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#29 | 15 a 19.

07 | 2019

TRANSCRIÇÃO DAS LIVES @italomarsili

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COMO É A SEMANA GW
1. Assista, de preferência ao vivo,
às lives diárias pelo YT ou Instagram, às 21h30.
Canal do YT: Italo Marsili.
Instagram: italomarsili

2. Na segunda-feira, você recebe no portal GW


o material referente às lives da semana anterior.

3. Leia o seu Caderno de Ativação.


A leitura do CA não leva mais do que 15 minutos.

4. Confira no LIVES a visão geral da semana e os resumos.


Separe uns 20 minutos para isso.
As transcrições na íntegra também estarão lá.

ENTENDA O SEU MATERIAL

1. O Caderno de Ativação o ajudará a incorporar


conteúdos importantes. É um material para FAZER.

2. No LIVES estão as transcrições, os resumos e a visão geral


das lives da semana. É um material para se TER.

3. Se quiser imprimir,
utilize a versão PB, mais econômica.

4. Imprima e pendure o seu


PENDURE ISTO.

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ÍNDICE

A SEMANA NUMA TACADA SÓ _____________ 4

O PONTO CENTRAL _____________________ 5

SEU DINHEIRO É
MATERIALIZAÇÃO DE QUÊ? _______________ 8

A FORÇA ESTÁ SEMPRE


À SUA DISPOSIÇÃO _____________________ 26

COMO NÃO TRAIR O SEU DESTINO _________ 36

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A SEMANA
NUMA TACADA SÓ

LIVE #78 | 16/07/2019


SEU DINHEIRO É MATERIALIZAÇÃO DE QUÊ?
Antes de desejar o dinheiro e o sucesso, é necessário desejar o amor e
o serviço. Seu dinheiro deve ser a materialização da felicidade que você
gerou.

LIVE #79 | 17/07/2019


A FORÇA ESTÁ SEMPRE À SUA DISPOSIÇÃO
Instalar-se no mundo físico e abster-se de reclamar é fundamental para
que sejamos pessoas fortes, capazes de dizer a verdade percebida desde
o próprio coração.

LIVE #80 | 19/07/2019


COMO NÃO TRAIR O SEU DESTINO
Para não trairmos o nosso destino, devemos estar atentos para o que a
nossa circunstância nos convoca a fazer.

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LIVE #78 | 16/07/2019
SEU DINHEIRO É MATERIALIZAÇÃO DE QUÊ?

A cultura de achar que só se ganha dinheiro explorando os outros é pro-


fundamente falsa e só vai atrapalhar sua vida. E a tragédia é que essa idéia
está enraizada em muita gente boa, que conta sua história quase que pe-
dindo desculpa por seu sucesso.

É comum relacionar o sucesso a algo como um truque de mágica, ou as-


sociá-lo ao prejuízo de alguém. Mas isso é inveja, e inveja nunca colocou
dinheiro no bolso de ninguém. Não é para invejar quem tem sucesso, mas
admirar sua história e usá-la para conseguir escrever a sua própria.

Dinheiro não aparece do nada, mas é materialização de algo. As pessoas


verdadeiramente ricas, que têm inclusive dinheiro, ao olhar para seus bens
materiais e suas posses vêem não apenas aquilo que está diante dos seus
olhos, mas a felicidade de cada pessoa que elas ajudaram. Afinal, ninguém
ganha dinheiro só por querer ganhá-lo, mas sendo útil os outros, fazendo
algo no mundo, criando valor.

Você não vai conseguir atingir esse nível de serviço se não estiver forte.
Você precisa estar forte para não recuar diante das críticas. Precisa estar
forte para responder sempre com mais amor e com mais serviço, porque
a causa da sua paralisia não é a crítica, mas a sua fraqueza. Ao perceber
que seu trabalho é um ato de amor, você se esquece de você. Assim, nem as
críticas o magoam, nem os elogios o inebriam.

Essa é a estrutura do mundo. Não adianta, portanto, querer ganhar dinhei-


ro sem as disposições necessárias para que ele frutifique para o bem. Para
isso, é preciso que você tenha amor ao próximo, amor ao trabalho e ao ser-
viço. É necessário ganhar dinheiro, mas com maturidade, para que ele seja
um elemento de alegria em sua alma, e não outro motivo de sofrimento.

LIVE #79 | 17/07/2019


A FORÇA ESTÁ SEMPRE À SUA DISPOSIÇÃO

A força é a capacidade de alguém dizer a verdade. Se nós abandonarmos o


romantismo, conseguiremos ver que propósito e motivação não são capa-
zes de nos sustentar por muito tempo. Para sermos fortes é preciso dizer a
verdade, mas não é qualquer verdade. Não é para você sair por aí dizendo
inconveniências. Essa verdade é a da sua vida, é a de você se guiar inde-
pendente do que disseram a sua mãe ou o seu vizinho.

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Você não vai conseguir se instalar nessa verdade, porém, se não se instalar
no mundo físico. Há em nós um princípio de ascensão que é análogo ao
nosso corpo. Os que querem enxergar o seu propósito primeiro para depois
agir pretendem alcançar os olhos antes de usar os pés. O chão que você
pisa é bom, a realidade é boa, por isso você deve aceitá-la sem reclamação
nenhuma. Quando você reclama, você perde força.

Os movimentos sociais que se baseiam na reclamação por direitos não


compreendem que alguém tem de garantir esses direitos. Se você entra
nessa, mais cedo ou mais tarde você se verá atordoado por uma imensidão
de responsabilidades que vieram dos direitos que você reclamou. Você já
percebe isso antes de fazer esse raciocínio, mas isso aparece para você
como um sentimento de desorientação, como uma neurose. A única solu-
ção para isso é olhar para o chão em que você está pisando e não reclamar.
Se você é herdeiro da família real ou se você é favelado, integre essa cir-
cunstância na sua personalidade. Só assim será possível vencê-la.

A luta para o nosso amadurecimento acontece em nossa cabeça. Não se


trata de encontrar o propósito, mas de integrar em nossa personalidade
a circunstância em que estamos. É preciso ganhar força física e estética,
porque elas nos ajudam a amar nossa circunstância. É só depois de nos
instalarmos fisicamente dentro da verdade que podemos então ser verda-
deiramente fortes, dizendo as coisas a partir de nosso coração.

LIVE #80 | 19/07/2019


COMO NÃO TRAIR O SEU DESTINO

É por meio dos olhos que você enxerga a verdade. Édipo arranca seus pró-
prios olhos para incapacitar-se de ver a verdade. Na história do profeta
Jonas, os assírios arrancavam os olhos de seus inimigos, e isso é um terrível
símbolo. Significa cegar o sujeito tanto para as verdades eternas quanto
para o seu próprio destino.

Também Jonas fugiu ao seu destino. Essa traição de Jonas representa um


movimento constante de nosso coração. Recebendo o chamado para con-
verter os cidadãos de Nínive, o profeta embarca para o caminho oposto.
Quando lemos uma história tanto dos mitos gregos quanto das Escrituras,
temos de nos colocar no lugar de todas as personagens. Muitas vezes es-
tamos no lugar dos assírios e somos aqueles que fofocam, que cegam os
outros para as virtudes daqueles que estão ao nosso redor. Muitas vezes
somos Jonas, cuja circunstância é agir no meio desse povo, sem reclamar.

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Outras vezes podemos ser a baleia, que acolhe Jonas quando ele é lançado
ao mar e, tomando da agitação do mar o homem que fugia ao seu destino,
coloca-o na terra em que ele deveria estar para fazer o que deveria fazer.

A vocação é a articulação entre o chamado e a circunstância e não pode-


mos escolhê-la como se escolhe uma profissão. Você pode até pensar que
sua vocação é ser médico, advogado e contador, você pode até rezar para
isso, mas nunca saberá se isso vai acontecer. O que nós devemos fazer é
agir de acordo com a circunstância concreta, lutar para vencer a preguiça,
a soberba e as demais bostas interiores; observar o que nos compete fazer,
qual é o nosso dever, e realizá-lo. Isso é não fugir ao seu destino.

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LIVE #76 | 08/07/2019

NEM PÉROLAS, NEM PORCOS:


A LIÇÃO DA HUMILDADE
Italo: O convidado da noite de hoje é o meu querido amigo Nando Moura.
Fala, Nando!

Nando: É um prazer estar aqui com você, doutor!

Italo: Grande Nando, você sabe que sou seu fã, né?

Nando: Deixa eu falar primeiro, doutor. Gosto demais do seu Instagram, acho
fantástico. Gosto principalmente quando os caras chegam cheios de mimi-
mi, falando abobrinha, reclamando “Doutor, o que eu faço? Levei uma bron-
cazinha do meu pai quando era pequeno”, e você já chega com “Mermão, tá
ficando doido, rapaz?”

Italo: Mas não é? (risos) Que bom você estar aqui. Hoje vamos falar de grana,
de dinheiro e tal, mas eu queria te dizer algo antes. Eu atendo em consultório
há anos, e tenho um monte de pacientes adolescentes e jovens adultos, e,
bicho, esses moleques te amam, cara. Não estou brincando.

Nando: Graças a Deus, né?

Italo: Você sabe disso, mas eu queria falar mesmo assim, porque esses mo-
leques chegavam ao meu consultório com amor por você, do tipo “Caramba,
finalmente alguém me deu voz”, “Finalmente alguém me deu elementos para
eu poder falar na escola, para aquele professor de história não ficar enfiando
porcaria na minha cabeça”. Você moldou uma comunidade, cara. Esses mo-
leques te amam -- e está certo, têm que amar mesmo, porque você é demais.
Muito bom.

Nando: Olha, cara, graças a Deus. Assim como você se sente uma pessoa
amada pelo seu público, que é um público que ora por você, que te protege,
que está junto, eu também me sinto uma pessoa muito amada por meu pú-
blico e oro por ele. O Professor Olavo de Carvalho foi muito importante para
mim, e é importante que possamos falar para toda essa gente, porque há
algo muito errado no establishment. É maravilhoso podermos falar isso aber-
tamente e sermos compreendidos por essas pessoas, que têm um carinho

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por nós.

Eu acredito que o amor de Cristo nos une. Foi Jesus Cristo mesmo que colo-
cou Italo Marsili e Nando Moura juntos nesta noite. Tudo isso está dentro da
vontade do Senhor, que nos colocou aqui para falarmos a essas pessoas -- o
que é uma coisa incrível. É uma coisa abençoada, mesmo.

Italo: Já que você comentou das Escrituras, vou aproveitar para comentar de
um trecho que sempre me marca e me toca muito: “Omne regnum in se ipsum
divisum desolabitur” ou seja, toda aquela cidade que se divide contra si ruirá,
porque a divisão é obra do tinhoso e não do Cristo. É um orgulho muito gran-
de quando conseguimos reunir tal como estamos reunidos aqui; é um sinal
de união e não de divisão, pois quem divide é o demo. É uma grande alegria
estar aqui contigo, meu caro.

Nando: É um prazer.

Italo: Eu tenho um afilhado chamado Pedro Henrique, com quem estava con-
versando mais cedo, que é um desses adolescentes/jovens adultos, e ele te
ama, cara. Ele até falou para eu te pedir um beijo, mas eu não pedirei, Pedro
Henrique! Se ferrou!

