota proposta de maneira a diminuir tempo e custo. A
natureza desta pesquisa caracteriza-se como uma pesquisa básica, com uma abordagem
qualitativa, que com relação aos seus objetivos pode ser classificada como pesquisa
exploratória, a qual é realizada por meio de procedimentos técnicos característicos de uma
pesquisa bibliográfica. Obteve-se por meio desta pesquisa conhecimentos quanto a
logística de roteirização e pesquisa operacional. Percebeu-se que a roteirização pode ser
grande aliado das empresas de transporte e industrias do geral. Ao considerar o contexto
de roteirização apresentado, nota-se que as práticas são muito utilizadas no mercado,
mesmo não sabendo de forma técnica sobre o procedimento, o que preocupa em vistas à
grande ligação com a saúde empresarial e crescimento do transporte.

Palavras-chave: Roteirização; Rotas; Custos.

Introdução

Roteirização é um planejamento das rotas que a frota da empresa utiliza para que
as entregas ocorram de forma mais eficiente. A roteirização é a maneira inteligente de
realizarmos entregas e coletas de forma sistematizada. Para planejar uma sequência
otimizada de rotas, o roteirizador analisa diversos fatores que podem impactar
diretamente no resultado da operação. Vale ressaltar que existem softwares que podem
ser utilizados de modo a facilitar a roteirização. Estes softwares possuem diversas
funções, sendo as principais:

 Definição e otimização das rotas;

 Análise e determinação do tamanho da frota e capacidade dos veículos;

 Planejamento e sugestão de veículos, de acordo com a carga, entregas e


rota estabelecida.
A roteirização é importante nos mais diversos tipos de modais, porém o destaque
deste trabalho se deu ao modal rodoviário devido sua maior utilização no Brasil, por ser
um dos mais economicamente viável. Roteirizar pode garantir maior sobrevivência das
empresas no mercado.

Revisão Bibliográfica

Para Cunha (2000) e Vieira (1999) a roteirização Figura 1, é o processo para a


determinação de um ou mais roteiros ou sequências de paradas a serem cumpridos por
veículos de uma frota, tendo por objetivo utilizar um conjunto de pontos geograficamente
dispersos, em locais predeterminados, que necessitam de atendimento.

Figura 1 - Fluxograma de Transporte

Fonte: Adaptado Enomoto e Lima (2007)

A programação, por sua vez, refere-se à definição dos aspectos temporais de um


ou mais roteiros, mais especificamente aos horários de cada uma das tarefas ou eventos
importantes, ou ainda a prioridade no atendimento ou cumprimento de um horário.
Representa assim uma configuração temporal (BOSE, 1990; CUNHA, 1997).

Considerando Laporte et al. (2000), observa-se que as principais características


dos problemas de roteirização e programação são: tamanho da frota disponível, tipo de
frota, garagem dos veículos, natureza da demanda, localização da demanda,
características da rede, restrições de capacidade dos veículos, requisitos de pessoal,
tempos máximos de rotas, operações envolvidas e custos.

Segundo Cunha (1997), com relação ao ambiente de distribuição, os problemas


reais de roteirização podem ser divididos em dois grupos:

• Roteirização em meio urbano, em que tanto os atendimentos quanto a base


localizam-se na mesma área urbana; os percursos do roteiro são predominantemente
urbanos

• Roteirização intermunicipal, na qual os atendimentos localizam-se em


municípios distintos da base e entre si; os percursos do roteiro são predominantemente
rodoviários.

Segundo Naruo (2003), os problemas ainda se dividem em:

• Problemas de roteirização pura de veículos: é primariamente um problema


espacial, onde as condicionantes temporais não são consideradas na geração dos roteiros
para coleta e/ou entrega. Em alguns casos, a restrição de comprimento máximo da rota
pode ser considerada.

Um exemplo clássico de roteirização conforme o autor (op .cite), é o folclórico


caixeiro viajante Figura 2, onde a ideia fundamental é encontrar o melhor meio de
finalizar o que foi proposto com menor custo, uma maneira de otimizar o caminho a ser
percorrido.

