1 UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA CENTRO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL PÓS-GRADUAÇÃO EM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

GESTÃO TRANSFRONTEIRIÇA DE ÁGUAS: O Caso da Bacia do Apa

Synara Aparecida Olendzki Broch

Orientadora: Maria Augusta de Almeida Bursztyn

Tese de Doutorado

Brasília – DF, julho/2008

2 Ficha Catalográfica

Broch, Synara A. Olendzki Gestão Transfronteiriça de Águas: O Caso da Bacia do Apa. / Synara Aparecida Olendzki Broch. Brasília, 2008. 247 p. : il. Tese de Doutorado. Centro de Desenvolvimento Sustentável, Universidade de Brasília, Brasília. 1. Gestão Transfronteiriça; 2. Recursos Hídricos; 3. Bacia do Apa. I. Universidade de Brasília. CDS. II. Gestão Transfronteiriça de Águas: O Caso da Bacia do Apa.

É concedida à Universidade de Brasília permissão para reproduzir cópias desta tese e emprestar ou vender tais cópias somente para propósitos acadêmicos e científicos. O autor reserva outros direitos de publicação e nenhuma parte desta tese de doutorado pode ser reproduzida sem a autorização por escrito do autor.

Assinatura

3 UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA CENTRO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

GESTÃO TRANSFRONTEIRIÇA DE ÁGUAS: O Caso da Bacia do Apa Synara Aparecida Olendzki Broch

Tese de Doutorado submetida ao Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do Grau de Doutor em Desenvolvimento Sustentável, área de concentração em Política e Gestão Ambiental, opção profissionalizante. Aprovado por:

___________________________________________________________________________ Orientadora: Profª. Drª. MARIA AUGUSTA DE ALMEIDA BURSZTYN

___________________________________________________________________________ Prof. Dr. ELIMAR PINHEIRO DO NASCIMENTO

___________________________________________________________________________ Prof. Dr. OSCAR DE MORAES CORDEIRO NETTO

___________________________________________________________________________ Profª. Drª. TERESA LUCIA MURICY DE ABREU

Prof. Dr. FRANCISCO DE ASSIS DE SOUZA FILHO

Brasília – DF, julho 2008.

4 Agradecimentos Agradeço a todos que, direta ou indiretamente, colaboraram para a realização deste trabalho, em especial: À professora Maria Augusta de Almeida Bursztyn pelos preciosos ensinamentos e pela orientação; À Profª. Drª. Teresa Lucia Muricy de Abreu, ao Prof. Dr. José Augusto Leitão Drummond, ao Prof. Dr. Elimar Pinheiro do Nascimento, ao Prof. Dr. Oscar de Moraes Cordeiro Netto e ao Prof. Dr. Francisco de Assis de Souza Filho por aceitarem o convite para compor a banca examinadora desta tese; Ao Procurador de Justiça Heitor Miranda, ao Senhor Ralf Marques, ao Engenheiro Marcio Portocarrero, ao Engenheiro José Elias, ao Sr. Aldayr Heberle e, especialmente, ao Arquiteto Sérgio Yonamine pela compreensão; Ao Prof. Dr. Carlos Eduardo Morelli Tucci, ao Prof. Dr. Demetrius Christofidis, ao Prof. Tito Carlos Machado de Oliveira e ao Prof. Dr. Carlos Nobuyoshi Ide pelas sugestões prestadas; Aos especialistas e profissionais das instituições públicas e privadas que me disponibilizaram dados e informações pertinentes para a composição desta pesquisa; Ao Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT, por intermédio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq e do Fundo Setorial de Recursos HídricosCT-Hidro, que proporcionaram os recursos financeiros para a execução do projeto “Pé na Água”; Ao Prof. Paulo Robson e aos profissionais Allison Yshi, Ana Cláudia Bastos Delgado, Diego Correia, Elidiene Seleme, Elisabeth Arndt e Yara Medeiros, colaboradores e participantes do Projeto “Pé na Água”; e aos entrevistados, pelos depoimentos prestados; Aos integrantes do CADEF - Centro de Análise e Difusão do Espaço Fronteiriço, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, pelos estudos e discussões realizados; Aos meus colegas de turma, pelo prazer da companhia e por compartilharem comigo seus conhecimentos; Aos meus pais, aos pais do Jorge, e ao Cezar Ney e à Vânia, pelo apoio; Ao Jorge e ao Marcelo, por tudo.

no contexto de políticas públicas. os aspectos institucionais e legais que embasam o gerenciamento de águas em bacias hidrográficas transfronteiriças.5 RESUMO O presente trabalho de pesquisa trata sobre a temática referente à gestão transfronteiriça de águas. o objetivo geral desta pesquisa é avaliar em que medida as diferenças político-institucionais relacionadas à gestão de recursos hídricos. no Brasil. tendo como estudo de caso a Bacia do rio Apa. comprometem a gestão de águas transfronteiriças na Bacia Hidrográfica do Apa. seus afluentes. com vistas ao desenvolvimento sustentável. Na Bacia do Apa há potencial de conflito pelo uso da água do Rio Apa. também. Enfoca. e do Acordo de Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável e Gestão Compartilhada da Bacia do Rio Apa. no Paraguai e no Brasil. a partir da avaliação qualitativa e comparativa das perspectivas de construção da gestão de águas transfronteiriças no Mundo. no Paraguai. em especial. do estado da arte da governança das águas no Brasil. Nesse contexto. devido à problemática ambiental que afeta. no Paraguai e na Bacia do Apa. . Os resultados obtidos permitem a análise e a busca por alternativas à indução e ao avanço da gestão integrada e compartilhada de recursos hídricos transfronteiriço por meio do estabelecimento de redes de caráter cooperativo para a implantação de uma governança para a gestão hídrica em bacias hidrográficas que compreendem o território de mais de um país. e na Bacia do Apa. localizada entre o Brasil e o Paraguai. em função da hidropolítica global. de ações e experiências efetuadas na América do Sul. entre o Brasil e o Paraguai. sobretudo.

Paraguay and Brazil. while the study of the case of the Apa River Basin. the general aim of this paper is to assess the extent to which political and institutional differences related to the management of water resources. because of environmental problems affecting its tributaries. in this case. In this context. In the Basin of Apa there is a potential for conflict trhough use of water of the river Apa. and the agremment on cooperation for sustainable development and management of shared River Basin Apa. particulary the Basin of Apa river. Focus above all. The results obtained enable the analysis and search for solutions to the induction and the advancement of integrated management and shared water recourses in the rivers basins that comprise the territory of more than one country. Paraguay and Brazil. and in the Basin of Apa. Paraguay an Basin of Apa. in Paraguay. located between Brazil and Paraguay.6 ABSTRACT This work search comes on the topic concerning the management of transboundary waters in the context of public policies aimed at sustainable development. legal and instituional aspects that support the management of water in ponds hidrografic border. according to the “hydropoliticies” overall. actions and experiences made in South America. in particular. undertake the management of transboundary waters in the watershed Apa. . between Brazil and Paraguay. the state of the art of governance of water in Brazil. Brazil. from the qualitative and comparative assessment of the prospects of building the management of water world cross-border.

le Paraguay et le Brésil.7 RESUMÉ Le travail de recherche ici présent parle sur la thématique qui fait référence à la gestion tranfrontièriste des eaux. dû à la problèmatique ambiental que affecte. l’objectif général de cette recherche est évaluer dans quelle proportion les différences politiques-institutionaux relationées à la gestion des ressources hydriques. la Bassin du Apa. de l’état de l’art de gouvernement des eaux au Brésil. dans le contexte des politiques publiques. les aspects institutionaux et légaux constituant les bases du gérancemenit des eaux des bacines hydrographiques. en particularité. localisé entre le Brésil et le Paraguay. Dans la Bassin du Apa il y a un potentiel de conflit pour l’utilisation des eaux du Fleuve Apa. Les résultats obtenus permettent l’analise et la recherche de sotutions à l’induction et à l’avance de la gestion intégrée et partagée des ressources hydriques. à partir de l’évaluation qualitative et comparative des perspectives de construction de la gestion des eaux transfrontièristes du Monde. ses affluents. entre le Brésil et le Paraguay. Dans ce contexte. surtout. . au Paraguay et dans la Bassin du Apa. au Brésil. comprometent la gestion des eaux transfrontièristes dans la Bassin du Apa. des actions et experience effectuées en Amérique du Sud. et dans la Bassin Hidrografique Apa. aussi. dans ce cas. et de l’Accord de Coopération pour le Développement Sustentable et Gestion Partagée de la Bassin du Fleuve Apa. ayant comme cas d’étude la Bassin du Fleuve Apa. Met en relief. dans des bassines hydrographiques qui comprennent le territoire de plus d’un pays. ayant en vue le développement sustentable. en fonction de la hydropolitique global. au Paraguay et au Brésil. en particularité. au Paraguay.

Problemáticas por sub-bacias da Bacia do Prata. Localização da área onde as ações atividades são desenvolvidas pelos Projetos Pilotos e Prioritários na Bacia do Prata. Localização da Hidrovia Paraná-Paraguai Divisões político-administrativas estaduais do Brasil na América Latina.8 LISTA DE ILUSTRAÇÕES FIGURA 1 – FIGURA 2 – FIGURA 3 – FIGURA 4 – FIGURA 5 – FIGURA 6 – FIGURA 7 – FIGURA 8 – FIGURA 9 – FIGURA 10 – FIGURA 11 – Distribuição dos valores estocados nos principais reservatórios de água da Terra. 26 28 62 64 68 91 92 95 97 99 101 FIGURA 12 – FIGURA 13 – 102 105 FIGURA 14 – FIGURA 15 – FIGURA 16 – 109 110 111 FIGURA 17 – FIGURA 18 – FIGURA 19 – 114 115 131 . Localização geográfica do Paraguai no contexto da Bacia do Prata. Área da Bacia do Rio Prata. no âmbito do Programa Marco para a Gestão Sustentável dos Recursos Hídricos da Bacia do Prata. Divisão das regiões hidrográficas e bacias hidrográficas. com destaque a localização da Bacia do Apa. Sistema Hídrico Titicaca – Desaguadero – Poopó – Salar de Coipasa. Bacias com Rios Transfronteiriços na América do Sul. Área da Bacia do Rio Amazonas e seus principais tributários. com destaque às bacias com Tratados estabelecidos. Situação da escassez hídrica mundial. Localização dos aqüíferos transfronteiriços nas Américas Bacias hidrográficas de grande porte que apresentam risco de possíveis conflitos pelo uso da água. e a localização da Bacia do Apa nesse contexto geográfica do Aqüífero Guarani. Problemática das águas subterrâneas no Paraguai. respectivamente. Bacia do Apa no contexto da Bacia do Prata e da Bacia do Alto Paraguai. Divisão político administrativa dos Departamentos do Paraguai. da região ocidental e da região oriental do Paraguai. Bacia do Prata com a localização da abrangência dos Projetos GEF Localização do limite de abrangência provável do Aqüífero Guarani e sua área de confinamento e de afloramento.

diretrizes e instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos estabelecidos na Lei nº. Regiões hidrográficas do Brasil e respectivas contribuições médias anuais em km³. 2000). Rios fronteiriços e transfronteiriços com o Brasil. Províncias Hidrogeológicas do Brasil e a delimitação das bacias hidrográficas.9 FIGURA 20 – FIGURA 21 – FIGURA 22 – FIGURA 23 – FIGURA 24 – FIGURA 25 – FIGURA 26 – FIGURA 27 – FIGURA 28 – FIGURA 29 – FIGURA 30 – FIGURA 31 – FIGURA 32 – FIGURA 33 – FIGURA 34 – FIGURA 35 – FIGURA 36 – Regiões do Brasil e hidrografia. Fluxograma da sistemática operacional da concessão da outorga de direito de uso de recursos hídricos. Localização da Bacia do Apa Bacia do Apa em territórios brasileiro e paraguaio. Faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul.433/97. 9. Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos com a Agência Nacional de Águas (BARTH. segundo classes de usos preponderantes. Zona de fronteira interna do Brasil. Classificação das águas doces. objetivos. 132 134 136 138 145 146 148 157 161 164 168 169 170 172 180 182 190 FIGURA 37 – FIGURA 38 – Áreas de afloramento do Aqüífero Guarani no Estado de Mato Grosso Sul Localização e a área de incidência do Parque Nacional Paso Bravo. SINGREH e suas instâncias de atuação. Interface dos planos de recursos hídricos com os instrumentos de gestão de águas. no contexto das grandes bacias hidrográficas transfronteiriças da América do Sul. LISTA DE TABELAS 192 197 . Rios fronteiriços e transfronteiriços com o Brasil. Localização dos principais rios utilizados para a navegação no Brasil Fundamentos. em território brasileiro. com a localização do Rio Apa. Localização dos pontos de amostragem de qualidade de águas existentes na Bacia do Apa.

Situação da Rede Hidrometeorológica do Brasil. Principais produtos agrícolas produzidos em território brasileiro na Bacia do Apa. Descrição sucinta da evolução da administração das águas no Brasil. Locais dos pontos de amostragem para o monitoramento da qualidade das águas na Bacia do Rio Apa. Área de ocupação dos Estados. em território brasileiro. no período de 2000 a 2006. no território brasileiro. Principais Hidrovias Brasileiras. Áreas das sub-bacias hidrográficas do Estado de Mato Grosso do Sul. em janeiro de 2007. Departamentos e Municípios que compõe a Bacia Hidrográfica do Rio Apa. Dados médios de atendimento dos serviços de saneamento na unidade territorial brasileira da Bacia do Apa.10 TABELA 1 – TABELA 2 – TABELA 3 – TABELA 4 – TABELA 5 – TABELA 6 – TABELA 7 – TABELA 8 – TABELA 9 – TABELA 10 – TABELA 11 – TABELA 12 – Aqüíferos transfronteiriços nas Américas conforme referência numérica no mapa da Figura 4. 65 98 137 142 167 183 184 186 186 189 190 193 . no período de 2000 a 2005. Micro bacias da Bacia do Rio Apa e respectivas áreas de abrangência em km². Dados da produção animal na Bacia do Apa. Característica dos principais rios da Bacia do Prata.

CIH – Centro Internacional de Hidroinformática. AMFROMAD – Consórcio dos municípios peruanos de Iñapari. BIRD – Banco Internacional para Reconstrução e o Desenvolvimento (Banco Mundial). BAP – Bacia do Alto Paraguai. San Lorenço. CIC – Comité Intergubernamental Coordinador de los Países de la Cuenca del Plata. BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento. CIDEMA – Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Integrado das Bacias dos Rios Miranda e Apa. ANDE – Administração Nacional de Eletricidade. Las Piedras e Puerto Maldonado. BO – Bolívia. CEPAL/ECLAC – Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina. CEEIBH – Câmara Técnica Comitê Especial de Estudos Integrados de Bacias Hidrográficas do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. CMM0AD – Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. AR – Argentina. Ibéria. ATPF – Autorização para Transporte de Produto Florestal.11 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABIPAN – Associação Binacional para a Defesa do Pantanal e do Meio Ambiente. ANNP – Administração Nacional de Navegação e Portos. CMMAH – Centro Multiuso de Monitoramento Ambiental. . ABRH – Associação Brasileira de Recursos Hídricos. ALTER VIDA – Centro de Estudios y Formación para el Ecodesarrollo. CIC PLATA – Comitê Intergovernamental Coordenador dos Países da Bacia do Prata. BR – Brasil. ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica. ANA – Agência Nacional de Águas.

CTAP – Câmara Técnica de Análise de Projetos do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. CNUMAD – Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco 92). CONDIAC – Consórcio de Desenvolvimento Intermunicipal do Alto Acre e Capixaba. CTCOB – Câmara Técnica de Cobrança pelo Uso dos Recursos Hídricos do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.12 CNAEE – Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica. DBO5 – Demanda Bioquímica de Oxigênio ao Quinto Dia. CNPq – Conselho Nacional de Pesquisa e Qualificação. CTPOAR – Câmara Técnica de Integração de Procedimentos. CONAMA – Conselho Nacional de Meio Ambiente. . Mobilização Social e Informação em Recursos Hídricos do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Ações de Outorga e Ações Regulamentadoras do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. CORPOSANA – Corporação de Obras Sanitárias da Cidade de Assunção. CTCT – Câmara Técnica de Ciência e tecnologia do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. CTIL – Câmara Técnica de Assuntos Legais e Institucionais do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. CTGRHT – Câmara Técnica de Gestão de Recursos Hídricos Transfronteiriços do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. CONAM – Conselho Nacional Ambiental. CNMA – Conferência Nacional de Meio Ambiente. CTAS – Câmara Técnica das Águas Subterrânea do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. CNRH – Conselho Nacional de Recursos Hídricos. CT – Hidro – Fundo Setorial de Recursos Hídricos. Capacitação. CTPNRH – Câmara Técnica do Plano Nacional de Recursos Hídricos do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. CTCOST – Câmara Técnica de Integração da Gestão das Bacias Hidrográficas e dos Sistemas Estuarinos e Zonas Costeiras do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. DAB – Diagnóstico Analítico do Pantanal e Bacia do Alto Paraguai. CTEM – Câmara Técnica de Educação. CRQ – Comissão Mista Brasileiro-Uruguaia para o Desenvolvimento da Bacia do Rio Quaraí.

FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. ESSAP – Empresa de Serviços Sanitários do Paraguai. DGEE – Dirección General de Estadísticas. DNAEE – Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica. DOU – Diário Oficial da União. FONPLATA – Fondo Financiero para el Desarrollo de la Cuenca del Plata. FMI – Fundo Monetário Internacional. DNAE – Departamento Nacional de Águas e Energia. DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral. DINAC – Diretoria de Metereologia e Hidrologia da Diretoria Nacional da Aeronáutica Civil. FREPLATA – Programa de Implementação de Práticas de Gestão Integrada dos Recursos Hídricos no Pantanal/Alto Paraguai. DGPCRH – Dirección General de Protección y Conservación de los Recursos Hídricos. ERSSAN – Ente Regulador de Serviços Sanitários do Paraguai.13 DELTAMERICA – Desenvolvimento e Implementação de Mecanismos para Disseminar Experiências e Lições Aprendidas em Gestão Integrada de Recursos Hídricos Transfronteiriços nas Américas e no Caribe. Projeto de Proteção Ambiental do Rio da Prata e sua Frente Marítima para a Prevenção e Controle da Contaminação e a Restauração de Habitats. DNOS – Departamento Nacional de Obras e Saneamento. GEF – Global Environmental Facility. . DPI – Diretoria de Programa de Implementação da Gestão dos Recursos Hídricos. FODEPAL – Projeto Regional de Formação em Economia e Políticas Agrárias e de Desenvolvimento Rural na América Ibérica. ECO 92 – Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.A. FUNAI – Fundação Nacional do Índio. DQO – Demanda Química de Oxigênio. ELETROBRÁS – Centrais Elétricas Brasileiras S. Encuestas y Censos do Paraguai. EIA/RIMA – Estudo de Impacto Ambiental / Relatório de Impacto Ambiental.

HIV/AIDS – Vírus da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. IBDF – Instituto Brasileiro de Defesa Florestal. OCDE – Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico. MME – Ministério das Minas e Energia. MINTER – Ministério do Interior. MAG – Ministerio de Agricultura y Ganadería. Bella Flor. OEA – Organização dos Estados Americanos. MOPC – Ministério de Obras Públicas e Comunicações. IBAMA – Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. IMASUL – Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul. GIRH – Gestão Integrada dos Recursos Hídricos. JIICA – Agência de Cooperação do Japão. IDEA – Associação Internacional de Avaliação do Desenvolvimento. GWA – Gender and Water Alliance . ONU – Organização das Nações Unidas. IASCP – International Association for the Study of Common Property (Associação Internacional para o Estudo da Propriedade Comum). MMA – Ministério do Meio Ambiente. MANCOMUNIDAD TAHUAMANU – Bolpebra. Cobija. MCT – Ministério da Ciência e da Tecnologia.14 GEF Pantanal /Alto Paraguai – Projeto do Global Global Environmental Facility com recursos para o Pantanal. GRHT – Gestão de Recursos Hídricos Transfronteiriços. . GWP – Global Water Partnership. MRE – Ministério de Relações Exteriores.Aliança de Gênero e Água. ONGs – Organizações Não-Governamentais. GEO BRASIL RH – Projeto Perspectiva de Desenvolvimento no Brasil – Componente de Recursos Hídricos. Filadélfia e Porvenir-Bolívia. MERCOSUL – Mercado Comum do Sul.

SRH – Secretaria de Recursos Hídricos. SENASA – Dirección General de Saneamiento Ambiental . SINGREH – Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. SAG – Sistema Aqüífero Guarani. SEMA – Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul. SEMAC – Secretaria de Estado de Meio Ambiente. PEA-Bermejo – Programa Estratégico de Ação para a Bacia do Río Bermejo. SIAGAS – Sistema Nacional de Águas Subterrâneas. SAYTT – Projeto Prioritário do Sistema Aquífero Yrendá . PAE – Programa de Ações Estratégicas para o Gerenciamento Integrado da Bacia do Alto Paraguai. SNIRH – Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos. do Estado do Acre (Brasil) e do Departamento de Pando (Bolívia). SISNAM – Sistema Nacional Ambiental. SEPLANCT – Secretaria de Estado de Planejamento. PAN – Política Ambiental Nacional do Paraguai. RDH – Relatório de Desenvolvimento Humano. PRONI – Programa Nacional de Irrigação. PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.Diretoria Geral de Saneamento Ambiental.15 OTCA – Organização do Tratado de Cooperação Amazônica. PMA – Polícia Militar Ambiental. do Planejamento. RIO +10 – II Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. das Cidades. . PCBAP – Plano de Conservação da Bacia do Alto Paraguai. SEAM – Secretaria do Ambiente da República do Paraguai.Toba – Tarijeño. da Ciência. PY – Paraguai. Ciência e Tecnologia. Região MAP – Departamento de Madre de Dios (Peru). PNRH – Plano Nacional de Recursos Hídricos. SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural.

UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação. Energy. SUDEPE – Superintendência do Desenvolvimento da Pesca. . SUDHEVEA – Superintendência da Borracha.World Summit on Sust. Agriculture.16 SRH – Secretaria de Recursos Hídricos. Biodiversity WSSD . UNEP – United Nations Environment Programme. a Ciência e a Cultura. UY – Uruguai. Health. SUBCOMILAGO – Sub-Comissão Mista para o Desenvolvimento da Zona de Integração do Lago Titicaca. UPL – Unidade de Processamento de Lixo. WEHAB – Water and Sanitation. TCA – Tratado de Cooperação Amazônica.

2 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E GETÃO DE RECURSOS HÍDRICOS 36 1.3.3 Gestão integrada de recursos hídricos 1.2.1 Bacia do Prata 3 GOVERNANÇA DAS ÁGUAS NO PARAGUAI 3.1 DISPONIBILIDADE E DEMANDA HIDRICA DO PARAGUAI 3.1 Política Nacional de Recursos Hídricos do Brasil 45 51 54 57 61 79 86 90 96 108 112 117 127 130 135 140 144 .2 Gestão de águas 1.2.1 GESTÃO TRANSFRONTEIRIÇA DE ÁGUAS 2.1 Água: bem comum 1.2 GOVERNANÇA/GOVERNABILIDADE 2.2 ASPECTOS INSTITUCIONAIS E LEGAIS 3.2 ASPECTOS LEGAIS E INSTITUCIONAIS 4.3 EXPERIÊNCIAS PARAGUAIAS EM ÁGUAS TRANSFRONTEIRIÇAS 4 GOVERNANÇA DAS ÁGUAS NO BRASIL 4.2.3 EXPERIÊNCIAS TRANSFRONTEIRIÇAS NA AMÉRICA LATINA 2.17 SUMÁRIO LISTA DE ILUSTRAÇÕES LISTA DE TABELAS LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS INTRODUÇÃO 1 ÁGUA NO MUNDO 1.4 Política de gerenciamento de águas 2 HIDROPOLÍTICA 2.2.1 O MUNDO EM PROL DA ÁGUA 19 25 29 1.1 DISPONIBILIDADE E DEMANDA HÍDRICA NO BRASIL 4.2.

3.4 ANÁLISE CRÍTICA CONCLUSÃO REFERÊNCIAS 146 156 168 177 180 181 185 187 188 194 203 206 208 225 231 .1.1.2 O ACORDO DE COOPERAÇÃO DO APA 5.2.3 Instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA BACIA DO RIO APA 5. Aspectos socioeconômicos 5.1.2.1.1.18 4.2 Aspectos histórico-culturais 5.1 Bacia do Alto Paraguai – BAP 5 ESTUDO DE CASO: BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO APA 5.3 Características hídricas 5.2 Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Brasil 4.3 PROJETO “PÉ NA ÁGUA” 5.3 EXPERIÊNCIAS BRASILEIRAS EM ÁGUAS TRANSFRONTEIRIÇAS 4.4 Aspectos Institucionais e Legais 5.

onde e quando ela é demandada. valores. Por não ser um elemento estático. cultura. uma questão de natureza política. não está disponível. Assim. tendo em vista que o acesso a esse recurso interessa a vários atores de diferentes setores produtivos e da sociedade. na quantidade e qualidade requeridas. entre outros aspectos. os diferentes padrões utilizados para o . tais como. A possibilidade do provimento de água. Porém.19 INTRODUÇÃO A água é um recurso estratégico. o crescimento da população de usuários da mesma água. são motivados pelos mais diversos fatores. há um cenário mundial de crise da água devido sua possibilidade de esgotamento. possuir o controle e a posse sobre a água é. organização institucional. Atualmente. entre diferentes países. Dois terços da população da Terra vive em bacias cujas águas ultrapassam fronteiras geográficas e político-administrativas Em bacias hidrográficas composta por águas transfronteiriças. a água é motivo para relações de poder e de conflitos. o uso inadequado do solo. Tais conflitos. implica no seu gerenciamento adequado. agravada pelas mudanças climáticas. incluindo noutros países. cujos problemas de escassez e poluição das águas têm exigido atenção dos governos e da sociedade a esse recurso natural que a humanidade supunha infinito. muitas vezes. pois envolve dois ou mais países e suas respectivas políticas. em geral. como no caso das águas transfronteiriças. sobretudo. no lugar e no momento necessário – e não tem substitutos conhecidos. a gestão de recursos hídricos possui uma dinâmica de maior complexidade. A gestão transfronteiriça de águas tende a ocorrer onde existem conflitos na utilização de águas de domínio comum. imprescindível à sobrevivência humana. com padrões compatíveis para sua utilização. a iniqüidade social. entra na composição das rochas e permanece armazenada nos seus interstícios. Como qualquer outro recurso. Participa dos processos que ocorrem na natureza. de forma ambientalmente sustentável. geografia. seu uso num determinado local é afetado pelo uso que dela fazem noutros lugares. ao equilíbrio dos ecossistemas e para o desenvolvimento econômico e social.

para compartilhar a água de forma eqüitativa e assegurar a sustentabilidade dos ecossistemas naturais exige uma governança. na Bacia do Apa ocorreu um incremento substancial ao uso do solo para o cultivo de soja e a implantação de pastagens. na assinatura do Acordo de Cooperação entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República do Paraguai para o desenvolvimento sustentável e a gestão integrada da Bacia . entre os territórios do Brasil e do Paraguai. Argentina e o Uruguai). Neste contexto. produzindo importante alteração na geração de sedimentos que se deslocam para os cursos de água e para o Pantanal. o Rio Apa percorre uma região fronteiriça por mais de 500 km Assim. Na Bacia do Rio do Prata. do solo e das florestas. no que se refere ao estabelecimento de marco legal. a Bacia do Apa é composta por 78% de território brasileiro. Nesses últimos 20 anos. muitos dos problemas hídricos. Na América do Sul. em 2007. apoiadas pelas instâncias governamentais paraguaias e brasileiras. um sistema de regras formais e informais que servirão para ajustar as necessidades sociais e as dos diferentes usuários com os objetivos políticos de cada país. Equador. resultaram. a montante. a crise de governabilidade da água e o incremento de atividades econômicas. Colômbia. O Aqüífero Guarani. e do Rio do Prata (com o Paraguai. é considerado a maior fonte subterrânea de água doce do mundo. envolvendo a relação da água com a conservação da biodiversidade. Peru. Paraguai e Uruguai. em função da atual degradação ambiental e da captação descontrolada de águas na Bacia do Apa. a jusante. Suriname e Venezuela). no Estado de Mato Grosso do Sul. ocorreram situações embaraçosas entre o Brasil e o Paraguai a potenciais conflitos pelo uso da água. Recentemente. ou seja. 2004). Guiana. não obstante a escassez ou abundância de águas. nos Departamentos de Amambay e de Concepción. político e institucional adequado para regular o desenvolvimento e a gestão de recursos (OEA. compartilhado com a Argentina. O território brasileiro compõe as Bacias Hidrográficas do Rio Amazonas (com a Bolívia. os serviços ambientais são significativos.20 consumo de água. Na região hidrográfica da Bacia do Rio Apa. o impacto da contaminação hídrica. estão relacionados às questões de governabilidade. Ações e esforços empenhados por organizações não-governamentais. e 22% de território paraguaio.

21 Hidrográfica do Rio Apa, no intuito de minimizar os conflitos atuais e potencias pelo uso das águas nessa bacia hidrográfica. Diante disso, objeto de trabalho desta pesquisa é a Bacia do Apa no propósito de contribuir com o equacionamento de problemas relacionados ao uso comum de águas transfronteiriças, tendo em vista a necessidade de analisar e discutir os aspectos e as questões referentes à indução e ao avanço da gestão integrada e compartilhada de recursos hídricos em bacias hidrográficas que compreendem o território de mais de um país, nesse caso, o Paraguai e o Brasil. Nesse sentido, o objetivo geral desta tese é avaliar se as diferenças políticoinstitucionais relacionadas à gestão de recursos hídricos, no Paraguai e no Brasil, comprometem a gestão de águas transfronteiriças na Bacia Hidrográfica do Rio Apa. Para a realização desse trabalho, foram definidos os seguintes objetivos específicos: 1. Realizar uma abordagem analítica das questões hídricas de âmbito global; 2. Identificar elementos relativos à construção da gestão de águas transfronteiriças, em função da hidropolítica mundial; 3. Analisar a capacidade de governança das águas no Paraguai e no Brasil por meio da caracterização das disponibilidades e demandas hídricas, dos aspectos legais e institucionais, das instâncias decisórias e de algumas experiências em águas transfronteiriças de ambos os países; 4. Identificar e analisar os aspectos relativos à gestão transfronteiriça de recursos hídricos na Bacia do Apa. As questões norteadoras desta pesquisa buscam responder as seguintes indagações: 1. Quais os problemas existentes ou potenciais na Bacia do Apa que apontam para a necessidade da gestão transfronteiriça de recursos hídricos? 2. Qual é o cenário para a construção da gestão integrada e compartilhada de águas na Bacia do Apa, destacando as dificuldades e as potencialidades que favorecem tal questão? 3. O Paraguai e o Brasil possuem capacidade política e institucional para implantar o Acordo de Cooperação para o desenvolvimento sustentável e a gestão integrada da Bacia Hidrográfica do Rio Apa?

22 Os procedimentos metodológicos adotados para a elaboração deste trabalho compreenderam o levantamento de dados primários e secundários. A coleta de informações e a interpretação de informações foram utilizadas de forma a gerar novos conhecimentos. Os dados primários foram obtidos por meio de observações realizadas em visitas em campo, de entrevistas com profissionais que atuam na Bacia do Apa, e de questionários respondidos por profissionais da rede de ensino dos municípios brasileiros da Bacia do Rio Apa, durante as oficinas técnicas realizadas no âmbito do Projeto “Pé na Água”- Projeto Água e Cidadania na Bacia do Apa – uma abordagem sistêmica e transfronteiriça na década brasileira da água, com o apoio financeiro do CNPq/CT-Hidro/MCT. Foram entrevistadas um total de 100 pessoas dentre, aproximadamente, os 250 participantes das oficinas técnicas realizadas com o objetivo de avaliar os materiais (livro, cartilha e CD) produzidos para disseminação do conhecimento, por intermédio de informações, para possibilitar a promoção da participação da sociedade nos processos de gestão de águas na Bacia do Apa. As visitas em campo objetivaram caracterizar a Bacia do Apa, no território brasileiro, e os dados coletados subsidiaram a avaliação sobre os conhecimentos locais quanto aos problemas ambientais e de recursos hídricos presenciados, e os procedimentos adotados para a participação na gestão de recursos hídricos transfronteiriços nessa Bacia. A coleta de dados secundários ocorreu em diversas etapas: inicialmente, por meio de levantamentos bibliográficos, artigos científicos, mapas, fotografias, pesquisas por meio eletrônico, pesquisa e análise de documentos oficiais, publicações específicas, programas, planos e projetos desenvolvidos na região hidrográfica em que a Bacia do Apa se insere; alguns dados secundários foram coletados junto aos profissionais que atuam na área de gestão de recursos hídricos, por meio de informações transmitidas em eventos e simpósios onde direta e/ou indiretamente, a temática de gestão de recursos hídricos transfronteiriços na Bacia do Apa foi abordada. Houve o acompanhamento presencial dos Simpósios Nacional da Associação Brasileira de Recursos Hídricos, desde o ano de 1998, do Seminário da Bacia do Apa, em Bela Vista/MS, em 2003, e nas diversas reuniões subseqüentes a este, do IV Diálogo Interamericano de Recursos Hídricos, em 2001, e do I Encontro Trinacional para Gestão de Águas Fronteiriças e Transfronteiriças, em 2007, realizados em Foz do Iguaçu, Paraná.

23 Foram consideradas as experiências e as lições apreendidas no processo de formulação do Projeto Básico do Sistema Aqüífero Guarani; na coordenação do Sub Projeto 6.1 “Desenvolvimento de um programa de informação e articulação pública na Bacia do Alto Paraguai” do Projeto GEF Pantanal; na coordenação da Agenda Azul do Programa Pantanal, no âmbito de Mato Grosso do Sul; na formulação e execução do Projeto “Pé na Água” – uma abordagem sistêmica e transfronteiriça na Bacia do Apa; e na participação dos trabalhos no âmbito da Câmara Técnica de Gestão de Recursos Hídricos Transfronteiriços do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. A avaliação das diferenças político-institucionais entre o Brasil e Paraguai foi qualitativa e comparativa, em função dos aspectos conceituais, das diretrizes e das experiências consolidadas no gerenciamento transfronteiriço de águas apresentadas neste trabalho, dos dados coletados na Bacia do Apa, da análise das informações emitidas por especialistas, e do estágio de implementação do Acordo de Cooperação da Bacia do Apa, no período de realização desta pesquisa. A análise do tema foi desenvolvida a partir de um enfoque global ao regional, e ao local, na Bacia do Apa. O primeiro Capítulo enfoca elementos que ressaltam a importância da água num contexto global, conceitos, iniciativas e princípios consolidados mundialmente para o gerenciamento dos recursos hídricos e para o estabelecimento de políticas públicas, em prol do desenvolvimento sustentável. Em função da importância estratégica, os recursos hídricos têm se constituído área temática específica da política ambiental internacional, definida como hidropolítica. Por isso, no Capítulo 2 são abordados conceitos e aspectos relativos à hidropolítica mundial, em especial, na América Latina, os princípios e regras considerados adequados à gestão transfronteiriça de recursos hídricos, com base nos conceitos de governança e governabilidade das águas. Ainda no Capítulo 2, são abordadas as experiências de cooperação no trato de questões hídricas transfronteiriças na América do Sul, em especial na Bacia do Prata, quanto ao desenvolvimento de programas e projetos, e a adoção de tratados e acordos estabelecidos, que se tornaram normas nacionais dos seus signatários. No Capítulo 3 é apresentado o estado da arte da governança das águas no Paraguai, onde é descrita a situação da gestão hídrica paraguaia em função dos aspectos legais e

24 institucionais, da disponibilidade e demanda hídrica paraguaia, os aspectos socioeconômicos relacionados à questão hídrica, e algumas experiências realizadas em águas transfronteiriças. Da mesma forma, o Capítulo 4 apresenta o estado da arte da governança das águas no Brasil, considerando os aspectos legais e institucionais, em especial a Política e o Sistema de Gerenciamento de Recursos Hídricos adotado, bem como a disponibilidade e demanda pelo uso das águas no Brasil. São abordadas as experiências relativas às águas transfronteiriças, incluindo as ações e atividades apoiadas pela Câmara Técnica de Gestão dos Recursos Hídricos Transfronteiriços do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, por intermédio do GT Apa. O Capítulo 5 trata do estudo de caso desta pesquisa, contendo a caracterização territorial e hídrica da Bacia do Apa e respectivos aspectos legais, institucionais, socioeconômicos e histórico-culturais, as ações desenvolvidas por organismos governamentais e pela sociedade civil organizada, o Acordo de Cooperação para a gestão integrada da Bacia do Apa, e as ações e resultados do Projeto “Pé na Água”. São analisados os aspectos legais e institucionais e a participação da sociedade no processo de gerenciamento hídrico na Bacia do Apa, levando em consideração a assinatura do Acordo de Cooperação para o desenvolvimento sustentável e a gestão integrada da Bacia Hidrográfica do Rio Apa, para o embasamento e consolidação das considerações finais.

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1 ÁGUA NO MUNDO

A água é um recurso natural vital e indispensável à manutenção dos ecossistemas e está presente em todos os processos que ocorrem na natureza e de quase todas as atividades econômicas do ser humano. Sua composição química (H2O) simples disfarça sua importância para o desenvolvimento das sociedades e preservação de todas as formas de vida existentes no nosso planeta. Sem água, elemento que compõe 70% do corpo humano, a vida não seria possível. A importância desse recurso natural para o desenvolvimento das sociedades é tão significativa que a garantia ao seu acesso e o atendimento às demandas pelo uso da água, em geral, estão associadas às políticas vigentes dos países onde se encontram. Historicamente, todas as civilizações da Antigüidade nasceram e se desenvolveram próximo aos cursos de água, utilizando-a para suas necessidades básicas e como elemento de sobrevivência. A existência da água contribuiu para que o ser humano deixasse de ser nômade para se tornar sedentário, e também, com a água, foi possível desenvolver a agricultura, o comércio, a indústria, a geração de energia. Porém, a cultura do desperdício e a visão de um planeta composto por muita água, e por longo tempo, vista como um recurso inesgotável, resultou em descaso na formulação de políticas adequadas para seu uso racional. De certa forma, a grandiosidade dos mares e dos grandes lagos, do gelo das calotas polares e das neves eternas no alto das montanhas, e algumas origens históricas, como o dilúvio bíblico e a grandiosidade dos mananciais hídricos revelados pelos descobrimentos do século XVI ao XVIII contribuíram para manter essa crença de inesgotabilidade da água,. Contudo, de toda quantidade de água1 existente no mundo apenas 2,5% é de água e 97,5% formam os oceanos e mares. Da água doce, 68,9% compõem as calotas polares, as geleiras e as neves eternas que cobrem os cumes das montanhas mais altas. As águas subterrâneas são os 29,9% restantes do percentual de água doce existente no mundo e 0,9% são águas que compõe a umidade dos solos e dos pântanos. Somente 0,3% de água doce do mundo estão nos rios e lagos (MMA, 1999).
1

Estimativa realizada por especialistas aponta a disponibilidade efetiva de água na Terra entre 9.000 e 14.000 km3/ano (SHIKLOMANOV, 1993), sendo que parte dela é necessária para suporte do ambiente.

26 Essa distribuição dos volumes estocados nos principais reservatórios de água na Terra é representada na Figura 1.

Figura 1 – Distribuição dos valores estocados nos principais reservatórios de água da Terra. Fonte: REBOUÇAS, 1999.

De toda água disponível para o consumo no mundo, aproximadamente, 70% são utilizados na irrigação para produção de alimentos, 23% em processos de produção industrial e, apenas 7% são utilizados para o abastecimento humano (MMA, 1999). O cenário mundial atual é de crise da água, pois esse recurso natural conceitualmente considerado renovável, e que a humanidade supunha infinito vem, a cada dia, dando sinal de esgotamento. Aproximadamente 1,1 bilhões de pessoas não têm acesso à água em boas condições e 2,4 bilhões não dispõem de sistemas de esgoto sanitários. Cerca de sete milhões de pessoas morrem a cada ano por doenças transmitidas pela água. Inundações afligem periodicamente países como Blangladesh, China, Guatemala, Honduras, Venezuela, Somália, entre outros, enquanto cerca de um quarto do planeta enfrenta, em diferentes estágios, o processo de desertificação (UNESCO, 2003; MMA/SRH, 2000). A escassez hídrica, configurada quando a disponibilidade de água é de 500 m3/hab/ano a 1000 m3/hab/ano, atinge países como Kuwait, Egito, Arábia Saudita, Líbia, Barbados, Tailândia, Jordânia, Cingapura, Israel, Cabo Verde, Burundi, Argélia e Bélgica (MAIA NETO, 1997).

27 Atualmente, 80 países com 40% da população mundial sofrem de escassez hídrica. Nove dos quatorze países do Oriente Médio se confrontam com uma situação de penúria de recursos em água, constituindo a região do mundo onde a escassez é mais aguda (BECKER, 2003). Além dos aspectos relacionados à escassez, a água é um recurso natural distribuído de forma desigual na superfície e nos aqüíferos do planeta em função das dimensões geográficas, das condições climáticas e da distribuição populacional. Haja vista que, menos de dez países partilham mais de 60% do seu volume total (SRH/MMA, 1997). Diversos fatores, dentre esses, o crescimento demográfico urbano, o aumento da demanda pelos diversos usos da água, a falta de acesso por bilhões de pessoas à água potável e aos serviços de saneamento básico tem gerado visões apocalípticas atribuídas à preocupação com a escassez de água no Planeta. Há perspectivas de possíveis disputas bélicas pelo uso da água, o que não é improvável. Existem mais de 200 bacias hidrográficas de rios de médio e de grande porte partilhadas por dois ou mais países que abrigam 40% da população do planeta, cuja base de conflito pela água, em geral, ocorre pelo uso comum dos recursos hídricos entre os países à montante e à jusante da bacia, ou, em relação ao país economicamente e belicamente mais forte (BECKER, 2003). Por exemplo, os 71 milhões de habitantes do Egito dependem do Rio Nilo para mais de 97% de suas necessidades, mas precisam compartilhá-lo com a Etiópia e outros oito países a montante, todos militarmente mais ricos e empenhados em incrementar a produção agrícola e os serviços urbanos, frente ao crescimento populacional acelerado, às estiagens longas e cíclicas, e à precipitação sazonal (WORLD WATCH, 2005). Quando o atendimento às demandas é relativo ao uso comum de águas compartilhadas por mais de um país, os aspectos a serem abordadas se remetem às questões relacionadas às bacias hidrográficas transfronteiriças, como na Bacia do Rio Apa localizada entre territórios do Paraguai e do Brasil. A Bacia Hidrográfica do Apa está situada na porção superior da Bacia do Prata, na região denominada de Bacia do Alto Paraguai (BAP). A área da Bacia do Alto Paraguai abrange desde as nascentes do Rio Paraguai, em Cáceres, Mato Grosso, até a foz do Rio Apa, no município de Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, conforme demonstra a Figura 2 .

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Figura 2 – Localização da Bacia do Apa Fonte: BROCH et al., 2008.

Há situações onde países são impedidos ao desenvolvimento devido à escassez hídrica, à deteriorização dos ecossistemas de água doce, às inundações e secas. São fatores que geram graves conseqüências de caráter sócio-ambiental e que contribuem para a crise da água. Ainda, muitos dos problemas hídricos residem no modo de como a água é consumida e gerenciada, em função de diferentes enfoques regionais, onde a disponibilidade de água e seu gerenciamento adequado são fundamentais para um futuro sustentável da humanidade (BECKER, 2003; TUNDISI, 2003).

Até o início dos anos 1970. 2006). de praxe. Ainda que algumas tensões estruturais pudessem ser notadas em certas regiões. a água doce na esfera das relações internacionais. ao promover um . especialistas de todo mundo se encontram para discutir problemas ambientais globais que resulta na percepção dos efeitos negativos da exploração irracional da natureza sobre a qualidade da vida humana. por iniciativa de organizações internacionais ou de alguns Estados. era considerada como um suporte para a navegação ou um elemento para a produção de energia hidrelétrica. na Conferência das Nações Unidas da Biosfera. Em 1968. mas em pouco espaço de tempo. em nível internacional.1 O MUNDO EM PROL DA ÁGUA As preocupações em relação à problemática hídrica mundial se evidenciaram após a Revolução Industrial em função dos despejos industriais em corpos de água e ao lançamento de esgotos sanitários oriundos das populações concentradas nas cidades. na Convenção de Ramsar sobre Áreas Úmidas de Importância Internacional é elaborado o Tratado Intergovernamental de Cooperação Internacional para a Conservação e Uso Racional de Áreas Úmidas. Na segunda metade do Século XX. que entrou em vigor em 1975. na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente. Em 1971. a degradação ambiental torna-se um problema sério no âmbito político. com água abundante. e de onde emerge um novo comportamento: a busca por novos paradigmas para o consumo. social. insumo natural gratuito e de boa qualidade. não havia motivo para problemas (CAUBET. Ao final dos anos 60.29 1. tem como documento final a Declaração das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano que delimita uma via intermediária entre o pessimismo dos malthusianos que advertiam sobre a possibilidade de esgotamento dos recursos – e o otimismo dos cornucopianos – que depositavam fé nas soluções da tecnologia. No ano de 1972. ocorreram conferências internacionais sobre água. 2006). cujas conclusões e medidas indicadas foram adotadas por diversas nações (CAUBET. pela primeira vez. realizada em Estocolmo. torna-se um recurso natural estratégico e escasso. econômico e ecológico.

das águas de reciclagem ou de reuso das águas. Esse Plano de Ações recomenda. Texto traduzido da Declaração de Estocolmo.. buscar suas próprias políticas ambientais e a responsabilidade de garantir que as atividades dentro de sua jurisdição ou controle não produzam danos ao meio ambiente de outros Estados ou áreas além dos limites da jurisdição nacional”2 Em 1977. acesso em 19 de junho de 2007. em especial às populações carentes do mundo.dhnet. diante da constatação dos cenários hídricos. termo que posteriormente é rebatizado como desenvolvimento sustentável. estrategistas do mercado global induzem estudos pela criação de mecanismos que possibilitem a cobrança. Apesar de ser considerada um marco do ambientalismo. à ordenação e à conservação da água. da seguinte forma(ANA.br/direitos/sip/onu/doc/estoc72. legais e econômicos da gestão de recursos hídricos.30 desenvolvimento socioeconômico eqüitativo. principalmente. ou ecodesenvolvimento.org. a Declaração de Estocolmo fez pouca referência à água. por pesquisadores anglosaxões (SACHS. 2007).. (REBOUÇAS. . por meio do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.] o direito de soberania para explorar seus próprios recursos. mas destaca as discussões sobre as águas compartilhadas e à gestão das bacias transfronteiriças. 2007). das nascentes. A partir da década de 1980.: “os Estados têm [. incluindo a cooperação regional e internacional (ANA. como marco de planejamento e execução de medidas concretas para a eficiente aplicação dos diversos planos setoriais (PNRH. Na década de 1981-1990. entre outras questões. 2003). Em 1992 acontece a Conferência Internacional sobre Água e Meio Ambiente: “Temas de Desenvolvimento para o Século 21”. como um dos eventos preparatórios da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e chama a atenção para os novos enfoques para a avaliação. na Argentina. o desenvolvimento e o gerenciamento de recursos 2 Declaração de Estocolmo sobre o Meio Ambiente Humano 1972. 2006). no princípio 21. 2003) a partir da elaboração do Plano de Ação de Mar del Plata. que cada país deveria formular uma declaração geral de políticas em relação ao uso. das águas dos rios. 2007). foram apontadas as necessidades de ampliação ao acesso ao saneamento básico. dos poços. de 1972. In: <http://www. a Conferência das Nações Unidas sobre a Água. nos termos do princípio usuário/pagador ou do poluidor/pagador. em diferentes ocasiões. declarada como o Decênio Internacional da Água Potável e Saneamento. elaborado nessa Conferência que expunha as preocupações com os aspectos técnicos.htm>. marca o começo de uma série de atividades globais em torno da água (UNESCO. institucionais. em Mar del Plata. em Dublin.

é baseado na percepção da água como uma parte integrante do ecossistema. 2006): I – a água doce é um recurso finito e vulnerável. nacional e internacional e quatro princípios que estabelecem a base do gerenciamento integrado de recursos hídricos (TUCCI. II – o desenvolvimento e o gerenciamento de recursos hídricos devem ser baseados em um ponto de vista participativo. Foram recomendadas ações de âmbito local. envolvendo usuários. e ressalta que a saúde do homem. devendo ser reconhecida como um bem econômico. pois quaisquer que sejam. e as causas e soluções. o meio ambiente. planejadores e políticos. Ainda em 1992. na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD) – a ECO 92. McCormick (1992) considera que as discussões que culminaram na Conferência realizada no Rio de Janeiro.31 hídricos. e destaca a necessidade da integração de planos e programas setoriais na estrutura e diretrizes sociais e econômicas nacionais para o gerenciamento integrado dos recursos hídricos. como um recurso finito e vulnerável. e IV – a água tem um valor econômico em todos os seus usos competitivos. III – a mulher tem papel central na provisão. passa a ser também enfocado como uma questão política. em nível mundial. A Declaração de princípios da ECO 92 enfatiza a importância do gerenciamento holístico dos recursos hídricos. as soluções . em todos os níveis. ou não. o desenvolvimento industrial e os ecossistemas estariam todos em risco se os recursos de água e solos não fossem geridos de forma bem mais efetiva do que no passado. no Rio de Janeiro. um recurso natural e um bem social e econômico. como um momento marcante em que a ciência é enfocada como forma de fornecer uma compreensão dos mecanismos dos problemas ambientais. essencial para a conservação da vida. a manutenção do desenvolvimento e do meio ambiente. Dessa forma. há um consenso sobre a necessidade de reformas no processo de gerenciamento de recursos hídricos. A Declaração da Conferência de Dublin destaca que a escassez e o desperdício de água doce representam séria e crescente ameaça para o desenvolvimento sustentável e proteção do ambiente. no qual as águas se incluem. uma questão de valores humanos e de comportamento humano. a garantia de alimentos. gerenciamento e defesa da água.

a gestão integrada dos recursos hídricos e dos despejos líquidos e sólidos. e de uma série de convenções e acordos internacionais de cumprimento.32 efetivamente aplicadas. De forma geral. governos e pela sociedade civil. global e localmente. sobre a forma pela qual governos.org.o reconhecimento da água como recurso natural integrante dos ecossistemas e como bem econômico e social. os programas de ações propostos estabelecem os seguintes objetivos e diretrizes para que sejam satisfeitas as necessidades hídricas pela ótica do desenvolvimento sustentável (ABEAS. o Capítulo 18 trata o assunto de forma específica. Os resultados da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento de 1992 permitiram. É um documento que estabeleceu a importância de cada país em se comprometer e refletir. de referências cruzadas envolvendo organismos internacionais. freqüentemente. A Agenda 21 apresenta diversos capítulos que se referem à questão hídrica.o reconhecimento do valor econômico da água. nacional e localmente. propondo sete programas de ações relacionadas às águas doces. . das decisões empresariais e das ações dos cidadãos na busca por caminhos que representem uma relação mais apropriada. empresas. . 2000): . a adoção da Agenda 213. .a estruturação de uma base científica de dados. entre o desenvolvimento e o meio ambiente.a previsão de conflitos.a avaliação e prognóstico das disponibilidades quanti-qualitativas. órgãos ambientais nacionais. estas continuam dependendo de políticas práticas. A Agenda 21 foi um dos principais resultados da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento de 1992.wikipedia. organizações não governamentais. Disponível em: <http://pt. 1996.a gestão ambientalmente racional dos recursos hídricos destinados à utilização urbana. Brasil. não obrigatório. . 3 . de partidos e de seus eleitorados. . cuja quantidade e qualidade determinem à natureza de sua utilização. há a disseminação e um processo de conscientização mundial à proposta de desenvolvimento sustentável a ser inserida no contexto das políticas públicas. organizações não-governamentais e todos os setores da sociedade poderiam cooperar no estudo de soluções para os problemas sócio-ambientais. Acesso em: 04 de março de 2008. Desde então. ocorrida no Rio de Janeiro. MUÑOZ.wiki/Agenda_21>. A Agenda 21 é um plano de ação elaborado com o intuito de ser adotado global. Entretanto. por organizações do sistema de nações unidas. . em todas as áreas em que a ação impacta o meio ambiente. de um complexo sistema cooperativo. da atitude de líderes. que inclui o uso racional e sustentável da água.a proteção dos ecossistemas e da saúde pública. também. .

A redução pela metade a proporção de pessoas sem acesso a água potável. 4. e . em Bona. 8 – Estabelecer parceria para o desenvolvimento. Em 2000.Proporcionar a todas as crianças (meninos e meninas). 2. a malária e outras doenças.33 . quanto a Conferência do Rio foram pioneiras no sentido de colocar a água no centro dos debates sobre o desenvolvimento sustentável. 2 – Atingir o ensino básico universal. realizada em Johannesburgo. até o presente momento. 2003): 1. meios que possibilitem a conclusão do ciclo completo de educação primária. 3 – Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres. no ano de 2000. atenuação de calamidades. equitativamente.A redução em 75% a mortalidade materna e em dois terços a mortalidade infantil de crianças com menos de 5 anos de idade. no estabelecimento de objetivos a serem alcançadas por distintas instâncias internacionais para a promoção do desenvolvimento sustentável. 7 – Garantir a sustentabilidade ambiental.Proporcionar especial ajuda às crianças órfãs em conseqüência de VHI/SIDA.A redução pela metade a proporção de pessoas que vivem com menos de 1 dólar por dia. as Metas de Desenvolvimento do Milênio4 para o ano de 2015. Contudo. foram propostas metas para a melhoria da gestão de águas no mundo.a recomendação de desenvolver a gestão dos recursos hídricos dentro de um conjunto abrangente de políticas de saúde humana. são as mais influentes. e em 2001.Deter a propagação do vírus HIV/AIDS. na Conferência Internacional sobre a Água Doce. proteção ambiental e conservação da base de recursos hídricos.A redução pela metade a proporção de pessoas que padecem de fome. identifica os cinco grandes temas reunidos 4 Metas do Milênio: 1 – Erradicar a pobreza e a fome. a malária e outras enfermidades. Em 2002. em nível global. o então Secretário Geral das Nações Unidas. 4 – Reduzir a mortalidade infantil. adotadas na Cúpula das Nações Unidas.WSSD). na Cúpula Mundial do Desenvolvimento Sustentável (World Summit on Sustainable Development . . 6. 5 – Melhorar a saúde materna. 6 – Combater o HIV/AIDS. no 2º Fórum Mundial da Água. a RIO +10. Kofi Annan.a gestão participativa com espaço para as comunidades locais. Tanto a Conferência de Dublin. 3. 5. produção de alimentos. 7. em Haia. Ressalta-se que ações que minimizem problemas relacionados à questão hídrica serão necessárias para o alcance das seguintes Metas do Milênio (UNESCO.