Nando: Um beijo para o Pedro Henrique!

Italo: Ahh, mandou o beijo! Não acredito! (risos)

O Ícaro de Carvalho, que está aqui nos assistindo, falou algo se referindo a
mim, mas que vejo se aplicar muito mais a você, na verdade. Estamos fazen-
do o nosso, trabalhando, até ganhando algum dinheirinho, e vemos uma ga-
lera que fala mal e mete o pau. Não é por nada, mas quando eu olho os seus
haters, cara, só vejo inveja. Aquela treta com o Rafinha Bastos de agora, por
exemplo... Isso aí é inveja! É só inveja.

Nando: É como eu estava comentando com um amigo mais cedo, e você fala
isto muitas vezes também: prego que se destaca é martelado. Árvore que dá
fruto recebe pedrada. Se eu não desse frutos, não estariam fazendo isso. A
verdade é que você tem que transformar o revés da sua vida em positividade.

Todo esse pessoal que morre de inveja, que nem sabe o que está fazendo e só
quer mesmo meter a boca em uma coisa positiva, como você transforma isso
em algo positivo? Eu te dou um exemplo: ninguém fez mais marketing para
o meu curso Mestres do Capitalismo do que o Rafinha “Bostos”. E eu nem ia

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lançar Mestres do Capitalismo neste ano! Só lancei porque o cara veio com
esse negócio de provocar. Então, beleza, meu irmão, não apenas lançarei o
Mestres do Capitalismo neste ano, mas ainda farei o seguinte: darei 28 dias
de graça para ajudar as pessoas a aumentarem sua renda em dois mil reais
ou mais no mês. Você não é socialistão, o filho da mãe do socialismo?

Italo: Exatamente. Não é o socialistão? Então vamos ver.

Nando: Eu sou motivado por isso, por esses caras que tentam denegrir uma
coisa boa. Sempre foi assim, desde o começo. Caras que tentam mentir, que
tentam criar narrativas, que tentam usar golpes baixos para criar uma histó-
ria. Eu sempre falo desses caras dizendo a verdade, e a verdade a respeito de
Rafinha Bastos, de PC Siqueira, de Cauê Moura, é que eles formam uma trinca
de fracassos. Se eles querem brincar com a mentira, que brinquem lá, só que
a verdade sempre ganha, e ela esmaga os caras.

Italo: Eu estava vendo o vídeo e isso fica claro. Não sei se para a sua percep-
ção também, mas vejo que eles não têm do quê falar mal, é só piada, piado-
cas, piadinhas aqui e ali, mas substância a coisa não tem, a verdade é essa.
Vão falar o quê do Mestres do Capitalismo?

Nando: O lance é assim: ele acha que está tirando com qualquer cara, mas
nem na zoeira ele consegue ganhar. Eu até comprei o “Bostinhos”, um fanto-
che de pelúcia, que é para tirar um barato com o cara mesmo. Ele acha que
se garante na zoeira, mas, na verdade, não se garante é nada.

Italo: Não tem nada com nada ali. Francamente, eu li a ementa do curso Mes-
tres do Capitalismo, e, caramba, um tópico melhor que o outro. Tem um que
eu achei genial, que é o “Vender é belo e moral”. Isso é do caramba!

Nando: A verdade, falando a respeito do curso, é o seguinte: não são promes-


sas fáceis, não é um negócio de “enriqueça já” ou qualquer coisa do tipo. O
curso fala a respeito de como você pode gerir melhor os seus recursos; como
não ser um escravo do capital, mas um mestre dele.

O que temos de muito defasado no Brasil é a educação financeira das pes-


soas. É gente entrando em cheque especial, não sabendo como agir... E às
vezes em coisas simples; o sujeito mal sabe o que é home broker, não sabe
nada. Ele precisa entender que existem possibilidades para o dinheiro for-
necer a ele uma vida melhor. O Mestres do Capitalismo trata disso. Qualquer
um pode experimentar, basta entrar no Clube do Valor, na parte gratuita do
Mestres do Capitalismo e ver o que tem por lá.

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Esse povinho gosta de falar abobrinha, mas também não temos nem que
perder tempo com eles.

Italo: Com certeza. Tem uma coisa, Nando, que você faz, que francamente eu
gosto muito, e eu queria que você falasse um pouco sobre, se puder.

Você é um cara bem sucedido, graças a Deus e graças ao seu trabalho. Bem
sucedido financeiramente falando, mesmo, certo?

Uma coisa que eu vejo no Brasil é que, mesmo entre a galera bem sucedida
financeiramente, ainda há algo que é quase como um medo, como se eles
tivessem que contar suas histórias pedindo desculpas, do tipo “Foi mal, sou
rico”. Você não faz isso, eu acho genial essa narrativa que você conta, de
mostrar seu carro Mustangão mesmo -- que inclusive é do caramba --, mos-
trar suas guitarras atrás na parede, e acho que isso é um senhor sinal de
educação mesmo, de mentalidade. Quer dizer, não é certo pedir desculpa
por ter dinheiro.

Quando o pessoal vem me dizer “Pô, Italo, não consigo ganhar dinheiro”. Ok,
você não consegue ganhar dinheiro por dois motivos: primeiro porque não
trabalha, é um vagabundo. Segundo, há uma mentalidade que faz questio-
nar: você quer mesmo ganhar dinheiro? Porque você acha esse negócio meio
esquisito, fica com inveja e raiva de quem tem, como é que vai ganhar?

Enfim, o que eu queria saber é: como é que você enriqueceu, Nando? Essa é
uma coisa que acho que a minha audiência queria saber, tem algum proble-
ma falarmos desse assunto?

Nando: Não tenho problema nenhum em falar disso.

Bom, primeiro, eu tenho muito orgulho das coisas que eu tenho. Tenho or-
gulho do carro; principalmente do Mustang 67, pois foram alguns anos para
fazer aquele carro e deixá-lo daquele jeito. Se eu colocar qualquer Mustang
americano do tipo Eleanor ao lado daquele carro, em termos de alinhamen-
to, de perfeição da pintura, de fidelidade com aspecto do filme, tenho certeza
de que o meu se destacará. Sinto orgulho não só de ter esse carro, mas pela
família que o construiu, que foi a família Trevisan, aqui do brasil, que fez um
negócio de uma qualidade incrível.

É preciso valorizar aquilo que foi feito no seu país, que neste caso também
saiu muito melhor do que o Mustang original, porque o meu modelo (e aqui
vai a especificação técnica do carro) tem suspensão four link, diferencial blo-

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cante, uma série de outras coisas que fazem com que ele seja quase que um
carro de corrida e não apenas um Mustangão de época. É um projeto todo
feito, foi um esmero muito grande. Quem entende de construções de carro,
sabe.

O outro Mustang é um carro mais esportivo. Eu gosto de Mustangs desde


moleque e queria ver qual era a do carro. Achei o novo modelo, que é azul,
meio abaitolado, até comentei “Rapaz, esse carro é meio de baitola”, mas
quando eu dirigi, não teve jeito: falei “Vou comprar um”.

Italo: Parece um tênis, né?

Nando: Sim, é meio abaitolado. Minha esposa dirige o novo e eu dirijo o an-
tigo.

Sobre a questão financeira, de como é que se chega lá, bem, eu sempre soube
organizar bem a minha vida financeira. Comecei como professor de música
e fui expandindo os mercados dentro da música. Pensei: “O que eu poderia
oferecer melhor? Produção artística, produção musical, trabalhar marketing
de banda, compor para videogames, o que eu poderia fazer?” E eu consegui,
vamos dizer, ter boas estruturas da minha vida com a música.

Eu não era nem um cara que tinha muito dinheiro, não era muito rico nem
nada do tipo, mas tinha estrutura financeira suficiente para morar bem, ter
as coisas de que gosto e viver com conforto.

Como eu já estava bem financeiramente falando, foi aí que eu comecei a


pensar “Não posso ficar calado, preciso falar o que está acontecendo, mas
não posso falar isso para um aluno, dentro da sala de aula.”

Nós estávamos em um período muito difícil do nosso país, que era 2014,
quando a Dilma foi reeleita, então criei o canal. Até 2015 eu não monetizei
nada, absolutamente nada, era tudo doação. A partir de 2015, começaram a
surgir processos judiciais desses caras aí, como Tico Santa Cruz e compa-
nhia, então pensei “Vou pegar a monetização do canal para cobrir esse tipo
de prejuízo, e vou procurar saídas financeiras dentro daquilo que tenho para
não apenas suprir esses processos, mas para eu poder processar também,
além de ter minha tranquilidade financeira”. Afinal, esses caras iam depenar
meu patrimônio. Por isso, comecei a criar alternativas, soluções.

Comecei a matutar: “Como eu poderia usar não só as ferramentas do canal,


mas outras coisas, para impactar positivamente na vida das pessoas e ofe-

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recer algo realmente bom?” E daí foram surgindo oportunidades, como por
exemplo a guitarra que leva meu nome etc., até que chegou também o pes-
soal do Brasil Paralelo. Eles nem tinham idéia de como seria o lançamento do
produto deles, e o meu canal teve um impacto muito grande no crescimento
da audiência deles. Meus inscritos se engajaram no Brasil Paralelo e ele se
tornou a potência que é hoje.

Um dos turning points que eu tive foi com um rapaz chamado Júnior Silveira,
que é o cara que faz o curso de inglês. É por histórias como essa que eu falo
que Deus une as pessoas, então quero que você preste atenção na que irei
contar e gostaria que essas 10 mil pessoas prestassem atenção a ela também,
porque é muito bonita.

O que aconteceu foi o seguinte: existe uma menininha chamada Lorena, cuja
história chegou até a minha atenção no canal. Essa menininha precisava de
uma cadeirinha de banho e de uma cadeira de rodas. Eu fiz uma boa doação
para ela e incentivei meus alunos e inscritos no canal a também fazerem
doações, até que um rapaz, que até então eu não sabia quem era, chegou
para mim falou: “Olha, eu estou comprando a cadeirinha de banho e a cadei-
ra de rodas de que ela precisa”.

E eu pensei “Caramba, deixa eu ligar para esse cara.” Era o Júnior Silveira.
Liguei e falei “Pô, Júnior, o que aconteceu? Por que você foi motivado a fazer
essa doação?” E ele respondeu: “Olha, eu tive uma tia que faleceu e eu não
pude dar o que ela precisava, que era uma cadeira de rodas também, então
fiz isso pela Lorena.”

E eu respondi“Puxa vida, que ato legal, que bonito, acredito que foi Deus que
levou até isso”, e aí beleza, ficamos amigos, conheci o curso que ele estava
fazendo e tal.

Quando ele foi lançar o curso de inglês, ele falou “Cara, será que você pode-
ria dar uma ajuda para lançar o meu curso?” E eu pensei “Claro, cara, você
fez aquilo pela Lorena, está na hora de eu te ajudar também, acho que será
legal”.

Eu não sabia, mas ele passava por dificuldades financeiras muito grandes,
então ele deu essa cadeira com aquilo que ele não tinha. Então eu disse “Cla-
ro que te ajudo. Quantos cursos você quer vender?” E ele me respondeu: “Se
eu vender 26 cursos, fico muito feliz”.

