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PROCESSO Nº TST-RR-133-44.2014.5.04.

0251

A C Ó R D Ã O
4ª Turma
GMALR/SCFR/

RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELO


RECLAMANTE (ESPÓLIO DE ISRAEL MACHADO
LEITE). ACÓRDÃO REGIONAL PUBLICADO NA
VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014 E
ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI Nº
13.467/2017.

1. FALECIMENTO DO EMPREGADO APÓS A


EXTINÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO.
INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL DECORRENTE
DE ACIDENTE DE TRABALHO. LEGITIMIDADE
ATIVA DO ESPÓLIO PARA PLEITEAR DANO
MORAL EM NOME DO DE CUJUS.
CONHECIMENTO E PROVIMENTO.
I. No caso dos autos, o trabalhador
sofreu acidente de trabalho em
25/02/2012 e pediu demissão em
18/09/2012. Consta, ainda, que "o
reclamante não ajuizou ação de
indenização por danos morais antes
de seu falecimento, ocorrido em
03/11/2012". II. A Corte Regional
manteve a sentença em que se
reconheceu a ilegitimidade ativa da
sucessão do Autor, representada por
sua genitora e única herdeira, para
pleitear indenização pelo pagamento
de indenização por dano moral
decorrente do acidente de trabalho
sofrido pelo de cujus. Assim,
entendeu que "o direito à
indenização por danos morais é
personalíssimo, intransmissível e
irrenunciável". III. O pedido de
indenização por danos morais trata-se
de direito patrimonial transmissível
por herança, nos termos do art. 943
do Código Civil. Diante disso,
conclui-se que os sucessores do
trabalhador possuem legitimidade
ativa para ajuizar ação, pretendendo
reparação por dano moral e material,
tratando-se de direito patrimonial,
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decorrente do contrato de trabalho


havido entre o empregador e o de
cujus. IV. A esse respeito, no
julgamento do processo nº RR-94385-
95.2005.5.12.0036, esta Quarta Turma
já se manifestou no sentido de que
"os sucessores têm legitimidade para
propor qualquer ação de indenização,
por tratar-se de direito
patrimonial. Isso porque o que se
transmite é o direito de ação, e não
o direito material em si, pelo fato
de não se tratar de direito
personalíssimo, o que impediria sua
transmissão a terceiros". V. Recurso
de revista de que se conhece, por
violação do art. 943 do Código Civil,
e a que se dá provimento.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de


Recurso de Revista n° TST-RR-133-44.2014.5.04.0251, em que é
Recorrente ESPÓLIO DE ISRAEL MACHADO LEITE e Recorrida GENERAL MILLS
BRASIL ALIMENTOS LTDA. e ITAÚ SEGUROS S.A.

O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região deu


negou provimento ao recurso ordinário interposto pelo Reclamante
(acórdão de fls. 587/607).
O Reclamante interpôs recurso de revista (fls.
613/618). A insurgência foi admitida quanto ao tema "INDENIZAÇÃO POR
DANO MORAL", por divergência jurisprudencial (decisão de fls.
629/631).
A Reclamada GENERAL MILLS BRASIL ALIMENTOS LTDA.
apresentou contrarrazões ao recurso de revista.
Os autos não foram remetidos ao Ministério Público
do Trabalho.
É o relatório.

V O T O
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1. CONHECIMENTO
O recurso de revista é tempestivo, está subscrito
por advogado regularmente constituído e cumpre os demais
pressupostos extrínsecos de admissibilidade.

