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INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DE SONGO

LICENCIATURA EM ENGENHARIA HIDRÁULICA

Relatório de Estágio Profissional

PROJECTO DE UM SISTEMA DE PULVERIZAÇÃO E CONTROLO DE


POLUIÇÃO UTILIZANDO ÁGUA NO PORTO DE DEPOSIÇÃO DE
CARVÃO MINERAL, EMPRESA JSPL MOZAMBIQUE MINERAIS, LDA

Autor Supervisor

José Guilherme Leitão Engo Francisco Ribângua Manhiça, Msc

Co-Supervisor

Engo Edelino Guilherme Foquiço, Msc

Songo, Outubro de 2019


INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DE SONGO

LICENCIATURA EM ENGENHARIA HIDRÁULICA

Relatório de Estágio Profissional

PROJECTO DE UM SISTEMA DE PULVERIZAÇÃO E CONTROLO DE


POLUIÇÃO UTILIZANDO ÁGUA NO PORTO DE DEPOSIÇÃO DE
CARVÃO MINERAL, EMPRESA JSPL MOZAMBIQUE MINERAIS, LDA

Autor Supervisor

José Guilherme Leitão Engo Francisco Ribângua Manhiça, Msc

Co-Supervisor

Engo Edelino Guilherme Foquiço, Msc

Songo, Outubro de 2019


José Guilherme Leitão

PROJECTO DE UM SISTEMA DE PULVERIZAÇÃO E CONTROLO DE


POLUIÇÃO UTILIZANDO ÁGUA NO PORTO DE DEPOSIÇÃO DE CARVÃO
MINERAL, EMPRESA JSPL MOZAMBIQUE MINERAIS, LDA

Trabalho submetido para a sua aprovação pelos


membros de júri, como requisito parcial para a aquisição
do grau de Licenciatura em Engenharia Hidráulica,
concedido pelo Instituto Superior Politécnico de Songo.

O Júri:

O supervisor:

________________________________________

Engo Francisco Ribângua Manhiça, Msc

Co-Supervisor

_________________________________________

Engo Edelino Guilherme Foquiço, Msc

O Examinador:

_________________________________________

O presidente da mesa de Júri:

__________________________________________

Songo, Outubro de 2019


TERMO DE ENTREGA DO RELATÓRIO

LICENCIATURA EM ENGENHARIA HIDRÁULICA

TERMO DE ENTREGA DO RELATÓRIO DO ESTÁGIO PROFISSIONAL

Declaro que o estudante José Guilherme Leitão entregou no dia__/10/2019 as cópias do


relatório do seu estágio profissional com referência Máquinas e Órgãos Hidráulicos
intitulado: PROJECTO DE UM SISTEMA DE PULVERIZAÇÃO E CONTROLO DE
POLUIÇÃO UTILIZANDO ÁGUA NO PORTO DE DEPOSIÇÃO DE CARVÃO MINERAL,
EMPRESA JSPL MOZAMBIQUE MINERAIS, LDA.

Songo ______de______de 2019

O Chefe da Secretaria

___________________________________
DEDICATÓRIAS

Dedico em especial à minha Avó Rainha Saíde,

aos meus pais, Guilherme da Glória Vilela Leitão

e Inês Mário Afonso Ramos e aos meus irmãos,

Elisabete, Teresa, Lilito e aos gémeos

Ivanildo e Ivanilda.

I
AGRADECIMENTOS
Quero em primeiro lugar agradecer a DEUS, O Todo-Poderoso, aquele que me tirou das
trevas para sua maravilhosa Luz, que por sua infinita misericórdia, permitiu que este
momento fosse concretizado. Em seguida agradecer aos meus pais Guilherme Leitão e
Inês Ramos, que com muito esforço contribuíram para que o sonho do seu filho fosse
realizado, encorajando-me a enfrentar as dificuldades e a superá-las.

A minha avó e mãe na fé, que de forma incansável tem sempre orado por mim, me
encorajando sempre a seguir os meus sonhos e a derrubar as barreiras para chegar ao
sucesso. Ao meu tio José Luís Alfredo, que durante o curso apoiou-me muito na parte
financeira, aos meus irmãos em Cristo Jesus da IEAD-Songo, IEAD-Nampula que de forma
persistente sempre oraram por mim em momentos que precisei de uma mão.

Ao Eng° Celso Januário Baúque, Eng° Nilton Milane e ao meu Co-Supervisor Engo Edelino
Guilherme Foquiço, Msc, que disponibilizaram um pouco do seu tempo para ajudarem-me
a organizar o trabalho.

A minha mãe do Songo, Asmita Chongo, pelo seu apoio financeiro, material, alimentar,
espiritual, a turma de Engenharia Hidráulica 2014 e 2015, que durante o curso foi sempre
unida e juntos sempre alcançamos o sucesso.

Quero agradecer também a minha namorada, que muitas vezes se sentiu excluída porque
não estava disponível para ela, porque tinha de estudar, e ela mesmo assim esperou por
mim.

Ao meu supervisor Engo Francisco Ribângua Manhiça, que com muita paciência, ajudou-
me a concretizar a realização do presente projecto, ao departamento da UTILITY, que
durante o período do estágio acolheram-me e que cada colaborador deu o seu máximo para
transmitir o seu conhecimento em função da sua área de especialização.

Quero agradecer muito ao Sr. Vinícius Lopes Silva, o pessoal técnico da Spraying Systems
co, mesmo em Brasil, e embora a distância não o impediu de dar um suporte técnico.

A todos amigos, familiares e colegas, que participaram de forma directa ou indirectamente


na minha formação

II
RESUMO
A poluição do ar é considerada uma acção verificada com muita frequência no sector
mineiro, apresentando aspectos clássicos de degradação do meio ambiente. Com isso
deve-se levar acabo acções de controlo para evitar danos ao meio ambiente, à saúde dos
trabalhadores e à comunidade ao redor do local de emissão do material particulado.

Neste trabalho fez-se o dimensionamento hidráulico e o traçado em planta de um Sistema


de Pulverização e Controle de Poluição convencional fixo utilizando água para o Porto de
deposição de Carvão Mineral da empresa JSPL Mozambique Minerais, Lda. Os diâmetros
das condutas foram dimensionados com base nas equações de Hazen-Willians, a vazão na
linha com os aspersores é calculada em função da vazão de cada aspersor e do número
total existente na linha e por fim a potência do conjunto motobomba é calculada com a
equação proposta por Biscaro (2009).

O sistema dos dust fighters usado actualmente, é constituído por um conjunto de sprays
com os bocais de saída maiores aos que são recomendáveis para o combate de poeiras
suspensas no ar. No sistema projectado, os sprays usados emitem gotas de água
compatíveis a granulometria da poeira gerada, melhorando assim, as condições de
supressão, abatimento de poeiras suspensas no ar geradas no porto, de forma a evitar a
poluição da atmosfera.

O método de abordagem foi o Dedutivo. Quanto à técnica, o estudo foi documental,


combinado com entrevista aos funcionários de diversos departamentos da empresa com o
objectivo de obter dados relevantes ao projecto.

Palavras-chaves: Poeiras de Carvão Mineral, Meio Ambiente, Poluição Atmosférica, Saúde


ocupacional, Sistemas de pulverização.

III
ÍNDICE

DEDICATÓRIAS I

AGRADECIMENTOS II

RESUMO III

LISTA DE SÍMBOLOS VIII

LISTA DE FIGURAS IX

LISTA DE TABELAS X

1. INTRODUÇÃO 1

1.1. OBJECTO DE ESTUDO 2

1.1.1. Localização geográfica do distrito de Moatize 2

1.1.2. Breve descrição do objecto de estudo 3

1.1.3. Localização geográfica do Projecto 3

1.1.4. Condições ambientais e hidrogeológicas 4

1.1.5. Descrição das actividades no porto 5

1.2. Problema 6

1.3. Justificativa 7

1.4. Objectivos 7

1.4.1. Objectivo geral 7

1.4.2. Objectivos específicos 7

1.5. Estrutura do trabalho 8

1.6. Métodos de Investigação 9

1.7. Resultados Esperados 9


IV
2. MATERIAIS E MÉTODOS 10

2.1.1. Materiais 10

2.1.2. Métodos 10

3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 11

3.1. Poluição e Meio Ambiente na exploração de Carvão Mineral 11

3.1.1. Conceitos 11

3.1.2. Formas de Poluição na Mineração de carvão Mineral 12

3.2. Poeiras de carvão Mineral 12

3.2.1. Fontes de geração 12

3.2.2. Efeitos Ambientais das Poeiras 13

3.2.3. Efeitos das poeiras de carvão mineral na saúde 13

3.2.4. Métodos de supressão de poeira na mineração 14

3.2.5. Métodos de supressão de poeira usando água 15

3.3. Legislação Aplicável 16

3.3.1. Legislação Moçambicana sobre Padrões de Qualidade Ambiental 16

3.3.2. Legislação Internacional 17

3.4. Sistemas de Irrigação por Aspersão 19

3.4.1. Introdução 19

3.4.2. Tipos de Sistemas 20

3.4.3. Componentes do sistema 21

3.4.4. Hidráulica do sistema 27

3.4.5. Critérios de Dimensionamento 29

3.4.6. Condições de Instalação de Bombas 41

4. CARACTERIZAÇÃO DO PROJECTO E MEMÓRIA DE CÁLCULO 43


V
4.1. MEMÓRIA DESCRITIVA E JUSTIFICATIVA 43

4.1.1. Captação de água para o sistema 43

4.1.2. Disposição do sistema 43

4.1.3. Condutas 43

4.1.4. Aspersores 44

4.1.5. Material (Carvão Mineral) 44

4.1.6. Bombas 45

4.1.7. Reservatório 45

4.1.8. Funcionamento do sistema 45

4.2. MEMÓRIA DE CÁLCULO 47

4.2.1. Dimensionamento das linhas com aspersores 47

4.2.2. Cálculo do caudal na linha 48

4.2.4. Dimensionamento da linha de recalque 49

4.2.5. Dimensionamento da linha de sucção 49

4.2.6. Dimensionamento do conjunto motobomba 49

4.3. Dimensionamento de Reservatório 51

4.4. Dimensionamento da Adutora 52

4.5. Cálculo de NPSH Disponível 53

5. RESULTADOS E ANÁLISE 55

5.1. Resultados encontrados 55

6. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 57

6.1. Conclusões 57

6.2. Recomendações 58

7. BIBLIOGRAFIA 59
VI
7.1. Referências bibliográficas 59

7.2. Outras bibliografias 60

ANEXOS 61

TRAÇADO EM PLANTA 1

VII
LISTA DE SÍMBOLOS
JSPL Jindal Steel and Power Limited

EPA Environmental Protection Agency (Agência de Protecção Ambiental)

MAE Ministério da Administração Estatal

REP Relatório de Estágio Profissional

ADECRU Acção Académica para o Desenvolvimento das Comunidades Rurais

OMS/WHO Organização Mundial de Saúde

CETESB Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental

MPS Material Particulado em suspensão

US EPA United States Enviromental Protection (Agência de Protecção Ambiental


dos Estados Unidos)

MP/ PM Material Particulado

DE Diâmetro Externo

PEAD Polietileno de alta densidade

NAAQS National Ambient Air Quality Standards (Padrões Nacionais de Qualidade


do Ar Ambeinte)

SA South Africa (África do Sul)

AQG(s) Air Quality Guideline (Directriz (es) de Qualidade do Ar)

PM2.5 Matéria particulada inalável (menos do que 2.5 microns de tamanho)

PM10 Matéria particulada torácica (menos do que 10 microns de tamanho)