Italo: Só vinte e seis?! (risos)

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Nando: Sim! (risos) E aí eu respondi: “Você está me tirando! Vou fazer a cam-
panha.” E aí eu fiz a campanha. Eu sabia da qualidade do curso dele, sabia
que iria impactar positivamente muitas pessoas, e fiz a campanha do jeito
mais honesto, limpo e cristalino. Falei do que aquele curso era, falar para
as pessoas o quão importante é ter uma segunda língua -- porque é mesmo
importante, foi fundamental para mim, assim como é para o Dr. Italo e para
muitas pessoas.

Italo: Eu me lembro das suas chamadas para o curso, elas eram sempre muito
verdadeiras.

Nando: Sim, porque eu não consigo vender aquilo que não compro. Eu só
vendo aquilo que eu tenho a certeza absoluta de que impactará positiva-
mente na cabeça das pessoas.

Irmão, ele tinha o plano de vender 26 cursos, certo? Eu fiz meu vídeo às dez
horas da manhã. Quando deu meio dia, ele me ligou chorando, falando “Esse
dia está mudando a minha vida”.

Italo: Boa! Muito legal, cara (risos)

Nando: Foi maravilhoso. Impactou positivamente a vida dele, a minha, a de


todos os alunos também, porque você não verá um aluno do Júnior Silveira
reclamando do curso e do trabalho dele. Nem um, porque é um curso real-
mente maravilhoso.

Era meio dia e ele me ligou chorando, então eu respondi “Meu irmão, au-
menta sua equipe aí, que você terá muitos alunos.” É um dos maiores cursos
de inglês que existe no Brasil, assim como foram diversas outras das minhas
empreitadas: primeiro a Masterclass, depois ampliamos os cursos de idio-
mas, depois criamos o Mestres do Capitalismo, que foi um dos cursos de
maior sucesso do Brasil.

Italo: Está em 10 mil alunos já, né?

Nando: Isso. Foi um negócio realmente absurdo, todos as campanhas. Se


você der uma olhada no ano passado, na economia, só o que eu sozinho mo-
vimentei, é um negócio absurdo mesmo. Não é à toa que a própria Hotmart
já me premiou algumas vezes.

Eu falo para o Thiago, que trabalha comigo: é legal ter o carro, as guitarras, a
casa? É, cara, mas também é o que eu falo para a minha esposa: “Olha, essas

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coisas só estão aqui em casa (até porque, se dependesse de mim, só teria um
colchão no chão, os carros na garagem e a minha guitarrinha, risos), porque
o que me interessa, de verdade, é impactar positivamente a vida dessas pes-
soas.

Pegue lá os quase 10 mil alunos do Mestres do Capitalismo e pergunte como


está a vida deles hoje. A resposta dá uma alegria que não tem o que pague.
Não é mais o dinheiro, é o que conseguirei fazer de melhor, o que consegui-
rei esfregar na cara desses idiotas mostrando como é bom, é ver um cara en-
trando no aquecimento do Mestres do Capitalismo, que é gratuito, e falando
“Com o conteúdo gratuito eu consegui aumentar minha renda mensal em
dois mil reais”. Meu irmão, essa é a felicidade. Não é a grana.

Esses bens todos são apenas a materialização dessa felicidade. Esse monte
de guitarras, os teclados, o piano, os carros lá atrás... São só a materialização
desse feedback positivo para essas pessoas. Eu tenho orgulho dessas coisas,
porque elas representam algo que foi impactado de bom, e disso não pode-
mos ter vergonha.

Você veja, vou pegar um ponto interessante: por que você acha que Lula es-
condia o triplex, o sítio de Atibaia, e os seus 70 milhões de patrimônio?

Italo: Boa pergunta. Aquilo é a materialização de quê?

Nando: É materialização de crime, isso mesmo. As coisas que eu tenho, que


consegui conquistar, são a materialização de sonhos de outras pessoas, de
esforço de outras pessoas. Tudo o que eu tenho, eu conquistei vendendo
conhecimento para essas pessoas. Não há nada mais abençoado que isso.

Italo: Eu peguei duas coisas na sua fala, Nando, que acho bom comentar até
para iluminar o pessoal que está te ouvindo. Estão perguntando “E cadê as
dicas?”.

Acho que o pessoal não está percebendo que, no fundo da sua fala, tem as
duas coisas que importam no final das contas. A primeira é trabalho, afinal
você falou “Quando eu comecei no YouTube, na vida real eu já estava pegan-
do no batente, ralando, não negava serviço nenhum, estava fazendo o que
fosse necessário, dando aula, fazendo campanha publicitária, o diabo que o
fosse”. Ou seja, você não tem vergonha do trabalho.

A segunda coisa é a generosidade, a caridade, a “esmola”, como chamamos


tecnicamente, que é você se entregar, não ter medo de ajudar os outros. Foi o

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que você fez com o Júnior: você tinha uma máquina na mão, o garoto é bom
pra cacete, generoso também (lá atrás ele tinha feito aquele ato de generosi-
dade para a Lorena), e essas coisas se alimentam.

Quando a menina perguntou “Cadê as dicas?”, eu pensei francamente e, num


aplicativozinho aqui e noutro ali, isso é tudo muito circunstancial, não é o
fundo mesmo do que faz a pessoa ter sucesso e felicidade.

Há um estudo que acho fantástico, e diz o seguinte: 90% das pessoas que
ganham na Mega-Sena voltam ao mesmo estado de infelicidade um ano de-
pois. Ou seja, passada aquela euforia, a vida fica a mesma porcaria, porque
dinheiro assim não é materialização de nada, de esforço, de trabalho duro,
de generosidade etc. Simplesmente aconteceu. É bom, mas não transforma
o coração da pessoa.

No seu caso, o Mustangão, a casa, a guitarra, tudo isso é a materialização das


coisas que fazem um homem ser de verdade, que é trabalhar, ser generoso,
estar atento.

Essa é uma coisa que eu falei sobre você hoje mais cedo nos stories. Uma
fascistinha dessas aí disse “Nando Moura? Bleh!”, com aquele emoji vomitan-
do. Normal, estamos acostumados. Eu falei: “Olha só, minha filha, deixa eu te
falar uma coisa sobre amizade de adultos. Não me importa saber se o Nando
Moura é cheirosinho, se tem barbinha aparada. Amizade adulta é o seguinte:
quem é o cara que eu escolheria para ir para guerra comigo, para ser meu
parceiro de guerra? O bicho é valente, constante para caramba e corajoso,
o cara está fazendo vídeos numa base constante há cinco anos, isso aqui é
um marco.”

Você começou em 2014, não foi? Caramba! É todo dia essa loucura e o maluco
ainda está aqui, isso é de uma tenacidade de trabalho impressionante. E haja
coragem, também.

Quando as pessoas me perguntam “Dicas para ser bem sucedido?” Não dá


outra: respondo que vamos ter que transformar esse tipo de coisa, o cara terá
de aprender a ser tenaz, valente, constante, esse tipo de coisa. Do contrário...

Nando: Italo, as pessoas falando a respeito de dicas e tudo o mais. Nosso


bate papo é a respeito de dinheiro, mas as pessoas não entendem que, para
falar de dinheiro, nós temos que falar também de vivências, de coisas que
são construídas, e temos que falar de atitudes. MAs a pessoa quer uma dica,
então vou dar.

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Eu tive um problema. Qual era? Toda a esquerda me processando, tentando
me censurar através de assédio judicial. O que você faz? Transforma isso em
algo bom. Esta é a dica. Temos que pensar: “Como eu serei mais forte que
isso? Quais serão as alternativas que criarei para estar acima disso?”

Além disso, é o seguinte: não existe amizade verdadeira que não permeie
a caridade. As pessoas que se uniram a mim, que ficaram comigo, que são
meus amigos de verdade, partilham comigo o traço de exercitar a caridade,
porque a caridade é o amor ao próximo sendo exercitado, é o fazer caritas,
ou seja, estou fazendo o amor a alguém, transformando-o em realidade.

O meu canal, desde o começo, desde quando eu não ganhava nada com ele,
desde quando não tinha nem um plano nem nada do tipo, havia um ponto
chave: todo mês uma campanha para tentar ajudar alguém, pra despertar
nessas pessoas a vontade de ajudar, porque quando você faz para alguém
uma caridade, não é só aquela pessoa que você está ajudando. Você está fa-
zendo algo para você, e Deus nunca deixa de recompensar os atos de amor
expressos pelo próximo.

Assim como o Júnior do curso de inglês abriu uma porta gigantesca de mer-
cado, de possibilidades, para mim, essa porta só foi aberta porque, primeiro,
houve um vínculo de amor, conectado à caridade, a Jesus Cristo. Eu realmen-
te penso dessa forma e vivo por isso. Por isso que, às vezes, me chateia muito
quando vejo um cara como o Rafinha “Bostos”, que é um coitado, falando a
respeito de uma coisa que ele desconhece e que é tão positiva para tantas
pessoas.

Italo: Claro. Eu vejo isso acontecer. Tem muita gente boa que chegou, graças
a Deus, pelo Guerrilha Way. Estou gravando lives diárias há mais de um ano,
um ano e meio, e montamos o Guerrilha Way, que é um passo a mais nessas
lives.

Muita gente nova chegou, muitos blogueiros e blogueiras grandes, youtu-


bers etc, e, bem, sou médico e psiquiatra, então o pessoal tira aquela lasqui-
nha, falando “Italo, estou meio deprimido, meio nervoso, estou sendo muito
atacado”.

Há muita gente boa que é atacada a todo o momento, e acaba que eu oriento
esse pessoal no mesmo sentido do que você disse, que é a mesma coisa que
o Professor Olavo fala: ficar se defendendo, recuando, nunca é a resposta.

A resposta é superabundar com amor, não parar. Se começou, você continua

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e continua, superabunda as críticas com mais trabalho, mais doação, mais
dedicação, fazendo o mais bem que se possa.

As blogueiras e blogueiros que eu acabo orientando nos bastidores falam a


mesma coisa que você está falando, dizem que o retorno é incrível. A vida
se reposiciona, porque a pessoa não fica na retaguarda, mas vai para cima,
superabundando as críticas com um bem. Eu acho que esse é o caminho
mesmo.

Nando: Doutor, fala para gente mais a respeito do Projeto Guerrilha que está
saindo agora, para você dizer como isso vai impactar as pessoas também,
porque eu vejo que muita gente que participa do seu Instagram, às vezes só
de ver uma postagem, ler uma coisa, o cara já se transforma, tem uma outra
atitude. Como isso vai impactar as pessoas, como será o negócio?

Italo: Então, Nando, é o seguinte. Lá atrás, em dezembro do ano passado,


abrimos pela primeira vez as inscrições para o Guerrilha Way, que no final
das contas é um programa de amadurecimento.

Muitas vezes os problemas pessoais que as pessoas têm, as paralisias na


vida, não são bem problemas pessoais: são o egoísmo, a falta de maturidade,
ou mesmo a falta de capacidade para olhar objetivamente um problema com
a intenção de servir a comunidade, como você estava dizendo.

