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O PROJETO DE LEI Nº 1.

645, DE 2019 –
PROJETO DE LEI DE REESTRUTURAÇÃO
DAS FORÇAS ARMADAS – E O SISTEMA
DE PROTEÇÃO SOCIAL DOS MILITARES
DAS FORÇAS ARMADAS

FERNANDO CARLOS WANDERLEY ROCHA


Consultor Legislativo da Área XVII
Segurança Pública e Defesa Nacional

ESTUDO TÉCNICO
AGOSTO DE 2019

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Fernando Carlos Wanderley Rocha


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SUMÁRIO

01. INTRODUÇÃO ............................................................................................. 6

02. DISTINÇÃO ENTRE A REMUNERAÇÃO E A PENSÃO MILITAR ........... 14

03. COMPARAÇÃO NA DIMENSÃO INTERNACIONAL: O SISTEMA DE


PROTEÇÃO SOCIAL DOS MILITARES X REGIME PREVIDENCIÁRIO . 21

04. A DIMENSÃO HISTÓRICA E LEGAL ....................................................... 25


04.1. SOBRE A PENSÃO MILITAR E A REMUNERAÇÃO DOS
MILITARES ........................................................................................ 25
04.2. MILHARES DE PENSÕES ESPECIAIS NA CONTA DA PENSÃO
MILITAR ............................................................................................. 39
04.3. AS PENSÕES DAS FILHAS ............................................................. 44
04.4. UMA MIRÍADE DE DIPLOMAS NORMATIVOS ............................... 45

05. COMPARAÇÃO NA DIMENSÃO NACIONAL: O AVILTAMENTO DA


REMUNERAÇÃO DE UMA CARREIRA DE ESTADO .............................. 49
05.1. As sucessivas perdas dos militares das Forças armadas........... 49
05.1.1. As perdas provocadas pela Lei da Pensão Militar ............. 50
05.1.2. A contribuição obrigatória para os Fundos de Saúde ....... 51
05.1.3. O conto da isonomia ............................................................ 55
05.1.4. O conto do “soldão”: a MP 2.131/2000 (MP 2.215-10/2001)...... 57
05.1.5. A pensão das filhas e a MP 2.131/2000 (MP 2.215-10/2001).... 59
05.2. Uma questão de equidade .............................................................. 62

06. O QUADRO ATUAL................................................................................... 73


06.1. Militar não é servidor público, não tem previdência nem se
aposenta ............................................................................................ 73
06.2. A dimensão da equidade ................................................................ 80

07. O CHAMADO DÉFICIT DA “PREVIDÊNCIA” MILITAR ........................... 92

08. DA LEGISLAÇÃO APLICADA AOS MILITARES DAS FORÇAS


ARMADAS ................................................................................................. 95

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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09. A REESTRUTURAÇÃO DA CARREIRA MILITAR E DAS FORÇAS


ARMADAS ................................................................................................. 98
09.1. Princípios da reestruturação da carreira militar e das Forças
Armadas ................................................................................................. 98
09.2. Principais propostas do Projeto de Lei nº 1.645/2019 .................... 100
09.2.1. Aumento e universalização das contribuições para o Sistema
de Proteção Social dos Militares das Forças Armadas ....... 101
09.2.2. Adequação dos efetivos ......................................................... 110
09.2.3. As alterações no Tempo de Serviço ...................................... 113
09.2.4. A redução na quantidade de dependentes ........................... 115

10. AS COMPENSAÇÕES............................................................................. 119


10.1. Do adicional de habilitação .......................................................... 119
10.2. Do adicional da disponibilidade militar ....................................... 123
10.3. Da ajuda de custo .......................................................................... 126
10.4. Da gratificação de representação ................................................ 127
10.5. Da vantagem pessoal nominalmente identificada – VPNI ......... 129

11. IMPACTOS DO PROJETO DE LEI DE REESTRUTURAÇÃO DA


CARREIRA MILITAR E DAS FORÇAS ARMADAS ................................ 131

12. DAS SUGESTÕES DE EMENDAS .......................................................... 136

13. CONCLUSÃO .......................................................................................... 142

ANEXOS

Anexos 01 a 17 – Legislação histórica

Anexos 18 a 24 – Tabelas comparativas entre a legislação vigente e as


modificações propostas

Anexos sem numeração – Sugestões de emendas

Observação:
Este estudo traz muitas imagens coloridas.
Serão melhor percebidas se impressas em cores.

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Senhor, umas casas existem, no vosso reino, onde


homens vivem em comum, comendo do mesmo
alimento, dormindo em leitos iguais. De manhã, a um
toque de corneta, se levantam para obedecer. De noite,
a outro toque de corneta se deitam, obedecendo. Da
Vontade fizeram renúncia como da Vida. Seu nome é
sacrifício. Por ofício desprezam a Morte e o Sofrimento
físico. Seus pecados mesmo são generosos, facilmente
esplêndidos. A beleza de suas ações é tão grande que
os poetas não se cansam de a celebrar. Quando eles
passam juntos, fazendo barulho, os corações mais
cansados sentem estremecer alguma coisa dentro de si.
A gente conhece-os por militares: eu cá lhes chamo
padres.
Padres da religião augusta, a única possível nos
dias de hoje: a do civismo. Por essa divina humildade
que os faz semelhantes a coisas, eles se levantam acima
dos outros homens. Corações mesquinhos lançam-lhes
em rosto o pão que comem; como se os cobres do pré
pudessem pagar a Liberdade e a Vida. Publicistas de
vista curta acham-nos caros demais, como se alguma
coisa houvesse mais cara que a servidão. Eles, porém,
calados, continuam guardando a Nação do estrangeiro e
de si mesma. Pelo preço da sua sujeição, eles compram
a Liberdade para todos e os defendem da invasão
estranha e do jugo das paixões. Se a força das coisas os
impede agora de fazer em rigor tudo isto, algum dia o
fizeram, algum dia o farão. E, desde hoje, é como se o
fizessem. Porque, por definição, o homem da guerra é
nobre. E quando ele se põe em marcha, à sua esquerda
vai a coragem, e à sua direita a disciplina.
“Carta a El-Rei de Portugal sobre a situação do País e seus remédios”.
Trecho da carta escrita, em março de 1893, por Guilherme Joaquim de Moniz
Barreto (1863, Goa, Índia; 1896, Paris, França).
Transcrição do artigo “Porquê Forças Armadas?” do então Tenente-coronel
ÓSCAR GOMES DA SILVA (Infantaria do Exército Português), publicada no
Jornal do Exército, do Estado-Maior do Exército Português, ano XXVI, nº 306,
jun. 1985. p. 3-5. Fonte:
http://arquivodigital.defesa.pt/Images/winlibimg.aspx?skey=&doc=340889&img=
15285; acesso em: 15 mai. 2019.

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O PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019 – PROJETO DE LEI DE


REESTRUTURAÇÃO DAS FORÇAS ARMADAS – E O SISTEMA
DE PROTEÇÃO SOCIAL DOS MILITARES DAS FORÇAS
ARMADAS

01. INTRODUÇÃO

A partir da recepção, pela Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei


nº 1.645, de 2019, relativo à Reestruturação das Forças Armadas, alcançando,
particularmente, o Sistema de Proteção Social dos Militares das Forças
Armadas – SPSMFA, acorreram à Consultoria Legislativa demandas da
Liderança do Governo na Câmara, da Liderança do Partido Social Cristão –
PSC – e dos Deputados VINICIUS CARVALHO (Relator do projeto na
Comissão Especial), MÁRCIO LABRE, CABO JUNIO AMARAL, ALENCAR
SANTANA BRAGA, RAUL HENRY, CORONEL ARMANDO e EDUARDO
COSTA1, do que resultou este estudo, consolidando todas as demandas em
um só documento, até porque muitas delas se superpõem.

Esse projeto de lei foi apresentado pelo Poder Executivo no bojo das
reformas dos sistemas previdenciários vigentes no Brasil, trazendo
modificações no que muitos teimam em chamar, ainda que equivocadamente,
como se verá adiante, de “previdência militar”, quando os gastos com os
militares inativos das Forças Armadas e seus pensionistas não devem ser
incluídos na conta dos resultados negativos da previdência social.

Nessa seara, muitos opinam, inclusive jornalistas de nomeada,


desconhecendo – ou fingindo desconhecer – as peculiaridades que cercam as
atribuições dos militares das Forças Armadas e, mais ainda, desconhecem as
normas que regem o seu regime jurídico.

Assim, reformas em relação aos militares devem ser


meticulosamente sopesadas de modo a:
 não criar imbróglios jurídicos em face de uma legislação que, por si só, já é
bastante complexa;

1 As demandas parlamentares correspondem às solicitações feitas à Consultoria Legislativa de


nos 2019.15893; 2019.3435; 2019.16002; 2019.3357; 2019.4700; 2019.5886; 2019.7305;
2019.10815; e 2019.13665.

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 não cometer injustiças em relação a uma categoria que, ao longo dos anos,
tem sido submetida a condições de vida cada vez mais espartanas, bem
longe dos privilégios que alguns insistem, falsamente, em propagar;
 não descaracterizar a carreira militar e, em consequência, comprometer a
eficiência das Forças Armadas;
 não inviabilizar as Forças Armadas no que diz respeito às suas destinações
precípuas e, até mesmo, no cumprimento de um sem número de atribuições
subsidiárias, quando suprem, frequentemente, lacunas deixadas por outras
instituições do Estado brasileiro.

Por isso que o Projeto de Lei nº 1.645/2019 leva em consideração as


peculiaridades da carreira dos militares das Forças Armadas, que contam com
um Sistema de Proteção Social próprio, que não se confunde com os regimes
previdenciários constitucionalmente previstos para outras carreiras e
categorias, até porque os direitos e deveres desses militares são regulados por
um conjunto de leis, em obediência ao que determina a Constituição Federal,
razão por que a Proposta de Emenda à Constituição nº 6, de 2019, nada
dispõe sobre eles.

É nesse contexto que o Poder Executivo da União enviou para o


Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 1.645, de 2019, que “Altera a Lei nº
6.880, de 9 de dezembro de 1980, que dispõe sobre o Estatuto dos Militares; a
Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960, que dispõe sobre as pensões militares; a
Lei nº 4.375, de 17 de agosto de 1964 - Lei do Serviço Militar; a Lei nº 5.821,
de 10 de novembro de 1972, que dispõe sobre as promoções dos oficiais da
ativa das Forças Armadas; e a Lei nº 12.705, de 8 de agosto de 2012, que
dispõe sobre os requisitos para ingresso nos cursos de formação de militares
de carreira do Exército; e dá outras providências”, que vem sendo denominado
“Projeto de Lei de Reestruturação das Forças Armadas”.

A rigor, o Projeto de Lei nº 1.645/2019 embute dois objetivos


principais, intimamente associados, dos quais decorrem outros:

OBJETIVOS PRINCIPAIS DO PROJETO DE LEI Nº 1.645/2019


 REESTRUTURAR A CARREIRA MILITAR; e
 REESTRUTURAR AS FORÇAS ARMADAS.

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Desse modo, o Projeto de Lei em pauta reestrutura não só a carreira


do pessoal militar, mas também as Forças Armadas em si mesmas, pois, entre
outras medidas, prevê reduções de efetivo e o aumento da quantidade dos
militares temporários em desfavor da quantidade dos militares profissionais; o
que, em última instância, também diz respeito à gestão de pessoal.

No âmbito das discussões, há aqueles que alegam ser necessário


desvincular as propostas de mudanças no Sistema de Proteção Social dos
Militares das Forças Armadas das alterações propostas para a carreira militar.
Entretanto, o referido Sistema de Proteção Social e a carreira militar são como
gêmeas siamesas, diferentes, mas indissociáveis. Por exemplo, não há de se
falar em aumento de tempo de serviço, redundando em maior tempo de
contribuição do militar no serviço ativo, sem alterar o tempo de permanência
em cada posto ou graduação e sem reduzir a quantidade daqueles que
ingressam na carreira militar através das escolas de formação.

Assim, não há como discutir o Sistema de Proteção Social dos


Militares das Forças Armadas desconhecendo ou desbordando especificidades
como essas, dentre muitas outras.

Percebe-se o Projeto de Lei em questão busca equacionar a


questão demográfica pelo ângulo do equilíbrio atuarial entre receitas e
despesas, de um lado, e, de outro, pelo ângulo da Defesa Nacional, em que o
Poder Militar se reflete diretamente como instrumento diplomático e de poder
entre as nações.

Nesse sentido, a Fundação Getulio Vargas produziu duas


publicações:
 “As Forças Armadas e a PEC da Previdência” 2, em 2016; e
 “As Forças Armadas e a PEC da Previdência (2)” 3, em 2019.

2 LEAL, C. I. S. et al. As Forças Armadas e a PEC da Previdência. Brasília: Fundação Getúlio


Vargas, 2016. p. 15-17. Fonte:
http://www.eb.mil.br/documents/10138/7278234/AS+FORCAS+ARMADAS+E+A+PEC+DA+P
REVIDENCIA.pdf/5b43ce25-c52c-4dbf-aa62-8d95b0b7046f; acesso em: 09 abr. 2019
3 LEAL, C. I. S. et al. As Forças Armadas e a PEC da Previdência (2). Brasília: Fundação
Getúlio Vargas, 26 fev 2019.
Fonte: https://www.marinha.mil.br/spsm/sites/www.marinha.mil.br.spsm/files/NOVO%20-
%20AS%20FOR%C3%87AS%20ARMADAS%20E%20A%20PEC%20DA%20PREVID%C3%
8ANCIA%282%29_0.pdf; acesso em: 09 abr. 2019.

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A segunda versão, a de 2019, trouxe o seguinte alerta:

A mudança demográfica e seus impactos na Defesa Nacional


devem forçosamente ter abordagem distinta da questão do seu impacto
sobre a Previdência. Enquanto a mudança demográfica é para a
previdência social uma questão de equilíbrio atuarial entre receitas e
despesas, para as Forças Armadas representa um problema militar,
com graves e não triviais consequências nas questões de defesa e de
poder entre as nações.

Na verdade, o tema principal do Sistema de Proteção Social


dos Militares é o militar, voltado para a atração e retenção de talentos
cuja missão é a prontidão para aplicação do poder bélico da nação em
prol da Defesa Nacional, das operações de Garantia da Lei e da Ordem
(tão comuns e importantes nos dias de hoje) e das demais atividades
subsidiárias atribuídas aos Comandos Militares.

Este compromisso faz parte de um contrato social que não


deve ser alterado sem profunda reflexão sobre as consequências do
que se está fazendo.

LEAL, C. 1. S. et al. As Forças Armadas e a PEC da Previdência (2).


Brasília: Fundação Getúlio Vargas, 26 fev 2019.

Acompanhando essa percepção, em nosso entendimento, mesmo a


solução vislumbrada pelo Projeto de Lei em pauta traz sérias implicações para
a Defesa Nacional. Nossas Forças Armadas já são bem diminutas para a
dimensão terrestre e marítima do nosso País e para o seu posicionamento no
cenário internacional. Isso sem considerar que, ao mesmo tempo em que a
população brasileira aumenta, no sentido inverso, reduz-se o efetivo das
nossas Forças Armadas.

Não bastasse, no contexto da América do Sul, segundo o gráfico a


seguir, só quatro países gastaram com defesa, no ano de 2017, menos que o
Brasil em termos de percentuais do PIB.

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BRASIL, Ministério da Defesa. Projeto de Lei de Reestruturação das Forças Armadas. Palestra proferida pelo
General de Divisão Eduardo Castanheira Garrido Alves, responsável pela proposta de reestruturação das carreiras
das Forças Armadas e assessor especial do Ministério da Defesa sobre aspectos relativos ao Projeto de Lei de
Proteção Social dos Militares. Quartel General do Exército, 26 de março de 2019.

Diz-se muito que, no mundo inteiro, há uma tendência de redução


dos efetivos militares. Isso em parte é verdade, mas os países que assim
procederam, trocaram a redução dos seus efetivos por armas
tecnologicamente avançadas e, até mesmo, por armas de destruição em
massa, às quais o Brasil renunciou ou foi compelido a renunciar,
paradoxalmente, com o adesismo de algumas autoridades brasileiras.

Mesmo assim, não se pode perder de vista a necessidade de Forças


Armadas aptas a atuar em:
 8,5 milhões de Km2 de território (5º maior país do mundo);
 16.865 Km de fronteiras (3ª maior extensão de fronteiras terrestres do
mundo, com 10 países limítrofes);
 um litoral de 7.491 Km;
 um território com 208 milhões de habitantes;
 3,5 milhões de Km2 de Mar Territorial;
 uma reserva de 12 bilhões de barris de petróleo;
 22 milhões de Km2 para o cumprimento de acordos internacionais.

Neste estudo, além das considerações em torno do mérito do


Projeto de Lei nº 1.645/2019, será conduzida uma abordagem de cunho
histórico, de modo a permitir percepção das raízes do tratamento diferenciado

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que é dispensado aos militares das Forças Armadas, não só no Brasil, mas,
também, no mundo inteiro. Permitirá, ainda, a compreensão das
especificidades em torno da carreira militar e das razões de fato e de direito
que dizem respeito aos aspectos remuneratórios e à herança militar,
materializada pela pensão militar deixada aos seus beneficiários legais.

É importante destacar que esse Projeto de Lei foi enviado ao


Congresso Nacional após estudos conjuntos conduzidos pelo Ministério da
Defesa e pelo Ministério da Economia, ou seja, com o endosso dessa pasta.

O MINISTÉRIO DA ECONOMIA DEU SEU ENDOSSO AO


PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019, DE REESTRUTURAÇÃO
DAS FORÇAS ARMADAS.

Eis que:4
A proposta de reforma dos militares é justa, superavitária,
autossustentável e vai valorizar a meritocracia e a experiência,
além de reforçar a hierarquia e valorizar a atividade como
carreira de Estado, o que vai contribuir para atrair e reter
talentos nas Forças Armadas.

O Projeto de Lei nº 1.645/2019 está focado exclusivamente nas


Forças Armadas, não dizendo respeito às Forças Auxiliares: Polícias Militares e
Corpos de Bombeiros Militares. Desse modo, quando a PEC nº 6, de 2019, ao
tratar das Forças Auxiliares, faz remissões à legislação aplicável às Forças
Armadas, estabelece associações que só dizem respeito àquelas, nada
influindo no que está definido no Projeto de Lei referente às Forças Armadas.

4 Palavras do General de Divisão Eduardo Castanheira Garrido Alves, responsável pela


proposta de reestruturação das carreiras das Forças Armadas e assessor especial do
Ministério da Defesa sobre aspectos relativos ao Projeto de Lei de Proteção Social dos
Militares, em audiência pública na Comissão Especial da Reforma da Previdência do Senado
Federal em 29 mai. 2019. Reforma dos militares valoriza a carreira e vai atrair e reter
talentos, diz general. Fonte (Agência Senado):
https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2019/05/29/reforma-dos-militares-valoriza-a-
carreira-e-vai-atrair-e-reter-talentos-diz-general; publicação em: 29 mai.2019; acesso em: 10
jun. 2019.

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Rigorosamente, esse Projeto de Lei é totalmente inaplicável a todos


os órgãos de segurança pública, sejam federais ou estaduais, sejam militares
ou civis.

Não é possível estabelecer um paralelismo jurídico e material entre


esses órgãos e as Forças Armadas por fatores como os enumerados a seguir,
embora outros mais ainda possam vir a ser considerados: sob o ângulo
exclusivamente jurídico, os direitos e deveres dos militares das Forças
Armadas são regulados por leis específicas editadas no plano federal,
enquanto os direitos e deveres dos integrantes dos órgãos de segurança
pública federais e estaduais são regulados por leis específicas da União, para
os federais, e de cada ente federado correspondente, para o estaduais; e, sob
o ângulo material, o projeto de lei em tela diz respeito apenas à reestruturação
das Forças Armadas e, em consequência, à reestruturação da carreira dos
militares dessas instituições, afora diferenças quanto ao regime de trabalho e
outras mais que poderiam ser trazidas à consideração.

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Seja com natureza puramente securital, ou


com índole alimentar, ou ainda como bem
hereditário, o certo é que a constituição da pensão
militar é direito de suma importância no sentido de
assegurar a mantença dos familiares que se virem
repentinamente órfãos daquele servidor militar e
chefe de família.
O relevante é que o exercício da função
militar acarreta, não raras vezes, situações de perigo,
onde o servidor se vê compelido a demonstrar a sua
bravura e o seu destemor. Nestas circunstâncias, a
constituição da pensão militar torna-se, sob vários
matizes, verdadeiro seguro em prol da família do
militar. Tanto que (...) morto o militar com qualquer
tempo de serviço, automaticamente verte, em prol
dos seus beneficiários, o direito à percepção integral
da pensão militar, obedecida, em qualquer caso, a
ordem vocacional instituída pela lei.
DUARTE, Antônio Pereira. Direito Militar Administrativo.
Rio de Janeiro: Forense, 1995. p. 130.

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02. DISTINÇÃO ENTRE A REMUNERAÇÃO E A PENSÃO MILITAR

Há de serem estabelecidas algumas diferenças entre a


remuneração dos militares das Forças Armadas ativos e inativos e a
pensão militar:

Elemento de REMUNERAÇÃO DO PENSÃO MILITAR


comparação MILITAR
Beneficiários legais: viúva do militar,
Militar enquanto vivo: no serviço filho menor até 21 anos ou 24 anos, se
ativo, percebe vencimentos; na estudante etc.
Beneficiários inatividade (na reserva ou Pensionistas especiais (percebem a
reformado), percebe proventos. pensão militar sem que tenha havido
contribuição para tal).

A remuneração do militar ativo e Desconto sobre a remuneração bruta


Origem dos inativo é integralmente custeada do militar ativo ou inativo enquanto em
recursos pelo Tesouro Nacional (não há vida, complementado pelo Tesouro
contribuição do militar). Nacional

Da incorporação às Forças
Período de A partir do falecimento do militar até o
Armadas até o falecimento do
percepção falecimento de todos pensionistas.
militar.
Em que pese não existir um sistema de
previdência para os militares das
Natureza
Não tem natureza previdenciária. Forças Armadas, a pensão deixada aos
jurídica
dependentes não deixa de assumir
natureza previdenciária.
Atualmente não há desconto da pensão
Tempo médio para alimentar a própria pensão militar,
62 anos. mas o PL 1.645/2019 prevê que
de contribuição
pensionistas passarão a contribuir.
Tempo médio 62 anos, pois é o mesmo da
9 anos.
de recebimento contribuição.

O voto do Juiz Federal IVORI LUÍS DA SILVA SCHEFFER, do Tribu-


nal Federal da 4ª Região (TRF/4), Relator na Apelação Cível nº 5044271-
17.2011.4.04.7100/RS, é bastante esclarecedor sobre essa matéria. Dele, se-
guem-se inúmeros excertos com grifos nossos, acrescidos de alguns comentá-
rios, também nossos, esclarecendo ou ampliando alguns pontos do voto:
Não há inconstitucionalidade na cobrança da contribuição para a
pensão militar, incidente sobre os proventos de inatividade
pagos aos membros das Forças Armadas, tanto após a
Constituição de 1988, quanto depois da reestruturação provocada
pela EC nº 20/1998 ou pela EC nº 41/2003.

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Ocorre que há muito subsiste a contribuição dos inativos no


âmbito do regime previdenciário dos militares, dotada de regras
específicas para a categoria, tal qual a Lei n.º 3.765/1960, as quais
se mantiveram inalteradas com a passagem das Emendas
Constitucionais n.ºs 20/1998 e 41/2003.

As reformas previdenciárias acentuaram a diferenciação entre


os membros das Forças Armadas e os servidores da
Administração Pública. A EC nº 18/1998 excluiu os militares das
Forças Armadas das Seções que regem os servidores públicos
(Seção II). O regramento aplicável aos membros das Forças
Armadas passou a integrar o art. 142, em seção pertencente ao
Título V da Constituição. Cai por terra, nessa linha, a invocação
de tratamento isonômico.
..............................................................................................................
(...), os militares inativos, diferentemente dos servidores civis,
sempre contribuíram para a manutenção da sua previdência,
conforme regras próprias e específicas. Aliás, a partir do momento
em que a sociedade brasileira passou a discutir sobre a reforma da
Previdência, ficou evidente que há, ao lado da Previdência Social
dos trabalhadores e servidores públicos, duas categorias
diferenciadas: magistrados e militares.

Diferentemente dos servidores públicos (civis), os militares das


Forças Armadas, mesmo depois de terem passado à inatividade (reserva ou
reforma) continuam contribuindo para a pensão militar, e não para os seus
proventos de inatividade.

As regras aplicadas aos militares nessa matéria são próprias e


especiais, não se confundindo com aquelas do RGPS e do RPPS, o que não
permite que os militares sejam tratados da mesma maneira que os celetistas
e os servidores públicos; ou seja, não há tratamento isonômico.

A ressalvar que os militares das Forças Armadas não possuem


instituído um sistema previdenciário, mas um Sistema de Proteção Social no
qual a contribuição dos ativos e inativos para a pensão militar termina por
assumir uma natureza previdenciária.

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De fato, ao contrário dos servidores públicos federais e dos


trabalhadores da iniciativa privada, o militar nunca contribuiu para
a sua aposentadoria, pois tal benefício inexiste na lei castrense.
Ele sempre contribuiu apenas para a pensão militar, destinada a
seus beneficiários. Assim, mesmo quando o militar passa à
inatividade remunerada (por tempo de serviço ou decorrente de
incapacidade física) continua contribuindo para a pensão militar,
antigo montepio militar, criado há mais de um século pelo Decreto
n.º 695/1890. O regime especial dos militares, destarte,
consolida-se em legislação infraconstitucional específica.
..............................................................................................................
No que se relaciona ao tipo de lei (ordinária ou complementar), cabe,
aqui, aplicar a interpretação clássica dada pelo STF de que "quando
a CF não expressa literalmente a necessidade de lei complementar,
em regra, é exigida lei ordinária".

Esse excerto pede a correção da palavra “aposentadoria”, inaplicá-


vel aos militares. A inatividade do militar comporta duas situações: reserva e
reforma. De qualquer modo, evidencia que não há contribuição dos militares
das Forças Armadas para os seus proventos da inatividade. Esse encargo é
exclusivo da União. A contribuição é exclusivamente para a pensão militar,
que será deixada para seus dependentes quando da sua morte.

Daí pode ser concluído o seguinte: o militar paga a pensão militar


até morrer. A morte será fato gerador da extinção do seu dever de contribuir
para a pensão e do seu direito de perceber vencimentos ou proventos e fato
gerador do direito à percepção da pensão pelos seus dependentes.

As últimas linhas do excerto evidenciam que a Constituição


Federal remete à lei ordinária – e não à lei complementar – praticamente
todas as matérias relativas aos direitos e deveres dos militares das Forças
Armadas, ou seja, à seara infraconstitucional. Portanto, em relação aos
militares, não há como tratar de remuneração, tempo de serviço, pensão e
outros direitos e deveres em nível constitucional. As únicas regras comuns
aos civis e militares estão contidas na Constituição Federal e são por ela
referidas no seu art. 142, § 3º, VIII.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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17

(...) os servidores militares inativos, diferentemente dos civis,


sempre contribuíram para o custeio de seu sistema
previdenciário, o qual possui regras próprias e especiais. Na
realidade, a contribuição para a pensão militar exigida mediante
descontos em seus vencimentos, tem por finalidade e destinação a
promoção e manutenção das pensões,...
..............................................................................................................
(...) revela-se infundada a tese de tratamento isonômico entre o
regime militar e outros regimes previdenciários,...

A expressão “servidores militares” deve ser compreendida em


sentido amplo, pois, rigorosamente, a própria Carta Magna já diferencia
“servidores públicos” (civis compondo os quadros efetivos da Administração
Pública) de “militares”.

Destaca-se o aspecto histórico de os militares sempre terem


contribuído – e muito antes dos civis – para o que está sendo chamado de
“sistema previdenciário”. Essa contribuição dos militares, visando à proteção
da viúva e dos seus dependentes, remonta ao século XVIII. Em outros
termos, os militares foram os pioneiros na instituição dos modernos sistemas
previdenciários.

Está evidente que os descontos que os militares (ativos e inativos)


sofrem em sua remuneração para a pensão militar tem essa destinação
exclusiva, nada tendo a ver com os proventos que perceberão quando na
inatividade.

Os proventos do militar inativo das Forças Armadas são pagos


com os recursos orçamentários da União (Tesouro Nacional) em continuidade
ao pagamento dos seus vencimentos ao tempo em que estava no serviço
ativo.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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18

Dispensando-se comentários subsequentes, vale, também, a


transcrição dos seguintes trechos do voto do Juiz Federal IVORI LUÍS DA
SILVA SCHEFFER, aclarando ainda mais aspectos associados à situação dos
militares das Forças Armadas (grifos nossos):

(...) A fim de evidenciar com maior clareza tal situação, cumpre


elencar, a título de exemplo, algumas diferenças consideráveis entre
o regime dos servidores federais (civis) e o dos militares:

a) o militar passa para a inatividade com proventos integrais, aos 30


anos de serviço (art. 50, inciso II, da Lei n.º 6.880/80),
independentemente de idade; o servidor público precisa contribuir
por 35 anos, além de se aposentar com 60 ou 55 anos (dependendo
do sexo);

b) os militares somente passam a contribuir para a pensão depois de


completar 2 anos de serviço (art. 1º, b, da Lei n.º 3.765/60); o
servidor civil contribui para a previdência desde a sua admissão no
serviço público;

c) os militares contribuíam, antes da Medida Provisória n.º 2.215/01,


com apenas dois dias de soldo; os servidores civis sempre
contribuíram sobre toda a remuneração;

d) com as alterações de tal Medida Provisória, os militares passaram


a contribuir sobre toda a remuneração. Antes disso, ao passarem
para a reserva, recebiam proventos sem que ao longo da
carreira tivessem contribuído para o regime previdenciário, que
jamais existiu no tocante aos militares. A contribuição de dois
dias do soldo para a pensão militar tinha natureza diversa, seu
objetivo era deixar o benefício da pensão aos dependentes do
militar, correspondente a um posto acima ou dois postos acima do
miilitar quando da ativa, conforme o tempo de serviço;

e) assim, os servidores civis sempre contribuíram para o regime


previdenciário para poderem se aposentar com proventos integrais;
o militar, ao contrário, passava para a inatividade recebendo
proventos sem qualquer contribuição para este fim.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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19

Outro ponto importante ainda a ressaltar é o caráter atuarial da


contribuição disciplinada pela Lei n.º 3.765/60. Antes da Constituição
Federal de 1988, a pensão militar correspondia a 20 vezes o valor
da contribuição. Após, ela passou a corresponder à totalidade dos
vencimentos do militar. Destarte, mostra-se justificável o aumento da
alíquota da contribuição, consoante a Medida Provisória n.º
2.215/01, sob pena de desequilíbrio atuarial e, por conseguinte,
quebra do sistema.

A destacar que parte das considerações feitas pelo magistrado


deixarão de ser verdadeiras, em desfavor dos militares, se aprovado o Projeto
de Lei nº 1.645/2019 na forma como foi enviado ao Congresso Nacional.

Em síntese, os militares não contribuem para a percepção dos seus


proventos de inatividade. A remuneração do militar na reserva ou reformado é
integralmente custeada pelo Tesouro Nacional. Os descontos que sofrem na
ativa – e também na inatividade – de 7,5% sobre sua remuneração bruta
destinam-se a custear as futuras pensões dos seus dependentes,
acrescentando-se, ainda, o desconto de 3,5% para o respectivo Fundo de
Saúde.

De qualquer modo, o Projeto de Lei nº 1.645/2019, ao acrescentar o


seguinte dispositivo ao Estatuto dos Militares, deixa bem clara a diferença entre
remuneração e pensão (grifos nossos):

“Art. 50-A. .............................................................................................

§ 1º A remuneração dos militares ativos e inativos é encargo


financeiro do Tesouro Nacional.

§ 2º As pensões militares são custeadas com recursos


provenientes da contribuição dos militares das Forças Armadas, de
seus pensionistas e do Tesouro Nacional.” (NR)

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20

E qual é o rei que parte para a guerra


contra outro rei e não se senta primeiro a
considerar se é capaz de se opor, com dez mil
soldados, àquele que vem contra ele com vinte
mil?
Basílio de Cesareia, São Basílio Magno ou Basílio, o Grande,
doutor da Igreja, foi bispo de Cesareia, na Capadócia (330 d.C. -
379 d.C).
Fonte: https://www.diocesedeblumenau.org.br/site/blog/nada-
preferir-cristo-sao-basilio-c-330-379-monge-bispo-de-cesareia-da-
capadocia-doutor-da-igreja/; acesso em: 12 mai. 2019.

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21

03. COMPARAÇÃO NA DIMENSÃO INTERNACIONAL: O SISTEMA DE


PROTEÇÃO SOCIAL DOS MILITARES X REGIME PREVIDENCIÁRIO

A publicação “As Forças Armadas e a PEC da Previdência”, da


Fundação Getúlio Vargas5, em sua edição de 2016, trouxe tabelas que
mostram como é tratado o SISTEMA DE PROTEÇÃO SOCIAL DOS
MILITARES em vários continentes em face do regime previdenciário civil.

Nas três tabelas seguintes será possível observar que, tirante os


países sobre os quais não há informação disponível, quase todos têm, para os
seus militares, um sistema de proteção social próprio.

Em todo o
continente americano não se
observa qualquer país em que
os militares tenham regime
previdenciário junto com os
civis.

5 LEAL, C. I. S. et al. As Forças Armadas e a PEC da Previdência. Brasília: Fundação Getúlio


Vargas, 2016. p. 15-17. Fonte:
http://www.eb.mil.br/documents/10138/7278234/AS+FORCAS+ARMADAS+E+A+PEC+DA+P
REVIDENCIA.pdf/5b43ce25-c52c-4dbf-aa62-8d95b0b7046f; acesso em: 09 abr. 2019.

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22

Na Ásia e Oceania, dos


países sobre os quais se
dispõe de informação, é
possível concluir que apenas o
Kuwait, Laos, Síria e Vietnã
têm regime previdenciário
comum para militares e civis.

Finalmente, na Europa,
daqueles países de que se
dispõe de informação, é
possível concluir que somente
Bulgária, Lituânia, Luxemburgo
e Romênia têm regime
previdenciário comum para
militares e civis.

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23

Pelos destaques nas tabelas, os países que têm certa expressão


econômica, tecnológica e militar preservam os militares das suas forças
armadas em SISTEMA DE SEGURANÇA SOCIAL próprio: Estados Unidos,
Austrália, China, Indonésia, Alemanha, França, Reino Unido e Rússia. A esses
ainda poderiam ser acrescentados Canadá, Irã, Arábia Saudita, Israel, França,
Itália, Portugal, Espanha, Turquia, além de outros tantos.

Disse se conclui que países que fazem diferente são, em sua


maioria, sem grande relevância geopolítica.

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24

Introdução do Projecto de Lei de Meio Soldo e Relatorio da Terceira


Secção da Commissão de Exame da Legislação do Exercito,
presidida por Sua AIteza o Sr. Marechal d'Exercito Conde d'Eu. Rio de
Janeiro: Typographia Nacional, 1866. p. 3.
Fonte:
http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/242979/000023326.p
df?sequence=1; acesso em: 17 abr. 2019.

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25

04. A DIMENSÃO HISTÓRICA E LEGAL

04.1. Sobre a pensão militar e a remuneração dos militares

Aqueles que se debruçam sobre a História do Brasil compreendem


perfeitamente a importância dos militares na construção do País e são
sabedores dos relevantes serviços por eles prestados à Nação e à sociedade.

Entretanto, nem é preciso recorrer a História, sendo bastante atentar


para as múltiplas missões que desempenham nos dias que correm, não poucas
vezes, afastados de suas missões precípuas, cumprindo atribuições que
seriam de outras instituições do aparelho estatal ou com elas colaborando.

Eis que bradam: “Qualquer missão, a qualquer hora, em


qualquer lugar!”. E sem hora-extra, sem direitos trabalhistas, sem adicional
noturno, sem..., sem..., sem...

A rigor, esse espírito norteia os soldados no mundo inteiro; não só


no Brasil. E isso faz com tenham um estatuto jurídico específico, bastante
diferenciado dos demais agentes públicos, inclusive quanto à pensão militar,
que, em nosso País, tem origem mais remota em diversos institutos que foram
adotados em Portugal desde o século XVIII.

Porque os autores, ao tratarem desses institutos, nem sempre façam


perfeita distinção entre eles, sintetizamos algumas das características que os
diferenciam:

MONTEPIO6 – havia a contribuição do militar e era destinado a amparar a sua


família após o seu falecimento;

6 “§ 2° Contribuição para o Monte Pio.


A contribuição para o Monte Pio consiste na quota de hum dia de soldo de cada mez, que os
Offciaes do Exercito , e Armada deixão de receber, para que , quando fallecerem tenhão
suas viuvas , filhas , mães , ou irmãs, humas, na falta de outras , o meio soldo de suas
patentes.
§§. Avisos de 26 de Agosto de 1790, de 19 de Março de 1791, de 26 e 28 de Setembro de
1792, de 19 de Fevereiro de 1793, de 20 de Janeiro de 1794. Plano de 23 de Setembro de
1705.
MAIA, José Antonio da Silva. Compêndio do Direito Financeiro. Rio de Janeiro:
Typographia Nacional. 1941. p. 46. Fonte:
https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/227338/000022616.pdf?sequence=3http
s://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/227338/000022616.pdf?sequence=3; acesso
em: 17 abr. 2019.

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26

MEIO-SOLDO – originalmente, não havia a contribuição do militar e era


destinado a amparar a sua família após o seu falecimento; e

TENÇAS7 – não havia a contribuição do militar e eram destinadas a


recompensá-lo por serviços prestados na guerra ou, mesmo, em tempo de paz,
podendo ou não ser herdadas pela família.

Muitos indicam que as “Tenças Portuguesas” seriam o mais antigo


desses institutos, mas o benefício com a natureza de montepio oficial, em que
há a contribuição do partícipe, surge, primeiro, na Espanha, em 1761, como
Montepio Militar, seguindo-se os Montepios da Armada espanhola.

Embora seja adotada a palavra “militar”, que alcança todos os


postos e graduações, os montepios, na sua origem, só incluíam os oficiais.

Para diversos autores, a origem da atual pensão militar no Brasil


está na criação do Montepio Militar, em 26 de agosto de 1790, em Portugal.

Recorrendo a esses autores, parece que o Montepio Militar foi


adotado, de imediato, em todo o exército de Portugal. Não encontramos o texto
do ato legal que criou esse instituto, mas em um trabalho de um coronel

7 “Nessa indagação histórica, a génese da atribuição das pensões de preço de sangue deve
ser procurada na prerrogativa do Rei de conceder «tenças, pensões ou quaisquer
gratificações pecuniárias em recompensa de serviços», prevista no artigo 105.º da
Constituição de 1822, privilégio que o § 11.º do artigo 75.º da Carta Constitucional
igualmente consagrou ao estabelecer como uma das principais atribuições do Rei «conceder
títulos, honras, ordens militares e distincções em recompensa de serviços feitos ao Estado,
dependendo as mercês pecuniárias de aprovação da Assembléa, quando não estiverem já
designadas e taxadas por lei»”.
Do Parecer nº 62/2003 da Procuradoria-Geral da República de Portugal. Ordem do Exército nº
3. p. 136-162. Fonte: https://assets.exercito.pt/SiteAssets/DARH/OE/2004/OEMAR04.pdf;
publicação em: 31 de março de 2004; acesso em: 13 abr. 2019.
“João de Macedo Corte Real solicitou, no ano de 1730, um hábito da Ordem de Cristo com
duzentos mil réis de tenças. Corte Real possivelmente não conseguiu o hábito de Cristo,
seus serviços foram utilizados depois de sua morte como patrimônio de sua esposa
dona Luiza de Brito Teles. Que em segundas núpcias com o tesoureiro da Alfândega
Sebastião Antunes de Araújo, acaba passando ao seu novo esposo os serviços de seu
primeiro marido como uma espécie de dote. Já Diogo da Silveira Veloso pediu três hábitos em
favor de cinco filhas suas, distribuindo as tenças de modo a não deixar nenhuma
desamparada e sem dote.”
MACHADO, Estevam Henrique dos Santos. “A ESPADA EM FORMA DE CRUZ: Honra,
Serviço e Fidelidade na Busca por Hábitos das Ordens Militares na Primeira Metade do
século XVIII em Pernambuco”. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação
em História da Universidade Federal de Pernambuco, como requisito parcial para a obtenção
do título de Mestre em História, 2017. p. 128.
Fonte: https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/24119/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o-
Estevam-Machado-vers%C3%A3o%20final2017.pdf; acesso em: 13 abr. 2014.

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médico do exército daquele País8, ficou evidente que o Montepio Militar foi
destinado, inicialmente, a “apoiar os órfãos e viúvas dos Oficiais dos
Regimentos do Alentejo”, estendendo-se, depois, para o restante da força e
servindo de modelo para a adoção, cinco anos depois, de idêntico instituto na
Armada Real.

Percebe-se, já na origem, que o instituto da pensão por morte é


indissociável dos militares, cabendo a eles o pioneirismo nessa matéria, pois
são eles a gênese dos atuais sistemas de proteção social e dos modernos
sistemas previdenciários civis.

Os homens da guerra, preocupados em deixar a viúva e filhos


amparados no caso de perecerem nas batalhas, passaram a organizar
montepios, no qual, como em um consórcio, depositavam parte das suas
remunerações.

Fica francamente perceptível que o tratamento diferenciado


dispensado aos militares vem dessas raízes históricas, que perduram e se
justificam ainda nos dias que correm.

A esse tempo, a rainha D. Maria I, mãe de D. João VI, ainda


mentalmente sã, fazia um excelente governo e tinha especial preocupação com
o exército e a marinha portugueses, valorizando seus oficiais, investindo na
formação e na remuneração deles, reformulando o ensino da arte da guerra,
aparelhando suas forças armadas, criando a Brigada Real da Marinha, embrião
do Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil, a Academia Real de Fortificação,
Artilharia e Desenho, em Portugal, e a Real Academia de Artilharia, Fortificação e
Desenho, no Brasil, além de ter adotado muitas outras medidas para reforçar o
aparato militar e naval lusitanos.

No bojo dessas medidas, cerca de quatro meses após a criação do


Montepio Militar, D. Maria I editou o Alvará de 16 de dezembro de 1790
(Anexo 01), tido como a Lei de Remuneração dos Oficiais do Exército de
Portugal, embora essa denominação não esteja consignada na publicação.

8 DUARTE, Luís Jorge Almeida. Política Social para as Forças Armadas. Trabalho de
investigação individual do Curso de Promoção a Oficial General. Lisboa: Instituto de Estudos
Superiores Militares, 2009. p. 5-6. Fonte: https://core.ac.uk/download/pdf/62703532.pdf;
acesso em 17 abr. 2019.

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Com esse alvará, que não tem qualquer vínculo com o montepio
referido imediatamente antes, a rainha visava a melhorar a remuneração dos
seus oficiais, estabelecer regras de como deveriam ser remunerados os
serviços militares e abolir as recompensas extraordinárias em tempo de paz.
De se notar que a tenças por tempo de serviço só alcançavam até o posto de
capitão.

O fato é que muitas das regras estabelecidas por D. Maria I foram


predecessoras de algumas que, atualmente, ainda são encontradas em
diplomas legais referentes à gestão do pessoal militar.

Com grafia e com pontuação atualizadas, destacam-se alguns


trechos desse Alvará 16 de dezembro de 1790.

Nas semelhanças entre alguns desses trechos e as regras hoje,


vigentes, ou que vigoraram até há pouco, percebe-se como aquelas que foram
escritas há mais de duzentos anos inspiraram as atuais, listadas a seguir:

a. a remuneração de acordo com o posto e o escalonamento vertical da


remuneração:

Primeiro: Que todos os Coronéis do Meu Exército, que comandarem


Regimentos ou tiverem Governos das cinco Praças principais de
Elvas, Faro, Almeida, Chaves e Valença do Minho, hajam de vencer
desde o primeiro de Janeiro de mil setecentos noventa e dois em
diante a razão de quarenta e cinco mil réis de soldo por mês.

Segundo: Que os Tenentes-Coronéis efetivos dos mesmos


Regimentos vençam na mesma data em diante o soldo de quarenta
mil réis por mês.

Terceiro: Que os Majores efetivos dos mesmos Corpos e os das


sobreditas cinco Praças vençam a razão de trinta e oito mil réis por
mês.
..............................................................................................................
Décimo:.................................................................................................

b. a remuneração condigna aos oficiais do Exército, mas sem esgotar as


reservas do Tesouro:

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E por quanto é muito conforme à boa razão, que recebendo os


Oficiais das Minhas Tropas os soldos proporcionados à sua decente
subsistência, não fique aliás gravada a Minha Coroa com o ônus de
recompensas extraordinárias, exigidas por diferentes Repartições:
(...)

c. além da remuneração condigna aos oficiais do Exército, a proteção


financeira às suas viúvas e órfãos, em uma espécie de pensão, ainda
sem a contrapartida da contribuição por parte dos militares:

E por quanto tendo segurado aos Oficiais do Meu Exército uma


decente subsistência, desejo até prevenir as futuras precisões das
suas famílias por um efeito da Minha Real Piedade. Hei, outro sim,
por bem declarar que a metade do rendimento anual da Obra Pia
fica exclusivamente adjudicado de hoje em diante para servir de dote
às Viuvas e Órfãos dos Oficiais beneméritos das Minhas Tropas, em
proporção da sua necessidade e serviços.

d. medalha e adicional por tempo de serviço (só alcançavam até os


capitães):

Que todos os Coronéis, Tenentes-Coronéis e Majores que contarem


vinte anos de serviço efetivo, gozem da Mercê da Cruz da Ordem de
Aviz, com a Tença correspondente às suas graduações.

Que todos os Capitães que contarem vinte anos de serviço efetivo


nas Minhas Tropas, com boas informações dos seus Chefes, serão
por esse título condecorados com a insígnia da mesma Ordem, go-
zando da Tença da Tarifa.

e. reforma por tempo de serviço com remuneração integral podendo,


ainda, ser de posto acima:

Que todos os Oficiais das Minhas Tropas que contarem de trinta e


cinco até quarenta anos de serviço efetivo, possam obter reforma
com o seu soldo por inteiro, e com aumento gradual de Patente
quando a sua idade ou moléstias a exigirem.

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30

Que todos aqueles que, pelo mesmo modo contarem de trinta até
trinta e cinco anos de serviço sejam reformados com acesso gradual
de Posto e com soldo da sua última Patente.

Que todos aqueles que contarem de vinte e cinco até trinta anos de
serviço, gozem da reforma no mesmo Posto com o soldo da sua
Patente.

Que todos aqueles que não contarem mais do que vinte e cinco até
vinte e cinco anos de serviço, sejam reformados no mesmo Posto
com meio-soldo.

Percebe-se, nesse Alvará de 16 de dezembro de 1790, que, além do


amparo à família do militar falecido, havia, também, a previsão de sua
remuneração quando passasse para a inatividade, evidenciando, desde àquele
tempo, dois institutos completamente diferentes: um destinado a prover a
subsistência do militar ainda vivo, depois de transferido para a inatividade; o
outro, com a finalidade de amparar a sua família, após a sua morte.

Nos termos desse Alvará, o Tesouro Real bancava integralmente as


despesas, não havendo, portanto, qualquer contribuição do militar.

O meio-soldo também foi adotado, mas apenas para remunerar os


inativos com menos tempo de serviço, isto é, “todos aqueles que não contarem
mais do que vinte e cinco até vinte e cinco anos de serviço”. Percebe-se,
também, que só havia uma categoria de inativo: o reformado, ao contrário de
hoje, que tem o militar da reserva e o reformado.

Cinco anos depois da criação do Montepio Militar do exército


português, D. Maria I editou o Alvará de 23 de setembro de 1795 (Anexo 02),
aprovando o Plano de Montepio dos Oficiais da Armada Real Portuguesa.9

9 Também foi encontrada a seguinte referência, com outra denominação, data e outra
autoridade subscritora: “Montepio dos Órfãos e Viúvas dos Oficiais da Marinha, criado em
02.09.1795, pelo Príncipe D. João, no Palácio Queluz, em Lisboa”. PREVIS – Instituto de
Previdência de Salvador. História da Previdência. Parece-nos incorreta, conforme se pode
observar no Anexo 01. Fonte:
http://www.previs.salvador.ba.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=348&Itemi
d=98; acesso em: 14 abr. 2019.

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Ambos os planos de montepio, do exército e da armada de Portugal,


foram de especial relevância para os oficiais das Forças Armadas do Brasil,
uma vez que adotados durante o Brasil-Império, chegando até os primeiros
anos da República.

Nos termos desse Alvará (art. 1º), o mecanismo de proteção social


se dava através do recolhimento de um dia de soldo de todos os militares,
ativos ou reformados (art. 12), independentemente de terem ou não
beneficiários, que, após a morte daquele, passariam a perceber o amparo do
meio-soldo do falecido.

As pensionistas eram as viúvas dos oficiais e, na falta delas, as


filhas "donzelas ou viúvas", dividindo igualmente a pensão, mesmo que
mudassem de estado civil (art. 4º), embora continuassem contribuindo com um
dia de soldo (art. 5º).

Nesse Alvará, a palavra “pensão” já é adotada, embora não


saibamos desde quando, exatamente, ela passou a ser empregada para
designar o benefício deixado aos familiares pelo militar falecido.

Aqui, nota-se a contrapartida financeira do militar e que os


descontos iam para um fundo comum (art. 1º, in fine) – “estes ficarão desde
logo confundidos com a Real Fazenda”.

Já no Brasil-Império, o Decreto de 4 de janeiro de 1823 (Anexo 03)


concedeu o benefício do meio-soldo às viúvas ou órfãs dos oficiais e inferiores
do Exército que morreram na Guerra da Independência e o benefício do soldo
integral às famílias dos cabos e soldados.

Nesse mesmo mês, pelo Decreto de 15 de janeiro de 1823 (Anexo


04), os mesmos benefícios foram estendidos às viúvas e às órfãs dos oficiais e
inferiores da Armada.

Poucos anos depois, por Lei de 6 de dezembro de 1827 (Anexo


05), D. Pedro I instituiu o meio-soldo para amparar as viúvas dos oficiais do
Exército Imperial, os órfãos menores de 18 anos e as filhas solteiras quando da
morte dos pais e, ainda, as mães dos oficiais, na falta da viúva e das filhas,
quando por eles eram alimentadas. Nesse caso, não houve diploma análogo
para a Armada Imperial, que só teve esse benefício após o advento da

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República, pela edição do Decreto nº 475, de 11 de junho de 1890 (Anexo


10).

Pelo teor desses decretos e dessa lei, verifica-se que não foi
estabelecida qualquer contribuição por parte do militar para gerar o direito à
percepção dos benefícios, com os cofres do Tesouro Imperial arcando
integralmente com as despesas.

A esse tempo, os oficiais da Armada Imperial contribuíam para o seu


montepio, mas não tinham o meio-soldo; em contrapartida, os oficiais do
Exército Imperial dispunham do meio-soldo, mas não contribuíam para o
montepio. Somente com o advento da República, é que os oficiais da Armada e
do Exército passaram ter igual condição em face do meio-soldo e do montepio.

Na década de 1840, procurando diminuir as distâncias entre o


Exército e a Armada Imperiais, foram editadas algumas normas visando a
uniformizar procedimentos. Nesse contexto, pelo Decreto nº 260, de 1 de
dezembro de 1841 (Anexo 06), foi mandado organizar, no prazo de um ano, os
Quadros dos Oficiais do Exército e da Armada, com a designação do número
de oficiais que devia haver em cada posto, assim como dos soldos e
vencimentos.

Entre outras disposições, estabeleceu que os oficiais que tivessem


de ser reformados por ocasião da organização dos Quadros, seriam com o
soldo integral que tinham antes da edição do decreto e “com o melhoramento
que lhes possa competir, conforme o disposto no Alvará de 16 de Dezembro de
1790”.

Esse decreto ainda definiu que os soldos dos oficiais de 1ª, 2ª e 3ª


classes constariam de tabela anexada e que os oficiais de qualquer classe,
quando efetivamente empregados em serviço militar, teriam, além do soldo, a
gratificação adicional designada na mesma tabela e perceberiam, quando em
campanha, além dos vencimentos, uma gratificação igual à terça parte do
soldo.

Quanto aos oficiais do Corpo de Artilharia da Marinha, o decreto


estabeleceu que seriam regulados da mesma maneira que os oficiais da 1ª

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classe do Exército, mas que, quando embarcassem, no lugar da gratificação


adicional, perceberiam “as maiorias de embarque”, como os oficiais da Armada.

Para esclarecer que, à luz do art. 1º da Lei de 6 de novembro de


1827, as filhas dos oficiais do Exército, que eram solteiras quando do
falecimento de seus pais e casaram depois, continuariam no benefício do meio-
soldo, foi editado o Decreto nº 521, de 1º de julho de 1847 (Anexo 07).

Tanto é assim, que o Decreto nº 3.607, de 10 de fevereiro de 1866


(Anexo 08), que regulou o processo das habilitações para as pensões do meio
soldo e montepio, no capítulo I – Do Meio Soldo – só alcançou os oficiais do
Exército, designados como "Officiaes militares pela Lei de 6 de Novembro de
1827" (art. 1º); enquanto o capítulo II – Do Montepio – foi voltado
exclusivamente para os oficiais da Marinha, referidos como "Officiaes da
Armada ou dos Corpos de Marinha" (art. 13), tais como o Corpo de Fuzileiros
Navais e o Corpo de Artilharia.

No fim desse capítulo II, dedicado aos oficiais da Marinha, há o


seguinte dispositivo, que trata do montepio do Exército e faz referência ao
montepio dos oficiais do exército português – o de 26 de agosto de 1790 (grifos
nossos, grafia original):

Art. 21. Na concessão do montepio do Exercito estabelecido pelo


plano de 26 de Agosto de 1790 e diversos artigos addicionaes,
serão observadas as regras que ficão prescriptas nos artigos
antecedentes a respeito das habilitações para o montepio de
Marinha; tendo-se em attenção: (...)

Esse dispositivo caiu no vazio, pois o Montepio do Exército ainda


não estava instituído e só seria criado pelo Decreto nº 695, de 28 de agosto de
1890 (Anexo 11), já na República.

O Decreto nº 193-A, de 30 de janeiro de 1890 (Anexo 09), traz


anexa uma tabela indicando, para cada posto, as idades para a reforma
voluntária (idade mínima) e reforma compulsória (idade máxima), além das
respectivas gratificações adicionais, por ano, tanto quantos forem os anos que
excederem o tempo mínimo de serviço em cada posto.

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34

E, como visto imediatamente antes, no alvorecer da República, o


Decreto nº 475, de 11 de junho de 1890 (Anexo 10), considerando que a Lei
de 6 de novembro de 1827 só havia alcançado os oficiais do Exército, estendeu
aos oficiais da Marinha o benefício do meio-soldo, acrescentando que esse
direito não prejudicava nem invalidava os montepios feitos por estes nos
termos do Alvará de 23 de setembro de 1795, dos oficiais da marinha
portuguesa (art. 7º).

E para os oficiais do Exército, que já dispunham do meio-soldo, o


Decreto nº 695, de 28 de agosto de 1890 (Anexo 11), criou o montepio para
as suas famílias de modo similar ao da Marinha, dispondo não só sobre o
montepio, mas também sobre a pensão do meio-soldo.

Quatro meses depois, a ementa do Decreto nº 1.232-E, de 31 de


dezembro de 1890 (Anexo 12) – “Autoriza a concessão de meio soldo ás
famílias dos officiaes reformados do Exercito e dá outras providências” –
sugeriu que só a partir desse diploma normativo é que as famílias de todos os
oficiais que faleceram na condição de reformado passariam a ter direito ao
meio-soldo. Todavia, quando se vai aos dispositivos desse decreto, a
percepção que se tem é que o mesmo estendeu o direito ao meio-soldo aos
oficias reformados à luz do Decreto nº 193-A, de 30 de janeiro de 1890 (Anexo
09), acumulando o meio-soldo com as gratificações neste previstas.

No ano seguinte, pelo Decreto nº 471, de 1 de agosto de 1891


(Anexo 13), foram estabelecidas regras iguais para a habilitação e contribuição
ao montepio instituído pelos oficiais do Exercito e da Armada e classes anexas
e para a habilitação ao meio-soldo, visando a simplificar processos adotados
pelo Decreto nº 3.607, de 10 de fevereiro de 1866 (Anexo 08), e pelo Decreto
nº 475, de 11 de junho de 1890 (Anexo 10), e mandando observar as
instruções para a execução do Alvará de 23 de setembro de 1795 (Anexo 02).

Na redação do § 2º do art. 1º desse Decreto, fica evidente que o


montepio, a pensão e o meio-soldo são institutos completamente diversos
(grifos nossos, grafia original):

Art. 1.º ..................................................................................................


..............................................................................................................

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§ 2.° Quanto á esposa, especificarão a sua filiação e si já percebe ou


não dos cofres do Estado algum monte-pio da Marinha ou do
Exercito, meio-soldo ou pensão. (...)

Tanto é assim que, pelo Decreto nº 37, de 26 de janeiro de 1892


(Anexo 14), foi reconhecido o direito à viúva de um oficial à percepção da
pensão, do meio-soldo e de tantos montepios quanto tivesse (grifos nossos,
grafia original):

Art. 1.º A pensão concedida pelo decreto de 24 de janeiro do


corrente anno a Maria Joaquina Botelho de Magalhães, viuva do
general Dr. Benjamin Constant Botelho de Magalhães, e a seus
filhos não prejudica o direito que lhes assiste ao meio-soldo da
patente e aos monte-pios que tenham sido por elle instituidos.

O Decreto nº 1.054, de 20 de setembro de 1892 (Anexo 15), tendo


em vista que o art. 85 da Constituição Federal determinara que os oficiais do
Exército e da Marinha deveriam ter vantagens iguais 10, buscou harmonizar o
modo de se fazer a contribuição para o montepio dos oficiais do Exército, com
o que estava estipulado para o montepio dos oficiais da Marinha, e também da
habilitação para as pensões do meio soldo e montepio.

Três anos depois, pela Lei nº 288, de 6 de agosto de 1895 (Anexo


16), foi determinado que o montepio dos oficiais da Armada e classes anexas,
referido pelo Alvará de 23 de setembro de 1795, fosse regulado pelo mesmo
decreto que tratava do montepio dos oficiais do Exército, equiparando ambos.

Nesse caso, em nosso entendimento, apesar de não constar


revogação expressa do Alvará de 1795, como a Lei de 1895 mandou que o
montepio por ele referido passasse a ser regulado pelo decreto que tratava do
montepio dos oficiais do Exército, tacitamente aquele foi revogado.

Durante o Brasil-Império e nos primórdios da República, vários


outros diplomas normativos foram editados dispondo sobre pensão, meio-soldo
e montepio, ora de cunho normativo, regulando procedimentos ou dispondo

10Art. 85 da Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil de 1891: “Os oficiais do
quadro e das classes anexas da Armada terão as mesmas patentes e vantagens que os do
exército nos cargos de categoria correspondente.”

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36

sobre quem poderia ser beneficiário, ora de cunho administrativo, concedendo


direitos a este ou aquele beneficiário. De qualquer modo, quer nos parecer que
os mais relevantes foram aqui referidos.

Ao longo do século XX, o direito de contribuir para o montepio foi


sendo estendido aos praças da Marinha e do Exército: sargentos, suboficiais e
subtenentes, guarda-marinhas e aspirantes-a-oficial, músicos militares, e
cabos, soldados, marinheiros e taifeiros com mais de dois anos de serviço (Lei
nº 5.167-A, 12 de janeiro de 1927; Decreto nº 23.347, de 13 de novembro
de 1933; Decreto-lei nº 196, de 22 de janeiro de 1938; Decreto-lei nº 3.084, de
1º de março de 1941 – o primeiro Estatuto dos Militares11; Decreto-lei nº 7.565,
de 21 de maio de 1945; e Lei nº 488, de 15 de novembro de 1948).

Paralelamente, diversos outros diplomas normativos dispondo sobre


remuneração, pensões e outros direitos e deveres dos militares das Forças
Armadas foram sendo editados e aperfeiçoados.

A destacar o Decreto-lei nº 196, de 22 de janeiro de 1938,


que dispunha sobre a contribuição para montepio militar e a pensão
correspondente dos herdeiros, regulamentado pelo Decreto nº 3.695 de 6 de
fevereiro de 1939, que, em longo texto, consolidou os dispositivos referentes a
pensões militares, regulando o montepio e o meio-soldo, mas que foi seguido
do Decreto-lei nº 8.958, de 28 de janeiro de 1946, que, ao alterar o art. 15 do
Decreto nº 3.695/1939, estabeleceu a seguinte ordem de precedência das
pessoas consideradas da família para percepção da pensão militar:

1º A viúva, enquanto viver honestamente, ou enquanto não mudar


de estado, casando com pessoa civil (art. 19 do Decreto nº 695, de
28 de Agôsto de 1890);

2º As filhas solteiras, viúvas e casadas e os filhos menores de 21


anos, legítimos, legitimados ou reconhecidos (art. 19 do Decreto nº
695, de 1890 e art. 3º do Decreto nº 632, de 6 de Novembro de
1899, Decreto nº 846, de 10 de Janeiro de 1902) bem como as filhas
desquitadas; os filhos adotivos (art. 8º do Decreto nº 196 de 1938);
11 Apenas para registro, sem entrar em minudências, ainda nesse ano de 1941, houve uma
segunda versão do Estatuto dos Militares pelo Decreto-lei nº 3.864, de 24 de novembro
de 1941.

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37

os filhos desquitados, legalmente reconhecidos; os filhos interditos,


embora maiores de 21 anos, que, por incapacidade física ou moral,
não possam adquirir meios de subsistência (art. 1º do Decreto
número 426, de 24 de Maio de 1890).

3º Os netos, órfãos de pai e mãe (art. 5º do Decreto nº 632, de


1890).

