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BREVE RELATO

ORIGEM:

Direitos Creditórios originados da Desapropriação, pelo INCRA, do imóvel


rural, denominado Fazenda Reunidas, situada no município de Promissão-
SP, na ação que tramitou na 21ª Vara (Processo nº 87.0020165-0) da Justiça
Federal – Seção de São Paulo.

HISTÓRICO:

Carta de Sentença nº 94.0001239-0 de 31/08/94, transitada em julgado em


07/03/95 (doc. 1).

Ofício Precatório nº12.995 de 30/06/95, registrado sob nº 95.03.059979-2


(doc. 2), no valor de R$ 301.256.938,19 (Trezentos e um milhões, duzentos
e cinqüenta e seis mil, novecentos e trinta e oito reais e dezenove centavos).

Ofício Requisitório registrado sob nº 1980/95 de 03/07/95 (doc. 3) no valor


de R$ 385.502.872,69 (Trezentos e oitenta e cinco milhões, quinhentos e
dois mil, oitocentos e setenta e dois reais e sessenta e nove centavos),
através de “Ordem de Credito“ solicitado pelo Presidente do Tribunal
Regional Federal da Terceira Região.

Pedido da Procuradoria da República para remessa dos autos ao Contador


Judicial em 30/10/95. Encaminhamento pela Justiça ao Setor de Cálculos e
Liquidações em 06/11/95. Resposta do Setor de Cálculos e Liquidações
para a Justiça em 26/01/96, informando que foi constatado que os Cálculos
Homologados foram elaborados corretamente (doc. 4).

Ratificação do Ofício Requisitório pelo Presidente do Tribunal Regional da


Terceira Região: O Supremo Tribunal Federal em 13/09/96 fixou
entendimento, confirmando sua jurisprudência anterior, de que o Presidente
do Tribunal somente pode modificar Contas de Execução, quando houver
erro material ou aritmético, não podendo alterar índices acolhidos pela
sentença a não ser quando tenham sido substituídos por outro por força de
lei (doc. 5).
Resposta do Diretor de Administração e Finanças do INCRA, Wilson
Wellisch Junior a consulta do Coordenador Geral da Dívida Pública Dr.
Tarcisio Godoy em 19/09/96, informando que o Precatório encontrava-se
na Relação Geral dos Precatórios, elaborada pela Procuradoria Geral do
INCRA (doc. 6).

Ofício do Diretor do INCRA, Wilson Wellisch Junior, datado de 09/05/97,


informando estar consignado o valor de R$ 385.502.872,69 (Trezentos e
oitenta e cinco milhões, quinhentos e dois mil, oitocentos e setenta e dois
reais e sessenta e nove centavos), no Orçamento Geral da União para 1997,
para o pagamento do Precatório nº 12.995, ressaltando que o crédito consta
dentre aqueles incluídos com previsão de liquidação até o final do exercício
de 1997 (doc. 7).

SITUAÇÃO PROCESSUAL:

Ação Rescisória proposta pelo INCRA em 27/02/97 sob o nº 97.03.010787-


7, questionando basicamente: o valor da Indenização, o índice de correção
na atualização do Credito e os Juros Compensatórios (doc. 8).

O Ministério Público Federal entendeu que o índice de correção é o IPC,


visto que provém de confirmação de Sentença pela Colenda 2ª Turma, que
julgou improcedente o Recurso de Apelação do INCRA junto a este
Tribunal (doc. 9).

A inclusão dos Juros Compensatórios obedece a Imposição Constitucional,


a sua não inclusão no Crédito acarretaria o fato de que o Credor seria pago
com os frutos do seu próprio crédito (enriquecimento sem causa do
Devedor). O Ministério Público Federal corrobora: “Os Juros
Compensatórios compõem a justa indenização exigida pela Constituição da
República e são devidos pela perda de posse direta do imóvel (TRF 4ª
Região A.C. 1.04.22808 e TRF 4ª Região A.C. 92.04.08324, RJ 15/04/92 e
22/06/94 respectivamente)” (doc. 9).

Do Ministério Público Federal e do Em. Desembargador Federal, relator


daquele R. Acórdão: “Já é entendimento assente na Jurisprudência que a
Correção Monetária não representa acréscimo, mas mera atualização da
moeda desvalorizada pela inflação. Assim, melhor refletindo o Índice de
Preços ao Consumidor, a inflação ocorrida no período questionado, deve
ele ser adotado como critério para calculo da Correção Monetária”. Cita
ainda o M. Procurador: “Os índices do IPC são os que melhor atendem ao
cumprimento do pagamento da justa indenização nas Ações de
Desapropriação, na esteira da melhor jurisprudência“. TRF 3ª Região A.C.
nº 93.03.04926, DJ de 08/11/95 (doc. 9).

