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A VIOLÊNCIA NO AMBIENTE ESCOLAR

Tairine Cândida de Souza Castro

RESUMO

A violência tem se caracterizado como um dos mais importantes problemas da


sociedade contemporânea. Esse fenômeno tem se inserido nos mais distintos
contextos, incluindo a escola. Mesmo não representando um fenômeno recente, a
violência tem assumido contornos mais assustadores, fazendo com que a discussão
sobre o tema venha sendo intensificada. Devido ao impacto da violência escolar
sobre a vida das pessoas e considerando que as diversas formas de violência
relacionada ao ambiente escolar constituírem problemas muito significativos para a
sociedade contemporânea, o presente estudo teve como objetivo identificar os
principais aspectos teóricos e conceituais relacionados à questão da violência e sua
relação com a escola. Buscou-se também investigar as principais iniciativas
existentes para a promoção do combate e a prevenção da violência no contexto
escolar, sobretudo em função das particularidades que compõem a sociedade
brasileira. Visando atingir aos objetivos propostos no estudo, foi realizada uma
pesquisa bibliográfica com a apuração dos principais aspectos conceituais
relacionados ao fenômeno da violência escolar. A pesquisa mostrou que a escola
compõe um subsistema da sociedade, se vê exposta às mais diversas formas de
violência, exigindo dos educadores e demais componentes da comunidade escolar a
busca por uma pacificação do ambiente, a partir da valorização das relações
humanas, promovendo o diálogo constante e a construção coletiva, evitando assim
os conflitos que possam levar a violência. Logo, conclui-se que os eventos violentos
relacionados a vida escolar podem ocasionar importantes prejuízos físicos,
psicológicos, emocionais e cognitivos na criança e no adolescente envolvido. A
escola, enquanto subsistema da sociedade, se vê exposta às mais diversas formas
de violência. Isso exige dos educadores e demais componentes da comunidade
escolar a busca por uma pacificação do ambiente, a partir da valorização das
relações humanas, promovendo o diálogo constante e a construção coletiva,
evitando assim os conflitos que possam levar a violência.

Palavras-chave: Violência Escolar. Indisciplina. Sociedade.


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO------------------------------------------------------------------------ 09
-
2. DESENVOLVIMENTO--------------------------------------------------------------- 11

2.1 Revisão de Literatura-------------------------------------------------------------- 11

2.1.1 Principais Conceitos da Violência------------------------------------------------ 11

2.1.1.1 Os Tipos de Violência --------------------------------------------------------------- 14

2.1.2 A Violência e a Escola--------------------------------------------------------------- 17

2.1.2.1 Violência contra a escola----------------------------------------------------------- 20

2.1.2.2 Violência na escola------------------------------------------------------------------- 20

2.1.2.3 Violência da escola------------------------------------------------------------------- 21

2.1.3 A Redução da Violência e o Papel da Escola--------------------------------- 22

2.2 MATERIAL E MÉTODOS ---------------------------------------------------------- 25

3 RESUTADOS E DISCUSSÃO----------------------------------------------------- 27

4. CONSIDERAÇOES FINAIS ------------------------------------------------------- 29

REFERÊNCIAS 31
-----------------------------------------------------------------------
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1. INTRODUÇÃO

Dentre os diversos problemas que assolam a sociedade brasileira, inegavelmente a


violência é dos que mais preocupa, sobretudo devido a grande inserção desse
fenômeno nos mais distintos contextos, incluindo a escola. Embora não possa ser
considerado um fenômeno recente, na atualidade a violência tem assumido
contornos mais assustadores, fazendo com que a discussão sobre o tema venha
sendo intensificada.

Assim, as transformações sofridas pela sociedade fizeram com que a violência


passasse a ser um significativo objeto de reflexão, se consolidando como um dos
mais graves problemas sociais. Alterações como a maior incidência de armas nas
escolas, aumento no uso de entorpecentes, expansão de grupos criminosos dentro
do ambiente escolar fez com que esse espaço fosse se tornando a cada dia menos
seguro (FRAGA, 2016),

A maior incidência da violência no contexto escolar tem feito com que a mídia
veicule de forma recorrente as inúmeras situações de violência que acontecem nas
escolas brasileiras, em todas as regiões do país, o que tem produzido um aumento
no medo de pais, educadores e sociedade em geral em relação ao assunto
(ARRIETA; GROLLI; POLENZ, 2000).

Além disso, tanto as escolas como suas imediações deixaram de ser áreas seguras
e protegidas, fazendo com que esses locais passassem a incorporar a violência
cotidiana do espaço urbano. Merece destaque ainda que as escolas deixaram de
representar um local de amparo e proteção para os alunos, o que levou a perda do
seu vínculo com a comunidade.

Também é necessário considerar que, atualmente, a violência nas escolas não se


limita a simples eventos de indisciplina. Neste novo cenário, torna-se cada vez mais
comum observar a manifestação de ações como agressões, roubos,
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comportamentos preconceituosos e antissociais, entre outros. Por essa razão, a


compreensão acerca da violência escolar requer se que estabeleça uma análise
mais ampla desse fenômeno, não devendo restringir-se simplesmente a avaliação
de comportamentos transgressores por parte dos alunos.

