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CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E JURÍDICAS - CCSJ

ANDRÉ LUIS CAMPOS OLIVEIRA

COMPARATIVO: LEI DAS XII TÁBUAS E LEGISLAÇÃO ATUAL

SOUSA-PB
2019
QUANTO Á TÁBUA I

1) O inciso V da Tábua I consagra a vontade das partes em solucionar o conflito?


Esse inciso é correlato com o atual artigo 331, § 1º do CPC? Por quê?
a) Sim, pois transigir é: chegar ou fazer chegar a acordo com prejuízo de
alguma posição ou opinião.
b) Sim. Porque de acordo com art. 331, § 1º, obtida a conciliação, chegar ou
fazer chegar a acordo, a demanda deverá ser reduzida a termo e em seguida homologada.
2) Estabeleça a identidade entre o inciso VIII da Tábua I com o artigo 172 do
Código de Processo Civil.
O inciso VIII da Tábua I diz que depois do sol posto, nenhum ato mais de processo, neste
sentido, existe correlação com o art. 172 C.P.C., em parte, pois atualmente os atos
processuais se realizam, praticamente, como aquele inciso, ou seja, das (06) seis às (20)
vinte horas, porém existem algumas exceções podendo o ato ser estendido após tal
horário, como por exemplo, os atos iniciados antes, quando o adiamento prejudicar a
diligência ou causar grave dano.
Também se distinguem em outro ponto apontado na Tábua I, que é em relação aos
domingos e feriados que no artigo 172 § 2º permite que a citação e a penhora, em casos
excepcionais, e mediante autorização expressa do juiz sejam realizadas, ou nos dias úteis,
fora do horário estabelecido neste artigo, observado o disposto no art. 5º, XI CF/88.

Quanto à tábua II.

3) Modernamente, como se resolve a questão posta no inciso III, da Tábua II?


De acordo com o art. 412. C.P.C, a testemunha é intimada, coincidindo com o inciso III
da Tábua II, porém a intimação da Testemunha hoje é feita pelo correio ou até
mesmo pelo oficial de justiça. O comparecimento da testemunha nos dias atuais cabe ao
juiz e não à parte, salvo conforme § 1º do art. 412 onde a parte pode comprometer-se a
levar à audiência a testemunha independentemente de intimação e caso essa testemunha
não compareça, presume-se que a parte desistiu de ouvi-la.

Quanto à tábua III.

4) Por esse título a execução incidia sobre a pessoa do devedor que podia ser preso por
ela, vendido e até morto. Modernamente, é possível a prisão do devedor em que casos?
Em dois casos, é possível a prisão do devedor: de acordo com art. 733 C.P.C., fixados os
alimentos provisionais, o juiz mandará citar o devedor para, em três dias efetuar o
pagamento, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo. Se o devedor
não pagar nem se escusar será decretada sua prisão pelo prazo de um a três meses. Quando
da prisão, esta não o exime da dívida, que paga será posto em liberdade.
Já no art. 901 C.P.C., a ação de depósito tem por fim exigir a restituição da coisa
depositada, que se julgada procedente, conforme art. 904 C.P.C., ordenará o juiz a
expedição do mandado, para entrega em 24 horas da coisa ou equivalente em dinheiro,
que não sendo cumprido o juiz decretará a prisão do depositário em fiel.

QUANTO À TÁBUA IV.