Figura 2 - Caixeiro Viajante

Fonte: Adaptado Enomoto e Lima (2007)

• Problemas de programação de veículos e tripulações: podem ser considerados


como problemas de roteirização com restrições adicionais relacionadas aos horários em
que várias atividades devem ser executadas. Há um tempo associado a cada tarefa a ser
executada. Por exemplo, cada ponto de parada pode requerer que o atendimento seja feito
em um horário específico. Assim, as condicionantes temporais devem ser consideradas
explicitamente no tratamento do problema (BODIN,1983).

• Problemas combinados de roteirização e programação: caracterizados dessa


forma quando existe a ocorrência de aplicações com restrições a horário de atendimento
e especificações como coleta deve preceder a entrega e ambas devem estar alocadas ao
mesmo veículo, o problema pode ser visto como um problema combinado de roteirização
e programação de veículos (NARUO, 2003).

Exemplo de Aplicação

Matéria publicada na News Brasil, mostra história de uma empresa de entregas


que proíbe seus caminhões de dobrar à esquerda e com isso economizou milhões de
dólares. A ideia foi desenvolvida por uma empresa americana de entregas que
diariamente distribui 18,3 milhões de pacotes e documentos, consiste na especificação de
que motoristas das vans da UPS não podem dobrar a esquerda.

Uma das justificativas é de que tentar dobrar à esquerda, faz com que o motorista
tenha de esperar que o semáforo ou o trânsito no sentido oposto dê uma oportunidade de
cruzar. Também torna mais provável uma colisão entre veículos.

Por causa dessa política, os motoristas não seguem os caminhos mais curtos
quando se dirigem de um ponto a outro, nem evitam que seus caminhões fiquem mais
tempo no trânsito. Desde 2004, a UPS aplica esse critério e de acordo com a empresa, isto
permitiu economizar por ano cerca de 38 milhões de litros de combustível, deixando de
emitir 20 mil toneladas de dióxido de carbono. Além disso, entregam 350 mil pacotes a
mais.

O software que escolhe as rotas dos motoristas, chamado Orion, tem um algoritmo
de mais de mil páginas que não determina o caminho mais curto, e, sim, o mais
conveniente.
O programa de televisão Caçadores de Mitos, do Discovery Channel, comprovou
que este sistema realmente economiza combustível, como garante a UPS. Para um teste,
foram colocados dois veículos com o mesmo número de entregas. Um deles deu oito
viradas à esquerda e quatro à direita, enquanto que o outro, apenas uma à esquerda e 23
à direita.

Dar quase todas as viradas à direita não foi o ideal em termos de tempo e a
distância, pois isso demandou 10,8 quilômetros e 61 minutos para completar as entregas.
Enquanto isto, com mais viradas à esquerda, o outro caminhão percorreu 8,3 quilômetros
em 52 minutos. Mas realmente houve uma economia de combustível, já que dar voltas
apenas à direita exigiu 1,81 litro de gasolina, enquanto que dar voltas à esquerda, 3,08
litros.

Definição da estrutura do canal

Existem três tipos de canais de suprimento, conforme Moura e Botter (2002) são
eles:

Direto: Os fornecedores entregam os componentes diretamente na fábrica do


cliente por um sistema modal de transporte.

Montagem: Os fornecedores entregam os componentes em um depósito de


consolidação em volumes relativamente pequenos, onde o material é, muitas vezes,
montado com outros materiais de diversos fornecedores (formando-se subconjuntos) para
serem enviados por um sistema modal de transporte diretamente ao local de manufatura
do cliente final.

Milk-Run: Um operador logístico ou transportador envia um veículo em uma rota


pré-selecionada, parando em cada fornecedor para coletar o material e faz a entrega de
todo carregamento na fábrica do cliente. Abaixo a representação de cada estrutura na
figura 3:
Fonte: Moura e Botter (2002)

