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RITOS PROCEDIMENTAIS

TEORIA GERAL DO PROCESSO1

INTRODUÇÃO:

Processo e procedimento são termos que não se confundem,


compreendendo o Processo não só o procedimento ou o modus faciendi da
atividade processual, mas a própria relação jurídico-processual (devido
processo legal) e o contraditório.

Enquanto procedimento, o processo compreende o iter processual –


conjunto progressivo de atos que, relacionados entre si, se realizam durante o
tramitar processual – voltado à atividade final, que é a sentença. O processo é,
então, uno e a relação jurídica que se estabelece com o processo representa o
vínculo de obrigações, ônus, deveres e direitos, com paridade simétrica a
ensejar o provimento jurisdicional.

O procedimento é a sucessão ordenada e progressiva de atos que se


realizam durante o processo. O procedimento, por sua vez, não é uno e pode se
diferenciar de acordo com a prescrição estabelecida pelo legislador processual,
conforme a natureza da infração penal, ou as características e individualidades
da relação processual que as partes compõe (ex: rito dos crimes apenados com
reclusão, procedimento sumaríssimo do Juizado Especial, rito da lei de
entorpecentes, do procedimento para apuração de ato infracional, etc.).
Contudo, o procedimento vincula o iter processual, razão pela qual as partes
não podem inovar ou modificar o andamento processual, que deve ser
preservado a fim de se evitar eventual argüição de nulidade processual.

1. Início e fim do processo: o processo inicia-se com o recebimento


da denúncia ou queixa, quando se triangulariza a relação jurídico processual,
muito embora existam julgados que entendam que o processo se inicia com o
oferecimento da ação penal. O fim do processo se dá com a sentença, que
decide ou não o mérito da causa. Contudo, a sentença para por fim ao processo
deverá ser definitiva e não mais sujeita a recurso (transitada em julgado).

2. Pressupostos processuais: são as circunstâncias necessárias para a


existência e desenvolvimento válido do processo. São pressupostos de
existência as partes, a jurisdição, o pedido. São pressupostos de validade a
competência e imparcialidade do juiz, a capacidade das partes (civil e
1
Conteúdo integrante da Disciplina Processo Penal II minstrado pela Professora Luciene Rinaldi Colli
para curso de Direito da UFV (2016)

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processual), a capacidade postulatória, a inexistência de coisa julgada,
litispendência e perempção.
3. Sistemas processuais penais:

a) Inquisitivo: a investigação e a instrução probatória é sigilosa, as funções


das partes e do juiz são desempenhadas pelo juiz , ausência de
contraditório e de recurso. no sistema inquisitório há nítida supressão das
garantias do acusado que se torna objeto da investigação. A aglutinação
das funções de acusar, defender e julgar é outra característica desse
sistema. O juiz inquisidor visando buscar provas que sustentem seu juízo
pré-concebido, tortura, impõe castigos e comete uma série de outras
arbitrariedades. Em suma, não há verdadeiro processo 2. É como bem
salientou José Frederico Marques, citando Alcalá-Zamora, quando
afirmou que “o procedimento inquisitivo puro, antes que processo
genuíno, é forma autodefensiva da administração da justiça”3.

b) Acusatório: existe publicidade na investigação, ampla defesa e


contraditório no procedimento, que poderá ser oral e escrito, admitindo-
se o recurso e não se confundindo as funções judiciais de acusar e julgar.
A forma acusatória é, inegavelmente, a mais democrática de se conduzir
o processo e possui uma série de características, listadas por José
Frederico Marques, a saber:
“a) separação entre os órgãos da acusação, defesa,
e julgamento, instaurando-se assim um processo de
partes; b) liberdade de defesa e igualdade de posição das
partes; c) a regra do contraditório; d) livre apresentação
das provas pelas partes; e) regra do impulso processual
autônomo, ou ativação inicial da causa pelos
interessados.”4

c) Misto: inicia-se o processo como inquisitivo e termina como


acusatório, sendo uma mistura dos dois sistemas acima. O sistema
misto, ou francês, possui, na esteira dos ensinamentos de Tourinho
Filho, “três etapas: a) investigação preliminar (de la policie
judiciaire), dando lugar aos procés verbaux; b) instrução preparatória
2
“No procedimento inquisitório, não existe relação jurídico-processual,
podendo haver, quando muito, uma relação que traduza a submissão do indivíduo
ao Estado, com a ampliação dos poderes de sujeição estatal” MARQUES, José
Frederico. Estudos de Direito Processual Penal. Rio de Janeiro: Forense, 1960.
p.22.
3
FREDERICO MARQUES, op.cit., p.22.
4
MARQUES, op. cit., p. 23.