O ano 2002 foi considerado o Ano Internacional da Água Doce.Sistemas integrados de informação e monitoramento confiáveis.A gestão integrada dos recursos hídricos dirigida à satisfação duradoura e intersetorial do conjunto das necessidades essenciais e legítimas. 7. um produto do Terceiro Fórum Mundial da Água. pela utilização de métodos inadequados para seu gerenciamento (UNESCO. 2007): 1. Health. Agricultura e Biodiversidade como parte integrante de um enfoque internacional coerente ao desenvolvimento sustentável. os procedimentos e os meios indispensáveis para um bom governo de água. um marco jurídico claro que estabeleça os direitos e obrigações. principalmente no âmbito de conselhos ou comitês de bacia.Em cada país.34 na WEHAB (Water and Sanitation.As bacias dos rios.Planos diretores ou planos de gestão de bacia baseados na transparência elaborados para fixar objetivos que devem ser alcançados à curto. dos lagos e dos aqüíferos como sendo os territórios apropriados para a organização da gestão integrada dos recursos hídricos e dos ecossistemas. especialmente. a crise mundial da água é considerada. Biodiversity) – Água e Saneamento. dos usuários de água. à proteção contra os riscos e à preservação e à restauração dos ecossistemas. 5. representativos. Energy. 2. em sua essência. realizado no Japão. Saúde. e harmonizados. 8. 3. . 2003). médio e longo prazo. uma crise de gestão de recursos hídricos causada. com consultas específicas e organizados em cada bacia hidrográfica. de fácil acesso. 4.A água doce como um bem comum. e a água como elemento essencial em cada uma dessas áreas chaves. a sensibilização e a educação da população e de seus representantes como questões indispensáveis. 6. Energia. na primeira edição do “Informe sobre o Desenvolvimento da Água em Nível Mundial”. Em 2003. das organizações defensoras de interesses coletivos participando da gestão dos recursos hídricos. as competências institucionais. Esse documento apresenta diretrizes de ações que consideram os seguintes quesitos (ANA.Os representantes da população e dos poderes locais. Agriculture.A informação. Saúde.

são repetidos até hoje. De todo modo. no âmbito dos comitês de bacia. inclusive em países onde as descargas dos rios são relativamente escassas e que enfrentam essa situação há milênios (REBOUÇAS. principalmente no âmbito de comissões. apesar de constante. também estão em jogo interesses distintos e contraditórios onde se constituem relações de poder. as disparidades econômicas não mudaram de forma relevante.Para os grandes rios.A implementação de sistemas de financiamento. 2003). resulta em uma agenda hídrica que exige esforços amplos e complexos para o enfrentamento dos problemas a serem superados em cada país. além de vontade política que induzam à cooperação e à união de esforços. sejam elas contíguas e/ou sucessivas. precede da existência de capacidade político-institucional e financeira para implantar tais medidas. lagos e aqüíferos transfronteiriços devem ser alcançados acordos de cooperação entre os paises ribeirinhos e planos de gestão concebidos para o conjunto das bacias hidrográficas. mas é inegável que embutido ao discurso de cooperação e solidariedade internacional. como necessária para assegurar a realização em cada bacia dos programas prioritários e sucessivos de ação e garantir o bom funcionamento dos serviços coletivos. é pressuposto para o desenvolvimento sustentável de qualquer país. o entendimento de que a definição de políticas para a utilização racional da água é tão importante quanto à abundância ou não de mananciais hídricos. expressa em conferências e eventos internacionais e nacionais. 10. Nesse contexto. a gestão de águas transfronteiriças.35 9. erros cometidos na Europa e nos Estados Unidos. Tais consensos alcançados em nível internacional comandam amplamente o que ocorre em inúmeros países. autoridades ou organismos internacionais ou transfronteiriços. Constatações de crise de água em nível internacional. que incluiu o acesso à água. inclusive após a Revolução Industrial. A preocupação mundial. ainda que. A adoção de medidas efetivas que combatam conflitos existentes e potenciais pelo uso da água. bem como. baseados na contribuição pecuniária e na solidariedade dos consumidores e dos contaminadores da água. sendo administrados na bacia por uma “agência” técnica e financeira especializada.. Há um consenso mundial ao estabelecimento do uso racional e sustentável dos recursos naturais como uma premissa fundamental ao desenvolvimento equilibrado de qualquer país. essas contribuições pecuniárias fixadas por consenso. grande quantidade da população mundial não tenha conhecimento dessa interdependência hidrológica .

Estocolmo/Suécia é um marco à preocupação pela construção de um novo paradigma que aproxime critérios ecológicos. resultaram em debates na busca de respostas para um novo modelo de desenvolvimento. 1992). 1992). A partir de 1960. Na década de 70. Nessa trajetória. 1. . aliados à existência da espécie humana de modo justo e equilibrados. em 1972. várias transições marcaram o desenvolvimento da humanidade atrelado ao crescimento econômico e populacional. da revolução agrícola. mais recentemente.2 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E OS RECURSOS HÍDRICOS As modificações dos ambientes naturais. que embasem novos modelos de desenvolvimento (McCORMICK. essenciais à sobrevivência humana. países em desenvolvimento. caracterizada pela degradação dos sistemas naturais. A 1a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano. não aceitando intervenções preservacionistas (SIMONSEN. a constatação dos efeitos da degradação ambiental era crescente. em busca da sustentabilidade ambiental. no decorrer do processo de evolução da humanidade em função dos interesses e necessidades em busca de melhores condições de vida e do desenvolvimento relacionado ao crescimento econômico resultaram no domínio dos recursos naturais pelo homem (McCORMICK. a percepção das limitações do modelo de desenvolvimento tecnológico e econômico em relação ao conjunto de problemas associado à degradação dos recursos naturais. 1974). e o concomitante aumento dos adensamentos populacionais geraram uma crise ambiental. econômicos e ambientais. de âmbito global. os eventos da industrialização.36 que condiciona os países. ainda que. seguiam a rota de devastação dos “ilimitados” recursos naturais em prol do desenvolvimento. e de como isso faz parte de uma realidade que determina vidas e oportunidades. e. como o Brasil. Durante a segunda metade do século vinte.

pelas populações mais pobres. A meta é construir uma civilização com maior equidade na distribuição de renda e de bens. 5 As cinco dimensões do ecodesenvolvimento (SACHS. é sua definição. como os do vazamento radiativo da Usina Nuclear de Chernobyl. na década de 90. se concentravam em vários aspectos. atualmente. demonstram a possibilidade de reflexos globais em função das ações locais danosas ao ambiente. elaborado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (WCED. que leva em conta as necessidades crescentes das populações. econômica. características e diferentes proporções. não governamentais. espacial (geográfica) e cultural. o grande crescimento da população e o aumento do custo de investimentos para o setor. o termo desenvolvimento sustentável se tornou parte do texto e dos discursos entre organismos governamentais. mas nem por isso. a pouca atenção para o controle da poluição e da qualidade da água.. a análise fragmentada do setor. sociedade sustentável. uso sustentável. tem diferentes interpretações.37 Nos anos 80.. realizada no Rio de Janeiro em 1992. ecológica. 2007). de fato. a falta de acesso á água. tais como: a falta de regulação.). O termo “sustentável”. Nessa década. A sustentabilidade socia1. reconhecido também. Desde então. e os impactos ambientais oriundos de acidentes. as mudanças climáticas atribuídas ao aquecimento e suas conseqüências. sustentabilidade constitui um conceito dinâmico com cinco dimensões5: sustentabilidade social. e consolidado na “Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento” . de modo a reduzir o abismo entre os padrões de vida dos ricos e dos pobres. Segundo Sachs (2007). nacionais e internacionais. empregado em diversas combinações (desenvolvimento sustentável. entendida como a criação de um processo de desenvolvimento que seja sustentado por uma lógica de crescimento subsidiado por uma outra visão do que seja uma boa sociedade. há clareza do quê. .ECO 92. As preocupações e discussões relativas às temáticas hídricas. houve grande pressão para a redução do impacto pelo desmatamento de florestas e pela construção de barragens. 1997). Os anos 90 e início deste século foram marcados pela idéia do desenvolvimento sustentável. dependendo da escala de referência na qual o termo se insere. principalmente. conceito apresentado na publicação Nosso Futuro Comum. como “Relatório Brundtland”.

envolvendo pequenos agricultores e empregando adequadamente pacotes tecnológicos. ao considerar que. que deveria ser viabilizada mediante a alocação e o gerenciamento de investimentos públicos e privados. um transtorno econômico. intensificando-se o uso do potencial de recursos dos diversos ecossistemas com o mínimo possível de danos aos sistemas de sustentação da vida. legais e administrativos necessários para o seu cumprimento. A eficiência econômica deve ser avaliada em termos macrossociais. com referencia . intensificar a pesquisa para a obtenção de tecnologias de baixo teor de resíduos e eficientes no uso de recursos para o desenvolvimento urbano. Sustentabilidade espacial. das barreiras protecionistas. e não apenas por meio do critério da rentabilidade empresarial de caráter microeconômico. promover a autolimitação do consumo material por parte dos países ricos e dos indivíduos em todo o planeta. definir normas para um adequada proteção ambiental. credito e acesso a mercados. promover práticas modernas e regenerativas de agricultura e agrossilvicultura. alem da reciclagem. usados de forma não agressiva ao meio ambiente. Sobre sustentabilidade econômica. desenhando a maquina institucional e selecionando a combinação de instrumentos econômicos.38 Sustentabilidade econômica. seria necessário superar as configurações externas negativas resultantes do ônus do serviço da dívida e da drenagem líquida de recursos financeiros dos países do Hemisfério Sul. obstrui a sustentabilidade ambiental. e não como condição prévia para as demais dimensões de sustentabilidade. dos termos de troca desfavoráveis. que deveria ser dirigida para a obtenção de uma configuração rural-urbana mais equilibrada e de uma melhor distribuição territorial dos assentamentos humanos e das atividades econômicas. reduzir o volume de resíduos e de poluição . explorar o potencial da industrialização descentralizada. ainda existentes nos países do Hemisfério Norte. Sustentabilidade ecológica. com ênfase no que se segue: reduzir a concentração excessiva nas áreas metropolitanas. que pode ser melhorada utilizando-se as seguintes ferramentas: ampliar a capacidade de carga da Terra. por meio de soluções engenhosas. Para tanto. ao trazer consigo o transtorno social. frear a destruição de processos de colonização efetivados sem controle. acoplando à nova geração de tecnologias. rural e industrial. por meio de conservação de energia e de recursos. e do acesso limitado à ciência e tecnologia. Sachs (2000) aponta como sendo uma necessidade. limitar o uso de combustíveis fosseis e de outros recursos e produtos que são facilmente esgotáveis ou danosos ao meio ambiente. susbstituindo-os por recursos ou produtos renováveis e/ou abundantes. consequentemente.

.39 especial às indústrias de biomassa e ao seu papel na criação de oportunidades de emprego não-agrícolas nas áreas rurais. revelam desafios que ultrapassam o território dos países. antes. a dinâmica dos investimentos e a orientação das inovações tecnológicas e institucionais são feitas de forma consistente. incluindo a procura das raízes endógenas de modelos de modernização e de sistemas agrícolas integrados. na dimensão institucional. para proteger a biodiversidade. a partir do fortalecimento de sua capacidade de estabelecer políticas e em criar mecanismos sociais de decisão. destacando a dimensão da sustentabilidade do sistema internacional para manter a paz. por essa razão. em constante transformação. inclusive. criar uma rede de reservas naturais e de Reservas da Biosfera. ajustadas à especificidade de cada contexto sócio-ecológico Sachs (2000) ainda postula que. devem-se respeitar as condicionalidades ecológicas para preservar o futuro e lograr a viabilidade econômica para que as coisas aconteçam. Sustentabilidade Cultural. num contexto internacional. ou dificultar a construção da sustentabilidade regional e/ou global (LOBO. como os objetivos do desenvolvimento são sempre sociais. As evidências sobre os níveis críticos de degradação ambiental e esgotamento de recursos naturais. processo de mudança que resguardem a continuidade cultural e que traduzam o conceito normativo de eco desenvolvimento numa pluralidade de soluções. onde. tanto atuais como futuras. Sachs (2007) destaca que. no qual a exploração dos recursos. como os relacionados ao desmatamento e agravamento da escassez da água para uso e consumo humano. considera soberana a importância da sustentabilidade política na pilotagem do processo de reconciliação do desenvolvimento com a conservação ambiental. mas. Declara que o mesmo pode ser dito quanto à falta de governabilidade política e. sustentabilidade é a democratização e a reestruturação do poder público. 2007). sem “inchamentos” de pessoal ou centralizando decisões. Nesse contexto. e controle das medidas que afetam as comunidades. um processo de mudança. O desenvolvimento sustentável não representa um estado estático de harmonia. as influências políticas e econômicas de umas nações sobre outras podem facilitar. em face das necessidades.

atuando. .A ambientalização da economia através da intervenção reguladora do Estado por meio de políticas públicas indutoras de comportamentos coerentes com o imperativo da qualidade ambiental. evitar uma degradação ambiental que signifique provocar desigualdades intergeracionais. REVISTA PÁGINA 22. o papel da educação é determinante. Como Recriar a Realidade. da precaução. 11.O processo de globalização deve acontecer sem exclusão. pois. diretora-associada do Instituto de Geociências da UNICAMP) em entrevista a Flavio Lobo. da ambientalização da educação. avançando para a democracia participativa.O Estado precisa fazer mais com menos.O estabelecimento de mudanças de atitude em busca da solidariedade. esclarece que a expressão “desenvolvimento sustentável” deve ser compreendida numa perspectiva que. Como pressupostos ao desenvolvimento sustentável. obrigatoriamente. e sendo assim. as gerações futuras têm o direito de usufruir um meio ambiente saudável. Figuerôa (2007)6. In: LOBO. nesse aspecto. ao mesmo tempo. Para isso. Bursztyn (2001) apresenta cinco imperativos do mundo do “deve ser”: . São Paulo: Centro de Estudos em Sustentabilidade da EAESP-FGV. F. ainda que indiretamente. através de instrumentos econômicos e instrumentos normativo-legais. Não é uma tarefa simples. que lhes permita não apenas sobreviver – em termos econômicos e ecológicos -. sustentabilidade pressupõe solidariedade. n. . da ética. conciliando pelo menos três princípios complementares: a subsidariedade.40 Da mesma forma. das atitudes da sociedade frente à produção e ao consumo ético. . . pois envolve interesses. Bursztyn (2001) ressalta que. . englobe os seres humanos e sua dimensão de organização social. pontua que é preciso levar em consideração o próximo de agora e o que está por vir. sendo que.O fortalecimento de canais que permitam o envolvimento da sociedade civil organizada nas decisões públicas. e a flexibilidade. cujo desafio está na redução das desigualdades intrageracionais (promover a justiça social) e. muitas vezes divergentes. ago 2007. historiadora. mas sobreviver com qualidade de vida não inferior a do tempo presente. que implicam em congregar os esforços e direcionar as energias no aproveitamento das 6 Silvia Figuerôa (geóloga. a coordenação. o desenvolvimento sustentável impõe uma modificação na forma de encarar os desafios socioecológicos.

a reavaliação do papel do mercado.41 potencialidades existentes. a não ser pela ótica da produção e do consumo. na visibilidade dos interesses na circulação de informações. a avaliação das várias opções tecnológicas e suas diversas conseqüências. Para que isso aconteça. 11. na negociação das diferenças. e por isso. e não o padrão de desenvolvimento dado por outras regiões ou países. REVISTA PÁGINA 22. ago 2007. com base nos postulados de Kuhn (1990). o que garante. Diante disso. ou seja. a evidente necessidade de estabelecer uma nova ética. F. Pontua que a responsabilidade pela busca das soluções recai sobre todos os protagonistas do processo e supõe um processo de negociação entre Estado. . no poder compartilhado. Veiga (2007) considera que. podendo esta. doutora em sociologia. Bernardo (2007)7 avalia que a promoção para o desenvolvimento sustentável. consultora e presidente do Instituto Internacional de Educação Do Brasil IEB) em entrevista a Flavio Lobo. valores e estilos de vida do ser humano. trabalhadores. Conforme as considerações de Capra (1986). não há modelos acabados. Como Recriar a Realidade. na esperança de que seja possível compatibilizar a expansão das liberdades humanas com a conservação dos ecossistemas que constituem sua base natural. isto significa levarmos para o centro das discussões sobre o desenvolvimento sustentável temas como: o conjunto de padrões sociais. a cada sociedade. Afinal. levou à formulação da expressão “desenvolvimento sustentável”. as relações entre os países do Norte e do Sul. na recuperação do espaço público como lócus à mudança. a atual incapacidade de relacionamento com a natureza. a noção de desenvolvimento é mutável e dependerá do paradigma adotado pela sociedade em um dado momento. ser o espaço territorial de uma bacia hidrográfica. e na superação dos problemas de uma determinada unidade territorial. na ampliação da participação. também está na promoção de uma hegemonia política com base num alinhamento ético. a espiritualidade. é preciso avançar na reforma das instituições e dos sistemas políticos globais e nacionais. 7 Maristela Bernardo (jornalista. In: LOBO. a plena liberdade e estímulo de buscar seu próprio caminho. porque estas podem travar e/ou condicionar quaisquer metas de sustentabilidade. pois a sociedade é que deve ser sustentável. tão urgente quanto enfrentar desafios como os relacionados ao aquecimento global e a escassez hídrica. São Paulo: Centro de Estudos em Sustentabilidade da EAESP-FGV n. a humanidade nunca coloca questões que não possa tentar resolver. devido à consciência coletiva ameaçada de sua existência neste planeta.

geradoras de oportunidades de trabalho decente para todos. Ter acesso à água é fundamental para a viabilidade do desenvolvimento sustentável. 1998. de saúde. para o que o caminho ao uso sustentável de recursos hídricos corresponda à sustentabilidade das dimensões ecológico-espacial. está associado à gestão de territórios. estratégias para diminuir o consumo e reciclar a água. tais como (SHIKLOMANOV. em nível global. Ao se considerar um processo de gestão integrada de águas numa unidade territorial de bacia hidrográfica. de preservação ambiental.42 empresários e a sociedade civil organizada com vistas às parcerias. para a gestão de águas com vistas ao desenvolvimento . estratégias para a conservação da água. estratégias para o gerenciamento integrado. A adoção de medidas de regulação dos usos dos recursos naturais na geração do desenvolvimento. e a universalização efetiva do conjunto dos direitos humanos. 2002). O alcance ao desenvolvimento sustentável é um processo vinculado à sustentabilidade ambiental. Mesmo com diversos comprometimentos em torno de documentos. TUNDISI. consolidadas desde os níveis mais elevados dos governos e que representem as aspirações dos diversos segmentos da sociedade. em nível internacional e entre fronteiras estaduais. agrícola) coerentes e consistentes com uma visão de desenvolvimento sustentável. seus elementos naturais e seus recursos. Essa relação de desenvolvimento sustentável com o território e o intercâmbio de fluxos entre os mesmos é o quê o associa com as ações de gestão de bacias (DOUROJEANNI. de saneamento. ambientais e econômicos. com transposição de águas para onde há escassez. JOURAVIEV e CHÁVEZ. e. 2001): protegendo os aqüíferos. circunscrito no espaço do sistema hídrico a ser considerado. as diversas interpretações que revestem o termo desenvolvimento sustentável conduzem à harmonização de pelo menos três objetivos. princípios e metas consensuados. político institucional e socioeconômico. inclui práticas racionais e eficazes de utilização e conservação da água que visem a sustentabilidade da vida. e muitas estratégias têm sido propostas para enfrentar a escassez e aumentar a disponibilidade hídrica no mundo. Isso implica no estabelecimento de políticas públicas (de água. Sachs (2007) considera tal colocação como uma outra maneira de definir o desenvolvimento. em qualquer parte do planeta. que por sua vez. de curto prazo: sociais. e à dinâmica de intercâmbio entre vários territórios.

não reconhecem as fronteiras político-administrativas. possibilitando que a sociedade alcance certa unidade. Portanto. evidentemente. eficiente e intersetorial no gerenciamento de recursos hídricos e nas inter-relações entre os seus diversos usos é uma tarefa complexa que implica. valores ou necessidades. Nascimento (2001) ao concordar com George Simmel. os produtos e os serviços a serem alcançados para isso. inclusive. como fatores de coesão social. a partir daí. os objetivos. o quê ou o por quê precisam converger esforços. traçar um objetivo claro e consistente do quê é preciso colocar em prática. principalmente devido às diferentes realidades políticas. As dificuldades são inúmeras para colocar em prática os conceitos consensuados. pontua que os conflitos podem ser meios pelos quais os atores sociais dirimem suas divergências. ou pela indisponibilidade de informações necessárias. Isso pode impedir que determinados grupos se movam com esse propósito. em diversos países. 2007). de maneira bem prática. decorrente do convívio de pessoas ou grupos que diferem em atitudes. resultando em novos desafios a serem vencidos. crenças. pois quando não está claro para as pessoas. devido à tentativa de negociação antes do momento oportuno. conflito é uma divergência natural. culturais e econômicas de cada região e de cada país. é uma questão de usar de instrumentos para permitir o alcance de resultados (Tena Meadows O’Rear. inclusive. alguns princípios continuam alusivos e não foram incorporados nas reformas propostas para o setor. a implantação de ações efetivas têm ocorrido de forma lenta e desigual por diferentes países.43 sustentável. Azevedo e Pereira (2006) consideram que. significa existir um entendimento comum para a sociedade e. na gestão dos serviços de água com foco em aplicações práticas. os processos decisórios não minimizam os conflitos que emergem. interesses antagônicos ou pontos de vista conflitantes. com frequência. integrado. . Adotar um enfoque analítico. Apesar das inúmeras ações mundiais em prol do combate à crise da água. abrangente. em função dos sistemas hídricos que. ainda não são claros e do conhecimento de todos. De acordo com Hoban (2001). e podem ocorrer.

pelo menos em parte. 2005). em que estão envolvidos pelo menos dois grupos de usuários (VIEIRA E RIBEIRO. Vargas (2007) observa que os conflitos sócio-ambientais são cada vez mais freqüentes na realidade dos países da América Latina. mentalidades.44 O conflito pelo uso da água pode ocorrer quando determinado recurso hídrico não atende às múltiplas finalidades que poderia suprir em virtude da não maximização de sua utilização (LANNA. Para Nascimento & Drummond (2003) uma das explicações para essa complexidade é que. 2002). Ainda que não tenham consciência disso e nem se . grandes assimetrias de poder. Há uma complexidade em torno dos conflitos pelo uso da água. pois envolvem disputas entre grupos sociais em torno do seu meio natural causadas. interesses. em geral. Nem sempre a competição pelos recursos hídricos é uma situação de conflito entre usuários de água. pois envolve relações de poderes desiguais (companhias de geração de energia elétrica x latifundiários x campesinos x índios x comunidades tradicionais x empresas x companhias de abastecimento de água) e todos devem ser contemplados. Faz ressalva às dinâmicas sociais e econômicas que dizem respeito aos recursos naturais. mas não necessariamente sobre a forma explícita de disputas sociais (GERITRANA. 2005). valores. administrativos e/ou financeiros do Estado para administrar conflitos em torno do uso dos recursos naturais dos quais existem. em tese e em termos práticos. pois discordâncias em torno da utilização de recursos naturais existem. por exemplo. a água). Little (2001) considera que os conflitos pelo uso da água podem ser enquadrados nos chamados conflitos socioambientais. e/ou quando ocorre uma divergência na utilização das águas. todos os membros da sociedade se “conectam” com a mesma natureza (no caso. nível de conhecimento e de informação. Administrar situações conflituosas é uma tarefa difícil e necessária para que se construam os pressupostos básicos da gestão de recursos hídricos.2006). pelo controle de um determinado recurso natural (água) ou em função dos impactos (sociais ou ambientais) gerados pela ação do homem. em parte pela debilidade nas implantação das políticas públicas e esquemas de gestão disponíveis para a regulação do uso e acesso dos recursos naturais. consciência e visão política. atitudes e comportamentos. As divergências dos atores e agentes sociais envolvidos nessas disputas podem se apresentar sob as formas de “percepções. bem como acesso ao poder político e econômico” (RIBEIRO. como por exemplo a contaminação dos rios. cada vez mais complexas e a falta de recursos técnicos.

agências públicas especializadas. e cada usuário é capaz de subtrair daquilo que pertence a todos os demais usuários. BERKES e SEIXAS. principalmente devido às diferentes realidades políticas. evidentemente. como leis. existe um problema de uso compartilhado (VIEIRA. complexas. Os desafios são inúmeros para colocar em prática os conceitos consensuados. seus elementos naturais e seus recursos. definidos como uma classe recursos naturais que apresentam duas características básicas: o controle do aceso de usuários e sempre problemático (o problema da . O alcance ao desenvolvimento sustentável é um processo vinculado à sustentabilidade ambiental. cujo aumento da demanda pelo seu uso a torna cada vez mais “disputada” nos âmbitos econômico. e à dinâmica de intercâmbio entre vários territórios. culturais e econômicas de cada região e de cada país. isto é. regulamentos. que está associado à gestão de territórios. Os recursos considerados comuns. oceanos. e “recurso comum” quando acessível aos diferentes usos a que se dispõe. 1968 no artigo “The tragedy of the commons” pontua os riscos de destruição intensiva e irreversível de recursos naturais de uso compartilhado. nem sempre óbvias para efetuar a gestão de recursos hídricos. 2005). parte do pressuposto de que os recursos de propriedade comum.2.45 mobilizem a respeito. ambiental e cultural. social. 8 Garret Hardin. referem-se aos tipos de recursos naturais que compartilham duas características básicas: a exclusão ou o controle do acesso de usuários potenciais é difícil. hídrica. complementação de práticas. não reconhecem as fronteiras político-administrativas. estão fadados à completa degradação. mecanismos particpativos. conceitualmente. 1. saber científico sólido e atualizado. em sua obra “Tragédia dos Comuns”. esquemas de monitoramento. Hardin8 (1968). Essa relação de desenvolvimento sustentável com o território e o intercâmbio de fluxos entre os mesmos é o quê o associa com as ações de gestão de bacias hidrográficas.1 Água: bem comum A água é um recurso natural. organizações dos cidadãos. também. envolve todos os indivíduos e atores num conjunto de questões que multiplicam a dificuldade do enquadramento institucional e da resolução dos conflitos que exige formas. em função dos sistemas hídricos que. atmosfera. como rios. inovadoras e duradouras de ação coletiva. e consequentemente.

ao pontuar questões como a poluição hídrica. entram as florestas naturais. a atmosfera. uma vez que conferem poder a agências e indivíduos com padrões culturais e obrigações morais diferentes dos padrões locais. Nessa categoria. estaria em condições de assegurar a perenidade desses recursos. a teoria da “tragédia dos comuns” abarca a essência dos problemas dos recursos de uso comum no mundo. consideram que a combinação da organização comunitária. 1990. como externos à determinada comunidade. as águas continentais e marinhas. outros defendem o controle do poder público sobre os recursos. apud VIEIRA. contrariando a visão de Hardin. o controle da base comum de recursos pode ser realizado tanto por agentes internos. BERKES e FOLKE. . 2005). da presença do Estado e da inserção do mercado de forma adequada delimita e orienta a atuação dos indivíduos frente aos recursos. 1989. OAKERSON. alguns autores recomendam a propriedade privada como a forma mais eficiente de “domínio”.. o esforço de um pescador pode afetar a produtividade de outro. prejudicando a qualidade de vida de todos que ali habitam (BERKES. Pontua que. Oviedo e Bursztyn (2003). as áreas de pastagem comunitária. Assim. ou no exercício do poder estatal. a “auto-governança” dos sistemas comunais pode ser um fruto exclusão) e cada usuário é capaz de subtrair daquilo que pertence a todos os demais (o problema da subtração ou da rivalidade de uso). a apropriação de recursos comuns sucumbe quando a busca egoísta de vantagens individuais suplanta os interesses relacionados ao bem comum. a crise hídrica com a superexploração de aqüíferos e desperdício de água devido a problemas com irrigação. Conforme Hardin. 1986. . FENNY et al. entre outros recursos. 2003). Contudo. A utilização que certos agricultores fazem do solo numa dada região pode comprometer a qualidade dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos disponíveis para o consumo de todos os habitantes. somente uma ação reguladora baseada nos mecanismos usuais de mercado. 2002). e a destruição de uma floresta pode alterar decisivamente o micro clima de uma dada região. a biodiversidade e os parques e espaços públicos. BERKES e SEIXAS.46 De acordo com Hardin. Nesse contexto. Por outro lado. salienta que instituições externas de controle da base comum de recursos podem ter um efeito negativo. 1998. descartou a possibilidade de existirem grupos auto-organizados com capacidade para manejar os recursos de uso comum. ao serem explorados na condição de livre acesso. ao invés de explorá-los de maneira descontrolada. Ostman (apud OVIEDO e BURSZTYN. a fauna selvagem. Também há a possibilidade de que os “apropriados” encontrem maneiras para se autoorganizarem (OSTROM. bem como a produtividade futura de todos os pescadores de uma dada área em conseqüência dos efeitos assim gerados nos estoque disponíveis.

Vieira. Caso os recursos sejam abundantes em relação às necessidades. ou então. da caça de animais selvagens. O regime de apropriação estatal é fundamental em situações em que o bem comum. (p. FENNY et al. Muitos recursos são geridos sob regimes mistos. Berkes e Seixas (2005) pontuam que. BERKES e SEIXAS. Os recursos de uso comum podem ser geridos sob um dos quatros regimes básicos de apropriação de recursos (OSTROM. os problemas de exclusão não são necessariamente resolvidos ao se declarar que o recurso é de propriedade estatal. 1992. BROMLEY. mas não assegura necessariamente o uso sustentável dos recursos. Ela permite a expressão de interesse público e a prestação de contas das ações desenvolvidas. variando de um caso para outro.propriedade comunal ou comunitária: recurso é controlado por uma comunidade definida de usuários. (p. 57) . (p. 63) . 1990. e quando não se pode confiar em outros regimes de apropriação para oferecer suficiente proteção ao recurso em questão. a condição de livre acesso e a ausência de mecanismos de exclusão não seriam problemas em curto prazo. O acesso é livre e aberto a todos. . já que muitos dos recursos. 9 Apud VIEIRA.. os recursos tendem a ser controlados mediante combinações de regimes9. frequentemente. por natureza. BERKES e SEIXAS. e existem variações em cada combinação. e. seja no caso de florestas. Problemas relacionados ao cumprimento da legislação existem em todos os regimes de apropriação de recursos. a administração estatal permite a elaboração de regulamentos apropriados para o uso dos recursos por parte de todos os cidadãos. A privatização. e a fiscalização da propriedade privada pode gerar elevados custos para fazer cumprir a legislação. mesmo na ausência de regulamentações governamentais e de medidas destinadas a fazer valer a legislação em vigor.47 positivo da pressão de exploração que a base comum de recursos sofre por agentes externos e internos.propriedade privada: um indivíduo ou corporação tem o direito de excluir outros e de regulamentar o uso do recurso. está envolvido. Na prática. que pode excluir outros usuários e regulamentar a utilização do recurso. da água. 58) . em nível mais geral. Um exemplo é a conservação de bacias hidrográficas que fornecem água potável aos municípios. o grau de participação dos órgãos governamentais e dos grupos de usuários nos processos de tomada de decisão. 2005). inclusive no de apropriação privada. que controla o acesso e regulamenta o uso. são não exclusivos. especialmente se faltam os meios necessários para fazer cumprir a legislação. 1990): . 2005. Todavia. conforme pesquisas sobre recursos de uso comum. não constitui solução. como no caso do co-gerencimento (co-gestão). Os recursos comuns por definição suscitam problemas de exclusão. para a maior parte dos recursos.livre acesso: ausência de todos de direitos de propriedade bem definidos. e por isso. (p. pois inúmeras comunidades conseguiram criar suas próprias regras de apropriação e uso de recursos comuns. até a “tragédia” ocorrer por fatores externos que venham destruir os sistemas existentes de posse comunal. Há um consenso geral que o acesso livre é incompatível com a sustentabilidade.propriedade estatal: os direitos sobre o recurso constituem uma prerrogativa exclusiva do governo. caracterizado pelo compartilhamento da responsabilidade sobre a gestão do recurso entre o governo e os grupos de usuários. 59) Também. a expectativa de uma “tragédia” nem sempre acabou se confirmando. considerados inadequados para a apropriação privada (VIEIRA.

. assim como as relações sociais existentes entre os diversos grupos de stakeholders. o estado pode ir além e reconhecer legalmente tais regras. . Vieira. eqüitativas e sustentáveis (isto é. Um stakeholder pode ser definido como qualquer pessoa. que afeta ou é afetado pela dinâmica de funcionamento de um dado sistema de gestão de recursos naturais (i. 10 . internacional. políticas. decisões e ações) (Chevalier. Segundo Ostrom. e .a abordagem dos impactos sociais e econômicos (de distribuição) de um plano e gestão. além dos seus interesses e objetivos com relação ao recurso.a identificação dos stakeholders10 envolvidos na competição para a utilização do recurso em comum. . regional. Seixas (2005).a identificação de possíveis coalizões entre stakeholders na busca de estratégias de subsistência mais eficientes.48 Ostrom (1990). privado ou público). a gestão de recursos comuns é uma modalidade de política ambiental. p 78).a consideração pelos valores e visões dos envolvidos. . nacional. local.e. trata-se do “reconhecimento mínimo do direito de se organizar”. ao concordar com Chevalier (2001). a partir da análise de instituições que considerou duráveis. lista alguns itens que considera necessários para assegurar a sustentabilidade de um dado sistema de gestão de recurso de uso comum: . . as instituições comunitárias estarão em melhores condições de assegurar o seu cumprimento. na busca pelo eco desenvolvimento11.a consideração pelo tipo ou adequação da participação dos vários stakeholders nas diversas fases de uma dada experiência de gestão de recursos naturais. em diversos níveis (doméstico. o governo reconhecer as regras desenvolvidas localmente. grupo ou organização. investigar a relação entre os objetivos públicos e os interesses privados divergentes). . a autoridade e o poder de cada stakeholder pode contribuir para a gestão do recurso em questão. simultaneamente. e a viabilidade do mesmo.a consideração de como os recursos. Berkes e Seixas (2005) avaliam que. defende o “direito dos apropriadores de arquitetar suas próprias instituições” sem ser desafiados por autoridades externas. Em alguns casos. 2001. as influências. Se ainda.a identificação dos conflitos existentes e potenciais antes deles surgirem.

1992. a viabilidade do manejo competente Ecodesenvolvimento (VIEIRA. que exige um movimento efetivo de transferência de poder do espaço central (nacional) para os espaços locais. 1991). GLAESER. A articulação global. 1980. considerada como simples instrumento a ser colocado a serviço da promoção da equidade social. inclusive de longo prazo. de forma criativa. 2003). 2005): o conceito foi elaborado por Ignacy Sachs (1974) e coube a Maurice Strong introduzi-lo. levando-se em conta o processo participativo e as potencialidades e limitações experimentadas nos níveis local e territorial (BERKES. GADGIL & BERKES. que encoraja a construção participativa de novas estratégias de desenvolvimento – integrada. abrindo-se à participação autêntica da sociedade civil (IASCP. seria a partir de um planejamento que promova uma integração trans-setorial e interinstitucional efetiva. no contexto da Conferência de Estocolmo e como parte das iniciativas de criação e implementação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). cultural e política. iniciativas de dinamização socioeconômica sensíveis aos fenômenos de degradação ecossistêmica e marginalização social. 1993). da autoconfiança e da prudência ecológica (SACHS. 1989. Berkes e Seixas (2005) o termo eco desenvolvimento sugere a necessidade das próprias populações locais se tornarem co-responsáveis – em parceria com os agentes governamentais – pela concepção e condução de suas trajetórias de desenvolvimento. endógena. Quanto à busca prioritária de satisfação das necessidades fundamentais (materiais e intangíveis) das populações locais. mas também a definição de instrumentos considerados mais adequados para o alcance dessas finalidades. para designar uma idéia-força capaz de impulsionar. Conforme Vieira. Isto implica não só a escolha criteriosa de objetivos estratégicos. Uma relação harmoniosa com o meio biofísico. 11 . Nesse contexto. participativa e sensível à ética da reverência pela vida. 1984. a gestão integrada e participativa de recursos naturais constitui um dos pilares para a consolidação do eco desenvolvimento. para que o sistema assim criado se torne compatível com a autonomia especifica de cada um deles. Estratégias de eco desenvolvimento constituem experimentações locais que traduzem objetivos globais. Essa transferência de poder requer um padrão de relacionamento entre as instâncias decisórias situadas nos diferentes espaços territoriais. BERKES e SEIXAS.49 preventiva e pró ativa. BROMLEY. consolidado como o conceito de desenvolvimento sustentável. poderia estar apoiada no funcionamento de uma economia negociada e contratual.

por sua vez implicou em aumento de construções para aproveitamento hidrelétrico.50 dos processos de integração inter e transdisciplinar do conhecimento local12 e de valorização do know how das populações tradicionais. a existência de sanções gradativas contra os descumpridores e de instâncias de fácil acesso para a resolução de conflitos. Em relação ao recurso comum água é evidente que os processos demográficos associados às transformações da economia dos países. A migração da população do campo para a cidade concomitante à industrialização. o conhecimento das disponibilidades e demandas hídricas em questão. VIEIRA. a poluição continuada dos corpos d’água. 1998 e 2003. se fez necessária uma maior produção de alimentos.388 p. . Esse crescimento setorial de usuários da água (doméstico. ou seja. agricultura) trouxe uma situação de desconforto entre balanços hídricos. a ausência de um ator dominante que por si impeça a ação coletiva. cujas condições necessárias para motivar as pessoas a buscar soluções comuns remetem a um contexto onde as atividades promovidas deverão estar integradas num conjunto de regras gerais compatíveis com as normas e valores dos envolvidos e à existência de quesitos.. 1981. Requer soluções advindas dos conhecimentos técnicos e de ações políticas de 12 O termo conhecimento local é utilizado para designar o conhecimento desenvolvido por um grupo de usuários de recursos comuns. a possibilidade de se organizar e determinar regras para a sua própria gestão hídrica. de forma ambientalmente sustentável. dependeria fundamentalmente. exigiu um crescimento da oferta de energia elétrica que. Conseqüentemente. e os conflitos entre usuários competidores pela água. 2005). UNESCO. na quantidade e qualidade requeridas. com padrões compatíveis com sua utilização. da concepção e do refinamento progressivo de sistemas de educação para o eco desenvolvimento (SACHS et al. Isso aponta à gestão coletiva de bens comuns. com o aumento da população. nessas últimas décadas. além de exercer significativa demanda hídrica dos mananciais. o que veio encontrar na agricultura irrigada uma das alternativas para satisfazer essa demanda. A possibilidade do provimento de água. implica no seu gerenciamento para que não seja sucumbida à “tragédia dos comuns”. a definição de um arranjo institucional que inclua a definição clara do sistema de recursos hídricos e dos participantes. refletiram sobre o uso das mesmas. o acesso e utilização da água com um propósito. como tais: um interesse comum. 1996). o monitoramento regular. energético. ou por outros usuários que habitam um determinado ecossistema (Ingold. onde e quando ela é demandada. industrial. 2000 apud (VIEIRA. BERKES e SEIXAS. em geral econômico.

Não-consuntivo: refere-se aos usos que retornam à fonte de suprimento. 2005). Nesse limite geográfico. espacial e temporal.2 Gestão de águas Uma série de fatores induz aos conflitos relacionados ao uso13. e as zonas costeiras formam. 2000): . é reconhecida como a unidade territorial mais adequada para gestão integrada dos recursos hídricos. num processo permanente e dinâmico dos sistemas físicos (recursos naturais). bióticos (flora e fauna). sobretudo dos rios. e sistema socioeconômico. Jouraviev e Chávez (2002). a iniqüidade social. 13 . lagos e fontes subterrâneas. sejam estes habitantes ou interventores externos da bacia hidrográfica. a crise de governabilidade da água e o incremento de atividades econômicas (FODEPAL. a bacia hidrográfica. as zonas de recarga.Local: refere-se aos usos que aproveitam a disponibilidade de água em sua fonte sem qualquer modificação relevante. assim como as bacias de captação. De acordo com Dourojeanni. As águas superficiais e subterrâneas. ou interconectada com outras. um sistema integrado e interconectado. 1. o impacto da contaminação. os padrões de consumo de água. . seja na forma independente.51 natureza multidisciplinar das quais os grupos envolvidos sejam capazes de se adaptarem às novas situações e de cumprirem regras que sejam necessárias à gestão de recursos hídricos. temporal ou espacial. as obras hidráulicas e os pontos de evacuação de águas servidas. praticamente a totalidade da água utilizada.2. acesso e controle dos recursos hídricos. de disponibilidade quantitativa. em relação a uma bacia hidrográfica. formado pelos usuários da água. simplesmente porque é a principal Existem três possibilidades quanto à natureza da utilização da água (LANNA. . os locais de extração de água. podendo haver alguma modificação no seu padrão temporal de disponibilidade quantitativa. a água interdepende e atua de forma integrada. tas como: o crescimento da população de usuários da água. o uso inadequado do solo.Consuntivo: refere-se aos usos que retiram a água de sua fonte natural diminuindo sua disponibilidade quantitativa.

diz respeito ao dia-a-dia do sistema. líquida e gasosa. dirigir uma organização ou uma empresa. Lanna (2007). define gestão das águas de como princípios uma e atividade diretrizes. e a diagnósticos de conformidade. TUCCI. comunitárias e privadas destinadas a regular o uso. e a avaliar a conformidade da situação corrente com os princípios doutrinários estabelecidos pela Política das Águas. Seu manejo inadequado pode reduzir seu volume aproveitável. evapotranspiração (transformação da água de estado líquido para gasoso do solo. direção. plantas e superfícies livres devido a radiação. que tem como objetivo o uso sustentável da água. Os componentes deste processo hidrológico são representados pela precipitação. controle e proteção dos O ciclo hidrológico é o modelo pelo qual se representam a interdependência e o movimento contínuo da água nas fases sólidas. analítica ao e criativa de voltada à formulação e preparo documentos uso. ao adaptar conceitos divulgados pela ABRH (1986). como outorga e cobrança. 2006). Desta forma. percolação e drenagem (TUNDISI.como algo mais amplo que insere o gerenciamento. conceitua como o conjunto de ações governamentais. A gestão que considera função do gestor . Gerenciamento. vento e outras características físicas) e o escoamento na direção dos gradientes da superfície (escoamento superficial e rios) e do sub-solo (escoamento subterrâneo) quando acontecem a infiltração. pois captam e concentram a oferta de água que provem das precipitações. o ato ou efeito de gerir. Como gerenciamento das águas. e a poluição pode limitar drasticamente sua utilização por razões de qualidade. Argumenta sobre a diferença entre os termos “gestão” e “gerenciamento”. O ciclo hidrológico concede à água seu caráter de renovabilidade. final promover o inventário. a renovabilidade da água é um conceito relativo ao planejamento da gestão dos recursos hídricos.52 forma terrestre dentro do ciclo hidrológico14. que trata da aplicação de instrumentos. à estruturação de sistemas gerenciais e à tomada de decisões que têm por objetivo recursos hídricos. O Dicionário Michaelis (2007) define gestão como administração. 2003. o controle e a proteção das águas. e por isso a água é passível de gerenciamento. e gerenciamento o ato de administrar. O conceito de “gestão” e “gerenciamento” ainda é um tema de discussões entre os especialistas da área de recursos hídricos com maior domínio da língua portuguesa. 14 . conforme Lanna (2007). orientadores normativos.

etc. De acordo com Coimbra. no texto desta pesquisa. que envolve a elaboração de leis. a definição de macro estratégias. incluindo aquelas que não devem ser usadas por questões ambientais. ambientais e respeitando os princípios de justiça social. com base nos posicionamentos conceituais de diferentes autores. dentro das limitações econômicas. Lanna (2007) pontua o conceito de “recursos hídricos” como sendo a água destinada a usos. a gestão de águas é o conjunto de procedimentos organizados no sentido de solucionar os problemas referentes ao uso e controle dos recursos hídricos. aquelas relacionadas à dinâmica econômica regional. Contudo. Além das informações técnicas de caráter hidrológico. o termo correto a ser utilizado é “águas”. bem como de caráter político-institucional e legal. dos regimes pluviométricos das diversas regiões hidrográficas e de mais uma série de informações do ciclo hidrológico. Assim. a administração e a regulamentação. à demanda de água pela sociedade com a disponibilidade existente. quando as questões ambientais referentes à proteção das águas forem também consideradas. mas. A base técnica permite consolidar o conhecimento dos regimes dos rios e suas sazonalidades. a montagem de instituições. simplesmente. o gerenciamento de recursos hídricos pressupõe a existência de três pilares fundamentais para seu desenvolvimento: uma base técnica. os termos gestão e gerenciamento serão considerados como sinônimos. Esclarece que. o termo correto seria. water resources development e outras similares. Rocha e Beekman (1999). biótico e sociocultural. já que são termos que se interagem no objetivo a que se propõe. em sentido amplo. Campos (2003) considera que. quando se tratar das águas em geral. é devido ao fato que os termos em referência são relativamente novos e tiveram origem no intento de traduzir expressões inglesas tais como water management.53 enquanto gestão é todo arcabouço institucional no qual se insere o gerenciamento. são essenciais outras informações relacionadas aos meios físicos. Hector Munõz (2007) entende que a falta de um consenso conceitual entre os especialistas que dominam a língua portuguesa. a gestão de águas requer planejamento. e ainda. um disciplinamento legal e um ordenamento institucional. com objetivo de atender. ao invés de “recursos . “águas”. Em relação aos termos “recursos hídricos” e “água”.

econômicos e socioculturais. pois. ao envolver aspectos hidrológicos que consideram os aspectos ambientais. a gestão das águas superficiais. o termo correto seria “recursos hídricos”. Quando se tratar apenas do uso do elemento água. construído pela população.54 hídricos”. formulando. organização institucional. econômicos e ambientais. geografia. econômica. NORONHA (2007) alega que não há como exemplificar algum caso onde a “água” não seja “recurso hídrico”. 1. A gestão integrada de recursos hídricos em bacias hidrográficas é considerada um indicador de desenvolvimento sustentável. A água por si só. necessariamente não causa conflitos. Conforme o Fodepal (2005). institucionais e culturais. valores. envolvem dois ou mais países e suas respectivas políticas. a complexidade é maior. Porquanto. integrados em diferentes componentes. Sua gestão é focalizada em áreas definidas por limites naturais e não apenas em unidades político-administrativas ou de regionalização produtiva. subterrâneas e atmosféricas. no texto desta pesquisa os termos água e recursos hídricos serão considerados sinônimos já que a “água” em questão é “recursos hídricos”. mas sim sua possibilidade de uso. quando recursos hídricos. dos aspectos legais. usuários de águas da bacia. na gestão e execução de um conjunto integrado de ações sobre o meio natural e a estrutura social. No caso das bacias hidrográficas transfronteiriças.3 Gestão integrada de recursos hídricos O termo gestão integrada de recursos hídricos sugere a integração entre os aspectos sociais. institucional e legal de uma bacia para alcançar objetivos específicos requeridos pela sociedade. das condições de montante e jusante na bacia hidrográfica.2. o manejo integrado de bacias hidrográficas é resultado de um processo participativo. no intuito de melhorar a qualidade de vida de sua população e manter o equilíbrio ambiental. cultura. . entre outros aspectos. bem como a água na gestão do espaço urbano e rural.

a legitimidade se remete à governança. porque nem sempre os fins justificam os meios. ou modificar através da educação e capacitação. numa relação com a mesma. na capacidade de implementar de forma efetiva as determinações socialmente aceitas e legitimadas. onde o mais importante é que prevaleça o interesse público e geral. em detrimento aos múltiplos interesses particulares. são relevantes tanto para a governabilidade. condicionando e alternando comportamentos. Faz destaque aos “mecanismos”. a proteção dos ecossistemas. dos quais devem recuperar valorar e adaptar. a gestão dos recursos hídricos é um processo socialmente complexo que cruza desígnios contraditórios. todos com oportunidades e responsabilidades em relação ao processo de gestão dos recursos naturais da bacia hidrográfica. os mecanismos e os correspondentes instrumentos são partes indissociáveis do exercício do poder e. e para a governança. manejo e tratamento de fontes pontuais de contaminação. no que se relaciona à água 17 Cultural: Entendo-se que as sociedades evoluem com a natureza. ao adaptar-se no contexto de uma bacia hidrográfica. Na América Latina. gerir recursos hídricos significa tomar decisões sobre a melhor forma de proceder a sua alocação a diferentes usos. e a eficácia à governabilidade. Avalia que. em especial. 16 15 Social: a fundamental participação de todos os atores. ressalta que. na conservação da biodiversidade. no manejo e controle de uso de agroquímicos. sua legitimidade e sua permanente legitimação. sendo fundamental sua adequação para conciliar legitimidade com eficiência. ou seja. Para a governabilidade porque os meios são necessários para alcançar os fins. aos “instrumentos” como elementos essenciais a qualquer política de águas que aspire ser efetivada. embasado em pressupostos de legitimidade e eficácia. onde os instrumentos e mecanismos de gestão constituem componente essencial ao processo de gerenciar águas. ao destacar a importância do tema em questão. portanto. ou seja. e sobre a melhor forma de assegurar a aplicação dessas decisões. que consiste no conjunto de ações acordadas entre os diferentes atores em determinado tempo e bacia hidrográfica. práticas que de equilíbrio ecológico . deve entender sua dinâmica e funcionamento. Ecológica: parte do pressuposto que o homem é parte da natureza e. social16. com um enfoque sistêmico. Justifica que. como propósito de equilibrar as relações entre a sociedade e os recursos de uma bacia hidrográfica envolvendo quatro dimensões: ecológica15. de forma individual ou coletiva. tendo como princípios o manejo e proteção dos recursos hidrológicos.55 De acordo com Nunes Correia (2005). quanto para governança dos recursos hídricos. praticas costumes. Afirma que. por meio dos saberes. a FAO (2003) refere-se ao termo gestão ambiental de bacias para o desenvolvimento local. portanto. cultural17 e econômica18. ritos.

e a gestão da oferta com a gestão da demanda. na implementação de melhores práticas de manejo.a integração dos distintos componentes da água e das diferentes fases do ciclo da água (a integração da gestão das águas superficiais. 2000) define a gestão integrada de recursos hídricos como um processo que promove a gestão e o aproveitamento coordenado da água. compreendendo a gestão de águas superficiais e subterrâneas.a integração dos interesses dos diversos usos e diferentes usuários de água e a sociedade em conjunto. . . Por outro lado. quantitativo e ecológico. Ao analisar essas e outras definições Dourojeanni.a integração da gestão da água e da gestão da terra e outros recursos naturais e ecossistemas relacionados. um estudo do Banco Interamericano para o Desenvolvimento (BID. 2005) esclarece que a gestão integrada de água implica tomar decisões e manejar os recursos hídricos para vários usos. . . a partir de uma perspectiva multidisciplinar e centrada nas necessidades e requisitos estabelecidos pela sociedade.a integração de todos os aspectos relativos á água que tenham influencia em seus usos e usuários (quantidade. e . 18 Econômica: Como a necessária melhoria das condições econômicas dos envolvidos. em sentido qualitativo. de forma que se considerem as necessidades e desejos de diferentes usuários e partes interessadas. no que se refere à água.a integração da gestão da água e o desenvolvimento econômico. tecnologias limpas. com a finalidade de maximizar o bem estar social e econômico de maneira eqüitativa sem comprometer a sustentabilidade dos ecossistemas vitais. a terra e os recursos relacionados. qualidade e tempo de ocorrência). subterrâneas e atmosféricas). social e ambiental. Jouraviev e Chávez (2002) concluem que gestão integrada de água entende-se como pelo menos cinco formas distintas de integração: . com o objetivo de reduzir os conflitos entre os que dependem da água. entre outros.56 A Associação Mundial para a Água (GWP.

Assim. que lhes atribuem valor e utilização de forma diferenciada (BECKER. a ação. Lanna (2007) conceitua Política das Águas como o conjunto consistente de princípios doutrinários que conformam as aspirações sociais e/ou governamentais no que concerne à regulamentação águas. imperativo ao desenvolvimento social. para a solução de certos problemas da sociedade. controle e proteção das . as políticas de recursos naturais deveriam estar inseridas entre os diversos componentes das políticas públicas. constitui-se em importante instrumento de regulação na implantação das políticas ambientais e de recursos hídricos que garantam a utilização equilibrada dos recursos naturais. ou modificação nos usos. quanto medidas para estimular o uso mais eficiente e sustentável da água. designa a ciência de bem governar um povo. A garantia à eqüidade ao acesso e à preservação dos recursos naturais. 1998). 1992). é importante o estabelecimento de políticas que considerem a água como um bem escasso e passível de valoração econômica (BIRD/SRH. a solução para problemas relacionados ao atendimento das demandas exige tanto a exploração cuidadosa de novas fontes. no caso específico da política de recursos hídricos.2. Isso porque. Para tal. por parte do Estado. respeitando os objetivos da política de cada país.4 Política de gerenciamento de águas Bens vitais como o ar. constituído em Estado (Feuerschuette. 2003). Diante dessa premissa e pela essência conceitual. faz crer que as forças sozinhas do mercado não promoverão resultados satisfatórios para a efetiva gestão das águas (BIRD/SRH. na acepção jurídica. 1997). Política. 1998). diferentemente do ar. a biodiversidade e a água não podem ser comandados somente pelas leis de mercado. Também é definida como conjunto de princípios e medidas postos em prática por instituições governamentais ou outras. a água é um elemento geograficamente localizável e é inseparável das relações sociais historicamente construídas.57 1. atuando de modo integrado e dinâmico (SRH/MMA. afirma que. Mas. Campos (2003). os princípios e objetivos se referem ao uso das águas.

Consideram que. a participação pública e a consciência das autoridades a respeito da complexidade e da importância dos problemas representam as principais condições para que a gestão se realize. Campos (2003) descreve que uma política de recursos hídricos. do papel do governo e dos diversos grupos envolvidos aos objetivos gerais a que se propõe e. de forma clara. . proteção e conservação da água dependerá da situação e problemas hídricos existentes (GWP.O reconhecimento do princípio da subsidariedade para que as decisões de utilização dos recursos hídricos sejam tomadas em níveis apropriadamente mais adequados. permitir. um arcabouço legal para lhe dar sustentação. e instituições para executá-la e fazer seu acompanhamento. para a elaboração de políticas integradas de recursos hídricos eficazes. . na definição do papel do governo como regulador e organizador do processo participativo e juiz de última instância em casos de conflito. . instrumentos ou mecanismos para implementá-la. é formada por objetivos e diretrizes a serem alcançados.A elaboração de políticas que assegurem recursos financeiros para garantir o provimento da satisfação das necessidades básicas da sociedade. A fixação de objetivos para o uso. . .O envolvimento dos interessados no diálogo de políticas.A explicitação do vínculo entre o uso do solo e outras atividades econômicas. como a de qualquer outro recurso. . as políticas de águas são mais úteis quando desenhadas em termos pró-ativos do que como resposta de curto prazo para uma crise. estas devem constar de alguns quesitos tais como os descritos a seguir: . No entanto.A especificação.A identificação de prioridades sobre recursos hídricos a fim de assegurar uma política bem focada. fundamentos ou princípios sob os quais deve ser erguida. proibir ou restringir atividades específicas ou para a busca de resultados . 2004). com transparência das ações e dos custos associados. reconhecendo os conflitos potenciais e a necessidade de ferramentas para a resolução de conflitos. a motivação política.58 De acordo com a GWP (2004). especialmente. Os instrumentos para a implementação de políticas de recursos hídricos servem para fomentar.Considerar os compromissos conforme prazos e custos.

a composição de colegiados em diversos níveis. seria melhor que houvesse um serviço de informações sobre as medidas de conservação e de mercados para cultivo de maior valor. como quando há tratados internacionais assinados. o instrumento necessita de medidas adicionais para que funcione. como variação de uma estrutura básica composta por: colegiado superior. à sua natureza legal. é preciso iniciar em algum ponto. . ou mais propriamente dita. tais como Agências de Bacias. e devido às restrições políticas ou éticas. Colegiados intermediários. podem ter condicionantes. Por exemplo: para melhorar o uso eficiente da água de irrigação.59 estabelecidos. colegiado de bacias hidrográficas e apoio técnico e administrativo (BIRD/SRH. Convém adotar a forma sistêmica de gerenciamento de recursos hídricos e. 1998). já citados. a política de recursos hídricos. um instrumento com funções conceituais de ‘contaminação/extração” implicam na existência de padrões e a criação de alguma agência de monitoramento/medição. há necessidade de adaptações para aplicação dos instrumentos que. Quanto aos aspectos de um sistema (conjunto de organismos/instituições que executam a política). braços executivos de colegiados de bacias. portanto. Nesses casos. os instrumentos são utilizados em conjunto para tratar de um problema ou uma série deles. Em geral. muitas vezes. em linhas gerais. O arcabouço legal. e estar compatível com os conceitos de gestão. Na prática. uma variação dessa estrutura. relaciona-se. por si só. estruturado nas leis e normativos. entende-se que ela deve contemplar os princípios fundamentais. entre várias coisas. com relação à política. Conforme estudos da GWP (2004). internacional). Essa estrutura básica. Em outras situações. freqüentemente. nacional. não tem completa liberdade para eleger um conjunto de instrumentos e ferramentas eficientes para atuar de forma integrada. tendo como objetivo principal as metas da gestão de águas na busca de soluções que ajudem em cada situação (GWP. Por exemplo. 2004). Ainda. ao estabelecimento de direitos e à necessidade de reconhecimento e respeito aos usos existentes. Busca prevenir monopólios e reduzir custos de transação. ao regime de propriedade dos recursos hídricos. câmaras técnicas. envolve fóruns que guardem certa hierarquia para a abordagem das questões hídricas. poderá ser utilizada em diferentes níveis (local.

as funções e responsabilidades das instituições que gerenciam águas estão em torno da formulação de políticas. do controle de inundações e mitigação de riscos. a água. em nível global. Essa concepção de geopolítica de apropriação da decisão sobre o seu uso não expressa o confronto entre Estados. . ou sobre os recursos. num contexto de mundo. mas sim na apropriação da decisão sobre o seu uso (BECKER. do controle da contaminação e a gestão da qualidade de água. com base no conceito de desenvolvimento sustentável. desde transfronteiriças ou internacionais a locais.60 também poderão ser criados dependendo. evidentemente. que são a sua essencialidade. da mediação em caso de conflito. da educação e sua promoção. governos regionais. Uma grande variedade de instituições pode fazer parte do processo administrativo dos recursos hídricos. social e cultural. da conservação e a proteção dos recursos. em que a geopolítica adquire um novo significado. com equilíbrio ambiental. 1998). em especial. mais do que quaisquer outro recurso natural. onde não mais atua no conceito de conquista do território. pode motivar conflitos. É conveniente que seja estabelecida. Contudo. das atividades de supervisão e controle. grupos da sociedade civil e organizações comunitárias (GWP. da regulação. a água possui características primárias que estabelecem sua importância política. ou uma prática que visa o controle nacional ou imperial sobre o espaço. da peculiaridade das áreas e das questões fundamentais a serem tratadas (BIRD/SRH. 2004). CAUBET (2006) ressalta que. em bacias de águas transfronteiriças. 2004). Em função dessa importância estratégica. integrada e harmonizada com as demais políticas em razão da sua abrangência. do fomento aos trabalhos em rede e o intercâmbio de informações. assunto do capítulo seguinte. controle e cumprimento. a possibilidade de escassez. 2006). a má distribuição. relacionando-se com todos os setores do desenvolvimento econômico. mas a perspectiva das disputas entre grupos de interesse que atuam no território (PIRES. e a necessidade de ser partilhada. De modo geral. da indução ao tratamento de águas e reutilização. os recursos hídricos são abordados por uma área temática específica da política ambiental internacional definida como hidropolítica.

