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Estudo realizado para o Serviço Social da Indústria (SESI), com o objetivo

de identificar oportunidades
Potenciais para que o Setor Formal da Indústria Brasileira possa identificar
políticas, programas e ações que
Melhorem as condições de saúde e segurança no trabalho no Setor
Informal da economia, em especial
aquele que está relacionado com a Indústria.
O estudo revisa os conceitos e a caracterização do Setor Informal,
apresentando estatísticas e dados
atualizados. Mostra, em seguida, as estreitas interfaces entre o Setor
Formal e o Informal, caracterizando-os
como mutuamente interdependentes e complementares, dentro do marco
da atual visão de “cadeia de
produção” ou “cadeia produtiva”, de “cluster” ou de “ciclo completo de vida”
de um produto ou serviço.
Segue-se uma breve descrição dos principais problemas de saúde e
segurança no trabalho informal, segundo
os relatos disponíveis na bibliografia brasileira mais atual.
A parte principal do estudo aborda os enfoques e as políticas que deveriam
nortear um importante
envolvimento da Indústria dita “formal”, com o Setor Informal, baseado na
visão de “cadeia produtiva” e
tomando como referência o conceito ampliado de “responsabilidade social”.
Discute-se a ampliação do
conceito de “sustentabilidade ambiental” e, por último, como as prováveis
mudanças da atual legislação
dos Serviços de Saúde e Segurança no Trabalho (NR-4) irão contribuir,
atribuindo mais elevada
responsabilidade social e legal às grandes empresas, no tocante às
condições de saúde e segurança das
pequenas e microempresas e dos trabalhadores informais que gravitam em
torno das grandes empresas.
Os “Serviços Compartilhados” poderão significar um importante avanço
nessa direção.

A preocupação com a proteção do trabalhador, em quase todos os países


tem-se verificado através de suas constituições, nas quais o legislador
tutela as atividades profissionais, a fim de propulsionar o direito a saúde e
segurança no meio ambiente do trabalho, bem como responsabilizar os
envolvidos na relação empregatícia, sem excluir a responsabilidade do
estado para efetividade de suas normas.

Começaremos a abordagem histórica justamente pelas cartas magnas


também brasileiras, para que possamos delinear dos princípios basilares do
direto social no ordenamento jurídico brasileiro, no que concerne ao direito
a saúde e segurança no meio ambiente do trabalho.

As primeiras constituições brasileiras, ao imperial, de 1824, e a republicana


de 1891, foram diplomas jurídicos permeados de idéias políticas e
econômicas da época, em que ao estado era defeso intervir no domínio
privado, ao mesmo ditar regras de proteção aos trabalhadores. O duelo
político se desenvolvia pela máxima do laisser faire,laisse aller,inexistindo
preocupação legislador quanto ao obreiro,mero objetivo de trabalho
especulação,desconsiderando-se a dignidade e o respeito a pessoa
humana.logo,a proteção ao trabalhador não foi objeto das duas primeiras
constituições brasileiras.

A constituição do império de 1924 faz uma única referencia pertinente ao


trabalhador, no titulo consagrado aos direitos civis e políticos dos cidadãos
brasileiros, ressaltando entre os preceitos garantidores dos direitos
individuas, ”a liberdade de trabalho de indústria e comercio, com abolição
das corporações de oficio”.

A constituição republicana de 1891 não se afastou do modelo anterior,


consagrando a liberdade individual, através da liberdade de associação
tendo como paradigma ou liberalismo de constituições como a Filadélfia,
suíça e argentina.

A realidade nacional, a mercê das modificações e crises surgidas no


sistema, mostrava-se cada vez mais exigente por reformulações sociais,
proclamando a necessidade de mudança no panorama jurídico
constitucional brasileiro. O liberalismo preconizado pelas constituições não
mais correspondia aos anseios dos trabalhadores, destinados ao mero
arbítrio no interesse econômico e da busca incessante de lucro.