SO2 Dióxido de enxofre

NO2 Dióxido de Nitrogênio

µg/m³ Microgramas por Metro Cúbico

VIII
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Localização geográfica do distrito de Moatize. Fonte: MAFAVISSE, 2018 .......... 2
Figura 2. Área do Porto de Deposição de Carvão da JSPL ................................................ 3
Figura 3. Actividades da mineração com consequente geração de poeiras. (a) Ponto de
transferência de minério; (b) Explosão em uma mina de carvão; (c) Transporte e formação
de pilhas de carvão; (d) Transporte em estradas não pavimentadas. Fonte: Rúbio et al 2010.
.......................................................................................................................................... 12
Figura 4. Aplicações de supressores de poeiras. (a) Uso de caminhões estruturados com
sistemas de sprays; (b) pontos de transporte de minérios, (c) aspersores de água em pilhas
de minérios. Fonte Rúbio et al 2010.................................................................................. 16
Figura 5. Sistema de Sprays em Porto de deposição, Fonte Rúbio, et al ,2010 ............... 19
Figura 6. Sistema convencional portátil. Fonte: BISCARO 2009 ...................................... 20
Figura 7. Sistema convencional permanente. Fonte: BISCARO 2009 .............................. 21
Figura 8. Esquema representativo da adesão da partícula da água e do pó. Fonte: catálogo
da Spray Systems co ........................................................................................................ 22
Figura 9. Tipos de bicos de pulverização, Fonte Catálogo Spray Systems Co. ................ 23
Figura 10. Tipos de sprays para controlo de poeira na mineração, Fonte Catálogo da Spray
Systems Co. ...................................................................................................................... 23
Figura 11. Bicos de Pulverização Atomizadores Hidráulicos Cone Oco, Fonte Catálogo da
Spray Systems Co............................................................................................................. 24
Figura 12. Bicos de Jato Leque Veejet®, Fonte Catálogo da Spray Systems Co. ............ 24
Figura 13. Espaçamento entre aspersores, Fonte BISCARO 2009 .................................. 25
Figura 14. Tubos de PVC, Fonte BISCARO 2009............................................................. 26
Figura 15. Conjunto Motobomba. Fonte: BISCARO 2009 ................................................. 27
Figura 16. Linha lateral em nível, Fonte BISCARO, 2009. ................................................ 30
Figura 17. Linha lateral em aclive, Fonte BISCARO, 2009 ............................................... 34
Figura 18. Linha lateral em declive, Fonte BISCARO 2009 .............................................. 35
Figura 19. Linha dividida em dois trechos. Fonte: BISCARO 2009 ................................... 36
Figura 20. Tubulação de sucção. Fonte: BISCARO 2009 ................................................. 37
Figura 21: Ábaco para escolha do tipo de bomba da marca KSB ....................................... 1

IX
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Principais supressores de poeiras utilizados no abatimento de poeiras da
mineração. Fonte: Rúbio et al 2010 .................................................................................. 14
Tabela 2. Padrões de qualidade do ar- Legislação Moçambicana .................................... 17
Tabela 3. Critérios de avaliação internacionais para os poluentes. Fonte: Shackleton e
Reiche 2015 ...................................................................................................................... 18
Tabela 4. Critérios de avaliação internacionais para os poluentes. Fonte: Shackleton e
Reiche 2015 ...................................................................................................................... 19
Tabela 5. Valores médios do coeficiente C (fonte: BERNARDO, 2005)............................ 33
Tabela 6. Diâmetro comercial de tubulações (DE) ............................................................ 33
Tabela 7: Características do carvão processado, Fonte: Laboratório da JSPL................. 44
Tabela 8. Características do carvão processado. Fonte: Laboratório da JSPL................. 45
Tabela 9. factor K para o cálculo de carga localizada ....................................................... 50
Tabela 10. Rendimentos hidráulicos aproximados nas bombas centrífugas..................... 51
Tabela 11. Dimensionamento do Reservatório ................................................................. 52
Tabela 12: Resultados R1 ................................................................................................. 55
Tabela 13. Resultados R2 ................................................................................................. 56
Tabela 14. Resultados Rio Moatize - Reservatório ........................................................... 56
Tabela 15: Valores de K para cálculo de perdas de carga localizadas ............................... 1
Tabela 16: Relatório de estágio profissional ....................................................................... 1
Tabela 17. Orçamento do projecto ...................................................................................... 1

X
PROJECTO DE UM SISTEMA DE PULVERIZAÇÃO E CONTROLE DE POLUIÇÃO UTILIZANDO ÁGUA NO PORTO DE DEPOSIÇÃO DE CARVÃO
MINERAL, EMPRESA JSPL MOZAMBIQUE MINERAIS, LDA

1. INTRODUÇÃO

O carvão mineral está entre os recursos energéticos não renováveis mais importantes
na reserva energética mundial a longo prazo (Aguiar e Balestieri 2007). Vale ressaltar
que o carvão mineral é uma das primeiras fontes energéticas exploradas em grandes
proporções pelo homem. Na década de 70 tal exploração experimentou rápido
crescimento em resposta à crise do petróleo, tornando-se neste momento um dos
combustíveis fósseis mais requisitados, tanto pelas grandes reservas, quanto pelos
preços acessíveis (Torrezani e Oliveira, 2013). Por outro lado, sabe-se que na
exploração do carvão, ocorre a libertação de poeiras que impactam negativamente o
ambiente, gerando problemas que podem ser irreversíveis.

E olhando para porto de deposição da JSPL em Moatize há geração de poeiras causada


pelo trânsito de camiões, equipamentos e a acção do vento sobre o material particulado
(Poeiras). Ocasionando assim inúmeros impactos ambientais, destacando-se na
qualidade das águas, danos à saúde humana como doenças respiratórias, alergias e
reacções tóxicas. Com isso, medidas de controlo de poeira em locais de deposição do
carvão mineral são importantes não só para a protecção ambiental, mas também sob o
ponto de vista económico, da saúde da comunidade e dos funcionários do porto de
deposição de carvão, aumentando assim a produtividade e dinâmica no trabalho.

Pretende-se neste trabalho elaborar um Projecto de um Sistema de Pulverização e


Controlo de Poluição utilizando água para Porto de deposição de Carvão Mineral
da empresa JSPL Mozambique Minerais, Lda. no distrito de Moatize, tendo em vista
melhorar a problemática das poeiras que se fazem sentir pela presença carvão
depositado no porto.

No decorrer dos últimos anos, o uso do sistema de aspersão fixo para controlo de poeira
tem se tornado uma estratégia eficiente nas áreas de mineração, devido a sua
confiabilidade, baixo custo do processo, e a não interferência no tráfego de veículos e

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MINERAL, EMPRESA JSPL MOZAMBIQUE MINERAIS, LDA

equipamentos em áreas abertas, justificando-se a sua escolha e implementação no porto


de deposição de carvão mineral em Moatize.

1.1. OBJECTO DE ESTUDO


1.1.1. Localização geográfica do distrito de Moatize

O distrito de Moatize dista 20 km do Município de Tete, situa-se a NE (Nordeste) da


cidade de Tete, entre as coordenadas 15˚ 37’ e 16˚ 38’ latitude Sul e 33˚ 22’ e 34˚ 28’
longitude Este. É limitado à Norte pelos distritos de Chiúta e Tsangano; a Este pela
República do Malawi; a Sul pelos distritos de Tambara, Gúro, Changara e Município de
Tete, através do rio Zambeze e Mutarara através do rio Mecombedzi; e a Oeste pelos
distritos de Chiúta e Changara (Figura 1). (MAE, 2014)

Figura 1. Localização geográfica do distrito de Moatize. Fonte: MAFAVISSE, 2018

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1.1.2. Breve descrição do objecto de estudo

O Proponente do Projecto é a empresa JSPL Mozambique Minerais Lda. Uma empresa


coligada Jindal Steel & Power Ltd. (JSPL). Esta empresa tem a sua sede na Índia. As
suas actividades principais estão ligadas a indústria de produção de aço, Carvão e aos
sectores de energia e petróleo. Em Moçambique, a JSPL Mozambique Minerais Lda, é
detentora de licenças de prospecção e pesquisa para mineração de carvão na Província
de Tete, das quais uma das licenças recai para a área designada 3605c (Ganegane e
Tiwari, 2017).

1.1.3. Localização geográfica do Projecto

O Porto de Deposição de Carvão Mineral da JSPL Mozambique Minerais Lda, está


situado na vila de Moatize, distrito do mesmo nome, Província de Tete, no bairro da
Carbomoc, província de Tete. A área do projecto em estudo é de cerca de 13,2 ha e será
servida por um ramal ferroviário a partir da estação dos CFM de Moatize (Figura 2)
(Ganegane e Tiwari, 2017).

Figura 2. Área do Porto de Deposição de Carvão. Fonte: Relatório de Gestão Ambiental da JSPL.

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1.1.4. Condições ambientais e hidrogeológicas


a) Clima

Baseando no modelo de Koppen, no distrito de Moatize predominam dois tipos de climas:


o do tipo seco de estepe com inverno seco na parte sul, e o Tropical Chuvoso de Savana
no norte do distrito. São climas caracterizados por duas estações distintas, a estação
chuvosa e a seca. A época chuvosa inicia no mês de Outubro e/ou Novembro e termina
entre os meses de Março e Abril (INAM, 2016).

b) Precipitação

A maior precipitação pluviométrica ocorre sobretudo no período compreendido entre


Dezembro a Fevereiro, variando significativamente na quantidade e distribuição, quer
durante o ano, quer de ano para ano.

A precipitação média mensal no verão ronda em torno de 191 mm e 166 mm, índices
registados nos meses de Janeiro e Dezembro. A precipitação média mensal máxima e
mínima em Moatize é de aproximadamente 191 mm no verão e 0,8 mm no inverno
(INAM, 2016).

c) Temperatura

A temperatura média está na ordem dos 26,5˚C. As médias anuais máximas e mínimas
são de 32,5 e 20,5˚C, nos meses de Novembro e Julho, respetivamente (INAM, 2016).

d) Recursos hídricos subterrâneos

Em termos regionais, as unidades hidrogeológicas que constituem a área do distrito de


Moatize são formadas por áreas de ocorrência de aquíferos intergranulares, aquíferos
fissurados e de aquíferos locais. As duas primeiras apresentam camadas cuja
produtividade varia de moderadamente produtiva (3-10 m³/h) a muito produtiva (> 50
m³/h). Já para os aquíferos locais a produtividade de água subterrânea é limitada (< 5
m³/h) ou baixa (< 1m³/h) (Ganegane e Tiwari, 2018).

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1.1.5. Descrição das actividades no porto

As actividades levadas a cabo no porto da JSPL Mozambique Minerais Lda, tem como
ponto de partida a mina de exploração de carvão mineral em Chirodzi, distrito de Cahora
bassa, na Província de Tete. O transporte do carvão da mina de Chirodzi é feita em
camiões até a Plataforma de deposição de Moatize, que a posterior é carregado por meio
de vagões, através da Linha de Sena até ao Porto da Beira, onde o carvão é embarcado
em navios de carga para exportação. O porto de deposição em Moatize tem uma
capacidade de armazenamento de cerca de 250.000 toneladas de carvão. A empresa
conta com uma composição de 45 vagões, para o transporte do carvão de Moatize com
destino à plataforma de descarga e armazenamento da empresa na Munhava no Porto
da Beira. Os vagões são carregados em Moatize através de pás carregadoras para carga
directa para cada um dos vagões (Ganegane e Tiwari, 2018).

a) Principais componentes do porto

Segundo (Ganegane e Tiwari, 2018), para o funcionamento do porto ‘tem como


elementos de suporte os seguintes:

 Ramal ferroviário reabilitado que liga o local de armazenamento de carvão a


estação ferroviária de Moatize-cerca de 700 m;
 Báscula para pesagem do carvão à entrada, nos camiões de transporte a partir
da mina, e de balança para pesagem do material em movimento sobre os carris,
já nos vagões;
 Depósito de água elevado;
 Distribuição da água com recurso a um camião cisterna;
 Área de parqueamento de camiões;
 Área de armazenamento de carvão;
 Instalações para a reparação de equipamentos;
 Vedações e portões em redor das instalações;
 Geradores para fornecimento de energia, em caso de emergência.

