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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA PARAÍBA

CAMPUS JOÃO PESSOA


COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA ELÉTRICA
CURSO SUPERIOR DE BACHARELADO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

Jeerson Pereira Delno

FILTRO ATIVO SHUNT: ESTUDOS DE REGIME,

ESPECIFICAÇÃO DA TENSÃO DE BARRAMENTO E

SINTONIA DOS CONTROLADORES

João Pessoa
Dezembro - 2017
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA PARAÍBA
CAMPUS JOÃO PESSOA
COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA ELÉTRICA
CURSO SUPERIOR DE BACHARELADO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

Jeerson Pereira Delno

FILTRO ATIVO SHUNT: ESTUDOS DE REGIME,

ESPECIFICAÇÃO DA TENSÃO DE BARRAMENTO E

SINTONIA DOS CONTROLADORES

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)


obrigatório apresentado ao Instituto de
Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba
como requisito parcial para a obtenção do
título de Bacharel em Engenharia Elétrica.

Orientador: Dr. Sc. Álvaro de Medei-


ros Maciel

João Pessoa
Dezembro - 2017

1
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA PARAÍBA
CAMPUS JOÃO PESSOA
COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA ELÉTRICA
CURSO SUPERIOR DE BACHARELADO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

Jeerson Pereira Delno

FILTRO ATIVO SHUNT: ESTUDOS DE REGIME,

ESPECIFICAÇÃO DA TENSÃO DE BARRAMENTO E

SINTONIA DOS CONTROLADORES

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) obri-


gatório apresentado ao Instituto de Educa-
ção, Ciência e Tecnologia da Paraíba como
requisito parcial para a obtenção do título
de Bacharel em Engenharia Elétrica.

Aprovado Pela Banca Examinadora

Prof. D. Sc. Álvaro de Medeiros Maciel


(Orientador)

Prof. D. Sc José Artur Alves Dias


(Membro da banca)

Prof. D. Sc. Edgar Luiz Lopes Fabrício


(Membro da banca)

Prof. D. Sc. Franklin Martins P. Pamplona


(Membro da banca)

João Pessoa
Dezembro - 2017

2
Resumo

Este trabalho de Conclusão de curso é de caráter prático e bibliográco para


simulação no ambiente PSIM de um ltro shunt ativo trifásico para eliminação de corren-
tes harmônicas e compensação de reativos de uma carga trifásica conectada à rede, onde
o ltro será responsável pelo anulamento dessas correntes, fazendo com que a rede apenas
forneça o uxo de potência da componente fundamental. Tal objetivo se baseará no estudo
de regime e sintonia de controladores de corrente e do barramento CC de um inversor do
tipo fonte de Tensão (VSI).

Palavras-chave: Filtro shunt ativo, PSIM, VSI, Qualidade de Energia.

3
Abstract

This is a nal graduate bibliography and pratice work on PSIM software simulation
that describes a polyphase active shunt lter to eliminate harmonics currents and power factor
compensation of a three phase load connected to the grid, which it will cancel them making
the grid responsible only by the fundamental frequency. This goal is based on regime study
and current and VSI's DC bus controllers tunning.

Keywords: Active shunt lter, PSIM, VSIM, Power Quality.

4
AGRADECIMENTOS

Primeiramente, ao Onipresente, Onisciente e Todo-Poderoso, Soberano e Criador


do Universo, Senhor Jesus Cristo, por ter me dado a vida, uma família maravilhosa e a oportu-
nidade de ter realizado o sonho de um dia, ter cursado e concluído o curso de bacharelado em
engenharia elétrica. E, antes de tudo, o maior bem que tenho na vida: a Salvação. Obrigado
Senhor e mais uma vez, Louvado e Engrandecido seja o Seu Nome!
A minha família, minha base, o meu maior orgulho. Principalmente a meus amados
e maravilhosos pais que tanto incentivaram e investiram em minha formação. À eles dedico
essa conquista, pois sem eles, eu jamais conseguiria tal recompensa. Pai, mãe e Vanessa. Vocês
são tudo em minha vida. Eu amo vocês.
Agradeço as minhas "titias"que sempre na medida do possível, tentaram ou me
ajudaram de alguma forma. Vocês são únicas e especiais, e as guardo em meu coração e mente.
Amo vocês!
Ao meu amor, Márcia Regina. Que sempre esteve ao meu lado em todos os mo-
mentos de alegria ou de tristeza. Obrigado Minha Linda. Te amo.
Agradeço ao meu orientador, professor Dr. Álvaro que foi um verdadeiro educador
sempre tirando as minhas dúvidas e ensinando com paciência e clareza. Muito obrigado, pro-
fessor. O senhor faz mais que jus ao título e cargo que possui. Me ensinou e mostrou muito do
conhecimento que possui. E sim, é um verdadeiro professor, muito obrigado.
Agradeço também o técnico em eletrônica Hélder, funcionário do IFPB que sempre
me ajudou quando precisei com seu conhecimento ímpar e em algumas vezes até "salvando".
Obrigado cara, você me ensinou e ajudou demais. Serei sempre grato.
Enm, a todos aqueles que me ajudaram de alguma forma direta ou indiretamente
a essa notável conquista. À todos, os meus sinceros agradecimentos.

Jeerson Pereira Delno.

5
Sumário

1 INTRODUÇÃO 10

2 MODELO DO FILTRO ATIVO SHUNT 12

3 ANÁLISE DE REGIME PERMANENTE DO FILTRO 14

4 CONTROLE DO FILTRO 16
4.1 CONTROLADOR PI PARA O BARRAMENTO CC . . . . . . . . . . . . . . . 16
4.2 CONTROLADOR PI MODIFICADO DE CORRENTE . . . . . . . . . . . . . . 19
4.3 ESTRATÉGIA PWM . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
4.4 SINTONIA DOS VALORES DE kii E kpp PARA O CONTROLADOR DO BAR-
RAMENTO CC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
4.5 SINTONIA DOS VALORES DE ki e kp PARA OS CONTROLADORES DE
CORRENTE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27

5 DIMENSIONAMENTO DOS ELEMENTOS PASSIVOS 32

6 SIMULAÇÕES E RESULTADOS 35

7 CONCLUSÃO 51

REFERÊNCIAS 52

6
Lista de Figuras

1 Modelo geral do sistema com ltro shunt ativo trifásico. . . . . . . . 12


2 Circuitos equivalentes do conversor em regime permanente: modelo
trifásico e monofásico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
3 Diagrama fasorial em regime permanente. . . . . . . . . . . . . . . . . 16
4 Estrutura de um inversor fonte de tensão convencional (VSI). . . . . 17
5 Diagrama de blocos geral do controle do ltro shunt ativo a ser
simulado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
6 Diagrama de bode para a função de transferência da equação (23). . 19
7 Diagrama de blocos do controlador estacionário CPIM tipo "B". . 21
8 Modelo equivalente monofásico para tensões de pólo de referência. . 22
9 Estrutura básica de PWM - comparação da tensão de referência com
uma portadora triângular (Apenas ilustrativo). . . . . . . . . . . . . . 24
10 Fluxograma do algoritmo da estratégia PWM. . . . . . . . . . . . . . 24
11 Diagrama de blocos para malha aberta do controlador do barra-
mento CC. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
12 Diagrama de blocos para malha fechada do controlador do barra-
mento CC. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
13 Circuito monofásico equivalente da representação do sistema para
malha. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
14 Diagrama de Bode da equação (74) com valores aplicados. . . . . . . 29
15 Diagrama de blocos nal do sistema em malha fechada . . . . . . . . 29
16 Diagrama de Bode para a FTMF da equação (78) . . . . . . . . . . . 30
17 Lugar das raízes da FTMF da equação (78) . . . . . . . . . . . . . . . 31
18 Resposta do sinal senoidal da FTMF da equação (78) . . . . . . . . . 32
19 Diagramas de circuitos equivalentes para cada componente de frequên-
cia. Fonte: Elaborado pelo próprio autor . . . . . . . . . . . . . . . . 35
20 Interface gráca do software de simulação PSIM ©. . . . . . . . . . . 36
21 Circuito de simulação de Filtro shunt ativo para correção do fator
de potência da carga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
22 Simulação dos valores de tensão e corrente do circuito da Figura 21
sem o ltro (cima) e com o ltro (baixo). . . . . . . . . . . . . . . . . 38