Nesse contexto, dada a importância do tema e seu impacto para a sociedade, a


violência escolar passou a integrar a agenda de políticas públicas e ações
governamentais. A proteção das escolas frente aos efeitos danosos da violência
passou a ser apresentada como um mecanismo de combate à exclusão e a
democratização do ensino no país (DEBARBIEUX, 2002).

Devido ao impacto da violência escolar sobre a vida das pessoas e considerando


que as diversas formas de violência relacionadas ao ambiente escolar constituem
problemas muito significativos para a sociedade contemporânea, o presente estudo
teve como objetivo identificar os principais aspectos teóricos e conceituais
relacionados à questão da violência e sua relação com a escola.

Buscou-se também investigar as principais iniciativas existentes para a promoção do


combate e a prevenção da violência no contexto escolar, sobretudo em função das
particularidades que compõem a sociedade brasileira.
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2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Principais Conceitos da Violência

A sociedade contemporânea tem convivido com os mais diversos tipos de violência,


os quais são expressos em todos os ambientes e contextos de relacionamento
humano. Pela complexidade do tema e amplitude nas formas pelas quais a violência
se processa, o termo violência recebe inúmeros conceitos que podem
complementar-se ou mesmo divergirem.

Para Abramovay e Rua (2002), por representar um evento dinâmico e mutável, a


violência sofre variações em suas representações e significados na medida em que
a própria sociedade se transforma. Isso faz com que seu conceito esteja relacionado
ao momento sócio histórico e cultural, além de uma série de outros fatores que
caracterizam os fenômenos sociais.

Um dos conceitos para a violência é apresentado pela Organização Mundial de


Saúde (OMS), a qual a define como:

[...] uso intencional de força física ou poder, em forma de ameaça ou


praticada, contra si mesmo, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou
comunidade que resulta ou tem uma grande possibilidade de ocasionar
ferimentos, morte, consequências psicológicas negativas, mau
desenvolvimento ou privação (OMS, 2002, p. 5).

Podemos entender ainda a violência como uma ação intencional, realizada por um
indivíduo, um grupo, instituição, classes ou ainda por nações, dirigindo ações para o
outro de modo a causar prejuízos, danos físicos, psicológicos, sociais, entre outros.
(MINAYO; SOUZA, 1998)

Minayo (2009) complementa a ideia expressa anteriormente ao considerar a


violência como uma forma de utilização da força física ou de poder contra si mesmo,
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contra outra pessoa, ou um grupo, resultando em algum tipo de lesão física,


psicológica, comprometimento no desenvolvimento ou privação.

Na violência, a agressividade é um dos principais meios pelos quais se realiza o


processo destrutivo, de modo que a agressão se expressa na forma de violência na
medida em que a vítima da agressão percebe no agressor o desejo de fazer sofrer.
Nota-se, por isso, que na violência existe uma relação de desigualdade entre
agressor e agredido, a partir da utilização arbitrária e gratuita de uso da força
(FERNÁNDEZ, 2005).

Esse mesmo autor esclarece que, no caso da violência, não há a necessidade de


uso da força física para sua caracterização. A própria ameaça, por fazer parte da
natureza da violência, também já tipifica uma de suas formas de expressão.

Por representar um fenômeno amplo e abrangente, Abramovay e Rua (2002)


exemplificam a violência através de diversos eventos como os homicídios, suicídios,
agressões físicas, violência no trânsito, além das várias formas de violência sexual.
Além destes, o autor cita ainda outras formas como a violência psicológica, verbal,
simbólica e também a institucional.

Pode-se considerar a violência como um fenômeno social e multifacetado, cuja


definição pode sofrer constante mutação em virtude dos vários sentidos nos quais
pode ser aplicada. Um dos principais problemas para o entendimento de seu
conceito é o fato de que, enquanto fenômeno social não existe padrões sociais
imutáveis, sendo dirigido segundo o julgamento social, o que torna difícil a existência
de um consenso sobre o termo (RISTUM, 2001).

Para Santos (2002), a violência é um dispositivo de expressão do poder exercido


sobre o outro em uma relação onde sua vontade é promovida pela força e coerção
em detrimento de alguém. Trata-se assim de uma relação social caracterizada pelo
excesso de poder por parte de alguém, impedido que o outro seja reconhecido e
respeitado.
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A violência é percebida como utilização da força física e do constrangimento


psíquico como forma de obrigar alguém a agir contrariamente à sua natureza e às
suas preferências e escolhas, ou seja, agindo contra sua própria vontade. Assim,
através da força ou da coação psíquica, o indivíduo é obrigado a fazer algo contrário
a si mesmo, também contra os seus desejos e interesses, o que pode causar-lhe
danos profundos e irreparáveis por toda a vida (CHAUÍ, 2003).

