Você está na página 1de 45

Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof.

João Mendes

Controle Concentrado e Abstrato

1. Natureza da Função da Jurisdição Constitucional (STF)


Função Política de Legislador Negativo
ADI (Med. Liminar) 2010-2 Relator Ministro Celso de Mello

2. Controle Concentrado e Difuso


Autonomia dos Modelos de Controle:
"À vista do modelo dúplice de controle de constitucionalidade por nós
adotado, a admissibilidade da ação direta não está condicionada à
inviabilidade do controle difuso." (ADI 3.205, Rel. Min. Sepúlveda Pertence,
julgamento em 19-10-06, DJ de 17-11-06)

3. Natureza do Processo: Objetivo


Ausência de interesse subjetivo e, consequentemente, de pretensão e lide (em
sentido subjetivo).

4. Diferenças entre processo subjetivo e processo objetivo


4.1. Quanto à lide - ADI 1.254-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 19/09/97
4.2. Quanto às partes do processo e Quanto ao interesse processual - ADI 2.982-
ED, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 2-8-06, DJ 22-9-06.
4.3. Quanto à Finalidade: Defesa da Ordem Objetiva X Tutela de Direito Subjetivo
4.4. Quanto à eficácia: Erga Omnes X Inter Partes
4.5. Execução no processo objetivo – Impossibilidade - Pet 1326 AgR, Rel. Min.
Maurício Corrêa, DJ 29/05/98).
4.6. Impedimento de Ministro: Situações:
 1ª) Ex-Membro do Executivo: Não Há Impedimento - ADI 4, Rel. Min.
Sydney Sanches, DJ 25/06/93

www.cursoenfase.com.br 1
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

 2ª) Presidente do TSE: Não Há Impedimento - ADI 2.321-MC, Rel. Min.


Celso De Mello, DJ 10/06/05
 3ª) Ex-PGR (manifestação por meio de parecer): Há Impedimento - ADI 4,
Rel. Min. Sydney Sanches , DJ 25/06/93
 4ª) Ex-PGR (que nega propositura): Há Impedimento - ADI 55-MCQO,
Rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 16/03/90
 5ª) Ex-AGU que tenha se manifestado na causa: controvérsia.
Tradicionalmente, não se consideraria haver impedimento por se tratar
de membro do Executivo.
No entanto, na ADPF 187 – Marcha da Maconha – o Min. Dias Toffoli
ficou impedido, pois havia se manifestado como AGU.
ADPF 187, 12/05/2011: "Inclua-se em pauta (Pleno), para efeito de
julgamento final da presente argüição de descumprimento de preceito
fundamental. Assinalo, por necessário, que o eminente Ministro DIAS
TOFFOLI está impedido, pois interveio, na presente causa, como
Advogado-Geral da União (fls. 107/117). Publique-se."

2014 / TRF - 2ª Região / Juiz Federal


Assinale a alternativa correta:
d Aplicam-se ao processo de controle abstrato de constitucionalidade as
regras tradicionais de impedimento e suspeição previstas no CPC e, por
isso, a jurisprudência do STF aponta que o ministro que já atuou
previamente no processo objetivo na condição de Procurador-Geral da
República ou Advogado-Geral da União não atuará no julgamento da
ação.
Item Errado

TRF 2° Região – Juiz Federal Substituto – VIII Concurso


44ª QUESTÃO: Aponte três aspectos distintivos relevantes entre o

www.cursoenfase.com.br 2
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

controle de constitucionalidade por via incidental e o controle mediante


ação direta de inconstitucionalidade.

5. Ações Diretas - Tipos


5.1. ADI – Art. 102, I, a c/c Lei 9.868/99
5.2. ADC – Art. 102, I, a c/c Lei 9.868/99
5.3. ADO – Art. 103, §2º c/c Lei 9.868/99
5.4. ADPF – Art. 102, §1º c/c Lei 9.882/99
5.5. ADI Estadual – Art. 125, §5º
5.6. Representação Interventiva – Art. 36, III c/c Lei 12.562/99

www.cursoenfase.com.br 3
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

Ação Direta de Inconstitucionalidade


Parâmetro

1. Parâmetro
É o conjunto normativo utilizado como referência para a aferição da
compatibilidade com a Constituição: a Ordem Constitucional Global

1.1. Conjunto Normativo Paramétrico


 Texto Constitucional: Texto Principal, Emenda à Constituição e ADCT
 Princípios Implícitos
 Tratado Internacional de Dir. Humanos aprovado na forma do art. 5º, §3º.

1.2. Vigência do Parâmetro: Revogação ou Modificação Superveniente

Revogação Superveniente
à Prejudicialidade

Modificação Superveniente
ADI EC à Não Substancial: Não Prejudicialidade
Lei
(Aditamento da Inicial)
2012 2013 2014
à Substancial: Prejudicialidade
Obs.: EC p/ “Cons tucionalizar” a Lei:
não há cons tucionalidade
superveniente: Prejudicialidade

Mitigação do Entendimento:
 ADI 2158/PR, rel. Min. Dias Toffoli, 15.9.2010. (lei estadual que instituiu
contribuição previdenciária de aposentado e pensionista)

www.cursoenfase.com.br 4
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

Ação Direta de Inconstitucionalidade


Objeto

1. Previsão Constitucional
Art. 102, I, a da CRFB - Lei ou ato normativo federal ou estadual
Ato normativo para efeito de controle abstrato via ADI: Ato Normativo
Primário

2. Tipologia do Ato Normativo

Formal Art. 59, CRFB

Primário Abstração

Generalidade
Material
Impessoalidade
Ato
Normativo
*Autonomia

Formal Fora do art. 59.


Secundário
Material Sem Autonomia

2.1. Inconstitucionalidade de Ato Normativo Secundário


i. Inconstitucionalidade Indireta, Reflexa ou Oblíqua.
ii. Controle de Legalidade e não de Constitucionalidade
iii. Ato Normativo Secundário Materialmente Primário – Possibilidade de ADI
– Exemplos:

www.cursoenfase.com.br 5
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

 Edital de um concurso público (ADI 2206, rel. Min. Nelson Jobim)


 Decreto autônomo (84, VI, CRFB) (ADI 2564, rel. Min. Ellen Gracie, DJ
06/02/2004 e ADI 1.969-MC, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 05/03/04).
 Decreto judiciário (ADI 2.052-BA, Relator Min. Eros Grau)
 Provimento de Corregedor-Geral de Justiça (ADI 2602/MG, rel. p/
acórdão Min. Eros Grau, 24.11.2005)
 Resolução Administrativa do TRT (ADI 3344 MC/DF, rel. Min. Gilmar
Mendes, 30.11.2005)
 Parecer do Consultor-Geral da República, que assume caráter
normativo após aprovação pelo Presidente da República (ADI 4, RTJ
147/719)
 Resolução de Secretário de Segurança Pública (ADI 3731 MC/PI, rel.
Min. Cezar Peluso, 29.8.2007).

2011 / PGR / Procurador da República


LEIA OS ENUNCIADOS ABAIXO:
III - Não cabe o controle abstrato de constitucionalidade de decreto
expedido pelo Presidente da República.
Errado.

