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movimento & saúde • REVISTAINSPIRAR

Suplemento 1 • Volume 6 • Número 5 • set/out de 2013

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REVISTAINSPIRAR • movimento & saúde
Suplemento 1 • Volume 6 • Número 5 • set/out de 2013

Revista Eletrônica Inspirar [recurso eletrônico] - Curitiba:


R454 Faculdade Inspirar,
2012-

Bimestral, Suplemento 1, v. 6, n. 5, set/out 2013-


ISSN 2175-537X
Modo de acesso: www.inspirar.com.br

1. Saúde - Periódicos.
CDD 610
CDU 614

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movimento & saúde • REVISTAINSPIRAR
Suplemento 1 • Volume 6 • Número 5 • set/out de 2013

A REVISTA
A Revista Eletrônica da Inspirar é um periódico de acesso aberto, gratuito e bimestral,
destinado à divulgação arbitrada da produção científica na área de Ciências da Saúde,
de autores brasileiros e de outros, contribuindo, desta forma, para o crescimento e
desenvolvimento da produção científica.

MISSÃO
Publicação de artigos científicos que contribuam para a expansão do conhecimento
da área da saúde, baseados em princípios éticos.

OBJETIVO
Propiciar meios de socialização do conhecimento construído, tendo em vista o
estimulo à investigação científica e ao debate acadêmico.

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CONSELHO EDITORIAL
Alexandre Ricardo Pepe Ambrozin – SP
Alonso Romero Fuentes Filho – SC
Álvaro Luiz Perseke Wolf – PR
Ana Francisca Kleiner-SP
Ana Maria Cardoso Cepeda - PR
Ana Paula Rodrigues - PR
Andrea Cristiane Janz Moreira - RS
César Antonio Luchesa – PR
Dulce Satori-SP
Eduardo Ferro - SP
Eliana Portella Carzino – PR
Evelise Guimarães da Silva – SP
Fabiana Carvalho-PR
Fernando Henrique de Sousa - SP
Gilian Fernanda Dias Erzinger - PR
Janaina Medeiros de Souza – SC
Janaina Vall - PR
Juliana Viana Paris -S P
Karina Brongholi – SC
Lidiane Isabel Filippin – RS
Marcelo Zager – SC
Maria Aparecida Rapozo Araldi – PR
Maria de Fátima Fernandes Sípoli – PR
Marcos Claudio Signorelli- PR
Nelson Francisco Serrão Junior – SP
Patricia Hommerding-RS
Paulo José Oliveira Cortez - SP
Rafael Vercelino - SP
Renata Campos - SC
Sheila Schneiberg - CE
Sibele Melo – PR
Silvio Assis de Oliveira Junior – MS
Telma Cerqueira - SE
Vanessa Fogaça -PR

EDITORES
Prof. Dr. Esperidião Elias Aquim - PR
Prof. MSc. Marcelo Márcio Xavier - PR

COORDENAÇÃO EDITORIAL
Prof. Dra. Angélica Lodovico - revistacientifica@faculdadeinspirar.com.br

EDITORAÇÃO ELETRÔNICA
Marilize F. Nazario - marketing@inspirar.com.br

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VII Congresso Paranaense de Fisioterapia


01 e 02 de novembro de 2013, Cascavel - PR

Coordenadora Geral: Profa. Lizyana Vieira

Coordenador Científico: Prof. Dr. Fernando Amâncio Aragão

Coordenador do Curso de Fisioterapia (Unioeste)

Prof. Dr. Gladson Ricardo Flôr Bertolini

COMISSÃO CIENTÍFICA

Prof. Ms. Alberito Rodrigo de Carvalho


Prof. Dr. Gladson Ricardo Flôr Bertolini
Profª. Drª. Lucinéia de Fátima Chasko Ribeiro
Prof. Ms. Gustavo Kiyosen Nakayama
Prof. Danilo de Oliveira Silva
Prof. Dr. Fernando Amancio Aragao

COMISSÃO ORGANIZADORA

Beatriz Gavassa de Araújo


Cristina Ferreira da Silva
Felipe Grando
Giovanni Ribeiro Bernardino
Giulia Satie Broetto
José Roberto Svistalski
Kimberly Suellen Bueno
Maíra Carolina de Oliveira
Mariana Laís Boaretto
Marina Zilio
Milena Aparecida Nunez
Monica Mariana de Moraes
Ricardo Massao Abico
Roberto Luiz Werlang Roncato

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SUMÁRIO
PROGRAMAÇÃO DO VII CONGRESSO PARANAENSE DE FISIOTERAPIA........13

EDITORIAL.....................................................................................................................15

P001 - ANÁLISE CINÉTICA DA MARCHA DE INDIVÍDUOS COM ALTERAÇÕES


PODAIS EM VIRTUDE DE SEQUELA DE HANSENÍASE.........................................16
CAROLINA SILVA FLÓRIDE; RONALDO VALDIR BRIANI; AMANDA SCHENATTO FERREIRA; ANA VA-
LÉRIA GOLÇALVES; FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO

P002-COMPARAÇÃO DOS PARÂMETROS CINEMÁTICOS DA MARCHA DE


INDIVÍDUOS COM ALTERAÇÕES PODAIS DECORRENTES DE SEQUELAS DE
HANSENÍASE E ADULTOS JOVENS SAUDÁVEIS...................................................18
CAROLINA SILVA FLÓRIDE; RONALDO VALDIR BRIANI; AMANDA SCHENATTO FERREIRA;
ANA VALÉRIA GOLÇALVES; FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO

P003 - APLICAÇÃO DE JOGOS DE REALIDADE VIRTUAL EM PACIENTES COM


SEQUELAS MOTORAS COMO ATENDIMENTO FISIOTERAPÊUTICO: RELATOS
DE UMA ESPERIÊNCIA.................................................................................................20
BIANCA TABORDA; MARINA D. COSTA; ANA VALÉRIA GONÇALVES; BRUNO R. BOBLOSKI;
MAYCON W. NAGLIATE; FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO

P004 - O SIGNIFICADO DA ACUPUNTURA NA VIDA DE PACIENTES ATENDIDOS


PELA TÉCNICA...............................................................................................................22
GESSICA KARINE SANTIN RIBEIRO; KAREN ANDRÉA COMPARIN.

P005 - ESTUDO COMPARATIVO DA VELOCIDADE MÉDIA E DO NÚMERO DE


FROUDE DURANTE A CAMINHADA DE JOVENS, IDOSAS CAIDORAS E NÃO
CAIDORAS......................................................................................................................24
RONALDO VALDIR BRIANI; ÉRICA CAROLINE CARVALHO MARTINES; GABRIEL SANTO SCHAFER;
FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO.

P006 - TEMPO DE APOIO E FORÇA ANTERO-POSTERIOR DURANTE A CAMI-


NHADA DE JOVENS, IDOSAS CAIDORAS E NÃO CAIDORAS..............................26
RONALDO VALDIR BRIANI; ÉRICA CAROLINE CARVALHO MARTINES;
GABRIEL SANTO SCHAFER; FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO

P007 - O SIGNIFICADO DA REABILITAÇÃO PULMONAR PARA INDIVÍDUOS


COM PNEUMOPATIAS CRÔNICAS.............................................................................28
GABRIELA MATTÉ ZANINI; KARINE MAYURI MAKYIAMA RAIMUNDO;
KEILA OKUDA TAVARES; MARIANA LAÍS BOARETTO; MARINA ZILIO; ROSIANI LIVI

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P008 - TREINAMENTO DO DESLOCAMENTO ÂNTERO-POSTERIOR DE INDÍVI-


DUOS HEMIPLÉGICOS UTILIZANDO O CONSOLE DE JOGOS NINTENDO WII®30
DANILO DE OLIVEIRA SILVA; CAROLINA SILVA FLÓRIDE;
RONALDO VALDIR BRIANI; FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO.

P009 - O USO DO LASER E DA MOBILIZAÇÃO NEURAL APÓS LESÃO NERVOSA


PERIFÉRICA EM RATOS: EFEITOS SOBRE A RECUPERAÇÃO FUNCIONAL......32
WELLINGTON DE ALMEIDA; REGINA INES KUNZ; MARCELO ALVES DE SOUZA;
LUCINÉIA DE FÁTIMA CHASKO RIBEIRO; GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI;
ROSE MEIRE COSTA BRANCALHÃO; LÍGIA ALINE CENTENARO.

P010 - EFEITOS DA IMOBILIZAÇÃO EM ENCURTAMENTO E REMOBILIZAÇÃO


COM ASSOCIAÇÃO DE DIFERENTES MODALIDADES DE EXERCÍCIOS
TERAPÊUTICOS NO MUSCULO SÓLEO DE RATOS WISTAR................................34
CAMILA MAYUMI MARTIN KAKIHATA; LUCINÉIA DE FÁTIMA CHASKO RIBEIRO;
LÍGIA INÊS SILVA; GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI;
ROSE MEIRE COSTA BRANCALHÃO.

P011 - PICO DE VELOCIDADE ANGULAR DOS JOELHOS DE JOVENS DURANTE


A DESCIDA DE ESCADA..............................................................................................36
DÉBORA CRISTINA THOMÉ; AMANDA SCHENATTO FERREIRA;
DANILO OLIVEIRA SILVA; FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO.

P012 - CORRELAÇÃO DA VELOCIDADE ANGULAR DO JOELHO E FORÇA


VERTICAL DE REAÇÃO DO SOLO DE JOVENS DURANTE DESCIDA DE
ESCADA..........................................................................................................................38
DÉBORA CRISTINA THOMÉ; AMANDA SCHENATTO FERREIRA;
DANILO OLIVEIRA SILVA; FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO.

P013 - AVALIAÇÃO DA FREQUENCIA CARDÍACA MÉDIA EM LESADOS


MEDULARES DURANTE A EXECUÇÃO DE TAREFAS EM REALIDADE VIRTUAL
40
DJENIFER PRISCILA BECKER; AMANDA SCHENATTO FERREIRA;
DANILO OLIVEIRA SILVA; FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO.

P014 - POTÊNCIA MECÂNICA DE VOLEIBOLISTAS EM TESTE DE SALTOS


VERTICAIS CONTÍNUOS: COMPARAÇÃO ENTRE SEXOS....................................42
ALINE SPIRONELLO; DIANE DE SOUZA AGNELLI; FELIPE GRANDO;
GIULIA SATIE BROETTO; JOSÉ ROBERTO SVISTALSKI; WELDS RODRIGO BERTOR;
ALBERITO RODRIGO DE CARVALHO.

P015 - FISIOTERAPIA NO PRÉ E PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIAS CARDÍACAS


REALIZADAS NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DO OESTE DO PARANÁ...........44
ANDREIA TRAVASSOS; GABRIELA MATTE; CAROLINA PALMA PRIOTTO;
RUI M. S. ALMEIDA; ERICA FERNANDA OSAKU; FRANCYELLE DOS SANTOS SOARES.

P016 - PROPOSTA DE ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NA PREVENÇÃO DE


ATRASO MOTOR NUM CONTEXTO PÚBLICO DE EDUCAÇÃO INFANTIL .......46
HELENARA SALVATI BERTOLOSSI MOREIRA; THAIS APARECIDA CANABARRO DOS SANTOS;
ANA PAULA ELSENBACH; ANDRÉIA FIORI; GRACIEL JIANE PEREIRA.

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P017 - EFEITOS DA IMOBILIZAÇÃO E REMOBILIZAÇÃO SOBRE O MÚSCULO


SÓLEO DE RATOS WISTAR. ........................................................................................48
WELLINGTON DE ALMEIDA; REGINA INÊS KUNZ; LÍGIA ALINE CENTENARO;
ROSE MEIRE COSTA BRANCALHÃO; GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI;
LUCINÉIA DE FÁTIMA CHASKO RIBEIRO

P018 - AVALIAÇÃO DA RESPOSTA DA LASER TERAPIA DE BAIXA POTÊNCIA


SOBRE O EDEMA NO MODELO EXPERIMENTAL DE ARTRITE FÚNGICA POR
CANDIDA ALBICANS...................................................................................................50
JOSÉ HENRIQUE FERMINO FERREIRA DOS SANTOS; CRISTINA FERREIRA DA SILVA;
ASSIS ROBERTO ESCHER; ANIELE TOMADON; SAMIA KHALIL BIAZIM;
THAYZA RODRIGUES MARINHO; MÁRIO JOSÉ DE REZENDE; EDUARDO ALEXANDRE LOTH²

P019 - APLICAÇÃO DO MÉTODO STS EM PACIENTE COM PARALISIA


CEREBRAL: ESTUDO DE CASO..................................................................................52
ALINE SCHENATTO DOS SANTOS; ANANDA STAATS; CAROLINE DANIELLI;
GUSTAVO KIYOSEN NAKAYAMA; GRACIELI JIANE PEREIRA;
KARINE MAYURI MAKIYAMA RAIMUNDO; MAÍRA CAROLINE DE OLIVEIRA;
MARIANA LAÍS BOARETTO; MARINA ZILIO; VANESSA CECATTO.

P020 - CORRELAÇÃO ENTRE O NÍVEL DE INCAPACIDADE E INTENSIDADE


FUNCIONAL DO TESTE DE CAMINHADA DE SEIS MINUTOS EM INDIVÍDUOS
SAUDÁVEIS E LOMBÁLGICOS CRÔNICOS.............................................................54
SIMONE LIBARDI, KELLY CARDOSO AFFONSO, ALBERITO RODRIGO DE CARVALHO,
FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO.

P021 - A INFLUÊNCIA DA POSTURA PRONO NAS AQUISIÇÕES MOTORAS EM


PREMATUROS DE ALTO RISCO..................................................................................56
ALINE TAUANY MACHADO KRUPENISKI SANTOS; FRANCIELLY BENGOZI BORSATTO;
IULLY TIYOKO REBELATTO SUGUIURA; NATHÁLIA JAÍNE TAVARES;
NORLANA RAFAELA RAMBO; THAYZA RODRIGUES MARINHO; HELENARA SALVATI²

P022 - MÉTODO STS: ESTUDO DE CASO................................................................58


ALINE SCHENATTO DOS SANTOS; ANANDA STAATS; CAROLINE DANIELLI;
GUSTAVO KIYOSEN NAKAYAMA; GRACIELI JIANE PEREIRA;
KARINE RAIMUNDO MAYURI; MAÍRA CAROLINE DE OLIVEIRA;
MARIANA LAÍS BOARETTO; MARINA ZILIO; VANESSA CECATTO.

P023 - A ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NO PRÉ E PÓS-OPERATÓRIO DE


REVASCULARIZAÇÃO MIOCÁRDICA: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.........60
ELISA PINHEIRO SCHRADER; GRACIELI JIANE PEREIRA; JANAINA PAULA AROCA;
MAÍRA CAROLINE DE OLIVEIRA; MARIANA LAÍS BOARETTO; VANESSA CECATTO.

P024 – CONFIABILIDADE INTRA-AVALIADOR DA ANÁLISE GONIOMÉTRICA


DO MOVIMENTO PASSIVO DE INVERSÃO DE TORNOZELO...............................62
MARCELLA FERRAZ PAZZINATTO; ANIELE TOMADON;
ALVARO JOSÉ MAYER FERREIRA;ANAMARIA MEIRELES; DANILO DE OLIVEIRA SILVA.

P025 - AVALIAÇÃO DA NOCICEPÇÃO DISTAL APÓS NATAÇÃO COM CARGA


POSTERIOR À LESÃO NO NERVO MEDIANO EM RATOS WISTAR OBESOS.....64

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ANA LUIZA PERETTI; JOSINÉIA GRESELE CORADINI; MARIA LÚCIA BONFLEUR;


REGINA INÊS KUNZ; LÍGIA INEZ SILVA; CAMILA MAYUMI MARTINS KAKIHATA;
TATIANE KAMADA ERRERO; GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI.

P026 - CONHECIMENTO DE MULHERES EM TRATAMENTO RADIOTERÁPICO


DE CÂNCER DE MAMA SOBRE A FISIOTERAPIA ONCOLÓGICA........................66
CRISTIANE REGINA GIEHL; JULIANA CRISTINA FRARE.

P027 - IMPORTÂNCIA DE UM PROGRAMA DE FOLLOW-UP E DA


INTERVENÇÃO INTERDISCIPLINAR PREVENTIVA AO BEBÊ DE ALTO RISCO.68
ANA PAULA ELSENBACH; ANDRÉIA FIORI;
HELENARA SALVATI BERTOLOSSI MOREIRA; MILENE MORAES SEDRES ROVER;
THAIS APARECIDA CANABARRO DOS SANTOS.

P028 - ANÁLISE DO ÍNDICE DE PORCENTAGEM DE SOBREPOSIÇÃO DA


MUSCULATURA MASTIGATÓRIA DE JOVENS ADULTAS SAUDÁVEIS.............70
CAMILA DIAKUY GOMES; ALINE SCHENATTO DOS SANTOS;
GUSTAVO KIYOSEN NAKAYAMA; CARLOS EDUARDO DE ALBUQUERQUE.

P029 - ANÁLISE DOS EFEITOS IMEDIATOS DA MOBILIZAÇÃO NEURAL EM


MULHERES JOVENS SOBRE A ATIVAÇÃO MUSCULAR........................................72
ANA PAULA SIMM GOBO; CAMILA DIAKUY GOMES; BRUNO ROBERTO BOBLOSKI;
CARLOS EDUARDO DE ALBUQUERQUE; JULIANA COPPO;
KELLY APARECIDA GUIMARÃES; VANESSA SIMON.

P030 - AVALIAÇÃO DO HUMOR ENTRE ATLETAS, DE TAEKWONDO COM


DIFERENTES NÍVEIS DE EXPERIÊNCIA, PELA ESCALA DE HUMOR DE BRUNEL
(BRUMS)..........................................................................................................................74
CAROLINA PALMA PRIOTTO; DANIELLA FERNANDA HENKES;
GLADSON RICARDO FLOR BERTOLLINI; MARCELA GOMES FERREIRA;
SIMONE SUELEN STELTER.

P031 - APLICAÇÃO DE UM PROTOCOLO DE MUSCULAÇÃO TERAPÊUTICA EM


ADULTOS JOVENS........................................................................................................76
ALINE SCHENATTO DOS SANTOS; ANANDA CHRISTINA PIRES STAATS;
CAROLINE DANIELLI; GUSTAVO KIYOSEN NAKAYAMA; GRACIELI JIANE PEREIRA;
KARINE RAIMUNDO MAYURI; MAÍRA CAROLINE DE OLIVEIRA;
MARIANA LAÍS BOARETTO; MARINA ZILIO¹; VANESSA CECATTO.

P032 - INFLUÊNCIA DA DEBILIDADE MUSCULAR, INCAPACIDADE FUNCIO-


NAL E DEPRESSÃO NA MANUTENÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA DO IDOSO –
REVISÃO DE LITERATURA.........................................................................................78
AMANDA GRAPIGLIA MENDES; ANA PAULA BORGES BRASIL;
ANA PAULA ELSENBACH; ANA PAULA SIMM GOBO; CAMILA DIAKUY GOMES.

P033 - AVALIAÇÃO DO LASER DE BAIXA POTÊNCIA SOBRE OS EFEITOS DO


CLORIDRATO DE QUETAMINA E DE XILAZINA SOBRE A NOCICEPÇÃO E
TEMPO DE ANESTESIA EM RATOS WISTAR............................................................80
THIAGO FERNANDO MATTJIE; ANAMARIA MEIRELES;
GLADSON RICARDO FLOR BERTILINI.

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P034 - COMPARAÇÃO ENTRE ALONGAMENTO ESTÁTICO, BALÍSTICO E FACI-


LITAÇÃO NEUROMUSCULAR PROPRIOCEPTIVA SOBRE A POTÊNCIA
MUSCULAR EM INDIVÍDUOS SAUDÁVEIS.............................................................82
GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI¹; MARCELA GOMES FERREIRA.

P035 - AVALIAÇÃO DE RAZÃO DE FORÇA CONCÊNTRICA FLEXORA /


EXTENSORA EM JOELHOS SUBMETIDOS À RECONSTRUÇÃO DO LCA..........84
MARCELLA FERRAZ PAZZINATTO; DANILO DE OLIVEIRA SILVA;
CAROLINA SILVA FLÓRIDE; IURI SEFFRIN DA SILVA;
GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI;FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO.

P036 - EFEITOS DA NATAÇÃO COM CARGA SOBRE A NOCICEPÇÃO DISTAL


APÓS LESÃO NO NERVO MEDIANO.........................................................................86
GIOVANNI RIBEIRO BERNARDINO; JOSINÉIA GRESELE CORADINI;
MARIA LÚCIA BONFLEUR; REGINA INÊS KUNZ¹; LÍGIA INEZ SILVA;
CAMILA MAYUMI MARTINS KAKIHATA; TATIANE KAMADA ERRERO;
GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI.

P037 - CORRELAÇÃO DO PERFIL FUNCIONAL DE PÉ E TORNOZELO COM O


EQUILÍBRIO EM ATLETAS DE TAEKWONDO COM E SEM HISTÓRICO DE
ENTORSE.........................................................................................................................88
ALBERITO RODRIGO DE CARVALHO; ADRIANA DE OLIVEIRA GOMES;
CRISTINA FERREIRA DA SILVA; GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI;
MARIANY RIBEIRO GOMES; WELDS RODRIGO RIBEIRO BERTOR.

P038 - A DEMORA PELA BUSCA DO TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO PARA


INCONTINÊNCIA URINÁRIA.......................................................................................90
DANIELLA FERNANDA HENKES; JULIANA CRISTINA FRARE;
KEILA OKUDA TAVARES.

P039 - EFEITO DA NATAÇÃO COM SOBRECARGA SOBRE A FORÇA DE


PREENSÃO PALMAR EM RATOS SUBMETIDOS À COMPRESSÃO DO NERVO
MEDIANO........................................................................................................................92
CAMILA THIEIME ROSA; JOSINÉIA GRESELE CORADINI;
CAMILA MAYUMI MARTIN KAKIHATA; REGINA INÊS KUNZ;
TATIANE KAMADA ERRERO; GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI;
MARIA LÚCIA BONFLEUR.

P040 - INCIDÊNCIA DE LACERAÇÕES PERINEAIS EM PARTOS NORMAIS


CORRIDOS NO ANO DE 2011 NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DO OESTE DO PA-
RANÁ - HUOP.................................................................................................................94
CAMILA THIEIME ROSA; JULIANA CRISTINA FRARE.

P041 - ANALISE DO CONTROLE NEUROMUSCULAR EM COMPETIDORES DE


TAEWKONDO ATRAVÉS DO STAR EXCURSION BALANCE TEST.......................96
ALINE SCHENATTO DOS SANTOS; ANANDA CHRISTINA STAATS PIRES;
ANDRÉIA TRAVASSOS; GABRIEL SANTO SCHÄFER; GABRIELA MATTÉ ZANINI;
KELI LOVISON; GUSTAVO NAKAYAMA; GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI.

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P042 - EFEITOS SOBRE A DOR DA CORRENTE INTERFERENCIAL EM


PACIENTES COM DOR LOMBAR CRÔNICA.............................................................98
JHENIFER KARVAT; JULIANA SOBRAL ANTUNES;
GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI.

P043 - EFEITOS SOBRE A FUNÇÃO DA CORRENTE INTERFERENCIAL EM PA-


CIENTES COM DOR LOMBAR CRÔNICA................................................................100
JHENIFER KARVAT; JULIANA SOBRAL ANTUNES; GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI.

P044 - EFEITO DO ISOSTRETCHING NO EQUILÍBRIO CORPORAL DE INDIVÍ-


DUOS SAUDÁVEIS......................................................................................................102
GIULIA SATIE BROETTO; DAIANE LAZZERI DE MEDEIROS; RICARDO BRANDT;
JANAÍNA CRISTINA SCALCO; GISELE TRIVELLATO NAVARRO;
MARCOS KOITINAKANISHI; GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI.

P045 - INFLUÊNCIA DA CRIOTERAPIA NA PREENSÃO PALMAR DE MULHERES


JOVENS SEDENTÁRIAS.............................................................................................104
ANANDA CHISTINA STAATS PIRES; ALINE SCHENATTO DOS SANTOS; ALINE CARNIEL;
KELLY CRISTINA YANO; FRANCIELLY SOARES; DANILO LOPES DA TRINDADE;
ANA PAULA FERNANDES PAZ; MÁRCIA ROSÂNGELA BUZANELLO;
GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI.

P046 - ANÁLISE DOS PACIENTES INFECTADOS POR BACTÉRIAS MULTIRRE-


SISTENTES, NOTIFICADOS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO NO PARANÁ,
BRASIL, NO ANO DE 2011..........................................................................................106
MARIA CLARA CALABRESI; JULIANA HERING GENSKE; RODRIGO DANIEL GENSKE;
PAULA CAROLINE DOS SANTOS.

P047 - ANÁLISE DA SOBRECARGA EM CUIDADORES DE PACIENTES HOSPI-


TALIZADOS DURANTE O PERÍODO DE INTERNAÇÃO.......................................108
PAULA CAROLINE DOS SANTOS; JULIANA HERING GENSKE;
RODRIGO DANIEL GENSKE.

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Programação do VII Congreso Paranaense de Fisioterapia

Dias 01 e 02 de Novembro de 2013 , CEAVEL, Cascavel – PR

Dia 01/11/2013

8:00 - 9:20 ABERTURA


8:00 - 8:40: Entrega de Materiais
8:40 - 9:20: Abertura com Prof. Dr. Gladson Flor Bertolini (líder do grupo de Pesquisa em Reabilitação Neuro-Músculo
-Esquelética).
Origem: Cascavel (UNIOESTE).
Currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4772222D0

9:20 – 10:20 Palestra 1


Tema: Emprego da CIF na avaliação fisioterapêutica
* Prof. Andersom Ricardo Frez
Origem: Guarapuava (UNICENTRO).
Currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4756761H0

10:20 – 11:00 Intervalo + Apresentações Orais

11:00 – 12:00 Palestra 2


Tema: A importância das revisões sistemáticas e meta-análises para a fisioterapia
Prof. Sibele de Andrade Melo Knaut.
Origem: Guarapuava (UNICENTRO)
Currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4756287A8

12:00 – 13:30 Almoço

13:30 – 15:30 Apresentação grupo de Pesquisa.


Palestrantes diversos.
Origem: Cascavel (UNIOESTE)

15:30 – 16:30 Intervalo + Apresentações Orais

16:30 – 17:30 Palestra 3


Tema: Suit terapia no processo terapêutico do paciente com encefalopatia
Profa. Márcia Borges.
Origem: Foz do Iguaçu (UNIAMERICA)
Currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4717259Y4

17:30 - 18:30 Palestra 4


Tema: Treinamento funcional adaptado com cordas elásticas de resistência variável
Dr. Roberto Régis Ribeiro
Origem: Cascavel
Currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4746017D3

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Dia 02/11/2013

8:00 - 9:00 Palestra 5


Tema: “Exercício Excêntrico Aplicado à Fisioterapia Esportiva”.
Prof. Dr. Bruno Manfredini Baroni
Currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4237645E2
Origem: Porto Alegre (UFRGS)

9:00 – 9:30 Intervalo + Apresentação de Painéis

9:40 - 11:00 MESA REDONDA


Tema: “Dor no joelho: Relações entre a avaliação clínica e a biomecânica de laboratório”
- Avaliação clínica da síndrome da dor femoropatelar com auxílio de ferramentas biomecânicas: construção de uma linha
de pesquisa.
*Doutoranda Deisi Ferrari. (USP-São Carlos)
Currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4404697D3

Tema- Perspectivas futuras de análises biomecânicas na síndrome da dor femoropatelar.


*Mestrando Danilo de Oliveira Silva. (FCT-UNESP)
Currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4279352H6

Mediador: Prof. Dr. Fernando Amancio Aragão


Currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4708772P8
*PRATA DA CASA

11:00 - 12:00 Palestra 6


Tema: Neurometria Funcional Computadorizada / Reabilitação Cerebral Funcional Computadorizada
Prof. Rodrigo Alberto Dispato Mendes Martins
Currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4133162Z2
Origem: Cascavel (INSPIRAR)

12:00 – 13:30 Almoço

13:30 Início do Curso – Terapia Analgésica Funcional de Ação Rápida (TAFAR).


Prof. Rodrigo Alberto Dispato Mendes Martins
Origem: Cascavel (INSPIRAR)

15:30 – 16:00 Intervalo + Apresentação de Painéis

16:00 – 17:30 Continuação do Curso – Terapia Analgésica Funcional de Ação Rápida (TAFAR).

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EDITORIAL

Prezados Congressistas,

Colegiado do Curso de Fisioterapia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE – Campus de Cascavel e o
Centro Acadêmico de Fisioterapia da Unioeste tem orgulho de recebê-los para a realização da VII edição do Congresso Paranaense
de Fisioterapia – CPF, nos dias 01 e 02 de novembro de 2013, nas dependências da CEAVEL em Cascavel - PR.
Todos aqui presentes passam a fazer parte da história do CPF. História que teve início com a realização do evento anual
denominado Jornada Acadêmica de Fisioterapia (entre 1999 e 2005) e que, pela evolução de conteúdo, passou a ser denominado
Congresso Paranaense de Fisioterapia tendo no ano de 2006 sua primeira edição. Em 2013, pela primeira vez o CPF terá sob a
coordenação geral a Profa Lizyana Vieira, ex-aluna de graduação da Unioeste, o que é motivo de orgulho para esse evento.
A proposta do evento, além da atualização específica da área, traz como diferencial a discussão da produção científica na
área da fisioterapia e, negociações para o futuro, na tentativa de tornar o Congresso Paranaense um evento multiinstitucional.
Repetindo exemplos anteriores, a comissão organizadora do evento buscou escolher temas atuais sobre a nossa profissão e
que serão abordados por renomados profissionais da área. Além disso, uma importante parceria foi firmada com a Revista Inspirar
que possibilitou a publicação de 47 resumos aprovados no evento, aumentando a visibilidade dos trabalhos inscritos.
Finalizando, desejamos a todos que sejam bem vindos, que aproveitem ao máximo o evento e que tenhamos, mais uma vez,
um evento bastante produtivo na cidade de Cascavel.

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Suplemento 1 • Volume 6 • Número 5 • set/out de 2013

P001 - ANÁLISE CINÉTICA DA MARCHA DE INDIVÍDUOS


COM ALTERAÇÕES PODAIS EM VIRTUDE DE SEQUELA
DE HANSENÍASE
Kinetic gait analysis of subjects with podal changes
due to hasen sequelae.
CAROLINA SILVA FLÓRIDE¹; RONALDO VALDIR BRIANI¹;
AMANDA SCHENATTO FERREIRA¹; ANA VALÉRIA GOLÇALVES¹;
FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO²

Palavras-chave: hanseníase; marcha; neuropatia.

Introdução
A hanseníase é uma doença causada pelo bacilo Mycobacterium leprae, também chamado de bacilo de Hansen, um parasita
intracelular obrigatório, com afinidade por células cutâneas e células dos nervos periféricos, tendo um período médio de incubação
que varia de 2 a 5 anos, podendo se multiplicar no organismo do indivíduo infectado. O tempo para multiplicação é lento, podendo
durar em média, de 11 a 16 dias (CHIUCHETTA, GIUBLIN, 2010). De acordo com Bretan, Pinheiro e Corrente (2010), há correlação
entre alteração de sensibilidade cutânea plantar e a distribuição das pressões plantares durante o apoio podal, potenciais geradores de
distúrbios do equilíbrio e da marcha. Assim, objetivou-se avaliar as possíveis alterações cinéticas relacionadas ao apoio do membro
inferior de indivíduos portadores de sequelas podais de hanseníase comparadas a indivíduos jovens saudáveis durante a caminhada.

Materiais e métodos
Para realização desse estudo, 18 participantes foram recrutados e após assinarem o termo de consentimento devidamente
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Unioeste (CAAE nº: 01362812.0.0000.0107), foram divididos em dois diferentes
grupos, a saber: grupo hansen (GH) n=9, composto por indivíduos portadores de sequelas podais de hanseníase (61,1 ± 7,9 anos)
e grupo controle (GC) n=9, composto por adultos jovens saudáveis (20,5 ± 1,57 anos). Para o teste de marcha foi utilizado uma
plataforma de força (AMTI, EUA), localizada a 4 metros do início do percurso de uma passarela de madeira com 8 metros, por onde
os sujeitos deveriam caminhar descalços, com uma velocidade de caminhada confortável, utilizada no dia-a-dia. A coleta dos dados
ocorreu no momento do contato completo do pé direito sobre a plataforma de força. Para análise quantitativa dos parâmetros da mar-
cha, foram utilizadas variáveis cinéticas (picos de força vertical, ântero-posterior no momento de apoio e impulso do passo – obtidos
a partir do apoio unipodal sobre a plataforma de força). Além disso, foi monitorada também a velocidade média da marcha através
do software Multisprint®. A análise estatística, intra e intergrupos, das variáveis supracitadas, foram realizadas pelos testes T de
Student pareado e independente, respectivamente, com auxílio do software SPSS v.17, em todas as comparações foi adotado α=0,05.

Resultados e Discussão
Na Figura 1, observa-se que houve diferença significativa entre o pico de força vertical do grupo hansen (GH) e grupo controle
(GC), tanto no momento de apoio quanto no momento de impulso, sendo maior no GC. Entretanto, a força vertical poderia ser explicada
pelo fato de que a velocidade média da caminhada do GC também foi significativamente maior do que no GH, inclusive, corroborando
com os achados de Novaes, et al. (2011) que, após avaliarem 69 voluntários, verificaram que a velocidade da caminhada está diretamen-
te ligada à idade. Resultado semelhante também foi encontrado por Souza e Rodacki (2012), que avaliaram 45 mulheres, encontrando
uma velocidade média de caminhada, significativamente, maior no grupo de adultas jovens comparado ao grupo de idosas sedentárias.

1. DISCENTES DO CURSO DE FISIOTERAPIA, LABORATÓRIO DE PESQUISA DO


MOVIMENTO HUMANO – LAPEMH. UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO
PARANÁ, CASCAVEL, PR, BRASIL.

2. DOCENTE DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO


OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL, PR, BRASIL.

E-mail: carol.floride@gmail.com

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Suplemento 1 • Volume 6 • Número 5 • set/out de 2013

Figura 1 – Força vertical de reação do solo nos grupos GH e GC durante as fases de apoio e impulso (p≤0.05).

Conclusões
Foi identificada diferença na força vertical da marcha de indivíduos com sequelas podais devido à hanseníase e adultos
jovens saudáveis. Porém, não podemos concluir, com certeza, se estas diferenças foram originadas pelas sequelas de hanseníase
ou pela diferença de idade encontrada entre os grupos, o que se converteu em uma limitação do estudo, uma vez que o grupo GH
teve comportamento na marcha semelhante ao de indivíduos de meia-idade e idosos.

Agradecimentos
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico pela bolsa de estudos. E ao Professor Carlos Eduardo
Albuquerque pelo auxílio com os materiais utilizados na pesquisa.

Referências

BRETAN, O. PINHEIRO, R.M. CORRENTE, J.E. Avaliação funcional do equilíbrio e da sensibilidade cutânea plantar em
idosos moradores na comunidade. Brazilian journal of Otorhinolaryngology, v. 76, n. 2, p. 219-224, 2010.
CHIUCHETTA, F. A., GIUBLIN, M. L. Neuropatia hansênica: Relatos de casos e revisão de literatura. Revista Dor, São
Paulo, v.11, n.4, p. 343-346, 2010.
NOVAES, R. D., MIRANDA, A. S., DOURADOS, V. Z. Velocidade usual da marcha em brasileiros de meia idade e idosos.
Rev Bras Fisioter, São Carlos, v. 15, n. 2, p. 117-122, mar./abr. 2011.
SOUZA, R. M., RODACKI, A. L. F. Análise da marcha no plano inclinado e declinado de adultas e idosas com diferentes
volumes de atividades semanais. Rev Bras Med Esporte. v.18, n.4, p. 256-260, 2012.

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Suplemento 1 • Volume 6 • Número 5 • set/out de 2013

P002-COMPARAÇÃO DOS PARÂMETROS CINEMÁTICOS


DA MARCHA DE INDIVÍDUOS COM ALTERAÇÕES PODAIS
DECORRENTES DE SEQUELAS DE HANSENÍASE E ADULTOS
JOVENS SAUDÁVEIS.
kinematic comparison of gait parameters between subjects with
podal changes due to hansen sequelae and healthy young adults.
CAROLINA SILVA FLÓRIDE¹; RONALDO VALDIR BRIANI¹;
AMANDA SCHENATTO FERREIRA¹; ANA VALÉRIA GOLÇALVES¹;
FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO2

Palavras-chave: hanseníase; marcha; neuropatia.

Introdução
A hanseníase é uma doença causada pelo bacilo Mycobacterium leprae, também chamado de bacilo de Hansen, um
parasita intracelular obrigatório, com afinidade por células cutâneas e células dos nervos periféricos, tendo um período médio
de incubação que varia de 2 a 5 anos, podendo se multiplicar no organismo do indivíduo infectado. O tempo para multiplicação
é lento, podendo durar em média, de 11 a 16 dias (CHIUCHETTA, GIUBLIN, 2010). No Brasil é uma doença endêmica e, de
acordo com Dias e Pedrazzani, 2008, em 2007 foi considerando um dos países que não conseguiram alcançar a meta de menos de
um caso por 10.000 habitantes, mostrando, a importância de se combater essa moléstia como problema de saúde pública. Assim,
objetivou-se analisar a marcha de indivíduos sequelas podais de hanseníase, a fim de verificar as possíveis alterações cinemáticas
(ângulos articulares) relacionadas ao apoio do membro inferior desses indivíduos em relação a indivíduos saudáveis.

Materiais e métodos
Para realização desse estudo, 18 participantes foram recrutados e após assinarem o termo de consentimento devidamente
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Unioeste (CAAE nº: 01362812.0.0000.0107), foram divididos em dois grupos, a
saber: grupo hansen (GH) n=9, composto por indivíduos portadores de sequelas podais de hanseníase (61,1 ± 7,9 anos) e grupo
controle (GC) n=9, composto por adultos jovens saudáveis (20,5 ± 1,57 anos). Para o teste de marcha os indivíduos deviam
caminhar, descalços, sobre uma passarela de 8 metros à uma velocidade de caminhada confortável, utilizada no dia-a-dia (auto
selecionada). Três ciclos de marcha foram gravados por uma câmera de vídeo convencional de alta frequência (NX–GS180, Lumix
Panasonic Co. Japão). Nesta avaliação foi adotado um modelo biomecânico de membro inferior constituído por 5 marcadores
reflexivos colocados no membro inferior direito (i.e. no limite ântero-superior da espinha ilíaca, no trocânter maior do fêmur, na
linha interarticular do joelho, no maléolo lateral do tornozelo e na cabeça do 5o metatarso). Foram analisados os ângulos articulares
do joelho, quadril e tornozelo durante as fases de apoio e impulso de um passo. A análise estatística, intra e intergrupos, foram
realizadas pelos testes T de Student pareado e independente, respectivamente, com auxílio do software SPSS v.17, em todas as
comparações foi adotado α=0,05.

Resultados e Discussão
Como ilustrado na figura 1, no momento inicial da marcha, o GH apresentou maior angulação de joelho, quando com-
parado ao grupo controle GC. Fato também observado por Moraes Filho, et al., 2010, que analisaram a marcha de 51 indivíduos,
concluindo que a angulação do joelho, no momento do apoio, é diretamente proporcional à idade, porém, ao contrário do encon-
trado pelo presente estudo, não encontraram diferenças significativas na articulação do tornozelo (Figura1). Já no momento de

1.DISCENTES DO CURSO DE FISIOTERAPIA, LABORATÓRIO DE PESQUISA DO MOVIMENTO HUMANO LAPEMH.


UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL, PR, BRASIL.
2. DOCENTE DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL, PR,
BRASIL. e-mail: carol.floride@gmail.com

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impulso, como observamos na Figura 1, o GH apresentou angulação da articulação do quadril, significativamente, maior que no
GC. Assim como achados de Kirkwood, R. et al., 2007, que analisaram a marcha de 30 indivíduos, demonstrando em um grupo
com idade semelhante ao GH (65,1 ± 6,0 anos), no momento de pré-balanço, o máximo de extensão na articulação do quadril.

Figura 1 – Média do ângulo articular do joelho, quadril e tornozelo, em graus, adotado nas fases de apoio e impulso da
marcha dos grupos estudados (*p≤0.05).

Conclusões
Foram encontradas diferenças significativas nos ângulos articulares dos membros inferiores durante a marcha entre sujeitos
com sequelas de hanseníase e adultos jovens saudáveis. Porém, o comportamento de marcha do grupo hansen foi semelhante à
marcha de idosos, convertendo-se em uma limitação do estudo, pois não é possível afirmar que as diferenças identificadas foram
causadas apenas pelas sequelas de hanseníase, já que a média de idade dos grupos foi diferente.

Agradecimentos
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico pela bolsa de estudos. E ao Professor Carlos Eduardo
Albuquerque pelo auxílio com os materiais utilizados na pesquisa.

Referências
CHIUCHETTA, F. A., GIUBLIN, M. L. Neuropatia hansênica: Relatos de casos e revisão de literatura. Revista Dor, São
Paulo, v.11, n.4, p. 343-346, 2010.
DIAS, R.C. PEDRAZZANI, E.S. Políticas públicas na hanseníase: contribuição na redução da exclusão social. Revista
Brasileira de Enfermagem. 61(esp): 753-756. Brasília, 2008.
KIRKWOOD, R. N., et al. Análise biomecânica das articulações do quadril e joelho durante a marcha em participantes
idosos. Acta ortop. bras. v.15, n.5, p. 267-271, 2007.
MORAIS FILHO, M. C., REIS, R. A., KAWAMURA, C. M. Avaliação do padrão de movimento dos joelhos e tornozelos
durante a maturação da marcha normal. Acta Ortop Bras, v. 18, n. 1, p. 23-25, 2010

1-Discente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste


(UNICENTRO)
2-Docente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste
(UNICENTRO)
Endereço para correspondência: Rua Simeão Camargo Varela de Sá, 03, 85040-080, Vila
Carli, Guarapuava (PR), Brasil.