7
23 Simulação do circuito da Figura 21 com amplitude de corrente mul-
tiplicado por 10 para melhor visualização. . . . . . . . . . . . . . . . . 39
24 Circuito de simulação com 5a harmônica. . . . . . . . . . . . . . . . . 39
25 Corrente da rede com introdução de correntes de 5a ordem sem
presença do ltro. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
26 Resultados da simulação após implementação do controlador do di-
agrama da Figura 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
27 Resultados da simulação após implementação do controlador do di-
agrama da Figura 7 com Ig · 10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
28 Sistema Final para simulação no PSIM e resultados. . . . . . . . . . . 41
29 Tensão no barramento CC do VSI. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
30 Corrente de referência gerada pelo controlador de corrente e cor-
rente da rede. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
31 Correntes das fases da rede a montante e jusante do ltro para com-
ponentes harmônicas de valores de pico de 20, 30, 40, 50 e 70% ·il /h,
com tensão de referência estimada com a equação (79) sem o critério
de 10%. (Vdc∗ = 622, 25 V) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
32 Correntes das fases da rede a montante e jusante do ltro para com-
ponentes harmônicas de valores de pico de 20, 30, 40, 50 e 70% ·il /h,
com tensão de referência estimada com a equação (79) com o critério
de 10%. (Vdc∗ = 685 V) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
33 Correntes das fases da rede a montante e jusante do ltro para com-
ponentes harmônicas de valores de pico de 30% · il /h. . . . . . . . . . 47
34 Correntes das fases da rede a montante e jusante do ltro para com-
ponentes harmônicas de valores de pico de 40% · il /h. . . . . . . . . . 48
35 Correntes das fases da rede a montante e jusante do ltro para com-
ponentes harmônicas de valores de pico de 50% · il /h. . . . . . . . . . 49
36 Correntes das fases da rede a montante e jusante do ltro para com-
ponentes harmônicas de valores de pico de 70% · il /h. . . . . . . . . . 50

8
Lista de Tabelas

1 THDs de corrente obtidos das simulações da Figura 31 para uma ten-


são de barramento estimada com a equação (79), sem o critério de
10% (Vdc∗ = 622, 25 V). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
2 THDs de corrente obtidos das simulações da Figura 32 para uma ten-
são de barramento estimada com a equação (79), com o critério de
10% (Vdc∗ = 685 V). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
3 THD de corrente obtidos das simulações da Figura 33 . . . . . . . . . . 43
4 THD de corrente obtidos das simulações da Figura 34 . . . . . . . . . . 44
5 THD de corrente obtidos das simulações da Figura 35 . . . . . . . . . . 44
6 THD de corrente obtidos das simulações da Figura 36 . . . . . . . . . . 44

9
1 INTRODUÇÃO

Com o advento e uso cada vez mais crescente de equipamentos com características
não lineares de corrente, a rede elétrica vem sofrendo com distúrbios oriundos de componentes
harmônicos presentes no sistema. Devido a este fato indesejável, a engenharia elétrica tem
procurado estabelecer métodos mais ecazes na solução de mitigação das harmônicas. Os
recursos mais utilizados para a resolução desta problemática são os que envolvem estratégias
de ltragem.
Basicamente essas estratégias podem ser classicadas em dois tipos: estratégias
passivas e estratégias ativas. As passivas utilizam elementos passivos tais como capacitores e
indutores  sintonizados para a eliminação de harmônicos ou a compensação de reativos. Dois
problemas podem ser elencados no uso dessa estratégia, o primeiro é que a sua capacidade de
compensação é xa  limitada ao momento do projeto  o segundo é que há a possibilidade de
ressonâncias com a rede elétrica, o que acaba prejudicando o sistema elétrico, isto é, a rede e
os elementos conectadas a mesma (BERES et al., 2016).
O ltro ativo é o elemento da compensação dinâmica, trabalhando como dispositivo
elétrico  neste caso, um conversor de potência  responsável pela passagem de algumas com-
ponentes de frequências desejadas ou não. A sua conexão a rede elétrica pode ser em série ou
shunt (paralelo) em relação à carga. Segundo (LEÃO; SAMPAIO; ANTUNES; 2014), o ltro
em série é o menos adotado, pois, além de ser inviável economicamente, o mesmo é exposto a
toda a corrente da carga e deve ser isolado completamente em relação ao potencial de terra.
Por este motivo, o ltro shunt possui como principal característica, oferecer um caminho de
baixa impedância para as correntes de componentes de frequências desejadas, impedindo o seu
acesso ao sistema elétrico.
A relevância dos ltros ativos bem como sua inuência na rede elétrica vem cres-
cendo ao longo do tempo. Várias inovações e tipos vem sido desenvolvidos com pesquisas e
estudos não apenas sobre a tecnologia envolvida nos componentes físicos utilizados, como tam-
bém nas estratégias de controle. Por exemplo, a estratégia de controle para chaveamento pode
ser baseada no ângulo de disparo em modelos híbridos de ltros (ltros ressonantes e ativos asso-
ciados) para balancear cargas desequilibradas, compensar o fator de potência (parte ressonante)
e mitigar componentes harmônicas (parte ativa). Em contrapartida, devido a complexidade de
cálculo, o ltros ativos podem não ter um rendimento esperado com cargas desequilibradas pois

