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APOLOGÉTICA

AULA 3
Jeiel França
Igreja Batista Aliança
Definição e objetivos da Apologética
• Apologética vem da palavra grega Apologia
(ἀπολογία), que tem o sentido de “defesa”,
de um argumento que prova a inocência de
um acusado em um tribunal;
• 1Pd 3.15: “Responder” = apologia (no grego);
• “Tem como objetivo converter crentes em
pensadores, e pensadores em crentes”
(Alister McGrath).
Funções da Apologética
1. Defesa da fé: É uma estratégia de reação a
dúvidas e inquietações com relação à fé;
2. Apreciação da fé: Levar as pessoas a
apreciarem a verdade e a beleza do
Evangelho, mesmo não crendo nele;
3. Tradução da fé: É explicar as ideias
fundamentais da fé cristã em uma
linguagem compreensível para os não-
crentes.
Apologética x Evangelização
• São etapas diferentes mas interligadas de
apresentação do Evangelho;
• A Apologética “prepara, limpa o terreno”
para a Evangelização, tirando as “pedras” do
caminho (funciona como João Batista,
preparando o caminho do Senhor);
• A Apologética mostra que o Evangelho é
plausível e desejável; a Evangelização
convida pessoas a responder ao Evangelho.
Apologética e Cultura
• A Apologética sempre ocorre dentro de um
contexto cultural específico;
• Apologética para judeus (Atos 2.14-40):
Interpretação do Pentecostes, do ministério
de Jesus e a conclusão teológica à luz do AT;
• Apologética para gregos (Atos 17.16-34): O
sentido de divindade, a criação e a própria
literatura grega como “pontos de contato”
com a filosofia milenar grega;
Apologética e Cultura
• Apologética para romanos (Atos 24.1-25):
Acusação Defesa
Perturbador, promotor de tumultos Ninguém o encontrou discutindo ou
entre os judeus (vs. 5) incitando no templo ou sinagogas (vs. 12);
falta de provas (vs. 13)
Principal cabeça da "seita dos Adoração ao mesmo Deus dos judeus,
nazarenos" (vs. 5) crença no mesmo texto sagrado (Leis e
Profetas) e nos seus ensinos
(ressurreição, por exemplo; vs. 14)
Tentativa de profanação do templo Entrega de esmolas e ofertas; purificação
(vs. 6) cerimonial antes de adentrar no templo
(vs. 17,18); falsas acusações (vs. 19-21)

• Com uma “apologia” culturalmente adequada,


Pedro e Paulo puderam explicar o Evangelho.
Apologética e Cultura
Apologética na Modernidade (1750-1960)
• Período histórico oriundo do movimento
intelectual chamado de Iluminismo (“razão
humana universal”);
• Nesse período, a defesa racional da
fé (argumentação) tornou-se essencial;
• Duro golpe no século XX com as Guerras
Mundiais: como justificar o racionalismo
diante da irracionalidade da guerra?
Apologética e Cultura
Apologética na Pós-Modernidade (1970-)
• Rejeita o “uniformitarianismo” (forma única
de pensar e se comportar), que considera
como “opressivo” (influência do marxismo);
• Valoriza a “diversidade” e o “pluralismo” em
todas as formas (cultural, religiosa, sexual,... );
• É criticada por sua superficialidade (não se
aprofunda em nada), ecletismo (tudo é válido)
e relativismo (não existe certo ou errado; a
razão é adaptável, e a verdade não é única).
Apologética e Cultura
Apologética na Pós-Modernidade (1970-)
• Valoriza a “diversidade” e o “pluralismo” em
todas as formas (cultural, religiosa, sexual,... );
• Considera que a liberdade humana vem da
identificação, contestação e subversão dessas
“metanarrativas” controladoras;
• É criticada por sua superficialidade (não se
aprofunda em nada), ecletismo (tudo é válido)
e relativismo (não existe certo ou errado; a
razão é adaptável, e a verdade não é única).
Apologética e Cultura
Apologética na Pós-Modernidade (1970-)
• As 4 críticas desse período (Vanhoozer):
 Razão: É contextual, relativa, não-universal; surgem as
“ideias” pouco racionais (ideologias política, de gênero,
ambiental, reprodutiva, jurídica, histórica, etc);
 Verdade: É opressiva; todos tem a “sua verdade”; todas
as interpretações de “verdade” são válidas;
 História: Não existe uma narrativa, um “fio condutor” na
História; é tudo obra do acaso;
 Eu: Todas as formas de definição de identidade são
abertas, fluidas e parciais (gênero, moralidade, ética,
etc).
Apologética e Cultura
Fundamentos intelectuais da Apologética
1. Compreender o evangelho cristão;
2. Compreender o contexto em que se faz apo-
logética;
3. Criar estratégias apologéticas fiéis ao evange-
lho para desenvolver “pontos de contato” com
o contexto cultural.
A Racionalidade da Fé Cristã
• A tarefa da Apologética consiste em
convencer as pessoas de que o Cristianismo
faz sentido e dá sentido às coisas;
• Note que não se trata em “convencer” as
pessoas a se converterem ao Cristianismo
(função do Espírito Santo - Jo 16.7,8);
• C.S.Lewis: “Creio no Cristianismo como creio
no nascer do sol; não porque o vejo, mas
porque ele me permite ver tudo o que há”.
A Racionalidade da Fé Cristã
• A amplitute intelectual da fé cristã é uma das
suas maiores forças, pois tem uma lógica
intrínseca que nos permite ver a lógica de
tudo o mais;
• Ela pode parecer “loucura” para os incrédulos
(pois se discerne espiritualmente - 1Co 1.18-
25; 2.14), mas ela é sempre lógica;
• Assim, o Cristianismo explica melhor a
realidade do que qualquer outra perspectiva.
A Racionalidade da Fé Cristã
• Evelyn Waugh (romancista inglês):