1.1. ACIDENTE DE TRABALHO. INDENIZAÇÃO POR DANO


MORAL. LEGITIMIDADE ATIVA DO ESPÓLIO PARA PLEITEAR DANO MORAL EM
NOME DO DE CUJUS
O Recorrente atendeu aos requisitos previstos no
art. 896, § 1º-A, da CLT (redação da Lei nº 13.015/2014), quanto ao
tema em destaque.
O Reclamante pretende o processamento do seu
recurso de revista por violação do art. 943 do Código Civil, bem
como por divergência jurisprudencial.
Argumenta que, "ao reconhecer a ilegitimidade
ativa da sucessão do obreiro ante a intransmissibilidade do direito
de exigir a reparação e a obrigação a prestar a indenização dos
danos morais suportados por este em decorrência de acidente do
trabalho, a decisão Regional viola literalmente a dicção do artigo
943 do Código Civil" (fl. 617).
Requer que "seja reconhecida a legitimidade ativa
do espólio em pleitear o direito à indenização por danos morais
decorrentes do sinistro laboral sofrido pelo de cujus e que
encontra-se incontroverso nos autos, conforme revela a ata da
audiência inaugural, bem como para condenar a reclamada ao pagamento
da respectiva indenização" (fl. 618).
Afirma, ainda, que a decisão recorrida diverge do
entendimento de outros Tribunais acerca da matéria.
Consta do acórdão recorrido:
"Inicialmente, insta salientar que o direito à indenização por danos
morais é personalíssimo, intransmissível e irrenunciável, nos termos do
disposto no art. 11 do Código Civil.
Sendo assim, a Sucessão de Israel Machado Leite, representada pela
sua genitora e única herdeira, Celenir Machado Leite, não é parte legítima
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para postular indenização por danos morais decorrentes do acidente de


trabalho sofrido pelo empregado, em 25/02/2012 (CAT, fl. 61), haja vista
que o contrato de trabalho foi extinto em 18/09/2012 (TRCT, fl.09v) e o
reclamante não ajuizou ação de indenização por danos morais antes de seu
falecimento, ocorrido em 03/11/2012, conforme certidão de, óbito (fl. 241).
[...]
Portanto, a questão foi analisada de forma precisa e irreparável pela
sentença, cujos bem lançados fundamentos adoto como razões de decidir:
A análise da legitimidade para a causa dá-se com base nos
fatos relatados na petição inicial, pela aplicação da teoria da
asserção, ainda que com o julgamento do mérito da ação o
direito material vindicado possa não ser acolhido. Nesse
contexto, pela leitura da inicial restou evidente que o pedido de
indenização por dano moral foi formulado em razão do acidente
de trabalho sofrido pelo falecido durante o contrato (item "IV"
da causa de pedir, fls. 03v-04).
Com efeito, se observa que a sucessão reclamante não
ajuizou a presente ação para reivindicar direito próprio, mas
para postular indenização por dano moral alegadamente sofrido
pelo de cujus, não possuindo, portanto, legitimidade, porque o
dano moral, por seu caráter personalíssimo, não é transmissível
com a herança, já que a personalidade desaparece com a morte
do seu titular. O caso sob análise, portanto, não enseja a
aplicação, de per si, do artigo 943 do Código Civil.
Entendo que a legitimidade da sucessão só se configura
na hipótese de o falecido, em vida, interpuser ou manifestar
expressamente a intenção de ajuizar a ação de indenização por
dano moral. Ocorrendo isso, deve a sucessão assumir o
processo na condição de substituto processual.
Particularmente, o falecido pediu demissão e não teve
intenção em ajuizar ação indenizatória contra a primeira
demandada, o que leva a crer que não se sentiu lesionado pelo
acidente de trabalho sofrido durante o contrato.
Em razão disso, ante a ilegitimidade ativa da sucessão
reclamante, acolho a preliminar suscitada pela primeira
demandada e extingo o processo sem resolução do mérito
quanto ao pedido de pagamento de indenização por dano moral
(letra "e"), com fulcro no art. 267, VI, do CPC, aplicado
subsidiariamente (CLT, art. 769).
Nego provimento"(fls. 590/591).

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No caso dos autos, o trabalhador sofreu acidente


de trabalho em 25/02/2012 e pediu demissão em 18/09/2012. Consta,
ainda, que "o reclamante não ajuizou ação de indenização por danos
morais antes de seu falecimento, ocorrido em 03/11/2012".
Como se observa, a Corte Regional manteve a
sentença em que se reconheceu a ilegitimidade ativa da sucessão de
Israel Machado Leite, representada por sua genitora e única
herdeira, para pleitear o pagamento de indenização por dano moral
decorrente do acidente de trabalho sofrido pelo de cujus. Assim,
entendeu que "o direito à indenização por danos morais é
personalíssimo, intransmissível e irrenunciável" (fl. 590).
O art. 1.784 do Código Civil estabelece que,
aberta a sucessão, a herança é transmitida aos herdeiros legítimos.
Dispõe o artigo 943 do Código Civil que:

Art. 943. O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la


transmitem-se com a herança.