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P003 - APLICAÇÃO DE JOGOS DE REALIDADE VIRTUAL EM


PACIENTES COM SEQUELAS MOTORAS COMO ATENDIMENTO
FISIOTERAPÊUTICO: RELATOS DE UMA ESPERIÊNCIA

Virtual reality games for patients with motor disabilities as a


physical therapy approach: experience report
BIANCA TABORDA¹; MARINA D. COSTA¹; ANA VALÉRIA GONÇALVES¹;
BRUNO R. BOBLOSKI¹; MAYCON W. NAGLIATE¹; FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO²

Palavras-chave: Sequelas Motoras; Realidade Virtual; Equilíbrio.

Introdução
As doenças neuromusculares estão frequentemente relacionadas à alterações no equilíbrio, tônus muscular, controle motor
e mobilidade articular, acarretando em incapacidade funcional, dependência, diminuição da qualidade de vida e da interação
social dos indivíduos afetados (NADEAU et al., 2001). Os pacientes que são acometidos por doenças que resultam em sequelas
motoras necessitam reaprender os movimentos e tarefas funcionais. Para que se atinja o objetivo da aprendizagem motora, é
necessária a ação músculo-esquelética, a qual é feita por etapas. Após conhecer a tarefa, o processo passa para o estagio motor
com a finalidade de refinar a habilidade e organizar os padrões de movimento, desenvolvendo a coordenação e o controle motor.
Após a prática excessiva, os novos padrões que resultaram da experiência são memorizados e automatizados (SCHMIDT et al.,
2001). Esse processo pode ser prolongado de acordo com a complexidade da atividade, e a exigência de várias repetições para
fixar o movimento geram uma dificuldade da adesão ao tratamento. Ademais, indivíduos com sequelas motoras apresentam difi-
culdade em manter a adesão ao tratamento. A evolução tecnológica computacional tem se destacado como auxílio de tratamento
em pacientes com sequelas motoras, a exemplo pode-se citar o console Nintendo Wii ® que utiliza avatares em realidade virtual,
nas sessões fisioterapêuticas para reabilitação. Dentre as vantagens desse recurso encontram-se os estímulos motivacionais e lú-
dicos propostos (MICHALSKI et al., 2012). Assim, o objetivo desse projeto resume-se em relatar a experiência do atendimento
à população com alguma deficiência motora que vem sendo desenvolvido no CRF Unioeste.

Materiais e métodos
O programa de atendimento vem sendo desenvolvido na clínica de Fisioterapia / Centro de Reabilitação Física – CRF
da Universidade Estadual do Oeste do Paraná UNIOESTE/Campus Cascavel desde agosto de 2012 e atualmente conta com 23
pacientes. Os pacientes atendidos foram triados a partir da lista de espera e submetidos a avaliação clínica com indicação para
o tratamento em ambiente de realidade virtual utilizando o console de jogos Nintendo Wii®. No Nintendo Wii® é necessário
movimentar o controle para realizar diversas ações importantes, como rebater uma bola de tênis, toda movimentação é captada
por um sensor infravermelho. Também possui, via bluetooth, um periférico denominado Wii Balance Board® que age como
interface entre o indivíduo e o ambiente de RV em atividades que envolvem principalmente, a interação por meio dos membros
inferiores. O atendimento foi adaptado individualmente ao treinamento de cada individuo em que se buscou promover exercí-
cios com movimentos específicos visando trabalhar características de cada sujeito. A duração do atendimento é em média trinta
minutos duas vezes na semana. Dentre os jogos mais aplicados encontram-se o ski slalom, bolha de equilíbrio e andar na corda
bamba, os quais apresentam como aplicação clinica o desenvolvimento do equilíbrio, coordenação, agilidade e fortalecimento
dos membros inferiores.

1.DISCENTES DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIOESTE,


CASCAVEL-PR, BRASIL.
2. DOCENTE DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIOESTE,
CASCAVEL-PR, BRASIL.
e-mail:feraaragao@gmail.com

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Resultados e Discussão
Para fins de demonstração do desempenho dos sujeitos acompanhados, foram analisados por meio de estatística descritiva
o desempenho nos jogos Ski Slalom, andar na corda bamba, e bolha de equilíbrio (Figura 1).

Figura 1. Média e desvio padrão do tempo gasto pelos sujeitos acompanhados pelo projeto para desempenhar os exercícios
de Ski Slalom, Corda bamba e Bolha equilíbrio.

No Ski slalom a tarefa se assemelha a de um esquiador e é necessário deslocamento da descarga de peso principalmente
no sentido médio lateral para desenvolver a tarefa. O Jogo andar na corda bamba, envolve equilíbrio e controle motor isométrico
para equilibrar um avatar para que este atravesse a distancia entre dois prédios por uma corda bamba, sujo movimento principal é
a coordenação entre os membros inferiores. No jogo bolha de equilíbrio, o avatar fica dentro de uma bolha de sabão e deve guiar
a mesma por meio dos movimentos dos membros inferiores por um trajeto definido. É possível observar que muitos sujeitos vêm
melhorando seu desempenho (tempo de execução das tarefas propostas) ao longo das semanas. Além disso, fica bastante evidente
a motivação envolvida com o jogo, no qual os pacientes são bastante assíduos e realizam alguns treinos específicos em paralelo
a fisioterapia convencional de forma mais lúdica.

Conclusões
Conclui-se que a utilização de um console de jogos com RV é um método viável e vem tendo sucesso por ser um meio
lúdico e interativo de tratamento. Entretanto, são necessários mais estudos que comprovem sua eficácia como ferramenta para
ser associada ao tratamento convencional.

Referências
NADEAU, S.; TEIXEIRA-SALMELA, L. F.; GRAVEL, D.; ONLEY, S. J. Relationships between spasticity, strength of
the lower limb and functional performance of stroke victims. Synapse – News Neurosci Div. 2001; 21:13-18.
SCHMIDT, R. A.; WRISBERG, C. Aprendizagem e performance motora: uma abordagem da aprendizagem baseada no
problema. 2. ed. Porto Alegre: Artmed; 2001.
MICHALSKI, A.; GLAZEBROOK, C.M.; MARTIN, A.J. et al. Assessment of the postural control strategies used to play
two Wii FitTM videogames. Gait & posture. Elsevier B.V.; 2012 Jul;36(3):449–53.

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P004 - O SIGNIFICADO DA ACUPUNTURA NA VIDA DE PACIENTES


ATENDIDOS PELA TÉCNICA

The meaning of acupuncture in the life of patients treated by technique.

GESSICA KARINE SANTIN RIBEIRO¹; KAREN ANDRÉA COMPARIN².

Palavras-chave: acupuntura, saúde holística, pesquisa qualitativa.

Introdução
A acupuntura é um dos procedimentos terapêuticos que constituem a Medicina Tradicional Chinesa, e consiste na aplicação
de agulhas em pontos específicos do corpo, com o objetivo de promover a cura das doenças ou o alívio de sintomas através da
harmonização das energias circulantes do corpo (MEDEIROS, MARCELO, 2009). Na acupuntura, o paciente é abordado de
forma holística, no objetivo de restabelecer seu equilíbrio físico e mental. Além disso, tem amplas indicações e poucas contrain-
dicações, podendo ser empregada como tratamento único ou em associação com o tratamento convencional (IORIO, SIQUEIRA,
YAMAMURA, 2010). O objetivo desta pesquisa foi compreender qual o significado da acupuntura na vida de pacientes atendidos
pela técnica, no intuito de contribuir com os profissionais acupunturistas, fornecendo-lhes maiores informações sobre a percepção
dos pacientes com relação ao método, para que desta forma, os profissionais possam adequar seu tratamento e atender de maneira
mais satisfatória estes pacientes.

Materiais e métodos
O presente estudo tratou-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter descritivo-exploratório. A população estudada foi com-
posta por pacientes tratados com a técnica de acupuntura em uma clínica particular, da cidade de Cascavel – Paraná, Brasil. Foram
incluídos no estudo, indivíduos com idades entre 40 e 60 anos e que tivessem sido submetidos a um mínimo de cinco sessões de
acupuntura. Aos sujeitos participantes foi realizada a seguinte questão norteadora: “Qual o significado da Acupuntura na sua vida?”.
As respostas foram gravadas e posteriormente transcritas na íntegra. Após a leitura destas falas, os pontos comuns dos discursos
foram destacados, agrupados em categorias, analisados e discutidos de acordo com a metodologia proposta por Minayo (2004).

Resultados e Discussão
Foram sujeitos desta pesquisa doze indivíduos (oito do sexo feminino e quatro do sexo masculino), na faixa etária entre 40
e 57 anos, sendo a média das idades 48 anos. A partir da análise das entrevistas, surgiram três categorias.

Alívio das Dores


“[...] Eu sofri muito de dor, há muito tempo eu não tomo analgésico, não tomo relaxante muscular, nada, com o fato do
equilíbrio mesmo com acupuntura”. (Sujeito 3)
Pesquisas afirmam que a acupuntura ativa o sistema supressor da dor através de mecanismos neurais e neuroquímicos.
Atualmente é possível compreender cientificamente como uma agulha de acupuntura promove analgesia, pois, a participação
de vias aferentes e eferentes do sistema nervoso que modulam a passagem da mensagem dolorosa, tem sido muito bem eviden-
ciada em pesquisas que investigam o efeito dessa técnica (DHOND, KETTNER, NAPADOW, 2007; MENEZES, MOREIRA,
BRANDÃO, 2012).

1. UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ,


CASCAVEL, PR, BRASIL.
2. UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA,
FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL.
e-mail: gessica_karine@hotmail.com

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Alcançar o Equilíbrio Emocional


“[...] Eu procurei a acupuntura pra ver se eu resolvia esse lado emocional. Eu não saberia te dizer exatamente o que significa
acupuntura pra mim, eu sei que aquilo que eu procurei, quando eu procurei, eu consegui”. (Sujeito 4)
As práticas alternativas constituem atualmente um suporte terapêutico com ampla aceitação por seu caráter integrativo,
principalmente entre o corpo e a mente. Tais práticas acolhem os pressupostos da 1ª Conferência Internacional de Promoção da
Saúde e da Reforma Psiquiátrica Brasileira, no sentido de estimular os mecanismos naturais de prevenção e recuperação da saúde
(BRASIL, 2005).

Prevenção
“[...] Você trabalhar na prevenção antes que isso se torne uma doença mais grave né. Então eu acho que a acupuntura, ela
é muito, muito boa nesse aspecto”. (Sujeito 12)

De acordo com o Tratado de Medicina Chinesa, todos os fenômenos do universo sofrem a influência de duas energias
denominadas Yin e Yang. Quando essas energias estão desequilibradas sobrevêm às doenças. Com base nesse conheci-
mento, a acupuntura tem um importante papel na prevenção, visto que seu foco principal de tratamento é sobre as desor-
dens energéticas, primárias e anteriores às doenças (CHOUNG, 1993; KUREBAYASHI, FREITAS, OGUISSO, 2009).

Prevenção
“[...] Você trabalhar na prevenção antes que isso se torne uma doença mais grave né. Então eu acho que a acupuntura, ela
é muito, muito boa nesse aspecto”. (Sujeito 12)
De acordo com o Tratado de Medicina Chinesa, todos os fenômenos do universo sofrem a influência de duas energias
denominadas Yin e Yang. Quando essas energias estão desequilibradas sobrevêm às doenças. Com base nesse conheci-
mento, a acupuntura tem um importante papel na prevenção, visto que seu foco principal de tratamento é sobre as desor-
dens energéticas, primárias e anteriores às doenças (CHOUNG, 1993; KUREBAYASHI, FREITAS, OGUISSO, 2009).

Conclusões
Observou-se com este estudo, que a acupuntura tem um significado muito importante na vida dos pacientes que fazem uso
dessa terapêutica, sendo que os principais benefícios destacados foram: o alívio das dores, o equilíbrio emocional e a prevenção de
doenças. Espera-se que os resultados desta pesquisa possam contribuir para um melhor entendimento das possibilidades terapêu-
ticas e dos benefícios proporcionados pela acupuntura, bem como servir de motivação para pesquisas futuras acerca do assunto.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. DAPE. Coordenação Geral de Saúde Mental. Reforma
Psiquiátrica e Política de Saúde Mental no Brasil. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de
Saúde Mental: 15 anos depois de Caracas. OPAS. Brasília, novembro de 2005.
CHONGH, T. Tratado de Medicina Chinesa. São Paulo: Ed. Roca, 1993.
DHOND, R.P.; KETTNER, N.; NAPADOW, V. Neuroimaging acupuncture effects in the human brain. J. Altern. Comple-
ment. Med. (Charlestown), v.13, n.6, p.603 616, jul./aug. 2007.
IORIO, R.C.; SIQUEIRA, A.A.F.; YAMAMURA, Y. Acupuntura: motivação de médicos para a procura de especialização.
Rev. Bras. Educ. Med. (Rio de Janeiro), v.34, n.2, p.247-254, set. 2010.
KUREBAYASHI, L.F.S.; FREITAS, G.F.; OGUISSO, T. Enfermidades tratadas e tratáveis pela acupuntura segundo per-
cepção de enfermeiras. Rev. Esc. Enferm. USP. (São Paulo), v.43, n.4, p.930-936, dez. 2009.
MEDEIROS, R.; MARCELO, S. Acupuntura: efeitos fisiológicos além do efeito placebo. Mundo Saúde (Ipiranga), v.33,
n.1, p.69-72, out./dez. 2009.
MENEZES, C.R.O.; MOREIRA, A.C.P.; BRANDÃO, W.B. Base neurofisiológica para compreensão da dor crônica através
da acupuntura. Rev. Dor. (Salvador), v.11, n.2, p.161-168, abr./jun. 2012.
MINAYO, M.C.S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: Ed. Hucitec, 2004.

1-Discente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste


(UNICENTRO)
2-Docente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste
(UNICENTRO)
Endereço para correspondência: Rua Simeão Camargo Varela de Sá, 03, 85040-080, Vila
Carli, Guarapuava (PR), Brasil.

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P005 - ESTUDO COMPARATIVO DA VELOCIDADE MÉDIA E DO


NÚMERO DE FROUDE DURANTE A CAMINHADA DE JOVENS,
IDOSAS CAIDORAS E NÃO CAIDORAS.

Comparative study of the mean velocity and Froude number among


young adults, faller and non-faller elders while walking.

RONALDO VALDIR BRIANI¹; ÉRICA CAROLINE CARVALHO MARTINES²;


GABRIEL SANTO SCHAFER²; FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO³.

Palavras-chave: Idosos; Quedas; Marcha.

ESTE TRABALHO FOI DESTAQUE E RECEBEU MENÇÃO HONROSA NO VII CPF

Introdução
O processo de envelhecimento trás consigo uma série de deficiências acumuladas ao longo da vida nos diversos
sistemas que compõe o corpo. Não imune às deficiências cumulativas provenientes do envelhecimento, a marcha está
profundamente afetada em função da redução gradativa da eficiência do aparelho locomotor (FILHO, 2008). Apesar da
marcha do idoso ser um tema bastante abordado por diversos autores na literatura, não foram encontrados muitos estudos
que caracterizassem e comparassem as alterações de estratégias na biomecânica da caminhada de jovens, idosos caidores
e não caidores (MENEZES; BACHION, 2008). Além disso, o Número de Froude é uma medida utilizada para caracte-
rizar a velocidade de deslocamento de indivíduos considerando as suas diferenças antropométricas, propondo que, in-
divíduos com características geométricas similares obterão o mesmo Número de Froude (SAIBENE; MINETTI, 2003).
Assim,este estudo teve como objetivo comparar parâmetros biomecânicos espaço-temporais (velocidade média da passada
e número de froude) da caminhada de jovens, idosas não caidoras e idosas caidoras, na tentativa de identificar as diferenças no
padrão de marcha entre esses três grupos de indivíduos.

Materiais e métodos
O estudo foi composto por uma amostra de 29 indivíduos do sexo feminino, com idades entre 18 e 75 anos, selecionados
de forma intencional. Os indivíduos foram divididos em três grupos: Grupo de Jovens (n=10); Grupo de Idosos Caidores (n=7);
Grupo de Idosos não Caidores (n=12). Durante o protocolo de avaliação os sujeitos deveriam caminhar em uma passarela com
8 metros de comprimento, no qual foram gravados os ciclos da marcha por 3 câmeras de vídeo convencionais de alta resolução
(NV–GS180 3CCD, Panasonic). Os dados de vídeo foram coletados pelo software VirtualDub (Microsoft Studios) com frequência
de amostragem de 60 Hz. O Número de Froude foi obtido através do calculo, Fr= V²/gL, onde V é a velocidade de deslocamento,
g é a aceleração da gravidade e L é o comprimento do membro inferior. As variáveis foram submetidas ao teste de análise de va-
riância (ANOVA) de um caminho, seguido do teste Pós-hoc de Bonferroni para identificação de diferenças entre os grupos. Toda
a análise estatística foi à partir do pacote estatístico SPSS v. 17, e em todos os testes foi adotado =0,05.

Resultados e Discussão
A velocidade média da passada foi maior no grupo Jovens quando comparada tanto com o grupo Idosos N. quanto com o
grupo Idosos C. (Figura 1). Entretanto, o número de Froude, não se mostrou diferente entre os grupos estudados (Figura 1).

1.ACADÊMICO DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO


OESTE DO PARANÁ, PR, BRASIL;
2. FISIOTERAPEUTA GRADUADO PELA UNIOESTE, PR, BRASIL;
3. PROFESSOR DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO
OESTE DO PARANÁ, PR, BRASIL.
e-mail:ronaldobriani@hotmail.com

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Figura 1 – Média e desvio padrão da velocidade média da passada (Velocidade) e do número de Froude (Froude) nos gru-
pos estudados: Jovens, Idosos não caidores (Idosos N.) e Idosos Caidores (Idosos C.). Os asteriscos representam as diferenças
significativas encontradas entre os grupos (*P<0.05).

Apesar de existirem diferenças na velocidade real da passada entre os grupos, ao serem normalizados pelas suas caracte-
rísticas antropométricas, os mesmos apresentam valores similares. Dessa forma, esses resultados demonstram uma similaridade
dinâmica de jovens, idosos caidores e não caidores durante a marcha. Moretto; Bisiaux; Lafortune, (2007), demonstraram que o
número de Froude é um método eficaz para estabelecer semelhanças dinâmicas entre sujeitos com características antropométricas
diferentes. Outro dado importante é que o número de Froude de todos os grupos permaneceu próximo a 0.25, valor normalizado
correspondente à velocidade ótima de caminhada (LEURS et al., 2011) .

Conclusões
Os grupos de idosos não foram diferentes entre si para a variável velocidade média da passada, entretanto, ambos foram
menos velozes do que o grupo Jovens, por outro lado, não foram identificadas diferenças entre os grupos estudados com relação
ao número de Froude.

Referências
FILHO, R. G. T. Análise eletromiográfica da marcha de idosos com ou sem história de quedas recorrentes. [s.l.] Universi-
dade Federal de Minas Gerais, 2008.
LEURS, F. et al. Optimal walking speed following changes in limb geometry. The Journal of experimental biology, v. 214,
n. Pt 13, p. 2276–82, 1 jul. 2011.
MENEZES, R. L. DE; BACHION, M. M. Estudo da presença de fatores de riscos intrínsecos para quedas , em idosos
institucionalizados Study of intrinsic risk factors for falls in institutionalized elderly people. Ciência & Saúde Coletiva, v. 13, n.
4, p. 1209–1218, 2008.
MORETTO, P.; BISIAUX, M.; LAFORTUNE, M. A. Froude number fractions to increase walking pattern dynamic simi-
larities: application to plantar pressure study in healthy subjects. Gait & posture, v. 25, n. 1, p. 40–8, jan. 2007.
SAIBENE, F.; MINETTI, A. E. Biomechanical and physiological aspects of legged locomotion in humans. European journal
of applied physiology, v. 88, n. 4-5, p. 297–316, jan. 2003.

1-Discente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste


(UNICENTRO)
2-Enfermeira pós-graduada
3-Docente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste
(UNICENTRO)
Endereço para correspondência: Rua Simeão Camargo Varela de Sá, 03, 85040-080, Vila
Carli, Guarapuava (PR), Brasil.

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P006 - TEMPO DE APOIO E FORÇA ANTERO-POSTERIOR


DURANTE A CAMINHADA DE JOVENS, IDOSAS CAIDORAS E NÃO
CAIDORAS.

Stance time and anteroposterior ground reaction force in young adults,


faller and non-faller elders while walking.

RONALDO VALDIR BRIANI¹; ÉRICA CAROLINE CARVALHO MARTINES²;


GABRIEL SANTO SCHAFER²; FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO²

Palavras-chave: Idosos; Quedas; Marcha.

Introdução
A ocorrência de quedas na população idosa é comum. Sua incidência aumenta com a idade e é mais frequente no sexo
feminino. A maior suscetibilidade dos idosos a sofrerem lesões decorrentes de uma queda se deve a alta prevalência de co-
morbidades presentes nesta população, associada ao declínio funcional decorrente do processo de envelhecimento, como o
aumento do tempo de reação e a diminuição da eficácia das estratégias motoras de equilíbrio corporal, fazendo de uma que-
da leve, um evento potencialmente perigoso. A etiologia das quedas em idosos é multifatorial. Entretanto, estudos vêm de-
monstrando que 55% das quedas estão relacionados com alterações da marcha (HAUSDORFF; RIOS; EDELBERG, 2001).
Assim, este estudo teve como objetivo comparar parâmetros biomecânicos espaço-temporais (tempo de apoio
do membro) e cinéticos (força ântero-posterior de reação do solo) da caminhada de jovens adultas, idosas caidoras e ido-
sas não caidoras, na tentativa de identificar as diferenças no padrão de marcha entre esses três grupos de indivíduos.

Materiais e métodos
O estudo foi composto por uma amostra de 29 indivíduos do sexo feminino, com idades entre 18 e 75 anos, seleciona-
dos de forma intencional. Os indivíduos foram divididos em três grupos: Grupo de Jovens (n=10); Grupo de Idosos Caido-
res (n=7); Grupo de Idosos não Caidores (n=12). Durante o protocolo de avaliação os sujeitos deveriam caminhar em uma
passarela com 8 metros de comprimento, onde, no meio do percurso, estava posicionada uma plataforma de força (OR6-6
AMTI, EUA). Os ciclos de marcha (tentativas) foram gravados por 3 câmeras de vídeo convencionais de alta resolução
(NV–GS180 3CCD, Panasonic Co. Japão), posicionadas perpendicularmente a plataforma de força. Câmeras foram posicio-
nadas a uma distância de 2,5 metros da plataforma, para coleta de vídeo pelo software VirtualDub (v. 0.9.11; Microsoft Visual
Studio) com frequência de amostragem de 60 Hz. As variáveis foram submetidas ao teste de análise de variância (ANOVA
de um caminho) seguido do teste Pós-hoc de Bonferroni para identificação de possíveis diferenças entre os grupos. Toda
a análise estatística foi realizada com auxílio do pacote estatístico SPSS v. 17 e em todos os testes foi adotado =0,05.

Resultados e Discussão
As médias e desvio padrão da variável tempo de apoio foram: 0.62 ±0.03s.; 0.77 ±0.14s. e 0.67 ±0.09s. para os
grupos Jovens, Idosos N. e Idosos C., respectivamente. Foram encontradas diferenças estatisticamente significativas para o tempo
de apoio entre o grupo Jovens e o grupo Idosos C. (P=0.000) e entre o grupo Idosos C. e o grupo Idosos N. (P=0.004). Durante a
Fase de Apoio (FA), a força no sentido anterior foi maior no grupo Jovens comparado ao grupo Idosos N. (Figura 1). Da mesma
forma, durante a Fase de Impulso (FI), a força posterior foi maior no grupo Jovens comparado ao grupo Idosos N. (Figura 1).

1.ACADÊMICO DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO


OESTE DO PARANÁ, PR, BRASIL;
2. FISIOTERAPEUTA GRADUADO PELA UNIOESTE, PR, BRASIL;
3. PROFESSOR DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO
OESTE DO PARANÁ, PR, BRASIL.
e-mail:ronaldobriani@hotmail.com

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Figura 1- Média e desvio padrão das forças anterior e posterior (F. Anterior e F. Posterior) nos grupos estudados: Jovens, Idosos
não caidores (Idosos N.) e Idosos Caidores (Idosos C.). Os asteriscos representam as diferenças significativas encontradas (*P<0.05).

Em resumo, os idosos apresentaram maior tempo de apoio do membro inferior que os jovens. Estudos mostram
que o contato prolongado do pé impede a transferência do peso para o ante-pé, sendo este um sinal de fraqueza do sóleo
e gastrocnêmio (ANTERO-JACQUEMIN et al., 2012; LEITE et al., 2012). A alteração dessas musculaturas pode levar a
diminuição do equilíbrio e quedas (TOKUNO et al., 2008). É também possível sugerir que maiores picos de força ante-
rior e posterior encontrados nos momentos de apoio e impulso do grupo Jovens sejam consequência de uma caminhada
mais veloz, com maior mobilidade e estabilidade, sendo este, o oposto encontrado nos idosos (PIJNAPPELS et al., 2008).

Conclusões
A partir deste estudo foi possível observar que os picos de força anterior e posterior nos momentos do apoio e do impulso
são maiores no grupo Jovens quando comparados ao grupo de Idosos N. Além disso, as jovens apresentaram menor tempo de
apoio no solo do que as Idosas N., grupo este que apresentou maior tempo de apoio no solo que as Idosas C.

Referências
ANTERO-JACQUEMIN, J. S. et al. Comparação da função muscular isocinética dos membros inferiores entre idosos
caidores e não caidores. Fisioterapia e pesquisa, v. 19, n. 1, p. 39–44, 2012.
HAUSDORFF, J. M.; RIOS, D. A; EDELBERG, H. K. Gait variability and fall risk in community-living older adults: a
1-year prospective study. Archives of physical medicine and rehabilitation, v. 82, n. 8, p. 1050–6, ago. 2001.
PIJNAPPELS, M. et al. Identification of elderly fallers by muscle strength measures. European journal of applied physio-
logy, v. 102, n. 5, p. 585–92, mar. 2008.
TOKUNO, C. D. et al. Sway-dependent modulation of the triceps surae H-reflex during standing Corresponding author :
Journal of applied physiology, v. 104, n. 5, p. 1359–65, 2008.

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P007 - O SIGNIFICADO DA REABILITAÇÃO PULMONAR PARA


INDIVÍDUOS COM PNEUMOPATIAS CRÔNICAS

The meaning of pulmonary rehabilitation for individuals with chronic


lung diseases

GABRIELA MATTÉ ZANINI¹; KARINE MAYURI MAKYIAMA RAIMUNDO¹;


KEILA OKUDA TAVARES²; MARIANA LAÍS BOARETTO¹; MARINA ZILIO¹; ROSIANI LIVI¹

Palavras-chave: pneumopatias; reabilitação; fisioterapia.

Introdução
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) as Doenças Respiratórias Crônicas (DRC) são enfermidades de longa
duração e de progressão geralmente lenta das vias aéreas ou de outras estruturas do sistema respiratório. Podem provocar limitações
físicas, emocionais e intelectuais, podendo inclusive levar à incapacidade funcional, trazendo consequências negativas às atividades
de vida diária e a qualidade de vida dos acometidos (BRASIL, 2010). O tratamento não farmacológico é individualizado e focado
na Reabilitação Pulmonar (RP), um programa conduzido por uma equipe multidisciplinar, onde o fisioterapeuta tem um papel
fundamental, que envolve exercícios específicos e educação em saúde com o objetivo de melhorar o desempenho físico e social do
indivíduo provocando mudanças na sua autonomia e consequentemente na sua qualidade de vida. É considerada uma abordagem
com recomendação grau A e nível de evidência 1 (um), ou seja, é um tratamento com eficácia comprovada cientificamente, que traz
resultados satisfatórios (WEHRMEISTER et al., 2011). Muito já foi pesquisado por meio de pesquisas quantitativas a respeito da
RP, no entanto, ainda existe escassez de estudos qualitativos sobre essa temática. Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi conhecer
o significado da Reabilitação Pulmonar para indivíduos que apresentam pneumopatias crônicas por meio de uma visão qualitativa.

Materiais e Métodos
Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter descritivo-exploratório. Foram realizadas entrevistas no período de agosto a
outubro de 2011, com sujeitos de ambos os sexos, acima de 18 anos, portadores de doenças pulmonares crônicas, que estavam sendo
submetidos à RP no Setor de Fisioterapia Respiratória do Centro de Reabilitação Física (CRF) da Universidade Estadual do Oeste do
Paraná (UNIOESTE) a pelo menos um mês. A coleta de dados foi baseada na pergunta orientadora: “Qual o significado do tratamento
fisioterapêutico em sua vida?”. As entrevistas foram gravadas utilizando-se um gravador digital e transcritas na íntegra (identificadas
pela letra “E” de entrevistado e por números) para posteriormente serem analisadas com o Método da Análise de Conteúdo (BAR-
DIN, 2009). Foi também aplicado um questionário com perguntas fechadas para realizar a caracterização dos sujeitos participantes.

Resultados e Discussão
Durante o período de coleta de dados estavam sendo atendidos 23 indivíduos no Setor de Fisioterapia Respiratória do
CRF da UNIOESTE. Dentre estes, sete indivíduos apresentavam algum tipo de pneumopatia crônica e estavam fazendo parte
do programa de RP, sendo que todos aceitaram participar do estudo. Possuíam idade média de 66 anos, com um mínimo de 50 e
um máximo de 71 anos; 85,71% apresentavam Asma e 14,28% a DPOC. A maioria era do sexo feminino (85,71%); sedentário
até o início do atendimento fisioterapêutico (71,42%); apresentava história de tabagismo prévio por mais de 30 anos (57,14%);
possuía Ensino Fundamental incompleto (85,71%); eram casados (57,14%); e exerciam atividades relacionadas ao lar (85,71%).
Por meio da análise dos textos transcritos e sua análise com o método proposto, foi possível obter duas categorias temáticas
relacionadas a (1) a percepção das pessoas com DRC em relação à RP e (2) ao reflexo da RP em relação a sua sintomatologia.

1.DISCENTE DA UNIVERSIDADE ESTADUALAL DO OESTE DO PARANÁ,


CASCAVEL, PR, BRASIL;
2.DOCENTE DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ,
CASCAVEL, PR, BRASIL.
e-mail:keilaokudatavares@gmail.com

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Observou-se que o tratamento fisioterapêutico voltado para as doenças respiratórias crônicas ainda é algo desco-
nhecido para a maioria das pessoas que são encaminhadas para esse tipo de abordagem. Por não conhecer o tratamento os
indivíduos acometidos ficam muito descrentes em relação aos resultados que podem obter, muitas vezes sendo esta a prin-
cipal causa de demora em procurar o tratamento específico, mesmo este sendo orientado por outros profissionais da saúde.
Com o passar dos atendimentos os participantes relataram a melhora de alguns sintomas ou do seu quadro clínico geral,
percebendo assim a necessidade de continuar o tratamento. Alguns participantes consideram que ele requer tempo e disposição,
ocasionando em alguns casos desânimo e vontade de cessar o mesmo. Apesar disto, reconhecem a necessidade de buscar ajuda,
notam a eficiência da abordagem, percebendo a necessidade de realizá-la sem interrompê-la. Após a melhora dos sintomas, os
participantes relataram maior facilidade para respirar, além de conseguir realizar as atividades de vida diária e os exercícios
físicos com maior facilidade. Os participantes relataram também o reflexo da melhora do quadro clínico na sua autoestima.

Conclusões
As pessoas com pneumopatias crônicas, bem como a população em geral, não conhecem o trabalho da Reabilitação Pulmonar e os
resultados positivos que esse tratamento pode proporcionar. Mais esforços deveriam ser empregados no sentido de divulgar esse trabalho
e o que pode ser alcançado com ele para que um número cada vez maior de pessoas venha a procurar esse tipo de abordagem e se beneficiar dela.
Como o tratamento é intenso e prolongado as equipes de saúde envolvidas devem adicionar ao trabalho da RP estratégias que
incentivem a não interrupção do programa e a continuidade das orientações passadas no âmbito domiciliar enfatizando os ganhos
funcionais decorrentes. Tal enfoque poderia diminuir a incidência de desistências ou não adesão aos protocolos que são propostos.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica: Doenças Respiratórias Crônicas. Brasília, 2010. 160 p. Dis-
ponível em: http://portalsaude.saude.gov.br. Acesso em: 28 de junho de 2012.
WERMEISTER FC; KNORST M; JARDIM JR et al. Programas de reabilitação pulmonar em pacientes com DPOC. Jornal
Brasileiro de Pneumologia, 37(4), 544-555, 2011.
BARDIN L. Análise de Conteúdo. Editora: Lisboa-Portugal, 5a. ed., 2009.

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P008 - TREINAMENTO DO DESLOCAMENTO ÂNTERO-POSTERIOR


DE INDÍVIDUOS HEMIPLÉGICOS UTILIZANDO O CONSOLE DE
JOGOS NINTENDO WII®

Anteroposterior displacement training of hemiplegic patients using


nintendo wii®
DANILO DE OLIVEIRA SILVA¹; CAROLINA SILVA FLÓRIDE²;
RONALDO VALDIR BRIANI²; FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO².

Palavras-chave: hemiplegia; realidade virtual; treinamento.

Introdução
O aumento da propensão a quedas de indivíduos hemiplégicos está provavelmente relacionado ao fato de que as doenças
neurológicas frequentemente geram sequelas crônicas evidentes nos componentes biomecânicos relacionados ao controle postural,
entre elas podem ser destacadas a assimetria bilateral, a deficiência de coordenação de movimentos entre musculatura agonista,
antagonista e sinergista, além de alterações de percepção corporal, vestibulares, visuais e cognitivas (Campbell & Parry, 2005).
Existem diversos sistemas de realidade virtual desenvolvidos especialmente para reabilitação e treinamento de de-
ficiências motoras, com o intuito de prevenir possíveis quedas, cuja eficácia vem sendo recentemente estudada com re-
sultados motivantes. Este estudo teve por objetivo realizar uma avaliação seguida de um programa composto por 10
sessões de treinamento do controle postural de indivíduos hemiplégicos utilizando o console de jogos Nintendo Wii
Fit®, a fim de verificar os efeitos no desempenho de uma tarefa que exigia deslocamentos no sentido ântero-posterior.

Materiais e métodos
Foram recrutados 10 participantes portadores de hemiplegia para compor o grupo 1 (G1) e 10 adultos jovens saudá-
veis para compor o grupo controle (G2), os mesmos assinaram em duas vias o termo de consentimento livre e esclarecido
aprovado pela comitê de ética e pesquisa da Unioeste (parecer no 1046/2011). Os participantes passaram por uma entrevista,
na qual foi aplicada uma ficha de avaliação para triagem da amostra, com aplicação dos critérios de inclusão e não inclusão.
Após o preenchimento da ficha, foi realizada a primeira avaliação (AV1), o participante foi posicionado sob o periférico Wii Ba-
lance Board® do Nintendo Wii® e submetido a uma tarefa que consistia em realizar deslocamentos ântero-posteriores de acordo com
o jogo Snowboard Slalom®, no qual o participante esteve virtualmente sob um ski e deveria se deslocar por entre as bandeiras pre-
viamente posicionadas, foram realizadas 3 tentativas (T1, T2 e T3). O tempo de execução de cada tentativa foi fornecido pelo próprio
jogo ao final de cada tentativa, para cada bandeira “esquecida” foi acrescido um tempo de 7 segundos. Terminada a avaliação os parti-
cipantes iniciaram o treinamento, cada participante treinou o total de 10 sessões de 15 minutos. O treinamento foi composto por jogos
do pacote Wii Fit® que utilizavam a Wii Balance Board®. Após o treinamento, foi realizada a avaliação final (AV2) idêntica a AV1.
Na análise estatística, inicialmente aplicado o teste de normalidade de Shapiro-Wilk. Para determinação de di-
ferenças com relação aos momentos AV1 e AV2 entre as variáveis foi utilizado o teste t de Student para amos-
tras pareadas. Todas as análises foram conduzidas com auxílio do pacote estatístico SPSS v.17, adotando  = 0.05.

Resultados e Discussão
Tanto G1 como G2 diminuíram significativamente o tempo total de execução da tarefa em todas as tentati-
vas quando comparadas AV1 com AV2 (Figura 1), entendemos que a terapia por meio de realidade virtual causou al-
terações benéficas na performance da tarefa de deslocamentos anteroposterior de ambos os grupos, Michalski et
al. (2012) encontraram resultados semelhantes, porém, em seu estudo avaliaram apenas adultos jovens saudáveis.

1.UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA, Presidente Prudente, SP, BRASIL;


2.UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, Cascavel, PR, BRASIL.
e-mail:danilo110190@hotmail.com

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Figura 1 – Média do tempo de execução da tarefa com deslocamento ântero-posterior dos grupos 1 e 2 durante AV1 e AV2.
Os símbolos *; § e  representam as diferenças estatísticas entre as tentativas (T1, T2 e T3) nas avaliações AV1 e AV2 para o
G1, respectivamente. Os símbolos Ϯ, ₰ e φ representam as diferenças estatísticas entre as tentativas (T1, T2 e T3) nas avaliações
AV1 e AV2 para o G2, respectivamente.

Conclusões
O programa de reabilitação com 10 sessões em um ambiente de realidade virtual utilizando o console de jogo Nintendo
Wii® mostrou benefícios no desempenho de tarefas com deslocamento ântero-posterior em sujeitos hemiplégicos.

Referências
CAMPBELL, M.; PARRY, A. Balance disorder and traumatic brain injury: Preliminary findings of a multi-factorial obser-
vational study. Brain Injury, London, England, v. 19, n. 13, p. 1095-104, Dec. 2005.
Michalski A, Glazebrook CM, Martin AJ, Wong WWN, Kim AJW, Moody KD, et al. Assessment of the postural control
strategies used to play two Wii FitTM videogames. Gait & posture. Elsevier B.V.; 2012 Jul;36(3):449–53.

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P009 - O USO DO LASER E DA MOBILIZAÇÃO NEURAL APÓS


LESÃO NERVOSA PERIFÉRICA EM RATOS: EFEITOS SOBRE A
RECUPERAÇÃO FUNCIONAL

The use of laser and mobilization nervous system after peripheral nerve
injury in rats: Effects on functional recovery

WELLINGTON DE ALMEIDA¹; REGINA INES KUNZ¹; MARCELO ALVES DE SOUZA¹;


LUCINÉIA DE FÁTIMA CHASKO RIBEIRO¹; GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI¹;
ROSE MEIRE COSTA BRANCALHÃO¹; LÍGIA ALINE CENTENARO¹

Palavras-chave: Lesão nervosa periférica; Laser; Mobilização neural.

ESTE TRABALHO FOI DESTAQUE E RECEBEU MENÇÃO HONROSA NO VII CPF

Introdução
Em comparação ao sistema nervoso central (SNC), lesões no sistema nervoso periférico (SNP) frequentemente resultam em
um maior grau de regeneração espontânea. Esta capacidade é determinada principalmente pela presença das células de Schwann,
que fornecem um suporte mecânico e trófico aos axônios em regeneração (Dahlin e Brandt, 2004). Entretanto, no âmbito clínico
é reconhecido que a recuperação funcional de muitos pacientes após lesões dos nervos periféricos é frequentemente incompleta
ou até mesmo ausente (Gordon, Sulaiman e Boyd, 2003). Diante desse quadro, várias estratégias terapêuticas vêm sendo testadas
em modelos animais e clinicamente visando promover uma adequada recuperação funcional. Estudos prévios mostram que a
terapia com laser melhora a velocidade de condução do estímulo nervoso frente a lesões de nervos periféricos, além de aumentar
o número e o diâmetro dos axônios regenerados (Endo et al., 2008). Outra terapia que vêm sendo utilizada após lesões do SNP
é a mobilização neural, conceituada como um conjunto de técnicas que parece restaurar a homeostasia dos tecidos nervosos
(Oliveira e Teixeira, 2007). Assim, o presente trabalho buscou verificar os possíveis efeitos terapêuticos da aplicação do laser de
baixa potência e da mobilização neural, isoladamente ou em conjunto, sobre a função motora de ratas submetidas à compressão
crônica do nervo isquiático.

Materiais e métodos
Ratas adultas (n=32) foram divididas em 4 grupos experimentais: G1 - animais com constrição crônica do nervo isquiático,
sem tratamento efetivo (placebo; n=8); G2 - animais com constrição crônica do nervo isquiático e tratados com mobilização neural
(n=8); G3 - animais com constrição crônica do nervo isquiático e tratados com a aplicação do laser de baixa potência sobre o local
da lesão (n=8); G4 - animais com contrição crônica do nervo isquiático, tratados com mobilização neural e laser de baixa potên-
cia. Para a realização da lesão, três regiões distintas do nervo isquiático foram amarradas com um fio de sutura não reabsorvível
(catigut 4.0 cromado), com uma distância de aproximadamente um milímetro entre cada amarradura. Quanto aos tratamentos, a
aplicação do laser foi realizada utilizando-se um comprimento de onda de 830 nm e dose de 4 J/cm2. Para a mobilização neural, os
animais foram posicionados em decúbito dorsal, com o quadril flexionado a aproximadamente 70º, extensão máxima possível de
joelho e dorsiflexão do tornozelo. Logo após, movimentos de flexão dorsal e plantar do tornozelo foram passivamente realizados
durante um período de um minuto. No 14º dia pós-operatório (PO) foi realizada a avaliação da função sensório-motora através
de um teste realizado em uma escada horizontal (100cm de comprimento x 5cm de largura), confeccionada com hastes de metal
paralelas posicionadas a 2cm de distância cada. Os animais foram incentivados a atravessar esse aparato três vezes, sendo cada
travessia filmada a partir do emprego de uma câmera posicionada lateralmente. Posteriormente, as filmagens de cada animal foram

1. UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL, PR, BRASIL.


e-mail: lacentenaro@hotmail.com

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analisadas para a verificação do número total de erros (deslizes da pata posterior direita) cometidos durante o percurso. Os dados
foram expressos como média ± erro padrão da média e analisados pelo teste de Análise de Variância de uma via (ANOVA). As
diferenças foram consideradas significativas quando p < 0,05.