4º As mães viúvas ou solteiras (art. 19 do Decreto nº 695, e art. 2º


do Decreto nº 632), bem como as desquitadas, desde que por
ocasião da morte do de cujus já vivam efetivamente separadas.

5º As irmãs germanas e consanguineas, solteiras e viúvas (art. 19


do Decreto nº 695; art. 6º da Lei nº 632 de 1899 e art. 46 do Decreto
nº 4.793, de 7 de Janeiro de 1924), bem como as desquitadas.

Entretanto, antes, tinham sido editados o Decreto-Lei nº 2.186, de


13 de Maio de 1940, dispondo sobre o Código de Vencimentos e Vantagens
dos Militares do Exército, e a primeira versão do Estatuto dos Militares
(Decreto-lei nº 3.084, de 1º de março de 1941), que rezava o seguinte, entre
outras disposições (grifos nossos):

Art. 75. Os oficiais, os aspirantes a oficial, os guardas-marinha, sub-


tenentes, sub-oficiais e os sargentos do Exército e da Armada
deixarão, por morte, às suas familias, uma pensão que
constitue a herança militar.

§ 1º A herança militar dos oficiais é constituida pelo montepio e pelo


meio-soldo, os quais podem ser acrescidos de outros benefícios
criados em leis especiais; a herança militar das praças é constituida
pelo montepio militar de conformidade com as leis em vigor.

§ 2º Os militares contribuirão mensalmente, para o montepio,


com um dia de soldo, deixando aos herdeiros uma pensão mensal
igual, no mínimo, a 15 vezes a contribuição.

Art. 76. Os militares mortos em campanha, ou em conseqüência de


ferimento ou moléstia nela adquiridos, bem como os militares mortos
em consequência de acidentes em ato de serviço ou de moléstia

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38

dele decorrentes, deixam aos seus herdeiros uma pensão especial,


fixada em lei.

Desde então, outras versões do Estatuto dos Militares foram sendo


editadas: Decreto-lei nº 3.864, de 24 de novembro de 1941; Decreto-lei
no 9.698, de 2 de setembro de 1946; Decreto-lei nº 1.029, de 21 de outubro de
1969; Lei n° 5.774, de 23 de dezembro de 1971; e Lei nº 6.880, de 9 de
dezembro de 1980, hoje vigente.

Também foram editadas outras leis sucedâneas do Código de


Vencimentos e Vantagens dos Militares do Exército de 1940: Lei nº 1.316, de
20 de janeiro de 1951 – Código de Vencimentos e Vantagens dos Militares; Lei
nº 4.328, de 30 de abril de 1964 – Novo Código de Vencimentos dos Militares;
Decreto-lei nº 728, de 4 de agosto de 1969 – Código de Vencimentos dos
Militares; Lei no 5.787, de 27 de junho de 1972 – Lei de Remuneração dos
Militares; Lei no 8.237, de 30 de setembro de 1991 – Lei de Remuneração
dos “servidores” militares federais das Forças Armadas, cuja ementa
parece ter sido redigida por quem não entende das especificidades que dizem
respeito aos militares das Forças Armadas; até chegar à Medida Provisória nº
2.131, de 28 de dezembro de 2000 (sucessivamente reeditada até a Medida
Provisória nº 2.215-10, de 31 de agosto de 2001), que causou sensíveis
prejuízos aos militares e até hoje está pendente de ser votada pelo Congresso
Nacional, mas que será objeto de uma abordagem específica no subtópico
“05.1.4. O conto do ‘soldão’: a MP 2.131/2000 (MP 2.215-10/2001)”.

Também no alvorecer da década de 1950, visando a unificar a


legislação esparsa atinente à pensão militar (meio-soldo e montepio), foi
editado o Decreto nº 32.389, de 9 de março de 1953, aprovando a
consolidação das disposições legais referentes a esse instituto, que subsistiu
até ser revisado e dar origem a Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960 – Lei da
Pensão Militar, extinguindo o meio-soldo, o montepio e a pensão especial
nos seguintes termos, o que representou uma perda substancial para os
militares inativos:

Art. 30. .................................................................................................


..............................................................................................................

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§ 2º Em relação aos beneficiários dos contribuintes já falecidos, a


nova pensão substituirá o montepio e o meio-soldo, ou a
pensão especial, não podendo, porém, nenhum beneficiário passar
a perceber pensão inferior à que lhe vem sendo paga.

Deste breve escorço histórico, fica evidente que, desde os tempos


do Brasil-Império até os dias que correm, os benefícios deixados pelo militar
para amparar a família após a sua morte variaram na espécie, em ser ou não
exigida contribuição, no valor das contribuições, no rol dos que podiam ser
beneficiários e nos valores dos benefícios.

Entretanto, um aspecto ficou imutável ao longo dos séculos XIX e


XX e ainda hoje é assim: a percepção da pensão militar pelos beneficiários
sempre esteve completamente dissociada da remuneração do militar
contribuinte, ativo ou inativo. São dois institutos completamente diversos: a
pensão militar contando com a contribuição do militar, ativo e inativo, e tendo
a sua morte como fato gerador do direito à percepção pelos seus beneficiários;
enquanto a remuneração do militar ativo (vencimentos) e do inativo
(proventos) sempre ficou ao encargo exclusivo do Tesouro, cessando o direito
à percepção com a sua morte.

04.2. Milhares de pensões especiais na conta da pensão militar

Nos dias que correm, existem cerca de milhares de pensões


especiais, decorrentes de inúmeros expedientes legais, que, mesmo quando
dizem respeito a militares, foram concedidas sem a exigência das
correspondentes contribuições que lhes dessem sustentabilidade e são
computadas na conta das pensões militares, correspondendo a quase 34%
delas.

Em obra de ÁLVARO MOREIRA DA SILVA, há um capítulo bastante


minudente dedicado às pensões especiais, ainda que só alcance até o ano de
1954, data da sua edição12.

12SILVA, Álvaro Moreira da. Teoria e prática do montepio e pensões militares. Rio de
Janeiro: Conquista, 1954. p. 75.

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Nela, é encontrada a seguinte definição das pensões especiais


(grifos nossos):

As pensões especiais regem-se por legislação própria, diferente


da que estabelece normas para as pensões de Montepio e meio-
soldo, e têm por finalidade amparar em melhores condições
econômicas os herdeiros dos servidores cujo óbito ocorreu em
circunstâncias especiais, conseqüentes de desempenho de
serviço do Estado. Não é, portanto, como a pensão normal – tipo
essencialmente estabelecido pelo instituto do montepio, – mas,
excepcional mesmo, visto terem algumas delas seu período próprio
de aplicação.

As pensões especiais, ainda que deferidas a beneficiários de


militares, tiveram como fato gerador situações excepcionais não cobertas pelas
hipóteses normais para pagamento do meio-soldo e do montepio aos
beneficiários, vistos, àquele tempo, como espécies de pensões.

Segundo esse autor, a origem das pensões especiais está no


seguinte dispositivo do Decreto nº 108-A, de 30 de setembro de 1889 (Anexo
17), que “Altera o quadro de officiaes da Armada estabelecendo regras pelas
quaes devem os mesmos ser reformados voluntaria ou compulsoriamente”
(grifos nossos, grafia atualizada):

At. 9º As viúvas e os herdeiros dos oficiais que morreram em


combate, ou por desastre ocorrido em serviço, perceberão o soldo e
a gratificação adicional correspondentes ao posto imediatamente
superior aquele que tiverem os mesmos oficiais e ao tempo de
serviço que contarem. Nesse soldo é incluído o Montepio.

O soldo e a gratificação adicional correspondentes ao posto


imediatamente superior caracterizaram essa pensão especial, sendo que essa
gratificação constava de uma tabela do Decreto nº 9.697, de 15 de janeiro de
1887, alterada, depois, pelo Decreto nº 22.893, de 05 de junho de 1933.

Geraram direito às pensões especiais as mortes em virtude de


atividades militares ou por moléstias ou ferimentos decorrentes dessas

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atividades em combate ou em campanha, por atos de agressão do inimigo ou


por acidentes ou desastres em serviço.

Historicamente, há registro de pensões especiais a herdeiros de ex-


combatentes – alguns herdeiros na casa dos 100 anos de idade – da
Campanha do Uruguai (agosto de 1864 a fevereiro de 1865), da Guerra da
Tríplice Aliança (dezembro de 1864 a março de 1870); da Campanha de
Canudos (1896 a 1897), da Revolução Acreana (1899 a 1903), dos
movimentos revolucionários de 1930 e 1932, da Intentona de 1935 e dos ex-
combatentes da Segunda Guerra Mundial (setembro de 1939 a maio de 1945),
que é devida a quem participou de operações bélicas durante aquele conflito,
nos termos da Lei nº 5.315, de 12 de setembro de 1967, e a seus respectivos
dependentes (ADCT e Lei 8.059, de 4 de julho de 1990).13

Nesses casos, a conta deveria ser exclusivamente da União.


Todavia, mesmo sem que tenha havido contribuições correspondentes, a conta
é descarregada nas pensões militares, alimentadas que são pelas
contribuições.

Em razão dos conflitos ao tempo do Brasil-Império, em diversos


diplomas normativos editados após 1870 foram sendo surgindo disposições
gerando pensões especiais ou alterando condições: Decreto nº 108-A, de 30
de dezembro de 1889; Decreto nº 946-A, 1º de novembro de 1890; e assim por
diante.

Quando da República, durante a primeira metade do século XX,


outros diplomas normativos trazendo disposições sobre as pensões especiais
foram sendo sucessivamente editados, particularmente durante e

13 ADCT – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias:


Art. 53. Ao ex-combatente que tenha efetivamente participado de operações bélicas durante
a Segunda Guerra Mundial, nos termos da Lei nº 5.315, de 12 de setembro de 1967, serão
assegurados os seguintes direitos:
.................................................................................................
II - pensão especial correspondente à deixada por segundo-tenente das Forças Armadas,
que poderá ser requerida a qualquer tempo, sendo inacumulável com quaisquer rendimentos
recebidos dos cofres públicos, exceto os benefícios previdenciários, ressalvado o direito de
opção;
III - em caso de morte, pensão à viúva ou companheira ou dependente, de forma
proporcional, de valor igual à do inciso anterior;
...............................................................................................

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imediatamente após a Segunda Guerra Mundial: Decreto nº 22.893, de 05 de


julho de 1933; Decreto-lei nº 3.269, de 14 de maio de 1941; Decreto-lei nº
4.819, de 08 de outubro de 1942; Decreto-lei nº 4.839, de 16 de outubro de
1942; Decreto-Lei nº 5.330, de 1 de março de 1943; Decreto-Lei nº 5.330, de 1
de março de 1943; Decreto-lei nº 6.239, de 03 de fevereiro de 1944; Decreto-
Lei nº 7.374, de 13 de março do 1945; Decreto-Lei nº 7.891, de 23 de agosto
de 1945; Decreto-lei nº 8.794, de 23 de janeiro de 1946; Decreto-lei nº 9.698,
de 02 de setembro de 1946; Decreto-lei nº 9.878, de 16 de setembro de 1946;
Lei nº 288, de 8 de junho de 1948; Lei nº 458, de 29 de outubro de 1948; Lei nº
616, de 2 de fevereiro de 1949; Lei nº 1.027, de 30 de dezembro de 1949; Lei
nº 1.156, de 12 de julho de 1950; Decreto nº 32.358-A, de 2 de março de 1953;
e Decreto-Lei nº 4.839, de 16 de outubro de 1952;

ÁLVARO MOREIRA DA SILVA, que é o autor em comento, na sua


obra, faz referência a várias pensões especiais, em particular: a deixada pelos
oficiais-generais nos termos do Decreto-Lei nº 6.218, de 21 de janeiro de 1944,
porque a eles não seria aplicável o Decreto nº 3.269/1941, uma vez que, no
ano da edição desse decreto, já ocupavam os últimos postos da hierarquia
militar; a deixada para herdeiros de civis do então Ministério da Aeronáutica
falecidos em desastres de aviação, segundo a Lei nº 1.308, de 10 de janeiro de
1951; a pensão especial deixada para os herdeiros dos militares vitimados na
Intentona de 1935 e nos movimentos revolucionários de 1930 e 1932,
atualizada que foi pela Lei nº 1.873, de 27 de maio de 1953.

Em síntese, um conjunto extenso e complexo de normas rege as


pensões especiais que, até hoje, recaem na conta das pensões militares sem
que tenha havido contribuintes na exata medida dos benefícios deixados para
os seus herdeiros. São pensões que deveriam ser cobertas pelo Estado, e não
creditadas na conta das pensões militares.

Não bastasse, nos imbróglios jurídicos que existem, decisões


judiciais confusas mandam amparar quem não teria qualquer direito, com
vultosos pagamentos retroativos pesando consideravelmente no sistema.

E mais, no Congresso Nacional, tramitam projetos de lei pelos quais


determinados grupos buscam, ilegitimamente, embora ao amparo da lei, a

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obtenção de pensões especiais, como o Projeto de Lei nº 8.254, de 2014,


concedendo pensão especial a ex-integrantes do "Batalhão Suez".

Paradoxalmente, aqueles que bradam contra o peso das pensões


militares no Tesouro, são os mesmos que “fazem caridade com o chapéu
alheio”, promovendo o trâmite de proposições como essa, que farão aumentar
na conta das pensões militares, para as quais os militares contribuíram e
contribuem, um sem número de beneficiários que para elas nunca sofreram
qualquer desconto.

Acessoriamente, esses pensionistas especiais e seus dependentes


também pesam no sistema de assistência médico-hospitalar das Forças
Armadas, uma vez que são assistidos pelas suas unidades de saúde e, por
vezes, em estabelecimentos civis, mas por conta das Forças Armadas, sem a
contrapartida da contribuição.14

De consulta feita à assessoria do Ministério da Defesa que


acompanha o Projeto de Lei nº 1.645/2019 foi obtido o quadro que se segue,
referente ao mês de março de 2019, no qual figuram 27.963 pensionistas
especiais.15

14 ADCT – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias:


Art. 53. Ao ex-combatente que tenha efetivamente participado de operações bélicas durante
a Segunda Guerra Mundial, nos termos da Lei nº 5.315, de 12 de setembro de 1967, serão
assegurados os seguintes direitos:
.................................................................................................
IV - assistência médica, hospitalar e educacional gratuita, extensiva aos dependentes;

15 E-mail enviado ao autor do estudo, em 31 de maio de 2019, pela assessoria do General de


Divisão Eduardo Castanheira Garrido Alves, responsável pela proposta de reestruturação
das carreiras das Forças Armadas e assessor especial do Ministério da Defesa sobre
aspectos relativos ao Projeto de Lei de Proteção Social dos Militares.

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EFETIVO DAS PENSIONISTAS ESPECIAIS DAS TRÊS FORÇAS


MÊS/ANO 03/2019
GRUPO DESCRIÇÃO DO GRUPO DE EFETIVO FORÇAS
PENSÃO PENSÃO ESPECIAL SOMA
MB EB FAB
Pensão Especial - Veteranos
20 7 7
Campanhas Uruguai e Paraguai
Pensão Especial - Lei das Sete
40 53 53
Pragas16
Pensão Especial - Montepio
50 133 133
Militar
Pensão Especial - Superior
60 8 8
Tribunal Militar (STM)
Pensão Especial -
70 1 1.848 1.849
Determinação Judicial
Pensão Especial de Ex-
80 8.621 16.559 246 25.426
combatente
Pensão Especial de Ex-
81 487 487
combatente - Lei da Praia17

04.3. As pensões das filhas

Embora a questão das pensões das filhas vá ser tratada adiante, há


uma raiz histórica nesse direito que remonta aos primeiros diplomas normativos
sobre o amparo à família do militar, desde o século XVIII, como se depreende
do seguinte dispositivo do Alvará de 23 de setembro de 1795, o Plano de
Montepio dos Oficiais da Armada Real Portuguesa (Anexo 02 – grifos nossos):

Art. 4º Se por morte de qualquer dos contribuintes não ficar viúva,


mas sim filhas donzelas ou viúvas, por todas elas se repartirá
igualmente o meio-soldo de seu pai, habilitando-se, perante o auditor
geral da Marinha, da sua filiação, estado de donzela ou viuvez, e
esta porção se lhe continuará enquanto as ditas viverem, ainda que

16 Para saber que lei é essa que atende pelo nome de “Lei das Sete Pragas” – seu número,
ano da edição e a razão desse nome – esgotamos todas as pesquisas possíveis na Internet e
recorremos informalmente ao Ministério da Defesa. Não tivermos sucesso.
17 Lei da Praia (Lei nº 616, de 2 de fevereiro de 1949), estendeu benefícios pela participação
em operações da 2ª Guerra Mundial a militares que cumpriram missões de patrulhamento,
vigilância e segurança do litoral.

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mudem de estado, com qualquer pessoa que seja, com


sobrevivência de umas para as outras.

No curso do tempo, ainda que variando as condições que permitiam


as filhas herdarem a pensão do pai militar falecido, esse direito bicentenário
subsistiu em diversos diplomas normativos até 28 de dezembro de 2000,
quando a Medida Provisória nº 2.131/2000 (reeditada até a Medida Provisória
nº 2.215-10/2001), extinguiu esse e inúmeros outros direitos dos militares.

Portanto, não se pode extinguir, como muitos clamam, um direito


que já está extinto.

Mesmo assim, houve uma regra de transição para aqueles que


tinham ingressado nas Forças Armadas até a edição dessa Medida Provisória:
poderiam preservar esse direito, desde que contribuíssem para tanto com o
desconto de mais 1,5% sobre o total da sua remuneração.

04.4. Uma miríade de diplomas normativos

Para permitir a percepção da complexidade das normas referentes à


remuneração e aos benefícios de montepio, meio-soldo e pensão até a edição
da Lei da Pensão Militar – Lei nº 3.765/1960, segue listagem extraída da obra
“Teoria e Prática do Montepio e Pensões Militares” 18, que não se pretende
exaustiva, dos diplomas normativos editados desde 1790 até 1955, acrescido
de mais alguns que foram localizados e não constavam dessa publicação:
 Alvará de Lei de 16 de dezembro de 1790 – Lei de Remuneração
dos Oficiais do Exército de Portugal
 Alvará de 23 de setembro de 1795 – Plano de Montepio dos
Oficiais da Armada Real Portuguesa
 Decreto de 4 de janeiro de 1823
 Decreto de 15 de janeiro de 1823
 Lei de 6 de novembro de 1827
 Decreto nº 3.607, de 10 de fevereiro de 1886
 Decreto nº 2.105, de 8 de fevereiro de 1873
 Decreto nº 9.697, de 15 de janeiro de 1887
 Decreto nº 108-A, de 30 de dezembro de 1889
 Decreto nº 475, de 11 de junho de 1890
 Decreto nº 695, de 28 de agosto de 1890

18 SILVA, Álvaro Moreira da. Teoria e Prática do Montepio e Pensões Militares. Rio de
Janeiro: Conquista, 1954.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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 Decreto nº 946-A, de 1º de novembro de 1890


 Decreto nº 1.232-E, de 31 de dezembro de 1890
 Decreto nº 471, de 1 de agosto de 1891
 Decreto nº 1.054, de 20 de setembro de 1892
 Decreto nº 1.594-A, de 4 de novembro de 1893
 Decreto nº 1.594-B, de 6 de novembro de 1893
 Lei nº 288, de 6 de agosto de 1895
 Lei nº 632, de 6 de novembro de 1899
 Lei nº 1.473, de 9 de janeiro de 1906
 Lei nº 2.290, de 13 de dezembro de 1910
 Decreto nº 5.073, de 11 de novembro de 1926
 Lei nº 5.167-A, de 12 de janeiro de 1927
 Lei nº 5.631, de 31 de dezembro de 1928
 Decreto nº 22.893, de 5 de julho de 1933
 Lei nº 287, de 28 de outubro de 1936
 Decreto-Lei nº 196, de 22 de janeiro de 1938
 Decreto nº 3.695, de 6 de fevereiro de 1939
 Decreto-Lei nº 1.179, de 31 de março de 1939
 Decreto-Lei nº 1.315, de 2 de junho de 1939
 Decreto-Lei nº 1.487, de 7 de dezembro de 1939
 Decreto-Lei nº 1.544, de 25 de agosto de 1939
 Decreto-Lei nº 1.803, de 24 de novembro de 1939
 Decreto-Lei nº 2.065, de 7 de março de 1940
 Decreto-Lei nº 2.173, de 6 de maio de 1940
 Decreto-Lei nº 2.186, de 13 de maio de 1940
 Decreto-Lei nº 3.084, de 1º de Março de 1941
 Decreto-Lei nº 3.167, de 1 de abril de 1941
 Decreto-Lei nº 3.269, de 14 de maio de 1941
 Decreto-Lei nº 3.649, de 24 de setembro de 1941
 Decreto-Lei nº 3.864, de 24 de novembro de 1941
 Decreto-Lei nº 4.532, de 30 de julho de 1942
 Decreto-Lei nº 4.819, De 8 de outubro de 1942
 Decreto-Lei nº 4.839, de 16 de outubro de 1942
 Decreto-Lei nº 4.967, de 18 de novembro de 1942
 Decreto-Lei nº 5.330, de 1 de março de 1943
 Decreto nº 12.218, de 9 de abril de 1943
 Decreto-Lei nº 5.479, de 12 de maio de 1943
 Decreto-Lei nº 5.597, de 21 de junho de 1943
 Decreto-Lei nº 5.643, de 5 de julho de 1943
 Decreto-Lei nº 5.976, de 10 de novembro de 1943
 Decreto-Lei nº 6.218, de 21 de janeiro de 1944
 Decreto-Lei nº 6.239, de 3 de fevereiro de 1944
 Decreto-Lei nº 6.280, de 17 de fevereiro de 1944
 Decreto-Lei nº 6.943, de 10 de outubro de 1944
 Decreto-Lei nº 7.060, de 21 de novembro de 1944
 Decreto-Lei nº 7.195, de 26 de dezembro de 1944
 Decreto-Lei nº 7.270, de 25 de janeiro de 1945

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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 Decreto-Lei nº 7.374, de 13 de março do 1945


 Decreto-Lei nº 7.565, de 21 de maio de 1945
 Decreto-Lei nº 7.610, de 5 de junho de 1945
 Decreto-Lei nº 7.891, de 23 de agosto de 1945
 Decreto-Lei nº 8.013, de 29 de setembro de 1945
 Decreto nº 20.268, de 24 de dezembro de 1945
 Decreto-Lei nº 8.512, de 31 de dezembro de 1945
 Decreto-Lei nº 8.794, de 23 de janeira de 1946
 Decreto-Lei nº 8.821, de 24 de janeiro de 1946
 Decreto-Lei nº 8.919, de 26 de janeiro de 1946
 Decreto-Lei nº 8.958, de 28 de janeiro de 1946
 Decreto-Lei nº 9.698, de 2 de setembro de 1946
 Decreto-Lei nº 9.798, de 9 de setembro de 1946
 Decreto-Lei nº 9.830, de 11 de setembro de 1946
 Decreto-Lei nº 9.878, de 16 de setembro ele 1946
 Lei nº 288, de 8 de junho de 1948
 Lei nº 421, de 7 de outubro de 1948
 Lei nº 458, de 29 de outubro de 1948
 Lei nº 488, de 15 de novembro de 1948
 Lei nº 608, de 10 de janeiro de 1949
 Lei nº 616, de 2 de fevereiro de 1949
 Lei nº 628, de 21 de fevereiro de 1949
 Decreto nº 27.177, de 15 de setembro de 1949
 Lei nº 883, de 21 de outubro de 1949
 Lei nº 1.027, de 30 de dezembro de 1949
 Lei nº 1.031, de 30 de dezembro de 1949
 Lei nº 1.063, de 13 de fevereiro de 1950
 Lei nº 1.156, de 12 de julho de 1950
 Lei nº 1.161, de 22 de julho de 1950
 Lei nº 1.169, de 7 de agosto de 1950
 Lei nº 1.196, de 9 de setembro de 1950
 Lei nº 1.267, de 9 de dezembro de 1950
 Lei nº 1.338, de 30 de janeiro de 1951
 Instruções para aplicação da Lei nº 1.169 de 1950
 Decreto nº 30.900, de 24 de 1952
 Decreto nº 32.358-A, de 2 de março de 1953
 Decreto nº 32.389, de 9 de março de 1953
 Lei nº 1.943, de 14 de agosto de 1953
 Lei nº 1.873, de 27 de maio de 1953
 Lei nº 1.949, de 19 de agosto de 1953
 Lei nº 2.211, de 31 de maio de 1954

Hoje, é bem menor a complexidade dos diplomas normativos que


regem a pensão militar e outros direitos e deveres dos militares das Forças
Armadas, mas, ainda assim, guardam certa complexidade, demandando algum
esforço para sua compreensão a aplicação.

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48

Introdução do Projecto de Lei de Meio Soldo e Relatorio da Terceira Secção


da Commissão de Exame da Legislação do Exercito, presidida por Sua AIteza
o Sr. Marechal d'Exercito Conde d'Eu. Rio de Janeiro: Typographia Nacional,
1866. p. 3.
Fonte:
http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/242979/000023326.pdf?sequ
ence=1; acesso em: 17 abr. 2019.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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49

05. COMPARAÇÃO NA DIMENSÃO NACIONAL: O AVILTAMENTO DA


REMUNERAÇÃO DE UMA CARREIRA DE ESTADO

05.1. As sucessivas perdas dos militares das Forças Armadas

Ao longo dos anos, os militares foram, paulatinamente, perdendo


benefícios, tendo sua remuneração achatada e perdendo poder de compra,
chegando ao ponto de serem, entre as carreiras de Estado, os que pior
remuneração percebem.

Justamente os membros das instituições garantes da existência do


próprio Estado, seja como instrumento de dissuasão em face das ameaças
externas, seja como trunfo da diplomacia nas relações internacionais, seja
como poder moderador e fator de estabilidade nas crises internas, seja como
primeira e última trincheiras diante de uma agressão externa que venha a
acontecer.

Não bastasse, nos mais distantes rincões do País, são, por vezes, a
única presença do Estado, afora serem recorrentemente chamadas a exercer
inúmeras atividades que não lhes caberiam, mas, sim, a outras instituições
estatais que, pelas mais várias razões, não estão dando conta de suas
atribuições constitucionais e legais.

E às Forças Armadas, desde os tempos do Brasil-Império, que deve


ser creditada a integridade nacional e a consolidação do Estado brasileiro.

Mesmo assim, no sentido oposto do reconhecimento e da sua


valorização, os militares vêm sofrendo, ao longo do tempo, sucessivas perdas
remuneratórias, cada vez mais distantes da remuneração de outros agentes
públicos de formação equivalente e até de menor qualificação; o que tem
provocado grande evasão das Forças Armadas para outras carreiras do Estado
e, até mesmo, para a iniciativa privada, privando-as de pessoal de excelente
nível e com os quais o Estado despendeu recursos em uma formação de alto
custo. Importante observar que não se vê movimento no sentido contrário.

Neste tópico, sem a pretensão de uma abordagem exaustiva, estão


elencadas algumas dessas perdas.

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50

05.1.1. As perdas provocadas pela Lei da Pensão Militar

A Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960 – Lei da Pensão Militar,


referida antes, levou à extinção do meio-soldo, do montepio e da pensão
especial, substituídos pela nova pensão militar (art. 30, § 2º).

Sobre isso, fizemos o seguinte excerto de artigo publicado em


página eletrônica do Clube Militar19, mas que circula, pelo menos desde 2010,
em diferentes endereços eletrônicos da Internet (grifo nosso):

Em 1960, o Governo resolve incorporar ao Tesouro os fabulosos


recursos do Montepio Militar (que era propriedade privada dos
militares) e, a título de compensação, assume o compromisso de
pagar a pensão militar em substituição ao Montepio. Saliente-se aqui
que o Governo fez excelente negócio: incorporou uma fortuna ao
Tesouro e comprometeu-se em desembolsar suaves prestações, ao
longo dos anos, no pagamento de pensões.

Não temos como mensurar os prejuízos que os militares,


certamente, sofreram com a edição dessa lei, mas quer nos parecer exagero
dizer que o Montepio Militar era propriedade privada dos militares, pois não só
era regulado por normas (leis e decretos) editadas, primeiro, pelo Governo
Imperial, depois, pelo Governo da República, como também as contribuições
para o montepio militar sempre foram incorporadas aos cofres públicos.

Tanto é assim que a Lei nº 25, de 30 de dezembro de 1891, que


orçou “a receita geral da Republica dos Estados Unidos do Brazil para o
exercício de 1892”, previa as contribuições para o Montepio da Marinha e o
Montepio Militar como receitas extraordinárias.

E sempre foi assim desde a origem dos montepios. Eis que o Alvará
de 23 de setembro de 1795 – Plano de Montepio dos Oficiais da Armada Real
Portuguesa (Anexo 02) – previa que os descontos de um dia dos soldos
ficariam “desde logo confundidos com a Real Fazenda” (art. 1º).

19 BOEHME, Gerhard Erich. A Previdência dos Militares. Fonte: http://clubemilitar.com.br/a-


previdencia-dos-militares/; acesso em: 18 abr. 2019.

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51

Portanto, mesmo diante dos prejuízos que os militares sofreram com


a edição da Lei da Pensão, parece-nos um exagero dizer que o Montepio
Militar era propriedade privada dos militares.

05.1.2. A contribuição obrigatória para os Fundos de Saúde

Os integrantes das Forças Armadas, até a década de 1970, tinham a


assistência médico-hospitalar assegurada para si e seus dependentes, sem
quaisquer ônus, à luz do seguinte dispositivo do Estatuto dos Militares:

Art. 50. São direitos dos militares:


..............................................................................................................
IV - nas condições ou nas limitações impostas na legislação e
regulamentação específicas:
..............................................................................................................
e) a assistência médico-hospitalar para si e seus dependentes,
assim entendida como o conjunto de atividades relacionadas com a
prevenção, conservação ou recuperação da saúde, abrangendo
serviços profissionais médicos, farmacêuticos e odontológicos, bem
como o fornecimento, a aplicação de meios e os cuidados e demais
atos médicos e paramédicos necessários;

Bem verdade que o inciso IV dá ensejo até todo tipo de condições e


limitações, podendo até restringir por completo o espírito da lei.

Tanto é assim, que, nessa década de 1970, com o “canto da sereia”


do que seria uma pequena contribuição para complementar o custeio da
Assistência Médico-Hospitalar prestada pelas respectivas Forças, de modo a
melhorar o atendimento à família militar, foram criados o Fundo de Saúde da
Marinha – FUSMA –, o Fundo de Saúde do Exército – FUSEX – e o Fundo de
Saúde da Aeronáutica – FUNSA.

De fato, uma perda para os militares, haja vista que passaram a ter
gastos a mais em seu orçamento.

O que, na sua origem, seria mera pequena contribuição no âmbito


das respectivas Forças Armadas, foi tendo sua natureza original desfigurada
através de sucessivos diplomas normativos editados ao longo do tempo

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52

(Decreto nº 92.512/86, arts. 11, 13 e 24; Medida Provisória nº 2.215-10/2001,


art. 15, II e III, e 25), até passar a ser considerada uma contribuição social
(Constituição Federal, art. 149, caput) com natureza de tributo.

Em tese, são sistemas de atendimento com uma série de vantagens


em relação aos planos de saúde encontrados no mercado. Mas entre o
discurso oficial e a realidade que se impõe há um imenso abismo.

Essa foto, feita de um quadro de um estabelecimento hospitalar,


mostra bem a diferença entre o chamado “plano de saúde do Exército” – o
FUSEX – e outros planos de saúde, com aquele exigindo encaminhamento, ao
contrário dos outros.

E haja burocracia a vencer para conseguir o tal encaminhamento.

No conjunto, há razoável assistência médico-hospitalar. Diga-se


razoável, podendo até ser excelente em casos pontuais, mas, mesmo assim,
somam-se as queixas: filas imensas e dificuldade para marcação de consultas
nas unidades de saúde das Forças; orientação subterrânea para dificultar
procedimentos de alto custo; convênios desfeitos por grandes atrasos no
pagamento aos profissionais e estabelecimentos de saúde; assistência precária
ou completamente inexistente em cidades mais interioranas; longa espera para
a realização de determinados exames, a depender da liberação de recursos, e
assim por diante.

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53

Excerto de decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região,


transcrita em sentança proferida no âmbito do Superior Tribunal de Justiça em
Recurso Especial interposto pela União, não nos deixa mentir (grifos nossos):

O apelante, com 88 (oitenta e oito) anos de idade, militar reformado


do Exército, procurou o Hospital Militar de Área do Recife (HMAR),
no dia 19/11/2012, com fortes dores abdominais, ficando internado
até o dia 20/11/2012, tendo sido realizado exames laboratoriais. Tais
exames já constataram alterações de transaminases e outros índi-
ces importantes. No referido dia, recebeu alta médica, retornando
posteriormente no mesmo dia, 20/11/2012, com fortes dores
abdominais. Foi submetido a exame de imagem USG abdomen total,
tendo recebido nova alta médica e sendo "aconselhado" a
procurar urgentemente procedimento cirúrgico.
No dia 21/11/2012, em crise de dores e por não ter sido autorizada
a cirurgia pelo FUSEx, os familiares do autor o levaram a outro
nosocômio (Hospital Esperança Ltda.), tendo a equipe médica
realizado exames complementares e uma Colangiorresonância
Magnética. Os exames laboratoriais indicaram ser o paciente
portador de Coledocolitiase, com evolução de dor abdominal (crise
de vesícula), além de aneurisma fusiforme (Colecistite Aguda
K81.0), que requeriam intervenção cirúrgica, podendo agravar
para o quadro de septicemia, ou seja, infecção corpórea
irreversível, caso não fosse realizado o procedimento (três laudos
complementares do Dr. Tércio Bacelar).
(...)
Então, ao observar que o quadro clínico seria, ao menos, delicado,
visualizo a apontada omissão do FUSEx. Está claro, pois, o desca-
so perpetrado pelo Estado, não apenas na falta imediata da apre-
sentação da lista de médicos e hospitais ao paciente (que só foi
apresentada 57 dias após a ordem judicial), mas também na ba-
nalização do atendimento em Hospital de Urgência do Exército,
o que poderia levar a óbito, desnecessariamente, um paciente com
idade já avançada e com quadro de debilidade corpórea.

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54

(...)
Não há dúvidas de que a conduta do FUSEx agravou a angústia e
a aflição psicológica do paciente e dos seus familiares, já bastante
sofridos com a situação enfrentada.

Por essa e outras que não poucos militares – pelo menos os que
podem – contrataram planos de saúde privados e, se pudessem,
abandonariam a contribuição – que é obrigatória – para seus respectivos
Fundos de Saúde.

Esses Fundos arrecadam, mediante desconto obrigatório mensal em


folha, do pessoal da ativa, inativos e pensionistas, 3,5% da remuneração bruta
– frise-se: da remuneração bruta – que totaliza um expressivo valor recolhido
ao Tesouro Nacional.

Há, aí, clara distorção, pois a contribuição de cada militar, que


deveria ser destinada à melhoria do seu atendimento médico-hospitalar,
termina transformada em dinheiro público incorporado às “Receitas da União”.

Aquilo que, quando da criação dos Fundos, eram recursos


extraorçamentários, em contas administradas pela respectiva Força, agora está
incorporado à Receita da União. Em outras palavras, os Fundos de Saúde das
Forças Armadas, custeados com o produto de receitas próprias, passaram a ter
seus recursos carreados para o Tesouro Nacional, em detrimento dos
contribuintes.

Não bastasse, houve, no passado, queixas do contingenciamento


dos recursos destinados aos Fundos por parte do Governo Federal, não se
sabendo se isso continua a ocorrer.

Além disso, existe a forte percepção que as contribuições para os


Fundos de Saúde estão sendo desviadas para suportar despesas médico-
hospitalares que deveriam ser integralmente suportadas pelo Estado (Fator de
Custo), como no caso das situações descritas a seguir:

I – militares que não contribuem para o Fundo de Saúde: marinheiros, cabos e


soldados prestando o Serviço Militar Inicial; os oficiais e aspirantes-a-oficial
temporários em Estágio de Adaptação e Serviço (EAS), Estágio de Instrução e

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de Preparação para Oficiais Temporários (EIPOT) ou em Estágio de Serviço


Técnico (EST); as praças especiais, conforme art. 16 da Lei nº 6.880/80
(Estatuto dos Militares, com exceção dos guarda-marinhas/aspirantes-a-oficial
formados pela Escola Naval, AMAN ou Academia da Força Aérea); alunos do
IME e do ITA, de CPOR e NPOR, de Escolas de Instrução Militar, e atiradores
dos Tiros-de-Guerra; e

II - militares da ativa e na inatividade ferido em campanha ou na manutenção


da ordem pública ou portador de doença contraída nessas condições ou que
nelas tenha sua causa eficiente; acidentado em serviço; adoentado com
moléstia adquirida em tempo de paz com relação de causa e efeito com o
serviço.

De qualquer modo, agora, o Projeto de Lei nº 1.645/2019 propõe


que passem a contribuir para seus respectivos Fundos de Saúde todos os
militares que, hoje, são isentos e amparados apenas pelo Estado.

05.1.3. O conto da isonomia

Os militares, durante dez anos, foram embalados pelo sonho


da muito propalada isonomia salarial, conforme previsão constitucional a partir
da Carta de 1998, até que foi revogada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998, conforme o quadro a seguir.

Redação dada pela Emenda


Redação original pela Carta de 1988
Constitucional nº 19, de 1998
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Art. 39. A União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios instituirão, no Federal e os Municípios instituirão
âmbito de sua competência, regime conselho de política de administração e
jurídico único e planos de carreira para os remuneração de pessoal, integrado por
servidores da administração pública servidores designados pelos respectivos
direta, das autarquias e das fundações Poderes.
públicas.
§ 1º A lei assegurará, aos servidores § 1º A fixação dos padrões de
da administração direta, isonomia de vencimento e dos demais componentes
vencimentos para cargos de atribui- do sistema remuneratório observará:
ções iguais ou assemelhados do I - a natureza, o grau de responsabilidade
mesmo Poder ou entre servidores dos e a complexidade dos cargos componen-
Poderes Executivo, Legislativo e tes de cada carreira;
Judiciário, ressalvadas as vantagens de II - os requisitos para a investidura;
caráter individual e as relativas à III - as peculiaridades dos cargos.
natureza ou ao local de trabalho.

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Rigorosamente, não se pode dizer que, nesse caso, os


militares tiveram perda, pois não chegaram a ganhar a isonomia com cargos
equivalentes ou assemelhados da Administração Pública, mas sofreram
enorme frustração, pois ela sempre tinha sido dada como certa.

A isonomia remuneratória serviu apenas para criar uma


expectativa, que aplacou a inquietação que grassava nas fileiras da caserna
devido às agruras por que passavam os militares em virtude da parca
remuneração que percebiam, mas não passou de uma miragem, porque nunca
seria concretizada.

Mesmo assim, durante o governo de Itamar Franco, estudos na


área econômica passaram a considerá-la e ela chegou a ser dada como certa,
conforme se noticiou àquele tempo, quando, em junho de 1994, os ministros
Rubens Ricupero, da Fazenda, e Romildo Canhim, da Administração Federal,
divulgaram que iriam se reunir na semana seguinte para discutir os prazos de
implantação das três etapas da isonomia.

O recorte da notícia a seguir revela o quanto era dada como


certa a tão esperada – e frustrada – isonomia salarial.

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57

Entretanto, quando se vai à redação do § 1º do art. 39 da Carta


Magna vigente antes da Emenda Constitucional nº 19, é possível concluir que o
débito era do Congresso Nacional, uma vez que esse dispositivo remetia para
a lei, que nunca foi editada. Esta é que iria assegurar a isonomia. Como o
Congresso nunca se mobilizou nesse sentido, esse dispositivo da Constituição
foi letra morta até ser revogado pela Emenda em tela, que, enviada ao
Congresso Nacional por Fernando Henrique Cardoso, sepultou definitivamente
o sonho da isonomia,

Sobre a isonomia, a Exposição de Motivos, enviada ao


Congresso Nacional com essa Emenda Constitucional dizia que (grifo nosso):

A referência à isonomia de vencimentos entre os servidores foi


suprimida do texto constitucional. Pretende-se que o tema
venha a merecer adequado e oportuno equacionamento,
como componente inerente a uma consistente política de
recursos humanos e não como direito subjetivo do servidor,
que sujeita a administração a todo tipo de pressões e
demandas por equiparação de vencimentos.

De qualquer modo, mais de vinte anos depois da edição dessa


Emenda, o “adequado e oportuno equacionamento” do tema não passou de vã
promessa diante da falta de critério, que permanece, para o estabelecimento
da remuneração dos agentes políticos e dos servidores públicos.

Os abismos remuneratórios entre os Poderes da União e,


mesmo dentro de um mesmo Poder, persistem, havendo até cargos de nível
superior percebendo menos que cargos de nível médio.

Nisso tudo, os militares são os que pagam o preço mais


elevado em face dessas discrepâncias, tendo, entre as carreiras de Estado, as
remunerações mais baixas, como será visto no tópico “05.2. Uma questão de
equidade”.

05.1.4. O conto do “soldão”: a MP 2.131/2000 (MP 2.215-10/2001)

No ano 2000, os quartéis andavam inquietos com a baixa


remuneração. Foi um momento em que os militares foram induzidos a acreditar

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58

que teriam um aumento robusto, batizado popularmente de “soldão”, em razão


das circunstâncias difíceis em que viviam.

Foram enganados. O governo deu com uma mão e tirou com duas.
O prometido aumento robusto foi, na verdade, um acréscimo não muito
significativo no soldo dado pela Medida Provisória nº 2.131, de 28 de dezembro
de 2000 (sucessivamente reeditada até a Medida Provisória nº 2.215-10, de 31
de agosto de 2001). Em troca, essa Medida Provisória impôs pesadas perdas
aos militares, conforme o quadro a seguir.

DIREITOS QUE FORAM EXTINTOS COM A MP 2.131/2000 (MP 2.215-10/01)


 AUXÍLIO-MORADIA *
 PERCEPÇÃO DE PROVENTOS DE UM POSTO OU GRADUAÇÃO
ACIMA AO SER TRANSFERIDO PARA A INATIVIDADE;
 HERANÇA DA PENSÃO MILITAR PELAS FILHAS DE QUALQUER
CONDIÇÃO;
 LICENÇA ESPECIAL A CADA 10 ANOS DE SERVIÇO;
 ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO;
 ADICIONAL DE INATIVIDADE;
 OPÇÃO DE CONTRIBUIR PARA A PENSÃO MILITAR DE UM OU DOIS
POSTOS ACIMA;
 PERCEPÇÃO DE DUAS PENSÕES MILITARES;
 CONTAGEM DO TEMPO EM DOBRO DA LICENÇA ESPECIAL NÃO
GOZADA QUANDO DA PASSAGEM PARA A INATIVIDADE.

* Hoje, são públicos e notórios casos de sargentos e oficiais de baixa


patente morando nas periferias de determinadas cidades.

De certa maneira, com essa Medida Provisória, a “reforma


previdenciária” dos militares ficou pronta desde o ano 2001, preservando os
direitos daqueles que já tinham mais de 30 anos de serviço.

Como todos os oficiais-generais já tinham mais de 30 anos de


serviço, os militares que estavam nesse posto não foram atingidos, visto que
tiveram seus direitos financeiros mantidos pelas regras até então vigentes, mas
a maioria dos militares foi impiedosamente golpeada, sem direito, inclusive, a
uma fórmula de transição.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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59

A partir de então, os militares atingidos por essa Medida Provisória,


que ficou conhecida como “A MP DO MAL”, ao passarem para a inatividade,
foram percebendo entre 33% e 43% a menos na sua remuneração,
dependendo do posto ou graduação, do que aqueles de posto ou graduação
equivalente que ficaram incólumes aos efeitos dela.

Enfim, essa Medida Provisória suprimiu direitos dos militares, sem a


devida compensação e sem regras de transição, levando os militares a terem
menos direitos e amparo social se comparados aos demais cidadãos
brasileiros. Foram vítimas de um perverso achatamento salarial, sem direito a
qualquer regra de transição.

AS RADICAIS MUDANÇAS INTRODUZIDAS PELA MP 2.131/2000 (MP


2.215-10/2001), SEM REGRAS DE TRANSIÇÃO, SE CONSTITUÍRAM EM
AUTÊNTICA REFORMA DA “PREVIDÊNCIA” DOS MILITARES.

05.1.5. A pensão das filhas e a MP 2.131/2000 (MP 2.215-10/2001)

Algo que é constantemente alardeado em relação aos militares é a


questão da pensão militar deixada às filhas, um direito histórico, que remonta
ao século XVIII e chegou até o ano 2001. Era regulado pela Lei nº 3.765, de 4
de maio de 1960 – Lei das Pensões Militares, até que veio a Medida Provisória
nº 2.131/2000 (MP 2.215-10/2001). Desde então, apenas aos militares de
carreira que, naturalmente, já contribuíam para a pensão militar, foi permitido
mantê-la para as filhas, mas isso se fez pelo desconto de mais 1,5% sobre a
remuneração total dos militares que aderiram a essa opção.

Hoje, menos de 30% dos militares ativos e inativos mantêm esse


direito, com a pensão das filhas, pelo decurso do tempo, encaminhando-se
para a extinção. Dos atuais militares ativos e inativos, 9,88% e 65,03%,
respectivamente, mantêm essa contribuição.

Os dois gráficos que se seguem retratam, respectivamente, os militares


ativos e inativos contribuintes desse percentual de 1,5% e a redução histórica
do número dos contribuintes que terão o direito de deixar pensão para filha.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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60

FAB
MB
FFA
AEB

Relatório da Avaliação Atuarial das Pensões dos Militares das Forças Armadas – Subsídio para
PLDO 2019 – Ano Base 2017. Marinha do Brasil Centro de Análises de Sistemas Navais/Assessoria de
Alto Nível para Problemas Complexos.
Fonte:
http://www.planejamento.gov.br/assuntos/orcamento-1/orcamentos anuais/2019/pldo/anexo-iv-8-estado-
atuarial-da-pensao-dos-militares.doc/@@download/file/Anexo%20IV.8%20-
%20Estado%20Atuarial%20da%20Pens%C3%A3o%20dos%20Militares.doc; acesso em: 14 mai. 2019.

FAB
EB
FFA
A

MB

Relatório da Avaliação Atuarial das Pensões dos Militares das Forças Armadas – Subsídio para
PLDO 2019 – Ano Base 2017. Marinha do Brasil Centro de Análises de Sistemas Navais/Assessoria de
Alto Nível para Problemas Complexos.
Fonte:
http://www.planejamento.gov.br/assuntos/orcamento-1/orcamentos anuais/2019/pldo/anexo-iv-8-estado-
atuarial-da-pensao-dos-militares.doc/@@download/file/Anexo%20IV.8%20-
%20Estado%20Atuarial%20da%20Pens%C3%A3o%20dos%20Militares.doc; acesso em: 14 mai. 2019.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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61

Pela medida provisória em pauta, feita a opção pela manutenção da


pensão das filhas, mediante o desconto de 1,5% sobre a remuneração total, o
militar não podia mais dela desistir. Todavia, essa restrição caiu por terra após
decisão judicial.

Com isso, muitos militares têm desistido de permanecer contribuindo


para manter a pensão das filhas; o que tem acarretado a redução dos
contribuintes e, em consequência, das filhas que seriam beneficiadas.

Isso ocorre porque vários militares, atordoados pelo impacto da MP


2.131/2000 (MP 2.215-10/2001), que chegou imposta de forma totalmente
inesperada, sem saber o seu real alcance e efeitos, por segurança, tinham
aderido à manutenção do desconto de 1,5% sobre a remuneração total.

No curso do tempo, conforme tudo foi se aclarando ou, mesmo,


porque não tiveram filhas, embora quisessem desistir, não podiam. Todavia,
pela decisão judicial, referida antes, contrária ao contido na medida provisória,
fez com que muitos passassem a exercer o direito de renúncia.

Sob esse viés, no conjunto das três Forças Armadas, considerando


até o ano de 2015, conforme o seguinte gráfico, já era bastante perceptível a
redução dos contribuintes de 1,5% para a pensão militar destinada às filhas.

FAB
MB

FFA
A
EB

BRASIL, Ministério da Defesa. Sistema de Proteção Social dos Militares. Palestra. Fonte:
https://www.slideshare.net/MujahdinCucaracha/sistema-de-proteo-social-dos-militares-70966989;
publicação em: 12 jan. 2017; acesso em: 11 abr. 2019.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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62

05.2. Uma questão de equidade

Atualmente, um aspirante-a-oficial do Exército ou da Aeronáutica ou


um guarda-marinha da Marinha, depois de, no mínimo, quatro duros anos de
ensino universitário e militar, sem greves acadêmicas, em regime de internato,
com dedicação integral e muitas atividades noturnas e escalas de serviço,
inclusive aos sábados, domingos e feriados, percebe uma remuneração bruta
por volta de 8.600 reais, enquanto um coronel com trinta anos de serviço
chegará a uma remuneração máxima de 16.700 reais.

Portanto, nenhuma outra carreira de Estado tem uma remuneração


inicial tão baixa quanto à dos oficiais das Forças Armadas e, tampouco, um
remuneração final também tão baixa, considerando que o posto de coronel é o
ápice para a maioria dos oficiais, uma vez que o acesso ao generalato obedece
a outros critérios, em um processo de escolha, fora do plano de carreira
normal, com os oficiais-generais representando apenas 0,1% do efetivo das
Forças Armadas. Ainda assim, até a remuneração dos oficiais-generais quatro
estrelas20 está abaixo do topo de todas as outras carreiras de Estado.

Por outro lado, as diversas leis que tratam dos direitos e deveres dos
militares das Forças Armadas são profundamente interligadas, de modo que,
mexer em uma lei, inevitavelmente, irá provocar alterações em outras.

Por exemplo, a alteração, no Estatuto dos Militares, do tempo de


serviço para que o militar possa ser transferido para reserva, provocará
alterações, no mínimo, na Lei das Pensões Militares, na Lei de Promoções, na
Lei de Remuneração dos Militares e na Medida Provisória nº 2.215-10/2001.

Por esses dois ângulos, fica esvaziada a orquestração que alguns


promovem dizendo que a reestruturação da carreira nas Forças Armadas
trazida pelo Projeto de Lei nº 1.645/2019 é inoportuna e que neste momento
caberia cuidar apenas da “previdência”.

O momento é oportuno porque esse Projeto de Lei, quando


aprovado, diminuirá o fosso salarial dos militares em relação a outras carreiras

20 Os oficiais-generais estão distribuídos em três níveis hierárquicos: de duas estrelas, de três estrelas e
de quatro estrelas. Na Marinha, correspondem ao contra-almirante, vice-almirante e almirante de
esquadra. No Exército, correspondem ao general de brigada, general de divisão e general de exército.
Na Aeronáutica, correspondem ao brigadeiro, major-brigadeiro e tenente-brigadeiro.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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63

de Estado, permitindo parcial reposição das perdas ocasionadas pela Medida


Provisória nº 2.131/2000 (Medida Provisória nº 2.215-10/2001), e, também,
como visto imediatamente antes, não há como mexer no tempo de serviço, por
exemplo, sem alterar, também, diversos diplomas legais associados.

E no que diz respeito à remuneração dos militares, ainda que


indiretamente, a que é hoje percebida se refletirá na sua “previdência” de várias
maneiras. Em regra, maior remuneração salarial acarreta maior valor de
proventos na inatividade e possibilita, ainda, ao longo da vida, a construção de
um patrimônio mais robusto para quando chegar à inatividade e, também, para
deixar de herança, melhor amparando a família.

Por anos a fio, os militares, sistematicamente, são instados a ter


paciência e aguardar uma hora oportuna, que nunca chega, para obter uma
remuneração digna à altura dos seus encargos, missões e responsabilidades,
como sói acontecer com as demais carreiras de Estado.

Note-se que o Projeto de Lei em questão não é fruto do imediatismo,


a reboque da PEC nº 06, de 2019, pois ele bem sendo amadurecido desde,
pelo menos, o ano de 2016.

Em resumo, o momento é oportuno porque:

 a MP 2.1312/2000 (MP 2.215-10/2001) acarretou forte achatamento


salarial e a perda da equidade com as demais carreiras de Estado;
 a diferença remuneratória entre os militares transferidos para a
inatividade até 2001 e aqueles que foram depois pode variar de 33%
a 43%;
 as leis que alteram o SPSMFA estão intimamente interligadas;
 a proposta de reestruturação das Forças Armadas e da carreira
militar teve o aval do Ministério da Economia, sendo superavitária e
autossustentável;
 quanto mais se prolongar a reestruturação, mais urgente e mais
complexa se tornará a sua implementação.

Os militares das Forças Armadas, desde a Medida Provisória 2.131/2.000,


vêm sendo submetidos a contundente achatamento salarial.
[Ver quadros e gráficos a seguir.]

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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64

BRASIL, Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Boletim Estatístico de Pessoal e


Informações Organizacionais. v. 21, n. 249 (janeiro 2017). Brasília: Ministério do Planejamento, 2017, p.
42. Fonte:
http://www.planejamento.gov.br/secretarias/upload/Arquivos/servidor/publicacoes/boletim_estatistico_pess
oal/2017/bep-dezembro-2017; acesso em: 07 abr. 2019.[com adaptações na forma]

BRASIL, Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Boletim Estatístico de Pessoal e


Informações Organizacionais. v. 21, n. 249 (janeiro 2017). Brasília: Ministério do Planejamento, 2017, p.
42. Fonte:
http://www.planejamento.gov.br/secretarias/upload/Arquivos/servidor/publicacoes/boletim_estatistico_pess
oal/2017/bep-dezembro-2017; acesso em: 07 abr. 2019.[com adaptações na forma]

Pelos quadros anteriores e pelos gráficos que se seguem, fica


francamente perceptível que os militares, em face de todos os servidores
federais, constituem a categoria pior remunerada.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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65

BRASIL, Ministério da Defesa. Projeto de Lei de Reestruturação das Forças Armadas. Palestra
proferida pelo General de Divisão Eduardo Castanheira Garrido Alves, responsável pela proposta de
reestruturação das carreiras das Forças Armadas e assessor especial do Ministério da Defesa sobre
aspectos relativos ao Projeto de Lei de Proteção Social dos Militares. Quartel General do Exército, 26 de
março de 2019. [com pequenas adaptações na forma]

BRASIL, Ministério da Defesa. Projeto de Lei de Reestruturação das Forças Armadas. Palestra
proferida pelo General de Divisão Eduardo Castanheira Garrido Alves, responsável pela proposta de
reestruturação das carreiras das Forças Armadas e assessor especial do Ministério da Defesa sobre
aspectos relativos ao Projeto de Lei de Proteção Social dos Militares. Quartel General do Exército, 26 de
março de 2019. [com pequenas adaptações na forma]

Os gráficos ficaram restritos ao Poder Executivo, não


comparando com as remunerações do Poder Legislativo, do Poder
Judiciário nem do Ministério Público.
Fernando Carlos Wanderley Rocha
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66

A observar que esses gráficos não levam em consideração que, em


algumas dessas carreiras, são adotados mecanismos que contornam o “abate
teto”; em outras, há gratificações ou bônus a título de produtividade e, em mais
outras, gratificações que se acumulam pelo exercício de cargos ou funções de
Direção e Assessoramento Superiores – DAS; afora as elevadas remunerações
dos membros do Legislativo, do Judiciário e do Ministério Público.

O gráfico a seguir, extraído de uma publicação da Fundação Getúlio


Vargas, compara, a partir de 2001, a evolução do custo per capita anual
dos militares das Forças Armadas com o custo per capita anual dos
servidores públicos, evidenciando o fosso que tende a se agravar entre
as duas categorias, mas em desfavor do militar.

CIVIL

MILITARES

LEAL, C. I. S. et al. As Forças Armadas e a PEC da Previdência (2). Brasília: Fundação Getúlio Vargas,
26 fev 2019. p. 5.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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67

Apesar de determinados indivíduos e grupos, de forma


orquestrada, insistirem em apontar os militares como uma
classe privilegiada, não se observa a migração de servidores
públicos para as Forças Armadas. Em contrapartida, é grande
a quantidade de militares que deixam a carreira das armas,
onde foram formados com alto custo para Estado, em busca de
melhores opções remuneratórias no serviço público e, até
mesmo, na iniciativa privada.

No gráfico seguinte, a queda na remuneração dos militares, a qual


se juntam inúmeras outras perdas, explica a evasão dos militares, migrando
para o serviço público ou para a atividade privada, não se observando
movimento semelhante no sentido contrário.

BRASIL, Ministério da Defesa. Prioridades para o ano em curso e as perspectivas de atuação futura
do Ministério da Defesa. Audiência pública com o General-de-Exército FERNANDO DE AZEVEDO E
SILVA, Ministro de Estado da Defesa, em 10 de abril de 2019, na Comissão de Relações Exteriores e
Defesa Nacional. Fonte das projeções da apresentação do Ministro da Defesa:
https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/credn/audiencias-
publicas/2019-arquivos/10-04-debater-as-prioridades-para-o-ano-em-curso-e-as-perspectivas-de-atuacao-
futura-do-ministerio-da-defesa. [com pequenas adaptações na forma]

No contexto geral, a maior parte do efetivo das Forças Armadas tem


uma remuneração extremamente baixa, conforme representação gráfica
seguinte.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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68

0,1% oficiais-generais
(almirantes, generais e brigadeiros)

211.040 militares
(considerando os 45% que recebem até 2 salários mínimos)

58% recebem até 3,5 salários mínimos


63.142 militares
45% recebem até 2 salários mínimos

BRASIL, Ministério da Defesa, Ministério da Economia. PL de Reestruturação das Forças Armadas.


Palestra. Fonte: http://sa.previdencia.gov.br/site/2019/03/2019-03-20_novprev_rev_16h52.pdf; acesso em:
09 abr. 2019. [montagem usando dados da palestra, com adaptações]

Ainda que de forma indireta, os vencimentos – de um servidor


público ou de um militar – acarretam indiscutíveis reflexos na inatividade sob
dois ângulos:

MAIORES VENCIMENTOS (na ativa) CORRESPONDEM A:

 MAIOR VALOR DOS PROVENTOS AO PASSAR PARA A INATIVIDADE;


E
 MAIOR CAPACIDADE DE ACUMULAÇÃO DE PATRIMÔNIO PARA
QUANDO ESTIVER NA INATIVIDADE.

Todavia, pelo que se pode observar, o militar está em nítida


desvantagem em relação às demais carreiras de Estado.

Mesmo com a reestruturação prevista pelo Projeto de Lei nº


1.645/2019 para os militares das Forças Armadas:
 a remuneração do topo da carreira militar continuará inferior ao topo das
demais carreiras de Estado;
 o prazo para ser alcançado o topo da carreira militar ficará entre 28 e 30
anos, enquanto nas demais carreiras de Estado o topo é alcançado, em
média, com 13 anos, permitindo maior tempo em uma remuneração mais
elevada, o que favorece, entre outras coisas, a construção de um patrimônio
mais robusto para o presente e futuro.

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69

Nisso tudo, são frequentes as noticias dizendo que o orçamento do


Ministério da Defesa é quase todo comprometido com o pagamento de
pessoal, como no recorte que se segue; não poucas vezes, fazendo
comparações com outros países e colocando o Brasil em posição bastante
desfavorável.

Folha de S. Paulo, 21 abr. 2019.

A notícia anterior, ainda que procedente em si mesma, exige ser


analisada sob outro ângulo.

Há de se considerar que, quanto mais se reduz o orçamento de um


ministério na relação entre orçamento e despesa com pessoal, há aumento do
percentual destinado aos servidores.

Pela criação de um hipotético exemplo, consideremos que no ano


“A”, o Ministério “X” apresentou um orçamento de 200 milhões: 70 milhões para
pagamento de pessoal e 130 milhões para investimento. Todavia, no ano
“A+1”, recebeu apenas 120 milhões no seu orçamento, sendo que as despesas

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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70

com pessoal permaneceram fixas, no que resultou: 70 milhões para pagamento


de pessoal e 50 milhões para investimento.

Qualquer pessoa medianamente inteligente perceberá como


aumentaram, em termos proporcionais e de forma bastante significativa, as
despesas com pessoal em relação ao investimento. É esse o fenômeno que
vem ocorrendo, ao longo de vários anos, com o orçamento do Ministério da
Defesa, a cada redução que sofre.

E o mais recente corte sofrido, conforme notícia a seguir, aumentará


ainda mais o percentual do orçamento do Ministério da Defesa destinado ao
pagamento dos militares.

O Globo, 08 mai. 2019.

É de se notar, também, que as organizações que são


intensamente estruturadas em pessoal, como as Forças Armadas, são as que
mais sofrem com os cortes e os contingenciamentos orçamentários.

E quando são feitas comparações do orçamento da Defesa


Nacional do Brasil com o de outros países e dizem que, aqui, vai quase todo
para o pagamento de pessoal, sobrando muito pouco para investimentos, é
preciso mergulhar nas condições particulares de cada país.

Embora, por ora, não tenhamos condições de enumerar


exemplos, em conversação com oficiais brasileiros que cumpriram missões no
exterior, ficamos sabedores que, em muitos países, inclusive na Europa, a
remuneração dos inativos cabe diretamente ao Erário, completamente fora do
orçamento destinado aos seus Ministérios da Defesa.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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71

Há de se considerar, também, que muitos países cujo


percentual para pagamento de pessoal é considerado pequeno no orçamento
dos seus Ministérios da Defesa, este é suficiente para, diante do custo de vida
local, assegurar uma remuneração que permite o mínimo de dignidade a seus
militares.

Portanto, as comparações que muitos fazem entre os gastos


do Ministério da Defesa, no Brasil, com o seu pessoal e os gastos de outros
países de mesma natureza devem ser vistas com bastante cautela e
considerando as condições específicas de cada país trazido à comparação.