10
o mesmo tentará compensar o desbalanceamento, diminuindo assim sua eciência na tentativa
de mitigar as componentes harmônicas (WANG; LAM; WONG, 2017).
Alguns focos de pesquisa de controle avançados para ltros ativos paralelos se ba-
seiam em extração de referências, rastreamento de corrente ou em até geradores de referência
seletiva baseada na Transformada Recursiva Discreta de Fourier (RDFT). Porém devido a com-
plexidade de implementação em sistemas microcontrolados, após extração do sinal de referência,
torna-se pouco efetivo o sistema de controle do ltro rastrear valores para mitigar componentes
harmônicas segundo (CHEN et al., 2017).
Outro objetivo a ser alcançado pelos ltros ativos é a atenuação da ressonância
paralela causada pela interação entre a indutância da rede e a capacitância total equivalente
de banco de capacitores para compensar o fator de potência, conforme discutidos por (AR-
RILLAGA; WATSON 2003) e (XU et al., 2017). Muitos bancos capacitivos são chaveados
ao longo do tempo, mudando assim os valor da capacitância equivalente total. Filtros ati-
vos podem ser implementados com comportamento de um "resistor virtual"de valor constante,
objetivando amortecer a ressonância. Entretanto, esse comportamento pode gerar super ou
subamortecimentos de performance do ltro ativo devido a incompatibilidade de parâmetros
do sistema elétrico, segundo (CHEN et al., 2017). Ainda de acordo com (CHEN et al., 2017),
ltros congurados dessa forma atenuam melhor as componentes harmônicas próximas ao valor
de ressonância.
Devido aos inúmeros problemas causados por componentes harmônicos como so-
brecarga de neutro (CHITTORA; SINGH; SINGH; 2017), aquecimento de enrolamentos do
estator de motores, avaria no cabeamento de fases do sistema por sobrecarga dentre outros
citados (WANG; LAM; WONG, 2017) e (ARRILLAGA; WATSON 2003), os ltros ativos vem
se tornando cada vez mais a solução mais adequada para os desaos da qualidade de energia.
Por serem rápidos, de menores dimensões, exíveis e hábeis para compensar reativos, segundo
(CHITTORA; SINGH; SINGH; 2017), os avanços desenvolvidos e aperfeiçoamento dos ltros
ativos são de importância signicativas, devido suas várias ramicações e como principal van-
tagem a compensação dinâmica, o que não ocorre em estratégias passivas de ltragem.
O tema desse trabalho é o modelo de um ltro de tipo ativo paralelo, isto é, um
dispositivo que tem por função injetar correntes no ponto de acoplamento da rede com a carga
de modo a compensar reativos e harmônicos. O trabalho baseia-se na modelagem do ltro,
estudos de regime, estratégia PWM, sintonia dos controladores de barramento e de corrente e

11
uma breve abordagem de elementos passivos.
Os ltros ativos, de um modo geral, tem um forte impacto em questões de eciência
energética, em baixa e média potência, e, por este motivo, este trabalho será organizado de
forma a contemplar aspectos fundamentais no entendimento e na concepção de ltros ativos
do tipo paralelo (shunt ). Serão abordados aspectos tais como: o modelo dinâmico do ltro, o
estudo de regime permanente para a determinação da sua tensão de referência do barramento,
a estratégia PWM e os controles do barramento e de corrente do ltro.

2 MODELO DO FILTRO ATIVO SHUNT

A modelagem matemática do ltro se dará no sistema da Figura 1. Nela é possível ver


uma carga trifásica não linear, equilibrada, conectada a rede. A montante da carga, encontra-se
o ltro ativo shunt, conectado à rede por um ponto de acoplamento comum (PAC). No modelo
também é possível observar a presença de impedâncias na linha e na saída do ltro.

Figura 1: Modelo geral do sistema com ltro shunt ativo trifásico.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

Com base neste modelo apresentado e considerando que a impedância de saída do


ltro é dotado de uma resistência interna às indutâncias, é possível deduzir as equações de
malha do modelo dinâmico:

dig1 dif 1
eg1 + rg ig1 + lg + rf if 1 + lf − v10 − vn0 = 0 (1)
dt dt

12
dig2 dif 2
eg2 + rg ig2 + lg + rf if 2 + lf − v20 − vn0 = 0 (2)
dt dt
dig3 dif 3
eg3 + rg ig3 + lg + rf if 3 + lf − v30 − vn0 = 0 (3)
dt dt
Onde,
egj é a tensão da rede (V), (onde j = 1, 2, 3);
rf j é a resistência da impedância de saída do ltro(Ω);
lf j é a indutância da impedância de saída do ltro (H);
if j é a corrente injetada pelo ltro no ponto de acoplamento à rede (A);
vj0 é a tensão de pólo de saída do ltro (V);
vn0 é a tensão entre o pólo central do barramento do conversor e a rede
elétrica (V);
Do PAC, com a lei de Kirchho das correntes, também é possível deduzir que:

igj + if j = ilj (4)

Onde,
igj é a corrente fornecida da rede (A);
ilj é a corrente fornecida da carga (A);
Assim como para as correntes da rede, do ltro e da carga

3
X
igj = 0 (5)
j=1

3
X
if j = 0 (6)
j=1

3
X
ilj = 0 (7)
j=1

Todas essas equações, como a forma de dedução, serão utilizadas ao longo de todo
o trabalho. Adiante, serão abordados a análise de regime permanente do ltro, o sistema de
controle, os controladores utilizados, o dimensionamento dos elementos passivos e os resultados
das simulações.

13
3 ANÁLISE DE REGIME PERMANENTE DO FILTRO

O circuito de potência dos ltros ativos em paralelo foi mostrado na Figura 1, de


modo que é possível ter uma boa noção de como é a conexão física do ltro no ponto entre a
rede e a carga. É possível redesenhar o conversor de ltro no que é conhecido como circuito
equivalente do conversor, o que facilita sobremaneira os estudos da operação do ltro em regime
permanente. Esse modelo é mostrado na Figura 2. Conforme é possível observar, a impedância
da linha será desconsiderada para uma abordagem mais prática.

Figura 2: Circuitos equivalentes do conversor em regime permanente: modelo trifá-


sico e monofásico.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

Com o auxílio do modelo da Figura 2, é possível desenvolver equações de regime


permanente (considerando os sucessivos circuitos equivalentes monofásicos), com as quais é
possível conhecer os valores de corrente e tensão que deverão estar presentes no conversor de
ltro, valores estes que são essenciais para estabelecer parâmetros tais como nível da tensão
necessária no barramento, valor da indutância de ltro assim como valores de referência para
os controladores de tensão e de corrente.
Por exemplo, admitindo que o conversor deverá compensar todos os reativos de
uma carga RL convencional, é possível chegar a expressão que correlaciona o valor de referência
da tensão de polo de uma das fases do sistema em função da tensão da rede de alimentação e
dos valores das impedâncias do ltro e da carga. Considerando a carga equilibrada, a corrente

14
da carga será:

Eg1
Il1 = (8)
rc + jXc
Que pode ser reescrita como:

Eg1
Il1 = (rc − jXc ) (9)
rc2 + jXc2
Conforme já descrito anteriormente, a rede deverá fornecer apenas a parcela ativa
da corrente da carga. Portanto:

Eg1 rc
Ig1 = + j0 (10)
rc2
+ jXc2
Como a corrente de referência do ltro deverá ser, em função da corrente do nó na
fase 1, no PAC (Ponto de Acoplamento Comum), obtêm-se:

Ig1 + If 1 = Il1 (11)

If 1 = Il1 − Ig1 (12)

Ao substituir, é possível obter o valor da corrente de referência do ltro:

jEg1 Xc
If 1 = − (13)
rc2 + jXc2
Assim, fazendo análise da malha do circuito monofásico equivalente da Figura 2,
têm-se:

Eg1 + If 1 zf − V10 = 0 (14)

V10 = Eg1 + If 1 zf (15)

Substituindo as equações (13) e considerando a impedância de saída do ltro zf =


rf + jXf , têm-se:

Eg (rc2 + Xc2 + Xc Xf ) Eg Xc rf
V10 = 2 2
−j 2 (16)
rc + Xc rc + Xc2
Onde,

15
Eg é a tensão da rede da fase correspondente(V);
rc é a componente resistiva que compõe a impedância da carga (Ω);
Xc é a componente reativa que compõe a impedância da carga (Ω);
rf é é a componente resistiva que compõe a impedância do ltro (Ω);
Xf é a é a componente reativa que compõe a impedância do ltro (Ω);
Como a equação (16) encontra-se no formato fasorial, é necessário obter as tensões
de referência do ltro ativo no domínio do tempo, defasadas 120° entre si, por se tratar de um
sistema trifásico equilibrado. Portanto:

v10 (t) = |V10 |sen(ωt + φV10 ) (17)

v20 (t) = |V10 |sen(ωt + φV10 − 120°) (18)

v30 (t) = |V10 |sen(ωt + φV10 + 120°) (19)

Valores de referência, como exibido nas equações (17),((18)) e (19) são de funda-
mental importância em estabelecer valores de referência realizáveis aos controladores, de modo
a evitar que o controle force situações perigosas para o conversor, tais como a saturação das
indutâncias de ltro ou pontos operacionais de corrente inadmissíveis para o sistema.
Uma análise fasorial do comportamento do ltro em regime permanente está mos-
trado na Figura 3, adotando-se Vf como referência.