Logo, a violência ocorre sempre que algo é imposto a partir do uso da força, do
poder ou mesmo do status ou condição de um indivíduo em detrimento de outro, de
modo a provocar nele algum tipo de prejuízo, abuso físico ou psicológico, seja de
forma direta ou indireta (FERNÁNDEZ, 2005).

Para Oliveira (2002) uma das principais características da violência é um acentuado


processo de não reconhecimento do outro, assim o praticante da violência não
reconhece o outro como um sujeito.

Por essa razão, na violência não existe a possibilidade de diálogo entre os


indivíduos, baseando-se apenas na ruptura com o uso da força, o que exclui toda e
qualquer forma de relação social mediada pela comunicação e pelo diálogo
(SPOSITO, 2001).

Jares (2007) acrescenta ainda que a violência consiste num fenômeno que impede a
auto realização humana, gerando assim diversos prejuízos àquele que a sofre.
Neste sentido, a violência representa tudo aquilo que afeta uma pessoa ou um
grupo, de modo que não seja possível revelar seu potencial, realizar seus desejos e
objetivos, nas mais diversas dimensões da existência humana.

Chauí (2003) defende uma visão ampliada para o conceito de violência, agregando
às concepções de brutalidade e abusos físicos e psíquicos contra o outro, também a
ideia de relações intersubjetivas e sociais exercidas por meio da opressão,
intimidação e medo.

Também se compreende por violência todas as formas de violação de direitos civis,


tais como vida, propriedade, liberdade, consciência e culto, incluindo também as
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diversas formas de violação de direitos políticos e sociais. Assim, sempre que se


praticam atos que interferem em condições como saúde, educação, saneamento
básico, segurança, emprego, entre outros, também estará ocorrendo ali uma forma
de violência. Isso faz com que a violência possa ser entendida como um dos
problemas mais importantes na vida humana, causando constante preocupação no
cotidiano das pessoas, envolvendo os mais diversos ambientes e espaços de
relação social, incluindo as escolas.

2.1.1 Os Tipos de Violência

Atualmente é possível distinguir diversas formas de classificação dos tipos de


violência. Dada a complexidade de definição do termo, bem como de suas formas e
limites, a classificação da violência apresenta muitas vezes formas que se conflitam
entre si.

De acordo com a classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS) pode-se


dividir a violência em duas modalidades: a violência interpessoal e a violência
coletiva.

Na violência interpessoal, a principal característica é que ela ocorre entre indivíduos,


sendo praticada em ambientes como a família, envolvendo crianças, jovens e
adultos. Também ocorre dentro de comunidades envolvendo indivíduos que se
conhecem ou não (SÃO PAULO, 2009).

Por sua vez, a violência coletiva pode ser dividida em violência social, política ou
econômica. Encontram-se inseridas nesse tipo de violência a exclusão
socioeconômica, o preconceito, o racismo e todas as demais formas de
discriminação. Por suas características próprias, ela pode ser praticada tanto por
indivíduos como por instituições e pelo próprio Estado.

Ainda de acordo com a classificação da OMS, distinguem-se quatro modalidades


distintas de atos violentos. O primeiro diz respeito à violência física, caracterizada
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pela utilização da força física para produção de traumas, lesões, feridas, ou outras
formas de agressão ao outro (SÃO PAULO, 2009).

Outra modalidade, a violência psicológica, refere-se às agressões verbais ou


gestuais que tem o objetivo de humilhar, aterrorizar e rejeitar o agredido, restringindo
sua liberdade ou o isolando do convívio social.

Nessa mesma classificação encontra-se a violência sexual que se refere ao ato ou


jogo sexual que ocorre nas relações hetero ou homossexuais, onde a vítima é
utilizada como forma de obter excitação sexual e práticas eróticas, pornográficas e
sexuais. Essas práticas são obtidas a partir da violência física, do aliciamento ou
ainda por meio de ameaças (SÃO PAULO, 2009).

Minayo (2009) esclarece que a violência sexual ocorre não somente por meio da
prática sexual, envolvendo ainda outras formas como carícias, manipulação dos
órgãos sexuais, entre outras atividades que ocorram sem que necessariamente
exista a penetração vaginal, anal ou oral.

Faz parte ainda da classificação apresentada pela OMS a violência por privação ou
negligência onde existe a omissão na promoção de necessidades básicas do
desenvolvimento da vítima. Assim, situações em que exista a privação de
alimentação, educação e segurança também se caracterizam como uma forma de
violência (SÃO PAULO, 2009).

Outra forma de classificação diz respeito à pessoa ou grupo ao qual a violência está
direcionada. Segundo essa classificação, encontramos a violência doméstica e do
casal, violência afetiva, violência intrafamiliar e ainda a violência entre parceiros
íntimos.