CESPE – Juiz de Direito / BA


A Lei n.º 9.882, de 3/12/1999, regulamentadora do dispositivo
constitucional que previu a ADPF, estabeleceu para ela uma regra de
subsidiariedade, embora a Constituição não haja fixado esse caráter
subsidiário. Com base nisso, a argüição não será cabível, por exemplo,
contra ato normativo formalmente secundário mas materialmente
primário, como uma portaria de órgão federal que fira diretamente a
Constituição, porquanto esse ato é passível de controle concentrado
por meio de ADIn.

www.cursoenfase.com.br 6
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

Resp.: Correto

2.2. Autonomia Ilegítima de Ato Normativo


ADI 519 MC / MT

2.3. Decreto Regulamentar que Extrapola a Lei regulamentada


ADI 589/DF, rel. min. Carlos Velloso

2.4. Lei de Efeito Concreto


i. Ausência de Abstração (Exemplo: Lei Orçamentária)
ii. Posição Tradicional: não cabimento
iii. Lei Orçamentária
 Entendimento Clássico: não cabimento
 Mitigações do Entendimento Clássico
 Vício Formal: ADI N. 820-RS - Relator Min. Eros Grau.
 Na hipótese de apresentar, excepcionalmente, abstração e
generalidade (vide julgado)
 Lei Orçamentária: mudança de entendimento - ADI 4048 MC/DF,
rel. Min. Gilmar Mendes, 17.4.2008

2011 / PGR / Procurador da República


LEIA OS ENUNCIADOS ABAIXO:
IV - É incabível a propositura de ADI contra lei formal, dotada de efeitos
concretos.
Errado.

TRF 2a Região – 2011 (CESPE)


QUESTÃO 3 - No que se refere ao controle incidental de
constitucionalidade, à ação direta de inconstitucionalidade (genérica e

www.cursoenfase.com.br 7
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

por omissão), à ação declaratória de constitucionalidade e à arguição


de descumprimento de preceito fundamental, assinale a opção correta.
E. Podem ser objeto de ação direta de inconstitucionalidade, além de
leis de todas as formas e conteúdos, decretos legislativos, decretos
autônomos e decretos editados com força de lei pelo Poder Executivo,
resoluções do Tribunal Superior Eleitoral e medidas provisórias, mas
não resoluções ou deliberações administrativas de tribunais, que não
são consideradas atos normativos primários.
Item Errado

2.5. Ato Administrativo Normativo Genérico – Cabimento de ADI – STF, ADI


3202, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em
05/02/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-096 DIVULG 20-05-2014 PUBLIC
21-05-2014.

2.6. ADI contra projeto de ato normativo.


Impossibilidade.

3. Normas Constitucionais
3.1. N. C. Originárias – ADI 815, Rel. Min. Moreira Alves, DJ 10/05/96
3.2. N. C. Derivadas (de Reforma) – ADI 1.946-MC, Rel. Min. Sydney Sanches,
DJ, 14/09/01
CESPE – Juiz Federal Substituto – TRF 5ª Reg.
Conforme assentado pelo STF, havendo confronto entre normas
constitucionais originárias, a solução do caso concreto não pode ser
encontrada no âmbito do controle de constitucionalidade, mas pode
ser dada por critérios hermenêuticos, inclusive pela ponderação de
valores.
Resp.: Correto

www.cursoenfase.com.br 8
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

4. Súmulas
4.1. Súmulas Tradicionais
Não cabimento de ADI
ADI 594, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ 15/04/94
ADPF 80 AgR/DF, rel. Min. Eros Grau, 12.6.2006

4.2. Súmula Vinculante


Procedimento Próprio para Edição, Revisão e Cancelamento

2015 / CESPE / TRF - 5ª REGIÃO / Juiz Federal Substituto


A respeito da ADI, assinale a opção correta.
d) As súmulas editadas pelo STJ, em razão de sua generalidade e
abstração, são passíveis de serem atacadas por meio de ADI.
Errado.

5. Objeto: Direito Estadual, Municipal e Distrital


5.1. Leis ou Atos Normativos Estaduais: cabimento da ADI
5.2. Leis ou Atos Normativos Municipais: não cabimento da ADI
5.3. Leis ou atos normativos distritais
i. Distrito Federal: exercício da competência legislativa estadual e municipal
ii. Súmula 642 do STF: “Não cabe ação direta de inconstitucionalidade de lei
do distrito federal derivada da sua competência legislativa municipal”.

6. Controle concentrado estadual e federal


6.1. ADI e ADI Estadual: Propositura Concomitante (simultaneus processus)

www.cursoenfase.com.br 9
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

ADI e ADI Estadual: Propositura Concomitante

Lei Federal
ADI CRFB STF

Lei Estadual Sobrestamento

RI Const. TJ
Art. 125, Estadual
Lei Municipal § 2°

i. Não litispendência e de continência: ADI 1.423-MC, Rel. Min. Moreira


Alves, DJ 22/11/96.
ii. Decisão do STF na ADI Genérica:
 Declaração de Inconstitucionalidade da Lei Estadual: prejudicialidade
da ADI Estadual.
 Declaração de Constitucionalidade da Lei Estadual: não há
prejudicialidade se o parâmetro estadual for diverso do utilizado pelo
STF.

6.2. ADI Estadual e Norma de Reprodução Obrigatória: ADI contra Lei estadual
ou municipal que contraria norma da Constituição Estadual (CE) que
reproduz norma da CRFB de observância obrigatória.
 Cabimento: Rcl 383, Rel. Min. Moreira Alves, DJ 21/05/93
 Possibilidade de Interposição de RE da Decisão do TJ.

www.cursoenfase.com.br 10
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

ADI Estadual e Norma de Reprodução Obrigatória

Lei Federal
ADI CRFB STF
Rep.
Lei Estadual Obrig. RE
RI Const. TJ
Lei Municipal Art. 125, Estadual
§ 2°

 Natureza do RE: RE 412.921, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, decisão


monocrática, julgamento em 5-6-07, DJ de 14-8-07

TRF 2° Região – Juiz Federal Substituto


44ª Questão: É admissível o controle concentrado de
constitucionalidade de lei municipal em face de Constituição Estadual
quando se tratar de norma de reprodução de preceito constitucional
federal de observância obrigatória pelos Estados? Justifique a resposta
de acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal em vigor.

ESAF/PFN - 2004
95- Assinale qual dos instrumentos abaixo não pode ser meio de
controle de constitucionalidade em abstrato no Supremo Tribunal
Federal:
a) Recurso extraordinário
b) Ação declaratória de constitucionalidade
c) Argüição de descumprimento de preceito fundamental
d) Ação rescisória
e) Ação direta de inconstitucionalidade proposta por Confederação
Sindical

www.cursoenfase.com.br 11
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

Resp.: d

7. Princípio da Motivação, Princípio da Especificação de Normas e Causa de Pedir


Aberta
 ADI 561-MC, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 23/03/01 e ADI 2182/DF, rel. Min.
Marco Aurélio, 14.6.2007.
 Obs.: Pode o STF conhecer da inconstitucionalidade material se o pedido na
ADI questiona aspecto formal?
"Ação direta de inconstitucionalidade. 1. Questão de ordem: pedido
único de declaração de inconstitucionalidade formal de lei.
Impossibilidade de examinar a constitucionalidade material.
1. Questão de ordem resolvida no sentido da impossibilidade de se
examinar a constitucionalidade material dos dispositivos da Lei
8.429/1992 dada a circunstância de o pedido da ação direta de
inconstitucionalidade se limitar única e exclusivamente à declaração
de inconstitucionalidade formal da lei, sem qualquer argumentação
relativa a eventuais vícios materiais de constitucionalidade da norma.
(STF - ADI 2182 / DF - Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO -Relator(a) p/
Acórdão: Min. CÁRMEN LÚCIA - Tribunal Pleno - DJe 10/09/2010)"

2015 / CESPE / TRF - 5ª REGIÃO / Juiz Federal Substituto


A respeito da ADI, assinale a opção correta.
a) Se o pedido da ADI se limitar única e exclusivamente à declaração de
inconstitucionalidade formal, o STF ficará impedido de examinar a
inconstitucionalidade material da lei.
Correto.

