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UNIVERSIDADE ........

PRÓ-REITORIA DE PÓS GRADUAÇÃO E PESQUISA


CURSO DE DOUTORADO EM DIREITO

ALBUQUERQUE

A RESPONSABILIZAÇÃO POR CONDUTA OMISSIVA DO CHEFE DO


EXECUTIVO ESTADUAL, NO CASO DE ELISÃO FISCAL ANTE A AUSÊNCIA DE
LICITAÇÃO PARA O SEGMENTO DE TRANSPORTE ALTERNATIVO
INTERMUNCIPAL DE PASSAGEIROS NO ESTADO DO CEARÁ

FORTALEZA – CEARÁ
2019
A ELISÃO FISCAL PELA NÃO INCIDÊNCIA DE ICMS: O CASO DO TRANSPORTE
ALTERNATIVO COMPLEMENTAR INTERMUNICIPAL DE PASSAGEIROS NO
ESTADO DO CEARÁ

É sabido que a regulamentação e a gestão dos serviços do Sistema de


Transporte Rodoviário Intermunicipal de Passageiros do Estado do Ceará é de
responsabilidade da Agência Reguladora do Estado do Ceará – ARCE, igualmente se
sabe, que o Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre
prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação
- ICMS, é de competência do Estado do Ceará. Ocorre que o transporte alternativo
complementar de passageiro intermunicipal, a partir de Fortaleza para diversas
cidades da região metropolitana e entre cidades da mesma região, funciona a título
precário mediante autorização do poder concedente, no caso a ARCE, podendo ser
fiscalizado pelo DETRAN.
Ora, o Estado do Ceará, tem a obrigação legal de regulamentar, mas falta
o interesse em regularizar, pois o ato de apenas autorizar o serviço deste modal de
transporte tem inviabilizado a incidência tributária do ICMS. O fato gerador que é a
prestação do serviço está plenamente satisfeito, entretanto, não existe ainda a
incidência do tributo, ocasionando uma elisão fiscal de valor incalculável, de modo a
gerar prejuízos ao erário em detrimento da atividade privada de um segmento.
Observa-se, portanto, que a falta de licitação para o transporte alternativo
complementar de passageiros se caracteriza como um dos maiores empecilhos para
instituir a cobrança, isso porque o processo exige critérios técnicos e o cumprimento
de regras, além de permitir a formalização do serviço e da profissão, e mais
importante, a responsabilização administrativa, civil ou mesmo penal.
Ademais, sem contar que a não licitação pode implicar em outras formas
de elisão ou mesmo evasão fiscal, em seus diversos níveis, na qual eventualmente,
possam ou devem se submeterem os titulares ou proprietários que exploram o serviço.
Assim sendo, como o ato de pagar tributo é advindo de força da lei, e que o crédito
tributário a favor do Estado somente se dá com a ocorrência do fato gerador, não
parece coerente o Estado do Ceará não exigir a arrecadação do ICMS no transporte
alternativo complementar intermunicipal de passageiros, até por questão de justiça,
uma vez que as empresas legalizadas que prestam o mesmo tipo de serviço são
fontes legítimas de geração deste tributo.
Não existe estatística a nível estadual que comprove o números de
prestadores (trabalhadores) ou de veículos que desenvolvem esta atividade, também
não há uma previsão de quantos passageiros são transportados diariamente e nem o
quanto se arrecada em valores, tornando dessa feita uma espécie de “caixa preta”,
haja vista a ausência de um controle financeiro ou mesmo de qualquer estimativa
nesse sentido.
É notório a elisão fiscal praticada pelo segmento de transporte alternativo
complementar de passageiros no Estado do Ceará, pois embora a prestação do
serviço advenha de uma conduta lícita (autorização), no entanto, impede o nascimento
da obrigação tributária, ou mesmo adia o seu cumprimento. Também, o ato de não
licitar o modal de transporte para assim tributar o ICMS, pode implicar ainda em uma
conduta omissiva por parte do Estado, ou seja, se sujeitando a responsabilização, de
forma que se faz necessário, logo, em curto prazo organizar o processo licitatório e
exigir a tributação do ICMS.
Não parece plausível o transporte alternativo complementar intermunicipal
de passageiros existir no estado, especialmente os estabelecidos na região
metropolitana, funcionar há bastante tempo e não existir nenhuma previsão legal de
se licitar e nem de cobrar o ICMS. O estado não deve ceder aos caprichos pessoais,
ou a interferências de determinados segmentos, enquanto se exige o sacrifício de
outros, até por questão de ética e de respeito aos princípios constitucionais e
infraconstitucionais, bem como ao fato da supremacia do interesse público. Mesmo
presente o mecanismo fiscalizatório de controle aos operadores do sistema, não é
suficiente para o Estado através do procedimento de autorização impor a cobrança do
tributo estadual ICMS, até porque a autorização pressupõe um título precário e
desprovido de muitas exigências, enquanto a licitação é um processo legítimo com
regras legais.