Somente após a primeira guerra mundial as questões sociais passaram a


constituir temas de direito constitucional, passando a ser prevista no direito
nacional, nas chamadas declarações das cartas políticas, promulgadas
após o ano 1818.

Com efeito, a constituição de 1891 já não se ajustava as novas perspectivas


nacionais, fato que resultou na reforma constitucional de 1826, surgindo
duas noções básicas no ponto de vista do direito social: a de trabalho e de
bem publico. O congresso nacional, a partir de então, ”poderia legislar sobre
o comercio exterior e interior, sendo-llhe permitido autorizar as limitações
exigidas pelo bem publico com também legislar sobre o trabalho”

O espírito de renovação que seguiu com a primeira guerra mundial,


provocando a reforma constitucional de 1926, somente se consolidaria anos
depois, com a revolução de 1930. Por essa razão, podemos observar que o
direito social teve origem e reconhecimento no Brasil a partir da revolução
de 1930.

No período de 1930 a 1934 houve intensa produção na legislação social,


tendo nessa fase surgida quase todos os institutos do direito Novo que
ainda hoje subsistem. Considera-se o momento de maior significado para o
trabalhador, resumido em simples forca física, sem valor próprio ou lugar na
sociedade que o tipificava como mero fator de produção.
Na constituição republicana de 1934 o trabalhador,assim como o
cidadão,passou a ter os direitos na própria carta magna. Integrou-se ao
texto da norma fundamental, capitulo denominado da ordem econômica e
social, fazendo com que caráter puramente político cedesse lugar, também,
para uma democracia brasileira econômica e social.

A Constituição de 1937, além de adotar os princípios de direito social


consagrados na carta magna anterior, trouxe em seu bojo outros de
natureza social, tais como: a estabilidade; salário noturno superior ao
diurno; garantia dos direitos do empregado em virtude de mudança da
propriedade da empresa; nova orientação ao direito sindical, em que
somente o sindicato regularmente reconhecido pelo estado tinha o direto de
representação legal de seus associados e inaugurou o sistema da unidade
sindical.

Ainda sob o vigor da Constituição de 1937 se concretizou o direito material


e processual do trabalho brasileiro, por meio promulgação da consolidação
das leis do trabalho (CLT), Decreto-Lei n. 5.452, de 1°. 05.1943.

De todas as cartas magnas mencionadas, a que mais proporcionou


benefícios ao trabalhador e, por tanto, ao direito social, foi a de 1946.
Comparando-a com as cartas políticas de outros países chegamos ate a
constatar que, em certos aspectos, foi a pioneira na proteção e
reconhecimento dos direitos dos trabalhadores.

Na constituição de 1946 temos caracterizados a hierarquia constitucional da


proteção a saúde do trabalhador através dos direitos a higiene e segurança
no meio ambiente do trabalho (art.154, inciso Vlll) direitos estes também
observados na carta de 1967 e, posteriormente, reformulados na de
1969(art.165, inciso IX).

Finalmente, na carta magna de 1988 termos a consagração máxima dos


direitos sociais, através da garantia de dignidade da pessoa humana e da
proteção da saúde e segurança no meio ambiente do trabalho. No entanto,
sabemos que saúde e segurança são direitos inexeqüíveis para maioria dos
trabalhadores brasileiros, visto que a dissensão entre a lei e realidade é fato
constante a demonstrar a distância normativa em relação ao
comportamento social.

Dados oficiais corroboram com posicionamento e descaso do


empresariado, ate mesmo, do próprio estado, quanto à proteção do
trabalhador no desenvolver de suas ocupações diárias ou habituais. Não
obstante, desinformação dos obreiros e outro dado que acentua a
problemática sobre a eficácia do direito a saúde e segurança no ambiente
laboral.

A constituição de 1988 previu os direitos sociais outrora reclamados pelo


economicamente fraco, mas alem de dispor, requer-se a realização de ditos
direitos, pelo que todos, empresários, empregados e Estado, devem atuar
em conjunto para a moralização do direito social do trabalho e,
conseqüentemente, na proteção do direito a saúde e segurança no meio
ambiente do trabalho.