Figura 3: Diagrama fasorial em regime permanente.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

4 CONTROLE DO FILTRO

4.1 CONTROLADOR PI PARA O BARRAMENTO CC

O ltro ativo é um dispositivo que responde ante a dinamicidade do sistema no qual


ele foi conectado. Por este motivo, é signicativo o estudo aprofundado de seus componentes

16
de controle que responderam ao comportamento do sistema em tempo real.
Conforme já descrito anteriormente, o ltro shunt ativo neste trabalho é composto
de um VSI (do inglês Voltage Source Inverter ). O VSI é composto por um barramento CC
o qual é formado por dois capacitores em série, de modo que, paralelo aos mesmos, estão os
"braços ou pólos chaveados do conversor", compostos por chaves como IGBT's ou MOSFET,
que fornecem uxo de potência para a carga e para o próprio barramento, conforme mostrado
na Figura 4. Essas chaves são controladas por um microcontrolador ou DSP programado para
condicionar o disparo ou bloqueio das mesmas conforme denido pelos controladores, através
das tensões de pólo de referência.

Figura 4: Estrutura de um inversor fonte de tensão convencional (VSI).

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

A Figura 5 mostra o diagrama de blocos geral do controle do ltro a ser imple-


mentado. Neste diagrama, é observável que o valor de referência para a tensão imposta ao
barramento CC é comparada com o valor medido, gerando assim um erro. Este erro é forne-
cido a um controlador do tipo PI, representado por um bloco RC . A saída deste controlador
corresponde à amplitude da corrente na rede Ig∗ como valor de referência que é sincronizado
com as tensões de fase da mesma, através de um Phase Locked Loop (PLL), fazendo com que
a corrente de referência esteja em fase com a tensão, representada no diagrama por i∗g12 . Mais
adiante, essas correntes de referência são comparadas as correntes lidas na rede, ig12 , gerando
erros para cada corrente de fase do sistema  neste caso só duas, tendo em vista que nesse tra-
balho está sendo considerado um ltro para um sistema a três os equilibrado. Esses erros são
os valores de entrada para os controladores de corrente, R12 , do tipo PI modicado, o qual será
descrito adiante. A saída dos controladores de corrente correspondem às tensões de referência
que devem ser impostas ao ltro ativo paralelo, que serão fornecidas ao PWM, que denirá os

17
pulsos de bloqueio ou disparo das chaves do conversor, de modo a forçar o ltro a trabalhar
nas compensações determinadas no projeto.

Figura 5: Diagrama de blocos geral do controle do ltro shunt ativo a ser simulado.

Fonte: Extraído de (A. MACIEL; DIAS 2016).

Para desenvolver o controlador de tensão do barramento CC, serão utilizadas as


equações (20) e (21) conforme (A. RIBEIRO et al., 2015).

dIg(t + h) = dIg(t) + ε(t)ki h (20)

Ig(t) = dIg(t + h) + kp ε(t) (21)

Onde,
Ig(t) é o valor de pico da corrente no barramento no instante t;
Ig(t + h) é o valor da variação da corrente no barramento em um instante
t + h;
h é o passo de cálculo do controlador;
ki é a constante da parte integral do controlador PI;
kp é a constante da parte proporcional do controlador PI;
ε(t) é a o erro da tensão do barramento CC denido como:

ε(t) = Ed∗ (t) − Ed (t) (22)

Ed∗ (t) é a tensão de referência do barramento no instante t;


Ed (t) é a tensão do barramento medida naquele no instante t;
A obtenção dos valores de kp e ki serão descritas mais adiante.

18
4.2 CONTROLADOR PI MODIFICADO DE CORRENTE

O estágio do controlador de corrente é responsável por fornecer os valores das ten-


sões de referência para a estratégia PWM, com base nos valores das correntes de referência e
seus valores de leitura através do erro.
O controlador utilizado é o do tipo CPIM (Controlador Proporcional mais Integral
Modicado). Segundo (MACIEL; DIAS 2016), esse controlador possui a vantagem de não ser
necessário a transformação do referencial estacionário para um outro sincronizado com o vetor
de tensão da rede.
Ainda de acordo com (MACIEL; DIAS 2016), para o CPIM, é possível obter sua
função de transferência como:

ka s2 + kb s + kc
Gs (s) = (23)
s2 + ω 2
Nessa função de transferência, considerando ka = kp , kb = ki e kc = 0, utilizando o
MatLAB, obtêm-se o diagrama de Bode da Figura 6.

Figura 6: Diagrama de bode para a função de transferência da equação (23).

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

A Figura 6 demonstra o comportamento da função de transferência descrita na equa-


ção (23). O CPIM possibilita um ganho innito na frequência de corte ω . Como consequência,
possibilitará como nulo o erro de regime permanente para sinais de referência senoidais.

19
O uso de técnicas de discretização, tais como apresentadas por (ASTROM; WIT-
TENMARK 1997), torna sicamente possível a implementação de controladores. Para esse
trabalho, o controlador CPIM utilizado é o estacionário do tipo "B"descrito nas equações a
seguir, assim como o seu diagrama de blocos da Figura 7 (JACOBINA, 2005).

ξ s (t) = is∗ (t) − is (t) (24)


1 s 1
xsa (t) = γxsa (t − h) + ζxb (t − h) + 2ki ζξ s (t − h) (25)
ωe ωe
xsb (t) = −ωe ζxsa (t − h) + γxsb (t − h) + 2[γ − 1]ξ s (t − h) (26)

us∗ (t) = xsa (t) + kp ξ s (t) (27)

Onde,
ξ s (t) é o erro de corrente estacionário;
is (t) é a corrente de entrada de referência;
is∗ (t) é a corrente medida na fase;
ωe é a frequência angular elétrica da frequência fundamental da rede;

j (t) é a tensão de referência de saída do controlador (j = 1, 2, 3);


us∗
h é o passo de incremento do DSP;
ki é a constante integral do controlador;
kp é a constante proporcional do controlador;
γ e ζ são constantes denidas como:

γ = cos(ωe h) (28)

ζ = sin(ωe h) (29)

Conforme visto no diagrama de blocos da Figura 7, é fornecido um valor de corrente


de referência já introduzido pelo controlador PI. E, com o erro da equação (24), o mesmo
é introduzido ao controlador implementado pelas equações (25),(26) e (27). Essas equações
fornecerão as tensões de referência que serão utilizadas na estratégia PWM para denir os
estados das chaves do VSI.

20
Figura 7: Diagrama de blocos do controlador estacionário CPIM tipo "B".

Fonte: Adaptado pelo autor de (JACOBINA, 2005), 2017.