2
(instruction préparatoire); e c) fase do julgamento (de jugement)” 5.
As duas primeiras fases (letras a/b), presididas pelo juiz da instrução,
são secretas e não estão sujeitas ao contraditório. Já na terceira fase,
o processo se desenvolve oralmente, publicisticamente e respeitando
o contraditório. Percebe-se, pois, que o juiz, quebrando sua
imparcialidade, busca indícios de autoria e materialidade. Isso se dá
de modo secreto. Quando do julgamento, num segundo momento,
surge o amplo direito de defesa e o contraditório. Embora tendendo a
desaparecer, diversos países (p.ex.: Venezuela, Argentina), ainda,
adotam tal sistema. Fácil perceber que, na forma mencionada, o juiz
tem contato com prova, participando das investigações e sendo
influenciado em momento inoportuno. Na realidade, o magistrado
torna-se um “delegado de polícia”.

4. Fases procedimentais: O procedimento penal possui 04 fases


distintas que podem ser identificadas, a saber:
 fase postulatória (que vai da ação penal até o momento da
defesa prévia)
 fase instrutória (que engloba a fase probatória até as
alegações finais da defesa),
 fase decisória: (onde o juiz prolata a decisão e vai até o
trânsito em julgado da decisão) e
 fase executória ( onde se promove o cumprimento da
sentença condenatória- e também a absolutória imprópria-
com a execução da pena aplicada).

5. Procedimento monofásico e procedimento bifásico: a regra dos


procedimentos no processo penal brasileiro é que sejam os mesmos
monofásicos, se iniciando com a postulação- ação penal- e se findando com a
sentença, prolatada pelo juiz.

Neste procedimento não há necessidade de uma decisão intermediária,


entre as fases de instrução e julgamento, voltada à verificação da existência ou
não de fundamentos para a acusação. Já no procedimento bifásico, a sentença
intermediária é a regra. Contudo, no nosso sistema processual vigente, somente
os crimes dolosos contra a vida são submetidos ao procedimento bifásico,
denominado Tribunal do Júri, onde a fase intermediária se denomina “fase da
pronúncia”, podendo o juízo singular proferir a sentença de pronúncia,
impronúncia, absolvição sumária ou desclassificação, a fim de remeter ou não o
processo a julgamento pelo Júri.

5
TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Processo Penal. 22. ed. São Paulo:
Saraiva, 2000. v.I, p. 93.

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1. DOS PROCEDIMENTOS

1.1- Com a reforma do CPP trazida pela Lei 11.719/2008, os procedimentos


disciplinados pelo diploma processual sofreram alteração importante e salutar.
Ab initio, o CPP não mais dispõe sobre os “Processos em Espécie”, mas sobre
os procedimentos, compreendidos estes a sequência de atos em que os
subsequentes são continuação dos antecedentes e estão na dependência deles
(Tornaghi). Assim, os procedimentos se dividem em procedimento comum e
procedimento especial. O procedimento comum subdivide-se em procedimento
ordinário, sumário e sumaríssimo. O legislador assim, orientou-se pela
gravidade da infração para definir os procedimentos, tendo em vista a pena
máxima cominada ao delito

O procedimento COMUM fica assim dividido:

a) procedimento ordinário, que será adequado para as infrações cuja


sanção máxima cominada seja igual ou superior a 04 anos de privação de
liberdade;

b) sumário, que será aplicado para as infrações cuja sanção seja inferior
a 04 anos de privação de liberdade;

c) procedimento sumaríssimo, que será aplicado para as infrações de


menor potencial ofensivo.

Já os procedimentos ESPECIAIS serão aplicados a infrações específicas,


com previsão em lei ordinária que disponha sobre o procedimento específico
para a infração apurada. Assim, havendo conexão entre crimes com
procedimentos previstos em lei e procedimento especial e outro de
procedimento comum, o critério a ser adotado, para alguns doutrinadores, seria
o do procedimento previsto para a infração mais grave; para outros, seria o
procedimento que garantisse maior amplitude de defesa para o acusado
(procedimento mais amplo), sob pena de nulidade.

