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UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE (CCBS) CIÊNCIAS BIOLÓGICAS EYMAEL SILVA

UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE (CCBS) CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

BIOLÓGICAS E DA SAÚDE (CCBS) CIÊNCIAS BIOLÓGICAS EYMAEL SILVA DE SOUZA JULIANA ALMEIDA MENEQUINI DA MAGIA

EYMAEL SILVA DE SOUZA JULIANA ALMEIDA MENEQUINI

DA MAGIA PARA A BIOLOGIA POSSIBILIDADES DA SÉRIE HARRY POTTER PARA O ENSINO DE GENÉTICA

São Paulo

2011

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EYMAEL SILVA DE SOUZA JULIANA ALMEIDA MENEQUINI

DA MAGIA PARA A BIOLOGIA POSSIBILIDADES DA SÉRIE HARRY POTTER PARA O ENSINO DE GENÉTICA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Presbiteriana Mackenzie como requisito parcial à obtenção do grau de Licenciado em Ciências Biológicas.

ORIENTADORA: Prof a . Dr a . Ana Paula Pimentel Costa

São Paulo

2011

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Agradecimentos

Agradecemos primeiramente a Deus, pela força em nós depositada, as oportunidades a nós ofertadas, pelas portas abertas e desafios que superamos. Sem Ele não somos nada.

À Universidade Presbiteriana Mackenzie, ao Centro de Ciências Biológicas

e da Saúde e à direção do curso de Ciências Biológicas pela oportunidade e suporte oferecido e pelo incentivo ao nosso aprimoramento, como futuros

educadores. Aos professores do Curso de Ciências Biológicas e, em especial, à equipe de Licenciatura, em nome dos professores Adriano Monteiro de Castro, Rosana dos Santos Jordão e Magda Medhat Pechliye, pelo empenho, persistência e perseverança dedicados. À nossa professora orientadora Ana Paula Pimentel Costa, por aceitar participar dessa viagem fantástica, pela excelente orientação oferecida, pelos conselhos produtivos e por acreditar em nós e em nosso potencial e criatividade. Aos nossos amigos e familiares, pelo apoio que tem nos dado, pela força que nos tem prestado e pela confiança em nós depositada. Nossa base e nossa riqueza.

A todos os professores que, ao longo de nossa formação básica, estiveram

sempre conosco, nos estimulando a aprender, nos auxiliando a construir conhecimentos, nos apoiando e nos incentivando a sempre buscar o melhor em

nós mesmos e a lutar pelos nossos ideais.

E especialmente a J. K. Rowling, por nos oferecer a chance de compartilhar

um mundo tão mágico e fascinante durante nossa infância e adolescência, por nos mostrar que sonhos podem ser palpáveis, por despertar em nós (e em toda uma geração) o gosto pela leitura e por nos mostrar valores importantes e que faltam hoje em dia pelos quais realmente se vale a pena lutar. Essa foi, de verdade, a verdadeira Magia de Harry Potter!

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Perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes.

Carlos Drummond de Andrade

É fazendo que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer.

Aristóteles

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Resumo

O Ensino de Genética possui algumas dificuldades inerentes, dentre elas o nível de abstração exigido, a linguagem difícil e a distância entre o que se aprende na escola e a aplicação na vida real. Neste contexto, este trabalho apresenta: uma proposta para o Ensino de Genética que considere a possibilidade de uso de uma das séries literárias de maior destaque entre o público escolar do ensino Médio de forma a gerar interesse nos alunos para o Ensino de Genética. Para isto foi utilizada a série Harry Potter, escrita por J. K. Rowling; que se tornou uma febre mundial em diversas faixas etárias, principalmente entre crianças e adolescentes. Várias propostas de roteiros de atividades são apresentadas. Isto permite que professores do ensino básico venham a conhecer essa alternativa, e possam adaptá-la de acordo com as necessidades, demandas e peculiaridades de suas classes. Não se visa que esta proposta tenha por objetivo apenas propor o ensino da Genética da série Harry Potter per si, mas fornecer uma ferramenta que possibilite a analogia com conceitos biológicos e maximize o processo de construção de conhecimentos da área de Genética de uma forma mais significativa para o educando.

Palavras-chave: Ensino de Genética. Harry Potter. Literatura. Hereditariedade. Proposta de roteiro.

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Abstract

Education involving Genetics has some inherent difficulties as the degree of abstraction, a complex vocabulary and the gap from “what you learn in school” to the real life. In this context, the aim of this work was a proposal for Teaching Genetics using a series of books, the Harry Potter series. Harry Potter books are written by J. K. Rowling, and became a global fever, especially among children and adolescents. So, we used the Harry Potter series as a hook to introduce and discuss genetic concepts to high school students. Various activities guides were proposed. They allow school teachers to adapt each of them according their needs, demands and their classes‟ peculiarities. We not intended with this proposal teaching the Genetics of the Harry Potter, but using it to do analogies with biological concepts and for maximizing the process of building the knowledge of genetics reaching a more significant level for the student.

Keywords:

Teaching Genetics. Harry Potter. Literature. Heredity.

Proposal

for

a screenplay.

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Sumário

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2. REFERENCIAL TEÓRICO 11

1. INTRODUÇÃO

3. METODOLOGIA

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4. RESULTADOS

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4.1. Coleta de Dados

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4.1.1. O início de tudo: O mundo bruxo

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4.1.2. O Status do Sangue

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4.1.3. Um padrinho presidiário e uma tia inconveniente

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4.1.4. Bruxos em todo o mundo e variedades mágicas

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4.1.5. A mui antiga e nobre casa dos Black 31

4.1.6. Os Mestiços: Gaunt e Snape

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4.1.7. Magia é Poder

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4.2. Heredogramas

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4.3. Ações Propostas

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4.3.1. Levantando os conhecimentos prévios

com magia!

43

4.3.2. O Feitiço da Família no Papel: Construir Heredogramas

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4.3.3. Um caldeirão com dois ingredientes

44

4.3.4. Dois indivíduos iguais, sem Poção Polissuco

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4.3.5. Ser bruxo é como não poder tomar leite

46

4.3.6. Ser bruxo e falar com as cobras é como ter seis

dedos

47

4.3.7.

Fugindo de Azkaban: as exceções à regra

47

4.3.8.

O Enigma do gene dominante e recessivo 48

5. ANÁLISE

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6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

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7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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8. APÊNDICE 65

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1. Introdução

Diversos autores vêm escrevendo nos últimos anos sobre o sucesso que a coleção de livros da autora britânica Joanne Kathleen Rowling tem tido ao redor do mundo. Harry Potter passou de uma série juvenil para um dos maiores fenômenos literários da História em aproximadamente uma década; seu destaque transpôs as páginas dos sete livros e chegou às telas de cinema com a produção de oito filmes, além de inúmeros outros produtos, sites e livros. O sucesso de Harry Potter, segundo Blake (2002) se deve a uma série de fatores, dentre eles o fato das histórias serem coerentes, bem montadas e atrativas; permitindo que tanto os novos leitores se identifiquem na obra, quanto aos tradicionais leitores retomarem velhos clássicos pelos pontos de intertextualidade resgatados por Rowling. São poucos os jovens e crianças hoje em dia que não tenham tido um mínimo contato com a história do pequeno órfão com uma cicatriz em forma de raio na testa, que ao descobrir que é bruxo, passa a conhecer um mundo fantástico e mágico, ao qual pertence, um mundo onde as aventuras se mesclam a uma realidade quase palpável. Toda uma geração cresceu acompanhando a publicação das histórias, o desenvolvimento de personagens que enfrentavam os desafios da adolescência e cursavam a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Essa foi a referência de muitos jovens ao ler Harry Potter: valores de amizade, esforço, justiça e igualdade são algumas das razões que mobilizam o desenvolvimento desta pesquisa. Mas a maior Magia de Harry Potter e porque não dizer de Rowling? - na verdade foi abrir os olhos de toda uma geração de crianças e jovens para o gosto pela leitura e o desejo de aprender cada vez mais (BLAKE, 2002). E estas foram experiências pelas quais passaram os dois autores que redigem este texto. Ao longo de todo processo de formação básica foi marcante e notório para ambos os autores o fato de que muitas aulas chegavam quase a ser uma prisão nas masmorras, perseguição por balaços ou afronta a dragões maiores do que os do fantástico mundo da Magia: pelos conteúdos não fazerem sentido, pela

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descontextualização das aulas, pela crença de que os alunos fossem indivíduos sem vontade e sem interesse, como esponjas as quais fosse dado conhecimento a se absorver. O ensino em diversos momentos se convertia mais em um processo de tortura do que uma experiência de formação. Durante o curso de Licenciatura ficou evidente também, após o estudo dos atuais autores sobre a Educação, que um ensino tradicional, que preze pela memorização mecânica de conceitos tem por finalidade apenas domesticar os alunos, fazê-los acríticos, torná-los iguais e competitivos para uma sociedade em que as desigualdades só tendem a aumentar tendo o consumismo e o materialismo como valores dominantes. Frente a isso, se fazem necessárias novas propostas, novas maneiras de pensar e novas maneiras de agir em sala de aula. Sendo a escola um âmbito de formação, é nele que as mudanças devem se iniciar para que a sociedade possa mudar. Neste contexto, este trabalho visa contribuir em parte com essa mudança, pelo Ensino de Genética: um ensino que faça sentido para o aluno, que seja atrativo para ele e que mostre que é possível entender o mundo real pela compreensão da ficção. E é para isso que o trabalho está voltado: uma proposta para o Ensino de Genética que considere a possibilidade de uso de uma das séries literárias de maior destaque entre o público escolar do ensino Médio. Este trabalho encontra-se estruturado em quatro momentos:

Um Referencial Teórico, em que serão discutidas as questões pedagógicas que fundamentam esta pesquisa, afinal para entender uma proposta, faz-se necessário que se situe a mesma em uma concepção de Educação e em uma concepção de Escola, as quais devem estar voltadas para outros valores e finalidades do que aqueles tradicionalmente definidos. Entendendo o caráter e os fundamentos nos quais se baseiam a visão deste trabalho segue-se uma parcela de discussão sobre a atual situação do Ensino de Genética: quais são os atuais problemas, o que tem sido feito, quais são as possíveis soluções apontadas e como é possível contribuir para a melhoria. Segue-se, após esta fundamentação teórica, um relato dos procedimentos metodológicos adotados para responder a pergunta de pesquisa: Qual a

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possibilidade de se utilizar a série Harry Potter para ensinar Genética? Neste momento irá se encontrar descrito como foi feita a leitura dos livros com um novo olhar, como os dados foram coletados e de que maneira foram utilizados. O processo de confecção e elaboração deste trabalho também estão elucidados nesta parte. Na seguinte divisão, os dados coletados encontram-se organizados e enumerados, de acordo com os livros, em forma de resumos de cada livro e quadros que apresentam aspectos relativos a genética encontrados em cada livro. Nos Resultados estão também apresentados as ações propostas e os heredogramas montados a partir dos dados coletados nos livros. E, com base nos referenciais adotados, os resultados serão discutidos na Análise, de forma a se ter uma ideia sobre a validade e a viabilidade de se utilizar os livros de J. K. Rowling para o Ensino de Genética. Logo na sequência estão registradas as considerações finais que os autores assumem frente ao desenvolvimento de todo o trabalho. Deste modo o objetivo geral deste trabalho é:

Identificar possibilidades na série Harry Potter para a proposição de situações em sala de aula que visem à resolução de problemas de Genética. São objetivos específicos:o trabalho. Deste modo o objetivo geral deste trabalho é: Analisar a série Harry Potter como

Analisar a série Harry Potter como recurso gerador de interesse para o Ensino de Genética.de problemas de Genética. São objetivos específicos: Refletir sobre as dificuldades do Ensino de Genética e

Refletir sobre as dificuldades do Ensino de Genética e propor um possível recurso alternativo para sua melhoria.São objetivos específicos: Analisar a série Harry Potter como recurso gerador de interesse para o Ensino