Dimensionamento dos canais de distribuição física

A importância do planejamento eficiente ainda é pouco observada no contexto


nacional. Por exemplo, para que a otimização dos roteiros dê resultados satisfatórios é
preciso que o sistema tenha sido bem planejado e bem dimensionado nos níveis
estratégicos e táticos .
Numa etapa do dimensionamento do sistema de distribuição física de produtos, é
necessário fazer a divisão da região, um espaço contínuo, em zonas de distribuição.
Alguns pesquisadores resolvem esta etapa através da divisão do espaço contínuo de forma
que o problema se transforme em um problema mais simples. Entretanto essa
transformação no processo faz uma aproximação da realidade que geralmente leva a
resultados muito distorcidos. Portanto existe uma necessidade de se buscar soluções que
tratem o espaço de forma contínua sem aumentar excessivamente a complexidade do
problema e apresentar um resultado mais preciso.
Conforme Magge (1926) a distribuição física é uma das funções importantes dos
canais de distribuição tradicionais. Exemplo: esperava-se que os varejistas de bens de
consumo mantivessem os produtos nas prateleiras ou no estoque de reserva, para ,atender
à procura dos consumidores. O atacadista, por sua vez, representava mais do que uma
organização de vendas regional. Sua função era receber e armazenar os carregamentos e
dividi-los em quantidades menores, de acordo com os pedidos dos varejistas.
Antigamente, a distribuição física geralmente seguia os canais de distribuição, e os
varejistas, atacadistas e donos de armazéns retiravam parte de seu lucro das funções de
distribuição física.
Considerações Finais

Observa-se que a roteirização esta diretamente relacionada aos custos de


transporte, sendo assim demanda um planejamento detalhado visando a obtenção das
rotas mais eficientes aos clientes e menos onerosas para a empresa.

Atualmente existem softwares responsáveis no auxílio para que a roteirização seja


feita de maneira mais rápida e eficaz, apresentando uma melhoria na sequência de rotas
levando em consideração pontos importantes como: a disponibilidade do cliente, tempo
de atendimento, capacidade do veículo e jornada do motorista.
Assim como qualquer processo logístico, existem percalços como a limitação de
horário, coletas e entrega em tempos diferentes, condições dos veículos, estradas ou ate
mesmo tamanho da rota.

Obteve-se por meio desta pesquisa conhecimentos quanto a logística de


roteirização e pesquisa operacional, que trata principalmente de otimizar a rota proposta
de maneira a diminuir tempo e custo. Percebeu-se que a roteirização pode ser grande
aliado das empresas de transporte e indústrias do geral.
Referências

BODIN, L. D., GOLDEN, B., ASSAD, A., BALL, M., 1983. Routing and Scheduling
of Vehicle and Crews: The State of the Art. Computers and Operations Research, v.
10, n. 2, p.63-211.

BOSE, R. de C. A. Modelos de Roteirização e Programação de entregas em redes de


transportes. 1990. Dissertação (Mestrado) – Escola Politécnica da Universidade de São
Paulo, Departamento de Engenharia de Transportes, São Paulo. 171 p

CUNHA, C. B. Aspectos Práticos da Aplicação de Modelos de Roteirização de


Veículos a Problemas Reais. Transportes, v. 8, n. 2, p. 51-74, 2000.

CUNHA, C. B. Uma Contribuição para o Problema de Roteirização de Veículos Com


Restrições Operacionais. 1997. Tese (Doutorado) – Escola Politécnica da Universidade
de São Paulo, Departamento de Engenharia de Transportes, São Paulo. 222 p.

ENOMOTO, Leandro Minoru; LIMA, Renato da Silva. Análise da distribuição física e


roteirização em um atacadista.2006. 30 f. Artigo - Curso de Engenharia de Produção,
Unifei, Itajubá, 2007.

LAPORTE, G.; GENDREAU, M.; POTVIN, J. Y.; SEMET, F. Classical and Modern
Heuristics for the Vehicle Routing Problem. International Transactions in
Operational Research, v. 7, n. 4/5, p. 285- 300, 2000.

MAGEE, John Francis, 1926 : Logística industrial: análise e administração dos


sistemas de suprimento e distribuição (por) John F. Magee: Tradução: Ana Lúcia
Boucinhas, São Paulo, Pioneira, 1977.

MOURA, Delmo Alves de; BOTTER, Rui Carlos. CARACTERIZAÇÃO DO


SISTEMA DE COLETA PROGRAMADA DE PEÇAS, MILK RUN. 2002.

NARUO, M. K., 2003. O estudo do consórcio entre municípios de pequeno porte para
disposição final de resíduos sólidos urbanos utilizando Sistemas de Informação
Geográficas. São Carlos, 2003. 283p. Dissertação (Mestrado) – Escola de Engenharia de
São Carlos, Universidade de São Paulo.