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72

A FUNÇÃO MILITAR
Art. 45. A função militar caracteriza-se pelo exercício,
transitório ou permanente, da atividade militar, como
profissão exclusiva na tropa, na esquadra ou nos
serviços, em graduação, posto, cargo ou comissão militar,
constante de leis e regulamentos do Exército ou da
Armada.
Parágrafo único. A carreira das armas, conseqüente-
mente, não é emprego, mas profissão toda feita de
abnegação e altruismo.
Assim, os militares de carreira não são funcionários
públicos. Sem constituirem casta no âmbito social,
formam uma classe especial de servidores da Pátria – a
classe dos militares.
Art. 46. A qualquer hora do dia ou da noite, na sede da
corporação ou onde o serviço das armas o exigir, o
militar deve estar pronto para cumprir a missão que lhe
for confiada por seus superiores.
1ª versão do Estatuto dos Militares – Decreto-Lei 3.084/1941

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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73

06. O QUADRO ATUAL

06.1. Militar não é servidor público, não tem previdência nem se aposenta

Diferentemente do que muitos, por desconhecimento, entendem,


juridicamente, o militar não é servidor público, não tem previdência nem se
aposenta.

Os militares nunca tiveram regime próprio de previdência, seja em


nível constitucional, seja em nível legal. Nem a Constituição Federal nem
qualquer diploma legal trouxe, outrora, ou traz, atualmente, referências a
sistema ou a regime previdenciário dos militares das Forças Armadas. Em
consequência, não existe regime previdenciário dos militares das Forças
Armadas, embora palavras e expressões nesse sentido sejam frequentemente
utilizadas, ainda que de forma indevida, por autoridades, jornalistas e na
literatura especializada sobre o tema.

O que existe é o Sistema de Proteção Social dos Militares das


Forças Armadas – SPSMFA – que, historicamente, remonta ao século XVIII,
como visto anteriormente, com características bem diversas dos regimes de
previdência, ainda que com algumas similaridades.

A percepção correta disso tudo pode ser dar a partir das


nomenclaturas adotadas pela própria Constituição Federal, que diferenciam
servidor público e militar; cada categoria com regramentos muito próprios.

Por outro lado, o militar não se aposenta. A inatividade do militar


se dá em duas situações: reserva, quando ele está em condições de ser
novamente convocado; e reforma, por idade ou por problema de saúde,
quando fica definitivamente afastado de voltar ao serviço ativo, ou seja, de ser
convocado. Todavia, mesmo na inatividade, o militar continua vinculado à
sua Força e sujeito às leis e regulamentos militares.

Especificamente quanto a regimes previdenciários, a Carta Magna


traz apenas o Regime Geral de Previdência Social – RPPS – e o Regime Geral
de Previdência Social – RGPS, conforme o quadro que se segue.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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74

REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL – RPPS – é o


regime de previdência dos servidores públicos
Art. 40 CF, caput
“Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas
autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência
de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do
respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos
pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio
financeiro e atuarial e o disposto neste artigo.”

REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL – RGPS – é o


regime de previdência do setor privado (vinculado ao INSS)
Art. 201 CF, caput
“A previdência social será organizada sob a forma de regime
geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados
critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e
atenderá, nos termos da lei, a: [...]”

Em conseqüência, os militares não estão incluídos em nenhum


desses regimes e a Carta Magna, em relação a estes, ao nada dizer de
previdência ou algo semelhante, remete toda a gestão de pessoal para a lei
ordinária, como se percebe no quadro a seguir, que aponta para o Sistema de
Proteção Social dos Militares das Forças Armadas.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 142. .................................................
................................................................
§ 3º ............................
.....................................
SISTEMA DE PROTEÇÃO SOCIAL
DOS MILITARES DAS FORÇAS
ARMADAS
X - a lei disporá sobre o ingresso nas Forças Armadas, os limites
de idade, a estabilidade e outras condições de transferência do
militar para a inatividade, os direitos, os deveres, a remuneração,
as prerrogativas e outras situações especiais dos militares,
consideradas as peculiaridades de suas atividades, inclusive
aquelas cumpridas por força de compromissos internacionais e
de guerra.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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75

Por conseguinte, ao remeter para a lei ordinária, a própria Carta


Magna esvazia o discurso equivocado de que seria necessária uma lei
complementar para tratar dos direitos e deveres dos militares das Forças
Armadas, inclusive no que diz respeito às regras de remuneração na sua
inatividade e dos benefícios da pensão militar.

Os arts. 40 e 201 da Constituição Federal, referidos imediatamente


antes, ao fazerem referência expressa ao “equilíbrio financeiro e atuarial” do
RPPS e do RGPS, implicitamente, estabeleceram outra característica
diferenciadora dos proventos de inatividade dos militares em relação aos que
são remunerados nesses regimes previdenciários: a de que para os militares
inativos não há de se falar nesse equilíbrio, pois a União assume integralmente
o ônus financeirto pelos seus proventos, como sempre foi desde os idos do
século XVIII, tanto que nem na Constituição nem em lei há disposição sobre a
aplicação desse princípio em relação aos militares.

Nesse sentido, cabe a seguinte transcrição de um artigo sobre o


esse tema (grifos nossos)21:

Assim, a única categoria que está excluída da aplicação do


Princípio do Equilíbrio Financeiro e Atuarial é a categoria dos
Militares da União, que abrange os membros da Marinha, Exército
e Aeronáutica. Na verdade, conforme visto, juridicamente não
existe um regime de previdência para os Militares da União.
Quem remunera os militares na inatividade, reformados e da
reserva, é a União, sem poder falar em qualquer tipo de
contributividade e, consequentemente, em equilíbrio atuarial e
financeiro.

Portanto, os militares dispõem de um sistema próprio, com


características muito particulares, em que o Plano de Custeio, alimentado
exclusivamente pela contribuição de todos os militares, ATIVOS e INATIVOS,

21 VAZ, Levi Rodrigues. O Princípio do Equilíbrio Financeiro e Atuarial no Sistema


Previdenciário Brasileiro. Revista Direitos Fundamentais & Democracia.v. 6, nº 8, jul-dez
2009. (Revista do Programa do Mestrado em Direito do UniBrasil – Centro Universitário
Autônomo do Brasil – UniBrasil, Curitiba)
Fonte: http://revistaeletronicardfd.unibrasil.com.br/index.php/rdfd/article/viewFile/240/234;
acesso: 14 mai. 2019.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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76

sem qualquer participação patronal, é destinado a um Plano de Benefícios


voltado exclusivamente para os beneficiários da pensão militar.

Assim, o atual Plano de Custeio das pensões militares é composto


da contribuição de 7,5% sobre a remuneração bruta de todos ativos e
inativos, tenham ou não futuros beneficiários da pensão, e mais 1,5% para os
militares que aderiram à possibilidade de deixar a pensão para as filhas nos
termos do art. 31 da Medida Provisória nº 2.215-10, de 31 de agosto de 2001.

A contribuição para o Plano de Custeio das pensões militares


incide sobre a remuneração bruta de todos os ativos e
inativos, não havendo o teto do RGPS como referência-limite.

Todavia, ainda há complementação financeira da União, pois, não


há acúmulo de capital (acúmulo de patrimônio) nem capitalização dos valores
recolhidos (não há aplicação financeira) dos recursos arrecadados pelo Plano
de Custeio, ou seja, não há patrimônio acumulado para arcar com os custos
futuros. Por isso que o sistema de pensões militares é financiado por regime
orçamentário, cabendo destacar, ainda, que os militares, diferentemente dos
servidores públicos, não contam com a contribuição patronal do Estado
para o correspondente Plano de Custeio.

Para melhor entendimento desse tema, há que se recorrer,


inicialmente, ao seguinte dispositivo da Constituição Federal:

Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado


de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade,
destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência
e à assistência social.

Dele, é possível concluir que dizer da SEGURIDADE SOCIAL é


referir-se a um Sistema de Proteção Social fundado nesses três pilares:

 SAÚDE – financiada com recursos do orçamento da seguridade


social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, com serviços ofertados pelo SUS e acessíveis a
todos os cidadãos;

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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77

 PREVIDÊNCIA SOCIAL – é um seguro de contribuição mútua


para que, no futuro, haja o recebimento pelo segurado ou pelos
seus dependentes;
 ASSISTÊNCIA SOCIAL22 – é promovida sem a contribuição do
beneficiário e financiada pelo governo, exclusivamente por meio
dos tributos pagos pela sociedade, representada pelo Benefício
de Prestação Continuada da Lei Orgânica da Assistência Social
(BPC/LOAS), no valor de um salário mínimo, destinado a idosos
com 65 anos ou mais e a deficiente de qualquer idade que
comprovem não possuir meios de se sustentar ou de ser
sustentado pela família, e por Benefícios Eventuais,
suplementares e temporários, prestados aos cidadãos e às
famílias em casos de nascimento, morte, situações de
vulnerabilidade provisória e de calamidade pública.

Nas discussões que se desenrolam sobre esses temas, dentro e fora


do Congresso Nacional, por desconhecimento da segmentação da Seguridade
Social nesses três pilares ou porque há interesse em confundir,
frequentemente, Seguridade Social, Previdência Social e Assistência Social
são tratadas como se fossem a mesma coisa.

De qualquer modo, esses três pilares da Seguridade Social também


estão representados no Sistema de Proteção Social do Militares das Forças
Armadas:

22 Constituição Federal:
Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de
contribuição à seguridade social, e tem por objetivos:
I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice;
II - o amparo às crianças e adolescentes carentes;
III - a promoção da integração ao mercado de trabalho;
IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua
integração à vida comunitária;
V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e
ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la
provida por sua família, conforme dispuser a lei.

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78

SEGMENTOS DO SISTEMA DE PROTEÇÃO


SOCIAL DO MILITARES DAS FORÇAS ARMADAS
 SAÚDE
 PENSÃO MILITAR
 ASSISTÊNCIA SOCIAL

Sobre o segmento saúde, dele já se disse no subtópico “05.1.2. A


contribuição obrigatória para os Fundos de Saúde”. No que diz respeito à
assistência social, tomando como referência o Exército, que tem a Diretoria
de Civis, Inativos, Pensionistas e Assistência Social, vê-se que o ramo da
assistência social é tragado pelos demais e, na prática, trata de coisas como
auxílio-funeral, auxílio-transporte, auxílio-pré-escolar, hotéis de trânsito e
alguns programas sociais de alcance muito pequeno, pouco se vendo de ações
de grande envergadura em termos de assistência social segundo o preceituado
pelo art. 203 da Constituição Federal.

Resta dizer da pensão militar.

Há quem defenda que a pensão militar tem natureza previdenciária.


Entretanto, como visto anteriormente, não há um sistema de previdência militar
constitucional ou legalmente previsto e, não bastasse, a pensão militar se
apresenta em moldes muito distintos da previdência dos servidores civis. Entre
outras características: o militar recolhe para a correspondente pensão
enquanto vivo, mesmo depois de ter sido transferido para a inatividade, o que
não ocorre com o servidor civil, que para de contribuir depois que se aposenta;
as contribuições do militar são para a pensão, que só será usufruída após a
sua morte pelos beneficiários legalmente previstos, enquanto o servidor civil
contribui para o seu regime de previdência visando à sua futura aposentadoria.

Nesse sentido, vale a seguinte transcrição de artigo referido antes


(grifos nossos)23:

23 VAZ, Levi Rodrigues. O Princípio do Equilíbrio Financeiro e Atuarial no Sistema


Previdenciário Brasileiro. Revista Direitos Fundamentais & Democracia. v. 6, nº 8, jul-dez
2009. (Revista do Programa do Mestrado em Direito do UniBrasil – Centro Universitário
Autônomo do Brasil – UniBrasil, Curitiba)
Fonte: http://revistaeletronicardfd.unibrasil.com.br/index.php/rdfd/article/viewFile/240/234;
acesso: 14 mai. 2019.

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79

Os Militares da União não têm um regime previdenciário, o que


acontece é que esses militares passam para a inatividade e são
remunerados por recursos da União. A única contribuição que
existe para o sistema dos militares é a contribuição para as
pensões devidas aos dependentes, conforme artigo 1º e 3º-A, da
Lei nº 3.765 de 1960. Assim, os proventos percebidos na
inatividade pelos Militares da União são custeados totalmente
com recursos da União, sem participação alguma dos militares.
Somente as pensões devidas aos dependentes recebem as
contribuições dos militares.

E mesmo aqueles autores que veem natureza previdenciária na


pensão militar, são concordes que ela tem características muito próprias24:
A pensão militar tem natureza jurídica de sistema previdenciário
oficial, considerada, desde a época de sua criação, como
previdência dos agentes públicos. Essa característica previdenciária
se mantém até os dias de hoje, sempre com o tratamento
específico para a categoria dos militares.
..............................................................................................................
A sujeição dos militares mesmo na inatividade, ao Código Penal
Militar, ao Regulamento Disciplinar e às demais leis que regem
os militares, a exemplo do Estatuto e do Código de Vencimentos,...

Encerrando este tópico, é de bom alvitre fazer referência ao


documento intitulado “Relatório da Avaliação Atuarial das Pensões dos
Militares das Forças Armadas – Subsídio para PLDO 2019 – Ano Base 2017”25,

24 MARTINS, Ives Gandra da Silva; RODRIGUES, Marilene Talarico Martins. Regime Jurídico
Diferenciado da Previdência para Servidores Públicos Civis e Militares – A Correta
Inteligência do Artigo 40, § 7º, da Constituição Federal – Parecer. p. 3
Fonte: https://docplayer.com.br/1296475-Ives-gandra-da-silva-martins-marilene-talarico-
martins-rodrigues-consulta.html; acesso em: 12 abr. 2019.
25
Relatório da Avaliação Atuarial das Pensões dos Militares das Forças Armadas –
Subsídio para PLDO 2019 – Ano Base 2017. Marinha do Brasil Centro de Análises de
Sistemas Navais/Assessoria de Alto Nível para Problemas Complexos.
Fonte:
http://www.planejamento.gov.br/assuntos/orcamento-1/orcamentos anuais/2019/pldo/anexo-
iv-8-estado-atuarial-da-pensao-dos-militares.doc/@@download/file/Anexo%20IV.8%20-
%20Estado%20Atuarial%20da%20Pens%C3%A3o%20dos%20Militares.doc; acesso em: 14
mai. 2019.

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80

o trabalho técnico mais amplo e detalhado que encontramos sobre as pensões


militares, não cabendo explorá-lo aqui, mas apenas referi-lo para quem
pretender mergulhar com uma profundidade maior nessa matéria.

06.2. A dimensão da equidade

Atentar que o art. 142, § 3º, X, da Carta Magna, não se refere à


aposentadoria, mas à inatividade: “a lei disporá sobre (...) a estabilidade e
outras condições de transferência do militar para a inatividade”.

Nos termos da lei, a inatividade do militar pode se dar em duas


situações: reserva e reforma. Em outros termos, de fato e de direito, o militar
não se aposenta; o que já o diferencia dos demais agentes públicos

O mesmo dispositivo, referindo-se aos militares, também é taxativo


ao dizer que: “a lei disporá (...) consideradas as peculiaridades de suas
atividades”.

Portanto, fica evidente que a Constituição Federal estabeleceu a


distinção entre servidores públicos e militares, afastando estes da possibilidade
a serem vinculados a qualquer regime de previdência por reconhecer as
peculiaridades da carreira militar.

O quadro a seguir listas algumas das peculiaridades da carreira


militar.

ALGUMAS PECULIARIDADES DA CARREIRA MILITAR


 FUNÇÕES EXCLUSIVAS DE ESTADO (DEFESA NACIONAL, GARAN-
TIA DOS PODERES CONSTITUCIONAIS E DA LEI E DA ORDEM)
 LONGO TEMPO PARA FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO
CONSTANTE
 ESPECIFICIDADES SEM SIMILAR NO MEIO CIVIL
 REGRAS DE DEDICAÇÃO EXCLUSIVA E DE COMPROMETIMENTO
 DISPONIBILIDADE PERMANENTE SEM REMUNERAÇÃO EXTRA
 MUDANÇAS CONSTANTES PARA TODA A FAMÍLIA
 COMPROMISSO DE COLOCAR EM RISCO A PRÓPRIA VIDA
 RESTRIÇÃO DE DIREITOS SOCIAIS E POLÍTICOS (art. 14, § 8º, CF)
Fonte (por adaptação): LEAL, C. I. S. et al. As Forças Armadas e a PEC da
Previdência. Brasília: Fundação Getúlio Vargas, 2016, p. 5.

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81

MAIS ALGUMAS PECULIARIDADES DA CARREIRA MILITAR


 PROIBIÇÃO DE SINDICALIZAÇÃO
 SUJEIÇÃO A RÍGIDOS PRECEITOS DE HIERAQUIA E DISCIPLINA
 PROIBIÇÃO AO DIREITO DE GREVE
 VIGOR FÍSICO
 RESTRIÇÃO DE DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
 FORMAÇÃO ESPECÍFICA, ALÉM DE DEMORADA E DE ALTO
CUSTO SOB ENCARGO DO ESTADO

As constantes mudanças da família em nome da vivência nacional


acarretam transtornos que não podem ser mensurados: filhos com problemas
de rendimento escolar em razão de inadaptação a novas escolas, esposas que
não podem trabalhar ou perdem o emprego em razão das mudanças
frequentes, a ausência de raízes dos filhos ao tempo da infância e da
adolescência, a dificuldade em construir um patrimônio e por aí vai. Não só o
militar, mas os familiares também pagam um preço alto.

Sobre as restrições que os militares das Forças Armadas sofrem


relativas aos direitos sociais, devem ser observados, inicialmente, os
seguintes dispositivos da Constituição Federal:

Art. 142. ...............................................................................................


..............................................................................................................
§ 3º .......................................................................................................
..............................................................................................................
VIII - aplica-se aos militares o disposto no art. 7º, incisos VIII, XII,
XVII, XVIII, XIX e XXV,...
..............................................................................................................
X - a lei disporá sobre o ingresso nas Forças Armadas, os limites de
idade, a estabilidade e outras condições de transferência do militar
para a inatividade, os direitos, os deveres, a remuneração, as
prerrogativas e outras situações especiais dos militares,
consideradas as peculiaridades de suas atividades, inclusive
aquelas cumpridas por força de compromissos internacionais e de
guerra.

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82

Os direitos sociais dos civis estão assegurados pelos trinta e quatro


incisos do art. 7º da Constituição Federal. Desses, poucos, são direitos sociais
que se aplicam aos militares das Forças Armadas.

O art. 142, § 3º, VIII, da Carta Magna lista apenas os seguintes seis
incisos do art. 7º como aplicáveis aos militares: VIII, XII, XVII, XVIII, XIX e XXV,
bem verdade que mais alguns foram sendo, depois, incorporados aos direitos
sociais dos militares das Forças Armadas, como a garantia ao salário-mínimo,
pois houve um tempo que o recruta percebia menos do que isso.

Nos dois próximos quadros, constam as transcrições dos incisos do


art. 7º da Constituição Federal, indicando os 22 direitos sociais, dos 34 listados,
que não se aplicam aos militares.

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83

DISPOSITIVOS SOBRE DIREITOS SOCIAIS (art. 7º CF) QUE NÃO


SE APLICAM AOS MILITARES
N I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem
justa causa, [...], que preverá indenização compensatória, dentre
outros direitos;
N II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;
N III - fundo de garantia do tempo de serviço;
IV - salário mínimo [...] , capaz de atender a suas necessidades vitais
básicas [....]; *
N V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do
trabalho;
VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo
coletivo; *
VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, [...]; *
VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral [...];
N IX – remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção
dolosa; *
N XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da
remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da
empresa, conforme definido em lei;
XII - salário-família [...];
N XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e
quarenta e quatro semanais [...];
N XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos
ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva;
N XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;
N XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, [...] à do
normal;
XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a
mais do que o salário normal;
XVIII - licença à gestante[...];
XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;
continua...

* o art. 142, VIII, da CF não inclui como aplicável aos militares.

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84

DISPOSITIVOS SOBRE DIREITOS SOCIAIS (art. 7º CF) QUE NÃO


SE APLICAM AOS MILITARES
... continuação

N XX - proteção do mercado de trabalho da mulher[...];


N XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço [...];
N XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas
de saúde, higiene e segurança;
N XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas,
insalubres ou perigosas, na forma da lei
N XXIV - aposentadoria;
XXV - assistência gratuita aos filhos [...] em creches e pré-escolas;
N XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de
trabalho;
N XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;
N XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do
empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado,
quando incorrer em dolo ou culpa;
N XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de
trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os
trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a
extinção do contrato de trabalho;
XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de
critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil; *
N XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e
critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência;
XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual
ou entre os profissionais respectivos; *
N XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a
menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis
anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos;
N XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo
empregatício permanente e o trabalhador avulso.
* o art. 142, VIII, da CF não inclui como aplicável aos militares.

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85

Especial destaque a ser dado aos direitos de natureza pecuniária


que são negados aos militares, ressaltando-se que eles não clamam por esses
direitos, que só serviriam para descaracterizar o espírito militar e a destinação
das Forças Armadas.

DIREITOS DE NATUREZA PECUNIÁRIA NEGADOS AOS MILITARES


 FGTS
 ADICIONAL NOTURNO
 REMUNERAÇÃO POR SERVIÇO EXTRAORDIONÁRIO (HORAS-
EXTRAS)
 SEGURO-DESEMPREGO
 REMUNERAÇÃO EM DOBRO POR TRABALHO AOS DOMINGOS E
FERIADOS
 ADICIONAL DE PERICULOSIDADE
 SEGURO CONTRA ACIDENTES DE TRABALHO
 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL

Desse quadro e dadas às peculiaridades das atividades militares, é


bem possível aquilatar o custo para o Tesouro Nacional se os militares fossem
aproximados dos direitos daqueles que são regidos pelo RPPS e pelo RGPS.
Eis que a aproximação que muitos alardeiam não poderia se dar apenas nos
ônus, pois seria obrigatória igual aproximação quanto aos bônus.

O próximo quadro resume as principais diferenças entre civis e


militares.

Nele, a destacar que os servidores públicos, no seu regime


previdenciário, contam com a contribuição patronal; o que não ocorre com os
militares das Forças Armadas, justamente pelas características do seu Sistema
de Proteção Social e do pacto assumido pelo Estado de prover suas
remunerações.

Contassem os militares das Forças Armadas com os até 22% da


contribuição patronal pelo Tesouro Nacional, provavelmente o seu Sistema
de Proteção Social teria seu déficit sensivelmente reduzido.

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86

BRASIL, Ministério da Defesa. Projeto de Lei de Reestruturação das Forças Armadas. Palestra
proferida pelo General de Divisão Eduardo Castanheira Garrido Alves, responsável pela proposta de
reestruturação das carreiras das Forças Armadas e assessor especial do Ministério da Defesa sobre
aspectos relativos ao Projeto de Lei de Proteção Social dos Militares. Quartel General do Exército, 26 de
março de 2019. [com pequenas adaptações na forma]

A simples observação desse quadro permite concluir a razão de o


militar não ser considerado servidor público, pois não tem direito à greve, à
sindicalização, à jornada de trabalho limitada a 8 horas, a adicional de
periculosidade, à remuneração de trabalho noturno superior a do diurno e
assim por diante.

Estando em missão ou treinamento, o militar poderá estar sendo


submetido, ininterruptamente, a vinte quatro horas de atividade, sem sábados,
domingos, feriados e sem a percepção de horas-extras, o que significaria 168
horas à disposição do Estado brasileiro, no lugar do máximo de 40 horas, em
regra, do servidor público.

Estima-se que se o militar recebesse hora extra e adicional noturno,


sua remuneração seria aproximadamente 115% maior, como no quadro a
seguir, onde está demonstrado quanto percebe, hoje, um 1º Tenente e quanto
perceberia se, mantido o mesmo soldo-base, a ele fosse permitida a percepção
de horas-extras e de adicional noturno. Vendo de outro modo, atualmente, ele
percebe apenas 46,4% do perceberia de tivesse pelo menos esses direitos
trabalhistas assegurados.

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87

BRASIL, Ministério da Defesa. Projeto de Lei de Reestruturação das Forças Armadas. Palestra
proferida pelo General de Divisão Eduardo Castanheira Garrido Alves, responsável pela proposta de
reestruturação das carreiras das Forças Armadas e assessor especial do Ministério da Defesa sobre
aspectos relativos ao Projeto de Lei de Proteção Social dos Militares. Quartel General do Exército, 26 de
março de 2019. [com pequenas adaptações na forma]

O quadro está considerando apenas as atividades regularmente


previstas e que empregam os militares durante 24 horas, sem considerar as
missões extraordinárias que, frequentemente, os militares recebem de forma
inopinada.

Em 2017, estudo realizado no âmbito do Ministério da Defesa


calculou quanto a União economizava por não pagar aos militares
determinados direitos remuneratórios que outras categorias percebem,
resultando em um montante de 20,7 bilhões de reais, que, corrigidos para
valores do ano corrente, representam 23,5 bilhões de reais de economia
anual para o Tesouro Nacional.

Desse modo, projeções para um período de dez anos apontam para


uma economia de 235 bilhões de reais.

Os próximos quadros permitirão melhor percepção dessa economia.

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88

BRASIL, Ministério da Defesa. Projeto de Lei de Reestruturação das Forças Armadas. Palestra proferida
pelo General de Divisão Eduardo Castanheira Garrido Alves, responsável pela proposta de reestruturação
das carreiras das Forças Armadas e assessor especial do Ministério da Defesa sobre aspectos relativos ao
Projeto de Lei de Proteção Social dos Militares. Quartel General do Exército, 26 de março de 2019. [com
pequenas adaptações na forma]

BRASIL, Ministério da Defesa. Projeto de Lei de Reestruturação das Forças Armadas. Palestra
proferida pelo General de Divisão Eduardo Castanheira Garrido Alves, responsável pela proposta de
reestruturação das carreiras das Forças Armadas e assessor especial do Ministério da Defesa sobre
aspectos relativos ao Projeto de Lei de Proteção Social dos Militares. Quartel General do Exército, 26 de
março de 2019. [com pequenas adaptações na forma]

Do quadro anterior, é possível concluir que o valor economizado


pela União ao não pagar direitos à semelhança com aqueles sujeitos ao RPPS
e ao RGPS permitiria financiar toda a inatividade dos militares.

Em longo prazo, até o ano 2039, estima-se que o não pagamento de


direitos aos militares corresponderá a uma economia de R$470 bilhões.

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Há de se deixar claro que esses direitos sociais são negados aos


militares por não se coadunarem com as exigências constitucionais e legais
que envolvem a carreira militar e a destinação das Forças Armadas. Concedê-
los, seria a falência da carreira militar, das Forças Armadas e do Estado
soberano. Tampouco os militares os querem. Estaria extinto o “contrato social”
que faz das Forças Armadas instituições do Estado destinadas a atender as
demandas da sociedade por segurança e Defesa Nacional.

As Forças Armadas devem manter sua capacidade de pronta


resposta independentemente da percepção de remuneração extraordinária dos
seus integrantes.

É impensável que, em face da necessidade do emprego das Forças


Armadas em uma calamidade pública, em uma operação militar ou de garantia
da lei e da ordem ou na prestação de um transporte de emergência seja
considerada a hipótese de ter ou não recursos no orçamento para pagar horas-
extras ou adicional noturno para os militares empenhados.

Tudo isso explica o regime jurídico diferenciado dos militares, com


regras muitos específicas, por lei ordinária, para ingresso nas Forças Armadas,
formação, remuneração, inatividade e outros aspectos ligados a direitos e
deveres dessa categoria diferenciada de agente público, gênero que é de
múltiplas espécies: servidor público, empregado público, militar.

Enfeixando este tópico, é de bom alvitre trazer à baila o seguinte


excerto de uma publicação da Fundação Getúlio Vargas, discorrendo sobre o
conceito de equidade, que é aplicável com perfeição à condição dos mlitares26:

A aplicação do conceito de equidade na gestão pública implica


criar mecanismos para a distribuição de benefícios e direitos pela
consideração das diferenças entre os diversos grupos sociais. Ela
não implica a igualdade de resultados nem de tratamento, mas sim
provoca a ideia de ponderação na atribuição de direitos em função
dos deveres exigidos. Se assemelha à igualdade pela perspectiva
de inclusão, por outro lado ela também se diferencia pela

26 LEAL, C. I. S. et al. As Forças Armadas e a PEC da Previdência. Brasília: Fundação


Getúlio Vargas, 2016. p. 4-5.

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90

observação de especificidades e singularidades de


determinado conjunto social. O reconhecimento das diferenças
é um quesito fundamental ao se praticar esse conceito. A
equidade deve ser lembrada nos momentos de grandes
transformações, uma vez que uma simples mudança pode alterar
o equilíbrio de todo o arranjo social.

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91

O soldado, acima de todos os outros homens, é obrigado a


praticar o maior ato do treinamento religioso: o sacrifício.
Na batalha e diante do perigo e da morte, ele revela os
atributos divinos que seu Criador lhe deu quando criou o
homem à sua própria imagem. Nenhuma coragem física e
nenhum instinto bruto pode tomar o lugar da ajuda
Divina, a única que pode sustentá-lo.
Por mais horríveis que sejam os incidentes de guerra, o
soldado que é chamado a oferecer e dar a vida pelo seu
país é a mais nobre evolução da humanidade.
Trecho do discurso “Dever, Honra, Pátria” do General Douglas MacArthur, em
12 de maio de 1962, aos cadetes da Academia Militar de West Point.
Fonte:
https://www.americanrhetoric.com/speeches/douglasmacarthurthayeraward.html;
acesso em: 12 mai. 2019.

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92

07. O CHAMADO DÉFICIT DA “PREVIDÊNCIA” MILITAR

Pode-se argumentar que não há déficit na “previdência” militar


porque não existe previdência militar, mas sim o Sistema de Proteção Social
dos Militares das Forças Armadas, com características muito próprias.

De qualquer modo, em palestra proferida no QG do Exército, o


General EDUARDO CASTANHEIRA GARRIDO ALVES27, ao se referir ao
Sistema de Proteção Social em tela, disse que há um déficit de R$ 18,4
bilhões de reais, e não de R$ 43 bilhões de reais, como tem sido alardeado.

Em outros termos, o Sistema de Proteção Social dos Militares das


Forças Armadas apresenta um quadro muito mais equilibrado se em
comparação com o RGPS ou com RPPS.

Reportagem recente, em periódico de âmbito nacional, deixou


evidente, conforme o gráfico que se segue, que o peso do estamento militar na
previdência é mínimo se comparado com outros segmentos: RGPS e RPPS.

FABRINI, Fábio; CARAM, Bernardo. Governo decreta sigilo sobre estudos


que embasam reforma da previdência. Folha de S. Paulo, 21 abr. 2019.
Mercado, p. 17.

27 BRASIL, Ministério da Defesa. Projeto de Lei de Reestruturação das Forças Armadas.


Palestra proferida pelo General de Divisão Eduardo Castanheira Garrido Alves, responsável
pela proposta de reestruturação das carreiras das Forças Armadas e assessor especial do
Ministério da Defesa sobre aspectos relativos ao Projeto de Lei de Proteção Social dos
Militares. Quartel General do Exército, 26 de março de 2019.

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93

Contudo, não é demais lembrar, mais uma vez, que, no caso dos
militares, não há a contribuição patronal, o que teria diminuído sensivelmente
o tal déficit.

Se houvesse a contribuição patronal da União, como


acontece com os servidores públicos, o chamado déficit da
“previdência militar” talvez nem existisse, e, se existindo,
seria reduzido a uma expressão mínima.

A questão do déficit e da contribuição patronal pode ser


esquematizada da seguinte maneira:

Situação em 2019 (sem a contribuição patronal) Déficit


Sem o PL 1.645/2019 18,4 bilhões
Situação em 2025 (sem a contribuição patronal) Déficit
Com o PL 1.645/2019 16,7 bilhões
Situação em 2025 (se houvesse a contribuição Superávit
patronal e com o PL 1.645/2019) 2,3 bilhões

Por outro lado, também não custa lembrar o pacto social pelo qual o
Estado assumiu, integralmente, o custo dos proventos de inatividade do militar,
com as despesas com o militar ativo – e, igualmente, com as do inativo –,
estando contidas no orçamento fiscal, função Defesa Nacional. Em outros
termos, os proventos dos militares inativos e da remuneração dos militares
ativos são encargos do orçamento fiscal da União, enquanto as despesas com
as pensões militares são da seguridade social, para a qual todos os militares,
ativos e inativos, contribuem.

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Esqueça todas as delícias terrenas. Um soldado não


constrói uma casa; ele não aspira à posse de terras; ele
não se envolve em negócios escusos em troca de
dinheiro miúdo. (...) O soldado desfruta do sustento
fornecido pelo rei; ele não precisa prover o seu próprio
sustento, nem se preocupar com isso. Por decreto real,
uma casa fica aberta para ele onde quer que haja súditos
do rei. Ele não é obrigado a trabalhar na construção de
uma casa. No caminho aberto está a sua tenda e ele leva
sua comida conforme a necessidade de sua demanda; a
água é sua bebida e seu descanso conforme a natureza
provê. Muitas são suas marchas e vigílias; sua
resistência ao calor e ao frio, as batalhas com o inimigo,
o pior e o maior dos perigos; muitas vezes, por acaso, a
própria morte – mas uma morte gloriosa seguida por
recompensas e dádivas pelo rei. Sua vida é penosa na
guerra; na paz, é feliz. O valor do seu prêmio, a coroa
concedida àquele que viveu nobremente com honradez,
deve ser dotado de primazia, ser chamado amigo do Rei,
ficar ao seu lado, receber sua saudação, aceitar honras da
própria mão do Rei, ser eminente entre as pessoas do
rei, e atuar como intermediário dos seus amigos que não
pertencem a corte naquilo que precisarem.
Basílio de Cesareia, São Basílio Magno ou Basílio, o Grande, doutor da Igreja,
foi bispo de Cesareia, na Capadócia (330 d.C. - 379 d.C).
The Fathers of the Church – Saint Basil: Ascetical Works. v.9.
The Catholic University Of America Press, Inc. 1962. p. 9-10.
Fonte: https://archive.org/details/fathersofthechur027835mbp/page/n6;
acesso em: 13 mai. 2019.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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95

08. DA LEGISLAÇÃO APLICADA AOS MILITARES DAS FORÇAS


ARMADAS

Ao contrário dos SERVIDORES PÚBLICOS, que têm normas gerais


de gestão pessoal insculpidas na própria Constituição Federal, a partir das
quais cada ente político – União, Estados, Municípios e Distrito Federal,
elaborará as normas infraconstitucionais relativas ao regime jurídico dos seus
respectivos servidores, os militares das Forças Armadas, pelo seguinte
mandamento, também da Constituição Federal, terão todas as normas de
gestão pessoal por normas infraconstitucionais:

Art. 142. ...............................................................................................


§ 3º .......................................................................................................
X - a lei disporá sobre o ingresso nas Forças Armadas, os limites de
idade, a estabilidade e outras condições de transferência do militar
para a inatividade, os direitos, os deveres, a remuneração, as
prerrogativas e outras situações especiais dos militares,
consideradas as peculiaridades de suas atividades, inclusive
aquelas cumpridas por força de compromissos internacionais e de
guerra.

Em outros termos:

O REGIME JURÍDICO DOS MILITARES É TOTALMENTE


ESTRUTURADO EM LEIS, E NÃO NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.

Disso decorre um arcabouço legal bastante complexo aplicável aos


militares – sempre por lei ordinária por força do mandamento constitucional –,
inclusive no que diz respeito à inatividade e à percepção de pensões, que
encontram normas definidas nos seguintes diplomas legais e que,
necessariamente, estão sendo aperfeiçoadas pela proposta enviada ao
Congresso Nacional de modo a alcançar, também, dispositivos referentes à
remuneração e ao tempo de serviço:

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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96

Tabela com
ADEQUAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DA LEGISLAÇÃO alterações
propostas
 Lei nº 6.880, de 09 de dezembro de 1980 – Estatuto dos Anexo 18
Militares
 Lei nº 3.765 de 04 de maio de 1960 – Lei das Pensões Anexo 19
Militares
 Lei nº 4.375, de 17 de agosto de 1964 – Lei do Serviço Anexo 20
Militar
 Lei nº 5.821, de 10 de novembro de 1972 – Lei de Anexo 21
Promoções dos Oficiais da Ativa das Forças Armadas
 Lei nº 12.705, de 8 de agosto de 2012 – Lei que dispõe Anexo 22
sobre os requisitos para ingresso nos cursos de formação
de militares de carreira do Exército
 Medida Provisória nº 2.131, de 28 de dezembro de 2000 Anexo 23
(sucessivamente reeditada até a Medida Provisória nº
2.215-10, de 31 de agosto de 2001) – MP da
Remuneração dos Militares
 Lei nº 11.784, de 22 de setembro de 2008 – Lei que Anexo 24
dispõe sobre a reestruturação do Plano Geral de Cargos
do Poder Executivo – PGPE (para revogar os Anexos
LXXXVII e LXXXVIII, relativos às tabelas de soldo e do
escalonamento vertical)

No que diz respeito à técnica legislativa, notam-se, no Projeto de Lei


nº 1.645/2019 vários dispositivos que estão sendo acrescidos aos quais foi
juntada a sigla “(NR”), que indica “nova redação” e só seria aplicável a
dispositivos já existentes que estivessem sendo modificados.

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97

Dos considerandos ao Decreto nº 193-A, de 30 de janeiro de 1890, que


“estabelece regras pelas quaes devem os officiaes do Exercito ser reformados
voluntaria ou compulsoriamente”.
Collecção das Leis da Republica dos Estados Unidos do Brazil de 1890 –
Primeiro Fascículo – De 1 a 31 de janeiro de 1890. Rio de Janeiro: Imprensa
Nacional, 1890. p. 210.
Fonte:
http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/19080/colleccao_leis_189
0_parte2.pdf.pdf?sequence=11; acesso em: 13 abr. 2019.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


.
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09. A REESTRUTURAÇÃO DA CARREIRA MILITAR E DAS FORÇAS


ARMADAS

09.1. Princípios da reestruturação da carreira militar e das Forças


Armadas

No espírito do Projeto de Lei nº 1.645/2019, combinando a palestra


conjunta Ministério da Defesa/Ministério da Economia “PL de Reestruturação
das Forças Armadas” com palestras proferidas pelo General de Divisão
EDUARDO CASTANHEIRA GARRIDO ALVES, responsável pela proposta de
reestruturação das carreiras das Forças Armada e assessor especial do
Ministério da Defesa, foi elaborado o seguinte quadro, listando os princípios
que balizam a reestruturação da carreira militar e das Forças Armadas:

PRINCÍPIOS DA REESTRUTURAÇÃO DA CARREIRA MILITAR E DAS


FORÇAS ARMADAS VISANDO A:

 participar do esforço para se atingir o equilíbrio fiscal;


 racionalizar efetivos, reduzir custos, modernizar a gestão da carreira
militar, aperfeiçoar a legislação militar;
 preservar e reconhecer as peculiaridades das atividades militares;
 valorizar a disponibilidade permanente e a dedicação exclusiva dos
militares das Forças Armadas;
 garantir a sustentabilidade do Sistema de Proteção Social dos
Militares das Forças Armadas (SPSMFA);
 reestruturar as carreiras militares, visando a otimizar a gestão, os
fluxos e a produtividade dos seus integrantes;
 valorizar a meritocracia (pelo aproveitamento dos cursos de
carreira);
 valorizar a carreira militar;
 incrementar programas e projetos estratégicos;
 estabelecer remuneração em níveis condizentes às carreiras de
Estado;
 reduzir a defasagem entre a carreira militar das Forças Armadas e as
demais carreiras de Estado; e
 reparar os efeitos deletérios da Medida Provisória nº 2.131/2000
(Medida Provisória nº 2.215-10/2001).

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Ao contrário do que pode parecer, a proposta de reestruturação não


veio a reboque da reforma da previdência promovida pela PEC nº 6/2019, pois
o Ministério da Defesa e as Forças Armadas iniciaram o planejamento dessa
reestruturação em 2016. Tanto é assim que, exatamente nesse ano, a
Fundação Getúlio Vargas publicou a primeira versão da publicação “As Forças
Armadas e a PEC da Previdência”.

A proposta do Ministério da Defesa só deixou de ser apresentada


em três ocasiões anteriores por circunstâncias adversas; a última, no segundo
semestre de 2018, em virtude do seguinte dispositivo da Lei Complementar nº
101/2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal – que, paradoxalmente, não foi
levado em consideração para impedir o reajuste dos subsídios dos Ministros do
Supremo Tribunal Federal pela Lei nº 13.752/2018:

Art. 21. ...............................................


...........................................................
Parágrafo único. Também é nulo de pleno direito o ato de que
resulte aumento da despesa com pessoal expedido nos cento e
oitenta dias anteriores ao final do mandato do titular do
respectivo Poder ou órgão referido no art. 20.

Portanto, desde 2016, o Ministério da Defesa e as Forças Armadas


desenvolveram um trabalho de reestruturação da carreira militar e das próprias
Forças com os seguintes objetivos, diretamente associados aos princípios
referidos imediatamente antes:

OBJETIVOS VISLUMBRADOS DESDE 2016 PARA A REESTRUTURAÇÃO


DA CARREIRA MILITAR E DAS FORÇAS ARMADAS

 RACIONALIZAR OS EFETIVOS;
 MODERNIZAR A GESTÃO DA CARREIRA;
 MELHORAR O APROVEITAMENTO DAS CAPACIDADES;
 APERFEIÇOAR A LEGISLAÇÃO; e
 ATRAIR E RETER TALENTOS.

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100

Acresça-se que a reestruturação da carreira dos militares das


Forças Armadas traz embutido o sentido de restaurar-lhes uma remuneração
típica das carreiras de Estado.

No contexto da reestruturação da carreira dos militares, a


nossa percepção é de que falta uma Lei de Promoção de Praças de Carreira
das Forças Armadas à semelhança da Lei de Promoções de Oficiais da Ativa
das Forças Armadas (Lei nº 5.821, de 10 de novembro de 1972), assegurando
maior segurança jurídica e profissional aos graduados.

09.2. Principais propostas do Projeto de Lei nº 1.645/2019

O Projeto de Lei nº 1.645/2019, ao dispor sobre a reestruturação da


carreira das armas e das Forças Armadas, traz as seguintes propostas
principais:

PRINCIPAIS PROPOSTAS DO PROJETO DE LEI Nº 1.645/2019

 Aumento das alíquotas de 11% para 14% (Fundo


de Saúde + Pensão Militar = 3,5% + 10,5%) para
todos os militares (ativos e inativos).
AUMENTO E  Universalização das contribuições: cadetes e
UNIVERSALIZAÇÃO alunos de escolas de formação passarão a
DAS contribuir com 10,5% para a Pensão Militar; cabos,
CONTRIBUIÇÕES soldados e pensionistas, que só contribuíam para o
Fundo de Saúde, passarão a contribuir para
Pensão Militar, elevando o desconto de 3,5% para
14%.
 Redução dos efetivos que ingressarem nos
ADEQUAÇÃO
estabelecimentos de ensino militares.
DOS
EFETIVOS  Substituição de militares de carreira por militares
temporários.
 Aumento do tempo de serviço de 30 para 35 anos
(com igualdade de sexos).
AUMENTO DO  Aumento da idade limite de permanência em cada
TEMPO DE posto ou graduação.
SERVIÇO  Regra de transição para os militares que hoje estão
na ativa: tempo que falta para completar 30 anos,
acrescido de 17% desse tempo faltante.
REDUÇÃO DA
QUANTIDADE DE  Redução do rol de dependentes.
DEPENDENTES

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101

 Adicional de Habilitação (aumento).


COMPENSAÇÕES  Adicional de Disponibilidade Militar (criação).
REMUNERATÓRIAS  Ajuda de custo (aumento).
 Gratificação de representação (mantida).

Muitas dessas medidas terão reflexos a longo prazo, particularmente


a partir de 2040 e, mais intensamente, após 2060, à medida que a União for
deixando de ter determinadas despesas com pessoal.

09.2.1. Aumento e universalização das contribuições para o Sistema de


Proteção Social dos Militares das Forças Armadas

O Sistema de Proteção Social dos Militares das Forças Armadas


alcança cerca de 770 mil famílias, entre militares ativos, inativos e pensionistas,
mas os descontos, atualmente, não são padronizados e se dão conforme o
quadro que se segue, mas sempre sobre a remuneração bruta.

DESCONTOS ATUAIS (sempre sobre a remuneração bruta) PARA O


SISTEMA DE PROTEÇÃO SOCIAL DOS MILITARES DAS FORÇAS
ARMADAS

I – MILITARES ATIVOS E INATIVO (exceto cadetes, alunos e cabos e


soldados prestando o Serviço Militar Obrigatório)
 7,5% para constituir pensões;
 3,5 % para o respectivo Fundo de Saúde (ao que ainda se acresce o
pagamento de 20% do valor das despesas de cada atendimento ou
procedimento médico); e
 1,5% da remuneração bruta para legar a pensão às filhas (somente
para aqueles que já estavam no serviço ativo em dezembro do ano
2000 e declararam essa opção).

II – CABOS E SOLDADOS PRESTANDO O SERVIÇO MILITAR


OBRIGATÓRIO E PENSIONISTAS
 3,5 % para o respectivo Fundo de Saúde (ao que ainda se acresce o
pagamento de 20% do valor das despesas de cada atendimento ou
procedimento médico).

III – CADETES E ALUNOS DE ESCOLAS DE FORMAÇÃO


 totalmente isentos de descontos de qualquer natureza.

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SITUAÇÃO DAS FILHAS DE MILITARES


 o direito a herdar a pensão militar pelas filhas maiores:
 foi extinto pela Medida Provisória 2.131/2000;
 foi mantido apenas para as filhas maiores dos militares que
ingressaram nas Forças antes de 2001 e optaram por mantê-lo
mediante a contribuição adicional de 1,5%;
 apenas 30% dos militares ainda possuem o direito a deixar o
benefício;
 expectativa de redução de 10% no quantitativo de filhas
pensionistas que ainda fazem jus ao benefício por desistência dos
contribuintes.

As considerações a seguir não levarão em conta o desconto


facultativo de 1,5% que incide sobre a remuneração daqueles militares que
ainda puderam optar pela manutenção da pensão para as filhas.

Pelas alterações do Projeto de Lei nº 1.645/2019 no art. 1º da Lei nº


3.765, de 4 de maio de 1960 (Lei das Pensões Militares – LPM), haverá a
universalização das contribuições, de modo que cabos e soldados durante a
prestação do Serviço Militar Obrigatório, alunos de escolas de formação e
pensionistas, hoje isentos, passarão também a contribuir para a pensão militar.

Por sua vez, o § 2º que está sendo introduzido no art. 3º-A da LPM
propõe a crescente elevação da alíquota que constitui a pensão militar – hoje
em 7,5% – na seguinte gradação: em 2020, para 8,50%; em 2021, para 9,50%;
até chegar a 10,50% de 2022 em diante.

A atual contribuição para assistência médico-hospitalar (Fundo


de Saúde) e social que é de 3,5%, será mantida. Rigorosamente, há um quê
de confusão na aplicação desse desconto entre aquilo que é assistência
médico-hospitalar e o que é assistência social, até porque essa contribuição
sempre foi entendida como destinada ao respectivo Fundo de Saúde do militar.

Ressalta-se que, em relação ao atendimento proporcionado pelo


Fundo de Saúde, o militar e os pensionistas ainda arcam com a indenização
de 20% do valor de qualquer consulta ou procedimento médico.

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Sabendo-se que os descontos para a pensão militar e para o


Fundo de Saúde se dão sempre sobre a remuneração bruta, pode ser
traçado o seguinte quadro

FUNDO DE
+ +
Pensão
.Categoria de SAÚDE Pensão Total da contribuição (alíquota Total da contribuição
(alíquota (alíquota obrigatória sobre a PROPOSTA obrigatória sobre a
contribuinte/Qtde. ATUAL, que ATUAL) remuneração bruta a partir de remuneração bruta
será mantida) (ATUAL) 2022) (PROPOSTA)

Militares (ativos e inativos) 3,5% 7,5% 11% 10,5% 14%


Cadetes/alunos de esco-
las de formação – 11 mil 0 0 0 10,5% 10,5%
Cabos e soldados no
SMO* – 157 mil 3,5% 0 3,5% 10,5% 14%
Pensionistas – 145 mil 3,5% 0 3,5% 10,5% 14%
* SMO - Serviço BRASIL, Ministério da Defesa, Ministério da Economia.
Militar Obrigatório PL de Reestruturação das Forças Armadas. Palestra. Fonte:
http://sa.previdencia.gov.br/site/2019/03/2019-03-20_novprev_rev_16h52.pdf;
acesso em: 09 abr. 2019. [montagem com dados da palestra]

Observando-se o quadro anterior, é possível verificar o acréscimo de


313 mil militares e pensionistas (11 mil + 157 mil + 145 mil) que passarão a
contribuir para a pensão militar.

 Aspectos polêmicos

Se aprovado o projeto de lei nos termos como se apresenta, pelo art.


3º-B – que está sendo introduzido na LPM – e pelo § 2º do art. 50-A – que está
sendo introduzido no Estatuto dos Militares (Lei nº 6.880/1980) –, os
pensionistas passarão, imediatamente, a pagar a alíquota de 7,5%, que será
gradualmente acrescida, como visto imediatamente antes, a partir de 1º de
janeiro de 2020, de 1% ao ano até o limite 10,5%. A esse percentual ainda se
acresce a contribuição dos 3,5% para a assistência médico-hospitalar (Fundo
de Saúde), totalizando 14%.

Aqui, poderá se abrir uma primeira polêmica. Se a contribuição de


7,5% – que chegará a 10,5% – pelo instituidor era a condição para que a
pensão militar pudesse ser herdada e a morte dele foi o fato gerador para que
seus herdeiros passassem a exercer o direito à percepção da pensão,
estaremos diante de uma dupla cobrança: os 7,5% (10,5%) que o instituidor
pagou quando em vida para que esse direito pudesse ser exercido pelos seus

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herdeiros, mas que continuará sendo cobrado daqueles que já tinham adquirido
esse direito pelo que fora pago pelo instituidor.

Em nosso entendimento, se a razão para justificar a obrigatoriedade


da contribuição para a pensão militar é o amparo à família após a morte do
instituidor, não há razão, sob a ótica jurídica, para que os beneficiários venham
a ser obrigados a contribuir para a pensão militar da qual já têm direito a
usufruir. Seria pagar duas vezes pelo mesmo benefício.

O direito à percepção e à manutenção da pensão militar foi gerado e


assegurado pelas prestações do instituidor quando em vida, de modo que só
seriam plausíveis novas contribuições se delas resultassem novas pensões.

De se notar que o Projeto de Lei nº 1.645/2019, nesse caso, vai,


expressamente, na contramão do espírito da Lei nº 3.765/1960 – Lei das
Pensões Militares –, que teve origem no Projeto de Lei nº 4.427/1958, enviado
ao Congresso Nacional pela Mensagem nº 215/195828, que, com razões
próprias àquela época, dizia eliminar o inexplicável ônus que recaía sobre os
beneficiários do montepio de contribuírem para poder receber a pensão
correspondente.

É verdade que, por não contribuírem para a pensão militar, os


beneficiários dela percebem, atualmente, mais do que os contribuintes quando
em vida, que descontavam para esse fim. Todavia, essa é uma discussão que
deve ser travada à luz de outros argumentos.

Agora, abre-se uma segunda polêmica em desdobramento da


anterior. Se o instituidor, quando em vida, optou pelo pagamento da
contribuição específica de 1,5% para a manutenção da pensão militar em favor
das filhas maiores, nos termos do § 3º que está sendo introduzido o art. 3º-A
da LPM, o cônjuge supérstite permanecerá como contribuinte obrigatório desse
percentual, que será, naturalmente, acrescido aos 14% da contribuição
obrigatória total, perfazendo, então, 15,5% de desconto.

28BRASIL, Congresso Nacional. Projeto de Lei 4.427/1958/Mensagem nº 215/1958. 08 ago.


1958. p. 4497-4503. Fonte:
http://imagem.camara.gov.br/Imagem/d/pdf/DCD08AGO1958.pdf#page=17; acesso em: 08
abr. 2019.

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105

Ora, mais uma vez poderá ser argumentado que o instituidor,


quando em vida, já pagara pelo direito de deixar a pensão para a filha.

E, aí, parte-se para uma terceira polêmica. No caso desse militar


que fez a opção pelo desconto de 1,5% e deixou viúva e filha, esta poderá ser
a sucessora natural da mãe na herança da pensão.

Nos termos do projeto de lei, a filha pensionista, a partir de 1º de


janeiro de 2020, terá os seguintes descontos sobre a remuneração bruta, no
total de 13,5% sobre a pensão percebida: 10,5% da alíquota padrão de
contribuição para a pensão militar; mais 1,5% que o instituidor já pagava como
contribuição específica destinada à manutenção dos benefícios previstos na Lei
das Pensões; e mais 1,5% como contribuição adicional a ser paga por ela na
condição de filha pensionista; tudo nos termos da aplicação conjunta dos §§ 1º,
3º e 4º que passarão a compor o art. 3º-A da LPM. Ou seja, a filha é quem
será mais fortemente penalizada na reestruturação.

Há algo de surreal nesses dispositivos do projeto de lei, pois, se a


contribuição de 1,5% pelo instituidor era a condição para que as filhas
pudessem herdar a pensão e a morte dele foi o fato gerador para que
passassem a exercer o direito à percepção da pensão, estaremos diante da
superposição de cobranças: os 10,5% que o instituidor pagava quando em vida
para que esse direito pudesse ser exercido pelas filhas após a sua morte; mais
os 1,5% para a manutenção do benefício após a sua morte; e mais os 1,5%
que serão pagos pela condição de filha pensionista.

Indo para a quarta polêmica, entre mãe e filha herdeiras da pensão


militar, a ordem natural de falecimento poderá se inverter e a filha falecer
primeiro. Nesse caso, na falta da filha, como obrigar a viúva a continuar como
contribuinte obrigatória dessa alíquota de 1,5% em favor de uma filha que não
terá mais como usufruir do benefício da pensão militar?

O militar ao qual foi permitido permanecer contribuindo para a


manutenção do direito à pensão militar para as filhas poderá, nos termos do
art. 13 do Projeto de Lei nº 1.645/2019, renunciar a esse direito. O projeto de
lei busca trazer para o direito positivo decisão judicial nesse sentido, pois,
segundo a Medida Provisória nº 2.131/2000 (Medida Provisória nº 2.215-

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10/2001), essa renúncia não seria possível. Todavia, esse direito à renúncia
não se aplica à viúva e mãe dessas filhas, até porque a primeira, poderia, em
uma atitude adversa ao interesse das próprias filhas e ao desejo do militar
falecido, causar prejuízo a estas.

Entretanto, há situações, como a que aqui foi criada, em que as


filhas faleceram e, até mesmo, como no caso de estas pretenderem renunciar
ao direito de receber a pensão militar, que o Projeto de Lei nº 1.645/2019 não
enxerga, impedindo a renúncia.

Nesse caso específico, no conjunto das sugestões de emendas nos


“Anexos sem numeração”, há uma específica visando a corrigir essa
distorção.

A quinta polêmica diz respeito à perda do direito à assistência


médico-hospitalar por pensionista que enviuvou e contraiu novo patrimônio ou
constituiu união estável, ainda que mantida a obrigação de manter a
contribuição e a indenização para garantir a assistência médico-hospitalar dos
dependentes do militar falecido, conforme proposta para o art. 3º-C da LPM.

Ora, se o espírito da pensão militar é garantir segurança aos


herdeiros do militar, a assistência médico-hospitalar faz parte do mesmo
“pacote”. Desse modo, enxergamos os dois institutos como se fossem irmãos
siameses. A retirar o direito a um, deveria ser retirado o direito a outro. A
manter um, deveria ser mantido o outro. Não vemos lógica em manter um e
retirar o outro.

Além disso, para nós não ficou claro se a perda desse direito será
apenas para pensionistas que estabelecerem nova relação a partir da edição
da lei ou se alcançará, também, as relações estabelecidas anteriormente à lei.

A sexta polêmica diz respeito à retirada do direito à assistência


médico-hospitalar (Fundo de Saúde) e social das filhas pensionistas que ainda
puderam garantir o direito à pensão militar. Esse entendimento brota da
proposta para o art. 3º D da LPM, que não as lista entre aqueles que deverão
recolher contribuições e indenizações para a assistência médico-hospitalar e
social.

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Aqui, cabem as mesmas considerações feitas para a viúva do militar


que estabeleceu nova relação, seja quanto a manter o direito à pensão,
embora perdendo o direito à assistência médico-hospitalar e social, seja quanto
a saber se a perda desse direito alcançará ou não aquelas que já usufruíam
dele.

A sétima polêmica advém de que o Projeto de Lei nº 1.645/2019 é,


também, expressamente contrário ao espírito da Lei nº 3.765/1960 – Lei das
Pensões Militares –, que teve origem no Projeto de Lei nº 4.427/1958, enviado
ao Congresso Nacional pela Mensagem nº 215/195829, referida imediatamente
antes.

Essa mensagem de 1958 era pela rejeição da proposta de


contribuição para a pensão militar daqueles que prestavam o Serviço Militar
Inicial, adotando-a apenas para os que tivessem o mínimo de dois anos de
serviço, de acordo com o posicionamento adotado pela Comissão de
Segurança Nacional da Câmara dos Deputados no segundo substitutivo ao
Projeto de Lei nº 4.098/1954.

A mensagem não considerava justa nem lógica a contribuição dos


militares prestando o Serviço Militar Inicial, tendo em vista que a pensão militar
tem destinação específica, reservada aos militares profissionais, e não à
totalidade dos brasileiros que, por imperativo da prestação do serviço militar,
permanecem cerca de um ano nas Forças Armadas.

Considerava, ainda, que, em face do sistema previdenciário geral do


País, todo cidadão que exercesse qualquer emprego ou atividade, mesmo
aqueles prestando o Serviço Militar Inicial, estava ou estaria sujeito à
contribuição ao correspondente Instituto da sua categoria profissional.

E, finalmente, dizia que o montepio militar era deficitário, inadaptado


às normas atuárias e que, quanto maior o número dos contribuintes, maior
seria o prejuízo do Erário.

29BRASIL, Congresso Nacional. Projeto de Lei 4.427/1958/Mensagem nº 215/1958. 08 ago.


1958. p. 4497-4503. Fonte:
http://imagem.camara.gov.br/Imagem/d/pdf/DCD08AGO1958.pdf#page=17; acesso em: 08
abr. 2019.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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Nesse caso, em favor do Projeto de Lei nº 1.645/2019, é a inclusão


do seguinte dispositivo na Lei nº 4.375, de 4 de agosto de 1964 – Lei do
Serviço Militar –, determinando que as contribuições para a pensão militar, não
só dos militares prestando o Serviço Militar Inicial, mas de todos os militares
temporários, sejam transferidas ao RGPS quando do licenciamento deles
(grifos nossos):
Art. 27-A. Por ocasião do licenciamento do militar temporário das
Forças Armadas, o tempo de atividade e as contribuições
recolhidas para a pensão militar serão transferidos ao Regime
Geral de Previdência Social, para fins de contagem de tempo de
contribuição, na forma estabelecida em regulamento a ser editado
pelo Poder Executivo federal.

De qualquer modo, também em favor da contribuição dos militares


temporários, apesar de não justificado na mensagem que enviou o PL nº
1.645/2019, é que estes, em face de eventual incapacidade ou de morte por
acidente em serviço, pesarão na pensão militar, devendo, portanto, para ela
contribuir.

Uma oitava polêmica é instalada tendo em vista que o Projeto de Lei


nº 1.645/2019 passará a impor aos beneficiários da pensão militar
contribuições das quais, até então, eram isentos e que eles adquiriram essa
condição porque os instituidores, quando em vida, fizeram contribuições para
tal benefício, enquanto os beneficiários das pensões especiais, para as quais
nunca houve contribuição, paradoxalmente, continuarão a gozar das pensões e
da gratuidade da assistência médico-hospitalar sem qualquer ônus.

Por uma questão de isonomia, entendemos que os ônus deveriam


ser impostos igualmente a todos, particularmente aos pensionistas das
pensões especiais, para as quais nunca houve contribuição. Bem verdade que,
em alguns casos, como no dos ex-combatentes da 2ª Guerra Mundial, essa
questão se torna mais complexa, tendo em vista que os dispositivos que deles
tratam nessa matéria estão previstos no art. 53 do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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Fugindo das polêmicas e trazendo algumas considerações


complementares em relação à pensão militar, acresça-se que os militares,
mesmo na inatividade, sempre permaneceram, obrigatoriamente, contribuindo
para a pensão militar e para a assistência médico-hospitalar (Fundo de Saúde),
desde que este foi instituído, perfazendo, segundo o Ministério da Defesa, uma
média de 62 anos de contribuição, considerando o seu ingresso no sistema
aos 20 anos e 82 anos de expectativa de vida, enquanto pensionistas têm a
recepção do seu benefício por 9 anos, considerando a viuvez aos 78 anos
e 87 anos de expectativa de vida.

Entretanto, ainda segundo o Ministério da Defesa, com a inclusão


dos pensionistas como contribuintes da pensão militar, considerando que a
imensa maioria é de mulheres, que têm maior expectativa de vida, estima-se
que o tempo médio de contribuição para a pensão militar passará de 62
para 71 anos e com a alíquota aumentada de 7,5% para 10,5% sobre a
remuneração bruta, o que resultará em um acréscimo bastante significativo na
receita.

Especificamente sobre a pensão militar deixada às filhas,


independentemente de qualquer condição – idade, estado civil etc. – há de se
frisar que está extinta. A Medida Provisória nº 2.131/2000 (Medida Provisória nº
2.215-10/2001) só permitiu que os militares que estivessem na ativa àquele
tempo optassem por manter esse benefício, previsto na Lei das Pensões
Militares, mediante a contribuição adicional de 1,5% sobre a remuneração
bruta, que passará, como visto imediatamente antes, a ser cobrada também
dos pensionistas.

Sobre os Fundos de Saúde das Forças Armadas, foram traçadas


mais considerações no subtópico “05.1.2. A contribuição obrigatória para os
Fundos de Saúde”, quando tratando das perdas sofridas pelos militares ao
longo do tempo.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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110

09.2.2. Adequação dos efetivos

Para alcançar os objetivos de racionalização dos efetivos, gestão


da carreira e aproveitamento das capacidades, que já eram vislumbrados
desde 2016, o Projeto de Lei nº 1.645/2019 propõe medidas que incidirão em
quantitativos de pessoal da forma como se expõe a seguir.