Se o STF em ADI analisou somente a inconstitucionalidade formal e considerou


constitucional, nada impede posterior ação para questionar aspecto material.

www.cursoenfase.com.br 12
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

Preliminarmente, o Colegiado assentou o cabimento da ação direta. No


ponto, assinalou que, embora a Resolução 22.610/2007 do TSE, já
tivesse sido objeto de controle concentrado perante o STF [ADI
3.999/DF (DJe de 17.4.2009) e ADI 4.086/DF (DJe de 17.4.2009)], a
Corte apenas se pronunciara sobre a constitucionalidade formal da
norma. Além disso, a questão da legitimidade constitucional da perda
de mandato nas hipóteses de cargos eletivos do sistema majoritário
não teria sido suscitada anteriormente, e não houvera decisão a
respeito, muito embora a causa de pedir, na hipótese, fosse aberta.
ADI 5081/DF, rel. Min. Roberto Barroso, 27.5.2015.
No entanto, o Min. Barroso dá indicação de que, sendo a causa de pedir
aberta, poderia a inconstitucionalidade material ter sido conhecida. Veja-se trecho de
seu voto no mesmo caso:
"Como se constata singelamente, o Supremo Tribunal Federal somente
se pronunciou sobre a constitucionalidade formal da Resolução, tendo
rejeitado a tese da ocorrência de usurpação de competência legislativa.
A questão da ilegitimidade constitucional da perda de mandato nas
hipóteses de cargos eletivos do sistema majoritário, objeto da
presente ação, não foi suscitada em nenhum momento, seja na inicial,
seja no voto do Ministro-Relator ou nas demais manifestações
proferidas em Plenário. Como a causa de pedir nas ações de controle
concentrado de constitucionalidade é aberta, nada impediria que esta
questão fosse discutida nas ADIs 3.999/DF e 4.086/DF. Isso, porém,
não ocorreu". ADI 5081/DF, rel. Min. Roberto Barroso, 27.5.2015.
Min. Gilmar Mendes se posicionou no mesmo sentido:
"O Tribunal tem procedido dessa forma num ambiente de plena
normalidade, pois sempre foi pacífico o entendimento de que, na ação
direta, a causa de pedir é aberta, de forma que o controle de
constitucionalidade é realizado em face da ordem constitucional como

www.cursoenfase.com.br 13
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

um todo, inclusive de normas não inscritas textualmente, como o


princípio da proporcionalidade ou razoabilidade, tal como se observa
na prática do Tribunal.
Com essas breves considerações, baseadas na jurisprudência deste
Supremo Tribunal Federal e na doutrina constitucional que se formou
em torno dela, concluo meu voto nesta questão de ordem no sentido
de que a Corte deve analisar o objeto desta ação - delimitado pelo
pedido do requerente como sendo o inteiro teor da Lei n° 8.429/92 (Lei
de Improbidade Administrativa) em face toda a Constituição, não se
restringindo aos fundamentos da petição inicial."
CESPE – TRF 5.ª Reg. / Juiz Federal
No controle difuso de constitucionalidade, o Poder Judiciário, ao
solucionar um litígio, incidentalmente, deve analisar a
constitucionalidade da lei no caso concreto. Nesse tipo de controle, por
via de exceção ou defesa, não se faz necessária a indicação do
dispositivo constitucional violado pela norma considerada
incompatível, porque toda e qualquer declaração de
inconstitucionalidade possui causa de pedir aberta, que permite
examinar a questão por fundamento diverso daquele alegado por
qualquer dos litigantes.
Questão Incorreta

8. Direito Intertemporal
8.1. Lei Anterior à Constituição: ADI 2, Rel. Min. Paulo Brossard, DJ 21/11/97
8.2. Fiscalização da lei face à Emenda posterior: ADIn 2055 de 2003, rel.
Ministro Moreira Alves.

TRF 2° Região – Juiz Federal Substituto


31ª QUESTÃO: Qual o entendimento do Supremo Tribunal Federal

www.cursoenfase.com.br 14
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

quanto à possibilidade de controle direto de constitucionalidade com


relação a leis anteriores à Constituição vigente?

9. Vigência do Objeto: Revogação ou Modificação Intercorrente (ou superveniente)

Revogação Superveniente
à Prejudicialidade

Lei ADI Lei Modificação Substancial


Superveniente
2012 2013 2014
à Prejudicialidade

Efeitos Residuais: Modificação Não Substancial


Resolvidos no Superveniente
àNão Prejudicialidade
Controle Concreto à Aditamento da Inicial

Julgados pertinentes: RE 397354 AgR/SC rel. Min. Ellen Gracie e ADI 2581 AgR-
segundo/SP, rel. Min. Joaquim Barbosa.

Mitigação do Entendimento: aditamento na fase inicial da ação


Preliminarmente, o Tribunal, tendo em conta a urgência manifesta no
caso e a revogação da Lei 2.143/2009 pela 2.154/2009, e diante do fato
de que, antes da manifestação de qualquer dos interessados jurídicos
na causa, o autor apresentou emenda à inicial, passando agora a atacar
a nova lei, admitiu a petição de emenda à inicial, a fim de apreciar
como tal a ação perante a nova lei. ADI 4298 MC/TO, rel. Min. Cezar
Peluso, 7.10.2009.

Mitigação do Entendimento: caso de fraude processual.


Quadro fático que sugere a intenção de burlar a jurisdição
constitucional da Corte. Configurada a fraude processual com a

www.cursoenfase.com.br 15
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

revogação dos atos normativos impugnados na ação direta, o curso


procedimental e o julgamento final da ação não ficam prejudicados.
Precedente: ADI n° 3.232/TO, Rel. Min. Cezar Peluso, DJ 3.10.2008.

Mitigação do Entendimento: continuidade normativa.


Entendeu-se que, embora o requerente não tivesse aditado a inicial da
forma mais adequada, sua manifestação no sentido de que o art. 18 da
LC 667/91 estaria em vigor por força do art. 114 da LC 734/93 poderia
ser aceita como tal. ADI 932/SP, rel. Min. Ricardo Lewandowski,
17.12.2010.