Muita gente fica meio nervosa comigo quando eu falo “Tudo bem que você
teve um trauma e foi privado de certas coisas na vida, mas não tenho pena
de você”. Elas não entendem. Não é que eu não te ame, é que meu olho não
está parando nesse você de agora, mas está te atravessando, indo até aquele
lugar no qual você foi criado para estar. Deus, quando te projetou, te projetou
com uma idéia. Ele tinha uma idéia sobre você, que é “Quem é o Nando per-
feito e como ele alcança a perfeição e a felicidade nesta terra?”

Esse é o olhar de empatia mesmo, e isso passa pelo amadurecimento. Quan-


do você está diante de alguém, seu olhar atravessa aquele alguém e chega
aonde a pessoa poderia estar (ser). Essa é a idéia do Guerrilha Way, através
de coisas muito concretas, práticas, que qualquer um pode alcançar.

Estou aqui no consultório há anos, há um tempão trabalhando dez horas por


dia, atendendo gente para caramba. Chega um cara na minha frente e eu
penso “O que tenho de fazer? É, bichão, como é que a gente faz para melho-
rar?”

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Eu vejo que muitos dos psicólogos no Brasil (sou psiquiatra, não psicólo-
go) têm somente a ferramental da Terapia Cognitivo-Comportamental, que é
uma linha, ou a da Psicanálise freudiana, que é uma outra linha, e essas duas
acabam não dando resposta para esse amadurecimento. Eu baseei muito do
que eu faço em outras correntes.

Nando: Deixe eu lhe perguntar uma coisa. A minha esposa também é psicó-
loga, mas muitas vezes a psicologia, principalmente a linha freudiana etc.,
não oferece realmente a essência do homem. Você segue qual linha? A do
Viktor Frankl, da logoterapia?

Italo: Não. vou te dizer o que eu sigo, Nando: o professor Olavo de Carva-
lho tem a descrição mais perfeita do que eu acredito que seja a ferramenta
para trabalhar um ser humano, que é o itinerário através das 12 Camadas
da Personalidade. Ou seja, você dá um diagnóstico de onde a pessoa está,
e vai progressivamente usando as ferramentas possíveis para amadurecer
a pessoa -- e é claro que a logoterapia do Viktor Frankl é a corrente teórica
representante da 12ª Camada, a mais alta.

Qual é o diferencial no que eu faço? Eu não chego logo aplicando coisas de


logoterapia, porque muitas vezes o cara tem um problema que, putz, ele an-
tes precisa ficar forte, a mulher antes tem que se organizar, é preciso ainda
organizar financeiramente a vida... É claro que falar de transcendência ajuda
o cara a setar uma visão, mas na prática do dia a dia, às vezes ele precisa de
uma ajuda muito material.

Nando, eu estava agora em São Paulo dando meu Curso Presencial para Psi-
cólogos (Psiquiatras, Coaches e Intrometidos), e havia mais de 100 pessoas
da área lá, gente de todo tipo comigo. Eu falei com algumas pacientes mu-
lheres, e a vida delas melhorou só porque eu dei um exercício simples, que
era se maquiar todos os dias. Parece futilidade? É, só parece, mas no final
das contas, a Verdade tem um elemento sistêmico. Quando você melhora
em uma coisa, uma virtudezinha, uma presença, a Beleza, sua vida vai tendo
uma espiral de Bem. É claro, porque só Um é Verdade, então quando você
toca naquele lugar da Verdade, Ele te puxa para cima também. Às vezes uma
simples maquiagem é o elemento para a pessoa melhorar.

O que é o Guerrilha Way, no final das contas? É a apresentação semanal de


uma série desses exercícios que faz com que, uma vez a pessoa executando
aquilo, ela nem nota, mas amadurece. Não é uma coisa impositiva, uma hip-
nose geral, não é isso. É um levedo que entra e fermenta e a pessoa não está
vendo nem de onde veio. É uma semente que entra e floresce e a pessoa não

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sabe nem explicar, mas, de repente, o cara começa a ficar mais generoso,
mais tranquilo com a mulher, com o marido, fica mais atento aos filhos...

Bem, são anos de experiência da prática clínica. Você me perguntou qual


era a linha, ea linha são as 12 Camadas do Professor Olavo, que é o que estou
desenvolvendo no meu curso presencial. Já dei 11 turmas só neste ano, e em
cada uma delas vou desenvolvendo mais a coisa do Professor Olavo, que é
um gênio, uma pessoa de um coração enorme, Nando.

Morei com ele em 2007, é um sujeito muito generoso, uma pessoa que sabe
amar. As pessoas falam “Italo, qual foi a maior lição que você teve quando foi
morar com o Olavo?”, e geral quer que eu responda “Aprendi não sei o quê de
Aristóteles, de Platão”. Bicho, vou te dizer o que eu aprendi: a coisa que mais
me tocou é o jeito com que ele olhava para a Roxane, que é a esposa dele. É
o jeito com que ele olhava para a esposa dele e a tratava com um amor ab-
negado, do tipo “Cara, essa mulher está aqui na minha frente para eu cuidar
dela com todo o meu coração amplo e generoso, eu estou aqui para supor-
tá-la no sentido forte do termo, no sentido de ser o chão que essa mulher
pisa, estou aqui para tudo”. Juro, olhar para esse negócio transformou meu
coração, porque é o que você falou, o amor é o que transforma no final das
contas, e quando você vê uma pessoa de carne e osso amando, você sai
transformado do negócio, não tem como. Essa foi a maior coisa que aprendi
com o Olavo.

Nando: É verdade. Sabe que as pessoas me perguntam se eu tenho algum


tipo de contato com o Olavo, mas eu nunca tive nenhum contato com ele a
não ser através dos livros? Tem a teoria das 12 Camadas da Personalidade
dele, e você escreveu o bestseller Os 4 Temperamentos, né?

Essa lição do amor eu aprendi muito com o meu sogro, cara, e também com
os meus pais, que sempre estiveram lá. Minha família sempre foi muito uni-
da, eu, meus pais, meu irmão, fui muito abençoado em uma família como
essa.

Italo: Sim, isso faz diferença.

Nando: E é importante, porque é o que resta mesmo, entre os seres humanos


é o que resta. Nada ficará. Não haverá Mustang, não haverá guitarra, até
mesmo isso daqui que estamos fazendo agora será esquecido de qualquer
maneira.

Uma das coisas interessantes que o Olavo falou uma vez, já que você comen-

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tou a respeito dele, foi quando comentou de uma passagem da Bíblia que
diz “Nele cremos, nos movemos e somos”, porque é isso aí. É essa união que
interessa. Aquele amor que é construído em Cristo que interessa.

As pessoas me perguntam “Pô, mas você tem contato com o Olavo?”, e não,
nunca tive contato nenhum com ele. De vez em quando eu troquei algumas
mensagens com a Roxane, que é mais acessível, pedindo alguma coisa, fa-
lando “Dê uma olhada nisto aqui que está acontecendo”.

A única frase que o Olavo falou comigo foi a seguinte: “Cadê o vídeo contra o
Maestro Bogs?” (risos), já que ele estava para processar. Só. Foi a única frase.
Mas ele é uma pessoa que eu realmente admiro bastante, porque aqueles
que conhecem o Olavo fora da caixa, ou seja, fora da imagem que a mídia
monta a respeito dele etc., conhecerão na verdade uma pessoa interessada,
curiosa a respeito das coisas da vida. Ele é curioso a respeito de tudo, e a
curiosidade e a paixão dele pela curiosidade motivam as pessoas.

Acho que isso é bastante interessante e é mais interessante ainda você pe-
gar as 12 Camadas da Personalidade para tecer um trabalho com as pessoas
que vem sendo absolutamente positivo. Vejo no seu Instagram as pessoas
sendo modificadas às vezes por uma única publicação, uma única frase, uma
única atitude.

As pessoas têm esse negócio, essa atitude de coitadinho, de vítima, que é


realmente algo que precisa ser mudado.

Italo: Claro. Às vezes o pessoal me faz um comentário que acho engraçado,


Nando, não sei se você concordará comigo, mas falam “Pô, você está fazendo
sucesso, não fique vaidoso”.

Olha, temos sempre de estar atentos a isso, porque é claro, somos feitos de
carne e osso, e pode entrar, naturalmente. Somos feitos de todas as misérias
e a vaidade pode entrar de fato, mas quando você está consciente do seu
trabalho (que acho que é isso que você está falando), você sabe que é só o
envelope que leva a carta, o carteiro que leva a mensagem. Quer dizer, não é
a minha verdade, a Verdade é uma coisa que está mais alta, está para cima
de nós e, bem, que a gente não estorve, não atrapalhe muito o processo.

Quando o pessoal começa a falar “Está vaidoso”, eu penso: “Mas... Vaidoso de


quê? Não fui eu quem inventei o negócio! Estou só repetindo verdades que
estão aí desde sempre, que eu conheci através, por exemplo, das Escrituras,
através do Olavo, através de pessoas maravilhosas que conviveram comigo”.

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Por isso mesmo estou te perguntando, porque vejo que você é um sujeito
muito... não sei se resistente ou antifrágil. Não saberia precisar o nome, mas
acho que é antifrágil, acho que quanto mais você apanha, mais você cresce
-- mas não estou convocando ninguém a bater no Nando, pelo amor de Deus,
não é essa a idéia (risos). Acho que quanto mais você apanha, mais você é
cresce, é isso.

Quando o pessoal me elogia, não ligo muito, assim como você. Por quê? Por-
que não sou eu, a coisa não é minha. É o que você disse, Nando: estamos
fazendo por Cristo, por amor, para levar a Verdade.

Como você não liga muito para os elogios, quando o pessoal vem fazer a
crítica, você fala “É, mas, também, está criticando o quê? Eu sou isso mesmo,
paciência, não vou cair por isso”.

Você está há cinco anos aí produzindo e apanhando e, claro, frutificando,


melhorando, óbvio, mas estou falando do lado da pancada agora, porque
sei que há vários influenciadores grandes ouvindo a gente, Nando, e eu me
preocupo muito com eles. Tem alguns desses bem grandes, comediantes e
tal, que se deprimiram recentemente, que saem da tomada, e eu francamen-
te me preocupo. Sou psiquiatra também, meu trabalho é me preocupar com
as pessoas. Até aí, não vejo que vantagem se leva com isso, mas eu queria
que você contasse isso também: como é que você resiste a essa pancadaria?
Como você melhora quando apanha? Tem a ver com o que estou falando, do
tipo, “Ué, fazer o quê? É o jogo, estou fazendo por uma causa maior”?

Nando: Na verdade, assim, há vezes que realmente chateia. Você vê, por
exemplo, o Whindersson Nunes. É um cara que saiu de cena, entrou em uma
depressão ferrada, e o que ele faz? Não tem nem opinião, está fazendo só
humor ali, mas os caras atacam. Se o sujeito torna-se muito sensível a essas
coisas, a críticas etc., ele acaba não suportando. Se você não tem uma reali-
dade firme que te sustente, você quebra.

Vou dizer uma coisa para você, Italo. É o seguinte: Quando os idiotas, que
são uns canalhas nojentos, vêm para cima querendo acabar comigo -- e ge-
ralmente com mentiras, sempre com mentiras, inventando alguma coisa ou
tentando atingir as pessoas da minha família mesmo, fazendo isso da manei-
ra mais ardilosa possível -- eu me lembro de Cristo, cara. A expressão exata
do Pai veio à Terra e foi cuspida, humilhada, quebrada, crucificada, moída, e
não merecia nada disso, quem merecia era eu. Eu merecia.

