Você está na página 1de 2

2013

Reflexão
Módulo 26
Cuidados de Saúde a Pessoas em Fim
de Vida e Post Mortem

Cristina Seixas
Técnico/a Auxiliar de Saúde
18-06-2013
No âmbito do Curso Técnico/a Auxiliar de Saúde, no módulo de Cuidados de Saúde
a Pessoas em Fim de Vida e Post Mortem, a pedido da formadora Enf.ª Ana
Margarida Sobral, este trabalho tem como finalidade demonstrar a minha opinião
sobre os temas abordados durante no módulo, bem como, sobre o filme “Amour”
visualizado em sessão.

O filme retrata um casal de idosos de classe alta, que é abalado em toda a sua
estabilidade emocional, mental e romântica. Os dois são dedicados e leais um ao
outro, e é exatamente por isso que nenhum deles pondera, sequer quebrar as
promessas que fizeram ao outro, nem abdicam da presença um do outro, mesmo
num estado grave, quer psicologicamente quer fisicamente. E este é um dos temas
que nos faz pensar como seriam as coisas, se fossemos nós a estar na situação
deste casal. Muitos de nós, hoje em dia, provavelmente não teria capacidades,
principalmente emocionais, para cuidar de alguém desta forma.

Outro tema abordado neste filme, é a Eutanásia, que segundo Jacques Monod “É um método ou atos destinados a pôr
fim ao sofrimento deixando morrer ou provocando uma morte sem dor”, ou ainda como alguns lhe chamam de “Boa
Morte”. No entanto, no filme não vemos ser praticada a Eutanásia, mas sim um ato desesperado de quem já não sabe o
que faz, literalmente, porque provavelmente também a personagem já teria perdido as suas faculdades mentais.

O cuidador de um doente prolongado, ou em fim de vida, não pode de forma alguma ficar sozinho a cuidar de forma
ininterrupta, pois há fortes probabilidades deste ficar exausto, quer física quer emocionalmente.

Com tudo isto, a minha opinião é que deveria investir-se mais em Cuidados Paliativos, pois a Eutanásia não é uma
solução para o flagelo que é a problemática dos idosos que vivem ao abandono, pela família e pela sociedade.

“A morte é um escândalo que se cala, que se esconde, particularmente atrás dos muros do hospital, onde 70% da
população termina a sua vida.”

Os Cuidados Paliativos dão um sentido diferente a quem está no fim de vida, pois o único objetivo do cuidador é,
trabalhar de forma a assegurar ao doente que este terá um fim de vida com qualidade e com o máximo de conforto
possível. Esta seria sem dúvida a melhor opção para a personagem do filme que fica dependente de outra,
necessitando de cuidados específicos e técnicas que são da competência de profissionais de saúde. Por outro lado, a
personagem que cuidava da doente dependente, teria tido o apoio necessário de diversas formas, tais como, apoio
relacional, emocional, espiritual e religioso, que se estende ao doente inclusive. E ainda, os Cuidados Paliativos, podem
apoiar a família na fase de morte e de luto.

Contudo, o objetivo dos Cuidados Paliativos não é apenas prestar os cuidados ao doente terminal, mas também a
prevenção do sofrimento. Assim sendo, eles iniciam-se antes da fase terminal da doença e do período de agonia.

A agonia é, uma fase fisiológica que exige cuidados específicos e adequados, pois há uma aproximação da morte e na
qual existe um declínio funcional, cujo diagnóstico também pode ser feito pelos Cuidados Paliativos. É nesta fase, em
que a personagem cuidadora deste filme, se desespera e comete o ato de terminar com a vida da sua companheira.

É na agonia que há manifestação de sentimentos, há despedidas e requer muita tranquilidade e intimidade. É natural
que nesta fase, para o doente seja reconfortante encontrar-se num meio ambiente de que gosta mais, mas os
profissionais de saúde podem garantir uma morte digna, controlando os sintomas físicos, psicológicos e espirituais,
sempre dando apoio à família e, também ao doente, na aceitação e compreensão de todo o processo.

“Uma vez nascidas, todas as criaturas têm uma probabilidade de morrer de 100%” F. Almeida - Médico

Por esse motivo, é essencial Humanizar as Organizações de Saúde, assim como é fundamental que todos os
profissionais de saúde se lembrem todos os dias, que a função do cuidador, é exatamente cuidar, pois a tendência é
considerar-se as pessoas como meros recursos que, contribuem para alcançar os objetivos organizacionais, bem como,
a desconsideração dos valores humanos e da ética. É de fato urgente criar condições humanas e organizacionais que
promovam o relacionamento com o doente e a família, educando-se dessa forma, para a morte.