9.1. Perda da vigência por causas intrínsecas: Prejudicalidade - ADI 943, Rel.
Min. Moreira Alves, DJ 24/11/95
9.2. Lei Superveniente dependente de condição futura e incerta: Não
prejudicialidade: ADI 2.728, Rel. Min. Maurício Corrêa, julgamento em 28-
5-03, DJ de 20-2-04
9.3. Revogação/Modificação em sede de controle difuso e concreto:
Nulidade original insanável
RE 346084/PR, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, 9.11.2005
RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 15/08/06
9.4. Conclusões
i. Exigência de Dupla Vigência do Objeto e do Parâmetro para fins de ADI.
ii. Revogação ou Modificação Substancial Superveniente, em regra, gera
prejudicialidade.
iii. Revogação Não Substancial não implica prejudicialidade.
iv. No controle concreto o parâmetro é o vigente no momento do
surgimento da norma e a norma pode ser objeto mesmo já revogada ou
modificada.

www.cursoenfase.com.br 16
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

Ação Direta de Inconstitucionalidade


Legitimados e Demais Participantes

1. Legitimidade Ativa
1.1. Art. 103, CRFB
Numerus clausus (Exaustividade do Rol - ADI 1.254-MC-AgR, Rel. Min. Celso
de Mello)
1.2. Classificação dos Legitimados Ativos

Universais ou Art. 103, I, II, III, VI,


Neutros VII e VIII

Legitimados
Art. 103, IV, V e IX

Especiais
Demonstração de
Pertinência
Temática

1.3. Pertinência Temática


Definição:
"O requisito da pertinência temática – que se traduz na relação de
congruência que necessariamente deve existir entre os objetivos
estatutários ou as finalidades institucionais da entidade autora e o
conteúdo material da norma questionada em sede de controle
abstrato – foi erigido à condição de pressuposto qualificador da
própria legitimidade ativa ad causam para efeito de instauração do
processo objetivo de fiscalização concentrada de constitucionalidade."
(ADI 1.157-MC, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 1º-12-1994,

www.cursoenfase.com.br 17
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

Plenário, DJ de 17-11-2006.)

2014 / TRF - 4ª REGIÃO / Juiz Federal


Assinale a alternativa INCORRETA.
a No regime constitucional anterior à Constituição Federal de 1988, o
único legitimado para propor a ação direta de inconstitucionalidade era
o Procurador-Geral da República.
b O Governador de Estado, a partir de 1988, tem legitimidade para
propor a Ação Declaratória de Constitucionalidade perante o Superior
Tribunal de Justiça.
c Na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o veto é irretratável.
d Incumbe ao Superior Tribunal de Justiça a homologação das
sentenças estrangeiras e a concessão do exequatur às cartas rogatórias.
e É incabível o ajuizamento, perante o Supremo Tribunal Federal, de
Ação Direta de Inconstitucionalidade de lei municipal em tese.
Resp.: B
1.4. Litisconsórcio ativo
Possibilidade

1.5. Capacidade Postulatória


 Com Capacidade postulatória Própria: Inc. I a VII
 Sem Capacidade postulatória Própria: Incisos VIII e IX (ADI 127-MC-QO,
rel. Ministro Celso de Mello)
Obs.: Procuração com Poderes Específicos: ADI 2.187-QO, Rel. Min. Octavio
Gallotti, julgamento em 24-5-2000, Plenário, DJ de 12-12-2003.)

2015 / CESPE / TRF - 1ª REGIÃO / Juiz Federal Substituto


Acerca da ADI, da ADC e da ADPF, assinale a opção correta.
c) Segundo entendimento do STF, todos os legitimados para propor ADI

www.cursoenfase.com.br 18
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

possuem capacidade processual plena e podem subscrever a peça


inicial da ação sem auxílio de advogado.
Errado.

1.6. Governador
Propositura de ADI contra lei de outro Estado: possibilidade.
(ADI 2.656, Rel. Min. Maurício Corrêa, julgamento em 8-5-2003, Plenário,
DJ de 1º-8-2003.)

1.7. Partido Político com Representação no Congresso Nacional


 Representação Congressual: Deputado e Senador / Deputado ou
Senador?
 Diretório ou Executiva regional não tem legitimidade para propor a
ação, somente o Diretório Nacional (ADI 610-MC, RTJ 140/752)
 Perda superveniente da representação do partido político no Congresso
Nacional: não prejudicialidade. (ADI 2.618-AgR-AgR, Rel. Min. Gilmar
Mendes, DJ de 31-3-2006.)

2015 / CESPE / TRF - 5ª REGIÃO / Juiz Federal Substituto


A respeito da ADI, assinale a opção correta.
c) De acordo com o entendimento do STF, se, no curso de ADI proposta
por partido político, este vier a perder sua representação no Congresso
Nacional, referida ação deverá ser declarada prejudicada.
Errado

1.8. Confederações Sindicais


 Associação sindical de grau superior (art. 533-535, CLT), que ocupa o
cimo da hierarquia da estrutura sindical.
 Composição Mínima de 3 Federações.

www.cursoenfase.com.br 19
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

 Federações Sindicais e Sindicatos Nacionais: não têm legitimidade (ADI


1.599-MC, Rel. Min. Maurício Corrêa, DJ 18/05/01).
 Registro do Estatuto no Ministério do Trabalho: Necessidade (ADI
1.565, Rel. Min. Néri da Silveira, DJ 17/12/99)
 Autorização dos Filiados: Desnecessidade (ADI-MC 1931 / DF, Rel. Min.
Maurício Corrêa)
 Centrais Sindicais: Ausência de legitimidade ativa de Central Sindical.
(ADI 1.442, Rel. Min.Celso de Mello, julgamento em 3-11-04, DJ de 29-
4-05)

1.9. Entidades de Classe


 Definição: entidade representativa de Categoria Profissional ou
Atividade Econômica
 Característica Essencial: Entidades que apresentam um “elemento
unificador, que fundado na essencial homogeneidade, comunhão e
identidade de valores, constitui fator necessário de coesão” (ADIQ 108-
DF, rel. Ministro Celso de Mello.)
 Âmbito Nacional: Presença em 9 Estados da Federação – aplicação
analógica da Lei dos Partidos Políticos – Em regra. ADI 3.617-AgR, Rel.
Min. Cezar Peluso, julgamento em 25-5-2011, Plenário, DJE de 1º-7-
2011
 Representação de apenas fração da classe: ausência de legitimidade.
 (ADI 1.875-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 20-6-2001,
Plenário, DJE de 12-12-2008.)
 Entidades Representativas de Empresas – ADI 4603 MC/RN, rel. Min.
Dias Toffoli, 26.5.2011
 Associação de Associações – ADI 3.153-AgR, Rel. Min. Sepúlveda
Pertence, julgamento em 12-8-2004, Plenário, DJ de 9-9-2005.

www.cursoenfase.com.br 20
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

TRF 5ª Região
56. O STF, alterando a jurisprudência dominante, passou a admitir a
legitimação ativa para a propositura de ação direta de
inconstitucionalidade da entidade de classe de âmbito nacional
formada por pessoas jurídicas, conhecida como “associação de
associações”.
Reposta: Correto

2. Legitimidade Passiva
 É o órgão/autoridade (ou os órgãos/autoridades) que emitiu (emitiram)
a norma impugnada. ADI 1.254-MC-AgR, Rel. Min. Celso de Mello.
 Finalidade: Prestação de Informações
L. 9868/99 - Art. 6o O relator pedirá informações aos órgãos ou às
autoridades das quais emanou a lei ou o ato normativo impugnado.
Parágrafo único. As informações serão prestadas no prazo de trinta dias
contado do recebimento do pedido.

