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Universidade Federal da Bahia – Escola Politécnica – Departamento de Enhgenharia Ambiental

AVALIAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO


DE ÁGUA NOS SAAES DA MESORREGIÃO DO VALE SÃO
FRASCISCANO-BA

Dênis Cunha
Graduando em Engenharia Sanitária e Ambiental
Israel Henrique
Graduando em Engenharia Sanitária e Ambiental

Endereço: Rua Prof. Aristides Novis, 2 - Federação - Salvador - Bahia - CEP: 40210-630- Brasil.
Emails: deniskunha_18@yahoo.com.br ; israelhenriquerr@gmail.com

RESUMO

O trabalho possui como finalidade realizar uma avaliação acerca das condições qualiquantitativas
de cinco SAAES localizados no estado da Bahia, mais precisamente na Mesorregião do Vale São
Franciscano. Barra, Bom Jesus da Lapa, Xique-Xique, Casa Nova e Juazeiro se apresentam
como os municípios foco do estudo do presente artigo. Desse modo, alguns indicadores retirados
do SNIS (Sistema Nacional de Informação sobre saneamento), como índice de atendimento total
urbano e rural, extensão da rede de água, índice de perdas, serão analisados como forma de ser
feita uma comparação entre os municípios, efetuar um panorama geral dos serviços autônomos
de água e esgoto, além de fazer uma comparação com as outras localidades situadas na mesma
região atendidas pela Embasa. Os resultados obtidos indicam ainda as grandes dificuldades que
os SAAES apresentam no que tange à qualidade do serviço de abastecimento e na sua gestão,
principalmente quando se trata de micromedição e mensuração das perdas, somando ao fato de o
atendimento da população rural ainda ser muito inferior se comparado à população residente das
áreas urbanas.

Palavras-chave: SAAE, Vale Sanfranciscano , abastecimento , água, avaliação, sistema de


informação sobre saneamento, SNIS.

INTRODUÇÃO/OBJETIVOS

A obtenção e o estudo aprofundado de dados acerca da prestação dos serviços de saneamento


em uma determinada localidade ou região se constituemem tarefa de expressiva relevância para
ser realizado um panorama envolvendo as condições quantitativas e qualitativas no que tange à
área do saneamento e, consequentemente, ao campo da saúde. Tal argumentação é confirmada
principalmente para os locais onde o saneamento ainda não conseguiu atingir ao patamar de
universalização. No estado da Bahia, a situação crítica é evidenciada em grande parte dos
municípios, os quais têm de enfrentar com a ausência de recursos suficientes para as ações e
projetos necessários, somada à inexistência de uma área institucional forte e de mão de obra
qualificada. Desse modo, o objetivo de se ter informações sobre uma determinada prestadora,
podendo avaliar as características do local e os serviços que estão sendo fornecidos à população,
é de grande necessidade para o entendimento mais apurado das condições ali existentes, sendo
base para a proposição de mudanças e soluções de enfrentamento ao problema que se evidencia.
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A gestão dos serviços públicos de saneamento básico envolve a prestação dos serviços como um
dos seus componentes, a qual estaria relacionada, conforme o planejamento e a regulação, à
execução de atividades ou obras que permitam o acesso a serviços de saneamento básico. O
Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) se apresenta como um desses modelos de
prestação, sendo uma espécie de autarquia da Administração Direta, de personalidade jurídica
própria, autonomia econômica, jurídica e financeira. Trata-se de um modelo que durante anos,
principalmente após a promulgação do Planasa na década de 1970, foi ignorado e praticamente
“esmagado” por um tipo de modelo centralizador, onde a participação e controle social nunca
esteve em pauta dos processos envolvidos, e fortemente marcado por insulamento burocrático.

Segundo a lei 11.445/2007, um marco para a história do saneamento do país, a titularidade dos
serviços de saneamento é municipal. O titular dos serviços formulará a respectiva política pública
de saneamento básico devendo estabelecer sistema de informações sobre o serviço. Muito devido
à fragilidade institucional dos municípios, o sistema de informações consolidado atualmente é o
SNIS, sistema nacional de informações sobre saneamento, vinculado ao Ministério das Cidades.