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2. Referencial Teórico

A escola é uma construção histórica e está inserida em um contexto social que influencia fortemente a sua constituição. Dentro desta lógica, a escola possui um papel social, que ao longo dos últimos anos, vem sendo caracterizado como um espaço que visa ensinar práticas de submissão aos seus educandos, com a finalidade de prepará-los para a vida em sociedade; ao invés de entender a escola como parte da vida do aluno (FREITAS, 2004). Freire (1996), reconhecendo esta ideia, propõe que haja uma mudança na lógica da escola, pois todo indivíduo tem direito à liberdade, e esta deve ser o objetivo norteador, fundamentado no pensamento crítico; já que a partir da liberdade se constrói o senso de autonomia, e este é pré-requisito para a formação da responsabilidade. O indivíduo autônomo tem base para discutir e entender as questões relacionadas ao seu cotidiano e a sociedade em que está inserido. Desta forma o indivíduo consegue perceber como os interesses humanos são sobrepostos pelos interesses dominantes; em que a intenção da Educação é ser transmissora de informações e ideologias estabelecidas (FREIRE, 1996). Frente a esta lógica de Educação, a escola atual vem sendo contestada por muitos pesquisadores, que vêem na perspectiva tradicional um entrave para a aprendizagem. Um possível recurso para mudar este status quo seria a fundamentação do trabalho em um referencial construtivista, em que se valorize a forma como o aluno aprende e não tanto no método utilizado pelo professor. A socialização em grupo e o trabalho em equipe são bases fundamentais para esta nova abordagem, pautada em uma nova seleção de conteúdos, que leve em conta a realidade do aluno e nos aspectos que motivam a sua aprendizagem (SOLÉ, COLL, 1998). Para Solé e Coll (1998) a provocação de dúvidas tem papel importante no processo de ensino-aprendizagem, pois implica numa alteração dos esquemas de conhecimentos próprios, e através destes rearranjos, é possível que os alunos

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construam o seu próprio conhecimento. A partir desta perspectiva, o docente ganha novo papel em sala de aula: o de mediador do processo de Ensino- Aprendizagem. Segundo Mauri (1998) esta aprendizagem do aluno está intimamente relacionada com a elaboração de representações pessoais sobre o conteúdo, e isto não ocorre em uma mente vazia de ideias, mas sim com os conhecimentos prévios que os alunos já possuem e que serão utilizados para enganchar, modular e construir novos conceitos, afim de que estes passem a ter significado e o professor possa ter, então, participação nesta construção. Os alunos passam a ter um papel ativo na construção do conhecimento, pois são levados a estabelecer relações entre vários objetos, ver semelhanças e diferenças e assim nomeá-los. Portanto, o conhecimento é uma construção pessoal e que, desta forma, necessita que a sua criação seja constantemente incentivada, independente da disciplina escolar (MAURI, 1998). Para o Ensino de Biologia propriamente dito, uma área que merece destaque é a Genética. O estudo e a compreensão dos conteúdos da Genética pelos estudantes se fazem necessárias, uma vez que a atual sociedade se encontra frente às inovações científicas e desenvolvimentos tecnológicos, que demandam a compreensão de alguns conceitos básicos para que os educandos desenvolvam uma visão crítica frente ao mundo e a sociedade (GOLDBACH, ET AL, 2009). Partilhando desta importância, diversos autores têm relatado as dificuldades e os fracassos do ensino de Genética para o Ensino Básico, devido o alto grau de abstração envolvido, pela complexidade dos conceitos estruturantes, pela descontextualização dos conteúdos apresentados, pela quantidade de termos específicos da área e pela fragmentação dos currículos e dos livros didáticos (GOLDBACH, ET AL, 2009; CAMARGO, INFANTE-MALAQUIAS, 2007; SALIM, ET AL, 2007). Há também a questão de que boa parte dos conteúdos de Genética são mal compreendidos por não estabelecerem uma clara relação entre o

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conhecimento popular e o conhecimento científico, que poderiam ajudar ao aluno a relacionar suas concepções com os novos conteúdos (ABRIL, ET. AL, 2002). Para Goldbach e Macedo (2007) essa abordagem pouco integrada e fragmentária incorre em uma visão reducionista, determinística e simplificada de Genética, acarretando nos alunos, por exemplo, a concepção de que toda herança genética é determinada por apenas um par de alelos e que estas são imutáveis e independem de outros fatores. Estas dificuldades implicam na busca por novas estratégias de ensino, que promovam uma aprendizagem correta e significativa para o educando; dada esta necessidade, são possíveis alternativas o uso de práticas inovadoras e recursos pedagógicos diferenciados, que respeitem o perfil do aluno (GOLDBACH, ET AL,

2009).

Dessa forma, novos assuntos, novos tópicos e novas abordagens, que considerem os conhecimentos prévios dos alunos e seus interesses, podem contribuir para um Ensino de Genética mais interessante, contextualizado e mais próximo, como elucida Camargo e Infante-Malaquias (2007). Capelli e Nascimento (2008) sugerem que os professores tenham planos de atividades pautadas na produção autoral do aluno, que auxiliam os estudantes na auto-organização e na valorização de seu próprio trabalho; esta é uma alternativa para a ação docente no ensino de Genética, uma vez que tais planos orientam o professor em seus objetivos e lhe dão ideias de como nortear seu trabalho em sala de aula, adaptando e trabalhando conforme as necessidades encontradas em cada grupo. Contudo, a compreensão do conteúdo pelo professor também é fundamental, pois uma vez que ele é o mediador que irá trabalhar e discutir com os estudantes, este deve conhecer os conceitos de Genética para que consiga construí-los com propriedade junto a seus alunos, de maneira estimulante e contextualizada sem incorrer em erros conceituais (OLIVEIRA, SILVEIRA, 2010). Uma possível perspectiva para o avanço no Ensino de Genética, e também para as Ciências, é a proposição de problemas em sala de aula. Esta estratégia já vem sendo utilizada para o ensino de Genética atual, mas de uma maneira que

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visa somente a busca por respostas preparadas e decoradas, como discutem Goldbach e Macedo (2007). Problemas reais são aqueles em que há situações instigantes que envolvem os estudantes e que implicam na organização e reorganização do conhecimento do aluno para que se atinja uma solução; os problemas devem exigir a compreensão da tarefa, a elaboração de um plano que alcance a meta explicitada e a execução deste plano para encontrar uma resposta que sane a situação-problema apresentada (POZO, ECHEVERRÍA, 1998). Normalmente em sala de aula, os alunos não se deparam com problemas que sintam a necessidade de resolver, vendo-os apenas como exercícios que são impostos e que devem ser cumpridos (POZO, CRESPO, 1998). Um problema verdadeiro é aquele que possui uma resolução pautada em estratégias, em contraponto ao problema falso, que possui uma solução obtida de maneira repetitiva e tecnicista; em Genética, conceitos podem ser mal compreendidos dentro desta visão transmissiva de conhecimento (CAMPOS, NIGRO, 1999; CAMARGO, INFANTE-MALAQUIAS, 2007). O efetivo uso de problemas em sala de aula proporciona uma maior abrangência para aprendizagem, e para isso demanda-se a mobilização dos alunos para que possam buscar a resolução do problema e contem com o tempo necessário para tanto (POZO, ECHEVERRÍA, 1998). A atenção do aluno converte-se então em um recurso que viabiliza o posicionamento deste como sujeito ativo na sua construção de conhecimentos. Esta atenção pode ser obtida quando o professor se utiliza de ferramentas diferenciadas para a proposição dos problemas, ferramentas estas que incluam o que o aluno já conheça e se sinta preparado para lidar, de forma que este se empenhe na busca por respostas e sinta prazer enquanto o faz (RAMALHO , ET. AL, 2006). A realização de atividades diferentes, dinâmicas e lúdicas também instiga os alunos a uma participação mais efetiva e uma relação mais íntima com os conteúdos escolares, gerando melhores resultados e facilitando o aprendizado (WASKO, ET. AL, 2007).

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Maestrelli e Ferrari (2006) abordam o uso de analogias para o ensino de Genética, elucidando como modelos que transponham situações análogas podem atuar para uma melhor compreensão da situação apresentada, desde que o professor deixe claro o uso da analogia para não incorrer em erro. Pensando-se na questão do interesse e do uso de analogias, a série Harry Potter poderia ser um ponto de partida para a melhoria do ensino de Genética. Craig et. al (2005) propôs um padrão de herança autossômico recessivo para o fenótipo bruxo da série Harry Potter, destacando este exemplo como uma possível e útil ferramenta a ser utilizada como analogia para o ensino de Genética Mendeliana no ensino básico. Dodd et. al (2005) discordou da ideia proposta por Craig et. al (2005), creditando a possibilidade de um caráter diferencial para este fenótipo, incluindo questões como expressividade variável e não haver um padrão específico para o fenótipo bruxo na obra de Rowling (1997, 1998, 1999, 2000, 2003, 2005, 2007), embora também releve a série Harry Potter como um possível ponto de partida para gerar interesse. Em um estudo de caso, feito na Austrália, Driessnack (2009) utilizou a série Harry Potter para explicar a uma família e a um garoto de nove anos a ocorrência de fibrose cística como um padrão de herança análogo aquele proposto inicialmente por Craig et. al (2005), contribuindo e concordando com a possibilidade de uso da série Harry Potter para ensinar conceitos estruturantes da Genética. O uso da série Harry Potter para a Educação básica aparenta ser promissor, como aponta Rosa (2008), uma vez que tal série atrai os jovens em idade escolar, pois reflete sua imagem, seus conflitos e suas dúvidas, permitindo que se identifiquem com os personagens, expressando e personificando seus dramas. Blake (2002) destaca ainda que a série Harry Potter é um fenômeno que merece atenção e pode ser melhor utilizado, já que seu sucesso atinge tanto a jovens, quanto crianças e adultos, devido as histórias coerentes, bem montadas e com tramas atrativas; permite a identificação do jovem e do velho leitor, e ainda

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traz contribuições e valores que faltam à atual sociedade, como o combate a preconceitos, cooperação, amizade e a superação de desafios através da persistência, tanto nos filmes, quanto nos livros. Frente ao fenômeno da série Harry Potter é necessário entender que, na contemporaneidade, os meios de comunicação têm ganhado destaque por disseminar informação de maneira cada vez mais rápida e com maior alcance, como aponta Pechula (2007), popularizando e divulgando obras de sucesso. Em consequência, o contato dos jovens com complexos conceitos de Genética tem ocorrido cada vez mais cedo, devido à exposição destes aos meios de comunicação que veiculam tais informações por desenhos animados e filmes, e estes rapidamente se tornam sucesso entre os jovens. Harry Potter não é exceção. Tal conhecimento pode ser utilizado pela escola como pontos iniciais para discussão a enriquecerem o processo de ensino-aprendizagem (DRIESSNACK, 2009). A ficção presente nestes tipos de obras, programas e documentos pode atuar como mecanismo desencadeador e/ou organizador da estrutura conceitual do educando, pois implica em uma releitura e, portanto, reorganização de ideias, do universo fictício (análogo) para o racional (conceito real), que favorece a ação educativa (GOMES-MALUF, SOUZA, 2008). Por estarem expostos a esta gama de mundos ficcionais dos veículos de comunicação em massa, os jovens tem conseguido construir uma visão sincrética de Ciência, e em decorrência, tem reformulado hipóteses para sua própria compreensão de mundo (DRIESSNACK, 2009). Os impactos científicos têm sido refletidos pela mídia, e tem afetado diretamente a sociedade, de forma que o conhecimento não é mais unidirecional, mas sim resultante de uma série de informações veiculadas (PECHULA, 2007). Carvalho (2008) discute a literatura como uma ferramenta de veiculação de informações, pois traz consigo conhecimentos do autor que se transpõem em discursos e saberes transcendentes de determinadas áreas, como é o caso da Biologia implícita nas obras literárias.

