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MANUAL APOIO

AGRICULTURA SUSTENTÁVEL

FORMADORA: ISABEL MARQUES


Proteção do meio ambiente

Crescimento económico

Igualdade social

"É um desenvolvimento que satisfaz as necessidades do


presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras
satisfazerem as suas próprias necessidades“.

(Relatório Brundtland, 1987)


DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Uma sociedade sustentável
atenta na geração equitativa de bens
e serviços, numa linha de
desenvolvimento económico, sem
prejudicar o ambiente,
proporcionando aos seus cidadãos, o
necessário para ter uma vida com
qualidade, onde todos tenham
acesso a alimentação, vestuário,
moradia, educação, informação,
garantindo iguais condições às
gerações futuras.
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Em Portugal, estas reflexões, documentos e estratégias, constituíram a fonte de inspiração


da Estratégia Nacional para o Desenvolvimento Sustentável, constante na Resolução
de Conselho de Ministros n.º 19/2007, de 20 de Agosto.
Os 10 princípios de Sustentabilidade:
1. Governância
2. Gestão Local para a Sustentabilidade
3. Bens Comuns Naturais
4. Consumo Responsável e Opções de Estilo de Vida
5. Planeamento e Desenho Urbano
6. Melhor Mobilidade Menos Tráfego
7. Ação Local para a Saúde
8. Economia Local Dinâmica e Sustentável
9. Equidade e Justiça Social
10. Do Local para o Global
AGRICULTURA SUSTENTÁVEL
A agricultura sustentável é uma componente do
desenvolvimento sustentável, sendo ainda designada por:
agricultura durável, produção integrada, agricultura
alternativa, agricultura regenerativa, agricultura biológica ou,
ainda, ecológica, orgânica, natural, input, low-input e,
recentemente, em França, agriculture raisonnée.

Em definição proposta pela FAO, em 1992, refere-se que “um


desenvolvimento durável da agricultura, da silvicultura e das
pescas deve preservar a terra, a água e os recursos genéticos
vegetais e animais, não degradar o ambiente e ser tecnicamente
apropriado, economicamente viável e socialmente aceitável”
Segundo Ikerd, em 1993, a agricultura sustentável
deve ser capaz de “manter indefinidamente a sua
produtividade e utilidade para a sociedade.

Tal agricultura deve usar sistemas agrícolas que


conservem os recursos, protejam o ambiente,
produzam eficientemente, compitam comercialmente
e melhorem a qualidade de vida dos agricultores e da
sociedade como um todo”.
A agricultura é sustentável quando é ecologicamente
equilibrada, economicamente viável, socialmente justa,
culturalmente apropriada e orientada por um enfoque
científico.

A agricultura utiliza
como fatores de
produção um

naturais que lhe são

água, o ar e o
A agricultura industrializada mede o seu
sucesso apenas em termos de aumento da

alimentos saudáveis, por pessoas saudáveis,


num ambiente saudável.
Capital Natural
O Capital Natural é o valor da natureza para as
pessoas, a sociedade, as empresas e a
economia.

É o stock de recursos físicos e biológicos e a


capacidade dos ecossistemas fornecerem um
conjunto de serviços que contribuem para o
bem-estar humano e para o desenvolvimento
sustentável.
Considera o desenvolvimento
simultâneo de cinco tipos de capitais:
Capital natural – corresponde a todos os seres
vivos e não-vivos e processos naturais, que podem
ser valorizados na agricultura sustentável;

Capital social – corresponde às normas,


valores e regras que permitem a coesão
social; a cooperação efetiva.

Na agricultura sustentável a interação entre


produtores e outros agentes geralmente é
melhorada, visando a justiça social;
Capital humano – corresponde às capacidades
físicas e intelectuais de cada indivíduo. Como a
agricultura sustentável exige aprendizagem e
adaptação o capital humano é aumentado;

Capital físico – corresponde a todas as


infraestruturas, que permitem melhorar a
atividade agrícola;

Capital financeiro – corresponde aos valores


monetários. Uma agricultura sustentável tem que
ser economicamente viável.
Contexto Nacional
-
Sustentável (ENDS): traça os domínios estratégicos
rumo à sustentabilidade, as metas e os instrumentos
sectoriais disponíveis, apostando já num conjunto de
indicadores (ambientais, económicos, sociais e institucionais).

- Proposta para um Sistema de Indicadores de


Desenvolvimento Sustentável: concretiza os
indicadores a utilizar, as fontes de informação e a metodologia para
o seu cálculo, estabelece a ponte com os princípios estabelecidos
na Agenda 21 e, finalmente, ilustra a situação do País.