4.3 ESTRATÉGIA PWM

Conforme já descrito, o ltro é composto de um inversor do tipo fonte de tensão


(VSI), onde se faz necessário congurar valores de tensões de referência. Essas tensões de
referências que foram denidas pelo controlador CPIM serão utilizadas pelo bloco C no PSIM
para o cálculo dos valores das tensões de pólo, que serão comparadas com uma portadora
triângular, denindo assim o estado das chaves qj (j = 1, 2, 3) naquele instante (MACIEL;
FABRÍCIO; DIAS; 2016).
Como o objeto em estudo proposto é aplicado de um sistema equilibrado conforme
visto na Figura 1, faz necessário apenas determinar duas tensões de referência: v1∗ e v2∗ . Sendo
o sistema trifásico, basta denir o valor de duas tensões de referência, pois a terceira é uma
combinação linear entre elas. Ou seja,:

v1∗ + v2∗ + v3∗ = 0 (30)

Portanto, para um maior desempenho do sistema de controle e por se tratar de um


sistema equilibrado, é possível obter a terceira tensão de referência da equação (30) como:

v3∗ = −(v1∗ + v2∗ ) (31)

Conforme demonstrado por (JACOBINA et al., 2001), para ser completado o sis-
tema de equações, é necessário utilizar-se de um artifício matemático, isto é, uma variável
auxiliar vx∗ . Esta variável auxiliar é denida pela equação a seguir:

21
vx∗ = µVx∗ max + (1 − µ)Vx∗ min (32)

Na equação acima, o valor de µ é a distribuição de roda livre do inversor (JACO-


BINA et al., 2001), será denido no valor de 0,5 para garantir que vx∗ seja o valor médio entre
o máximo e mínimo das tensões de referência, objetivando centralizar os pulsos e melhorar o
perl de distorção harmônica das correntes da rede compensadas pelo ltro. Este artifício é
utilizado para proteção do inversor, garantindo que o mesmo não extrapole os seus valores de
tensão. Os valores das variáveis Vx∗ max e Vx∗ min são denidos nas equações a seguir:

Vc
Vx∗ max = − vmax {v1∗ , v2∗ , v3∗ } (33)
2
Vc
Vx∗ min = − − vmin {v1∗ , v2∗ , v3∗ } (34)
2
Onde,
Vc é a tensão lida no barramento CC.
vmax é o maior valor entre as três tensões de referência naquele instante.
vmin é o menor valor entre as três tensões de referência naquele instante.
Ao serem denido o valor de vx∗ naquele instante, é possível enm determinar os
valores das tensões de pólo.
Da Figura 1, é possível extrair o equivalente monofásico da Figura 8. Dela podem
ser deduzidas as tensões de polo de referência, desde que se saiba quais os valores de corrente
da carga que é necessário compensar.

Figura 8: Modelo equivalente monofásico para tensões de pólo de referência.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

Obtendo a equação de malha, onde j representa uma fase correspondente, tem-se:

22
egj = −if zg + vj0 − vn0 (35)

Portanto:

0 = v10 + v20 + v30 − 3vn0 (36)


1
vn0 = (v10 + v20 + v30 ) (37)
3
Daí, conclui-se que:

2 ∗ 1 ∗ 1 ∗

v1∗ = v10 ∗
− vn0 = v10 − v20 − v30 (38)
3 3 3
1 ∗ 2 ∗ 1 ∗

v2∗ = v20 ∗
− vn0 = − v10 + v20 − v30 (39)
3 3 3
Para completar o conjunto de equações, têm-se que:

1 ∗ 1 ∗ 1 ∗
vx∗ = v10 + v20 + v30 (40)
3 3 3
Colocando as equações (38), (39) e (40) na forma matricial, obtêm-se:
     

v 2 1
−3 −3 1
v∗
 1  3   10 
(41)
 ∗  1 2
v2  = − 3 3 − 13  · v20
  ∗

     
vx∗ 1
3
1
3
1
3

v30

Assim, da inversa da (41) temos:


     

v 1 0 1 v∗
 10     1
(42)
 ∗ 
v20  =  0 1 1 · v2∗ 
  
     

v30 −1 −1 1 vx∗

Logo, da matriz (42), é possível obter as equações a seguir para as tensões de pólo
de referência:


v10 = v1∗ + vx∗ (43)


v20 = v2∗ + vx∗ (44)


v30 = v3∗ + vx∗ (45)

23
Conforme já descrito, as equações (43), (44) e (45) serão comparadas com uma
portadora triângular de alta frequência, ação esta que denirá o estado das chaves, conforme
está demonstrado na Figura 9. O uxograma do algoritmo utilizando as equações descritas
nessa estratégia está mostrada na Figura 10.

Figura 9: Estrutura básica de PWM - comparação da tensão de referência com uma


portadora triângular (Apenas ilustrativo).

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

Figura 10: Fluxograma do algoritmo da estratégia PWM.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

24
4.4 SINTONIA DOS VALORES DE kii E kpp PARA O CONTROLA-

DOR DO BARRAMENTO CC

Para o controle do barramento CC, é necessário estabelecer as funções de trans-


ferência dos componentes em malha aberta. Assim, para o controlador proporcional integral,
têm-se:

kii
Gc (s) = kpp + (46)
s
A equação (46) pode ser reescrita como:

(s kkpp + 1)
Gc (s) = kpp ii
(47)
s
Assumindo uma constante de tempo τ para o conversor fonte de tensão, a qual é
representativa do período de chaveamento do conversor, tem-se:

Ed
Gp (s) = 2
(48)
sτ + 1
Onde,
Onde Ed é a tensão do barramento CC (V);
Onde τ é o período da portadora triângular (s);
E para o barramento CC, obtém-se:

1
GB (s) = (49)
sCB + RCB
Onde,
Onde CB é a capacitância total do barramento CC (F);
Onde RCB é a resistência elétrica equivalente série do barramento CC (Ω);
Portanto, a função de transferência de malha aberta (FTMA) para o controle do
barramento CC, utilizando as equações (49),(47) e (48), e fazendo o cancelamento de pólos por
zeros obtêm-se:

kpp 
 Ed
(s + 1)
kii 1
GM A (s) = kpp 2
(50)

s sτ + 1 (
sC(B(+(R(CB
(

25
kii E2d
GM A (s) = (51)
s sτ + 1

Figura 11: Diagrama de blocos para malha aberta do controlador do barramento


CC.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

Figura 12: Diagrama de blocos para malha fechada do controlador do barramento


CC.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

Por se tratar de um sistema com realimentação, o mesmo é considerado um sistema


de malha fechada. Logo, da Figura 11 com realimentação unitária, obtêm-se o diagrama de blo-
cos da Figura 12, onde é possível deduzir a função de transferência de malha fechada (FTMF).
tida como:

GM A (s)
GM F (s) = (52)
1 + GM A (s)
Logo, substituindo (51) em (52), têm-se:

Ed
kii 2
GM F (s) = s sτ +1
Ed (53)
kii 2
1+ s sτ +1
E
kii 2d
+1)
s(sτ 
GM F (s) = Ed (54)
s(sτ +1)+kii 2
s(sτ
 +1)



kii E2d
GM F (s) = (55)
s(sτ + 1) + kii E2d

kii E2d
GM F (s) = (56)
s2 τ + s + kii E2d

26
Devido a equação (56) se tratar de uma função de transferência de segunda ordem,
é possível determinar os valores de kpp e kii para pólos reais e idênticos, como:

1
kii = (57)
2τ Ed
CB kii
kpp = (58)
RCB
A partir desses valores de kii e kpp foi realizada um processo de ajuste dos mesmos
por sintonia na para melhor resposta do controle.