3. Advogado-Geral da União
3.1. Atuação do AGU – Art. 103, § 3º
Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade,
em tese, de norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o
Advogado-Geral da União, que defenderá o ato ou texto impugnado.

Atua como curador da presunção de constitucionalidade da norma impugnada


(defensor legis) em atendimento ao princípio do contraditório. (ADI 1.434-MC, Rel.
Min. Celso de Mello, julgamento em 20-8-96, DJ de 22-11-96)

3.2. Natureza da Atuação


 Atuação Vinculada (Regra) (ADI 1.254-AgR, Rel. Min. Celso de Mello,

www.cursoenfase.com.br 21
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

julgamento em 14-8-96, DJ de 19-9-97)


 Exceções à Vinculação:
o Declaração de Inconstitucionalidade anterior (ADI 1.616, Rel. Min.
Maurício Corrêa, julgamento em 24-5-01, DJ de 24-8-01)
o Interesse da União X Defesa da Norma (ADI 3916/DF, rel. Min. Eros
Grau, 7.10.2009).

4. Procurador-Geral da República
4.1. Atuação do PGR
 Legitimado ativo
 Órgão interveniente
4.2. Impedimento de Ministro nas Ações Diretas, em que atuou como PGR (ADI
55-MCQO, DJ 16/03/90)
4.3. Princípio da Indisponibilidade

5. Prazo – AGU e PGR


5.1.1. Procedimento Regular: L. 9868/99 - Art. 8o
Decorrido o prazo das informações, serão ouvidos, sucessivamente, o
Advogado-Geral da União e o Procurador-Geral da República, que
deverão manifestar-se, cada qual, no prazo de quinze dias.

5.1.2. No caso de Cautelar: art. 10,§ 1º.


O relator, julgando indispensável, ouvirá o Advogado-Geral da União e
o Procurador-Geral da República, no prazo de três dias.

5.1.3. Procedimento Célere: Art. 12.


Havendo pedido de medida cautelar, o relator, em face da relevância
da matéria e de seu especial significado para a ordem social e a
segurança jurídica, poderá, após a prestação das informações, no prazo

www.cursoenfase.com.br 22
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

de dez dias, e a manifestação do Advogado-Geral da União e do


Procurador-Geral da República, sucessivamente, no prazo de cinco dias,
submeter o processo diretamente ao Tribunal, que terá a faculdade de
julgar definitivamente a ação.

6. Intervenção de Terceiros
Art. 7º Não se admitirá intervenção de terceiros no processo de ação
direta de inconstitucionalidade.
RISTF: Art. 169, § 2 Não se admitirá assistência a qualquer das partes.

7. Amicus Curiae
Art. 7º, § 2º da Lei 9868/99
§ 2º O relator, considerando a relevância da matéria e a
representatividade dos postulantes, poderá, por despacho irrecorrível,
admitir, observado o prazo fixado no parágrafo anterior, a
manifestação de outros órgãos ou entidades.

7.1. Objetivo:
 Fator de Legitimação Social, em atendimento ao postulado
democrático.
 Pluralização do Debate
 Democratização
 Abertura da Interpretação Constitucional (ADI 2.130-MC, Rel. Min.
Celso de Mello)
 “a admissão de amicus curiae confere ao processo um colorido
diferenciado, emprestando-lhe caráter pluralista e aberto” (Gilmar
Mendes, MS 32.033)

7.2. Pressupostos

www.cursoenfase.com.br 23
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

 Relevância da matéria
 Representatividade dos postulantes
A representatividade inclui ideia de pertinência temática (ADI 3.931,
Rel. Min. Cármen Lúcia, decisão monocrática, julgamento em 6-8-08,
DJE de 19-8-08)

2015 / CESPE / TRF - 5ª REGIÃO / Juiz Federal Substituto


A respeito da ADI, assinale a opção correta.
b) A admissão de amicus curiae em ADI independe da demonstração da
pertinência temática entre os objetivos estatutários ou as finalidades
institucionais da entidade requerente e o conteúdo material da norma
questionada.
Errado

7.3. Natureza Amicus Curiae


 1ª Corrente: Intervenção de terceiros
 2ª Corrente: Natureza Própria
STF: (ADI 2.130-MC, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 02/02/01)

Regimento Interno STF:


Art. 131, § 3º Admitida a intervenção de terceiros no processo de
controle concentrado de constitucionalidade, fica-lhes facultado
produzir sustentação oral, aplicando-se, quando for o caso, a regra do §
2º do artigo 132 deste Regimento.

Novo Código de Processo Civil:


TÍTULO III
DA INTERVENÇÃO DE TERCEIROS
CAPÍTULO V

www.cursoenfase.com.br 24
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

DO AMICUS CURIAE
Art. 138. O juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a
especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da
controvérsia, poderá, por decisão irrecorrível, de ofício ou a
requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar
ou admitir a participação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou
entidade especializada, com representatividade adequada, no prazo de
15 (quinze) dias de sua intimação.
§ 1o A intervenção de que trata o caput não implica alteração de
competência nem autoriza a interposição de recursos, ressalvadas a
oposição de embargos de declaração e a hipótese do § 3o.
§ 2o Caberá ao juiz ou ao relator, na decisão que solicitar ou admitir a
intervenção, definir os poderes do amicus curiae.
§ 3o O amicus curiae pode recorrer da decisão que julgar o incidente de
resolução de demandas repetitivas.

7.4. Pessoa Física


 Não se admitia pessoa física, em regra - ADI 4.178, Rel. Min. Cezar
Peluso, decisão monocrática, julgamento em 7-10-09, DJE de 16-10-09.
 Mas houve caso de admissão de Senador da República como Amicus
Curiae em sede de Mandado de Segurança (MS 32.033).
 Novo CPC admite.

7.5. Admissão do Postulante a Amicus Curiae


 Requisito Objetivo: Procuração com Poderes Específicos
(ADI 4.303, Rel. Min. Cármen Lúcia, decisão monocrática, julgamento
em 8-4-10, DJE de 16-4-10)

 Intervenção de “Amicus Curiae”: Limitação e Data da Remessa dos

www.cursoenfase.com.br 25
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

Autos à Mesa para Julgamento.


ADI 4071 AgR/DF, rel. Min. Menezes Direito, 22.4.2009.

7.6. Atuação do Amicus Curiae


 Possibilidades:
 Fazer sustentações orais.
 Submeter, ao relator da causa, propostas de requisição de
informações adicionais, de designação de peritos, de convocação de
audiências públicas.
 Recorrer da decisão que haja denegado seu pedido de admissão no
processo.

 Impossibilidades
 STF não admitiu ampliação do objeto da ADI
 Formular Pedido de Cautelar
 Recorrer da Decisão Final. Porém o NCPC permite opor embargos
de declaração.