Disponível em: <www. De todas as nações do Mundo. sendo que 21 destes países se situam totalmente dentro de uma delas. 59 estão na África. Acesso em: 06 de julho de 2007. ao crescimento populacional (PNUD. Conceito de bacia hidrográfica transfronteiriça: área geográfica que se estende pelo território de dois ou mais estados. 52 na Ásia. 2006). Art 4 – The Helsinki Rules on the Uses of the Waters of International Rivers. 1966. como é o caso do Paraguai (POCHAT. é afetado pelo uso que dela fazem noutros lugares. 95% na Mauritânia. Em alguns países. toda a água superficial tem origem fora das suas fronteiras. Entre as águas compartilhadas dessas bacias19 de grande e médio porte de rios transfronteiriços.61 2 HIDROPOLÍTICA Elhance (1999) define hidropolítica como o estudo sistemático das questões que envolvem os conflitos e a cooperação entre Estados que possuem recursos hídricos que transcendem seus limites político-administrativos Grande parte da água do planeta é compartilhada por dois ou mais Estados soberanos. praticamente. delimitado pela linha divisória do sistema de águas. 2002). lagos. cujo uso num determinado local. 2006). incluindo as águas superficiais e subterrâneas fluindo em um término comum. Isso faz com que a água compartilhada de rios. 73 na Europa. 97% no Egito. 95% na Hungria. 2007). 145 países possuem territórios inseridos em bacias hidrográficas de rios transfronteiriços. 61 na América Latina e no Caribe.org>. e 89% na Holanda (SELBORNE. Disputas entre vizinhos a montante e a jusante a respeito do uso e da qualidade da água acontecem em muitas regiões do globo (UNESCO. 19 . 17 na América do Norte. 2006).internacionalwaterlaw. Há indícios que o estresse hídrico atingirá 40% da população mundial até 2015. e uma na Oceania. devido entre outras causas. Quase metade das terras do planeta encontra-se dentro de cerca de 260 grandes e médias bacias hidrográficas internacionais que se estendem pelas de fronteiras de dois ou mais países. representando 60% do manancial hídrico mundial (PNUD. aqüíferos e zonas úmidas constituam a base de sustentação da interdependência hidrológica de milhões de pessoas separadas por fronteiras internacionais. por exemplo: 98% no caso do Turcomenistão. mas unidas e ligadas entre si pelas águas.

tais como: do Rio Grande (México. do Rio Nilo (Egito. pela salinização dos fluxos d’água devido a práticas impróprias de irrigação.. do Rio Jordão (Israel. 2005) Alguns exemplos de tensões existentes por causa da água podem ser citados em certas regiões e em relação a determinados rios. pelo assoreamento devido a uma represa. muitos países já se encontram em situação de escassez hídrica. conforme demonstrado na Figura 3. 2003. a existência da água constitui o ponto fulcral da interdependência humana de qualquer país. conflitos e choques locais poderão se proliferar. do . Jordânia. Atualmente. à indústria.62 Como recurso partilhado que serve à agricultura. Fonte: WOLF. Estados Unidos da América). Etiópia). Síria). YOFFE & GIORDANO. Em diversos países há situações de conflitos motivados pela redução do fluxo fluvial. pela dispersão da água para fins de irrigação. Embora não haja guerras declaradas unicamente pela água. Sudão. Figura 3 – Situação da escassez hídrica mundial. pela poluição industrial ou agro química. por inundações agravadas pelo desflorestamento e a erosão do solo (WOLF et al. ao consumidor doméstico e ao meio ambiente. disputas.

os aqüíferos também atravessam fronteiras. Apesar de escondidos. Síria. aumentar os movimentos populacionais involuntários e testar seriamente as instituições nacionais e internacionais (UNESCO. 2006). Paraguai e Uruguai (UNESCO. só o Aqüífero Guarani é partilhado pela Argentina. são repositórios de mais de 90% da água doce existente no planeta. (WOLF et al. os aqüíferos transfronteiriços das Américas são localizados na Figura 4. 2005. Entre o Brasil e Argentina ocorreram tensões. solapar a habitabilidade de algumas regiões. as mudanças climáticas colaboram com a vasta gama de desafios ambientais: secas. enchentes e tempestades mais freqüentes e intensas que poderão destruir lavouras. na década de 70. Brasil. CAUBET. Na Europa existem mais de 100 aqüíferos transfronteiriços. 2006).63 Rio Bramaputra (Índia. cujas respectivas denominações estão listadas na Tabela 1. de acordo com a referência numérica adotada na referida ilustração. Iraque). 2006). . e na América do Sul. do Rio Eufrates (Turquia. Blangadesh).. por causa do aproveitamento das águas do Rio Paraná em função da construção da barragem de Itaipu (WOLF et al. Para efeito demonstrativo. A exemplo dos rios e lagos. CAUBET. 2005. Iraque). 2006). Para aguçar e intensificar muitas dessas disputas.. do Rio Tigre (Turquia.

. 2006.64 Figura 4 – Localização dos aqüíferos transfronteiriços nas Américas Fonte: UNESCO.

Mirador 33 Sed. Laguna Blanca-Maure 24 Silala. Guayabo. Zurumilla. Colombia-Venezuela Mongui.Yrenda .Peru Yarada.Chaco Tarijeño Argentina-Bolívia . Itacupumi. Carrapia.Chile 25 Puna Argentina . Suriname. Tumbes Equador-Peru 23 Concordia-Escritos. Ollangue Bolívia . Cristalino Brasil-Paraguai 28 Islãs Bolivia-Paraguai 29 Titicaca Bolivia-Peru 30 Lianura Rio Arauca Colômbia-Venezuela 31 Tachira. Rio Colombia-Venezuela Pamplonita. Paranaguachon. Carbonera. Ascotan. Zanderij Guiana.Uruguai 10 Ignimbritas Cordilheira Ocidental Bolívia-Peru 11 Solimões Bolívia-Brasil-Peru 12 Jaci Paraná e Parecis Bolivia-Brasil 13 Pantanal Bolivia-Brasil-Paraguai 14 Permianos Brasil. Cosewijne. Guiana Francesa 35 Jurado Colômbia-Panamá 36 Sixaola Costa Rica-Panamá 37 Coto Costa Rica-Panamá 38 Hondo-San Pedro Guatemala-México.Paraguai 3 Salto-Salto Chico Argentina-Uruguai 4 Litoral Brasil-Uruguai 5 Litoral Argentina-Uruguai 6 Probable Argentina-Chile 7 El Condor Argentina-Chile 8 Caiuá Argentina-Brasil-Paraguai 9 Serra Geral Argentina-Brasil. Cretacico 32 San Antonio-Cucuta.65 Tabela 1: Aqüíferos transfronteiriços nas Américas conforme referência numérica na Figura 4 Referência na figura Aqüíferos transfronteiriços Países AMÉRICA DO SUL 1 Guarani Argentina-Brasil-Paraguai .El Salvador 46 Alto Paz-Ostua Guatemala – El Salvador 47 Montagua Norte Guatemala-Honduras 48 Montagua Sul Guatemala-Honduras 49 Masacre Haití-República Dominicana 50 Artibonito Haití-República Dominicana .Chile 26 Tulcan Colombia .Uruguai 2 Toba .Belice 39 San Pedro Guatemala-México 40 Usamancita Guatemala-México 41 Chixoy-Xaclbal Guatemala-México 42 Selegua-Cuilco Guatemala-México 43 Coatan-Suchiate Guatemala-México 44 Bajo Suchiate Guatemala-México 45 Bajo Paz Guatemala. Grupo Roraima Brasil-Venezuela 34 A-Sand.Argentina-Uruguai 15 Iça Brasil-Colômbia 16 Sedimentos Paleo-Proterozoicos Brasil-Venezuela 17 Serra do Tucano Brasil-Guiana 18 Boa Vista Brasil-Guiana 19 Probable Brasil-Suriname 20 Costeiro Brasil-Guiana Francesa 21 Furnas-Alto Graças Brasil-Paraguai 22 Machala. Caplina-La Colômbia.Equador 27 Oviedo.

Sempre que há disputa entre dois ou mais grupos com poderes de decisão e com interesses diversos ocorre uma situação de conflito (DAMASIO. A extração excessiva feita por consumidores individuais pode conduzir a uma “tragédia dos bens comuns”. Mesmo quando os governos cooperam entre si. ou seja. Peter Gleick (1994) destaca quatro indicadores para a análise da estimativa de vulnerabilidade de um Estado em relação a possíveis conflitos pelo compartilhamento de águas transfronteiriças: (1) a relação entre demanda e disponibilidade de água. sustentar a subsistência das populações e gerar crescimento econômico. a água subterrânea pode ser explorada por sistemas privados clandestinos de bombeamento.podem ocorrer impactos na qualidade de água ou na periodicidade dos fluxos aquáticos. a sobre-exploração de um recurso comum para além dos limites da sustentabilidade (PNUD. produz efeitos nos outros países pela competição por uma fonte de água finita. 2000). 2006). A forma como cada país utiliza a água compartilhada. (2) o aumento . ou quando a forma como um país a montante utiliza a água afeta o meio ambiente e a qualidade da água que chega a outro país situado a jusante. as conseqüências ecológicas da extração descontrolada de água subterrânea têm implicações para os habitantes de ambos os lados das fronteiras nacionais. Países Haití-República Dominicana México-Estados Unidos México-Estados Unidos México-Estados Unidos México-Estados Unidos México-Estados Unidos México-Estados Unidos México-Estados Unidos México-Estados Unidos Fonte: A cooperação entre países em relação às águas subterrâneas se depara com desafios que incluem o monitoramento das captações nos aqüíferos.66 Referência no mapa Aqüíferos transfronteiriços AMERICA DO NORTE 51 Pedernales 52 Tijuana 53 Valle de Mexicali 54 Valle San Luis. tornam-se elos entre os cidadãos quando servem para manter o meio ambiente. e/ou quando a quantidade de água liberada pelos consumidores situados a montante tem implicações cruciais à jusante. 2006. Assim como com as águas superficiais. As águas. mesmo quando transfronteiriças. seja ela superficial ou subterrânea. Situações em que o consumo num local restringe as disponibilidades noutro.Río Colorado (Yuma) 55 Río Santa Cruz 56 Nogales 57 Río San Pedro 58 Conejos-Medanos 59 Valle de Juárez (Bolson) UNESCO.

67 da taxa populacional. (4) a dependência da hidroeletricidade como fonte energética. sociais e econômicos que se sintetizam no território (LE PRESTRE. demonstram na ilustração da Figura 5 as bacias hidrográficas de grande porte que apresentam riscos de possíveis conflitos pelo uso da água. dentre as quais se inclui a Bacia do Prata. Wolf. (3) o grau de compartilhamento das fontes hídricas ou relação entre o abastecimento interno externo. Esses indicadores são reflexos dos mais variados fatores naturais. Yoffe & Giordano (2003). embasados nos estudos de indicadores para identificação de bacias em risco de conflitos. 2000). .

Yoffe & Giodarno (2003). . Fonte: Wolf.68 Potencial de conflito e/ou falta de capacidade institucional Disputa recente. negociação em progresso Outras bacias transfronteiriças Figura 5 – Ilustração das bacias hidrográficas de grande porte que apresentam risco de possíveis conflitos pelo uso da água.

mas é grande a insegurança social e econômica. que por sua vez pode levar à instabilidade política. O comportamento dos sistemas hidrográficos ignora os limites político-administrativos. e a importância política. o controle dos rios para dominação dos povos que habitavam setores hidrográficos à jusante foi praticado desde 4 mil AC. afinal a competição pela posse da água no território de um determinado país pode originar pretensões geradoras de conflitos. institucional. Gerir essa interdependência constitui um dos grandes desafios para o desenvolvimento humano que a comunidade internacional enfrenta (PNUD. sem necessidade de licença ou passaporte. e como forma de poder (REBOUÇAS. as distintas jurisdições. Desde os primórdios das civilizações antigas. mesmo antes do surgimento do Estado moderno (SANTOS. o conflito pode ser menos provável. Na Mesopotâmia. o controle das inundações possibilitou o poder da civilização Egípcia desde 3. Nos Vales do Rio Indo e do Rio Amarelo. Rios. No caso do Rio Nilo. a apropriação das fontes de água representava um importante instrumento de poder. esse desafio é. dentro dos limites do seu território. mas os conflitos podem confrontar os governantes com desde 3 mil AC . Os países até podem legislar sobre a água transfronteiriça como um bem nacional.69 As disputas pelo controle da água já eram uma prioridade da geopolítica dos mais diversos grupos sociais. lagos e aqüíferos estendem sua interdependência hidrológica para além das fronteiras nacionais. em parte. irrigação. ligando consumidores de diferentes países dentro de um sistema partilhado. De acordo com o Relatório do Desenvolvimento Humano (PNUD. 2006). e considera que os seus interesses estão ameaçados. abastecimento. 2004). econômica e social dos recursos hídricos. a utilização da água era feita por intermédio de obras para o controle de enchentes. Conforme Selborne (2002) há maior potencialidade de conflitos quando a nação a jusante (mais vulnerável) é militarmente mais forte do que a que fica a montante (e controla o fluxo da água).4 mil AC. mas a questão do compartilhamento das águas transfronteiriças apresenta um elevado valor estratégico e configura-se como uma das mais delicadas nas relações geopolíticas interestatais. 2006). Quando a situação é oposta e os países a jusante são relativamente menos poderosos do que os que controlam a água. 1999).

mas apenas 37 situações geraram ações de violência que resultaram. um poder central. a competição transfronteiriça pela partilha dos rios e de outras fontes de recursos hídricos. o grau de fragmentação social. cada Estado determina o modo pelo qual uma norma internacional será recepcionada pelo seu Direito interno. . não existe nenhuma estrutura institucional que regule os caudais de água que atravessam fronteiras internacionais. há a prevalência do recurso da cooperação internacional. Evidente que. nas relações entre os Estados. Nas relações internacionais. pelo menos em tese. Destes. como de cooperação. em escala regional (PNUD. aproximadamente 200 tratados. posto que. Historicamente. à medida que a água for escasseando em relação à sua procura. 2004). terão repercussões ao nível de equidade. os Estados atingidos por conflitos políticos. uma hierarquia entre os seus membros. essa questão estratégica envolvendo Estados soberanos apresenta duas vias de desdobramento: (1) por negociações e ações cooperativas ou (2) por meio da defesa unilateral dos interesses nacionais. o poderio econômico de determinados países faz com que esses. na sociedade internacional. tanto de conflito.831 acontecimentos relacionados com águas transfronteiriças. tanto que. Alemar (2006) expõe que. em qualquer mesa de negociação internacional. o tipo de instituições. também irá aumentar e. Diante disso. Com esse enfoque. Apesar do potencial de conflito envolvido em tais disputas. nos últimos cinqüenta anos ocorreram 1. e até mesmo militares. gerando um cenário de conflito. tenham no mínimo. maior poder de barganha (ALEMAR. 2006). 2006). encontraram formas de manter uma colaboração estreita pelo domínio dos recursos hídricos (PNUD. possivelmente. 2006).70 opções que. a ideologia ou a concepção de meio ambiente. os Estados só atuam segundo o que é acordado. No plano internacional não há. No entanto. 507 episódios foram de conflito. mas que existe um conjunto de variáveis: as tradicionais culturais. que podem diminuir ou aumentar a probabilidade de que se produzam conflitos devido a escassez da água. não existe um governo superior ou único. Estudos indicam que o conflito não é resultado inevitável da escassez (CARIUS. do desenvolvimento humano e da redução da pobreza. de acordo com Pochat (2007). conforme o resultado de suas vontades. sem mecanismos institucionais capazes de responder a esta competição. poderão ocorrer conflitos insanáveis. ao todo.

e não há garantia de que o direito internacional possa sempre conter as tensões desencadeadas (SELBORNE. foram desenvolvidas ferramentas. até mesmo o conteúdo simbólico da água relacionado à limpeza.71 Diehl e Gleditsch’s (2001). há situações em que. a resolução de conflitos e a transformação de conflitos20. Situações de conflitos hídricos entre países. relações adversárias entre os Estados ribeirinhos representam um desafio muito maior. A gestão de conflitos não erradica o conflito. capaz de superar interesses conflitantes e facilitar o consenso entre as sociedades e dentro de cada uma delas (UNESCO. renascimento. 20 . em geral. assim como os países membros de cada sistema hidrográfico apresentam características econômicas e socioculturais distintas. A transformação de conflitos trata de criar as condições para que as desigualdades estruturais sejam enfrentadas com o objetivo de deslanchar o processo de reconstrução e reconciliação social de longo prazo (VARGAS. as negociações a respeito do uso da água podem ser vistas como um ritual secular e ecumênico de harmonia e criatividade. mas há ganho sustentável para todas as partes. devido a inexistência de uma terceira parte. contudo. A resolução de conflitos torna visíveis os pontos de interesse comum e os espaços de interseção de necessidades comuns mediante a intensificação da comunicação e do diálogo para possibilitar a visualização das ações requeridas para satisfazer as necessidades das partes envolvidas. cada rio tem suas características geográficas específicas. pode ser um instrumento poderoso e necessário para resolver conflitos em setores da sociedade. com autonomia para mitigar problemas de relacionamento entre países vizinhos que compartilham bacias. De todo modo. tendo em vista a possibilidade da água em ter um valor supremo. 2007). comissões com representantes dos países ribeirinhos formam um fórum para decidir de modo adequado as divergências surgidas em torno de um rio. tais como a criação da Comissão de Bacia Hidrográfica. De certa forma. 2002). 2003). Em outros lugares. ao relacionarem diversos incentivos para a cooperação e a solução pacífica de conflitos ambientais. levam à mesa de negociação. restauração. Em algumas partes do mundo. Pigram (1999) pontua que. Para a cooperação e para os atos de reconciliação. cura. identificam pelo menos dois tipos de gestão: a negociação bilateral e a negociação com envolvimento de uma terceira parte (árbitro). Vargas (2007) enfatiza que a forma de compreender o conflito leva às formas determinadas de manejo dos conflitos segundo as estratégias escolhidas para se lidar com eles: a gestão de conflitos. às discussões e às decisões pacíficas.

2004). o Institut de Droit International (Instituto de Direito Internacional) aprovou o regulamento para a navegação em rios internacionais. ainda que existam certos princípios de Direito Internacional aplicáveis em âmbito global. Outras decisões importantes para o desenvolvimento do Direito Internacional das águas aconteceram em eventos. Panamá e Siam (Tailândia). Em 1934. quando o regime de livre navegação de transporte para o Rio Congo.72 Outra maneira de estabelecer cooperação e solucionar conflitos entre países é pelo uso da legislação internacional dos recursos hídricos. em 1923. Grécia. Hungria. Dinamarca. Iraque. Gran Bretanha. definitivamente. por razões comerciais e estratégicas (POCHAT. progressivamente aplicado a outros cursos de água da África. Nesse ínterim. mas não existe um regulamento jurídico único para todos os sistemas hidrográficos. algumas decisões foram marcantes. como as que foram consolidadas no Congresso de Viena. O primeiro acordo multilateral que regulamentou a utilização dos cursos de água para fins distintos da navegação foi o Convênio de Genebra. As relações entre os Estados. como o Congresso de Berlim. 2007). em junho de 1815. quando foi estabelecida a abertura dos rios internacionais dos Estados para a navegação comercial por toda Europa. 2007). Danzig (Polônia). em 1885. entre os Estados cujo território faz parte de uma mesma bacia hidrográfica (HENRIQUES JUNIOR. O Direito Internacional está em fase de desenvolvimento. Egito. O desenvolvimento do Direito Internacional de águas começou na segunda metade do Século XVIII. relativo ao desenvolvimento da energia hidroelétrica que afete a mais de um Estado e ratificado por onze estados: Áustria. no que diz respeito aos usos das águas transfronteiriças. Nova Zelândia. isto é. giravam em torno do transporte de passageiros e mercadorias. a abertura de rios navegáveis da Europa a todas as nações. No entanto. tanto quanto as organizações internacionais que aplicam esse mesmo Direito. Contudo. Pochat (2007) ressalta que os instrumentos analisados não foram . se embasam prioritariamente em regras do direito costumeiro aceitas ou consentidas pelos Estados em que se aplicam e em regras acertadas em acordos multilaterais ou bilaterais entre os Estados ribeirinhos. e nem para todos os rios. esse Tratado não tem tido praticamente nenhuma aplicação (POCHAT. O Tratado de Paz de Versalhes (1919) e o Estatuto de Barcelona asseguraram. cujas questões. inspirado no principio da liberdade de navegação. até o final do Século XIX e início do Século XX.

Pacto: revestido de muita formalidade. Declaração: utilizada para consolidar princípios jurídicos ou afirmar uma atitude política comum. 2003). Concordata: exige especificação de parte signatária e de conteúdo. sendo uma das partes. 2006): Convenção: um acordo destinado á criação de normas gerais de Direito Internacional. é reservado apenas aos acordos mais solenes. Protocolo: extrato da ata de uma conferência internacional ou um acordo propriamente dito. Na América Latina. Estatuto: conjunto de regras delimitadoras de funcionamento. tais quais (PEREIRA. As embarcações de um Estado não podem navegar nos cursos d’água situados em territórios de outros Estados. necessariamente a Santa Sé. é reservado aos compromissos futuros que os estados fazem entre si. para assumir preventivamente a obrigação de acatar o teor de laudo arbitral. Ato: utilizado para esclarecer regras de direito ou. restringir ao caráter político ou moral. Carta: objetiva convergir o maior numero possível de Estados na busca da concretização de metas comuns. o ambiente propício equivalente à legislação nacional ou local é o acordo internacional21 para manejar e compartilhar as águas transfronteiriças. a liberdade de navegação é adaptada às características estritamente territoriais. Contudo. mediante um acordo ou em virtude de um tratado internacional. Há outras nomenclaturas que permitem razoável classificação da terminologia das convenções ou tratados internacionais. Mais recentemente. têm sido adotadas as convenções no quadro de diversas organizações internacionais. Até então. Convênio: para tornar hábito determinadas condutas. em geral. Acordo: possui destinação específica. o que não está incorreto. Compromisso: documento formal entre as partes. no quadro das Nações Unidas. em outra versão. Por sua formalidade e complexidade. sem que se tenha uma regra específica prévia que determine sua adoção. A nomenclatura acabou incorporando ao significado de Convenção. A linguagem mais usual entre os Estados é o Tratado. conduzindo-as à construção de normas jurídicas de natureza obrigatória. as embarcações de um Estado ribeirinho de um rio internacional podem navegar. Acordos de cavalheiros (“gentlemen’s agreement”): estabelece vínculos de natureza moral que não tem como propósito criar normas jurídicas entre seus signatários 21 . única e somente. restrito à temática católica.73 ratificados pelos Estados cujos territórios são parte dos grandes sistemas fluviais internacionais da América Latina. de Tribunais Internacionais. cujo tratado será assinado pelo Papa. que definem regras gerais “universais” relativas ao uso e à proteção das águas das bacias hidrográficas internacionais. a vinculação dos instrumentos do direito internacional multilateral e a autoridade dos órgãos internacionais é mais tênue do que os correspondentes instrumentos jurídicos adotados pelos Estados instituídos para zelar pela aplicação desse direito internacional e das instituições estabelecidas para resolver os conflitos decorrentes dessa aplicação (IZA. a menos que tenha o consentimento para tal. que objetiva reunir as vontades de dois ou mais Estados. nomeadamente. na seção do rio que se encontre em seu território.

e. e se for o caso. p. ou por outros meios admitidos pela Constituição Federal Brasileira (SOARES. 49. inciso I). convenções e atos internacionais... inciso I da Constituição Federal.185): “.os controles de constitucionalidade e da legalidade efetuados pelo poder judiciário. sujeitos ao referendo do Congresso Nacional” (idem art. No sistema federativo brasileiro de regime presidencialista. de alguma maneira. de praxe. 2001). as razões da Pactum de contrahendo: espécie de pré-acordo que os signatários celebram para ajustar as bases de um acordo a ser futuramente celebrado quando as circunstâncias. na qual estão resumidos os pontos importantes do ato internacional anexado. pois é competência da União “manter relações com estados estrangeiros e participar de organizações internacionais” (CF Art. acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional” (SOARES. não há possibilidade de medidas judiciais que. inciso VIII). toda fase da negociação dos tratados e convenções internacionais é atribuição do Chefe do Poder Executivo Federal. ou ainda de diplomatas e outras pessoas. ou seja. ou de peritos e técnicos de outros Ministérios brasileiros. A competência é privativa do Presidente da República para “celebrar tratados. 4ª . 84. . seus textos são remetidos ao Congresso Nacional em anexo a uma Mensagem do Presidente da República. sem direito a voz ou voto). são compostas de funcionários do Ministério das Relações Exteriores: diplomatas. os permitirem. 21.a formação dos atos internacionais. com legitimidade.a aprovação pelo poder legislativo. suas fases de negociação e. Após assinado um tratado ou convenção internacional. funcionários do estado especializados na arte da negociação internacional.74 Soares (2001) explica que para a recepção dos tratados e convenções internacionais no direito interno brasileiro22 há quatro etapas: 1ª . o forçassem a assinar tratados ou convenções internacionais contra sua determinação política de não fazê-lo. por via de mandados de injunção.a promulgação pelo poder executivo. 3ª . e endereçada ao Presidente da Câmara dos Deputados. 22 A validade de tais atos está no art.” Como o juízo sobre a conveniência de assinar tratados ou convenções internacionais é de competência exclusiva do Presidente da República. que dá competência exclusiva ao Congresso Nacional de “resolver definitivamente sobre tratados. 2ª . sobretudo. as delegações as reuniões diplomáticas ou de peritos técnicos. 2001). a juízo do Presidente da República (sendo possível a presença de delegados como observadores. Conforme Soares (2001.

até hoje. Na fase da aprovação pelo Poder Legislativo. é encaminhado ao Senado. brasileiros ou estrangeiros.o princípio de notificação e negociação prévia para o planejamento e implementação de ações. sejam indivíduos. os Estados tendem . é estabelecida a primazia do princípio de não causar dano e/ou do princípio do uso eqüitativo dos recursos hídricos. os recursos hídricos no seu território.o principio da soberania territorial. tanto da jurisprudência internacional. em geral. Tanto no Senado. sejam pessoas jurídicas. quanto na Câmara dos Deputados há a possibilidade de se pedir esclarecimentos aos órgãos do Poder Executivo. algumas normas de caráter geral são deduzidas. de não admitir emendas por parte de deputados ou Senadores: o texto ou é aprovado em sua totalidade. e. O princípio da soberania territorial absoluta. prevalece em diversos acordos bilaterais entre Estados independentes. conforme o geógrafo RIBEIRO (2001) ao analisar os resultados de conferências e convenções ambientais. o texto do tratado ou convenção internacional é votado na Câmara dos Deputados e. traduzida pela doutrina de Harmon.o princípio da utilização racional e eqüitativa (mesmo que haja debates em torno das interpretações dos termos racionais e eqüitativos. além das práticas intra-estaduais. Se houver aposição de reservas pelo Presidente República no momento da assinatura. . segundo a qual cada Estado é livre de usar. tal fato deverá ser esclarecido ao Congresso Nacional. com o intercâmbio de informações. 1998. No contexto da “hidrodiplomacia” mundial. Soares (2001) ressalta uma particularidade no processo legislativo dos tratados e convenções internacionais.a obrigação de cooperar. Há princípios legais fundamentais do Direito Internacional aplicados aos sistemas hídricos e corpos de água transfronteiriços aceitos mundialmente (SIRONNEAU. de forma discricionária. desenvolvida em meados do século XIX. nacionais ou estrangeiras. . como das resoluções que ditam os organismos internacionais e as instituições científicas sobre o uso e aproveitamento de águas fluviais. em seguida. Nos acordos. 2001): . Porém.75 importância daquele ato para o Brasil. de quaisquer pessoas fora do governo. inclusive. . SOARES. e do exercício aos cuidados devidos na utilização de um curso de água internacional). ou é rejeitado. ou ainda internacionais.

2001). os Estados ribeiros tendem a cooperar sobre os recursos hídricos transfronteiriços e buscam acordos negociados com respeito a todos os interesses dos respectivos países. 2000). baseados em usos de água eqüitativos e racionais (GWP. Os Estados devem utilizar seus territórios de maneira que não causem prejuízo ao Estado vizinho. respeitando os interesses dos outros Estados ribeirinhos. 2001). De acordo com esse princípio. 1998. Isso inclui a obrigação de não iniciar projetos ou permitir que se iniciem projetos no seu território que possam causar dano significativo aos interesses de outro Estado sem a informação prévia. Por sua vez. na medida em que conte com a devida informação (SOARES. trata-se de assegurar o equilíbrio das relações entre os volumes de água utilizados e as disponibilidades hídricas de cada segmento de uma bacia hidrográfica partilhada por diferentes Estados soberanos. não há necessidade de consentimento prévio. como a absoluta soberania e a absoluta integridade territorial. induzem as cortes internacionais ao favorecimento do conceito do interesse comum entre os países fronteiriços. De uma forma simples. como à montante. As posições doutrinárias na lei de cursos de água internacionais.76 a atuar segundo seus interesses nacionais buscando salvaguardar sua soberania perante tais negociações. o uso eqüitativo não significa que o direito de participação ao acesso e aos benefícios derivados do aproveitamento de um corpo d’água será idêntico para cada país. um Estado poderá determinar se uma obra projetada causará ou não um prejuízo apreciável e se a mesma se ajusta ao uso eqüitativo e racional do referido curso de água. a consulta e a eventual reparação dos danos causados (SIRONNEAU. tanto em Estados vizinhos situados à jusante. SOARES. Há a obrigação de um Estado em gerir seus próprios recursos hídricos no intuito de não causar dano aos interesses de outros Estados fronteiros. No caso do Estado que deseja empreender uma obra ou trabalho que não cause prejuízos apreciáveis. O princípio do uso eqüitativo dos recursos é expresso pelo direito dos diferentes Estados fronteiros utilizarem os recursos hídricos das bacias hidrográficas partilhadas de forma razoável. pois se refere aos Estados . e é dessa forma que se expressa o princípio de não causar dano à qualidade e/ou quantidade das águas por meio de atividades e variações que possam alterar negativamente seu curso de água. Com isso. Equidade não é sinônimo de igualdade.

A aplicação desses princípios é difícil. A dificuldade associada aos princípios da concorrência e as preocupações relacionadas com a soberania nacional ajudam a explicar o motivo por não existir. Após a Declaração. como também. em níveis práticos de 23 A Declaração de Helsinque de 1966. YOFFE & GIORDANO. promover o processo de consulta em todos os níveis. de modo a melhorar a gestão dos recursos hídricos e diminuir a poluição (PNUMA. e definir programas de ações prioritárias a médio prazo que sejam de interesse comum. a construção de barragens destinadas à produção de energia hidroelétrica. um mecanismo de coação para isso. que levou em 1997 à Convenção das Nações Unidas sobre a Lei de Usos Não-Navegacionais de Águas Internacionais. Porém. não apenas em nível político. em níveis regionais e no âmbito de bacias hidrográficas (incluindo lagos compartilhados e aqüíferos de águas subterrâneas). 2003). O programa de ações prioritárias da conferência enfatizou a necessidade de: facilitar o intercâmbio de informações precisas e harmonizadas entre países ribeirinhos. 2004). argumentando com suas próprias necessidades socioeconômicas e com o consumo que já faziam no passado. em 55 anos. O reconhecimento da organização de bacias fluviais nos últimos trinta anos também resultou no estabelecimento da Rede Internacional de Organismos de Bacias (RIOB) em 1996. . Os Estados à jusante podem opor-se às medidas.77 participarem dos benefícios de forma racional para que cada um possa satisfazer suas respectivas necessidades (SIRONNEAU. houve diversos esforços internacionais. As regras de Helsinque23 e a Comissão de Direito Internacional. Já se sente o impacto dessa nova convenção na adaptação que a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC). que estabeleceram um grande número de comissões e acordos. enquanto outras iniciativas incluem a Conferência Internacional sobre Água e Desenvolvimento Sustentável de 1998. o Tribunal Internacional de Justiça condenou apenas um caso relacionado a rios transfronteiriços (WOLF. entre eles principalmente o trabalho da Comissão de Direito Internacional da ONU. por exemplo. e a Convenção das Nações Unidas sobre o Uso e Proteção das Águas de Não-navegação incluem instrumentos internacionais desenhados para facilitar a colaboração entre países que compartilham das mesmas águas. fez de grande parte de seus princípios em seu protocolo revisado sobre águas compartilhadas. principalmente no âmbito de instituições e mecanismos internacionais pertinentes. na prática. há uma grande brecha entre a retórica e a ação. a qual declarou que “a visão compartilhada entre países vizinhos é importante para o efetivo desenvolvimento. gestão e proteção dos recursos hídricos transfronteiriços”. em parte. composta por 14 membros. Os consumidores a montante podem argumentar sobre suas necessidades socioeconômicas para defenderem. Há protocolos desenvolvidos. estabeleceu a base para os princípios internacionais para cursos d’água compartilhados e influenciou muitos tratados específicos sobre rios. mas em termos de vontade para cooperar. tanto que. 1998). devido ao argumento de que não há instrumentos de resolução de reivindicações antagônicas. frequentemente.

78 estabelecer os dados apropriados. esse texto de lei prevê um conjunto de parâmetros ao codificar a regra da utilização eqüitativa. partes iguais. no intuito de ajudar os árbitros e juízes a determinar a medida eqüitativa em que a água deve ser compartilhada. A comunidade internacional aprovou um texto da lei internacional a respeito da água doce. em comunicação pessoal. como resultado de trabalhos iniciados há mais de 20 anos na Comissão de Direito Internacional. preservação e gestão relativas às suas utilizações. presidente da Câmara Técnica de Recursos Hídricos Transfronteiriços do CNRH como representante do Ministério das Relações Exteriores. bases de informação e ferramentas analíticas necessárias para uma colaboração significativa (WOLF. Ao retomar. na Convenção das Nações Unidas sobre os Usos dos Cursos d’Água Internacionais não Atinentes à Navegação. para ser oficialmente reconhecida. as águas subterrâneas que interagem com as águas de superfície. YOFFE & GIORDANO. Bernardo Paranhos24. com o objetivo de codificar as normas de direito consuetudinário pelos quais os Estados devem se pautar nas negociações futuras sobre cursos de águas transfronteiriços. até o valor econômico do uso corrente e potencial do curso d’água. e não obteve mais do que dezesseis assinaturas e oito ratificações. 24 Bernardo Paranhos. também. aplicados aos cursos de águas internacionais com usos não navegacionais. estão fora do âmbito dessa Convenção. em novembro de 2007. Os aqüíferos confinados. mesmo que sejam partilhados por dois ou mais Estados. necessita de trinta e cinco instrumentos de ratificação. desde considerações geográficas e ecológicas. A base dessa Convenção-Quadro é a definição de “curso de água internacional” que envolve. Estabelece. com base em uma longa lista de fatores. no ano 1997. as Regras de Helsinque de 1966. em grande parte. expôs que o Brasil não ratificou essa Convenção das Nações Unidas sobre os Usos dos Cursos d’Água Internacionais não Atinentes à Navegação por não concordar com o quê é conceituado como “águas internacionais” que limita a soberania absoluta de cada Estado. 2003). Porém. como já mencionado. um quadro jurídico contendo as regras necessárias à negociação e elaboração de acordos bilaterais sobre cursos de águas internacionais específicos. e às medidas de proteção. . o que não significa necessariamente. para além de rios internacionais. em Nova Iorque. e inspirada na teoria da soberania limitada sobre os recursos em água transfronteiriços. à data de 13 de Setembro de 2000.

e não como um curso de água internacional sobre o qual os Estados gozam do direito de soberania absoluta sobre os mesmos. progressivamente. é possível admitir que esses princípios gerais podem abrir condições para a cooperação e. conservação e preservação das águas. para um único país. afetaria a ligação que há entre os consumidores de diferentes países dentro de um sistema evidentemente partilhado. que se estende para além das fronteiras nacionais. ou no caso das águas transfronteiriças. tendo em conta sua unidade física. considerar as águas transfronteiriças como um bem jurídico a partilhar. Na prática. não existem instituições que resolvam os diferentes interesses e que coordenem a partilha de recursos hídricos de acordo com o grau e interdependência hidrológica dos sistemas compartilhados (PNUD. No entanto. . inclusive.1 GESTÃO TRANSFRONTEIRIÇA DE ÁGUAS Após diversas conferências internacionais anteriores e posteriores à Eco-92 explicitarem um conjunto de princípios que estabelecem parâmetros para o uso. 2006). Em teoria. baseado em mecanismos de cooperação. fatores como a confiança ou as preocupações estratégicas têm um peso considerável nas políticas governamentais. os Estados tendem. Afinal. A bacia hidrográfica é considerada a unidade espacial para fins de gestão de recursos hídricos. a necessidade de preservação dos ecossistemas. mesmo que houvesse a possibilidade da água ser canalizada para um único propósito.79 Contudo. 2. pois comporta uma rede fluvial cujo desenho pode ser controlado morfologicamente. numa perspectiva utilitarista e econômica. o ideal seria uma gestão integrada dos recursos hídricos em toda a bacia. quando a bacia hidrográfica é composta por águas compartilhadas por mais de um país. devido à necessidade de gerir os recursos hídricos de forma integrada. para a construção de instituições que detenham maiores condições para coordenação do gerenciamento da água. sua interdependência hidrológica. bem como.

Essas regras são encontradas no direito internacional consuetudinário e se desenvolvem através de um processo de reclamação e contra-reclamação com as nações reclamantes apelando para regras legais. industrial o recreativo) e de regimes hídricos (águas superficiais e subterrâneas. em termos de usos da água (agrícola. Interdependência transfronteiriça. Interdependência hidrológica. ou em definições econômicas. urbano. transfronteiriça e em questões exógenas. particularmente. como exemplo mais evidente é a dos efeitos potencialmente desastrosos das mudanças climáticas (UNESCO. Outras medidas se baseiam em necessidades. a obrigação de não causar prejuízos apreciáveis às outras partes. está no centro da administração dos conflitos sobre a água. o compromisso de cooperar. 2006). das quais. usando a população. Em alguns casos. os Estados representam uma pequena parcela da bacia. a terra arável ou parâmetros históricos. O direito costumeiro (consuetudinário) faz o que o mercado não pode fazer: reconhece a natureza única da água. em termos geográficos. em termos de coordenação horizontal num espaço e cooperação vertical entre agências governamentais de distintas hierarquias. política. Interdependência política. estabelece um conjunto de normas para compartilhar a água disponível. aceitos pela comunidade legal internacional. contudo. Interdependência exógena. Entre as medidas utilizadas. para promover a eqüidade no uso compartilhado da água. geralmente. (UNESCO. é necessária a integração inter-governamental nas áreas25 da hidrologia. 25 . o intercâmbio regular de dados e de informação e o reconhecimento das relações entre os usuários (UNESCO. Há medidas baseadas na eficiência. mas podem ser altamente dependentes em termos hidrológicos. cujas soluções para a escassez desse recurso estão na consolidação das regras para partilhá-la. embasado no uso eqüitativo e razoável. interdependência e vulnerabilidade. A questão da eqüidade. nenhuma dessas categorias incorpora todas as características físicas. Em vez de determinar a proporção da propriedade de um rio que cabe a cada parte em litígio. 2003). historicamente.80 Não há regras pré-concebidas e as situações são complexas. há aquelas baseadas nos direitos de cada parte. qualidade e quantidade). de modo a estabelecerem seu direito. ou o inverso. 2003). Nesse contexto de crescente complexidade. políticas e econômicas peculiares a cada um dos cursos d’água internacionais. tanto que interdependência social e hidrológica entre Estados.

em todos os níveis participativos para o manejo de bacias. . 2002 apud UNESCO. A gestão das águas transfronteiriças normalmente envolve a negociação e assinatura de tratados internacionais de cooperação.O fortalecimento e a delimitação clara dos normativos e das competências dos distintos níveis que integram as entidades institucionais para a gestão da bacia hidrográfica.A criação de capacidades para a auto gestão e auto sustentabilidade. que possam resolver com autonomia os seus próprios problemas (National Round Table on the Environment and the Economy. adotando a gestão integrada de águas como ferramenta básica. governos e outros tipos de organizações .O fortalecimento e a qualidade da informação e do seu acesso ao público. porém ao desenvolver capacidades latentes no âmbito de comunidades. que também possa auxiliar na identificação dos interesses partilhados. 26 Considera-se que a capacitação. 1998). . ao nível da água. atreladas à disponibilidade de recursos financeiros para concretizar as ações de gerenciamento compartilhado de águas (PNUD.81 Para a cooperação destaca-se a necessidade de combinar a capacidade tecnológica com a vontade política. respeitando a soberania de cada país. 2006). López (2004) sugere que. O primeiro passo consiste na criação de um banco de dados comum. Esses tratados procuram definir normas comuns de uso das águas e de manejo das bacias. pesquisadores. Considerar que a todos se faça necessário a capacitação26 em aspectos gerenciais. 2006). a necessidade de instituições fortes e atuantes na implementação de políticas públicas estruturadas e harmoniosas. produtores. governos locais e a comunidade.A consideração do contexto do desenvolvimento sócio econômico e ambiental da região e de seus países. A informação é fundamental. tendo em conta o desenvolvimento dos usos múltiplos. atrelado ao envolvimento dos tomadores de decisão. planejadores. para a gestão de águas de bacias transfronteiriços seja necessário considerar alguns aspectos. pois a cooperação. visto que é um componente fundamental para que os acordos internacionais sejam proclamados e validados nas instâncias internas dos Estados (Sadoff y Grey. incluindo sua inter-relação com os aqüíferos e as zonas costeiras. . Segue a isso. excluindo os enfoques setoriais e temáticos. depende da vontade dos Estados ribeirinhos em partilharem a sua gestão. em todos os níveis – nacional regional e internacional – não busca equacionar problemas específicos. tais quais: . .

a participação pública (institucional. predominam interesses individuais em detrimento às questões de interesse comum. ao uso integrado de águas superficiais e subterrâneas.Interdependências operativas/administrativas na área dos recursos hídricos compartilhados: relacionadas à quantidade de bacias de águas superficiais e aqüíferos transfronteiriços. conservação. como a conservação dos solos e a proteção da biodiversidade à montante das bacias hidrográficas em proveito das populações assentadas à jusante. ao planejamento e gestão operativa em nível de bacias. ao forte grau de impacto pelo desvio de cursos d’água à montante. ao mecanismo de integração de águas a jusante e montante. em nível local. consideração sistemática das interdependências entre os usuários e usos da água. ao número de tratados/eventos cooperativos.82 . às condições de elevado estresse hídrico/escassez/pobreza. de acordo com a capacidade de carga e tecnicamente sustentável da bacia. local e individual) se materializa. especialmente. já que os atores locais têm um papel chave na implantação de ações de reabilitação. ao impacto sobre os ecossistemas de águas subterrâneas. à dependência das águas afluentes provenientes de outras bacias fluviais. Ainda que contem com adequados marcos legais e institucionais.A realização do ordenamento territorial. Em países que lutam para atenuar a pobreza. .O fortalecimento da participação local. . um interesse pelos benefícios de longo prazo atribuídos às questões ambientais. que contemple as necessidades futuras e o crescimento populacional. e a percepção local prevalece sobre as inquietudes de caráter regional. A possibilidade de ocorrer ações conjuntas devido à interdependência entre Estados que compartilham suas águas podem ser avaliadas pelos potenciais indicadores propostos pela UNESCO (2006) são listados a seguir: . só depois de verificar a existência de benefícios concretos e de curto prazo (OEA. é difícil perceber. 2004).O aproveitamento das experiências positivas de outras bacias para adaptar às condições particulares da bacia em questão. Geralmente. muitas vezes. produção e manejo das bacias. . proteção.

Conforme recomenda a UNESCO (2006). no estabelecimento de instituições conjuntas.A cooperação através de projetos comuns. modificação da demanda setorial) e da distribuição. à dependência de hidroeletricidade.Cooperação/Conflito: em função dos mecanismos existentes para resolução de conflitos.83 . do número significativo de tratados e convenções sobre recursos hídricos. na gestão integrada de bacias hidrográficas. . à pobreza e más condições sanitárias.Vulnerabilidade/fragilidade: relacionado ao alto grau de rivalidades. dos acordos econômicos. megaprojetos hídricos que tenham ou não leis e regulamentações para distribuição justa da água. das bacias de internacionalização recente. na interação constante. à importância da água virtual no comércio de alimentos. das atuações cooperativas que envolvam rios transfronteiriços. e . cooperação e colaboração: . no planejamento ativo. da capacidade de recuperação dos custos reais dos projetos hídricos. na criação de comissões de bacia. dos projetos unilaterais. aos eventos hidrológicos extremos e desastres periódicos relacionados à água (secas. relação entre demanda e oferta de água. intercâmbios científicos. à fragilidade ambiental ou sistemas sociais frágeis. mecanismos de implementação e participação das partes envolvidas. disputas e contestações nos países ou entre eles.Sustentabilidade/desenvolvimento: em função da existência de medidas de conservação da água e com possibilidade de implementação.A colaboração em ações que implicam na assinatura de acordos formais. da publicação de inventários conjuntos sobre recursos transfronteiriços. na adaptação dos planos nacionais aos custos e benefícios regionais e a realização de prognósticos hídricos conjuntos. da eficiência da gestão comunitária. . uma boa forma de articular a dinâmica de cooperação entre os Estados é por meio de uma seqüência de ações de coordenação. à redução da qualidade de água e deteriorização dos ecossistemas subterrâneos dependentes. da gestão integrada de recursos hídricos. uma secretaria permanente e . científicos ou industriais. inundações).Ações de coordenação ao compartilhar informações. . da água não contabilizada. vontade de implementar políticas ambientais equilibradas. processos de comunicação e procedimento regionais preliminares. da competência para tratar e gerenciar conflitos relacionados aos recursos hídricos.

no âmbito doméstico. de forma mais ampla. que ao criar a instituição. na obra citada. ou até mesmo. ao discutir sobre gestão de recursos hídricos. através de apoio às instituições locais . ao mesmo tempo em que protegem aqueles com poucos recursos para intervir. e em realizar projetos e programas cujas atividades sejam compatíveis em nível local. senão a 27 É necessário deixar claro que a autora. leva os participantes a evitar a concentração de recursos de poder nas mãos de um ou de poucos integrantes. enquanto. ao longo do tempo. se considerarmos o compartilhamento de recursos entre países. com objetivos relacionados ao uso da água e expressados em políticas hídricas nacionais. . e que o fortalecimento institucional é possível. na medida em que participem do processo de elaboração das regras comuns para a gestão de recursos compartilhados27. Berkes e Seixas (2005) pontuam que as instituições locais voltadas para a gestão de recursos comuns podem surgir espontaneamente. Decorre então. fundamentais para a consolidação de instituições locais. pelas leis do País. sem conceder às partes envolvidas quaisquer poder de gestão realmente compartilhada. Smith (1999) sugere o fortalecimento de instituições em nível local para interações com outras instâncias decisórias. como um mecanismo para desarmar um conflito eminente. como o acesso urbano à água. são ineficazes quando são criadas com muita facilidade e se transformam em simples talkshops e/ou utilizadas pelo governo como simples fórum para gerar novas idéias. Vieira. essas normas não existem ou não possuem a mesma força. Alertam que algumas corporações de stakeholders. Isto não significa a eliminação a priori do conflito. as preocupações em não limitar sua própria atuação ou não gerar danos a si mesmo. Ou seja.84 outras formas de gestão conjunta. onde a ação política dos atores está delineada. Essa participação gera um compromisso com a instituição que se cria no processo e que passa a exigir de seus instituidores engajamento efetivo no cumprimento das regras e normas acordadas. Para isso. eles são capazes de produzir diretrizes que podem levá-los a adotar a cooperação como estratégia dominante e de sustentála como alternativa. ao saneamento e ao desenvolvimento agrícola. sugere que a cooperação torna-se a opção racional para os atores. Ostrom (1999). tendo em vista a criação de um ambiente favorável capaz de acelerar mais seu desenvolvimento. podem ser desenvolvidas atividades de revitalização política e cultural vinculadas ao empoderamento e ao resgate cultural ou no ressurgimento de instituições locais. está discutindo as possibilidades de um tipo de autogestão de recursos comuns.

aos que reivindicam direitos à água a montante ou a jusante devem compartilhar dados e informação com os outros usuários. 2003). entendida como ilimitada – e o século XXI.85 institucionalização de regras que abram possibilidades de solução negociada entre os participantes (OSTROM.A água deve ser considerada como um instrumento para o desenvolvimento comunitário. um bem comum. um problema de governabilidade. ou seja. . . portanto. de governabilidade (UNESCO. o direito internacional vem se deslocando nessa direção ao tomar como referência. fundamentando suas decisões em considerações éticas. e não apenas pelo setor público. as águas transfronteiriças como águas comuns sujeitas. Há questões essenciais que devem ser consideradas para a cooperação internacional (GWP. a normas éticas e legais além das geradas pelos Estados (SELBORNE.Os financiadores e doadores internacionais devem ter como objetivo promover a cooperação entre os usuários da água dentro e fora das fronteiras nacionais. . considerando as demandas decorrentes de toda a bacia hidrográfica.quando a infra-estrutura para o desenvolvimento permitiu uma melhor exploração dos recursos. é uma crise essencialmente de gestão de assuntos públicos. na atualidade. Um bem de uso comum impõe de um lado a regulamentação sob controle público. 2000): . Gleick (2000) considera a gestão integrada de águas um indicador e qualifica como uma mudança de paradigma entre o século XX . a água.A administração transnacional deve ser estimulada para todos os países que compartilham o recurso água. de como compartilhar a água de forma eqüitativa e assegurar a sustentabilidade dos ecossistemas naturais. ou seja. para a garantia do acesso eqüitativo dos consumidores. e que até então não foi solucionado é. pode ser administrada em níveis subsidiários adequados. cujos recursos são finitos e precisam ser geridos para manter a integridade ecológica. sobretudo. Positivamente. e de outro. a realização da paz e a diplomacia preventiva. cada vez mais. confiada ao Estado. seja do subsolo ou de cursos d’água. 1999). amplamente considerada no mundo inteiro. uma forma de governança baseada no conceito de propriedade comum. 2002) A crise da água. Dessa forma. Estudos da UNESCO (2006) confirmam que há água suficiente pra todos. mas o grande problema a ser enfrentado mundialmente.

econômicos) caracterizados por sua capacidade de formular e implementar decisões públicas. tendo sentidos semânticos diferentes. Por sua vez. as regras formais são aquelas que se encontram escritas numa norma e apoiadas por um sistema regulado de sanções. porém complementares (CATALÀ. tais como. a imprevisibilidade da aplicação das leis. . a transferência ilícita de recursos públicos ao setor privado. com freqüência. pessoa jurídica. como marco institucional) que estabelecem as pautas de interação ou regras do jogo entre os atores no processo de tomada de decisões públicas.86 Essa crise de governabilidade da água se evidencia devido a diferentes causas. também. Nesse sentido. 2. 2007). enquanto que. organização ou coletivo com recursos de poder suficientes para poder influenciar no processo de formulação de políticas públicas. as regras informais são constituídas pelos costumes. são socialmente aceitas. Como ator entende-se aquele indivíduo. a contradição de interesses entre usuários de águas a montante e a jusante no que se refere aos direitos dos ribeirinhos e ao acesso a água. a falta de instituições adequadas para o setor de água. Joan Prats i Català (2007). se utilizam indistintamente como sinônimos que encontram sua origem comum na palavra inglesa governance. a fragmentação das estruturas institucionais (por vezes compartimentadas e com estruturas de decisão superpostas e/ou contraditórias). É possível falar de governabilidade quando os atores se inter-relacionam para tomar decisões coletivas e resolver seus conflitos e divergências dentro de um marco institucional determinado (o sistema de governança) no qual formulam suas expectativas e estratégias. a governabilidade é o atributo dos sistemas sociopolíticos (e por extensão. de decidir e de transformar as demandas ou preferências cidadãs em políticas concretas.2 GOVERNANÇA/GOVERNABILIDADE “Governança” e “governabilidade” são termos que. regulamentos e práticas de licenças e outorgas de uso da água. se não se encontram escritas em algum lugar. Diretor do Instituto Internacional de Gobernabilidad de Catalunya conceitua governança como aquele sistema de regras formais e informais (denominado. hábitos e rotinas que. compartilhadas e observadas.

que seja ágil e profícua. o capital social. De acordo com Querol (2007). Considera o marco institucional (formal e informal). tanto para prevenção. para que todos os atores possam participar de modo consciente nos processos de tomada de decisão. uma coordenação intergovernamental em nível local-global. Conceitua um bom governo como aquele capaz de construir uma boa governança e proporcionar. o mapa e a rede de atores (governamentais e não-governamentais). . fortalece a questão institucional. no sentido de delegar a gestão à níveis mais locais de governo. para assegurar a eficiência da autoridade reguladora e o fortalecimento da tomada de decisão local. coordenada às políticas diversas das diferentes escalas territoriais existentes. ressalta que a governabilidade não pode ser garantida apenas pelos governos. a cultura da sustentabilidade. e de uma agenda também estratégica. Para a promoção do desenvolvimento sustentável. entendido como o processo e a estrutura de atores sociais e procedimentos (formais e informais) utilizados em processos de tomada de decisão em busca do desenvolvimento sustentável. como a disposição de informação de qualidade e conhecimentos adequados ao alcance de todas as pessoas que possam estar interessadas. a coordenação entre políticas setoriais para formulação e gerenciamento das diferentes áreas de atuação. transparente e legítimo seja o marco institucional. sem o funcionamento de redes mais ou menos institucionalizadas de atores estratégicos que disponham de sua própria autonomia. a informação e os instrumentos inovadores de políticas. Também. No entanto. assim a governabilidade. os processos e conflitos e a capacidade dos atores como aspectos fundamentais para a implementação de sistemas de governança para o desenvolvimento sustentável. o sistema de governança tenderá à governabilidade quanto mais previsível. como para solução de problemas. Alguns requisitos institucionais são considerados importantes. bem como. Querol (2007) entende que governança faz referência às capacidades de ações coletivas – públicas sociais e privadas existentes e necessárias para promover a transição na direção da sustentabilidade.87 A governabilidade é proporcional à qualidade das instituições ou regras do jogo que servirão para ajustar as necessidades sociais com os objetivos políticos.

segundo os princípios da precaução. Um sistema de governança adequado à sustentabilidade se caracteriza por um alto grau de participação dos diversos elementos da sociedade. a responsabilidade financeira. tendo em conta os interesses gerais e o direito a qualidade de vida das futuras gerações. o avanço do desenvolvimento sustentável. flexíveis ao ponto de adaptar-se a mudanças e o surgimento de novas barreiras ou novas oportunidades para adaptação a procedimentos mais eficientes. a equidade. a integração e ética (UNESCO. devem ser orientadas pela eficiência. desenhados para estimular tanto a capacidade dos atores sociais para sua auto-regulação. é evidente que os princípios básicos de uma gestão efetiva dos assuntos hídricos incluem a participação de todos os interessados. a coerência. a aplicação de instrumentos de políticas para gerenciar e resolver conflitos são voltadas para as soluções de consenso. de capacitação dos mesmos. Em termos gerais. assim como.88 Para tal. as administrações devem incorporar os custos e benefícios econômicos. onde os cidadãos agem de modo responsável em relação aos limites ambientais e às necessidades socioeconômicas das gerações presente e futura. Nesse contexto. a integração de políticas requer uma estrutura de coordenação da diversidade de atores governamentais e não-governamentais com a visão do interesse geral para a compatibilidade de interesses. pautas e valores no exercício da administração. . O capital social se refere ao atributo dos atores sociais caracterizado pela capacidade de manter uma pauta de interação com potencialidade de consensuar interesses compartilhados. entendidas como um conjunto de procedimentos. a transparência. a capacidade de reação. 2006). sociais e ambientais das diversas escalas temporais e territoriais nos procedimentos de tomada de decisão. Como cultura política participativa. entendida como o conjunto de orientações subjetivas advindas das políticas que afetam o modo de como os cidadãos interagem com o processo político. com freqüência. e ainda que não exista um conceito estabelecido sobre governabilidade da água. por meio de sistemas de governança. em política preventiva e pró-ativa. pela formação de uma cultura de sustentabilidade. como a capacidade de forças do mercado econômico. que sejam efetivamente de caráter participativo. convertendo a política reativa ou paliativa dos problemas. A cultura administrativa e a qualidade das ações políticas. Os erros de governabilidade da água impedem. Para alcançar objetivos do desenvolvimento sustentável.