Em síntese, a chamada adequação dos efetivos pressupõe, nos


próximos dez anos:
 a redução dos efetivos das Forças Armadas em 10%;
 o aumento do tempo de serviço dos militares de carreira;
 a redução da quantidade de militares de carreira; e
 o aumento da quantidade de militares temporários.

RACIONALIZAÇÃO DE EFETIVOS, GESTÃO DA CARREIRA E


APROVEITAMENTO DAS CAPACIDADES – Propostas PL 1.645/2019
 Redução gradual dos efetivos totais das Forças Armadas com a
implementação de processos mais eficientes e melhor distribuídos;
 Redução das admissões em Organizações Militares de Formação
(academias e escolas) em face do aumento do tempo de serviço
ativo; e
 Redução da quantidade de militares de carreira, substituídos por
temporários, reduzindo, gradativamente, a folha de pagamento de
inativos e pensionistas.

O quadro a seguir mostra a proporção atual, em cada Força Armada,


dos militares de carreira e dos militares temporários e, por último, no conjunto
das três Forças.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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111

BRASIL, Ministério da Defesa. Projeto de Lei de Reestruturação das Forças Armadas. Palestra
proferida pelo General de Divisão Eduardo Castanheira Garrido Alves, responsável pela proposta de
reestruturação das carreiras das Forças Armadas e assessor especial do Ministério da Defesa sobre
aspectos relativos ao Projeto de Lei de Proteção Social dos Militares. Quartel General do Exército, 26 de
março de 2019. [com adaptações na forma]

Para alcançar parte dos objetivos do Projeto de Lei nº 1.645/2019,


propugna-se, em dez anos, a redução em 10% do efetivo das Forças Armadas,
perfazendo menos 36 mil homens entre militares temporários e de carreira.
Além disso, será aumentada a proporção de militares temporários. Por essas
duas medidas, além de outras, diminuirá sensivelmente a pressão sobre o
Sistema de Proteção Social dos Militares das Forças Armadas, pois o militar
temporário não gerará despesas como inativo nem com a pensão militar.

 Aspectos polêmicos

A primeira polêmica advém de não termos conseguido identificar


dispositivos que, de forma expressa, no Projeto de Lei nº 1.645/2019, tratem da
adequação dos efetivos, tanto no que diz respeito à redução de efetivos como
no aumento da quantidade de militares temporários e na redução da
quantidade de militares de carreira.

Essas medidas, tudo indica, apenas constam do discurso brotado do


Ministério da Defesa e até poderão, talvez, estar embutidas, implicitamente, em

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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112

alguns dispositivos do projeto de lei, dos quais elas decorreriam como


conseqüência.

Uma segunda polêmica vem com uma pergunta impertinente: A


redução se dará, proporcionalmente, nos cargos de maior hierarquia?

A terceira polêmica tem a ver com aspectos ligados à Defesa


Nacional, considerando a redução dos efetivos.

Embora, em regra, haja uma tendência em quase todos os países do


mundo para reduzir os efetivos de suas Forças Armadas, haja vista ser muito
cara a manutenção delas, deve se ter em vista as circunstâncias e as
peculiaridades de cada país.

Em muitos países, a redução dos efetivos foi compensada pela


adoção de armas tecnologicamente mais avançadas e, até mesmo, de armas
de destruição em massa; o que não ocorre com o Brasil.

Por outro lado, as Forças Armadas brasileiras sempre foram


diminutas em face do tamanho do nosso País, da extensão da sua fronteira
terrestre e do seu litoral, do espaço marítimo sobre o qual deve exercer sua
soberania, das responsabilidades assumidas nas relações internacionais, da
sua projeção geoestratégica e das ameaças latentes que pairam no horizonte.

Não bastasse, em um conflito armado, o vencedor dele, ainda que


temporariamente, necessitará manter a ocupação terrestre do teatro de guerra,
demandando grandes efetivos.

Desse modo, o discurso da redução de efetivos deve ser


cuidadosamente sopesado,

Há, sim, aqueles que, se referindo às precárias condições materiais


a que estão submetidas as nossas Forças Armadas, sucateadas e com falta de
recursos até para a aquisição de munições, defendem a redução dos seus
efetivos em troca de poucas unidades, desde que bem equipadas e
adestradas.

Essa é uma alternativa, embora, evidentemente, não seja a melhor


das soluções.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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113

E nesse contexto, quando se fala em reestruturação das Forças


Armadas, a proposta da redução dos efetivos parece atender mais a busca de
recuperar uma remuneração condigna para os militares, aviltada que foi nos
últimos anos, do que, propriamente, a Defesa Nacional.

09.2.3. As alterações no Tempo de Serviço

As alterações no tempo de serviço, considerando a higidez física e


mental em função da idade, levaram em conta:
 o tempo mínimo de serviço militar (serviço ativo) para poder passar para
a reserva, sem distinção de sexo; e
 a idade máxima de permanência em cada posto ou graduação.

Os quadros a seguir retratam o tempo de serviço e as idades para


permanência em cada posto e graduação, segundo as regras atuais, e como
ficarão pela proposta trazida pelo projeto de lei em tela.

TEMPO MÍNIMO DE SERVIÇO MILITAR PARA PODER PASSAR PARA A


RESERVA
Regra atual Regra proposta
30 anos 35 anos
para homens e mulheres para homens e mulheres
Pela redação proposta para o art. 97 do Estatuto dos Militares.

IDADE MÁXIMA DE PERMANÊNCIA EM CADA POSTO OU GRADUAÇÃO


Posto/Graduação Regra atual Regra proposta
General de Exército 66 anos 70 anos
General de Divisão 64 anos 69 anos
General de Brigada 62 anos 68 anos
Coronel 59 anos 67 anos
Tenente-coronel 56 anos 64 anos
Major 52 anos 61 anos
Capitão e Tenente 48 anos 60 anos
Subtenente 54 anos 63 anos
1º Sargento 52 anos 57 anos
2º Sargento 50 anos 56 anos
3º Sargento 49 anos 55 anos
Cabo 48 anos 54 anos
Soldado 44 anos 50 anos
Pela redação proposta para o art. 98 do Estatuto dos Militares.

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114

Entretanto, haverá as seguintes regras de transição, nos termos do


art. 21 do Projeto de Lei nº 1.645/2019:
 estará assegurada a transferência para reserva remunerada aos
militares que já possuírem 30 anos de serviço ativo quando da entrada
em vigor da nova Lei;
 será aplicado um “pedágio” de 17% sobre o tempo faltante para
transferência para reserva remunerada aos militares que não possuírem
30 anos de serviço ativo quando da entrada em vigor da nova Lei.

EXEMPLOS DA APLICAÇÃO DAS REGRAS DE TRANSIÇÃO


Tempo de Serviço Tempo que falta Acréscimo pela
quando a nova Lei para completar aplicação do Novo tempo
entrar em vigor 30 anos de pedágio de 17% de serviço
serviço
Militar 01 0 30 anos 5 anos (aprox.) 35 anos

Militar 02 10 anos 20 anos 3,4 anos 33,4 anos

Militar 03 15 anos 25 anos 2,5 anos (aprox.) 32,5 anos

Militar 04 20 anos 10 anos 1,7 anos 31,7 anos


BRASIL, Ministério da Defesa, Ministério da Economia. PL de Reestruturação das Forças Armadas.
Palestra. Fonte: http://sa.previdencia.gov.br/site/2019/03/2019-03-20_novprev_rev_16h52.pdf; acesso em:
09 abr. 2019. [montagem com dados da palestra]

 Aspectos polêmicos

Como primeira polêmica, poderá haver discussões em torno do


percentual de 17% a ser aplicado como “pedágio”, mas há de se observar que
essa regra de transição é a mesma que foi adotada, pela Emenda
Constitucional nº 41, de 2003, à Magistratura, ao Ministério Público e ao
Tribunal de Contas da União, conforme se depreende do seguinte dispositivo
(grifo nosso):

Art. 2º ...................................................................................................
..............................................................................................................
§ 3º Na aplicação do disposto no § 2º deste artigo, o magistrado ou o
membro do Ministério Público ou de Tribunal de Contas, se homem,
terá o tempo de serviço exercido até a data de publicação
da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998,
contado com acréscimo de dezessete por cento, observado o
disposto no § 1º deste artigo.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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115

Uma segunda polêmica surgirá em face de possíveis


questionamentos, sob o rótulo do “politicamente correto”, no tocante às
mulheres das Forças Armadas serem colocadas nas mesmas condições dos
homens, inclusive quanto ao tempo de serviço.

É preciso entender que, desde que as mulheres ingressaram nas


Forças Armadas, a legislação a elas aplicada é comum a todos os militares,
sem qualquer distinção, até porque elas vão concorrer às promoções com base
no mesmo tempo de serviço que os demais.

Em conseqüência, o estabelecimento de diferenças entre os sexos


prejudicaria as mulheres na sua ascensão hierárquica dentro das Forças.

Hoje, a distinção está focada apenas nas atividades, de modo que


algumas são mais próprias para o sexo masculino, como no caso dos
combatentes de Infantaria e Cavalaria, enquanto outras são permitidas a
ambos os sexos, sem qualquer distinção, como Intendência, Armada e
Aviação.

Acresça-se que as mulheres, ao ingressaram nas Forças Armadas,


são conhecedoras das “regras do jogo”, não havendo razão para mudá-las.

09.2.4. A redução na quantidade de dependentes

Nas colunas da direita dos dois quadros a seguir, à luz da Lei nº


6.880, de 9 de dezembro de 1980 – Estatuto dos Militares –, estão listados
aqueles que, atualmente, são consideradas dependentes dos militares,
enquanto, nas colunas da esquerda, constam apenas aqueles que, nos termos
do Projeto de Lei nº 1.645/2019, permanecerão classificados como
dependentes.

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116

ROL DE DEPENDENTES (redução de 8 para 2 categorias)


Proposta para § 2º do art. 50 do
SITUAÇÃO ATUAL (Lei 6.880/1980)
Estatuto dos Militares
cônjuge ou companheira(o) que viva
esposa; em união estável, na constância do
vínculo;
filho menor de 21 (vinte e um) anos ou filho(a) ou o(a) enteado(a), menor de 21
inválido ou interdito; anos ou inválido(a).
filha solteira, desde que não receba
remuneração;
filho estudante, menor de 24 (vinte e
quatro) anos, desde que não receba
remuneração;
mãe viúva, desde que não receba
remuneração;
enteado, filho adotivo e tutelado, nas
mesmas condições dos itens II, III e IV;
viúva do militar, enquanto permanecer
neste estado, e os demais dependentes
mencionados nos itens II, III, IV, V e VI
deste parágrafo, desde que vivam sob a
responsabilidade da viúva;
ex-esposa com direito à pensão
alimentícia estabelecida por sentença
transitada em julgado, enquanto não
contrair novo matrimônio.
BRASIL, Ministério da Defesa, Ministério da Economia. PL de Reestruturação das Forças Armadas.
Palestra. Fonte: http://sa.previdencia.gov.br/site/2019/03/2019-03-20_novprev_rev_16h52.pdf; acesso em:
09 abr. 2019. [montagem com dados da palestra]

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117

DEPENDENTES DO MILITAR, DESDE QUE VIVAM SOB SUA DEPENDÊNCIA


ECONÔMICA E SOB O MESMO TETO (redução de 10 para 3 categorias)
Proposta para § 3º do art. 50 do
SITUAÇÃO ATUAL (Lei 6.880/1980)
Estatuto dos Militares
filha, a enteada e a tutelada, nas
condições de viúvas, separadas
pai e a mãe;
judicialmente ou divorciadas, desde que
não recebam remuneração;
mãe solteira, a madrasta viúva, a sogra
tutelado(a), curatelado(a) inválido(a) ou
viúva ou solteira, bem como separadas
menor de 18 anos que viva sob sua
judicialmente ou divorciadas, desde que
guarda por decisão judicial;
não recebam remuneração;
avós e pais, quando inválidos ou
filho(a) ou o(a) enteado(a) estudante
interditos, e respectivos cônjuges, estes
menor de 24 anos.
desde que não recebam remuneração;
pai maior de 60 (sessenta) anos e seu
respectivo cônjuge, desde que ambos
não recebam remuneração;
irmão, o cunhado e o sobrinho, quando
menores ou inválidos ou interditos, sem
outro arrimo;
irmã, a cunhada e a sobrinha, solteiras,
viúvas, separadas judicialmente ou
divorciadas, desde que não recebam
remuneração;
neto, órfão, menor inválido ou interdito;
pessoa que viva, no mínimo há 5
(cinco) anos, sob a sua exclusiva
dependência econômica, comprovada
mediante justificação judicial;
companheira, desde que viva em sua
companhia há mais de 5 (cinco) anos,
comprovada por justificação judicial;
menor que esteja sob sua guarda,
sustento e responsabilidade, mediante
autorização judicial.
BRASIL, Ministério da Defesa, Ministério da Economia. PL de Reestruturação das Forças Armadas.
Palestra. Fonte: http://sa.previdencia.gov.br/site/2019/03/2019-03-20_novprev_rev_16h52.pdf; acesso em:
09 abr. 2019. [montagem com dados da palestra]

 Aspectos polêmicos

Polêmicas poderão surgir de relações que, hoje, pela legislação


vigente, são consideradas de dependência e que, pelas alterações propostas,
deixarão de ser, levando a reflexos, principalmente, na assistência médico-
hospitalar e na percepção da pensão militar, além de dar margem a judicializa-
ções. Exemplos: viúva do militar e ex-esposa com direito à pensão alimentícia.

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118

A profissão militar das Forças Armadas engloba


funções exclusivas do Estado, e não de qualquer
governo, de provimento da Defesa Nacional e ações
de Garantia da Lei e da Ordem. Leva-se anos para
construir um militar. Existem especificidades sem
similar no meio civil, com regras de dedicação e
de comprometimento compatíveis com essa missão,
genérica de lugar e de tempo, que implicam a
disponibilidade permanente sem remuneração extra,
as mudanças constantes para toda a família, o
comprometimento de colocar em risco a própria
vida, a restrição de direitos sociais e políticos.
LEAL, C. I. S. et al. As Forças Armadas e a PEC da Previdência.
Brasília: Fundação Getúlio Vargas, 2016. p. 5.

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119

10. AS COMPENSAÇÕES

O Projeto de Lei nº 1.645/2019 prevê os seguintes acréscimos de


natureza pecuniária como forma de atenuar as perdas sofridas pelos militares
nos últimos anos, especialmente aquelas que resultaram da Medida Provisória
nº 2.131/2000 (Medida Provisória nº 2.215-10/2001), e, também, de diminuir o
abismo remuneratório entre os militares e as demais carreira de Estado:
 ADICIONAL DE HABILITAÇÃO (prestação continuada)
 ADICIONAL DA DISPONIBILIDADE MILITAR (prestação
continuada)
 AJUDA DE CUSTO (prestação eventual)

Alcançando apenas os oficiais-generais, em prestação continuada, e


outros militares no exercício de determinados cargos ou na execução de certas
atividades, em prestação eventual, há, ainda, a manutenção do seguinte
benefício:
 GRATIFICAÇÃO DE REPRESENTAÇÃO

Os DESCONTOS do militar incidem sobre a REMUNERAÇÃO BRUTA,


mas...
Os ADICIONAIS e a GRATIFICAÇÃO do militar incidem sobre o SOLDO.

10.1. Do Adicional de Habilitação

O Adicional de Habilitação, referido pelo art. 8º do Projeto de Lei nº


1.645/2019, é a parcela remuneratória mensal devida ao militar, inerente aos
cursos realizados com aproveitamento, funcionando como um incentivo à
capacitação e como fator de valorização da meritocracia, de forma a estimular
o aperfeiçoamento, concorrendo para a atração e a retenção de profissionais
cada vez mais capacitados.

Em tese, esse adicional está associado à meritocracia e, segundo o


Ministério da Defesa, ainda será inferior às demais carreiras do Poder
Executivo, não passando, para o curso de Altos Estudos Categoria I, que é
equivalente ao doutorado acadêmico, da metade do percentual do adicional
correspondente a doutorado nas carreiras fora das Forças Armadas.

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120

Hoje, esse adicional já existe e a reestruturação remuneratória será


implementada de forma gradual, em quatro anos, para garantir o equilíbrio do
sistema, incidindo apenas sobre o soldo-base.

O ADICIONAL DE HABILITAÇÃO
Posto Até A partir A partir A partir A partir
Categoria dos
ou 30 jun de 1º jul de 1º jul de 1º jul de 1º jul
graduação Cursos
2020 2020 2021 2022 2023
Oficial-general,
* Altos Estudos
Coronel, Subtenente 30% 42% 54% 66% 73%
Categoria I
(Suboficial)
Coronel,
Altos Estudos
Tenente-coronel, Major, 25% 37% 49% 61% 68%
Categoria II
Subtenente e 1º Sargento
Capitão, 1º Tenente,
Aperfeiçoa-
1º Sargento e
mento
20% 27% 34% 41% 45%
2º Sargento
1º Tenente,
2º Sargento e Especialização 16% 19% 22% 25% 27%
3º Sargento
2º Tenente,
3º Sargento, Formação 12% 12% 12% 12% 12%
Cabo e Soldado
* Para os oficiais, equivale ao doutorado acadêmico. Fonte: Anexo III do PL nº 1.645/2019.

 Aspectos polêmicos

Como primeira polêmica, há de se observar que essa concepção


poderá ser contaminada por diversos fatores, inclusive, diante de futuras
contenções orçamentárias, de as Forças Armadas restringirem a possibilidade
de cursos serem realizados ou limitarem o acesso a alguns deles, frustrando o
desenvolvimento profissional e a perspectiva de o militar ter melhor
remuneração.

Mesmo hoje, o acesso a determinados cursos não é tão amplo, com


alguns dependendo de indicação; outros, de prévia seleção; outros, só sendo
permitidos para determinados postos ou graduações e especialidades (Corpos,
Armas, Quadros e Serviços).

No Exército, por exemplo, não há previsão de curso de “altos


estudos” para os oficiais do Quadro Complementar de Oficiais e, mesmo para

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121

aquelas especialidades em que há previsão desse curso, nem todos


conseguem realizá-lo.

Por sua vez, os sargentos do Quadro Especial – sargentos QE ou


QESA, dependendo da Força – queixam-se que a eles não foi dado nem será
dado acesso a cursos.

No caso deles, deve ser dito que esses sargentos pertencem a uma
categoria que, no passado, era incorporada como soldado para prestar o
Serviço Militar Inicial e ia prorrogando a prestação do serviço militar até
completar dez anos, quando adquiria estabilidade e permanecia na Força,
ainda que não tivesse prestado concurso público.

Foram e são muito importantes para as Forças. Embora, muitas


vezes, não tivessem suficiente grau de escolaridade para serem aprovados em
um concurso público, eram excepcionais como artífices, operadores de
equipamentos, condutores de veículos especiais e em outras atividades.

Originalmente, teriam permanecido como soldados ou, no máximo,


alcançariam a graduação de cabo, mas sucessivas normas, casuisticamente
editadas ao longo do tempo, permitiram que ascendessem à graduação de 3º
Sargento e, até mesmo, a depender da Força, a 2º Sargento.

Dessa breve consideração exsurge a explicação de não haver


cursos específicos da carreira militar para os sargentos QE e QESA e, na
concepção de alguns, de que esses militares já teriam sido muito beneficiados
pelas decisões casuísticas que permitiram que fossem, sem exigência de
concurso, de soldado a sargento.

De qualquer modo, essas questões são polêmicas e estão postas


aqui.

Uma segunda polêmica se abre, associada à imediatamente


anterior, em face do poder discricionário de cada Força definir quais cursos se
enquadrarão em cada categoria.

Em nossa visão, parece-nos que o nível de abstração da proposta


desse adicional está muito grande, faltando disposições legais mais
detalhadas, restringindo um pouco mais o poder discricionário das Forças de

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122

disporem sobre esses cursos, inclusive de definir quais cursos serão


classificados em cada categoria dessas.

Pelo que sabe, por exemplo, só o Exército, hoje, tem um curso


considerado de “alto estudos” para subtenentes, o Curso de Habilitação ao
Quadro Auxiliar de Oficiais (CHQAO). E, mesmo assim, no universo de
subtenentes, a quantos deles seria permitido a realização desse curso?

É perceptível que entre as Forças Armadas há diferenças, por vezes


significativas, nas disposições que tratam dos variados cursos de cada uma.
Entendemos que essas diferenças só serão harmonizadas quando houver uma
Lei de Ensino das Forças Armadas, estabelecendo certa padronização.

Atentar que a realização de cursos é de vital importância para o


militar uma vez que altera bastante a sua remuneração.

Uma terceira polêmica é a ausência de uma bem definida correlação


legal dessas categorias de cursos com os cursos civis de nível equivalente:
graduação, especialização, mestrado, doutorado, pós-doutorado, considerando
os de nível superior; e, semelhantemente, para os cursos de menor nível.

Também poderia ser trazida à baila, como uma quarta polêmica, a


falta de disposições legais tratando de cursos feitos por militares no meio civil,
de interesse das Forças, que possibilitassem a percepção de correspondentes
adicionais de habilitação.

A hipótese de militares hoje na inatividade ou prestes a serem


transferidos para a reserva sofrerem sensíveis prejuízos porque não tiveram a
chance de realizar determinados cursos surge como uma quinta polêmica.

Nesse caso, considerando que o militar da reserva está apto a ser


convocado, uma solução seria permitir que cursos de interesse de cada Força
realizados no meio civil por militares da reserva pudessem proporcionar-lhes o
adicional de habilitação. Todavia, essa alternativa não contemplaria aqueles
que foram reformados e estão, definitivamente, impossibilitados de serem
convocados.

Como sexta polêmica, existe um aspecto que exsurge da tabela que,


aos nossos olhos, fere os princípios da isonomia, razoabilidade e

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123

proporcionalidade: o aumento desproporcional dos percentuais dos cursos de


maior categoria, beneficiando, justamente, os militares de postos e graduações
mais elevados dentro de cada círculo de oficiais e praças, especificamente
aqueles que já têm as remunerações de maior valor.

Implicitamente, ao que parece, o Ministério da Defesa pretendeu


contornar o mecanismo de acumulação do percentual de um curso com o de
outros cursos já realizados, atribuindo a um curso de gradação imediatamente
superior um percentual substancialmente mais elevado, de modo a absorver o
percentual dos cursos de menor gradação.

Identificamos uma sétima polêmica na atuação de grupos de


pressão junto ao Congresso Nacional propondo a adoção de um adicional de
habilitação único para todos os militares das Forças Armadas,
independentemente da categoria do curso realizado, o que é um evidente
absurdo e não pode prosperar.

Em nossa opinião, as diferenças de percentual entre cada categoria


de curso hão de ser mantidas, embora reduzindo-as a patamares em que elas
não sejam tão acentuadas como tabela proposta.

10.2. Do Adicional da Disponibilidade Militar

O Adicional da Disponibilidade Militar será o percentual incidente


sobre o soldo de oficiais e praças que passará a ser pago, mensalmente, a
partir de 1º de janeiro de 2020, considerando, na ótica do Ministério da Defesa
e segundo o art. 7º do Projeto de Lei em questão, que a disponibilidade
permanente e a dedicação exclusiva são peculiaridades da profissão militar
que dão convicção à sociedade brasileira de que os militares das Forças
Armadas, a qualquer tempo, estarão prontos e em condições de serem
deslocados para qualquer parte e atuarem, dia e noite, em defesa da Pátria,
bem como para garantir os Poderes Constitucionais, a lei e a ordem.

A tabela a seguir traz o percentual do Adicional de Disponibilidade


segundo cada posto e graduação.

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O ADICIONAL DE DISPONIBILIDADE MILITAR


Alíquota
Posto/graduação
PROPOSTA
Almirante de Esquadra, General de
41%
Exército e Tenente-Brigadeiro
Vice-Almirante, General de Divisão e
38%
Major-Brigadeiro
Contra-Almirante, General de Brigada
35%
e Brigadeiro
Capitão de Mar e Guerra, Coronel,
32%
Subtenente e Suboficial
Capitão de Fragata, Tenente-coronel e
2º Sargento oriundo dos Quadros 26%
Especiais de Sargentos de cada Força
Major e 1º Sargento 20%
3º Sargento oriundo dos Quadros
Especiais de Sargentos de cada Força 16%

Capitão-Tenente, Capítão e
2º Sargento 12%

1º Tenente, 3º Sargento e Cabo 6%


Demais militares 5%
Fonte: Anexo II do Projeto de Lei nº 1.645/2019.

Segundo o Ministério da Defesa, esse adicional impactará


positivamente a liderança e reforçará a hierarquia militar.

 Aspectos polêmicos

A primeira polêmica que se apresenta quanto a esse adicional, que


está sendo criado pelo Projeto de Lei nº 1.645/2019, é que, se a
disponibilidade e a dedicação exclusiva são iguais para todos, não há razão
para que o adicional seja pago segundo o posto ou graduação.

Se para o adicional de habilitação defendemos, com algumas


ressalvas, a diferenciação segundo a categoria do curso, no caso do adicional
de disponibilidade, enxergamos uma afronta aos princípios da isonomia,
razoabilidade e proporcionalidade, com a tabela, sem qualquer razão plausível,
atribuindo percentuais desproporcional e extremamente mais elevados aos
postos de maior precedência hierárquica.

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125

Ora, se os atributos de disponibilidade e dedicação exclusiva são


os mesmos para todos os militares, como visto imediatamente antes, não há
porque diferenciar o adicional de disponibilidade segundo cada posto e
graduação.

Em uma segunda polêmica, percebemos que há lógica para que se


pague o adicional de disponibilidade para os militares da ativa e, até mesmo,
para os que estão na reserva, uma vez que estes estarão disponíveis para
serem convocados, embora deles não mais seja exigida a dedicação
exclusiva.

Todavia, não faz sentido os militares reformados perceberem o


adicional de disponibilidade, haja vista que afastada, definitivamente, a
hipótese de serem novamente convocados.

Entretanto, se esse adicional de disponibilidade for retirado do militar


reformado, estar-se-á cometendo uma enorme injustiça para com aqueles que
dedicaram suas vidas inteiramente ao serviço da Pátria justamente quando,
pela idade avançada, mais necessitarão de recursos financeiros para atender a
suas necessidades. Não bastasse, estaria sendo rompida a paridade
assegurada pela legislação militar.

Igualmente, não há lógica que pensionistas incorporem ao valor da


pensão militar o adicional de disponibilidade. Mas negá-lo, significaria
substancial redução no valor da pensão.

Finalmente, como terceira polêmica, enxergamos como discutível o


§ 4º do art. 7º, que manda aplicar, como base para o cálculo desse adicional, o
valor do soldo do último posto ou graduação efetivamente ocupado pelo militar
quando na ativa, e não o valor do soldo do posto ou graduação superior ou, se
mantido o posto ou graduação quando na ativa, do valor do soldo de hierarquia
superior, que foram alcançados em decorrência de reforma, morte ou
transferência para a reserva, com idêntico mecanismo sendo aplicável à
pensão militar.

Ora, que o adicional de disponibilidade seja pago pelo valor do soldo


efetivamente percebido.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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126

10.3. Da Ajuda de Custo

A Ajuda de Custo, prevista no art. 14 do Projeto de Lei nº


1.645/2019, é devida ao militar para custeio das despesas de locomoção e
instalação, exceto as de transporte, nas movimentações com mudança de sede
e por ocasião de transferência para a inatividade remunerada, conforme tabela
que se segue.

TABELA DE AJUDA DE CUSTO


Valor representativo Valor representativo
SITUAÇÕES até 31 de dezembro a partir de 1º de
de 2019 janeiro de 2020
Militar, que possua dependente, nas
Duas vezes o valor da Duas vezes o valor da
a movimentações com desligamento da
remuneração. remuneração.
organização militar.
Militar, que possua dependente, nas
movimentações para comissão Duas vezes o valor da Duas vezes o valor da
b superior a três e igual ou inferior a remuneração na ida e remuneração na ida e
doze meses, sem desligamento da uma vez na volta. uma vez na volta.
organização militar.
Militar, que possua dependente, nas
movimentações para comissão Uma vez o valor da Uma vez o valor da
c superior a quinze dias e igual ou remuneração na ida e remuneração na ida e
inferior a três meses, sem outra vez na volta. outra vez na volta.
desligamento da organização militar.
Militar, que possua dependente,
quando transferido para Localidade
Especial Categoria "A" ou de uma
Quatro vezes o valor Quatro vezes o valor
d Localidade Especial Categoria "A"
da remuneração. da remuneração.
para qualquer outra localidade, nas
movimentações com desligamento da
organização militar.
Metade dos valores Metade dos valores
Militar, que não possua dependente, representativos representativos
e que se encontre nas situações "a", estabelecidos para as estabelecidos para as
"b", "c", ou "d" desta Tabela. situações "a", "b", "c", situações "a", "b", "c",
e "d" desta Tabela. e "d" desta Tabela.
Oficial: quatro vezes o Oficial: oito vezes o
valor da remuneração valor da remuneração
calculado com base calculado com base no
no soldo do último soldo do último posto
Militar, que possua ou não
posto do círculo do círculo hierárquico
dependente, por ocasião de
f hierárquico a que a que pertencer o
transferência para a inatividade
pertencer o militar. militar.
remunerada.
Praça: quatro vezes o Praça: oito vezes o
valor da remuneração valor da remuneração
calculado com base calculado com base no
no soldo de Suboficial. soldo de Suboficial.
Fonte: Anexo V do Projeto de Lei nº 1.645/2019.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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127

A tabela mantém os mesmo parâmetros hoje adotados para quase


todas as situações, exceto a da letra “f”, que diz respeito ao militar transferido
para a inatividade remunerada. Nesse caso, o valor da ajuda de custo passará
de quatro vezes o valor da remuneração, como é atualmente, para oito vezes,
visando a mitigar as despesas com as quais o militar deve arcar, por ocasião
da sua transferência para a inatividade, com a realocação de seus bens e de
sua família para onde, finalmente, fixará residência.

Neste caso da ajuda de custo, não identificamos pontos que possam


gerar polêmica.

10.4. Da gratificação de representação

Nos termos do art. 9º do Projeto de Lei nº 1.645/2019, a


gratificação de representação é parcela remuneratória devida:
I – de forma permanente, aos oficiais-generais;
II – em caráter eventual, conforme regulamentação:
a) aos oficiais em cargo de comando, direção e chefia de organização militar;
b) pela participação em viagem de representação ou de instrução;
c) em emprego operacional; ou
d) por estar às ordens de autoridade estrangeira no País.

VALOR PERCENTUAL QUE


SITUAÇÕES
INCIDE SOBRE O SOLDO
Oficial general 10
Oficial superior, intermediário ou subalterno em 10
cargo de comando, direção ou chefia
Participante em viagem de representação,
atividade de instrução, operação de emprego 2
operacional ou que esteja às ordens de
autoridade estrangeira no País
Fonte: Anexo IV do Projeto de Lei nº 1.645/2019.

 Aspectos polêmicos

O Projeto de Lei nº 1.645/2019 não modifica as disposições nem os


percentuais que, atualmente, dizem respeito à gratificação de representação,
mas uma primeira polêmica surge do fato de o § 2º do seu art. 9º ter
acrescentado uma disposição estabelecendo que a “gratificação de

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128

representação comporá os proventos na inatividade do oficial-general que


tenha sido transferido para a reserva remunerada ou reformado durante o
serviço ativo”, algo que entendemos como bastante discutível, embora ela não
seja incorporada à pensão militar, nos termos do § 3º do mesmo art. 9º.

Entendemos que a gratificação de representação é justa, mas


apenas enquanto o militar estiver no exercício de cargos de comando, chefia
ou direção de organizações militares, além de outros cargos em que os
militares, por dever funcional, têm de se fazer representar e falar em nome de
suas respectivas Forças.

Daí, deriva uma segunda polêmica, porque, em nosso entendimento,


não é razoável a gratificação de representação correspondente ao posto de
oficial-general, mas, sim, correspondente aos cargos exercidos por oficiais-
generais; até porque, em caráter eventual, poderá haver oficial superior no
exercício temporário de cargo privativo de oficial-general, cabendo-lhe, então, a
percepção dessa gratificação.

Em conseqüência das duas polêmicas anteriores, exsurge uma


terceira polêmica, pois, em nosso entendimento, não cabe que a gratificação
venha a ser percebida por oficiais-generais depois que tenham passado para a
inatividade, uma vez que não estarão mais no exercício de cargo militar.

Uma quarta polêmica advém da gratificação de representação fixa


em 2% para o “participante em viagem de representação, atividade de
instrução, operação de emprego operacional ou que esteja às ordens de
autoridade estrangeira no País”, pois entendemos que o tempo de duração
dessas atividades e o tipo de missão poderão exigir gastos bem mais elevados
do que os considerados por esse percentual.

Uma quinta polêmica relativa à gratificação de representação pode


ser identificada na atuação de grupos de pressão junto ao Congresso Nacional,
pretendendo que a mesma seja comum a todos os militares, considerando que
cada militar, em si mesmo, é um representante das Forças Armadas.

Embora se deva concordar que cada militar, em si mesmo, é um


representante das Forças Armadas, a representação institucional no campo
político e social, dentre outros, se faz pelos comandantes, diretores e chefes

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129

das organizações militares, onde se incluem, também, os oficiais-generais. São


eles que falam em nome de suas respectivas organizações ou Forças.

Assim, a gratificação de representação corresponde ao exercício de


um cargo de nível mais elevado, específico para aqueles que detêm maior
responsabilidade dentro da hierarquia castrense, não sendo razoável o
argumento dos grupos de pressão pretendendo estendê-la para todos os
militares.

10.5. Da Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada – VPNI


No art. 20 do Projeto de Lei nº 1.645/2019, há a previsão de, na
“hipótese de redução de remuneração ou proventos do militar decorrente da
aplicação” dessa lei, “a diferença será paga a título de Vantagem Pessoal
Nominalmente Identificada – VPNI, a ser absorvida por ocasião da
reorganização ou da reestruturação de sua tabela remuneratória, concessão de
reajustes, adicionais, gratificações ou vantagens de qualquer natureza”.

 Aspectos polêmicos

Uma primeira polêmica brota desse art. 20, ao qual não tem sido
dado o devido destaque nem tem sido tratado como uma das compensações,
embora seja, de fato, uma espécie de compensação.

Sua inclusão no projeto de lei é uma indicação segura de que as


alterações que estão sendo propostas não beneficiarão todos os militares, pois
a previsão de uma VPNI para compensar decréscimos remuneratórios revela
que alguns postos e graduações terão ou poderão ter perdas.

Nesse sentido, foram identificados grupos de pressão junto ao


Congresso Nacional declarando que os sargentos do Quadro Especial e os
cabos e soldados terão perdas e, se houver ganhos, serão extremamente
irrisórios.

Uma segunda polêmica pode ser encontrada diretamente na


redação desse art. 20, que se refere à aplicação da compensação
remuneratória, pela aplicação da VPNI, apenas à remuneração e aos
proventos, deixando fora da compensação as pensões militares em que houver
perda.

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130

Excerto do “Relatório da Comissão para Modernização das


Aposentadorias dos Militares” (EUA)
Nossos militares são a força de nossas Forças Armadas e é
nosso contínuo dever e obrigação garantir que as Forças
Armadas recebam os recursos adequados. A segurança
nacional é uma prioridade constitucional e os desafios
fiscais que nossa Nação enfrenta não podem ser resolvidos
se focando somente nas Forças Armadas. Os recursos
necessários incluem as compensações e benefícios para os
militares das Forças Armadas e suas famílias, que também
merecem estabilidade no longo prazo. Nossa visão é de
que a era atual de contínuas reduções e incertezas no
orçamento das Forças Armadas afeta adversamente a
prontidão e está aumentando os riscos da capacidade de
nossa Nação enfrentar os requisitos crescentes de
segurança nacional.
LEAL, C. I. S. et al. As Forças Armadas e a PEC da Previdência (2).
Brasília: Fundação Getúlio Vargas, 26 fev. 2019. p. 9.

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131

11. IMPACTOS DO PROJETO DE LEI DE REESTRUTURAÇÃO DA


CARREIRA MILITAR E DAS FORÇAS ARMADAS

O Ministério da Defesa estima que o projeto de reestruturação das


Forças Armadas trará, no prazo de 10 (dez) anos, os seguintes impactos:
 Ganho fiscal no Sistema de Proteção Social dos Militares das Forças
Armadas: R$97,30 bilhões;
 Aumento de despesa gerado pela reestruturação das carreiras: R$ 86,85
bilhões;
 Saldo positivo de R$10,45 bilhões.
Ganhos no Sistema de Proteção Social dos Militares das FA + R$97,30 bilhões
Reestruturação – R$86,85 bilhões
Economia (Superávit) R$10,45 bilhões
BRASIL, Ministério da Defesa, Ministério da Economia. PL de Reestruturação das Forças Armadas.
Palestra. Fonte: http://sa.previdencia.gov.br/site/2019/03/2019-03-20_novprev_rev_16h52.pdf; acesso em:
09 abr. 2019. [montagem com dados da palestra]

Se em 10 (dez) anos o superávit estimado é de R$10,6 bilhões, em


20 (vinte) anos a estimativa alcança a casa dos R$33,9 bilhões, conforme o
gráfico e a tabela a seguir, que representam, ano a ano, entre 2020 e 2039, a
economia a ser obtida no Sistema de Proteção Social dos Militares das Forças
Armadas com a reestruturação das mesmas.

BRASIL, Ministério da Defesa. Projeto de Lei de Reestruturação das Forças Armadas. Palestra proferida pelo
General de Divisão Eduardo Castanheira Garrido Alves, responsável pela proposta de reestruturação das carreiras
das Forças Armadas e assessor especial do Ministério da Defesa sobre aspectos relativos ao Projeto de Lei de
Proteção Social dos Militares. Quartel General do Exército, 26 de março de 2019. [adaptações na forma]

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132

Transportando para uma tabela o gráfico anterior, ter-se-á a


projeção do superávit do Sistema de Proteção Social dos Militares das
Forças Armadas, a cada ano, a partir de 2020, até o ano de 2039.

Participação do Participação das


Ano Tesouro Nacional Forças Armadas Superávit

2020 4,6 5,4 0.8


2021 6,4 7,2 0,8
2022 8,3 9,0 0,7
2023 9,4 9,8 0,4
2024 9,7 10,3 0,6
2025 9,7 10,7 1,0
2026 9,7 10,8 1,1
2027 9,7 11,1 1,4
2028 9,7 11,4 1,7
2029 9,7 11,8 2,1
2030 9,7 11,8 2,1
2031 9,7 11,8 2,1
2032 9,7 11,9 2,2
2033 9,7 11,9 2,2
2034 9,7 12,0 2,3
2035 9,7 12,1 2,4
2036 9,7 12,1 2,4
2038 9,7 12,2 2,5
2038 9,7 12,2 2,5
2039 9,7 12,3 2.6
2020 a 183,9 217,8 33,9
2039

Em outros termos, o Sistema é autossustentável.

Além disso, em relação aos militares temporários, que migrarão para


o RGPS, o Ministério da Defesa transferirá para esse sistema, quando do seu
licenciamento das Forças Armadas, a contribuição que, individualmente, tinha
sido recolhida para a pensão militar; tudo conforme o art. 27-A, a ser acrescido
à Lei nº 4.375, de 17 de agosto de 1964 – Lei do Serviço Militar, nos termos do
Projeto de Lei nº 1.645/2019.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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133

Estima-se que essa transferência do orçamento do Ministério da


Defesa para o RGPS alcançará o montante de R$10,30 bilhões, a título de
compensação, abatendo o déficit deste regime.

Redesenhado com outras cores por questão de legibilidade, o


seguinte recorte, extraído de um prospecto circulando nas redes sociais, indica,
em gráficos, a economia que se vislumbra a partir da reforma da previdência e
da reestruturação das Forças Armadas.

A falta de indicação da fonte dos dados contidos nesse recorte pode


ser suprida pelo seguinte recorte de notícia publicada em periódico de
expressão nacional, confirmando os dados nele utilizados.

Folha de S. Paulo, 1º abr. 2019.

No prospecto é informado que “a economia com a Reforma é maior


entre os trabalhadores da iniciativa privada porque o número de trabalhadores

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134

é bem maior, mas a economia gerada por pessoa no funcionalismo público e


nas Forças Armadas é bem maior!”.

Pelo gráfico da direita, é francamente perceptível que, em dez anos,


per capita, a contribuição dos militares das Forças Armadas será muito maior.
Esse valor foi obtido tomando-se a economia total proporcionada pela
reestruturação das Forças Armadas e dividindo-a pelo efetivo de militares.

No seguinte gráfico, o mesmo periódico apresenta as mesmas


informações em outros formatos.

Folha de S. Paulo, 1º abr. 2019.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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135

O Exército pode passar cem anos sem ser usado, mas não
pode passar um minuto sem estar preparado.
Costumava dizer Napoleão que a vitória não está nas
pernas do soldado; está-lhe na alma. As pernas, diante do
perigo, tendem a correr. O que as contêm é o brio, o
dever, a alma do homem. Se as melhores tropas são
suscetíveis de pânico, provado está, contudo, que o
pânico é tanto mais raro quanto mais elevado for o moral
do Exército.
Ruy Barbosa de Oliveira. Jurista, advogado, político, diplomata,
escritor, filólogo, jornalista, tradutor e orador. Salvador, 5 de novembro
de 1849 – Petrópolis, 1 de março de 1923.

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136

12. DAS SUGESTÕES DE EMENDAS

O Projeto de Lei nº 1.645/2019 poderá dar lugar a algumas


emendas, aperfeiçoando-o, mas sempre com margem a discussões,
particularmente com representantes do Ministério da Defesa, que poderão
trazer à baila visões distintas das aqui apresentadas.

As sugestões de emendas, didaticamente, estão divididas em três


grupos:
 sugestões de emendas que não estão prontas, mas que poderão vir a ser
elaboradas a partir dos “Aspectos polêmicos” apresentados por este
estudo nos subtópicos 09.2.1 a 09.2.4, 10.1, 10.2, 10.4 e 10.5; 30
 sugestões de emendas que estão prontas e constam do Anexo 24 deste
estudo; e
 sugestões de emendas que não estão prontas, mas que poderão vir a ser
elaboradas a partir de casos apresentados neste tópico.

Evidentemente, outras emendas poderão surgir a partir da


percepção dos Parlamentares, evidenciando que a abordagem feita neste
estudo não esgota as possibilidades nesse sentido.

Os casos apresentados neste tópico não foram considerados


anteriormente por este estudo porque não estão contemplados no Projeto de
Lei nº 1.645/2019. Todavia, são casos que estão intimamente relacionados aos
diplomas legais afetados pelas alterações que estão sendo propostas por esse
projeto de lei, não sendo razoável desperdiçar a oportunidade para deles tratar,
dando margem, se for o caso, à elaboração de emendas.

Caso 01
Para evitar que, indefinidamente, a qualquer tempo, venham a ser
pleiteadas pensões militares e pensões especiais, seria oportuna uma emenda
estabelecendo prazo de prescrição para requerer esses direitos.

30 Há uma exceção, no tópico 09.2.1, para o caso que está identificado como “quarta polêmica”,
para o qual, no conjunto das sugestões de emendas contidas nos “Anexos sem
numeração”, há uma específica visando a corrigir a distorção lá identificada.

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137

Quanto mais se dilui no tempo a possibilidade requerer uma pensão,


maiores serão as possibilidades para a geração de fraudes e piores serão as
condições de o Estado reunir elementos para a elas se contrapor.

Caso 02
O art. 3º do Projeto de Lei nº 1.645/2019 propõe alterações no art. 7º
da Lei de Pensões Militares (Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960 – LPM),
modernizando-a em face de como se dão, atualmente, as relações.
Assim, ao considerar a repartição da pensão militar, passou a
enxergar, além de outros beneficiários não listados aqui, as seguintes pessoas
que poderiam ter mantido, em algum tempo, alguma espécie de relação afetiva
com o instituidor:
 cônjuge;
 companheiro designado;
 companheiro que comprove união estável como entidade familiar;
 pessoa separada de fato, judicialmente ou divorciada do instituidor, desde
que perceba pensão alimentícia na forma judicialmente arbitrada; e
 ex-convivente, desde que perceba pensão alimentícia na forma judicialmente
arbitrada.

O art. 9º da LPM faz remissão à ordem de preferência estabelecida


no art. 7º, referido imediatamente antes, mas considera somente a existência
da “viúva” para perceber a pensão militar, não alcançando as outras relações
que passaram a ser previstas pelo art. 7º.

Salvo melhor entendimento, há a impressão que faltou harmonizar a


redação do art. 9º com a que passou a ser adotada para o art. 7º da LPM.

Caso 03
Embora seja perceptível que determinadas alterações propostas
pelo Projeto de Lei nº 1.645/2019 na Lei de Pensões Militares irão modernizá-la
em face dos tempos atuais, enxergamos que situações injustas ainda poderão
decorrer do art. 24 da Lei de Pensões Militares, em relação ao qual não há
previsão de modificações por esse projeto de lei.

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138

A seguir, são criadas algumas situações – não sendo possível


explorar todas as situações possíveis – para demonstrar algumas injustiças
que poderão ocorrer ao amparo da lei, indicando a necessidade de ser
pensada alguma emenda visando a corrigir distorções que, eventualmente, se
apresentem.

Nos exemplos, são utilizadas as expressões “1º CÔNJUGE” e “2º


CÔNJUGE”, considerando, indistintamente, o status de esposa ou de
companheira em união estável, com o militar tendo filhos com ambas e
percebendo uma remuneração de 100 unidades.

No primeiro esquema, o militar ainda está vivo, pagando uma


pensão alimentícia determinada judicialmente.

REMUNERAÇÃO
100

1º núcleo familiar 2º núcleo familiar

30 1º CÔNJUGE Militar Militar 2º CÔNJUGE


70
Pensão
alimentícia
FILHO FILHO FILHO FILHO FILHO

No esquema a seguir, o militar faleceu e a repartição da pensão


militar, nos termos da proposta para o art. 7º, §§ 3º e 4º, da LPM, se dará da
seguinte maneira: deduzido o montante da pensão alimentícia (30), metade do
valor remanescente (70 ÷ 2 = 35) caberá à cônjuge atual e a outra metade será
dividida, em partes iguais, entre os filhos (35 ÷ 5 = 7).
É uma situação que ainda parece justa.

PENSÃO MILITAR
100

1º núcleo familiar 2º núcleo familiar


58 42
30 1º CÔNJUGE Militar 2º CÔNJUGE 35

+ ††
†† +
FILHO FILHO FILHO FILHO † FILHO
7 7 7 7 7

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139

As injustiças poderão ser consideradas em face do falecimento de


um ou de outro cônjuge em razão da atual redação do art. 24 da LPM,
sabendo-se que transferência, de que trata esse dispositivo, opera no sentido
horizontal, enquanto a reversão ocorre no sentido vertical:
Art. 24. A morte do beneficiário que estiver no gozo da pensão, bem
como a cessação do seu direito à mesma, em qualquer dos casos
do artigo anterior importará na transferência do direito aos
demais beneficiários da mesma ordem, sem que isto implique
em reversão; não os havendo, pensão reverterá para os
beneficiários da ordem seguinte.

Aplicando-se esse art. 24 ao caso do falecimento do 1º CÔNJUGE,


obter-se-á a seguinte representação gráfica:

PENSÃO MILITAR
100
1º núcleo familiar 2º núcleo familiar
28 72
30 1º CÔNJUGE † 2º CÔNJUGE 35
††
†† +
FILHO FILHO FILHO † FILHO FILHO
7 7 7 7 7

Agora, aplicando-se o mesmo art. 24 ao caso do falecimento do 2º


CÔNJUGE, obter-se-á a seguinte representação gráfica:

PENSÃO MILITAR
100

1º núcleo familiar 2º núcleo familiar


93 7
30 1º CÔNJUGE † 2º CÔNJUGE 35

+ ††
††
FILHO FILHO FILHO FILHO † FILHO
7 7 7 7 7
*

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140

Na primeira aplicação do art. 24, o 1º núcleo familiar, com muito


mais filhos, ficará sensivelmente prejudicado

Na segunda aplicação do mesmo art. 24, o 2º núcleo familiar, com


apenas um filho, também ficará sensivelmente prejudicado.

Esses dois exemplos, em nosso ponto de vista, estão a indicar a


necessidade de ser apresentada emenda aperfeiçoando a atual redação do art.
24 da LPM, embora não tenhamos, por ora, uma sugestão pronta para tal.

Caso 04:
Não seria demais uma emenda dispondo sobre ampla revisão das
pensões militares e das pensões especiais, haja vista a possibilidade de
algumas terem sido concedidas indevidamente, como deixou patente excerto
da sentença, em 2007, no Processo nº 2006.83.00.005547-7, na 1ª Vara
Federal da Seção Judiciária de Pernambuco (grifo nosso):
Não obstante, constato que a parte ré está pagando pensão especial
de ex-combatente, concedida nos termos da Lei 8.059/1990,
conforme título de pensão à fl. 27. De qualquer forma, quanto a esta
pensão concedida irregularmente pela Administração Militar, as
partes autoras também não fazem jus a sua cota parte, já que, nos
termos da Lei 8.059/90, somente tem direito à cota parte na pensão
especial de ex-combatente a filha menor ou inválida, o que não é o
caso das autoras, uma delas casada, as duas com profissão definida
(professora), não sendo nenhuma delas inválida.

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141

Of Common Devotion
Our God and Souldiers we like adore,
Ev’n at the Brink of danger; not before:
After deliverance, both alike required;
Our God’s forgotten, and our Soldiers slighted.

De igual devoção
A nosso Deus e aos Soldados nós adoramos por igual,
Na iminência do perigo; não antes:
Passado o perigo, são retribuídos por igual,
Nosso Deus é esquecido e os nossos Soldados
ignorados.
Francis Quarles, poeta inglês (1592-1644), em Divine Fancies,
Digested into Epigrammes, Meditations, and Observations, v. II (1632),
publicado em The Complete Works in Prose and Verse of Francis
Quarles, ed. Alexander B. Grosart, vol. 2, p. 205 (1880).
Fonte: https://aofa.pt/wp-content/uploads/2017/06/24_0006.pdf; acesso
em: 12 mai. 2015.

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142

13. CONCLUSÃO

De toda a abordagem feita neste estudo, conclui-se que não cabe


aproximar as normas regentes dos direitos e deveres dos militares daquelas
que regem os servidores públicos (civis) e, tampouco, das que regem os
trabalhadores da iniciativa privada.

Quanto mais elas se aproximam, mais descaracterizam o soldado,


mais quebrantam o seu espírito de servir ao Estado, mais fragilizam as Forças
Armadas.

O espírito do guerreiro é determinante para o sucesso nas batalhas.


Quantas guerras já não foram vencidas por “davids” pobremente armados e
equipados contra poderosos “golias” dotados de modernos e poderosos
arsenais?

Para a sobrevivência de um Estado, é vital que se preserve o elã


dos seus combatentes.

Eis a razão pela qual as potências econômicas e militares tratam


seus soldados considerando as suas especificidades.

Em consequência, as alterações que estão sendo propostas pelo


Projeto de Lei nº 1.645/2019 devem devidamente analisadas, considerando
que foram elaboradas sopesando os reclamos do País em face dos déficits
previdenciários, mas, também, as especificidades da profissão militar.

O afã de reduzir gastos a curto prazo, visando a minorar os


problemas econômicos por que passa País, deve ser levado ao exato limite
que não comprometa a sobrevivência do Estado, não permitindo que os seus
militares e, portanto, as suas Forças Armadas, venham a ser submetidos a
condições muito mais espartanas do que aquelas atualmente vivenciadas.

Na concepção do Ministério da Defesa, a reestruturação das Forças


Armadas e da carreira militar, preconizada pelo Projeto de Lei nº 1.645/2019:
 é justa;
 é superavitária;
 é autossustentável;
 valoriza a meritocracia;

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 valoriza a experiência;
 reforça a hierarquia e a disciplina;
 valoriza a carreira militar como carreira de Estado;
 contribui para a atração e retenção de talentos, que, atualmente, são
perdidos para outras carreiras de Estado e para a iniciativa privada;
 é adequada às peculiaridades da carreira militar; e
 não é reajuste salarial.

Nesse contexto, o impacto sobre as Forças Armadas poderá ser


desastroso se, aos debates e deliberações em torno do Projeto de Lei nº
1.645/2019, faltar visão prospectiva.

Enfim, esse projeto de lei, na sua essência, merece ser aprovado,


ainda que sujeito a modificações que busquem o seu aperfeiçoamento.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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144

REFERÊNCIAS CONSULTADAS
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http://clubemilitar.com.br/a-previdencia-dos-militares/; acesso em: 18 abr. 2019.

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ou orphãs dos officiaes e inferiores do Exercito que morrerem em defesa da
Independencia do Imperio, e o soldo por inteiro ás dos cabos e soldados.
Collecção das Leis do Imperio do Brazil de 1823 – Parte II. Rio de Janeiro:
Imprensa Nacional, 1887. p. 1-2 (Anexo 03)
Fonte:
http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/18336/colleccao_leis_18
23_parte2.pdf?sequence=2; acesso em: 13 abr. 2019.

______. Decreto de 15 de janeiro de 1823 - Faz extensivo aos corpos da


Armada o favor concedido pelo Decreto de 4 deste mez, ás viuvas ou orphãs
dos officiaes e inferiores dos corpos do Exército. Collecção das Leis do Imperio
do Brazil de 1823 – Parte II. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1887. p. 6-7
(Anexo 04)
Fonte:
http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/18336/colleccao_leis_18
23_parte2.pdf?sequence=2; acesso em: 13 abr. 2019.

______. Lei de 6 de novembro de 1827. Concede ás viuvas e orphãos


menores a metade do soldo que caberia a seus maridos e pais se fossem
reformados. Collecção das Leis do Imperio do Brazil de 1827 – Parte Primeira.
Rio de Janeiro: Typographia Nacional, 1878. p. 85-87. (Anexo 05)
Fonte:
http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/18351/colleccao_leis_18
27_parte1.pdf?sequence=1; acesso em: 13 abr. 2019.

______. Decreto nº 260, de 1 de dezembro de 1841. Mandando organizar


dentro do prazo de hum anno o Quadro dos Officiaes do Exercito, e Armada ,
com designação do numero que deve haver em cada Posto, e marcando os
soldos, e mais vencimentos dos mesmos Officiaes. Collecção das Leis do
Imperio do Brazil de 1841 – Tomo IV – Parte I. Rio de Janeiro: Typographia
Nacional, 1842. p. 97. (Anexo 06)
Fonte:
http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/18320/colleccao_leis_18
41_%20parte1.pdf?sequence=1; acesso em: 13 abr. 2019.

______. Decreto nº 521, de 1º de julho de 1841. Explica a disposição do Art.


1.º da Lei de 6 de Novembro de 1827 sobre serem, ou não comprehendidas no
beneficio do meio soldo as filhas dos Officiaes do Exercito, que, sendo solteiras
ao tempo do fallecimento de seus pais, passão depois ao estado de casadas.
Collecção das Leis do Imperio do Brazil de 1847 – Tomo X – Parte II. Rio de
Janeiro: Typographia Nacional, 1848. p. 81. (Anexo 07)
Fonte:
http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/18346/colleccao_leis_18
47_parte2.pdf?sequence=8; acesso em: 13 abr. 2019.

Fernando Carlos Wanderley Rocha


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145

______. Decreto nº 3.607, de 10 de fevereiro de 1866. Regula o processo


das habilitações para as pensões do meio soldo e montepio. Collecção das
Leis do Imperio do Brazil de 1866 – Tomo XXIX – Parte II. Rio de Janeiro:
Typographia Nacional, 1866. p. 64-74. (Anexo 08)
Fonte:
http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/18483/colleccao_leis_18
66_parte2.pdf?sequence=2; acesso em: 13 abr. 2019.

______. Decreto n. 193-A, de 30 de janeiro de 1890. Estabelece regras pelas


quaes devem os Officiaes do Exercito devem ser reformados voluntaria ou
compulsoriamente. Collecção das Leis da Republica dos Estados Unidos do
Brazil de 1890 – Primeiro Fascículo – De 1 a 31 de janeiro de 1890. Rio de
Janeiro: Imprensa Nacional, 1890. p. 210 (Anexo 09)
Fonte:
http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/19080/colleccao_leis_18
90_parte2.pdf.pdf?sequence=11; acesso em: 13 abr. 2019.

______. Decreto n. 475, de 11 de junho de 1890 – Concede ás viuvas e


orphãos dos officiaes do Corpo da Armada e das classes annexas o meio soldo
dos seus maridos e Paes. Decretos do Governo Provisorio da Republica dos
Estados Unidos do Brazil de 1891 – Sexto Fascículo – 1 a 30 de junho de
1890. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1896. p. 1292-1294. (Anexo 10)
Fonte:
http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/19080/colleccao_leis_18
90_parte2.pdf.pdf?sequence=11; acesso em: 13 abr. 2019.

______. Decreto n. 695, de 28 de agosto de 1890 – Crêa o montepio para as


familias dos officiaes do Exercito, similar ao da Marinha, e regula o modo de
sua fundação e applicação. Decretos do Governo Provisorio da Republica dos
Estados Unidos do Brazil de 1891 – Oitavo Fascículo – 1 a 31 de agosto de
1890. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1890. p. 2023-2028. (Anexo 11)
Fonte:
http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/19080/colleccao_leis_18
90_parte2.pdf.pdf?sequence=11; acesso em: 13 abr. 2019.

______. Decreto n. 1232-E, de 31 de dezembro de 1890. Autoriza a


concessão de meio soldo ás famílias dos officiaes reformados do Exercito e dá
outras providências. Collecção das Leis da Republica dos Estados Unidos do
Brazil de 1890 – Decimo Segundo Fascículo – De 1 a 31 de dezembro de
1890. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1890. p. 4252-4252 (Anexo 12)
Fonte:
http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/19080/colleccao_leis_18
90_parte2.pdf.pdf?sequence=11; acesso em: 13 abr. 2019.

______. Decreto n. 471, de 1 de agosto de 1891 - Estabelece regras para a


habilitação ao montepio instituido pelos offciaes do Exercito e da Armada e
classes annexas, e meio soldo, simplificando processos adoptados pelos
decretos ns. 3607, de 10 de fevereiro de 1866, e 475, de 11 de junho de 1890.
Collecção das Leis da Republica dos Estados Unidos do Brazil de 1891 –
Partes II – de 1 de julho a 31 de dezembro – Volume II. Rio de Janeiro:
Imprensa Nacional, 1892. p. 155-1557. (Anexo 13)

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146

Fonte:
http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/19119/colleccao_leis_18
91_parte2.pdf?sequence=27; acesso em: 13 abr. 2019.

______. Decreto n. 37, de 26 de janeiro de 1892 - Declara que a pensão


concedida á viuva do general Dr. Benjamin Constant Botelho de Magalhães e a
seus filhos não prejudica o direito que lhes assiste ao meio-soldo da patente e
aos montepios que tenham sido por elle instituídos. Collecção das Leis da
Republica dos Estados Unidos do Brazil de 1892 – Partes I e II – Volume I. Rio
de Janeiro: Imprensa Nacional, 1893. p. 38 (Anexo 14)
Fonte:
http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/18719/colleccao_leis_18
92_parte1.pdf?sequence=5; acesso em: 13 abr. 2019.

______. Decreto n. 1054, de 20 de setembro de 1892 - Estabelece algumas


regras sobre a habilitação e contribuição para o meio soldo e montepio dos
officiaes do Exercito. Collecção das Leis da Republica dos Estados Unidos do
Brazil de 1892 – Partes I e II – Volume II. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional,
1893. p. 531. (Anexo 15)
Fonte:
http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/18719/colleccao_leis_18
92_parte2.pdf?sequence=2; acesso em: 13 abr. 2019.

______. Lei n. 288, de 6 de agosto de 1895 – Determina que o montepio dos


officiaes da Armada e classes annexas, a que se refere a resolução de 23 de
setembro de 1795, seja regulado pelo mesmo decreto que trata do montepio
dos officiaes do Exercito. Collecção das Leis da Republica dos Estados Unidos
do Brazil de 1895 – Partes I e II. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1895. p.
13. (Anexo 16)
Fonte: file:///C:/Users/P_6712/Downloads/colleccao_leis_1895_parte1.pdf;
acesso em: 13 abr. 2019.

______. Decreto nº 108-A, de 30 de dezembro de 1889. Altera o quadro dos


officiaes da Armada, estabelecendo regras pelas quaes devem os mesmos ser
reformados voluntaria ou compulsoriamente. Decretos do Governo Provisório
da República dos Estados Unidos do Brazil – Primeiro Fascículo – 15 de
novembro a 31 de dezembro de 1889. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional,
1890. p. 342 (Anexo 17)
Fonte:
http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/18665/colleccao_leis_18
89_parte4.pdf?sequence=4; acesso em: 13 abr. 2019.

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http://imagem.camara.gov.br/Imagem/d/pdf/DCD08AGO1958.pdf#page=17;
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SARAM (Subdiretoria de Aplicação dos Recursos para Assistência Médico-
hospitalar). Fonte: http://www2.fab.mil.br/hfag/images/PDF/Guia-do-Usuario-
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Fernando Carlos Wanderley Rocha


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PLDO 2019 – Ano Base 2017. Centro de Análises de Sistemas
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Fonte:
http://www.planejamento.gov.br/assuntos/orcamento-1/orcamentos-
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%20Estado%20Atuarial%20da%20Pens%C3%A3o%20dos%20Militares.doc;
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Estado da Defesa, em 10 de abril de 2019, na Comissão de Relações
Exteriores e Defesa Nacional.
Fonte das projeções da apresentação do Ministro da Defesa:
https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-
permanentes/credn/audiencias-publicas/2019-arquivos/10-04-debater-as-
prioridades-para-o-ano-em-curso-e-as-perspectivas-de-atuacao-futura-do-
ministerio-da-defesa.
Fonte do vídeo da audiência com o Ministro da Defesa:
https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-
permanentes/credn/videoArquivo?codSessao=76683&codReuniao=54968
Fonte do áudio da audiência com o Ministro da Defesa:
https://imagem.camara.leg.br/internet/audio/Resultado.asp?txtCodigo=76683

______, Ministério da Defesa. Sistema de Proteção Social dos Militares.


Palestra. Fonte: https://www.slideshare.net/MujahdinCucaracha/sistema-de-
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______, Ministério da Defesa. Projeto de Lei de Reestruturação das Forças


Armadas. Palestra proferida pelo General de Divisão Eduardo Castanheira
Garrido Alves, responsável pela proposta de reestruturação das carreiras das
Forças Armadas e assessor especial do Ministério da Defesa, sobre aspectos
relativos ao Projeto de Lei de Proteção Social dos Militares. Quartel General do
Exército, 26 de março de 2019.