A violência intrafamiliar é expressa como uma forma de violência interpessoal onde


existe uma ação ou omissão que prejudique o bem-estar, a integridade física e
psicológica, ou mesmo o direito e a liberdade de outro membro de uma mesma
família. Não se trata, portanto, da violência entre casais, uma vez que envolvem
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também outros membros da família como filhos, pais, irmãos, entre outros (BRASIL,
2001).

Uma característica desse tipo de violência é que ela ocorre dentro ou fora do
ambiente doméstico, envolvendo algum dos membros da família, principalmente
aquele que assume alguma função parental, ainda que não exista um laço de
consanguinidade, mas com uma relação de poder sobre a outra pessoa (BRASIL,
2001).

A violência contra a mulher, termo preterido por muitos autores e substituído por
violência no casal, consiste no ato de violência contra um dos membros do casal,
principalmente do homem em relação à mulher, resultando em algum tipo de dano
ou sofrimento físico, psicológico ou sexual, envolvendo a ameaça, a privação ou a
coação, seja no âmbito da vida pública ou privada (CANTERA, 2007).

Ainda segundo Cantera (2007), esse tipo de violência pode ocorrer antes, durante
ou depois do estabelecimento do relacionamento entre os indivíduos. Para esse
autor, esse tipo de violência caracteriza-se por ser um comportamento
conscientemente hostil e intencional que provoca diversos tipos de danos ao outro,
como físico, emocional ou psíquico, sexual, social, econômico, social ou moral ao
indivíduo agredido.

Nesse mesmo sentido, encontramos outra classificação para a violência, que é


aquela cometida contra criança ou adolescente. De acordo com Deslandes, Assis e
Santos (2005), esse tipo de violência ocorre quando existe alguma ação ou omissão
que provoque lesões, danos e transtornos ao desenvolvimento da criança ou do
adolescente. Nesse tipo de violência, uma das características é a existência de uma
relação assimétrica e desigual de poder, a qual se manifesta por uma imposição
física, poder econômico ou político, ou ainda pela dominação e opressão familiar ou
geracional sobre a criança e o adolescente.

Minayo (1994) propõe ainda outra forma de classificação da violência onde são
delimitadas as suas formas de expressão e o impacto destas nos indivíduos e
grupos em que ela ocorre. Segundo essa classificação, a violência pode ser dividida
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em: violência estrutural, que ocorre dento das estruturas organizadas e


institucionalizadas, influenciando as práticas de socialização; violência da
resistência, que ocorre nas distintas maneiras de resposta dos indivíduos oprimidos
à violência estrutural; violência da delinquência, englobando as diversas formas de
delito, expressas nas ações que fogem as leis de um determinado local.

Nota-se assim que, pelos diversos fatores e meios envolvidos no fenômeno da


violência, é possível afirmar que ela encontra-se intrinsicamente relacionada a todos
os contextos e meios da vida social, sendo responsável por prejuízos significativos
para a sociedade. Em consonância à temática do estudo, serão tratados a seguir os
principais aspectos relacionados à violência na escola.

2.2 A Violência e a Escola

Retomando aos aspectos conceituais da violência, verificamos em Assis e Marriel


(2010, p. 42) que a violência consiste no resultado de uma “complexa interação de
fatores individuais, de relacionamentos estabelecidos, comunitários e sociais, sendo
necessário ter sempre em mente as interseções e conexões existentes entre os
diferentes níveis”.

Sobretudo na infância e na adolescência, a escola representa um dos principais


ambientes de estabelecimento das relações sociais dos indivíduos, fazendo com que
ela seja também um espaço bastante propício para a ocorrência das diversas formas
de violência.

Neste sentido, de acordo com o entendimento de Bock, Furtado e Teixeira (1999) a


escola representa uma das formas pelas quais ocorre o processo de socialização do
indivíduo podendo, portanto ser considerada como uma continuidade do processo
iniciado no ambiente familiar. Isso faz com que os valores, práticas e expectativas
resultantes da escolarização, sejam semelhantes àqueles que caracterizam a
relação familiar.
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Para Charlot (2002) nas escolas ocorrem três formas principais de violência: a
violência na escola, violência da escola e violência à escola. O primeiro caso ocorre
quando a violência acontece sem que exista um vínculo com a instituição escolar, ou
seja, o fato violento acontece dentro do ambiente escolar, porém não tem nenhuma
relação com o processo educativo escolar.

Em relação à violência da escola, esse mesmo autor afirma que ela representa a
relação que existe entre a ação e o tratamento que os alunos recebem da escola
enquanto instituição.

Por fim, o terceiro tipo, denominado de violência à escola representa todas as


formas de violência que tem como intenção atingir a instituição escolar e as pessoas
que a representam (CHARLOT, 2002).

No âmbito das instituições escolares, a violência insere-se em toda situação em que


um determinado membro da comunidade escolar, seja ele professor, estudante, pai
ou ainda qualquer outro que faça parte, ainda que momentaneamente, do espaço
escolar, em que ocorram atos de intimidação, ameaça ou agressão. Também
constitui um exemplo de violência na escola fatos onde os bens pessoais sejam
deliberadamente danificados por outro integrante daquele contexto, ou mesmo outro
indivíduo em que o fato ocorra em circunstâncias decorrentes da atividade escolar
(DEBARBIEUX, 2006).