Y SOLUC IONES DE GESTIÓN . Mesmo quando não existe nenhum acordo. políticas e as condições vinculadas aos acontecimentos internos e nos países vizinhos. salientando que tudo isso depende. a gestão de conflitos e de riscos. 2006). Há diversas experiências que tratam de recursos hídricos transfronteiriços de bacias da América do Sul que podem embasar futuras abordagens. não nenhuma “fórmula” pré-pronta para a boa governabilidade da água (UNESCO. em grande parte. considerando as devidas adaptações às condições particulares de cada situação. necessariamente. (UNESCO. às situações caracterizadas pela variabilidade. bem como à evolução da economia mundial. quanto e como se administra esse recurso natural. Isso resulta em grandes discussões em função da governabilidade da água em torno de definições de como e quem está envolvido na governabilidade da água. O planejamento hídrico é essencial para gestão de longo prazo. exceto raras exceções. como em bacias e aqüíferos. uma institucionalidade transfronteiriça sólida com adequada vinculação entre a atividade científica e a de formulação de políticas. tradições. quem toma decisões sobre o a distribuição da mesma. Sendo assim. se configura um caminho para a governabilidade hídrica.89 Muitos países possuem seus territórios em bacias compartilhadas com um ou mais países vizinhos e. os limites da bacia não coincidem com os limites político-administrativos. da capacidade de estabelecer sistemas sólidos e efetivos de governabilidade. Nessa lista se incluem discussões sobre os planos de gestão integrada de recursos hídricos para satisfazer novas demandas em matéria de água. tratado ou outros mecanismos de coordenação e implementação de gestão conjunta de águas compartilhadas por mais de um país. Uma boa governabilidade da água é um processo complexo. tanto em níveis regionais ou locais. De acordo com a UNESCO (2003). simbiótico aos princípios gerais de governabilidade de cada país. melhorar a governabilidade da água em busca da sustentabilidade implica. 2006). a sistematização de informações hidrológicas. e determinações a quem. quem tem direito aos seus benefícios. riscos. de forma efetiva. seus costumes. ir além do setor hídrico para a criação de instituições flexíveis e sistemas de governabilidade que possam responder. incertezas e mudanças.

do conhecimento. Aproximadamente. Com o crescente processo de urbanização e o crescimento econômico. muitos dos problemas hídricos. não obstante a escassez ou abundância de águas. A Figura 6 demonstra as bacias de rios transfronteiriços da América do Sul. que incorpora oito países sulamericanos. (CORDEIRO NETTO. 60% do território sul-americano correspondem a áreas em bacias transfronteiriças. . é considerado a maior fonte subterrânea de água doce do mundo (OEA. tem mais de 8. teve início com questões relacionadas à navegação e às obras hidráulicas. 2004). 2007). com destaque àquelas em que há documentos formais consolidados e acordados entre as partes envolvidas. adaptou-se um conceito mais amplo de abordagem que considera as bacias transfronteiriças em função do ciclo da água (águas superficiais. 2004). Paraguai e Uruguai. subterrâneas e atmosféricas). Só a Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas. assim como. em relação aos temas de rios fronteiriços e transfronteiriços.3 EXPERIÊNCIAS TRANSFRONTEIRIÇAS NA ÁMERICA DO SUL Na América do Sul.90 2. político e institucional adequado para regular o desenvolvimento e a gestão de recursos (OEA.000 km de fronteiras entre Estados. O Aqüífero Guarani. Brasil. compartilhado pela Argentina. são relacionados às questões de governabilidade quanto ao estabelecimento de marco legal. A cooperação na América do Sul.

.91 Amazonas Prata Bacia de Rio Transfronteiriço Bacia de Rio Transfronteiriço com Tratado Figura 6 – Bacias com Rios Transfronteiriços na América do Sul. 2002. com destaque às bacias com Tratados estabelecidos. Fonte: UNEP.

Peru. Suriname e Venezuela com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico da Amazônia. pelos Governos da Bolívia.050. de águas que estão à jusante e à montante das suas nascentes. Figura 7 – Área da Bacia do Rio Amazonas e seus principais tributários. respectivamente. a fim de permitir uma distribuição eqüitativa dos benefícios combinados entre as partes contratantes.92 Entre os diferentes tratados estabelecidos na América do Sul. 2002 . Fonte: UNEP. e sua promulgação no Brasil foi efetuada pelo Decreto nº. 85. o Tratado de Cooperação da Bacia Amazônica e o Tratado da Bacia do Prata se destacam por tratarem. Guiana. 2001). O Tratado de Cooperação Amazônica (TCA) foi assinado em Brasília. em 3 de julho de julho de 1978. demonstrada na Figura 7 que destaca os seus principais rios tributários. Colômbia. Abrange a área de toda a Bacia do Rio Amazonas. Equador. em território brasileiro. Entrou em vigor em 2 de agosto de 1980. de 18/8/80 (CABRAL & SETTI.

O Projeto GEF Amazonas se iniciou em outubro de 2005 e é apoiado pelo GEF (Fundo Mundial para o Meio Ambiente). O Tratado do Prata estabelece os parâmetros através dos quais.org. Conforme o CIC PLATA (2005). as partes se comprometem a promover o desenvolvimento conjunto de seus respectivos territórios amazônicos. se gerencia multilateralmente as águas da Bacia. o Tratado da Bacia do Prata só adquiriu maior força quando a Comissão Intergovernamental foi efetivamente instalada em Buenos Aires. O Tratado do Prata propõe a conjugação de esforços com o objeto de promover o desenvolvimento harmônico e a integração física da Bacia do Prata e de suas áreas de influência direta e ponderável. Disponível em: http://www. e sua estrutura institucional para sua implementação completada em 1974. Sua assinatura foi anterior às conferências sobre águas que antecederam e sucederam a Eco . o Brasil. posto que os conflitos localizados permaneçam. a preservação do meio ambiente. embora sua efetividade seja questionada por estudiosos. o referido Tratado a é importante referência para a gestão compartilhada dos recursos hídricos da América Latina. e a utilização racional dos referidos recursos. Mesmo assim. e cria o Comitê Intergovernamental Coordenador dos Países da Bacia do Prata . O Tratado da Bacia do Prata. 2006). ainda hoje. o Paraguai e o Uruguai. organismo de alto nível para coordenar ações e atividades no âmbito do Tratado. A OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica) tem a incumbência de formular e implementar o Programa de Manejo Integrado e Sustentável dos Recursos Hídricos Transfronteiriços na Bacia do Rio Amazonas por meio do Projeto GEF Amazonas (Projeto GEF Amazonas. reflete um consenso sobre o fato de que a valorização da bacia é considerada uma necessidade vantajosa para todas as Partes” (CALAZANS. estipula a liberdade de navegação comercial no curso do Rio Amazonas e dos rios amazônicos internacionais. Incentiva a investigação científica e tecnológica. cuja execução prevê a participação de organismos internacionais.php). em 23 de abril de 1969. No que se refere aos recursos hídricos. e ainda. e a utilização racional dos recursos naturais de seus territórios (Garcia.93 Conforme o TCA.CIC. prevê “uma cooperação entre as Partes que vai muito além dos recursos hídricos: abrange todo o meio ambiente socioeconômico e natural da bacia. em 1973. firmado entre a Argentina. pelo PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e pela OEA (Organização dos Estados Americanos).otca.br/gefam/index. 2006).

cuja localização é demonstrada na Figura 8. . Uma das experiências de gestão transfronteiriça de águas na América do Sul é relativa ao Sistema Hídrico Titicaca – Desaguadero – Poopó – Salar de Coipasa. e é atual no que diz respeito a um conjunto de princípios que inspiram as Declarações firmadas na última década (LE PRESTE. O Tratado reconhece a possibilidade de outros acordos binacionais e trinacionais independentes que atendem temas de interesse específico de seus membros. Ao Tratado da Bacia do Prata foi integrado uma série de acordos complementares que levaram à criação de instituições e agências distintas com competências específicas na Bacia. em 1995. a institucionalidade para a integração regional foi reafirmada pelo Tratado de Assunção que criou o Mercosul.94 92. destinado a incentivar o comércio intra-regional e internacional para os países que o integram (CIC PLATA. 2005). 2000). tais como o FONPLATA que é seu instrumento financeiro. Por exemplo. e o Comitê Intergovernamental da Hidrovia Paraguai-Paraná – CIH.

os governos remarcaram a existência de um condomínio indivisível e exclusivo. Em fevereiro de 1957. Fonte: Garcia. Esse Convênio foi desenvolvido por uma Comissão Mista peruana-boliviana (GARCIA. sobre as águas do Lago Titicaca. Elaboraram um plano para o estudo econômico e para o seu aproveitamento comum. desde julho de 1955. 2006 O Sistema Hídrico Titicaca – Desaguadero – Poopó – Salar de Coipasa conta com um Convênio entre a Bolívia e Peru para o desenvolvimento de estudos básicos para o aproveitamento das águas do Lago Titicaca. 2006). de ambos os países. e nem afetar substancialmente o volume de água. com o intuito de não alterar a navegabilidade e a pesca. .95 Figura 8 – Sistema Hídrico Titicaca – Desaguadero – Poopó – Salar de Coipasa.

. foi criada uma entidade binacional para a execução do Plano Diretor deste Sistema Hídrico que. incluindo São Paulo (Brasil). 2007) A Bacia do Prata possui uma superfície de 3. e financeira internacional. são menos renováveis e mais sensíveis à poluição e às captações de água do que os rios (PNUD. pois. Abrange cinco países da América do Sul (Brasil. Buenos Aires (Argentina). Paraguai. Argentina. Em dezembro de 1992.965 habitantes. A experiência em gestão transfronteiriça de águas no Lago Titicaca é considerada exitosa e de crucial importância para a segurança da garantia da água para subsistência humana. 2006). Os lagos requisitam esforços específicos em termos de cooperação. além de 75 represas de água (GARCIA. onde se estimam níveis de pobreza superiores a 70% da população. Garcia. 2006). 2005. 2. Na América Latina. a gestão na Bacia do Lago Titicaca tem implicações importantes no esforço da redução de pobreza. Uruguai e Bolívia) onde se localizam 50 grandes cidades.96 Em julho de 1987. a Sub-Comissão Mista para o Desenvolvimento da Zona de Integração do Lago Titicaca (SUBCOMILAGO) foi constituída com o objetivo de aprofundar estudos para possibilitar a formulação de um plano diretor e de gestão de cooperação técnica.000 km² e uma população de aproximadamente 101. A Figura 9 demonstra a área de abrangência da Bacia do Rio Prata. 2006). resultou na criação da Autoridade Autônoma do Lago Titicaca. em 1996. além de sofrerem pressões resultantes da concorrência hídrica. Mais de 2 milhões de pessoas vivem nessa bacia que se estende pela Bolívia e pelo Peru. Montevidéu (Uruguai).3. Kettelhut & Rafaelli.1 Bacia do Prata (CIC Plata.656. e dependem do lago para satisfazer as suas necessidades de água (UNESCO. que concentram 70 % do PIB dos cinco países que a compõe.100. Duas cidades bolivianas situadas na bacia hidrográfica – El Alto e Oruro somam um quarto da população do país. 2006.

97 Figura 9 –Área da Bacia do Rio Prata. A área da Bacia do Prata é de grande importância estratégica para o Brasil. que junto ao Rio Uruguai formam o Rio do Prata. Os principais rios que compõe a Bacia do Prata e algumas de suas respectivas características estão citados na Tabela 2. cujos principais rios formadores são o Rio Paraguai. A Bacia do Prata é considerada o quinto maior sistema fluvial do mundo. . em função de sua localização geográfica e das riquezas naturais existentes e que embasam o desenvolvimento na região dessa Bacia (ANA. que desemboca no Rio Paraná. 46% do total está em território brasileiro. 2006. Fonte: GARCIA. Da área irrigada por esta bacia. 2007).

Há diferentes problemas hídricos a serem considerados para o desenvolvimento de ações de gestão compartilhada de recursos hídricos na Bacia do Prata.000 61. a Figura 10 destaca as problemáticas hídricas existentes nas subbacias da Bacia do Prata.98 Tabela 2: Característica dos principais rios da Bacia do Prata.000 120.780 1. Rio Paraná Uruguai Iguaçu Paraguai Bermejo Pilcomayo Prata Fonte: UNEP.000 Longitude (km) 2.600. .540 3.000 3.140 4. De modo esquemático. culturais. legais e institucionais de cada nação.000 Várias sub-bacias com águas fronteiriças e transfronteiriças. econômicas.000-28.300 1.810 550 195 23. 2004. compondo as mais diversas características ambientais. formam a Bacia do Prata.415 1. entre dois ou mais países. Área da bacia (km²) 1.570 1.125 270 Vazão média (m³/s) 17.000 440.100.320 2.850 1. sociais.000 272. históricas.000 1.095.

99 Figura 10 –Problemáticas hídricas por sub-bacias da Bacia do Prata. 2005. Fonte: CIC PLATA. .

Bolívia. projetos e ações relacionados às águas transfronteiriças das subbacias que formam a Bacia do Prata foram e estão sendo realizados. Brasil.Toba – Tarijeño. o Projeto Piloto envolvendo as obras hidráulicas de Itaipu e Yacyretá (AR. Diferentes programas. estão sendo desenvolvidos projetos considerados prioritários tais quais: do Sistema Aqüífero Yrendá . mesmo quando se trata da Bacia do Prata. esquematicamente são apontados na Figura 11 que demonstra onde as ações e atividades dos projetos pilotos e prioritários na Bacia do Rio Prata são desenvolvidas. PY) e o Projeto na Bacia do Quaraí (UY. PY). . meios de subsistência. desenvolvimento – e também. O Programa Marco para a Gestão Sustentável dos Recursos Hídricos da Bacia do Prata tem o objetivo de construir uma associação de esforços para ajudar aos governos da Argentina. o Cultivando Agua Boa/Porá. BR). PY. BR. no contexto do Programa Marco para a Gestão Sustentável dos Recursos Hídricos da Bacia do Prata. diz respeito a uma percepção clara da dinâmica interdependente dos sistemas sócio ecológicos. em 2005. Diante da imensa área de abrangência da Bacia do Rio Prata e da diversidade dos fatores e componentes envolvidos. AR. BERKES e SEIXAS. é um desafio de incomensurável complexidade o gerenciamento integrado desta Bacia. Todos esses projetos citados. com processos participativos de tomada de decisão política (VIEIRA.100 A gestão integrada de uma bacia hidrográfica. BR). tais como o Programa Marco para a Gestão Sustentável dos Recursos Hídricos da Bacia do Prata. Selva Misionera-Paranaense. que pode assumir um perfil transdisciplinar. Paraguai e Uruguai e fortalecer sua visão para o desenvolvimento econômico e social ambientalmente sustentável da Bacia do Prata embasado na gestão integrada de recursos hídricos e na adaptação à variabilidade das mudanças climáticas. Neste Programa foram definidos quatro projetos pilotos a serem implementados: o Projeto Piloto Pilcomayo (BO. Além dos Projetos Pilotos. 2005). aprovado pelo CIC PLATA. o Projeto Piloto na Confluência dos Rios ParaguaiParaná (AR. com vários aspectos relacionados à busca da satisfação de necessidades humanas fundamentais – economias locais. no âmbito do Programa Marco para a Gestão Sustentável dos Recursos Hídricos da Bacia do Prata.

101 Projeto Prioritário Cultivando Agua Boa (Brasil e Paraguai Projeto Piloto Controle de Contaminação e Erosão na Microbacia Cotagaita – rio Pilcomayo (Bolivia/Argentina/Paraguai). 2007. (Brasil e Uruguai) Estudos para um Projeto Piloto De Turismo Fluvial no Delta de confluência do rio Uruguai e Paraná ( Argentina e Uruguai) Figura 11 – Localização da área onde as ações atividades são desenvolvidas pelos Projetos Pilotos e Prioritários na Bacia do Prata. no âmbito do Programa Marco para a Gestão Sustentável dos Recursos Hídricos da Bacia do Prata. . Brasil e Paragaui). Fonte: Kettelhut & Rafaelli. Brasil e Paraguai). Projeto Piloto Sistema de Alerta Hidrológico na Confluência do rio Paraguai e Paraná (Argentina. Bolivia e Paraguai) Study for Priority Project Projeto Piloto Conservação da Biodiversidade no rio Parana (Itaipu /Yacyritá (Argentina. Paraguai e Brasil) Projeto Piloto Resolução de Conflitos de Uso das águas na Bacia do rio Quaraí. Estudo para Projeto Piloto Proteção da Selva Misionera-Paranaense (Argentina. Projeto Prioritário Gestão Integrada do Sistema Aquífero Yerenda-Toba-Tarijeño (SAYTT) (Argentina.

contingência e reabilitação. de forma a organizar e enfocar a ação dos atores locais. observando os efeitos hidrológicos decorrentes da variabilidade e das mudanças climáticas. com destaque à erosão e ao transporte de sedimentos. entre irrigantes. bem como. e das instituições nacionais dos três países envolvidos (Argentina. O Projeto Prioritário Selva Misionera-Paranaense busca a proteção e recuperação do ecossistema da Selva Misionera-Paranaense. Bolívia e Paraguai. A Argentina e o Paraguai são os países envolvidos nesse projeto financiado pela União Européia. num processo para o desenvolvimento sustentável consensuado entre eles. especialmente.Toba – Tarijeño (SAYTT) objetiva o estabelecimento de uma base mínima conjunta de conhecimento do SAYTT e o fortalecimento das instituições responsáveis pelo seu manejo e gerenciamento na Argentina. Os problemas da Bacia do Pilcomayo são oriundos da atividade minerária. .100 O Projeto Piloto de Gestão Integrada e do Plano da Bacia do Rio Pilcomayo tem o objetivo de melhorar as condições de vida dos habitantes da Bacia do Rio Pilcomayo e do ambiente de seu entorno. previsão. apoiado no reforço à integração regional. O Projeto Piloto Itaipu-Yacyretá pretende desenvolver experiências para contribuir com a proteção e recuperação da biodiversidade aquática. estaduais. O Projeto Piloto da Bacia do Quaraí objetiva contribuir e fortalecer o uso harmônico dos recursos hídricos com vista ao uso racional das águas como forma de apoiar a resolução de conflitos entre usuários. Brasil e Paraguai). regionais. com impactos na qualidade da água. e ações de prevenção de desastres naturais e a implantação de ações mitigadoras junto à Defesa Civil. incluindo. e no desenvolvimento de experiências para fortalecer a gestão integrada e participativa dos recursos hídricos. de seus solos e dos seus recursos hídricos. O Projeto Prioritário do Sistema Aquífero Yrendá . provinciais. O Projeto Piloto para o desenvolvimento do Sistema de Alerta Hidrológico na Confluência dos Rios Paraguai e Paraná tem o objetivo de desenvolver experiências para contribuir com o monitoramento e o alerta hidroambiental para a gestão de riscos climáticos. para o uso sustentável dos recursos pesqueiros em sistemas hídricos transfronteiriços afetados por obras hidráulicas e pela invasão de espécies exóticas.

2005. os seguintes projetos do GEF (Global Environmental Facility) se desenvolveram na Bacia do Prata: o Programa Estratégico de Ação para a Bacia do Rio Bermejo (PEA-Bermejo). A localização da abrangência dos denominados Projetos GEF é demonstrada na Figura 12. CORDEIRO NETTO.101 O Projeto Prioritário Cultivando Agua Boa/Porã pretende criar e estabelecer um Fundo Rotativo para auxiliar aos pequenos produtores de micro bacias na área drenagem do reservatório de ITAIPU na resolução de problemas ambientais críticos e para proteger e recuperar a qualidade da água. Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aqüífero Guarani (CIC PLATA. O projeto tem apresentado resultados exitosos no processo de educação ambiental para a gestão de recursos hídricos. Além do Programa Marco. . Projeto de Proteção Ambiental do Rio da Prata e sua Frente Marítima para a Prevenção e Controle da Contaminação e a Restauração de Habitats (FREPLATA). 2006). o Programa de Implementação de Práticas de Gestão Integrada dos Recursos Hídricos no Pantanal/Alto Paraguai.

O Programa Estratégico de Ação para a Bacia do Rio Bermejo (PEA-Bermejo) abrange uma área de 123. planos e programas de desenvolvimento dos países. por intermédio do estabelecimento de mecanismos de articulação e coordenação regional.102 Figura 12 – Bacia do Prata com a localização da abrangência dos Projetos GEF Fonte: Kettelhut & Rafaelli. executado pelos governos da Argentina e da Bolívia através da Comissão Binacional para o desenvolvimento da Bacia do Alto Bermejo e . incorporando as preocupações ambientais nas políticas. 2007. por meio da instauração de uma visão de bacia e manejo integrado de recursos naturais. Nessa Bacia integram ecossistemas incidentes nos Andes até a Lhanura Chaco-pampeana e considera. participação e consulta pública. os processos de degradação e conservação da biodiversidade em ambientes que incluem uma das áreas úmidas mais importantes da região.000 Km² e tem o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável da Bacia do Rio Bermejo. Esse programa da Bacia do Rio Bermejo. em particular.

4 milhões. complementada com recursos do PNUMA e OEA. O Programa de Implementação de Práticas de Gestão Integrada dos Recursos Hídricos no Pantanal/Alto Paraguai. mais de 250 organizações federais. no ano de 2000. embasado nos resultados dos seus 44 projetos demonstrativos desenvolvidos e o Diagnóstico Analítico do Pantanal e Bacia do Alto Paraguai – DAB. no contexto estratégico da gestão hídrica no Brasil. apoiando as ações prioritárias para sua conservação e preservação identificadas no Plano de Conservação da Bacia do Alto Paraguai – PCBAP. O Rio Bermejo gera aproximadamente 80% da carga anual de sedimentos do Estuário do Rio Prata. e o primeiro a atingir o estágio de implantação foi nessa Bacia do Alto Rio Bermejo e do Rio Grande Tarija28. e Reserva da Biosfera pela UNESCO. Fizeram parte. “Projeto GEF Pantanal/Alto Paraguai” abrange uma área de 496. a um custo total de US$ 10. instituições internacionais e organismos de outros países. com prazos de julho de 2001 a outubro de 2006.103 da Bacia do Rio Grande Tarija. municipais. conta com a assistência técnica e financeira do GEF. para sua conclusão. das atividades realizadas no âmbito dos 44 Projetos realizados. em 1996. particularmente. Foi um programa realizado pelo Brasil e contou com a doação financeira do GEF. declarado Patrimônio Nacional pela Constituição Brasileira de 1988. empresas privadas. O Projeto GEF Pantanal/Alto Paraguai construiu o Programa Estratégico de Ações para o Manejo Integrado da Bacia – PAE. através de 28 (http://atmos. O primeiro projeto internacional sobre águas financiado pelo GEF na América Latina. da OEA.ucla. ou simplesmente. do PNUMA. no ano de 1993. sítio designado pela Convenção de Áreas Úmidas RAMSAR. que inclui toda a região do Pantanal Mato-grossense. com a participação da ANA. ONGs. direta ou indiretamente. uma das maiores extensões de áreas alagadas do planeta. estaduais.doc). Bolívia e Paraguai. em 19 de junho de 2007. por compreender o Pantanal. O Projeto GEF Pantanal é importante. O objetivo do Projeto GEF Pantanal/Alto Paraguai foi promover o desenvolvimento sustentável da Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai.edu/~mechso/platin/MARCO_Concept_Doc_Annexes.000 km². dos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e de diversas organizações da sociedade civil. .

de São Paulo.. e as Agências Executoras Nacionais dos Governos dos quatro países. O Aqüífero Guarani é considerado um dos maiores reservatórios de água subterrânea doce do mundo. para a preservação e o gerenciamento do Sistema Aqüífero Guarani. Os recursos financeiros para execução desse projeto são de doação do GEF. O Projeto de Manejo Sustentável de Solos no Ecossistema Transfronteiriço do Gran Chaco Americano (Argentina. de Minas Gerais. 2004). O aproveitamento das águas subterrâneas. abrangendo os Estados de Goiás. tem aumentado nos últimos 20 anos. 2000).800 km2. ações de capacitação. dos quais. divulgação de resultados. O projeto encontra-se em fase de execução. como Agência Executora Internacional. o Paraguai e o Uruguai na elaboração e implementação coordenada de uma proposta de modelo institucional. e em função da degradação da qualidade das . que conta com o Banco Mundial. O Projeto de Proteção Ambiental do Rio da Prata e sua Frente Marítima para a Prevenção e Controle da Contaminação e a Restauração de Habitats (FREPLATA) contempla uma área de 250 mil quilômetros quadrados. e de assegurar o desenvolvimento sustentável de seus usos e recursos. BORGHETTTI. cujo volume acumulado é estimado em 45. com uma extensão estimada em 1. N. & ROSA FILHO.000 km3 (REBOUÇAS.194. o problema de contaminação e qualidade da água. e atividades de educação ambiental. no marco da Convenção de Luta contra a Desertificação e Mitigação da Seca. devido ao incremento da demanda. de Mato Grosso do Sul.500 atores (ANA. J. em particular. e prevê a implantação de uma rede de monitoramento e de um sistema de informações.800 km² no Brasil.9 milhões de habitantes e caracteriza-se por concentrar as zonas agropecuárias mais importantes de cada país ((BORGHETTTI. progressivamente. do Paraná. Bolívia e Paraguai) é um projeto desenvolvido dentro do Programa de Ação Sub-regional de Desenvolvimento Sustentável do Gran Chaco Americano. O Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aqüífero Guarani (SAG) tem como objetivo apoiar a Argentina. totalizando a participação de aproximadamente 4. o Brasil. de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. entre a Argentina e o Uruguai Tem o objetivo de adotar medidas adequadas para a proteção do meio ambiente do Rio da Prata e sua frente marítima. 839.104 diversos eventos de participação pública. legal e técnico comum. A área de ocorrência do Aqüífero Guarani congrega uma população aproximada de 29. considerando. 2004). e com a OEA.

A Figura 13 mostra o limite de abrangência provável do Aqüífero Guarani e sua área de confinamento e de afloramento. inclusive. com destaque a localização da Bacia do Apa. faz dele um manancial hídrico importantíssimo como reserva estratégica para o abastecimento da população e para o desenvolvimento socioeconômico da região de sua abrangência. a localização geográfica do Aqüífero Guarani. . principalmente. por meio devido ao seu potencial termal. como demonstra a Figura 12. em conseqüência dos impactos gerados pelo crescimento populacional e pelo desenvolvimento industrial e agropecuário. Bacia Hidrográfica do Rio Apa Figura 13 .Localização do imite de abrangência provável do Aqüífero Guarani e sua área de confinamento e de afloramento. Fonte: Adaptado de Araújo et al. A grandeza e. e a localização da Bacia do Apa nesse contexto geográfica do Aqüífero Guarani.105 águas superficiais. 1995. e aponta a localização da Bacia do Apa nesse contexto..

guarani. Nesse contexto de escassez hídrica mundial.php> Disponível em: <http://www. em quatro áreas que apresentam problemáticas distintas.org/index/site/proyecto_particular/pp001. possivelmente. portanto. onde se faz necessário desenvolver conhecimentos sobre a interação do solo com o aqüífero visando a sua proteção. Estudos da ISARM (Internacionally Shared Aquifer Resource Management) apontam a existência de outros aqüíferos na América do Sul. sendo que. que merecem serem estudados diante do cenário mundial de escassez hídrica e do crescente uso das águas subterrâneas para o abastecimento humano. com a mesma dimensão e capacidade hídrica do Aqüífero Guarani. (VILLAR. 2007). e há concentração de usos e atividades que representam ameaças de poluição do Aqüífero. duas delas são transfronteiriças: (a) Ribeirão Preto (Brasil): o SAG é a fonte de abastecimento de água da cidade. procedimentos. no intuito de serem replicados em outras partes da região do SAG. (b) Itapúa (Paraguai): é uma zona de recarga com exploração agrícola. ou em outros lugares onde possam ocorrer ameaças semelhantes29. ao uso do solo e ao aproveitamento do aqüífero. Os projetos pilotos apontados têm o objetivo de gerar experiências concretas de gestão no SAG. segundo a criticidade de suas áreas em função dos conflitos relacionados às características hídricas.106 O Projeto Sistema Aqüífero Guarani definiu áreas pilotos em quatro municípios dos países envolvidos. (d) Rivera (Uruguai)/Santana do Livramento (Brasil): constitui-se em área de recarga do aqüífero que se encontra a pouca profundidade. metodologias e instrumentos legais e fiscais para atingir seus objetivos. aliados às pressões de organismos internacionais que financiam 29 Proyecto Sistema Acuífero Guaraní. o projeto representa uma experiência concreta e em andamento para a gestão do Aqüífero Guarani.sg- . (c) Concórdia (Argentina)/Salto (Uruguai): destaca-se como importante região turística. Os projetos pilotos deverão resultar em aplicações. e aos riscos de contaminação. de discursos no sentido de considerar a Amazônia e o Aqüífero Guarani como patrimônios da humanidade. de tendência à criação de mercados da água. com potenciais conflitos na exploração de suas águas termais.

as experiências que envolvem águas transfronteiriças têm obtido resultados exitosos. cada vez mais. entre os paises envolvidos. se retraem quando o aporte de recursos financeiros se encerra. atmosféricas) se efetiva à medida que se consolide uma técnica. A problemática da crise da água. pode demorar tempo o suficiente para comprometer os esforços empenhados. ainda que pontuais.107 projetos hídricos (que promovem a privatização de serviços estatais). instituições consolidadas e a participação da sociedade. nas bacias compostas por rios. O aporte de novos recursos que se fazem necessários. Os programas e projetos realizados e em desenvolvimento. se configura como uma crise de governança. não conseguem dar continuidade ao atendimento das demandas que surgem. por meio da assinatura de tratados e acordos de cooperação. e a pressão de corporações privadas interessadas nos lucros da venda de águas e dos seus serviços. As ações financiadas pelos programas e projetos. As instituições executoras. por meio de organizações que atuem no processo de gerenciamento dos recursos hídricos. ainda é um desafio a ser enfrentado. mas a implantação da gestão integrada de recursos hídricos. lagos e aqüíferos transfronteiriços. . Contudo. apresentam resultados positivos. subterrâneas. geram dúvidas quanto ao verdadeiro intuito de todo o apoio e investimentos de instituições internacionais voltados a esses programas e projetos. nos capítulos seguintes será descrito o estado da arte da governança das águas no Paraguai e Brasil. em geral. frequentemente. Para possibilitar a identificação da capacidade de construção da gestão transfronteiriça na Bacia do Apa. a gestão de águas (superficiais. normativos para o disciplinamento legal. pois.

108 3 GOVERNANÇA DAS ÁGUAS NO PARAGUAI O Paraguai. sancionada em 20 de junho de 1992. oficialmente a República do Paraguai. A República do Paraguai é um estado unitário. a norte e leste pelo Brasil. indivisível e descentralizado. Acesso em: 14 de junho de 2007. um país mediterrâneo localizado entre os 19°20’ e 27°30’ de Latitude Sul. divididos conforme a Figura 14 que mostra a divisão político administrativa dos Departamentos do Paraguai.gov.paraguaygobierno. A cidade de Assunção é a capital do Paraguai. Disponível em: <www.org/wiki/Paraguai>. Sua estrutura político administrativa é dividida em Departamentos e Municípios autônomos (artigo 156). 30 31 Paraguai. a Cidade de Assunção é um município independente de todos os Departamentos (artigo 157). e a sul e oeste pela Argentina30. de acordo com o artigo 1° da Constituição Federal Paraguaia31. mais sua Capital.py>. limitado a norte e oeste pela Bolívia. ocupa um território de 406. e 54°20’ e 62°38’de Longitude Oeste.wikipedia. Disponível em : <http://pt. Acesso em: 14 de junho de 2007. Paraguai. .752 km² no centro da América do Sul.

com baixa densidade populacional de 13 habitantes/km².700. onde 51% da população vivem em zonas urbanas e 49% em zonas rurais32. Conforme estimativas de dados demográficos de 2002. O nome do país é derivado da palavra guarani pararaguái. o Paraguai possui 5. Acesso em: 14/06/2007. que significa "de um grande rio". acesso em 14/06/2007. e a Região Ocidental ou Chaco.com/sobre_paraguay>. . O presidente e o vice-presidente são eleitos por voto direto para um mandato de cinco anos tornando-se chefe de estado e do poder executivo.109 Figura 14 Divisão político administrativa dos Departamentos do Paraguai Fonte: <http://www.000 habitantes. na margem direita. há a divisão dos Poderes Executivo. Legislativo e Judiciário.paraguay. cujas competências incidem em todo o território. na margem esquerda.paraguay. Em termos administrativos.com/sobre_paraguay>. com referência ao Rio Paraguai que divide o país em duas regiões geográficas: a Região Oriental. 32 Disponível em: <http://www.

despovoado. Fonte: CIC Plata. no Estado de Mato Grosso do Sul. praticamente. Puerto Presidente Stroessner) deve seu desenvolvimento ao impulso econômico decorrente da construção da usina hidrelétrica de Itaipu. . onde mais de 95% dos paraguaios residem no leste do país. e é o centro de uma zona de colonização agrícola. e da sua posição como centro de comunicações fluviais e terrestres (BID. teve crescimento recente. 2005). o imenso Chaco permanece. A Ciudad del Este (antes. O Distrito de Pedro Juan Caballero. na fronteira com o Brasil. Figura 15 –Localização geográfica do Paraguai no contexto da Bacia do Prata. O território do Paraguai está integralmente na Bacia do Rio Prata e compreende três grandes sub-bacias de águas superficiais: a do Rio Paraguai (todo o Chaco e a metade Oeste da Região Oriental). enquanto. Assunção é a única cidade que cresceu demográfica e comercialmente. faz conurbação com a cidade de Ponta Porã. a Bacia do Rio Paraná (a parte Leste da Região Oriental) e do Rio Pilcomayo (no sudeste da região ocidental). de forma vertiginosa. A Figura 15 mostra a localização geográfica do Paraguai no contexto da Bacia do Prata. 2005). no final do século XX (BID.110 A população é distribuída de forma heterogênea. 2004.

O território do Paraguai está sob duas bacias hidrogeológicas distintas. ao Rio Paraná e o Rio Pilcomayo. onde se localiza o Chaco. e a região oriental corresponde à Bacia do Paraná. Através dele chega-se ao Rio do Prata que. respectivamente. onde se situa o principal porto do país. 2005 (apud PNUD. da região ocidental e da região oriental do Paraguai. O Rio Paraguai liga a capital Assunção.111 O Rio Paraná forma a fronteira sudeste do país e constitui a única saída do Paraguai para o mar. 2006). que devido à sua estrutura genética e conformação tectônica e magnética. O Lago Ypoa e o Lago Ypacaraí são os dois maiores lagos do país. Facultad de Ingenieria de la UMA. Cachoeiras e corredeiras são encontradas por quase 160 quilômetros no trecho do Rio Paraná que separa o Paraguai do Brasil. Região ocidental e as regiões hidrológicas do Chaco Sul-americano Região Oriental e suas bacias hidrográficas Figura 16 – Divisão das regiões hidrográficas e bacias hidrográficas. condiciona as características gerais dos recursos hídricos e a qualidade de água do subsolo paraguaio. por sua vez. estabelece contato com o Oceano Atlântico. que corre através do Chaco e traça toda a fronteira oeste com a Argentina. . A região ocidental. pertence à Bacia do Chaco Sul-americano. Fonte: Programa de Ordenamento Territorial do Paraguai por Bacias Hidrográficas. A divisão hidrográfica das regiões ocidental e oriental do Paraguai é demonstrada nas ilustrações da Figura 16.

praticamente. e poucos sítios com solos sedentários. e chuvoso entre os meses de novembro a fevereiro. A temperatura média é em torno de 20 a 24 ºC. por material parenteral transportado. Rio Paraná e parte do Rio Pilcomayo) não há estiagens fortes e possuem águas superficiais em grande quantidade. O ciclo de chuva é similar em todo país. no oeste do Chaco. na região oriental. de boa qualidade e sem longos períodos de secas.112 Na região oriental do Paraguai. os recursos hídricos superficiais são abundantes. Em síntese. é semi-árido. na fronteira com a Bolívia. onde os solos. em regiões dos Departamentos de Alto Paraná. Os volumes de precipitação anual variam de 1760 mm. com águas de boa qualidade. Os aqüíferos são de grande extensão. quase que totalmente. Nas regiões próximas aos grandes eixos fluviais (Rio Paraguai. e águas subterrâneas de fácil acesso.000m /habitante/ano. o solo é de boa propriedade físico-química. mineralógica e biológica. são originados. mas distribuída de forma heterogênea: Na região oriental há abundância de águas superficiais e subterrâneas e. fator que limita sua utilização. e com qualidade aceitável. . com estiagem durante o período de junho a agosto. 2004) O 3 Paraguai possui grande disponibilidade hídrica de aproximadamente 63. A evaporação excede a precipitação provocando déficit hídrico. e altos fluxos de recarga. com qualidade média. de extensa planície. com extremos de temperatura registrados ao oeste do Chaco. de boa qualidade.1 DISPONIBILIDADE E DEMANDA HÍDRICA DO PARAGUAI (CIC PLATA. Canindeyú e Itaúpa. por água e vento. O clima a oeste do território paraguaio. Na região ocidental. principalmente. ao contrário da região ocidental (o Chaco). em geral. o ano todo. tornando-se mais úmido na região oriental. na região oriental. 3. a valores inferiores a 50 mm. onde há escassez hídrica e presença de sais nas águas subterrâneas.

localizados na Região Centro Oriente do Chaco Paraguaio. tanto que. temporários e salgados. a Figura 17 demonstra o território paraguaio com a indicação da localização e tipo de problemática existente nas águas subterrâneas do Paraguai. bem como. Aqüífero Coronel Oviedo.300 m³/s. que possui grandes quantidades de água potável. como é o caso do Aqüífero Guarani. Outros.200 km. as águas subterrâneas fósseis. Seu regime hídrico é regular. de norte a sul. sem recarga e. com águas de qualidade inaceitável. com recargas limitadas e qualidade de água aceitável. Esquematicamente. há pouca disponibilidade de recursos hídricos superficiais e longos períodos de seca. igualmente. cuja nascente localiza-se no Estado de Mato Grosso. e em média de 4. Os aqüíferos possuem media produtividade hídrica. A região central do Chaco. salgadas. no Brasil. O país conta com amplos aqüíferos de grande abundância hídrica. possuem águas salobras e salgadas. os recursos hídricos superficiais são escassos. há presença de águas com considerável contaminação natural de óxidos férricos. na zona contínua da confluência entre os Rios Paraguai e Paraná. Aqüífero Pantanal. devido às concentrações de sais. tais como o Aqüífero Guarani. Aqüífero Basamento Cristalino. de onde percorre. em épocas de estiagem. . O Rio Paraguai é o principal curso de água do País. pelo território paraguaio. Alguns aqüíferos têm extensão regional. Aqüífero Itapucumi e Aqüífero Palmar de Las Islãs.113 Na região norte e oeste do Chaco. Aqüífero Água Doce. aproximadamente. 1. Aqüífero Yrenda.

em especial. numa extensão de mais de 3.300 km de longitude. por meio da Hidrovia Paraná-Paraguai.114 Água salobra ou salgada Altos níveis de nitrato Desconhecimento da ação dos desmatamentos e a falta de recarga dos aqüíferos Água salobra ou salgada Presença de níveis elevados de ferro Desconhecimento da ação dos agroquímicos sobre os aqüíferos fraturados Figura 17 – Problemática das águas subterrâneas no Paraguai. principalmente. A demanda pelas águas paraguaias está relacionada aos usuários dos setores doméstico. Fonte: Banco de Dados Hidrogeológicos del SENASA DRH/SENASA/MSPYBS. e ao uso para geração de energia elétrica. . no Delta do Rio do Prata. desde seu nascimento. no tramo inferior do Rio Paraná e no Rio do Prata. industrial. para as Hidroelétricas de Itaipu. e para a navegação. 2006). agrícola e graneleiro. Yacyretá e Acaray. Destaca-se a utilização hídrica para a navegação. no Brasil. considerada uma hidrovia estratégica. em Cáceres – MT. 2005 (apud PNUD. ao integrar toda América do Sul com os portos de águas profundas. até seu extremo final.

.115 A Figura 18 demonstra a localização da Hidrovia Paraná-Paraguai.org/pdf_library/country_profiles/wat_cou_600. 33 Water Resources and Freshwater Ecosystems – Paraguay.pdf>. em torno de. 2003. 78% das águas consumidas no Paraguai. 15% o setor de abastecimento doméstico e 7% o setor industrial33. Disponível em: <http://earthtrends. Figura 18 – Localização da Hidrovia Paraná-Paraguai Fonte: MS.wri. Acesso em: 29 de julho de 2007. O setor da agricultura utiliza.

precipitação e. . 2006). 2006). tais índices de cobertura de saneamento básico compreendem a residência conectada à rede pública. em área urbana. O mesmo estudo informa que 80 % do abastecimento em comunidades no interior do país são oriundas de fontes subterrâneas. para o cultivo de arroz nos departamentos de Misiones e Itapúa. em sua totalidade. O Paraguai conta com. e necessitam de proteção. tendo como base o ano de 2005. clima. com uma produção superior a 200. Existe um projeto de construção de um duto para conduzir águas do Rio Paraguai até a zona central do Chaco paraguaio. principalmente. Dados publicados pelo PNUD (2006) informam que a cobertura nacional do serviço de água potável distribuída em rede foi de 63. relevo. concentradas no centro do país. Ressalta-se que. 2005). 2006). mas faltam recursos financeiros e estudos de impacto ambiental para a execução desse empreendimento (BID. 2004 apud INSFRÁN. mas não estão reconhecidas. 2005). em Presidente Hayes e San Pedro. o acesso aos serviços básicos de saneamento é distribuído de forma heterogênea.116 Na zona Central do Chaco. As áreas úmidas ocupam entre 15 e 20% do território paraguaio. A extração de águas subterrâneas concentra-se nas áreas centro oriente do país e coincidem com as áreas de maior desenvolvimento econômico e demográfico. e sumidouro no setor rural (PNUD.000 porcos por ano (PNUD. Os serviços de saneamento básico têm uma cobertura de 23% dos domicílios do Paraguai (PNUD. especialmente. O Paraguai está entre os 10 países mais ricos em biodiversidade e disponibilidade de água doce per capita no mundo. onde há escassez de água em quantidade e qualidade. 10 milhões de cabeças de gado. Nos últimos cinco anos. aumentou a área irrigada para atender o setor agrícola.2% de domicílios. nos departamentos de Alto Paraná e Itapúa. entre as camadas sociais paraguaias. em função da extensão das práticas produtivas. A criação de suínos se localiza próximo aos centros de produção de seu alimento. as águas subterrâneas atendem a demanda crescente da população. devido às condições do solo. mas se posiciona entre as 15 nações que pior manejam este recurso (JIMENEZ. 2006). Segundo a DGEE (PNUD. aproximadamente.

superiores a 22 mg/L. Os desmatamentos. como brasileiras. há presença de sólidos em suspensão com valores entre 50 e 70 mg/L. Neles. Organizações paraguaias. conforme dispõe a Constituição Federal do Paraguai (CIC PLATA. têm alterado. as correntes hídricas apresentam elevada carga orgânica. tanto paraguaias. 2005). em águas superficiais. no Rio Paraguai. no caso do fenômeno da dequada. em função dos parâmetros do Perfil Nacional de Manejo de Substâncias Químicas (BID. e do Lago de Ypacaraí. a qualidade das águas superficiais paraguaias (BID. com a cooperação internacional. Há dados que indicam a presença de substâncias. A contaminação das águas é originada. o avanço da produção agropecuária. como pesticidas e metais pesados. . de forma significativa.117 Segundo o Censo Industrial de 2002 (PNUD. 3. com níveis de DBO5 e de DQO. devido à contaminação natural. é oriunda de fontes de águas subterrâneas. 70% as indústrias do país estão situadas na área metropolitana de Assunção. sem tratamento prévio. resultado de processos erosivos. 2004). principalmente.2 ASPECTOS INSTITUCIONAIS E LEGAIS Existe mais de 20 instituições paraguaias com algum tipo de competência vinculada a gestão hídrica. para o desenvolvimento das atividades industriais. apontam que nas bacias hidrográficas de Assunção. e de seu impacto sobre os recursos hídricos. destacam-se os Rios Paraguai e Paraná que apresentam grande capacidade de diluição aos efluentes lançados. por ações antrópicas. tanto do território paraguaio. 2006). mesmo em períodos secos. Em relação à qualidade das águas superficiais. 2005). as estatísticas são insatisfatórias quanto ao uso ou consumo de pesticidas. e por descargas oriundas das cidades. mas não há dispositivo legal que institucionalize a integração dos componentes necessários à gestão de águas. como do Brasil e Bolívia. A maior parte do consumo hídrico. Em geral. o lançamento de resíduos domiciliares e industriais.

com status de Ministério. assegurando o processo de renovação. e como instrumentos econômico-financeiros.4 .1 de junho de 2007 – acesso em http://www. 2007) Ambiente Digital. auditoria ambiental. . com a finalidade de assegurar o melhoramento da qualidade vida para as atuais e futuras gerações. com vistas à implantação do manejo integrado dos recursos hídricos do Paraguai. ordenamento ambiental do território. que em conformidade com a Lei Federal n° 1561/00. seguro ambiental e fundo de restauração. códigos voluntários baseados na autoregulação e auto-gerenciamento e códigos de comportamento social.Dirección General de Protección y Conservación de los Recursos Hídricos) compete coordenar o Comitê Técnico de Recursos Hídricos do Conselho Nacional de Ambiente (CONAM). com participação do Sistema Nacional Ambiental.seam. o cuidados pelos diferentes usos e o aproveitamento dos recursos hídricos preservando o equilíbrio ecológico. à Diretoria Geral de Proteção e Conservação dos Recursos Hídricos (DGPCRH . sistema de vigilância e controle ambiental. Seus instrumentos são: o desenvolvimento de marco legal.CONAM. a gestão integrada dos recursos hídricos no Paraguai se estabelece no marco da Política Ambiental Nacional34. o fundo ambiental. bem como. avaliar as políticas de manutenção e de conservação dos recursos hídricos e de suas respectivas bacias. sistema de diagnóstico e informação ambiental. Estabelece critérios de transversalidade que orientam políticas setoriais e dispõe a gestão ambiental como função de responsabilidade pública. assegurando o processo de renovação e manutenção das águas correntes. para propiciar a gestão integrada dos recursos 34 A Política Ambiental Nacional do Paraguai (PAN) foi aprovada em 31 de maio de 2005 durante sessão ordinária do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAM). instrumentos de promoção não financeiros. normas de qualidade ambiental. critérios e orientações gerais para garantir a proteção do meio ambiente da sociedade. coordenar e avaliar políticas para manutenção e conservação dos recursos hídricos e suas bacias. preservando o equilíbrio ecológico. realizar a análise do diagnóstico transfronteiriço para a gestão sustentável dos recursos hídricos da Bacia do Prata. avaliação de impacto ambiental. a gestão de recursos hídricos é considerada um dos eixos da Política Ambiental da SEAM. a manutenção das vazões hídricas. Embasada na Constituição de 1992 e na Política Ambiental vigente. Segundo dados da SEAM. ano n 1. diplomacia ambiental. o cuidado dos diferentes usos e aproveitamento dos recursos hídricos. também. princípios.118 A Secretaria del Ambiente do Paraguai – SEAM é a entidade governamental. que se fundamenta na democracia participativa e descentralizada. aprovada pelo Conselho Nacional Ambiental . fundo de compensação ambiental. a capacidade de recarga dos aqüíferos. À DGPCRH compete. tem como objetivo formular.gov. avaliação ambiental estratégica. e amparada pela mesma Lei 1561/00. sistema nacional de qualidade ambiental.php. Vinculada à SEAM. participação cidadã e controle social. a capacidade de recarga dos aqüíferos.py/articulos. Boletim n. (SEAM. Contem o conjunto de objetivos. e tem a missão de elaborar uma proposta de Política Nacional de Recursos Hídricos.

higiene e segurança ocupacional.Ente Regulador de Serviços Sanitários do Paraguai – ERSSAN – é uma autarquia com personalidade jurídica dependente do Poder Executivo que. são complementadas por prestadores de serviços particulares conhecidos como “aguateros”. tais quais (CIC PLATA. PNUD 2006): . saneamento ambiental. executar e supervisionar as atividades de saneamento ambiental. incluindo a captação e tratamento de água bruta. cuja capacidade é determinada pelo balanço hídrico integrado. distribuição e comercialização de água potável. e a SENASA entrega a administração às comunidades. ciência e tecnologia. por estas instituições. erradicação de vetores. . O fornecimento de águas. tomando como unidade de planejamento a bacia hidrográfica.119 hídricos. saúde pública. A diferença entre a ESSAP e a SENASA é que a ESSAP administra suas redes.Empresa de Serviços Sanitários do Paraguai – ESSAP – Empresa de sociedade anônima a partir de uma instituição estatal (CORPOSANA – Corporação de Obras Sanitárias da Cidade de Assunção).Ministério da Saúde Pública e Bem Estar Social – Autoridade que executam os dispositivos do Código Sanitário do Paraguai e desenvolve programas sanitários. lançamento de efluentes em zonas rurais e em populações que tenham um número igual ou menor a 10 mil habitantes. 2004. entre suas obrigações. proteger os interesses da comunidade e dos usuários. transporte.Organismo técnico do Ministério da Saúde Pública e Bem Estar Social.Diretoria Geral de Saneamento Ambiental – SENASA (Dirección General de Saneamiento Ambiental) . Até o momento. cujas funções são planejar. sejam estas urbanas ou rurais . . tem como objetivos prover serviços de água potável para cidades com população maior de 10 mil habitantes. deve regular a prestação de serviços. relacionadas com a prestação de serviços de água potável. incluindo serviços públicos gerais. controlar e verificar a correta aplicação dos dispositivos legais vigentes no limite de suas competências. supervisionar a qualidade e eficiência de serviços. diferentes instituições atuam com competências correlatas ao gerenciamento dos recursos hídricos no Paraguai. disposição de resíduos sólidos e esgotos domésticos. condução. armazenamento. É a .

Administração Nacional de Eletricidade – ANDE – administra e opera os aproveitamentos hidroelétricos e monitora redes de monitoramento hidrológico. . . . .Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) que tem em sua composição a Diretoria de Recursos Minerais e o Departamento de Recursos Hídricos. Algumas governadorias coordenam e apóiam economicamente a perfuração de poços e instalam sistemas de água potável em empresas e bairros.Diretoria de Recursos Hídricos de Boquerón . . que realiza trabalhos de investigação e perfuração de poços para o abastecimento da população.Administração Nacional de Navegação e Portos – ANNP . conforme o estabelecido no Código Civil e a Lei Orgânica Municipal nº. o Centro Multiuso de Monitoramento Ambiental (CMMAH) que conta com uma rede de monitoramento automatizado. . no Chaco paraguaio.é um organismo vinculado a Governadoria de Boquerón. .Governadorias: Foram criadas com a Constituição Nacional de 1992 e estão em processo de organização institucional. . em nível nacional.120 autoridade que aplica os dispositivos da Lei 1615/00 que estabelece o marco regulatório e tarifário dos serviços de água potável e de esgoto. .Municípios: Têm a função de abastecimento de água e esgoto sanitário nos casos em que estes serviços não forem prestados por outros organismos públicos e o estabelecimento de um regime local de servidão e de limitação de áreas ribeirinhas de rios. 1294/87.Diretoria de Metereologia e Hidrologia da Diretoria Nacional da Aeronáutica Civil (DINAC): tem a responsabilidade. operando redes de recursos hídricos superficiais para o apoio a navegação fluvial. do monitoramento atmosférico e climático e administra e opera redes metereológicas. está encarregada do monitoramento hidrológico.Ministério da Agricultura e Pecuária – conta com o Programa de Agrometereologia que administra redes de observação atmosférica com fins metereológicos.opera junto ao Ministério de Obras Públicas. lagos e córregos. encarregado do manejo e controle de dados hidrológicos existentes. No setor de disposição de efluentes coordenam junto às instituições responsáveis o controle da contaminação ambiental e as ações de monitoramento e controle.

2005). tanto metereológica. ainda é incipiente.Estudos da UNESCO proveram dados pontuais de qualidade de água em micro bacias do país. foram criados cinco conselhos de águas por bacias hidrográficas: Rory e La Colmena. bem como. regional e nacional. Apa e Ñeembucú (FRUTOS. . Os dados de qualidade de águas superficiais são escassos e estão disseminados entre vários estudos realizados por diferentes instituições (BID. e para divulgação de informações (BID. Recentemente. Atualmente. em apoio ao desenvolvimento local. mas insuficientes para embasar decisões de médio e longo prazo frente às opções de exploração das águas superficiais. Estudos realizados e divulgados pelo BID (2005) avaliam que para a mediação. As informações existentes são suficientes para apoiar ações imediatas de uso da água. A consolidação dos conselhos de águas nas demais bacias hidrográficas. 2005). há um trabalho de cartografia sobre as formações hidrogeológicas em relação à tipologia de cada formação. 2007). como limnográfica. não existe uma instituição que gerencie um banco de dados hidrológicos permanente que integre e processe a informação. atualmente. pois há probabilidades de encontrar águas subterrâneas em condições de contaminação por sais. nas metodologia para as análises. não há estudos integrados que possibilite apontar uma visão global do estado da arte das águas subterrâneas no Paraguai. Ypacaraí.121 . Tebicuary. No entanto. sistematização e publicação dos dados de chuva e de explotação. para que a base de dados seja consolidada por meio de dados confiáveis. devido à existência de uma organização (japonesa-paraguaia) que já mantinha bom relacionamento com a comunidade e com o governo local Esta organização não é vinculada ao governo departamental nem central. é necessário avançar na modernização dos equipamentos utilizados. validações. Em nível nacional. que opera administrativamente as questões relacionadas ao uso da água para o desenvolvimento socioeconômico de acordo com seus interesses. Na Bacia dos Córregos Rory e La Colmena há envolvimento maior dos usuários. em termos de regulação de disponibilidade e monitoramento de quantidade e qualidade. Não há um organismo encarregado da gestão de águas subterrâneas.

