Você está na página 1de 4

RESENHA DO CAPÍTULO 1: Não há docência sem discência

Instituto Federal Fluminense – Campus Campos Centro

Por Anderson Barbosa de Lima – 201621050246

William Vasconcellos Ribeiro - 201621050297

Primeiro Período em Geografia – 2016.2

Professora: Andressa Teixeira

Referência: FREIRE, Paulo. Não há docência sem discência. In: Pedagogia da Autonomia:
saberes necessários à prática educativa/Paulo Freire. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

É de suma importância compreender que o primeiro capítulo da Pedagogia da


Autonomia de Paulo Freire pretende proporcionar a imprescindível prática da docência entre
os educadores, independente das visões políticas. É evidenciado também o relato de Freire
através da sua experiência profissional uma amplitude de percepções e reflexões do saber e do
livre arbítrio na identificação da base política da sua visão. Entretanto, também é notório
anotar que as suas reflexões sobre a formação docente e a prática crítica e educativa são
bastante suntuosas e subjetivas.

Freire afirma que para ser um bom educador é necessário envolver o aluno ao
máximo, fazer que desperte nele a vontade de aprender; de se relacionar com os estudos. Na
verdade, o que se confirma é que o educado aprende enquanto é ensinado duplamente. No ato
de realizar algum feito, se aprende, ocorrendo à modificação, a confirmação e a ampliação dos
seus saberes. O que vemos atualmente é a prática do lecionamento sem um aprofundamento
da reflexão crítica sobre o ato de praticar, em que a relação teoria e prática têm que estarem
mais íntimas do que nunca. A prática de ensinar vai além: um profissional que sabe todos os
sentidos do ensinamento abrange as disponibilidades da sua autoconstrução e obviamente
alastrar a produção do educando.

No segundo tópico, Freire busca em explicar de que o educador possui a função


primordial de moldar, preparar o seu aluno para a formação do senso comum crítico e
aprender o que lhe foi proposto. Evidentemente, que o ensinar não é algo superficial de
simples transmissão de conhecimento em que o formador realiza todo trabalho sozinho. O
autor exemplifica que o feitio de ensinar é dar a luz, a engrenagem ao formando, é construir o
seu caminho para que futuramente ele possa seguir sozinho. Uma frase pertinente neste tópico
nos chama a atenção: “quem ensina, ensina alguma coisa a alguém”. Posteriormente, o
educador explica que o aluno possui um papel importantíssimo neste processo, pois ele
necessita permitir o livre acesso do seu formador para trilhar este seu caminho da sua
formação e assimilar com clareza. Além disso, o ato de ensinar está impregnando nas
condições humanas e na sociedade de um modo em geral. O equilíbrio que temos entre o
ensinar e o aprender proporcionam uma experiência plana nos mais variados aspectos que
caracterizam as relações.

Freire relata no terceiro tópico que cabe ao educador ajudar os educandos através da
rigorosidade metódica. Para o autor, o ensinamento neste método jamais deverá ser realizado
de forma rasa; o método elabora situações que deverão ser aprendidas criticadamente, e que é
possível adquirir o conhecimento de forma crítica. Porém, Freire adverte: é de máxima
importância que os dois lados estejam aptos e propícios a serem seres curiosos, inquietos,
questionadores e especialmente tenham persistência na procura. Baseando-se nos nossos dias
atuais, um profissional educacional que se acomoda e prefere ensinar através de
memorizações, rasamente não está preparado e nem merece possuir alunos, pessoas que estão
esperando para fazer a diferença com seus pensamentos, atitudes, críticas e ações. O ato de
educar é um ato belo e singelo de ver o mundo, conhecer o que há ao seu redor, as diferenças
entre culturas, pessoas, pensamentos, mostrar as outras pessoas o poder que o conhecimento
pode fazer que ele seja possível sim modificar vidas. Freire reflete a sua linha de pensamento
que o bom profissional de educação que para ensinar, é necessário aprender e para aprender é
necessário pesquisar muito. Com a pesquisa, o profissional acaba se preparando, se educando,
se constatando, se contradizendo. O autor conclui que a pesquisa é movida pela curiosidade e
a auto-satisfação do estudo são outros combustíveis para o andamento do constante
aprendizado.

Partindo para o quarto tópico, parte-se sobre a teórica da curiosidade. Freire relata que
a curiosidade é algo que inquieta e assombra os homens desde seu surgimento. Faz parte de
sua essência indagar, questionar, saber o porquê coisa tal acontece. A curiosidade dos homens
fez e faz com que ele busque métodos de sanar a sua sede de curiosidade. Estes métodos
levam ao saber, a pesquisa, o estudo para encontrar a solução. No tópico, o autor destaca a
prática educativo-progressista que procura buscar o desenvolvimento da curiosidade. Esta
curiosidade de cunho crítico é insatisfeitamente constante. O método de criticidade é íntimo à
curiosidade, já que estão relacionadas ao senso comum.

