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Universidade Estadual da Paraíba

Centro de Educação
Departamento de Letras de Artes
Curso de Letras
Componente Curricular: Literatura Infanto Juvenil

IZABELA CRISTINA DE LIMA SILVA

ANÁLISE DA OBRA “DIÁRIO DE UM BANANA” DE JEFF KINNEY

Campina Grande-PB, 2018


Análise da obra “Diário de um Banana”
A obra escolhida para a presente análise é de autoria do norte-americano Jeff
Kinney, publicada inicialmente em inglês com o título “Diary of a Wimpy Kid”,
posteriormente traduzida para o português como “Diário de um banana”, por Antônio de
Macedo Soares, pela editora Vergana e Riba Editoras, 2° edição, São Paulo, 2012.

O autor Jeff Kinney começou sua carreira desenvolvendo e projetando jogos


online, em 2007 lançou a série Diário de um banana, que chegou a liderar a lista de livros
mais vendidos do New York Times. Dois anos depois, a revista Times o indicou como uma
das 100 pessoas mais influentes do mundo. Esse histórico mostra que Jeff sempre esteve
de alguma forma ligado a este público infanto-juvenil, tanto com os jogos, quanto com
seus livros publicados e aclamados por este público.
Como o próprio título aponta, a estrutura da obra tem o formato de um diário (ou
livro de memórias, como o personagem Greg Heffley prefere nomear), percebe-se isso
primeiramente porque há a presença de linhas nas páginas, e a fonte escolhida para
compor o livro dá a ideia de um manuscrito, além disso, como sugere na capa, trata-se de
um “romance em quadrinhos”, ou seja, além do texto predominantemente em prosa, há
também a presença de muitos quadrinhos/desenhos complementando a história, todos
esses elementos só reforçam a ideia de que trata-se de um diário escrito por uma criança.
A narrativa se inicia com Greg contando o porquê está escrevendo este “livro de
memórias”, não um “diário”, pois como ele retrata de forma irônica “Tudo o que eu
preciso é que um idiota me pegue com esse livro e entenda tudo errado” (pag. 1), logo em
seguida vem um quadrinho de um garoto maior batendo nele e o chamando de “Boiola!”.
A partir deste ponto já é possível perceber que a narrativa não tem nenhum caráter
pedagógico, pelo contrário, pois traz a realidade do cotidiano dos jovens na escola, sem
necessariamente o objetivo de educa-los, mas ao mesmo tempo denunciando questões
como o bullying de forma leve e divertida.
Inicia-se no primeiro dia de aula de Greg, e através da narração percebe-se que o
mesmo narra para alguém de sua idade que também frequenta a escola, ou seja: a criança.
Há nesse ponto o importante critério de identificação entre o personagem e o leitor, um
trecho que evidencia muito isso é o seguinte: “Aliás, deixe-me lhe dar um bom conselho:
No primeiro dia de aula, você tem que tomar cuidado onde senta.” (pag. 4). Ou seja, o
leitor entra no mundo da história e se identifica com as vivências de Greg, pois durante o
livro as personagens levanta questões sobre puberdade, amizade, questões com o irmão
mais velho e mais novo, popularidade na escola, etc. sempre com muito humor.
Levando em consideração os critérios da PNBE, a narrativa abrange perfeitamente
os pontos de coerência e consistência, tanto no sentido da narração, como da própria
história contada, caracterização dos personagens e o desenvolvimento da história. Embora
sejam narrados muitos fatos durante o livro (por se tratar de um “diário”), há uma ligação
muito bem efetuada entre eles, e no fim a narrativa se torna muito interessante e
satisfatória ao leitor. A linguagem utilizada é de teor muito pessoal, o que coincide com
a proposta do autor para o livro e para o público pretendido. “Diário de um banana” é
divertido, contagiante e pode ser lido por todas as idades.