Portanto, o pedido de indenização por danos morais


trata-se de direito patrimonial transmissível por herança, nos
termos do art. 943 do Código Civil.
Diante disso, conclui-se que os sucessores do
trabalhador possuem legitimidade ativa para ajuizar ação,
pretendendo reparação por dano moral e material, tratando-se de
direito patrimonial, decorrente do contrato de trabalho havido entre
o empregador e o de cujus.
A esse respeito, no julgamento do processo nº RR-
94385-95.2005.5.12.0036, esta Quarta Turma já se manifestou no
sentido de que "os sucessores têm legitimidade para propor qualquer
ação de indenização, por tratar-se de direito patrimonial. Isso
porque o que se transmite é o direito de ação, e não o direito
material em si, pelo fato de não se tratar de direito
personalíssimo, o que impediria sua transmissão a terceiros".
Dessa forma, corolário desse contexto que o
Espólio Autor tem legitimidade ativa ad causam.
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Nesse sentido os seguintes julgados desta Corte


Superior:

"(...). LEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. INTERPOSIÇÃO


DA AÇÃO PELO ESPÓLIO POSTULANDO INDENIZAÇÃO POR
DANO MORAL DECORRENTE DE DOENÇA OCUPACIONAL
ADQUIRIDA PELO TRABALHADOR DURANTE O CONTRATO DE
TRABALHO. DIREITO PATRIMONIAL DO DE CUJUS
TRANSMISSÍVEL POR HERANÇA. Segundo a jurisprudência pacífica
desta Corte, o espólio tem legitimidade ativa ad causam, tendo em vista que
o pedido de indenização por danos morais decorre do contrato de
trabalho havido entre o empregador e o de cujus, e se trata de direito
patrimonial transmissível por herança, nos termos do art. 943 do
Código Civil. Precedentes. Não se divisa a alegada violação dos artigos 6º
e 267, VI, do CPC/73 ou mesmo em divergência jurisprudencial. Incidência
do artigo 896, § 4º, da CLT (Lei 9756/98) e da Súmula 333/TST. (...).
(AIRR - 225900-03.2008.5.15.0026 Data de
Julgamento: 22/03/2017, Relator Ministro:
Alexandre de Souza Agra Belmonte, 3ª Turma, Data
de Publicação: DEJT 24/03/2017) [grifos nossos].

"RECURSO DE REVISTA. INDENIZAÇÃO POR DANOS


MORAIS. LEGITIMIDADE ATIVA. ESPÓLIO QUE PLEITEA DANO
MORAL EM NOME DO -DE CUJUS-. Na diretriz do art. 943 do Código
Civil, os sucessores têm legitimidade para propor qualquer ação de
indenização, por tratar-se de direito patrimonial. Isso porque o que se
transmite é o direito de ação, e não o direito material em si, pelo fato de
não se tratar de direito personalíssimo, o que impediria sua transmissão a
terceiros. Desse modo, a decisão que considera o Espólio Autor parte
ilegítima para propor a demanda viola o citado artigo. Sobrestada a análise
dos demais temas recursais. Recurso de Revista parcialmente conhecido e
provido" (RR - 94385-95.2005.5.12.0036, Relatora
Ministra: Maria de Assis Calsing, Data de
Julgamento: 20/08/2014, 4ª Turma, Data de
Publicação: DEJT 22/08/2014) [grifos nossos].
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"INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAL E MORAL -


ACIDENTE DE TRABALHO COM ÓBITO - AÇÃO MOVIDA PELOS
SUCESSORES. COMPETÊNCIA MATERIAL DA JUSTIÇA DO
TRABALHO. I - É incontroversa a competência da Justiça do Trabalho
para julgar ação de indenização por danos moral e material provenientes de
infortúnio do trabalho quando movida pelo empregado. II - A competência
material assim consolidada não sofre alteração na hipótese de, falecendo o
empregado, o direito de ação for exercido pelos seus sucessores. III - Com
efeito, a transferência dos direitos sucessórios deve-se à norma do artigo
1784 do Código Civil de 2002, a partir da qual os sucessores passam a
deter legitimidade para a propositura da ação, em razão da
transmissibilidade do direito à indenização, por não se tratar de direito
personalíssimo do de cujus, dada a sua natureza patrimonial, mantida
inalterada a competência material do Judiciário do Trabalho, em virtude de
ela remontar ao acidente de que fora vítima o ex-empregado. Recurso
desprovido" (TST-RR-165/2006-076-03-00.8, 4ª Turma,
Relator: Ministro Antônio José de Barros
Levenhagen, DJ 27/4/2007) [grifos nossos].