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1.2. Problema

A poluição atmosférica é hoje reconhecida como um importante risco para a saúde. Em


1990, como em 2013, a poluição atmosférica foi o quarto factor de risco mortal para a
saúde em todo o mundo, resultando em 4,8 milhões de mortes (Banco Mundial, 2016).

A partir do carvão extraído da zona de Chirodzi e transportado em camiões basculantes


para o porto de deposição da empresa, instalado no antigo parque de automóveis
(espaço aberto e rodeado de habitações) da extinta empresa Carbonífera de
Moçambique (Carbomoc), situado no distrito de Moatize, verifica-se que por causa do
movimento dos equipamentos, de viaturas dentro do recinto e a acção do vento sobre o
carvão não humedecido vão se levantando partículas de poeira de carvão originando o
seguinte:

 Inalação da poeira de Carvão Mineral por parte dos moradores durante 24 horas.
Trata-se de um caso extremamente grave de exposição contínua das famílias a
poeira de carvão que origina problemas à saúde humana a curto, médio e logo
prazos;
 Exposição dos trabalhadores a poeira;

O sistema alternativo usado actualmente para a redução de poeiras não é eficiente no


que concerne ao combate das partículas de poeira já suspensas no ar, porque os
aspersores usados geram gotas maiores em ralação a granulometria das poeiras, não
existindo assim uma compatibilidade entre os dois para que o sistema seja eficiente, e
estas vão se propagando no ar e como resultado vão degradando a qualidade do ar.

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1.3. Justificativa

Tratando-se, a poeira, de um material que quando libertado à atmosfera causa enormes


problemas ao ambiente e à saúde das pessoas que vivem ao redor do Porto, há
necessidade de implementação de medidas para o controlo da poluição atmosférica
causado pelo material particulado, para que a qualidade do ar não continue a se
deteriorar causando a mortalidade da população e da degradação do meio ambiente na
região.

Acções de controlo e redução de poeira a base de sistemas de sprays usando água são
eficientes no que concerne ao abatimento e supressão de poeiras de carvão mineral
proporcionando um ambiente agradável e saudável. Visto que, ao conhecer a
granulometria da poeira gerada, escolhemos um aspersor que gera tamanho de gotas
compatíveis para o devido sistema.

A escolha do tema surge na sequência do autor pretender contribuir para o


melhoramento da qualidade do ar, de modo a prevenir problemas relacionados a saúde
dos funcionários e da comunidade circunvizinha ao porto.

1.4. Objectivos

1.4.1. Objectivo geral

Conceber um Sistema de Sprays usando água para o controlo de poeiras no porto de


deposição de carvão mineral da empresa JSPL Mozambique Minerais, Lda.

1.4.2. Objectivos específicos

 Abordar as técnicas para o dimensionamento através da fundamentação teórica


 Fazer o dimensionamento hidráulico do sistema de sprays e do Reservatório
 Fazer o traçado em planta do sistema de pulverização

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1.5. Estrutura do trabalho

O presente REP é composto por sete (7) capítulos, os quais são descritos
resumidamente de seguida nos pontos seguintes:

 Capítulo 1 - Introdução – Neste capítulo apresenta-se a visão geral do tema, os


objectivos do REP, os pontos fortes para a elaboração do REP e a sua
organização como um todo;
 Capítulo 2 – Materiais e Métodos - São apresentados neste capítulo os materiais
que foram usados para realização do REP, bem como as formas como cada
material foi usado e como a recolha das informações foram feitas para completar
a informação importante para a realização do mesmo;
 Capítulo 3 – Revisão Bibliográfica – Neste capítulo aborda-se fundamentos
ligados directamente a poluição atmosférica resultante do carvão mineral, bem
como a caracterização de um sistema de pulverização usando água, onde se
enumeram as regras de concepção e dimensionamento do mesmo, abordando
cada componente do sistema separadamente. Por fim, são também descritos os
principais materiais utilizados no sistema referido;
 Capítulo 4 –. Apresenta-se neste capítulo o caso de estudo, começando-se por
apresentar a memória descritiva do projecto e a posterior as notas de cálculo;
 Capítulo 5 – Resultados – Neste capítulo são apresentados e analisados os
resultados encontrados, estabelecendo, dessa maneira, as condições de
implementação do projecto;
 Capítulo 6 – Neste capítulo apresentam-se as conclusões e recomendações
importantes do trabalho, bem como algumas sugestões para uma melhor
concepção e dimensionamento do sistema de pulverização usando água;
 Capítulo 7- Neste último capítulo são apresentadas todas as referências
bibliográficas usadas para concretização do presente projecto.

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1.6. Métodos de Investigação

Os métodos de investigação usados para a realização do trabalho foram:

 Método teórico – Usado para formulação de toda base teórica (Revisão


Bibliográfica) do trabalho;
 Método Dedutivo – Usado nas técnicas, Instrumentos de recolha de dados,
avaliação do local de implementação do projecto e combinando com entrevista
aos funcionários de diversos departamentos da empresa com o objectivo de obter
dados relevantes ao projecto.

1.7. Resultados Esperados

Com a implementação do projecto de pulverização, espera-se:

 Melhorar a qualidade de ar, proporcionando o controlo e minimização do impacto


das poeiras para as comunidades circunvizinhas;

 Aumento do material disponível para a exportação e aumento dos lucros da


empresa, visto que as estatísticas apontam para uma percentagem 2% de perda
da capacidade de armazenamento anual, em casos de não existir um sistema de
pulverização para umidificação do material.

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2. MATERIAIS E MÉTODOS
2.1.1. Materiais

Para a realização do trabalho foram realizadas consultas em livros, artigos científicos,


monografias de especialização, dissertações de mestrado, teses de doutorado, relatórios
sobre qualidade de ar fornecidos pela empresa para a elaboração do referencial teórico
e utilização da internet para a obtenção de informações acerca da poluição do carvão
mineral do porto.

Para a realização dos mapas foram usados programas informáticos como:

 Google Earth;
 Global Mapper;
 ArchiCad versão 21;
 Autocad civil 2014.

2.1.2. Métodos

A partir da revisão bibliográfica foram seleccionados os principais temas relacionados


com o roteiro prático para o dimensionamento hidráulico de sistemas de sprays em
questão, com o GoogleEarth foi feita a delimitação da área do projecto com auxilio das
coordenadas que delimitam o porto fornecidas pelo departamento de Topografia da
empresa, com o Global Mapper foram tiradas as curvas de nível, associadas ao AutoCad
para edição das curvas, e com o ArchiCad foram feitos alguns arranjos estéticos planta
de implantação do projecto e foi feito o traçado em planta.

Alguns dados do projecto como a dimensão média do grão das partículas de poeiras
geradas, foram obtidos recolhendo amostras em sacos plásticos do material em campo
e levadas ao laboratório, secadas e realizado o ensaio de granulometria.

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3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
3.1. Poluição e Meio Ambiente na exploração de Carvão Mineral
3.1.1. Conceitos

Poluição

A poluição é definida como qualquer alteração da composição e das características do


meio, que causem perturbações ao ecossistema (BRILHANTE, 1999).

Poluição atmosférica

A poluição atmosférica inclui todo tipo de actividade, fenómeno e substância que


contribua para a deterioração da qualidade natural da atmosfera, causando problemas
aos seres humanos e ao meio ambiente (ALMEIDA, 1999; US EPA, 2006, citados por,
RESENDE, 2007).

Meio Ambiente

Meio Ambiente é o conjunto, a um dado momento, de agentes físicos, químicos,


biológicos e de factores sociais susceptíveis de provocar um efeito directo ou indirecto,
imediato, sobre os seres vivos e as actividades humanas (BRILHANTE, 1999).

Carvão Mineral

Carvão mineral é um combustível fóssil, em rocha sedimentar, de mistura heterogénea


e complexa de constituintes orgânicos e inorgânicos, extraída da terra por meio da
mineração (COLLAZZO, 2013, citado por, MAFAVISSE, 2018).

Poeira

É denominado poeira, toda partícula sólida, de qualquer tamanho, natureza ou origem,


formada por roptura de material original sólido, suspenso ou capaz de se manter
suspensa no ar. Essas partículas geralmente possuem formas irregulares e são maiores
que 0,5 μm (SANTOS e AMARAL, 2001).

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3.1.2. Formas de Poluição na Mineração de carvão Mineral

Historicamente a mineração do carvão mineral sempre foi problemática devido a


degradação do meio ambiente associada às actividades de extracção, beneficiamento e
queima do carvão, embora o mesmo seja um dos recursos energéticos mais importantes.
Entre os impactos gerados, destacam-se a degradação paisagística, emissão de
partículas de poeira, drenagem ácida, poluição das águas e combustão espontânea do
carvão (MAFAVISSE, 2018).

3.2. Poeiras de carvão Mineral


3.2.1. Fontes de geração

Segundo Walker (1997, citado por Rubio et al, 2010) as actividades envolvidas na
mineração como, perfuração, explosão, carregamento, transporte, transferência de
pontos, cominuição (britagem e moagem), formação de pilhas, entre outros, possuem
elevada capacidade de geração de poeiras. As etapas de fragmentação e transporte
apresentam maior potencial para geração de material particulado e quanto mais extensas
e numerosas estas etapas, maior a probabilidade de fragmentação do minério em
fracções suficientemente pequenas para formar mais poeiras (Figura 3).

Figura 3. Actividades da mineração com consequente geração de poeiras. (a) Ponto de transferência de
minério; (b) Explosão em uma mina de carvão; (c) Transporte e formação de pilhas de carvão; (d)
Transporte em estradas não pavimentadas. Fonte: Rúbio et al 2010.

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3.2.2. Efeitos Ambientais das Poeiras

O efeito visível no meio ambiente é a deposição das partículas sobre os materiais e a


vegetação, e quando depositadas em edifícios e monumentos, as partículas depositadas
provocam descoloração, erosão, corrosão e decomposição dos materiais de construção
(ADECRU, 2015).

Os efeitos potenciais de material particulado sobre a vegetação e os ecossistemas


incluem desde impactos sobre as propriedades do sistema (estrutural e funcional) quanto
nos diferentes níveis de organização biológica (organismos, população, comunidade e
sistema) (SIGAL e SUTER, 1987).

3.2.3. Efeitos das poeiras de carvão mineral na saúde

As doenças associadas a exposição por pó de carvão dependem de uma gama de


factores, desde a distribuição ou concentração das partículas suspensas no ar, o
tamanho e a forma dessas partículas e o tempo de exposição, o que faz com que, o
surgimento dos efeitos patogénicos ao pó do carvão dependa de cada caso para que se
veja o efeito adverso. Porém, quando os efeitos surgem muitas das vezes já é tarde
demais, sendo em muitos casos irreversível o estado clínico (ADECRU, 2015).

A exposição prolongada a poeiras de carvão mineral pode gerar doenças como:

 A doença de pulmão negro - que resulta da acumulação do pó do carvão inalado


no pulmão, sendo o sistema imunológico do organismo incapaz de combater. Em
alguns casos começa por surgir o pulmão negro simples em que o pó de carvão
dissemina-se por todo o pulmão, surgindo pequenas manchas, podendo levar ao
surgimento da fibrose maciça progressiva como resultado da contínua exposição
ao pó do carvão (ADECRU, 2015).

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3.2.4. Métodos de supressão de poeira na mineração

Os processos comummente utilizados na área da mineração para prevenir e controlar as


partículas dispersas na atmosfera são realizados através do uso de agentes
denominados Supressores de poeiras.

A tabela 1 mostra os principais tipos de supressores de poeiras e os produtos que podem


constituir os mesmos.