Aprovados em Resolução de Conselho de Ministros em 28 de Dezembro de 2006.


para o horizonte 2005-2015 tem como metas:

- colocar Portugal num patamar de


desenvolvimento económico mais próximo da
média europeia;

- melhorar a posição do País no Índice de


Desenvolvimento Humano;

- reduzir o défice ecológico em 10%.


Objetivos intermédios:
• Preparar Portugal para a Sociedade do Conhecimento.

• Crescimento Sustentado, Competitividade e Eficiência Energética.

• Melhor Ambiente e Valorização do Património Natural.

• Mais Equidade, Igualdade de Oportunidades e Coesão Social.

• Melhor Conectividade e Valorização Equilibrada do Território.

• Papel Ativo na Construção Europeia e Cooperação Internacional.

• Administração Pública Mais Eficiente e Moderna.


A produção integrada e a agricultura biológica são duas
modalidades de agricultura sustentável com exigências
similares em relação a um “núcleo duro”:

• a estabilidade dos ecossistemas;


• a biodiversidade;
• a fertilidade do solo;
• o ciclo dos nutrientes;
• o bem-estar dos animais;
• os parâmetros ecológicos da qualidade;
• os níveis de produção;
• a poluição e a qualidade de vida;
• formação do agricultor.
A biológica dá maior ênfase em relação ao solo
evidenciada, por exemplo, pela utilização prioritária do composto; e
pela proibição da utilização de adubos químicos e de pesticidas
químicos com exceção de feromonas químicas, por não serem
aplicadas diretamente ao solo ou sobre a planta.

A produção integrada permite a utilização de adubos e pesticidas


químicos, de modo a não afetar o Homem e o ambiente, e
evidencia, até, maiores precauções na defesa dos auxiliares,
agredidos em agricultura biológica por inseticidas “naturais” (as
plantas inseticidas,) mas tóxicos para os auxiliares.
Por que motivo é a agricultura
importante para o ambiente?
Em Portugal, a atividade agrícola

e florestal desenvolve-se em

cerca de 80% do território,

sendo indispensável para a

manutenção da qualidade do

ambiente.
É fundamental conservar o solo e a
água, enquanto principais recursos
naturais sobre os quais se exerce a
pressão da atividade agrícola.
Recordando o solo…
Produtividade do solo – capacidade do solo para
sustentar o crescimento vegetal sob uma técnica cultural
específica. Depende do clima e das características físicas,
químicas e biológicas do solo.

Fertilidade do solo – capacidade que o solo tem de


fornecer os elementos essenciais às plantas, nas quantidades e
proporções necessárias para determinada espécie.
A fertilidade e a produtividade do solo dependem de um
conjunto de características que se relacionam entre si, como
textura, estrutura, disponibilidade em matéria orgânica e
nutrientes, e reação do solo.
A CONSERVAÇÃO DO SOLO
A grande maioria dos solos do Continente são pobres, o que
associado ao acidentado do relevo aumenta o risco da sua
degradação.
A causa mais importante da degradação do solo em Portugal
Continental é a erosão provocada pela água da chuva,
resultando daí a perda de partículas das suas camadas
superficiais, reduzindo a espessura e a fertilidade da terra arável.

Mas a erosão pode ser agravada pela atividade agrícola, como


consequência da aplicação de práticas culturais incorretas.
Práticas agrícolas incorretas que
promovem a degradação dos solos:
• Rotações culturais
desajustadas às características
do solo e/ou do clima,
inexistência de rotações ou
permanência do solo sem
cobertura durante a época das
chuvas.

Esta situação é mais grave


nos sistemas de
monocultura intensiva.
Práticas agrícolas incorretas que promovem a degradação dos solos:

Excesso de mobilização do solo - operações


demasiado frequentes ou utilização de equipamentos
que pulverizam excessivamente o solo e não deixam
resíduos da cultura anterior na superfície.
Práticas agrícolas incorretas que promovem a degradação dos solos:

Mobilização do solo segundo a linha de


maior declive em terrenos inclinados.
Execução de operações
culturais quando o solo
apresenta condições de
humidade inadequadas.

Instalação “ao alto” de pomares,


olivais ou vinhas em terrenos de
declive acentuado, sem proteção
do solo durante a época das
c h u v a s.
Práticas agrícolas incorretas que promovem a degradação dos solos:

Uso de métodos de rega inadequados às condições do terreno


e má gestão da água, sobretudo em parcelas onduladas.
Práticas agrícolas incorretas que promovem a degradação dos solos:

Deficiente
distribuição das
culturas pelas
diferentes parcelas
da exploração
agrícola.
Melhorar a fertilidade do solo
O solo é o principal fornecedor de nutrientes e de água às plantas,
dependendo o nível de fertilidade das suas características físicas, químicas e
biológicas. É fundamental:

fertilizar racionalmente as culturas


corrigir a acidez do solo
• Favorece a estrutura do solo, levando à formação de agregados mais
estáveis que facilitam uma boa circulação da água e do ar no solo, bem
como a penetração das raízes, e diminuem os riscos de erosão.