O sistema autônomo de água e esgoto (SAAE) , prestador de serviço de saneamento, é uma


autarquia municipal, uma pessoa jurídica de direito público, com suas devidas autonomias
administrativas, financeiras e patrimoniais, ligadas a prefeitura municipal. Segundo Heller(2007), a
FUNASA (2003) define uma autarquia como sendo um ente administrativo autônomo, criado por
lei específica, com personalidade jurídica de direito público, patrimônio próprio e atribuições
outorgadas na forma da lei, tendo como princípio fundamental a descentralização.[...] O principal
objetivo da criação de uma autarquia é a de integrar, num mesmo órgão, as atividades-fim (ações
técnicas diretamente relacionadas com os sistemas de abastecimento de água e de esgotamento
sanitário) com as atividades-meio (relacionados a procedimentos administrativos e jurídicos que
dão suporte às atividades-fim).

Numa autarquia, ainda para Heller(2007), as tarifas, em geral, são estabelecidas para cada
serviço e destinam-se, basicamente, às despesas de operação, quotas de depreciação,
constituição de fundo de reserva para investimentos, desenvolvimento econômico e tecnológico
do serviço autônomo e manutenção do equilíbrio econômico e financeiro

O governo da Bahia divide o Estado em mesorregiões geográficas .Para restrição de uma área
geográfica, devido ao maior número de SAAES encontrados, foi escolhida a mesorregião do Vale
Sanfrasciscano da Bahia, no centro- norte do Estado, para análise nesse artigo. A mesorregião do
Vale Sanfranciscano da Bahia possui um total de vinte e sete municípios, porém apenas cinco
com prestação de serviços de água e esgoto por SAAE: Barra, Bom Jesus da Lapa, Casa Nova,
Juazeiro e Xique-Xique.

O objetivo deste trabalho é diagnosticar a situação do abastecimento de água nestes SAAES


dessa mesorregião com base nos princípios da lei nacional de saneamento básico, utilizando a
plataforma do SNIS para obtenção de dados indicadores municipais. Indicadores importantes para
análise do saneamento são índice de atendimento, índice de perdas , índice de hidrometração –
estes oferecem subsídios para apontar dificuldades na gestão municipal e a necessidade de
medidas mitigadoras.

REVISÃO DE LITERATURA

Os princípios norteadores e a gestão do saneamento


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A lei 11445/2007 estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico do país. Essa lei
coloca princípios fundamentais para a prestação dos serviços, entre eles encontram-se a
universalidade do acesso, a integralidade, o controle social, eficiência e sustentabilidade
econômica, utilização de tecnologias apropriadas e a transparência das ações.

A universalidade, segundo Borja e Moraes , coloca que o acesso aos serviços de saneamento
básico deve ser garantido a todos os cidadãos mediante tecnologias apropriadas à realidade
socioeconômica, cultural e ambiental. Já segundo a integralidade, as ações e serviços de
saneamento básico devem ser promovidos de forma integral, em face da grande inter-relação
entre os seus diversos componentes.

Além disso, a lei nacional de saneamento traz regras importantes na gestão das ações envolvidas.
A gestão pública de saneamento básico envolve cinco elementos fundamentais : o planejamento,
o controle social, a prestação dos serviços, a fiscalização e a regulação.

A prestação dos serviços públicos pode ser direta pelo titular ou via delegação (sob concessão ou
permissão). A prestação direta pode ser centralizada, via órgão secretariado do município, ou
descentralizada, via Autarquias, Empresas Públicas, Fundações ou Sociedades de economia
mista. Já a prestação via delegação pode ser realizada por concessão ou permissão, dependente
da celebração de contrato, sob responsabilidade de ação de empresas públicas ou privadas.

Podemos observar na Figura__ os tipos de prestação de serviço de saneamento básico.

Figura 1 – Tipos de prestação de serviços

Fonte: Fonte: BORJA E SILVA (2008) apud PNSB 2000 (IBGE, 2002).

