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STJ: 617/636

STF: 889/927 1
INFORMATIVOS 2018
ADMINISTRATIVO
SÚMULA 619 STJ: A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de natureza precária,
insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias.

NEPOTISMO
A nomeação do cônjuge de prefeito para o cargo de Secretário Municipal, por se tratar de cargo público de natureza
política, por si só, não caracteriza ato de improbidade administrativa. STF. 2ª Turma. Rcl 22339 AgR/SP, Rel. Min.
Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/9/2018 (Info 914). Em regra, a proibição da SV 13
não se aplica para cargos públicos de natureza política, como, por exemplo, Secretário Municipal. Assim, a
jurisprudência do STF, em regra, tem excepcionado a regra sumulada e garantido a permanência de parentes de
autoridades públicas em cargos políticos, sob o fundamento de que tal prática não configura nepotismo. Exceção:
poderá ficar caracterizado o nepotismo mesmo em se tratando de cargo político caso fique demonstrada a
inequívoca falta de razoabilidade na nomeação por manifesta ausência de qualificação técnica ou inidoneidade
moral do nomeado. STF. 1ª Turma. Rcl 28024 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 29/05/2018.

CONCESSÃO DE MEDICAMENTOS PELO SUS


A concessão dos medicamentos não incorporados em atos normativos do SUS exige a presença cumulativa dos
E seguintes requisitos:
m1) Comprovação, por meio de laudo médico fundamentado e circunstanciado expedido por médico que assiste o
, paciente, da imprescindibilidade ou necessidade do medicamento, assim como da ineficácia, para o tratamento
2 da moléstia, dos fármacos fornecidos pelo SUS;
5 2) Incapacidade financeira do paciente de arcar com o custo do medicamento prescrito; e
/ 3) Existência de registro do medicamento na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
0 STJ. 1ª Seção. REsp 1657156-RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 25/04/2018 (recurso repetitivo).
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/ Em, 25/04/2018, o STJ, ao julgar o REsp 1.657.156-RJ (Info 625), afirmou que o poder público é obrigado a conceder
2Emedicamentos mesmo que não estejam incorporados em atos normativos do SUS, desde que cumpridos três
0mrequisitos. Em 12/09/2018, o STJ decidiu retificar o terceiro requisito da tese anteriormente fixada: Redação original
1, Redação após os embargos A concessão dos medicamentos não incorporados em atos normativos do SUS exige a
82presença cumulativa dos seguintes requisitos: (...) 3) existência de registro na ANVISA do medicamento. A concessão
,5dos medicamentos não incorporados em atos normativos do SUS exige a presença cumulativa dos seguintes
o/requisitos: (...) 3) existência de registro do medicamento na ANVISA, observados os usos autorizados pela agência.
S0O que o STJ quis dizer com essa mudança: • Em regra, não é possível que o paciente exija do poder público o
T4fornecimento de medicamento para uso off-label; • Excepcionalmente, será possível que o paciente exija este
J/medicamento caso esse determinado uso fora da bula (off-label) tenha sido autorizado pela ANVISA. Em outras
,2palavras, o requisito do registro na ANVISA afasta a possibilidade de fornecimento de medicamento para uso off-
a0label, salvo se autorizado pela ANVISA.
o1A tese fixada ficou, portanto, com esta nova redação: A concessão dos medicamentos não incorporados em atos
j8normativos do SUS exige a presença cumulativa dos seguintes requisitos: a) Comprovação, por meio de laudo
u, médico fundamentado e circunstanciado expedido por médico que assiste o paciente, da imprescindibilidade ou
lonecessidade do medicamento, assim como da ineficácia, para o tratamento da moléstia, dos fármacos fornecidos
gSpelo SUS; b) incapacidade financeira de arcar com o custo do medicamento prescrito; c) existência de registro do
aTmedicamento na ANVISA, observados os usos autorizados pela agência. Além disso, o STJ decidiu alterar a data de
rJ início da produção dos efeitos desta decisão: Modula-se os efeitos do presente repetitivo de forma que os requisitos
o, acima elencados sejam exigidos somente quanto aos processos distribuídos a partir da data da publicação do
Raacórdão, ou seja, 4/5/2018. Explicando melhor: a) Os três requisitos cumulativos estabelecidos no acórdão (REsp
Eo1.657.156-RJ) são aplicáveis a todos os processos distribuídos na primeira instância a partir de 4/5/2018; b) Quanto
sj aos processos pendentes, com distribuição anterior a 4/5/2018, é exigível apenas um requisito que se encontrava
pusedimentado na jurisprudência do STJ: a demonstração da imprescindibilidade do medicamento. STJ. 1ª Seção. EDcl
1l no REsp 1.6.
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AGÊNCIAS REGULADORAS
É constitucional o art. 7º, III e XV, da Lei nº 9.782/99, que preveem que compete à ANVISA:
III - estabelecer normas, propor, acompanhar e executar as políticas, as diretrizes e as ações de vigilância sanitária;
XV - proibir a fabricação, a importação, o armazenamento, a distribuição e a comercialização de produtos e insumos,
em caso de violação da legislação pertinente ou de risco iminente à saúde;
Entendeu-se que tais normas consagram o poder normativo desta agência reguladora, sendo importante
instrumento para a implementação das diretrizes, finalidades, objetivos e princípios expressos na Constituição e
na legislação setorial.
Além disso, o STF, após empate na votação, manteve a validade da Resolução RDC 14/2002-ANVISA, que proíbe a
comercialização no Brasil de cigarros com sabor e aroma. Esta parte do dispositivo não possui eficácia erga omnes
e efeito vinculante. Significa dizer que, provavelmente, as empresas continuarão ingressando com ações judiciais,
em 1ª instância, alegando que a Resolução é inconstitucional e pedindo a liberação da comercialização dos cigarros
com aroma. Os juízes e Tribunais estarão livres para, se assim entenderem, declararem inconstitucional a Resolução
e autorizar a venda. Existem, inclusive, algumas decisões nesse sentido e que continuam valendo.
STF. Plenário. ADI 4874/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 1º/2/2018 (Info 889)

CONSELHO DE FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL


Os conselhos de fiscalização profissional não possuem autorização para registrar os veículos de sua propriedade
como oficiais. STJ. 1ª Turma. AREsp 1.029.385-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 05/12/2017 (Info 619).

EMPRESAS PÚBLICAS
Não se submetem ao regime de precatório as empresas públicas dotadas de personalidade jurídica de direito
privado com patrimônio próprio e autonomia administrativa que exerçam atividade econômica sem monopólio e
com finalidade de lucro. STF. 1ª Turma. RE 892727/DF, rel. orig. Min. Alexandre de Morais, red. p/ o ac. Min. Rosa
Weber, julgado em 7/8/2018 (Info 910).

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) tem o dever jurídico de motivar, em ato formal, a demissão de
seus empregados. STF. Plenário. RE 589998 ED/PI, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 10/10/2018 (repercussão
geral) (Info 919).

PODER DE POLÍCIA
É obrigatória a prévia fiscalização do camarão in natura, ainda que na condição de matéria prima, antes do
beneficiamento em outros Estados da Federação, podendo tal atividade ser realizada no próprio estabelecimento
rural onde se desenvolve a carcinicultura. STJ. 1ª Turma. REsp 1.536.399-PI, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em
08/02/2018 (Info 620)

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT detém competência para a fiscalização do


trânsito nas rodovias e estradas federais, podendo aplicar, em caráter não exclusivo, penalidade por infração ao
Código de Trânsito Brasileiro, consoante se extrai da conjugada exegese dos arts. 82, § 3º, da Lei nº 10.233/2001 e
21 da Lei nº 9.503/1997 (Código de Trânsito Brasileiro). STJ. 1ª Seção. REsp 1.588.969-RS, Rel. Min. Assusete
Magalhães, julgado em 28/02/2018 (recurso repetitivo) (Info 623).

BOA-FÉ – ENTES FEDERATIVOS


Súmula 615 STJ Não pode ocorrer ou permanecer a inscrição do município em cadastros restritivos fundada em
irregularidades na gestão anterior quando, na gestão sucessora, são tomadas as providências cabíveis à
reparação dos danos eventualmente cometidos.

LICITAÇÃO
As regras gerais previstas na Lei nº 8.666/93 podem ser flexibilizadas no Programa Minha Casa Minha Vida, por
força do art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 10.188/2001, desde que se observem os princípios gerais da
administração pública. STJ. 2ª Turma. REsp 1.687.381-DF, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 17/04/2018 (Info
624).

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ATUALIZAÇÃO DO DECRETO 9.412/2018
Compras e serviços que não sejam de
Modalidade Obras e serviços de engenharia
engenharia
Antes: até 150 mil Antes: até 80 mil
CONVITE Agora: até 330 mil Agora: até 176 mil
TOMADA DE Antes: até 1 milhão e 500 mil Antes: até 650 mil
PREÇOS Agora: até 3 milhões e 300 mil Agora: até 1 milhão e 430 mil
CONCORRÊNCI Antes: acima de 1 milhão e 500 mil Antes: acima de 650 mil
A Agora: acima de 3 milhões e 300 mil Agora: acima de 1 milhão e 430 mil

CONTRATAÇÃO DIRETA PELO PEQUENO VALOR (ART. 24, I e II)


(Com a atualização do Decreto 9.412/2018)
Pode haver contratação direta (sem licitação) nos seguintes casos:
Obras ou serviços de engenharia: Compras e serviços diferentes de engenharia:
Antes: para haver a contratação direta, o Antes: o valor da compra ou do serviço deveria ser de até
valor deveria ser até R$ 15 mil. R$ 8 mil.
Agora: o valor da obra ou do serviço deve Agora: para contratar sem licitação, o valor da compra ou
ser de até R$ 33 mil. do serviço deve ser de até R$ 17.600,00 (17 mil e 600 reais).

Sociedade empresária em recuperação judicial pode participar de licitação, desde que demonstre, na fase de
habilitação, a sua viabilidade econômica. STJ. 1ª Turma. AREsp 309.867-ES, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em
26/06/2018 (Info 631).

SERVIDORES PÚBLICOS
Segundo a atual e predominante jurisprudência do STJ, os efeitos financeiros, por ocasião da concessão da
segurança, devem retroagir à data de sua impetração, devendo os valores pretéritos ser cobrados em ação própria.
STJ. 1ª Turma. AgInt no REsp 1481406/GO, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 17/04/2018. MUDANÇA DE
ENTENDIMENTO.

A Constituição do Estado do Ceará previa que deveria ser assegurado “aos servidores da administração pública
direta, das autarquias e das fundações, isonomia de vencimentos para cargos de atribuições iguais ou assemelhadas
do mesmo Poder ou entre servidores dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, ressalvadas as vantagens de
caráter individual e as relativas à natureza ou ao local de trabalho.” O STF decidiu que é inconstitucional a expressão
“das autarquias e das fundações”. Isso porque a equiparação remuneratória entre servidores, a teor da redação
originária do art. 39, § 1º, da CF/88, restringiu-se aos servidores da administração direta, não mencionando os
entes da administração indireta, como o faz a norma impugnada. Além disso, o dispositivo estadual não foi
recepcionado, em sua integralidade, pela redação atual do art. 39 da Constituição Federal, na forma EC 19/1998.
STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907)

A Constituição do Estado do Ceará prevê que deverá ser assegurada isonomia salarial para docentes em exercício,
com titulação idêntica, respeitando-se o grau de ensino em que estiverem atuando. O STF decidiu que essa regra é
constitucional e que não ofende o art. 37, XIII, da CF/88. Isso porque não há, no caso, equiparação salarial de
carreiras distintas, considerando que se trata especificamente da carreira de magistério público e de docentes com
titulação idêntica. STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

São inconstitucionais os arts. 154, § 2º; 167, XII e XIII, §§ 1º e 2º; e 174, da Constituição do Estado do Ceará, e os
arts. 27 e 28 do seu ADCT. Tais dispositivos tratam de remuneração e direitos de servidores públicos, que, por não
encontrarem similares na CF/88, somente poderiam ser veiculados por meio de lei de iniciativa do Chefe do Poder
Executivo. São previsões específicas que não tratam da organização e estruturação do Estado-membro ou de seus

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órgãos, mas que versam sobre o regime jurídico de servidores públicos. STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

A Constituição do Estado do Ceará previa que o servidor, ao se aposentar, deveria receber, como proventos, o valor
pecuniário correspondente ao padrão de vencimento imediatamente superior ao da sua classe funcional, e, se já
ocupasse o ultimo escalão, faria jus a uma gratificação adicional de 20% sobre a sua remuneração. O STF decidiu
que essa previsão não era considerada materialmente inconstitucional à época da edição da Carta, uma vez que a
superação da remuneração em atividade era tolerada na redação original da CF. Porém, essa regra não foi
recepcionada pela EC 20/98 que proibiu a superação do patamar remuneratório da atividade e a impossibilidade de
incorporação da remuneração do cargo em comissão para fins de aposentadoria (art. 40, §§ 2º e 3º, da CF/88). STF.
Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

O acordo de partilha de pensão por morte, homologado judicialmente, não altera a ordem legal do pensionamento,
podendo, todavia, impor ao órgão de previdência a obrigação de depositar parcela do benefício em favor do
acordante que não figura como beneficiário perante a autarquia previdenciária. STJ. 2ª Turma. RMS 45.817-RJ, Rel.
Min. Humberto Martins, Rel. Acd. Min. Og Fernandes, julgado em 26/09/2017 (Info 618).

O direito à percepção de VPNI não impede a sua eventual absorção pelo subsídio e, do mesmo modo, não inviabiliza
a aplicação do teto constitucional, que inclui a vantagem de caráter pessoal no cômputo da remuneração do
servidor para observância do teto. STJ. 1ª Turma. RMS 33.744-DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em
05/04/2018 (Info 624).

O termo inicial do adicional de insalubridade a que faz jus o servidor público é a data do laudo pericial. STJ. 1ª
Seção. PUIL 413-RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 11/04/2018 (Info 624).

Em 2001, foi editada uma lei estadual criando cargos e organizando a Polícia Civil do Estado do Amazonas. Nesta Lei
foi previsto que, na estrutura da Polícia Civil, haveria cargos de Delegado de Polícia e de Comissário de Polícia. Ainda
em 2001, foi realizado um concurso público, com provas específicas para cada um desses cargos, e os aprovados
nomeados e empossados. Contudo, em 2004, houve duas leis modificando o cargo de Comissário de Polícia. • a
primeira delas afirmou que Comissário de Polícia seria autoridade policial, juntamente com o Delegado de Polícia,
equiparando a remuneração dos dois cargos. • a segunda lei, transformando o cargo de "Comissário de Polícia" em
"Delegado de Polícia". Essas duas leis foram impugnadas por meio de ADI. Em 2015, o STF decidiu que elas são
INCONSTITUCIONAIS porque representaram burla à exigência do concurso público. As referidas leis fizeram uma
espécie de ASCENSÃO FUNCIONAL dos Comissários de Polícia porque transformaram os ocupantes desses cargos
em Delegados de Polícia sem que eles tivessem feito concurso público para tanto. No caso concreto, os Ministros
entenderam que, quando o cargo de Comissário de Polícia foi criado, ele possuía diferenças substanciais em relação
ao de Delegado de Polícia, o que impediria a transformação, mesmo sob o argumento de ser medida de
racionalização administrativa. Foram opostos embargos de declaração contra a decisão. Em 2018, o STF acolheu os
embargos e aceitou modular os efeitos da decisão proferida na ADI 3415. Além disso, o Tribunal determinou ao
Estado do Amazonas que promova, no prazo máximo de 18 meses, a contar da publicação da ata de julgamento
(07/08/2018), a abertura de concurso público para o cargo de Delegado de Polícia. O Ministro Relator Alexandre de
Moraes afirmou que mais de 70 delegacias de polícia ficariam sem delegados e que a população amazonense é que
sofreria as consequências. Além disso, na decisão dos embargos, os Ministros esclareceram que são plenamente
válidos os atos praticados nos cargos de Delegado de Polícia que serão afastados. STF. Plenário. ADI 3415 ED-
segundos/AM, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 1º/8/2018 (Info 909).

São imprescritíveis as ações de reintegração em cargo público quando o afastamento se deu em razão de atos de
exceção praticados durante o regime militar. Ex: João era servidor da ALE/PR. Em 1963, João foi demitido em razão
de perseguição política perpetrada na época da ditadura militar. Em 2011, João ajuizou ação ordinária contra o
Estado do Paraná pedindo a sua reintegração ao cargo. Esta pretensão é considerada imprescritível considerando
que envolve a efetivação da dignidade da pessoa humana. Vale ressaltar, contudo, que a imprescritibilidade da
ação que visa reparar danos provocados pelos atos de exceção não implica no afastamento da prescrição
quinquenal sobre as parcelas eventualmente devidas ao autor. Não se deve confundir imprescritibilidade da ação
de reintegração com imprescritibilidade dos efeitos patrimoniais e funcionais dela decorrentes, sob pena de
prestigiar a inércia do Autor, o qual poderia ter buscado seu direito desde a publicação da Constituição da

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República. Em outras palavras, o recebimento dos “atrasados” ficará restrito aos últimos 5 anos contados do
pedido. STJ. 1ª Turma. REsp 1.565.166-PR, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 26/06/2018 (Info 630).

É constitucional a previsão legal que assegure, na hipótese de transferência ex officio de servidor, a matrícula em
instituição pública, se inexistir instituição congênere à de origem. Ex: Paulo é servidor público federal, lotado em
Recife (PE), onde faz faculdade de Medicina em uma universidade particular. Ele é transferido, de ofício, para Rio
Branco (AC). Suponhamos, hipoteticamente, que, em Rio Branco, as universidades privadas lá existentes não
possuem o curso de medicina. Neste caso, Paulo teria direito a uma vaga no curso de Medicina da universidade
pública. Fundamento legal: art. 1º da Lei nº 9.536/97. STF. Plenário. RE 601580/RS, Rel. Min. Edson Fachin, julgado
em 19/9/2018 (repercussão geral) (Info 916).

Não é possível a extensão a servidores públicos civis da majoração de vencimentos, no percentual de 45%,
concedida a servidores militares, a título de reestruturação de cargos, com base na Lei nº 8.237/91 e no princípio
da isonomia dos índices revisionais disciplinados na redação original do art. 37, X, da Constituição Federal. O reajuste
de vencimentos concedido aos integrantes das Forças Armadas, à base de 45%, pela Lei nº 8.237/91, não configurou
um aumento geral na remuneração dos servidores militares que autorizasse, com fundamento no art. 37, X, da
CF/88, a extensão aos servidores civis. STF. 2ª Turma. RE 229637/ SP, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 6/11/2018 (Info 922).

Não deve ser determinada a devolução de valores recebidos de boa-fé por servidor público, percebidos a título
precário no período em que liminar produziu efeitos. É desnecessária a devolução dos valores recebidos por
liminar revogada, em razão de mudança de jurisprudência. Também é descabida a restituição de valores recebidos
indevidamente, circunstâncias em que o servidor público atuou de boa-fé. STF. 1ª Turma. MS 32.185/DF, Rel. Min.
Marco Aurélio, julgado em 13/11/2018 (Info 923).

Incide o teto remuneratório constitucional aos substitutos interinos de serventias extrajudiciais. STF. 2ª Turma. MS
29.039/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/11/2018 (Info 923).

O reajuste geral de 28,86%, concedido pelas Leis nº 8.622/93 e 8.627/93, não pode ser compensado pelas novas
gratificações criadas pela Lei nº 9.654/98. STJ. 1ª Seção. EREsp 1.577.881-DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado
em 27/06/2018 (Info 631).

ACUMULAÇÃO DE CARGO
O Auditor Fiscal do Trabalho, com especialidade em medicina do trabalho, não pode cumular o exercício do seu
cargo com outro da área de saúde. STJ. 1ª Turma. REsp 1.460.331-CE, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel.
Acd. Min. Gurgel de Faria, julgado em 10/04/2018 (Info 625).

A acumulação de cargos públicos de profissionais da área de saúde, prevista no art. 37, XVI, da CF/88, não se
sujeita ao limite de 60 horas semanais previsto em norma infraconstitucional, pois inexiste tal requisito na
Constituição Federal. O único requisito estabelecido para a acumulação é a compatibilidade de horários no exercício
das funções, cujo cumprimento deverá ser aferido pela administração pública. STF. 1ª Turma. RE 1.094.802 AgR,
Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 11/5/2018. STF. 2ª Turma. RMS 34257 AgR, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 29/06/2018. STJ. 2ª Turma. REsp 1.746.784-PE, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em
23/08/2018 (Info 632).

GREVE SERVIDORES PÚBLICOS


O Governador da Bahia editou um decreto prevendo que, em caso de greve, deverão ser adotas as seguintes
providências: a) convocação dos grevistas a reassumirem seus cargos; b) instauração de processo administrativo
disciplinar; c) desconto em folha de pagamento dos dias de greve; d) contratação temporária de servidores; e)
exoneração dos ocupantes de cargo de provimento temporário e de função gratificada que participarem da greve.
O STF decidiu que este Decreto é constitucional. Trata-se de decreto autônomo que disciplina as consequências —
estritamente administrativas — do ato de greve dos servidores públicos e as providências a serem adotadas pelos
agentes públicos no sentido de dar continuidade aos serviços públicos. A norma impugnada apenas prevê a
instauração de processo administrativo para se apurar a participação do servidor na greve e as condições em que
ela se deu, bem como o não pagamento dos dias de paralisação, o que está em consonância com a orientação fixada
pelo STF no julgamento do MI 708. É possível a contratação temporária excepcional (art. 37, IX, da CF/88) prevista
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no decreto porque o Poder Público tem o dever constitucional de prestar serviços essenciais que não podem ser
interrompidos, e que a contratação, no caso, é limitada ao período de duração da greve e apenas para garantir a
continuidade dos serviços. STF. Plenário. ADI 1306/BA, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 13/6/2017 (Info 906).

REMOÇÃO
Cônjuge que passou em concurso público. Se o cônjuge do servidor público for aprovado em um concurso público
e tiver que se mudar para tomar posse, este servidor terá direito à remoção prevista no art. 36, parágrafo único,
III, "a", da Lei nº 8.112/90? Ex.: Eduardo e Mônica são casados e moram em Boa Vista. Eduardo é servidor público
federal e Mônica estuda para concurso. Mônica é, então, aprovada para um cargo público federal e sua lotação
inicial é Fortaleza. Eduardo terá direito de se remover para Fortaleza para acompanhar sua esposa? NÃO.
O servidor público federal somente tem direito à remoção prevista no art. 36, parágrafo único, III, "a", da Lei nº
8.112/90, na hipótese em que o cônjuge/companheiro, também servidor, tenha sido deslocado de ofício, para
atender ao interesse da Administração (nos moldes do inciso I do mesmo dispositivo legal).
STJ. 1ª Seção. EREsp 1.247.360-RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 22/11/2017 (Info 617).

NOMEAÇÃO TARDIA
A nomeação tardia de candidatos aprovados em concurso público não gera direito à indenização, ainda que a
demora tenha origem em erro reconhecido pela própria Administração Pública.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.238.344-MG, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 30/11/2017 (Info 617).

Na hipótese de posse em cargo público determinada por decisão judicial, o servidor não faz jus à indenização, sob
fundamento de que deveria ter sido investido em momento anterior, salvo situação de arbitrariedade flagrante.
STF. Plenário. RE 724347/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em
26/2/2015 (repercussão geral) (Info 775).

CONCURSO PÚBLICO
Em regra, não produzem fato consumado a posse e o exercício em cargo público decorrentes de decisão judicial
tomada à base de cognição não-exauriente. Em outras palavras, não se aplica a teoria do fato consumado para
candidatos que assumiram o cargo público por força de decisão judicial provisória posteriormente revista. Trata-
se do entendimento firmado no RE 608482/RN (Tema 476). A situação é diferente, contudo, se a pessoa, após
permanecer vários anos no cargo, conseguiu a concessão de aposentadoria. Neste caso, em razão do elevado
grau de estabilidade da situação jurídica, o princípio da proteção da confiança legítima incide com maior
intensidade. Trata-se de uma excepcionalidade que autoriza a distinção (distinguish) quanto ao leading case do
RE 608482/RN (Tema 476). STF. 1ª Turma. RE 740029 AgR/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
14/8/2018 (Info 911). Quando o exercício do cargo foi amparado por decisões judiciais precárias e o servidor se
aposentou, antes do julgamento final do mandado de segurança, por tempo de contribuição durante esse
exercício e após legítima contribuição ao sistema, a denegação posterior da segurança que inicialmente permitira
ao servidor prosseguir no certame não pode ocasionar a cassação da aposentadoria. STJ. 1ª Seção. MS 20.558-
DF, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 22/2/2017 (Info 600).

O candidato aprovado em concurso público fora do número de vagas tem direito subjetivo à nomeação caso
surjam novas vagas durante o prazo de validade do certame, haja manifestação inequívoca da administração
sobre a necessidade de seu provimento e não tenha restrição orçamentária. STJ. 1ª Seção. MS 22.813-DF, Rel.
Min. Og Fernandes, julgado em 13/06/2018 (Info 630).

Os candidatos possuem direito à segunda chamada nos testes físicos em concursos públicos? REGRA: NÃO. Os
candidatos em concurso público NÃO têm direito à prova de segunda chamada nos testes de aptidão física em
razão de circunstâncias pessoais, ainda que de caráter fisiológico ou de força maior, salvo se houver previsão no
edital permitindo essa possibilidade. STF. Plenário. RE 630733/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
15/5/2013 (repercussão geral) (Info 706). EXCEÇÃO: as candidatas gestantes possuem. É constitucional a
remarcação do teste de aptidão física de candidata que esteja grávida à época de sua realização,
independentemente da previsão expressa em edital do concurso público. STF. Plenário. RE 1058333/PR, Rel.
Min. Luiz Fux, julgado em 21/11/2018 (repercussão geral) (Info 924).

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APOSENTADORIA ESPECIAL
Aposentadoria especial é aquela cujos requisitos e critérios exigidos do beneficiário são mais favoráveis que os
estabelecidos normalmente para as demais pessoas. A CF/88 prevê que os servidores que exerçam atividades de
risco têm direito à aposentadoria especial, segundo requisitos e condições previstas em lei complementar (art.
40, § 4º, II, “b”). Diante da ausência de legislação específica, não cabe ao Poder Judiciário garantir aposentadoria
especial (art. 40, § 4º, II, da CF/88) às guardas municipais. A aposentadoria especial não pode ser estendida aos
guardas civis, uma vez que suas atividades precípuas não são inequivocamente perigosas e, ainda, pelo fato de
não integrarem o conjunto de órgãos de segurança pública relacionados no art. 144, I a V, da CF/88. STF. Plenário.
MI 6515/DF, MI 6770/DF, MI 6773/DF, MI 6780/DF, MI 6874/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em
20/6/2018 (Info 907).

APOSENTADORIA
O art. 3º, § 7º, da Lei nº 12.618/2012 e o art. 92 da Lei nº 13.328/2016 previram que os servidores titulares de
cargos efetivos da União (inclusive magistrados, membro do MP e do TCU) poderiam aderir, até o dia 29/07/2018,
aos planos de benefícios administrados por entidades fechadas de previdência complementar. Duas associações
de magistrados ingressaram com ação requerendo a prorrogação deste prazo. O STF, contudo, negou o pedido.
O deferimento do pleito representaria indevida manipulação de opção político-normativa do Parlamento. Ao STF,
à semelhança do que ocorre com as demais Cortes Constitucionais, cabe exercer o papel de legislador negativo.
É sua a relevante função de extirpar do ordenamento jurídico normas incompatíveis com a Lei Maior, devendo,
exatamente por esse motivo, atuar com parcimônia. Não há, sob o ângulo material ou formal, qualquer traço de
incompatibilidade direta com a Constituição Federal. STF. Plenário. ADI 4885 MC/DF, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 27/6/2018 (Info 908)

Não incide contribuição previdenciária sobre verba não incorporável aos proventos de aposentadoria do
servidor público, tais como terço de férias, serviços extraordinários, adicional noturno e adicional de
insalubridade. STF. Plenário. RE 593068/SC, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 11/10/2018 (repercussão
geral) (Info 919).

FGTS
A remuneração das contas vinculadas ao FGTS tem disciplina própria, ditada por lei, que estabelece a TR como
forma de atualização monetária, sendo vedado, portanto, ao Poder Judiciário substituir o mencionado índice. STJ.
1ª Seção. REsp 1.614.874-SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 11/04/2018 (recurso repetitivo) (Info
625).

PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR


Súmula 611 STJ Desde que devidamente motivada e com amparo em investigação ou sindicância, é permitida
a instauração de processo administrativo disciplinar com base em denúncia anônima, em face do poder-dever
de autotutela imposto à Administração.

Compete ao Ministro de Estado Chefe da Controladoria-Geral da União a aplicação da penalidade de demissão a


servidor do Poder Executivo Federal, independentemente de se encontrar cedido à época dos fatos para o Poder
Legislativo Federal. STJ. 1ª Seção. MS 19.994-DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 23/05/2018 (Info 598).

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
Os agentes políticos, com exceção do Presidente da República, encontram-se sujeitos a duplo regime
sancionatório, de modo que se submetem tanto à responsabilização civil pelos atos de improbidade
administrativa quanto à responsabilização político-administrativa por crimes de responsabilidade. O foro
especial por prerrogativa de função previsto na Constituição Federal em relação às infrações penais comuns não
é extensível às ações de improbidade administrativa. STF. Plenário. Pet 3240 AgR/DF, rel. Min. Teori Zavascki, red.
p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 10/5/2018 (Info 901).

Não existe foro por prerrogativa de função em ação de improbidade administrativa proposta contra agente
político. O foro por prerrogativa de função é previsto pela Constituição Federal apenas para as infrações penais
comuns, não podendo ser estendida para ações de improbidade administrativa, que têm natureza civil. STT.
Plenário. Pet 3240/DF, Rel. para acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 10/05/2018.

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São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática de ato doloso tipificado na Lei de
Improbidade Administrativa. STF. Plenário. RE 852475/SP, Rel. orig. Min. Alexandre de Moraes, Rel. para acórdão
Min. Edson Fachin, julgado em 08/08/2018 (repercussão geral) (Info 910).

Critério objetivo Critério subjetivo


Art. 9º — Atos de improbidade que importam enriquecimento ilícito do agente
Exige DOLO
público
Pode ser DOLO ou,
Art. 10 — Atos de improbidade que causam prejuízo ao erário
no mínimo, CULPA
Art. 10-A — Atos de improbidade administrativa decorrentes de concessão ou
Exige DOLO
aplicação indevida de benefício financeiro ou tributário
Art. 11 — Atos de improbidade que atentam contra princípios da administração
Exige DOLO
pública

DESAPROPRIAÇÃO
O DL 3.365/41 dispõe sobre desapropriações por utilidade pública. Veja o que diz o art. 15-A, que foi incluído pela
MP 2.183-56/2001: “Art. 15-A No caso de imissão prévia na posse, na desapropriação por necessidade ou
utilidade pública e interesse social, inclusive para fins de reforma agrária, havendo divergência entre o preço
ofertado em juízo e o valor do bem, fixado na sentença, expressos em termos reais, incidirão juros
compensatórios de até seis por cento ao ano sobre o valor da diferença eventualmente apurada, a contar da
imissão na posse, vedado o cálculo de juros compostos. § 1º Os juros compensatórios destinam-se, apenas, a
compensar a perda de renda comprovadamente sofrida pelo proprietário. § 2º Não serão devidos juros
compensatórios quando o imóvel possuir graus de utilização da terra e de eficiência na exploração iguais a zero.
§ 3º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às ações ordinárias de indenização por apossamento
administrativo ou desapropriação indireta, bem assim às ações que visem a indenização por restrições
decorrentes de atos do Poder Público, em especial aqueles destinados à proteção ambiental, incidindo os juros
sobre o valor fixado na sentença. § 4º Nas ações referidas no § 3º, não será o Poder Público onerado por juros
compensatórios relativos a período anterior à aquisição da propriedade ou posse titulada pelo autor da ação.”
O STF analisou a constitucionalidade do art. 15-A do DL 3.365/41 e chegou às seguintes conclusões: 1) em relação
ao “caput” do art. 15-A do DL 3.365/41: 1.a) reconheceu a constitucionalidade do percentual de juros
compensatórios no patamar fixo de 6% ao ano para remuneração do proprietário pela imissão provisória do ente
público na posse de seu bem; 1.b) declarou a inconstitucionalidade do vocábulo “até”; 1.c) deu interpretação
conforme a Constituição ao “caput” do art. 15-A, de maneira a incidir juros compensatórios sobre a diferença
entre 80% do preço ofertado em juízo pelo ente público e o valor do bem fixado na sentença; 2) declarou a
constitucionalidade do § 1º do art. 15-A, que condiciona o pagamento dos juros compensatórios à comprovação
da “perda da renda comprovadamente sofrida pelo proprietário”; 3) declarou a constitucionalidade do § 2º do
art. 15-A, afastando o pagamento de juros compensatórios quando o imóvel possuir graus de utilização da terra
e de eficiência iguais a zero; 4) declarou a constitucionalidade do § 3º do art. 15-A, estendendo as regras e
restrições de pagamento dos juros compensatórios à desapropriação indireta. 5) declarou a inconstitucionalidade
do § 4º do art. 15-A; 6) declarou a constitucionalidade da estipulação de parâmetros mínimo (0,5%) e máximo
(5%) para a concessão de honorários advocatícios e a inconstitucionalidade da expressão “não podendo os
honorários ultrapassar R$ 151.000,00 (cento e cinquenta e um mil reais)” prevista no § 1º do art. 27. STF. Plenário.
ADI 2332/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/5/2018 (Info 902).

Período aproximado Taxa de juros compensatórios Fundamento


De 1941 até 1963 Não havia Ausência de previsão no DL
De 1963 até 1984 6% ao ano (0,5% ao mês) Súmula 164-STF e CC-1916
De 1984 até 10/06/97 12% (1% ao mês) Súmula 618-STF
De 11/06/1997 a 13/09/2001 6% (0,5% ao mês) MP 1.577/97 reeditada sucessivas vezes até
a MP 2.183-56.
De 14/09/2001 a 28/05/2018 12% (1% ao mês) Decisão liminar na ADI 2332 e Súmula 408-
STJ
A partir de 28/05/2018 6% (0,5% ao mês) Decisão final na ADI 2332 e art. 15-A do DL
3.365/41

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Súmula 618-STF: Na desapropriação, direta ou indireta, a taxa dos juros compensatórios é de 12% (doze por
cento) ao ano.

Súmula 408-STJ: Nas ações de desapropriação, os juros compensatórios incidentes após a Medida Provisória
1.577 de 11/06/1997 devem ser fixados em 6% ao ano até 13/09/2001 e a partir de então, em 12% ao ano, na
forma da Súmula 618 do Supremo Tribunal Federal.

Nas ações de desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária descabe a restituição, pelo
expropriado sucumbente, de honorários periciais aos assistentes técnicos do INCRA e do MPF. STJ. 1ª Turma. REsp
1.306.051-MA, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 08/05/2018 (Info 626)

CONCESSIONÁRIA
A concessionária de fornecimento de energia elétrica não pode exigir de órgão público, usuário do serviço, multa
por inadimplemento no pagamento de fatura, fundamentada no parágrafo único do art. 4º do Decreto-Lei nº
2.432/88. A multa prevista no parágrafo único do art. 4º do DL 2.432/88 refere-se aos contratos de compra e
venda de energia elétrica entre concessionárias de serviço público de energia elétrica, não sendo aplicada para
as relações entre a concessionária e os usuários do seu serviço, ou seja, não é uma multa a ser cobrada dos clientes
(usuários finais). STJ. 1ª Turma. REsp 1.396.808-AM, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 14/08/2018 (Info 632)

RESPONSABILIDADE CIVIL
A pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público possui responsabilidade civil em razão de
dano decorrente de crime de furto praticado em suas dependências, nos termos do art. 37, § 6º, da CF/88. Caso
concreto: o caminhão de uma empresa transportadora foi parado na balança de pesagem na Rodovia Anhanguera
(SP), quando se constatou excesso de peso. Os agentes da concessionária determinaram que o condutor
estacionasse o veículo no pátio da concessionária e, em seguida, conduziram-no até o escritório para ser autuado.
Aproximadamente 10 minutos depois, ao retornar da autuação para o caminhão, o condutor observou que o
veículo havia sido furtado. O STF condenou a Dersa – Desenvolvimento Rodoviário S/A, empresa concessionária
responsável pela rodovia a indenizar a transportadora. O Supremo reconheceu a responsabilidade civil da
prestadora de serviço público, ao considerar que houve omissão no dever de vigilância e falha na prestação e
organização do serviço. STF. 1ª Turma. RE 598356/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 8/5/2018 (Info 901).

O acórdão do STF no RE 841526/RS “é claro ao afirmar que a responsabilização do Estado em caso de morte de
detento somente ocorre quando houver inobservância do dever específico de proteção previsto no art. 5º,
inciso XLIX, da Constituição Federal. Logo, se o Estado nada pôde fazer para evitar o sinistro, não há falar em
responsabilidade civil do ente estatal, pois a conclusão em sentido contrário ensejaria a aplicação da
inconstitucional teoria do risco integral.” (Min. Mauro Campbell Marques).
Isso significa que o Estado deverá sempre ser condenado a indenizar os familiares do preso que se suicidou?
NÃO.
Somente haverá a responsabilização do Poder Público se, no caso concreto, o Estado não cumpriu seu dever
específico de proteção previsto no art. 5º, XLIX, da CF/88.
Como se adota a teoria do risco administrativo, o Estado poderá provar alguma causa excludente de
responsabilidade. Assim, nem sempre que houver um suicídio, haverá responsabilidade civil do Poder Público.
O Min. Luiz Fux exemplifica seu raciocínio com duas situações:
• Se o detento que praticou o suicídio já vinha apresentando indícios de que poderia agir assim, então, neste
caso, o Estado deverá ser condenado a indenizar seus familiares. Isso porque o evento era previsível e o Poder
Público deveria ter adotado medidas para evitar que acontecesse.
• Por outro lado, se o preso nunca havia demonstrado anteriormente que poderia praticar esta conduta, de forma
que o suicídio foi um ato completamente repentino e imprevisível, neste caso o Estado não será responsabilizado
porque não houve qualquer omissão atribuível ao Poder Público.

O Ministério da Fazenda editou a Portaria nº 492/1994, reduzindo de 30% para 20% a alíquota do imposto de
importação dos brinquedos em geral. Com a redução da alíquota, houve a entrada de um enorme volume de
brinquedos importados no Brasil, oriundos especialmente da China, sendo estes bem mais baratos que os
nacionais. Como resultado, várias indústrias de brinquedos no Brasil foram à falência e, mesmo as que
permaneceram, sofreram grandes prejuízos. Uma famosa indústria de brinquedos ingressou com ação contra a
União afirmando que a Portaria, apesar de ser um ato lícito, gerou prejuízos e que, portanto, o Poder Público
9
deveria ser condenado a indenizá-la. O STJ não concordou com o pedido. Não se verifica o dever do Estado de
indenizar eventuais prejuízos financeiros do setor privado decorrentes da alteração de política econômico-
tributária no caso de o ente público não ter se comprometido, formal e previamente, por meio de determinado
planejamento específico. A referida Portaria tinha finalidade extrafiscal e a possibilidade de alteração das
alíquotas do imposto de importação decorre do próprio ordenamento jurídico, não havendo que se falar em
quebra do princípio da confiança. O impacto econômico-financeiro sobre a produção e a comercialização de
mercadorias pelas sociedades empresárias causado pela alteração da alíquota de tributos decorre do risco da
atividade próprio da álea econômica de cada ramo produtivo. Não havia direito subjetivo da indústria quanto
à manutenção da alíquota do imposto de importação. STJ. 1ª Turma. REsp 1.492.832-DF, Rel. Min. Gurgel de
Faria, julgado em 04/09/2018 (Info 634).

DIREITOS ADMINISTRATIVO MILITAR


As Leis nº 8.112/90 e 10.820/2003 preveem que, se o servidor público civil fizer um empréstimo consignado, o
limite máximo de descontos que ele poderá autorizar que sejam feitos em sua remuneração é de 30% (mais 5%
se forem despesas com cartão de crédito). Esse limite não se aplica para os militares. Isso porque os militares
estão submetidos a um regramento específico previsto na MP 2.215-10/2001, que permite que seja descontado
até 70% da remuneração dos militares para pagamento de empréstimos consignados. Desse modo, os descontos
em folha, juntamente com os descontos obrigatórios, podem alcançar o percentual de 70% das remunerações ou
dos proventos brutos dos servidores militares. STJ. 1ª Seção. EAREsp 272.665-PE, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, julgado em 13/12/2017 (Info 618)

ACORDO DE LENIÊNCIA
É possível o compartilhamento, para outros órgãos e autoridades públicas, das provas obtidas no acordo de
leniência, desde que sejam respeitados os limites estabelecidos no acordo em relação aos aderentes. Assim,
por exemplo, se uma empresa celebra acordo de leniência com o MPF aceitando fornecer provas contra si, estas
provas somente poderão ser utilizadas para as sanções que foram ajustadas no acordo. No entanto, nada impede
que tais provas sejam fornecidas (compartilhadas) para os órgãos de apuração para que sejam propostas medidas
contra as outras pessoas envolvidas nos ilícitos e que não fizeram parte do acordo. STF. 2ª Turma. Inq 4420/DF,
Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 21/8/2018 (Info 913)

ANISTIADO POLÍTICO
1 - Reconhecido o direito à anistia política, a falta de cumprimento de requisição ou determinação de
providências por parte da União, por intermédio do órgão competente, no prazo previsto nos artigos 12,
parágrafo 4º, e 18, caput, parágrafo único, da Lei 10.559 de 2002, caracteriza ilegalidade e violação de direito
líquido e certo. 2 - Havendo rubricas no orçamento destinadas ao pagamento das indenizações devidas aos
anistiados políticos, e não demonstrada a ausência de disponibilidade de caixa, a União há de promover o
pagamento do valor ao anistiado no prazo de 60 dias. 3 - Na ausência ou na insuficiência de disponibilidade
orçamentária no exercício em curso, cumpre à União promover sua previsão no projeto de lei orçamentária
imediatamente seguinte. STF. Plenário. RE 553710/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/11/2016 (repercussão
geral) (Info 847). STF. 1ª Turma. RMS 28201/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 25/9/2018 (Info 917).

CONSTITUCIONAL
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
A alteração do parâmetro constitucional, quando o processo ainda está em curso, não prejudica o
conhecimento da ADI. Isso para evitar situações em que uma lei que nasceu claramente inconstitucional volte a
produzir, em tese, seus efeitos. STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) é meio processual inadequado para o controle de decreto
regulamentar de lei estadual. Seria possível a propositura de ADI se fosse um decreto autônomo. Mas sendo um
decreto que apenas regulamenta a lei, não é hipótese de cabimento de ADI. STF. Plenário. ADI 4409/SP, Rel. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 6/6/2018 (Info 905).

O advogado que assina a petição inicial da ação direta de inconstitucionalidade precisa de procuração com
poderes específicos. A procuração deve mencionar a lei ou ato normativo que será impugnado na ação.
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Repetindo: não basta que a procuração autorize o ajuizamento de ADI, devendo indicar, de forma específica, o
ato contra o qual se insurge. Caso esse requisito não seja cumprido, a ADI não será conhecida. Vale ressaltar,
contudo, que essa exigência constitui vício sanável e que é possível a sua regularização antes que seja reconhecida
a carência da ação. STF. Plenário. ADI 4409/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/6/2018 (Info 905).

O que acontece se a lei impugnada por meio de ADI é alterada antes do julgamento da ação? Neste caso, o autor
da ADI deverá aditar a petição inicial demonstrando que a nova redação do dispositivo impugnado apresenta o
mesmo vício de inconstitucionalidade que existia na redação original. A revogação, ou substancial alteração, do
complexo normativo impõe ao autor o ônus de apresentar eventual pedido de aditamento, caso considere
subsistir a inconstitucionalidade na norma que promoveu a alteração ou revogação. Se o autor não fizer isso, o
STF não irá conhecer da ADI, julgando prejudicado o pedido em razão da perda superveniente do objeto. STF.
Plenário. ADI 1931/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 7/2/2018 (Info 890).

O Estado-membro não possui legitimidade para recorrer contra decisões proferidas em sede de controle
concentrado de constitucionalidade, ainda que a ADI tenha sido ajuizada pelo respectivo Governador. A
legitimidade para recorrer, nestes casos, é do próprio Governador (previsto como legitimado pelo art. 103 da
CF/88). Os Estados-membros não se incluem no rol dos legitimados a agir como sujeitos processuais em sede de
controle concentrado de constitucionalidade. STF. Plenário. ADI 4420 ED-AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado
em 05/04/2018.

É cabível ADI contra Resolução do TSE que tenha, em seu conteúdo material, “norma de decisão” de caráter
abstrato, geral e autônomo, apta a ser apreciada pelo STF em sede de controle abstrato de constitucionalidade.
STF. Plenário. ADI 5122, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/5/2018 (Info 900).

A Resolução do CNMP consiste em ato normativo de caráter geral e abstrato, editado pelo Conselho no
exercício de sua competência constitucional, razão pela qual constitui ato normativo primário, sujeito a
controle de constitucionalidade, por ação direta, no Supremo Tribunal Federal. STF. Plenário. ADI 4263/DF, Rel.
Min. Roberto Barroso, julgado em 25/4/2018 (Info 899).

Cabe ADI contra recomendação conjunta de Tribunal de Justiça e de Tribunal Regional do Trabalho
recomendando aos juízes que considerem como sendo da Justiça do Trabalho a competência para autorizar o
trabalho de crianças e adolescentes em eventos de natureza artística. Esta recomendação deve ser considerada
como ato de caráter primário, autônomo e cogente, inovando no ordenamento jurídico, razão pela qual pode ser
impugnada por meio de ADI. STF. Plenário. ADI 5326/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 27/9/2018 (Info
917).

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) possui legitimidade para propor ADI contra ato
normativo que previa que a competência para autorizar o pedido de trabalho de crianças e adolescentes em
espetáculos artísticos seria da Justiça do Trabalho. A ABERT enquadra-se no conceito de entidade de classe de
âmbito nacional (art. 103, IX, da CF/88) e possui pertinência temática para questionar ato normativo que versa
sobre esse tema, considerando a participação de crianças e adolescentes nos programas de suas associadas. STF.
Plenário. ADI 5326/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 27/9/2018 (Info 917).

Caso o STF, ao julgar uma ADI, ADC ou ADPF, declare a lei ou ato normativo inconstitucional, ele poderá, de
ofício, fazer a modulação dos efeitos dessa decisão. Ex: no julgamento de uma ADI, o STF decidiu que
determinado artigo de lei é inconstitucional. Um dos legitimados do art. 103 da CF/88 opôs embargos de
declaração pedindo a modulação dos efeitos. Ocorre que o STF considerou que esses embargos eram
intempestivos. O STF, mesmo não conhecendo dos embargos, poderá decretar a modulação dos efeitos da
decisão. STF. Plenário. ADI 5617 ED/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 2/10/2018 (Info 918).

É irrecorrível a decisão denegatória de ingresso no feito como amicus curiae. Assim, tanto a decisão do Relator
que ADMITE como a que INADMITE o ingresso do amicus curiae é irrecorrível. STF. Plenário. RE 602584 AgR/DF,
rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado em 17/10/2018 (repercussão geral) (Info 920).

A CE/AP trouxe regra dizendo que se o Prefeito ou o Vice-Prefeito for viajar ao exterior, “por qualquer tempo”,
ele deverá pedir uma licença prévia da Câmara Municipal para a viagem. O STF considerou inconstitucional a
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expressão “por qualquer tempo”. Essa regra de “por qualquer tempo” está em desacordo com o princípio da
simetria. Isso porque a CF/88 somente exige autorização do Congresso Nacional se a ausência do Presidente da
República for superior a 15 dias (art. 49, III). De igual modo, a Constituição do Estado do Amapá também só exige
autorização da Assembleia Legislativa se a ausência do Governador (ou do Vice) for superior a 15 dias (art. 118, §
1º). Logo, a exigência de autorização da Câmara Municipal para que o Prefeito possa se ausentar por períodos
menores que 15 dias quebra a simetria existente em relação ao Governador. STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921).

É constitucional norma de Constituição Estadual que preveja que “o Estado e os Municípios reservarão vagas em
seus respectivos quadros de pessoal para serem preenchidas por pessoas portadoras de deficiência.” Apesar de,
em tese, a Constituição Estadual não poder dispor sobre servidores municipais, sob pena de afronta à autonomia
municipal, neste caso não há inconstitucionalidade, considerando que se trata de mera repetição de norma da
CF/88: Art. 37 (...) VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de
deficiência e definirá os critérios de sua admissão; STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 25/10/2018 (Info 921).

Coexistência de ADI no TJ e ADI no STF, sendo a ADI estadual julgada primeiro Coexistindo duas ações diretas de
inconstitucionalidade, uma ajuizada perante o tribunal de justiça local e outra perante o STF, o julgamento da
primeira – estadual – somente prejudica o da segunda – do STF – se preenchidas duas condições cumulativas:
1) se a decisão do Tribunal de Justiça for pela procedência da ação e 2) se a inconstitucionalidade for por
incompatibilidade com preceito da Constituição do Estado sem correspondência na Constituição Federal. Caso
o parâmetro do controle de constitucionalidade tenha correspondência na Constituição Federal, subsiste a
jurisdição do STF para o controle abstrato de constitucionalidade. Viola a igualdade a exigência de que o cargo
público seja ocupado por indivíduo com curso de administração pública mantido por instituição pública
credenciada no respectivo Estado É inconstitucional lei estadual que, ao criar o cargo de administrador público,
exige que ele seja ocupado por profissional graduado em Curso de Administração Pública mantido por Instituição
Pública de Ensino Superior, credenciada no respectivo Estado. Essa previsão da lei estadual ofende o princípio
constitucional da igualdade no acesso a cargos públicos. Além disso, essa regra também viola o art. 19, III, da
Constituição Federal, que proíbe a criação de distinções ilegítimas entre brasileiros. STF. Plenário. ADI 3659/AM,
Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 13/12/2018 (Info 927).

CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO


O art. 25, § 1º, da Lei nº 8.987/95 prevê o seguinte: “(...) a concessionária poderá contratar com terceiros o
desenvolvimento de atividades inerentes, acessórias ou complementares ao serviço concedido, bem como a
implementação de projetos associados.” Se o órgão fracionário de um Tribunal (ex: uma das Turmas do TRT) julga
ilegal a terceirização contratada por uma concessionária do serviço público, afastando a aplicação do art. 25, §
1º, da Lei nº 8.987/95, esta decisão viola a súmula vinculante 10? • SIM. O art. 25, § 1º, da Lei nº 8.987/95 permite
a terceirização da atividade-fim das empresas concessionárias do serviço público. Logo, se um órgão fracionário
do TRT afasta a aplicação deste dispositivo, haverá afronta à súmula vinculante 10 por violação à cláusula da
reserva de plenário. STF. 1ª Turma. Rcl 27.068/MG, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o ac. Min. Luís Roberto,
julgado em 5/3/2018 (Info 896). • NÃO. O ato reclamado, ao considerar ilegal a contratação de empregado, por
empresa interposta, para prestar serviços essenciais à atividade fim da tomadora, nos termos da Súmula 331, I,
do TST, não declarou expressamente, nem implicitamente, a inconstitucionalidade de qualquer norma especial
de regência aplicável ao caso. É firme a jurisprudência do STF no sentido de que não se exige reserva de plenário
para a mera interpretação e aplicação das normas jurídicas que emerge do próprio exercício da jurisdição,
sendo necessário, para caracterizar violação à cláusula de reserva de plenário, que a decisão de órgão
fracionário fundamente-se na incompatibilidade entre a norma legal e o Texto Constitucional. STF. 1ª Turma.
Rcl 24284/SP, rel. Min. Edson Fachin, julgado em 22/11/2016 (Info 848). STF. 2ª Turma. Rcl 26408 AgR, Rel. Min.
Edson Fachin, julgado em 07/11/2017.

É nula a decisão de órgão fracionário que se recusa a aplicar o art. 94, II, da Lei nº 9.472/97, sem observar a
cláusula de reserva de plenário (art. 97, da CF/88), observado o art. 949 do CPC/2015. STF. Plenário. ARE
791932/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 10 e 11/10/2018 (repercussão geral) (Info 919).

Sociedade de economia mista realizou concurso público para advogado da empresa. Mesmo havendo aprovados
no certame, que ainda estava dentro do prazo de vigência, a empresa decidiu contratar um escritório de advocacia
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para realizar os serviços jurídicos. Diante disso, uma das Turmas do TRT reconheceu que houve preterição dos
aprovados e determinou a nomeação. Ao assim decidir, a Turma do TRT disse que não se aplicava, ao caso, o art.
25, § 1º, da Lei nº 8.987/95. Essa decisão da Turma do TRT (órgão fracionário do Tribunal) não viola a SV 10. Isso
porque o enfoque do acórdão do TRT não era a terceirização dos serviços, mas sim a preterição arbitrária
praticada pela Administração Pública. STF. 1ª Turma. Rcl 29307 AgR/PB, Rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o
ac. Min. Rosa Weber, julgado em 4/12/2018 (Info 926).

ADPF
É possível que seja celebrado um acordo no bojo de uma arguição de descumprimento de preceito fundamental
(ADPF)? SIM. É possível a celebração de acordo num processo de índole objetiva, como a ADPF, desde que fique
demonstrado que há no feito um conflito intersubjetivo subjacente (implícito), que comporta solução por meio
de autocomposição. Vale ressaltar que, na homologação deste acordo, o STF não irá chancelar ou legitimar
nenhuma das teses jurídicas defendidas pelas partes no processo. O STF irá apenas homologar as disposições
patrimoniais que forem combinadas e que estiverem dentro do âmbito da disponibilidade das partes. A
homologação estará apenas resolvendo um incidente processual, com vistas a conferir maior efetividade à
prestação jurisdicional. STF. Plenário. ADPF 165/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 1º/3/2018 (Info
892).

MANDADO DE SEGURANÇA
É CABÍVEL SUSTENTAÇÃO ORAL EM MS DE COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DOS TRIBUNAIS?

Antes da Lei 13.676/2018 Depois da Lei 13.676/2018 (atualmente)


• No julgamento do pedido de liminar: NÃO • No julgamento do pedido de liminar: SIM
• No julgamento do mérito: SIM • No julgamento do mérito: SIM

Em regra, é indispensável a intimação do Ministério Público para opinar nos processos de mandado de segurança,
conforme previsto no art. 12 da Lei nº 12.016/2009. No entanto, a oitiva do Ministério Público é desnecessária
quando se tratar de controvérsia acerca da qual o tribunal já tenha firmado jurisprudência. Assim, não há
qualquer vício na ausência de remessa dos autos ao Parquet que enseje nulidade processual se já houver
posicionamento sólido do Tribunal. Nesses casos, é legítima a apreciação de pronto pelo relator. STF. 2ª Turma.
RMS 32.482/DF, rel. orig. Min. Teori Zavaski, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 21/8/2018 (Info 912).

O mandado de segurança não é o instrumento processual adequado para o controle abstrato de


constitucionalidade de leis e atos normativos. STF. 2ª Turma. RMS 32.482/DF, rel. orig. Min. Teori Zavaski, red. p/
o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 21/8/2018 (Info 912).

Nos casos de anistia política, em sede de mandado de segurança, só é possível a inclusão de juros de mora e
correção monetária na fase executiva quando houver decisão expressa nesse sentido. STJ. 1ª Seção. ExeMS
18.782-DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12/09/2018 (Info 634).

AÇÃO CIVIL PÚBLICA


A associação privada autora de uma ação civil pública pode fazer transação com o réu e pedir a extinção do
processo, nos termos do art. 487, III, “b”, do CPC. O art. 5º, § 6º da Lei nº 7.347/85 (Lei da Ação Civil Pública)
prevê que os órgãos públicos podem fazer acordos nas ações civis públicas em curso, não mencionando as
associações privadas. Apesar disso, a ausência de disposição normativa expressa no que concerne a associações
privadas não afasta a viabilidade do acordo. Isso porque a existência de previsão explícita unicamente quanto
aos entes públicos diz respeito ao fato de que somente podem fazer o que a lei determina, ao passo que aos
entes privados é dado fazer tudo que a lei não proíbe. STF. Plenário. ADPF 165/DF, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 1º/3/2018 (Info 892).

O Ministério Público é parte legítima para pleitear tratamento médico ou entrega de medicamentos nas
demandas de saúde propostas contra os entes federativos, mesmo quando se tratar de feitos contendo
beneficiários individualizados, porque se refere a direitos individuais indisponíveis, na forma do art. 1º da Lei n.
8.625/1993 (Lei Orgânica Nacional do Ministério Público). STJ. 1ª Seção. REsp 1.682.836-SP, Rel. Min. Og
Fernandes, julgado em 25/04/2018 (recurso repetitivo) (Info 624).
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O Ministério Público é parte legítima para ajuizamento de ação civil pública que vise o fornecimento de
remédios a portadores de certa doença. STF. Plenário. RE 605533/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
15/8/2018 (repercussão geral) (Info 911). O Ministério Público é parte legítima para pleitear tratamento médico
ou entrega de medicamentos nas demandas de saúde propostas contra os entes federativos, mesmo quando se
tratar de feitos contendo beneficiários individualizados, porque se refere a direitos individuais indisponíveis, na
forma do art. 1º da Lei n. 8.625/1993 (Lei Orgânica Nacional do Ministério Público). STJ. 1ª Seção. REsp 1.682.836-
SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 25/04/2018 (recurso repetitivo) (Info 624).

IBGE SIGILO DE INFORMAÇÕES


O IBGE está legalmente IMPEDIDO DE FORNECER a quem quer que seja as informações individualizadas que
coleta, no desempenho de suas atribuições, para que sirvam de prova em quaisquer outros procedimentos
administrativos. STJ. 1ª Turma. REsp 1.353.602-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 30/11/2017
(Info 617)

Os dados obtidos por meio da quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal devem ser mantidos sob reserva.
Assim, a página do Senado Federal na internet não pode divulgar os dados obtidos por meio da quebra de sigilo
determinada por comissão parlamentar de inquérito (CPI). STF. Plenário. MS 25940, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 26/4/2018 (Info 899).

LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Uma decisão judicial determinou a retirada de matéria de “blog” jornalístico, bem como a proibição de novas
publicações, por haver considerado a notícia ofensiva à honra de delegado da polícia federal. Essa decisão afronta
o que o STF decidiu na ADPF 130/DF, que julgou não recepcionada a Lei de Imprensa. A ADPF 130/DF pode ser
utilizada como parâmetro para ajuizamento de reclamação que verse sobre conflito entre a liberdade de
expressão e de informação e a tutela das garantias individuais relativas aos direitos de personalidade.
A determinação de retirada de matéria jornalística afronta a liberdade de expressão e de informação, além de
constituir censura prévia. Essas liberdades ostentam preferência em relação ao direito à intimidade, ainda que
a matéria tenha sido redigida em tom crítico. O Supremo assumiu, mediante reclamação, papel relevante em
favor da liberdade de expressão, para derrotar uma cultura censória e autoritária que começava a se projetar no
Judiciário. STF. 1ª Turma. Rcl 28747/PR, Rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ ac. Min. Luiz Fux, julgado em
5/6/2018 (Info 905). Sobre o mesmo tema: STF. 1ª Turma. Rcl 22328/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em
6/3/2018 (Info 893).

O STF tem sido mais flexível na admissão de reclamação em matéria de liberdade de expressão, em razão da
persistente vulneração desse direito na cultura brasileira, inclusive por via judicial. No julgamento da ADPF 130,
o STF proibiu enfaticamente a censura de publicações jornalísticas, bem como tornou excepcional qualquer tipo
de intervenção estatal na divulgação de notícias e de opiniões. A liberdade de expressão desfruta de uma posição
preferencial no Estado democrático brasileiro, por ser uma pré-condição para o exercício esclarecido dos
demais direitos e liberdades.
A retirada de matéria de circulação configura censura em qualquer hipótese, o que se admite apenas em
situações extremas. Assim, em regra, a colisão da liberdade de expressão com os direitos da personalidade
deve ser resolvida pela retificação, pelo direito de resposta ou pela reparação civil. Diante disso, se uma decisão
judicial determina que se retire do site de uma revista determinada matéria jornalística, esta decisão viola a
orientação do STF, cabendo reclamação. STF. 1ª Turma. Rcl 22328/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em
6/3/2018 (Info 893).

A incitação ao ódio público contra quaisquer denominações religiosas e seus seguidores não está protegida
pela cláusula constitucional que assegura a liberdade de expressão. STF. 2ª Turma. RHC 146303/RJ, rel. Min.
Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/3/2018 (Info 893). Atenção. Compare com RHC
134682/BA, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/11/2016 (Info 849).

É inconstitucional o § 1º do art. 4º da Lei nº 9.612/98. Esse dispositivo proíbe, no âmbito da programação das
emissoras de radiodifusão comunitária, a prática de proselitismo, ou seja, a transmissão de conteúdo tendente a
converter pessoas a uma doutrina, sistema, religião, seita ou ideologia. O STF entendeu que essa proibição afronta
os arts. 5º, IV, VI e IX, e 220, da Constituição Federal. A liberdade de pensamento inclui o discurso persuasivo, o
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uso de argumentos críticos, o consenso e o debate público informado e pressupõe a livre troca de ideias e não
apenas a divulgação de informações. STF. Plenário. ADI 2566/DF, rel. orig. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o
ac. Min. Edson Fachin, julgado em 16/5/2018 (Info 902)

São inconstitucionais os atos judiciais ou administrativos que determinem ou promovam: • o ingresso de agentes
públicos em universidades públicas e privadas; • o recolhimento de documentos (ex: panfletos); • a interrupção
de aulas, debates ou manifestações de docentes e discentes universitários; • a realização de atividade disciplinar
docente e discente e a coleta irregular de depoimentos desses cidadãos pela prática de manifestação livre de
ideias e divulgação do pensamento nos ambientes universitários ou em equipamentos sob a administração de
universidades públicas e privadas. STF. Plenário. ADPF 548 MC-Ref/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em
31/10/2018 (Info 922).

DIREITOS SOCIAIS
A incidência da estabilidade prevista no art. 10, II, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT)
somente exige a anterioridade da gravidez à dispensa sem justa causa. Art. 10. (...) II - fica vedada a dispensa
arbitrária ou sem justa causa: (...) da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após
o parto. O único requisito exigido é de natureza biológica. Exige-se apenas a comprovação de que a gravidez
tenha ocorrido antes da dispensa arbitrária, não sendo necessários quaisquer outros requisitos, como o prévio
conhecimento do empregador ou da própria gestante. Assim, é possível assegurar a estabilidade à gestante
mesmo que no momento em que ela tenha sido demitida pelo empregador ele não soubesse de sua gravidez.
STF. Plenário. RE 629053/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
10/10/2018 (repercussão geral) (Info 919).

HOMESCHOOLING
Não é possível, atualmente, o ensino domiciliar (homeschooling) como meio lícito de cumprimento, pela
família, do dever de prover educação. Não há, na CF/88, uma vedação absoluta ao ensino domiciliar. A CF/88,
apesar de não o prever expressamente, não proíbe o ensino domiciliar. No entanto, o ensino domiciliar não pode
ser atualmente exercido porque não há legislação que regulamente os preceitos e as regras aplicáveis a essa
modalidade de ensino. Assim, o ensino domiciliar somente pode ser implementado no Brasil após uma
regulamentação por meio de lei na qual sejam previstos mecanismos de avaliação e fiscalização, devendo essa lei
respeitar os mandamentos constitucionais que tratam sobre educação. STF. Plenário. RE 888815/RS, rel. orig.
Min. Roberto Barroso, red. p/ o acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 12/9/2018 (repercussão geral)
(Info 915).

DIREITO AO ESQUECIMENTO
Determinada pessoa se envolveu em uma suspeita de fraude há mais muitos anos, tendo sido inocentada das
acusações. Ocorre que todas as vezes que digita seu nome completo no Google e demais provedores de busca,
os primeiros resultados que aparecem até hoje são de páginas na internet que trazem reportagens sobre seu
suposto envolvimento com a fraude. Diante disso, ela ingressou com ação de obrigação de fazer contra o Google
pedindo a desindexação, nos resultados das aplicações de busca mantida pela empresa, de notícias relacionadas
às suspeitas de fraude no referido concurso. Invocou, como fundamento, o direito ao esquecimento. O STJ
afirmou o seguinte: em regra, os provedores de busca da internet (ex: Google) não têm responsabilidade pelos
resultados de busca apresentados. Em outras palavras, não se pode atribuir a eles a função de censor, obrigando
que eles filtrem os resultados das buscas, considerado que eles apenas espelham o conteúdo que existe na
internet. A pessoa prejudicada deverá direcionar sua pretensão contra os provedores de conteúdo (ex: sites de
notícia), responsáveis pela disponibilização do conteúdo indevido na internet. Há, todavia, circunstâncias
excepcionalíssimas em que é necessária a intervenção pontual do Poder Judiciário para fazer cessar o vínculo
criado, nos bancos de dados dos provedores de busca, entre dados pessoais e resultados da busca, que não
guardam relevância para interesse público à informação, seja pelo conteúdo eminentemente privado, seja pelo
decurso do tempo. Nessas situações excepcionais, o direito à intimidade e ao esquecimento, bem como a
proteção aos dados pessoais deverá preponderar, a fim de permitir que as pessoas envolvidas sigam suas vidas
com razoável anonimato, não sendo o fato desabonador corriqueiramente rememorado e perenizado por
sistemas automatizados de busca. No caso concreto, o STJ determinou que deveria haver a desvinculação da
pesquisa com base no nome completo da autora com resultados que levassem às notícias sobre a fraude. Em
outras palavras, o STJ afirmou o seguinte: o Google não precisa retirar de seus resultados as notícias da autora
relacionadas com a suposta fraude no concurso. Mas para que esses resultados apareçam será necessário que o
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usuário faça uma pesquisa específica com palavras-chaves que remetam à fraude. Por outro lado, se a pessoa
digitar unicamente o nome completo da autora, sem qualquer outro termo de pesquisa que remete à suspeita de
fraude, não se deve mais aparecer os resultados relacionados com este fato desabonador. Assim, podemos dizer
que é possível determinar o rompimento do vínculo estabelecido por provedores de aplicação de busca na
internet entre o nome de prejudicado, utilizado como critério exclusivo de busca, e a notícia apontada nos
resultados. O rompimento do referido vínculo sem a exclusão da notícia compatibiliza também os interesses
individual do titular dos dados pessoais e coletivo de acesso à informação, na medida em que viabiliza a
localização das notícias àqueles que direcionem sua pesquisa fornecendo argumentos de pesquisa relacionados
ao fato noticiado, mas não àqueles que buscam exclusivamente pelos dados pessoais do indivíduo protegido. STJ.
3ª Turma. REsp 1.660.168-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em
08/05/2018 (Info 628)

EDUCAÇÃO
São constitucionais a exigência de idade mínima de quatro e seis anos para ingresso, respectivamente, na
educação infantil e no ensino fundamental, bem como a fixação da data limite de 31 de março para que referidas
idades estejam completas. STF. Plenário. ADPF 292/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 1º/8/2018 (Info 909). É
constitucional a exigência de 6 (seis) anos de idade para o ingresso no ensino fundamental, cabendo ao Ministério
da Educação a definição do momento em que o aluno deverá preencher o critério etário. STF. Plenário. ADC
17/DF, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, jugado em 1º/8/2018 (Info 909). As Resoluções
nº 01/2010 e nº 06/2010, ambas emanadas da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação
(CNE/CEB), ao estabelecerem corte etário para ingresso de crianças na primeira série do ensino fundamental (6
anos completos até 31 de março do correspondente ano letivo), não incorreram em contexto de ilegalidade (não
violaram a lei). Ao contrário, tais Resoluções encotram respaldo na interpretação conjunta dos arts. 29 e 32 da
Lei nº 9.394/96 (LDB). O Poder Judiciário não pode substituir-se às autoridades públicas de educação para fixar
ou suprimir requisitos para o ingresso de crianças no ensino fundamental, quando os atos normativos de regência
não revelem traços de ilegalidade, abusividade ou ilegitimidade. STJ. 1ª Turma. REsp 1412704/PE, Rel. Min. Sérgio
Kukina, julgado em 16/12/2014.

É constitucional lei estadual que: • assegure, nos estabelecimentos de ensino superior estadual e municipal, a
livre organização dos Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais dos Estudantes. •
estabeleça que é de competência exclusiva dos estudantes a definição das formas, dos critérios, dos estatutos e
demais questões referentes à organização dos Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais
dos Estudantes. • determine que os estabelecimentos de ensino deverão garantir espaços, em suas dependências,
para a divulgação e instalações para os Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais
Estudantis. Vale ressaltar, no entanto, que esta lei não se aplica para as instituições federais e particulares de
ensino superior considerando que elas integram o “sistema federal”, de competência da União. Deve-se
acrescentar, por fim, que é inconstitucional que essa lei estadual preveja multa para as entidades particulares de
ensino em caso de descumprimento das medidas acima listadas. STF. Plenário. ADI 3757/PR, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 17/10/2018 (Info 920).

Não viola a Constituição Federal a cobrança de contribuição obrigatória dos alunos matriculados nos Colégios
Militares do Exército Brasileiro. Os Colégios Militares apresentam peculiaridades que fazem com que eles sejam
instituições diferentes dos estabelecimentos oficiais de ensino, por razões éticas, fiscais, legais e institucionais.
Podem, assim, ser qualificados como instituições educacionais sui generis. A quota mensal escolar exigida nos
Colégios Militares não representa ofensa à regra constitucional de gratuidade do ensino público, uma vez que não
há violação ao núcleo de intangibilidade do direito fundamental à educação. Por fim, deve-se esclarecer que esse
valor cobrado dos alunos para o custeio das atividades do Sistema Colégio Militar do Brasil não possui natureza
tributária (não é tributo). Logo, é válida a sua instituição por meio de atos infralegais. Portanto, são válidos os
arts. 82 e 83, da Portaria 42/2008 do Comandante do Exército, que disciplinam essa cobrança. STF. Plenário. ADI
5082/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 24/10/2018 (Info 921).

A emissão do certificado de conclusão do ensino médio, realizado de forma integrada com o técnico, ao estudante
aprovado nas disciplinas regulares independe do estágio profissionalizante. Caso concreto: João fez o ensino
médio em instituto federal de educação. Ocorre que optou por não concluir o estágio profissionalizante. A única
consequência negativa para ele vai ser não ter direito ao certificado técnico-profissional. No entanto, não há nada
que o impeça de ter direito ao certificado de conclusão do ensino médio, considerando que efetivamente estudou
16
e foi aprovado nas respectivas matérias. STJ. 1ª Turma. REsp 1.681.607-PE, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado
em 20/09/2018 (Info 634).

SAÚDE
É constitucional o ressarcimento previsto no art. 32 da Lei nº 9.656/98, o qual é aplicável aos procedimentos
médicos, hospitalares ou ambulatoriais custeados pelo SUS e posteriores a 4.6.1998, assegurados o contraditório
e a ampla defesa, no âmbito administrativo, em todos os marcos jurídicos. O art. 32 da Lei nº 9.656/98 prevê que,
se um cliente do plano de saúde utilizar-se dos serviços do SUS, o Poder Público poderá cobrar do referido
plano o ressarcimento que ele teve com essas despesas. Assim, o chamado “ressarcimento ao SUS”, criado pelo
art. 32, é uma obrigação legal das operadoras de planos privados de assistência à saúde de restituir as despesas
que o SUS teve ao atender uma pessoa que seja cliente e que esteja coberta por esses planos. STF. Plenário. RE
597064/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 7/2/2018 (repercussão geral) (Info 890).

COMPETÊNCIA LEGISLATIVA
É CONSTITUCIONAL lei estadual que obrigue os planos de saúde a fornecerem aos consumidores informações
e documentos justificando as razões pelas quais houve recusa de algum procedimento, tratamento ou
internação. O Mato Grosso do Sul editou uma lei estadual prevendo que, se o plano de saúde recusar algum
procedimento, tratamento ou internação, ele deverá fornecer, por escrito, ao usuário, um comprovante
fundamentado expondo as razões da negativa. O STF entendeu que essa norma não viola competência privativa
da União, considerando que ela trata sobre proteção ao consumidor, matéria inserida na competência
concorrente (art. 24, V, da CF/88). STF. Plenário. ADI 4512/MS, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 7/2/2018 (Info
890)

As disposições legais sobre a forma de cobrança do Imposto sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doação de
quaisquer Bens ou Direitos (ITCMD) pela Procuradoria Geral do Estado e de sua intervenção em processos de
inventário, arrolamento e outros de interesse da Fazenda Pública são regras de procedimento que não violam
o Código de Processo Civil. Neste caso, são normas eminentemente procedimentais, autorizadas pelo art. 24 da
CF/88, que prevê a competência concorrente da União e dos Estados. A possibilidade de a Procuradoria-Geral do
Estado intervir e ser ouvida nos inventários, arrolamentos e outros feitos em nada atrapalha o processo. STF.
Plenário. ADI 4409/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/6/2018 (Info 905).

A competência para legislar sobre as atividades que envolvam organismos geneticamente modificados (OGM)
é concorrente (art. 24, V, VIII e XII, da CF/88). No âmbito das competências concorrentes, cabe à União
estabelecer normas gerais e aos Estados-membros editar leis para suplementar essas normas gerais (art. 24, §§
1º e 2º). Determinado Estado-membro editou lei estabelecendo que toda e qualquer atividade relacionada com
os OGMs naquele Estado deveria observar “estritamente à legislação federal específica”. O STF entendeu que
essa lei estadual é inconstitucional porque significou uma verdadeira “renúncia” ao exercício da competência
legislativa concorrente prevista no art. 24, V, VIII e XII, da CF/88. Em outras palavras, o Estado abriu mão de sua
competência suplementar prevista no art. 24, § 2º da CF/88. Essa norma estadual remissiva fragiliza a estrutura
federativa descentralizada, e consagra o monopólio da União, sem atentar para nuances locais. Assim, é
inconstitucional lei estadual que remete o regramento do cultivo comercial e das atividades com organismos
geneticamente modificados à regência da legislação federal. STF. Plenário. ADI 2303/RS, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 5/9/2018 (Info 914).

É constitucional lei municipal que proíbe a conferência de mercadorias realizada na saída de estabelecimentos
comerciais localizados na cidade. A Lei prevê que, após o cliente efetuar o pagamento nas caixas registradoras
da empresa instaladas, não é possível nova conferência na saída. Os Municípios detêm competência para legislar
sobre assuntos de interesse local (art. 30, I, da CF/88), ainda que, de modo reflexo, tratem de direito comercial
ou do consumidor. STF. 2ª Turma. RE 1.052.719 AgR/PB, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 25/9/2018
(Info 917).

A competência para editar lei fixando o piso salarial das categorias profissionais (art. 7º, V, da CF/88) é privativa
da União por se tratar de direito do trabalho (art. 22, I). A União editou a LC federal 103/2000 autorizando que
os Estados-membros e o DF editem leis fixando o piso salarial dos profissionais de acordo com suas realidades
regionais. Ocorre que a União exigiu, dentre outros requisitos, que essa lei seja de iniciativa do chefe do Poder
Executivo estadual (Governador). Se uma lei estadual/distrital de iniciativa parlamentar fixa o piso salarial, essa
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lei ultrapassa os limites impostos pela LC federal 103/2000 e, em última análise, viola diretamente o art. 22, I e
parágrafo único, da CF/88, sendo considerada inconstitucional. Assim, a extrapolação dos limites da competência
legislativa delegada pela União aos Estados e ao Distrito Federal representa a usurpação de competência
legislativa da União para legislar sobre direito do trabalho (art. 22, I e parágrafo único) e, consequentemente, a
inconstitucionalidade formal da lei delegada. STF. Plenário. ADI 5344 MC/PI, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
11/10/2018 (Info 919).

Viola a Constituição Federal lei municipal que proíbe o trânsito de veículos, sejam eles motorizados ou não,
transportando cargas vivas nas áreas urbanas e de expansão urbana do Município. Essa lei municipal invade a
competência da União. O Município, ao inviabilizar o transporte de gado vivo na área urbana e de expansão
urbana de seu território, transgrediu a competência da União, que já estabeleceu, à exaustão, diretrizes para a
política agropecuária, o que inclui o transporte de animais vivos e sua fiscalização. Além disso, sob a justificativa
de criar mecanismo legislativo de proteção aos animais, o legislador municipal impôs restrição desproporcional.
Esta desproporcionalidade fica evidente quando se verifica que a legislação federal já prevê uma série de
instrumentos para garantir, de um lado, a qualidade dos produtos destinados ao consumo pela população e, de
outro, a existência digna e a ausência de sofrimento dos animais, tanto no transporte quanto no seu abate. STF.
Plenário. ADPF 514 e ADPF 516 MC-REF/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em 11/10/2018 (Info 919).

É inconstitucional lei municipal que cria concurso de prognósticos de múltiplas chances (loteria) em âmbito
local. A competência para tratar sobre esse assunto (sistemas de sorteios) é privativa da União, conforme
determina o art. 22, XX, da CF/88. Sobre o tema, vale a pena lembrar a SV 2: é inconstitucional a lei ou ato
normativo estadual ou distrital que disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.
STF. Plenário. ADPF 337/MA, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 17/10/2018 (Info 920).

São inconstitucionais as leis que obrigam supermercados ou similares à prestação de serviços de


acondicionamento ou embalagem das compras, por violação ao princípio da livre iniciativa (art. 1º, IV e art. 170
da CF/88). STF. Plenário. ADI 907/RJ, Rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado
em 1º/8/2017 (Info 871). STF. Plenário. RE 839950/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24/10/2018 (repercussão
geral) (Info 921).

É inconstitucional lei estadual que impõe às montadoras, concessionárias e importadoras de veículos a


obrigação de fornecer veículo reserva a clientes cujo automóvel fique inabilitado por mais de quinze dias por
falta de peças originais ou por impossibilidade de realização do serviço, durante o período de garantia
contratual. STF. Plenário. ADI 5158/PE, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 6/12/2018 (Info 926)

É constitucional lei estadual ou municipal que imponha sanções às agências bancárias que não instalarem
divisórias individuais nos caixas de atendimento. Trata-se de matéria relativa a relação de consumo, o que
garante ao Estado competência concorrente para legislar sobre o tema (art. 24, V, da CF/88). STF. Plenário. ADI
4633/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 10/04/2018 (notícia do site). STF. 1ª Turma. ARE 756593 AgR, Rel. Min.
Dias Toffoli, julgado em 16/12/2014.

É inconstitucional lei estadual que obriga as empresas concessionárias de serviços de telecomunicações a


manterem escritórios regionais e representantes legais para atendimento presencial de consumidores em
cidades com população superior a 100 mil habitantes, bem como a divulgarem os correspondentes endereços
físicos no site, no contrato de prestação de serviços e nas faturas enviadas aos usuários. Trata-se de matéria
relativa a “serviços públicos de telecomunicações”, cuja competência é privativa da União (art. 21, XI e art. 22,
IV, da CF/88). STF. Plenário. ADI 4633/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 10/04/2018 (notícia do site).

É inconstitucional lei do Distrito Federal que institua, extinga e transforme órgãos internos da Polícia Civil do
Distrito Federal. Essa lei viola o art. 21, XIV, da CF/88, que fixa a competência da União para manter e organizar
a Polícia Civil do Distrito Federal. Deve-se reconhecer que o art. 21, XIV, CF/88 trata tanto de competência
administrativa quanto legislativa, sendo a matéria, portanto, atribuída, prioritariamente, à União. As leis distritais
impugnadas, ao criarem cargos em comissão e novos órgãos, também instituíram novas obrigações pecuniárias a
serem suportadas pela União. Ocorre que é vedado ao Distrito Federal valer-se de leis distritais para instituir
encargos financeiros a serem arcados pela União. Como as leis distritais declaradas inconstitucionais eram muito

18
antigas (2001, 2002 e 2005), o STF decidiu modular os efeitos da decisão. STF. Plenário. ADI 3666, Rel. Min.
Roberto Barroso, julgado em 06/12/2018 (notícia do site).

ROYALTIES
A Lei nº 12.734/2012, que alterou os arts. 48, § 3º, e 49, § 7º, da Lei nº 9.478/1997 e passou a considerar os
pontos de entrega de gás canalizado (city gates) como instalações de embarque e desembarque, para fins de
pagamento de royalties aos municípios afetados por tais operações, não tem eficácia retroativa. STJ. 1ª Turma.
REsp 1.452.798-RJ, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Gurgel de Faria, julgado em 19/04/2018
(Info 625)

PODER LEGISLATIVO
Se o STF condenar criminalmente um Deputado Federal ou Senador, haverá a perda automática do mandato ou
isso ainda dependerá de uma deliberação (decisão) da Câmara ou do Senado, respectivamente? A condenação
criminal transitada em julgado é suficiente, por si só, para acarretar a perda automática do mandato eletivo de
Deputado Federal ou de Senador?
1ª Turma do STF: DEPENDE. • Se o Deputado ou Senador for condenado a mais de 120 dias em regime fechado:
a perda do cargo será uma consequência lógica da condenação. Neste caso, caberá à Mesa da Câmara ou do
Senado apenas declarar que houve a perda (sem poder discordar da decisão do STF), nos termos do art. 55, III e
§ 3º da CF/88. • Se o Deputado ou Senador for condenado a uma pena em regime aberto ou semiaberto: a
condenação criminal não gera a perda automática do cargo. O Plenário da Câmara ou do Senado irá deliberar,
nos termos do art. 55, § 2º, da CF/88, se o condenado deverá ou não perder o mandato. STF. 1ª Turma. AP
694/MT, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 2/5/2017 (Info 863). STF. 1ª Turma. AP 968/SP, Rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 22/5/2018 (Info 903).
2ª Turma do STF: NÃO. A perda não é automática. A Casa é que irá deliberar. O STF apenas comunica, por meio
de ofício, à Mesa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal informando sobre a condenação do
parlamentar. A Mesa da Câmara ou do Senado irá, então, deliberar (decidir) como entender de direito (como
quiser) se o parlamentar irá perder ou não o mandato eletivo, conforme prevê o art. 55, VI, § 2º, da CF/88. Assim,
mesmo com a condenação criminal, quem decide se haverá a perda do mandato é a Câmara dos Deputados ou o
Senado Federal. STF. 2ª Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018 (Info 904) (obs: o
Relator Edson Fachin ficou vencido neste ponto).

O parlamentar, na condição de cidadão, pode exercer plenamente seu direito fundamental de acesso a
informações de interesse pessoal ou coletivo, nos termos do art. 5º, inciso XXXIII, da Constituição Federal e das
normas de regência desse direito. O parlamentar, na qualidade de cidadão, não pode ter cerceado o exercício do
seu direito de acesso, via requerimento administrativo ou judicial, a documentos e informações sobre a gestão
pública, desde que não estejam, excepcionalmente, sob regime de sigilo ou sujeitos à aprovação de CPI. O fato
de as casas legislativas, em determinadas situações, agirem de forma colegiada, por intermédio de seus órgãos,
não afasta, tampouco restringe, os direitos inerentes ao parlamentar como indivíduo. STF. Plenário. RE
865401/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 25/4/2018 (repercussão geral) (Info 899)

IMUNIDADE PARLAMENTAR
As normas da Constituição de 1988 que estabelecem as hipóteses de foro por prerrogativa de função devem ser
interpretadas restritivamente, aplicando-se apenas aos crimes que tenham sido praticados durante o exercício
do cargo e em razão dele. Assim, por exemplo, se o crime foi praticado antes de o indivíduo ser diplomado como
Deputado Federal, não se justifica a competência do STF, devendo ele ser julgado pela 1ª instância mesmo
ocupando o cargo de parlamentar federal. Além disso, mesmo que o crime tenha sido cometido após a investidura
no mandato, se o delito não apresentar relação direta com as funções exercidas, também não haverá foro
privilegiado. Foi fixada, portanto, a seguinte tese: O foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes
cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas.
STF. Plenário. AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 03/05/2018.

Após o final da instrução processual, com a publicação do despacho de intimação para apresentação de
alegações finais, a competência para processar e julgar ações penais não será mais afetada em razão de o
agente público vir a ocupar outro cargo ou deixar o cargo que ocupava, qualquer que seja o motivo.
STF. Plenário. AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 03/05/2018.

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CRIMES COMETIDOS POR DEPUTADO FEDERAL OU SENADOR

SITUAÇÃO COMPETÊNCIA
Crime cometido antes da diplomação como Deputado ou Senador
Crime cometido depois da diplomação (durante o exercício do cargo), mas o delito não Juízo de 1ª instância
tem relação com as funções desempenhadas.
Ex: embriaguez ao volante.
Crime cometido depois da diplomação (durante o exercício do cargo) e o delito está
relacionado com as funções desempenhadas. STF
Ex: corrupção passiva.

SITUAÇÃO ATRIBUIÇÃO PARA INVESTIGAR


Se o crime foi praticado antes da diplomação
Polícia (Civil ou Federal) ou MP.
Se o crime foi praticado depois da diplomação (durante Não há necessidade de autorização do STF
o exercício do cargo), mas o delito não tem relação com Medidas cautelares são deferidas pelo juízo de 1ª
as funções desempenhadas. instância (ex: quebra de sigilo)
Ex: homicídio culposo no trânsito.
Se o crime foi praticado depois da diplomação (durante Polícia Federal e Procuradoria Geral da República, com
o exercício do cargo) e o delito está relacionado com as supervisão judicial do STF.
funções desempenhadas. Há necessidade de autorização do STF para o início das
Ex: corrupção passiva. investigações.

O foro por prerrogativa de função no caso de Governadores e Conselheiros de Tribunais de Contas dos Estados
deve ficar restrito aos fatos ocorridos durante o exercício do cargo e em razão deste.
Assim, o STJ é competente para julgar os crimes praticados pelos Governadores e pelos Conselheiros de Tribunais
de Contas somente se estes delitos tiverem sido praticados durante o exercício do cargo e em razão deste.
STJ. Corte Especial. APn 857/DF, Rel. para acórdão Min. João Otávio de Noronha, julgado em 20/06/2018.
STJ. Corte Especial. APn 866/DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 20/06/2018.

TRIBUNAL DE CONTAS
Não compete ao TCU adotar procedimento de fiscalização que alcance a Fundação Banco do Brasil quanto aos
recursos próprios, de natureza eminentemente privada, repassados por aquela entidade a terceiros, eis que a
FBB não integra o rol de entidades obrigadas a prestar contas àquela Corte de Contas, nos termos do art. 71, II,
da CF. A FBB é uma pessoa jurídica de direito privado não integrante da Administração Pública. Assim, a FBB não
necessita se submeter aos ditames da gestão pública quando repassar recursos próprios a terceiros por meio de
convênios. Por outro lado, quando a FBB recebe recursos provenientes do Banco do Brasil — sociedade de
economia mista que sofre a incidência dos princípios da Administração Pública previstos no art. 37, caput, da
Constituição Federal, — ficará sujeita à fiscalização do TCU. Isso porque, neste caso, tais recursos, como são
provenientes do BB, têm caráter público. STF. 2ª Turma. MS 32703/DF, Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em
10/4/2018 (Info 897).

O ICMS é um imposto de competência estadual. Apesar disso, a CF/88 determina que o Estado deverá repassar
25% da receita do ICMS aos Municípios. Esse repasse será realizado após cálculos que são feitos para definir o
valor da cota-parte que caberá a cada Município, segundo critérios definidos pelo art. 158, parágrafo único, da
CF/88 e pela lei estadual. A Constituição do Estado do Amapá previu que seria competência do TCE homologar os
cálculos das cotas do ICMS devidas aos Municípios. Este dispositivo é inconstitucional. Sujeitar o ato de repasse
de recursos públicos à homologação do TCE representa ofensa ao princípio da separação e da independência
dos Poderes. STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921)

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IMUNIDADE PARLAMENTAR
É possível que o Juiz de primeiro grau, fundamentadamente, imponha a PARLAMENTARES MUNICIPAIS as
MEDIDAS CAUTELARES DE AFASTAMENTO de suas funções legislativas sem necessidade de remessa à Casa
respectiva para deliberação. STJ. 5ª Turma. RHC 88.804-RN, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
07/11/2017 (Info 617)

PROCESSO LEGISLATIVO
É inconstitucional, por violar o princípio da separação dos poderes, lei estadual que exige autorização prévia
do Poder Legislativo estadual (Assembleia Legislativa) para que sejam firmados instrumentos de cooperação
pelos órgãos componentes do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA. Também é inconstitucional lei
estadual que afirme que Fundação estadual de proteção do meio ambiente só poderá transferir responsabilidades
ou atribuições para outros órgãos componentes do SISNAMA se houver aprovação prévia da Assembleia
Legislativa. STF. Plenário. ADI 4348/RR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 10/10/2018 (Info 919).

MEDIDA PROVISÓRIA
Determinada medida provisória foi editada criando a possibilidade de que empresas instalassem Centros
Logísticos e Industriais Aduaneiros (CLIA), desde que autorizados pela Receita Federal. Diversas empresas fizeram
o requerimento pedindo a instalação desses Centros. Ocorre que, antes que a Receita examinasse todos os
pedidos, a MP foi rejeitada pelo Senado. O Congresso Nacional não editou decreto legislativo disciplinando as
situações ocorridas durante o período em que a MP vigorou (§ 3º do art. 62 da CF/88). Diante disso, as empresas
defendiam a tese de que os requerimentos formulados deveriam ser apreciados pela Receita Federal com base
no § 11 do art. 62: “§ 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias após a rejeição
ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados
durante sua vigência conservar-se-ão por ela regidas.” O STF não concordou e afirmou que os pedidos formulados
pelos interessados durante a vigência da MP 320/2006 não foram sequer examinados. Logo, não se pode dizer
que havia ato jurídico perfeito. O simples fato de ter sido feito o requerimento não significa “relação jurídica
constituída”, de sorte que não se pode invocar o § 11 para justificar a aplicação da medida provisória rejeitada.
O mero protocolo do pedido não constitui uma “relação jurídica constituída” de que trata o § 11. STF. Plenário.
ADPF 216/DF, Rel. Min. Cámen Lúcia, julgado em 14/3/2018 (Info 894).

É possível a edição de medidas provisórias tratando sobre matéria ambiental, mas sempre veiculando normas
favoráveis ao meio ambiente. Normas que importem diminuição da proteção ao meio ambiente equilibrado só
podem ser editadas por meio de lei formal, com amplo debate parlamentar e participação da sociedade civil e
dos órgão e instituições de proteção ambiental, como forma de assegurar o direito de todos ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado. Dessa forma, é inconstitucional a edição de MP que importe em diminuição da
proteção ao meio ambiente equilibrado, especialmente em se tratando de diminuição ou supressão de unidades
de conservação, com consequências potencialmente danosas e graves ao ecossistema protegido. A proteção ao
meio ambiente é um limite material implícito à edição de medida provisória, ainda que não conste expressamente
do elenco das limitações previstas no art. 62, § 1º, da CF/88. STF. Plenário. ADI 4717/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 5/4/2018 (Info 896).

EMENDA CONSTITUCIONAL
A iniciativa popular de emenda à Constituição Estadual é compatível com a Constituição Federal, encontrando
fundamento no art. 1º, parágrafo único, no art. 14, II e III e no art. 49, VI, da CF/88. Embora a Constituição
Federal não autorize proposta de iniciativa popular para emendas ao próprio texto, mas apenas para normas
infraconstitucionais, não há impedimento para que as Constituições Estaduais prevejam a possibilidade,
ampliando a competência constante da Carta Federal. STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 25/10/2018 (Info 921) .

PODER JUDICIÁRIO
A Constituição do Estado do Ceará previa que os escrivães de entrância especial teriam seus vencimentos fixados
de modo a não exceder a 80% do que fosse atribuído aos juízes da entrância inferior, aplicando-se o mesmo limite
percentual para os escrivães das demais entrâncias. O STF decidiu que essa regra é inconstitucional por violar o
art. 37, XIII, da CF/88, que proíbe a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias de pessoal
do serviço público e também por violar a iniciativa legislativa do Poder Judiciário (art. 96, II, “b”, da CF/88). STF.
Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907)
21
A Resolução 146/2012 do CNJ dispõe sobre o instituto da redistribuição de cargos efetivos dos quadros de pessoal
dos órgãos do Poder Judiciário da União. O STF entendeu que é constitucional o art. 6º, I, da referida Resolução,
que prevê o seguinte: “Art. 6º O cargo ocupado somente poderá ser redistribuído se o servidor preencher
cumulativamente os seguintes requisitos: I – tempo mínimo de 36 meses de exercício no cargo a ser
redistribuído;” O instituto da redistribuição de cargos efetivos tem função de resguardar o interesse da
Administração Pública e não visa a atender às necessidades do servidor. O prazo de 36 meses previsto no referido
dispositivo coincide com o prazo estabelecido no art. 41 da CF/88 relativo à estabilidade do servidor público, de
modo a evidenciar a razoabilidade e a proporcionalidade da resolução. STF. Plenário. ADI 4938/DF, Rel. Min.
Cármen Lúcia, julgado em 26/4/2018 (Info 899).

Foi instituído, no Tribunal de Justiça de São Paulo, o pagamento de uma verba pela atuação em 2ª instância de
magistrados de 1ª instância. Em outras palavras, o juiz era convocado para atuar nos processos do Tribunal e, em
razão disso, recebia uma verba que ficou conhecida como “auxílio-voto”. O CNJ, em procedimento de controle
administrativo (PCA), considerou a verba irregular, por suposta ofensa ao teto constitucional, e determinou a
devolução dos valores recebidos pelos juízes. O STF cassou a decisão do CNJ. Argumentos: 1) A decisão do CNJ
violou o devido processo legal administrativo e os princípios do contraditório e da ampla defesa. Isso porque os
magistrados não foram notificados para apresentação de defesa escrita, além de não terem participado da
instrução processual. A decisão proferida pelo Conselho surpreendeu a todos os envolvidos. Além disso, o PCA no
qual o CNJ decidiu pela irregularidade da verba foi instaurado para tratar sobre assunto completamente diverso.
2) A verba paga aos magistrados de 1ª instância que atuaram nos processos do Tribunal de Justiça foi regular,
considerando que baseada no art. 124 da LC 35/79 (LOMAN). Essa convocação de juízes para atuar no Tribunal é
válida e não viola a CF/88. Como essa convocação de juízes é válida (compatível com a CF/88), é natural que seja
devido o pagamento de um valor como forma de “recomposição patrimonial dos magistrados, dado o exercício
extraordinário de atribuições transitórias desempenhadas acumuladamente com a jurisdição ordinária”. De igual
modo, como se trata de uma verba prevista em lei, fica afastada qualquer alegação de má-fé. Como a verba em
questão servia para pagar os magistrados por um serviço extraordinário, elas não estavam abrangidas pelo
subsídio. STF. 2ª Turma. MS 29002/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 7/8/2018 (Info 910).

RPV
Os Estados-membros podem editar leis reduzindo a quantia considerada como de pequeno valor, para fins de
RPV, prevista no art. 87 do ADCT da CF/88. É lícito aos entes federados fixar o valor máximo para essa especial
modalidade de pagamento, desde que se obedeça ao princípio constitucional da proporcionalidade. Ex:
Rondônia editou lei estadual prevendo que, naquele Estado, as obrigações consideradas como de pequeno valor
para fins de RPV seriam aquelas de até 10 salários-mínimos. Assim, a referida Lei reduziu de 40 para 10 salários-
mínimos o crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado a ser pago por meio de RPV. O STF
entendeu que essa redução foi constitucional. STF. Plenário. ADI 4332/RO, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado
em 7/2/2018 (Info 890).

PRECATÓRIO
Incidem os juros da mora no período compreendido entre a data da realização dos cálculos e a da requisição
de pequeno valor (RPV) ou do precatório.
STF. Plenário. RE 579431/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 19/4/2017 (repercussão geral) (Info 861).
STJ. Corte Especial. EREsp 1.150.549-RS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 29/11/2017 (Info 617).
Obs: cuidado para não confundir com a SV 17: Durante o período previsto no parágrafo 1º (obs: atual § 5º) do
artigo 100 da Constituição, não incidem juros de mora sobre os precatórios que nele sejam pagos. O período de
que trata este RE 579431/RS é anterior à requisição do precatório, ou seja, anterior ao interregno tratado pela SV
17.

É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista prestadoras de serviço público próprio
do Estado e de natureza não concorrencial. STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
23/3/2017 (Info 858). É inconstitucional determinação judicial que decreta a constrição de bens de sociedade de
economia mista prestadora de serviços públicos em regime não concorrencial, para fins de pagamento de débitos
trabalhistas. Sociedade de economia mista prestadora de serviço público não concorrencial está sujeita ao regime
de precatórios (art. 100 da CF/88) e, por isso, impossibilitada de sofrer constrição judicial de seus bens, rendas e
serviços, em respeito ao princípio da legalidade orçamentária (art. 167, VI, da CF/88) e da separação funcional
22
dos poderes (art. 2º c/c art. 60, § 4º, III). STF. Plenário. ADPF 275/PB, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
17/10/2018 (Info 920).

CNJ
O CNJ não pode substituir a banca examinadora do concurso na escolha das questões, na correção de provas e
nas atribuições de notas. Assim, ao Conselho é defeso (proibido) substituir o critério valorativo para escolha e
correção das questões pela Banca Examinadora nos concursos públicos. O CNJ pode, no entanto, substituir,
anular ou reformar decisões da banca do concurso que firam os princípios da razoabilidade, da igualdade, da
legalidade, da impessoalidade, da moralidade e da publicidade. Isso porque a discricionariedade da banca de
concurso não se confunde com arbitrariedade. Se houver desrespeito aos princípios constitucionais da
administração pública, será possível a plena revisão da decisão pelo Conselho. Ex: o CNJ pode anular decisão do
Tribunal de Justiça que, em concurso de cartório, deu interpretação equivocada a determinado item do edital, e
conferiu pontuação indevida a certos candidatos na fase de títulos. A pontuação conferida pela Comissão no TJ
violava à Resolução do CNJ que regulamenta os concursos de cartório. Neste caso, o CNJ atuou dentro dos limites
constitucionais do controle administrativo. STF. 1ª Turma. MS 33527/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o
acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 20/3/2018 (Info 895).