Não ocorreu a citação dos expropriados, consoante com o previsto nos


parágrafos 2º e 3º do artigo 219 do CPC, não se aperfeiçoando em tempo as
citações, haver-se-á a decadência. Nesta mesma vertente exara o parecer do
Ministério Público Federal, portanto não caberia a Ação Rescisória
proposta pelo INCRA (doc. 9).

Com tudo isto, tendo em vista que a Decisão Rescindenda transitou em


julgado em 07/03/95, e até 20/06/97 não havia sido efetivada a Relação
Processual, declara-se o Ministério Público Federal pela extinção da Ação
Rescisória nos termos do artigo 269, inciso IV do CPC (doc. 9).

A Ação Rescisória, que se encontrava no Tribunal Regional Federal da 3ª


Região (São Paulo) 2ª Turma, 1ª Seção, onde a Sessão de Julgamento de
01/09/99, que havia sido convertida em diligência para realização de
Perícia e conseqüente determinação de valores para pagar a indenização,
embora ainda faltasse o voto de um Desembargador (que reteve o Processo
sem dar o seu voto por mais de três anos) (doc. 10), foi anulada por
“afronta ao artigo 9º, II, do CPC e desrespeito ao devido processo legal, a
partir do momento em que o Relator originário deixou de nomear curador
especial em favor de um dos réus que, citado por edital, remanesceu na
condição de revelia e não teve assegurado prazo de resposta“, tendo
questão de ordem acolhida (doc. 10 e 11).

Em 22 de Setembro de 2004, o Relator Des. Fed. Johonsom di Salvo,


mandou ofício ao R. Juízo da 21ª Vara Federal Cível desta Capital,
requisitando cópia da Conta de Liquidação que foi homologada em
31/08/94, bem como dos esclarecimentos do Perito e ainda, cópia do laudo
de avaliação que foi acolhido na sentença de conhecimento de
09/09/1991(doc. 12 e 13).

Em acórdãos publicados em 26/06/09 (doc.14) e em 10/11/09 (doc.15), o


Relator Des. Fed. Johonsom di Salvo, procede a julgamentos saneadores,
dentre os quais indefere por inviabilidade e inoportunidade, insistentes
requerimentos do INCRA e do Ministério Publico Federal por entender o
indisfarçável propósito protelatório dos requerimentos, acompanhado por
ampla maioria.

Em outro ponto, indefere a liberação antecipada da integralidade da


indenização já depositada (Precatório nº12.995).
Em 07/04/2011, a Ação Rescisória, por unanimidade, foi julgada
improcedente, sendo revogada expressamente a decisão de fl. 269, que
sustou o pagamento do Precatório nº12.995, a ser restabelecida a
cronologia original. Foi também decidido por maioria, imposição de
sucumbência em desfavor do INCRA.

VALÔRES ATUALIZADOS:

Fundamentado nos parâmetros determinados por julgamentos ao longo desta


Ação se chegou ao valor de R$ 6.768.364.746,65 (Seis Bilhões, Setecentos
e Sessenta e Oito Milhões, Trezentos e Sessenta e Quatro Mil, Setecentos e
Quarenta e Seis Reais e Sessenta e Cinco Centavos), até 31/05/11 (doc. 16).

Esses valores atualizados até 31/03/2015 importam em R$8.659.644.829,31


(oito bilhões seiscentos e cinqüenta e nove milhões seiscentos e quarenta e
quatro mil oitocentos e vinte e nove reais e trinta e um centavos)

A CST - Companhia Siderúrgica de Tubarão adquiriu em Outubro de 1996


e em Fevereiro de 1997, parte dos Direitos Creditórios, no montante de
22,9875%, os quais já foram negociados com a Siderbrás/União com a
finalidade de substituir penhoras e compensar créditos (doc. 17).

O montante de 77,0125% remanescente resulta no valor de


R$6.669.008.974,17 (seis Bilhões, seiscentos e sessentas e nove Milhões,
oito Mil, Novecentos e setenta e quatro ewais e dezessete Centavos), até
31/03/15.