Nesse contexto, podemos observar que o SAAE é uma prestação descentralizada, de uma
Autarquia. Já a prestação dos serviços pela EMBASA é uma gestão associada através de
consórcio público por contrato de programa.

Prestação dos serviços de água e esgoto no Brasil

Segundo Borja e Silva (2008) , desde a Constituição de 1967, os municípios brasileiros são
responsáveis pela prestação dos serviços de interesse local [...]. A prestação dos serviços de
água e esgoto via concessionária começou a ser implementada no Brasil no início da década de
70, no bojo do Plano Nacional de Saneamento (PLANASA). Os municípios, como os titulares dos
serviços, realizaram contratos de concessão, passando para as Companhias Estaduais a
exploração dos mesmos.[...] Os municípios que não aderiram ao Planasa constituíram Serviços
Autônomos de Água e Esgoto ou passaram a prestar diretamente os serviços.
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“Com o intuito de centralizar os serviços de saneamento do país e influenciado por órgãos


internacionais, o governo, através do Banco Nacional de Habitação – BNH, promoveu e controlou
a Política Nacional de Saneamento. Essa política foi institucionalizada pelo Plano Nacional de
Saneamento – PLANASA, lançado em 1971. O PLANASA desenvolveu-se a partir da criação das
Companhias Estaduais de Saneamento Básico – CESBs. O Plano determinava que os serviços
devessem buscar sua própria sustentação financeira privilegiando a arrecadação por meio de
tarifas suficientes. Essa sustentação era complementada por uma política de subsídios cruzados,
praticando-se modelo tarifário único no âmbito de cada estado. Esse modelo passou a entrar em
decadência a partir do ano de 1986 com a extinção do BNH, ficando a política de saneamento em
estado de indefinição e de imobilidade (CANÇADO e COSTA, 2002; REZENDE e HELLER, 2002;
BRASIL, 2005a).” Heller (2007)

Segundo Heller(2007), o primeiro Serviço Autônomo de Água e Esgotos - SAAE foi o de


Governador Valadares, criado no ano de 1952. Cynamom (1986) destaca o grande número de
outras cidades que também criaram seus serviços autônomos de saneamento através da
Fundação SESP, que contavam com a supervisão e orientação de distritos sanitários comandados
por engenheiros sanitaristas, com apoio administrativo, técnico e autonomia financeira

Ainda segundo Borja e Silva (2008), atualmente, as Companhias Estaduais atendem a cerca de
70% do total de municípios brasileiros. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saneamento
Básico – PNSB 2000, as companhias estaduais eram responsáveis pela prestação dos serviços
de abastecimento de água de 45,5% dos distritos brasileiros, enquanto que as autarquias
municipais atendiam a 8,9% e a administração direta a 30,5%. Podemos observar essas
porcentagens na Figura __ abaixo:

Figura 2 - Percentual de distritos brasileiros com serviço de abastecimento de água e coleta


de esgoto sanitário por entidades prestadoras

Fonte: BORJA apud PNSB 2000 (IBGE, 2002).

Prestação dos serviços de água e esgoto na Bahia

Segundo o SNIS, no ano de 2015, temos cerca de 25 municípios baianos com prestação através
de Sistema Autônomo de Água e Esgoto, na forma de Autarquias municipais. A grande maioria
dos municípios do Estado possui prestação sob concessão via Empresa Baiana de Águas e
Saneamento (EMBASA), uma sociedade de economia mista de capital autorizado e pessoa
jurídica de direito privado.

Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento

A lei nacional de saneamento institui os objetivos de um sistema nacional de informação, os quais


englobam : coletar e sistematizar dados relativos às condições da prestação dos serviços públicos
de saneamento básico; disponibilizar estatísticas, indicadores e outras informações relevantes
para a caracterização da demanda e da oferta de serviços públicos de saneamento básico ;
permitir e facilitar o monitoramento e avaliação da eficiência e da eficácia da prestação dos
serviços de saneamento básico.
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O SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento) foi criado em 1996 pelo Governo
federal. Ele está vinculado à Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (SNSA) do Ministério
das Cidades. Segundo o site do SNIS , o Sistema possui uma base de dados que contém
informações e indicadores sobre a prestação de serviços de Água e Esgotos e de Manejo de
Resíduos Sólidos Urbanos.
O SNIS deve ser uma ferramenta para auxiliar na avaliação de desempenho dos prestadores de
serviços e ajudar no aperfeiçoamento da gestão.

Região considerada

Segundo Diretoria de Informações Geoambientais do SEI(Superintendência de Estudos


Econômicos e Sociais da Bahia), em 2015, a mesorregião do Vale Sanfransciscano da Bahia
possui um total de 27 municípios. Destes, cinco possuem prestação de serviços de água e esgoto
através de SAAE e tem-se dados de no mínimo seis anos, segundo o SNIS. Com isso, foram
utilizados para análise os municípios de Barra, Bom Jesus da Lapa, Casa nova, Juazeiro e Xique-
Xique.

Historico dos SAAES

Segundo o site, o SAAE de Bom Jesus da Lapa, entidade autárquica municipal, foi criado pela Lei
Municipal nº 168, de 13 de outubro de 1966. Da sua criação até 1998 o SAAE foi administrado
pela Fundação Nacional de Saúde (FNS), mediante sucessivos convênios celebrados entre esta
Fundação e o Município de Bom Jesus da Lapa. Já em dezembro de 1998, este convênio foi
cancelado e o SAAE passou a ser administrado pelo município, com um convênio de assistência
técnica entre a FNS e a Prefeitura.
A responsabilidade pela qualidade e portabilidade da água, no município de Juazeiro-Bahia, para
consumo humano é do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), é uma Autarquia municipal
criada pela lei nº 565 de 23 junho de 1965, para exercer com exclusividade todas as atividades
administrativas e técnicas que se relacionem com os serviços públicos de água e esgoto, ao qual
se inclui a captação, tratamento, distribuição e a devolução dos recursos hídricos ao meio-
ambiente.
Com relação à Xique-Xique, a Lei Municipal nº 07 de 05 de novembro de 1963 , instituiu o Serviço
Autônomo de Água e Esgoto do município e dá outras providencias, este que tem por finalidade
prestar serviços de manejo de água e esgoto.
Já o SAAE Casa Nova ,segundo o site do órgão, foi criado em 08 de outubro de 1998, através da
lei municipal número 707.
O município de Barra, por sua vez, não foi encontrada nenhuma informação de histórico do seu
Sistema Autônomo. Vale salientar que entre os municípios, dois deles (Xique Xique e Barra) não
possuem plataforma de site para transparência pública.

METODOLOGIA

Foram considerados os municípios que, segundo a planilha de dados do SNIS, possuíam


prestação por SAAE no ano de 2015 e que possuíam dados de pelo menos seis anos. Para a
elaboração deste trabalho foram utilizados a plataforma de Série Histórica do SNIS, Sistema
Nacional de Informação sobre Saneamento, para pesquisa e obtenção dos indicadores de
abastecimento de água dos SAAEs dos municípios em questão relativos à um período de tempo.
Além disso, foram consultados artigos, livros e leis federais e estaduais.
Os indicadores utilizados para análise foram: índice de atendimento total, urbano e rural; extensão
da rede de água; índice de perdas na distribuição e razão ligações ativas e ligações ativas
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micromedidas. A partir disso, relaciona-se as informações encontradas com princípios e


exigências da lei nacional de saneamento.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Pode-se observar através das figuras a seguir, os índices de atendimento total, urbano e rural dos
municípios envolvidos na região:

Índices de atendimento total, urbano e rural

Figura 3 – Índice de atendimento total de água dos municípios da região

Fonte: Autoria própria

Figura 4 – Índice de atendimento urbano de água dos municípios da região

Fonte : Autoria própria


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Figura 5 – Índice de atendimento rural de água dos municípios da região

Fonte : Autoria Própria

O índice de atendimento total de água indica a porcentagem da população total do município que
é beneficiada pelo serviço de abastecimento de água.