• Aumenta a capacidade de retenção da água no solo, tornando-o


menos sensível à secura, o que é particularmente importante em solos
de textura ligeira.

• Constitui fonte de azoto, de enxofre e de outros nutrientes para as


plantas e melhora a capacidade de retenção destes elementos no solo;

• Aumenta a capacidade do solo na fixação de certos elementos tóxicos


para as plantas que, assim, os absorvem em menores quantidades;
• Serve de suporte à
atividade biológica do
solo que é assegurada
pela fauna e um
grande número de
microrganismos que
fazem do solo um meio
vivo.

• Contribui para a fixação de dióxido de carbono (CO2), reduzindo


a sua concentração na atmosfera.
Enriquecer o solo em matéria orgânica
O teor de matéria orgânica do solo deve ser melhorado, na medida do possível, para
valores não inferiores a 2%.

Métodos de incorporação periódica de corretivos orgânicos:


• Corretivos orgânicos provenientes das
explorações agrícolas, como os estrumes, os
chorumes ou os resíduos da atividade agrícola,
desde que em boas condições fitossanitárias;

• Compostos de resíduos sólidos urbanos,


vulgarmente designados por RSU.

• Lamas provenientes do tratamento de efluentes de diferentes origens.


Nas condições climáticas do país, a solução para o aumento do
teor de matéria orgânica nas áreas destinadas a culturas
arvenses, pastagens e forragens deve ser encontrada, no
próprio sistema de produção:

- aumentar a quantidade de resíduos devolvidos


ao solo e, ao mesmo tempo, reduzir a velocidade
de decomposição (taxa de mineralização).

NOTA: Para diminuir a taxa de mineralização é necessária


uma redução acentuada da mobilização do solo, excluindo a
charrua.
corretivos orgânicos:
• I n c o r p ore os corretivos orgânicos no solo imediatamente a
seguir à sua distribuição sobre o terreno, a fim de prevenir a perda
de azoto durante a época das chuvas.

• A distribuição deve ser uniforme na parcela a beneficiar.

• Nas áreas designadas como zonas vulneráveis à poluição com


nitratos, as quantidades a aplicar estão limitadas pelos
montantes máximos de azoto orgânico. Aplicar ao solo apenas as
quantidades permitidas nos respetivos programas de ação.

• Fora daquelas zonas, e a título preventivo, não aplique anualmente


mais de 210 kg por hectare de azoto de origem orgânica.
• Consulte o diploma legal que regulamenta a quantidade máxima de
lamas de depuração que pode ser aplicada em solos ácidos, bem como os
níveis máximos de metais pesados (cobre, zinco, etc.) permitidos em tais
solos.

• Sempre que pretender


aplicar lamas ao solo, faça
previamente análises ao
solo e às lamas.

• Quando aplicar chorumes provenientes de suínos, controle


periodicamente os teores de cobre e de zinco no solo, através de
análises realizadas pelo menos de três em três anos.
A prática da fertilização racional exige que se
conheça:
• Quais as disponibilidades do solo em nutrientes;

• Que nutrientes existem na água de rega ;

• Quanto é que cada cultura necessita de cada nutriente para


atingir determinada produção ou nível de qualidade;

• Quando é que cada cultura necessita dos nutrientes;

• Como devem ser aplicados os fertilizantes.


O plano de fertilização
Não esquecer que a análise de água de rega é também

solo que ela contenha e que podem limitar o seu uso, por
exemplo, por causa dos riscos de salinização.
Corrigir a acidez do solo
Em solos muito ácidos é frequente as plantas apresentarem
sintomas de toxicidade ou de carência em elementos
nutritivos.

Nestes solos existe um elevado risco das culturas


absorverem em excesso os metais pesados incorporados
através de adubos ou de corretivos orgânicos, originando
problemas de toxicidade.

A correção do excesso de acidez da terra é efetuada


através da calagem (calcário), ou seja, da aplicação de um
corretivo que permita a subida dos valores do pH do solo.
Medidas a tomar:
Defender o solo contra a ero s ã o
Distribuição das culturas na exploração
Nas explorações agrícolas em que existam parcelas com diferentes
características, como o tipo de solo, o declive, etc., a distribuição adequada
das culturas pelas várias parcelas pode contribuir para a prevenção dos
processos de erosão.

A existência de sebes vivas em torno das


parcelas favorece a fixação do solo,
contribuindo para reduzir os processos de
ero s ã o, sobretudo em zonas de
precipitação elevada.