Resultados e Discussão
A função sensório-motora dos animais foi avaliada levando-se em consideração a soma dos erros cometidos durante as três
tentativas de travessia da escada horizontal. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas em relação ao número
total de erros cometidos pelos animais dos grupos G2 (2,87±0,54), G3 (2,71±0,74) e G4 (1,50±0,42) em comparação ao grupo G1
(3,42±1,04). Resultados conflitantes em relação à utilização de laser após lesões periféricas são encontrados na literatura. Souza
et al. (2009) postularam que a aplicação de laser de baixa intensidade acelerou a regeneração nervosa com base em uma análise
funcional da marcha realizada no 14º dia pós-operatório. Por outro lado, em um estudo realizado por Silva-Couto et al. (2012) a
terapia com laser de baixa intensidade após neurotmese e neurorafia foi ineficaz para melhorar a recuperação funcional, avaliada
pelo índice de funcionalidade do ciático. Quanto à técnica de mobilização neural, os poucos estudos encontrados na literatura
afirmam que essa terapia é capaz restabelecer o fluxo axoplasmático e manter o trofismo muscular após diferentes tipos de lesão
do SNP e SNC (Oliveira e Teixeira, 2007). Entretanto, estudos similares avaliando especificamente a eficácia da mobilização
neural sobre a função motora em modelos experimentais de lesão nervosa periférica não foram encontrados.

Conclusões
Apesar de serem terapias amplamente utilizadas no âmbito clínico, a mobilização neural e a aplicação do laser de baixa
potência, isoladamente ou de maneira combinada, não melhoraram a função sensório-motora de ratas submetidas à lesão crônica
do nervo isquiático.

Referências
DAHLIN, L.B.; BRANDT, J. Basic science of pheripheral nerve repair: wallerian degeneration/growth cones. Oper. Tech.
Orthop. v. 14, p. 138-145, 2004.
GORDON, T.; SULAIMAN, O.; BOYD, J.G. Experimental strategies to promote functional recovery after peripheral nerve
injuries. J. Peripher. Nerv. Syst. v. 8, p. 236-250, 2003.
ENDO, C.; BARBIERI, C.H.; MAZZER, N.; FASAN, V.S. A laserterapia de baixa intensidade acelera a regeneração de
nervos periféricos. Acta Ortop. Bras. v. 16, p. 305-310, 2008.
OLIVEIRA, J. H. F.; TEIXEIRA, A. H. Mobilização do sistema nervoso: avaliação e tratamento. Fisioter Mov. v. 20, p.
41-53, 2007.
SOUSA, F.F.A.; ANDRAUS, R.C.; BARBIERI, C.H.; MAZZER, N. Influência da irradiação do laser na regeneração nervosa
em diferentes locais de tratamento. Acta Ortop. Bras. v. 17, p. 331-335, 2009.
SILVA-COUTO, M.A.; GIGO-BENATO, D.; TIM, C.R.; PARIZOTTO, N.A.; SALVINI, T.F.; RUSSO, T.L. Effects of low-
-level laser therapy after nerve reconstruction in rat denervated soleus muscle adaptation. Rev. Bras. Fisioter. v. 16, p. 320-327, 2012.

1-Discente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste


(UNICENTRO)
2-Docente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste
(UNICENTRO)
Endereço para correspondência: Rua Simeão Camargo Varela de Sá, 03, 85040-080, Vila
Carli, Guarapuava (PR), Brasil.

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P010 - EFEITOS DA IMOBILIZAÇÃO EM ENCURTAMENTO


E REMOBILIZAÇÃO COM ASSOCIAÇÃO DE DIFERENTES
MODALIDADES DE EXERCÍCIOS TERAPÊUTICOS NO MUSCULO
SÓLEO DE RATOS WISTAR.

Effect of shortened immobilization and remobilization with different


association methods of therapeutic exercises in wistar rats soleus muscle.

CAMILA MAYUMI MARTIN KAKIHATA¹; LUCINÉIA DE FÁTIMA CHASKO RIBEIRO¹;


LÍGIA INÊS SILVA¹; GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI¹;
ROSE MEIRE COSTA BRANCALHÃO¹

Palavras-chave: músculo esquelético; imobilização; exercícios.

Introdução
A imobilização de um segmento induz alterações deletérias na musculatura, podendo visualizá-las na extensibilidade,
na massa, na força e na resistência da musculatura (CARVALHO et al., 2009). Ainda existem incertezas quanto à reversão
desses efeitos por meio de técnicas de remobilização (VOLPI et al., 2008). Sendo assim, faz-se necessário o desenvolvimento
de estudos que se propõem a solidificarem as repercussões das técnicas utilizadas na recuperação do músculo imobilizado.
Desta forma, este trabalho teve como objetivo avaliar os efeitos da imobilização, por encurtamento, e da remobilização,
por meio da natação e do salto, do músculo sóleo de ratos Wistar.

Materiais e métodos
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Uso Animal da UNIOESTE. Foram utilizados 24 ratos machos, da linhagem
Wistar, com idade de 10±2 semanas, divididos de forma aleatória em 3 grupos, todos com oito animais: G1 (animais submetidos
à imobilização), G2 (submetidos à imobilização e remobilização livre) e G3 (imobilizados e remobilizados por meio de natação
e salto).
Os animais tiveram o membro posterior direito imobilizado, mantendo o músculo sóleo em encurtamento durante 15 dias
consecutivos. O músculo esquerdo foi utilizado como controle. Após esse período, o G2 e G3 foram remobilizados por 14 dias
consecutivos. No G2, os animais ficaram em contato com a água por menos de 1 minuto a 33º C, em um tanque com capacidade
de 500 litros, minimizando as respostas de estresse pela ação do contato com o meio aquático. O G3 foi submetido à remobiliza-
ção por meio de natação e saltos, alternando os exercícios. Nos seis primeiros dias de remobilização a natação foi realizada por
20 minutos com duas séries de 10 saltos cada. Nos oito dias restantes houve uma progressão para 40 minutos de natação e quatro
séries de 10 saltos cada.
Todos os grupos foram pesados antes (av1) e após o período de imobilização (av2) e G2 e G3 no 5º (av3), 7º (av4), 9º (av5),
11º (av6), 13º (av7) e 15º (av8) dia de remobilização.
Após o período de imobilização (G1) e de tratamento (G2 e G3) os animais foram eutanasiados. Em seguida, os músculos
sóleos foram isolados, limpos e fixados em formol 7%, por 3 h., armazenados em álcool 70%. No processamento, os músculos
foram seccionados transversalmente e desidratados em série crescente de etanol, diafanizados em xilol e impregnados em parafina
histológica. Após, realizada a microtomia e coloração das lâminas. Os campos visuais de interesse foram capturados, digitalizados
e analisados quanto à área de secção transversa em 100 fibras por músculo pelo programa Image-Pro-Plus 3.0. Os dados foram
analisados utilizando ANOVA modelo misto, considerado significativo p < 0,05.

1.UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL, PR, BRASIL.


e-mail: camila.mayumi@outlook.com

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Resultados e Discussão
Na análise do peso corporal, na comparação entre os grupos não houve diferença significativa. E na comparação intra-grupos
houve diferença significativa (p<0,005) em todos os grupos entre Av1 e Av2, no G2 também houve diferença significativa entre
a Av2 com Av4 à Av8; no G3 observa-se diferença significativa entre Av1 com Av3 à Av5 e entre Av2 com Av3 à Av8.
Ainda, foi verificado que na análise da área de secção transversa houve variação significativa com F(1;15)=14,9; p=0,002.
Ao comparar o músculo sóleo direito com o esquerdo, houve diferença significativa (p=0,002) sendo o lado direito menor do que
esquerdo (-307,45 µm2). Na comparação entre os grupos, não houve diferença significativa, com diferenças do G1 para G2 de
-185,08 µm2 (p=0,322); G1 para G3 de 223,94 µm2 (p=0,167); e entre G2 e G3 a diferença foi de -38,86 µm2 (p=1).
Neste estudo após a imobilização observou-se que todos os animais tiveram uma redução do peso corporal em relação
ao peso inicial e que para G2 e G3 após o período de remobilização houve restauração do peso inicial, sendo que G3 demorou
mais do que G2 para voltar ao peso. Provavelmente porque foi submetido ao exercício, e assim teve o gasto energético e G2
provavelmente ganhou peso com massa gorda. Volpi et al. (2008), também observaram uma diminuição do peso corporal após a
imobilização, porém apenas o exercício com carga foi capaz de restaurar o peso inicial.
Na análise da área da secção transversa os três grupos apresentaram hipotrofia dos músculos sóleos direitos, decorrente da
imobilização, sem a melhora por meio da remobilização de G2 e G3. Entretanto, Natali et al. (2008) observaram que o exercício
foi eficaz na remobilização de músculos sóleos, quando realizado de maneira mais intensa. Este fato pode ser explicado pelos
diferentes protocolos de remobilização apresentados em outros experimentos, visto que ainda há uma escassez na literatura sobre
protocolos de remobilização, envolvendo associação de exercícios de baixa e alta intensidade.

Conclusões
A imobilização por encurtamento produziu sobre o músculo sóleo uma diminuição do diâmetro muscular, sendo que a
remobilização por meio de natação e salto, não conseguiu reverter este efeito deletério evidenciado após a imobilização.

Agradecimentos
Ao CNPq, pela oportunidade de iniciação científica, e aos colaboradores do Laboratório de Estudo das Lesões e Recursos
Fisioterapêuticos pelo auxilio na realização da pesquisa.

Referências
CARVALHO, L. S.; POLIZELLO, J. C.; PADULA, N.; FREITAS, F. C.; SHIMANO, A. C.; SVERZUT, A. C. M. Proprie-
dades mecânicas do gastrocnêmio eletroestimulado pós-imobilização. Acta Ortopédica Brasileira, v. 17, n. 5, p. 269-272, 2009.
NATALI, L. H.; SILVA, T. S.; CIENA, A. P.; PADOIN, M. J.; ALVES, E. P. B.; ARAGÃO, F. A.; BERTOLINI, G. R. F.;
Efeitos da corrida em esteira em músculos sóleos de ratos encurtados por imobilização. Revista Brasileira de Medicina do Esporte,
v. 14, n 6, p. 490-493, 2008.
VOLPI, F. S.; CASAROLLI, L. M.; PUDELL, C.; MENON, T.; CIENA A. P.; ALVES, É. P. B.; BERTOLINI G. R. F. Efeitos
da remobilização em duas semanas com natação sobre o músculo sóleo de ratos submetidos à imobilização. Revista Brasileira
de Medicina do Esporte, v. 14, n. 3, p. 168-170, 2008.

1-Discente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste


(UNICENTRO)
2-Docente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste
(UNICENTRO)
Endereço para correspondência: Rua Simeão Camargo Varela de Sá, 03, 85040-080, Vila
Carli, Guarapuava (PR), Brasil.

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P011 - PICO DE VELOCIDADE ANGULAR DOS JOELHOS DE JOVENS


DURANTE A DESCIDA DE ESCADA.

Peak angular velocity between knees of young adults during stairs descent.

DÉBORA CRISTINA THOMɹ; AMANDA SCHENATTO FERREIRA¹;


DANILO OLIVEIRA SILVA²; FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO³.

Palavras-chave: joelho; velocidade angular; descida de escada.

ESTE TRABALHO FOI DESTAQUE E RECEBEU MENÇÃO HONROSA NO VII CPF

Introdução
A subida e descida de escadas impõem desafios ao sistema locomotor, que juntamente com os sistemas somatossensorial,
vestibular e visual controlam a execução do movimento. Apesar das semelhanças entre a marcha no plano e a subida e descida de
escada, a magnitude das amplitudes de movimento, da atividade muscular e das forças é significativamente maior na escada. A
locomoção sobre escada demanda uma maior atividade muscular, já que impõe o deslocamento da massa corporal de acordo com
a progressão dos degraus. (NATALIO et. al, 2011). Durante a descida de escadas são realizadas contrações excêntricas dos mús-
culos reto femoral, vasto lateral, sóleo e gastrocnêmio medial que agem contra a força da gravidade para controlar o movimento
do membro inferior (HINMAM et al., 2005). A velocidade com que o membro inferior oscila pode influenciar sua aterrissagem.
Uma velocidade maior de deslocamento do membro inferior requer maior controle do sistema motor, caso contrário, no momento
do contato com o solo, velocidades horizontais aumentadas poderiam causar um deslize do pé (PATLA; RIETDYK, 1993). Para
Josué et al. (2010), é possível que o membro inferior dominante tenha melhor controle motor articular, o que poderia repercutir
sobre a força, equilíbrio, coordenação e propriocepção quando comparado ao membro não dominante em situações específicas
como lesões ou o envelhecimento.
Na tentativa de caracterizar o movimento e as possíveis diferenças entre os membros, o objetivo deste estudo foi comparar
a velocidade angular entre os joelhos de jovens saudáveis durante descida de escada.

Materiais e métodos
A amostra foi composta por 16 jovens do sexo feminino, com média de idade de 21,5 anos, respeitando os critérios de
inclusão: ter idade entre 18 e 25 anos; apresentar padrão normal de marcha durante descida de escada. Sendo excluídas as parti-
cipantes que apresentaram doenças osteoarticulares de joelho; relato de cirurgia em membros inferiores. Como instrumento para
coleta dos dados foi utilizada uma ficha de identificação e avaliação pessoal para o registro de dados individuais das participantes
e medidas antropométricas. Também foi utilizado o Inventário de Waterloo para determinar a dominância de membro inferior.
Foi construída uma escada que possibilitasse a execução do gesto de descida o mais próximo possível do funcional do indivíduo,
possibilitando uma maior reprodutibilidade dos dados. Os dados cinemáticos foram coletados por um sistema de cinemetria tridi-
mensional VICON MX, utilizando 4 câmeras infravermelhas Bonita 10®, com frequência de amostragem de 100 Hz e resolução
de 1MP. As 4 câmeras infravermelho registraram a cinemática de 15 marcadores reflexivos colocados bilateralmente na pele das
participantes, que definiram os segmentos dos membros inferiores. As voluntárias deveriam descer a escada 6 vezes, com velo-
cidade e ritmo, de maneira a assemelhar-se com a atividade normal do dia-a-dia. A reconstrução dos dados cinemáticos foi feita
pelo software VICON NEXUS® 1.8. . O pico da velocidade dos joelhos foi identificado ao longo do ciclo de descida do quarto
degrau da escada. A análise dos dados quantitativos ocorreu pelo teste-t para amostras independentes, com =0.05.

1. DISCENTES DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIOESTE, CASCAVEL, PR,


BRASIL;
2. MESTRANDO EM FISIOTERAPIA PELA UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA,
PRESIDENTE PRUDENTE, SP, BRASIL.;
3. DOCENTE DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO
OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL, PR, BRASIL.
e-mail:debora.thome@hotmail.com

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Resultados e Discussão
A média das velocidades angulares do joelho dominante e não dominante foram, respectivamente, 240,7 graus/segundo (±
15,9) e 244,5 graus/segundo (± 19,0). O resultado do Teste-t não demonstrou diferença significativa ao comparar a velocidade
angular dos joelhos (P=0,88; Figura 1). É importante ressaltar que se trata de um estudo com indivíduos jovens saudáveis o que
justificaria a não diferença entre os membros. Resultado semelhante foi encontrado por Josué et. al (2010) entre os membros
dominantes e não dominantes quando analisado pico de torque, equilíbrio estático e desempenho funcional de sujeitos saudáveis.

Figura 1 – Média do pico da velocidade angular nos joelhos dominante e não dominante durante o ciclo de descida de um
degrau.

Conclusões
Não foi encontrada diferença significativa com relação ao pico da velocidade articular entre os joelhos de jovens hígidas
durante a descida de escadas.

Referências
HINMAN, R. S.; COWAN, S. M.; CROSSLEY, K. M.; BENNELL, K. L. Age-related changes in electromyographic qua-
driceps activity during stair descent. Journal of Orthopaedic Research, v. 23, p. 322–326, 2005.
JOSUÉ, A. M.; CÂMARA, A. E.; MACEDO, L. B.; NORONHA NETA, M. I.; BRASILEIRO, J. S. Comparação entre o
desempenho do membro dominante e não dominante de sujeitos saudáveis. Anais do 62ª Reunião Anual da SBPC, Natal, jul, 2010.
NATALIO, M. A.; NUNES, G. S.; HERBER, V.; MICHAELSEN, S. M. Relação entre cadência da subida e descida de
escada , reuperação motora e equilíbrio em indivíduos com hemiparesia. Acta Fisiátrica, v. 18, n. 3, p. 146-150, 2011.
PATLA, A.E.; RIETDYK, S. Visual control of limb trajectory over obstacles during locomotion: effect of obstacle height
and width. Gait&Posture, Amsterdam, v.1, n.1, p.45-60, 1993.

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P012 - CORRELAÇÃO DA VELOCIDADE ANGULAR DO JOELHO E


FORÇA VERTICAL DE REAÇÃO DO SOLO DE JOVENS DURANTE
DESCIDA DE ESCADA.

Correlation of knee angular velocity and vertical ground reaction


force of young adults during stairs descent.

DÉBORA CRISTINA THOMɹ; AMANDA SCHENATTO FERREIRA¹;


DANILO OLIVEIRA SILVA²; FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO³.

Palavras-chave: velocidade angular; descida de escada; força de reação do solo

ESTE TRABALHO FOI DESTAQUE E RECEBEU MENÇÃO HONROSA NO VII CPF

Introdução
A locomoção sobre escadas envolve tanto os processos cognitivos e sensoriais que são utilizados para percepção e reco-
nhecimento dos degraus e da escada como o ato motor de se locomover. O descer degraus demanda uma marcha diferente do
subir (TEMPLER, 1992). Durante a descida de escadas, contrações excêntricas dos músculos reto femoral, vasto lateral, sóleo e
gastrocnêmio medial são realizadas para agir contra a força da gravidade (McFADYEN; WINTER, 1988). Na locomoção sobre
degraus, biomecanicamente, as componentes envolvidas no deslocamento dinâmico do centro de gravidade predominam no plano
vertical e horizontal, diferente do andar no plano em que há o predomínio do deslocamento horizontal. Entretanto, a força verti-
cal de reação do solo mantém, em ambas situações, dois picos relacionados ao apoio e impulso (McFADYEN; WINTER, 1988;
LOBO DA COSTA, 1995). Isso faz com que as atividades de andar no plano e em degraus, sejam tarefas bastante distintas, com
demandas diferentes. A velocidade com que o membro inferior oscila pode influenciar sua aterrissagem. Uma velocidade maior
de deslocamento do membro inferior requer maior controle do sistema motor, caso contrário, no momento do contato com o solo,
velocidades horizontais aumentadas poderiam causar um deslize do pé (PATLA; RIETDYK, 1993). Aumento das velocidades
verticais também poderiam gerar maiores sobrecargas às articulações no momento do contato.
Baseado nestas informações, busca-se com este estudo analisar a existência de correlação entre a velocidade angular do
joelho com a força vertical de reação do solo durante descida de escada de jovens saudáveis.

Materiais e métodos
A amostra foi composta por 16 jovens do sexo feminino, com média de idade de 21,5 anos, respeitando os critérios de
inclusão: ter idade entre 18 e 25 anos; apresentar padrão normal de marcha durante descida de escada. Como instrumento para
coleta dos dados foi utilizada uma ficha de identificação e avaliação pessoal para o registro de dados individuais das participantes
e medidas antropométricas. Também foi utilizada uma escada que possibilitasse a execução do gesto de descida o mais próximo
possível do funcional do indivíduo, possibilitando a maior reprodutibilidade dos dados. Os dados cinemáticos foram coletados
por um sistema de cinemetria tridimensional VICON MX, utilizando 4 câmeras infravermelhas Bonita 10®, com frequência de
amostragem de 100 Hz e resolução de 1MP. As 4 câmeras infravermelho registraram a cinemática de 15 marcadores reflexivos
colocados bilateralmente na pele das participantes, que definiram os segmentos dos membros inferiores. Uma plataforma de força
AMTI OR6-6, foi utilizada para aquisição dos dados cinéticos e determinação do momento em que o sujeito tocava o degrau da
escada. Essa plataforma estava acoplada ao quarto degrau da escada de teste. As voluntárias deveriam descer a escada 6 vezes,
com velocidade e ritmo, de maneira a assemelhar-se com a atividade normal do dia-a-dia. A reconstrução dos dados cinemáticos

1. DISCENTES DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIOESTE, CASCAVEL, PR,


BRASIL;
2. MESTRANDO EM FISIOTERAPIA PELA UNESP, PRESIDENTE PRUDENTE, SP,
BRASIL.;
3. DOCENTE DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIOESTE, CASCAVEL, PR, BRASIL.
e-mail:debora.thome@hotmail.com

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foi feita pelo software VICON NEXUS® 1.8. A aquisição e o armazenamento dos sinais da plataforma em arquivos de dados
foram feitos através do software AMTI Netforce. O pico da velocidade do joelho e a força vertical de reação do solo foram
identificados ao longo do ciclo de descida do quarto degrau da escada. A análise dos dados quantitativos ocorreu pelo teste de
correlação de Pearson, com =0.05.

Resultados e Discussão
A média dos picos de velocidade angular do joelho foi 240,7± 15,9 graus/seg., já a força vertical de reação do solo foi
1,39± 0,18 N. O teste de Pearson apresentou resultado estatisticamente significativo (p=0,009), com correlação positiva (r=0,3;
Figura 1). Este resultado pode ser verdadeiro também para a subida de escada, como foi observado no estudo de Carli (2013),
onde idosos apresentaram menor velocidade e menores forças verticais de reação do solo.

Figura 1 – Correlação entre o pico da velocidade angular do joelho e a força vertical de reação do solo em um degrau na
descida de escada.

Conclusões
Foi observada uma correlação positiva entre o pico da velocidade angular do joelho com o pico da força vertical de reação
do solo, indicando que quanto maior a velocidade angular, maior será a força de reação do solo.
Referências
CARLI, J. V. M. Análise da marcha de idosos com diferentes níveis de funcionalidade na transição entre o terreno plano e
a escada. 2013. 94p. Dissertação (Pós-graduação em Educação Física). Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2013.
LOBO DA COSTA, P. H. L. Abordagem biomecânica da locomoção: parâmetros da função coordenativa em crianças du-
rante o subir e descer escadas e o andar no plano. 1995. 112p. Dissertação (Mestrado em Educação Física). Escola de Educação
Física da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998.
McFADYEN, B.J.; WINTER, D.A. An integrated biomechanical analysis of normal stair ascent and descent. Journal of
Biomechanics, Elmsford, v.21, n.9, p.733-744, 1988.
PATLA, A.E.; RIETDYK, S. Visual control of limb trajectory over obstacles during locomotion: effect of obstacle height
and width. Gait & Posture, Amsterdam, v.1, n.1, p.45-60, 1993.
TEMPLER, J. A. The staircase: studies of hazards, falls, and safer design. Massachussetts: MIT, 1992, 200p.

1-Laboratório de Lesões e Recursos Fisioterapêuticos da Universidade Estadual do Oeste


do Paraná – UNIOESTE. Campus Cascavel
Contato: Camila Mayumi Martin Kakihata. End: Rua Padre Anchietta, 886. Bairro Parque
São Paulo. Cascavel – PR. CEP: 85803-740.

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P013 - AVALIAÇÃO DA FREQUENCIA CARDÍACA MÉDIA EM


LESADOS MEDULARES DURANTE A EXECUÇÃO DE TAREFAS EM
REALIDADE VIRTUAL

Assessment average heart rate in spinal cord injured subjects during


virtual reality tasks

DJENIFER PRISCILA BECKER¹; AMANDA SCHENATTO FERREIRA¹;


DANILO OLIVEIRA SILVA²; FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO³.

Palavras-chave: traumatismo de medula espinal; realidade virtual; variabilidade da frequência cardíaca.

Introdução
Pacientes vitimas de trauma raquimedular igual ou acima do nível medular T5 e T6, podem comumente apresentar disreflexia
autonômica (DA), devido ao fluxo esplânico simpático comprometido nas raízes dos ramos T5-T6 (conhecido centro autonômi-
co). Um estímulo nociceptivo abaixo deste nível de lesão medular desencadeia uma atividade reflexa, autônoma e excessiva do
sistema nervoso simpático. O teste de variabilidade da FC (VFC) é uma janela para observação da integridade do sistema nervoso
autônomo (SNA) (BAUMAN et al., 2012; BYCROFT et al., 2005; KRASSIOUKOV et al., 2007). A introdução do Nintendo Wii®
no processo de reabilitação é uma nova proposta de adesão ao tratamento fisioterápico, acrescentando ao tratamento convencional
um fator motivacional e lúdico, com a adoção de um jogo específico que auxilie o paciente a alcançar os objetivos do tratamento
através da movimentação correta do corpo para determinada ação exigida pelo jogo (CAMPOS et al., 2011).
O objetivo desse estudo foi comparar as respostas da FC média de indivíduos com LM (C7-T6) e indivíduos jovens saudáveis,
por meio da análise da frequência cardíaca, durante as situações de: a) repouso (pré-exercício) b) estresse (durante o exercício
em realidade virtual) e c) recuperação (pós-exercício) a fim de obter indícios de como se comporta a atividade do SNA desses
indivíduos durante uma situação de estresse em terapia.

Materiais e métodos
A amostra foi composta por 6 indivíduos lesados medulares definidos como o grupo TRM (trauma raquimedular) e 10 indi-
víduos jovens saudáveis (grupo controle), respeitando os critérios de inclusão, como: ser do sexo masculino; possuir deficiência
motora do tipo TRM; possuir tempo de evolução mínimo de 1 ano; ter lesão medular completa entre os níveis medulares C7 e
T6 de acordo com os critérios clínicos estabelecidos pela escala de deficiência proposta pela American Spinal Injury Association
(ASIA); Possuir capacidade de permanecer na posição sentada sem auxílio de terceiros; Nunca ter tido contato com jogos que
utilizem o periférico Wii Balance Board®; Ter idade maior ou igual a 18 anos. Sendo excluídos os indivíduos que possuíam defi-
ciência visual incompatível para realização do treino de RV ou que possuíam dor aguda ou crônica relacionada à movimentação
ou qualquer outro tipo de lesão ortopédica ou neurológica em curso associada à lesão medular. Como instrumento para coleta
dos dados utilizou-se uma ficha de avaliação contendo os itens de interesse como o tempo da tarefa. Para coleta da FC média foi
utilizado o cardiofrequencímetro Polar RS 800 cx®, Finlândia. Os participantes foram submetidos à avaliação, após permaneceram
sentados por 10 minutos, sendo coletada sua FC em repouso, durante a execução da tarefa de realidade virtual por 15 minutos e,
novamente, após permaneceram 10 minutos em recuperação, onde foi obtida a FC pós exercício. Para realização da pesquisa, o
trabalho teve aprovação do comitê de ética local. A análise dos dados quantitativos ocorreu pelo teste t independente, com =0.05.

1. DISCENTES DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIOESTE, CASCAVEL, PR,


BRASIL;
2. MESTRANDO EM FISIOTERAPIA PELA UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA,
PRESIDENTE PRUDENTE, SP, BRASIL.;
3. DOCENTE DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO
OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL, PR, BRASIL
e-mail:djenifer.becker@hotmail.com.

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Resultados e Discussão
Foi possível verificar que a FC média de indivíduos lesados medulares nos momentos atividade e recuperação pós-exercício
é significativamente maior do que em indivíduos jovens saudáveis (Tabela 1). Esses achados estão de acordo com os encontrados
por Jacobs et al. (2002), que realizaram uma comparação da FC em indivíduos com e sem TRM, demonstrando que os indivíduos
com TRM possuíam a FC mais elevada durante o exercício. Uma provável explicação fisiológica para isso seria a ausência da
bomba muscular nos membros inferiores, o que diminui o retorno venoso, levando a uma diminuição da eficiência da contração
cardíaca. Para compensar essas alterações, existe uma ativação precoce do SN simpático, o que pode levar a DA.

Tabela 1 – Média ± erro padrão de batimentos por minuto (bpm). *Significativamente diferente GTRM em comparação ao GC.

Conclusões
Os resultados do presente estudo demostraram maior FC média dos indivíduos com TRM em comparação com o grupo
controle nos momentos atividade e recuperação, o que sugere que estes possam apresentar maior risco cardiovascular, pela defi-
ciência do sistema nervoso autonômico.

Referências
BAUMAN, C. A.; MILLIGAN, J. D.; LEE, F. J.; RIVA, J. J. Autonomic dysreflexia in spinal cord injury patients: an over-
view. J Can Chiropr Assoc, v. 56, n. 4, p. 247-250, Canadian, 2012.
BYCROFT, J.; SHERGILL, I. S.; CHOONG, E. A. L.; ARYA, N.; SHAH, P. J. R. Autonomic dysreflexia: a medical emer-
gency. Postgraduate medical jornal, v.81, p. 232-235, USA, 2005.
CAMPOS, I. L.; SILVA, L. C.; SANDOVAL, R. A. Avaliação dos parâmetros fisiológicos em indivíduos sedentários através
da utilização do nintendo wii: estudo de caso. Rev Movimenta, v. 4, n. 1, p. 73-80, Goiás, 2011.
JACOBS, P.L.; MAHONEY, E.T.; ROBBINS, A.; NASH, M. Hipokinetic circulation in persons with paraplegia. Med Sci
Sports Exerc, v.34, n.14, p.1-7, USA, 2002.
KRASSIOUKOV, A. V.; KARLSSON, A.; WECHT, J.M.; WUERMSER, L.; MATHIAS, C. J.; MARINO, R. J. Assess-
ment of autonomic dysfunction following spinal cord injury: Rationale for additions to International Standards for Neurological
Assessment. J Rehabil Res Dev, v. 44, n. 1, p. 103-112, Washington USA, 2007.

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P014 - POTÊNCIA MECÂNICA DE VOLEIBOLISTAS EM TESTE DE


SALTOS VERTICAIS CONTÍNUOS: COMPARAÇÃO ENTRE SEXOS

Mechanical power of volleyball players in test of continuous vertical jumps:


comparison between genders

ALINE SPIRONELLO¹; DIANE DE SOUZA AGNELLI¹; FELIPE GRANDO¹;


GIULIA SATIE BROETTO¹; JOSÉ ROBERTO SVISTALSKI¹; WELDS RODRIGO BERTOR¹;
ALBERITO RODRIGO DE CARVALHO¹

Palavras-chave: voleibol; modalidades da fisioterapia; desempenho atlético.

Introdução
O salto vertical é uma maneira acurada, simples e precisa para mensurar a potência mecânica muscular (BOSCO et al 1983)
caracterizada como o produto da força pela velocidade (CARVALHO; CARVALHO 2006). Nos homens os níveis de testosterona
são mais elevados que nas mulheres, e essa característica está relacionado ao aumento do trofismo muscular (ROOYACKERS;
NAIR 1997) e a produção de força (RAMOS et al 1998). Sendo, o salto vertical parte integrante dos gestos fundamentais do vo-
leibol (HASSON et al 2004, SCOTT; DOCHERTY 2004), o objetivo deste estudo foi comparar, entre sexos, a potência mecânica
muscular de atletas de voleibol desenvolvida em teste de saltos verticais contínuos.

Materiais e métodos
Este estudo foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa em seres humanos da Universidade Estadual do Oeste de
Paraná, sob parecer 259/2012 e os termos de consentimento livre e esclarecido foram assinados pelos responsáveis legais dos
voluntários. Estudo observacional transversal cuja amostra foi composta por atletas de voleibol, de ambos os sexos, da categoria
juvenil, divididos em dois grupos: grupo feminino (GF/ 16,6±1,4 anos; 64,2±13,2 kg; 175,9±16,9 cm); e grupo masculino (GM/
15,7±4,3 anos; 70,9±21,9 kg; 173,3±21,3 cm). Adotou-se como critério de inclusão: atletas que treinavam de forma sistemática
há um ano, cinco vezes semanal; e como critério de exclusão: atletas com doenças sistêmicas, lesões neuromusculoesqueléticas,
crônicas ou agudas nos últimos seis meses.
A potência muscular foi mensurada por um teste de múltiplos saltos verticais durante 60 s (TS60s) (BOSCO et al, 1983).
Os atletas realizaram um aquecimento em uma bicicleta ergonômica, prévio ao TS60s, em intensidade leve, durante três minutos.
Em seguida o atleta realizou o TSV60s que consistiu em saltos verticais durante 60 s sobre uma placa de contato de 50cm x 66cm.
Para iniciar o atleta se posicionou, sobre uma placa de contato, com as mãos na cintura e com aproximadamente 90º de flexão
de quadril e joelho e, na sequência, realizou o maior número de saltos que conseguiu neste período. Durante o teste, os atletas
receberam motivação verbal de um dos avaliadores com intuito de manter o esforço máximo.
A placa de contato foi conectada a um sistema denominado MultisprintFull que forneceu a potência mecânica (PM) de
cada salto expressa em Watts(W). Este software calculou a potência mecânica muscular para cada salto pela seguinte equação:
PM = m*g*d/t, em que: m = massa corporal da atleta em quilogramas; g = aceleração da gravidade (9,81ms²); d = altura do salto
em metros; t = tempo de voo em segundos.
Para análise estatística utilizou-se o teste de shapiro-wilk para verificar a normalidade dos dados e, para comparação da
potência muscular entre os grupos, utilizou-se teste t não pareado. Para todos os testes estatísticos adotou-se alfa α=0,05.

1. UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, PR, BRASIL.


e-mail: aline.spironello@hotmail.com

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Resultados e Discussão:
Verificou-se que a potência mecânica desenvolvida pelos atletas do sexo masculino foi significativamente maior que
aquela desenvolvida pelas atletas do sexo feminino, como demonstrado na Figura 1.

Figura 1 – Comparação da potência mecânica em saltos verticais contínuos entre grupos de voleibolistas separados por
sexo. Grupo Masculino (GM); Grupo Feminino (GF). *Significância estatística < 0,05.

Pelo maior nível de testosterona nos homens (HASSON et al 2004) e pelo efeito deste hormônio no trofismo (ROOYA-
CKERS; NAIR 1997, HAKKINEN et al 2001), o que por conseguinte pode aumentar a potência muscular (LAZZOLI et al 1998),
sugere-se que aspectos hormonais possam ter forte contribuição para as diferenças encontradas no presente estudo..

Conclusões
Conclui-se com este estudo que a potência mecânica desenvolvida pelos atletas de voleibol do sexo masculino foi sig-
nificativamente maior que a potência mecânica desenvolvida pelas atletas do sexo feminino.

Referências
BOSCO, C.; et al. Mechanical power test and fiber composition of human leg extensor muscles. European Journal of Appled
Physiology and Occupational Physiology, v. 51, n. 1, p. 129-135, 1983.
CARVALHO, C.; CARVALHO, A. Não se deve identificar forca explosiva com potencia muscular, ainda que existam
algumas relações entre ambas. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, v. 6, n. 2, 241-248, 2006.
HÄKKINEN, K.; et al. Selective muscle hypertrophy, changes in EMG and force, and serum hormones during strength
training in older women. Journal of Applied Physiology, v. 91, n. 2, p. 569-580, 2001.
HASSON, C. J.; et al. Neuromechanical strategies employed to increase jump height during the initiation of the squat jump.
Journal of Electromyography and Kinesiology, v. 14, n. 4, p. 515-521, 2004.
LAZZOLI, J. K.; et al. Atividade física e saúde na infância e adolescência. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v.
4, n. 4, p. 107-109, 1998.
RAMOS, E.; et al. Muscle strenght and hormonla evels in adolescents: gender related differences. Internacional Journal of
Sports Medicine, v. 19 p. 526-531, 1998.
ROOYACKERS, O. E.; NAIR, K. S. Hormonal regulation of human muscle protein metabolism. Annual Review of Nu-
trition, v. 17, n.1, p. 457-485, 1997.
SCOTT, S. L.; DOCHERTY, D. Acute effects of heavy preloading on vertical and horizontal jump performance. Journal of
Strength Conditional Research, v. 18, n. 2, p. 201-205, 2004.
1-Discente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste
(UNICENTRO)
2-Docente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste
(UNICENTRO)
Endereço para correspondência: Rua Simeão Camargo Varela de Sá, 03, 85040-080, Vila
Carli, Guarapuava (PR), Brasil.

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P015 - FISIOTERAPIA NO PRÉ E PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIAS


CARDÍACAS REALIZADAS NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DO
OESTE DO PARANÁ.

Physiotherapy in pre and post-operative period of cardiac surgeries


performed at the Hospital Universitário do Oeste do Paraná.

ANDREIA TRAVASSOS¹; GABRIELA MATTE¹; CAROLINA PALMA PRIOTTO¹;


RUI M. S. ALMEIDA²; ERICA FERNANDA OSAKU³; FRANCYELLE DOS SANTOS SOARES³

Palavras-Chave: fisioterapia; cirurgia cardíaca, reabilitação cardíaca.

ESTE TRABALHO FOI DESTAQUE E RECEBEU MENÇÃO HONROSA NO VII CPF

Introdução
A fisioterapia dispõe de uma grande variedade de recursos que podem ser empregados no tratamento de pacientes em pré
e pós-operatório de cirurgias cardíacas, tendo em vista que, embora elas tenham evoluído ao longo dos anos, não são livres de
complicações (CAVENAGHI et al., 2011). Os objetivos do estudo foram: verificar a frequência das sessões de fisioterapia e as
técnicas usualmente empregadas no pré e pós-operatório de cirurgias cardíacas em um hospital universitário.

Materiais e métodos
Trata-se de um estudo retrospectivo e descritivo, realizado no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), cuja
amostra foi composta por pacientes maiores de 18 anos que foram submetidos à cirurgias cardíacas neste hospital no período de
2009 a 2012. Os dados foram coletados a partir de prontuários arquivados nos registros do HUOP. A análise dos dados foi reali-
zada por estatística descritiva simples por meio do programa Excel 7.0 da Microsoft Office e em plataforma Windows, sendo os
resultados apresentados em porcentagens (quando qualitativos) ou em média e desvio padrão (quando quantitativos). O projeto
foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UNIOESTE, segundo parecer 136.538/2012.

Resultados e discussão
No período analisado, 38 pacientes foram submetidos, de forma eletiva, à cirurgia cardíaca no HUOP. No pré-operatório,
em regime ambulatorial (pré-internação), foram encaminhados para fisioterapia apenas 10 (26%) sujeitos, que foram submeti-
dos em média a 4,5 ± 4,7 sessões cada um. Todos foram submetidos à fisioterapia respiratória convencional (FRC) e realizaram
fortalecimento da musculatura inspiratória e 9 (90%) à fisioterapia motora convencional (FMC), sendo que apenas um deles
realizou treino aeróbico em esteira. As causas da falta de encaminhamento dos pacientes para fisioterapia ambulatorial não foram
pesquisadas, porém sabe-se que todos os pacientes deveriam ser encaminhados nesta etapa, já que estudos demonstram que tanto
a prática de atividade física, quanto à fisioterapia respiratória, realizadas previamente a cirurgia são capazes de prevenir compli-
cações, diminuindo o tempo de internação. (FELTRIM, JATENE E BERNARDO, 2007).
O período pré-operatório intra-hospitalar teve duração média de 5,1 ± 3,9 dias. Nesta fase, 22 (58%) pacientes foram sub-
metidos a sessões de fisioterapia, com uma média de 3,4 ± 4,3 atendimentos em cada um. Dentre os que receberam atendimento
de fisioterapia, 17 (77%) realizaram FRC, 13 (60%) FMC e 14 (63%) fizeram uso de incentivador inspiratório. Herdy et al. (2008)
afirmaram que os dias de internação prévios a cirurgia podem levar ao descondicionamento físico e afetar de forma negativa os

1. DISCENTES DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIOESTE, CASCAVEL, PR;


2. PROFESSOR ASSOCIADO DO CURSO DE MEDICINA DA UNIOESTE E CIRURGIÃO
CARDIOVASCULAR;
3. DOCENTES DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIOESTE.
e-mail: franfisio@hotmail.com

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resultados da cirurgia e demonstraram que um programa de reabilitação pré-operatório intra-hospitalar pode reduzir o número de
complicações e o tempo de internação hospitalar, quando comparado a controles. No período pós-operatório na UTI, que durou
em média 6,3 ± 5,7 dias, 34 (89%) foram atendidos pela fisioterapia, com média de 6,1 ± 4,9 atendimentos para cada paciente.
A FRC foi realizada em 22 (64%) pacientes e a FMC em 18 (53%). Cinco pacientes (14%) fizeram uso de incentivador inspi-
ratório, 1 (3%) realizou exercício com pressão positiva por meio do Threshold PEP, 2 (5%) utilizaram o Shaker e sete (20%)
necessitaram de ventilação mecânica não invasiva (VMNI). No pós-operatório na enfermaria, que durou em média 9,0 ± 7,5 dias,
30 (91%) pacientes foram submetidos a 6,9 ± 8,3 sessões de fisioterapia, em média. As técnicas constaram de FRC em 29 (96%)
pacientes, FMC em 21 (70%), Incentivador Inspiratório em 11 (36%), Threshold PEP em 3 (10%), Shaker em 5 (16%), VMNI em
1 (3%) e respiração por pressão positiva intermitente (RPPI) em 3 (10%). Durante o período intra-hospitalar 12 (32%) pacientes
evoluíram sem complicações, 19 (50%) apresentaram alguma complicação no pós-operatório e 7 (18%) evoluíram à óbito (6 deles
ainda na UTI). Renault et al. (2008), em uma revisão de literatura, avaliaram o efeito das técnicas de espirometria de incentivo,
FRC e diversas modalidades de pressão positiva para reversão de disfunção pulmonar e concluíram que não há consenso sobre a
superioridade do uso de uma técnica em relação às demais, embora seja conhecida a importância da fisioterapia no pós-operatório
de cirurgias cardíacas. Após a alta hospitalar, nenhum paciente recebeu encaminhamento para fisioterapia, segundo os dados
dos prontuários examinados. Ainda assim, 5 (13%) pacientes realizaram em média 7,2 ± 3,8 sessões de fisioterapia ambulatorial
neste período. Destes, todos realizaram FRC e FMC, 2 (40%) utilizaram incentivador respiratório, 1 (2,6%) Threshold PEP, 2
(40%) foram submetidos a massoterapia na cicatriz cirúrgica e treinamento em esteira. Diversos estudos demonstram a eficácia
da atividade física programada na melhora da capacidade de exercício e qualidade de vida de pacientes em pós-operatório de
cirurgia cardíaca (MOHOLDT et al., 2009). Portanto, todos os pacientes poderiam se beneficiar da reabilitação cardíaca em pós-
-operatório. O registro não padronizado e, às vezes incompleto, tanto das sessões quanto das técnicas fisioterápicas empregadas
pode ter influenciado os resultados encontrados, sendo, portanto a principal limitação deste trabalho.