Uma das principais conquistas sociais desta lei é o fato de que qualifica o acesso a uma quantidade mínima de água potável por dia como um direito humano. Disponível em: <http://www. saneamento e na agricultura. O modelo de gerenciamento a ser adotado tem como princípios: o ciclo hidrológico.gov. o estabelecimento de instrumento de gerenciamento hídrico. a descentralização da tomada de decisão. o Congresso Nacional da República do Paraguai tratava do projeto de lei de águas do Paraguai. em junho de 2007. Há necessidade de estabelecer a conformidade de leis. Acesso em 29/07/2007. a gestão do ordenamento territorial ambiental. Desde 2005. Tem como princípios a informação e a transparência. . Recursos Naturais. 2005). que realizou uma série de reuniões com vários organismos públicos. nacional e transfronteiriço. 36 SEAM – Secretaria Del Ambiente. O marco regulatório para a gestão de recursos hídricos no Paraguai está insuficientemente estabelecido.122 Juntas de Saneamento e Sistemas Privados são muito utilizadas para a zona rural do Paraguai. A Lei de Recursos Hídricos do Paraguai foi aprovada e promulgada pós um amplo trabalho que implicou na presença ativa e comprometida da sociedade civil35 . entre os temas ambientais. e o reconhecimento do valor econômico da água36. no âmbito regional. com organismos não governamentais e com representantes dos indígenas e dos campesinos do país.php>. foi aprovada a lei que define a Política Nacional de Gestão e Administração dos Recursos Hídricos que propõe o respeito à soberania.nsf/0/CDEBCFF588C843E4032574030069F0CF?opendocument&idioma= port>. pois. Ecologia e População. bem como de elaboração de novas leis que definam a política e seus objetivos de Estado em função da proteção e conservação de suas águas (BID. Disponível em: <http://seam.avina. a inserção de gênero. com o setor privado.net/web/siteavina. Contudo. a articulação institucional. devido a importância do papel da mulher no abastecimento doméstico. que são administradas pelas Juntas de Saneamento que operam e mantêm o sistema. onde as comunidades recebem a redes com recursos financeiros subsidiados. regulamentos e acordos existentes. 35 AVINA. ao uso sustentável da água e a recuperação das condições físico-químicas naturais no território paraguaio.py/politica. Acesso em 12 de março de 2008. não há instrumentos claros e suficientes para operacionalizar uma gestão de águas que considere os diferentes usos hídricos aos projetos de desenvolvimento do País e ao seu potencial hídrico. e a transversalidade. por meio da Comissão de Energia.

A Lei de Águas do Paraguai estabelece. um grupo de trabalho denominado “Grupo Impulsor Agua Sustentable . Dentre os normativos vigentes relacionados à temática de águas paraguaias. mas por omissão não tomou as medidas para reparar o resultado. 1160/97 no seu Art. dentre as quais: . o Código Civil (Lei nº. atuam a ONG AlterVida e a ONG Gestão Ambiental (GEAM). sujar a água ou alterar sua qualidade mediante derramamento de petróleo e seus derivados. medicamentos. estabelece o Código Rural. O Código Penal (Lei nº. com previsão de finalização para o final de 2008. mas essa Lei de Recursos Hídricos confirma a propriedade das águas do Paraguai como sendo do Estado. 2008). enquanto o Código Civil vigente estabelece a propriedade privada dos proprietários de imóveis sobre os recursos hídricos subterrâneos. 1248/32. Todas essas iniciativas foram realizadas com a Secretaria de Ambiente do Paraguai (ABBATE. que legisla sobre águas públicas. que a gestão integrada dos recursos hídricos será realizada por bacias hidrográficas. será aplicada a penalidade de dois anos de prisão ou multa. A Constituição Federal. ou não informar às autoridades. claramente. em conformidade com a GIAS: a “Mesa da Água”. mas sua aplicação ainda não é possível. 212 do mesmo Código estabelece que seja penalizado com prisão até cinco anos. indevidamente. riachos. ou com multa. Nesta regulamentação. represas. ou até quem poderia evitar que fossem sujas. Quando isto acontecer de forma vinculada a uma atividade industrial. O Art. 197 – incisos 1º ao 6º) do Paraguai estabelece prisão de até cinco anos ou multa para quem. a quem corresponde a propriedade das águas subterrâneas. comercial ou da administração pública. de direito imprescritível e alienável pelo mesmo. a pena poderá ser aumentada para dez anos. de 1992. então. Também estão sendo mobilizadas as forças empresariais do país. porque falta a regulamentação da lei. 1183/85) se ocupa das águas pluviais. considera os recursos hídricos como de domínio do Estado.GIAS”. especificamente.123 Formou-se. Outras leis paraguaias fazem menção às questões hídricas. por meio de um concurso do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). mas sem mencionar. . rios. quem envenenar ou adulterar a água com substâncias nocivas. superficiais. alimentos ou outras coisas que ponham perigo a vida ou a integridade física de outros. Também. estabelece que para quem suje as águas.Lei nº.

294/93. despejos sanitários e domiciliares. 12 estabelece que os que depositem ou incinerem lixo ou outros resíduos de qualquer tipo. . Código de Pesca. substâncias. aprova o acordo de transporte de mercadorias perigosas do MERCOSUL. ou combinações destes que possam degradar ou contaminar as . . ou ribeiros a estes.Lei nº. 4 estabelece que: “Fica proibido lançar nas águas. . serão sancionados com multa de 100 a 1 mil salários mínimos legais para atividades diversas não especificadas.Lei nº. 17057/96. .Lei nº. . 352/94 estabelece as áreas silvestre protegidas. para atividades diversas e não especificadas.Decreto nº. caminhos ou ruas. . que complementa a Lei 422/73 (Código Florestal) estabelece proibições destinadas a proteger de maneira genérica as fontes dos canais naturais de água.Lei nº. estabelece que os responsáveis de fábricas ou indústrias que produzam efluentes ou dejetos industriais não tratados. no Art. materiais ou elementos sólidos.831/86. . No Decreto nº. cursos d’água ou adjacências. 8º. no Art. dispõe sobre a obrigatoriedade da Avaliação de Impacto Ambiental. 3 deste decreto declara que: para efeito de proteção de rios. em uma faixa de 100 metros em ambas as margens. todo o tipo de resíduos. arroios. . Código Florestal. 799/96. em conformidade com as normas que regem a matéria em lagos ou cursos d’água subterrâneos ou superficiais. diretamente ou indiretamente. nascente e lagos. Nesse mesmo normativo. 17723/97. O Art. faixa que poderá aumentar de acordo com a extensão do referido curso de água. 18.Decreto nº.Lei nº. empresas e produtos. que dá vigência as resoluções adotadas no MERCOSUL sobre indústrias. em seu Art. líquidos ou gasosos. . 716/96 que dispõe sobre “Delitos contra o meio ambiente” e.Lei nº. nas rodovias. 1863/02 estabelece o Estatuto Agrário. é preciso deixar uma faixa de bosque protetor por pelo menos 100 metros em ambas as margens dos mesmos. serão sancionados com um a cinco anos de prisão e multa de 500 a dois mil salários mínimos. Nesse mesmo Decreto. 836/80 dita o “Código Sanitário”. 422/73. 369/ 72 e Lei nº.Lei nº. declarando como “bosques protetores” as vegetações que circundam as fontes e cursos hídricos. 908/96.124 .LEI nº. que cria e dá as competências do SENASA.

é insuficiente e. cria também. Há alguns instrumentos legais de gestão ambiental e uma Secretaria de Ambiente (SEAM) que tem a competência de monitorar a qualidade dos mananciais hídricos e fiscalizar contra contaminações.125 águas e os solos adjacentes. que dispõe sobre o cadastramento de usuários de abastecimento de água em nível nacional. 222/02 estabelece o padrão de qualidade das águas no território paraguaio e as classifica em quatro categorias segundo o uso a qual se destinam. e muitas vezes. é inexistente. em conjunto com outros setores do Ministério e instituições governamentais e demais setores sociais. que cria a Secretaria de Meio Ambiente (SEAM). causando dano ou colocando em perigo a saúde ou a vida humana. estabelece. padrões de qualidade da água no território paraguaio. no Rio de Janeiro. O sistema de informação de recursos hídricos. o Sistema Nacional Ambiental (SISNAM) e o Conselho Nacional do Ambiente (CONAM). a fauna ou comprometer as destinações para usos agrícolas. florestais ou seu aproveitamento para diversos usos”.561/2000. . no entanto. em 1992. propor e executar o Programa Nacional de Manejo e Conservação do Solo e Água. Enfim. pecuários. 996/00 cria a Unidade de Gestão dos Recursos Naturais junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária com o objetivo de formular. entre inúmeros dispositivos legais vigentes no Paraguai. em alguns casos. como uma das diretorias temáticas a Diretoria Geral de Proteção e Conservação dos Recursos Hídricos (DGPCRH). por vezes. pouco conhecida e difundida. ao nível de bacias hidrográficas. Distintos tratados e acordos internacionais têm sido firmados pelo Paraguai. outros usos não contam com um ente regulador. Curiosa é a Resolução 553/03. desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimentos. Porém. A Resolução nº. dispersa. tanto superficiais como subterrâneos. a flora. tais normativos descritos são alguns. que de forma direta e/ou indireta. A Resolução SEAM nº. e nem há redes de monitoramento estruturadas para proceder com o monitoramento qualitativo de águas. referem-se às águas do país. 2005). mas não há instrumentos implantados para o gerenciamento de recursos hídricos. a Resolução 585/96 do Ministério da Saúde. não são confiáveis (BID. também. A Lei Federal n° 1. os dados que existem não estão acessíveis e.

No entanto. há evidências que as pretensões para o alcance de resultados se concentram em acordos de cooperação bilaterais ou regionais. Acesso em: 30/07/2007. firmado em 1996. Mesmo com avanços na tomada de consciência. orientou a definição de metas específicas para a gestão de águas.py/sia/legislacion. ainda há significativa distância das práticas. o Acordo da Hidrovia Paraguai-Paraná e seus protocolos adicionais (Lei nº. subscrito com o Brasil (Lei nº. reafirma a determinação de avançar rumo ao desenvolvimento sustentável e implementar as decisões e compromissos incluídos na Declaração do Rio e na Agenda 21. 177/69).idea. No âmbito do estabelecimento de uma estratégia comum para a água. assim como estabelecer metas para saneamento. Apesar das discussões em nível mundial. nos os países envolvidos. 37 IDEA – Instituto de Derecho y Economía <http://www. os países definiram a meta de elaborar Planos Nacionais de Recursos Hídricos até o ano de 2005. dentre tantos outros37. 2005). Ambiental. do que é consensuado por meio desses documentos. sobre a relevância da gestão de águas. promovido pelo Projeto Deltamerica (2005). De acordo com estudos desenvolvidos pelo Projeto DELTAMERICA (2005). durante a Cúpula das Américas para o Desenvolvimento Sustentável. A Conferência realizada em Johannesburgo. Disponível em: . 232/93). o Ajuste complementar de acordo de cooperação técnica em matéria de medições da qualidade de água.org. Bolívia. adotados na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em 1992. efetivamente desenvolvidas. Nesta ocasião. 269/93). realizada em Santa Cruz de La Sierra. como por exemplo: o Tratado da Bacia do Prata (Lei nº.126 Vários tratados internacionais relacionados aos recursos hídricos foram ratificados e chancelados pelo Paraguai. o Paraguai não elaborou seu Plano de Recursos Hídricos e tenta concentrar esforços para fortalecer o setor de saneamento.php>. em 2002. o Plano de Ação para o Desenvolvimento Sustentável. nos países latinoamericanos e caribenhos. os quais requerem ser valorizados e fortalecidos para atingirem seus intentos (DELTAMERICA. as ações implantadas para alcançar os objetivos estipulados nesses acordos não foram suficientes para alcançar resultados esperados.

cujos objetivos gerais foram de impulsionar o . Os programas e projetos existentes. CIC PLATA 2004): . a SEAM pretende implantar o sistema de controle monitoramento de águas superficiais de forma descentralizada junto aos municípios. com apoio financeiro do GEF aos quatros países envolvidos (Paraguai. Conforme o estudo realizado por intermédio do Projeto DELTAMERICA (2005). governo e sociedade civil. tais como (DELTAMERICA. que estabeleceu um acordo específico. Brasil e Bolívia. há experiências exitosas oriundas das ações de projetos de gestão em bacias hidrográficas transfronteiriças.127 3.3 EXPERIÊNCIAS PARAGUAIAS EM ÁGUAS TRANSFRONTEIRIÇAS A Conferência sobre a Evolução e Manejo de Recursos Hídricos na América Latina e Caribe realizada no município de San José. visando o planejamento e funcionamento conjunto de redes de controle. em 1996. 2005. relacionados às águas subterrâneas. entre outros aspectos. com a finalidade de compilar dados básicos sobre recursos hídricos. com a cooperação do Governo Francês. para a conservação e proteção dos recursos hídricos. em estágio de execução. que permitirá. Nesse sentido.Projeto para o desenvolvimento da Bacia Hidrográfica do Alto Rio Bermejo e do Rio Grande de Tarija. Por outro lado. desde 1999. firmado em 1995. a transferência de conhecimentos para o manejo de bacias compartilhadas entre o Paraguai. 2004). como primeiro passo para elaboração de projetos de acordos internacionais visando à proteção desses recursos e o desenvolvimento de zonas transfronteiriças. A Secretaria de Ambiente (SEAM) executa. Itaipu e Corpus que realizam o monitoramento da qualidade de suas águas (CIC PLATA. é importante destacar ações exercidas na Bacia do Rio Paraná por entidades binacionais Yacyretá. Argentina e Uruguai). no Paraguai. Brasil. um projeto “Observatório de Águas” na Bacia do Alto Paraguai. recomendou aos países pesquisarem sobre a possibilidade de uma coordenação inicial em assuntos relacionados ao comportamento dos recursos hídricos de bacias hidrográficas transfronteiriças. financiado pelo GEF (Global Environmental Facility) e sob a coordenação de uma Comissão Binacional da Argentina e Paraguai. tem como destaque o Projeto Multilateral “Sistema Aqüífero Guarani”.

com a assinatura do Tratado da Bacia do Rio Prata. No âmbito dos trabalhos realizados pela Itaipu Binacional.128 desenvolvimento sócio econômico sustentável. Outras ações estão sendo realizadas. conforme informações divulgadas por FRUTOS (2007). comunidade científica e acadêmicos do Brasil. estudantes. que produz alevinos de espécies nativas para reintrodução de peixes nos rios. por meio de 8 (oito) projetos de produção sustentável que abrangem a área de amortecimento do Parque Nacional Paso Bravo. 38 Virtual Dialogues. CIC . trataram da gestão dos recursos hídricos disponíveis na região. pontua o projeto de piscicultura. da Bolívia. organismo executivo do Sistema da Bacia do Prata. na referida área de influência. líderes políticos. dispostas na Carta dos Diálogos da Bacia do Prata38.O Projeto Água Boa/Porã que trata da recuperação ambiental das bacias hidrográficas dos rios afluentes da represa Itaipu. . em novembro de 2005. otimizar o aproveitamento dos recursos naturais e permitir a gestão racional e quantitativa dos recursos hídricos. 1. Acesso em 19 de novembro de 2007. especialistas. ONG’s. Na ocasião do 1º Fórum Internacional “Diálogos da Bacia do Prata” Água para a Vida. promovido pela ITAIPU Binacional.O Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aqüífero Guarani. . Água para a Paz.O próprio Programa Marco para a Gestão Sustentável dos Recursos Hídricos da Bacia do Prata considerando os efeitos hidrológicos resultantes da variabilidade e mudanças climáticas.500 pessoas. . da Argentina. por meio de diversas oficinas temáticas que resultaram em importantes conclusões.O Comitê Intergovernamental Coordenador dos Países da Bacia do Rio Prata – CIC. Disponível em: <http://virtualdialogues. Brasil.com/2006/03/15/carta-dos-dialogos-dabacia-do-prata>. estabelecido no âmbito do Tratado de Itaipu e inserido como projeto prioritário do Programa Marco para a Gestão Sustentável dos recursos hídricos da Bacia do Prata. Brasil.Comitê Integrado da Bacia da Prata – e Green Cross Internacional – Brasil. Paraguai e Uruguai. foi criado em 1969.wordpress. Bolívia. . integrado pela Argentina. do Paraguai e do Uruguai. . aproximadamente. realizado em Foz do Iguaçu. A implementação desse projeto contou com apoio da OEA e PNUMA. incluindo atores do setor governamental.

. Entre outras coisas. Molinas (2007) declara que o Governo do Paraguai tem uma proposta de considerar o meio ambiente como parte integral e harmônica do conjunto de tarefas para garantir o desenvolvimento sustentável. a cooperação internacional e o desejo de criar um fundo nacional para o desenvolvimento sustentável. o governo paraguaio conta com sua população sob um regime democrático consolidado. no campo específico do combate ao crime transnacional. existência de círculo vicioso de empobrecimento social e deteriorização da base natural. será abordado o estado da arte da governança das águas no Brasil. a proposta cita a equidade e cooperação das relações internacionais como um pré-requisito para alcançar tal intuito e salienta o foco de preocupações que estão centradas no ser humano. que permite o fortalecimento de organizações populares. o Paraguai redobrou esforços na Tríplice Fronteira (Paraguai. Divulga que. também.129 De acordo com FRUTOS (2007). para atingir as metas estabelecidas. Brasil e Argentina) com a contratação de pessoal e melhorias materiais. falta de planejamento de uso e controle da qualidade das águas. No capítulo seguinte. tais quais: altas taxas de desmatamentos. Conforme MOLINAS (2007). incluindo a transformação de currículos escolares. contaminação de rios e erosões em solos. esse projeto de governo tem metas a serem alcançadas em função dos grandes problemas ambientais existentes no país. incentivo a base científica e tecnológica. Relata. uma base institucional existente e capaz de implementar transformações necessárias. que há propostas de ações no âmbito da educação ambiental.

que possui cerca de oitenta afluentes que drenam suas águas ao território brasileiro. 5. Os recursos hídricos brasileiros definem a maior parte das fronteiras brasileiras com os países vizinhos. devido a relevância geopolítica de sua malha hídrica. O país é dividido administrativa e politicamente em 27 unidades federativas (26 Estados e um Distrito Federal) divididas em. é uma república federativa situada na porção centro-oriental da América do Sul. a noroeste. Na América do Sul. com a Bolívia e o Peru. ao sul. em 2007. leste e sudeste. o Brasil está contido na Bacia Amazônica. 2007). a oeste.564 municípios. oficialmente República Federativa do Brasil.130 4 GOVERNANÇA DAS ÁGUAS NO BRASIL O Brasil. ao nordeste. O país é banhado pelo Oceano Atlântico ao longo de uma extensa orla de 7. resultando uma densidade populacional de 22 hab/km². a população brasileira.069 habitantes. . De acordo com estimativas do IBGE (2007). de onde nascem os afluentes da Bacia do Prata (GEO BRASIL RH. ao norte. é composta de aproximadamente 188. Contem uma área de 8. com a Venezuela.599 km² e faz fronteira. a sudoeste. Os únicos países sulamericanos que não têm uma fronteira comum com o Brasil são o Chile e o Equador. a Guiana. com o Uruguai. Possui uma extensa faixa de fronteiras terrestres de 15. aproximadamente. A Figura 19 demonstra as divisões político-administrativas estaduais do Brasil na América Latina.181.367 km.719 km. o Suriname e com o departamento ultramarino francês da Guiana Francesa. e. A maior parte da população brasileira se concentra ao longo do litoral. com a Argentina e o Paraguai. apresentando enormes vazios demográficos em seu interior.514. com a Colômbia. com destaque às questões relativas às relações internacionais.876.

As 27 unidades da federação são agrupadas para fins estatísticos e. A Figura 20 mostra o Brasil. Fonte: <http://www. segundo suas regiões.brasil-turismo. . em cinco grandes regiões: Centro-Oeste. em alguns casos. para orientação da atuação federal. Nordeste.htm> acesso em 17 de setembro de 2007.com/mapas. Sudeste e Sul. com destaque à hidrografia do país.131 Figura 19 –Divisões político-admistrativas estaduais do Brasil na América Latina. Norte.

A sociedade brasileira é uma das mais multirraciais do planeta: cerca de 45% da população tem alguma origem africana e. A religião com mais seguidores é o catolicismo.132 Figura 20 – Regiões do Brasil e hidrografia. A maioria dos brasileiros possui alguma ascendência dos povos que colonizaram o . uma parcela considerável possui ascendência indígena. contendo o maior número de católicos do mundo. o Brasil é o único país de língua portuguesa das Américas. Colonizado por Portugal. 1999. Fonte: IBGE – Diretoria de Geociências.

Disponível em: <http://pt. No entanto. de "pau-brasil". que têm mandato de quatro anos.133 país (portugueses.wikipedia. espanhóis). sede do Poder Legislativo. O território brasileiro é largamente coberto por florestas e áreas de agricultura e pecuária.488. O nome do país tem origem na época colonial. Concomitantemente às eleições presidenciais. e o Senado Federal.000 m3/s. Acesso em 14 de set de 2007. 1999). Em termos administrativos. e na época. e Legislativo. o Distrito Federal tem seus próprios órgãos executivos (na figura do governador). e legislativos (Assembléia Legislativa unicameral) e judiciários (tribunais estaduais). O Poder Executivo é exercido pelo Presidente. O clima do Brasil é predominantemente tropical. cuja produção hídrica representa 53% da produção de água doce do continente Sul-americano e 12% do total mundial. razoavelmente.000 m3/s e 1. Alemanha e Japão. Os municípios dispõem apenas do poder Executivo. é composto de onze Ministros indicados pelo Presidente sob referendo do Senado. este volume não pode ser considerado disponível. semelhante à tinta extraída da madeira denominada. em Portugal. Em muitas regiões do Centro-Sul do Brasil. encontrada em abundância no território nacional. . bem como. com exceção do Sul do país (incluídas partes do estado de São Paulo e extremo sul do Mato Grosso do Sul). No cenário mundial. a cada quatro anos. 334.org/wiki/Brasil>. A instância máxima do Poder Judiciário é o Supremo Tribunal Federal. pois são as precipitações sobre 39 WIKIPEDIA: Brasil. vota-se para o Congresso Nacional. o Brasil se destaca pela descarga de água doce dos seus rios. os descendentes de imigrantes. sediado na câmara municipal. Legislativo e Judiciário. bem definidas. respectivamente. que acumula as funções de chefe de Estado e chefe de Governo e eleito quadrienalmente. responsável por interpretar a Constituição Federal. principalmente da Itália. Cada Estado. a Constituição Federal de 1988 assegura a divisão dos Poderes Executivo. dividido em duas casas parlamentares: a Câmara dos Deputados. exercido pelo prefeito. (REBOUÇAS. quando os portugueses achavam as terras daqui vermelhas e com aparência de brasa. formam a maioria da população39. embora a maioria dos brasileiros viva nas grandes metrópoles do país. que apresenta clima subtropical com estações. e elegem-se em um terço e dois terços alternadamente. cujos membros possuem mandatos de oito anos.

Fonte: <http://mapas. tais como o setor hidrelétrico.gov. não foi uma tradição no Brasil levar em conta os limites de uma bacia hidrográfica para administração de recursos hídricos. Para fins de gerenciamento hídrico.htm>. Parnaíba. em km³. Historicamente. Tais questões eram consideradas a partir das perspectivas dos setores dos usuários de águas. esquematicamente. as regiões hidrográficas do Brasil e as suas respectivas contribuições médias anuais.br/i3geo/aplicmap/geral. Figura 21 –Regiões hidrográficas do Brasil e respectivas contribuições médias anuais. Atlântico Sul. da . Atlântico Sudeste. 32. A Figura 21 apresenta. na maior parte. Atlântico Leste.134 o planeta que. acesso em 17 de setembro de 2007. conforme a Resolução do Conselho Nacional de Recursos Hídricos . Atlântico Nordeste Oriental. o território nacional é dividido em doze regiões hidrográficas. Uruguai . 1999).mma. em km³. Tocantins/Araguaia. podem proporcionar um fluxo de água renovável para atendimento às demandas humanas e ambientais (LANNA. Paraguai .CNRH nº. Paraná. Atlântico Nordeste Ocidental. de 15 de outubro de 2003: Amazônica. São Francisco.

produz deteriorização da qualidade. e baixa capacidade de armazenamento. Outras regiões. a variabilidade anual e sazonal é significativa. As bacias sedimentares representam cerca de 42% do país (LEAL. Existem aqüíferos com balanço hídrico positivo e de grande recarga classificados de acordo com as seguintes características geológicas: (a) sistemas poroso (rochas sedimentares). (c) sistemas cársticos (rochas carbonáticas. com fraturas). em especial. 2006). São Francisco e Paraná estão localizados cerca de 80% da produção hídrica total do país. HESPANHOL & CORDEIRO NETTO. 2000) A disponibilidade hídrica das bacias hidrográficas brasileiras é heterogeneamente distribuída. O sistema fissural ocupa 53. acarretando escassez qualitativa de água e custos adicionais para recuperação às condições adequadas para os usuários à jusante dos lançamentos. Devido às dimensões territoriais do Brasil. 1999).1 DISPONIBILIDADE E DEMANDA HÍDRICA NO BRASIL (TUCCI. no Nordeste. e pela ocupação indiscriminada de várzeas. . na região de clima semi-árido. Nas unidades hidrográficas dos Rios Amazonas.8% do país. ao assoreamento dos rios e dos canais hídricos. em relação às características climáticas. em decorrência da reduzida precipitação. Em algumas áreas brasileiras há escassez de água por insuficiência de chuvas e/ou pela distribuição irregular no tempo. (b) sistemas fissurados (rochas cristalinas e cristofilianas). se observam condições salobras da água subterrânea.135 navegação e da agricultura. No Nordeste. ou segundo políticas específicas de combate aos efeitos das secas e inundações. O uso abusivo dos rios. Há baixa capacidade de produção de água subterrânea no Nordeste. até os anos de 1970 (PNRH. mesmo nas áreas com capacidade de armazenamento. cobrindo uma área de aproximadamente 72% do território brasileiro. principalmente. com grande irregularidade na distribuição da água subterrânea. no Sul e Sudeste sofrem com enchentes periódicas. Somente a Bacia Amazônica tem uma área equivalente a 57% da superfície total do Brasil. alta evapotranspiração potencial. para diluição de efluentes. associadas ao uso desordenado do solo. 4.

à agricultura nos processos de irrigação. à diluição de cheias e à diluição de efluentes. 2007. ao saneamento. .4% para o consumo humano. 13. o Brasil foi dividido em 10 províncias hidrogeológicas.9% para a dessedentação de animais. A utilização dos recursos hídricos brasileiros atende ao abastecimento doméstico. à pesca comercial e esportiva. demonstradas na Figura 22.136 Com a finalidade de facilitar os estudos das águas subterrâneas. 16. à criação animal. Alguns desses usos refletem anseios humanos. à recreação. ao abastecimento industrial. No Brasil os usos da água do tipo consuntivo estão distribuídos . enquanto outros significam necessidades básicas das populações. à navegação. à geração de energia.7% para irrigação. Fonte: MMA. Essas províncias são regiões onde os sistemas aqüíferos apresentam condições semelhantes de armazenamento. com a utilização dos recursos hídricos interiores do país. bem como. Figura 22 –Províncias Hidrogeológicas do Brasil e a delimitação das bacias hidrográficas. aproximadamente. em 64.9% para o setor industrial e 4. à harmonia paisagística. circulação e qualidade de água.

800 1. 1998. Tabela 3 – Principais Hidrovias Brasileiras Bacias Amazonas Tocantins Atlântico Sul Atlântico Leste Atlântico Norte/Nordeste São Francisco Paraná Paraguai Uruguai Total Fonte: SRH/MMA. Jurus. enquanto a Bacia do Paraná possui a maior demanda total. a Bacia do Atlântico Sul tem a maior demanda de irrigação.137 Dentre as bacias hidrográficas do Brasil. Tietê Paraguai e Cuiabá Uruguai e Ibicui Extensão (km) 18.000 (potencial) 3.000 1. A Figura 23 mostra a localização desses cursos de água utilizados para a navegação. Rios principais Amazonas.200 . Branco e Juruá Tocantins. Itapecuru e Parnaíba São Francisco e Grande Paraná.000 4. Paraíba do Sul Mearim.800 2. Lagoa dos Patos e Mirim Doce.100 4.300 1. Madeira. Negro. com a extensão que possuem.200 (potencial) 38. A produção de energia elétrica está concentrada em hidrelétricas (cerca de 91% do total). no Brasil.300 3. Pindaré. Purus. As regiões hidrográficas e os principais cursos de água utilizados para a navegação estão denominados na Tabela 3. devido à água necessária para irrigação do arroz no Rio Grande do Sul. principalmente. Taquari. Araguaia Jacuí.

o principal meio de transporte. a navegação é. . Fonte: CAMPANA. 2004. como a do Rio Amazonas e do Rio Tocantins.138 Figura 23 – Localização dos principais rios utilizados para a navegação no Brasil. muitas vezes. tendo significativa importância na cadeia produtiva regional. Nas bacias. devido às dificuldades de acesso às regiões servidas por poucas rodovias e ferrovias.

é resultante de uma economia de utilização dos potenciais hídricos.139 O crescimento demográfico e econômico acelerado do Brasil. e grande parte da precipitação escoa. como encostas e fundos de vales. de forma extensiva.2 milhões viviam em núcleos rurais. No que se refere às populações indígenas. os mecanismos existentes. não têm impedido a ocorrência de problemas de recursos hídricos em suas áreas. também. as áreas de permeabilização diminuíram. como de instituições públicas encarregadas de acompanhar o desenvolvimento das ações empreendidas aos mesmos. de lixões e de pólos petroquímicos. empobrecimento das pastagens nativas. Infelizmente. a redução das reservas de água do solo e. além das disponibilidades. A maioria dos rios que atravessam as cidades brasileiras está deteriorada. fez com que os recursos hídricos fossem demandados. e de procedimentos de baixo nível tecnológico e organizacional. já que. Atualmente. conseqüentemente. mesmo havendo uma legislação específica de proteção aos seus direitos. a população brasileira mais que triplicou e aproximadamente 80% das pessoas vivem nas cidades. erosão. Essa situação. em algumas regiões. políticas públicas inadequadas de uso do solo urbano. Contribuindo para a problemática da água. As cidades brasileiras não chegaram ao estágio de preocupação com a poluição gerada pelos esgotos pluviais. tanto na agricultura como na pecuária. agravando as estiagens. de drenagem urbana e de gestão de resíduos sólidos têm contribuído para agravar o problema das enchentes urbanas. nos últimos 30 anos. Devido à urbanização. Em 1940. A contaminação das águas subterrâneas é crescente devido o uso generalizado de fossas sépticas.o esgoto doméstico ainda é o problema maior. dos quais 27. diretamente. As populações brasileiras desfavorecidas costumam habitar em áreas de maior exposição aos riscos e aos prejuízos causados pelas águas. ou de impactos ambientais de grandes obras de engenharia. a ocupação do território rural brasileiro permanece em contínuo desmatamento das bacias hidrográficas. Não ocorrendo a infiltração. para os rios. . a vazão de água subterrânea se reduz. a população brasileira era de 40 milhões de habitantes. pela falta de coleta e/ou tratamento de esgotos domésticos. em todo o País. a queda da sua produção natural. como a escassez e poluição.

de 10/7/34. previsto. as decorrentes de obras da União (CF.as águas superficiais ou subterrâneas. no Código de Águas. ressalvadas. 20. a regulamentação do Código de Águas ocorreu. 41 Art.140 4. sirvam de limites com outros países. Incluem-se entre os bens dos Estados: I . 1998). para as águas superficiais ou subterrâneas. ou de fronteira.433/97. no Brasil todas as águas são de domínio público da seguinte forma: (i) o domínio da União40. ressalvadas. ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham. rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio. . somente nas partes de interesse do desenvolvimento da geração hidrelétrica. Apesar de avançada para a época em que foi editada. São bens da União: III . bem como os terrenos marginais e as praias fluviais. fluentes. 40 Art.os lagos. Uma das alterações foi em relação à extinção do domínio privado da água. artigo 21. 24. relacionadas com a estratégia governamental de promover a infra-estrutura necessária para a expansão do parque industrial brasileiro. ou que dele provenham. e (ii) o domínio dos estados41. o Código de Águas e a Lei Federal nº. na forma da lei. 9. o texto do Código de Águas. ou para ele se estendam. 26. neste caso. O Código de Águas. estabelecido pelo Decreto Federal nº. ou que sirvam de fronteira entre essas unidades. para os rios ou lagos que banhem mais de uma unidade federada. as leis que embasam o arcabouço legal da gestão dos recursos hídricos são a Constituição Federal. emergentes e em depósito. inicialmente. Desde então. 1998). representando um marco na legislação brasileira (SETTI. ou que banhem mais de um Estado. 2000).os recursos minerais. neste caso. em vários aspectos. em alguns casos. era o único instrumento legal abrangente e específico sobre recursos hídricos no País. da CF/1988). IX . as decorrentes de obras da União (CF.643. inclusive os do subsolo (CF. bem como. emergentes e em depósito. fluentes. definir critérios de outorga e direito de uso dos recursos hídricos (Inciso XIX. entre o território do Brasil e o de um país vizinho. 1988). Com a promulgação da Constituição Federal (CF) de 1988. fica determinada a competência da União para instituir o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídrico – SINGREH e para compatibilizar o processo de gestão das águas no País.2 ASPECTOS LEGAIS E INSTITUCIONAIS No Brasil. até o dia 8 de janeiro de 1997. A Constituição Federal de 1988 modificou.

dos Estados.141 A competência é comum da União. e para proteger o meio ambiente e combater a poluição.433. tendo por objetivo assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água. de competência do município. as obras e outros bens de valor histórico e cultural. e na atuação da drenagem urbana. os monumentos. denominada “Estatuto da Cidade”. Conforme a Lei Federal nº. essenciais à gestão dos recursos hídricos. Por isso. um dos principais usos da água no Brasil. ao regulamentar o Art. A Lei Federal nº. embora. particularmente. e preservar as florestas. uso e ocupação do solo. estabelece a obrigatoriedade da execução do Plano Diretor para os municípios com mais de 20 mil habitantes. 9. 23 da CF. os municípios não possuem atribuições específicas. no que se refere à gestão de recursos hídricos. mesmo não possuindo o domínio e a atribuição de legislar sobre a água. 21. a federal. toda a ação de gestão ambiental.257. visando a implantação da sua política de desenvolvimento. as paisagens naturais e os sítios arqueológicos. a fauna e a flora (Art. institui a Política Nacional de Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos . o município tem papel fundamental no ordenamento. de 8 de janeiro de 1997.SINGREH. em especial o instrumento do licenciamento ambiental e o de zoneamento de uso e ocupação do solo. apesar de que. A Lei 9. na gestão ambiental. não defina os meios de execução dessa diretriz. são instrumentos que regulam o uso e a utilização do solo.433/97 define a articulação da gestão de recursos hídricos com a do uso do solo como uma das diretrizes gerais de ação para a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos. em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos e às diretrizes de integração de gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental e de articulação da gestão de recursos hídricos com o uso do solo. As três esferas do governo. tanto da área urbana como rural. que influencia o manejo dos recursos hídricos nos espaços urbanos e ao seu redor. parágrafo XIX da Constituição Federal. O Plano Diretor é uma ferramenta de gestão do processo de planejamento municipal territorial. Entretanto. 10. Ao município cabe ainda o poder concedente dos serviços de saneamento. 1998). a estadual e a municipal possuem competências concorrentes para atuarem na área ambiental. em qualquer de suas formas. do Distrito Federal e dos municípios para proteger os documentos. 42 . contido no Plano Diretor42.

1969 Na Constituição Federal permanece a competência exclusiva da União em legislar sobre águas. superficiais e subterrâneas. órgão da administração direta vinculado ao MME). IBDF. A Divisão de Águas do DNPM é incorporada ao DNAE. as águas interiores. regulamenta a Política Nacional de Irrigação. os elementos da biosfera.990: Compensação financeira pelo resultado da exploração de petróleo ou gás natural. o Código de Águas elaborado pelo jurista Alfredo Valadão. 1989 Criação do IBAMA (fusão: SEMA.662 estabelece a Política Nacional de Irrigação. 6. ANO Aspecto Legal e Institucional 1989 Grande número de Constituições Estaduais prevêem seus Sistemas Estaduais de Gerenciamento de Recursos Hídricos. 1980 Alguns Comitês de Bacia evoluem (Paranapanema. 1920 Criação da Comissão de estudos de Força Hidráulica.938/81 – estabelece que os recursos ambientais são a atmosfera. recursos hídricos para geração de energia elétrica. 1940 Serviço de Águas torna-se Divisão de Águas (DNPM).Cria o Comitê Especial de Estudos Integrados de Bacias Hidrográficas – CEEIBH (DNAEE. em Estocolmo. 1967 Código de Mineração (Decreto Lei nº. Paraíba do Sul e Doce). 1933 Criação da Diretoria de Águas. 1972 Assembléia Geral da Nações Unidas sobre o Meio Ambiente. em conjunto com o DNPM. 227/67) classifica as águas subterrâneas como as jazidas minerais. 1973 Criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente no Ministério do Interior. depois transformada em Serviço de Águas (Ministério da Agricultura). 1989 Lei nº. salobras e salinas do Território Nacional. Indústria e Comércio). em caráter supletivo e complementar. o mar territorial. a fauna e a flora. 1968 DNAE passou a ser DNAEE (Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica. recursos minerais. SUDEPE). os estuários. ANO Aspecto Legal e Institucional 1907 Governo Federal apresenta ao Congresso Nacional. Serviço de Águas inserido no DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral). 1980 Diagnóstico de Bacias Hidrográficas (DNAEE) 1981 Política Nacional do Meio Ambiente – Lei nº.Estabelece as atividades que dependem de EIA/RIMA para o licenciamento ambiental. 6. 1983 Seminário Internacional de Gestão dos Recursos Hídricos. diretamente ligado à Presidência da República. em particular. das águas. 1946 Constituição Federal estabelece que os Estados podem legislar sobre as águas. ELETROBRÁS. 1984 Comissão de Recursos Hídricos / Decreto nº. no Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil (Ministério da Agricultura. que passa a decidir sobre águas. o solo. 1934 Edição do Código de Águas e Código de Minas. transferindo a responsabilidade sobre o uso dos recursos hídricos para a irrigação do DNAEE (MME) para o Ministério do Interior (MINTER). 1970 Extinção do CNAEE passando suas atribuições ao DNAEE. . Resolução CONAMA 001 . 7. 1988 Constituição Federal prevê o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. 1965 Criação do DNAE (Departamento Nacional de Águas e Energia) e do MME (Ministério das Minas e Energia). a 85 1985 Criação do Ministério Extraordinário da Irrigação com o PRONI (Programa Nacional de Irrigação).496. 1978 Portaria Interministerial 80 . 89.142 A Tabela 4 apresenta uma descrição suscinta da evolução normativa da administração das águas no Brasil. 1979 Lei nº. 1961 Criação da ELETROBRÁS. alerta sobre a necessidade de proteção e conservação do meio ambiente. SEMA. o subsolo. DNOS). Tabela 4 – Descrição suscinta da evolução da administração das águas no Brasil. no MME. 1939 Criado o Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica (CNAEE). 1986 Resolução CONAMA 20 – Estabelece a classificação das águas doces. SUDHEVEA.

aos contratos de concessão. GEO BRASIL RH.433 .790 (23/3/99) . 7. questões referentes ao aproveitamento energético dos cursos d’água e as respectivas articulações necessárias com os Estados e com o Distrito Federal. de 17 de julho de 2000. aos estudos de viabilidade.ratifica compensação financeira de 6% 1998 Decreto nº.143 Lei nº.984.990. de 26 de dezembro de 1996. 2000 Lei nº. 2005 Instituição da Década Brasileira da Água 2006 Plano Nacional de Recursos Hídricos 2007 Lei do Saneamento Fonte: adaptada de SETTI.qualificação de pessoas jurídicas de direito privado. 9.249. 2007. 2. BARTH.605 . 8. coordenação. 3. 2000. 9. 8. 9. fazendo referência à questão do aproveitamento da energia hidráulica. cujas competências estão vinculadas ao Ministério do Meio Ambiente.. 1998 Estrutura Regimental do Ministério do Meio Ambiente. . entre outros aspectos. institui a disciplina e o regime das concessões de serviços públicos de energia elétrica. 1998 Lei nº. 1999. 2000. anteprojetos e projetos de aproveitamento dos potenciais hidráulicos. 1999) exercida por sua Secretaria de Recursos Hídricos e Ambientes Urbanos.estabelece as atividades sujeitas ao licenciamento ambiental. 2. 1991 Poder Executivo encaminha o Projeto de Lei nº. o Brasil passou a ter uma entidade responsável pela implantação da Política Nacional de Recursos Hídricos e pela coordenação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. aprovada em evento preparatório à Conferência do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. 1995 Criação da Secretaria de Recursos Hídricos. Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e modifica os critérios da Lei nº. pela Lei Federal nº. 9. 1999 Lei nº.001: Define os percentuais da distribuição da compensação financeira que trata a Lei nº. 1997 Aprovação da Lei nº. que dispõe sobre a Política Nacional de Recursos Hídricos.984 (17/7/00) – criação e implantação da Agência Nacional de Águas (ANA). 9. Resolução CONAMA 237 . sem fins lucrativos.612 (3/6/98) . com a Política Nacional de Recursos Hídricos. como organizações da sociedade civil de interesse público. Ao Ministério do Meio Ambiente são delegadas as competências de planejamento.427. institui e disciplina o instituto da parceria.648 . 9. 1992 Declaração de Dublin. Refere-se à outorga de concessão para o aproveitamento de potenciais hidráulicos.001/90.Crimes Ambientais Lei nº. supervisão e controle das ações relativas às políticas nacionais do meio ambiente e dos recursos hídricos (KETTELHUT et al. Apresenta. MMA. bem como. 1996 Criação da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). 1990 A Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL. Com a criação da Agência Nacional de Águas (ANA). criada pela Lei Federal nº.Estabelece a Política Nacional de Recursos Hídricos.Regulamento do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.

que se traduz em seu próprio espírito. o que pode ser decidido no âmbito de governos regionais e locais. os objetivos. estabelecidos na Lei nº. preconiza a institucionalização de um sistema de gerenciamento integrado. Resumidamente. não será tratado em Brasília ou nas capitais de estados.o reconhecimento do valor econômico da água. dado que serve de base à instituição da cobrança pela utilização dos recursos hídricos. tais como: . em 8 de janeiro de 1997.144 4. . as diretrizes e os instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos do Brasil. na qual tudo quanto pode ser decidido em níveis hierárquicos mais baixos de governo não será resolvido pelos níveis mais altos dessa hierarquia. quebrando qualquer hegemonia de um setor usuário sobre os demais.a adoção da bacia hidrográfica como unidade de planejamento.433/97.a gestão descentralizada e participativa. . Ou seja. normas e padrões de gestão da água universalmente aceitos e praticados. . em que todos os setores usuários têm igual acesso ao uso dos recursos hídricos. a Figura 24 apresenta um quadro esquemático que demonstra os fundamentos.1 Política Nacional de Recursos Hídricos do Brasil A Política Nacional de Recursos Hídricos estabelecida pela Lei n° 9. essenciais para o que se denomina balanço hídrico da área a ser planejada.o reconhecimento da água como um bem finito e vulnerável.433. .a adoção dos usos múltiplos. . descentralizado e participativo. em muitos países. facilitando o confronto entre as disponibilidades e as demandas. 9. incorporando princípios.2. indutor do uso racional desse recurso natural.

UTILIZAÇÃO RACIONAL E INTEGRADA DOS RECURSOS HÍDRICOS. COM VISTAS AO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 3 .PRIORIDADE PARA O CONSUMO HUJMANO E DESSEDENTAÇÃO DE ANIMAIS 4 .OBTER RECURSOS FINANCEIROS PARA OS PROGRAMAS 1 .PREVENÇÃO E DEFESA CONTRA EVENTOS HIDROLÓGICOS CRÍTICOS NATURAIS OU DECORRENTES DO USO INADEQUADO DOS RECURSOS NATURAIS 1 .145 POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS ESTABELECIDA PELA LEI 9. DE AUMENTO DA QUANTIDADE E MELHORIA DA QUALIDADE 5 .GESTÃO SEM DISSOCIAÇÃO DA QUANTIDADE E QUALIDADE 2 .COORDENAÇÃO UNIFICADA 3 . PROGRAMAS E PROJETOS PARA ATENDIMENTO DAS METAS 6 .RECONHECER A ÁGUA COMO BEM ECONÔMICO 2 .OUTROS USOS QUE ALTEREM O REGIME. Fonte: LANNA.ACESSO AOS DADOS E INFORMAÇÕES GARANTIDO A TODA A SOCIEDADE 1 .PRIORIDADES PARA OUTORGA DE DIREITOS DE USO 7 . ARMAZENAMENTO E RECUPERAÇÃO DE INFORMAÇÕES 2 .ANÁLISE DE ALTERNATIVAS DE CRESCIMENTO ECONÔMICO.BACIA HIDROGRÁFICA COMO UNIDADE TERRITORIAL 6 . 9.APROVEITAMENTO DO POTENCIAL HIDRELÉTRICO 5 .ARTICULAÇÃO COM A GESTÃO DO USO DO SOLO 6 .DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO ATUAL DOS RECURSOS HÍDRICOS 2 .BALANÇO ENTRE DISPONBILIDADES E DEMANDAS FUTURAS DOS RECURSOS HÍDRICOS 4 . A QUANTIDADE OU QUALIDADE DA ÁGUA 1 . INCLUSIVE O TRANSPORTE AQUAVIÁRIO. .DIRETRIZES E CRITÉRIOS PARA A COBRANÇA PELO USO DOS RECURSOS HÍDRICOS 8 .ASSEGURAR À ATUAL E ÀS FUTURAS GERAÇÕES A DISPONIBILIDADE E OS PADRÕES DE QUALIDADE 2 . TRATAMENTO.FORNECER SUBSÍDOS PARA A ELABORAÇÃO DOS PLANOS DE RECURSOS HÍDRICOS 1 .DADOS SOBRE DISPONIBILIDADE E DEMANDA DE RECURSOS HÍDRICOS 4 .PROPOSTAS PARA CRIAÇÀO DE ÁREAS DE PROTEÇÃO DE RECURSOS HÍDRICOS 9 .NOS LANÇAMENTOS O VOLUME.433.433/97.INCENTIVAR A RACIONALIZAÇÃO DO USO 3 .ADEQUAÇÃO ÀS DIVERSIDADES DAS REGIÕES 3 .NAS CAPTAÇÕES O VOLUME E REGIME DE VARIAÇÃO 3 . COM PARTICIPAÇÃO DO PODER PÚBLICO. DE VALOR ECONÔMICO 3 .GESTÃO DESCENTRALIZADA. O REGIME DE VARIAÇÃO E AS CARACTERÍSTICAS DO AFLUENTE Figura 24 – Fundamentos. 1999.MEDIDAS.INTEGRAÇÃO COM O GERENCIAMENTO COSTEIRO 7 .EXTRAÇÃO DE ÁGUA DE AQÜÍFERO SUBTERRÂNEO 3 .SUJEITOS À COBRANÇA OS USOS QUE DEPENDEM DE OUTORGA 2 .DAR CONSISTÊNCIA E DIVULGAR DADOS E INFORMAÇÕES 3 . POR ESTADOS E PARA O PAÍS PLANOS DE RECURSOS HÍDRICOS ENQUADRAMENTO DOS CORPOS DE ÁGUAS EM CLASSES DE USO PREPONDERANTE OUTORGA DE DIREITOS DE USO DE RECURSOS HÍDRICOS COBRANÇA PELO USO DOS RECURSOS HÍDRICOS SISTEMA DE INFORMAÇÕES SOBRE RECURSOS HÍDRICOS 1 .RECURSO NATURAL LIMITADO.ARTICULAÇÃO DA UNIÃO COM OS ESTADOS 1 . DOS USUÁRIOS E DAS COMUNIDADES INSTRUMENTOS 1 .DESCENTRALIZAÇÃO DA OBTENÇÃO E PRODUÇÃO DE DADOS E INFORMAÇÕES 2 .ELABORADOS POR BACIAS.DERIVAÇÃO OU CAPTAÇÃO DE ÁGUA 2 . diretrizes e instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos estabelecidos na Lei nº.LANÇAMENTO DE ESGOTOS E RESÍDUOS NOS CORPOS DE ÁGUA 4 . DE 8/1/97 DIRETRIZES GERAIS DE AÇÃO OBJETIVOS FUNDAMENTOS 1 .SISTEMA DE COLETA. DE EVOLUÇÃO DAS ATIVIDADES PRODUTIVAS E DA OCUPAÇÃO DO SOLO 3 .INTEGRAÇÃO COM A GESTÃO AMBIENTAL 4 .GESTÃO DEVE PROPORCIONAR O USO MÚLTIPLO 5 .ÁGUA É BEM PÚBLICO 2 .METAS DE RACIONALIZAÇÃO DO USO. objetivos. ESTADUAL E NACIONAL 5 .ARTICULAÇÃO COM O PLANEJAMENTO DOS USUÁRIOS E COM O REGIONAL.

o SINGREH e suas instâncias de atuação. e tenha instrumentos para o planejamento das águas. Figura 25 – SINGREH e suas instâncias de atuação. 1999).146 4. Estaduais. A Figura 25 ilustra. e Municipais. implementar a Política Nacional de Recursos Hídricos.2 Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Brasil (Lei Federal 9. . esquematicamente. É o mecanismo que promove a dinâmica do arranjo institucional da gestão de recursos hídricos (COIMBRA.CNRH. estabelecidos com o objetivo de executar a Política das Águas.2. arbitrar administrativamente os conflitos relativos aos recursos hídricos. a ANA (Agência Nacional de Águas) e os órgãos dos poderes públicos Federal. ABRH. os conselhos de recursos hídricos dos Estados e do Distrito federal. O Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos – SINGREH tem como objetivo coordenar a gestão integrada das águas. ROCHA e BEEKMAN. através de um modelo de gerenciamento das águas adotado. planejar. o Conselho Nacional de Recursos Hídricos . preservação e a recuperação dos recursos hídricos e promover a cobrança pelo uso da água. regular e controlar o uso. atuação Fonte: Secretaria de Recursos Hídricos – SRH/MMA. os comitês de bacias hidrográficas. cujas competências se relacionem com a gestão de recursos hídricos. Integram o SINGREH.433/97. 1997) Um sistema de gerenciamento das águas é o conjunto de organismos. as agências de água. do Distrito Federal. 2003. agências e instalações governamentais e privadas.

e total falta de mobilização em muitas delas. entre a União. . No intuito de facilitar o entendimento de tais procedimentos. mas o processo de implantação desses sistemas ainda é um grande desafio (NEVES E CORDEIRO NETTO. obedece a um compasso regionalizado de articulações político-institucionais e de mobilização social.147 A implementação dos sistemas nacional. os Municípios. o Distrito Federal e a União já contam com um aparato legal adequado à estruturação de seus sistemas. os Estados. apresentado na Figura 26. distrital e estaduais de recursos hídricos. retrocessos em outras. As características e especificidades regionais têm forte influência sobre esse processo. 2007). o Distrito Federal. Barth (2000) propôs um fluxograma operativo e esquemático do SINGREH com a Agência Nacional de Águas. por isso há avanços significativos em algumas regiões e Estados. Barth (2000) considerava o processo de negociação. os usuários das águas e as entidades civis de recursos hídricos. para a implantação e ao funcionamento regular do Sistema Nacional de Recursos Hídricos. uma tarefa bastante complexa. Quase todos os Estados.

ANA Guias para os Planos de Bacia Delegação ao Estado para Outorgar e Cobrar Convênios de cooperação técnica e financeira ÓRGÃO ESTADUAL GESTOR DE RECURSOS HÍDRICOS FONTES DE RECURSOS FEDERAIS E INTERNACIONAIS Delegação para Instrução da Outorga e Aplicação da Cobrança Contratos de Gestão AGÊNCIAS DE ÁGUA OU DE BACIA Delegação para Instrução da Outorga e Aplicação da Cobrança FONTES DE RECURSOS ESTADUAIS MECANISMOS PARA FINANCIAMENTO DAS INTERVENÇÕES NAS BACIAS HIDROGRÁFICAS Estrutura central conforme Lei 9. 2000). com organização variável. GESTÃO DOS PROJETOS FINANCIADOS .433.148 SISTEMA NACIONAL DE GERENCIAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS SECRETARIAS ESTADUAIS DE RECURSOS HÍDRICOS MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE Convênios de cooperação e assistência SECRETARIA DE RECURSOS HÍDRICOS CONSELHO NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS Representação dos Conselhos Estaduais Arbitramento de conflitos entre os Conselhos Estaduais Articulação para Elaboração do Plano Nacional de Recursos Hídricos. conforme Leis Estaduais Figura 26 – Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos com a Agência Nacional de Águas (BARTH. com base nos Planos Estaduais CONSELHO ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS Diretrizes Gerais para as Guias de Planos de Recursos Hídricos de Bacias Hidrográficas COMITÊS DE BACIAS HIDROGRÁFICAS Diretrizes Específicas para as Guias de Planos de Recursos HÍdricos das Bacias AGÊNCIA NACIONAL DA ÁGUA .433/97 e Leis Estaduais correspondentes Sistemas de Recursos Hídricos. de 8/1/97 Organizações de Bacias Hidrográficas conforme Lei 9.

aprovar o Plano Nacional de Recursos Hídricos. em consonância com as diretrizes do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA. . os conflitos existentes entre os Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos. . com as seguintes atribuições: . 9. em última instância administrativa.612.estabelecer critérios gerais para a outorga de direito de uso de recursos hídricos e para a cobrança por seu uso.deliberar sobre as questões que lhe tenham sido encaminhadas pelos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos ou pelos Comitês de Bacia Hidrográfica. com autonomia administrativa e financeira.aprovar o enquadramento dos corpos de água em classes. . e de acordo com a classificação estabelecida na legislação ambiental. . ao qual cabe decidir sobre as grandes questões do setor. o Conselho Nacional de Recursos Hídricos foi recentemente implantado como órgão máximo normativo e deliberativo. de 8 de janeiro de 1997.aprovar propostas de instituição dos Comitês de Bacia Hidrográfica e estabelecer critérios gerais para a elaboração de seus regimentos.acompanhar a execução do Plano Nacional de Recursos Hídricos e determinar as providências necessárias ao cumprimento de suas metas. Regulamentado por meio do Decreto Federal n° 2. aos consórcios e associações intermunicipais de bacias hidrográficas. . estaduais e dos setores usuários elaborados pelas entidades que integram o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.433. por prazo determinado.deliberar sobre projetos de aproveitamento de recursos hídricos cujas repercussões extrapolem o âmbito dos Estados em que serão implementados. o .arbitrar. . além de dirimir as contendas de maior vulto. de 3 de junho de 1998. em termos administrativos. .delegar.149 O Conselho Nacional de Recursos Hídricos é o órgão deliberativo e normativo mais elevado na hierarquia do Sistema Nacional de Recursos Hídricos. nos termos da Lei nº. . legalmente constituídas. . regionais. .formular a Política Nacional de Recursos Hídricos.promover a articulação dos planejamentos de recursos hídricos nacional.