Segundo a Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento de Florianópolis (2015) ,o Índice


de Atendimento Urbano de Água monitora o percentual da população da zona urbana do
município que se beneficia dos serviços públicos de abastecimento de água potável. Já o Índice
de abastecimento rural foi obtido pela subtração do total pelo urbano, indicando a porcentagem de
população beneficiada pelo abastecimento de água na zona rural.

A estimativa desses indicadores é importante para que se observe se os princípios da


universalidade e da equidade estão sendo incorporados nos serviços dos municípios. A
universalidade se enquadra na medida em que ela tem o objetivo de que cem por cento das
pessoas tenham água de qualidade, onde podemos ver no índice de atendimento total que o
município de Barra fica longe dos 100% de atendimento(entre 55% e 70%). O município de Casa
Nova possui entre 70 e 80% da população abastecida, e os outros três munípios ficam próximos
aos 100%. Porém é importante destacar que alguns desses índices seriam na verdade maiores
que cem, pois segundo o SNIS, a população abastecida seria maior que a população total do
município no ano de referência –com isso, podemos observar a ocorrência de falhas no sistema
de informação.

Já com relação aos atendimento urbano e rural, podemos ver nitidamente uma tendência ao
atendimento da zona urbana, onde grande parte se aproxima dos 100% de atendimento, tendo
alguns períodos com no mínimo 85%. Já na zona rural, podemos observar um atendimento baixo
nos primeiros períodos de tempo (atendimentos entre 10 e 70%), para crescerem conforme o
tempo passava. O atendimento rural de Barra continua muito baixo ; o dos outros municípios em
geral tiveram um crescimento a partir da segunda década desse século. Nesse contexto, podemos
perceber uma preferência de atendimento para a zona urbana, o que fere o princípio da equidade,
que todas as pessoas tem direito ao abastecimento não importando a região ou cultura em que
vive.
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Extensão da rede de água

A figura mostra a variação da extensão da rede de água ao longo dos anos:

Figura 6 – Índice Extensão da rede de água dos municípios da região

Fonte : Autoria Própria

Segundo glossário do SNIS, a extensão da rede de água é o comprimento total da malha de


distribuição de água, incluindo adutoras, subadutoras e redes distribuidoras e excluindo ramais
prediais, operada pelo prestador de serviços no último mês do ano.
Pela análise do gráfico, é nitidamente perceptível que dentre os quatro municípios considerados
para esse indicador, Juazeiro se apresenta com a maior extensão de rede de água, evidenciando,
de forma geral, uma curva crescente ao decorrer dos anos em estudo. Os valores variam de 200
km a 450 km aproximadamente. Tal situação pode ser explicada principalmente devido ao fato de
que Juazeiro, quando comparado aos outros quatro casos em análise, ser um município de maior
porte, tanto no que se refere à quantidade populacional, quanto pela área da localidade.

Deve-se levar em consideração que esse indicador (extensão da rede de água) não indica
necessariamente a situação existente em um certo município, afinal de contas, estará mais
atrelado ao porte da cidade do que à cobertura do serviço de abastecimento de água. Desse
modo, a análise desse indicador está principalmente relacionada ao crescimento da rede de
abastecimento e a continuidade do processo de oferecer água cada vez mais a população (a fim
de atingir a universalidade), o que implica em uma maior cobertura de água, cujos efeitos no que
tange à saúde pública e promoção da qualidade de vida são um ganho para a sociedade, frente
ao objetivo de universalização do acesso ao saneamento.

O município de Barra e Bom Jesus da Lapa, de forma semelhante a Juazeiro, são municípios
onde o aumento da extensão da rede de água ao longo dos últimos anos é verificado, indicando
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uma maior abrangência do serviço. Para o município de Xique-Xique, nos primeiros anos em
estudo, mais especificamente entre os anos de 1998 a 2007, se observa uma situação de
crescimento da extensão da rede de água, ainda que de forma não muito significativa. No entanto,
a partir de 2007, os dados do sistema são inconsistentes, variando de forma aleatória, sendo que
o último dado, 2015, apresenta o maior valor da curva (260 km aproximadamente) e muito acima
dos valores anteriores que em média se encontram na faixa de 75 km, indicando provavelmente
se constituir em uma informação não confiável, portanto, não condizente com a realidade.

