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O conhecer, fazer, viver juntos e ser na educação inclusiva

The knowing, doing, living together and being in the inclusive education

Valéria Aparecida Pereira Candido1

Resumo

O entendimento da educação na inclusão sob os quatro pilares da educação: aprender a


conhecer, fazer, viver juntos e ser.
Entender que a educação é direito, e como direito é comum a todos.
Compreender que a educação é um processo de legitimação de uma cultura, composta
de elementos de ação para a transformação intervenientes no processo de ensino e
aprendizagem.
Educação com processo contínuo de desenvolvimento humano na criação de relações,
vivências, experiências, direito, existência e biografia do indivíduo dando resignificado à vida
da pessoa com deficiência.
Perceber através de si mesmo, o outro semelhante e diferente.

Palavras-chave: Educação; Inclusão; Educação Inclusiva; Diversidade.

1
Pós-Graduação em Educação Especial e Inclusiva, pela Instituição e Faculdade de Educação São Luis, Pós-
Graduação Lato Sensu. E-mail do autor: valeriakandido@gmail.com.
1. Introdução
A educação é a ferramenta social pela qual os indivíduos são inseridos, mergulhados,
imersos, na sua cultura. É pela educação que os indivíduos se humanizam, pois não se nasce
humano, o humano se constrói.

Educação? Para aprender, para ensinar, para aprender e ensinar. Para saber, para fazer,
para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação. Somos educados a
todo o momento e em qualquer contexto ou circunstância. A compreensão está associado ao
conhecer; a reprodução ao saber; a aplicação ao saber fazer e o ser à criatividade.

A educação inclusiva é a educação baseada no respeito e reconhecimento do outro,


conceituada nos mesmos pilares educativos, a educação inclusiva é a tomada de consciência do
indivíduo como cidadão, como pessoa, do pertencimento, do reconhecimento, do respeito à
dignidade humana.

2. Educação Inclusiva
A educação é um direito comum de todos.

A educação é o poder; um poder de transformação social. Por meio da educação nos


transformamos em cidadãos, coabitados em um mesmo espaço; espaço este de interação entre
família, escola, sociedade, trabalho. Somos o resultado destas relações e interações compostas
por uma diversidade de pessoas, com culturas, ideias, valores, língua, religião, raça diferentes,
cada qual com necessidades específicas, identidades e características próprias, com um
propósito único, o todo. E é através da cidadania, o exercício de ser cidadão, que nossos atos e
comportamentos são refletidos na coletividade, com ação direta na sociedade.

Entendendo que o olhar da diversidade humana enxerga diversas dimensões no


indivíduo, a personalidade, a dimensão interna, a dimensão externa e a dimensão
organizacional, que adentramos à inclusão. Uma sociedade inclusiva acolhe a diferença e a
diversidade. A inclusão tem como prerrogativas e pressupostos, o desenvolvimento da
autonomia, da independência e do empoderamento.

O desenvolvimento inclusivo é a concepção e implementação de ações e políticas para


o desenvolvimento sócio econômico e humano, que procuram a liberdade, a igualdade de
oportunidades e direitos para todas as pessoas independente do status social, gênero, idade,
condição física ou mental, etnia, religião, opção sexual, etc., em equilíbrio com o meio
ambiente. Uma sociedade inclusiva busca a equidade, produtividade, sustentabilidade,
segurança e cooperação dos seus membros.

A inclusão é além de um ato de amor, é um direito; a atenção não deve focalizar nas
deficiências, mas sim um olhar na pessoa como um todo; é necessário perceber que antes de
serem deficientes, são pessoas com necessidades, interesses e aptidões individuais como
qualquer um em busca do desenvolvimento do cidadão, o que implica em um redirecionamento
dos serviços educacionais.

“As pessoas vão além de suas deficiências” (Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com
Deficiência – Viver sem Limite). Ao lançar o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com
Deficiência – Viver sem Limite, por meio do Decreto 7.612, de 17 de novembro de 2011, o
Governo Federal ratifica o compromisso na implementação dos apoios necessários ao pleno e
efetivo exercício da capacidade legal por todas as pessoas com deficiência, na equiparação de
oportunidades para que a deficiência não seja utilizada como impedimento à realização de
sonhos, desejos e projetos, valorizando o protagonismo e as escolhas das pessoas com e sem
deficiência.

De direito de acesso à todos, sem discriminação e em igualdade de oportunidades, o


intuito da educação inclusiva é o de educar a todos os estudantes dentro de um sistema educativo
único e a escola tem papel fundamental na socialização e na construção do ser cidadão, no
ensino de competências e habilidades essenciais para o funcionamento do aluno em todas as
instâncias da vida em comunidade abordando aspectos emocionais, sociais, cognitivos e
intelectuais.

Segundo o relatório “Educação: um tesouro a descobrir”, da Comissão Internacional


sobre Educação para o Século XXI, feito para a UNESCO, o aprendizado, conforme o
documento, deve seguir por toda a vida e se orientar por quatro pilares da educação, que são:
aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver e aprender a ser. Estes são itens
fundamentais para a transmissão da informação e da comunicação adaptada à sociedade. As
aprendizagens, serão de algum modo para cada indivíduo, no entanto os conhecimentos serão
embasados em aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser
integradas a saber em um.