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Pechula (2007) elucida a questão de que conhecimentos e valores de uma sociedade são reflexos culturais dessa mesma sociedade, e que estes também são transpostos pelos meios de informação e pelas obras culturais. O uso da literatura para o ensino de Ciências acaba tendo, por esse viés, um papel constitutivo na reflexão e reconstrução de significados, levando em conta o desenvolvimento histórico destas construções (CARVALHO, 2008). Escritores de ficção, contudo, não se preocupam em produzir verdades, já que seu compromisso é com a imaginação e a fantasia, mesmo criando mundos não pensados pelas “Ciências”, mas que seguem os padrões de conhecimento daquilo que o autor conhece para explicar sua realidade (GOMES-MALUF, SOUZA, 2008). Portanto, ao entender o universo do autor, é possível conhecer as concepções deste sobre diversos assuntos. O conhecimento biológico, em especial, assume um papel de pano de fundo, compondo cenários e realidades nos interstícios da história, para estabelecer um arranjo e um padrão lógico coerente para a ficção. Dessa forma, a literatura traz universos em que as Ciências Naturais, sob o olhar do escritor, são palpáveis e verificáveis (CARVALHO, 2008). Em apoio a esta idéia, Gomes-Maluf e Souza (2008) afirmam que a aprendizagem é uma construção feita de recortes do mundo real, mas que pode se tornar mais rica quando associada a realidades multifacetadas e fictícias, pois permite extrapolar conceitos e especular conhecimento para novas realidades. Como na atualidade conhecimento não é mais concebido e referenciado em uma única fonte-parâmetro, mas partilhada em diversas interfaces, a Biologia e também a Genética como construções sociais, também se articulam a diversas instâncias para produção de conhecimentos (CARVALHO, 2008). Estratégias inovadoras que envolvam tais modelos mostram-se promissores para o Ensino de Genética, pois enriquecem e contribuem para o processo de ensino-aprendizagem e permitem uma maior interação entre professor, aluno e conhecimento (VALADARES, RESENDE, 2009). A ação do educador, desta forma, como afirma Goldbach et. al (2009), deve ser no sentido de trabalhar em

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cima dos conhecimentos prévios dos alunos, transformando as ideias de senso comum e erros conceituais que os alunos possuem. Um destes erros conceituais comuns nos alunos que estudam Genética é a não relação das características biológicas com a transmissão da informação genética pela formação gamética através da meiose, e em decorrência também não há uma clara compreensão do conceito de probabilidade envolvido nos cruzamentos (ABRIL, ET. AL, 2002). Há também uma concepção arraigada entre os alunos do ensino básico de que DNA, e consequentemente as características hereditárias, são fatores físicos que estão presente apenas no sangue e no material reprodutivo, como apontam os trabalhos de Oliveira e Silveira (2010). Pedrancini e Corazza-Nunes (2008) discorrem que a concepção de hereditariedade ligada e transmitida pelo sangue é recorrente tanto entre alunos, quanto na sociedade, já que esta é uma idéia de senso comum presente desde a Antiguidade e que concebe o sangue como um agente transmissor de características genéticas; este senso comum vem sendo manifesto até os dias de hoje através do uso de termos tais como “consaguinidade”, “puro sangue”, “sangue do meu sangue”, “família de sangue azul”; nos dias de hoje, os testes de DNA são feitos na maior parte dos casos com sangue, favorecendo a continuidade deste senso comum. Discutir Genética em sala de aula, então, implica em uma seleção de conteúdos relevantes e que sejam necessários às exigências e peculiaridades de cada classe (GOLDBACH, ET. AL, 2009). Nesta perspectiva, os livros didáticos de Biologia não precisam ser rigidamente seguidos, mas podem ser utilizados como um parâmetro de orientação e fonte de pesquisa para os alunos (XAVIER, ET AL,

2006).

Algumas das demandas a nortearem o ensino de Genética devem ser: os conceitos de Dominância e Recessividade dos alelos que precisam ser bem trabalhados já que é padrão a maioria das heranças, Heranças Quantitativas precisam ser abordadas para se romper com a visão monogênica e determinística das heranças genéticas, a compreensão do Diagrama de Punnet relacionado à meiose e a formação de gametas questão esta que é o cerne da Genética

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Clássica, assim como os Fatores Sanguíneos, que por sua amplitude, permitem entender as relações de polialelia, codominância e aplicação da Genética à saúde humana (VALADARES, RESENDE, 2009; CAMARGO, INFANTE-MALAQUIAS,

2007).

Dessa maneira, um Ensino de Genética realmente significativo exige que o professor provoque uma mudança conceitual em seus alunos e que trabalhe em torno de seus conhecimentos prévios (ABRIL, ET. AL, 2002). Partindo-se desta premissa, em concordância com Padilha et. al (2009), é possível popularizar Ciência através do incentivo à leitura de livros e acesso a materiais que transponham o conhecimento para a realidade e provoquem a curiosidade do estudante, favorecendo sua formação crítica e sua postura autônoma na compreensão do mundo e da sociedade.

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3. Metodologia

O presente trabalho foi desenvolvido em torno da série literária Harry Potter,

por motivações pessoais e acadêmicas de ambos os integrantes da dupla, que vieram sendo ponderadas e discutidas há aproximadamente dois semestres ao longo do curso de Licenciatura. Este trabalho apresenta um cunho de análise documental, que segundo Pádua (1996) consiste em toda pesquisa que se baseie na busca de dados, estudos e consulta de material fixado em forma de documento. E, para tanto, a coleta de dados foi feita através da leitura dos livros de J. K. Rowling. A abordagem da obra diretamente da autora permite uma consulta direta à fonte primária, uma coleta de dados isenta de influências e opiniões críticas, e que demanda a garantia de autenticidade dos documentos (PÁDUA, 1996). Durante um mês e meio as leituras foram divididas, um integrante leria os quatro primeiros livros (Harry Potter e a Pedra Filosofal, Harry Potter e a Câmara Secreta, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban e Harry Potter e o Cálice de Fogo) e o outro integrante da dupla ficaria responsável pela leitura dos três últimos livros (Harry Potter e a Ordem da Fênix, Harry Potter e o Enigma do Príncipe e Harry Potter e as Relíquias da Morte). A divisão levou em consideração o tamanho dos livros e o tempo para elaboração deste trabalho; como ambos os integrantes da dupla já haviam lido todos os livros antes já conheciam aspectos da história de

cada livro.

A leitura foi feita direcionando o olhar para aspectos dos livros relacionados

às características dos personagens, hereditariedade dessas características, descrições sobre as famílias e heranças e aspectos que fossem considerados relevantes para entendimento e compreensão dos mecanismos de hereditariedade da obra de J. K. Rowling. As passagens que apresentassem alguns desses aspectos eram marcadas e anotadas em fichas de leitura, com a respectiva página e breve descrição do que tratava. A organização de dados em fichas de leitura é

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recomendável para pesquisas documentais, pois permite que os dados sejam melhor sistematizados e organizados para sua descrição e comparação (PÁDUA,

1996).

Após a leitura, os dados destas fichas foram organizados de acordo com cada livro. Montando-se, assim, um perfil do que cada história de Harry Potter apresentava de dados úteis. Paralelamente a coleta e organização dos dados, também foram feitas pesquisas de referenciais sobre o Ensino de Genética em artigos científicos, bancos de teses e periódicos da área. Algumas fontes também foram obtidas por indicação da professora-orientadora e por consulta a outros Trabalhos de Conclusão de Curso anteriores feitos nesta área. Os referenciais encontrados também foram lidos, e a partir deles foram feitos fichamentos com as ideias principais de cada autor. Com isso, foi se cercando uma problemática comum para a qual o trabalho seria direcionado: as dificuldades do Ensino de Genética. Os dados coletados e que estavam organizados em fichas de leitura para cada livro da série foram então reunidos em quadros, e a partir deles, utilizando o software GenoPro®, foram montados Heredogramas que representassem as genealogias das famílias da série Harry Potter. Algumas famílias apresentavam-se com mais indivíduos do que outras, principalmente aquelas relacionadas a personagens principais, enquanto as famílias menores, de personagens de menor destaque, foram montadas pela importância de suas características e tipo de herança para a compreensão total da obra. Os Heredogramas montados encontram-se no item Resultados. Para cada característica encontrada nos personagens foram indicados símbolos correspondentes, com finalidade didática e ilustrativa, pois as genealogias podem ser utilizadas para o trabalho em sala de Aula. Todos os dados dos personagens e suas famílias que foram encontrados nos livros foram utilizados na montagem das famílias, contudo alguns indivíduos não tiveram nomes elucidados pela autora mesmo que sua existência e características fossem mencionadas, e para estes foi adotado a nomenclatura Sr. ou Sra. seguido do sobrenome da família a qual pertence.

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Uma vez que todos os heredogramas estavam montados verificou-se que havia algumas questões não bem definidas para a hereditariedade e padrão de herança de uma característica importante e recorrente nesta série: ser bruxo. Os referenciais encontrados também discutiam essa questão, pois ora ser bruxo parecia ser dominante e ora parecia ser recessivo. Com base nas genealogias que foram organizadas, com os dados coletados e nas fichas de leitura se propôs um padrão de herança coerente para ser bruxo‟, que abrangesse as diversas situações apresentadas na obra de J. K. Rowling e que ainda não foi apresentado por nenhum autor. O padrão de herança da Magia, proposto neste trabalho, consta da compreensão da existência de três alelos I W , I M e I O . Esta nomenclatura foi adotada devido os termos em inglês da obra de J. k. Rowling, o gene I W vem de Wizard, e representa o gene que expressa o fenótipo Bruxo (com poderes mágicos); I M vem do termo Muggle, que corresponde ao indivíduo dito Trouxa (sem poderes mágicos) nos livros da série, e representa o gene que expressa o fenótipo sem magia; I O vem a ser mais um gene que também expressa o fenótipo sem magia, mas de diferente relação de dominância que I M . Com maior clareza sobre o padrão de herança da Magia, e escolhendo genealogias de maior destaque (devido os personagens e características apresentadas) foi montado um roteiro de possíveis abordagens a temas relativos ao ensino de Genética e que podem ser utilizados em sala de aula tais propostas se encontram no item Resultados. Para tanto, a unidade de Genética de um livro de biologia do Ensino Médio (Biologia Volume Único, J. Laurence, 2005) foi tomado como referência para se montar uma sequência de Conteúdos que subsidiasse esse roteiro. A análise do produto final e da coleta de dados será feita correlacionando- se os aspectos pedagógicos envolvidos para esta proposta e as questões conceituais obtidas da obra de J. K. Rowling com os referenciais consultados.

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4. Resultados

Os dados coletados durante a leitura dos livros da Série Harry Potter foram organizados em fichas de leitura e serão a seguir apresentados, de acordo com o que foi encontrado em cada livro, em forma de resumos para a história dos livros e em quadros para os dados pertinentes a Genética e Hereditariedade. Numa segunda parte são apresentadas sugestões de roteiros de atividades para serem desenvolvidas em aula. E por último serão apresentados os heredogramas produzidos com base nos dados.

4.1. Coleta de dados

4.1.1. O início de tudo: O mundo bruxo

O primeiro livro, Harry Potter e a Pedra Filosofal, inicia a série contando a história de um jovem garoto órfão de onze anos, de nome Harry Potter, criado pelos tios (Válter e Petúnia Dursley) que o abominam. Harry é forçado a conviver com um primo implicante (Duda Dursley) durante toda sua infância. Sua história guarda mistérios que vão sendo revelados ao longo da história; segue-se a revelação de que Harry é um bruxo, um ser humano dotado de poderes, capaz de fazer coisas sobrenaturais que outros humanos ditos trouxas não conseguem. Harry é apresentado a um novo mundo, oculto e secreto ao qual os bruxos pertencem, vivendo organizados e em sociedade. Com a entrada de Harry para a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, novos personagens aparecem, com suas histórias e peculiaridades, assim como diferentes matérias a aprender, estranhas criaturas e curiosidades do mundo bruxo. Rony Weasley e Hermione Granger são os amigos mais próximos de Harry na escola, Draco Malfoy destaca-se como o rival e adversário de Harry e seus amigos. Ao longo do livro, Harry é levado a descobrir como seus pais (Lílian e Thiago Potter) morreram de verdade não em um acidente de carro como

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sugerem seus tios, mas assassinados por um bruxo das trevas denominado Lord Voldemort.

A história deste primeiro livro é concluída com o confronto entre Harry e

Lord Voldemort auxiliado por seu servo, professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, Quirrel em que o bruxo das trevas busca obter um item alquímico que lhe permita viver eternamente: a Pedra Filosofal, do qual extrairia o Elixir da Vida.

Devido ao foco deste trabalho, buscaram-se informações que fossem pertinentes a Genética e a Hereditariedade e estes são apresentados no Quadro

1.

Quadro 1. Dados coletados a partir da leitura de Harry Potter e a Pedra Filosofal.

Harry Potter e a Pedra Filosofal

Descrição da família Evans: Dursley e Potter. (página 7)Harry Potter e a Pedra Filosofal Detalhes sobre a família Evans – Lílian Evans era bruxa

Detalhes sobre a família Evans – Lílian Evans era bruxa [família se orgulha disso] e se casa com Thiago Potter. Lílian Evans era bruxa [família se orgulha disso] e se casa com Thiago Potter. (página 51)

Rony Weasley descreve sua família no Expresso de Hogwarts: pai, mãe e 7 irmãos, todos bruxos e ruivos. (página 89)se orgulha disso] e se casa com Thiago Potter. (página 51) Discussão entre os garotos da

Discussão entre os garotos da Grifinória – Simas Finnighan fala que é mestiço (pai trouxa e mãe bruxa), Neville Longbottom discorre Simas Finnighan fala que é mestiço (pai trouxa e mãe bruxa), Neville Longbottom discorre sobre sua família e sobre a manifestação da Magia. (página 110 e 111)

4.1.2. O Status do Sangue

O segundo livro, Harry Potter e a Câmara Secreta, em continuidade à trama

desenvolvida no primeiro, inicia-se com novas curiosidades do mundo bruxo e o surgimento de uma criatura mágica: Dobby, o elfo doméstico, que traz notícias e pede a Harry Potter que está de férias a não retornar a Hogwarts, sob o argumento de que estão sendo tramadas coisas ruins contra a escola e contra ele.