O TRF condenou juiz federal à pena de aposentadoria compulsória. Ocorre que, em virtude de alguns
Desembargadores terem se averbado suspeitos, este juiz foi condenado com um quórum de maioria simples. O
CNJ reconheceu a irregularidade da proclamação do resultado e anulou o julgamento de mérito realizado pelo
TRF. Isso porque o art. 93, VIII e X, da CF/88 exige quórum de maioria absoluta do tribunal. Ocorre que o CNJ,
após anular o julgamento de mérito realizado pelo TRF, decidiu avocar o processo administrativo para que o
magistrado fosse julgado diretamente pelo Conselho. O juiz impetrou MS contra essa avocação, mas o STF
afirmou que o CNJ agiu corretamente. A Constituição, expressamente, confere ao CNJ competência para, a
qualquer tempo, avocar processos de natureza disciplinar em curso contra membros do Poder Judiciário. Assim,
não há óbice para que o CNJ anule o julgamento do Tribunal e inicie lá um outro procedimento. Uma das causas
legítimas de avocação de procedimentos administrativos pelo CNJ é justamente a falta do quórum para proferir
decisão administrativa por maioria absoluta em razão de suspeição, impedimento ou falta de magistrados. O CNJ
poderia ter devolvido o processo ao TRF2, mas optou por exercer sua competência concorrente, dentro da
discricionariedade conferida pela Constituição, para julgar o processo e evitar novas questões de suspeição e
impedimento. STF. 1ª Turma. MS 35100/DF, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso,
julgado em 8/5/2018 (Info 901).

O CNJ não pode fazer controle de constitucionalidade de lei ou ato normativo de forma a substituir a
competência do STF. Contudo, o CNJ pode determinar a correção de ato do Tribunal local que, embora
respaldado por legislação estadual, se distancie do entendimento do STF. Assim, o CNJ pode afirmar que
determinada lei ou ato normativo é inconstitucional se esse entendimento já estiver pacificado no STF. Isso
porque, neste caso, o CNJ estará apenas aplicando uma jurisprudência, um entendimento já pacífico. As leis
estaduais que preveem abono de férias aos magistrados em percentual superior a 1/3 são inconstitucionais. Isso
porque essa majoração do percentual de férias não encontra respaldo na LOMAN, que prevê, de forma taxativa,
as vantagens conferidas aos magistrados, sendo essa a Lei que deve tratar do regime jurídico da magistratura,
por força do art. 93 da CF/88. Logo, o CNJ agiu corretamente ao determinar aos Tribunais de Justiça que pagam
adicional de férias superior a 1/3 que eles enviem projetos de lei para as Assembleias Legislativas reduzindo esse
percentual. STF. 2ª Turma. MS 31667 AgR/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/9/2018 (Info 915)

Caso concreto: foi instaurado procedimento de controle administrativo (PCA) no CNJ para apurar a regularidade
de 300 serventias judiciais. O impetrante alega a nulidade do PCA pelo fato de haver um grande número de
interessados no mesmo processo, defendendo a ideia de que deveria ser um procedimento para cada parte. O
STF não concordou com o mandado de segurança impetrado e manteve a decisão do CNJ. O fato de o PCA
instaurado no CNJ contar com um número elevado de partes interessadas não significa, necessariamente,
violação ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. O prejuízo à defesa deve ser analisado
concretamente, à luz das especificidades do caso. No caso concreto, tendo em vista que todos os interessados
foram intimados para se manifestarem no processo e o que CNJ enfrentou de maneira detida as teses jurídicas
por eles apresentadas, não há que se falar em anulação do ato impugnado. Como regra geral, o controle dos atos
do CNJ pelo STF somente se justifica nas hipóteses de: a) inobservância do devido processo legal; b) exorbitância
das competências do Conselho; e c) injuridicidade ou manifesta irrazoabilidade do ato impugnado. No caso
23
concreto, não se identifica nenhuma dessas três situações. Logo, não há motivo para a anulação da decisão do
CNJ. STF. 1ª Turma. MS 28.495/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em
13/11/2018 (Info 923).

MINISTÉRIO PÚBLICO
Súmula 601-STJ: O Ministério Público tem legitimidade ativa para atuar na defesa de direitos difusos, coletivos
e individuais homogêneos dos consumidores, ainda que decorrentes da prestação de serviço público.
STJ. Corte Especial. Aprovada em 07/02/2018, DJe 14/02/2018.

É constitucional dispositivo da Constituição Estadual que assegura ao Ministério Público autonomia financeira e
a iniciativa ao Procurador-Geral de Justiça para propor ao Poder Legislativo a criação e a extinção dos cargos e
serviços auxiliares e a fixação dos vencimentos dos membros e dos servidores de seus órgãos auxiliares. Também
é constitucional a previsão de que o Ministério Público elaborará a sua proposta orçamentária dentro dos limites
estabelecidos pela LDO. STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

A Constituição do Estado do Ceará previa que os Delegados de Polícia de classe inicial deveriam receber idêntica
remuneração a dos Promotores de Justiça de primeira entrância, prosseguindo na equivalência entre as demais
classes pelo escalonamento das entrâncias judiciárias. O STF decidiu que essa regra é inconstitucional por violar
o art. 37, XIII, da CF/88, que proíbe a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias de
pessoal do serviço público. STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública que vise anular ato administrativo de
aposentadoria que importe em lesão ao patrimônio público. STF. Plenário. RE 409356/RO, Rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 25/10/2018 (repercussão geral) (Info 921)

MINISTÉRIO PÚBLICO - INQUÉRITO CIVIL


A Resolução 23/2007-CNMP disciplina, no âmbito do Ministério Público, a instauração e tramitação do inquérito
civil. A Resolução 126/2015-CNMP alterou a Resolução 23/2007 e determinou que, se após instaurar o inquérito
civil ou o procedimento preparatório, o membro que o preside concluir ser atribuição de outro Ministério Público,
deverá submeter sua decisão ao referendo do órgão de revisão competente, no prazo de 3 dias.
O STF considerou que esta previsão é constitucional. Tratando-se de divergência interna entre órgãos do MP
cumpre ao próprio Ministério Público decidir quem terá a atribuição para conduzir a investigação. O CNMP possui
atribuição constitucional para fazer o controle da atuação administrativa do MP (art. 130-A, da CF/88). O STF
entendeu que essa Resolução se insere no campo da estruturação administrativa da instituição. Não viola,
portanto, o princípio da independência funcional e da unidade, insculpidos no § 1º do art. 127 da CF/88. Além
disso, o STF entendeu que não compete ao Poder Judiciário envolver-se na gestão interna do MP, cabendo, no
caso, um juízo de autocontenção. STF. Plenário. ADI 5434/DF, rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min.
Edson Fachin, julgado em 26/4/2018 (Info 899).

DEFENSORIA PÚBLICA
AMICUS CURIAE CUSTOS VULNERABILIS
Pode intervir como amicus curiae qualquer pessoa Somente a Defensoria Pública pode intervir
natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, como custos vulnerabilis.
com representatividade adequada.
Em regra, admite-se a intervenção do amicus Admite-se a intervenção do custos vulnerabilis em
curiae em qualquer tipo de processo, desde que: qualquer processo no qual estejam sendo discutidos
a) a causa tenha relevância; e interesses de vulneráveis.
b) a pessoa tenha capacidade de oferecer contribuição
ao processo.

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Em regra, o amicus curiae não pode recorrer. O custos vulnerabilis pode interpor qualquer espécie
Exceção 1: o amicus curiae pode opor embargos de de recurso.
declaração em qualquer processo que intervir (art.
138, § 1º do CPC/2015).
Exceção 2: o amicus curiae pode recorrer da decisão
que julgar o incidente de resolução de demandas
repetitivas (art. 138, § 3º do CPC/2015).

Desse modo, pelo menos por enquanto, não houve ainda a adoção expressa da figura do custos vulnerabilis pelo
STF. É certo, contudo, que, em diversos casos, a Corte admite a intervenção da Defensoria Pública como amicus
curiaenas causas que envolvem interesses de hipossuficientes.

É inconstitucional dispositivo da Constituição Estadual que concede aos Defensores Públicos a aplicação do
regime de garantias, vencimentos, vantagens e impedimentos do Ministério Público e da Procuradoria-Geral do
Estado. Os estatutos jurídicos das carreiras do Ministério Público e da Defensoria Pública foram tratados de forma
diversa pelo texto constitucional originário. Ademais, a equivalência remuneratória entre as carreiras encontra
óbice no art. 37, XIII, da CF/88, que veda a equiparação ou vinculação remuneratória. STF. Plenário. ADI 145/CE,
Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907). Obs: o tema foi analisado tendo como parâmetro a
redação originária da Constituição Federal de 1988, ou seja, antes das Emendas Constitucionais 45/2004 e
80/2014.

Os Defensores Públicos NÃO precisam de inscrição na OAB para exerceram suas atribuições. O art. 3º, § 1º, da
Lei 8.906/94 deve receber interpretação conforme à Constituição de modo a se concluir que não se pode exigir
inscrição na OAB dos membros das carreiras da Defensoria Pública. O art. 4º, § 6º, da LC 80/94 afirma que a
capacidade postulatória dos Defensores Públicos decorre exclusivamente de sua nomeação e posse no cargo
público, devendo esse dispositivo prevalecer em relação ao Estatuto da OAB por se tratar de previsão posterior
e específica. Vale ressaltar que é válida a exigência de inscrição na OAB para os candidatos ao concurso da
Defensoria Pública porque tal previsão ainda permanece na Lei. STJ. 2ª Turma. REsp 1.710.155-CE, Rel. Min.
Herman Benjamin, julgado em 01/03/2018 (Info 630).

ADVOCACIA PÚBLICA
A Constituição do Estado do Ceará previa que o Governador deveria encaminhar à ALE projetos de lei dispondo
sobre a organização e o funcionamento da Procuradoria-Geral do Estado e das procuradorias autárquicas. O STF
decidiu que essa regra é inconstitucional. Isso porque a CF/88 determina que a representação judicial e a
consultoria jurídica do Estado, incluídas suas autarquias e fundações, deve ser feita pela PGE, nos termos do
art. 132 da CF/88. O art. 132 da CF/88 consagra o chamado “princípio” da unicidade da representação judicial e
da consultoria jurídica dos Estados e do Distrito Federal e, dessa forma, estabelece competência funcional
exclusiva da Procuradoria-Geral do Estado. A exceção prevista no art. 69 do ADCT da CF deixou evidente que, a
partir da Constituição de 1988, não se permite mais a criação de órgãos jurídicos distintos da Procuradoria-Geral
do Estado, admite-se apenas a manutenção daquelas consultorias jurídicas já existentes quando da promulgação
da Carta. Trata-se de exceção direcionada a situações concretas e do passado e, por essa razão, deve ser
interpretada restritivamente, inclusive com atenção à diferenciação entre os termos “consultoria jurídica” e
“procuradoria jurídica”, uma vez que esta última pode englobar as atividades de consultoria e representação
judicial. STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

A atuação da Procuradoria da Assembleia Legislativa deve ficar limitada à defesa das prerrogativas inerentes
ao Poder Legislativo. Em outras palavras, é possível a existência de Procuradoria da Assembleia Legislativa, mas
este órgão ficará responsável apenas pela defesa das prerrogativas do Poder Legislativo. A representação
estadual como um todo, independentemente do Poder, compete à Procuradoria-Geral do Estado (PGE), tendo
em conta o princípio da unicidade institucional da representação judicial e da consultoria jurídica para Estados
e Distrito Federal. No entanto, às vezes, há conflito entre os Poderes. Ex: o Poder Legislativo cobra do Poder
Executivo o repasse de um valor que ele entende devido e que não foi feito. Nestes casos, é possível, em tese, a
propositura de ação judicial pela Assembleia Legislativa e quem irá representar judicialmente o órgão será a
Procuradoria da ALE. STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info
921).
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É inconstitucional norma de Constituição Estadual que preveja que compete ao Governador nomear e exonerar
o “Procurador da Fazenda Estadual”. Isso porque o art. 132 da CF/88 determina que a representação judicial e a
consultoria jurídica do Estado, incluídas suas autarquias e fundações, deve ser feita pelos “Procuradores dos
Estados e do Distrito Federal”. Essa previsão do art. 132 da CF/88 é chamada de princípio da unicidade da
representação judicial e da consultoria jurídica dos Estados e do Distrito Federal. Em outras palavras, só um órgão
pode desempenhar esta função e se trata da Procuradoria-Geral do Estado, que detém essa competência
funcional exclusiva. O modelo constitucional da atividade de representação judicial e consultoria jurídica dos
Estados exige a unicidade orgânica da advocacia pública estadual, incompatível com a criação de órgãos
jurídicos paralelos para o desempenho das mesmas atribuições no âmbito da Administração Pública Direta ou
Indireta. STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921)

É inconstitucional lei estadual que preveja que servidor de autarquia (no caso, era Técnico Superior do DETRAN)
será responsável por: • representar a entidade “em juízo ou fora dele nas ações em que haja interesse da
autarquia”. • praticar “todos os demais atos de natureza judicial ou contenciosa, devendo, para tanto, exercer as
suas funções profissionais e de responsabilidade técnica regidas pela Ordem dos Advogados do Brasil OAB”. Tais
previsões violam o “princípio da unicidade da representação judicial dos Estados e do Distrito Federal”, insculpido
no art. 132 da CF/88. A legislação impugnada, apesar de não ter criado uma procuradoria paralela, atribuiu ao
cargo de Técnico Superior do Detran/ES, com formação em Direito, diversas funções privativas de advogado. Ao
assim agir, conferiu algumas atribuições de representação jurídica do DETRAN a pessoas estranhas aos quadros
da Procuradoria-Geral do Estado, com violação do art. 132, caput, da CF/88. O STF decidiu modular os efeitos da
decisão para: • manter os cargos em questão, excluídas as atribuições judiciais inerentes às procuradorias; •
declarar a validade dos atos praticados (ex: contestações, recursos etc.) até a data do julgamento, com base na
teoria do funcionário de fato. ATENÇÃO. Por outro lado, é válido que esses servidores façam a atuação jurídica
no âmbito interno da autarquia, sobretudo em atividades de compliance, tais como conceber e formular
medidas e soluções de otimização, fiscalização e auditoria (exs: interpretar textos e instrumentos legais,
elaborar pareceres sobre questões jurídicas que envolvam as atividades da entidade, elaborar editais,
contratos, convênios etc.). Essas atribuições podem sim ser exercidas pelos Técnicos Superiores do DETRAN, sem
que isso ofenda o princípio da unicidade da representação judicial. O STF entendeu que não se pode deslocar
qualquer atuação técnico-jurídica da autarquia para a PGE, porque esta não conseguirá fazer frente a essa gama
de trabalho, sob pena de ter suas atividades inviabilizadas. STF. Plenário. ADI 5109/ES, Rel. Min. Luiz Fux, julgado
em 13/12/2018 (Info 927).

QUILOMBO
O art. 68 do ADCT estabelece que “aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando
suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos.” Em 2003,
foi editado o Decreto nº 4.887, com o objetivo de regulamentar o procedimento para identificação,
reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades
dos quilombos. O STF entendeu que este Decreto não invadiu esfera reservada à lei. O objetivo do Decreto foi tão
somente o de regular o comportamento do Estado na implementação do comando constitucional previsto no art.
68 do ADCT. Houve o mero exercício do poder regulamentar da Administração, nos limites estabelecidos pelo art.
84, VI, da Constituição. O art. 2º, caput e § 1º do Decreto nº 4.887/2003 prevê como deve ser o critério utilizado
pelo Poder Público para a identificação dos quilombolas. O critério escolhido foi o da autoatribuição
(autodefinição). O STF entendeu que a escolha do critério desse critério não foi arbitrária, não sendo contrária à
Constituição. O art. 2º, §§ 2º e 3º, do Decreto preconiza que, na identificação, medição e demarcação das terras
dos quilombolas devem ser levados em consideração critérios de territorialidade indicados pelos remanescentes
das comunidades dos quilombos. O STF afirmou que essa previsão é constitucional. Isso porque o que o Decreto
está garantindo é apenas que as comunidades envolvidas sejam ouvidas, não significando que a demarcação será
feita exclusivamente com base nos critérios indicados pelos quilombolas. O art. 13 do Decreto, por sua vez,
estabelece que o INCRA poderá realizar a desapropriação de determinadas áreas caso os territórios ocupados
por remanescentes das comunidades dos quilombos estejam situados em locais pertencentes a particulares. O
STF reputou válida essa previsão tendo em vista que, em nenhum momento a Constituição afirma que são nulos
ou extintos os títulos eventualmente incidentes sobre as terras ocupadas por remanescentes das comunidades
dos quilombos. Assim, o art. 68 do ADCT, apesar de reconhecer um direito aos quilombolas, não invalida os títulos
de propriedade eventualmente existentes, de modo que, para que haja a regularização do registro em favor das
comunidades quilombolas, exige-se a realização do procedimento de desapropriação. Por fim, o STF não acolheu
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a tese de que somente poderiam ser consideradas terras de quilombolas aqueles que estivessem sendo
ocupadas por essas comunidades na data da promulgação da CF/88 (05/10/1988). Em outras palavras, mesmo
que, na data da promulgação da CF/88, a terra não mais estivesse sendo ocupada pelas comunidades quilombolas,
é possível, em tese, que seja garantido o direito previsto no art. 68 do ADCT. STF. Plenário. ADI 3239/DF, rel. orig.
Min. Cezar Peluso, red.p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgado em 8/2/2018 (Info 890).

ORDEM ECONÔMICA
É constitucional lei estadual que concede o desconto de 50% no valor dos ingressos em casas de diversões, praças
desportivas e similares aos jovens de até 21 anos de idade. STF. Plenário. ADI 2163/RJ, rel. orig. Min. Eros Grau,
red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 12/4/2018 (Info 897).

CIVIL
DIREITO AO NOME
É admissível o restabelecimento do nome de solteiro na hipótese de dissolução do vínculo conjugal pelo
falecimento do cônjuge. Ex: Maria Pimentel da Costa casou-se com João Ferreira. Com o casamento, ela
incorporou o patronímico do marido e passou a chamar-se Maria da Costa Ferreira. Alguns anos mais tarde, João
faleceu. Maria poderá voltar a usar o nome de solteira (Maria Pimentel da Costa), excluindo o patronímico do
falecido marido? Sim. Vale ressaltar que não há previsão legal para a retomada do nome de solteira em caso de
morte do marido. A lei somente prevê a possibilidade de o homem ou a mulher voltarem a usar o nome de solteiro
(a) em caso de divórcio (art. 1.571, § 2º, do CC). Apesar disso, o STJ entende que isso deve ser permitido. A viuvez
e o divórcio são hipóteses muito parecidas e envolvem uma mesma razão de ser: a dissolução do vínculo conjugal.
Logo, não há justificativa plausível para que se trate de modo diferenciado as referidas situações. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.724.718-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/05/2018 (Info 627).

É inadmissível a homologação de acordo extrajudicial de retificação de registro civil de menor em juízo sem a
observância dos requisitos e procedimento legalmente instituído para essa finalidade. Ex: Sandro namorava
Letícia, que ficou grávida. Ao nascer a criança, Sandro a registrou como sua filha. Alguns anos depois, por meio
de um exame de DNA feito em uma clínica particular, descobre-se que o pai biológico da menor é, na verdade,
João. Diante disso, o pai registral, o pai biológico e a criança, representada por sua mãe, celebraram um acordo
extrajudicial de anulação de assento civil. Por intermédio deste instrumento, as referidas partes acordaram que
haveria a retificação do registro civil da menor para que houvesse a substituição do nome de seu pai registral pelo
pai biológico. As partes ingressam com pedido para que o juiz homologasse esse acordo. O pedido deverá ser
negado. STJ. 3ª Turma. REsp 1.698.717-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/06/2018 (Info 627).

DIREITO À IMAGEM
Ação de indenização proposta por ex-goleiro do Santos em virtude da veiculação indireta de sua imagem (por ator
profissional contratado), sem prévia autorização, em cenas do documentário “Pelé Eterno”. O autor alegou que
a simples utilização não autorizada de sua imagem, ainda que de forma indireta, geraria direito a indenização por
danos morais, independentemente de efetivo prejuízo. O STJ não concordou. A representação cênica de episódio
histórico em obra audiovisual biográfica não depende da concessão de prévia autorização de terceiros ali
representados como coadjuvantes. O STF, no julgamento da ADI 4.815/DF, afirmou que é inexigível a autorização
de pessoa biografada relativamente a obras biográficas literárias ou audiovisuais bem como desnecessária a
autorização de pessoas nelas retratadas como coadjuvantes. A Súmula 403/STJ é inaplicável às hipóteses de
representação da imagem de pessoa como coadjuvante em obra biográfica audiovisual que tem por objeto a
história profissional de terceiro. STJ. 3ª Turma. REsp 1.454.016-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Ricardo
Villas Bôas Cueva, julgado em 12/12/2017 (Info 621)

Jornal divulgou a foto do cadáver de um indivíduo morto em tiroteio ocorrido em via pública. Os familiares do
morto ajuizaram ação de indenização por danos morais contra o jornal alegando que houve violação aos direitos
de imagem. O STF julgou a ação improcedente argumentando que condenar o jornal seria uma forma de censura,
o que afronta a liberdade de informação jornalística. STF. 2ª Turma. ARE 892127 AgR/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 23/10/2018 (Info 921).

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Determinada “farmácia de manipulação” utilizou o nome e a imagem da atriz Giovanna Antonelli, sem a sua
autorização, em propagandas de um remédio para emagrecer. O STJ afirmou que, além da indenização por danos
morais e materiais, a atriz também tinha direito à restituição de todos os benefícios econômicos que a ré obteve
na venda de seus produtos (restituição do “lucro da intervenção”).
Lucro da intervenção é uma vantagem patrimonial obtida indevidamente com base na exploração ou
aproveitamento, de forma não autorizada, de um direito alheio. Dever de restituição do lucro da intervenção é
o dever que o indivíduo possui de pagar aquilo que foi auferido mediante indevida interferência nos direitos ou
bens jurídicos de outra pessoa. A obrigação de restituir o lucro da intervenção é baseada na vedação do
enriquecimento sem causa (art. 884 do CC). A ação de enriquecimento sem causa é subsidiária. Apesar disso,
nada impede que a pessoa prejudicada ingresse com ação cumulando os pedidos de reparação dos danos
(responsabilidade civil) e de restituição do indevidamente auferido (lucro da intervenção). Para a configuração do
enriquecimento sem causa por intervenção, não se faz imprescindível a existência de deslocamento patrimonial,
com o empobrecimento do titular do direito violado, bastando a demonstração de que houve enriquecimento
do interventor. O critério mais adequado para se fazer a quantificação do lucro da intervenção é o do
enriquecimento patrimonial (lucro patrimonial). A quantificação do lucro da intervenção deverá ser feita por
meio de perícia realizada na fase de liquidação de sentença, devendo o perito observar os seguintes critérios: a)
apuração do quantum debeatur com base no denominado lucro patrimonial; b) delimitação do cálculo ao
período no qual se verificou a indevida intervenção no direito de imagem da autora; c) aferição do grau de
contribuição de cada uma das partes e d) distribuição do lucro obtido com a intervenção proporcionalmente à
contribuição de cada partícipe da relação jurídica. STJ. 3ª Turma.REsp 1.698.701-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas
Cueva, julgado em 02/10/2018 (Info 634).

TRANSGÊNERO
Os transgêneros, que assim o desejarem, independentemente da cirurgia de transgenitalização, ou da
realização de tratamentos hormonais ou patologizantes, possuem o direito à alteração do prenome e do gênero
(sexo) diretamente no registro civil. STF. Plenário. ADI 4275/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão
Min. Edson Fachin, julgado em 28/2 e 1º/3/2018 (Info 892).

O transgênero tem direito fundamental subjetivo à alteração de seu prenome e de sua classificação de gênero
no registro civil, não se exigindo, para tanto, nada além da manifestação de vontade do indivíduo, o qual poderá
exercer tal faculdade tanto pela via judicial como diretamente pela via administrativa. Essa alteração deve ser
averbada à margem do assento de nascimento, vedada a inclusão do termo “transgênero”. Nas certidões do
registro não constará nenhuma observação sobre a origem do ato, vedada a expedição de certidão de inteiro
teor, salvo a requerimento do próprio interessado ou por determinação judicial. Efetuando-se o procedimento
pela via judicial, caberá ao magistrado determinar de ofício ou a requerimento do interessado a expedição de
mandados específicos para a alteração dos demais registros nos órgãos públicos ou privados pertinentes, os quais
deverão preservar o sigilo sobre a origem dos atos. STF. Plenário. RE 670422/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
15/8/2018 (repercussão geral) (Info 911). Os transgêneros, que assim o desejarem, independentemente da
cirurgia de transgenitalização, ou da realização de tratamentos hormonais ou patologizantes, possuem o direito
à alteração do prenome e do gênero (sexo) diretamente no registro civil. STF. Plenário. ADI 4275/DF, rel. orig.
Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 28/2 e 1º/3/2018 (Info 892).

DANOS MORAIS
Não se admite que o dano moral de pessoa jurídica seja considerado como in re ipsa, sendo necessária a
comprovação nos autos do prejuízo sofrido. Apesar disso, é possível a utilização de presunções e regras de
experiência para a configuração do dano, mesmo sem prova expressa do prejuízo, o que sempre comportará a
possibilidade de contraprova pela parte ou de reavaliação pelo julgador. Ex: caso a pessoa jurídica tenha sido
vítima de um protesto indevido de cambial, há uma presunção de que ela sofreu danos morais. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.564.955-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 06/02/2018 (Info 619). Cuidado: existem julgados em
sentido contrário, ou seja, dizendo que pessoa jurídica pode sofrer dano moral in re ipsa. Nesse sentido: STJ. 4ª
Turma. REsp 1327773/MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 28/11/2017 (Info 619).

É cabível o pedido de indenização por danos morais em razão de descumprimento de ordem judicial em
demanda pretérita envolvendo as mesmas partes, na qual foi fixada multa cominatória. A multa cominatória
tem cabimento nas hipóteses de descumprimento de ordens judiciais, sendo fixada com o objetivo de compelir
a parte ao cumprimento daquela obrigação. Por outro lado, a indenização visa a reparar o abalo moral sofrido
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em decorrência da verdadeira agressão ou atentado contra a dignidade da pessoa humana. Encontra justificativa
no princípio da efetividade da tutela jurisdicional e na necessidade de se assegurar o pronto cumprimento das
decisões judiciais cominatórias. Considerando, portanto, que os institutos em questão têm natureza jurídica e
finalidades distintas, é possível a cumulação. STJ. 3ª Turma. REsp 1.689.074-RS, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado
em 16/10/2018 (Info 636).

BEM DE FAMÍLIA
O bem de família é IMPENHORÁVEL quando for dado em garantia real de dívida por um dos sócios da pessoa
jurídica, cabendo ao credor o ônus da prova de que o proveito se reverteu à entidade familiar. O bem de família
é PENHORÁVEL quando os únicos sócios da empresa devedora são os titulares do imóvel hipotecado, sendo ônus
dos proprietários a demonstração de que não se beneficiaram dos valores auferidos.
Assim, é possível a penhora de bem de família dado em garantia hipotecária pelo casal quando os cônjuges
forem os únicos sócios da pessoa jurídica devedora. STJ. 2ª Seção. EAREsp 848.498-PR, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, julgado em 25/04/2018 (Info 627).

Não é penhorável o bem de família do fiador no caso de contratos de locação comercial. Em outras palavras,
não é possível a penhora de bem de família do fiador em contexto de locação comercial. STF. 1ª Turma. RE
605709/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, red. p/ ac. Min. Rosa Weber, julgado em 12/6/2018 (Info 906).

Os direitos do devedor fiduciante sobre imóvel objeto de contrato de alienação fiduciária em garantia possuem
a proteção da impenhorabilidade do bem de família legal. Ex: João fez um contrato de alienação fiduciária para
aquisição de uma casa; ele está morando no imóvel enquanto paga as prestações; enquanto não terminar de
pagar, a casa pertence ao banco; apesar disso, ou seja, a despeito de possuir apenas a posse, os direitos de João
sobre o imóvel não podem ser penhorados porque incide a proteção do bem de família. STJ. 3ª Turma.REsp
1.677.079-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 25/09/2018 (Info 635).

PRESCRIÇÃO | OBRIGAÇÕES
O pedido de concessão de prazo para analisar documentos com o fim de verificar a existência de débito não
tem o condão de interromper a prescrição. STJ. 3ª Turma. REsp 1.677.895-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado
em 06/02/2018 (Info 619)

É decenal o prazo prescricional aplicável às hipóteses de pretensão fundamentadas em inadimplemento


contratual. É adequada a distinção dos prazos prescricionais da pretensão de reparação civil advinda de
responsabilidades contratual e extracontratual. Nas controvérsias relacionadas à responsabilidade CONTRATUAL,
aplica-se a regra geral (art. 205 CC/2002) que prevê 10 anos de prazo prescricional e, quando se tratar de
responsabilidade extracontratual, aplica-se o disposto no art. 206, § 3º, V, do CC/2002, com prazo de 3 anos.
Para fins de prazo prescricional, o termo “reparação civil” deve ser interpretado de forma restritiva, abrangendo
apenas os casos de indenização decorrente de responsabilidade civil extracontratual. Resumindo. O prazo
prescricional é assim dividido: • Responsabilidade civil extracontratual (reparação civil): 3 anos (art. 206, § 3º, V,
do CC). • Responsabilidade contratual (inadimplemento contratual): 10 anos (art. 205 do CC). STJ. 2ª Seção. EREsp
1.280.825-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/06/2018 (Info 632).

JUROS
A mera notícia de decisão judicial determinando a indisponibilidade forçada dos bens do réu, no cerne de outro
processo, com objeto e partes distintas, não possui o condão de interromper a incidência dos juros moratórios.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.740.260-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 26/06/2018 (Info 629).

CLÁUSULA PENAL
Constatado o caráter manifestamente excessivo da cláusula penal contratada, o magistrado deverá,
independentemente de requerimento do devedor, proceder à sua redução. Fundamento: CC/Art. 413. A
penalidade deve ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou
se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do
negócio. STJ. 4ª Turma. REsp 1.447.247-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 19/04/2018 (Info 627).

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EVICÇÃO
Caracteriza-se evicção a inclusão de gravame capaz de impedir a transferência livre e desembaraçada de veículo
objeto de negócio jurídico de compra e venda. Caso concreto: foi vendido um carro, mas, antes que pudesse ser
transferido à adquirente, houve um bloqueio judicial sobre o veículo. Foi necessário o ajuizamento de embargos
de terceiro para liberação do automóvel, sendo, em seguida, desfeito o negócio. Neste caso, caracterizou-se a
evicção, gerando o dever do alienante de indenizar a adquirente pelos prejuízos sofridos. STJ. 3ª Turma. REsp
1.713.096-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/02/2018 (Info 621)

SEGURO DE VIDA
É vedada a exclusão de cobertura do seguro de vida na hipótese de sinistro ou acidente decorrente de atos
praticados pelo segurado em estado de embriaguez. Tal cláusula é abusiva, com base nos arts. 3º, § 2º, e 51, IV,
do CDC. STJ. 2ª Seção. EREsp 973.725-SP, Rel. Min. Lázaro Guimarães (Desembargador Convocado Do TRF 5ª
Região), julgado em 25/04/2018 (Info 625).

CONTRATO
Uma fábrica e um banco celebraram dois contratos: • ajuste 1: contrato de abertura de crédito (no qual havia
uma cláusula compromissória). • ajuste 2: contrato de swap (no qual não havia cláusula compromissória). Foi
reconhecido que havia coligação contratual entre os dois ajustes, sendo o contrato de swap dependente do
contrato de abertura de crédito (ajuste principal). Nos contratos coligados, as partes celebram uma pluralidade
de negócios jurídicos tendo por desiderato um conjunto econômico, criando entre eles efetiva dependência.
Tendo sido reconhecida a coligação contratual, é possível que a cláusula compromissória prevista no contrato
principal (contrato de abertura de crédito) seja estendida ao contrato de swap (dependente). Isso porque
ambos são integrantes de uma operação econômica única. STJ. 3ª Turma. REsp 1.639.035-SP, Rel. Min. Paulo de
Tarso Sanseverino, julgado em 18/09/2018 (Info 635).

CONTRATO DE COMPRA E VENDA


O atraso na entrega do imóvel enseja pagamento de indenização por lucros cessantes durante o período de
mora do promitente vendedor, sendo presumido o prejuízo do promitente comprador. Os lucros cessantes
serão devidos ainda que não fique demonstrado que o promitente comprador tinha finalidade negocial na
transação. STJ. 2ª Seção. EREsp 1.341.138-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 09/05/2018 (Info 626)

O ATRASO NA ENTREGA DO IMÓVEL GERA DIREITO À INDENIZAÇÃO?


DANOS MORAIS DANOS MATERIAIS
Em regra, não são devidos. O mero descumprimento O atraso pode acarretar a condenação da
de entrega previsto no contrato não acarreta, por si construtora/imobiliária ao pagamento de:
só, danos morais. a) dano emergente (precisa ser provado pelo
Em situações excepcionais é possível haver a adquirente);
condenação em danos morais, desde que b) lucros cessantes (são presumidos). Os lucros
devidamente comprovada a ocorrência de uma cessantes devem ser calculados como sendo o valor do
significativa e anormal situação que repercuta na aluguel do imóvel atrasado. Isso porque:
esfera de dignidade do comprador. Ex1: atraso muito • o adquirente está morando em um imóvel alugado,
grande (2 anos); Ex2: teve que adiar o casamento por enquanto aguarda o seu; ou
conta do atraso. • o adquirente não está morando de aluguel mas
comprou o novo imóvel para investir. Está perdendo
STJ. 3ª Turma. REsp 1654843/SP, Rel. Min. Ricardo “dinheiro” porque poderia estar alugando para
Villas Bôas Cueva, julgado em 27/02/2018. alguém.
STJ. 3ª Turma. REsp 1662322/RJ, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 10/10/2017.

COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA


É juridicamente possível o pedido de alienação judicial de bem imóvel objeto de compromisso de compra e
venda. STJ. 3ª Turma. REsp 1.501.549-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 08/05/2018 (Info 625)

É devida a condenação ao pagamento de taxa de ocupação (aluguéis) pelo período em que o comprador
permanece na posse do bem imóvel, no caso de rescisão do contrato de promessa de compra e venda,
independentemente de ter sido o vendedor quem deu causa ao desfazimento do negócio. Ex: João e Pedro
30
celebraram promessa de compra e venda de um apartamento. Pedro (promitente comprador) estava morando
no imóvel há 6 meses e pagando regularmente as prestações. Ocorre que o contrato foi desfeito por culpa de
João. Todo o valor pago por Pedro deverá ser devolvido, assim como ele terá que ser indenizado pelas benfeitorias
que realizou. Por outro lado, Pedro terá que pagar taxa de ocupação (aluguel) pelos meses em que morou no
apartamento. O fundamento para isso não está na culpa, mas sim na proibição do enriquecimento sem causa.
STJ. 3ª Turma.REsp 1.613.613-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 12/06/2018 (Info 629).

CONTRATO DE MANDATO
Nas ações de indenização do mandante contra o mandatário incide o prazo prescricional de 10 anos, previsto
no art. 205 do Código Civil, por se tratar de responsabilidade proveniente de relação contratual. Neste caso, o
prazo prescricional tem início não no momento em que o acordo foi homologado, mas sim a data em que a vítima
soube que havia sido prejudicada. Isso com base na chamada teoria da actio nata. O fato de o advogado-
mandatário ostentar procuração com poderes para transigir não afasta a responsabilidade pelos prejuízos
causados por culpa sua ou de pessoa para quem substabeleceu, nos termos dos arts. 667 do Código Civil e 32,
caput, do Estatuto da Advocacia. A responsabilidade pelos danos decorrentes do abuso de poder pelo mandatário
independe da prévia anulação judicial do ato praticado, pois o prejuízo não decorre de eventual nulidade, mas
sim da violação dos deveres subjacentes à relação jurídica entre o advogado e o assistido. Caso concreto:
advogado celebrou acordo prejudicial ao cliente, por meio do qual renunciou a crédito consolidado em sentença
com remota possibilidade de reversão, em virtude de ajuste espúrio realizado com a parte contrária. STJ. 3ª
Turma. REsp 1.750.570-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 11/09/2018 (Info 633).

CONTRATO LOCAÇÃO
Súmula 614 STJ O locatário não possui legitimidade ativa para discutir a relação jurídico-tributária de IPTU e de
taxas referentes ao imóvel alugado nem para repetir indébito desses tributos.

A certidão de parcelamento fiscal é suficiente para suprir a exigência prevista no inciso III do art. 71 da Lei nº
8.245/91 (Lei de Locações) para efeito do ajuizamento de ação renovatória de locação empresarial. STJ. 3ª
Turma. REsp 1.698.814-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 26/06/2018 (Info 629).

A averbação do contrato com cláusula de vigência no registro de imóveis é imprescindível para que a locação
possa ser oposta ao adquirente. É o que prevê a Lei nº 8.245/91: Art. 8º Se o imóvel for alienado durante a
locação, o adquirente poderá denunciar o contrato, com o prazo de noventa dias para a desocupação, salvo se a
locação for por tempo determinado e o contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação e estiver
averbado junto à matrícula do imóvel. STJ. 3ª Turma. REsp 1.669.612-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
julgado em 07/08/2018 (Info 632).

CONTRATO DE SEGURO
Súmula 610 STJ O suicídio não é coberto nos dois primeiros anos de vigência do contrato de seguro de vida,
ressalvado o direito do beneficiário à devolução do montante da reserva técnica formada.

Súmula 616 STJ: A indenização securitária é devida quando ausente a comunicação prévia do segurado acerca
do atraso no pagamento do prêmio, por constituir requisito essencial para a suspensão ou resolução do
contrato de seguro.

Não é abusiva a cláusula contratual que prevê a possibilidade de não renovação automática do seguro de vida
em grupo por qualquer dos contratantes, desde que haja prévia notificação da outra parte. À exceção dos
contratos de seguro de vida individuais, contratados em caráter vitalício ou plurianual, nos quais há a formação
de reserva matemática de benefícios a conceder, as demais modalidades são geridas sob o regime financeiro de
repartição simples, de modo que os prêmios arrecadados do grupo de segurados ao longo do período de vigência
do contrato destinam-se ao pagamento dos sinistros ocorridos naquele período. Dessa forma, nos contratos de
seguro de vida em grupo não há direito à renovação da apólice sem a concordância da seguradora ou à
restituição dos prêmios pagos em contraprestação à cobertura do risco no período delimitado no contrato. Vale
ressaltar que a seguradora pode decidir não mais renovar o contrato de seguro de vida, mesmo que não comprove
que houve desequilíbrio atuarial-financeiro. Trata-se de um verdadeiro direito potestativo. STJ. 2ª Seção. REsp
1.569.627-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 22/02/2018 (Info 622).

31
CONTRATO DE MÚTUO
Súmula 603 STJ É vedado ao banco mutuante reter, em qualquer extensão, os salários, vencimentos e/ou
proventos de correntista para adimplir o mútuo (comum) contraído, ainda que haja cláusula contratual
autorizativa, excluído o empréstimo garantido por margem salarial consignável, com desconto em folha de
pagamento, que possui regramento legal específico e admite a retenção de percentual. CANCELADA

Pessoa celebrou contrato de mútuo feneratício com instituição financeira. Por algum motivo (ex: nulidade, ato
ilícito, abusividade etc.) o mutuário ingressou com ação judicial pedindo a resolução do contrato e a restituição
das parcelas pagas. Se esta ação for julgada procedente, o mutuário terá direito de receber os valores pagos
acrescidos de juros remuneratórios no mesmo percentual que era previsto no contrato para ser cobrado pelo
banco mutuante? NÃO. O mutuário que celebrar contrato de mútuo feneratício com a instituição financeira
mutuante, não tem direito de pedir repetição do indébito com os mesmos índices e taxas de encargos previstos
no contrato. Tese aplicável a todo contrato de mútuo feneratício celebrado com instituição financeira mutuante:
“Descabimento da repetição do indébito com os mesmos encargos do contrato”. STJ. 2ª Seção. REsp 1.552.434-
GO, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 13/06/2018 (recurso repetitivo) (Info 628).

CONTRATO DE ARRENDAMENTO
A ação de cobrança de débitos condominiais pode ser proposta contra o arrendatário do imóvel. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.704.498-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 17/04/2018 (Info 624).

CONTRATO DE CRÉDITO CONSIGNADO


O falecimento do consignante não extingue a dívida decorrente de contrato de crédito consignado em folha de
pagamento. STJ. 3ª Turma. REsp 1.498.200-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/06/2018 (Info 627).

LEASING
É possível a descaracterização do contrato de arrendamento mercantil (leasing) se o prazo de vigência do
acordo celebrado não respeitar a vigência mínima estabelecida de acordo com a vida útil do bem arrendado.
Nos termos do art. 8º do anexo da Resolução nº 2.309/96 e art. 23 da Lei nº 6.099/74, o prazo mínimo de vigência
do contrato de arrendamento mercantil financeiro é de (i) dois anos, quando se tratar de bem com vida útil igual
ou inferior a cinco anos, e (ii) de três anos, se o bem arrendado tiver vida útil superior a cinco anos. Caso concreto:
o bem arrendado (pá-escavadeira) possui vida útil superior a cinco anos. Apesar disso, o ajuste previa o
arrendamento pelo prazo de apenas dois anos. Logo, foi desrespeitada a Resolução, ficando descaracterizado o
contrato de arrendamento mercantil. Ficando descaracterizado o leasing, é possível cobrar ICMS sobre esta
operação. STJ. 2ª Turma. REsp 1.569.840-MT, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 16/08/2018 (Info 632).

POSSE
Em ação possessória entre particulares é cabível o oferecimento de oposição pelo ente público, alegando-se
incidentalmente o domínio de bem imóvel como meio de demonstração da posse. STJ. Corte Especial. EREsp
1.134.446-MT, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 21/03/2018 (Info 623).

REINTEGRAÇÃO DE POSSE
O terreno do proprietário foi invadido por inúmeras pessoas de baixa renda. O proprietário ingressou com ação
de reintegração de posse, tendo sido concedida a medida liminar, mas nunca cumprida mesmo após vários anos.
Vale ressaltar que o Município e o Estado fizeram toda a infraestrutura para a permanência das pessoas no local.
Diante disso, o juiz, de ofício, converteu a ação reintegratória em indenizatória (desapropriação indireta),
determinando a emenda da inicial, a fim de promover a citação do Município e do Estado para apresentar
contestação e, em consequência, incluí-los no polo passivo da demanda. O STJ afirmou que isso estava correto
e que a ação possessória pode ser convertida em indenizatória (desapropriação indireta) - ainda que ausente
pedido explícito nesse sentido - a fim de assegurar tutela alternativa equivalente (indenização) ao particular
que teve suas térreas invadidas. STJ. 1ª Turma. REsp 1.442.440-AC, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em
07/12/2017 (Info 619).

USUCAPIÃO
É possível o reconhecimento da usucapião quando o prazo exigido por lei se complete no curso do processo
judicial, conforme a previsão do art. 493, do CPC/2015, ainda que o réu tenha apresentado contestação. Em
março de 2017, João ajuizou ação pedindo o reconhecimento de usucapião especial urbana, nos termos do art.
32
1.240 do CC (que exige posse ininterrupta e sem oposição por 5 anos). Em abril de 2017, o proprietário apresentou
contestação pedindo a improcedência da demanda.As testemunhas e as provas documentais atestaram que João
reside no imóvel desde setembro de 2012, ou seja, quando o autor deu entrada na ação, ainda não havia mais de
5 anos de posse. Em novembro de 2017, os autos foram conclusos ao juiz para sentença. O magistrado deverá
julgar o pedido procedente considerando que o prazo exigido por lei para a usucapião se completou no curso do
processo. STJ. 3ª Turma. REsp 1.361.226-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 05/06/2018 (Info
630).

CONDOMÍNIO
É possível a penhora de bem de família de condômino, na proporção de sua fração ideal, se inexistente
patrimônio próprio do condomínio para responder por dívida oriunda de danos a terceiros. Ex: um pedestre foi
ferido por conta de um pedaço da fachada que nele caiu. Essa vítima terá que propor a ação contra o condomínio.
Se o condomínio não tiver patrimônio próprio para satisfazer o débito, os condôminos podem ser chamados a
responder pela dívida, na proporção de sua fração ideal. Mesmo que um condômino tenha comprado um
apartamento neste prédio depois do fato, ele ainda assim poderá ser obrigado a pagar porque as despesas de
condomínio são obrigações propter rem. O juiz poderá determinar a penhora dos apartamentos para pagamento
da dívida mesmo que se trate de bem de família, considerando que as dívidas decorrentes de despesas
condominiais são consideradas como exceção à impenhorabilidade do bem de família, nos termos do art. 3º, IV,
da Lei nº 8.009/90. STJ. 4ª Turma. REsp 1.473.484-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 21/06/2018 (Info
631).

DIREITO REAL DE HABITAÇÃO


O reconhecimento do direito real de habitação, a que se refere o art. 1.831 do Código Civil, não pressupõe a
inexistência de outros bens no patrimônio do cônjuge/companheiro sobrevivente. Em outras palavras, mesmo
que o cônjuge ou companheiro sobrevivente possua outros bens, ele terá direito real de habitação. Isso se justifica
porque o objetivo da lei é permitir que o cônjuge/companheiro sobrevivente permaneça no mesmo imóvel
familiar que residia ao tempo da morte como forma, não apenas de concretizar o direito constitucional à
moradia, mas também por razões de ordem humanitária e social, já que não se pode negar a existência de
vínculo afetivo e psicológico estabelecido pelos cônjuges/companheiros com o imóvel em que, no transcurso de
sua convivência, constituíram não somente residência, mas um lar. STJ. 3ª Turma.REsp 1.582.178-RJ, Rel. Min.
Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 11/09/2018 (Info 633).

HIPOTECA
O credor hipotecário tem interesse de agir para propor ação em face do mutuário visando ao cumprimento de
cláusula contratual que determina a observância dos padrões construtivos do loteamento. Ex: João celebrou
contrato de compra e venda de um imóvel (terreno) em um loteamento. O contrato de compra e venda foi
celebrado entre João e a sociedade empresária Constrói Ltda. Ocorre que neste contrato de compra e venda havia
ainda um pacto adjeto (contrato acessório) de mútuo feneratício com garantia hipotecária, que foi firmado entre
João e a sociedade empresária Habitac Crédito Imobiliário S.A. Por força deste pacto adjeto, João recebeu da
Habitac um empréstimo (mútuo) para adquirir o imóvel e, como garantia de que iria pagar a dívida, deu o bem
em hipoteca. A ideia deste loteamento era a de que todas as casas ali construídas fossem parecidas e mantivessem
uma qualidade mínima. Assim, no contrato havia cláusulas dizendo os padrões que deveriam ser respeitados no
momento da construção (ex: construção toda em alvenaria, fachada com mármore ou granito etc). João construiu
a sua casa no loteamento, mas não respeitou os padrões previstos no contrato. O estilo da fachada não estava
igual ao que determinava o projeto e os materiais empregados eram de menor qualidade que o exigido. Diante
disso, a empresa Habitac Crédito Imobiliário S.A. ajuizou ação de obrigação de fazer contra João pedindo que ele
fosse condenado a reformar a casa a fim de deixá-la dentro dos padrões previstos no contrato. O STJ afirmou que
a credora hipotecária tem interesse de agir para propor esta ação. Isso porque ela tem interesse jurídico na
valorização do bem dado em garantia. Se o devedor não pagar a dívida, o bem dado em hipoteca será alienado.
Logo, o credor hipotecário tem interesse em que o imóvel seja construído de acordo com os padrões
estabelecidos para o loteamento a fim de que ele se mantenha valioso e, em caso de inadimplemento, possa
ser vendido por um bom preço, pagando a dívida. STJ. 1ª Turma. REsp 1.400.607-RS, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, julgado em 17/05/2018 (Info 628).

33
ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA
O equipamento de monitoramento acoplado em caminhão é qualificado como pertença e pode ser retirado
pelo devedor fiduciante que o colocou. CC/Art. 94. Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal
não abrangem as pertenças, salvo se o contrário resultar da lei, da manifestação de vontade, ou das circunstâncias
do caso. STJ. 3ª Turma. REsp 1.667.227-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 26/06/2018 (Info 629).

RESPONSABILIDADE CIVIL
Os danos decorrentes de acidentes de veículos automotores sem vítimas não caracterizam dano moral in re
ipsa. Vale ressaltar que é possível a condenação de danos morais em casos de acidente de trânsito, no entanto,
trata-se de situação excepcional, sendo necessário que a parte demonstre circunstâncias peculiares que indiquem
o extrapolamento da esfera exclusivamente patrimonial. STJ. 3ª Turma. REsp 1.653.413-RJ, Rel. Min. Marco
Aurélio Bellizze, julgado em 05/06/2018 (Info 627).

PODER DE FAMÍLIA
O pai e a mãe, enquanto no exercício do poder familiar, são usufrutuários dos bens dos filhos (usufruto legal),
bem como têm a administração dos bens dos filhos menores sob sua autoridade, nos termos do art. 1.689,
incisos I e II, do Código Civil. Por essa razão, em regra, não existe o dever de prestar contas acerca dos valores
recebidos pelos pais em nome do menor, durante o exercício do poder familiar. Isso porque há presunção de que
as verbas recebidas tenham sido utilizadas para a manutenção da comunidade familiar, abrangendo o custeio de
alimentação, saúde, vestuário, educação, lazer, entre outros. Excepcionalmente, admite-se o ajuizamento de
ação de prestação de contas pelo filho, sempre que a causa de pedir estiver fundada na suspeita de abuso de
direito no exercício desse poder. Assim, a ação de prestação de contas ajuizada pelo filho em desfavor dos pais
é possível quando a causa de pedir estiver relacionada com suposto abuso do direito ao usufruto legal e à
administração dos bens dos filhos. STJ. 3ª Turma. REsp 1.623.098-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado
em 13/03/2018 (Info 622).