Em casos de concurso de crimes, deve se distinguir se trata-se de


concurso material, formal ou crime continuado. No caso do concurso material
(art. 69 CP), devem ser somadas as penas para análise da pena máxima
cominada. Em caso de concurso formal (art. 70 CP), deve-se aplicar a
majorante no máximo (aumento da metade). Da mesma forma, na hipótese de
continuidade delitiva (art. 71 CP) deve-se aplicar a majorante no seu máximo
(dois terços). Neste sentido já era súmula 243 STJ.

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Em concurso de crimes (conexão ou continência), deve-se aplicar o
procedimento que for mais amplo, ou seja, aquele que oferece maiores
oportunidades às partes para o exercício de suas faculdades processuais (prazos,
nº de testemunhas, etc.).

Relativamente à interferência de determinadas circunstâncias na


identificação do procedimento a ser adotado para certas infrações penais,
conforme o disposto no art. 394§1º CPP.

Quanto às circunstâncias qualificadoras, que alteram o próprio patamar


mínimo e máximo cominado no tipo penal, adotar-se-á o procedimento
adequado para o máximo da pena previsto no tipo legal; no mesmo sentido,
quanto às causas de aumento de pena.

Para as hipóteses de diminuição de pena, deve-se diminuir o mínimo legal


para que se possa averiguar o máximo da pena aplicável ao acusado, para a
definição do procedimento a ser seguido.

Já as circunstâncias agravantes ou atenuantes não influenciam na adoção do


procedimento, eis que não interferem no limite mínimo ou máximo da pena
aplicada.

2. O procedimento COMUM: rito ordinário, sumário e sumaríssimo:

2.1- Procedimento Ordinário:

Segundo o art. 394, §§ 2º e 5º, editado na nova sistemática trazida pela


Lei 11719/08 e, com intuito de assegurar a maior eficácia do procedimento e a
ampla defesa, o procedimento ordinário será o procedimento padrão, devendo
ser aplicado subsidiariamente em caso de eventuais lacunas dos demais
procedimentos especial, sumário e sumaríssimo. Sua aplicação ocorrerá em
todos os casos, salvo em procedimentos do júri, em procedimentos especiais e
naqueles casos em que a Lei dispor especificamente sobre o procedimento a ser
adotado.

Era assim o antigo procedimento ordinário:

b) oferecimento da denúncia;
c) recebimento da denúncia;
d) citação;
e) interrogatório;

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f) defesa prévia;
g) audiência de oitiva de testemunhas de acusação;
h) audiência de oitiva de testemunhas de defesa;
i) fase de requerimento de diligências;
j) alegações finais;
k) sentença

Sob nova sistemática, o art. 395 do CPP que trata da rejeição da


denúncia, revogou o antigo art. 43, prevendo que a denúncia ou a queixa será
rejeitada quando for:

a) Manifestamente inepta: quando não preencher os requisitos formais


para seu processamento, previstos no art. 41 CPP (partes, pedido e
causa de pedir, com a exposição do fato criminoso, com todas as
circunstâncias, individualizando a conduta de cada acusado, a
individualização de cada um deles a garantir a possibilidade do
exercício da ampla defesa).
b) Faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação
penal: Pressupostos processuais são requisitos necessários para a
existência e validade da relação jurídica processual (pedido, partes,
causa de pedir). Condição para o exercício da ação penal perpassa
pela legitimidade de agir, interesse de agir e possibilidade jurídica do
pedido.
c) Faltar Justa Causa para a Ação Penal: já prevista a hipótese no art.
648, I, a ausência de justa causa pode ser aferida pela ausência de
algumas das condições da ação. Assim, se o fato for atípico, se já tiver
sido extinta a punibilidade ou se faltar o mínimo lastro probatório de
autoria e materialidade, faltará justa causa para a ação penal.

Assim, proposta a denúncia e não sendo a mesma rejeitada liminarmente-


nas hipóteses previstas no art. 395-, o juiz determinará a citação do acusado
para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 dias. É o que determina o
art. 396. Segundo esta regra, neste momento o juiz estará recebendo a denúncia,
salvo a ocorrência das hipóteses dos incisos do art. 397, em que absolverá
sumariamente o acusado, a saber:

a) existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato;


b) existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente,
salvo no caso de inimputabilidade;
c) quando o fato narrado não consistir em crime;
d) quanto estiver extinta a punibilidade do agente (por sentença
declaratória de extinção de punibilidade, e não de absolvição sumária,
como menciona a nova redação do art. 397, IV)

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Não obstante o art. 396 faça expressa menção ao RECEBIMENTO DA
DENÚNCIA, quando não for o caso de rejeição da Ação Penal, também o art.
399 faz expressa menção a outro e posterior momento de recebimento da
denúncia, qual seja, após a análise judicial da defesa inicial (resposta a que
alude o art. 396-A), quando o magistrado, ao verificar a inexistência das
hipóteses do art. 397 ( absolvição sumária), recebe a denúncia e designa dia e
hora para a audiência de instrução e Julgamento (art. 400).