Tabela 1. Principais supressores de poeiras utilizados no abatimento de poeiras da mineração. Fonte:


Rúbio et al 2010

Supressores de poeiras Produtos


Água Doce ou salgada
Sais e soluções salinas Cloreto de cálcio, cloreto de magnésio
Surfactantes/tensoativos Detergentes
Emulsões asfálticas, solventes, óleos, emulsões
Orgânicos derivados do petróleo
asfálticas modificadas
Óleos vegetais, melados, gorduras animais,
Orgânicos não derivados do petróleo sulfonato de lignina (subproduto químico do
despolpamento da madeira), emulsões de óleos.
Polímeros sintéticos Polivinil acetato, acrílico vinil.
Produtos eletroquímicos Enzimas, produtos iónicos, óleos sulfonatados.
Aditivos de argilas Bentonitas, montmorillonita.
Mulches de papel com gipsita, Mulches de fibras
Mulches e misturas de fibras
de madeira, misturas de Mulches com sementes

Os supressores de poeira diferem, principalmente, quanto à forma de actuação sobre as


partículas, pois os sais aumentam a humidade superficial destas através da absorção de
humidade atmosférica, os surfactantes diminuem a tensão superficial da água permitindo
maior molhabilidade das partículas por unidade de volume, os betumes agregam as
partículas superficiais e os polímeros sintéticos agregam as partículas produzindo
camadas finas (membranas) sobre a superfície. Ainda, as coberturas de solos
conhecidas como mulches são formuladas a partir da mistura de resíduos de fibras de

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madeira ou papel, de um agente selador e de um solvente (usualmente água) formando


uma camada protectora acima da superfície do solo que equivale a uma nova superfície
(EPA, 2004, citado por Rubio et al, 2010).

Diante das considerações anteriores, é possível evidenciar a diversidade de produtos


destinados ao abatimento de material particulado na mineração. Entretanto, a selecção
de um agente supressor está de uma forma geral, relacionada às questões económicas
e ambientais, de modo que um planeamento adequado possui grande importância e deve
ser estabelecido para seleccionar e aplicar um sistema eficiente e adequado de
abatimento de poeiras. Assim, é de extrema relevância a caracterização do sistema em
relação à:

 Conhecimento das fontes potenciais de emissão de material particulado;

 Determinação da natureza dos tipos de partículas constituintes das poeiras e a


concentração destas partículas no ar;

 Relação custo-benefício dos produtos a serem empregados;

 Possibilidade de um impacto ambiental devido ao uso inadequado de um


determinado agente e, principalmente, das possíveis medidas preventivas que se
deve realizar para um eventual impacto ambiental (Oliveira e Rubio, 2007a).

3.2.5. Métodos de supressão de poeira usando água


Tradicionalmente, incluem sistemas de aspersão de água ou de produtos químicos que
são usados para capturar qualquer partícula formada e aumentar o peso dessas
partículas proporcionando um abatimento das partículas fugitivas.

O controlo da poeira gerada é feito em dois estágios nomeadamente:

 Supressão de Poeira (Prevenção da Suspensão da Partícula): suprimindo a poeira


antes de tornar uma partícula em suspensão, alcançada direcionando o jato de

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água directo no material para prevenir o levantamento da poeira, para estes


sistemas são recomendadas gotas grandes (200-500 µm);

 Abatimento de partícula em suspensão (Supressão da Partícula Suspensa):


Captura e abatimento das partículas fugitivas, feitos por meio do direcionamento
do jato na nuvem de poeira dispersa, para estes sistemas são recomendadas
gotas muito finas (10-150 µm).

De forma a se alcançar no final, um sistema de controlo de poeira eficiente, é necessário


combinar os dois métodos acima mencionados.

A aplicação usual dos supressores de poeiras em grandes áreas, é realizada com


sistemas de sprays estruturados em caminhões e, outra forma eficiente de aplicação é
através de sistemas sprays fixos de água instalados nas áreas que apresentam geração
potencial de poeiras conforme mostrado na Figura 4.

a) b) c)

Figura 4. Aplicações de supressores de poeiras. (a) Uso de caminhões


estruturados com sistemas de sprays; (b) pontos de transporte de minérios, (c) aspersores de água em
pilhas de minérios. Fonte Rúbio et al 2010.

3.3. Legislação Aplicável


3.3.1. Legislação Moçambicana sobre Padrões de Qualidade
Ambiental

O Governo de Moçambique através do regulamento no seu artigo 7, do decreto n.˚


18/2004, de 2 de Junho no seu anexo I, definiu os parâmetros fundamentais que devem
caracterizar a qualidade do ar para que este mantenha a sua capacidade de
autodepuração e não tenha impacto negativo significativo para a saúde pública e no
equilíbrio ecológico, estabelecendo os padrões nacionais de qualidade do ar.

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O decreto n.˚67/2010, altera os artigos 23 e 24, taxas de emissão de autorização especial


e transgressões e multas, respetivamente, o seu anexo I, referidos no artigo 7 do
Regulamento sobre Padrões de Qualidade ambiental e de Emissão de Efluentes,
aprovado pelo decreto n.˚ 18/2004, de 2 de Junho (Tabela 2).

De acordo também com a Lei de Minas (Lei 20/2014 de 18 de Agosto), o titular ou


operador mineiro deve realizar as operações mineiras em conformidade com as leis e
regulamentos pertinentes ao uso e aproveitamento dos recursos naturais, bem como a
protecção e preservação do meio ambiente, incluindo os aspectos sociais, económicos
e culturais em vigor. É ressaltado ainda que as operações relacionadas com mineração
de carvão sejam executadas em conformidade com boas práticas mineiras, a fim de
minimizar o desperdício e as perdas dos recursos naturais e de protegê-los contra danos
desnecessários.

Tabela 2. Padrões de qualidade do ar- Legislação Moçambicana

PARÂMETRO TEMPO DE AMOSTRAGEM


(MG/M3) 10 15 30 Min 1 Hora 8 Horas 24 Horas Média Aritmética
Min Min Anual
PADRÕES
PRIM SEC PRIM SEC PRIM SEC PRIM SEC
Dióxido de 500 800 100 40
Enxofre
Dióxido de 190 10
Nitrogénio
Monóxido de 100.0 60.000 30.000 10.00
Carbono 00 0
Ozono 160 120 50 70
Partículas 150 60
totais em
suspensão

3.3.2. Legislação Internacional

Normalmente, quando não há critérios de qualidade do ar locais, ou estão em vias de


desenvolvimento, é feita referência aos critérios internacionais. Além disso, se um
projecto tem de cumprir os Padrões de Desempenho da Corporação Financeira
Internacional (IFC), em seguida, as normas estipulam que quando há uma diferença de

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limites, o mais rigoroso será aplicável. Isso serve para fornecer uma indicação da
gravidade dos potenciais impactos das actividades propostas. Os critérios internacionais
de qualidade do ar mais amplamente referenciados são os publicados pelo Grupo Banco
Mundial, a OMS e a Comunidade Europeia (CE). Os padrões de qualidade do ar
ambiente sul-africano também são referenciados uma vez que são considerados
indicadores representativos para Moçambique devido às características ambientais,
sociais e econômicas semelhantes entre os dois países (Shackleton e Reiche 2015).

Diretrizes de Qualidade do Ar (AQGs) foram publicadas pela OMS em 1987 e foram


revistas em 1997. Desde a realização da segunda edição das Diretrizes de Qualidade do
Ar para a Europa que incluiu uma nova pesquisa de países de baixa e média renda, onde
os níveis de poluição do ar são os mais elevados, a OMS comprometeu-se a rever a
evidência científica acumulada e considerar suas implicações para os seus AQGs. O
resultado deste trabalho é o documento em “Directrizes de Qualidade do Ar -
Actualização Global de 2005” sob a forma de valores de referência revistos para critérios
selecionados poluentes do ar, que são aplicáveis em todas as regiões da OMS
(Shackleton e Reiche 2015). São apresentados na tabela 3 e 4 valores relativos aos
parâmetros da OMS e de qualidade de ar.

Tabela 3. Critérios de avaliação internacionais para os poluentes. Fonte: Shackleton e Reiche 2015

Poluentes Período Valores Limite


médio Concentração Referência
(µg/m³)
CO 1 Hora 30 000 WHO AQG & SA
NAAQS
NO2 1 Hora 200 WHO AQG & SA
NAAQS
1 Ano 40 WHO AQG & SA
NAAQS
PM2.5 24 Horas 37.5 WHO IT-3
1 Ano 15 WHO IT-3

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Tabela 4. Critérios de avaliação internacionais para os poluentes. Fonte: Shackleton e Reiche 2015

Poluentes Período Valores Limite


médio Concentração Referência
(µg/m³)
PM10 24 Horas 75 WHO IT-3 & SA
NAAQS
1 Ano 30 WHO IT-3
SO2 1 Hora 350 SA NAAQS
24 Horas 125 WHO IT-1 & SA
NAAQS
1 Ano 50 SA NAAQS

3.4. Sistemas de Irrigação por Aspersão


3.4.1. Introdução

A aplicação de água por sistemas de sprays faz-se pela divisão de um ou mais jatos de
água em uma grande quantidade de pequenas gotas no ar, que caem sobre o solo na
forma de uma chuva artificial. A passagem de água sob pressão através de orifícios de
pequena dimensão é o que causa o fraccionamento do jato. Com o auxílio, por regra, de
um sistema de bombeamento, a água percorre um conjunto de tubulações com pressão
suficiente para accionar os Sprays (Figura 5).

Figura 5. Sistema de Sprays em Porto de deposição, Fonte Rúbio, et al ,2010

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3.4.2. Tipos de Sistemas


a) Sistema Convencional Portátil

Um sistema portátil de aspersão (Figura 6) é caracterizado pela possibilidade de


movimentar o equipamento de um local para o outro, conforme a necessidade, quando
não há tubulações, acessórios e aspersores em quantidade e extensão suficientes para
abranger toda a área de cobertura.

Figura 6. Sistema convencional portátil. Fonte: BISCARO 2009

b) Sistema Convencional Permanente

Diferentemente do sistema portátil, no sistema permanente as tubulações são fixas e


não movidas de um local para outro, cobrindo simultaneamente toda a área pulverizada
(Figura 7). Pode-se dividir esse sistema em totalmente permanente, no qual as
canalizações são enterradas e cobrem toda área, e parcialmente permanente, no qual
as canalizações são portáteis e cobrem toda a área pulverizada.

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Figura 7. Sistema convencional permanente. Fonte: BISCARO 2009

Como não há movimentação de tubulações de um local para outro, teoricamente seria


mais fácil irrigar toda a área de uma só vez. Porém, isso acarretaria na demanda de uma
grande quantidade de água em um determinado momento, o que pode não ser viável.
Outro problema seria a necessidade de tubulações de diâmetro muito grande,
aumentando em demasia o custo do sistema.

Pode-se dividir então a área em parcelas, que serão irrigadas sequencialmente de


maneira a cobrir toda a área ao final do ciclo, para reduzir os diâmetros das tubulações.

3.4.3. Componentes do sistema

Um sistema é composto, em geral, por aspersores, acessórios, tubulações (linhas


laterais, linhas de derivação, linha principal, linha de recalque e linha de sucção) e
conjunto motobomba.

a) Spray

O aspersor (Spray) é o mecanismo responsável pela pulverização do jato de água


(BISCARO, 2009).

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Cada processo produtivo provoca a geração de particulado com tamanhos diferentes. A


eficiência de um sistema de controlo de poeira está directamente relacionada à escolha
do bico de pulverização certo para produzir o tamanho de gota correto.

Se o diâmetro da gota é maior do que o da partícula de pó, a partícula de pó seguirá a


corrente de ar em volta da gota. Se o diâmetro da gota e o diâmetro da partícula forem
compatíveis, a partícula de poeira seguirá a corrente de ar e colidirá com a gota (Figura
8). As partículas finas precisam de mais água para controlo do que partículas maiores.
A poeira e as gotas devem ser comparáveis em tamanho. O objectivo é a colisão, de
maneira que a gota capture a poeira.