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Algumas confusões se seguem, e fugindo dos castigos impostos pelos tios, Harry foge da casa dos Dursley com auxílio de Rony e seus irmãos, em um carro voador de modelo Ford Anglia, para a casa dos Weasley. Lá ele permanece durante todas as férias e junto com a família Weasley vai comprar seus materiais escolares. Ao retorna para Hogwarts novas figuras são apresentadas, como o novo e excêntrico professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, Gilderoy Lockhart autor de diversos livros e obcecado pela fama. Mais mistérios são lançados ao longo do livro, seguidos por diversos acontecimentos e ataques a alunos da escola, começa a circular o boato da existência de uma possível Câmara Secreta na escola, que guarda um monstro que expurgará de Hogwarts todos os bruxos nascidos trouxas. Em decorrência desta história, são afloradas entre os alunos as questões de preconceito entre bruxos ditos “puro-sangues” para com os bruxos “nascidos trouxas” e “mestiços”. Um dos antigos fundadores da escola, descobre-se, era favorável à seleção de alunos a serem admitidos devido a sua família: somente os bruxos de sangue puro e vindos das tradicionais famílias bruxas deveriam ser aceitos. E é deste fundador a quem se credita o fato da criação da Câmara Secreta. Alunos nascidos trouxas são atacados ao longo do ano (dentre eles Hermione Granger, amiga de Harry), assim como a gata de estimação do zelador Argos Filch (que é um aborto) e um fantasma. O clímax do livro se dá quando Harry e Rony descobrem a localização desta Câmara Secreta, momento em que a irmã mais nova de Rony, Gina Weasley, é levada à Câmara para ser morta. O professor Lockhart é forçado a os acompanhar, perdendo a memória em um feitiço acidental no meio do caminho. Harry chega a Câmara Secreta, enfrenta e mata o monstro (que se trata de um basilisco) e resgata Gina; descobrindo que esta havia sido a responsável por abrir a Câmara e incitar o ataque aos nascidos trouxas, mas sob estado de transe, por estar possuída por Lord Voldemort, ao escrever em seu diário antigo que estava impregnado de Magia Negra. Estes eram os acontecimentos que Dobby tentara revelar a princípio, mas não podia dizer diretamente devido às leis de sua espécie e por servir a família

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dos Malfoy, que foram os responsáveis por implantar o diário de Voldemort entre os bens de Gina. Neste livro, embora o foco da leitura tenha sido Genética e Hereditariedade, as questões de preconceito e concepções de transmissão de caracteres também foram coletadas e encontram-se enumerados no Quadro 2.

Quadro 2. Dados coletados a partir da leitura de Harry Potter e a Câmara Secreta.

Harry Potter e a Câmara Secreta

Maior descrição da família Weasley, abordando a existência dos irmãos mais velhos Carlinhos e Gui. (página 27)Harry Potter e a Câmara Secreta Draco Malfoy e seu pai Lúcio Malfoy, vão a loja

Draco Malfoy e seu pai Lúcio Malfoy, vão a loja de magia negra Borgin & Burkes, demonstram acreditar na superioridade de seu sangue bruxo puro e insatisfação contra a miscigenação entre bruxos e trouxas. (página 50 e 51)dos irmãos mais velhos Carlinhos e Gui. (página 27) Rony menciona a existência de um primo

Rony menciona a existência de um primo distante, ao qual não mantém contato e que se casou com uma trouxa, teve filhos sem magia. (páginaa miscigenação entre bruxos e trouxas. (página 50 e 51) 76) Surgimento de outro nascido trouxa

76)

Surgimento de outro nascido trouxa em Hogwarts: Colin Creevey, filho de um leiteiro. (página 86 e 87)se casou com uma trouxa, teve filhos sem magia. (página 76) Draco Malfoy chama Hermione de

Draco Malfoy chama Hermione de sangue-ruim, Rony lança um feitiço com raiva, mas erra e vomita lesmas por algum tempo. (página 100)Colin Creevey, filho de um leiteiro. (página 86 e 87) Rony e Hagrid - o guarda-caças

Rony e Hagrid - o guarda-caças da escola – explicam o termo Sangue- Ruim (termo pejorativo para nascidos trouxas) e esclarecem o preconceito explicam o termo Sangue- Ruim (termo pejorativo para nascidos trouxas) e esclarecem o preconceito de algumas famílias sobre a questão do sangue. (página

102)

Argos Filch – o zelador da escola – revela que é um aborto (filho sem magia de o zelador da escola revela que é um aborto (filho sem magia de pais bruxos). (página 125)

Draco Malfoy explica a visão de Salazar Slytherin, antigo fundador da escola, em não aceitar sangues-ruins e seu desejo de expurgar nascidos trouxas de Hogwarts. (página 190 e 191)102) Argos Filch – o zelador da escola – revela que é um aborto (filho sem

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4.1.3. Um padrinho presidiário e uma tia inconveniente

O terceiro livro da série, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, continua a história de Harry Potter, revelando novos adendos da história dos pais de Harry e quem efetivamente causou a morte de Lílian e Thiago. A história começa com Harry novamente na casa de seus tios, agora prestes a voltar ao seu terceiro ano de estudos em Hogwarts. O jovem bruxo tem que encarar e conviver durante duas semanas de férias a irmã de tio Válter, Guida Dursley, uma mulher solteira afeita a criar cães, que costuma implicar com ele e insistir em achar-lhe defeitos. Em um arroubo de raiva, Harry se descontrola e seu poder extravasa a tal ponto que transforma tia Guida em um balão. Novamente o garoto foge da casa dos tios, e se acomoda em uma estalagem em Londres com a família de seu amigo Rony, que retorna de férias do Egito. O mundo bruxo encontra-se em estado de atenção, pois um suposto criminoso fugiu da prisão bruxa de Azkaban:

Sirius Black; a quem se acredita ser um dos mais fiéis seguidores de Voldemort e traidor que delatara o paradeiro dos Potter, ronda a notícia de que Sirius Black tenha fugido para matar Harry. Em Hogwarts, dementadores criaturas mágicas que drenam a alegria e a felicidade dos seres humanos montam guarda a fim de evitar que Sirius Black entre na escola; um novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas é contratado: Remo Lupin, outro antigo amigo da família Potter; Rúbeo Hagrid, o guarda-caças se torna também professor de Trato das Criaturas Mágicas, e a enigmática Sibila Trelawney, professora de Adivinhação, também ganha destaque. Itens mágicos, mapas da escola que indicam posição de todos os habitantes, hipogrifos, bisbilhoscópios, vira-tempos e visitas ao povoado de Hogsmeade, próximo à escola, permitem o desenrolar da narrativa. Os acontecimentos se sucedem ao ponto em que finalmente Sirius Black consegue encontrar Harry, Rony e Hermione sozinhos. Remo Lupin também aparece, assim como o rancoroso professor de Poções, Severo Snape, que é desacordado durante o encontro. A situação culmina com a revelação de que o

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culpado pela morte dos Potter não era Sirius Black, e sim Pedro Pettigrew outro amigo de Thiago Potter que em realidade encontrava-se na forma do rato de estimação de Rony e não morto. Acreditava-se que Pettigrew havia sido assassinado por Sirius Black, motivo de sua condenação à Azkaban. Como a noite deste encontro era de lua cheia, Remo Lupin se transforma em lobisomem, uma condição que escondia de todos os alunos; o que garante uma distração, permitindo que Pedro Pettigrew fuja e Sirius Black, que é o padrinho de Harry, permaneça incriminado. Black consegue fugir antes de ser preso voando em um hipogrifo, graças à ajuda de Harry e Hermione e o uso de um vira-tempo. Os dados obtidos a partir da leitura direcionada deste livro, encontram-se enumerados no Quadro 3.

Quadro 3. Dados coletados a partir da leitura de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban.

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

 

Descrição em detalhes da família Dursley e Potter e do afastamento entre Lílian e Petúnia por serem, respectivamente, bruxa e trouxa. (página 10)Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban   Tia Guida apresenta sua concepção de herança de

Tia Guida apresenta sua concepção de herança de caracteres: “( ) Você não deve se culpar pelo que os meninos são hoje Válter. Se existe alguma Você não deve se culpar pelo que os meninos são hoje Válter. Se existe alguma coisa podre por dentro, não há nada que ninguém possa fazer.” (página 27)

Tia Guida compara a herança de caracteres „ruins‟ dos Potter com anão há nada que ninguém possa fazer.” (página 27) criação de cães: “( ) Isso é

criação de cães: “(

)

Isso é uma das regras básicas da criação. disse

ela. A gente vê isso o tempo todo em cachorros. Se tem alguma coisa

errada com a cadela, vai ter alguma coisa errada com o filhote (página 27)

(

)”

Tia Guida continua sua concepção de hereditariedade e genética,alguma coisa errada com o filhote (página 27) ( )” relacionando Harry ao cruzamento de cães:

relacionando Harry ao cruzamento de cães: “(

)

Esse aí tem um jeito

ruim e mirrado. A gente vê isso nos cachorros. Pedi ao coronel Fubster

para afogar um no ano passado. Era um ratinho. Fraco. Subnutrido.

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A coisa toda está ligada ao sangue, como eu ia dizendo ainda outro dia. O

A coisa toda está ligada ao sangue, como eu ia dizendo

ainda outro dia. O sangue ruim acaba aflorando. Mas não estou dizendo

nada contra a sua família, Petúnia. (

cheirasse. Isso acontece nas melhores famílias. Depois fugiu com

aquele imprestável e aí está o resultado bem diante dos olhos da gente

).(

Remo Lupin revela que é lobisomem e que esta é uma característica adquirida pela mordida de um lobisomem, mas demonstra preocupação de que isso seja transmissível aos seus descendentes. (página 284)

Sua irmã não era flor que se

)” (

e “(

)-

)

(página 29)

4.1.4. Bruxos em todo o mundo e variedades mágicas

Em Harry Potter e o Cálice de Fogo, o quarto livro da série, a história se desenvolve em torno de dois grandes acontecimentos: a ocorrência de um Campeonato Internacional de Quadribol (esporte mágico e popular entre os bruxos) e o Torneio Tribruxo (competição entre três escolas de magia da Europa). Harry vai passar as férias junto com a família Weasley, e com eles vai assistir o Campeonato de Quadribol; o evento conclui-se com um ataque de

Comensais da Morte seguidores de Lord Voldemort à trouxas e bruxos nascidos trouxas, após a final entre Irlanda e Bulgária. De volta a Hogwarts, Harry

e seus colegas ficam sabendo da ocorrência de um torneio interescolar que irá

ocorrer entre Hogwarts e duas escolas de bruxaria de outros países Durmstrang

e Beauxbattons. Entre aulas e surgimento de novos personagens, Harry Potter é convocado

a participar do Torneio Tribruxo, contrariando o limite etário imposto (só bruxos maiores de 17 anos poderiam participar), pois o instrumento seletor dos participantes o Cálice de Fogo do torneio é enganado. Superar dragões, buscar reféns no lago dos sereianos e atravessar um labirinto com criaturas e obstáculos mágicos são os desafios que Harry e os outros concorrentes devem enfrentar.

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Ao final da história, Harry e o outro campeão de Hogwarts, Cedrico Diggory, conseguem chegar ao fim do labirinto e tocam juntos a taça que finaliza o torneio. A taça era uma armadilha armada por um comensal da morte infiltrado na escola (na forma do novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, Alastor Moody), que leva os dois campeões a um cemitério, onde estão reunidos os Comensais da Morte e Lord Voldemort, que através de um ritual recupera plenamente seu corpo e seus poderes. Harry consegue escapar, mas Cedrico morre.

Os aspectos obtidos no livro e que concernem a possíveis relações a hereditariedade e genética são a seguir apresentados no Quadro 4.

Quadro 4. Dados coletados a partir da leitura de Harry Potter e o Cálice de Fogo.

Harry Potter e o Cálice de Fogo

Descrição da família Riddle (toda composta por trouxas) e sua morte misteriosa: Origem paterna de Lord Voldemort. (página 7)Harry Potter e o Cálice de Fogo Sr. Weasley fala sobre a organização da Copa Mundial

Sr. Weasley fala sobre a organização da Copa Mundial de Quadribol e revela a existência de bruxos em todo o mundo, configurando Magia como uma característica presente em uma população maior. (páginamisteriosa: Origem paterna de Lord Voldemort. (página 7) 59) Menção a 100 mil bruxos reunidos na

59)

Menção a 100 mil bruxos reunidos na Copa Mundial de Quadribol. (página 84)presente em uma população maior. (página 59) Família Malfoy denota desagrado com a presença de Hermione

Família Malfoy denota desagrado com a presença de Hermione Granger, uma nascida trouxa, no mesmo camarote para assistir a partida final. (página 85)bruxos reunidos na Copa Mundial de Quadribol. (página 84) Aparecimento de bruxos estrangeiros: Sr. Obalonsk (Ministro

Aparecimento de bruxos estrangeiros: Sr. Obalonsk (Ministro da Magia búlgaro), equipes de quadribol da Irlanda e da Bulgária. (página 85)mesmo camarote para assistir a partida final. (página 85) Surgimento das Veelas: criaturas mágicas que exercem

Surgimento das Veelas: criaturas mágicas que exercem atração aos homens, capazes de lançar bolas de fogo. (página 86)equipes de quadribol da Irlanda e da Bulgária. (página 85) Confusão após a partida final de

Confusão após a partida final de Quadribol: Comensais da Morte caçam e torturam trouxas e bruxos nascidos trouxas no acampamento em torno do estádio. (página 100 e 101)Surgimento das Veelas: criaturas mágicas que exercem atração aos homens, capazes de lançar bolas de fogo.

