Você está na página 1de 2

SIMBOLISMO E ALQUIMIA NAS

CATEDRAIS
Nova Acrópole / Artigos / SIMBOLISMO E ALQUIMIA NAS CATEDRAIS
Categoria: Artigos

Publicado em: 10 de julho de 2015

O templo é por excelência um espaço de transmutação capaz de transformar o profano


em sagrado.
O mundo moderno acostumou-se a uma forma de vida em que o tempo faz de nós seu
escravo e impede-nos de parar de ver o que nos rodeia com os olhos da alma, com a
visão de quem é capaz de ler os símbolos e de buscar sabedoria não só nos textos, mas
também no mundo à nossa volta.
Durante o século XII e XIII uma verdadeira revolução de fé iluminou as artes a serviço
do espírito. Foi quando nasceu o século das catedrais. Este espírito levou o homem da
velha Europa a uma febre de construir mais de duzentas catedrais nos lugares onde
estavam localizadas as desproporcionais e velhas igrejas, que por sua vez ocupavam os
ancestrais lugares de culto dos antigos habitantes do continente.
Foram os construtores das catedrais, que encarnando os princípios da Arquitetura
Sagrada sobre a pedra, fizeram espaços privilegiados de união entre o homem e Deus, e
entre o homem e o cosmo.
Entretanto, cada catedral tem suas próprias características. Não há nenhuma igual à
outra, todas recriam as velhas normas de construção ditadas pelo mestre construtor, mas
cada uma guarda sua singularidade, além de sua localização, que as faz únicas.
As catedrais não eram somente templos estritamente dedicados ao culto religioso, eram
também lugares de encontro, de discussão, de contemplação. Delas surge o conceito de
escola-catedral onde se transmitiam os conhecimentos das chamadas artes liberais,
divididas em: o Trivium: Retórica, Gramática e Dialética; e o Quadrivium: Aritmética,
Geométria, Astronomia e Música.
A Dialética transformou-se na matéria-mestra como arte do raciocínio.
Deve se considerar a catedral como uma recriação do mundo e suas leis, desde a
formulação de seu projeto até a escolha da data para a colocação da pedra fundamental,
refletindo o universo e sua manifestação. Assim se estabelecia uma relação trivalente
entre o homem, o mundo e Deus. A catedral reproduz os três níveis, ou seja, o céu, a
terra e o mundo subterrâneo, ou o espírito, a alma e o corpo do templo. O homem e o
templo foram criados com o mesmo molde, e o laço que une o homem e a divindade é a
catedral. O mundo subterrâneo é a sede das potências ctônicas, onde as sementes
frutificam graças à energia telúrica que receberam. Estas forças são representadas pela
Virgem Negra, venerada em lugares como a cripta das catedrais, e relacionadas com os
mistérios da ressurreição e transmutação.
A terra é o lugar onde se desenvolve a vida e a natureza com todos seus elementos. O
habitat humano durante sua estância terrestre.
O céu é a sede da luz, das potencias solares e da Divindade, é ali onde a construção se
encontra e se fecha no formato de uma abóbada. O nó que ata este mundo é a pedra
angular que concentra e difunde as forças para as colunas, da mesma forma que o céu
difunde suas energias e une-se à terra.
A catedral, o templo por excelência, é um espaço de transmutação, uma vez que é capaz
de transformar o profano em sagrado, o que representa uma operação alquímica. A
Alquimia era considerada como a ciência das transformações, que podiam ocorrer tanto
na escala física como psíquica ou espiritual.
Um grande número de catedrais possui em sua decoração medalhões com os signos do
conhecimento alquímico, que os construtores esculpiam em alguns lugares muito
significativos. A busca alquímica ultrapassa os conhecimentos sobre a matéria, é a
prática através da qual poderiam voltar à unidade primordial, Deus.

Você também pode gostar