Figura 8. Esquema representativo da adesão da partícula da água e do pó. Fonte: catálogo da Spray
Systems co

 Tipo de bicos de pulverização para mineração

Os bicos são classificados conforme a distribuição de pulverização que produzem: Bicos


tipo Jato Sólido, Bicos tipo Jato Cone Oco, Bicos tipo Jato Leque, Bicos Atomizadores,
Bicos tipo Jato Cone Cheio como mostrado na figura 9.

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Figura 9. Tipos de bicos de pulverização, Fonte Catálogo Spray Systems Co.

 Tipos de sprays para controlo de poeira na mineração (Figuras 10, 11, 12)

Figura 10. Tipos de sprays para controlo de poeira na mineração, Fonte Catálogo da Spray Systems Co.

Na figura 10 estão representados os sprays do tipo 7N a esquerda e 7G a direita.

 Pulverização com pequeno tamanho de gota.


 Produz uma fina névoa sobre grandes áreas.
 Ajustável para uso com água de baixa qualidade, quando conectado com um filtro
de linha TW antes dos bicos.

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Figura 11. Bicos de Pulverização Atomizadores Hidráulicos Cone Oco, Fonte Catálogo da Spray
Systems Co.

 Tamanho de gotas muito pequeno – ideal para uso em supressão de pó


transportado pelo ar.
 Disponíveis em padrões de ângulo padrão ou aberto.
 Disponíveis em versões com filtro integrado.
 Bicos UniJet® permitem pontas substituíveis, o corpo pode ser reutilizado.

Figura 12. Bicos de Jato Leque Veejet®, Fonte Catálogo da Spray Systems Co.

 Tamanhos de gotas de pequenos e médios.


 Pulverização com ângulos fechados ou abertos.
 Passagem de ar que desobstruída, minimizam o entupimento.

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 Ângulo de Pulverização

Cada bico apresenta um ângulo de pulverização característico. O ângulo de pulverização


normalmente é fornecido pelo fabricante. O conhecimento do ângulo de pulverização e
da distribuição é essencial para determinar a área de cobertura e o número total de bicos
necessários.

 Vazão

O conhecimento da vazão de cada bico é necessário para determinar a percentagem de


humidade que pode ser adicionada ao material.

 Espaçamento entre Aspersores

O espaçamento entre aspersores (Figura 13) deve promover a sobreposição da área


molhada pelos mesmos, tanto na própria linha lateral (E1) como entre as linhas laterais
(E2), resultando num espaçamento E1 x E2 (BISCARO, 2009).

Figura 13. Espaçamento entre aspersores, Fonte BISCARO 2009

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b) Tubulações

São responsáveis pela condução da água sob pressão, desde a captação até os
aspersores (Figura 14). As tubulações utilizadas devem apresentar resistência à pressão
a que são submetidas, possuir sistemas de engate rápido e, sobretudo, serem de fácil
transporte (leves) (BISCARO, 2009).

Figura 14. Tubos de PVC, Fonte BISCARO 2009

c) Acessórios

Um sistema de aspersão possui uma vasta linha de acessórios de diversas finalidades,


que permitem sua instalação em praticamente qualquer local, independentemente da
topografia ou do formato da área. Curvas, derivações, registos, adaptadores e válvulas
são alguns dos principais acessórios encontrados em aspersão (BISCARO, 2009).

d) Conjunto Motobomba

O conjunto motobomba (Figura 15) tem a função de transportar a água de sua fonte de
origem e enviá-la sob pressão para o interior de tubulações apropriadas, onde a mesma
será conduzida até os emissores

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Figura 15. Conjunto Motobomba. Fonte: BISCARO 2009

3.4.4. Hidráulica do sistema


a) Intensidade de Aplicação de Água

Intensidade de aplicação é a lâmina de água aplicada sobre uma superfície por um


determinado tempo; é função do espaçamento e da vazão dos aspersores. A equação
utilizada para determinar a intensidade de aplicação é:

= [( . 3600) ÷ ( . )] (1)

Em que:

I = intensidade de aplicação de água do aspersor (mm h-1);

q = vazão do aspersor (L s-1);

E1 = espaçamento entre aspersores na mesma linha (m);

E2 = espaçamento entre linhas de aspersores (m).

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b) Uniformidade, Eficiência do Aspersor e do Sistema

A uniformidade e a eficiência da aplicação de água pelos aspersores dependem


directamente da pressão da água a que o mesmo será submetido e do tamanho do(s)
seu(s) bocal(is)

A pressão de funcionamento do sistema de irrigação deve ser compatível com a pressão


de trabalho do aspersor. Em casos de pressão excessiva, poderão ocorrer danos aos
mecanismos do aspersor, além de uma pulverização muito grande do jato de água, o
que implicaria numa perda de alcance. Aspersores trabalhando com pressão deficiente
não conseguem realizar o correto seccionamento do jato, o que gera gotas de água muito
grandes, ocasionando uma deposição excessiva nas extremidades da área molhada. Em
ambos os casos ocorrem a desuniformidade e a baixa eficiência de aplicação de água
(BISCARO, 2009).

A eficiência do aspersor e do sistema de aspersão pode variar de 75% a 85%. Seu valor
pode ser determinado pela seguinte equação:

= ( ÷ ℎ). 100 (2)

Em que

Ef = eficiência do aspersor (%);

R = raio de cobertura (m);

h = carga hidráulica ou pressão (m).

c) Alcance do Jato de Água

O alcance do jato de água depende do tipo do aspersor. Para os fixos e/ou


escamoteáveis, o alcance do jato é determinado pela equação:

. .
= 1,35 . .ℎ (3)

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Em que

R = raio de cobertura do aspersor (m);

d = diâmetro bocal (mm);

h = carga hidráulica ou pressão (m).

3.4.5. Critérios de Dimensionamento


a) Linhas laterais

Na linha lateral são instalados os aspersores, distribuídos igualmente em toda a sua


extensão, em distâncias múltiplas de seis devido ao comprimento padrão das tubulações.
Preferencialmente, ela deve estar em nível, podendo haver situações nas quais terá que
ser dimensionada para condições de aclive ou declive.

No dimensionamento de uma linha lateral é necessário calcular a perda de carga com


base na vazão total que a mesma irá transportar e no seu comprimento. A variação entre
vazões dos aspersores não pode ser superior a 10%. Para que isso ocorra, deve-se
dimensionar um diâmetro de tubulação tal que não permita uma variação de pressão
entre o primeiro e o último aspersor maior do que 20% da pressão de serviço (PS) dos
mesmos.

Ocorre que o aspersor localizado na parte central da linha trabalha com a pressão mais
adequada, enquanto que o primeiro e o último aspersor trabalham com pressões
superiores e inferiores, respectivamente, dentro dos 20% permitidos. Quando não houver
alternativa a não ser instalar a linha lateral em aclive ou em declive, considera-se esse
desnível, não devendo a perda de carga máxima ultrapassar 20% da pressão de serviço,
adicionando (em caso de aclive) ou subtraindo (em caso de declive) o valor da variação
do desnível da área.

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A linha lateral pode ter um ou mais diâmetros, dependendo das características do


projecto. A perda de carga pode ser calculada, entre outras equações, pela equação de
Hazen-Willians:

. .
ℎ = 10.67. .( ÷ ) . (4)

Em que

hf = perda de carga na linha lateral (m);

Q = vazão da linha lateral (m3 s-1);

D = diâmetro interno da tubulação (m);

C = coeficiente do tipo da parede do tubo (adimensional);

L = comprimento da tubulação (m).

 Linhas Laterais em Nível

Para dimensionar uma linha lateral (L.L.) em nível (Figura 16) deve-se levar em
consideração algumas questões como: qual será o número de aspersores inseridos na
linha lateral e qual a vazão de cada aspersor? Qual será a vazão total e qual seu
comprimento?

Figura 16. Linha lateral em nível, Fonte BISCARO, 2009.

Depois de respondidas essas questões, inicia-se o dimensionamento da linha lateral,


utilizando os critérios anteriormente discutidos. Outro factor a ser observado é que a
pressão média ao longo da linha deve ser igual à pressão de serviço do aspersor.

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Quando se conhece o comprimento da linha lateral e o espaçamento entre aspersores


na linha (E1), pode-se determinar o número de aspersores (N) pela seguinte equação:

= ÷ (5)

Em que:

N = número de aspersores;

= Comprimento da linha lateral (m);

= Espaçamento entre aspersores (m)

A perda de carga permissível (hf), ou seja, a quantidade de pressão que pode ser perdida
ao longo da linha lateral, é determinada pela seguinte equação:

ℎ = 0.20. (6)

Em que

hf = perda de carga permitida (m.c.a);

PS = pressão de serviço (m.c.a).

Depois de ser determinada, hf deve ser corrigida pelo factor de correção f (a correção
deve ser feita em função do número de aspersores na linha), visto que a vazão diminui
do início para o final da linha.

ℎ ´ = ℎ ÷ (7)

Em que

hf´ = perda de carga permitida corrigida (m.c.a);

f = factor de correção.

O factor de correção é determinado pela expressão:

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=( + 1) + (2 . ) + ( ( − 1) ÷ (6. ) (8)

Em que:

f = factor de correção, adimensional;

m = constante com valor de 1,85 (para a equação de Hazen-Willians);

N = número de aspersores.

Pode-se também determinar a pressão inicial da linha lateral ( ), por:

= + 0,75 . ℎ + (9)

Em que

= Pressão no início da linha lateral (m.c.a.);

Aa = altura do aspersor (m).

Para obter o diâmetro adequado da tubulação, usar-se-á a equação de Hazen-Willians


dada por:

. .
= 0.2788. . (10)

Em que:

= Vazão no início da linha lateral (m3 s-1);

J = perda de carga linear (m m-1);

D = diâmetro interno da tubulação (m);

C = coeficiente de rugosidade (adimensional).

A perda de carga linear é dada por:

= (ℎ ´ ÷ ) (11)

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O coeficiente de rugosidade depende do material do qual é feita a tubulação, e pode ser


obtido pela Tabela 5:

Tabela 5. Valores médios do coeficiente C (fonte: BERNARDO, 2005).

Material C
Ferro dúctil 100
Aço zincado/alumínio 130
PVC rígido, poliéster e polietileno 150

Alguns dos diâmetros comerciais de tubulações utilizadas para irrigação disponíveis no


mercado são apresentados na Tabela 6:

Tabela 6. Diâmetro comercial de tubulações (DE)

Diâmetros Comerciais

Metros (m) Milímetros (mm) Polegadas (”)


0,050 50 2
0,075 75 3
0,100 100 4
0,125 125 5
0,150 150 6
0,175 175 7
0,200 200 8

 Linhas Laterais em Aclive

No dimensionamento de linhas laterais em aclive (Figura 17), deve-se considerar a


variação na altura do terreno (∆z), do início ao final da mesma, devendo esse valor ser
subtraído da perda de carga permissível (hf).

ℎ = (0,20 . ) − ∆ (12)

Em que:

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∆z = variação na altura do início ao final da linha (m).

Figura 17. Linha lateral em aclive, Fonte BISCARO, 2009

A variação na altura do terreno pode ser determinada por:

∆ = ( . ) ÷ 100 (13)

Em que

= Comprimento da linha lateral (m);

D = desnível do terreno (%).

A perda de carga permissível corrigida pode ser determinada pela expressão:

ℎ ´ = [((0,20 . ) − ∆ ) ÷ ] (14)

A pressão no início da linha lateral, neste caso, fica assim expressa:

= + 0,75 . ℎ + + 0,5 . ∆ (15)

 Linhas Laterais em Declive

No dimensionamento de linhas laterais em declive, a variação na altura do terreno (∆z)


deve ser somada ao valor da perda de carga permissível (hf) (Figura 18).