Refletindo sobre de como educar também está relacionado a diferentes aspectos do


cotidiano e das características que descrevem o ser humano, Freire destaca a estética. Nessa
mistura de sentimentos, brota a criticidade, de refletir e discutir o que realmente seria belo. A
formação do caráter basicamente é formalizada e baseada através do aprendizado da própria
natureza do ser humano. Educar é formar o caráter moralmente e eticamente.

O educador alerta no andar do quinto tópico que o poder verbal pode torcer fatos,
destruir, criar métodos, hipóteses, fazer refletir ideias, levantar debates. O poder de dissuasão
e da argumentação dos mestres são pontos-chave para uma disseminação das suas ideias.
Freire aconselha que, se o educador avisar que segue certa ideologia ele deverá segui-lá até
concluir a sua linha de pensamento. Faz parte do caráter humano a sua habilidade própria em
tirar as suas próprias reflexões, de decidir o que é certo ou errado para si próprio, do que pode
ser aceito ou negado, do descobrir e acatar o que é novo e diferente, e escolher para si próprio
o que pode ser descartado ou mantido com o passar do tempo.

Na concepção de Freire, para ser um excelente docente com uma boa atitude crítica é
necessário saber dominar o uso da dinâmica e da abrangência dialética. O autor assume que
uma boa conversa é essencial para se ter o mínimo do aceitável a uma crítica de qualidade.
Porém, para efetuá-lo, é necessário de o docente refletir do que seria realmente útil na sua
fala, cabe a ele diferenciar e excluir o que não importa no seu discurso. Freire raciocina a
linha de pensamento da qual a capacidade em superar a própria prática e do senso comum
permite que o profissional da educação assuma o controle do seu próprio aprendizado,
destacando a emoção. O autor avisa que a emoção também é uma das engrenagens que roda a
máquina do aprendizado. É com ela que o educador reconhece as mazelas do mundo, o que
tem que ser modificado, o que é injusto; ela nos permite refletir e agir de modo mais profundo
o que mesmo nos aflige.

No sexto tópico, Freire refere que o educador possui uma função de formação de
caráter bastante pertinente, sem falar na sua função social de máxima importância, sendo ele
que instiga, promove, relaciona as trocas de convívios, experiências e relações. Destaca-se
neste tópico o relato do professor que assume uma função dupla, a do ser social e histórico; o
educador que pode assumir várias faces, vários relances. Para Freire, um bom educador
precisa possuir o dom educacional, comunicador e criador. O autor parte para um tom mais
emotivo de que o mestre necessita e pode transformar o impossível possível. Freire adverte
que as diferenças de classes, visões, sociedades, entre outros cabe ao educador perceber o
processo de transformações que um bom aprendizado é capaz de fazer. O não desprezo e a
igualdade de identidades culturais fazem que a força do convívio e da importância do papel de
atuação do professor na vida de um aluno ganhe um novo sentido completamente diferente.
Ele é visto de maneira muito mais significante, praquele jovem despreparado e muitas vezes
desentendido. São pequenas expressões como essas que movem e modificam o clima das
escolas. Esses gestos são importantes e deveriam ser mais notados e aplicados já que ele
realmente tem o poder de mudar as relações entre os alunos e o professor e até o ambiente
escolar.

Finalizando o capítulo, Freire critica a sociedade capitalista atual que minimiza a


escola apenas como um lugar para a transferência do saber, com o ensino de conteúdos;
deixando de lado a troca de convívios, relações interpessoais as experiências pessoais são
conteúdos de suma importância para o rendimento e o andamento do ambiente escolar. Para o
autor, para ser um bom profissional educacional, é necessário saber o seu valor na sociedade e
de como utilizá-lo para a argumentação de um bom diálogo, em que a confiança do aluno seja
o ponto principal para a boa conclusão das trocas de conhecimento, sabedoria e da formação
de caráter e senso critico.

Baseando-se a partir na visão de Freire, reflete-se que é comum da natureza humana


realizar erros e atos de caráter negativo ou duvidoso e até mesmo ignorar estes equívocos,
mas como persistir neste caminho é uma incorreção, muitas vezes sem volta e de que para ser
um bom educador o que realmente importa não é apenas transferir conhecimento, matéria, de
forma superficial, fria e automática. E sim a clareza das emoções, dos sentimentos, da
essência, dos seus valores e das suas importâncias. Como ter um afeto, sensibilidade e de
como se importar e se colocar no lugar do outro, porque, quando esses aspectos são realmente
sentidos, não existe satisfação maior. O autor fundamenta-se bastante nas suas próprias
experiências, cotidianos e especialmente os seus sentimentos do que poderá definir um bom
educador. De início, a primeira leitura do capitulo de Freire muitas passagens podem
confundir ou passarem despercebidas. O ideal seria ler e refletir o capítulo algumas vezes a
mais, apreciar as reflexões do autor que de forma bem perspicaz tenta expor as dificuldades e
as contradições do ato de educar. Inquestionavelmente, é uma leitura rica e indispensável para
quem quer se aventurar nesse mundo de turbilhão emocional e de aprendizagem que é o de
lecionar.