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Surgimento de outro bruxo nascido trouxa em uma mesma família:Denis Creevey, irmão de Colin Creevey. (página 141) Fleur Delacour, uma das participantes do Torneio

Denis Creevey, irmão de Colin Creevey. (página 141)

Fleur Delacour, uma das participantes do Torneio Tribruxo revela que descende de uma linhagem de veelas, sua avó também era. (páginaDenis Creevey, irmão de Colin Creevey. (página 141) 247) Rúbeo Hagrid e Madame Maxime – diretora

247)

Rúbeo Hagrid e Madame Maxime – diretora de Beauxbattons – reconhecem ser meio-gigantes. Filhos de mãe gigante e pai bruxo. diretora de Beauxbattons reconhecem ser meio-gigantes. Filhos de mãe gigante e pai bruxo. (páginas 340 e 349)

4.1.5. A mui antiga e nobre casa dos Black

A morte de Cedrico Diggory atormenta Harry Potter ao longo de todas suas férias, e é assim que se inicia o quinto livro da série. Agora que Lord Voldemort efetivamente ressurgiu, o Ministério da Magia não reconhece e o jornal dos bruxos, o Profeta Diário, veicula que Harry Potter é mentiroso e Alvo Dumbledore (diretor de Hogwarts e que reconhece a versão de Harry) como um desestabilizador da situação de paz. Em Harry Potter e a Ordem da Fênix, Dumbledore reúne um grupo de bruxos confiáveis que estão dispostos a lutar e combater Lord Voldemort e seus seguidores no intuito de purificar a raça bruxa. Remo Lupin, Sirius Black, Alastor Moody e a família Weasley são alguns dos membros da ordem, assim como alguns personagens novos, como os aurores Kingsley Shacklebolt e Ninfadora Tonks e o mendigo Mundungo Fletcher. De volta a Hogwarts, Harry e os demais alunos são submetidos a uma nova professora de Defesa Contra as Artes das Trevas: Dolores Umbridge, uma bruxa admitida devido a pressão do Ministério, e que pouco a pouco toma para si o poder na escola, fazendo tudo o que for possível para tanto com a permissão do Ministro da Magia. Inconformados, os alunos decidem montar um clube secreto para aprender Defesa Contra as Artes das Trevas, por fora das aulas de Umbridge: a Armada de

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Dumbledore, cujo professor é Harry Potter. Mesmo sendo proibido, os alunos continuam com este clube até o ponto em que são descobertos. Alvo Dumbledore é demitido pelo Ministro da Magia e um decreto ministerial promove Umbridge a diretora da escola. Hogwarts se transforma em um internato de severas regras. Os Comensais agem no mundo bruxo, mortes de trouxas e nascidos trouxas começam a acontecer. E em certo momento, há uma fuga em massa de presidiários de Azkaban que haviam sido, em outros tempos, seguidores de Voldemort. Iludido por uma visão forjada de que seu padrinho Sirius Black está sendo morto, Harry Potter e seus amigos fogem da escola, vão ao Ministério da Magia e lá enfrentam os comensais. A Ordem da Fênix aparece em socorro, mas Sirius Black é assassinado por uma fiel comensal de Voldemort e também sua prima, Bellatriz Lestrange; Lord Voldemort aparece no Ministério, mas não consegue assassinar Harry Potter. O Ministro enfim é forçado a aceitar e acreditar que Voldemort realmente ressurgiu. Neste livro foram coletadas algumas passagens referentes ao foco decidido para este trabalho, e estas se apresentam enumeradas no Quadro 5.

Quadro 5. Dados coletados a partir da leitura de Harry Potter e a Ordem da Fênix.

Harry Potter e a Ordem da Fênix

Sirius Black, em sua mansão no Largo Grimmauld, mostra a Harry Potter a árvore genealógica de sua família. Incluindo seu parentesco com os Malfoy, os Lestrange e Tonks. (página 96)Harry Potter e a Ordem da Fênix Revelação de Arabella Figg (ou Sra. Figg): uma aborto

Revelação de Arabella Figg (ou Sra. Figg): uma aborto que vive próxima a Harry Potter e que pertence à Ordem da Fênix. (página 120)parentesco com os Malfoy, os Lestrange e Tonks. (página 96) Menção à família de Neville Longbottom,

Menção à família de Neville Longbottom, um bruxo de sangue puro, mas que tem seus poderes afetados devido à pressão que este sente, ora da família ora dos professores. (página 420)Potter e que pertence à Ordem da Fênix. (página 120) Rúbeo Hagrid conta e revela a

Rúbeo Hagrid conta e revela a Harry, Rony e Hermione que tem um meio-irmão gigante, chamado Grope; escondido na Floresta Proibida de Hogwarts. (página 560)mas que tem seus poderes afetados devido à pressão que este sente, ora da família ora

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4.1.6. Os Mestiços: Gaunt e Snape

O escândalo do surgimento público de Lord Voldemort e a prisão de alguns

Comensais fugitivos dentro do Ministério provocam grandes alterações no mundo

bruxo: o Ministério passa a tomar uma postura rígida e o mundo bruxo é bombardeado com notícias de ataques à família de trouxas e mortes de bruxos nascidos trouxas. Neste novo ambiente se passa a história de Harry Potter e o Enigma do Príncipe. Harry volta a Hogwarts e começa a ter encontros com o diretor Alvo Dumbledore, que começa a lhe instruir mais a respeito de Lord Voldemort, sua história e seu passado; pensando nisto como uma das ferramentas que podem ajudar Harry a sobreviver e combatê-lo.

A escola de magia sofre novamente transformações, um novo docente é

contratado para a disciplina de Poções, Horácio Slughorn, um bruxo idoso e professor já aposentado, afeito a eleger alunos favoritos e promissores; dentre eles, Harry Potter é um de seus alunos preferidos, pela fama de seu nome e pelo seu bom desempenho em Poções possibilitado pelo uso de um livro que pertencia a um antigo aluno que assina “‟Príncipe Mestiço”. Enquanto que o antigo docente de Poções, Severo Snape, se torna o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. Harry aos poucos vai conhecendo a história de Tom Riddle, o menino bruxo mestiço, criado em um orfanato e que veio a se transformar em Lord Voldemort, através das memórias obtidas por Dumbledore e que são vistas em um instrumento mágico denominado Penseira. Dentre tais memórias, Harry descobre que Lord Voldemort partiu sua alma em 7 fragmentos encerrados em objetos ou seres as horcruxes, sendo esta a missão a qual Dumbledore lhe confia: destruir as horcruxes. Ao fim do livro, Harry e Dumbledore tentam localizar uma horcrux; mas ao retornarem à escola, são recepcionados na torre de Astronomia por Comensais da Morte e Draco Malfoy (que os levou para dentro da escola). Harry é forçado a se

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esconder e Dumbledore é assassinado por Severo Snape. Harry descobre que a horcrux que encontraram era falsa e que a verdadeira já havia sido roubada. Neste livro a maioria dos dados encontrados refere-se à família de Tom Riddle (Lord Voldemort) e Severo Snape (o verdadeiro “Príncipe Mestiço”), tais dados encontram-se abaixo enumerados no Quadro 6.

Quadro 6. Dados coletados a partir da leitura de Harry Potter e o Enigma do Príncipe.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Descrição da família Gaunt, composta apenas por bruxos e não tolerantes aos trouxas; Mérope, a filha mais nova, possuía poderes instáveis, o que levam seus pais a crer que ela podia ser um aborto. (página 167)Harry Potter e o Enigma do Príncipe Características da família Gaunt são descritas como sendo mantidas

Características da família Gaunt são descritas como sendo mantidas nas gerações devido ao hábito do casamento entre primos. (páginaseus pais a crer que ela podia ser um aborto. (página 167) 168) Mérope Gaunt foge

168)

Mérope Gaunt foge de casa e se junta ao trouxa Tom Riddle, contrariando o pai e o irmão. (página 169)devido ao hábito do casamento entre primos. (página 168) Mérope encontra-se em depressão, grávida e abandonada

Mérope encontra-se em depressão, grávida e abandonada em Londres. Perde seus poderes e morre, após deixar o filho recém nascido em um orfanato trouxa. (página 206)Tom Riddle, contrariando o pai e o irmão. (página 169) Tom Riddle – filho – volta

Tom Riddle – filho – volta à casa dos Gaunt, encontra o tio Morfino e o assassina. filho volta à casa dos Gaunt, encontra o tio Morfino e o assassina. Há menção à descendência dos Gaunt de Salazar Slytherin. (página 286)

Descrição da família de Severo Snape: sua mãe, Eileen Prince, era bruxa e seu pai, Tobias Snape, era trouxa. (página 499)Gaunt, encontra o tio Morfino e o assassina. Há menção à descendência dos Gaunt de Salazar

4.1.7. Magia é Poder

Com a morte de Alvo Dumbledore, novas incertezas voltam ao mundo bruxo, o Ministério da Magia é tomado pelos Comensais da Morte e por Lord

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Voldemort. Hogwarts também ganha um novo diretor, Severo Snape, e dois comensais da morte passam a ser professores da escola. Em Harry Potter e as Relíquias da Morte, o sétimo livro da série, os bruxos das trevas liderados por Lord Voldemort dominam o mundo bruxo. Assassinatos e mortes de bruxos nascidos trouxas e acidentes no mundo trouxa acontecem a todo o momento. Harry Potter e seus amigos, Rony Weasley e Hermione Granger, decidem não regressar a Hogwarts para o sétimo e último ano de formação; e ao invés disso, decidem caçar as Horcruxes de Voldemort. Duelos e combates são travados a todo instante; por toda Inglaterra bruxos nascidos trouxas fogem, pois até o Ministério passa a persegui-los, sob a bandeira de purificação da raça defendida por Voldemort. Lord Voldemort começa uma incursão em busca de uma varinha que lhe permita matar de uma vez por todas Harry Potter. Hermione encontra em um livro, ganhado de herança de Dumbledore, uma lenda antiga que fala sobre a existência de três objetos cujo dono poderia se tornar senhor da morte, as Relíquias da Morte. Harry descobre que sua capa da invisibilidade e o pomo-de-ouro, herdado de Dumbledore (que contém a Pedra da Ressurreição), são duas dessas relíquias,

e lhe falta somente a Varinha das Varinhas, a qual Voldemort também busca. Ao longo do livro, a história de Alvo Dumbledore é contada e detalhes de sua vida são mencionados pela leitura que Hermione faz de um livro sensacionalista denominado “A vida e as mentiras de Alvo Dumbledore”. A caça às horcruxes segue por meses, algumas horcruxes são encontradas

e por fim Harry se vê forçado a retornar a Hogwarts, onde acredita estar escondido outro pedaço da alma de Voldemort. Com o retorno de Harry a escola, acompanhado pela descoberta de Voldemort da caça às suas horcrux, inicia-se uma batalha que se arrasta e leva muitos personagens à morte. Dentre eles Severo Snape, que revela ter matado Dumbledore devido um trato feito anteriormente com o próprio, que já sabia que iria morrer.

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A Varinha das Varinhas era a que Dumbledore usava e a qual Voldemort obtém durante a batalha. Depois de encontrar e destruir todas as horcruxes, Harry e Voldemort finalmente se enfrentam e Voldemort é morto. Dezenove anos depois, Gina está casada com Harry, Rony com Hermione, ambos tem filhos e os levam para embarcar para Hogwarts. Os dados coletados a partir do foco na Genética e Hereditariedade da história encontram-se apresentados a seguir no Quadro 7.

Quadro 7. Dados coletados a partir da leitura de Harry Potter e as Relíquias da Morte.

