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ENDOVÊNOSA

PERFUSAO DURANïE
DE ROPIVACAINA
OITO DIAS:
DEuMcASoclíNtco
A PRoPosrro

EIGHTDAYSINTRAVENOUSINFUSIONOF ROPIVACAINE:
A CASE
REPORT

Madeira,
Catarina; Manuela
Castro,
S e r v i çdoeA n e s t e s i o l oR
gei aa, n i m a çeãToe r a p ê u tdi caa . o s p i ïP
D o rH o ro L r tF
a lt o Í e s sD oe F oc n s e cËaP
r rnand .[

RESUMO
Os errosde medicaçãosãoum problemageneralizado, qualìficados,
apesardo elevadonurnerode profissionais
com capacidade paraos detectar,
evitare corrigir,
envolvidosno processo. Calcula-se que a suaincidência
na práticamédicageralrondeos 5,2%l
Nestemanuscrito, reportamosum caso raro,referente à administração acidentalde Ropivacaina por via
endovenosa, durante8 diasconsecutivos.
senraparecimentode or,r
sinais de
sintorrtas toxrcidadeneurologica
ou cardiovascular.

PalavrasChave:Errosde medicação, locais,Fopivacaírra,


Anestésicos Dosetoxica.
Viacleadrninistração,
neurologica
Toxicidade e cardiovascular.

AESI íïÂC"f
Medicationerrorsare a widespreadproblem.Despiteall the qualifiedprofessionals enrolledin the process
that shouldhavethe abilityto avoid,detectand corre.ctpotentialerrors,the averageerrorrate in general
practiceprescriptionwas foundto be as highas 5.2%.'
we reporta rarecasein whichropivacaine
In this manuscript, was accidentally infusedintravascularlyÍor 8
dayswithoutclinicallyapparentneurological toxìcity.
or cardiovascular

Ropivacaine,
Keywords:Medicationerrors,Localanesthetics, Toxicdose,Neurological
Routeof administration,
toxicitv.
and cardiovascular

CORRESPONDÊNCIA

. Tlm.(+351)
96407i 159. F-mail.
catai'irìarÌìadeira@gnrail.c0m
Períusáo Int]r:voncsâ cÍe fl;pivaotrir:a durâíìÌo oito íJras.l\ Proposrtó lie urlÌ rllì50 i)llrìl(r(l

Introdução CasoClínico
Os errosde medicação,por errode planeamento ou de H o m e md e 4 3 a n o s ,1 8 2 c m , 9 0 k g , I M C 2 7 . 6 ,c o m
execução, sãoum problemageneralizado.
A suaincidência antecedentes de asmae hiperuricemia, ASAll, transferido
na práticamédicageralrondaos 5,2Vo.' parao nossohospitalpor fracturado membroinÍerior.
Os AnestésicosLocais(AL)são fármacosconsiderados Tinhasidosubmetidoa fixaçãoexternado fémur4 dias
seguros,desdeque administrados pela via correctae antesno hospitalde origem,tendo efectuadaanalgesia
abaixodas dosestoxicas.O efeitoadversomaistemido epiduralduranteo períodopos-operatório. Antes da
é toxicrdadeagudaassociada à sua administraçãopela transferência foi removidoo cateterepidural.
via endovenosa (EV).' A chegada, o doentefoi internado na Unidadede Cuidados
A RopivacaÍna,um AL do grupoamido,apresentabaixa l n t e r m é d r odso S e r v i ç od e O r t o p e d i aA . medìcação
toxicidadesistémica,documentadapor estudosclínicos enumeradana cartade alta do hospitalde origemfoi
e experimentais.EsteAL é consideradobastantemais integralmente transcritaparaa folhade terapêutica da
seguroque outrosAL, como a Bupivacaína. Contudo,a nossainstituição, peloOrlopedista de serviço,incluindo
dosetoxicadestemedicamento permanecedesconhecìda. Ropivacaína 0]6% (40ml de RV2 mg ml-'diluídosem
Nestemanuscrito,reportamosum caso raro,relativoà 1Omd , ãofoi
l e s o r oÍ i s i o l o g i c oa) 8 m l h ' ' . C o n t u d o n
administração acidentalde RopivacaínaEV duranteI mencionada viade administração paraestemedìcamento.
dias consecutivos. Nestecontexto, o AL foi iniciado porviaEVe, consequente-
menteforamadministrados 12.8mg h-' de fármacoactivo
').
durante204 h, num total de 2611.2 mg (29 mg kg

Duraçáo da Perfusão (h) 14.1

1229 '1
DosePerfundida(mg) J07 530 I 843 ilt l0

TAS 13 4 1?-7 137 ]l?0 |{l


!mmHg)-
TAS(mmHg). 75 79 71 7B tí) /i)
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BR (respirações nrìn l2 ll) 1{i lir tl) 1l la

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Valores Íìédios diários

Tabela 1. VarìaÇâodos sinais vi{ãìs durante o internarnento na Ljnidade .je Cuiclados Internìédios do serviço cis Ortilpecjia