4.5 SINTONIA DOS VALORES DE ki e kp PARA OS CONTROLA-

DORES DE CORRENTE

A análise é baseada no circuito monofásico equivalente da Figura 13, em que é


possível ver, não é de interesse os dados de impedância da carga.

Figura 13: Circuito monofásico equivalente da representação do sistema para malha.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

Conforme é possível acompanhar na sua análise, a equação da malha do circuito


pode ser descrita como:

eg (t) − zg ig (t) + zf if (t) − vf (t) = 0 (59)

Da lei de Kirchho das correntes no PAC, têm-se que:

il (t) = ig (t) + if (t) (60)

if (t) = il (t) − ig (t) (61)

27
Aplicando (61) em (59), é possível obter:

eg (t) − zg ig (t) + zf [il (t) − ig (t)] − vf (t) = 0 (62)

eg (t) − zg ig (t) − zf ig (t) − vf (t) = 0 (63)

eg (t) − vf (t) − ig (t)(zg + zf ) = 0 (64)

eg (t) − vf (t) = ig (t)(zg + zf ) (65)


eg (t) − vf (t)
ig (t) = (66)
zg + zf
Na análise do controlador de corrente, a tensão da rede não será considerada para
análise pois a mesma não é de interesse para sintonia do controlador, podendo a mesma sendo
considerada como uma perturbação. Portanto:

eg − v (t)
(t) f
ig (t) =  (67)
zg + zf
−vf (t)
ig (t) = (68)
zg + zf
Aplicando a transformada de Laplace na equação (68), temos:

−Vf (s)
Ig (s) = (69)
zg + zf
Da função de transferência do conversor (48), é possível fazer uma aproximação de
primeira ordem considerando o pequeno delay de chaveamento:

Vf0 (s) E2d


Vf (s) = (70)
sτ + 1
Logo, substituindo (70) em (69):

Ed
V 0 (s)
− fsτ +12
Ig (s) = (71)
zg + zf
Ed

Ig (s) − sτ2+1
= (72)
Vf0 (s) zg + zf
Considerando zg = rg + lg s e zf = rf + lf s e substituindo temos:

28
Ed

Ig (s) − sτ2+1
= (73)
Vf0 (s) rg + lg s + rf + lf s

Ig (s) − E2d
= (74)
Vf0 (s) s2 [τ (lg + lf )] + s[τ (rg + rf )] + rg + rf
Para os valores adotados simulados no sistema, obtêm-se o diagrama de Bode des-
crito na Figura 14.

Figura 14: Diagrama de Bode da equação (74) com valores aplicados.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

Para o sistema nal é possível considerar a FTMF do diagrama de blocos da Figura


15.
Figura 15: Diagrama de blocos nal do sistema em malha fechada

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

Portanto, a FTMF é:

Gc Gdc
GM F (s) = (75)
1 + Gc Gdc
Considerando a equação (74) como Gdc e a equação (23) como Gc , obtêm-se:

29
E
− 2d ka s2 +kb s+kc
s2 [τ (l g +lf )]+s[τ (rg +rf )]+rg +rf s2 +ω 2
GM F (s) = E (76)
− 2d ka s2 +kb s+kc
1+ s2 [τ (lg +lf )]+s[τ (rg +rf )]+rg +rf s2 +ω 2

Ed
− 2
(ka s2 +kb s+kc )
(
(
(s2 [τ (lg +lf(
)]+s[τ
(((r( (((( (s2 2)
g +rf )]+rg +rf )  +ω

GM F (s) = (((( Ed (77)
(s2 [τ (lg +lf )]+s[τ (rg +rf )]+rg +rf )(s2 +ω 2 )− 2
(ka s2 +kb s+kc )
(
((
(s2 [τ (lg +lf(
)]+s[τ (((( (s2
(((rg +rf )]+rg +rf )  +ω
2)
((((
− E2d (ka s2 + kb s + kc )
GM F (s) = Ed
(78)
(s2 [τ (lg + lf )] + s[τ (rg + rf )] + rg + rf )(s2 + ω 2 ) − 2
(ka s2 + kb s + kc )
Assim, para a equação (78), é possível obter o diagrama de Bode da Figura 16, o
diagrama de lugar das raízes da Figura 17 e resposta ao sinal senoidal da Figura 18.

Figura 16: Diagrama de Bode para a FTMF da equação (78)

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

É possível ver que para cada um dos diagramas de bode, um ganho de alto valor
para a frequência de corte, e para valores de ω > ωc , uma atenuação da resposta. Isto é, um
comportamento análogo ao obtido na Figura 6.
A Figura 17 mostra o lugar das raízes para a função de transferência da equação
(78). Nela, é visto que 1 pólo é mais rápido que os demais, o que garantirá um menor tempo de
assentamento. Além disso, é possível ver pólos sobre o eixo imaginário, o que demonstra que o
sistema é marginalmente estável.
Conforme observado no resultado da simulação da Figura 18, o controle proporciona

30
Figura 17: Lugar das raízes da FTMF da equação (78)

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

um resultado satisfatório ao acompanhar corretamente o sinal de referência senoidal. Em


síntese, é demonstrado que em regime permanente, para um valor de referência senoidal, o
controle garante erro nulo.

31
Figura 18: Resposta do sinal senoidal da FTMF da equação (78)

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

5 DIMENSIONAMENTO DOS ELEMENTOS PASSIVOS

Conforme descrito por (CHAOUI et al., 2008), material esse utilizado em todo o dimen-
sionamento, existem vários métodos para o mesmo em projetos de ltros ativos. Como o modelo

32
de diagrama da Figura 5 é semelhante ao descrito pelo material base, serão demonstrados os
métodos em que os resultados se aproximaram de uma melhor otimização.
O dimensionamento dos elementos passivos de um ltro ativo paralelo conforme a
topologia da Figura 5 se dá em três parâmetros principais:

ˆ A tensão de referência do barramento CC capacitivo, Vdc (V);

ˆ A indutância do ltro, Lf (H);

ˆ A capacitância do barramento CC do VSI, Cdc (F);

A determinação desses parâmetros são baseados em premissas pré-estabelecidas


como: o sinal da rede deve ser senoidal, o projeto de Lf deve ser feito de modo que a distorção
máxima de corrente seja de 5%.
Para a tensão de referência do barramento CC, é possível denir como:


Vdc = 2 2Vs ; (79)

Onde,
Vs é a tensão de fase da rede (V);
Com base nessa equação, é assumido até o valor de 1, 1Vdc no critério que o barra-
mento CC é regulado para se manter em até 10% do valor de pico de entrada estimado.
Quanto à indutância para um inversor de 6 braços (trifásico), Lf é projetada de
forma a limitar a oscilação (ripple ) da componente fundamental da corrente na rede durante o
cruzamento/passagem por zero pela tensão da rede, como:

Vdc
Lf = (80)
6fP W M ∆I(p−p)max
Onde,
Vdc é a tensão do barramento CC (V);
fP W M é a frequência de chaveamento do PWM (Hz);
I∆(p−p)max é a variação máxima de pico-a-pico da corrente (ripple );
Para estimar a capacitância do barramento CC, deve-se levar em consideração que
o barramento trabalha com uma oscilação de 2ωe de ripple, com base na corrente de sequência
negativa da carga. Para isso, a capacitância mínima é de:

33
S
Cdc = (81)
2ωe Vdc ∆V(p−p)max
S é a potência aparente da carga (VA);
ωe é a frequência angular da rede (rad/s);
Vdc é a tensão do barramento CC (V);
∆V(p−p)max é a variação máxima de pico-a-pico da tensão no barramento
(ripple );
Em questões de dimensionamento de componentes para ltros ativos, é necessário
se levar em consideração a impedância para cada componente múltipla da fundamental, haja
vista que para componente de frequência, haverá uma impedância correspondente, pelo fato de
indutâncias ou capacitâncias serem determinadas por tais frequências. Fazendo uma analogia
ao teorema da superposição, é possível perceber a contribuição para cada componente, conforme
visto na Figura 19.
Também é possível vericar na Figura 19, que para componentes de frequência múl-
tiplas da fundamental, o modelo de circuito equivalente é obtido. Por questões de praticidade,
a impedância da linha zgh será desconsiderada para equacionamento, devido a complexidade de
análise a ser realizada pela concessionária para cada componente de frequência.
Como discutido anteriormente, em regime permanente a equação (16) fornece a
tensão de referência para um ltro ativo na frequência fundamental para a correção do fator
de potência da carga. Entretanto, não se é levado em consideração a presença de harmônicas.
Com base na Figura 19, para as harmônicas, é possível obter que a tensão de referência do ltro
deve ser:

Vref h = if h (rf + j2πhfe Lf ) (82)

Onde,
if h é a corrente para a componente de ordem h (A);
rf é a componente resistiva da impedância de saída do ltro (Ω);
Lf é a indutância da impedância de saída do ltro (H);
fe é a frequência fundamental (Hz);
h é a ordem da harmônica múltipla da fundamental;
De modo a garantir que o barramento possua um valor suciente elevado para a

34
Figura 19: Diagramas de circuitos equivalentes para cada componente de frequência.
Fonte: Elaborado pelo próprio autor

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

compensação de todas as componentes harmônicas presumidas no sistema, o valor obtido pela


equação (82) deve ser somado ao valor da tensão de referência do barramento CC obtida pela
equação (79).

6 SIMULAÇÕES E RESULTADOS

Para as simulações computacionais foi utilizado o software PSIM ©que possui a


interface mostrada na Figura 20. O PSIM fornece o recurso de implementar um bloco funcional
em linguagem C, que será utilizada para implementar toda a estratégia de controle.
Todas as simulações desse trabalho foram feitas utilizando os valores de carga de

35
15,4 Ω de resistência e indutância de 0,042 H. Valores esses de bancada disponíveis no LACA
(Laboratório de Acionamento, Controle e Automação) do IFPB. Já o ltro possui uma impe-
dância de saída com resistência interna estimada de 0,36 Ω da indutância de 4 mH obtida pela
equação (80), para uma ripple máximo de 3.5%, com frequência de chaveamento de fP W M = 10
kHz. O barramento CC, foi estimado com a equação (81) resultando em um valor de capaci-
tância de 4200 µF com um ripple máximo de tensão de 3,35%.

Figura 20: Interface gráca do software de simulação PSIM ©.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

Inicialmente foi implementado apenas um ltro dotado do Inversor VSI para corrigir
o fator de potência de 0,7 atrasado de uma carga resistiva-indutiva trifásica de 6,6 kVA com
os valores anteriormente descritos, conforme pode ser observado na Figura 21. Na Figura, é
possível ver o ltro conectado ao ponto de acoplamento comum (PAC) com a carga e a ligação
à rede representada por três fontes de tensão senoidais.
Os resultados da simulação obtidos do circuito da gura 21 estão demonstrados na
Figura 22. É possível ver que antes da adição do ltro ao circuito, a corrente está defasada em
relação a tensão. Em contrapartida, ao ser adicionado o ltro, a corrente está perfeitamente
em fase com a tensão.
Multiplicando a amplitude da corrente medida por 10, para poder se observar
melhor o comportamento da corrente, além de perceber que a mesma encontra-se comple-
tamente em fase, é possível constatar que ela encontra-se "ruidosa"por uma componente de
alta-frequência. Isso é resultado do chaveamento do VSI.

36
Figura 21: Circuito de simulação de Filtro shunt ativo para correção do fator de
potência da carga

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

Em uma outra simulação, a componente da quinta harmônica foi implementada


como uma fonte de corrente com valor de amplitude de 1/5 da amplitude de pico da carga
conforme visto na Figura 24. A corrente da rede ig ca deformada conforme visto na Figura
25.
Com o propósito de se obter os valores de tensões de referência para eliminar as
harmônicas, o ltro shunt proposto foi implementado com o controlador da Figura 7. Os resul-
tados obtidos desta implementação estão demonstrados nas Figuras 26-27 onde são mostrados
o valor real, a corrente ig multiplicada por 10 (melhor visualização).
Finalmente, foi realizado a inserção das componentes 7, 9, 11 e 13 múltiplas da
fundamental além do controle do barramento CC. O modelo nal do sistema implementado no
PSIM está mostrado na Figura 28.
Na Figura é possível identicar o VSI, os braços do inversor conectados a rede por
"labels"para uma melhor visualização, bem como o barramento CC dotado dos capacitores em
série, substituindo a fonte de tensão que se encontrava anteriormente.
Para o barramento CC, é possível observar que após a sintonia na, o transitório
cou caracterizado um "overshoot"de 37,5% em torno da tensão de referência especicada.
Conforme descrito na Figura 29.
Para a corrente em regime permanente, é possível ver o valor que a corrente medida
acompanha a corrente de referência descrito na Figura 30.
Para a simulação nal, foram inseridos valores de pico de 20%, 30%, 40%, 50%,e
70% do valor da corrente de pico aparente da componente fundamental, divididos pela ordem

37
Figura 22: Simulação dos valores de tensão e corrente do circuito da Figura 21 sem
o ltro (cima) e com o ltro (baixo).

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

da harmônica. Nessas simulações, foram conguradas as tensões de referência inicialmente


calculadas de Vc∗ com a equação (79), com e sem o critério de 10%. E, após isso, o valor de
Vdc∗ foi congurado com os valores de 650 V,750 V, 850 V e 950 V. Também foram obtidos os
valores das taxas de distorção harmônica das correntes na rede para cada fase. Todos os valores
demonstrados a seguir estão em regime permanente.
Com base nas simulações apresentadas, a partir de um certo ponto, o aumento da

38
Figura 23: Simulação do circuito da Figura 21 com amplitude de corrente multipli-
cado por 10 para melhor visualização.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.


Figura 24: Circuito de simulação com 5a harmônica.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

tensão do barramento passar a não ser mais efetivo. Dependendo das amplitudes das com-
ponentes harmônicas de corrente, um valor elevado de tensão ao barramento CC passa a ser
inviável, pois, o THD de corrente varia muito pouco.
Apesar de se tratar de um modelo inicial, a resposta do ltro ante às distorções
harmônicas impostas pelas fontes de corrente na simulação foram muito satisfatórias. Conforme

39
Figura 25: Corrente da rede com introdução de correntes de 5a ordem sem presença
do ltro.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.


Figura 26: Resultados da simulação após implementação do controlador do diagrama
da Figura 7.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

demonstrado nas Tabelas 1-6. Em alguns casos, o THD chegou a car abaixo de 5%, valor esse
determinado por normas nacionais e internacionais como o PRODIST e o IEEE Std. 519,
respectivamente.