Eu sempre penso nisso, e a minha esposa também. Ela é meu porto seguro,

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porque a família é nosso porto seguro. Minha mãe, meu irmão, o Thiago (que
é meu assessor), todos eles são meu porto seguro. Aqueles que são unidos
por Cristo, ao se lembrarem dele, não podem dizer “Ai, cara, que triste para
mim. Ai de mim”.

A única coisa que eu falo é: “Senhor, se eu tiver que sofrer, que o Senhor me
mande mais sofrimento para que eu possa lembrar mais de Ti.” Esse negócio,
de vir para cima, de querer destruir, e mentir... Sinceramente, no final do dia
eu posso até ficar chateado, cansado, mas é isso o que me motiva, porque o
mal precisa ser combatido. É um dever combater o mal e a mentira, também.

Quem sabe, conhece, acompanha meu canal, sabe que eu faço isso daqui
com muita Verdade, e que prezo por ela. Erro como todo ser humano erra,
tenho meus erros, tenho meus pecados, mas faço tentando acertar. Faço isso
sempre de cabeça erguida, com orgulho daquilo que materializei, procuran-
do impactar as pessoas de uma maneira positiva de novo, e de novo, e de
novo, e de novo. Os caras podem tentar me quebrar, mas não vão.

Italo: E outra coisa: como você faz essa coisa com a Verdade? Na época da
campanha do Bolsonaro, apareceram aquelas duas musiquinhas de uns
gringos aí, dois colombianos que fizeram uma musiquinha para o Bolsonaro,
lembra? Um pai e um filho. Uma delas, eu juro, me emocionou, porque aquilo
é muito verdadeiro, eu ficava ouvindo emocionado.

Eles falavam o seguinte: “Olha, as pessoa estão querendo seu mal, te esfa-
quearam, mas há uma nação inteira orando por você. Isso vai te sustentar,
capitão”. Aquilo me emocionava de um modo, porque isso é a Verdade do
mundo também. Você sabe, você é um sujeito que porta a verdade. O pessoal
te ataca, mas você sabe que tem uma legião, um exército de gente orando
por você. Quando fizeram aquele golpe baixo, aquela sujeira, falando do seu
filho e tudo o mais, eu mesmo orei por você e botei minha família para orar
por você. Isso é um golpe muito, muito baixo.

Nando: É, eles não estão mais preocupados com a Verdade, eles só querem
te destruir como ser humano, de qualquer maneira possível. Então vão falar
do seu pai, do seu filho, da sua esposa etc., chega em um outro patamar. Mas
a verdade, cara, é essa: aquele que tem Cristo não desaba. Quer mais do que
isso? Pegue lá o Bolsonaro. Um país inteiro orando para se livrar dos grilhões
de uma quadrilha, de uma tirania. O que acontece? O Senhor elege uma pes-
soa (eu acredito que todas as coisas são feitas por Ele) que representa essa
vontade do povo brasileiro de se livrar disso.

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O cara é esfaqueado, quase morre, tiram os intestinos dele para fora, lavam,
colocam para dentro, costuram de novo, no dia seguinte estão falando que
querem matá-lo, depois estão falando dele, da mulher dele, dos filhos dele, e
não pára, é 24 horas por dia. Isso não é coisa para homem de geléia, mas é
aquele negócio: Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhi-
dos. E eu acredito nisso. Ele tem me dado forças sempre, Ele tem olhado por
mim todos os dias, mesmo que eu não mereça -- e eu não mereço. Isso que é
o mais impressionante. Eu não mereço.

Eu não mereço essas guitarras, não mereço esse carro, não mereço a minha
casa, não mereço a minha esposa, não mereço nada. Ainda assim, foi dado
de graça. Sabe qual é a diferença entre essas duas coisas?

A misericórdia é quando você merece, mas Ele não dá. Você merece o cas-
tigo, merece sofrer, mas ele não dá. Essa é a misericórdia. A graça é quando
você não merece, não fez nada para merecer, não é digno mesmo, mas Ele
vai e te dá. E é por isso que temos que dar graças sempre, amar sempre aqui-
lo que Ele fez por nós.

Por trás das câmeras do Youtube, é aquele negócio: visualizações, inscritos,


ser engraçado para falar com as pessoas... Mas conversando com você aqui,
junto com as pessoas, podemos falar realmente daquilo que nos motiva.

Italo: Com certeza, Nando. Eu acho isso. O pessoal entrou aqui para ouvir fa-
lar de grana, que foi o título da live, e eles ouviram falar de grana. Talvez sem
entender, mas no fundo de tudo está isso aí que você falou: trabalho, serviço,
generosidade e humildade.

Eu vi umas mensagens aqui, falando “Cara, o Nando”, “Meu Deus, o Nando


aqui”, acho que o pessoal ficou muito muito grato de ter te visto assim, de
coração na mão, com Verdade, falando das coisas que de fato importam para
o seu coração. Eu fiquei muito feliz de ter te recebido aqui na live, Nando,
e vou terminando porque já vai bater uma hora e o Instagram infelizmente
corta quando está chegando perto de uma hora.

Eu queria te agradecer muito, Nando, por sua presença. Batemos 10 mil pes-
soas aqui, é um número absolutamente expressivo para o Instagram, e o pes-
soal sem dúvida fica muito edificado de te ouvir falar sobre isso. Obrigado
mesmo.

Nando: Eu que agradeço, e obrigado ao Arno, também, viu? Ele é um cara


maravilho.

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Italo: Ele está aqui do meu lado. Vem aqui, Arno!

Arno: E aí, bandido?

Nando: Valeu, Arno! Deus abençoe vocês. Muito obrigado, querido, e quero
participar mais vezes.

Italo: Vamos mais vezes, Nando, com certeza. Qual é o site do mestres do
capitalismo?

Nando: www.mestresdocapitalismo.com.br. Deus abençoe!

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LIVE #79 | 17/07/2019

A FORÇA ESTÁ SEMPRE


À SUA DISPOSIÇÃO
Hoje, o assunto é a força, ou seja, o que define homens e mulheres fortes –
mais do que definem... não só das definições viverá o Homem, mas também
dos passos básicos e das coisas concretas que podemos fazer para dominar
esses princípios.

O que define a pessoa forte, então? Mais do que a definição, eu queria con-
versar sobre os caminhos da força. Ao pensarmos sobre uma dessas pessoas
muito fortes que caminharam sobre a Terra, dessas que a gente olha a vida,
admira e até inveja mesmo uma parte dessa vida, acabamos nos indagan-
do “Caramba, como essa pessoa fez isso? Ela tem uma força interior, move
montanhas e mobiliza as coisas. O que distingue essa pessoa de mim”? Por
exemplo, algo que é muito citado em livros de Marketing: uma pessoa que
estava no âmbito religioso, e que, ao seu redor, não há quem tenha alguma
objeção contra ela, ou seja, a Madre Teresa de Calcutá... você a observa e fala
“Meu Deus, essa pessoa pesa uns 30 kg, é similar ao meu filho de 9 anos... se
bater um vento, ela se quebra”. Conhecendo a biografia dela, você nota que
ela é forte demais. Mas como ela é forte sendo assim?

Então, o que torna, de fato, homens e mulheres fortes? Se você assistir apenas
a essa primeira parte, acabará fazendo cagada! Você precisa escutar o que
temos para falar e o conhecimento sobre o que realmente é a força. A defini-
ção acerca do que faz uma pessoa forte é a capacidade de falar a verdade. A
força vem do cultivo da sua capacidade de falar a verdade. Muitas pessoas
estão colocando aqui que o que a define é o propósito, a atitude, a motiva-
ção. Contudo, se pensarmos com honestidade, deixando o romantismo de
lado, veremos que essas coisas não dão conta de nos tornar fortes e de fazer
aparecer dentro de nós o que define a força. O que transforma alguém numa
pessoa forte? A capacidade de falar a verdade? Mas qual verdade? O que é
esse “falar a verdade”?

Imagine que você fez uma cagada com uma pessoa – a traiu, por exemplo
– e, agora, assistiu à primeira parte desta live e quer ser uma pessoa forte.
Aí, você quer contar a merda que fez. Preste atenção! Não podemos resolver
uma bosta com outra bosta, entendeu? Eu sei que isso é verdade, mas contar
é algo que não te dará força. O pessoal me escreveu: “Ah, Italo! Descobri que

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minha mãe está traindo meu pai. O que faço, então”? Aí, o sujeito espertinho,
que viu metade da minha live, falou: “Italo disse que uma pessoa forte é a
que fala a verdade! Então, vou contar para meu pai que minha mãe o está
traindo”. Isso não é esse tipo de verdade! É algo que não tem a ver contigo
e nem é da sua responsabilidade. É uma coisa da qual você não controla as
consequências! Então, a respeito de qual verdade estamos falando?

A primeira verdade é a da sua vida... do seu coração... de você não ceder,


primeiramente, à ideia do vizinho... às ideias do seu pai e da sua mãe. Há um
enxerto de vida que colocaram na sua cabeça. “Tudo bem, Italo! Isso é muito
bonito. Até já li isso em algum livro espiritual... de Antropologia... de Autoaju-
da... mas como se faz isso na prática”? Isso é muito difícil. Precisamos pegar
a conexão antropológica... você tem que prestar atenção numa coisa! Nós
somos pessoas de carne e osso, afeto, psique, compreensões, ideias e espíri-
to. Também somos indivíduos inscritos num mundo concreto (específico, da
materialidade). É isso que precisamos entender.

Você não consegue chegar a essa força da mente – do espírito –, em que


você contempla a verdade, se instala nela e a declara, sem ter uma instala-
ção física que, de algum modo, reflita essa força. Parece até um contrassenso,
porque comecei falando que a Madre Teresa de Calcutá, no aspecto físico, é
mais fraca do que meu filho – já mostrando que não é sempre assim. O pro-
blema é que você precisa declarar com muita confiança, coragem e valentia
algo que vai te constranger. Mas você é a Madre? Você é essa pessoa? Não!
Se você tem fraqueza física... estética... do seu corpo mesmo... lentidão... se
não consegue fazer as coisas básicas da vida material, da sua organização
básica da vida... deixa eu te falar quando você conseguirá encontrar uma
ordem afetiva e uma ordem intelectual, que te levem a conseguir declarar a
verdade e senti-la... sabe quando vai acontecer isso na minha vida e na sua?
Nunca!

Nós somos pessoas vulgares – homens e mulheres da rua –, estamos no


meio do mundo. Precisamos de uma certa ordem, ou seja, de uma ordenação
estrutural. Simbolicamente, nós temos uma estrutura de ascensão, isto é, pés,
braços, boca e olho – é assim que funciona, hierarquicamente, a compo-
sição da nossa antropologia. Precisamos ter pés firmes no solo, manipular
firmemente as coisas e começar a declarar as coisas, para que tenhamos
uma visão clara do todo. É uma ascensão! Em geral, invertemos essa jogada
antropológica. Começamos a querer ver nossos propósitos. Ver é a nossa
última função antropológica, entendeu? Temos um princípio de ascensão,
hierarquia, subida. Nunca começamos pelo fim, mas, sim, pelo começo.