Conclusão
De acordo com o exposto pode-se concluir que a frequência média de sessões de fisioterapia no pré e pós-operatório de
pacientes submetidos à cirurgia cardíaca foi relativamente baixa e que as técnicas mais frequentemente utilizadas foram as con-
vencionais, tanto de fisioterapia respiratória quanto de motora.

Referências
CAVENAGHI, S. et al. Fisioterapia respiratória no pré e pós-operatório de cirurgia de revascularização do miocárdio.
Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, São Paulo, v.26, n.3, p.455-461, 2011.
FELTRIM, M.I.Z.; JATENE, F.B., BERNARDO, W.M. Medicina baseada em evidências: em pacientes de alto risco, sub-
metidos a revascularização do miocárdio, a fisioterapia respiratória pré-operatória previne as complicações pulmonares? Revista
da Associação Médica Brasileira, São Paulo, v.53, n.1, p.8-9, 2007.
HERDY, A. H. Pre- and Postoperative cardiopulmonary rehabilitation in hospitalized patients undergoing coronary artery
bypass surgery: a randomized controlled trial. American Journal of Physical Medicine & Rehabilitation, Hagerstown, v.87, p.714-
719, 2008.
MOHOLDT, T. T. Aerobic interval training versus continuous moderate exercise after coronary artery bypass surgery: A
randomized study of cardiovascular effects and quality of life. American Heart Journal, St. Louis, v.158, n.6, p.1031-1037, 2009.

1-Discente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste


(UNICENTRO)
2-Docente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste
(UNICENTRO)
Endereço para correspondência: Rua Simeão Camargo Varela de Sá, 03, 85040-080, Vila
Carli, Guarapuava (PR), Brasil.

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P016 - PROPOSTA DE ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NA


PREVENÇÃO DE ATRASO MOTOR NUM CONTEXTO PÚBLICO DE
EDUCAÇÃO INFANTIL

Proposed action of physiotherapy in the prevention of motor delay


in context of public education child

HELENARA SALVATI BERTOLOSSI MOREIRA;


THAIS APARECIDA CANABARRO DOS SANTOS²; ANA PAULA ELSENBACH²;
ANDRÉIA FIORI²; GRACIEL JIANE PEREIRA².

Palavras-chave: Prevenção, atraso motor, desenvolvimento.

Introdução
As creches surgiram no Brasil para o atendimento a população de baixa renda e possuíam caráter puramente assistencialis-
ta, mas atualmente vem adquirindo um cunho educativo. Sendo assim os fisioterapeutas que atuam junto ao desenvolvimento
infantil podem e devem, em um trabalho preventivo, intervir junto ao ambiente onde as crianças se inserem, de modo que este
possa proporcionar condições favoráveis ao desenvolvimento global, através da avaliação neuropscicomotora visando identificar,
o mais precocemente possível, eventuais desvios. (SCHWARTZMAN, 2009).
As profissionais que atuam no berçário (berçaristas) são as pessoas que mais mantém contato com os bebês, sendo normal-
mente as primeiras a perceberem alterações no desenvolvimento, mas falta uma preparação mais aprofundada para o auxílio desta
detecção, pois na prática, estas crianças são encaminhadas tardiamente aos profissionais capacitados. (HUSTON et al, 1994). Diante
do exposto o objetivo deste estudo foi verificar e orientar o conhecimento do desenvolvimento motor das berçaristas dos Centros
Municipais de Educação Infantil- CMEI’s do município de Cascavel, e incentivar a prática da estimulação motora dos bebês.

Materiais e métodos
A pesquisa trata-se de um estudo exploratório, de caráter quantitativo de fonte primária com corte transversal. A amostra
foi composta por 115 berçaristas e 176 bebês. Os critérios de inclusão foram os bebês que estavam em condições de realizar a
avaliação motora e a monitoras que participassem de 3 treinamentos realizados pela Fisioterapia. Foram excluídos os bebês que os
pais não devolveram o termo de consentimento assinado e as monitoras que faltaram em um dos treinamento. Como instrumento
usou-se um questionários com questões abertas e fechadas para verificar o conhecimento das etapas e épocas de aquisições do
desenvolvimento motor. Para avaliação dos bebês foram visitados 28 CMEI’s e o instrumento utilizado foi a Escala de Alberta.Foi
distribuído após o treinamento para todos os CMEI’s uma apostila com vasto conteúdo teórico dos temas abordados nos treina-
mentos e um DVD com manuseios feitos com bebês para servir de guia para as monitoras e berçaristas. Os dados foram tabulados
no programa Microsoft Excel e a análise foi realizada no programa SPSS (versão 13.0). Para realização da pesquisa obedeceu-se
as normas éticas exigidas pelo Conselho Nacional de Saúde (196/96) com liberação do comitê de ética local (protocolo 099/2010).

Resultados e Discussão
Segundo as participantes, 108 relataram saber identificar algum tipo de atraso no desenvolvimento motor e apenas
7 dizem não saber identificar. Das 108 berçaristas que relataram presença de bebês com atraso no desenvolvimento motor em
suas classes, a média detectadas com atraso por participante foi de 2 crianças (DP=1). Observou-se que a quantidade de bebês

1. MESTRE, FISIOTERAPEUTA DOCENTE DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA


UNIOESTE,PR
2. ACADÊMICAS, CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIOESTE, CAMPUS DE
CASCAVEL;
e-mail:helenarasbm@hotmail.com

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detectados pelas participantes foi inferior a detectada durante a visita e aplicação da escala. O teste t com nível de significância
de 5% apontou diferença significante entre a quantidade de bebês detectados com atraso pelas berçaristas e pela escala (p<0,01).
Quando avaliado o conhecimento das berçaristas em relação as fases do DPMN, a média de acertos das respostas das berçaristas
ao questionário de avaliação do conhecimento sobre desenvolvimento motor foi de 8,4 (DP=2,8) de um total de 16 pontos (52%
de acerto). Em relação aos motivos relatados pelas berçaristas pelos quais sentem dificuldade em realizar estimulação motora
nas crianças,a maioria das participantes não estimulam os bebês com atraso por falta de tempo e por medo de machucá-las. Os
motivos que são menos responsáveis pela dificuldade na estimulação são: falta de materiais e de conhecimento específico.

Conclusões
Conclui-se com este estudo que, cada vez mais, há a necessidade de ações voltadas a promoção do desenvolvimento
neuropsicomotor, que previna ou minimize as condições de desvantagens ou risco e considera-se extremamente importante a
atuação da Fisioterapia nos centros de educação infantil para oferecer a esses bebês estímulos adequados para um bom desenvol-
vimento neuropsicomotor, bem como orientação e treinamento as berçaristas na realização de manuseios funcionais que ajudem
nas aquisições motoras dos bebês. O estudo atingiu o objetivo proposto, pois evidenciou as diversas possibilidades de atuação da
Fisioterapia tanto no treinamento das berçaristas quanto na verificação de atraso motor, minimizando o impacto e o efeito deste
atraso na vida social desses bebês. Sendo assim os fisioterapeutas que atuam junto ao desenvolvimento infantil podem e devem
propor trabalhos de intervenção preventiva primária, num contexto público, intervindo junto ao ambiente onde as crianças se
inserem, proporcionando condições favoráveis ao desenvolvimento global da criança.

REFERÊNCIAS
HABECHIAN, F. A. P. H. Atuação fisioterapêutica em ambiente de creche . Disponível em: http://www.unimep.br/phpg/
mostraacademica/anais/6mostra/2/157.pdf. Acesso em: 20 julho de 2013.
HUSTON, A. C. et al. Children in poverty: issues in contemporany research. Child develop: 1994.
PIPER, M. C.; DARRAH, J. Motor assessment of the developing infant. Philadelphia. Saunders Company: 1999.
SANTOS, D. C. C. Atenção ao desenvolvimento infantil em creches de Piracicaba. Disponível em: http://www.unimep.br/
phpg/mostraacademica/anais/6mostra/2/157.pdf. Acesso em: 25 abril 2013.
SCHWARTZMAN, J. S. O desenvolvimento motor normal. São Paulo. Cortez, 2009.
TAVARES, T. Crianças de 0-2 anos em uma creche de Flórida Paulista e a importância do fisioterapeuta. São Paulo, 2005.

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P017 - EFEITOS DA IMOBILIZAÇÃO E REMOBILIZAÇÃO SOBRE O


MÚSCULO SÓLEO DE RATOS WISTAR.

Effects of immobilization and remobilization on Wistar rat soleus muscle.

WELLINGTON DE ALMEIDA¹; REGINA INÊS KUNZ1; LÍGIA ALINE CENTENARO¹;


ROSE MEIRE COSTA BRANCALHÃO¹; GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI¹;
LUCINÉIA DE FÁTIMA CHASKO RIBEIRO¹

Palavras-chave: reabilitação; exercícios terapêuticos; músculo esquelético.

Introdução
A imobilização um recurso terapêutico frequentemente usado no tratamento de injúrias músculo-esqueléticas, pode levar a
adaptações musculares devido a capacidade de adaptação estrutural e funcional que o músculo esquelético apresenta, a plasticidade
neuromuscular (MENON et al., 2007).
Diferentes técnicas e exercícios têm sido estudados na tentativa de reverter os danos celulares causados pela imobilização.
Apesar disso, ainda não há um modelo ideal de remobilização que permita ao músculo retornar às suas características morfológicas
do momento pré-imobilização. O objetivo do estudo foi analisar o efeito da imobilização e do protocolo de remobilização
composto pela associação de exercício aeróbico (natação) e exercício resistido (salto em meio aquático) sobre parâmetros de
massa, menor diâmetro da fibra e comprimento do músculo sóleo de ratos Wistar.

Materiais e métodos
A pesquisa foi do tipo experimental e descritiva, com abordagem quantitativa para análise dos dados. Foram utilizados 18
ratos machos Wistar, com 10±2 semanas de idade, com peso de 280-350 g, mantidos em fotoperíodo de 12 h a 23 °C, com água
e ração ad libitum, conforme aprovação 03012 do Comitê de Ética no Uso de Animais da Universidade Estadual do Oeste do
Paraná. O membro posterior direito foi imobilizado por atadura gessada, mantendo a flexão plantar completa do tornozelo por
15 dias. Na sequência, foram divididos em 3 grupos experimentais, com 6 ratos cada: G1, imediatamente eutanasiados após a
retirada do aparato de imobilização; G2, remobilização livre na gaiola por 14 dias; G3, remobilização por associação de exercícios
terapêuticos, natação e salto em meio aquático, realizados em dias alternados, por 14 dias.
A remobilização do G3 foi realizada em um tanque de água a 33 ºC. Nos 6 primeiros dias, a natação foi realizada durante
20 minutos e os saltos foram efetuados em 2 séries de 10 saltos cada. Nos 8 dias restantes, efetuou-se uma progressão quanto ao
tempo e às séries dos exercícios, sendo que a natação foi de 40 minutos e os saltos eram realizados em 4 séries de 10 saltos cada.
Os saltos foram realizados com uma sobrecarga de 50% do peso corpóreo conforme estabelecido por Gaffuri et al. (2011).
Logo após a última sessão de treinamento, os animais foram eutanasiados. A seguir, foram dissecados os músculos sóleo
direito (submetidos à imobilização/remobilização) e esquerdo (controle), pesados em balança analítica de precisão (Shimadzu®)
e mensurados quanto ao comprimento máximo de repouso por meio de paquímetro digital (Digimess®), fixados em formol 10%,
e seguiram o processamento para emblocamento em parafina. Posteriormente, foi realizada a microtomia, cortes de 7 µm e a
coloração em hematoxilina e eosina.
Os campos de interesse nas lâminas foram fotomicrografados no aumento de 400x, sendo analisado o menor diâmetro de
100 fibras por músculo, utilizando-se o programa Image-Pro-Plus6.0® (USA), dado em micrômetros (µm). Os resultados foram
analisados com ANOVA modelo misto, com nível de significância aceito de 5%.

1-Discente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste


(UNICENTRO)
2-Docente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste
(UNICENTRO)
Endereço para correspondência: Rua Simeão Camargo Varela de Sá, 03, 85040-080, Vila
Carli, Guarapuava (PR), Brasil.

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Resultados e Discussão
A imobilização do membro posterior por 14 dias foi responsável pela diminuição da massa muscular e do menor diâmetro
da fibra (tabela 1), caracterizando um quadro de atrofia no músculo sóleo. Fibras musculares lentas (tipo I), predominantemente
no músculo sóleo, parecem ser mais susceptíveis à atrofia muscular por desuso, devido a mudanças no metabolismo da fibra
(APPELL, 1990).
A remobilização com exercícios do grupo G3, remobilizados por natação e salto em meio aquático, levou a um aumento do
diâmetro da fibra muscular do sóleo em relação ao grupo somente imobilizado (tabela 1). Järvinen e Lehto (1993) afirmam que
a recuperação das injúrias nas miofibrilas do músculo esquelético é dependente de uma recuperação do fluxo sanguíneo e que a
arquitetura e o tamanho das miofibrilas é mais rapidamente restaurado quanto mais ativa for a remobilização. Assim, observou-se
no presente estudo uma recuperação da capacidade contrátil do sóleo após a remobilização, embora essa não tenha sido eficaz em
restaurar totalmente a massa muscular desse músculo.
Verificou-se também uma diminuição do comprimento muscular do sóleo imobilizado em relação ao sóleo controle (tabela
1). Menon et al. (2007) também verificaram que 21 dias de imobilização em encurtamento do músculo sóleo diminuiu 12,74%
do seu comprimento muscular.

Tabela 1: Resultados encontrados de acordo com os diferentes parâmetros musculares dos grupos experimentais1.

Conclusões
A imobilização produziu alterações significativas sobre o músculo sóleo, diminuíndo sua massa, menor diâmetro da fibra
e comprimento muscular. A realização da natação combinada com o salto em meio aquático constitui uma modalidade de remo-
bilização eficiente na restauração apenas do menor diâmetro das fibras do músculo sóleo.

Referências
APPELL, H. J. Muscular atrophy following immobilization: a review. Sports Medicine, v. 10, n. 1, p. 42-58, 1990.
JÄRVINEN, M. J.; LEHTO, M. U. K. The effects of early mobilization and immobilization on the healing process following
muscle injuries. Sports Medicine, v. 15, p. 78-89, 1993.
MENON, T.; CASAROLLI, L. M.; CUNHA, N. B.; SOUZA, L.; ANDRADE, P. H. M.; ALBUQUERQUE, C. E.; BERTO-
LINI, G. R. F.Influência do alongamento passivo em três repetições de 30 segundos a cada 48 horas em músculo sóleo imobilizado
de ratos. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 13, n. 6, p. 407-410, 2007.
GAFFURI, J.; MEIRELES, A.; ROCHA, B. P.; et al. Avaliação do exercício físico como fator de analgesia em um modelo
experimental de ciatalgia. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 17, n. 2, p. 115-118,2011.

1-Discente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste


(UNICENTRO)
2-Docente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste
(UNICENTRO)
Endereço para correspondência: Rua Simeão Camargo Varela de Sá, 03, 85040-080, Vila
Carli, Guarapuava (PR), Brasil.

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P018 - AVALIAÇÃO DA RESPOSTA DA LASER TERAPIA DE BAIXA


POTÊNCIA SOBRE O EDEMA NO MODELO EXPERIMENTAL DE
ARTRITE FÚNGICA POR CANDIDA ALBICANS
evaluation of the low power laser therapy response on edema in a
experimental fungal arthritis model with candida albicans.

JOSÉ HENRIQUE FERMINO FERREIRA DOS SANTOS¹; CRISTINA FERREIRA DA SILVA¹;


ASSIS ROBERTO ESCHER³; ANIELE TOMADON4; SAMIA KHALIL BIAZIM¹;
THAYZA RODRIGUES MARINHO¹; MÁRIO JOSÉ DE REZENDE5;
EDUARDO ALEXANDRE LOTH²

Palavras-chave: candida albicans; artrite; edema.

Introdução
O gênero Candida é o quarto patógeno mais isolado do sangue de pacientes hospitalizados, sendo associado a uma taxa
de mortalidade de 38 a 49%. A articulação mais acometida em infecções sistêmicas é a articulação do joelho, onde a Candida
provoca rápida destruição articular, podendo produzir deformidades permanentes. Vários estudos têm demonstrado que leveduras
podem ser inviabilizadas pela ação fotodinâmica (NAKAMURA et al., 1991; EDMOND et al., 1999; DONNELY et al., 2008).
O objetivo deste estudo foi verificar a resposta da aplicação de laser de baixa potência sobre edema na candidose articular
experimental induzida em ratos Wistar.

Materiais e métodos
O presente estudo é quantitativo, de caráter experimental. Foi desenvolvido com aprovação do Comitê de Ética no Uso
de Animais (CEUA) da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), sob protocolo nº 02112. Foram seguidas as
normas do “Guide for Care and use of Laboratory Animals, Institute of Laboratory Animal Resouces, National Academic Scienc,
Washington, D. C. (1996)” e os Princípios Éticos na Experimentação Animal da Legislação e Colégio Brasileiro de Experimen-
tação (COBEA) Foram utilizados 24 ratos da linhagem Wistar machos, divididos em 4 grupos: GCA, GCN, G4J e G8J, onde
os três últimos receberam, sob anestesia, infusão de 50 μl de salina tampão fosfatada (PBS) contendo 105 leveduras de Candida
albicans na articulação do joelho direito da pata posterior, e somente os últimos dois receberam aplicação de laser terapia 4 e 8
joules, respectivamente, no joelho infundido, durante 07 dias. Os animais tiveram aferido, durante 09 dias, o diâmetro do joelho
da pata posterior direita. Após o tratamento foi realizada avaliação final do diâmetro articular, e os valores foram tabulados para
posterior análise. Para a análise estatística dos dados foi utilizado o teste t de Student, bi caudado, não pareado.

Resultados e Discussão
A mensuração diária do edema demonstrou que o G8 J e G4j apresentaram redução gradual do edema, a partir da primeira
aplicação de laserterapia, até a remissão total do edema ao fim do experimento.
Quando comparada a média do diâmetro do joelhos dos animais durante o experimento, observou-se que a diferença entre
as médias do grupo CGA e CGN (p 0,009) foi estatisticamente significante (Tabela 1). A diferença da média entre o grupo GCA
com os grupos GE 4J e GE 8J, não apresentaram diferença estatística significante. Quando comparada a média do GCN com a
média dos grupos tratados (8 e 4 j), houve diferença estatísticamente significante apenas com o grupo 8 j (p=0,003). *Indica que
houve diferença estatisticamente significante.

1. ACADÊMICO DE FISIOTERAPIA, UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO


PARANÁ;
2. PROFESSOR DOUTOR EM PATOLOGIA, UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE
DO PARANÁ;
3. TÉCNICO EM CIRÚRGIA EXPERIMENTAL, UNIVERSIDADE ESTADUAL DO
OESTE DO PARANÁ;
4. ESPECIALIZANDA EM FISIOTERAPIA HOSPITALAR, HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
DO OESTE DO PARANÁ;
5. PROFESSOR FISIOTERAPIA HOSPITALAR, HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DO
OESTE DO PARANÁ.
e-mail: ealoth@hotmail.com

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Segundo Calatrava et al., coelhos com lesões cartilaginosas tratados com lasers de 632 e 808 nm mostraram recuperação
tecidual mais rápido e em maior extensão comparado ao grupo controle. Segundo ele o tratamento com laser infravermelho resulta
num menor diâmetro articular, do que o tratamento com outro tipo de laser terapia. Tal fato assemelha-se àquilo observado em
nosso trabalho, uma vez que utilizamos o comprimento de 830 nm, e houve diferenças significativas no diâmetro articular entre
o grupo GCN e os grupos tratados com 4 e 8 J cm2.

Conclusões
A aplicação do laser de baixa potência AsGaAl 830 nm, com intensidade de 8 joules, apresenta resultados expressivos para
redução do edema na artrite fúngica de joelho provocada por Cândida albicans.

Agradecimentos
Agradecemos ao Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (CNPq) e a UNIOESTE pela concessão da bolsa de
iniciação científica.

Referências
DONNELLY, R.F; McCARRON, P.A; TUNNEY, M.M. Antifungal photodynamic therapy. Microbiological Research,
Jena, v. 163, n. 1, p. 1-12, 2008.
EDMOND, M.B; WALLACE, S.E; McCLISH, D.K; PFALLER, M.A; JONES, R.N; WENZEL, R.P. Nosocomial bloodstream
infections in United States hospitals: a three-year analysis. Clinical Infection Diseases, Chicago, v. 29, n. 2, p. 239–244, 1999.
NAKAMURA, Y; MASUHARA, T; ITO-KUWA, S; AOKI, S. Induction of experimental Candida arthritis in rats. Journal
of medical and veterinary mycology, Oxfordshire, v. 29, n. 3, p. 179-192, 1991.
CALATRAVA, R. I; VALENZUELA, J. M. S; GOMEZ-VILLAMANDOS, R. J; REDONDO J. I; GOMEZ-VILLAMAN-
DOS J. C; GOMEZ-VILLAMANDOS I; JURADO, A. Histological and clinical responses of articular cartilage to low-level laser
therapy: Experimental study. Lasers in Medical Science, London, v. 12, n. 2, p. 117–121, 1997.

1.-Laboratório de Lesões e Recursos Fisioterapêuticos da Universidade Estadual do Oeste


do Paraná – UNIOESTE. Campus Cascavel
Contato: Camila Mayumi Martin Kakihata. End: Rua Padre Anchietta, 886. Bairro Parque
São Paulo. Cascavel – PR. CEP:85803-740.

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P019 - APLICAÇÃO DO MÉTODO STS EM PACIENTE COM


PARALISIA CEREBRAL: ESTUDO DE CASO

STS method in cerebral palsy: case study

ALINE SCHENATTO DOS SANTOS¹; ANANDA STAATS¹; CAROLINE DANIELLI¹;


GUSTAVO KIYOSEN NAKAYAMA¹; GRACIELI JIANE PEREIRA¹;
KARINE MAYURI MAKIYAMA RAIMUNDO¹; MAÍRA CAROLINE DE OLIVEIRA¹;
MARIANA LAÍS BOARETTO¹; MARINA ZILIO¹; VANESSA CECATTO¹.

Palavras-chave: paralisia cerebral; treinamento de resistência; propriocepção.

Introdução
A paralisia cerebral (PC), também denominada encefalopatia crônica não-progressiva da infância, é conseqüência de uma
lesão encefálica não evolutiva, ocorrida no período pré, peri ou pós-natal que afeta o sistema nervoso central em fase de matura-
ção estrutural e funcional, caracterizada por uma disfunção predominantemente sensório motora, envolvendo distúrbios no tônus
muscular, na postura e no movimento (SHEPERD, 1998; DIAMENT, 2010; ROTTA, 2001).
Com um tratamento apropriado é possível diminuir as deficiências funcionais nas crianças portadoras de PC, tendo como
meta de tratamento o aumenta das habilidades do paciente e a diminuição das suas deficiências, assim deve se considerar compo-
nente deste tratamento o alongamento muscular, a estabilidade articular e a força associados ao controle central que envolvem a
capacidade para a realização de seus movimentos (CAMPBELL, 1996; CARGNIN; MAZZITELLI, 2003).
O Método STS (Strength Training Strategies) de Musculação Terapêutica se utiliza da aplicação de movimentos funcionais
contra-resistidos. Fundamento: o movimento funcional, o controle contínuo da frequência cardíaca, estímulo óculo-motor e co-
mando verbal; com objetivo de: noção de posição do seu corpo no espaço em relação ao movimento e a resistência; fixar o padrão
motor em sua memória motora e reforçado o resultado neurológico e metabólico no dia a dia (LUCAS, 2010).
Portanto o método objetiva o trofismo funcional e consequentemente determina o parâmetro mínimo ideal de força, flexi-
bilidade e capacidade aeróbia (LUCAS, 2010).
Este estudo tem como objetivo analisar o efeito do método STS na criança portadora de paralisia cerebral.

Materiais e métodos
Este estudo faz parte do projeto de extensão Propriocepção e Percepção Corporal, classificado como estudo de caso pros-
pectivo. Antes de iniciar o estudo foi explicado o estudo para o responsável e solicitado a assinatura do Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido. A criança com 10 anos, do sexo masculino com diagnóstico de Paralisia Cerebral hemiplégica à esquerda.
Foi avaliado no início e no final do estudo: o Gross Motor Function Measure (GMFM-88), avaliação da função motora grossa
de paralisia cerebral; perimetrias de pescoço, braço, antebraço, punho, abdominal, cintura, quadril, coxa e perna, calculado por-
centagem de gordura da criança e o IMC; e verificado o teste do terceiro dedo ao chão, mas este foi modificado e realizado com
a criança sentada com os pés apoiados a parede, pois esta apresentou dificuldade em realizar em pé esta atividade.
O tratamento baseou-se na aplicação do método STS, utilizando os padrões de exercícios resistidos nominados como:
deltóide 1, bíceps 1, tríceps 1, peitoral 1; com 1kg; quadríceps 1 e isquiotibial 1; foi adaptado, sendo o quadríceps 1 realizado
ativo-assistido pelo fisioterapeuta com apoio no joelho e nos pés, e no isquiotibial 1 o paciente realizava sentado no rolo, ambos
os exercícios sem peso. Foram realizados um total de 10 sessões 1 sessão por semana.

1.UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL–PR, BRASIL.


e-mail: karine1192@hotmail.com

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Resultados e Discussão
Na avaliação do GMFM-88, no item A: deitar e rolar a criança apresentou escore de 94,1% e posterior 96,1%; no
item B: sentar inicialmente um escore de 95% e após 100%; no item C: engatinhar e ajoelhar de 78,6% aumentou para
90,5% seu escore; no item D: em pé um escore de 66,7% para 83,3%; no item E: andar, correr e pular, iniciando com
escore de 62,5% para 73,6%; melhora nas posturas altas, que necessitam de maior controle postural para a realização.
Na avaliação da massa corporal, a criança obteve uma diminuição da massa corporal total, na qual inicialmente era de
42,45 kg com 4,5% gordura e IMC 17,9 para 41,7 kg com 3,74% de gordura com 4,5% e IMC 17,6. Pode se afirmar que esta
obteve um ganho de massa muscular, o que provavelmente auxiliou no seu melhor desempenho das atividades funcionais.
Na avaliação das perimetrias: cervical, antebraço e cintura alta se mantiveram; nas perimetrias de: bra-
ço, cintura abdominal, quadril e perna diminuíram 1 cm cada e nas perimetrias de: punho e coxa houve um au-
mento de 1 centímetro. A distância entre terceiro dedo ao chão, em que iniciou com 17,5 no direito e 19,5 no es-
querdo e diminui para 15,5 cm no direito e 17,5 cm no esquerdo assim pode se confirmar que o trofismo funcional
apresenta consequências na flexibilidade, o qual apresentou melhora na criança após o tratamento com o método.

Conclusão
Por fim, conclui-se que o método STS proporcionou a criança com paralisia hemiplégica à esquerda uma diminuição da
gordura corporal, aumento da massa muscular, melhora da flexibilidade e, principalmente, melhoras nas atividades motoras
funcionais, o qual é essencial no tratamento da criança com paralisia cerebral.

Referências
CARGNIN, A. P. M.; MAZZITELI, C. Proposta de Tratamento Fisioterapêutico para Crianças Portadoras de Paralisia Ce-
rebral Espástica, com Ênfase nas Alterações Musculoesqueléticas. Revista Neurociências, São Paulo, v. 11, n.1, p. 34-39, 2003.
SHEPHERD, R. B. Fisioterapia em pediatria. 3 ed. São Paulo, Livraria Santos, 1998, p. 224-77.
LEPAGE, C.; NOREALL, L.; BERNARD, P. Association between characteristics of locomotion and accomplishment of
life habits in children with cerebral palsy. Physical Therapy, Alexandria, v. 78, p. 458-69, 1998.
DIAMENT, A. Encefalopatia crônica na infância (paralisia cerebral). In: DIAMENT, A.; CYPEL, S. 5ª ed. Neurologia
infantil. São Paulo: Editora Atheneu, 2010. p.781-98.
ROTTA, N. T. Encefalopatia crônica da infância ou paralisia cerebral. In: Porto CC. Semiologia Médica. 4ª ed. Rio de
Janeiro, Guanabara Koogan, 2001. p. 1276-8.
CAMPBELL. Cirurgia ortopédica de Campbell. 8 ed. São Paulo, Manole, 1996.
LUCAS, R. W. C. Musculação Terapêutica - Aplicação de padrões de movimentos anatomo-funcionais, na Saúde, na
recuperação físico-funcional e no desporto. Florianópolis, Sistema Wallace Consultoria Ltda., 2010.

1-Discente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste


(UNICENTRO)
2-Docente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste
(UNICENTRO)
Endereço para correspondência: Rua Simeão Camargo Varela de Sá, 03, 85040-080, Vila
Carli, Guarapuava (PR), Brasil.

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P020 - CORRELAÇÃO ENTRE O NÍVEL DE INCAPACIDADE E


INTENSIDADE FUNCIONAL DO TESTE DE CAMINHADA DE
SEIS MINUTOS EM INDIVÍDUOS SAUDÁVEIS E LOMBÁLGICOS
CRÔNICOS

Correlation between the level of disability and intensity functional


test of six-minute walk in healthy individuals and chronic low back pain

SIMONE LIBARDI¹, KELLY CARDOSO AFFONSO¹, ALBERITO RODRIGO DE CARVALHO²,


FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO².

Palavras-chave: “Lombalgia”, “capacidade funcional”, “teste de caminhada de seis minutos”.

Introdução
A Dor Lombar (DL) é definida como dor de origem mecânica que acomete a região lombossacra e pode irradiar-se para os
membros inferiores (Campbell; Muncer 2005). Aproximadamente 70% desses indivíduos terão pelo menos uma recidiva e 10%
evoluirão para um quadro de dor lombar crônica, sobretudo na população em idade economicamente ativa. (HEYMANS, 2010).
Pacientes com dor lombar podem apresentar diminuição da capacidade funcional que caracteriza-se pela dificuldade no
desempenho de realizar certas atividades da vida cotidiana ou mesmo pela impossibilidade de desempenhá-las (Rosa et.al, 2003),
sendo esta condição o resultado do relacionamento complexo entre a condição da saúde de um indivíduo e fatores pessoais e
externos que representam as circunstâncias na qual o indivíduo vive. O presente estudo teve como objetivo correlacionar o nível
de capacidade funcional pelo teste de caminha de seis minutos (TC6) e intensidade funcional (IFT) nos indivíduos com e sem
dor lombar.

Metodologia
Realizou-se um estudo do tipo transversal, aprovado pelo comitê de ética (com protocolo CAAE: 01255212.0.0000.0107).
Foram avaliados 18 voluntários divididos em: grupo controle (GC / n=10), composto por indivíduos saudáveis, e grupo lombar
(GL / n=8), composto por indivíduos com dor lombar crônica. Ambos os grupos realizaram o TC6 por duas vezes consecutivas
com intervalo de 30 minutos entre eles. A frequência cardíaca foi mensurada no início e durante o teste a cada 30 segundos. Após
as coletas, foram realizados os cálculos a fim de saber: 1) a razão entre a distância percorrida efetivamente durante o teste pela
distância predita para idade, sexo, estatura e idade; 2) a intensidade fisiológica do teste (IFT).
Para o tratamento estatístico utilizou-se o software SPSS 15. A verificação da normalidade foi feita pelo Shapiro-Wilk. As
correlações entre a distância percorrida e o IFT foram determinadas pelo teste de correlação parcial, sendo os relacionamentos
controlados pela condição de ter ou não dor lombar (efeito de grupo). Adotou-se nível de significância de 5%.

Resultados e Discussão
A estatística descritiva para a razão distância percorrida/predita e IFT apresenta uma pequena diferença para os valores de
mediana entre os dois grupos como demonstrado na figura 1.

1.FISIOTERAPEUTA ESPECIALISTA EM FISIOTERAPIA ORTOPÉDICA E


TRAUMATOLÓGICA PELA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ,
CASCAVEL/PR - BRASIL,
2.DOCENTES DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIOESTE, CASCAVEL/PR-BRASIL
e-mail: simone_libardi@hotmail.com

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Figura 1: Estatística descritiva das variáveis razão distância percorrida/predita e IFT. Grupo controle (GC) e grupo lombar
(GL)

Não foi encontrada correlação significativa entre as variáveis razão distância percorrida/predita e IFT. A correlação biva-
riada foi r = 0,334; p = 0,175 e, quando controlada pelo grupo (correlação parcial), foi r = 0,330; p = 0,196. Estudos vêm sendo
realizados a fim de comprovar a relação da capacidade funcional com a dor lombar, porém os resultados ainda são muito distintos
(Barr et.al, 2008). A análise dos resultados deste trabalho sugere que a capacidade funcional dos indivíduos do GL não apresenta-
-se diminuída em relação ao GC, assim como Der Velde e Mireau (2000), que não verificaram diferença na capacidade aeróbia
de indivíduos com dor quando comparados a indivíduos saudáveis. Polito et. al. (2003) analisaram 328 indivíduos antes ou até
três semanas após o início de um treino aeróbico e constataram que 24% dos indivíduos avaliados apresentavam dor lombar.
Uma das explicações plausíveis para esses resultados deve-se ao fato de que todos os participantes do grupo dor lombar
exercem a profissão de agricultor de pequenas propriedades, em que todas as atividades laborais exigem força e capacidade física
e nenhum deles se ausentou de suas atividades por apresentar quadro álgico.

Conclusão
Os resultados obtidos neste estudo, evidenciam que não houve correlação entre a razão distância percorrida/prevista e o IFT .

Referências
CAMPBELL, C; MUNCER, S.J. The causes of low back pain: a network analysis. European Journal of Pain, v.9, p.375-
381, 2005.
HEYMANS, M,W. et.al. The prognosis of chronic low back pain is determined by changes in painand disability in the
initial period. The Spine Journal, n. 10, p. 847-856, 2010.
ROSA, T.E.C. et al. Fatores determinantes da capacidade funcional entre idosos. Rev Saúde Pública. v. 37, n. 1, p. 40-48,
2003. Disponível em : http://www.fsp.usp.br/rsp.htms. Acesso em 10/02/2012.
BARR, E.R. et al. Aerobic Fitnesse in pacients at work despite recurrent low back pain: a cross-sectional study wioth
healthy age – and gender – matched controls. J. Rehabil Med, v.40, p. 359-365, 2008.
POLITO, M.D; MARANHÃO NETO, G.Al; LIRA, V.A. Componentes da aptidão física e sua influência. R. Bras. Ci. e
Mov., Brasília, v. 11, n. 2, p.35-41, jun. 2003.
VAN DER VELDE, G. e MIREAU, D. The effect of exercise on percentile rank aerobic capacity, pain, and self-rated di-
sability in patients with chronic low-back pain: a retrospective chart review. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation.
V. 81, p.1457-63, 2000.

1-Discente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste


(UNICENTRO)
2-Docente do curso de Fisioterapia, Universidade Estadual do Centro Oeste
(UNICENTRO)
Endereço para correspondência: Rua Simeão Camargo Varela de Sá, 03, 85040-080, Vila
Carli, Guarapuava (PR), Brasil.

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P021 - A INFLUÊNCIA DA POSTURA PRONO NAS AQUISIÇÕES


MOTORAS EM PREMATUROS DE ALTO RISCO
Prono posture influence in motor development acquisitions of high-risk
preterm infants.

ALINE TAUANY MACHADO KRUPENISKI SANTOS¹; FRANCIELLY BENGOZI BORSATTO;


IULLY TIYOKO REBELATTO SUGUIURA; NATHÁLIA JAÍNE TAVARES;
NORLANA RAFAELA RAMBO; THAYZA RODRIGUES MARINHO; HELENARA SALVATI²

Palavras-chave: Crianças prematuras; postura prono; Escala de Alberta.

Introdução
Segundo a classificação internacional de doenças e problemas relacionados à saúde, crianças prematuras são aquelas que
nascem antes de completar 37 semanas ou 259 dias de gestação (BECK S. et al., 2010). O desenvolvimento motor dessas crianças
devem ser acompanhadase uma forma de mensurar a qualidade do crescimento da criança é aplicando Escala de Alberta. A Escala
Motora Infantil de Alberta (EMIA) é uma escala que analisa o conceito neuromaturacional através de seu reflexo na sequência de
atividades motoras que a criança realiza, sendo essa a base da avaliação. A avaliação de Alberta pode ser realizada em crianças
de 0 a 18 meses, prematuras ou não, para avaliar seu desenvolvimento motor. Ela é composta por 58 itens (21 observados na
posição prono, 9 em supino, 12 sentado e 16 em pé). Ao término da avaliação, é creditado um escore total (0-60 pontos), que é
convertido em percentis, variando de 5 a 90%. Consequentemente, quanto maior a pontuação, melhor é o percentil da criança,
quando analisado no gráfico (DARRAH J et al., 1998).
A postura prono é importante nas aquisições motoras das crianças pois influencia no ganho de alguns movimentos impor-
tantes, como a extensão ativa, o rolar de prono para supino e as futuras atividades na postura sentada, porque exigem postura e
extensão de tronco (DUDEK-SHRIBER L.; ZELAZNY S., 2007). Durante o segundo trimestre de desenvolvimento da criança,
ela deve ser capaz de realizar certos movimentos, como começar a rolar, explorar os pés com a boca, se locomover empurrando-
-se pelas extremidades. É nessa idade em que ela desenvolve mais habilidade na posição em que mais tempo permanece (BEE,
H.; BOYD, D., 2011).
Diante do exposto, esse estudo tem por objetivo a verificação da intolerância na postura prono em crianças prematuras no
seu segundo trimestre de vida, segundo a sua idade corrigida.

Materiais e métodos
A pesquisa foi do tipo quantitativa para análise dos dados. A amostra foi composta por28 fichas de bebês prematuros no
período entre 2011 e 2013, respeitando os critérios de inclusão: bebês com idade que se encaixavam no terceiro trimestre de
idade corrigida e que fossem prematuros. Como instrumento para coleta dos dados utilizou-se aEscala Motora Infantil de Alberta
(EMIA). Os participantes foram submetidos à avaliação de acordo com as posturas indicadas na Escala, com maior enfoque a
postura prono. A análise dos dados quantitativos ocorreu através do software Microsoft Office Excel. O estudo atendeu as exi-
gências do comitê de ética sob o protocolo 954-2010.

1.ACADÊMICOS DO SEGUNDO ANO DE FISIOTERAPIA DA UNIOESTE


2.DOCENTE DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO
OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL, PR, BRASIL.
e-mail: helenarasbm@hotmail.com

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Suplemento 1 • Volume 6 • Número 5 • set/out de 2013

Resultados e Discussão
Das 28 crianças analisadas, observa-se, na postura prono, que grande parte delas (12 crianças) recebe a pontuação referente
aos movimentos 6 ao 10. Nesses movimentos, as crianças são capazes de suportar seu peso corporal nos antebraços e braços esten-
didos, além de conseguir transferir o peso para um dos braços em que deseja ficar apoiada, rola de prono para supino sem rotação
do corpo e utiliza do seu padrão extensor para se manter numa postura de “nadador”. No desenvolvimento normal, observa-se
que as crianças na postura prono estão estendendo mais o quadril, mantendo a cabeça mais elevada e evoluindo o apoio nos ante-
braços para as mãos (RESTIFFE, A. P.; GHERPELLI, J. L. D., 2006), ou seja, alcançando a pontuação 16 na Escala de Alberta.
A pontuação total ocorre diante da associação de todos os movimentos incluídos na Escala de Alberta, que então é convertida
em um percentil de acordo com a sua idade. Os dados referentes ao percentil total mostram que 23 crianças (89,2%) atingiu os
valores de 0 a 75%, e apenas cinco (10,8%) atingiu os 90% indicados para o desenvolvimento motor saudável para a sua idade.