O mesmo objetivo pode ser atingido


distribuindo as culturas em faixas
segundo as curvas de nível.
Rotações culturais
Fatores a considerar na seleção das culturas e as rotações culturais:

― a dimensão da exploração;

- os objetivos do produtor;

- a natureza do solo;

- as condições climáticas;

- as culturas tradicionais na região.


- Inclua culturas que mantenham o solo revestido durante a
época das chuvas;

- As rotações que incluam cereais de Outono/Inverno devem


ser tanto mais longas quanto maior for o risco de erosão da
parcela;
Qual a vantagem do uso desta cultura?
- Em terrenos declivosos, com risco de erosão elevado, ao
cereal deve seguir-se uma pastagem semeada à base de
leguminosas, que disponibiliza alimento para o gado e serve de
coberto vegetal protetor do solo durante a época das chuvas;

- Esta pastagem deve estar no solo um mínimo de 5 anos, findos os quais se


segue o cereal.
- As rotações culturais
poderão ser encurtadas e as
pastagens substituídas por
leguminosas para produção
de grão ou, nos solos mais
férteis, por oleaginosas,
Racionalizar a mobilização do solo
Uma das práticas culturais que
mais contribui para a erosão
do solo é a mobilização
frequente com equipamentos
que pulverizam
as camadas superficiais do
solo, facilitando o seu
arrastamento
pela água das chuvas.
• Reduza as mobilizações do solo, sobretudo
durante o Outono;

• Evite pulverizar demasiado o solo;

• Use técnicas de mobilização mínima (observe a


regularidade do terreno - quanto mais regular o terreno, menos profunda
será a mobilização.)
• Utilize máquinas e alfaias leves que não
enterrem os resíduos a cultura anterior.
Prefira a utilização de escarificadores ;

- Recorra a técnicas de sementeira diretas sempre que haja


experiência local com bons resultados
• Execute as mobilizações do solo e a
sementeira de acordo com a
orientação das curvas de nível, o
que é tanto mais importante quanto
mais acentuada a inclinação do terre
n o;

• Adapte as técnicas culturais e


orientação das mobilizações ao
funcionamento dos sistemas de rega
usados para diminuir o escoamento
superficial da água.
Quanto maior o risco de erosão do solo mais
restritivo deve ser o sistema de mobilização.

A utilização da charrua ou de alfaias rotativas


deve ser muito bem ponderada, uma vez que
conduzem a um maior risco de perda de solo por
ero s ã o .
Pomares, olivais e vinhas
Na maior parte das situações, os pomares, os olivais e as vinhas estão
instalados em parcelas declivosas onde os solos apresentam maiores riscos
de ero s ã o .

Por outro lado, muitos desses


solos encontram-se
compactados, frequentemente
devido à passagem das
máquinas agrícolas
• Evite a instalação destas culturas em encostas
com declives superiores a 20%;
• Proteja o solo da entrelinha com um coberto
herbáceo, pelo menos durante o Inverno e até à
rebentação, que poderá ser semeado ou
constituído pela vegetação espontânea;

• Nas regiões com chuvas mais abundantes, a


vegetação deverá ser mantida na entrelinha,
constituindo um coberto vegetal permanente
semeado à base de gramíneas e leguminosas.
entrelinha siga os seguintes conselhos:
• Aplique herbicida devidamente autorizado,
deixando a manta morta sobre o terreno,
protegendo o solo e evitando a perda de água;

• Se cortar a vegetação mecanicamente deixe-a


também sobre o terreno.
Adaptar as técnicas de regadio
A aplicação da água de rega a uma taxa superior à que é
capaz de se infiltrar no solo favorece o escoamento
superficial, provocando o arrastamento das partículas do solo
e, portanto, a erosão.
Utilize métodos de rega por gravidade em terrenos planos e
métodos de rega sob pressão em terrenos mais declivosos.

Em zonas mais declivosas, utilize


técnicas culturais alternativas (faixas de
proteção do solo, valas de drenagem,
etc.) que permitam reduzir a
velocidade da água, e técnicas de
mobilização do solo que mantenham
grandes quantidades dos resíduos da
cultura anterior na superfície do solo.

A aplicação destas técnicas permite que


o solo arrastado pela água se deposite
ainda dentro da mesma parcela.
Evitar a compactação do solo
A compactação dos solos agrícolas é consequência da degradação da sua
estrutura, resultante, na maioria dos casos, da circulação de máquinas em
solos com excesso de humidade ou da sua pulverização excessiva devida a
operações inadequadas de mobilização do solo ou, ainda, do sobrepastoreio.