Dessa forma, de acordo com Abramovay e Rua (2002), este tipo de violência está
associado a três dimensões sócio organizacionais distintas. A primeira dimensão diz
respeito à degradação no ambiente escolar, ou seja, as dificuldades de organização
das escolas, o que leva a uma estrutura deficiente. Outra dimensão trata da
violência originada de fora para dentro das escolas, a qual é manifestada pela
penetração de grupos como quadrilhas que atuam no tráfico de drogas, entre outras
formas de criminalidade e que são o reflexo da exclusão social na comunidade
escolar.
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Por fim, a terceira dimensão está relacionada a um componente interno das escolas,
específico a cada estabelecimento e que favorece o surgimento de situações de
violência.

De acordo com Candau (2000), os episódios de violência na escola têm provocado o


medo, a insegurança, a angústia e a impotência nos educadores uma vez que estes
têm sido obrigados a conviver com diversas situações violentas, seja entre os alunos
ou mesmo envolvendo os educadores. Esse processo de banalização da violência
no ambiente escolar tem sido fortemente propagado pela mídia e os demais meios
de comunicação, o que reforça a ocorrência desses tipos de acontecimentos.

Uma justificativa para o avanço da violência escolar é apresentado por Sposito


(2001) que atribuiu o aumento da violência ao fato da escola não estar mais
respondendo às necessidades de aprendizagem apresentadas pelos alunos. Dessa
forma, a violência nada mais é do que uma forma que dá visibilidade aos valores
que tem sido transmitido pelo mundo adulto.

A mesma autora reforça ainda essa ideia ao afirmar que os alunos não tem se
preocupado com seu processo de alfabetização porque não conseguem
compreender as vantagens e a necessidades no aprendizado dos conteúdos
oferecidos na escola. Isso tende em levar os alunos a interessar-se cada vez menos
pela escola e seus respectivos conteúdos e, muitas vezes, dando vazão à sua
frustração e revolta na forma de violência nas escolas.

É necessário considerar também a violência que tem sido produzida dentro da


própria escola, ou seja, que vem de dentro para fora. De acordo com o que afirma
Aquino (1998), o contexto ao qual a escola está inserida faz com que ela seja vista
como um verdadeiro campo de batalhas, onde educadores manifestam toda sua
insatisfação, em detrimento ao processo educativo, propriamente dito.

Neste sentido, torna-se evidente que as relações escolares não implicam,


necessariamente, num imediato espelhamento do contexto extraescolar. Por isso,
não se pode dizer que a escola simplesmente reproduz àquilo que ocorre fora de
seus muros.
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A seguir, são apresentadas as formas principais que caracterizam o fenômeno da


violência e sua inserção nas escolas, bem como as formas pelas quais esses tipos
de violência ocorrem dentro do cenário escolar.

2.2.1 Violência contra a escola

Seguindo o conceito de Priotto (2008), a violência contra a escola consiste em atos


de vandalismo, depredação, destruição, incêndios e outras formas de
comprometimento das escolas, tais como roubos e furtos, envolvendo tanto
elementos de seu patrimônio, estrutura física e equipamentos.

Também se insere dentro dessa categoria, todas as formas de violência praticadas


contra os agentes das escolas, sejam eles professores, diretores, auxiliares de
serviços, entre outros. Desta forma, essa modalidade de violência ocorre quando
existe um processo de desvalorização social, tanto da instituição escolar como pela
carreira docente e todos os demais membros do processo escolar. (RISTUM, 2010)

Essa violência contra a instituição escolar retrata simbolicamente a forma como as


crianças e jovens relacionam-se e enxergam a instituição e todos os seus agentes.
Ela decorre de ressentimentos de determinados alunos e suas famílias contra a
escola e seu funcionamento. (CHARLOT, 2002)

Henning e Abbud (2010) complementam ainda ao afirmar que este tipo de violência
contra a escola relaciona-se, muitas vezes, a um estado de frustração diante das
promessas fundadoras da escola, sobretudo no que se refere à sua capacidade de
geração de oportunidades. Ao não cumprir o seu papel, a escola passaria aos
alunos e familiares uma ideia de fracasso pelo não comprimento de seu papel.

2.2.2 Violência na escola


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A violência na escola, caracterizada por ocorrer dentro das relações sociais dentro
do espaço escolar. Nesse tipo de violência, estão envolvidas todas as práticas como
roubos, furtos, agressões, brigas, ameaças, entre outros, estando associados às
inter-relações existentes nesses espaços. (RISTUM, 2010)

Incluem-se dentro dessa classificação as várias formas de violência física contra o


outro (agressões, homicídios, bulling) e contra si próprio (tal como o uso de drogas,
suicídios, etc). Trata-se, portanto de uma forma muito abrangente de classificar as
inúmeras formas de violência que ocorre na escola.