______, Ministério da Defesa. Projeto de Lei 1.645/2019 – Reestruturação do


Sistema de Proteção Social dos Militares das Forças Armadas. Palestra
proferida pelo General de Divisão Eduardo Castanheira Garrido Alves,
responsável pela proposta de reestruturação das carreiras das Forças Armadas
e assessor especial do Ministério da Defesa, sobre aspectos relativos ao

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148

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http://legis.senado.leg.br/comissoes/reuniao?reuniao=8574&codcol=2253.

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das Forças Armadas. Palestra. Fonte:
http://sa.previdencia.gov.br/site/2019/03/2019-03-20_novprev_rev_16h52.pdf;
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Fernando Carlos Wanderley Rocha


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Anexos 01 a 17
Legislação histórica
$QH[R
$QH[R

PLANO DE 23 DE SETEMBRO DE 17951

Art. 1° Todos os Oficiais deixarão cada mês um dia de seus respectivos soldos
(sem quebrados, pois não são úteis em pagamentos pecuniários); estes ficarão
desde logo confundidos com a Real Fazenda.

Art. 2° Por morte de qualquer dos contribuintes, ficando viúva, apresentando esta
na Contadoria dos armazéns certidão de óbito de seu marido, se lhe continuará a
pagar desde o dia do falecimento de seu marido, a metade do soldo que ele
vencia no dito tempo, e este, se lhe conservará enquanto a dita viúva existir, no
estado de viuvez, ou tornando-se a casar com algum Oficial militar, pois passando
a segundas núpcias com quem o não ainda que seja nobre, perderá a dita
consignação.

Art. 3º Se a viúva que passar a segundas núpcias (como fica dito) enviuvar
segunda vez, se lhe ficará contribuindo com a metade do soldo do segundo
marido, suspendendo-se-lhe o que recebia do primeiro.

Art. 4º Se por morte de qualquer dos contribuintes não ficar viúva, mas sim filhas
donzelas ou viúvas, por todas elas se repartirá igualmente o meio-soldo de seu
pai, habilitando-se, perante o auditor geral da Marinha, da .sua filiação, estado de
donzela ou viuvez, e esta porção se lhe continuará enquanto as ditas viverem,
ainda que mudem de estado, com qualquer pessoa que seja, com sobrevivência
de umas para as outras.

Art. 5° Todas as viúvas, que perceberem a metade do soldo de seus defuntos


maridos, continuarão a contribuir com a porção de. um dia de soldo,
correspondente ao meio-soldo, que recebem destes, e portanto, por morte de
qualquer viúva, ficando filhas donzelas ou viúvas, por estas se repartirá o mesmo
meio-soldo de seu pai, que a mãe recebia, por todo o tempo que estas viverem
em qualquer estado, que vierem a tomar, à exceção de freiras.

Art. 6° Se alguma. filha de Oficial militar, que perceber pelo respeito de seu pai
algumas das contribuições acima destinadas para elas, tendo casado com outro
Oficial militar, vier a enviuvar deste, e por consequência a vencer também meio-
soldo de seu marido, se este exceder de vinte mil réis, só receberá a maior
quantia, suspendendo-se a menor.

1
Alvará de 23 de setembro de 1795 – Plano de Montepio dos Oficiais da Armada Real
Portuguesa. Transcrição do livro Teoria e Prática do Montepio e Pensões Militares. (Álvaro
Moreira da Silva. Rio de Janeiro: Conquista, 1954. p. 143-144.)
Art. 7º Se por morte de qualquer Oficial não ficar viúva nem filhas donzelas ou
viúvas, se devolverá o meio-soldo em favor de sua mãe, se esta for viúva, e não
perceber já por alguns dos motivos aqui declarados.

Art. 8° Se por morte dos contribuintes não ficarem viúvas, filhas no estado de
donzelas ou viúvas, mãe no estado de viuvez, e tiver irmãs donzelas, virão estas
receber aquela porção, que deviam perceber a viúva, filhas ou mãe do dito Oficial,
isto é, meio-soldo de seu irmão, repartido por todas igualmente.

Art. 9° Se alguma das viúvas dos contribuintes quiser passar a segundas núpcias
com Oficial militar, como lhes é permitido, neste caso conservará e socorro, que
lhe pertencia por seu primeiro marido, se porventura não tiver :filhas donzelas ou
viúvas do primeiro matrimônio, pois havendo-as, a viúva que assim passar a
segundas núpcias, só ficará com metade do que recebia no estado de viúva, e no
dia em que casar segunda vez em diante, se repartirá igualmente a outra metade
por todas as filhas do primeiro marido, que se acharem no estado de donzelas ou
viuvez, com declaração feita no art. 4º.

Art. 10. Se a viúva, que passar a segundas núpcias, sobreviver ao segundo


marido, ficando com o meio-soldo que pertencia a este, por morte da mesma
viúva, será repartido este meio-soldo por Todas as filhas, que se: acharem no
estado de donzelas ou viúvas, sejam do primeiro ou segundo matrimônio,
excetuando as filhas viúvas, se o forem de Oficiais militares, e por eles recebam
já outra pensão, porque neste caso se repartirá o que; recebia a mãe só pelas
filhas donzelas.

Art. 11. Se as viúvas ou órfãs entrarem em clausura, unicamente como seculares


e recolhidas, ficarão sempre gozando das pensões que lhes pertenceriam, se
estivessem no século, as quais perderão logo que professarem.

Art. 12. Se algum Oficial dos contribuintes for reformado em qualquer patente, e
com qualquer soldo, sempre continuará a contribuir com um dia de soldo da
patente em que for reformado, como se fosse efetivo, e recebesse os soldos por
inteiro na última patente; portanto, a viúva, filhas, mãe ou irmãs, que estiverem
nas circunstâncias de receber alguma pensão, a receberão como se o dito Oficial
tivesse morrido no atual exercício da patente em que for reformado.
Art. 13. Se algum Oficial contribuinte for servir em qualquer destes reinos e seus
domínios, levará na sua guia de passagem a cláusula para se lhe continuar o
desconto mensal, que lhe corresponder, e, por consequência, por sua morte
recairá a pensão sobre aquela pessoa a quem pertencer.

Art. 14. Se algum Oficial contribuinte for excuso ou degradado, como, neste caso
se deve reputar morto, a sua viúva, filhas, mãe e irmãs principiarão a receber
desde o dia em que for excuso, o que lhe pertencer, como se tivesse efetivamente
falecido, menos se tiver cometido crimes de tesa majestade, divina ou humana,
ou contra a honra.

Art. 15. Se Vossa Majestade, ou alguns dos seus sucessores, ~darem suspender
por alguns motivos estes socorros pedidos, também os Oficiais cessarão de
continuar a contribuir com o que oferecem.

Art. 16. Todo o Oficial, na primeira praça que tiver de Oficial, será admitido à dita
contribuição, sem ser preciso nova ordem.

Art. 17.As ditas pensões só principiarão a ser pagas às viúvas a órfãos que
ficarem neste estado, no primeiro ano, quando se finalizar um da contribuição
oferecida.

Art. 18. Aqueles Oficiais que quiserem logo gozar da graça pedida. desde o
primeiro dia, que Vossa Majestade houver de a conferir, deixando ales, doze dias
de soldo de suas patentes, no caso de falecerem, imediatamente a viúva destes,
ou filhas, mãe ou irmãs haverão de perceber os meios soldos por mês, como se
tivessem dado separadamente por doze meses no ano, e aqueles que não
tiverem deixado os doze dias na conformidade deste artigo, e sim contribuído
mensalmente com a sua respectiva porção, e falecerem antes de se acabar o
primeiro ano desta graça, perceberão os seus herdeiros os dias com. que
contribuíram, visto não se utilizar da dita graça.

Art. 19. Esta graça principiará a ter o seu efeito logo no mês seguinte àquele em
que Vossa Majestade a conceder.

Art. 20. A contribuição do referido soldo se deverá entender do soldo da patente


vencida em terra.
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Anexos 18 a 24
Tabelas comparativas
entre a legislação
vigente e as
modificações propostas
PL 1.645/2019 - Proposta de alteração no Estatuto dos Militares (Lei nº 6.880/1980)
(Atualizado 21 mar 19)

Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto

Art. 3º Os membros das Forças Armadas, em razão de sua destinação Art. 3º Os membros das Forças Armadas, em razão de sua ¹ Acrescentar no inciso II o termo “temporários” de
constitucional, formam uma categoria especial de servidores da Pátria destinação constitucional, formam uma categoria especial de modo a definir claramente essa situação de militar
e são denominados militares. servidores da Pátria e são denominados militares. na ativa.
§ 1º - Os militares encontram-se em uma das seguintes situações: § 1º - Os militares encontram-se em uma das seguintes situações:
a) na ativa: a) na ativa: ² Acrescentar os termos “obrigatório” e “voluntário”
I – os de carreira; I – os de carreira; de modo a explicitar as duas situações de prestação
II – os incorporados às Forças Armadas para prestação de serviço II – os temporários¹, incorporados às Forças Armadas para de serviço militar pelo militar temporário. Assim
militar inicial, durante os prazos previstos na legislação que trata do prestação de serviço militar, obrigatório ou voluntário², ficam caracterizadas as duas possibilidades de
serviço militar, ou durante as prorrogações daqueles prazos; durante os prazos previstos na legislação que trata do serviço ingresso dos temporários nas Forças Armadas.
militar ou durante as prorrogações daqueles prazos;
III – os componentes da reserva das Forças Armadas quando III – os componentes da reserva das Forças Armadas quando ³ Alteração de grafia, onde se lê “executado”, leia-se
convocados, reincluídos, designados ou mobilizados; convocados, reincluídos, designados ou mobilizados; “executando”.
IV – os alunos de órgão de formação de militares da ativa e da IV – os alunos de órgão de formação de militares da ativa e da
4
reserva; e reserva; e Definir claramente quem são os militares de
V – em tempo de guerra, todo cidadão brasileiro mobilizado para o V – em tempo de guerra, todo cidadão brasileiro mobilizado para carreira.
serviço ativo nas Forças Armadas; o serviço ativo nas Forças Armadas;
5
Fazer referência, de forma direta, clara e objetiva,
b) na inatividade: b) na inatividade: ao fato de os militares temporários não terem
I - os da reserva remunerada, quando pertençam à reserva das Forças I - os da reserva remunerada, quando pertençam à reserva das estabilidade e que comporão a reserva das Forças
Armadas e percebam remuneração da União, porém sujeitos, ainda, à Forças Armadas e percebam remuneração da União, porém Armadas após seu desligamento. Tal colocação é
Anexo 18

prestação de serviço na ativa, mediante convocação ou mobilização; sujeitos, ainda, à prestação de serviço na ativa, mediante importante devido ao aumento de militares
e convocação ou mobilização; e temporários no efetivo das Forças, com economia
II - os reformados, quando, tendo passado por uma das situações II - os reformados, quando, tendo passado por uma das situações de custos para o Estado.
anteriores estejam dispensados, definitivamente, da prestação de anteriores estejam dispensados, definitivamente, da prestação de
serviço na ativa, mas continuem a perceber remuneração da União. serviço na ativa, mas continuem a perceber remuneração da
União.
III - os da reserva remunerada, e, excepcionalmente, os reformados, III - os da reserva remunerada, e, excepcionalmente, os
executado tarefa por tempo certo, segundo regulamentação para cada reformados, que estejam executando³ tarefa por tempo certo,
Força Armada. segundo regulamentação para cada Força Armada.
§ 2º Os militares de carreira são os da ativa que, no desempenho § 2º Os militares de carreira são aqueles da ativa que, no
voluntário e permanente do serviço militar, tenham vitaliciedade desempenho voluntário e permanente do serviço militar,
assegurada ou presumida. tenham vitaliciedade, assegurada ou presumida, ou
estabilidade adquirida nos termos do disposto no art. 50,
caput, inciso IV, alínea “a”. 4
§ 3º Os militares temporários não adquirem estabilidade e
passam a compor a reserva não remunerada das Forças
Armadas após serem desligados do serviço ativo. 5

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Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto

Art. 16. Os círculos hierárquicos e a escala hierárquica nas Forças ALTERAÇÃO DO QUADRO ANEXO AO ESTATUTO DOS Inclusões de graduações já existentes.
Armadas, bem como a correspondência entre os postos e as MILITARES, a que se refere o art. 16 com:
graduações da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, são fixados a) a inclusão do Aluno do Instituto Militar de Engenharia, do
nos parágrafos seguintes e no Quadro em anexo. Aluno do Instituto Tecnológico da Aeronáutica e dos Alunos
das Instituições de Graduação de Oficiais da Marinha e do
Exército; e
b) a inclusão do Grumete.
Art. 19. A precedência entre as praças especiais e as demais praças é Art. 19. A precedência entre as praças especiais e as demais Excluir a Escola de Oficiais Especialistas da
assim regulada: praças é assim regulada: Aeronáutica por ter sido extinta e incluir e
I - os Guardas-Marinha e os Aspirantes-a-Oficial são I - os Guardas-Marinha e os Aspirantes-a-Oficial são equiparar, na categoria de praças especiais, os
hierarquicamente superiores às demais praças; hierarquicamente superiores às demais praças; alunos que serão formados ou graduados como
oficiais em outras instituições que não a Escola
II - os Aspirantes, alunos da Escola Naval, e os Cadetes, alunos da II- os Aspirantes da Escola Naval, os Cadetes da Academia
Naval, Academia Militar das Agulhas Negras e
Academia Militar das Agulhas Negras e da Academia da Força Militar das Agulhas Negras e da Academia da Força Aérea, os
Academia da Força Aérea.
Aérea, bem como os alunos da Escola de Oficiais Especialistas da alunos do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, do Instituto
Aeronáutica, são hierarquicamente superiores aos suboficiais e aos Militar de Engenharia e das demais instituições de graduação
subtenentes; de oficiais da Marinha e do Exército são hierarquicamente
superiores aos Suboficiais e aos Subtenentes
III - os alunos de Escola Preparatória de Cadetes e do Colégio Naval III - os alunos de Escola Preparatória de Cadetes e do Colégio
têm precedência sobre os Terceiros-Sargentos, aos quais são Naval têm precedência sobre os Terceiros-Sargentos, aos quais
equiparados; são equiparados;
IV - os alunos dos órgãos de formação de oficiais da reserva, quando IV - os alunos dos órgãos de formação de oficiais da reserva,
fardados, têm precedência sobre os Cabos, aos quais são equiparados; quando fardados, têm precedência sobre os Cabos, aos quais são
e equiparados; e
V - os Cabos têm precedência sobre os alunos das escolas ou dos V - os Cabos têm precedência sobre os alunos das escolas ou dos
centros de formação de sargentos, que a eles são equiparados, centros de formação de sargentos, que a eles são equiparados,
respeitada, no caso de militares, a antiguidade relativa. respeitada, no caso de militares, a antiguidade relativa.
Art. 25. O militar ocupante de cargo provido em caráter efetivo ou Art. 25. O militar ocupante de cargo da estrutura das Forças Incluir parágrafo único a fim de afastar a
interino, de acordo com o parágrafo único do artigo 21, faz jus aos Armadas, provido em caráter efetivo ou interino, observado o possibilidade de o militar pleitear em juízo soldo
direitos correspondentes ao cargo, conforme previsto em dispositivo disposto no parágrafo único do art. 21, faz jus aos direitos superior, em razão de ocupar cargo de posto ou
legal. correspondentes ao cargo, conforme previsto em lei. graduação superior ao seu. O texto incluído
Parágrafo único. A remuneração do militar será calculada esclarece o caput não deixando dúvida sobre a
com base no soldo inerente ao seu posto ou à sua graduação, prática já adotada atualmente sem impacto
independentemente do cargo que ocupar. financeiro.

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Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
1
Art. 50 - São direitos dos militares: Art. 50 - São direitos dos militares: Acrescentar um item específico para colocar o
conceito de proteção social dos militares no Estatuto
I - a garantia da patente em toda a sua plenitude, com as vantagens, I - a garantia da patente em toda a sua plenitude, com as
vantagens, prerrogativas e deveres a ela inerentes, quando oficial, dos Militares.
prerrogativas e deveres a ela inerentes, quando oficial, nos termos da
2
Constituição; nos termos da Constituição; Alterar o requisito de tempo de serviço para a
1 transferência para a reserva remunerada para 35
I-A - a proteção social, nos termos do disposto no art. 50-A;
anos, considerando a demanda decorrente da
II - o provento calculado com base no soldo integral do posto ou II - o provento calculado com base no soldo integral do posto Reforma da Previdência.
graduação que possuía quando da transferência para a inatividade ou da graduação que possuía quando da transferência para a 3
inatividade remunerada: Aperfeiçoar a redação para incluir no mesmo item a
remunerada, se contar com mais de trinta anos de serviço;
questão do militar atingido pela idade limite de
a) por contar com mais de trinta e cinco anos de serviço; 2 permanência em atividade no posto ou na
b) por atingir a idade-limite de permanência em atividade no graduação.
posto ou na graduação; 3 4
Garantir que os oficiais que sejam transferidos para
c) por estar enquadrado em uma das hipóteses previstas nos a reserva remunerada ex officio, por deixarem de
incisos VIII ou IX do caput do art. 98; ou 4 ingressar em Lista de Escolha na situação do inciso.
VIII ou IX do art. 98, percebam proventos integrais.
d) por ter sido incluído em quota compulsória unicamente em
5
razão do disposto na alínea “c” do inciso II do caput do art. Garantir que os militares incluídos em quota
101;5 compulsória diretamente pelo critério de idade
III - o provento calculado com base no soldo integral do post o ou III - o provento calculado com base em tantas quotas de soldo percebam proventos integrais;
graduação quando, não contando trinta anos de serviço, for 6
do posto ou da graduação quantos forem os anos de serviço, Evitar que o militar que não tenha cumprido o
transferido para a reserva remunerada, ex officio, por ter atingido a até o limite de trinta e cinco anos, quando tiver sido abrangido tempo total de serviço para a transferência para a
idade-limite de permanência em atividade no posto ou na graduação, pela quota compulsória, ressalvado o disposto na alínea “d” reserva remunerada ex officio pela quota
ou ter sido abrangido pela quota compulsória; e do inciso II; 6 compulsória receba proventos integrais*.*
IV - nas condições ou nas limitações impostas pela legislação e IV - nas condições ou nas limitações impostas por legislação e 7
Reforçar que os militares temporários não
regulamentação específicas: regulamentação específicas: adquirem estabilidade, somente os de carreira
a) a estabilidade, quando praça, com 10 (dez) ou mais anos de tempo a) a estabilidade, somente se praça de carreira, com dez anos
de efetivo serviço; ou mais de tempo de efetivo serviço; 7
............................................................................................................. .......................................................................................................
Art. 50. Art. 50. 8
Deixar claro, no título do § 2º, que a relação de
§ 2º – São considerados dependentes do militar: § 2º São considerados dependentes do militar, desde que assim dependência é um direito do militar, e não do
declarados por ele na organização militar competente: 8 suposto dependente**.*.

*
Eventuais questionamentos quanto à proteção constitucional da irredutibilidade de vencimentos podem ser afastados com a argumentação de que o regime jurídico estatutário não é imutável,
atribuindo-se vantagem pessoal nominalmente identificada, a ser absorvida por ocasião de futuros reajustes, como ocorreu na MP 2215-10/2001 (Art. 29). Além do mais, a reforma a bem da disciplina
e a reforma por inaptidão para o serviço ativo já é realizada atualmente com proventos proporcionais, sem qualquer contestação.
**
Ressalte-se que os militares contribuem para os Fundos de Saúde das Forças e com 20% dos custos de AMH de seus dependentes; desta forma, não há como as Forças incluírem um dependente
que o militar não deseja, pois a AMH de seus dependentes é um direito seu, não uma obrigação. Desta forma o militar não pode ser obrigado a suportar um ônus que não deseja. A proteção de núcleo
familiar é um dever do militar, não das Forças, que pode optar por protegê-lo através de um seguro saúde particular.

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Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto

I – a esposa; I - o cônjuge ou companheiro que viva em união estável, na ¹ Adequar à legislação vigente.
II – o filho menor de 21 anos ou inválido ou interdito; constância do vínculo; e ¹ ² Igualar a condição de enteado a do filho.
III – a filha solteira, desde que não receba remuneração; II - o filho ou enteado:². ³ Retirar do filho e do enteado estudantes o requisito
IV – o filho estudante, menor de 24 anos, desde que não receba a) menor de vinte e um anos de idade; ou de que não recebam rendimentos.
4
remuneração; b) inválido. Reduzir as pessoas que podem ser consideradas
V – a mãe viúva, desde que não receba remuneração; dependentes, a fim de adequação ao cenário social e
VI – o enteado, o filho adotivo ou tutelado, nas mesmas condições III – (REVOGADO) 4 econômico atual.
dos itens II, III e IV; IV – (REVOGADO) 4
VII – a viúva do militar, enquanto permanecer neste estado, e os V – (REVOGADO) 4
demais dependentes mencionados nos itens II, III, IV, V e VI deste VI – (REVOGADO) 4
parágrafo, desde que vivam sob a responsabilidade da viúva; VII – (REVOGADO) 4
VIII – a ex-esposa com direito à pensão alimentícia estabelecida por VIII – (REVOGADO) 4
sentença transitada em julgado, enquanto não contrair novo
matrimônio.
Art. 50 Art. 50 ¹ Deixar claro, no título do § 3º, que a relação de
§ 3º São, ainda, considerados dependentes do militar, desde que § 3º Podem, ainda, ser considerados dependentes do militar, dependência é um direito do militar, e não do
vivam sob sua dependência econômica, sob o mesmo teto, e quando desde que não recebam rendimentos e sejam declarados por suposto dependente.
2
expressamente declarados na organização militar competente: ele na organização militar competente: ¹ Reduzir as pessoas que podem ser consideradas
a) a filha, a enteada e a tutelada, nas condições de viúvas, separadas dependentes, a fim de adequação ao cenário social e
a) o filho ou o enteado estudante menor de vinte e quatro anos
judicialmente ou divorciadas, desde que não recebam remuneração; econômico atual. Tal alteração reduzirá os custos
de idade;
b) a mãe solteira, a madrasta viúva, a sogra viúva ou solteira, bem das Forças e evitará um excessivo papel paternalista
como separadas judicialmente ou divorciadas, desde que, em b) o pai e a mãe; e do Estado, mantendo-se, contudo, a possibilidade do
qualquer dessas situações, não recebam remuneração; militar declarar os dependentes do núcleo familiar
próximo.
c) os avós e os pais, quando inválidos ou interditos, e respectivos c) o tutelado ou curatelado inválido ou menor de dezoito anos
cônjuges, estes desde que não recebam remuneração; de idade que viva sob a sua guarda por decisão judicial.
d) o pai maior de 60 (sessenta) anos e seu respectivo cônjuge, desde d) (REVOGADO) ²
que ambos não recebam remuneração;
e) o irmão, o cunhado e o sobrinho, quando menores ou inválidos ou e) (REVOGADO) ²
interditos, sem outro arrimo;
f) a irmã, a cunhada e a sobrinha, solteiras, viúvas, separadas f) (REVOGADO) ²
judicialmente ou divorciadas, desde que não recebam remuneração;
g) o neto, órfão, menor inválido ou interdito; g) (REVOGADO) ²
h) a pessoa que viva, no mínimo há 5 (cinco) anos, sob a sua h) (REVOGADO) ²
exclusiva dependência econômica, comprovada mediante justificação
judicial;
i) a companheira, desde que viva em sua companhia há mais de 5 i) (REVOGADO) ²
(cinco) anos, comprovada por justificação judicial; e
j) o menor que esteja sob sua guarda, sustento e responsabilidade, j) (REVOGADO) ²
mediante autorização judicial.

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Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto

Art. 50. Art. 50. ¹ Fixar que os direitos dos dependentes do militar
§ 4º – Para efeito do disposto nos §§ 2º e 3º deste artigo, não serão § 4º Após o falecimento do militar, manterão os direitos permanecem após o seu falecimento.
considerados como remuneração os rendimentos não provenientes de previstos nas alíneas “e”, “f” e “s”, do inciso IV do caput,
trabalho assalariado, ainda que recebido dos cofres públicos, ou a enquanto conservarem os requisitos de dependência mediante ² Deixar claro o estado civil. A situação de viúva
remuneração que, mesmo resultante de remuneração de trabalho, não participação nos custos e no pagamento das contribuições não muda na condição de união estável.
enseje ao dependente do militar qualquer direito à assistência devidas, conforme estabelecidos em regulamento:¹
previdenciária oficial. I - o viúvo, enquanto não contrair matrimônio ou constituir
união estável; ²
II - o filho ou enteado menor de vinte e um anos de idade ou
inválido;
III - o filho ou enteado estudante menor de vinte e quatro anos
de idade; e
IV - os dependentes a que se refere o § 3º, por ocasião do óbito
do militar.
Art. 50-A. Não há. Art. 50-A. O Sistema de Proteção Social dos Militares das Necessidade de explicitar o conceito de proteção
Forças Armadas é o conjunto integrado de direitos, serviços e social dos militares, fazendo a ligação com o inciso
ações, permanentes e interativas, de remuneração, pensão, II do art. 50.
saúde e assistência, que visa a assegurar o amparo e a
dignidade aos militares das Forças Armadas e aos seus
dependentes, haja vista as peculiaridades da profissão militar,
nos termos do disposto nesta Lei e nas regulamentações
específicas.
§ 1º A remuneração dos militares ativos e inativos é encargo
financeiro do Tesouro Nacional.
§ 2º As pensões militares são custeadas com recursos
provenientes da contribuição dos militares das Forças
Armadas, de seus pensionistas e do Tesouro Nacional.
Art. 51. O militar que se julgar prejudicado ou ofendido por qualquer Art. 51. O militar que se julgar prejudicado ou ofendido por ¹ Reduzir o prazo de 120 dias para 45 dias. O prazo de
ato administrativo ou disciplinar de superior hierárquico poderá qualquer ato administrativo ou disciplinar de superior hierárquico 120 dias para recursos em geral dificulta a execução dos
recorrer ou interpor pedido de reconsideração, queixa ou representação, poderá recorrer ou interpor pedido de reconsideração, queixa ou processos seletivos envolvendo avaliação dos requisitos
segundo regulamentação específica de cada Força Armada. representação, segundo regulamentação específica de cada Força para progressão na carreira. Este longo prazo está
Armada. discrepante com o prazo para recursos administrativos
§ 1º O direito de recorrer na esfera administrativa prescreverá: § 1º O direito de recorrer na esfera administrativa prescreverá: previsto na Lei 9.784/1999 (10 dias), que regula o
a) em 15 (quinze) dias corridos, a contar do recebimento da a) em 15 (quinze) dias corridos, a contar do recebimento da processo administrativo na Administração Pública
comunicação oficial, quanto a ato que decorra de inclusão em quota comunicação oficial, quanto a ato que decorra de inclusão em Federal, e com os prazos de recursos nos processos
compulsória ou de composição de Quadro de Acesso; e quota compulsória ou de composição de Quadro de Acesso; e judiciais. Considerando-se o militar de férias quando
b) em 120 (cento e vinte) dias, nos demais casos. b) no prazo de quarenta e cinco dias, nas demais hipóteses. ¹ notificado de uma decisão que lhe é desfavorável,
§ 2º O pedido de reconsideração, a queixa e a representação não § 2º O pedido de reconsideração, a queixa e a representação não entende-se razoável um prazo de recurso de 45 dias.
podem ser feitos coletivamente. podem ser feitos coletivamente. ² Dispositivo não recepcionado pela CF/88 (Parecer
§ 3º O militar só poderá recorrer ao Judiciário após esgotados todos § 3º (REVOGADO) ² CONJUR/MD nº 121/2005). Não altera o mérito pois na

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Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto

os recursos administrativos e deverá participar esta iniciativa, prática já está em vigor e atende a CF 88.
antecipadamente, à autoridade à qual estiver subordinado.

Art. 56. Por ocasião de sua passagem para a inatividade, o militar terá Art. 56. Por ocasião de sua passagem para a inatividade, o Alterar o requisito de tempo de serviço para a
direito a tantas quotas de soldo quantos forem os anos de serviço, militar terá direito a tantas quotas de soldo quantos forem os transferência para a reserva remunerada para 35
computáveis para a inatividade, até o máximo de 30 (trinta) anos, anos de serviço, computáveis para a inatividade, até o máximo anos, considerando a demanda decorrente da
ressalvado o disposto no item III do caput , do artigo 50. de trinta e cinco anos, ressalvado o disposto nas alíneas “b”, Reforma da Previdência.
“c” e “d” do inciso II do caput do art. 50.
Parágrafo único. Para efeito de contagem das quotas, a fração de tempo Parágrafo único. (REVOGADO)
igual ou superior a 180 (cento e oitenta) dias será considerada 1 (um) ano.
Art. 67. Licença é a autorização para afastamento total do serviço, em Art. 67. Licença é a autorização para afastamento total do serviço,
Inserir no Estatuto dos Militares as licenças que já
caráter temporário, concedida ao militar, obedecidas às disposições em caráter temporário, concedida ao militar, obedecidas às estão previstas na Lei nº 13.109/2015 e que portanto
legais e regulamentares. disposições legais e regulamentares. já são praticadas em situações que não eram
§ 1º A licença pode ser: § 1º A licença pode ser:
realidade em 1980, como a presença feminina nas
a) especial; (Revogada pela MP nº 2.215-10, de 31.8.2001) a) especial; (Revogada pela MP nº 2.215-10, de 31.8.2001)
Forças Armadas.
b) para tratar de interesse particular; b) para tratar de interesse particular;
c) para tratamento de saúde de pessoa da família; e c) para tratamento de saúde de pessoa da família;
d) para tratamento de saúde própria. d) para tratamento de saúde própria;
e) para acompanhar cônjuge ou companheiro(a) e) para acompanhar cônjuge ou companheiro; e
f) para gestante ou adotante ou para paternidade.
§ 2º A remuneração do militar licenciado será regulada em legislação § 2º A remuneração do militar licenciado será regulada em
específica. legislação específica.
§ 3o A concessão da licença é regulada pelo Comandante da Força. § 3o A concessão da licença é regulada pelo Comandante da
Força.
Art. 69-A. Licença para acompanhar cônjuge ou companheiro(a) é a Art. 69-A. A licença para acompanhar cônjuge ou Retirar a limitação de 10 anos de tempo mínimo de
autorização para o afastamento total do serviço, concedida a militar companheiro é a autorização para o afastamento total do serviço para requerer Licença para Acompanhar
com mais de 10 (dez) anos de efetivo serviço que a requeira para serviço, concedida a militar de carreira que a requeira para Cônjuge, em função da proteção constitucional a
acompanhar cônjuge ou companheiro(a) que, sendo servidor público acompanhar cônjuge ou companheiro que, sendo servidor família não admitir limitações.
da União ou militar das Forças Armadas, for, de ofício, exercer público da União ou militar das Forças Armadas, for, de
atividade em órgão público federal situado em outro ponto do ofício, exercer atividade em órgão da administração pública
território nacional ou no exterior, diverso da localização da federal, situado em outro ponto do território nacional ou no
organização militar do requerente. exterior, diverso da localização da organização militar do
requerente.
Art. 82-A. Não há. Art. 82-A. Considera-se incapaz para o serviço ativo o militar Aclarar o conceito de incapaz para o serviço ativo.
que, temporária ou definitivamente, encontra-se física ou
mentalmente inapto para o exercício de cargos, funções e
atividades militares.

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Art. 97. A transferência para a reserva remunerada, a pedido, será Art. 97. A transferência para a reserva remunerada, a pedido, ¹ Alterar o requisito de tempo de serviço para a
concedida mediante requerimento, ao militar que contar, no mínimo, será concedida por meio de requerimento ao militar de transferência para a reserva remunerada de 30 para
30 (trinta) anos de serviço. carreira que contar, no mínimo, com trinta e cinco anos de 35 anos, considerando a demanda decorrente da
serviço, sendo: ¹ Reforma da Previdência.
I - no mínimo, trinta anos de exercício de atividade de ² Deixar claro que o pleito à transferência para a
natureza militar nas Forças Armadas, para os oficiais reserva remunerada mediante inclusão voluntária na
formados na Escola Naval, na Academia Militar das Agulhas quota compulsória é prerrogativa do militar de
Negras, na Academia da Força Aérea, no Instituto Militar de carreira.
Engenharia, no Instituto Tecnológico da Aeronáutica, em ³ Manter a possibilidade de inclusão voluntária em
escola ou centro de formação de oficiais oriundos de carreira quota compulsória, mas sob as condições previstas
de praça e para as praças; ou no Art. 101.
4
II - no mínimo, vinte e cinco anos de exercício de atividade de Incluir indenização de cursos fora das instituições
natureza militar nas Forças Armadas, para os oficiais não militares, a fim de restringir a possibilidade de reserva ao
enquadrados na hipótese prevista no inciso I. final do Curso, com possibilidade de questionamentos por
parte do TCU (dano ao erário).
§ 1º O oficial da ativa pode pleitear transferência para a reserva § 1º O oficial da ativa de carreira² pode pleitear transferência 5
Deixar claro que o direito do militar de pedir a
remunerada mediante inclusão voluntária na quota compulsória. para a reserva remunerada por meio da inclusão voluntária reserva fica mantido. Não há como negar este
na quota compulsória, nos termos do disposto no art. 101.³ direito em função de dívida, porém com a obrigação
§ 2º No caso de o militar haver realizado qualquer curso ou estágio § 2º Na hipótese de o militar haver realizado qualquer curso de saldar as dívidas pendentes a serem cobradas, se
de duração superior a 6 (seis) meses, por conta da União, no ou estágio de duração superior a seis meses, custeado pela for o caso, via processo administrativo ou judicial.
6
estrangeiro, sem haver decorrido 3 (três) anos de seu término, a União, no País ou no exterior, fora das instituições militares 4 Substituir “Ministérios” por “Forças Armadas” e
transferência para a reserva só será concedida mediante indenização sem que tenham decorrido três anos de seu término, a mencionar regulamentação do MD.
de todas as despesas correspondentes à realização do referido curso transferência para a reserva será concedida5 após a
ou estágio, inclusive as diferenças de vencimentos. O cálculo da indenização de todas as despesas correspondentes à realização
indenização será efetuado pelos respectivos Ministérios. do referido curso ou estágio, inclusive as diferenças de
vencimentos, no caso de cursos no exterior, cujo cálculo de
indenização será efetuado pela respectiva Força Armada,
conforme estabelecido em regulamento pelo Ministério da
Defesa.6

§ 3º O disposto no parágrafo anterior não se aplica aos oficiais que § 3º O disposto no parágrafo anterior não se aplica aos oficiais que
deixem de ser incluídos em Lista de Escolha, quando nela tenha deixem de ser incluídos em Lista de Escolha, quando nela tenha
entrado oficial mais moderno do seu respectivo Corpo, Quadro, Arma entrado oficial mais moderno do seu respectivo Corpo, Quadro,
ou Serviço. Arma ou Serviço.
1
§ 4º Não será concedida transferência para a reserva remunerada, a § 4º (REVOGADO). 1 Excluir dispositivo que impede a transferência
pedido, ao militar que: para a reserva remunerada, a pedido, para os
a) estiver respondendo a inquérito ou processo em qualquer militares que estiverem respondendo a inquérito ou
jurisdição; e processo.
b) estiver cumprindo pena de qualquer natureza.
§ 5º O valor correspondente à indenização de que trata o § 2º

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poderá ser descontado diretamente da remuneração do


militar.

Art. 98. A transferência para a reserva remunerada, ex officio , Art. 98. A transferência para a reserva remunerada, ex officio,
verificar-se-á sempre que o militar incidir em um dos seguintes ocorrerá sempre que o militar enquadrar-se em uma das
casos: seguintes hipóteses:

I- atingir as seguintes idades-limites: I- atingir as seguintes idades-limites:

a) na Marinha, no Exército e na Aeronáutica, para os Oficiais dos a) na Marinha, no Exército e na Aeronáutica, para todos os
Corpos, Quadros, Armas e Serviços não incluídos na alínea b; oficiais-generais³ e para os oficiais dos Corpos, Quadros, Armas e ¹ Elevação das idades tendo em vista a situação do
Quadro de Oficiais Médicos, pois esses, em média,
(Redação dada pela Lei nº 7.666, de 1988) Serviços não incluídos na alínea “b”: entram com 32 anos, com mais 35 anos, resulta em
67 anos para atingir o posto de Coronel ou Capitão
Postos Idades Postos Idades de Mar e Guerra.
Almirante de Esquadra, General de 66 anos Almirante de Esquadra, General de 70 anos ²
Exército e Tenente Brigadeiro Exército e Tenente-Brigadeiro ² As demais idades superiores necessitam ser
escalonadas.
Vice Almirante, General de Divisão e 64 anos Vice-Almirante, General de Divisão e 69 anos ²
Major Brigadeiro Major-Brigadeiro
³ Ao se mencionar que a tabela abrange todos os
Contra Almirante, General de Brigada e 62 anos Contra-Almirante, General de Brigada e 68 anos ² oficiais-generais permite comtemplar o Quadro de
Brigadeiro Brigadeiro Oficiais Médicos.
Capitão de Mar e Guerra e Coronel 59 anos Capitão de Mar e Guerra e Coronel 67 anos ¹
Capitão de Fragata e Tenente-Coronel 56 anos Capitão de Fragata e Tenente-Coronel 64 anos ²
Capitão de Corveta e Major 52 anos Capitão de Corveta e Major 61 anos ²
Capitão-Tenente ou Capitão e Oficiais 48 anos Capitão-Tenente ou Capitão e Oficiais 55 anos ²
Subalternos Subalternos

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b) na Marinha, para os Oficiais do Quadro de Cirurgiões-Dentistas b) na Marinha, para os oficiais do Quadro de Cirurgiões- ¹Adequação da idade limite de permanência no
(CD) e do Quadro de Apoio à Saúde (S), componentes do Corpo de posto de CMG e Cel, conforme idade estabelecida
Dentistas (CD) e do Quadro de Apoio à Saúde (S), integrantes
na alínea a.
Saúde da Marinha e do Quadro Técnico (T), do Quadro Auxiliar da do Corpo de Saúde da Marinha e do Quadro Técnico (T), do
Armada (AA) e do Quadro Auxiliar de Fuzileiros Navais (AFN), Quadro Auxiliar da Armada (AA) e do Quadro Auxiliar de ² Para os demais postos foi realizado o
componentes do Corpo Auxiliar da Marinha; no Exército, para os Fuzileiros Navais (AFN), integrantes do Corpo Auxiliar da escalonamento para atender o fluxo de carreira.
Oficiais do Quadro Complementar de Oficiais (QCO), do Quadro Marinha; no Exército, para os oficiais do Quadro
Auxiliar de Oficiais (QAO), do Quadro de Oficiais Médicos (QOM), ³Unificar postos da base da carreira de oficiais tal
Complementar de Oficiais (QCO), do Quadro Auxiliar de
qual se observa na alínea a.
do Quadro de Oficiais Farmacêuticos (QOF), e do Quadro de Oficiais Oficiais (QAO), do Quadro de Oficiais Médicos (QOM), do
Dentistas (QOD); na Aeronáutica, para os Oficiais do Quadro de Quadro de Oficiais Farmacêuticos (QOF) e do Quadro de
Oficiais Médicos (QOMed), do Quadro de Oficiais Farmacêuticos Oficiais Dentistas (QOD); na Aeronáutica, para os oficiais do
(QOFarm), do Quadro de Oficiais Dentistas (QODent), do Quadro de Quadro de Oficiais Médicos (QOMed), do Quadro de Oficiais
Oficiais de Infantaria da Aeronáutica (QOInf), dos Quadros de Farmacêuticos (QOFarm), do Quadro de Oficiais Dentistas
Oficiais Especialistas em Aviões (QOEAv), em Comunicações (QODent), dos Quadros de Oficiais Especialistas em Aviões
(QOECom), em Armamento (QOEArm), em Fotografia (QOEFot), (QOEAv), em Comunicações (QOECom), em Armamento
em Meteorologia (QOEMet), em Controle de Tráfego Aéreo (QOEArm), em Fotografia (QOEFot), em Meteorologia
(QOECTA), em Suprimento Técnico (QOESup) e do Quadro de (QOEMet), em Controle de Tráfego Aéreo (QOECTA), em
Oficiais Especialistas da Aeronáutica (QOEA): Suprimento Técnico (QOESup) e do Quadro de Oficiais
Especialistas da Aeronáutica (QOEA) e Quadro de Oficiais de
Apoio (QOAp):

Postos Idades Postos Idades


Capitão de Mar e Guerra e Coronel 62 anos Capitão de Mar e Guerra e Coronel 67 anos ¹
Capitão de Fragata e Tenente- 60 anos Capitão de Fragata e Tenente- 65 anos ²
Coronel Coronel
Capitão de Corveta e Major 58 anos Capitão de Corveta e Major 64 anos ²
CT e Cap. 56 anos Capitão-Tenente ou Capitão e 63 anos ²
oficiais subalternos ³
Primeiro-Tenente 56 anos
Segundo-Tenente 56 anos

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c) na Marinha, no Exército e na Aeronáutica, para Praças: ¹ Foi considerada como idade de ingresso de
c) na Marinha, no Exército e na Aeronáutica, para Praças: Marinheiro, Soldado e Soldado-de-Primeira-Classe
a idade de 18 anos que, somada aos 35 anos de
Graduação Idades Graduação Idades serviço, estabelece a idade limite de 53 anos.
Suboficial e Subtenente 54 anos Suboficial e Subtenente 63 ² anos
² Para as demais graduações, foi observado o
Primeiro-Sargento e Taifeiro-Mor 52 anos Primeiro-Sargento e Taifeiro-Mor 57 ² anos escalonamento, para atender o fluxo de carreira.
Segundo-Sargento e Taifeiro de 50 anos Segundo-Sargento e Taifeiro de 56 ²anos
4
Primeira Classe Primeira Classe Substituir a necessidade de possuir curso para
Terceiro-Sargento 49 anos Terceiro-Sargento 55 ²anos possuir requisitos, para a promoção ao primeiro
posto de oficial-general, tendo em vista as
Cabo e Taifeiro de Segunda Classe 48 anos Cabo e Taifeiro de Segunda Classe 54 ² anos especificidades de cada Força.
Marinheiro, Soldado e Soldado-de- 44 anos Marinheiro, Soldado e Soldado de 50 ¹ anos
Primeira-Classe Primeira Classe ¹

II - completar o Oficial-General 4 (quatro) anos no último posto da II - completar o Oficial-General 4 (quatro) anos no último posto
hierarquia, em tempo de paz, prevista para cada Corpo ou Quadro da da hierarquia, em tempo de paz, prevista para cada Corpo ou
respectiva Força. Quadro da respectiva Força.
III - completar os seguintes tempos de serviço como Oficial-General: III - completar os seguintes tempos de serviço como Oficial-General:
a) nos Corpos ou Quadros que possuírem até o posto de Almirante- a) nos Corpos ou Quadros que possuírem até o posto de
de-Esquadra, General-de-Exército e Tenente-Brigadeiro, 12 (doze) Almirante-de-Esquadra, General-de-Exército e Tenente-
anos; Brigadeiro, 12 (doze) anos;
b) nos Corpos ou Quadros que possuírem até o posto de Vice- b) nos Corpos ou Quadros que possuírem até o posto de Vice-
Almirante, General-de-Divisão e Major-Brigadeiro, 8 (oito) anos; e Almirante, General-de-Divisão e Major-Brigadeiro, 8 (oito) anos; e

c) nos Corpos ou Quadros que possuírem apenas o posto de Contra- c) nos Corpos ou Quadros que possuírem apenas o posto de Contra-
Almirante, General-de-Brigada e Brigadeiro, 4 (quatro) anos; Almirante, General-de-Brigada e Brigadeiro, 4 (quatro) anos;
IV - ultrapassar o oficial 5 (cinco) anos de permanência no último IV - ultrapassar o oficial seis anos de permanência no último
posto da hierarquia de paz de seu Corpo, Quadro, Arma ou Serviço; posto da hierarquia de paz de seu Corpo, Quadro, Arma ou
para o Capitão-de-Mar-e-Guerra ou Coronel esse prazo será Serviço; para o Capitão de Mar e Guerra ou Coronel esse
acrescido de 4 (quatro) anos se, ao completar os primeiros 5 (cinco) prazo será acrescido de quatro anos se, ao completar os
anos no posto, já possuir o curso exigido para a promoção ao primeiros seis anos no posto, já possuir os requisitos para a
primeiro posto de oficial-general, ou nele estiver matriculado e vier a promoção ao primeiro posto de oficial-general; 4
concluí-lo com aproveitamento;
V - for o oficial abrangido pela quota compulsória;
V - for o oficial abrangido pela quota compulsória;

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VI - for a praça abrangida pela quota compulsória, na forma regulada VI - for a praça abrangida pela quota compulsória, na forma
² Permitir que as praças, tal qual os oficiais, possam
em decreto, para cada Força Singular; regulada em decreto, para cada Força Singular;
ser transferidas para a reserva remunerada ex officio,
VII - for o oficial considerado não-habilitado para o acesso em VII - for o militar considerado não habilitado para o acesso em caso sejam consideradas não habilitadas
caráter definitivo, no momento em que vier a ser objeto de apreciação caráter definitivo, no momento em que vier a ser objeto de definitivamente para ingresso em quadro de acesso,
para ingresso em Quadro de Acesso ou Lista de Escolha; apreciação para ingresso em quadro de acesso ou lista de após submissão a Conselho de Disciplina.
escolha;²
³ Substituir "por estar definitivamente impedido de
VIII - deixar o Oficial-General, o Capitão-de-Mar-e-Guerra ou o VIII - deixar o Oficial-General, o Capitão-de-Mar-e-Guerra ou o
realizar o curso exigido" para "por não possuir os
Coronel de integrar a Lista de Escolha a ser apresentada ao Coronel de integrar a Lista de Escolha a ser apresentada ao requisitos para a promoção ao primeiro posto de
Presidente da República, pelo número de vezes fixado pela Lei de Presidente da República, pelo número de vezes fixado pela Lei de oficial-general", tendo em vista as especificidades
Promoções de Oficiais da Ativa das Forças Armadas, quando na Promoções de Oficiais da Ativa das Forças Armadas, quando na
de cada Força.
referida Lista de Escolha tenha entrado oficial mais moderno do seu referida Lista de Escolha tenha entrado oficial mais moderno do
respectivo Corpo, Quadro, Arma ou Serviço; seu respectivo Corpo, Quadro, Arma ou Serviço; 4
Excluir o inciso XI por não haver mais o
IX - for o Capitão-de-Mar-e-Guerra ou o Coronel, inabilitado para o IX – for o Capitão de Mar e Guerra ou o Coronel inabilitado Magistério Militar.
acesso, por estar definitivamente impedido de realizar o curso para o acesso, por não possuir os requisitos para a promoção
exigido, ultrapassado 2 (duas) vezes, consecutivas ou não, por oficial ao primeiro posto de oficial-general, ultrapassado duas vezes,
mais moderno do respectivo Corpo, Quadro, Arma ou Serviço, que consecutivas ou não, por oficial mais moderno do respectivo
tenha sido incluído em Lista de Escolha; Corpo, Quadro, Arma ou Serviço, que tenha sido incluído em
lista de escolha; ³
X - na Marinha e na Aeronáutica, deixar o oficial do penúltimo posto X - deixar o oficial do penúltimo posto de Quadro, Arma ou
de Quadro, cujo último posto seja de oficial superior, de ingressar Serviço, cujo último posto seja de oficial superior, de ingressar
em Quadro de Acesso por Merecimento pelo número de vezes em Quadro de Acesso por Merecimento pelo número de vezes
fixado pela Lei de Promoções de Oficiais da Ativa das Forças estabelecidos pela Lei nº 5.821, de 10 de novembro de 1972,
Armadas, quando nele tenha entrado oficial mais moderno do quando nele tenha entrado oficial mais moderno do respectivo
respectivo Quadro; Quadro, Arma ou Serviço;
XI - ingressar o oficial no Magistério Militar, se assim o determinar XI - (REVOGADO). 4
a legislação específica;
XII - ultrapassar 2 (dois) anos, contínuos ou não, em licença para XII - ultrapassar 2 (dois) anos, contínuos ou não, em licença para
tratar de interesse particular; tratar de interesse particular;
XIII - ultrapassar 2 (dois) anos contínuos em licença para tratamento XIII - ultrapassar 2 (dois) anos contínuos em licença para
de saúde de pessoa de sua família; tratamento de saúde de pessoa de sua família;
XIV - (REVOGADO) XIV - (REVOGADO)
XV - ultrapassar 2 (dois) anos de afastamento, contínuos ou não, XV - ultrapassar 2 (dois) anos de afastamento, contínuos ou não,
agregado em virtude de ter passado a exercer cargo ou emprego agregado em virtude de ter passado a exercer cargo ou emprego
público civil temporário, não-eletivo, inclusive da administração público civil temporário, não-eletivo, inclusive da administração
indireta; e indireta; e

XVI - ser diplomado em cargo eletivo, na forma da letra b, do XVI - ser diplomado em cargo
- 11 de 20eletivo,
- na forma da letra b, do
parágrafo único, do artigo 52. parágrafo único, do artigo 52.
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Permitir que a transferência compulsória para a


§ 1º A transferência para a reserva processar-se-á quando o militar § 1º A transferência para a reserva será processada quando o
reserva remunerada seja iniciada na data prevista
for enquadrado em um dos itens deste artigo, salvo quanto ao item V, militar for enquadrado em uma das hipóteses previstas neste
para aquela promoção e não na data em que o
caso em que será processada na primeira quinzena de março artigo, exceto quanto ao disposto no inciso V do caput,
Almirantado ou Alto Comando definir a Lista de
situação em que será processada na primeira quinzena de
Escolha. Desta forma, haverá mais tempo para a
março, e quanto ao disposto no inciso VIII do caput, situação
Força desligar o seu militar.
em que será processada na data prevista para aquela
promoção.
Art. 101 - A indicação dos oficiais para integrarem a quota Art. 101. A indicação dos oficiais para integrar a quota ¹ Foram reestabelecidos os tempos de serviço
compulsória obedecerá às seguintes prescrições: compulsória observará, sempre respeitada a conveniência da anteriores para os Oficiais-Generais e os CMG/Cel
I - inicialmente serão apreciados os requerimentos apresentados pelos administração, o seguinte: ingressarem em quota compulsória, a fim de
oficiais da ativa que, contando mais de 20 (vinte) anos de tempo de I - a quota compulsória será composta, em cada posto, pelos permitir melhor gestão das promoções de oficiais
efetivo serviço, requererem sua inclusão na quota compulsória, oficiais que: ¹ generais.
dando-se atendimento, por prioridade em cada posto, aos mais a) contarem, no mínimo, com o seguinte tempo de efetivo
idosos; e serviço:
II - se o número de oficiais voluntários na forma do item I não atingir 1. trinta anos, se oficial-general;
o total de vagas da quota fixada em cada posto, esse total será
completado, ex officio, pelos oficiais que: 2. vinte e oito anos, se Capitão de Mar e Guerra ou Coronel;
a) contarem, no mínimo, como tempo de efetivo serviço: 3. vinte e cinco anos, se Capitão de Fragata ou Tenente-
Coronel; e
1 - 30 (trinta) anos, se Oficial-General;
4. vinte anos, se Capitão de Corveta ou Major;
2 - 28 (vinte e oito) anos, se Capitão-de-Mar-e-Guerra ou Coronel;
b) possuírem interstício para promoção, quando for o caso;
3 - 25 (vinte e cinco) anos, se Capitão-de-Fragata ou Tenente-
Coronel; e c) estiverem compreendidos nos limites quantitativos de
antiguidade que definem a faixa daqueles que concorrem à
4 - 20 (vinte) anos, de Capitão-de-Corveta ou Major. composição dos Quadros de Acesso por Antiguidade,
b) possuírem interstício para promoção, quando for o caso; Merecimento ou Escolha; e
c) estiverem compreendidos nos limites quantitativos de antigüidade d) ainda que estejam não concorrendo à composição dos
que definem a faixa dos que concorrem à constituição dos Quadros Quadros de Acesso por Escolha, estiverem compreendidos nos
de Acesso por Antigüidade, Merecimento ou Escolha; limites quantitativos de antiguidade estabelecidos para a
d) ainda que não concorrendo à constituição dos Quadros de Acesso organização dos referidos Quadros;
por Escolha, estiverem compreendidos nos limites quantitativos de
antigüidade estabelecidos para a organização dos referidos Quadros; e II – será observada a seguinte ordem entre os oficiais que
e) satisfizerem as condições das letras a , b , c e d, na seguinte ordem satisfizerem as condições previstas no inciso I:
de prioridade: a) os de menor merecimento ou desempenho dentre aqueles
1ª) não possuírem as condições regulamentares para a promoção, que não revelarem suficiente proficiência no exercício dos
ressalvada a incapacidade física até 6 (seis) meses contínuos ou 12 cargos que lhe forem cometidos, conceito profissional ou
(doze) meses descontínuos; dentre eles os de menor merecimento a conceito moral, conforme avaliação feita pelo órgão
ser apreciado pelo órgão competente da Marinha, do Exército e da competente de cada Força Armada, hipótese em que os

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Aeronáutica; em igualdade de merecimento, os de mais idade e, em indicados serão submetidos a processo administrativo que
Substituição de texto de modo que a quota
caso de mesma idade, os mais modernos; lhes garanta os princípios do contraditório e da ampla defesa;
compulsória seja aplicada respeitando-se a
2ª) deixarem de integrar os Quadros de Acesso por Merecimento ou b) os requerentes de inclusão voluntária na quota conveniência da Administração.
Lista de Escolha, pelo maior número de vezes no posto, quando neles compulsória, desde que possuam mais de vinte e cinco anos de
tenha entrado oficial mais moderno; em igualdade de condições, os efetivo serviço, observada, em todos os casos, a conveniência
de menor merecimento a ser apreciado pelo órgão competente da da administração; e
Marinha, do Exército e da Aeronáutica; em igualdade de c) os de mais idade e, no caso da mesma idade, os mais
merecimento, os de mais idade e, em caso de mesma idade, os mais modernos.
modernos; e
3ª) forem os de mais idade e, no caso da mesma idade, os mais
modernos.
§1º Aos oficiais excedentes, aos agregados e aos não-numerados em
virtude de lei especial aplicam-se as disposições deste artigo e os que
forem relacionados para a compulsória serão transferidos para a
reserva juntamente com os demais componentes da quota, não sendo Parágrafo único. Aos oficiais excedentes, aos agregados e aos
computados, entretanto, no total das vagas fixadas. não numerados em decorrência de lei especial aplicam-se as
§2º Nos Corpos, Quadros, Armas ou Serviços, nos quais não haja disposições deste artigo e os que forem relacionados para a
posto de Oficial-General, só poderão ser atingidos pela quota compulsória serão transferidos para a reserva juntamente
compulsória os oficiais do último posto da hierarquia que tiverem, no com os demais componentes da quota, não sendo computados,
mínimo, 28 (vinte e oito) anos de tempo de efetivo serviço e os entretanto, no total das vagas fixadas.
oficiais dos penúltimo e antepenúltimo postos que tiverem, no
mínimo, 25 (vinte e cinco) anos de tempo de efetivo serviço. §2º (REVOGADO).

§3º Computar-se-á, para os fins de aplicação da quota compulsória, §3 (REVOGADO).


no caso previsto no item II, letra a , número 1, como de efetivo
serviço, o acréscimo a que se refere o item II do artigo 137.
Art. 104. A passagem do militar à situação de inatividade, mediante Art. 104. A passagem do militar à situação de inatividade por Ajustar redação de modo que fique claro que a
reforma, se efetua: reforma será efetuada ex officio. reforma se efetua somente por ex officio.
I - a pedido; e I - (REVOGADO).
II -ex officio. II - (REVOGADO).

Art.105. A reforma a pedido, exclusivamente aplicada aos membros Art. 105. - (REVOGADO) Revogar este artigo pois as Forças não mais
do Magistério Militar; se o dispuser a legislação específica da possuem Magistério Militar.
respectiva Força, somente poderá ser concedida àquele que contar
mais de 30 (trinta) anos de serviço, dos quais 10 (dez), no mínimo, de
tempo de Magistério Militar.