ℎ = (0,20 . ) + ∆ (16)

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Figura 18. Linha lateral em declive, Fonte BISCARO 2009

A perda de carga permissível corrigida fica assim determinada:

ℎ ´ = [((0,20 . ) + ∆ )] ÷ (17)

A pressão no início da linha lateral:

= + 0,75 . ℎ + − 0,5 . ∆ (18)

b) Linha principal e linha de recalque

A função da linha principal é conduzir a água (nas condições de vazão e pressão exigidas
pelo sistema) para as linhas de derivação e, em áreas menores, directamente para as
linhas laterais. As linhas de recalque conduzem a água do conjunto motobomba até as
linhas principais, podendo, em alguns casos, serem ambas uma única tubulação.

Tanto o diâmetro da linha principal como o da linha de recalque podem ser


dimensionados limitando-se a velocidade de escoamento de água na tubulação em torno
de 1,5 m s-1 a 2,0 m s-1. A seguinte equação é utilizada:

= (1,2732. ( ÷ )) (19)

Em que

D = diâmetro da tubulação (m);

Q = vazão da linha (m3 s-1);

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V = velocidade da água (m s-1).

c) Linhas com dois diâmetros

No dimensionamento pode-se optar em dividir uma linha em dois trechos (Figura 19),
sendo o primeiro com um diâmetro maior e o outro com um diâmetro menor do que foi
dimensionado.

Figura 19. Linha dividida em dois trechos. Fonte: BISCARO 2009

O comprimento total da linha será dado por:

= 1 + 2 (20)

Em que:

= Comprimento total da linha (m);

L1 = comprimento do trecho 1 (maior diâmetro) (m);

L2 = comprimento do trecho 2 (menor diâmetro) (m).

Os comprimentos dos trechos L2 e L1 são dados por:

2 = [(ℎ − ( . 1)) ÷ ( 2 − 1)] (21)

1 = − 2 (22)

Em que

hf = perda de carga permissível (m);

J = perda de carga linear (m m-1)

A perda de carga linear (J) é dada por:


. .
= 10.67. .( ÷ ) (23)
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Em que

Q = vazão da linha (m3 s-1);

D = diâmetro interno da tubulação (m);

C = coeficiente do tipo da parede do tubo (à dimensional).

d) Linha de sucção

No projecto de uma linha de sucção (Figura 20) adopta-se, na prática, um diâmetro


comercial acima do que foi dimensionado para a linha principal. A linha de sucção deve
ter o menor comprimento e altura possíveis, e a velocidade da água não deve ultrapassar
1,5 m s-1.

Figura 20. Tubulação de sucção. Fonte: BISCARO 2009

Segundo Faria e Vieira (1982), a altura máxima de sucção para que não haja cavitação
pode ser determinada por:

ℎ < − ( + (0,051020 . ) + ℎ + ℎ ) (24)

Em que

ℎ = altura máxima de sucção da bomba (m);

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= pressão atmosférica em função da altitude (m.c.a.);

= pressão de vapor d’água em função da temperatura (m.c.a.);

V = velocidade da água na tubulação de sucção (m s-1);

hfs = perda de carga na linha de sucção (m.c.a.);

hfr = perda de carga no rotor da bomba (m.c.a.).

A pressão atmosférica em função da altitude pode ser expressa através da seguinte


equação, baseada em Bernardo (1982):

= 10,2788 − ( . 0,0011) (25)

Em que

Alt = altitude do local (m).

A pressão de vapor de água em função da temperatura é dada pela seguinte equação,


baseada em Bernardo (1982):

= 0,0762 . 1,05844 (26)

Em que

T = temperatura do local (°C).

e) Potência do Conjunto Motobomba

A potência necessária ao conjunto motobomba para atender ao sistema de irrigação é


calculada pela seguinte equação:

( . )
= (27)
( . . )

Em que:

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= Potência do conjunto motobomba (cv);

Q = vazão do sistema de irrigação (L S-1);

HM= altura manométrica ou carga (m);

= Rendimento da bomba (decimal);

= rendimento do motor (decimal).

O rendimento de uma bomba varia de um fabricante para outro e até entre bombas de
mesma marca, sendo que entre os principais factores de perda estão o atrito entre a
água e as partes internas da bomba, possíveis vazamentos em juntas, a recirculação
interna de água na bomba e as condições de funcionamento (vazão e altura manométrica
às quais a bomba será submetida). O motor, seja ele eléctrico ou a combustível, também
possui perdas inerentes a sua construção e funcionamento. Em ambos os casos os
próprios manuais dos fabricantes indicam o rendimento desses equipamentos.

Segundo Bernardo et al. (2005), é necessário adicionar uma percentagem a mais de


potência no valor calculado para permitir uma folga no funcionamento da motobomba:

 Se a potência calculada da motobomba for menor do que 2 CV, devem ser


acrescidos 30% nesse valor;
 Se a potência estiver entre 2 CV e 5 CV, acrescer 25%;
 Se a potência estiver entre 5 CV e 10 CV, acrescer 20%;
 Se a potência estiver entre 10 CV e 20 CV, acrescer 15%;
 Se a potência calculada for superior a 20 CV, acrescer 10% nesse valor.

A altura manométrica ou carga (Hm) pode ser explicada em termos simples como a
distância vertical e horizontal que a bomba precisa superar para enviar a vazão e a
pressão necessária ao funcionamento do sistema, desde a sucção até o ponto mais
elevado (maior cota) da área pulverizada.

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Segundo Bernardo et al. (2005), a altura manométrica pode ser calculada pela seguinte
equação:

= + (ℎ + ) + (ℎ + ) + (ℎ + ) + (ℎ + ) + ℎ
(28)

Em que:

Hm = altura manométrica (mca);

pin = pressão no início da linha lateral (mca);

hfd = perda de carga na linha de derivação (mca);

dnd = diferença de nível ao longo de derivação (m);

hfp = perda de carga na linha principal (mca);

dnp = diferença de nível ao longo da linha principal (m);

hfr = perda de carga na tubulação de recalque (mca);

dnr = diferença de nível de recalque (m);

hfs = perda de carga na tubulação de sucção (mca);

dns = altura de sucção (m);

hfl = perdas de carga localizadas (mca).

Essa equação da altura manométrica poderá sofrer modificações de um projecto para


outro. Por exemplo, se em um determinado sistema de irrigação as linhas laterais são
conectadas directamente à linha principal, isso elimina a utilização do termo hfd + dnd,
relativo à linha de derivação, que nesse caso não existe.

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Quando há mais de uma subárea, a altura manométrica deve ser calculada para a
situação mais desfavorável em que a motobomba irá trabalhar, ou seja, o ponto mais
distante e com maior altura geométrica em relação a ela.

As perdas localizadas podem ser expressas sob a seguinte equação geral:

ℎ = . . 0,05102 (29)

Em que

hfl = perda de carga localizada (m.c.a.);

K = coeficiente da peça (à dimensional);

V = velocidade da água (m s-1).

3.4.6. Condições de Instalação de Bombas

As informações analisadas são em geral, a vazão recalcada pela motobomba. Sendo


que as mais importantes são a altura manométrica (Hm), o rendimento (η), a potência
necessária para o acionamento da bomba (Pb) e o NPSH (net positive suction head).

A expressão “net positive suction head” (NPSH) significa a energia (carga) necessária
no sistema para conseguir realizar a sucção da água, quando a motobomba estiver
trabalhando em regime de sucção positiva.

Por motivo de segurança, na escolha do conjunto motobomba deve-se procurar fazer


com que o NPSH disponível seja maior do que o que é realmente requerido pela bomba.
Isso evitará que, devido a qualquer factor, se a bomba sofrer uma redução na sua
capacidade de sucção, ainda assim ela não trabalhe deficientemente e não ocorra a
cavitação.

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Segundo Faria e Vieira (1986), o NPSH disponível pode ser calculado pela seguinte
expressão:

í = − (ℎ + + ℎ ) (30)

Em que

= pressão atmosférica local (m.c.a.);

hs = altura de sucção real do local (m);

= pressão de vapor da água em função da temperatura (m.c.a.);

hfs = perda de carga na tubulação de sucção (m.c.a.).

A pressão atmosférica em função da altitude pode ser expressa através da seguinte


equação, baseada em Bernardo (1982):

= 10,2788 − ( . 0,0011) (31)

Em que:

Alt = altitude do local (m).

A pressão de vapor d’água em função da temperatura é dada pela seguinte equação,


baseada em Bernardo (1982):

= 0,0762 . 1,05844 (32)

Em que

T = temperatura do local (°C).

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4. CARACTERIZAÇÃO DO PROJECTO E MEMÓRIA DE CÁLCULO


4.1. MEMÓRIA DESCRITIVA E JUSTIFICATIVA
4.1.1. Captação de água para o sistema

A captação para alimentar o sistema será feita de duas formas: A captação por meio de
furos de água localizados dentro do porto, como pode ser visto a disposição dos mesmos
no traçado em planta (F1, F2, F3), e uma captação superficial no rio Moatize.

4.1.2. Disposição do sistema

De acordo com as condições topográficas do local e as actividades de deposição e


carregamento do carvão no porto, de forma a não interferir nas actividades e ao mesmo
tempo alcançar os objectivos do projecto serão instaladas duas redes: R1 e R2,
permitindo assim que a pulverização do carvão seja continua e se mantenha húmido
enquanto estocado no porto não provocando assim poeiras suspensas no ar.

4.1.3. Condutas

As condutas a usar serão de polietileno de alta densidade (PEAD, ou inglês HDPE) visto
que estas apresentam inúmeras vantagens como o seu tempo de vida útil que é superior
a 50 anos, várias formas de ligações (soldadura topo a topo, flanges, Electrossoldadura)
e Boa resistência à abrasão, com os seguintes diâmetros:

 Para R1 as condutas com aspersores terão um diâmetro de 100 mm, e a linha de


recalque terá um diâmetro de 125 mm e alinha de sucção terá um diâmetro de
150 mm;
 Para R2 as condutas terão um diâmetro de 100 mm para as condutas com
aspersores e a linha principal ou de recalque e a linha de sucção terá um diâmetro
de 125 mm;
 Para a rede que faz a captação da água no rio Moatize terá um diâmetro de 150
mm para a linha de recalque e para linha de sucção terá um diâmetro de 175 mm.
 A conduta dos furos existentes tem um diâmetro de 110 mm.

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4.1.4. Aspersores

O tipo de aspersor/Spray escolhido é da Spray Systems Co., modelo 7G e uma conexão


3/4. A montagem do bico consiste em um corpo e sete capas removíveis, cada capa
possui um núcleo ou difusor interno que pode ser facilmente removido para limpeza e as
pulverizações são finamente atomizadas em um padrão de jato cone cheio em forma de
chuveiro, com vazão 2,7m3/h, uma pressão de serviço de 101,95 m.c.a e um raio de
alcanse de 16.5 metros.

4.1.5. Material (Carvão Mineral)

Os principais tipos de materiais produzidos na planta de processamento da JSPL são:

 Carvão Metalúrgico (Coking Coal);


 Carvão Térmico (Thermal Coal);
 Rejeito (Rejected);
 Carvão bruto (Row Coal).
a) Características

Dos tipos de carvão mineral processados, eles subdividem-se de acordo com a


granulometria do material pretendido (Tabela 7 e 8), tendo a seguinte:

Tabela 7: Características do carvão processado, Fonte: Laboratório da JSPL

Tipos de carvão mineral Granulometria

Row Coal - Carvão Bruto 150 mm

Coking Coal – Carvão coque-Metalúrgico 3 – 22 mm

Hight thermal - Carvão Térmico 1mm

Spiral clean 500

Spiral thermal - Carvão Térmico 300

Belt Press 300

Filter Cake 300

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Tabela 8. Características do carvão processado. Fonte: Laboratório da JSPL

Tipos de carvão mineral Granulometria


Over Size 50 ↑ mm
Low thermal - Carvão Térmico 50 mm
Reject 50 mm
Poeiras - 212

4.1.6. Bombas

Terão instaladas no sistema um número total de 7 motobombas, sendo três submersíveis


instaladas nos furos de água (F1, F2, F3), 2 motobombas no rio Moatize com mesmas
capacidades do projecto, sendo uma de reserva para questões de avaria, e duas para
alimentar o funcionamento do projecto de pulverização dimensionado.