7.7. Amicus Curiae - Outras Hipóteses de Cabimento


i. Art. 31 da L. 6385/76 – Processos de Interesse da CVM
ii. Art. 118 da Lei 12.529/11 – Processos de Interesse do CADE
iii. Art. 482, §3°, CPC – Incidente de Inconstitucionalidade
iv. Art. 14, §7°, da L. 10.259/01 – Juizados Especiais Federais
v. Art. 3°, §2°, da L. 11.417/06 – Súmula Vinculante
vi. Art. 543-A, §6°, CPC – Introduzido pela Lei 11.418/06 – Repercussão Geral
no RE (ver art. 323, §3º, do RISTF)
vii. RE 597.165 – O STF admitiu amicus curiae em RE interposto de decisão TJ
em sede de controle concentrado estadual.
viii. Processos subjetivos, mas com perfil de transcendência subjetiva (v. MS

www.cursoenfase.com.br 26
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

32033).
ix. Novo CPC: ampliação – Art. 138.

8. Informações Adicionais, Perito ou Comissão de Peritos e Audiência Pública


Lei 9868/99 – Art. 9o Vencidos os prazos do artigo anterior, o relator lançará o
relatório, com cópia a todos os Ministros, e pedirá dia para julgamento.
§ 1o Em caso de necessidade de esclarecimento de matéria ou circunstância
de fato ou de notória insuficiência das informações existentes nos autos,
poderá o relator requisitar informações adicionais, designar perito ou
comissão de peritos para que emita parecer sobre a questão, ou fixar data
para, em audiência pública, ouvir depoimentos de pessoas com experiência e
autoridade na matéria.

9. Solicitação de Informações a Tribunais


Art. 9º § 2o O relator poderá, ainda, solicitar informações aos Tribunais
Superiores, aos Tribunais federais e aos Tribunais estaduais acerca da aplicação
da norma impugnada no âmbito de sua jurisdição.

10. Prazo para as informações, perícias e audiências públicas


§ 3o As informações, perícias e audiências a que se referem os parágrafos
anteriores serão realizadas no prazo de trinta dias, contado da solicitação do
relator.

www.cursoenfase.com.br 27
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

Ação Direta de Inconstitucionalidade


Medida Cautelar

1. Base Normativa – art. 102, I, p, da CRFB c/c lei 9868/99, art. 10 ao 12.

CRFB: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a


guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I - processar e julgar, originariamente:
p) o pedido de medida cautelar das ações diretas de inconstitucionalidade;

Lei 9868/99: Art. 10. Salvo no período de recesso, a medida cautelar na ação
direta será concedida por decisão da maioria absoluta dos membros do
Tribunal, observado o disposto no art. 22, após a audiência dos órgãos ou
autoridades dos quais emanou a lei ou ato normativo impugnado, que deverão
pronunciar-se no prazo de cinco dias.
§ 1o O relator, julgando indispensável, ouvirá o Advogado-Geral da União e o
Procurador-Geral da República, no prazo de três dias.
§ 2o No julgamento do pedido de medida cautelar, será facultada sustentação
oral aos representantes judiciais do requerente e das autoridades ou órgãos
responsáveis pela expedição do ato, na forma estabelecida no Regimento do
Tribunal.
§ 3o Em caso de excepcional urgência, o Tribunal poderá deferir a medida
cautelar sem a audiência dos órgãos ou das autoridades das quais emanou a lei
ou o ato normativo impugnado.
Art. 11. Concedida a medida cautelar, o Supremo Tribunal Federal fará publicar
em seção especial do Diário Oficial da União e do Diário da Justiça da União a
parte dispositiva da decisão, no prazo de dez dias, devendo solicitar as
informações à autoridade da qual tiver emanado o ato, observando-se, no que
couber, o procedimento estabelecido na Seção I deste Capítulo.

www.cursoenfase.com.br 28
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

§ 1o A medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida com


efeito ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva conceder-lhe eficácia
retroativa.
§ 2o A concessão da medida cautelar torna aplicável a legislação anterior acaso
existente, salvo expressa manifestação em sentido contrário.
Art. 12. Havendo pedido de medida cautelar, o relator, em face da relevância
da matéria e de seu especial significado para a ordem social e a segurança
jurídica, poderá, após a prestação das informações, no prazo de dez dias, e a
manifestação do Advogado-Geral da União e do Procurador-Geral da
República, sucessivamente, no prazo de cinco dias, submeter o processo
diretamente ao Tribunal, que terá a faculdade de julgar definitivamente a
ação.

2. Características
“As medidas cautelares deferidas em controle concentrado de
constitucionalidade são decisões provisórias de urgência, proferidas em juízo
de cognição sumária. São, portanto, decisões temporárias, necessariamente
substituídas pela decisão final e definitiva nos autos.” (ADI 2.381-AgR, voto da
Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 24-3-2011, Plenário, DJE de 11-4-
2011.)

3. Objetivo: suspensão da eficácia da norma.


(ADI 127-MC-QO, rel. min. Celso de Mello, julgamento em 20-11-1989, DJ de 4-
12-1992.)

4. Natureza jurídica
Medida cautelar ou Tutela antecipada?

5. Pressupostos

www.cursoenfase.com.br 29
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

Urgência e Plausibilidade
(ADI 127-MC-QO, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 20-11-89, DJ de 4-
12-92)


6. Concessão
Maioria Absoluta, presentes 8 Ministros
Concessão monocrática:
 Período de Recesso
 Excepcionalmente, fora de recesso, ad referendum do plenário.

"Isso não obstante, se o caso vem a ser de saliente ou qualificada


urgência (no sentido de que a não imediata concessão da liminar já
antecipa o juízo da completa ineficácia de sua eventual concessão a
posteriori), este Supremo Tribunal Federal tem admitido que o relator
se substitua ao Pleno no exame de tal pretensão preambular.
Submetendo a referendo desse mesmo Pleno o provimento
deferitório que ele, relator, por ventura vier a expedir.” (ADI 3.273-
MC, rel. min. Carlos Britto, julgamento em 16-8-04, DJ de 23-8-04).

7. Princípio da Indisponibilidade
Não cabe desistência (ADI 1.971, Rel. Min. Celso de Mello, decisão monocrática,
julgamento em 1º-8-01, DJ de 14-8-01)

8. Procedimento
8.1. Audiência do(s) legitimado(s) passivo(s).
Art. 10. Salvo no período de recesso, a medida cautelar na ação direta
será concedida por decisão da maioria absoluta dos membros do
Tribunal, observado o disposto no art. 22, após a audiência dos órgãos
ou autoridades dos quais emanou a lei ou ato normativo impugnado,

www.cursoenfase.com.br 30
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

que deverão pronunciar-se no prazo de cinco dias.

8.2. Caso de Extrema Urgência: dispensa da audiência do(s) legitimado(s)


passivo(s).
Art. 10, § 3° - O Tribunal poderá deferir a medida cautelar sem a
audiência dos órgãos ou das autoridades das quais emanou a lei ou o
ato normativo impugnado. (aplicação excepcional: ADI 3.890, Rel. Min.
Gilmar Mendes)

8.3. Manifestação do AGU e do PGR


Art. 10, § 1o O relator, julgando indispensável, ouvirá o Advogado-Geral
da União e o Procurador-Geral da República, no prazo de três dias.

8.4. Manifestação Oral do Legitimado Ativo ou Passivo – Faculdade


Art. 10, § 2o No julgamento do pedido de medida cautelar, será
facultada sustentação oral aos representantes judiciais do requerente e
das autoridades ou órgãos responsáveis pela expedição do ato, na
forma estabelecida no Regimento do Tribunal.