Conclusões
A partir da análise das crianças prematuras, conclui-se que a postura prono é pouco tolerada na faixa de idade que atinge dos
4 aos 6 meses de idade corrigida. Isso se deve a alguns fatos importantes, como a influência dos pais na insistência e estimulação
da permanência na posição, bem como a baixa funcionalidade na utilização dos membros superiores, a distribuição do peso se
fazer mais anteriormente, dificultando a elevação da cabeça (ROCHA, N. A. C. F.; TUDELLA, E., 2002). Como reflexo do atraso
na posição prona, em associação aos outros movimentos que constam na Escala, o percentil total de desenvolvimento também
se encontra abaixo do necessário para que seja considerado adequado. Se comparadas com o desenvolvimento de crianças em
desenvolvimento normal, essas crianças apresentam um menor coeficiente de avanço motor, devendo ser estimuladas para que
alcancem níveis normais e prossigam em desenvolvimento contínuo e progressivo até chegarem a níveis normais.
Sugere-se que estudos futuros possam verificar a incidência de melhora no desenvolvimento motor em crianças na mesma
situação mediantes a estímulos vinculados a posição prono.

Referências
BECK S. et al. The worldwide incidence of preterm birth: a systematic review of maternal mortality and morbidity. Bull
World Health Organ.v 88 p 31. 2010.
BEE, H.; BOYD, D. A criança em desenvolvimento. ArtmedEditora. 12°ed, p 82-85, 2011
DARRAH J et al. Intra-individual stability os rate of gross motor development in full-term infants. Early Human Develo-
pment 52, 1998.
DUDEK-SHRIBER L.; ZELAZNY S. The Effects of Prone Positioning on the Quality and Acquisition of Developmental
Milestones in Four-Month-Old Infants. Pediatric Physical Therapy, p 48-55, 2007.
RESTIFFE, A. P.; GHERPELLI, J. L. D.Comparison of chronological and corrected ages in the gross motor assessment of
low-risk preterm infants during the first year of life.Arq. Neuro-Psiquiatr. vol.64 no.2b, São Paulo, 2006.
ROCHA, N. A. C. F.; TUDELLA, E. A influência da postura sobre o estado comportamental e a coordenação mão-boca do
bebê. Rev. bras. fisioterapia. Vol. 6, No. 3 p. 167-173, 2002.

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Suplemento 1 • Volume 6 • Número 5 • set/out de 2013

P022 - MÉTODO STS: ESTUDO DE CASO

STS method: case study


ALINE SCHENATTO DOS SANTOS¹; ANANDA STAATS¹; CAROLINE DANIELLI¹;
GUSTAVO KIYOSEN NAKAYAMA¹; GRACIELI JIANE PEREIRA¹;
KARINE RAIMUNDO MAYURI¹; MAÍRA CAROLINE DE OLIVEIRA¹;
MARIANA LAÍS BOARETTO¹; MARINA ZILIO¹; VANESSA CECATTO.

Palavras-chave: Percepção corporal; musculação terapêutica; saúde.

Introdução
A estruturação do corpo é denominada “esquema corporal” e depende de aferências multimodais (visão, tato, propriocepção)
e suas conexões com o sistema motor. A cada nova postura, o tônus e a organização espacial são requeridos pelo movimento,
havendo sempre informações sensitivas que influenciarão na percepção corporal (SCHILDER, 1994).
O método STS (Strength Training Strategies) de Musculação Terapêutica tem como especificidade, a aplicação de movi-
mentos contrarresistidos e possui 5 fundamentos: execução de movimentos funcionais, controle contínuo da frequência cardíaca,
comando verbal, estímulo pelo toque e estímulo óculo-motor. A técnica é composta por dezesseis padrões de movimentos (exercí-
cios). Estes padrões não são fixos, isto é, os exercícios não são iguais, eles podem aumentar ou diminuir o seu grau de dificuldade
seguindo evolução e adaptação do paciente (LUCAS, 2003).
Considerando que o movimento influencia na organização corporal de cada indivíduo, o projeto visa a partir desta teoria,
através do emprego de exercícios resistidos, uma vez que são seguros e eficazes para as mulheres e homens de todas as idades,
com patologias associadas ou não, beneficiar o paciente com o treinamento de força, oferecendo impacto sobre a saúde mental e
emocional deste indivíduo e ainda ser eficiente na redução dos sinais e sintomas que o sedentarismo e falta de força acarretam.
O projeto tem então o objetivo de tornar o paciente o mais saudável e ativo possível, através da funcionalidade e do ganho
de força.

Materiais e métodos
Os exercícios resistidos são realizados em membros superiores e inferiores e músculos abdominais, em padrões pré-deter-
minados e ordenados da seguinte forma: bíceps 1 e 2, deltoide 1 e 2, peitoral 1 e 2, tríceps 1 e 2, quadríceps 1 e 2, ísquiotibiais 1 e
2, abdominais 1 e 2, gastrocnêmio e sóleo. De acordo com o teste funcional proposto pelo método, o qual é realizado como forma
de avaliação inicial e de progressão do treinamento, o paciente pode ser enquadrado em três fases de adaptação: Choque (faixa
cardíaca a ser atingida no treino: 60-70% da máxima); Adaptação (faixa cardíaca a ser atingida no treino: 70-80% da máxima) e
Condicionamento (faixa cardíaca a ser atingida no treino: 90% da máxima). No teste funcional o paciente deve atingir 75% da
frequência cardíaca máxima, caso ultrapasse o valor se enquadra em fase de choque, se permanecer entre 60-75% entra em fase
de adaptação e caso não atinja nem 60% está na fase de condicionamento. Na fase de choque o treinamento é iniciado com 10
minutos de aquecimento, enquanto nas outras fases são iniciados com 15 minutos, ambos podem ser na esteira, bicicleta ou step.
Na fase de choque cada padrão é realizado em 3 séries evoluindo com 8, 10 e 12 repetições progressivamente, com pesos de 1
ou 2kg. Nas fases de adaptação e condicionamento são realizados circuitos de 24 e 48 repetições, e/ou exercícios combinados
(LUCAS, 2003). A evolução do número de repetições acontece quando o paciente permanece com a frequência na faixa cardíaca
pré-estabelecida pela fase de treinamento que ele se encontra.
Os atendimentos são realizados duas vezes por semana, com duração em torno de 50 minutos. Durante toda a sessão a fre-
quência cardíaca do paciente é verificada através do frequencímetro (Polar - FT4). Dessa forma, os dados da FC são transferidos
para uma tabela específica do método para posterior análise.

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BRASIL. E-mail: mah_falcade@hotmail.com

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Resultados e Discussão
O estudo começou com a explicação e assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido pelo paciente T.J.B.
durante seis meses. Primeiro teste funcional onde se realizam os padrões Q1 por 24 e Q2 por 48 repetições teve como maior FC
atingida 112 e 123bpm, o Q2 não foi realizado até o fim, o paciente parou na 22 repetição por fadiga muscular, mostrando início
na fase de choque. Com o passar das sessões e a evolução das repetições, bem como da carga imposta foi possível verificar que
durante este período T.J.B. encontrava-se na fase de adaptação, pois ao realizar o teste funcional nos mesmos padrões de movi-
mento foi observado progresso, apresentado 110 bpm para Q1 e 111 bpm para Q2, passando para fase de adaptação, mantendo a
faixa cardíaca no treino de 70-80% da FC máxima.
Tratando-se de composição corporal, foi possível verificar redução da massa corporal total (MCT), 88kg no início do trei-
namento com diminuição de 2,2 kg, para 85,8kg. A porcentagem de gordura passou de 34,1% equivalente a 30kg para 26,8%
(23kg). A circunferência de bíceps que passou de 31cm D/E para 34,5 D e 34cm E, assim como redução da cintura abdominal
alta de 99 para 97cm.
A evolução na coordenação muscular, onde o paciente demonstrou realizar os exercícios com maior facilidade e executando-
-os corretamente. Melhora na coordenação e controle dos segmentos corporais com base nas informações sensoriais para melhora
no funcionamento do sistema postural (BARELA, 2000).

Conclusões
Com o Método STS foi possível verificar ganhos na capacidade funcional do paciente, onde ele demonstrou estar com
maior disposição e resistência para realizar as AVD’s. Melhora no condicionamento cardíaco, pela redução da FC durante os
exercícios, ganho de força e coordenação muscular observado pela execução eficiente dos padrões e cargas mais altas. Dessa
forma, o método demonstrou-se eficiente e satisfatório para o paciente descrito neste caso.

Referências bibliográficas
BARELA, José Angelo. Estratégias de controle em movimentos complexos: ciclo percepção-ação no controle postural.
Rev. Paul. Educ. Fís., supl.3, p.79-88. São Paulo, 2000.
LUCAS, Ricardo Wallace das Chagas. Musculação Terapêutica (STS-Strength Training Strategies). Curitiba, Digital, 2003.
SCHILDER, Paul. A Imagem do Corpo. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

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P023 - A ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NO PRÉ E PÓS-


OPERATÓRIO DE REVASCULARIZAÇÃO MIOCÁRDICA: UMA
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

The physioterapy performing in myocardium revascularization


preoperative and postoperative: a bibliographic review

ELISA PINHEIRO SCHRADER¹; GRACIELI JIANE PEREIRA¹; JANAINA PAULA AROCA¹;


MAÍRA CAROLINE DE OLIVEIRA¹; MARIANA LAÍS BOARETTO¹; VANESSA CECATTO.

Palavras-chave: Fisioterapia; revascularização miocárdica; idosos.

Introdução
Com o aumento da expectativa de vida, aumenta o número de idoso que necessitam de intervenções cardiovasculares. A doença
cardiovascular é extremamente prevalente nesta fase, acometendo aproximadamente 40% dos octogenários. A incidência de doença
coronariana obstrutiva em pessoas com idade superior a 70 anos chega a 76%. (LOURES et al, 2000).
Entre as inúmeras alternativas para o tratamento da doença arterial coronariana, a cirurgia de revascularização miocárdica é uma
opção que proporciona a supressão dos sintomas anginosos e contribui para o aumento da expectativa de vida. Analisando o
quadro de disfunção pulmonar associada à cirurgia cardíaca e suas possíveis complicações, a fisioterapia respiratória tem sido
amplamente requisitada, com o intuito de reverter ou amenizar tal quadro, evitando complicações (BARROS et al, 2010).
Nesse sentido, faz-se necessário conhecer a atuação fisioterapêutica e sua repercussão, visando a melhor forma de intervenção
para que os profissionais da área tenham em mãos o modo mais eficiente de atuação beneficiando a população abordada. Assim,
o objetivo desse estudo foi identificar a atuação da fisioterapia no pré e pós-operatório de pacientes idosos submetidos à cirurgia
de revascularização miocárdica no ambiente hospitalar.

Materiais e métodos
Foi realizada uma revisão de literatura através da busca nas bases de dados: LILACS, Medline, PEDro, Pubmed e Scielo, utili-
zando combinações entre as palavras-chave: Revascularização miocárdica, fisioterapia, cirurgia torácica e idoso. A pesquisa se
desenvolveu no período de 02 à 28 de outubro de 2012.
Foram excluídos artigos em que o título e resumo não remetiam ao objetivo desse estudo, artigos de revisão ou metanálise. E
incluídos aqueles em que a idade média da amostra era acima de 60 anos, entre 2005/2012, amostra acima 8 participantes e atu-
ações da fisioterapia no ambiente hospitalar.


Resultados e Discussão
No total dos estudos selecionados, foram encontrados noventa e sete artigos. Através da leitura do título e do resumo foram sele-
cionados vinte artigos, destes foram excluídos dez artigos, pois oito não se enquadravam na média mínima de idade da amostra,
um teve a atuação fora do ambiente hospitalar e um não se incluía na área de estudo.
Segundo Carvalho, 2006, de 119 indivíduos estudados até o segundo dia pós-operatório de RM, 23,5% apresentaram complica-
ções, sendo que as mais frequentes se referem às “complicações cardiovasculares” em primeiro lugar, seguidos das pulmonares

1.UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL-PR,


BRASIL.
e-mail: maryyboaretto@hotmail.com

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e, neurológicas. Dentre as complicações pulmonares, estão presentes as condições: saturação baixa, pneumotórax à esquerda e
à direita, fluxo inspiratório de oxigênio (FiO2) alto, reintubação devido à hipóxia, derrame pleural à esquerda, insuficiência res-
piratória, uso do CPAP, dreno com fuga aérea, broncoespasmo, colocado em Ayre, ventilação mecânica e dreno em selo d’água.
O estudo de Oliveira, 2008, demonstrou queda significativa do VEF1 e da CVF quando comparou o pré-operatório com o 6º P.O.
Uma diminuição da efetividade desta pesquisa foi a amostra muito baixa, o que dificulta a análise estatística.
Barros, 2010, a fim de minimizar as complicações evidentes que ocorrem no pós-operatório de RM, realizou treinamento mus-
cular respiratório com Threshold – IMT juntamente com a fisioterapia convencional em 23 indivíduos e comparou os resultados
com um grupo controle, o qual recebeu apenas fisioterapia convencional. Ao analisar ambos os grupos, o autor observou que os
valores de PiMax, PeMax, VC, PFE no grupo controle se mantiveram os mesmos no primeiro dia de pós-operatório e no dia de
alta. Já no grupo que realizou o TMR houve restabelecimento da função ventilatória no momento da alta hospitalar, retornando
aos parâmetros observados no pré-operatório.
Luchesa, 2009, estudou 30 pacientes, que foram divididos em dois grupos: grupo estudo que recebeu o tratamento de eletroanal-
gesia por meio de TENS e o grupo controle que recebeu corrente placebo. Após a aplicação das correntes o grupo estudo obteve
uma redução bastante significativa referente o dor, quando comparados ao grupo controle.

Conclusões
As alterações esperadas no pós-operatório são inevitáveis, porém as complicações decorrentes da cirurgia de RM podem ser
prevenidas ou amenizadas dependendo da qualidade da intervenção fisioterapêutica proporcionada ao paciente no pré e pós-
-operatório. Como foi reduzido o número de pesquisas que interviram no pré-operatório, mostra-se necessário mais estudos que
tragam intervenções neste período e que seja feito um acompanhamento maior e não somente nas vésperas da cirurgia. Mostra
se assim a necessidade da execução de novos estudos que compreendam protocolos pré e pós-operatórios visando melhorar as
capacidades pulmonares e a analgesia.

Referências
BARROS, Graziella Ferreira, et. al. Treinamento muscular respiratório na revascularização do miocárdio. Revista Brasileira
de Cirurgia Cardiovascular, vol. 25, n. 4, p. 483-490, 2010.
CARVALHO, Ariana Rodrigues Silva, et. al. Complicações no pós-operatório de Revascularização miocárdica. Revista
Ciência, Cuidado e Saúde, vol. 5, n. 1, p. 50-59, Maringá, 2006.
LOURES, Danton R. da Rocha; et al. Cirurgia cardíaca no idoso. Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, vol. 15,
n. 1, p. 1-5, 2000.
LUCHESA, Cesar Antonio, et. al. Papel da eletroanalgesia na função respiratória de pacientes submetidos à operação de
revascularização do miocárdio. Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, vol. 24, n.3, p. 391-396, 2009.
OLIVEIRA, Elayne Kelen, et. al. Análise do comportamento da função pulmonar e força muscular respiratória em corona-
riopatas idosos submetidos à revascularização do miocárdio. Universidade Ciências da Saúde, vol. 6, n. 1, p. 9-20, Brasília, 2008

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P024 – CONFIABILIDADE INTRA-AVALIADOR DA ANÁLISE


GONIOMÉTRICA DO MOVIMENTO PASSIVO DE INVERSÃO DE
TORNOZELO.

Intra-examinerreliability of passive ankle movement goniometric analysis.

MARCELLA FERRAZ PAZZINATTO¹; ANIELE TOMADON¹;


ALVARO JOSÉ MAYER FERREIRA¹;ANAMARIA MEIRELES²; DANILO DE OLIVEIRA SILVA³.

Palavras-chave: goniometria articular; tornozelo; mensuração.

Introdução
A capacidade de movimento de uma articulação é denominada amplitude de movimento (ADM). Quando o examinador
realiza o arco de movimento sem aparticipação voluntária do indivíduo examinado tem-se a ADM passiva (MARTINS; MAZZER;
BARBIERI, 2012). O principal método para a avaliação da ADM é a goniometria manual, realizada por meio do goniômetro
universal (VENTURINI et al, 2006) . Este é um instrumento objetivo e de simples manuseio, entretanto é necessário certificar
sua acuidade intra-avaliadorem diferentes articulações (MENADUE et al, 2006) . A confiabilidade das medidas obtidas por um
instrumento de mensuração ou por um examinador nas mesmas condições de avaliação demonstra a sua consistência (GOPINATH;
MANOJ; RUBIYA, 2012) 4. A confiabilidade intra-avaliador é definida como a consistência das medidas realizadas, nas mesmas
condições de avaliação pelo mesmo avaliador, em dois momentos diferentes.
Avaliar a ADM de tornozelo é de fundamental importância, visto que os movimentos que ocorrem neste nível são funcionais
e interferem na marcha (KAPANDJI, 2001). Gatt e Chockalingam (2011) avaliaram a reprodutibilidade e a confiabilidade de di-
ferentes técnicas de dorsiflexão de tornozelo, e sugerem que sejamestudadasa reprodutibilidade e a confiabilidade de movimentos
mais complexos, como a inversão, bem como a reprodutibilidade intra-avaliador. Assim, o objetivo do presente estudo foiavaliar
a confiabilidade intra-avaliadores da mensuraçãoda inversãopassiva de tornozelo, por meio do goniômetro universal.

Materiais e métodos
A pesquisa foi decaráter experimental de validação, transversal. A amostra foi composta por 57 participantes (12 homens
e 45 mulheres), os quais foram incluídos por possuírem idade entre 18 e 30 anos, serem universitários e terem disponibilidade
para participar das avaliações nos dias e horários pré-determinados. Os critérios de não inclusão foram: fratura não consolidada
em membros inferiores, doença degenerativa musculoesquelética, déficit cognitivo, trauma recente e/ou intervenção cirúrgica em
membros inferiores, e apresentar características de processo inflamatório em membros inferiores. O critério de exclusão foi faltar a
uma avaliação. Como instrumento para coleta dos dados utilizou-se: ficha de avaliação contendo os itens de interesse, o inventário
de Waterloo29 para discriminação do membro dominante, e um goniômetro universal CARCI® 35cm.Os participantes foram
submetidos a duas avaliações (AV1/AV2), as quais consistiam em medir a máxima ADM de inversão do tornozelo dominante. O
posicionamento adotado para a medição foi:o participante sentado, com90º de flexão de joelho sobre uma maca elevada a uma
altura que o impossibilitava de tocar os pés no chão, com os pés em posição neutra foram colocados 3 marcadores (tuberosidade
da tíbia, retináculo dos extensores e 2º metatarso), para garantir o posicionamento do goniômetro. Após ser posicionado o ava-
liador realizou de forma passiva a plantiflexãomáxima seguida de adução máxima10, nesta posição foi realizada a a mensuração
goniométrica. Tanto AV1 quanto AV2 foram realizadas nos mesmos moldes, sendo que AV2 foi feita após uma semana de intervalo.
Esta pesquisa foiaprovada pelocomitê de ética da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (parecer 96.909/2012) e todos os
participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido em duas vias. Para aanálise estatísticautilizou-se o Software
SPSS versão 15.0. Para avaliar a confiabilidade utilizou-se o Alpha de Cronbach`s e o índice de correlação interclasses (ICC)
sendo a força da correlação avaliada pelo seguinte critério: 0-0,25 pouca ou nenhuma, 0-0,26-0,49 baixa, 0,50-0,69 moderada,
0,70-0,89 alta e 0,90-1,00 muito alta (2). O nível de significância adotado foi o de (α <0,05).

1.UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL, PR,


BRASIL.
2.UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA, FLORIANÓPOLIS, SC,
BRASIL.
3.UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA, PRESIDENTE PRUDENTE,

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Resultados e Discussão
Os índices de correlação interclasses (ICC) para cada cruzamento de dados podem ser visualizados na tabela 2. Os resultados
de todos os ICC apresentam-se entre o intervalo de confiança de 95% em cada cruzamento resultando em forças de correlações
moderada e alta, com p<0,05.

TABELA II: Índices de correlação interclasses (ICC) para cruzamento de dados, bem como a força da correlação, o intervalo
de confiança de 95% (95%-IC), o “p-valor” e o α de Cronbach`s.

Legenda:AV1: primeira avaliação, AV2: segunda avaliação.

Embora a goniometria seja amplamente utilizada na prática clínica, poucos estudos verificaram a reprodutibilidade e a pa-
dronização das medidas para a articulação do tornozelo, principalmente na inversão que é considerada um movimento composto.
Os resultados desta pesquisa demonstram uma confiabilidade de moderada a alta para a condição intra-avaliador, sugerindo que
a técnica de medição empregada é capaz de reproduzir as medidas de forma confiável.

Conclusões
De acordo com os resultados do presente estudo, a goniometria passiva e ativa do movimento de inversão do tornozelo
apresenta de moderada a alta confiabilidade intra-avaliador, o que sugere que esse método é confiável para a aplicação clínica.

Referências
MARTINS, F.C.R; MAZZER, N.; BARBIERI, C.H. Análise da confiabilidade e reprodutibilidade da goniometria em relação
à fotogrametria na mão. Acta Ortopédica Brasileira, São Paulo, n.20, p.139-49, 2012.
VENTURINI, C. et al. Confiabilidade de dois métodos de avaliação da amplitude de movimento ativa de dorsiflexão do
tornozelo em indivíduos saudáveis. Acta Fisiátrica, São Paulo, n.13, v.1, p.41-5, 2006.
MENADUE, C. et al. Reliability of two goniometric methods of measuring active inversion and eversion range of motion
at the ankle. BMC Musculoskeletal Disorders, Londres, n.7, p.60, 2006.
GOPINATH, S.; MANOJ, K.; RUBIYA, K. Goniometry in limited joint mobility. Indian Journal Endocrinology and Me-
tabolism, Mumbai, n.16, p.443-4, 2012.
KAPANDJI, A. I. Fisiologia Articular. Membro Inferior. 5ed. São Paulo: Editorial Panamericana, 2001.
GATT, A.; CHOCKALINGAM, N. Clinical assessment of ankle joint dorsiflexion: a review of measurement techniques.
Journal of the American Podiatric Medical Association, Bethesda, n.101, v.1, p. 59-69, 2011.

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P025 - AVALIAÇÃO DA NOCICEPÇÃO DISTAL APÓS


NATAÇÃO COM CARGA POSTERIOR À LESÃO NO NERVO
MEDIANO EM RATOS WISTAR OBESOS
Effects of swimming with load after median nerve injury
in obese Wistar rats

ANA LUIZA PERETTI¹; JOSINÉIA GRESELE CORADINI¹; MARIA LÚCIA BONFLEUR¹;


REGINA INÊS KUNZ¹; LÍGIA INEZ SILVA¹; CAMILA MAYUMI MARTINS KAKIHATA¹;
TATIANE KAMADA ERRERO¹; GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI¹.

Palavras-chave: compressão nervosa; exercício físico; obesidade

Introdução
Na prática clínica os nervos periféricos são frequentemente lesionados, resultando em um comprometimento funcional
secundário ao déficit da transmissão de impulsos nervosos no território inervado (SILVA; CAMARGO, 2010). Uma das pato-
logias mais assíduas é a Síndrome do Túnel do Carpo (STC), diagnosticada quando ocorre compressão do nervo mediano ao
passar pelo túnel do carpo, gerando dor, parestesia e atrofia muscular (SILVA; GAZZALLE; TEIXEIRA, 2009). Um dos fatores
de risco para tal é a obesidade (BLAND, 2005), uma desordem nutricional comum, onde pessoas com alto IMC são geralmente
mais diagnosticadas com STC do que pessoas com IMC dentro da normalidade (KOUYOUMDJIAN et al., 2000). Por ser consi-
derado um problema de saúde pública atualmente, a relação entre o IMC e a STC é preocupante diante dos dados do crescimento
do sobrepeso na população (HOFBAUER; NICHOLSON; BOSS, 2007). Sabe-se que o exercício físico atua como prevenção e
tratamento para a obesidade e em relação à lesão nervosa periférica possui também papel terapêutico, auxiliando a recuperação
(ILHA et al., 2008).
Assim, o objetivo deste estudo foi de analisar e comparar o efeito do exercício físico na avaliação nociceptiva frente à
regeneração nervosa periférica de ratos obesos submetidos à lesão compressiva do nervo mediano.

Materiais e métodos
Esta pesquisa é de caráter experimental com abordagem quantitativa, sendo aprovada pelo Comitê de Ética na Experi-
mentação Animal e Aula Práticas. Foram utilizados 24 ratos Wistar divididos em três grupos com oito animais cada: G1 (ratos
obesos controle), G2 (ratos obesos com lesão) e G3 (ratos obesos com lesão + exercício de natação com carga de 10% do peso
corporal). Para a indução da obesidade, os animais foram submetidos à injeção de solução glutamato monossódico (MSG) e de
solução salina hiperosmótica no quinto dia de vida.
A compressão nervosa foi realizada através de procedimento cirúrgico, utilizando o modelo apresentado por Chen et al.
(2010). O exercício físico utilizado foi a natação, o tratamento iniciou-se no 3º dia de pós-operatório, sendo realizado 5 vezes por
semana com duração progressiva, na primeira semana 20 minutos, na segunda 30 minutos e na terceira 40 minutos. Anteriormente
à lesão, os animais foram submetidos a uma avaliação de dor com o aparelho Analgesímetro Digital tipo Von Frey da marca
Insight®, repetindo-se no 3º dia de pós-operatório e também durante o tratamento no 7º, 14º e 21º dia. Ao fim do tratamento os
animais foram eutanasiados. A análise estatística foi feita com o Anova modelo Misto, com nível de significância de 5%.

1.UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL, PR,


BRASIL.
e-mail: analuiza-p@hotmail.com

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Resultados e Discussão
Houve variação significativa na nocicepção da região palmar com estatística F(4;84)=45,99; p<0,001. Na comparação
entre as avaliações, a primeira avaliação (AV1) foi significativamente diferente de todas as seguintes (p<0,001). Para as outras
avaliações, foi possível observar maiores valores em AV5, comparados com AV2, AV3 e AV4 (p<0,001).
Na comparação entre os grupos, G1 apresentou variação significativa quando comparado à G2 e G3(p<0,001). Para G2 e
G3 não houve diferença significativa (p=1,0).
Os resultados mostram que G2 e G3 tiveram limiares nociceptivos menores, resultantes da lesão, quando comparado
ao G1. Também, em G2 e G3 os limiares nociceptivos tiveram valores positivos. Segundo Gobatto et al. (2001), isso pode ser
explicado devido ao estresse provocado quando os animais são submetidos à natação, exercício que requer maior esforço dos
animais.
Kupha, Fibush e Taylor (2007) após lesão nervosa no nervo ciático de roedores, avaliaram o limiar nociceptivo, observando
que o exercício de natação produziu diminuição da alodínea e hiperalgesia nos animais, porém, neste estudo os valores da avaliação
nociceptiva não retornaram ao valor basal conforme o esperado.

Conclusões
Conclui-se com este estudo que a natação não influenciou a avaliação da nocicepção frente à regeneração nervosa periférica
de ratos obesos submetidos à lesão compressiva do nervo mediano.

Agradecimentos
Aos colaboradores do Laboratório de Estudo das Lesões e Recursos Fisioterapêuticos pelo auxilio na realização da pesquisa.

Referências
SILVA, C. K.; CAMARGO, E. A. Mecanismos envolvidos na regeneração de lesões nervosas periféricas. Revista Saúde
e Pesquisa, v. 3, n. 1, p. 93-98, 2010.
SILVA, J. L. B.; GAZZALLE, A.; TEIXEIRA, C. Conduta atual nas síndromes compressivas do membro superior. Revista
da AMRIGS, v. 53, n. 2, p. 169-174, 2009.
BLAND, D. The relationship of obesity, age, and carpal tunnel syndrome: more complex than was thought? Muscle &
Nerve, v. 32, n. 4, p. 527-532, 2005.
KOUYOUMDJIAN, J. A.; MORITA, M. P. A.; ROCHA, P. R. F.; MIRANDA, R. C.; GOUVEIA, G. M. Body mass índex
and carpal tunnel syndrome. Arquivos de Neuropsiquiatria, v. 58, n. 2-A, p. 252-256, 2000.
HOFBAUER, K.; NICHOLSON, J; BOSS, O. The obesity epidemic: current and future pharmacological treatments. Annual
Review of Pharmacology and Toxicology, v. 47, n. 1, p. 565-592, 2007.
ILHA, J.; ARAUJO, R. T.; MALYSZ, T.; HERMEL, E. E. S.; RIGON, P.; XAVIER, L. L.; ACHAVAL, M. Endurance and
resistance exercise training programs elicit specific effects on sciatic nerve regeneration after experimental traumatic lesion in
rats. Neurorehabilitation and Neural Repair, v. 22, n. 4, p. 355-376, 2008.
GOBATTO,C. A.; MELLO, M. A. R; SIBUYA, C. Y.; AZEVEDO, R. M.; SANTOS, L. A. ; KOKUBOM, E. Maximal lactate
steady state in rats submitted to swimming exercise. Comparative Biochemistry and Physiology, Part A, Molecular & Integrative
Physilogy, v. 130, n. 1, p. 21-27, 2001.
KUPHAL, K.; FIBUCH, E. E; TAYLOR, B. K. Extended swimming exercise reduces inflammatory and peripheral neuro-
pathic pain in rodents. Journal of Pain, v. 8, n. 12, p. 989-997, 2007.

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P026 - CONHECIMENTO DE MULHERES EM


TRATAMENTO RADIOTERÁPICO DE CÂNCER DE MAMA
SOBRE A FISIOTERAPIA ONCOLÓGICA
Knowledge of women in radiotherapy of breast cancer on oncologic
physical therapy
CRISTIANE REGINA GIEHL¹; JULIANA CRISTINA FRARE².

Palavras-chave: Câncer de mama; Fisioterapia; Qualidade de vida.

Introdução
O carcinoma mamário é o segundo tipo de câncer mais comum no mundo e devido sua grande incidência tem se tornado
foco de atenção mundial. Devido ao seu alto grau de disseminação as principais técnicas de tratamento baseiam-se na terapêutica
cirúrgica para retirada do tumor, de parte de mama ou de toda estrutura mamária. Após a cirurgia tratamentos adjuvantes como
quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia quase sempre são indicados (LAHOZ et al, 2010).
O câncer de mama representa quem sabe a mais temida neoplasia entre a população feminina. Isso porque, além dos agravos
à saúde, ele compromete o aspecto físico, psicológico e social. Fisicamente encontramos implicações desfavoráveis como lesões
musculares e nervosas, complicações cicatriciais, alterações de sensibilidade, fibroses, alterações posturais, algias, diminuição
da amplitude de movimento e força muscular, comprometimento da capacidade respiratória e linfedema (FERRO et al, 2003).
As complicações que podem advir ressaltam a importância da atuação do profissional de fisioterapia a essas mulheres, com ob-
jetivos específicos de atuar na redução das complicações do membro superior, restauração da faixa pré-cirurgica de movimento,
manutenção da função da extremidade envolvida e no retorno à postura pré-operatória, favorecendo o reingresso nas atividades
de vida diária e uma melhor qualidade de vida (ISAKSSON, FEUK, 2000).
O objetivo desse estudo foi investigar o conhecimento de mulheres em tratamento radioterápico de câncer de mama sobre
a fisioterapia oncológica como forma de minimizar suas sintomatologias e prevenir possíveis complicações no membro superior
homolateral, e pesquisar a indicação médica para tal tratamento.

Materiais e métodos
Esta pesquisa trata-se de um estudo descritivo observacional transversal, de caráter quantitativo. Foi realizada no Hospital
do Câncer de Cascavel – UOPECCAN. Participaram do estudo mulheres submetidas à ressecção parcial ou total da mama para
tratamento do câncer de mama, que estavam em tratamento radioterápico na instituição. O período de coleta foi de julho a setem-
bro de 2013. Foi feita uma abordagem inicial com as pacientes, esclarecendo os objetivos do trabalho e apresentando o TCLE.
Na sequencia foi aplicado um questionário desenvolvido pelos autores, contendo dados de caracterização da amostra e questões
referentes ao conhecimento da fisioterapia.
Para a análise, todos os dados foram agrupados e ordenados em uma planilha do Excel® 2010 do Microsoft® Office Starter
2010 e posteriormente avaliados por meio de uma análise descritiva simples.
Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, pelo parecer
número 038/2013.

1 UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL, PR,


BRASIL;
2 UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL, PR,
BRASIL.

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Resultados e Discussão
No período de aplicação do estudo foram abordadas 39 pacientes, com idade média de 55,1 anos (±10,52), com mínima de 34
e máxima de 79 anos. Em relação à vida conjugal 26 (66,6%) relataram ser casadas, 5 (12,9%) solteiras, 4 (10,2%) divorciadas e 4
(10,2%) viúvas. Quanto ao tipo de cirurgia, 34 (87,2%) pacientes realizaram cirurgia conservadoras 5 (12,8) a mastectomia radical.
Do total de entrevistadas 30 (77%) conheciam a fisioterapia, destas 15 (50%) conheciam a fisioterapia oncológica aplicada
às mulheres em recuperação de tratamento de câncer de mama.
3 (7,7%) pacientes tiveram indicação médica para realização da fisioterapia no período de internamento hospitalar e 13
(33,33%) para acompanhamento fisioterapêutico após a alta.
Independente da técnica cirúrgica de escolha, a mesma provocará alterações físicas (PRADO, 2001) tendo a fisioterapia
importante papel na reabilitação das pacientes. Porém, através deste estudo pode-se observar que a fisioterapia oncológica pós-
-câncer de mama ainda é uma área pouco conhecida entre essas mulheres, e que a indicação da mesma pelos médicos oncolo-
gistas é reduzida. Segundo McNeely et al (2010), no processo de tratamento a fisioterapia é indispensável para recuperação das
pacientes, reduzindo suas comorbidades e possibilitando-lhes o retorno mais rápido às atividades de vida diária, reintegrando-as
a sociedade e, assim, melhorando sua qualidade de vida. É necessário que esta especialidade fisioterapêutica seja mais explorada
e difundida entre profissionais da área e pacientes.

Conclusões
Concluímos que se faz necessário uma maior divulgação e exploração do trabalho realizado pelo fisioterapeuta no
tratamento oncológico pós-câncer de mama junto as pacientes e aos médicos oncológicos, visto que esse trabalho pode prevenir
e tratar complicações físicas, minimizando as sintomatologias presentes e contribuindo para uma melhor qualidade de vida e
retorno as atividades de condição pré-cirúrgica dessas mulheres.

Referências
FERRO, A. D. M.; GONTIJO, A. D. M.; BOTTARO, M.; VIANA, J. Os efeitos do tratamento fisioterapêutico na biome-
cânica morfofuncional no pós-operatório do câncer de mama. Revista Digital Vida & Saúde, v. 2, n. 2, 2003.
ISAKSSON, G.; FEUK, B. Morbidity from axillary treatment in breast cancer: a follow-up study in a district hospital. Acta
Oncologica, v. 39, n. 3, p. 335-6, 2000.
LAHOZ, M. A.; NYSSEN, S. M.; CORREIA, G. N.; GARCIA, A. P. U.; DRIUSSO, P. Capacidade Funcional e Qualidade
de Vida em Mulheres Pós Mastectomizadas. Revista Brasileira de Cancerologia, São Carlos – SP, v. 56, n. 4, p. 423-430, 2010.
McNEELY, L.; CAMPBELL, K.; OSPINA, M.; ROWE H.; DABBS, K.; KLASSEN, P.; MACKEY, J.; COURNEYA, K..
Exercise interventions for upper-limb dysfunction due to breast cancer treatment – Review. The Cochrane Collaboration, v. 6,
p. 1-78, 2010.
PRADO, Maria Antonieta S. Aderência a atividade física em mulheres submetidas à cirurgia de câncer de mama. Dissertação
(Mestrado) - Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2001.

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P027 - IMPORTÂNCIA DE UM PROGRAMA DE FOLLOW-UP E DA


INTERVENÇÃO INTERDISCIPLINAR PREVENTIVA AO BEBÊ DE
ALTO RISCO

Importance of a program fallow-up and preventive interdisciplinary


intervention to high-risk premature

ANA PAULA ELSENBACH¹; ANDRÉIA FIORI¹;


HELENARA SALVATI BERTOLOSSI MOREIRA²; MILENE MORAES SEDRES ROVER³;
THAIS APARECIDA CANABARRO DOS SANTOS¹.

Palavras-chave: Prematuridade; Mortalidade neonatal; Lactentes.

Introdução
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera prematura, ou pré-termo, a criança com menos de 37semanas de gestação.
Segundo Leone(2002), a evolução do recém-nascido pré-termo (RNPT) diferencia-se da apresentada pela população normal em
dois aspectos fundamentais: padrão de crescimento e seu desenvolvimento pós-natal. A idade gestacional e o peso ao nascimento
constituem os principais fatores determinantes de complicações neonatais e se relacionam à deficiência na evolução pós-natal.
Beckwith e Rodning (1991) sugerem uma subdivisão do grupo de RNPT de acordo com o peso. Denominam RNPT de baixo
peso, aqueles que pesam abaixo de 2500g, muito baixo peso, aqueles que pesam abaixo de 1500g, e RNPT extremamente baixo
peso, aqueles que pesam abaixo de 1000g. A imaturidade geral pode levar à disfunção em qualquer órgão ou sistema corporal, e
o RNPT também pode sofrer comprometimento ou intercorrências ao longo do seu desenvolvimento. Segundo Rugolo et al., os
prematuros muitas vezes são expostos a fatores que podem comprometer seu crescimento, se destacando as doenças crônicas, a
elevada morbidade e necessidade de reinternações nos primeiros anos de vida.
Devido a isso, hoje se tem dado ênfase na avaliação e intervenção no primeiro ano de vida. Os profissionais fisioterapeutas
já acompanham o desempenho motor desde a Unidade de terapia Intensiva provendo cuidados no tratamento desses lactentes,
sendo responsáveis pela escolha de uma avaliação motora prática e efetiva. As aplicações de instrumentos de avaliação padroni-
zadas possibilitam a detecção precoce de sinais de atraso motor, garantindo maior eficácia da intervenção e prevenindo prejuízos
permanentes.
Visando padronizar a avaliação dos prematuros a fim de detectar precocemente o atraso do desempenho motor, a partir da
idade corrigida, a Fisioterapia tem utilizado uma escala canadense já validade no Brasil que é a Escala Motora Infantil de Alberta
(EMIA) que coloca o bebê nas posturas supina, prona, sentada e em pé e termina o teste classificando o bebê numa pontuação,
relacionando num gráfico o grau do seu desempenho. Assim sendo, considera-se como objetivo desse estudo explanar o perfil
dos prematuros atendidos no Ambulatório de Alto Risco do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP) e relacionar
principalmente a incidência de baixo peso, icterícia, intercorrências pós natais e prematuridade com o desenvolvimento motor.

Materiais e métodos
O estudo é desenvolvido no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP) na cidade de Cascavel e na clínica de
Fisioterapia da Unioeste. A amostra foi composta por 78 prematuros - PT de ambos os sexos que participaram do projeto de ex-
tensão intitulado como Intervenção Interdisciplinar Preventiva ao Bebê de Risco no período de Fevereiro a Novembro de 2012.
Os critérios de inclusão foram: lactentes PT e que compareceram ao ambulatório de neonatologia do HUOP. Os critérios
de exclusão foram crianças acima de 18 meses, choro extremo durante a aplicação da AIMS ou irritabilidade visível do lactente.
Durante a avaliação foi seguido um roteiro no qual coletou-se os dados referentes à gestação, ao parto e ao pós-parto. Para avaliar

1. ACADÊMICAS DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIOESTE, CASCAVEL,


BRASIL.
2. DOCENTE DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIOESTE, PR, BRASIL;
3. MÉDICA ESPECIALISTA EM NEONATOLOGIA NO HOSPITAL
UNIVERSITÁRIO DO OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL, BRASIL.
E-mail:helenarasbm@hotmail.com

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o desempenho motor dos lactentes foi utilizada a AIMS que é uma escala observacional que avalia as aquisições motoras dos
lactentes desde o nascimento até os 18 meses, sendo composta por 58 itens. Para a pontuação do desempenho motor foi atribu-
ído 1 ponto para cada item observado e 0 ponto para cada item não observado segundo a Ficha de Registro da EMIA. (PIPER;
DARRAH 1994)
O escore total se dá a partir da soma de todos os itens e é lançado nas curvas percentílicas. Utilizamos como categorização
do desempenho motor em: normal (>25%); suspeito (entre 25 e 5%); anormal (<5%)1994).As crianças com desempenho motor
suspeito e anormal são encaminhadas para tratamento fisioterapêutico em solo e no meio aquático no Centro de Reabilitação Física
(CRF) da UNIOESTE. Para verificar a correlação entre os escores do baixo peso e da EMIA foi aplicado o teste de correlação
de Pearson.

Resultados e Discussão
Dos 78 lactentes prematuros avaliados, 47 deles (60,25 %) apresentaram baixo peso, 18 (23,07%) apresentaram icterícia,
51 (65,38%) apresentaram riscos para desenvolver atraso motor, considerados suspeito ou abaixo dos resultados esperados e
com relação aos outros problemas provenientes da prematuridade constatou-se que 22 (28,20%) apresentaram tal complicação.
Percebeu-se que dos 47 RNPT que apresentaram baixo peso, 30 (63,82%) deles também apresentaram risco para desenvolver
atraso do desenvolvimento motor.
De acordo com este estudo, podemos identificar que a prematuridade e o baixo peso estão muito relacionados com o atraso
motor. Os RNPT estão suscetíveis a apresentarem atraso no desenvolvimento motor, sendo este, apenas confirmado quando a
criança atinge entre 12 e 14 meses, pois é nesta faixa etária que a idade corrigida se iguala à idade cronológica, por isso a impor-
tância de um acompanhamento precoce e contínuo adequado a cada caso, com vistas à estimulação psicomotora global.