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Então, como você está instalado antropologicamente? Com suas patas, ou
seja, com seus pés no chão. Primeiramente, é necessário que você pise onde
está. O que isso significa? Na prática, é executar o primeiro exercício que
propus para você há tanto tempo. Meu filho, tente ficar, ao longo de duas ou
três semanas, sem reclamar. “Por quê? Italo, você quer que eu me torne um
comodista... um cordeirinho que abaixa a cabeça para tudo que minha sogra
e meu chefe falam? Você quer criar uma legião de comodistas e fracos”? Meu
amor, quero fazer exatamente o inverso! Ao não reclamar, o que você está fa-
zendo com sua vida? Está aceitando a realidade que te cabe, porque o chão
no qual você pisa é um bom chão.

A primeira coisa é a seguinte, que gera um grande drama – uma neurose do


homem e da mulher da contemporaneidade –, muito comum na atualida-
de: essa chuva louca de minorias e tantos direitos. Agora, todo mundo tem
direitos! “Eu espirrei só com a narina esquerda, então estou incluído numa
minoria e tenho direitos. / Sou homem, heterossexual, judeu e com cabelo
raspado, por isso o Estado tem que me dar direitos”. Essa loucura de não
poder declarar as coisas, para preservar os direitos dos outros... é claro que
isso tem uma razão de ser! Agora, o problema é o seguinte: ninguém é otário
ou idiota. Pare e pense: para que eu tenha direito a algo, alguém tem que
garantir esse direito; para que você o tenha, eu preciso ter responsabilidade.
O meu direito só pode ser garantido se alguém tem responsabilidade para
garanti-los – se alguém tem força para garantir esses direitos que dizem que
eu tenho.

Preste atenção! Não é difícil! Você precisa inverter seu olhar, seu posiciona-
mento. Você começa a pensar o seguinte: “Posso até me enquadrar numa mi-
noria, mas não me enquadro em outra. Se sou mulher negra, não sou homem
branco; se sou homem gay, não sou mulher heterossexual”. Não é verdade?
Se você está numa minoria, então não faz parte da outra. Se essa minoria tem
tantos e tantos direitos, alguém tem que garantir os direitos dela. No limite,
em algum momento, eu serei esse alguém. Só que eu tenho força para ga-
rantir o direito de alguém? Talvez você não consiga declarar isso de modo
consciente. É óbvio, porque você precisa de um processo de explicação –
como estou fazendo para você. Mas a percepção de um senso de desorien-
tação aparece. A percepção de que você é mortalmente fraco, porque estão
enfiando direitos em um monte de grupos... logo alguém vai ter que garantir
esses direitos – você vai ter que ser um deles em algum momento, ou seja,
em algum momento, a água baterá na sua bunda. Quando isso acontecer,
você terá a força para garantir esse direito do outro? Já comece a intuir que
isso vai ser um problema. Você será assaltado por uma demanda de respon-
sabilidades da qual não poderá entregar. Por quê?

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Porque, em nenhum momento, o Spiritus Mundi, isto é, o Verbo do Mundo,
está, no final das contas, olhando para você e dizendo o seguinte... esse al-
guém sou eu e é por isso que estou aqui! Estou aqui para dizer o seguinte:
já tem gente demais falando sobre direitos e, talvez, você até os tenha. Se
você quiser, só é ouvir esse pessoal. Estou aqui para falar o contrário: quero
que você olhe para sua responsabilidade, seja uma pessoa adquirindo força,
esteja instalada no nervo da vida e reencontre o tesão e a força para viver”.
Se você só pensa em direitos, algo que está acontecendo no mundo contem-
porâneo, eu sei o que vai se instalar em você: neurose e senso de desespero
– você notará que alguma coisa errada não está certa, mas não saberá o que
declarar. Então, eu não sou a pessoa que vai começar a jogar chuva de confe-
tes e purpurina em todo mundo e dizer o seguinte: “Você tem muitos direitos!
Você é linda e maravilhosa! Vá atrás dos seus direitos”. Isso é o vitimismo.

Há gente bobona escrevendo: “Italo, é fácil falar! Você é rico, está forte ago-
ra, é médico... quero saber se, caso você tivesse que pegar o ônibus 485, às
5h, para trabalhar a uma distância de 1h30min da sua casa, falaria a mesma
coisa? Essa pessoa, que ganha uma merreca no final do mês, ela não é vi-
timista, não! Ela é vítima mesmo”! Meu filho, preste atenção no que acabou
de falar! Você definiu o vitimismo. Estou falando disso mesmo! Você sabe o
que essa pessoa mencionada por você tem? Ela tem vida! Isso é a vida! Você
acha que nunca peguei o 485 às 5h? Durante muitos anos da minha vida –
quem conviveu comigo sabe disso –, eu acordava às 4h30min para começar
o dia. Terminava meu dia por volta de 1h e, mesmo assim, não fazia tudo que
precisava para conseguir pagar as contas. Ora, eu poderia ter me vitimizado:
“Quem vai me garantir aqui? Alguém tem que arcar com um peso chamado
vida”. Poderia ter apelado para meus pais ou para o Estado. Sabe o que acon-
teceria? Eu me enfraqueceria.

O Saulo, de São Gonçalo, meu amigo, psiquiatra, escreveu aqui... o que acon-
teceu na vida dele? A mesma coisa: casou cedo, “fez logo uma bonequinha”,
o peso caiu sobre ele... ora, você pode se vitimizar ou fazer a única coisa pos-
sível, que é olhar para a ascensão antropológica e entender que deve olhar
para o chão no qual está pisando e não reclamar dele. Se o chão é “herdeiro
de uma família tradicional do País de Gales”, esta é a sua realidade. Se é “mo-
rador de uma comunidade do interior do Piauí, pior IDH do Brasil”, esta é a
sua realidade. Há duas opções diante da sua realidade: você pode odiá-la, o
que te levará a se odiar; você pode amá-la, porque é a sua vida (você e seu
mundo). José Ortega y Gasset, filósofo espanhol, falava o seguinte: “Não é
que eu sou eu. Eu não sou só o meu ego. Eu sou eu e minhas circunstâncias.
Se não as salvo, eu não salvo a mim”. Não há nada mais verdadeiro do que
isso, porque rejeitar a sua circunstância é rejeitar a própria estrutura empí-

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rica da vida. É rejeitar a si e se odiar. Ora, quando eu me odeio – nesse sen-
tido vulgar, raivoso e infantil –, transfiro essa minha raiva para o mundo. Eu
começo a querer encontrar fora da minha circunstância – do meu campo de
ação – motivos que me sustentem.

Quando, no Facebook, um sujeito escreve com raiva “Italo, seu babaca”, ele
escreve com ódio mesmo. Num outro dia, uma menina falou: “Desejo que o
Italo seja preso. Que uma rola grossa coma o cú dele e ele morra. Que toda a
família dele seja destruída”! Sabe o que sinto quando olho para isso: eu não
sinto nada. Falo: “Beleza! Temos muito trabalho a fazer”. Essa pessoa não en-
tendeu o seguinte: o fato de ela não querer que eu me expresse, botando os
pingos nos “is” – uma coisa depois da outra –, mostra que ela não compreen-
deu que, daqui a pouco, ela será o próximo alvo desse discurso de ódio. En-
tão, eu não ligo. Estou aqui justamente para falar que você precisa ser forte,
não há opção. Não somos fortes na base do muque, ou seja, da força física
– não é este tipo de força. A força final – que nos convoca dia e noite – é que
a gente consiga falar a verdade.

Qual é o primeiro processo para nós? É muito difícil falar a verdade sobre
conceitos e ideias e defender a nossa fé. Agora, uma coisa que está na sua
intimidade, você consigo, diariamente, é defender o seu pé... a sua circuns-
tância... o lugar onde se está. Mas defender de quê? Defender de si, dessa
coisa de reclamar o dia inteiro, daquela “síndrome do quem me dera”. A pri-
meira trincheira de batalha a ser enfrentada no processo de se tornar forte,
do amadurecimento, para que possamos declarar a verdade, é aquela contra
a nossa cabeça – em que olhamos para nossa circunstância.

Veja bem como isso é simples! Se eu der um exercício de propósito, de auto-


conhecimento profundo, eu sei o que vai acontecer com você. É o que acon-
tece com esse pessoal que vai para workshops de até R$ 10.000,00, em Miami,
e volta ainda mais desorientado. O indivíduo retorna com um certo ânimo
e uma certa motivação, mas nada resolve. Afinal, a pessoa só teve um shot
emocional – simbolicamente, como um tapa numa carreirinha de cocaína,
em que o indivíduo fica alegre pra cacete; mas, quando a emoção acomoda/
passa, não sobra nada. Por quê? Porque o que está querendo ser construída é
a possibilidade de você declarar a verdade desde cima. Mas não é assim que
se constrói! Isso se faz desde baixo! E algumas pessoas me alvejam porque
dizem que sou “superficial, pão/pão e queijo/queijo, quase um behavioris-
ta, alguém que quer prender os outros numa gaiola de Skinner”. Meu filho,
deixe de palhaçada! Você sabe que se enrola, por não ter a capacidade de
fazer este primeiro movimento de amadurecimento: a construção de modo
ascensional da sua maturidade.

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Ora, os pés estão embaixo, porque é onde você está pisando (sua base, sua
sustentação). Se você não é capaz de declarar sua realidade e, mais do que
isso, amá-la, independentemente de qual seja... “Ah, Italo, mas eu fui abusada
pelo meu padrasto... minha avó, que me criou, é alcoólatra... além disso, ela
me batia de vez em quando”. Eu sei que isso tudo é duro! Não estou falan-
do que é algo fácil, simples e a melhor maravilha do mundo. Ninguém está
falando que isso é melhor do que ser a herdeira de uma família tradicional
do País de Gales. Você é essa pessoa criada pela avó alcoólatra. Essa é a sua
vida! É a sua circunstância. Se você não a salva, não conseguirá salvar a si. É
o que José Ortega y Gasset disse para nós. Ele tinha total razão!

A minha convocação para você nessa live de hoje, o primeiro passo para que
você adquira a força verdadeira, capaz de te sustentar por toda uma vida,
não é essa coisa de declarar “qual é o meu propósito”? O primeiro movimento
é olhar que você tem um pé e está pisando numa circunstância – seja você
uma moça, um homem, uma velha, um jovem etc. Não é aceitar a circunstân-
cia, porque aceitar significa que você não aceitou. Aceitar é assim: “poderia
ser outra”. O problema é: “não poderia ser outra”. Se outra fosse, outro você
seria. Se fosse herdeiro (a) no País de Gales, você não seria quem é, ou seja, a
Bruna, o João, o Antônio; você seria a Mary, o Paul, o Patrick, isto é, uma outra
pessoa. Pensar sobre você é pensar, em primeiro lugar, sobre a sua circuns-
tância. Pare de pensar a respeito desse negócio de propósito. Você não o
encontrará. Se você fala “Italo, fui a um workshop e encontrei meu propósito”,
tenha certeza: seu propósito vai mudar, após algumas semanas, se você não
tiver feito um exercício anterior. Não é aceitar! É integrar a sua realidade na
sua biografia.