CTCT . CTPNRH . Uma das câmaras técnicas é a Câmara Técnica de Gestão de Recursos Hídricos Transfronteiriços que enfoca. com função política e administrativa. são públicas e reúnem. 2006). no âmbito de cada bacia hidrográfica (MENDONÇA et al. de setores de usuários.de Educação. . Suas reuniões. ouvido o Comitê de Bacia Hidrográfica respectivo.das Águas Subterrâneas. Mobilização Social e Informação em Recursos hídricos. CTAS . das prefeituras. A composição das Câmaras Técnicas varia de 7 a 17 participantes (sendo um deles o presidente) com mandato de dois anos.de Ciência e tecnologia. (http://www. CTEM . da sociedade civil. como as do CNRH.br). Capacitação.cnrh-srh. de organismos de bacias e entidades técnicas e de pesquisa. no âmbito de uma bacia hidrográfica. O CNRH possui 10 Câmaras Técnicas43 temáticas para tratar de assuntos pertinentes às suas atribuições. cuja competência é prestar apoio administrativo. A Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Recursos Hídricos é exercida pela Secretaria de Recursos Hídricos e Ambientes Urbanos do Ministério do Meio Ambiente.150 exercício de funções de competência da Agência de Água. com o objetivo de subsidiar as decisões dos conselheiros em plenário. pois o comitê é o fórum de decisão. entre conselheiros. CTCOST de Integração da Gestão das Bacias Hidrográficas e dos Sistemas Estuarinos e Zonas Costeiras. da sociedade civil organizada. O comitê de bacia é um ente de Estado. CTGRHT .do Plano Nacional de Recursos Hídricos. responsável pela gestão das águas. cerca de 300 pessoas por mês. 43 Câmaras Técnicas do Conselho Nacional de Recursos Hídricos: CTIL . exatamente. representantes do governo nacional e estadual. usuários e sociedade civil e tem caráter consultivo e deliberativo. constituído por representantes do poder público.de Integração de Procedimentos. colegiado. dos demais níveis de governo (estaduais e federal).de Gestão de Recursos Hídricos Transfronteiriços. técnico e financeiro ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos e coordenar a elaboração do Plano Nacional de Recursos Hídricos e encaminhá-lo à aprovação do Conselho.de Análise de Projetos.. O Comitê de Bacia Hidrográfica é um tipo de organização inteiramente nova na realidade institucional brasileira que conta com a participação dos usuários. as questões pertinentes aos rios transfronteiriços do território brasileiro. CTPOAR . destinado a atuar como "parlamento das águas da bacia". Ações de Outorga e Ações Regulamentadoras.de Cobrança pelo Uso dos Recursos Hídricos.gov.de Assuntos Legais e Institucionais. CTAP . CTCOB . em média. enquanto esta não estiver constituída. É um forum de negociação fundamental nos conflitos da água.

promover o debate das questões relacionadas a recursos hídricos e articular as atuações das entidades intervenientes. ou grupo de bacias ou sub-bacias hidrográficas contíguas. .acompanhar a execução do Plano de Recursos Hídricos da Bacia e sugerir as providências necessárias ao cumprimento de suas metas. se aprovada. .arbitrar. ou de tributário desse tributário. . como órgãos colegiados com atribuições normativas.aprovar seu regimento interno. é submetida ao respectivo Conselho Estadual de Recursos Hídricos que.aprovar o Plano de Recursos Hídricos da Bacia.compatibilizar os planos de bacias hidrográficas de cursos de água de tributários. Aos Comitês de Bacias Hidrográficas compete: . compreendida pela totalidade de uma bacia hidrográfica. .151 A formação de um comitê de bacia é embasada na representatividade dos seus membros. ao ser aprovada é efetivada mediante Decreto do Governador do Estado. obrigatoriamente. . que institui a Política Nacional de Educação Ambiental. assim como a sua atuação baseia-se no princípio da subsidiaridade. será efetivada mediante Decreto do Presidente da República. para a instituição de um Comitê de Bacia Hidrográfica composta por rio de domínio do Estado. . inclusive os relativos aos Comitês de Bacias de cursos de água tributários. . . em primeira instância administrativa. ou sub-bacia hidrográfica de um tributário do curso de água principal da bacia. A proposta de instituição de um Comitê de Bacia Hidrográfica composta por rio de domínio da União é submetida ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos e. As diretrizes de formação e funcionamento dos Comitês de Bacia Hidrográfica estão estabelecidas na Resolução do Conselho Nacional de Recursos Hídricos n° 05.desenvolver e apoiar iniciativas em educação ambiental em consonância com a Lei nº. de 10 de abril de 2000. Caso seja.submeter. os conflitos relacionados aos recursos hídricos. 9.795/99 de abril de 1999.aprovar as propostas da Agência de Água que lhe forem submetidas. os planos de recursos hídricos da bacia hidrográfica à audiência pública. . com o Plano de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica de sua jurisdição. deliberativas e consultivas a serem exercidas na área de sua atuação.

sejam suficientes para a sua autonomia financeira. tais como: .as organizações não-governamentais com objetivos de defesa de interesses difusos e coletivos da sociedade. que os recursos financeiros arrecadados pela Agência de Bacia. A representação dos Poderes Executivos da União. ainda que parcialmente. devendo estar legalmente constituídas para integrarem o Sistema Nacional de Recursos Hídricos. exercem a função de secretarias executivas de seu(s) correspondente(s) comitê(s) de bacia hidrográfica. 9.152 O Comitê de Bacia Hidrográfica é composto por representantes da União. 1999). em sua área de atuação. nos Comitês de Bacia Hidrográfica é limitada a até metade do total dos membros que o constitui. e . servindo como o "braço técnico" do(s) mesmo(s).433/97. especialmente com a implantação do instrumento de cobrança pelo uso dos recursos hídricos. representantes dos usuários das águas da área referida. . . As Organizações Civis de Recursos Hídricos são definidas e reconhecidas como tais na Lei nº. representantes dos Estados e do Distrito Federal.os consórcios e associações intermunicipais de bacias hidrográficas. A criação de uma Agência de Bacia depende da autorização do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.. com atuação comprovada na Bacia. Quando instituídas. Isto é. a representação da União deverá incluir o Ministério das Relações Exteriores e. representantes da Fundação Nacional do Índio . naqueles cujos territórios abranjam terras indígenas. desde que demonstre(m) a sua viabilidade financeira. As Agências de Água têm como área de atuação uma ou mais bacias hidrográficas. e representantes dos Municípios cujos territórios se situem. Distrito Federal e Municípios. locais ou setoriais de usuários de recursos hídricos. As competências primordiais dessas Agências são relativas ao planejamento dos recursos hídricos da bacia e à gerência dos recursos oriundos da cobrança pelo uso da água (KETTELHUT et al.as associações regionais. Nos Comitês de Bacias de rios fronteiriços e transfronteiriços. e representantes das entidades civis de recursos hídricos.FUNAI e das comunidades indígenas. Estados. ou dos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos. mediante solicitação de um ou mais Comitês de Bacia Hidrográfica.

as organizações reconhecidas pelo Conselho Nacional ou pelos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos. 2000). consórcios ou associações intermunicipais em bacias hidrográficas com a finalidade voltada à preservação ambiental. sem fins lucrativos. entre eles. Pode ser reconhecida ou qualificada como Organização Social pelo Poder Público. e é constituída como uma sociedade de natureza civil. de acordo com a Lei n° 9. Influenciados pelos debates e propostas das novas legislações sobre recursos hídricos. em associações de usuários das águas. em algumas regiões do Brasil. Nos anos 80 começaram a funcionar. Os consórcios e associações intermunicipais de bacias hidrográficas poderão receber. em decorrência do aumento dos problemas ambientais e da necessidade de soluções regionais integradas e participativas. os recursos hídricos. transformando-se. definidas na citada lei. 2000). Essa parceria efetiva-se através de contrato de gestão para fomento e execução de atividades específicas e de interesse social. As organizações não-governamentais com objetivo de defesa de interesses difusos e coletivos da sociedade estão aptas a compor o Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hídricos quando o foco de suas ações abrange a defesa de todos os recursos naturais. A associação de usuários. . delegação para o exercício de competências das Agências de Água. que indica a possibilidade de uma parceria entre o Poder Público e a Organização Social. congrega diferentes usuários de recursos hídricos da bacia. essas organizações de bacia hidrográfica (na realidade associações intermunicipais) começaram a ter importância cada vez maior. Utilizando o nome de Consórcio. enquanto estas não tiverem sido constituídas. desenvolvimento econômico e outros objetivos. na prática. proteção dos mananciais. dentre elas a proteção e preservação do meio ambiente (DPI/SRH/MMA.153 . Os Consórcios Intermunicipais e as Associações Intermunicipais de Bacia Hidrográfica são entidades de iniciativa exclusivamente municipal que cumprem finalidades diversas de interesse de duas ou mais municipalidades (MONTICELI. do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. como o nome indica.637/98. a maioria dos consórcios intermunicipais deixaram de ser compostos apenas por prefeituras municipais e passaram a incorporar empresas privadas.

Mesmo preservando sua independência. em caráter normativo. . o controle e a avaliação dos instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos. e instalada em 19 de dezembro do mesmo ano. vinculada ao Ministério do Meio Ambiente. com base nos mecanismos e quantitativos sugeridos pelos Comitês de Bacia Hidrográfica. . apenas. .154 Embora as Organizações Sociais sejam entidades. dos valores a serem cobrados pelo uso de recursos hídricos de domínio da União. A Agência Nacional de Águas (ANA) é uma instituição criada pela Lei no 9. e integra o SINGREH. com retorno ao poder público das competências que lhe foram delegadas. segundo o Decreto nº. controlar e avaliar as ações e atividades decorrentes do cumprimento da legislação federal pertinente aos recursos hídricos.692. o direito de uso de recursos hídricos em corpos de água de domínio da União. Caso não ocorra o cumprimento das metas de desempenho e resultados.984. de 17 de julho de 2000. É uma autarquia sob regime especial. no atendimento aos critérios preestabelecidos. bastante semelhantes às tradicionais entidades privadas declaradas de utilidade pública. a operacionalização. Não estão sujeitas à supervisão ou tutela da Administração Pública respondendo. pelo próprio poder público. com autonomia administrativa e financeira. 3. ou indicação de melhor alternativa. que poderiam diminuir. . seus custos operacionais. pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos. estão aptas a receber contribuições e bens de origem pública. há margem à rescisão do contrato de gestão e ao descredenciamento da associação de usuários.Outorgar. consideravelmente. no plano jurídico. pela execução e pela regulação da aplicação dos recursos e bens públicos vinculados aos contratos de gestão que firmarem com o poder público.Fiscalizar os usos de recursos hídricos nos corpos de água de domínio da União.Elaborar estudos técnicos para subsidiar a definição. não se identificam com elas de modo completo. como entidade federal responsável pela execução da Política Nacional de Recursos Hídricos. a implantação.Supervisionar. . Outra vantagem adicional dessas Organizações Sociais seriam as isenções tributárias e a ausência de finalidade de lucro. com as seguintes atribuições (ANA. por intermédio de autorização.Disciplinar. num certo prazo definido. 2003): .

Estimular a pesquisa e a capacitação de recursos humanos para a gestão de recursos hídricos. distribuir e aplicar receitas auferidas por intermédio da cobrança pelo uso de recursos hídricos de domínio da União.Prestar apoio aos Estados na criação de órgãos gestores de recursos hídricos. . e de controle da poluição hídrica.Definir e fiscalizar as condições de operação de reservatórios por agentes públicos e privados. no âmbito do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. visando a garantir o uso múltiplo dos recursos hídricos. . .Propor ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos o estabelecimento de incentivos. . .Arrecadar.Planejar e promover ações destinadas a prevenir ou minimizar os efeitos de secas e inundações.155 . em articulação com órgãos e entidades públicas ou privadas que a integram. . de alocação e distribuição de água. em consonância com o estabelecido nos planos de recursos hídricos. . à conservação qualitativa e quantitativa de recursos hídricos.Estimular e apoiar as iniciativas voltadas para a criação de Comitês de Bacia Hidrográfica.Promover a elaboração de estudos para subsidiar a aplicação de recursos financeiros da União em obras e serviços de regularização de cursos de água. . em articulação com o órgão central do Sistema Nacional de Defesa Civil. a cobrança pelo uso de recursos hídricos de domínio da União. .Promover a coordenação das atividades desenvolvidas no âmbito da rede hidrometeorológica nacional. . implantar e gerir o Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos. ou que dela sejam usuários. .Implantar. em articulação com os Comitês de Bacia Hidrográfica.Organizar. em apoio aos Estados e Municípios. conforme estabelecido nos planos de recursos hídricos das respectivas bacias hidrográficas. inclusive financeiros.

Estas orientações deverão ser periodicamente reavaliadas. É um processo que permite inserir as mudanças e ajustes de acordo a evolução do desenvolvimento. etc. que se utilizarão dos dados e informações relativas aos usos das águas na bacia. se constituirão no instrumento-base para a implantação dos demais instrumentos da política.2. ações e atividades de curto. conceder outorga. a cobrança pelo uso da água e o sistema nacional de informações sobre recursos hídricos como instrumentos a serem utilizados para o planejamento e gestão das águas no país. às demandas atual e futura. que são elaborados por bacia (ou conjunto de bacias) hidrográfica. e prioridades de usos. não só de atualização e consolidação dos chamados Planos Diretores de Recursos Hídricos. com horizonte de planejamento compatível com o período de implementação de seus programas e projetos específicos. por Estado e para o País. diretrizes. explicitar normas e regras para usuários. em uma bacia hidrográfica. Pelo conteúdo dos planos de recursos hídricos. necessidades de investimentos.3 Instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos São instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos os planos diretores de recursos hídricos. De acordo com Neves & Cordeiro Netto (2007). o Plano é o primeiro instrumento da Política a ser implantado. . médio e longo prazo. 1997) através da elaboração de um documento que apresente as orientações. e manter sob controle o descompasso entre disponibilidades e demandas (ANA. a outorga de direito de uso dos recursos hídricos. orientando a implementação dos demais. O Plano de Recursos Hídricos é o documento programático para o setor. Trata-se de um trabalho extenuante. (ASSUNÇÃO & BURSZTYN. Esses dados e informações deverão servir para definir o enquadramento dos cursos d’água. à sua qualidade. que deverão ser elaborados por bacia hidrográfica. Os Planos Diretores de Recursos Hídricos visam fundamentar e orientar a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos (ABRH. cobrar pelo uso dos recursos hídricos. 2002).156 4. pelos Comitês. 2007). o enquadramento dos corpos d’água em classes de usos preponderantes. Também deverá induzir o fortalecimento das instituições gestoras.

estabelecidas pela Constituição Federal de 1988. o marco referencial legal. contemplando os recursos hídricos superficiais e subterrâneos. as peculiaridades de função do aqüífero e os aspectos de qualidade e quantidade das águas. A Resolução CNRH N° 17 estabelece que os Planos tenham. A Resolução CNRH N° 22. de 30 de janeiro de 2006. a título de sugestão. por meio da Resolução CNRH nº. para o planejamento dos recursos hídricos em bacias de rios de domínio da União. A referida Resolução apresenta. como conteúdo mínimo. configuram-se quatro grupos de planos: o Plano Nacional. metas. de maio de 2002. Portanto. programas e projetos. tem como . estabelece que os Planos considerem os usos múltiplos das águas subterrâneas. a interface dos planos de recursos hídricos com os instrumentos de gestão de águas. um fluxograma do processo de elaboração dos Planos. 58. alternativas de compatibilização. Fonte: ANA. os Planos Estaduais. Em função da dominialidade federal e estadual dos cursos de água.157 A Figura 27 mostra de modo esquemático. é composto pela Lei 9. diagnósticos e prognósticos. 2007. e considerando os três âmbitos geográficos possíveis para o planejamento dos recursos hídricos. os Planos de Bacias de rios de domínio da União e os Planos de Bacias de rios de domínio dos Estados. O Plano Nacional de Recursos Hídricos aprovado pelo Conselho Nacional de Recursos Hídrico. 2007). Cobrança Outorga Diretrizes Diretrizes Planos de Recursos Hídricos Diretrizes Banco de dados Enquadramento Sistema de Informações Figura 27 – Interface dos planos de recursos hídricos com os instrumentos de gestão de águas.433/97 e pelas Resoluções 17 e 22 do CNRH (NEVES & CORDEIRO NETTO. estratégias.

um dos principais temas que pautaram as duas Conferências Nacionais de Meio Ambiente (CNMA) que ocorreram no País. 2006). a percepção da conservação da água como valor sócio ambiental relevante. a redução dos conflitos reais e potencias de uso da água.Panorama e Estado dos Recursos Hídricos do Brasil. objetiva subsidiar o SINGREH na construção do ciclo do planejamento-ação-indução-controleaperfeiçoamento. o PNRH está em fase de detalhamento e de implantação de programas e subprogramas que integram a estrutura programática concebida para o PNRH. ambiental e cultural). envolvendo. o ano de 2005 para que todos os países elaborassem seus planos de gerenciamento integrado dos recursos hídricos. gerenciando as demandas. das populações indígenas e comunidades tradicionais (quilombolas. e em dezembro de 2005 (SENRA & de PAULA. em novembro de 2003. bem como.158 objetivo estabelecer um pacto nacional para a definição de diretrizes e políticas públicas voltadas para a melhoria da oferta de água. pela Agenda da Cúpula de Joanesburgo (Rio + 10). Foi elaborado com ampla participação social. igualmente. cerca de sete mil pessoas. sob a ótica do desenvolvimento sustentável (PNRH. um elemento estruturante para a implantação das políticas setoriais. estaduais e federal. em quantidade e qualidade.etc. dos encontros públicos estaduais e das Comissões Executivas Regionais. extrativistas. . de usuários da água. Atualmente. O Plano Brasileiro foi construído considerando as várias dimensões da água (econômica. III) Diretrizes. e considerando ser a água. pantaneiros. diretamente. em qualidade e em quantidade. de seminários regionais e nacionais. II – Águas para o Futuro: Cenários para 2020. 2006: V4) desenvolvido com uma visão de processo. política. entre representantes de governos municipais. superficiais e subterrâneas.) que participaram das várias oficinas técnicas e setoriais. e dos movimentos sociais. e IV) Programas Nacionais e Metas. Este processo de construção do planejamento estratégico e participativo das águas do Brasil tornou-se. O PNRH (PNRH. dos eventos hidrológicos críticos. ribeirinhos. 2007). não se restringindo apenas ao aspecto hidrológico. e foi consolidado em quatro volumes: I . visando estabelecer os meios às condições para o alcance dos seguintes objetivos estratégicos: a melhoria das disponibilidades hídricas. O Brasil tornou-se o primeiro país da América Latina a concluir seu planejamento estratégico de gestão de águas dentro do prazo estabelecido pela ONU. social. respectivamente.

3. Estudos estratégicos sobre o contexto macroeconômico global e a inserção geopolítica da GIRH no contexto latino-americano e caribenho. segundo suas macro diretrizes.3 “Implementação prática de compromissos internacionais em corpos de água transfronteiriços e desenvolvimento de instrumentos de gestão e apoio à decisão.2. sempre articulados às dimensões global. O primeiro conjunto de macro diretrizes é voltado para algumas variáveis críticas relacionadas à inserção do país no contexto global. de gestão e de intervenção em recursos hídricos. ambientais. compartilhados com países vizinhos” tem as seguintes macro diretrizes: . É considerada a visão integrada e integradora da gestão dos recursos hídricos em função dos aspectos hidrológicos. na gestão de bacias de rios transfronteiriços e fronteiriços. Identificar interesses geopolíticos do Brasil. Estudos estratégicos sobre cenários nacionais de desenvolvimento e impactos regionais que afetam a gestão de recursos hídricos. 1. Especificamente. fronteiriços e de aqüíferos estratégicos. por meio do Programa de Estudos Estratégicos sobre Recursos Hídricos (Programa I) e os seguintes subprogramas: 1. o subprograma 1. o cumprimento de acordos.4. 1. ante suas .159 Em função dos objetivos a serem alcançados. considerando. compromissos e tratados internacionais. organizados em programas e subprogramas do PNRH. Estudos para a definição de unidades territoriais para a instalação de modelos institucionais e respectivos instrumentos de gestão de recursos hídricos. os interesses geopolíticos. latino-americano e caribenho.Promover a gestão conjunta com outros países de rios transfronteiriços. para fins de identificação e acompanhamento de demandas sobre produtos que utilizam água como insumo de produção. 1. foram estruturadas quatro componentes. De acordo com as macro diretrizes definidas no PNRH (2006: V4). compartilhados com países vizinhos.1. 2006: V3). bem como. macrorregional e nacional (PNRH. as questões pertinentes à gestão transfronteiriça de águas é tratada no Componente de Desenvolvimento da Gestão Integrada dos Recursos Hídricos. socioeconômicos e políticoinstitucionais que concorrem para a definição de unidades de planejamento. Implementação prática de compromissos internacionais em corpos de água transfronteiriços e desenvolvimento de instrumentos de gestão e apoio à decisão.

e diminuir os custos de combate à poluição das águas. ou forem insuficientes.160 fronteiras e os países vizinhos. os chamados “usos preponderantes dos recursos” (usos mais exigentes. O enquadramento é um instrumento extremamente importante para estabelecer um sistema de vigilância sobre os níveis de qualidade da água dos mananciais e tem o objetivo de assegurar às águas. Regional ou Nacional e. O enquadramento. .Promover o cumprimento da agenda internacional brasileira. 2002). para a fixação de objetivos no planejamento e gestão da oferta hídrica futura. A Resolução CNRH n° 12/2000 estabelece os procedimentos para o enquadramento dos corpos d’água em classes segundo os usos preponderantes. 4º dessa Resolução. mediante ações preventivas permanentes. segundo os usos preponderantes. o enquadramento deverá ser desenvolvido em conformidade com o Plano de Recursos Hídricos da Bacia e os Planos de Recursos Hídricos Estadual ou Distrital. tendo em vista. que é definida por padrões numéricos e atributos que caracterizam objetivos da qualidade a ser preservada ou recuperada.Estabelecer uma agenda de cooperação científica e tecnológica com os países fronteiriços. trata-se de um instrumento que permite fazer a ligação entre a gestão da quantidade e a gestão da qualidade da água. que tem sido adotado por vários países como um inventário dos cursos de água disponível em uma região. é um instrumento de planejamento. limitantes de qualidade na classe) (ASSUNÇÃO & BURSZTYN. Aliado a isso. qualidade compatível com os usos mais exigentes a que forem destinadas. se não existirem. bem como. considerando a incorporação dos objetivos e das metas estabelecidas pelos compromissos e pelas agendas internacionais que apresentam sinergia com a gestão integrada dos recursos hídricos. 2007). e . segundo Neves & Cordeiro Netto (2007). no que concerne à gestão de bacias hidrográficas no contexto sul-americano. Outro instrumento da Política Nacional de Recursos Hídricos é o enquadramento dos corpos d’água em classes. com base em estudos específicos propostos e aprovados pelas respectivas instituições competentes do Sistema de Gerenciamento dos Recursos Hídricos” (GEO BRASIL RH. De acordo com o art. uma vez que explicita o anseio da sociedade quanto à futura qualidade dos . Esse enquadramento é feito em classes.

as propostas poderão ser elaboradas pelos consórcios ou associações intermunicipais de bacias hidrográficas. Após a realização dessas audiências públicas. que junto a definição de vazões mínimas nos curso de água. Na ausência de Agência de Água. forma a base para o estabelecimento das intervenções. e pela efetivação do enquadramento aprovado. é responsável pela elaboração da proposta de enquadramento aos respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica. A referência normativa das classes dos corpos de água se remete à Resolução CONAMA n° 357/2005 que estabelece a classificação das águas doces. Nessas audiências. com a participação dos órgãos gestores de recursos hídricos e em conjunto com os órgãos de meio ambiente. no âmbito de sua área de atuação. As classes de corpos de água são estabelecidas pela legislação ambiental. deverão ser discutidas todas as alternativas de enquadramento ali contempladas. Essa proposta deve ser apresentada para a sociedade pelo Comitê de Bacia. na forma de audiências públicas.161 cursos d’água da bacia. propostas pelo Plano. A Agência de Água. 2007. Figura 28 – Classificação das águas doces. A Figura 28 mostra um quadro que apresenta a classificação de águas doces conforme seus usos preponderantes. salobras e salinas. e classes de usos preponderantes. de cunho estruturante. segundo classes de usos preponderantes. o Comitê . Fonte: ANA.

informando a situação encontrada e identificando os corpos de água que não atingiram as metas estabelecidas. ou ainda permissão (conforme o caso). deverão encaminhar relatório ao respectivo Comitê de Bacia Hidrográfica e ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos. para atingir essas metas. A cada dois anos. dos Estados ou do Distrito Federal. condicionado à disponibilidade hídrica e ao regime de racionamento. dando o direito de utilização deste recurso. numa determinada bacia ou região hidrográfica. Para o órgão outorgante. ou ao Conselho Estadual ou Distrital de Recursos Hídricos. . em consonância com as Resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente. ao usuário da água. cabe ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Aos órgãos gestores de recursos hídricos e órgãos de controle ambiental competentes cabem monitorar.a derivação ou captação de parcela de água existente em um corpo hídrico. controlar e fiscalizar os corpos de água para avaliar se as metas do enquadramento estão sendo cumpridas. ou concessão. a outorga é um instrumento de controle de uso dos recursos hídricos. com o objetivo de assegurar o controle quantitativo e qualitativo dos usos da água e o efetivo exercício dos direitos de acesso à água. avaliar e determinar as providências e intervenções necessárias. Quando as metas estabelecidas pelo enquadramento dos corpos d’água em classes segundo usos preponderantes não forem alcançadas. sujeitando o outorgado à suspensão da outorga. que deverá ser submetida para aprovação ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos. e as respectivas causas pelas quais não foram alcançadas. ou ao respectivo Conselho Estadual ou do Distrito Federal. deferida por autoridade competente do Poder Executivo Federal. para consumo final. com base no relatório e sugestões encaminhadas pelo respectivo Comitê de Bacia Hidrográfica. Os usos dos recursos hídricos que estão sujeitos à outorga são: I .162 selecionará uma dessas alternativas. inclusive abastecimento público ou insumo de processo produtivo. II – a extração de água de aqüífero subterrâneo para consumo final ou insumo de processo produtivo. ou ao Conselho Estadual ou Distrital de Recursos Hídricos. no âmbito do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. O instrumento da outorga de direito de uso dos recursos hídricos é ato administrativo de autorização. nas condições e no período de tempo estabelecidos e expressos no respectivo ato. de acordo com a esfera de competência.

tanto do ponto de vista de volume quanto de carga poluente. a quantidade ou a qualidade da água existente em um corpo d'água. e III . há necessidade de se conhecer os usos atuais das águas da bacia hidrográfica. tratados ou não. com o fim de sua diluição. captações e lançamentos considerados insignificantes. tais como: I . Caso a outorga seja implantada antes da formulação dos planos de recursos hídricos de bacias hidrográficas. análise técnica e emissão de parecer sobre os pedidos de outorga de uso dos recursos hídricos. de enquadramento. estes deverão considerar as outorgas existentes. disponibilizada para outros usos que não comprometam a sobrevivência de espécies de animais e vegetais dos ecossistemas. Quando houver agências de água. em forma de Fluxograma.o uso de recursos hídricos para a satisfação das necessidades de pequenos núcleos populacionais distribuídos no meio rural.outros usos e/ou interferências. ainda. pela autoridade outorgante. A sistemática operacional da concessão da outorga de direito e de uso de recursos hídricos é apresentada.o uso para fins de aproveitamento de potenciais hidrelétricos. também. 44 Critérios específicos de vazões ou acumulações de volumes de água consideradas insignificantes serão estabelecidos nos planos de recursos hídricos.o lançamento em corpo hídrico de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos. e V . transporte ou disposição final. a quantidade de água que poderá ser.as derivações. o poder outorgante pode delegar às agências o exercício das atividades de recepção dos requerimentos. em suas correspondentes áreas de abrangência. Dessa forma. situados em suas respectivas áreas de atuação. na Figura 29. IV . Para a concessão de outorga. e não inviabilizem os usos múltiplos da água da bacia. e recomendar às autoridades outorgantes. a implantação desse instrumento fica comprometida quando não há planos de recursos hídricos e. quando for o caso. que alterem o regime. a realização de ajustes e adaptações nos respectivos atos. na inexistência destes.163 III . Usos e acumulações de recursos hídricos considerados insignificantes independem de outorga.as acumulações de volumes de água consideradas insignificantes44. devidamente aprovados pelos correspondentes comitês de bacia hidrográfica ou. . II .

Os critérios gerais para a concessão da outorga foram regulamentados através de Resolução do CNRH nº16/2001.164 Discretização da bacia e definição de pontos característicos Avaliação das disponibilidades hídricas naturais Cadastro de usuários e de demandas hídricas Projeção de usos e de demandas de água Priorização de usos e de demandas de água Estabelecimento de critério de outorga de uso de água Não. Um exemplo é o caso do Acordo de Cooperação Técnica entre o Governo do Brasil e do Uruguai para o Aproveitamento de Recursos Naturais e o Desenvolvimento da Bacia do Rio Quaraí (Acordo. para definir a quantidade máxima a ser distribuída entre os usuários irrigantes (ANA. em 1997). 2000. e Ajuste. conforme as especificidades locais. 2007). em 1991. Os critérios técnicos a serem observado na análise de pedidos de outorga em lagos. reservatórios e rios fronteiriços e transfronteiriços estão em normativo complementar. 65/2007 que se estabelecem as diretrizes de articulação dos procedimentos para obtenção da outorga de direito de uso de recursos hídricos. estabelecido pela Resolução da ANA nº. mas é na Resolução do CNRH nº. passível a ajustes. A referida Resolução não exime o outorgado do cumprimento da legislação ambiental. 467/2006. . Fonte: MMA/SRH. com os procedimentos de licenciamento ambiental. mas priorização está correta Reavalia prioridades Não Simulação hidrológica e análise de resultados Atende às expectativas? SIM Implementa e monitora Figura 29 – Fluxograma da sistemática operacional da concessão da outorga de direito de uso de recursos hídricos.

e a não implantação dos outros instrumentos do PNRH (planos de recursos hídricos. o abastecimento das populações. a outorga e um sistema de informações de recursos hídricos) são fatores que têm gerado problemas na implantação do instrumento da cobrança. O princípio combina a exigência de eficácia (internalização dos efeitos externos) e eqüidade (imputação do custo ao responsável). e deverão ser utilizados para: 45 O princípio poluidor-pagador começou a ser adotado pelos países-membros da OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico) no início da década de 70 (BURSZTYN. no sistema de preços (CORDEIRO NETTO. enquadramento dos corpos d’água segundo os usos preponderantes. A falta dessas estruturas institucionais (comitês de bacia hidrográfica e agências de bacia). Conforme previsto na Lei nº. há necessidade de informações sobre os usuários. enquanto. sem que houvesse a correspondente contabilização da perda coletiva gerada por isso. serviços e obras de recursos hídricos e saneamento básico. 1994). necessariamente. o instrumento mais polêmico da Política Nacional de Recursos Hídricos. . Nos termos conceituados pela OCDE. essencialmente. 1999). na bacia hidrográfica em que esses foram gerados. Para a efetiva implantação da cobrança pelo uso de recursos hídricos. as Agências de Bacias. a falta da regulamentação da Política Nacional de Recursos Hídricos (que vem acontecendo por meio de Resoluções do Conselho Nacional de Recursos). nos países industrializados. projetos. podem efetuar a cobrança pelo uso de recursos hídricos. 9. os recursos arrecadados com a cobrança devem ser aplicados. mediante delegação do outorgante. incentivar a racionalização do uso. a recuperação e preservação da quantidade e da qualidade para garantir. após constatação de que o uso intenso dos recursos naturais nas atividades de produção e consumo. prioritariamente. segundo BURSZTYN (1994). A sugestão de valores a serem cobrados é de competência dos Comitês de Bacia Hidrográfica. obter os meios financeiros para a realização de programas. A cobrança pelo uso e aproveitamento da água é sustentada pelo princípio poluidorpagador e usuário-pagador45. prioritariamente. estava ocasionando a degradação desses recursos. Isto significa que os custos de tais medidas devem. sem dúvida. a qualidade e a quantidade das águas que são retiradas e devolvidas aos corpos d’água. O objetivo deste instrumento é. as diretrizes e os critérios de cobrança. repercutir no custo dos bens e serviços que dão origem à poluição. que devem constar nos planos de recursos hídricos.165 A cobrança do uso de recursos hídricos é. custos esses determinados pelo poder público para manter o meio ambiente em estado aceitável. bem como. o princípio poluidor-pagador estabelece que ao poluidor devem ser imputados os custos necessários à prevenção e ao combate à poluição.433/97.

O sistema de informações sobre recursos hídricos contém os dados gerados pelos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos com o objetivo de reunir.a implantação e custeio administrativo dos órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (para essas despesas. há uma resistência à aplicação da cobrança. No Brasil.em projetos e obras que alterem. procedimentos técnicos e administrativos para a execução desse instrumento. só poderão ser utilizados até sete e meio por cento). a quantidade e o regime de vazão de um corpo de água. nas negociações. as Bacias dos Rios Paraíba do Sul. Os princípios orientadores para o funcionamento do Sistema de Informações sobre recursos hídricos são: a descentralização da obtenção e a produção de dados e informações. Essa situação evidencia a necessidade em dar ampla visibilidade à sociedade sobre a cobrança pelo uso dos recursos hídricos. Piracicaba. antes de serem estabelecidos mecanismos legais. estão na base de dados de todos os Estados que participam da implantação desse Sistema. de modo considerado benéfico à coletividade. As informações detalhadas. programas. como usuários e provedores. por parte dos usuários de recursos hídricos. e . Vale ressaltar que a cobrança é considerada um preço público em retribuição pelo uso de um bem público. dar consistência e divulgar os dados e informações sobre a situação qualitativa e quantitativa dos recursos hídricos. no Brasil. nas discussões e nas decisões sobre o gerenciamento dos recursos hídricos. e.166 . em todo território nacional. .o financiamento de estudos. atualizar permanentemente as informações sobre disponibilidade e demanda de recursos hídricos. projetos e obras incluídas nos Planos de Recursos Hídricos. os usuários e os diversos segmentos da sociedade de informações necessárias para a efetiva participação no planejamento. No Brasil. que compõem o Sistema de Informações sobre recursos hídricos. Capivari e Jundiaí já operam o instrumento da cobrança pelo uso e aproveitamento dos recursos hídricos. a . fornecer subsídios para a elaboração dos Planos de Recursos Hídricos. pois o entendimento é que esse instrumento econômico de gestão de um recurso natural seja um novo imposto do governo. de forma geral. provendo os gestores. a qualidade.

494 estações evaporimétricas 57 272 Nº.072 5. O Sistema de Informação é imprescindível para as fases de implantação das proposições estabelecidas. A Lei das Águas (Lei 9. subsidiando decisões a cerca da gestão dos recursos hídricos. devido ausência de previsão legal para essa finalidade.355 estações fluviométricas 1. interpretados e difundidos.167 coordenação unificada do Sistema. de estações inventariadas 24. suas sanções não contemplam privação de liberdade. entre todos os segmentos interessados. em janeiro de 2007 é demonstrada na Tabela 5 a seguir. e. as ações fiscalizadoras se darão em parceria com os órgãos estaduais.680 Nº.297 estações com sedimentometria 536 204 estações com qualidade de água 624 1. que tem como objetivo assegurar que os dados coletados pela Rede Hidrológica Nacional sejam. devido seu caráter preventivo.433/97) define as infrações e penalidades relacionadas ao uso dos recursos hídricos.118 329 TOTAL 1. podendo haver convênios específicos para realização de “denúncias qualificadas” e campanhas conjuntas. Tabela 5 – Situação da Rede Hidrometeorológica do Brasil. em janeiro de 2007. e para a de avaliação e monitoramento da implantação dos demais instrumentos de gestão hídrica. TOTAL 8. porém.984/2000. educativo e participativo. A situação da Rede Hidrometeorológica do Brasil. e nem ao Distrito Federal.717 5. 082/02. Importante destacar a existência da Rede Hidrometeorológica Nacional. As atribuições de fiscalização do uso dos recursos hídricos de domínio da União não são delegáveis aos Estados. 2007.909 3. compete à Agencia Nacional de Águas a tarefa de fiscalizar os usos de recursos hídricos de domínio da União. Entretanto.206 740 2. apenas multas e embargos.301 503 949 De acordo com a Lei n° 9. processados. . Nº. de equipamentos Associados ANA OUTRAS estações pluviográficas 375 926 estações linigráficas 173 330 estações com telemetria 277 672 Fonte: ANA. e a Resolução ANA nº. que regulamenta as ações de fiscalização da ANA. de estações em operação no país ANA OUTRAS estações pluviométricas 2. armazenados. o acesso aos dados e informações garantido a toda a sociedade. efetivamente. sempre que possível.

Figura 30 – Rios fronteiriços do Brasil. todos os rios fronteiriços brasileiros. a Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal nº. com restrição de liberdade dos autores/réus. 9. .168 Contudo. 4. que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. é pautada em normas do direito processual penal. inclusive de caráter repressivo. As Figuras 30 e 31 demonstram. respectivamente.605/98). por meio de duas ilustrações.3 EXPERIÊNCIAS BRASILEIRAS EM ÁGUAS TRANSFRONTEIRIÇAS A Bacia Amazônica e a do Prata são as maiores bacias que abrangem o Brasil e são formadas por inúmeros rios fronteiriços. 2003. Fonte: ANA.

634.169 Figura 31 – Rios fronteiriços d o Brasil. pela Lei Federal nº. No Brasil. 6. a faixa de fronteira interna com os países vizinhos. estabelecida em 150 km de largura. Fonte: ANA. A integração do Brasil à América Latina é uma questão de interesse nacional. . 2003. é paralela à linha divisória terrestre do território nacional. de 2/5/1979. A Figura 32 destaca a zona de fronteira interna do Brasil no contexto das grandes bacias hidrográficas transfronteiriças da América do Sul. e a fronteira territorial compõe as temáticas prioritárias das relações internacionais (BECKER. 2004).

Ressalta que as fronteiras caracterizam-se. Fonte: apud MI. onde podem surgir reações e conflitos de diferentes naturezas.170 Figura 32 – Zona de fronteira interna do Brasil no contexto das grandes bacias hidrográficas transfronteiriças da América do Sul. Becker (2004) afirma que a fronteira pode ser um fator de integração. . 2005. por serem locais de instabilidade e mutabilidade. na medida em que seja uma zona de interpenetração mútua e de constante manipulação das distintas estruturas sócio-políticas e culturais. também.

por meio de sua estruturação física. o desenvolvimento local e a integração da América Latina. foi criado. dos mais diversos. em termos de atividades agropecuárias (criação de gado de corte. gado leiteiro. adotada como estudo de caso desta pesquisa. social.estimular investimentos em arranjos e cadeias produtivas prioritários para o desenvolvimento sustentável de regiões menos dinâmicas. para o enfrentamento das desigualdades intra e inter-regionais.171 Diante disso e. O Programa de Desenvolvimento da Faixa de Fronteira. maconha e contrabandos. apesar de não focar as águas fronteiriças e transfronteiriças. . e por conflitos envolvendo a população indígena e fazendeiros.articular investimentos de infra-estrutura econômica para apoiar o processo de integração nacional. com ênfase na ativação das potencialidades locais.articular a questão da soberania nacional com o desenvolvimento regional. e na articulação com outros paises da América do Sul. 2005). especialmente. mandioca) (MI.promover a convergência das políticas públicas setoriais. A região do Cone Sul-Mato-Grossense é conhecida na mídia pelas maiores e sucessivas apreensões de cocaína. social e econômica. o “Programa de Desenvolvimento da Faixa de Fronteira”. institucional e cultural. O Programa de Desenvolvimento da Faixa de Fronteira pretende atingir os seguintes objetivos (MI. está inserida no Cone Sul-Mato-Grossense. resultarão em impactos nas águas inseridas na faixa de fronteira. na faixa de fronteira. A região é uma das mais ricas do Brasil. visando à inserção social e econômica das populações locais. . considerando a diversidade socioeconômica e cultural da região. . . em diversas escalas espaciais. A bacia hidrográfica.promover a implementação das potencialidades endógenas. buscando a otimização dos benefícios sociais deles decorrentes. soja. considerada uma das sub-regiões mais complexas e desafiadoras da Faixa de Fronteira do território brasileiro. direta ou indiretamente. propõe ações que. 2005): . . em sua dimensão econômica. com a pretensão de promover o desenvolvimento da faixa de fronteira brasileira. no Brasil.

.172 A Figura 33 apresenta a faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul e a localização do Rio Apa. 2005. Rio Apa Figura 33 – Faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul com a localização do Rio Apa. Fonte: MI.

à jusante. a possibilidade de ampliação de Acordos Bilaterais do Brasil com o Paraguai é densa. . O Brasil participa ativamente de importantes fóruns e iniciativas internacionais que tratam dos recursos hídricos. o posicionamento nacional em relação à temática dos recursos hídricos tem sido em busca do estabelecimento da relação de cooperação com os países vizinhos. de diferentes formas. .173 Em função do potencial de desenvolvimento dessa região de faixa de fronteira. a conservação e a gestão dos recursos ante os problemas ambientais que os afetam. o Brasil procura contribuir para uma análise mais ampla dos problemas e dos desafios da gestão de recursos hídricos. 2007): . e à montante. o Brasil sempre buscará negociações que envolvem rios internacionais para o campo dos tratados bilaterais. tais como (ANA.a partir de um compartilhamento das informações técnicas de apoio ao fortalecimento da capacitação técnica das instituições. O Paraguai é o segundo maior parceiro comercial do Brasil na América Latina. de ambos os lados da fronteira. seja no aprimoramento de suas políticas internas. seja na expansão de suas experiências e práticas de gestão de recursos hídricos. As relações bilaterais entre os dois países. No contexto internacional. basicamente. em busca da efetiva articulação e benefícios mútuos dos países. . melhorando assim. De acordo com ALEMAR (2006). tem duas grandes “âncoras” à integração física: a ponte sobre o Rio Paraná e a obra da Hidrelétrica Itaipu que gera 22% da energia utilizada em todo o Brasil (MI. na região sulamericana. devido à importância dos recursos hídricos nas políticas de desenvolvimento (ANA. devido ao fluxo das águas diferentes da Bacia Amazônica e da Bacia do Prata (respectivamente . Essa forma cooperante visa buscar a segurança ao acesso à água por parte das pessoas mais vulneráveis. comerciais. nas relações bilaterais. 2005). em busca do fortalecimento das posições tais como: a universalização do acesso à água. principalmente.na priorização de ações e projetos que contemplem as bacias dos rios fronteiriços e transfronteiriços. a quantidade. 2007). e o grau de previsibilidade dos fluxos que atravessam os diferentes países. Da mesma forma. a qualidade.na contribuição com a discussão da gestão integrada dos recursos hídricos. apesar de se concentrarem em questões. a importância econômica e. no Brasil).

(www. já foram negociados vários instrumentos. culturais e ambientais. por exemplo. no qual os recursos hídricos são um dos temas em pauta (SENRA e PAULA JUNIOR. O governo brasileiro também promove ações como o de reforçar e reconhecer a Resolução aprovada pela Assembléia das Nações Unidas. num acordo internacional multilateral. a que o Brasil tenha aderido”47.PDF. que tratem das especificidades de cada região. políticos. que envolvem águas transfronteiriças. Brasil. sociais. 2008). projetos e ações envolvendo questões hídricas fronteiriças e transfronteiriças que foram e são realizados com a colaboração e cooperação brasileira. alguns já foram mencionados no capítulo 2 deste trabalho. por tratados bilaterais.174 Tal situação geopolítica faz com que seja defendido o posicionamento de que não se pode. a Década Brasileira da Água46. assim como assegurar a ampla participação e cooperação das comunidades voltadas ao alcance soa objetivos contemplados na Política Nacional de Recursos Hídricos. e Uruguai).br/legisla/br_decreto_decada_agua.br/legisla/br_decreto_decada_agua.cnrh-srh. dos quais se destaca o Acordo-Quadro sobre Meio Ambiente48. Argentina. em todos os níveis.gov.208. PDF>. no contexto de suas estratégias internas e à uniformização dos procedimentos adotados. com vigência no mesmo período (2005-2015). e sim. . Há inúmeros programas. acordos e resoluções. entre os quais.gov.cnrh-srh. em termos econômicos. cuja tomada de decisão sobre o foco a ser desenvolvido cabe a cada país membro. acesso em 12 de outubro de 2007) DECRETO nº. programas e projetos relativos ao gerenciamento e uso sustentável da água. Algumas dessas experiências resultaram em tratados e acordos. Fonte de Vida”. com o objetivo de “ promover e intensificar a formulação e implementação de políticas. ou estabelecidos em convenções. que trata do Decênio Internacional para a Ação: “Água. definir regras uniformes para o manejo e o planejamento destas áreas hidrográficas. 5. são o Tratado de Cooperação Amazônica (Rio Amazonas) e o Tratado da Bacia do Rio Prata (com Bolívia. Os principais tratados de cooperação assinados pelo Brasil. em 22 de março de 2005. de 17 de setembro de 2004. de 1992 e analisarão a possibilidade de instrumentalizar a aplicação dos princípios da referida Declaração. ao decretar. no âmbito do MERCOSUL. Uruguai) reafirmam seu compromisso com os princípios enunciados na Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. declara que os Estados Membros (Argentina. envolvendo os Rios 46 47 48 Disponível em: <http://www. Em importantes instâncias promotoras da integração continental. Paraguai. Paraguai.

e anexo ao Tratado. 52 Em julho de 1977.240. que é a entidade responsável pela execução desse Acordo. disposição de resíduos sólidos urbanos da cidade de Artigas (Uruguai). a referida Comissão encontra dificuldades institucionais e financeiras para o cumprimento de suas competências. como mínimo. entre o Brasil e o Uruguai. uso intensivo da água para plantios irrigados (FORATTINI. 2002). Brasil e Uruguai celebram o Tratado de Cooperação para o aproveitamento dos recursos naturais e o desenvolvimento da Bacia da Lagoa Mirim. Os principais conflitos pelo uso dos recursos hídricos são relacionados ao comprometimento da qualidade da água por efluentes domésticos. o racional e eqüitativo manejo. de 4 de junho de 2002. também. tem o Brasil como país signatário49. Para a implantação do Acordo do Quaraí. e do Acordo de Cooperação da Bacia do Rio Quaraí51 e Tratado da Lagoa Mirim52.175 Paraguai. e seus respectivos Projetos Pilotos e Prioritários. entre outros. por parte dos países amazônicos. e declarações. Na Amazônia. a flora e a qualidade das águas dos citados rios. entre os organismos competentes das Partes.br/camaras/GRHT) DECRETO nº. A Bacia do Prata conta com o Programa Marco para a gestão sustentável dos recursos hídricos da Bacia do Prata. há a previsão da consolidação de uma Comissão Mista Brasileiro-Uruguaia para o Desenvolvimento da Bacia do Rio Quaraí53 (CRQ). Outros tantos acordos multilaterais e bilaterais.mre.PDF>. os esforços para a operacionalização do Tratado do Rio Uruguai e do seu afluente o Rio Peperiguaçu50. a fauna.htm) 51 DECRETO n° 657. Neste contexto incluem-se. aprova o regimento interno da seção brasileira da comissão mista brasileiro-uruguaia para o desenvolvimento da bacia da lagoa mirim. Disponível em: <http://200. recuperação e conservação dos recursos hídricos da bacia (KETTELHUT.199.201/camaras/GRHT/itemizacao/Brasil_Uruguai_tratado_protocolo_lagoaMirim_rioJaguarao _1977. de 24 de setembro de 1992.gov.cnrh-srh. as atuais condições de salubridade na área de influência dos aproveitamentos que se projetem. . e tem a incumbência de coordenar. com relação aos efeitos da variabilidade e mudança climática. construção de dique no rio Quaraí. promulga o Acordo de Cooperação para o Aproveitamento dos Recursos Naturais e o Desenvolvimento da Bacia do Rio Quaraí. assinam um Protocolo para o Aproveitamento dos recursos hídricos do trecho limítrofe do rio Jaguarão. atenuação dos efeitos das cheias extraordinárias e utilização racional de suas águas para usos conjuntivos. Na prática. promulga o Tratado para realizar o aproveitamento dos recursos hídricos compartilhados nos trechos limítrofes dos rio Uruguai e de seu afluente o rio Pepiri-Guaçu. aproveitamentos hidrelétricos. de 29 de junho de 1983. 49 50 (http://www. uso de agrotóxicos e desmatamentos. chancelados pelo Brasil.gov. melhoria das condições de navegabilidade do rio Uruguai naquele trecho. Paraná e Uruguai. 53 Decreto Federal nº 4.441. a iniciativa de maior relevância é o Projeto GEF Amazonas. Os projetos e obras a serem executados terão presente a necessidade de preservar o meio ambiente. sob a ponte internacional. utilização. que preparará um programa de ações estratégicas para a gestão de água. embasado em uma visão compartilhada e consensual da Bacia Amazônica. (http://www2. Vale destacar. 2003).258.br/dai/b_argt_186_691. evitar sua contaminação e assegurar. 88.

br/delibera/mocoes/aprovadas/m029_Quarai_LagoaMirim--. 29.Brasil.176 O Conselho Nacional de Recursos Hídricos. com o registro e divulgação das lições aprendidas. Brasiléia. de 15/03/2005. recomenda a implantação do Projeto Piloto de Gestão Integrada e Sustentável de Recursos Hídricos e Ambiental nas Bacias Transfronteiriças da Lagoa Mirim e do Rio Quaraí. que surgiu de demandas apresentadas. dos três países. no contexto das tarefas desenvolvidas pela Câmara Técnica de Gestão de Recursos Hídricos Transfronteiriços do CNRH. realizado em Cobija. As atividades direcionadas ao fortalecimento do CONDIAC culminaram com a estruturação do Comitê de Fronteira da Região MAP.gov. Cobija.cnrh-srh. com origem na Amazônia. Os aspectos legais desse processo precisam ser analisados e discutidos pela sociedade e pelos governos regionais. Por isso. por meio da Moção nº. do Estado do Acre (Brasil) e do Departamento de Pando (Bolívia). Outra experiência de ações em águas transfronteiriças no Brasil é relativa à proposta do Programa de Gestão Integrada da Bacia Trinacional do Alto Rio Acre. o mesmo não foi colocado em prática54. formado por cinco municípios de cada país (CONDIAC: Assis Brasil. O Comitê Trinacional de Fronteiras da Região MAP constituir-se-á em um fórum de discussão para assuntos de interesse comum. composto pelos municípios peruanos de Iñapari. pelas comunidades regionais do Departamento de Madre de Dios (Peru). facilitar e fortalecer ações conjuntas. Há intenção de sistematização desta experiência. Apesar do MAP ser reconhecido como uma experiência única de integração trinacional. a região é designada como “Região MAP”. com a criação do Consórcio de Desenvolvimento Intermunicipal do Alto Acre e Capixaba-CONDIAC. no III Fórum MAP. As ações na Bacia Trinacional do Alto Rio Acre iniciaram-se em 2003. esse processo de integração está em fase de implantação. para apoiar. pela MANCOMUNIDAD TAHUAMANU: Bolpebra. Bella Flor. para promover a geração de processos similares em outros espaços 54 (http://www. Las Piedras e Puerto Maldonado). Capixaba. mas até o presente momento.PDF) . com vistas ao desenvolvimento sustentável da região. San Lorenço. Epitaciolândia e Xapurí . em 2004. Ibéria. Filadélfia e Porvenir-Bolívia e pelo Consórcio AMFROMAD. e é pauta do Grupo de Trabalho do Rio Acre. em 2002.

Acesso em: 19 de novembro de 2007. . no Mato Grosso do Sul (POTT. Foram identificadas 11 sub-regiões de pantanais no território brasileiro cujas características são determinadas. com intuito de fortalecer o processo de integração do MAP55. principalmente.3. que conta com a anuência dos países latinoamericanos e caribenhos: a “Estratégia Comum entre os Países da América Latina e Caribe para o Gerenciamento de Recursos Hídricos”. que contribuirá com o cumprimento dos objetivos decorrentes de acordos e declarações. 55 Disponível em: <http://mapamazonia. ou regional.1 Bacia do Alto Paraguai – BAP A Bacia do Alto Paraguai é um sistema hídrico que abriga o Pantanal. Y. a maior área continental de áreas alagáveis do mundo. O comportamento hidrológico da Bacia do Alto Paraguai.php?option=com_content&task=view&id=17>. é fator determinante na dinâmica do meio ambiente regional. já firmados ( SENRA.177 transfronteiriços e em outras regiões na Bacia Amazônica. de expressão global. Esse comportamento produz importantes modificações na física do sistema fluvial e nas bacias (PCBAP. pelas sub-bacias que correm suas águas para o Rio Paraguai. & MEDEIROS. 1997). no município de Porto Murtinho. V. tanto no Planalto. quanto no Pantanal. de afluente em afluente. em 2005. Para melhor caracterizar os processos envolvidos e suas aplicações sobre a preservação e o desenvolvimento da bacia.. reconhecida internacionalmente pela riqueza de sua biodiversidade e pela singularidade de seus ecossistemas. 2008). Por iniciativa do governo brasileiro.net/minimap_bacia/index. foi desenvolvida uma estratégia regional para o gerenciamento dos recursos hídricos. 2007). 4. no contexto do Projeto DELTAmérica Desenvolvimento e Implementação de Mecanismos para Disseminar Experiências e Lições Aprendidas em Gestão Integrada de Recursos Hídricos Transfronteiriços nas Américas e no Caribe (GEF/PNUMA/OEA). é necessário separar a ocorrência média sazonal das variabilidades interanuais. O Rio Apa faz parte da BAP e do Pantanal.

fica retida pelas depressões. ao entrarem no Pantanal. Negro. decorrente da brusca mudança de declividade. Negro e Miranda. pelo fundo para o lençol freático.178 O Rio Paraguai e seus principais afluentes escoam do planalto para a região plana denominada Pantanal. a capacidade de evaporação nessa região é alta devido ao clima que mantém. Além disso. Sepotuba e Apa. Em associação a esse fenômeno. formam uma paisagem de pequenos lagos que se interligam nas águas altas e que represam a água depois que os níveis do rio principal baixam. sendo que. Essas isoietas variam de no máximo 2. e os Rios Taquari. Cuiabá. observa-se uma distribuição de precipitação com gradientes no sentido planalto para a planície. ocorrem extravasamentos de volumes para o leito maior. o fundo desses lagos tende a possuir baixa capacidade de infiltração. Miranda.000 mm até cerca de 1. também. Grande parte do volume do hidrograma de montante. o assoreamento no leito e uma perda de poder erosivo que se traduzem por uma seção transversal menor que a do estirão a montante. os Rios Cuiabá (MT). Piquiri. o volume de água retido nas depressões diminui. que extravasa para o leito maior. situados na divisa MT-MS. Durante as enchentes. De acordo com a magnitude das enchentes. que não têm ligação superficial com o leito menor de drenagem principal do Pantanal. no Mato Grosso do Sul e são os principais afluentes que atravessam o Pantanal. sofrem uma drástica redução de velocidade. São Lourenço. sob efeito da evaporação desses lagos e da infiltração. como as seções a jusante no Pantanal têm uma capacidade de escoamento menor que a montante.000 mm. São Lourenço e Piquiri. Conjugada a essas condições morfológicas. quando cheias. cuja declividade é muito baixa e a capacidade de escoamento muito pequena. sendo pequeno o volume de transferência através da água subterrânea. . ocorrem a deposição de sedimentos. Aquidauana. Durante o período em que os rios permanecem nos limites do seu leito médio e não ocorrem precipitações. são atingidas áreas com maiores ou menores extensões. Devido ao depósito de material fino. Esses rios. Taquari. A planície pantaneira é ocupada por um grande número de depressões que. altas temperaturas durante praticamente o ano todo. como sedimentos e matéria orgânica. trazidos em suspensão pelo escoamento. Os principais tributários do Rio Paraguai são os Rios Jauru.

e no Seminário de Ações Estratégicas para a Gestão Integrada Transfronteiriça na Bacia do Alto Paraguai. em função da assinatura do Acordo de Cooperação do Apa e as possibilidades de sua implantação. entre Brasil e Paraguai. na cidade de Bela Vista. com a Bolívia. em Mato Grosso do Sul. realizado em 11 e 12 de setembro de 2003. “Projeto GEF Pantanal/Alto Paraguai” teve como área de abrangência a Bacia do Alto Paraguai. Por se tratar de um projeto brasileiro. Serão analisados os aspectos legais e institucionais. Mato Grosso do Sul. ou simplesmente. nos dias 21 e 23 de julho de 2004.179 O Programa de Implementação de Práticas de Gestão Integrada dos Recursos Hídricos no Pantanal/Alto Paraguai. . todos os investimentos e esforços resultaram em produtos apenas do território brasileiro e os mapeamentos da Bacia do Alto Paraguai não incluíram os territórios que a compõe no Paraguai e na Bolívia. O Projeto GEF Pantanal/Paraguai contou com a participação ativa de representantes do Paraguai e da Bolívia em dois eventos: no Seminário Internacional para a Gestão Integrada da Bacia Transfronteiriça do Rio Apa. a participação da sociedade no processo de gerenciamento hídrico na Bacia. em Corumbá. As especificidades da Bacia do Apa serão abordadas no capítulo seguinte.

têm colaborado para a gestão dos recursos hídricos transfronteiriços nessa Bacia. serão abordadas as características hídricas e os aspectos socioeconômicos. informais e as ações que. . histórico-culturais.180 5 ESTUDO DE CASO: BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO APA Este capítulo trata da caracterização da Bacia do Apa. 2008. Figura 34 – Localização da Bacia do Apa Fonte: BROCH et al. Para isso. das estruturas formais. os aspectos legais e institucionais. direta ou indiretamente. a identificação dos conflitos existentes e potenciais pelo uso da água.. A Bacia do Apa se localiza entre territórios do Paraguai e do Brasil. e a análise das questões político-institucionais consideradas pertinentes. conforme o demonstrado na Figura 34.

latitude 21˚00’00’’ S e 22˚30’00’’S e longitude 55˚30’00’’W e 58˚00’00’’W. Piripucu. em março de 2008. e os Córregos Tuna. entre os territórios de Mato Grosso do Sul e os Departamentos Paraguaios de Amambay e Concepción. Caracol.1 CARACTERIZAÇÃO DA BACIA DO RIO APA O significado da palavra Apa vem do guarani Apa’a – estrada sombreada por densa vegetação56 – e é o nome que foi dado ao rio utilizado como uma das principais vias pelos povos que habitavam a região do seu entorno. A Bacia Hidrográfica do Apa possui características singulares por ser transfronteiriça.72% no Departamento de Amambay. dependendo assim. Ita e Estrelita (SEMA. da gestão cooperativa. . que se traduz em “uma alameda feita de água e de frondosas ingazeiras”. e 6. Estrelinha. A Figura 35 demonstra a Bacia do Apa no território brasileiro e paraguaio. Alegre. com 15. Tereré. Horácio dos Santos Braga (DLE/CCHS/UFMS).181 5. em especial. Sua rede hidrográfica é formada pelos Rios Apa.28% no Departamento de Concepción. e 22% em território paraguaio. Estrela. 2005). A Bacia do Apa está localizada entre as coordenadas geográficas. O Rio Apa percorre uma região fronteiriça por mais de 500 km.000 km². Nunca-Te-Vi. do seu curso hídrico principal (Rio Apa). Perdido. onde 78% da sua área estão em Estado de Mato Grosso do Sul. Possui área de drenagem de aproximadamente 17. entre o Brasil e o Paraguai. Gandaleão. Apa Mi. desde outros tempos. A maior parte da superfície de ocupação da Bacia do Apa está em território brasileiro. 56 Segundo informação pessoal do prof.