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Art. 106. A reforma ex officio será aplicada ao militar que: Art.106. A reforma será aplicada ao militar que: ¹ Aumentar a idade para a reforma tendo em vista o
I - atingir as seguintes idades-limite de permanência na reserva: I - atingir as seguintes idades-limite de permanência na reserva: aumento de 30 para 35 anos de tempo de serviço,
a) para Oficial-General, 68 (sessenta e oito) anos; a) para oficial-general, setenta e cinco anos; ¹ fixando uma idade de reforma superior em 5 anos
para Oficial-General, considerando a idade limite
b) para Oficial Superior, inclusive membros do Magistério Militar, 64 b) para oficial superior, setenta e dois anos;²
para a transferência para a reserva remunerada ex-
(sessenta e quatro) anos;
officio de Almirante de Esquadra, General de
c) para Capitão-Tenente, Capitão e oficial subalterno, 60 (sessenta) c) para Capitão-Tenente, Capitão e oficial subalterno, Exército e Tenente Brigadeiro.
anos; e sessenta e oito anos; e ²
d) para Praças, 56 (cinqüenta e seis) anos. d) para praças, sessenta e oito anos; ² ² Para os demais círculos, foi observado o
II - for julgado incapaz, definitivamente, para o serviço ativo das II - na hipótese de militar de carreira, for julgado incapaz, escalonamento.
Forças Armadas; definitivamente, para o serviço ativo das Forças Armadas;
³ Excluir texto pois as Forças não mais possuem
II-A - na hipótese de militar temporário: Magistério Militar.
a) for julgado inválido; ou
b) for julgado incapaz, definitivamente, para o serviço ativo
das Forças Armadas, quando enquadrado no disposto nos 4
incisos I e II do caput do art. 108; Atualização de nomenclatura.
III - estiver agregado por mais de 2 (dois) anos por ter sido julgado III - estiver agregado por mais de 2 (dois) anos por ter sido 5
Impedir que o militar temporário seja reformado
incapaz, temporariamente, mediante homologação de Junta Superior julgado incapaz, temporariamente, mediante homologação de apenas pelo fato de estar agregado por incapacidade
de Saúde, ainda que se trate de moléstia curável; Junta Superior de Saúde, ainda que se trate de moléstia curável; temporária, situação que foi prevista, nitidamente,
IV - for condenado à pena de reforma prevista no Código Penal IV - for condenado à pena de reforma prevista no Código Penal para proteção aos militares de carreira.
Militar, por sentença transitada em julgado; Militar, por sentença transitada em julgado;
V - sendo oficial, a tiver determinada em julgado do Superior V - sendo oficial, a tiver determinada em julgado do Superior
Tribunal Militar, efetuado em conseqüência de Conselho de Tribunal Militar, efetuado em consequência de Conselho de
Justificação a que foi submetido; e Justificação a que foi submetido; e
VI - sendo Guarda-Marinha, Aspirante-a-Oficial ou praça com VI - na hipótese de Guarda-Marinha, Aspirante a Oficial ou
estabilidade assegurada, for para tal indicado, ao Ministro respectivo, praça com estabilidade assegurada, for para tal indicado, ao
em julgamento de Conselho de Disciplina. Comandante de Força Singular respectiva, em julgamento de
Conselho de Disciplina. 4
Parágrafo único. O militar reformado na forma do item V ou VI só § 1º O militar reformado na forma prevista nos incisos V ou
poderá readquirir a situação militar anterior: VI do caput só poderá readquirir a situação militar anterior:
a) no caso do item V, por outra sentença do Superior Tribunal Militar I - na hipótese prevista no inciso V do caput, por outra
e nas condições nela estabelecidas; e sentença do Superior Tribunal Militar e nas condições nela
estabelecidas; e
b) no caso do item VI, por decisão do Ministro respectivo.
II - na hipótese prevista no inciso VI do caput, por decisão do
Comandante de Força Singular respectivo. 4
§ 2º O disposto nos incisos III e IV do caput não se aplica ao
militar temporário. 5

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Art. 109. O militar da ativa julgado incapaz definitivamente por um Art. 109. O militar de carreira julgado incapaz ¹ Proposta que visa reduzir a possibilidade de
dos motivos constantes dos itens I, II, III, IV e V do artigo anterior definitivamente para a atividade militar por uma das reforma dos militares temporários nas situações de
será reformado com qualquer tempo de serviço. hipóteses previstas nos incisos I, II, III, IV e V do caput do incapacidade para o serviço ativo, para apenas
art. 108 será reformado com qualquer tempo de serviço. ¹ quando esta incapacidade decorrer de ferimento ou
§ 1º O disposto neste artigo aplica-se aos militares enfermidade contraída em campanha ou manutenção
temporários quando enquadrados em uma das hipóteses da ordem pública. Nas demais situações o militar
previstas nos incisos I e II do caput do art. 108. temporário só seria reformado se inválido.
³ Definir situação do militar inválido quando
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se aos militares
enquadrado nos incisos III, IV e V do art. 108, com
temporários quando enquadrados em uma das hipóteses
ênfase na questão do licenciamento ou
previstas nos incisos III, IV e V do caput do art. 108 e,
desincorporação.
concomitantemente, quando forem considerados inválidos,
por estarem impossibilitados total e permanentemente para
qualquer atividade laboral, pública ou privada.
§ 3º Quando o militar temporário estiver enquadrado em uma
das hipóteses previstas nos incisos III, IV e V do caput do art.
108, mas não for considerado inválido, por não estar
impossibilitado total e permanentemente para qualquer
atividade laboral, pública ou privada, será licenciado ou
desincorporado na forma prevista na legislação do serviço
militar.³
Art. 111. O militar da ativa julgado incapaz definitivamente por um Art. 111. O militar da ativa julgado incapaz definitivamente por
dos motivos constantes do item VI do artigo 108 será reformado: um dos motivos constantes do item VI do artigo 108 será ² Proposta para reforçar que o militar temporário,
reformado: inapto para o serviço ativo por acidente sem relação
I - com remuneração proporcional ao tempo de serviço, se oficial ou I - com remuneração proporcional ao tempo de serviço, se oficial com o serviço, só faz jus a reforma se inválido.
praça com estabilidade assegurada; e ou praça com estabilidade assegurada; e ³ Definir a situação do militar temporário que não
for inválido, explicitando a questão do
II - com remuneração calculada com base no soldo integral do posto II - com remuneração calculada com base no soldo integral do licenciamento ou desincorporação.
ou graduação, desde que, com qualquer tempo de serviço, seja posto ou graduação, desde que, com qualquer tempo de serviço,
considerado inválido, isto é, impossibilitado total e permanentemente seja considerado inválido, isto é, impossibilitado total e
para qualquer trabalho. permanentemente para qualquer trabalho.
§ 1º O militar temporário, na hipótese prevista neste artigo, só
fará jus à reforma se for considerado inválido, por estar
impossibilitado total e permanentemente para qualquer
atividade laboral, pública ou privada.²
§ 2º Será licenciado ou desincorporado na forma prevista na
legislação pertinente o militar temporário que não seja
considerado inválido.³
Art. 112-A. Não há. Art. 112-A. O militar reformado por incapacidade definitiva A inserção deste dispositivo possibilita o maior
para o serviço ativo das Forças Armadas ou inválido poderá controle das reformas indevidas. Possui paralelismo

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ser convocado, por iniciativa da administração, a qualquer com a legislação previdenciária civil no tocante a
momento, para revisão das condições que ensejaram a suspensão de remuneração em face de
reforma. irregularidades.
§ 1º O militar reformado por incapacidade definitiva para o Traz flexibilidade para a Administração Militar ao
serviço ativo das Forças Armadas ou inválido fica obrigado, disciplinar e alcançar a possibilidade de rever atos
sob pena de suspensão da remuneração, a submeter-se à administrativos que podem ter sido fraudados
inspeção de saúde a cargo da administração militar. (combate a “Indústria da reforma”). É similar ao que
já é feito na previdência civil no combate a fraudes.
§ 2º Na hipótese da convocação de que trata o caput, os prazos
previstos no art. 112 serão interrompidos.
Art. 114. Para fins de passagem à situação de inatividade, mediante Art. 114. Para fins de passagem à situação de inatividade,
reforma ex officio , as praças especiais, constantes do Quadro a que mediante reforma ex officio , as praças especiais, constantes do ² Excluir a Escola de Oficiais Especialistas da
se refere o artigo 16, são consideradas como: Quadro a que se refere o artigo 16, são consideradas como: Aeronáutica por ter sido extinta.
I - Segundo-Tenente - os Guardas-Marinha e os Aspirantes a ³ Inclusão dos alunos que serão graduados ou
I - Segundo-Tenente: os Guardas-Marinha, Aspirantes-a-Oficial;
Oficial; formados como oficiais em outras instituições que
não a Escola Naval, Academia Militar das Agulhas
II - Guarda-Marinha ou Aspirante-a-Oficial: os Aspirantes, os II - Guarda-Marinha ou Aspirante a Oficial - os Aspirantes, Negras e Academia da Força Aérea.
Cadetes, os alunos da Escola de Oficiais Especialistas da os Cadetes, os alunos do Instituto Tecnológico da
Aeronáutica, conforme o caso específico; Aeronáutica, do Instituto Militar de Engenharia e das demais 4
. Ajustar redação para englobar as duas Escolas
instituições de graduação de oficiais da Marinha e do Preparatórias.
Exército, conforme o caso específico;
III - Segundo-Sargento: os alunos do Colégio Naval, da Escola III - Segundo-Sargento - os alunos do Colégio Naval e da
Preparatória de Cadetes do Exército e da Escola Preparatória de Escola Preparatória de Cadetes;4
Cadetes-do-Ar;
IV - Terceiro-Sargento: os alunos de órgão de formação de oficiais da IV - Terceiro-Sargento: os alunos de órgão de formação de
reserva e de escola ou centro de formação de sargentos; e oficiais da reserva e de escola ou centro de formação de
sargentos; e
V - Cabos: os Aprendizes-Marinheiros e os demais alunos de órgãos V - Cabos: os Aprendizes-Marinheiros e os demais alunos de
de formação de praças, da ativa e da reserva. órgãos de formação de praças, da ativa e da reserva.
Parágrafo único. O disposto nos itens II, III e IV é aplicável às praças Parágrafo único. O disposto nos itens II, III e IV é aplicável às
especiais em qualquer ano escolar. praças especiais em qualquer ano escolar.
Art . 116 A demissão a pedido será concedida mediante requerimento Art. 116 A demissão a pedido será concedida mediante Atualizar texto e tornar mais claras as circunstâncias
do interessado: requerimento do interessado: da demissão a pedido.
I - sem indenização aos cofres públicos, quando contar mais de 5 I - sem indenização das despesas efetuadas pela União, com a
(cinco) anos de oficialato, ressalvado o disposto no § 1º deste artigo; sua preparação, formação ou adaptação, quando contar com
e mais de três anos de oficialato; e
II - com indenização das despesas feitas pela União, com a sua II - com indenização das despesas efetuadas pela União, com a
preparação e formação, quando contar menos de 5 (cinco) anos de sua preparação, formação ou adaptação, quando contar com
oficialato. menos de três anos de oficialato.

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§ 1º A demissão a pedido só será concedida mediante a indenização § 1º O oficial de carreira que requerer demissão deverá
de todas as despesas correspondentes, acrescidas, se for o caso, das indenizar o erário pelas despesas realizadas pela União com
previstas no item II, quando o oficial tiver realizado qualquer curso os demais cursos ou estágios frequentados, no País ou no
ou estágio, no País ou no exterior, e não tenham decorrido os exterior, acrescidas, se for o caso, daquelas previstas no inciso
seguintes prazos: II do caput, quando não tenham decorrido:
a) 2 (dois) anos, para curso ou estágio de duração igual ou superior a a) 2 (dois) anos, para curso ou estágio de duração igual ou
2 (dois) meses e inferior a 6 (seis) meses; superior a 2 (dois) meses e inferior a 6 (seis) meses;
b) 3 (três) anos, para curso ou estágio de duração igual ou superior a b) três anos, para curso ou estágio de duração igual de
6 (seis) meses e igual ou inferior a 18 (dezoito) meses; duração igual ou superior a seis meses.
c) 5 (cinco) anos, para curso ou estágio de duração superior a 18
(dezoito) meses.
§ 2º O cálculo das indenizações a que se referem o item II e o § 2º A forma e o cálculo das indenizações a que se referem o
parágrafo anterior será efetuado pelos respectivos Ministérios. inciso II do caput e o § 1º serão estabelecidos em ato do
Ministro de Estado da Defesa, cabendo o cálculo aos
Comandos da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica.
§ 3º O oficial demissionário, a pedido, ingressará na reserva, onde § 3º O oficial demissionário, a pedido, ingressará na reserva, onde
permanecerá sem direito a qualquer remuneração. O ingresso na permanecerá sem direito a qualquer remuneração. O ingresso na
reserva será no mesmo posto que tinha no serviço ativo e sua reserva será no mesmo posto que tinha no serviço ativo e sua
situação, inclusive promoções, será regulada pelo Regulamento do situação, inclusive promoções, será regulada pelo Regulamento
Corpo de Oficiais da Reserva da respectiva Força. do Corpo de Oficiais da Reserva da respectiva Força.
§ 4º O direito à demissão a pedido pode ser suspenso na vigência de § 4º O direito à demissão a pedido pode ser suspenso na vigência
estado de guerra, estado de emergência, estado de sítio ou em caso de de estado de guerra, estado de emergência, estado de sítio ou em
mobilização. caso de mobilização.
Art. 121. O licenciamento do serviço ativo se efetua: Art. 121. O licenciamento do serviço ativo se efetua: ¹ Incluir as praças nas considerações sobre o
I - a pedido; I - a pedido; licenciamento do serviço ativo de modo a detalhar
II – ex-officio II - ex-officio. procedimentos não abordados anteriormente no
Estatuto dos Militares.
§ 1º O licenciamento a pedido poderá ser concedido, desde que não § 1º Para a praça de carreira, o licenciamento a pedido será
Na legislação atual, é prevista a demissão a pedido
haja prejuízo para o serviço: concedido por meio de requerimento do interessado:
somente para oficiais (de carreira), com a previsão
a) ao oficial da reserva convocado, após prestação do serviço ativo
I - sem indenização das despesas efetuadas pela União, com a de indenização ao Erário. Às praças, não é facultado
durante 6 (seis) meses; e
sua preparação, formação ou adaptação, quando contar mais tal dispositivo e, por consequência, também não é
b) à praça engajada ou reengajada, desde que conte, no mínimo, a
de três anos de formado como praça de carreira; e prevista a indenização.
metade do tempo de serviço a que se obrigou.
II - com indenização das despesas efetuadas pela União, com a Ocorre que o entendimento jurídico em vigor
sua preparação, formação ou adaptação, quando contar considera que ninguém é obrigado a fazer o que não
menos de três anos de formado como praça de carreira. é de sua vontade, de sorte que as decisões judiciais
§ 1º-A. A praça de carreira que requerer licenciamento têm sido favoráveis ao licenciamento da praça
deverá indenizar o erário pelas despesas realizadas pela (carreira), ainda que este não conte com os cinco
União com os demais cursos ou estágios frequentados no País anos que se obrigou a servir. Além de ser liberado,
ou no exterior, acrescidas, se for o caso, daquelas previstas no não lhe é cobrada a indenização, por falta de
previsão legal no Estatuto.

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inciso II do § 1º, quando não tenham decorrido: Ademais, não se vislumbra justificativa para
I - dois anos, para curso ou estágio com duração igual ou tratamentos não igualitários, entre oficiais e praças,
superior a dois meses e inferior a seis meses; e tanto no que se refere ao direito de
demissão/licenciamento voluntário, quanto à
II - três anos, para curso ou estágio com duração igual ou obrigação de indenizar pelos custos de capacitação
superior a seis meses. despendidos pela União. Esta proposta iguala os
§ 1º-B. A forma e o cálculo das indenizações a que se referem oficiais e praças de carreira neste aspecto.
o inciso II do § 1º e o § 1º-A serão estabelecidos em ato do ² Explicitar situação do licenciamento a pedido de
Ministro de Estado da Defesa, cabendo o cálculo aos militar temporário.
Comandos da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica.
³ Atualização de redação.
§ 1º-C. O disposto no § 1º e no § 1º-A será aplicado às praças
especiais, aos Guardas-Marinha e aos Aspirantes a Oficial 4
Inclusão de alínea para possibilitar que as causas
após a conclusão do curso de formação. de licenciamento prevista no Estatuto sejam um rol
§ 1º-D. Para o militar temporário, o licenciamento a pedido meramente exemplificativo e não numeros clausus
poderá ser concedido, desde que não haja prejuízo para o (taxativos), permitindo flexibilidade de previsão de
serviço: outras formas de causas de licenciamento.

I - ao oficial da reserva convocado, após prestação de serviço 5


Renumeração de parágrafos.
ativo durante seis meses; e
II - à praça engajada ou reengajada, desde que tenha
cumprido, no mínimo, a metade do tempo de serviço a que
estava obrigada.

§ 2º A praça com estabilidade assegurada, quando licenciada para § 2º A praça com estabilidade assegurada, quando licenciada
fins de matrícula em Estabelecimento de Ensino de Formação ou para fins de matrícula em estabelecimento de ensino de
Preparatório de outra Força Singular ou Auxiliar, caso não conclua o formação ou preparatório de outra Força Singular ou
curso onde foi matriculada, poderá ser reincluída na Força de origem, Auxiliar, caso não conclua o curso no qual tenha sido
mediante requerimento ao respectivo Ministro. matriculada, poderá ser reincluída na Força de origem, por
meio de requerimento ao Comandante da Força Singular
correspondente.³

§ 3º O licenciamento ex officio será feito na forma da legislação que § 3º O licenciamento ex officio será efetuado na forma da
trata do serviço militar e dos regulamentos específicos de cada Força legislação que trata do serviço militar e dos regulamentos
Armada: específicos de cada Força Armada:
a) por conclusão de tempo de serviço ou de estágio; a) por conclusão de tempo de serviço ou de estágio;
b) por conveniência do serviço; e b) por conveniência do serviço;
c) a bem da disciplina. c) por questões disciplinares; e
d) por outros casos previstos em lei.4

§ 4º O militar licenciado não tem direito a qualquer remuneração e, § 4º O militar licenciado não tem direito a qualquer remuneração
e, exceto o licenciado ex officio a bem da disciplina, deve ser

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exceto o licenciado ex ofício a bem da disciplina, deve ser incluído incluído ou reincluído na reserva.
ou reincluído na reserva. § 5° O licenciado ex officio a bem da disciplina receberá o
§ 5° O licenciado ex officio a bem da disciplina receberá o certificado certificado de isenção do serviço militar, previsto na legislação
de isenção do serviço militar, previsto na legislação que trata do que trata do serviço militar.
serviço militar.
Art. 122. O Guarda-Marinha, o Aspirante-a-Oficial e as demais Art. 122. Os Guardas-Marinha, os Aspirantes a Oficial e as Incluir a questão da indenização já tratada em artigo
praças empossados em cargos ou emprego público permanente, demais praças empossados em cargos ou empregos públicos anterior.
estranho à sua carreira, serão imediatamente, mediante licenciamento permanentes, estranhos à sua carreira, serão imediatamente,
ex officio, transferidos para a reserva não remunerada, com as por meio de licenciamento ex officio, transferidos para a
obrigações estabelecidas na legislação do serviço militar. reserva não remunerada, com as obrigações estabelecidas na
legislação do serviço militar, observado o disposto no art. 121
quanto às indenizações.
Art. 144. O militar da ativa pode contrair matrimônio, desde que Art. 144. O militar da ativa pode contrair matrimônio, desde que ¹ Revogar a proibição de casamento de Guarda
observada a legislação civil específica. observada a legislação civil específica. Marinha e Aspirante-a-Oficial, exceto se estes
§1º Os Guardas Marinha e os Aspirantes-a-Oficial não podem militares estiverem sujeitos aos regulamentos das
contrair matrimônio, salvo em casos excepcionais, a critério do §1º – (REVOGADO)¹ escolas de formação. Revogar §2º por se tratar de
Ministro da respectiva Força; assunto já contemplado no art. 144-A.
§2º. – (REVOGADO)¹
§2º É vedado o casamento às praças especiais, com qualquer idade, ² Ressaltar que a situação de união estável tem o
enquanto estiverem sujeitas aos regulamentos dos órgãos de §3º (REVOGADO)¹ mesmo tratamento que o casamento para a questão
formação de oficiais, de graduados e de praças, cujos requisitos para Parágrafo único. O militar que contrair matrimônio ou tratada no parágrafo.
admissão exijam a condição de solteiro, salvo em casos excepcionais, constituir união estável com pessoa estrangeira deverá ³ Atualização de redação.
a critério do Ministro da respectiva Força Armada. comunicar o fato ao Comandante da Força a que pertence, 4
Revogar a exigência de autorização para
§3º O casamento com mulher estrangeira somente poderá ser para fins de registro. 4
casamento com pessoa estrangeira, mantendo a
realizado após a autorização do Ministro da Força Armada a que necessidade de participá-la a sua Força.
pertencer o militar.
Art. 144-A. Não há. Art. 144-A. Constitui condição essencial para ingresso e
Regular a questão de praças especiais que
permanência nos órgãos de formação ou graduação de oficiais
constituam prole ou dependentes em órgãos de
e de praças, que os mantenham em regime de internato, de
formação ou graduação de oficiais e de praças, que
dedicação exclusiva e de disponibilidade permanente peculiar
as mantenham em regime de internato.
à carreira militar, não ter filhos ou dependentes, não ser
casado ou constituir união estável, por ser incompatível com o
referido regime exigido para a sua formação ou sua
graduação.
Parágrafo único. As praças especiais assumirão
expressamente o compromisso de que atendem, no momento
da matrícula, e de que continuarão a atender, ao longo de sua
formação ou sua graduação, as condições essenciais de que
trata o caput, hipótese em que o seu descumprimento ensejará
o cancelamento da matrícula e o licenciamento do serviço

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Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto

ativo, conforme estabelecido no regulamento de cada Força


Armada.

Art. 145. As praças especiais que contraírem matrimônio em Art. 145. As praças especiais que contraírem matrimônio, em Ajustar a redação pois o artigo referenciado foi
desacordo com os §§ 1º e 2° do artigo anterior serão excluídas do desacordo com o disposto nesta Lei, serão excluídas do serviço alterado.
serviço ativo, sem direito a qualquer remuneração ou indenização. ativo, sem direito a qualquer remuneração ou indenização.

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PL 1.645/2019 - Proposta de alteração na Lei das Pensões Militares (Lei 3.765/1960)
Legenda:
Preto – texto original.
Vermelho – texto proposto
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
CAPÍTULO I Incluir tema no título do capítulo para poder mencionar os
CAPÍTULO I
DOS CONTRIBUINTES, DAS CONTRIBUIÇÕES E descontos a serem realizados nas pensões.
DOS CONTRIBUINTES, DAS CONTRIBUIÇÕES
DOS DESCONTOS
Art. 1o São contribuintes obrigatórios da pensão militar, Art. 1o São contribuintes obrigatórios da pensão militar, Incluir os pensionistas e retirar as exceções com o objetivo
mediante desconto mensal em folha de pagamento, todos mediante desconto mensal em folha de pagamento, os de estender a contribuição para a pensão militar a todos,
os militares das Forças Armadas. militares das Forças Armadas e os seus pensionistas. sem exceção.
Parágrafo único. Excluem-se do disposto no caput deste Parágrafo único. O desconto mensal da pensão militar Tendo em vista que no sistema de proteção social dos
artigo: de que trata o caput será aplicado, a partir de 1º de militares a pensão é igual aos proventos, é necessário que
janeiro de 2020, para: os pensionistas continuem contribuindo.
I - o aspirante da Marinha, o cadete do Exército e da I - o aspirante da Marinha, o cadete do Exército e da
Aeronáutica e o aluno das escolas, centros ou núcleos de Aeronáutica e o aluno das escolas, centros ou núcleos de
formação de oficiais e de praças e das escolas preparatórias formação de oficiais e de praças e das escolas preparatórias
e congêneres; e e congêneres; e
II - cabos, soldados, marinheiros e taifeiros, com menos de II - cabos, soldados, marinheiros e taifeiros, com menos de
dois anos de efetivo serviço. dois anos de efetivo serviço; e
III - os pensionistas.
Art. 3o-A. A contribuição para a pensão militar incidirá Art. 3o-A A contribuição para a pensão militar incidirá
Anexo 19

sobre as parcelas que compõem os proventos na sobre as parcelas que compõem os proventos na 1- Tendo em vista que podem existir mais de um
inatividade. inatividade e sobre o valor integral da quota parte pensionista, é necessário que cada um deles possa fazer a
Parágrafo único. A alíquota de contribuição para a pensão percebida a título de pensão militar.1 sua contribuição referente à sua quota parte.
militar é de sete e meio por cento. § 1º A alíquota de contribuição para a pensão militar é de
sete e meio por cento.
2- Estabelece a regra para a implantação da contribuição da
§ 2º A partir de 1º de janeiro de 2020, a alíquota de que pensionista de militar..
trata o § 1º será acrescida em um por cento ao ano até o
limite de dez e meio por cento.
§3º A partir de 1º de janeiro de 2020, o pensionista,
além da alíquota prevista no § 1º e dos acréscimos de
que trata o § 2°, será contribuinte obrigatório da
contribuição específica destinada à manutenção dos
benefícios previstos nesta Lei, desde que o militar tenha
optado em vida pelo pagamento dessa contribuição na
forma do art. 31 da Medida Provisória nº 2.215-10, de
31 de agosto de 2001.
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
§ 4º Sem prejuízo do disposto neste artigo, fica
instituída, a partir de 1º de janeiro de 2020, uma
contribuição adicional de um e meio por cento, que
incidirá sobre a pensão decorrente da opção de que
trata o art. 31 da Medida Provisória nº 2.215-10, de
2001, a ser paga pela filha pensionista.
Art. 3º-B São descontos obrigatórios do pensionista de Inclusão do artigo para permitir e regular a cobrança de
militar, conforme disposto em regulamento: descontos obrigatórios ao pensionista militar.
I - contribuição para a pensão militar; Permite cada Força regular a forma de cobrança de dívidas
II - contribuição para a assistência médico-hospitalar e para com a Fazenda Nacional.
social, nos termos do disposto no art. 3º-D;
III - indenização pela prestação de assistência médico-
hospitalar, por intermédio de organização militar, nos
termos do disposto no art. 3º-D;
IV - impostos incidentes sobre a pensão, conforme
previsto em lei;
V – ressarcimento e indenização ao erário, conforme
disposto em ato do Ministro de Estado da Defesa;
VI – pensão alimentícia ou judicial; e
VII - multa por ocupação irregular de próprio nacional
residencial.
Art. 3º-C O pensionista, habilitado na condição de Artigo incluído para definir que o pensionista perde o
viúvo, que contrair matrimônio ou constituir união direito de uso da assistência médico-hospitalar após
estável, perderá o direito à assistência médico- contrair matrimônio ou estabelecer união estável,
hospitalar. mantendo o pagamento para garantir a assistência dos
Parágrafo único. Na hipótese do caput, o viúvo fica antigos dependentes do falecido, enquanto perdurar os
obrigado a manter a contribuição e a indenização de critérios da dependência.
que trata o art. 3-D para garantir a assistência médico-
hospitalar dos dependentes do militar falecido e que se
refere o § 4° do art. 50 da Lei nº 6.880, de 9 de
dezembro de 1980.
Art. 3º-D As contribuições e as indenizações para a O artigo foi incluído para regular os descontos específicos
assistência médico-hospitalar e social dos usuários a da assistência médico-hospitalar e social.
seguir especificados serão assumidas, para as hipóteses
previstas no § 4º do art. 50, da Lei 6.880, de 1980,
respectivamente:
I – pelo viúvo, relativamente à própria assistência
médico-hospitalar e social;
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
II – pelo filho ou enteado que receba pensão militar,
maior de dezoito e menor de vinte e um anos de idade,
relativamente à própria assistência médico-hospitalar e
social;
III – pelo viúvo, tutor ou curador ou pelo responsável
legal, relativamente à assistência médico-hospitalar e
social:
a) do filho ou enteado menor de vinte e um anos de
idade ou inválido de qualquer idade; e
b) do filho ou enteado estudante menor de vinte e
quatro anos de idade que não receba rendimentos;
IV – pelo viúvo, tutor ou curador ou pelo responsável
legal, relativamente à assistência médico-hospitalar e
social do tutelado ou curatelado inválido de qualquer
idade ou menor de dezoito anos de idade que viva sob a
guarda do militar por decisão judicial; e
V - pelos pensionistas habilitados, relativamente à
assistência médico-hospitalar e social do pai e da mãe
do militar.
Art. 7o A pensão militar é deferida em processo de Art. 7o A pensão militar é deferida em processo de 1- Somaram-se as letras “a” e “b” do inciso I, pois nos
habilitação, tomando-se por base a declaração de habilitação, com base na declaração de beneficiários termos da Constituição Federal de 1988, não poderá haver
beneficiários preenchida em vida pelo contribuinte, na preenchida em vida pelo contribuinte, na ordem de distinção entre casamento (cônjuge) e união estável
ordem de prioridade e condições a seguir: prioridade e nas condições a seguir: (companheiro).
I - primeira ordem de prioridade: I - primeira ordem de prioridade:
a) cônjuge; a) cônjuge ou companheiro designado ou que comprove
união estável como entidade familiar;1
b) companheiro ou companheira designada ou que b) companheiro ou companheira designada ou que
comprove união estável como entidade familiar; comprove união estável como entidade familiar;1
(REVOGADO)
c) pessoa desquitada, separada judicialmente, divorciada c) pessoa separada de fato, judicialmente ou divorciada
do instituidor ou a ex-convivente, desde que percebam do instituidor, ou ex-convivente, desde que perceba pensão 2- Aperfeiçoar a redação.
pensão alimentícia; alimentícia, na forma prevista no § 3º;2
d) filhos ou enteados até vinte e um anos de idade ou até d) filhos ou enteados até vinte e um anos de idade ou até
vinte e quatro anos de idade, se estudantes universitários vinte e quatro anos de idade, se estudantes universitários
ou, se inválidos, enquanto durar a invalidez; e ou, se inválidos, enquanto durar a invalidez; e
e) menor sob guarda ou tutela até vinte e um anos de idade e) menor sob guarda ou tutela até vinte e um anos de idade
ou, se estudante universitário, até vinte e quatro anos de ou, se estudante universitário, até vinte e quatro anos de
idade ou, se inválido, enquanto durar a invalidez. idade ou, se inválido, enquanto durar a invalidez.
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto

II - segunda ordem de prioridade, a mãe e o pai que II - segunda ordem de prioridade, a mãe e o pai que
comprovem dependência econômica do militar; comprovem dependência econômica do militar;
III - terceira ordem de prioridade: III - terceira ordem de prioridade:
a) o irmão órfão, até vinte e um anos de idade ou, se a) o irmão órfão, até vinte e um anos de idade ou, se
estudante universitário, até vinte e quatro anos de idade, e estudante universitário, até vinte e quatro anos de idade, e
o inválido, enquanto durar a invalidez, comprovada a o inválido, enquanto durar a invalidez, comprovada a
dependência econômica do militar; dependência econômica do militar;
b) a pessoa designada, até vinte e um anos de idade, se b) a pessoa designada, até vinte e um anos de idade, se
inválida, enquanto durar a invalidez, ou maior de sessenta inválida, enquanto durar a invalidez, ou maior de sessenta
anos de idade, que vivam na dependência econômica do anos de idade, que vivam na dependência econômica do
militar. militar.
3- Excluídas, no parágrafo primeiro, as letras “b” por
§1o A concessão da pensão aos beneficiários de que tratam § 1o A concessão da pensão aos beneficiários de que tratam juntar-se a letra “a” e “c” pois a separada passou a ter uma
o inciso I, alíneas "a", "b", "c" e "d", exclui desse direito os as alíneas "a" e "d" do inciso I do caput exclui desse regra especial para ela.
beneficiários referidos nos incisos II e III. direito os beneficiários referidos nos incisos II e III do
caput.3 4- Adequar, nos parágrafos segundo e terceiro, a redação à
junção das alíneas “a” e “b” e à nova regra para a separada
§2o A pensão será concedida integralmente aos § 2o A pensão será concedida integralmente aos judicialmente.
beneficiários do inciso I, alíneas "a" e "b", ou distribuída beneficiários de que trata a alínea "a" do inciso I do
em partes iguais entre os beneficiários daquele inciso, caput, exceto se for constatada a existência de
alíneas "a" e "c" ou "b" e "c", legalmente habilitados, beneficiários que se enquadre nas alíneas “c”, "d" e "e" do 5- A redação dos novos §§3º e 4º para especificar o valor
exceto se existirem beneficiários previstos nas suas alíneas inciso I do caput.4 que terá direito a pessoa que receba pensão alimentícia
"d" e "e". judicialmente arbitrada. O que se procura com alteração é
§3o Ocorrendo a exceção do § 2o, metade do valor caberá §3o A quota destinada à pessoa separada de fato, garantir a continuidade do direito de receber alimentos,
aos beneficiários do inciso I, alíneas "a" e "c" ou "b" e "c", judicialmente ou divorciada do instituidor, ou ao ex- após o óbito do alimentante e não o direito de receber a
sendo a outra metade do valor da pensão rateada, em partes convivente, desde que perceba pensão alimentícia, a que pensão por morte por ele instituída. Isso inclusive coaduna
iguais, entre os beneficiários do inciso I, alíneas "d" e "e". se refere a alínea “c” do inciso I do caput, com a relação de beneficiários do Estatuto que não inclui o
corresponderá à pensão alimentícia judicialmente ex-cônjuge.
arbitrada.5
§4o Após deduzido o montante a que se refere o § 3º,
metade do valor remanescente caberá aos beneficiários
de que se refere a alínea "a" do inciso I do caput,
hipótese em que a outra metade será dividida, em
partes iguais, entre os beneficiários a que se referem as
alíneas "d" e "e" do caput do inciso I.”5
Art 10-A. Após o falecimento do militar, apenas os Acréscimo de artigo para deixar claro que os beneficiários
pensionistas que atenderem ao previsto no § 4º do art. da pensão militar não são, necessariamente, dependentes
50 da Lei nº 6.880, de 1980, terão direito à assistência do militar falecido, evitando frequentes demandas judiciais
médica hospitalar e social das Forças Armadas, solicitando que voltem a ser atendidos pelo sistema de
conforme as condições estabelecidas em regulamento. saúde das Forças.
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
Art. 15. A pensão militar será igual ao valor da Art. 15. A pensão militar será igual ao valor da Adequar o texto para a nova situação em que todos os
remuneração ou dos proventos do militar. remuneração ou dos proventos do militar. militares contribuem para a pensão militar.
Parágrafo único. A pensão do militar não contribuinte da Parágrafo único. A pensão do militar que vier a falecer
pensão militar que vier a falecer na atividade em na atividade em consequência de acidente ocorrido em
consequência de acidente ocorrido em serviço ou de serviço ou de doença adquirida em serviço não poderá
moléstia nele adquirida não poderá ser inferior: ser inferior:
I - à de aspirante a oficial ou guarda-marinha, para os I - à de aspirante a oficial ou de guarda-marinha, para os
cadetes do Exército e da Aeronáutica, aspirantes de cadetes do Exército e da Aeronáutica, aspirantes de
marinha e alunos dos Centros ou Núcleos de Preparação de marinha e alunos dos Centros ou Núcleos de Preparação de
Oficiais da reserva; ou Oficiais da reserva; ou
II - à de terceiro-sargento, para as demais praças e os II - à de terceiro-sargento, para as demais praças e os
alunos das escolas de formação de sargentos. alunos das escolas de formação de sargentos.
Art. 20. O oficial da ativa, da reserva remunerada ou Art. 20. O oficial da ativa, da reserva remunerada ou Especificar que os herdeiros de militares excluídos por
reformado, contribuinte obrigatório da pensão militar, que reformado, contribuinte obrigatório da pensão militar, que questões disciplinares sejam beneficiários da pensão
perde posto e patente, deixará aos seus herdeiros a pensão perde posto e patente, deixará aos seus beneficiários a militar correspondente ao posto/graduação e proporcional
militar correspondente ... Vetado. pensão militar correspondente ao posto que possuía, ao tempo de serviço que o militar possuía.
com valor proporcional ao seu tempo de serviço.
Parágrafo único. Nas mesmas condições, a praça Parágrafo único. Nas mesmas condições, a praça
contribuinte da pensão militar com mais de 10 (dez) anos contribuinte da pensão militar com mais de dez anos de
de serviço, expulsa ou não relacionada como reservista por serviço, expulsa ou não relacionada como reservista por
efeito de sentença ou em virtude de ato da autoridade efeito de sentença ou em decorrência de ato da autoridade
competente, deixará aos seus herdeiros a pensão militar competente, deixará aos seus beneficiários a pensão
correspondente ... Vetado. militar correspondente à graduação que possuía, com
valor proporcional ao seu tempo de serviço.
PL 1.645/2019 - Proposta de alteração na Lei de Promoções dos Oficiais da Ativa das Forças Armadas (Lei nº 5.821/1972)

Legenda:
Preto – texto original.
Vermelho – texto proposto

Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto


Art. 11. As promoções são efetuadas: Art. 11. As promoções serão efetuadas:
a) para as vagas de oficiais subalternos e intermediários, a) para as vagas de oficiais subalternos e intermediários,
pelo critério de antiguidade; pelo critério de antiguidade, admitida também a
a) para as vagas de oficiais subalternos e intermediários, promoção pelo critério de merecimento para os oficiais
pelo critério de antiguidade; do Quadro Auxiliar de Oficiais do Exército, observado
o disposto em regulamento.1 1- Demanda do Exército: a alteração altera o critério de
promoção dos oficiais do QAO do Exército, que possuem
b) para as vagas de oficiais superiores, pelos critérios de b) para as vagas de oficiais superiores, pelos critérios de
mais de vinte anos de serviço, de antiguidade para
antiguidade e de merecimento, de acordo com uma antiguidade e de merecimento, de acordo com uma
merecimento.
proporcionalidade entre elas, estabelecida na proporcionalidade entre elas, estabelecida na
regulamentação da presente lei para cada Força Armada; e regulamentação da presente lei para cada Força Armada; e
c) para as vagas de oficiais-generais, pelo critério de c) para as vagas de oficiais-generais, pelo critério de
escolha. escolha.
§1º As promoções para o preenchimento de vagas do §1º As promoções para o preenchimento de vagas do 2- Demanda do Exército: A alteração é para que a
último posto, nos Quadros em que este seja de oficial último posto, nos Quadros em que este seja de oficial promoção ao posto de Coronel no Exército seja realizada
superior, poderão ser efetuadas somente pelo critério de superior, e as promoções para o preenchimento de apenas pelo critério de merecimento, para todos os
merecimento, desde que assim seja estabelecido na vagas do posto de Coronel dos Corpos, Quadros, quadros.
regulamentação desta lei para cada Força Armada. Armas e Serviços do Exército de que trata a alínea “a”
do inciso I do caput do art. 98 da Lei nº6.880, de 9 de
Anexo 20

dezembro de 19802, poderão ser efetuadas somente pelo


critério de merecimento, na forma prevista em
regulamento.
§ 2º Quando o oficial concorrer à promoção por ambos os § 2º Quando o oficial concorrer à promoção por ambos os
critérios, o preenchimento de vagas de antiguidade critérios, o preenchimento de vagas de antiguidade
poderá ser feito pelo critério de merecimento, sem poderá ser feito pelo critério de merecimento, sem
prejuízo do cômputo das futuras quotas de merecimento, prejuízo do cômputo das futuras quotas de merecimento,
de acordo com a regulamentação desta lei para cada Força de acordo com a regulamentação desta lei para cada Força
Armada. Armada.
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
Art 26. São órgãos de processamento das promoções: Art 26. São órgãos de processamento das promoções: A alteração acrescenta o termo “Almirantado”, como é
a) a Comissão de Promoção de Oficiais de cada Força a) a Comissão de Promoção de Oficiais de cada Força denominado o Alto Comando na Marinha do Brasil
Armada, para as de antiguidade, merecimento e, numa 1ª Armada, para as de antiguidade, merecimento e, numa 1ª
fase para as de escolha; e fase para as de escolha; e
b) o Alto Comando da Marinha, do Exército e da b) o Almirantado e o Alto Comando do Exército e da
Aeronáutica, para as de escolha, na 2ª fase. Aeronáutica, para as de escolha, na 2ª fase.
Parágrafo único. Os trabalhos destes órgãos, que Parágrafo único. Os trabalhos destes órgãos, que
envolvam avaliação de mérito de oficial e a respectiva envolvam avaliação de mérito de oficial e a respectiva
documentação, terão classificação sigilosa. documentação, terão classificação sigilosa.

Art. 28. Integram o Alto Comando, para o processamento Art. 28. Integram o Almirantado ou o Alto Comando, A alteração acrescenta o termo “Almirantado”, como é
da promoção a Vice-Almirante, a General-de-Divisão e a para o processamento da promoção a Vice-Almirante, a denominado o Alto Comando na Marinha do Brasil.
Major-Brigadeiro e para a do posto inicial de oficial- General de Divisão e a Major-Brigadeiro e para a do
general, os Vice-Almirantes, Generais-de-Divisão e posto inicial de oficial-general, os Vice-Almirantes,
Majores-Brigadeiros que estiverem no desempenho de Generais de Divisão e Majores-Brigadeiros que estiverem
cargo que integre o Alto Comando. no desempenho de cargo que integre o Almirantado ou o
Alto Comando.
Art. 31 Quadros de Acesso são relações de oficiais de Art. 31 Quadros de Acesso são relações de oficiais de A alteração visa deixar claro que a CPO também aprecia o
cada Corpo, Quadro, Arma ou Serviço, organizados por cada Corpo, Quadro, Arma ou Serviço, organizados por mérito dos oficiais na organização do QAE.
postos, para as promoções por antiguidade - Quadro de postos, para as promoções por antiguidade - Quadro de
Acesso por Antiguidade (QAA), por merecimento - Acesso por Antiguidade (QAA), por merecimento -
Quadro de Acesso por Merecimento (QAM), e por Quadro de Acesso por Merecimento (QAM), e por
escolha - Quadro de Acesso por Escolha (QAE), escolha - Quadro de Acesso por Escolha (QAE),
previstas, respectivamente, nos artigos 5º, 6º e 7º. previstas, respectivamente, nos artigos 5º, 6º e 7º.
§1º O Quadro de Acesso por Antiguidade é a relação dos §1º O Quadro de Acesso por Antiguidade é a relação dos
oficiais habilitados ao acesso colocado em ordem oficiais habilitados ao acesso colocado em ordem
decrescente da antiguidade. decrescente da antiguidade.
§2º O Quadro de Acesso por Merecimento é a relação dos §2º O Quadro de Acesso por Merecimento é a relação dos
oficiais habilitados ao acesso e resultante da apreciação do oficiais habilitados ao acesso e resultante da apreciação do
mérito e das qualidades exigidas para a promoção, que mérito e das qualidades exigidas para a promoção, que
devem considerar, além de outros requisitos peculiares a devem considerar, além de outros requisitos peculiares a
cada Força Armada: cada Força Armada:
a) a eficiência revelada no desempenho de cargos e a) a eficiência revelada no desempenho de cargos e
comissões, e não a natureza intrínseca, destes e nem o comissões, e não a natureza intrínseca, destes e nem o
tempo de exercício dos mesmos; tempo de exercício dos mesmos;
b) a potencialidade para o desempenho de cargos mais b) a potencialidade para o desempenho de cargos mais
elevados; elevados;
c) a capacidade de liderança, iniciativa e presteza de c) a capacidade de liderança, iniciativa e presteza de
decisão; decisão;
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
d) os resultados dos cursos regulamentares realizados; e d) os resultados dos cursos regulamentares realizados; e
e) o realce do oficial entre seus pares. e) o realce do oficial entre seus pares.
§3º O Quadro de Acesso por escolha é a relação dos §3º O Quadro de Acesso por Escolha é a relação dos
oficiais habilitados ao acesso e que concorrem à oficiais habilitados ao acesso, resultante da apreciação
constituição das Listas de Escolha. do desempenho e das qualidades exigidas para a
promoção a oficial-general, e que concorrem à
constituição das listas de escolha.
§4º Os Quadros de Acesso por Antiguidade, Merecimento §4º Os Quadros de Acesso por Antiguidade, Merecimento
e Escolha são organizados, para cada data de promoção, e Escolha são organizados, para cada data de promoção,
na forma estabelecida na regulamentação desta lei para na forma estabelecida na regulamentação desta lei para
cada Força Armada. cada Força Armada.
Art. 32. Listas de Escolha são relações de oficiais de cada Art. 32. As listas de escolha são relações de oficiais de A alteração acrescenta o termo “Almirantado”, como é
Corpo, Quadro, ou Serviço, organizadas por postos, cada Corpo, Quadro, ou Serviço, organizadas por postos, denominado o Alto Comando na Marinha do Brasil.
constituídas pelos oficiais selecionados pelo Alto constituídas pelos oficiais selecionados pelo Almirantado
Comando de cada Força Armada levando em ou pelo Alto Comando de cada Força Armada, que
consideração as qualidades requeridas para o exercício consideram as qualidades requeridas para o exercício dos
dos altos cargos de comando, chefia ou direção privativos altos cargos de comando, chefia ou direção privativos de
de oficial-general, e destinadas a serem apresentadas ao oficial-general, e encaminhadas à apreciação do
Presidente da República para a promoção aos postos de Presidente da República para a promoção aos postos de
oficial-general. oficial-general.
Parágrafo único. Para inclusão em Lista de Escolha, é Parágrafo único. Para inclusão em Lista de Escolha, é
imprescindível que o oficial conste do Quadro de Acesso imprescindível que o oficial conste do Quadro de Acesso
por Escolha. por Escolha.
Art. 34. A Organização dos Quadros de Acesso por Art. 34. A Organização dos Quadros de Acesso por A alteração acrescenta o termo “Almirantado”, como é
Escolha e das Listas de Escolha obedecerá, em cada Força Escolha e das Listas de Escolha obedecerá, em cada Força denominado o Alto Comando na Marinha do Brasil.
Armada, ao seguinte: Armada, ao seguinte:
a) para promoção ao primeiro posto de Oficial-general: a) para promoção ao primeiro posto de Oficial-general:
I) 1ª fase - A Comissão de Promoções de Oficiais, de I) 1ª fase - A Comissão de Promoções de Oficiais, de
conformidade com as relações de todos os oficias conformidade com as relações de todos os oficias
superiores do último posto que satisfaçam os requisitos superiores do último posto que satisfaçam os requisitos
estabelecidos no artigo 15 e estejam dentro dos limites estabelecidos no artigo 15 e estejam dentro dos limites
quantitativos de antiguidade fixados, elaborará os quantitativos de antiguidade fixados, elaborará os
Quadros de Acesso por Escolha, que serão constituídos de Quadros de Acesso por Escolha, que serão constituídos de
acordo com o estabelecido na regulamentação desta lei acordo com o estabelecido na regulamentação desta lei
para cada Força Armada. para cada Força Armada.
II) 2ª fase - O Alto Comando elaborará as listas de II - segunda fase - o Almirantado ou o Alto Comando
Escolha selecionando, dos Quadros de Acesso por elaborará as listas de escolha de oficiais que integram os
Escolha, cinco oficiais para a primeira vaga e mais dois Quadros de Acesso por Escolha, para as quais
para vaga subsequente. selecionarão cinco oficiais para a primeira vaga e dois
para vaga subsequente.
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
b) para promoção ao segundo posto de oficial-general: b) para promoção ao segundo posto de oficial-general:
I) 1ª fase - A Comissão de Promoção de Oficiais I - primeira fase - a Comissão de Promoção de Oficiais
relacionará todos os oficiais-generais do primeiro posto relacionará os nomes dos oficiais-generais do primeiro
que satisfaçam as condições estabelecidas na letra a, do posto que satisfaçam as condições estabelecidas na alínea
artigo 15, e com eles organizará, por ordem de “a” do caput do artigo 15 e, a partir dessa relação,
antiguidade, os Quadros de Acesso por Escolha a serem organizará, por ordem de antiguidade, os Quadros de
submetidos ao Alto Comando. Acesso por Escolha a serem submetidos ao Almirantado
ou ao Alto Comando.
II) 2ª fase - O Alto Comando elaborará as listas de II - segunda fase - o Almirantado ou o Alto Comando
Escolha selecionando, dos Quadros de Acesso por elaborará as listas de Escolha de oficiais-generais que
Escolha, três oficiais-generais para a primeira vaga e mais integram os Quadros de Acesso por Escolha, para os
dois para vaga subsequente. quais selecionarão três oficiais-generais para a primeira
vaga e dois oficiais-generais para vaga subsequente.
c) para promoção ao terceiro posto de oficial-general: c) para promoção ao terceiro posto de oficial-general:
I) 1ª fase - A Comissão de Promoções de Oficiais I - primeira fase - a Comissão de Promoções de Oficiais
relacionará todos os oficiais-generais do segundo posto relacionará os nomes dos oficiais-generais do segundo
que satisfaçam as condições estabelecidas na letra a, do posto que satisfaçam as condições estabelecidas na alínea
artigo 15, e com eles organizará, por ordem de “a” do caput do art. 15 e, a partir dessa relação,
antiguidade, os Quadros de Acesso por Escolha a serem organizará, por ordem de antiguidade, os Quadros de
submetidos ao Alto Comando. Acesso por Escolha a serem submetidos ao Almirantado
ou ao Alto Comando.
II) 2ª Fase - O Alto Comando elaborará as listas de II - segunda fase – o Almirantado ou o Alto Comando
Escolha selecionando, dos Quadros de Acesso por elaborará as listas de Escolha de oficiais-generais que
Escolha, três oficiais-generais para a primeira vaga e mais integram os Quadros de Acesso por Escolha, para os
dois para vaga subsequente. quais selecionarão três oficiais-generais para a primeira
vaga e dois oficiais-generais para vaga subsequente.
§1º As Listas de Escolha a serem apresentados ao § 1º As Listas de Escolha que serão encaminhadas à
Presidente da República serão organizadas em ordem apreciação do Presidente da República serão organizadas
decrescente, de acordo com a votação realizada no alto em ordem decrescente, de acordo com a votação realizada
Comando de cada Força Armada. no Almirantado ou no Alto Comando das Forças
Armadas.
§2º O número de oficiais a compor as Listas de Escolha § 2º O número de oficiais a compor as Listas de Escolha
pode ser menor do que o estabelecido neste artigo, quando pode ser menor do que o estabelecido neste artigo, quando
os respectivos Quadros de Acesso por Escolha tiverem os respectivos Quadros de Acesso por Escolha tiverem
efetivo inferior ao mínimo necessário para a elaboração efetivo inferior ao mínimo necessário para a elaboração
das citadas listas. das citadas listas.
§3º A regulamentação desta lei, para cada Força Armada, § 3º A regulamentação desta lei, para cada Força Armada,
poderá fixar: poderá fixar:
a) nos itens I, das letras b e c, o limite quantitativo a a) nos itens I, das letras “b” e “c”, o limite quantitativo a
considerar; e considerar; e
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
b) nos itens II, das letras a, b e c , o número de oficiais b) nos itens II, das letras “a”, “b” e “c”, o número de
que, constantes do Quadro de Acesso por Escolha, serão oficiais que, constantes do Quadro de Acesso por Escolha,
levados à consideração do Alto Comando. serão levados à consideração do Almirantado ou do Alto
Comando.

Art. 35. O oficial não poderá constar de qualquer Quadro Art. 35. O oficial não poderá constar de qualquer Quadro 1- A alteração acrescenta o termo “Almirantado”, como é
de Acesso e Lista de Escolha quando: de Acesso e Lista de Escolha quando: denominado o Alto Comando na Marinha do Brasil.
a) deixar de satisfazer as condições estabelecidas na letra a) deixar de satisfazer as condições estabelecidas na letra
a do artigo 15; a do artigo 15;
b) for considerado não habilitado para o acesso, em b) for considerado não habilitado para o acesso, em
caráter provisório, a juízo do Alto Comando ou da caráter provisório, a juízo do Almirantado, do1 Alto
Comissão de Promoções de Oficiais, por, Comando ou da Comissão de Promoções, por,
presumivelmente, ser incapaz de atender a qualquer dos presumivelmente, ser incapaz de atender a quaisquer dos
requisitos estabelecidos nas letras b e c do artigo 15; requisitos estabelecidos nas alíneas “b” e “c” do caput do 2- Para se referir à custódia anterior ao trânsito em
art. 15; julgado do processo criminal, empregou-se o termo
c) for preso preventivamente, em flagrante delito, c) for preso cautelarmente2, enquanto a prisão não for referente à “prisão cautelar”, a qual engloba: prisão em
enquanto a prisão não for revogada; revogada; flagrante (próprio item), prisão temporária e prisão
d) for denunciado em processo crime, enquanto a sentença d) for réu em ação penal por crime doloso3, enquanto a preventiva (item “f” – revogado).
final não houver transitado em julgado; sentença final não houver transitado em julgado 3- No intuito de permitir a permanência no QAM de
e) estiver submetido a Conselho de Justificação, e) estiver submetido a Conselho de Justificação, oficiais que possivelmente cometeram crimes de baixo
instaurado “ex officio”; instaurado "ex officio"; potencial ofensivo e sem intenção (culposo).
f) for preso preventivamente, em virtude de Inquérito f) for preso preventivamente, em virtude de Inquérito
Policial Militar instaurado; Policial Militar instaurado;2 (REVOGADO)
g) for condenado, enquanto durar o cumprimento da pena, g) for condenado, enquanto durar o cumprimento da pena,
inclusive no caso de suspensão condicional da pena, não inclusive no caso de suspensão condicional da pena, não
se computando o tempo acrescido à pena original para se computando o tempo acrescido à pena original para
fins de sua suspensão condicional; fins de sua suspensão condicional;
h) for licenciado para tratar de interesse particular; h) for licenciado para tratar de interesse particular;
i) for condenado à pena de suspensão do exercício do i) for condenado à pena de suspensão do exercício do
posto, cargo ou função prevista no Código Penal Militar, posto, cargo ou função prevista no Código Penal Militar,
durante o prazo dessa suspensão; durante o prazo dessa suspensão;
j) estiver em dívida com a Fazenda Nacional, por 4- Revogar para evitar que a simples inscrição em dívida
j) estiver em dívida com a Fazenda Nacional, por alcance;
alcance;4 (REVOGADO) ativa da União impeça a promoção do militar. Deve-se
considerar que, para os casos mais graves, o militar
l) for considerado prisioneiro de guerra; l) for considerado prisioneiro de guerra; incidirá em crime tributário, abrangido pelas demais
m) for considerado desaparecido; m) for considerado desaparecido; hipóteses.
n) for considerado extraviado; ou n) for considerado extraviado; ou
o) for considerado desertor. o) for considerado desertor.
§1º O oficial que incidir na letra b deste artigo, será § 1º O oficial que incidir na letra b deste artigo, será
submetido a Conselho de Justificação " ex officio ". submetido a Conselho de Justificação " ex officio ".
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
§2º Recebido o relatório do Conselho de Justificação, § 2º Recebido o relatório do Conselho de Justificação,
instaurado na forma do § 1º, o Ministro Militar respectivo, instaurado na forma do § 1º, o Ministro Militar respectivo,
em sua decisão, quando for o caso, considerará o oficial em sua decisão, quando for o caso, considerará o oficial
não habilitado para o acesso em caráter definitivo, na não habilitado para o acesso em caráter definitivo, na
forma do Estatuto dos Militares. forma do Estatuto dos Militares.
§3º Será excluído de qualquer Quadro de Acesso e Lista § 3º Será excluído de qualquer Quadro de Acesso e Lista
de Escolha o oficial que incidir em uma das circunstâncias de Escolha o oficial que incidir em uma das circunstâncias
previstas neste artigo ou em uma das seguintes: previstas neste artigo ou em uma das seguintes:
a) for nele incluído indevidamente; a) for nele incluído indevidamente;
b) for promovido; b) for promovido;
c) tiver falecido; c) tiver falecido;
d) passar à inatividade. d) passar à inatividade.
PL 1.645/2019 - Proposta de alteração na Lei de Promoções dos Oficiais da Ativa das Forças Armadas (Lei nº 5.821/1972)

Legenda:
Preto – texto original.
Vermelho – texto proposto

Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto


Art. 11. As promoções são efetuadas: Art. 11. As promoções serão efetuadas:
a) para as vagas de oficiais subalternos e intermediários, a) para as vagas de oficiais subalternos e intermediários,
pelo critério de antiguidade; pelo critério de antiguidade, admitida também a
a) para as vagas de oficiais subalternos e intermediários, promoção pelo critério de merecimento para os oficiais
pelo critério de antiguidade; do Quadro Auxiliar de Oficiais do Exército, observado
o disposto em regulamento.1 1- Demanda do Exército: a alteração altera o critério de
promoção dos oficiais do QAO do Exército, que possuem
b) para as vagas de oficiais superiores, pelos critérios de b) para as vagas de oficiais superiores, pelos critérios de
mais de vinte anos de serviço, de antiguidade para
antiguidade e de merecimento, de acordo com uma antiguidade e de merecimento, de acordo com uma
merecimento.
proporcionalidade entre elas, estabelecida na proporcionalidade entre elas, estabelecida na
regulamentação da presente lei para cada Força Armada; e regulamentação da presente lei para cada Força Armada; e
c) para as vagas de oficiais-generais, pelo critério de c) para as vagas de oficiais-generais, pelo critério de
escolha. escolha.
§1º As promoções para o preenchimento de vagas do §1º As promoções para o preenchimento de vagas do 2- Demanda do Exército: A alteração é para que a
último posto, nos Quadros em que este seja de oficial último posto, nos Quadros em que este seja de oficial promoção ao posto de Coronel no Exército seja realizada
superior, poderão ser efetuadas somente pelo critério de superior, e as promoções para o preenchimento de apenas pelo critério de merecimento, para todos os
merecimento, desde que assim seja estabelecido na vagas do posto de Coronel dos Corpos, Quadros, quadros.
regulamentação desta lei para cada Força Armada. Armas e Serviços do Exército de que trata a alínea “a”
Anexo 21

do inciso I do caput do art. 98 da Lei nº6.880, de 9 de


dezembro de 19802, poderão ser efetuadas somente pelo
critério de merecimento, na forma prevista em
regulamento.
§ 2º Quando o oficial concorrer à promoção por ambos os § 2º Quando o oficial concorrer à promoção por ambos os
critérios, o preenchimento de vagas de antiguidade critérios, o preenchimento de vagas de antiguidade
poderá ser feito pelo critério de merecimento, sem poderá ser feito pelo critério de merecimento, sem
prejuízo do cômputo das futuras quotas de merecimento, prejuízo do cômputo das futuras quotas de merecimento,
de acordo com a regulamentação desta lei para cada Força de acordo com a regulamentação desta lei para cada Força
Armada. Armada.
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
Art 26. São órgãos de processamento das promoções: Art 26. São órgãos de processamento das promoções: A alteração acrescenta o termo “Almirantado”, como é
a) a Comissão de Promoção de Oficiais de cada Força a) a Comissão de Promoção de Oficiais de cada Força denominado o Alto Comando na Marinha do Brasil
Armada, para as de antiguidade, merecimento e, numa 1ª Armada, para as de antiguidade, merecimento e, numa 1ª
fase para as de escolha; e fase para as de escolha; e
b) o Alto Comando da Marinha, do Exército e da b) o Almirantado e o Alto Comando do Exército e da
Aeronáutica, para as de escolha, na 2ª fase. Aeronáutica, para as de escolha, na 2ª fase.
Parágrafo único. Os trabalhos destes órgãos, que Parágrafo único. Os trabalhos destes órgãos, que
envolvam avaliação de mérito de oficial e a respectiva envolvam avaliação de mérito de oficial e a respectiva
documentação, terão classificação sigilosa. documentação, terão classificação sigilosa.

Art. 28. Integram o Alto Comando, para o processamento Art. 28. Integram o Almirantado ou o Alto Comando, A alteração acrescenta o termo “Almirantado”, como é
da promoção a Vice-Almirante, a General-de-Divisão e a para o processamento da promoção a Vice-Almirante, a denominado o Alto Comando na Marinha do Brasil.
Major-Brigadeiro e para a do posto inicial de oficial- General de Divisão e a Major-Brigadeiro e para a do
general, os Vice-Almirantes, Generais-de-Divisão e posto inicial de oficial-general, os Vice-Almirantes,
Majores-Brigadeiros que estiverem no desempenho de Generais de Divisão e Majores-Brigadeiros que estiverem
cargo que integre o Alto Comando. no desempenho de cargo que integre o Almirantado ou o
Alto Comando.
Art. 31 Quadros de Acesso são relações de oficiais de Art. 31 Quadros de Acesso são relações de oficiais de A alteração visa deixar claro que a CPO também aprecia o
cada Corpo, Quadro, Arma ou Serviço, organizados por cada Corpo, Quadro, Arma ou Serviço, organizados por mérito dos oficiais na organização do QAE.
postos, para as promoções por antiguidade - Quadro de postos, para as promoções por antiguidade - Quadro de
Acesso por Antiguidade (QAA), por merecimento - Acesso por Antiguidade (QAA), por merecimento -
Quadro de Acesso por Merecimento (QAM), e por Quadro de Acesso por Merecimento (QAM), e por
escolha - Quadro de Acesso por Escolha (QAE), escolha - Quadro de Acesso por Escolha (QAE),
previstas, respectivamente, nos artigos 5º, 6º e 7º. previstas, respectivamente, nos artigos 5º, 6º e 7º.
§1º O Quadro de Acesso por Antiguidade é a relação dos §1º O Quadro de Acesso por Antiguidade é a relação dos
oficiais habilitados ao acesso colocado em ordem oficiais habilitados ao acesso colocado em ordem
decrescente da antiguidade. decrescente da antiguidade.
§2º O Quadro de Acesso por Merecimento é a relação dos §2º O Quadro de Acesso por Merecimento é a relação dos
oficiais habilitados ao acesso e resultante da apreciação do oficiais habilitados ao acesso e resultante da apreciação do
mérito e das qualidades exigidas para a promoção, que mérito e das qualidades exigidas para a promoção, que
devem considerar, além de outros requisitos peculiares a devem considerar, além de outros requisitos peculiares a
cada Força Armada: cada Força Armada:
a) a eficiência revelada no desempenho de cargos e a) a eficiência revelada no desempenho de cargos e
comissões, e não a natureza intrínseca, destes e nem o comissões, e não a natureza intrínseca, destes e nem o
tempo de exercício dos mesmos; tempo de exercício dos mesmos;
b) a potencialidade para o desempenho de cargos mais b) a potencialidade para o desempenho de cargos mais
elevados; elevados;
c) a capacidade de liderança, iniciativa e presteza de c) a capacidade de liderança, iniciativa e presteza de
decisão; decisão;
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
d) os resultados dos cursos regulamentares realizados; e d) os resultados dos cursos regulamentares realizados; e
e) o realce do oficial entre seus pares. e) o realce do oficial entre seus pares.
§3º O Quadro de Acesso por escolha é a relação dos §3º O Quadro de Acesso por Escolha é a relação dos
oficiais habilitados ao acesso e que concorrem à oficiais habilitados ao acesso, resultante da apreciação
constituição das Listas de Escolha. do desempenho e das qualidades exigidas para a
promoção a oficial-general, e que concorrem à
constituição das listas de escolha.
§4º Os Quadros de Acesso por Antiguidade, Merecimento §4º Os Quadros de Acesso por Antiguidade, Merecimento
e Escolha são organizados, para cada data de promoção, e Escolha são organizados, para cada data de promoção,
na forma estabelecida na regulamentação desta lei para na forma estabelecida na regulamentação desta lei para
cada Força Armada. cada Força Armada.
Art. 32. Listas de Escolha são relações de oficiais de cada Art. 32. As listas de escolha são relações de oficiais de A alteração acrescenta o termo “Almirantado”, como é
Corpo, Quadro, ou Serviço, organizadas por postos, cada Corpo, Quadro, ou Serviço, organizadas por postos, denominado o Alto Comando na Marinha do Brasil.
constituídas pelos oficiais selecionados pelo Alto constituídas pelos oficiais selecionados pelo Almirantado
Comando de cada Força Armada levando em ou pelo Alto Comando de cada Força Armada, que
consideração as qualidades requeridas para o exercício consideram as qualidades requeridas para o exercício dos
dos altos cargos de comando, chefia ou direção privativos altos cargos de comando, chefia ou direção privativos de
de oficial-general, e destinadas a serem apresentadas ao oficial-general, e encaminhadas à apreciação do
Presidente da República para a promoção aos postos de Presidente da República para a promoção aos postos de
oficial-general. oficial-general.
Parágrafo único. Para inclusão em Lista de Escolha, é Parágrafo único. Para inclusão em Lista de Escolha, é
imprescindível que o oficial conste do Quadro de Acesso imprescindível que o oficial conste do Quadro de Acesso
por Escolha. por Escolha.
Art. 34. A Organização dos Quadros de Acesso por Art. 34. A Organização dos Quadros de Acesso por A alteração acrescenta o termo “Almirantado”, como é
Escolha e das Listas de Escolha obedecerá, em cada Força Escolha e das Listas de Escolha obedecerá, em cada Força denominado o Alto Comando na Marinha do Brasil.
Armada, ao seguinte: Armada, ao seguinte:
a) para promoção ao primeiro posto de Oficial-general: a) para promoção ao primeiro posto de Oficial-general:
I) 1ª fase - A Comissão de Promoções de Oficiais, de I) 1ª fase - A Comissão de Promoções de Oficiais, de
conformidade com as relações de todos os oficias conformidade com as relações de todos os oficias
superiores do último posto que satisfaçam os requisitos superiores do último posto que satisfaçam os requisitos
estabelecidos no artigo 15 e estejam dentro dos limites estabelecidos no artigo 15 e estejam dentro dos limites
quantitativos de antiguidade fixados, elaborará os quantitativos de antiguidade fixados, elaborará os
Quadros de Acesso por Escolha, que serão constituídos de Quadros de Acesso por Escolha, que serão constituídos de
acordo com o estabelecido na regulamentação desta lei acordo com o estabelecido na regulamentação desta lei
para cada Força Armada. para cada Força Armada.
II) 2ª fase - O Alto Comando elaborará as listas de II - segunda fase - o Almirantado ou o Alto Comando
Escolha selecionando, dos Quadros de Acesso por elaborará as listas de escolha de oficiais que integram os
Escolha, cinco oficiais para a primeira vaga e mais dois Quadros de Acesso por Escolha, para as quais
para vaga subsequente. selecionarão cinco oficiais para a primeira vaga e dois
para vaga subsequente.
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
b) para promoção ao segundo posto de oficial-general: b) para promoção ao segundo posto de oficial-general:
I) 1ª fase - A Comissão de Promoção de Oficiais I - primeira fase - a Comissão de Promoção de Oficiais
relacionará todos os oficiais-generais do primeiro posto relacionará os nomes dos oficiais-generais do primeiro
que satisfaçam as condições estabelecidas na letra a, do posto que satisfaçam as condições estabelecidas na alínea
artigo 15, e com eles organizará, por ordem de “a” do caput do artigo 15 e, a partir dessa relação,
antiguidade, os Quadros de Acesso por Escolha a serem organizará, por ordem de antiguidade, os Quadros de
submetidos ao Alto Comando. Acesso por Escolha a serem submetidos ao Almirantado
ou ao Alto Comando.
II) 2ª fase - O Alto Comando elaborará as listas de II - segunda fase - o Almirantado ou o Alto Comando
Escolha selecionando, dos Quadros de Acesso por elaborará as listas de Escolha de oficiais-generais que
Escolha, três oficiais-generais para a primeira vaga e mais integram os Quadros de Acesso por Escolha, para os
dois para vaga subsequente. quais selecionarão três oficiais-generais para a primeira
vaga e dois oficiais-generais para vaga subsequente.
c) para promoção ao terceiro posto de oficial-general: c) para promoção ao terceiro posto de oficial-general:
I) 1ª fase - A Comissão de Promoções de Oficiais I - primeira fase - a Comissão de Promoções de Oficiais
relacionará todos os oficiais-generais do segundo posto relacionará os nomes dos oficiais-generais do segundo
que satisfaçam as condições estabelecidas na letra a, do posto que satisfaçam as condições estabelecidas na alínea
artigo 15, e com eles organizará, por ordem de “a” do caput do art. 15 e, a partir dessa relação,
antiguidade, os Quadros de Acesso por Escolha a serem organizará, por ordem de antiguidade, os Quadros de
submetidos ao Alto Comando. Acesso por Escolha a serem submetidos ao Almirantado
ou ao Alto Comando.
II) 2ª Fase - O Alto Comando elaborará as listas de II - segunda fase – o Almirantado ou o Alto Comando
Escolha selecionando, dos Quadros de Acesso por elaborará as listas de Escolha de oficiais-generais que
Escolha, três oficiais-generais para a primeira vaga e mais integram os Quadros de Acesso por Escolha, para os
dois para vaga subsequente. quais selecionarão três oficiais-generais para a primeira
vaga e dois oficiais-generais para vaga subsequente.
§1º As Listas de Escolha a serem apresentados ao § 1º As Listas de Escolha que serão encaminhadas à
Presidente da República serão organizadas em ordem apreciação do Presidente da República serão organizadas
decrescente, de acordo com a votação realizada no alto em ordem decrescente, de acordo com a votação realizada
Comando de cada Força Armada. no Almirantado ou no Alto Comando das Forças
Armadas.
§2º O número de oficiais a compor as Listas de Escolha § 2º O número de oficiais a compor as Listas de Escolha
pode ser menor do que o estabelecido neste artigo, quando pode ser menor do que o estabelecido neste artigo, quando
os respectivos Quadros de Acesso por Escolha tiverem os respectivos Quadros de Acesso por Escolha tiverem
efetivo inferior ao mínimo necessário para a elaboração efetivo inferior ao mínimo necessário para a elaboração
das citadas listas. das citadas listas.
§3º A regulamentação desta lei, para cada Força Armada, § 3º A regulamentação desta lei, para cada Força Armada,
poderá fixar: poderá fixar:
a) nos itens I, das letras b e c, o limite quantitativo a a) nos itens I, das letras “b” e “c”, o limite quantitativo a
considerar; e considerar; e
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
b) nos itens II, das letras a, b e c , o número de oficiais b) nos itens II, das letras “a”, “b” e “c”, o número de
que, constantes do Quadro de Acesso por Escolha, serão oficiais que, constantes do Quadro de Acesso por Escolha,
levados à consideração do Alto Comando. serão levados à consideração do Almirantado ou do Alto
Comando.