O exercício que estou te oferecendo é “como é que se faz isso”? Isso é feito
sem reclamar. Você vai ficar umas duas ou três semanas sem reclamar. Por
exemplo, ao reclamar por ter perdido o ônibus, no limite, você está pensando
“por que eu não tenho um carrinho popular na garagem, com ar condiciona-
do, para poder sair de casa tranquilamente e ir ao trabalho”? Por algum mo-
tivo, você não é essa pessoa – muito menos a que tem um carro importado.
E é aí onde está a sua circunstância. Pode ser um motivo de herança, afinal
você não veio de uma família que tenha dado essa oportunidade. Pode ser
também pelo motivo de você nunca ter trabalhado duro, como quem pega a
vida e monta nela – como se monta num potro que precisa ser domado. Você
nunca fez isso! Eu sei disso! Você também sabe! Ou você pode pisar nessa
vida e começar a partir de agora. É um desafio mesmo! Eu quero muito que
você não reclame por uma ou duas semanas. Você vai ver que alguma coisa
muda. Já estou te dizendo o que mudará: você pisou na sua vida; pisando na
sua circunstância, você começa a salvá-la pela primeira vez.

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Ao salvar sua circunstância, você se transforma a partir do seu pé, e não a
partir dos seus afetos e da sua cabeça. Não é assim que se faz! É necessário
começar de baixo. Nós temos um princípio hierárquico de ascensão. Quan-
do isso acontece, você nota que sua vida afetiva – que acontece ou no estô-
mago ou no peito – também começa a se organizar. Ora, como ter um afeto
organizado se a todo instante você olha para sua realidade mais material/in-
transcendente (corpo, casa, trabalho, herança ou falta desta)? Como ter uma
estabilidade afetiva se você não conseguiu integrar a circunstância na sua
personalidade? Ao fazer isso, você percebe que seus afetos passam a ficar
mais verdadeiros. Quando isso acontece – em algum momento, falarei sobre
o que são esses afetos verdadeiros –, você consegue dar um passo chamado
serviço. Então, sua boca começa a ter força para declarar o que as coisas são
e seus olhos capturam todo o arco da sua vida – desde a instalação da sua
circunstância, passando pela sua vivência afetiva, até chegar a sua capaci-
dade de falar, de fato, como as coisas são.

Qual é a força do homem? Lembra do que falei? Não é quantos centímetros


ele tem de bíceps nem quanto consegue correr em tempo recorde na ma-
ratona ou no triátlon. Não é isso! Essa não é a força verdadeira. É uma base
para que você a alcance. Não adianta também querer negar esse princípio
material da nossa vida. Eu sugiro e vou sugerir sempre: você precisa ficar
bonita e forte se for possível. Em diferentes momentos do dia, você precisa
se olhar no espelho, sem reclamar do que está vendo. Esse é um princípio de
reclamação. Como se faz isso? Eu sei que você não é a Gisele Bündchen, afi-
nal só existe uma. Mas você, que vive no século XXI, tem acesso a tutoriais de
maquiagem no Youtube e conhece lojas que vendem maquiagem a preços
acessíveis, tem a obrigação, entendeu? Não é porque prefiro determinado
tipo de homem ou mulher, não tem nada a ver com preferência estética. Isso
tem a ver com a verdade da vida. Se você começa a se cuidar materialmente,
acaba ganhando essa base – sua circunstância começa a ficar mais aceitá-
vel.

Ora, todo mundo sabe que é melhor se olhar no espelho e visualizar uma
pessoa bonita – e não uma pessoa feia. Quem não sabe disso? “Italo, parece
que você está na contramão de tudo. Logo agora que o Instagram cortou os
likes, você está fazendo apologia à estética”? Você quer que eu faça apologia
à feiúra? Que eu finja que isso não existe? Estou aqui preocupado com você,
e não com o que o Mark Zuckerberg está pensando acerca da saúde mental.
Ele é só um político. Não estou preocupado com ele. Estou preocupado con-
tigo! Não estou preocupado em fazer política. Ou eu sou um clínico olhando
para você ou sou um agente político de transformação. É muito difícil ser as
duas coisas ao mesmo tempo. Ou eu falo em nome de uma ideia minha e te

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uso como instrumento (porrete, chicote, bucha para queimar etc.) ou estou
preocupado com você e não ligo para o que essa porra está falando.

Eu escolhi o meu lado: estou preocupado contigo, ou seja, com a pessoa que
está na minha frente. E não tenho nenhum medo de declarar: você precisa fi-
car mais bonita! “Italo, o que acontece se eu ficar muito vaidosa”? Todo mun-
do corre esse risco, mas é sempre melhor aparar as arestas que faltam do
que correr sempre atrás de tapar buracos. Se for para errar, erre por mais do
que por menos. Ou você está no lado da vaidade ou está no lado do deslei-
xo. Só que o desleixo é um lado sem movimento. Ora, as coisas mortas é que
não têm movimento. A vaidade é uma hiperprodutividade – tem muito movi-
mento, mas também tem muito mais princípio de vida do que no desleixo. E
o que eu desejo a você? A morte ou a vida, porra? A vida! Quero que você se
instale na vida real. Então, esse papo não cola. Isso, em geral, é preguiça ou
desculpa. Você precisa se cuidar!

O pessoal fala “Italo, sendo um pessoa de saúde mental, é um absurdo você


falar isso. Você é psiquiatra mesmo? Não acredito que você seja um psiquia-
tra. Você fala essas coisas... e se a pessoa ficar anoréxica e bulímica e co-
meçar a apresentar transtornos de autoimagem, porque você falou que ela
precisava emagrecer”? Não estou dizendo que ela precisa ficar anoréxica e
bulímica. Só estou dizendo que ela tem que emagrecer. Tanto a obesidade
quanto a anorexia e a bulimia são extremos. Além disso, são disfunções/
transtornos. Agora, você vai ter medo de tratar a bulimia e a anorexia, por-
que “ah, botar a pessoa no peso dela pode levá-la a se desregular e ficar
obesa... e a obesidade está sempre associada a muitas comorbidades”, então
não posso mais tratar de anorexia e bulimia? Isso é uma falácia, coisa de va-
gabundo que não tem mais o que fazer.

Eu estou preocupado é contigo! Quero que você se cuide! E esse é o primeiro


princípio. O seu pé está nessa primeira circunstância, ou seja, o seu corpo
(a circunstância mais material que você tem). Eu quero que você cuide dele!
São as duas coisas que você deve fazer. Primeira coisa: não reclamar. “Italo,
você não conhece minha sogra... meu marido. Aí, é fácil você falar. Se você
tivesse minha sogra, queria ver se você não iria reclamar”. Olha, essa é a sua
circunstância! Minha sogra é realmente maravilhosa! As piadas de sogra
não colam comigo. Ela é a mulher com quem eu tomaria vinho e jantaria se
não fosse minha sogra – como se fosse uma amiga minha. Eu a amo. Minha
sogra entrou na minha vida por esse ângulo. Ela é uma pessoa maravilhosa,
alguém com quem eu conviveria. Ora, se a sua sogra é um pé no saco, essa
é sua circunstância. Você lá sabe quais são as minhas circunstâncias de pé
no saco. A questão é não reclamar. Se essa é sua circunstância, olha só que

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maravilha! Todo mundo tem sogra chata mesmo, você é só mais um. Pronto
e acabou! Não fique reclamando. Essa é a sua vida. Então, a primeira coisa é
esta: não reclamar da circunstância – você está pisando nesta realidade, que
é boa por ser sua vida.

A respeito da segunda coisa, eu preciso que você fique bonita e se cuide um


pouquinho mais. “Italo, é mesmo... eu estou um pouquinho largada... com uns
cabelos brancos... minha unha não está feita...”. Eu não estou falando para
você procurar um cirurgião plástico e fazer um investimento dispendioso. Se
você puder também, vá lá e faça! Estou falando o seguinte: tem aquele bási-
co, uma roupinha melhor. Às vezes, você até tem roupa melhor, mas, no dia
a dia, está em casa e não usa. “Ah, vou usar para quê”? Ora, para ficar bonita,
porra! Você vai usar para isso! Ué? Por que você não pode se arrumar para
ficar em casa ou ir à padaria?

Num outro dia, eu estava conversando com um pessoal que estava louvando
a beleza das goianas. E dá para notar mesmo, são muito bonitas as mulheres
de Goiânia. Aí, alguém falou “Ah, mas também há um exagero ali! Elas se ma-
quiam muito e se vestem bem para ir à padaria”. Pode até ter um elemento
de caipirice, mas eu acho, na verdade, maravilhoso! Quem dera se a gente
fosse à padaria e só encontrasse pessoas bonitas e maquiadas – sem aquele
pessoal de chinelo, short rasgado e blusa de campanha política. Seria bem
melhor ir à padaria e só ter gente linda, só miss. Por que estão reclamando?
Se todos fossem bonitos, seria melhor. A beleza é uma realidade boa!

Esse cuidado a mais que desejo que você faça não é um cuidado louco – do
tipo “você precisa se operar”, tem gente que não tem dinheiro para essa
porra. Agora, uma maquiagenzinha... uma hidratação no cabelo... são coisas
que fazem toda a diferença. Porra, escolher as roupas que você já tem... jogue
fora essas roupas vagabundas que você tem... blusa furada, short velho... isso
não serve nem como pijama... e não estou falando por causa do seu marido,
não – provavelmente, ele te quer de qualquer modo. Estou falando isso por
sua causa mesmo. Você precisa se olhar e ver uma coisa harmônica e bonita.
Senão, o que acontece? Sua vida afunda. Você não consegue chegar àquela
estabilização dos sentimentos e, assim, não faz aquilo que define uma pes-
soa como forte, que é falar a verdade.

Hoje, eu tive um exemplo disso. Uma das pessoas mais fortes com quem
convivo estava numa situação apertada – que eu colocava em apuros – e,
claro, ele poderia inventar qualquer coisa – uma mentira para se sair melhor
–, mas resolveu falar a verdade – que poderia ser mais constrangedora e até
trazer problemas de ordem financeira. Você olha para essa pessoa, que foi

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corajosa e falou a verdade, e a admira, do tipo “Caralho! Que bom! Ela falou
a verdade”. É forte! Tem músculo! Tem caráter... fibra... tem moral. Isso deixa
a pessoa mais forte diante da percepção dos outros. Esse sujeito é um sujeito
homem, que falou a verdade. “Ganhou 1.000 pontos”.

Para isso ser um princípio de vida, você nunca deve negar a verdade da vida.
Sempre fale a verdade sobre sua vida. Passe a se maquiar e a se arrumar.
Jogue fora as roupas que te deixam feia. Além disso, não reclame! Aceite a
beleza da sua circunstância, pois toda circunstância é bela.

O Dr. Viktor Frankl, psiquiatra austríaco... a circunstância na qual ele se en-


contrava... um campo de concentração... olha que circunstância terrível e ab-
surda. É algo que ninguém quer para si. Se ele negasse aquilo, estaria negan-
do a si. Então, ele mergulhou naquela circunstância, ou seja, não rejeitou o
sofrimento inevitável na vida. Cultivou o amor por uma pessoa – ali, no caso,
era a família dele – e um serviço a um ideal. O que aconteceu? Ele amou a
realidade na qual se encontrava e salvou sua circunstância. Aí, começou a
salvar a si. Frankl não só sobreviveu ao campo de concentração, mas tam-
bém, naquela circunstância absolutamente adversa, pariu uma das teorias
psicológicas mais belas e amplas, que dá mais respostas para o homem con-
temporâneo – a logoterapia, isto é, o homem em busca do sentido.