Como resultado, os solos tornam-se menos


permeáveis, com maiores riscos de escoamento
superficial das águas ficando, assim, mais expostos
aos processos de erosão.
• A degradação da pastagem, no que diz

verifica quando o solo se encontra


demasiado húmido.

• De cargas pecuárias excessivas para a capacidade forrageira das


pastagens;

• Das pastagens serem percorridas pelo gado de forma


desequilibrada.
Consumo e desperdício de água
Práticas agrícolas e conservação da água

A agricultura é, no
nosso país, o principal
utilizador da água,
sendo responsável por
cerca de 70% do
consumo.

Em Portugal, a distribuição da chuva ao longo do ano é muito irregular e,


além disso, a quantidade anual de chuva varia significativamente de ano
para ano.
A importância da conservação da água

A área de regadio ocupa mais


de 600.000 hectares e irá
aumentar nos próximos anos.

Embora a agricultura não seja o principal agente poluidor da


água, as práticas culturais utilizadas têm que garantir a
proteção da sua qualidade ou, quando necessário, melhorá-la.
Menor quantidade de água para obter a mesma produção.

Permite alargar a área de regadio da exploração.

Reduz-se os custos de produção e aumenta-se a rentabilidade económica.


Objetivos da rega racional
O objetivo principal é saber quando
e quanto regar, por forma a adaptar,
o mais possível, a época e a
quantidade de água de rega às
necessidades das culturas, evitando
perdas desnecessárias.

A água deve ser fornecida à cultura com uma boa eficiência, reduzindo ao
mínimo as perdas que se verificam ao longo do sistema de distribuição e na
aplicação na parcela.

A aplicação da água deve ser uniforme em toda a parcela de rega.


COMO REGAR?
A técnica como a água é aplicada às culturas chama-se
método de rega e pode ser de superfície (ou gravidade), por
aspersão, ou localizada (microrrega). Além da eficiência de
rega deve ser considerada, como fator de qualidade, a
uniformidade da distribuição e a produtividade da água.

Produtividade da água – razão entre a quantidade de produto ou serviço produzido e


a quantidade de água usada para sua obtenção.
Em produção integrada, procura-se aplicar a água de forma tão
uniforme quanto possível e evitar zonas com excesso de água que
possam originar escoamentos superficiais ou infiltrações
profundas.
Na rega de superfície, a água é aplicada às parcelas de terreno por canteiros,
sulcos, faixas, regadeiras de nível ou espalhamento da água.

A rega por canteiros consiste em distribuir a água por parcelas,


geralmente retangulares, com declive quase nulo, circundadas por pequenas
barreiras de terra, que impedem que a água passe para outros campos. Os
canteiros podem ser à rasa ou armados em camalhões (por exemplo, no arroz).
Os sulcos são pequenos canais
equidistantes, abertos no sentido do maior
comprimento do terreno, a distâncias
determinadas pela largura de trabalho das
máquinas e condicionadas pela capacidade da
água se infiltrar. Os sulcos devem ter declive
suave e uniforme e comprimento, geralmente,
entre 200 e 400 metros

Na rega por faixas, a água é


distribuída por parcelas retangulares
estreitas e compridas, semelhantes a
canteiros ladeados por pequenas
barreiras de terra. É utilizada em terrenos
de declive suave e com infiltração média a
baixa. A água aplicada escorre ao longo do
seu comprimento, ao mesmo tempo que
se infiltra.
REGA POR ASPERSÃO
A constante inovação em aspersores e outros equipamentos de aspersão
tem permitido adaptar este método, com sucesso, a todos os tipos de solo,
topografia, culturas e clima. É utilizado em 10% das áreas agrícolas.
• bomba – eleva a água a partir da origem (reservatório, poço ou
curso de água) e fornece-a ao sistema de rega, com pressão necessária
ao funcionamento dos aspersores;

• condutas – uma conduta principal fixa (de aço galvanizado,


fibrocimento ou plástico) ou móvel (em liga leve de alumínio ou
plástico), que conduz a água da bomba às condutas secundárias e
estas às rampas;

• rampas – condutas fixas, geralmente enterradas, ou móveis onde


estão montados os aspersores;

• aspersores – aplicam a água sobre o solo e cultura em pequenas


gotas, semelhantes a chuva e são determinantes na conceção dos
sistemas de rega e na qualidade do seu desempenho
MICRORREGA
A rega localizada ou microrrega consiste na rega sob
pressão, em que a água é aplicada apenas nas zonas do solo
onde se desenvolvem as raízes das plantas

A aplicação da água em microrrega, à semelhança da aspersão, exige


uma rede de condutas principais, condutas secundárias, porta-rampas
e rampas, habitualmente dispostas sobre o terreno.
Sistemas de rega localizada
• rega de gotejamento ou gota-a-gota, em que a
água é aplicada lentamente à superfície do solo através
de pequenos orifícios emissores, chamados
gotejadores, com caudais de apenas 2 a 8 litros por
hora;