8.5. Publicação do dispositivo da decisão na seção especial do D.O.U. e do


D.J.U., no prazo de 10 dias.
Art. 11. Concedida a medida cautelar, o Supremo Tribunal Federal fará
publicar em seção especial do Diário Oficial da União e do Diário da
Justiça da União a parte dispositiva da decisão, no prazo de dez dias,
devendo solicitar as informações à autoridade da qual tiver emanado o
ato, observando-se, no que couber, o procedimento estabelecido na
Seção I deste Capítulo.

9. Efeito da Decisão de Concessão da Cautelar

www.cursoenfase.com.br 31
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

9.1. Publicação da ata da sessão de Julgamento


(ADI 1.434-MC, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 20-8-1996,
Plenário, DJ de 22-11-1996.)

9.2. Eficácia Pessoal: eficácia erga omnes e efeito vinculante


Art. 11, § 1o A medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será
concedida com efeito ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva
conceder-lhe eficácia retroativa.

9.3. Eficácia Temporal:


 Regra: eficácia ex nunc
 Exceção: eficácia ex tunc (modulação temporal)
(ADI 2.105-MC, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 28/04/00)

9.4. Efeito Repristinatório: revivescência do ato revogado


Art. 11. § 2° A concessão da medida cautelar torna aplicável a legislação
anterior acaso existente, salvo expressa manifestação em sentido
contrário.

9.5. Decisão Negativa de Cautelar em ADI: Ausência de efeito vinculante.


(Rcl 3.458-AgR, Rel. Min. Cezar Peluso, DJde 23-11-07)

2015 / CESPE / TRF - 5ª REGIÃO / Juiz Federal Substituto


No tocante às ações de controle concentrado, assinale a opção correta
com base no entendimento do STF
b) A despeito do caráter dúplice da ADI, o indeferimento de medida
cautelar não dá margem à propositura de reclamação, visto que essa
decisão não possui efeito vinculante.
Correto

www.cursoenfase.com.br 32
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

10. Procedimento Célere


Lei 9868/99 – Art. 12. Havendo pedido de medida cautelar, o relator, em
face da relevância da matéria e de seu especial significado para a ordem
social e a segurança jurídica, poderá, após a prestação das informações, no
prazo de dez dias, e a manifestação do Advogado-Geral da União e do
Procurador-Geral da República, sucessivamente, no prazo de cinco dias,
submeter o processo diretamente ao Tribunal, que terá a faculdade de
julgar definitivamente a ação.

10.1. Pressupostos:
 Relevância da Matéria
 Especial significado para a ordem social e a segurança jurídica

10.2. Procedimento
 Prestação das Informações: 10 dias
 AGU e PGR: prazo sucessivo de 5 dias
 Possibilidade de Decisão Definitiva pelo STF

www.cursoenfase.com.br 33
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

Leg. Passivo = 5 Dias /


AGU e PGR = 3 dias

Com Pedido de
Cautelar
Leg. Passivo = 10 Dias

Procedimento AGU = 5 Dias


Célere

Petição PGR = 5 Dias


Inicial

Leg. Passivo = 30 dias

Sem Pedido de AGU = 15 Dias


Cautelar ou Já
apreciada a
Cauterlar PGR = 15 Dias

Informações, Perícia e
Aud. Pública = 30 Dias

www.cursoenfase.com.br 34
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

Ação Direta de Inconstitucionalidade


Decisão Final

1. Aspectos Procedimentais
1.1. Julgamento
 Quorum de Presença Mínima: 8 Ministros (2/3)
 Manifestação: 6 Ministros (Maioria Absoluta)
1.2. Comunicação da Decisão
Lei 9868/99 – Art. 25. Julgada a ação, far-se-á a comunicação à autoridade ou
ao órgão responsável pela expedição do ato.

2. Duplicidade da Decisão (Caráter Dúplice ou Ambivalente)


Lei 9868/99 – Art. 24. Proclamada a constitucionalidade, julgar-se-á
improcedente a ação direta ou procedente eventual ação declaratória; e,
proclamada a inconstitucionalidade, julgar-se-á procedente a ação direta ou
improcedente eventual ação declaratória.

3. Recurso e Ação Rescisória


Art. 26. A decisão que declara a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade
da lei ou do ato normativo em ação direta ou em ação declaratória é
irrecorrível, ressalvada a interposição de embargos declaratórios, não
podendo, igualmente, ser objeto de ação rescisória.

A Legitimidade para a oposição de embargos declaratórios é conferida a


qualquer dos legitimados ativos da ação, desde que tenha figurado como requerente
ou ‘requerido’. (ADI 1.105-MC-ED-QO, Rel. Min. Maurício Corrêa, DJ 16/11/01)

4. Publicação
Lei 9868/99 – Art. 28. Dentro do prazo de dez dias após o trânsito em julgado

www.cursoenfase.com.br 35
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

da decisão, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do


Diário da Justiça e do Diário Oficial da União a parte dispositiva do acórdão.

5. Início dos efeitos da decisão


A partir da publicação da ata da sessão de julgamento.

6. Efeitos da Decisão

6.1. Eficácia quanto às pessoas: Erga Omnes e Vinculante


Base Normativa: Lei 9868/99 – Art. 28, Parágrafo único. A declaração
de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a
interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de
inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos
e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à
Administração Pública federal, estadual e municipal.

6.1.1. Comunicação ao Senado: prescindível (Art. 178, RISTF)

6.2. Efeito Vinculante

Demais Órgãos do Poder Judiciário


Afetados
Administração Pública Dir. e Indireta
da U, E, M e DF
Efeito
Vinculante
Supremo Tribunal Federal
Não Afetados
Poder Legisltativo (na Função
Legislativa)

www.cursoenfase.com.br 36
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

2015 / CESPE / TRF - 5ª REGIÃO / Juiz Federal Substituto


A respeito da ADI, assinale a opção correta.
e) A declaração de inconstitucionalidade proferida em ADI vincula o
legislador, que fica impedido de promulgar lei de conteúdo idêntico ao
do texto anteriormente censurado.
Errado.

CESPE – TRF 5.ª Região / Juiz Federal


É cabível reclamação ao STF contra decisão de primeiro grau de
jurisdição, para assegurar efeito vinculante das decisões proferidas
tanto em ação declaratória de constitucionalidade (ADC), quanto em
ação direta de inconstitucionalidade (ADIN).
Correto

CESPE – TRF 5.ª Região / Juiz Federal


57. A partir da EC n.º 45, que instituiu a reforma do Poder Judiciário, as
decisões de mérito proferidas pelo STF nas ações diretas de
inconstitucionalidade passaram a ter efeito vinculante. Antes da
emenda, a ordem jurídica então vigente, bem assim a jurisprudência,
apenas conferiam tal efeito às decisões proferidas nas ações
declaratórias de constitucionalidade.
Resp.: Errado

Efeito Vinculante e Reclamação


Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da
Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente:: l) a
reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade
de suas decisões.
ADC 8-MC, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 04/04/03

www.cursoenfase.com.br 37
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

Objeto da Reclamação:
 Ato da Administração (que poderá ser anulado)
 Decisão Judicial (que poderá ser cassada)

Decisão da Reclamação:
 Aplicar a decisão do STF não aplicada.
 Não aplicar a decisão do STF aplicada indevidamente.

