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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Registro: 2019.0000555523

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos do Apelação Cível nº


1035048-59.2017.8.26.0114, da Comarca de Campinas, em que é apelante JULIO
CESAR FERREIRA, é apelado ESTADO DE SÃO PAULO.

ACORDAM, em 10ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça


de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Negaram provimento ao recurso. V. U.
(Sustentou oralmente o Dr. Eduardo Gomes Pereira)", de conformidade com o
voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores TERESA


RAMOS MARQUES (Presidente sem voto), ANTONIO CARLOS VILLEN E
ANTONIO CELSO AGUILAR CORTEZ.

São Paulo, 15 de julho de 2019.

Paulo Galizia
RELATOR
Assinatura Eletrônica
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

VOTO Nº 18056
10ª CÂMARA DE DIREITO PÚBLICO
COMARCA: CAMPINAS 2ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA
APELAÇÃO Nº 1035048-59.2017.8.26.0114
APELANTE: JULIO CESAR FERREIRA
APELADO: ESTADO DE SÃO PAULO
JUIZ: WAGNER ROBY GIDARO

CONCURSO PÚBLICO INTERNO - CURSO DE


HABILITAÇÃO DO QUADRO DE AUXILIARES DE
OFICIAIS DA POLÍCIA MILITAR - RESERVA DE
VAGAS À PNE - AUSÊNCIA DE PREVISÃO NO
EDITAL - CANDIDATO QUE NÃO IMPUGNA O
INSTRUMENTO CONVOCATÓRIO EM TEMPO
OPORTUNO - CANDIDATO QUE, AO EFETUAR A
INSCRIÇÃO, ESTAVA PLENAMENTE CIENTE DAS
CONDIÇÕES DO CERTAME E DO RESPECTIVO
CRONOGRAMA - SENTENÇA DE
IMPROCEDÊNCIA MANTIDA - RECURSO NÃO
PROVIDO

Trata-se de recurso de apelação interposto contra a


r. sentença de fls.468/472, cujo relatório se adota, que, no âmbito da ação
ajuizada por Julio Cesar Ferreira, julgou improcedente o pedido de
reserva de uma vaga destinada a pessoa com deficiência no concurso
público interno para ingresso no curso de habilitação do quadro de
auxiliares de oficiais da Polícia Militar.
O magistrado a quo fundamenta a improcedência do
pedido deduzido na desídia do Apelante em impugnar o edital
convocatório em momento oportuno, tendo participado do certame em
igualdade de condições com os demais candidatos, ressaltando que
mostra-se totalmente inviável interferir em concurso já finalizado.
Foram opostos embargos de declaração (fls.
477/482), os quais foram rejeitados (fls. 504/505).

Inconformado, o Autor apela às fls. 489/499,


sustentando o reconhecimento da obrigatoriedade da reserva de vagas
para pessoas portadoras de deficiência, de sorte que afirma que o

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Apelado deveria ter destinado uma das cinco vagas que deveriam ter sido
reservadas para deficientes, ao Apelante, que se inscreveu como
portador de deficiência física. Argumenta que em momento algum o
Apelado se manifestou negativamente quanto a participação do Apelante
como portador de deficiência física. Afirma que, embora o certame em
curso tenha findado, tal se deu por desídia e descumprimento legislativo
do Apelado, ressaltando que nada obsta que o Poder Judiciário faça
justiça e matricule o Apelante no próximo curso de formação do quadro
auxiliar de oficiais da PM em março de 2019. Assim, pede o
conhecimento e provimento do recurso, para o fim de reformar a r.
sentença, reconhecendo o direito do Apelante à vaga na condição de
deficiente físico.

Apresentadas contrarrazões às fls. 510/512.

É O RELATÓRIO

Em que pese as alegações trazidas pelo Apelante, a


r. sentença não merece reparos.

É certo que a reserva de vagas as pessoas


portadoras de deficiência guarda previsão constitucional expressa na
Constituição Federal, em seu inc. VIII do art. 37.
No âmbito infraconstitucional, a questão é
regulamentada pelo Decreto nº 9.508/2018 que estabelece, em seu §1º
do art. 1º, a reserva de, no mínimo, cinco por cento das vagas oferecidas
para as pessoas com deficiência.
Ora, tal reserva de vagas destinadas ás pessoas
portadoras de deficiência seria aplicável ao concurso interno em testilha,
eis que se trata de uma garantia fundamental consagrada.
Entretanto, como acertadamente ponderou o

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magistrado a quo, o edital DEC 13/23/16 foi publicado em 09/12/2016,


sendo que o Apelante apenas apresentou impugnação ao instrumento
convocatório em 06/07/2017, após a divulgação dos classificados na
etapa I (publicada em 05/07/2017).
Com efeito, muito embora o concurso interno da PM
não tenha previsto a reserva de vagas destinadas às pessoas com
deficiência, é inconteste que o Apelante deixou de impugnar o edital no
momento oportuno, tendo participado do certame em igualdade de
condições com os demais candidatos.
Cumpre observar que, com o término do concurso e
a publicação do resultado final, descabe o provimento jurisdicional
pretendido, sob pena de macular o princípio da segurança jurídica,
destacando-se o teor do item 15.1 do edital DEC 13/23/16, o qual
estabelece que “é expressamente proibida a convocação de candidatos
para início do curso após a data de validade do presente concurso
interno”.
Vale ressaltar também que, ao efetuar sua inscrição,
o candidato estava plenamente ciente das condições do certame,
possuindo condições de arguir tanto a necessidade de reserva de vagas
aos PNE, quanto da formalização de lista especial destinada aos PNE.
E, tendo-o aceito sem objeção, não se admite a
impugnação e arguição de nulidade, após resultado desfavorável (Hely
Lopes Meirelles, "Direito Administrativo Brasileiro", 30ª ed., SP: Malheiros,
p. 287).
Ainda que assim não fosse, há que se considerar
que o Apelante foi classificado na posição 1137, não havendo
comprovação de que, se respeitada a reserva de 5% das vagas previstas
no edital aos PNE, o Apelante estaria classificado nestas vagas
reservadas da lista especial, o que coloca em cheque a tese de que o
Apelante teria sido aprovado dentro do número de vagas destinas aos
portadores de deficiência.

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No mais, ressalto que o Apelante, para fazer jus a


vaga no curso de habilitação do quadro de auxiliares de oficiais da Polícia
Militar, ainda deveria ser considerado apto na fase análise de
documentos, bem como obter resultado positivo quanto da matrícula no
curso em questão, nos termos do edital DEC 13/23/16.
Diante do exposto, pelo meu voto, NEGO
PROVIMENTO ao recurso.
Assinalo, por fim, que, na hipótese de oferta de
embargos de declaração, o julgamento se dará virtualmente, salvo
oposição expressa das partes, o que deve ocorrer em cinco dias,
contados da intimação do acórdão.

PAULO GALIZIA
Relator

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