Esses eventos ocorrem geralmente dentro das dependências da escola (pátio,


quadra esportiva, sala de aula, entre outros), ou ainda no entorno da escola como
portão de entrada, em frente à escola e nas ruas próximas. Deve-se considerar
ainda que esse tipo de violência, em muitos casos, confunde-se com a violência
contra a escola, na medida em que pode acontecer contra algum membro da escola.
(PRIOTTO, 2008)

Para Henning e Abbud (2010) em muitos casos é difícil a distinção da violência na


escola com os demais atos de indisciplina que comumente ocorrem dentro dos
espaços escolares.

2.2.3 Violência da escola

De acordo com Ristum (2010) esse tipo de violência, também conhecido como
violência simbólica, representa os eventos violentos onde o professor tanto é alvo
como autor.

Além disso, a violência da escola representa todas as formas e práticas utilizadas


pela instituição escolar que prejudicam seus membros, incluindo as várias formas de
fracasso escolar, desinteresse em permanecer na escola, exclusão do mercado de
trabalho, as diversas formas de preconceito, desvalorização entre outros. Também
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faz parte dessa forma de violência a indisciplina, o abuso do poder, entre outras
formas de simbolismo da autoridade docente como as avaliações, provas e outras
ferramentas. (PRIOTTO; BONETI, 2009)

Charlot (2002) afirma que violência da escola caracteriza-se pela violência


institucional e simbólica, aos quais os próprios alunos sofrem através da forma que é
tratado pela instituição e seus agentes envolvendo ações como palavras
desdenhosas, forma de composição de classes, atos injustos ou racistas e atribuição
de notas.

Essa violência simbólica ou institucional tem características que a tornam difícil de


serem percebidas, fazendo com que muitas vezes não seja identificada como
violência, pois nesse modo pode não existir a coerção física. Para Bourdieu (2007) a
violência simbólica consiste no processo onde uma classe que apresenta dominação
econômica e de poder impõe sua cultura para os indivíduos dominados.

Em se tratando especificamente do caso da violência da escola, a violência


simbólica ocorre a partir da maneira encontrada para manter a submissão dos
alunos e reforçar o poder e a força do detentor poder que, neste caso, é na maioria
das vezes o professor, diretor e demais membros da instituição. (BOURDIEU, 2007)

Verifica-se assim que a violência simbólica ocorre como toda prática que é realizada
pela instituição escolar como forma de prejudicar seus componentes, apresentando
como resultado o desinteresse do aluno pela escola, levando ao o baixo rendimento
nas atividades, culminando com o fracasso escolar. (ABRAMOVAY; RUA, 2002)

2.3 A Redução da Violência e o Papel da Escola

Considerando que a violência faz parte do cotidiano da sociedade contemporânea,


combate-la tanto na escola como nos demais segmentos é um dos grandes desafios
da atualidade. Dentro do contexto escolar, a atuação dos diversos atores envolvidos
no processo escolar, sobretudo na orientação educacional, é muito importante para
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a melhoria das relações sociais na escola. A ele cabe o apoio ao aluno e à família,
realizando os devidos encaminhamentos ao especialista ou instituições nos casos
que sejam necessários. (GOUVEIA, 2010)

Conforme afirma Grinspun (2006), compete ao orientador educacional promover a


prática social, orientando o trabalho de modo que dessa prática decorra a
construção do conhecimento. Também se espera dessa orientação a construção de
valores pessoais e sociais a partir de escolhas que contribuam para uma relação
harmônica e saudável. Assim, o foco de trabalho da orientação escolar e
consequentemente da escola enquanto instituição é a consolidação de valores que
afastem seus alunos da violência,

Ao desenvolver uma assistência ao aluno e familiares com a devida identificação de


problemas no comportamento e aprendizagem, Gouveia (2010) afirma que o
orientador escolar torna possível aproximar-se desses indivíduos, estreitando sua
relação e estabelecendo mecanismos e estratégias de superação dos problemas
existentes. A partir dessa aproximação, a escola poderá tratar da temática da
violência no cotidiano de sala de aula, a partir da difusão de uma cultura de respeito
aos direitos humanos.

Nesse processo de orientação, a escola tem o papel de mostrar aos pais e


responsáveis a necessidade de estarem atentos ao comportamento e conduta de
seus filhos, buscando conhecer os seus relacionamentos, expectativas e a forma
como gastam o seu tempo.

Ao professor, por sua vez, a grande tarefa é atuar como um verdadeiro educador,
realizando uma educação efetiva e capaz de transformar a realidade do aluno a
partir do conhecimento. A partir do estreitamento da relação professor/aluno, haverá
um fortalecimento do vínculo, com reflexos sobre o comportamento do aluno e uma
redução de atitudes violentas. (ASSIS; CONSTANTINO; AVANCI, 2010)

Grinspun (2006) destaca ainda a necessidade de que todos os funcionários da


escola se esforcem em desenvolver um trabalho em equipe dedicado ao
desenvolvimento de uma proposta pedagógica que propicie uma cultura da paz no
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âmbito escolar. Essa sensibilização em torno da paz deve ser levada também ao
ambiente extraescolar, com o respectivo envolvimento de toda a comunidade acerca
da gravidade da questão da violência.