Ora, se numa circunstância como aquela, do campo de concentração, o


sujeito conseguiu fazer isso, eu não vou cair no seu vitimismo do ônibus
485, que você pega às 5h. Francamente, numa brincadeira de comparação
com o campo de concentração, pegar o 485 durante a madrugada não é
nada. O problema é que não estou comparando e sugiro que você também
não faça isso. Eu sugiro que você aceite e, mais do que isso, integre essa
circunstância em você por um único motivo: isso é você. Então, integre
a circunstância sem reclamar, passe a maquiar-se e fique bonita, porque
ninguém merece gente feia!

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LIVE #80 | 19/07/2019

COMO NÃO TRAIR


O SEU DESTINO
Hoje, a live é sobre a cegueira, mas não a física. Tradicional e simbolicamen-
te, sabemos que os olhos... e falei sobre isso numa outra live desta semana...
falei que a verdadeira força do homem é falar a verdade (aquela que ele está
vendo). Fui construindo ali todo um raciocínio antropológico a respeito do
sujeito que tem os pés centrados no chão e um afeto organizado. Ou seja, o
sujeito que vai conseguir declarar e ver toda a verdade. Aqui está o ponto
central da história!

Em civilizações tradicionais, religiões antigas e relatos míticos, o arrancar


dos olhos é o sinal de uma punição gravíssima, que não é só a cegueira. Este
ato significa um tipo de condenação terrível daquele sujeito que está fadado
a nunca contemplar a verdade/o bem. Então, nos relatos das civilizações,
esses sujeitos, ao serem sepultados de modo indigente e indigno, tinham
seus olhos arrancados como forma de punição. Na Grécia Antiga, isso era
uma tradição. Desertores e traidores da pátria, que não honravam seu esta-
tuto da natureza humana, tinham os olhos arrancados ou, ao contrário, em
alguns ritos de sepultamento, recebiam adornos nos olhos (moedas, flores e
conchas, por exemplo) e um preparo específico, para que pudessem, na pas-
sagem para a outra vida (no pós-morte), contemplar a verdade eterna. Então,
esse é o mito tradicional. Os relatos tradicionais sempre dão um destaque
aos olhos.

Outra coisa, no próprio relato do profeta Jonas – um relato mais próximo da


nossa cultura judaico-cristã –, naquela história do sujeito que foi engolido
pela baleia... o próprio Édipo, no final das contas, arranca os olhos após sa-
ber que matou o pai num combate e também havia copulado com a mãe, ou
seja, depois de ter visto o tremendo crime cometido... e na história do profeta
Jonas também. Você lembra da história? O pessoal só lembra da parte em
que ele é engolido pela baleia e cuspido três dias depois na praia. Tem gente
que vai falar “Ah, que baleia o quê?! Era um grande peixe... um símbolo”. Isso
não importa.

O que importa é saber o motivo pelo qual Jonas foi engolido. Ele estava em
meio a uma tempestade, dentro de um barco, fugindo de Nínive, cidade dos
assírios, porque havia traído a missão que precisava cumprir. Então, os tri-

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pulantes começaram a discutir durante a tempestade. Bem, por que será que
essa tempestade foi enviada? Será que é uma punição? Será que somos ma-
rinheiros independentes e não sabemos vencer tempestades? O Jonas sabia
que havia traído sua missão, estando, assim, em dívida com Deus. Então, du-
rante a discussão, Jonas fala que é preciso usar um bode expiatório. Assim,
ele pede para ser jogado no mar, a fim de que se aplaque a tempestade.
Nisso, um grande peixe o engole e o sepulta, ao longo de três dias, no ventre.
Agora, olhem que história terrível! Por que Jonas fugiu? Porque Deus tinha
encomendado a Jonas chegar naquela cidade terrível para fazer uma acu-
sação, a de que os assírios estavam cometendo atrocidades. Dentre tantas,
qual era uma das mais terríveis? Eles esfolavam os inimigos e arrancavam os
olhos destes. Isso é um ato terrível, porque encaminha as pessoas à cegueira
espiritual, ou seja, quando não pode contemplar, as pessoas não consegue
falar a verdade.

Então, Jonas, com medo de admoestar, apontar o dedo para o povo assírio e
declarar as maldades destes, foge da missão. Ora, assim como nas histórias
presentes em outros relatos tradicionais (gregos, romanos, nórdicos), sempre
haverá essa disjuntiva, esse pêndulo. Nós somos todos esses personagens –
tanto do relato veterotestamentário como do relato simbólico-mítico grego.
Somos todos esses: Jonas, a baleia, o povo assírio, os cidadãos de Nínive. Ou
seja, somos os sujeitos que, ao mesmo tempo, têm essa missão específica
de chegar num ambiente – seja familiar, profissional ou outro – e não pro-
mover a cegueira através da fofoca, da lerdeza e das calúnias. O que isso
significa? Às vezes, falamos mal do chefe ou do amigo, e as pessoas ao redor
passam a tapar os olhos para as qualidades daqueles. Muitas vezes, temos
um comportamento similar ao dos assírios, que até chegavam a arrancar os
olhos dos conterrâneos. Nós somos esse povo assírio, pessoas que arrancam
os olhos das outras. Porra! É claro que isso vai trazer um problema! E tam-
bém somos esse mesmo Jonas, o sujeito que é convocado para uma missão
específica; o indivíduo que é convocado a declarar para si. Quando estava
sepultado no ventre do grande peixe, Jonas declarou que estava se cegando.
Estava tapando os ouvidos e os olhos. Jonas fez uma cegueira voluntária. En-
quanto estivesse com essa cegueira voluntária, ele permaneceria sepultado
no ventre de um peixe grande, ou seja, morto, por ter fugido de sua missão
(proclamar a verdade, não se cegar e não fazer isso com os demais).

Você compreende que nós somos essas pessoas? Ao mesmo tempo, pode-
mos cegar os demais e também nos cegar, quando fugimos da nossa missão.
Qual é a missão específica de cada um? Eu não sei qual é a sua nem acredito
nessa coisa. “Ah, você tem como missão ser cardiologista... contador”. Não
sou um sujeito que acredita nisso. Veja bem! A vida é tão complexa... com

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caminhos tão distintos... que nunca conseguiremos distinguir claramente
a respeito do que seremos (maquiador, cabeleireiro, porteiro, motorista de
Uber, médico, advogado etc.). Você nunca saberá isso! “Ah, mas eu orei a
Deus”. Na verdade, você nunca tem certeza sobre quem te falou isso: Deus,
seu pai ou uma coisa que te encantou no seriado Malhação. Nunca sabe-
mos! Não acredito que você possa distinguir sua missão nesse nível concre-
to, pois ela sempre traz um elemento de confusão, ceticismo e frustração em
algum momento.

No entanto, há uma missão importante que cabe a todos. E é essa missão que
deve ser discernida. É preciso considerá-la na nossa própria história vital
(nossa biografia), para que cada um não traia seu próprio destino e, assim,
este não seja uma farsa – para que o indivíduo não sofra de uma doença da
traição da própria biografia. Que missão é essa? A missão central, da qual as
outras derivam, é estar com os olhos postos na verdade, naquilo que, de fato,
importa; postos, portanto, na nossa vocação.

O que é a vocação do sujeito? É a articulação entre chamado e circunstância.


Por exemplo, a circunstância de ser um brasileiro de Cuiabá, órfão de pai,
mas com uma mãe boa e uma avó paterna... então essa é a sua circunstân-
cia, entendeu? E qual é o tal do chamado, que precisa ser articulado com a
circunstância? É sempre um para todos: é “ser de verdade”. Mas como “você
é de verdade”? Estando presente (de verdade) num ambiente, prometendo e
entregando (de verdade), lutando, de algum modo, para não ser preguiçoso
e soberbo – como vimos acerca das “sete bostas interiores” num dos cader-
nos de ativação do Guerrilha Way. Essa é a missão de todo ser humano.

Quando você trai o próprio destino? O que foi a traição do próprio destino
do Jonas? E do Édipo? Bem, há vários personagens míticos, que encarnam
a nossa vida e os modos de trair nossa própria história. Sempre traímos a
nossa história quando fugimos daquele lugar que é nosso. Jonas fugiu de Ní-
nive, pegou um barco para cruzar o oceano e – Graças a Deus! – houve uma
tempestade, que o fez cair e voltar para sua terra, isto é, para sua circuns-
tância, desde quando ouvia seu chamado de dentro do ventre da baleia/do
grande peixe. Com Jonas no ventre, a baleia já estava se reencaminhando
até a margem. Ali, Jonas escuta o chamado e é devolvido ao ser vomitado na
praia – entrando, assim, na sua vocação. Essa história simbólica é a da nossa
vida. Às vezes, eu concretizo; às vezes, só abro mais o problema. Hoje é dia
de abrir o problema! A abertura do sujeito como um todo (abertura cogniti-
va, espiritual, afetiva) precisa ser feita desse modo, ou seja, ele deve entrar
na vocação através da articulação entre chamado e circunstância. Este é o
ponto!

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A traição do Jonas é, no final das contas, um movimento permanente do nos-
so coração. Não precisa pensar se ele existiu ou não. Se você é religioso ou
não, é algo que não importa. O que importa é o seguinte: leia a história do
Jonas e, ali, reconheça-se em todos os personagens. Bem, você é, ao mesmo
tempo, a baleia, quando você pega e engloba a vida de alguém que está
traindo a própria existência, recolhe essa pessoa no seio e a devolve para a
circunstância, devolvendo, assim, a vida daqueles que estão mortos; o Jonas,
quando trai, a todo momento, a própria vocação e retorna para ela ao pisar
na terra da qual estava fugindo – fugir da terra... aqui está o grande ponto,
o ponto de não encher o saco, o que nos coloca no nosso lugar, ou seja, não
se deve reclamar; é a mesma coisa que não fugir de Nínive, ou seja, do local
onde precisamos permanecer por causa do destino – ainda que você precise
enfrentar os assírios (o povo que arranca os próprios olhos e os dos outros).
Estamos entre assírios a todo instante, com gente que arranca os olhos de
todo mundo, seja através da fofoca, da preguiça ou da maldade direta.

Essa é a história da nossa vida! Fugir disso é permanecer sepultado. Em vida,


só saímos desse sepultamento quando assumimos, de fato, que devemos
permanecer naquela terra destinada a nós. Só assumimos nossa vida – sain-
do do sepultamento –, quando decidimos ouvir nosso chamado. E qual é o
chamado? Ser médico? Contador? Você não sabe! O chamado é ser humano.
O primeiro movimento/elemento da vida humana é estar presente nesta vida
diante dos outros e das coisas para as quais você foi feito – que é, de algum
modo, essa mesma presença diante da vida, isto é, lutar contra a preguiça e
a soberba e sorrir para os demais. Não é complicado! É claro que podemos
complicar isso maximamente. Mas, para começar, esse é a discussão. Vamos
meditar sobre Jonas e a Baleia.

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