180

160 ,L

140 Al
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Duraçaada Pertusãa {h)


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De acordocom os registosde enfermagem não ocorreram a RopivacaÍna, queapresenta um limiarmaiselevadopara


alteraçõessignificativas dos sinaisvitais(tensãoarterial toxicidade sistémicaquefármacospreviamente utilizados.
não invasiva,frequênciacardíaca,ritmo respiratorio, Paraalémdisso,tendoem consideração que a concen-
saturaçãoperiférica de oxigénioe temperatura) ao longo traçãoe velocidade de administração do AL eraminferiores
do internamento (Tabela1, Figura1).Os diagramas de às descritascomo segurasna maioriada literatu(apara
d i s p e r s ã on ã o m o s t r a m q u a l q u e r r e l a ç ã oe n t r e a analgesiaperineural (0.14mg kg h ), que estefármaco
quantidade de fármacoadministrado e as alteraçÕes dos tem umasemi-vida média de eliminação de 2.5 h e que
parâmetros avaliados (coeficiente máximode determinação o doentenãoapresentava patologiarenal,a probabilidade
0.17). de acumulação e baixa.
significativa
T a m b é mn ã o f o r a m r e g i s t a d o sq u a i s q u e re v e n t o s Porém,nestecaso o AL foi administradopor via EV
relativamente ao traçadocontínuode electrocardiografia. durante204 h peloque as dosesrecomendadas podent
A única queixa mencionada pelo doente foi dor. Não se não ser De
aplicáveis. acordo com a pesquisa efectuada
registaram sinaisou sintomasde toxicidadeneurologìca pelosautores,estaó a per'Íusão de Ropivacaírra EVmais
ou cardiologica, nem bloqueiosensitivo ou motor. prolongada vez
alguma documentada.

O e r r o d e a d m i n i s t r a ç ãm o a n t e v e - s ea t é a o d i a d a
reintervenção, no oitavodia de iniernamento, tendosido Conclusão
d e t e c t a d oe s u s p e n s an o b l o c o o p e r a t o r ì op, e l o
E s t ec a s o c o m p r o v aq L l eo s e r r o sd e a d m i n i s t r a ç ã o
anestesiologista responsável, Lamentavelmente, não Íoi
medicamentosa são uma realidade, apesardo elevado
p o s s í v e lp r o c e d e r - s ea o d o s e a m e n t od o s n í v e i s
númerode proÍissionais qualificados e com capacldade
p l a s m á t i c o sd e R o p i v a c a í n ae d o s e u m e t a b o l i t o
para os detectare corrigirenvolvidosno processo,e
2',6'-pipecoloxilidido (PPX).
suscitadiscussãosobreque atitudesa tomar,à escala
A cirurgiadecorreusob anestesiageralbalanceada, sem
hospitalare nacional,para a sua prevençãode forma
intercorrências. O doentenão apresentou sequelasdo
eficaz.
incidente.
Poucose sabe acercada perfusãoEV de AL. Assim,
emboraeticamentenão defensáveis, são necessarios
g r a n d e se s t u d o sc l í n i c o sp a r a d e t e r m i n a qr u a i s o s
Discussão marcadores segurosde administração EV e qual linriar
Apesarde se recomendar Íre.quentemente a utilização de tóxicoda Ropivacaína.
'
dosesmáximasde 3 mg kg de Ropivacaína e de existir
r e g i s t o d e i n u m e r o se s t u d o s c o n d u z i d o sp a r a
esclarecimento da sua dose toxica, esta permanece Bibliografia
desconhecida.
1 " K n u d s e n P , H e r b o r g H , M o r t e n s e nA R e t a l . P r e v e n t i n gm e d i c a t i o n
Existemcasos documentadosde administraçãoEV
e r r o r s i n c o m m u n i t y p h a r m a c y : f r e q u e n c y a n d s e r i o u s n e s so f
acidentalde20-300mg2 de Ropivacaína com toxicidade
medication errors. Qual Saf Health Care 2007:16:291-6.
clínicaaparente.Váriosestudosreferemaparecimento de
sintomasde toxicidade do SistemaNervosoCentral(SNC) 2 . C h a z a l o n f l ï o u r t i e r J P , V i ì l e v i e l l eT e t a l . R o p i v a c a i n e - i n d u c e d
sem efeitosadversoscardiovasculares com dosesde Cardiac Arrest after PeripheralNerve Block: SuccessÍulResuscitation.
A.44-6mg kg-'.Emdoisestudosrealizados comvoluntários Anesthesrology 2003r99:1449-5 1.
saudáveis,os primeirossinaisde toxicidadedo SNC
3. Knudsen K, Beckman M, Suurküla B et al. Central nervous and
registarem-se apos perfusãode 70-160mg (0.77-2mg
a, c a r d i o v a s c u l aer f f e c t so í i . v .i n f u s ì o n so s r o p i v a c a i n eb, u p i v a t n ea n d
Xg-t)g, e 0.87mg kg"' respectivamente. Nesteultimo, placebo in volunteers. Br J Anesth 1997:78:507-14
nãose observaram efeitosadversoscardìovasculares até
o 4 . M c C a r t n e y C J , M r - r r p h yD B , A n n a I e t a l . l n t r a v e n o u sr o p i v a c a i n e
aos 1.2mg kg.-'
Nestesrelatos,é descritoo aparecìmento de sintomas b o l u s i s a r e l i a b l em a r k e r o f i n t r a v a s c u l a ri n j e c t i o ni n p r e m e d r c a l e c l

d e t o x i c i d a d ea p o s a d m i n i s t r a ç ãdoe d o s e s s i g n l f i - h e a l t h yv o l u n t e e r s .C a n J A n e s t h 2 0 0 3 ; 5 0 : 7 9 5 - 8 0 0 .

cativamente inferiores às administradas nestedoente


(2611.2mg, 29 mg kg-').Todavia, no casoaquiexposto,
não houveregistode aparecimento de qualquersinalou
sintomadurantetodo o internamento. Paratal devemter
contribuído o factode se tratarde um adulto,sempatologia
cardiovascular e neuroloqica, e do AL administrado ser

n e v l s t aS P A ' r . , o ì1. 8 ' n ' t ì 2 0 0 1


@

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