• microaspersão, em que a água é pulverizada


sobre a superfície do solo, em áreas pequenas,
com 1 a 5 metros de diâmetro, através de
emissores, com débitos de 50 a 150 litros por
hora, designados genericamente por
microaspersores;
• rega a jorros, em que pequenos jorros de água são aplicados a
pequenos reservatórios (caldeiras) à superfície do solo, através de
emissores especiais, designados jorradores ou golfadores, que debitam
a água por impulsos, com caudais de 100 a 150 litros por hora;

• rega subsuperficial, em que a


água é aplicada através de
emissores integrados em rampas
colocadas abaixo da superfície do
solo e em que, geralmente, toda a
rede é enterrada.
Nutrição das plantas
Os nutrientes indispensáveis à vida das plantas dividem-se em
macro e micronutrientes.
AZOTO
O azoto é um nutriente determinante para as produções
agrícolas, por ser constituinte de vários compostos orgânicos, em
especial proteínas, molécula de clorofila e compostos azotados.

No solo, o azoto está sujeito a um vasto conjunto de


transformações, pelo que a fertilização azotada e todas as
técnicas culturais, devem ser conduzidas por forma a evitar o
risco de contaminação dos lençóis freáticos e cursos de água
com nitratos.
FÓSFORO

O fósforo tem funções energéticas e estruturais na planta: é


fundamental para o metabolismo, pela sua função de acumulação
e transporte de energia, é componente de compostos bioquímicos
como ácidos nucleicos, fosfoproteínas e fosfolípidos. É essencial ao
desenvolvimento do sistema radicular e induz maturidade e
precocidade.

O fósforo encontra-se no solo como componente da matéria


orgânica, na forma mineral adsorvido na matriz do solo e na
solução do solo, e em compostos orgânicos solúveis.
toxicidade.
Regras para a gestão equilibrada da água

- Faça análises de terra para conhecer a capacidade de armazenamento do


solo nas diferentes parcelas a regar;

- Adapte o método de rega à


cultura, tipo de solo e inclinação
do terreno, melhorando a
eficiência de rega. Em solos
arenosos utilize a rega sob
pressão, de preferência rega
gota-a-gota;
- Avalie as necessidades de água da cultura em função das condições
climáticas locais;

- Calcule as necessidades
de rega, anuais e de
ponta, através de um
balanço hídrico;

- Faça o revestimento dos canais de rega


para transporte de água ou use tubagem
estanque para evitar perdas;
- Utilize os métodos de rega localizada,
quando forem adequados;

- Avalie periodicamente os sistemas de rega


instalados. Melhore a sua adequação às
exigências das culturas, aumentando a eficácia e
a uniformidade da rega;

- Avalie periodicamente as estações de bombagem, por forma a adequar o seu


funcionamento às exigências dos equipamentos;

- Racionalize o uso da energia e da água, melhorando a uniformidade da rega;

- Reutilize na rega a água perdida por escoamento superficial, evitando a sua


saída da exploração agrícola;

- Mantenha os equipamentos em bom estado de manutenção para evitar


fugas e possibilitar a regulação do débito pretendido.
poluição com fertilizantes
A contaminação das águas com nitratos deve ser evitada, pois pode ter
consequências graves para a saúde humana e para o ambiente.

- A prevenção da poluição das


águas superficiais e
subterrâneas com nitratos está
relacionada com a quantidade
de fertilizantes azotados
aplicada ao solo, e com a
técnica e época da sua
aplicação.
dos adubos azotados
- Fracione a quantidade de azoto recomendado, aplicando os fertilizantes
nas épocas em que as culturas mais necessitam;

- Consulte sempre os serviços meteoro l ó g i c o s e não aplique adubos


azotados se a previsão for de chuva nas 48 horas s e g u i n t e s ;

- Não aplique adubos sólidos azotados antes


de regar;

- Não aplique adubos azotados pelo menos


durante os meses de dezembro e janeiro, à
exceção das hortícolas.
duas culturas sucessivas
Os chorumes são constituídos por uma mistura de fezes, urina e água, com quantidades
diminutas de material utilizado para a cama dos animais, como palhas e fenos (teor de
resíduo seco de cerca de 10%).

Os estrumes são constituídos por fezes, urina e quantidades significativas de material


utilizado para a cama dos animais (teor de resíduo seco na ordem dos 25%).