5) Este capítulo guarda correspondência com a Constituição Federal e Estatuto da
Criança e do Adolescente e com a Lei do Divórcio. Porque não poderiam ser aplicados
hoje?
Na tabua IV, I diz “que seja morta a criança monstruosa” contraria a constituição
brasileira, pois de acordo com o art. 5º todos são iguais perante a lei, sem distinção de
qualquer natureza, acrescentando ainda que ninguém seja submetido à tortura ou a
tratamento desumano ou degradante, determinando dessa forma a inviolabilidade do
direito à vida, à liberdade e à igualdade.
O inciso II da tabua IV, contraria o art. 100 do ECA, que prega o fortalecimento dos
vínculos familiares, e não a venda de seus próprios filhos, lembrando que a perda ou a
suspensão do pátrio poder terá início sempre pela provocação do Ministério Público ou
de quem tenha legítimo interesse. De acordo com os critérios atuais a emancipação
observa as disposições do código civil, que são diferentes do inciso II da tabua XII.
Em relação ao inciso III da tabua IV, não se pode aplicar atualmente, pois, conforme o
art. 1.511, C.C., o casamento estabelece direitos e deveres em caráter de igualdade entre
as partes, a dissolução do vínculo conjugal através do divórcio não exime tais direitos e
através de sentença judicial poderá efetuar tanto a separação de corpos quanto a partilha
dos bens.
Já o inciso IV, comparado ao disposto no código civil atual no que se refere a filiação é
bem semelhante, pois naquele tempo o prazo determinado era de até 10 meses, e hoje o
código civil prevê que o tempo seja de 300 dias a contar da data de falecimento do pai ou
marido.

QUANTO Á TÁBUA V.

6) O inciso III da Tábua V é compatível com atual ordenamento jurídico nacional? Por
quê?
Sim, pois o testamento expressa a vontade do agente testador naquele momento e que só
terá validade após sua morte. O agente testador tutela seus bens através de instrumento
particular ou cerrado, dependendo de seu interesse em que seja sigilo absoluto ou não.

Quanto à tábua VI.

7) O inciso III desta tábua trata da usucapião. Quais as diferenças quanto ao prazo com
o instituto no direito civil e constitucional?
O art. 183 da CF/88 idêntico ao caput do art. 1240 C.C. trata da usucapião em área urbana
e não traz distinções quanto aos prazos. Já os arts. 191 da CF/88 e 1239 C.C. tratam da
usucapião em área rural, são idênticos e não se distinguem quanto aos prazos, porém estes
artigos fazem constar que o agente não seja proprietário de nenhum imóvel rural ou
urbano.
A diferença está no art. 1238 do C.C. que se o agente possuir como seu um imóvel, por
quinze anos, sem interrupção, nem oposição, independentemente de título e boa fé
adquirir-lhe-á a propriedade, e em seu parágrafo único tal prazo é reduzido para dez anos
se o possuidor houver estabelecido ali sua moradia ou realizado obras ou serviços de
caráter produtivo.

Quanto a tábua VII.

8) No que o inciso I dessa tábua é compatível com o art. 1301 e parágrafos do Código
Civil Brasileiro?
Este inciso delibera sobre o direito de privacidade dos indivíduos e seus respectivos
espaços territoriais, da mesma forma que o art. 1301 C.C. faz, porém, inova ao seu tempo
características como a do espaço aéreo entre propriedades, conforme § 2º. Desta forma o
que nos leva a priorizar são as características, preocupações dos legisladores, cada um em
sua época com as invasões nas mais distintas formas.

Quanto à tábua VIII

9) Quais os incisos desta tábua podem guardar identidade com o artigo 186 do Código
Civil do Brasil?
Art. 186 C.C. – Aquele que por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência,
violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
Têm identidade os incisos VI, VII, XI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXVII além dos incisos
III, IV, e V por se tratar de uma pena pecuniária e reparação dos danos, e também o inciso
X, na sua segunda parte, onde observa a penalização pela negligência, obrigando a reparar
os danos.

Quanto à tábua XII

10) O inciso II desta tábua guarda relação com o do artigo 932, III do Código Civil de
2002, por quê?
As relações deste inciso com o art. 932, III, C.C. 2002, são explicitas uma vez que, as
ações e as condutas dos subordinados tornam os seus responsáveis co-obrigados a
responderem pelos seus atos. É válido lembrar que a teoria da tridimensionalidade, fato,
valor e norma, é notadamente aplicada a esta questão, visto que os valores de cada época
são diferentes, levando os legisladores a determinarem as sanções cada qual ao seu tempo.

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