Harry Potter e as Relíquias da Morte

Bellatriz Lestrange e Narcisa Malfoy discutem brevemente seu parentesco durante uma reunião de Comensais da Morte. (página 16)Harry Potter e as Relíquias da Morte Lord Voldemort ridiculariza a declaração de Caridade Burbage, antiga

Lord Voldemort ridiculariza a declaração de Caridade Burbage, antiga professora de Estudo dos Trouxas de Hogwarts, que defende a miscigenação entre bruxos e trouxas, antes de matá-la. (página 17)durante uma reunião de Comensais da Morte. (página 16) Depoimento de Elifas Doge, em nota fúnebre

Depoimento de Elifas Doge, em nota fúnebre no Profeta Diário, sobre a família de Alvo Dumbledore. (página 22)entre bruxos e trouxas, antes de matá-la. (página 17) Descrição e aparecimento da família de Ninfadora

Descrição e aparecimento da família de Ninfadora Tonks: o pai trouxa Ted Tonks e a mãe bruxa Andrômeda Tonks (antiga Black). (página 54)Diário, sobre a família de Alvo Dumbledore. (página 22) Casamento entre Gui Weasley e Fleur Delacour,

Casamento entre Gui Weasley e Fleur Delacour, com descrição da família de Fleur. (página 88)e a mãe bruxa Andrômeda Tonks (antiga Black). (página 54) Elifas Doge e tia Muriel Weasley

Elifas Doge e tia Muriel Weasley discutem durante a festa de casamento sobre a família de Dumbledore; uma mãe bruxa nascida trouxa e uma irmã com problemas para controlar a Magia. (página 125)Delacour, com descrição da família de Fleur. (página 88) Ministério da Magia inicia as audiências com

Ministério da Magia inicia as audiências com bruxos nascidos trouxas, sob a concepção de que nascidos trouxas roubam a magia e a varinha de algum bruxo. (página 167)irmã com problemas para controlar a Magia. (página 125) Dino Thomas e Ted Tonks aparecem como

Dino Thomas e Ted Tonks aparecem como fugitivos do Ministério por serem respectivamente, um bruxo nascido trouxa e um trouxa que se casou com uma bruxa. (página 234)roubam a magia e a varinha de algum bruxo. (página 167) Ariana Dumbledore, irmã de Alvo

Ariana Dumbledore, irmã de Alvo Dumbledore é descrita como tendodo Ministério por serem respectivamente, um bruxo nascido trouxa e um trouxa que se casou com

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uma “doença emocional” que influi na manifestação de seus poderes. (página 440) Harry, Rony, Hermione

uma “doença emocional” que influi na manifestação de seus poderes. (página 440)

Harry, Rony, Hermione e Gina levam os filhos ao Expresso de Hogwarts. (página 585 a 590)

4.2. Heredogramas

A seguir estão apresentados os heredogramas montados a partir dos dados coletados, sintetizando a descrição das famílias e dos indivíduos principais da série Harry Potter. Este material pode ser utilizado pelo professor que aplicar as propostas já apresentadas.

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Figura 1. Heredograma da Família Riddle.
Figura 1. Heredograma da Família Riddle.

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Figura 2. Heredogramas das Famílias Dumbledore, Snape, Finnighan, Figg e Filch.
Figura 2. Heredogramas das Famílias Dumbledore, Snape, Finnighan, Figg e Filch.

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Figura 3. Heredograma da Família Weasley.
Figura 3. Heredograma da Família Weasley.
41 Figura 4. Heredograma da Família Black.
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Figura 4. Heredograma da Família Black.

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Figura 5. Heredograma da Família Evans/ Potter.
Figura 5. Heredograma da Família Evans/ Potter.

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4.3. Ações Propostas

Com base nos dados coletados, foram elaboradas oito propostas de atividades que podem ser desenvolvidas no ensino básico utilizando-se Harry Potter como ponto de partida. Tais propostas encontram-se a seguir descritas.

4.3.1. Levantando os conhecimentos prévios

com magia!

Uma primeira atividade em sala de aula poderia consistir em uma discussão com os alunos em torno do assunto Hereditariedade. Pensando que os alunos já conheçam algo da série Harry Potter por já terem visto os filmes ou lido os livros, para um primeiro contato com esta proposta, o professor pode levar à sala o heredograma da família Weasley (Figura 3). E propor a seguinte questão “Por que os seres vivos apresentam características de seus progenitores?”, pedindo um registro para entrega ou no caderno. Esta questão inicial pode promover um debate que revele as concepções de Hereditariedade dos alunos. Partindo-se de um pressuposto interativo- construtivo, tais dados podem ser utilizados para que o docente encaminhe e norteie sua prática no sentido de promover uma mudança conceitual em seus alunos, conhecendo aquilo que eles já sabem, o que desconhecem, os conceitos que possuem e que incorrem em erros. Conceitos como transmissibilidade de características, conservação da espécie, genes, cromossomos e DNA podem ser abordados e discutidos pelo professor. Neste primeiro momento, é importante ressaltar que a hereditariedade não é uma especificidade dos seres humanos, mas de todos os seres vivos, e que depende basicamente da ideia de reprodução como mecanismo para conservação da espécie.

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4.3.2. O Feitiço da Família no Papel: Construir Heredogramas

Uma das habilidades exigidas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais de Ciências Naturais, Matemática e suas Tecnologias é que os alunos do ensino básico aprendam a reconhecer e desenvolver capacidade de leitura de esquemas, simbologias e códigos da área científica, dessa forma faz-se necessário a abordagem, em algum momento do ensino médio, a leitura e a compreensão de Heredogramas. Sugere-se que o docente leve à sala de aula neste momento o heredograma da família Dumbledore (Figura 2), como um exemplo simplificado, em que seja possível mostrar a simbologia adequada e explicar como famílias podem ser representadas por meio deste tipo de representação gráfica. Uma atividade em grupo também pode ser proposta, para que os alunos se reúnam em grupos de 4 integrantes, e cada um desenhe em seu caderno o seu heredograma, com os parentes que se recordar. Este tipo de produção autoral permite que o aluno possa integrar seus conhecimentos a procedimentos metodológicos; atrelado a um processo de mediação, o professor conseguirá identificar e auxiliar cada aluno com suas respectivas dificuldades.

4.3.3. Um caldeirão com dois ingredientes

Contando já com algumas contribuições das discussões realizadas inicialmente, é possível se trabalhar com os alunos a questão da composição genética de um indivíduo a partir da problemática: “Como características parentais passam aos filhos?”. É importante ressaltar e construir junto com os alunos a idéia de que um indivíduo apresenta uma carga genética resultante da junção de uma parcela materna e uma paterna. Para tanto se sugere que o professor aborde o conceito de Meiose relacionado à formação de gametas e a representação da reprodução através do Quadro de Punnet. O heredograma da família Evans (Figura 5) pode representar esta questão, principalmente no que concerne à relação Sr. Evans X

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Sra. Evans e sua filiação, pois filhas com fenótipos diferentes são resultantes de um mesmo casal.

A diferença entre gametas deve ser abordada pelo professor, que pode

também sugerir que os alunos busquem nos heredogramas que montaram de suas famílias casos semelhantes para características diferentes em filhos de um mesmo casal, pedindo que os alunos registrem hipóteses explicando e elucidando esta característica pela formação de gametas e pelo Quadro de Punnet. Se o professor desejar, este seria um bom momento para discutir também as duas Leis de Mendel, a Segregação dos Fatores, indicando que a característica

bruxo e trouxa segregam de forma independente uma da outra; e a Segregação Independente dos Fatores, na compreensão de que os gametas podem ser diferentes, quando duas ou mais características são envolvidas.

4.3.4. Dois indivíduos iguais, sem Poção Polissuco

O estudo sobre a formação de gametas e reprodução como mecanismo de

hereditariedade pode ser enriquecido ainda mais utilizando-se também o heredograma da família Weasley (Figura 3), focando o olhar nos gêmeos Fred e Jorge Weasley. Ambos são fisicamente semelhantes, com as mesmas características, como altura, físico, aparência e sexo. Este exemplo permite que o professor possa abordar em sala de aula com seus alunos a formação de gêmeos, tanto univitelinos quanto divitelinos. “O que pode ter levado ao nascimento de dois indivíduos fenotipicamente iguais?” é uma

pergunta chave para esta discussão, já que o caso dos gêmeos Weasley revela possivelmente gêmeos univitelinos, de mesma carga genética. A formação de clones naturais é uma questão que também pode ser levantada pelo professor. Uma idéia essencial para a compreensão deste caso é o conceito de Mitose tanto para a formação do indivíduo completo como para a fissão do zigoto e formação de dois embriões. O momento em que essa mitose ocorreu, qual a célula que sofreu este processo e as conseqüências dela podem ser pontos úteis para que o professor utilize, e caso os alunos já conheçam o assunto podem

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participar com suas contribuições. Uma mediação que considere os “achismos” dos alunos e leve-os a se questionar pode promover mudanças conceituais.

4.3.5. Ser bruxo é como não poder tomar leite

Utilizando-se os heredogramas da família Evans (Figura 5) e da família Weasley (Figura 3) com foco nos Granger, o professor poderá iniciar uma discussão sobre heranças autossômicas recessivas, indagando os alunos quanto à relação entre os alelos bruxos e trouxas: “Como podem surgir filhos bruxos em uma família cujos pais são trouxas?”. Retomando a questão dos cruzamentos, formação de gametas e diversidade destes, possivelmente alguns alunos talvez já consigam explicar relações de dominância e recessividade. Utilizando as contribuições dos alunos (e mesmo quando estas não ocorrerem) recomenda-se que o professor elucide em lousa a formação de gametas possíveis dos indivíduos envolvidos e realize os cruzamentos pelo Quadro de Punnet. Neste momento também é interessante chamar a atenção para a aleatoriedade da probabilidade envolvida nos cruzamentos. Fazendo-se este cruzamento em lousa fica evidenciado um caráter recessivo, e, portanto, que só ocorre em homozigose, do fenótipo bruxo. Pensando-se na herança da magia como um caráter autossômico recessivo, fica evidente que nos casos destas famílias de bruxos nascidos trouxas (Hermione Granger e Lílian Evans) foi resultante possivelmente de um cruzamento entre heterozigotos. O professor pode completar essa analogia, transpondo o conhecimento da herança autossômica recessiva para alguns exemplos reais, tais como galactosemia, fenilcetonúria e fibrose cística, através de situações-problema ou exercícios.

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4.3.6. Ser bruxo e falar com as cobras é como ter seis dedos

O contra-exemplo para as heranças recessivas são as dominantes, e utilizando os heredogramas das famílias Riddle (Figura 1), Black (Figura 4), Finnighan e Snape (Figura 2) são possíveis algumas analogias. Nestas genealogias ser bruxo parece seguir uma herança de padrão dominante, pois em cruzamentos de bruxos com trouxas os filhos são sempre bruxos. No caso da Família Gaunt há ainda a característica Ofidioglossia (falar com as cobras), presente em todos os membros, inclusive em Tom Riddle, que é um mestiço; caracterizando possivelmente uma herança autossômica dominante que também pode ser elucidada. O professor pode levar os heredogramas destas famílias para a aula e pedir que os alunos tentem identificar o que aparece de comum entre todas elas. Pode- se esperar que os alunos já identifiquem o fato de que nestas famílias ser bruxo é uma característica dominante, pois em cruzamentos de bruxos com trouxas sempre há nascimento de filhos bruxos. A princípio esta é a conclusão a que se pretende: a compreensão de que pode haver características em que um alelo é dominante e expressa um fenótipo em relação a outro alelo de mesmo locus. O professor pode encaminhar, durante a aula, a ideia de que um gene dominante pode se manifestar tanto em heterozigose quanto em homozigose. Esta atividade pode estar atrelada como analogia a comparação de outras características que seguem o mesmo padrão de herança (autossomia dominante) na realidade, como é o caso do fator Rh + , da Surdez Hereditária e da Polidactilia, que podem ser abordadas também por atividades e cruzamentos-teste.

4.3.7. Fugindo de Azkaban: as exceções à regra

Em contraponto aos padrões de herança mendeliana apresentados, o professor pode mostrar alguns possíveis exemplos e gerir atividades com os alunos para a compreensão de que não há um padrão determinístico para toda as características hereditárias.

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É o caso, por exemplo, de Ninfadora Tonks na família Black (Figura 4), uma

bruxa metamorfomaga (com capacidade de alterar sua aparência segundo sua vontade) que diz ter nascido com este dom portanto é uma característica inata

e que nunca antes surgiu na família. O professor pode se utilizar deste caso para discutir “É possível que uma característica seja hereditária ou genética sem que ela tenha ocorrido antes na família?”. O conceito de Mutação pode ser abordado a partir desse caso.