Bela Vista: Possui todo seu território na Bacia do Rio Apa que abastece sua população e da cidade gêmea Bella Vista. no Paraguai. também. No Os municípios brasileiros da Bacia do Apa (MEDEIROS. no Estado de Mato Grosso do Sul. Jardim: Contribui com pequenos córregos de águas cristalinas.7 p. são: Antônio João. afluente do Rio Paraguai. com águas lentas que transbordam na época das cheias. inclusive na área do entorno da nascente do tio Apa. O município abriga. tornando as águas cristalinas. A partir daí. fato que motivou a criação de uma Área de Preservação Ambiental. Localizada no planalto e afetada pela erosão e assoreamento. afluente do Rio Paraná. de 80 mil hectares. ao desaguar. começa a se formar a região de pantanais da bacia. eucalipto e pasto para pecuária extensiva). Sua área urbana também é distante da área de influencia da Bacia do Apa Porto Murtinho: Município onde se localiza a foz do Rio Apa. 57 . a nascente do Rio Miranda. Bonito: Possui sua área urbana distante da sua área de influência da Bacia do Apa. também.. Nessa região há intensa atividade econômica do setor agropecuário( cana. o Rio Perdido que.182 Figura 35 – Bacia do Apa em territórios brasileiro e paraguaio Fonte: BROCH et al. forma a Cachoeira do Apa. Jardim. Ponta Porã e Porto Murtinho. Caracol. Caracol: Pequeno município onde nasce o Rio Caracol que o atravessa. Os municípios57 que integram a Bacia do Rio Apa. Bonito. é uma região bastante conhecida por acolher a comunidade do Desbarrancado. Pelo seu território percorre. Há assoreamento devido ao demasiado desmatamento na região. soja. as áreas de Chaco brasileiras e parte da Serra da Bodoquena. 2007. 39): Ponta Porã: O Rio Apa nasce neste município no distrito Cabeceria do Apa. Abriga a nascente do Rio Perdido e parte das formações calcáreas na região da Serra da Bodoquena. Antônio João: Abriga as nascentes dos Córregos Estrela e Estrelita. 2008. o destacamento Militar da região e o Parque Natural das Cachoeiras do Apa. Apesar de distante do centro urbano. e a nascente do Rio Dourados. Bela Vista. localizadas próximas ao centro urbano de Antônio João.

47 1.82 182. cuja população se dedica.30 100.00 31.55 Perdro Juan 5.31 3.60 5.20 100.56 47.04 San Carlos 1. San Lázaro. Concepción.30 435.20 4.946.73 Jardim 2. com economia voltada à produção de cimento.242. San Lazaro.16 2.18 1.181.72 3.84 Ponta Porã 5. Departamentos e Municípios que compõe a Bacia Hidrográfica do Rio Apa. .Municípios -PY Superfície total Superfície na Porcentagem Porcentagem PARAGUAI (km2) bacia (km2) na bacia (%) da bacia (%) Concepción 18.50 12. a comunidade fica próxima à foz do Apa na confluência com o Paraguai.908. 2005).39 78.60 287.183 Paraguai.29 Amambay 12. Também faz divisa com o município de Antônio João na altura do córrego Estrela.99 15.606.87 6. inclui os municípios de.141. Pedro Juan Caballero – O núcleo urbano desse município faz divisa direta com a cidade de Ponta Porã.42 1. A área da bacia abriga terras altas da Bacia do Apa região conhecida como Cordilheira de Amambay.359.71 7.30 224.91 Bela Vista 4. Tabela 6 – Área de ocupação dos Estados. 2004.57 4.01 8. No Paraguai: Bella Vista – Cidade gêmea com a Bela Vista brasileira capta suas águas diretamente do leito do Rio Apa. Essa é a maior unidade de conservação de Cerrado do planeta e abriga as últimas porções desse bioma no Paraguai.79 Departamentos .16 12.387.08 4. Possui uma densidade demográfica de aproximadamente 10 hab/km². San Lázaro – O Rio Apa nessa região tem praias de areias brancas.30 2. e Vallemí. uma área de transição com o Chaco.90 2. nas áreas dos Departamentos de Concepción e Amambay.049.00 Fonte: ANA.34 23.947.70 895.670. cidade que depende de San Lázaro. San Carlos. A Tabela 6 apresenta um quadro com a área de ocupação dos Estados.782.06 8.87 Antônio João 1. Belén.00 Sul Porto Murtinho 17.70 866.41 78.96 San Lázaro 1.568.135.908.41 13.272.06 1. Yby Yaa' u.43 Bonito 4.43 Caracol 2.617.79 2.16 630. Horqueta.53 100.17 Caballero Total 15.72 Bella Vista 3. Estado .641.97 15.946.00 18.92 13.35 6.BRASIL Municípios -BR Superfície total Superfície na Porcentagem Porcentagem (km2) bacia (km2) na bacia (%) da bacia (%) Mato Grosso do 357.50 3. San Carlos. Abriga grutas calcárias apreciadas pelo turismo na área da de Vallemi.73 75.081.43 5. dos Departamentos e dos Municípios que compõe a Bacia Hidrográfica do Rio Apa.484. Bella Vista e Pedro Juan Caballero (ANA.28 Concepción 9. San Carlos – Também às margens do Apa esse povoado tem seu território no Departamento de Concepción.22 513. com terras próximas dos limites do Parque Paso Bravo. Loreto.207.378.04 1. O Departamento de Concepción é composto pelos territórios dos Distritos de Concepción.

e à produção de soja. Possui uma densidade demográfica de aproximadamente 9. Escobar e Abbate (2008) afirmam que o território é constituído de diferentes ecorregiões que se convergem entre si da seguinte forma: o Cerrado ao oeste.035 69.306 13.408 ALTO PARAGUAI PARANÁ Fonte: SEMA/FEMAP. contribuindo para a existência de grande biodiversidade. suas sub-bacias e respectivas áreas. e a Mata Atlântica à leste. No Paraguai.419 2. a oeste.698 4. guardando muitas relações com as duas grandes bacias hidrográficas que o compõe: a do Rio Paraná.854 11. Bella Vista e Capitán Bado. em território brasileiro.219 19. e do Rio Paraguai. 2000. BACIAS SUB-BACIAS ÁREA (km2) Apa Miranda Correntes Nabileque Rio Negro Taquari Amambaí Aporé Iguatemi Ivinhema Pardo Santana Sucuriú Quitéria Verde 18. às margens do lado esquerdo da Bacia do Apa. A Tabela 7 apresenta as duas grandes bacias hidrográficas de MS. Em termos geomorfológicos e de recursos naturais. O Departamento de Amambay é composto pelos Distritos de Pedro Juan Caballero.797 38.19% ao ano e que . o Mato Grosso do Sul apresenta paisagens bem distintas. com crescimento estimado de 1.8 hab/km².462 496 24.323 47. Na Região Hidrográfica do Apa.678 47. de erva mate.923 9. o Pantanal ao norte.959 37. à produção de gado bovino e ovino. à produção agrícola. em especial.387 27. e faz divisa fronteiriça com o Estado de Mato Grosso do Sul por meio da Serra de Amambai. o Departamento de Concepción abriga remanescentes de matas que garantem a conservação das águas. soja e trigo.184 fundamentalmente.475 mil habitantes. Especialmente. cuja população se dedica. Tabela 7 – Áreas das sub-bacias hidrográficas do Estado de Mato Grosso do Sul. a leste. vive uma população de aproximadamente 159. dos solos. trigo e cana de açúcar. principalmente. a segurança alimentar e a geração de recursos econômicos à população da região.

especialmente. Em relação aos tipos de solo. mineração. A vegetação na Bacia do Apa se destaca pelas savanas Arbórea Densa.185 destinam 44% de suas águas para dessedentação animal. Podzólico Vermelho-Amarelo eutrófico. pois basicamente. e 2% para uso em área rural (ANA. 5. seguida pela agricultura. 1982 /RADAMBRASIL. Também são desenvolvidas as atividades de apicultura. Arbórea Aberta. Acompanhando o curso do Rio Apa. 28% para uso urbano. f. Solo Litólico eutrófico. piscicultura. afetada pela conversão em pastagens. é voltada para produção ao mercado local (SILVA. Podzólico Vermelho-Amarelo álico. que é a principal atividade econômica da região (SEMA. Regossolo álico. 23% para irrigação. Terra Roxa Estruturada latossólica. 3% para indústria.1. as classes de maior dominância são: Plintossolo Solódico. extração de argila para cerâmica. A cobertura vegetal vem sendo. Solonetz Solodizado (BRASIL. . e algumas iniciativas florestais de plantio de eucalipto visando à extração de essências. Solonetz Solodizado e Podzólico Vermelho-Amarelo e seus usos são destinados a pastagens naturais (PCBAP. 1997).1 Aspectos socioeconômicos A principal atividade na região da Bacia do Apa é a bovinocultura de corte. A Tabela 8 apresenta dados dos principais produtos agrícolas produzidos em território brasileiro da Bacia do Apa. a partir de sua nascente: Latossolo Roxo eutrófico. de gramíneas exóticas. no período de 2000 a 2006. significativamente. 21). 2008). verifica-se que na Bacia do Apa. 2005). para a criação de bovinos. em menor escala. Gramíneo-Lenhosa e Estépica. 2004).

há a produção de rapadura da cana de açúcar. harmonizado nas políticas tarifárias. armazéns e secadores de grãos.200.08 % 19. 2008). em território brasileiro.893 1.70 % (tonelada) Fonte: PERH. com o objetivo de criar um bloco econômico dos países da América do Sul.372 10.91 % Soja em grão (tonelada) 32. no período de 2000 a 2006. Tabela 9 – Dados da produção animal na Bacia do Apa.87 % 6. frequentemente.02 % 4.38.03 20 . não foi celebrada a harmonização documental dos serviços públicos almejados (SILVA. Na Tabela 9 é apresentado os dados da produção animal na Bacia do Apa.908 3. As iniciativas industriais ainda são rudimentares e escassas.03 % 22. Apesar da proximidade geográfica da região da Bacia do Apa com os países que fazem parte do MERCOSUL.15 % Cana-de-açúcar (tonelada) 107 2.092 4. 2008.141. 58 O Rio Apa é.06 % 0.09 % Mandioca (tonelada) 4. no turismo de compras de artigos importados no Paraguai.798 30. de cabeças) Rebanho bovino Suínos Frangos Fonte: PERH.208 35.366 38. indústrias misturadoras de sal mineral.04 % -94.690 48. na época da Guerra do Paraguai. dada a forte participação do setor da pecuária de corte (SILVA. 935. nas águas cristalinas das áreas calcáreas da Serra da Bodoquena.94 % Sorgo granífero em grão 160 47 . e no turismo histórico cultural calcado nas evidências da Guerra do Paraguai 58. no período de 2000 a 2005.38 % 90.924 11. iniciado em 1990. citado como marco geográfico e de passagem de viajantes e das tropas.62 % 1.34 % caroço (tonelada) Arroz em casca (tonelada) 1. Produção Animal Ano 2000 Ano 2005 Taxa de Taxa de crescimento crescimento anual no período (nº.03 8.213 65.79 % 105.18. frigoríficos e abatedouros. Produção Ano 2000 Ano 2006 Taxa de Taxa de crescimento anual crescimento no período Algodão herbáceo em 358. .1% 34. tratamento do couro e confecção de artefatos de montaria e acessórios. de cabeças) (nº.430 61.104 4.297 10. o processamento da lã da criação de ovelhas. no período de 2000 a 2005.21 % 597.470 12. Além de atividades na área de cerâmica.94 % Milho em grão (tonelada) 14.964.70.186 Tabela 8 – Principais produtos agrícolas produzidos em território brasileiro na Bacia do Apa.02 % A atividade turística é embasada no cenário exuberante da Serra de Maracaju. 2008). em território brasileiro. sanitárias e burocráticas. 2008.50 % .

As famílias que vieram a formar as grandes fazendas de gado. 2008). com a chipa59 e sopa paraguaia60. Devido a isso. que juntavam as famílias de várias fazendas para as festas. Influenciaram a população local com inúmeros elementos. sentados em círculos. Mazurca e a Palomita. Tereré é um mate gelado. 2008). o povo da fronteira do Apa tem forte influência do povo paraguaio mesclado às características dos indígenas e espanhóis. 62 Bailes: Além da polca paraguaia. A roda de tereré: consiste em passar a bebida “tereré” de um para o outro. é freqüente encontrar. Ainda hoje. na culinária. e ao longo do século XX.2 Aspectos histórico-culturais A região da Bacia do Apa foi palco de guerras e disputas entre as tribos indígenas das etnias Guarani. a partir da chegada dos espanhóis. devido às condições de produção e exploração dos recursos naturais. bem como o Chamamé e a Guarânia. milho. e ainda hoje. É um costume oriundo dos índios guaranis que detinham o conhecimento tradicional de extrair a erva mate nativa. Nesse cenário de diversidade cultural. cebola e queijo.1. Tal influência está evidenciada nos hábitos diários da população. outras danças fazem parte da cultura fronteiriça como o Chupim. Payagua. com as festas do laço e com as exposições agropecuárias (MEDEIROS. como o gosto pelo churrasco. completada pela miscigenação existente. como as festas de devoção aos santos. nas estradas da Bacia do Apa. enquanto conversam e se distraem. portugueses e migrantes vindos de vários lugares do Brasil. tentam preservar tradições herdadas da época dos carros de boi. servido num chifre de boi e sorvido com uma bomba. . pelo chimarrão (mate quente sorvido com uma bomba na cuia).187 5. nas rodas de tereré61. Após a Revolução Federalista. depois de reabastecido com água gelada. em especial do sul (MEDEIROS. os gaúchos migraram para a região do Apa. destaca-se o peão pantaneiro e o seu trabalho de conduzir o gado do lombo do seu cavalo. que contribuíram para a formação cultural das populações da região. as comitivas com os peões vestidos conforme a tradição: calças largas. no fim da Guerra do Paraguai. Muitos conquistadores e posseiros vieram constituir o mosaico cultural da região. Sopa paraguaia: bolo de fubá. Guaycuru e Terena. na música e na língua falada. utilizaram a mão-de-obra paraguaia em suas fazendas. nos bailes62. inclusive no Pantanal. bota de 59 60 61 Chipa: rosca de polvilho e queijo.

188 bico fino. Comenta que. numa região conhecida como Cabeceira do Apa.1. até sua desembocadura no Rio Paraguai. os cultivos tomaram o lugar das pastagens que. inúmeros grupos de emigrantes brasileiros e as influências globais deste século.. onde os jovens. “. que para se livrar das terras alagadas. nos sons dos carros a beira das ruas principais dos municípios do Apa. com influência da cultura paraguaia. matéria prima do chá. . que fica entre as cidades de Antonio João e Bela Vista. os traços culturais da população do Apa. Por muito tempo. as cidades brasileiras da Bacia do Apa têm cultura ruralista própria. do arado e da tecnologia aplicada que substitui.. na Serra de Maracaju. que é considerada um dos idiomas nacionais do Paraguai. ao mesmo tempo em que conservam o gosto pelo tereré e pela polca paraguaia. Com o passar das décadas.3 Características hídricas O Rio Apa nasce no Estado de Mato Grosso do Sul.” 5. o ciclo econômico da erva mate definiu os investimentos e as relações socioculturais da região. Os guaranis deixaram marcas culturais nos povos da região. essa paisagem foi redefinida com a introdução do trator. Lentamente. passa a formar a linha de fronteira entre Brasil e Paraguai. estão afoitos para ouvir músicas eletrônicas e os sertanejos modernos. resultam numa população. conduz o gado. a cobertura vegetal natural por espécies exóticas que incrementaram o setor da pecuária (SILVA. Assim. do mate e do tereré. numa altitude de 600 metros. Silva (2008) observa que. foi introduzida a produção de soja e milho. rapidamente. lenço na cintura e chapéu. haviam tomado o lugar das terras de ervais. A partir de Bela Vista. com um idioma português cravejado de estrangeirismo em forma de expressões idiomáticas em castelhano e guarani. junto aos campos nativos. paraguaios. 2008). em Mato Grosso do Sul. evidenciada pela própria língua guarani. nas áreas com clima e solos favoráveis. por paraguaios e brasileiros dessa parte da fronteira com o Brasil. e é falado com freqüência. resultado da miscigenação com os indígenas. nos dias atuais. cobertos por “barba de bode”. tocando berrante. que serviam de pastagem natural para criação extensiva de gado de corte. por sua vez.

é monitorada em seis pontos de amostragem.708. em km². A partir da vazante Sanga Funda.000 A qualidade das águas da Bacia Hidrográfica do Apa. o Rio Apa tem a maior parte do seu curso em regiões montanhosas.458.” A Bacia do Apa é dividida em nove microbacias que são descritas na Tabela 10. .000 1. A Figura 36 demonstra o mapa da Bacia do Apa com a localização dos pontos de monitoramento de qualidade de águas. que servem de berçário para os peixes recém-nascidos.747.000 2. assim como seus principais afluentes. que as denomina de acordo com suas respectivas áreas de abrangência. descrevem que “Além de muitos corixos e pequenas ‘brotas d’água’.000 1.948.Os Rios Caracol e Perdido.189 Estudos elaborados pela Secretaria do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul. extravasa. devido às suas águas cristalinas – em função do calcário existente na região – que precipita rapidamente qualquer sujeira para o fundo. os Rios Perdido e Caracol. em território brasileiro.000 2. no território brasileiro. tornando-se um rio com corredeiras e cachoeiras.254.423.000 1.213.000 1. inundando cerca de 200 quilômetros quadrados. km² 1. torna-se um rio de planície mais lento e. formam verdadeiros aquários naturais ao longo de seus trajetos. ampliando a largura de seu leito de 40 metros a 70 metros para 160 metros.000 1.000 829. semelhantes aos rios da região de Bonito.486. facilmente visíveis a quem os visitam. em época de enchente (outubro a março). Tabela 10 – Micro bacias da Bacia do Rio Apa e respectivas áreas de abrangência em km² Nome Sub-bacia Nascente Apa Alto Apa Médio Apa Baixo Apa Alto Perdido Baixo Perdido Caracol Estrela Piripucu Fonte: ANA. 2004.

Fonte: Thais Caramori. Na foz do Rio Apa A jusante da foz do Rio Caracol A jusante do perímetro urbano da cidade de Bela Vista A montante do perímetro urbano de Bela Vista Como resultado dos trabalhos desse monitoramento da qualidade de águas. há uma proposta de enquadramento64 dos corpos d’água brasileiros da Bacia do Apa. 63 . (Engenheira Agrônoma). efetuado pelo órgão ambiental de Mato do Sul. 9/10/200763 Tabela 11 . em território brasileiro.Locais dos pontos de amostragem para o monitoramento da qualidade das águas na Bacia do Rio Apa. no território brasileiro. Rio Paraguai Rio Paraguai Rio Apa Rio Apa Rio Apa Rio Apa Na confluência com o Rio Apa A jusante do perímetro urbano da cidade de Porto Murtinho.190 Figura 36 – Localização dos pontos de amostragem de qualidade de águas existentes na Bacia do Apa. [Mapa não publicado]. 2005. em território brasileiro. Campo Grande: 9 de outubro de 2007. Thaís Caramoni. Ponto de amostragem Corpo d’água Localização 00MS26AP 2000 00MSPA2060 00MS26AP2000 00MS26AP2161 00MS26AP 2273 00MS26AP2276 Fonte: SEMA. Localização dos pontos de amostragem de qualidade de águas existentes na Bacia do Rio Apa.

O mesmo estudo apresenta valores considerados altos de parâmetros relativos à presença de sólidos. entre ≥ 0. bem como os padrões de emissão dos efluentes. para a região do Apa. DQO e coliformes. no Paraguai.191 Os principais contribuintes da Bacia do Rio Apa têm suas nascentes. no lado do território brasileiro. também. bem como. ocorre um fenômeno natural de deterioração da qualidade da água. nitrogênio. 64 DELIBERAÇÃO CECA/MS N°003. de 20 de junho de 1997: Dispõe sobre a preservação e utilização das águas das bacias hidrográficas do Estado de Mato Groso do Sul. e no planalto de Antônio João. devido aos efeitos da erosão. de acordo com estudos realizados pela Agência de Cooperação do Japão (JIICA). 65 No Pantanal. acima dos valores considerados aceitáveis no Paraguai. de 18 de junho de 1986. A concentração de DBO (em vazão média) na Bacia do Apa. devido ao fenômeno da dequada65 (PERH. Contribui para isso. em regiões de planalto e serranas. que isoladamente. o parâmetro de OD. é entre ≥ 5 e < 8. Numa avaliação hidrológica preliminar (ANA. 2008).3 e < 0. que proporcionam a sua aeração (SEMA. e de fósforo. em 50 % das situações amostradas. apesar do índice de qualidade de água ser considerado ótimo e bom. apesar de receber despejos de origem doméstica. a análise dos parâmetros isolados de DBO e fosfato total não atendem às legislações ambientais brasileiras. no Mato Groso do Sul. duas zonas de alimentação da bacia puderam ser identificadas: no planalto. Isto faz com que. em toda extensão do Rio Apa. não atende aos padrões de qualidade. próximo de Itaporã. essas águas são classificadas como de qualidade ótima e boa. os volumes de água. foram indicados os níveis piezométricos e linhas principais de fluxo subterrâneo do Arenito Botucatu (Aqüífero Guarani) para o Estado de Mato Grosso do Sul. como resultado da intensa ocupação da região das nascentes. e grande parte de sua extensão. e estabelece o enquadramento dos corpos d'água da Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai em Mato Grosso do Sul e do córrego Imbiruçu pertencente à Bacia Hidrográfica do Rio Paraná. e foi constatado que. ou seja. Escobar e Abbate (2008) afirmam que.5. . denominado regionalmente de "dequada". em classes de uso. a presença pontual de fósforo. o Rio Apa apresenta visível alteração na cor e na turbidez da água. 2004). observadas as disposições constantes da Resolução CONAMA nº 20. 2005). com a presença de corredeiras e cachoeiras. e as próprias condições hidráulicas dos corpos d’água. com destaque à região da Bacia do Apa. A Figura 37 mostra as áreas de afloramento do Aqüífero Guarani. relacionado à decomposição da grande massa orgânica que ocorre no início do processo de inundação do Pantanal e dependendo da magnitude pode provocar mortandade massiva de peixes. especialmente. Foi observado.

Braga & Silva (2008). constataram que nos municípios brasileiros da Bacia do Apa. ou diretamente. na Bacia do Apa. Os dados médios de atendimento dos serviços de saneamento na unidade territorial brasileira. estão apresentados na Tabela 12. . 2004. por meio de ligações clandestinas. resumidamente. nem todos os domicílios são atendidos por esse serviço.192 Bacia do Apa Figura 37 – Áreas de afloramento do Aqüífero Guarani no Estado de Mato Grosso do Sul Fonte: adaptado de ANA. ao coletarem dados sobre as condições do saneamento básico na Bacia do Rio Apa. de acordo com estudos do PERH (2008). nos canais de drenagem de águas pluviais. em cursos de água. Nos demais. o que resulta no lançamento de dejetos no solo (por fossas sépticas). somente Bonito tem 100% do seu esgoto tratado.

Porto Murtinho tem um complexo sistema de drenagem. que resultam na contaminação das águas. Na cidade de Antônio João. em função do dique. Na Bacia do Apa. intensamente. somente as dos municípios de Bonito e Porto Murtinho estão sendo operacionalizadas. afluentes do Rio Apa. 66 UPL – Unidade de Processamento de Lixo: usina de seleção de resíduos sólidos aproveitáveis para reciclagem de pequeno porte. com o assoreamento dos Córregos Bugre e Estrela. . a erosão das rodovias não-pavimentadas contribui. ≤ 20 % > 40 % e ≤ 60 % > 60 % e ≤ 80 % O sistema de drenagem dos municípios da Bacia do Apa. a água acumulada no entorno da cidade. Foi observado que o lixo hospitalar tem sempre o mesmo destino final do lixo doméstico (BRAGA & SILVA. e agrava. As cidades de Bela Vista e de Caracol sofrem com inundações em áreas urbanas no período de chuvas. incluindo um dique que impede que o Rio Paraguai inunde a cidade nos períodos em que o rio tem seu nível mais alto do que a cidade. na proliferação de vetores e em perigos à saúde pública. A queima dos resíduos é uma prática comum para afastar vetores. todos os municípios destinam seus resíduos sólidos a lixões construídos sem os devidos critérios técnicos de preservação ambiental.193 Tabela 12 – Dados médios de atendimento dos serviços de saneamento na unidade territorial brasileira da Bacia do Apa Índice de coleta de esgotos Índice de tratamento do esgoto coletado Cobertura de serviços de coleta de lixo Fonte: PERH. No entanto. 2008). deixa a desejar. 2008. quase sempre. Apesar de cada município. o problema de inundações nos centros urbanos e o assoreamento dos cursos d’água. reduzir o volume do lixo e para separar o metal dos demais resíduos. muitas vezes. do lado brasileiro. recebe o esgoto de ligações clandestinas. contar com uma UPL66 (Unidade de Processamento de Lixo).

Na SEMAC. e responder pela estruturação. a Superintendência de Meio Ambiente e Recursos Hídricos tem como função elaborar a proposta do Plano Estadual de Recursos Hídricos. das Cidades. do Planejamento. coordenar a implantação dos planos. em consonância com a Política Nacional de Recursos Hídricos. é de âmbito federal e estadual. de 3 de janeiro de 2007. no âmbito estadual. e.4 Aspectos Institucionais e Legais No território brasileiro da Bacia do Apa incidem os dispositivos estabelecidos na Lei Federal 9. Ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul . dispõe sobre a competência e aprova a estrutura básica da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. e seus tributários são de domínio estadual. programas e projetos de recursos hídricos 67 DECRETO ESTADUAL nº 12. propor diretrizes para a implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos. a antiga SEMA. coordenar e gerir o Sistema Estadual de Recursos Hídricos.231. e promover a implantação dos instrumentos da Política de Recursos Hídricos. No Brasil. compete executar o monitoramento ambiental dos recursos hídricos.433/97. e apoiar a criação e manutenção de comitês de bacias hidrográficas. que instituiu a Política Estadual de Recursos Hídricos e criou o Sistema Estadual de Gerenciamento dos Recursos Hídricos de Mato Grosso do Sul. do Planejamento. controlar os planos.1. do ar. e os dispositivos da Lei Estadual 2.194 5. da Ciência e Tecnologia . 12. o Rio Apa é de domínio da União. que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos e o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. na Bacia do Apa. e propor normas de estabelecimento de padrões de controle da qualidade das águas. dos recursos florestais e faunísticos.SEMAC67 coordenar e executar a política de meio ambiente e fazer cumprir as legislações vigentes sobre essa atividade. conforme as respectivas atribuições. . No Estado de Mato Grosso do Sul. de 3 de janeiro de 2007 Dispõe sobre a estrutura básica e a competência do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul – IMASUL. programas e projetos de recursos hídricos implantados e executados pelo Estado. compete à Secretaria de Estado de Meio Ambiente. manutenção e divulgação das informações de interesse deste Sistema. do solo. 68 DECRETO ESTADUAL Nº.230. que incluem as competências municipais no gerenciamento de uso e ocupação do solo e do saneamento. da Ciência e Tecnologia – SEMAC . das Cidades. a atuação institucional.IMASUL. ou seja. órgão também vinculado à SEMAC68.406/ 2002.

supõe-se que a SEMAC seja o órgão gestor da Política Estadual de Recursos Hídricos. no que se refere à poluição hídrica. por meio da SUPEMA. Bodoquena e Guia Lopes da Laguna. qualidade e uso das águas de domínio do Estado. uma vez que este Instituto. no território brasileiro. cursos. gincanas. . Prevenção de incêndios florestais. sindicatos e cooperativas de produção e de crédito. coordenar. As entidades mais representativas do setor rural. mais afetas às políticas estaduais de meio ambiente. Bela Vista. atualmente. Porto Murtinho. Fiscalização de atividades poluidoras. por intermédio da 4ª Companhia de Polícia Militar Ambiental. fluvial Acompanhamento das atividades que utilizam ou exploram recursos naturais. implementação e execução da Política Estadual de Recursos Hídricos. teatro de fantoches. Educação Ambiental em escolas. observa-se que não há uma definição clara das atribuições da SUPEMA (Superintendência da SEMAC) e do IMASUL em relação às competências para a gestão. museu ambiental. exposições. e apoiar a criação e manutenção de comitês de bacias hidrográficas. Vistoria e lacre de pescado. Jardim. realizando Fiscalização as seguintes (lado atividades: Brasil). feiras e criação de materiais educativos. Entende-se que as atribuições do IMASUL. não caberia ao IMASUL a coordenação e a gerência do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos. projetos e ações inerentes à gestão e à consolidação da Política Estadual de Recursos Hídricos e de seus instrumentos. Patrulhamento Policiamento terrestre repressivo (ostensivo/preventivo). Atua por meio da sua Gerência de Recursos Hídricos para executar os programas. De acordo com a legislação estadual vigente. A sociedade ruralista se organiza em associações. Caracol.195 implantados e executados pelo Estado. Porém. e o IMASUL o órgão executor desta Política. controlar e supervisionar as atividades de controle e fiscalização preventiva e corretiva dos vários segmentos socioeconômicos. não faz parte do Sistema. normativamente. e as da SEMAC e sua subordinada SUPEMA carecem de clareza quanto às suas competências estaduais para a gestão de recursos hídricos no Mato Grosso do Sul. Com isso. são os Clubes de Laço e os Sindicatos Rurais. imediato (flagrante). efetua suas ações nos municípios de Bonito. A Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul. particularmente. realizar em conjunto com a Gerência de Apoio Operacional à execução da fiscalização e o monitoramento da quantidade.

o Ministério das Relações Exteriores do Paraguai iniciou negociações bilaterais com autoridades brasileiras para a solução desse problema. no território brasileiro. por meio de cursos ministrados. Uma das denúncias69 de bombeamento ilícito de água do Rio Apa. que operavam a extração ilegal de água do Rio Apa. Acesso em: 20/07/2007. criou o Conselho de Águas da Bacia do Apa. dias de campo. por produtores brasileiros.br/ler. nas palestras. que traz noções de boas práticas na atividade agropecuária. pelo SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). e cumprimento de 500 metros. de educação ambiental. ocorreu em setembro de 2005. como possível gerador de graves alterações e desequilíbrios ecológicos na Bacia do Apa. como as leis de avaliação de impacto ambiental. através de imagens de satélites. por vezes. e inovações pra a produção sustentável (SILVA. Após a retirada dos tubos. principalmente.supema. irrigando áreas de propriedades rurais. assim como. O MRE do Paraguai atuou ativamente na Bacia do Apa devido às denúncias realizadas sobre a extração irregular de água do Rio Apa. Disponível em: <http://www. Essa situação violava os tratados internacionais e a legislação ambiental do Paraguai. as instituições governamentais paraguaias. para irrigação de lavouras no lado brasileiro. empenhadas na gestão de águas da Bacia do Apa são o Ministério de Relações Exteriores (MRE) e a Secretaria do Ambiente (SEAM). Esse fato foi considerado. feiras agropecuárias e exposições. notícia do dia 12 de setembro de 2005.gov. por meio de tubos de 1. Escobar e Abbate (2008) afirmam que. mediante as atribuições estabelecidas pela Resolução 170/06. foi efetuada pela Secretaria do Ambiente do Paraguai. pelas autoridades paraguaias. .py>. que se tem conhecimento.ms. por produtores rurais de Bela Vista. O governo paraguaio constatou que a água estava sendo extraída com motores.5 metros de circunferência.abc. acesso em 2 de outubro de 2007.com. 2008). ao constatar.196 Nesses locais de Clube de Laço e nos Sindicatos Rurais são difundidas as tecnologias de interesse do setor ruralista. 69 Ver notícia dia 19/9/2005 no site (http://www. de pesca e outras relacionadas aos recursos hídricos.php?id=556). que inclusive. Outra denúncia70. o desvio de vários cursos de água tributários e afluentes do Rio Apa. 70 ABC Digital [jornal online].

612 hectares. 2003. . bem como a Secretaria do Ambiente do Paraguai. completamente. e possui uma extensão de 93. contando com a participação de mais de 200 pessoas (ESCOBAR e ABBATE. em nível global. e das diversas instituições públicas e privadas que trabalham na região do Parque. no território do Departamento de Concepción. O Parque Nacional Paso Bravo está localizado. e ao sul do Rio Apa. na Bacia do Apa. na zona de amortecimento do Parque Nacional Paso Bravo há cinco fazendas para criação de gado e quatro 71 Para a elaboração do Plano de Manejo foram realizados seminários com ampla participação dos atores locais. Foi criado em 1998. 2008). Esquematicamente. a leste do Rio Paraguai. 1853/06) e é a maior área protegida de Cerrado. O Parque Paso Bravo conta com plano de manejo71 (Resolução SEAM nº. Conforme informações da ONG Paraguay Silvestre (2007). numa área importante. a organização nãogovernamental AlterVida realiza ações do componente de biodiversidade do Plano de Manejo do Parque Nacional Paso Bravo. na margem esquerda da Bacia do Apa. 2008). a Figura 38 demonstra a localização e a área de incidência do Parque Nacional Paso Bravo.197 Com atuação intensa. em termos de aporte e manutenção do regime hidrológico da Bacia do Apa. autoridades departamentais e municipais. Vegetação de Floresta Cerrado população limite do Parque presença de espécies de fauna hidrografia Figura 38 – Localização e a área de incidência do Parque Nacional Paso Bravo Fonte: AlterVida. que tem o intuito de proteger uma amostra representativa da Ecorregião Aquidaban (ESCOBAR e ABBATE.

que aceleram o processo de desmatamento. nos municípios sulmato-grossenses. no território brasileiro da Bacia do Apa. por inúmeras pequenas madeireiras. após a criação do Parque.198 assentamentos campesinos que abrigam 1. as florestas de Amambay estão desaparecendo. como a Cabeceira do Apa e a Cachoeira do Apa. No âmbito local. 72 Viva Paraguay Official Website. e em Concepción. www. criado em 1998.asp?id=32873>.vivaparaguay.php?storyid=7938. propicia o contrabando e o tráfico ilegal de enormes troncos de árvores. mesmo na área do Parque Paso Bravo. foi criado o Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Integrado das Bacias dos Rios Miranda e Apa (CIDEMA.com/modules/news/article. no território brasileiro da Bacia do Apa. 2002).72 Existem poucas unidades de conservação. O CIDEMA . respectivamente. das bacias hidrográficas do Rio Apa e do Rio Miranda. também. Disponível em: <www. que foram aprofundadas a partir do ano de 1997.Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Integrado das Bacias dos Rios Miranda e Apa.com. Mesmo com a atuação do MAG (Ministerio de Agricultura y Ganadería) e da SEAM (Secretaría del Ambiente). e por pontes que necessitam de manutenção e reparos. através de rotas e caminhos vicinais existentes na região da Bacia do Apa. . surgiu como um organismo de bacia voluntário. salvo algumas RPPN’s (Reserva Particular do Patrimônio Natural) e Parques Municipais. facilitado pelas divisas secas. Na região de entorno do Paso Bravo há ocorrências de tráfico de aves em extinção. no sentido de programar ações.py/html/noticias/noticiaver.300 famílias dedicadas. a reboque das discussões sobre a gestão de bacias hidrográficas no Mato Grosso do Sul. Conforme a Paraguay Silvestre (2007). às margens do Rio Apa. a fragilidade dos organismos estatais na região. em função do difícil acesso à região. de forma integrada. em Ponta Porã e em Porto Murtinho. 2008). Devido a isso. por trechos de solos argilosos que pioram em épocas chuvosas (outubro a março). principalmente. como resultado de ações iniciadas em 1998.ppn. à pecuária extensiva e à agricultura. principalmente. do Paraguai rumo ao Brasil. e em áreas de proteção ambiental. incêndios provocados por queimadas e extração ilegal de madeira. e poucas áreas indígenas (SILVA. a fiscalização é precária. em Pedro Juan Caballero e Bella Vista. há a cumplicidade dos campesinos locais.

433/97). com os técnicos das prefeituras municipais que compõem as Bacias do Apa e do Miranda. o CIDEMA e a AlterVida promoveram um Encontro.3 . San Carlos e San Lázaro. Para a execução desse Projeto e para o intercâmbio de informações. em 1998. 9.199 Para consolidar os trabalhos do CIDEMA houve um processo de envolvimento dos municípios. no âmbito das ações desse Consórcio. de caráter técnico... A grande oportunidade para aprofundar essas discussões.Avaliação dos Recursos Hídricos da Bacia Transfronteiriça do Rio Apa”. no município de Bela Vista. em função de estabelecer um projeto em bacia hidrográfica transfronteiriça. junto às organizações paraguaias. “.” Nesse Encontro ocorrido em Bela Vista. Bella Vista. diante do hiato na forma de promover o debate e o envolvimento dos atores da região. a Bacia do Rio Apa destacava-se em diferentes perspectivas. com a finalidade de identificar projetos para a cooperação técnica e financeira entre os governos dos departamentos e municípios paraguaios que integram a bacia hidrográfica e manter intercâmbio com o CIDEMA” Esse Protocolo contou com o apoio do governo dos departamentos de Amambay e Concepción e dos municípios de Pedro Juan Caballero. girava em torno do manejo de micro bacias e de como efetuar a gestão de recursos hídricos. em MS. Concepción. Na ocasião. do Projeto GEF Pantanal Alto Paraguai. momento em que foram identificados vários aspectos relativos à gestão hídrica.105) relata que. o CIDEMA firma um “Protocolo de Intenções para a Implementação da Gestão Ambiental Compartilhada da Bacia Hidrográfica do Rio Apa” com a ALTERVIDA (Centro de Estúdios y Formación para el Ecodesarrollo) com o objetivo de “promover a cooperação mútua para o desenvolvimento de ações de interesse comum no âmbito da gestão ambiental compartilhada na Bacia Transfronteiriça do Rio Apa. mediante a constituição de grupos de trabalho. cujo trabalho incidiria em apenas uma parte da bacia. no território brasileiro. de acordo com o estabelecido pela Lei das Águas (Lei Federal nº. e a realização de um levantamento das demandas locais e regionais. Pereira (2008. a tônica das discussões relativas a essa temática. Esses desafios fizeram com que a equipe de técnicos do CIDEMA identificasse instituições parceiras para a elaboração de um projeto integrado que contemplasse a participação dos atores da região da Bacia do Apa do lado. p. nessas bacias hidrográficas. em 30 de setembro de 1999. . deu-se em função das ações articuladas pelo CIDEMA com a intenção de elaborar a proposta de execução do “Subprojeto 1.

as demandas identificadas no encontro promovido pelo CIDEMA e AlterVida. 2004) e no processo de elaboração dos termos. Desse Seminário resultou a “Agenda Ambiental de Compromissos para Gestão Ambiental Compartilhada da Bacia Transfronteiriça do Rio Apa” (ANA. AlterVida e ABIPAN. com foco na Bacia do Apa. contemplou apenas a porção da bacia hidrográfica. e para elaborar uma agenda integrada de ações. recomendam ações de cooperação. para um possível “Acordo de Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável e Gestão Compartilhada da Bacia do Rio Apa”.3 . do CIDEMA. realizado em Concepción.Avaliação dos Recursos Hídricos da Bacia Transfronteiriça do Rio Apa. com o objetivo de identificar demandas para a gestão da Bacia do Apa. com objetivos semelhantes aos consensuados com a AlterVida. da GTZ e do Projeto ENAPRENA/MAG/GTZ. O II Seminário Internacional para a Gestão Compartilhada da Bacia Transfronteiriça do Rio Apa. e que liderava o processo de gestão de conflitos relacionados à pesca no Rio Paraguai e Rio Apa. em território 73 I Seminário Internacional para Gestão Ambiental Compartilhada da Bacia Transfronteiriça do Rio Apa realizado em 7 de dezembro de 1999. acontece o “I Seminário Internacional para a Gestão Compartilhada da Bacia Transfronteiriças do Rio Apa”73. onde as organizações brasileiras e paraguaias. A execução do Subprojeto 1. contou com a presença de representantes do Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia Legal. no âmbito do Projeto GEF Pantanal/Alto Paraguai (ANA/GEF/OEA e PNUMA). da Fundación Guayra – Paraguay. Como parte do desdobramento dos protocolos de intenção firmados entre CIDEMA. reunidas. o CIDEMA estabeleceu um Protocolo de Intenção com a ABIPAN (Associação Binacional para a Defesa do Pantanal e do Meio Ambiente). uma organização de representação regional. em parte.200 Nesse mesmo Encontro. do Fundo Nacional de Meio Ambiente. possibilitou incorporar. proposto para a “Gestão Integrada da Bacia Transfronteiriça do Rio Apa”. da Secretaria de Estado do Meio Ambiente de MS. da Dirección de Parques Nacionales y Vida Silvestre e da Gobernación del Departamento de Concepción. caracterizou-se por detalhar os temas discutidos no I Seminário. . nos dias 26 e 27 de agosto de 2000. portanto. com apoio da AlterVida. A área de influência do Projeto GEF Pantanal/Alto Paraguai era apenas no território brasileiro. e demais representantes dos governos do Brasil e Paraguai com atuações pertinentes à temática em discussão. e nos Seminários da Bacia do Apa. visando à gestão compartilhada dos recursos hídricos. em prol da gestão transfronteiriça de águas.

subsidiaram os trabalhos da Câmara Técnica de Gestão dos Recursos Hídricos Transfronteiriços (CTGRHT) do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Ministério do Turismo. que seja estabelecida uma agenda de trabalho visando promover a gestão compartilhada da Bacia do Apa.Ibama. foram apresentados os resultados do Subprojeto 1. Consórcios e Associações Intermunicipais de Bacias Hidrográficas. ao Governador de Mato Grosso do Sul. Durante a 6a reunião da CTGRHT. de forma integrada. o monitoramento e a fiscalização de atividades potencialmente causadoras de degradação ambiental.3 . .Avaliação dos Recursos Hídricos da Bacia Transfronteiriça do Rio Apa. Organizações Técnicas e de Ensino e Pesquisa (atualmente. Os resultados e produtos do Subprojeto 1. 74 Grupo de Trabalho de Gestão Integrada e Desenvolvimento Sustentável da Bacia Transfronteiriça do Rio Apa. Ministério da Justiça. do Meio Ambiente. posteriormente. A Moção nº.br/camaras/GRHT/GTAPA. publicada no DOU de 10 de março de 2003. Prestadoras de Serviço Público de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário. no âmbito de suas competências e possibilidades. Concessionárias e Autorizadas de Geração de Energia Hidrelétrica. A Câmara Técnica de Gestão dos Recursos Hídricos Transfronteiriços atua desde 1º de fevereiro de 2005.201 brasileiro. da Justiça. representada pela ABRH).gov. Ministério de Ciência e Tecnologia. Comitês. Disponível em : <http://www. etc. Ministério de Minas e Energia. Ministério da Defesa. Ministério dos Transportes. dirigida aos Ministros de Estado das Relações Exteriores.74. apoiar estudos e projetos para a gestão integrada. Ministério do Meio Ambiente/SRH.3 – Avaliação dos Recursos Hídricos da Bacia Transfronteiriça do Rio Apa do Projeto GEF Pantanal Alto Paraguai que. Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca. 14 do CNRH. resultou na Moção nº.cnrh-srh. Entretanto. foi possível a obtenção de resultados que apontam medidas para a indução da gestão transfronteiriça dos recursos hídricos da Bacia do Apa. em 11 de dezembro de 2002. e Organizações não Governamentais. da Defesa. ao Diretor-Presidente da Agência Nacional de Águas . ao Presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis . 14 aprovada pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos. por conseqüência. Ministério das Relações Exteriores. e é composta pelos representantes das seguintes entidades: Ministério das Cidades. Ministério do Meio Ambiente/ANA.htm>.ANA e ao Presidente da Fundação Nacional do Índio – FUNAI recomenda aos órgãos de governo.

O Acordo de Cooperação entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República do Paraguai para o Desenvolvimento Sustentável e Gestão Integrada da Bacia Hidrográfica do Rio Apa é o primeiro acordo de gestão integrada de águas transfronteiriças assinado após a edição da Lei Nacional da Política de Recursos Hídricos (Lei 9. Esse Acordo é inédito. Essa proposta de Acordo. a ser efetuada pelo GT Apa. os trabalhos do GT Apa foram finalizadas em 27 de setembro de 2007. realizada dia 23 de julho de 2004. com a finalidade de produzir uma proposta técnica. com a assinatura do Acordo de Cooperação do Rio Apa. Essa segunda fase de atividades do GT Apa visa promover a organização de um evento binacional. durante a 24a reunião dessa Câmara.até o presente momento. na cidade de Ponta Porã (MS). em Corumbá (MS). Esse evento está previsto para acontecer em 2008. a CTGRHT criou o Grupo de Trabalho para a Gestão Compartilhada da Bacia Transfronteiriça do Rio Apa (GT Apa). 2007). por sua vez. o Acordo de Cooperação foi assinado (MMA. não apenas focando a água em si mesma. elaborou uma proposta de “Acordo de Cooperação entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República do Paraguai para o Desenvolvimento Sustentável e Gestão Integrada da Bacia Hidrográfica do Rio Apa” embasada nos termos consensuados no “I Seminário Internacional para a Gestão Compartilhada da Bacia Transfronteiriça do Rio Apa”. representando organizações dos Sistemas Nacional e Estadual de Recursos Hídricos. .202 No âmbito das competências do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. o único acordo bilateral assinado pelo Brasil oriundo da mobilização da sociedade civil organizada após demandas identificadas pela mesma. para programar a implantação do Acordo. No dia 11 de setembro de 2006. No âmbito das competências da CTGRHT do CNRH. foi negociada pela diplomacia do Paraguai e do Brasil. na 35ª reunião da CTGRHT foi estabelecida uma nova agenda de trabalhos. elaborada pela CTGRHT. organizações da sociedade civil e usuários. O GT Apa é composto por instituições governamentais. mas numa abordagem ecossistêmica. porém. justamente no que se refere à proteção dos recursos hídricos de maneira integrada.433/97) e.

(j) o uso sustentável dos recursos minerais. (b) a solução dos problemas decorrentes do uso indevido das águas. no qual as Partes (Brasil e Paraguai) se comprometem a promover a identificação de áreas de interesse comum. (h) a conservação. (g) a proteção e defesa dos ecossistemas aquáticos e da ictiofauna. tanto em território brasileiro como paraguaio. programas e obras. eqüitativa e sustentável da água para fins domésticos. e a realização de estudos. avaliação e aproveitamento dos recursos naturais da área. para atender às características geográficas particulares da Bacia Hidrográfica do Rio Apa. (e) o saneamento ambiental das áreas urbanas. monitoramento e recuperação dos solos da região. à utilização racional do recurso água. e a promoção de outros projetos de interesse comum e. em 11 de setembro de 2006. a preservação e fomento da vida animal e vegetal. seu aproveitamento múltiplo e eqüitativo. vegetais e animais. há uma base adequada para a realização de projetos conjuntos de desenvolvimento sustentável. (d) a regularização das vazões e o controle das inundações. a formular entendimentos operativos ou instrumentos jurídicos. especialmente. agropecuários e industriais. (l) o desenvolvimento de projetos específicos de . urbanos. de promover o aproveitamento sustentável dos recursos naturais das áreas limítrofes. Para atingir os objetivos do Acordo de Cooperação da Bacia do Apa. o Brasil e o Paraguai se comprometem: (a) a utilização racional. a ambas as partes.2 O ACORDO DE COOPERAÇÃO DO APA O Acordo de Cooperação assinado pelo Brasil e Paraguai. monitoramento e manejo sustentável dos ecossistemas florestais. de acordo com critérios eqüitativos. (c) a proteção das áreas de mananciais de fontes superficiais e subterrâneas. e que propendam. que estimem necessários. (f) a ação integrada para a conservação de áreas protegidas. em especial.203 5. Conforme entendimento de ambos os Países. tem como propósito o desenvolvimento sustentável e a gestão integrada da Bacia Hidrográfica do Rio Apa. (i) a conservação. Há o propósito de melhorar as condições de vida das populações fronteiriças. entre outros aspectos. levando em consideração os esforços técnicos realizados pelas Partes. conforme o Artigo 1º do Tratado da Bacia do Prata. assim como. utilização adequada. assim como. reconhecendo a importância de estabelecer mecanismos e instrumentos comuns. daqueles que se relacionam com o inventário. com a finalidade de identificar oportunidades para a gestão integrada da Bacia Hidrográfica do Rio Apa.

e as demais que lhe sejam atribuídas pelo Acordo e as que as Partes convenham em lhe outorgar. consultas.htm).gov. ao assinarem o Acordo de Cooperação. obras e serviços comuns e coordenar seu funcionamento ulterior. transmitir de forma expedita aos organismos competentes das Partes as comunicações. Essa Comissão Mista seria composta por representantes de seus respectivos Ministérios das Relações Exteriores e de seus órgãos responsáveis pela política nacional de recursos hídricos. coordenar com os organismos competentes das Partes a gestão integrada dos recursos hídricos da Bacia. por troca de Notas diplomáticas. científicos.204 interesse mútuo. Necessariamente.br/dai/b_parg_193_5817. a ser estruturada conforme os dispositivos do Acordo. entre outros. gestionar e supervisionar a execução de projetos. Como atribuição. e (p) a harmonização de legislações e normas das partes75. (m) a elevação do nível socioeconômico dos habitantes da Bacia. fato que. com respeito aos propósitos a serem alcançados. (o) o incremento da navegação e de outros meios de transporte e comunicação. navegação e outros. econômicos e sociais relacionados com o desenvolvimento da Bacia Hidrográfica do Rio Apa. conservação. o financiamento de estudos e obras. gestionar e contratar.mre. analisar a viabilidade ambiental. Caberá à Comissão identificar iniciativas e projetos de interesse bilateral. (n) o ordenamento territorial e a proteção das áreas de mananciais de fontes superficiais e subterrâneas. com prévia autorização expressa das Partes. a Comissão Mista deverá estudar e coordenar os assuntos técnicos. em cada caso. apresentar às Partes proposta de projetos e atividades a serem executados na região. propor a cada uma das Partes projetos de normas uniformes sobre assuntos de interesse comum relativos. e respectivo Regimento Interno. Para a execução das ações dispostas no Acordo é proposta a formação de uma Comissão Mista Brasileiro–Paraguaia para o Desenvolvimento Sustentável e a Gestão Integrada da Bacia Hidrográfica do Rio Apa (CRA). se comprometeram a realizar. celebrar os contratos necessários para a execução de projetos aprovados pelas Partes. em cada caso. informações e notificações que se efetuem de conformidade com o presente Acordo. à prevenção da contaminação. exploração sustentável dos recursos naturais. do seu Estatuto. preservação. ou outras formas de acordo. . requerendo destas a autorização expressa. técnica e financeira de cada iniciativa ou projeto. em consulta com os 75 (http://www2. ambos os países. deverão ser estabelecidas as prioridades a serem observadas.

em regime de alternância anual. Conforme o Estatuto da Comissão Mista Brasileiro – Paraguaia para o Desenvolvimento Sustentável e a Gestão Integrada da Bacia do Rio Apa (CRA). Os recursos para a constituição da Comissão e entre outros.205 órgãos governamentais competentes de ambas as Partes. Conforme o acordado entre os dois países. são da responsabilidade de cada uma destas e por seus próprios gastos. com igual número de membros. em especial. previsto para o segundo semestre de 2008. por intermédio destes. poderá relacionar-se com organismos internacionais sobre assuntos de sua competência. Se a avaliação realizada for positiva. haverá um Comitê de Coordenação Local. e ao meio ambiente. e organizar-se á de modo a zelar pelo cumprimento de suas respectivas legislações. e promover a análise preliminar dos temas a serem considerados em plenário e dos assuntos que lhe forem designados pela própria Comissão. O Encontro Binacional da Bacia do Apa. de cada uma das Partes. O Comitê de Coordenação Local será composto por uma representação. tendo a capacidade jurídica necessária para o cumprimento de suas funções. as dotações designadas por ambas as Partes. Sua sede é permanente em um dos Ministérios das Relações Exteriores dos dois países. a de recursos hídricos. à pesquisa. dentro de seus respectivos territórios. . mas só poderá se dirigir às Partes por meio dos respectivos Ministérios de Relações Exteriores e. por meio de suas respectivas Seções. que deverá assessorar à Comissão. prevê que seja consensuado uma proposta técnica para a promoção da implantação do Acordo. de modo que não causem prejuízo sensível à quantidade e qualidade da água. no qual constará o compromisso claro das Partes de aplicar recursos técnicos e financeiros na iniciativa ou projeto. A área de ação da Comissão compreenderá a Bacia Hidrográfica do Rio Apa e as áreas contíguas de influência direta e ponderável. a Comissão prevê sedes operativas nas cidades de Bela Vista (Mato Grosso do Sul). objetivos e finalidades. As medidas a serem adotadas deverão ser adequadas aos diversos aproveitamentos das águas. será celebrado instrumento específico. no Paraguai. no Brasil. e de Bella Vista (Amambay). à exploração e ao uso dos recursos naturais da área da Bacia Hidrográfica do Apa. em princípio.

iniciada em 22 de março de 2005. 15/2005).3 PROJETO “PÉ NA ÁGUA” A “Década Brasileira da Água”. sem a criação da Comissão Mista e do Comitê de Coordenação Local. ademais as evidentes dificuldades institucionais e financeiras tendem dificultar a implantação das mesmas. 5. O Projeto Pé na Água objetivou a disseminação do conhecimento à comunidade dos municípios que compõem a Bacia do Apa. foi decretado com o propósito de priorizar políticas e ações. O Ministério da Ciência e Tecnologia Brasileiro. por meio do apoio financeiro do Fundo Setorial de Recursos Hídricos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CTHIDRO/CNPq nº. por meio da produção de um conjunto de materiais impressos e eletrônicos (disponibilizados via internet e em CD) e treinamentos em oficinas e cursos. na proteção e no uso sustentável da água. São considerados os objetivos de desenvolvimento já acordados por tratados internacionais. no período de outubro de 2006 a abril de 2007.br/legisla/br_decreto_decada_agua.206 No entanto. aprovou a realização do Projeto Água e Cidadania na Bacia do Apa – uma abordagem sistêmica e transfronteiriça na década brasileira da água -“Pé na Água”. nos quais o Brasil é signatário. para que enfatizem a importância da participação social e da responsabilidade comum. . e a importância de ampliar e fortalecer o processo de mobilização da sociedade para a gestão das águas. que atuam como agentes 76 Disponível em: <http://www.cnrh. no intuito de promover ações. muito pouco será possível ser realizado. e o cumprimento das suas respectivas competências. de forma a contribuir para o aperfeiçoamento do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos76.PDF>. orientadas para mobilizar a sociedade e o governo. efetivamente.gov. proposto e realizado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. por intermédio de informações fidedignas que possibilitem a promoção da participação da sociedade nos processos de gestão de águas.srh. professores de escolas públicas. técnicos e educadores ambientais. tendo como público preferencial. no âmbito da Década Brasileira de Águas.