40
Figura 27: Resultados da simulação após implementação do controlador do diagrama
da Figura 7 com Ig · 10.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

Figura 28: Sistema Final para simulação no PSIM e resultados.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

41
Figura 29: Tensão no barramento CC do VSI.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

Figura 30: Corrente de referência gerada pelo controlador de corrente e corrente da


rede.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

42
Tabela 1: THDs de corrente obtidos das simulações da Figura 31 para uma tensão
de barramento estimada com a equação (79), sem o critério de 10% (Vdc∗ = 622, 25
V).
Corrente 20% Ip 30% Ip 40% Ip 50% Ip 70% Ip
THD THD THD THD THD
Ia 5,92% 8,88% 11,84% 14,77% 20,72%
Ib 5,92% 8,88% 11,84% 14,78% 20,73%
Ic 5,92% 8,88% 11,84% 14,78% 20,72%
Igr 5,41% 5,50% 5,62% 5,77% 6,12%
Igs 5,42% 5,51% 5,65% 6,07% 9,46%
Igt 5,41% 5,53% 5,66% 6,05% 8,93%
Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

Tabela 2: THDs de corrente obtidos das simulações da Figura 32 para uma tensão
de barramento estimada com a equação (79), com o critério de 10% (Vdc∗ = 685 V).
Corrente 20% Ip 30% Ip 40% Ip 50% Ip 70% Ip
THD THD THD THD THD
Ia 5,92% 8,88% 11,84% 14,77% 20,72%
Ib 5,92% 8,88% 11,84% 14,78% 20,73%
Ic 5,92% 8,88% 11,84% 14,78% 20,72%
Igr 5,71% 5,78% 5,91% 6,05% 6,44%
Igs 5,69% 5,78% 5,92% 6,03% 6,41%
Igt 5,69% 5,80% 5,93% 6,05% 6,42%
Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

Tabela 3: THD de corrente obtidos das simulações da Figura 33

THD
Corrente Vc∗ = 650 V Vc∗ = 750 V Vc∗ = 850 V Vc∗ = 950 V
Ia 8,87% 8,87% 8,87% 8,87%
Ib 8,87% 8,87% 8,87% 8,87%
Ic 8,86% 8,86% 8,86% 8,86%
Igr 3,90% 4,13% 4,29% 4,55%
Igs 3,93% 4,09% 4,31% 4,58%
Igt 4,01% 4,11% 4,31% 4,54%
Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

43
Tabela 4: THD de corrente obtidos das simulações da Figura 34

THD
Corrente Vc∗= 650 V Vc∗= 750 V Vc∗ = 850 V Vc∗ = 950 V
Ia 11,84% 11,84% 11,84% 11,84%
Ib 11,84% 11,84% 11,84% 11,84%
Ic 11,84% 11,84% 11,84% 11,84%
Igr 4,50% 4,63% 4,81% 5,08%
Igs 5,69% 4,54% 4,81% 5,05%
Igt 5,40% 4,56% 4,77% 5,01%
Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

Tabela 5: THD de corrente obtidos das simulações da Figura 35

THD
Corrente Vc∗= 650 V Vc∗= 750 V Vc∗ = 850 V Vc∗ = 950 V
Ia 14,77% 14,80% 14,70% 14,77%
Ib 14,78% 14,80% 14,70% 14,78%
Ic 14,77% 14,80% 14,70% 14,77%
Igr 5,05% 5,39% 5,39% 5,59%
Igs 8,39% 5,35% 5,36% 5,54%
Igt 7,67% 5,37% 5,38% 5,53%
Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

Tabela 6: THD de corrente obtidos das simulações da Figura 36

THD
Corrente Vc∗ = 650 V Vc∗ = 750 V Vc∗ = 850 V Vc∗ = 950 V
Ia 20,72% 20,72% 20,72% 20,72%
Ib 20,72% 20,72% 20,72% 20,72%
Ic 20,72% 20,72% 20,72% 20,72%
Igr 6,37% 6,56% 6,76% 6,87%
Igs 15,72% 6,76% 6,68% 6,80%
Igt 14,00% 6,73% 6,68% 6,86%
Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

44
Figura 31: Correntes das fases da rede a montante e jusante do ltro para compo-
nentes harmônicas de valores de pico de 20, 30, 40, 50 e 70% ·il /h, com tensão de
referência estimada com a equação (79) sem o critério de 10%. (Vdc∗ = 622, 25 V)

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.


45
Figura 32: Correntes das fases da rede a montante e jusante do ltro para compo-
nentes harmônicas de valores de pico de 20, 30, 40, 50 e 70% ·il /h, com tensão de
referência estimada com a equação (79) com o critério de 10%. (Vdc∗ = 685 V)

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.


46
Figura 33: Correntes das fases da rede a montante e jusante do ltro para compo-
nentes harmônicas de valores de pico de 30% · il /h.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

47
Figura 34: Correntes das fases da rede a montante e jusante do ltro para compo-
nentes harmônicas de valores de pico de 40% · il /h.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

48
Figura 35: Correntes das fases da rede a montante e jusante do ltro para compo-
nentes harmônicas de valores de pico de 50% · il /h.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

49
Figura 36: Correntes das fases da rede a montante e jusante do ltro para compo-
nentes harmônicas de valores de pico de 70% · il /h.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2017.

50
7 CONCLUSÃO

A inserção de aparelhos eletrônicos alimentados por fontes reticadoras não controla-


das vem tornando cada vez mais complexa a constância na qualidade de energia em valores
aceitáveis. A distorção imposta por esses elementos trazem consequências desastrosas para um
sistema elétrico de potência e todos os elementos que o compõem. Conforme descrito por (AR-
RILLAGA; WATSON 2003), componentes harmônicas aumentam, nas máquinas elétricas, as
perdas no cobre dos enrolamentos, dispersão de uxo, histerese, correntes de Foucault, estresse
no isolamento de condutores, vibrações mecânicas e até em alguns casos, ocasionar uma possível
ressonância entre indutâncias de transformadores e capacitâncias de uma rede elétrica. Em um
maior aumento na taxa de distorção harmônica de tensão resulta em aumento de perdas nos
dielétricos de banco de capacitores (ARRILLAGA; WATSON 2003).
Devido a deciência de ltros ressonantes (passivos) na eliminação de componentes
de característica não harmônicas e inter-harmônicas, os ltros ativos vem se tornado uma reali-
dade cada vez mais possível, principalmente com o desenvolvimento em eletrônica de potência.
Consideravelmente, o fator econômico ainda é preponderante. Esse é um obstáculo que vem
sendo gradativamente superado devido à redução dos preços de componentes de chaveamento
ao longo dos anos.
Os aspectos e parâmetros de um ltro shunt ativo são cruciais em uma optimização
do sistema. Além do fato de ser capaz de alcançar o objetivo proposto (compensação de
harmônicas e/ou fator de potência), conforme observado por (CHAOUI et al., 2008), a tensão
de referência no barramento DC do VSI é algo a ser observado, de forma que, até um certo
ponto, o ltro não passa mais a ter um resultado efetivo. A partir de um certo momento, o THD
de corrente passa a ter um decremento pouco signicativo. Em contra-partida, para a tensão,
o THD passa a ser considerável, o que pode se tornar um problema futuro para concessionárias
de energia.
A idéia principal deste trabalho é demonstrar as diretrizes iniciais na implementação
de um ltro ativo shunt trifásico convencional, podendo esse mesmo ser aperfeiçoado seja em seu
sistema de controle ou dimensionamento de elementos. Não obstante, mesmo estando ainda em
processo de evolução e pesquisa, os ltros ativos são uma realidade e fruto do desenvolvimento
e avanço da engenharia elétrica para uma melhoramento na qualidade de energia.

51
Referências

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