“A conversão é como sair pela chaminé de um


Mundo de Espelhos, onde tudo é uma
caricatura absurda, e entrar no mundo real
feito por Deus. Começa aí então o delicioso
processo de explorá-lo sem fim.”
A Racionalidade da Fé Cristã
• A racionalidade da fé pode ser demonstrada:
1. Mostrando que há uma base argumentativa
confiável para as suas principais crenças,
por exemplo, argumentos intelectuais para a
existência de Deus ou argumentos históricos
para a ressurreição de Cristo;
2. Mostrando que a fé cristã encaixa-se de
maneira muito mais plausível em nossas
observações e experiências da realidade.
A Racionalidade da Fé Cristã
• Movimento “Novo Ateísmo” (2006): “Por que
acreditar em Deus se não se pode provar sua
existência com absoluta certeza?”; “A fé em
Deus é irracional”;
• Para militantes como Richard Dawkins (autor
de “Deus, um delírio”) ter fé é “fugir de
provas, enterrar a cabeça na areia e se recusar
a pensar”;
• A falta de provas é, de fato, um problema?
A Racionalidade da Fé Cristã
• A ideia de uma “racionalidade universal
única” (tese do ateísmo iluminista - Kant) não
pode ser defendida nem alcançada;
• Temos que viver com a “ausência de provas”
em várias questões amplamente aceitas:
“Estuprar é errado”;
“A democracia é melhor que o fascismo”;
Qualquer noção de justiça (“uma boa vida”).
Todas essas questões dependem de CRENÇAS!
A Racionalidade da Fé Cristã
• As questões de racionalidade dependem do
seu entorno cultural, mas a fé cristã é
universal!
• Segundo Sir Isaiah Berlin, as convicções
humanas podem ser divididas naquelas que:
Podem ser provadas pela observação empírica;
Podem ser provadas pela dedução lógica;
 Não podem ser provadas por nenhuma dessas
duas formas.
A Racionalidade da Fé Cristã
• Observação empírica: Ciências naturais;
A fórmula química da água é H2O.
• Dedução lógica: Lógica e matemática;
2+2=4
O todo é maior ou igual à soma das partes.
• Não podem ser provadas: Valores e ideias que
dão forma à cultura humana; crenças que dão à
vida humana razão, direção e propósito.
A Racionalidade da Fé Cristã
• Não podem ser provadas (dependem de “fé”):
A “Declaração Universal dos Direitos Humanos”;
A malignidade da opressão ;
A existência da mente (Alvin Platinga), etc.
• Terry Eagleton (crítico literário inglês): “Cremos
em muitas coisas para as quais não há nenhuma
justificação racional incontestável mas, ainda
assim, faz sentido acalentá-las.”
• Todo valor moral depende de alguma crença!
A Racionalidade da Fé Cristã
• Portanto, declarações ateístas como “A religião é
maligna” ou “Deus não é bom” não podem ser
provadas (são julgamentos sobre valores
morais), e constituem compromissos de fé!
• A fé cristã é muito mais do que provas ou
convencimento racional. Não é a mera crença
de que Deus existe, mas diz respeito à confiança
em uma Pessoa, Deus;
• É possível crer que há um Deus sem crer nesse
Deus (Tg 2.19).
A Racionalidade da Fé Cristã
• É importante que a fé cristã seja racional, pois
isso mostra que há boas razões para crer nela;
• A fé cristã ilumina a realidade de um modo
melhor que as alternativas – Sinal de
confiabilidade;
• Brian Leftow (filósofo de Oxford):
“Se você vê as coisas como elas são do lugar onde
você se encontra, então é porque você está no
lugar certo.”
A Racionalidade da Fé Cristã
• Predições do Ateísmo:
 Melhora progressiva da Humanidade pela sua
“emancipação racional”;
Fatos: 1ª Guerra (20 mi), Holocausto (5 mi),
2ª Guerra (50 mi), massacres comunistas (100 mi);
 Desaparecimento da religião com a
“inevitabilidade histórica” do Socialismo;
Fatos (Centro para Missões Mundiais – EUA):
- Ano 1900: 1 cristão para cada 27 não-cristãos;
- Ano 1989: 1 cristão para cada 7 não-cristãos;
- Ano 2010: 1 cristão para cada 3 não-cristãos.
A Racionalidade da Fé Cristã
• Leitura da cultura e da história pela
Cosmovisão Cristã:
Humanidade criada à imagem de Deus;
Humanidade pecadora e decaída;
Essa dualidade explica o comportamento
individual e social do ser humano;
Somos “atraídos para o alto” pela imagem de
Deus, e “puxados para baixo” por nossa
pecaminosidade (Rm 7.19).
A Racionalidade da Fé Cristã
• Na visão cristã, a fé religiosa não é uma
rebelião contra a razão, mas sim uma revolta
contra o aprisionamento racionalista;
• Lógica e fatos “nos levam até certo ponto;
depois disso, temos de percorrer o resto do
caminho até a fé”;
• A fé vai para onde a razão aponta, porém não
se limita ao ponto em que a razão se detém
(Is 40.31: a fé vai além!).
“NÃO CAMINHAREI COM SEUS OLHOS
PROGRESSISTAS, ERGUIDOS E SÁBIOS. DIANTE DELES
SE ABRE O NEGRO ABISMO E PARA LÁ TENDE O SEU
PROGRESSO.”
(J.R.R.TOLKIEN (1931), FALANDO SOBRE O NAZISMO)