O município de Casa Nova se manteve na mesma situação ao longo dos anos considerados. A
cruva é praticamente constante e na faixa de 100 km, evidenciando que para esse município,
para os últimos cinco anos, não houve muito avanço relacionado à expansão do sistema.

Percebe-se então que pelos gráficos obtidos por meio dos dados do SNIS, a grande maioria dos
SAAEs analisados no presente trabalho se caracteriza por um processo de expansão do sistema,
vinculado ao indicador de extensão da rede de água, ainda que para alguns municípios esse
crescimento, por diversos fatores, esteja se dando de forma pouco expressiva.

Índice de perdas na distribuição

Figura 7 – Índice de perdas na distribuição de água dos municípios da região

Fonte : Autoria Própria

Segundo a Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento de Florianópolis (2015) , Este


indicador informa o percentual do volume de água distribuído que é perdido até a apuração do
volume consumido pelos usuários, seja por questões técnicas (vazamentos) ou comerciais
(fraudes, hidrometração deficiente etc.).
Podemos observar a grande faixa de mudanças no índice de perdas. Esse índice em municípios
do Brasil geralmente varia entre 30% e 60%, grande parte dos dados estão nesse intervalo. É
uma grande dificuldade conseguir controlar perdas reais envolvendo vazamentos em todo o país –
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em capitais como Salvador o índice de perdas pode chegar a 50%, devido à extensão da rede e
dificuldade de administrar toda a rede de água. Podemos observar pelo gráfico que esse indicador
é de difícil mensuração, principalmente por pequenos municípios que não tem condições de medir
ou controlar quantitativamente essas perdas.

Razão ligações ativas por ligações ativas micromedidas

Figura 8 – Razão entre ligações ativas e ligações ativas micromedidas de água dos
municípios da região

Fonte : Autoria Própria

Os indicadores utilizados nessa análise foram os: Quantidade de ligações ativas de água ,
quantidade de ligações ativas de água à rede pública, providas ou não de aparelho de medição
(hidrômetro), que contribuíram para o faturamento no último mês do ano; e o indicador
quantidade de ligações ativas de água micromedidas, quantidade de ligações ativas de água,
providas de aparelho de medição (hidrômetro) em funcionamento regular, que contribuíram para o
faturamento no último mês do ano.

Esse indicador possui relevância para o trabalho em questão, uma vez que o mesmo se apresenta
como um indício da qualidade de um dos mais importantes fatores para a fiscalização e controle
do serviço, a micromedição. Para Tsutiya(2006), a micromedição refere-se à medição do volume
consumido pelos clientes da companhia de saneamento, cujo valor será objeto da emissão da
conta a ser paga pelo cliente.
Quanto menor a relação entre a quantidade de ligações ativas e ligações ativas micromedidas,
maior a fragilidade dessa prestação no que tange à micromedição, evidenciando que o sistema se
encontra mais vulnerável, principalmente, ao desconhecimento e controle das perdas de água
existentes.
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Bom Jesus da Lapa e Barra são os municípios que apresentam o maior valor para essa relação,
sendo constante no decorrer dos anos. Essa análise infere que as prestadoras desses municípios
têm apresentado um desempenho satisfatório frente ao processo de micromedição, situação
positiva também para o SAAE de Juazeiro, cujo o aumento da razão é verificada por uma curva
crescente, indicando certamente que os investimentos têm sido realizados para contemplar uma
melhor contabilidade da micromedição.
Xique-Xique apresenta uma curva descrescente cuja a interpretação indica que o processo de
micromedição em termos quantitativos tem sido reduzido. A ausência de manutenção, fiscalização
e atualização dos equipamentos necessários são possíveis causas para essa situação. Casa
Nova evidencia uma condição semelhante.