Vantagens:
Os adubos sólidos e, sobretudo os líquidos, devem ser
armazenados em locais secos e impermeabilizados, situados a
mais de 10 metros de distância dos rios e ribeiras, de valas ou
condutas de drenagem, de poços, furos ou nascentes.
Armazenar corretamente os efluentes
da pecuária produzidos na exploração
É importante reduzir as perdas de nutrientes (azoto) ao mínimo, a fim de manter o seu
valor como fertilizante e reduzir os riscos de poluição do ambiente.
com produtos fitofarmacêuticos
Proteger os rios e as ribeiras
Os nossos rios e ribeiras constituem um meio natural que tem várias funções
importantes:
Muitos agricultores, em vastas zonas do país, estão
dependentes de um aproveitamento intensivo dos solos dos
vales férteis dos rios e das ribeiras. Isso implica:

- Assegurar uma boa drenagem dos campos


adjacentes, mantendo o plano de água a níveis
relativamente baixos;

- Prevenir os efeitos destrutivos das


cheias, ou seja, evitar que no Outono e
Inverno estas provoquem alterações
dramáticas do traçado dos rios e das
ribeiras.
É SEMPRE necessário manter limpo o leito do rio
ou da ribeira, ou seja, combater o assoreamento do
leito e controlar o crescimento da vegetação no
interior do mesmo (fundo do leito e talude).
ras instaladas.
O modo de produção biológico
O Modo de Produção Biológico é um
sistema global de gestão das explorações
agrícolas e de produção de géneros
alimentícios que combina as melhores
práticas ambientais, um elevado nível de
biodiversidade, a preservação dos recursos
naturais, a aplicação de normas exigentes
em matéria de bem-estar dos animais e
método de produção em sintonia com a
preferência de certos consumidores por
produtos obtidos utilizando substâncias e
processos naturais.
Fonte: www.dgadr.mamaot.pt/sustentavel/ap-tec-reconh-tecnicos/producao-biologica
Produção integrada
A produção integrada é um sistema agrícola de produção de produtos
agrícolas e géneros alimentícios de qualidade, baseado em boas práticas
agrícolas, com gestão racional dos recursos naturais e privilegiando a
utilização dos mecanismos de regulação natural em substituição de fatores
de produção, contribuindo, deste modo, para uma agricultura sustentável.
Fonte: www.dgadr.mamaot.pt/sustentavel/producao-integrada

O Decreto-Lei n.º 256/2009, de 24 de setembro estabelece os princípios e


orientações para a prática da proteção integrada e produção integrada, bem como o
regime das normas técnicas aplicáveis à proteção integrada, produção integrada e
modo de produção biológico, e cria, igualmente, um regime de reconhecimento de
técnicos em proteção integrada, produção integrada e modo de produção biológico,
no âmbito da produção agrícola primária
A produção integrada tem por base os seguintes princípios:

• Regulação do ecossistema, importância do bem-estar


dos animais e preservação dos recursos naturais;

• Exploração agrícola no seu conjunto, como a unidade


de implementação da produção integrada;

• Atualização regular dos conhecimentos dos agricultores


sobre produção integrada;

• Manutenção da estabilidade dos ecossistemas agrários;


• Equilíbrio do ciclo dos nutrientes, reduzindo as perdas ao
mínimo;
• Preservação e melhoria da fertilidade intrínseca do solo;
• Fomento da biodiversidade;
• Entendimento da qualidade dos produtos agrícolas como
tendo por base parâmetros ecológicos, assim como
critérios usuais de qualidade, externos e internos;
• Proteção das plantas tendo obrigatoriamente por base os
objetivos e as orientações da proteção integrada;
• Minimização de alguns dos efeitos secundários
decorrentes das atividades agrícolas.
O exercício da produção integrada implica,
pela parte dos agricultores, determinadas
obrigações e compromissos que devem ser
registados em caderno próprio
denominado caderno de campo.
• O material destinado à plantação ou sementeira deve ser
certificado de acordo com as normas oficiais em vigor,
garantindo nomeadamente a sua homogeneidade e estado
sanitário;

• A densidade de plantação ou sementeira deve ser adequada às


características edafoclimáticas da região;

• As culturas permanentes devem ser podadas de modo a obter-


se um desenvolvimento uniforme e equilibrado.
• A estratégia de fertilização e rega deve ser orientada para a nutrição
adequada das culturas. Pelo que deve estabelecer-se para a exploração agrícola,
um plano de fertilização e um plano de rega, por parcela homogénea e cultura, no
caso das culturas perenes, ou por rotação, no caso das culturas anuais, no qual são
definidos, os tipos, as quantidades, as épocas e as técnicas de aplicação dos
fertilizantes e água, os quais devem ser revistos periodicamente em função das
análises de solo e água e da planta.

• Os fertilizantes a aplicar devem obedecer às normas legais vigentes,


devendo, em especial, ser isentos ou possuir teores muito baixos de metais
pesados ou de outras substâncias perigosas para o ambiente, e ser apenas
usados fertilizantes com micronutrientes quando a sua necessidade for
tecnicamente reconhecida.