Conclusões
De acordo com os dados aqui explanados, conclui-se que RNPT tem grande risco ao atraso de desenvolvimento motor
quando avaliados pela EMIA e apresentam necessidade de acompanhamento multiprofissional, presume-se ainda que a relação
do baixo peso com a prematuridade teve resultado significativo, o que nos garante mais um grupo de risco ao atraso motor.

Referências
BECKWITH, L.; RODNING, C.; Intellectual functioning in children born preterm: recent research. Lawrence Erlbaum
Ass.V.53,1991.
HERRERO, D.; GONÇALVES, H.; SIQUEIRA, A. A. F.; ABREU,L. C.; Escalas de desenvolvimento motot em lactentes
de: Test ofinfant motor performance e a albertainfant motor scale. Revista Brasileira Crescimento e Desenvolvimento Humano.
V.21, n.1, p.122-132,2011.
LEONE, C. R.; RAMOS, J. L.; VAZ, F.A.; O Recém-nascido Pré-termo. Pediatria básica.p.348-352,2002.
ENK , I. et al. Icterícia como causa de internação neonatal: a experiência em um serviço terciário de Porto alegre,RS.Revista
da AMRIGS. V.53, n.4, p.361-367, 2009.
PIPER, M.C., & DARRAH, J. 1994.Motor assessment of the developing infant.EUA.: W. B. SaundersCompany.
RUGOLO, L. M. S. S.; BENTLIN, M. R.; JUNIOR, A. R.; DALBEN, I.;TRINDADE, C. E. P. Crescimento de prematuros
de extremo baixo peso nos primeiros dois anos de vida.Revista Paulista de Pediatria. V.25, n.2, p.142-149,2007.

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P028 - ANÁLISE DO ÍNDICE DE PORCENTAGEM DE


SOBREPOSIÇÃO DA MUSCULATURA MASTIGATÓRIA DE JOVENS
ADULTAS SAUDÁVEIS

Index analysis of percentage of overlapping masticatory muscle of healthy


young adults

CAMILA DIAKUY GOMES¹; ALINE SCHENATTO DOS SANTOS²;


GUSTAVO KIYOSEN NAKAYAMA³; CARLOS EDUARDO DE ALBUQUERQUE£.

Palavras-chave: Eletromiografia; ATM; Sistema Neuromuscular.

Introdução
A assimetria é uma característica comum no homem. Tanto a estrutura como a morfologia de órgãos pares, difere nos lados
direito e esquerdo do organismo. Avaliações morfológicas da (as) simetria craniofacial se tornaram uma parte usual para caracte-
rização tanto de sujeitos assintomáticos como de pacientes (PECK, PECK E KATAJA, 1991; SCHMID, MONGINI E FELISIO,
1991; FERRARIO et al., 1993b; FERRARIO E SFORZA 1994; MATTILA, KÖNÖNEN E MATTILA, 1995; O´BRYN et al.,
1995). O padrão de contração de músculos pares pode ser investigado usando eletromiografia (EMG) de superfície. A EMG se
constitui de um dispositivo de diagnóstico o qual envolve a detecção e registros dos potenciais elétricos das fibras musculares
esqueléticas (SINDERBY et al, 1998).
O Objetivo foi comparar os índices de sobreposição da atividade dos músculos masseter e temporal bilateral durante a
contração isométrica em mulheres jovens sem alterações na articulação temporomandibular.

Materiais e métodos
Foram analisadas 19 mulheres jovens, entre 20 e 22 anos, assintomáticas. Foram excluídas pessoas com histórico de DTM,
traumas craniofaciais, doenças neurológicas e disfunções osteomioarticulares que interferissem na biomecânica da mastigação.
Eletrodos duplos de superfície foram posicionados nos músculos masseteres, temporais (porção anterior), de ambos os lados.
Um eletrodo de referência (terra) foi aplicado no acrômio. A pele foi limpa previamente com álcool. Os registros eletromiográfi-
cos foram realizados através da condição clínica de máximo apertamento voluntário com gaze entre os dentes, onde 3 gazes, de
10mm de espessura, foram enroladas em si e posicionadas bilateralmente na região do segundo pré-molar e primeiro molar de
cada sujeito, e a máxima contração voluntária foi registrada durante 5 segundos. Foi analisado o coeficiente de porcentagem de
sobreposição (POC), que indica o quão simétrico está o funcionamento da musculatura entre os lados direito e esquerdo e varia
entre 0 e 100%. A análise estatística foi feito através de teste T.

Resultados e Discussão
A análise da atividade eletromigrafica dos músculos masseter e temporal bilateral durante a contração isométrica na condição
de máximo apertamento entre os dentes não mostrou diferenças entre os coeficientes POCmasseter = 98,51%+16,64 e POCtem-
poral = 101,22%+16,02 (p=0,3058).

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL, PARANÁ.


e-mail: camiladore@gmail.com

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Conclusões
O índice de sobreposição da atividade dos músculos masseter e temporal bilateral durante a contração isométrica máxima
em mulheres jovens sem alterações na ATM não apresentou diferença significativa.

Referências
FERRARIO, V.F.; SFORZA, C.; MIANI; A.JR.; D’ADDONA, A.; BARBINI, E. Electromyographic activity of human
masticatory muscles in normal young people. Statistical evaluation of reference values for clinical applications. J Oral Rehabil,
1993; 20: 271-280.
FERRARIO V.,F.; SFORZA C. Biomachanical model of the human mandible in unilateral clench: Distribution of tempo-
romandibular joint reaction forces between working and balancing sides. J Prosthet Dent, 1994; 72: 169-176
PECK, S.; PECK, L.; KATAJA, M. Skeletal asymmetry in esthetically pleasing faces. Angle Orthod. v. 61, n. 1, p. 43–48,
Spring. 1991.
SCHMID, W.; MONGINI, F.; FELISIO, A. A computer-based assessment of structural and displacement asymmetries of
the mandible. J Orthod Dentofacial Orthop. v.100, n. 1, p. 19-34. Jul, 1991.
MATTILA, M.; KONNONEN, M.; MATTILA, K. Vertical asymmetry of the mandibular ramus and condylar heights
measured with a new method from dental panoramic radiographs in patients with psoriatic arthritis. J Oral Rehabil. v.22, n.10,
p.741-745, Oct. 1995.
O´BRYN, B. L. et al. An evaluation of mandibular asymmetry in adults withunilateral posterior crossbite. Am J Orthod
Dentofacial Orthop. v.107, n. 4 , p.394-400, Apr. 1995.

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P029 - ANÁLISE DOS EFEITOS IMEDIATOS DA MOBILIZAÇÃO


NEURAL EM MULHERES JOVENS SOBRE A ATIVAÇÃO
MUSCULAR
Analysis of immediate effects of neural mobilization in young women
on muscle activation

ANA PAULA SIMM GOBO¹; CAMILA DIAKUY GOMES¹; BRUNO ROBERTO BOBLOSKI¹;
CARLOS EDUARDO DE ALBUQUERQUE¹; JULIANA COPPO;
KELLY APARECIDA GUIMARÃES; VANESSA SIMON.

Palavras-chave: Mobilização Neural; Reabilitação; Sistema Neuromuscular.

Introdução
O sistema nervoso é composto por axônios, mielina e as células de Schwann, estruturas que conferem ao mesmo a excitabi-
lidade e condutibilidade. As células de Schwann ainda fornecem proteção, suportando forças de tensão e compressão, o que se dá
através do endoneuro, do perineuro e do epineuro (JUNIOR e TEIXEIRA, 2007; MACHADO, 2002; BUTLER e JONES, 2003).
O sistema nervoso central e periférico é considerado como único e contínuo, sendo esta continuidade dada de forma mecâ-
nica, elétrica e química (MACHADO, 2002; BUTLERe JONES, 2003).
Este sistema possui propriedades elásticas, podendo encurtar-se ou alongar-se em resposta a movimentos dos segmentos
corporais. Assim, vários motivos podem acarretar em problemas de condução nervosa (VASCONCELOS, LINS, DANTAS, 2011;
BUTLER e JONES, 2003).
A mobilização neural é uma técnica que pode ser utilizada no tratamento dessas alterações, podendo ser conceituada como
um conjunto de técnicas que impõem ao sistema nervoso maior tensão, mediante determinadas posturas visando à melhora da
neurodinâmica, restaurando o movimento e a elasticidade do sistema nervoso e assim promovendo o retorno das funções normais
(MACHADO, BIGOLIN, 2010; CERQUEIRA, REIS, 2003; VERAS, VALE, MELLO, et al, 2012; ARAÚJO, NASCIMENTO,
BUSARELLO, 2011).
Sendo assim, o objetivo deste trabalho foi analisar os efeitos imediatos da mobilização neural no nervo femoral de mulheres
jovens, através da eletromiografia de superfície da ativação do músculo vasto lateral do membro dominante.

Metodologia
Participaram do estudo 14 indivíduos saudáveis, do sexo feminino, com idade entre 18 e 25 anos, os quais foram selecio-
nados de forma aleatória. Os critérios de inclusão foram: ser universitário, saudável, não estar recebendo qualquer outro tipo de
tratamento fisioterapêutico, ter idade entre 18 e 25 anos e ser do sexo feminino. Foram excluídos universitários portadores de
patologias associadas ao sistema nervoso e pacientes portadores de qualquer contraindicação da técnica utilizada.
Foi localizado o ponto motor do músculo vasto lateral, por meio de eletroestimulação, com o intuito de padronizar a lo-
calização dos eletrodos entre os sujeitos. Após a tricotomia da pele e fixação dos eletrodos, foi coletado o sinal eletromiográfico
durante 5 contrações isométricas com intervalos de 1 minuto entre as contrações. Logo após o término da captura do sinal era
aplicada a técnica de mobilização neural para o nervo femoral. Foram realizadas vinte oscilações, após as oscilações a posição era
mantida por cinco segundos. O procedimento foi repetido por três vezes com o intervalo de um minuto a cada repetição. Ao final
da mobilização novamente era captado o sinal eletromiográfico. A análise estatística dos dados foi feita através do Teste t pareado.

1. UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL, PR,


BRASIL.
e-mail:anapaulagobo@hotmail.com

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Resultados e Discussão
A análise dos valores de atividade muscular representado pelo RMS do músculo vasto lateral inicial e após o procedimento
de mobilização neural mostrou uma elevação significativa (p=0,0205) nos registros de ativação, conforme gráfico 1.

Conclusões
A mobilização neural no nervo femoral de adultos jovens promoveu o aumento da atividade muscular na análise por ele-
tromiografia de superfície do vasto lateral como efeito imediato de sua aplicação.

Referências bibliográficas
JUNIOR, H.F.O; TEIXEIRA, A.H. Mobilização neural do sistema nervoso: Avaliação e tratamento. Fisioterapia Mov.
v.20, n.3, p.41-53, 2007.
MACHADO, A. Neuroanatomia Funcional. 2°ed. São Paulo, 2002.
BUTLER, D. S.; JONES, M.A. Mobilização do Sistema Nervoso. 1ª ed. São Paulo: Manole, 2003.
VASCONCELOS, D. A.; LINS, L.C.R.F.; DANTAS, E.H.M. Avaliação da mobilização neural sobre o ganho de amplitude
de movimento. Fisioterapia Mov. v.24, n.4, 2011.
MACHADO, G.F.; BIGOLIN, S.E. Estudo comparativo de casos entre a mobilização neural e um programa de alongamento
muscular em lombálgicos crônicos. Fisioter. mov., p. 545-554, v. 23, n. 4, 2010.
CERQUEIRA, M. P.; REIS, M. A. O. Mobilização neural no tratamento da síndrome do túnel do carpo. Revista Terapia
Manual. P. 82-85, v. 2, n. 1, 2003.
VERAS, L. S. T.; VALE, R. G. S.; MELLO, D. B. Electromyography function, disability degree, and pain in leprosys pa-
tients undergoing neural mobilization treatment. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. v. 45, n. 1, p. 83-88, 2012.
ARAÚJO, B.F.; NASCIMENTO, C.M.; BUSARELLO, F.O; et al. Avaliação da dor em portadores de hanseníase submetidos
à mobilização neural. Fisioterapia pesquisa. V.18, n.1, 2011.

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P030 - AVALIAÇÃO DO HUMOR ENTRE ATLETAS, DE


TAEKWONDO COM DIFERENTES NÍVEIS DE EXPERIÊNCIA, PELA
ESCALA DE HUMOR DE BRUNEL (BRUMS)

Evaluation of humor between athletes of taekwondo with different levels


of experience, for scale of humor brunel (brums)

CAROLINA PALMA PRIOTTO¹; DANIELLA FERNANDA HENKES¹;


GLADSON RICARDO FLOR BERTOLLINI¹; MARCELA GOMES FERREIRA¹;
SIMONE SUELEN STELTER¹.

Palavras-chave: Taekwondo; humor; atletas.

Introdução
O Taekwondo é uma arte marcial coreana, caracterizada por chutes rápidos, altos e giratórios (ALBUQUERQUE et al.,
2008). Nos períodos de competição, o aspecto psicológico tem grande destaque e é usado por atletas, treinadores, dirigentes e
jornalistas para explicar derrotas e vitórias (COIMBRA et al., 2008).
A escala de BRUMS serve para quantificar o nível de alteração no humor durante o período de competição, verificando se
houve influência sobre o resultado da competição, e se podem ser encontrados diferenças no desempenho de atletas com maior
experiência quando comparado aos atletas com menor tempo de treinamento. O objetivo foi avaliar o estado de humor entre os
atletas faixa preta comparando com as demais faixas, durante sua participação no campeonato paranaense de taekwondo, utilizando
a escala de BRUMS como instrumento de avaliação.

Materiais e Métodos
A amostra deste estudo foi formada por 60 atletas, com idade entre 15 e 41 anos, sendo 8 indivíduos do sexo feminino e
52 do sexo masculino, praticantes de taekowndo de diferentes faixas. Estes foram divididos em dois grupos: O grupo de atletas
que atingiram o grau máximo da técnica, ou seja, atletas faixas pretas (Preta) somando o total de 30 indivíduos. E o grupo de
atletas de demais faixas, inferiores a preta (Outras) também com 30 indivíduos. A média de idade foi de 28 anos. A amostra da
pesquisa foi selecionada por critério de voluntariado desde que fossem participantes do campeonato, sendo excluídos indivíduos
menores de 14 anos.
Para a avaliação foi utilizada a Escala de Humor de Brunel (BRUMS), que permite a rápida mensuração do estado de humor
de populações compostas por adultos e adolescentes. O BRUMS contém 24 indicadores simples de humor, tais como as sensações de
raiva, disposição, nervosismo e insatisfação que são perceptíveis pelo individuo que está sendo avaliado. Os avaliados responderam
como se situavam em relação às tais sensações, de acordo com a escala de 5 pontos (de 0 = nada a 4 = extremamente). Aplicou-
-se a escala uma única vez. Para a análise estatística utilizou-se o teste de Mann-Whitney com significância adotada de p< 0,05.

Resultados e discussão
Em relação às subescalas: (1) Raiva, que descreve sentimentos de hostilidade a partir de estados de humor relacionados
à antipatia em relação aos outros e a si mesmo. (2) Confusão Mental, que pode ser caracterizado por sentimentos de incerteza,
instabilidade para controle de emoções e atenção. (3) Depressão, representa sentimentos de isolamento emocional, tristeza, difi-
culdade em adaptação, depreciação ou auto-imagem negativa. (4) Fadiga pode ser traduzida por estado de esgotamento, apatia e

1.UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL, PR,


BRASIL.
e-mail: marcelagf.fisio@gmail.com

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baixo nível de energia. (5) Tensão, que se refere ao estado musculoesquelético, observada indiretamente por meio de manifesta-
ções como: agitação e inquietação. (6) Vigor que é o estado de energia, animação e atividades essenciais para o bom rendimento
do atleta, já que indica um aspecto humoral positivo. Em nenhum dos sentimentos analisados houve uma diferença significativa
estatisticamente em relação ao atletas de faixa preta com os demais.
Finkeberg et al. (1992), numa competição de Taekwondo, além de investigar a correlação entre ansiedade competitiva e
desempenho dos competidores, também investigou os efeitos de outras variáveis como gênero, anos de treino e faixa. Os resultados
desse estudo não demonstraram correlação significativa entre ansiedade competitiva e o desempenho do atleta, porém as variáveis
relacionadas à experiência, anos de treinamento, e a faixa demonstram correlação significativa com desempenho.
Além disso, atletas jovens demonstraram escores significativamente mais baixos de ansiedade competitiva em comparação
com atletas mais velhos (FERNANDES e NUNES, 2009). O que não corrobora com os resultados obtidos neste estudo uma vez
que, tanto atletas faixa preta quanto os atletas de demais faixas não apresentaram diferenças estatísticas na subescala Tensão que
se refere ao sentimento de ansiedade.

Conclusão
Em relação aos dados coletados e analisados não foram encontradas diferenças significativas em nenhuma das subescalas
avaliadas entre os atletas faixas preta e demais faixas.

Referências Bibliográficas
ALBUQUERQUE, M. R.; COSTA, V. T.; SAMULSKI, D. M.; NOCE, F. Avaliação do perfil motivacional dos atletas de alto
rendimento do taekwondo brasileiro.Revista Iberoamericana de Psicología Del Ejercicio y El Deporte, v. 3, n. 1, p. 75-94., 2008.
COIMBRA, D. R.; GOMES, S. S.; CARVALHO, F.; FERREIRA, R.; GUILLEN, F.; MIRANDA, R.; FILHO, M. B. Im-
portância da psicologia do esporte para treinadores. Revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP, Campinas. v. 6, ed.
Especial, p. 419-429, 2008
FERNANDES, M. G.; NUNES, S. A. N.; Ansiedade competitiva e desempenho em duas modalidades esportivas. Lecturas,
Educación Física y Deportes, Buenos Aires, n. 128, Jan. 2009. Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd128/ansiedade-
-competitiva-e-desempenho-em-duas-modalidades-esportivas.htm>.

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P031 - APLICAÇÃO DE UM PROTOCOLO DE MUSCULAÇÃO


TERAPÊUTICA EM ADULTOS JOVENS
Strength Training Strategies protocol in young adults

ALINE SCHENATTO DOS SANTOS¹; ANANDA CHRISTINA PIRES STAATS¹;


CAROLINE DANIELLI¹; GUSTAVO KIYOSEN NAKAYAMA¹; GRACIELI JIANE PEREIRA¹;
KARINE RAIMUNDO MAYURI1; MAÍRA CAROLINE DE OLIVEIRA¹;
MARIANA LAÍS BOARETTO¹; MARINA ZILIO¹; VANESSA CECATTO¹.

Palavras-chave: composição corporal; treinamento de resistência; exercício

Introdução
O método STS (Strength Training Strategies) de Musculação Terapêutica tem como especificidade, a aplicação de movi-
mentos contrarresistidos. Ele é composto por dezesseis padrões de movimentos (exercícios), sendo que os exercícios não são
iguais, podendo aumentar ou diminuir o seu grau de dificuldade, seguindo evolução e adaptação do paciente (LUCAS, 2003).
Um possível protocolo de Penroe, Nelson & Fisher (1985) e Coté & Wilmore utilizado pelo método STS de Musculação
Terapêutica, possibilita avaliar a composição corporal através da mensuração predita da porcentagem de gordura corporal. A partir
deste, o indivíduo pode ser classificado de acordo com a porcentagem de gordura que possui, em níveis que variam de acordo com
a idade e gênero, desde Atlético/Risco (Excelente) até Obeso grau II (Muito Ruim) (POLLOCK & WILMORE,1993; OMS, 1997).
Em relação à porcentagem de gordura corporal, a classificação dos indivíduos ocorre de forma a considerar o gênero
(masculino ou feminino) e idade (POLLOCK & WILMORE,1993; OMS, 1997). Segundo Souza e Virtuoso (2005) exercícios
anaeróbicos são mais eficientes no controle do peso corporal, além de contribuir para a perda de gordura corporal, favorece o
aumento da massa magra corporal.
O objetivo deste estudo foi analisar a porcentagem de gordura corporal pré e pós 10 sessões de aplicação do método STS
de Musculação Terapêutica.

Materiais e métodos
Este estudo faz parte da amostra do Projeto de Extensão Propriocepção e Percepção Corporal, caracterizando por um estudo
quantitativo, analítico, intervencional do tipo série de casos. Todos os participantes receberam instrução sobre o estudo e assinaram
o consentimento livre e esclarecido. A amostra foi composta por 9 indivíduos do sexo feminino com idade variando de 20 a 24
anos, respeitando os critérios de inclusão: saudável, sedentária, sem alterações ortopédicas e cardiovasculares que oferecessem
risco. Critérios de exclusão: faltar durante o período de intervenção e avaliação. Foi realizado à aferência das medidas antropo-
métricas de quadril, circunferência abdominal e estatura pré e pós 10 intervenções, através do protocolo de Penroe, Nelson &
Fisher (1985) para obter a porcentagem de gordura corporal.

Resultados e Discussão
Neste estudo, dos nove indivíduos da amostra, quatro apresentaram aumento da gordura corporal enquanto cinco dimi-
nuição. Segundo a análise estatística realizada pelo teste T-Student, não houve diferença significativa.

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Tabela 1: Porcentagem de gordura da amostra no pré e pós aplicação da técnica

Segundo a revisão de Sousa e Virtuoso (2005) os exercícios anaeróbios, além de contribuir para a perda de gordura corporal,
favorece a manutenção e aumento da massa magra. Porém, de acordo com Azevedo et al. (2007), o período de quatro semanas
de treinamento resistido foi insuficiente para promover diminuição significativa da porcentagem de gordura corporal bem como
aumento da massa muscular. No presente estudo, o período de intervenção de cinco semanas também mostrou-se incapaz de
produzir uma perda significativa na porcentagem de gordura.
Salienta-se como limitações que não foram avaliados e controlados os hábitos alimentares, já que para a redução de gordura
corporal é indicado a combinação entre exercício físico e a alimentação saudável (FERREIRA et al. 2006). Sendo assim, sugere-se
a utilização destes parâmetros em futuros estudos.

Conclusões
Conclui-se que dez sessões utilizando padrões de Musculação Terapêutica não alteraram significativamente a porcentagem
de gordura corporal.

Referências

AZEVEDO, P. H. S. M. de; DEMAMPRA, T. H.; OLIVEIRA, G. P.de; MARQUES, A. T.; PEREZ, A.; BALDISSERA, V.;
OLIVEIRA, J. C. de; MENDONÇA, M. B.; PEREZ, S. E. de A. Efeito de 4 semanas de treinamento resistido de alta intensidade
e baixo volume na força máxima, endurance muscular e composição corporal de mulheres moderadamente treinadas. Brazilian
Journal of Biomotricity. v. 1, n. 3, p. 76-85, 2007.
FERREIRA, S.; TINOCO, A. L. A.; PANATO, Emanuelle; VIANA, N. L. Aspectos etiológicos e o papel do exercício físico
na prevenção e controle da obesidade. Revista de Educação Física. Nº. 133. P.15 – 24. 2006.
LUCAS, Ricardo Wallace das Chagas. Musculação Terapêutica (STS-Strength Training Strategies). Curitiba, Digital, 2003.
PENROSE, K.; NELSON, A.; FISHER, A. “Generalized Body Composition Prediction Equation for Men Using Simple
Measurement Techniques” (abstract), Medicine and Science in Sports and Exercise, 17(2), 189, 1985.
POLLOCK, M. L.; WILMORE, J. H. Exercícios na saúde e na doença. 2. ed. Rio de Janeiro: Medsi, 1993. OMS, 1997.
Adaptado por BOPP, D.S e LUCAS, R.W.C, 1999.
SOUSA, Lucas Matos De; VIRTUOSO Jr, Jair Sindra. Efetividade de programas de exercício físico no controle do peso
corporal. Revista Saúde. Com, V.1(1), p.71-78, 2005.

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P032 - INFLUÊNCIA DA DEBILIDADE MUSCULAR,


INCAPACIDADE FUNCIONAL E DEPRESSÃO NA MANUTENÇÃO
DA QUALIDADE DE VIDA DO IDOSO – REVISÃO DE LITERATURA.

Influence of muscle weakness, and functional disability depression in


maintaining the quality of life of the elderly – literature review.

AMANDA GRAPIGLIA MENDES¹; ANA PAULA BORGES BRASIL¹;


ANA PAULA ELSENBACH¹; ANA PAULA SIMM GOBO¹; CAMILA DIAKUY GOMES¹.

Palavras-Chave: envelhecimento; qualidade de vida; autocuidado.

Introdução
O envelhecimento é um caracterizado pela diminuição das capacidades orgânicas dos indivíduos. Entre as alterações, pode-
mos citar a progressiva atrofia muscular, que associada a outros fatores, acaba gerando incapacidade funcional, além de alterações
psicológicas, principalmente a depressão (PEREIRA, et al, 2008). A velhice é uma experiência heterogênea, e a qualidade de vida
nesse período da vida é um fenômeno multidimensional e multideterminado, que está associada à manutenção da capacidade
funcional ou da autonomia, sendo que o envelhecimento saudável, dentro dessa ótica, passa a ser a resultante dessa interação
entre saúde física, saúde mental, independência na vida diária, integração social, suporte familiar e independência econômica
(RIBEIRO, SILVA, MODENA, et al., 2002; STELLA, GOBBI, CORAZZA, et al 2002; NERI, 2001) .
Portanto, uma vez que a qualidade de vida na população idosa está totalmente ligada com autonomia e capacidade funcional,
o presente estudo tem por objetivo realizar uma revisão sistemática da literatura avaliando a relação entre o declínio muscular, a
perda da capacidade funcional e a depressão na manutenção da qualidade de vida do idoso.

Materiais e Métodos
A presente pesquisa foi do tipo revisão sistemática de literatura, onde foram avaliados artigos da língua portuguesa, com
limites de data dos últimos seis anos, sendo organizada no período de Janeiro/2006 a Setembro/2012. A busca pelos estudos foi
feita nas bases de dados Scielo e Lilacs, nos dias 15 a 19 de outubro de 2012, por meio dos seguintes descritores: envelhecimen-
to, idosos, autocuidado, independência, prevenção, depressão, função muscular, musculoesquelético, aptidão física, limitação
da mobilidade e qualidade de vida, que foram cruzados entre si aleatoriamente. Os critérios de inclusão foram: artigos na língua
portuguesa, publicados no período de Janeiro/2006 a Setembro/2012, estar de acordo com o objetivo do estudo. Os critérios de
exclusão: repetição de artigos nas bases de dados pesquisadas, fugirem ao objetivo do presente estudo, baixo grau de confiabili-
dade, datas anteriores a janeiro de 2006, não estar disponível em língua portuguesa, não estar disponível para leitura e download
ou que necessitavam contato com os autores.

Resultados
Foram encontrados 211 artigos, dos quais 15 foram revisados. Com o processo de envelhecimento surge uma série de
alterações estruturais, cognitivas e funcionais, que, isoladas ou quando associadas entre si ou ainda a outros fatores, levam a
uma redução da habilidade motora, do desempenho e do rendimento motor, diminuição da capacidade funcional e predispõe o

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aparecimento de um quadro depressivo. Todos estes fatores acabam dificultando as atividades de vida diária resultando, desta
forma, em um declínio na qualidade de vida dos idosos.

Conclusão
A sarcopenia leva a uma redução da habilidade, desempenho e rendimento motor, dificultando as atividades de vida diária,
tornando o idoso mais dependente, o que pode predispor o surgimento da depressão, diminuindo sua qualidade de vida.

Referências
PEREIRA, R. et al. Um programa de atividade física regular preserva a autonomia de idosas. Perspectivas online, vol. 5,
n. 2, 2008.
RIBEIRO, R.C.L; SILVA, A.I.O.; MODENA, C.M. et al. Capacidade Funcional e Qualidade de Vida de Idosos. Estudo
Interdisciplinar do Envelhecimento v.4, p.85-96, 2002.
STELLA, F.; GOBBI, S.; CORAZZA, D.I. et. al. Depressão no Idoso: Diagnóstico, Tratamento e Benefícios da Atividade
Física. Revista Motriz. v.8, n.3, p.91-98, 2002.
NERI, A.L. Envelhecimento e Qualidade de Vida da Mulher. In: Congresso Paulista De Geriatria E Gerontologia – Uni-
versidade Estadual de Campinas, 2°, 2001.

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P033 - AVALIAÇÃO DO LASER DE BAIXA POTÊNCIA SOBRE OS


EFEITOS DO CLORIDRATO DE QUETAMINA E DE XILAZINA
SOBRE A NOCICEPÇÃO E TEMPO DE ANESTESIA EM RATOS
WISTAR

Evaluation of low power laser on the effects of ketamne and xylazine


on nociception and anesthesia time in wistar rats

THIAGO FERNANDO MATTJIE¹; ANAMARIA MEIRELES¹;


GLADSON RICARDO FLOR BERTILINI¹.

Palavras-chave: Laser terapêutico, Anestesia, Medição da dor.

Introdução
O laser modula vários processos biológicos e aumento do metabolismo celular (Karu, 1999), modificando reações enzimá-
ticas (Schindlet al., 2000). O cloridrato de quetamina é um anestésico dissociativo, Que é geralmente usado associado à droga
xilazina, que induz rapidamente a sedação e analgesia (Prado Filho et al. 2000). A xilazina como a quetamina induz a vasocons-
trição (IKEDA et al. 2001). Subentende-se que o laser de baixa potência, pode diminuir a ação de anestésicos locais. Portanto,
isso demonstra a importância de estudos sobre a combinação de um fator físico (laser irradiado) e substâncias farmacológicas.

Materiais e métodos
Foram utilizados 24 ratos, machos, albinos, da linhagem Wistar, com idade de 10 ± 2 semanas, que foram obtidos no Bio-
tério da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Os animais foram agrupados e mantidos em gaiolas plásticas, com acesso a
água e ração ad libitum, à temperatura ambiente e a luz controlada. O estudo foi conduzido segundo as Normas Internacionais
de Ética na Experimentação Animal (ANDERSEN et al., 2004).
Os animais foram divididos aleatoriamente em quatro grupos:
GA – : os animais desse grupo foram apenas submetidos à lesão.
GB –: neste grupo os animais receberam a aplicação do laser, 5J/cm2 em 4 locais na parte posterior, do membro pélvico
direito.
GC –: neste grupo os animais receberam a aplicação do laser, 5J/ cm2 em 4 locais na parte posterior, do membro pélvico
direito e depois lesionados
GD –: os animais receberam a aplicação do laser 5J/cm2 em 4 locais, na parte posterior, do membro pélvico direito, foram
lesionado e tratados pós lesão com laser.
Para avaliação da nocicepção foi utilizado o filamento de Von Frey digital. Sendo aplicado na face plantar da pata direita,
e também na região do procedimento cirúrgico, essa avaliação realizadas prévias à sedação, após 10 minutos e após 1 hora da
recuperação da anestesia.
Após a aplicação da anestesia, cloridrato de xilazina (12 mg/kg) e cloridrato de quetamina (95 mg/kg), foram cronometrados
o tempo que cada animal levou para acordar, quando a anestesia fazia efeito, foi realizada a tricotomia e uma incisão paralela às
fibras do músculo bíceps femoral, da coxa direita, expondo assim o nervo isquiático, em seguida a sutura foi realizada por planos.
O laser utilizado foi de 670 nm, aplicado em quatro locais, (região de origem dos músculos isquiotibiais, terço médio da
coxa, região poplítea e terço médio da perna), com dose de 5 J/cm2 em cada um dos pontos.

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Resultados e Discussão:
Foi possível observar que a aplicação do laser teve efeito analgésico apenas no grupo D, na avaliação de 10 min pós des-
pertar, mostrando que o laser teve um efeito positivo na diminuição da dor, porem apenas por um curto período de tempo, pois
na avaliação de 1h, não foi observado esse efeito.
Tabela 1 – Avaliação nociceptiva, pré-lesão, 10 min e 1h após recuperação da anestesia.

*diferença significativa p< 0.05

Conclusões
Foi possível concluir que o laser de baixa potencia, pode ser uma alternativa, de analgesia em procedimentos cirúrgicos,
que é de fácil aplicação, porém com um efeito que não perdura por muito tempo.

Agradecimentos
Ao CNPq pela oportunidade para a realização do estudo e aos colaboradores do grupo Estudo das Lesões e Recursos Fi-
sioterapêuticos pelo auxílio na execução do projeto.

Referências
KARU T. Primary and secondary mechanism of action of visible to near IR radiation of cells. Journal of Photochemistry
and Photobiology.v.49 .p. 1 – 17, 1999.
SCHINDL A.; SCHINDL M.; Pernerstorfer-Schön H, Schindl L. Low-intensity laser therapy: a review. Journal Investigative
Medicine. v.48 p. 312-326,2000.
TAKEHIKO IKEDA,TOMEI KAZAMA, DANIEL I. SESSLER, SUMIKO TORIYAMA, KAZUYAMA NIWA, CHIAKI
SHIMADA AND SHIGEHITO SAT. Induction of anesthesia with ketamine reduces the magnitude of redistribution hypothermia
AnesthAnalg. V.93. p.934-8,2001.
ANDERSEN M. L.; D’ALMEIDA V.; KO G. M.; KAWAKAMI, R.; MARTINS, P. J. F.; MAGALHÃES, L. E.; TUFIK,
D. Princípios éticos e práticos do uso de animais de experimentação. São Paulo: UNIFESP, 2004.
Helenice de Sousa Spinosa. Farmacologia Aplicada a Medicina Veterinária. Rio de Janeiro: Guanabara, 2006.

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P034 - COMPARAÇÃO ENTRE ALONGAMENTO ESTÁTICO,


BALÍSTICO E FACILITAÇÃO NEUROMUSCULAR
PROPRIOCEPTIVA SOBRE A POTÊNCIA MUSCULAR EM
INDIVÍDUOS SAUDÁVEIS
Comparison of static stretching, ballistic and proprioceptive neuromuscular
facilitation about muscle power in healthy individuals

GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI¹; MARCELA GOMES FERREIRA¹.

Palavras chave: Extensibilidade; alongamento; potência e salto.

Introdução
Os exercícios de alongamento são técnicas utilizadas para aumentar a extensibilidade do tecido conjuntivo muscular e
periarticular. (ALMEIDA et al., 2009). Atualmente, o alongamento muscular antes da prática esportiva vem trazendo contro-
vérsias no âmbito científico em relação aos seus benefícios, no que diz respeito ao desempenho muscular (RAMOS; SANTOS;
GONÇALVES, 2007). As principais técnicas de alongamento variam em alongamento passivo ou estático, ativo ou balístico e
modalidades que utilizam facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) (GAMA et al., 2007).
Sendo assim, o objetivo do presente estudo foi comparar o efeito imediato do alongamento estático, balístico e da FNP sobre
a potência muscular de indivíduos saudáveis, podendo ajudar a esclarecer se os alongamentos antes de exercícios são prejudiciais
ou não para essa variável.

Materiais e métodos
O presente estudo é classificado como transversal, quantitativo e cruzado. A amostra foi escolhida por conveniência e de
forma voluntária, composta por 20 jovens estudantes da UNIOESTE, de ambos os sexos. Foram incluídos na pesquisa indivíduos
jovens, sem dor e/ou lesões musculoesqueléticas e que se comprometeram a não alterar sua rotina de atividades físicas durante o
período de avaliação. Foram excluídos os sujeitos que não compareceram na reavaliação, que tiveram história clínica de cirurgia
na coluna e/ou nos membros inferiores ou relatos recentes de tonturas e/ou vertigens.
A amostra foi dividida em quatro grupos, sendo que em três grupos foram aplicados os três tipos de alongamento: alonga-
mento estático, balístico e facilitação neuromuscular proprioceptiva; o quarto grupo foi o controle. As avaliações ocorreram ao
longo de quatro semanas e realizadas na forma de rodízio, sendo que os voluntários estavam subdivididos em 4 subgrupos (A,
B, C e D), com 5 voluntários cada.
Cada participante realizou três saltos verticais, com contra movimento, sem auxilio dos membros superiores e sem pausa
na Plataforma Jump Test, da marca Hidrofit®, se dirigiu até uma maca, onde foi aplicada a técnica de alongamento no grupo
muscular tríceps sural (ou repouso para o grupo controle), aguardou 30 segundos e realizou outros 3 saltos verticais sem pausa.
Por meio dos saltos o software Multisprint calculou a potência muscular(w). A analise estatística foi realizada pelo teste de
hipótese de Análise de Variância com medidas repetidas, com nível de significância de 5%.

Resultados e Discussão
O resultado encontrado para a variável estudada, não mostrou diferença significativa pré e pós-alongamento (p>0,05),
conforme apresentado no gráfico abaixo.

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e-mail: marcelagf.fisio@gmail.com

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No estudo de Nogueira et al. (2009) que verificou o efeito agudo do alongamento submáximo e do método de Facilitação
Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) sobre a força explosiva. Sendo que a avaliação da força explosiva foi feita pela realização
do salto vertical com contramovimento, apontou reduções significativas (p<0,05) no desempenho dos saltos para o FNP quando
comparado ao grupo controle e ao grupo de Alongamento. O grupo Alongamento submáximo não apresentou redução relevante,
na comparação intragrupo. Apresentando, assim, uma discordância quanto à redução do desempenho após a aplicação do FNP,
visto que no presente estudo não houve diferença na potência após a aplicação dos alongamentos.
O estudo de Galdino et al. (2005) teve como objetivo verificar uma possível queda dos níveis de força explosiva de membros
inferiores após a realização de uma rotina de exercícios de alongamento passivo. Houve uma diminuição de 7,07% no valor médio
entre os saltos S1 e S2, sendo esta diferença diminuída para 4,42% entre S1 e S3, passando para 5,89% no S4 e para 4,71% no
S5. Concluindo-se que a realização de exercícios de alongamento passivo antes de atividades que envolvam força explosiva de
membros inferiores diminui o rendimento. Apresentando, desta forma, uma discordância com o a atual pesquisa.

Conclusão
O alongamento não exerce influência sobre a potência muscular, altura de salto e tempo de salto, não tendo também nenhuma
diferença significativa de efetividade entre as varias formas de alongamento. Portanto, não é possível indicar ou contraindicar
alongamentos antes de exercícios tenham saltos ou exijam potência, já que o mesmo também não gerou efeitos prejudiciais.

Referências bibliográficas
ALMEIDA, P. H. F.; BARANDALIZE, D.; RIBAS, D. I. R.; GALLON, D.; MACEDO, A. C. B.; GOMES, A. R. S. Alon-
gamento muscular: suas implicações na performance e na prevenção de lesões. Fisioterapia em movimento, Curitiba, v. 22, n. 3,
p. 335-343, jul./set. 2009.
GALDINO, L. A. S.; NOGUEIRA, C. J. ; CÉSAR, E. P.; FORTES, M. E. P.; PERROUT, J. R.; DANTAS, E. H. M. Com-
paração Entre Níveis de Força Explosiva de Membros Inferiores Antes e Após Flexionamento Passivo. Fitness & Performance
Journal, Rio de Janeiro v. 4, n. 1, p. 11 - 15, 2005.
GAMA, Z. A. S.; MEDEIROS, C. A. S.; DANTAS, A. V. R.; SOUZA, T. O. Influência da frequência de alongamento uti-
lizando facilitação neuromuscular proprioceptiva na flexibilidade dos músculos isquiotibiais. Revista Brasileira de Medicina do
Esporte, São Paulo, Vol. 13, Nº 1 – Jan/Fev, 2007.
NOGUEIRA, C. J.; GALDINO, L. A. S.; VALE, R. G. S.; DANTAS, E. H. M. Efeito agudo do alongamento submáximo e
do método de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva sobre a força explosiva. HU Revista, Juiz de Fora, v. 35, n. 1, p. 43-48,
jan./mar. 2009.
RAMOS, G. V.; SANTOS, R. R.; GONÇALVES, A. Influência do alongamento sobre a força muscular: uma breve revisão
sobre as possíveis causas. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano, Florianópolis, v.9, n.2, p. 203-206,
2007.

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P035 - AVALIAÇÃO DE RAZÃO DE FORÇA CONCÊNTRICA


FLEXORA/EXTENSORA EM JOELHOS SUBMETIDOS À
RECONSTRUÇÃO DO LCA

Assessment of concentric flexor/extensor force ratios of knees submitted


to anterior cruciate ligament reconstruction
MARCELLA FERRAZ PAZZINATTO¹; DANILO DE OLIVEIRA SILVA²;
CAROLINA SILVA FLÓRIDE¹; IURI SEFFRIN DA SILVA¹;
GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI¹;FERNANDO AMÂNCIO ARAGÃO¹.

Palavras-chave: LCA; reconstrução ligamentar; razão de força.

Introdução
O joelho é uma das articulações mais sobrecarregadas do sistema musculoesquelético e o Ligamento Cruzado Anterior
(LCA) é o principal limitadorda translação anterior da tíbia em relação ao fêmur (SANTOS et al, 2010).
O equilíbrio articular pode ser estimado pela razão de forças entre a musculatura ago¬nista e antagonista, durante os movi-
mentos por ela realizados. O aumento de lesões ligamentares tem sido apontado como conseqüência de diferenças e desequilíbrios
entre os torques de agonistas e antagonistas ou grupos musculares contralaterais (AMÉRICO et al, 2011).
Visto a problemática relacionada ao desequilíbrio muscular, para a saúde da articulação, em indivíduos submetidos à liga-
mentoplastia de joelho, objetivou-se neste estudo comparar as razões de força entreos grupos musculares flexores e extensores
do joelho em indivíduos submetidos à reconstrução do LCA unilateral.