As bombas submersíveis instaladas são da CRI, e as outras a serem instaladas aquando


da implementação do projecto, são do tipo KSB Meganorm com as seguintes
características, de acordo com o ábaco do anexo 1, em função da altura manométrica e
o caudal a ser bombeado:

 Recalque do Rio ao Reservatório: KSB 50-200, com ns= 3500 rpm;


 Recalque do Reservatório à Rede: KSB 50-250 (B), com ns = 3500 rpm.
4.1.7. Reservatório

Será construído um reservatório para armazenar a água proveniente do rio Moatize e


dos furos existentes dentro do porto, com uma capacidade de 725.76 m3.

4.1.8. Funcionamento do sistema

O sistema terá um número total de 42 aspersores, que serão dispostos nas laterais da
área de deposição de carvão permitindo uma convergência entre eles, fazendo assim
uma pulverização eficaz em toda área.

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As redes R1 e R2 do sistema funcionarão de forma independente, tendo assim um grupo


de Motobomba para cada linha, o seu controle será manual, para casos de acionamento
e paragem dos grupos, com a duração de 2.5 horas por dia, permitindo assim que o
operador manuseie livremente.

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4.2. MEMÓRIA DE CÁLCULO


4.2.1. Dimensionamento das linhas com aspersores

Usando a fórmula para dimensionamento de linhas laterais em nível de acordo com a


topografia do terreno, teremos:

a) Cálculo de número de aspersores na linha

Com auxílio da fórmula (5) determinaremos o número de aspersores nas linhas:

1= = = 21,0606 ≈ 22

Para o cálculo do número de aspersores para Rede 2 segue o mesmo procedimento


anterior.

2 = 20

b) Cálculo de perda de carga permissível

Para caso de linhas em nível usaremos a fórmula (6) para os devidos cálculos:

ℎ = 0.20 ∗ 101.95

ℎ = 20.39

 Cálculo do factor de correção

Para o cálculo do factor de correção será adotado o valor de = 1.85, usando assim a
fórmula (8).

1 = (1,85 + 1) + (2 ∗ 22) + (1.85 − 1) ∶ (6 ∗ 22 ) = 0.374

2 = (1,85 + 1) + (2 ∗ 20) + (1.85 − 1) ∶ (6 ∗ 20 ) = 0.376

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 Cálculo de perda de carga com factor de correção

A perda de carga com o factor de correção incorporado é dada pela fórmula (7).

20,39
ℎ 1= = 54,52
0.374

20,39
ℎ 2= = 54,19
0.376

 Cálculo de perda de carga unitária

A perda de carga unitária e dada pela fórmula (11)

54.52
1= = 0.0754 ∗
695

54.19
2= = 0.0782 ∗
693

4.2.2. Cálculo do caudal na linha

O caudal da linha é dado pela multiplicação da vazão de cada aspersor pelo número de
aspersores na linha.

2.7 59.4 0.0165


= ∗ 22 = =
ℎ ℎ

2.7 54.0 0.0150


= ∗ 20 = =
ℎ ℎ

4.2.3. Cálculo do diâmetro das condutas com aspersores

O cálculo do diâmetro das condutas é dado pela fórmula número (10), o coeficiente de
rugosidade a usar será de PEAD igual a 150, ver tabela 5.

. .
0.0165 = 0.2788 ∗ 150 ∗ ∗ 0.0754 = 0.0863 = 86.35 ≅ 100

. .
0.0150 = 0.2788 ∗ 150 ∗ ∗ 0.0782 = 0.0827 = 82.7 ≅ 100

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4.2.4. Dimensionamento da linha de recalque

Para o dimensionamento da linha principal adoptaremos como velocidade da água 2m/s,


Segundo Biscaro (2009), usando a fórmula (19).

1 = 1,2732. ( 0.0165 ÷ 2) = 0.103 = 103 ≈ 125

2 = (1,2732. ( 0.0150 ÷ 2)) = 0.098 = 98 ≈ 100

4.2.5. Dimensionamento da linha de sucção

Para o cálculo da linha de sucção partindo do reservatório ao sistema será adoptado


uma velocidade de 1,5 m/s, Segundo Biscaro (2009).

1 = (1,2732. ( 0.0165 ÷ 1,5)) = 0.1183 = 118.34 ≈ 125

Segundo Biscaro (2009), adopta-se um diâmetro acima do dimensionado da linha de


recalque, ficando nesse caso com um diâmetro de 150 mm.

2 = (1,2732. ( 0.0150 ÷ 1,5)) = 0.1128 = 112.84 ≈ 125

4.2.6. Dimensionamento do conjunto motobomba


a) Cálculo da altura manométrica
 Cálculo de perdas de carga na linha de recalque da R1 e R2

, .
ℎ = [10.67 ∗ 0.125 ∗ (0.0165: 150) ] ∗ 27.68 = 0.34

, .
ℎ = [10.67 ∗ 0.125 ∗ (0.0165: 150) ] ∗ 4.5 = 0.056

, .
ℎ = [10.67 ∗ 0.100 ∗ (0.0150: 150) ] ∗ 77.74 = 2.40

, .
ℎ = [10.67 ∗ 0.125 ∗ (0.0165: 150) ] ∗ 4.5 = 0.056

 Cálculo de perdas de carga localizadas nas redes (R1 e R2)

Usando a fórmula (29) e os coeficientes de K (Tabela 9) para os acessórios existentes


no sistema realizar-se-á o cálculo de perda de carga localizadas:

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Tabela 9. factor K para o cálculo de carga localizada

Acessórios K
Tê de redução 0.6
Tê de derivação 1.3
Válvula de retenção 3.0
Cotovelo de 900 0.9
Válvula de pé de crivo 10
Cotovelo de 450 0.4
Usando como velocidade do fluido 2m/s, Segundo Biscaro (2009).

ℎ = [(0.6 ∗ 2 ∗ 0.05102) ∗ 22] + (0.90 ∗ 1.5 ∗ 0.05102) + (1.3 ∗ 2 ∗ 0.05102)


+ (10 ∗ 1.5 ∗ 0.05102) + (0.60 ∗ 1.5 ∗ 0.05102) = 4.28

ℎ = [(0.6 ∗ 2 ∗ 0.05102) ∗ 20] + (0.90 ∗ 1.5 ∗ 0.05102) + (1.3 ∗ 2 ∗ 0.05102)


+ (10 ∗ 1.5 ∗ 0.05102) + (0.60 ∗ 1.5 ∗ 0.05102) = 4.03

Tendo os desníveis para linha principal de R1 igual a 0.90m, R2 igual a 1.20m e as


pressões no início iguais a R1=R2= 118.95 podemos calcular a altura manométrica

= +( +ℎ )+( +ℎ )+ℎ

= 118.95 + (0.9 + 0.34) + (3 + 0.056) + 4.28 = 127.53

= 118.95 + (1.2 + 2.40) + (3 + 0.056) + 4.03 = 129.64

b) Cálculo da potência do conjunto Motobomba

Com auxilio da tabela de rendimentos hidraulicos (Tabela 10) de bombas centrifugas, e


aproximando o valor do caudal ao mais proximo teremos: = 72 % e = 68 % e com
= = 90%

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Tabela 10. Rendimentos hidráulicos aproximados nas bombas centrífugas

Cálculo da potência do conjunto motobomba

16.5 ∗ 127.53
= = 43.30
75 ∗ 0.72 ∗ 0.9

Como a potência do conjunto motobomba é superior a 20 Cv, acrescenta-se 10% da


potência como margem de segurança. Ficando assim com 47.63 CV.

15 ∗ 129.64
= = 42.37
75 ∗ 0.68 ∗ 0.9

Do mesmo modo devemos acrescer a este valor da potência do conjunto 10%, tendo
assim uma potência de 46.60 Cv.

4.3. Dimensionamento de Reservatório

Para o cálculo da capacidade do reservatório foi considerado que o sistema irá funcionar
durante 24h, considerando também a vazão total dos aspersores (Tabela 11).

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Tabela 11. Dimensionamento do Reservatório

(l/dia.Asp) Quantitade Solução m3


Capitação 64800 Aspersores 42.00 Capacidade do 725.76
Reservatório

Tempo Duração Flutução Qmed Qbombeado Qaduzido Vbomb. Vaduzido. DIFERENCA


(m3/dia) (m3/h) (2) (m3/h) (3) Acumulado Acumulado (4)-(5)
(1) (m3) (4) (m3) (5)

0,0 - 2 2.00 0.200 2,721.60 113.40 22.68 226.80 45.36 181.44


2,0 - 6,0 4.00 0.200 2,721.60 113.40 22.68 680.40 136.08 544.32
6,0 - 8,0 2.00 0.400 2,721.60 113.40 45.36 907.20 226.80 680.40
8,0 - 10 2.00 0.800 2,721.60 113.40 90.72 1,134.00 408.24 725.76
10 - 12,0 2.00 1.500 2,721.60 113.40 170.10 1,360.80 748.44 612.36
12,0 - 14,0 2.00 1.500 2,721.60 113.40 170.10 1,587.60 1,088.64 498.96
14,0 - 16,0 2.00 1.500 2,721.60 113.40 170.10 1,814.40 1,428.84 385.56
16,0 - 18,0 2.00 1.500 2,721.60 113.40 170.10 2,041.20 1,769.04 272.16
18,0 - 20,0 2.00 1.500 2,721.60 113.40 170.10 2,268.00 2,109.24 158.76
20,0 - 22,0 2.00 1.100 2,721.60 113.40 124.74 2,494.80 2,358.72 136.08
22,0 - 0,0 2.00 0.300 2,721.60 113.40 34.02 2,721.60 2,426.76 294.84

4.4. Dimensionamento da Adutora


a) Cálculo do diâmetro da conduta

Usando a fórmula (19), somando os dois caudais de R1 e R2 e as velocidades sendo


respetivamente 2m/s para o recalque e 1.5m/s para a sucção teremos:

= 1,2732. ( 0.0315 ÷ 2) = 0.142 = 142 ≈ 150

= 1,2732. ( 0.0315 ÷ 1.5) = 0.164 = 164 ≈ 175

b) Cálculo da potência da motobomba


 Cálculo da altura manométrica

=( +ℎ )+( +ℎ )+ℎ

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Inclinação 5%

∆ = (5 ∗ 836.21): 100 = 41.81

, .
ℎ = [10.67 ∗ 0.150 ∗ (0.0315: 150) ] ∗ 836.21 = 13.40

, .
ℎ = [10.67 ∗ 0.175 ∗ (0.0315: 150) ] ∗ 5.00 = 0.04

ℎ = [(0.4 ∗ 2 ∗ 0.05102) ∗ 3] + (10 ∗ 2 ∗ 0.05102) + (3 ∗ 2 ∗ 0.05102) = 2.90

= (41.81 + 13.40) + (4.20 + 0.04) + 2.90 = 62.35

31.5 ∗ 62.35
= = 35.06
75 ∗ 0.83 ∗ 0.9

Como a potência do conjunto motobomba é superior a 20 Cv, acrescenta-se 10% da


Potência como margem de segurança. Ficando assim com 38.56 CV.

4.5. Cálculo de NPSH Disponível

Com auxílio da fórmula (30) teremos:

NPSH disponível = P − (hs + P + hfs)

 Cálculo da Patm

Com auxílio das curvas de nível disponível do local temos uma altitude de 192 m.

= 10,2788 − (192 . 0,0011) = 10.0676 m.c.a.

 Cálculo de Pvapor

Usando a temperatura máxima prevista para a vila (32.50c) teremos:


.
= 0,0762 . 1,05844 = 0.483 m.c.a.