De acordo com Lucinda, Nascimento e Candau (1999), o enfrentamento a atual


cultura da violência exige a promoção de uma cultura dos direitos humanos,
envolvendo todos os âmbitos da vida, tanto individual, familiar, social e comunitária.
Desta forma, será possível construir uma sociedade fundamentada na consciência
da dignidade humana e no respeito ao próximo.

Dada a complexidade da questão da violência, o trabalho da orientação educacional


deve ocorrer a partir de uma ação conjunta com os diversos sujeitos da comunidade
escolar de forma participativa. Neste cenário, ele atuará como mediador, conduzindo
a uma conscientização para a cultura de superação de conflitos nas relações
humanas, o que resulta numa melhoria do trabalho educativo e a consequente
redução da violência nas escolas. (GRINSPUN, 2006)

Porto (2009) ressalta a necessidade do estabelecimento de um clima institucional


que promova a paz, sendo este uma dos fatores determinantes no combate a
violência nas escolas. Neste sentido, o papel da escola no combate a violência exige
o estabelecimento de mecanismos para que os educandos e toda a comunidade
escolar possam ser ouvidos no que se refere ao seu papel de construtores de uma
sociedade da paz. Esse processo exige que os sujeitos dessa sociedade busquem
uma transformação necessária no sentido da inclusão, da cidadania e do respeito a
todos.
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3 MATERIAL E MÉTODOS

O presente estudo foi constituído através de uma revisão de literatura, a partir da


consulta de livros, artigos científicos e outros materiais acadêmicos como teses e
dissertações que abordaram a temática da violência escolar. Pelas características
definidas para a consecução do estudo, pode-se definir o mesmo com se tratando
de uma pesquisa exploratória.

A pesquisa exploratória se caracteriza por proporcionar uma maior familiaridade do


pesquisador em relação a um determinado tema. Pode-se considerar que a maioria
das pesquisas acadêmicas apresentam um caráter exploratório, uma vez que na
realização de qualquer pesquisa é necessário que o pesquisador busque
informações e esclarecimentos em relação ao tema que pretende investigar. (GIL,
2010)

A opção na realização de um estudo de revisão bibliográfica enquanto método de


pesquisa ocorre uma vez que esta denota a relevância deste metodologia enquanto
embasamento científico, proporcionando um maior conhecimento em relação ao
tema.

Para realização do estudo, foram organizadas etapas distintas sendo que a primeira
relacionou-se a definição do tema a ser pesquisado e a consequente pesquisa do
material bibliográfico necessário. Nesta etapa, definiu-se a utilização de textos em
Língua Portuguesa que apresentassem relevância à temática do estudo.

Uma vez coletados, os materiais bibliográficos pesquisados foram devidamente


consultados e classificados quanto à relevância e aplicabilidade para a realização do
estudo, tendo sido realizado um fichamento dos principais aspectos tratados em
cada texto classificado.
26

Para a realização deste estudo, optou-se pelo método da leitura exploratória dos
materiais bibliográficos, buscando desenvolver a questão da violência no contexto
escolar, com foco sobre suas causas e consequências principais. Também se
executou uma leitura seletiva, mais criteriosa, onde foram verificados os textos que
fossem mais pertinentes frente ao tema proposto.
27

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Diante do impacto da violência no processo de escolarização, observado a partir dos


seus diversos prejuízos, este estudo buscou compreender na revisão da literatura,
as principais estratégicas e iniciativas para o trabalho de combate a violência no
ambiente escolar.

Inicialmente, é importante destacar as iniciativas governamentais, principalmente


aquelas relacionadas ao governo federal, cujo objetivo é a redução da violência no
âmbito das escolas, a partir do desenvolvimento de uma cultura de paz no ambiente
escolar. Para Boneti (2003) as políticas públicas constituem ações que nascem do
contexto social, passando pela esfera estatal com uma decisão de intervenção
pública dentro de uma realidade social determinada, seja ela econômica ou social.

Pela dimensão e complexidade do fenômeno da violência no contexto escolar, nota-


se que é fundamental que sejam estabelecidas políticas públicas que tratem do
tema. Algumas das iniciativas governamentais têm sido tomadas na forma de
programas específicos sobre o tema. Um desses programas é o “Paz nas Escolas”.