A família Weasley (Figura 3) também pode fornecer material de discussão

para padrões não mendelianos de herança, como é o caso da característica ser Ruivo e ser bruxo. Todos os filhos de Molly e Arthur Weasley são ruivos e bruxos, seria possível, caso o professor julgue adequado discutir a possibilidade de abordar o conceito de genes ligados (linkage). Ainda dentro do heredograma da família Weasley, seria interessante trabalhar a questão das heranças relacionadas à determinação sexual. Ao se observar os indivíduos da família Delacour (Apolline, Fleur, Gabrielle e Victoria), a característica Veela (beleza e atração a homens) mostra notoriamente um caso de Herança Restrita ao Sexo, em que apenas mulheres apresentam esta característica, dando margem e analogia para que o professor aborde a Hipertricose auricular, uma herança ligada ao sexo real, mas que só se manifesta em homens. O momento também é propício para que o professor aborde outras características de padrão de herança ligada ao sexo e herança holândrica, como a Hemofilia e o Daltonismo. Que também são características hereditárias

transmitidas pelos cromossomos sexuais.

4.3.8. O Enigma do gene dominante e recessivo

Imaginando que os alunos já tenham compreendido a questão de dominância para a Magia em algumas famílias e em outras como um caráter recessivo, o professor pode então abordar um outro conteúdo conceitual de Genética importante para o Ensino Médio: a Polialelia.

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Uma atividade em grupo pode ser uma alternativa para promover uma discussão crítica entre os alunos e valorizar a elaboração de hipóteses. O professor pode levar todos os heredogramas das famílias da série Harry Potter (Figuras 1, 2, 3, 4 e 5) para a sala e após mostrar que a característica bruxo se comporta tanto como dominante quanto como recessiva em algumas famílias, lançar a pergunta “Como é possível explicar que uma característica determinada por um mesmo loci gênico se comporte de maneira diferentes?”; a discussão pode ficar ainda mais interessante ao se acrescentar o caso dos Abortos (como o caso

de Arabella Figg e Argos Filch), indivíduos sem magia, filhos de pais bruxos e

extremamente raros. É interessante deixar que os alunos tentem chegar a conclusões próprias pelo que já sabem ou mesmo consultando o livro didático que possuem; esta atividade permite que os alunos desenvolvam uma postura diferenciada em

relação à Genética, não a enxergando como um campo de conhecimentos prontos

e preparados, mas um constructo resultante de discussão, pesquisa e

envolvimento de pesquisadores (neste caso, os alunos). Durante a mediação, o professor pode lançar mão de questões como Expressividade Variável de um gene, Herança Quantitativa, Interação Genótipo x Ambiente para composição do Fenótipo, indagando e levando os alunos a testarem suas hipóteses no papel. Caso os alunos consigam chegar a uma resposta coerente, o professor deve considerá-la uma vez que não há um padrão especificamente definido por J. K. Rowling para a Magia nos indivíduos da série Harry Potter. Para este trabalho, sugere-se a possibilidade de Polialelia, que o professor pode discutir com a sala, a partir da existência de três possíveis alelos envolvidos nesta herança: I M , I W e I O . I M sendo o gene que expressa o fenótipo trouxa (e, portanto, sem magia), que é dominante em relação aos outros dois alelos. I W é o gene responsável pelo fenótipo bruxo (com magia), que por sua vez é recessivo para I M e dominante em relação ao último gene: I O , outro gene que codifica o fenótipo sem magia, mas que é recessivo em relação aos outros dois.

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A existência dessa hipótese justifica, portanto, que nasçam abortos em famílias bruxas, e que bruxos nasçam de pais trouxas, uma vez que o fenótipo sem magia que caracteriza tanto abortos quanto trouxas e pode ser explicado pela presença de I O mesmo na população trouxa. É uma opção para o professor também que os alunos tentem identificar o genótipo de todos os indivíduos de alguma família ou de indivíduos pontuais. Uma vez que os alunos tenham compreendido este conceito, o professor pode também trazer casos reais de polialelia como a herança da cor da pelagem em coelhos, com os fenótipos Aguti (C + ), Chinchila (C ch ), Himalaia (C h ) e Albino (C), que apresentam dominância C + > C ch > C h > C. É também uma oportunidade perfeita para que se discuta a questão da determinação dos grupos sanguíneos em seres humanos pelo sistema ABO.

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5. Análise

A partir dos resultados obtidos, é possível delinear alguns paralelos em

relações com os referenciais consultados. Dentre eles, um dos focos deste trabalho foi trazer para as aulas de Biologia o uso de um tipo de literatura popular e conhecida pelos jovens e estudantes, de forma a buscar despertar o interesse nos alunos para o Ensino de Genética. Goldbach et al (2009), frente as dificuldades encontradas para ensina Genética, destaca a importância de se utilizar outros recursos diferenciados que respeitem as características dos alunos. Wasko et al (2007) complementam essa ideia ao elucidar que atividades lúdicas, diferentes e dinâmicas podem ser utilizadas para buscar um ensino de Genética que seja mais significativo para o

estudante.

O uso da literatura para ensinar Ciências também deve ser visto como um

recurso que enriquece o processo de ensino-aprendizagem, uma vez que permite ao aluno fazer releituras do mundo do autor (CARVALHO, 2008). Dessa forma, a escolha pelo uso da série Harry Potter, como desencadeador do interesse dos educandos para aprender Genética, levou em consideração o fato desta ser uma obra de sucesso entre o público escolar. O uso da série Harry Potter, na perspectiva apontada e através das propostas apresentadas, exemplifica o caso de transposição de conhecimentos científicos a partir do universo fictício. Rosa (2008) explicita o quanto é interessante a escolha e o uso da série Harry Potter em contexto escolar, pela identificação que ocorre dos jovens com os personagens, assim como Blake (2002) ao dizer que as histórias são atrativas e coerentes. Em um contexto maior, Gomes-Maluf e Souza (2008) ao elucidar a literatura como instrumento para enriquecimento do processo de ensino-aprendizagem, afirmam que a compreensão do mundo fictício permite uma reorganização de ideias para o mundo real, de forma a favorecer e facilitar a aprendizagem do

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educando. Driessnack (2009), em seu estudo de caso, expõe a utilidade de se utilizar dados fictícios para o ensino de conceitos reais. Neste ponto, Driessnack (2009) também comenta que o contato dos jovens

com conceitos complexos de Genética se dá cada vez mais cedo, seja na forma de literatura, desenhos ou filmes. Pensando nisso, é de grande interesse usar desses recursos para ensinar em contexto escolar.

As ações propostas apresentadas neste trabalho acabam por ter este foco,

na medida em que relaciona questões dos livros de Rowling (1997, 1998, 1999, 2000, 2003, 2005, 2007) com os conhecimentos a serem desenvolvidos e construídos pelos alunos, que apresentam conceitos de genética relacionados a história dos livros da série Harry Potter, mesmo que estes passem despercebidos. Quanto a este aspecto, Carvalho (2008) também aponta que os veículos de informação, como é o caso dos filmes e livros, carregam consigo conhecimentos

próprios e transcendentes de algumas áreas. Este tipo de ocorrência se dá devido ao fato de que autores de ficção como é o caso de Rowling, mesmo não conhecendo a fundo conceitos científicos, implicitamente acabem por inserir em suas obras, as suas próprias concepções sobre o conhecimento biológico que possuem, para dar um fundamento lógico a sua trama (GOMES-MALUF, SOUZA,

2008).

São exemplos destes conhecimentos do autor que passaram para a obra, no caso da série Harry Potter e as concepções de Genética e Hereditariedade, a ideia de transmissibilidade de características pelo sangue, como fica evidente nas falas de Tia Guida, em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, e no uso dos termos puro sangue e sangue ruim.

A noção de que o sangue é um agente veiculador de informações

hereditárias e genéticas é um senso comum, presente tanto entre alunos quanto na sociedade, tal concepção tem sido arraigada ao longo da história da humanidade desde a antiguidade devido ao uso de determinados termos, como apontam Oliveira e Silveira (2010) e Pedrancini e Corazza-Nunes (2008). O trabalho docente deve então, no caso da Genética, ir de encontro a transformar

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estas ideias de senso comum e erros conceituais dos estudantes (GOLDBACH, ET AL, 2009). A presença desta concepção na série Harry Potter não invalida o seu uso em sala de aula ou as propostas feitas com base nele, uma vez que as ações propostas visam romper este tipo de senso comum. Há ainda, que se creditar, também, que a série Harry Potter também traz contribuições para uma compreensão de uma Genética mais ampla e ao mesmo tempo não determinística, ao elucidar, por exemplo, o fenótipo bruxo como uma característica em uma população maior e o fato de que fatores externos podem influir na manifestação desta característica, como presente na obra de Rowling (1997, 1998, 1999, 2000, 2003, 2005, 2007). Um Ensino de Genética atual, que vise formar um indivíduo de pensamento crítico frente a essa área de conhecimentos, deve privilegiar conteúdos que rompam com a visão determinística e monogênica, resultante de um ensino simplificado (VALADARES, RESENDE, 2009). Pensando nisto, a primeira proposta apresentada sugere que o professor leve a sala de aula um heredograma de uma das famílias da série Harry Potter, e peça aos alunos para que respondam a uma pergunta. Essa atividade tem como objetivo o reconhecimento das concepções alternativas destes estudantes sobre hereditariedade. Mauri (1996) ressalta que os conhecimentos prévios que os alunos possuem devem ser levados em consideração e reconhecidos pelo professor; já que é a partir deles que os educandos irão modular e construir novos conhecimentos. Solé e Coll (1998) evidenciam que discutir as concepções alternativas dos alunos e utilizá-las para nortear o trabalho docente é um dos fundamentos para que o ensino provoque alguma mudança no aluno e seja efetivamente significativo. Esse tipo de mudança só é possível a partir do momento em que os estudantes levantem hipóteses e estabeleçam novas relações frente a um problema apresentado; dessa maneira a alteração nos esquemas de

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conhecimento e a reformulação dos modelos pessoais é que irá permitir que o aluno efetivamente aprenda (MAURI, 1996). Já a segunda proposta está pautada na produção gráfica por parte dos alunos de heredogramas de suas próprias famílias, a partir do conhecimento que possuem e contando com a mediação do professor. Este é uma das alternativas que podem favorecer o sucesso dos alunos em Genética. Os professores devem ter em mente que planos de atividades que valorizem o trabalho autoral por parte dos alunos é um tipo de recurso que possibilita desenvolver habilidades de auto-organização e reconhecimento por parte do próprio aluno, de maneira que estes construam conhecimentos procedimentais específicos e valiosos, como apontam Capelli e Nascimento

(2008).

A terceira proposta trabalha com a concepção de meiose, formação de

gametas, Quadro de Punnet e as Leis de Mendel; utilizando indivíduos da família Evans, para mostrar a diferença entre os gametas de um mesmo indivíduo e como os filhos de um mesmo casal podem ser diferentes entre si. Este tipo de trabalho, estabelecendo as devidas conexões contribui para que determinados conceitos estruturantes de Genética se contextualizem de forma não fragmentária, mas íntegra. Abril et al (2002) afirmam que quando estas relações não são respeitadas em sala de aula, e são apresentadas sistematicamente como partes individualizadas, provocam uma não compreensão, por parte dos alunos, entre a aleatoriedade dos cruzamentos, a probabilidade envolvida e a formação gamética.

A terceira proposta contempla ainda conteúdos que Camargo e Infante-

Malaquias (2007) acreditam ser essenciais e fundamentais para nortear o Ensino

de Genética, já que meiose, formação de gametas e cruzamentos resultantes são o cerne da Genética Mendeliana Clássica.

A quarta proposta coloca em questão a formação de clones naturais e a

ideia de mitose, relacionado com os gêmeos Weasley; propondo assim que os alunos elaborem hipóteses para a ocorrência de gêmeos univitelinos e divitelinos.

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A elaboração de hipóteses, como apontada por Mauri (1996), tem uma

função importante para o processo de ensino-aprendizagem, pois ao tentar explicar uma situação, o aluno é levado a transformar seus modelos pessoais para adequar uma explicação plausível para a situação apresentada. Esta atividade também entra em consonância com a definição de uma situação problema real, como definida por Pozo e Crespo (1998), já que demanda do aluno raciocínio, exige dele a busca por uma resolução e implica na organização e reorganização de conhecimentos para se alcançar uma meta: a proposição da hipótese, que deve ser testada.

A quinta e a sexta proposta apresentam a abordagem e a discussão dos

conceitos de dominância e recessividade. A quinta proposta com um enfoque na

herança autossômica recessiva, apresentada na família Evans e os Weasley. A sexta proposta relaciona o fenótipo bruxo com heranças autossômicas dominantes. Em ambas as situações também são apresentadas as possíveis analogias com algumas doenças e heranças que o professor pode estabelecer.

Valadares e Resende (2009) apontam que a discussão destes conceitos, sua diferenciação e compreensão é fundamental para os alunos do ensino básico. Já que grande parte das características herdáveis apresentam este tipo de relação, as quais os alunos devem compreender com propriedade.