Art. 35. O oficial não poderá constar de qualquer Quadro Art. 35. O oficial não poderá constar de qualquer Quadro 1- A alteração acrescenta o termo “Almirantado”, como é
de Acesso e Lista de Escolha quando: de Acesso e Lista de Escolha quando: denominado o Alto Comando na Marinha do Brasil.
a) deixar de satisfazer as condições estabelecidas na letra a) deixar de satisfazer as condições estabelecidas na letra
a do artigo 15; a do artigo 15;
b) for considerado não habilitado para o acesso, em b) for considerado não habilitado para o acesso, em
caráter provisório, a juízo do Alto Comando ou da caráter provisório, a juízo do Almirantado, do1 Alto
Comissão de Promoções de Oficiais, por, Comando ou da Comissão de Promoções, por,
presumivelmente, ser incapaz de atender a qualquer dos presumivelmente, ser incapaz de atender a quaisquer dos
requisitos estabelecidos nas letras b e c do artigo 15; requisitos estabelecidos nas alíneas “b” e “c” do caput do 2- Para se referir à custódia anterior ao trânsito em
art. 15; julgado do processo criminal, empregou-se o termo
c) for preso preventivamente, em flagrante delito, c) for preso cautelarmente2, enquanto a prisão não for referente à “prisão cautelar”, a qual engloba: prisão em
enquanto a prisão não for revogada; revogada; flagrante (próprio item), prisão temporária e prisão
d) for denunciado em processo crime, enquanto a sentença d) for réu em ação penal por crime doloso3, enquanto a preventiva (item “f” – revogado).
final não houver transitado em julgado; sentença final não houver transitado em julgado 3- No intuito de permitir a permanência no QAM de
e) estiver submetido a Conselho de Justificação, e) estiver submetido a Conselho de Justificação, oficiais que possivelmente cometeram crimes de baixo
instaurado “ex officio”; instaurado "ex officio"; potencial ofensivo e sem intenção (culposo).
f) for preso preventivamente, em virtude de Inquérito f) for preso preventivamente, em virtude de Inquérito
Policial Militar instaurado; Policial Militar instaurado;2 (REVOGADO)
g) for condenado, enquanto durar o cumprimento da pena, g) for condenado, enquanto durar o cumprimento da pena,
inclusive no caso de suspensão condicional da pena, não inclusive no caso de suspensão condicional da pena, não
se computando o tempo acrescido à pena original para se computando o tempo acrescido à pena original para
fins de sua suspensão condicional; fins de sua suspensão condicional;
h) for licenciado para tratar de interesse particular; h) for licenciado para tratar de interesse particular;
i) for condenado à pena de suspensão do exercício do i) for condenado à pena de suspensão do exercício do
posto, cargo ou função prevista no Código Penal Militar, posto, cargo ou função prevista no Código Penal Militar,
durante o prazo dessa suspensão; durante o prazo dessa suspensão;
j) estiver em dívida com a Fazenda Nacional, por 4- Revogar para evitar que a simples inscrição em dívida
j) estiver em dívida com a Fazenda Nacional, por alcance;
alcance;4 (REVOGADO) ativa da União impeça a promoção do militar. Deve-se
considerar que, para os casos mais graves, o militar
l) for considerado prisioneiro de guerra; l) for considerado prisioneiro de guerra; incidirá em crime tributário, abrangido pelas demais
m) for considerado desaparecido; m) for considerado desaparecido; hipóteses.
n) for considerado extraviado; ou n) for considerado extraviado; ou
o) for considerado desertor. o) for considerado desertor.
§1º O oficial que incidir na letra b deste artigo, será § 1º O oficial que incidir na letra b deste artigo, será
submetido a Conselho de Justificação " ex officio ". submetido a Conselho de Justificação " ex officio ".
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
§2º Recebido o relatório do Conselho de Justificação, § 2º Recebido o relatório do Conselho de Justificação,
instaurado na forma do § 1º, o Ministro Militar respectivo, instaurado na forma do § 1º, o Ministro Militar respectivo,
em sua decisão, quando for o caso, considerará o oficial em sua decisão, quando for o caso, considerará o oficial
não habilitado para o acesso em caráter definitivo, na não habilitado para o acesso em caráter definitivo, na
forma do Estatuto dos Militares. forma do Estatuto dos Militares.
§3º Será excluído de qualquer Quadro de Acesso e Lista § 3º Será excluído de qualquer Quadro de Acesso e Lista
de Escolha o oficial que incidir em uma das circunstâncias de Escolha o oficial que incidir em uma das circunstâncias
previstas neste artigo ou em uma das seguintes: previstas neste artigo ou em uma das seguintes:
a) for nele incluído indevidamente; a) for nele incluído indevidamente;
b) for promovido; b) for promovido;
c) tiver falecido; c) tiver falecido;
d) passar à inatividade. d) passar à inatividade.
PL 1.645/2019 - Proposta de alteração na Lei que dispõe sobre os requisitos para ingresso nos cursos de formação de militares de carreira do Exército
(Lei nº 12.705/2012)

Legenda:
Preto – texto original.
Vermelho – texto proposto
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
Art. 3º São requisitos específicos para o candidato ao Art. 3º São requisitos específicos para o candidato ao Modificações realizadas para adequar as idades limites de
ingresso nos cursos de formação de oficiais e sargentos de ingresso nos cursos de formação de oficiais e sargentos de acordo com o novo tempo de serviço de 35 anos.
carreira do Exército, nas formas definidas na legislação e carreira do Exército, nas formas definidas na legislação e
regulamentação vigentes e nos editais dos concursos regulamentação vigentes e nos editais dos concursos
públicos: públicos:
I nível de escolaridade de ensino médio completo para o I nível de escolaridade de ensino médio completo para o
ingresso nos cursos de formação de sargentos; ingresso nos cursos de formação de sargentos;
II nível de escolaridade de ensino médio, completo ou II nível de escolaridade de ensino médio, completo ou
incompleto, ou de ensino superior completo para o incompleto, ou de ensino superior completo para o
ingresso nos cursos de formação de oficiais; e ingresso nos cursos de formação de oficiais; e
III atender aos seguintes requisitos de idade em 31 de III atender aos seguintes requisitos de idade em 31 de
dezembro do ano de sua matrícula: dezembro do ano de sua matrícula:
a) no Curso Preparatório de Cadetes: possuir no mínimo a) no Curso Preparatório de Cadetes: possuir no mínimo
16 (dezesseis) e no máximo 21 (vinte e um) anos de 16 (dezesseis) e no máximo 21 (vinte e um) anos de
idade; idade;
b) nos Cursos de Formação de Oficiais das Armas, do b) nos Cursos de Formação de Oficiais das Armas, do
Quadro de Material Bélico e do Serviço de Intendência: Quadro de Material Bélico e do Serviço de Intendência:
possuir no mínimo 17 (dezessete) e no máximo 22 (vinte possuir no mínimo 17 (dezessete) e no máximo 22 (vinte
Anexo 22

e dois) anos de idade; e dois) anos de idade;


c) no Curso de Formação e Graduação do Quadro de c) no Curso de Formação e Graduação do Quadro de
Engenheiros Militares: possuir no mínimo 16 (dezesseis) Engenheiros Militares: possuir no mínimo 16 (dezesseis)
e no máximo 22 (vinte e dois) anos de idade; e no máximo 22 (vinte e dois) anos de idade;
d) no Curso de Formação de Oficiais do Quadro de d) no Curso de Formação de Oficiais do Quadro de
Engenheiros Militares: possuir no máximo 26 (vinte e Engenheiros Militares: possuir no máximo 26 (vinte e
seis) anos de idade; seis) anos de idade;
e) nos Cursos de Formação de Oficiais Médicos, e) nos cursos de formação de Oficiais Médicos, Dentistas,
Dentistas, Farmacêuticos e do Quadro Complementar de Farmacêuticos e do Quadro Complementar de Oficiais –
Oficiais: possuir no máximo 36 (trinta e seis) anos de possuir, no máximo, trinta e dois anos de idade;
idade; f) nos Cursos de Formação de Sargentos das diversas
f) nos Cursos de Formação de Sargentos das diversas Qualificações Militares, exceto de Músico e de Saúde:
Qualificações Militares, exceto de Músico e de Saúde: possuir no mínimo 17 (dezessete) e no máximo 24 (vinte
possuir no mínimo 17 (dezessete) e no máximo 24 (vinte e quatro) anos de idade; e
e quatro) anos de idade; e
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
g) nos Cursos de Formação de Sargentos das g) nos Cursos de Formação de Sargentos das
Qualificações Militares de Músico e de Saúde: possuir no Qualificações Militares de Músico e de Saúde: possuir no
mínimo 17 (dezessete) e no máximo 26 (vinte e seis) anos mínimo 17 (dezessete) e no máximo 26 (vinte e seis) anos
de idade; de idade;
IV (VETADO). IV (VETADO).
§ 1º À comprovação de nível de escolaridade referido nos § 1º À comprovação de nível de escolaridade referido nos
incisos I e II do caput do art. 3o pode ser acrescido, nos incisos I e II do caput do art. 3o pode ser acrescido, nos
termos do edital do concurso, exigência de habilitação em termos do edital do concurso, exigência de habilitação em
área do conhecimento específica, quando necessária para área do conhecimento específica, quando necessária para
as atividades a serem desempenhadas. as atividades a serem desempenhadas.
§ 2º Os requisitos para ingresso no Quadro de Capelães § 2º Os requisitos para ingresso no Quadro de Capelães
Militares são os estabelecidos pela Lei no 6.923, de 29 de Militares são os estabelecidos pela Lei no 6.923, de 29 de
junho de 1981. junho de 1981.
§ 3º O limite de idade estabelecido na alínea “e” do
inciso III do caput não se aplica aos médicos
especialistas, que poderão possuir, no máximo, trinta e
quatro anos de idade em 31 de dezembro do ano de
sua matrícula.
PL 1.645/2019 - Proposta de alteração na Medida Provisória nº 2.215-10, de 31 de agosto de 2001
Legenda:
Preto – texto original.
Vermelho – texto proposto
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
Art. 3º Para os efeitos desta Medida Provisória, entende- Art. 3º. Para os efeitos desta Medida Provisória, entende- O art. 9º do PL 1.645/2019 traz a seguinte redação:
se como: se como: Art. 9º A gratificação de representação é parcela
................................................................................... ................................................................................... remuneratória devida:
VIII - gratificação de representação: I - aos oficiais-generais; e
VIII – REVOGADO
a) parcela remuneratória mensal devida aos Oficiais II - em caráter eventual, conforme regulamentação:
Generais e aos demais oficiais em cargo de comando, a) aos oficiais em cargo de comando, direção e chefia
direção e chefia de organização militar, conforme de organização militar;
regulamentação; e b) pela participação em viagem de representação ou
de instrução;
b) parcela remuneratória eventual devida ao militar pela
c) em emprego operacional; ou
participação em viagem de representação, instrução,
d) por estar às ordens de autoridade estrangeira no
emprego operacional ou por estar às ordens de autoridade
País.
estrangeira no País, conforme regulamentação;
§ 1º Os percentuais da gratificação de representação
são aqueles definidos no Anexo IV a esta Lei.
§ 2º A gratificação de representação comporá os
proventos na inatividade do oficial-general que tenha
sido transferido para a reserva remunerada ou
reformado durante o serviço ativo.
§ 3º A gratificação de representação não comporá a
pensão militar.
Art. 10. Os proventos na inatividade remunerada são Art. 10. - REVOGADO O art. 11 do PL 1.645/2019 traz a seguinte redação:
Anexo 23

constituídos das seguintes parcelas: Art. 11. Os proventos na inatividade remunerada são
I - soldo ou quotas de soldo; constituídos das seguintes parcelas:
II - adicional militar; I -soldo ou quotas de soldo;
III - adicional de habilitação; II - adicional militar;
IV - adicional de tempo de serviço, observado o disposto III - adicional de habilitação;
no art. 30 desta Medida Provisória; IV -adicional de disponibilidade militar, observado o
V - adicional de compensação orgânica; e disposto no art. 7º;
VI - adicional de permanência. V - adicional de tempo de serviço, observado o
§ 1º Para efeitos de cálculo, os proventos são: disposto no art. 30 da Medida Provisória nº 2.215-10,
I - integrais, calculados com base no soldo; ou de 2001;
II - proporcionais, calculados com base em quotas do VI - adicional de compensação orgânica; e
soldo, correspondentes a um trinta avos do valor do VII - adicional de permanência.
soldo, por ano de serviço. § 1º Para efeitos de cálculo, os proventos são:
§ 2º Aplica-se o disposto neste artigo ao cálculo da I - integrais, calculados com base no soldo; ou
pensão militar. II - proporcionais, calculados com base em quotas do
§ 3º O militar transferido para a reserva remunerada ex soldo, correspondentes a um trinta e cinco avos do
officio, por haver atingido a idade limite de permanência valor do soldo, por ano de serviço.
em atividade, no respectivo posto ou graduação, ou por § 2º O disposto neste artigo aplica-se ao cálculo da

1
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
não haver preenchido as condições de escolha para acesso pensão militar.
ao generalato, tem direito ao soldo integral. § 3º Faz jus ao soldo integral o militar:
I - transferido para a reserva remunerada ex officio,
por haver atingido a idade-limite de
permanência em atividade, no respectivo posto ou
graduação;
II - que esteja enquadrado nas hipóteses previstas nos
incisos VIII ou IX do caput do art. 98
da Lei nº 6.880, de 1980; ou
III - que tenha sido abrangido pela quota
compulsória, unicamente em razão do disposto na
alínea “c” do inciso II do caput do art. 101 da Lei nº
6.880, de 1980.
Art. 15. São descontos obrigatórios do militar: Art. 15. - REVOGADO O art. 12 do PL 1.645/2019 traz a seguinte redação:
I - contribuição para a pensão militar; Art. 12. São descontos obrigatórios do militar:
II - contribuição para a assistência médico-hospitalar e I - contribuição para a pensão militar;
social do militar; II - contribuição para a assistência médico-hospitalar
III - indenização pela prestação de assistência médico- e social do militar;
hospitalar, por intermédio de organização militar; III - indenização pela prestação de assistência médico-
IV - impostos incidentes sobre a remuneração ou os hospitalar, por intermédio de organização militar;
proventos, de acordo com a lei; IV - impostos incidentes sobre a remuneração ou os
V - indenização à Fazenda Nacional em decorrência de proventos, conforme previsto em lei;
dívida; V - ressarcimento e indenização ao erário, conforme
VI - pensão alimentícia ou judicial; disposto em ato do Ministro de Estado da Defesa;
VII - taxa de uso por ocupação de próprio nacional VI - pensão alimentícia ou judicial;
residencial, conforme regulamentação; VII - taxa de uso por ocupação de próprio nacional
VIII - multa por ocupação irregular de próprio nacional residencial, conforme estabelecido em regulamento; e
residencial, conforme regulamentação. VIII - multa por ocupação irregular de próprio
nacional residencial, conforme estabelecido em
regulamento.
Parágrafo único. O disposto nos incisos II e III do
caput não se aplica:
I - aos alunos dos centros ou núcleos de formação de
oficiais da reserva; e
II - aos Cabos, Soldados e Marinheiros durante o
serviço militar obrigatório.
Art. 12. São descontos obrigatórios do militar:
I - contribuição para a pensão militar;
II - contribuição para a assistência médico-hospitalar
e social do militar;
III - indenização pela prestação de assistência médico-
hospitalar, por intermédio de organização militar;
IV - impostos incidentes sobre a remuneração ou os

2
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
proventos, conforme previsto em lei;
V - ressarcimento e indenização ao erário, conforme
disposto em ato do Ministro de Estado da Defesa;
VI - pensão alimentícia ou judicial;
VII - taxa de uso por ocupação de próprio nacional
residencial, conforme estabelecido em regulamento; e
VIII - multa por ocupação irregular de próprio
nacional residencial, conforme estabelecido em
regulamento.
Parágrafo único. O disposto nos incisos II e III do
caput não se aplica:
I - aos alunos dos centros ou núcleos de formação de
oficiais da reserva; e
II - aos Cabos, Soldados e Marinheiros durante o
serviço militar obrigatório.
Art. 17. Nenhum militar, na ativa ou na inatividade, pode Art. 17. - REVOGADO Não foi encontrada justificativa expressa para a essa
perceber mensalmente, a título de remuneração ou revogação. É de se crer que esse dispositivo se revelou
proventos, importância superior à remuneração bruta do despropositado.
Comandante de Força.
Parágrafo único. Excluem-se, para fim de aplicação deste
artigo, os valores inerentes a:
I - direitos remuneratórios previstos no art. 2o desta
Medida Provisória;
II - adicional de tempo de serviço, observado o disposto
no art. 30 desta Medida Provisória;
III - adicional de compensação orgânica;
IV - gratificação de localidade especial;
V - gratificação de representação; e
VI - adicional de permanência.

3
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
Art. 18. Nenhum militar ou beneficiário de pensão militar Art. 18. Nenhum militar ou beneficiário de pensão militar O art. 3º do PL 1.645/2019, ao dar nova redação ao art. 1º
pode receber, como remuneração, proventos mensais ou pode receber, como remuneração, proventos mensais ou da Lei nº 3.765/1960 – Lei das Pensões Militares, incluiu
pensão militar, valor inferior ao do salário mínimo pensão militar, valor inferior ao do salário mínimo as praças prestadoras de serviço militar inicial e todas as
vigente, sendo-lhe paga, como complemento, a diferença vigente, sendo-lhe paga, como complemento, a diferença praças especiais entre os contribuintes da pensão militar.
encontrada. encontrada.
§ 1º A pensão militar de que trata o caput deste artigo é a § 1º A pensão militar de que trata o caput deste artigo é a
pensão militar tronco e não as cotas partes resultantes das pensão militar tronco e não as cotas partes resultantes das
subdivisões aos beneficiários. subdivisões aos beneficiários.
§ 2º Excluem-se do disposto no caput deste artigo as § 2º - REVOGADO
praças prestadoras de serviço militar inicial e as praças
especiais, exceto o Guarda-Marinha e o Aspirante-a-
Oficial.
§ 3º O complemento previsto no caput deste artigo § 3º O complemento previsto no caput deste artigo
constituirá parcela de proventos na inatividade, além das constituirá parcela de proventos na inatividade, além das
previstas no art. 10 desta Medida Provisória, até que seja previstas no art. 10 desta Medida Provisória, até que seja
absorvido por ocasião de futuros reajustes. absorvido por ocasião de futuros reajustes.
Art. 31. Fica assegurada aos atuais militares, mediante Art. 31. Fica assegurada aos atuais militares, mediante O art. 13 do PL 1.645/2019 traz a seguinte redação:
contribuição específica de um vírgula cinco por cento das contribuição específica de um vírgula cinco por cento das Art. 13. Poderá ocorrer a renúncia pelo militar, em
parcelas constantes do art. 10 desta Medida Provisória, a parcelas constantes do art. 10 desta Medida Provisória, a caráter irrevogável, ao disposto no caput do art. 31 da
manutenção dos benefícios previstos na Lei no 3.765, de manutenção dos benefícios previstos na Lei no 3.765, de Medida Provisória nº 2.215-10, de 2001, que poderá
1960, até 29 de dezembro de 2000. 1960, até 29 de dezembro de 2000. ser expressa a qualquer tempo, vedada qualquer
§ 1º Poderá ocorrer a renúncia, em caráter irrevogável, ao § 1º - REVOGADO espécie de restituição.
disposto no caput, que deverá ser expressa até 31 de
agosto de 2001.
§ 2º Os beneficiários diretos ou por futura reversão das § 2º Os beneficiários diretos ou por futura reversão das
pensionistas são também destinatários da manutenção dos pensionistas são também destinatários da manutenção dos
benefícios previstos na Lei no 3.765, de 1960, até 29 de benefícios previstos na Lei no 3.765, de 1960, até 29 de
dezembro de 2000. dezembro de 2000.

4
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
Tabela III do Anexo II Tabela III do Anexo II - REVOGADO O Anexo III 3 PL 1.645/2019 traz nova tabela:
ADICIONAL DE HABILITAÇÃO ANEXO III
TABELA DE ADICIONAL DE HABILITAÇÃO
QUANTITATIVO
QUANTITATIVO PERCENTUAL
TIPOS DE PERCENTUAL FUNDA-
SOBRE O SOLDO
CURSO SOBRE O MENTO TIPOS Até 30 A A A A
SOLDO DE de partir partir partir partir
CURSOS junho de 1º de de 1º de de 1º de de 1º de
Altos Estudos – 30 Arts. 1º e de 2020 julho dejulho dejulho dejulho de
Categoria I. 3º. 2020 2021 2022 2023
Altos Categoria I 30 42 54 66 73
Altos Estudos – 25 Estudos Categoria II 25 37 49 61 68
Categoria II. Aperfeiçoamento 20 27 34 41 45
Aperfeiçoamento. 20 Especialização 16 19 22 25 27
Formação 12 12 12 12 12
Especialização. 16
Formação. 12

Tabela II do Anexo III Tabela II do Anexo III - REVOGADO O Anexo IV 3 PL 1.645/2019 traz nova tabela:
GRATIFICAÇÃO DE REPRESENTAÇÃO ANEXO IV
VALOR TABELA DE GRATIFICAÇÃO DE
PERCENTUAL REPRESENTAÇÃO
FUNDA VALOR PERCENTUAL QUE
SITUAÇÕES QUE INCIDE SITUAÇÕES
MENTO INCIDE SOBRE O SOLDO
SOBRE O
SOLDO Oficial general 10
Oficial superior, inter
Oficial General. 10 Arts. 1º e mediário ou subalter-
3º. 10
Oficial Superior, Inter- no em cargo de co-
mediário e Subalterno mando, direção ou
10 chefia
em cargo de Comando,
Direção ou Chefia. Participante em via-
gem de representação,
Participante em viagem atividade de instru-
de representação, instru- ção, operação de em- 2
ção, emprego opera- prego operacional ou
2
cional ou por estar às que esteja às ordens
ordens de autoridade de autoridade estran-
estrangeira, no País. geira no País

5
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
Tabela I do Anexo IV Tabela I do Anexo IV - REVOGADO
AJUDA DE CUSTO ANEXO V
TABELA DE AJUDA DE CUSTO
VALOR FUNDA SITUAÇÕES VALOR VALOR
SITUAÇÕES REPRESENTATIVO MENTO REPRESENTA REPRESENTA
Militar, com Art. 1º e TIVO ATÉ 31 TIVO A
DE PARTIR DE 1º
dependente, nas art. 3º, DEZEMBRO DE JANEIRO
movimen- inciso DE 2019 DE 2020
Duas vezes o valor
a tações com XI, Militar, que possua de-
da remuneração.
desligamento alínea pendente, nas movi- Duas vezes o Duas vezes o
da organização "a". a mentações com desliga- valor da valor da
militar. mento da organização remuneração. remuneração.
militar.
Militar, com Militar, que possua de-
dependente, nas pendente, nas movi- Duas vezes o Duas vezes o
movimen- mentações para comis- valor da valor da
tações para b são superior a três e remuneração remuneração
comissão supe- Duas vezes o valor igual ou inferior a doze na ida e uma na ida e uma
rior a três e da remuneração na meses, sem desligamen- vez na volta. vez na volta.
b to da organização mili-
igual ou infe- ida e uma vez na
rior a seis me- volta. tar.
Militar, que possua de-
ses, sem desli-
pendente, nas movi-
gamento de mentações para comis- Uma vez o Uma vez o
organização c são superior a quinze valor da valor da
militar. dias e igual ou inferior remuneração remuneração
a três meses, sem desli- na ida e outra na ida e outra
Militar, com vez na volta. vez na volta.
gamento da organiza-
dependente, nas ção militar.
movimen-
tações para
comissão supe-
Uma vez o valor da
rior a quinze
c remuneração na ida e
dias e igual ou
outra na volta.
inferior a três
meses, sem
desligamento
de organização
militar.

continua...
continua...

6
Texto atual Texto proposto Justificativa do texto proposto
...continuação ...continuação
Militar, com Art. 1º e
Militar, que possua de-
dependente, art. 3º, pendente, quando trans
quando transfe- inciso ferido para Localidade
rido para Loca- XI, Especial Categoria "A"
lidade Especial alínea ou de uma Localidade Quatro vezes Quatro vezes
Categoria "A" "a". d Especial Categoria "A" o valor da o valor da
ou de uma para qualquer outra remuneração. remuneração.
Localidade localidade, nas movi-
Especial Quatro vezes o valor mentações com desliga-
d mento da organização
Categoria "A" da remuneração.
militar
para qualquer Militar, que não possua Metade dos Metade dos
outra localida- dependente, que se valores repre- valores repre-
de, nas encontre nas situações sentativos sentativos
movimentaçõe "a", "b", "c", ou "d" esta-belecidos esta-belecidos
s com desliga- e desta Tabela. para as para as
mento da situações "a", situações "a",
organização "b", "c", e "b", "c", e
militar. "d" desta "d" desta
Tabela. Tabela.
Militar, sem Metade dos valores Oficial: Oficial: oito
dependente, representativos quatro vezes o vezes o valor
nas situações estabelecidos para as valor da da
e remuneração remuneração
"a", "b", "c" e situações "a", "b",
"d" desta "c", e "d" desta calculado com calculado com
base no soldo base no soldo
tabela. tabela. do último do último
Militar, com ou Oficial – quatro Art. 1º e posto do posto do
sem dependen- vezes o valor da art. 3º, Militar, que possua ou círculo hierár- círculo hierár-
te, por ocasião remuneração inciso f não dependente, por quico a que quico a que
ocasião de transferên- pertencer o pertencer o
de transferên- calculado com base XI, cia para a inatividade militar. militar.
cia para a no soldo do último alínea remunerada. Praça: quatro Praça: oito
inatividade posto do círculo "b". vezes o valor vezes o valor
remunerada. hierárquico a que da remunera- da remunera-
f pertencer o militar. ção calculado ção calculado
com base no com base no
Praça – quatro vezes soldo de Sub- soldo de Sub-
o valor da oficial. oficial.
remuneração
calculado com base
no soldo de
Suboficial.

7
Anexo 24
PL 1.645/2019 - Proposta de alteração na Lei que dispõe sobre a reestruturação do Plano Geral de Cargos do Poder
Executivo – PGPE (Lei nº 11.784/2012)
Legenda: Preto – texto original; Vermelho – texto proposto
ANEXO LXXXVII
(Redação vigente, dada pela Lei nº 13.321, de 2016)
TABELA DE SOLDO
SOLDO (R$)
POSTO OU o
GRADUAÇÃO Até 31 de julho de A partir de 1 de A partir de 1o de A partir de 1o de A partir de 1o de
2016 agosto de 2016 janeiro de 2017 janeiro de 2018 janeiro de 2019
1. OFICIAIS GENERAIS
Almirante de
Esquadra, Gene-
ral de Exército e 10.830,00 11.426,00 12.076,00 12.763,00 13.471,00
Tenente-Briga-
deiro
Vice-Almirante,
General de
10.380,00 10.951,00 11.574,00 12.233,00 12.912,00
Divisão e Major-
Brigadeiro
Contra-Almiran-
te, General de
10.041,00 10.593,00 11.196,00 11.833,00 12.490,00
Brigada e
Brigadeiro
2. OFICIAIS SUPERIORES
Capitão de Mar e
9.159,00 9.663,00 10.229,00 10.832,00 11.451,00
Guerra e Coronel
Capitão de
Fragata e 8.991,00 9.486,00 10.044,00 10.642,00 11.250,00
Tenente-Coronel
Capitão de
8.811,00 9.296,00 9.860,00 10.472,00 11.088,00
Corveta e Major
3. OFICIAIS INTERMEDIÁRIOS
Capitão-Tenente
6.945,00 7.327,00 7.861,00 8.517,00 9.135,00
e Capitão
4. OFICIAIS SUBALTERNOS

Primeiro-Tenente 6.576,00 6.938,00 7.350,00 7.796,00 8.245,00

Segundo-Tenente 5.967,00 6.295,00 6.673,00 7.082,00 7.490,00

5. PRAÇAS ESPECIAIS
Guarda-Marinha
e Aspirante a 5.622,00 5.931,00 6.268,00 6.625,00 6.993,00
Oficial
Aspirante,
Cadete (último
ano) e Aluno do
1.164,00 1.228,00 1.298,00 1.372,00 1.448,00
Instituto Militar
de Engenharia
(último ano)
Aspirante e Ca-
dete (demais
anos), Aluno do
Centro de Forma
ção de Oficiais
945,00 997,00 1.054,00 1.114,00 1.176,00
da Aeronáutica e
Aluno de Órgão
de Formação de
Oficiais da
Reserva

1
Aluno do
Colégio Naval,
Aluno da Escola
Preparatória de
Cadetes (último 858,00 905,00 956,00 1.010,00 1.066,00
ano) e Aluno da
Escola de
Formação de
Sargentos
Aluno do
Colégio Naval,
Aluno da Escola
840,00 886,00 936,00 989,00 1.044,00
Preparatória de
Cadetes (demais
anos) e Grumete
Aprendiz-
789,00 832,00 879,00 929,00 981,00
Marinheiro
6. PRAÇAS GRADUADAS
Suboficial e
4.677,00 4.934,00 5.307,00 5.751,00 6.169,00
Subtenente
Primeiro-
4.134,00 4.361,00 4.695,00 5.110,00 5.483,00
Sargento
Segundo-
3.573,00 3.770,00 4.060,00 4.445,00 4.770,00
Sargento
Terceiro-
2.949,00 3.111,00 3.325,00 3.584,00 3.825,00
Sargento
Cabo (engajado)
1.974,00 2.083,00 2.243,00 2.449,00 2.627,00
e Taifeiro-Mor
Cabo (não
702,00 741,00 818,00 886,00 956,00
engajado)
7. DEMAIS PRAÇAS
Taifeiro de
1.869,00 1.972,00 2.084,00 2.203,00 2.325,00
Primeira Classe
Taifeiro de
1.776,00 1.874,00 1.981,00 2.094,00 2.210,00
Segunda Classe
Marinheiro, Sol-
dado Fuzileiro
Naval e Soldado
de Primeira Clas-
se (especializado,
cursado e engaj-
ado), Soldado- 1.491,00 1.573,00 1.663,00 1.758,00 1.856,00
Clarim ou Cor-
neteiro de Pri-
meira Classe e
Soldado Para-
quedista
(engajado)
Marinheiro, Sol-
dado Fuzileiro
Naval, Soldado
de Primeira Clas-
se (não especial-
zado) e Soldado-
Clarim ou Cor- 1.254,00 1.323,00 1.398,00 1.478,00 1.560,00
neteiro de Segun-
da Classe, Solda-
do do Exército e
Soldado de
Segunda Classe
(engajado)

2
Marinheiro-
Recruta, Recruta,
Soldado,
Soldado-Recruta,
Soldado de
642,00 677,00 769,00 854,00 956,00
Segunda Classe
(não engajado) e
Soldado-Clarim
ou Corneteiro de
Terceira Classe

TABELA PROPOSTA PELO PL 1.645/2015


ANEXO VI
TABELA DE SOLDOS
SOLDO (R$) SOLDO (R$)
POSTO OU GRADUAÇÃO A partir de 1º de A partir de 1º de
janeiro de 2019 (R$) janeiro de 2020 (R$)
1. OFICIAIS GENERAIS
Almirante de Esquadra, General de Exército e Tenente-Brigadeiro 13.471,00 13.471,00
Vice-Almirante, General de Divisão e Major-Brigadeiro 12.912,00 12.912,00
Contra-Almirante, General de Brigada e Brigadeiro 12.490,00 12.490,00
2. OFICIAIS SUPERIORES
Capitão de Mar e Guerra e Coronel 11.451,00 11.451,00
Capitão de Fragata e Tenente-Coronel 11.250,00 11.250,00
Capitão de Corveta e Major 11.088,00 11.088,00
3. OFICIAIS INTERMEDIÁRIOS
Capitão-Tenente e Capitão 9.135,00 9.135,00
4. OFICIAIS SUBALTERNOS
Primeiro-Tenente 8.245,00 8.245,00
Segundo-Tenente 7.490,00 7.490,00
5. PRAÇAS ESPECIAIS
Guarda-Marinha e Aspirante a Oficial 6.993,00 7.315,00
Aspirante, Cadete (último ano) e Aluno do Instituto Militar de
1.448,00 1.630,00
Engenharia (último ano)
Aspirante e Cadete (demais anos), Aluno do Centro de Formação
de Oficiais da Aeronáutica e Aluno de órgão de formação de 1.176,00 1.334,00
Oficiais da Reserva
Aluno do Colégio Naval, Aluno da Escola Preparatória de Cadetes
1.066,00 1.199,00
(último ano) e Aluno da Escola de Formação de Sargentos
Aluno do Colégio Naval, Aluno da Escola Preparatória de Cadetes
1.044,00 1.185,00
(demais anos) e Grumete
Aprendiz-Marinheiro e Aprendiz-Fuzileiro Naval 981,00 1.105,00
6. PRAÇAS GRADUADAS
Suboficial e Subtenente 6.169,00 6.169,00
Primeiro-Sargento 5.483,00 5.483,00
Segundo-Sargento 4.770,00 4.770,00
Terceiro-Sargento 3.825,00 3.825,00
Cabo (engajado) e Taifeiro-Mor 2.627,00 2.627,00
Cabo (não engajado) 956,00 1.078,00
7. DEMAIS PRAÇAS
Taifeiro de Primeira Classe 2.325,00 2.325,00
Taifeiro de Segunda Classe 2.210,00 2.210,00
Marinheiro, Soldado Fuzileiro Naval e Soldado de Primeira Classe
(especializado, cursado e engajado), Soldado-Clarim ou Corneteiro 1.856,00 1.926,00
de Primeira Classe e Soldado Paraquedista (engajado)
Marinheiro, Soldado Fuzileiro Naval, Soldado de Primeira Classe
(não especializado) e Soldado-Clarim ou Corneteiro de Segunda
1.560,00 1.765,00
Classe, Soldado do Exército e Soldado de Segunda Classe
(engajado)
Marinheiro Recruta, Recruta, Soldado, Soldado Recruta, Soldado
de Segunda Classe (não engajado) e Soldado-Clarim ou Corneteiro 956,00 1.078,00
de Terceira Classe
3
ANEXO LXXXVIII
(Redação vigente, dada pela Lei nº 13.321, de 2016)
TABELA DE ESCALONAMENTO VERTICAL
ÍNDICE
POSTO OU GRADUAÇÃO Até 31 de A partir de A partir de A partir de
dezembro de 1o de janeiro 1o de janeiro 1o de janeiro
2016 de 2017 de 2018 de 2019
OFICIAIS-GENERAIS
Almirante de Esquadra, General de Exército e Tenente-
1.000 1.000 1.000 1.000
Brigadeiro

Vice-Almirante, General de Divisão e Major-Brigadeiro 958 958 958 958

Contra-Almirante, General de Brigada e Brigadeiro 927 927 927 927

OFICIAIS SUPERIORES
Capitão de Mar e Guerra e Coronel 846 847 849 850
Capitão de Fragata e Tenente-Coronel 830 832 834 835
Capitão de Corveta e Major 813 817 821 823
OFICIAIS INTERMEDIÁRIOS
Capitão-Tenente e Capitão 641 651 667 678
OFICIAIS SUBALTERNOS
Primeiro-Tenente 607 609 611 612
Segundo-Tenente 551 553 555 556
PRAÇAS ESPECIAIS
Guarda-Marinha e Aspirante a Oficial 519 519 519 519
Aspirante, Cadete (último ano) e Aluno do Instituto Militar
107 107 107 107
de Engenharia (último ano)
Aspirante e Cadete (demais anos), Aluno do Centro de
Formação de Oficiais da Aeronáutica e Aluno de Órgão de 87 87 87 87
Formação de Oficiais da Reserva
Aluno do Colégio Naval, Aluno da Escola Preparatória de
Cadetes (último ano) e Aluno da Escola de Formação de 79 79 79 79
Sargentos
Aluno do Colégio Naval, Aluno da Escola Preparatória de
77 77 77 77
Cadetes (demais anos) e Grumete
Aprendiz-Marinheiro 73 73 73 73
PRAÇAS GRADUADAS
Suboficial e Subtenente 432 439 451 458
Primeiro-Sargento 382 389 400 407
Segundo-Sargento 330 336 348 354
Terceiro-Sargento 272 275 281 284
Cabo (engajado) e Taifeiro-Mor 182 186 192 195
Cabo (não engajado) 65 68 69 71
DEMAIS PRAÇAS
Taifeiro de Primeira Classe 172 172 172 172
Taifeiro de Segunda Classe 164 164 164 164
Marinheiro, Soldado Fuzileiro Naval e Soldado de
Primeira Classe (especializado, cursado e engajado),
138 138 138 138
Soldado-Clarim ou Corneteiro de Primeira Classe e
Soldado Paraquedista (engajado)
Marinheiro, Soldado Fuzileiro Naval, Soldado de Primeira
Classe (não especializado) e Soldado-Clarim ou Corneteiro
116 116 116 116
de Segunda Classe, Soldado do Exército e Soldado de
Segunda Classe (engajado)
Marinheiro-Recruta, Recruta, Soldado, Soldado-Recruta,
Soldado de Segunda Classe (não engajado) e Soldado- 59 64 67 71
Clarim ou Corneteiro de Terceira Classe

4
TABELA PROPOSTA PELO PL 1.645/2015

ANEXO VII
TABELA DE ESCALONAMENTO VERTICAL
ÍNDICE ÍNDICE
Até 31 de A partir de 1º
POSTO OU GRADUAÇÃO
dezembro de de janeiro de
2019 2020
1. OFICIAIS GENERAIS
Almirante de Esquadra, General de Exército e Tenente-Brigadeiro 1000 1000
Vice-Almirante, General de Divisão e Major-Brigadeiro 958 958
Contra-Almirante, General de Brigada e Brigadeiro 927 927
2. OFICIAIS SUPERIORES
Capitão de Mar e Guerra e Coronel 850 850
Capitão de Fragata e Tenente-Coronel 835 835
Capitão de Corveta e Major 823 823
3. OFICIAIS INTERMEDIÁRIOS
Capitão-Tenente e Capitão 678 678
4. OFICIAIS SUBALTERNOS
Primeiro-Tenente 612 612
Segundo-Tenente 556 556
5. PRAÇAS ESPECIAIS
Guarda-Marinha e Aspirante a Oficial 519 543
Aspirante, Cadete (último ano) e Aluno do Instituto Militar de Engenharia
107 121
(último ano)
Aspirante e Cadete (demais anos), Aluno do Centro de Formação de Oficiais da
87 99
Aeronáutica e Aluno de órgão de formação de Oficiais da Reserva
Aluno do Colégio Naval, Aluno da Escola Preparatória de Cadetes (último ano) e
79 89
Aluno da Escola de Formação de Sargentos
Aluno do Colégio Naval, Aluno da Escola Preparatória de Cadetes (demais anos)
77 88
e Grumete
Aprendiz-Marinheiro e Aprendiz-Fuzileiro Naval 73 82
6. PRAÇAS GRADUADAS
Suboficial e Subtenente 458 458
Primeiro-Sargento 407 407
Segundo-Sargento 354 354
Terceiro-Sargento 284 284
Cabo (engajado) e Taifeiro-Mor 195 195
Cabo (não engajado) 71 80
7. DEMAIS PRAÇAS
Taifeiro de Primeira Classe 172 172
Taifeiro de Segunda Classe 164 164
Marinheiro, Soldado Fuzileiro Naval e Soldado de Primeira Classe
(especializado, cursado e engajado), Soldado-Clarim ou Corneteiro de Primeira 138 143
Classe e Soldado Paraquedista (engajado)
Marinheiro, Soldado Fuzileiro Naval, Soldado de Primeira Classe (não
especializado) e Soldado-Clarim ou Corneteiro de Segunda Classe, Soldado do 116 131
Exército e Soldado de Segunda Classe (engajado)
Marinheiro Recruta, Recruta, Soldado, Soldado Recruta, Soldado de Segunda
71 80
Classe (não engajado) e Soldado-Clarim ou Corneteiro de Terceira Classe

5
Anexos sem numeração
Sugestões de emendas
COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A PROFERIR PARECER AO
PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

Altera a Lei nº 6.880, de 9 de dezembro


de 1980, que dispõe sobre o Estatuto dos
Militares; a Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960,
que dispõe sobre as pensões militares; a Lei nº
4.375, de 17 de agosto de 1964 - Lei do Serviço
Militar; a Lei nº 5.821, de 10 de novembro de
1972, que dispõe sobre as promoções dos
oficiais da ativa das Forças Armadas; e a Lei nº
12.705, de 8 de agosto de 2012, que dispõe
sobre os requisitos para ingresso nos cursos de
formação de militares de carreira do Exército; e
dá outras providências.

EMENDA Nº ____

Na alteração do inciso III, da alínea “b,” do § 1º, do art. 3º da


Lei nº 6.880, de 9 de dezembro de 1980 – Estatuto dos Militares, proposta pelo
art. 1º do projeto, substitua-se a palavra “executando” por “prestando”.

JUSTIFICAÇÃO

O dispositivo que o Projeto de Lei em pauta pretende alterar


manteve a expressão “executando tarefa por tempo certo”, hoje vigente no
Estatuto dos Militares, mas o que está consagrado em vários documentos
infralegais é a figura do militar inativo na situação de “Prestador de Tarefa por
Tempo Certo”, designado pela sigla PTTC.

A própria Medida Provisória nº 2.215-10/2001, ainda vigente e


que nunca foi votada, portanto com força de lei, fala em prestação de tarefa
por tempo certo, conforme se verifica a seguir (grifo nosso):
Art. 23. O militar da reserva remunerada, e excepcionalmente
o reformado, que tenha modificada sua situação na inatividade
1
para aquela prevista para a prestação de tarefa por tempo
certo, faz jus a um adicional igual a três décimos dos
proventos que estiver percebendo.

Portanto, a redação desse dispositivo do projeto de lei deve se


adequar ao que já está consolidado em nível legal e infralegal, de modo que a
expressão fique “prestando tarefa por tempo certo”.

Sala da Comissão, em de de 2019.

Deputado ___________________

2
COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A PROFERIR PARECER AO
PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

Altera a Lei nº 6.880, de 9 de dezembro


de 1980, que dispõe sobre o Estatuto dos
Militares; a Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960,
que dispõe sobre as pensões militares; a Lei nº
4.375, de 17 de agosto de 1964 - Lei do Serviço
Militar; a Lei nº 5.821, de 10 de novembro de
1972, que dispõe sobre as promoções dos
oficiais da ativa das Forças Armadas; e a Lei nº
12.705, de 8 de agosto de 2012, que dispõe
sobre os requisitos para ingresso nos cursos de
formação de militares de carreira do Exército; e
dá outras providências.

EMENDA Nº ____

Art. 1º Na alínea “b,” do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 6.880, de 9 de


dezembro de 1980 – Estatuto dos Militares, modificado pelo art. 1º do projeto
de lei, acrescente-se o seguinte inciso IV:
“Art. 3º .........................................................................................
§ 1º .............................................................................................
......................................................................................................
b) .................................................................................................
......................................................................................................
IV – os da reserva remunerada e os reformados aos quais lhes
foi vedada a acumulação dos proventos da inatividade com a
remuneração de cargo, emprego ou função pública nos termos
do que preceitua o art. 37, § 10, da Constituição Federal.”

3
Art. 2º Acrescente-se ao art. 1º do projeto de lei, na sequência
normal dos dispositivos que se apresentam, os seguintes §§ 1º e 2º ao art. 8º
da Lei nº 6.880, de 9 de dezembro de 1980 – Estatuto dos Militares:
“Art. 8º ........................................................................................
......................................................................................................
§ 1º Ao militar de carreira da reserva remunerada ou reformado
que, em virtude de ter sido nomeado para cargo, emprego ou
função pública, for vedada a acumulação dos proventos da
inatividade com vencimentos de cargo ou emprego público, nos
termos do que preceitua art. 37, § 10, da Constituição Federal,
a par da suspensão dos seus proventos, estão assegurados:
I – as obrigações, deveres, direitos e prerrogativas inerentes
aos inativos das Forças Armadas;
II – se exonerado do cargo ou emprego público de que trata o
caput, a reaquisição do direito à percepção dos proventos e do
dever de contribuir para a pensão militar, para a assistência
médico-hospitalar e social e para outros benefícios previstos
nas mesmas condições das leis vigentes ao tempo da
suspensão dos seus proventos.
§ 2º A manutenção da assistência médico-hospitalar e social
pelo tempo em que o militar inativo estiver com os seus
proventos suspensos, ser-lhe-á facultada mediante o
recolhimento das contribuições correspondentes à unidade a
que estiver vinculado, que calculará o valor das contribuições
informando-lhe os dados de como deverá ser efetuado o
recolhimento.”

JUSTIFICAÇÃO
A justificação da emenda que ora se apresenta começa pela
percepção do § 10 do art. 37 da Constituição Federal, introduzido pela Emenda
Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, e do § 2º do art. 1º do
Decreto nº 2.027, de 11 de outubro de 1996, que “Dispõe sobre a nomeação
para cargo ou emprego efetivo na Administração Pública Federal direta e
4
indireta do servidor público civil aposentado ou servidor público militar
reformado ou da reserva remunerada”, ambos os dispositivos colocados lado
a lado no quadro que se segue.

Constituição Federal Decreto nº 2.027/1996


Art. 37. ................................................ Art. 1º ...................................................
.............................................................. § 2º Readquirirá o direito à percepção dos
§ 10. É vedada a percepção simultânea proventos o servidor, a que se refere este
de proventos de aposentadoria decorren- artigo, exonerado do cargo efetivo ou
tes do art. 40 ou dos arts. 42 e 142 com a emprego permanente.
remuneração de cargo, emprego ou
função pública, ressalvados os cargos
acumuláveis na forma desta Constituição,
os cargos eletivos e os cargos em
comissão declarados em lei de livre
nomeação e exoneração.

Embora o dispositivo constitucional diga de “aposentadoria” e o


do decreto de “servidor”, o que deixaria os militares inativos fora do alcance
deles, a Emenda Constitucional referida imediatamente antes, ao salvaguardar
o direito de acumulação dos proventos com vencimentos daqueles que tinham
reingressado no serviço público até a data da sua publicação, deixou claro que
o § 10 do art. 37 se aplicava, também, aos inativos militares:
Art. 11. A vedação prevista no art. 37, § 10, da Constituição
Federal, não se aplica aos membros de poder e aos inativos,
servidores e militares, que, até a publicação desta Emenda,
tenham ingressado novamente no serviço público por concurso
público de provas ou de provas e títulos, e pelas demais formas
previstas na Constituição Federal, sendo-lhes proibida a
percepção de mais de uma aposentadoria pelo regime de
previdência a que se refere o art. 40 da Constituição Federal,
aplicando-se-lhes, em qualquer hipótese, o limite de que trata o
§ 11 deste mesmo artigo.

A própria ementa do Decreto em tela, apesar do erro crasso de


se referir a “servidor público militar reformado ou da reserva remunerada”,
evidencia que tanto o dispositivo constitucional como o Decreto alcançam os
militares inativos.

5
A rigor, ambos os dispositivos estão a indicar que foram
redigidos e aprovados apressadamente, inclusive com o dispositivo
constitucional deixando lacunas que poderiam ter sido supridas pela própria
Carta Magna ou por lei, tanto para os servidores civis aposentados quanto para
os militares da reserva e reformados, e, não, necessariamente por decreto.

Embora não seja expressa, a inteligência de ambos os


dispositivos permite concluir que se está diante de uma renúncia de natureza
temporária. A rigor, na suspensão do exercício de um direito fundamental: o da
percepção dos proventos da inatividade.

Não se renunciou ao direito, mas ao seu exercício por


determinado tempo, com a retomada do seu exercício condicionada a uma
condição futura. Eis que (grifo nosso):1
Na renúncia a um direito fundamental, o indivíduo protegido por
essa posição jusfundamental continua na titularidade desse
direito, podendo, por conseguinte, revogar a declaração de
renúncia.

Há situações concretas de conflito no mundo do Direito em


que, excepcionalmente, dois direitos são mutuamente exclusivos, quando,
então, deve ser aplicado o princípio da proporcionalidade entre o direito
fundamental e o direito que se pretende proteger, conforme preconizado nos
seguintes termos (grifo nosso):2
Os direitos fundamentais são irrenunciáveis. Significa dizer que
o titular de um direito fundamental não tem poder de disposição
sobre ele, não pode abrir mão de sua titularidade.

Entretanto, o constitucionalismo moderno admite, diante de um


caso concreto, a renúncia temporária e excepcional a direito
fundamental. Assim, a renúncia voluntária ao exercício de um

1
PRIULE, Lucas Giacomini; SILVA, Roberto Baptista Dias da. Renúncia ao Direito
Fundamental à Nacionalidade: Novas Perspectivas Teóricas a partir da Extradição nº
1.462 Julgada pelo Supremo Tribunal Federal. Revista de Direito e Garantias
Fundamentais. Faculdade de Direito de Vitória, v. 18, n. 2, p. 247-268, mai./ago. 2017.
2
ALEXANDRINO, Marcelo e PAULO, Vicente. Direito Constitucional Descomplicado, 2ª ed,
Impetus, p. 102
6
direito fundamental é admitida, desde que em um caso
concreto (a renúncia geral de exercício é inadmissível).

Em face do exposto, quanto aos militares inativos, abre-se uma


oportunidade para correção no momento em que o Projeto de Lei nº
1.645/2019 tramita no Congresso Nacional.

Nesse sentido, sabendo-se que restrições a direitos adquiridos


só podem ser estabelecidas pela Constituição Federal, e que o único direito
restringindo pelo § 10 do seu art. 37 foi a suspensão dos proventos na
inatividade, por não permitir a sua acumulação com a remuneração do novo
cargo, emprego ou função pública, é evidente que os demais direitos do
servidor público e do militar inativos foram preservados.

Não é demais lembrar que aos militares da reserva e


reformados que ingressaram no serviço público até a data da publicação da
Emenda Constitucional nº 20/1998, assim como ao pessoal militar da área de
saúde, foi permitida a acumulação com a manutenção de todos os demais
direitos inerentes aos inativos.

Nesse sentido, a única diferença entre os inativos desses


grupos e os demais inativos das Forças Armadas que reingressaram no serviço
público após a edição da Emenda Constitucional reside na vedação destes
acumularem seus proventos com a remuneração do novo cargo, emprego ou
função pública, restando iguais em todas as demais obrigações, deveres,
direitos e prerrogativas inerentes aos inativos das Forças Armadas.

Frise-se: somente a Constituição pode retirar direito adquirido


e, de todos os direitos adquiridos que os inativos possuíam ao assumir novos
cargos ou empregos públicos, o único que ela retirou, o fez pela vedação da
percepção simultânea dos proventos com a remuneração. Todos os demais
direitos foram preservados.

Entretanto, faltou dizer isso de forma expressa, seja pela


própria Carta Magna seja, posteriormente, em um diploma legal, como agora
se faz pela emenda em pauta em relação aos militares inativos.

7
Também é evidente que o dispositivo do decreto que trata do
retorno ao exercício do direito à percepção dos proventos de inatividade, que
tinham sido suspensos, pela exoneração do cargo, emprego ou função pública,
estaria melhor se, primeiramente, constasse de lei, como agora a emenda faz
em relação aos militares inativos.

Portanto, diante da evidente lacuna legal entre a Constituição e


o decreto editado sobre a condição do servidor ou empregado público e do
militar inativo alcançados pelo § 10 do art. 37 da Constituição Federal, é
oportuno, em face do que se expôs e do Projeto de Lei nº 1.645/2019, que a
mesma seja sanada em relação aos militares das Forças Armadas.

Sala da Comissão, em de de 2019.

Deputado ___________________

8
COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A PROFERIR PARECER AO
PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

Altera a Lei nº 6.880, de 9 de dezembro


de 1980, que dispõe sobre o Estatuto dos
Militares; a Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960,
que dispõe sobre as pensões militares; a Lei nº
4.375, de 17 de agosto de 1964 - Lei do Serviço
Militar; a Lei nº 5.821, de 10 de novembro de
1972, que dispõe sobre as promoções dos
oficiais da ativa das Forças Armadas; e a Lei nº
12.705, de 8 de agosto de 2012, que dispõe
sobre os requisitos para ingresso nos cursos de
formação de militares de carreira do Exército; e
dá outras providências.

EMENDA Nº ____

Dê-se ao art. 25 da Lei nº 6.880, de 9 de dezembro de 1980 –


Estatuto dos Militares, modificado pelo art. 1º do projeto de lei, a seguinte
redação:
“Art. 25. O militar ocupante de cargo da estrutura das Forças
Armadas, provido em caráter efetivo ou interino, observado o
disposto no parágrafo único do art. 21, faz jus aos direitos
correspondentes ao cargo, conforme previsto em lei.
Parágrafo único. A remuneração do militar ocupante do cargo,
em caráter efetivo ou interino, será calculada com base no
soldo do maior posto ou graduação previsto para o cargo, de
acordo com os quadros de fixação e distribuição do efetivo de
cada organização militar.” (NR)

9
JUSTIFICAÇÃO

Enquanto o caput do art. 25 do projeto de lei determina que o


militar ocupante de determinado cargo, em caráter efetivo ou interino, faz jus
aos direitos correspondentes ao cargo, o seu parágrafo único estabelece que a
sua remuneração será com base no soldo do posto ou graduação, qualquer
que seja o cargo que ocupe.

Um evidente absurdo. Se o militar de menor hierarquia irá


ocupar um cargo correspondente ao de maior hierarquia, haverá,
evidentemente, responsabilidades e obrigações inerentes a esse cargo,
aspecto de que o projeto de lei não trata. E, se há responsabilidades e
obrigações, há os direitos correspondentes, inclusive os de natureza
remuneratória.

Esse absurdo vem, de há anos, ocorrendo nas Forças


Armadas, inclusive com a adoção de artifícios nos quadros de fixação e
distribuição do efetivo de suas organizações militares. Como nos exemplos
hipotéticos que se seguem: a previsão original era de uma Companhia ser
comandada por um Capitão, mas o quadro passou a prever Capitão ou
Primeiro-Tenente; a previsão original era de um Batalhão ser comandado por
um Coronel, mas o quadro passou a prever Coronel ou Tenente-Coronel.

Com esse artifício, o militar de menor posto ou graduação


assume responsabilidades e obrigações do cargo de maior posto ou
graduação, mas percebe menor remuneração devido ao posto ou graduação
que ocupa.

Paradoxalmente, nos termos do projeto de lei, enquanto o


oficial-general inativo terá incorporada de forma vitalícia a gratificação de
representação (art. 9º, § 2º), ainda que não mais estando no exercício de cargo
militar, aos demais postos e graduações no serviço ativo é negado o
pagamento da remuneração correspondente ao cargo efetivamente exercido.

Eis porque, nas alterações trazidas pela emenda, está definido


que a remuneração será calculada com base no soldo do maior posto ou
graduação previsto para o cargo.
10
Essa proposta alcança três objetivos: o militar passa a
perceber remuneração correspondente ao cargo de maior hierarquia; desborda
as alterações que a Administração militar venha a promover nos quadros de
fixação e distribuição dos efetivos de cada organização militar, prevendo
alternativamente postos e graduações de menor hierarquia para determinados
cargos; e não inviabiliza, por exemplo, que, na falta de Capitão, o Primeiro-
Tenente comande a Companhia nem que o Tenente-Coronel, na falta do
Coronel, comande o Batalhão, mas sempre percebendo pelo maior posto
previsto para aquele cargo.

A emenda, dessa forma, restabelece a justiça e a equidade.

Sala da Comissão, em de de 2019.

Deputado ___________________

11
COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A PROFERIR PARECER AO
PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

Altera a Lei nº 6.880, de 9 de dezembro


de 1980, que dispõe sobre o Estatuto dos
Militares; a Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960,
que dispõe sobre as pensões militares; a Lei nº
4.375, de 17 de agosto de 1964 - Lei do Serviço
Militar; a Lei nº 5.821, de 10 de novembro de
1972, que dispõe sobre as promoções dos
oficiais da ativa das Forças Armadas; e a Lei nº
12.705, de 8 de agosto de 2012, que dispõe
sobre os requisitos para ingresso nos cursos de
formação de militares de carreira do Exército; e
dá outras providências.

EMENDA Nº ____

Dê-se ao art. 82-A, acrescido à Lei nº 6.880, de 9 de dezembro


de 1980 – Estatuto dos Militares, pelo art. 1º do projeto de lei, a seguinte
redação:
Art. 82-A. Considera-se incapaz para o serviço ativo o militar
que:
I - demonstrar incapacidade para o exercício das funções
militares nos termos do art. 43.
II - temporária ou definitivamente, encontrar-se física ou
mentalmente inapto para o exercício de cargos, funções e
atividades militares.

JUSTIFICAÇÃO
Esse dispositivo, acrescido ao Estatuto dos Militares pelo
projeto de lei, busca definir as condições pelas quais o militar será considerado
incapaz para o serviço ativo, mas mirou apenas naqueles incapazes por

12
problema de saúde, físico ou mental, deixando de fora aqueles considerados
incapazes por aspectos morais ou profissionais, dos quais dispõe o art. 43 do
Estatuto dos Militares, de modo que esta emenda sana essa omissão,

Sala da Comissão, em de de 2019.

Deputado ___________________

13
COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A PROFERIR PARECER AO
PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

Altera a Lei nº 6.880, de 9 de dezembro


de 1980, que dispõe sobre o Estatuto dos
Militares; a Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960,
que dispõe sobre as pensões militares; a Lei nº
4.375, de 17 de agosto de 1964 - Lei do Serviço
Militar; a Lei nº 5.821, de 10 de novembro de
1972, que dispõe sobre as promoções dos
oficiais da ativa das Forças Armadas; e a Lei nº
12.705, de 8 de agosto de 2012, que dispõe
sobre os requisitos para ingresso nos cursos de
formação de militares de carreira do Exército; e
dá outras providências.

EMENDA Nº ____
Art. 1º Dê-se ao § 2º, do art. 97 da Lei nº 6.880, de 9 de
dezembro de 1980 – Estatuto dos Militares, modificado pelo art. 1º do projeto
de lei; e ao § 5º, do art. 97, acrescido à mesma Lei pelo art. 1º do projeto de lei,
as seguintes redações:
“Art. 97. ........................................................................................
......................................................................................................
§ 2º Na hipótese de o militar haver realizado qualquer curso ou
estágio, custeado pela União, no País ou no exterior, a
transferência para a reserva será concedida:
I - sem indenização aos cofres públicos se o militar:
a. tiver cumprido tempo de serviço igual ou superior ao tempo
em que esteve afastado para a realização do curso ou estágio;
b. realizou o curso ou estágio em instituição militar; ou
c. passar e exercer cargo ou emprego público civil permanente
de órgão ou entidade da União, dos Estados, do Distrito
Federal ou dos Municípios.