Podemos abstrair o quão difícil é fazer a micromedição de todas as ligações , não só por custo de
implantação de hidrômetros nas residências, mas também por fraudes ou falhas na gestão
comercial da prestadora.

Comparação com dados de municípios atendidos pela Embasa

É possível identificar pelas Tabelas a seguir (dados retirados no SNIS), o índice de atendimento
de água e esgoto em municípios da mesma mesorregião geográfica, mas com prestação de água
e esgoto via concessão de empresa pública estadual (Embasa).

Tabela 1 – Índice de atendimento total de abastecimento de água sob prestação da Embasa


Ano Sobradinho Paulo Afonso Morpará Ibotirama Abaré
2015 99,9 98,6 100 100 100
2014 100 98,2 100 100 100
2013 100 100 100 100 68,9
2012 99,7 100 100 100 74,8
2011 99,8 100 100 100 72,9
2010 100 98,7 100 100 69,6
2009 SEM DADO 100 100 100 68,3
2008 SEM DADO 97 100 100 64,1
2007 100 95,5 100 100 66,9
2006 100 94,5 93,8 100 59,9
2005 100 94,8 94,2 100 59,6
2004 100 95,3 94,4 100 56,2
Fonte : Autoria própria
Pode-se ver perante as tabelas que a empresa pública no geral possui maiores índices de
atendimento de água que os SAAEs, variando muito em torno de 95 e 100%. Vale salientar que
muitoss alguns municípios tanto de prestação pela Embasa, tanto dos SAAEs, possuem falta de
dados em vários anos, mostrando a fragilidade do sistema de informação em ambos os casos.
Alessandra e Patrícia(2008) colocam que empresas regionais , como a Embasa no estado da
Bahia, tem vantagem de ter tarifas, financiamentos, economia de escala, recursos orçamentários,
evolução tecnológica, participação dos poderes concedentes na gestão e conselhos do cidadão.

CONCLUSÃO

Os Sistemas Autônomos de Água e Esgoto , autarquias municipais, são minoria no Estado da


Bahia. Oberva-se que na região considerada, três dos SAAEs datam da década de 60, ou seja
mais de quarenta anos de existência. Assim como a prestação por empresa pública, a prestação
por SAAE tem suas dificuldades e vantagens – podemos analisar através dos dados a preferência
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de abastecimeto de água da zona urbana, a dificuldade para alcançar a universalização, a


dificuldade de mensurar as perdas na distribuição e manter a micromedição nas economias. Além
disso, podemos colocar a fragilidade que se encontra ainda do Sistema Nacional de Informação
para Saneamento devido à incerteza dos dados, o que fere o princípio da transparência do
serviço. Faz-se refletir na importância de se estabelecer sistemas de informação municipais, para
uma melhor eficiência de manipulação e transferência dos dados.

REFERÊNCIAS

BAHIA, Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da. Mesorregiões


Geográficas. Disponível em:
<http://www.sei.ba.gov.br/site/geoambientais/mapas/pdf/mesorregioes_2015.pdf>. Acesso em: 15
mar. 2017.

BORJA, Patrícia Campos; SILVA, Alessandra Gomes Lopes Sampaio. Gestão dos Serviços de
Saneamento Básico. Salvador: Recesa, 2008. (Guia do profissional em treinamento – ReCESA)

FERNANDES, Vanessa Magalhães et al. Estudo das causas da inadimplência no SAAE- Serviço
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v. 1, n. 1, p.0-0, out. 2014.

HELLER, Léo; COUTINHO, Marcelo Libânio; MINGOTI, Sueli Aparecida. Diferentes modelos de
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HELLER, Pedro. AVALIAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SANEAMENTO DE QUATRO MUNICÍPIOS


DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO DAS VELHASMG. UMA ABORDAGEM DA DIMENSÃO
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TSUTIYA, Milton Tomoyuki. Abastecimento de água. São Paulo: Dehs, 2006.