Efeito Vinculante e Limites da coisa julgada:


 Subjetivo
 Objetivo

Tese da Transcendência dos Motivos Determinante como Ampliação do Limite


Objetivo da Coisa Julgada

STF

ADI
Eficácia
Fundamentos Transcendente
Determinantes
Lei Y idêntica ou Decisão
Declaração de que aplica
Substancialmente
Inconst. da Lei X a lei Y
semelhante

6.3. Eficácia Temporal: Ex Tunc (Regra)


Modulação da eficácia temporal

www.cursoenfase.com.br 38
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

Lei 9868/99 – Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato


normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de
excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por
maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela
declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito
em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado.

Possibilidades
 Ex Tunc (Regra)
 Ex Tunc Limitado
 Ex Nunc
 Pro Futuro

Ex Tunc Pro Futuro*

Ex Tunc
Limitado*
Ex Nunc*

Norma Declaração de *Modulação dos


Impugnada Incons tucionalidade Efeitos Temporais

 Requisito Formal: voto de dois terços


 Princípio da Nulidade e Modulação Temporal: Ponderação entre o Princ. da
Nulidade e da Segurança Jurídica.
 Modulação de Efeitos da Declaração de Não-Recepção (RE 600.885, Rel.
Min. Cármen Lúcia, julgamento em 9-2-2011, Plenário, DJE de 1º-7-2011,
com repercussão geral.)

www.cursoenfase.com.br 39
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

6.4. Efeito Repristinatório

Revogação
Efeito
Lei A Lei B
Repristinitório

Inconstitucional

Nulidade

 Ocorrência na Decisão Final e na Cautelar


Art. 11, § 2º da lei 9868/99 - § 2o A concessão da medida cautelar
torna aplicável a legislação anterior acaso existente, salvo expressa
manifestação em sentido contrário.

 Diferença da Repristinação Legal


Lei de Introdução: art. 2º, § 3o Salvo disposição em contrário, a lei
revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência.

 Efeito Repristinatório Indesejado: lei anterior com o mesmo vício. ADI


2154/DF e ADI 2258/DF, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 14.2.2007.

7. Técnicas Decisórias

www.cursoenfase.com.br 40
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

7.1. Declaração de Inconstitucionalidade Sem Pronúncia de Nulidade


Também Chamada:
 Declaração de Inconstitucionalidade Sem Caráter Restritivo
 Declaração de Inconstitucionalidade Com Limitação de Efeitos
 Declaração de Inconstitucionalidade Com Efeitos Restritos

7.2. Declaração de Inconstitucionalidade Parcial Com Redução de Texto


 É cabível a declaração de Inconstitucionalidade de palavra ou expressão
integrante do texto normativo.
 Limite: não subversão do texto e da vontade do legislador.

7.3. Declaração de Inconstitucionalidade Parcial Sem Redução de Texto


Base legal: Art. 28, parágrafo único da L. 9868/99.
Art. 28, Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de
inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a
Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem
redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em
relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública
federal, estadual e municipal.

7.3.1. Interpretação Conforme a Constituição


 Pressuposto: Multiplicidade de interpretações / polissemia /
plurissignificatividade
(ADI 3.510, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 29-5-2008, DJE de 28-
5-2010.)

2008 / PGR / Procurador da República


ASSINALE A OPÇAO CORRETA:
c) A interpretação conforme a Constituição diferencia o enunciado

www.cursoenfase.com.br 41
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

lingüístico da norma de seus significados normativos.


Correto

7.3.2. Declaração sem redução de texto e interpretação conforme


Uma linha de pensamento compreende da seguinte forma:

Exclusão de uma Interpretação e


Imposição de outra compatível

ICC Declaração de Constitucionaliade

Define o sentido para manter a validade


do texto
Distinção
Definição de Hipótese de Aplicação
Inconstitucional

DIPSRT Declaração de Incosntitucionalidade

Preserva o texto em outro/s âmbito/s de


aplicação

2013 - TRF2 – Juiz Federal – 2ª Prova Discursiva


2ª Questão:
Diferencie as técnicas decisórias da interpretação conforme a
Constituição e da inconstitucionalidade parcial sem redução de texto,
fornecendo ao menos um exemplo de aplicação de cada uma delas.
(valor: 1,5 pontos).
Padrão de Resposta.

www.cursoenfase.com.br 42
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

Pontos valorados:
- Correta delimitação da interpretação conforme a Constituição:
caracterização como técnica que não afeta o enunciado legal, mas
atinge seu significado normativo possível, mediante declaração de
constitucionalidade condicionada à observância de uma única
interpretação compatível com o texto constitucional. (0,50)
- Correta delimitação da inconstitucionalidade parcial sem redução de
texto:
caracterização como técnica que não afeta o enunciado legal, mas
atinge seu significado normativo possível, mediante declaração de
inconstitucionalidade restrita a um dos significados possíveis do
enunciado. (0,50)
- Descrição de exemplo adequado de interpretação conforme a
Constituição
(0,25)
- Descrição de exemplo adequado de inconstitucionalidade parcial sem
redução de texto (0,25)
Correto uso da norma gramatical culta. Violações resultaram em
descontos de 0,05 por erro.

Outra linha concebe a possibilidade de aplicação conjunta onde a


interpretação conforme é realizada para declarar qual é o sentido inconstitucional,
importando uma declaração de inconstitucionalidade, mas sem redução do texto
normativo.

www.cursoenfase.com.br 43
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

Atribuição do
Declaração de
Sentido
Constitucionalidade
Compatível
Interpretação
Conforme a
Constituição
Exclusão do
Declaração de
Sentido
Inconstitucionalidade
Incompatível

Aplicação conjunta - Exemplo: Informativo 454 – Competência da Justiça do


Trabalho e Matéria Penal - ADI 3684 MC/DF, rel. Min. Cezar Peluso, 1º.2.2007.
CESPE / Procurador Federal
O Supremo Tribunal Federal tem utilizado a declaração de
inconstitucionalidade parcial, sem redução do texto, como instrumento
decisório para atingir uma interpretação conforme a Constituição, de sorte a
salvar a constitucionalidade de lei ou ato normativo sem, contudo, alterar seu
texto.
Resp.: Correto

7.3.3. Limite à Declaração Sem redução de texto


A declaração parcial não pode inverter o sentido do texto, sob pena de o
Judiciário, de forma inadmissível, agir como legislador positivo.
(ADI 1.949-MC, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 25/11/05)

7.4. Processo de Inconstitucionalização ou Inconstitucionalidade Progressiva


Outras Expressões Equivalentes
 Declaração de Lei Ainda Constitucional
 Norma constitucional em trânsito para a inconstitucionalidade
 Declaração de Constitucionalidade Provisória
HABEAS CORPUS Nr. 70514 Relator Minitro Sydney Sanches.

www.cursoenfase.com.br 44
Curso Juiz Federal e Procurador da República - Prof. João Mendes

Situação Constitucional
Perfeita

Norma Plenamente Situação Norma Absolutamente


Constitucional Imperfeita inconstitucional

Decisão
Intermediária

www.cursoenfase.com.br 45