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DA INSANIDADE MENTAL DO ACUSADO

Inicialmente é importante ressaltar que é mais plausível considerar que pode haver
dúvida sobre a integridade mental do indivíduo - e não apenas sobre insanidade -
como versa o Art. 149 do CPP.

Quem pode ordenar que o exame seja feito é sempre o juiz, essa ordem nunca virá de
autoridade policial (embora possa representar na fase de inquérito) ou administrativa,
embora tanto MP quanto o acusado por meio de seu defensor possa solicitar que seja
feito o procedimento examinatório. A dúvida sobre a integridade mental do sujeito
pode ser originada por qualquer circunstância relacionada a conduta do acusado ou
sua própria personalidade e, desde que esteja minimamente retratada nos autos.

Ainda neste ponto, é inadmissível que haja somente a analise pessoal do magistrado.
Geralmente indícios de inimputabilidade são apresentados na forma testemunhal ou
documental. Parentes ou conhecidos do réu podem informar se o réu já sofreu e/ou se
ainda sofre de algum distúrbio mental, o que pode configurar a incapacidade de
compreender no todo ou em parte o caráter ilícito do fato.

Quando for determinado exame, o acusado será internado em manicômio judiciário (se
houver) se o réu estiver e, se estiver solto e a requerimento dos peritos, em local
adequado designado pelo juiz. O exame não durará mais que 45 dias, salvo se os
peritos entenderem e demonstrarem a necessidade de dilação do prazo. E, se não
houver prejuízo à marcha processual, o magistrado poderá autorizar que os autos
sejam entregues aos peritos, com o intuito de facilitar o exame.

Enquanto o autor do crime estiver sendo submetido aos exames será nomeado um
curador processual. Se a ação penal já tiver sido iniciada, ficará suspenso o processo,
com exceção das diligências que possam ter suas eficácias prejudicadas no caso de
adiamento.

Se for verificado que a doença mental sobreveio à infração o processo continuará


suspenso até que o acusado se reestabeleça. Nestes casos o juiz poderá ordenar a
internação do réu em manicômio judiciário ou em outro estabelecimento adequado. Se
o autor do crime se reestabelecer, o processo retomará seu curso, ficando-lhe
assegurada a faculdade de reinquirir as testemunhas que houverem prestado
depoimento sem a sua presença.

Caso seja diagnosticado pelos “experts” que resta comprovado o distúrbio mental ou
que há séria dúvida sobre a integridade mental do acusado é o que basta para que
seja instaurado o incidente de insanidade mental. Porém, vale dizer que o simples
requerimento para instauração do incidente não obriga o juiz, o convencimento deve
vir de exame realizado dentro dos conformes procedimentais descritos acima
(segundo precedentes do STJ e STF), ou seja, não basta apenas o interrogatório
judicial e declarações da defesa. Ora, seria muito simples criar uma narrativa de
trauma de infância, de abusos sexuais e afins para facilmente conseguir que fosse
instaurado o incidente.
Se a insanidade mental sobrevier no curso da execução da pena, o sentenciado será
internado em manicômio judiciário, ou, caso não seja possível, em outro
estabelecimento adequado, onde lhe seja assegurada a custódia.

Por fim, o incidente de insanidade mental será processado em auto apartado e será
apenso ao processo principal após a apresentação do laudo pericial.

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