Materiais e métodos
A pesquisa seguiu um modelo longitudinal e foi composta por 20 indivíduos do sexo masculino, os quais foram incluídos
por teremidade entre 18 a 35 anos, serem do sexo masculino e apresentarem lesão do LCA unilateral com indicativo de recons-
trução cirúrgica. Todos os participantes foram submetidos ao procedimento cirúrgico, utilizando os tendões dos músculos flexores
mediais do joelho, fixados ao fêmur pelo sistema de Rigidfix®; e na tíbia, com parafuso de interferência absorvível.
Para coleta dos dados utilizou-se uma ficha de avaliação, uma célula de carga de 100 Kgf conectada a um sistema de coleta
de dados biológicos de 12 canais (BioEMG1100, Lynx Tecnologia Eletrônica, Brasil), ligado a um computador, e também uma
câmera de vídeo convencional de alta resolução (NV–GS180, Panasonic Co. Japão) para garantir o posicionamento adequado das
articulações. Foram realizadas duas avaliações: uma na fase pré-operatória ea outra dois meses após a cirurgia. A avaliação da
força foi realizada em uma estrutura própria para esse fim, com o sujeito sentado sobre uma mesa alta, sobre a qual os membros
inferiores ficavam livres e não atingiam o solo, com uma célula de carga de 100 kgf acoplada à parede do laboratório e fixada
ao tornozelo dos sujeitos por meio de uma tornozeleira de couro. Os sujeitos eram instruídos a realizar uma série de contrações
isométricas voluntárias máximas (CIVM). Durante a execução das CIVM´s, que eram realizadas em extensão e flexão do joelho,
a articulação era posicionada sempre a 120° de flexão, sendo 180° correspondente à extensão total do joelho.
Foram realizadas três repetições em cadeia cinética aberta com manutenção de 5 segundos de contração, e intervalos de
120 segundos de repouso em cada sentido do movimento (extensão e flexão).
Previamente os procedimentos foram aprovados pelo comitê de ética e pesquisa da universidade sob o parecer 155/2012
(CAAE 06519712.4.0000.0107). Para análise estatística utilizou-se a razão da força entre os músculos flexores e extensores, ex-
pressada por R=(F. Flexores)/(F. Extensores), sendo que R é a razão de força, F. Flexores a média da força máxima dos músculos
flexores do joelho e F. Extensores a média da força máxima dos músculos extensores do joelho, ambos durante as três repetições.

1.UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL, PR, BRASI;


2.UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA, PRESIDENTE PRUDENTE, SP,
BRASIL.
e-mail:marcellapazzinatto@gmail.com

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Os dados foram tabulados, e a estatística descritiva preliminar foi realizada. Após o teste de normalidade, os dados foram
comparados utilizando os teste t de Student pareado e independente, para as comparações entre os momentos Pré e Pós-operatório e
entre membros, respectivamente. Todos os testes foram realizados com auxílio do pacote estatístico SPSS v.17, adotando-se <0,05.

Resultados e Discussão
A razão de força entre os flexores e extensores do joelho diminuiu no pós-cirúrgico para o membro operado. Já no membro
não operado a razão aumentou após a cirurgia (Figura 1).

Figura 1. Média e desvio padrão das razões de força dos joelhos nos momentos Pré e Pós-Cirurgia. Os asteriscos representam
as diferenças estatisticamente significativas encontradas (*p<0,05).

Tal resultado é consistente com a história natural da cirurgia, pois Barenius et al. (2013) apresentam, para indivíduos sub-
metidos à reconstrução, com enxerto de tendões de semitendíneo ou semitendíneo-grácil, mesmo após cerca de 36 meses, redução
na força de flexão em torno de 15-20% no membro operado, comparado ao membro contra-lateral.

Conclusões
Nas comparações entre os momentos pré e pós-cirúrgicos foi identificado que a razão de forças no membro operado foi
maior antes da cirurgia, enquanto que no membro não operado a razão aumentou após o procedimentocirúrgico.

Referências
AMÉRICO, S. P. F., et al. Utilização do teste de 1-RM na mensuração da razão entre flexores e extensores de joelho em
adultos jovens. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, São Paulo, n.17, v.2, p.111-4, 2011.
BARENIUS, B., et al. Hamstring tendon anterior cruciate ligament reconstruction : does gracilis tendon harvest matter ?
International Orthopaedics, Heidelberg, n.37, v.2, p.207-12, 2013.
SANTOS; H. H., et al. The effects of knee extensor eccentric training on functional tests in healthy subjects. Revista Bra-
sileira de Fisioterapia, São Carlos, n.14, v.4, p.276-83, 2010.

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P036 - EFEITOS DA NATAÇÃO COM CARGA SOBRE A


NOCICEPÇÃO DISTAL APÓS LESÃO NO NERVO MEDIANO

Swimming with weight outcomes after median nerve injury

GIOVANNI RIBEIRO BERNARDINO¹; JOSINÉIA GRESELE CORADINI¹;


MARIA LÚCIA BONFLEUR¹; REGINA INÊS KUNZ¹; LÍGIA INEZ SILVA¹;
CAMILA MAYUMI MARTINS KAKIHATA¹; TATIANE KAMADA ERRERO¹;
GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI¹;

Palavras- chave: compressão nervosa; exercício físico; fisioterapia.

Introdução
Lesões dos nervos periféricos são frequentes na prática clínica, principalmente lesões traumáticas, que incluem esmaga-
mento, compressão, secção parcial ou total, podendo resultar em comprometimento funcional secundário ao déficit da transmissão
de impulsos nervosos no território inervado (SILVA; CAMARGO, 2008). A qualidade de vida das pessoas acometidas por esse
tipo de lesão é diminuída, em decorrência de incapacidade física, perda total ou parcial de suas atividades produtivas, mudanças
na estrutura familiar e pessoal, além de consequências econômicas para o indivíduo e para a sociedade, com despesas em saúde
pública e no setor previdenciário (SEBBEN et al., 2011). A grande maioria dos estudos sobre regeneração nervosa faz uso de
modelo experimental, estudando membros posteriores do rato. Porém, a maioria das lesões de nervo periférico em humanos afeta
a extremidade superior, e por essa razão, um modelo experimental de lesão nervosa na extremidade superior, mais especificamente
no nervo mediano, é de grande relevância (BONTIOTI, KANJE; DAHLIN, 2003; GALTREY; FAWCETT, 2007).
O objetivo deste estudo foi avaliar a funcionalidade antes, durante e após o tratamento com natação, por meio de avaliações
da dor pelo limiar de retirada da pata.

Materiais e métodos
Esta pesquisa é de caráter experimental com abordagem quantitativa. Foi aprovada pelo Comitê de Ética na Experimentação
Animal e Aula Práticas – CEEAAP, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE, sob protocolo de experimentação
animal número 01712. Foram utilizados 24 ratos linhagem Wistar, machos, com 73±4 dias de idade, mantidos em fotoperíodo
claro/escuro de 12 horas a uma temperatura de 23 ±2 ºC, com água e ração ad libitum, divididos em 3 grupos:G1 (n=8) - Ratos
controle, G2 (n=8) - Ratos com lesão e G3 (n=8) - Ratos com lesão + exercício de natação com carga de 10% do peso corporal.
Para realizar a compressão do nervo mediano direito, foi realizando amarria com fio Catgut 4.0 cromado em 4 pontos, com dis-
tância aproximada de 1 milímetro no nervo mediano, na região proximal ao cotovelo. O tratamento teve início no terceiro dia
de pós-operatório, com exercícios uma vez ao dia, cinco vezes por semana, durante 3 semanas totalizando 15 dias de natação. A
dor foi avaliada pelo limiar de retirada do membro ao estímulo mecânico e o equipamento utilizado para o teste de sensibilidade
dolorosa foi o Analgesímetro Digital tipo Von Frey da marca Insight®. As avaliações ocorreram em dias alternados, sendo a
primeira avaliação realizada no pré-operatório, a segunda no 3º dia de pós-operatório, antecedendo o início do tratamento, e as
demais avaliações realizadas no final de cada semana de tratamento, sendo no 7º, 14º e 21º dia. A análise estatística foi realizada
com ANOVA modelo misto, com nível de significância de 5%.

Resultados e discussão
Pela analise estatística realizado pelo ANOVA modelo misto houve variação significativa na nocicepção da região palmar
com estatística F(4;84)=27,05; p<0,001.

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Na comparação entres os grupos o G1 apresentou diferença significativa quando comparado ao outros grupos (p<0,001)
sendo que este apresentou valores maiores do que G2 e G3. Na comparação entre G2 e G3 não houve diferença significativa
(p=1,0). Na analise das avaliações, em que 1 era antes da lesão, 2 no 3º dia de pós-operatório ,3 no 7º dia, 4 no 14º dia e 5 no 21º
dia, a primeira avaliação teve número maior que o restante, e a avaliação 5 foi maior que a 2,3 e 4, sugerindo assim que o limiar
de dor com o tratamento foi aumentando mas não atingiu o seu valor inicial que seria o pré-lesão.

No presente estudo o grupo G2 (lesão) e G3 (lesão + natação) não retornam aos seus valores basais de nociecpção e apre-
sentaram resultados muito parecidos. Essa semelhança entre os resultados do grupo G2 e G3 pode ser devido ao estresse dos ratos
submetidos ao exercício físico na água, isso gera um estresse ao animal, pois desde o tempo que ele é colocado na água, por mais
que eles sejam hábeis a nadar, acredita se que haja um esforço do animal para viver (GOBATTO, et al., 2001).
Kuphal, Fibuch e Taylor, avaliando o limiar nociceptivo após lesão nervosa em ciático de roedores, observaram que o trei-
namento físico com natação produziu diminuição da alodínea e hiperalgesia nos animais, e no presente estudo ficou evidenciado
que apesar da natação ter melhorado o limiar nociceptivo pós lesão, este limiar não alcançou seu valor basal, e na comparação
entre o grupo lesão sem tratamento e lesão com natação não obter diferença significativa, o grupo sem tratamento apresentou
valores melhores.

Conclusão
Concluiu-se que a natação com carga de 10% do peso corporal não influenciou na nocicepção, apresentando maior hipe-
ralgesia que o grupo lesionado sem natação.

Referências
KUPHAL, K,; FIBUCH, EE.; TAYLOR, BK, Extended swimming exercise reduces infl amatory and peripheral neuropathic
pain in rodents. J Pain, v.8 n. 6, p 989-997, 2007.
SILVA, C. K.; CAMARGO, E. A. Mecanismos envolvidos na regeneração de lesões nervosas periféricas. Revista Saúde
e Pesquisa, v. 3, n. 1, p. 93-98, 2010.
SEBBEN, A. D.; LICHTENFELS, M.; DA SILVA, J. L.B. Peripheral nerve regeneration: cell therapy and neurotrophic
factors. Revista Brasileira de Ortopedia, v. 46, n. 6, p. 643-649, 2011.
BONTIOTI, E. N.; KANJE, M.; DAHLIN, L. B. Regeneration and functional recovery in the upper extremity of rats after
various types of nerve injuries. Journal of the Peripheral Nervous System, v. 8, n. 3, p. 159-186, 2003.
GOBATTO,C. A.; MELLO, M. A. R; SIBUYA, C.Y.; AZEVEDO, RM.; SANTOS, L.A. ; KOKUBOM, E. Maximal lactate
steady state in rats submitted to swimming exercise. Comp. Bioch. And Physiol., Part A 130, 21-27, 2001.

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P037 - CORRELAÇÃO DO PERFIL FUNCIONAL DE PÉ


E TORNOZELO COM O EQUILÍBRIO EM ATLETAS DE
TAEKWONDO COM E SEM HISTÓRICO DE ENTORSE

functional profile correlation of foot and ankle with balance in taekwondo


athletes with and without sprain history

ALBERITO RODRIGO DE CARVALHO; ADRIANA DE OLIVEIRA GOMES;


CRISTINA FERREIRA DA SILVA; GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI;
MARIANY RIBEIRO GOMES; WELDS RODRIGO RIBEIRO BERTOR.

Palavras-chaves: Entorses e distensões; traumatismo em atletas; desempenho atlético

Introdução
A entorse é o tipo de lesão mais comum do tornozelo, principalmente entre os atletas da maioria dos esportes (Ivins, 2006). O
mecanismo de lesão mais frequente é a combinação dos movimentos de inversão e flexão plantar (Morrison e Kaminski, 2007). O
ligamento colateral lateral é lesado em 85% das entorses, e após a lesão é estimado que 70 a 80% dos atletas irão sofrer um entorse
recorrente (Hubbard e Kaminski, 2002). De acordo com o exposto, o objetivo deste estudo foi correlacionar o perfil funcional de
tornozelo e pé, pela escala de FAAM, a estabilidade postural, pela escala de BESS com o histórico de entorse.

Materiais e Métodos
Estudo observacional, transversal. A amostra composta de forma intencional e não probabilística por 32 sujeitos, divididos
em dois grupos, de acordo com o histórico de entorse de tornozelo, em grupo sem histórico de entorse (GSE), n=15; e grupo
com histórico de entorse (GCE), n=17. Os seus valores médios e seus desvios-padrão para idade foram 16,06±3,01(anos) e
15,64±5,12(anos) para o GSE e GCE, respectivamente.
Os indivíduos foram submetidos inicialmente a aplicação do questionário da escala FAAM (Footandankleabilitymeasure),
trata-se de um instrumento que avalia o desempenho físico de indivíduos. com (CARCIA; MARTIN; DROUIN, 2008; MOREIRA;
SABINO; RESENDE, 2010). Posteriormente, foram submetidos ao teste proprioceptivo de BESS (balance errorscoring system)
que avalia a estabilidade postural feito por uma sequência de teste, primeiramente sobre uma superfície firme e em seguida sobre
uma superfície instável (almofadas de espumas com dimensões 46x46x10 cm). Para cada superfície, estável e instável, foram
realizados três testes de vinte segundos cada, durante os quais se contabilizou o número de erros cometidos (WILKINS et al.,
2004). Foram calculados os escores para cada superfície, estável e instável, e o escore geral do teste pela média simples entre as
duas superfícies.
Para o tratamento estatístico utilizou-se o software SPSS 15. A verificação da normalidade foi feita pelo Shapiro-Wilk. As
correlações foram determinadas pelo teste de correlação parcial, sendo os relacionamentos controlados pelo histórico de entorse
de tornozelo (efeito de grupo). A força da correlação foi interpretada pelo seguinte escore (GAYA 2008): associação muito baixa
(valor de r < 0,2), associação baixa (valor de r entre 0,2 e 0,39), associação moderada (valor de r entre 0,4 e 0,69), associação alta
(valor de r entre 0,7 e 0,89), associação muito alta (valor de r entre 0,9 e 1). Para todos os testes estatísticos adotou-se α=0,05.

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Resultados e Discussão
Com base nos resultados encontrados através dos testes realizados com a escala FAAM, o resultado do histórico de
entorse e a subescala do esporte foi moderada tendo r= 0,43 e p=0,01 e também moderado o histórico de entorse em relação à
avaliação da subescala do esporte tendo r=0,42 e p=0,02. A avaliação da subescala do esporte em relação ao BESS instável foi
baixa tendo r=0,39 e p=0,03 , sendo também baixa a correlação entre a avaliação da subescala do esporte e o BESS geral tendo
r=0,38 e p=0,03.
Ou seja, segundo a escala FAAM, não foi vislumbrada uma forte correlação para aqueles atletas com histórico de entorse
de tornozelo. Isto pode ter ocorrido pela ausência de avaliação do período em que as lesões ocorreram, sendo que, havia períodos
diferentes das entorses, com diversas formas de tratamento das mesmas. A avaliação da subescala do esporte em relação ao BESS
instável foi baixa, sendo também baixa a correlação entre a avaliação da subescala do esporte e o BESS geral. Isso pode significar
que o déficit de equilíbrio para esta subescala foi baixo devido às diversas formas de tratamentos realizadas antes do estudo, com
uma evolução significativa nas entorses de tornozelo.

Conclusões
Através desta pesquisa, foram encontrados resultados com significância moderada em relação ao histórico de entorse e
a subescala do esporte da FAAM. Sendo que a avaliação da subescala do esporte em comparação com o BESS geral foi baixa.

Referências
IVINS, D. Acute Ankle sprain: an update. American Family Physician, v. 76, n. 10, p. 1714-1720, 2006.
MORRISON, K. E.; KAMINSKI, T. W. Foot characteristics in association with inversion ankle injury. Journal of Athletic
Training, v. 42, n. 1, p. 135-142, 2007.
HUBBARD, T. J.; KAMINSKI, T. W. Kinesthesia is not affected by functional ankle instability status, Journal of Athletic
Training, v. 37, n. 4, p. 481-486, 2002.
CARCIA, C. R.; MARTIN, R. L.; DROUIN, J. M. Validity of the foot and ankle ability measure in athletes with chronic
ankle instability. Journal of Athletic Training, v. 43, n. 2, p. 179-183, 2008.
MOREIRA, T. S.; SABINO, G. S.; RESENDE, M. A. Instrumentos clínicos de avaliação funcional do tornozelo: revisão
sistemática. Fisioterapia e Pesquisa, v.17, n.1, p.88-93, 2010.
WILKINS, J. C.; VALOVICH MCLEOD, T. C.; PERRIN, D. H; GANSNEDER, B. M. Performance on the Balance Error
Scoring System decreases after fatigue. Journal of Athletic Training, v. 39, n. 2, p. 156-161, 2004.

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P038 - A DEMORA PELA BUSCA DO TRATAMENTO


FISIOTERAPÊUTICO PARA INCONTINÊNCIA URINÁRIA

The delay to seek treatment for urinary incontinence physiotherapeutic

DANIELLA FERNANDA HENKES¹; JULIANA CRISTINA FRARE¹;


KEILA OKUDA TAVARES¹.

Palavras-chave: FISIOTERAPIA; INCONTINÊNCIA URINÁRIA; TRATAMENTO.

Introdução
Uma em cada quatro mulheres sofrem perda de urina tão grave que resulta em problemas sociais e de higiene, mas somente
um terço procura ajuda (GUEDES; SEBBEN, 2006). A ICS recomenda que o tratamento conservador seja considerado como
primeira opção de intervenção nas mulheres incontinentes, tendo como objetivo o aumento da força e a correta ativação da mus-
culatura do assoalho pélvico (PEREIRA et al., 2012).
Este estudo teve como objetivo verificar por que mulheres com Incontinência Urinária procuraram o tratamento fisiotera-
pêutico depois de muitos meses e até anos convivendo com esse problema.

Materiais e Métodos
Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter descritivo-exploratório, que foi realizado na Clínica de Fisioterapia - Centro
de Reabilitação Física (CRF) da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), do campus de Cascavel-PR. Foram
realizadas entrevistas com mulheres com diagnóstico médico de Incontinência Urinária, encaminhadas para tratamento fisiotera-
pêutico no CRF. Foram abordadas as pacientes do sexo feminino, com mais de 18 anos, em tratamento há pelo menos 15 sessões
de fisioterapia, que iniciaram o tratamento fisioterapêutico com no mínimo 12 meses de sintomas, que aceitaram e concordaram
em participar do estudo. Os critérios de exclusão do estudo foram mulheres menores de 18 anos, que se recusassem a dar a en-
trevista e/ou não tivessem completado 15 sessões de fisioterapia.
Os dados qualitativos foram coletados por meio de uma entrevista semi-estruturada. As entrevistas foram gravadas (gra-
vador digital), transcritas na íntegra e analisadas. Foi feita a seguinte pergunta orientadora: Por que você não buscou tratamento
fisioterapêutico para a Incontinência Urinária assim que ela começou?
Os textos transcritos foram identificados por números e foram analisados com o método da Análise do Conteúdo (BARDIN,
2009).

Resultados e discussão
A amostra foi composta por nove mulheres, com idade média de 45 anos (±10,85), a demora pela busca do tratamento neste
estudo variou entre um ano e 10 anos convivendo com o problema. Oito (88,88%) das entrevistadas demonstrou desconhecer o
tratamento fisioterapêutico, achavam que a fisioterapia era destinada apenas ao tratamento de problemas ortopédicos, acreditavam
que somente o procedimento cirúrgico resolveria os sintomas da Incontinência Urinária: “[...] porque eu não sabia que tinha esse
tratamento assim, sem ser cirurgia, se não teria buscado com certeza” (E3). “[...] eu nem sabia que tinha fisioterapia.

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Porque passei pelo ginecologista, o ginecologista encaminhou para o HU e lá do HU eles me encaminharam para a fisiote-
rapia” (E4). “Então, não houve interesse meu porque eu não tinha noção, eu imaginava que fisioterapia era para recuperar de uma
cirurgia, um acidente, alguma coisa assim. Eu não tinha noção de outro benefício, e o outro é muito bom” (E5).
Apenas uma paciente (11,11%) demonstrou conhecer previamente o tratamento fisioterapêutico para Incontinência
Urinária:“Porque quando eu fui fazer a consulta depois que ganhei o meu bebê, eu já estava, e ela falou que era normal porque
eu tive parto normal, por causa da força que foi feita, mas que voltaria ao normal, mas como não voltou eu procurei um recurso,
fui atrás. E eu comecei a fisioterapia porque eu já sabia que tinha” (E6).
Apesar de se ter percebido a dimensão do que a incontinência pode vir a gerar na vida dessas pessoas, um fato que chama
atenção é a demora na procura por ajuda ou tratamentos, os pacientes convivem anos com o problema, sem procurarem ajuda.
Isso faz com que elas acabem considerando a incontinência urinária como um evento “normal” (HONÓRIO; SANTOS, 2009).
Os exercícios dos músculos pélvicos, por serem os menos invasivos por natureza, deveriam ser o de primeira escolha,
associados ou não a outras formas de tratamento. As mulheres achavam normal perder urina ou não consideravam um problema
importante ou prioritário, chama atenção o fato de, em alguns casos, o médico ter dito não ser necessário tratamento (SILVA;
LOPES, 2009).
Comparando com a literatura pôde-se observar que o tratamento fisioterapêutico para Incontinência Urinária é um fator
pouco conhecido, pois neste estudo também demonstrou a falta de indicação médica em uma das entrevistadas, visto que o médico
é geralmente o primeiro a ser procurado pelas pacientes incontinentes e isso acaba atrasando a busca pelo tratamento fisiotera-
pêutico. Sendo assim, é necessária maior divulgação tanto para os pacientes quanto para os profissionais da área da saúde, pois o
tratamento fisioterapêutico deve ser o primeiro para as incontinentes, por se tratar de não ser um método invasivo.

Conclusão
Com este trabalho conclui-se que apesar de a incontinência urinária ser considerada uma condição grave, pelo fato de
acometer muitas mulheres e trazer condições desagradáveis para as mesmas, elas acham que é algo normal do envelhecimento.
Com isso, elas acabam demorando muito para a busca desse tratamento conservador, visto que até alguns médicos deixam de
passar essa informação importante para as pacientes. Sendo assim, é necessário maior divulgação do tratamento fisioterapêutico
para incontinência urinária, entre pacientes e profissionais da área da saúde.

Referências Bibliográficas
GUEDES, F. M.; SEBBEN, V. Incontinência urinária no idoso: abordagem fisioterapêutica. Revista Brasileira de Ciências
do Envelhecimento Humano, Passo Fundo, v. 3, n. 1, p. 105-113, jan./jun. 2006.
HONÓRIO, M. O.; SANTOS, S. M. A. Incontinência urinária e envelhecimento: impacto no cotidiano e na qualidade de
vida. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 62, n. 1, p. 51-56, jan-fev 2009.
PEREIRA, V. S.; ESCOBAR, A. C.; DRIUSSO, P. Efeitos do tratamento fisioterapêutico em mulheres idosas com incon-
tinência urinária: uma revisão sistemática. Revista Brasileira de Fisioterapia, v. 16, n. 6, p. 463-468, 2012.
SILVA, L.; LOPES, M. H. B. M. Incontinência urinária em mulheres: razões da não procura por tratamento. Revista da
Escola de Enfermagem, São Paulo, v. 43, n. 1, p. 72-78, 2009.

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P039 - EFEITO DA NATAÇÃO COM SOBRECARGA


SOBRE A FORÇA DE PREENSÃO PALMAR EM RATOS
SUBMETIDOS À COMPRESSÃO DO NERVO MEDIANO

Effect of swimming overload on grip strength in rats subjected to


compression of the median nerve

CAMILA THIEIME ROSA1; JOSINÉIA GRESELE CORADINI¹;


CAMILA MAYUMI MARTIN KAKIHATA¹; REGINA INÊS KUNZ¹;
TATIANE KAMADA ERRERO¹; GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI¹;
MARIA LÚCIA BONFLEUR¹.

Palavras chaves: Força muscular; Compressão nervosa; Natação.

Introdução
A interrupção do suprimento nervoso acarreta em diminuição da atividade do músculo gerando atrofia muscular e con-
sequente redução em sua força (CAVALCANTE et al., 2012). Estudos realizados em animais demonstram a eficácia do exercício
físico na regeneração nervosa periférica (ILHA et al., 2008; TEODORI et al., 2011) e quando realizado em ambiente aquático
proporcionam benefícios aos sistemas cardiovascular, esquelético, muscular e nervoso, incrementando o processo de reparo te-
cidual (MEDEIROS et al., 2004). A mensuração da força muscular, o que possibilita um diagnóstico funcional para avaliação de
melhora ou piora no decorrer no tratamento, e como medida preditiva ou prognóstica (FERREIRA et al., 2011). Nesse contexto,
o objetivo deste trabalho, foi analisar o efeito da natação com sobrecarga sobre a força de preensão palmar em ratos submetidos
à compressão do nervo mediano.

Materiais e métodos
A pesquisa foi composta por 24 ratos Wistar que foram divididos em 3 grupos de oito animais: G1(controle); G2 (lesão) e
G3(lesão + natação). Os animais foram mantidos em fotoperíodo claro/escuro de 12 horas e temperatura de 23 ±2 ºC, com água e
ração ad libitum. Os animais dos grupos G1 foram submetidos à cirurgia de compressão do nervo mediano direito que foi baseada
no modelo apresentado por Bennett e Xie (1998), realizando amarria com fio Catgut 4.0 cromado em 4 pontos, com distância
aproximada de 1 milímetro no nervo mediano, na região proximal ao cotovelo.
Cinco dias antes do procedimento cirúrgico os animais foram adaptados e treinados. A natação foi realizada em um
tanque oval de plástico resistente, com capacidade para 200 litros, com profundidade de 60 cm e água mantida em temperatura
controlada a 32±1°C. O tratamento teve início no 3º de pós-operatório, com exercícios uma vez ao dia, cinco vezes por semana,
totalizando 15 dias de natação. Na 1º semana, o grupo G1 iniciou com 20 minutos de exercício, na 2º semana 30 minutos e na 3º
semana 40 minutos, com carga de 10% do peso corporal. Os animais dos outros grupos foram colocados na água por 1 minuto.
Para a avaliação da força muscular, foi utilizado um medidor de força de preensão, descrito por Bertelli e Mira (1995). Para
realizar a avaliação, o animal foi tracionado pela cauda com firmeza crescente, e foi permitido que agarrasse em uma grade co-
nectada a um transdutor de força, até ele perder a preensão. Cinco dias prévios à cirurgia os animais foram adaptados e treinados
no equipamento. A 1º avaliação foi realizada antes da compressão no nervo mediano, a 2º avaliação no 3º dia pós-operatório, e as
demais avaliações foram realizadas no final de cada semana de tratamento, sendo no 7º, 14º e 21º dia. Em cada avaliação o teste
foi repetido três vezes e utilizado o valor médio das repetições. Para comparação dos grupos e momentos foi utilizado ANOVA
modelo misto, com nível de significância de 5%.

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Resultados e Discussão
Houve variação significativa para força de preensão do membro anterior direito com estatística F(2,3; 48,7)=32,1; p<0,001.
Na comparação entre as avaliações indiferentemente de grupos, a primeira avaliação (AV1) foi significativamente diferente de todas
as seguintes, ou seja, os animais apresentaram significativamente mais força quando comparadas às demais, portanto condizente
com padrões de normalidade. A AV2, realizada no 3º PO, apresentou diferença significativa de AV5, momento em que os animais
demonstraram menor força de preensão. Essa redução na força muscular pode estar relacionada à hipernocicepção gerada pela
compressão nervosa, produzindo uma inibição muscular (YAHIA et al., 2010). As demais avaliações não foram significativas. Na
comparação entre grupos, o grupo G1 apresentou variação significativa quando comparado aos grupos, G2 e G3, (p<0,0001). O
grupo G2, apresentou diferença significativa com o grupo G3, (p=1,0). Os resultados revelaram ainda, que não houve aumento da
força de preensão nos animais lesionados e tratados com natação em comparação aos animais lesionados e sedentários, sugerindo
que a natação não foi eficiente para produzir aumento da força muscular após lesão por compressão do nervo mediano.

Conclusões
O exercício de natação com sobrecarga não foi eficaz em promover melhora na força muscular de preensão após lesão de
compressão do nervo mediano direito em ratos.

Referências
BENNETT, G. J.; XIE, Y. K. A. A peripheral mononeuropathy in rat that procedures disorders of pain sensation like those
seen in man. Pain, v. 33, n. 1, p. 87-107, 1988.
BERTELLI, J. A.; MIRA, J. C. The grasping test: a simple behavioral method for objective quantitative assessment of
peripheral nerve regeneration in the rat. Journal of Neuroscience Methods, v. 58, n. 1-2, p.151-5, 1995.
CAVALCANTE, E. V. V.; SILVA, L. G. M.; MONTENEGRO, E. J. N.; PONTES FILHO, N. T. Efeito da eletroestimulação
no músculo desnervado de animais: revisão sistemática. Fisioterapia em Movimento, v. 25, n. 3, p. 669-678, 2012.
FERREIRA, A. C. C.; SHIMANO, A. C.; MAZZER, N.; BARBIERI, C. H.; ELUI, V. M. C.; FONSECA, M. C. R. Grip
and pinch strength in healthy children and adolescents. Acta Ortopedica Brasileira, v. 19, n. 2, p. 92-7, 2011.
ILHA, J.; ARAUJO, R. T.; MALYSZ, T.; HERMEL, E. E.; RIGON, P.; XAVIER, L. L.; ACHAVAL, M. Endurance and
resistance exercise training programs elicit specific effects on sciatic nerve regeneration after experimental traumatic lesion in
rats. Neurorehabilitation and Neural Repair, v. 22, n. 4, p. 355-76, 2008.
MEDEIROS, A.; OLIVEIRA, E. M.; GIANOLLA, R.; CASARINI, D. E.; NEGRÃO, C. E.; BRUM, P. C. Swimming
training increases cardiac vagal activity and induces cardiac hypertrophy in rats. Brazilian Journal of Medical and Biological
Research, v. 37, n. 12, p. 1909-17, 2004.
TEODORI, R. M.; BETINI, J.; OLIVEIRA, L. S.; SOBRAL, L. L.; TAKEDA, S. Y.; MONTEBELO M. I. Swimming
exercise in the acute or late phase after sciatic nerve crush accelerates nerve regeneration. Neural Plasticity, 2011. Disponível em:
<http://www.hindawi.com/journals/np/2011/783901/>. Acesso em 11 out 2012.
YAHIA, A.; GHROUBI, S.; KHARRAT, O.; JRIBI, S.; ELLEUCH, M.; ELLEUCH, M. H. A study of isokinetic trunk and
knee muscle strength in patients with chronic sciatica. Annals of Physical and Rehabiliation Medicine, v. 53, n. 4, p. 239-49, 2010.

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P040 - INCIDÊNCIA DE LACERAÇÕES PERINEAIS EM


PARTOS NORMAIS CORRIDOS NO ANO DE 2011 NO
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DO OESTE DO PARANÁ -
HUOP.

Incidence of perineal lacerations normal childbirths occurred in 2011


at the University Hospital of the West of Paraná-HUOP

CAMILA THIEIME ROSA¹; JULIANA CRISTINA FRARE¹.

Palavras-chave: Parto Natural; Períneo; Saúde da Mulher.

Introdução
O parto representa um evento importante na vida das mulheres, marcado pela transformação da mulher em seu novo papel,
o de ser mãe (TEDESCO et al., 2004).
Em muitos casos, mesmo com a assistência ao parto normal, muitas mulheres sofrem lacerações perineais (LEITE, 2012),
sendo sua ocorrência frequente, especialmente em primíparas (OMS, 1996).
O objetivo do presente estudo foi verificar a incidência de lacerações perineais em partos normais ocorridos no
ano de 2011 no Hospital Universitário do Oeste do Paraná- HUOP.

Materiais e métodos
Trata-se de um estudo transversal, retrospectivo, de caráter quantitativo. A presente pesquisa foi realizada no Hospital
Universitário do Oeste do Paraná- HUOP na cidade de Cascavel- PR.
Inicialmente foi feito um levantamento de dados dos partos realizados no período de janeiro a dezembro de 2011 através
do programa de gestão hospitalar TASY (Web Sistemas) do HUOP. Na sequência realizou-se a coleta de dados para o estudo
através da análise dos prontuários das parturientes inseridas no Setor de Arquivos Médicos e Estatísticos (SAME) do HUOP. Os
dados foram coletados por meio de uma ficha previamente elaborada para o estudo.
Todos os dados foram lançados em uma planilha do Programa Excel 7.0 (Microsoft®), para posteriormente serem anali-
sados através de análise estatística simples.
Este trabalho recebeu aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Unioeste
- PR, parecer n° 19397/2012 – CEP.

Resultados e Discussão
No período entre 01 de Janeiro de 2011 a 31 de dezembro de 2011, foram registrados no TASY - HUOP 3046 partos no
HUOP, entretanto, somente 2551 (83,75%) prontuários de parturientes foram localizados no SAME - HUOP. Deste total, não
foram encontrados 495 (16,25%) prontuários, os quais apresentavam números de identificação incorretos e não pertenciam ao
setor de obstetrícia.

1.UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ – UNIOESTE,


CASCAVEL, PR. e-mail:camilathieime@hotmail.com

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Dos 2551 prontuários de parturientes, 1487 (58,30%) eram de partos normais. Em 259 (17,41%) partos ocorreram lacera-
ções perineais, dentre as quais, em 70 (4,70%) casos as lacerações perineais ocorreram mesmo após a realização da episiotomia.
Diversos fatores influenciam a ocorrência de lacerações perineais, que podem estar relacionados às condições maternas,
ao feto, ao parto em si e à própria episiotomia, amplamente utilizada para evitar lacerações na região, constituindo um trauma
perineal, por vezes, mais severo que as lacerações espontâneas. A infusão intravenosa de ocitocina é utilizada para acelerar o
parto, aumentando as contrações e a pressão intrauterina no estágio expulsivo do parto. Decorrente desse fato pode ocorrer o
desprendimento cefálico abrupto, com laceração perineal (SCARABOTTO; RIESCO, 2006).
Técnicas fisioterapêuticas aplicadas às parturientes são descritas em alguns trabalhos como forma de proporcionar conforto,
alivio da dor, relaxamento e confiança em relação ao próprio corpo. Estímulo à deambulação, adoção de posturas verticais, exer-
cícios respiratórios, analgesia através da neuroeletroestimulação transcutânea (TENS), massagens, banhos quentes, crioterapia e
relaxamento, são exemplos dessas técnicas (BAVARESCO et al., 2011) .
A fisioterapia ajuda a reduzir as consequências do parto vaginal, utilizando exercícios perineais específicos no pré e no pós-
-parto. O uso da massagem perineal também traz benefícios sobre o assoalho pélvico. Em países desenvolvidos, tem-se avaliado
o uso da massagem perineal como técnica de preparação pré-parto, durante o ultimo mês de gravidez como um possível método
para fazer o tecido perineal expandir-se mais facilmente no parto, aumentando a flexibilidade da musculatura (KALICHMAN,
2008; MARCELINO; LANUEZ, 2009).
Portanto, com exercícios e técnicas de proteção do assoalho pélvico durante a gestação e o parto, pode-se promover melhor
função do assoalho pélvico após o parto, prevenindo assim complicações em longo prazo, o que pode melhorar a qualidade de
vida das mulheres após o parto. Assim, a massagem perineal poderia ser instruída de forma sistemática durante as consultas de
pré-natal pelos profissionais de saúde às gestantes, que devem ser informadas sobre os benefícios da massagem sobre os traumas
perineais (NEUMAYR, 2013).

Conclusões
A laceração perineal é um trauma comum no parto normal, entretanto a massagem perineal pode ser usada preventivamente,
assim como outros métodos fisioterapêuticos, prevenindo complicações a longo prazo.

Referências
BAVARESCO, G. Z, et al. O fisioterapeuta como profissional de suporte à parturiente. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de
Janeiro, n. 16, v. 7, p. 3259-3266, 2011.
KALICHMAN, L. Perineal massage to prevent perineal trauma in childbirth. The Israel Medical Association Journal, Tel
Aviv, n. 10, v. 7, p. 531-533, 2008.
LEITE, J, S. Cacterização das lacerações perineais espontâneas no parto normal [Dissertação]. São Paulo, 2012.
MARCELINO, C. T.; LANUEZ, F. V. Abordagem fisioterapêutica na massagem perineal no pré-parto. ConScientia e Saúde,
São Paulo, n. 8, v. 2, p. 339-344, 2009.
NEUMAYR, R. F. R. Relação entre adesão à massagem perineal e as disfunções do assoalho pélvico: um estudo exploratório
[Dissertação]. Belo Horizonte, 2013.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS). Maternidade segura: assistência ao
parto normal: um guia prático. Genebra, 1996.
SCARABOTTO, L. B.; RIESCO, M. L. G. Fatores relacionados ao trauma perineal no parto normal em nulíparas. Revista
da Escola de Enfermagem USP, São Paulo, n. 40, v. 3, p. 389-395, 2006.
TEDESCO, R. P. et al. Fatores Determinantes para as Expectativas de Primigestas acerca da Via de Parto. Revista Brasileira
de Ginecologia e Obstetrícia, Rio de Janeiro, v. 26, n. 10, p. 791-798, 2004.

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P041 - ANALISE DO CONTROLE NEUROMUSCULAR EM


COMPETIDORES DE TAEWKONDO ATRAVÉS DO STAR
EXCURSION BALANCE TEST

Evaluation of Control of Competitors in Athletes Neuromuscular


Taewkondo Through the Star Excursion Balance Test

ALINE SCHENATTO DOS SANTOS1; ANANDA CHRISTINA STAATS PIRES¹;


ANDRÉIA TRAVASSOS¹; GABRIEL SANTO SCHÄFER¹; GABRIELA MATTÉ ZANINI¹;
KELI LOVISON¹; GUSTAVO NAKAYAMA¹; GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI².

Palavras-chave: controle neuromuscular; taekwondo; SEBT.

Introdução
O taekwondo é uma arte marcial que utiliza na maior parte de uma luta os membros inferiores, fazendo uso constantemente
de chutes. Assim, a manutenção do equilíbrio e da orientação corporal é essencial para essa prática esportiva (MELHIM, 2001).
O controle neuromuscular é determinante para o equilíbrio e deve ser eficiente em atletas de taekwondo, que estão sujeitos a
perturbações externas inesperadas, impostas pelos seus adversários. É sabido que a falta da propriocepção ou equilíbrio podem
prejudicar o controle neuromuscular o que leva a lesões (AQUINO et al., 2004).
Este estudo teve como objetivo analisar se o taekwondo influencia no controle neuromuscular de indivíduos praticantes
da modalidade.

Materiais e métodos
Ensaio clínico não randomizado, transversal, quantitativo.
A amostra foi dividida em dois grupos: Grupo Taekwondo (GT), formado por 12 indivíduos que praticavam taekwondo
como modalidade competitiva; e Grupo Controle (GC), com 12 indivíduos que não praticavam nenhuma modalidade esportiva
de forma competitiva. Todos os participantes possuíam características semelhantes como: idade, peso e altura.
Para realizar a avaliação proprioceptiva, foi utilizado o SEBT, que consiste em um teste funcional, no qual o indivíduo
realizou apoio unipodal de um membro inferior, com o máximo alcance do membro oposto. O pé de apoio foi posicionado no
centro de uma estrela que consistia em 8 linhas de 120 centímetros e 45 graus de angulação entre as retas, tendo início em um
ponto único, formando um centro na união das retas. Foram realizadas três vezes cada alcance na reta e a medida utilizada foi a
média entre as três.
Para análise dos dados foi utilizado o teste t de Student, com valor de significância p<0,05.

Resultados e Discussão
Não foram encontradas diferenças significativas na comparação entre os membros dominantes e não dominantes quando
comparado o GT e GC (Figura1). Na comparação entre os grupos só foram encontradas diferenças significativas para o membro
dominante em duas retas de alcance. Para o membro não dominante não foi encontrado diferença significativa em nenhuma reta.

1.UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ,


CASCAVEL, PR, BRASIL;
2. GRUPO DE PESQUISA EM REABILITAÇÃO NEURO-MÚSCULO-
ESQUELÉTICA UNIOESTE
E-MAIL:alineschenatto_@hotmail.com

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Figura 1: Gráfico com valores médios de alcance do membro dominante e membro não dominante de ambos os grupos.

Os resultados obtidos entre o grupo controle e o grupo taekwondo comprovam que não há diferença no controle neuromus-
cular entre esses indivíduos, o que pode-se atribuir à falta de treinamento específico de propriocepção e controle neuromuscular
nos treinamentos dos atletas de taekwondo, embora o grupo controle também não tenha sido submetido à treinamento específico.
Estudos mostram que programas de exercícios que estimulam as vias sensoriais proprioceptivas podem melhorar o controle
postural de atletas, reduzindo a incidência de lesão nos esportes, gerando assim mais uma vantagem do treinamento específico
(VERHAGEN, et al. 2004).
Ainda há poucas formas de avaliar dinamicamente o efeito do controle neuromuscular (AQUINO et al., 2004), portanto
o SEBT se torna uma opção viável, já que é um teste de baixo custo, que avalia o atleta de forma dinâmica. Assim, sugere-se a
aplicação desse teste em um número maior de atletas, com características semelhantes, para obterem-se dados mais precisos da
eficácia do teste.