• A proteção fitossanitária das culturas em produção integrada rege-se pelos


princípios da proteção integrada.

Normas de Proteção Integrada (componente vegetal):


www.dgadr.mamaot.pt/sustentavel/producao-integrada/normas-de-prodi
É necessária a aplicação de técnicas que
estabelecem um adequado equilíbrio e
salvaguarda do bem-estar animal,
devendo ter em conta, nomeadamente:

- o maneio;
- a alimentação animal;
- a profilaxia e saúde animal;

- a gestão de efluentes de
origem animal.

Normas de Proteção Integrada (componente animal): http://www.dgv.min-


agricultura.pt/xeov21/attachfileu.jsp?look_parentBoui=144711&att_display=n&att_download=y
Objetivos
Estimular o desenvolvimento de
atividades não agrícolas nas
explorações agrícolas, criando novas
fontes de rendimento e de emprego,
contribuindo diretamente para a
manutenção ou melhoria do
rendimento do agregado familiar, a
fixação da população, a ocupação do
território e o reforço da economia
rural.
Esta ação visa o apoio à criação ou desenvolvimento na
exploração agrícola, de atividades económicas de natureza não
agrícola, nomeadamente as que contribuam para a
diversificação da oferta turística, como sejam:

• o agroturismo e os
parques de campismo;

• o turismo de natureza;

• as atividades de recreação e lazer, incluindo as pedagógicas


relacionadas com atividades na exploração agrícola;

• as operações relacionadas com produção de energia para


venda e/ou uso próprio, utilizando fontes renováveis e
alternativas (eólica, foto voltaica, hídrica, biomassa, etc.).
TRABALHO DE PESQUISA
TEMA: A diversificação de atividades na
exploração agrícola

NORMAS GERAIS:
- Trabalho de grupo (2 a 4 elementos);
- Trabalho escrito + apresentação oral (cerca de 30 min.)
- Data de entrega e apresentação (a combinar)
Tópicos de referência:
- Vantagens e desvantagens da diversificação de
atividades na exploração agrícola.

- Diversidade de atividades a desenvolver na


exploração agrícola e possibilidade de apoios.
– Prestação de serviços de carácter ambiental
– Desenvolvimento de produtos tradicionais de qualidade, valorização de construções rurais
– de traça tradicional
– Dinamização de espaços agroflorestais para fins lúdicos e/ou pedagógicos relacionados
– com o meio rural
– Criação de espaços museológicos de temática rural
– Exploração cinegética integrada
– Outros exemplos

- Exemplos na região alentejana.


Proposta de fontes para consulta:

-http://www.dgadr.mamaot.pt/diversificacao
- http://guiaexploracoes.dgadr.pt/index.php/8-agricola?start=15
- http://www.proder.pt/conteudo.aspx?menuid=453
- http://www.rederural.pt/index.php/pt/homepage
-http://www.rederural.pt/index.php/pt/centro-de-recursos
- http://guiaexploracoes.dgadr.pt/
-http://www.adritem.pt/index.php?id=1029
-http://www.adritem.pt/index.php?id=1031
- http://www.adritem.pt/index.php?id=1017
-http://www.adritem.pt/index.php?id=1016
Instrumentos de Política Agrícola e de
Desenvolvimento Rural em vigor
A PAC tornou possível garantir cidadãos aos europeus
segurança no abastecimento de produtos alimentares,
bem como a sustentação económica do mundo rural que
marca uma das faces distintivas da Europa. Fez 50 anos
em 2012.

Em 2014 iniciou-se um novo período de


programação de fundos comunitários, nos quais
se insere o apoio ao desenvolvimento agrícola e
rural a financiar pelo Fundo Europeu Agrícola de
Desenvolvimento Rural (FEADER).

Saber mais em: www.pdr-2020.pt/site


O FEADER contribui para a realização da
estratégia Europa 2020, através da promoção
do desenvolvimento rural sustentável em toda
a União, em complementaridade com os outros
instrumentos da PAC, a política de coesão e a
política comum das pescas.
Saber mais em: https://infoeuropa.eurocid.pt/registo/000057517/

O FEDER - Fundo Europeu de


Desenvolvimento - apoia ações nos países e
territórios em desenvolvimento no sentido de
promover o desenvolvimento económico,
social e humano, bem como a cooperação
regional.

-www.portugal2020.pt/Portal2020/o-fundo-europeu-de-
desenvolvimento-regional-feder-faz-40-anos
Saber mais em:
- http://eur-lex.europa.eu/legal-
content/PT/TXT/?uri=URISERV%3Ar12102