"RECURSO DE REVISTA. ILEGITIMIDADE ATIVA. ESPÓLIO.


INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. Conforme se
extrai do art. 943 do Código Civil, os sucessores do empregado falecido
possuem legitimidade para propor ação judicial visando à reparação
por dano moral ou material sofrido pelo de cujus. Não se transmite o
sofrimento da vítima, mas o crédito que corresponde ao dano moral e
que se reveste, assim, de natureza patrimonial. Como os demais, esse
crédito passa a integrar a universalidade dos bens que compõem a herança,
cabendo ao espólio, em princípio e sob a representação do inventariante, a
titularidade do direito de reivindicá-lo em juízo. A Lei 6.858/80 não
impede, por sua vez, que os sucessores do trabalhador requeiram o
inventário judicial, nos moldes dos artigos 982 e seguintes do Código Civil.
Faculta, porém, aos dependentes do empregado falecido junto à previdência
social ou, em falta deles, aos sucessores previstos na lei civil, o direito de
receber haveres trabalhistas, fiscais e valores de pequena monta
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PROCESSO Nº TST-RR-133-44.2014.5.04.0251

independentemente de inventário ou arrolamento. Preserva-se, contudo e


residualmente, a regra geral do processo de inventário. Precedentes do TST
e do STJ. Recurso de revista conhecido e provido." (TST-RR-91200-
31.2006.5.03.0047, Relator: Ministro Augusto César
Leite de Carvalho, 6ª Turma, DEJT de 18/3/2011)
[grifos nossos].

"RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELO


RECLAMANTE. LEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM DO ESPÓLIO.
INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL DECORRENTE DAS
CONDIÇÕES DE TRABALHO. Diante dos termos do artigo 943 do
Código Civil, o direito de exigir a reparação e a obrigação de prestá-la
transmite-se com a herança. Conquanto a afronta à moral atinja tão somente
os direitos subjetivos da vítima, o direito de ingresso de ação de
indenização por danos morais decorrente das condições degradantes de
trabalho transmite-se com o falecimento do titular do direito (teoria da
transmissibilidade incondicionada), possuindo o espólio ou os herdeiros
legitimidade para propor a ação indenizatória por dano moral, por se
tratar de direito patrimonial. Ressalte-se não se tratar de ação de
indenização por danos morais em decorrência do acidente que vitimou o de
cujus, situação esta diversa, em que apenas os sucessores - não o espólio -
detêm legitimidade. Precedentes. Recurso de revista conhecido e provido.
(ARR - 202-29.2015.5.03.0038 Data de Julgamento:
10/05/2017, Relator Ministro: Aloysio Corrêa da
Veiga, 6ª Turma, Data de Publicação: DEJT
19/05/2017) [grifos nossos].

"AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA DA


RECLAMANTE. REGIDO PELA LEI 13.015/2014. 1. ESPÓLIO.
LEGITIMIDADE ATIVA. Dispõe o artigo 943 do CC que "O direito de
exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança".
Não há dúvidas, portanto, de que os sucessores do trabalhador possuem
legitimidade ativa para ajuizar ação, pretendendo reparação por dano moral
e material, tratando-se de direito de natureza patrimonial. Precedentes.
Assim, estando o acórdão regional em conformidade com a iterativa,
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notória e atual jurisprudência desta Corte, incide o óbice da Súmula 333 do


TST ao processamento da revista. (...). (AIRR - 2107-
55.2011.5.11.0016 Data de Julgamento: 24/08/2016,
Relator Ministro: Douglas Alencar Rodrigues, 7ª
Turma, Data de Publicação: DEJT 16/09/2016).