250 pessoas participaram das oficinas de trabalho realizadas em todas as cidades da Bacia do Apa. ver site: www. Um número especial da Revista Aguapé.207 multiplicadores. Livro. O material produzido expôs questões e propostas de conservação dos recursos naturais. os municípios paraguaios inseridos na Bacia do Apa.redeaguape. e verificar qual a visão dos entrevistados quanto aos problemas ambientais e de recursos hídricos da Bacia do Apa. Aproximadamente. O material impresso. adaptada ao formato impresso. foram respondidos questionários para subsidiar a avaliação dos conhecimentos locais. O mesmo procedimento foi adotado com as propostas pedagógicas a serem adotadas em sala de aula. em relação à abordagem do Projeto. no território brasileiro. em informação pública. atingindo. um livro e uma cartilha voltada às crianças. de modo regionalizado.br. cartilha e revista estão sendo distribuídos. se propõe a transformar dados em notícias e. indiretamente. aos professores da rede pública dos municípios da bacia. porém a abordagem textual/forma de apresentação adaptados aos escolares. mapas e fotografias da Bacia do Apa com o propósito de difundir o conhecimento. aos elos/animadores da Rede Aguapé77. com ênfase nos problemas e características da Bacia do Apa. com uma abordagem jornalística. . em organismos 77 Rede Aguapé: Rede Pantanal de Educação Ambiental. junto ao público alvo. em oficinas de trabalho realizadas nos municípios brasileiros da Bacia do Apa. inseridas no conteúdo de um CD de encarte do livro elaborado. Na ocasião da realização dessas oficinas. gratuitamente. pessoas diretamente envolvidas com a prática de ensino. totalizando 100 entrevistados. e elaborada com uma linguagem simples e bilíngüe (português e guarani). foi avaliado pelo público alvo.org. A cartilha tem o mesmo conteúdo do livro. dentre estes. também. ao bem-estar e ao desenvolvimento sustentável. O livro possui textos originais. ressalta a importância da participação da comunidade para a formação de organismos de bacia. incentivando discussões e ações diretamente ligadas ao ambiente próximo. conseqüentemente. nessa bacia hidrográfica. segundo os princípios da Educação Ambiental e da Política Nacional de Recursos Hídricos.

muitos dos problemas ocorrem por degradação ambiental causada por atividades irregulares que.208 governamentais e não-governamentais. os diferentes padrões utilizados 78 Apesar da escassez hídrica não ser a maior preocupação na Bacia do Apa. o uso inadequado do solo. a pesca e a aqüicultura. . conjuntamente ou não. Na Bacia do Apa não é diferente. Os três produtos impressos são disponibilizados. em formato PDF. pois a degradação ambiental. já gerou e ainda gera situações inconvenientes. cuja sede está integralmente situado nessa Bacia. que atuam pelo desenvolvimento sustentável na Bacia do Apa. Os níveis freáticos não possibilitaram o reabastecimento dos poços de captação de água para o abastecimento público. relacionadas à carência de água. pois. Nessa Bacia. direta ou indiretamente. sofreu falta de água para o abastecimento público. sendo que. afluente do Rio Apa. Certamente. na página www. verifica-se que as questões causadoras estão. a captação de águas sem controle e a frágil atuação das entidades governamentais nessa região de fronteira. à degradação do recurso hídrico. o município de Caracol. gratuitamente. o crescimento da população de usuários da mesma água. entidades ambientalistas e demais interessados.4 ANÁLISE CRÍTICA Ao analisar as circunstâncias que conspiraram para criar escassez e/ou o potencial de conflito pelo uso de águas em bacias transfronteiriças. Porém. tais como. não é a escassez hídrica que aflige78 a região da Bacia do Apa. em alguns trechos. a iniqüidade social. se comparado ao cenário hídrico mundial. entre o Brasil e Paraguai. ao crescimento populacional e à desigualdade ao acesso ou de distribuição de água. após um período intenso de estiagem. impulsionando a produção agropecuária e industrial. impactam as águas da Bacia do Apa. com potencial para o desencadeamento de conflitos pelo uso compartilhado das águas do Rio Apa. a população de parte da cidade (regiões periféricas) foi abastecida por carro pipa. Os conflitos pelo uso da águas do da Bacia do Apa são conflitos socioambientais motivados pelos mais diversos fatores. a água é uma grande riqueza regional que é utilizada em diversas atividades nas cidades e no campo.org. 5. O Rio Perdido. por mais de quarenta (40) dias. há grande disponibilidade hídrica. secou. em 2007.redeaguape.br/penagua.

dos seus recursos hídricos. cana. há mais áreas de vegetação e de pastagens nativas. soja. serão analisados os aspectos legais e institucionais e a participação da sociedade no processo de gerenciamento hídrico. na Bacia do Apa. o Rio Apa. assoreamento dos cursos de água. num contínuo processo de supressão de matas nativas e empobrecimento das fontes de água. mas não são idênticas. entre os dois países. No lado brasileiro há muitas áreas de pastagens artificiais e evidências de processos erosivos. Em ambos os lados do território da Bacia do Apa. num modelo agro exportador. que faz a divisão político administrativa do Brasil e do Paraguai. 2008). é baixa. resultantes da forte presença empresarial. incluindo toda a área do Parque Paso Bravo. a contaminação hídrica é crescente. o impacto da contaminação hídrica. a economia é fortemente embasada no setor primário (gado/pasto. em função do uso abusivo dos recursos naturais.209 para o consumo de água. áreas sem as matas ciliares. No entanto. em especial. As atividades econômicas e as pressões sobre os recursos naturais ocorridas na Bacia do Apa são similares. sem provocar degradação ambiental. promovido pela monocultura e pecuária extensiva. Por meio de observações de imagens de satélite. Planejar essa região para o desenvolvimento. milho). pouca governabilidade da água e o incremento crescente e contínuo de atividades econômicas. já seria motivo para o avanço da gestão hídrica transfronteiriça nessa Bacia. A Bacia do Apa é uma região de Cerrado. um bioma que. do setor da agropecuária. Por sua vez. Há baixa densidade populacional. do Brasil e do Paraguai. tanto no Brasil. é possível ver a diferença entre ambas as margens do Rio Apa. assim como as águas. dos corpos hídricos que deságuam no Rio Apa. em função dos ciclos econômicos. levando em consideração a assinatura do . mas a dificuldade de acesso e a ausência da atuação do poder estatal tem agravado os processos de degradação ambiental e dos recursos hídricos dessa região (ABBATE. como no Paraguai. A capacidade de diluição do Rio Apa é elevada e a densidade populacional de entorno. não reconhece fronteiras. No lado paraguaio. une o dia-a-dia desses dois países. e cuja proteção é um tema de permanente consideração no trato da problemática transfronteiriça desses países. evitando equívocos observados na história da humanidade. em especial. e está ameaçado. Para possibilitar a avaliação da gestão de águas transfronteiriças na Bacia do Apa. do que no lado brasileiro.

que atua de forma a vincular o gerenciamento hídrico ao instrumento de avaliação de impacto ambiental. O arcabouço legal relativo às questões hídricas. bem como. No Paraguai. em compasso diferenciado. resultando na duplicação de esforços e recursos. de novas leis que definam as políticas do Estado. e a implantação das diretrizes estabelecidas nessa legislação. sancionada em 2007. a indução e a execução do planejamento da gestão hídrica são delegadas à Secretaria de Meio Ambiente do Paraguai . apresentam peculiaridades.SEAM. as entidades e instituições. As instituições. em relação aos recursos hídricos do país. a deficiência de coordenação interinstitucional e de atuação nas questões hídricas (SANTAGADA. está em processo de regulamentação para possibilitar sua implantação. no Paraguai. A Lei Nacional de Recursos Hídricos foi sancionada em janeiro de 1997. No Paraguai. A Lei Nacional de Recursos Hídricos. de forma geral. as leis e as normas. e possivelmente deverá ser solicitada mesmo após a regulamentação da Lei da Política de Recursos Hídricos do Paraguai aos empreendimentos de significativo impacto ambiental. depende da efetiva concretização do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. bem como. em 2007. por e-mail. desenvolvida. elaboradas por meio de seus respectivos processos políticos.. O Brasil apresenta. estão fragmentadas e não há critérios para o estabelecimento da integração entre as mesmas. 2007). Ocorre superposição de funções e competências entre os organismos. Presume-se que. de forma heterogênea e regionalizada (NEVES & CORDEIRO NETTO. em função da forma com que. solicitando a avaliação ambiental dos usos dos recursos hídricos para as atividades sujeitas ao processo do estudo de impacto ambiental (EIA) (Teixeira79. é difuso e requer reformulações normativas. 79 Entrevista. principalmente. uma legislação moderna. essa estratégia tenha sido adotada em função da ausência de mecanismos para a gestão de recursos hídrica. por meio da Diretoria de Recursos Hídricos. na área de recursos hídricos. durante a década de 1990. 2006). Aspectos legais e institucionais O Brasil e o Paraguai possuem normativos vigentes. cada País. para o consumo e preservação de suas águas. se remetem à gestão de recursos hídricos. que direta ou indiretamente. que tratam das questões hídricas.210 Acordo de Cooperação para o desenvolvimento sustentável e a gestão integrada da Bacia Hidrográfica do Rio Apa. mesmo que. 2007). . trata de suas águas. o que vem se dando.

inclusive às gerações futuras.211 No Brasil. dentre outras. o fomento à cidadania. e na busca por recursos financeiros que os viabilizem. inclusive. entre outras). para o estabelecimento de políticas setoriais articuladas ao planejamento hídrico. desperdício. 80 José Machado. no contexto latino-americano. diretor-presidente da Agência Nacional de Recursos Hídricos em palestra sobre “Os 10 anos da Lei 9433: Avanços e dificuldades”. ao fortalecimento e integração institucional. durante muito tempo. de forma a evitar sua escassez. que inclui a inserção dos municípios nas estratégias de gestão. poluição. Essa situação tem sido considerada pelos dirigentes públicos brasileiros para que tais dificuldades sejam superadas (Machado80. conservação. a inserção geopolítica da gestão integrada de recursos hídricos. e uso racional da água. o uso compartilhado de recursos hídricos foi ignorado como questão política e de gestão do território. proteção e preservação das bacias hidrográficas. em 26/11/2007. Há a carência de integração com a política ambiental e com as demais políticas setoriais (saneamento. bem como há a falta de uma instância de planejamento e de execução do entrelaçamento dessas políticas às questões hídricas prioritárias do Brasil. principalmente. A Lei das Águas brasileira delega ao SINGREH o disciplinamento e as regras de usos múltiplos. durante o XVII Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos e 8º Simpósio de Hidráulica e Recursos Hídricos dos Países de Língua Oficial Portuguesa. que permeou as políticas setoriais. transporte. 2007). a promoção à participação na tomada de decisão. na articulação e integração das ações em uma mesma bacia. . para garantir água de boa qualidade e em quantidade suficientes. O Plano Nacional de Recursos Hídricos do Brasil está em fase de detalhamento de seus programas e projetos que contemplam. Atualmente. controlar eventos críticos. a promoção do conhecimento do comportamento hídrico. devido. energia. A execução da gestão de águas brasileira está embasada na adoção do Plano Nacional de Recursos Hídricos como eixo balizador. a idéia de abundância e de disponibilidade. quase ilimitada. Por exemplo. o Programa de Desenvolvimento da Faixa de Fronteira. à valoração econômica da água. a convergência das políticas setoriais tem sido induzida às práticas promovidas pela política de recursos hídricos. não pontua a questão hídrica na promoção do desenvolvimento do território da faixa de fronteira. aquelas voltadas para a geração de hidroeletricidade e irrigação. promovido pelo Ministério da Integração Nacional do Brasil.

a integração entre as políticas federativas. Geralmente. quanto para divulgar os resultados. No Brasil. No Brasil. Há uma escassa e incipiente coordenação entre autoridades desenhadas para governar sobre limites político administrativos para atuar sobre bacias e. O Sistema Nacional de Meio Ambiente e o Sistema Nacional de Unidades de Conservação têm o Conselho Nacional de Meio Ambiente como instância máxima de articulação com os Estados e Municípios. quem se vincula a gestão destes territórios naturais. em comparação com outras áreas de trabalho (DOUROJEANNI. Todos os instrumentos de gestão desses sistemas brasileiros se entrelaçam. encontra pouco apoio político e econômico. para manter articulações desse âmbito com os países vizinhos. de forma coordenada. que é operacionalizada por meio do Sistema Nacional de Meio Ambiente e do Sistema Nacional de Unidades de Conservação. emitidas pelas agências de água ou órgão estaduais que induzem o uso racional e sustentável da água. em amadurecimento. tanto para a implantação e operacionalização do SINGREH. mas está sendo colocado em prática. apesar de que. desenvolvimento regional). integrado pelos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos e o colegiado dos comitês de bacia hidrográfica. por exemplo. com suas competências e hierarquias definidas na instância político e institucional às unidades de planejamento adotadas pelas diferentes políticas (ambiental. sociais e ambientais nos territórios delimitados por razões naturais. na América Latina as bases de governabilidade são fracas para conjugar e alcançar. dentro dos países e entre países que compartilhem uma mesma bacia. O Sistema Nacional de Recursos Hídricos tem o Conselho Nacional de Recursos Hídricos como instância máxima. 1999. operacionalizado. consequentemente. em geral. ampliar o conhecimento dos sistemas hídricos e. pela concessão de outorgas de direito de usos dos recursos hídricos. metas econômicas. a Política de Recursos Hídricos é consoante à Política de Meio Ambiente. por meio de seus respectivos Conselhos de Meio Ambiente. unidades de conservação. é um processo complexo. recursos hídricos.212 Os desafios são inúmeros. . Cada qual tem uma unidade territorial de planejamento e gestão. 2002). a lógica de comando e controle do Sistema Nacional de Unidades de Conservação e do Sistema Nacional de Meio Ambiente não é a mesma do Sistema Nacional de Recursos Hídricos. bem como uma dinâmica de funcionamento. difundir tecnologias.

se percebeu que. das estratégias de participação no estabelecimento de diretrizes. são fundamentais à gestão integrada de recursos hídricos. bem como. conceitos referentes à unidade de planejamento para a gestão hídrica (bacia hidrográfica) não são reconhecidos pela maioria da população. situação que remete à atuação conjunta da União e dos Estados. de maneira concreta. o Rio Apa é de domínio da União. por meio das entrevistas realizadas no âmbito do Projeto “Pé na Água. em 26/06/2007. 81 Engenheiro Sanitarista João Bosco Senra. a estrutura institucional e legal já consolidada do CIC Prata. porém. Na Bacia do Apa. e nem mesmo. quais eram os 13 municípios que integram a Bacia do Apa. Tal situação é considerada como um fator que dificulta a gestão integrada de águas na Bacia do Apa.213 Há dificuldade de compreensão por parte da população sobre as questões hídricas. Absolutamente. que em geral. nas bacias hidrográficas que compõem a Bacia do Prata. estas são tratadas por meio de Acordos. O governo brasileiro tem adotado. entre os países envolvidos. Nas oficinas realizadas pelo Projeto “Pé na Água” foi possível observar que o sentimento de pertencimento. numa delimitação tão abrangente como o da Bacia do Prata. . se interessam e compreendem muito mais as questões hídricas locais. Quanto às especificidades das sub-bacias que compõe a Bacia do Prata. está distante das pessoas. As competências estaduais para a execução da Política Estadual de Recursos Hídricos são delegadas a uma gerência executiva do órgão de meio ambiente estadual. planejamento e ações de manejo. nenhum entrevistado do Projeto “Pé na Água” destacou corretamente. Secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente. pois. em comunicação pessoal. como na Bacia do Apa (Senra81).que as atingem no dia-a-dia. numa listagem que citava o nome de 20 municípios. em relação aos limites da unidade territorial “bacia hidrográfica”. por diversos atores que influenciam no processo de tomada de decisão para a preservação dos recursos hídricos. para as questões relacionadas à gestão de águas transfronteiriças. o entendimento conceitual das questões relacionadas à unidade de gestão “bacia hidrográfica”. No Brasil. O Sistema Estadual de Recursos Hídricos do Estado de Mato Grosso do Sul está em fase inicial de implantação. seus afluentes e as águas subterrâneas são de domínio estadual.

e nem a sistematização dos dados obtidos por meio das licenças ambientais expedidas e das pesquisas realizadas. 2007)82. de outorga pelo uso da água. o instrumento de cobrança já é operacionalizado no Brasil. na Bacia do Paraíba do Sul. que é de domínio da União. há o risco do desencadeamento de um conjunto de ações dispersas priorizadas em função da disponibilidade de recursos (conforme exigência dos agentes financiadores) e sem sustentabilidade (Percy. no entanto. os instrumentos estaduais estão em processo de implantação e o instrumento federal. como por exemplo. caso contrário. está sendo operacionalizado. No Brasil. A falta da operacionalização de instrumentos de preservação das águas subterrâneas. A carência dessas informações dificulta a promoção de ações que possibilitem a minimização dos impactos da extração descontrolada das águas subterrâneas. é fator de dificuldade para a gestão integrada e compartilhada de recursos hídricos na Bacia do Apa. a aplicação dos instrumentos de gerenciamento de recursos hídricos requer a consideração das particularidades de cada região. (BID. Em comunicação pessoal no mês de novembro de 2007. . o que indica que. Não há a delimitação precisa das áreas de exposição dos aqüíferos que incidem na Bacia do Apa e de seu mapeamento geotécnico. 82 Percy Baptista Soares Neto (funcionário da Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente). que necessita de regulamentação para ser operacionalizada.214 Há uma Lei Estadual em Mato Grosso do Sul para o gerenciamento e proteção das águas subterrâneas. em ambos os lados. há uma forte cultura de “não pagar” pela água. Na Bacia do Apa. No Paraguai. 2002). Para a gestão transfronteiriça das águas subterrâneas compartilhadas entre o Brasil e Paraguai. está distante da realidade. em ambos os Países. não há instrumentos específicos para o gerenciamento hídrico em operação. e da ocupação das áreas de afloramento de aqüíferos na Bacia. No Paraguai. de modo geral. o instrumento da cobrança pelo uso da água. na Bacia do Apa. Em muitas regiões brasileiras essa questão não é encarada de forma diferente. 2005). para evitar a contaminação de um aqüífero. somente no Rio Apa.(HIRATA. não há um cadastro de usuários. Ressalta-se que. será preciso que sejam identificadas quais são as atividades antrópicas que requerem mais atenção.

De modo geral. o Brasil desenvolve a troca sistemática de informações hídricas com. financeira. Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul. para promover a gestão transfronteiriça de recursos hídricos na Bacia do Apa. As carências advindas das capacidades política e profissional (institucional. na Bacia do Apa. Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Integrado das Bacias dos Rios Apa e Miranda (CIDEMA). Os projetos. entre o Brasil e o Paraguai. e Instituições de ensino e pesquisa. . pela escassa disponibilidade de recursos econômicos. de forma harmoniosa. Secretaria del Ambiente (SEAM). Unidad de Gestión Ambiental Paso Bravo. em função dos instrumentos de estabelecimento de padrões da qualidade ambiental.Paraguaias: Ministério de Relaciones Exteriores (MRE). é produto das ações induzidas pelo Programa Nacional de Meio Ambiente para o atendimento das demandas da Política de Meio Ambiente. e também. . todos os países de América do Sul. Gobernaciones de Amambay e Concepción.. Ministério de Obras Publicas y Comunicaciones (MOPC). humana) dificultam a implantação e a sustentabilidade dos instrumentos de gestão de recursos hídricos. frequentemente. praticamente. Ministério do Meio Ambiente.215 No Brasil. Ministério da Ciência e Tecnologia. em ambos os Países. envolvendo as embaixadas. desde 1994. segundo a classificação das águas. Secretaria Técnica de Planificación (STP). em 2003.Brasileiras: Ministério das Relações Exteriores (MRE). pelo MMA. AlterVida. As redes de cooperação poderiam ser uma alternativa viável para a promoção de ações integradas na Bacia do Apa. pela SEAM. e instituições de ensino e pesquisa. Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis. realizado em Bela Vista. Ministério da Justiça e Fundação Nacional do Índio. Universidades e ONGs. e no Paraguai. Essa situação se agrava. no Brasil. foi proposto a criação de um Grupo de Trabalho coordenado. e. ainda mais. O Grupo de Trabalho seria composto por representantes das seguintes instituições: . Agência Nacional de Águas. programas e ações não governamentais. sofrem com as conseqüências advindas da descontinuidade política governamental e da deficiente coordenação e participação das instituições públicas no processo de indução à gestão hídrica. Durante o Simpósio de Integração. o monitoramento da qualidade de águas. instituições. Fórum de Organizações Não-Governamentais do Mato Grosso do Sul. na Bacia do Apa.

somadas à falta de infra-estrutura e de vias de comunicação. na região de fronteira da Bacia do Apa há um sentimento de insegurança. somadas a baixa densidade demográfica da região.216 Esse Grupo de Trabalho nunca se consolidou. 2008). no lado paraguaio. seria essencial à gestão transfronteiriça na Bacia do Apa. praticamente. Participação da sociedade A sociedade participa da indução de processos e na tomada de decisão à medida que tem acesso à informação. a participação pública na preservação das águas na Bacia do Apa. geograficamente. inexistente. causadas por essas atividades ilícitas. é o Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Integrado das Bacias dos Rios Apa e Miranda (CIDEMA) No lado paraguaio. O combate ao tráfico de drogas. mas a integração dos trabalhos desempenhados por tais instituições e entidades. Diante dessas dificuldades. devido à proliferação e ocorrência de todo o tipo de atividade irregular e fora do controle dos órgãos do governo paraguaio. tende a inibir a presença ativa dos organismos das municipalidades locais e das organizações civis na região de fronteira paraguaia da Bacia do Apa. para as organizações da sociedade civil que pretendem atuar no combate à degradação ambiental. Abbate (2008) afirma que. a maior parte dos trabalhos. é voluntária e carece de profissionais (ABBATE. Devido às condições das estradas. não há regulamentos claros sobre o financiamento dos Conselhos de Bacias e. no Paraguai é. de toras de madeira. há dificuldade de acesso às comunidades situadas na Bacia do Apa. à medida que atuassem de forma coordenada e cooperativa para isso No lado brasileiro. de gado. agravado pelo fato de estarem. o único organismo de bacia consolidado. Essa situação. . No Paraguai. por meio de uma Resolução da SEAM. na Bacia do Apa. é uma tarefa complicada. na região fronteiriça da Bacia do Apa. devido à falta de possibilidades estruturais da Secretaria de Ambiente do Paraguai em dar seguimento a este Conselho (ABBATE. O acesso às informações. mas seu funcionamento está paralisado. de peixes e de espécies vegetais e animais em extinção tem sido uma ação difícil de ser realizada pelas entidades governamentais. em particular. e da capital do Departamento de Concepción. Houve a criação do Conselho de Bacia do Apa. Pior. não há organismos de bacia hidrográfica em atividade. ainda. desenvolvidos nesse âmbito. 2008). afastadas da capital Assunción. na Bacia do Apa.

após anos de disputas (Guerra do Paraguai. onde as águas fronteiriças atuam como elos entre cidadãos e meio ambiente. em benefício da melhoria do desempenho administrativo e da democratização dos processos decisórios locais. o país vivencia recente processo democrático. dos 500 km compartilhados do Rio Apa. . os dispositivos da legislação ambiental e de recursos hídricos. de alguma ação. a discussão sobre os problemas ambientais e hídricos que ocorrem na Bacia do Rio Apa. dos setes municípios brasileiros da Bacia do Apa. quando a intenção é mobilizar o conhecimento disponível na sociedade. que Porto Murtinho é único município no Brasil que possui a vegetação chaquenha. quatro. não são do conhecimento geral. Ressalta-se que. Guerra Civil). e inclusive ameaçada pelas atividades agropecuárias. realizadas por meio do Projeto Pé na Água. apesar da demonstração de expressivo interesse em aprender sobre os normativos vigentes. experiência e/ou atividade que envolvesse as águas fronteiriças. na Bacia do Apa. Há um grande potencial para o fomento de práticas de ensino à gestão compartilhada de águas na Bacia do Apa. se localizam às margens desse rio. ocorridos tanto no Brasil. após a promulgação da Constituição Federal de 1992. a promoção da governabilidade hídrica. pelo Projeto Pé na Água. abastece a população e gera crescimento econômico. esbarra em entraves relacionados ao processo histórico de centralização do poder estatal e de não participação da sociedade nos processos de tomada de decisão. pois nessa região de fronteira da Bacia do Apa. apenas 24 % dos entrevistados participaram. pelas práticas conservasionistas. entre Brasil e Paraguai. Guerra do Chaco. no lado brasileiro. se observou que. mesmo que estas estejam separadas por divisas político-administrativas. adotando o prisma da fonte hídrica que protege o ambiente. Do total dos entrevistados. Em função dessas ações. por parte da população local. no lado brasileiro da Bacia do Apa. normalmente. Mesmo assim. há um expressivo número de alunos paraguaios que estudam em escolas brasileiros. como no Paraguai. Constatou-se nas visitas em campo. No Paraguai. A divulgação dessa informação causou grande interesse. em algum momento. Foi possível observar que. têm ou teve alunos paraguaios. no decorrer de suas atividades de ensino.217 O projeto “Pé na Água” fomentou. 49% dos professores da rede de ensino. sob o enfoque do desenvolvimento sustentável e da gestão integrada de bacias transfronteiriças.

Uruguai. no Brasil e no Paraguai. No entanto. pelo CIDEMA83 e pela AlterVida. na Bacia do Apa. em Montevidéu.218 No Brasil. Mesmo com a incipiente. 80% das pessoas que participaram das oficinas do Projeto “Pé na Água” são do sexo feminino. se iniciou o processo de implantação do Sistema Nacional de Recursos Hídricos. As ações locais realizadas na Bacia do Apa foram selecionadas para apresentação no IV Fórum Mundial das águas realizado em março de 2006. que uma minoria de mulheres desempenha funções gerenciais e de tomada de decisão. ocorreram até 2002. com o apoio da Oficina de Desarrollo Sostenible y Médio Ambiente da Secretaria Geral da Organização do estados Americanos (OEA). A ONG AlterVida e o CIDEMA participaram. ao garantir a participação do governo. durante a execução do 83 Em 2006. se observou no decorrer do levantamento dos dados primários e secundários desta pesquisa. Peru. a AlterVida prosseguiu com atividades pontuais. o CIDEMA foi convidado a participar do Workshop Regional sobre Participação Pública na Gestão de Águas Transfronteiriças na América Latina e Caribe. realizado nos dias 18 a 20 de maio. ativamente. Posteriormente. no processo de gerenciamento hídrico. mas são maioria no desenvolvimento das atividades relacionadas à educação. as ações e resultados obtidos pelo CIDEMA na Bacia do Apa foram apresentados como um dos casos no Simpósio Internacional sobre Gestão Integrada de Recursos Hídricos e Bacias Transfronteiriças. As atividades da AlterVida. a maior área de Cerrado do Paraguai e do mundo. Quanto à questão de gênero. que já haviam trabalho juntos. organizado pelo Instituto Nacional de Recursos Hídricos del Perú (INREN). após o término do período da ditadura militar e a promulgação da Constituição Federal de 1988. ano da finalização dos financiamentos das atividades previstas para essa região. em Lima. realizado nos dias 6 a 9 de dezembro . em 1997. em meados de 1998. no lado brasileiro. foram essenciais para a indução do processo de gestão transfronteiriça de águas. em 2006. . Aproximadamente. na cidade do México. O CIDEMA consolidou sua atuação na promoção de ações compartilhadas para a gestão transfronteiriça da Bacia do Apa. Ainda. de acordo com Abbate (2008). as ações iniciadas. em busca de uma visão transfronteiriça da problemática da Bacia do Apa. dos usuários e das comunidades no processo de tomada de decisão. destinado à conservação desse bioma. fundamentada na descentralização da gestão hídrica. esse plano não está sendo operacionalizado. por parte do governo paraguaio. num projeto realizado no Lago Ypacaraí. de ações compartilhadas na promoção de alianças para o desenvolvimento institucional. do lado paraguaio. inexistente participação da sociedade na preservação dos recursos hídricos da Bacia do Apa. no painel “Águas Transfronteiriças nas Américas: lições em gerenciamento integrado em recursos hídricos”. especialmente. e por vezes. na realização do Plano de Manejo da Área Protegida Paso Bravo. sob as respectivas cordenações técnicas do Engenheiro Jorge Abbate e Engenheiro Mauri Teixeira. por falta de aplicação de recursos financeiros. como consultores.

contextualiza em seu texto a gestão integrada da bacia hidrográfica. o CIDEMA desenvolve atividades junto aos municípios da Bacia do Apa. No Brasil. promovidas pelo CIDEMA e a AlterVida e apoiadas pelas instâncias governamentais do Paraguai e Brasil. Isso . e participa. 6% do “GEF Pantanal”. o Brasil e o Paraguai promoverão a gestão integrada de recursos hídricos na Bacia do Apa. à luz dos princípios do desenvolvimento sustentável tem sua gênese num processo de mobilização da sociedade civil organizada. no âmbito do Projeto Pé na Água. previsto no referido Acordo. resultaram na assinatura do Acordo de Cooperação da Bacia do Rio Apa. Isso implica numa seqüência de tomada de decisões e ações que incluem uma estruturação organizacional prévia para a prática dos propósitos acordados. no Conselho Estadual de Recursos Hídricos de Mato Grosso do Sul e do Comitê da Bacia Hidrográfica do Miranda. entre os anos de 1998 e 2003. 21% do “Plano Nacional de Recursos Hídricos”. 2% do “Água Boa/Porá”. no lado brasileiro. após o término dos projetos. Conforme os dispositivos desse Acordo. do total dos entrevistados. Apesar dos projetos e estudos que foram realizados para induzir a gestão transfronteiriça de águas na Bacia do Apa. Acordo de Cooperação do Apa A reconhecida mobilização para a gestão ambiental e para a gestão dos recursos hídricos compartilhados para o desenvolvimento sustentável da Bacia do Apa. do. mas não fez com que o mesmo saísse do papel. pois foi o primeiro Acordo assinado após o sancionamento da Lei 9. antes das oficinas em que participaram.219 “Subprojeto 1. os comprometimentos de cooperação estabelecidos tendem a enfraquecer. 4% do “SAG Guarani”. Há uma expectativa de que o Acordo de Cooperação do Apa seja implantado a partir da criação do Comitê de Coordenação da Bacia do Rio Apa. esse Acordo Binacional de Cooperação pode ser considerado um marco para a gestão de recursos hídricos transfronteiriços. Atualmente.433/97.3 . apenas 6% sabiam sobre o “CIC Plata”. por meio de projetos de educação ambiental. O Projeto “Pé na Água” era do conhecimento de 12% dos entrevistados. Foi observado que. ativamente.Avaliação dos Recursos Hídricos da Bacia Transfronteiriça do Rio Apa”. e os resultados obtidos acabam quase no esquecimento da população.

Seria possível. A formatação de uma proposta metodológica de caracterização da bacia hidrográfica. e que permitam revisões e atualizações periódicas. Mesmo sem a criação das instâncias de coordenação e de execução do Acordo do Apa. o Tratado da Bacia do Prata se consolidou após a criação do Comitê de Intergovernamental Coordenador dos Países da Bacia do Prata (CIC Prata ). com ações que deverão ser negociadas entre as instituições paraguaias e brasileiras. considerando a participação. seria um caminho para o avanço do processo de gerenciamento hídrico transfronteiriço na Bacia do Apa. será o organismo binacional responsável para assessorar a Comissão Mista Brasileiro-Paraguaia que. o CIC Prata não é um organismo executor. inclusive. A operacionalização das ações e as discussões que as precedem são promovidas e executadas no âmbito de cada país. poucos documentos foram ratificados (RIBEIRO. para o estabelecimento de planos de ação. precede de um plano estratégico para a gestão de águas. Para a Comissão Mista da Bacia do Apa é prevista uma composição similar aos comitês de bacia hidrográfica do Brasil.220 porque. 2004). o estabelecimento de uma agenda de cooperação técnica. com o objetivo de consolidar o gerenciamento de recursos hídricos transfronteiriços na Bacia do Apa. para ajustamento às possíveis mudanças. o Comitê de Coordenação da Bacia do Rio Apa. será responsável pela execução do Acordo. Na prática. entre o Brasil e Paraguai. há muitos acordos internacionais envolvendo a gestão de recursos hidricos. quando consolidado. poderia motivar as discussões para a construção de um Plano Estratégico para Manejo da Bacia do Apa (Plano de Bacia). assim como o Acordo de Cooperação da Bacia do Apa. porém. que pontue prioridades. concomitante e paritária. quando criada. que contemplasse os lados brasileiro e paraguaio. pois funciona como um fórum protocolar de consolidação de propostas dos Países envolvidos. No Brasil e no Paraguai. no contexto da Bacia do Prata. . conforme as competências das instituições envolvidas e que se fizerem necessárias. incorporar tais ações de cooperação e integração. no contexto do Comitê Intergovernamental de Coordenação da Bacia do Prata – CIC. Assim como as iniciativas por entidades da sociedade civil organizada (AlterVida e CIDEMA) induziram ações que resultaram no Acordo de Cooperação da Bacia do Apa. metas. Conforme estabelecido pelo Acordo de Cooperação da Bacia do Apa. prazos e orçamentos. a implantação do Acordo Binacional para Gestão Integrada dessa Bacia. de entidades paraguaias e brasileiras.

um interesse pelos benefícios de longo prazo atribuídos às questões ambientais. como no Paraguai. exige mudança de visão e de comportamento. . tanto no Brasil. para o compromisso coletivo e a responsabilidade compartilhada. para o compartilhamento dessas relações de poder. a gestão integrada de recursos hídricos significa muito mais do que a integração de intenções. teve seu encaminhamento ao Congresso Nacional brasileiro. pois um Acordo de Cooperação. não evita a “Tragédia dos Comuns”. no Brasil. A aceitação. bem como de pessoal especializado e base de informações perenes que dêem suporte às decisões. entre os países membros. A gestão de águas transfronteiriças esta relacionada às competências de cada País. não obteve resultados concretos. Assim. como a conservação dos solos e a proteção da biodiversidade à montante das bacias hidrográficas em proveito das populações assentadas à jusante. passa por um momento de precária indução das partes afetadas para que estas de envolvam no debate sobre a cooperação. em 15 de agosto de 2007. no contexto da Bacia do Alto Paraguai. Em países que lutam para atenuar a pobreza. ou seja. No Brasil. de gestão integrada de recursos hídricos. em processo de ratificação84.221 Tal avaliação é ruim. e das ações que podem ser realizadas. a percepção e o entendimento das diferentes relações com a água e a construção de consensos. está sendo tratado pelo Grupo de Trabalho do Apa da CTGRH do Conselho Nacional de Recursos Hídricos e. os diferentes usurários e a sociedade.143. entre os governos. O Acordo de Cooperação da Bacia do Rio Apa. para que seja possível sua implantação. no intuito de reduzir a possibilidade de ocorrência de conflitos pelo uso das águas compartilhadas pelos Países em questão. envolvendo as entidades paraguaias é um assunto que. houve a identificação de interesses comuns e o delineamento das oportunidades de cooperação futura. A nova visão aceita e amplamente difundida. Essa identificação das ações que operacionalizem o Acordo da Bacia do Apa. em nível local. até o presente momento. de agosto de 2006 sobre o Projeto de Decreto que ratifica o Acordo da Bacia do Apa. dependem de decisões e ações internas. apenas pelo fato de estar assinado. 84 A Mensagem nº 1. especialmente. pois requer a integração de interesses comuns. no Brasil e no Paraguai. requer a formação de recursos humanos com capacidade de atuações transversais que a temática exige. resultando em mudanças que vão ao nível pessoal e cultural. em matéria de gestão integrada e cooperativa dos recursos hídricos. é difícil perceber. e aguarda os procedimentos para sua aprovação.

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Palavizini (2005) afirma que o desenvolvimento dessas qualidades, fundamentais aos processos de gestão interativa e cooperativa, é construído com a vivência e com a educação. Os processos de formação e capacitação de técnicos e gestores definem ai uma estratégia fundamental. A formação humana permite a reflexão ética, epistemológica e paradigmática, favorecendo ao encontro de novas formas de pensamento, percepção e atuação, enquanto, a capacitação, subsidia os técnicos e gestores com o conhecimento de métodos, conceitos e alternativas para o desenvolvimento de processos dinâmicos, transformadores e criativos de planejamento e gestão.

Possibilidades da gestão integrada de recursos hídricos Para garantir o acesso eqüitativo a todos que demandam pela água da Bacia do Apa, se faz necessário o gerenciamento desse bem comum. Isso requer estruturas governamentais, a identificação dos usuários e dos atores envolvidos que possam influenciar na tomada de decisões das questões hídricas, considerando os diferentes interesses e objetivos da sua utilização. Numa bacia transfronteiriça, em um mundo, cada vez mais interdependente, a soberania compartilhada entre os Países, para o gerenciamento integrado dos recursos hídricos, segundo Calanzans (2004), seria a forma mais adequada de se promover a cooperação entre os Estados na solução de problemas hídricos. LE PRESTRE (2000) considera que, quando as questões ambientais contêm efeitos transfronteiriços, os Estados não podem explorar os recursos naturais sem ter em conta seus vizinhos. Ou seja, a utilização racional dos recursos hídricos da Bacia do Apa não pode ser entendida como uma questão de conveniência para cada um dos países que compartilham dessas águas. No entanto, até o presente momento, não se evidenciou que o posicionamento brasileiro, pela soberania absoluta, tenha impedido ações em prol da gestão de águas transfronteiriças na Bacia do Apa. No Brasil, por intermédio das ações de competência da Agência Nacional de Águas, os desafios que deverão ser enfrentados para a indução à gestão integrada de recursos hídricos,

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conforme Oliveira85, são em função de efetivar a legislação vigente, obter recursos financeiros; melhorar o conhecimento hidrogeológico; implementar redes de monitoramento de águas superficiais e subterrâneas integradas; integrar informações existentes nos diferentes bancos de dados (Sistema Nacional de águas Subterrâneas - SIAGAS x Sistemas de Informações Estaduais x Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos); desenvolver ferramentas operacionais; promover a universalização dos instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos; aumentar o quadro de recursos humanos que atuam nos órgãos gestores de recursos hídricos, realizar capacitação continuada. No caso da Bacia do Apa, muitos fatores devem ser considerados para se verificar a possibilidade da implantação de uma gestão integrada e compartilhada, e em alguns aspectos, são considerados positivos, pois já existem as seguintes situações: - o Acordo de Cooperação da Bacia do Apa firmado pelos países que a compõe; - há acordos legais anteriores, assinados pelo Brasil e Paraguai, como por exemplo, o Tratado do Prata e o Tratado de Itaipu; - há experiências anteriores e recentes de cooperação em outras situações de conflito, como o acordo de cooperação da pesca em relação ao período de defeso86. No entanto, há situações que indicam possibilidades negativas à gestão integrada da Bacia do Apa: - não há mecanismos de gestão hídrica em execução na bacia, no território paraguaio; - o envolvimento de organismos internacionais ocorre de maneira pontual, no desenvolvimento de projetos e programas, no Paraguai e, os resultados não são sistematizados e compartilhados com o Brasil; - a vigilância e proteção ambiental são exercidas de modo precário, no Brasil, e por vezes, não existe, no Paraguai; - os projetos e programas executados não contemplam a bacia inteira;

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Fernando Roberto de Oliveira, Geógrafo da Agência Nacional de Águas, ao ministrar a palestra: “Desafios para a gestão integrada das águas subterrâneas e superficiais no Brasil”, no dia 17/07/2007, no auditório do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande/MS.
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As divergências em função da atividade de pesca, no trecho do Rio Paraguai, entre a baía Negra e a foz do Rio Apa, e no curso do Rio Apa resultou em um Acordo firmado em 1º de setembro de 1991, entre os governos do Brasil e Paraguai, para a conservação da fauna aquática dos cursos dos rios limítrofes. Esse acordo foi regulamentado em 19 de maio de 1999, mediante assinatura de um Protocolo Adicional que harmonizou o período de defeso (piracema/veda) para os dois países (MMA/SRH, 2006).

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- as políticas de desenvolvimento e as políticas setoriais que se remetem ás questões hídricas são planejadas, independentemente, por cada país, e não de modo integrado; - as informações hidrológicas, entre os dois lados da Bacia, são obtidas por meio de metodologias diferentes; - os recursos financeiros são escassos, e a possibilidade de financiamento de projetos, quando existente, é de difícil acesso, para ambos os Países; - a sociedade civil, em geral, desconhece os processos de tomada de decisão para o gerenciamento hídrico na Bacia; - as políticas nacionais de recursos hídricos, do Brasil e do Paraguai, encontram-se em diferentes estágios de ordenamento jurídico e institucional, em especial, na implantação dos seus instrumentos; - os acordos internacionais estabelecidos entre o Brasil e o Paraguai, em geral, não são difundidos e passam despercebidos pela população. Os atos internacionais que estabeleceram a base do gerenciamento integrado de recursos hídricos, apoiados pela maioria no mundo, inclusive pelo Brasil e pelo Paraguai continuam elusivos e não foram incorporados, na prática, na Bacia do Apa, No Brasil a adoção de um enfoque analítico, abrangente, integrado, eficiente e intersetorial no gerenciamento de recursos hídricos e nas inter-relações entre os seus diversos usos, com uma gestão dos serviços centrando-se na ação prática, é um processo em construção. No Paraguai, esse processo está por acontecer. A atuação institucional integrada e a harmonização legal na Bacia do Apa dependem da atuação governamental de cada País, que é dificultada pelos estágios diferentes de implantação das respectivas políticas de gestão de águas. Muitas ações precisam ser induzidas para a efetiva gestão integrada dos recursos hídricos transfronteiriços na Bacia do Apa, em especial e, principalmente, de vontade política para que isso aconteça.

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CONCLUSÃO

Os rios e os lagos são as principais fontes de água doce no Planeta, onde a demanda por água aumenta, e a situação já é critica em algumas partes no Mundo. Desta forma, os problemas internacionais relativos aos cursos de águas transfronteiriços tendem a se multiplicar. Ademais, os recursos hídricos são distribuídos de forma desigual na Terra, onde sua escassez ou abundância, cada vez mais, são afetadas por mudanças políticas, pela má gestão e pelas anomalias climáticas. Esses fatores produzem grandes agitações, transformações demográficas e

desigualdades no desenvolvimento dos Países, circunstâncias que, por sua vez, contribuem para acentuar as diferenças socioeconômicas, que por sua vez , conflitos pelo uso desse recursos natural. Nesse contexto, há uma grande quantidade de nações que compartilham rios e lagos de água doce, numa dinâmica de interdependência, pois qualquer ação de um país em uma bacia pode ter efeitos no outro e vice-versa, situação vivenciada pelo Brasil e pelo Paraguai, que compartilham as águas do Rio Apa. O Brasil e o Paraguai são signatários de vários atos internacionais, a partir dos quais assumem compromissos de abrangência mundial, regional ou bilateral, por meio tratados e acordos, embasados nos princípios do direito internacional de água, que contribuem para consolidar mecanismos de manejo de conflitos e resolução de disputas hídricas. Diante dos posicionamentos adotados, por ambos os países, teoricamente, tanto o Brasil, quanto o Paraguai, consideram a gestão de águas na Bacia do Apa como um caminho ao desenvolvimento sustentável e a redução da pobreza que dependem, entre outras condições, do acesso dos distintos segmentos da população à água. As águas do Rio Apa possibilitaram a ocupação territorial e o desenvolvimento econômico da região de entorno, onde a interdependência transnacional das águas é uma realidade. Na Bacia do Apa, o atual processo de degradação ambiental e de captação descontrolada tem potencializado conflitos, entre o Brasil e o Paraguai, pelo uso das águas do Rio Apa e de seus afluentes.

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O enfrentamento da problemática hídrica, na Bacia do Apa, ultrapassa o foco apenas na água, em termos quantitativos e qualitativos, pois envolve a identificação das agressões e ameaças advindas do uso indiscriminado e inadequado do solo, da vegetação, da fauna e flora, que direta ou indiretamente, impactam os recursos hídricos dessa Bacia. Por exemplo, para a proteção dos córregos Quien Sabe, Paso Bravo, Blandengue, e o Rio Apa, o manejo efetivo do Parque Nacional Paso Bravo é essencial, já que esses cursos de água passam por toda a sua extensão. Dessa forma, os conflitos socioambientais presentes na Bacia do Apa, refletidos nas águas que a compõe, estabelecem a necessidade da gestão dos recursos hídricos dessa bacia para a promoção do desenvolvimento sustentável nesse território. Por intermédio de pessoas que identificaram os problemas existentes na Bacia do Apa, apropriados de conhecimentos técnicos e afinidade ao trabalho conjunto, através da AlterVida e do CIDEMA, foi iniciado um processo de indução à gestão de recursos hídricos transfronteiriça que resultou, após ações parcerias dos governos do Brasil e do Paraguai, no Acordo de Cooperação da Bacia do Apa. O Acordo de Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável e Gestão Compartilhada da Bacia do Rio Apa, proposto para a gestão integrada da Bacia Transfronteiriça do Rio Apa, dá o embasamento legal para o estabelecimento da cooperação entre os dois Países que compartilham a Bacia do Apa, porém, é mais uma proposta de gerenciamento do que, de fato, um Acordo de Cooperação possível de implantar, atualmente, pelos dois Países. As diretrizes de ações alusivas à gestão integrada e compartilhada de recursos hídricos, nesse Acordo, se remetem às instâncias de atuação relacionadas aos marcos legais e aos sistemas operacionais de gestão hídrica, tanto do Brasil, como do Paraguai. Os diferentes estágios de criação e implantação dos marcos legais e institucionais para o tratamento da temática hídrica, entre o Brasil e o Paraguai, comprometem a efetiva gestão transfronteiriça de água, na Bacia do Apa. No Paraguai, há carência sobre os dados das condições hídricas da Bacia do Apa. A capacidade real do Estado para regular o uso dos recursos hídricos e de fazer cumprir as leis e normas é frágil, no que se agrava a desarticulação institucional. A Lei Nacional de Recursos Hídricos foi sancionada em 2007, mas carece de regulamentação para possibilitar sua implantação.

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No Brasil, são vigentes os normativos que estabelecem o arcabouço legal federal e estadual para a implantação das políticas e dos sistemas de gerenciamento hídrico no País e, no Estado de Mato Grosso do Sul, atualmente, em processo de consolidação. Na Bacia do Apa, a participação pública na preservação hídrica, no lado paraguaio, é quase inexistente, e no lado brasileiro, é incipiente. A sociedade, de modo geral, desconhece os mecanismos de gestão hídrica e, mesmo nas regiões limítrofes, unidas pelas águas do Rio Apa, as ações ambientais e de recursos hídricos, normalmente, não abordam os aspectos e os problemas transfronteiriços existentes Para a gestão integrada das águas transfronteiriças da Bacia do Apa, entre outras coisas, precedem negociações entre os dois países para o estabelecimento de diretrizes comuns de ação, de mecanismos normativos que procurem definir regras harmônicas de uso das águas e de manejo compartilhado da bacia inteira. As diferenças político institucionais entre Estados que compartilham águas geram grandes obstáculos para a gestão integrada e compartilhada de recursos hídricos, pois enquanto houver tais diferenças, não há gestão transfronteiriça de águas. Mesmo numa visão burocrática, a governabilidade hídrica não é garantida apenas pelos governos, sem o funcionamento de redes mais ou menos institucionalizadas de atores estratégicos que disponham de sua própria autonomia, e de uma agenda, também, estratégica. A gestão de águas transfronteiriças implica no gerenciamento de interesses específicos divergentes e de outros relacionados à geopolítica dos países, numa tendência de estabelecer uma escala local de atuação junto aos atores envolvidos. Isso requer um disciplinamento legal, uma base de dados e informações técnicas, instituições ordenadas e consolidadas, e a participação pública para garantir e dar transparência ao processo de planejamento e tomada de decisão, por meio de organizações e indivíduos que atuam na bacia hidrográfica. No entanto, apesar da importânica da mobilização e envolvimento dos atores locais, a ponto de promover acordos binacionais, como o caso do Acordo do Apa, não significa que as soluções estejam apenas no local. A harmonização normativa para gestão integrada de recursos hídricos em bacias transfronteiriças não compete somente às instâncias locais, e nem apenas a um só país (nacional). Os diversos componentes que devem ser levados em consideração no processo de indução à gestão hídrica em bacias composta por águas transfronteiriças resulta em tal complexidade que impede a criação de um modelo de gestão

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transfronteiriça, até mesmo à luz dos conflitos existentes pelo uso compartilhado de um recurso natural, no caso, a água. A possibilidade de implantação dos instrumentos de gestão de águas, que permita que a mesma seja transfronteiriça, vai depender da capacidade política, da capacidade técnica e profissional, institucional, financeira e humana, e da capacidade de cumprimento das regulamentações, por parte de quem controla e fiscaliza, e por parte de quem tem que cumprir as restrições, ou não, do gerenciamento dos recursos hídricos, por meio de estruturas formais e informais, de cada País que compõem uma bacia transfronteiriça. As entidades governamentais e não governamentais teriam que inserir, no exercício de suas respectivas competências, o “agir de maneira integrada”, para que a gestão integrada e compartilhada não ficasse apenas “no papel”. Não obstante isso, é válido considerar que a aplicação de instrumentos de políticas para gerenciar e resolver conflitos em bacias transfronteiriças devem estar voltados para as soluções de consenso, desenhados para estimular tanto a capacidade dos atores sociais para sua auto-regulação, como a capacidade de forças do mercado econômico. O primeiro passo consiste na criação de um banco de dados comum, que também possa auxiliar na identificação dos interesses partilhados. A informação é fundamental, pois a cooperação, ao nível da água, depende da vontade de cada país em partilhar a sua gestão com os demais países em uma bacia transfronteiriça. Segue a isso, a necessidade de instituições fortes e atuantes na implementação de políticas públicas estruturadas e harmoniosas, atreladas à disponibilidade de recursos financeiros para concretizar as ações de gerenciamento compartilhado de águas. A complexidade dos desafios a serem enfrentados para a gestão de recursos hídricos em bacias transfronteiriças é imenso, e implica na integração das políticas de gestão ambiental com as políticas de gestão de recursos hídricos, considerando as questões socioeconômicas e político-institucionais de cada País. Tal situação leva a pensar em novas formas mais eficazes e eficientes de realizar a política de gestão de recursos hídricos, a partir de uma nova ordem: uma governança hídrica. Essa governança hídrica trata-se de uma governança interpretada como uma série de atividades apoiadas em objetivos e responsabilidade comuns e partilhadas entre as instituições governamentais, a sociedade e os usuários de água. Seria um processo mais amplo do que o governo, pois contaria com a participação da sociedade e dos usuários da água que atuam,

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ativamente, na tomada de decisões no planejamento das questões hídricas, nos Países que compartilham as mesmas águas. Uma rede de caráter cooperativo composta por quem dela quisesse fazer parte, desde que sejam por pessoas que de fato representem seus segmentos (governo, usuários, sociedade), poderia resultar na proposição de padrões mínimos de qualidade dos corpos de água receptores de efluentes, na identificação dos diferentes interesses sobre o uso das águas transfronteiriças e das águas afluentes dessas, no estímulo às atividades educacionais e às pesquisas técnico-científicas, na integração das tecnologias aos conhecimentos tradicionais, na identificação de mecanismos de financiamento, e tantas outras possibilidades de ações que subsidiariam o processo de gestão integrada em Bacias Transfronteiriças. A promoção à inclusão da sociedade civil e do setor econômico nos processos decisórios para a gestão das águas transfronteiriças exigirá dos técnicos e dos gestores públicos, a capacidade de diálogo, mediação e compartilhamento do poder, transcendendo a hierarquia, das estruturas formais, na direção da construção de redes de relações cooperativas e coresponsáveis pelo destino do município, do Estado/Departamento e da Nação, sob o enfoque do ciclo hidrológico. A governança das águas em Bacias compostas por águas transfronteiriças tenderá à governabilidade quanto mais previsível, transparente e legítimo for o marco institucional, a ser garantida pelos governos e pelas redes de atuação da sociedade, ressaltando que, em bacias transfronteiriças. Fatores relativos à confiança e às preocupações estratégicas entre os países envolvidos são de grande importância. A disputa pela água é uma prioridade da geopolítica, pois a apropriação das fontes de água representa um importante instrumento de poder. De todo modo, para alcançar a governança hídrica é preciso um exercício de promoção da ética e do exercício da cidadania. As atividades de controle governamental na gestão de recursos hídricos, (marcos legais, as políticas, as instituições e a implantação dos instrumentos), quando não cumpre com seu papel, de exercer um bom governo, não contam com o apoio da sociedade às suas políticas, e fica difícil o estabelecimento do uso eqüitativo e sustentável das águas. A implantação das medidas necessárias para garantir o acesso de todos à água de boa qualidade carece de “mais”, do que boa vontade inserida em acordos assinados.

médio e longo prazo.230 Será preciso institucionalizar os propósitos acordados entre as Partes para planejar e realizar ações estruturantes para atingir metas claras. à descentralização da tomada de decisão. a fim de que sejam alcançados os objetivos consensuados em relação à gestão integrada de recursos hídricos. à participação dos usuários e da sociedade no gerenciamento das águas. à proteção dos ecossistemas. à prevenção da contaminação hídrica. como em outras bacias transfronteiriças do País. tanto na Bacia do Apa. . à cooperação internacional ao desenvolvimento sustentável. em curto.

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