Você está na página 1de 34

MAQUINAGEM

FRESAGEM

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 1


A Fresagem

https://www.youtube.com/watch?v=Y46X5WzOfuo

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 2


A Fresagem

• Usado essencialmente para a produção de superfícies planas, ranhuras,


caixas, furos cegos de fundo plano, degraus, etc.;

• Neste processo, a peça é apertada à mesa de trabalho da máquina (através de


grampos), enquanto a ferramenta é animada de movimento de rotação (sentido do
corte);

• A mesa pode ser movimentada nos eixos XX’, YY’ e ZZ’. Alguns destes
movimentos poderão estar conectados à árvore da máquina (sincronização);

• As ferramentas (fresas) poderão ter configurações e número de dentes


diversos.

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 3


Métodos de Fresagem

• As máquinas de fresagem podem ser operadas


manualmente, mecanicamente automatizadas ou digitalmente
automatizadas por controle numérico computadorizado
(CNC).

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 4


Operações de Fresagem convencionais

Com mais frequência em máquinas de 3


eixos convencionais, ocorrem as operações
de facejamento plano, cantos a 90º e canais.

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 5


Operações de Fresagem convencionais

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 6


Operações de Fresagem avançados

Actualmente, as máquinas são


desenvolvidas para operar em todas as
direcções. Desenvolvimentos CAM
significam que as máquinas 5 eixos estão
aumentar.

• Maior flexibilidade
• Poucas máquinas/set-ups para
concluir uma peça

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 7


Operações de Fresagem avançadas

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 8


Ferramentas para diferentes Fresadoras

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 9


Fresas e Operações de Fresagem

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 10


Parâmetros principais na Fresagem
VC – velocidade de corte (m/min) - indica a velocidade
de contato da aresta de corte na superfície da peça.

n – velocidade do eixo (rpm) - é o número de rotações que


a ferramenta de fresagem faz por minuto na árvore.

Ve – velocidade de corte efectiva (m/min)

DC – diâmetro de corte (mm)

DCX – diâmetro de corte máximo (mm) - tendo uma


profundidade de corte específica, define o diâmetro (DC),
que é a base para a velocidade de corte Vc ou Ve.

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 11


Parâmetros recomendados para a Fresagem

Gama de velocidades de corte recomendadas para operações de fresagem


Velocidade de corte
Material da peça
m/min ft/min
Ligas de Alumínio 300 - 3000 1000 - 10000
Ferro Fundido 90 - 1300 300 - 4200
Ligas de Cobre 90 - 1000 300 - 3300
Ligas de alta temperatura 30 - 550 100 - 1800
Aços 60 - 450 200 - 1500
Aços Inoxidáveis 90 - 500 300 - 1600
Termoplásticos / Termoendurecíveis 90 - 1400 300 - 4500
Ligas de Titânio 40 - 150 130 - 500

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 12


Parâmetros principais na Fresagem
fZ – avanço por dente (mm/dente) – é o valor utilizado para calcular o
avanço da mesa. Este valor é calculado a partir do valor de espessura
máxima do cavaco recomendada.

vf – avanço da mesa ou velocidade de avanço (mm/min) – é o avanço da


ferramenta em relação à peça em distância por unidade de tempo
relacionada ao avanço por dente e número de dentes na fresa.

zn – número de dentes – varia consideravelmente e é usado para


determinar o avanço da mesa.

zc – número de dentes efectivos – é o número efectivo de dentes em corte.


𝑉𝑓 = 𝑓𝑍 ∗ 𝑍𝑐 ∗ 𝑛
fn – avanço por rotação (mm/rot) – é o valor usado especificamente para
calcular o avanço e muitas vezes para determinar a capacidade de
acabamento de uma fresa.