Para que haja a decretação da perda do poder familiar da mãe biológica em razão da suposta entrega da filha
para adoção irregular (“adoção à brasileira”), é indispensável a realização do estudo social e avaliação
psicológica das partes litigantes. Por envolver interesse de criança, a questão deve ser solucionada com
observância dos princípios da proteção integral e do melhor interesse dela e do adolescente, previstos na CF e no
ECA. Para constatação da “adoção à brasileira”, em princípio, o estudo psicossocial da criança, do pai registral
e da mãe biológica não se mostra necessário. Contudo, como o reconhecimento de sua ocorrência (“adoção à
brasileira”) foi fator preponderante para a destituição do poder familiar, a realização da perícia se mostra
imprescindível para aferição da presença de causa para a excepcional medida de destituição e para constatação
de existência de uma situação de risco para a infante, caracterizando cerceamento de defesa o seu indeferimento.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.674.207-PR, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 17/04/2018 (Info 624).

UNIÃO ESTÁVEL
Na dissolução de entidade familiar, é possível o reconhecimento do direito de visita a animal de estimação
adquirido na constância da união, demonstrada a relação de afeto com o animal. Na dissolução da entidade
familiar em que haja algum conflito em relação ao animal de estimação, independentemente da qualificação
jurídica a ser adotada, a resolução deverá buscar atender, sempre a depender do caso em concreto, aos fins
sociais, atentando para a própria evolução da sociedade, com a proteção do ser humano e do seu vínculo afetivo
com o animal. STJ. 4ª Turma. REsp 1.713.167-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 19/06/2018 (Info 634).

ALIMENTOS
Havendo meios executivos mais adequados e igualmente eficazes para a satisfação da dívida alimentar dos avós,
é admissível a conversão da execução para o rito da penhora e da expropriação, a fim de afastar o decreto
prisional em desfavor dos executados. STJ. 3ª Turma. HC 416.886-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
12/12/2017 (Info 617).

Os valores recebidos a título de “participação nos lucros e resultados” são incluídos no percentual que é devido a
título de pensão alimentícia? Em suma, toda vez que o devedor receber participação nos lucros e resultados, o
valor da pensão deverá ser, automaticamente, pago a mais? 1ª corrente: NÃO. Os valores recebidos a título de
participação nos lucros e resultados não se incorporam à verba alimentar devida ao menor. É a posição da 3ª
Turma do STJ. REsp 1.465.679-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 09/11/2017 (Info 615). 2ª corrente: SIM.
34
As parcelas percebidas a título de participação nos lucros configuram rendimento, devendo integrar a base de
cálculo da pensão fixada em percentual, uma vez que o conceito de rendimentos é amplo, especialmente para
fins de cálculo de alimentos. É a corrente adotada pela 4ª Turma do STJ. AgInt no AREsp 1070204/SE, Rel. Min.
Luis Felipe Salomão, julgado em 19/09/2017. STJ. 4ª Turma. REsp 1.561.097-RJ, Rel. Min. Lázaro Guimarães
(Desembargador convocado do TRF da 5ª Região), Rel. Acd. Min. Marco Buzzi, julgado em 06/02/2018 (Info 620).

É possível, em sede de execução de alimentos, a dedução na pensão alimentícia fixada exclusivamente em


pecúnia das despesas pagas "in natura", com o consentimento do credor, referentes a aluguel, condomínio e
IPTU do imóvel onde residia o exequente. Vale ressaltar que a regra geral é a incompensabilidade da dívida
alimentar (art. 1.707 do CC) e eventual compensação deve ser analisada caso a caso, devendo-se examinar se
houve o consentimento, ainda que tácito, do credor, e se o pagamento in natura foi destinado, efetivamente, ao
atendimento de necessidade essencial do alimentado e não se configurou como mera liberalidade do
alimentante. STJ. 3ª Turma. REsp 1.501.992-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 20/03/2018
(Info 624).

Em regra, não deverá haver diferença no valor ou no percentual dos alimentos destinados a prole, pois se presume
que, em tese, os filhos - indistintamente - possuem as mesmas demandas vitais, tenham as mesmas condições
dignas de sobrevivência e igual acesso às necessidades mais elementares da pessoa humana. A igualdade entre
os filhos, todavia, não tem natureza absoluta e inflexível, de modo que é admissível a fixação de alimentos em
valor ou percentual distinto entre os filhos se demonstrada a existência de necessidades diferenciadas entre eles
ou, ainda, de capacidades contributivas diferenciadas dos genitores. Exemplo: João possui dois filhos, com
mulheres diferentes. Para o filho 1, paga 20% de seu salário e para o filho 2, 15%. O STJ admitiu que essas pensões
sejam em valores diferentes porque a capacidade financeira da mãe do filho 2 é muito maior do que a genitora
do filho 1. STJ. 3ª Turma. REsp 1.624.050/MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/06/2018 (Info 628).

A teoria do adimplemento substancial não tem incidência nos vínculos jurídicos familiares, revelando-se
inadequada para solver controvérsias relacionadas a obrigações de natureza alimentar. STJ. 4ª Turma. HC
439.973-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 16/08/2018 (Info
632).

Os embargos de terceiro não são cabíveis para o fim de declarar, em sede de ação de exoneração de alimentos,
a natureza familiar da prestação alimentícia, de forma a alterar a relação jurídica posta e discutida na demanda
principal. Ex: João e Maria, ao se divorciarem, firmaram um acordo por meio do qual João iria pagar 30% de seu
salário, a título de alimentos, para Maria e o filho do casal (Vitor). Quando Vitor completou a maioridade, João
propôs ação de exoneração de alimentos contra ele. O juiz deferiu o pedido e determinou que os descontos
fossem reduzidos pela metade (15%), já que Vitor não seria mais credor de alimentos. Maria opôs embargos de
terceiro contra essa decisão, tendo o STJ considerado um instrumento jurídico inadequado. STJ. 4ª Turma. REsp
1.560.093-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 18/09/2018 (Info 634)

PARENTESCO
É imprescindível o consentimento de pessoa maior para o reconhecimento de filiação post mortem. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.688.470-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 10/04/2018 (Info 623).

DIVÓRCIO
A coisa julgada material formada em virtude de acordo celebrado por partes maiores e capazes, versando sobre
a partilha de bens imóveis privados e disponíveis e que fora homologado judicialmente por ocasião de divórcio
consensual, não impede que haja um novo acordo sobre o destino dos referidos bens. STJ. 3ª Turma. REsp
1.623.475-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 17/04/2018 (Info 624).

No regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento, desde que
comprovado o esforço comum para sua aquisição. Esse esforço comum não pode ser presumido. Deve ser
comprovado. O regime de separação legal de bens (também chamado de separação obrigatória de bens) é aquele
previsto no art. 1.641 do Código Civil. STJ. 2ª Seção. EREsp 1.623.858-MG, Rel. Min. Lázaro Guimarães
(Desembargador Convocado do TRF 5ª Região), julgado em 23/05/2018 (recurso repetitivo) (Info 628).

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A revelia em ação de divórcio na qual se pretende, também, a exclusão do patronímico adotado por ocasião do
casamento não significa concordância tácita com a modificação do nome civil. Ex: João da Silva Maier casou-se
com Gabriela Ferreira. Gabriela adotou o patronímico de João e passou a se chamar Gabriela Ferreira Maier. O
relacionamento chegou ao fim e João ajuizou ação de divórcio contra Gabriela pedindo: a) que fosse decretado o
divórcio; b) que Gabriela fosse condenada a retirar o patronímico “Maier” de seu nome. Gabriela foi devidamente
citada, mas não respondeu a ação. Correta a decisão do juiz que julga o pedido parcialmente procedente
decretando o divórcio, mas mantendo o sobrenome da ré. Principais argumentos: • o fato de o réu ter sido revel
não significa, necessariamente, que o juiz tenha que acolher o pedido do autor; • o nome é considerado direito
indisponível, tendo em vista ser direito da personalidade; • para que houvesse a retirada do sobrenome, seria
necessária a manifestação expressa da vontade da mulher; • a utilização do sobrenome do ex-marido por mais
de 30 trinta anos pela ex-mulher demonstra que há tempo ele está incorporado ao nome dela, de modo que não
mais se pode retirá-lo, sem que cause evidente prejuízo para a sua identificação. STJ. 3ª Turma. REsp 1.732.807-
RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/08/2018 (Info 631).

COLAÇÃO
Em um caso envolvendo SITUAÇÃO ANTES DO CPC/2015, o STJ decidiu que o valor de colação dos bens doados
deverá ser aquele atribuído ao tempo da liberalidade, corrigido monetariamente até a data da abertura da
sucessão. Aplicou-se aqui a regra do art. 2.004 do Código Civil de 2002. STJ. 4ª Turma. REsp 1.166.568-SP, Rel.
Min. Lázaro Guimarães (Desembargador convocado do TRF da 5ª Região), julgado em 12/12/2017 (Info 617).
O CPC/2015, em seu art. 639, parágrafo único, traz regra diferente do art. 2.004 do CC/2002 e diz que o valor de
colação dos bens deverá ser calculado ao tempo da morte do autor da herança. Confira:
Art. 639. No prazo estabelecido no art. 627, o herdeiro obrigado à colação conferirá por termo nos autos ou por
petição à qual o termo se reportará os bens que recebeu ou, se já não os possuir, trar-lhes-á o valor.
Parágrafo único. Os bens a serem conferidos na partilha, assim como as acessões e as benfeitorias que o donatário
fez, calcular-se-ão pelo valor que tiverem ao tempo da abertura da sucessão.
Diante disso, não se pode afirmar que a conclusão do STJ no REsp 1.166.568-SP seria a mesma caso a morte tivesse
ocorrido agora, ou seja, sob a vigência do CPC/2015. Isso porque este diploma é posterior ao CC/2002 e, pelo
menos sob o critério cronológico, teria prevalência em relação ao Código Civil.

INVENTÁRIO
O art. 612 do CPC/2015 prevê o seguinte: Art. 612. O juiz decidirá todas as questões de direito desde que os fatos
relevantes estejam provados por documento, só remetendo para as vias ordinárias as questões que dependerem
de outras provas. A parte, antevendo que o pedido que será formulado não se enquadra na competência do juízo
do inventário, já pode ajuizar a ação autônoma no juízo competente, aplicando-se o art. 612. Assim, é cabível o
ajuizamento de ação autônoma perante o juízo cível quando se constatar, desde logo, a necessidade de dilação
probatória incompatível com o rito especial do inventário. STJ. 3ª Turma. REsp 1.480.810-ES, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 20/03/2018 (Info 622).

Tendo sido declinados na petição inicial todos os dados pessoais indispensáveis à correta identificação dos
herdeiros, inclusive os seus respectivos endereços, devem ser eles citados pessoalmente por carta com aviso de
recebimento, vedada a citação por oficial de justiça (porque comprometeria a duração razoável do processo).
STJ. 3ª Turma. REsp 1.584.088-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/05/2018 (Info 626).

É legítima a decisão judicial que determina a averbação, no respectivo registro, das modificações realizadas em
bens imóveis submetidos à partilha como condição de procedibilidade da ação de inventário. STJ. 3ª Turma. REsp
1.637.359-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 08/05/2018 (Info 625).

SUCESSÃO
Na falta de descendentes e ascendentes, será deferida a sucessão por inteiro ao cônjuge ou companheiro
sobrevivente, não concorrendo com parentes colaterais do de cujus. STJ. 3ª Turma. REsp 1.357.117-MG, Rel. Min.
Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 13/03/2018 (Info 622).

DPVAT
Uma associação que tenha fins específicos de proteção ao consumidor não possui legitimidade para o
ajuizamento de ação civil pública com a finalidade de tutelar interesses coletivos de beneficiários do seguro
DPVAT. Isso porque o seguro DPVAT não tem natureza consumerista, faltando, portanto, pertinência temática.
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STJ. 2ª Seção. REsp 1.091.756-MG, Rel. Min. Marco Buzzi, Rel. Acd. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em
13/12/2017 (Info 618).

PARCERIA RURAL
O falecimento do parceiro outorgante não extingue o contrato de parceria rural. Os herdeiros somente poderão
exercer o direito de retomada ao término do contrato e desde que obedeçam às regras do Decreto nº
59.566/1966 quanto ao prazo para notificação e às causas para retomada. STJ. 3ª Turma. REsp 1.459.668-MG,
Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 05/12/2017 (Info 618)

PROCESSO CIVIL
PRESSUPOSTO PROCESSUAL
Na ação de cobrança, é desnecessária a citação da sociedade empresária se todos os que participam do quadro
social integram a lide. STJ. 3ª Turma. REsp 1.731.464-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 25/09/2018 (Info
635).

ARBITRAGEM
A previsão contratual de convenção de arbitragem enseja o reconhecimento da competência do Juízo arbitral
para decidir com primazia sobre o Poder Judiciário as questões acerca da existência, validade e eficácia da
convenção de arbitragem e do contrato que contenha a cláusula compromissória. Ex: a empresa 1 celebrou
contrato com a empresa 2; neste contrato há uma cláusula arbitral; a empresa 2 notificou extrajudicialmente a
empresa 1 cobrando o cumprimento do ajuste; a empresa 1 ajuizou ação declaratória de falsidade alegando que
a assinatura constante no contrato é falsa e, portanto, o pacto seria nulo; esta ação deverá ser extinta sem
resolução do mérito (art. 485, VII, do CPC/2015); isso porque, nos termos do art. 8º, parágrafo único, da Lei nº
9.307/96, a alegação de nulidade da cláusula arbitral, bem como do contrato que a contém, deve ser submetida,
em primeiro lugar, à decisão do próprio árbitro, sendo prematura a apreciação pelo Poder Judiciário. Trata-se da
aplicação do princípio da kompetenzkompetenz, que confere ao árbitro o poder de decidir sobre a própria
competência. STJ. 3ª Turma. REsp 1.550.260-RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas
Bôas Cueva, julgado em 12/12/2017 (Info 622).

ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA


O estrangeiro residente no Brasil tem direito à gratuidade da justiça? SIM. O estrangeiro residente no Brasil possui
direito à gratuidade da justiça. Isso é previsto no CPC/2015 e também já era garantido na Lei nº 1.060/50. E o
estrangeiro não residente no Brasil? Lei 1.060/50: Não tinha direito. Só poderia ser deferida a gratuidade da
justiça para estrangeiros residentes no Brasil (art. 2º). CPC/2015: possui o direito. Atualmente, pode ser deferida
a gratuidade da justiça para estrangeiros residentes ou não-residentes no Brasil (art. 98). A gratuidade da justiça
passou a poder ser concedida a estrangeiro não residente no Brasil após a entrada em vigor do CPC/2015. STJ.
Corte Especial. Pet 9.815-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 29/11/2017 (Info 622)

HONORÁRIOS
CONFIGURA SUPRESSÃO de grau de jurisdição o arbitramento no STJ de honorários de sucumbência com base
no CPC/2015, na hipótese em que as instâncias ordinárias utilizaram EQUIVOCADAMENTE o CPC/1973 para a
sua fixação.
Ex: TJ fixou honorários advocatícios com base no CPC/1973, mesmo tendo o acórdão sido prolatado após o
CPC/2015; no Resp, o STJ deverá reformar o acórdão recorrido e determinar o retorno dos autos ao TJ para que
esta Corte faça um novo julgamento da apelação e analise os honorários advocatícios de sucumbência com base
no CPC/2015.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.647.246-PE, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Regina Helena Costa,
julgado em 21/11/2017 (Info 617)

Imagine que 30 pessoas, em litisconsórcio ativo facultativo, propuseram uma ação ordinária contra determinada
autarquia estadual. Desse modo, 30 pessoas que poderiam litigar individualmente contra a ré, decidiram se unir
e contratar um só advogado para propor a ação conjuntamente. A ação foi julgada procedente, condenando a
entidade a pagar "XX" reais ao grupo de 30 pessoas. Na mesma sentença, a autarquia foi condenada a pagar

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R$ 600 mil reais de honorários advocatícios sucumbenciais ao advogado dos autores que trabalhou no processo.
O advogado dos autores, quando for cobrar seus honorários advocatícios, terá que executar o valor total (R$ 600
mil) ou poderá dividir a cobrança de acordo com a fração que cabia a cada um dos clientes (ex: eram 30 autores
na ação; logo, ele poderá ingressar com 30 execuções cobrando R$ 20 mil em cada)? • É válido o fracionamento
dos honorários advocatícios em litisconsórcio simples facultativo, por se tratar de cumulação de ações com o
mesmo pedido. Posição da 1ª Turma do STF. • Não é possível fracionar o crédito de honorários advocatícios em
litisconsórcio ativo facultativo simples em execução contra a Fazenda Pública por frustrar o regime do precatório.
Corrente adotada na 2ª Turma do STF. STF. 1ª Turma. RE 913536/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min.
Roberto Barroso, julgado em 24/6/2018 (Info 908). STF. 2ª Turma. RE 949383 AgR/RS, Rel. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 17/5/2016 (Info 826)
O § 2º do art. 82 do CPC/2015 prevê que: “a sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas que
antecipou.” O sucumbente deve arcar também com os honorários contratuais que foram pagos pela parte
vencedora? Não. O vencido deverá pagar apenas os honorários sucumbenciais. Os honorários advocatícios
contratuais não se incluem nas despesas processuais do art. 82, § 2º, do CPC/2015 (art. 20 do CPC/1973). STJ.
3ª Turma. REsp 1.571.818-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 09/10/2018 (Info 636).

HONORÁRIO PERICIAIS
A sentença transitou em julgado condenando a parte a pagar "custas processuais", sem falar sobre os honorários
periciais. É possível que esses honorários periciais sejam cobrados da parte sucumbente mesmo não tendo sido
expressamente mencionados na sentença? SIM. É adequada a inclusão dos honorários periciais em conta de
liquidação mesmo quando o dispositivo de sentença com trânsito em julgado condena o vencido,
genericamente, ao pagamento de custas processuais. STJ. Corte Especial. EREsp 1.519.445-RJ, Rel. Min. Og
Fernandes, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/09/2018 (Info 635).

COMPETÊNCIA
Compete à Justiça Comum Estadual o exame e o julgamento de feito que discute direitos de exempregado
aposentado ou demitido sem justa causa de permanecer em plano de saúde coletivo oferecido pela própria
empresa empregadora aos trabalhadores ativos, na modalidade de autogestão. STJ. 3ª Turma. REsp 1.695.986-
SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 27/02/2018 (Info 620).

Compete à Justiça Comum (e não à Justiça do Trabalho) julgar as ações propostas por ferroviários pensionistas e
aposentados das antigas ferrovias do Estado de São Paulo, que foram absorvidas pela Ferrovia Paulista S/A,
sucedida pela extinta Rede Ferroviária Federal, com vistas à complementação de suas pensões e aposentadorias
em face da União. O STF entendeu que esta é uma causa oriunda de uma relação estatutária. Assim, não há
relação de trabalho que justifique a competência da Justiça laboral. STF. 1ª Turma. Rcl 24990 AgR/SP, rel. orig.
Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 20/3/2018 (Info 895).

Compete à justiça comum (e não à Justiça do Trabalho) o julgamento de conflito de interesses a envolver a
incidência de contribuição previdenciária, considerada a complementação de proventos. Caso concreto: Estado-
membro editou lei instituindo contribuição previdenciária de 11% sobre o valor da complementação da
aposentadoria dos ex-empregados de uma sociedade de economia mista. Os ex-empregados prejudicados
ingressaram com ações questionando essa cobrança. O STF afirmou que a discussão em tela tem natureza
tributária, o que atrai a competência da Justiça comum, uma vez que no caso não se discutem verbas de natureza
trabalhista, mas a incidência de contribuição social (espécie de tributo). STF. Plenário. RE 594435/SP, Rel. Min.
Marco Aurélio, julgado em 24/5/2018 (Info 903).

Compete à Justiça Comum Estadual o julgamento de demanda com natureza predominantemente civil entre ex-
empregado aposentado ou demitido sem justa causa e operadoras de plano de saúde na modalidade autogestão
vinculadas ao empregador. STJ. 2ª Seção. CC 157.664-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 23/05/2018 (Info
627).

SUSPENSÃO DO PROCESSO
Se a ação é proposta contra indivíduo que já estava morto, o juiz não deverá determinar a habilitação, a sucessão
ou a substituição processual. De igual modo, o processo não deve ser suspenso para habilitação de sucessores.
Isso porque tais institutos são aplicáveis apenas para as hipóteses em que há o falecimento da parte no curso do
processo judicial. O correto enquadramento jurídico desta situação é de ilegitimidade passiva, devendo ser
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facultado ao autor, diante da ausência de ato citatório válido, emendar a petição inicial para regularizar o polo
passivo, dirigindo a sua pretensão ao espólio. Ex: em 04/04/2018, o Banco ajuizou execução de título extrajudicial
contra João. A tentativa de citação, todavia, foi infrutífera, tendo em vista que João havia falecido em 04/03/2018,
ou seja, um mês antes. Diante disso, o juiz deverá permitir que o exequente faça a emenda da petição inicial para
a substituição do executado falecido pelo seu espólio. STJ. 3ª Turma. REsp 1.559.791-PB, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 28/08/2018 (Info 632).

AÇÃO ANULATÓRIA
A decisão judicial homologatória de acordo entre as partes é impugnável por meio de ação anulatória (art. 966,
§ 4º, do CPC/2015; art. 486 do CPC/1973). Não cabe ação rescisória neste caso. Se a parte propôs ação rescisória,
não é possível que o Tribunal receba esta demanda como ação anulatória aplicando o princípio da fungibilidade.
Isso porque só se aplica o princípio da fungibilidade para recursos (e ação anulatória e a ação rescisória não são
recursos). STF. Plenário. AR 2440 AgR/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 19/9/2018 (Info 916).

AÇÃO RESCISÓRIA
Se a sentença foi proferida com base na jurisprudência do STF vigente à época e, posteriormente, esse
entendimento foi alterado, não se pode dizer que essa decisão impugnada tenha violado literal disposição de lei
para fins da ação rescisória prevista no art. 485, V, do CPC/1973. Desse modo, não cabe ação rescisória em face
de acórdão que, à época de sua prolação, estava em conformidade com a jurisprudência predominante do STF.
STF. Plenário. AR 2422/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/10/2018 (Info 921). Obs: o julgado envolvia um caso
concreto ocorrido na vigência do CPC/1973. Não se sabe se o entendimento seria o mesmo se o fato tivesse
ocorrido na égide do CPC/2015. Isso por conta da nova previsão de ação rescisória contida no § 15 do art. 525 do
CPC/2015.

RECURSO
A tempestividade do recurso em virtude de feriado local ou de suspensão dos prazos processuais pelo
Tribunal a quo que não sejam de conhecimento obrigatório da instância ad quem deve ser comprovada no
momento de sua interposição. STF. 1ª Turma. ARE 1109500 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em
20/04/2018.

Não cabe recurso extraordinário contra decisão do TST que julga processo administrativo disciplinar instaurado
contra magistrado trabalhista. Compete ao STF julgar, mediante recurso extraordinário, as “causas” decididas
em única ou última instância (art. 102, III, da CF/88). O vocábulo “causa” referido no inciso III do art. 102 da
CF/88 só abrange processos judiciais, razão pela qual é incabível a interposição de recursos extraordinários contra
acórdãos proferidos pelos Tribunais em processos administrativos, inclusive aqueles de natureza disciplinar
instaurados contra magistrados. STF. 2ª Turma. ARE 958311/SP, rel. org. Min. Teori Zavaski, red.p/ac. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 27/02/2018 (Info 892).

É inaplicável a contagem do prazo recursal em dobro quando apenas um dos litisconsortes com procuradores
distintos sucumbe. Nesse sentido existe, inclusive, uma súmula do STF, cujo entendimento continua válido com
o CPC/2015: Súmula 641-STF: Não se conta em dobro o prazo para recorrer, quando só um dos litisconsortes haja
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sucumbido. Ex: ação de cobrança proposta contra Pedro e Tiago. Na sentença, o juiz julga procedente quanto a
Pedro e improcedente no que tange a Tiago. Pedro, única parte sucumbente, não terá direito a prazo em dobro.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.709.562-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 16/10/2018 (Info 636).

AGRAVO DE INTRUMENTO
É admissível a interposição de agravo de instrumento contra decisão que não concede efeito suspensivo aos
EMBARGOS À EXECUÇÃO.
As hipóteses em que cabe agravo de instrumento estão previstas art. 1.015 do CPC/2015, que traz um rol taxativo.
Apesar de ser um rol exaustivo, é possível que as hipóteses trazidas nos incisos desse artigo sejam lidas de forma
ampla, com base em uma interpretação extensiva.
Assim, é cabível agravo de instrumento contra decisão que não concede efeito suspensivo aos embargos à
execução com base em uma interpretação extensiva do inciso X do art. 1.015:
Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre:
X - concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à execução;
STJ. 2ª Turma. REsp 1.694.667-PR, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 05/12/2017 (Info 617).

É cabível a interposição de agravo de instrumento contra decisão relacionada à definição de competência, a


despeito de não previsto expressamente no rol do art. 1.015 do CPC/2015. Apesar de não previsto expressamente
no rol do art. 1.015 do CPC/2015, a decisão interlocutória que acolhe ou rejeita a alegação de incompetência
desafia recurso de agravo de instrumento, por uma interpretação analógica ou extensiva da norma contida no
inciso III do art. 1.015 do CPC/2015, já que ambas possuem a mesma ratio -, qual seja, afastar o juízo incompetente
para a causa, permitindo que o juízo natural e adequado julgue a demanda. STJ. 4ª Turma. REsp 1.679.909-RS,
Rel. Min. Luis Felipe Salomão, por unanimidade, julgado em 14/11/2017, DJe 01/02/2018

É cabível a interposição de agravo de instrumento contra decisões interlocutórias em processo falimentar e


recuperacional, ainda que não haja previsão específica de recurso na Lei nº 11.101/2005 (LREF). Fundamento:
interpretação extensiva do art. 1.015, parágrafo único, do CPC/2015. STJ. 4ª Turma. REsp 1.722.866-MT, Rel. Min.
Luis Felipe Salomão, julgado em 25/09/2018 (Info 635).

O rol do art. 1.015 do CPC/2015 é de taxatividade mitigada O rol do art. 1.015 do CPC é de taxatividade mitigada,
por isso admite a interposição de agravo de instrumento quando verificada a urgência decorrente da inutilidade
do julgamento da questão no recurso de apelação. STJ. Corte Especial. REsp 1704520/MT, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 05/12/2018 (recurso repetitivo). Obs: a tese jurídica fixada e acima explicada somente se
aplica às decisões interlocutórias proferidas após a publicação do REsp 1704520/MT, o que ocorreu no DJe
19/12/2018. Antes da decisão acima, o STJ chegou a admitir o cabimento de mandado de segurança Com a
entrada em vigor do CPC/2015, e antes da decisão do STJ no REsp 1704520/MT, havia dúvida razoável na doutrina
e na jurisprudência sobre o cabimento ou não de agravo de instrumento contra a decisão interlocutória que
examinava competência. Diante disso, era possível a impetração de mandado de segurança contra decisão
interlocutória que examinava competência. Vale ressaltar, contudo, que essa possibilidade de impetração de MS
deixou de existir com a publicação do REsp 1704520/MT (DJe 19/12/2018). STJ. 4ª Turma. RMS 58.578-SP, Rel.
Min. Raul Araújo, julgado em 18/10/2018 (Info 636).

EMBARGOS INFRINGENTRES
São cabíveis embargos infringentes quando a divergência qualificada se manifesta nos embargos de declaração
opostos ao acórdão unânime da apelação que reformou a sentença. STJ. 2ª Seção. EREsp 1.290.283-GO, Rel. Min.
Marco Aurélio Bellizze, julgado em 11/04/2018 (Info 626).

CUMPRIMENTO DE SENTENÇA
O art. 85, § 7º, do CPC/2015 não afasta a aplicação do entendimento consolidado na Súmula 345 do STJ, de modo
que são devidos honorários advocatícios nos procedimentos individuais de cumprimento de sentença
decorrente de ação coletiva, ainda que não impugnados e promovidos em litisconsórcio. O art. 85, § 7º, do
CPC/2015 não se aplica para as execuções individuais, ainda que promovidas em litisconsórcio, pedindo o
cumprimento de julgado proferido em sede de ação coletiva lato sensu, ação civil pública ou ação de classe. Em
resumo, a Súmula 345 do STJ continua válida mesmo com o art. 85, § 7º, do CPC/2015. Súmula 345-STJ: São
devidos honorários advocatícios pela Fazenda Pública nas execuções individuais de sentença proferida em ações
coletivas, ainda que não embargadas. Art. 85. (...) § 7º Não serão devidos honorários no cumprimento de sentença
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contra a Fazenda Pública que enseje expedição de precatório, desde que não tenha sido impugnada. STJ. Corte
Especial. REsp 1.648.238-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 20/06/2018 (recurso repetitivo) (Info 628).

Qual é o recurso cabível contra o pronunciamento que julga a impugnação ao cumprimento de sentença? • Se o
pronunciamento judicial extinguir a execução: será uma sentença e caberá APELAÇÃO. • Se o pronunciamento
judicial não extinguir a execução: será uma decisão interlocutória e caberá AGRAVO DE INSTRUMENTO. Assim, o
recurso cabível contra a decisão que acolhe impugnação ao cumprimento de sentença e extingue a execução é a
apelação. STJ. 4ª Turma. REsp 1.698.344-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 22/05/2018 (Info 630).

EXECUÇÃO
Se a parte exequente manifestar desinteresse na adjudicação e na alienação particular do imóvel penhorado,
ela poderá, desde logo, requerer sua alienação em leilão judicial (antiga alienação em hasta pública). Isso
porque o CPC confere ao credor a faculdade de se valer da alienação por iniciativa particular, mas não impede
que o credor opte, desde logo, pela alienação judicial (alienação em hasta pública).
STJ. 1ª Turma. REsp 1.312.509-RN, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 07/12/2017 (Info 617)

A execução de título extrajudicial por inadimplemento de mensalidades escolares de filhos do casal pode ser
redirecionada ao outro consorte, ainda que não esteja nominado nos instrumentos contratuais que deram
origem à dívida. Ex: mãe assina contrato com a escola e termo de confissão de dívida se comprometendo a pagar
as mensalidades; em caso de atraso, a escola poderá ingressar com execução tanto contra a mãe como contra o
pai do aluno, considerando que existe uma solidariedade legal do casal quanto às despesas com a educação do
filho (arts. 1.643 e 1.644 do CC). STJ. 3ª Turma.REsp 1.472.316-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado
em 05/12/2017(Info 618)

Em regra, o prazo para cumprimento voluntário da sentença é de 15 dias úteis (art. 523 do CPC). Se os devedores
forem litisconsortes com diferentes procuradores, de escritórios de advocacia distintos, este prazo de pagamento
deverá ser contado em dobro, nos termos do art. 229 do CPC/2015, desde que o processo seja físico. Assim, o
prazo comum para cumprimento voluntário de sentença deverá ser computado em dobro (ou seja, em 30 dias
úteis) no caso de litisconsortes com procuradores distintos, em autos físicos. STJ. 4ª Turma. REsp 1.693.784-DF,
Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 28/11/2017 (Info 619).

São constitucionais o parágrafo único do art. 741 e o § 1º do art. 475-L do CPC/1973, bem como os
correspondentes dispositivos do CPC/2015 (art. 525, § 1º, III e §§ 12 e 14; e art. 535, § 5º). São dispositivos que,
buscando harmonizar a garantia da coisa julgada com o primado da Constituição, vieram agregar ao sistema
processual brasileiro um mecanismo com eficácia rescisória de sentenças revestidas de vício de
inconstitucionalidade qualificado, assim caracterizado nas hipóteses em que:
a) a sentença exequenda (“sentença que está sendo executada”) esteja fundada em uma norma
reconhecidamente inconstitucional, seja por aplicar norma inconstitucional, seja por aplicar norma em situação
ou com um sentido inconstitucionais; ou
b) a sentença exequenda tenha deixado de aplicar norma reconhecidamente constitucional; e
c) desde que, em qualquer dos casos, o reconhecimento dessa constitucionalidade ou a inconstitucionalidade
tenha decorrido de julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) realizado em data anterior ao trânsito em
julgado da sentença exequenda. STF. Plenário. RE 611503/SP, rel. orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ o ac. Min.
Edson Fachin, julgado em 20/9/2018 (repercussão geral) (Info 916).

Cabe habeas corpus para impugnar decisão judicial que determinou a retenção de passaporte Em regra, não se
admite a utilização de habeas corpus como substituto de recurso próprio, ou seja, se cabia um recurso para
impugnar a decisão, não se pode aceitar que a parte prejudicada impetre um HC. Exceção: se, no caso concreto,
a decisão impugnada for flagrantemente ilegal, gerando prejuízo à liberdade do paciente, o Tribunal deverá
conceder o habeas corpus de ofício. O acautelamento de passaporte é medida que limita a liberdade de
locomoção, razão pela qual pode, no caso concreto, significar constrangimento ilegal e arbitrário, sendo o habeas
corpus via processual adequada para essa análise. Isso vale não apenas para decisões criminais como também
cíveis. STJ. 4ª Turma. RHC 97.876-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 05/06/2018 (Info 631).

Não cabe habeas corpus para impugnar decisão judicial que determinou a suspensão de CNH A suspensão da
Carteira Nacional de Habilitação (CNH) não configura ameaça ao direito de ir e vir do titular. Isso porque mesmo
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com a decretação da medida, o sujeito continua com a liberdade de ir e vir, para todo e qualquer lugar, desde
que não o faça como condutor do veículo. Logo, não cabe habeas corpus contra decisão que determina a
apreensão de CNH. STJ. 4ª Turma. RHC 97.876-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 05/06/2018 (Info
631). STJ. 5ª Turma. HC 383.225/MG, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 04/05/2017. É ilegal medida coercitiva de
retenção do passaporte em decisão não fundamentada e que não observou o contraditório, proferida no bojo de
execução por título extrajudicial Revela-se ilegal e arbitrária a medida coercitiva de suspensão do passaporte
proferida no bojo de execução por título extrajudicial (duplicata de prestação de serviço), por restringir direito
fundamental de ir e vir de forma desproporcional e não razoável. Não tendo sido demonstrado o esgotamento
dos meios tradicionais de satisfação, a medida não se comprova necessária. Para que o julgador se utilize de meios
executivos atípicos, a decisão deve ser fundamentada e sujeita ao contraditório, demonstrando-se a
excepcionalidade da medida adotada em razão da ineficácia dos meios executivos típicos, sob pena de configurar-
se como sanção processual. Vale ressaltar que o juiz até poderá, eventualmente, decretar a retenção do
passaporte do executado desde que: • seja obedecido o contraditório e • a decisão proferida seja
fundamentada e adequada, demonstrando-se a proporcionalidade dessa medida para o caso concreto. STJ. 4ª
Turma. RHC 97.876-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 05/06/2018 (Info 631).

É possível a penhora, determinada por juízo da execução cível, no rosto dos autos de execução trabalhista de
reclamante falecido, devendo a análise da qualidade do crédito e sua eventual impenhorabilidade ser feita pelo
juízo do inventário. STJ. 3ª Turma. REsp 1.678.209-PR, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em
02/10/2018 (Info 634).

O art. 649, IV, do CP/1973 previa que as verbas de natureza salarial do executado eram impenhoráveis. O § 2º do
art. 649 previa uma exceção explícita e dizia que era possível a penhora da verba salarial do devedor para
pagamento de prestação alimentícia. O STJ, interpretando esse dispositivo, afirmou que é possível a penhora das
verbas salariais do devedor para pagamento de outras dívidas, além da prestação alimentícia, desde que essa
penhora preserve um valor que seja suficiente para o devedor e sua família continuarem vivendo com
dignidade. Nas palavras do STJ: a regra geral da impenhorabilidade de salários, vencimentos, proventos etc. do
devedor (art. 649, IV, do CPC/1973) (art. 833, IV, do CPC/2015), também pode ser excepcionada quando for
preservado percentual de tais verbas capaz de dar guarida à dignidade do devedor e de sua família. Ex: Flávio
recebe salário de R$ 30 mil por mês. Ricardo ajuizou execução contra Flávio. O juiz determinou a penhora de 30%
do salário de Flávio, todos os meses, até que a dívida que está sendo executada seja paga. O STJ entendeu que
essa penhora é válida e que não violou o art. 649, IV, do CPC/1973. STJ. Corte Especial. EREsp 1.582.475-MG, Rel.
Min. Benedito Gonçalves, julgado em 03/10/2018 (Info 635)

TÍTULO EXECUTIVO
O contrato eletrônico de mútuo com assinatura digital pode ser considerado título executivo extrajudicial.
Neste caso, não será necessária a assinatura de 2 testemunhas, conforme exige o art. 784, III, do CPC/2015. Na
assinatura digital de contrato eletrônico, uma autoridade certificadora (terceiro desinteressado) atesta que
aquele determinado usuário realmente utilizou aquela assinatura no documento eletrônico. Como existe esse
instrumento de verificação de autenticidade e presencialidade do contratante, é possível reconhecer esse
contrato como título executivo extrajudicial. STJ. 3ª Turma. REsp 1.495.920-DF, Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 15/05/2018 (Info 627).

ARROLAMENTO SUMÁRIO
No arrolamento sumário não se condiciona a entrega dos formais de partilha ou da carta de adjudicação à
prévia quitação dos tributos concernentes à transmissão patrimonial aos sucessores. Isso não significa que no
arrolamento sumário seja possível homologar a partilha mesmo sem a quitação dos tributos relativos aos bens
do espólio e às suas rendas. A inovação normativa do § 2º do art. 659 do CPC/2015 em nada altera a condição
estabelecida no art. 192 do CTN, de modo que, no arrolamento sumário, o magistrado deve exigir a comprovação
de quitação dos tributos relativos aos bens do espólio e às suas rendas para homologar a partilha e, na sequência,
com o trânsito em julgado, expedir os títulos de transferência de domínio e encerrar o processo,
independentemente do pagamento do imposto de transmissão. STJ. 1ª Turma. REsp 1.704.359-DF, Rel. Min.
Gurgel de Faria, julgado em 28/08/2018 (Info 634).

No arrolamento sumário não se condiciona a entrega dos formais de partilha ou da carta de adjudicação à prévia
quitação dos tributos concernentes à transmissão patrimonial aos sucessores. Assim, a homologação da partilha
42
no procedimento do arrolamento sumário não pressupõe o atendimento das obrigações tributárias principais e
tampouco acessórias relativas ao imposto sobre transmissão causa mortis. Isso não significa que no arrolamento
sumário seja possível homologar a partilha mesmo sem a quitação dos tributos relativos aos bens do espólio e às
suas rendas. A inovação normativa do § 2º do art. 659 do CPC/2015 em nada altera a condição estabelecida no
art. 192 do CTN, de modo que, no arrolamento sumário, o magistrado deve exigir a comprovação de quitação dos
tributos relativos aos bens do espólio e às suas rendas para homologar a partilha e, na sequência, com o trânsito
em julgado, expedir os títulos de transferência de domínio e encerrar o processo, independentemente do
pagamento do imposto de transmissão. STJ. 1ª Turma. REsp 1.704.359-DF, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em
28/08/2018 (Info 634). STJ. 2ª Turma. REsp 1.751.332-DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em
25/09/2018 (Info 636).

CAUÇÃO
Se o autor da ação judicial reside no exterior ou se muda para fora do país durante a tramitação do processo,
ele precisará prestar uma caução que seja suficiente para pagar as custas processuais e honorários advocatícios
caso ele perca a ação (art. 83 do CPC/2015). Não é necessária a prestação de caução para o ajuizamento de
ação por sociedade empresarial estrangeira devidamente representada no Brasil. Ex: MSC Mediterranean
Shipping Company S.A., empresa estrangeira, ajuizou, na justiça brasileira, uma ação de cobrança. O STJ afirmou
que não se deveria exigir caução para a propositura da demanda, considerando que a autora, apesar de
estrangeira, possuía uma agência de representação no Brasil (a MSC Mediterranean do Brasil Ltda.). STJ. 3ª Turma.
REsp 1.584.441-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 21/08/2018 (Info 632).

IMPENHORABILIDADE
O pacto de impenhorabilidade de título patrimonial contido explicitamente em estatuto social de clube
desportivo não pode ser oposto contra exequente/credor não sócio. O pacto de impenhorabilidade previsto no
art. 833, I, do CPC/2015 está limitado às partes que o convencionaram, não podendo envolver terceiros que não
anuíram, salvo exceções previstas em lei. STJ. 3ª Turma. REsp 1.475.745-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
julgado em 24/04/2018 (Info 625).

A impenhorabilidade dos valores recebidos pelo beneficiário do seguro de vida limita-se ao montante de 40
(quarenta) salários mínimos, por aplicação analógica do art. 833, X, do CPC/2015, cabendo a constrição judicial
da quantia que a exceder. Cuidado com a redação literal do art. 833, VI, do CPC/2015: “São impenhoráveis: (...)
VI - o seguro de vida”. STJ. 3ª Turma.REsp 1.361.354-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
22/05/2018 (Info 628)

EMBARGOS DE TERCEIROS
Não é cabível a reconvenção apresentada em embargos de terceiro, sob a égide do Código de Processo Civil de
1973. STJ. 3ª Turma. REsp 1.578.848-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 19/06/2018 (Info 628). E
sob a égide do CPC/2015? Na vigência do CPC/2015, é possível a apresentação de reconvenção em embargos de
terceiro?O Min. Relator Ricardo Villas Bôas Cueva afirmou o seguinte em seu voto:(...) anotese que o Código de
Processo Civil de 2015, alterando profundamente a sistemática anterior, passou a prever, além da possibilidade
de reconvenção e contestação em peça única (artigo 343), a adoção do procedimento comum após a fase de
contestação nos embargos de terceiro (artigo 679), o que certamente reascenderá a discussão em torno do
cabimento da reconvenção nas demandas ajuizadas sob a égide do novo diploma.”

FAZENDA PÚBLICA EM JUÍZO


O índice de correção monetária previsto no art. 1º-F da Lei 9.494/97 (TR) não pode ser aplicado para condenações
impostas à Fazenda Pública O art. 1º-F da Lei nº 9.494/1997 (com redação dada pela Lei nº 11.960/2009), para
fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública,
independentemente de sua natureza.
Os juros de mora previstos no art. 1º-F da Lei 9.494/97 podem ser aplicados para condenações impostas à Fazenda
Pública, com exceção de matéria tributária O art. 1º-F da Lei nº 9.494/1997 (com redação dada pela Lei nº
11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com
base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda
Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. Ações condenatórias em geral
As condenações judiciais de natureza administrativa em geral sujeitam-se aos seguintes encargos: a) até
dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no
43
Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; b) no
período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei nº 11.960/2009: juros de mora
correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; c) no período posterior à vigência
da Lei nº 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção
monetária com base no IPCA-E. Servidores e empregados públicos As condenações judiciais referentes a
servidores e empregados públicos sujeitam-se aos seguintes encargos: a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao
mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com
destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5%
ao mês; correção monetária: IPCA-E; c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta
de poupança; correção monetária: IPCA-E. Desapropriações No tocante às condenações judiciais referentes a
desapropriações diretas e indiretas, relativamente à correção monetária, incidem, em síntese, os índices previstos
no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro de 2001.
Em relação aos juros de mora, de acordo com o Manual de Cálculos da Justiça Federal, aplicamse os seguintes
índices: a) até dezembro/2009: 0,5% (capitalização simples), nos termos do art. 15-B do Decreto-Lei n.
3.365/1941; b) janeiro/2010 a abril/2012: 0,5% (capitalização simples), nos termos do art. 97, § 16, do ADCT
(incluído pela EC n. 62/2009), combinado com a Lei n. 8.177/1991; c) a partir de maio/2012: o mesmo percentual
de juros incidentes sobre a caderneta de poupança, capitalizados de forma simples, correspondentes a: i) 0,5%
ao mês, caso a taxa SELIC ao ano seja superior a 8,5%; ii) 70% da taxa SELIC ao ano, mensalizada, nos demais
casos, nos termos do art. 97, § 16, do ADCT (incluído pela EC n. 62/2009), combinado com a Lei n. 8.177/1991,
com alterações da MP n. 567/2012 convertida na Lei n. 12.703/2012. No que concerne aos juros compensatórios,
os índices previstos são os seguintes: a) até 10/06/1997: 1% (capitalização simples), nos termos da Súmula n.
618/STF e Súmula n. 110 do extinto TFR;
b) 11/06/1997 a 13/09/2001: 0,5% (capitalização simples), nos termos do art. 15-A, do Decreto-Lei n. 3.365/41,
introduzido pela MP n. 1.577/97 e suas sucessivas reedições; c) a partir de 14/09/2001: 1% (capitalização simples),
nos termos da ADI 2.332/DF, REsp 1.111.829/SP e Súmula n. 408/STJ. Matéria previdenciária As condenações
impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção
monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei nº 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei
nº 8.213/91. Quanto aos juros de mora, no período posterior à vigência da Lei nº 11.960/2009, incidem segundo
a remuneração oficial da caderneta de poupança. Indébito tributário A correção monetária e a taxa de juros de
mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo
pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês
(art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é
legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. STJ. 1ª Seção. REsp
1.495.146-MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 22/02/2018 (recurso repetitivo) (Info 620)

EXECUÇÃO DE ALIMENTOS
É possível a aplicação imediata do art. 528, § 7º, do CPC/2015 em execução de alimentos iniciada e processada,
em parte, na vigência do CPC/1973. A regra do art. 528, §7º, do CPC/2015, apenas incorpora ao direito positivo
o conteúdo da pré-existente Súmula 309/STJ, editada na vigência do CPC/1973, tratando-se, assim, de
pseudonovidade normativa que não impede a aplicação imediata da nova legislação processual, como
determinam os arts. 14 e 1.046 do CPC/2015. STJ. 3ª Turma. RHC 92.211-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
27/02/2018 (Info 621)

JUIZADO ESPECIAL
O Juizado Especial Cível é competente para o processamento e o julgamento de ação proposta por associação
de moradores visando à cobrança de taxas de manutenção de loteamento em face de morador não associado.
STJ. 3ª Turma. RMS 53.602-AL, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/06/2018 (Info 627).

AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO


Em ação consignatória, a insuficiência do depósito realizado pelo devedor conduz ao julgamento de
improcedência do pedido, pois o pagamento parcial da dívida não extingue o vínculo obrigacional. STJ. 2ª Seção.
REsp 1.108.058-DF, Rel. Min. Lázaro Guimarães (Desembargador Convocado do TRF da 5ª Região), Rel. Acd. Min.
Maria Isabel Gallotti, julgado em 10/10/2018 (recurso repetitivo) (Info 636).

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A instituição financeira possui legitimidade para ajuizar ação de consignação em pagamento visando quitar débito
de cliente decorrente de título de crédito protestado por falha no serviço bancário. STJ. 4ª Turma. REsp 1.318.747-
SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 04/10/2018 (Info 636)

AÇÃO DE EXIGIR CONTAS


É cabível a propositura de ação de prestação de contas para apuração de eventual saldo, e sua posterior
execução, decorrente de contrato relacional firmado entre administradora de consórcios e empresa
responsável pela oferta das quotas consorciais a consumidores. Caso concreto: a empresa 1 celebrou contrato
com a empresa 2, por meio do qual a empresa 1 organizaria e administraria um consórcio e a empresa 2 ficaria
responsável por oferecer e comercializar as quotas consorciais aos consumidores. Vale ressaltar que, depois que
o consumidor firmava o contrato, ele deveria efetuar os pagamentos das prestações diretamente para a empresa
1. A empresa 2 seria remunerada com um percentual dos pagamentos. Ao se analisar o ajuste celebrado, percebe-
se que se trata de relação contratual que configura típico contrato de agência, previsto no art. 710 do CC. No
contrato de agência, tanto uma parte como a outra possuem o dever de prestar contas: O vínculo contratual
colaborativo originado do contrato de agência importa na administração recíproca de interesses das partes
contratantes, viabilizando a utilização da ação da prestação de contas e impondo a cada uma das partes o dever
de prestar contas a outra. Vale ressaltar, por fim, que, mesmo que a empresa 1 já tenha, extrajudicialmente,
prestado contas para a empresa 2, ainda assim persiste o interesse de agir de propor a ação. Isso porque a
apresentação extrajudicial e voluntária das contas não prejudica o interesse processual da promotora de vendas,
na hipótese de não serem elas recebidas como boas, ou seja, caso ela não tenha concordado com os valores
demonstrados. STJ. 3ª Turma. REsp 1.676.623-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 23/10/2018 (Info
636).

RESTAURAÇÃO DE AUTOS
Tribunal de Justiça não tem competência para, por meio de provimento da respectiva Corregedoria, estabelecer
prazo para a propositura de ação de restauração de autos. Caso concreto: houve um incêndio no fórum de Poção
de Pedras (MA) e os autos queimaram. Diante disso, a Corregedoria do TJ/MA editou um provimento fixando um
prazo para que as partes requeressem a restauração dos autos, sob pena de serem obrigadas a propor novamente
a ação principal. O STJ não concordou e afirmou que o TJ não poderia ter editado essa norma. Ao estabelecer
prazo para a propositura da ação de restauração de autos com a apresentação dos documentos necessários, o
TJ/MA editou uma verdadeira norma sobre processo civil (norma processual), cuja competência legislativa foi
atribuída privativamente à União (art. 22, I, CF/88). STJ. 3ª Turma. REsp 1.722.633-MA, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 07/08/2018 (Info 630)

PENAL
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA
Súmula 606 STJ Não se aplica o princípio da insignificância a casos de transmissão clandestina de sinal de
internet via radiofrequência, que caracteriza o fato típico previsto no art. 183 da Lei n. 9.472/1997.