14
II - mediante indenização proporcional ao tempo de serviço
faltante para completar igual tempo em que esteve afastado
para a realização do referido curso ou estágio.”
......................................................................................................
§ 5º O valor correspondente à indenização de que trata o inciso
II do § 2º considerará, inclusive, as diferenças de vencimentos,
no caso de cursos ou estágios realizados no exterior, e será
calculado pela respectiva Força Armada, conforme
estabelecido em regulamento pelo Ministério da Defesa,
podendo ser descontado diretamente da remuneração do
militar.”

Art. 2º Dê-se ao art. 116 da Lei nº 6.880, de 9 de dezembro de


1980 – Estatuto dos Militares, modificado pelo art. 1º do projeto de lei, a
seguinte redação:
“Art. 116 A demissão a pedido só será concedida mediante
requerimento do oficial interessado:
I - sem indenização aos cofres públicos, se o oficial tiver
cumprido tempo de serviço igual ou superior ao tempo de
realização de cursos e estágios anteriores, inclusive curso de
graduação ou de formação;
II - mediante indenização proporcional ao tempo de serviço
faltante para completar igual tempo em que esteve afastado,
anteriormente, para a realização de cursos e estágios.
§ 1º O valor correspondente à indenização de que trata o inciso
II considerará, inclusive, as diferenças de vencimentos, no caso
de cursos no exterior, e será calculado pela respectiva Força
Armada, conforme estabelecido em regulamento pelo
Ministério da Defesa, podendo ser descontado diretamente da
remuneração do militar.
§ 2º O oficial demissionário, a pedido, ingressará na reserva,
onde permanecerá sem direito a qualquer remuneração. O
ingresso na reserva será no mesmo posto que tinha no serviço

15
ativo e sua situação, inclusive promoções, será regulada pelo
Regulamento do Corpo de Oficiais da Reserva da respectiva
Força.
§ 3º O direito à demissão a pedido pode ser suspenso na
vigência de estado de guerra, estado de emergência, estado de
sítio ou em caso de mobilização.” (NR)

Art. 3º Dê-se ao art. 121 da Lei nº 6.880, de 9 de dezembro de


1980 – Estatuto dos Militares, modificado pelo art. 1º do projeto de lei, a
seguinte redação:
"Art. 121. O licenciamento do serviço ativo se efetua:
I - a pedido; e
II - ex officio.
§ 1º O licenciamento a pedido poderá ser concedido, mediante
requerimento do interessado:
I - ao militar temporário, desde que não haja prejuízo para o
serviço:
a) se oficial da reserva convocado, após prestação do serviço
ativo durante 6 (seis) meses; e
b) se praça engajada ou reengajada, desde que conte, no
mínimo, com a metade do tempo de serviço a que se obrigou.
II - às praças especiais, Guardas-Marinha e Aspirantes a Oficial
e demais praças de carreira:
a) sem indenização aos cofres públicos:
I - se tiver cumprido tempo de serviço igual ou superior ao
tempo de realização de cursos e estágios anteriores, inclusive
curso de formação;
II - passar e exercer cargo ou emprego público civil permanente
de órgão ou entidade da União, dos Estados, do Distrito
Federal ou dos Municípios; e
b) mediante indenização proporcional ao tempo de serviço
faltante para completar igual tempo em que esteve afastado
para a realização de cursos e estágios.

16
§ 2º O valor correspondente à indenização de que trata a
alínea "b", do inciso II, do § 1º considerará, inclusive, as
diferenças de vencimentos, no caso de cursos no exterior, e
será calculado pela respectiva Força Armada, conforme
estabelecido em regulamento pelo Ministério da Defesa,
podendo ser descontado diretamente da remuneração do
militar.
§ 3º Se o militar temporário tiver realizado curso ou estágio em
instituição militar ou outras instituições, desden que com
despesas efetuadas pela União, aplicar-se-á a ele o disposto
na alínea "b", do inciso II, do § 1º.
§ 4º A praça com estabilidade assegurada, quando licenciada
para fins de matrícula em estabelecimento de ensino de
formação ou preparatório de outra Força Armada ou Auxiliar,
caso não conclua o curso no qual tenha sido matriculada,
poderá ser reincluída na Força de origem, por meio de
requerimento ao Comandante da Força Armada
correspondente.
§ 5º O licenciamento ex officio será feito na forma da legislação
que trata do serviço militar e dos regulamentos específicos de
cada Força Armada:
a) por conclusão de tempo de serviço ou de estágio;
b) por conveniência do serviço;
c) por questões disciplinares; e
d) por outros casos previstos em lei.
§ 6º O militar licenciado não tem direito a qualquer
remuneração e, exceto o licenciado ex officio a bem da
disciplina, deve ser incluído ou reincluído na reserva.” (NR)

17
JUSTIFICAÇÃO

Os artigos 97, 116 e 121 do Estatuto dos Militares, dispõem,


respectivamente, da transferência para a reserva remunerada do militar de
carreira, da demissão a pedido do oficial de carreira e do licenciamento do
serviço ativo dos militares dos demais postos e graduações.

As modificações mais sensíveis nesses dispositivos estão nas


indenizações que deverão ser pagas ao deixar a respectiva Força pelos cursos
ou estágios que tenha feito imediatamente antes.

Para cada tempo de duração do curso ou estágio são


estabelecidos diferentes prazos de prestação de serviço após a sua conclusão
para que o militar possa deixar a Força sem ter que pagar indenização, mas
não há uma proporcionalidade adequada nessa relação, como se vê, por
exemplo, na forma como ficará parte do art. 121 segundo o projeto de lei:

“Art. 121. O licenciamento do serviço ativo se efetua:


I - a pedido; e
II – ex officio.
§ 1º Para a praça de carreira, o licenciamento a pedido será
concedido por meio de requerimento do interessado:
I - sem indenização das despesas efetuadas pela União, com
a sua preparação, formação ou adaptação, quando contar
mais de três anos de formado como praça de carreira; e
II - com indenização das despesas efetuadas pela União, com
a sua preparação, formação ou adaptação, quando contar
menos de três anos de formado como praça de carreira.
§ 1º-A. A praça de carreira que requerer licenciamento deverá
indenizar o erário pelas despesas realizadas pela União com
os demais cursos ou estágios frequentados no País ou no
exterior, acrescidas, se for o caso, daquelas previstas no inciso
II do § 1º, quando não tenham decorrido:
I - dois anos, para curso ou estágio com duração igual ou
superior a dois meses e inferior a seis meses; e

18
II - três anos, para curso ou estágio com duração igual ou
superior a seis meses.

§ 1º-B. A forma e o cálculo das indenizações a que se referem


o inciso II do § 1º e o § 1º-A serão estabelecidos em ato do
Ministro de Estado da Defesa, cabendo o cálculo aos
Comandos da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica.

§ 1º-C. O disposto no § 1º e no § 1º-A será aplicado às praças


especiais, aos Guardas-Marinha e aos Aspirantes a Oficial
após a conclusão do curso de formação ou de graduação.

Para ficar apenas nos cursos de formação, uma das


referências adotadas, os mesmos apresentam uma variação muito grande de
uma Força para outra.

O Exército, hoje, para a graduação de seus oficiais de carreira,


considera um curso de 5 anos, tendo extinto o curso de três ano de ensino
médio na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, para onde transferiu o 1º
ano desse curso de graduação. Para os sargentos de carreira do Exército, o
curso de formação tem cerca de 2 anos.

A Aeronáutica, para a graduação dos seus oficiais de carreira,


mantém a Escola Preparatória de Cadetes do Ar, com os 3 anos do ensino
médio, de onde os alunos seguem para Academia da Força Aérea, onde terão
mais 4 anos de graduação, embora parte das vagas dessa Academia também
sejam dirigidas para acesso direto por vestibular. Para os sargentos de carreira
da Aeronáutica, o curso de formação também tem a duração de 2 anos.

A Marinha, semelhantemente à Aeronáutica, para a graduação


dos seus oficiais de carreira, mantém o Colégio Naval, com os 3 anos do
ensino médio, de onde os alunos seguem para a Escola Naval, onde terão
mais 4 anos de graduação, embora parte das vagas da Escola Naval também
sejam dirigidas para acesso direto por vestibular. Para os sargentos de carreira
da Marinha, a formação começa como Grumete nas Escolas de Aprendizes de
Marinheiro, de onde vai galgando, sucessivamente, promoções a Cabo,
Terceiro-Sargento, Segundo-Sargento, Primeiro-Sargento e Suboficial.
19
Há, ainda, em todas as Forças Armadas, cursos de formação
para oficiais e para sargentos oriundos mundo civil portadores de diplomas de
especialidades de interesse da cada Força, com tempos de formação diversos,
geralmente bem mais curtos.

Isso sem levar em conta que, por atos internos de cada Força,
a duração desses cursos ainda poderá variar, como tem acontecido ao longo
dos últimos anos.

Portanto, não há coerência em, indistintamente, serem


estabelecidos 5 anos ou 3 anos como o tempo de prestação de serviço militar,
após um curso de graduação ou de formação, para deixar a Força sem
indenizá-la, pois os tempos de formação são extremamente variados.

Esses exemplos são o bastante, não sendo o caso esmiuçar


outras discrepâncias semelhantes.

Nisso tudo, parece-nos mais justo estabelecer que o interstício


a ser cumprido para que o militar possa deixar a Força sem ter que indenizá-la
por curso ou estágio realizado seja igual ao da realização do curso. Desse
modo, se o militar ficou três meses realizando um curso ou estágio, terá de
cumprir, no mínimo, três meses de serviço na Força antes de passar para a
reserva sem ter que indenizá-la; se ficou quatro anos realizando um curso, terá
de cumprir, no mínimo, quatro anos de serviço na Força antes de passar para a
reserva sem a correspondente indenização.

Entretanto, se após o curso ou estágio já cumpriu algum tempo


de serviço, a indenização deverá ser proporcional ao tempo faltante para
igualar o tempo em que esteve afastado para a realização do curso, aspecto
que nem os dispositivos vigentes nem os propostos pelo projeto de lei
alcançam.

Depois, resolvendo uma questão que tem dado margem a


imbróglios judiciais, a emenda que ora se apresenta deixa expressa que o
militar que realizou curso ou estágio será isento da indenização se passar e
exercer cargo ou emprego público civil permanente de órgão ou entidade da
União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.

20
O nosso entendimento é que, estando na Força ou em
qualquer cargo ou emprego público, de qualquer que seja o ente político, o
militar, mesmo na reserva, continuará servindo ao mesmo patrão: o Estado
brasileiro, levando consigo a competência adquirida durante o curso ou estágio,
tornando absolutamente descabida a cobrança de indenização.

Por outro lado, há de se trazer à baila que a própria


Constituição Federal, no artigo 37, VXI, da Constituição Federal, não faz
distinção se o cargo ou emprego público é da União, dos Estados, do Distrito
federal ou dos Municípios, quando veda a acumulação remunerada dos
mesmos.

Sala da Comissão, em de de 2019.

Deputado ___________________

21
COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A PROFERIR PARECER AO
PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

Altera a Lei nº 6.880, de 9 de dezembro


de 1980, que dispõe sobre o Estatuto dos
Militares; a Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960,
que dispõe sobre as pensões militares; a Lei nº
4.375, de 17 de agosto de 1964 - Lei do Serviço
Militar; a Lei nº 5.821, de 10 de novembro de
1972, que dispõe sobre as promoções dos
oficiais da ativa das Forças Armadas; e a Lei nº
12.705, de 8 de agosto de 2012, que dispõe
sobre os requisitos para ingresso nos cursos de
formação de militares de carreira do Exército; e
dá outras providências.

EMENDA Nº ____

Acrescente-se ao art. 1º do projeto de lei, na sequência normal


dos dispositivos que se apresentam, artigo com as seguintes redações para o
caput do art. 96 e para o caput do art. 115; tudo da Lei nº 6.880, de 9 de
dezembro de 1980 – Estatuto dos Militares:
“Art. 96. A passagem do militar de carreira à situação de
inatividade, mediante transferência para a reserva remunerada,
se efetua:” (NR)
.....................................................................................................
“Art. 115. A demissão das Forças Armadas, aplicada
exclusivamente aos oficiais de carreira, se efetua:“ (NR)

JUSTIFICAÇÃO

As alterações por esta emenda são de pequena monta, apenas


para inserir a expressão “de carreira” após as palavras “militar” e “oficiais”,

22
deixando bastante claro que esses dispositivos só dizem respeito aos militares
de carreira, não alcançando os temporários.

Sala da Comissão, em de de 2019.

Deputado ___________________

23
COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A PROFERIR PARECER AO
PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

Altera a Lei nº 6.880, de 9 de dezembro


de 1980, que dispõe sobre o Estatuto dos
Militares; a Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960,
que dispõe sobre as pensões militares; a Lei nº
4.375, de 17 de agosto de 1964 - Lei do Serviço
Militar; a Lei nº 5.821, de 10 de novembro de
1972, que dispõe sobre as promoções dos
oficiais da ativa das Forças Armadas; e a Lei nº
12.705, de 8 de agosto de 2012, que dispõe
sobre os requisitos para ingresso nos cursos de
formação de militares de carreira do Exército; e
dá outras providências.

EMENDA Nº ____

Acrescente-se ao art. 106 da Lei nº 6.880, de 9 de dezembro


de 1980 – Estatuto dos Militares, modificado pelo art. 1º do Projeto de Lei nº
1.645/2019, o seguinte § 2º, renumerando-se o como § 3º o § 2º proposto pelo
projeto de lei:
“Art. 106. ......................................................................................
.....................................................................................................
§ 2º Salvo se tiver incidido, também, nas hipóteses referidas
pelos incisos II e III a VI, o militar de carreira reformado na
forma prevista pela redação anterior do inciso I e que não
atingiu a correspondente idade-limite na atual redação desse
inciso, readquirirá, automaticamente, a situação de militar da
reserva remunerada e a respectiva Força Armada adotará as
necessárias providências decorrentes.”

24
JUSTIFICAÇÃO

Se aprovado o aumento das idades-limite para a reforma do


militar de carreira, muitos daqueles que estão atualmente reformados estarão
em uma situação anômala em face da nova redação do art; 106, haja vista que
reingressaram na faixa etária dos que estão na reserva e, portanto, aptos a
serem convocados.

Considerando o exposto e que não haverá alteração na


remuneração nem qualquer outra despesa na mudança da condição jurídica
desses militares que readquirirão a situação de militares da reserva, há que se
dar seguimento a esta emenda que ora se apresenta.

Sala da Comissão, em de de 2019.

Deputado ___________________

25
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PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

Altera a Lei nº 6.880, de 9 de dezembro


de 1980, que dispõe sobre o Estatuto dos
Militares; a Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960,
que dispõe sobre as pensões militares; a Lei nº
4.375, de 17 de agosto de 1964 - Lei do Serviço
Militar; a Lei nº 5.821, de 10 de novembro de
1972, que dispõe sobre as promoções dos
oficiais da ativa das Forças Armadas; e a Lei nº
12.705, de 8 de agosto de 2012, que dispõe
sobre os requisitos para ingresso nos cursos de
formação de militares de carreira do Exército; e
dá outras providências.

EMENDA Nº ____

Dê-se a seguinte redação ao art. 17 do projeto:

Art. 17. O militar inativo poderá ser contratado para o


desempenho de atividades de natureza civil por órgãos e
entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios.
§ 1º A remuneração será estabelecida pelo órgão ou entidade
contratante em consonância com as atribuições a serem
executadas e segundo o estabelecido em regulamento próprio.
§ 2º A remuneração a que se refere o § 1º:
I - não será incorporada ou contabilizada para revisão do
benefício na inatividade;
II - não servirá de base de cálculo para outros benefícios ou
vantagens; e
III - não integrará a base de contribuição do militar inativo.

26
JUSTIFICAÇÃO

O art. 17 do Projeto de Lei nº 1.645, de 2019, embora não deixe


expresso, pretende transportar para os órgãos públicos a figura do “Prestador
de Tarefa por Tempo de Certo”, também designado pela sigla PTTC, já
adotada de algum tempo no âmbito das Forças Armadas.

Em princípio, parece ser algo muito bom para as duas partes: de um


lado, o órgão público, que passa a contar com a competência adquirida pelo
militar inativo nos seus tempos de caserna para a realização de determinadas
atividades; de outro lado, o militar inativo, que passa a contar com um reforço à
sua remuneração.

Todavia, desde antes, ainda no âmbito das Forças Armadas, temos


restrições à forma como é definida a remuneração do prestador de tarefa por
tempo certo: 30% da remuneração que percebe na inatividade, obedecendo,
inclusive, ao seguinte dispositivo da Medida Provisória nº 2.215-10/2001, ainda
vigente e que nunca foi votada, portanto com força de lei (grifo nosso):
Art. 23. O militar da reserva remunerada, e excepcionalmente
o reformado, que tenha modificada sua situação na inatividade
para aquela prevista para a prestação de tarefa por tempo
certo, faz jus a um adicional igual a três décimos dos
proventos que estiver percebendo.

Primeiro, a remuneração não se dá em razão da complexidade da


tarefa a ser executada, mas do que percebe como inativo que, por sua vez,
varia conforme o posto ou graduação. Depois, o militar, aceita, pela parca
remuneração que percebe, receber esses 30% por necessidade que, em uma
cidade de maior porte, serve apenas para pagar o aluguel. Em outros termos, é
um autêntico trabalho escravo no qual, no lugar de trocar trabalho por comida,
troca trabalho por moradia.

Essa é a realidade que se impõe.

Transportada essa figura para os órgãos públicos, como faz o art. 17


do projeto de lei em comento, além dessas restrições, há de se considerar pelo
menos duas outras restrições. Primeira, não faz sentindo impor por lei regente
27
da condição jurídica do militar, ainda que inativo, a forma como um órgão
público alheio à atividade castrense irá remunerar aqueles que lhes prestam
serviço; depois, haveria a possibilidade de diferentes remunerações para uma
mesma atividade, como na hipótese de um general e um sargento, ambos
inativos, contratados para serviços da mesma natureza.

Por isso a emenda apresentada, que mantém a ideia central da


redação original, mas corrige as distorções.

Sala da Comissão, em de de 2019.

Deputado ___________________

28
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PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

Altera a Lei nº 6.880, de 9 de dezembro


de 1980, que dispõe sobre o Estatuto dos
Militares; a Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960,
que dispõe sobre as pensões militares; a Lei nº
4.375, de 17 de agosto de 1964 - Lei do Serviço
Militar; a Lei nº 5.821, de 10 de novembro de
1972, que dispõe sobre as promoções dos
oficiais da ativa das Forças Armadas; e a Lei nº
12.705, de 8 de agosto de 2012, que dispõe
sobre os requisitos para ingresso nos cursos de
formação de militares de carreira do Exército; e
dá outras providências.

EMENDA Nº ____
Art. 1º Suprima-se o inciso X, do art. 98, do art. 1º do projeto de
lei.

Art. 2º Dê-se a seguinte redação à alínea “g”, do inciso I, do art.


24 do projeto de lei:
Art. 24. .........................................................................................
I - .................................................................................................
......................................................................................................
g) os incisos X e XI do caput do art. 98;

JUSTIFICAÇÃO
Para a compreensão da emenda em pauta, deve-se,
inicialmente, ir, ao quadro a seguir, à redação atual do inciso X do art. 98, do
Estatuto dos Militares e, depois, à redação que está sendo proposta pelo
projeto de lei.

29
Redação atual pela Lei 6.880/1980 Proposta pelo PL 1.645/2019
Art. 98. A transferência para a reserva Art. 98. A transferência para a reserva
remunerada, ex officio, verificar-se-á remunerada, ex officio, verificar-se-á
sempre que o militar incidir em um dos sempre que o militar incidir em um dos
seguintes casos: seguintes casos:
................................................................... ................................................................
X - na Marinha e na Aeronáutica, deixar o X - deixar o oficial do penúltimo posto de
oficial do penúltimo posto de Quadro, Quadro, Arma ou Serviço, cujo último
cujo último posto seja de oficial superior, posto seja de oficial superior, de
de ingressar em Quadro de Acesso por ingressar em Quadro de Acesso por
Merecimento pelo número de vezes Merecimento pelo número de vezes
fixado pela Lei de Promoções de Oficiais estabelecidos pela Lei nº 5.821, de 10
da Ativa das Forças Armadas, quando de novembro de 1972, quando nele
nele tenha entrado oficial mais moderno tenha entrado oficial mais moderno do
do respectivo Quadro; respectivo Quadro, Arma ou Serviço;

Do quadro comparativo é possível verificar que a alteração


proposta no Estatuto dos Militares traz as seguintes mudanças, que são
mínimas: ao retirar as referências expressas à Marinha e à Aeronáutica,
passou a alcançar todos os oficiais do penúltimo posto das três Forças
Armadas (os tenentes-coronéis do Exército e da Aeronáutica e os capitães de
fragata da Marinha), quando, na redação original, só dizia respeito à Marinha e
à Aeronáutica; passou a fazer referência a “Quadro, Arma ou Serviço”, que, em
uma linguagem voltada para o mundo civil, diz respeito à especialidade:
Infantaria, Cavalaria, Intendência, Corpo de Fuzileiros Navais, Aviador etc.;
passou a se referir à Lei de Promoções de Oficiais da Ativa das Forças
Armadas pela sua referência numérica (Lei nº 5.821, de 10 de novembro de
1972).

Significativo mesmo, foi ter inserido os tenentes-coronéis do


Exército no alcance do dispositivo.

Entretanto, quando se vai à Lei de Promoções de Oficiais da


Ativa das Forças Armadas (Lei nº 5.821, de 10 de novembro de 1972), o
dispositivo a que o inciso X do art. 98 do Estatuto dos Militares se refere, ainda
que não tenha feito expressa remissão, é o transcrito a seguir:
Art. 37. O oficial que, no posto, deixar de figurar por três vezes,
consecutivas ou não, em Quadros de Acesso por Merecimento,
se em cada um deles participou oficial mais moderno, é

30
considerado inabilitado para promoção ao posto imediato pelo
critério de merecimento.

Em novo quadro comparativo, conforme a seguir, fica evidente


que hão há harmonia entre o que está estabelecido pela Lei nº 6.880/1980 e
pelo PL nº 1.645/2019 com o preconizado pela Lei nº 5.821/1872.

Pela Lei 6.880/1980 e Pelo PL


Pela Lei 5.821/1972
1.645/2019
Alcança apenas os oficiais do
Alcança os oficiais de todos os postos
penúltimo posto das Forças Armadas
que concorrem à promoção por
(os tenentes-coronéis do Exército e da
merecimento.
Aeronáutica e os capitães de fragata da
Marinha)
Inabilita o oficial, definitivamente, para Inabilita para a promoção por mereci-
prosseguir na carreira e o força à mento, mas permite a promoção por
passagem compulsória para a reserva. antiguidade.

Como o critério de promoção por merecimento, ao lado de


parâmetros objetivos, passa, também, pelos de natureza subjetiva, um oficial
que não se enquadre exatamente naqueles vislumbrados pelos órgãos
responsáveis pelas promoções poderá sofrer prejuízos sensíveis ao ter podada
a sua possibilidade de ascensão a posto acima e de prosseguir na própria
carreira militar.

Defendemos que, se o militar não for promovido pelo critério de


merecimento, que o seja por antiguidade, que é bastante objetivo.

Não bastasse, entendemos que deve prevalecer a Lei de


Promoções de Oficiais da Ativa das Forças Armadas, que alcança todos os
postos onde se dá a promoção por merecimento.

Daí a razão das emendas que ora se apresentam, uma


revogando o atual inciso X, do art. 98 do Estatuto dos Militares e, a outra,
suprimindo o seu equivalente no Projeto de Lei nº 1.645/2019, de forma a
subsistir o art. 37 da Lei de Promoção de Oficiais.

Sala da Comissão, em de de 2019.

Deputado ___________________

31
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Altera a Lei nº 6.880, de 9 de dezembro


de 1980, que dispõe sobre o Estatuto dos
Militares; a Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960,
que dispõe sobre as pensões militares; a Lei nº
4.375, de 17 de agosto de 1964 - Lei do Serviço
Militar; a Lei nº 5.821, de 10 de novembro de
1972, que dispõe sobre as promoções dos
oficiais da ativa das Forças Armadas; e a Lei nº
12.705, de 8 de agosto de 2012, que dispõe
sobre os requisitos para ingresso nos cursos de
formação de militares de carreira do Exército; e
dá outras providências.

EMENDA Nº ____

No Anexo II – Tabela do Adicional de Disponibilidade Militar do


projeto de lei, sejam procedidas às seguintes substituições:

I - “Almirante de Esquadra, General de Exército e Tenente-


Brigadeiro” por “Almirante de Esquadra, General de Exército,
Tenente-Brigadeiro e Capitão do Quadro Auxiliar de Oficiais”;

II - “Vice-Almirante, General de Divisão e Major-Brigadeiro” por


“Vice-Almirante, General de Divisão, Major-Brigadeiro e
Primeiro-Tenente do Quadro Auxiliar de Oficiais”; e

III - “Contra-Almirante, General de Brigada e Brigadeiro” por


“Vice-Almirante, General de Divisão, Major-Brigadeiro e
Segundo-Tenente do Quadro Auxiliar de Oficiais”.

32
JUSTIFICAÇÃO

Para melhor compreensão da emenda que ora se apresenta, é


de bom alvitre a transcrição, nos pontos que a ela interessam, de trechos da
Anexo II – Tabela do Adicional de Disponibilidade Militar do projeto de lei:

ANEXO II
TABELA DO ADICIONAL DE DISPONIBILIDADE MILITAR
Percentual que
incide sobre o
POSTO OU GRADUAÇÃO soldo a partir de
1º de janeiro de
2020
Almirante de Esquadra, General de Exército e
41
Tenente-Brigadeiro
Vice-Almirante, General de Divisão e Major-Brigadeiro 38
Contra-Almirante, General de Brigada e Brigadeiro 35
Capitão de Mar e Guerra e Coronel 32
Capitão de Fragata e Tenente-Coronel 26
Capitão de Corveta e Major 20
Capitão-Tenente e Capitão 12
Primeiro-Tenente 6
Segundo-Tenente 5
Suboficial e Subtenente 32
Primeiro-Sargento 20
Segundo-Sargento 12
Terceiro-Sargento 6

Salta aos olhos que o Suboficial e o Subtenente – cujo


adicional de disponibilidade é dado pelo percentual de 32% sobre o soldo –
terão perdas sensíveis se tiverem ascensão hierárquica, pois os postos
imediatamente superiores – Primeiro-tenente, Segundo-tenente e Capitão –
terão menor percentual de incidência sobre o soldo: 5%, 6% e 12%.

Explicando melhor, o Quadro Auxiliar de Oficiais é composto


por oficiais dos postos de primeiro-tenente, segundo-tenente e capitão oriundos
da graduação de sargento, passando, antes, pela de Subtenente.

De uma forma divertida, costuma-se dizer que o Quadro


Auxiliar de Oficiais é o “generalato das praças” e, tanto é assim, que, se o
Subtenente e o Coronel têm o mesmo percentual de incidência sobre o soldo –
32% – para o adicional de disponibilidade e acima do coronel estão os três

33
níveis hierárquicos de generais, hão de ser atribuídos percentuais equivalentes
aos destes aos três níveis hierárquicos do Quadro Auxiliar de Oficiais.

Sala da Comissão, em de de 2019.

Deputado ___________________

34
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Altera a Lei nº 6.880, de 9 de dezembro


de 1980, que dispõe sobre o Estatuto dos
Militares; a Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960,
que dispõe sobre as pensões militares; a Lei nº
4.375, de 17 de agosto de 1964 - Lei do Serviço
Militar; a Lei nº 5.821, de 10 de novembro de
1972, que dispõe sobre as promoções dos
oficiais da ativa das Forças Armadas; e a Lei nº
12.705, de 8 de agosto de 2012, que dispõe
sobre os requisitos para ingresso nos cursos de
formação de militares de carreira do Exército; e
dá outras providências.

EMENDA Nº ____

Dê-se ao § 3º do art. 3º-A da Lei nº 3.765, de 4 de maio de


1960 – Lei das Pensões Militares, modificado pelo art. 3º do projeto de lei, a
seguinte redação:
Art. 3º-A. ......................................................................................
......................................................................................................
§ 3º A partir de 1º de janeiro de 2020, o pensionista, além da
alíquota prevista no § 1º e dos acréscimos de que trata o § 2º,
será contribuinte obrigatório da contribuição específica
destinada à manutenção dos benefícios previstos nesta Lei,
desde que o militar tenha optado em vida pelo pagamento
dessa contribuição na forma prevista no art. 31 da Medida
Provisória nº 2.215-10, de 31 de agosto de 2001, salvo a
renúncia, em caráter irrevogável, pelo pensionista supérstite,
na cota-parte que lhe cabe, nas hipóteses de inexistência de
beneficiário ou de falecimento ou renúncia de todos os futuros

35
beneficiários que, na forma prevista neste artigo, poderiam
perceber, por transferência, os benefícios previstos na Lei
no 3.765, de 1960, até 29 de dezembro de 2000.

JUSTIFICAÇÃO

Pelo projeto de lei, na Lei das Pensões Militares, há a inclusão


do art. 3º-A contendo o seguinte § 3º (grifo nosso):
§ 3º A partir de 1º de janeiro de 2020, o pensionista, além da
alíquota prevista no § 1º e dos acréscimos de que trata o § 2º,
será contribuinte obrigatório da contribuição específica
destinada à manutenção dos benefícios previstos nesta Lei,
desde que o militar tenha optado em vida pelo pagamento
dessa contribuição na forma prevista no art. 31 da Medida
Provisória nº 2.215-10, de 31 de agosto de 2001.

Nos termos desse dispositivo, haverá duas situações


absolutamente distintas para os cônjuges supérstites em face da contribuição
de 1,5% que permite deixar a pensão para as filhas do instituidor:
a. cônjuges supérstites contribuintes porque o instituidor optou em vida pelo
pagamento dessa contribuição; e
b. cônjuges supérstites não-contribuintes porque o instituidor optou em vida por
não pagar essa contribuição; e

Todavia, no mesmo projeto de lei, há o seguinte artigo:


Art. 13. Poderá ocorrer a renúncia pelo militar, em caráter
irrevogável, ao disposto no caput do art. 31 da Medida
Provisória nº 2.215-10, de 2001, que poderá ser expressa a
qualquer tempo, vedada qualquer espécie de restituição.

Nesses termos, a renúncia à contribuição de 1,5% está


permitida ao militar, mas não aos herdeiros da pensão da qual ele foi o
instituidor.

36
Todavia, a título de provocação, questiona-se se faz sentido a
cobrança dessa contribuição do cônjuge supérstite em face das seguintes
situações: se a filha foi a óbito, se o instituidor não deixou filha ou se a filha
renunciou à pensão militar.

São situações fáticas que não justificam a proibição de o


cônjuge supérstite exercer, também, o direito de renúncia, e permanecer
obrigado a prover uma contribuição em favor de um benefício inalcançável pela
inexistência de filha que poderia herdar a pensão militar.

Eis a razão da emenda que ora se apresenta.

Sala da Comissão, em de de 2019.

Deputado ___________________

37
COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A PROFERIR PARECER AO
PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

Altera a Lei nº 6.880, de 9 de dezembro


de 1980, que dispõe sobre o Estatuto dos
Militares; a Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960,
que dispõe sobre as pensões militares; a Lei nº
4.375, de 17 de agosto de 1964 - Lei do Serviço
Militar; a Lei nº 5.821, de 10 de novembro de
1972, que dispõe sobre as promoções dos
oficiais da ativa das Forças Armadas; e a Lei nº
12.705, de 8 de agosto de 2012, que dispõe
sobre os requisitos para ingresso nos cursos de
formação de militares de carreira do Exército; e
dá outras providências.

EMENDA Nº ____

Acrescentem-se ao art. 13 do projeto de lei os seguintes §§ 1º


a 3º:
“Art. 13. ........................................................................................

§ 1º Aos militares de carreira que ingressaram nas Forças


Armadas até a publicação das Medidas Provisórias nº 2.131,
de 2000, e nº 2.215-10, de 2001, que não tenham renunciado
aos benefícios da Lei no 3.765, de 1960, conforme preconizado
pelo art. 31, § 1º, dessas medidas provisórias, e não tiveram
implantada pela Administração Militar a contribuição prevista no
art. 31, caput, também dessas medidas provisórias, terão
esses benefícios assegurados mediante requerimento
aceitando contribuir retroativamente, a contar da publicação da
Medida Provisória nº 2.215-10, de 2001, com um vírgula cinco
por cento sobre o valor corrente da remuneração total.

38
§ 2º O valor correspondente à contribuição de que trata o § 1º
será calculado pela respectiva Força Armada conforme
estabelecido em regulamento pelo Ministério da Defesa
definindo as condições de como serão efetuados os descontos.

§ 3º O prazo para ingressar com o requerimento de que trata o


§ 1º será de até 6 (seis) meses após o militar interessado
receber a previsão dos descontos das respectivas
contribuições.”

JUSTIFICAÇÃO

A Medida Provisória no 2.131, de 28 de dezembro de 2000, que


dispôs, entre outras medidas, sobre a reestruturação da remuneração dos
militares das Forças Armadas, entre seus inúmeros dispositivos, trouxe os
seguintes (grifos nossos):
Art. 31. Fica assegurada aos atuais militares, mediante
contribuição específica de um vírgula cinco por cento das
parcelas constantes do art. 10 desta Medida Provisória, a
manutenção dos benefícios previstos na Lei no 3.765, de
1960, até 29 de dezembro de 2000.
§ 1º Poderá ocorrer a renúncia, em caráter irrevogável, ao
disposto no caput, que deverá ser expressa até 30 de junho
de 2001.
§ 2º Os beneficiários diretos ou por futura reversão das
pensionistas são também destinatários da manutenção dos
benefícios previstos na Lei no 3.765, de 1960, até 29 de
dezembro de 2000.

Destaca-se a expressão “atuais militares”, contribuíssem ou


não para a pensão militar.

A data dessa medida provisória, publicada no Diário da Oficial


da União no dia seguinte, 29 de dezembro de 2000, uma sexta-feira, é

39
significativa. Aponta para um verdadeiro “estelionato legislativo”, a má-fé do
Poder Executivo, ainda que formalmente ao abrigo da lei.

Uma medida provisória com a sua publicação calculada para


se dar no intervalo entre o Natal e o Ano Novo, em uma sexta-feira, seguida de
sábado, domingo e de uma segunda-feira feriado de 1º de janeiro. A maioria
das pessoas alheia ao que se passava no ambiente de trabalho e às
publicações oficiais. Quartéis e instituições de ensino militares esvaziados com
transferências, férias e com o grosso dos soldados licenciados.

Clima perfeito para uma medida provisória que prejudicou


sensivelmente a imensa maioria dos integrantes das Forças Armadas, tomados
de chofre que foram.

Medida provisória sucessivamente reeditada, dez vezes, até a


Medida Provisória nº 2.215, de 31 de agosto de 2001, uma sexta-feira, que
manteve o mesmo artigo 31, apenas estabelecendo novo prazo para renúncia:
Art. 31. Fica assegurada aos atuais militares, mediante
contribuição específica de um vírgula cinco por cento das
parcelas constantes do art. 10 desta Medida Provisória, a
manutenção dos benefícios previstos na Lei no 3.765, de 1960,
até 29 de dezembro de 2000.
§ 1o Poderá ocorrer a renúncia, em caráter irrevogável, ao
disposto no caput, que deverá ser expressa até 31 de agosto
de 2001.

40
§ 2o Os beneficiários diretos ou por futura reversão das
pensionistas são também destinatários da manutenção dos
benefícios previstos na Lei no 3.765, de 1960, até 29 de
dezembro de 2000.

Embora a medida provisória imediatamente anterior a esta


última, a de nº 2.188-8, de 27 de julho de 2001, portanto, apenas um mês
antes, já estabelecesse como data limite o dia 31 de agosto de 2001 para a
renúncia expressa aos benefícios previstos que vigoraram, pela Lei no 3.765,
de 1960, até o dia 29 de dezembro de 2000, afigura-se verdadeiro absurdo
jurídico um ato normativo mandando alguém manifestar sua opção por um
direito tendo como data limite para essa manifestação a mesma data do próprio
ato.

Pior do que isso: qualquer ato só começa a produzir efeitos


jurídicos após a sua publicação, que só veio a ocorrer no dia seguinte, em uma
edição extra de 1º de setembro de 2001, um sábado.

Como explicar tamanho descalabro legislativo por parte dos


então integrantes do primeiro escalão do Poder Executivo?

Isso dá uma ideia de como foi o processo de elaboração,


publicação e dos atos decorrentes dessas medidas provisórias.

Foi elaborada praticamente na surdina, em um momento no


qual aos militares, pressionados por remuneração muito baixa, foi acenada a
expectativa de uma robusta recuperação salarial. Tanto era assim que, à

41
época, essa expectativa foi popularmente chamada de “soldão” nos
intramuros castrenses, até que ela veio, de supetão, sem chance para
discussões e considerações, causando espanto e sensíveis prejuízos a quase
todos os militares.

Salvaram-se dos efeitos danosos dessa medida provisória


apenas aqueles que estavam nos mais alto escalões que, naturalmente, por
terem tomado parte no processo decisório, cuidaram de preservar
integralmente os seus direitos, enquanto o grosso dos integrantes das Forças
Armadas padeceu do que passou a ser cognominada da “MP do Mal”. Nem
regras de transição foram estabelecidas, tendo havido casos de perdas
consideráveis de direitos por menos de um mês a mais de serviço.

Poder-se-ia ir mais a fundo do que foi essa medida provisória


que, até hoje, dormita nos escaninhos do Congresso Nacional, sem ter sido
votada e sem perspectiva de vir a ser votada.

De todo modo, o exposto imediatamente antes dá bem a justa


medida do que aconteceu aos militares naquela ocasião, com muitos tendo
ficado, àquele tempo, entre transtornados, atordoados e desorientados, sem
entender direito o que se passava, sentindo os efeitos do que lhes fora
“empurrado goela abaixo”.

E os desacertos foram tantos que, quase vinte anos depois,


ainda são encontrados rescaldos de ilegalidade nesse ato emanado do Poder
Executivo, dando margem a que se apresente a presente Emenda, visando a
corrigir, pelo menos em parte, os desencontros dessa medida provisória.

Do art. 31 dessas medidas provisórias fica evidenciado que:


a. todos os militares que estava incorporados às Forças Armadas (os “atuais
militares”) nas datas de publicação das medidas provisórias, sem exceção,
foram alcançado pelo mandamento contido nesses dispositivos, ou seja, todos
aqueles que eram militares quando das publicações, independentemente do
posto ou graduação, do tempo de serviço, de estar ou não contribuindo para a
pensão militar ou de qualquer outro parâmetro restritivo, poderiam optar entre
manter ou não os benefícios previstos na Lei no 3.765, de 1960;

42
b. todos os “atuais militares”, automaticamente, deveriam ter passado a
contribuir para a pensão militar com mais 1,5% sobre a remuneração total (art.
10 da MP), salvo contrária manifestação expressa, inicialmente até 30 de junho
de 2001, prorrogado, depois, para 31 de agosto de 2001 e, nos termos do art.
13 do projeto de lei em pauta, a qualquer tempo, vedada a restituição,

c. o silencio implicava na aceitação do desconto de 1,5% para a


manutenção dos benefícios;

d. como as duas medidas provisórias consideraram os “atuais militares”


pelas datas das suas publicações, há “atuais militares” em 28 de dezembro
de 2000 e mais “atuais militares” em 31 de agosto de 2001, sendo que estes,
naturalmente, tinham ingressado nas Forças Armadas após a primeira data;

Agora vem a razão concreta desta Emenda: nem todos os


“atuais militares” àquele tempo tiveram como optar por permanecer
contribuindo com mais 1,5% sobre a remuneração total, para manter os
benefícios da Lei nº 3.765, de 1960, ou de expressar sua renúncia, com esse
ônus cabendo ao próprio Poder Executivo por ter editado a medida provisória
de forma defectiva.

Pelo menos os militares que eram alunos das escolas, núcleos


e centros de formação de oficiais e praças, mais os cadetes da Academia
Militar das Agulhas Negras e da Academia da Força Aérea e os aspirantes da
Escola Naval, além de outros “atuais militares” àquele tempo, não tiveram
implantados o desconto de 1,5% que lhes possibilitariam os benefícios da Lei
nº 3.765, de 1960.

Ou seja, a medida provisória atribuiu-lhes o direito, mas não


atribuiu-lhes os meios para que pudessem exercê-lo. Rigorosamente, como o
silêncio de cada “atual militar”, nos termos das medidas provisórias,
significava a manifestação de sua vontade de aceitar o recolhimento de 1,5%
sobre a sua remuneração para a manutenção dos benefícios da Lei nº 3.765,
de 1960, e nenhum dos militares listados imediatamente antes, pelo que se
sabe, se manifestou expressamente contra, caberia à Administração Militar a

43
responsabilidade para implantar o desconto de 1,5% de todos eles e, como não
o fez, assumiu a responsabilidade pela omissão em nível administrativo.

O entendimento – completamente errôneo – era de que, por


não serem contribuintes para a pensão militar, não lhes caberia o desconto de
1,5%. Eis que o art. 1º da Lei nº 3.765, de 1960, modificado desde a edição da
Medida Provisória no 2.131, de 28 de dezembro de 2000, passara a vigorar
com a seguinte redação, excluindo diversos postos e graduações da
contribuição obrigatória para a pensão militar:
Art. 1o São contribuintes obrigatórios da pensão militar,
mediante desconto mensal em folha de pagamento, todos os
militares das Forças Armadas.
Parágrafo único. Excluem-se do disposto no caput deste
artigo:
I - o aspirante da Marinha, o cadete do Exército e da
Aeronáutica e o aluno das escolas, centros ou núcleos de
formação de oficiais e de praças e das escolas preparatórias e
congêneres; e
II - cabos, soldados, marinheiros e taifeiros, com menos de dois
anos de efetivo serviço.

Observar que determinados postos e graduações foram


excluídos da contribuição obrigatória, mas não foram excluídos do direito à
pensão militar. Tanto é assim que o art. 15 da Lei nº 3.765, de 1960, também
modificado pelo art. 27 da medida provisória em pauta, dispôs, expressamente,
do direito à pensão militar pelo militar não contribuinte (grifo nosso):
"Art. 15. A pensão militar será igual ao valor da remuneração
ou dos proventos do militar.
Parágrafo único. A pensão do militar não contribuinte da
pensão militar que vier a falecer na atividade em consequência
de acidente ocorrido em serviço ou de moléstia nele adquirida
não poderá ser inferior:
I - à de aspirante a oficial ou guarda-marinha, para os cadetes
do Exército e da Aeronáutica, aspirantes de marinha e alunos
44
dos Centros ou Núcleos de Preparação de Oficiais da reserva;
ou
II - à de terceiro-sargento, para as demais praças e os alunos
das escolas de formação de sargentos.

Portanto, quando se vai às medidas provisórias em pauta,


todos os militares que ao tempo da publicação delas estavam incorporados às
Forças Armadas eram potenciais beneficiários da pensão militar. E tanto é
assim que, pelas alterações que se pretende introduzir pelo Projeto de Lei nº
1.645/2019, todos essas exceções quanto à contribuição desaparecerão e
passarão a contribuir também para a pensão militar. Àquele tempo, estavam
dispensados de contribuir, mas não de auferir os benefícios dela.

E note-se, as mesmas medidas provisórias que excetuaram


esses militares da contribuição de 7,5% sobre a remuneração total para pensão
militar, incluiu todos os “atuais militares”, sem exceção, na contribuição de
1,5% para a manutenção dos benefícios da Lei nº 3.765, de 1960.

Desse modo, os mandamentos que mandam descontar 7,5% e


1,5% sobre a remuneração total subsistem independentemente um do outro.
Por isso a alíquota de 1,5% deveria ter sido cobrada de todos os militares
indistintamente, salvo expressa manifestação contrária.

Frise-se mais uma vez: como a regra para aceitar o desconto


de 1,5% e a consequente manutenção dos benefícios era o silêncio, todos
que, por uma razão ou outra, não apresentaram renúncia expressa, deveriam
ter passado, automaticamente, a contribuir. Se a Administração não adotou
providências nesse sentido, o ônus por essa omissão não cabe aos militares
prejudicados, mas ao próprio Estado.

Mesmo assim, nesse imbróglio, o Chefe do Poder Executivo


teve a parcela maior de responsabilidade. Editou medidas provisórias
defectivas em razão de não ter vislumbrado situações específicas de
determinados grupos de militares, deixando lacuna aberta a ser sanada.

E qual seria a solução àquele tempo? Como seria? Muitas


alternativas poderiam ser postas à mesa como respostas, inclusive como a que
45
está sendo proposta, agora, pelo projeto de lei em questão. Até porque, a partir
da norma de nível mais geral e abstrato, cabe ao administrador encontrar
soluções mais próximas do caso concreto.

O fato é que, esteja a responsabilidade centrada na


Administração Militar, no Chefe do Poder Executivo ou em ambos, o Estado
falhou ao não adotar as necessárias ações para assegurar a todos aqueles que
eram “atuais militares”, quando da edição das medidas provisórias, os
benefícios da Lei nº 3.765, de 1960, pela implantação do desconto de 1,5%
sobre a remuneração.

Foge à razoabilidade jurídica que militares tenham sofrido


prejuízos por omissão do próprio Poder que estabeleceu a norma de natureza
legal, no caso, o Poder Executivo.

Portanto, os pressupostos que dão suporte a esta emenda


residem: nas edições defectivas de medidas provisórias pelo Poder Executivo;
no direito de todos os “atuais militares”, ao tempo da edição da medidas
provisórias, manterem os benefícios da Lei nº 3.765, de 1960; e na inércia da
Administração Militar em adotar as necessárias medidas que possibilitariam
sanar as lacunas deixadas pelas medidas provisórias e, em conseqüência, ter
deixado de implantar o desconto de 1,5% sobre a remuneração de alguns dos
então “atuais militares”.

Sala da Comissão, em de de 2019.

Deputado ___________________

46
COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A PROFERIR PARECER AO
PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

Altera a Lei nº 6.880, de 9 de dezembro


de 1980, que dispõe sobre o Estatuto dos
Militares; a Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960,
que dispõe sobre as pensões militares; a Lei nº
4.375, de 17 de agosto de 1964 - Lei do Serviço
Militar; a Lei nº 5.821, de 10 de novembro de
1972, que dispõe sobre as promoções dos
oficiais da ativa das Forças Armadas; e a Lei nº
12.705, de 8 de agosto de 2012, que dispõe
sobre os requisitos para ingresso nos cursos de
formação de militares de carreira do Exército; e
dá outras providências.

EMENDA Nº ____

Art. 1º Acrescente-se ao art. 50 da Lei nº 6.880, de 9 de


dezembro de 1980 – Estatuto dos Militares, modificado pelo art. 1º do projeto
de lei, os seguintes §§ 5º a 15:
“Art. 50 .........................................................................................
......................................................................................................
§ 5º O direito à relação de dependência referida no § 2º, I, com
a consequente inclusão como beneficiário no Sistema de
Proteção Social dos Militares das Forças Armadas (SPSMFA),
inclusive para efeitos da recepção da pensão militar, tendo por
fundamento nova sociedade conjugal, seja por casamento ou
por união estável, será constituído a partir de 2 (dois) anos
decorridos da data do casamento ou da formalização da união
estável.
§ 6º A relação de dependência referida no § 5º subsistirá pelo
tempo indicado na aplicação da fórmula: TP = 300 / DI, na qual

47
a sigla TP designa o tempo em que o cônjuge ou companheiro
permanecerá ao abrigo do Sistema de Proteção Social dos
Militares das Forças Armadas (SPSMFA) após o óbito do militar
contribuinte; 300 é um valor fixo tomado como referência para
o cálculo; e DI é diferença de idade, em anos, entre o militar e
o cônjuge ou companheiro.
§ 7º Os resultados fracionários obtidos da aplicação da fórmula
referida no § 6º serão arredondados para o número inteiro
imediatamente superior, se a fração for igual ou superior a 0,5
(cinco décimos), e para o número inteiro imediatamente
inferior, se a fração for inferior a 0,5 (cinco décimos).
§ 8º Não caberá a aplicação da fórmula referida no § 6º
quando:
I – o cônjuge ou companheiro for mais velho que o militar de
carreira ou a diferença de idade for menor do que 05 (cinco)
anos, o que tornará a proteção vitalícia; ou
II – a sociedade conjugal ou união estável do cônjuge ou
companheiro for estabelecida com militar de carreira maior de
70 (setenta) anos, condição que vedará a inclusão daquele no
SPSMFA.
§ 9º Aos enteados do militar de carreira nas relações referidas
no § 5º, obedecidas as demais prescrições desta lei, será
permitido tempo de permanência no SPSMFA igual ao
atribuído a seu progenitor.
§ 10. Aos filhos nascidos das relações referidas no § 5º serão
integralmente aplicadas as prescrições desta lei.
§ 11. Será excluído do Sistema de Proteção Social dos
Militares das Forças Armadas (SPSMFA):
I – o beneficiário que incidir em qualquer das hipóteses do art.
23 da Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960 – Lei das Pensões
Militares;
II – o beneficiário que tiver deixado o contribuinte necessitado
de assistência padecer de abandono moral ou material, após
48
comprovação em processo administrativo, assegurado o direito
ao contraditório e à ampla defesa;
III – o cônjuge ou companheiro se comprovada, a qualquer
tempo, simulação ou fraude no casamento ou na união estável,
ou a formalização desses com o fim exclusivo de se constituir
em beneficiário do SPSMFA, após comprovação em processo
administrativo, assegurado o direito ao contraditório e à ampla
defesa;
§ 12. A exclusão do cônjuge ou companheiro do SPSMFA
implicará a perda do direito à percepção da sua cota-parte na
pensão militar, que será transmitida, quando possível, segundo
o disposto no art. 24 da Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960 –
Lei das Pensões Militares.
§ 13. Os beneficiários por reversão da pensão militar também
serão excluídos do SPSMFA se incidirem, em relação ao
beneficiário antecedente na ordem legal de preferência, nas
mesmas conduta tipificadas no § 11, I e II.
§ 14. Após o falecimento do militar, aos direitos decorrentes
que forem gerados será aplicada a legislação vigente na data
do seu óbito.
§ 15. Para efeitos de inclusão no SPSMFA, prescreve em 05
(cinco anos), a contar da data do óbito do militar de carreira,
qualquer ação visando ao reconhecimento post mortem de
sociedade conjugal, salvaguardado o direito dos menores,
incapazes e ausentes.”

Art. 2º Acrescente-se ao art. 3º do projeto de lei, na sequência


normal dos dispositivos que se apresentam, o seguinte inciso V ao art. 23 da
Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960 – Lei das Pensões Militares:
“Art. 23. Perderá o direito à pensão militar o beneficiário que:
......................................................................................................
V – venha a incidir na exclusão do Sistema de Proteção Social
dos Militares nas Forças Armadas (SPSMFA) referida no art.
49
50, § 11, da Lei nº 6.880, de 9 de dezembro de 1980 – Estatuto
dos Militares.”

JUSTIFICAÇÃO

Em face da dinâmica do mundo moderno e das novas formas


de as famílias se estruturarem, há a necessidade, ao mesmo tempo em que se
assegura a proteção dos dependentes do militar sob o abrigo do Sistema de
Proteção Social dos Militares das Forças Armadas, de se proteger o Sistema
buscando preservar sua autossustentabilidade.

Nesse contexto, é francamente perceptível a ocorrência de


casamentos ou uniões estáveis, subsequentes a outros, entre militares de
idade mais avançada e cônjuges bem mais jovens, de modo que, após o
falecimento do contribuinte, esse cônjuge ou companheiro permanecerá
onerando todo o Sistema de Proteção Social por muito mais tempo.

Daí a razão da emenda introduzindo dispositivos por inspiração


no ordenamento estabelecido em outros diplomas legais, como o Código Civil e
a Lei nº 8.213, de 1991, depois de modificada pela Lei nº 13.135, de 2015,
ainda que com as necessárias diferenças, pois à esposa do militar, por
acompanhá-lo nas contínuas transferências, é inaplicável a perspectiva apenas
da idade da futura beneficiária, como faz o Código Civil

Assim, o dispositivo que estabelece a inclusão de beneficiário


tendo por fundamento relações afetivas subsequentes à primeira, inclusive
para a recepção da pensão militar, que só será permitida após decorridos 2
(dois) anos do casamento ou da formalização da união estável, leva em
consideração as hipóteses de militares mais idosos ou acometidos de doenças
terminais estabelecerem relações afetivas apenas de fachada com o objetivo
exclusivo de beneficiar pessoas que sempre foram alheias ao Sistema,
desvirtuando a natureza do mesmo ao perpetuar um benefício para uma
pessoa com a qual não havia laços afetivos intensos quando em vida.

Não há outro fundamento para ser buscada a proteção pelo


Sistema se não os verdadeiros laços afetivos e de dependência.
50
O dispositivo que veda a inclusão no SPSMFA de cônjuge ou
companheiro quando a sociedade conjugal ou união estável ocorrer com militar
de carreira maior de 70 (setenta) anos também segue o espírito do Código Civil
que, no seu art. 1.641, II, reza ser “obrigatório o regime da separação de bens
no casamento (...) da pessoa maior de 70 (setenta) anos”. Disso decorre o
cônjuge de pessoa maior de 70 anos não poder concorrer à herança deixada
por esta, conforme preceituado pelo art. 1.829, I, também do Código Civil.

Em face disso, é suficiente trazer à lembrança que a pensão


militar, principal benefício proporcionado pelo SPSMFA, é considerada herança
deixada pelos militares para os seus beneficiários, não havendo, portanto,
razão para que o cônjuge ou companheiro de uma relação estabelecida com
militar maior de 70 anos ou, mesmo, espúria, venha a ser incluído no SPSMFA.

Outros dispositivos são autoexplicáveis ou têm natureza


meramente regulatória, exceto o que aplica a fórmula TP = 300 / DI para indicar
o tempo de permanência no SPSMFA de novo cônjuge ou companheiro para
algumas idades que foram tomadas como exemplos a seguir:

Diferença de idade entre os Tempo de permanência


cônjuges ou companheiros no SPSMFA
< 5 anos Proteção vitalícia
5 anos 60 anos
10 anos 30 anos
20 anos 15 anos
29 anos 10,344  10 anos
30 anos 10 anos
40 anos 7,5  8 anos
50 anos 6 anos

Desse modo, à exceção da hipótese da pensão militar


vitalícia, a regra geral passa, assim, a considerar a diferença de idade entre o
militar e o cônjuge ou companheiro da segunda relação afetiva para definir o
tempo de permanência deste no Sistema de Proteção Social dos Militares das
Forças Armadas, que irá sendo reduzido quanto maior for essa diferença e, em
consequência, a expectativa de sobrevida do cônjuge, que será estimulado a
ingressar no mercado de trabalho, evitando sobrecarregar o Sistema com
51
pessoas em plena capacidade produtiva, ao mesmo tempo em que lhe
assegura um razoável tempo para que crie as condições necessárias para que
se lance ao mercado de trabalho.

No conjunto, os dispositivos introduzidos não deixam o cônjuge


ou o companheiro de nova relação afetiva do militar ao desamparo, nem aos
enteados que foram carreados para a nova relação, mas também não é justo
nem razoável que o Sistema seja sobrecarregado por tanto tempo, em
detrimento do todo.

Ao estabelecer o prazo prescricional de 5 (cinco) anos para


reconhecimento post mortem da sociedade conjugal, diminui-se a chance, pelo
decurso do tempo em relação ao óbito do militar, de pessoas buscarem, anos e
anos depois da morte do contribuinte, quando muitas provas no sentido
contrário desapareceram ou ficaram esmaecidas, tirar proveito indevido do
Sistema.

Finalmente, o dispositivo que manda aplicar a legislação


vigente na data do óbito do militar aos direitos decorrentes após o seu
falecimento deste visa a garantir segurança jurídica às relações entre o
SPSMFA e o seus beneficiários.

Esse conjunto de medidas, em última instância, não só protege


o Sistema, como também o primeiro núcleo familiar e o próprio contribuinte.

Sala da Comissão, em de de 2019.

Deputado ___________________

52
COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A PROFERIR PARECER AO
PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

Altera a Lei nº 6.880, de 9 de dezembro


de 1980, que dispõe sobre o Estatuto dos
Militares; a Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960,
que dispõe sobre as pensões militares; a Lei nº
4.375, de 17 de agosto de 1964 - Lei do Serviço
Militar; a Lei nº 5.821, de 10 de novembro de
1972, que dispõe sobre as promoções dos
oficiais da ativa das Forças Armadas; e a Lei nº
12.705, de 8 de agosto de 2012, que dispõe
sobre os requisitos para ingresso nos cursos de
formação de militares de carreira do Exército; e
dá outras providências.

EMENDA Nº ____

No inciso II, do art. 21, do projeto de lei, suprima-se a palavra


“efetivo”.

JUSTIFICAÇÃO

Para compreensão da emenda, transcreve-se o art. 21 do


projeto de lei, em que há o emprego de expressões com significados distintos:
anos de serviço e tempo de efetivo serviço, aparentemente sugerindo ser a
mesma coisa (grifos nossos):
Art. 21. Para as alterações realizadas no art. 50, caput, incisos
II e III, no art. 56 e no art. 97 da Lei nº 6.880, de 1980, que
tratam do acréscimo de tempo de serviço de trinta para trinta
e cinco anos, fica estabelecida a seguinte regra de transição:

I - para os militares da ativa que, na data da publicação desta


Lei, possuírem trinta anos ou mais de serviço, será
assegurado o direito de serem transferidos para a inatividade
53
com todos os direitos previstos na Lei nº 6.880, de 1980, até
então vigentes; e

II - os militares da ativa que, na data da publicação desta Lei,


possuírem menos de trinta anos de efetivo serviço, deverão
cumprir o tempo de serviço que falta para completar trinta
anos, acrescido de dezessete por cento.

Perceba-se que o inciso II está se referindo a uma condição em


que os anos de serviço – “menos de trinta anos” – surgem alternativamente à
condição do inciso I – “trinta anos ou mais de serviço”, de modo que, o que
está em questão nos dois incisos são os anos de serviço, e não o tempo de
efetivo serviço.

No Estatuto dos Militares (Lei nº 6.880/1980), são encontrados


os critérios que estabelecem a distinção entre tempo de efetivo serviço (art.
136) e anos de serviço (art. 137), não sendo o caso detalhá-los, pois além de
desnecessário e muito trabalhoso, a intenção aqui foi apenas demonstrar que
há diferenças entre os dois institutos e que o dispositivo trazido pelo projeto de
lei incorreu em erro ao tratar como se fossem a mesma coisa, justificando que
a palavra “efetivo” seja suprimida.

Sala da Comissão, em de de 2019.

Deputado ___________________

54
COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A PROFERIR PARECER AO
PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

PROJETO DE LEI Nº 1.645, DE 2019

Altera a Lei nº 6.880, de 9 de dezembro


de 1980, que dispõe sobre o Estatuto dos
Militares; a Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960,
que dispõe sobre as pensões militares; a Lei nº
4.375, de 17 de agosto de 1964 - Lei do Serviço
Militar; a Lei nº 5.821, de 10 de novembro de
1972, que dispõe sobre as promoções dos
oficiais da ativa das Forças Armadas; e a Lei nº
12.705, de 8 de agosto de 2012, que dispõe
sobre os requisitos para ingresso nos cursos de
formação de militares de carreira do Exército; e
dá outras providências.

EMENDA Nº ____

Acrescente-se o seguinte inciso IV, ao § 3º, do art. 11 do


projeto de lei:
“Art. 11. ........................................................................................
......................................................................................................
§ 3º ..............................................................................................
......................................................................................................
IV – que tenha completado 35 (trinta e cinco) anos de serviço.”

JUSTIFICAÇÃO

Na redação atual do Estatuto dos Militares (Lei nº 6.880/1980)


é encontrado o seguinte dispositivo (grifos nossos):
Art. 50. São direitos dos militares:
......................................................................................................

55
II - o provento calculado com base no soldo integral do posto
ou graduação que possuía quando da transferência para a
inatividade remunerada, se contar com mais de trinta anos de
serviço;

Vê-se que os mais trinta anos de serviço é um dos critérios


para a percepção do soldo integral.

Entretanto, pela redação do art. 50 do Estatuto dos Militares


que está sendo proposta pelo projeto de lei, para a percepção do soldo
integral, passam a ser exigidos mais de trinta e cinco anos de serviço:
“Art. 50. ...........................................................................................
I - ....................................................................................................
I-A - a proteção social, nos termos do disposto no art. 50-A;
II - o provento calculado com base no soldo integral do posto ou
da graduação que possuía quando da transferência para a
inatividade remunerada:
a) por contar com mais de trinta e cinco anos de serviço;
..................................................................................................”

Todavia, em desarmonia com os trinta e cinco anos de


serviço para a percepção do soldo integral, o art. 11 do projeto de lei omitiu
esse critério, conforme se vê da sua transcrição, justificando a emenda que ora
se apresenta:
Art. 11. Os proventos na inatividade remunerada são
constituídos das seguintes parcelas:
......................................................................................................
§ 3º Faz jus ao soldo integral o militar:
I - transferido para a reserva remunerada ex officio, por haver
atingido a idade-limite de permanência em atividade, no
respectivo posto ou graduação;
II - que esteja enquadrado nas hipóteses previstas nos incisos
VIII ou IX do caput do art. 98 da Lei nº 6.880, de 1980; ou

56
III - que tenha sido abrangido pela quota compulsória,
unicamente em razão do disposto n alínea “c” do inciso II do
caput do art. 101 da Lei nº 6.880, de 1980.

Sala da Comissão, em de de 2019.

Deputado ___________________

57