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 13


Parâmetros principais na Fresagem

ae – profundidade de corte radial (mm) – é a


largura da peça que está em contacto com a parte
do diâmetro da fresa em corte. É a distância da
superfície que está a ser maquinada ou, se o
diâmetro da ferramenta for pequeno, o que é
coberto no corte pela ferramenta

ap – profundidade de corte axial (mm) – é o que a


ferramenta remove de metal na face da peça. Essa
é a distância que a ferramenta está ajustada, abaixo
da superfície não maquinada

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 14


Parâmetros principais na Fresagem

ae – profundidade de corte radial (mm)


ap – profundidade de corte axial (mm)
Vf – avanço da mesa (mm/min)
kc – pressão de corte específica (N/mm2) – é uma
constante do material
Pc – Potência de corte (kW) – é a potência que a
máquina deve ser capaz de proporcionar às arestas de
𝑎𝑝 ∗ 𝑎𝑒 ∗ 𝑉𝑓 ∗ 𝑘𝑐 corte para efectuar a acção de corte.
𝑃𝑐 = 6
[𝑘𝑊] Mc – Binário de corte (N m) – é o valor de Binário
60 ∗ 10
produzido pela máquina durante a acção de corte, a qual
𝑃𝑐 ∗ 30 ∗ 103 a máquina deve ser capaz de suportar
𝑀𝑐 = [𝑁 𝑚]
𝜋∗𝑛

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 15


Formulário para a Fresagem

Velocidade de corte (m/min) Avanço por dente (mm)

𝜋 ∗ 𝐷𝑐 ∗ 𝑛 𝑉𝑓
𝑉𝑐 = 𝑓𝑧 =
1000 𝑛 ∗ 𝑧𝑛

Velocidade do eixo da ferramenta (rpm) Avanço por rotação (mm/rot)

𝑉𝑐 ∗ 1000 𝑉𝑓
𝑛= 𝑛=
𝜋 ∗ 𝐷𝑐 𝑛

Velocidade de avanço (m/min) Taxa de remoção de material (cm3/min)


𝑎𝑝 ∗ 𝑎𝑒 ∗ 𝑉𝑓
𝑄=
𝑉𝑓 = 𝑓𝑧 ∗ 𝑛 ∗ 𝑧𝑛 1000

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 16


Formulário para a Fresagem (2)

Pressão específica de corte (N/mm2) Tempo de maquinagem (min)

−𝑚𝑐
𝑘𝑐 = 𝑘𝑐1 ∗ ℎ𝑚 𝑙𝑚
𝑇𝑚 =
Espessura média do cavaco (N/mm2) (quando 𝑉𝑐
𝒂𝒆
≤ 𝟎, 𝟏)
𝑫𝑪
Potência de corte (kW)
𝑎𝑒
ℎ𝑚 ≈ 𝑓𝑍 ∗ 𝑎𝑝 ∗ 𝑎𝑒 ∗ 𝑉𝑓 ∗ 𝑘𝑐
𝐷𝑐
𝑃𝑐 =
60 ∗ 106
Espessura média do cavaco (N/mm2) (quando
𝒂𝒆
≥ 𝟎, 𝟏) Binário de corte (N m)
𝑫𝑪
sin 𝑘𝑟 ∗ 180 ∗ 𝑎𝑒 ∗ 𝑓𝑧
ℎ𝑚 ≈ 𝑎 𝑃𝑐 ∗ 30 ∗ 103
𝜋 ∗ 𝐷𝑐 ∗ sin−1 ( 𝑒 ) 𝑀𝑐 = [𝑁 𝑚]
𝐷𝑐 𝜋∗𝑛

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 17


Terminologia
Parâmetro Designação Un. Parâmetro Designação Un.
Dc Diâmetro de corte mm vf Velocidade de avanço mm/min
lm Comprimento de maquinagem mm hm Espessura média do cavaco mm
DCX Diâmetro de corte efectivo mm kc Pressão específica de corte N/mm2
ap Profundidade de corte axial mm n Velocidade de rotação rpm
ae Profundidade de corte radial mm Pc Potência de corte kW
Vc Velocidade de corte mm/min Pc Binário de corte Nm
Vc Taxa de remoção de material cm3/min
Tm Tempo de maquinagem min
zn Número de dentes un
zc Número de dentes efectivos un
fz Avanço por dente mm
fn Avanço por rotação mm/rot

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 18


Exercício - exemplo

Considere:
• Velocidade de corte 225 m/min
• Avanço por dente fz= 0,21 mm
• Número de dentes da fresa = 5
• Diâmetro da fresa = 125 mm
• Profundidade de corte = 4 mm
• Largura fresada = 85 mm
• kc = 1700 N/mm2

Calcule:
• Velocidade da ferramenta
• Avanço da mesa
• Taxa de remoção de material
• Potência de corte

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 19


Exercício - exemplo

Velocidade da ferramenta:

𝑉𝑐 ∗ 1000 225 ∗ 100


𝑛= = = 575 𝑟𝑝𝑚
𝜋 ∗ 𝐷𝐶 3,14 ∗ 125

Avanço da mesa:

𝑉𝑓 = 𝑛 ∗ 𝑓𝑧 ∗ 𝑧𝑛 = 575 ∗ 0,21 ∗ 5 = 600 𝑚𝑚/𝑚𝑖𝑛

Taxa de remoção de material:

𝑎𝑝 ∗ 𝑎𝑒 ∗ 𝑉𝑓 4 ∗ 85 ∗ 600
𝑄= = = 204 𝑐𝑚3 /𝑚𝑖𝑛
1000 1000

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 20


Exercício - exemplo

Potência de corte:

𝑎𝑒 ∗ 𝑎𝑝 ∗ 𝑉𝑓 ∗ 𝑘𝑐 85 ∗ 4 ∗ 600 ∗ 1700
𝑃𝑐 = 6 = 6 = 5,8 𝑘𝑊
60 ∗ 10 60 ∗ 10

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 21


Fresagem convergente e divergente

Fresagem concordante (método recomendado para


melhores condições de corte) – ao usar este método,
também conhecido como ascendente, o efeito de
aquecimento é evitado, resultando em menos calor e uma
tendência mínima de endurecimento pela acção do corte.
Neste método a pastilha inicia o corte com a espessura
maior do cavaco.

Fresagem discordante – a direcção de avanço da peça é


oposta à rotação da fresa na área de corte. Neste método a
espessura do cavaco inicia em zero e cresce até ao final do
corte.

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 22


Importância do sentido de rotação da fresa

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 23


Outros parâmetros a ter em conta

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 24


Secção da apara para diferentes insertos

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 25


Influência das ferramentas no acabamento

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 26


Fresadoras Verticais

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 27


Fresadoras Horizontais

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 28


Meios de fixação de peças (prensas de mesa)

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 29


Recomendações para a Fresagem (1)
Evitar sempre que possível fresar por cima de furos ou
caixas. Este tipo de operação “interrompida” é muito
exigente para as arestas de corte. Se possível realizar
as operações de furação e abertura de caixas em
operações subsequentes. Alternativamente reduzir o
avanço em 50% na área da peça que contem o
furo/canal.

Aquando da maquinagem de peças com grandes áreas,


selecionar caminhos de ferramenta que permitam que a
ferramenta se mantenha sempre em contacto com a
peça em vez de executar vários passos paralelos.
Quando existirem mudanças de direcção deve-se
incluir um pequeno raio de curvatura de modo a evitar
mudanças drásticas e/ou rectas.

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 30


Recomendações para a Fresagem (2)

A maquinagem de desbaste de caixas deverá ser realizado através


da interpolação circular.

Primeiramente deverá ser realizado um furo e em seguida a


abertura da caixa. Este furo deverá ser superior entre 5 a 10 mm
do que o diâmetro efectivo da fresa a ser utilizado para a
operação.

O valor máximo de ae deverá ser ajustado para 30 a 40% do DC.

A utilização de um valor superior significa uma maior taxa de


remoção de material mas deixa mais material nos cantos que
necessitam de ser retirado em operações subsequentes.

O raio de corte da ferramenta deverá ser pelo menos 15% inferior


a todos os raios projectados da peça.

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 31


Recomendações para a Fresagem (3)
Quando a caixa é longa e estreita, normalmente a
interpolação circular não é possível.

Neste caso é necessário a maquinagem da


largura total da caixa.

Se a máquina-ferramenta permitir é recomendável


realizar a maquinagem da largura total da caixa
(deixando a espessura de acabamento para
uma operação posterior).

A profundidade de corte deve ser limitada a 1xDC


e deverá ser reduzido o avanço no início da
operação para permitir criar espaço para a
evacuação da apara.
CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 32
Recomendações para a Fresagem (4)

Como alternativa poderemos utilizar os métodos


mostrados na figura ao lado.

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 33


BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

• SANDVIK Coromant, “Manual Técnico de Usinagem”, Setembro de 2019;


• ASM, “Machining”, ASM Handbook Volume 16
• Gerling, H., “À volta da máquina – ferramenta”, Editora REVERTÉ, Rio de Janeiro,
1977;

CTeSP TECNOLOGIA MECÂNICA – PROCESSOS DE FABRICO II 34