"RECURSO DE REVISTA. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR


DANOS MORAL E MATERIAL. LEGITIMIDADE ATIVA DO ESPÓLIO.
O espólio tem legitimidade ativa para pleitear indenização por danos morais
e materiais, nos termos do art. 943 do Código Civil. Precedentes desta
Corte e do STJ. Recurso de revista conhecido e provido. (RR -
312700-83.2006.5.12.0027, Data de Julgamento:
11/05/2011, Relatora Ministra: Delaíde Miranda
Arantes, 7ª Turma, Data de Publicação: DEJT
20/05/2011).

"RECURSO DE REVISTA - ESPÓLIO - LEGITIMIDADE ATIVA


AD CAUSAM. Nos termos dos artigos 1526 do Código Civil de 1916, 12,
parágrafo único, e 943 do Código Civil de 2002, o espólio tem legitimidade
ativa para pleitear indenização por danos morais e materiais. O pedido não
deve ser considerado direito personalíssimo do empregado falecido,
porquanto a natureza da ação é patrimonial" (TST-RR - 72000-
26.2006.5.15.0040 Data de Julgamento: 21/10/2009,
Relatora: Ministra Maria Cristina Irigoyen
Peduzzi, 8ª Turma, Data de Divulgação: DEJT
23/10/2009).

"RECURSO DE REVISTA. DANOS MORAIS. LEGITIMIDADE


ATIVA DO ESPÓLIO. O espólio tem legitimidade ativa para requerer
pedido de indenização por danos morais, porquanto a reparação é de
natureza patrimonial e é decorrente do contrato de trabalho havido entre a
Reclamada e o -de cujus-. Recurso de revista conhecido e provido." (TST-
RR - 125500-81.2006.5.03.0091, Data de Julgamento:
4/3/2009, Relatora: Ministra Dora Maria da Costa,
8ª Turma, Data de Divulgação: DEJT 6/3/2009).
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PROCESSO Nº TST-RR-133-44.2014.5.04.0251

Assim, a decisão regional afronta o disposto no


art. 943 do Código Civil.
Ante o exposto, conheço do recurso de revista por
violação do art. 943 do Código Civil.

2. MÉRITO

2.1. FALECIMENTO DO EMPREGADO APÓS A EXTINÇÃO DO


CONTRATO DE TRABALHO. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL DECORRENTE DE
ACIDENTE DE TRABALHO. LEGITIMIDADE ATIVA DO ESPÓLIO PARA PLEITEAR
DANO MORAL EM NOME DO DE CUJUS
Em razão do conhecimento do recurso de revista por
violação do art. 943 do Código Civil, seu provimento é medida que se
impõe, para, afastando a ilegitimidade ativa do Espólio Autor,
quanto ao pedido de indenização por dano moral, declarada desde a
origem, determinar o retorno dos autos ao Tribunal Regional de
origem para prosseguir na análise do mérito, como entender de
direito.

ISTO POSTO

ACORDAM os Ministros da Quarta Turma Tribunal


Superior do Trabalho, à unanimidade, conhecer do recurso de revista
interposto pelo Reclamante (ESPÓLIO DE ISRAEL MACHADO LEITE) quanto
ao tema "FALECIMENTO DO EMPREGADO APÓS A EXTINÇÃO DO CONTRATO DE
TRABALHO. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL DECORRENTE DE ACIDENTE DE
TRABALHO. LEGITIMIDADE ATIVA DO ESPÓLIO PARA PLEITEAR DANO MORAL EM
NOME DO DE CUJUS", por violação do art. 943 do Código Civil, e, no
mérito, dar-lhe provimento, para, afastando a ilegitimidade ativa do
Espólio Autor, quanto ao pedido de indenização por dano moral,
declarada desde a origem, determinar o retorno dos autos ao Tribunal
Regional de origem para prosseguir na análise do mérito, como
entender de direito.
Brasília, 3 de setembro de 2019.
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MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.
fls.11

PROCESSO Nº TST-RR-133-44.2014.5.04.0251

Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001)


ALEXANDRE LUIZ RAMOS
Ministro Relator

Firmado por assinatura digital em 03/09/2019 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme
MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.