O Programa Paz nas Escolas tem como objetivo a redução da violência entre jovens
e adolescentes nas escolas brasileiras. Trata-se de uma iniciativa do governo federal
a partir da capacitação de professores e policiais para lidar com o problema da
violência nas escolas. (SÃO PAULO, 2016)

Ele consiste basicamente no desenvolvimento e capacitação desses profissionais


em temas como direitos humanos, cidadania, ética e mediação de conflitos. Também
compõem as estratégias do programa a realização de campanhas para
desarmamento da população, além de parcerias com organizações não
governamentais para capacitações de outros profissionais e o estímulo a discussão
do tema nas escolas. (GONÇALVES; SPOSITO, 2002)
28

Outra iniciativa que compõem o escopo de políticas públicas desse tema é o


programa “Escola que Protege”. Esse programa é uma iniciativa do MEC para
promoção de ações educativas e preventivas cujo objetivo é reverter a violência
contra crianças e adolescentes. Foi definida como prioridade básica do programa a
formação de professores e demais profissionais envolvidos com a educação para
atuação como aliados na garantia dos direitos de crianças e adolescentes. (SILVA;
LOPES; CARVALHO, 2008)

Destacamos ainda o Programa Escola Aberta, inciativa criada a partir de um acordo


de cooperação entre o Ministério da Educação e a UNESCO no ano de 2004,
visando a promoção da ressignificação da escola enquanto espaço alternativo para
o desenvolvimento de atividades de formação, esporte, cultura e lazer para os
alunos da educação básica das escolas públicas e suas comunidades. (BRASIL,
2007)

De acordo com Tinoco e Silva (2007) este programa consiste numa ação
governamental que estruturada a partir da abertura do espaço público escolar nos
finais de semana, para apropriação pelas comunidades locais. Ele está direcionado
principalmente para adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social.

Além dos programas específicos voltados à questão da violência nas escolas,


destaca-se também o papel dos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN’s
(BRASIL, 2007), enquanto marco legal na discussão acerca da ética na formação
humana enquanto forma de prevenção e redução da violência nas escolas. Neles
são abordados os valores promovidos pela dignidade humana, a partir do respeito, a
cooperação, a justiça, a solidariedade e o diálogo como forma de combater e
prevenir a violência.

Os PCN’s buscam incentivar o desenvolvimento de programas educacionais que


proporcionem a formação de cidadãos críticos e responsáveis diante de uma
sociedade repleta de problemas, entre eles das drogas que tem produzido altos
índices de violência, dentre vários outros problemas.
29

5. CONSIDERAÇOES FINAIS

Sabe-se que atualmente a violência tornou-se um fenômeno mundial, com


consequências muito graves em diversos segmentos da sociedade. Tal como
acontece em outros contextos, às escolas também tem sofrido os efeitos da
violência, trazendo inúmeros prejuízos ao processo educativo.

Considerando que a maioria dos indivíduos em idade escolar estarem na fase de


infância e adolescência, os efeitos da violência escolar pode ser considerada ainda
mais grave, uma vez que nesse período de vida, os alunos ainda encontram-se num
período de desenvolvimento e num processo de maturação. (AVANCI; PESCE;
FERREIRA, 2010) Com isso, os eventos violentos experienciados durante o
percurso escolar podem deixar marcas significativas em suas vidas.

Dessa forma, os eventos violentos relacionados a vida escolar podem ocasionar


importantes prejuízos físicos, psicológicos, emocionais e cognitivos na criança e no
adolescente envolvido.

Diante da abrangência do problema da violência na sociedade, sobretudo na escola,


torna-se fundamental refletir acerca dos principais conceitos teóricos acerca do
tema, bem como as estratégias de prevenção e combate deste fenômeno dentro do
ambiente escolar.

Para tanto, este estudo teve como objetivo identificar os principais aspectos teóricos
e conceituais relacionados à questão da violência e sua relação com a escola, além
de investigar as principais iniciativas existentes para a promoção do combate e a
prevenção da violência no contexto escolar, sobretudo em função das
particularidades que compõem a sociedade brasileira.

A partir da execução da pesquisa bibliográfica, verificou-se que embora sejam


apresentadas na literatura diversas definições para o termo violência, pode-se
30

compreender que esse fenômeno produz formas variadas de agressividade,


envolvendo tanto aspectos físicos, psicológicos e emocionais, abrangendo distintos
espaços. Também foi evidenciado que a violência envolve situações que causam
constrangimento, medo, mal estar, marginalização e exclusão, o que torna a
sociedade mais fragmentada.

A literatura também demonstrou que a escola, enquanto subsistema da sociedade,


se vê exposta às mais diversas formas de violência. Isso exige dos educadores e
demais componentes da comunidade escolar a busca por uma pacificação do
ambiente, a partir da valorização das relações humanas, promovendo o diálogo
constante e a construção coletiva, evitando assim os conflitos que possam levar a
violência.

Além disso, o estudo também demonstrou a existência de diversos programas e


políticas governamentais cujo objetivo é a redução da violência escolar. Contudo,
pode-se concluir que para que se atinja à esses objetivos, faz-se necessário
combater a violência em toda sociedade, tanto nas relações familiares, no trabalho e
demais segmentos.

Com isso, é possível afirmar que para tornar as escolas menos violentas é
fundamental a pacificação da sociedade como um todo, a partir da adoção de
relações humanas mais éticas, solidárias e justas.
31

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