Assim, a doutrina diverge quanto ao momento em que o Magistrado


deverá receber a denúncia: se quando determina a citação do acusado para
apresentar resposta, ou quando, após analisar os fundamentos da resposta do
acusado, designa dia e hora para AIJ. Analisando a redação dada ao art. 396,
que se refere ao “acusado” após a alusão ao recebimento da denúncia, temos
que acusado somente será aquele sobre contra quem repousa uma ação penal.
Por outro giro, temos que o Magistrado já analisou, preliminarmente, a ação
penal e sua admissibilidade, averiguando todas as hipóteses de rejeição do art.
395, o que o autorizou receber a Ação Penal e determinar a citação do acusado e
o recebimento da denúncia interrompe o prazo prescricional, fixa a competência
por prevenção e transforma o suspeito/indiciado em acusado.

Desta forma é que o acusado, já formada a relação jurídica processual,


apresentará resposta inicial escrita no prazo de 10 dias contados de sua
efetiva citação (Sum. 710 STF) onde poderá arguir preliminares, exceções (que
serão processadas em apartado (arts. 95/112 CPP), apresentar justificações,
juntar documentos, arrolar testemunhas, requerer diligências, deduzir as provas
que pretende produzir, defendendo-se do mérito da acusação que lhe é dirigida
(art. 396-A) com fincas a obter sua absolvição sumária (art. 397).

A defesa ou resposta inicial é obrigatória, não se assemelhando à defesa


prévia e autoriza o Magistrado a julgar antecipadamente a lide penal quando
estiver comprovada a situação fática ou jurídica que autorize o provimento que
rejeite o pedido condenatório ( art. 397 CPP).

O Juiz analisará a resposta do acusado, não prevendo a lei a oitiva


prévia do Ministério Público ou seu parecer quanto à resposta ofertada.

Segundo Antônio Magalhães Gomes Filho e Eugênio Pacelli, a falta da


ciência e parecer do MP sobre a resposta do acusado viola o princípio do
contraditório e de igualdade de tratamento às partes, eis que ao MP deveria ser
dada vista das alegações da defesa contra a denúncia por ele ofertada (devendo
ser aplicado, por analogia, o art. 409 do CPP que disciplina o rito do júri que

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diz: apresentada a defesa, o juiz ouvirá o MP ou o querelante sobre
preliminares e documentos, em 5 dias.

Se o acusado, citado, não apresentar defesa e não constituir defensor, o


Juiz deverá nomear defensor para apresentar defesa, que terá vista dos autos por
10 dias (art. 396§2º). Assim, a defesa é obrigatória e seu não oferecimento é
causa de nulidade absoluta por violar o princípio do contraditório, além da
ampla defesa e do devido processo legal.

Os artigos 395, 396, 396-A e 397 se aplicam a todos os procedimentos,


sejam eles especiais ou não, porque ressaltam a necessidade de defesa inicial do
acusado e a possibilidade de absolvição sumária, ampliando assim o direito de
defesa do acusado logo no início do procedimento.

Após o recebimento da denúncia ou queixa (não sendo o caso de rejeição


da denúncia),o Magistrado então designará audiência de instrução e julgamento
(AIJ) que será una, atendendo ao princípio da oralidade, da concentração, da
imediatidade, da celeridade dos atos processuais e da identidade física do juiz
( o juiz que presidir a instrução deverá proferir a sentença)- art. 399§2º
CPP. Serão intimados o acusado, o seu defensor, o MP e, se for o caso, o
querelante e o assistente. Se o acusado estiver preso, será requisitado para
comparecer ao interrogatório, devendo o poder público providenciar sua
apresentação.

A AIJ deverá, segundo o art. 400, ser realizada no prazo máximo de 60


dias, devendo nela ser produzidas as seguintes provas:

a) tomada de declarações do ofendido;


b)oitiva das testemunhas da acusação e defesa (segundo o art. 401, serão
08 testemunhas, no máximo, para a acusação e para a defesa, não se
compreendendo nesse número aquelas que não prestaram compromisso e as
referidas).
c) esclarecimentos dos peritos;
d) acareações, reconhecimentos, e demais provas;
e) interrogatório do acusado.