Qual é o valor máximo considerado insignificante no caso de crimes tributários e descaminho? 20 mil reais (tanto
para o STF como para o STJ) Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho
quando o débito tributário verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor do
disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do
Ministério da Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp 1.709.029/MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/02/2018
(recurso repetitivo). STF. 1ª Turma. HC 127173, Rel. Min. Marco Aurélio, Rel. p/ Acórdão: Min. Roberto Barroso,
julgado em 21/03/2017. Cuidado. Neste informativo 897, a 1ª Turma do STF afirmou que esse parâmetro de 20
mil reais não poderia produzir efeitos penais em virtude do princípio da independência das instâncias: Asseverou
que a lei que disciplina o executivo fiscal não repercute no campo penal. Tal entendimento, com maior razão,
deve ser adotado em relação à portaria do Ministério da Fazenda. STF. 1ª Turma. HC 128063, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 10/4/2018 (Info 897). Este precedente, contudo, não é a posição majoritária, não sendo
recomendável a sua adoção em provas
POSIÇÃO MAJORITÁRIA
E qual é, então, o valor máximo considerado insignificante no caso de crimes tributários?

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20 mil reais. Assim, se o montante do tributo que deixou de ser pago for igual ou inferior a 20 mil reais, não há
crime tributário (incluindo descaminho), aplicando-se o princípio da insignificância.

Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho quando o débito tributário
verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n.
10.522/2002, com as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério da Fazenda. STJ. 3ª
Seção. REsp 1.688.878-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/02/2018 (recurso repetitivo) (Info 622).
STF. 2ª Turma. HC 155347, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/04/2018.

Qual é o valor máximo considerado insignificante no caso de crimes tributários e descaminho? 20 mil reais (tanto
para o STF como para o STJ) Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho
quando o débito tributário verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto
no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério
da Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp 1.688.878-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/02/2018 (recurso
repetitivo). STF. 1ª Turma. HC 137595 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 07/05/2018. STF. 2ª Turma. HC
155347/PR, Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em 17/4/2018 (Info 898).

Não se aplica o princípio da insignificância ao furto de bem de inexpressivo valor pecuniário de associação sem
fins lucrativos com o induzimento de filho menor a participar do ato. STJ. 6ª Turma.RHC 93.472-MS, Rel. Min.
Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 15/03/2018 (Info 622).

O princípio da bagatela não se aplica ao crime previsto no art. 34, caput c/c parágrafo único, II, da Lei 9.605/98:
Art. 34. Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados por órgão competente:
Pena - detenção de um ano a três anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. Parágrafo único. Incorre
nas mesmas penas quem: II - pesca quantidades superiores às permitidas, ou mediante a utilização de
aparelhos, petrechos, técnicas e métodos não permitidos; Caso concreto: realização de pesca de 7kg de camarão
em período de defeso com o uso de método não permitido. STF. 1ª Turma. HC 122560/SC, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 8/5/2018 (Info 901). Obs: apesar de a redação utilizada no informativo original ter sido bem
incisiva (“O princípio da bagatela não se aplica ao crime previsto no art. 34, caput c/c parágrafo único, II, da Lei
9.605/98”), existem julgados tanto do STF como do STJ aplicando, excepcionalmente, o princípio da
insignificância para o delito de pesca ilegal. Deve-se ficar atenta(o) para como isso será cobrado no enunciado
da prova.

Em regra, o reconhecimento do princípio da insignificância gera a absolvição do réu pela atipicidade material.
Em outras palavras, o agente não responde por nada. Em um caso concreto, contudo, o STF reconheceu o princípio
da insignificância, mas, como o réu era reincidente, em vez de absolvê-lo, o Tribunal utilizou esse
reconhecimento para conceder a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos,
afastando o óbice do art. 44, II, do CP: Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as
privativas de liberdade, quando: (...) II – o réu não for reincidente em crime doloso; Situação concreta: Antônio
foi denunciado por tentar furtar quatro frascos de xampu de um supermercado, bens avaliados em R$ 31,20. O
réu foi condenado pelo art. 155 c/c art. 14, II, do CP a uma pena de 8 meses de reclusão. Foi aplicado o regime
inicial semiaberto e negada a substituição por pena restritiva de direitos em virtude de ele ser reincidente (já
possuía uma condenação anterior por furto), atraindo a vedação do art. 44, II, do CP. Em razão da reincidência, o
STF entendeu que não era o caso de absolver o condenado, mas, em compensação, determinou que a pena
privativa de liberdade fosse substituída por restritiva de direitos, afastando a proibição do art. 44, II, do CP. STF.
1ª Turma. HC 137217/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 28/8/2018
(Info 913).

João, reincidente, foi condenado a uma pena de 1 ano e 4 meses de reclusão, em regime inicial fechado, pela
prática do crime de furto simples (art. 155, caput, do CP). A defesa postulou a aplicação do regime aberto com
base no princípio da insignificância, considerado o objeto furtado ter sido apenas uma garrafa de licor. O STF
decidiu impor o regime semiaberto. Entendeu-se que, de um lado, o regime fechado deve ser afastado. Por outro,
não se pode conferir o regime aberto para um condenado reincidente, uma vez que isso poderia se tornar um
incentivo à criminalidade, ainda mais em cidades menores, onde o furto é, via de regra, perpetrado no mesmo
estabelecimento. A reincidência delitiva do paciente, que praticou o quinto furto em pequeno município, eleva

46
a gravidade subjetiva de sua conduta. STF. 1ª Turma. HC 136385/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 7/8/2018 (Info 910).

Em regra, a habitualidade delitiva específica (ou seja, o fato de o réu já responder a outra ação penal pelo
mesmo delito) é um parâmetro (critério) que afasta o princípio da insignificância mesmo em se tratando de
bem de reduzido valor.
Excepcionalmente, no entanto, as peculiaridades do caso concreto podem justificar o afastamento dessa regra
e a aplicação do princípio, com base na ideia da proporcionalidade. É o caso, por exemplo, do furto de um galo,
quatro galinhas caipiras, uma galinha garnizé e três quilos de feijão, bens avaliados em pouco mais de cem reais.
O valor dos bens é inexpressivo e não houve emprego de violência. Enfim, é caso de mínima ofensividade,
ausência de periculosidade social, reduzido grau de reprovabilidade e inexpressividade da lesão jurídica. Mesmo
que conste em desfavor do réu outra ação penal instaurada por igual conduta, ainda em trâmite, a hipótese é de
típico crime famélico. A excepcionalidade também se justifica por se tratar de hipossuficiente. Não é razoável
que o Direito Penal e todo o aparelho do Estado-polícia e do Estado-juiz movimente-se no sentido de atribuir
relevância a estas situações. STF. 2ª Turma. HC 141440 AgR/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/8/2018
(Info 911).

SÚMULA 617 STJ: A ausência de suspensão ou revogação do livramento condicional antes do término do período
de prova enseja a extinção da punibilidade pelo integral cumprimento da pena.

PRESCRIÇÃO
Se o Ministério Público não recorreu contra a sentença condenatória, tendo havido apenas recurso da defesa,
qual deverá ser o termo inicial da prescrição da pretensão executiva? O início do prazo da prescrição executória
deve ser o momento em que ocorre o trânsito em julgado para o MP? Ou o início do prazo deverá ser o instante
em que se dá o trânsito em julgado para ambas as partes, ou seja, tanto para a acusação como para a defesa?
• POSICIONAMENTO PACÍFICO DO STJ: o termo inicial da prescrição da pretensão executória é a data do trânsito
em julgado da sentença condenatória para a acusação, ainda que a defesa tenha recorrido e que se esteja
aguardando o julgamento desse recurso. Aplica-se a interpretação literal do art. 112, I, do CP, considerando que
ela é mais benéfica ao condenado.
• ENTENDIMENTO DA 1ª TURMA DO STF: o início da contagem do prazo de prescrição somente se dá quando a
pretensão executória pode ser exercida. Se o Estado não pode executar a pena, não se pode dizer que o prazo
prescricional já está correndo. Assim, mesmo que tenha havido trânsito em julgado para a acusação, se o Estado
ainda não pode executar a pena (ex: está pendente uma apelação da defesa), não teve ainda início a contagem
do prazo para a prescrição executória. É preciso fazer uma interpretação sistemática do art. 112, I, do CP. Vale
ressaltar que, com o novo entendimento do STF admitindo a execução provisória da pena, para essa segunda
corrente (Min. Roberto Barroso) o termo inicial da prescrição executória será a data do julgamento do processo
em 2ª instância. Isso porque se estiver pendente apenas recurso especial ou extraordinário, será possível a
execução provisória da pena. Logo, já poderia ser iniciada a contagem do prazo prescricional. STF. 1ª Turma. RE
696533/SC, Rel. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 6/2/2018 (Info 890).

CONTINUIDADE DELITIVA
Não há continuidade delitiva entre os crimes de roubo e extorsão, ainda que praticados em conjunto. Isso
porque, os referidos crimes, apesar de serem da mesma natureza, são de espécies diversas. STJ. 5ª Turma. HC
435.792/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/05/2018. STF. 1ª Turma. HC 114667/SP, rel. org. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 24/4/2018 (Info 899). Não há como reconhecer a
continuidade delitiva entre os crimes de roubo e o de latrocínio porquanto são delitos de espécies diversas, já
que tutelam bens jurídicos diferentes. STJ. 5ª Turma. AgInt no AREsp 908.786/PB, Rel. Min. Felix Fischer, julgado
em 06/12/2016.

REMISSÃO – TEORIA GERAL DA PENA


Não se admite a remição ficta da pena. Embora o Estado tenha o dever de prover trabalho aos internos que
desejem laborar, reconhecer a remição ficta da pena, nesse caso, faria com que todas as pessoas do sistema
prisional obtivessem o benefício, fato que causaria substancial mudança na política pública do sistema carcerário,
além de invadir a esfera do Poder Executivo. O instituto da remição exige, necessariamente, a prática de
atividade laboral ou educacional. Trata-se de reconhecimento pelo Estado do direito à diminuição da pena em
virtude de trabalho efetuado pelo detento. Não sendo realizado trabalho, estudo ou leitura, não há que se falar
47
em direito à remição. STF. 1ª Turma. HC 124520/RO, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 29/5/2018 (Info 904). STJ. 5ª Turma. HC 421.425/MG, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 27/02/2018.
STJ. 6ª Turma. HC 425.155/MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 06/03/2018.

MULTA
O Ministério Público possui legitimidade para propor a cobrança de multa decorrente de sentença penal
condenatória transitada em julgado, com a possibilidade subsidiária de cobrança pela Fazenda Pública. Quem
executa a pena de multa? • Prioritariamente: o Ministério Público, na vara de execução penal, aplicando-se a
LEP. • Caso o MP se mantenha inerte por mais de 90 dias após ser devidamente intimado: a Fazenda Pública irá
executar, na vara de execuções fiscais, aplicando-se a Lei nº 6.830/80. STF. Plenário.ADI 3150/DF, Rel. para
acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 12 e 13/12/2018 (Info 927). STF. Plenário. AP 470/MG, Rel. Min.
Roberto Barroso, julgado em 12 e 13/12/2018 (Info 927). Obs: a Súmula 521-STJ fica superada e deverá ser
cancelada. Súmula 521-STJ: A legitimidade para a execução fiscal de multa pendente de pagamento imposta em
sentença condenatória é exclusiva da Procuradoria da Fazenda Pública

MEDIDA DE SEGURANÇA
É inconstitucional a manutenção em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico – estabelecimento penal –
de pessoa com diagnóstico de doença psíquica que teve extinta a punibilidade. Essa situação configura uma
privação de liberdade sem pena. STF. 2ª Turma. HC 151523/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 27/11/2018
(Info 925).

EXECUÇÃO PENAL
A alteração da data-base para concessão de novos benefícios executórios, em razão da unificação das penas,
não encontra respaldo legal. Assim, não se pode desconsiderar o período de cumprimento de pena desde a
última prisão ou desde a última infração disciplinar, seja por delito ocorrido antes do início da execução da
pena, seja por crime praticado depois e já apontado como falta disciplinar grave. Se isso for desconsiderado,
haverá excesso de execução. STJ. 3ª Seção. REsp 1.557.461-SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em
22/02/2018 (Info 621)

É inviável a remoção de apenado para outro Estado com fundamento em suposto tratamento privilegiado.
Apenas razões excepcionalíssimas e devidamente fundamentadas poderiam legitimar essa medida. STF. 2ª
Turma. HC 152.720/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/4/2018 (Info 897).

É possível a remição do tempo de trabalho realizado antes do início da execução da pena, desde que em data
posterior à prática do delito. Ex: Em 2015, João praticou o crime “A”, respondendo o processo em liberdade. Em
2016, João cometeu o crime “B” e, por conta deste segundo delito, ficou preso por 3 meses. Durante esse período,
João trabalhou todos os dias na unidade prisional. Em 2017, João foi absolvido do delito “B”. Em 2018, João foi
condenado pela prática do crime “A”, recebendo 6 anos de reclusão. Iniciou-se a execução penal quanto ao crime
“A”. João poderá aproveitar o tempo que ficou preso quanto ao crime “B” para ser beneficiado com a remição
relativa ao período. Isso porque o trabalho em questão foi realizado em momento posterior (2016) à prática do
delito cuja condenação se executa (crime “A” praticado em 2015). Desse modo, ainda que o trabalho tenha sido
realizado antes do início da execução penal, será possível a remição da pena porque o delito que está sendo agora
executado foi praticado antes do trabalho exercido. Não interessa, portanto, se o trabalho foi realizado antes ou
depois do início da execução penal (início do cumprimento da pena). O que interessa analisar é se o trabalho foi
realizado antes ou depois do cometimento do crime no qual se quer aproveitar a remição. • Se o trabalho foi
realizado ANTES do crime: não será possível a remição na execução penal deste delito. • Se o trabalho foi realizado
APÓS o crime: será sim possível a remição na execução penal deste delito. STJ. 6ª Turma. HC 420.257-RS, Rel. Min.
Nefi Cordeiro, julgado em 19/04/2018 (Info 625).

Súmula 617-STJ: A ausência de suspensão ou revogação do livramento condicional antes do término do período
de prova enseja a extinção da punibilidade pelo integral cumprimento da pena.

EXECUÇÃO PROVISÓRIA DA PENA


O STF, ao julgar habeas corpus impetrado pelo ex-Presidente Lula, decidiu manter o seu entendimento e reafirmar
que é possível a execução provisória de acórdão penal condenatório proferido em grau recursal, ainda que
sujeito a recurso especial ou extraordinário. A execução provisória da pena não ofende o princípio constitucional
48
da presunção de inocência (art. 5º, LVII, da CF/88). STF. Plenário. HC 152752/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado
em 4/4/2018 (Info 896)

PENA RESTRITIVA DE DIREITOS


Em caso de descumprimento injustificado da pena restritiva de direitos (ex: prestação pecuniária), o CP prevê,
como consequência, a reconversão da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade. Logo, o juiz não
deve decretar o arresto dos bens do condenado como forma de cumprimento forçado da pena substitutiva. A
possibilidade de reconversão da pena já é a medida que, por força normativa, atribui coercividade à pena
restritiva de direitos. Ex: João foi condenado a pena de 3 anos de reclusão, tendo o juiz substituída a pena privativa
de liberdade por duas restritivas de direitos. Uma delas foi o pagamento de prestação pecuniária no valor total
de R$ 100 mil, parceladamente em 36 prestações mensais. O Ministério Público afirmou que o prazo para
cumprimento da prestação pecuniária é muito longo e que haveria o risco de o condenado não pagar. Diante
disso, pediu ao juiz que decretasse o arresto dos bens do sentenciado. Este requerimento deverá ser indeferido.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.699.665-PR, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 07/08/2018 (Info 631).

PROGRESSÃO DE REGIME
O art. 75 do Código Penal prevê que o tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser
superior a 30 anos. Isso significa que, se o réu for condenado a uma pena de 100 anos de reclusão, o limite máximo
de cumprimento da pena será 30 anos. Vale ressaltar, no entanto, que, no cálculo dos benefícios da execução
penal, deverá ser considerada a pena total aplicada. Assim, ao se calcular o requisito objetivo da progressão de
regime, o juiz deverá considerar o total da pena imposta (e não o limite do art. 75 do CP). Ex: 1/6 de 100 anos
(pena total) e não 1/6 de 30 anos. Existe um enunciado que espelha essa conclusão: Súmula 715-STF: A pena
unificada para atender ao limite de trinta anos de cumprimento, determinado pelo art. 75 do Código Penal, não
é considerada para a concessão de outros benefícios, como o livramento condicional ou regime mais favorável de
execução. STF. 1ª Turma. HC 112182, Rel. Min. Marco Aurélio, Relator p/ Acórdão Min. Roberto Barroso, julgado
em 03/04/2018 (Info 896).

Nada impede que o magistrado das execuções criminais, facultativamente, requisite o exame criminológico e
o utilize como fundamento da decisão que julga o pedido de progressão. STF. 2ª Turma. Rcl 27616 AgR/SP, Rel.
Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 9/10/2018 (Info 919).

A inexistência de estabelecimento penal adequado ao regime prisional determinado para o cumprimento da


pena não autoriza a concessão imediata do benefício da prisão domiciliar, porquanto, nos termos da Súmula
Vinculante n. 56, é imprescindível que a adoção de tal medida seja precedida das providências estabelecidas no
julgamento do RE 641.320/RS, quais sejam: i) saída antecipada de outro sentenciado no regime com falta de
vagas, abrindo-se, assim, vagas para os reeducandos que acabaram de progredir; ii) a liberdade eletronicamente
monitorada ao sentenciado que sai antecipadamente ou é posto em prisão domiciliar por falta de vagas; e iii)
cumprimento de penas restritivas de direitos e/ou estudo aos sentenciados em regime aberto. STJ. 3ª Seção.
REsp 1.710.674-MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 22/08/2018 (recurso repetitivo) (Info 632).

CRIME DE HOMICÍDIO
Verifica-se a existência de dolo eventual no ato de dirigir veículo automotor sob a influência de álcool, além de
fazê-lo na contramão. Esse é, portanto, um caso específico que evidencia a diferença entre a culpa consciente e
o dolo eventual. O condutor assumiu o risco ou, no mínimo, não se preocupou com o risco de, eventualmente,
causar lesões ou mesmo a morte de outrem. STF. 1ª Turma. HC 124687/MS, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac.
Min. Roberto Barroso, julgado em 29/5/2018 (Info 904).

Não caracteriza bis in idem o reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe e de feminicídio no crime de
homicídio praticado contra mulher em situação de violência doméstica e familiar. Isso se dá porque o
feminicídio é uma qualificadora de ordem objetiva - vai incidir sempre que o crime estiver atrelado à violência
doméstica e familiar propriamente dita, enquanto que a torpeza é de cunho subjetivo, ou seja, continuará
adstrita aos motivos (razões) que levaram um indivíduo a praticar o delito. STJ. 6ª Turma. HC 433.898-RS, Rel.
Min. Nefi Cordeiro, julgado em 24/04/2018 (Info 625)

O simples fato do condutor do veículo estar embriagado não gera a presunção de que tenha havido dolo
eventual A embriaguez do agente condutor do automóvel, por si só, não pode servir de premissa bastante para
49
a afirmação do dolo eventual em acidente de trânsito com resultado morte. A embriaguez do agente condutor
do automóvel, sem o acréscimo de outras peculiaridades, não pode servir como presunção de que houve dolo
eventual. Juiz da 1ª fase do Júri deve examinar se o agente que conduzia o veículo embriagado praticou homicídio
doloso ou culposo Na primeira fase do Tribunal do Júri, ao juiz togado cabe apreciar a existência de dolo eventual
ou culpa consciente do condutor do veículo que, após a ingestão de bebida alcoólica, ocasiona acidente de
trânsito com resultado morte. STJ. 6ª Turma. REsp 1.689.173-SC, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em
21/11/2017 (Info 623).

CRIME DE FURTO
A existência de sistema de vigilância em estabelecimento comercial não constitui óbice para a tipificação do
crime de furto. STF. 1ª Turma. HC 111278/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luiz Roberto
Barroso, julgado em 10/4/2018 (Info 897). Súmula 567-STJ: Sistema de vigilância realizado por monitoramento
eletrônico ou por existência de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna
impossível a configuração do crime de furto.

O pagamento do débito oriundo de furto de energia elétrica (art. 155, § 3º do CP) antes do oferecimento da
denúncia é causa de extinção da punibilidade, nos termos do art. 9º da Lei nº 10.684/2003? 6ª Turma do STJ: SIM
O valor fixado como contraprestação de serviços públicos essenciais como a energia elétrica e a água, conquanto
não seja tributo, possui natureza jurídica de preço público, aplicando-se, por analogia, as causas extintivas da
punibilidade previstas para os crimes tributários. STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 796.250/RJ, Rel. Min. Nefi
Cordeiro, julgado em 26/09/2017.
5ª Turma do STJ: NÃO O furto de energia elétrica não pode receber o mesmo tratamento dado aos crimes
tributários, considerando serem diversos os bens jurídicos tutelados e, ainda, tendo em vista que a natureza
jurídica da remuneração pela prestação de serviço público, no caso de fornecimento de energia elétrica, é de
tarifa ou preço público, não possui caráter tributário, em relação ao qual a legislação é expressa e taxativa. Nos
crimes patrimoniais existe previsão legal específica de causa de diminuição da pena, qual seja, o instituto do
arrependimento posterior, previsto no art. 16 do CP. STJ. 5ª Turma. HC 412.208-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado
em 20/03/2018 (Info 622).

CRIME DE ROUBO
O emprego de arma branca deixou de ser majorante do crime de roubo com a modificação operada pela Lei nº
13.654/2018, que revogou o inciso I do § 2º do art. 157 do Código Penal. Diante disso, constata-se que houve
abolitio criminis, devendo a Lei nº 13.654/2018 ser aplicada retroativamente para excluir a referida causa de
aumento da pena imposta aos réus condenados por roubo majorado pelo emprego de arma branca. Trata-se da
aplicação da novatio legis in mellius, prevista no art. 5º, XL, da Constituição Federal. STJ. 5ª Turma. REsp
1519860/RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 17/05/2018 (Info 626). STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 1.249.427/SP,
Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 19/06/2018.

INJÚRIA
A esposa tem legitimidade para propor queixa-crime contra autor de mensagem que insinua que o seu marido
tem uma relação extraconjugal com outro homem. Se alguém alega que um indivíduo casado mantém relação
homossexual extraconjugal com outro homem, a esposa deste indivíduo tem legitimidade para ajuizar queixa-
crime por injúria, alegando que também é ofendida. Caso concreto: Roberto insinuou que Weverton teria um
relacionamento homossexual extraconjugal com outro homem. A mulher de Weverton tem legitimidade para
ajuizar queixacrime contra Roberto pela prática do crime de injúria. STF. 1ª Turma. Pet 7417 AgR/DF, Rel. Min.
Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 9/10/2018 (Info 919).

CALUNIA ELEITORAL
O comitê de campanha do candidato Ronaldo foi arrombado e de lá furtados dois computadores. Em entrevista
concedida a um jornal, Ronaldo teria afirmado que o maior suspeito do crime era o governo. Em razão das
declarações, o Ministério Público eleitoral ofereceu denúncia contra Ronaldo pela prática de calúnia eleitoral (art.
324 do CE), figurando como suposta vítima Teotônio, Governador e candidato a reeleição. O réu se defendeu
alegando que apenas emitiu opinião sobre o ocorrido e que não citou o nome do Governador. Vale ressaltar que
Teotônio (suposta vítima) afirmou que não se sentiu pessoalmente ofendido. Diante disso, o STF absolveu o réu
afirmando que, para configurar o delito de calúnia é necessária a comprovação da lesividade da conduta e que,

50
como o suposto atingido afirma não ter se ofendido com as declarações, não há prova da materialidade da
conduta delituosa. STF. Plenário. AP 929 ED-2º julg-EI/AL, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 17/10/2018 (Info 920).

CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL


A Súmula 608 do STF permanece válida mesmo após o advento da Lei nº 12.015/2009. Assim, em caso de estupro
praticado mediante violência real, a ação penal é pública incondicionada mesmo após a Lei nº 12.015/2009.
STF. 1ª Turma. HC 125360/RJ, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
27/2/2018 (Info 892).

A Súmula 608 do STF prevê que “no crime de estupro, praticado mediante violência real, a ação penal é pública
incondicionada.” O entendimento dessa súmula pode ser aplicado independentemente da existência da
ocorrência de lesões corporais nas vítimas de estupro. A violência real se caracteriza não apenas nas situações
em que se verificam lesões corporais, mas sempre que é empregada força física contra a vítima, cerceando-lhe a
liberdade de agir segundo a sua vontade. Assim, se os atos foram praticados sob grave ameaça, com imobilização
de vítimas, uso de força física e, em alguns casos, com mulheres sedadas, trata-se de crime de estupro que se
enquadra na Súmula 608 do STF e que, portanto, a ação é pública incondicionada. STF. 2ª Turma. RHC 117978,
Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 05/06/2018 (Info 905). A Súmula 608 do STF permanece válida mesmo após o
advento da Lei nº 12.015/2009. Assim, em caso de estupro praticado mediante violência real, a ação penal é
pública incondicionada mesmo após a Lei nº 12.015/2009. STF. 1ª Turma. HC 125360/RJ, rel. Min. Marco Aurélio,
red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 27/2/2018 (Info 892).

AÇÃO PENAL NO CASO DE ESTUPRO (APÓS A LEI Nº 12.015/2009):


Regra: ação penal condicionada à representação.
Exceções:
• Vítima menor de 18 anos: incondicionada.
• Vítima vulnerável: incondicionada.
• Se foi praticado mediante violência real: incondicionada (Súmula 608-STF).
• Se resultou lesão corporal grave ou morte: polêmica acima exposta. Deve ser aplicado o mesmo raciocínio
da Súmula 608-STF.

CASA DE PROSTITUIÇÃO
Não se tratando de estabelecimento voltado exclusivamente para a prática de mercancia sexual, tampouco
havendo notícia de envolvimento de menores de idade, nem comprovação de que o réu tirava proveito, auferindo
lucros da atividade sexual alheia mediante ameaça, coerção, violência ou qualquer outra forma de violação ou
tolhimento à liberdade das pessoas, não há falar em fato típico a ser punido na seara penal. Não se trata do crime
do art. 229 do CP. Mesmo após as alterações legislativas introduzidas pela Lei nº 12.015/2009, a conduta
consistente em manter “Casa de Prostituição” segue sendo crime tipificado no art. 229 do Código Penal. Todavia,
com a novel legislação, passou-se a exigir a “exploração sexual” como elemento normativo do tipo, de modo
que a conduta consistente em manter casa para fins libidinosos, por si só, não mais caracteriza crime, sendo
necessário, para a configuração do delito, que haja exploração sexual, assim entendida como a violação à
liberdade das pessoas que ali exercem a mercancia carnal. STJ. 6ª Turma. REsp 1.683.375-SP, Rel. Min. Maria
Thereza de Assis Moura, julgado em 14/08/2018 (Info 631).

FALSIFICAÇÃO DE MOEDA
O art. 291 do Código Penal tipifica, entre outras condutas, a posse ou guarda de maquinismo, aparelho,
instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado à falsificação de moeda. A expressão “especialmente
destinado” não diz respeito a uma característica intrínseca ou inerente do objeto. Se assim fosse, só o
maquinário exclusivamente voltado para a fabricação ou falsificação de moedas consubstanciaria o crime, o que
implicaria a absoluta inviabilidade de sua consumação (crime impossível), pois nem mesmo o maquinário e
insumos utilizados pela Casa de Moeda são direcionados exclusivamente para a fabricação de moeda. A dicção
legal está relacionada ao uso que o agente pretende dar ao objeto, ou seja, a consumação depende da análise
do elemento subjetivo do tipo (dolo), de modo que, se o agente detém a posse de impressora, ainda que
manufaturada visando ao uso doméstico, mas com o propósito de a utilizar precipuamente para contrafação de
moeda, incorre no referido crime. STJ. 6ª Turma. REsp 1.758.958-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
11/09/2018 (Info 633).

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CRIMES FUNCIONAIS
O diretor de organização social pode ser considerado funcionário público por equiparação para fins penais (art.
327, § 1º do CP). Isso porque as organizações sociais que celebram contratos de gestão com o Poder Público
devem ser consideradas “entidades paraestatais”, nos termos do art. 327, § 1º do CP. STF. 1ª Turma. HC
138484/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/9/2018 (Info 915).

CRIME DE DESACATO
O crime de desacato é compatível com a Constituição Federal e com o Pacto de São José da Costa Rica. A figura
penal do desacato não tolhe o direito à liberdade de expressão, não retirando da cidadania o direito à livre
manifestação, desde que exercida nos limites de marcos civilizatórios bem definidos, punindo-se os excessos.
STF. 2ª Turma. HC 141949/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/3/2018 (Info 894).

Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela continua a ser crime, conforme previsto
no art. 331 do Código Penal. STJ. 3ª Seção. HC 379.269-MS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Rel. para
acórdão Min. Antônio Saldanha Palheiro, julgado em 24/5/2017 (Info 607).

CRIME DE CORRUPÇÃO
Determinado Deputado Federal integrava a cúpula de um partido de sustentação do governo federal. Como
importante figura partidária, ele exercia pressão política junto à Presidência da República a fim de que Paulo
Roberto Costa fosse mantido como Diretor de Abastecimento da Petrobrás. Como “contraprestação” por esse
apoio, o Deputado recebia dinheiro do referido Diretor, quantia essa oriunda de contratos ilegais celebrados
pela Petrobrás. O STF entendeu que esta conduta se enquadra no crime de corrupção passiva (art. 317 do CP).
Obs: foi a primeira condenação do STF envolvendo a chamada “operação Lava Jato”. STF. 2ª Turma. AP 996/DF,
Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018 (Info 904).

O crime de corrupção passiva consuma-se ainda que a solicitação ou recebimento de vantagem indevida, ou a
aceitação da promessa de tal vantagem, esteja relacionada com atos que formalmente não se inserem nas
atribuições do funcionário público, mas que, em razão da função pública, materialmente implicam alguma forma
de facilitação da prática da conduta almejada. Ao contrário do que ocorre no crime de corrupção ativa, o tipo
penal de corrupção passiva não exige a comprovação de que a vantagem indevida solicitada, recebida ou aceita
pelo funcionário público esteja causalmente vinculada à prática, omissão ou retardamento de “ato de ofício”. A
expressão “ato de ofício” aparece apenas no caput do art. 333 do CP, como um elemento normativo do tipo de
corrupção ativa, e não no caput do art. 317 do CP, como um elemento normativo do tipo de corrupção passiva.
Ao contrário, no que se refere a este último delito, a expressão “ato de ofício” figura apenas na majorante do art.
317, § 1.º, do CP e na modalidade privilegiada do § 2.º do mesmo dispositivo. STJ. 6ª Turma. REsp 1.745.410-SP,
Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min. Laurita Vaz, julgado em 02/10/2018 (Info 635).

O pagamento da diferença do imposto devido, antes do recebimento da denúncia, não extingue a punibilidade
pelo crime de corrupção ativa atrelado ao de sonegação fiscal. Ex: João, sócio de uma empresa, ofereceu e pagou
propina ao fiscal para que pudesse recolher um valor menor de imposto. Assim, em vez de pagar R$ 400 mil de
imposto, João pagou apenas R$ 100 mil. Os fatos foram descobertos. João praticou, em tese, corrupção ativa (art.
333 do CP) e sonegação fiscal (art. 1º, I, da Lei nº 8.137/90). Antes que a denúncia fosse oferecida, João pagou a
diferença do imposto devido acrescido de multa, juros e correção monetária. Esse pagamento irá gerar a extinção
do crime de sonegação fiscal, mas não da corrução ativa que deverá ser julgada normalmente. STJ. 6ª Turma.RHC
95.557-GO, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 21/06/2018 (Info 631).

CRIME DE CONCURSSÃO
A aplicação da agravante genérica prevista no art. 70, II, "l", do Código Penal Militar não configura bis in idem pelo
crime de concussão, quando praticado por militar em serviço. Não existe óbice para que, no crime de concussão,
quando praticado em serviço, seja aplicada a agravante genérica prevista no art. 70, II, “l”, do CPM (“estando de
serviço”), isto é, não há ocorrência de bis in idem, porquanto a ideia de exigir vantagem indevida em virtude da
função não tem correlação com o fato de o militar estar em serviço (em escala especial). STJ. 3ª Seção. EREsp
1.417.380-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 08/08/2018 (Info 631).

52
CRIME DE PECULATO
O depositário judicial que vende os bens sob sua guarda não comete o crime de peculato (art. 312 do CP). O crime
de peculato exige, para a sua consumação, que o funcionário público se aproprie de dinheiro, valor ou outro bem
móvel em virtude do “cargo”. Depositário judicial não é funcionário público para fins penais, porque não ocupa
cargo público, mas a ele é atribuído um munus, pelo juízo, em razão do fato de que determinados bens ficam sob
sua guarda e zelo. STJ. 6ª Turma.HC 402.949-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 13/03/2018
(Info 623). Obs: vale ressaltar que o STJ decidiu apenas que a conduta do depositário judicial que vende os bens
sob sua guarda não comete o crime de peculato, pois não é funcionário público e não ocupa cargo público. No
entanto, a depender das peculiaridades do caso concreto, a conduta pode configurar, em tese, os tipos penais
dos arts. 168, § 1º, II, 171 ou 179 do Código Penal.

CRIME DE DESCAMINHO
O descaminho é crime tributário FORMAL. Logo, para que seja proposta ação penal por descaminho não é
necessária a prévia constituição definitiva do crédito tributário. Não se aplica a Súmula Vinculante 24 do STF. O
crime se consuma com a simples conduta de iludir o Estado quanto ao pagamento dos tributos devidos quando
da importação ou exportação de mercadorias. STJ. 6ª Turma. REsp 1.343.463-BA, Rel. para acórdão Min. Rogerio
Schietti Cruz, julgado em 20/3/2014 (Info 548). STF. 2ª Turma. HC 122325, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
27/05/2014.

É dispensada a existência de procedimento administrativo fiscal com a posterior constituição do crédito tributário
para a configuração do crime de descaminho (art. 334 do CP), tendo em conta sua natureza formal. STF. 1ª Turma.
HC 121798/BA, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 29/5/2018 (Info 904).

Compete à Justiça Federal a condução do inquérito que investiga o cometimento do delito previsto no art. 334, §
1º, IV, do Código Penal, na hipótese de venda de mercadoria estrangeira, permitida pela ANVISA,
desacompanhada de nota fiscal e sem comprovação de pagamento de imposto de importação. STJ. Plenário. CC
159.680-MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 08/08/2018 (Info 631). Compete à Justiça Federal
o julgamento dos crimes de contrabando e de descaminho, ainda que inexistentes indícios de
transnacionalidade na conduta. STJ. 3ª Seção. CC 160.748-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
26/09/2018 (Info 635)

LEI DE IMPROBIDADE ADMINISTRAVIA


O entendimento atual é o de que, em regra, os agentes políticos podem sim responder por ato de improbidade
administrativa. Vigora aquilo que a jurisprudência chamou de “duplo regime sancionatório”, ou seja, o fato de o
agente estar sujeito a:
• crime de responsabilidade e
• improbidade administrativa.

Não existe foro por prerrogativa de função em ação de improbidade administrativa proposta contra agente
político. O foro por prerrogativa de função é previsto pela Constituição Federal apenas para as infrações penais
comuns, não podendo ser estendida para ações de improbidade administrativa, que têm natureza civil.
STF. Plenário. Pet 3240/DF, Rel. para acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 10/05/2018.

LEI DE LICITAÇÕES
Elemento subjetivo Para a configuração da tipicidade subjetiva do crime previsto no art. 89 da Lei 8.666/93,
exige-se o especial fim de agir, consistente na intenção específica de lesar o erário ou obter vantagem indevida.
Exige-se descumprimento de formalidades mais violação aos princípios da Administração Pública O tipo penal
previsto no art. 89 não criminaliza o mero fato de o administrador público ter descumprido formalidades. Para
que haja o crime, é necessário que, além do descumprimento das formalidades, também se verifique que
ocorreu, no caso concreto, a violação de princípios cardeais (fundamentais) da Administração Pública. Se houve
apenas irregularidades pontuais relacionadas com a burocracia estatal, isso não deve, por si só, gerar a
criminalização da conduta. Assim, para que ocorra o crime, é necessária uma ofensa ao bem jurídico tutelado,
que é o procedimento licitatório. Sem isso, não há tipicidade material. Decisão amparada em pareceres técnicos
e jurídicos Não haverá crime se a decisão do administrador de deixar de instaurar licitação para a contratação
de determinado serviço foi amparada por argumentos previstos em pareceres (técnicos e jurídicos) que
atenderam aos requisitos legais, fornecendo justificativas plausíveis sobre a escolha do executante e do preço
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cobrado e não houver indícios de conluio entre o gestor e os pareceristas com o objetivo de fraudar o
procedimento de contratação direta. STF. 1ª Turma. Inq 3962/DF, Rel. Min Rosa Weber, julgado em 20/2/2018
(Info 891).

Não comete o crime do art. 89 da Lei nº 8.666/93 Secretária de Educação que faz contratação direta, com base
em inexigibilidade de licitação (art. 25, I), de livros didáticos para a rede pública de ensino, livros esses que foram
escolhidos por equipe técnica formada por pedagogos, sem a sua interferência. Vale ressaltar que havia
comprovação, por meio de carta de exclusividade emitida por entidade do setor, de que a empresa contratada
era a única fornecedora dos livros na região. Além disso, não houve demonstração de sobrepreço. Diante dessas
circunstâncias, o STF absolveu a ré por ausência de “dolo específico” (elemento subjetivo especial). STF. Plenário.
AP 946/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 30/8/2018 (Info 913).

LEI DE DROGAS
É INVIÁVEL o reconhecimento de reincidência com base em único processo anterior em desfavor do réu, no
qual - após desclassificar o delito de tráfico para porte de substância entorpecente para consumo próprio - o
juízo extinguiu a punibilidade por considerar que o tempo da prisão provisória seria mais que suficiente para
compensar eventual condenação. Situação concreta: João foi preso em flagrante por tráfico de drogas (art. 33
da LD). Após 6 meses preso cautelarmente, ele foi julgado. O juiz proferiu sentença desclassificando o delito de
tráfico para o art. 28 da LD. Na própria sentença, o magistrado declarou a extinção da punibilidade do réu
alegando que o art. 28 não prevê pena privativa de liberdade e que o condenado já ficou 6 meses preso. Logo, na
visão do juiz, deve ser aplicada a detração penal analógica virtual, pois qualquer pena que seria aplicável ao caso
em tela estaria fatalmente cumprida, nem havendo justa causa ou interesse processual para o prosseguimento
do feito. Essa sentença não vale para fins de reincidência. Isso significa que, se João cometer um segundo delito,
esse primeiro processo não poderá ser considerado para caracterização de reincidência. STJ. 6ª Turma. HC
390.038-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 06/02/2018 (Info 619).

A prática do delito de tráfico de drogas nas proximidades de estabelecimentos de ensino (art. 40, III, da Lei
11.343/06) enseja a aplicação da majorante, sendo desnecessária a prova de que o ilícito visava atingir os
frequentadores desse local. Para a incidência da majorante prevista no art. 40, inciso III, da Lei nº 11.343/2006 é
desnecessária a efetiva comprovação de que a mercancia tinha por objetivo atingir os estudantes, sendo
suficiente que a prática ilícita tenha ocorrido em locais próximos, ou seja, nas imediações de tais
estabelecimentos, diante da exposição de pessoas ao risco inerente à atividade criminosa da narcotraficância.
STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1558551/MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 12/09/2017. STJ. 6ª Turma. HC
359.088/SP. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 04/10/2016. Não incide a causa de aumento de pena
prevista no art. 40, inciso III, da Lei nº 11.343/2006, se a prática de narcotraficância ocorrer em dia e horário
em que não facilite a prática criminosa e a disseminação de drogas em área de maior aglomeração de pessoas.
Ex: se o tráfico de drogas é praticado no domingo de madrugada, dia e horário em que o estabelecimento de
ensino não estava funcionando, não deve incidir a majorante. STJ. 6ª Turma. REsp 1.719.792-MG, Rel. Min. Maria
Thereza de Assis Moura, julgado em 13/03/2018 (Info 622).

Não configura crime a importação de pequena quantidade de sementes de maconha. STF. 2ª Turma. HC
144161/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/9/2018 (Info 915).

O porte de droga para consumo próprio, previsto no art. 28 da Lei nº 11.343/2006, possui natureza jurídica de
crime. O porte de droga para consumo próprio foi somente despenalizado pela Lei nº 11.343/2006, mas não
descriminalizado. Obs: despenalizar é a medida que tem por objetivo afastar a pena como tradicionalmente
conhecemos, em especial a privativa de liberdade. Descriminalizar significa deixar de considerar uma conduta
como crime. Mesmo sendo crime, o STJ entende que a condenação anterior pelo art. 28 da Lei nº 11.343/2006
(porte de droga para uso próprio) NÃO configura reincidência. Argumento principal: se a contravenção penal,
que é punível com pena de prisão simples, não configura reincidência, mostra-se desproporcional utilizar o art.
28 da LD para fins de reincidência, considerando que este delito é punido apenas com “advertência”, “prestação
de serviços à comunidade” e “medida educativa”, ou, seja, sanções menos graves e nas quais não há qualquer
possibilidade de conversão em pena privativa de liberdade pelo descumprimento. Há de se considerar, ainda, que
a própria constitucionalidade do art. 28 da LD está sendo fortemente questionada. STJ. 5ª Turma. HC 453.437/SP,
Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 04/10/2018. STJ. 6ª Turma. REsp 1672654/SP, Rel. Min. Maria
Thereza de Assis Moura, julgado em 21/08/2018 (Info 632).
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TRÁFICO DE DROGAS
Súmula 607 STJ A majorante do tráfico transnacional de drogas (art. 40, I, da Lei n. 11.343/2006) configura-se
com a prova da destinação internacional das drogas, ainda que não consumada a transposição de fronteira

LEI DE CRIMES AMBIENTAIS


A assinatura do termo de ajustamento de conduta com órgão ambiental não impede a instauração de ação
penal. Isso porque vigora em nosso ordenamento jurídico o princípio da independência das instâncias penal e
administrativa. STJ. Corte Especial. APn 888-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 02/05/2018 (Info 625).

O delito previsto na primeira parte do art. 54 da Lei nº 9.605/98 possui natureza formal, sendo suficiente a
potencialidade de dano à saúde humana para configuração da conduta delitiva, não se exigindo, portanto, a
realização de perícia. Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam
resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da
flora. Pena — reclusão, de um a quatro anos, e multa. STJ. 3ª Seção. EREsp 1.417.279-SC, Rel. Min. Joel Ilan
Paciornik, julgado em 11/04/2018 (Info 624).

CRIME DE TORTURA
Somente pode ser agente ativo do crime de tortura-castigo (art. 1º, II, da Lei nº 9.455/97) aquele que detiver
outra pessoa sob sua guarda, poder ou autoridade (crime próprio). STJ. 6ª Turma. REsp 1.738.264-DF, Rel. Min.
Sebastião Reis Júnior, julgado em 23/08/2018 (Info 633)

CRIME DE RACISMO
A incitação ao ódio público contra quaisquer denominações religiosas e seus seguidores não está protegida pela
cláusula constitucional que assegura a liberdade de expressão. Assim, é possível, a depender do caso concreto,
que um líder religioso seja condenado pelo crime de racismo (art. 20, §2º, da Lei nº 7.716/81) por ter proferido
discursos de ódio público contra outras denominações religiosas e seus seguidores. STF. 2ª Turma. RHC
146303/RJ, rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/3/2018 (Info 893). Atenção.
Compare com RHC 134682/BA, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/11/2016 (Info 849).

O então Deputado Federal Jair Bolsonaro proferiu palestra no auditório de determinado clube e ali fez críticas e
comentários negativos a respeito dos quilombolas e de povos estrangeiros. No trecho mais questionado de sua
palestra, ele afirmou: “Eu fui em um quilombola em El Dourado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá
pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador eles servem mais. Mais de um bilhão de
reais por ano gastado com eles. Recebem cesta básica e mais material em implementos agrícolas. Você vai em El
Dourado Paulista, você compra arame farpado, você compra enxada, pá, picareta por metade do preço vendido
em outra cidade vizinha. Por que? Porque eles revendem tudo baratinho lá. Não querem nada com nada.” O STF
entendeu que a conduta de Bolsonaro não configurou o crime de racismo (art. 20 da Lei nº 7.716/89). As palavras
por ele proferidas estão dentro da liberdade de expressão prevista no art. 5º, IV, da CF/88, além de também
estarem cobertas pela imunidade parlamentar (art. 53 da CF/88). O objetivo de seu discurso não foi o de
repressão, dominação, supressão ou eliminação dos quilombolas ou dos estrangeiros. O pronunciamento do
parlamentar estava vinculado ao contexto de demarcação e proveito econômico das terras e configuram
manifestação política que não extrapola os limites da liberdade de expressão. Além disso, as manifestações de
Bolsonaro estavam relacionadas com a sua função de parlamentar. Inclusive, o convite para a palestra se deu em
razão do exercício do cargo de Deputado Federal a fim de dar a sua visão geopolítica e econômica do País. Assim,
havia uma vinculação das manifestações apresentadas na palestra com os seu pronunciamentos na Câmara dos
Deputados, de sorte que incide a imunidade parlamentar. STF. 1ª Turma. Inq 4694/DF, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 11/9/2018 (Info 915).

LEI MARIA DA PENHA


Nos casos de violência contra a mulher praticados no âmbito doméstico e familiar, é possível a fixação de valor
mínimo indenizatório a título de dano moral, desde que haja pedido expresso da acusação ou da parte
ofendida, ainda que não especificada a quantia, e independentemente de instrução probatória. CPP/Art. 387.
O juiz, ao proferir sentença condenatória: IV - fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela
infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido. STJ. 3ª Seção. REsp 1.643.051-MS, Rel. Min. Rogerio
Schietti Cruz, julgado em 28/02/2018 (recurso repetitivo) (Info 621).
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A prática de contravenção penal, no âmbito de violência doméstica, não é motivo idôneo para justificar a prisão
preventiva do réu. O inciso III do art. 313 do CPP prevê que será admitida a decretação da prisão preventiva “se
o CRIME envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa
com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência”. Assim, a redação do inciso III do
art. 313 do CPP fala em CRIME (não abarcando contravenção penal). Logo, não há previsão legal que autorize a
prisão preventiva contra o autor de uma contravenção penal. Decretar a prisão preventiva nesta hipótese
representa ofensa ao princípio da legalidade estrita. STJ. 6ª Turma. HC 437.535-SP, Rel. Min. Maria Thereza de
Assis Moura, Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 26/06/2018 (Info 632).

CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA


Para o início da ação penal, basta a prova da constituição definitiva do crédito tributário (Súmula Vinculante
24), sendo desnecessária a juntada integral do Procedimento Administrativo Fiscal correspondente. STJ. 5ª
Turma. RHC 94.288-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 22/05/2018 (Info 627)

Se o réu de um crime contra a ordem tributária aderir ao parcelamento da dívida haverá a suspensão do
processo penal. Nos crimes contra a ordem tributária, quando o agente ingressa no regime de parcelamento dos
débitos tributários, fica suspensa a pretensão punitiva penal do Estado (o processo criminal fica suspenso).
Durante o parcelamento o que ocorre com o prazo prescricional? Também fica suspenso. O prazo prescricional
não corre enquanto estiverem sendo cumpridas as condições do parcelamento do débito fiscal. É o que prevê
o art. 9º, § 1º da Lei nº 10.684/2003. Se, ao final, o réu pagar integralmente os débitos, haverá a extinção da
punibilidade. STF. 2ª Turma. ARE 1037087 AgR/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/8/2018 (Info 911)

A conduta de não recolher ICMS em operações próprias ou em substituição tributária enquadra-se formalmente
no tipo previsto no art. 2º, II, da Lei nº 8.137/90 (apropriação indébita tributária), desde que comprovado o dolo.
O não repasse do ICMS recolhido pelo sujeito passivo da obrigação tributária, em qualquer hipótese, enquadra-
se (formalmente) no tipo previsto art. 2º, II, da Lei nº 8.137/90, desde que comprovado o dolo. Em outras palavras,
o tipo do art. 2º, II, da Lei nº 8.137/90 não fica restrito apenas às hipóteses em que há substituição tributária. O
que se criminaliza é o fato de o sujeito passivo se apropriar do dinheiro relativo ao imposto, devidamente
recebido de terceiro, quer porque descontou do substituído tributário, quer porque cobrou do consumidor,
não repassando aos cofres públicos. STJ. 3ª Seção. HC 399.109-SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em
22/08/2018 (Info 633).

CRIME DE TRÂNSITO
A regra que prevê o crime do art. 305 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é constitucional, posto não infirmar
o princípio da não incriminação, garantido o direito ao silêncio e ressalvadas as hipóteses de exclusão da tipicidade
e da antijuridicidade. STF. Plenário. RE 971.959/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 14/11/2018 (repercussão geral)
(Info 923).

CRIME MILITAR
Na configuração de crime militar observa-se a data do evento delituoso, considerado neutro o fato de o autor
estar licenciado. STF. Plenário. HC 132847/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 26/6/2018 (Info 908). O fato
de o paciente não mais integrar as fileiras das Forças Armadas não tem qualquer relevância sobre o
prosseguimento da ação penal pelo delito tipicamente militar de abandono do posto, visto que ele, no tempo do
crime, era militar da ativa. STF. 2ª Turma. HC 130793, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 02/08/2016.