 Cálculo de NPSH para R1

NPSH disponível = 10.0676 − (3 + 0.483 + 0.056) = 6.53

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 Cálculo de NPSH para R2

NPSH disponível = 10.0676 − (3 + 0.483 + 0.056) = 6.53

 Cálculo de NPSH para Rio

NPSH disponível = 10.0676 − (4.20 + 0.483 + 0.04) = 4.98

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5. RESULTADOS E ANÁLISE
5.1. Resultados encontrados

Neste capítulo são apresentados os resultados obtidos durante o dimensionamento do


sistema no capítulo anterior, ver tabelas 12, 13, 14, nomeadamente: Número de
aspersores em cada rede, as perdas de carga na conduta, as perdas de carga
localizadas, caudais do sistema, diâmetros comerciais, a potência dos conjuntos
motobombas.

Tabela 12: Resultados R1

Rede 1
Número de aspersores 22
Perda de carga permissível 20.39 m.c.a
Factor de correção 0.374
Perda de carga corrigida 54.52 m.c.a
Perda de carga unitária 0.0754 m.c.a
Caudal na linha 59.4 m3/h
Diâmetro de condutas com aspersores 100 mm
Diâmetro da linha de recalque 125 mm
Diâmetro da linha de sucção 150 mm
Altura manométrica 127.53 m
Potência do conjunto Motobomba 47.63 Cv

Os resultados apresentados na tabela 11, são respectivos aos que deverão ser
verificados no sistema após a sua implantação.

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Tabela 13. Resultados R2

Rede 2
Número de aspersores 20
Perda de carga permissível 20.39 m.c.a
Factor de correção 0.376
Perda de carga corrigida 54.19 m.c.a
Perda de carga unitária 0.0782 m.c.a
Caudal na linha 54 m3/h
Diâmetro de condutas com aspersores 100 mm
Diâmetro da linha de recalque 100 mm
Diâmetro da linha de sucção 125 mm
Altura manométrica 129.64 m
Potência do conjunto Motobomba 46.60 Cv

Os resultados apresentados na tabela 12, são respectivos aos que deverão ser
verificados no sistema após a sua implantação.

Tabela 14. Resultados Rio Moatize - Reservatório

Rio Moatize - Reservatório


Diâmetro da linha de recalque 150 mm
Diâmetro da linha de sucção 175 mm
Altura manométrica 62.35 m
Potência do conjunto Motobomba 38.56 Cv

Os resultados apresentados na tabela 13, são respectivos aos que deverão ser
verificados no sistema após a sua implantação.

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6. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
6.1. Conclusões

Chegando ao término deste projecto conclui-se o seguinte:

 Os locais de exploração e deposição do carvão mineral devem estar sempre


afastados ao máximo das populações, para evitar a exposição contínua do
material particulado que se propaga no ar e que durante os anos vai se
acumulando no organismo criando danos severos a saúde.
 Para um bom sistema de pulverização para o controle, redução e abatimento de
poeiras resultante de actividades de mineração é preciso ter o conhecimento
sobre o tamanho das partículas que se pretende fazer o abatimento de forma a
escolher um Spray adequado, visto que os tamanhos das gotas de água emitidas
pelo aspersor devem ser compatíveis com o tamanho das partículas do material
para que o sistema seja eficiente.
 Após o dimensionamento o projecto conta com um número de 42 sprays e um
caudal bombeado de 113.4 m3/h.
 O traçado em Planta realizado com êxito, com base na área de deposição de
carvão mineral.
 Para elaboração do projecto, nas diversas fases da realização do mesmo,
houveram inúmeras dificuldades na recolha de certos dados, com isso que a maior
parte baseou-se no conhecimento da situação do local.

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6.2. Recomendações

Recomenda-se:

 No momento da implementação do projecto deve-se verificar as quantidades de


poeira acumulada, se forem muito elevadas é necessário com recurso a um
equipamento primeiro fazer a remoção do material e depois adoptar medidas de
controle;
 Os Sprays possuem bicos muito pequenos em relação aos comuns de irrigação
de campos, é necessário que se façam manutenções programadas (Manutenção
preventiva sistemática) em períodos constantes de 6 em 6 meses, para evitar o
entupimento dos bicos.
 Que se façam sempre, monitoramento das partículas totais suspensas, de modo
a regular de acordo com as legislações, e o bom censo dos profissionais da área
do meio ambiente, visto que com a poluição do carvão, não se prejudica só as
comunidades circunvizinhas, mas também há prejuízos à empresa.

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7. BIBLIOGRAFIA
7.1. Referências bibliográficas
 PIECHOTA, T.; VAN EE, J.; BATISTA, J.; STAVE, K.; JAMES, D, 2004 - EPA.
Environmental Protection Agency. Potential Environmental Impacts of Dust
Suppressants: “Avoiding Another Times Beach”. An Expert Panel Summary, Las
Vegas, Nevada.
 De CARVALHO, A. M. G, 2006 - Geologia sedimentar: Rochas sedimentares. 1ª
ed. Ancora Editora. Volume III. Lisboa, 331p.
 SILVA, R; OLIVEIRA, C; RÚBIO, J. 2010 - Aspectos Ambientais nos Setores
Mineiro e Metalúrgico, RJ.
 ALMEIDA, I.T. 1999 - A Poluição atmosférica por material particulado na
mineração a céu aberto. Dissertação de Mestrado. Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo.
 BISCARO, G A. 2009 - Sistemas de Irrigação por Aspersão, UFGD, DOURADOS-
MS.
 MAFAVISSE, I M. 2018 - Mapeamento e Estratégia de Controle de Cargas
Antrópicas Potencialmente Poluidoras da Mineração de Carvão de Moatize,
Moçambique, Sorocaba.
 THE WORLD BANK & IHME, Institute for Health Metrics and Evaluation. The Cost
of Air Pollution. Strengthening the Economic Case for Action. University of
Washington, Seattle.2016.
 BAIRD, C. 2002 - Química ambiental. 2 ed. Porto Alegre, Bookman.
 BRILHANTE, O.M. 1999 - Gestão E avaliação da Poluição, Impacto e Risco na
Saúde Ambiental. FIOCRUZ. Rio de Janeiro.
 RESENDE, F. 2007 - Poluição Atmosférica por emissão de material particulado:
avaliação e controle nos canteiros de obras de edifícios. São Paulo.
 SHACKLETON, N e REICHE, N, V. 2015 - Projecto de Minério de Ferro de Tete
da Baobab | Avaliação de Impacto da Qualidade do Ar.

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 Regulamento sobre Padrões de Qualidade Ambiental, Decreto n0 18/2004 de 2 de


junho;
 Regulamento sobre Padrões de Qualidade ambiental, Decreto nº 67/2010.
 TORREZANI, N. C; DE OLIVEIRA, E. F. 2013 - Problemas Ambientais
Decorrentes da Exploração do Carvão Mineral e a Aplicação da Ecotoxicologia
aquática como ferramenta de Biomonitoramento, Paraná.
 AGUIAR, C.D; BALESTIERE, P.A.J. 2007. Carvão Mineral: um estudo sobre o
consumo nacional e respectivas emissões de CO2, XXXII Encontro Nacional de
Engenharia de Produção.
 GANEGANE. F; TIWARI, R. 2018 - Relatório de Gestão Ambiental do I Semestre
de 2019 da JSPL Mozambique Minerais. Tete-Moatize.
 https://adecru.wordpress.com, 08/06/2019, 08:30h.
 GANEGANE. F; TIWARI, R. 2017 - Projecto de Plataforma de Armazenamento e
carregamento de Carvão de Moatize. Tete – Moatize.

7.2. Outras bibliografias


 https://m.dw.com/pt-002/popula%C3%A7%C3%A3o-de-moatize-aflita-com-a-
poeira-do-carv%C3%A3o-da-empresa-jindal/a-18264603, 08/06/2019, 10:02h.
 https//:www.spray.com.br, 28/07/2019, 11:40h
 MÔNICA, A.V. R. 2017 - Controle e Monitoramento Ambiental na Mineração. Cruz
das Almas – BA.
 DE NORONHA, D. V. C. 2012 - Sistema De Abastecimento De Água Potável:
Dimensionamento de Adutora do Campus da Ufersa em Caraúbas, Mossoró-RN.
 FILHO, D. O, et all. 2010 - Dimensionamento de Motores para o Bombeamento
de Água.

José Guilherme Leitão – Relatório de Estágio Profissional Página 60


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ANEXOS

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Anexo 1. Ábaco para escolha do tipo de bomba da marca KSB

Figura 21: Ábaco para escolha do tipo de bomba da marca KSB

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Anexos 2. Valores de K para perdas de carga localizadas

Tabela 15: Valores de K para cálculo de perdas de carga localizadas

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Anexos 3. Relatório das actividades realizadas no estágio profissional, na empresa JSPL


Mozambique Minerais Lda, que teve o seu início no mês de Abril de 2019 e o seu termino
em Setembro do mesmo ano.

Tabela 16: Relatório de estágio profissional

Período Actividades
 Apresentação dos estagiários aos funcionários do departamento
da Utility nos sectores de Elétrica e Mecânica;
 Apresentação da empresa aos estagiários, nos seguintes locais:
Subestação e Obras do reassentamento;
 Fiscalização do trabalho realizado por uma empresa
subcontratada para a implantação de uma rede elétrica para o
reassentamento;
 Aumento da capacidade da estacão de bombeamento do Pit C,
devido a existência de água na mina proveniente da ressurgência
dos lençóis freáticos alcançados durante a exploração e águas
das chuvas existentes na mina, substituindo o existente por um
1o Mês maior;
 Trabalhos na oficina de serralharia mecânica, no fabrico de tripes
para assegurar aspersores para o controle e redução de poeiras
do sistema usado atualmente.
 Montagem de bombas submersíveis no porto de deposição de
carvão em Moatize nos furos 2 e 3 como enumerado no traçado
em planta do novo Projecto;
 Manutenção da bomba número 1 como enumerado no traçado
em planta do novo Projecto;
 Inspeção de rotina as estações de bombeamento de todas as
minas exploradas (Pit C, Pit D, Pit D extension);
 Apresentação da planta de processamento de carvão.

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 Inspeção de rotina as estações de bombeamento de todas as


minas exploradas (Pit C, Pit D, Pit D extension);
 Trabalhos na oficina de serralharia mecânica, no fabrico de bases
metálicas para a colocação de bombas do programa da expansão
da planta de processamento de carvão mineral da JSPL
Mozambique Minerais;
 Manutenção preventiva das bombas usadas na captação no rio
Zambeze;
2o mês
 Manutenção das bombas na zona intermediaria da rede de
abastecimento de água para o processamento de carvão;
 Manutenção de geradores;
 Identificação de possíveis áreas para a definição do tema para o
trabalho de final de curso;
 Manutenção da estacão de tratamento de água potável;
 Reparação de uma bomba manual de furo de água no povoado
de Nhamatxola.
 Inspeção de rotina as estações de bombeamento de todas as
minas exploradas (Pit C, Pit D, Pit D extension);
 Definição do tema para o trabalho de final de curso;
 Reparação do sistema de abastecimento de água para o controle
3o Mês
de poeiras do primeiro britador da planta de processamento;
 Manutenção do sistema de tratamento de água potável;
 Trabalhos na oficina de serralharia, fabrico de uma torre de água;

 Inspeção de rotina as estações de bombeamento de todas as


4o Mês minas exploradas (Pit C, Pit D, Pit D extension);
 Desenvolvimento do trabalho de final de curso;

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 Trabalhos de reparação de fugas na tubagem do furo número 2


em Moatize;
 Trabalhos na oficina de serralharia mecânica no fabrico de uma
torre de água para a colocação na zona do reassentamento para
o abastecimento de camiões cisterna;
 Reparação da torre de água do Pit D.
 Inspeção de rotina as estações de bombeamento de todas as
minas exploradas (Pit C, Pit D, Pit D extension);
5o Mês
 Desenvolvimento do trabalho de final de curso;

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Anexos 4. Estimativa de custo do projecto

Tabela 17. Orçamento do projecto

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TRAÇADO EM PLANTA

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