Encerrada a instrução, as partes poderão, ao final da audiência requerer


diligências (art. 402). Não havendo diligências a serem realizadas ou
indeferidas as diligências requeridas, o Juiz abrirá os debates, com oferecimento
de alegações finais orais para as partes- acusação e defesa-, por 20 min. para
cada uma, prorrogáveis por mais 10 min. Havendo mais de um réu, o tempo de
20 min. será concedido para cada um deles. Se houver assistente de acusação,
esse terá 10 min após a fala do MP, prorrogando-se por igual período o tempo

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da defesa (art. 403§2º). A seguir, o juiz proferirá sentença em audiência ou o
fará em prazo posterior (art. 403 §3º). Sendo o crime de maior complexidade, a
nova lei admite a possibilidade de oferecimento de alegações finais escritas, em
forma de memoriais, podendo o magistrado proferir a decisão no prazo de 10
dias.

2.2- O procedimento comum sumário:

Previsto nos arts. 531 a 536 do CPP, a reforma do CPP ampliou o rol dos
crimes que admitem a aplicação do rito sumário, eis que serão aqueles cuja
pena privativa de liberdade seja inferior a quatro anos, distinguindo-se o rito
sumário em poucas características do procedimento ordinário: prevê o nº
máximo de 05 testemunhas, devendo a AIJ ser realizada no prazo máximo de
30 dias após a defesa inicial do acusado.

A AIJ deverá, segundo o art. 531, ser realizada no prazo máximo de 30


dias, devendo nela ser produzidas as seguintes provas:

a) tomada de declarações do ofendido;


b) oitiva das testemunhas da acusação e defesa (segundo o art. 401, serão
08 testemunhas, no máximo, para a acusação e para a defesa, não se
compreendendo nesse número aquelas que não prestaram compromisso e as
referidas).
c) esclarecimentos dos peritos;
d) acareações, reconhecimentos, e demais provas;
e) interrogatório do acusado.

Encerrada a instrução, não será facultado às partes o pedido de realização


de diligências que interrompam a unicidade da audiência, devendo então o Juiz
abrir para os debates, com oferecimento de alegações finais orais para as partes-
acusação e defesa-, por 20 min. para cada uma, prorrogáveis por mais 10 min.
Havendo mais de um réu, o tempo de 20 min. será concedido para cada um
deles. Se houver assistente de acusação, esse terá 10 min. após a fala do MP,
prorrogando-se por igual período o tempo da defesa (art. 403§2º). A seguir, o
juiz proferirá sentença em audiência, porque a nova lei não previu a
possibilidade das partes ofertarem memoriais escritos.

Preconiza o art. 535 que nenhum ato será adiado, salvo quando
imprescindível a prova faltante, determinando a condução coercitiva de quem
deva comparecer. O desatendimento das regras do rito sumário para possibilitar
o oferecimento das razões escritas não ensejará o reconhecimento de nulidades,

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mas poderá autorizar o relaxamento de prisão ou demais providências
correcionais.

Bibliografia Utilizada:

1- LOPES JR., Aury. Direito Processual Penal. 11. ed. São Paulo: Saraiva,
2014
2- MACHADO, Antônio Alberto. Teoria Geral do Processo Penal. São Paulo:
Atlas, 2014.
3- DEI MALATESTA, Nicola Framarino. A lógica das provas em matéria
criminal, 2. ed., Campinas: Boockseller, 2001.
4- NUCCI, Guilherme de Souza, Código de Processo Penal Comentado. 7
ed. RT: São Paulo, 2008
5- MOUGENOT, Edilson Bonfim. Curso de Processo Penal. 7 ed. São Paulo:
Saraiva: BRASIL. Constituição da República Federal do Brasil: 1988. São
Paulo: Revista dos Tribunais, 1988.2012
6- OLIVEIRA, Eugênio Pacelli de.Curso de processo penal I Eugênio Pacelli
de Oliveira.18. ed. rev. e ampl. atual. de acordo com as leis n"' 12.830,
12.850 e 12.878, todas de 2013. - São Paulo: Atlas, 2014.
7- TÁVORA, Nestor; Alencar Rosmar Rodrigues.Curso de Direito Processual
Penal. 4 ed. JusPodivm: Salvador, 2010 pag. 512.

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