CRIME DE LAVAGEM DE DINHEIRO


Simples fato de ter recebido a propina em espécie não configura lavagem de dinheiro O mero recebimento de
valores em dinheiro não tipifica o delito de lavagem, seja quando recebido pelo próprio agente público, seja
quando recebido por interposta pessoa. STF. 2ª Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018
(Info 904). Recebimento de propina em depósitos bancários fracionados pode configurar lavagem Pratica
lavagem de dinheiro o sujeito que recebe propina por meio de depósitos bancários fracionados, em valores que
não atingem os limites estabelecidos pelas autoridades monetárias à comunicação compulsória dessas
operações. Ex: suponhamos que, na época, a autoridade bancária dizia que todo depósito acima de R$ 20 mil
deveria ser comunicado ao COAF; diante disso, um Deputado recebia depósitos periódicos de R$ 19 mil para
burlar essa regra. Para o STF, isso configura o crime de lavagem. Trata-se de uma forma de ocultação da origem
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e da localização da vantagem pecuniária recebida pela prática do crime antecedente. STF. 2ª Turma. AP 996/DF,
Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018 (Info 904).

PROCESSO PENAL
ARQUIVAMENTO
O STF pode, de ofício, arquivar inquérito quando verificar que, mesmo após terem sido feitas diligências de
investigação e terem sido descumpridos os prazos para a instrução do inquérito, não foram reunidos indícios
mínimos de autoria ou materialidade (art. 231, § 4º, “e”, do RISTF). A pendência de investigação, por prazo
irrazoável, sem amparo em suspeita contundente, ofende o direito à razoável duração do processo (art. 5º,
LXXVIII, da CF/88) e a dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF/88). Caso concreto: tramitava, no STF, um
inquérito para apurar suposto delito praticado por Deputado Federal. O Ministro Relator já havia autorizado a
realização de diversas diligências investigatórias, além de ter aceitado a prorrogação do prazo de conclusão das
investigações. Apesar disso, não foram reunidos indícios mínimos de autoria e materialidade. Com o fim do foro
por prerrogativa de função para este Deputado, a PGR requereu a remessa dos autos à 1ª instância. O STF,
contudo, negou o pedido e arquivou o inquérito, de ofício, alegando que já foram tentadas diversas diligências
investigatórias e, mesmo assim, sem êxito. Logo, a declinação de competência para a 1ª instância a fim de que lá
sejam continuadas as investigações seria uma medida fadada ao insucesso e representaria apenas protelar o
inevitável. STF. 2ª Turma. Inq 4420/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 21/8/2018 (Info 912). No mesmo
sentido: STF. Decisão monocrática. INQ 4.442, Rel. Min. Roberto Barroso, Dje 12/06/2018

Em 2016, foi instaurado inquérito no STF para apurar crimes de corrupção passiva (art. 317 do CP) e de lavagem
de dinheiro (art. 1º, V, da Lei nº 9.613/98) que teriam sido praticados por Aécio Neves. O Delegado de Polícia
Federal concluiu as investigações, opinando, no relatório policial, pelo arquivamento do inquérito sob a alegação
de que não foram reunidos indícios contra o investigado. A Procuradoria-Geral da República afirmou que, após a
manifestação do Delegado, surgiram novos indícios e que, portanto, as investigações deveriam continuar.
Afirmou, contudo, que o STF deveria remeter os autos à 1ª instância para que as investigações continuassem lá,
tendo em vista que os delitos praticados por Aécio Neves teriam sido praticados fora do cargo de parlamentar
federal, não havendo competência do STF. O STF determinou o retorno dos autos à PGR para que ela conclua as
diligências ainda pendentes de execução, no prazo de 60 dias, e que depois apresente manifestação conclusiva
nos autos, apontando concretamente os novos elementos de prova a serem considerados. De posse de
manifestação mais objetiva da PGR, com provas suficientes para eventual continuidade das investigações, o STF
poderá avaliar se é mesmo o caso de arquivamento ou se a investigação deve prosseguir e em que condições.
STF. 2ª Turma. Inq 4244/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
20/11/2018 (Info 924).

AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA
A decisão que, na audiência de custódia, determina o relaxamento da prisão em flagrante sob o argumento de
que a conduta praticada é atípica não faz coisa julgada. Assim, esta decisão não vincula o titular da ação penal,
que poderá oferecer acusação contra o indivíduo narrando os mesmos fatos e o juiz poderá receber essa
denúncia. STF. 1ª Turma. HC 157.306/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/9/2018 (Info 917)

DENÚNCIA
A PGR ofereceu denúncia contra Paulo e outros réus perante o STJ. Este Tribunal desmembrou o feito e ficou com
o processo apenas da autoridade com foro no STJ, declinando da competência para que o TJ julgasse os demais.
O PGJ (que atua no TJ) ratificou a denúncia. Ocorre que o TJ também decidiu desmembrar o feito e ficou com o
processo apenas da autoridade com foro no TJ, declinando da competência para que o juízo de 1ª instância
julgasse os demais corréus. O processo de Paulo, que não tinha foro privativo, foi remetido para a 1ª instância. O
Promotor de Justiça que atua na 1ª instância decidiu não ratificar a peça acusatória, oferecendo nova denúncia
incluindo, inclusive, novos réus. A defesa alegou que o Promotor não poderia ter alterado a denúncia. O STF
entendeu que o membro do MP agiu corretamente e que não há qualquer nulidade neste caso. É possível o
aditamento da denúncia a qualquer tempo antes da sentença final, garantidos o devido processo legal, a ampla
defesa e o contraditório, especialmente quando a inicial ainda não tenha sido sequer recebida originariamente
pelo juízo competente, como ocorreu no caso concreto. O membro do MP possui total liberdade na formação

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de seu convencimento (opinio delicti). Assim, a sua atuação não pode ser restringida ou ficar vinculada às
conclusões jurídicas que o outro membro do MP chegou, mesmo que este atue em uma instância superior. Em
outras palavras, o Promotor de Justiça que passou a ter atribuição para atuar no caso não está vinculado às
conclusões do Procurador-Geral de Justiça que estava anteriormente funcionando no processo. Desse modo, é
irrelevante que outros membros do Ministério Público com atribuição para atuar em instância superior, em
virtude da análise dos mesmos fatos, tenham, anteriormente, oferecido denúncia de diferente teor em face do
réu, uma vez que, conforme ficou reconhecido pelo STJ e pelo TJDFT, a competência para o processo criminal era
da 1ª instância, de forma que o promotor natural do caso era o Promotor de Justiça que atua na 1ª instância.
Portanto, o fato de o promotor natural — aquele com atribuição para atuar na 1ª instância — não se encontrar
tecnicamente subordinado e apresentar entendimento jurídico diverso, afasta qualquer alegação de nulidade
decorrente de alteração do teor da peça acusatória oferecida contra o réu Paulo. STF. 1ª Turma. HC 137637/DF,
Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 6/3/2018 (Info 893).

No momento da denúncia, prevalece o princípio do in dubio pro societate. STF. 1ª Turma. Inq 4506/DF, rel. Min.
Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/04/2018 (Info 898).

POLÍCIA FEDERAL
A partir de agora existe previsão expressa de que a Polícia Federal poderá investigar os crimes praticados pela
internet que envolvam a divulgação de mensagens, imagens, sons, vídeos ou quaisquer outros conteúdos
misóginos. Conteúdo misógino é aquele que propaga o ódio ou a aversão às mulheres.

IMUNIDADE DIPLOMÁTICA
A cautelar fixada de proibição para que agente diplomático acusado de homicídio se ausente do país sem
autorização judicial NÃO É ADEQUADA na hipótese em que o Estado de origem do réu tenha renunciado à
imunidade de jurisdição cognitiva, mas mantenha a competência para o cumprimento de eventual pena
criminal a ele imposta. STJ. 6ª Turma. RHC 87.825-ES, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 05/12/2017 (Info 618)

SUJEITOS DO PROCESSO
A nomeação judicial de Núcleo de Prática Jurídica para patrocinar a defesa de réu dispensa a juntada de
procuração. STJ. 3ª Seção. EAREsp 798.496-DF, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 11/04/2018 (Info 624).

PROVAS
Não há ilegalidade na perícia de aparelho de telefonia celular pela polícia, sem prévia autorização judicial, na
hipótese em que seu proprietário - a vítima - foi morto, tendo o referido telefone sido entregue à autoridade
policial por sua esposa.
STJ. 6ª Turma. RHC 86.076-MT, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em
19/10/2017 (Info 617). Cuidado para não confundir: Sem prévia autorização judicial, são nulas as provas obtidas
pela polícia por meio da extração de dados e de conversas registradas no Whatsapp presentes no celular do
suposto autor de fato delituoso, ainda que o aparelho tenha sido apreendido no momento da prisão em
flagrante.
STJ. 5ª Turma. RHC 67.379-RN, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/10/2016 (Info 593).
STJ. 6ª Turma. RHC 51.531-RO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/4/2016 (Info 583)

Na fase de defesa prévia, o réu arrolou uma série de testemunhas, mas o juiz negou a oitiva afirmando que o
requerimento seria protelatório, haja vista que as testemunhas não teriam, em tese, vinculação com os fatos
criminosos imputados. O STF entendeu que houve constrangimento ilegal. O direito à prova é expressão de uma
inderrogável prerrogativa jurídica, que não pode ser, arbitrariamente, negada ao réu. O princípio do livre
convencimento motivado (art. 400, § 1º, do CPP) faculta ao juiz o indeferimento das provas consideradas
irrelevantes, impertinentes ou protelatórias. No entanto, no caso concreto houve o indeferimento de todas as
testemunhas de defesa. Dessa forma, houve ofensa ao devido processo legal, visto que frustrou a possibilidade
de o acusado produzir as provas que reputava necessárias à demonstração de suas alegações. STF. 2ª Turma. HC
155363/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 8/5/2018 (Info 901).

Os dados do contribuinte que a Receita Federal obteve das instituições bancárias mediante requisição direta
(sem intervenção do Poder Judiciário, com base nos arts. 5º e 6º da LC 105/2001), podem ser compartilhados,
também sem autorização judicial, com o Ministério Público, para serem utilizados como prova emprestada no
58
processo penal. Isso porque o STF decidiu que são constitucionais os arts. 5º e 6º da LC 105/2001, que permitem
o acesso direto da Receita Federal à movimentação financeira dos contribuintes (RE 601314/SP, Rel. Min. Edson
Fachin, julgado em 24/2/2016. Info 815). Este entendimento do STF deve ser estendido também para a esfera
criminal. Assim, é possível a utilização de dados obtidos pela Secretaria da Receita Federal, em regular
procedimento administrativo fiscal, para fins de instrução processual penal. STF. 1ª Turma. RE 1043002 AgR, Rel.
Min. Roberto Barroso, julgado em 01/12/2017. STF. 2ª Turma. RHC 121429/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
19/4/2016 (Info 822). STJ. 6ª Turma. HC 422.473-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 20/03/2018 (Info
623)

Paulo Bernardo era investigado e o juiz de 1º grau determinou, contra ele, busca e apreensão. Ocorre que Paulo
Bernardo residia com a sua esposa, a Senadora Gleisi Hoffmann, em um imóvel funcional cedido pelo Senado.
Desse modo, a busca e apreensão foi realizada neste imóvel funcional. O STF entendeu que esta prova foi ilícita
(art. 5º, LVI, da CF/88) e determinou a sua inutilização e o desentranhamento dos autos de todas as provas obtidas
por meio da referida diligência. O Supremo entendeu que a ordem judicial de busca e apreensão foi ampla e
vaga, sem prévia individualização dos bens que seriam de titularidade da Senadora e daqueles que pertenciam
ao seu marido. Diante disso, o STF entendeu que o juiz, ao dar essa ordem genérica, acabou por também
determinar medida de investigação contra a própria Senadora. Logo, como ela tinha foro por prerrogativa de
função no STF (art. 102, I, “b”, da CF/88), somente o Supremo poderia ter ordenado qualquer medida de
investigação contra a parlamentar federal. Isso significa que o juiz de 1ª instância usurpou uma competência que
era do STF. Reconheceu, por conseguinte, a ilicitude da prova obtida (art. 5º, LVI, da CF/88) e de outras
diretamente dela derivadas. STF. 2ª Turma. Rcl 24473/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 26/6/2018 (Info 908)

WHATSAPP
Sem prévia autorização judicial, são nulas as provas obtidas pela polícia por meio da extração de dados e de
conversas registradas no whatsapp presentes no celular do suposto autor de fato delituoso, ainda que o
aparelho tenha sido apreendido no momento da prisão em flagrante. STJ. 6ª Turma. RHC 51.531-RO, Rel. Min.
Nefi Cordeiro, julgado em 19/4/2016 (Info 583).

Se o telefone celular foi apreendido em busca e apreensão determinada por decisão judicial, não há óbice para
que a autoridade policial acesse o conteúdo armazenado no aparelho, inclusive as conversas do whatsapp. Para
a análise e a utilização desses dados armazenados no celular não é necessária nova autorização judicial. A ordem
de busca e apreensão determinada já é suficiente para permitir o acesso aos dados dos aparelhos celulares
apreendidos. STJ. 5ª Turma. RHC 77.232/SC, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 03/10/2017.

INGRESSO DOMICILIAR
A existência de denúncias anônimas somada à fuga do acusado, por si sós, não configuram fundadas razões a
autorizar o ingresso policial no domicílio do acusado sem o seu consentimento ou determinação judicial. STJ.
6ª Turma. RHC 83.501-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 06/03/2018 (Info 623).

INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA
“Denúncia anônima” e quebra de sigilo Segundo a jurisprudência do STJ e do STF, não há ilegalidade em iniciar
investigações preliminares com base em "denúncia anônima" a fim de se verificar a plausibilidade das
alegações contidas no documento apócrifo. A Polícia, com base em diligências preliminares para atestar a
veracidade dessas “denúncias” e também lastreada em informações recebidas pelo Ministério da Justiça e pela
CGU, requereu ao juízo a decretação da interceptação telefônica do investigado. O STF entendeu que a decisão
do magistrado foi correta considerando que a decretação da interceptação telefônica não foi feita com base
unicamente na "denúncia anônima" e sim após a realização de diligências investigativas e também com base nas
informações recebidas dos órgãos públicos de fiscalização. Renovação das interceptações A Lei nº 9.296/96 prevê
que a interceptação telefônica "não poderá exceder o prazo de quinze dias, renovável por igual tempo uma vez
comprovada a indispensabilidade do meio de prova." (art. 5º). A interceptação telefônica não pode exceder 15
dias. Contudo, pode ser renovada por igual período, não havendo restrição legal ao número de vezes para tal
renovação, se comprovada a sua necessidade. STF. 2ª Turma. RHC 132115/PR, Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em
6/2/2018 (Info 890).

A Resolução 59/2008 do CNJ disciplina e uniformiza o procedimento de interceptação de comunicações


telefônicas e de sistemas de informática e telemática nos órgãos jurisdicionais do Poder Judiciário. Foi proposta
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uma ADI contra esse ato normativo. O STF decidiu que essa Resolução é constitucional, com exceção do § 1º do
art. 13, que prevê o seguinte: “§ 1º Não será admitido pedido de prorrogação de prazo de medida cautelar de
interceptação de comunicação telefônica, telemática ou de informática durante o plantão judiciário, ressalvada a
hipótese de risco iminente e grave à integridade ou à vida de terceiros, bem como durante o Plantão de Recesso
previsto artigo 62 da Lei nº 5.010/66”. Em relação ao § 1º do art. 13 da Resolução 59/2008, o CNJ extrapolou sua
competência normativa, adentrando em seara que lhe é imprópria. Essa previsão violou: a) a competência dos
Estados para editar suas leis de organização judiciária (art. 125, § 1º, da CF/88); b) a competência legislativa na
União para a edição de normas processuais (art. 22, I); c) a norma constante do art. 5º, XXXV, da CF, no que
respeita à inafastabilidade da jurisdição. STF. Plenário. ADI 4145/DF, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 26/4/2018 (Info 899).

É constitucional a Resolução 36/2009 do CNMP, que dispõe sobre o pedido e a utilização de interceptações
telefônicas, no âmbito do Ministério Público, nos termos da Lei nº 9.296/96. A norma foi editada no exercício
das atribuições previstas diretamente no art. 130-A, § 2º, I e II, da CF/88. A Resolução apenas regulamentou
questões administrativas e disciplinares relacionadas ao procedimento de interceptação telefônica, sem
adentrar em matéria de direito penal, processual ou relativa a nulidades. Não foram criados novos “requisitos
formais de validade” das interceptações. Tanto isso é verdade que a inobservância dos preceitos contidos na
resolução não constitui causa de nulidade, mas sim motivo para a instauração de procedimento administrativo
disciplinar contra o agente público infrator, pois consistem em regras ligadas aos deveres funcionais de sigilo na
atuação ministerial. A independência funcional do MP foi preservada. A resolução não impõe uma linha de
atuação ministerial, apenas promove a padronização formal mínima dos ritos adotados nos procedimentos
relacionados a interceptações telefônicas, em consonância com as regras previstas na Lei nº 9.296/96. STF.
Plenário. ADI 4263/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 25/4/2018 (Info 899).

INTERROGATÓRIO
O CPP, ao tratar sobre a condução coercitiva, prevê o seguinte: Art. 260. Se o acusado não atender à intimação
para o interrogatório, reconhecimento ou qualquer outro ato que, sem ele, não possa ser realizado, a autoridade
poderá mandar conduzi-lo à sua presença. O STF declarou que a expressão “para o interrogatório”, prevista no
art. 260 do CPP, não foi recepcionada pela Constituição Federal. Assim, caso seja determinada a condução
coercitiva de investigados ou de réus para interrogatório, tal conduta poderá ensejar: • a responsabilidade
disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade • a ilicitude das provas obtidas • a responsabilidade civil do
Estado. Modulação dos efeitos: o STF afirmou que o entendimento acima não desconstitui (não invalida) os
interrogatórios que foram realizados até a data do julgamento, ainda que os interrogados tenham sido
coercitivamente conduzidos para o referido ato processual. STF. Plenário. ADPF 395/DF e ADPF 444/DF, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgados em 13 e 14/6/2018 (Info 906).

Nos processos criminais que tramitam perante o STF e o STJ, cujo procedimento é regido pela Lei nº 8.038/90, o
interrogatório também é o último ato de instrução. Apesar de não ter havido uma alteração específica do art. 7º
da Lei 8.038/90, com base no CPP, entende-se que o interrogatório é um ato de defesa, mais bem exercido depois
de toda a instrução, porque há possibilidade do contraditório mais amplo. Assim, primeiro devem ser ouvidas
todas as testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa para, só então, ser realizado o interrogatório. STF.
1ª Turma. AP 1027/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luís Roberto Barroso, julgado em 2/10/2018
(Info 918).

COMPETÊNCIA
Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes de violação de direito autoral e contra a lei de software
decorrentes do compartilhamento ilícito de sinal de TV por assinatura, via satélite ou cabo, por meio de serviços
de card sharing. STJ. 3ª Seção. CC 150.629-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 22/02/2018 (Info 620)

A doação eleitoral por meio de “caixa 2” é uma conduta que configura crime eleitoral de falsidade ideológica
(art. 350 do Código Eleitoral). A competência para processar e julgar este delito é da Justiça Eleitoral. A existência
de crimes conexos de competência da Justiça Comum, como corrupção passiva e lavagem de capitais, não afasta
a competência da Justiça Eleitoral, por força do art. 35, II, do CE e do art. 78, IV, do CPP. STF. 2ª Turma. PET
7319/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 27/3/2018 (Info 895)

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Compete à Justiça Militar processar e julgar o crime de furto, praticado por civil, de patrimônio que, sob
administração militar, encontra-se nas dependências desta. Caso concreto: civil furtou, dentro de
estabelecimento militar, pistola que estava na posse de soldado da Aeronáutica. Fundamento: art. 9º, III, “a”, do
Código Penal Militar. STJ. 3ª Seção. CC 145.721-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 22/02/2018 (Info 621).

Compete à Justiça Estadual a execução de medida de segurança imposta a militar licenciado. STJ. 3ª Seção. CC
149.442-RJ, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 09/05/2018 (Info 626).

Compete à Justiça Federal o processamento e o julgamento da ação penal que versa sobre crime praticado no
exterior, o qual tenha sido transferido para a jurisdição brasileira, por negativa de extradição, aplicável o art. 109,
IV, da CF/88. STJ. 3ª Seção. CC 154.656-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 25/04/2018 (Info 625).

Compete à Justiça Federal a condução do inquérito que investiga o cometimento do delito previsto no art. 334, §
1º, IV, do Código Penal, na hipótese de venda de mercadoria estrangeira, permitida pela ANVISA,
desacompanhada de nota fiscal e sem comprovação de pagamento de imposto de importação. STJ. Plenário. CC
159.680-MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 08/08/2018 (Info 631). Compete à Justiça Federal
o julgamento dos crimes de contrabando e de descaminho, ainda que inexistentes indícios de transnacionalidade
na conduta. STJ. 3ª Seção. CC 160.748-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 26/09/2018 (Info 635).

Compete à Justiça Federal apreciar o pedido de medida protetiva de urgência decorrente de crime de ameaça
contra a mulher cometido por meio de rede social de grande alcance, quando iniciado no estrangeiro e o seu
resultado ocorrer no Brasil. STJ. 3ª Seção. CC 150.712-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 10/10/2018
(Info 636)

COLABORAÇÃO PREMIADA (ATUALIZAR O INFO 612 STJ)


O delegado de polícia pode formalizar acordos de colaboração premiada, na fase de inquérito policial,
respeitadas as prerrogativas do Ministério Público, o qual deverá se manifestar, sem caráter vinculante,
previamente à decisão judicial. Os §§ 2º e 6º do art. 4º da Lei nº 12.850/2013, que preveem essa possibilidade,
são constitucionais e não ofendem a titularidade da ação penal pública conferida ao Ministério Público pela
Constituição (art. 129, I). STF. Plenário. ADI 5508/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

Competência para homologação do acordo de colaboração premiada se o delatado tiver foro por prerrogativa de
função Se a delação do colaborador mencionar fatos criminosos que teriam sido praticados por autoridade (ex:
Governador) e que teriam que ser julgados por foro privativo (ex: STJ), este acordo de colaboração deverá,
obrigatoriamente, ser celebrado pelo Ministério Público respectivo (PGR), com homologação pelo Tribunal
competente (STJ). Assim, se os fatos delatados tiverem que ser julgados originariamente por um Tribunal (foro
por prerrogativa de função), o próprio acordo de colaboração premiada deverá ser homologado por este
respectivo Tribunal, mesmo que o delator não tenha foro privilegiado.
A delação de autoridade com prerrogativa de foro atrai a competência do respectivo Tribunal para a respectiva
homologação e, em consequência, do órgão do Ministério Público que atua perante a Corte. Se o delator ou se
o delatado tiverem foro por prerrogativa de função, a homologação da colaboração premiada será de
competência do respectivo Tribunal. Análise da legitimidade do delatado para impugnar o acordo de colaboração
premiada Em regra, o delatado não tem legitimidade para impugnar o acordo de colaboração premiada. Assim,
em regra, a pessoa que foi delatada não poderá impetrar um habeas corpus alegando que esse acordo possui
algum vício. Isso porque se trata de negócio jurídico personalíssimo. Esse entendimento, contudo, não se aplica
em caso de homologação sem respeito à prerrogativa de foro. Desse modo, é possível que o delatado questione
o acordo se a impugnação estiver relacionada com as regras constitucionais de prerrogativa de foro. Em outras
palavras, se o delatado for uma autoridade com foro por prerrogativa de função e, apesar disso, o acordo tiver
sido homologado em 1ª instância, será permitido que ele impugne essa homologação alegando usurpação de
competência. STF. 2ª Turma. HC 151605/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 20/3/2018 (Info 895).

É possível o compartilhamento, para outros órgãos e autoridades públicas, das provas obtidas no acordo de
colaboração premiada, desde que sejam respeitados os limites estabelecidos no acordo em relação ao
colaborador. Assim, por exemplo, se um indivíduo celebra acordo de colaboração premiada com o MP aceitando
fornecer provas contra si, estas provas somente poderão ser utilizadas para as sanções que foram ajustadas no
acordo. STF. 2ª Turma. PET 7065/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 (Info 922). Ainda que
61
remetido a outros órgãos do Poder Judiciário para apuração dos fatos delatados, o juízo que homologou o acordo
de colaboração premiada continua sendo competente para analisar os pedidos de compartilhamento dos
termos de depoimentos prestados no âmbito da colaboração. STF. 2ª Turma. PET 7065/DF, Rel. Min. Edson Fachin,
julgado em 30/10/2018 (Info 922).

FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO


Se, após a interposição de recurso especial contra a condenação criminal, o réu foi diplomado Deputado
Federal, a competência para julgar este recurso passa a ser do STF. STF. 1ª Turma. RE 696533/SC, Rel. Min. Luiz
Fux, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 6/2/2018 (Info 890).

Restrição ao foro por prerrogativa de função As normas da Constituição de 1988 que estabelecem as hipóteses
de foro por prerrogativa de função devem ser interpretadas restritivamente, aplicando-se apenas aos crimes
que tenham sido praticados durante o exercício do cargo e em razão dele. Assim, por exemplo, se o crime foi
praticado antes de o indivíduo ser diplomado como Deputado Federal, não se justifica a competência do STF,
devendo ele ser julgado pela 1ª instância mesmo ocupando o cargo de parlamentar federal. Além disso, mesmo
que o crime tenha sido cometido após a investidura no mandato, se o delito não apresentar relação direta com
as funções exercidas, também não haverá foro privilegiado. Foi fixada, portanto, a seguinte tese: O foro por
prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às
funções desempenhadas. Marco para o fim do foro: término da instrução Após o final da instrução processual,
com a publicação do despacho de intimação para apresentação de alegações finais, a competência para
processar e julgar ações penais não será mais afetada em razão de o agente público vir a ocupar outro cargo ou
deixar o cargo que ocupava, qualquer que seja o motivo. STF. Plenário. AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso,
julgado em 03/05/2018 (Info 900)

Se uma pessoa sem foro por prerrogativa está sendo interceptada por decisão do juiz de 1ª instância e ela liga
para uma autoridade com foro (ex: Promotor de Justiça), a gravação desta conversa não é ilícita. Isso porque se
trata de encontro fortuito de provas (encontro fortuito de crimes), também chamado de serendipidade ou crime
achado. Se após essa ligação, o Delegado ainda demora três dias para comunicar o fato às autoridades
competentes para apurara a conduta do Promotor, este tempo não é considerado excessivo, tendo em vista a
dinâmica que envolve as interceptações telefônicas. Assim, o STF decidiu que a prerrogativa de foro de membro
do Ministério Público é preservada quando a possível participação deste em conduta criminosa é comunicada
com celeridade ao Procurador-Geral de Justiça. Tais gravações, por serem lícitas, podem servir como fundamento
para que o CNMP aplique sanção de aposentadoria compulsória a este Promotor. STF. 1ª Turma. MS 34751/CE,
Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/8/2018 (Info 911).

As hipóteses de foro por prerrogativa de função perante o STJ restringem-se àquelas em que o crime for praticado
em razão e durante o exercício do cargo ou função. STJ. Corte Especial. AgRg na APn 866-DF, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, julgado em 20/06/2018 (Info 630).

A iminente prescrição do crime praticado por Desembargador excepciona o entendimento consolidado na APn
937 - o foro por prerrogativa de função é restrito a crimes cometidos ao tempo do exercício do cargo e que tenham
relação com o cargo - e prorroga a competência do Superior Tribunal de Justiça. STJ. Corte Especial. QO na APn
703-GO, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 01/08/2018 (Info 630).

Com a decisão proferida pelo STF, em 03/05/2018, na AP 937 QO/RJ, todos os inquéritos e processos criminais
que estavam tramitando no Supremo envolvendo crimes não relacionados com o cargo ou com a função
desempenhada pela autoridade, foram remetidos para serem julgados em 1ª instância. Isso porque o STF definiu,
como 1ª tese, que “o foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício
do cargo e relacionados às funções desempenhadas”. O entendimento acima não se aplica caso a instrução já
tenha se encerrado. Em outras palavras, se a instrução processual já havia terminado, mantém-se a competência
do STF para o julgamento de detentores de foro por prerrogativa de função, ainda que o processo apure um crime
que não está relacionado com o cargo ou com a função desempenhada. Isso porque o STF definiu, como 2ª tese,
que “após o final da instrução processual, com a publicação do despacho de intimação para apresentação de
alegações finais, a competência para processar e julgar ações penais não será mais afetada em razão de o agente
público vir a ocupar outro cargo ou deixar o cargo que ocupava, qualquer que seja o motivo.” STF. 1ª Turma. AP
962/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 16/10/2018 (Info 920).
62
PUBLICAÇÃO DA SENTENÇA
Havendo dúvida resultante da omissão cartorária em certificar a data de recebimento da sentença conforme o
art. 389 do CPP, não se pode presumir a data de publicação com o mero lançamento de movimentação dos
autos na internet, a fim de se verificar a ocorrência de prescrição da pretensão punitiva. STJ. 6ª Turma.HC
408.736-ES, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 06/02/2018 (Info 619).

EMENDATIO LIBELLI
O réu foi condenado a 4 anos de reclusão pela prática do crime previsto no art. 4º, caput, da Lei nº 7.492/86. O
Tribunal, em recurso exclusivo da defesa, reclassificou a conduta para os art. 16 e 22, parágrafo único, da Lei nº
7.492/86, mantendo, contudo, a pena em 4 anos de reclusão. Não há qualquer nulidade no acórdão do Tribunal.
Houve, no presente caso, emendatio libelli. É possível a realização de emendatio libelli em segunda instância no
julgamento de recurso exclusivo da defesa, desde que não gere reformatio in pejus, nos termos do art. 617 do
CPP. Como a pena foi mantida pelo Tribunal, não houve prejuízo ao réu. STF. 2ª Turma. HC 134.872/PR, Rel. Min.
Dias Tóffoli, julgado em 27/3/2018 (Info 895).

RECURSO
Súmula 604-STJ: O mandado de segurança não se presta para atribuir efeito suspensivo a recurso criminal
interposto pelo Ministério Público. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 28/2/2018, DJe 5/3/2018

Não é extemporâneo recurso interposto antes da publicação do acórdão. Sob o ângulo da oportunidade, a
publicação do acórdão impugnado é elemento neutro, podendo a parte, ciente da decisão proferida, protocolar
o recurso. Assim por exemplo, admite-se a interposição de embargos declaratórios oferecidos antes da publicação
do acórdão embargado e dentro do prazo recursal. STF. 1ª Turma. HC 113826, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado
em 10/4/2018 (Info 897).

O prazo para interposição de agravo regimental no STF, em processos criminais, é de 5 dias corridos (não são dias
úteis, como no CPC). O MP e a Defensoria Pública possuem prazo em dobro para interpor esse agravo? • MP:
NÃO. Em matéria penal, o Ministério Público não goza da prerrogativa da contagem dos prazos recursais em
dobro. Logo, o prazo para interposição de agravo pelo Estado-acusador em processo criminal é de 5 dias. •
Defensoria Pública: SIM. Mesmo em matéria penal, são contados em dobro todos os prazos da Defensoria
Pública. Logo, o prazo para a Defensoria Pública interpor agravo regimental é de 10 dias. STF. 1ª Turma. HC
120275/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 15/5/2018 (Info 902).

Não caracteriza reformatio in pejus a decisão de tribunal de justiça que, ao julgar recurso de apelação exclusivo
da defesa, mantém a reprimenda aplicada pelo magistrado de primeiro grau, porém com fundamentos diversos
daqueles adotados na sentença. Não viola o princípio da proibição da reformatio in pejus a reavaliação das
circunstâncias judiciais em recurso de apelação penal, no âmbito do efeito devolutivo, desde que essa não incorra
em aumento de pena. Não há falar em reformatio in pejus se os motivos expendidos pelo julgador em sede de
apelação exclusiva da defesa não representaram advento de situação mais gravosa para o réu. STF. 1ª Turma.
RHC 119149/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 10/2/2015 (Info 774). STF. 1ª Turma. HC 126457/PA, Rel. orig.
Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/11/2018 (Info 922). Esse é também o
entendimento do STJ: STJ. 5ª Turma. HC 330.170/RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/09/2016.

EMBARGOS INFRINGENTES
Cabem embargos infringentes para o Plenário do STF contra decisão condenatória proferida em sede de ação
penal de competência originária das Turmas do STF. O requisito de cabimento desse recurso é a existência de
dois votos minoritários absolutórios em sentido próprio. Voto absolutório em sentido próprio: significa que o
Ministro deve ter expressado juízo de improcedência da pretensão executória. STF. Plenário. AP 863 EI-AgR/SP,
Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 18 e 19/4/2018; HC 152707/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 18 e
19/4/2018 (Info 898).

Em regra, cabem embargos infringentes para o Plenário do STF contra decisão condenatória proferida pelas
Turmas do STF, desde que 2 Ministros tenham votado pela absolvição. Neste caso, o placar terá sido 3 x 2, ou
seja, 3 Ministros votaram para condenar e 2 votaram para absolver. Excepcionalmente, se a Turma, ao condenar
o réu, estiver com quórum incompleto, será possível aceitar o cabimento dos embargos infringentes mesmo que
63
tenha havido apenas 1 voto absolutório. Isso porque o réu não pode ser prejudicado pela ausência do quórum
completo. STF. Plenário. AP 929 ED-2º julg-EI/AL, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 17/10/2018 (Info 920).

PRISÃO PREVENTIVA
O STF reconheceu a existência de inúmeras mulheres grávidas e mães de crianças que estavam cumprindo prisão
preventiva em situação degradante, privadas de cuidados médicos pré- natais e pós-parto. Além disso, não havia
berçários e creches para seus filhos. Também se reconheceu a existência, no Poder Judiciário, de uma “cultura
do encarceramento”, que significa a imposição exagerada e irrazoável de prisões provisórias a mulheres pobres
e vulneráveis, em decorrência de excessos na interpretação e aplicação da lei penal e processual penal, mesmo
diante da existência de outras soluções, de caráter humanitário, abrigadas no ordenamento jurídico vigente. A
Corte admitiu que o Estado brasileiro não tem condições de garantir cuidados mínimos relativos à maternidade,
até mesmo às mulheres que não estão em situação prisional. Diversos documentos internacionais preveem que
devem ser adotadas alternativas penais ao encarceramento, principalmente para as hipóteses em que ainda não
haja decisão condenatória transitada em julgado. É o caso, por exemplo, das Regras de Bangkok. Os cuidados
com a mulher presa não se direcionam apenas a ela, mas igualmente aos seus filhos, os quais sofrem
injustamente as consequências da prisão, em flagrante contrariedade ao art. 227 da Constituição, cujo teor
determina que se dê prioridade absoluta à concretização dos direitos das crianças e adolescentes. Diante da
existência desse quadro, deve-se dar estrito cumprimento do Estatuto da Primeira Infância (Lei 13.257/2016),
em especial da nova redação por ele conferida ao art. 318, IV e V, do CPP, que prevê: Art. 318. Poderá o juiz
substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for: IV - gestante; V - mulher com filho de até 12
(doze) anos de idade incompletos; Os critérios para a substituição de que tratam esses incisos devem ser os
seguintes:

REGRA. Em regra, deve ser concedida prisão domiciliar para todas as mulheres presas que sejam - gestantes -
puérperas (que deram à luz há pouco tempo) - mães de crianças (isto é, mães de menores até 12 anos
incompletos) ou - mães de pessoas com deficiência.

EXCEÇÕES: NÃO DEVE SER AUTORIZADA A PRISÃO DOMICILIAR SE: 1) a mulher tiver praticado crime mediante
violência ou grave ameaça; 2) a mulher tiver praticado crime contra seus descendentes (filhos e/ou netos); 3)
em outras situações excepcionalíssimas, as quais deverão ser devidamente fundamentadas pelos juízes que
denegarem o benefício.

Obs1: o raciocínio acima explicado vale também para adolescentes que tenham praticado atos infracionais. Obs2:
a regra e as exceções acima explicadas também valem para a reincidente. O simples fato de que a mulher ser
reincidente não faz com que ela perca o direito à prisão domiciliar. STF. 2ª Turma. HC 143641/SP. Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 20/2/2018 (Info 891).

Para a decretação da prisão preventiva, o art. 312 do CPP exige a prova da existência do crime. O decreto
prisional é, portanto, ilegal se descreve a conduta do paciente de forma genérica e imprecisa e não deixa claro,
em nenhum momento, os delitos a ele imputáveis e que justificariam a prisão preventiva. A liberdade de um
indivíduo suspeito da prática de infração penal somente pode sofrer restrições se houver decisão judicial
devidamente fundamentada, amparada em fatos concretos, e não apenas em hipóteses ou conjecturas, na
gravidade do crime ou em razão de seu caráter hediondo. O juiz pode dispor de outras medidas cautelares de
natureza pessoal, diversas da prisão, e deve escolher aquela mais ajustada às peculiaridades da espécie, de modo
a tutelar o meio social, mas também dar, mesmo que cautelarmente, resposta justa e proporcional ao mal
supostamente causado pelo acusado. No caso concreto, o STF entendeu que o perigo que a liberdade do paciente
representaria à ordem pública ou à aplicação da lei penal poderia ser mitigado por medidas cautelares menos
gravosas do que a prisão. Além disso, os fatos imputados ao paciente ocorreram há alguns anos (2011 a 2014),
não havendo razão para, agora (2018), ser decretada a prisão preventiva. Diante disso, o STF substituiu a prisão
preventiva pelas medidas cautelares diversas de: a) comparecimento periódico em juízo; b) proibição de manter
contato com os demais investigados; c) entrega do passaporte e proibição de deixar o País sem autorização do
juízo. STF. 2ª Turma. HC 157.604/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/9/2018 (Info 914).

Deve ser concedida a liberdade provisória a réu primário preso preventivamente sob a imputação de tráfico de
drogas por ter sido encontrado com 887,89 gramas de maconha e R$ 1.730,00. O STF considerou genéricas as
razões da segregação cautelar do réu. Além disso, reconheceu como de pouca nocividade a substância
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entorpecente apreendida (maconha). Reputou que a prisão de jovens pelo tráfico de pequena quantidade de
maconha é mais gravosa do que a eventual permanência em liberdade, pois serão fatalmente cooptados ou
contaminados por uma criminalidade mais grave ao ingressarem no ambiente carcerário. STF. 1ª Turma. HC
140379/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 23/10/2018 (Info 921).

PRISÃO DOMICILIAR
O art. 318, II, do CPP é chamado de prisão domiciliar humanitária. Em um caso concreto, o STF entendeu que
deveria conceder prisão humanitária ao réu tendo em vista o alto risco de saúde, a grande possibilidade de
desenvolver infecções no cárcere e a impossibilidade de tratamento médico adequado na unidade prisional ou
em estabelecimento hospitalar — tudo demostrado satisfatoriamente no laudo pericial. Considerou-se que a
concessão da medida era necessária para preservar a integridade física e moral do paciente, em respeito à
dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF). STF. 2ª Turma. HC 153961/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
27/3/2018 (Info 895).

PRISÃO DOMICILIAR DO CPP PRISÃO DOMICILIAR DA LEP


Arts. 317 e 318 do CPP. Art. 117 da LEP.
O CPP, ao tratar da prisão domiciliar, está se referindo A LEP, ao tratar da prisão domiciliar, está se referindo
à possibilidade de o réu, em vez de ficar em prisão à possibilidade de a pessoa já condenada cumprir a
preventiva, permanecer recolhido em sua residência. sua pena privativa de liberdade na própria residência.
Trata-se de uma medida cautelar que substitui a prisão Trata-se, portanto, da execução penal (cumprimento
preventiva pelo recolhimento da pessoa em sua da pena) na própria residência.
residência.
Hipóteses (importante): Hipóteses (importante):
O juiz poderá substituir a prisão preventiva pela O preso que estiver cumprindo pena no regime aberto
domiciliar quando o agente for: poderá ficar em prisão domiciliar quando se tratar de
condenado(a):
I — maior de 80 anos;
I — maior de 70 anos;
II — extremamente debilitado por motivo de doença
grave; II — acometido de doença grave;

III — imprescindível aos cuidados especiais de pessoa


menor de 6 anos de idade ou com deficiência; III — com filho menor ou deficiente físico ou mental;

IV — gestante; IV — gestante.

V — mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade


incompletos;

VI — homem, caso seja o único responsável pelos


cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade
incompletos.

OBS. Os magistrados, membros do MP, da Defensoria


e da advocacia têm direito à prisão cautelar em sala
de Estado-Maior. Caso não exista, devem ficar em
prisão domiciliar.
O juiz pode determinar que a pessoa fique usando O juiz pode determinar que a pessoa fique usando
uma monitoração eletrônica. uma monitoração eletrônica.

Não é cabível a substituição da prisão preventiva pela domiciliar quando o crime é praticado na própria
residência da agente, onde convive com filhos menores de 12 anos. STJ. 5ª Turma. HC 457.507/SP, Rel. Min.
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 20/09/2018. STJ. 6ª Turma. HC 441.781-SC, Rel. Min. Nefi Cordeiro,
julgado em 12/06/2018 (Info 629).

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SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO
De acordo com o art. 89 da Lei nº 9.099/95, a suspensão condicional do processo é instituto de política criminal,
benéfico ao acusado, que visa a evitar a sua sujeição a um processo penal, cujos requisitos encontram-se
expressamente previstos na norma em questão. É constitucional a norma do art. 89 da Lei nº 9.099/95, que
estabelece os requisitos para a concessão do benefício da suspensão condicional do processo, entre eles o de não
responder o acusado por outros delitos. Assim, a existência de ações penais em curso contra o denunciado
impede a concessão do sursis processual por força do art. 89 da Lei nº 9.099/95. STF. 1ª Turma. AP 968/SP, Rel.
Min. Luiz Fux, julgado em 22/5/2018 (Info 903). STF. 2ª Turma. RHC 133945 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado
em 21/06/2016.

TRIBUNAL DO JURI
A defesa sustentava a nulidade absoluta do processo, em razão da ausência das alegações finais por abandono
da causa pelo advogado. Sustentava, também, a violação ao devido processo legal, diante da modificação da tese
acusatória em plenário, sem que tivesse sido oportunizado o exercício do contraditório. O STF entendeu não ter
ocorrido nulidade processual, tendo em vista que, na audiência de instrução, a defesa técnica postulou a
impronúncia. Além disso, afirmou haver correlação entre o que foi arguido pelo Estado-acusador em plenário e a
pronúncia. Em outras palavras, o MP pediu a condenação do réu justamente pelos fatos que constavam na
pronúncia. STF. 1ª Turma. HC 129.263/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 15/5/2018 (Info 902).

Diante das peculiaridades do Tribunal do Júri, o fato de ter havido sustentação oral em plenário por tempo
reduzido não caracteriza, necessariamente, a deficiência de defesa técnica. STJ. 6ª Turma. HC 365.008-PB, Rel.
Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 17/04/2018 (Info 627). Obs: existe
decisão reconhecendo a ocorrência de nulidade pelo simples fato de a sustentação oral ter sido feita em poucos
minutos: STJ. 6ª Turma. HC 234.758-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 19/6/2012. No entanto,
entendo que a posição majoritária é no sentido que isso não conduz, obrigatoriamente, à nulidade, conforme
decidido no HC 365.008-PB.

Deve ser declarado nulo o júri em que membro do conselho de sentença afirma a existência de crime em plena
fala da acusação. Caso concreto: durante os debates no Plenário do Tribunal do Júri, o Promotor de Justiça estava
em pé na frente dos jurados apresentando seus argumentos. Em determinado momento, o Promotor fez uma
pergunta retórica: “aí, então, senhores jurados, eu pergunto a Vossas Excelências: qual foi a conduta que o réu
aqui presente praticou?” Uma das juradas acabou “soltando” a seguinte resposta: “é um crime”. O juiz presidente
do Júri imediatamente a advertiu dizendo: por favor, a senhora não pode se manifestar. O advogado, contudo,
na mesma hora requereu ao magistrado que consignasse este fato na ata de julgamento. O juiz decidiu que não
houve quebra da incomunicabilidade e seguiu com o julgamento. O réu foi condenado e a defesa recorreu
alegando, entre outros argumentos, que houve nulidade do julgamento por quebra da incomunicabilidade dos
jurados. O STJ anulou o júri. STJ. 6ª Turma. HC 436.241-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
19/06/2018 (Info 630)

Em caso de condenação pelo Tribunal do Júri, é possível a execução provisória da pena mesmo antes de o Tribunal
julgar a apelação interposta pela defesa?
1ª corrente: SIM. É possível a execução da condenação pelo Juiz Presidente do Tribunal do Júri,
independentemente do julgamento da apelação ou de qualquer outro recurso, em face do princípio da
soberania dos veredictos. Assim, nas condenações pelo Tribunal do Júri não é necessário aguardar julgamento
de recurso em segundo grau de jurisdição para a execução da pena. STF. 1ª Turma. HC 140449/RJ, rel. orig. Min.
Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 6/11/2018 (Info 922). STF. 1ª Turma. HC 118770
ED, Redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 04/06/2018.
2ª corrente: NÃO Não é possível a execução provisória da pena em face de decisão do júri sem que haja o
exaurimento em grau recursal das instâncias ordinárias, sob pena de macular o princípio constitucional da
presunção de inocência. A execução provisória da pena somente é admitida se o recurso pendente de julgamento
não tiver efeito suspensivo. STF. 2ª Turma. HC 136223, Rel. Min. Dias Toffoli, Segunda Turma, julgado em
25/04/2017. STJ. 5ª Turma. HC 438088, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 24/05/2018. STJ.
Presidente Min. Laurita Vaz, em decisão monocrática no HC 458.249, julgado em 12/07/2018.

Se a condenação proferida pelo júri foi anulada pelo Tribunal em recurso exclusivo da defesa, isso significa que
deverá ser realizado um novo júri, mas, em caso de nova condenação, a pena imposta neste segundo julgamento
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não poderá ser superior àquela fixada na sentença do primeiro júri. Em outras palavras, se apenas o réu recorreu
contra a sentença que o condenou e o Tribunal decidiu anular a sentença, determinando que outra seja
prolatada, esta nova sentença, se também for condenatória, não pode ter uma pena superior à que foi aplicada
na primeira. Isso é chamado de princípio da ne reformatio in pejus indireta, que tem aplicação também no
Tribunal do Júri. A soberania do veredicto dos jurados (art. 5º, XXXVIII, “c”, da CF/88) não autoriza a reformatio
in pejus indireta. STF. 2ª Turma. HC 165376/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 11/12/2018 (Info 927)

SUSTENTAÇÃO ORAL
A sustentação oral do representante do Ministério Público que diverge do parecer juntado ao processo, com
posterior ratificação, não viola a ampla defesa. STF. 1ª Turma. HC 140780/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado
em 30/10/2018 (Info 922).

NULIDADES
A condução do interrogatório do réu de forma firme e até um tanto rude durante o júri não importa,
necessariamente, em quebra da imparcialidade do magistrado e em influência negativa nos jurados. STJ. 6ª
Turma. HC 410.161-PR, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 17/04/2018 (Info 625).

Não há nulidade se o réu possui mais de um advogado constituído nos autos e a intimação para a sessão de
julgamento ocorre em nome de apenas um dos causídicos que, no entanto, já havia falecido, mas cuja morte
não tinha sido comunicada ao Tribunal. Vale ressaltar que, neste caso, não havia pedido da defesa para que
todos os advogados fossem intimados ou para que constasse o nome de um causídico em específico nas
publicações. Assim, estando o réu representado por mais de um advogado, basta, em regra, que a intimação seja
realizada em nome de um deles para a validade dos atos processuais, salvo quando houver requerimento
expresso para que as publicações sejam feitas de forma diversa. STJ. 5ª Turma. HC 270.534/SC, Rel. Min. Ribeiro
Dantas, julgado em 07/03/2017. STF. 1ª Turma. HC 138097/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto
Barroso, julgado em 23/10/2018 (Info 921). Cumpre esclarecer, no entanto, que, se, no processo estivesse
atuando apenas um advogado, neste caso, haveria nulidade: A intimação do julgamento da apelação em nome
do advogado falecido do réu, único causídico constituído nos autos, configura cerceamento de defesa apto a
ensejar a nulidade absoluta, já que impossibilitou a interposição de recurso pela defesa. STJ. 5ª Turma. HC
307.461/CE, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 14/08/2018. STJ. 6ª Turma. HC 301.274/CE, Rel. Min. Antonio
Saldanha Palheiro, julgado em 23/10/2018.

HABEAS CORPOS
O STF admitiu a possibilidade de habeas corpus coletivo. O habeas corpus se presta a salvaguardar a liberdade.
Assim, se o bem jurídico ofendido é o direito de ir e vir, quer pessoal, quer de um grupo determinado de pessoas,
o instrumento processual para resgatá-lo é o habeas corpus, individual ou coletivo. A ideia de admitir a existência
de habeas corpus coletivo está de acordo com a tradição jurídica nacional de conferir a maior amplitude possível
ao remédio heroico (doutrina brasileira do habeas corpus). Apesar de não haver uma previsão expressa no
ordenamento jurídico, existem dois dispositivos legais que, indiretamente, revelam a possibilidade de habeas
corpus coletivo. Trata-se do art. 654, § 2º e do art. 580, ambos do CPP. O art. 654, § 2º estabelece que compete
aos juízes e tribunais expedir ordem de habeas corpus de ofício. O art. 580 do CPP, por sua vez, permite que a
ordem concedida em determinado habeas corpus seja estendida para todos que se encontram na mesma
situação. Assim, conclui-se que os juízes ou Tribunais podem estender para todos que se encontrem na mesma
situação a ordem de habeas corpus concedida individualmente em favor de uma pessoa. Existem mais de 100
milhões de processos no Poder Judiciário, a cargo de pouco mais de 16 mil juízes, exigindo do STF que prestigie
remédios processuais de natureza coletiva com o objetivo de emprestar a máxima eficácia ao mandamento
constitucional da razoável duração do processo e ao princípio universal da efetividade da prestação
jurisdicional. Diante da inexistência de regramento legal, o STF entendeu que se deve aplicar, por analogia, o art.
12 da Lei nº 13.300/2016, que trata sobre os legitimados para propor mandado de injunção coletivo. Assim,
possuem legitimidade para impetrar habeas corpus coletivo: 1) o Ministério Público; 2) o partido político com
representação no Congresso Nacional; 3) a organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente
constituída e em funcionamento há pelo menos 1 (um) ano; 4) a Defensoria Pública. STF. 2ª Turma. HC 143641/SP.
Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/2/2018 (Info 891).