O uso das analogias para ensinar Genética é interessante, pois permite a

transposição de um conhecimento de uma situação análoga, que é geralmente compreendida mais facilmente, para uma realidade mais complexa (MAESTRELLI, FERRARI, 2006).

Na sétima proposta o objetivo é trabalhar com características que não seguem um padrão de herança mendeliana, trabalhando com mutação, linkage e heranças ligadas ao sexo. Trabalhar estes conteúdos também permite, que em certa maneira, o estudante construa uma visão diferenciada sobre Genética, pois mostram que outros fatores e outros tipos de fenômenos podem influir nos mecanismos de hereditariedade de uma maneira não determinística (VALADARES, RESENDE,

2009).

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A oitava proposta traz uma ideia de síntese dos conceitos aprendidos, em

que os alunos trabalhariam com todos os heredogramas e frente as diferentes possíveis heranças teriam de elaborar uma teoria ou hipótese que englobasse todas as famílias discutidas anteriormente. Neste momento os autores do trabalho apresentam uma possibilidade de padrão de herança bruxa, que é de polialelia. É interessante ressaltar que diferentes propostas podem ser viáveis e aceitas, que não há uma resposta definitiva, uma vez que autores de literatura não têm preocupação com a verdade, apesar de usarem de seus conhecimentos em Ciência, para explicarem a sua realidade ficcional, como destacam Gomes-Maluf e

Souza (2008). Esta atividade também se apresenta como um problema real para os alunos, pois, segundo Pozo e Crespo (1998), estes são caracterizados por despertar interesse e gerar dúvidas reais, de forma que os alunos se dediquem a desenvolvê-los; elaborando diferentes esquemas para tanto.

A elaboração de uma representação pessoal sobre o conteúdo é uma das

metas dessa proposta, de forma que o aluno se vê frente a uma situação e terá que organizar-se de tal maneira que consiga resolvê-la. Este é um requisito chave para o desenvolvimento cognitivo do educando, pois ele deve considerar aquilo que aprendeu, traçando um curso e estabelecendo uma meta para sanar a situação problema apresentada, como discorrem Pozo e Echeverría (1998).

A proposta de Polialelia para o fenótipo bruxo, apresentada neste trabalho,

mostra-se como uma proposição inédita. Craig et al (2005) apontou um caráter puramente autossômico recessivo para esta característica, enquanto Dodd et al (2005), em discordância, elucidou que não havia um padrão de herança definido para a Magia. Esta proposta foi feita levando-se em consideração todas as situações apresentadas nas obras de Rowling (1997, 1998, 1999, 2000, 2003, 2005, 2007) e a partir de todos os dados coletados, buscando incluir todas as situações apresentadas. Mas como explicitam Gomes-Maluf e Souza (2008), uma vez que autores de ficção tem compromisso com a fantasia e não com a verdade, a realidade

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ficcional retrata apenas as concepções biológicas destes autores e não uma verdade científica plenamente testada e elaborada. É importante ressaltar que o professor não precisa utilizar todas as propostas, que o mais interessante é que ele as utilize de acordo com o perfil da sala, adequando-as com as características individuais da turma e com o seu próprio plano pedagógico. As propostas oferecem ainda a possibilidade para uma ação interdisciplinar com os professores de Língua Portuguesa, através do trabalho com Leitura; de Matemática, ao integrar o cálculo de probabilidade; ou com os professores de História e Filosofia, uma vez que toda esta problemática do ser bruxo e ser trouxa na obra de Rowling (1997, 1998, 1999, 2000, 2003, 2005, 2007) levam a discussões sobre pureza de raça, eugenia e preconceito. Assuntos recorrentes que em outros tempos também levaram a ações de pureza racial, como o Nazismo alemão. As propostas não têm intenção de serem um roteiro pronto a ser seguido, visam apenas fornecer um plano de orientação ao professor, com a intenção de facilitar e melhorar a aprendizagem de genética que tem como característica própria ser abstrata, distante da realidade e envolver conceitos complexos, como relatam diversos autores (ABRIL, ET. AL, 2002; GOLDBACH, ET. AL, 2009; CAMARGO, INFANTE-MALAQUIAS, 2007; SALIM, ET. AL, 2007). As propostas de atividade foram a opção escolhida, pois permite que professores do ensino básico, que venham a conhecer essa alternativa, possam adaptá-lo de acordo com as necessidades, demandas e peculiaridades de suas classes. Não se visa que esta proposta tenha por objetivo apenas propor o ensino da Genética da série Harry Potter per si, mas fornecer uma ferramenta que possibilite a analogia com conceitos biológicos e maximize o processo de construção de conhecimentos da área de Genética de uma forma mais significativa para o educando.

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6. Considerações Finais

Tendo em vista os nossos objetivos iniciais, conseguimos alcançá-los ao fazer uma análise dos problemas relativos ao Ensino de Genética que já foram publicados, conseguimos utilizar os dados da série Harry Potter para propor atividades que contemplassem os conteúdos que normalmente são trabalhados em sala de aula e os que são destacados como essenciais pelo referencial estudado. Por demandar muito tempo para a sua elaboração, não foi possível aplicar a proposta de roteiro, e assim avaliar a sua aplicabilidade, seus pontos positivos e os negativos. Portanto, julgamos que seria interessante a continuidade deste trabalho, uma vez que a análise do material produzido e a reflexão sobre o mesmo produziria resultados interessantes que contribuiriam significativamente para uma perspectiva de melhoria do Ensino de Genética. Existe também a possibilidade de explorar outros assuntos presentes na série Harry Potter, uma vez que, dentro da perspectiva de trabalho de conclusão de curso, não foi possível abranger todas as possibilidades apresentadas na mesma. Algumas abordagens encontradas pelos autores deste trabalho foram a temática da Eugenia, uma vez que ao longo da história, um dos cernes centrais da trama é a questão da superioridade da raça de bruxos sobre a de outros seres mágicos, assim como a supremacia dos puro-sangues sobre os nascidos trouxas ou mestiços. Há possibilidade de se introduzir conceitos de Zoologia, de Botânica e de Biogeografia com os animais e vegetais fantásticos citados ao longo da obra, e que são apresentados nas aulas de Herbologia e Trato de Criaturas Mágicas. Também poderiam ser trabalhadas algumas questões de concepções alternativas apresentadas no livro e que costumam ser expressa por crianças, como no caso das Mandrágoras, que se alimenta de terra e tem o desenvolvimento semelhante ao de seres humanos; apresentando uma

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possibilidade de se trabalhar este tipo de literatura com uma faixa etária mais jovem que a do Ensino Médio.

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7. Referências Bibliográficas

ABRIL, A. M.; et. al. Herencia y Genetica: Concepciones y conocimientos de los alumnos (1ª Fase). XX Encuentros de Didáctica de las Ciencias Experimentales Relación Secundária Universidad, Jaén: 2002. p. 776 Disponível

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65

8. APÊNDICE

8.1 Glossário

Aborto: Indivíduo filho de pais bruxos, mas sem poderes mágicos.

Auror: Bruxos do Ministério da Magia especializados na caça e no combate a bruxos e feiticeiros das trevas.

Azkaban: Prisão bruxa para a qual os criminosos da sociedade mágica são enviados.

Balaço: Um dos três tipos de bolas do jogo de Quadribol. Bola enfeitiçada, que junto com seu par, voa pelo ar tentando atingir qualquer jogador visando derrubá- lo de cima da vassoura.

Basilisco: Criatura mágica e mítica altamente perigosa, com o formato de uma serpente de tamanho colossal. Seu olhar direto pode matar um ser humano.

Beauxbattons: Uma das escola de Magia estrangeira que compete no Torneio Tribruxo. Localizada provavelmente na França.

Bisbillhoscópio: Instrumento mágico que detecta segredos. Semelhante a um peão, quando localiza algum segredo, começa a girar e apitar.

Bruxo: Ser humano dotado de capacidades sobrenaturais, capaz de executar feitiços, manusear varinha e instrumentos mágicos.

Cálice de Fogo: Instrumento seletor dos alunos de cada escola participantes do Torneio Tribruxo. Uma taça de madeira que contém flamas azuladas.

Comensal

da

Morte:

Bruxos

das

trevas,

seguidores

e

apoiadores

de

Lord

Voldemort, assim como de sua ideologia de pureza racial bruxa.

Dementador:

felicidade dos seres humanos. Sua presença é marcada por um frio intenso, e tal

Criaturas mágicas das trevas que se alimentam de alegria e

criatura é capaz de drenar a alma de um ser humano através de seu beijo.

Durmstrang: Uma das escola de Magia estrangeira que compete no Torneio Tribruxo. Localizada provavelmente em algum país ao norte da Europa.

66

Elfo Doméstico: Criatura Mágica, cuja espécie serve como empregado aos bruxos. Um elfo é preso a uma família de bruxos até que receba uma peça de roupa de presente de algum dos membros da família, sendo assim liberto.

Hipogrifo: Criaturas mágicas metade cavalo e metade águia. São carnívoros e capazes de voar.

Horcrux: Item resultante de magia negra altamente perigosa. Consiste em um item ou ser vivo na qual um bruxo encerra parte de sua alma, de forma que caso seja atacado, não morre uma vez que sua alma não é totalmente destruída e encontra- se dividida.

Lobisomem: Condição patológica na qual um ser humano se transforma em uma criatura bestial toda lua cheia, perde a razão e assume instintos selvagens. Condição contraída a partir da mordida de um lobisomem plenamente transformado.

Mandrágora: Planta mágica, cuja raiz se assemelha a um formato humanóide de desenvolvimento semelhante ao humano. Quando retirada de baixo da terra, a mandrágora emite um grito que pode ser mortal.

Mestiço: Indivíduo que é filho de pais que são respectivamente trouxa e bruxo.

Metamorfomago: Condição inata mágica em que o bruxo é capaz de alterar sua aparência e sua fisionomia de acordo com a sua vontade.

Nascido-trouxa: Indivíduo bruxo, e portanto com poderes mágicos, cujos pais são trouxas.

Ofidioglota: Indivíduo capaz de entender e falar com as serpentes.

Pedra Filosofal: Item alquímico e mágico raro, a partir do qual é possível se extrair o Elixir da Vida e transformar metais em ouro.

Penseira: Instrumento mágico com formato de bacia de pedra, dentro da qual os bruxos são capazes de visualizar memórias que ali depositem.

67

Poção Polissuco: Bebida mágica preparada ao longo de um mês, que concede a quem a bebe a capacidade de se transformar fisicamente por uma hora em outro indivíduo, cuja parte do corpo tenha sido adicionada a poção.

Profeta

Diário:

Jornal

diário

do

mundo

acontecimentos do mundo bruxo.

mágico

que

veicula

as

notícias

e

Quadribol: Esporte popular entre os bruxos; joga-se montado em vassouras. Duas equipes, cada uma composta por sete jogadores, tem por objetivos fazer pontos arremessando uma bola principal (goles) entre os três aros do campo da equipe adversária. Vence quem obtiver mais pontos e o jogo se encerra quando um dos apanhador , jogador especializado, captura o pomo de ouro (uma pequena bola dourada e ágil).

Relíquias da Morte: Três itens mágicos que teriam sido supostamente dadas pela própria Morte a três bruxos. O possessor dos três itens se torna o senhor da Morte

e não pode ser morto enquanto as possuir. São as relíquias a Pedra da Ressurreição, a Varinha das Varinhas e a Capa da Invisibilidade.

Sangue-puro: Termo cunhado pelas famílias bruxas que não possuem ligação, elo

ou trouxas na família.

Sangue-ruim:

nascidos-trouxa.

Termo

pejorativo

utilizado

para

ofender

os

indivíduos

bruxos

Torneio Tribruxo: Competição interescolar entre as três escolas de magia européia (Hogwarts, Beauxbattons e Durmstrang), em que cada escola possui tradicionalmente um aluno representante, denominado campeões. Os campeões passam por três provas, e o que obtiver mais pontos vence o torneio para sua escola.

Trouxa: Ser humano que não possui capacidades mágicas, descrito como a maior parte da população humana.

Veela: Criaturas Mágicas humanóides capazes de exercer atração aos homens, quando irritadas são capazes de lançar bolas de fogo.

68

Vira-tempo: Item mágico, extremamente raro e regulamentado, que possibilita voltar no tempo.

69

Estou ciente do conteúdo da Monografia DA MAGIA PARA A BIOLOGIA POSSIBILIDADES DA SÉRIE HARRY POTTER PARA O ENSINO DE GENÉTICA

Profª. Drª. Ana Paula Pimentel Costa

(Orientadora Universidade Presbiteriana Mackenzie)

Eymael Silva de Souza

(Aluno Código de Matrícula 3098415-7)

Trabalho a ser apresentado em: Novembro/2011

Juliana Almeida Menequini

(Aluna Código de Matrícula 3095525-4)

Trabalho a ser apresentado em: Novembro/2011