Conclusão
Conclui-se no presente estudo, que por meio da avaliação do SEBT, o taekwondo não influencia de forma significativa no
controle neuromuscular de atletas.

Referências
AQUINO, C. F.; VIANA, S. O.; FONSECA, S. T.; BRICIO, R. S.; VAZ, D. V. Mecanismos neuromusculares de controle
da estabilidade articular. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v. 12, n. 2, p.35-42, 2004.
VERHAGEN, E. et al. The Effect of a Proprioceptive Balance Board Training Program for the Prevention of Ankle Sprains.
The American Journal of Sports Medicine, v.32, n.6, p.1385-1393, 2004.
MELHIM, A. F. Aerobic and anaerobic power responses to the practice of taekwondo. Br J Sports Med, v.35, n.4, p.231-
234, 2001.

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P042 - EFEITOS SOBRE A DOR DA CORRENTE


INTERFERENCIAL EM PACIENTES COM DOR LOMBAR
CRÔNICA

Effects on the pain of the interferential current in patients with chronic


low back pain

JHENIFER KARVAT¹; JULIANA SOBRAL ANTUNES¹;


GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI¹.

Palavras-chave: Dor lombar; estimulação elétrica nervosa transcutânea; medição da dor

Introdução
A dor lombar afeta em torno de 80 % dos indivíduos da população mundial, em algum momento de suas vidas (SILVA;
FASSA; VALLE, 2004). As causas mais comuns são condições congênitas, degenerativas, inflamatórias, infecciosas, tumorais e
mecânico-posturais (ANDRADE; ARAÚJO; VILAR, 2005).
As modalidades eletroterapêuticas têm sido bastante utilizadas como tratamento da lombalgia, tendo os objetivos de reduzir a
dor, inflamação, ou restrição tecidual, e aumentar o movimento e força muscular, além de auxiliar a cura por meio de vasodilatação
e neuroestimulação. E umas das formas mais comuns de estimulação elétrica na prática clínica são as correntes interferenciais
(POITRAS; BROSSEAU, 2008). Apesar de serem amplamente utilizadas, as informações com relação a sua eficácia clínica são
discutíveis (FUENTES et al., 2010). Assim, o objetivo do presente estudo foi avaliar os efeitos, sobre a dor, da corrente interfe-
rencial em indivíduos com dor lombar crônica.

Materiais e métodos
O presente estudo caracterizou-se como um ensaio clínico, exploratório e transversal. O grupo amostral foi composto por
10 pacientes, com idade média de 52,9 anos, de ambos os gêneros (8 mulheres e 2 homens), com diagnóstico clínico de lombalgia
crônica. No primeiro momento, foi explicado a cada voluntário sobre as intenções e procedimentos da pesquisa, sendo aceito o
convite, foi assinado o termo de consentimento livre e esclarecido, aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da UNIOESTE,
sob parecer 333/2010 CEP. Posteriormente, os voluntários passaram por uma triagem, avaliados os critérios de inclusão e exclu-
são, sendo os de inclusão: relato de dor lombar persistente há mais de três meses; e diagnóstico clínico de dor lombar específica
ou inespecífica. Os critérios de não inclusão e exclusão foram: história de dor lombar aguda ou subaguda; mais de uma falta; e
realização de qualquer outro método de tratamento fisioterapêutico concomitante. Para a realização da terapia, o voluntário era
posicionado em decúbito ventral, em uma maca, com a região lombar desnuda, os eletrodos eram dispostos longitudinalmente
sobre a coluna lombar, sendo que um eletrodo era posicionado na região de T12 e o outro no local de maior dor na região lombar,
além disso, era adicionado gel hidrossolúvel em cada eletrodo. Sendo assim, os pacientes receberam a Corrente Interferencial
(Ibramed®) na forma bipolar, sendo o atendimento realizado por cinco dias consecutivos. A intensidade foi estabelecida de acordo
com a sensibilidade do paciente. Os voluntários da pesquisa participaram da mesma por três semanas, na primeira semana, rea-
lizaram a triagem e foram submetidos à primeira avaliação (AV1). Após, permaneceram sete dias sem qualquer forma de terapia
(período controle) passaram pela segunda avaliação (AV2), precedendo ao início das terapias.

1. UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL,


PR, BRASIL. e-mail: jhennykarvat@hotmail.com

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Ao final da quinta terapia, foram novamente avaliados (AV3), o que se repetiu em mais dois períodos de seguimento (AV4
e AV5) após 3 e 8 dias, respectivamente, do final da terapia. Para avaliação da dor, foi utilizada a Escala Visual Analógica de Dor
(EVAD),
sendo realizada também antes e após cada sessão da terapia. A análise estatística para a EVAD e as comparações de AV1 até
AV5 foram realizadas utilizando ANOVA medidas repetidas e para a comparação dos tratamentos diários (antes e após a terapia)
foi utilizado teste t pareado. O nível de significância aceito foi de 5%.

Resultados e Discussão
A avaliação da dor pela EVAD, realizada nas cinco avaliações (fig. 1A) não houve diferença significativa, indicando que
o quadro álgico não melhorou ao longo das avaliações. Entretanto, com a EVAD diária (fig. 1B), houve diferença significativa
(p<0,0001), com redução do quadro álgico logo após o tratamento.

Figura 1 – gráficos representativos dos valores obtidos para a EVAD em centímetros. 1A. Mostra as 5 avaliações. 1B.
Avaliações ocorridas antes e depois de cada dia de tratamento. * Diferença significativa ao comparar antes x depois (p<0,0001)

Apesar de controvérsias, a corrente interferencial tem se mostrado útil no tratamento da dor. Firmino e Esteves (2007) em
um estudo sobre os efeitos do interferencial na dor induzida por alongamento dos isquiotibiais, também observaram, com base
no EVAD, que a interferencial foi eficaz na redução da dor. Sendo que, neste estudo a redução do quadro álgico pela EVAD foi
imediatamente após sua aplicação.
Contudo, há limitações do estudo, como o pequeno tamanho da amostra e heterogeneidade da mesma, assim sugere-se para
futuros estudos tamanhos maiores de amostra, não apenas a realização de um período controle, mas, sim um grupo controle e um
grupo placebo, além de maior tempo de seguimento.

Conclusões
O tratamento da lombalgia com corrente interferencial apresentou redução do quadro álgico do pré para o pós-tratamento.

Referências
ANDRADE, S. C.; ARAÚJO, A. G. R; VILAR, M. J. P. “Escola de Coluna”: Revisão histórica e sua aplicação na lombalgia
crônica. Revista Brasileira de Reumatologia, v. 45, n. 4, p. 224-228, 2005
FIRMINO, T., ESTEVES, J. Influência da corrente interferencial na dor induzida pelo alongamento dos músculos isquios-
-tibiais. Revista Portuguesa de Fisioterapia no Desporto, v.1, n. 1, p. 25-31, 2007.
FUENTES, J. P.; ARMIJO OLIVO, S.; MAGEE, D. J.; GROSS, D. P. Effectiveness of interferential current therapy in
the management of musculoskeletal pain: a systematic review and meta-analysis. Physical Therapy, v. 90, n. 9, p. 1219-1238,
2010.
POITRAS, S.; BROSSEAU, L. Evidence-informed management of chronic low back pain with transcutaneous electrical
nerve stimulation, interferential current, electrical muscle stimulation, ultrasound, and thermotherapy. The Spine Journal, v. 8,
n. 1, p. 226-233, 2008.
SILVA, M. C.; FASSA, A. C. G.; VALLE, N .C. J. Dor lombar crônica em uma população adulta do Sul do Brasil: preva-
lência e fatores associados. Caderno de Saúde Pública, v. 20, n. 2, p. 377-385, 2004.

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P043 - EFEITOS SOBRE A FUNÇÃO DA CORRENTE


INTERFERENCIAL EM PACIENTES COM DOR LOMBAR
CRÔNICA

Effects on the function of interferential current in patients with chronic


low back pain.

JHENIFER KARVAT¹; JULIANA SOBRAL ANTUNES¹;


GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI¹.

Palavras-chave: dor lombar; estimulação elétrica nervosa transcutânea; questionário.

Introdução
A dor lombar pode ser altamente incapacitante e é uma das mais importantes causas de absenteísmo. Decorre de fatores
sociodemográficos, comportamentais, exposições ocorridas nas atividades cotidianas, obesidade e morbidades psicológicas (SIL-
VA; FASSA; VALLE, 2004). Além de apresentar causas como: congênitas, degenerativas, inflamatórias, infecciosas, tumorais e
mecânico-posturais (ANDRADE; ARAÚJO; VILAR, 2005).
Existem várias formas para o tratamento de indivíduos com dor lombar crônica e uma delas é a utilização de correntes
terapêuticas, sendo a corrente interferencial umas das mais utilizadas na pratica clinica. Entretanto, poucos estudos dão suporte
para seu uso e as informações com relação a sua eficácia clínica são discutíveis (FUENTES et al., 2010). Assim, o objetivo foi
avaliar os efeitos, sobre a função, da corrente interferencial em indivíduos com dor lombar crônica.

Materiais e métodos
O presente estudo caracterizou-se como um ensaio clínico, exploratório e transversal. O grupo amostral foi composto por
10 pacientes, com idade média de 52,9 anos, de ambos os gêneros, com diagnóstico clínico de lombalgia crônica. No primeiro
momento, foi explicado a cada voluntário sobre as intenções e procedimentos da pesquisa, sendo aceito o convite, foi assinado
o termo de consentimento livre e esclarecido, aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da UNIOESTE, sob parecer 333/2010
CEP. Posteriormente, os voluntários passaram por uma triagem, avaliados os critérios de inclusão e exclusão, sendo os de inclusão:
relato de dor lombar persistente há mais de três meses; e diagnóstico clínico de dor lombar específica ou inespecífica. Os critérios
de não inclusão e exclusão foram: história de dor lombar aguda ou subaguda; mais de uma falta; e realização de qualquer outro
método de tratamento fisioterapêutico concomitante. Para a realização da terapia, o voluntário era posicionado em decúbito ventral,
em uma maca, com a região lombar desnuda, os eletrodos eram dispostos longitudinalmente sobre a coluna lombar, sendo que
um eletrodo era posicionado na região de T12 e o outro no local de maior dor na região lombar, além disso, era adicionado gel
hidrossolúvel em cada eletrodo. Sendo assim, os pacientes receberam a Corrente Interferencial (Ibramed®) na forma bipolar, sendo
o atendimento realizado por cinco dias consecutivos. A intensidade foi estabelecida de acordo com a sensibilidade do paciente. Os
voluntários da pesquisa participaram da mesma por três semanas, na primeira semana, realizaram a triagem e foram submetidos à
primeira avaliação (AV1). Após, permaneceram sete dias sem qualquer forma de terapia (período controle) passaram pela segunda
avaliação (AV2), precedendo ao início das terapias. Ao final da quinta terapia, foram novamente avaliados (AV3), o que se repetiu
em mais dois períodos de seguimento (AV4 e AV5) após 3 e 8 dias, respectivamente, do final da terapia.

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Para avaliar a função, foi utilizado o Índice de Incapacidade de Oswestry Modificado (IIOM) (FAIRBANK; PYNSENT,
2000), que é um questionário composto por 10 questões objetivas em que cada questão possui seis opções de resposta, refletindo
a repercussão da lombalgia nas atividades diárias e sociais do indivíduo. A análise estatística foi realizada pelo teste de Kruskal-
-Wallis, o nível de significância aceito foi de 5%.

Resultados e Discussão
A avaliação da função pelo questionário de Oswestry (fig. 1) realizada nas cinco avaliações, não houve diferença significativa.

Figura 1 - gráfico representativo dos valores obtidos para o Índice de Incapacidade de Oswestry Modificado, durante as
cinco avaliações.

Segundo Roy, de Luca e Casavant (1989), os tecidos não contráteis como, fáscias, discos intervertebrais, passam a ser so-
brecarregados quando os músculos perdem sua eficiência, gerando dor. Sendo importante no tratamento, avaliar não apenas a dor,
mas, também aspectos funcionais dos pacientes. Neste estudo, a avaliação da função foi realizada pelo questionário de Oswestry,
o qual não obteve diferença significativa, diferente do observado por Facci et al. (2011) que obtiveram melhoras funcionais e dor
em indivíduos apenas submetidos à eletroterapia em 10 sessões de 30 minutos cada.
Contudo, há limitação no estudo, como o pequeno tamanho da amostra, assim sugere-se para futuros estudos tamanhos
maiores de amostra, para a realização de um grupo controle e um grupo placebo, além de maior tempo de seguimento.

Conclusões
O tratamento da lombalgia com corrente interferencial, não se mostrou eficaz, em relação à melhora funcional realizada
pelo questionário de Oswestry.

Referências
ANDRADE, S. C.; ARAÚJO, A. G. R; VILAR, M. J. P. “Escola de Coluna”: Revisão histórica e sua aplicação na lombalgia
crônica. Revista Brasileira de Reumatologia, v. 45, n. 4, p. 224-228, 2005
FACCI, L. M.; NOWOTNY, J. P.; TORMEM, F.; TREVISANI, V.F. Effects of transcutaneous electrical nerve stimulation
(TENS) and interferential currents (IFC) in patients with nonspecific chronic low back pain: randomized clinical trial. Sao Paulo
Medical Journal, v. 129, n. 4, p. 206-216, 2011.
FAIRBANK, J. C.; PYNSENT, P. B. The Oswestry Disability Index. Spine, v. 15, n. 25, p. 2940-2952, 2000.
FUENTES, J. P.; ARMIJO OLIVO, S.; MAGEE, D. J.; GROSS, D. P. Effectiveness of interferential current therapy in
the management of musculoskeletal pain: a systematic review and meta-analysis. Physical Therapy, v. 90, n. 9, p. 1219-1238,
2010.
ROY, S . H.; DE LUCA, C. J.; CASAVANT, D. A. Lumbar muscle fatigue and chronic lower back pain. Spine, v. 14, n. 9,
p. 992-1001, 1989.
SILVA, M. C.; FASSA, A. C. G.; VALLE, N. C. J. Dor lombar crônica em uma população adulta do Sul do Brasil: preva-
lência e fatores associados. Caderno de Saúde Pública, v. 20, n. 2, p. 377-385, 2004.

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P044 - EFEITO DO ISOSTRETCHING NO EQUILÍBRIO


CORPORAL DE INDIVÍDUOS SAUDÁVEIS

The effects of isostretching in the body balance in healthy subjects

GIULIA SATIE BROETTO¹; DAIANE LAZZERI DE MEDEIROS1; RICARDO BRANDT²;


JANAÍNA CRISTINA SCALCO1; GISELE TRIVELLATO NAVARRO1;
MARCOS KOITINAKANISHI1; GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI³.

Palavras-chave: equilíbrio corporal, exercícios de alongamento muscular; propriocepção.

Introdução
A boa postura é um dos requisitos que ganha destaque quando o tema é a prevenção, a manutenção ou arecuperação da saúde
e do bem-estar corporal (VIEIRA; SOUZA, 2009). A postura é uma resposta neuromecânica que se relaciona com a manutenção
do equilíbrio (ENOKA, 2000). Do ponto de vista mecânico, o corpo nunca está em uma condição de perfeito equilíbrio, poisas
forças sobre ele são nulas momentaneamente, ou seja, o corpo humano está em constante desequilíbrio, numa busca incessante
por equilíbrio. O controle postural está envolvido por diversos fatores, como o estado de saúde, características antropométricas,
condição física, idade e ambiente, quanto melhor compreender seu funcionamento, maior facilidade em diagnosticar qualquer
alteração postural (DUARTE; FREITAS, 2010). Para prevenir ou tratar tais alterações, o uso de técnicas de alongamento global
está sendo cada vez maisutilizado. Uma dessas técnicas é o isostretching, que prepara e protege a musculatura de uma retração
que possa vir a sofrer por falta de atividade física adequada (BELOUBE et al., 2003). O método do Isostretching pode auxiliar
o tratamento dos desequilíbrios posturais, tem como objetivo promover maior mobilidade articular e tonificar a musculatura,
contribuindo para a melhora da postura, do equilíbrio e, consequentemente, da qualidade de vida, exemplificando um método
sistemático de restituição do equilíbrio (SANGLARD; PEREIRA, 2005). Esta pesquisa tem como objetivo avaliar o efeito de
uma única intervenção de Isostretching sobre o equilíbrio, pelo método SEBT.

Materiais e Métodos
Trata-se de um ensaio clínico aleatório para avaliar o efeito de uma sessão de isostretching em 10 voluntários com idade
entre 20 e 40 anos, de ambos os sexos sem diagnósticos de doenças musculoesqueléticas prévias. Os participantes da pesquisa
foram separados em dois grupos: Isostretching (ISO) e Controle (CTL) de 5pessoas em cada, através de sorteio. O grupo ISO
realizou uma única intervenção de 40 minutos de isostretching. O grupo controle apenas realizou o teste SEBT. O método utilizado
para avaliação foi o Star Excursion Balance Test (SEBT) (OLMSTED et al., 2002). Sendo este um teste de equilíbrio unilateral
e funcional, que integra uma postura única de ummembro inferior, com um alcance máximo do outro membro. Para realizar a
marcação do alcance máximo foi utilizada tintura vermelha na ponta do hálux dos participantes e medidas com uma fita métrica.
O teste foi realizado três vezes em cadamembro, os resultados foram anotados em uma tabela e calculada a média destes. Foram
realizadas quatro avaliações em cada indivíduo: a primeira avaliação um dia antes do isostretching; a segunda antes da sessão e
a terceira imediatamente após a aplicação do isostretching; a quarta avaliação um diaapós a aplicação do isostretching. Todos os
voluntários receberam informações e esclareceram dúvidas sobre a participação do estudo. Posturas utilizadas: Sentado, deitado
e em pé. Para comparar as médias dos grupos, foi utilizada análise de variância (ANOVA), que foi feita de maneira independen-
tepara cada uma das condições experimentais definidas: Um dia antes, antes da aplicação imediatamente após e um dia após.

1. UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL,


PR - BRASIL.
2. UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA, BRASIL
3. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, BRASIL.

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Resultados e Discussão
Analisando todas as direções verificadas através do SEBT, é possível perceber um aumento significativo na distância máxima
em quase todas as avaliações. Quanto ao grupo controle, que não realizou a sessão de isostretching, não existe aumentos significa-
tivos nasavaliações realizadas do SEBT. Apenas percebe-se um discreto aumento na segunda avaliação na direção póstero lateral.
O isostretching é uma técnica relativamente nova no Brasil que vem sendo difundida em escolas e cursos deespecializações,
que busca devolver a capacidade muscular que se apresenta em desequilíbrio através decontração isométrica de abdominais, glúteos,
quadríceps e assoalho pélvico, alongamento muscular, além de umaexpiração lenta e prolongada (MACEDO et al., 2010). Em
nosso estudo avaliamos a alteração do equilíbrio através do SEBT, e este se mostrou um instrumento eficaze de fácil manuseio.
Os resultados de nossa pesquisa apontam para uma melhora no equilíbrio nas avaliações realizadas antes e após a realização de
uma única sessão de isostretching, esse ponto suscitam discussões sobre o benefício desta prática sobre o equilíbrio em indiví-
duos saudáveis. A melhora após o Isostretching se justifica pelo aumento de força muscular, melhora da consciência postural e
mecanismos proprioceptivos (SANGLARD et al, 2007).

Conclusão
Pelos resultados obtidos verificamos que uma única intervenção de isostretching demonstrou ter efeito namelhora equilíbrio
postural em indivíduos saudáveis. Assim, em virtude da frequente aplicação clínica do isostretching, dos poucos subsídios cien-
tíficos para sua fundamentação edos vários mecanismos de ação pressupostos, vê-se a necessidade de novas pesquisas ampliando
o conhecimentona área.

Referências
BELOUBE, D. P.; COSTA, S. E. M.; BARROS, J. E. A.; OLIVEIRA, R. J. D. P. O método isostretching nas disfunções
posturais. Fisioterapia Brasil, v. 4, n. 2, p. 73-5, 2003.
DUARTE, M.; FREITAS, S. M. S. F. Revisão sobre posturografia baseada em plataforma de força para avaliação do equi-
líbrio. Revista Brasileira de Fisioterapia, v. 14, n. 3, p. 183-92, 2010.
ENOKA, R. M. Bases neuromecânicas da cinesiologia. 2º ed. São Paulo: Manole, 2000.
MACEDO, C. S. G.; DEBIAGI, P. C.; ANDRADE, M. A. Efeito do isostretching na resistência muscular de abdominais,
glúteo máximo e extensores de tronco, incapacidade e dor em pacientes com lombalgia. Fisioterapia em Movimento, v. 23, n. 1,
113-120, 2010.
OLMSTED, L. C.; CARCIA, C. R.; HERTEL, J.; SHULTZ, S. J. Efficacy of the star excursion balance tests in detecting
Reach deficits in subjects with chronic ankle instability. Journal of Athletic Training, v. 37, n. 4, p. 501-506, 2002.
SANGLARD, R. C. F.; PEREIRA, J. S. A Influência do Isostretching nas Alterações dos parâmetros da marcha em idosos.
Fisioterapia Brasil, v. 6, n. 4, p. 255-60, 2005.
SANGLARD, R. C. F.; PEREIRA, J. S.; HENRIQUES, G. R. P.; GONCALVES, G. B. A influência do isostretching nas
alterações do equilíbrio em idosos. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v.15, n. 2, p. 63-71, 2007.
VIEIRA, A.; SOUZA, J. L. Boa postura: uma preocupação com a estética, a moral ou a saúde? Revista Movimento, v. 15,
n. 1, p. 145-165, 2009.

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P045 - INFLUÊNCIA DA CRIOTERAPIA NA PREENSÃO


PALMAR DE MULHERES JOVENS SEDENTÁRIAS

Cryotherapy influence on the sedentary young women grip

ANANDA CHISTINA STAATS PIRES¹; ALINE SCHENATTO DOS SANTOS1; ALINE CARNIEL1;
KELLY CRISTINA YANO1; FRANCIELLY SOARES2; DANILO LOPES DA TRINDADE¹;
ANA PAULA FERNANDES PAZ¹; MÁRCIA ROSÂNGELA BUZANELLO¹;
GLADSON RICARDO FLOR BERTOLINI³

Palavras-chave: crioterapia; força muscular; força de mão.

Introdução
Crioterapia é o resfriamento ou diminuição da temperatura dos tecidos com finalidades terapêuticas. Na fisioterapia traumato-
-ortopedica e desportiva é comum a associação de exercícios imediatamente após a aplicação de gelo nas áreas lesionadas, visando
a facilitação da execução dos exercícios (KNIGHT, 2000).
Apesar do crescente uso da crioterapia na prática, justificada pelo baixo custo, segurança, eficácia e de facilidade de acesso,
a literatura que relaciona este recurso com a forca muscular é ainda bastante escassa. Desta forma o objetivo do presente estudo
foi avaliar a influência de uma sessão de 15 minutos de crioterapia na forca de preensão palmar de mulheres jovens sedentárias.

Materiais e métodos
Ensaio clínico de caráter quantitativo. A amostra foi composta por 20 mulheres voluntárias, saudáveis, sedentárias, com
idade entre 18 e 25 anos. Sendo excluídos os participantes que apresentassem doenças do membro superior ou dor associada;
histórico de fraturas; pessoas ambidestras; síndrome de Raynaud ou aversão ao frio.
Foi aplicada crioterapia durante 15 minutos com imersão até o terço médio do antebraço em um recipiente contendo água
e gelo a uma temperatura de 10oC, monitorado por termômetro. Para a mensuração da forca de preensão palmar foi utilizado
o dinamômetro North Coast®, NC 70154, sendo realizadas 3 medidas de 6 segundos, com intervalo de 30 segundos entre elas,
em cada uma das avaliações, sendo considerado o maior valor. As avaliações foram realizadas antes da aplicação de crioterapia,
imediatamente após e 15 minutos depois.
Para realização da pesquisa este foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Humanos da Universidade Estadual
do Oeste do Paraná (UNIOESTE) (CR 017701/2006). A análise dos dados quantitativos foi realizada pelo teste de Friedman (Fr)
para comparação dos resultados das três avaliações. Para análise estatística foi utilizado o programa BioEstat 4.0, com α=0,05.

Resultados e Discussão
A força de preensão palmar medida após 15 minutos de crioterapia foi significativamente maior que a obtida na primeira
avaliação. Na medida realizada imediatamente após a crioterapia houve um aumento da força, porém não significativamente maior
comparado às outras duas avaliações (tabela. 1).

1.UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL, PR, BRASIL; 2.


DOCENTE DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNIOESTE; 3. GRUPO DE PESQUISA EM
REABILITAÇÃO NEURO MÚSCULO ESQUELÉTICA UNIOESTE. E-MAIL:anandastaats@
hotmail.com

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Tabela 1– Valores das médias e desvio-padrão, para a força de preensão palmar, nos diferentes momentos de avaliação.

* Diferença significativa ao comparar com o momento pré-crioterapia.

A relação do resfriamento muscular com o seu desenvolvimento de força ainda é controversa. Coulange et al. (2006) rela-
tam que a aplicação da crioterapia antes da realização de exercícios de força não influência no desempenho muscular. Thornley,
Maxwell e Cheung (2003), analisando a relação entre a temperatura tecidual local e a máxima força isométrica na extensão de
joelho após a crioterapia, concluíram que a diminuição da temperatura tecidual não produziu um efeito significativo na força má-
xima isométrica do quadríceps. Sanya e Bello (1999) ao analisar o efeito da crioterapia na força máxima isométrica do músculo
quadríceps previamente a aplicação do agente frio, imediatamente e 10 minutos após a remoção da modalidade, obteve resultados
revelando que a força isométrica aumentou de maneira significativa, imediatamente e dez minutos após o tratamento compara-
do aos valores basais. Concordando com o presente estudo, no qual a força também apresentou um aumento significativo, no
entanto, a diferença se deu entre a primeira e última avaliação, realizada após 15 minutos da remoção da crioterapia. Em estudo
avaliando fibras isoladas Tucker et al. (2004) observou que o exercício, causando aquecimento central pode levar a fadiga e ao
ser realizado em altas temperaturas acaba produzindo menor potência e atividade eletromiográfica, comparado com o exercício
realizado em baixas temperaturas; sendo explicado como uma resposta antecipatória, para ajustar o recrutamento e potência
muscular para reduzir a produção de calor. Estas considerações podem explicar o fato de num período de reaquecimento haver
maior força muscular do que antes do resfriamento.

Conclusões
Conclui-se neste estudo que a força de preensão palmar aumentou após a aplicação de crioterapia, havendo diferença sig-
nificativa entre os valores pré-aplicação e 15 minutos após sua remoção.

Referências
KNIGHT, K. L. Crioterapia no tratamento das lesões esportivas. Barueri: Manole, 2000.
COULANGE, M.; HUG, F.; KIPSON, N.; ROBINET, C.; DESRUELLE, A. V.; MELIN, B.; JIMENEZ, C.; GALLAND,
F.; JAMMES, Y. Consequences of prolonged total body immersion in cold water on muscle performance and EMG activity .
Pflugers Arch. v. 452, n. 1, p. 91-101, 2006.
THORNLEY, L. J.; MAXWELL, N. S.; CHEUNG, S. S. Local tissue temperature effects on peak torque and muscular
endurance during isometric knee extension. Eur J Appl Physiol. v. 90, n. 5-6, p. 588- 594, 2003.
SANYA, A. O.; BELLO, A. O. Effects of cold application on isometric strength and endurance of quadriceps femoris muscle.
Afr J Med Med Sci. v. 28, n. 3-4, p. 195-8, 1999.
TUCKER, R.; RAUCH, L.; HARLEY, Y. X.; NOAKES, T. D. Impaired exercise performance in the heat is associated with
an anticipatory reduction in skeletal muscle recruitment. Pflugers Arch. v. 448, n. 4, p. 422- 430, 2004.

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P046 - ANÁLISE DOS PACIENTES INFECTADOS POR


BACTÉRIAS MULTIRRESISTENTES, NOTIFICADOS EM UM
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO NO PARANÁ, BRASIL, NO ANO
DE 2011.

Analysis of patients infected with multidrug-resistant bacteria reported


in a university hospital in Paraná, Brazil, in 2011.

MARIA CLARA CALABRESI¹; JULIANA HERING GENSKE¹; RODRIGO DANIEL GENSKE¹;


PAULA CAROLINE DOS SANTOS¹.

Palavras-chave: bactérias; infecção hospitalar; programa de controle de infecção hospitalar.

Introdução
A infecção vem sendo apontada como um dos mais importantes ris¬cos aos pacientes hospitalizados, justificando a inclu¬são
dos índices de infecção hospitalar como um dos indicadores de qualidade da assistência à saúde (ANDRADE, LEOPOLDO, HAAS;
2006). Para conter a disseminação dos microrganismos multirresistentes, os hospitais têm implementado ações de vigilância que,
em geral, são baseadas na adoção de práticas de isolamento e precauções de contato pela equipe de saúde (SANTOS et al, 2010).
Conforme a RESOLUÇÃO SESA Nº 0674/2010, de 08 de novembro de 2010, os pacientes com infecção por bactérias multiresis-
tentes (BMR) passaram a ser notificados no Estado do Paraná, Brasil. Com isto, o presente estudo teve como objetivo, levantar e
analisar os dados obtidos em prontuários, dos pacientes notificados com infecção por BMR, em um hospital universitário do Paraná,
no ano de 2011 e, assim, conhecer melhor as principais causas de infecção, podendo auxiliar em medidas preventivas futuras.

Materiais e métodos
Trata-se de um estudo transversal, retrospectivo, de caráter quantitativo. Para levantamento dos dados, foram analisadas
inicialmente todas as fichas de notificação por bactérias multirresistentes, da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH)
do referido hospital, entre janeiro a dezembro de 2011, a fim de selecionar a amostra deste estudo e facilitar a busca pelos seus
respectivos prontuários. A amostra foi caracterizada por 28 pacientes e, após identificados os mesmos, realizou-se a análise e a
coleta de dados nos prontuários destes, que foram analisados através de estatística descritiva através do software Microsoft Office
Excel®. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Estadual do Oeste do
Paraná (Parecer 389/2011).

Resultados e Discussão
No presente estudo, observou-se que 16 pacientes (47%) foram infectados por Pseudomonas aeruginosa, 16 (47%) por
Acinetobacter sp., 1 (3%) por Enterococcus faecalis, 1 (3%) por Staphylococcus aureus. As principais possíveis causas de infecção
foram o trato respiratório, com 15 pacientes (44%), seguido de infecção no trato urinário, com 7 pacientes (20%).
O principal local de infecção é o trato respiratório, pois muitos pacientes são admitidos com insuficiência respiratória
aguda evoluindo para o uso de ventilação mecânica, permanecendo acamados por longos períodos e favorecendo ao acúmulo de

1. UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, CASCAVEL,


PR, BRASIL.
e-mail: juliana.hering@terra.com.br

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secreções nas vias aéreas (PADRÃO et al, 2010), comprovando o resultado da pesquisa realizada.
Da amostra deste estudo, 26 pacientes (93%) estiveram internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e utilizaram
ventilação mecânica (VM) durante a internação. Pacientes críticos internados em UTI estão mais sujeitos a adquirirem infecções
hospitalares em comparação com as demais unidades (ANDRADE, LEOPOLDO, HAAS; 2006). Todos os pacientes notificados
pela CCIH tiveram culturas realizadas para a confirmação da bactéria e seu local propriamente dito.
Com relação ao número total de pacientes internados no hospital do referido estudo no ano de 2011, foram registrados 11.776
pacientes, valor cedido pelo setor administrativo do local da pesquisa. Sendo assim, o índice de infecção por BMR no ano de
2011 foi de 0,23%. Não há um índice aceitável de bactérias multirresistentes em hospitais, pois o índice ideal seria 0%. No Brasil
é aceitável um índice de 15,5% e no estado do Paraná de 9%, não havendo estudos atualizados com esses valores (FERNANDES,
2000). A presente pesquisa contradiz essa afirmação, apresentando um índice de 0,23%, extremamente baixo.
Observou-se através destes dados, que há falhas no sistema de notificações, pois o índice de infecções hospitalares por
bactérias multirresistentes foi muito menor que o encontrado na literatura.
Um estudo comparando a busca ativa de casos e as notificações de infecções por bactérias multirresistentes em um hospital,
concluiu que a busca ativa de casos resultou em um número maior de pacientes infectados, quando comparados ao grupo estuda-
do por notificações (CHOR, KLEIN, MARZOCHI; 1990). O estudo dos autores demonstrou que há falhas, sendo mais eficaz e
eficiente o método de busca ativa dos casos, visando a prevenção e o controle das infecções hospitalares.

Conclusões
As bactérias Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter sp., Staphylococcus aureus e Enterococcus faecalis foram as mais
frequentes causas de infecção hospitalar, tendo internação em UTI e uso de VM como principais fatores predisponentes. O trato
respiratório foi o mais frequentemente acometido com infecção por BMR. Porém, o uso do sistema de notificação como meto-
dologia de triagem dos pacientes deste estudo não se mostrou um método eficaz, sugerindo falhas no processo de notificação.

Referências
ANDRADE, Denise de; LEOPOLDO, Vanessa Cristina; HAAS, Vanderlei José. Ocorrência de bactérias multiresistentes
em um centro de Terapia Intensiva de Hospital brasileiro de emergências. Revista brasileira de terapia intensiva, São Paulo , v.
18, n. 1, Mar. 2006 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-507X2006000100006&ln
g=en&nrm=iso>. Acesso em: 10 jan. 2012.
CHOR, Dora; KLEIN, Carlos Henrique; MARZOCHI, Keyla Belizia Feldman. Infecção hospitalar: comparação entre dois
métodos de vigilância epidemiológica. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro , v. 6, n. 2, p. 201-217, Junho 1990 . Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1990000200008&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 07 fev.
2012.
FERNANDES, Antonio Tadeu. Infecção Hospitalar e suas Interfaces na Área da Saúde. 1ª ed. São Paulo: Atheneu, 2000.
PADRÃO, Manuella da Cruz et al. Prevalência de infecções hospitalares em unidade de terapia intensiva. Revista Brasileira
de Clínica Médica, v. 08, n. 02, p. 125-128, 2010. Disponível em: <http://files.bvs.br/upload/S/1679-1010/2010/v8n2/a007.pdf>.
Acesso em: 12 fev. 2012.
SANTOS, Helen Geremias dos; et al. Multirresistência bacteriana: a vivência de pacientes internados em hospital-escola
do município de Londrina – Pr. Ciência, Cuidado e Saúde, Maringá, v. 09, n. 01, p. 74-80, Jan.-Mar. 2010. Disponível
em: <http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/CiencCuidSaude/article/view/7178/5827> . Acesso em 12 fev. 2012.

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P047 - ANÁLISE DA SOBRECARGA EM CUIDADORES DE


PACIENTES HOSPITALIZADOS DURANTE O PERÍODO DE
INTERNAÇÃO.

Analysis of the burden on caregivers of patients hospitalized during the


period of hospitalization.

PAULA CAROLINE DOS SANTOS¹; JULIANA HERING GENSKE¹;


RODRIGO DANIEL GENSKE1;.

Palavras-chave: assistência hospitalar; cuidadores; qualidade de vida.

Introdução
A equipe profissional que acompanha o doente durante o internamento remete ao cuidador uma posição mais à margem dos
acontecimentos, sendo ele, percebido como recurso em benefício do indivíduo e não como um alvo de atenção da equipe de saúde.
O cuidador é o indivíduo que ajuda no processo do cuidar, sendo esquecido como necessitante de auxílio e apoio (AUGUSTO,
SILVA, VENTURA; 2009). Considerando que o cuidador é quem assume a responsabilidade do cuidado, e que a existência de
significativos conflitos de natureza ética e social durante o internamento o afetam diretamente aumentando ainda mais seu estresse,
sua sobrecarga física e emocional prejudicam sua qualidade de vida (SANTO et al, 2011). O cuidador de pacientes internados é
uma pessoa sobrecarregada do ponto de vista físico e mental durante o período de internamento. O estresse crônico relacionado
a essa experiência pode alterar sua saúde. É importante para a equipe de saúde conhecer este personagem a fim de auxiliá-lo.
Assim, o objetivo do presente estudo foi analisar o nível de sobrecarga do cuidador de pacientes internados.

Materiais e Métodos
Este estudo foi de caráter descritivo, quantitativo e de corte transversal, realizado em um Hospital Universitário. A amostra
foi composta por 33 cuidadores acompanhantes dos pacientes internados no hospital onde a pesquisa foi realizada, entre novembro
de 2012 e janeiro de 2013, cujos pacientes estavam hospitalizados por mais de 7 dias. Constituíram-se como critérios de inclusão:
ser familiar ou responsável com idade maior ou igual a 18 anos e que permanecia como cuidador durante o maior período de
internamento. Para avaliar a sobrecarga dos cuidadores foi utilizada como instrumento de coleta de dados, a versão brasileira da
escala Burden Interview (SCAZUFCA, 2002). Os dados foram submetidos à análise estatística, através de estatística descritiva,
teste estatístico de correlação de Person para analisar a associação entre variáveis, e teste T de Student para determinar o nível
de sobrecarga dos cuidadores dentro do ambiente hospitalar, com p=0,005%. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa da com Seres Humanos da Universidade Estadual do Oeste do Paraná através do protocolo 144.774.

Resultados e Discussão
Os resultados do questionário foram uma média de 24.51 ± 9.37 pontos, sendo a pontuação mínima 9 e máxima 47, para
o total de 88 pontos permitidos pelo questionário. Estes resultados demonstram que a amostra apresentou leve estresse durante o
período de internamento de seu ente.
Pela investigação das dificuldades vivenciadas pelos cuidadores familiares, os avaliados afirmam que mesmo com a mudança

1. UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ,


CASCAVEL, PR, BRASIL.
e-mail: juliana.hering@terra.com.br

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no cotidiano pelas atividades diárias interrompidas, pelo tempo dispensado para o cuidado e pelo campo financeiro, eles se sentem
satisfeitos em cuidar do seu “paciente” e o afeto entre ambos é notado pela ausência de sentimentos de raiva e ofensa durante
o cuidado (RIBEIRO, SOUZA; 2010). Assim, pode-se crer que os participantes desta pesquisa exerciam o cuidado de maneira
respeitosa e amorosa para com o doente. Ao contrário (MONTEFUSCO et al, 2011), por análise qualitativa, os acompanhantes
vivenciaram tensão no papel de cuidador, relacionada a fatores multidimensionais como: comprometimento do descanso e repouso,
aliado a uma suspensão ou adiamento de projetos pessoais, evidenciando alterações fisiológicas e emocionais.
Devido os resultados não significativos neste estudo, optou-se em correlacionar outras variáveis, como: idade do cuidador,
sexo, dias de internamento e dependência do paciente para avaliar uma possível associação com o nível de estresse dos cuidadores.
As únicas variáveis que apresentaram correlação significativa foram o grau de dependência do paciente e o valor total do ques-
tionário, sendo o índice de correlação (-0.5035) e p=0.0028, de que quanto maior a dependência menor o total do questionário.
Não foram encontrados dados na literatura sobre o nível de dependência dos pacientes e sua relação com o estresse em
cuidadores durante o período de internamento. O resultado desse estudo apontou que quanto maior a dependência do paciente,
menor o estresse do cuidador, o que pode ser explicado pelo papel secundário assumido pelo cuidador durante o período de
internamento na unidade onde foi realizada esta pesquisa. A internação domiciliar representa mais responsabilidade, privação e
sobrecarga, decorrentes, muitas vezes, da falta de apoio social. Em contrapartida, os autores falam que a internação hospitalar,
para o cuidador, possibilita mais liberdade, pois ele pode conciliar as visitas ao doente no hospital com suas atividades rotinei-
ras, não se sentindo tão responsável pelos cuidados, como no caso do cuidado no domicílio. Além de que, o ambiente hospitalar
representa uma atmosfera de cura, pelos tratamentos curativos ofertados proporcionando esperança (OLIVEIRA et al, 2012).

Conclusões
No presente estudo foi encontrado nível baixo de sobrecarga no cuidador do paciente hospitalizado durante o período de
internamento, o que pode ser explicado pelo fato do cuidador assumir um papel secundário ao cuidado dentro do ambiente hospitalar.

Referências
AUGUSTO, Fernanda Maria Fávere; SILVA Ivanete Pereira da; VENTURA, Maurício de Miranda. Filhos cuidadores:
escolha, mudanças e desafios. Revista Kairós Gerontologia, São Paulo, v.12 (2), novembro 2009: 103-18.
MONTEFUSCO, Selma Rodrigues et al. Tensão do papel de cuidador: ocorrência em familiares de pessoas com doenças
crônicas hospitalizadas. Ciência, Cuidado e Saúde, Maringá, v.10 (4), 2011: 828-835.
OLIVEIRA, Stefanie Griebeler et al . Internação domiciliar e internação hospitalar: semelhanças e diferenças no olhar do
cuidador familiar. Texto contexto - enferm., Florianópolis , v. 21, n. 3, set. 2012 .
RIBEIRO, Aline F.; SOUZA, Célia A. O cuidador familiar de doentes com câncer. Arquivos de Ciências da Saúde, São José
do Rio Preto, v.17(1), jan-mar 2010: 22-6.
SANTO, Elizete Aparecida Rubira do Espírito et al. Cuidando da criança com câncer: avaliação da sobrecarga e qualidade
de vida dos cuidadores. Revista Latino-Americana de Enfermagem, São Paulo, v.19 (3):[09 telas], maio-junho 2011. Disponível
em: <http://www.scielo.br/pdf/rlae/v19n3/pt_10.pdf>. Acesso em: 02 fev. 2013.
SCAZUFCA, Marcia. Brazilian version of the Burden Interview scale for the assessment of burden of care in carers of
people with mental illnesses. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo , v. 24, n. 1, mar. 2002: 12-7.

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