É cabível habeas corpus contra decisão judicial transitada em julgado? 1ª) SIM. Foi o que decidiu a 2ª Turma no
RHC 146327/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/2/2018 (Info 892). 2ª) NÃO. É a posição majoritária
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no STF e no STJ. Vale ressaltar que se houver alguma ilegalidade flagrante, o Tribunal poderá conceder a ordem
de ofício. STF. 2ª Turma. RHC 146327/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/2/2018 (Info 892).

A competência para julgar determinados habeas corpus é de uma das duas Turmas do STF (e não do Plenário).
Ex: HC contra decisão do STJ, em regra, é de competência de uma das Turmas do STF. O Ministro Relator do HC
no STF, em vez de submetê-lo à Turma, pode levá-lo para ser julgado pelo Plenário? SIM. Essa possibilidade
encontra-se prevista no art. 6º, II, “c” e no art. 21, XI, do RI/STF. Para fazer isso, o Relator precisa fundamentar
essa remessa? É necessário que o Relator apresente uma justificativa para que o caso seja levado ao Plenário?
NÃO. É possível a remessa de habeas corpus ao Plenário do STF, pelo relator, de forma discricionária, com
fundamento no art. 6º, II, “c” e no art. 21, XI, do RI/STF. STF. Plenário. HC 143333/PR, Rel. Min. Edson Fachin,
julgado em 11 e 12/4/2018 (Info 897)

A superveniência de sentença condenatória que mantém a prisão preventiva prejudica a análise do habeas
corpus que havia sido impetrado contra o título originário da custódia. Se, após o habeas corpus ser impetrado
contra a prisão preventiva, o juiz ou Tribunal prolata sentença/acórdão condenatório e mantém a prisão
anteriormente decretada, haverá uma alteração do título prisional e, portanto, o habeas corpus impetrado
contra prisão antes do julgamento não deverá ser conhecido. STF. Plenário. HC 143333/PR, Rel. Min. Edson Fachin,
julgado em 11 e 12/4/2018 (Info 897).

Não se admite agravo regimental contra decisão do Ministro Relator que, motivadamente, defere ou indefere
liminar em habeas corpus. STF. 2ª Turma. HC 157.604/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/9/2018 (Info
914).

MEDIDAS CAUTELARES
É possível que o Juiz de primeiro grau, fundamentadamente, imponha a parlamentares municipais as medidas
cautelares de afastamento de suas funções legislativas sem necessidade de remessa à Casa respectiva para
deliberação. STJ. 5ª Turma. RHC 88.804-RN, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 07/11/2017 (Info
617)

ELEITORAL
VACÂNCIA DE CARGOS POLÍTICOS
A Lei nº 13.165/2015 (minirreforma eleitoral de 2015) inseriu os §§ 3º e 4º ao art. 224 do Código Eleitoral. O § 3º
prevê que “a decisão da Justiça Eleitoral que importe o indeferimento do registro, a cassação do diploma ou a
perda do mandato de candidato eleito em pleito majoritário acarreta, após o trânsito em julgado, a realização
de novas eleições, independentemente do número de votos anulados.” O STF declarou a inconstitucionalidade
da expressão “após o trânsito em julgado” e decidiu que basta a exigência de decisão final da Justiça Eleitoral.
Assim, concluído o processo na Justiça Eleitoral (ex: está pendente apenas recurso extraordinário), a nova eleição
já pode ser realizada mesmo sem trânsito em julgado. O § 4º, por sua vez, determina que: § 4º A eleição a que se
refere o § 3º correrá a expensas da Justiça Eleitoral e será: I - indireta, se a vacância do cargo ocorrer a menos
de seis meses do final do mandato; II - direta, nos demais casos. O STF afirmou que esse § 4º deveria receber
uma interpretação conforme a Constituição, de modo a afastar do seu âmbito de incidência as situações de
vacância nos cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, bem como no de Senador da República. Vale
ressaltar que a regra do § 4º aplica-se aos cargos de Governador e Prefeito. STF. Plenário. ADI 5525/DF, Rel. Min.
Roberto Barroso, julgado em 7 e 8/3/2018 (Info 893).

É constitucional legislação federal que estabeleça novas eleições para os cargos majoritários simples — isto é,
Prefeitos de Municípios com menos de duzentos mil eleitores e Senadores da República — em casos de vacância
por causas eleitorais. Nas eleições para cargos majoritários simples não se exige 2º turno de votação. Assim, o §
3º do art. 224 do CE deve sim ser aplicado mesmo em casos de eleições para Prefeitos de Municípios com menos
de 200 mil eleitores e para Senadores, cargos para os quais não se exige 2º turno de votação. STF. Plenário. ADI
5619/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 7 e 8/3/2018 (Info 893)

68
VOTO IMPRESSO
É inconstitucional a lei que determina que, na votação eletrônica, o registro de cada voto deverá ser impresso
e depositado, de forma automática e sem contato manual do eleitor, em local previamente lacrado (art. 59-A
da Lei 9.504/97, incluído pela Lei 13.165/2015). Essa previsão acaba permitindo a identificação de quem votou,
ou seja, permite a quebra do sigilo, e, consequentemente, a diminuição da liberdade do voto, violando o art. 14
e o § 4º do art. 60 da Constituição Federal. Cabe ao legislador fazer a opção pelo voto impresso, eletrônico ou
híbrido, visto que a CF/88 nada dispõe a esse respeito, observadas, entretanto, as características do voto nela
previstas. O modelo híbrido trazido pelo art. 59-A constitui efetivo retrocesso aos avanços democráticos
conquistados pelo Brasil para garantir eleições realmente livres, em que as pessoas possam escolher os
candidatos que preferirem. STF. Plenário. ADI 5889/DF, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Alexandre
de Moraes, julgado em 6/6/2018 (Info 905).

TÍTULO DE ELEITOR
É válido o cancelamento do título do eleitor que, convocado por edital, não comparecer ao processo de revisão
eleitoral, em virtude do que dispõe o art. 14, caput, e § 1º da CF/88. São válidos o art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.444/85
e as Resoluções do TSE que preveem o cancelamento do título dos eleitores que não comparecerem à revisão
eleitoral. STF. Plenário. ADPF 541 MC/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 26/9/2018 (Info 917)

INELEGIBILIDADE
Ao se fazer uma interpretação conjugada dos §§ 5º e 7º do art. 14 da CF/88 chega-se à conclusão de que a intenção
do poder constituinte foi a de proibir que pessoas do mesmo núcleo familiar ocupem três mandatos consecutivos
para o mesmo cargo no Poder Executivo. Em outras palavras, a CF/88 quis proibir que o mesmo núcleo familiar
ocupasse três mandatos consecutivos de Prefeito, de Governador ou de Presidente. A vedação ao exercício de
três mandatos consecutivos de prefeito pelo mesmo núcleo familiar aplica-se também na hipótese em que tenha
havido a convocação do segundo colocado nas eleições para o exercício de mandato-tampão. Ex: de 2010 a 2012,
o Prefeito da cidade era Auricélio. Era o primeiro mandato de Auricélio. Seis meses antes das eleições, Auricélio
renunciou ao cargo. Em 2012, Hélio (cunhado de Auricélio) vence a eleição para Prefeito da mesma cidade. De
2013 a 2016, Hélio cumpre o mandato de Prefeito. Em 2016, Hélio não poderá se candidatar à reeleição ao cargo
de Prefeito porque seria o terceiro mandato consecutivo deste núcleo familiar. STF. 2ª Turma. RE 1128439/RN,
Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 23/10/2018 (Info 921).

INFIDELIDADE PARTIDÁRIA
O art. 1º da Resolução 22.610/2007, do TSE, previa que a criação de novo partido político era considerada como
justa causa para desfiliação, sem perda do mandato, desde que a nova filiação ocorresse em 30 dias da criação
da sigla. O art. 22-A da Lei nº 9.096/95, introduzido pela Lei nº 13.165, de 29 de setembro de 2015 (minirreforma
eleitoral de 2015), excluiu a criação de nova legenda como hipótese de justa causa para a desfiliação, sem perda
de mandato, por infidelidade partidária. Desse modo, a troca de partido, mesmo decorrente da criação de nova
legenda, passou a ser considerada como hipótese de infidelidade partidária, sujeita à perda do mandato. Ocorre
que, quando a Lei nº 13.165 foi editada, em 29/09/2015, 3 novos partidos haviam acabado de ser registrados no
TSE, de modo que estavam correndo seus prazos de 30 dias para que recebessem parlamentares detentores de
mandato eletivo, ao abrigo da justa causa de desfiliação. Diante disso, o Min. Roberto Barroso, em decisão
monocrática, entendeu que o art. 22-A não poderia ser aplicado para esses 3 partidos, sob pena de violação da
segurança jurídica, na modalidade direito adquirido, tanto das agremiações recém-criadas quanto dos
parlamentares que pretendiam se filiar a elas. Ele, então, determinou que esses 3 partidos tivessem direito de
receber de volta os 30 dias para que os detentores de mandatos eletivos pudessem se filiar a novas agremiações
que tenham sido registradas no TSE antes da entrada em vigor da lei impugnada. O Plenário do STF referendou
essa medida cautelar. STF. Plenário. ADI 5398/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 9/5/2018 (Info 901).

FUNDO PARTIDÁRIO
O art. 9º da Lei nº 13.165/2015 previu o seguinte: Art. 9º Nas três eleições que se seguirem à publicação desta
Lei, os partidos reservarão, em contas bancárias específicas para este fim, no mínimo 5% (cinco por cento) e no
máximo 15% (quinze por cento) do montante do Fundo Partidário destinado ao financiamento das campanhas
eleitorais para aplicação nas campanhas de suas candidatas, incluídos nesse valor os recursos a que se refere o
inciso V do art. 44 da Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995. O STF, ao julgar uma ADI proposta contra esse
dispositivo, decidiu: a) Dar interpretação conforme a Constituição ao art. 9º da Lei nº 13.165/2015, de modo a
equiparar o patamar legal mínimo de candidaturas femininas (hoje o do art. 10, § 3º, da Lei nº 9.504/97, isto é,
69
ao menos 30% de cidadãs), ao mínimo de recursos do Fundo Partidário a lhes serem destinados, que deve ser
interpretado como também de 30% do montante do Fundo alocado a cada partido, para as eleições majoritárias
e proporcionais, e fixar que, havendo percentual mais elevado de candidaturas femininas, o mínimo de recursos
globais do partido destinados a campanhas lhe seja alocado na mesma proporção. Assim, o montante de recursos
para as campanhas de mulheres deve ser proporcionalmente igual ao número de candidatas, sendo no mínimo
30%; b) Declarar a inconstitucionalidade da expressão “três”, contida no art. 9º da Lei nº 13.165/2015. A previsão
de recursos mínimos para as campanhas de candidatas não deve ter um prazo determinado considerando que
ela dura até que as desigualdades sejam corrigidas; c) Declarar a inconstitucionalidade, por arrastamento, do §
5º-A e do § 7º do art. 44 da Lei nº 9.096/95, que tratam dos recursos específicos para a criação e manutenção de
programas de promoção e difusão da participação política das mulheres. STF. Plenário. ADI 5617/DF, Rel. Min.
Edson Fachin, julgado em 15/3/2018 (Info 894).
Ao declarar inconstitucionais tais dispositivos, surgiu um “problema”: o que fazer com esses recursos que estavam
mantidos em contas bancárias específicas? Caso mantida na íntegra a decisão do dia 15/03/2018, os partidos não
poderiam fazer uso dos recursos do fundo partidário para as campanhas femininas. Isso iria contrariar o escopo
do próprio julgamento, pois o objetivo do STF foi o de fortalecer as candidaturas de mulheres. Diante desse
impasse, o STF, na sessão de 02/10/2018, resolveu modular os efeitos da decisão tomada no dia 15/03/2018 e
decidiu “aproveitar” tais recursos nas campanhas eleitorais de candidatas mulheres nas eleições de 2018. Veja
como o Supremo determinou a modulação: Os recursos financeiros de anos anteriores acumulados nas contas
específicas mencionadas pelos §§ 5º-A e 7º do art. 44 da Lei nº 9.096/95 devem ser adicionalmente transferidos
para as contas individuais das candidatas no financiamento de suas campanhas eleitorais no pleito geral de
2018, sem que haja a redução de 30% do montante do fundo alocado a cada partido para as candidaturas
femininas. STF. Plenário. ADI 5617 ED/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 2/10/2018 (Info 918).

FINANCIAMENTO CAMPANHA ELEITORAL


A parte final do § 12 do art. 28 da Lei nº 9.504/97 prevê a possibilidade de “doações ocultas” de pessoas físicas a
candidatos, ou seja, sem que os nomes dos doadores fiquem registrados na prestação de contas. Veja: "§ 12. Os
valores transferidos pelos partidos políticos oriundos de doações serão registrados na prestação de contas dos
candidatos como transferência dos partidos e, na prestação de contas dos partidos, como transferência aos
candidatos, sem individualização dos doadores." (Incluído pela Lei nº 13.165/2015) O STF julgou inconstitucional
a expressão “sem individualização dos doadores”, constante da parte final do § 12 do art. 28 da Lei nº 9.504/97,
acrescentado pela Lei 13.165/2015. Essa parte final do dispositivo suprime a transparência do processo eleitoral,
frustra o exercício da fiscalização pela Justiça Eleitoral e impede que o eleitor exerça, com pleno esclarecimento,
seu direito de escolha dos representantes políticos. Isso viola os princípios republicano e democrático (art. 1º, da
CF/88), além de representar afronta aos postulados da moralidade e da transparência. STF. Plenário. ADI 5394/DF,
Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 22/03/2018 (Info 895).

PROPAGANDA ELEITORAL
É constitucional o art. 25, § 2º, da Resolução 23.404/2014 do TSE, que proíbe a realização de propaganda eleitoral
via “telemarketing", em qualquer horário. STF. Plenário. ADI 5122, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/5/2018
(Info 900).

O art. 45, II e III da Lei nº 9.504/97 prevê que, depois do prazo para a realização das convenções no ano das
eleições, as emissoras de rádio e televisão, em sua programação normal e em seu noticiário, não podem: a) usar
trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem
candidato, partido ou coligação, ou produzir ou veicular programa com esse efeito (inciso II) e b) difundir opinião
favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, a seus órgãos ou representantes (segunda parte do inciso
III). Os §§ 4º e 5º explicam o que se entende por trucagem e por montagem. O STF decidiu que tais dispositivos
são INCONSTITUCIONAIS porque representam censura prévia. A liberdade de expressão autoriza que os meios
de comunicação optem por determinados posicionamentos e exteriorizem seu juízo de valor, bem como
autoriza programas humorísticos, “charges” e sátiras realizados a partir de trucagem, montagem ou outro
recurso de áudio e vídeo, como costumeiramente se realiza, não havendo nenhuma justificativa constitucional
razoável para a interrupção durante o período eleitoral. Vale ressaltar que, posteriormente, é possível a
responsabilização dos meios de comunicação e de seus agentes por eventuais informações mentirosas, injuriosas,
difamantes. O que não se pode é fazer uma censura prévia. São inconstitucionais quaisquer leis ou atos
normativos tendentes a constranger ou inibir a liberdade de expressão a partir de mecanismos de censura prévia.
STF. Plenário. ADI 4451/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 20 e 21/6/2018 (Info 907)
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LEI DA FICHA LIMPA
A condenação por abuso do poder econômico ou político em ação de investigação judicial eleitoral, transitada
em julgado, “ex vi” do artigo 22, inciso XIV, da Lei Complementar 64/90, em sua redação primitiva, é apta a atrair
a incidência da inelegibilidade do artigo 1º, inciso I, alínea "d", na redação dada pela Lei Complementar 135/2010,
aplicando-se a todos os processos de registros de candidatura em trâmite. STF. Plenário. RE 929670/DF, rel. orig.
Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado em 1º/3/2018 (repercussão geral) (Info 892).

RECURSO CONTRA EXPEDIÇÃO DE DIPLOMA


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é o órgão competente para julgar os Recursos Contra Expedição de Diploma
(RCED) nas eleições presidenciais e gerais (federais e estaduais). STF. Plenário. ADPF 167/DF, Rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 7/3/2018 (Info 893).

CRIME ELEITORAL
Candidato que omite, na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral, recursos utilizados em sua
campanha eleitoral, pratica o crime do art. 350 do Código Eleitoral. Vale ressaltar que o delito de falsidade
ideológica é crime formal. Não exige, portanto, o recolhimento do material não declarado. Caso concreto: Paulo
era candidato a Deputado Federal. A empresa de Paulo pagou R$ 168 mil de materiais gráficos para a campanha,
mas o candidato não declarou tais despesas na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral. STF. 1ª Turma.
AP 968/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22/5/2018 (Info 903)

TRIBUTÁRIO
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA
O art. 11 do Decreto-Lei nº 401/1968 prevê que “está sujeito ao desconto do imposto de renda na fonte o valor
dos juros remetidos para o exterior devidos em razão da compra de bens a prazo.” Vale ressaltar que o
contribuinte do imposto de renda previsto neste art. 11 é o vendedor (beneficiário dos valores residente no
exterior). O remetente dos juros (e que deve pagar o imposto de renda retido na fonte - IRRF) é o sujeito passivo
responsável por substituição, enquadrando-se nos conceitos previstos nos arts. 121, parágrafo único, II, e 128 do
CTN. Importante esclarecer que, se o adquirente do bem (e que está remetendo o dinheiro para o exterior) for
uma entidade imune, mesmo assim terá que fazer o recolhimento do IRRF. Ex: entidade beneficente de
assistência social adquire, a prazo, uma máquina de uma empresa do exterior; ao remeter os valores para essa
empresa, deverá reter, na fonte, o imposto de renda sobre os juros; mesmo esta entidade sendo imune, ela
deverá pagar o imposto de renda retido na fonte na condição de responsável por substituição. A imunidade
tributária não afeta a relação de responsabilidade tributária ou de substituição e não exonera o responsável
tributário ou o substituto. Assim, em suma: a imunidade tributária de entidade beneficente de assistência social
não a exonera do dever de, na condição de responsável por substituição, reter o imposto de renda sobre juros
remetidos ao exterior na compra de bens a prazo, na forma do art. 11 do DecretoLei nº 401/1968. STJ. 2ª Turma.
REsp 1.480.918-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Rel. Acd. Min. Herman Benjamin, julgado em 19/09/2017
(Info 618).

A apresentação anual de relatório circunstanciado das atividades exercidas por entidades beneficentes de
assistência social ao INSS, prevista na segunda parte do art. 55 da Lei nº 8.212/91, não configurava requisito
legal válido para a fruição da imunidade tributária prevista no art. 195, § 7º, da CF/88. A segunda parte do inciso
V do art. 55 da Lei nº 8.212/1991 não era requisito legal para a fruição da imunidade, mas sim uma mera obrigação
acessória com o fim de permitir a fiscalização do cumprimento da obrigação principal de aplicação integral dos
recursos da entidade beneficente nos objetivos institucionais (art. 14, II, do CTN). STJ. 1ª Turma. REsp 1.345.462-
RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 07/12/2017 (Info 619).

A imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “d”, da Constituição Federal, não abarca o maquinário utilizado
no processo de produção de livros, jornais e periódicos. A imunidade tributária visa à garantia e efetivação da
livre manifestação do pensamento, da cultura e da produção cultural, científica e artística. Assim, é extensível a
qualquer material assimilável a papel utilizado no processo de impressão e à própria tinta especial para jornal,
mas não é aplicável aos equipamentos do parque gráfico, que não são assimiláveis ao papel de impressão, por

71
não guardarem relação direta com a finalidade constitucional do art. 150, VI, “d”, da CF/88. STF. 1ª Turma. ARE
1100204/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 29/5/2018 (Info
904).

As Caixas de Assistência de Advogados encontram-se tuteladas pela imunidade recíproca prevista no art. 150,
VI, “a”, da Constituição Federal. A Caixa de Assistência dos Advogados é um “órgão” integrante da estrutura da
OAB, mas que possui personalidade jurídica própria. Sua finalidade principal é prestar assistência aos inscritos
no respectivo no Conselho Seccional (art. 62 da Lei nº 8.906/94). As Caixas de Assistências prestam serviço público
delegado e possuem status jurídico de ente público. Vale ressaltar ainda que elas não exploram atividades
econômicas em sentido estrito com intuito lucrativo. Diante disso, devem gozar da imunidade recíproca, tendo
em vista a impossibilidade de se conceder tratamento tributário diferenciado a órgãos integrantes da estrutura
da OAB. STF. Plenário. RE 405267/MG, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 6/9/2018 (Info 914)

Os bens e direitos que integram o patrimônio do fundo vinculado ao Programa de Arrendamento Residencial
(PAR), criado pela Lei nº 10.188/2001, beneficiam-se da imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “a”, da
Constituição Federal. STF. Plenário. RE 928902/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 17/10/2018
(repercussão geral) (Info 920).

PRESCRIÇÃO
Caso concreto: STF decidiu que determinada contribuição tributária era inconstitucional. Não houve modulação
dos efeitos. Contribuinte ajuizou ação pedindo a repetição do indébito, ou seja, a restituição dos valores pagos.
O debate envolve o prazo prescricional para essa pretensão. No momento em que o contribuinte ajuizou a ação,
o entendimento do STJ era no sentido de que o prazo prescricional tinha início a partir da data da declaração de
inconstitucionalidade da exação pelo STF no controle concentrado, ou de resolução do Senado Federal, no
controle difuso. Ocorre que, durante o curso da ação, o STJ promoveu revisão abrupta de sua jurisprudência para
considerar que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o transcurso do prazo prescricional ocorre
a partir do recolhimento indevido, independentemente da data da decisão do STF ou da Resolução do SF (REsp
435.835/SC). Com a aplicação do novo entendimento do STJ, o contribuinte – que já estava com a sua ação em
curso – teria seu pedido rejeitado por força da prescrição. O STF, contudo, não concordou com a aplicação
imediata do novo entendimento do STJ aos processos em curso. Para o Supremo, isso representa retroação da
regra de contagem do prazo prescricional às pretensões já ajuizadas, em afronta ao princípio da segurança jurídica
e aos postulados da lealdade, da boa-fé e da confiança legítima, sobre os quais se assenta o próprio Estado
Democrático de Direito. A modificação na jurisprudência em matéria de prescrição não pode retroagir para
considerar prescrita pretensão que não o era à época do ajuizamento da ação, em respeito ao posicionamento
anteriormente consolidado. Toda inflexão jurisprudencial que importe restrição a direitos dos cidadãos deve
observar certa regra de transição para produção de seus efeitos, levando em consideração os comportamentos
então tidos como legítimos, porquanto praticados em conformidade com a orientação prevalecente, em
homenagem aos valores e princípios constitucionais. STF. 2ª Turma. ARE 951533/ES, Rel. Min. Gilmar Mendes,
red. p/ o ac. acórdão o Min. Dias Toffoli, julgado em 12/6/2018 (Info 906)

SANÇÕES POLÍTICAS
O Estado não pode adotar sanções políticas para constranger o contribuinte ao pagamento de tributos em
atraso. STJ. 1ª Turma. RMS 53.989-SE, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 17/04/2018 (Info 626).

CONTRIBUIÇÕES
Se uma empresa se autoqualificou como prestadora de serviços, a ela deverá ser aplicada a majoração de alíquota
estabelecida para o cálculo da contribuição ao Finsocial. STF. Plenário. RE 193924 ED-EDv/DF, rel. Min. Edson
Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 16/5/2018 (Info 902).

É constitucional a contribuição adicional de 2,5% (dois e meio por cento) sobre a folha de salários instituída para
as instituições financeiras e assemelhadas pelo art. 3º, § 2º, da Lei nº 7.787/89, ainda que considerado o período
anterior à EC 20/98. STF. Plenário. RE 599309/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 6/6/2018
(repercussão geral) (Info 905).

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CONTRIBUIÇÃO SINDICAL
São compatíveis com a Constituição Federal os dispositivos da Lei nº 13.467/2017 (Reforma Trabalhista) que
extinguiram a obrigatoriedade da contribuição sindical e condicionaram o seu pagamento à prévia e expressa
autorização dos filiados. No âmbito formal, o STF entendeu que a Lei nº 13.467/2017 não contempla normas
gerais de direito tributário (art. 146, III, “a”, da CF/88). Assim, não era necessária a edição de lei complementar
para tratar sobre matéria relativa a contribuições. Também não se aplica ao caso a exigência de lei específica
prevista no art. 150, § 6º, da CF/88, pois a norma impugnada não disciplinou nenhum dos benefícios fiscais nele
mencionados, quais sejam, subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido,
anistia ou remissão. Sob o ângulo material, o STF afirmou que a Constituição assegura a livre associação
profissional ou sindical, de modo que ninguém é obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato (art. 8º, V,
da CF/88). O princípio constitucional da liberdade sindical garante tanto ao trabalhador quanto ao empregador a
liberdade de se associar a uma organização sindical, passando a contribuir voluntariamente com essa
representação. Não há nenhum comando na Constituição Federal determinando que a contribuição sindical é
compulsória. Não se pode admitir que o texto constitucional, de um lado, consagre a liberdade de associação,
sindicalização e expressão (art. 5º, IV e XVII, e art. 8º) e, de outro, imponha uma contribuição compulsória a todos
os integrantes das categorias econômicas e profissionais. STF. Plenário. ADI 5794/DF, Rel. Min. Edson Fachin, red.
p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado em 29/6/2018 (Info 908).

CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela
Lei nº 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção (RE 718874/RS,
red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 29 e 30/3/2017. Repercussão geral. Info 859). O STF rejeitou
os embargos de declaração opostos contra esta decisão e declarou que o entendimento deve ser mantido mesmo
após a edição da Resolução 15/2017 do Senado Federal. Além disso, o STF entendeu que não deveria haver
modulação dos efeitos da decisão. STF. Plenário. RE 718874 ED-primeiros a oitavos/RS, Rel. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 23/5/2018 (Info 903).

CRÉDITO TRIBUTÁRIO
Os créditos tributários provenientes do Adicional de Indenização do Trabalhador Portuário Avulso - AITP,
reconhecidos judicialmente, podem ser compensados com outros débitos tributários federais administrados pela
Secretaria da Receita Federal, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. STJ. 1ª Turma. REsp 1.738.282-ES, Rel.
Min. Gurgel de Faria, Rel. Acd. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 21/06/2018 (Info 631).

PARCELAMENTO TRIBUTÁRIO
O contribuinte pode optar pelo parcelamento de débitos considerados isoladamente, nos termos do art. 1º, §
2º, da Lei nº 11.941/2009, ainda que relativos a uma mesma Certidão da Dívida Ativa, não sendo possível o
parcelamento de uma fração de competência ou período de apuração.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.382.317-PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 21/11/2017 (Info 617)

As condições para a concessão de parcelamento tributário devem estrita observância ao princípio da legalidade
e não há autorização para que atos infralegais tratem de condições não previstas na lei de regência do benefício.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.739.641-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 21/06/2018 (Info 629).

PIS | COFINS
O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) não compõe a base de cálculo para a incidência
da contribuição para o PIS e a COFINS. STF. Plenário. RE 574706/PR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em
15/3/2017 (repercussão geral) (Info 857). STJ. 1ª Turma. REsp 1.100.739-DF, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em
27/02/2018 (Info 621)

É ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004,
porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como
definido nas Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003 e o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de
essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado
item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. STJ.
1ª Seção. REsp 1.221.170-PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 22/02/2018 (recurso repetitivo)
(Info 624).
73
São constitucionais a alíquota e a base de cálculo da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), previstas
no art. 72, V, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), destinada à composição do Fundo Social
de Emergência (FSE), nas redações da Emenda Constitucional Revisional 1/1994 e das Emendas Constitucionais
10/1996 e 17/1997, observados os princípios da anterioridade nonagesimal e da irretroatividade tributária. STF.
Plenário. RE 578846/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/6/2018 (repercussão geral) (Info 905).

É constitucional a majoração diferenciada de alíquotas em relação às contribuições sociais incidentes sobre o


faturamento ou a receita de instituições financeiras ou de entidades a elas legalmente equiparáveis. STF. Plenário.
RE 656089/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/6/2018 (repercussão geral) (Info 905).
Não ofende o art. 173, § 1º, II, da Constituição Federal a escolha legislativa de reputar não equivalente a situação
das empresas privadas com relação às sociedades de economia mista, às empresas públicas e suas respectivas
subsidiárias exploradoras de atividade econômica, para fins de submissão ao regime tributário das contribuições
para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público
(PASEP), à luz dos princípios da igualdade tributária e da seletividade no financiamento da Seguridade Social. STF.
Plenário.RE 577494/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 13/12/2018 (repercussão geral) (Info 927).

ITR
É constitucional a progressividade das alíquotas do ITR previstas na Lei nº 9.393/96 e que leva em consideração,
de maneira conjugada, o grau de utilização (GU) e a área do imóvel. Essa progressividade é compatível com o
art. 153, § 4º, I, da CF/88, seja na sua redação atual, seja na redação originária, ou seja, antes da EC 42/2003.
Mesmo no período anterior à EC 42/2003, era possível a instituição da progressividade em relação às alíquotas
do ITR. STF. 1ª Turma. RE 1038357 AgR/ SP, Rel. Min Dias Tóffoli, julgado em 6/2/2018 (Info 890)

IPI
Não é possível a sucessão processual em razão de cessão de crédito de título judicial, referente a crédito-prêmio
de IPI, com a finalidade de oportunizar a compensação tributária pela cessionária. STJ. 1ª Seção. EREsp
1.390.228-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 26/09/2018 (Info 636).

IR
A isenção prevista no art. 39, § 2º, da Lei nº 11.196/2005, alcança as hipóteses nas quais o produto da venda de
imóvel por pessoa física seja destinado, total ou parcialmente, à quitação ou amortização de financiamento de
outro imóvel residencial que o alienante já possui. STJ. 1ª Turma. REsp 1.668.268-SP, Rel. Min. Regina Helena
Costa, julgado em 13/03/2018 (Info 622). STJ. 2ª Turma. REsp 1469478/SC, Rel. Min. Herman Benjamin, Rel. p/
Acórdão Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 25/10/2016 (Info 594).

A remuneração percebida pelos atletas profissionais a título de direito de arena sujeita-se à incidência do
Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF. STJ. 1ª Turma. REsp 1.679.649-SP, Rel. Min. Regina Helena Costa,
julgado em 17/05/2018 (Info 626).

A parcela decorrente do INCC integra a receita bruta decorrente da venda do bem imóvel, sendo possível o seu
acréscimo à base de cálculo do lucro presumido para fins de incidência do imposto de renda. Isso significa que a
Receita Federal não pode cobrar o valor recebido pelas imobiliárias a título de INCC como se fosse “receita
financeira”, tributada em separado. Esses valores vão fazer parte da receita bruta decorrente da venda do bem
imóvel. STJ. 1ª Turma. REsp 1.298.441-GO, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 04/09/2018 (Info 633).

IRPJ CSLL
Crédito presumido de ICMS não integra a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. STJ. 1ª Seção. EREsp 1.517.492-PR,
Rel. Min. Og Fernandes, Rel. Acd. Min. Regina Helena Costa, julgado em 08/11/2017 (Info 618).

É constitucional a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), instituída pela Lei nº 7.689/88, sendo também
constitucionais as majorações de alíquotas efetivadas pela Lei nº 7.856/89, por obedecerem à anterioridade
nonagesimal. Por sua vez, a ampliação da base de cálculo, conforme o art. 1º, II, da Lei nº 7.988/89, a fim de se
compatibilizar com a anterioridade nonagesimal, só pode ser efetivada a partir do ano base de 1990. STF. Plenário.
RE 211446 ED-ED/GO, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 20/9/2018 (Info 916)

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ICMS
Em 2006, o STF julgou inconstitucional lei do Estado do Pará que concedia isenção, redução da base de cálculo,
diferimento, crédito presumido e suspensão do ICMS para os empreendimentos ali instalados. Entendeu-se que
houve violação do art. 155, § 2º, XII, letra “g” da CF/88. Agora, o STF rejeitou os embargos de declaração opostos
pelo Estado do Pará postulando a modulação dos efeitos da decisão. Os Ministros afirmaram que no julgamento
da ADI foi debatida a possibilidade de modulação dos efeitos, sendo essa proposta recusada pelo Colegiado.
Assim, entendeu-se que a decisão que julgou inconstitucional a lei deve ter efeitos retroativos (ex tunc). STF.
Plenário. ADI 3246 ED/PA, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 13/6/2018 (Info 906).

A empresa vendedora de boa-fé que evidencie a regularidade da operação interestadual realizada com cláusula
FOB (Free on Board) não pode ser objetivamente responsabilizada pelo pagamento do diferencial de alíquota
de ICMS em razão de a mercadoria não ter chegado ao destino declarado na nota fiscal. A despeito da
regularidade da documentação, o Fisco pode tentar comprovar que a empresa vendedora intencionalmente
participou de eventual fraude para burlar a fiscalização, concorrendo para a tredestinação da mercadoria
(mediante simulação da operação, por exemplo). Neste caso, sendo feita essa prova, a empresa vendedora
poderá ser responsabilizada pelo pagamento dos tributos que deixaram de ser oportunamente recolhidos. STJ.
1ª Seção. EREsp 1.657.359-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 14/03/2018 (Info 622).

Em adequação ao entendimento do Supremo Tribunal Federal, é devida a restituição da diferença do Imposto


sobre Circulação de Mercadorias e Serviços -ICMS pago a mais no regime de substituição tributária para frente
se a base de cálculo efetiva da operação for inferior à presumida. STJ. 1ª Turma. REsp 687.113-RS, Rel. Min.
Napoleão Nunes Maia Filho, por unanimidade, julgado em 05/04/2018 (Info 623).

Não incide ICMS sobre as operações financeiras realizadas no Mercado de Curto Prazo da Câmara de
Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). STJ. 1ª Turma. REsp 1.615.790-MG, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado
em 20/02/2018 (Info 623)

O ICMS é um imposto de competência estadual. Apesar disso, a CF/88 determina que o Estado deverá repassar
25% da receita do ICMS aos Municípios. Esse repasse será realizado após cálculos que são feitos para definir o
valor da cota-parte que caberá a cada Município, segundo critérios definidos pelo art. 158, parágrafo único da
CF/88 e pela lei estadual. A Constituição do Estado do Amapá previu que seria competência do TCE homologar os
cálculos das cotas do ICMS devidas aos Municípios. Este dispositivo é inconstitucional. Sujeitar o ato de repasse
de recursos públicos à homologação do TCE representa ofensa ao princípio da separação e da independência
dos Poderes. STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921)

É possível a descaracterização do contrato de arrendamento mercantil (leasing) se o prazo de vigência do


acordo celebrado não respeitar a vigência mínima estabelecida de acordo com a vida útil do bem arrendado.
Nos termos do art. 8º do anexo da Resolução nº 2.309/96 e art. 23 da Lei nº 6.099/74, o prazo mínimo de vigência
do contrato de arrendamento mercantil financeiro é de (i) dois anos, quando se tratar de bem com vida útil igual
ou inferior a cinco anos, e (ii) de três anos, se o bem arrendado tiver vida útil superior a cinco anos. Caso concreto:
o bem arrendado (pá-escavadeira) possui vida útil superior a cinco anos. Apesar disso, o ajuste previa o
arrendamento pelo prazo de apenas dois anos. Logo, foi desrespeitada a Resolução, ficando descaracterizado o
contrato de arrendamento mercantil. Ficando descaracterizado o leasing, é possível cobrar ICMS sobre esta
operação. STJ. 2ª Turma. REsp 1.569.840-MT, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 16/08/2018 (Info 632).

EXECUÇÃO FISCAL
Termo inicial do prazo de 1 ano: data da intimação da Fazenda Pública O prazo de 1 (um) ano de suspensão do
processo e do respectivo prazo prescricional previsto no art. 40, §§ 1º e 2º da Lei nº 6.830/80 (LEF) tem início
automaticamente na data da ciência da Fazenda Pública a respeito da não localização do devedor ou da
inexistência de bens penhoráveis no endereço fornecido, havendo, sem prejuízo dessa contagem automática,
o dever de o magistrado declarar ter ocorrido a suspensão da execução. Sem prejuízo do disposto
anteriormente: 1.1) nos casos de execução fiscal para cobrança de dívida ativa de natureza tributária (cujo
despacho ordenador da citação tenha sido proferido antes da vigência da Lei Complementar n. 118/2005), depois
da citação válida, ainda que editalícia, logo após a primeira tentativa infrutífera de localização de bens
penhoráveis, o Juiz declarará suspensa a execução; e, 1.2) em se tratando de execução fiscal para cobrança de
dívida ativa de natureza tributária (cujo despacho ordenador da citação tenha sido proferido na vigência da Lei
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Complementar nº 118/2005) e de qualquer dívida ativa de natureza não tributária, logo após a primeira tentativa
frustrada de citação do devedor ou de localização de bens penhoráveis, o Juiz declarará suspensa a execução.
Encerrado o prazo de 1 ano, inicia-se automaticamente a contagem do prazo prescricional Havendo ou não
petição da Fazenda Pública e havendo ou não pronunciamento judicial nesse sentido, findo o prazo de 1 (um) ano
de suspensão, inicia-se automaticamente o prazo prescricional aplicável (de acordo com a natureza do crédito
exequendo), durante o qual o processo deveria estar arquivado sem baixa na distribuição, na forma do art. 40, §§
2º, 3º e 4º da Lei n. 6.830/1980 - LEF, findo o qual o Juiz, depois de ouvida a Fazenda Pública, poderá, de ofício,
reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la de imediato.
Para interrupção do prazo prescricional é necessário requerimento da Fazenda Pública que acarrete efetiva
constrição ou efetiva citação A efetiva constrição patrimonial e a efetiva citação (ainda que por edital) são aptas
a interromper o curso da prescrição intercorrente, não bastando para tal o mero peticionamento em juízo,
requerendo, v.g., a feitura da penhora sobre ativos financeiros ou sobre outros bens. Os requerimentos feitos
pelo exequente, dentro da soma do prazo máximo de 1 (um) ano de suspensão mais o prazo de prescrição
aplicável (de acordo com a natureza do crédito exequendo) deverão ser processados, ainda que para além da
soma desses dois prazos, pois, citados (ainda que por edital) os devedores e penhorados os bens, a qualquer
tempo - mesmo depois de escoados os referidos prazos -, considera-se interrompida a prescrição intercorrente,
retroativamente, na data do protocolo da petição que requereu a providência frutífera. Falta de intimação da
Fazenda Pública e efetivo prejuízo A Fazenda Pública, em sua primeira oportunidade de falar nos autos (art. 278
do CPC/2015), ao alegar nulidade pela falta de qualquer intimação dentro do procedimento do art. 40 da LEF,
deverá demonstrar o prejuízo que sofreu (exceto a falta da intimação que constitui o termo inicial - Tema 566,
onde o prejuízo é presumido), por exemplo, deverá demonstrar a ocorrência de qualquer causa interruptiva ou
suspensiva da prescrição. Juiz, ao reconhecer a prescrição intercorrente, deverá demonstrar os marcos que foram
aplicados na contagem O magistrado, ao reconhecer a prescrição intercorrente, deverá fundamentar o ato judicial
por meio da delimitação dos marcos legais que foram aplicados na contagem do respectivo prazo, inclusive
quanto ao período em que a execução ficou suspensa. STJ. 1ª Seção. REsp 1.340.553-RS, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, julgado em 12/09/2018 (recurso repetitivo) (Info 635).

GERAL - FINANCEIRO
São inconstitucionais as normas que estabelecem vinculação de parcelas das receitas tributárias a órgãos, fundos
ou despesas, por desrespeitarem a vedação contida no art. 167, IV, da Constituição Federal. Caso concreto: STF
julgou inconstitucional o art. 226, § 1º da Constituição do Estado do Rio de Janeiro, que criou o Fundo de
Desenvolvimento Econômico e a ele destinou recursos provenientes do Fundo de Participação dos Estados. STF.
Plenário. ADI 553/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 13/6/2018 (Info 906).

EMPRESARIAL
MARCA
O uso indevido da marca acarreta dano material uma vez que a própria violação do direito revela-se capaz de
gerar lesão à atividade empresarial do titular. O uso indevido da marca provoca desvio de clientela e confusão
entre as empresas, acarretando indiscutivelmente dano material. Desse modo, se ficar demonstrado o uso
indevido de marca, o juiz deverá declarar a existência do dano (an debeatur). O quantum debeatur, por sua vez,
deverá ser apurado no âmbito da liquidação pelo procedimento comum, haja vista a necessidade de
comprovação de fatos novos, nos termos do art. 210 da LPI.
Quanto ao prejuízo extrapatrimonial, prevalece que o uso indevido da marca gera dano moral in re ipsa, ou
seja, sua configuração decorre da mera comprovação da prática de conduta ilícita - contrafação -, revelando-se
desnecessária a demonstração de prejuízos concretos ou a comprovação probatória do efetivo abalo moral. STJ.
4ª Turma. REsp 1.327.773-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 28/11/2017 (Info 619).

COMPETÊNCIA TRADE DRESS


As questões acerca do trade dress (conjunto-imagem) dos produtos, concorrência desleal e outras demandas
afins, por não envolver registro no INPI e cuidando de ação judicial entre particulares, é inequivocamente de
competência da Justiça estadual, já que não afeta interesse institucional da autarquia federal. No entanto,
compete à Justiça Federal, em ação de nulidade de registro de marca, com a participação do INPI, impor ao titular

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a abstenção do uso, inclusive no tocante à tutela provisória. STJ. 2ª Seção. REsp 1.527.232-SP, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, julgado em 13/12/2017 (recurso repetitivo) (Info 618).

SOCIEDADES
Cabe ação de regresso para ressarcimento de condenação relativa a obrigações tipicamente societárias
suportada exclusivamente por empresa cindida contra empresa resultante da cisão parcial, observando-se a
proporção do patrimônio recebido. Ex: a Tele Sudeste surgiu a partir da cisão parcial da Telebrás (a Tele Sudeste
é 2,42% do patrimônio original da Telebrás); determinado banco propôs ação contra a Telebrás e a Tele Sudeste
cobrando uma quantia decorrente de uma obrigação de debênture (obrigação societária) anterior à cisão; ambas
foram condenadas a pagar o valor total de R$ 5 milhões; a Telebrás cumpriu o julgado e quitou integralmente a
dívida; em seguida, a Telebrás ajuizou ação regressiva contra a Tele Sudeste cobrando 2,42% do valor pago pela
condenação judicial. STJ. 3ª Turma. REsp 1.642.118-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. Acd. Min. Marco
Aurélio Bellizze, julgado em 12/09/2017 (Info 619).

Legitimidade passiva da Telebrás, bem como das companhias cindendas (ou sucessoras destas), para a ação de
complementação de ações, na hipótese em que as ações originárias tenham sido emitidas pela Telebrás. A
legitimidade passiva para a demanda por complementação de ações é definida de acordo com as seguintes
hipóteses: 1) Contrato de participação financeira celebrado com companhia independente não controlada pela
TELEBRÁS (ex.: CRT S/A): legitimidade passiva da companhia independente, ou da sucessora desta (ex.: OI S/A);
2) Contrato de participação financeira celebrado com companhia local controlada pela TELEBRÁS (ex.: TELESC
S/A), e emissão originária de ações pela controlada: legitimidade passiva da TELEBRÁS, bem como das companhias
cindendas (ou sucessoras destas); 3) Contrato de participação financeira celebrado com companhia local
controlada pela TELEBRÁS, e emissão de ações pela TELEBRÁS: legitimidade passiva da TELEBRÁS, bem como das
companhias cindendas (ou sucessoras destas). STJ. 2ª Seção. REsp 1.633.801-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 23/05/2018 (recurso repetitivo) (Info 630).

A Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia, atual BM&F BOVESPA, não responde civilmente pelos prejuízos
decorrentes da negociação de ações mobiliárias mediante uso de procuração pública falsa que não lhe foi
apresentada. Constitui responsabilidade do agente de custódia (corretoras de valores) fiscalizar a regularidade
das procurações apresentadas para transferência de valores mobiliários. STJ. 3ª Turma. REsp 1.677.983-MG, Rel.
Min. Moura Ribeiro, julgado em 26/06/2018 (Info 632).

O critério do balancete mensal, previsto na Súmula 371 do STJ, é inaplicável aos contratos de participação
financeira em empresa de telefonia celebrados na modalidade Planta Comunitária de Telefonia - PCT. Súmula
371-STJ: Nos contratos de participação financeira para aquisição de linha telefônica, o valor patrimonial da ação
(VPA) é apurado com base no balancete do mês da integralização. STJ. 3ª Turma. REsp 1.742.233-SP, Rel. Min.
Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 02/10/2018 (Info 634).

SOCIEDADE ANONIMA
A pretensão do titular de ações de exigir contas da sociedade anônima referente ao pagamento de dividendos,
juros sobre capital próprio e demais rendimentos inerentes às respectivas ações prescreve em três anos.
Fundamento: art. 287, II, “a”, da Lei nº 6.404/76. STJ. 3ª Turma. REsp 1.608.048-SP, Rel. Min. Marco Aurélio
Bellizze, julgado em 22/05/2018 (Info 627).

RECUPERAÇÃO JUDICIAL
A ação de compensação por danos morais movida contra empresa em recuperação judicial não deve
permanecer suspensa até o trânsito em julgado da decisão final proferida no processo de soerguimento. STJ.
3ª Turma. REsp 1.710.750-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/05/2018 (Info 627).

O crédito derivado de fato ocorrido em momento anterior àquele em que requerida a recuperação judicial deve
sujeitar-se ao plano de soerguimento da sociedade devedora. STJ. 3ª Turma. REsp 1.727.771-RS, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 15/05/2018 (Info 626)

A Lei nº 11.101/2005, embora tenha excluído expressamente dos efeitos da recuperação judicial o crédito de
titular da posição de proprietário fiduciário de bens imóveis ou móveis, acentuou que os “bens de capital”, objeto
de garantia fiduciária, essenciais ao desenvolvimento da atividade empresarial, permanecem na posse da
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recuperanda durante o stay period. A conceituação de “bem de capital”, referido na parte final do § 3º do art.
49 da LRF, há de ser objetiva. Assim, “bem de capital” é o bem corpóreo (móvel ou imóvel) utilizado no processo
produtivo da empresa recuperanda e que não seja perecível nem consumível. STJ. 3ª Turma. REsp 1.758.746-
GO, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 25/09/2018 (Info 634)

FALÊNCIA
A competência para processar e julgar demandas cíveis com pedidos ilíquidos contra massa falida, quando em
litisconsórcio passivo com pessoa jurídica de direito público, é do juízo cível no qual for proposta a ação de
conhecimento, competente para julgar ações contra a Fazenda Pública, de acordo as respectivas normas de
organização judiciária.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.643.856-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 13/12/2017 (recurso repetitivo) (Info 617)

É desnecessária a apresentação de Certidão de Dívida Ativa (CDA) para habilitação, em processo de falência,
de crédito previdenciário resultante de decisão judicial trabalhista. STJ. 3ª Turma. REsp 1.591.141-SP, Rel. Min.
Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 05/12/2017 (Info 618). STJ. 4ª Turma. REsp 1.170.750-SP, Rel. Min. Luis
Felipe Salomão, julgado em 27/08/2013 (Info 530).

Não é cabível a restituição de quantia em dinheiro que se encontra depositada em conta corrente de banco
falido, em razão de contrato de trust. STJ. 3ª Turma. REsp 1.438.142-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino,
julgado em 15/05/2018 (Info 631).

É imprescindível a publicação na imprensa oficial do edital previsto no art. 7º, § 2º, da Lei nº 11.101/2005.
Assim, a Lei não permite que a publicação seja feita exclusivamente no jornal. Fundamento: art. 191 da Lei de
Falência. A leitura do caput do art. 191 revela que as publicações devem ser sempre feitas na imprensa oficial,
devendo ser, preferencialmente, feitas também mediante publicação em jornal ou revista de circulação se as
possibilidades financeiras do devedor ou da massa falida assim comportarem. Obs: o art. 7º, § 2º trata sobre o
edital contendo a relação feita pelo administrador judicial dos credores do falido. STJ. 3ª Turma. REsp 1.758.777-
PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/09/2018 (Info 633)

É cabível a interposição de agravo de instrumento contra decisões interlocutórias em processo falimentar e


recuperacional, ainda que não haja previsão específica de recurso na Lei nº 11.101/2005 (LREF). Fundamento:
interpretação extensiva do art. 1.015, parágrafo único, do CPC/2015. STJ. 4ª Turma. REsp 1.722.866-MT, Rel. Min.
Luis Felipe Salomão, julgado em 25/09/2018 (Info 635).