Aprender a conhecer
É aprender a compreender o mundo que o rodeia, é o prazer de compreender, de
conhecer, de descobrir. O aumento dos saberes, que permite compreender melhor o ambiente
sob os seus diversos aspectos, favorece o despertar da curiosidade intelectual, estimula o sentido
crítico e permite compreender o real, mediante a aquisição de autonomia na capacidade de
discernir. Aprender para conhecer supõe, antes tudo, aprender a aprender, exercitando a
atenção, a memória e o pensamento.

Aprender a fazer

É ir além do conhecimento teórico e entrar no setor prático. Aprender a fazer é saber


lidar com diversas informações e situações e de encontrar respostas alternativas diante de uma
mesma situação.

Aprender a viver juntos, aprender a viver com os outros

A educação tem por missão, por um lado, transmitir conhecimentos sobre a diversidade
da espécie humana e, por outro, levar as pessoas a tomar consciência das semelhanças e da
interdependência entre todos os seres humanos do planeta.

A educação deve utilizar a descoberta progressiva do outro e de si mesmo e a


participação em projetos comuns que valorizam aquilo que é comum, ou seja, as diferenças. É
preciso então, aprender a compreender o próximo, é de que o outro é diferente e saber encarar
essas diversidades.

Aprender a ser

A educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa — espírito e corpo,


inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, espiritualidade. Elaborar
pensamentos autônomos e críticos e formular os seus próprios juízos de valor, de modo a poder
decidir, por si mesmo, como agir nas diferentes circunstâncias da vida. Incitar a criatividade e
elevar o crescimento de conhecimentos, além de ter em mente um sentido ético e estético
perante a sociedade. Isto é aprender a ser.

A diversidade de personalidades é o que gera a inovação dentro da sociedade e a prática


pedagógica deve prever a formação contínua, levando em conta os quatro pilares; Cabe ao
professor criar a alegria do pensar. Provocar a curiosidade, desenvolver habilidades, construir
valores e atitudes através de uma aprendizagem significativa de importância construtiva e
social, não somente um acumulado de informações, mas sim de conhecimento.
A inclusão requer adaptações concretas no ambiente, a construção de vínculos, a
produção e evolução cognitiva e um conteúdo adaptado para um pleno desenvolvimento
emocional, psicológico e social;

A escola é uma unidade de ação funcional de intencionalidade e potencialidade, é local


de aprendizagem, de desenvolvimento e interações organizada para atender as necessidades
sociais que visam melhorar as práticas cotidianas em processos de construção de conhecimento
com meios de favorecer a aquisição de saberes para o desenvolvimento pleno do ser.

Se faz necessário inovar nas práticas educativas, buscar recursos alternativos de apoio,
aprendizagem e aprimoramento de tecnologias, criar instrumentos e recursos para o
desenvolvimento de habilidades e competências, diferentes dinâmicas e estratégias, novas
situações de aprendizagem, suplementação curricular, ou seja, um novo fazer pedagógico que
não contempla somente as pessoas com deficiências, mas a todos os estudantes.

A escola é o meio de comunicação através da educação que aproxima pais, alunos,


educadores e sociedade, tornando este relacionamento seguro e eficaz.

É dentro desta perspectiva, no contexto atual da globalização, no relacionamento e inter-


relacionamento da sociedade e dos processos globais educativos, de atualização permanente,
que se faz a inclusão. Inclusão do indivíduo através da valorização, do respeito, na igualdade
de oportunidades que pode-se aprender a conhecer, fazer, conviver e ser o todo, uma sociedade.

3. Conclusão
É função da escola propor uma educação de equiparação de oportunidades, na
construção de valores de formação do cidadão, visando compreender, interpretar e transformar
a realidade na construção de uma sociedade igualitária através de uma visão crítica e reflexiva.
A escola não deve reproduzir valores sociais desiguais, deve observar, ouvir, perceber e
identificar valores e cultura sociais a fim de cuidar, socializar, transmitir conhecimentos,
estabelecer relações para formar um cidadão pleno.

A inclusão trata de aprender a viver com o outro, respeitando e reconhecendo o outro.


Incluir é dar lugar à diversidade, considerar a diferença, a singularidade, é abandonar
estereótipos, é ter igualdade de direitos, é aprender.
REFERÊNCIAS

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil (1988). Promulgada em 05 de


outubro de 1988.

BRASIL, Lei de Diretrizes e B. Lei nº 9,9394/96, de 20 de dezembro de 1996.

DEFICIÊNCIA, Viver sem Limite – Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com
Deficiência / Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) /
Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD) • VIVER
SEM LIMITE – Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência: SDH-PR/SNPD,
2013.

EDUCAÇÃO UM TESOURO A DESCOBRIR. Relatório para a UNESCO da Comissão


Internacional sobre Educação para o século XXI CORTEZ UNESCO MEC Ministério da
Educação e do Desporto Título original: LEARNING: THE TREASURE WITHIN Report to
Unesco of the International Commission on Education for the Twenty-first Century

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos Humanos,


1948.

VIGOTSKI, L. S. Aprendizagem e desenvolvimento intelectual na idade escolar. In:


VIGOTSKI, L. S; LURIA, A. R.; LEONTIEV, A. N. Linguagem, desenvolvimento e
aprendizagem. 10a edição. São Paulo: Editora Ícone, 2010, p. 103-118.

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