DIREITOS ANTIDUMPINGS
A retenção de mercadoria importada até o pagamento dos direitos antidumping não viola o enunciado da
Súmula 323 do STF. Súmula 323-STF: É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para
pagamento de tributos. A exigência do pagamento dos direitos antidumping como condição para a liberação das
mercadorias importadas não significa apreensão, mas tão somente a sua retenção enquanto se aguarda o
desembaraço aduaneiro. A retenção das mercadorias trazidas para o Brasil e a exigência de recolhimento dos
tributos e multa é um procedimento que integra a operação de importação. STJ. 1ª Turma. REsp 1.728.921-SC,
Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 16/10/2018 (Info 636).

SHOPPING CENTER
A cláusula prevista em convenção de condomínio de shopping center, permitindo a alguns condôminos
(lojistas) o uso, gozo e fruição de áreas comuns, não é, em regra, nula. STJ. 3ª Turma.REsp 1.677.737-RJ, Rel.
Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 19/06/2018 (Info 629)

CONSUMIDOR
APLICABILIDADE DO CDC
Súmula 602 STJ O Código de Defesa do Consumidor é aplicável aos empreendimentos habitacionais promovidos
pelas sociedades cooperativas.

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INAPLICABILIDADE DO CDC
É possível a limitação, por legislação internacional especial, do direito do passageiro à indenização por danos
materiais decorrentes de extravio de bagagem. STJ. 3ª Turma. REsp 673.048-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze,
julgado em 08/05/2018 (Info 626). Nos termos do art. 178 da Constituição da República, as normas e os tratados
internacionais limitadores da responsabilidade das transportadoras aéreas de passageiros, especialmente as
Convenções de Varsóvia e Montreal, têm prevalência em relação ao Código de Defesa do Consumidor. STF.
Plenário. RE 636331/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes e ARE 766618/SP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em
25/05/2017 (repercussão geral) (Info 866).

MP LEGITIMIDADE
Súmula 601 STJ O Ministério Público tem legitimidade ativa para atuar na defesa de direitos difusos, coletivos e
individuais homogêneos dos consumidores, ainda que decorrentes da prestação de serviço público.

Município tem legitimidade ad causam para ajuizar ação civil pública em defesa de direitos consumeristas
questionando a cobrança de tarifas bancárias. Em relação ao Ministério Público e aos entes políticos, que têm
como finalidades institucionais a proteção de valores fundamentais, como a defesa coletiva dos consumidores,
não se exige pertinência temática e representatividade adequada. STJ. 3ª Turma. REsp 1.509.586-SC, Rel. Min.
Nancy Andrighi, julgado em 15/05/2018 (Info 626).

O Ministério Público possui legitimidade ativa para postular em juízo a defesa de direitos transindividuais de
consumidores que celebram contratos de compra e venda de imóveis com cláusulas pretensamente abusivas. STJ.
Corte Especial.EREsp 1.378.938-SP,Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 20/06/2018 (Info 629). Vale a pena
relembrar: Súmula 601-STJ: O Ministério Público tem legitimidade ativa para atuar na defesa de direitos difusos,
coletivos e individuais homogêneos dos consumidores, ainda que decorrentes da prestação de serviço público.

CONCEITO DE CONSUMIDOR
Contrato de conta-corrente mantida entre corretora de Bitcoin e instituição financeira: não se aplica o CDC A
empresa corretora de Bitcoin que celebra contrato de conta-corrente com o banco para o exercício de suas
atividades não pode ser considerada consumidora. Não se trata de uma relação de consumo. A empresa
desenvolve a atividade econômica de intermediação de compra e venda de Bitcoins. Para realizar essa atividade
econômica, utiliza o serviço de conta-bancária oferecido pela instituição financeira. Desse modo, a utilização
desse serviço bancário (abertura de conta-corrente) tem o propósito de incrementar sua atividade produtiva de
intermediação, não se caracterizando, portanto, como relação jurídica de consumo, mas sim de insumo. Em
outras palavras, o serviço bancário de conta-corrente é utilizado como implemento de sua atividade empresarial,
não se destinando, pois, ao seu consumo final. Logo, não se aplicam as normas protetivas do Código de Defesa
do Consumidor. STJ. 3ª Turma. REsp 1.696.214-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 09/10/2018 (Info
636).

FORNECEDOR
Como regra geral, as sociedades consorciadas apenas se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato,
respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade, de acordo com o disposto no art.
278, § 1º, da Lei nº 6.404/76. Essa regra, no entanto, não é absoluta. Há solidariedade entre as sociedades
consorciadas em relação às obrigações derivadas de relação de consumo desde que essas obrigações guardem
correlação com a esfera de atividade do consórcio. Existe previsão nesse sentido no art. 28, § 3º do CDC, que
preconiza: “as sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste
código.” STJ. 3ª Turma. REsp 1.635.637-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 18/09/2018 (Info 633).

DIREITO A INFORMAÇÃO
O médico deverá ser condenado a pagar indenização por danos morais ao paciente que teve sequelas em
virtude de complicações ocorridas durante a cirurgia caso ele não tenha explicado ao paciente os riscos do
procedimento. O dever de informar é dever de conduta decorrente da boa-fé objetiva e sua simples
inobservância caracteriza inadimplemento contratual, fonte de responsabilidade civil per se. A indenização,
nesses casos, é devida pela privação sofrida pelo paciente em sua autodeterminação, por lhe ter sido retirada a
oportunidade de ponderar os riscos e vantagens de determinado tratamento que, ao final, lhe causou danos que
poderiam não ter sido causados caso não fosse realizado o procedimento, por opção do paciente. O dever de
informação é a obrigação que possui o médico de esclarecer o paciente sobre os riscos do tratamento, suas
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vantagens e desvantagens, as possíveis técnicas a serem empregadas, bem como a revelação quanto aos
prognósticos e aos quadros clínico e cirúrgico, salvo quando tal informação possa afetá-lo psicologicamente,
ocasião em que a comunicação será feita a seu representante legal. Para que seja cumprido o dever de
informação, os esclarecimentos deverão ser prestados de forma individualizada em relação ao caso do paciente,
não se mostrando suficiente a informação genérica (blanket consent). O ônus da prova quanto ao cumprimento
do dever de informar e obter o consentimento informado do paciente é do médico ou do hospital, orientado pelo
princípio da colaboração processual, em que cada parte deve contribuir com os elementos probatórios que mais
facilmente lhe possam ser exigidos. STJ. 4ª Turma. REsp 1.540.580-DF, Rel. Min. Lázaro Guimarães
(Desembargador Convocado do TRF 5ª Região), Rel. Acd. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 02/08/2018 (Info
632).

BANCO DE DADOS
Qual é o termo inicial do prazo máximo de 5 anos que o nome de devedor pode ficar inscrito em órgão de proteção
ao crédito? Os cadastros e bancos de dados não poderão conter informações negativas do consumidor referentes
a período superior a 5 anos (art. 43, § 1º do CDC). Passado esse prazo, o próprio órgão de cadastro deve retirar
a anotação negativa, independentemente de como esteja a situação da dívida (não importa se ainda está sendo
cobrada em juízo ou se ainda não foi prescrita). Qual é o termo inicial deste prazo de 5 anos? A partir de quando
ele começa a ser contado: do dia em que venceu a dívida ou da data em que o nome do consumidor foi inserido
no cadastro? O termo inicial do prazo máximo de cinco anos que o nome de devedor pode ficar inscrito em
órgão de proteção ao crédito é o dia seguinte à data de vencimento da dívida. STJ. 3ª Turma. REsp 1.630.889-
DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/09/2018 (Info 633). SPC/SERASA, quando forem inserir títulos que
estão protestados, deverão incluir a data de vencimento e controlar os prazos máximos que poderão ficar nos
bancos de dados As entidades mantenedoras de cadastros de proteção ao crédito não devem incluir em sua base
de dados informações coletadas dos cartórios de protestos sem a informação do prazo de vencimento da dívida,
sendo responsáveis pelo controle de ambos os limites temporais estabelecidos no art. 43 da Lei nº 8.078/90. STJ.
3ª Turma. REsp 1.630.889-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/09/2018 (Info 633).

INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA
Ressalvada a denominada Faixa 1, em que não há intermediação imobiliária, é válida a cláusula contratual que
transfere ao promitente-comprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem nos contratos de promessa
de compra e venda do Programa Minha Casa, Minha Vida, desde que previamente informado o preço total da
aquisição da unidade autônoma, com o destaque do valor da comissão de corretagem. STJ. 2ª Seção. REsp
1.601.149-RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
13/06/2018 (recurso repetitivo) (Info 630).

O incorporador só se acha habilitado a negociar unidades autônomas do empreendimento imobiliário depois que
registrar, no Registro de Imóveis, os documentos elencados no art. 32 da Lei nº 4.591/64. Descumprida essa
exigência legal, impõe-se a aplicação da multa do art. 35, § 5º, da mesma lei. É decenal o prazo prescricional
aplicável à ação do adquirente contra a incorporadora que visa a cobrança da multa prevista no art. 35, § 5º, da
Lei nº 4.591/64. Fundamento: art. 205 do Código Civil. Não se aplica o art. 27 do CDC porque este dispositivo é
restrito às ações que busquem a reparação de danos causados por fato do produto ou do serviço e essa situação
não se enquadra como fato do produto ou serviço (não se trata de acidente de consumo). STJ. 3ª Turma. REsp
1.497.254-ES, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 18/09/2018 (Info 633)

É abusiva a cláusula prevista em promessa de compra e venda que transfira para o promitente-comprador a
responsabilidade pelo pagamento da comissão de corretagem? NÃO. Segundo decidiu o STJ, é válida a cláusula
contratual que transfere ao promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem nos
contratos de promessa de compra e venda de unidade autônoma em regime de incorporação imobiliária, desde
que previamente informado o preço total da aquisição da unidade autônoma, com o destaque do valor da
comissão de corretagem (STJ. 2ª Seção. REsp 1.599.511-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em
24/8/2016). Imagine, no entanto, que o adquirente não foi informado previamente que ele teria a obrigação de
pagar a comissão de corretagem, ou seja, houve falha no dever de informar. Neste caso, ele poderá ajuizar ação
pedindo a restituição dos valores pagos. Qual é o prazo prescricional? 3 anos (art. 206, § 3º, IV, do Código Civil).
Qual é o termo inicial deste prazo prescricional? A data do efetivo pagamento. E se o pagamento foi parcelado?
Se o pagamento da comissão de corretagem foi parcelado, o prazo prescricional é contado da última parcela paga,
ou seja, da data em que o adquirente terminou de pagar (data do desembolso total). O termo inicial da prescrição
80
da pretensão de restituição dos valores pagos parceladamente a título de comissão de corretagem é a data do
efetivo pagamento (desembolso total). STJ. 3ª Turma. REsp 1.724.544-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em
02/10/2018 (Info 634).

PRÁTICA ABUSIVA
É lícita a conduta da prestadora de serviço que em período anterior à Resolução da ANATEL nº 528, de 17 de abril
de 2009, efetuava cobranças pelo aluguel de equipamento adicional e ponto extra de TV por assinatura.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.449.289-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Marco Buzzi, por maioria, julgado
em 14/11/2017 (Info 617)

É abusiva a prática comercial consistente no cancelamento unilateral e automático de um dos trechos da


passagem aérea, sob a justificativa de não ter o passageiro se apresentado para embarque no voo antecedente.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.595.731-RO, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 14/11/2017 (Info 618).

CORTE SERVIÇO PÚBLICO


Na hipótese de débito estrito de recuperação de consumo efetivo por fraude no aparelho medidor atribuída ao
consumidor, desde que apurado em observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa, é possível
o corte administrativo do fornecimento do serviço de energia elétrica, mediante prévio aviso ao consumidor,
pelo inadimplemento do consumo recuperado correspondente ao período de 90 (noventa) dias anterior à
constatação da fraude, contanto que executado o corte em até 90 (noventa) dias após o vencimento do débito,
sem prejuízo do direito de a concessionária utilizar os meios judiciais ordinários de cobrança da dívida, inclusive
antecedente aos mencionados 90 (noventa) dias de retroação. STJ. 1ª Seção. REsp 1.412.433-RS, Rel. Min. Herman
Benjamin, julgado em 25/04/2018 (recurso repetitivo) (Info 634).

PROTEÇÃO CONTRATUAL
Em compras realizadas na internet, o fato de o consumidor ser penalizado com a obrigação de arcar com multa
moratória, prevista no contrato com a financeira, quando atrasa o pagamento de suas faturas de cartão de crédito
não autoriza a imposição, por sentença coletiva, de cláusula penal ao fornecedor de bens móveis, nos casos de
atraso na entrega da mercadoria e na demora de restituição do valor pago quando do exercício do direito do
arrependimento. STJ. 4ª Turma. REsp 1.412.993-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Maria Isabel
Gallotti, julgado em 08/05/2018 (Info 628).

É lícito o desconto em conta-corrente bancária comum, ainda que usada para recebimento de salário, das
prestações de contrato de empréstimo bancário livremente pactuado, sem que o correntista, posteriormente,
tenha revogado a ordem. STJ. 2ª Seção. REsp 1.555.722-SP, Rel. Min. Lázaro Guimarães (Desembargador
Convocado do TRF 5ª Região), julgado em 22/08/2018 (Info 634).

CORPO ESTRANHO NO ALIMENTO


Ao observar o inteiro teor dos julgados e os casos examinados, percebe-se a seguinte distinção:
• Se o consumidor encontra o corpo estranho sem ter comido nada do produto: não cabem danos morais.
• Se o consumidor encontra o corpo estranho após ter comido parte do produto: cabem danos morais, mesmo
que ele não tenha ingerido o corpo estranho. Por isso, no caso do biscoito, caberiam danos morais.

PLANO DE SAÚDE
A Lei nº 9.656/98, que disciplina os planos e seguros privados de assistência à saúde, é constitucional. Este
diploma, contudo, não pode ser aplicado para contratos celebrados antes de sua vigência. Assim, são
inconstitucionais os dispositivos da Lei nº 9.656/98 que determinavam a sua aplicação para contratos celebrados
antes da sua edição. STF. Plenário. ADI 1931/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 7/2/2018 (Info 890)

Não é válida a rescisão unilateral imotivada de plano de saúde coletivo empresarial por parte da operadora em
face de microempresa com apenas dois beneficiários. No caso concreto, havia um contrato coletivo atípico e
que, portanto, merecia receber tratamento como se fosse um contrato de plano de saúde individual. Isso porque
a pessoa jurídica contratante é uma microempresa e são apenas dois os beneficiários do contrato, sendo eles
hipossuficientes frente à operadora do plano de saúde. No contrato de plano de saúde individual é vedada a
rescisão unilateral, salvo por fraude ou não-pagamento da mensalidade. STJ. 3ª Turma. REsp 1.701.600-SP, Rel.
Min. Nancy Andrighi, julgado em 06/03/2018 (Info 621).
81
Súmula 609 STJ A recusa de cobertura securitária, sob a alegação de doença preexistente, é ilícita se não houve
a exigência de exames médicos prévios à contratação ou a demonstração de má-fé do segurado.

Súmula 608 STJ Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde, salvo os
administrados por entidades de autogestão.

A operadora de plano de saúde não pode negar o fornecimento de tratamento prescrito pelo médico sob o
pretexto de que a sua utilização em favor do paciente está fora das indicações descritas na bula/manual
registrado na ANVISA (uso off-label) . STJ. 3ª Turma. REsp 1.721.705-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
28/08/2018 (Info 632).

Nos planos de saúde coletivos custeados exclusivamente pelo empregador não há direito de permanência do
ex-empregado aposentado ou demitido sem justa causa como beneficiário, salvo disposição contrária expressa
prevista em contrato ou em acordo/convenção coletiva de trabalho, não caracterizando contribuição o
pagamento apenas de coparticipação, tampouco se enquadrando como salário indireto. STJ. 3ª Turma. REsp
1.594.346-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 9/8/2016 (Info 588). STJ. 2ª Seção. REsp 1.680.318-
SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 22/08/2018 (recurso repetitivo) (Info 632).

Não é abusiva a cláusula de coparticipação expressamente contratada e informada ao consumidor para a


hipótese de internação superior a 30 (trinta) dias decorrentes de transtornos psiquiátricos. Não há abusividade
porque o objetivo dessa cobrança é manter o equilíbrio entre as prestações e contraprestações que envolvem a
gestão dos custos dos contratos de planos de saúde. STJ. 2ª Seção. EAREsp 793.323-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 10/10/2018 (Info 635).

RESPONSABILIDADE PELO VÍCIO DO PRODUTO


Se o produto que o consumidor comprou apresenta um vício, ele tem o direito de ter esse vício sanado no prazo
de 30 dias (art. 18, § 1º do CDC). Para tanto, o consumidor pode escolher para quem levará o produto a fim de
ser consertado: a) para o comerciante; b) para a assistência técnica ou c) para o fabricante. Em outras palavras,
cabe ao consumidor a escolha para exercer seu direito de ter sanado o vício do produto em 30 dias: levar o
produto ao comerciante, à assistência técnica ou diretamente ao fabricante. STJ. 3ª Turma. REsp 1.634.851-RJ,
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/09/2017 (Info 619).

A ação de indenização por danos materiais proposta por consumidor contra construtora em virtude de vícios
de qualidade e de quantidade do imóvel adquirido tem prazo prescricional de 10 anos, com fundamento no art.
205 do CC/2002. Não se aplica o prazo decadencial do art. 26 do CDC. O art. 26 trata do prazo que o consumidor
possui para exigir uma das alternativas previstas no art. 20 do CDC. Não se trata de prazo prescricional. Não se
aplica o prazo do art. 27 do CDC porque este se refere apenas a fato do produto. STJ. 3ª Turma. REsp 1.534.831-
DF, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/02/2018 (Info 620).

RESPONSABILIDADE PELO FATO DO SERVIÇO


A Bancorbrás é parte legítima para figurar no polo passivo de ação indenizatória de dano moral decorrente de
defeito do serviço prestado por hotel integrante de sua rede conveniada. STJ. 4ª Turma. REsp 1.378.284-PB, Rel.
Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 08/02/2018 (Info 620).

A alteração substancial e unilateral do contrato firmado de transporte aéreo para terrestre impede a utilização
da excludente de fortuito externo para eximir a empresa de transporte aéreo da responsabilidade civil por
danos causados por roubo ao ônibus. STJ. 3ª Turma. REsp 1.728.068-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado
em 05/06/2018 (Info 627).

A concessionária de transporte ferroviário pode responder por dano moral sofrido por passageira, vítima de
assédio sexual, praticado por outro usuário no interior do trem. STJ. 1ª Turma. REsp 1.662.551-SP, Rel. Min.
Nancy Andrighi, julgado em 15/05/2018 (Info 628).

82
AMBIENTAL
SÚMULA 613 STJ Não se admite a aplicação da teoria do fato consumado em tema de Direito Ambiental.

SÚMULA 618 STJ: A inversão do ônus da prova aplica-se às ações de degradação ambiental.

SISNAMA
É inconstitucional, por violar o princípio da separação dos poderes, lei estadual que exige autorização prévia
do Poder Legislativo estadual (Assembleia Legislativa) para que sejam firmados instrumentos de cooperação
pelos órgãos componentes do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA. Também é inconstitucional lei
estadual que afirme que Fundação estadual de proteção do meio ambiente só poderá transferir responsabilidades
ou atribuições para outros órgãos componentes do SISNAMA se houver aprovação prévia da Assembleia
Legislativa. STF. Plenário. ADI 4348/RR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 10/10/2018 (Info 919).

ANIMAIS
Viola a Constituição Federal lei municipal que proíbe o trânsito de veículos, sejam eles motorizados ou não,
transportando cargas vivas nas áreas urbanas e de expansão urbana do Município. Essa lei municipal invade a
competência da União. O Município, ao inviabilizar o transporte de gado vivo na área urbana e de expansão
urbana de seu território, transgrediu a competência da União, que já estabeleceu, à exaustão, diretrizes para a
política agropecuária, o que inclui o transporte de animais vivos e sua fiscalização. Além disso, sob a justificativa
de criar mecanismo legislativo de proteção aos animais, o legislador municipal impôs restrição desproporcional.
Esta desproporcionalidade fica evidente quando se verifica que a legislação federal já prevê uma série de
instrumentos para garantir, de um lado, a qualidade dos produtos destinados ao consumo pela população e, de
outro, a existência digna e a ausência de sofrimento dos animais, tanto no transporte quanto no seu abate. STF.
Plenário. ADPF 514 e ADPF 516 MC-REF/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em 11/10/2018 (Info 919).

INFRAÇÃO AMBIENTAL
O art. 2º, § 6º, inc. VIII, do Decreto nº 3.179/1999 (redação original), quando permite a liberação de veículos e
embarcações mediante pagamento de multa, não é compatível com o que dispõe o art. 25, § 4º, da Lei n.
9.605/1998; entretanto, não há ilegalidade quando o referido dispositivo regulamentar admite a instituição do
depositário fiel na figura do proprietário do bem apreendido por ocasião de infração nos casos em que é
apresentada defesa administrativa - anote-se que não se está defendendo a simplória liberação do veículo, mas
a devolução com a instituição de depósito (e os consectários legais que daí advêm), observado, entretanto, que
a liberação só poderá ocorrer caso o veículo ou a embarcação estejam regulares na forma das legislações de
regência (Código de Trânsito Brasileiro, p. ex.). STJ. 1ª Seção. REsp 1.133.965-BA, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, julgado em 25/04/2018 (recurso repetitivo) (Info 625).

CÓDIGO FLORESTAL
O STF analisou a constitucionalidade do Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) e decidiu: 1) declarar a
inconstitucionalidade das expressões “gestão de resíduos” e “instalações necessárias à realização de competições
esportivas estaduais, nacionais ou internacionais”, contidas no art. 3º, VIII, b, da Lei nº 12.651/2012; 2) dar
interpretação conforme a Constituição ao art. 3º, VIII e IX, da Lei, de modo a se condicionar a intervenção
excepcional em APP, por interesse social ou utilidade pública, à inexistência de alternativa técnica e/ou
locacional à atividade proposta; 3) deve-se dar interpretação conforme a Constituição ao art. 3º, XVII e ao art.
4º, IV, para fixar a interpretação de que os entornos das nascentes e dos olhos d´água intermitentes configuram
área de preservação permanente; 4) declarar a inconstitucionalidade das expressões “demarcadas” e “tituladas”,
contidas no art. 3º, parágrafo único; 5) deve-se dar interpretação conforme a Constituição ao art. 48, § 2º, para
permitir compensação apenas entre áreas com identidade ecológica; 6) deve-se dar interpretação conforme a
Constituição ao art. 59, §§ 4º e 5º, de modo a afastar, no decurso da execução dos termos de compromissos
subscritos nos programas de regularização ambiental, o risco de decadência ou prescrição, seja dos ilícitos
ambientais praticados antes de 22.7.2008, seja das sanções deles decorrentes, aplicando-se extensivamente o
disposto no § 1º do art. 60 da Lei 12.651/2012, segundo o qual “a prescrição ficará interrompida durante o período
de suspensão da pretensão punitiva”. Todos os demais dispositivos da Lei foram considerados constitucionais.
STF. Plenário. ADC 42/DF, ADI 4901/DF, ADI 4902/DF, ADI 4903/DF e ADI 4937/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em
28/2/2018 (Info 892)
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UNIDADE DE CONSERVAÇÃO
É inconstitucional a redução ou a supressão de espaços territoriais especialmente protegidos, como é o caso
das unidades de conservação, por meio de medida provisória. Isso viola o art. 225, § 1º, III, da CF/88. Assim, a
redução ou supressão de unidade de conservação somente é permitida mediante lei em sentido formal. A medida
provisória possui força de lei, mas o art. 225, § 1º, III, da CF/88 exige lei em sentido estrito. A proteção ao meio
ambiente é um limite material implícito à edição de medida provisória, ainda que não conste expressamente
do elenco das limitações previstas no art. 62, § 1º, da CF/88. STF. Plenário. ADI 4717/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 5/4/2018 (Info 896).

APP
É inconstitucional lei estadual prevendo que é possível a supressão de vegetal em Área de Preservação
Permanente (APP) para a realização de “pequenas construções com área máxima de 190 metros quadrados,
utilizadas exclusivamente para lazer”. Essa lei possui vícios de inconstitucionalidade formal e material. Há
inconstitucionalidade formal porque o Código Florestal (lei federal que prevê as normas gerais sobre o tema, nos
termos do art. 24, § 1º, da CF/88) não permite a instalação em APP de qualquer tipo de edificação com finalidade
meramente recreativa. Existe também inconstitucionalidade material porque houve um excesso e abuso da lei
estadual ao relativizar a proteção constitucional ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, cujo titular é a
coletividade, em face do direito de lazer individual. STF. Plenário. ADI 4988/TO, Rel. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 19/9/2018 (Info 916).

OGM
A competência para legislar sobre as atividades que envolvam organismos geneticamente modificados (OGM) é
concorrente (art. 24, V, VIII e XII, da CF/88). No âmbito das competências concorrentes, cabe à União estabelecer
normas gerais e aos Estados-membros editar leis para suplementar essas normas gerais (art. 24, §§ 1º e 2º).
Determinado Estado-membro editou lei estabelecendo que toda e qualquer atividade relacionada com os OGMs
naquele Estado deveria observar “estritamente à legislação federal específica”. O STF entendeu que essa lei
estadual é inconstitucional porque significou uma verdadeira “renúncia” ao exercício da competência legislativa
concorrente prevista no art. 24, V, VIII e XII, da CF/88. Em outras palavras, o Estado abriu mão de sua competência
suplementar prevista no art. 24, § 2º da CF/88. Essa norma estadual remissiva fragiliza a estrutura federativa
descentralizada, e consagra o monopólio da União, sem atentar para nuances locais. STF. Plenário. ADI 2303/RS,
Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 5/9/2018 (Info 914).

ECA
DIGNIDADE | DANO MORAL COLETIVO
A conduta de emissora de televisão que exibe quadro que, potencialmente, poderia criar situações
discriminatórias, vexatórias, humilhantes às crianças e aos adolescentes configura lesão ao direito
transindividual da coletividade e dá ensejo à indenização por dano moral coletivo. Caso concreto: existia um
programa de TV local no qual o apresentador abria ao vivo testes de DNA e acabava expondo as crianças e
adolescentes ao ridículo, especialmente quando o resultado do exame era negativo. As crianças e adolescentes
não participavam do programa, apenas seus pais. No entanto, o apresentador utilizava expressões jocosas e
depreciativas em relação à concepção dos menores. STJ. 4ª Turma. REsp 1.517.973-PE, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, julgado em 16/11/2017 (Info 618)

PARTICIPAÇÃO EM ESPETÁCULOS
Compete à Justiça Comum Estadual (juízo da infância e juventude) apreciar os pedidos de alvará visando a
participação de crianças e adolescentes em representações artísticas. Não se trata de competência da Justiça do
Trabalho. O art. 114, I e IX, da CF/88 não abrange os casos de pedido de autorização para participação de crianças
e adolescentes em eventos artísticos, considerando que não há, no caso, conflito atinente a relação de trabalho.
Trata-se de pedido de conteúdo nitidamente civil. STF. Plenário. ADI 5326/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado
em 27/9/2018 (Info 917).

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GUARDA
A Vara Especializada da Violência Doméstica ou Familiar Contra a Mulher possui competência para o
julgamento de pedido incidental de natureza civil, relacionado à autorização para viagem ao exterior e guarda
unilateral do infante, na hipótese em que a causa de pedir de tal pretensão consistir na prática de violência
doméstica e familiar contra a genitora.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.550.166-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 21/11/2017 (Info 617 )

ADOÇÃO
Para que haja a decretação da perda do poder familiar da mãe biológica em razão da suposta entrega da filha
para adoção irregular (“adoção à brasileira”), é indispensável a realização do estudo social e avaliação psicológica
das partes litigantes. Por envolver interesse de criança, a questão deve ser solucionada com observância dos
princípios da proteção integral e do melhor interesse dela e do adolescente, previstos na CF e no ECA. Para
constatação da “adoção à brasileira”, em princípio, o estudo psicossocial da criança, do pai registral e da mãe
biológica não se mostra necessário. Contudo, como o reconhecimento de sua ocorrência (“adoção à brasileira”)
foi fator preponderante para a destituição do poder familiar, a realização da perícia se mostra imprescindível
para aferição da presença de causa para a excepcional medida de destituição e para constatação de existência de
uma situação de risco para a infante, caracterizando cerceamento de defesa o seu indeferimento. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.674.207-PR, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 17/04/2018 (Info 624).

ATO INFRACIONAL
Súmula 605 STJ A superveniência da maioridade penal não interfere na apuração de ato infracional nem na
aplicabilidade de medida socioeducativa em curso, inclusive na liberdade assistida, enquanto não atingida a
idade de 21 anos.

A superveniência da maioridade penal não interfere na apuração de ato infracional nem na aplicabilidade de
medida socioeducativa em curso, inclusive na liberdade assistida, enquanto não atingida a idade de 21 anos. STJ.
3ª Seção. REsp 1.705.149-RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 13/06/2018 (recurso repetitivo) (Info
630). Súmula 605-STJ: A superveniência da maioridade penal não interfere na apuração de ato infracional nem na
aplicabilidade de medida socioeducativa em curso, inclusive na liberdade assistida, enquanto não atingida a idade
de 21 anos. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 14/03/2018, DJe 19/03/2018

INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA
O art. 249 do ECA prevê, como infração administrativa: Art. 249. Descumprir, dolosa ou culposamente, os deveres
inerentes ao poder familiar ou decorrente de tutela ou guarda, bem assim determinação da autoridade judiciária
ou Conselho Tutelar: Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de
reincidência. Até se admite que, por meio de decisão judicial fundamentada, o magistrado deixe de aplicar a
sanção pecuniária do art. 249 e, em seu lugar, faça incidir outras medidas mais adequadas e eficazes para a
situação específica. No entanto, a hipossuficiência financeira ou a vulnerabilidade familiar não é suficiente, por
si só, para afastar a multa prevista no art. 249 do ECA. STJ. 3ª Turma. REsp 1.658.508-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 23/10/2018 (Info 636).

MEDIDA SOCIOEDUCATIVA
A Defensoria Pública pode ter acesso aos autos de procedimento verificatório instaurado para inspeção judicial
e atividade correicional de unidade de execução de medidas socioeducativas. STJ. 6ª Turma. RMS 52.271-SP,
Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/06/2018 (Info 629).

RECURSO
A técnica de julgamento do art. 942 é aplicada no caso de apelação não unânime em processo no qual se apura a
prática de ato infracional por adolescente? 5ª Turma do STJ: SIM Admite-se a incidência do art. 942 do CPC/2015
para complementar o julgamento da apelação julgada por maioria nos procedimentos relativos ao estatuto do
menor. STJ. 5ª turma. AgRg no REsp 1.673.215-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 17/05/2018
(Info 627). 6ª Turma do STJ: DEPENDE • Se a decisão não unânime foi favorável ao adolescente infrator: não se
deve aplicar o art. 942 do CPC/2015. • Se a decisão não unânime foi contrária ao adolescente infrator: deve-se
aplicar o art. 942. É inaplicável a técnica de julgamento prevista no artigo 942 do CPC/2015 nos procedimentos
afetos à Justiça da Infância e da Juventude quando a decisão não unânime for favorável ao adolescente. A
aplicação da técnica de julgamento prevista no art. 942 do CPC, quando a decisão não unânime for favorável ao
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adolescente, implicaria em conferir ao menor tratamento mais gravoso que o atribuído ao réu penalmente
imputável, já que os embargos infringentes e de nulidade previstos no art. 609 do CPP somente são cabíveis se
o julgamento tomado por maioria for contrário ao réu. Ora, se não cabem embargos infringentes do art. 609 do
CPP quando o acórdão não unânime foi favorável ao réu, com maior razão também não se pode admitir a técnica
do art. 942 do CPC se o acórdão não unânime foi favorável ao adolescente infrator. STJ. 6ª Turma. 6ª Turma. REsp
1.694.248-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 03/05/2018 (Info 626).

INTERNACIONAL
HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇA ESTRANGEIRA
A ausência de jurisdição brasileira conduz necessariamente à falta de interesse processual na homologação de
provimento estrangeiro. Ex: Juan, cidadão equatoriano, ajuizou, no Equador, ação de indenização contra uma
empresa norte-americana. A justiça equatoriana condenou a empresa a pagar indenização em favor do autor.
Juan ingressou, então, com pedido de homologação desta sentença estrangeira no Brasil. Vale ressaltar que Juan
não tem domicílio no Estado brasileiro. Neste caso concreto, a sentença não envolve partes brasileiras ou
domiciliadas no país, tampouco a lide originária se refere a fatos ocorridos no Brasil, nem a sentença
homologanda impôs qualquer obrigação a ser cumprida em território nacional. Deste modo, a ausência de
jurisdição brasileira conduz necessariamente à falta de interesse processual do requerente. STJ. Corte Especial.
SEC 8.542-EX, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 29/11/2017 (Info 621).

É inadmissível a renúncia em sede de homologação de provimento estrangeiro. STJ. Corte Especial. SEC 8.542-EX,
Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 29/11/2017 (Info 621).

Com a entrada em vigor do CPC/2015, tornou-se necessário que a sentença estrangeira esteja eficaz no país de
origem para sua homologação no Brasil. O art. 963, III, do CPC/2015, não mais exige que a decisão judicial que se
pretende homologar tenha transitado em julgado, mas apenas que ela seja eficaz em seu país de origem, tendo
sido tacitamente revogado o art. 216-D, III, do RISTJ. STJ. Corte Especial. SEC 14.812-EX, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 16/05/2018 (Info 626).

EXEQUATUR
É possível a concessão de exequatur de carta rogatória, para fins de citação, por meio de decisão monocrática de
relator no STJ, posteriormente confirmada na Corte Especial, em homenagem aos princípios da cooperação e da
celeridade processual. O STJ, com fundamento no art. 216-T de seu Regimento Interno, vem concedendo, por
meio de decisões monocráticas, exequatur a cartas rogatórias destinadas à citação em território brasileiro das
partes interessadas para que tomem conhecimento de ações que tramitam na Justiça rogante. O STF entendeu
que não há qualquer ilegalidade ou inconstitucionalidade nesta prática. STF. 2ª Turma. RE 634595, Rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 3/4/2018 (Info 896).

EXTRADIÇÃO
O estrangeiro que estava no Brasil e foi extraditado para outro país somente pode ser julgado ou cumprir pena
no estrangeiro pelo crime contido no pedido de extradição. Se o extraditando havia cometido outro crime antes
do pedido de extradição, não poderá, em regra, responder por tais delitos se não constou expressamente no
pedido de extradição. A isso se dá o nome de “princípio da especialidade”. Ex.: a Alemanha pediu ao Brasil a
extradição do alemão mencionando o crime 1; logo, em regra, o réu somente poderá responder por este delito;
se havia um crime 2, praticado antes do pedido de extradição, o governo brasileiro deveria ter mencionado
expressamente não apenas o crime 1, como também o 2. Para que o réu responda pelo crime 2, o governo alemão
deverá formular ao Estado estrangeiro um pedido de extensão da autorização da extradição. Isso é chamado de
“extradição supletiva”. No caso concreto, o STF autorizou o pedido de extensão. É possível o pedido de extensão
ou de ampliação nas hipóteses em que já deferida a extradição, desde que observadas as formalidades em
respeito ao direito do súdito estrangeiro (dupla tipicidade, inexistência de prescrição e demais requisitos). STF. 1ª
Turma. Ext 1363 Extn/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 4/12/2018 (Info 926).

HIPOTECA NAVAL
A hipoteca de navio registrada no país de nacionalidade da embarcação tem eficácia extraterritorial, alcançando
o âmbito interno nacional. Ex: navio de nacionalidade liberiana foi hipotecado na Libéria; essa hipoteca produz
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efeitos aqui no Brasil, inclusive nas execuções propostas contra a empresa proprietária do navio e que gerem a
penhora dessa embarcação. STJ. 4ª Turma. REsp 1.705.222-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
16/11/2017 (Info 618)

PREVIDENCIÁRIO
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR
É possível a inclusão de companheiro como beneficiário de suplementação de pensão por morte quando
existente, no plano de previdência privada fechada, apenas a indicação de excônjuge do participante. STJ. 3ª
Turma. REsp 1.715.485-RN, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 27/02/2018 (Info 620).

O desligamento de participante de plano de previdência complementar faz cessar o direito ao rateio de eventual
superávit de ativos apurados em posterior liquidação extrajudicial da entidade. STJ. 3ª Turma. REsp 1.441.411-
AM, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 10/04/2018 (Info 624).

As horas extras habituais incorporadas ao salário do participante de plano de previdência privada por decisão da
Justiça do Trabalho produzem efeitos nos cálculos dos proventos de complementação de aposentadoria? a) A
concessão do benefício de previdência complementar tem como pressuposto a prévia formação de reserva
matemática, de forma a evitar o desequilíbrio atuarial dos planos. Em tais condições, quando já concedido o
benefício de complementação de aposentadoria por entidade fechada de previdência privada, é inviável a
inclusão dos reflexos das verbas remuneratórias (horas extras) reconhecidas pela Justiça do Trabalho nos cálculos
da renda mensal inicial dos benefícios de complementação de aposentadoria. b) Os eventuais prejuízos causados
ao participante ou ao assistido que não puderam contribuir ao fundo na época apropriada ante o ato ilícito do
empregador poderão ser reparados por meio de ação judicial a ser proposta contra a empresa ex-empregadora
na Justiça do Trabalho. c) Modulação dos efeitos da decisão (art. 927, § 3º, do CPC/2005): nas demandas ajuizadas
na Justiça comum até a data do presente julgamento - se ainda for útil ao participante ou assistido, conforme as
peculiaridades da causa -, admite-se a inclusão dos reflexos de verbas remuneratórias (horas extras),
reconhecidas pela Justiça do Trabalho, nos cálculos da renda mensal inicial dos benefícios de complementação
de aposentadoria, condicionada à previsão regulamentar (expressa ou implícita) e à recomposição prévia e
integral das reservas matemáticas com o aporte de valor a ser apurado por estudo técnico atuarial em cada caso.
d) Nas reclamações trabalhistas em que o ex-empregador tiver sido condenado a recompor a reserva matemática,
e sendo inviável a revisão da renda mensal inicial da aposentadoria complementar, os valores correspondentes a
tal recomposição devem ser entregues ao participante ou assistido a título de reparação, evitando-se, igualmente,
o enriquecimento sem causa da entidade fechada de previdência complementar. STJ. 2ª Seção. REsp 1.312.736-
RS, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 08/08/2018 (recurso repetitivo) (Info 630).

O patrocinador não possui legitimidade passiva para litígios que envolvam participante/assistido e entidade
fechada de previdência complementar, ligados estritamente ao plano previdenciário, como a concessão e a
revisão de benefício ou o resgate da reserva de poupança, em virtude de sua personalidade jurídica autônoma.
Obs: não se incluem, no âmbito da matéria afetada, as causas originadas de eventual ato ilícito, contratual ou
extracontratual, praticado pelo patrocinador. Em outras palavras, a tese acima definida não engloba a discussão
quanto a atos ilícitos cometidos pelo patrocinador. STJ. 1ª Turma. REsp 1.370.191-RJ, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, julgado em 13/06/2018 (recurso repetitivo) (Info 630).

A intervenção da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) nas entidades fechadas de


previdência privada deve perdurar pelo tempo necessário ao saneamento da entidade, podendo o prazo inicial
de duração ser prorrogado mais de uma vez. Não se aplica o art. 4º da Lei nº 6.024/74. Isso porque existe uma
regra específica na LC 109/2001 dizendo, de forma ampla, que “a intervenção será decretada pelo prazo
necessário”. STJ. 3ª Turma.REsp 1.734.410-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 14/08/2018 (Info
631).

A Taxa Referencial (TR) não pode ser utilizada como fator de correção monetária dos benefícios da previdência
privada aberta, a partir de 5/9/1996, devendo o indexador ser substituído por um Índice Geral de Preços de Ampla
Publicidade, que será o IPCA, na ausência de repactuação. STJ. 2ª Seção.EAREsp 280.389-RS, Rel. Min. Ricardo
Villas Bôas Cueva, julgado em 26/09/2018 (Info 635).
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APOSENTADORIA
Comprovada a necessidade de assistência permanente de terceiro, é devido o acréscimo de 25%, previsto no art.
45 da Lei nº 8.213/91, a todas as modalidades de aposentadoria pagas pelo INSS.
Apesar de o art. 45 da Lei nº 8.213/91 falar apenas em “aposentadoria por invalidez”, o STJ entendeu que se pode
estender esse adicional para todas as demais espécies de aposentadoria (especial, por idade, tempo de
contribuição).
STJ. 1ª Seção. REsp 1.720.805-RJ e 1648305-RS, Rel. para acórdão Min. Regina Helena Costa, julgados em
23/08/2018 (recurso repetitivo).

O segurado que tenha provado o desempenho de serviço rurícola em período anterior à vigência da Lei nº
8.213/91, embora faça jus à expedição de certidão nesse sentido para mera averbação nos seus assentamentos,
somente tem direito ao cômputo do aludido tempo rural, no respectivo órgão público empregador, para
contagem recíproca no regime estatutário se, com a certidão de tempo de serviço rural, acostar o comprovante
de pagamento das respectivas contribuições previdenciárias, na forma da indenização calculada conforme o
dispositivo do art. 96, IV, da Lei nº 8.213/91. STJ. 1ª Seção. REsp 1.682.678-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado
em 25/04/2018 (recurso repetitivo) (Info 624).

Comprovadas a invalidez e a necessidade de assistência permanente de terceiro, é devido o acréscimo de 25%


(vinte e cinco por cento), previsto no art. 45 da Lei nº 8.213/91, a todos os aposentados pelo RGPS,
independentemente da modalidade de aposentadoria. Apesar de o art. 45 da Lei nº 8.213/91 falar apenas em
“aposentadoria por invalidez”, o STJ entendeu que se pode estender esse adicional para todas as demais espécies
de aposentadoria (especial, por idade, tempo de contribuição). STJ. 1ª Seção. REsp 1.648.305-RS, Rel. Min.
Assusete Magalhães, Rel. Acd. Min. Regina Helena Costa, julgado em 22/08/2018 (recurso repetitivo) (Info 634).

AUXÍLIO RECLUSÃO
O auxílio-reclusão é um benefício previdenciário pago aos dependentes do segurado que for preso, desde que ele
(segurado) tenha baixa renda, não receba remuneração da empresa durante a prisão, nem esteja em gozo de
auxílio-doença, de aposentadoria ou de abono de permanência. Se o segurado, no momento em que foi preso,
estava desempregado, a Portaria Ministerial determina que será considerado como critério para “baixa renda” o
seu último salário de contribuição (referente ao último trabalho). Ex: João foi preso em 2015, momento em que
estava desempregado; seu último salário de contribuição era de R$ 3.000,00; pela Portaria, mesmo João estando
desempregado, não poderia ser considerado de baixa renda e seus familiares não teriam direito ao benefício. O
STJ concorda com essa previsão da Portaria? Esse critério do último salário de contribuição para o segurado preso
desempregado é válido? NÃO. Na análise de concessão do auxílio-reclusão, o fato de o recluso que mantenha a
condição de segurado pelo RGPS estar desempregado ou sem renda no momento em que foi preso demonstra
que ele tinha “baixa renda”, independentemente do valor do último salário de contribuição. O critério econômico
da renda deve ser aferido no momento da reclusão, pois é nele que os dependentes sofrem o baque da perda do
provedor. Se, nesse instante, o segurado estava desempregado, presume-se que se encontrava em baixa renda,
sendo, portanto, devido o benefício a seus dependentes. Para a concessão de auxílio-reclusão (art. 80 da Lei nº
8.213/91), o critério de aferição de renda do segurado que não exerce atividade laboral remunerada no momento
do recolhimento à prisão é a ausência de renda, e não o último salário de contribuição. STJ. 1ª Seção. REsp
1.485.417-MS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 22/11/2017 (recurso repetitivo) (Info 618)

AUXÍLIO-ACIDENTE
O segurado especial, cujo acidente ou moléstia é anterior à vigência da Lei n. 12.873/2013, que alterou a redação
do inciso I do artigo 39 da Lei n. 8.213/1991, não precisa comprovar o recolhimento de contribuição como
segurado facultativo para ter direito ao auxílio-acidente. STJ. 1ª Seção. REsp 1.361.410-RS, Rel. Min. Benedito
Gonçalves, julgado em 08/11/2017 (recurso repetitivo) (Info 619). Obs: depois da Lei nº 12.873/2013 o segurado
especial continua tendo direito ao auxílio-acidente sem precisar comprovar o recolhimento de contribuição como
segurado facultativo. Assim, a tese seria melhor redigida se afirmasse o seguinte: O segurado especial, seja antes
ou depois da Lei nº 12.873/2013, tem direito ao auxílio-acidente sem precisar comprovar o recolhimento de
contribuição como segurado facultativo.

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AUXILIO-DOENÇA
Não encontra previsão legal a exigência de comprovação de que o segurado esteja completamente incapaz para
o exercício de qualquer trabalho para concessão do benefício de auxílio-doença. STJ. 1ª Turma. REsp 1.474.476-
SP, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 05/04/2018 (Info 623).

PENSÃO POR MORTE


O menor sob guarda tem direito à concessão do benefício de pensão por morte do seu mantenedor, comprovada
sua dependência econômica, nos termos do art. 33, § 3º do Estatuto da Criança e do Adolescente, ainda que o
óbito do instituidor da pensão seja posterior à vigência da Medida Provisória 1.523/96, reeditada e convertida na
Lei n. 9.528/97. Funda-se essa conclusão na qualidade de lei especial do Estatuto da Criança e do Adolescente
(8.069/90), frente à legislação previdenciária. STJ. 1ª Seção. REsp 1.411.258-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia
Filho, julgado em 11/10/2017 (recurso repetitivo) (Info 619). No mesmo sentido: STJ. Corte Especial. EREsp
1.141.788-RS, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 7/12/2016 (Info 595).

NOTARIAL E REGISTRAL
JUIZ DE PAZ
Em 1990, o Estado de Minas Gerais editou uma lei, de iniciativa do Governador,determinando que as custas
cobradas nos processos de habilitação de casamento fossem destinadas ao juiz de paz. Em 2011, o STF julgou essa
lei inconstitucional por violar a iniciativa privativa do art. 96, II, “b” e a vedação contida no art. 95, parágrafo
único, II, da CF/88. Em 2018, estes embargos foram julgados e parcialmente acolhidos. O STF decidiu que o
referido acórdão embargado só produz efeitos a partir de 26 de maio de 2011, data em que foi publicado no
Diário de Justiça. Assim, a declaração de inconstitucionalidade não afeta as situações em que os juízes de paz
tenham exercido suas atribuições até 26/05/2011. Dito de outra forma, os valores que eles receberam até esta
data foram considerados legítimos. STF. Plenário. ADI 954 ED/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
20/6/2018 (Info 907).

NOVIDADE LEGISLATIVA
LEI 13.714/2018 – ACRESCENTOU NA LOAS
Art. 19; Parágrafo único. A atenção integral à saúde, inclusive a dispensação de medicamentos e produtos de
interesse para a saúde, às famílias e indivíduos em situações de vulnerabilidade ou risco social e pessoal, nos
termos desta Lei, dar-se-á independentemente da apresentação de documentos que comprovem domicílio ou
inscrição no cadastro no Sistema Único de Saúde (SUS), em consonância com a diretriz de articulação das ações
de assistência social e de saúde a que se refere o inciso XII deste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.714/2018)

LEI 13.688/18 – INSTITUI O DIÁRIO ELETRÔNICO DA OAB


Serão publicados todos os atos, as notificações e as decisões dos órgãos da OAB, salvo quando reservados ou de
administração interna. Disponibilizado na internet, no site oficial da OAB. Além disso, ele pode ser também
afixado no fórum local, na íntegra ou em resumo. Vale ressaltar a divulgação no fórum é facultativa. O que é
obrigatório é a divulgação na internet. Contagem dos prazos é normal.

LEI 13.675/18 – INSTITUI O SISTEMA ÚNICO DE SEGURANÇA PÚBLICA


Impressa.

LEI 13.676/18 – MODIFICA A LEI DO MANDADO DE SEGURANÇA


Permite a sustentação oral no julgamento do pedido de liminar em mandado de segurança de
competência originária dos tribunais.

LEI 13.656/2018: ISENTA DETERMINADOS CANDIDATOS DO PAGAMENTO DE TAXA DE INSCRIÇÃO


EM CONCURSOS PÚBLICOS FEDERAIS
Deve constar do edital.

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Quem tem direito à isenção no pagamento da taxa de inscrição?
1) os candidatos que pertençam a família inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), do
Governo Federal, cuja renda familiar mensal per capita seja inferior ou igual a meio salário-mínimo nacional;
2) os candidatos doadores de medula óssea em entidades reconhecidas pelo Ministério da Saúde.
Informação falsa
O candidato que prestar informação falsa com o intuito de usufruir da isenção estará sujeito a:
a) cancelamento da inscrição e exclusão do concurso, se a falsidade for constatada antes da homologação de seu
resultado;
b) exclusão da lista de aprovados, se a falsidade for constatada após a homologação do resultado e antes da
nomeação para o cargo;
c) declaração de nulidade do ato de nomeação, se a falsidade for constatada após a sua publicação;
d) responsabilização penal.
A Lei nº 13.656/2018 não abrange concursos estaduais, distritais e municipais. Isso porque uma Lei federal não
poderia conceder isenção em tais casos, sob pena de violação à autonomia estadual, distrital ou municipal.

LEI 13.640/2018: REGULA O UBER


Impressa.

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